Cnl 2ºeliminatória

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Cnl 2ºeliminatória

  1. 1. Concurso Nacional de Leitura 9º edição 15 de janeiro de 2015 1º Fase – 2º Eliminatória
  2. 2. 3º Ciclo Secundário
  3. 3. 3º Ciclo 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14, 15, 16, 17, 18 Secundário 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14, 15, 16, 17, 18, 19, 20
  4. 4. 3º Ciclo A, B, C, D, E, F Secundário A, B, C, D, E, F
  5. 5. 3º Ciclo Secundário
  6. 6. 3º Ciclo Secundário
  7. 7. Pergunta 1 A primeira grande surpresa de Bruno foi chegar a casa e deparar-se com um exuberante lanche preparado pela criada da família que andava sempre de cabeça baixa e nunca levantava os olhos. Verdadeiro ou falso ?
  8. 8. Pergunta 2 A paixão de Hans era o mar e ele queria ser marinheiro, tal como os seus tios e avós, mas o seu pai opõe-se à concretização deste sonho, dado que alguns membros da sua família tinham morrido num naufrágio. Verdadeiro ou falso ?
  9. 9. Pergunta 3 Ao mudar para a casa nova, Bruno deparou-se com uma rua sossegada, onde havia outras casas de dimensões idênticas, o que devia significar que ali moravam outros rapazes como ele. Verdadeiro ou falso ?
  10. 10. Pergunta 4 As palmas e a música que Miura ouvia vindas da arena significavam que o Malhado dava gozo às senhorias. Verdadeiro ou falso ?
  11. 11. Pergunta 5 Quando mudaram para a casa nova, a mãe de Bruno concordou com ele quando este disse a frase que tinha aprendido havia pouco tempo: “ É a errar que se aprende" Verdadeiro ou falso ?
  12. 12. Pergunta 6 Com a chegada de um cargueiro norueguês, Hans alistou-se como grumete e fugiu de Vig para uma nova cidade onde conheceu Hoyle que o protegeu como um filho. Verdadeiro ou falso ?
  13. 13. Pergunta 7 A atuação do Bronco foi brindada com assobios porque ele não desempenhara bem o seu papel. Verdadeiro ou falso ?
  14. 14. Pergunta 8 Ao saber da intenção do Fúria para ir jantar lá em casa, a mãe de Bruno ficou totalmente apavorada. Verdadeiro ou falso ?
  15. 15. Pergunta 9 Quase todas as tardes, quando Bruno ia ter com Shmuel, este estava sempre à sua espera de pé, agarrado à rede, olhando para o caminho que conduzia à casa grande. Verdadeiro ou falso ?
  16. 16. Pergunta 10 O pai de Gretel e Bruno acreditava cegamente nas regras básicas. Sempre que havia uma situação especial, o pai criava mais regras. Verdadeiro ou falso ?
  17. 17. Pergunta 11 A partir do momento em que Hoyle adoeceu e pediu a Hans para que ficasse com ele, Hans largou a sua vida dedicada ao mar bem como as suas longas viagens e estabeleceu-se em terra firme, como homem de negócios. Verdadeiro ou falso ?
  18. 18. Pergunta 12 Bruno andava a ler A Ilha do Tesouro, um livro que o pai lhe tinha dado. Verdadeiro ou falso ?
  19. 19. Pergunta 13 Na noite de Natal, enquanto os adultos discutiam, Gretel e Bruno assistiam de boca aberta e olhos arregalados. Verdadeiro ou falso ?
  20. 20. Pergunta 14 Na nova casa, Acho-Vil, Gretel sentia saudades de Karl, Daniel e Martin, enquanto Bruno sentia saudades de Isobel, Hilda e Louise. Verdadeiro ou falso ?
  21. 21. Pergunta 15 Da janela do seu quarto, na casa nova, Bruno tinha uma vista privilegiada sobre a floresta. Verdadeiro ou falso ?
  22. 22. Pergunta 16 A obra de John Boyne apresenta uma ação que decorre durante a primeira guerra mundial. Verdadeiro ou falso ?
  23. 23. Pergunta 17 Na tourada, num momento de desespero, Miura espetou os chifres na tábua, em direção à barriga do homem, mas atingiu-o nas costas. Verdadeiro ou falso ?
  24. 24. Pergunta 18 O pai de Shmuel tinha como profissão arranjar e fazer relógios. Verdadeiro ou falso ?
  25. 25. Pergunta 1 Na obra “Claraboia”, Mariana chamava ao cabelo do seu marido “o lambaz do cais”. Verdadeiro ou Falso?
  26. 26. No conto “A partida do trem”, as duas mulheres tinham como destino a cidade. Verdadeiro ou Falso? Pergunta 2
  27. 27. Na obra “Claraboia”, Adriana guardava o seu diário na mesinha de cabeceira. Verdadeiro ou Falso? Pergunta 3
  28. 28. No conto “A partida do trem”, a personagem idosa tem um filho chamado Nandinho. Verdadeiro ou falso ? Pergunta 4
  29. 29. Na obra “Claraboia”, o inquilino mais antigo do prédio é o senhor Silvestre. Verdadeiro ou Falso? Pergunta 5
  30. 30. No conto “A procura de uma dignidade”, a protagonista perdeu-se no estádio de Recife . Verdadeiro ou falso ? Pergunta 6
  31. 31. No conto “Olhos de cão azul”, o olhar da mulher era fugidio e líquido. Verdadeiro ou falso ? Pergunta 7
  32. 32. Na obra “Claraboia”, Claudinha começou a chegar tarde a casa porque tinha de fazer serão no escritório. Verdadeiro ou falso? Pergunta 8
  33. 33. No conto “Olhos de cão azul”, a mulher tem a pele cor de bronze. Verdadeiro ou falso? Pergunta 9
  34. 34. No conto “Olhos de cão azul”, a ação decorre essencialmente na rua. Verdadeiro ou falso? Pergunta 10
  35. 35. Na obra “Claraboia”, para trabalhar com Paulino Morais, Claudinha tinha de aprender a escrever à máquina. Verdadeiro ou Falso? Pergunta 11
  36. 36. No conto “A procura de uma dignidade”, a protagonista comprou um anel na rua. Verdadeiro ou falso? Pergunta 12
  37. 37. Na obra “Claraboia”, Amélia arrombou a gaveta da sobrinha e encontrou lá dentro um diário. Verdadeiro ou falso? Pergunta 13
  38. 38. Na obra “Claraboia”, a mãe de Lídia ia à sua casa buscar remédios. Verdadeiro ou falso? Pergunta 14
  39. 39. No conto “A procura de uma dignidade”, a protagonista sonhava com Roberto Carlos. Verdadeiro ou falso ? Pergunta 15
  40. 40. Na obra “Claraboia”, Caetano e Justina tratavam-se por “você”. Verdadeiro ou falso? Pergunta 16
  41. 41. Na obra “Claraboia”, ouvir música clássica na rádio era o passatempo preferido de Amélia, Adriana, Isaura e Cândida. Verdadeiro ou falso? Pergunta 17
  42. 42. No conto “A partida do trem”, as duas protagonistas serão recebidas pelos familiares de braços abertos na fazenda. Verdadeiro ou falso? Pergunta 18
  43. 43. Na obra “Claraboia”, os olhos de D. Justina são negros. Verdadeiro ou falso? Pergunta 19
  44. 44. Na obra “Claraboia”, a filha de D. Justina chamava-se Matilde. Verdadeiro ou falso? Pergunta 20
  45. 45. Texto A Fez um esforço. Embora ardesse numa chama de fúria, tentou refrear os nervos e medir com a calma possível a situação. Estava, pois, encurralado, impedido de dar um passo, à espera de que lhe chegasse a vez! Um ser livre e natural, um toiro nado e criado na lezíria ribatejana, de gaiola como um passarinho, condenado a divertir a multidão! Irreprimível, uma onda de calor tapou-lhe o entendimento por um segundo. O corpo, inchado de raiva, empurrou as paredes do cubículo, num desespero de Sansão. Nada. Os muros eram resistentes, à prova de quanta força e quanta justa indignação pudesse haver. Os homens, só assim: ou montados em cavalos velozes e defendidos por arame farpado, ou com sebes de cimento armado entre eles e a razão dos mais ... Palmas e música lá fora. O Malhado dava gozo às senhorias ... Um frémito de revolta arrepiou-lhe o pelo. Dali a nada, ele. Ele, Miura, o rei da campina! A multidão calou-se. Começou a ouvir-se, sedante, nostálgico, o som grosso e pacífico das chocas. A planície!. .. O descampado infinito, loiro de sol e trigo ... O ilimitado redil das noites luarentas, com bocas mudas, limpas, a ruminar o tempo ... A fornalha escaldante, sedenta, desesperante, que o estrídulo das cegarregas levava ao rubro. Novamente o silêncio. Depois, ao lado, passos incertos de quem entra vencido e humilhado no primeiro buraco ...
  46. 46. Texto B Hans ficou a viver nessa casa, em parte como empregado, em parte como filho adotivo. A sua adolescência cresceu entre os cais, os armazéns e os barcos, em conversas com marinheiros embarcadiços e comerciantes. De um barco ele sabia tudo desde o porão até ao cimo do mais alto mastro. E, ora a bordo ora em terra, ora debruçado nos bancos da escola sobre mapas e cálculos, ora mergulhado em narrações de viagens, estudando, sonhando e praticando, ele preparava-se para cumprir o seu projeto: regressar a Vig como capitão de um navio, ser perdoado pelo Pai e acolhido na casa. Dois dias depois de ter recolhido Hans, Hoyle levou-o ao centro da cidade e comprou-lhe as roupas de que precisava e também papel e caneta. Hans escreveu para casa: pediu com ardor perdão da sua fuga, dizia as suas razões, as suas aventuras, o seu paradeiro. Prometia que um dia voltaria a Vig e seria o capitão de um grande veleiro. A resposta só veio meses depois. Era uma carta da mãe. Leu: «Deus te perdoe, Hans, porque nos injuriaste e abandonaste. Manda-me o teu pai que te diga que não voltes a Vig pois não te receberá.» Depois desta carta, Hans sonhou com Vig muitas vezes.
  47. 47. Texto C Para começar, nem sequer eram miúdos. Pelo menos, nem todos. Havia rapazes, pequenos e grandes, e também pais e avós. Se calhar, alguns tios também. E pessoas daquelas que vivem sozinhas por aí e que parecem não ter família. Eram assim. _ Quem são aqueles? - perguntou Gretel, boquiaberta, tão estupefacta como o irmão andava nos últimos dias. - Que sítio é este? _ Não sei bem - disse Bruno, tentando ser tão verdadeiro quanto possível. _ A única coisa que sei é que isto não é como a nossa casa. _ E onde estão as raparigas? - perguntou ela. - As mães e as avós? - Talvez vivam noutro lado - sugeriu Bruno. Gretel concordou. Ela não queria ficar ali especada a olhar, mas não conseguia desviar os olhos. Até àquele momento, tudo o que tinha visto era a floresta em frente à sua janela, um bocado lúgubre, é certo, mas onde se podiam fazer piqueniques caso se encontrasse uma clareira. Mas deste lado da casa o panorama era muito diferente. À primeira vista, parecia ser minimamente agradável. Mesmo por baixo da janela de Bruno havia um jardim bastante grande e cheio de flores que cresciam em talhões muito direitinhos e bem cuidados.
  48. 48. Texto D Alguns dias mais tarde, Bruno, deitado na cama, pôs-se a olhar para o teto do quarto. A tinta branca estava rachada, já muito feia e a descascar, ao contrário da pintura da casa de Berlim que nunca descascava e era renovada todos os Verões, quando a mãe contratava os decoradores. Era de tarde e ele estava deitado de olhos fixos nas estaladelas que pareciam aranhas, semicerrando-os para tentar descortinar o que estaria por baixo delas. Imaginava que entre a tinta e o teto viviam insetos que empurravam a tinta, fazendo com que esta lascasse e acabando por abrir um buraco para poderem sair dali e procurar uma janela por onde fugir. Nada, nem mesmo os insetos, pensou Bruno, iam querer ficar ali em Acho-Vil. _ Tudo aqui é horrível - disse ele, em voz alta, apesar de saber que não estava lá ninguém que o ouvisse, mas, mesmo assim, ouvir as palavras que tinha dito fê-lo sentir-se melhor. - Odeio esta casa, odeio o meu quarto e odeio até esta pintura. Odeio tudo. Absolutamente tudo. _ Assim que acabou de falar, Maria entrou no quarto com uma pilha de roupa lavada e passada a ferro. Hesitou quando o viu ali deitado, mas depois baixou ligeiramente a cabeça e dirigiu-se para o roupeiro sem fazer barulho.
  49. 49. Texto E Alguns meses antes, logo depois de o pai receber o novo uniforme, o que queria dizer que toda a gente tinha de passar a tratá-lo por "Comandante", e antes de Bruno ter chegado a casa e encontrado Maria a fazer-lhe a mala, uma noite o pai chegou a casa todo alvoroçado, coisa que não era nada seu hábito, e entrou na sala de estar onde a mãe, Bruno e Gretel estavam sentados a ler. _ Quinta-feira à noite _ anunciou. - Se tivermos planos para quinta-feira à noite, temos de os cancelar. _ Tu podes mudar os teus planos se quiseres - disse a mãe.- Mas eu já combinei ir ao teatro com … _ O Fúria tem um assunto para falar comigo - disse o pai, que podia interromper a mãe, mesmo que mais ninguém pudesse fazê-lo. _ Recebi um telefonema esta tarde. O único dia em que está livre é quinta-feira e ele fez-se convidado para o jantar. A mãe arregalou os olhos e ficou com a boca aberta de espanto. Bruno ficou a olhar para ela muito sério a pensar se seria assim que ele ficava quando alguma coisa o surpreendia muito. _ Não estás a falar a sério, pois não? - perguntou ela, empalidecendo. - Ele vem cá? A nossa casa? O pai confirmou com um aceno de cabeça.
  50. 50. Texto F Felizmente, a chuva parou mais ou menos na altura em que Herr Liszt estava de saída e, por isso, Bruno calçou as botas, vestiu a gabardina, esperou que o caminho ficasse livre e saiu. As botas chapinhavam na lama e ele começou a gostar daquele passeio mais do que nunca. A cada passo parecia correr o risco de se desequilibrar e cair, mas isso nunca aconteceu e conseguiu sempre manter o equilíbrio, mesmo num troço mais complicado, quando levantou a perna esquerda e a bota ficou presa na lama enquanto o pé continuou a andar. Olhou para o céu e, apesar de estar ainda muito carregado, achou que já tinha chovido o suficiente por um dia e que o resto da tarde não ia trazer mais chuva. Claro que, quando mais tarde regressasse a casa, mais difícil seria explicar por que motivo estava assim tão sujo, mas podia dizer apenas que era precisamente por ser um rapaz como os outros, coisa que a mãe andava sempre a clamar que ele era, e era capaz de se safar sem arranjar muitos problemas. (A mãe tinha andado particularmente feliz nos últimos dias, à medida que cada caixote com as coisas deles tinha sido fechado e levado num camião com destino a Berlim.) Shmuel já lá estava quando Bruno chegou e, pela primeira vez, não estava sentado no chão de pernas cruzadas e olhos postos na poeira, mas sim de pé, encostado à vedação. - Olá, Bruno - disse ele, quando viu o amigo aproximar-se. - Olá, Shmuel - disse Bruno.
  51. 51. Texto A Justina cumprimentou o vizinho com um sorriso sem amabilidade. Anselmo passou, fez um solene gesto na direção da aba do chapéu e articulou com um belo timbre uma saudação cerimoniosa. A porta da escada, em baixo, teve um bater cheio de personalidade, quando ele saiu. Justina cumprimentou para cima: - Bom dia, D. Rosália. - Bom dia, D. Justina. - Que tem a Claudinha? Está doente? - Como soube? - Estava aqui a sacudir o capacho e ouvi o seu marido. Pareceu-me perceber… - Aquilo é manha. O meu Anselmo é que não pode ouvir a filha queixar-se. É o ai-jesus… Diz ela que lhe dói a cabeça. Mândria é o que ela tem. Tão grande é a dor de cabeça que já está outra vez a dormir! - Nunca se sabe, D. Rosália. Foi assim que eu fiquei sem a minha filha, que Deus haja. Não era nada, não era nada, diziam, e lá se foi com a meningite… - Tirou um lenço e assoou-se com força. Depois, continuou: - Coitadinha … Com oito anos…Não me esquece… Está agora a fazer dois anos, lembra-se, D. Rosália? Rosália lembrava-se e enxugou uma lágrima de circunstância. Justina ia insistir, lembrar pormenores já sabidos, apoiada à compaixão aparente da vizinha, quando uma voz rouca lhe cortou as palavras: - Justina!
  52. 52. Texto B Foi um beijo longo, sedento, feroz. Ao mesmo tempo, a mão apertou-lhe a cintura e puxou-a. Adriana acordou sobressaltada. Isaura não a largou. A boca continuava fixada ao ombro como uma ventosa e os dedos enterravam-se-lhe no flanco como garras. Com uma exclamação de terror, Adriana desprendeu-se e saltou da cama. Correu para a porta do quarto, mas, lembrando-se de que a mãe e a tia dormiam ao lado, voltou atrás e refugiou-se junto da janela. Isaura não se mexera. Queria simular que estava adormecida. Mas a irmã não vinha Só lhe ouvia a respiração sibilante. Via, através das pálpebras semicerradas, o seu vulto recortado no fundo opalescente da janela. Depois, já esquecida da simulação, chamou em voz baixa: - Adriana… A voz trémula da irmã respondeu: - Que queres? - Vem cá. Adriana não se moveu. - Estás a arrefecer…- insistiu Isaura. - Não importa. - Não podes ficar aí. Se não vens saio eu. Adriana aproximou-se. Sentou-se na beira da cama e quis acender o candeeiro de cabeceira.
  53. 53. Texto C Calou-se, durante um breve segundo, e perguntou com um sorriso de malícia inocente: - E, afinal, pensas com as tuas ideias ou com as regras e as leis que não fizeste?... A estas perguntas, Amélia não achou que responder. Virou costas à irmã e rematou: - Está bem. Já devias saber que, contigo, não se pode conversar. Isaura e Adriana sorriam. A discussão era apenas a última de dezenas já ouvidas. Pobres velhas, agora limitadas aos arranjos domésticos, longe do tempo em que os seus interesses eram mais amplos, mais vivos, em que o desafogo económico permitia esses interesses! Agora, enrugadas e dobradas, encanecidas e trémulas, o antigo fogo lançava as última fagulhas, lutava contra a cinza que se acumulava. Isaura e Adriana olharam-se e sorriram. Sentiam-se novas, vibrantes, sonoras como a corda tensa de um piano – comparando-se com aquela velhice que se esboroava. Depois, foi o jantar. À volta da mesa, quatro mulheres. Os pratos fumegantes, a toalha branca, o cerimonial da refeição. Para aquém – ou talvez para além – dos rumores inevitáveis, um silêncio espesso, confrangedor, o silêncio inquisitorial do passado que nos contempla e o silêncio irónico do futuro que nos espera.
  54. 54. Texto D - Então, Paulino – disse Lídia, sempre sorrindo. - Não vês que estás a embaraçar a menina Maria Cláudia? Paulino fez um movimento brusco e sorriu também: - Não era minha intenção. – E para Maria cláudia: - Não a julgava tão …tão nova!... - Tenho dezanove anos, senhor Morais – respondeu ela, levantando os olhos. - Como vês, é uma criança – disse Lídia. A rapariga olhou para ela. Os olhares das duas cruzaram-se desconfiados e, subitamente, inimigos. Por intuição, Maria Cláudia penetrou no pensamento de Lídia, e o que viu fez-lhe medo e deu- lhe prazer ao mesmo tempo. Adivinhou que tinha nela uma inimiga e adivinhou porquê. Viu-se a si e a ela como se fosse outra pessoa, como se fosse, por exemplo, Paulino Morais, e a comparação consequente resultou a seu favor. - Não sou assim tao criança, D. Lídia. O que sou, com certeza, como o senhor Morais disse, é muito nova. Lídia mordeu os lábios: entendera a insinuação. Recompôs-se imediatamente e soltou uma gargalhada.
  55. 55. Texto E - Quando fores crescido, hás de querer ser feliz. Por enquanto não pensas nisso e é por isso mesmo que o és. Quando pensares, quando quiseres ser feliz, deixarás de sê-lo. Para nunca mais! Talvez para nunca mais!... Ouviste? Para nunca mais. Quanto mais forte for o teu desejo de felicidade, mais infeliz serás. A felicidade não é coisa que conquiste. Hão de dizer-te que sim. Não acredites. A felicidade é ou não é. Também isto o levava para longe do seu objetivo. Voltou a olhar para o filho. As pálpebras estavam cerradas, o rosto tranquilo, a respiração calma e igual. Adormecera. Então, em voz muito baixa, os olhos pregados no rosto da criança, murmurou: - Sou infeliz, Henrique, sou muito infeliz. Vou-me embora um dia destes. Não sei quando, mas sei que irei. A felicidade não se conquista, mas quero conquistá-la. Aqui já não posso. Morreu tudo … A minha vida falhou. Vivo nesta casa como um estranho. Gosto de ti e da tua mãe, talvez, mas falta-me qualquer coisa. Vivo como numa prisão, Depois, estas cenas, esta… Tudo isto, enfim… Vou-me embora qualquer dia…
  56. 56. Texto F - Quer dizer que é idade que me faz pensar assim? - Talvez – sorriu Abel. – A idade pode muito. Traz a experiência mas traz, também, o cansaço… - Ouvindo-o falar, ninguém diria que até hoje nada fez senão viver para si… - É certo. Mas para quê censurar-me? Talvez a minha aprendizagem tenha de ser mais lenta, talvez eu tenha de receber muitas mais cicatrizes até me tornar um verdadeiro homem… Por enquanto sou aquele a quem chamaram inútil e se calou porque sabia que era assim. Mas não o serei sempre… - Que pensa fazer, Abel? O rapaz ergueu-se devagar e caminhou para Silvestre. A dois passos, respondeu: - Uma coisa muito simples: viver. Saio de sua casa mais seguro do que quando nela entrei. Não porque me sirva o caminho que me apontou, mas sim porque me fez pensar na necessidade de encontrar o meu. Será uma questão de tempo… - O seu caminho será sempre o pessimismo. - Não duvido. Apenas desejo que esse pessimismo me desvie das ilusões fáceis e embaladoras, como o amor… Silvestre agarrou-o pelos ombros e sacudiu-o: - Abel! Tudo o que não for construído sobre o amor gerará o ódio! - Tem razão, meu amigo. Mas talvez tenha de ser assim durante muito tempo… O dia em que será possível construir sobre o amor não chegou ainda…
  57. 57. PALMAS
  58. 58. VIZINHOS
  59. 59. Diz a obra de que mais gostaste e tenta apresentar alguns argumentos para convenceres os ouvintes a lê-la.
  60. 60. Diz a obra de que mais gostaste e tenta apresentar alguns argumentos para convenceres os ouvintes a lê-la.
  61. 61. Obrigado pela vossa presença!

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