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  1. 1. A N T Ó N I O M A T O S G U E R R A Caderno de Fenomenologia da Combustão e Agentes Extintores – Princípios Básicos Colecção SENSIBILIZAÇÃO 2 CADERNOS ENB ESCOLA NACIONAL DE BOMBEIROS S I N T R A 2 0 0 7
  2. 2. Ficha TécnicaTítuloCaderno de Fenomenologia da Combustão e Agentes Extintores– Princípios BásicosColecçãoCadernos de Sensibilização(n.º 2)EdiçãoEscola Nacional de BombeirosQuinta do Anjinho – Ranholas2710 - 460 SintraTelef.: 219 239 040 • Fax: 219 106 250E.mail: edicao@enb.ptTextoAntónio Matos GuerraComissão de Revisão Técnica e PedagógicaLuís Abreu, Sónia RufinoFotografiaRogério Oliveira, Victor HugoIlustraçõesOsvaldo Medina, Ricardo Blanco, Victor HugoGrafismo e fotomontagensVictor Hugo FernandesImpressãoGráfica Europam, Lda.ISBN: 978-9728792-28-2Depósito Legal nº 232240/051.ª edição: Dezembro de 2007Tiragem: 3 000 exemplaresPreço de capa: a2,00
  3. 3. Sumário1. Introdução ................................................................................. 52. Formas de combustão ................................................................ 83. Métodos de extinção .................................................................. 184. Classes de fogos ......................................................................... 215. Agentes extintores ..................................................................... 22
  4. 4. Cadernos de Sensibilização
  5. 5. 1 Introdução ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ Conhecido pelos homens desde a pré-história, o fogo pode ser consideradocomo uma das suas conquistas no domínio da natureza. O fogo é uma manifestação da combustão. Contudo, quando deixa deser controlado, surge o incêndio com todas as suas dramáticas consequências(fig. 1). Fenomenologia da Combustão e Agentes Extintores – Princípios Básicos Fig. 1 Quando o fogo deixa de ser controlado, surge o incêndio. Para controlar o fogo e evitar que se torne num incêndio é necessárioconhecer alguns princípios do fenómeno da combustão. Combustão é uma reacção de oxidação entre um agente combustível eum comburente, provocada por uma energia de activação. Essa reacção éexotérmica ou seja com libertação de calor. Qualquer substância na forma gasosa, líquida ou sólida, que seja capaz dearder quando submetida a aquecimento é um combustível (fig. 2).
  6. 6. Cadernos de Sensibilização Fig. 2 O combustível é qualquer substância na forma gasosa, líquida ou sólida. O comburente é uma atmosfera ou corpo gasoso em cuja presença o combustível pode arder. O melhor exemplo de comburente, responsável pela grande maioria das combustões, é o oxigénio. Outro gás, no seio do qual certos combustíveis poderão também arder, é, por exemplo, o cloro. Para que um fogo se inicie é necessário que o combustível e o comburente se encontrem em determinadas condições favoráveis, de modo a que a reacção se produza. Entre outras condições, é necessário a existência de uma energia para o início da combustão, a que se designa por energia de activação e se manifesta sob a forma de calor (fig. 3). Fig. 3 Fontes de calor que servem de energia de activação numa combustão.
  7. 7. Em resumo, pode afirmar-se que não existe fogo sem a junção simultâneados três elementos seguintes: • Combustível; • Comburente; • Energia de activação (fonte de calor). Estes três elementos formam o que se designa por triângulo do fogo Fenomenologia da Combustão e Agentes Extintores – Princípios Básicos(fig. 4). Uma vez iniciada a combustão, pela acção conjunta do combustível,comburente e energia de activação, desenvolvem-se radicais livres(1) que levamao aparecimento da reacção em cadeia, sustentando desta forma a continui-dade da combustão. Podemos então dizer que existe o tetraedro do fogo(2)representado na figura 5.Fig. 4 Triângulo do fogo. Fig. 5 Tetraedro do fogo. (1) Partículas extremamente instáveis que se deslocam a velocidades muito elevadas, possuindo grande energia.(2) Tetra = quatro + edro = face.
  8. 8. 2 Formas de combustão ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ A combustão depende de um grande número de factores ligados à energia de activação, ao combustível e ao comburente, mencionados nos pontos seguintes. 2 1 Fontes de energia de activação Cadernos de Sensibilização ■ ■ A energia de activação, necessária para dar início à combustão, pode ter várias origens, de que se indicam alguns exemplos: • Origem térmica – Mechas, fósforos, isqueiros e pontas de cigarro; – Instalações geradoras de calor (fornos, caldeiras); – Radiação solar (libertação de vapores combustíveis pela madeira, por exposição intensa e continuada ao sol); – Superfícies quentes (placa de um fogão eléctrico). • Origem eléctrica – Resistência (aquecedor eléctrico); – Arco voltaico (cabo de alta tensão quebrado ao contactar com o solo); – Electricidade estática; – Descarga eléctrica atmosférica. • Origem mecânica – Chispas provocadas por ferramentas; – Atrito (contacto não lubrificado entre duas peças metálicas em movimento). • Origem química – Reacção química (limalha de ferro + óleo).
  9. 9. 2 2 Combustíveis ■ ■ As substâncias combustíveis pouco condutoras de calor, como a madeira,ardem mais facilmente do que as boas condutoras. Este facto deve-se à acumulação de calor numa pequena zona, no casode materiais pouco condutores. A temperatura local eleva-se de tal forma,provocando a libertação de vapores combustíveis, que na presença de mais calor (energia de activação) podem inflamar-se. No caso dos bons condutores, o calor distribui-se por toda a massa fazendo Fenomenologia da Combustão e Agentes Extintores – Princípios Básicoscom que a temperatura se eleve lentamente. Os corpos bons condutores(fig. 6-A), tais como os metais, mármore, granito, etc., são frios ao tacto.Os maus condutores (fig. 6-B), como a lã, cortiça, plásticos, etc., são, pelocontrário, corpos quentes. A divisão do combustível influencia a capacidade que um corpo tem deentrar em combustão. Por exemplo, se chegarmos uma chama à superfíciedo petróleo, que à temperatura ambiente não é inflamável, não se verifica acombustão. No entanto, ao vaporizar mecanicamente o petróleo em direcçãoa uma chama, observa-se a sua inflamação imediata. Uma outra propriedade importante é a tendência que um combustívellíquido tem para libertar vapores. A B Fig. 6 Exemplos de corpos: A – bons condutores; B – maus condutores.
  10. 10. ■ Temperaturas características Estabeleceram-se três temperaturas(1) características para os combustíveis líquidos: • Temperatura de inflamação – temperatura mínima que permite a uma substância emitir vapores combustíveis em quantidade suficiente para10 formar, com o comburente, uma mistura que, por acção de uma fonte de calor, se pode inflamar, extinguindo-se a combustão logo que se retira Cadernos de Sensibilização a fonte de calor. Tal deve-se ao facto de não se libertarem vapores em quantidade suficiente. • Temperatura de combustão – temperatura mínima a que uma substância emite vapores combustíveis em quantidade suficiente para que em contacto com o comburente, se possa inflamar por acção de uma fonte exterior e arder continuamente. • Temperatura de ignição – temperatura à qual os vapores libertados por um combustível se auto-inflamam (combustão espontânea), sem a presença de uma fonte de calor exterior. Com base neste critério, e de acordo com NP 1936, classificam-se os combustíveis líquidos, quanto ao ponto de inflamação, em três categorias: • Líquidos de 1.ª categoria – quando o ponto de inflamação é inferior a 21 oC; • Líquidos de 2.ª categoria – quando o ponto de inflamação é igual ou superior a 21o e inferior a 55 oC; • Líquidos de 3.ª categoria – quando o ponto de inflamação é igual ou superior a 55 oC. (1) Estas temperaturas também se podem designar por «pontos».
  11. 11. No Quadro I apresentam-se exemplos de combustíveis dos três gruposreferidos. QUADRO I Características de inflamação de alguns combustíveis líquidos 11 Fenomenologia da Combustão e Agentes Extintores – Princípios Básicos■ Limites de inflamabilidade A percentagem de vapores combustíveis é outro dos factores a considerar,já que para se dar a combustão, a mistura com o comburente não pode conterdemasiado combustível (mistura rica) ou uma quantidade insuficiente domesmo (mistura pobre). Definem-se então, para cada combustível, os limitesde inflamabilidade ou explosividade (fig. 7): • Limite inferior de inflamabilidade (LII) ou de explosividade – o LII de um gás ou vapor é a sua concentração mínima em volume na mistura com o ar (gás/vapor-ar) acima da qual pode haver inflamação e abaixo da qual a combustão não é possível por a mistura ser demasiado pobre. • Limite superior de inflamabilidade (LSI) ou de explosividade – o LSI de um gás ou vapor é a sua concentração máxima em volume na mistura com o ar (gás/vapor-ar) abaixo da qual pode haver inflamação e acima da qual não é possível, por a mistura ser demasiado rica.
  12. 12. 12 Fig. 7 Campo de inflamabilidade ou de explosividade de determinado fluido. Cadernos de Sensibilização O campo de inflamabilidade ou explosividade varia de substância para substância, como podemos ver pelos exemplos do Quadro II. QUADRO II Campo de inflamabilidade (ou DE explosividade) de vários combustíveis 2 3 Comburente ■ ■ A percentagem de comburente na mistura com o combustível é também um factor importante na combustão. O comburente que participa na grande maioria das combustões é, como já foi referido, o oxigénio do ar. Este contém aproximadamente 21% de oxigénio. Para certos combustíveis, uma atmosfera com menos de 15% de oxigénio já não alimenta uma combustão. No entanto, há outros em que a combustão apenas se extingue em concentrações de oxigénio inferiores a 10%.
  13. 13. 2 4 Velocidade de combustão ■ ■ A velocidade a que decorre uma combustão depende de vários factores,sendo tanto mais rápida quanto: • Maior for o grau de divisão do combustível; 13 • Mais inflamável for a natureza do combustível; Fenomenologia da Combustão e Agentes Extintores – Princípios Básicos • Maior for a quantidade de combustível exposta directamente ao comburente; • Maior for o grau de renovação ou alimentação do comburente. Em relação à velocidade, as combustões classificam-se da seguinte forma: • Lentas – quando se produz a uma temperatura suficientemente baixa para que não haja emissão de luz, isto é, inferior a 500 ˚C. A oxidação de um metal em contacto com o ar húmido é um exemplo deste tipo de combustão; • Vivas – quando existe emissão de luz, sendo vulgarmente designadas por fogo. Neste caso, devido à mistura dos gases inflamados com o ar forma-se a chama; • Deflagrações – combustões muito rápidas cuja propagação se dá a uma velocidade inferior à do som (340 m/s). Um tiro de pólvora exemplifica este tipo de combustão; • Explosões – neste caso a combustão é resultante da mistura de gases, vapores ou poeiras com o ar numa percentagem bem determinada, sendo a propagação superior à velocidade do som. A explosão origina, sem dúvida, uma brusca e violenta onda de choque no meio em que ocorre, provocando destruição e grande ruído (detonação).
  14. 14. 2 5 Propagação da energia da combustão ■ ■ O fenómeno da propagação da combustão deve-se ao facto de dois corpos terem temperaturas diferentes e haver transferência de calor daquele que está a uma temperatura mais alta para o que está a temperatura mais baixa. Este facto tem particular relevo na forma como um fogo evolui. As formas14 de propagação são as seguintes: • Radiação – a expressão radiação refere-se à emissão contínua de calor Cadernos de Sensibilização (energia) sob a forma de radiação, essencialmente infravermelha, que se propaga em todas as direcções sem suporte material através do espaço, tal como acontece com o mesmo tipo de radiação que, produzida pelo Sol juntamente com a luz visível, se propaga até à Terra através do vazio (fig. 8); Fig. 8 Transmissão de calor por radiação.
  15. 15. • Condução – o calor transmite-se directamente no interior de um corpo ou através de corpos em contacto. Colocando-se o extremo de uma barra metálica em contacto com uma chama, enquanto o outro se sustém na mão, verifica-se que esta parte da barra vai aquecendo cada vez mais. Esta propagação do calor será tanto mais rápida quanto melhores condutores forem os corpos em contacto. No caso de um incêndio num edifício, a condução propaga-se através de estruturas metálicas, etc. (fig. 9); 15 Fenomenologia da Combustão e Agentes Extintores – Princípios BásicosFig. 9 Transmissão do calor por condução. • Convecção – chama-se convecção ao processo de transmissão do calor pelo ar em movimento. O ar aquecido, proveniente do incêndio, sobe, forçando o ar frio a dirigir-se para as zonas inferiores. Este fenómeno gera, na zona de incêndio, verdadeiras turbulências de ar aquecido que, em alguns casos, atingem velocidades elevadas. A propagação por este meio faz-se por todas as comunicações interiores quando não estão protegidas: caixas de escada, caixas de elevadores, coretes de cabos, condutas de ventilação, etc. (fig. 10);
  16. 16. 16 Cadernos de Sensibilização Fig. 10 Transmissão do calor por convecção. • Projecção e deslocamento de matéria inflamada – forma de propa- gação de incêndios que se dá pelo movimento de matéria inflamável a arder como, por exemplo, fagulhas levadas pelo vento que provocam novos focos de incêndio (fig. 11). Fig. 11 Efeito da projecção e deslocamento de matéria a arder.
  17. 17. 2 6 Produtos e manifestações da combustão ■ ■ Nas combustões produzem-se uma série de manifestações e produtosvisíveis que são o fumo, as chamas, o calor e os gases (fig. 12); 17 Fenomenologia da Combustão e Agentes Extintores – Princípios Básicos Fig. 12 Manifestações e produtos da combustão. ■ Fumo O fumo é um dos produtos da combustão, sendo o resultado de umacombustão incompleta, na qual pequenas partículas sólidas se tornam visíveis,variando de tamanho e quantidade, podendo impedir a passagem da luz. O fumo também varia de cor em resultado das substâncias em combustão,conforme se indica seguidamente: • Fumo de cor branca ou cinzento pálido – indica que a combustão é mais completa com bastante consumo de combustível e dispõe de comburente em quantidade adequada; • Fumo negro ou cinzento escuro – revela que se está perante uma combustão que desenvolve grande temperatura e tem falta de combu- rente, como é o caso da combustão de plásticos; • Fumo amarelo, roxo ou violeta – assinala geralmente a presença em maior percentagem de gases altamente tóxicos.
  18. 18. ■ Chamas São a manifestação de gases incandescentes, visíveis, em redor da superfície do material em combustão. No seu seio produz-se a reacção em cadeia, o consumo parcial ou total do combustível e a libertação de outros produtos. Em alguns casos produzem-se combustões sem chama. A radiação luminosa18 emitida nesses casos designa-se por incandescência. Cadernos de Sensibilização ■ Calor É a energia libertada pela combustão, sendo o principal responsável pela sua propagação dado que aquece todo o ambiente e os produtos combustíveis presentes, elevando-os às temperaturas de inflamação, possibilitando, deste modo, a continuação do incêndio. ■ Gases Produzidos pela combustão, são o resultado da modificação da composição do combustível. A combustão pode produzir monóxido de carbono (CO), anidrido carbónico (CO2), cianeto de hidrogénio (HCN), fosgénio, anidrido sulfuroso, óxido de nitrogénio, ácido clorídrico, vapor de água e outros gases. 3 Métodos de extinção ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ A extinção da combustão corresponde sempre à eliminação ou neutrali- zação de, pelo menos, um dos elementos do tetraedro do fogo. Existem quatro métodos para se proceder à extinção da combustão: • Arrefecimento ou redução da temperatura – é o método mais utili- zado e consiste em eliminar o calor de forma a que a temperatura do combustível seja inferior à da combustão (fig. 13). Deste modo, é necessário um agente extintor que tenha uma grande capacidade de absorção de calor como, por exemplo, a água;
  19. 19. 19 Fenomenologia da Combustão e Agentes Extintores – Princípios BásicosFig. 13 Extinção por arrefecimento ou redução da temperatura. • Limitação do comburente (abafamento e asfixia) – é o método que consiste no isolamento do combustível do oxigénio (comburente) ou na redução da concentração deste no ambiente (fig. 14). Pode conseguir-se esta forma de extinção diminuindo a concentração de oxigénio através de um gás inerte (p. ex. dióxido de carbono) ou cobrindo as chamas com uma substância com resistência suficiente à inflamação (p. ex. espuma extintora);Fig. 14 Extinção por abafamento.
  20. 20. • Carência ou limitação do combustível – consiste na separação entre o combustível e a fonte de energia (calor) ou o ambiente do incêndio (fig. 15). É um método eficaz, mas muitas vezes impossível de utilizar devido à complexidade da sua execução;20 Cadernos de Sensibilização Fig. 15 Extinção por carência ou limitação do combustível. • Inibição ou rotura da reacção em cadeia – consiste em impedir ou limitar a formação de radicais livres ou eliminá-los à medida que se formam (fig. 16). Um bom exemplo para a rotura da reacção em cadeia é a utilização de pó químico seco como agente extintor. Fig. 16 Extinção por inibição ou rotura da reacção em cadeia.
  21. 21. 4 Classes de fogos ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ Atendendo ao comportamento dos diversos materiais convencionouclassificar-se em quatro categorias as diferentes classes de fogos, que podemser definidas pela natureza dos combustíveis. Esta classificação é especialmenteútil no domínio do combate ao incêndio por meio de extintores. No Quadro III descrevem-se as quatro classes de fogos. 21 Fenomenologia da Combustão e Agentes Extintores – Princípios Básicos QUADRO III Classes de fogosFonte: NP EN 2 – 1993 – Classes de fogos.
  22. 22. 5 Agentes extintores ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ Existem vários agentes extintores que actuam de maneira específica sobre cada um dos quatro métodos anteriormente citados. Os agentes extintores devem ser usados de forma criteriosa para evitar acidentes pessoais e agravamento do incêndio e ainda, quando possível,22 minimizar os efeitos negativos do próprio agente extintor sobre os materiais e equipamentos não atingidos pelas chamas. Apresentam-se nos três estados normais da matéria e têm âmbitos de Cadernos de Sensibilização aplicação, eficácia e limitações diferentes. Os agentes extintores mais utilizados são a água, a espuma, os pós químicos e o CO2. 5 1 Água ■ ■ É o agente extintor por excelência e o mais utilizado em extinção de incêndios, uma vez que existe em grande abundância e o seu custo é baixo. Actua por arrefecimento do combustível e do meio ambiente por contacto directo ou indirecto e, secundariamente, por abafamento na forma de vapor. Emprega-se na forma de jacto (fig. 17-A), para se obter um maior alcance ou penetração da água. A água, quando utilizada em chuveiro ou pulverizada (nevoeiro) (fig. 17-B), tem um maior poder de arrefecimento, uma vez que absorve uma enorme quantidade de calor. A B Fig. 17 Exemplo de duas formas de aplicação de água. A – Em jacto; B – Pulverizada.
  23. 23. À água podem adicionar-se aditivos que melhoram as suas capacidadesextintoras. Como inconvenientes, entre outros, sobressaem os estragos que provocae o facto de ser condutora de electricidade. A utilização em equipamentoseléctricos em tensão apresenta riscos de electrocussão. 235 2 Espuma Fenomenologia da Combustão e Agentes Extintores – Princípios Básicos ■ ■ Um produto denominado espumífero (ou emulsor), misturado comágua e ar dá origem a um agente extintor aquoso designado por espuma.É especialmente aplicada em incêndios de líquidos inflamáveis. É tambémutilizada no interior de edifícios sob a forma de inundação total (altaexpansão). Actua por abafamento cobrindo o combustível e isolando-o do oxigéniodo ar. Devido à existência de água na espuma tem, também, poder dearrefecimento (fig. 18). Fig. 18 A espuma extingue por arrefecimento e abafamento.
  24. 24. A espuma pode ser aplicada sobre o fogo em baixa, média e alta expansão: • Baixa expansão – é produzida através de uma agulheta (fig. 19), que a projecta em jacto, não devendo este incidir directamente no líquido em combustão. Por ser a que possui mais água é a que tem maior poder de arrefecimento (fig. 20);24 Cadernos de Sensibilização Fig. 19 Agulheta de espuma de baixa expansão. Fig. 20 Utilização de agulheta de espuma de baixa expansão.
  25. 25. • Média expansão – a sua produção é efectuada através de agulheta dotada de uma rede de malha fina, a qual permite uma melhor mistura do emulsor e da água com o ar (fig. 21). É uma mistura leve que voa com alguma facilidade (fig. 22); 25 Fenomenologia da Combustão e Agentes Extintores – Princípios BásicosFig. 21 Agulheta de espuma de média expansão. Fig. 22 Utilização de agulheta de espuma de média expansão.
  26. 26. • Alta expansão – a produção deste tipo de espuma é feita por um equipamento designado por gerador de alta expansão (fig. 23). Este equipamento possui uma ventoinha movida hidraulicamente que auxilia a mistura do emulsor e a água, gerando ao mesmo tempo uma forte corrente de ar que ajuda a projectar a espuma.26 Cadernos de Sensibilização Fig. 23 Gerador de espuma de alta expansão.
  27. 27. O seu índice de expansão é de tal forma que pode encher um volume de50 m3 num minuto. É uma espuma muito leve que voa facilmente pela acção do vento ou pelaintensidade da combustão. A espuma impede a reactivação do incêndio. Pode ser empregue em grandessuperfícies ou volumes. Como já referido, a espuma contém água pelo que não deve ser utilizada 27em equipamentos eléctricos em tensão. Também pode provocar a corrosão emcertos materiais. Fenomenologia da Combustão e Agentes Extintores – Princípios Básicos No Quadro IV apresenta-se uma síntese comparativa da expansão dasespumas em função da misturas e das agulhetas utilizadas. QUADRO IV Exemplos comparativos da expansão das espumas5 3 Pós químicos ■ ■ Constituem o grupo dos agentes extintores sólidos usados no combate aincêndios. São substâncias sólidas de cristais secos, finamente divididos empartículas de dimensão micrométrica e perfeitamente fluidas.
  28. 28. Os pós químicos secos extinguem o incêndio por inibição, eliminando a reacção em cadeia. Ao serem projectados sobre as chamas e no espaço envolvente actuam como bloqueadores dos radicais livres, impedindo-os de se multiplicarem e elimi- nando rapidamente as chamas. Os pós não são tóxicos nem condutores de electricidade. São corrosivos e dificultam a visibilidade durante a extinção (fig. 24).28 Cadernos de Sensibilização Fig. 24 Dificuldade de visibilidade com a utilização de extintores de pós químicos. A classificação dos pós é feita, através da sua correspondência às diferentes classes de fogos, pelas seguintes categorias: • Pós ABC – também conhecidos por polivalentes, por serem usados em fogos de classe A, B e C, são compostos à base de fosfato de amónio; • Pós BC – indicados para combater fogos de classe B e C, são produzidos à base de bicarbonato de sódio ou de potássio; • Pós D – são usados estritamente em fogos da classe D. Sendo consti- tuídos por compostos quimicamente inertes, o seu fabrico tem por base a grafite misturada com cloretos e carbonetos. A eficácia de extinção destes pós depende das características próprias de cada metal. Dado que não são agentes extintores polivalentes é necessário escolher o pó adequado para cada tipo de metal.
  29. 29. 5 4 Dióxido de carbono (CO2) ■ ■ Também conhecido por anidrido carbónico, é um gás liquefeito armazenadosob pressão. É utilizado em extintores e sistemas fixos de extinção de incêndios(fig. 25). Não deixa sujidade nem é condutor de electricidade. 29 Fenomenologia da Combustão e Agentes Extintores – Princípios Básicos Fig. 25 Instalação fixa de CO2. Aplicado sobre um incêndio, a sua acção extintora é caracterizada pelaredução do teor de oxigénio (asfixia) e abaixamento da temperatura. O CO2 épouco eficaz quando aplicado no combate a incêndios ao ar livre. Apesar de não ser tóxico, não deve ser respirado. Quando utilizado emsistemas fixos de inundação total do ambiente, a descarga só deve ser efectuadase não existirem pessoas dentro da sala. Caso contrário poderá levar à mortedestas por asfixia.
  30. 30. 5 5 Hidrocarbonetos halogenados ■ ■ Normalmente designados por halons, são derivados dos hidrocarbonetos obtidos por processos complexos. Os halogenados mais divulgados como agentes extintores eram o 1211 em extintores portáteis e o 1301 em sistemas fixos de extinção.30 Sendo estes agentes extintores substâncias que empobrecem a camada do ozono, encontram-se proibidas, a nível mundial desde 1994, a produção e Cadernos de Sensibilização comercialização de equipamentos carregados com este produto. Os hidrocarbonetos halogenados existentes em extintores ou sistemas foram substituídos e destruídos até Dezembro de 2003, conforme regulamento CE n.º 2037/2000 do Parlamento Europeu e do Conselho de 29 de Junho de 2000. 5 6 Substituição dos halons ■ ■ Recentemente surgiram no mercado novos agentes extintores para substituição do halon 1301 utilizado nos sistemas fixos. O FM 200 (heptafluoropropano HC3F3) e o FE 13 (trifluorometano HCF3) são alguns exemplos de produtos já a ser comercializados, se bem que outros produtos também estejam a ser comercializados, tais como, argonite (nitrogénio + argon), argonfire (argon) e inergen (azoto + argon + CO2).
  31. 31. 31 Fenomenologia da Combustão e Agentes Extintores – Princípios BásicosAnotações
  32. 32. 32Cadernos de Sensibilização Anotações

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