Araçatuba, sábado, 13 de março de 2010
A6                                                                             >>Araçatuba



     MEU COMENTÁRIO                       // artigos@folhadaregiao.com.br //




                                   Ser                                                   ela era bibliotecária. Ela me fez um
       Claudio Hideo
       Matsumoto                   bibliotecário                                         convite, se eu queria ajudar ela na
                                                                                         biblioteca. Topei a parada. Guarda-
                                                                                         va os livros e cheguei até registrar os
                                                                                         empréstimos e devoluções. Fiquei
                                                                                         ajudando até terminar a 8ª série. Fui
          ia 12 de março, "Dia do Bi-     criançada que morava mais longe.               fazer o colegial, hoje ensino médio
D         bliotecário". Profissão que
          abraço há mais de 27
anos. Aproveito a oportunidade pa-
                                          Chegava a carregar até 7 crianças.
                                          As classes eram multisseriadas.
                                                Lembro como se fosse hoje, a
                                                                                         em uma escola estadual. Para mi-
                                                                                         nha felicidade, lá também tinha
                                                                                         uma biblioteca. Tornei-me também
ra parabenizar a classe bibliotecária.    nossa biblioteca era uma caixa de              um ajudante da biblioteca até termi-
Como diz Louis Hole, "os bibliotecá-      madeira. Alguns dias da semana a               nar o colegial. Durante as arruma-
rios são heróis invisíveis da civiliza-   professora pegava a caixa de madei-            ções das estantes, descubro um guia
ção. Estas pessoas, de modo discre-       ra e levava para debaixo da sombra             de profissões. E folheando o guia, a
to, têm mantido as maiores tradi-         das árvores para contar histórias.             descoberta do curso de Biblioteco-
ções da humanidade: a colheita e a        Eram poucos livros. Mas era gosto-             nomia. Para mim foi um achado,
disseminação do conhecimento/ sa-         so ouvir as histórias.                         em meados do 2º colegial. Fiquei to-
bedoria humana duramente con-                   Terminando a 3ª série tínha-             do 3º colegial estudando para o ves-
quistada. Deste modo, as bibliote-        mos que estudar na cidade, no meu              tibular.
cas têm sido e continuarão a ser          caso, fui estudar no Sesi. Aquela                    Só pensando no curso. Já feliz
sempre peças fundamentais nas en-         enorme escola para mim era uma                 da escolha. A mulher que tomava                 Rua
grenagens que levam ao progresso          maravilha. A escola tinha quadra po-           conta não era bibliotecária, uma pro-
da civilização." No dia do Bibliotecá-    liesportiva, cozinha, banheiro, tor-           fessora adaptada. Ela deu um maior
rio é comemorado o nascimento de                                                         incentivo. Fiz o vestibular. E o resul-
Bastos Tigre, homem que dedicou a                                                        tado? Aprovado! Fiquei mais feliz
sua vida à profissão bibliotecária.
                                             Lembro como se                              quando descobri que uma prima
Ele cita uma frase interessante. "Li-      fosse hoje, a nossa                           mais velha também era bibliotecá-
vro: veículo de ideias, que trouxe o                                                     ria. Minha tia e ela ficaram divididas
passado até o presente, levará o pre-        biblioteca                                  entre a euforia de comemorar a mi-
sente ao infinito dos tempos". E o               era uma caixa                           nha aprovação no vestibular e o
meu papel como profissional é mos-                de madeira                             meu futuro, uma vez que a profis-
trar "O que é ser bibliotecário?"                                                        são era mais frequentada por mulhe-
      Lendo um post da bibliotecá-                                                       res. Mas isto não me desmotivou.
ria Sulamita em um curso virtual so-      neira para lavar as mãos, merenda e            Diante de tanta teoria do 1º ano do
bre a sua escolha profissional. Vem       a biblioteca. A biblioteca para mim            Curso de Biblioteconomia fiquei
à tona todo um passado gostoso e          era enorme frente aquela caixa de              um pouco desanimado. Apareceu a
saudosista da minha infância.             madeira. Imagino quando vejo os                Cybele (FOB-USP), aluna do 2º ano
      Morei toda infância e a juven-      olhos das crianças quando estão fo-            do curso. Uma conversa com ela foi
tude no sítio. A escola era de madei-     lheando os livros.                             suprassumo de motivação para con-
ra, o banheiro era uma fossa, a água             Na 4ª série fui um aluno nor-           tinuar o curso.
para beber e lavar as mãos tínhamos       mal, que ainda estava se adaptando                   E hoje, feliz na profissão que
que buscar em meio as vacas. Às ve-       à nova escola. Nos intervalos das au-          escolhi. Ser bibliotecário.
zes dava medo passar pelo pasto.          las ia direto na biblioteca. Já na 5ª sé-
      Para irmos para a escola, a pro-    rie a mulher que tomava conta da bi-           Claudio Hideo Matsumoto - Bibliotecário da
fessora tinha um fusca. Pegava toda       blioteca me observava. Não sei se              Faculdade de Odontologia de Araçatuba - Unesp

Ser bibliotecário

  • 1.
    Araçatuba, sábado, 13de março de 2010 A6 >>Araçatuba MEU COMENTÁRIO // artigos@folhadaregiao.com.br // Ser ela era bibliotecária. Ela me fez um Claudio Hideo Matsumoto bibliotecário convite, se eu queria ajudar ela na biblioteca. Topei a parada. Guarda- va os livros e cheguei até registrar os empréstimos e devoluções. Fiquei ajudando até terminar a 8ª série. Fui ia 12 de março, "Dia do Bi- criançada que morava mais longe. fazer o colegial, hoje ensino médio D bliotecário". Profissão que abraço há mais de 27 anos. Aproveito a oportunidade pa- Chegava a carregar até 7 crianças. As classes eram multisseriadas. Lembro como se fosse hoje, a em uma escola estadual. Para mi- nha felicidade, lá também tinha uma biblioteca. Tornei-me também ra parabenizar a classe bibliotecária. nossa biblioteca era uma caixa de um ajudante da biblioteca até termi- Como diz Louis Hole, "os bibliotecá- madeira. Alguns dias da semana a nar o colegial. Durante as arruma- rios são heróis invisíveis da civiliza- professora pegava a caixa de madei- ções das estantes, descubro um guia ção. Estas pessoas, de modo discre- ra e levava para debaixo da sombra de profissões. E folheando o guia, a to, têm mantido as maiores tradi- das árvores para contar histórias. descoberta do curso de Biblioteco- ções da humanidade: a colheita e a Eram poucos livros. Mas era gosto- nomia. Para mim foi um achado, disseminação do conhecimento/ sa- so ouvir as histórias. em meados do 2º colegial. Fiquei to- bedoria humana duramente con- Terminando a 3ª série tínha- do 3º colegial estudando para o ves- quistada. Deste modo, as bibliote- mos que estudar na cidade, no meu tibular. cas têm sido e continuarão a ser caso, fui estudar no Sesi. Aquela Só pensando no curso. Já feliz sempre peças fundamentais nas en- enorme escola para mim era uma da escolha. A mulher que tomava Rua grenagens que levam ao progresso maravilha. A escola tinha quadra po- conta não era bibliotecária, uma pro- da civilização." No dia do Bibliotecá- liesportiva, cozinha, banheiro, tor- fessora adaptada. Ela deu um maior rio é comemorado o nascimento de incentivo. Fiz o vestibular. E o resul- Bastos Tigre, homem que dedicou a tado? Aprovado! Fiquei mais feliz sua vida à profissão bibliotecária. Lembro como se quando descobri que uma prima Ele cita uma frase interessante. "Li- fosse hoje, a nossa mais velha também era bibliotecá- vro: veículo de ideias, que trouxe o ria. Minha tia e ela ficaram divididas passado até o presente, levará o pre- biblioteca entre a euforia de comemorar a mi- sente ao infinito dos tempos". E o era uma caixa nha aprovação no vestibular e o meu papel como profissional é mos- de madeira meu futuro, uma vez que a profis- trar "O que é ser bibliotecário?" são era mais frequentada por mulhe- Lendo um post da bibliotecá- res. Mas isto não me desmotivou. ria Sulamita em um curso virtual so- neira para lavar as mãos, merenda e Diante de tanta teoria do 1º ano do bre a sua escolha profissional. Vem a biblioteca. A biblioteca para mim Curso de Biblioteconomia fiquei à tona todo um passado gostoso e era enorme frente aquela caixa de um pouco desanimado. Apareceu a saudosista da minha infância. madeira. Imagino quando vejo os Cybele (FOB-USP), aluna do 2º ano Morei toda infância e a juven- olhos das crianças quando estão fo- do curso. Uma conversa com ela foi tude no sítio. A escola era de madei- lheando os livros. suprassumo de motivação para con- ra, o banheiro era uma fossa, a água Na 4ª série fui um aluno nor- tinuar o curso. para beber e lavar as mãos tínhamos mal, que ainda estava se adaptando E hoje, feliz na profissão que que buscar em meio as vacas. Às ve- à nova escola. Nos intervalos das au- escolhi. Ser bibliotecário. zes dava medo passar pelo pasto. las ia direto na biblioteca. Já na 5ª sé- Para irmos para a escola, a pro- rie a mulher que tomava conta da bi- Claudio Hideo Matsumoto - Bibliotecário da fessora tinha um fusca. Pegava toda blioteca me observava. Não sei se Faculdade de Odontologia de Araçatuba - Unesp