A Última Gota do Prazer... 
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Lia Soares 
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A Última Gota do Prazer... 
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A Última Gota do Prazer... 
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A Última Gota do Prazer 
Romance Erótico 
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Lia Soares 
-Talvez fosse melhor seguir o que a música dizia... 
O velho rádio insistia em falhar pedindo as pancadas que 
lhe dava com prazer. Tudo para poder cantar junto a melhor 
parte da letra daquela música. 
-Você é maluco... 
Ela disse isto ainda com o copo de cerveja na boca. 
-Quantos livros você já vendeu? – perguntei. 
Fafá era uma mulher bonita de finos traços e pequena de 
corpo, apesar da briga injusta com o tempo. Mas também ga-nhara 
a beleza da maturidade, algo que sempre gostei nas mu-lheres. 
-Por que você não compra um rádio novo? – respondeu ela 
com outra pergunta. 
Seria uma opção, mas não um desejo. Gostava de enfrentar 
e sentir raiva com aquele aparelho. Não era uma herança, não 
trataria algo assim na pancada, mas o havia comprado de um 
velho quase mendigo no centro da Praça Sete, quase no obe-lisco 
em forma de pirulito. Alguns guardas do transito fica-ram 
curiosos com minha abordagem e me irritaram. Não sou 
muito paciente com homens de fardas. 
-Me lembram de tudo de ruim... A china comunista, a revo-lução 
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militar, meu serviço no exército e outros... 
-Mas você gosta dos filmes de guerra! 
Eu gostava mesmo. Mas não era uma guerra e sim uma 
interpretação da guerra cheia de glamour e para isto as fardas 
serviam. 
-Também gosto de mulheres de farda... – respondi para 
provocar.
A Última Gota do Prazer... 
Elas ficavam belas de farda, confirmavam o que eu sentia 
nos filmes antigos. Mesmo as gordas, as feias de corpo, ga-nhavam 
uma áurea de beleza, talvez sendo a masculinidade 
do uniforme concertada pela feminilidade que foi criada para 
embelezar. 
-Não vou comprar outro rádio... – disse a ela – Mas e os 
livros? Estão vendendo? 
Ela levantou-se com uma cara daquelas parecendo pergun-tar 
“se estivessem vendendo eu estaria aqui com você?”, mas 
assentou-se na beira da janela baixa daquela casa antiga que 
alugamos para nos encontrar. 
-O que a música dizia mesmo? 
Agarrei-me com ela na janela e ficamos a mercê da paisa-gem 
também antiga do lugarejo no interior de Minas. As la-deiras 
eram lindas em tudo, casas inclinadas, pessoas inclina-das 
e até as nuvens pareciam tortas acompanhando os decli-ves. 
-Dizia sobre certo dia... – respondi. 
Ela sorriu e lembrou-se da música sobre certo dia de mu-danças. 
-Você quer? – perguntou com a voz doce. 
Mudar aos cinquenta anos de idade não me parecia anima-dor. 
Era a época da preguiça, de olhar com ganância para a 
aposentadoria ainda longe. 
-O que diz Nando? 
Ela me chamava de Nando, um diminutivo de meu nome, e 
eu também diminuía o seu para Fafá em uma troca de mimos. 
Éramos amantes nos vários sentidos da palavra. Eu, casado, 
ela solteira, mas concordando em ser amante assim como eu. 
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Uma união apenas para o sexo, o prazer e o gozo sem nenhu-ma 
fantasia proibida. 
-Não quer mudar de vida? – insistia ela. 
Levei-a no colo até a cama ainda desarrumada da brinca-deira 
anterior. Ela sorria no seu melhor estilo. Seus cabelos 
eram na altura exata que me encantava e seu corpo fino era 
sedutor, plástico e redesenhado pelo tempo. 
Nestas horas as rugas sumiam, os hormônios voltavam a 
lubrificar o corpo o preparando para o amor maduro, o do 
prazer real. 
-Bobo... 
Ela falava gemendo, seu corpo já possuído pelo meu, e o 
prazer nos contorcendo na cama sem tempo para acabar o ato. 
Suas mãos eram sempre inquietas e audaciosas, desavergo-nhadas 
para alguns. Mas ninguém sabia explorar meu corpo 
como ela. Parecia ter me estudado me lambendo cada pedaço 
possível - e de olhos abertos - percebendo minha reação e 
fazendo descobertas. 
Com os dedos explorava cantos e orifícios até então escon-didos 
de minha consciência e ela sabia exatamente o que fa-zer 
por ali. Usava suas descobertas com maestria me levando 
ao gozo; sempre um maior do que o outro. 
Quando sentia o jorro que viria, ela ia aos pontos mais ar-dentes 
de meu corpo, que já a esperavam para aquele momen-to. 
Então acontecia e ela sorria feliz por sentir cada êxtase que 
me corpo exalava dentro dela. 
Depois, ainda no sorriso, ela se deitava ao meu lado e se 
masturbava dizendo estar lembrando-se de tudo que viu. 
Nunca nos questionamos. Nunca houve cobrança entre nós. 
Amantes não são assim. 
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A Última Gota do Prazer... 
É por isto que os casados não conseguem ser amantes. Ela, 
que nunca se casou, era a amante no auge, ensinada pela vida 
e por muitos corpos que conheceu. 
-E aí? – insistia ela sobre mudar de vida. Os homens mu-dam 
seus pensamentos depois do sexo. As mulheres não. Mas 
me rendia a pergunta como agradecimento pelo imenso prazer 
que meu corpo havia recebido. 
-E por não? – concordei. 
Ela animou-se. Já sentada na cama, ainda nua e na posição 
de lótus, começou a me explicar o que queria sem abrir a boca 
ou emitir um som. Apenas sorria. 
-Quero experimentar algo novo... – disse por fim. Isto me 
preocupou, pois mudar de vida experimentando algo novo 
poderia ser perigoso, um fracasso total. 
-Drogas? – perguntei ainda pensando no assunto. 
-Não! – respondeu ela – Quero sentir e não apenas ter uma 
sensação do que aconteceu. 
Drogas realmente impediriam o conhecimento de tudo que 
ocorresse. Mas isto não me deixou menos preocupado. 
-Assaltar um banco? 
Ela sorriu gargalhando em seguida. Era um momento belo 
daquela mulher que acontecia somente com mulheres daquela 
idade. 
-Também não... – disse sensualisando a voz. 
Ela continuava sentada a minha frente, nua, assim como eu 
e começou a passar um creme em suas mãos. 
-Falo do prazer... 
Ela pegou carinhosamente em meu membro já descansando 
do encanto anterior e começou a fazer carinhos com as mãos 
besuntadas de lubrificante íntimo. 
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Fechei os olhos me divertindo com a massagem que já dei-xava 
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bem evidente minha excitação. 
-Safado... – disse ela 
-Safada... – respondi. 
Mas parou com os carinhos, me deixando a ver navios. Ela 
sabia a medida certa de prazer a ser dado a um homem. Mas 
pelo menos descobri o que ela queria experimentar. 
-Já fazemos tantas coisas! – exclamei – Nunca fui tão feliz 
na cama! 
Ela voltou a janela, já com um roupão, ascendeu um cigar-ro 
e espantou dois moleques que estavam ali nos observando. 
-Punheteiros... – disse ela bem baixinho, mas não deixava 
de sorrir. 
-Vão ter assunto pra galerinha deles! 
-Já pensou na morte? – perguntou ela já não se importando 
com os adolescentes. 
Estávamos como antes do sexo, desta feita eu sentado na 
beira da janela e ela me abraçando. Era um abraço carinhoso 
com afagos na nuca enquanto a outra mão insistia no cigarro 
Ela não parecia querer algo mais na cama então resolvi res-ponder 
a tudo que quisesse ouvir. 
-E como não pensar na morte? – lhe disse – Ainda mais na 
minha idade. 
Eu também tinha cinquenta anos de muita luta contra o 
tempo e a vida. Uma empreitada inútil. 
-Tem medo dela? 
Ela perguntava já sabendo da resposta. 
-Claro que sim! Quem não tem medo dela? 
-Não falo do fim e sim do estar morrendo...
A Última Gota do Prazer... 
Sua voz estava de novo sensual. Não achei aquilo estranho, 
nem poderia com aquela língua vasculhando minha orelha 
como se ambos fossem órgãos sexuais se conhecendo. 
-Estar morrendo... – repeti em voz baixa – Nunca tinha 
pensado nisto... 
A maioria das pessoas pensa na morte como algo súbito, 
um estalo e estamos debaixo da terra depois de um velório 
corriqueiro. 
-Sim... – disse ela ainda me beijando o ouvido – pense nis-to... 
Algo estranho acontecia com meu corpo. Ela me excitava 
com seus toques mágicos e falávamos de estar morrendo e 
pensar nisto não acabava com meu desejo. Ela percebeu e 
insistiu nas carícias até estarmos novamente na cama, enros-cados 
como duas cobras e sabe-se lá quem penetrava o outro. 
Desta feita foi mais devagar, com longos beijos trocados na 
boca demonstrando o carinho que tínhamos um com o outro. 
Também segurei seus braços, para ficar por cima dela e con-tralar 
meus movimentos. Assim eu alcançava seu melhor pon-to 
com meu pênis se transformando em um insubstituível de-do 
feminino Quando parecia que ira gozar junto, se segurou, 
oferecendo seu ânus rosado para um sexo mais solitário de 
minha parte. Ela passou a agarrar o lençol com as mãos por 
eu ter aceitado aquela fruta diferente e suportou várias esto-cadas 
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até que terminei tudo dentro dela. 
Mas uma vez deitei ao seu lado, ainda ofegante como qual-quer 
macho ficaria, e ela mais uma vez se masturbou, pen-sando 
em tudo e gemendo alto. 
-Você gosta de dor? – perguntei em seguida tentando ligar 
os assuntos. Ela sorriu, como sempre, e me abraçou.
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-Tolinho! Não sou mais apertadinha como uma menini-nha... 
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Se for sobre isto que está falando... 
Era sim. Mas pensando bem ela não fez cara de dor em 
momento algum que eu cavalgava aquelas ancas. Mas isto 
seria uma incógnita. Afinal quem sente prazer com a dor não 
fica com cara de dor. 
-Não... – disse ela por fim – Não gosto de dor... 
-Experiência interessante... – murmurei. 
-Temos que ir! 
Ela disse isto pensando em mim e em minha vida de casa-do. 
Não queria atrapalhar tudo e me perder como amante. 
-Já está escurecendo... – concordei com ela. Era uma se-gunda 
feira e ninguém me procurava neste dia, muito menos a 
esposa. Então vínhamos sempre para aquele vilarejo trocando 
às vezes os dias da semana para não levantar suspeita. Era 
uma ideia dela que funcionava bem. 
Fechamos a pequena casa e saímos; não sem antes ouvir-mos 
no caminho até o carro alguns “psius” e chupadas de 
boca típicas de adolescentes. 
Então abri a porta para Fafá que deu uma grande levantada 
em sua curta saia e mostrou sua bunda ainda sem calcinha 
para aqueles marmanjos cheios de espinhas. 
Era uma forma de retribuir os dois anos de sossego que tive-mos 
por ali. 
Foi uma viagem curta. Não poderia ser diferente. Minas 
Gerais oferece esta condição para os amantes, principalmente 
nos arredores dos arredores da capital. 
Ela morava do outro lado da cidade, já grande o suficiente 
para não sermos conhecidos facilmente. Sua casa também era 
pequenina, um apartamento que comprou com algumas eco-
A Última Gota do Prazer... 
nomias e certa herança de seus pais. O prédio miúdo também 
nos dava mais tranquilidade, menos olhos ao redor. 
Foi uma despedida dentro do carro de vidros escuros. Um 
longo beijo que bem poderia ser o início e não o fim de um 
encontro. 
-Nos falamos... – disse ela batendo a porta do carro. 
Eu estava triste pelo fim da diversão e não por reencontrar 
minha família. A esposa não era uma megera. Apenas não 
gostava mais de sexo. 
Minha casa estava como sempre: Cheirosa; e minha esposa 
também estava como sempre; resmungava mais do que feste-java 
minha chegada, falando do mundo e das mazelas da ida-de, 
além das dores de outros que nem estavam ali. Mas eu 
gostava da conversa e sempre sorria para ela. Era assim que 
eu a silenciava, pois um sorriso sempre atrai o outro. 
-Como foi seu dia? – perguntou ela. 
-Dolorido... Mas foi um dia proveitoso. 
Pelo menos eu mentia apenas nas entrelinhas. De qualquer 
forma havia verdades em minhas palavras. 
Então, lhe dei um beijo no pescoço roçando por ali minha 
barba mal feita. Eu sabia que ela gostava. Mas quando a abra-cei, 
nós dois de frente para o fogão, ela já resmungava uns 
“para” e “nãos” que eu bem sabia o que significava. 
Dei-lhe um beijo carinhoso e me afastei. 
-Eu te entendo... – disse de longe. 
Assim eram as ações do amor. O perdão era a maior delas, 
além da consciência que pesava naqueles momentos. 
O conforto, a segurança do descanso do corpo, era uma 
garantia de felicidade, um lar verdadeiro que sempre tem al-guém 
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te esperando. Minha casa era exatamente assim.
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Naquele dia jantamos mais cedo, achei estranho, mas não 
contestei, mesmo porque combinava com a fome de cão que 
eu tinha. 
Mais tarde percebi umas risadinhas, como um chamado 
para o quarto onde encontrei minha dona vestida com uma 
micro calcinha e se insinuando com o traseiro. Era excitante, 
além de comovente, pois ela fazia por mim, se oferecendo 
sem o desejo de uma amante; a esposa cumprindo seu papel 
na cama. 
Então, também cumpri minha missão de marido e a amei 
como fazem os casais que acreditam no casamento. Ambos 
nos divertimos, ela suspirando e gemendo sem falsidades, 
mas também sentia muitas dores pela falta dos hormônios 
vinda da menopausa. 
-Por que não toma hormônios? – perguntei certa vez ten-tando 
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salvar nossa vida sexual. 
-Tenho medo do câncer! 
Era uma desculpa razoável. Melhor não ter uma vida sexu-al 
muito ativa do que sempre pensar na doença, sem saber se 
ela está se instalando ou não. Basta isto para se perder a libi-do. 
Mesmo sendo raros, tais momentos eram de extremo pra-zer. 
O simples ativo e passivo bem definidos na cama era algo 
muito excitante. 
Depois do amor, o trivial continuava na rotina de um casal 
antigo com suas manias e exigências, que sempre geram pe-quenas 
briguinhas e caretas mútuas. 
Isto era sem troca nos meus sentimentos. Mas eu também 
tinha uma amante perfeita que gostava de mim assim, sem 
ciúmes de minha vida.
A Última Gota do Prazer... 
Eu não pensava em uma, estando com a outra. Considero 
isto um dom nato herdado de um desconhecido, mas macho, 
de minha família. 
Então dormimos abraçados, em conchinha, pelo menos por 
alguns minutos, até que o desconfortável nos jogasse cada um 
em seu lado da cama. 
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Lia Soares 
O segundo dia de trabalho de certa semana começou 
com uma mensagem de Fafá. Não era algo muito comum. 
“Preciso de sua ajuda” – dizia o texto me arrepiando pela 
novidade. Não a encontrei em casa, seu apartamento todo 
escuro por dentro, além da ausência de seu carro na garagem 
e o celular desligado. Estranho pedido de ajuda. 
Fiquei por ali o quanto pude e mesmo depois de alguns dias 
ela manteve o silêncio, até eu vê-la me esperando discreta-mente 
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na praça em frente ao meu trabalho. 
-O que houve? – perguntei aflito. 
Ela fumava, estava mais magra e usava um cachecol em 
volta do pescoço. Não disse nada, não exigiu nada, então en-tendi 
que seria um silencioso passeio de carro pelas ruas da 
cidade. Ela gostava da minha neutralidade, minha absoluta 
falta de exigências. Por isto me segurava pelos braços da for-ma 
carinhosa de sempre. 
-Coloquei uma foto de sua peladinha como papel de fundo 
do meu computador... 
Ela sorriu com a novidade. 
-Do trabalho é claro... – expliquei melhor. 
-Qual delas? – perguntou quebrando seu silêncio. 
Era uma foto anônima de um órgão genital, o dela, e mui-tos 
gostaram e comentavam inclusive mulheres colegas. 
-Aquela da calcinha nova... – respondi. 
-Uma que estou de cócoras? – e danou a rir tampando sua-vemente 
a boca numa delicadeza capaz de despertar desejos. 
-Ela mesma... Cansei de admirá-la no banheiro... 
Ela se entregou de vez a alegria que lhe era comum. 
-Punheteiro...
A Última Gota do Prazer... 
Eu queria saber do ocorrido, do pedido de ajuda, e do ca-checol 
estranhamente em volta do pescoço. E fazia isto com o 
olhar até que ela me pareceu decidida a falar. 
-Mas vamos para minha casa... – disse ela – ainda dá tempo 
antes dos seus “compromissos” oficiais! 
Foi o mais lógico a ser feito, embora eu mal conhecesse o 
interior de seu apartamento. Ali eu vi o quanto ele era peque-no 
de fato, com uma cozinha conjugada com a sala e apenas 
uma suíte pedia a única porta da casa, além da de saída. 
Ela tomava um banho enquanto eu reparava no abandono 
de talvez alguns dias do imóvel. Pratos que eu lavei e copos 
também, além de revistas e roupas espalhadas pelo chão que 
igualmente apanhei. 
Por fim ela apareceu na sala, nua, com uma toalha a tira 
colo. Mas o cachecol ainda estava em volta de seu pescoço 
me deixando aflito com a situação. 
-Foi mordida por um vampiro? 
Ela apenas sorriu e por segundos me distraiu com seu cor-po 
nu, seus orifícios a minha frente mostrando a mudança da 
cor da pele quanto mais profundamente eu olhava. Era uma 
mulher totalmente sem pelos íntimos e fazia questão disto por 
saber o quanto eu gostava. 
-Me enxugue... – pediu com voz manhosa. 
Não tinha como eu não me excitar com minha amante. Ca-da 
resposta de seu corpo aos meus toques com a toalha au-mentava 
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minha ereção. 
-Fica pelado também... 
Ela sabia o estava acontecendo e eu esperando ansioso o 
convite que veio.
Lia Soares 
Em um instante estávamos nos beijando e nos esfregando 
deitados no tapete grosso e confortável daquela sala e mais 
uma vez senti que novidades iriam acontecer comigo. 
Tirou de sua bolsa um anel peniano, daqueles que não dei-xam 
o pênis perder a ereção, e colocou na base de meu mem-bro 
a partir da cabeça. 
Eu estava excitadíssimo. 
Percebi que esfregava em suas mãos o mesmo lubrificante 
de antes, mas não o usou do mesmo modo. Começou a brin-car 
com meu ânus com movimentos rápidos de penetração 
com os dedos. Primeiro um, depois dois, até que três entra-vam 
facilmente. Eu amava cada segundo daqueles. 
Pegou outro anel peniano e desta feita o colocou na base da 
cabeça de meu pênis que inchava de sangue e prazer. Eram 
dois anéis, dois motivos enigmáticos que vim a descobrir no 
fim do ato. 
Deixou-me de quatro já me fazendo pensar em coisas inte-ressantes 
e voltou do quarto com um pênis de borracha, duplo 
e preso a uma calcinha. Uma daquelas estranhas engenhocas 
de sex shop. 
Ela não falava, não dizia o que ia fazer, sequer pedia per-missão. 
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Estava decidida e isto me levava ao êxtase sexual. 
-Quer ser o homem hoje? – perguntei. 
-Quero te dar prazer... – cochichou no meu ouvido. 
Eu a vi vestindo a calcinha. Quando fez isto introduziu o 
pênis menor em sua vagina e apontou o maior para o meu 
ânus. Mas ela queria me dar prazer e não dor, então lubrificou 
tudo que seria usado e me penetrou devagarzinho acompa-nhando 
meu olhar para sentir quando o meu prazer aumenta-va.
A Última Gota do Prazer... 
Ela aumentou o volume da televisão, pois sabia dos gemi-dos 
que viriam de nós dois. 
-Eu quero que me dê prazer! - exclamei. 
Foi quando a penetração foi total e me senti nas nuvens, 
mas ela fez mais, algo mágico. Não sei se a televisão estava 
no volume suficiente, perdi a noção de tudo e nossos barulhos 
se misturavam com o som de uma novela mexicana. 
Depois de muitos gemidos ela um teve orgasmo dramático 
como nunca tinha visto e sem se masturbar com as mãos. O 
sorriso era sempre o mesmo. Rapidamente ela tirou a calci-nha, 
deixando o pênis ainda dentro de mim e vibrando. 
-Agora o toque final... 
Disse isto tirando o anel peniano que segurava meu gozo 
pela cabeça de meu membro e ejaculei por toda sua sala com 
ela rindo e fazendo carícias em meu corpo até ele parar de 
tremer. 
Eram momentos capazes de confundir sentimentos arraiga-dos. 
-Meu pai! – exclamei. E fiquei assim uns bons minutos 
pensando no ocorrido. 
Ela continuava cheia de carinhos sinceros que sabia ser 
assim pelo sorriso de fêmea verdadeira em seu rosto. Isto é 
exclusivo delas. Um homem apenas imitava tal feminilidade 
quando encantava alguém com um sorriso. 
Eu me admirava com a habilidade que um corpo tem de se 
preparar para fazer uma única coisa, como o sexo e sua sen-sualidade, 
o que ocorria naquele instante com minha amante: 
da cabeça aos pés. 
Em cada poro que se abria ou suor que escorria, ela era 
totalmente sexual. Embora meu cérebro ainda estivesse sobre 
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Lia Soares 
o efeito da “droga” que ela me aplicara, eu bem via tudo isto 
nela. 
-Era esta a ajuda que queria de mim? – perguntei sobre a 
mensagem que me enviou. 
Ela apenas sorriu em resposta. 
-Me pareceu bem sério... – insisti. Minha namorada ainda 
usava o estranho cachecol em volta do pescoço e comecei a 
retirá-lo sem que houvesse resistência. 
-Estou doente, Nando... – disse ela me assustando. 
-O que tem? – perguntei me esquecendo do cachecol que 
ela logo o enrolou de volta ao pescoço. 
Meu corpo passou a sentir as aflições da brincadeira que 
fizemos revelando o estranho da preocupação repentina que 
aflora dores as quais não damos muita importância. 
-Vire-se... – pediu ela. 
Começou a passar algum creme em minhas partes usadas 
por ela e seus brinquedos e em segundos as dores passaram 
-É um anestésico... – explicou – Hoje mesmo a dor vai em-bora... 
Mesmos nestes momentos ela era carinhosa a ponto de ex-citar 
qualquer um. Mas minhas dores aumentaram por causa 
da preocupação com sua saúde e o prazer não tinha lugar nes-tas 
horas. 
-Como posso te ajudar? 
Percebi que ela não queria falar de sua doença, mas apenas 
anunciar que estava doente. 
-Você é a única pessoa que gosta de mim como eu gostaria 
de ser gostada... 
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A Última Gota do Prazer... 
Ela estava tão singela que não resisti a um abraço em seu 
corpo ainda nu. E eu entendia aquele desejo pelo “gostar” que 
ela elogiava. 
-Dizem que algumas pessoas nascem pra outras... 
Ela tampou minha voz cruzando seu dedo com meus lá-bios. 
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Não queria ouvir aquela frase. 
-Não estrague tudo, meu querido... Sou sua amante, não 
nasci para você! 
Esperei mais cinco minutos para a emoção que sentia dimi-nuir. 
Não existia amor entre nós e era isto que achava que 
poderia estragar tudo. Eu amava o sexo que fazia com ela e 
também não queria confundir os fatos. 
Mas ela não tocou mais no assunto. Sabia que meu silêncio 
de minutos era para uma reflexão madura de tudo. 
-Mas eu realmente quero sua ajuda... 
Continuei em silêncio brincando com o bico de um de seus 
seios que cresceu na minha mão como algo excitado. Era lin-do 
de se ver. 
Lá fora a chuva apertava escurecendo o dia e aumentando a 
vontade de um abraço mais apertado. 
-Mas não pergunte como! – continuou explicando. 
-É grave? 
-O que não é grave nesta vida meu amor? 
Eu não precisava saber mais de nada. Fafá era uma mulher 
que se cuidava, ia a médicos e tinha seus exames em dia. Não 
percebia desespero em sua voz, tampouco em seu rosto que 
sorria mais do que nunca. 
-Conte comigo... – respondi – E com minha discrição... 
-Quero morar em nossa casa no interior... Ou melhor, quero 
comprá-la...
Lia Soares 
Era nossa porque dividíamos tudo; todas as despesas de 
nosso louco romance sexual. Ela fazia questão disto exata-mente 
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para impor limites entre nós. 
-Tudo bem... – concordei. 
-Mas vou vender este apartamento para isto... Não é uma 
coisa que devemos dividir, entendeu Nando? 
Seu olhar era novamente o convite conhecido para o sexo. 
Ela já brincava com partes do meu corpo e viu que ele tam-bém 
estava preparado para ela. 
-Seja meu homem agora... – me provocou. 
A lembrança dela sendo meu “homem” me excitou mais 
ainda. Então fiz dela mulher a usando como fêmea de todas as 
maneiras possíveis. A virei de um lado a outro como uma 
boneca e sua passividade me levava a loucura a ponto de to-mar 
um comprimido para não perder a ereção pelo simples 
esgotamento. 
Ela sorria de satisfação. 
Quando acabei, não havia mais esperma em mim. Tudo que 
tinha naqueles minutos estava dentro dela, na boca e outros 
lugares. Quando ela percebeu meu orgasmo final acarinhou 
meu membro com sua língua e tudo parecia um bálsamo 
morno, sua saliva, que ela espalhava em meu pênis como que-rendo 
curá-lo do esforço e do prazer. Nada saiu, a não ser o 
mais longo prazer que tive. 
-Você ta quase no ponto... – disse ela. Mas não compreendi 
e também não dei muita atenção. 
Ainda tomamos banhos juntos antes de nos separarmos. 
Mesmo assim, ela não retirou o cachecol revelando o mistério 
em seu pescoço.
A Última Gota do Prazer... 
O cheiro da comida pronta alegrava meus sentidos tor-nando 
minha volta para casa sempre algo agradável. Um beijo 
no rosto e uma leve troca de sorrisos era sinal de longa inti-midade. 
-O que você fez de bão hoje, Nati? 
Os nomes de minhas mulheres eram sempre no diminutivo 
carinhoso e minha esposa ganhara este de seu avô que achou 
o da certidão muito cumprido, além de feio na sonoridade. 
Então já me casei com ela se chamando de Nati. 
Amor de minha juventude, ou melhor, de nossas juventu-des, 
era o nosso casamento. Mas não sei se envelhecer junto é 
algo agradável como espalham os poetas. 
Nati era bela, mas já fora mais do isto. Se a conhecesse 
hoje não me importaria com algo que não conheci. Penso que 
ela também me via assim. Mas sentir saudades da beleza e 
juventude de sua companheira não é algo agradável. Antes, o 
corpo esguio, a pele macia, cabelos jovens, pernas torneadas e 
muito vigor correspondendo. O que se tinha se usava. Não foi 
por isto que a natureza nos deu a juventude e suas delícias? 
Mas a mulher perde mais no passar dos anos de casamento. 
Se for o contrario, o marido é um bom amante ou ela arrumou 
um destes fora do casamento. 
Feliz e seguro. 
Mesmo assim, eu treinei meus olhos com minha amante 
para ver a beleza feminina na maturidade. Não me era tanto 
sofrimento ver Nati envelhecer. Mas quanto aos olhos dela, 
seus pensamentos, disto eu não posso falar. 
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Lia Soares 
Sua mente é um poço de segredos como as de todas as 
mulheres do mundo. E eu nunca fui um atleta, o que deixou 
meu corpo normal: deformado na meia idade. Um homem 
como eu, ou agrada uma mulher, ou tem seu respeito por ín-dole 
própria. 
Às vezes me esqueço de que estou falando de minha espo-sa, 
que apesar de ser mulher não é uma amante. 
Mas as duas me vêem com bons olhos, sem críticas ao 
meu físico ou personalidade. 
Não conseguiria viver sem uma delas ou sem as duas. 
-Ninguém nasce perfeito, Nando... – disse Nati certa vez 
quando eu elogiava ou criticava certas mulheres que apareci-am 
quase peladas em programas de televisão. 
A falta de ciúmes dela também me excitava, além de au-mentar 
minha admiração por tal criatura. O ciúme é uma por-caria 
que deve ser eliminado no ato. 
-Se você me trair, acabou e pronto – disse ela certa vez - 
Porque eu vou ficar com quem não me quer? 
Isto era eliminar o ciúme no ato. 
O tempo e o pensamento são verdadeiras máquinas más. O 
tempo fabrica monstros e o pensamento produz loucos em 
abundância. 
-Além de você, o que tem pra comer hoje? – brinquei com 
ela. Na verdade eu queria mudar o assunto de meus pensa-mentos. 
-Você já teve sua cota... 
Eu poderia responder perguntando: “mensal?”, “bimes-tral?”, 
mas seria achar caretas e briguinhas sem necessidade. 
23 
Eu estava bem saciado neste assunto.
A Última Gota do Prazer... 
Mas no banho que tomei em seguida para não levantar sus-peitas, 
eu não resisti, e me masturbei pensando nela que esta-va 
na cozinha ao lado. É incrível a capacidade da mente de 
criar imagens e aí está um dos perigos da loucura. 
Seu corpo era diferente do de Fafá, mas era o suficiente 
para me levar ao orgasmo sem demora. Nati era rechonchuda, 
com belas ancas de mulher que nasceu parideira, mas que não 
teve filhos e então sua vagina era natural, sem aberturas maio-res 
e comuns do parto. 
Apertadinha, é o que quero dizer. Meu pênis entrava por ali 
sempre rompendo barreiras e causando gemidos de mulher 
nova que perde a virgindade aos poucos. A dela me parecia 
eterna. Era um órgão pequenino perto do resto de seu corpo 
de madona, além da depilação que veio das entranhas da mãe, 
uma genética rara, que se não fosse assim, levaria as depila-doras 
24 
à falência. 
De quatro, ela seria uma fotografia de sucesso ou um qua-dro 
famoso se ela vivesse na época dos grandes artistas. Nati 
tinha um belo conjunto nesta posição. Eu amava vasculhar 
aquela região com minha boca e língua se deliciando com os 
líquidos que saiam pela excitação que causava em minha es-posa. 
Foi assim que acabei no orgasmo, para me entristecer um 
pouco em seguida por me masturbar para ela pensando no 
passado distante. Quem nunca olhou para a água quente que 
sai do chuveiro procurando um consolo? 
-Fiz carne de panela recheada de bacon... 
Por isto minha casa era tão cheirosa. Comida boa é melhor 
do que diazepam e outros calmantes. Mas será que também 
trocam o apetite?
Lia Soares 
Malditos pensamentos!Lá estava eu matutando que ela en-chia 
meu estômago para sossegar minha libido como um cal-mante. 
O cheiro realmente me acalmou afastando tais pensamentos 
esquisitos. E como sempre me alimento em silêncio, olhando 
para o prato, outros pensamentos surgiram e me levaram ao 
passado distante. 
Minha mãe preta, tão linda em minha memória, me acari-nhava 
em seu colo diante de uma televisão enorme de ima-gem 
sem cores. Ela cheirava cozinha, comida que fazia para 
mim e meus irmãos. A sensação de seus dedos passando pelos 
meus cabelos veio ao futuro pela relembrança me arrepiando 
em um prazer estranho e inédito. Não era sexual, mas também 
não fugia muito a isto, pois tal cheiro igualmente estava em 
minha esposa e isto sim despertava desejos no adulto de hoje. 
-Casamento é bom... – disse baixinho. 
Ela sorriu. Sabia o que fazia comigo, quais agrados me se-guravam 
25 
em casa e no casamento. 
-Bobo... 
Fazíamos terapia de casal. Os problemas na cama nos leva-ram 
ao profissional, uma mulher, escolha minha em troca de 
aceitar o tratamento que foi sugestão dela. 
Uma vez por mês íamos ao seu consultório e ela achou me-lhor 
ser uma por quinzena, até ser uma por semana, e assim é 
até hoje. Toda quinta feira a noite é nosso dia de encontro 
com a psicóloga. Mas ela exigiu seções separadas também, 
tudo no mesmo dia. Primeiro com Nati, depois nós dois e por 
fim comigo; ou o contrário disto tudo quando achava melhor 
para o casal.
A Última Gota do Prazer... 
-Me conta como é sua vida, Fernando... 
Ela também era sexóloga e a conversa seria sobre sexo. 
-Sinceramente? – perguntei. 
Seu nome era Laura o que significava pouca idade. Poucos 
sãos com mais de trinta anos com este nome. 
-Ser sincero é um remédio! 
Tenho uma vida normal... Trabalho para por comida em 
casa e conseguir algum conforto para Nati. 
-Vocês não quiseram ter filhos? 
Esta era uma das consultas separadas, a última das quinta 
feiras. Também era a primeira de todas e então ela sabia da 
situação física e hormonal de Nati. 
-Não fez parte de nossos projetos... – respondi. 
-Hum... E como é sua vida sexual? 
Era a pergunta para calar a psicóloga e quando o paciente 
começava a falar sem parar. 
-Não sei o que ela te disse, mas não tenho vida sexual ati-va... 
Ela não gosta de sexo, chega a fazer caretas quando con-sigo 
alguma coisa dela... 
Laura não me olhava, apenas acompanhava tudo em silên-cio 
fazendo algumas anotações. De vez em quando levava sua 
caneta cara até a boca disfarçando o interesse na conversa. 
-Ela já foi boa de cama... – disse procurando alguma altera-ção 
no rosto dela. Tentava ser franco, ver até onde eu poderia 
falar sobre sexo com aquela mulher. 
-Ela me disse que você sempre foi bom de cama... 
Fiquei mais a vontade para falar com ela sobre tudo, mas 
ainda pensava no sigilo da situação. 
-Gosto dela... – continuei – Eu a amo como esposa... Mas 
eu também preciso de sexo porque gosto muito disto... 
26
Lia Soares 
-Já pensou em separação? – me perguntou. 
-Não quero isto... Não é uma saída indolor... 
-Então você deveria investir na relação... 
Ela se levantou. Era uma bela mulher de olhos claros e 
27 
cabelos mais longos do que a moda ditava. 
Bem alta, com pernas longas que bem poderiam chegar 
a um metro e pouco, ajeitava seu jaleco branco cobrindo par-te 
da calça jeans que realçava as curvas de uma boa anca; o 
que se percebia quando andava. Era o que fazia indo até uma 
garrafa e servindo água para nós dois. 
-Creio que já faço isto... – respondi já bebendo da água - 
Invisto na relação tentando excitá-la... 
-Ela já me contou estes detalhes... – me interrompeu. Con-fesso 
que fiquei um pouco frustrado com aquela reação como 
se não quisesse ouvir detalhes da situação. 
-Pelo que sei... – continuou ela – as maiorias dos casamen-tos 
terminam pelo sexo... Ou pela falta do sexo de um dos 
dois... 
-Não creio que ela sinta falta de sexo... 
-Isto ela também me contou... 
Eu estava certo que Nati já conhecia aquela psicóloga há 
algum tempo. Mas agora tinha certeza que também já se con-sultava 
com ela. 
-Então o que faço? – perguntei – Talvez seja ela quem 
queira se separar... Viver sua vida sozinha sem um homem 
desejoso do seu lado... Talvez eu seja o estorvo da relação. 
Desta feita era eu que quem estava de pé e falava andando 
pelo consultório. A ideia de perder Nati era de muito sofri-mento 
para mim.
A Última Gota do Prazer... 
-Arrume uma amante... 
Imediatamente me sentei no sofá e fiz dele um divã me 
deitando ao ouvir aquela sugestão. 
-Ela também não quer se separar e tem muito medo de te 
perder... 
Esta terapia começou antes de Fafá entrar em minha vida e 
continuou depois disto. 
-Uma amante?! – perguntei ainda assustado – E a sugestão 
é dela? 
-Evidente que não... Mas é uma questão de saúde psiquiá-trica. 
-Uma amante... – pensava em voz alta. 
-Sim, mas uma amante de verdade, sem compromisso, ape-nas 
para saciar no sexo... Tem que ser uma mulher igual a 
você... 
Passei a perceber suas cruzadas de pernas somente porque 
o assunto era erótico para um homem e uma mulher. 
-Além disso, deve haver o compromisso de não se revela-rem... 
A proposta era fazer Nati feliz me saciando com outra mu-lher. 
-Uma prostituta não seria a mesma coisa? 
-Não... Tem que haver química... Recíproca... 
Parecia que era um conselho já usado por ela. Ela não me 
dizia para arrumar uma amante arriscada e sim procurar por 
ela mais do que se procura uma esposa certa. 
-A maior semelhança entre um homem e uma mulher é o 
desejo pelo sexo... 
-Ou a falta dele... – ajudei. 
-Exato! (Mais uma vez ela descruzou e cruzou as pernas) 
28
Lia Soares 
Mas ela estava certa de uma maneira inédita para mim. 
Quando se escolhe uma parceira, ou parceiro, deve-se ter cer-teza 
que a libido é semelhante. Sendo maior, se manterá as-sim 
no futuro. O mesmo acontece se o desejo sexual for pou-co, 
ou sem importância na vida da pessoa. Escolhendo al-guém 
parecido se terá um futuro parecido no sexo e todo 
mundo fica saciado. 
-Então tenho que procurar uma amante como eu? 
-Seria um segredo médico, é claro... – disse ela. 
Saí dali com muitas imagens e pensamentos em minha 
mente que me empolgavam com o que poderia acontecer. 
Mas o segredo dependia da sinceridade com a psicóloga, qua-se 
uma exigência dela. Queria saber de tudo, de cada relação 
29 
minha com minha amante. 
-Serei sua esposa, sua confidente ouvindo seus pecados... 
E por que não?
A Última Gota do Prazer... 
Foi simpatia mútua quando “achei” Fafá e a cada encontro 
nos sincronizávamos mais ainda no sexo e na busca do prazer 
sendo assim a história até o dia que ela me avisou da venda de 
seu apartamento e da compra da casinha na ladeira da peque-nina 
cidade perto da capital. 
Conheci minha amante em um bar. Fafá estava sentada 
sozinha e permaneceu assim até ir embora. De aparência era 
óbvio que me interessava como amante: Cabelos louros nos 
ombros e pele clara bem cuidada. Não dava ares de ser sapa-tão 
apesar da solidão no bar e nas idas e vindas que vieram 
em seguida. Seu corpo ainda é o mesmo de nossas loucas es-tripulias 
na cama: Esguio, sem um pelo sequer. Uma mulher 
leve em tudo: peso, aparência e humor, além do belíssimo 
sorriso. 
Tudo acontece depois de uma simples troca de olhares 
autorizando minha aproximação e por fim dividimos a mesma 
mesa, conta e a cama de um motel onde fiz o convite a ela 
para ser minha amante, depois de contar toda minha vida. 
-Sua psicóloga recomendou isto? – me perguntou. Achei 
que meu tiro saiu pela culatra me acertando em cheio. 
-E por que não? – me surpreendeu em seguida – Desde que 
você não tenha outra além de sua mulher... 
Não eram ciúmes, não havia tempo nem idade para isto. 
Era apenas um acordo que fazia comigo para que não houves-se 
nenhum tipo de cobrança. 
-E eu terei somente você... 
Tudo sugerido e decidido assim, sem mais nada a acrescen-tar 
30 
ou a resumir por mim.
Lia Soares 
Na quinta feira seguinte anunciei a minha psicóloga o en-contro 
com minha amante. Ela aprovou e ouviu em silêncio 
minha narração sobre como ela era e o que aconteceu no mo-tel. 
-Divirta-se... – disse ela – E cuide também de sua esposa... 
O divertido estava sendo contar a ela minhas peripécias na 
cama. Certa vez perguntei se queira saber o tamanho de meu 
pênis. Ela sorriu e disse que já sabia através de Nati. Foi bem 
erótico. 
Toda quinta eu tinha uma caso para contar, toda quinta eu 
tinha uma ereção naquele consultório e fazia questão que ela 
notasse. Mas ela se comportava como uma médica sem se 
importar com o que acontecia. 
Isto me intrigava muito. Certa consulta lhe contei da última 
relação que tive com Fafá, aquela dos anéis penianos no chão 
da sala de seu apartamento. Laura insistia no profissionalis-mo. 
-Seu tempo terminou... – disse ela neste dia – Marque com 
a secretária sua próxima consulta... 
Ela disse isto indo ao banheiro. Então me escondi em um 
armário por ali e aguardei ansioso de curiosidade para saber o 
que acontecia depois das consultas. 
Ela saiu do banheiro e pediu pelo telefone que o próximo 
paciente esperasse um pouco mais. Foi até a porta e com cui-dado 
trancou a fechadura. Passou bons minutos na janela ad-mirando 
31 
algo ou pensando em outra coisa. 
Quando eu já estava decepcionado e planejando em como 
sair dali, ela deitou-se no sofá depois de se despir completa-mente. 
A visão de seu corpo nu já seria motivo para uma deli-ciosa 
masturbação.
A Última Gota do Prazer... 
Realmente ela tinha pernas longas e corpo magro. Seus 
peitos eram pequenos e rosados, mas durinhos como duas 
frutas saborosas. Mas sua pele foi que mais me encantou. 
Branquíssima! Nunca tinha visto algo igual fazendo tão um 
belo conjunto. Nesta altura eu estava excitadíssimo e bem 
poderia invadir o consultório. 
Ela sentou-se no sofá e abriu as pernas bem na frente de 
meu olhar. Sua vagina era vermelha com uma penugem em 
cima e incrivelmente pequena no orifício a ser penetrado. Ela 
já se masturbava deliciosamente com os dedos e parava de 
vez em quando cruzando as pernas e apertando seu órgão co-mo 
se segurasse o gozo querendo prolongá-lo. Por fim retirou 
de sua bolsa um enorme consolo e se penetrou com ele, suspi-rando 
de dor e prazer, uma mão fazendo o papel de macho, e 
os dedos da outra na masturbação quase interminável que 
começou. 
Então gozou com o consolo ainda em suas entranhas, dei-tando- 
se e tremendo para não gemer mais alto. Ficou assim 
por dois minutos até que tirou o objeto, que saiu ensanguen-tado, 
32 
e correu ao banheiro. 
-Droga! – disse ela. 
Aproveitei e sai do consultório dando a sorte de não encon-trar 
a secretária deixando apenas a porta destrancada em um 
possível mistério para consciência daquela médica. Também 
filmei tudo com meu celular, uma intuição que tive dentro do 
armário sem entender bem por que. 
Andei pelas ruas da cidade um pouco sem rumo ainda com 
aquelas imagens de Laura em minha mente. Neste dia entendi 
como a pornografia pode criar viciados somente pela tela, por 
fantasias ensaiadas como todo filme o é.
Lia Soares 
Tudo que vi daquele armário ficou em minha mente por 
muito tempo e por quanto eu quisesse na memória de meu 
celular. 
-Safadinha ela! – exclamou Fafá quando lhe contei tudo e 
mostrei o vídeo. Se não havia segredos entre eu e a médica, 
quanto mais com minha amante deliciosa. 
-Ela ficou menstruada... – disse sobre o sangue e o “droga” 
que ela soltou indo para o banheiro. 
-Não tinha percebido... 
Na verdade a menstruação não acaba somente para as mu-lheres. 
Nós homens somos acompanhantes observadores e 
sofremos das sequelas hormonais do fenômeno. Então quando 
acaba na companheira, acaba para nós certo sofrimento. 
-Nem me lembrava que vocês menstruavam... 
Ela ria com gosto. 
-Melhor assim... – disse ela – Você se masturbou no armá-rio? 
-Não tive como... 
-Senta aí! 
Estávamos em seu apartamento aguardando a visita de um 
possível comprador, mas ela resolveu passar o tempo com 
certas brincadeiras. 
-Liga o celular e assista sua psicóloga safada... 
Enquanto isto Fafá já estava com meu pênis em suas mãos 
e boca em uma felação deliciosa, macia e quente. Não demo-rou 
e eu cresci dentro daquela boca. 
-Assista... – insistia ela. E eu o fiz com o celular em cima 
da cabeça de Fafá. Ela usava sua boca como se fosse uma 
vagina com vida própria, uma maestria de dar inveja a qual-quer 
33 
gay.
A Última Gota do Prazer... 
Masturbava-me lambendo a cabeça de meu membro com 
linguadas nos postos certos e quando percebeu que o gozo 
chegava, introduziu deu dedo maior no meu ânus acertando 
em cheio minha próstata e a massageou para engrossar o flui-do 
que queria sair. 
Temi por sua boca e garganta tamanha foi a força do jato 
de esperma que soltei. Ela se deliciava com meu líquido e não 
tirou a boca enquanto eu não estivesse sequinho. 
Por fim, fez questão de mostrar que engolia tudo limpando 
o canto da boca como se escorresse o excesso. 
-É ótimo para o intestino... 
Então ela repetiu exatamente a cena gravada de Laura; a 
diferença sendo o consolo sem sangue no final e um orgasmo 
barulhento e gostoso. 
-Conte para ela no momento certo... – disse Fafá. Ela sabia 
do acordo e o conselho dado seria seguido mesmo eu não sa-bendo 
34 
o motivo. 
-Você saberá quando! 
Vestimos-nos rapidamente - entre risadas infantis - com o 
interfone tocando várias vezes. Naquele mesmo dia vendemos 
o apartamento e na semana seguinte fomos até a casinha e seu 
dono para comprá-la. 
Ela não usava mais o cachecol, e seu pescoço estava liso 
como o resto de seu corpo, até que percebi uma pequena listra 
que o circulava todo, algo que um dia fora maior. Ela sorriu 
quando fiz um carinho por ali, mas nada acrescentou além do 
que dissera no dia do cachecol. A casa ficou um mimo femi-nino. 
Assim era Fafá: totalmente feminina. Um vaso de flor 
na janela, Maria sem-vergonha, combinava bem com seu esti-lo 
de mulher do mato e sem pudores preconceituosos.
Lia Soares 
Era uma mulher que entendia o ser humano em todas as 
suas fases e amava ser um e sentir a vida, seus cheiros e co-res, 
prazeres e tristezas. Era óbvio que o prazer era o detalhe 
preferido. 
-Fiz um acordo com os garotos... 
Ela se referia aos adolescentes que nos observavam na ca-ma. 
Eles ajudaram na mudança e como pagamento, além de 
um dinheirinho, os liberou para verem quando quisessem o 
que acontecia na casa, mas com duas condições: Que fossem 
somente eles e que eles nunca se deixassem serem vistos por 
nós. 
“-Meu marido é perigoso...” – disse a eles. 
-Mas isto já acontece! – debochei da situação. 
-Então não perdi nada no negócio... 
-Quando vamos estrear a casa nova? - perguntei. 
-Em breve... E será uma surpresa... 
35
A Última Gota do Prazer... 
Passei o resto de uma destas semanas namorando Nati, 
saindo com casais amigos, e sendo muito carinhoso com ela. 
O sexo continuava o mesmo, mas a psicóloga que me perdo-asse, 
pois também gostava do corpo de minha esposa, além de 
amá-la, o que fazia do sexo algo diferente. 
Alguns beijos mais carinhosos em uma mesa de certo res-taurante 
36 
me fizeram ganhar um beliscão dolorido na coxa. 
-Hummm! Aproveita amiga! – disse alguém que estava 
com a gente. 
Entre risos e boa conversa a noite continuou e meus cari-nhos 
passaram a ser por debaixo da mesa. Primeiro com os 
pés, depois com as mãos por dentro da calcinha dela. Fiz 
questão que ela fosse de saia acima dos joelhos. Surpreenden-temente 
ela não brigava ou fazia cara ruim e até sua vagina 
lubrificou-se naturalmente. 
-Safadinho... – sussurrou em meu ouvido. 
Não sei o que seria melhor: Irmos embora e nos acabarmos 
na cama, ou deixar a situação excitante e correspondida con-tinuar. 
Mas fomos embora e entramos em casa nos beijando, nos-sos 
cães pulando de alegria sem entender o tesão que aconte-cia. 
Na cama foi do jeito que estávamos; a roupa sendo tirada 
aos poucos provocando risos como acontece com casais de 
adolescentes. 
É claro que me aproveitei da situação rara que acontecia. 
Usei e abusei de minha esposa que nada reclamava - os gemi-dos 
sendo todos de prazer profundo - e seus orgasmos eram 
múltiplos e intensos.
Lia Soares 
Em momento algum usamos de lubrificante íntimo. Tudo 
era natural, uma viagem de volta no tempo de nossa vida se-xual. 
No som tocava-se Cauby Peixoto, que não era nosso cantor 
preferido, sequer ouvido por uma simples questão de geração, 
mas ele cantava a saudade e foi a marca que deixou aquela 
noite inesquecível. 
Na consulta seguinte contei tudo para Laura que sorria 
vendo seu tratamento funcionando, sua ideia de amante era 
um “santo” remédio para meu casamento. 
-Devo largar minha amante? 
-Claro que não! É por causa dela que suas abordagens fica-ram 
mais românticas em casa... Deixe que ela cuide de seu 
lado sexual selvagem! 
Fiquei me perguntado se Nati também tinha um amante 
sugerido e se suas histórias também eram para a masturbação 
safada de Laura. 
-Não... – respondeu a médica – Eu não sugeri a ela um a-mante! 
37 
Mesmo por que ela já não aguentava você! 
Este aguentava dito me soou meio erótico e houve aquela 
já esperada descruzada de suas pernas longas que bem espre-miam 
seu órgão pequenino. 
Mas eu preferi acreditar em minha psicóloga safada. Eu 
estava feliz!Nati também e Fafá estava exuberante, apesar da 
tal doença misteriosa que atiçava minha curiosidade. 
-E seus livros? – perguntei certo dia em nossa casinha nova 
– Estão vendendo? 
Ela escrevia livros eróticos usando de um pseudônimo e 
todos eram bem picantes.
A Última Gota do Prazer... 
Certa vez encenamos durante um mês todo um livro deste e 
descobri prazeres impensáveis, além de Fafá ter a oportunida-de 
de por em prática sua imaginação sexual ímpar. 
-Sim... – me respondeu por fim – Vendem bastante... 
Ela estranhamente fechava a casa, as janelas e frestas que 
poderiam conduzir algum olhar para dentro da casa. Era es-tranho 
porque ela não se importava com os olhares juvenis 
escondidos por ali. Até tinha feito um acordo com eles. 
-Hoje quero sua ajuda... – me disse. 
Já estávamos nus no quarto que ganhara duas camas de 
solteiros, uma quase de frente pra outra em uma decoração 
proposital. 
-Ainda penso muito na morte... – continuou. Mas meu si-lêncio 
era de propósito para enfim descobrir aquele mistério 
de minha amante. 
Ela retirou da bolsa uma espécie de fita com alguma elasti-cidade 
e resistência. Via isto por ela a puxar como se confir-masse 
as perspectivas; como um paraquedista checando seu 
equipamento. 
-Você tá comendo sua psicóloga? - perguntou com serieda-de. 
-Ainda não tentei... 
Ela sorriu transformando tudo em brincadeira. Mas eu bem 
me lembrava de sua exigência de ser a minha única amante. 
-Quero que confie em mim... E sentirá o maior prazer pos-sível... 
Eu confiava nela. Mas à medida que foi me mostrando seus 
brinquedinhos pensei no pior, em um possível acidente. 
-Por isto a marca no pescoço? – perguntei. 
38
Lia Soares 
As duas camas, quase de frente uma para outra, tinham um 
objetivo bem estranho. Fafá retirou dois quadros que enfeita-vam 
o quarto, bem acima das camas, e ali estavam duas argo-las 
bem presas na parede. Na verdade eram bem mais do que 
aqueles quadros precisavam para não cair da parede. 
-Fique de joelhos e confie... 
Ajoelhei-me, nu, no pé de uma das camas e ela prendeu 
meus pés por debaixo do colchão pesado como uma escora 
que me impedia de sair dali. Delicadamente me excitou com 
seus lábios deixando meu membro duríssimo e pronto para o 
sexo. De novo usou de um anel peniano na base de meu pênis 
para segurar a ereção. 
Amarrou minhas mãos para trás para em seguida fazer uma 
forca com a tal fita que experimentara há pouco. Já em volta 
de meu pescoço, prendeu a outra ponta na argola da parede. 
Em seguida se preparou do mesmo modo, além de um vi-brador 
enfiado em sua vagina já ligado e a excitando como 
fez comigo. 
-Divirta-se e venha em minha direção... – disse ela sorrin-do. 
Inclinei-me. Era a única maneira de alcançar Fafá na outra 
cama. Ela fez o mesmo e a fita começou apertar meu pescoço 
e o dela. Ficamos a distância de um beijo mal dado e nos 
lambíamos com forte tesão. 
À medida que a fita apertava meu pescoço meus sentidos 
ficavam loucos apesar de ainda perceber minha ereção total e 
o prazer no rosto de minha amante. 
Ela alcançou meu pênis com suas mãos e o masturbava 
com força, algo meio descontrolado. 
39
A Última Gota do Prazer... 
Neste instante fui levado em pensamentos para outro tem-po, 
no passado de minha juventude. Eu estava em companhia 
da primeira mulher de minha vida sexual e que também per-deu 
sua virgindade comigo. 
Estávamos jovens de fato, nus, em uma casa sem móveis 
que arrumamos para passar um louco final de semana sozi-nhos. 
Liguei os fatos com minha vida de agora com Fafá. Mas 
fazíamos amor e sexo maluco explorando e descobrindo nos-sos 
corpos. Dois adolescentes cheios de tesão e hormônios 
que gozavam apenas com um toque, um beijo bem dado no 
lugar certo. Cheguei a ouvir o barulho de sua virgindade sen-do 
rompida por meu pênis jovem. 
Houve uma mistura louca de prazer em minha mente. Já 
não sabia o que acontecia até que senti o baque de meu corpo 
na cama em frente, e o mesmo acontecia com Fafá. A fita 
arrebentara. 
40
Lia Soares 
Ficamos minutos incontáveis gemendo e nos virando na 
cama sem nos darmos conta um do outro até que Fafá me pe-gou 
em seu colo me abraçando com seus carinhos de amante. 
Falava no meu ouvido palavras de paixão e tesão ainda ine-briada 
41 
com nossa loucura. 
-Obrigada por dividir comigo... – disse ela. 
Eu estava melado por meu esperma o qual ela lambeu tudo 
não deixando uma gota dele em meu corpo. 
-Sua vampira de porra... – murmurei. 
Meia hora depois eu ainda tentava entender o que tinha 
acontecido. 
-Não te contei para seu prazer fosse maior... 
Aquilo era uma coisa que se fazia apenas uma vez na vida. 
-Esta é minha segunda vez... - explicava ela minhas dúvi-das. 
-Não quero que faça isto sozinha! – retruquei. 
-Sentiu o prazer de estar morrendo... – insistia ela no su-cesso 
de tudo. 
Era algo que tomava consciência naquele instante. Real-mente 
o medo e a adrenalina eram prazerosos, mas o sentir a 
vida se esvaindo no meio de uma fantasia sexual como aquela 
foi a maior das sensações que senti em minha vida. 
-Perder o cabaço não faz barulho! – ria ela de meu relato da 
viagem que fiz antes da fita se romper. 
-Mas desta vez fez... E foi uma delícia ouvir... 
Ela ria de tudo e gostava do que eu contava. 
-Me prometa que não vai fazer isto sozinha... 
-O estalo que você ouviu foi o da fita arrebentando! – disse 
ela.
A Última Gota do Prazer... 
Então, ela pegou a embalagem de onde saíram as tais fitas. 
Era um produto importado próprio para aquele tipo de fanta-sia 
sexual. 
-Ela romperia de qualquer forma... Mas prometo que não 
farei mais sozinha! 
Era uma daquelas promessas que a pessoa fala se levan-tando 
e indo para outro lugar encerrando o assunto de vez. 
Não falei mais disto. Eu apenas praticava a desconfiança. Na-da 
funciona perfeitamente neste mundo e acidentes aconte-cem. 
Mas não era aí que estava todo o tesão da coisa? Achei 
42 
melhor sequer pensar no assunto novamente. 
Quando voltou do banheiro estava cheia de sorrisos depois 
de um banho quente. Ainda molhada deitou-se ao meu lado e 
tratou de meu pênis com seus cremes e massagens, enquanto 
eu fazia carinhos em seus cabelos e brincava com seus seios 
como uma criança. 
-Eu que te agradeço por dividir comigo... – disse a ela. 
Ela levantou-se,sorriu, abriu as janelas e soltou a toalha 
dando uma piscadinha em minha direção. Ficou andando pela 
casa, nua, de salto alto, e se exibindo para olhos escondidos 
do lado de fora da casa. Cumpria sua promessa com os ado-lescentes. 
Era um show que eu bem queria ter visto em minha 
juventude. Ela se mostrava toda não se importando com nada, 
até gostava, fazendo caras e bocas e brincando com um con-solo 
enorme que colocava na boca e esfregava na vagina. Mas 
ela estava com os olhos em mim fazendo questão de ser um 
flagrante que os meninos davam em nós. 
Depois de certo tempo alguns gravetos quebrados revela-vam 
o fim da brincadeira por parte deles. 
-Punheteiros!
Lia Soares 
Também ganhei uma bela marca de enforcamento no pes-coço. 
O frio da época me ajudou a disfarçar com blusas altas 
e cachecol. Mas em casa eu não me preocupava. Qualquer 
desculpa que eu desse seria aceita, talvez com alguns conse-lhos 
e resmungos da parte dela. 
Ainda me excitava com o ocorrido e logo contei para Lau-ra. 
Foi a primeira vez que a vi arregalar os olhos de surpresa. 
-Esta mulher é capaz de muitas coisas! – disse – E você 
gostou? 
-Nunca experimentei prazer maior! 
Foi resposta para mais umas cruzadas e descruzadas de 
pernas daquela mulher. Creio que ela quase teve um orgasmo. 
-E você? – perguntei ousadamente – Gosta também de fa-zer? 
Ou só de ouvir? 
Ela deu uma risada se saindo bem da situação. Mas levan-tou- 
se ajeitando a saia que usava e que sempre diminuía um 
pouco de tamanho a cada consulta. 
Aproximou-se de mim e como uma médica fingida exami-nou 
a marca em meu pescoço ficando com os seios delicio-samente 
43 
perto de minha boca. 
Não usava sutiã, e os conheci de bem perto chegando a 
soprá-los. Ela olhou meu pescoço, em seguida meus olhos, e 
depois baixou o olhar percebendo minha ereção. 
-É a primeira ereção que você tem em uma consulta... 
Não era verdade. Aquela era a primeira que ela dizia per-ceber. 
-O que está sentindo? – perguntou já sentada novamente.
A Última Gota do Prazer... 
Eu agitei os braços e as mãos indicando o óbvio e falei na 
lata: 
-Tesão! 
-Pelo que? Pela corda no pescoço? Por lembrar-se da tran-sa? 
Ela sabia que meu tesão era pela sua aproximação ao me 
examinar. 
-Melhor que vá embora com este problema resolvido... 
Esta parte eu não entendi. 
-Se masturbe! Fique a vontade! 
-Mas assim eu fico sem graça! 
-Não ligue para mim... Afinal já sei tantas coisas sobre vo-cê... 
-Mas perde o tesão! 
-Hum... –respondeu ela com a caneta na boca – Isto é preo-cupante... 
Ela puxou sua cadeira para mais perto de mim e cruzou 
bem as pernas mostrando mais ainda as coxas finas. 
-Ficarei te olhando... Sei que vai gostar... 
Eu tinha certeza que ela ia gostar mais. Era uma tarada no 
observar e escutar histórias sexuais alheias. Fafá havia me 
avisado disto. Mas aceitei seu conselho “médico” e coloquei 
meu pênis para fora, duríssimo com a situação. 
Ela realmente observava tudo sem sequer dar um sorriso ou 
se desviar para outra coisa. 
-Fique a vontade... 
Tirei minhas calças por completo e deitei no divã bem a 
sua frente. Ali, bati uma senhora punheta em uma situação 
bem parecida com os adolescentes que espreitavam nossa 
casinha. 
44
Lia Soares 
Ela estava impassível, sequer descruzava as pernas, mas 
percebi que apertava sua vagina com elas e com força. Talvez 
estivesse tendo um orgasmo silencioso e bem disfarçado. 
Então ejaculei, segurando meu esperma comprimindo meu 
pênis e olhando para ela com tesão. Foi uma bela gozada. 
-Muito bom! Disse ela faltando só aplaudir. -Problema re-solvido! 
Ela me jogou alguns lenços e completou: 
-Agora se limpe e pode ir em paz... Assim não fará nenhu-ma 
bobagem no caminho de casa. 
Foi de novo ao banheiro, em uma cena que já conhecia, e 
de lá se despediu: 
-Não se esqueça de marcar a próxima consulta! 
Eu bem sabia o que iria acontecer em seguida, mas não 
tinha tesão de sobra para entrar no armário e acompanhar 
show de masturbação que se seguiria. Mas me senti usado por 
aquela mulher. 
-Safada! – murmurei no elevador. 
Nas consultas a dois, junto com Nati, ela não tocava em 
assuntos sensuais, apenas ouvia nossas queixas e às vezes me 
censurava com o olhar. Parecia querer o bem mental e femi-nino 
de Nati e o meu bem sexual e machista bem chauvinista 
aos olhos dela. 
-Safada e feminista! 
Ela curava as mulheres forçando uma situação que deveria 
combater. 
-Feminista tarada! 
-Senhor? 
Desta feita uma senhorinha que não vi entrar no elevador 
ouviu meus elogios a minha psicóloga. 
45
A Última Gota do Prazer... 
-Não é com a senhora... Me desculpe! 
Saí do prédio ainda atordoado pensando o quanto aquela 
mulher podia ser broxante para um homem da minha idade. 
-Faltou você comer ela... – observou Fafá quando lhe con-tei 
a história. 
-Punheteiro! 
-Tenho medo de ela acabar com meu casamento... 
-Basta ela contar tudo para sua esposa... 
Fafá insistia que Laura não era mulher de confiança. 
-Mas você tem seus trunfos... 
Ela se referia a filmagem que fiz da psicóloga deliciosa-mente 
se masturbando em seu consultório. Era algo humi-lhante 
para quem estivesse sozinho e a vontade. 
-Não se desfaça da filmagem! 
Quando cheguei em casa naquele dia mal conseguia dis-farçar 
minha frustração com o ocorrido no consultório.Era 
como um pós masturbação solitária prolongado.Fui direto ao 
banheiro e passei um bom tempo procurando um consolo com 
a água que descia do chuveiro. 
Mas continuava nervoso e resolvi tomar um calmante fur-tado 
da bolsa de Nati. Ela, mulher experiente e que conhecia 
bem me comportamento, notou o errado e veio puxando con-versa 
46 
mansamente. 
O calmante foi mais do que o necessário e nestes casos a 
mudança de humor é extrema. Como estava nervoso passei a 
chorar compulsivamente recebendo um abraço carinhoso de 
minha esposa. Não havia nada de sexual na situação, a não ser 
o trauma da masturbação do consultório, então era a especia-lidade 
dela: O carinho de mulher que ama profundamente seu 
homem.
Lia Soares 
Sentir isto só aumentou meu choro, deixando-a mais preo-cupada 
ainda. Em seguida uma forte dor em meu peito me 
levou ao hospital e a vários fios me ligando a algumas máqui-nas 
em volta da cama. 
-Hospital?! – perguntou Fafá quando contei tudo a ela – 
Por causa de uma vagabunda? 
Ela parecia querer uma vingança, não suportava alguém 
abusando de mim. 
-Por que ela não fez o serviço completo? 
Ela andava pela casa nervosa, com raiva de Laura e de suas 
taras mal resolvidas. De repente, ela me abraçou e ficou tão 
carinhosa comigo quanto Nati. Neste dia eu entendi quando 
me disseram que toda mulher se veste e se arruma para os 
olhos de outra mulher. Uma concorrência tão frequente que 
na maioria das vezes era inconsciente. 
-Ele enfartou? – perguntou Nati no dia que fui parar no 
hospital. 
-Não... – respondeu um médico por ali. Stress agudo foi o 
diagnóstico e me encheram de calmantes e recomendações de 
muito descanso. Confesso que o prazer excessivo também 
ajuda na doença sendo a resposta do corpo ao consumo em 
demasia de corpos femininos e de suas mentes complicadas. 
Tirei folga de alguns dias do escritório que funcionava bem 
sem minha presença, algo que planejei e que significa estar 
realizado profissionalmente. 
-Você está bem? – perguntou Fafá no dia do abraço e de 
sua raiva da psicóloga. 
-Não vou morrer disto... Gostei do jeito que você chamou 
ela de vagabunda... 
47
A Última Gota do Prazer... 
-Safadinho... Mas não vou abusar de seu coraçãozinho do-ente... 
Já era um papo sexual e sensual. Fafá demonstrou na práti-ca 
o tal “serviço completo” que ela achava que deveria ter 
acontecido... 
Endureceu meu pênis vagarosamente, sem deixar que eu o 
tocasse, e com sua boca e língua o deixou enorme como se 
tivesse vida própria a procurar por uma vagina ou outro orifí-cio 
qualquer. Ela fazia tudo com o olhar preso no meu, me 
vigiando carinhosamente. 
Então, a mágica da vez aconteceu. Ela tirou de uma gaveta 
três bolas de plástico duro, amarradas uma na outra, e as be-suntou 
de lubrificante vindo em minha direção sorrindo de 
safada.Eu conhecia aquela dor e o prazer que vinha depois, 
então me preparei levantando as pernas e surpreendendo mi-nha 
amante. 
-Ta querendo né? 
Uma a uma ela foi enfiando as bolas em meu ânus, bem 
devagarzinho para não machucar e sim dar prazer para seu 
amante tão safado quanto ela. 
Dividíamos isto na cama. 
Não deixou de ser dolorido, mas o gostoso seria a saída dos 
objetos, um mais grosso do que o outro, e a forma como Fafá 
iria fazer. 
-Ta gostando? – sussurrou em meu ouvido – Meu viadi-nho 
safado... 
Ela sabia o que fazia. Quando percebeu meu orgasmo che-gando 
começou a retirar as bolas, uma a uma bem devagarzi-nho 
e a cada saída eu ejaculava com força. Ela sabia fazer um 
48 
homem sentir orgasmos múltiplos.
Lia Soares 
Sujei de esperma tudo que estava na frente de meu pênis, 
até o cabelo dela que por fim conteve o vazamento com sua 
boca. 
Fazia um bom tempo que não gozava e foi algo alucinante. 
-Seja bem vindo meu lindo! 
-Viadinho safado? – perguntei depois. 
Ela sorria como sempre. Aliás, ela não ria ou gargalhava 
com frequência, mas sorria muito, e de uma forma gostosa 
que dava vontade de carregá-la no colo. 
-É... – respondeu Mas é meu viadinho safado. Saber que 
uma mulher pensava assim de minha pessoa também me exci-tava 
estranhamente. 
-Tabus me deixam louco de tesão... – comentei. 
-Quebrar eles é melhor, Nando... 
A prática safada de fantasias com a pessoa certa era o so-nho 
de muitos homens e mulheres. Eu tinha isto plenamente. 
49
A Última Gota do Prazer... 
-Você já não é nenhum mocinho! 
Eu tomava um pito de minha esposa na frente de nossa te-rapeuta. 
Era sinal que não sabia de nada como prometera Lau-ra. 
Mas não conseguia olhar para as duas pela raiva que pas-sei 
a sentir dentro daquele consultório. 
-Calma Nati! – interferiu a médica. 
-Ele tem cinquenta anos e não se cuida! – insistia. A preo-cupação 
de minha esposa era compreensível. Eu apenas não 
concordava com a pessoa que a quem ela pedia ajuda. 
-O que você quer falar sobre isto? – me perguntou Laura. 
Levantei a cabeça mostrando de vez que a ela que eu não 
estava sob seu domínio e respondi: 
-Garanto a vocês duas que meu coração vai muito bem! 
-Ele parece uma criança! 
Laura entendeu minha mensagem ajeitando o cabelo e cru-zando 
as pernas. Nesta consulta ela estava de jeans, como na 
primeira vez. Escondia sua sensualidade de minha esposa e 
camuflava-se para mim. Mas desde a filmagem do consolo 
ensanguentado pela menstruação dela que aprendi a conhecer 
seu ciclo natural completo. Foi uma sugestão e ajuda de Fafá. 
Fui para aquela consulta sabendo de seus hormônios, o que 
a tornou mais previsível e uma presa inocente. 
-Neste dia ela estará ovulando... – me explicava Fafá – Vo-cê 
tem que assumir o controle destas consultas... Pode comer 
ela, mas não faça dela sua amante que eu descubro e saio de 
sua vida! 
O que eu mais queria era dominá-la, lhe dar uma lição, e 
teria que ser na cama. 
50
Lia Soares 
Quando eu contei para Fafá a reação de Laura sobre as cor-das 
e o enforcamento ela passou a ser minha cúmplice na vin-gança 
51 
sexual que eu queria. 
-Ela é o tipo de mulher que gosta de ser dominada... Então 
domine... Segure os braços dela e a vire do avesso sem dó... 
-E se ela apaixonar por mim? – perguntei. 
-Então sua mulher vai perder o marido! 
Eu podia trocar de esposa, mas não de amante?Interessante 
pensamento. 
-Não se preocupe, Nati – disse a médica naquele dia – Vou 
dar uns conselhos para o seu marido na consulta pessoal... 
Nati ficou satisfeita e foi-se depois de um beijo carinhoso 
que me deu no rosto. 
Fiquei alguns minutos sozinho no consultório até que Lau-ra 
voltou de roupa trocada, mais um vestido curto e leve, qua-se 
transparente.Mas tomou o cuidado de fechar bem o jaleco. 
-O que você quis dizer sobre seu coração estar “muito 
bem”? – perguntou já oficialmente na consulta. 
Cumpri com meu papel de sinceridade e contei sobre a 
masturbação e as bolas que Fafá usou em mim. 
-Ela mandou dizer que é assim que se faz... 
A médica ficou indócil. Levantou-se tirando seus óculos de 
enfeite e passou a andar pelo consultório. 
-O que ela sabe de mim? 
-Tudo!Ou você achava que eu teria segredos com minha 
amante se não tenho com minha médica? 
-Vaca! – desabafou – Uma piranha me dando conselhos de 
sexo! 
-Como? – perguntei provocando.
A Última Gota do Prazer... 
-E você gostou? Perguntou ela se virando em minha dire-ção. 
-Fui às nuvens! 
O sorriso estampado em meu rosto despertou sentimentos 
naquela mulher. 
-Ela usou bolas, anéis, e outras coisas, se enforcou, te en-forcou 
52 
e se acha a tal? 
Ela realmente estava ovulando por todos seus poros. Foi 
até um armário e abrindo-o me disse bem exaltada: 
-Escolha o que quiser! 
Nunca tinha visto tantos consolos e vibradores na mais va-riadas 
formas e tamanhos, além de chicotes, mordaças e cre-mes. 
Mas não vi a tal corda elástica de enforcamento. Nesta 
ela perdeu para Fafá. 
-Quem diria... 
-Você não gosta? Então escolhe e veremos quem entende 
mais de homens... 
Eu escolhi uma mordaça para gritos e gemidos e um pênis 
vibrador duplo e enorme, além de verde, minha cor preferida. 
-Boa escolha! – disse ela – Agora fique nu e deite-se! 
Ela tirou o jaleco enquanto eu me despia já com a ereção 
formada. Seu vestido era realmente transparente e leve, com o 
vento da janela o levantando e mostrando sua calcinha de 
renda que apenas servia de proteção para sua vagina depilada. 
Sua brancura me deixou louco de tesão. Viam-se suas veias 
saltando de evidente prazer pela situação. 
-Fique de quatro! – ordenou. 
“-Ela gosta de ser dominada...” - pensei lembrando-me de 
Fafá. Mas era apenas um reforço de meu cérebro para não
Lia Soares 
ceder a passividade que ela queria. Então a peguei pelos pul-sos 
e a joguei no sofá. 
-Eu disse para se deitar... 
-Cala boca mulher! – exclamei silenciando minha médica 
pela primeira vez em uma consulta. 
Imediatamente a amordacei sem nenhuma reação e a virei 
de quatro no sofá. Retirei seu vestido, sua calcinha, rasgando-a, 
e vislumbrei mais de perto aquela vagina vermelha e cerca-da 
de pela alva como nunca tinha visto em minha vida. Acima 
dela seu ânus rosado e latejando parecia adivinhar o que vi-nha 
por ai. 
Não usei de cremes, o submisso prefere assim, a dor é 
sempre um prazer desejado. 
Primeiro a penetrei em sua vagina com uma ponta do gros-so 
pênis e ela gemia de prazer a ponto de escorrer líquidos de 
dentro dela. Foi um pouco desses que passei em seu ânus 
Ela me olhava de lado girando a cabeça parecendo não que-rer 
mais nada. Mas atolei a outra ponta em seu ânus com ela 
se contorcendo de dor e prazer, mas não saiu da posição de 
quatro tendo suas mãos livres para outra reação que não acon-teceu. 
Liguei a máquina que passou a vibrar com intensidade e 
me coloquei de frente a seu rosto. Ela agonizava de prazer e 
gemidos baixinhos. Seus olhos eram de uma pessoa dominada 
e submissa a seu macho. Ela gostava realmente daquilo. 
Com minha experiência na chegada dos orgasmos femini-nos 
eu retirei os instrumentos no momento certo e também 
sua mordaça. Ela cruzava as pernas apertando sua vagina e 
teve um longo e múltiplo prazer. 
-Hum... – gemia. 
53
A Última Gota do Prazer... 
-Eu ainda não acabei! 
E forcei sua boca sobre meu pênis que foi aceito sem repul-são 
e com muita saliva. Em segundos eu ejaculava em sua 
boca segurando sua cabeça para que eu não tirasse. 
-Engole tudo! – ordenei. E ela o fez; totalmente submissa. 
Eu tinha dominado aquela mulher de vez. 
Passou mais alguns minutos deitada, me observando arru-mar 
o consultório, guardando seus brinquedos e fechando seu 
armário. Nada falava, mesmo porque não tinha nada para fa-lar. 
-Vista-se... – disse em tom mais ameno. 
Ela foi até o banheiro e voltou com sua calça jeans e jaleco, 
além dos cabelos penteados e com seus óculos de mentira. Eu 
os tirei e arrumei seu cabelo sobre a orelha. 
-Fica mais bonita assim... 
Aquela mulher alta sorriu pela primeira vez naquela noite. 
Também gostava de se apaixonar. Então me lembrei dos con-selhos 
de Fafá sobre ser amante e esposa e as perdas que viri-am. 
-Chame seu próximo paciente, doutora... Depois nos fala-mos 
E saí ainda ouvindo sua voz pedindo a sua secretária que o 
paciente seguinte entrasse. 
-Você não comeu ela! – exclamou Fafá quando contei tudo. 
-E o que significa isto? – perguntei curioso. 
Fafá sorria como sempre, embelezando mais ainda seu ros-to. 
54 
-Paixonite!
Lia Soares 
Não seria uma surpresa. Suas reações eram as de uma mu-lher 
que gostara do que sentiu. Não reagiu ou pediu ajuda, 
não se sentiu ofendida; 
-Ela estava ovulando... – disse tentando achar outra expli-cação. 
-Pense... Nando... Meu queridinho... – havia um pouco de 
malícia em sua voz – Dominada, gozada, e ovulando!Seu ca-samento 
55 
está em risco! 
-O que ela pode fazer? 
-Comigo nada! O que faria ela comigo? Viria aqui e conta-ria 
que você enfiou consolos no rabo dela que engoliu sua 
porra e que você gostou mais do que comigo? Tá... Mesmo se 
tivesse esta coragem o que aconteceria? Nada... Mas se ela 
fizer isto com sua esposa, ou contar sobre nós para ela... Aí 
você tá no sal... 
Ela ria, mas advertia ao mesmo tempo. E tinha razão. Nati 
estava a mercê de seus conselhos e ela bem poderia sugerir 
uma separação por adultério. 
-Depois, sim, a briga vai ser comigo... 
Fafá parecia convicta do que dizia. 
-Agora é tarde... Não adianta acabar com o caso... Devia ter 
comido ela e as coisas ficariam por ali, dentro do consultó-rio... 
Assim são as submissas... Brigam pelos seus homens 
depois de dominadas... 
-O que faço então? 
-Sabe rezar? 
Em vez de melhorar a situação tudo poderia piorar em mui-to. 
Eu nunca trocaria a Nati pela Laura! 
-E eu que sou a vaca?
A Última Gota do Prazer... 
Fafá parou de falar quando notou a preocupação em minha 
face. Arrumei uma amante, mas a confusão seria com a médi-ca 
que receitou uma mulher como Fafá em minha vida. 
-Você a ama tanto assim? – me perguntou cheia de cari-nhos 
e doçura nas palavras. Seus olhos ficaram mais redondos 
do que já eram e senti um pouco de boa inveja em minha a-mante. 
Respondi com um abraço e um beijo em seu pescoço, 
além de devolver os carinhos que me fazia. 
-O que te faz pensar que eu me casaria com ela se Nati de-sistir 
de mim? 
Ela sentou-se ao me lado no pequeno sofá de nossa casi-nha 
e acendeu outro cigarro. Foi quando notei que ela fumava 
menos, somente nos momentos realmente certos. 
-Posso? – perguntei pedindo um trago. 
Ela cedeu para em seguida o puxar de minhas mãos. 
-Não... Não pode não... – e apagou o cigarro no cinzeiro. 
-Ninguém no mundo conhece seu lado sexual melhor do 
que eu... – me respondeu – Sei de tudo que gosta... Do que 
não gosta... 
Fiz cara de que não entendia onde ela queria chegar. Então 
ela se ajoelhou na minha frente e começou a me bolinar com 
as mãos e boca. 
-Conheço cada ponto de seu corpo... 
Neste momento ela me penetrava com dois dedos e meu 
pênis subiu sem esforço, sem precisar de sua boca para aju-dar. 
-É disto que falo... Você gosta de ser passivo e ela de ser 
56 
ativa... É uma questão de tempo de vocês se entenderem!
Lia Soares 
Este tipo de sexo “não mexa e deixe tudo comigo” era o 
meu preferido, ser homem e passivo para uma mulher mexia 
com minhas taras. 
-Por isto você me disse para dominá-la? 
-Sim... Para confundir ela... Este tipo de mulher fica com 
raiva quando é dominada por um pênis dentro delas... 
Eu começava a entender melhor a situação. Também não 
sei direito porque não penetrei Laura como faço com todas as 
mulheres que se deitam comigo. 
-Além do mais... – continuou ela – Ela é muito parecida 
comigo, mas sem controle, doente, como já vi muitas e mui-tos 
por este mundo! 
Incrível como acertamos e erramos em nossas vidas. Minha 
amante era a mulher perfeita, mas apenas sendo amante. Eu 
amava minha esposa cheia de problemas e transava com mi-nha 
terapeuta que era na verdade uma maluca de tudo. 
-Tem razão... – concordei com ela. 
Então me levantei para ir embora como sempre fazia na 
hora que devia. 
-Mas ainda tenho minhas saídas masculinas! 
Ela sorriu curiosa. Mas não lhe disse no que pensava. 
-Você me acha muito passivo? – perguntei da porta. Era 
uma pergunta apenas para ouvir algo mais. Eu bem sabia do 
que gostava e Fafá também. 
-Viadinho... Meu viadinho! – respondeu baixinho e man-dando 
57 
um beijo. 
Naquela noite os adolescentes ficaram a ver navios com o 
pinto na mão.
A Última Gota do Prazer... 
A semana passou em paz, sem sinais de uma reação de 
Laura. Então chegou o dia de mais uma consulta com o casal. 
Passei os últimos dias muito próximo de Nati atento a tudo, e 
bem carinhoso com ela, além de concordar com todos os con-selhos 
58 
de nossa terapeuta. 
Laura nos recebeu cheia de sorrisos e elogios ao casal e a 
felicidade que via, principalmente em Nati. 
-Vejo que o tratamento está dando certo - disse ela beijan-do 
minha esposa e me olhando fixamente por cima dos om-bros 
dela. 
Ela estava linda, sem os óculos, e com o cabelo mostrando 
as orelhas. 
-Você também está mais sorridente! – comentou Nati – Viu 
um passarinho colorido por aí? 
Ela corou no rosto, mas não deixava de sorrir por isto. U-sava 
o mesmo vestido da última consulta e escondia suas per-nas 
de maneira pudica para não ofender ninguém. Se ela esta-va 
interpretando, eu estava adorando. 
-Nando está aceitando seus conselhos... – disse Nati. 
-Este era o objetivo... Todos serem felizes! 
Assim foi aquela consulta: Cheia de palavras salutares. 
Nati já não fazia a sua pessoal, recebera alta da médica. Mas 
eu ainda tinha que fazer algumas seções a mais a pedido de 
minha esposa. 
-Estou até com receio de deixar você sozinha com meu 
marido... Você está linda e ele é um tarado! 
Era uma brincadeira, mas Laura levou a sério. 
-Então vou me trocar... 
-Não precisa! – tentava consertar minha mulher.
Lia Soares 
-Melhor assim... 
Fiquei sozinho aguardando o retorno da médica com seu 
jeans e sabe-se lá se com os óculos também. Mas ela voltou 
nua em pelo, de salto altos e uma coleira no pescoço. 
Veio rebolando em minha direção, já sem o sorriso de an-tes, 
e enfiou sua mão em minhas calças pegando com vontade 
e rudeza em meu pênis. Depois tirou e cheirou as pontas de 
seus dedos. 
-Fez sexo hoje... – afirmou – Com sua piranha, certo? 
Ela estava diferente de qualquer outro dia e aquilo me exci-tava 
muito. Fafá podia estar coberta de razão, mas ela se es-queceu 
59 
do tanto que gosto de sexo! 
-Não... – respondi arrancando um sorriso dela. 
Foi até o telefone e deu ordens a sua secretária: 
-Diga aos pacientes que não atenderei mais hoje... 
-Eu fiz com minha esposa... 
-Você também está dispensada... – completou a ordem. 
Desligou o telefone e apoiou-se estranhamente desapontada 
na mesa a sua frente. Estava uma delícia de bela, suas náde-gas 
eram quase perfeitas, inigualáveis em meu repertório de 
mulheres conhecidas, além da simetria de suas entrâncias com 
o resto corpo. Ainda a brancura da pele que me encantava, e o 
tamanho daquelas pernas que ajudavam a beleza de suas an-cas. 
Ela virou-se, me parecendo mais lento do que o normal, e 
veio em minha direção. Seus seios não balançavam, eram 
pequenos demais para isto, mas esbanjavam de uma beleza 
grega, das modelos que posavam para aqueles artistas, mas 
eram reais e não simples pedra fria, a obra final, que saiu da 
mente louca daquelas pessoas.
A Última Gota do Prazer... 
Os bicos apontavam para cima enfrentando a força da gra-vidade 
como se fosse uma questão de vida ou morte, ou de 
60 
desejo, de desejar alguém brincando com eles. 
-Por que voltou? 
O sexo ali era uma questão de tempo. Então tirei minha 
roupa e assumi o comando da situação como um macho alfa 
faz com suas fêmeas. 
-Quero sua boca aqui... – ordenei balançando meu pênis 
perto de sua boca. Ela sorriu abocanhando meu membro com 
fome, uma falta de muito tempo. 
-Minha piranha faz melhor do isto... – resmunguei. Mas 
estava uma delícia, sua língua conhecendo cada canto da ca-beça 
de meu pênis. 
-Ele é do tamanho que sua esposa disse... 
Ficou ali, sentada me lambendo como uma submissa total e 
sem reclamar. Talvez Fafá estivesse errada. 
-Não quero ser melhor que sua piranha... – disse apertando 
meu pênis com força. 
-Quero ser melhor do que sua esposa! 
Aquilo me pareceu estranho – estranhíssimo - então come-cei 
a perder a ereção ainda em sua boca. 
Ela deitou-se de pernas abertas bem a minha frente com 
sua vagina ao alcance de minhas mãos. Senti-me como uma 
presa sendo convencido pelo caçador e rendido diante daque-la 
visão. Não resisti e passei a lamber seu órgão bem lenta-mente 
arrancando suspiros daquela mulher. Era algo que Nati 
não gostava, relutava muito para deixar. Laura parecia saber 
disto. 
-É seu... – disse gemendo – Sua frutinha miudinha...
Lia Soares 
Meu pênis endureceu novamente nas mãos de minha linda 
médica. Não tocou mais no assunto sobre ser melhor que Na-ti, 
mas provava isto na prática, além de chamar Fafá de vaca e 
piranha. 
Ela estava cheia de brinquedos, muitos membros de plásti-co 
e borracha, além daquela misteriosa corrente no pescoço. 
Mas não se posicionava para o coito, me evitando quando 
tentava penetrá-la. 
“-Tem que dominá-la...”. 
As palavras de Fafá em minha mente também me lembra-ram 
do conselho de penetrá-la totalmente e resolver a questão 
ali no consultório. 
Mas ela ficou de quatro, um pouco mais afastada de mim e 
introduziu seu pênis cobra, de duas cabeças, uma no ânus ou-tra 
na vagina e me chamou para brincar com ela. 
-Enfia eles mais em mim... – pedia gemendo. 
A vista que tinha me parecia ser de dois orifícios tampados, 
como uma tranca para ninguém entrar. Ela sabia o que fazia. 
Restava agir como macho que era e tomar aquela mulher de 
vez. 
Meu pênis estava duríssimo e não coloquei uma camisinha 
para ela não perceber minhas intenções. Juntei-me a ela e 
brinquei um pouco com os consolos até que estivesse total-mente 
entretida pelo prazer. Neste meio tempo acorrentei sua 
coleira e prendi suas mãos para trás como um instrumento 
antigo de segurar prisioneiros. 
-Gosta de brincar de cadelinha? – perguntou ela totalmente 
extasiada. 
Realmente era uma situação muito excitante, daquelas que 
raramente acontecem. Uma mulher bela, que quando nua se 
61
A Última Gota do Prazer... 
transformava em uma ninfa insaciável e deslumbrante, estava 
a minha frente, de quatro e amarrada, a minha disposição e 
desejos. 
-Realmente você é muito melhor do que minha “vaca”... 
Disse isto e arranquei os consolos de dentro dela. Perce-bendo 
o que ia acontecer ela agitou-se exigindo de mim uma 
mordaça em sua boca e um pouco de força para o coito. 
-Não era o que queria? – perguntei a ela – Um homem de 
verdade dentro de você? Chega destes consolos! 
E penetrei meu membro sem dó e sem medo em sua vagi-na. 
Entrei em êxtase. Ela sugava meu membro como uma má-quina, 
uma sensação inédita em minha vida sexual, e eu não 
precisava me mexer para chegar ao prazer. Um encaixe per-feito. 
Mas eu tinha de dominá-la, uma sensação incontrolável, 
então comecei a socar tudo dentro dela. 
Também nunca tinha visto uma reação de mulher igual 
aquela. Ela virava seu pescoço e olhos a cada estocada que 
levava e a levantei pelos cabelos para curtir aquele gozo que 
viria explodindo de dentro dela. Se não fosse a mordaça have-ria 
gritos naquele prédio. Mesmo assim eu percebi que lutava 
contra o que acontecia e somente se entregou quando ejaculei 
dentro dela, com meu pênis forçando mais ainda aquela vagi-na 
apertada e com vida própria. Tudo se aquietou. Ela estava 
62 
dominada. 
Segundos depois eu soltei todas as amarras e correntes que 
a seguravam e a limpei carinhosamente do esperma que es-corria 
por entre suas pernas. 
-Tudo bem? – perguntei diante de sua mudez. Ela me bei-jou 
profundamente, com grande emoção e disse:
Lia Soares 
-Você não sabe o que fez, não é? 
-Sexo? – respondi perguntando e fazendo caras e bocas 
para ela. 
Já havia passado horas desde que Nati saiu daquele consul-tório. 
Um homem sempre pensa no final da transa, se aquieta 
procurando sossego, e eu queria ir embora por isto. 
-É muito mais do que isto... 
Ela levantou-se, ainda nua e com seus saltos, e foi rebolan-do 
até a porta recolhendo a chave e a escondendo de meus 
olhos. Não gostei do que vi. Pelo visto nosso caso não termi-nara 
como Fafá achava. 
-Sabe quantas pessoas iguais a nós existem? 
Não entendia pergunta. 
-Iguais a nós como? – perguntei. 
Ela retirou sua coleira e a colocou em meu pescoço sorrin-do 
de satisfação. Não reagi. Minha sensualidade excessiva me 
impendia disto. 
-Vai saber sobre estas pessoas... – insistia com o que eu 
não entendia. 
Ela fez o mesmo processo que eu havia feito com ela, me 
acorrentando pernas braços e pescoço, mas com muito mais 
maestria. Fafá estava certa. Eu amava a passividade diante 
das mulheres, assim como gostava de dominá-las como fê-meas. 
63 
Pelo visto Laura tinha o mesmo gosto. 
A médica preparava alguns consolos de tamanho assusta-dores 
com o olhar cheio de malícia em direção a meu ânus já 
exposto na posição de quatro que fiquei. 
Ela pegou meu pênis por trás - já duro novamente - quase o 
virando ao contrário, e começou a me masturbar generosa-mente. 
Era outra situação inédita e bastante erótica.
A Última Gota do Prazer... 
-Você não vai se encontrar com sua piranha hoje... – disse 
ela – Mas vai ser minha piranha de verdade! 
Ela invadiu meu orifício sem nenhum tipo de lubrificante. 
Senti uma dor aguda e tentei me mexer, mas levava pisadas 
em meu traseiro pelos saltos pontudos de Laura. 
-Cala boca viadinho... 
Calei-me mais por saber suportar aquela dor ajudando o 
músculo de meu ânus a se relaxar e aceitar aquele objeto 
monstruoso dentro de mim. Era comprido com uma cabeça 
muito grossa; várias vezes a grossura das bolas eróticas de 
Fafá. 
Virei a cabeça e pude ver Laura limpando o sangue que 
saía de mim, mas o prazer de estar tão dominado e passivo 
naquelas mãos me excitaram novamente. 
-Sabia que ia gostar... 
Subitamente ela retirou o aparelho me causando gemidos e 
certa decepção pelo fim da brincadeira. 
Mas em seguida começou a enfiar seus dedos em mim, um 
a um foram introduzidos em meu ânus já bem alargado pelo 
consolo gigantesco. Quando percebi todos seus dedos já havi-am 
me penetrado com a mão vindo em seguida até o punho. 
Não sentia dor, esta fase já tinha passado, mas um prazer dife-rente 
tomou conta de mim quando ela começou a mexer sua 
mão dentro de meu corpo tocando e agarrando tudo que podi-a. 
-Você agora é todo meu... 
Esta era a definição correta para o que eu sentia ali. Fafá 
estava certa e fui enganado por meus desejos ardentes de 
sempre querer sentir mais prazer do que o último. 
-Existem somente dez pessoas iguais a nós dois no país... 
64
Lia Soares 
De novo aquela conversa estranha. 
-Um casal... Um homem, que é você, e sete mulheres seden-tas 
como eu... 
Estava me sentindo um vampiro perdido no mundo e en-contrado 
pelos meus iguais. Mas tudo isto vinha misturado 
como o prazer que recebia daquela mulher. 
Por fim ela retirou seu braço de dentro de mim. Mas não 
me masturbou como um símbolo de seu domínio. Este foi o 
seu grande erro diante de uma pessoa que ela chamava de 
igual. 
Ainda com minha ereção latejando de desejo, dominei-a 
novamente assim que me soltou das correntes. Desta feita 
usava somente de minha força, e ao perceber minhas inten-ções 
ela lutou como uma onça negando-se cruzar com um 
macho. 
Meu ânus ardia em chamas pela penetração inusitada au-mentando 
meu desejo louco de descontar naquele orifício 
rosado e cheiroso. Loucamente envolvida e decidida a reas-sumir 
o domínio, ela levantou suas longas pernas e me apli-cou 
uma gravata sufocante no pescoço. 
-É assim que sua vadia te dá prazer? - E apertava cada vez 
mais. Mas seu ânus já estava na mira, ela quase sentada no 
meu colo em uma posição digna de uma contorcionista. Ape-nas 
seus braços apoiados no chão impediam que meu pênis 
invadisse o único buraco que me faltava possuir naquela mu-lher. 
-Tá gostando? – dizia sorrindo. Seus joelhos chegavam a 
tocar sua boca e ganharam uma lambida erótica de deboche. 
Mas seu riso sumiu assim que abri minhas pernas com for-ça 
tirando seu ponto de apoio e deixando a força da gravidade 
65
A Última Gota do Prazer... 
fazer o resto. Não tinha como escapar da penetração. Ela deu 
um grito e depois um longo suspiro à medida que eu invadia 
aquela parte de seu corpo tão defendida, arrepiando-se e gi-rando 
66 
a cabeça e os olhos como fizera antes. 
Mas ela não afrouxou do aperto com as pernas e antes que 
ficasse sem ar, estoquei com força meu membro debaixo de 
muita luta até que ejaculei e ela cedeu totalmente, me abra-çando 
e beijando com vontade. 
-Está feito! – disse ela em lágrimas. 
O que estava feito ainda acontecia em meu cérebro que 
delirava de prazer por tudo que acontecera. Correspondi a 
beijo e carinhos que recebi. 
Ela parecia uma gata mansa me afagando e se esfregando 
em meu corpo. Estava dominada e saciada. 
-Você sabe o que tem fazer agora, não é? 
Pensei que era para ir embora pelo horário já tarde e tomei 
um rápido banho em seu banheiro para me vestir no consultó-rio. 
Ela ainda estava nua e sorria como se tivesse ganhado um 
prêmio. 
-Apenas peça o divórcio e eu apoio sua decisão... – disse 
ela me assustando. 
-Divórcio? 
-Claro! Não posso ser sua amante... Tenho que ser sua es-posa... 
Ter filhos com você, uma família como nós! 
Eu não era médico psiquiatra, mas aquilo era um claro sinal 
de doença mental. 
-Não vou me divorciar de Nati para ficar com você! Isto 
tudo que aconteceu foi... Um caso... Sim, um caso criado e 
provocado por nós dois!
Lia Soares 
Ela passou do sorriso para uma face de ódio extremo. Foi 
neste instante que tive certeza absoluta do tal sinal de sua do-ença 
da mente. Então me calei, não deveria provocá-la mais. 
-Tenho que ir... 
-Não vai ser assim tão fácil! Você me escolheu! Nenhuma 
das outras mulheres, como nós, tem mais direito de te corte-jar! 
Então por que me possuiu totalmente? 
Ela falava do que? 
-Quando um macho como você possui uma fêmea como 
eu, totalmente, como você fez... É como um casamento acer-tado... 
Resumindo sua fala: ela estava louca. Restava saber se fora 
eu ou sexo que fizemos que a deixou assim. 
-Seu miserável! – gritou quando percebeu que eu ia embo-ra 
sem aceitar suas vontades malucas. 
-Mas darei um jeito nisto, Nando! Não tem escapatória... É 
nosso destino! 
Havia uma saída de serviço que nem trancada estava. Por 
ali fui e ainda sofri pela demora do elevador e o barulho de 
coisa quebrando que vinha de dentro do consultório em fren-te. 
Ela estava furiosa e gritava palavras já conhecidas como 
“vaca” “piranha”. 
Corri para a casinha de Fafá e cheguei muito assustado e 
cheio de dores. Ela sorriu e me abraçou surpresa com minha 
chegada. 
-Ligue para sua esposa e invente uma desculpa... Preciso 
cuidar de você antes que ela te veja novamente. 
Eu já havia contado toda a epopeia de horas que tive com 
minha médica amalucada. Fafá ouviu em silêncio sem dar um 
sorriso sequer. 
67
A Última Gota do Prazer... 
-Vou passar a noite em um hotel... Depois quero conver-sar 
com você sobre nossa terapia... 
Foi assim a mentira que apliquei em minha esposa, como 
se fosse uma emergência com fornecedores e uma viagem de 
última hora. Não gosto de mentir assim. 
-É que existem mentiras e mentiras... 
Fafá falava sobre minha vida que era uma mentira e sobre 
mentir com as palavras como eu fazia naquele telefonema. 
-Ela te machucou de novo... 
Eu estava de quatro, mas não era para sexo e sim para re-ceber 
68 
os cuidados de minha amante. 
-Por que deixou que ela enfiasse o braço dentro de você, 
Nando? 
Não respondi. Não tinha uma resposta normal. Apesar da 
grande dor, o prazer veio em seguida também de forma anor-mal. 
-Entendi... – disse ela depois de procurar uma resposta em 
meu rosto. 
-Eu te avisei que você é um passivo ardente com mulhe-res... 
Não era um aviso e sim uma constatação e foi exatamente o 
que ocorreu no consultório: O máximo do prazer desejado 
acontecendo. 
-Você tem que se livrar desta mulher... Ela vai atacar seu 
casamento... Não vai desistir! 
Ela falava parecendo ter conhecimento de causa. 
-Ela disse que existem somente mais nove pessoas como 
eu... E ela era uma delas! Me senti um Conde Drácula...
Lia Soares 
Fafá continuava passando cremes anestésicos em meu â-nus. 
-Vira... – pediu ela. Já não sentia mais dores. Além dos 
remédios, o carinho e a compreensão daquela mulher era um 
bálsamo em minha vida. 
-Ela quase estragou seu pintinho... 
Meu pênis estava esfolado e com algumas partes quase em 
carne viva. Mas não somente a doida era responsável pelo 
estado dele. Minha vida sexual estava mais do que ativa, três 
mulheres para saciar não era para qualquer um. 
-Bobo... – disse ela sorrindo pela primeira vez. 
Carinhosamente ela cuidava de mim ainda com cremes e 
água boricada morna. Mas foi um carinho em excesso, a ere-ção 
chegando aos poucos, bastando o resto de minha mente 
meio pervertida para endurecê-lo de vez. 
-Sem chance, meu amor, sem chance... 
Então ela se sentou e percebi que estava mais séria do que 
o costume. 
-Ela não mentiu sobre tal grupo de apenas nove pessoas... 
O conheci pessoalmente quando ainda não sabiam quantos 
eram... 
-Você tá brincando comigo né? 
Fafá ainda fumava o suficiente para se perceber sem a fu-maça 
por perto. O cheiro insistia em se agarrar no ambiente. 
Então ascendeu um e foi ter com a janela e a brisa que entrava 
por ali. 
-É sério... – disse de lá – São pessoas doidas, mas são más 
ao extremo... Tem que se livrar dela! 
-O que sabe de tudo isto? 
69
A Última Gota do Prazer... 
-Eu fui atraída por eles antes de te conhecer... Me pareceu 
bem sedutor! 
Ela usava uma saia solta no corpo e o vento a balançava 
melhorando ainda mais aquelas curvas que me encantavam. 
Como era bela minha amante! 
-Mas quando descobriram que eu não era totalmente sub-missa 
e ao mesmo tempo completamente dominadora, me 
expulsaram debaixo de muita agressão! 
Ela passou a me mostrar cicatrizes que já tinha reparado, 
mas não dava importância. 
-Você era o candidato certo para este tipo de pensamento 
anormal... 
-Não entendi... 
Não entendi mesmo, e também não gostei da comparação 
que fizera. Não me achava um anormal, mesmo percebendo a 
loucura no comportamento de Laura. 
Fafá notou minha chateação e veio até a mim com seus 
carinhos e sorrisos. Era bom estar perto de alguém que de-monstrava 
70 
bons sentimentos por mim. 
-A culpa não é sua, Nando... Você não é um deles! Eu bem 
sei disto, mas também sei de seus desejos... Do quanto você é 
sensual... Somos muito parecidos e foi por isto que ela chegou 
até você... 
-Então está dizendo que nós dois passamos por uma espé-cie 
de teste sexual? 
-Sim... E duvido que ela seja uma médica de fato... 
-E por que eu passei no teste e você não? 
Ao mesmo tempo em que fiz a pergunta eu pensava na pos-sibilidade 
de Laura não ser uma médica como Fafá concluíra.
Lia Soares 
Assim sendo, seriam mesmo pessoas perigosas, capazes de 
tudo para alcançarem seus desejos. 
-Acho que foi porque eu fiz com um homem e você com 
uma mulher que sabia de toda sua vida sexual... 
Comecei a ligar os fatos. Até arrumar uma amante fora 
sugestão de Laura, desde que eu contasse cada relação que 
tinha com Fafá. 
-Não conheci o resto do grupo, apenas um homem que me 
reprovou no final!Eu cheguei a pensar que o mesmo estava 
acontecendo com você, mas também achei que seria coinci-dência 
71 
demais... 
-Um grupo de tarados procurando pessoas taradas que nem 
eles? 
-É... – disse sorrindo – E você era bom candidato... 
Então passei a me preocupar com Nati. Minha esposa ama-da 
seria muito mais inocente do que eu nas mãos de Laura. 
Sei que ela se abriu com ela. Afinal, por que se procuram os 
serviços de uma terapeuta e sexóloga? 
-Creio que procurava candidatos entre seus pacientes... Se 
livre dela, Nando! 
Fomos embora dali. Fafá fez questão de me acompanhar 
até a cidade grande procurando me acalmar, mas era ela que 
acendia um cigarro atrás do outro. 
-Quero ter certeza que vai chegar inteiro... – me disse – 
depois volto de ônibus. 
Não queria assim. Seriam duas pessoas que gosto a me 
preocupar, mesmo eu não pensando em uma estando com a 
outra. Mas eu não era um homem chegado a dar ordens e sim 
a recebê-las de bom grado. Talvez este seja o meu grande 
defeito sendo confundido como taras por outros.
A Última Gota do Prazer... 
Deixei minha amante na rodoviária e fui aflito para minha 
casa. O celular de Nati estranhamente não atendia; o horário 
sendo cedo para ela que gostava de novelas e adormecer as-sistindo 
filmes que passavam tarde da noite. Foram minutos 
de longa aflição até chegar a minha casa. 
Estava escura. As luzes da varanda e da garagem não foram 
acesas como de costume, mas a do quarto era evidente pela 
janela fechada. 
-Nati? – disse chamando-a e entrando na sala. Arrepiei-me 
com o que vi na televisão ligada no escuro da sala vazia. E-ram 
gravações de momentos que tive com Laura no consultó-rio, 
revelações de intimidades violadas pela falsa médica. To-das 
as nossas relações estavam ali, o adultério flagrado sem 
desculpas. 
-Nati? – continuei chamando já com as pernas bamba pelo 
fim de meu casamento. 
-Me ajuda... 
Ouvi sua voz fraca vindo do quarto trancado por dentro, 
um pedido de socorro sufocado em desespero. Entrei arrom-bando 
a porta esperando encontrar o grupo inteiro de tarados 
torturando minha esposa. Entrei disposto a matar ou morrer. 
Mas encontrei Nati deitada em nossa cama e uma grande 
mancha de sangue que saía dela. 
-Que houve? – perguntei ainda assustado. 
-Me leva pro hospital... – disse sussurrando e segurando 
minha mão com força. 
Não havia mais ninguém em casa, apenas a filmagem que 
passava na televisão era estranha a tudo por ali. 
72
Lia Soares 
-A Doutora Laura veio aqui e me entregou um DVD... Dis-se 
para assistir e me separar de você... Que você não presta-va... 
Outro dia qualquer eu assisti o DVD e notei que não se 
identificava a mulher que estava comigo a não ser quando 
eram apenas as cenas de confidências sobre minha amante. 
-Eu comecei a passar mal e me deitei... 
Neste instante eu já carregava minha esposa até o carro e 
fomos em alta velocidade até o hospital mais próximo.Ela 
nada mais disse sobre o assunto.Estava muda e muito páli-da. 
Eu vivia um daqueles momentos em que a vida parece a-pontar 
acusando todos os seus erros, traições, transformando 
tudo em maldade com outros, principalmente com aqueles 
que amamos. 
Mesmo assim eu mandei a vida para aquele lugar em pen-samentos. 
Eu apenas queria que o sangramento de minha es-posa 
parasse e a vida estivesse novamente em seu rosto, 
mesmo que ela não me quisesse mais como companheiro. 
No hospital, sumiram com ela corredor afora e eu passei a 
ser um simples parente de paciente esperando notícias em 
uma sala cheia de gente triste e funcionários gentis, mas me-cânicos 
73 
em suas atitudes. 
Não conseguia culpar alguém a não ser eu mesmo. Tudo 
era voluntário. A atitude de Laura confirmava a loucura que 
vi em seus olhos e suas conclusões sobre nós dois. Ela sim-plesmente 
atacou o lado mais fraco, a pessoa que mais sofre-ria 
com tudo, e é aí que vi a maldade. 
-Parente de Maria Natividade! 
Apresentei-me ao médico que não sorria como as enfermei-ras.
A Última Gota do Prazer... 
-Ela sofreu um infarto silencioso... – explicava – que rom-peu 
uma artéria em seu intestino... 
O médico era sucinto e a notícia me arrepiava. 
-Ela vai ficar bem? – perguntei. Era a única notícia que 
queria ouvir. 
-O caso é grave... O sangue derramou em seu intestino e 
comprometeu os rins, fígado e o baço... Trombose rara, mas 
fatal... 
Meus joelhos fraquejaram bambeando minhas pernas. 
-Ela te chama... – disse por fim o médico. Nati recebera a 
sentença de morte do médico. Sim, quando um médico diz o 
que este disse é uma condenação a morte mais certeira do que 
um pelotão de fuzilamento. 
Quando entrei no quarto minha esposa me recebeu com um 
fraco sorriso, mas cheio de amor por mim. Segurou minha 
mão por onde eu percebi sua vida acabando na frieza da pele 
e na cor pálida. Seus olhos brilhavam dando mais beleza ao 
sorriso apesar de tudo que se percebia estar acontecendo. 
-Quero te pedir... 
Ela interrompeu meu pedido de perdão colocando sua mão 
em minha boca. 
-Não quero isto... – disse ela – Quero que se cuide... Você 
sabe que só tem a mim na vida... 
Não era a toa o amor que sentia por aquela mulher rara. 
Estava morrendo e ainda se preocupava com meu bem estar. 
-Achei que a médica ia me ajudar a ser melhor esposa... 
Mulher para você... 
Ela estendeu os braços querendo um carinho maior como 
se fosse um pedido de desculpa por tudo que não fez para me 
agradar. 
74
Lia Soares 
E assim minha esposa amada morreu, fechando os olhos 
devagarzinho e com a cabeça em meu colo, depois de pedir 
um abraço e um beijo de despedida. 
Se o leitor não chorou com o que narrei, foi por que não 
estava lá, mas se chorou não sentiu metade da dor que senti 
naquele hospital. Foram longos minutos de muito choro e 
desabafo sofrido, em voz alta a ponto de comover a todos e 
receber ajuda médica. Esta foi a única vez em minha vida que 
estava no lugar certo na hora certa. 
Todo sofrimento extremo procura algo para justificá-lo e a 
raiva é o sentimento por detrás desta ação. Então pensei em 
Laura e sua frieza total. Seu egoísmo passou a não ser mais 
uma doença aos meus olhos a ponto de ver inocência em seus 
atos. Não parei de pensar em vingança até vê-la novamente e 
vingar minha perda. Que fosse nela, ou em qualquer outro do 
tal grupo de tarados. 
-Onde você está? 
Foi a única coisa que Fafá falou comigo quando lhe liguei 
contando tudo. 
-No cemitério do Bonfim, velando o corpo dela... 
Quando chegou, me abraçou. Passou a noite ali comigo. Eu 
e Nati não tínhamos ninguém na vida. Filhos, pais, e outros 
parentes, não existiram ou se foram para sempre. 
No enterro a dois não contive o choro e minha amante co-mo 
sempre cuidava de mim, chorando junto e repartindo a 
75 
tristeza.
A Última Gota do Prazer... 
Escolhi a reclusão para recompor meus pensamentos. Mi-nhas 
ideias eram todas de vingança, sendo Laura a vítima 
preferida. 
-Ela vai te procurar... – disse Fafá antes de ir embora para 
nossa casinha. 
Desliguei qualquer possível contato com o mundo e não 
saía do quarto procurando em cada roupa o cheiro de Nati, ou 
um restinho dele, pois o meu agarrava cada vez mais te tanto 
procurar o dela. O choro tornou-se parte de minha rotina e até 
nossos bichos choravam comigo. 
Não havia quem pudesse me consolar. Ou não existia, ou 
não agiria se eu não pedisse. Era o caso de Fafá que nunca me 
procuraria sem um pedido meu. 
Os dias foram passando e as a correspondência se acumu-lando 
na porta fez com que o carteiro insistisse na campainha 
a pedido dos vizinhos. 
-Santo pai, senhor Fernando! 
Eu abrira uma fresta da porta e ele percebeu o estado de 
tudo, mas eu fiquei estranhamente feliz por ouvir uma voz 
humana. 
-O senhor vai precisar de algumas faxineiras... 
Ele me contou que o mau cheiro estava chamando atenção 
e preocupação dos vizinhos que mal me conheciam, mas eram 
queridos por Nati e ela por eles. Então aceitei a ajuda. 
Senhoras entravam em minha casa com baldes e panos. 
Seus maridos vieram cuidar de mim, me obrigando tomar um 
banho e ir a um barbeiro que também parecia me esperar. 
76
Lia Soares 
Quando voltei a casa cheirava a minha esposa como se ela 
estivesse por ali me esperando. Até os cães foram ao pet en-viados 
77 
pelos vizinhos. 
-Ela gostava assim... – disse uma senhora. 
-Eu sei... – respondi. Este era meu agradecimento, além de 
um sorriso magro e olhos fundos de tristeza. Mas aquilo foi 
um disparo para minha recuperação emocional. 
Uma semana depois disto os vizinhos ainda me ajudavam 
cheios de sorrisos e elogios pela minha melhora, além de me 
dizerem que as escolhas de Nati eram sempre as melhores e 
que eu fora uma delas. Eles viam a culpa estampada em meu 
olhar?Nunca comentaram sobre nada. 
Quando conferia as cartas acumuladas uma delas me arre-piou. 
Era do consultório de Laura marcando via carta uma 
consulta: “Depois de muito insistir pelo telefone, enviamos 
este telegrama para que venha no consultório no dia...”. 
Mas era uma cobrança, uma intimação para pagar algumas 
consultas de Nati. 
-A desgraçada deu um jeito de me encontrar... – resmun-guei. 
Era óbvio que eu não ia deixar uma dívida pendente no 
nome de Nati. 
Fiz questão de ir no dia combinado, mas deixei um bilhete 
debaixo de meu travesseiro com o endereço do consultório, e 
junto o telegrama que recebi.As vizinhas contrataram uma 
diarista que tinha as chaves de casa, e um dia ela encontraria 
o tal bilhete se eu sumisse repentinamente. 
Tudo estava normal no consultório. Como sempre muitos 
pacientes esperavam pela falsa médica, além da secretária em 
sua mesa, como se nada tivesse acontecido.
A Última Gota do Prazer... 
Três semanas antes eu enterrava minha esposa vítima de 
assédio moral de Laura e de seus amigos tarados. 
-O senhor pode entrar... 
-Eu quero apenas pagar uma dívida... Não quero uma con-sulta. 
A secretaria parecia cheia de ordens ao me ver.Entrou na 
sala de Laura e voltou com o convite, sem sequer me atender 
antes. 
-A doutora está com sua ficha... – respondeu friamente. 
Revê-la tornou-se uma obsessão contra qual eu lutava. Lau-ra 
era perigosa, mas também era apaixonante, principalmente 
para uma pessoa como eu que sempre soube separar senti-mentos 
da falta e desejo de sexo. Era disto que Fafá me ad-vertia. 
Quando entrei, todo sofrimento parecia se esconder con-fundindo 
meus pensamentos como se algo mágico, o ar, esti-vesse 
78 
preparado e a minha espera. 
-Olá, Nando... – disse Laura do sofá. Ela levantou-se e me 
deu um beijo e um abraço, depois foi até o banheiro soltando 
os cabelos no meio do caminho. 
Sua roupa leve e branca, um vestido de loja fina, acompa-nhava 
seu rebolado apaixonante e impossível de não se admi-rar. 
Quando voltou vestia apenas uma pequena calcinha bran-ca 
que se confundia com sua pele formando um conjunto per-feito 
naquela mulher. Seus olhos verdes estavam mais verdes 
ainda reforçados por lente de contato e maquiagem também 
suavemente esverdeada. 
Ela era a causa de todo o meu recente sofrimento, mas era 
uma tentação irresistível.
Lia Soares 
-Venha! – disse baixinho e observando meu pênis já que-rendo 
pular para fora da calça em direção dela e seu sexo já 
exposto. Laura brincava com sua vagina, os dedos fazendo 
movimentos frenéticos dando lugar para as pernas se cruzan-do 
e evitando o gozo precipitado. 
Ela se oferecia e ataquei com volúpia e certa rispidez nos 
atos, a raiva ainda presa em meus pensamentos apesar do 
momento. 
-Meu amor... – disse, e se entregava como uma mulher a-paixonada 
faz. Com ela eu iria fazer o que bem queria, abusa-ria 
de tudo não me importando em machucá-la, até desejando 
isto e me deliciando com sua cara de aflição. 
Sua vagina era tomada a força, com uma penetração digna 
de filmes e suas montagens para impressionar um público 
tarado. Laura tremia de tesão aproveitando cada estocada que 
lhe aplicava. Seus fluídos eram abundantes e aumentavam 
sempre a ponto de molhar o sofá e minha roupa mal tirada. 
Mas eu queria que ela sofresse. Sua diversão aumentava 
meu desejo de vê-la gritar de dor. Então a virei, seu corpo 
leve parecendo obedecer meus braços, e a coloquei de quatro, 
penetrando seu ânus rosado sem dar chance de uma reação. 
Foi em apenas uma enfiada, fazendo sua coluna se contorcer e 
seu pescoço esticar de dor, o prazer agora vindo em gemidos 
de aflição evidente. Não dei tempo para o seu ânus se acos-tumar 
com o volume. Eu bem sabia que era assim que os ca-sais 
normais faziam sexo anal: afrouxando os músculos deva-garzinho, 
bem lentamente. Mas eu tirava todo meu membro e 
o enfiava em seguida com força e machucando a mulher que 
matou minha esposa. 
79
A Última Gota do Prazer... 
Quando começou a gemer alto com muita dor, eu tampei 
sua boca e ao mesmo tempo eu tinha seu pescoço preso em 
meu braço e a mercê de minha força. 
Ao perceber o que poderia acontecer tentou em vão sair da 
posição, mas estava feito, e comecei a apertar seu pescoço 
fino o afrouxando quando quase perdia os sentidos. Fiz isto 
umas quatro vezes socando meu pênis com raiva e tesão em 
seu ânus apertado até que ejaculei dentro dela, grunhindo em 
seu ouvido palavrões de vingança. 
Quando acabei ela caiu de vez no sofá, tossindo, vermelha, 
e quase morta. 
Pois agora que viesse a polícia chamada por ela e esta seria 
minha vingança: o desprezo depois do sexo, eu preferindo a 
cadeia a ficar ao lado dela. 
“-Se livre dela Nando!” 
Eu pensei novamente no conselho de Fafá ao me surpreen-der 
com o sorriso na cara de Laura e sua aproximação cheia 
de carinhos e pedidos de permissão. 
-Cá estamos nós... Como o destino quis desde o início! 
Será que somente a morte verdadeira resolveria o proble-ma? 
Ela parecia uma gata manhosa depois de ser estuprada e 
quase morta naquele consultório. 
-Você não sabe do que escapou... – disse a ela. 
-Se quiser repetir... – respondeu sorrindo – Use-me... Mas 
saiba que eu vou usá-lo também... 
-Você matou minha esposa! 
-Sua viuvez é temporária, meu amor! 
Restava o silêncio raivoso diante da loucura evidente. Não 
poderia mais me encontrar com aquela mulher louca, pois sua 
80
Lia Soares 
beleza era de levar qualquer homem a loucura e eu estaria a 
um passo de aceitar tudo. 
Levantei-me, aproveitando a vontade saciada, o tempo que 
a natureza pede a todo homem do mundo e fiquei parado no 
meio da sala, pronto para me despedir de vez de Laura. 
-Tudo bem... – disse ela quase murmurando de prazer – 
Mas eu não gozei... 
Ela retirou seu enorme brinquedo da bolsa – o pênis de 
cabeça dupla – e ficou de quatro se penetrando nos dois orifí-cios 
ao mesmo tempo. Gemia de dor pelo estrago que eu fiz e 
que o objeto descobria para ela. 
-Não vou me casar com você... – resmunguei. 
Eu precisava broxar a situação. Eu bem sabia que mais al-guns 
81 
segundos eu estaria excitado outra vez. 
-Sei do que gosta, Nando... Você é igual a mim... 
-É verdade... Mas eu não gosto de você! 
Ela começou a se masturbar e no impulso abri a porta do 
consultório e fui embora sem olhar para ninguém. 
-Olha como é bom... 
Quando me virei, já dentro do elevador, percebi o estrago 
que fiz. Ela estava de quatro com aquela cobra saindo de sua 
vagina e entrando em seu ânus, além de seus dedos sendo 
trocados freneticamente na masturbação. Tudo isto na frente 
de todos seus pacientes tarados. 
-Eu sei você gosta também... – dizia ela sem perceber o 
vexame. 
Quando ouviu os primeiro risos já era tarde, o escândalo 
estava feito junto com a humilhação. Havia uma mistura de 
horror e admiração naquelas testemunhas das vergonhas de 
Laura. Muitos homens se levantaram para ver mais de perto,
A Última Gota do Prazer... 
enquanto algumas pacientes femininas falavam do ridículo da 
cena flagrada. 
Sua secretária a socorreu e esta foi a última cena que vi 
daquela linda mulher, além do choro ser o último som que 
ouvi de sua boca. 
Alguém lá em cima gosta de mim ou detestava Laura como 
eu. 
82
Lia Soares 
Fui direto para minha casa. Não tinha medo de qualquer 
vingança, mesmo sabendo da realidade e da capacidade que 
aquele grupo tinha de alcançar seus objetivos. 
Não creio que existia loucura suficiente em Laura para con-tinuar 
gostando de mim como seu marido do destino. Além 
disto, o que mais ela poderia atacar para me atingir? 
Mas meu coração quase parou quando pensei nas pessoas 
que gosto e lembrei-me de Fafá. Nossa vida refletia segurança 
contra terceiros, mas ela era a única pessoa querida que me 
restou neste mundo.Laura seria capaz de descontar seu ódio 
em quem achava que estava atrapalhando seus objetivos e 
Fafá era a amante recomendada que bem poderia ser minha 
companheira definitiva. 
Seu celular não atendia. Já dentro do carro e indo para nos-sa 
casinha a aflição tomava conta de meus pensamentos. 
-Ela odeia minha amante! – pensava em voz alta. 
Foram longos minutos até a cidadezinha. De longe eu via 
muitas luzes vermelhas na ladeira que tanta alegria simples 
nos dera. Estava aterrorizado por saber que havia acontecido 
algo de anormal para aquelas bandas, mas não era incêndio, 
ou deslizamento, e sim vários carros de polícia parados em 
frente nossa casinha. 
Estacionei e não tive forças para sair do carro. 
-O senhor é marido da dona da casa? 
O terror era tanto que não percebi a aproximação de dois 
policiais, um militar e outro de terno com gravata desarruma-da. 
-Namorado... – respondi com fraqueza nas pernas e no res-to 
do corpo. 
83
A Última Gota do Prazer... 
-Entendo... Melhor que o senhor venha ver... 
Na porta ele me parou. Foi quando vi os dois adolescentes 
sentados sob vigia de outro policial. Estavam pálidos, de o-lhos 
vidrados, mais aterrorizados do que eu. 
-Primeiro precisa saber que houve uma morte... – disse o 
policial. 
Eu desconfiava de tudo e de todos procurando algum rosto 
conhecido nas pessoas por ali. 
-Sua namorada está morta de uma maneira que pode chocar 
o senhor... 
Quem mais poderia estar morta além de Fafá? 
Quando entrei entendi o terror dos garotos e o silêncio no 
local. Fafá realmente estava morta, presa a sua corda na pare-de, 
exatamente na posição que estávamos no dia que experi-mentamos 
aquele louco prazer. Apenas a cama em frente es-tava 
vazia e seu olhar parecia procura alguém ali. 
-Já tinha visto algo assim? 
O policial de terno era o delegado chamado da capital para 
cuidar daquele caso. 
-Quando isto aconteceu? – respondi com uma pergunta. 
-Há poucas horas... 
Fafá estava nua, com uma das mãos em sua vagina repetin-do 
uma cena conhecida por mim em detalhes. Na cama em 
frente havia um consolo, preservativos e cremes sexuais. 
-Não havia ninguém com ela... – esclarecia o delegado ao 
me ver olhando tudo – Foi um suicídio... 
Olhei com pensamentos de ironia para aquele homem que 
falava sem conhecimento de causa. Era óbvio que ele tentava 
arrancar algo de mim, um detalhe que ele não sabia, ou de 
84
Lia Soares 
vários, afinal tudo era desconhecido para ele que trabalhava 
com suposições segundo o que via. 
-Masturbação suicida! – continuou ele a me surpreender. 
-Não se assuste senhor... – disse uma mulher, a única por 
ali. 
Não estava assustado. Não havia mais espaço para isto em 
meu cérebro 
-Fernando... – ajudei-lhe. 
-Pois então, senhor Fernando, é um caso raro de se ver em 
nosso país, uma tara importada... – insistia o delegado. 
Ele me mostrava o pacote de cordas elásticas importadas 
por Fafá. Estava vazio e eu bem sabia que eram apenas duas. 
-Parece que o produto acabou e ela confiou demais em si 
mesma! 
O que estava em volta do pescoço de minha namorada era 
outra corda, uma que jamais iria arrebentar com seu peso. 
-Pessoas morrem assim... Inclusive algumas famosas... 
Sentia-me culpado por tudo. Eu havia abandonado Fafá, 
principalmente na cama, e ela bem poderia estar solitária e 
assim tudo aquilo estava explicado. 
-Os garotos disseram que senhor veio aqui faz umas sema-nas... 
Aquela mulher por ali era uma detetive que acompanhava o 
delegado. Pareceu-me mais gentil com a situação, talvez por 
ser mulher como a morta. 
-Sim... Como disse ao doutor ela era minha namorada... 
Todos ali eram mais jovens que eu e Fafá, mas acostuma-dos 
com cenas bem piores que aquela. Então, eu também era 
85 
uma vítima daquela vista horrível.
A Última Gota do Prazer... 
-Não há alguma possibilidade de alguém ter feito isto? - 
perguntei. Talvez eles esperassem esta minha pergunta, um 
caminho diferente para o caso. 
-O senhor tem alguma ideia sobre isto? Algo suspeito que 
não temos conhecimento? 
Sim, eu tinha. Laura era bem capaz de produzir algo assim, 
sem pistas e parecendo um óbvio suicídio, pelo menos para 
uma polícia como a nossa. 
-E os garotos? – perguntei optando pelo silêncio de meus 
pecados – Não viram nada? Outras pessoas? 
-Foram eles que descobriram o corpo... Não... Eles não 
viram ninguém a não ser o senhor dias atrás... 
Pela primeira vez aqueles meninos chegaram atrasados à 
janela de Fafá. Estavam tão assustados quando eu.Mas o de-legado 
me mostrou um achado que eu desconhecia.Abri uma 
pasta que ele me deu e ali vi documentos médicos, relatórios 
e exames que erma de Fafá. 
-Ela era cancerosa... Nos pulmões em estado terminal... - 
explica ele. 
Não havia sinais visíveis do câncer porque ela não tratou 
dele, fugiu da quimioterapia, e apenas a tosse um pouco a 
mais poderia revelar hoje seu estado ruim. 
-A polícia encerra o caso como suicídio... Não há mais na-da 
a ser feito... - concluiu 
Dois funcionários do necrotério chegaram ara retirar o cor-po 
de Fafá de seu lugar de martírio. 
-Deixa que eu a tire! – exclamei – Por favor... Tenho fortes 
sentimentos por esta mulher! 
86
Lia Soares 
O doutor delegado consentiu por pena de mim. Creio que 
meu rosto era o reflexo do sofrimento devido a tudo que pas-sava 
nas últimas semanas. 
-Se você aguenta... Mas faço questão que alguém fique 
com você! 
Com os olhos pedi ajuda a detetive, afinal seria uma mu-lher, 
sensível com a situação de outra. 
-Eu fico... – disse ela. 
Todo mundo se retirou do quarto. A detetive, Estela era o 
seu nome, me ajudou a soltar o corpo de Fafá que caiu em 
meus braços ainda com toda sua flexibilidade de antes, ape-nas 
sua pele estava gelada pela falta de vida. Colei meu rosto 
no dela e sofri, sem uma lágrima sequer, pois não havia mais 
delas em meus olhos. 
Minha voz embargava-se de sofrimento. Como minha a-mante 
era bela!Mesmo na morte percebi um leve sorriso em 
seu rosto como se tivesse alcançado o prazer diminuindo seu 
sofrimento final. 
Fiquei deitado ao seu lado afagando seus cabelos, me des-pedindo 
dela na intimidade com um longo e afetuoso beijo, 
coisa que não fiz nem com minha esposa que morreu em 
meus braços. Esta mulher era toda a fonte de carinho que eu 
tinha naqueles dias. 
Emocionada, Estela providenciou a retirada do corpo de 
minha namorada para que aquele sofrimento tivesse um fim 
mais digno aos olhos de outros. 
-Vão para casa... – disse aos garotos que me obedeceram 
como seu eu fosse o pai deles. Da porta ainda vi o saco com o 
corpo de Fafá sendo fechado e levado embora. 
87
A Última Gota do Prazer... 
-Meu cartão... – disse o delegado – Caso algo de novo apa-reça... 
Não apareceria. Não de minha parte. Mas quem sabe ele 
não investigaria minha morte também? 
Agradeci profundamente a detetive e sua sensibilidade fe-minina 
e fui embora acompanhando o carro que levava Fafá. 
Dois dias depois a enterrei junto de Nati. Desta feita estava 
sozinho e pensei no quanto nós três éramos solitários na vida. 
Talvez seja por isto que nos encontramos nela. Um homem 
como eu não tinha mais ninguém que olhasse por ele como eu 
fiz com Nati e agora com Fafá. Teria que me proteger com 
seguros e planos funerários que cuidariam de tudo na minha 
morte. 
Sem filhos, parentes próximos e distantes, agora sem espo-sa 
e namorada, sequer amigos eu tinha feito no mundo, passei 
a ser uma pessoa mórbida não dando dez passos sem olhar 
para trás como se algo me seguisse ou me vigiasse. Talvez 
estivesse realmente acontecendo. 
-Eu não era casado com ela... 
Certo dia fui surpreendido pela visita do prefeito da cida-dezinha 
onde Fafá morreu. Queria comprar a casinha abando-nada 
88 
e pedia que eu assinasse por ela. 
-Isto não importa... – respondeu ele – Ela não tinha paren-tes 
a não ser o senhor como pessoa mais próxima... 
Isto aconteceu meses depois de tudo e aquela ferida ainda 
estava aberta e revoltando minha mente. 
-O senhor assina e aqui está o cheque... 
Então assinei. Não pela ganância, mas por uma ideia me 
ocorrer naquele instante. Precisava mudar de vida e uma fuga 
silenciosa era no mínimo um alívio e uma aventura nova.
Lia Soares 
-Inclusive estou querendo também uma casa na cidade... – 
disse aquele senhor. Foi neste instante que tive a ideia. 
-Se interessa por esta? – perguntei. 
Foi assim que fechei negócio também com aquela casa que 
abrigou meu casamento com Nati. Não tinha mais nada para 
fazer ali, além dos vizinhos e a amizade que poderia surgir. 
Então vendi o imóvel sem falar nada com ninguém. Assim 
que recebi o dinheiro me mudei para um hotel no centro da 
cidade onde fiquei até fechar minha empresa arrecadando 
mais algum dinheiro. 
Restou-me uma antiga herança de meus pais que ainda 
estava no nome de seus antigos donos, pessoas estranha e um 
esconderijo perfeito segundo minhas traumatizadas intuições. 
Para ali me mudei e sobrevivi fazendo bicos para o gover-no 
local, alguns aconselhamentos de administração pública, 
algo discreto em que valia o anonimato. Era uma cidade lito-rânea, 
a chamada praia dos mineiros, local tradicionalmente 
bem frequentado e com uma população flutuante de cerca de 
um milhão de pessoas. Uma cidade corretíssima aos meus 
olhos e meus desejos. 
Ainda sofri por um bom tempo, mas este é um santo remé-dio, 
fechando feridas apesar da lembrança que fica na cicatriz. 
Hoje estou com sessenta anos, solteiro e solitário, sem sequer 
desejos sexuais, como se eles todos estivessem saciados por 
minhas mulheres, as três que de alguma forma interferiram 
profundamente em minha vida. 
Aposentei-me calculando o dinheiro que tinha e cheguei a 
conclusão que não passaria fome até os noventa anos, e como 
minha vida pregressa não me dava saúde para chegar até esta 
89
A Última Gota do Prazer... 
idade, pensei nos oitenta com folga ou setenta e poucos com 
fartura. 
Nunca mais tive uma mulher em minha cama, nunca mais 
me masturbei para não dar margem a tentação. Afinal tudo 
estava escondido, minha vida e também meus desejos. 
Minha rotina era praia, almoço, praia de novo, e bebidas. 
Todo dia era assim por gosto. Acordava cedo e dormia tarde, 
sempre bêbado no grau que escolhia. Passei dez anos assim 
desde minha mudança das montanhas para a praia. 
Mas “nunca diga: “nunca mais faço isto” “ 
Certo dia cedo na areia de uma delas, eu me desajeitava 
com um protetor solar não alcançando minhas costas quanto 
ouvi alguém dizer bem de pertinho: 
-Posso ajudar? 
Era uma mulher. Não, não era Laura como pensei por al-guns 
segundos, mas era uma mulher belíssima de talvez ses-senta 
anos e aparentando menos no corpo. 
-Se não te incomodar... – consenti. 
Seu corpo era raro para o tempo que se via em seu rosto. 
Tanto que ousava usar um biquíni digno para sua idade, mas 
que revelava bem seu corpo. Tinha pernas musculosas, com 
belos joelhos e pés. Quando se virou para pegar de outro pro-tetor 
solar, pude ver seu belo traseiro cuidado por quem teve 
muito dinheiro ao longo da vida. Conheci seus seios depois, 
no toque, pois é assim que se sente todo prazer que um seio 
pode dar a um homem. 
Na intimidade ela era um tesão a despertar minha libido 
adormecida pelo sofrimento e álcool. Ela depilava-se toda e 
eu percebia isto pela marca que o biquíni fazia em sua vagina 
90
Lia Soares 
mostrando claramente as duas partes que dividiam aquela 
fruta deliciosa. 
-Pode se virar? – perguntou com um sorriso no rosto per-cebendo 
91 
meus olhos pesquisando suas partes íntimas. 
-Eu sou a Márcia... 
Sua voz era aveludada e falava com cultura, sem erros de 
português. Era a primeira vez que a via por ali. 
-Eu sou o Fernando... 
-Hum... 
Ela disse assim quase gemendo e sorrindo com os olhos 
fixos nos meus como se tivessem feito uma descoberta. 
-Sabia que você tem uma mancha vermelha no meio das 
costas? 
Era exatamente o lugar que minhas mãos não atingiam. 
-Não tenho quem passe óleo aí... 
Depois deste dia ela estava lá toda manhã se dispondo a 
me besuntar de óleo, o que ela fazia com muito carinho, se 
insinuando na suavidade de seus dedos. 
Se o leitor acha que ficou nisto se enganou. Com o tempo 
éramos mais do que namorados na terceira idade. Tornamos-nos 
amantes da boa idade e duvido que jovens façam na cama 
o que eu e aquela mulher fazemos. Eram duas cargas de expe-riência 
se conhecendo, sendo trocadas entre carinhos, afagos, 
e muito sexo mais do que selvagem. Aproveitamos as últimas 
gotas de nosso vigor com maestria. 
Foi fácil me lembrar dos avisos de Fafá, das ameaças de 
Laura e de seu grupo de tarados. 
“-Existem somente dez pessoas iguais a nós dois no pa-ís...”.
A Última Gota do Prazer... 
Eu cheguei a sentir o prazer daquele dia ao me recordar 
92 
das palavras ditas pela doida tarada. 
“-Um casal... Um homem, que é você, e sete mulheres se-dentas 
como eu...”. 
Talvez Márcia fosse uma das sete mulheres das quais eu 
conhecia apenas uma: Laura. 
-Isto é sério? – perguntou ela no dia em que me senti segu-ro 
para contar toda minha vida. 
Ela vinha de Vitória, capital dos capixabas, e estava pas-sando 
o final de semana na minha cidade quando me conhe-ceu. 
Passou a frequentar mais o local até o dia que a convidei 
para morar comigo. 
-Talvez eu seja uma das sete mulheres... E te encontrei 
pelo instinto ou cheiro... 
Eu já não ligava mais para isto. Mesmo sendo uma delas, 
eu a queria, precisava de uma mulher assim: tarada e indecen-te 
na cama, como eu. Talvez Laura estivesse dizendo a verda-de. 
Márcia se divertia com as novidades que eu lhe apresenta-va, 
e também gostava do passivo e ativo em nossas vidas. De 
tudo não ensinei a ela apenas a masturbação suicida que di-zem 
ter acontecido com Fafá. 
Mas o que me importava era a nova pessoa em minha vida 
e pronto, não tinha mais tempo apara procurar a felicidade 
nos cantos da vida. Bastava aquele sorriso lotado de felicida-de, 
as ideias um pouco parecidas, o corpo bonito de mulher 
fogosa e disposta a experimentar tudo que eu gostava. 
Márcia era daquelas mulheres que gemiam diante do pra-zer 
que causava. 
Creio que eu ia ser feliz até que a morte nos separasse, ou 
os hormônios acabassem antes.
Lia Soares 
93 
FIM

Ultima gota pdf 99

  • 2.
    A Última Gotado Prazer... 2
  • 3.
    Lia Soares 3 A Última Gota do Prazer... Lia Soares
  • 4.
    A Última Gotado Prazer... 4 A Última Gota do Prazer Romance Erótico Lia Soares
  • 5.
    Lia Soares -Talvezfosse melhor seguir o que a música dizia... O velho rádio insistia em falhar pedindo as pancadas que lhe dava com prazer. Tudo para poder cantar junto a melhor parte da letra daquela música. -Você é maluco... Ela disse isto ainda com o copo de cerveja na boca. -Quantos livros você já vendeu? – perguntei. Fafá era uma mulher bonita de finos traços e pequena de corpo, apesar da briga injusta com o tempo. Mas também ga-nhara a beleza da maturidade, algo que sempre gostei nas mu-lheres. -Por que você não compra um rádio novo? – respondeu ela com outra pergunta. Seria uma opção, mas não um desejo. Gostava de enfrentar e sentir raiva com aquele aparelho. Não era uma herança, não trataria algo assim na pancada, mas o havia comprado de um velho quase mendigo no centro da Praça Sete, quase no obe-lisco em forma de pirulito. Alguns guardas do transito fica-ram curiosos com minha abordagem e me irritaram. Não sou muito paciente com homens de fardas. -Me lembram de tudo de ruim... A china comunista, a revo-lução 5 militar, meu serviço no exército e outros... -Mas você gosta dos filmes de guerra! Eu gostava mesmo. Mas não era uma guerra e sim uma interpretação da guerra cheia de glamour e para isto as fardas serviam. -Também gosto de mulheres de farda... – respondi para provocar.
  • 6.
    A Última Gotado Prazer... Elas ficavam belas de farda, confirmavam o que eu sentia nos filmes antigos. Mesmo as gordas, as feias de corpo, ga-nhavam uma áurea de beleza, talvez sendo a masculinidade do uniforme concertada pela feminilidade que foi criada para embelezar. -Não vou comprar outro rádio... – disse a ela – Mas e os livros? Estão vendendo? Ela levantou-se com uma cara daquelas parecendo pergun-tar “se estivessem vendendo eu estaria aqui com você?”, mas assentou-se na beira da janela baixa daquela casa antiga que alugamos para nos encontrar. -O que a música dizia mesmo? Agarrei-me com ela na janela e ficamos a mercê da paisa-gem também antiga do lugarejo no interior de Minas. As la-deiras eram lindas em tudo, casas inclinadas, pessoas inclina-das e até as nuvens pareciam tortas acompanhando os decli-ves. -Dizia sobre certo dia... – respondi. Ela sorriu e lembrou-se da música sobre certo dia de mu-danças. -Você quer? – perguntou com a voz doce. Mudar aos cinquenta anos de idade não me parecia anima-dor. Era a época da preguiça, de olhar com ganância para a aposentadoria ainda longe. -O que diz Nando? Ela me chamava de Nando, um diminutivo de meu nome, e eu também diminuía o seu para Fafá em uma troca de mimos. Éramos amantes nos vários sentidos da palavra. Eu, casado, ela solteira, mas concordando em ser amante assim como eu. 6
  • 7.
    Lia Soares Umaunião apenas para o sexo, o prazer e o gozo sem nenhu-ma fantasia proibida. -Não quer mudar de vida? – insistia ela. Levei-a no colo até a cama ainda desarrumada da brinca-deira anterior. Ela sorria no seu melhor estilo. Seus cabelos eram na altura exata que me encantava e seu corpo fino era sedutor, plástico e redesenhado pelo tempo. Nestas horas as rugas sumiam, os hormônios voltavam a lubrificar o corpo o preparando para o amor maduro, o do prazer real. -Bobo... Ela falava gemendo, seu corpo já possuído pelo meu, e o prazer nos contorcendo na cama sem tempo para acabar o ato. Suas mãos eram sempre inquietas e audaciosas, desavergo-nhadas para alguns. Mas ninguém sabia explorar meu corpo como ela. Parecia ter me estudado me lambendo cada pedaço possível - e de olhos abertos - percebendo minha reação e fazendo descobertas. Com os dedos explorava cantos e orifícios até então escon-didos de minha consciência e ela sabia exatamente o que fa-zer por ali. Usava suas descobertas com maestria me levando ao gozo; sempre um maior do que o outro. Quando sentia o jorro que viria, ela ia aos pontos mais ar-dentes de meu corpo, que já a esperavam para aquele momen-to. Então acontecia e ela sorria feliz por sentir cada êxtase que me corpo exalava dentro dela. Depois, ainda no sorriso, ela se deitava ao meu lado e se masturbava dizendo estar lembrando-se de tudo que viu. Nunca nos questionamos. Nunca houve cobrança entre nós. Amantes não são assim. 7
  • 8.
    A Última Gotado Prazer... É por isto que os casados não conseguem ser amantes. Ela, que nunca se casou, era a amante no auge, ensinada pela vida e por muitos corpos que conheceu. -E aí? – insistia ela sobre mudar de vida. Os homens mu-dam seus pensamentos depois do sexo. As mulheres não. Mas me rendia a pergunta como agradecimento pelo imenso prazer que meu corpo havia recebido. -E por não? – concordei. Ela animou-se. Já sentada na cama, ainda nua e na posição de lótus, começou a me explicar o que queria sem abrir a boca ou emitir um som. Apenas sorria. -Quero experimentar algo novo... – disse por fim. Isto me preocupou, pois mudar de vida experimentando algo novo poderia ser perigoso, um fracasso total. -Drogas? – perguntei ainda pensando no assunto. -Não! – respondeu ela – Quero sentir e não apenas ter uma sensação do que aconteceu. Drogas realmente impediriam o conhecimento de tudo que ocorresse. Mas isto não me deixou menos preocupado. -Assaltar um banco? Ela sorriu gargalhando em seguida. Era um momento belo daquela mulher que acontecia somente com mulheres daquela idade. -Também não... – disse sensualisando a voz. Ela continuava sentada a minha frente, nua, assim como eu e começou a passar um creme em suas mãos. -Falo do prazer... Ela pegou carinhosamente em meu membro já descansando do encanto anterior e começou a fazer carinhos com as mãos besuntadas de lubrificante íntimo. 8
  • 9.
    Lia Soares Fecheios olhos me divertindo com a massagem que já dei-xava 9 bem evidente minha excitação. -Safado... – disse ela -Safada... – respondi. Mas parou com os carinhos, me deixando a ver navios. Ela sabia a medida certa de prazer a ser dado a um homem. Mas pelo menos descobri o que ela queria experimentar. -Já fazemos tantas coisas! – exclamei – Nunca fui tão feliz na cama! Ela voltou a janela, já com um roupão, ascendeu um cigar-ro e espantou dois moleques que estavam ali nos observando. -Punheteiros... – disse ela bem baixinho, mas não deixava de sorrir. -Vão ter assunto pra galerinha deles! -Já pensou na morte? – perguntou ela já não se importando com os adolescentes. Estávamos como antes do sexo, desta feita eu sentado na beira da janela e ela me abraçando. Era um abraço carinhoso com afagos na nuca enquanto a outra mão insistia no cigarro Ela não parecia querer algo mais na cama então resolvi res-ponder a tudo que quisesse ouvir. -E como não pensar na morte? – lhe disse – Ainda mais na minha idade. Eu também tinha cinquenta anos de muita luta contra o tempo e a vida. Uma empreitada inútil. -Tem medo dela? Ela perguntava já sabendo da resposta. -Claro que sim! Quem não tem medo dela? -Não falo do fim e sim do estar morrendo...
  • 10.
    A Última Gotado Prazer... Sua voz estava de novo sensual. Não achei aquilo estranho, nem poderia com aquela língua vasculhando minha orelha como se ambos fossem órgãos sexuais se conhecendo. -Estar morrendo... – repeti em voz baixa – Nunca tinha pensado nisto... A maioria das pessoas pensa na morte como algo súbito, um estalo e estamos debaixo da terra depois de um velório corriqueiro. -Sim... – disse ela ainda me beijando o ouvido – pense nis-to... Algo estranho acontecia com meu corpo. Ela me excitava com seus toques mágicos e falávamos de estar morrendo e pensar nisto não acabava com meu desejo. Ela percebeu e insistiu nas carícias até estarmos novamente na cama, enros-cados como duas cobras e sabe-se lá quem penetrava o outro. Desta feita foi mais devagar, com longos beijos trocados na boca demonstrando o carinho que tínhamos um com o outro. Também segurei seus braços, para ficar por cima dela e con-tralar meus movimentos. Assim eu alcançava seu melhor pon-to com meu pênis se transformando em um insubstituível de-do feminino Quando parecia que ira gozar junto, se segurou, oferecendo seu ânus rosado para um sexo mais solitário de minha parte. Ela passou a agarrar o lençol com as mãos por eu ter aceitado aquela fruta diferente e suportou várias esto-cadas 10 até que terminei tudo dentro dela. Mas uma vez deitei ao seu lado, ainda ofegante como qual-quer macho ficaria, e ela mais uma vez se masturbou, pen-sando em tudo e gemendo alto. -Você gosta de dor? – perguntei em seguida tentando ligar os assuntos. Ela sorriu, como sempre, e me abraçou.
  • 11.
    Lia Soares -Tolinho!Não sou mais apertadinha como uma menini-nha... 11 Se for sobre isto que está falando... Era sim. Mas pensando bem ela não fez cara de dor em momento algum que eu cavalgava aquelas ancas. Mas isto seria uma incógnita. Afinal quem sente prazer com a dor não fica com cara de dor. -Não... – disse ela por fim – Não gosto de dor... -Experiência interessante... – murmurei. -Temos que ir! Ela disse isto pensando em mim e em minha vida de casa-do. Não queria atrapalhar tudo e me perder como amante. -Já está escurecendo... – concordei com ela. Era uma se-gunda feira e ninguém me procurava neste dia, muito menos a esposa. Então vínhamos sempre para aquele vilarejo trocando às vezes os dias da semana para não levantar suspeita. Era uma ideia dela que funcionava bem. Fechamos a pequena casa e saímos; não sem antes ouvir-mos no caminho até o carro alguns “psius” e chupadas de boca típicas de adolescentes. Então abri a porta para Fafá que deu uma grande levantada em sua curta saia e mostrou sua bunda ainda sem calcinha para aqueles marmanjos cheios de espinhas. Era uma forma de retribuir os dois anos de sossego que tive-mos por ali. Foi uma viagem curta. Não poderia ser diferente. Minas Gerais oferece esta condição para os amantes, principalmente nos arredores dos arredores da capital. Ela morava do outro lado da cidade, já grande o suficiente para não sermos conhecidos facilmente. Sua casa também era pequenina, um apartamento que comprou com algumas eco-
  • 12.
    A Última Gotado Prazer... nomias e certa herança de seus pais. O prédio miúdo também nos dava mais tranquilidade, menos olhos ao redor. Foi uma despedida dentro do carro de vidros escuros. Um longo beijo que bem poderia ser o início e não o fim de um encontro. -Nos falamos... – disse ela batendo a porta do carro. Eu estava triste pelo fim da diversão e não por reencontrar minha família. A esposa não era uma megera. Apenas não gostava mais de sexo. Minha casa estava como sempre: Cheirosa; e minha esposa também estava como sempre; resmungava mais do que feste-java minha chegada, falando do mundo e das mazelas da ida-de, além das dores de outros que nem estavam ali. Mas eu gostava da conversa e sempre sorria para ela. Era assim que eu a silenciava, pois um sorriso sempre atrai o outro. -Como foi seu dia? – perguntou ela. -Dolorido... Mas foi um dia proveitoso. Pelo menos eu mentia apenas nas entrelinhas. De qualquer forma havia verdades em minhas palavras. Então, lhe dei um beijo no pescoço roçando por ali minha barba mal feita. Eu sabia que ela gostava. Mas quando a abra-cei, nós dois de frente para o fogão, ela já resmungava uns “para” e “nãos” que eu bem sabia o que significava. Dei-lhe um beijo carinhoso e me afastei. -Eu te entendo... – disse de longe. Assim eram as ações do amor. O perdão era a maior delas, além da consciência que pesava naqueles momentos. O conforto, a segurança do descanso do corpo, era uma garantia de felicidade, um lar verdadeiro que sempre tem al-guém 12 te esperando. Minha casa era exatamente assim.
  • 13.
    Lia Soares Naqueledia jantamos mais cedo, achei estranho, mas não contestei, mesmo porque combinava com a fome de cão que eu tinha. Mais tarde percebi umas risadinhas, como um chamado para o quarto onde encontrei minha dona vestida com uma micro calcinha e se insinuando com o traseiro. Era excitante, além de comovente, pois ela fazia por mim, se oferecendo sem o desejo de uma amante; a esposa cumprindo seu papel na cama. Então, também cumpri minha missão de marido e a amei como fazem os casais que acreditam no casamento. Ambos nos divertimos, ela suspirando e gemendo sem falsidades, mas também sentia muitas dores pela falta dos hormônios vinda da menopausa. -Por que não toma hormônios? – perguntei certa vez ten-tando 13 salvar nossa vida sexual. -Tenho medo do câncer! Era uma desculpa razoável. Melhor não ter uma vida sexu-al muito ativa do que sempre pensar na doença, sem saber se ela está se instalando ou não. Basta isto para se perder a libi-do. Mesmo sendo raros, tais momentos eram de extremo pra-zer. O simples ativo e passivo bem definidos na cama era algo muito excitante. Depois do amor, o trivial continuava na rotina de um casal antigo com suas manias e exigências, que sempre geram pe-quenas briguinhas e caretas mútuas. Isto era sem troca nos meus sentimentos. Mas eu também tinha uma amante perfeita que gostava de mim assim, sem ciúmes de minha vida.
  • 14.
    A Última Gotado Prazer... Eu não pensava em uma, estando com a outra. Considero isto um dom nato herdado de um desconhecido, mas macho, de minha família. Então dormimos abraçados, em conchinha, pelo menos por alguns minutos, até que o desconfortável nos jogasse cada um em seu lado da cama. 14
  • 15.
    Lia Soares Osegundo dia de trabalho de certa semana começou com uma mensagem de Fafá. Não era algo muito comum. “Preciso de sua ajuda” – dizia o texto me arrepiando pela novidade. Não a encontrei em casa, seu apartamento todo escuro por dentro, além da ausência de seu carro na garagem e o celular desligado. Estranho pedido de ajuda. Fiquei por ali o quanto pude e mesmo depois de alguns dias ela manteve o silêncio, até eu vê-la me esperando discreta-mente 15 na praça em frente ao meu trabalho. -O que houve? – perguntei aflito. Ela fumava, estava mais magra e usava um cachecol em volta do pescoço. Não disse nada, não exigiu nada, então en-tendi que seria um silencioso passeio de carro pelas ruas da cidade. Ela gostava da minha neutralidade, minha absoluta falta de exigências. Por isto me segurava pelos braços da for-ma carinhosa de sempre. -Coloquei uma foto de sua peladinha como papel de fundo do meu computador... Ela sorriu com a novidade. -Do trabalho é claro... – expliquei melhor. -Qual delas? – perguntou quebrando seu silêncio. Era uma foto anônima de um órgão genital, o dela, e mui-tos gostaram e comentavam inclusive mulheres colegas. -Aquela da calcinha nova... – respondi. -Uma que estou de cócoras? – e danou a rir tampando sua-vemente a boca numa delicadeza capaz de despertar desejos. -Ela mesma... Cansei de admirá-la no banheiro... Ela se entregou de vez a alegria que lhe era comum. -Punheteiro...
  • 16.
    A Última Gotado Prazer... Eu queria saber do ocorrido, do pedido de ajuda, e do ca-checol estranhamente em volta do pescoço. E fazia isto com o olhar até que ela me pareceu decidida a falar. -Mas vamos para minha casa... – disse ela – ainda dá tempo antes dos seus “compromissos” oficiais! Foi o mais lógico a ser feito, embora eu mal conhecesse o interior de seu apartamento. Ali eu vi o quanto ele era peque-no de fato, com uma cozinha conjugada com a sala e apenas uma suíte pedia a única porta da casa, além da de saída. Ela tomava um banho enquanto eu reparava no abandono de talvez alguns dias do imóvel. Pratos que eu lavei e copos também, além de revistas e roupas espalhadas pelo chão que igualmente apanhei. Por fim ela apareceu na sala, nua, com uma toalha a tira colo. Mas o cachecol ainda estava em volta de seu pescoço me deixando aflito com a situação. -Foi mordida por um vampiro? Ela apenas sorriu e por segundos me distraiu com seu cor-po nu, seus orifícios a minha frente mostrando a mudança da cor da pele quanto mais profundamente eu olhava. Era uma mulher totalmente sem pelos íntimos e fazia questão disto por saber o quanto eu gostava. -Me enxugue... – pediu com voz manhosa. Não tinha como eu não me excitar com minha amante. Ca-da resposta de seu corpo aos meus toques com a toalha au-mentava 16 minha ereção. -Fica pelado também... Ela sabia o estava acontecendo e eu esperando ansioso o convite que veio.
  • 17.
    Lia Soares Emum instante estávamos nos beijando e nos esfregando deitados no tapete grosso e confortável daquela sala e mais uma vez senti que novidades iriam acontecer comigo. Tirou de sua bolsa um anel peniano, daqueles que não dei-xam o pênis perder a ereção, e colocou na base de meu mem-bro a partir da cabeça. Eu estava excitadíssimo. Percebi que esfregava em suas mãos o mesmo lubrificante de antes, mas não o usou do mesmo modo. Começou a brin-car com meu ânus com movimentos rápidos de penetração com os dedos. Primeiro um, depois dois, até que três entra-vam facilmente. Eu amava cada segundo daqueles. Pegou outro anel peniano e desta feita o colocou na base da cabeça de meu pênis que inchava de sangue e prazer. Eram dois anéis, dois motivos enigmáticos que vim a descobrir no fim do ato. Deixou-me de quatro já me fazendo pensar em coisas inte-ressantes e voltou do quarto com um pênis de borracha, duplo e preso a uma calcinha. Uma daquelas estranhas engenhocas de sex shop. Ela não falava, não dizia o que ia fazer, sequer pedia per-missão. 17 Estava decidida e isto me levava ao êxtase sexual. -Quer ser o homem hoje? – perguntei. -Quero te dar prazer... – cochichou no meu ouvido. Eu a vi vestindo a calcinha. Quando fez isto introduziu o pênis menor em sua vagina e apontou o maior para o meu ânus. Mas ela queria me dar prazer e não dor, então lubrificou tudo que seria usado e me penetrou devagarzinho acompa-nhando meu olhar para sentir quando o meu prazer aumenta-va.
  • 18.
    A Última Gotado Prazer... Ela aumentou o volume da televisão, pois sabia dos gemi-dos que viriam de nós dois. -Eu quero que me dê prazer! - exclamei. Foi quando a penetração foi total e me senti nas nuvens, mas ela fez mais, algo mágico. Não sei se a televisão estava no volume suficiente, perdi a noção de tudo e nossos barulhos se misturavam com o som de uma novela mexicana. Depois de muitos gemidos ela um teve orgasmo dramático como nunca tinha visto e sem se masturbar com as mãos. O sorriso era sempre o mesmo. Rapidamente ela tirou a calci-nha, deixando o pênis ainda dentro de mim e vibrando. -Agora o toque final... Disse isto tirando o anel peniano que segurava meu gozo pela cabeça de meu membro e ejaculei por toda sua sala com ela rindo e fazendo carícias em meu corpo até ele parar de tremer. Eram momentos capazes de confundir sentimentos arraiga-dos. -Meu pai! – exclamei. E fiquei assim uns bons minutos pensando no ocorrido. Ela continuava cheia de carinhos sinceros que sabia ser assim pelo sorriso de fêmea verdadeira em seu rosto. Isto é exclusivo delas. Um homem apenas imitava tal feminilidade quando encantava alguém com um sorriso. Eu me admirava com a habilidade que um corpo tem de se preparar para fazer uma única coisa, como o sexo e sua sen-sualidade, o que ocorria naquele instante com minha amante: da cabeça aos pés. Em cada poro que se abria ou suor que escorria, ela era totalmente sexual. Embora meu cérebro ainda estivesse sobre 18
  • 19.
    Lia Soares oefeito da “droga” que ela me aplicara, eu bem via tudo isto nela. -Era esta a ajuda que queria de mim? – perguntei sobre a mensagem que me enviou. Ela apenas sorriu em resposta. -Me pareceu bem sério... – insisti. Minha namorada ainda usava o estranho cachecol em volta do pescoço e comecei a retirá-lo sem que houvesse resistência. -Estou doente, Nando... – disse ela me assustando. -O que tem? – perguntei me esquecendo do cachecol que ela logo o enrolou de volta ao pescoço. Meu corpo passou a sentir as aflições da brincadeira que fizemos revelando o estranho da preocupação repentina que aflora dores as quais não damos muita importância. -Vire-se... – pediu ela. Começou a passar algum creme em minhas partes usadas por ela e seus brinquedos e em segundos as dores passaram -É um anestésico... – explicou – Hoje mesmo a dor vai em-bora... Mesmos nestes momentos ela era carinhosa a ponto de ex-citar qualquer um. Mas minhas dores aumentaram por causa da preocupação com sua saúde e o prazer não tinha lugar nes-tas horas. -Como posso te ajudar? Percebi que ela não queria falar de sua doença, mas apenas anunciar que estava doente. -Você é a única pessoa que gosta de mim como eu gostaria de ser gostada... 19
  • 20.
    A Última Gotado Prazer... Ela estava tão singela que não resisti a um abraço em seu corpo ainda nu. E eu entendia aquele desejo pelo “gostar” que ela elogiava. -Dizem que algumas pessoas nascem pra outras... Ela tampou minha voz cruzando seu dedo com meus lá-bios. 20 Não queria ouvir aquela frase. -Não estrague tudo, meu querido... Sou sua amante, não nasci para você! Esperei mais cinco minutos para a emoção que sentia dimi-nuir. Não existia amor entre nós e era isto que achava que poderia estragar tudo. Eu amava o sexo que fazia com ela e também não queria confundir os fatos. Mas ela não tocou mais no assunto. Sabia que meu silêncio de minutos era para uma reflexão madura de tudo. -Mas eu realmente quero sua ajuda... Continuei em silêncio brincando com o bico de um de seus seios que cresceu na minha mão como algo excitado. Era lin-do de se ver. Lá fora a chuva apertava escurecendo o dia e aumentando a vontade de um abraço mais apertado. -Mas não pergunte como! – continuou explicando. -É grave? -O que não é grave nesta vida meu amor? Eu não precisava saber mais de nada. Fafá era uma mulher que se cuidava, ia a médicos e tinha seus exames em dia. Não percebia desespero em sua voz, tampouco em seu rosto que sorria mais do que nunca. -Conte comigo... – respondi – E com minha discrição... -Quero morar em nossa casa no interior... Ou melhor, quero comprá-la...
  • 21.
    Lia Soares Eranossa porque dividíamos tudo; todas as despesas de nosso louco romance sexual. Ela fazia questão disto exata-mente 21 para impor limites entre nós. -Tudo bem... – concordei. -Mas vou vender este apartamento para isto... Não é uma coisa que devemos dividir, entendeu Nando? Seu olhar era novamente o convite conhecido para o sexo. Ela já brincava com partes do meu corpo e viu que ele tam-bém estava preparado para ela. -Seja meu homem agora... – me provocou. A lembrança dela sendo meu “homem” me excitou mais ainda. Então fiz dela mulher a usando como fêmea de todas as maneiras possíveis. A virei de um lado a outro como uma boneca e sua passividade me levava a loucura a ponto de to-mar um comprimido para não perder a ereção pelo simples esgotamento. Ela sorria de satisfação. Quando acabei, não havia mais esperma em mim. Tudo que tinha naqueles minutos estava dentro dela, na boca e outros lugares. Quando ela percebeu meu orgasmo final acarinhou meu membro com sua língua e tudo parecia um bálsamo morno, sua saliva, que ela espalhava em meu pênis como que-rendo curá-lo do esforço e do prazer. Nada saiu, a não ser o mais longo prazer que tive. -Você ta quase no ponto... – disse ela. Mas não compreendi e também não dei muita atenção. Ainda tomamos banhos juntos antes de nos separarmos. Mesmo assim, ela não retirou o cachecol revelando o mistério em seu pescoço.
  • 22.
    A Última Gotado Prazer... O cheiro da comida pronta alegrava meus sentidos tor-nando minha volta para casa sempre algo agradável. Um beijo no rosto e uma leve troca de sorrisos era sinal de longa inti-midade. -O que você fez de bão hoje, Nati? Os nomes de minhas mulheres eram sempre no diminutivo carinhoso e minha esposa ganhara este de seu avô que achou o da certidão muito cumprido, além de feio na sonoridade. Então já me casei com ela se chamando de Nati. Amor de minha juventude, ou melhor, de nossas juventu-des, era o nosso casamento. Mas não sei se envelhecer junto é algo agradável como espalham os poetas. Nati era bela, mas já fora mais do isto. Se a conhecesse hoje não me importaria com algo que não conheci. Penso que ela também me via assim. Mas sentir saudades da beleza e juventude de sua companheira não é algo agradável. Antes, o corpo esguio, a pele macia, cabelos jovens, pernas torneadas e muito vigor correspondendo. O que se tinha se usava. Não foi por isto que a natureza nos deu a juventude e suas delícias? Mas a mulher perde mais no passar dos anos de casamento. Se for o contrario, o marido é um bom amante ou ela arrumou um destes fora do casamento. Feliz e seguro. Mesmo assim, eu treinei meus olhos com minha amante para ver a beleza feminina na maturidade. Não me era tanto sofrimento ver Nati envelhecer. Mas quanto aos olhos dela, seus pensamentos, disto eu não posso falar. 22
  • 23.
    Lia Soares Suamente é um poço de segredos como as de todas as mulheres do mundo. E eu nunca fui um atleta, o que deixou meu corpo normal: deformado na meia idade. Um homem como eu, ou agrada uma mulher, ou tem seu respeito por ín-dole própria. Às vezes me esqueço de que estou falando de minha espo-sa, que apesar de ser mulher não é uma amante. Mas as duas me vêem com bons olhos, sem críticas ao meu físico ou personalidade. Não conseguiria viver sem uma delas ou sem as duas. -Ninguém nasce perfeito, Nando... – disse Nati certa vez quando eu elogiava ou criticava certas mulheres que apareci-am quase peladas em programas de televisão. A falta de ciúmes dela também me excitava, além de au-mentar minha admiração por tal criatura. O ciúme é uma por-caria que deve ser eliminado no ato. -Se você me trair, acabou e pronto – disse ela certa vez - Porque eu vou ficar com quem não me quer? Isto era eliminar o ciúme no ato. O tempo e o pensamento são verdadeiras máquinas más. O tempo fabrica monstros e o pensamento produz loucos em abundância. -Além de você, o que tem pra comer hoje? – brinquei com ela. Na verdade eu queria mudar o assunto de meus pensa-mentos. -Você já teve sua cota... Eu poderia responder perguntando: “mensal?”, “bimes-tral?”, mas seria achar caretas e briguinhas sem necessidade. 23 Eu estava bem saciado neste assunto.
  • 24.
    A Última Gotado Prazer... Mas no banho que tomei em seguida para não levantar sus-peitas, eu não resisti, e me masturbei pensando nela que esta-va na cozinha ao lado. É incrível a capacidade da mente de criar imagens e aí está um dos perigos da loucura. Seu corpo era diferente do de Fafá, mas era o suficiente para me levar ao orgasmo sem demora. Nati era rechonchuda, com belas ancas de mulher que nasceu parideira, mas que não teve filhos e então sua vagina era natural, sem aberturas maio-res e comuns do parto. Apertadinha, é o que quero dizer. Meu pênis entrava por ali sempre rompendo barreiras e causando gemidos de mulher nova que perde a virgindade aos poucos. A dela me parecia eterna. Era um órgão pequenino perto do resto de seu corpo de madona, além da depilação que veio das entranhas da mãe, uma genética rara, que se não fosse assim, levaria as depila-doras 24 à falência. De quatro, ela seria uma fotografia de sucesso ou um qua-dro famoso se ela vivesse na época dos grandes artistas. Nati tinha um belo conjunto nesta posição. Eu amava vasculhar aquela região com minha boca e língua se deliciando com os líquidos que saiam pela excitação que causava em minha es-posa. Foi assim que acabei no orgasmo, para me entristecer um pouco em seguida por me masturbar para ela pensando no passado distante. Quem nunca olhou para a água quente que sai do chuveiro procurando um consolo? -Fiz carne de panela recheada de bacon... Por isto minha casa era tão cheirosa. Comida boa é melhor do que diazepam e outros calmantes. Mas será que também trocam o apetite?
  • 25.
    Lia Soares Malditospensamentos!Lá estava eu matutando que ela en-chia meu estômago para sossegar minha libido como um cal-mante. O cheiro realmente me acalmou afastando tais pensamentos esquisitos. E como sempre me alimento em silêncio, olhando para o prato, outros pensamentos surgiram e me levaram ao passado distante. Minha mãe preta, tão linda em minha memória, me acari-nhava em seu colo diante de uma televisão enorme de ima-gem sem cores. Ela cheirava cozinha, comida que fazia para mim e meus irmãos. A sensação de seus dedos passando pelos meus cabelos veio ao futuro pela relembrança me arrepiando em um prazer estranho e inédito. Não era sexual, mas também não fugia muito a isto, pois tal cheiro igualmente estava em minha esposa e isto sim despertava desejos no adulto de hoje. -Casamento é bom... – disse baixinho. Ela sorriu. Sabia o que fazia comigo, quais agrados me se-guravam 25 em casa e no casamento. -Bobo... Fazíamos terapia de casal. Os problemas na cama nos leva-ram ao profissional, uma mulher, escolha minha em troca de aceitar o tratamento que foi sugestão dela. Uma vez por mês íamos ao seu consultório e ela achou me-lhor ser uma por quinzena, até ser uma por semana, e assim é até hoje. Toda quinta feira a noite é nosso dia de encontro com a psicóloga. Mas ela exigiu seções separadas também, tudo no mesmo dia. Primeiro com Nati, depois nós dois e por fim comigo; ou o contrário disto tudo quando achava melhor para o casal.
  • 26.
    A Última Gotado Prazer... -Me conta como é sua vida, Fernando... Ela também era sexóloga e a conversa seria sobre sexo. -Sinceramente? – perguntei. Seu nome era Laura o que significava pouca idade. Poucos sãos com mais de trinta anos com este nome. -Ser sincero é um remédio! Tenho uma vida normal... Trabalho para por comida em casa e conseguir algum conforto para Nati. -Vocês não quiseram ter filhos? Esta era uma das consultas separadas, a última das quinta feiras. Também era a primeira de todas e então ela sabia da situação física e hormonal de Nati. -Não fez parte de nossos projetos... – respondi. -Hum... E como é sua vida sexual? Era a pergunta para calar a psicóloga e quando o paciente começava a falar sem parar. -Não sei o que ela te disse, mas não tenho vida sexual ati-va... Ela não gosta de sexo, chega a fazer caretas quando con-sigo alguma coisa dela... Laura não me olhava, apenas acompanhava tudo em silên-cio fazendo algumas anotações. De vez em quando levava sua caneta cara até a boca disfarçando o interesse na conversa. -Ela já foi boa de cama... – disse procurando alguma altera-ção no rosto dela. Tentava ser franco, ver até onde eu poderia falar sobre sexo com aquela mulher. -Ela me disse que você sempre foi bom de cama... Fiquei mais a vontade para falar com ela sobre tudo, mas ainda pensava no sigilo da situação. -Gosto dela... – continuei – Eu a amo como esposa... Mas eu também preciso de sexo porque gosto muito disto... 26
  • 27.
    Lia Soares -Jápensou em separação? – me perguntou. -Não quero isto... Não é uma saída indolor... -Então você deveria investir na relação... Ela se levantou. Era uma bela mulher de olhos claros e 27 cabelos mais longos do que a moda ditava. Bem alta, com pernas longas que bem poderiam chegar a um metro e pouco, ajeitava seu jaleco branco cobrindo par-te da calça jeans que realçava as curvas de uma boa anca; o que se percebia quando andava. Era o que fazia indo até uma garrafa e servindo água para nós dois. -Creio que já faço isto... – respondi já bebendo da água - Invisto na relação tentando excitá-la... -Ela já me contou estes detalhes... – me interrompeu. Con-fesso que fiquei um pouco frustrado com aquela reação como se não quisesse ouvir detalhes da situação. -Pelo que sei... – continuou ela – as maiorias dos casamen-tos terminam pelo sexo... Ou pela falta do sexo de um dos dois... -Não creio que ela sinta falta de sexo... -Isto ela também me contou... Eu estava certo que Nati já conhecia aquela psicóloga há algum tempo. Mas agora tinha certeza que também já se con-sultava com ela. -Então o que faço? – perguntei – Talvez seja ela quem queira se separar... Viver sua vida sozinha sem um homem desejoso do seu lado... Talvez eu seja o estorvo da relação. Desta feita era eu que quem estava de pé e falava andando pelo consultório. A ideia de perder Nati era de muito sofri-mento para mim.
  • 28.
    A Última Gotado Prazer... -Arrume uma amante... Imediatamente me sentei no sofá e fiz dele um divã me deitando ao ouvir aquela sugestão. -Ela também não quer se separar e tem muito medo de te perder... Esta terapia começou antes de Fafá entrar em minha vida e continuou depois disto. -Uma amante?! – perguntei ainda assustado – E a sugestão é dela? -Evidente que não... Mas é uma questão de saúde psiquiá-trica. -Uma amante... – pensava em voz alta. -Sim, mas uma amante de verdade, sem compromisso, ape-nas para saciar no sexo... Tem que ser uma mulher igual a você... Passei a perceber suas cruzadas de pernas somente porque o assunto era erótico para um homem e uma mulher. -Além disso, deve haver o compromisso de não se revela-rem... A proposta era fazer Nati feliz me saciando com outra mu-lher. -Uma prostituta não seria a mesma coisa? -Não... Tem que haver química... Recíproca... Parecia que era um conselho já usado por ela. Ela não me dizia para arrumar uma amante arriscada e sim procurar por ela mais do que se procura uma esposa certa. -A maior semelhança entre um homem e uma mulher é o desejo pelo sexo... -Ou a falta dele... – ajudei. -Exato! (Mais uma vez ela descruzou e cruzou as pernas) 28
  • 29.
    Lia Soares Masela estava certa de uma maneira inédita para mim. Quando se escolhe uma parceira, ou parceiro, deve-se ter cer-teza que a libido é semelhante. Sendo maior, se manterá as-sim no futuro. O mesmo acontece se o desejo sexual for pou-co, ou sem importância na vida da pessoa. Escolhendo al-guém parecido se terá um futuro parecido no sexo e todo mundo fica saciado. -Então tenho que procurar uma amante como eu? -Seria um segredo médico, é claro... – disse ela. Saí dali com muitas imagens e pensamentos em minha mente que me empolgavam com o que poderia acontecer. Mas o segredo dependia da sinceridade com a psicóloga, qua-se uma exigência dela. Queria saber de tudo, de cada relação 29 minha com minha amante. -Serei sua esposa, sua confidente ouvindo seus pecados... E por que não?
  • 30.
    A Última Gotado Prazer... Foi simpatia mútua quando “achei” Fafá e a cada encontro nos sincronizávamos mais ainda no sexo e na busca do prazer sendo assim a história até o dia que ela me avisou da venda de seu apartamento e da compra da casinha na ladeira da peque-nina cidade perto da capital. Conheci minha amante em um bar. Fafá estava sentada sozinha e permaneceu assim até ir embora. De aparência era óbvio que me interessava como amante: Cabelos louros nos ombros e pele clara bem cuidada. Não dava ares de ser sapa-tão apesar da solidão no bar e nas idas e vindas que vieram em seguida. Seu corpo ainda é o mesmo de nossas loucas es-tripulias na cama: Esguio, sem um pelo sequer. Uma mulher leve em tudo: peso, aparência e humor, além do belíssimo sorriso. Tudo acontece depois de uma simples troca de olhares autorizando minha aproximação e por fim dividimos a mesma mesa, conta e a cama de um motel onde fiz o convite a ela para ser minha amante, depois de contar toda minha vida. -Sua psicóloga recomendou isto? – me perguntou. Achei que meu tiro saiu pela culatra me acertando em cheio. -E por que não? – me surpreendeu em seguida – Desde que você não tenha outra além de sua mulher... Não eram ciúmes, não havia tempo nem idade para isto. Era apenas um acordo que fazia comigo para que não houves-se nenhum tipo de cobrança. -E eu terei somente você... Tudo sugerido e decidido assim, sem mais nada a acrescen-tar 30 ou a resumir por mim.
  • 31.
    Lia Soares Naquinta feira seguinte anunciei a minha psicóloga o en-contro com minha amante. Ela aprovou e ouviu em silêncio minha narração sobre como ela era e o que aconteceu no mo-tel. -Divirta-se... – disse ela – E cuide também de sua esposa... O divertido estava sendo contar a ela minhas peripécias na cama. Certa vez perguntei se queira saber o tamanho de meu pênis. Ela sorriu e disse que já sabia através de Nati. Foi bem erótico. Toda quinta eu tinha uma caso para contar, toda quinta eu tinha uma ereção naquele consultório e fazia questão que ela notasse. Mas ela se comportava como uma médica sem se importar com o que acontecia. Isto me intrigava muito. Certa consulta lhe contei da última relação que tive com Fafá, aquela dos anéis penianos no chão da sala de seu apartamento. Laura insistia no profissionalis-mo. -Seu tempo terminou... – disse ela neste dia – Marque com a secretária sua próxima consulta... Ela disse isto indo ao banheiro. Então me escondi em um armário por ali e aguardei ansioso de curiosidade para saber o que acontecia depois das consultas. Ela saiu do banheiro e pediu pelo telefone que o próximo paciente esperasse um pouco mais. Foi até a porta e com cui-dado trancou a fechadura. Passou bons minutos na janela ad-mirando 31 algo ou pensando em outra coisa. Quando eu já estava decepcionado e planejando em como sair dali, ela deitou-se no sofá depois de se despir completa-mente. A visão de seu corpo nu já seria motivo para uma deli-ciosa masturbação.
  • 32.
    A Última Gotado Prazer... Realmente ela tinha pernas longas e corpo magro. Seus peitos eram pequenos e rosados, mas durinhos como duas frutas saborosas. Mas sua pele foi que mais me encantou. Branquíssima! Nunca tinha visto algo igual fazendo tão um belo conjunto. Nesta altura eu estava excitadíssimo e bem poderia invadir o consultório. Ela sentou-se no sofá e abriu as pernas bem na frente de meu olhar. Sua vagina era vermelha com uma penugem em cima e incrivelmente pequena no orifício a ser penetrado. Ela já se masturbava deliciosamente com os dedos e parava de vez em quando cruzando as pernas e apertando seu órgão co-mo se segurasse o gozo querendo prolongá-lo. Por fim retirou de sua bolsa um enorme consolo e se penetrou com ele, suspi-rando de dor e prazer, uma mão fazendo o papel de macho, e os dedos da outra na masturbação quase interminável que começou. Então gozou com o consolo ainda em suas entranhas, dei-tando- se e tremendo para não gemer mais alto. Ficou assim por dois minutos até que tirou o objeto, que saiu ensanguen-tado, 32 e correu ao banheiro. -Droga! – disse ela. Aproveitei e sai do consultório dando a sorte de não encon-trar a secretária deixando apenas a porta destrancada em um possível mistério para consciência daquela médica. Também filmei tudo com meu celular, uma intuição que tive dentro do armário sem entender bem por que. Andei pelas ruas da cidade um pouco sem rumo ainda com aquelas imagens de Laura em minha mente. Neste dia entendi como a pornografia pode criar viciados somente pela tela, por fantasias ensaiadas como todo filme o é.
  • 33.
    Lia Soares Tudoque vi daquele armário ficou em minha mente por muito tempo e por quanto eu quisesse na memória de meu celular. -Safadinha ela! – exclamou Fafá quando lhe contei tudo e mostrei o vídeo. Se não havia segredos entre eu e a médica, quanto mais com minha amante deliciosa. -Ela ficou menstruada... – disse sobre o sangue e o “droga” que ela soltou indo para o banheiro. -Não tinha percebido... Na verdade a menstruação não acaba somente para as mu-lheres. Nós homens somos acompanhantes observadores e sofremos das sequelas hormonais do fenômeno. Então quando acaba na companheira, acaba para nós certo sofrimento. -Nem me lembrava que vocês menstruavam... Ela ria com gosto. -Melhor assim... – disse ela – Você se masturbou no armá-rio? -Não tive como... -Senta aí! Estávamos em seu apartamento aguardando a visita de um possível comprador, mas ela resolveu passar o tempo com certas brincadeiras. -Liga o celular e assista sua psicóloga safada... Enquanto isto Fafá já estava com meu pênis em suas mãos e boca em uma felação deliciosa, macia e quente. Não demo-rou e eu cresci dentro daquela boca. -Assista... – insistia ela. E eu o fiz com o celular em cima da cabeça de Fafá. Ela usava sua boca como se fosse uma vagina com vida própria, uma maestria de dar inveja a qual-quer 33 gay.
  • 34.
    A Última Gotado Prazer... Masturbava-me lambendo a cabeça de meu membro com linguadas nos postos certos e quando percebeu que o gozo chegava, introduziu deu dedo maior no meu ânus acertando em cheio minha próstata e a massageou para engrossar o flui-do que queria sair. Temi por sua boca e garganta tamanha foi a força do jato de esperma que soltei. Ela se deliciava com meu líquido e não tirou a boca enquanto eu não estivesse sequinho. Por fim, fez questão de mostrar que engolia tudo limpando o canto da boca como se escorresse o excesso. -É ótimo para o intestino... Então ela repetiu exatamente a cena gravada de Laura; a diferença sendo o consolo sem sangue no final e um orgasmo barulhento e gostoso. -Conte para ela no momento certo... – disse Fafá. Ela sabia do acordo e o conselho dado seria seguido mesmo eu não sa-bendo 34 o motivo. -Você saberá quando! Vestimos-nos rapidamente - entre risadas infantis - com o interfone tocando várias vezes. Naquele mesmo dia vendemos o apartamento e na semana seguinte fomos até a casinha e seu dono para comprá-la. Ela não usava mais o cachecol, e seu pescoço estava liso como o resto de seu corpo, até que percebi uma pequena listra que o circulava todo, algo que um dia fora maior. Ela sorriu quando fiz um carinho por ali, mas nada acrescentou além do que dissera no dia do cachecol. A casa ficou um mimo femi-nino. Assim era Fafá: totalmente feminina. Um vaso de flor na janela, Maria sem-vergonha, combinava bem com seu esti-lo de mulher do mato e sem pudores preconceituosos.
  • 35.
    Lia Soares Erauma mulher que entendia o ser humano em todas as suas fases e amava ser um e sentir a vida, seus cheiros e co-res, prazeres e tristezas. Era óbvio que o prazer era o detalhe preferido. -Fiz um acordo com os garotos... Ela se referia aos adolescentes que nos observavam na ca-ma. Eles ajudaram na mudança e como pagamento, além de um dinheirinho, os liberou para verem quando quisessem o que acontecia na casa, mas com duas condições: Que fossem somente eles e que eles nunca se deixassem serem vistos por nós. “-Meu marido é perigoso...” – disse a eles. -Mas isto já acontece! – debochei da situação. -Então não perdi nada no negócio... -Quando vamos estrear a casa nova? - perguntei. -Em breve... E será uma surpresa... 35
  • 36.
    A Última Gotado Prazer... Passei o resto de uma destas semanas namorando Nati, saindo com casais amigos, e sendo muito carinhoso com ela. O sexo continuava o mesmo, mas a psicóloga que me perdo-asse, pois também gostava do corpo de minha esposa, além de amá-la, o que fazia do sexo algo diferente. Alguns beijos mais carinhosos em uma mesa de certo res-taurante 36 me fizeram ganhar um beliscão dolorido na coxa. -Hummm! Aproveita amiga! – disse alguém que estava com a gente. Entre risos e boa conversa a noite continuou e meus cari-nhos passaram a ser por debaixo da mesa. Primeiro com os pés, depois com as mãos por dentro da calcinha dela. Fiz questão que ela fosse de saia acima dos joelhos. Surpreenden-temente ela não brigava ou fazia cara ruim e até sua vagina lubrificou-se naturalmente. -Safadinho... – sussurrou em meu ouvido. Não sei o que seria melhor: Irmos embora e nos acabarmos na cama, ou deixar a situação excitante e correspondida con-tinuar. Mas fomos embora e entramos em casa nos beijando, nos-sos cães pulando de alegria sem entender o tesão que aconte-cia. Na cama foi do jeito que estávamos; a roupa sendo tirada aos poucos provocando risos como acontece com casais de adolescentes. É claro que me aproveitei da situação rara que acontecia. Usei e abusei de minha esposa que nada reclamava - os gemi-dos sendo todos de prazer profundo - e seus orgasmos eram múltiplos e intensos.
  • 37.
    Lia Soares Emmomento algum usamos de lubrificante íntimo. Tudo era natural, uma viagem de volta no tempo de nossa vida se-xual. No som tocava-se Cauby Peixoto, que não era nosso cantor preferido, sequer ouvido por uma simples questão de geração, mas ele cantava a saudade e foi a marca que deixou aquela noite inesquecível. Na consulta seguinte contei tudo para Laura que sorria vendo seu tratamento funcionando, sua ideia de amante era um “santo” remédio para meu casamento. -Devo largar minha amante? -Claro que não! É por causa dela que suas abordagens fica-ram mais românticas em casa... Deixe que ela cuide de seu lado sexual selvagem! Fiquei me perguntado se Nati também tinha um amante sugerido e se suas histórias também eram para a masturbação safada de Laura. -Não... – respondeu a médica – Eu não sugeri a ela um a-mante! 37 Mesmo por que ela já não aguentava você! Este aguentava dito me soou meio erótico e houve aquela já esperada descruzada de suas pernas longas que bem espre-miam seu órgão pequenino. Mas eu preferi acreditar em minha psicóloga safada. Eu estava feliz!Nati também e Fafá estava exuberante, apesar da tal doença misteriosa que atiçava minha curiosidade. -E seus livros? – perguntei certo dia em nossa casinha nova – Estão vendendo? Ela escrevia livros eróticos usando de um pseudônimo e todos eram bem picantes.
  • 38.
    A Última Gotado Prazer... Certa vez encenamos durante um mês todo um livro deste e descobri prazeres impensáveis, além de Fafá ter a oportunida-de de por em prática sua imaginação sexual ímpar. -Sim... – me respondeu por fim – Vendem bastante... Ela estranhamente fechava a casa, as janelas e frestas que poderiam conduzir algum olhar para dentro da casa. Era es-tranho porque ela não se importava com os olhares juvenis escondidos por ali. Até tinha feito um acordo com eles. -Hoje quero sua ajuda... – me disse. Já estávamos nus no quarto que ganhara duas camas de solteiros, uma quase de frente pra outra em uma decoração proposital. -Ainda penso muito na morte... – continuou. Mas meu si-lêncio era de propósito para enfim descobrir aquele mistério de minha amante. Ela retirou da bolsa uma espécie de fita com alguma elasti-cidade e resistência. Via isto por ela a puxar como se confir-masse as perspectivas; como um paraquedista checando seu equipamento. -Você tá comendo sua psicóloga? - perguntou com serieda-de. -Ainda não tentei... Ela sorriu transformando tudo em brincadeira. Mas eu bem me lembrava de sua exigência de ser a minha única amante. -Quero que confie em mim... E sentirá o maior prazer pos-sível... Eu confiava nela. Mas à medida que foi me mostrando seus brinquedinhos pensei no pior, em um possível acidente. -Por isto a marca no pescoço? – perguntei. 38
  • 39.
    Lia Soares Asduas camas, quase de frente uma para outra, tinham um objetivo bem estranho. Fafá retirou dois quadros que enfeita-vam o quarto, bem acima das camas, e ali estavam duas argo-las bem presas na parede. Na verdade eram bem mais do que aqueles quadros precisavam para não cair da parede. -Fique de joelhos e confie... Ajoelhei-me, nu, no pé de uma das camas e ela prendeu meus pés por debaixo do colchão pesado como uma escora que me impedia de sair dali. Delicadamente me excitou com seus lábios deixando meu membro duríssimo e pronto para o sexo. De novo usou de um anel peniano na base de meu pênis para segurar a ereção. Amarrou minhas mãos para trás para em seguida fazer uma forca com a tal fita que experimentara há pouco. Já em volta de meu pescoço, prendeu a outra ponta na argola da parede. Em seguida se preparou do mesmo modo, além de um vi-brador enfiado em sua vagina já ligado e a excitando como fez comigo. -Divirta-se e venha em minha direção... – disse ela sorrin-do. Inclinei-me. Era a única maneira de alcançar Fafá na outra cama. Ela fez o mesmo e a fita começou apertar meu pescoço e o dela. Ficamos a distância de um beijo mal dado e nos lambíamos com forte tesão. À medida que a fita apertava meu pescoço meus sentidos ficavam loucos apesar de ainda perceber minha ereção total e o prazer no rosto de minha amante. Ela alcançou meu pênis com suas mãos e o masturbava com força, algo meio descontrolado. 39
  • 40.
    A Última Gotado Prazer... Neste instante fui levado em pensamentos para outro tem-po, no passado de minha juventude. Eu estava em companhia da primeira mulher de minha vida sexual e que também per-deu sua virgindade comigo. Estávamos jovens de fato, nus, em uma casa sem móveis que arrumamos para passar um louco final de semana sozi-nhos. Liguei os fatos com minha vida de agora com Fafá. Mas fazíamos amor e sexo maluco explorando e descobrindo nos-sos corpos. Dois adolescentes cheios de tesão e hormônios que gozavam apenas com um toque, um beijo bem dado no lugar certo. Cheguei a ouvir o barulho de sua virgindade sen-do rompida por meu pênis jovem. Houve uma mistura louca de prazer em minha mente. Já não sabia o que acontecia até que senti o baque de meu corpo na cama em frente, e o mesmo acontecia com Fafá. A fita arrebentara. 40
  • 41.
    Lia Soares Ficamosminutos incontáveis gemendo e nos virando na cama sem nos darmos conta um do outro até que Fafá me pe-gou em seu colo me abraçando com seus carinhos de amante. Falava no meu ouvido palavras de paixão e tesão ainda ine-briada 41 com nossa loucura. -Obrigada por dividir comigo... – disse ela. Eu estava melado por meu esperma o qual ela lambeu tudo não deixando uma gota dele em meu corpo. -Sua vampira de porra... – murmurei. Meia hora depois eu ainda tentava entender o que tinha acontecido. -Não te contei para seu prazer fosse maior... Aquilo era uma coisa que se fazia apenas uma vez na vida. -Esta é minha segunda vez... - explicava ela minhas dúvi-das. -Não quero que faça isto sozinha! – retruquei. -Sentiu o prazer de estar morrendo... – insistia ela no su-cesso de tudo. Era algo que tomava consciência naquele instante. Real-mente o medo e a adrenalina eram prazerosos, mas o sentir a vida se esvaindo no meio de uma fantasia sexual como aquela foi a maior das sensações que senti em minha vida. -Perder o cabaço não faz barulho! – ria ela de meu relato da viagem que fiz antes da fita se romper. -Mas desta vez fez... E foi uma delícia ouvir... Ela ria de tudo e gostava do que eu contava. -Me prometa que não vai fazer isto sozinha... -O estalo que você ouviu foi o da fita arrebentando! – disse ela.
  • 42.
    A Última Gotado Prazer... Então, ela pegou a embalagem de onde saíram as tais fitas. Era um produto importado próprio para aquele tipo de fanta-sia sexual. -Ela romperia de qualquer forma... Mas prometo que não farei mais sozinha! Era uma daquelas promessas que a pessoa fala se levan-tando e indo para outro lugar encerrando o assunto de vez. Não falei mais disto. Eu apenas praticava a desconfiança. Na-da funciona perfeitamente neste mundo e acidentes aconte-cem. Mas não era aí que estava todo o tesão da coisa? Achei 42 melhor sequer pensar no assunto novamente. Quando voltou do banheiro estava cheia de sorrisos depois de um banho quente. Ainda molhada deitou-se ao meu lado e tratou de meu pênis com seus cremes e massagens, enquanto eu fazia carinhos em seus cabelos e brincava com seus seios como uma criança. -Eu que te agradeço por dividir comigo... – disse a ela. Ela levantou-se,sorriu, abriu as janelas e soltou a toalha dando uma piscadinha em minha direção. Ficou andando pela casa, nua, de salto alto, e se exibindo para olhos escondidos do lado de fora da casa. Cumpria sua promessa com os ado-lescentes. Era um show que eu bem queria ter visto em minha juventude. Ela se mostrava toda não se importando com nada, até gostava, fazendo caras e bocas e brincando com um con-solo enorme que colocava na boca e esfregava na vagina. Mas ela estava com os olhos em mim fazendo questão de ser um flagrante que os meninos davam em nós. Depois de certo tempo alguns gravetos quebrados revela-vam o fim da brincadeira por parte deles. -Punheteiros!
  • 43.
    Lia Soares Tambémganhei uma bela marca de enforcamento no pes-coço. O frio da época me ajudou a disfarçar com blusas altas e cachecol. Mas em casa eu não me preocupava. Qualquer desculpa que eu desse seria aceita, talvez com alguns conse-lhos e resmungos da parte dela. Ainda me excitava com o ocorrido e logo contei para Lau-ra. Foi a primeira vez que a vi arregalar os olhos de surpresa. -Esta mulher é capaz de muitas coisas! – disse – E você gostou? -Nunca experimentei prazer maior! Foi resposta para mais umas cruzadas e descruzadas de pernas daquela mulher. Creio que ela quase teve um orgasmo. -E você? – perguntei ousadamente – Gosta também de fa-zer? Ou só de ouvir? Ela deu uma risada se saindo bem da situação. Mas levan-tou- se ajeitando a saia que usava e que sempre diminuía um pouco de tamanho a cada consulta. Aproximou-se de mim e como uma médica fingida exami-nou a marca em meu pescoço ficando com os seios delicio-samente 43 perto de minha boca. Não usava sutiã, e os conheci de bem perto chegando a soprá-los. Ela olhou meu pescoço, em seguida meus olhos, e depois baixou o olhar percebendo minha ereção. -É a primeira ereção que você tem em uma consulta... Não era verdade. Aquela era a primeira que ela dizia per-ceber. -O que está sentindo? – perguntou já sentada novamente.
  • 44.
    A Última Gotado Prazer... Eu agitei os braços e as mãos indicando o óbvio e falei na lata: -Tesão! -Pelo que? Pela corda no pescoço? Por lembrar-se da tran-sa? Ela sabia que meu tesão era pela sua aproximação ao me examinar. -Melhor que vá embora com este problema resolvido... Esta parte eu não entendi. -Se masturbe! Fique a vontade! -Mas assim eu fico sem graça! -Não ligue para mim... Afinal já sei tantas coisas sobre vo-cê... -Mas perde o tesão! -Hum... –respondeu ela com a caneta na boca – Isto é preo-cupante... Ela puxou sua cadeira para mais perto de mim e cruzou bem as pernas mostrando mais ainda as coxas finas. -Ficarei te olhando... Sei que vai gostar... Eu tinha certeza que ela ia gostar mais. Era uma tarada no observar e escutar histórias sexuais alheias. Fafá havia me avisado disto. Mas aceitei seu conselho “médico” e coloquei meu pênis para fora, duríssimo com a situação. Ela realmente observava tudo sem sequer dar um sorriso ou se desviar para outra coisa. -Fique a vontade... Tirei minhas calças por completo e deitei no divã bem a sua frente. Ali, bati uma senhora punheta em uma situação bem parecida com os adolescentes que espreitavam nossa casinha. 44
  • 45.
    Lia Soares Elaestava impassível, sequer descruzava as pernas, mas percebi que apertava sua vagina com elas e com força. Talvez estivesse tendo um orgasmo silencioso e bem disfarçado. Então ejaculei, segurando meu esperma comprimindo meu pênis e olhando para ela com tesão. Foi uma bela gozada. -Muito bom! Disse ela faltando só aplaudir. -Problema re-solvido! Ela me jogou alguns lenços e completou: -Agora se limpe e pode ir em paz... Assim não fará nenhu-ma bobagem no caminho de casa. Foi de novo ao banheiro, em uma cena que já conhecia, e de lá se despediu: -Não se esqueça de marcar a próxima consulta! Eu bem sabia o que iria acontecer em seguida, mas não tinha tesão de sobra para entrar no armário e acompanhar show de masturbação que se seguiria. Mas me senti usado por aquela mulher. -Safada! – murmurei no elevador. Nas consultas a dois, junto com Nati, ela não tocava em assuntos sensuais, apenas ouvia nossas queixas e às vezes me censurava com o olhar. Parecia querer o bem mental e femi-nino de Nati e o meu bem sexual e machista bem chauvinista aos olhos dela. -Safada e feminista! Ela curava as mulheres forçando uma situação que deveria combater. -Feminista tarada! -Senhor? Desta feita uma senhorinha que não vi entrar no elevador ouviu meus elogios a minha psicóloga. 45
  • 46.
    A Última Gotado Prazer... -Não é com a senhora... Me desculpe! Saí do prédio ainda atordoado pensando o quanto aquela mulher podia ser broxante para um homem da minha idade. -Faltou você comer ela... – observou Fafá quando lhe con-tei a história. -Punheteiro! -Tenho medo de ela acabar com meu casamento... -Basta ela contar tudo para sua esposa... Fafá insistia que Laura não era mulher de confiança. -Mas você tem seus trunfos... Ela se referia a filmagem que fiz da psicóloga deliciosa-mente se masturbando em seu consultório. Era algo humi-lhante para quem estivesse sozinho e a vontade. -Não se desfaça da filmagem! Quando cheguei em casa naquele dia mal conseguia dis-farçar minha frustração com o ocorrido no consultório.Era como um pós masturbação solitária prolongado.Fui direto ao banheiro e passei um bom tempo procurando um consolo com a água que descia do chuveiro. Mas continuava nervoso e resolvi tomar um calmante fur-tado da bolsa de Nati. Ela, mulher experiente e que conhecia bem me comportamento, notou o errado e veio puxando con-versa 46 mansamente. O calmante foi mais do que o necessário e nestes casos a mudança de humor é extrema. Como estava nervoso passei a chorar compulsivamente recebendo um abraço carinhoso de minha esposa. Não havia nada de sexual na situação, a não ser o trauma da masturbação do consultório, então era a especia-lidade dela: O carinho de mulher que ama profundamente seu homem.
  • 47.
    Lia Soares Sentiristo só aumentou meu choro, deixando-a mais preo-cupada ainda. Em seguida uma forte dor em meu peito me levou ao hospital e a vários fios me ligando a algumas máqui-nas em volta da cama. -Hospital?! – perguntou Fafá quando contei tudo a ela – Por causa de uma vagabunda? Ela parecia querer uma vingança, não suportava alguém abusando de mim. -Por que ela não fez o serviço completo? Ela andava pela casa nervosa, com raiva de Laura e de suas taras mal resolvidas. De repente, ela me abraçou e ficou tão carinhosa comigo quanto Nati. Neste dia eu entendi quando me disseram que toda mulher se veste e se arruma para os olhos de outra mulher. Uma concorrência tão frequente que na maioria das vezes era inconsciente. -Ele enfartou? – perguntou Nati no dia que fui parar no hospital. -Não... – respondeu um médico por ali. Stress agudo foi o diagnóstico e me encheram de calmantes e recomendações de muito descanso. Confesso que o prazer excessivo também ajuda na doença sendo a resposta do corpo ao consumo em demasia de corpos femininos e de suas mentes complicadas. Tirei folga de alguns dias do escritório que funcionava bem sem minha presença, algo que planejei e que significa estar realizado profissionalmente. -Você está bem? – perguntou Fafá no dia do abraço e de sua raiva da psicóloga. -Não vou morrer disto... Gostei do jeito que você chamou ela de vagabunda... 47
  • 48.
    A Última Gotado Prazer... -Safadinho... Mas não vou abusar de seu coraçãozinho do-ente... Já era um papo sexual e sensual. Fafá demonstrou na práti-ca o tal “serviço completo” que ela achava que deveria ter acontecido... Endureceu meu pênis vagarosamente, sem deixar que eu o tocasse, e com sua boca e língua o deixou enorme como se tivesse vida própria a procurar por uma vagina ou outro orifí-cio qualquer. Ela fazia tudo com o olhar preso no meu, me vigiando carinhosamente. Então, a mágica da vez aconteceu. Ela tirou de uma gaveta três bolas de plástico duro, amarradas uma na outra, e as be-suntou de lubrificante vindo em minha direção sorrindo de safada.Eu conhecia aquela dor e o prazer que vinha depois, então me preparei levantando as pernas e surpreendendo mi-nha amante. -Ta querendo né? Uma a uma ela foi enfiando as bolas em meu ânus, bem devagarzinho para não machucar e sim dar prazer para seu amante tão safado quanto ela. Dividíamos isto na cama. Não deixou de ser dolorido, mas o gostoso seria a saída dos objetos, um mais grosso do que o outro, e a forma como Fafá iria fazer. -Ta gostando? – sussurrou em meu ouvido – Meu viadi-nho safado... Ela sabia o que fazia. Quando percebeu meu orgasmo che-gando começou a retirar as bolas, uma a uma bem devagarzi-nho e a cada saída eu ejaculava com força. Ela sabia fazer um 48 homem sentir orgasmos múltiplos.
  • 49.
    Lia Soares Sujeide esperma tudo que estava na frente de meu pênis, até o cabelo dela que por fim conteve o vazamento com sua boca. Fazia um bom tempo que não gozava e foi algo alucinante. -Seja bem vindo meu lindo! -Viadinho safado? – perguntei depois. Ela sorria como sempre. Aliás, ela não ria ou gargalhava com frequência, mas sorria muito, e de uma forma gostosa que dava vontade de carregá-la no colo. -É... – respondeu Mas é meu viadinho safado. Saber que uma mulher pensava assim de minha pessoa também me exci-tava estranhamente. -Tabus me deixam louco de tesão... – comentei. -Quebrar eles é melhor, Nando... A prática safada de fantasias com a pessoa certa era o so-nho de muitos homens e mulheres. Eu tinha isto plenamente. 49
  • 50.
    A Última Gotado Prazer... -Você já não é nenhum mocinho! Eu tomava um pito de minha esposa na frente de nossa te-rapeuta. Era sinal que não sabia de nada como prometera Lau-ra. Mas não conseguia olhar para as duas pela raiva que pas-sei a sentir dentro daquele consultório. -Calma Nati! – interferiu a médica. -Ele tem cinquenta anos e não se cuida! – insistia. A preo-cupação de minha esposa era compreensível. Eu apenas não concordava com a pessoa que a quem ela pedia ajuda. -O que você quer falar sobre isto? – me perguntou Laura. Levantei a cabeça mostrando de vez que a ela que eu não estava sob seu domínio e respondi: -Garanto a vocês duas que meu coração vai muito bem! -Ele parece uma criança! Laura entendeu minha mensagem ajeitando o cabelo e cru-zando as pernas. Nesta consulta ela estava de jeans, como na primeira vez. Escondia sua sensualidade de minha esposa e camuflava-se para mim. Mas desde a filmagem do consolo ensanguentado pela menstruação dela que aprendi a conhecer seu ciclo natural completo. Foi uma sugestão e ajuda de Fafá. Fui para aquela consulta sabendo de seus hormônios, o que a tornou mais previsível e uma presa inocente. -Neste dia ela estará ovulando... – me explicava Fafá – Vo-cê tem que assumir o controle destas consultas... Pode comer ela, mas não faça dela sua amante que eu descubro e saio de sua vida! O que eu mais queria era dominá-la, lhe dar uma lição, e teria que ser na cama. 50
  • 51.
    Lia Soares Quandoeu contei para Fafá a reação de Laura sobre as cor-das e o enforcamento ela passou a ser minha cúmplice na vin-gança 51 sexual que eu queria. -Ela é o tipo de mulher que gosta de ser dominada... Então domine... Segure os braços dela e a vire do avesso sem dó... -E se ela apaixonar por mim? – perguntei. -Então sua mulher vai perder o marido! Eu podia trocar de esposa, mas não de amante?Interessante pensamento. -Não se preocupe, Nati – disse a médica naquele dia – Vou dar uns conselhos para o seu marido na consulta pessoal... Nati ficou satisfeita e foi-se depois de um beijo carinhoso que me deu no rosto. Fiquei alguns minutos sozinho no consultório até que Lau-ra voltou de roupa trocada, mais um vestido curto e leve, qua-se transparente.Mas tomou o cuidado de fechar bem o jaleco. -O que você quis dizer sobre seu coração estar “muito bem”? – perguntou já oficialmente na consulta. Cumpri com meu papel de sinceridade e contei sobre a masturbação e as bolas que Fafá usou em mim. -Ela mandou dizer que é assim que se faz... A médica ficou indócil. Levantou-se tirando seus óculos de enfeite e passou a andar pelo consultório. -O que ela sabe de mim? -Tudo!Ou você achava que eu teria segredos com minha amante se não tenho com minha médica? -Vaca! – desabafou – Uma piranha me dando conselhos de sexo! -Como? – perguntei provocando.
  • 52.
    A Última Gotado Prazer... -E você gostou? Perguntou ela se virando em minha dire-ção. -Fui às nuvens! O sorriso estampado em meu rosto despertou sentimentos naquela mulher. -Ela usou bolas, anéis, e outras coisas, se enforcou, te en-forcou 52 e se acha a tal? Ela realmente estava ovulando por todos seus poros. Foi até um armário e abrindo-o me disse bem exaltada: -Escolha o que quiser! Nunca tinha visto tantos consolos e vibradores na mais va-riadas formas e tamanhos, além de chicotes, mordaças e cre-mes. Mas não vi a tal corda elástica de enforcamento. Nesta ela perdeu para Fafá. -Quem diria... -Você não gosta? Então escolhe e veremos quem entende mais de homens... Eu escolhi uma mordaça para gritos e gemidos e um pênis vibrador duplo e enorme, além de verde, minha cor preferida. -Boa escolha! – disse ela – Agora fique nu e deite-se! Ela tirou o jaleco enquanto eu me despia já com a ereção formada. Seu vestido era realmente transparente e leve, com o vento da janela o levantando e mostrando sua calcinha de renda que apenas servia de proteção para sua vagina depilada. Sua brancura me deixou louco de tesão. Viam-se suas veias saltando de evidente prazer pela situação. -Fique de quatro! – ordenou. “-Ela gosta de ser dominada...” - pensei lembrando-me de Fafá. Mas era apenas um reforço de meu cérebro para não
  • 53.
    Lia Soares cedera passividade que ela queria. Então a peguei pelos pul-sos e a joguei no sofá. -Eu disse para se deitar... -Cala boca mulher! – exclamei silenciando minha médica pela primeira vez em uma consulta. Imediatamente a amordacei sem nenhuma reação e a virei de quatro no sofá. Retirei seu vestido, sua calcinha, rasgando-a, e vislumbrei mais de perto aquela vagina vermelha e cerca-da de pela alva como nunca tinha visto em minha vida. Acima dela seu ânus rosado e latejando parecia adivinhar o que vi-nha por ai. Não usei de cremes, o submisso prefere assim, a dor é sempre um prazer desejado. Primeiro a penetrei em sua vagina com uma ponta do gros-so pênis e ela gemia de prazer a ponto de escorrer líquidos de dentro dela. Foi um pouco desses que passei em seu ânus Ela me olhava de lado girando a cabeça parecendo não que-rer mais nada. Mas atolei a outra ponta em seu ânus com ela se contorcendo de dor e prazer, mas não saiu da posição de quatro tendo suas mãos livres para outra reação que não acon-teceu. Liguei a máquina que passou a vibrar com intensidade e me coloquei de frente a seu rosto. Ela agonizava de prazer e gemidos baixinhos. Seus olhos eram de uma pessoa dominada e submissa a seu macho. Ela gostava realmente daquilo. Com minha experiência na chegada dos orgasmos femini-nos eu retirei os instrumentos no momento certo e também sua mordaça. Ela cruzava as pernas apertando sua vagina e teve um longo e múltiplo prazer. -Hum... – gemia. 53
  • 54.
    A Última Gotado Prazer... -Eu ainda não acabei! E forcei sua boca sobre meu pênis que foi aceito sem repul-são e com muita saliva. Em segundos eu ejaculava em sua boca segurando sua cabeça para que eu não tirasse. -Engole tudo! – ordenei. E ela o fez; totalmente submissa. Eu tinha dominado aquela mulher de vez. Passou mais alguns minutos deitada, me observando arru-mar o consultório, guardando seus brinquedos e fechando seu armário. Nada falava, mesmo porque não tinha nada para fa-lar. -Vista-se... – disse em tom mais ameno. Ela foi até o banheiro e voltou com sua calça jeans e jaleco, além dos cabelos penteados e com seus óculos de mentira. Eu os tirei e arrumei seu cabelo sobre a orelha. -Fica mais bonita assim... Aquela mulher alta sorriu pela primeira vez naquela noite. Também gostava de se apaixonar. Então me lembrei dos con-selhos de Fafá sobre ser amante e esposa e as perdas que viri-am. -Chame seu próximo paciente, doutora... Depois nos fala-mos E saí ainda ouvindo sua voz pedindo a sua secretária que o paciente seguinte entrasse. -Você não comeu ela! – exclamou Fafá quando contei tudo. -E o que significa isto? – perguntei curioso. Fafá sorria como sempre, embelezando mais ainda seu ros-to. 54 -Paixonite!
  • 55.
    Lia Soares Nãoseria uma surpresa. Suas reações eram as de uma mu-lher que gostara do que sentiu. Não reagiu ou pediu ajuda, não se sentiu ofendida; -Ela estava ovulando... – disse tentando achar outra expli-cação. -Pense... Nando... Meu queridinho... – havia um pouco de malícia em sua voz – Dominada, gozada, e ovulando!Seu ca-samento 55 está em risco! -O que ela pode fazer? -Comigo nada! O que faria ela comigo? Viria aqui e conta-ria que você enfiou consolos no rabo dela que engoliu sua porra e que você gostou mais do que comigo? Tá... Mesmo se tivesse esta coragem o que aconteceria? Nada... Mas se ela fizer isto com sua esposa, ou contar sobre nós para ela... Aí você tá no sal... Ela ria, mas advertia ao mesmo tempo. E tinha razão. Nati estava a mercê de seus conselhos e ela bem poderia sugerir uma separação por adultério. -Depois, sim, a briga vai ser comigo... Fafá parecia convicta do que dizia. -Agora é tarde... Não adianta acabar com o caso... Devia ter comido ela e as coisas ficariam por ali, dentro do consultó-rio... Assim são as submissas... Brigam pelos seus homens depois de dominadas... -O que faço então? -Sabe rezar? Em vez de melhorar a situação tudo poderia piorar em mui-to. Eu nunca trocaria a Nati pela Laura! -E eu que sou a vaca?
  • 56.
    A Última Gotado Prazer... Fafá parou de falar quando notou a preocupação em minha face. Arrumei uma amante, mas a confusão seria com a médi-ca que receitou uma mulher como Fafá em minha vida. -Você a ama tanto assim? – me perguntou cheia de cari-nhos e doçura nas palavras. Seus olhos ficaram mais redondos do que já eram e senti um pouco de boa inveja em minha a-mante. Respondi com um abraço e um beijo em seu pescoço, além de devolver os carinhos que me fazia. -O que te faz pensar que eu me casaria com ela se Nati de-sistir de mim? Ela sentou-se ao me lado no pequeno sofá de nossa casi-nha e acendeu outro cigarro. Foi quando notei que ela fumava menos, somente nos momentos realmente certos. -Posso? – perguntei pedindo um trago. Ela cedeu para em seguida o puxar de minhas mãos. -Não... Não pode não... – e apagou o cigarro no cinzeiro. -Ninguém no mundo conhece seu lado sexual melhor do que eu... – me respondeu – Sei de tudo que gosta... Do que não gosta... Fiz cara de que não entendia onde ela queria chegar. Então ela se ajoelhou na minha frente e começou a me bolinar com as mãos e boca. -Conheço cada ponto de seu corpo... Neste momento ela me penetrava com dois dedos e meu pênis subiu sem esforço, sem precisar de sua boca para aju-dar. -É disto que falo... Você gosta de ser passivo e ela de ser 56 ativa... É uma questão de tempo de vocês se entenderem!
  • 57.
    Lia Soares Estetipo de sexo “não mexa e deixe tudo comigo” era o meu preferido, ser homem e passivo para uma mulher mexia com minhas taras. -Por isto você me disse para dominá-la? -Sim... Para confundir ela... Este tipo de mulher fica com raiva quando é dominada por um pênis dentro delas... Eu começava a entender melhor a situação. Também não sei direito porque não penetrei Laura como faço com todas as mulheres que se deitam comigo. -Além do mais... – continuou ela – Ela é muito parecida comigo, mas sem controle, doente, como já vi muitas e mui-tos por este mundo! Incrível como acertamos e erramos em nossas vidas. Minha amante era a mulher perfeita, mas apenas sendo amante. Eu amava minha esposa cheia de problemas e transava com mi-nha terapeuta que era na verdade uma maluca de tudo. -Tem razão... – concordei com ela. Então me levantei para ir embora como sempre fazia na hora que devia. -Mas ainda tenho minhas saídas masculinas! Ela sorriu curiosa. Mas não lhe disse no que pensava. -Você me acha muito passivo? – perguntei da porta. Era uma pergunta apenas para ouvir algo mais. Eu bem sabia do que gostava e Fafá também. -Viadinho... Meu viadinho! – respondeu baixinho e man-dando 57 um beijo. Naquela noite os adolescentes ficaram a ver navios com o pinto na mão.
  • 58.
    A Última Gotado Prazer... A semana passou em paz, sem sinais de uma reação de Laura. Então chegou o dia de mais uma consulta com o casal. Passei os últimos dias muito próximo de Nati atento a tudo, e bem carinhoso com ela, além de concordar com todos os con-selhos 58 de nossa terapeuta. Laura nos recebeu cheia de sorrisos e elogios ao casal e a felicidade que via, principalmente em Nati. -Vejo que o tratamento está dando certo - disse ela beijan-do minha esposa e me olhando fixamente por cima dos om-bros dela. Ela estava linda, sem os óculos, e com o cabelo mostrando as orelhas. -Você também está mais sorridente! – comentou Nati – Viu um passarinho colorido por aí? Ela corou no rosto, mas não deixava de sorrir por isto. U-sava o mesmo vestido da última consulta e escondia suas per-nas de maneira pudica para não ofender ninguém. Se ela esta-va interpretando, eu estava adorando. -Nando está aceitando seus conselhos... – disse Nati. -Este era o objetivo... Todos serem felizes! Assim foi aquela consulta: Cheia de palavras salutares. Nati já não fazia a sua pessoal, recebera alta da médica. Mas eu ainda tinha que fazer algumas seções a mais a pedido de minha esposa. -Estou até com receio de deixar você sozinha com meu marido... Você está linda e ele é um tarado! Era uma brincadeira, mas Laura levou a sério. -Então vou me trocar... -Não precisa! – tentava consertar minha mulher.
  • 59.
    Lia Soares -Melhorassim... Fiquei sozinho aguardando o retorno da médica com seu jeans e sabe-se lá se com os óculos também. Mas ela voltou nua em pelo, de salto altos e uma coleira no pescoço. Veio rebolando em minha direção, já sem o sorriso de an-tes, e enfiou sua mão em minhas calças pegando com vontade e rudeza em meu pênis. Depois tirou e cheirou as pontas de seus dedos. -Fez sexo hoje... – afirmou – Com sua piranha, certo? Ela estava diferente de qualquer outro dia e aquilo me exci-tava muito. Fafá podia estar coberta de razão, mas ela se es-queceu 59 do tanto que gosto de sexo! -Não... – respondi arrancando um sorriso dela. Foi até o telefone e deu ordens a sua secretária: -Diga aos pacientes que não atenderei mais hoje... -Eu fiz com minha esposa... -Você também está dispensada... – completou a ordem. Desligou o telefone e apoiou-se estranhamente desapontada na mesa a sua frente. Estava uma delícia de bela, suas náde-gas eram quase perfeitas, inigualáveis em meu repertório de mulheres conhecidas, além da simetria de suas entrâncias com o resto corpo. Ainda a brancura da pele que me encantava, e o tamanho daquelas pernas que ajudavam a beleza de suas an-cas. Ela virou-se, me parecendo mais lento do que o normal, e veio em minha direção. Seus seios não balançavam, eram pequenos demais para isto, mas esbanjavam de uma beleza grega, das modelos que posavam para aqueles artistas, mas eram reais e não simples pedra fria, a obra final, que saiu da mente louca daquelas pessoas.
  • 60.
    A Última Gotado Prazer... Os bicos apontavam para cima enfrentando a força da gra-vidade como se fosse uma questão de vida ou morte, ou de 60 desejo, de desejar alguém brincando com eles. -Por que voltou? O sexo ali era uma questão de tempo. Então tirei minha roupa e assumi o comando da situação como um macho alfa faz com suas fêmeas. -Quero sua boca aqui... – ordenei balançando meu pênis perto de sua boca. Ela sorriu abocanhando meu membro com fome, uma falta de muito tempo. -Minha piranha faz melhor do isto... – resmunguei. Mas estava uma delícia, sua língua conhecendo cada canto da ca-beça de meu pênis. -Ele é do tamanho que sua esposa disse... Ficou ali, sentada me lambendo como uma submissa total e sem reclamar. Talvez Fafá estivesse errada. -Não quero ser melhor que sua piranha... – disse apertando meu pênis com força. -Quero ser melhor do que sua esposa! Aquilo me pareceu estranho – estranhíssimo - então come-cei a perder a ereção ainda em sua boca. Ela deitou-se de pernas abertas bem a minha frente com sua vagina ao alcance de minhas mãos. Senti-me como uma presa sendo convencido pelo caçador e rendido diante daque-la visão. Não resisti e passei a lamber seu órgão bem lenta-mente arrancando suspiros daquela mulher. Era algo que Nati não gostava, relutava muito para deixar. Laura parecia saber disto. -É seu... – disse gemendo – Sua frutinha miudinha...
  • 61.
    Lia Soares Meupênis endureceu novamente nas mãos de minha linda médica. Não tocou mais no assunto sobre ser melhor que Na-ti, mas provava isto na prática, além de chamar Fafá de vaca e piranha. Ela estava cheia de brinquedos, muitos membros de plásti-co e borracha, além daquela misteriosa corrente no pescoço. Mas não se posicionava para o coito, me evitando quando tentava penetrá-la. “-Tem que dominá-la...”. As palavras de Fafá em minha mente também me lembra-ram do conselho de penetrá-la totalmente e resolver a questão ali no consultório. Mas ela ficou de quatro, um pouco mais afastada de mim e introduziu seu pênis cobra, de duas cabeças, uma no ânus ou-tra na vagina e me chamou para brincar com ela. -Enfia eles mais em mim... – pedia gemendo. A vista que tinha me parecia ser de dois orifícios tampados, como uma tranca para ninguém entrar. Ela sabia o que fazia. Restava agir como macho que era e tomar aquela mulher de vez. Meu pênis estava duríssimo e não coloquei uma camisinha para ela não perceber minhas intenções. Juntei-me a ela e brinquei um pouco com os consolos até que estivesse total-mente entretida pelo prazer. Neste meio tempo acorrentei sua coleira e prendi suas mãos para trás como um instrumento antigo de segurar prisioneiros. -Gosta de brincar de cadelinha? – perguntou ela totalmente extasiada. Realmente era uma situação muito excitante, daquelas que raramente acontecem. Uma mulher bela, que quando nua se 61
  • 62.
    A Última Gotado Prazer... transformava em uma ninfa insaciável e deslumbrante, estava a minha frente, de quatro e amarrada, a minha disposição e desejos. -Realmente você é muito melhor do que minha “vaca”... Disse isto e arranquei os consolos de dentro dela. Perce-bendo o que ia acontecer ela agitou-se exigindo de mim uma mordaça em sua boca e um pouco de força para o coito. -Não era o que queria? – perguntei a ela – Um homem de verdade dentro de você? Chega destes consolos! E penetrei meu membro sem dó e sem medo em sua vagi-na. Entrei em êxtase. Ela sugava meu membro como uma má-quina, uma sensação inédita em minha vida sexual, e eu não precisava me mexer para chegar ao prazer. Um encaixe per-feito. Mas eu tinha de dominá-la, uma sensação incontrolável, então comecei a socar tudo dentro dela. Também nunca tinha visto uma reação de mulher igual aquela. Ela virava seu pescoço e olhos a cada estocada que levava e a levantei pelos cabelos para curtir aquele gozo que viria explodindo de dentro dela. Se não fosse a mordaça have-ria gritos naquele prédio. Mesmo assim eu percebi que lutava contra o que acontecia e somente se entregou quando ejaculei dentro dela, com meu pênis forçando mais ainda aquela vagi-na apertada e com vida própria. Tudo se aquietou. Ela estava 62 dominada. Segundos depois eu soltei todas as amarras e correntes que a seguravam e a limpei carinhosamente do esperma que es-corria por entre suas pernas. -Tudo bem? – perguntei diante de sua mudez. Ela me bei-jou profundamente, com grande emoção e disse:
  • 63.
    Lia Soares -Vocênão sabe o que fez, não é? -Sexo? – respondi perguntando e fazendo caras e bocas para ela. Já havia passado horas desde que Nati saiu daquele consul-tório. Um homem sempre pensa no final da transa, se aquieta procurando sossego, e eu queria ir embora por isto. -É muito mais do que isto... Ela levantou-se, ainda nua e com seus saltos, e foi rebolan-do até a porta recolhendo a chave e a escondendo de meus olhos. Não gostei do que vi. Pelo visto nosso caso não termi-nara como Fafá achava. -Sabe quantas pessoas iguais a nós existem? Não entendia pergunta. -Iguais a nós como? – perguntei. Ela retirou sua coleira e a colocou em meu pescoço sorrin-do de satisfação. Não reagi. Minha sensualidade excessiva me impendia disto. -Vai saber sobre estas pessoas... – insistia com o que eu não entendia. Ela fez o mesmo processo que eu havia feito com ela, me acorrentando pernas braços e pescoço, mas com muito mais maestria. Fafá estava certa. Eu amava a passividade diante das mulheres, assim como gostava de dominá-las como fê-meas. 63 Pelo visto Laura tinha o mesmo gosto. A médica preparava alguns consolos de tamanho assusta-dores com o olhar cheio de malícia em direção a meu ânus já exposto na posição de quatro que fiquei. Ela pegou meu pênis por trás - já duro novamente - quase o virando ao contrário, e começou a me masturbar generosa-mente. Era outra situação inédita e bastante erótica.
  • 64.
    A Última Gotado Prazer... -Você não vai se encontrar com sua piranha hoje... – disse ela – Mas vai ser minha piranha de verdade! Ela invadiu meu orifício sem nenhum tipo de lubrificante. Senti uma dor aguda e tentei me mexer, mas levava pisadas em meu traseiro pelos saltos pontudos de Laura. -Cala boca viadinho... Calei-me mais por saber suportar aquela dor ajudando o músculo de meu ânus a se relaxar e aceitar aquele objeto monstruoso dentro de mim. Era comprido com uma cabeça muito grossa; várias vezes a grossura das bolas eróticas de Fafá. Virei a cabeça e pude ver Laura limpando o sangue que saía de mim, mas o prazer de estar tão dominado e passivo naquelas mãos me excitaram novamente. -Sabia que ia gostar... Subitamente ela retirou o aparelho me causando gemidos e certa decepção pelo fim da brincadeira. Mas em seguida começou a enfiar seus dedos em mim, um a um foram introduzidos em meu ânus já bem alargado pelo consolo gigantesco. Quando percebi todos seus dedos já havi-am me penetrado com a mão vindo em seguida até o punho. Não sentia dor, esta fase já tinha passado, mas um prazer dife-rente tomou conta de mim quando ela começou a mexer sua mão dentro de meu corpo tocando e agarrando tudo que podi-a. -Você agora é todo meu... Esta era a definição correta para o que eu sentia ali. Fafá estava certa e fui enganado por meus desejos ardentes de sempre querer sentir mais prazer do que o último. -Existem somente dez pessoas iguais a nós dois no país... 64
  • 65.
    Lia Soares Denovo aquela conversa estranha. -Um casal... Um homem, que é você, e sete mulheres seden-tas como eu... Estava me sentindo um vampiro perdido no mundo e en-contrado pelos meus iguais. Mas tudo isto vinha misturado como o prazer que recebia daquela mulher. Por fim ela retirou seu braço de dentro de mim. Mas não me masturbou como um símbolo de seu domínio. Este foi o seu grande erro diante de uma pessoa que ela chamava de igual. Ainda com minha ereção latejando de desejo, dominei-a novamente assim que me soltou das correntes. Desta feita usava somente de minha força, e ao perceber minhas inten-ções ela lutou como uma onça negando-se cruzar com um macho. Meu ânus ardia em chamas pela penetração inusitada au-mentando meu desejo louco de descontar naquele orifício rosado e cheiroso. Loucamente envolvida e decidida a reas-sumir o domínio, ela levantou suas longas pernas e me apli-cou uma gravata sufocante no pescoço. -É assim que sua vadia te dá prazer? - E apertava cada vez mais. Mas seu ânus já estava na mira, ela quase sentada no meu colo em uma posição digna de uma contorcionista. Ape-nas seus braços apoiados no chão impediam que meu pênis invadisse o único buraco que me faltava possuir naquela mu-lher. -Tá gostando? – dizia sorrindo. Seus joelhos chegavam a tocar sua boca e ganharam uma lambida erótica de deboche. Mas seu riso sumiu assim que abri minhas pernas com for-ça tirando seu ponto de apoio e deixando a força da gravidade 65
  • 66.
    A Última Gotado Prazer... fazer o resto. Não tinha como escapar da penetração. Ela deu um grito e depois um longo suspiro à medida que eu invadia aquela parte de seu corpo tão defendida, arrepiando-se e gi-rando 66 a cabeça e os olhos como fizera antes. Mas ela não afrouxou do aperto com as pernas e antes que ficasse sem ar, estoquei com força meu membro debaixo de muita luta até que ejaculei e ela cedeu totalmente, me abra-çando e beijando com vontade. -Está feito! – disse ela em lágrimas. O que estava feito ainda acontecia em meu cérebro que delirava de prazer por tudo que acontecera. Correspondi a beijo e carinhos que recebi. Ela parecia uma gata mansa me afagando e se esfregando em meu corpo. Estava dominada e saciada. -Você sabe o que tem fazer agora, não é? Pensei que era para ir embora pelo horário já tarde e tomei um rápido banho em seu banheiro para me vestir no consultó-rio. Ela ainda estava nua e sorria como se tivesse ganhado um prêmio. -Apenas peça o divórcio e eu apoio sua decisão... – disse ela me assustando. -Divórcio? -Claro! Não posso ser sua amante... Tenho que ser sua es-posa... Ter filhos com você, uma família como nós! Eu não era médico psiquiatra, mas aquilo era um claro sinal de doença mental. -Não vou me divorciar de Nati para ficar com você! Isto tudo que aconteceu foi... Um caso... Sim, um caso criado e provocado por nós dois!
  • 67.
    Lia Soares Elapassou do sorriso para uma face de ódio extremo. Foi neste instante que tive certeza absoluta do tal sinal de sua do-ença da mente. Então me calei, não deveria provocá-la mais. -Tenho que ir... -Não vai ser assim tão fácil! Você me escolheu! Nenhuma das outras mulheres, como nós, tem mais direito de te corte-jar! Então por que me possuiu totalmente? Ela falava do que? -Quando um macho como você possui uma fêmea como eu, totalmente, como você fez... É como um casamento acer-tado... Resumindo sua fala: ela estava louca. Restava saber se fora eu ou sexo que fizemos que a deixou assim. -Seu miserável! – gritou quando percebeu que eu ia embo-ra sem aceitar suas vontades malucas. -Mas darei um jeito nisto, Nando! Não tem escapatória... É nosso destino! Havia uma saída de serviço que nem trancada estava. Por ali fui e ainda sofri pela demora do elevador e o barulho de coisa quebrando que vinha de dentro do consultório em fren-te. Ela estava furiosa e gritava palavras já conhecidas como “vaca” “piranha”. Corri para a casinha de Fafá e cheguei muito assustado e cheio de dores. Ela sorriu e me abraçou surpresa com minha chegada. -Ligue para sua esposa e invente uma desculpa... Preciso cuidar de você antes que ela te veja novamente. Eu já havia contado toda a epopeia de horas que tive com minha médica amalucada. Fafá ouviu em silêncio sem dar um sorriso sequer. 67
  • 68.
    A Última Gotado Prazer... -Vou passar a noite em um hotel... Depois quero conver-sar com você sobre nossa terapia... Foi assim a mentira que apliquei em minha esposa, como se fosse uma emergência com fornecedores e uma viagem de última hora. Não gosto de mentir assim. -É que existem mentiras e mentiras... Fafá falava sobre minha vida que era uma mentira e sobre mentir com as palavras como eu fazia naquele telefonema. -Ela te machucou de novo... Eu estava de quatro, mas não era para sexo e sim para re-ceber 68 os cuidados de minha amante. -Por que deixou que ela enfiasse o braço dentro de você, Nando? Não respondi. Não tinha uma resposta normal. Apesar da grande dor, o prazer veio em seguida também de forma anor-mal. -Entendi... – disse ela depois de procurar uma resposta em meu rosto. -Eu te avisei que você é um passivo ardente com mulhe-res... Não era um aviso e sim uma constatação e foi exatamente o que ocorreu no consultório: O máximo do prazer desejado acontecendo. -Você tem que se livrar desta mulher... Ela vai atacar seu casamento... Não vai desistir! Ela falava parecendo ter conhecimento de causa. -Ela disse que existem somente mais nove pessoas como eu... E ela era uma delas! Me senti um Conde Drácula...
  • 69.
    Lia Soares Fafácontinuava passando cremes anestésicos em meu â-nus. -Vira... – pediu ela. Já não sentia mais dores. Além dos remédios, o carinho e a compreensão daquela mulher era um bálsamo em minha vida. -Ela quase estragou seu pintinho... Meu pênis estava esfolado e com algumas partes quase em carne viva. Mas não somente a doida era responsável pelo estado dele. Minha vida sexual estava mais do que ativa, três mulheres para saciar não era para qualquer um. -Bobo... – disse ela sorrindo pela primeira vez. Carinhosamente ela cuidava de mim ainda com cremes e água boricada morna. Mas foi um carinho em excesso, a ere-ção chegando aos poucos, bastando o resto de minha mente meio pervertida para endurecê-lo de vez. -Sem chance, meu amor, sem chance... Então ela se sentou e percebi que estava mais séria do que o costume. -Ela não mentiu sobre tal grupo de apenas nove pessoas... O conheci pessoalmente quando ainda não sabiam quantos eram... -Você tá brincando comigo né? Fafá ainda fumava o suficiente para se perceber sem a fu-maça por perto. O cheiro insistia em se agarrar no ambiente. Então ascendeu um e foi ter com a janela e a brisa que entrava por ali. -É sério... – disse de lá – São pessoas doidas, mas são más ao extremo... Tem que se livrar dela! -O que sabe de tudo isto? 69
  • 70.
    A Última Gotado Prazer... -Eu fui atraída por eles antes de te conhecer... Me pareceu bem sedutor! Ela usava uma saia solta no corpo e o vento a balançava melhorando ainda mais aquelas curvas que me encantavam. Como era bela minha amante! -Mas quando descobriram que eu não era totalmente sub-missa e ao mesmo tempo completamente dominadora, me expulsaram debaixo de muita agressão! Ela passou a me mostrar cicatrizes que já tinha reparado, mas não dava importância. -Você era o candidato certo para este tipo de pensamento anormal... -Não entendi... Não entendi mesmo, e também não gostei da comparação que fizera. Não me achava um anormal, mesmo percebendo a loucura no comportamento de Laura. Fafá notou minha chateação e veio até a mim com seus carinhos e sorrisos. Era bom estar perto de alguém que de-monstrava 70 bons sentimentos por mim. -A culpa não é sua, Nando... Você não é um deles! Eu bem sei disto, mas também sei de seus desejos... Do quanto você é sensual... Somos muito parecidos e foi por isto que ela chegou até você... -Então está dizendo que nós dois passamos por uma espé-cie de teste sexual? -Sim... E duvido que ela seja uma médica de fato... -E por que eu passei no teste e você não? Ao mesmo tempo em que fiz a pergunta eu pensava na pos-sibilidade de Laura não ser uma médica como Fafá concluíra.
  • 71.
    Lia Soares Assimsendo, seriam mesmo pessoas perigosas, capazes de tudo para alcançarem seus desejos. -Acho que foi porque eu fiz com um homem e você com uma mulher que sabia de toda sua vida sexual... Comecei a ligar os fatos. Até arrumar uma amante fora sugestão de Laura, desde que eu contasse cada relação que tinha com Fafá. -Não conheci o resto do grupo, apenas um homem que me reprovou no final!Eu cheguei a pensar que o mesmo estava acontecendo com você, mas também achei que seria coinci-dência 71 demais... -Um grupo de tarados procurando pessoas taradas que nem eles? -É... – disse sorrindo – E você era bom candidato... Então passei a me preocupar com Nati. Minha esposa ama-da seria muito mais inocente do que eu nas mãos de Laura. Sei que ela se abriu com ela. Afinal, por que se procuram os serviços de uma terapeuta e sexóloga? -Creio que procurava candidatos entre seus pacientes... Se livre dela, Nando! Fomos embora dali. Fafá fez questão de me acompanhar até a cidade grande procurando me acalmar, mas era ela que acendia um cigarro atrás do outro. -Quero ter certeza que vai chegar inteiro... – me disse – depois volto de ônibus. Não queria assim. Seriam duas pessoas que gosto a me preocupar, mesmo eu não pensando em uma estando com a outra. Mas eu não era um homem chegado a dar ordens e sim a recebê-las de bom grado. Talvez este seja o meu grande defeito sendo confundido como taras por outros.
  • 72.
    A Última Gotado Prazer... Deixei minha amante na rodoviária e fui aflito para minha casa. O celular de Nati estranhamente não atendia; o horário sendo cedo para ela que gostava de novelas e adormecer as-sistindo filmes que passavam tarde da noite. Foram minutos de longa aflição até chegar a minha casa. Estava escura. As luzes da varanda e da garagem não foram acesas como de costume, mas a do quarto era evidente pela janela fechada. -Nati? – disse chamando-a e entrando na sala. Arrepiei-me com o que vi na televisão ligada no escuro da sala vazia. E-ram gravações de momentos que tive com Laura no consultó-rio, revelações de intimidades violadas pela falsa médica. To-das as nossas relações estavam ali, o adultério flagrado sem desculpas. -Nati? – continuei chamando já com as pernas bamba pelo fim de meu casamento. -Me ajuda... Ouvi sua voz fraca vindo do quarto trancado por dentro, um pedido de socorro sufocado em desespero. Entrei arrom-bando a porta esperando encontrar o grupo inteiro de tarados torturando minha esposa. Entrei disposto a matar ou morrer. Mas encontrei Nati deitada em nossa cama e uma grande mancha de sangue que saía dela. -Que houve? – perguntei ainda assustado. -Me leva pro hospital... – disse sussurrando e segurando minha mão com força. Não havia mais ninguém em casa, apenas a filmagem que passava na televisão era estranha a tudo por ali. 72
  • 73.
    Lia Soares -ADoutora Laura veio aqui e me entregou um DVD... Dis-se para assistir e me separar de você... Que você não presta-va... Outro dia qualquer eu assisti o DVD e notei que não se identificava a mulher que estava comigo a não ser quando eram apenas as cenas de confidências sobre minha amante. -Eu comecei a passar mal e me deitei... Neste instante eu já carregava minha esposa até o carro e fomos em alta velocidade até o hospital mais próximo.Ela nada mais disse sobre o assunto.Estava muda e muito páli-da. Eu vivia um daqueles momentos em que a vida parece a-pontar acusando todos os seus erros, traições, transformando tudo em maldade com outros, principalmente com aqueles que amamos. Mesmo assim eu mandei a vida para aquele lugar em pen-samentos. Eu apenas queria que o sangramento de minha es-posa parasse e a vida estivesse novamente em seu rosto, mesmo que ela não me quisesse mais como companheiro. No hospital, sumiram com ela corredor afora e eu passei a ser um simples parente de paciente esperando notícias em uma sala cheia de gente triste e funcionários gentis, mas me-cânicos 73 em suas atitudes. Não conseguia culpar alguém a não ser eu mesmo. Tudo era voluntário. A atitude de Laura confirmava a loucura que vi em seus olhos e suas conclusões sobre nós dois. Ela sim-plesmente atacou o lado mais fraco, a pessoa que mais sofre-ria com tudo, e é aí que vi a maldade. -Parente de Maria Natividade! Apresentei-me ao médico que não sorria como as enfermei-ras.
  • 74.
    A Última Gotado Prazer... -Ela sofreu um infarto silencioso... – explicava – que rom-peu uma artéria em seu intestino... O médico era sucinto e a notícia me arrepiava. -Ela vai ficar bem? – perguntei. Era a única notícia que queria ouvir. -O caso é grave... O sangue derramou em seu intestino e comprometeu os rins, fígado e o baço... Trombose rara, mas fatal... Meus joelhos fraquejaram bambeando minhas pernas. -Ela te chama... – disse por fim o médico. Nati recebera a sentença de morte do médico. Sim, quando um médico diz o que este disse é uma condenação a morte mais certeira do que um pelotão de fuzilamento. Quando entrei no quarto minha esposa me recebeu com um fraco sorriso, mas cheio de amor por mim. Segurou minha mão por onde eu percebi sua vida acabando na frieza da pele e na cor pálida. Seus olhos brilhavam dando mais beleza ao sorriso apesar de tudo que se percebia estar acontecendo. -Quero te pedir... Ela interrompeu meu pedido de perdão colocando sua mão em minha boca. -Não quero isto... – disse ela – Quero que se cuide... Você sabe que só tem a mim na vida... Não era a toa o amor que sentia por aquela mulher rara. Estava morrendo e ainda se preocupava com meu bem estar. -Achei que a médica ia me ajudar a ser melhor esposa... Mulher para você... Ela estendeu os braços querendo um carinho maior como se fosse um pedido de desculpa por tudo que não fez para me agradar. 74
  • 75.
    Lia Soares Eassim minha esposa amada morreu, fechando os olhos devagarzinho e com a cabeça em meu colo, depois de pedir um abraço e um beijo de despedida. Se o leitor não chorou com o que narrei, foi por que não estava lá, mas se chorou não sentiu metade da dor que senti naquele hospital. Foram longos minutos de muito choro e desabafo sofrido, em voz alta a ponto de comover a todos e receber ajuda médica. Esta foi a única vez em minha vida que estava no lugar certo na hora certa. Todo sofrimento extremo procura algo para justificá-lo e a raiva é o sentimento por detrás desta ação. Então pensei em Laura e sua frieza total. Seu egoísmo passou a não ser mais uma doença aos meus olhos a ponto de ver inocência em seus atos. Não parei de pensar em vingança até vê-la novamente e vingar minha perda. Que fosse nela, ou em qualquer outro do tal grupo de tarados. -Onde você está? Foi a única coisa que Fafá falou comigo quando lhe liguei contando tudo. -No cemitério do Bonfim, velando o corpo dela... Quando chegou, me abraçou. Passou a noite ali comigo. Eu e Nati não tínhamos ninguém na vida. Filhos, pais, e outros parentes, não existiram ou se foram para sempre. No enterro a dois não contive o choro e minha amante co-mo sempre cuidava de mim, chorando junto e repartindo a 75 tristeza.
  • 76.
    A Última Gotado Prazer... Escolhi a reclusão para recompor meus pensamentos. Mi-nhas ideias eram todas de vingança, sendo Laura a vítima preferida. -Ela vai te procurar... – disse Fafá antes de ir embora para nossa casinha. Desliguei qualquer possível contato com o mundo e não saía do quarto procurando em cada roupa o cheiro de Nati, ou um restinho dele, pois o meu agarrava cada vez mais te tanto procurar o dela. O choro tornou-se parte de minha rotina e até nossos bichos choravam comigo. Não havia quem pudesse me consolar. Ou não existia, ou não agiria se eu não pedisse. Era o caso de Fafá que nunca me procuraria sem um pedido meu. Os dias foram passando e as a correspondência se acumu-lando na porta fez com que o carteiro insistisse na campainha a pedido dos vizinhos. -Santo pai, senhor Fernando! Eu abrira uma fresta da porta e ele percebeu o estado de tudo, mas eu fiquei estranhamente feliz por ouvir uma voz humana. -O senhor vai precisar de algumas faxineiras... Ele me contou que o mau cheiro estava chamando atenção e preocupação dos vizinhos que mal me conheciam, mas eram queridos por Nati e ela por eles. Então aceitei a ajuda. Senhoras entravam em minha casa com baldes e panos. Seus maridos vieram cuidar de mim, me obrigando tomar um banho e ir a um barbeiro que também parecia me esperar. 76
  • 77.
    Lia Soares Quandovoltei a casa cheirava a minha esposa como se ela estivesse por ali me esperando. Até os cães foram ao pet en-viados 77 pelos vizinhos. -Ela gostava assim... – disse uma senhora. -Eu sei... – respondi. Este era meu agradecimento, além de um sorriso magro e olhos fundos de tristeza. Mas aquilo foi um disparo para minha recuperação emocional. Uma semana depois disto os vizinhos ainda me ajudavam cheios de sorrisos e elogios pela minha melhora, além de me dizerem que as escolhas de Nati eram sempre as melhores e que eu fora uma delas. Eles viam a culpa estampada em meu olhar?Nunca comentaram sobre nada. Quando conferia as cartas acumuladas uma delas me arre-piou. Era do consultório de Laura marcando via carta uma consulta: “Depois de muito insistir pelo telefone, enviamos este telegrama para que venha no consultório no dia...”. Mas era uma cobrança, uma intimação para pagar algumas consultas de Nati. -A desgraçada deu um jeito de me encontrar... – resmun-guei. Era óbvio que eu não ia deixar uma dívida pendente no nome de Nati. Fiz questão de ir no dia combinado, mas deixei um bilhete debaixo de meu travesseiro com o endereço do consultório, e junto o telegrama que recebi.As vizinhas contrataram uma diarista que tinha as chaves de casa, e um dia ela encontraria o tal bilhete se eu sumisse repentinamente. Tudo estava normal no consultório. Como sempre muitos pacientes esperavam pela falsa médica, além da secretária em sua mesa, como se nada tivesse acontecido.
  • 78.
    A Última Gotado Prazer... Três semanas antes eu enterrava minha esposa vítima de assédio moral de Laura e de seus amigos tarados. -O senhor pode entrar... -Eu quero apenas pagar uma dívida... Não quero uma con-sulta. A secretaria parecia cheia de ordens ao me ver.Entrou na sala de Laura e voltou com o convite, sem sequer me atender antes. -A doutora está com sua ficha... – respondeu friamente. Revê-la tornou-se uma obsessão contra qual eu lutava. Lau-ra era perigosa, mas também era apaixonante, principalmente para uma pessoa como eu que sempre soube separar senti-mentos da falta e desejo de sexo. Era disto que Fafá me ad-vertia. Quando entrei, todo sofrimento parecia se esconder con-fundindo meus pensamentos como se algo mágico, o ar, esti-vesse 78 preparado e a minha espera. -Olá, Nando... – disse Laura do sofá. Ela levantou-se e me deu um beijo e um abraço, depois foi até o banheiro soltando os cabelos no meio do caminho. Sua roupa leve e branca, um vestido de loja fina, acompa-nhava seu rebolado apaixonante e impossível de não se admi-rar. Quando voltou vestia apenas uma pequena calcinha bran-ca que se confundia com sua pele formando um conjunto per-feito naquela mulher. Seus olhos verdes estavam mais verdes ainda reforçados por lente de contato e maquiagem também suavemente esverdeada. Ela era a causa de todo o meu recente sofrimento, mas era uma tentação irresistível.
  • 79.
    Lia Soares -Venha!– disse baixinho e observando meu pênis já que-rendo pular para fora da calça em direção dela e seu sexo já exposto. Laura brincava com sua vagina, os dedos fazendo movimentos frenéticos dando lugar para as pernas se cruzan-do e evitando o gozo precipitado. Ela se oferecia e ataquei com volúpia e certa rispidez nos atos, a raiva ainda presa em meus pensamentos apesar do momento. -Meu amor... – disse, e se entregava como uma mulher a-paixonada faz. Com ela eu iria fazer o que bem queria, abusa-ria de tudo não me importando em machucá-la, até desejando isto e me deliciando com sua cara de aflição. Sua vagina era tomada a força, com uma penetração digna de filmes e suas montagens para impressionar um público tarado. Laura tremia de tesão aproveitando cada estocada que lhe aplicava. Seus fluídos eram abundantes e aumentavam sempre a ponto de molhar o sofá e minha roupa mal tirada. Mas eu queria que ela sofresse. Sua diversão aumentava meu desejo de vê-la gritar de dor. Então a virei, seu corpo leve parecendo obedecer meus braços, e a coloquei de quatro, penetrando seu ânus rosado sem dar chance de uma reação. Foi em apenas uma enfiada, fazendo sua coluna se contorcer e seu pescoço esticar de dor, o prazer agora vindo em gemidos de aflição evidente. Não dei tempo para o seu ânus se acos-tumar com o volume. Eu bem sabia que era assim que os ca-sais normais faziam sexo anal: afrouxando os músculos deva-garzinho, bem lentamente. Mas eu tirava todo meu membro e o enfiava em seguida com força e machucando a mulher que matou minha esposa. 79
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    A Última Gotado Prazer... Quando começou a gemer alto com muita dor, eu tampei sua boca e ao mesmo tempo eu tinha seu pescoço preso em meu braço e a mercê de minha força. Ao perceber o que poderia acontecer tentou em vão sair da posição, mas estava feito, e comecei a apertar seu pescoço fino o afrouxando quando quase perdia os sentidos. Fiz isto umas quatro vezes socando meu pênis com raiva e tesão em seu ânus apertado até que ejaculei dentro dela, grunhindo em seu ouvido palavrões de vingança. Quando acabei ela caiu de vez no sofá, tossindo, vermelha, e quase morta. Pois agora que viesse a polícia chamada por ela e esta seria minha vingança: o desprezo depois do sexo, eu preferindo a cadeia a ficar ao lado dela. “-Se livre dela Nando!” Eu pensei novamente no conselho de Fafá ao me surpreen-der com o sorriso na cara de Laura e sua aproximação cheia de carinhos e pedidos de permissão. -Cá estamos nós... Como o destino quis desde o início! Será que somente a morte verdadeira resolveria o proble-ma? Ela parecia uma gata manhosa depois de ser estuprada e quase morta naquele consultório. -Você não sabe do que escapou... – disse a ela. -Se quiser repetir... – respondeu sorrindo – Use-me... Mas saiba que eu vou usá-lo também... -Você matou minha esposa! -Sua viuvez é temporária, meu amor! Restava o silêncio raivoso diante da loucura evidente. Não poderia mais me encontrar com aquela mulher louca, pois sua 80
  • 81.
    Lia Soares belezaera de levar qualquer homem a loucura e eu estaria a um passo de aceitar tudo. Levantei-me, aproveitando a vontade saciada, o tempo que a natureza pede a todo homem do mundo e fiquei parado no meio da sala, pronto para me despedir de vez de Laura. -Tudo bem... – disse ela quase murmurando de prazer – Mas eu não gozei... Ela retirou seu enorme brinquedo da bolsa – o pênis de cabeça dupla – e ficou de quatro se penetrando nos dois orifí-cios ao mesmo tempo. Gemia de dor pelo estrago que eu fiz e que o objeto descobria para ela. -Não vou me casar com você... – resmunguei. Eu precisava broxar a situação. Eu bem sabia que mais al-guns 81 segundos eu estaria excitado outra vez. -Sei do que gosta, Nando... Você é igual a mim... -É verdade... Mas eu não gosto de você! Ela começou a se masturbar e no impulso abri a porta do consultório e fui embora sem olhar para ninguém. -Olha como é bom... Quando me virei, já dentro do elevador, percebi o estrago que fiz. Ela estava de quatro com aquela cobra saindo de sua vagina e entrando em seu ânus, além de seus dedos sendo trocados freneticamente na masturbação. Tudo isto na frente de todos seus pacientes tarados. -Eu sei você gosta também... – dizia ela sem perceber o vexame. Quando ouviu os primeiro risos já era tarde, o escândalo estava feito junto com a humilhação. Havia uma mistura de horror e admiração naquelas testemunhas das vergonhas de Laura. Muitos homens se levantaram para ver mais de perto,
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    A Última Gotado Prazer... enquanto algumas pacientes femininas falavam do ridículo da cena flagrada. Sua secretária a socorreu e esta foi a última cena que vi daquela linda mulher, além do choro ser o último som que ouvi de sua boca. Alguém lá em cima gosta de mim ou detestava Laura como eu. 82
  • 83.
    Lia Soares Fuidireto para minha casa. Não tinha medo de qualquer vingança, mesmo sabendo da realidade e da capacidade que aquele grupo tinha de alcançar seus objetivos. Não creio que existia loucura suficiente em Laura para con-tinuar gostando de mim como seu marido do destino. Além disto, o que mais ela poderia atacar para me atingir? Mas meu coração quase parou quando pensei nas pessoas que gosto e lembrei-me de Fafá. Nossa vida refletia segurança contra terceiros, mas ela era a única pessoa querida que me restou neste mundo.Laura seria capaz de descontar seu ódio em quem achava que estava atrapalhando seus objetivos e Fafá era a amante recomendada que bem poderia ser minha companheira definitiva. Seu celular não atendia. Já dentro do carro e indo para nos-sa casinha a aflição tomava conta de meus pensamentos. -Ela odeia minha amante! – pensava em voz alta. Foram longos minutos até a cidadezinha. De longe eu via muitas luzes vermelhas na ladeira que tanta alegria simples nos dera. Estava aterrorizado por saber que havia acontecido algo de anormal para aquelas bandas, mas não era incêndio, ou deslizamento, e sim vários carros de polícia parados em frente nossa casinha. Estacionei e não tive forças para sair do carro. -O senhor é marido da dona da casa? O terror era tanto que não percebi a aproximação de dois policiais, um militar e outro de terno com gravata desarruma-da. -Namorado... – respondi com fraqueza nas pernas e no res-to do corpo. 83
  • 84.
    A Última Gotado Prazer... -Entendo... Melhor que o senhor venha ver... Na porta ele me parou. Foi quando vi os dois adolescentes sentados sob vigia de outro policial. Estavam pálidos, de o-lhos vidrados, mais aterrorizados do que eu. -Primeiro precisa saber que houve uma morte... – disse o policial. Eu desconfiava de tudo e de todos procurando algum rosto conhecido nas pessoas por ali. -Sua namorada está morta de uma maneira que pode chocar o senhor... Quem mais poderia estar morta além de Fafá? Quando entrei entendi o terror dos garotos e o silêncio no local. Fafá realmente estava morta, presa a sua corda na pare-de, exatamente na posição que estávamos no dia que experi-mentamos aquele louco prazer. Apenas a cama em frente es-tava vazia e seu olhar parecia procura alguém ali. -Já tinha visto algo assim? O policial de terno era o delegado chamado da capital para cuidar daquele caso. -Quando isto aconteceu? – respondi com uma pergunta. -Há poucas horas... Fafá estava nua, com uma das mãos em sua vagina repetin-do uma cena conhecida por mim em detalhes. Na cama em frente havia um consolo, preservativos e cremes sexuais. -Não havia ninguém com ela... – esclarecia o delegado ao me ver olhando tudo – Foi um suicídio... Olhei com pensamentos de ironia para aquele homem que falava sem conhecimento de causa. Era óbvio que ele tentava arrancar algo de mim, um detalhe que ele não sabia, ou de 84
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    Lia Soares vários,afinal tudo era desconhecido para ele que trabalhava com suposições segundo o que via. -Masturbação suicida! – continuou ele a me surpreender. -Não se assuste senhor... – disse uma mulher, a única por ali. Não estava assustado. Não havia mais espaço para isto em meu cérebro -Fernando... – ajudei-lhe. -Pois então, senhor Fernando, é um caso raro de se ver em nosso país, uma tara importada... – insistia o delegado. Ele me mostrava o pacote de cordas elásticas importadas por Fafá. Estava vazio e eu bem sabia que eram apenas duas. -Parece que o produto acabou e ela confiou demais em si mesma! O que estava em volta do pescoço de minha namorada era outra corda, uma que jamais iria arrebentar com seu peso. -Pessoas morrem assim... Inclusive algumas famosas... Sentia-me culpado por tudo. Eu havia abandonado Fafá, principalmente na cama, e ela bem poderia estar solitária e assim tudo aquilo estava explicado. -Os garotos disseram que senhor veio aqui faz umas sema-nas... Aquela mulher por ali era uma detetive que acompanhava o delegado. Pareceu-me mais gentil com a situação, talvez por ser mulher como a morta. -Sim... Como disse ao doutor ela era minha namorada... Todos ali eram mais jovens que eu e Fafá, mas acostuma-dos com cenas bem piores que aquela. Então, eu também era 85 uma vítima daquela vista horrível.
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    A Última Gotado Prazer... -Não há alguma possibilidade de alguém ter feito isto? - perguntei. Talvez eles esperassem esta minha pergunta, um caminho diferente para o caso. -O senhor tem alguma ideia sobre isto? Algo suspeito que não temos conhecimento? Sim, eu tinha. Laura era bem capaz de produzir algo assim, sem pistas e parecendo um óbvio suicídio, pelo menos para uma polícia como a nossa. -E os garotos? – perguntei optando pelo silêncio de meus pecados – Não viram nada? Outras pessoas? -Foram eles que descobriram o corpo... Não... Eles não viram ninguém a não ser o senhor dias atrás... Pela primeira vez aqueles meninos chegaram atrasados à janela de Fafá. Estavam tão assustados quando eu.Mas o de-legado me mostrou um achado que eu desconhecia.Abri uma pasta que ele me deu e ali vi documentos médicos, relatórios e exames que erma de Fafá. -Ela era cancerosa... Nos pulmões em estado terminal... - explica ele. Não havia sinais visíveis do câncer porque ela não tratou dele, fugiu da quimioterapia, e apenas a tosse um pouco a mais poderia revelar hoje seu estado ruim. -A polícia encerra o caso como suicídio... Não há mais na-da a ser feito... - concluiu Dois funcionários do necrotério chegaram ara retirar o cor-po de Fafá de seu lugar de martírio. -Deixa que eu a tire! – exclamei – Por favor... Tenho fortes sentimentos por esta mulher! 86
  • 87.
    Lia Soares Odoutor delegado consentiu por pena de mim. Creio que meu rosto era o reflexo do sofrimento devido a tudo que pas-sava nas últimas semanas. -Se você aguenta... Mas faço questão que alguém fique com você! Com os olhos pedi ajuda a detetive, afinal seria uma mu-lher, sensível com a situação de outra. -Eu fico... – disse ela. Todo mundo se retirou do quarto. A detetive, Estela era o seu nome, me ajudou a soltar o corpo de Fafá que caiu em meus braços ainda com toda sua flexibilidade de antes, ape-nas sua pele estava gelada pela falta de vida. Colei meu rosto no dela e sofri, sem uma lágrima sequer, pois não havia mais delas em meus olhos. Minha voz embargava-se de sofrimento. Como minha a-mante era bela!Mesmo na morte percebi um leve sorriso em seu rosto como se tivesse alcançado o prazer diminuindo seu sofrimento final. Fiquei deitado ao seu lado afagando seus cabelos, me des-pedindo dela na intimidade com um longo e afetuoso beijo, coisa que não fiz nem com minha esposa que morreu em meus braços. Esta mulher era toda a fonte de carinho que eu tinha naqueles dias. Emocionada, Estela providenciou a retirada do corpo de minha namorada para que aquele sofrimento tivesse um fim mais digno aos olhos de outros. -Vão para casa... – disse aos garotos que me obedeceram como seu eu fosse o pai deles. Da porta ainda vi o saco com o corpo de Fafá sendo fechado e levado embora. 87
  • 88.
    A Última Gotado Prazer... -Meu cartão... – disse o delegado – Caso algo de novo apa-reça... Não apareceria. Não de minha parte. Mas quem sabe ele não investigaria minha morte também? Agradeci profundamente a detetive e sua sensibilidade fe-minina e fui embora acompanhando o carro que levava Fafá. Dois dias depois a enterrei junto de Nati. Desta feita estava sozinho e pensei no quanto nós três éramos solitários na vida. Talvez seja por isto que nos encontramos nela. Um homem como eu não tinha mais ninguém que olhasse por ele como eu fiz com Nati e agora com Fafá. Teria que me proteger com seguros e planos funerários que cuidariam de tudo na minha morte. Sem filhos, parentes próximos e distantes, agora sem espo-sa e namorada, sequer amigos eu tinha feito no mundo, passei a ser uma pessoa mórbida não dando dez passos sem olhar para trás como se algo me seguisse ou me vigiasse. Talvez estivesse realmente acontecendo. -Eu não era casado com ela... Certo dia fui surpreendido pela visita do prefeito da cida-dezinha onde Fafá morreu. Queria comprar a casinha abando-nada 88 e pedia que eu assinasse por ela. -Isto não importa... – respondeu ele – Ela não tinha paren-tes a não ser o senhor como pessoa mais próxima... Isto aconteceu meses depois de tudo e aquela ferida ainda estava aberta e revoltando minha mente. -O senhor assina e aqui está o cheque... Então assinei. Não pela ganância, mas por uma ideia me ocorrer naquele instante. Precisava mudar de vida e uma fuga silenciosa era no mínimo um alívio e uma aventura nova.
  • 89.
    Lia Soares -Inclusiveestou querendo também uma casa na cidade... – disse aquele senhor. Foi neste instante que tive a ideia. -Se interessa por esta? – perguntei. Foi assim que fechei negócio também com aquela casa que abrigou meu casamento com Nati. Não tinha mais nada para fazer ali, além dos vizinhos e a amizade que poderia surgir. Então vendi o imóvel sem falar nada com ninguém. Assim que recebi o dinheiro me mudei para um hotel no centro da cidade onde fiquei até fechar minha empresa arrecadando mais algum dinheiro. Restou-me uma antiga herança de meus pais que ainda estava no nome de seus antigos donos, pessoas estranha e um esconderijo perfeito segundo minhas traumatizadas intuições. Para ali me mudei e sobrevivi fazendo bicos para o gover-no local, alguns aconselhamentos de administração pública, algo discreto em que valia o anonimato. Era uma cidade lito-rânea, a chamada praia dos mineiros, local tradicionalmente bem frequentado e com uma população flutuante de cerca de um milhão de pessoas. Uma cidade corretíssima aos meus olhos e meus desejos. Ainda sofri por um bom tempo, mas este é um santo remé-dio, fechando feridas apesar da lembrança que fica na cicatriz. Hoje estou com sessenta anos, solteiro e solitário, sem sequer desejos sexuais, como se eles todos estivessem saciados por minhas mulheres, as três que de alguma forma interferiram profundamente em minha vida. Aposentei-me calculando o dinheiro que tinha e cheguei a conclusão que não passaria fome até os noventa anos, e como minha vida pregressa não me dava saúde para chegar até esta 89
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    A Última Gotado Prazer... idade, pensei nos oitenta com folga ou setenta e poucos com fartura. Nunca mais tive uma mulher em minha cama, nunca mais me masturbei para não dar margem a tentação. Afinal tudo estava escondido, minha vida e também meus desejos. Minha rotina era praia, almoço, praia de novo, e bebidas. Todo dia era assim por gosto. Acordava cedo e dormia tarde, sempre bêbado no grau que escolhia. Passei dez anos assim desde minha mudança das montanhas para a praia. Mas “nunca diga: “nunca mais faço isto” “ Certo dia cedo na areia de uma delas, eu me desajeitava com um protetor solar não alcançando minhas costas quanto ouvi alguém dizer bem de pertinho: -Posso ajudar? Era uma mulher. Não, não era Laura como pensei por al-guns segundos, mas era uma mulher belíssima de talvez ses-senta anos e aparentando menos no corpo. -Se não te incomodar... – consenti. Seu corpo era raro para o tempo que se via em seu rosto. Tanto que ousava usar um biquíni digno para sua idade, mas que revelava bem seu corpo. Tinha pernas musculosas, com belos joelhos e pés. Quando se virou para pegar de outro pro-tetor solar, pude ver seu belo traseiro cuidado por quem teve muito dinheiro ao longo da vida. Conheci seus seios depois, no toque, pois é assim que se sente todo prazer que um seio pode dar a um homem. Na intimidade ela era um tesão a despertar minha libido adormecida pelo sofrimento e álcool. Ela depilava-se toda e eu percebia isto pela marca que o biquíni fazia em sua vagina 90
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    Lia Soares mostrandoclaramente as duas partes que dividiam aquela fruta deliciosa. -Pode se virar? – perguntou com um sorriso no rosto per-cebendo 91 meus olhos pesquisando suas partes íntimas. -Eu sou a Márcia... Sua voz era aveludada e falava com cultura, sem erros de português. Era a primeira vez que a via por ali. -Eu sou o Fernando... -Hum... Ela disse assim quase gemendo e sorrindo com os olhos fixos nos meus como se tivessem feito uma descoberta. -Sabia que você tem uma mancha vermelha no meio das costas? Era exatamente o lugar que minhas mãos não atingiam. -Não tenho quem passe óleo aí... Depois deste dia ela estava lá toda manhã se dispondo a me besuntar de óleo, o que ela fazia com muito carinho, se insinuando na suavidade de seus dedos. Se o leitor acha que ficou nisto se enganou. Com o tempo éramos mais do que namorados na terceira idade. Tornamos-nos amantes da boa idade e duvido que jovens façam na cama o que eu e aquela mulher fazemos. Eram duas cargas de expe-riência se conhecendo, sendo trocadas entre carinhos, afagos, e muito sexo mais do que selvagem. Aproveitamos as últimas gotas de nosso vigor com maestria. Foi fácil me lembrar dos avisos de Fafá, das ameaças de Laura e de seu grupo de tarados. “-Existem somente dez pessoas iguais a nós dois no pa-ís...”.
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    A Última Gotado Prazer... Eu cheguei a sentir o prazer daquele dia ao me recordar 92 das palavras ditas pela doida tarada. “-Um casal... Um homem, que é você, e sete mulheres se-dentas como eu...”. Talvez Márcia fosse uma das sete mulheres das quais eu conhecia apenas uma: Laura. -Isto é sério? – perguntou ela no dia em que me senti segu-ro para contar toda minha vida. Ela vinha de Vitória, capital dos capixabas, e estava pas-sando o final de semana na minha cidade quando me conhe-ceu. Passou a frequentar mais o local até o dia que a convidei para morar comigo. -Talvez eu seja uma das sete mulheres... E te encontrei pelo instinto ou cheiro... Eu já não ligava mais para isto. Mesmo sendo uma delas, eu a queria, precisava de uma mulher assim: tarada e indecen-te na cama, como eu. Talvez Laura estivesse dizendo a verda-de. Márcia se divertia com as novidades que eu lhe apresenta-va, e também gostava do passivo e ativo em nossas vidas. De tudo não ensinei a ela apenas a masturbação suicida que di-zem ter acontecido com Fafá. Mas o que me importava era a nova pessoa em minha vida e pronto, não tinha mais tempo apara procurar a felicidade nos cantos da vida. Bastava aquele sorriso lotado de felicida-de, as ideias um pouco parecidas, o corpo bonito de mulher fogosa e disposta a experimentar tudo que eu gostava. Márcia era daquelas mulheres que gemiam diante do pra-zer que causava. Creio que eu ia ser feliz até que a morte nos separasse, ou os hormônios acabassem antes.
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