1
As imagens das relações internacionais:
A anarquia internacional: é a leitura dominante de imagem
internacional nas ri. Nesta imagem o individuo só vale
enquanto cidadão de um estado (quando está dentro dele, só
assim tem direito). O estado vale mais que o indivíduo. Esta
visão parte do pressuposto que não há evolução (há e sempre
haverá anarquia), O pessimismo antropológico e a ausência
de estado; A importância do poder e a ausência de
normatividade; Sobrevivência, autoajuda e dilema securitário;
Moral de responsabilidade (Hans Morgenthau): o decisor
político tem a obrigação, perante a sua comunidade de
garantir, a sua sobrevivência. Garantir a inviolabilidade das
fronteiras do estado. (Fronteiras físicas – proteger o estado de
invasões, ataques estrangeiros; fronteiras morais – exemplo:
para indivíduos de extrema direita, as migrações são uma
dupla ameaça pois não só entram nas fronteiras como trazem
novas culturas). O decisor político não se deve guiar pelos
seus valores, mas sim pela moral de responsabilidade.
Autoajuda: o estado só pode contar consigo. É legitimo o uso
de todos os meios (mesmo imorais) para proteger a sua
comunidade. Dilema Securitário: os Estados vivem num meio
de desconfiança mútua, sempre com receio que o vizinho seja
um potencial agressor. Na visão de Engle, o Estado é a forma
de organização política mais perfeita. A antropomorfização
do estado e o estatocentrismo; Principal ator: estado, que é a
comunidade política mais perfeita. A comunidade
internacional: Não vivemos em anarquia, vivemos numa
comunidade internacional. Ferdinand Tönnies - Distinção
entre sociedade (o individuo escolhe) e comunidade (não
escolhemos a que comunidade pertencemos). Nós enquanto
seres humanos estamos sujeitos a uma comunidade do género
humano. Há ameaças transnacionais, afectam todos de igual.
Todos temos responsabilidade de cuidar do nosso mundo. Vai
beber à ideia do cosmopolismo – cidadão do mundo (corrente
estoica). Enquanto que na imagem da anarquia, o individuo só
vale enquanto cidadão do estado. O estado existe para servir o
homem (o homem é que precisa de proteção, não o estado). O
indivíduo vale por si mesmo pois é feito à semelhança de
Deus, não precisando de ser mediático do estado (tem valor
ontológico superior ao do Estado). (Desenvolvimento cristão,
S. Paulo). Há leis (normas do direito natural – jusnaturalismo
– que se impõe ao estado, inviolabilidade da vida humana,
leis naturais existentes antes de se formar o estado). Há
moral/ princípios globais valores acima do estado, isto não
significa globalização (ordem global, porque existe à parte da
ideia de comunidade). Nesta visão os estados pretendem
superar a anarquia criando o direito, diplomacia internacional
para diminuir os efeitos da anarquia – os Estados querem ter
boa imagem/ prestigio. Os estados refletem sobre as suas
atitudes, tentam tomar ações de política externa com alguma
moralidade (justificar as questões morais aos media/ através
deles). Comunidade natural e identidade; Individuo vs estado;
Normatividade e jusnaturalismo; Comunidade global vs
globalização vs ordem global;
A sociedade internacional: Nem anarquia nem
comunidade, vivemos numa sociedade. Os estados quiseram
superar a anarquia criando o direito e a diplomacia
internacional. Vivemos numa sociedade pois existem normas
e regras, os Estados não podem fazer tudo o que querem, no
entanto estas normas são criadas pelos Estados. O direito
internacional materializa-se em acordos e tratados. Há
princípios jus cogens (inviolabilidade da soberania, tratados
devem ser cumpridos. Os estados foram criam leis e tratados
que limitassem a anarquia internacional. Os estados procuram
sempre dar justificações morais, prova da evolução dos
estados. Ex. Barack Obama. Estruturação e normatividade;
Sociedade vs comunidade; A natureza plural da sociedade
internacional; A natureza evolutiva e reflexiva da sociedade
internacional; As 3 imagens são narrativas teóricas do estado
do sistema internacional, interpretam as ri. A imagem 1
apresenta uma abordagem mais realista, supostamente retrata
a realidade. No entanto a realidade internacional pode ser
interpretada e lida de diferentes formas, imagem 2 e 3. Não há
factos, há apenas a interpretação social que as pessoas fazem.
As teorias são assim um mecanismo simplificado/ formas de
interpretar a realidade. Todo o texto tem um conteúdo
ontológico (da teoria que se quer difundir) e um componente
epistemológico (constrói o conhecimento) realidade –
método. Não há abordagens neutras às RI. Cuidado em tentar
perceber a matriz teórica por detrás de cada autor.
O estudo do sistema internacional
A) A função da teoria nas ciências sociais: Teoria:
pensamento reflexivo;
“A theory is some kind of a simplifying device that allows
you to decide which facts matter and which do not.” (Baylis,
Smith) A ontologia e a epistemologia das ciências sociais; B)
RI: Ontologia e níveis de análise Onde podemos ver as
relações internacionais?O nível doméstico: as questões
domésticas facilmente se internacionalizam,
internacionalização dos problemas. O nível internacional:
entre os próprios estados, relações internacionais/
intergovernamentais. O plano internacional pode ter
consequências a nível interno; O nível global /transnacional:
relações entre atores estaduais e atores não governamentais;
entre atores não governamentais; ex. medias; ONG’s; grupos
erráticos (ex. terrorismo). Diversificação das relações à escala
global, surgindo interações transnacionais. C) RI:
Epistemologia e relação teoria / prática
O positivismo é a abordagem epistemológica/ teoria que
descreve apenas o real.
O pós positivismo aceita que qualquer teoria constitua o real
(não há realidade para além da nossa interpretação), mas não
aceita que haja ciência social (a forma de construir o
conhecimento nas ciências sócias é diferente). A natureza
constitutiva das teorias internacionais; A natureza normativa
das teorias internacionais;
As relações internacionais e o sistema político
contemporâneo
A articulação entre o ambiente doméstico e global: a
perspectiva clássica das ri defende que existe uma distinção
entre o ambiente interno dos estados e o internacional. O
ambiente doméstico é organizado (Estados de direito
democrático, vigora uma constituição), no ambiente
internacional rege a anarquia (não há ordem), cada estado está
sozinho para se defender. “Linkage Politics”, Rousseau
defende haver articulação entre o ambiente interno e
internacional, as questões domesticas são facilmente
transnacionalizdas e as internacionais influenciam as
domésticas. A diversidade da agenda internacional: há uma
interdependência (doméstico influencia constituição da
agenda internacional no sentido da sua diversificação). No
plano internacional os media têm capacidade de influenciar a
forma como se pensa. Hegemonia normativa – capacidade de
influenciar as praticas e normas internacionais.
A Evolução histórica do sistema internacional
RI: relações entre unidades territorialmente delimitadas e
politicamente organizadas. As ri contemporâneas assentam
em 3 princípios: Territorialidade: estados são construções
políticas definidas num dado território (o território do estado
é físico e moral), a proteção do interesse nacional dos Estados
(com a política externa) tem duas dimensões: moral e física.
A questão das fronteiras tem duplo sentido (físicas – proteger
o Estado de ataques/invasões; morais – proteger a ordem
moral, migrantes são dupla ameaça, vêm de fora e trazem
novas ideias/valores). Soberania: os Estados reconhecem a
natureza soberana (sem igual na ordem interna nem superior
na ordem externa), há igualdade jurídica no plano
internacional. Regras e instituições comuns: na ordem
internacional, onde os estados são os principais atores, a
soberania estrutura as ri. Os estados foram consensualizando
um conjunto de regras, instituições, normas que regem a sua
interação e que geram expectativas entre eles, os estados
comportam-se de determinada forma esperando que os outros
façam o mesmo. As expectativas normalizam as ri e
descredibilizam a anarquia, pois existem regras comuns e
instituições comuns.
2
O sistema Internacional Contemporâneo O poder
internacional contemporâneo é imaterial – hegemonia
normativa, é a capacidade e influenciar a forma como se
pensam as RI. Complexidade e incerteza: heteropolaridade A
marca mais distintiva das ri é a complexidade (a forma como
os autores encontram conceitos para as definir);
unipolaridade, depois de 89, os EUA; bipolaridade, depois de
45, EUA e URSS; multipolaridade, até 45 pois existiam
várias potências europeias. Segundo James der Derian, não
se devem contar potências, existe uma heteropolaridade (o
poder está disperso por várias entidades), é uma questão
qualitativa (tem a ver com a forma como os atores usam o
poder, não quantos são). Existem vários atores de natureza
diferente que conseguem projetar poder e usá-lo de forma
diferente entre si (o sistema internacional é complexo).
Difusão do poder: volatilidade, imaterialidade e não
fungibilidade: o poder contemporâneo das ri é imaterial
(sobretudo normativo, influencia o que os outros pensam –
soft power). É difuso e volátil (flui entre atores internacionais
– factores de poder são variáveis consoante situações
especificas). Não fungibilidade (por um estado ter poder
material, não significa que que tem poder económico, cada
estado mobiliza um poder diferente. Dentro do estado, o
decisor político guia-se pela moral de convicção (segue a
constituição), mas no plano internacional segue a moral de
responsabilidade (tem a obrigação perante a sua comunidade
de garantir a sua sobrevivência e a inviolabilidade das
fronteiras do estado. Ou seja, não age por valores, mas sim
para defender a sua população e garantir a sua sobrevivência,
e pode usar todos os meios para o conseguir, sendo que no
sistema internacional domina o principio da autoajuda (o
Estado só pode contar consigo), sendo legitimo o uso de todos
os meios mesmo imorais. A imaterialidade do poder leva os
media a influenciarem o poder normativo por conferirem
visibilidade a certas questões da agenda internacional (fazem
sobressair umas em despeito das outras) e conseguem
enquadrar normativamente/ moralmente essas questões
estabelecendo relações de causalidade, seguindo assim a
posição dominante ou contra cultura. O que dá complexidade
ao poder normativo dos media é haver cada vez mais
variantes da AI. É cada vez mais importante interpretar o
mundo, tendo os media um papel essencial, podendo
manipular a realidade/ sua percepção.
Os media e a realidade internacional
Media e poder normativo: causalidade, história e visibilidade
Os media nas relações internacionais / media para as relações
internacionais (diplomacia pública; Programa Human
Terrain); Partindo do pressuposto que o poder é imaterial
(soft-power), pode afirmar-se que os media têm poder
internacional. Os media e a manipulação da realidade: Os
media exercem um função performativa na realidade
internacional (dizem-nos como devemos pensar). Deixamos
de questionar a informação/ ideias (meta narrativa). Os media
constroem imagem e contribuem para a sua cristalização. Os
media têm então uma função de analogias e metáforas e um
função performativa. Esta última verifica-se no foco
jornalismo – os media criam representações da realidade,
criam imagens encenadas; e representação do sofrimento
humano, segundo conceitos geográficos (Susan Soontag).
Poder e hegemonia normativa Media e “realidade”
internacional; Há uma relação simbiótica entre o exercício do
poder e o exercício da verdade. O poder exerce-se através do
poder da verdade. Os principais preponentes da agenda
internacional são os estados. Assim os media servem de
propaganda dos estados. Verificam-se por vezes tentativas do
poder político em condicionar a verdade. O discurso é
perigoso para o poder/ status quo. Todos os media (incluindo
os comerciais) sofrem pressões do poder político. No plano
internacional verificamos uma dupla competição: luta pelo
poder material e competição discursiva. Os estados têm de ser
produtores de verdade, eles próprios têm de ser agentes
construtivos da realidade internacional.
Os media e as relações internacionais:Forças de pressão
organizada são atores internacionais não governamentais que
exercem uma agência própria e especifica no plano
internacional e produzem um impacto especifico que só a eles
pode ser imputado. Têm uma estrutura, recursos, agenda
ideológica e de ação próprios, projetam os seus recursos no
plano internacional com o objectivo de causar impacto. Os
media globais são forças de pressão organizadas, enquanto
atores não governamentais, que tipicamente projetam um
poder internacional diferente dos estados. Como não possuem
força coerciva e como têm recursos escassos, a forma de
participarem no plano internacional é com recursos
discursivos normativos. O SI contemporâneo é cada vez mais
marcado pelo poder das elites internacionais e pela
emergência de públicos à escala global/ transnacional (ação
das elites perde importância). A ação intergovernamental
perde importância em favor dos atores da sociedade civil
transnacional (atores não governamentais e os públicos
transnacionais têm cada vez mais importância porque os
Estados têm de justificar ações de politicas externas perante o
nível doméstico e internacional). Na ausência de opinião
publica mundial temos a multiplicação de públicos globais
que emergem devido à ação da sociedade civil transnacional
(capazes de traduzir o sacrifício em ações sociais, como
protestos). Os públicos vão surgindo devido a diferentes
causas, limitando o poder das elites/ estados na sociedade
transnacional. O SI contemporâneo é cada vez menos
marcado pela noção de interesse nacional e cada vez mais por
questões da AI. Os estados tem cada vez mais dificuldade em
justificar as suas ações de política externa recorrendo ao
conceito de interesse nacional. Tornar-se cada vez mais
complicado utilizar o estado como justificação. Torna-se
necessário justificar com base na moralidade internacional. O
SIC é cada vez mais marcado pelo exercício do poder
normativo (questões imateriais) em detrimento do poder
material. Os media, sendo uma agência normativa
(hegemonia normativa – capacidade de influenciar o
pensamento sobre as ri) e participam na arena competitiva
internacional. Têm uma função performativa nas RI (no
plano doméstico e internacional não se limitam a descrever,
mas constituem/constroem a realidade e exercem uma função
na realidade internacional – nas práticas discursivas e na
visualidade). É uma função eminentemente cultural. Os
media constroem e retificam (repetir até normalizar), até ser
uma meta narrativa não questionada. Constroem ideias e
contribuem para que eles se cristalizem.
3
TRES fases da evolução dos media: de 1853 a 2013:
Reportagem:1º XIX com a Guerra da Crimeia- nasce o
fotojornalismo, em particular, o fotojornalismo de guerra.
Roger Fenton (1855) foi enviado para a Crimeia para captar
imagens do conflito e através da difusão das mesmas,
contrariar a perspetiva crítica britânica sobre o envolvimento
do Reino Unido em tal conflito. Fenton tinha instruções
explícitas para não fotografar imagens que pudessem
traumatizar a opinião pública. Recaem suspeitas sobre ele por
acreditar-se que encenou a fotografia The Valley of the
Shadow of Death com o objetivo de conferir uma maior
pungência dramática à imagem. A fotografia pode ser
manipulada, e se há uma manipulação da realidade- criando-
se uma distância entre realidade e simulação- prova-se que a
instrumentalização dos media pode provocar essa simulação e
que estes intervêm na definição daquilo que as audiências
consideram ser a realidade. Os media por um lado são
instrumentalizados pelos órgãos políticos de forma a simular
a realidade e influenciar a opinião pública; por outro lado,
têm eles mesmos a capacidade de simular a realidade.
Mathew Brady produz um conjunto de imagens da guerra
civil norte-americana. São imagens que se tornaram
iconográficas, pois são graficamente explícitas, incluindo
morte e sofrimento. Ao contrário do que aconteceu com
Fenton, Brady e os seus associados não possuíam quaisquer
orientações sobre as imagens e produziram, então, uma
iconografia que retratasse a realidade da guerra. O objetivo
era fundamentalmente moral: denunciar o horror do conflito
militar e a perda de vidas humanas. No entanto, também
Brady recorreu à encenação das imagens com o propósito de
enfatizar o seu caráter dramático. Apesar disso, o objetivo de
Brady não era político mas sim económico: Precisava de
vender as suas fotografias. As imagens de Brady, ao serem
manipuladas no sentido de aumentar o efeito dramático,
podem também ser interpretadas como tendo um efeito
dissuasor de novas guerras; a encenação aumentou o potencial
da fotografia causar memória traumática e por isso pode se
um fator influenciador na dissuasão de novas guerras civis.
Transmissão: (1ª e 2ª Guerra Mundial): Criação da BBC:
foi muito polémica por razões contraditórias. Existia um
grupo de pessoas que viam a BBC como um instrumento
político- meio de comunicação de massas, veículo de
propaganda; um outro grupo de pessoas dizia que era
perigosa, pois podia revelar segredos de guerra- medo da
capacidade autónoma dos media em questionarem as políticas
públicas dos estados. Esta foi uma fase de narrativas
coletivas, guerras psicológicas e de cinematografia de
mobilização coletiva: é nesta fase que a instrumentalização
dos media por parte dos aparelhos de poder atingiu o seu
clímax. Neste contexto, assumem especial importância as
cinematografias produzidas por Leni Riefenstahl e Frank
Capra. Leni Riefenstahl (realizadora): foi incumbida de
produzir cinematografia de propaganda para o regime nazi.
Foi um instrumento fundamental da propaganda de guerra
alemã. “O Triunfo da Vontade” é um documentário sobre o
congresso de 1934 do Partido Nazi em Nuremberga, sendo
que toda a obra corresponde a uma encenação do poder e da
ideologia da Alemanha nazi: imortaliza os rituais e os
símbolos do regime nazi glorificando os seus ideais. Frank
Capra: Produziu um conjunto de documentários que foram
também obras primas de propaganda: representa a imagem do
americano médio e a imagem do inimigo através de
estereótipos: vai definir aquilo que os americanos são e aquilo
que os americanos não querem ser (“Why We Fight”). Apesar
de nas décadas de 30 e 40 a cinematografia ter sido
maioritariamente de mobilização coletiva e propaganda,
existem outras abordagens aos governos da altura. Exemplo:
abordagem crítica- Charlie Chaplin em “O Grande Ditador” -
faz uma cinematografia de intervenção social (crítica e
paródia de Hitler). O final da II Guerra Mundial:
importância dos media para a gestão de traumas
internacionais. A captação do lançamento da bomba sobre
Hiroshima e da sua devastação tiveram a explícita intenção de
servir como mecanismo de dissuasão de uma futura guerra
nuclear. 1960-70: Inversão do papel dos media.
Representações iconográficas da guerra do Vietname e
participação dos EUA: imagens de resistência da sociedade
civil norte-americana à participação no conflito e difusão das
imagens do mesmo contribuíram para elevar o custo de
tolerância dessa participação a um nível insustentável. O
empoderamento e o papel crítico dos media foi estimulado
por outros 2 acontecimentos: a mudança da cultura
cinematográfica (democratização e liberalização da produção
cultural) na década de 1970 e a crescente consciencialização
do poder dos media para o desenvolvimento da vida política
doméstica dos Estados. Efeitos (final da década de 1980),
corresponde a uma fase de complexificação da agência
internacional dos media, explicada por 4 fatores: 1- Fim do
confronto bipolar: vai abrir uma janela de oportunidade para a
afirmação de novos atores e novas perspetivas nas relações
internacionais. 2- Evolução as tecnologias de informação e de
comunicação: multiplicação e a complexificação das
tecnologias, nomeadamente na arena digital, eu permitem a
produção, difusão e mobilização de informação que está na
base da emergência de fenómenos como o chamado “efeito
CNN”. 3- Efeitos potencialmente nocivos que a cobertura
mediática dos conflitos internacionais pode ter ao nível da
mobilização popular. Exemplo: Síndrome do Vietname:
Receio dos decisores políticos da democratização da política
externa, pois têm medo do papel dos medias nos conflitos
porque estes afirmam-se como críticos e fator desmobilizador
da guerra (ao contrário do que se tinha observado durante a
2GM). 4- Efeito de “Aceleração da História”; Conflitos que
se deram após o término a Guerra Fria vieram trazer para a
agenda internacional um novo conjunto de problemáticas
atípicas que receberam alta cobertura mediática.
Os media como atores das relações internacionais
Impacto dos media na política externa e na condução da
diplomacia Media e política externa: influência na definição
de políticas públicas e no desenvolvimento do ‘soft power’;
Na AI dos medias estabelece-se um contínuo teórico que
inclui teorias que oferecem uma Ai considerável aos media e
no extremo do contínuo, teorias que argumentam que os
media não têm uma AI própria (são apenas instrumentalizadas
pelos aparelhos políticos). No contexto internacional pós
Guerra Fria a Ai dos media é mais discutida. Contexto pós
bipolar: 4 factores analíticos: “Anarquia conceptual”: uma
grande indefinição sobre as características da contextualidade
internacional no pós-GF, surgindo a discussão sobre qual o
modelo que explica a interação das potências em 90 (uni, bi,
multi, hetero). A anarquia demonstra que o Estado deixou de
ser o único ator no contexto internacional, surgindo uma
janela de oportunidade para os media (empoderados também
com uma revolução das tecnologias da comunicação).
Revolução nas tecnologias da comunicação; “Síndrome do
Vietname”: é uma outra causa para maior discussão da AI dos
media. A incerteza quando à importância dos media na PE
vem obrigar os estados a estudarem o papel dos media na PE
para evitar outro Vietnam, que teve um desfecho pouco
lisonjeiro para os EUA. Decisores políticos e militares
interrogam-se sobre os efeitos das exposições públicas de PE,
tendo assim mais interesse em estudar o papel internacional
dos media. O “Fim da História” (1992) e o conceito de
interesse nacional. Na década de 90 surge o argumento de que
a história chegou ao fim, neoliberalismo vence a GF. Na
realidade o SI complexificou-se empoderando a ação
internacional.
4
Visualidade e relações internacionais
A visualidade condiciona as respostas politicas/ PI (imagem
do trauma influencia o decisor político na PE), securitização
depende das imagens, quanto maior dramatização melhor. A
importância da cultura nas relações sociais: (“the cultural
turn” nas ciências sociais): representação, interpretação,
narrativa; A visualidade nas ri interessa como veículo de
significados sociais. O estudo da visualidade é um estudo
sobre o valor da cultura nas sociedades e, sobretudo, a partir
da década de 70, tem havido um maior recurso a estudos
sobre a importância da cultura para a estruturação dos
significados sociais. A cultura visual é assim uma fonte de
representação social. Ao conterem uma interpretação, as
imagens têm uma carga moral, ou seja, são fonte de
moralidade, constroem significados sociais e estabelecem
relações de causalidade. A cultura visual é cada vez mais uma
fonte de significados sociais. Compreendemos o SI através de
ator visuais, não discursivos. Visualidade é diferente de
regime visual. A visualidade é a normativa que a imagem
produz. Qualquer acontecimento é difundido por imagens. O
regime visual é a interpretação desse normativa, o objectivo
político que está por detrás da construção dessas imagens.
Cultura e práticas sociais: a dimensão causal, performativa e
moral da cultura (ex. propaganda; publicidade); Natureza
performativa da imagem relativamente à realidade.
Desenvolver o conceito de literacia visual, capacidade que
uma determinada população tem de compreender e interpretar
as imagens e os regimes visuais. Pensar os regimes visuais,
não é aceitá-los mas desconstrui-los. É necessário interrogar a
relação que existe entre a visualidade e a textualidade, ambas
são fontes autónomas de significado social. O texto é um
mecanismo que reforça a interpretação narrativa. Que função
performativa é desenvolvida pela visualidade? Fonte do
cinema/ industria cultural, analogia história, criar
estereótipos, propaganda/diplomacia pública - instruir/educar,
explorar a dimensão psicológica da comunicação humana,
mitos, imagens, estereótipos e percepções da política externa.
A cultura visual – factores fundamentais:
O poder performativo da imagem: a autonomia do impacto da
imagem: tem uma componente performativa (o recurso visual
constrói uma realidade, tem função política na realidade –
in/exclusão, papéis sociais, hierarquia). Devemos considerar
que a imagem tem autonomia, por si só e fonte de criação de
factos sociais, é uma fonte autónoma de significados sociais.
.“literacia visual”: aplica-se à interpretação/ compreensão de
atos discursivos, ou seja, a capacidade que certa audiência
tem de compreender e interpretar e descodificar as imagens e
regimes visuais. Pensar os regimes visuais não é aceitá-los é
interpretá-los e entender como é que a imagem tem função
performativa. Visualidade e textualidade: a interpretação da
imagem e do texto que a acompanha. É necessário interrogar
a relação entre visualidade e textualidade (ambas fontes
autónomas do significado social). É necessário interrogar a
relação entre visualidade e textualidade. O texto reforça a
vontade normativa da imagem. Da construção social da
visualidade à natureza performativa do domínio visual: a
interpretação do recurso visual requer sempre uma relação
social, não há ponto de vista neutro. Visualidade e analogia
histórica: para o poder político legitimar uma política recorre
a esta função, faz pontes entre acontecimentos (EUA utilizam
11/9 e a guerra do Vietnam. Visualidade e diferença social: o
poder diferenciador da imagem, a imagem cria categorias
sociais de pensamento, faz-nos pensar segundo
estereótipos/representações que naturalizam.
“Soft Power” e Diplomacia Pública
Diplomacia pública (instrumento da PE), conjunto de
atividades e estratégias externas do Estado que pretendem
fixar no exterior uma imagem positiva dessa comunidade
política, materializa o conceito de Soft power (conjunto de
estratégias para difundir uma imagem internacional e afirmar
a vocação do Estado no plano internacional). Essas atividades
podem ser pacíficas ou violentas. Diplomacia na arena
pública é para construir a imagem do estado. Engenharia
social global: soft power e diplomacia pública. 1º fase –
definição do interesse nacional; 2º fase – implementação dos
objectivos nacionais: decisões que os Estados tomam para
cooperar internacionalmente;3º fase – avaliação de resultados
.
Para terem soft power, os decisores políticos precisam dos
media. 3 características fundamentais que Joseph Nye
considera necessárias para um decisor político para que
desenvolva soft power: inteligência emocional (a sua
personalidade e estabilidade é fundamental para o exercício
de poder de atração cultural – mediatização/ encenação do seu
comportamento); capacidade de visão/ liderança (capacidade
de comunicar uma visão/ objectivo à comunidade política/
visão do mundo para o exterior, a propaganda encena imagens
do líder); capacidade de comunicação (comunicação verbal e
visual, a imagem do líder é encenada de 2 formas. Os líderes
precisam de performatividade visual – iconografia visual
especifica). Exemplo: Kennedy.
Objetivos e instrumentos de Política Externa (Abordagem
DIME):
Diplomático – representação, negociação, promoção,
proteção, informação (funções da diplomacia tradicional).
Informacional – a diplomacia publica é informacional pois
lida com mecanismos de informação dentro da sociedade. Os
objectivos informacionais podem ter duas faces: pacifica e
violenta.
Militar – implicam a utilização do conflito como meio de
satisfação da PE. É o instrumento violento de PE. Há estados
e organizações que estabelecem relações militares que não
são necessariamente violentas (peacekeaping).
Económico – podem ser pacíficos (ajuda ao desenvolvimento)
ou violentos (embargos). Quando a ação económica
estabelece uma relação abusiva entre dois estados (entre
desenvolvido e em desenvolvimento) torna-se predatória. É
uma ação económico considerada violenta, ação económica
ilegítima.
A Ordem Internacional da Informação e da Comunicação
Do século XIX a 1945: caracterizada pelo início da
emergência de um regime internacional da informação e da
comunicação. Essa emergência acontece devido à sofisticação
tecnológica que permite o aumento dos fluxo de informação e
de comunicação à escala global. É neste fase que se
estimulam os transportes marítimos, ferroviários, industria
cultural, comunicação via postal e as comunicação via
telegrafo. Objectivo da estandardização; objetivo do
desenvolvimento. Inicio da institucionalização de um regime
global na área a informação e da comunicação. Governar algo
internacionalmente. O período pós II Guerra Mundial: a
consolidação de um regime internacional de comunicação e
de informação: a partir da década de 70 desenvolveu-se o
carácter ideológico da ordem global da informação e da
comunicação, levou à crise da UNESCO.
Contemporaneamente o principio é o da liberalização da
informação e da comunicação. A pose da informação e do
conhecimento é visto de um ponto de vista ideológico.
Determinismo tecnológico. Principio da escassez artificial.
No que toca á informação e a com se deve respeitar o
principio liberal, de que a informação/ tecnológico/ é um bem
económico. Não ideológicos nem sociais. (neste regime em
particular). Há dois agentes que tem grande primazia na
ordem de informação e comunicação: os estados e as
empresas.
5
A securitização da Agenda Internacional
O conceito de segurança é um conceito muito contestado,
fundamentalmente a partir da década de 90. Emerge um
debate em torno de saber se este conceito inspira ou não
inspira segurança. Tradicionalista – segurança é segurança
internacional, segurança do estado, sobrevivência física e
moral. O estado tem toda a legitimidade em promover
politicas que lhe permitam atingir a sobrevivência da sua
comunidade. Visão Engliana do estado – estado como
principal modelo de organização do político. Velha
perspectiva tradicional de que no plano internacional existe
apenas moral de responsabilidade e não de convicção. Com o
fim da guerra fria e com a diversificação da agenda
internacional começa a pensar-se em alargar e complexificar
o conceito de segurança. E neste contexto as NU vão
introduzir um conceito novo: conceito de segurança humana.
É preciso considerar as ameaças à segurança não só do estado
mas também do próprio individuo. A existência do indivíduo
deve ser liberta de fome, de escassez material e liberta de
medo, salvaguardar o individuo e não só o estado. Surgem
também outros conceitos como segurança ambiental,
económica etc, diferentes da tradicionalista. Também neste
contexto um conjunto de autores da escolha de Copenhaga
introduz o conceito de securitização. Vão argumentar que é
necessário não só alargar o objecto de segurança, mas
também, refletir nas práticas de segurança. E é necessário
admitir que a segurança é um conceito contestado, alvo de
debate e de discussão. Pois é socialmente construído, é
interação entre os seres humanos que constrói todo o conceito
social incluído o conceito de segurança. Segundo estes
autores é preciso pensar nas consequências do emprego da
linguagem securitária, quando utilizamos o termo segurança.
Quando um decisor político ou um meio de comunicação
social, utilizam este termo nas suas práticas discursivas, esse
emprego trás consequências. São essas consequências que são
analisadas através do conceito de securitização.
Os Media e os conflitos internacionais e intranacionais Os
mediam em cenários de guerra: Os media e os conflitos: do
século XIX ao século XXI: Roger Fenton /Mathew Brady;
Frank Kapra/Leni Riefensthal; o “síndrome do Vietname” e o
“efeito CNN”;,Conflitos – contexto fundamental para a ação
fundamental dos media. Exemplo: guerra da Crimeia e guerra
da secessão norte americana, se pôs a questão da eventual
manipulação da realidade por parte dos media, assumem-se
como construtores de narrativas histórias, memória, trauma.
,Em meados dos séc. XX a importância do media e da
industria da propaganda para a política. No final da década de
60 e 70, o síndrome do Vietnam mostra a importância dos
media para a desconstrução das narrativas de mobilização
colectiva. Conflitos enquanto pivots fundamentais da
participação dos media. Na década de 90 surgem a grande
teoria dos medias, sobre a sua capacidade de levaram o estado
para a guerra. Porque tanto existe uma dissonância cognitiva
ente os media e o decisores político, já sabemos que os media
têm um timing e uma racionalidade muito própria de
mediatismo de 24h sobre 24h, mas para além da dissonância
entre os media e aparelho político, também entre os media o
aparelho militar (suspeito das atividades de mediatização
pública desenvolvida pelos media). Neste sentido a guerra do
Vietnam é um ponto de viragem, demonstrou os media como
aparelhos de mobilização colectiva mas sem de
desmobilização. Nas democracias liberais existe uma grande
incoerência entre os media e o aparelho militar não havendo
uma fácil relação entre eles. Após a guerra fria, os media
assumem um papel fundamental a nível das ri no contexto do
novo humanitarismo. Na década de 90, por via da pressão
mediática surge a questão do direito de ingerência
humanitária, ideia de que os estados nas ri deveriam ignorar o
que esta na carta da NU e deveriam intervir quando um estado
violasse claramente os direitos das suas populações. Na
difusão deste novo direito, os media tiveram um papel
fundamental, a mediatização do sofrimento levou as
audiências a questionarem-se sobre a intervenção
internacional. ,O efeito CNN teve a virtude de, após a Guerra
Fria, levar os estados a pensarem sobre a intervenção no
direito internacional. Não colheu pois não tinha base jurídica;
houve uma grande seletividade nas ações de ingerência que
ocorreram na década de 90 (Iraque, Kosovo, Somália).

TEORIA RELASAUN INTERNASIONAL

  • 1.
    1 As imagens dasrelações internacionais: A anarquia internacional: é a leitura dominante de imagem internacional nas ri. Nesta imagem o individuo só vale enquanto cidadão de um estado (quando está dentro dele, só assim tem direito). O estado vale mais que o indivíduo. Esta visão parte do pressuposto que não há evolução (há e sempre haverá anarquia), O pessimismo antropológico e a ausência de estado; A importância do poder e a ausência de normatividade; Sobrevivência, autoajuda e dilema securitário; Moral de responsabilidade (Hans Morgenthau): o decisor político tem a obrigação, perante a sua comunidade de garantir, a sua sobrevivência. Garantir a inviolabilidade das fronteiras do estado. (Fronteiras físicas – proteger o estado de invasões, ataques estrangeiros; fronteiras morais – exemplo: para indivíduos de extrema direita, as migrações são uma dupla ameaça pois não só entram nas fronteiras como trazem novas culturas). O decisor político não se deve guiar pelos seus valores, mas sim pela moral de responsabilidade. Autoajuda: o estado só pode contar consigo. É legitimo o uso de todos os meios (mesmo imorais) para proteger a sua comunidade. Dilema Securitário: os Estados vivem num meio de desconfiança mútua, sempre com receio que o vizinho seja um potencial agressor. Na visão de Engle, o Estado é a forma de organização política mais perfeita. A antropomorfização do estado e o estatocentrismo; Principal ator: estado, que é a comunidade política mais perfeita. A comunidade internacional: Não vivemos em anarquia, vivemos numa comunidade internacional. Ferdinand Tönnies - Distinção entre sociedade (o individuo escolhe) e comunidade (não escolhemos a que comunidade pertencemos). Nós enquanto seres humanos estamos sujeitos a uma comunidade do género humano. Há ameaças transnacionais, afectam todos de igual. Todos temos responsabilidade de cuidar do nosso mundo. Vai beber à ideia do cosmopolismo – cidadão do mundo (corrente estoica). Enquanto que na imagem da anarquia, o individuo só vale enquanto cidadão do estado. O estado existe para servir o homem (o homem é que precisa de proteção, não o estado). O indivíduo vale por si mesmo pois é feito à semelhança de Deus, não precisando de ser mediático do estado (tem valor ontológico superior ao do Estado). (Desenvolvimento cristão, S. Paulo). Há leis (normas do direito natural – jusnaturalismo – que se impõe ao estado, inviolabilidade da vida humana, leis naturais existentes antes de se formar o estado). Há moral/ princípios globais valores acima do estado, isto não significa globalização (ordem global, porque existe à parte da ideia de comunidade). Nesta visão os estados pretendem superar a anarquia criando o direito, diplomacia internacional para diminuir os efeitos da anarquia – os Estados querem ter boa imagem/ prestigio. Os estados refletem sobre as suas atitudes, tentam tomar ações de política externa com alguma moralidade (justificar as questões morais aos media/ através deles). Comunidade natural e identidade; Individuo vs estado; Normatividade e jusnaturalismo; Comunidade global vs globalização vs ordem global; A sociedade internacional: Nem anarquia nem comunidade, vivemos numa sociedade. Os estados quiseram superar a anarquia criando o direito e a diplomacia internacional. Vivemos numa sociedade pois existem normas e regras, os Estados não podem fazer tudo o que querem, no entanto estas normas são criadas pelos Estados. O direito internacional materializa-se em acordos e tratados. Há princípios jus cogens (inviolabilidade da soberania, tratados devem ser cumpridos. Os estados foram criam leis e tratados que limitassem a anarquia internacional. Os estados procuram sempre dar justificações morais, prova da evolução dos estados. Ex. Barack Obama. Estruturação e normatividade; Sociedade vs comunidade; A natureza plural da sociedade internacional; A natureza evolutiva e reflexiva da sociedade internacional; As 3 imagens são narrativas teóricas do estado do sistema internacional, interpretam as ri. A imagem 1 apresenta uma abordagem mais realista, supostamente retrata a realidade. No entanto a realidade internacional pode ser interpretada e lida de diferentes formas, imagem 2 e 3. Não há factos, há apenas a interpretação social que as pessoas fazem. As teorias são assim um mecanismo simplificado/ formas de interpretar a realidade. Todo o texto tem um conteúdo ontológico (da teoria que se quer difundir) e um componente epistemológico (constrói o conhecimento) realidade – método. Não há abordagens neutras às RI. Cuidado em tentar perceber a matriz teórica por detrás de cada autor. O estudo do sistema internacional A) A função da teoria nas ciências sociais: Teoria: pensamento reflexivo; “A theory is some kind of a simplifying device that allows you to decide which facts matter and which do not.” (Baylis, Smith) A ontologia e a epistemologia das ciências sociais; B) RI: Ontologia e níveis de análise Onde podemos ver as relações internacionais?O nível doméstico: as questões domésticas facilmente se internacionalizam, internacionalização dos problemas. O nível internacional: entre os próprios estados, relações internacionais/ intergovernamentais. O plano internacional pode ter consequências a nível interno; O nível global /transnacional: relações entre atores estaduais e atores não governamentais; entre atores não governamentais; ex. medias; ONG’s; grupos erráticos (ex. terrorismo). Diversificação das relações à escala global, surgindo interações transnacionais. C) RI: Epistemologia e relação teoria / prática O positivismo é a abordagem epistemológica/ teoria que descreve apenas o real. O pós positivismo aceita que qualquer teoria constitua o real (não há realidade para além da nossa interpretação), mas não aceita que haja ciência social (a forma de construir o conhecimento nas ciências sócias é diferente). A natureza constitutiva das teorias internacionais; A natureza normativa das teorias internacionais; As relações internacionais e o sistema político contemporâneo A articulação entre o ambiente doméstico e global: a perspectiva clássica das ri defende que existe uma distinção entre o ambiente interno dos estados e o internacional. O ambiente doméstico é organizado (Estados de direito democrático, vigora uma constituição), no ambiente internacional rege a anarquia (não há ordem), cada estado está sozinho para se defender. “Linkage Politics”, Rousseau defende haver articulação entre o ambiente interno e internacional, as questões domesticas são facilmente transnacionalizdas e as internacionais influenciam as domésticas. A diversidade da agenda internacional: há uma interdependência (doméstico influencia constituição da agenda internacional no sentido da sua diversificação). No plano internacional os media têm capacidade de influenciar a forma como se pensa. Hegemonia normativa – capacidade de influenciar as praticas e normas internacionais. A Evolução histórica do sistema internacional RI: relações entre unidades territorialmente delimitadas e politicamente organizadas. As ri contemporâneas assentam em 3 princípios: Territorialidade: estados são construções políticas definidas num dado território (o território do estado é físico e moral), a proteção do interesse nacional dos Estados (com a política externa) tem duas dimensões: moral e física. A questão das fronteiras tem duplo sentido (físicas – proteger o Estado de ataques/invasões; morais – proteger a ordem moral, migrantes são dupla ameaça, vêm de fora e trazem novas ideias/valores). Soberania: os Estados reconhecem a natureza soberana (sem igual na ordem interna nem superior na ordem externa), há igualdade jurídica no plano internacional. Regras e instituições comuns: na ordem internacional, onde os estados são os principais atores, a soberania estrutura as ri. Os estados foram consensualizando um conjunto de regras, instituições, normas que regem a sua interação e que geram expectativas entre eles, os estados comportam-se de determinada forma esperando que os outros façam o mesmo. As expectativas normalizam as ri e descredibilizam a anarquia, pois existem regras comuns e instituições comuns.
  • 2.
    2 O sistema InternacionalContemporâneo O poder internacional contemporâneo é imaterial – hegemonia normativa, é a capacidade e influenciar a forma como se pensam as RI. Complexidade e incerteza: heteropolaridade A marca mais distintiva das ri é a complexidade (a forma como os autores encontram conceitos para as definir); unipolaridade, depois de 89, os EUA; bipolaridade, depois de 45, EUA e URSS; multipolaridade, até 45 pois existiam várias potências europeias. Segundo James der Derian, não se devem contar potências, existe uma heteropolaridade (o poder está disperso por várias entidades), é uma questão qualitativa (tem a ver com a forma como os atores usam o poder, não quantos são). Existem vários atores de natureza diferente que conseguem projetar poder e usá-lo de forma diferente entre si (o sistema internacional é complexo). Difusão do poder: volatilidade, imaterialidade e não fungibilidade: o poder contemporâneo das ri é imaterial (sobretudo normativo, influencia o que os outros pensam – soft power). É difuso e volátil (flui entre atores internacionais – factores de poder são variáveis consoante situações especificas). Não fungibilidade (por um estado ter poder material, não significa que que tem poder económico, cada estado mobiliza um poder diferente. Dentro do estado, o decisor político guia-se pela moral de convicção (segue a constituição), mas no plano internacional segue a moral de responsabilidade (tem a obrigação perante a sua comunidade de garantir a sua sobrevivência e a inviolabilidade das fronteiras do estado. Ou seja, não age por valores, mas sim para defender a sua população e garantir a sua sobrevivência, e pode usar todos os meios para o conseguir, sendo que no sistema internacional domina o principio da autoajuda (o Estado só pode contar consigo), sendo legitimo o uso de todos os meios mesmo imorais. A imaterialidade do poder leva os media a influenciarem o poder normativo por conferirem visibilidade a certas questões da agenda internacional (fazem sobressair umas em despeito das outras) e conseguem enquadrar normativamente/ moralmente essas questões estabelecendo relações de causalidade, seguindo assim a posição dominante ou contra cultura. O que dá complexidade ao poder normativo dos media é haver cada vez mais variantes da AI. É cada vez mais importante interpretar o mundo, tendo os media um papel essencial, podendo manipular a realidade/ sua percepção. Os media e a realidade internacional Media e poder normativo: causalidade, história e visibilidade Os media nas relações internacionais / media para as relações internacionais (diplomacia pública; Programa Human Terrain); Partindo do pressuposto que o poder é imaterial (soft-power), pode afirmar-se que os media têm poder internacional. Os media e a manipulação da realidade: Os media exercem um função performativa na realidade internacional (dizem-nos como devemos pensar). Deixamos de questionar a informação/ ideias (meta narrativa). Os media constroem imagem e contribuem para a sua cristalização. Os media têm então uma função de analogias e metáforas e um função performativa. Esta última verifica-se no foco jornalismo – os media criam representações da realidade, criam imagens encenadas; e representação do sofrimento humano, segundo conceitos geográficos (Susan Soontag). Poder e hegemonia normativa Media e “realidade” internacional; Há uma relação simbiótica entre o exercício do poder e o exercício da verdade. O poder exerce-se através do poder da verdade. Os principais preponentes da agenda internacional são os estados. Assim os media servem de propaganda dos estados. Verificam-se por vezes tentativas do poder político em condicionar a verdade. O discurso é perigoso para o poder/ status quo. Todos os media (incluindo os comerciais) sofrem pressões do poder político. No plano internacional verificamos uma dupla competição: luta pelo poder material e competição discursiva. Os estados têm de ser produtores de verdade, eles próprios têm de ser agentes construtivos da realidade internacional. Os media e as relações internacionais:Forças de pressão organizada são atores internacionais não governamentais que exercem uma agência própria e especifica no plano internacional e produzem um impacto especifico que só a eles pode ser imputado. Têm uma estrutura, recursos, agenda ideológica e de ação próprios, projetam os seus recursos no plano internacional com o objectivo de causar impacto. Os media globais são forças de pressão organizadas, enquanto atores não governamentais, que tipicamente projetam um poder internacional diferente dos estados. Como não possuem força coerciva e como têm recursos escassos, a forma de participarem no plano internacional é com recursos discursivos normativos. O SI contemporâneo é cada vez mais marcado pelo poder das elites internacionais e pela emergência de públicos à escala global/ transnacional (ação das elites perde importância). A ação intergovernamental perde importância em favor dos atores da sociedade civil transnacional (atores não governamentais e os públicos transnacionais têm cada vez mais importância porque os Estados têm de justificar ações de politicas externas perante o nível doméstico e internacional). Na ausência de opinião publica mundial temos a multiplicação de públicos globais que emergem devido à ação da sociedade civil transnacional (capazes de traduzir o sacrifício em ações sociais, como protestos). Os públicos vão surgindo devido a diferentes causas, limitando o poder das elites/ estados na sociedade transnacional. O SI contemporâneo é cada vez menos marcado pela noção de interesse nacional e cada vez mais por questões da AI. Os estados tem cada vez mais dificuldade em justificar as suas ações de política externa recorrendo ao conceito de interesse nacional. Tornar-se cada vez mais complicado utilizar o estado como justificação. Torna-se necessário justificar com base na moralidade internacional. O SIC é cada vez mais marcado pelo exercício do poder normativo (questões imateriais) em detrimento do poder material. Os media, sendo uma agência normativa (hegemonia normativa – capacidade de influenciar o pensamento sobre as ri) e participam na arena competitiva internacional. Têm uma função performativa nas RI (no plano doméstico e internacional não se limitam a descrever, mas constituem/constroem a realidade e exercem uma função na realidade internacional – nas práticas discursivas e na visualidade). É uma função eminentemente cultural. Os media constroem e retificam (repetir até normalizar), até ser uma meta narrativa não questionada. Constroem ideias e contribuem para que eles se cristalizem.
  • 3.
    3 TRES fases daevolução dos media: de 1853 a 2013: Reportagem:1º XIX com a Guerra da Crimeia- nasce o fotojornalismo, em particular, o fotojornalismo de guerra. Roger Fenton (1855) foi enviado para a Crimeia para captar imagens do conflito e através da difusão das mesmas, contrariar a perspetiva crítica britânica sobre o envolvimento do Reino Unido em tal conflito. Fenton tinha instruções explícitas para não fotografar imagens que pudessem traumatizar a opinião pública. Recaem suspeitas sobre ele por acreditar-se que encenou a fotografia The Valley of the Shadow of Death com o objetivo de conferir uma maior pungência dramática à imagem. A fotografia pode ser manipulada, e se há uma manipulação da realidade- criando- se uma distância entre realidade e simulação- prova-se que a instrumentalização dos media pode provocar essa simulação e que estes intervêm na definição daquilo que as audiências consideram ser a realidade. Os media por um lado são instrumentalizados pelos órgãos políticos de forma a simular a realidade e influenciar a opinião pública; por outro lado, têm eles mesmos a capacidade de simular a realidade. Mathew Brady produz um conjunto de imagens da guerra civil norte-americana. São imagens que se tornaram iconográficas, pois são graficamente explícitas, incluindo morte e sofrimento. Ao contrário do que aconteceu com Fenton, Brady e os seus associados não possuíam quaisquer orientações sobre as imagens e produziram, então, uma iconografia que retratasse a realidade da guerra. O objetivo era fundamentalmente moral: denunciar o horror do conflito militar e a perda de vidas humanas. No entanto, também Brady recorreu à encenação das imagens com o propósito de enfatizar o seu caráter dramático. Apesar disso, o objetivo de Brady não era político mas sim económico: Precisava de vender as suas fotografias. As imagens de Brady, ao serem manipuladas no sentido de aumentar o efeito dramático, podem também ser interpretadas como tendo um efeito dissuasor de novas guerras; a encenação aumentou o potencial da fotografia causar memória traumática e por isso pode se um fator influenciador na dissuasão de novas guerras civis. Transmissão: (1ª e 2ª Guerra Mundial): Criação da BBC: foi muito polémica por razões contraditórias. Existia um grupo de pessoas que viam a BBC como um instrumento político- meio de comunicação de massas, veículo de propaganda; um outro grupo de pessoas dizia que era perigosa, pois podia revelar segredos de guerra- medo da capacidade autónoma dos media em questionarem as políticas públicas dos estados. Esta foi uma fase de narrativas coletivas, guerras psicológicas e de cinematografia de mobilização coletiva: é nesta fase que a instrumentalização dos media por parte dos aparelhos de poder atingiu o seu clímax. Neste contexto, assumem especial importância as cinematografias produzidas por Leni Riefenstahl e Frank Capra. Leni Riefenstahl (realizadora): foi incumbida de produzir cinematografia de propaganda para o regime nazi. Foi um instrumento fundamental da propaganda de guerra alemã. “O Triunfo da Vontade” é um documentário sobre o congresso de 1934 do Partido Nazi em Nuremberga, sendo que toda a obra corresponde a uma encenação do poder e da ideologia da Alemanha nazi: imortaliza os rituais e os símbolos do regime nazi glorificando os seus ideais. Frank Capra: Produziu um conjunto de documentários que foram também obras primas de propaganda: representa a imagem do americano médio e a imagem do inimigo através de estereótipos: vai definir aquilo que os americanos são e aquilo que os americanos não querem ser (“Why We Fight”). Apesar de nas décadas de 30 e 40 a cinematografia ter sido maioritariamente de mobilização coletiva e propaganda, existem outras abordagens aos governos da altura. Exemplo: abordagem crítica- Charlie Chaplin em “O Grande Ditador” - faz uma cinematografia de intervenção social (crítica e paródia de Hitler). O final da II Guerra Mundial: importância dos media para a gestão de traumas internacionais. A captação do lançamento da bomba sobre Hiroshima e da sua devastação tiveram a explícita intenção de servir como mecanismo de dissuasão de uma futura guerra nuclear. 1960-70: Inversão do papel dos media. Representações iconográficas da guerra do Vietname e participação dos EUA: imagens de resistência da sociedade civil norte-americana à participação no conflito e difusão das imagens do mesmo contribuíram para elevar o custo de tolerância dessa participação a um nível insustentável. O empoderamento e o papel crítico dos media foi estimulado por outros 2 acontecimentos: a mudança da cultura cinematográfica (democratização e liberalização da produção cultural) na década de 1970 e a crescente consciencialização do poder dos media para o desenvolvimento da vida política doméstica dos Estados. Efeitos (final da década de 1980), corresponde a uma fase de complexificação da agência internacional dos media, explicada por 4 fatores: 1- Fim do confronto bipolar: vai abrir uma janela de oportunidade para a afirmação de novos atores e novas perspetivas nas relações internacionais. 2- Evolução as tecnologias de informação e de comunicação: multiplicação e a complexificação das tecnologias, nomeadamente na arena digital, eu permitem a produção, difusão e mobilização de informação que está na base da emergência de fenómenos como o chamado “efeito CNN”. 3- Efeitos potencialmente nocivos que a cobertura mediática dos conflitos internacionais pode ter ao nível da mobilização popular. Exemplo: Síndrome do Vietname: Receio dos decisores políticos da democratização da política externa, pois têm medo do papel dos medias nos conflitos porque estes afirmam-se como críticos e fator desmobilizador da guerra (ao contrário do que se tinha observado durante a 2GM). 4- Efeito de “Aceleração da História”; Conflitos que se deram após o término a Guerra Fria vieram trazer para a agenda internacional um novo conjunto de problemáticas atípicas que receberam alta cobertura mediática. Os media como atores das relações internacionais Impacto dos media na política externa e na condução da diplomacia Media e política externa: influência na definição de políticas públicas e no desenvolvimento do ‘soft power’; Na AI dos medias estabelece-se um contínuo teórico que inclui teorias que oferecem uma Ai considerável aos media e no extremo do contínuo, teorias que argumentam que os media não têm uma AI própria (são apenas instrumentalizadas pelos aparelhos políticos). No contexto internacional pós Guerra Fria a Ai dos media é mais discutida. Contexto pós bipolar: 4 factores analíticos: “Anarquia conceptual”: uma grande indefinição sobre as características da contextualidade internacional no pós-GF, surgindo a discussão sobre qual o modelo que explica a interação das potências em 90 (uni, bi, multi, hetero). A anarquia demonstra que o Estado deixou de ser o único ator no contexto internacional, surgindo uma janela de oportunidade para os media (empoderados também com uma revolução das tecnologias da comunicação). Revolução nas tecnologias da comunicação; “Síndrome do Vietname”: é uma outra causa para maior discussão da AI dos media. A incerteza quando à importância dos media na PE vem obrigar os estados a estudarem o papel dos media na PE para evitar outro Vietnam, que teve um desfecho pouco lisonjeiro para os EUA. Decisores políticos e militares interrogam-se sobre os efeitos das exposições públicas de PE, tendo assim mais interesse em estudar o papel internacional dos media. O “Fim da História” (1992) e o conceito de interesse nacional. Na década de 90 surge o argumento de que a história chegou ao fim, neoliberalismo vence a GF. Na realidade o SI complexificou-se empoderando a ação internacional.
  • 4.
    4 Visualidade e relaçõesinternacionais A visualidade condiciona as respostas politicas/ PI (imagem do trauma influencia o decisor político na PE), securitização depende das imagens, quanto maior dramatização melhor. A importância da cultura nas relações sociais: (“the cultural turn” nas ciências sociais): representação, interpretação, narrativa; A visualidade nas ri interessa como veículo de significados sociais. O estudo da visualidade é um estudo sobre o valor da cultura nas sociedades e, sobretudo, a partir da década de 70, tem havido um maior recurso a estudos sobre a importância da cultura para a estruturação dos significados sociais. A cultura visual é assim uma fonte de representação social. Ao conterem uma interpretação, as imagens têm uma carga moral, ou seja, são fonte de moralidade, constroem significados sociais e estabelecem relações de causalidade. A cultura visual é cada vez mais uma fonte de significados sociais. Compreendemos o SI através de ator visuais, não discursivos. Visualidade é diferente de regime visual. A visualidade é a normativa que a imagem produz. Qualquer acontecimento é difundido por imagens. O regime visual é a interpretação desse normativa, o objectivo político que está por detrás da construção dessas imagens. Cultura e práticas sociais: a dimensão causal, performativa e moral da cultura (ex. propaganda; publicidade); Natureza performativa da imagem relativamente à realidade. Desenvolver o conceito de literacia visual, capacidade que uma determinada população tem de compreender e interpretar as imagens e os regimes visuais. Pensar os regimes visuais, não é aceitá-los mas desconstrui-los. É necessário interrogar a relação que existe entre a visualidade e a textualidade, ambas são fontes autónomas de significado social. O texto é um mecanismo que reforça a interpretação narrativa. Que função performativa é desenvolvida pela visualidade? Fonte do cinema/ industria cultural, analogia história, criar estereótipos, propaganda/diplomacia pública - instruir/educar, explorar a dimensão psicológica da comunicação humana, mitos, imagens, estereótipos e percepções da política externa. A cultura visual – factores fundamentais: O poder performativo da imagem: a autonomia do impacto da imagem: tem uma componente performativa (o recurso visual constrói uma realidade, tem função política na realidade – in/exclusão, papéis sociais, hierarquia). Devemos considerar que a imagem tem autonomia, por si só e fonte de criação de factos sociais, é uma fonte autónoma de significados sociais. .“literacia visual”: aplica-se à interpretação/ compreensão de atos discursivos, ou seja, a capacidade que certa audiência tem de compreender e interpretar e descodificar as imagens e regimes visuais. Pensar os regimes visuais não é aceitá-los é interpretá-los e entender como é que a imagem tem função performativa. Visualidade e textualidade: a interpretação da imagem e do texto que a acompanha. É necessário interrogar a relação entre visualidade e textualidade (ambas fontes autónomas do significado social). É necessário interrogar a relação entre visualidade e textualidade. O texto reforça a vontade normativa da imagem. Da construção social da visualidade à natureza performativa do domínio visual: a interpretação do recurso visual requer sempre uma relação social, não há ponto de vista neutro. Visualidade e analogia histórica: para o poder político legitimar uma política recorre a esta função, faz pontes entre acontecimentos (EUA utilizam 11/9 e a guerra do Vietnam. Visualidade e diferença social: o poder diferenciador da imagem, a imagem cria categorias sociais de pensamento, faz-nos pensar segundo estereótipos/representações que naturalizam. “Soft Power” e Diplomacia Pública Diplomacia pública (instrumento da PE), conjunto de atividades e estratégias externas do Estado que pretendem fixar no exterior uma imagem positiva dessa comunidade política, materializa o conceito de Soft power (conjunto de estratégias para difundir uma imagem internacional e afirmar a vocação do Estado no plano internacional). Essas atividades podem ser pacíficas ou violentas. Diplomacia na arena pública é para construir a imagem do estado. Engenharia social global: soft power e diplomacia pública. 1º fase – definição do interesse nacional; 2º fase – implementação dos objectivos nacionais: decisões que os Estados tomam para cooperar internacionalmente;3º fase – avaliação de resultados . Para terem soft power, os decisores políticos precisam dos media. 3 características fundamentais que Joseph Nye considera necessárias para um decisor político para que desenvolva soft power: inteligência emocional (a sua personalidade e estabilidade é fundamental para o exercício de poder de atração cultural – mediatização/ encenação do seu comportamento); capacidade de visão/ liderança (capacidade de comunicar uma visão/ objectivo à comunidade política/ visão do mundo para o exterior, a propaganda encena imagens do líder); capacidade de comunicação (comunicação verbal e visual, a imagem do líder é encenada de 2 formas. Os líderes precisam de performatividade visual – iconografia visual especifica). Exemplo: Kennedy. Objetivos e instrumentos de Política Externa (Abordagem DIME): Diplomático – representação, negociação, promoção, proteção, informação (funções da diplomacia tradicional). Informacional – a diplomacia publica é informacional pois lida com mecanismos de informação dentro da sociedade. Os objectivos informacionais podem ter duas faces: pacifica e violenta. Militar – implicam a utilização do conflito como meio de satisfação da PE. É o instrumento violento de PE. Há estados e organizações que estabelecem relações militares que não são necessariamente violentas (peacekeaping). Económico – podem ser pacíficos (ajuda ao desenvolvimento) ou violentos (embargos). Quando a ação económica estabelece uma relação abusiva entre dois estados (entre desenvolvido e em desenvolvimento) torna-se predatória. É uma ação económico considerada violenta, ação económica ilegítima. A Ordem Internacional da Informação e da Comunicação Do século XIX a 1945: caracterizada pelo início da emergência de um regime internacional da informação e da comunicação. Essa emergência acontece devido à sofisticação tecnológica que permite o aumento dos fluxo de informação e de comunicação à escala global. É neste fase que se estimulam os transportes marítimos, ferroviários, industria cultural, comunicação via postal e as comunicação via telegrafo. Objectivo da estandardização; objetivo do desenvolvimento. Inicio da institucionalização de um regime global na área a informação e da comunicação. Governar algo internacionalmente. O período pós II Guerra Mundial: a consolidação de um regime internacional de comunicação e de informação: a partir da década de 70 desenvolveu-se o carácter ideológico da ordem global da informação e da comunicação, levou à crise da UNESCO. Contemporaneamente o principio é o da liberalização da informação e da comunicação. A pose da informação e do conhecimento é visto de um ponto de vista ideológico. Determinismo tecnológico. Principio da escassez artificial. No que toca á informação e a com se deve respeitar o principio liberal, de que a informação/ tecnológico/ é um bem económico. Não ideológicos nem sociais. (neste regime em particular). Há dois agentes que tem grande primazia na ordem de informação e comunicação: os estados e as empresas.
  • 5.
    5 A securitização daAgenda Internacional O conceito de segurança é um conceito muito contestado, fundamentalmente a partir da década de 90. Emerge um debate em torno de saber se este conceito inspira ou não inspira segurança. Tradicionalista – segurança é segurança internacional, segurança do estado, sobrevivência física e moral. O estado tem toda a legitimidade em promover politicas que lhe permitam atingir a sobrevivência da sua comunidade. Visão Engliana do estado – estado como principal modelo de organização do político. Velha perspectiva tradicional de que no plano internacional existe apenas moral de responsabilidade e não de convicção. Com o fim da guerra fria e com a diversificação da agenda internacional começa a pensar-se em alargar e complexificar o conceito de segurança. E neste contexto as NU vão introduzir um conceito novo: conceito de segurança humana. É preciso considerar as ameaças à segurança não só do estado mas também do próprio individuo. A existência do indivíduo deve ser liberta de fome, de escassez material e liberta de medo, salvaguardar o individuo e não só o estado. Surgem também outros conceitos como segurança ambiental, económica etc, diferentes da tradicionalista. Também neste contexto um conjunto de autores da escolha de Copenhaga introduz o conceito de securitização. Vão argumentar que é necessário não só alargar o objecto de segurança, mas também, refletir nas práticas de segurança. E é necessário admitir que a segurança é um conceito contestado, alvo de debate e de discussão. Pois é socialmente construído, é interação entre os seres humanos que constrói todo o conceito social incluído o conceito de segurança. Segundo estes autores é preciso pensar nas consequências do emprego da linguagem securitária, quando utilizamos o termo segurança. Quando um decisor político ou um meio de comunicação social, utilizam este termo nas suas práticas discursivas, esse emprego trás consequências. São essas consequências que são analisadas através do conceito de securitização. Os Media e os conflitos internacionais e intranacionais Os mediam em cenários de guerra: Os media e os conflitos: do século XIX ao século XXI: Roger Fenton /Mathew Brady; Frank Kapra/Leni Riefensthal; o “síndrome do Vietname” e o “efeito CNN”;,Conflitos – contexto fundamental para a ação fundamental dos media. Exemplo: guerra da Crimeia e guerra da secessão norte americana, se pôs a questão da eventual manipulação da realidade por parte dos media, assumem-se como construtores de narrativas histórias, memória, trauma. ,Em meados dos séc. XX a importância do media e da industria da propaganda para a política. No final da década de 60 e 70, o síndrome do Vietnam mostra a importância dos media para a desconstrução das narrativas de mobilização colectiva. Conflitos enquanto pivots fundamentais da participação dos media. Na década de 90 surgem a grande teoria dos medias, sobre a sua capacidade de levaram o estado para a guerra. Porque tanto existe uma dissonância cognitiva ente os media e o decisores político, já sabemos que os media têm um timing e uma racionalidade muito própria de mediatismo de 24h sobre 24h, mas para além da dissonância entre os media e aparelho político, também entre os media o aparelho militar (suspeito das atividades de mediatização pública desenvolvida pelos media). Neste sentido a guerra do Vietnam é um ponto de viragem, demonstrou os media como aparelhos de mobilização colectiva mas sem de desmobilização. Nas democracias liberais existe uma grande incoerência entre os media e o aparelho militar não havendo uma fácil relação entre eles. Após a guerra fria, os media assumem um papel fundamental a nível das ri no contexto do novo humanitarismo. Na década de 90, por via da pressão mediática surge a questão do direito de ingerência humanitária, ideia de que os estados nas ri deveriam ignorar o que esta na carta da NU e deveriam intervir quando um estado violasse claramente os direitos das suas populações. Na difusão deste novo direito, os media tiveram um papel fundamental, a mediatização do sofrimento levou as audiências a questionarem-se sobre a intervenção internacional. ,O efeito CNN teve a virtude de, após a Guerra Fria, levar os estados a pensarem sobre a intervenção no direito internacional. Não colheu pois não tinha base jurídica; houve uma grande seletividade nas ações de ingerência que ocorreram na década de 90 (Iraque, Kosovo, Somália).