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[Casa das noivas] 05 - leandra logan - uma noiva para papai

  1. 1. Uma Noiva Para Papai Leandra LoganCasa das Noivas 5 Uma Noiva Para Papai Leandra Logan Este Livro faz parte de um projeto sem fins lucrativos e de fãs para fãs. A comercialização deste produto é estritamente proibida. Digitalizado por Tamires ap. Sousa 1
  2. 2. Uma Noiva Para Papai Leandra LoganCasa das Noivas 5 Anteriormente na Casa das Noivas... Casa das Noivas em Sídnei. A loja e as pessoas... Uma nova filial da cadeia Casa das Noivas em Sídnei, Austrália, não é nenhuma surpresa. Mas um novo ramo da família DeWilde é certamente uma descoberta chocante! Natasha Pallas alcançou seu objetivo, e conseguiu devolver uma das jóias desaparecidas à coleção dos DeWilde. No caminho, ela também se apaixona por Ryder Blake, o poder e a energia por trás da Casa das Noivas australiana. De posse do valioso bracelete, Nick Santos dirige-se a Londres e a outro surpreendente segredo DeWilde! 2
  3. 3. Uma Noiva Para Papai Leandra LoganCasa das Noivas 5 Querido Gabe, Este é só um bilhete para informá-lo de que estarei chegando de Paris napróxima quarta-feira, ansiosa para assumir meu novo e humilde cargo na loja deLondres. Em circunstâncias ordinárias estaria contando com uma banda e um motoristauniformizado esperando por mim no aeroporto. Mas ainda tenho a intenção de provarmeu talento de estilista sem a interferência da família e, portanto, será um prazer irpara casa sozinha. Dê lembranças minhas a todos os parentes e peça a eles para, porenquanto, ignorarem minha existência! Sua prima, Tessa. 3
  4. 4. Uma Noiva Para Papai Leandra LoganCasa das Noivas 5 CAPÍTULO I - Não entendo por que veio se instalar neste apartamento apertadoquando dispunha de todas as ruas de Londres para escolher. - GabrielDeWilde parecia chocado enquanto despia a capa de chuva. - Tessa, isso éexcentricidade demais, mesmo para você! Tessa Montiefiori sorriu com tolerância carinhosa enquanto via oprimo pendurar a capa no cabide atrás da porta. Adiara aquela visita ao seuapartamento durante quase dois meses, sabendo que seu modesto estilo devida chocaria Gabe, mas essa noite de domingo havia sido o limite para ele.Gabriel telefonara para dizer que estava indo para sua casa e desligaraantes que ela pudesse protestar. - Oh, Gabe, gostaria de ter cobrado um centavo por cada vez que mechamou de excêntrica nesses anos todos! - Mas desta vez você conseguiu superar-se – ele insistiu, seguindo-aaté a pequena sala de estar. - Fingir que é uma estilista principiante eesconder-se sobre o nome Jones, quando faz parte da família... Podemoscolocá-la num cargo de chefia na Casa das Noivas amanhã mesmo, se quiser!Agora que sou o diretor executivo da filial londrina, posso nomeá-la gerentede vendas da loja. Seria uma alegria tê-la... - Gabe, você já fez esse discurso há seis semanas, quando tudocomeçou. Meus sentimentos não mudaram. Se puder vender meus vestidospara o público e a crítica especializada sem revelar que faço parte dafamília, provarei que meu talento é verdadeiro. Não quero que osempregados da loja o acusem de nepotismo. Não acha que este é o desafiomais criativo que já enfrentei? Gabe suspirou. Tessa estivera afastada desde que deixara auniversidade, três anos atrás. Começara ocupando modestas posições naslojas de moda da Costa Oeste americana, e depois tornara-se aprendiz deum famoso estilista francês em Paris. Fora visitá-la nos dois lugares, semprena esperança de convencê-la a ir trabalhar na filial londrina da cadeiafamiliar.. Finalmente ela havia concordado, mas impusera suas condições. - Para dizer a verdade, Tessa, quando anunciou que estava voltandopara casa, esperava ouvi-la dizer que ocuparia seu lugar na Casa das Noivas,como cabe a um membro da família. Pensei que houvesse superado sua faseexperimental! 4
  5. 5. Uma Noiva Para Papai Leandra LoganCasa das Noivas 5 - Não é uma fase! Pretendo enfrentar novos desafios e testar meusconhecimentos em situações inusitadas até o fim da vida! É isso quepreserva o frescor de um profissional. - Receber salários modestos e viver nesta pensão disfarçada deedifício é desnecessário e inconveniente. - Gabe examinou o ambiente. Asparedes estavam descascadas, o piso de madeira não tinha brilho, e ascadeiras que faziam conjunto com o sofá deviam ter escapado da últimaguerra. - Este é o cenário perfeito para uma simples balconista - elaprotestou teimosa. - Além do mais, gosto daqui. Afinal, por que está criandoconfusão agora, quando falta tão pouco para a realização do meu concurso? - É exatamente no concurso que estou pensando. Ainda há tempo paraanunciar quem realmente é, antes de encarar a imprensa amanhã. Todos osgrandes jornais estarão cobrindo a entrega do pacote de núpcias da ButiqueExperimental. - Este é o momento para o qual venho trabalhando há meses, Gabe.Sonho com a chance de exibir um dos meus vestidos de noiva e provar meutalento. - Pense no constrangimento que vai enfrentar se alguém descobrirque é uma Montiefiori. - Ninguém descobrirá. Não moro em Londres há anos, desde que fuimandada para aquela escola na Suíça. Naquela época era uma pessoadiferente, cheia de gordurinhas infantis e com cabelos curtos e retos.Aquela imagem de moleque desapareceu. Gabe não podia desmenti-la. A figura esguia e os cabelos longos, deum tom único entre o louro e o vermelho, eram o retrato da feminilidade. - A farsa chegará ao fim dentro de alguns dias - ela continuou comtom animado. - A publicidade gerada pelo concurso trará o reconhecimentodo meu talento. Então poderei revelar minha identidade. - Mesmo que o resultado não seja tão bom quanto imagina? Otimista por natureza, Tessa nem pensara nessa possibilidade. - Sim, creio que sim. - Ela encolheu os ombros. - Se as coisas nãoacontecerem como espero, terei de reavaliar minha posição. Talvez siga paraa loja de Nova York e assuma o nome Smith - sugeriu brincando. Gabe riu e olhou pela janela do segundo andar. Mesmo à luz fraca doentardecer, podia constatar que a vizinhança era agradável, apesar demodesta. Jardins floridos adornavam a entrada das casas do outro lado da 5
  6. 6. Uma Noiva Para Papai Leandra LoganCasa das Noivas 5rua, e gramados bem cuidados ocupavam os canteiros de algumasconstruções muito antigas, porém bem preservadas. - De quem é esta casa, afinal? - De uma viúva encantadora. - Tessa sorriu. - A sra. Mortimertransformou a mansão em quatro apartamentos há muitos anos, por razõesfinanceiras e para ter companhia, também. Ela é adorável! Trata osinquilinos como se fossem seus parentes. - Era tudo que você queria - ele provocou.- Mais parentes. De fato, os familiares eram muitos entre os DeWilde e osMontiefiori. Mas a mãe de Tessa falecera num acidente aéreo quando elaera apenas um bebê, e a sra. Mortimer satisfazia aquela espécie de carênciapor afeto maternal. - Gostaria que pudesse ficar satisfeito com minha volta, Gabe, e queapoiasse meu plano, mesmo sendo incapaz de aprová-lo. Ele a encarou com um sorriso carinhoso. - Pode contar comigo. Não vim aqui só para reclamar. Quero ver ovestido que está mantendo sob segredo. - Pensei que nunca pediria! Tessa aproximou-se da área de trabalho junto à janela e afastou ospainéis da cortina japonesa que escondiam um manequim. O corpo de plásticosustentava sua criação, um lindo vestido branco composto por um corpete derenda com decote reto abaixo dos ombros e uma saia ampla de crepe daChina. Os olhos de Gabe brilharam, repletos de aprovação. A paixão deTessa pela vida e a coragem para assumir riscos refletiam-se em seutrabalho. - É fabuloso! Muito inovador. Exatamente o que procuramos para aloja. Tessa ficou mais. animada e começou a descrever a criação. - Vê estas pequenas pregas na cintura? Não acha que elas criam ailusão de múltiplas camadas na saia? E o que achou do bordado delicado nos ombros? - Você é uma verdadeira mestre nos detalhes. Tenho certeza de queconquistará a fama com esse desenho. - De repente ele se virou para a cozinha. - Estou sentindo cheiro deensopado? 6
  7. 7. Uma Noiva Para Papai Leandra LoganCasa das Noivas 5 Tessa franziu o nariz numa expressão concentrada. - Sim, é ensopado. - - Não me diga que aprendeu a cozinhar! – Ignorando o protesto daprima, ele invadiu a cozinha e destampou as panelas que encontrou sobre ofogão. - Não há nada aqui! -É claro que não. O cheiro que está sentindo vem do ensopado da sra.Mortimer. O apartamento dela fica bem embaixo do meu. - Mas... é como se ela estivesse cozinhando aqui! - Estamos numa construção muito antiga, Gabe. Os sons e os aromasultrapassam os limites frágeis de portas, janelas e paredes. - Felizmente, neste caso o cheiro é delicioso – Gabe comentou aoretornar da cozinha. - Ela deve ser uma excelente cozinheira. - Oh, sim, e muito generosa, também. Basta alguém tocar a campainhae a sra. Mortimer já começa a preparar o café. Temos um acordo, sabe? Eucosturo suas roupas e limpo a escada entre os nossos apartamentos e, emtroca, ela me alimenta ocasionalmente. Ei, tenho uma idéia! Se quiser serGabe Jones, primo de uma pobre balconista desconhecida, posso convidá-lopara jantar. - Lianne está me esperando em casa. - Nós a convidaremos também. Ela será a sra. Jones. - Sabe de uma coisa, Tessa? Você é a mulher mais irritante que jáconheci! - Ele riu. - É um prazer atormentá-lo. Tem sido difícil comportar-meadequadamente na loja e manter uma distância formal. É a única falha domeu plano perfeito. Gabe viu Tessa contornar o manequim, verificando o comprimento dasaia com o auxílio de uma fita métrica, removendo alfinetes com a práticaque só a experiência pode conferir. Era uma mulher linda e graciosa, e jádevia ter encontrado outro homem para atormentar além do primo. Nãoconseguia acreditar que ninguém houvesse se apaixonado por ela. Por outrolado, só um homem especial seria capaz de lidar com o gênio inovador eexcêntrico de Tessa e ainda corresponder aos seus elevados padrões. Elaencarava a vida de frente, de forma corajosa e apaixonada, e o gosto portudo que fugia ao convencional podia afastar a maioria dos homens. Por maisque se entendessem, e apesar da certeza de ser seu primo favorito, Gabe asentira escapando de sua esfera de influência ao longo dos últimos anos.Tessa era, sem dúvida, senhora do próprio destino. Só um homem forte e 7
  8. 8. Uma Noiva Para Papai Leandra LoganCasa das Noivas 5confiante sustentaria um romance com uma mulher tão determinada eindependente. É claro que tudo seria diferente se ela se interessasse poralguém. O pobre escolhido não teria a menor chance de escapar! Gabe coçouo queixo numa atitude distraída. Quanto mais pensava em Tessa apaixonada,mais gostava da idéia. Ela precisava de um marido, um homem sólido econfiável que pudesse aparar suas asas e fazê-la pousar os pés no chãogradualmente, sem assustá-la. Estava tão feliz desde que se casara comLianne no último verão, que só desejava que todos no mundo desfrutassemda mesma plenitude. - Em que está pensando? A voz de Tessa o assustou. - Oh, eu... estava apenas refletindo. Com o passar dos anos, serei cadavez menos necessário em sua vida. - Pobrezinho! Acontece que preciso de sua ajuda neste exatomomento. - Ela riu. - Venha me ajudar com a fita métrica, sim? Gabe aproximou-se do vestido com cuidado quase reverente. - O que quer que eu faça? - Segure a ponta da fita bem aqui. - Ela mostrou a cintura do vestido,onde o crepe fora costurado à renda do corpete. Relutante, Gabriel ajoelhou-se ao lado dela, pensando em todos osempregados que Tessa poderia ter ao seu dispor se aceitasse um cargo dechefia na loja. - Espero que toda essa farsa valha a pena. - O trabalho foi feito, Gabe. O prêmio foi providenciado e tudo foiarranjado para o início do meu concurso amanhã. - Seu concurso? Por que insiste em chamá-lo de seu? Ela franziu a testa ao notar a expressão preocupada do primo. - O que está querendo dizer? - Pensei que soubesse. Shirley Briggs assumiu a autoria da promoção. - O quê? - Trata-se de uma prática comum na butique. Shirley usa sua posiçãode gerente para roubar as idéias de jovens estilistas como você. Há algumassemanas ela me procurou para discutir a idéia de lançarmos uma nova etalentos a estilista através de um concurso patrocinado pela loja. Disse quevocê havia sido escolhida para a promoção por ser um modelo muito atraentee estar criando um vestido adequado para a ocasião. 8
  9. 9. Uma Noiva Para Papai Leandra LoganCasa das Noivas 5 - Fui escolhida porque a idéia é minha! - Não tinha certeza disso na época. Você não me contou nada, e porisso não pude desmascarar Shirley. Tessa fechou os olhos para não perder acalma. - E isso que recebo por fazer tudo da maneira mais correta, valendo-me dos canais competentes. Como ela consegue repetir sempre o mesmotruque? - Um aprendiz nunca quer correr o risco de perder sua chance.Infelizmente, não posso agir sem dispor de provas. Trata-se de umaacusação muito séria. Não sei como essa mulher foi contratada! Ela éinadequada. Não se enquadra no perfil que a Casa das Noivas exige de seusfuncionários. Assim que tiver motivos legítimos e comprovados para demiti-la, não hesitarei em me livrar dela. Até lá... Tessa suspirou com um misto de aflição e raiva. - Gabe, isso é horrível! - Eu sei. Aquele departamento precisa de alguém com personalidade econhecimentos adequados para transformá-lo em algo especial, algo quelançaria a Casa das Noivas no século vinte e um. Os olhos verdes foram iluminados por um brilho astuto. - Está apelando para o meu lado mais ambicioso, e não faz questãonem de ser sutil. - Então, aceite o desafio! Surpreenda a imprensa com uma notícia deverdade amanhã. Ela balançou a cabeça com firmeza. - Não. Primeiro quero saber qual é a opinião da crítica sobre o meutrabalho. E quero uma opinião imparcial, livre de preconceitos. - Está bem. - Gabe suspirou. - Você deve saber o que está fazendo. Ovestido. é maravilhoso. No entanto, não sei se devemos deixar uma porçãotão grande de colo à vista. - Está falando como um velho homem casado tentando proteger o queé seu! - Reconheço que adoraria esconder Lianne dos olhos de outroshomens, mas não se trata de pudor ou, moralismo. - Vá direto ao ponto. O que pretende? - Estava apenas imaginando como valorizar um decote tão ousado. - Eretirou uma pequena caixa de couro azul-marinho do bolso do paletó. Sobre 9
  10. 10. Uma Noiva Para Papai Leandra LoganCasa das Noivas 5o leito de veludo havia uma linda gargantilha. Era uma peça delicada, comuma grande e perfeita pérola no centro e fileiras alternadas de diamantes epérolas menores. Tessa deixou escapar uma exclamação de surpresa. O pai dela,George Montiefiori, havia distribuído parte de sua herança de família entreos quatro filhos, e ela recebera aquele colar. Depois da universidade, quandocomeçara a viajar, entregara a jóia a Gabe para que ele a mantivesse emsegurança. - Foi uma excelente idéia trazê-la! - Sorrindo, pegou a gargantilha dacaixa e aproximou-se do espelho preso à parede. O reflexo de Gabe uniu-se ao dela quando tentava prender o fecho. - Deixe-me ajudá-la. - Ele ajustou o colar com facilidade, acostumadoa lidar com as jóias da família. - Você ostenta a gargantilha com a mesma elegância que Celestecertamente possuía. Tessa ajustou o colar sobre a marca de nascença em forma decrescente na base do pescoço, um sinal idêntico ao ostentado pela avó, queabandonara seu pai e seu avô muitos anos antes. Apesar de ter herdado apersonalidade independente de Celeste, Tessa não era capaz de imaginar-sefazendo a mesma escolha de vida. - É o acessório perfeito para o meu vestido de noiva. Quero dizer,para o vestido que criei para o concurso - corrigiu-se apressada, notando osorriso de aprovação que iluminava o rosto do primo. - Foi o que eu pensei. Pode dizer a todos que a jóia pertence aosDeWilde, e que nós a emprestamos para abrilhantar o evento. - Certo. - Quem sabe não se anima e decide usá-la no dia do seu casamento? - Gabe! - ela exclamou com uma careta de desgosto. - Desde que você e Lianne se casaram, não consegue mais aceitar quealguém pode ser feliz solteiro. - Tem razão. - Pois saiba que estou muito satisfeita sozinha. Adoro acordar semsaber como será meu dia. - Amar Lianne só tornou minha vida melhor. Gostaria muito de vê-lafeliz ao lado de alguém que a mereça. Tessa virou-se e ergueu-se na ponta dos pés para beijá-lo no rosto. 10
  11. 11. Uma Noiva Para Papai Leandra LoganCasa das Noivas 5 - Tire essa idéia da cabeça. Matrimônio não faz parte da minha listade projetos para o futuro. Sou uma profissional, Gabe, uma mulher voltadaexclusivamente para a carreira. CAPÍTULO II -Oh, veja, vovó Milly! – A pequena Natalie estava excitada. - Ali! Millicent Sanders levantou-se do banco onde estivera descansando,bem ao lado da porta da loja Casa das Noivas, e olhou na direção apontadapela neta. Além do balcão de cosméticos, clientes aglomeravam-se em tornode um pedestal giratório onde uma modelo exibia um vestido de noiva. Natalie suspirou com ar sonhador. - Deve ser uma princesa. Nicky cutucou a irmã com o cotovelo. - Uma Cinderela-mamãe. Millicent não se surpreendeu com as estranhas conclusões. Amantesdos contos de fadas, as crianças consideravam a Inglaterra o lugar ondeseus personagens favoritos viviam felizes para sempre. A loja mundialmenteconhecida, com sua decoração elegante e cintilantes vitrinas de jóiasdeslumbrantes, representava uma espécie de reino encantado em suasmentes inocentes. E uma linda modelo num elaborado vestido de noiva, os cabelos clarosarranjados numa coroa sob a grinalda de pérolas, era a personificação daprincesa encantada. E o tipo de mãe com que o par sonhava e da qualprecisava. As crianças puxavam Millicent pelas mãos, ansiosas para participaremda ação. - Mas só entramos aqui para que eu pudesse descansar um pouco! . - Por favor, vovó! - Está bem. - Millicent sorriu bem-humorada, apesar do cansaço. Noconjunto Channel azul-turquesa, os cabelos prateados e curtos, comomandava a moda, ela aparentava menos que seus setenta anos. Infelizmente,sentia o peso da idade e enfrentava dificuldades para acompanhar o ritmo 11
  12. 12. Uma Noiva Para Papai Leandra LoganCasa das Noivas 5frenético dos netos. Mas, por enquanto, era a única figura materna que elestinham, e desempenharia o papel com dedicação até que seu filho viúvo,Steven, tivesse o bom senso de se casar novamente. Naturalmente, estar numa loja especializada em matrimônios sóenfatizava sua ânsia de encontrar uma nova nora. Como seria glorioso guiá-lapelos corredores da famosa Casa das Noivas! De posse de seu cartão decrédito, compraria tudo que a filial londrina tivesse para oferecer demelhor. - O que está acontecendo? - Nick perguntou, pulando para tentarenxergar melhor o pedestal com a modelo. Uma mulher num elegante vestido preto virou-se para eles. - A loja está patrocinando um concurso. O prêmio será um pacote comtudo que é necessário para a realização de um casamento. - Que maneiraestranha de falar! - Natalie observou, interessada. - O motorista do táxique nos trouxe até aqui falava da mesma maneira. - E a primeira vez que eles viajam para fora do país - Millicentexplicou, embaraçada. - As crianças são de Nova York, e vieram a Londresacompanhando o pai numa viagem de negócios. O rosto da inglesa iluminou-se e ela sorriu para os pequenos. Frágil emagra, Natalie era o retrato da feminilidade em seu vestido cor-de-rosa. Asmeias brancas e rendadas e os sapatos de verniz preto não pareciamincomodá-la, e os longos cabelos castanhos eram adornados por um laço defita. Nick era mais forte e robusto, um típico menino americano no pulôverque combinava com a calça escura, os cabelos dourados bem curtos e o rostoredondo marcado por duas encantadoras covinhas. Apesar de ter apenasquatro anos de idade, Nick já alcançava a irmã de seis em altura e peso. A mulher abaixou-se perto deles com um sorriso terno. - Onde está a mamãe? - perguntou. - Ela foi para o céu - Natalie respondeu num sussurro, pousando asmãos sobre as orelhas do irmão. - Nick não entende bem o que aconteceu com nossa mãe - explicou,depositando um beijo no rosto do menino antes de ser empurrada por mãosrechonchudas e nervosas. Millicent notou a inquietação da desconhecida e decidiu interferir. - Não lamente ter mencionado minha nora. Renee nos deixou há trêsanos. A mulher deixou transparecer o alívio. 12
  13. 13. Uma Noiva Para Papai Leandra LoganCasa das Noivas 5 - Podemos nos aproximar, vovó? - Natalie pediu. Segurando as mãos das crianças com força, Millicent abriu caminhoentre as pessoas que cercavam o pedestal. Nick estava boquiaberto. - Ela é de verdade? Natalie encolheu os ombros. - Deve ser alguém importante. Mas quem? Cinderela? Branca deNeve? Alice? Você a conhece, vovó? - Talvez... - Millicent estudava o extravagante colar que a modelousava com elegância. Tinha a impressão de já ter visto a jóia e a moça emalgum lugar. - Vamos, Nick. - Natalie segurou os ombros do irmão. Perdida nos próprios pensamentos, Millicent recomendou cautela aovê-los avançarem para o cordão de veludo que cercava o pedestal.Lamentava o efeito que o tempo exercia sobre seu corpo. Durante anosgozara de uma visão perfeita, mas agora precisava dos bifocais que extraíada bolsa para enxergar com um mínimo de nitidez. Aproximando-os do rosto,examinou a jovem valendo-se das duas metades das lentes, prestandoespecial atenção ao colar que adornava o pescoço delicado. Agora tinhacerteza. A modelo possuía uma semelhança evidente com sua velha amigaCeleste Montiefiori, que também era descendente da família DeWilde. Ambas exibiam o mesmo nariz empinado no rosto de formatomarcante e bem definido. E as pérolas não eram as mesmas que Celestecostumava usar com os vestidos mais ousados para esconder a marca denascença na base do pescoço? Ora, ela mesma tivera oportunidade de usaraquela jóia algumas vezes, no Festival de Cinema de Cannes, na década desetenta, e no baile inaugural de Ronald Reagan nos anos oitenta. Haviam compartilhado momentos tão especiais! Mas, como aconteceracom todos os velhos amigos, o contato com Celeste tornara-se poucofreqüente. As obrigações familiares a mantinham presa em Nova York,deixando pouco tempo para longas viagens ou eventos sociais. Era intrigantever o colar novamente. Duvidava de que Celeste o houvesse confiado aalguém que não fosse da família. Millicent fora a única pessoa a quem elajamais emprestara a jóia, e só porque fora muito insistente. Talvez a modelo fosse uma neta, filha do filho de Celeste, George. Senão estava enganada, ele tinha três garotas e um rapaz. E a Casa das Noivasera uma empresa familiar, com vários parentes atuando nas cinco filiais 13
  14. 14. Uma Noiva Para Papai Leandra LoganCasa das Noivas 5espalhadas pelo mundo. Millicent conhecera Celeste vinte anos atrás no sulda França, onde ela fora recuperar-se do rompimento amoroso com umfamoso diretor do cinema italiano. O presente de despedida proporcionara férias encantadoras que elatratava de aproveitar ao máximo. Ao contrário de Millicent, que semprepusera a família e suas obrigações acima de tudo, Celeste preferia viverafastada dos parentes e dizia-se incapaz de assumir responsabilidades.Investia todo o tempo e a energia de que dispunha em ligações arriscadas enum estilo de vida luxuoso, cortesia de amantes extravagantes cujospresentes ela jamais recusava. Para surpresa mútua, as duas mulheressentiram uma simpatia imediata e intensa. Apesar das circunstânciasdistintas, tornaram-se muito amigas e passaram os anos seguintesparticipando de almoços animados e divertidos acontecimentos sociais. Millicent considerava aquela época uma das melhores de sua vida,quando ela e Robert possuíam bons relacionamentos. A companhia debrinquedos, a Sanders Novelties, surgira na década de quarenta e tornara-se a principal fabricante americana de jogos de tabuleiro. Fundada por seusogro, Gerald, a empresa fora herdada por Robert e acabara nas mãos deSteven, que atualmente a administrava. Por mais que gostasse de cuidardele e de seus filhos, estar fora de casa e pensar em Celeste despertarauma certa nostalgia. - Posso ajudá-la, senhora? - Uma mulher rechonchuda e de meia-idadenum vestido de tafetá dourado estava parada ao lado dela. O rosto angulosoe os olhos escuros e pequenos a tornavam carrancuda, e os cabeloscastanhos presos num coque só contribuíam para a imagem sisuda. - Trabalha neste departamento? A mulher sorriu orgulhosa. - Sou gerente da Butique Experimental da Casa das Noivas deLondres. Meu nome é Shirley Briggs. Veio comprar alguma coisa? Umpresente de casamento, talvez? - Ainda não, mas espero vir no futuro próximo. - Millicent notou aexpressão confusa da funcionária e tratou de explicar-se. - Para umparente. - Um filho obcecado por trabalho que não sabia cuidar da própriavida. Shirley carregava um cesto de vime cheio de brochuras cor-de-rosacom o logotipo da Casa das Noivas na capa. - Veio numa ocasião oportuna, então. Estamos realizando um concursocujo prêmio será um pacote de casamento completo. 14
  15. 15. Uma Noiva Para Papai Leandra LoganCasa das Noivas 5 Natalie olhou para a funcionária com expressão encantada. - Ela é uma princesa de verdade? Shirley considerou a idéia divertida e não tentou, conter o riso. - Certamente não. Ela é apenas uma aprendiz de estilista da butiqueexibindo uma de suas criações. O vestido faz parte do prêmio que mencionei- ela explicou para Millicent. - Queremos atrair a atenção da mídia e dopúblico em geral para os jovens talentos descobertos pela loja. O vencedordo concurso receberá um vestido idêntico àquele e tudo que é necessáriopara transformar em realidade o sonho de um casamento, incluindo arecepção e a lua-de-mel. Nick virou-se com expressão desconfiada. - Mas ela mora num castelo. A paciência de Shirley diminuía rapidamente. - É pouco provável. Ela é apenas uma funcionária modesta. - Então deve ser Cinderela! - Natalie deduziu triunfante. - Ela erapobre, lembra? - perguntou ao irmão. - Depois o príncipe foi procurá-la paradevolver o sapatinho e eles se casaram. Nick abaixou-se e tentou enxergar alguma coisa sob o vestidocomprido. - Não consigo ver os pés dela, Natty. A menina olhou para Shirley Briggs. _ Pode pedir para ela erguer o vestido, por favor? Só um pouquinho. A gerente da butique respirou fundo. - Ela está se comportando como um manequim. Não pode falar comninguém, nem se mexer. – Temendo parecer antipática a uma cliente empotencial, virou-se para Millicent e forçou um sorriso. – Que imaginação! Mas Millicent não ouvia. A modelo mudara de posição, certamentevenci da pelo cansaço, e a pequena inclinação revelara uma marca denascença. Abrindo mão da vaidade, pôs os óculos sobre o nariz paraenxergar melhor e certificou-se de que o pequeno crescente era idêntico aode Celeste, e no mesmo lugar, também. Não havia mais dúvidas. Aquelajovem era uma Montiefiori. Mas por que, em nome de Deus, trabalhava numa loja dedepartamentos? Shirley Briggs dissera que ela era apenas uma empregadamodesta. O mistério por trás da estranha situação era intrigante o bastantepara merecer sua atenção. 15
  16. 16. Uma Noiva Para Papai Leandra LoganCasa das Noivas 5 - Como ela se chama? - Tessa Jones - Shirley respondeu, aparentemente surpresa com apergunta inusitada. Tessa... Se a memória não lhe pregava uma peça, Celeste tinha trêsnetas, Vanessa, Catherine e... Tessa! Sim, era isso! - Perdoe minha curiosidade, mas Jones é o nome da família do maridoda jovem? - Ela é solteira. A maioria das nossas jovens estilistas prefere secasar com o trabalho nesse estágio inicial de suas carreiras. Natalie sorriu para a avó. - Será que ela gosta de crianças? Nick também sorria. - Espero que sim! Millicent compreendeu que os dois acreditavam que a noiva faziaparte do prêmio. Se ao menos fosse verdade! Celeste sempre dissera que asnetas eram criaturas doces e adoráveis, e a jovem em questão demonstravater talento e ambição. Steven podia encontrar opções bem piores nosambientes que freqüentava. Ora, a quem tentava enganar? Ele já haVia sedeparado com mulheres horríveis, e sempre com deliberação irritante. Como adoraria colocá-lo no caminho de Tessa sem usar desubterfúgios, levá-lo à loja e apresentá-los. Mas Steven havia se cansado desuas tentativas bem intencionadas. Se estivesse apenas vivendo num limbode solidão, esperando que a garota certa batesse em sua porta, seria capazde aceitar sua decisão. Mas ele insistia em desperdiçar suas noites emclubes e casas noturnas de gosto duvidoso. Steven dizia que era apenasdiversão, mas Millicent sabia que era só uma questão de tempo antes queuma predadora o agarrasse e estragasse tudo. tirá-lo novamente decirculação e colocá-lo nas mãos de uma mulher tão valiosa quanto sua finadaesposa, Renee, tornara-se a mais importante missão de sua vida. Natalieaproximou-se com um olhar determinado, que Millicent acostumara-se a verem Steven sempre que ele tinha uma boa idéia. - Vovó, acho que este pode ser um bom negócio para nós. - Concordo. - Ambas olharam para Shirley, cujo rosto expressavacuriosidade. Depois de alguns instantes esperando em vão por uma explicação, agerente da butique começou a recitar as regras do concurso. 16
  17. 17. Uma Noiva Para Papai Leandra LoganCasa das Noivas 5 - Os participantes entregam uma redação de no máximo cem palavrasexplicando por que se consideram merecedores do prêmio. Gabriel DeWilde,nosso diretor executivo, julgará as composições e escolherá aquela quejulgar melhor. - Adoramos nossos livros de histórias! – Nick aplaudiu entusiasmado. - Estamos interessados em relatos da vida real - Shirley esclareceu,retirando uma das brochuras do cesto de vime. - Aqui está - disse,entregando o volume a Millicent. - Deve preencher o formulário na primeirapágina e escrever sua redação no espaço restante. - Então, só preciso preencher os espaços, escrever um bom texto edevolver o material? - Exatamente. - Tem alguma sugestão a dar? Shirley parecia satisfeita por ter sido consultada. - Em primeiro lugar, aconselho um título criativo que chame a atençãodo leitor, algo com que o público se identifique. Depois, um conteúdo originalsobre algum fato da vida real, sem esquecer que o relato deve estar ligadoao prêmio em questão. Ter uma história dramática para contar seria um bomcomeço. A Casa das Noivas quer mudar a vida de alguém, entende? Causarimpacto. Millicent e Natalie trocaram um sorriso. O drama era uma dasespecialidades dos Sanders. - Infelizmente, terão de se apressar - Shirley continuou. - Ostrabalhos deverão ser entregues até as cinco horas da tarde de hoje, e apremiação está marcada para amanhã, ao meio-dia. Espero que não sejatarde demais para vocês. O sorriso de Millicent ampliou-se. - Pelo contrário, srta. Briggs. Creio que chegamos na hora exata. Shirley Briggs se afastou e Natalie puxou o irmão pela manga dopulôver. Millicent estava pensativa. Devia dizer às crianças que a noiva nãofazia parte do prêmio. Mas isso os desestimularia para o trabalho earruinaria a chance de colocar Steven e Tessa na mesma órbita. Além domais, todos precisavam de uma aventura. Especialmente Steven.Ultimamente ele trabalhava demais na busca de um distribuidor europeupara os Patrulheiros do Espaço, as figuras de ação que havia criado. - O que faremos agora, vovó? - Nick quis saber. 17
  18. 18. Uma Noiva Para Papai Leandra LoganCasa das Noivas 5 - Vamos almoçar e decidir qual a melhor maneira de contarmos nossahistória. Por que não pensam num bom título a caminho do restaurante? Natalie parou e olhou para um ponto distante no espaço. - "Uma Noiva Para o Papai". O que acham? Às vezes Millicent se surpreendia com o raciocínio da neta. - Excelente, querida! - Não vai ser nada difícil - a menina decidiu orgulhosa. - O mais difícil será manter a surpresa. Insisto para que não contemnada ao seu pai. - Surpresa? - Natalie protestou. - Gostamos de contar tudo ao papai. - Eu sei. - Cada gole de vinho do porto, cada viagem de metrô, cadasorvete de. chocolate era imediatamente incluído no relato diário que osdois pequenos faziam ao pai. - Mas não quero que ele tenha esperanças.Depois, se vencermos, teremos tempo de sobra para celebrar. Steven Sanders voltou à suíte no London Hilton Hotel em Park Lanepor volta das quatro da tarde de quinta-feira. Assim que abriu a porta,Natalie e Nick saíram correndo do quarto que ocupavam do outro lado dasaleta. - Papai! - gritaram em coro, abraçando suas pernas. - E então, como foi o primeiro dia de alegria na boa e velhaInglaterra? - ele perguntou, os olhos azuis cheios de orgulho enquantobeijava as cabeças dos filhos. - Foi ótimo! - Natalie respondeu com euforia. Mantendo o ritual do apartamento na Quinta Avenida, ela entregou apasta do pai a Nicky e começou a puxar a manga do paletó preto de Steven,ajudando-o a despi-lo. - E o seu dia, como foi? - Razoável. - Deixou que as crianças o guiassem até a poltrona, ondese sentou com um deles em cada joelho. Só então notou que já usavampijamas. - Ei, não é cedo demais para irem para a cama? - Olhou para a mãesentada diante da escrivaninha do outro lado da sala e notou que ela tambémvestia um robe de seda púrpura. Millicent encolheu os ombros sem desviar os olhos das palavrascruzadas do Times aberto à sua frente. 18
  19. 19. Uma Noiva Para Papai Leandra LoganCasa das Noivas 5 - Eles colocaram os pijamas para o cochilo da tarde, e acheidesnecessário vesti-los novamente. - Tinha planos de levá-los para jantar fora. Millicent deixou escapar um suspiro dramático. - Os pobrezinhos estão completamente exaustos! Steven conteve um sorriso. Não era a primeira vez nas últimassemanas que a mãe usava aquele truque para disfarçar o próprio cansaço. Seao menos aceitasse suas limitações! Mas ela se recusava a admiti-las,especialmente nos últimos tempos. Estava desempenhando o papel da mãeincansável para dissuadi-lo da idéia de contratar uma babá. Mas estavadeterminado, e pretendia encontrar uma profissional competente durante aestadia em Londres e, se possível, levá-la para casa na semana seguinte,quando partissem. - Temos uma surpresa, papai - Nick anunciou entusiasmado. - Umagrande surpresa. - É mesmo? Estou maluco para saber do que se trata. - Mas não podemos contar! - Natalie exclamou indignada. - Caso contrário, deixaria de ser uma surpresa. - É impossível discutir com a lógica dessa menina, Steven - Millicentcomentou. - Tem razão, mamãe. Quanto tempo terei de esperar pela bomba...Quero dizer, pela agradável revelação? - Não se preocupe, meu filho. É só uma brincadeira inocente dascrianças. Como foi a reunião? - Boa para um começo. - Steven espreguiçou-se e jogou a cabeça paratrás. No momento em que se moveu, sentiu as mãos dos filhos nos cabelos esorriu, lembrando-se do jogo inventado recentemente: procurar fiosbrancos entre os castanhos. A contagem progredia diariamente. - Acho quea Brinquedos Butler se interessou por minha proposta. Ainda é cedo parater certeza de alguma coisa. A reserva britânica de Franklin Butler dificultauma interpretação mais próxima da realidade, mas pelo menos começamos aconversar. Trouxe algumas amostras dos Patrulheiros... - Trouxe bonecas para cá? - Natalie já havia descido do joelho do paie transferia a pasta da mesa de café para o chão, onde a abriu sem nenhumadificuldade. - Os Patrulheiros são personagens de ação, Nat - Steven protestou. 19
  20. 20. Uma Noiva Para Papai Leandra LoganCasa das Noivas 5 A menina examinou as figuras vestidas em reluzentes uniformesespaciais e fez uma careta decepcionada. - Só brinco com bonecas. - Prefiro os monstros - Nick resmungou, tirando o boneco da mão dairmã. Steven riu. As crianças estavam sempre prontas a surpreendê-lo comsuas opiniões decididas. A reação dos filhos à sua criação teriasurpreendido os empregados da Sanders Novelties em Nova York, gente queo tratava como um santo milagreiro por ter salvado da falência a companhiaque fora de seu pai e protegido seus empregos. A linha de super-heróis eracampeã de vendas nos Estados Unidos desde que começara a sercomercializada, e era responsável pela atual invasão de desenhos animados,histórias em quadrinhos e espetáculos de patinação no gelo em torno dosmesmos personagens. - Qual é a graça, papai? - Nicky perguntou. - Estou tentando assustá-lo. Rrr... Steven gargalhou. - Você deve ser o único menino no mundo que faz o capitão LanceStarbuck rugir como um urso faminto. - Um visionário, como o pai - Millicent sugeriu orgulhosa. Nick levantou os braços do boneco e investiu contra Natalie, sabendoque ela era presa fácil. - O monstro peludo vai pegar você! - Pare com isso! - a menina gritou apavorada, pulando no colo do pai. -Faça-o parar, papai! Não tem graça nenhuma. Nicky tem um problema decomportamento. Steven acalmou as crianças e colocou-se entre eles. - Quando concordei em tirá-los da escola por alguns dias para viremcomigo nesta viagem, vocês prometeram que iam se comportar bem.Lembram? - O pré-primário é muito mais importante que o jardim da infância -Natalie decretou orgulhosa. - No pré, ninguém faz bonecos de ação secomportarem como monstros. Nicky respondeu com mais um rugido. - Eu tento ensiná-lo! - Natalie gritou com ar dramático. 20
  21. 21. Uma Noiva Para Papai Leandra LoganCasa das Noivas 5 - Deus, oh, Deus! Este menino precisa de uma mãe de verdade. Oh,Deus... - Steven- Millicent interrompeu ansiosa.- Estava falando sobre areunião de hoje. Acha que a Brinquedos Butler vai realmente produzir edistribuir os Patrulheiros do Espaço na Europa? - O pessoal de vendas está animado. O único problema é a atitudeconservadora da diretoria e do proprietário. Depois de meses detelefonemas e mensagens por fax, Franklin ainda não está certo dopotencial do produto no mercado europeu. - Por que não? - Não sei. Ele ainda não deu uma resposta direta. - Mas sua decisão de vir até aqui e fazer a proposta pessoalmentedeve acelerar o ritmo das negociações. - Mãe, nem todos me consideram irresistível. - Ele riu. - São todos uns tolos. - Suspirando, Millicent voltou às palavrascruzadas. Steven a observava com interesse. Havia algo de incomum nocomportamento da mãe, algum pequeno detalhe que não conseguiaidentificar. Por que mantinha a testa franzida, por exemplo? Seria algumapreocupação real, ou apenas a concentração nas palavras cruzadas? Como se sentisse o olhar desconfiado, ela perguntou: - O que pode ser bebida alcoólica à base de malte com seis letras? - Mmm... Uísque. - Perfeito! - Ela preencheu os espaços com movimentos estudados elargou a caneta sobre a mesa. - Pronto, terminei. - Terminou mesmo? - Preenchi todos os quadradinhos. Não é esse o objetivo? Steven estava impressionado. - Vejo que encontrou um maravilhoso passatempo, mãe. - Não necessariamente. Estava apenas um pouco inquieta, e por issoresolvi experimentar. - Os jornais americanos têm excelentes palavras cruzadas. Existemlivros inteiros dedicados a esse jogo. - É mesmo? 21
  22. 22. Uma Noiva Para Papai Leandra LoganCasa das Noivas 5 O tom gelado tinha o objetivo de silenciá-lo. Era a maneira maissevera que ela encontrava para censurá-lo. Ficaria furiosa se soubesse que otruque deixara de funcionar no décimo-segundo aniversário do filho. - Não fiz nenhuma insinuação - Steven justificou-se. - Só pensei queestivesse interessada em novas atividades. - Tenho ocupações de sobra, obrigada. Mas ambos sabiam que tudo iamudar. Com uma babá cuidando das crianças, ela estaria novamente livre.Desocupada e mais desesperada ainda para encontrar uma esposa adequadapara ele. Um arrepio percorria a espinha de Steven cada vez que pensava nafila de debutantes que se formaria em sua porta. - Foi só uma idéia. Se for realmente habilidosa com as palavrascruzadas... - Para ser honesta, nem todas se encaixam. – Millicent levantou-se eesticou os braços acima da cabeça. - Errei em algum lugar e não consegui mais resolver o enigma. - Devia usar um lápis. Assim poderia apagar os erros e ir equilibrandoas palavras até encaixar todas elas. - Vou pensar no assunto com a atenção que ele merece - ela prometeu. - Mas... - Quanto ao jantar, pedirei a refeição no quarto. - E desapareceu além da porta do quarto que dividia com os netos. - Peça espaguete - Steven sugeriu, piscando para as crianças. - Osuficiente para todos nós. - Podemos ficar acordados até mais tarde? – Natalie perguntouesperançosa. - É claro que sim. - E afagou a cabeça da filha. - Enquanto esperamos a hora do jantar, que tal brincarmos de trocarsurpresas? - Você começa - Nick decidiu. - Está bem. Frank Butler me deu um novo jogo de cartas que elelançou recentemente. Trata-se de uma versão ampliada do jogo de damasque vocês têm em casa, com algumas regras extras. Está na minha pasta,sob o envelope pardo. Natalie encontrou o baralho e espalhou as cartas coloridas sobre amesa de café. 22
  23. 23. Uma Noiva Para Papai Leandra LoganCasa das Noivas 5 - Por que chamam essa figura do baralho de dama? - Porque esse era o tratamento usado antigamente para as mulheresmais velhas que permaneciam sozinhas. E como no jogo. No final, a dama ficasem par. Natalie fez uma careta tristonha. - Como você, papai. Vovó está sempre dizendo que é um homemsozinho. Também está sem par. Steven sentiu o sorriso congelar nos lábios. - Estamos discutindo um termo usado apenas para as mulheres. - E como é chamado um homem que fica velho e sozinho? - Não sei, Nat. Honestamente, não estou preocupado com isso. - Alinha de pensamento de Natalie devia-se inteiramente à obsessão de suamãe. Tinha de convencê-la a parar de referir-se à sua família comoincompleta. Era perfeitamente capaz de dar às crianças todo o amor e oapoio de que precisavam. Os filhos eram obedientes, flexíveis, e pareciammuito bem ajustados. Tinha de fazer a mãe entender que seu atual estilo devida não era prejudicial aos garotos. Além do mais, perder uma esposa navida era tudo que julgava-se capaz de suportar. - Precisamos jogar - Natalie comentou, examinando as cartas comeuforia. - Sim, querida, jogaremos depois do jantar. - Steven inclinou-se nadireção da filha, que permanecia sentada a seus pés. - E então? - perguntoucom tom suave. - Não têm uma surpresa para mim? - Bem... - ela hesitou. - Prometemos não dizer nada. Era melhor preparar-se. Queria saber o que estava acontecendo, mastemia o que podia ouvir. Se a mãe orquestrara a tal surpresa, sabia quedevia esperar algum tipo de problema. - Vamos, desembuchem - inquietou-se. - O que aconteceu hoje? Millicent voltou à saleta nesse momento e respondeu pelos netos. - Eu os levei às maiores lojas da cidade. Harrods, Harvey Nichols,Asprey... Foi um dia comum. Nick protestou. - E a princesa vestida de noiva? Esqueceu-se dela, vovó? 23
  24. 24. Uma Noiva Para Papai Leandra LoganCasa das Noivas 5 - É claro que não. - Ela ajeitou os cabelos e lançou um olharsignificativo na direção do filho. – Como poderia esquecer uma princesa decontos de fadas? Um conto. Steven respirou fundo, experimentando um misto de alívioe irritação. Millicent acabara de assinalar que a surpresa era apenas umabrincadeira de faz-de-conta. Se havia preferido guardar segredo eraporque conhecia sua opinião sobre o assunto. - Nick - começou, tentando ser razoável com o filho - quantas vezesjá discutimos a diferença entre as histórias dos livros e a vida real? - Você vai ver, papai. - Nick levantou-se e correu para o quarto. . Segundos depois retornou carregando uma cópia bastante manuseadade Cinderela e o cobertor velho que levava a todos os lugares. Ele pulou nocolo do pai e começou a virar as páginas, até encontrar a figura da heroínachegando ao baile. - Aqui está! - Não entendi. - Steven franziu a testa. Millicent decidiu entrar em ação. - Estava um pouco cansada de caminhar pelas ruas, e então entrei comas crianças na Casa das Noivas para me sentar um pouco. Natalie se mostrava orgulhosa. - Eu a vi primeiro. Cinderela estava sobre um pedestal reluzente, numlindo vestido branco cheio de babados e rendas. - Era um manequim humano - a avó traduziu. - As crianças quiseramvê-la de perto, e a imagem estimulou essas cabecinhas tão criativas. - Não gostaria de vê-la, papai? - Natalie sugeriu. Steven afrouxou a gravata, consciente de todos os olhos voltados emsua direção. O único som na saleta era aquele que Nicky fazia enquantoesfregava o cobertor no nariz e o cheirava. - Duvido que tenha tempo para isso. - Podemos ficar com ela, papai? Se nós a ganharmos, vai nos deixarlevá-la para casa? - Natalie segurava o rosto do pai e o encarava com arsolene. Steven estava cada vez mais confuso. - Não creio que ela esteja à disposição para... - Sim ou não, papai? 24
  25. 25. Uma Noiva Para Papai Leandra LoganCasa das Noivas 5 - Estou certo de que ela é apenas uma funcionária da loja fazendo seutrabalho. - E se não for? E se ela for uma princesa de verdade procurando porum lar? Era tudo tão inocente que Steven decidiu participar da brincadeira. - Está bem, podem ficar com ela, se conseguirem. Mas... - Ele ergueu avoz para ser ouvido acima dos aplausos excitados. - Em troca, quero quetratem a nova babá com respeito e educação. - Todos gemeramdesanimados, principalmente Millicent. Steven a encarou. - Hoje telefonei para aquela agência de empregos da Bond Street epedi para entrevistar algumas candidatas amanhã. A pessoa que me atendeugarantiu que todas são bem treinadas e muito agradáveis. - Nunca um Sanders teve de recorrer a um empregado para criar seusfilhos! - Mas agora é necessário, mamãe. Assunto encerrado. - Pelo menos tentou encontrar Mary Poppins, papai? - Natalie perguntou. Steven passou a mão pelo rosto. _ Não, querida, não tentei encontrá-la. - Mas nós dissemos que devia falar com ela! Mary Poppins é quase tãoboa quanto a princesa-mãe! Steven lançou um olhar sombrio e ameaçador na direção da mãe. MaryPoppins era uma coisa. A princesa era outra. Mas a menção da palavra mãeno meio de toda aquela confusão sugeria problemas. Que diabos Millicentpensava estar fazendo? - Natalie, querida, Mary Poppins está fora de questão - a avó avisou,esperando acalmar o filho. - Por quê? Ela é perfeita! - E bateu no ombro do irmão. - Não gostariade sair para alimentar os pássaros com ela, Nicky? Steven segurou o queixo da filha com firmeza, obrigando-a a encará-lo. - Mary Poppins não existe. A voz da menina se tornou mais estridente. - Assistimos ao filme e lemos o livro! Ela mora em Londres! Todossabem disso! Por que não liga para ela? 25
  26. 26. Uma Noiva Para Papai Leandra LoganCasa das Noivas 5 Steven cobriu o rosto com as mãos. - O telefone dela não está na lista. Natalie afastou os dedos do pai para espiar entre eles. - Está bem, está bem - suspirou resignada. - Não precisa chorar.Ainda nos resta a telefonista. CAPÍTULO III - Desculpem o atraso... – Tessa parou na porta do escritório deGabriel, no sexto andar, ao ver o brilho do tafetá dourado perto da janela.Shirley Briggs estava presente! Quando terminara de trocar o vestido denoiva pela calça comprida e o suéter, tinha certeza de que a reunião para aescolha da redação vencedora do concurso seria um evento familiar.Esperava que o cumprimento informal e as roupas casuais não despertassemas suspeitas de Shirley e arruinassem seu disfarce. Vestido num terno cinzento, Gabe estava sentado atrás de umagrande mesa de madeira escura coberta por brochuras cor-de-rosa. Ajulgar pelo brilho em seus olhos, era evidente que se divertia com odesconforto de Tessa. - É um prazer tê-la conosco, srta. Jones. - Boa noite, Tessa - Lianne cumprimentou com tom solidário. - Olá, Lianne. - Tessa sorriu para a esposa de Gabe, que mantinha-sesentada na cadeira à frente da mesa do marido. Lianne estava radiante no vestido vermelho que Tessa desenhara ecosturara especialmente para ela meses antes. O jersey acentuava o brilhoavermelhado de seus cabelos e complementava o tom rosado da pele. Mas não podia elogiar a elegância com que exibia sua criação, porqueShirley jamais entenderia o motivo pelo qual uma de suas subordinadas haviafeito um vestido para a esposa do diretor executivo da filial e nora dopresidente da cadeia de lojas. Em vez disso, decidiu falar sobre assuntos.inofensivos. 26
  27. 27. Uma Noiva Para Papai Leandra LoganCasa das Noivas 5 - A grinalda que criou para complementar meu vestido foi um sucessoestrondoso. Ouvi muitos elogios de onde estava, no alto do pedestal. - É bom saber que meu trabalho é bem aceito pelo público. Estávamosaqui escolhendo a melhor redação. Como você é a força geradora dapromoção, achamos que gostaria de estar presente. - Estar presente? Tessa olhou para o primo com ar de censura.Gabriel sabia que ela desejava participar da escolha. Havia lido cada umadas redações com imenso interesse antes de enviá-la para o escritório dadiretoria, e tinha uma idéia bem definida a respeito de quem deveria ser ovencedor. - Srta. Briggs - Gabe chamou. - Podemos dar a boa notícia a Tessa? - Oh, sim... é claro. - Shirley virou-se com uma brochura numa dasmãos e um lenço masculino na outra. - Sinto muito - ela choramingou. – Fiqueitão emocionada com esta composição que... - E parou de falar para limpar onariz no tecido branco. As iniciais GDW bordadas num canto do lençochamaram a atenção de Tessa. Foi com prazer que ela viu o primo encolher-se ao ver a gerente dabutique atacando sua propriedade. Bem-humorada, Lianne riu e piscou paraTessa, confirmando suas suspeitas. O lenço pertencia realmente a Gabe. Ever a sempre contida e fria Shirley Briggs em tal estado de descontroleemocional também era surpreendente. - Desculpe-me, senhor, mas os coitadinhos... Oh, eles precisam de umamãe! - E limpou o nariz novamente com um ruído desagradável. - Se tivessefilhos e eles me perdessem, seria difícil demais para os pobrezinhos. Tessa deu alguns passos à frente e tomou a brochura da mão trêmulada gerente. O surpreendente interesse por crianças devia ser mais retóricoque prático, já que estava cansada de vê-la tratando os filhos dos clientescom frieza e indiferença. - "Uma Noiva Para o Papai"? - Confusa, leu a caligrafia infantil queocupava uma pequena parte da página. Por favor, ajudem-nos! Nosso pai precisa se casar com uma princesa.Mamãe foi para o céu e ele ficou muito sozinho. Como é um homem muitoocupado, ele não tem tempo para planejar um casamento. Prometemos queseremos felizes para sempre depois disso. Obrigado. Sorrindo, ela ergueu os olhos da página. 27
  28. 28. Uma Noiva Para Papai Leandra LoganCasa das Noivas 5 - Tenho de admitir que é uma abordagem criativa. Mas estamos interessados neste tipo de truque? - Tessa, essas crianças parecem muito sinceras, e devem serencantadoras - Lianne opinou. – Escolhemos essa redação por unanimidade. Gabe fez um entusiasmado movimento afirmativo com a cabeça. - Fiquei impressionado com a imitação da caligrafia e a simplicidadeda mensagem. Não há outro trabalho de igual impacto. O rosto de Tessa estava inflamado, quase tanto quanto os cabelosavermelhados que o emolduravam. Desde quando aqueles dois se deixavamcomover por crianças desconhecidas? A família DeWilde parecia terenlouquecido! Primeiro tio Jeffrey e tia Grace separavam-se, e agora o filhodeles, normalmente um homem frio e racional, derretia-se todo por causa dahistória de um pai solitário que ele nem conhecia! -Tinha algo diferente em mente - confessou com tom petulante. - Porexemplo, aquela garota cujo noivo é militar e está em missão fora do país.Ela sonha ter um casamento completamente planejado para a próximalicença do rapaz. - Mais uma causa válida,sem dúvida- Lianne concordou. - Ela é sozinhae trabalha para sustentar-se. É exatamente o tipo de cliente que a ButiqueExperimental quer atrair... - Sua idéia foi registrada, srta. Jones - Gabe a interrompeu parademonstrar que o anonimato tornava sua opinião pouco importante. - Todosnós gostamos muito dessa família que se prepara para receber uma novaesposa e "mãe”. E não esqueça que estamos interessados na publicidade queo concurso pode proporcionar. O material escolhido é emocionante, capaz deaquecer até o mais duro coração, e a mídia não perderá a chance deexplorar um romance com tão forte apelo sentimental. Para Tessa, que pensava apenas em divulgar seu trabalho e conquistaro reconhecimento da crítica e do público, aquela era uma nova visão. - Quanto tempo terei de passar com os vencedores? - perguntou. - Apenas o mínimo necessário - Lianne tentou consolá-la. - Algumasfotos com a família, duas ou três entrevistas para os jornais maisimportantes, e você estará livre. A mídia terá mais interesse no tal paisolitário e em sua futura esposa. - Tudo que pedimos é que vista sua criação durante algumas horas esorria - Gabe acrescentou. Shirley interferiu: 28
  29. 29. Uma Noiva Para Papai Leandra LoganCasa das Noivas 5 _ O sr. DeWilde pretende transformar o concurso num evento bianualse tudo der certo amanhã. Não é muita generosidade? O mínimo que podefazer é seguir as instruções que ele vai dar. Percebendo que Tessa estava perto do limite de sua paciência, Gabelevantou-se. - Estou certo de que vai lidar com os vencedores com a dignidade e aastúcia dignas de um DeWilde. Tessa apertou a mão que ele estendeu,lamentando não poder jogá-lo pela janela com um golpe de judô. - Nosso almoço chegou. - Na tarde seguinte, a voz de Franklyn Butlerecoou na sala de reuniões. Um rapaz acabara de entrar com uma sacolarepleta de sanduíches. Steven sorriu para si mesmo. Barry Lambert, seu mais próximoassociado na Brinquedos Butler, o prevenira sobre os hábitos do dono daempresa. O almoço era levado ao seu escritório todos os dias às doze etrinta. Se a grande mesa de conferências não estivesse limpa no momentoem que a refeição fosse entregue, ele simplesmente a limpava com ummovimento de braço. Steven tinha consciência da importância dos toquespessoais nos negócios, e por isso havia preparado sua apresentação comcuidado, de forma que ela não entrasse em conflito com a hora da refeição.Passara a maior parte da manhã descrevendo os inúmeros produtos que suasfiguras de ação geravam e oferecendo exemplos para inspeção. Terminaraessa etapa quinze minutos antes, dando aos seis executivos presentes umachance de examinarem tudo com cuidado. Enquanto os diretores afastavamblocos e canetas para dedicarem-se à refeição, ele pavimentava o caminhopara a segunda metade da missão, a apresentação dos números relativos àsvendas. Conforme combinaram anteriormente, Barry começou a recolhertodo o material relativo aos Patrulheiros do Espaço e guardou-os na caixaque Steven deixara sobre uma cadeira. Enquanto isso, Steven abria a pasta e extraía dela diversos gráficoscoloridos, que deixava sobre a cadeira a seu lado. Os olhos detiveram-se poralguns instantes na figura maciça de Franklyn Butler, em cujas mãos residiao destino da transação. Butler lembrava um leão-marinho com os cabelosgrisalhos, as costeletas largas e as bochechas flácidas. Sorrindo, eledistribuía os sanduíches e oferecia chá e café. Se pudesse penetrar namente do empresário por trinta segundos para descobrir o motivo de suasreservas quanto aos Patrulheiros do Espaço! - Sr. Sanders? - Judith, a secretária da diretoria, aproximara-sedele sem fazer barulho, um verdadeiro modelo de eficiência no vestido de lã 29
  30. 30. Uma Noiva Para Papai Leandra LoganCasa das Noivas 5preta. – Lamento incomodá-lo, senhor, mas sua mãe deseja falar-lhe aotelefone. Steven ergueu uma sobrancelha. Como Millicent tinha a ousadia deperturbá-lo justamente naquele dia, quando concentrava todos os esforçosnum dos maiores negócios de sua vida? E depois do confronto da noiteanterior? Judith parecia constrangida. - Ela perguntou se estavam em horário de almoço, e eu disse que sim. - Problemas, Steve? - Barry Lambert juntou-se aos dois na ponta damesa. - Minha mãe quer falar comigo. - Espero não ter feito algo errado. - A secretária inquietou-se. - Elaparecia muito... excitada. O que só podia significar problemas. - Obrigado, Judith. Vou atender. - Sim, senhor. - Ela foi buscar o aparelho móvel e colocou-o sobre amesa, ao lado dele. Três luzes piscavam furiosas no painel. - A sua é a linhadois – explicou com um sorriso profissional antes de sair e fechar a porta. Barry afastou o paletó para encaixar os polegares nos suspensórios eencarou Steven com solidariedade e bom humor. - Aposto que Millicent quer saber se estamos arrumando algumaconfusão. Barry havia sido a razão da terrível discussão que ele tivera com amãe na noite anterior. As crianças dormiam quando ele fora buscá-lo nasuíte do hotel, pouco depois das onze. Sempre atenta a todo e qualquer sinalde movimentação social, Millicent havia cochilado no sofá da saleta para nãoperder a chance de receber o amigo inglês do filho. Algumas poucasperguntas bem colocadas e ela já havia colocado Barry, horror dos horrores,no rol dos solteiros adeptos das diversões noturnas. Contemporâneo deSteven, que já completara trinta e sete anos, ele tivera muito tempo paracriar raízes profundas no cenário festivo de Londres. Tudo teria sido apenas um constrangimento passageiro se as duasamigas de Barry não houvessem subido para apressá-los. Alegres,descontraídas e reconhecidamente vulgares em sua linguagem, elas haviamchamado Millicent de "velhinha", o que levara a uma discussão privada entremãe e filho. Millicent dissera-se incapaz de entender como um pai de famíliapodia perder tempo envolvendo-se com alguém que não tivesse os requisitos 30
  31. 31. Uma Noiva Para Papai Leandra LoganCasa das Noivas 5mínimos necessários para ser a mãe de seus filhos. Mais urna vez, haviamdebatido o velho tema. Desde então não voltaram a se falar. Ela e as crianças dormiamprofundamente quando deixara a suíte com todo o equipamento para aapresentação, vestindo seu melhor terno cinzento. Não esperava ternotícias de Millicent, já que ela era do tipo que passava dias ressentida, massurpreendera-se novamente com o comportamento inusitado da mãe. Steven respirou fundo, apertou o segundo botão e levou o fone aoouvido. - Sim, mãe? - disse com tom seco. - Graças a Deus o encontrei! - Algum problema? - Nenhum, felizmente. E depois de ontem à noite, acho que me deveuma palavra agradável. Steven ofereceu um sorriso embaraçado aosexecutivos sentados em torno da mesa. Todos comiam seus sanduíches e,sem nada melhor para fazer, permaneciam atentos à sua conversatelefônica. As conseqüências podiam ser mais sérias do que imaginava.Butler era capaz de imaginar que, se não podia controlar a própria mãe,também não conseguiria coordenar um projeto de expansão. - Por que telefonou? - Porque esperava que pudesse almoçar conosco. - Estamos comendo alguma coisa na sala de reuniões. Houve uma pausa do outro lado da linha. - Oh, não. Não contava com isso. - Onde você está, mãe? - Na Casa das Noivas... - Casa das Noivas outra vez? - Vermelho, percebeu que o nome dafamosa loja silenciou o grupo. Era surpreendente como a possibilidade de umromance despertava a curiosidade das pessoas. Não estava com a menordisposição para explicar os hábitos casamenteiros da mãe e a obsessão dosfilhos por contos de fadas. - O que está fazendo aí? - As crianças queriam que você visse a princesa. É o último dia delasobre o pedestal.. - Não posso ir. 31
  32. 32. Uma Noiva Para Papai Leandra LoganCasa das Noivas 5 - Receio ter ido longe demais. Disse aos meninos que você conseguiriaescapar por alguns minutos. Com o coração apertado, Steven ouviu um par de vozes familiares aofundo, Natalie dizendo para ele se apressar, Nicky aconselhando-o a nãoesquecer os sapatos da Cinderela. - Mãe, por que fez isso? - Não conseguia acreditar no atrevimento deMillicent. Ultimamente ela lançava mão de todos os dispositivos de controledisponíveis, orquestrando surpresas e disseminando a culpa. Era como se adecisão de contratar uma babá houvesse provocado uma espécie de curto-circuito em seu cérebro. Sentindo que as chances de encontrar outra noraescapavam por entre seus dedos, Milly agira com uma fúria assustadora eirritante. Infelizmente para ela, Steven chegara ao limite. - Lamento, mas não posso sair daqui - ele disse com firmeza. - Porfavor, explique tudo às crianças. Espero que tenham um almoço agradável.Até mais tarde... - O dique metálico anunciou o fim da ligação, mas ele nãopôde resistir ao impulso de acrescentar: - Também amo você. - Precisava preservar as aparências. Esperando não ter perdido a pose de empresário competente, deixouo aparelho sobre a mesa e começou a desembrulhar o sanduíche de rosbifeque alguém deixara diante dele. - Está escondendo alguma coisa de nós, Sanders? - Franklyn Butlerperguntou do outro lado. - O que quer dizer? - Steven devolveu apreensivo. - Não pude deixar de ouvir que sua mãe está na Casa das Noivas.Pretende se casar? - Minha família está sempre procurando por aventuras. - Ao morderum pedaço do sanduíche, descobriu que a boca estava seca, como sempreocorria nos momentos de tensão. Tinha a impressão de que o mundo se uniapara tentar casá-lo contra sua vontade. Judith contornava a mesa com um bule de café. - Creio que a loja está cheia de curiosos. Soube que a Casa das Noivasorganizou um concurso cujo prêmio será um pacote de casamento completo. - Com um concurso como esse, um homem pode até sentir vontade deagarrar a primeira solteirona que encontrar! - Barry brincou, provocandogargalhadas. 32
  33. 33. Uma Noiva Para Papai Leandra LoganCasa das Noivas 5 Casados e pais de família, todos conheciam seu estilo de vidainconseqüente e livre. Steven agradeceu pelo café, refletindo sobre o queJudith acabara de dizer enquanto provava a bebida. Então havia umconcurso na loja. As crianças não haviam exagerado ao descrever a pompaem torno da modelo que viram na loja. Ela devia mesmo lembrar umaprincesa. Steven sentiu-se mais calmo. Não havia nada com que sepreocupar. Mesmo que a mãe houvesse entrado na disputa e, supremainfelicidade, conseguisse vencê-la, não tinha uma noiva para levar ao altar.Dessa vez estava fora de perigo. A Casa das Noivas estava lotada quando Gabe ajudou Tessa a subir nopedestal pela última vez. Lianne agia como dama de honra, arranjando a sedalustrosa da cauda aos pés dela, prendendo melhor a grinalda sobre suacabeça e verificando a maquiagem suave. - Boa sorte, Tess - disse, afagando um ombro nu e afastando-se parair juntar-se ao marido. Tessa estudou o casal com afeto: Gabe em seufraque preto, os cabelos castanhos bem penteados e o rosto sério,compenetrado, Lianne num vestido cor de esmeralda que enfatizava o azulde seus olhos. Estavam tão animados! Tanto quanto Shirley Briggs, quecirculava no meio do público distribuindo espuma de banho em pequenasembalagens que imitavam garrafas de champanhe. Gabe ligou o microfonesem fio e chamou a atenção de todos. - Bem-vindos à Casa das Noivas... Tessa distraiu-se enquanto o primo explicava que a proposta daButique Experimental era oferecer aos consumidores roupas feitas sobmedida a preços acessíveis. Ela estudou a multidão reunida em torno dopedestal e tentou imaginar quem havia produzido o ensaio vencedor. Haviaum considerável número de crianças na loja, o que aumentava em muito aspossibilidades. - E o vencedor é... - Gabe mostrou a brochura cor-de- rosa que levavana mão. - "Uma Noiva Para o Papai". . O barulho tomou conta da loja. De um lado gritos desapontados evaias, do outro, aplausos e assobios entusiasmados. Tessa olhou para o marde rostos e concentrou-se no trio que devia ter produzido o materiaL Umasenhora num elegante traje Saint Laurent correu ao balcão de cosméticospara usar o telefone, e duas crianças excitadas pulavam em torno dela. Amenina usava um vestido azul de corte delicado e o garoto usava calçaescura e suéter vermelho. Ambos olhavam para ela com um misto deadmiração e fascínio, como se fosse o próprio Papai Noel. A voz de Gabe ecoou forte e clara. 33
  34. 34. Uma Noiva Para Papai Leandra LoganCasa das Noivas 5 - Pedimos que o autor da redação venha até aqui, por favor. Tessa viu a senhora desligar o telefone e abaixar-se para falar comas crianças. A menina ergueu os braços e começou a abrir caminho por entreas pessoas que se aglomeravam no espaço reservado para a promoção. Todos abriram caminho quando ela gritou: - Ganhamos! Nós conseguimos! Gabe a ajudou a subir no pedestal e, sorrindo, mostrou a brochura. - Foi você quem escreveu isto aqui? - Sim. Vovó me ajudou a soletrar as palavras, e meu irmão Nickycontribuiu com a idéia. – Subitamente tímida, Natalie baixou os olhos e otom de voz. - Gostou mesmo do nosso ensaio? o sorriso de Gabe tornou-se maisamplo. - Gostei muito dele. Que tal ler o que escreveu em voz alta? - Pode me ajudar? Todos riram. - Está bem. - Um silêncio surpreendente invadiu a loja enquanto todosse esforçavam para ouvir a voz infantil que, em alguns momentos, se tornavaquase um sussurro. Quando terminaram, Gabe empurrou-a delicadamente nadireção de Tessa, que estendeu a mão para recebê-la. Fotógrafosposicionaram-se para registrar o momento mais importante da promoção. Gabe entregou a brochura a Tessa, quê passou a Natalie. - Não quer segurar seu trabalho para as fotos? - Sim, Cinderela. - Tessa, querida. Meu nome é Tessa. Natalie ofereceu um sorriso encantador. - Sim, Sua Alteza. Se prefere ser chamada assim... - Não sou quem você está pensando - Tessa explicou nervosa. A menina olhou para a multidão, ignorando sua resposta. - Venha, Nicky! Ao perceber que se transformara no centro das atenções, o garotohesitou em ir ao encontro da irmã. Vozes desconhecidas o incentivavam,mas, assustado, ele permanecia parado no mesmo lugar. 34
  35. 35. Uma Noiva Para Papai Leandra LoganCasa das Noivas 5 - Ah, vamos lá - Natalie encorajou-o com doçura. - Olhe só para este vestido! É como tocar no seu cobertor. - Tessaassustou-se ao sentir a mão delicada agarrando um punhado de crepe daChina e apertando-o entre os dedos. - É macio, suave... . Reunindo coragem, Nicky lançou-se como um torpedo na direção dopedestal, escalando-o antes que Gabe pudesse estender a mão para ajudá-lo.Tessa o segurou pelos ombros, surpreendendo-se com a solidez dosmúsculos. - Ela diz que não é Cinderela - Natalie comentou com o irmão. Nicky arregalou os olhos. - Ela tem de ser! - Mas não sou, mocinho. - O sorriso forçado que oferecia aosfotógrafos começava a provocar dores no rosto. Flashes brilhavam emvários pontos do salão, alimentando sua confiança. Aquele era o momentocom que tanto sonhara. O trampolim de onde saltaria para o tão esperadoreconhecimento. No entanto, a sensação de triunfo foi suprimida momentos maistarde, quando Nicky, sem nenhuma cerimônia, inclinou-se e agarrou a barrade seu vestido, levantando-o para revelar boa parte das pernas bemtorneadas. Antes que pudesse recuperar-se e reajustar o tecido leve edelicado, meia dúzia de flashes explodiram em torno dela, capturando omomento para a eternidade. - Não devia ter feito isso! - Irritada e constrangida, arrumou ovestido com movimentos bruscos que traíam seus sentimentos. O rosto infantil era uma máscara de contrariedade. - Você já tem dois sapatos! - É claro que sim! - Meu pai devia trazer o outro sapato – Nicky explicou com ardesanimado, balançando a cabeça para expressar seu pesar. - Para quepossamos viver felizes para sempre. - O quê? - Tessa murmurou confusa. As perguntas dos jornalistastornaram-se mais pessoais. Quando dirigiu um apelo silencioso a Gabe, tudoque ele fez foi levar o indicador aos lábios, indicando que devia falar omínimo possível a fim de preservar as aparências. Mas era tarde demais. Pormais que tentasse atrair a atenção dos fotógrafos com poses estudadas,sabia qual seria o retrato escolhido para ocupar as principais páginas dosjornais locais. 35
  36. 36. Uma Noiva Para Papai Leandra LoganCasa das Noivas 5 Quando os repórteres começaram a entrevistar as crianças, Millicentdecidiu interferir. - Os meninos não têm mais nada a dizer - anunciou, lembrando LaurenBacall no traje elegante e austero. - Meu filho Steven, pai dos garotos, cuidará de todos os detalhes. - Então é a avó? - perguntou uma jornalista. - Onde está o pai? - O nome Sanders tem alguma relação com a indústria de brinquedos? - A cerimônia está encerrada. - Tessa tentava atrair a atenção damídia, mas era inútil. Gabe notou sua aflição e decidiu usar o microfone para pôr um pontofinal na comoção. - Obrigado a todos por terem vindo. A Casa das Noivas agradece ointeresse e a preferência de todos os clientes. Com a grinalda torta sobre a cabeça e as crianças enroscadas em suasaia, Tessa tentou escapar. - Foi um prazer conhecê-los, queridos - disse, puxando o vestido paralibertá-lo das mãozinhas persistentes. - Seu pai pode vir receber o prêmio quando quiser. - E aproximou-sede Gabe, que segurava o microfone perto dos lábios para tecer os últimoscomentários. - Publicaremos tudo sobre a cerimônia de casamento oferecida comoprêmio ao pai dessas encantadoras crianças - ele disse. - Até lá... Natalie agarrou Tessa pela cintura com um olhar de adoração einclinou-se na direção de Gabe. - Não esqueça de dizer que ela será nossa mamãe-Cinderela. O anúncio alcançou o sistema de som, causando um verdadeiropandemônio. Repórteres e clientes voltaram-se com interesse renovado parao pequeno grupo reunido sobre o pedestal. O que começara como uma singelae emocionante história de amor, transformava-se repentinamente numenredo digno de uma novela de tevê! - É isso mesmo! - Nicky também aproximou-se do microfone,divertindo-se com o som da própria voz. - Agora estamos todos noivos dela! 36
  37. 37. Uma Noiva Para Papai Leandra LoganCasa das Noivas 5 CAPÍTULO IV - Por favor, tentem entender, crianças. Não sou parte do prêmio. - Tessa olhou para o relógio de pulso. A reunião com os Sanderscomeçara vinte minutos atrás na sala de Gabe, e ainda não haviam resolvidonada. Natalie estava parada ao lado de uma estante perto da porta,contrariada e frustrada. - Mas tem de ser! Meu pai é o rico Príncipe Encantado e virá buscá-la!Depois todos nós viveremos felizes para sempre em Nova York. - Não, querida. - Tomando cuidado com o vestido, Tessa abaixou-se nafrente da garota. - Está apenas emocionada com tudo que aconteceu. Seupai certamente escolheu alguém com quem queira se casar, uma mulher queusará o vestido oferecido pela loja e viverá com vocês para sempre. Natalie cerrou os punhos e um rubor intenso tingiu seu rosto. - Por que não tenta entender? Compaixão e impaciência lutavam pela supremacia no peito de Tessa.A menina estava descontrolada, à beira das lágrimas. Também sentia-seprestes a chorar. Seu precioso concurso corria o risco de transformar-senum estrondoso fracasso por causa dessa confusão! Suspirando, olhou parao primo sem saber o que fazer. Gabe permanecera em silêncio desde queNatalie anunciara o noivado do pai com ela... Ou melhor, com Cinderela.Aquele havia sido o ponto de partida para o desastre. O incidente com ovestido podia ser motivo de risos, mas a afirmação de que ela, Tessa, estavaenvolvida com o vencedor... Não demoraria muito para que alguém levantassea suspeita de fraude envolvendo o nome da loja. Mas não havia sido ela quem se opusera à escolha de um ensaio escritopor uma criança? Sabia que seria uma decisão arriscada. Pela primeira vez,havia sido a voz da razão em meio aos gritos emocionados dos oponentes. Tessa levantou-se para falar com Millicent. - Sra. Sanders, estou muito ansiosa para falar com seu filho. - Este é o espírito - Millicent respondeu com tom calmo, erguendo axícara de chá. - Mais tarde, querida, quando ele terminar de cuidar dosnegócios. E quando você estiver mais calma e descansada. 37
  38. 38. Uma Noiva Para Papai Leandra LoganCasa das Noivas 5 - Descansada! Se não mandarmos um comunicado à imprensaimediatamente divulgando o nome da noiva do vencedor, a cidade inteiracomeçará a acreditar que estamos a caminho do altar! - E a confusão certamente os envolveria em algum nível, certo? - Sem dúvida nenhuma. Millicent balançou a cabeça. - Se ao menos pudéssemos interrompê-lo – comentou pesarosa. - Masele está sobrecarregado, e ficaria furioso se o incomodássemos no meio deuma reunião tão importante. Somos donos da Sanders Novelties, entende?Estamos em Londres tentando fechar um grande negócio com umacompanhia importante. Gabe inclinou-se sobre a cadeira e baixou o tom de voz. - Tenho certeza de que seu filho adoraria receber notícias nossasimediatamente. Ora, temos boas notícias! Ele ganhou o prêmio! - Tenha certeza de que ninguém precisa mais dele do que o meuSteven. Gabe ergueu o corpo devagar. - Ótimo. Onde está acontecendo essa reunião? - Preciso da permissão dele para divulgar qualquer tipo de detalhe arespeito de sua vida pessoal ou profissional. - Millicent depositou a xícarasobre o pires sem dar importância aos suspiros aflitos das pessoas que acercavam. - Mas há uma questão que posso esclarecer pessoalmente e semdemora. - E sorriu ao ver que todos se animavam. - Faço questão que mechamem de Millicent. De agora em diante nos veremos com freqüência, e nãohá razão para nos atermos a formalidades. - É muita gentileza sua - Tessa respondeu com esforço. - Se me permitem, preciso ir ao banheiro. Gabe apelou para a esposa,que passara todo o tempo sentada ao lado da mesa alisando a grinalda queTessa usara com o vestido. - Pode acompanhá-la, querida? Não queremos que Millicent se percapelos corredores. Nem que ela falasse com algum repórter. Lianne era capaz de ler ospensamentos do marido com facilidade espantosa. Séria, levantou-se edeixou a grinalda sobre a agenda aberta sobre a mesa. - Venha comigo, sra. Millicent. 38
  39. 39. Uma Noiva Para Papai Leandra LoganCasa das Noivas 5 Gabe acompanhou-as até a porta e fechou-a com um movimentoimpaciente. Tessa aproximou-se para uma palavra em particular. - O que será que ela está tramando? - Não podemos culpá-la por não querer interromper o filho numareunião importante. - Mas não acredita naquele ar indefeso, não é? - Nem por um segundo, Tess. Não sei por que, mas é óbvio queMillicent decidiu interferir na vida do filho, e arrastou nossa promoção parasua encrenca familiar. - Se ao menos soubéssemos quais são os planos dele. - Talvez o tal Steven pretenda fugir com a noiva e ela queira forçá-loa engolir uma cerimônia completa. Ou está fugindo do compromisso e a mãequer forçá-lo a marcar a data. - Mas por que as crianças insistem em dizer que faço parte doprêmio? E por que Millicent apóia a idéia? - Talvez não aprovem a namorada - Gabe supôs. - Sua participação pode interferir no romance. Temos de aproveitar aoportunidade para descobrir o que está acontecendo. - Disposto a usar aausência da avó das crianças a seu favor, virou-se para os pequenos. Omenino estava perto da cadeira que Lianne abandonara, tocando o véudeixado sobre a mesa. A garota andava de um lado para o outro com osbraços cruzados. - Muito bem, Natalie. Parece que temos algo em comum,não acha? - Por quê? - A testa franzida sugeria uma certa apreensão. - Porque escolhi seu trabalho. E... bem, um dia desses também sereipai. O rosto da menina iluminou-se. - Qual é mesmo seu nome? - Gabriel DeWilde. Mas pode me chamar de Gabe, se quiser... seu paijá tem uma namorada, certo? - Oh, ele tem muitas namoradas. É um homem bastante popular. - Mas deve haver uma favorita - Tessa insistiu . - Com quem ele esteve nos últimos dias? 39
  40. 40. Uma Noiva Para Papai Leandra LoganCasa das Noivas 5 - Com uma mulher que fala como você. Ela entrou no nosso quartoontem à noite e disse que éramos grandes, e que preferia os bebês porqueeles não sabem falar e não fazem perguntas. Tessa olhou para o primo com a testa franzida. - Essa mulher não parece ser do tipo que se casa e cuida de filhosalheios. Natalie suspirou. - Vovó não quer vê-la nunca mais. Ouvi quando ela disse que jogariaaquela sirigaita pela janela se papai voltasse a vê-la. O farfalhar de tecido chamou sua atenção e Tessa virou-se a tempode ver Nicky se escondendo sob as camadas de renda e cetim. - Agora sou Gasparzinho, o Fantasma Camarada! - Cuidado! Esse véu vale uma fortuna! - Não grite com ele! - Natalie reagiu alarmada. - Não estou gritando. - Não gosta de nós? - Nicky perguntou perturbado. - Por que ela mudou de idéia, Natty? O que fizemos de errado? Natalie chegou ao limite. Lágrimas brotaram de seus olhos e correrampelo rosto congestionado. - Nicky precisa de uma mãe. Ele nem consegue se lembrar da nossamãe de verdade! Será que não entende? Em pânico, Gabe implorou: - Por favor, não chore. A menina engoliu em seco e soluçou, tentando conter-se. - Não estou chorando! Sou muito forte, como meu pai. Dominado pela compaixão, tomou a criança nos braços e a fez sentar-se no sofá. Tessa tirou o véu da cabeça de Nicky e acomodou-o ao lado dairmã. _ Muito bem... – começou hesitante. - Nicky, sei que não é um maumenino. Quanto a você, Natalie, é evidente que está assumindo maisresponsabilidades do que pode ter, e isso a incomoda. - Não posso pensar em mim. Tenho de cuidar de vovó e do meu irmãomais novo. 40
  41. 41. Uma Noiva Para Papai Leandra LoganCasa das Noivas 5 - Se quer mesmo ajudá-los, precisa nos dizer o que está acontecendoaqui. Sua redação conta uma história verdadeira, ou não? Natalie abaixou a cabeça. - Oh, sim. Papai está ocupado demais para organizar um casamento. Enossa mãe realmente foi para o céu. - Ele sabe o que fizeram para ajudá-lo? – Gabe perguntou. - Não, é tudo uma surpresa. Tessa sorriu esperançosa. - Mas para que tudo isso começasse, devem ter ouvido alguma coisasobre um eventual casamento, certo? Seu pai pretende mesmo casar-se comalguém? Natalie limpou o rosto no lenço que Gabe oferecia. - Se pedir com jeitinho, tenho certeza de que ele vai aceitar. - Está dizendo... que espera que eu o peça em casamento? - É claro que sim! O que ele faria com um vestido sem uma noiva? - Tem razão - Gabe concordou, notando que a prima olhava para opróprio traje com um misto de confusão e pavor. Tessa virou-se para ele e baixou o tom de voz. - Gabriel, por que Millicent Sanders me escolheu? - Quem sabe? - Pretendo arrancar a verdade dela nem que seja à força! Gabe a segurou pelo braço, reconhecendo o brilho que iluminava seusolhos. Um confronto entre as duas mulheres de personalidade imperiosa eramais do que podia suportar no momento. - Escute, é inútil enfrentar a avódas crianças a esta altura dos fatos. - Por quê? Estamos em maior número. Podemos convencê-la a falar. - Ela é esperta demais para você. É evidente que preparou-se paraenfrentar quaisquer circunstâncias que ameacem seu plano com um simplesjogo de palavras. Tessa estava ofendida. - Também posso mentir, se for necessário! - E acha que eu não sei disso, modesta estilista desconhecida? O fatoé que Millicent tem mais anos de prática e decidiu que este espetáculo édela. Se pudermos encontrar o filho antes dessa história ir adiante... - Gabe 41
  42. 42. Uma Noiva Para Papai Leandra LoganCasa das Noivas 5parou ao ver Lianne entrar com Millicent. O rosto perturbado da esposa eramais eloqüente que muitas palavras. - A história já ganhou o mundo - ela anunciou. - O noticiário vespertino da tevê está anunciando que Tessa foipedida em casamento na Casa das Noivas. Segundo o apresentador, umempresário americano em visita ao país apaixonou-se por uma jovem estilistabritânica e usou uma redação feita pelos filhos para aproximar-se dela. Ohomem conquistou seu coração, o vestido que ela criou e uma cerimôniacompleta, incluindo a recepção e a viagem de lua-de-mel. Tomado por uma nova onda de raiva, Gabe começou a andar pela sala. - Agora os jornais da tarde vão publicar a história. Seremos a piadada cidade. O grito de Natalie assustou a todos. - Você não é bonzinho! Você é o vilão! Gabe sentiu-se esmagado sob o olhar de acusação e o dedo em riste. - Não sou! - Reagiu sem pensar. - Tenho responsabilidades com osacionistas, com banqueiros e parentes... Tessa tocou a manga de seu paletó. - Gabe, talvez eu possa dar um jeito nisso e salvar o concurso. De perfil, olhando para o teto como se temesse enfrentar a situação,ele se esforçou para recuperar a calma. - Como? - Ainda não sei - ela confessou relutante. – Mas o primeiro passo étentar encontrar o tal Steven Sanders. Ele não devia deixar a famíliavagando pelas ruas! O mínimo que podemos exigir é que se comporte com aresponsabilidade esperada de um pai. E repare os danos causados por suainconseqüência! - London Hilton em Park Lane - Millicent anunciou de onde estava. -Suíte 807. Depois das cinco será mais fácil encontrá-lo. - Despedindo-secom um aceno rápido, empurrou as crianças para fora da sala e partiu. Gabe a viu sair com um misto de espanto e fúria. - É inacreditável! - Qual será a verdadeira intenção dessa mulher? - Quem sabe? De qualquer maneira, lembre-se de que ela estáacostumada a vencer. 42
  43. 43. Uma Noiva Para Papai Leandra LoganCasa das Noivas 5 Tessa ergueu o queixo num gesto desafiante. - Eu também, primo. Eu também. - Vai telefonar, não é, sr. Sanders? A resposta de Steven foi vaga, mas a forma com que conduziu aquinta candidata a babá até a porta da suíte sugeria firmeza. A mulher eraquase tão velha quanto sua mãe, falava com um sotaque irritante eacreditava em dietas de fibras e laxantes de suco de limão para "manterlimpo o encanamento". Eram cinco e meia da tarde. Passara as últimas três horas conduzindoentrevistas e ainda não tinha uma resposta. Suspirando, sentou-se diante daescrivaninha e tocou a gravata de seda vermelha sobre a impecável camisabranca. Que azar! Todas as candidatas haviam sido dispensadas por um ououtro motivo. A primeira era masculina demais, a segunda, muito vulgar, e a terceiraera excessivamente rígida. A quarta... Oh, tivera a impressão de que elaescondia alguma coisa. Não sabia o porquê, mas a jovem o levara a pensarnum filme sobre falsas babás que seqüestravam as crianças e pediamresgates milionários. Talvez estivesse lidando com a situação de maneira inadequada.Qualquer uma das três primeiras candidatas teria merecido mais atenção doque dispensara a eles. Mas não estava satisfeito. Insistia em vê-las atravésdos olhos dos filhos, e sabia que ficariam desapontados se houvesseescolhido uma delas. Mas o que um viúvo podia fazer, além de se casarnovamente? Encontrar uma solução mágica? Infelizmente, sua crença na magiamorrera três anos antes, junto com Renee. Sendo assim, o que restava? Asbatidas na porta o arrancaram da dolorosa reflexão. Quem poderia ser?Mais uma candidata? A agência não fornecera um número exato, dizendoapenas que enviaria cerca de seis pessoas. Talvez essa fosse a ideal.Cansado, levantou-se e foi abrir a porta. - Steven Sanders? - Sim, sou eu - Os olhos registraram imediatamente a diferença entreaquela mulher e as outras. - Sou... Tessa Jones. - Anunciou o nome com relutância, atenta à suareação. Surpresa, constatou que ele não fazia nenhum movimento brusco,como tentar agarrá-la pelo pescoço ou puxá-la para dentro pelos cabelos. 43
  44. 44. Uma Noiva Para Papai Leandra LoganCasa das Noivas 5 Era evidente que não lera os jornais vespertinos. N a verdade, pareciamais intrigado que aborrecido. Intrigado e intrigante. Era alto e esguio,dono de um corpo forte e musculoso. Os cabelos eram curtos demais para oseu gosto, mas combinavam com o rosto de traços marcantes. E apesar depreferir olhos castanhos, tinha de admitir que havia um certo encanto noazul cintilante. Steven limpou a garganta, sentindo a temperatura do corpo subirrapidamente. Que surpresa! Tinha a impressão de estar diante da candidataperfeita. Jovem, com uma expressão cheia de energia e um moderno sensode moda. O casaco cor de violeta era digno de elogios! Tratava-se de umaMary Poppins dos anos noventa. Sim, estava quase certo de ter encontrado asolução para os seus problemas. - Por favor, entre - convidou, afastando-se para que ela pudessepassar. A jovem cheirava a jasmins! - Devia ter telefonado... A voz era doce e suave, mas firme e determinada. Melhor assim. Lidarcom sua família de manipuladores não era trabalho para gente insegura.Precisava mesmo de alguém com coragem. Steven a seguiu, hipnotizado peloandar gracioso. Uma trança brilhante ocupava o espaço entre suasomoplatas. Ela parou no centro da saleta, onde despiu o casaco e revelou ablusa de cetim vermelho que usava com a calça preta. Olhando para aqueleretrato de feminilidade, imaginou como ficariam os cabelos soltos em tornodo rosto em forma de coração, e como seriam as pernas sob a calça larga. - Sr. Sanders? Ele a encarou com ar assustado. - Oh, sim... Estava esperando por sua chegada. - Então já leu os jornais? De repente Steven notou que ela havia deixado um periódico dobradosobre o casaco que depositara numa cadeira. Talvez se referisse ao anúncioda agência. Um movimento genial, tinha de reconhecer! E pensar que tinha aoportunidade de entrevistá-la antes de todas as outras pessoas queprocuravam por uma babá... Steven apontou para uma poltrona e acomodou-se em outra,aproveitando os instantes de silêncio para recompor-se. A cabeça estavacheia de possibilidades. 44

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