CORREIO BRAZILIENSE • Brasília, domingo, 23 de outubro de 2016 • Trabalho • 9
T
ana Storani é recrutadora e
coach de carreira focada
em ajudar pessoas a cons-
truir uma carreira interna-
cional. Trabalhar no exterior era
um sonho antigo para ela. Por is-
so, aos 22 anos, a paulista deVi-
nhedo (SP) trancou a faculdade
de psicologia na Pontifícia Uni-
versidade Católica de Campinas
(PUC-Campinas) para tentar a vi-
da na Europa. Pela vontade de
aprender a falar inglês e aprovei-
tando o fato de ter cidadania ita-
liana — o que permite livre circu-
lação na União Europeia —, se
mudou para a Irlanda, onde tra-
balhou como babá, garçonete, fa-
xineira e outras funções braçais
pordoisanos.Depoisdesetornar
psicóloga, ela retornou ao país de
São Patrício, fez uma pós-gradua-
ção em recursos humanos na Na-
tional College of Ireland e se for-
mou como coach pela European
Mentoring and Coaching Council
(EMCC). Em território europeu,
Tana trabalhou em multinacio-
nais, como Google, Paypal, Face-
book e LinkedIn. Atualmente, ela
atua como coach de carreira, es-
pecialmente para brasileiros ex-
patriados que encontram dificul-
dadesnabuscadeemprego.
Quedicasvocêpodedaraquem
procuraempregonoexteriore,
especificamente,naIrlanda?
Quem tem cidadania de al-
gum país tem um caminho mais
fácil: pode tentar um processo
seletivoaindanoBrasil.Alémdis-
so, a União Europeia tem dado
muito visto para quem não é eu-
ropeu. Quem fala português, por
exemplo, pode ir para Polônia,
República Tcheca e Alemanha,
porque não tem gente para tra-
balhar lá. Se você não tem pas-
saporte europeu e quer ir para a
Irlanda, terá facilidade se inte-
grar o rol de profiessões de Criti-
cal Skills — lista de profissões
para as quais o governo cede
vistos de trabalho, como enge-
nharia, tecnologia da informa-
ção e química (confira todas em
goo.gl/V9Dvlj). Se você não é
desses ramos, terá, primeira-
mente, de trabalhar enquanto
faz um curso. A partir disso, será
possível checar se a empresa
que te contratou está disposta a
pedir um visto geral para você, o
que demanda dinheiro e tempo.
Existe também uma lista de pro-
fissões para as quais é proibido
dar visto na Irlanda (confira to-
das em goo.gl/7TrvEN).
Quefatoreslevamasempresasno
exterioracontratarembrasileiros?
São vários. Há oportunidades
para brasileiros no exterior por
dois principais motivos: pessoas
de outros países, às vezes, são
mão de obra qualificada e mais
barata; além disso, há vagas para
quem fala português, para dar su-
porteaclientesnoBrasileemPor-
tugal. Google, LinkedIn e Face-
book são exemplos que contra-
tamfalantesdeportuguês.
Quaissãoasprincipais
dificuldadesenfrentadaspor
quembuscatrabalharnoexterior?
A primeira barreira é o idio-
ma — especialmente o inglês,
que é importante independen-
temente do país. Muitas vezes, o
profissional sabe falar a língua,
mas não tem domínio técnico,
do inglês de negócios, necessá-
rio para o mundo do trabalho.
Por isso, vários chegam à entre-
vista e não conseguem explicar
as próprias habilidades ou o que
fazem na carreira. Outra dificul-
dade é o currículo: é preciso co-
locar pontos fortes e projetos em
que atuou. Esse último ponto é
comum na Europa, mas não é
muito frequente entre brasilei-
ros. Quem costuma levar todo o
crédito pelo que é feito é a em-
presa, embora o candidato te-
nha um dedinho naquilo, que
pode ser incluído. Além disso, o
documento precisa bater com o
que é pedido pela vaga.
Apenascandidatosdeexcelência
conseguemtrabalharnoexterior?
Não. As multinacionais que-
rem candidatos inteligentes e
muito capazes, mas muito de-
pende de transmitir confiança,
Há oportunidades para brasileiros no exterior
por dois principais motivos: pessoas de outros
países, às vezes, são mão de obra qualificada e
mais barata; além disso, há vagas para quem
fala português, para dar suporte a clientes
no Brasil e em Portugal”
>>entrevista TANASTORANI
AprimeiravezemqueestevenaIrlanda,apsicólogaocupousubempregospordoisanos.Nasegunda,cursoupós-graduação
e atuou em multinacionais. Agora, ela ensina o caminho das pedras para quem deseja ser um profissional internacional
Para
trabalhar
noexterior
tertotaldomíniodaáreadeatua-
ção.Tony Robbins (escritor e pa-
lestrante motivacional) disse: eu
me criei. Por isso, há a onda:
“fakeituntilyoumakeit”—finja
ser até que você se torne, em
português. Mas faça isso corren-
do atrás de ser tornar um candi-
dato de excelência.
Emrelaçãoaestudarno
exterior,quaissãoas
dificuldadesenfrentadas?
Em primeiro lugar, os cur-
sos são mais caros e, se a pes-
soa for fazer um em tempo in-
tegral, não poderá trabalhar, o
que exige ter dinheiro guarda-
do. Em segundo, o brasileiro
precisa pesquisar escolas que
possibilitem melhor entrada
no mercado de trabalho, em
áreas com maior demanda e
menos oferta de profissionais.
Na hora de escolher a área de
capacitação, pense: qual vai
ser seu diferencial? Não se li-
mite a escolher um país cuja
língua nativa seja o inglês. Na
Europa, a maioria dos países
permite fazer uma pós-gra-
duação nessa língua.
Quaissãoosdestinosemqueé
maisfácilestudar?
Euimaginoqueospaísescom
menosbrasileirossãoosmaisfá-
ceis e também os países que fa-
lamumalínguamuitodifícil.Po-
lônia, RepúblicaTcheca, Grécia,
Hungria e Romênia, por exem-
plo, têm muita vaga. É mais fácil
conseguirumvistodetrabalho.
Avany Franca/Divulgação
Leia a entrevista comleta no site
www.correiobraziliense.com.br/euestudante
Na próxima quarta-feira (26), a Universidade de Brasília (UnB) receberá uma
exposição de universidades suecas no Anfiteatro 10, no Instituto Central de Ciências,
das 8h às 14h. Às 10h, haverá uma palestra sobre oportunidades de estudo na
Suécia. O evento também passará por outras capitais brasileiras. Informações:
www.cisb.org.br/swedishroadshow.
FeiradeuniversidadessuecasnaUnB
Relatório do Open Doors, Instituto
de Educação Internacional,
revelou que aumentou em 78% o
número de estudantes brasileiros
nas universidades americanas
entre 2013 e 2014.
Brasileiros
nosEUA

tana-storani

  • 1.
    CORREIO BRAZILIENSE •Brasília, domingo, 23 de outubro de 2016 • Trabalho • 9 T ana Storani é recrutadora e coach de carreira focada em ajudar pessoas a cons- truir uma carreira interna- cional. Trabalhar no exterior era um sonho antigo para ela. Por is- so, aos 22 anos, a paulista deVi- nhedo (SP) trancou a faculdade de psicologia na Pontifícia Uni- versidade Católica de Campinas (PUC-Campinas) para tentar a vi- da na Europa. Pela vontade de aprender a falar inglês e aprovei- tando o fato de ter cidadania ita- liana — o que permite livre circu- lação na União Europeia —, se mudou para a Irlanda, onde tra- balhou como babá, garçonete, fa- xineira e outras funções braçais pordoisanos.Depoisdesetornar psicóloga, ela retornou ao país de São Patrício, fez uma pós-gradua- ção em recursos humanos na Na- tional College of Ireland e se for- mou como coach pela European Mentoring and Coaching Council (EMCC). Em território europeu, Tana trabalhou em multinacio- nais, como Google, Paypal, Face- book e LinkedIn. Atualmente, ela atua como coach de carreira, es- pecialmente para brasileiros ex- patriados que encontram dificul- dadesnabuscadeemprego. Quedicasvocêpodedaraquem procuraempregonoexteriore, especificamente,naIrlanda? Quem tem cidadania de al- gum país tem um caminho mais fácil: pode tentar um processo seletivoaindanoBrasil.Alémdis- so, a União Europeia tem dado muito visto para quem não é eu- ropeu. Quem fala português, por exemplo, pode ir para Polônia, República Tcheca e Alemanha, porque não tem gente para tra- balhar lá. Se você não tem pas- saporte europeu e quer ir para a Irlanda, terá facilidade se inte- grar o rol de profiessões de Criti- cal Skills — lista de profissões para as quais o governo cede vistos de trabalho, como enge- nharia, tecnologia da informa- ção e química (confira todas em goo.gl/V9Dvlj). Se você não é desses ramos, terá, primeira- mente, de trabalhar enquanto faz um curso. A partir disso, será possível checar se a empresa que te contratou está disposta a pedir um visto geral para você, o que demanda dinheiro e tempo. Existe também uma lista de pro- fissões para as quais é proibido dar visto na Irlanda (confira to- das em goo.gl/7TrvEN). Quefatoreslevamasempresasno exterioracontratarembrasileiros? São vários. Há oportunidades para brasileiros no exterior por dois principais motivos: pessoas de outros países, às vezes, são mão de obra qualificada e mais barata; além disso, há vagas para quem fala português, para dar su- porteaclientesnoBrasileemPor- tugal. Google, LinkedIn e Face- book são exemplos que contra- tamfalantesdeportuguês. Quaissãoasprincipais dificuldadesenfrentadaspor quembuscatrabalharnoexterior? A primeira barreira é o idio- ma — especialmente o inglês, que é importante independen- temente do país. Muitas vezes, o profissional sabe falar a língua, mas não tem domínio técnico, do inglês de negócios, necessá- rio para o mundo do trabalho. Por isso, vários chegam à entre- vista e não conseguem explicar as próprias habilidades ou o que fazem na carreira. Outra dificul- dade é o currículo: é preciso co- locar pontos fortes e projetos em que atuou. Esse último ponto é comum na Europa, mas não é muito frequente entre brasilei- ros. Quem costuma levar todo o crédito pelo que é feito é a em- presa, embora o candidato te- nha um dedinho naquilo, que pode ser incluído. Além disso, o documento precisa bater com o que é pedido pela vaga. Apenascandidatosdeexcelência conseguemtrabalharnoexterior? Não. As multinacionais que- rem candidatos inteligentes e muito capazes, mas muito de- pende de transmitir confiança, Há oportunidades para brasileiros no exterior por dois principais motivos: pessoas de outros países, às vezes, são mão de obra qualificada e mais barata; além disso, há vagas para quem fala português, para dar suporte a clientes no Brasil e em Portugal” >>entrevista TANASTORANI AprimeiravezemqueestevenaIrlanda,apsicólogaocupousubempregospordoisanos.Nasegunda,cursoupós-graduação e atuou em multinacionais. Agora, ela ensina o caminho das pedras para quem deseja ser um profissional internacional Para trabalhar noexterior tertotaldomíniodaáreadeatua- ção.Tony Robbins (escritor e pa- lestrante motivacional) disse: eu me criei. Por isso, há a onda: “fakeituntilyoumakeit”—finja ser até que você se torne, em português. Mas faça isso corren- do atrás de ser tornar um candi- dato de excelência. Emrelaçãoaestudarno exterior,quaissãoas dificuldadesenfrentadas? Em primeiro lugar, os cur- sos são mais caros e, se a pes- soa for fazer um em tempo in- tegral, não poderá trabalhar, o que exige ter dinheiro guarda- do. Em segundo, o brasileiro precisa pesquisar escolas que possibilitem melhor entrada no mercado de trabalho, em áreas com maior demanda e menos oferta de profissionais. Na hora de escolher a área de capacitação, pense: qual vai ser seu diferencial? Não se li- mite a escolher um país cuja língua nativa seja o inglês. Na Europa, a maioria dos países permite fazer uma pós-gra- duação nessa língua. Quaissãoosdestinosemqueé maisfácilestudar? Euimaginoqueospaísescom menosbrasileirossãoosmaisfá- ceis e também os países que fa- lamumalínguamuitodifícil.Po- lônia, RepúblicaTcheca, Grécia, Hungria e Romênia, por exem- plo, têm muita vaga. É mais fácil conseguirumvistodetrabalho. Avany Franca/Divulgação Leia a entrevista comleta no site www.correiobraziliense.com.br/euestudante Na próxima quarta-feira (26), a Universidade de Brasília (UnB) receberá uma exposição de universidades suecas no Anfiteatro 10, no Instituto Central de Ciências, das 8h às 14h. Às 10h, haverá uma palestra sobre oportunidades de estudo na Suécia. O evento também passará por outras capitais brasileiras. Informações: www.cisb.org.br/swedishroadshow. FeiradeuniversidadessuecasnaUnB Relatório do Open Doors, Instituto de Educação Internacional, revelou que aumentou em 78% o número de estudantes brasileiros nas universidades americanas entre 2013 e 2014. Brasileiros nosEUA