A Revolução Industrial transformou o mundo após seu desenvolvimento na Inglaterra,
principalmente a partir do século XVIII. A expansão urbana e industrial do capitalismo, que teve
por base a exploração do trabalho assalariado por proprietários e controladores dos meios de
produção, alterou profundamente o cenário de diversos países e retirou boa parte da população do
campo.
No caso da Inglaterra, essa alteração iniciou-se ainda no século XVI, quando as Leis de
Cercamentos(Enclosure Acts) foram sendo editadas por sucessivos monarcas ingleses, mas que
ganharam maior fôlego a partir de meados do século XVIII. Essa alteração consistiu em uma
crescente ação de privatização de terras que eram de uso comum dos camponeses, através do
cercamento desses locais realizado por poderosos senhores locais. A paisagem rural inglesa que
era caracterizada pelo openfield (o campo aberto, sem vedação) passou a ter sua exploração nos
campos fechados.
As terras comunais inseriam-se em uma tradição econômica de utilização comunitária que
remontava à Idade Média, e sua privatização representava a ruptura das relações capitalistas com
o antigo mundo feudal. O senhor feudal deixava, assim, de ser o detentor da posse de terras para
se tornar o seu proprietário.
Os camponeses que utilizavam as terras de forma comunal e dela extraíam madeira, caça e outros
produtos viram-se privados dessa fonte de recursos. A incapacidade de produção em seus
pequenos lotes de terras obrigou esses camponeses a abandoná-las – sendo então apropriadas
pelos grandes proprietários – e a tentar melhores condições de vida nas cidades. Dentre elas,
destacavam Bristol, Birmingham, Manchester, Liverpool, Londres e Glasgow, que contavam com
inúmeras fábricas. Os camponeses passavam a ser, dessa forma, assalariados nas cidades,
contribuindo para a formação da classe operária na Grã-Bretanha.
As fábricas eram incapazes de utilizar toda a força de trabalho que se concentrava nas cidades,
gerando uma imensa massa de pessoas que ficavam desempregadas, o chamado exér cito
industrial de reserva. Para os burgueses donos das fábricas, o excesso de força de trabalho servia
para manter baixos os salários. Por outro lado, parte dos desempregados passava a mendigar e a
viver de pequenos crimes. Novas leis contra “vagabundagem” foram estabelecidas, resultando em
inúmeras prisões, açoites e enforcamentos.
Mas os cercamentos geraram ainda outra consequência. A terra passava a ser uma mercadoria,
possível de ser comercializada através da compra e venda. Além disso, os antigos senhores
tornavam-se fazendeiros, passando também a criar ovelhas para a produção de lã destinada a
manufaturas têxteis e a produzir outros produtos agrícolas para o mercado, como batatas e
beterrabas. A adoção de novas técnicas de plantio, como a rotação de culturas sem pousio e a
utilização de adubos e maquinário, buscou aumentar a produtividade do solo. Para aumentar ainda
mais as dimensões de suas terras, os fazendeiros passaram a drenar os solos pantanosos e a
abater florestas, além de cercar as terras comunais. A ciência foi utilizada na seleção de novas
espécies vegetais e no cruzamento de animais que garantiriam uma melhor produtividade. Esse
processo ficou conhecido como Revolução Agrícola, cujo aumento da produtividade garantiu o
abastecimento da população que passava a habitar as cidades, aumentando a expectativa de vida
e o crescimento demográfico. Mas isso não representou o fim da miséria nas cidades inglesas.
Nesse sentido, é interessante notar como a prática dos cercamentos de terras esteve na gênese do
capitalismo, contribuindo para a constituição da burguesia e do operariado, além de criar
condições para o desenvolvimento da Revolução Industrial e da Revolução Agrícola na Inglaterra.
As duas revoluções são indissociáveis da expansão que o capitalismo conheceu a partir do século
XVIII, transformando-se em modelo de aplicação em várias partes do mundo.
2ª REVOLUÇÃO INDUSTRIAL
No desenrolar da Revolução Industrial percebemos que a necessidade crescente por novas
tecnologias se tornou uma demanda comum a qualquer nação ou dono de indústria que quisesse
ampliar seus lucros. Com isso, o modelo industrial estipulado no século XVIII sofreu diversas
mudanças e aprimoramentos que marcaram essa busca constante por novidades. Particularmente,
podemos ver que, a partir de 1870, uma nova onda tecnológica sedimentou a chamada Segunda
Revolução Industrial.
Nessa nova etapa, o emprego da energia elétrica, o uso do motor à explosão, os corantes
sintéticos e a invenção do telégrafo estipularam a exploraçãode novos mercados e a aceleração
do ritmo industrial. Dessa forma, percebemos que vários cientistas passaram a se debruçar na
elaboração de teorias e máquinas capazes de reduzir os custos e o tempo de fabricaçãode
produtos que pudessem ser consumidos em escalas cada vez maiores.
A eletricidade já era conhecida um pouco antes dessa época, mas tinha seu uso restritoao
desenvolvimento de pesquisas laboratoriais. Contudo, passou a ser utilizada como um tipo de
energia que poderia ser transmitido em longas distâncias e geraria um custo bem menor se
comparado ao vapor. No ano de 1879, a criaçãoda lâmpada incandescente estabeleceuum
importante marco nos sistemas de iluminação dos grandes centros urbanos e industriais da
época.
O petróleo, que antes tinha somente uso para o funcionamento de sistemas de iluminação, passou
a ter uma nova utilidade com a invenção do motor à combustão. Com isso, ao lado da eletricidade,
este mineral passou a estabelecer um ritmo de produção mais acelerado. Sob tal aspecto, não
podemos deixar de destacar outras descobertas empreendidas no campo da química que também
contribuíram para essa nova etapa do capitalismo industrial.
Novas experiências permitiram o aproveitamento de minérios antes sem importância na obtenção
de matéria-prima e outros maquinários. O aço e o alumínio foram largamente utilizados pela sua
maior resistência e maleabilidade. Métodos mais simples de fabricaçãopermitiram que o ácido
sulfúrico e a soda cáustica fossem acessíveis. Por meio desses dois compostos a fabricaçãode
borracha, papel e explosivos pôde ser feita em larga escala.
Com relaçãoaos transportes, podemos ver que as novas fontes de energia e a produção do aço
permitiram a concepção de meios de locomoção mais ágeis e baratos. Durante o século XIX, a
construção de estradas de ferro foi o ramo de transporte que mais cresceu.Nesse período,
Estados Unidos e Europa possuíam juntos cerca de 200 mil quilômetros de trilhos construídos.
Segundo outros dados, somente na década de 1860,mais de dois milhões de pessoas eram
empregadas na manutenção desse único meio de transporte.
Por meio dessas inovações, as indústrias puderam alcançar lucros cada vez maiores e dinamizar o
processo que se dava entre a obtenção da matéria-prima e a vendagem do produto ao consumidor
final. Ao mesmotempo, o controle mais específico sobre os gastos permitiram o cálculo preciso
das margens de lucro a serem obtidas com um determinado artigo industrial. Dessa forma, o
capitalismo rompia novas fronteiras e incidia diretamente na aceleraçãoda economia mundial.
Por Rainer Sousa
Mestre em História
3ª REVOLUÇÃO INDUSTRIAL
O mundo, após a segunda metade do século XX, depois da Segunda Guerra Mundial, ingressou em
uma etapa de profundas evoluções no campo tecnológico desencadeada principalmente pela
junção entre conhecimento científico e produção industrial. O processo industrial pautado no
conhecimento e na pesquisa caracteriza a chamada Terceira Revolução Industrial.
Nessa etapa ou fase produtiva, todos os conhecimentos gerados em pesquisas são repassados
quase que simultaneamente para o desenvolvimento industrial.
A Terceira Revolução Industrial ou Revolução Tecno-científica permitiu o desenvolvimento de
atividades na indústria que aplicam tecnologias de ponta em todas as etapas produtivas. A
produção de tecnologias é um ramoque apresenta como um dos mais promissores no âmbito
global.
Essa nova fase produtiva não se limita a produtos de pouco valor agregado, como nas revoluções
industriais anteriores, pelo contrário, o conhecimento inserido, no qual foram gastos anos de
estudos e pesquisas, agregam elevados valores no produto final, mesmo que tenha sido gastos
pouca quantidade de matéria-prima.
Nesse sentido, as atividades que mais se destacam no mercadoestão vinculadas à produção de
computadores, softwares,microeletrônica, chips, transistores, circuitos eletrônicos, além da
robótica com grande aceitaçãonas indústrias, telecomunicações, informática em geral. Destacam-
se ainda a expansão de transmissores de rádio e televisão, telefonia fixa, móvel e internet,
indústria aeroespacial,biotecnologia e muitas outras inovações.
É bom ressaltar que a inovação de um dos itens citados contribui diretamente ou indiretamente
para o desenvolvimento de outro, desse modo, fica evidente que ocorre uma intensa
interdependência entre eles.
No mundo capitalista, a inserção de tecnologias e o aprimoramento constante da mesma
promovem uma dinamização produtiva, intensifica o trabalho, cria produtos e mercadorias de
maior qualidade para concorrer em um mercadocada vez mais competitivo, gera diminuição de
custos. Esse processodesencadeia uma enorme acumulaçãode capitais pelos donos dos meios
de produção que posteriormente serãousados para realizar investimentos no desenvolvimento de
novos produtos e na geração de inéditas tecnologias de ponta, sempre a serviço da indústria.
CONSEQUENCIAS
A Revolução Industrial alterou profundamente as condições de vida do trabalhador, provocando
inicialmente um intenso deslocamento da população rural para as cidades, criando enormes
concentrações urbanas. A população de Londres passou de 800.000 habitantes em 1780 para mais
de 5 milhões em 1880,por exemplo. No início da Revolução Industrial, os operários viviam em
péssimas condições de vida e trabalho. O ambiente das fábricas era insalubre, assim como os
cortiços onde muitos trabalhadores viviam. A jornadas de trabalhochegava a 80 horas semanais,e
os salários variavam em torno de 2,5 vezes o nível de subsistência.[carece de fontes] Para mulheres e
crianças,submetidos ao mesmo número de horas e às mesmas condições de trabalho, os salários
eram ainda mais baixos.
A produção em larga escala e dividida em etapas iria distanciar cada vez mais o trabalhador do
produto final, já que cada grupo de trabalhadores passava a dominar apenas uma etapa da
produção, mas sua produtividade ficava maior. Como a produtividade do trabalho aumentava
os salários reais dos trabalhadores ingleses aumentaram em mais de 300%
entre 1800 até 1870.[carece de fontes] Devido ao progresso ocorrido nos primeiros 90 anos de
industrialização, em 1860 a jornada de trabalho na Inglaterra já se reduzia para cerca de 50 horas
semanais (10 horas diárias em cinco dias de trabalho por semana).
Horas de trabalho por semana para trabalhadores adultos nas indústrias têxteis
 1780 - em torno de 80 horas por semana
 1820 - 67 horas por semana
 1860 - 53 horas por semana
 2007 - 46 horas por semana
Segundo a teoria marxista,o salário corresponde ao custo de reprodução da força de trabalho, ou
seja, ao valor mínimo necessário para que o trabalhador sobreviva. Esse nível mínimo
de subsistência varia historicamente. Os trabalhadores, notadamente a partir do século XIX,
passaram a pressionar os seus patrões, reivindicando melhores condições de trabalho, maiores
salários e crescentes reduções da jornada de trabalho. Com maiores salários, o conjunto dos
trabalhadores pôde também elevar o seu nível de consumo, tornando possível a produção em
massa de bens de consumo.
Sindicatos e movimentos de trabalhadores
A Grande Assembleia Cartista de 1848,em Londres.
Os empregados das fábricas formaram associações e sindicatos, a princípio proibidos e
duramente reprimidos, durante a Primeira Revolução Industrial. Na segunda metade do século XIX,
a organização dos trabalhadores assume um considerável nível deideologização. O sindicalismo
na virada do século XX é caracterizadopor veleidades revolucionárias e de independência em
relaçãoaospartidos políticos.
Após a Primeira Guerra Mundial, uma parte dos sindicatos se alinha ao
ideário socialista e comunista, enquanto outra parte se inclina para o reformismo ou para
a tradição cristã. Em 1864 é criada em Londres a Associação Internacional de Trabalhadores,
a Internacional, primeira central sindical mundial da classe trabalhadora. No mesmo ano, na
França, é reconhecido o direito de greve. Em 1919 é criada a Organização Internacional do
Trabalho, um dos mais antigos organismos internacionais, com direção tripartite, composta por
representantes dos governos, dos trabalhadores e dos empregadores.
Movimento Ludista (1811-1812)
Reclamações contra as máquinas inventadas após a revolução para poupar a mão-de-obra já eram
normais. Mas foi em 1811 que o estopim estourou e surgiu o movimento ludista, uma forma mais
radical de protesto. O nome deriva de Ned Ludd, um dos líderes do movimento. Os luditas
chamaram muita atençãopelos seus atos. Invadiram fábricas e destruíram máquinas, que,
segundo os luditas, por serem mais eficientes que os homens, tiravam seus trabalhos,
requerendo, contudo, duras horas de jornada de trabalho. Os manifestantes sofreram uma violenta
repressão,foram condenados à prisão, à deportação e até à forca. Os luditas ficaram lembrados
como "os quebradores de máquinas". Anos depois os operários ingleses mais experientes
adotaram métodos mais eficientes de luta, como a greve e o movimento sindical.
Movimento Cartista (1837-1848)
O "movimento cartista" foi organizado pela Associação dos Operários, exigindo
melhores condições de trabalho, incluindo:
 a limitação de oito horas para a jornada de trabalho
 a regulamentaçãodo trabalho feminino
 a extinção do trabalho infantil
 a folga semanal
 o salário mínimo
Este movimento lutou ainda pela instituição de novos direitos políticos, como o estabelecimento
do sufrágio universal ( nesta época, o voto era um direito dos homens, apenas), a extinção da
exigência de ter propriedades para que se pudesse ser eleito para o parlamento e o fim do voto
censitário. Esse movimento se destacou por sua organização e por sua forma de atuação,
chegando a conquistar diversos direitos políticos para os trabalhadores.
Consequências[
O PIB per capita mudou muito pouco durante a parte da história dahumanidade anterior a
Revolução Industrial. (As áreas vazias significam ausência de dados, e não de níveis muito baixos.
Não há dados para os anos 1, 1000,1500, 1600,1700,1820, 1900 e 2003).
A partir da Revolução Industrial o volume de produção aumentou extraordinariamente: a produção
de bens deixou de ser artesanale passou a ser maquinofaturada; as populações passaram a ter
acessoa bens industrializados e deslocaram-se para os centros urbanos em busca de trabalho.
As fábricas passaram a concentrar centenas de trabalhadores, que vendiam a sua força de
trabalho em troca de um salário.
Outra das consequências da Revolução Industrial foi o rápido crescimento econômico. Antes dela,
o progresso econômico era sempre lento (levavam séculos para que a renda per
capita aumentasse sensivelmente), e após, a renda per capita e a população começaram
acrescer de forma acelerada nunca antes vista na história. Por exemplo, entre 1500 e 1780 a
população da Inglaterra aumentou de 3,5 milhões para 8,5, já entre 1780 e 1880 ela saltou para 36
milhões, devido à drástica redução da mortalidade infantil.
A Revolução Industrial alterou completamente a maneira de viver das populações dos países que
se industrializaram. As cidades atraíram os camponeses e artesãos,e se tornaram cada vez
maiores e mais importantes.
Na Inglaterra, por volta de 1850, pela primeira vez em um grande país, havia mais pessoas vivendo
em cidades do que no campo. Nas cidades, as pessoas mais pobres se aglomeravam
em subúrbios de casas velhas e desconfortáveis, com condições horríveis de higiene e
salubridade, se comparadas com as habitações dos países industrializados hoje em dia. Mas
representavam uma grande melhoria se comparadas as condições de vida dos camponeses,que
viviam em choupanas de palha. Conviviam com a falta de água encanada, com os ratos,
o esgoto formando riachos nas ruas esburacadas.
À medida que a Revolução Industrial se desenvolveu, a produção manufatureira britânica saltou à
frente da de outras grandes economias.
O trabalho do operário era muito diferente do trabalho do camponês: tarefas monótonas e
repetitivas.
A vida na cidade moderna significava mudanças incessantes. A cada instante, surgiam novas
máquinas, novos produtos, novos gostos, novas modas.
Estudos sobre as variações na altura média dos homens no norte da Europa, sugerem que o
progresso econômico gerado pela industrialização demorou varias décadas até beneficiar a
população como um todo. Eles indicam que, em média, os homens do norte europeu durante o
início da Revolução Industrial eram 7,6 centímetros mais baixos que os que viveram 700 anos
antes, na Alta Idade Média. É estranho que a altura média dos ingleses tenha caído continuamente
durante os anos de 1100 até o início da revolução industrial em 1780,quando a altura média
começou a subir. Foi apenas no início do século XX que essas populações voltaram a ter altura
semelhante às registradas entre os séculos IX e XI.14
A variação da altura média de uma população
ao longo do tempo é considerada um indicador de saúde e bem-estar econômico.

Revolução industrial alceu

  • 1.
    A Revolução Industrialtransformou o mundo após seu desenvolvimento na Inglaterra, principalmente a partir do século XVIII. A expansão urbana e industrial do capitalismo, que teve por base a exploração do trabalho assalariado por proprietários e controladores dos meios de produção, alterou profundamente o cenário de diversos países e retirou boa parte da população do campo. No caso da Inglaterra, essa alteração iniciou-se ainda no século XVI, quando as Leis de Cercamentos(Enclosure Acts) foram sendo editadas por sucessivos monarcas ingleses, mas que ganharam maior fôlego a partir de meados do século XVIII. Essa alteração consistiu em uma crescente ação de privatização de terras que eram de uso comum dos camponeses, através do cercamento desses locais realizado por poderosos senhores locais. A paisagem rural inglesa que era caracterizada pelo openfield (o campo aberto, sem vedação) passou a ter sua exploração nos campos fechados. As terras comunais inseriam-se em uma tradição econômica de utilização comunitária que remontava à Idade Média, e sua privatização representava a ruptura das relações capitalistas com o antigo mundo feudal. O senhor feudal deixava, assim, de ser o detentor da posse de terras para se tornar o seu proprietário. Os camponeses que utilizavam as terras de forma comunal e dela extraíam madeira, caça e outros produtos viram-se privados dessa fonte de recursos. A incapacidade de produção em seus pequenos lotes de terras obrigou esses camponeses a abandoná-las – sendo então apropriadas pelos grandes proprietários – e a tentar melhores condições de vida nas cidades. Dentre elas, destacavam Bristol, Birmingham, Manchester, Liverpool, Londres e Glasgow, que contavam com inúmeras fábricas. Os camponeses passavam a ser, dessa forma, assalariados nas cidades, contribuindo para a formação da classe operária na Grã-Bretanha. As fábricas eram incapazes de utilizar toda a força de trabalho que se concentrava nas cidades, gerando uma imensa massa de pessoas que ficavam desempregadas, o chamado exér cito industrial de reserva. Para os burgueses donos das fábricas, o excesso de força de trabalho servia para manter baixos os salários. Por outro lado, parte dos desempregados passava a mendigar e a viver de pequenos crimes. Novas leis contra “vagabundagem” foram estabelecidas, resultando em inúmeras prisões, açoites e enforcamentos. Mas os cercamentos geraram ainda outra consequência. A terra passava a ser uma mercadoria, possível de ser comercializada através da compra e venda. Além disso, os antigos senhores tornavam-se fazendeiros, passando também a criar ovelhas para a produção de lã destinada a manufaturas têxteis e a produzir outros produtos agrícolas para o mercado, como batatas e beterrabas. A adoção de novas técnicas de plantio, como a rotação de culturas sem pousio e a utilização de adubos e maquinário, buscou aumentar a produtividade do solo. Para aumentar ainda mais as dimensões de suas terras, os fazendeiros passaram a drenar os solos pantanosos e a abater florestas, além de cercar as terras comunais. A ciência foi utilizada na seleção de novas espécies vegetais e no cruzamento de animais que garantiriam uma melhor produtividade. Esse processo ficou conhecido como Revolução Agrícola, cujo aumento da produtividade garantiu o abastecimento da população que passava a habitar as cidades, aumentando a expectativa de vida e o crescimento demográfico. Mas isso não representou o fim da miséria nas cidades inglesas. Nesse sentido, é interessante notar como a prática dos cercamentos de terras esteve na gênese do capitalismo, contribuindo para a constituição da burguesia e do operariado, além de criar condições para o desenvolvimento da Revolução Industrial e da Revolução Agrícola na Inglaterra.
  • 2.
    As duas revoluçõessão indissociáveis da expansão que o capitalismo conheceu a partir do século XVIII, transformando-se em modelo de aplicação em várias partes do mundo. 2ª REVOLUÇÃO INDUSTRIAL No desenrolar da Revolução Industrial percebemos que a necessidade crescente por novas tecnologias se tornou uma demanda comum a qualquer nação ou dono de indústria que quisesse ampliar seus lucros. Com isso, o modelo industrial estipulado no século XVIII sofreu diversas mudanças e aprimoramentos que marcaram essa busca constante por novidades. Particularmente, podemos ver que, a partir de 1870, uma nova onda tecnológica sedimentou a chamada Segunda Revolução Industrial. Nessa nova etapa, o emprego da energia elétrica, o uso do motor à explosão, os corantes sintéticos e a invenção do telégrafo estipularam a exploraçãode novos mercados e a aceleração do ritmo industrial. Dessa forma, percebemos que vários cientistas passaram a se debruçar na elaboração de teorias e máquinas capazes de reduzir os custos e o tempo de fabricaçãode produtos que pudessem ser consumidos em escalas cada vez maiores. A eletricidade já era conhecida um pouco antes dessa época, mas tinha seu uso restritoao desenvolvimento de pesquisas laboratoriais. Contudo, passou a ser utilizada como um tipo de energia que poderia ser transmitido em longas distâncias e geraria um custo bem menor se comparado ao vapor. No ano de 1879, a criaçãoda lâmpada incandescente estabeleceuum importante marco nos sistemas de iluminação dos grandes centros urbanos e industriais da época. O petróleo, que antes tinha somente uso para o funcionamento de sistemas de iluminação, passou a ter uma nova utilidade com a invenção do motor à combustão. Com isso, ao lado da eletricidade, este mineral passou a estabelecer um ritmo de produção mais acelerado. Sob tal aspecto, não podemos deixar de destacar outras descobertas empreendidas no campo da química que também contribuíram para essa nova etapa do capitalismo industrial. Novas experiências permitiram o aproveitamento de minérios antes sem importância na obtenção de matéria-prima e outros maquinários. O aço e o alumínio foram largamente utilizados pela sua maior resistência e maleabilidade. Métodos mais simples de fabricaçãopermitiram que o ácido sulfúrico e a soda cáustica fossem acessíveis. Por meio desses dois compostos a fabricaçãode borracha, papel e explosivos pôde ser feita em larga escala. Com relaçãoaos transportes, podemos ver que as novas fontes de energia e a produção do aço permitiram a concepção de meios de locomoção mais ágeis e baratos. Durante o século XIX, a construção de estradas de ferro foi o ramo de transporte que mais cresceu.Nesse período, Estados Unidos e Europa possuíam juntos cerca de 200 mil quilômetros de trilhos construídos. Segundo outros dados, somente na década de 1860,mais de dois milhões de pessoas eram empregadas na manutenção desse único meio de transporte. Por meio dessas inovações, as indústrias puderam alcançar lucros cada vez maiores e dinamizar o processo que se dava entre a obtenção da matéria-prima e a vendagem do produto ao consumidor final. Ao mesmotempo, o controle mais específico sobre os gastos permitiram o cálculo preciso das margens de lucro a serem obtidas com um determinado artigo industrial. Dessa forma, o capitalismo rompia novas fronteiras e incidia diretamente na aceleraçãoda economia mundial. Por Rainer Sousa Mestre em História 3ª REVOLUÇÃO INDUSTRIAL O mundo, após a segunda metade do século XX, depois da Segunda Guerra Mundial, ingressou em uma etapa de profundas evoluções no campo tecnológico desencadeada principalmente pela junção entre conhecimento científico e produção industrial. O processo industrial pautado no conhecimento e na pesquisa caracteriza a chamada Terceira Revolução Industrial. Nessa etapa ou fase produtiva, todos os conhecimentos gerados em pesquisas são repassados quase que simultaneamente para o desenvolvimento industrial. A Terceira Revolução Industrial ou Revolução Tecno-científica permitiu o desenvolvimento de atividades na indústria que aplicam tecnologias de ponta em todas as etapas produtivas. A produção de tecnologias é um ramoque apresenta como um dos mais promissores no âmbito global. Essa nova fase produtiva não se limita a produtos de pouco valor agregado, como nas revoluções industriais anteriores, pelo contrário, o conhecimento inserido, no qual foram gastos anos de
  • 3.
    estudos e pesquisas,agregam elevados valores no produto final, mesmo que tenha sido gastos pouca quantidade de matéria-prima. Nesse sentido, as atividades que mais se destacam no mercadoestão vinculadas à produção de computadores, softwares,microeletrônica, chips, transistores, circuitos eletrônicos, além da robótica com grande aceitaçãonas indústrias, telecomunicações, informática em geral. Destacam- se ainda a expansão de transmissores de rádio e televisão, telefonia fixa, móvel e internet, indústria aeroespacial,biotecnologia e muitas outras inovações. É bom ressaltar que a inovação de um dos itens citados contribui diretamente ou indiretamente para o desenvolvimento de outro, desse modo, fica evidente que ocorre uma intensa interdependência entre eles. No mundo capitalista, a inserção de tecnologias e o aprimoramento constante da mesma promovem uma dinamização produtiva, intensifica o trabalho, cria produtos e mercadorias de maior qualidade para concorrer em um mercadocada vez mais competitivo, gera diminuição de custos. Esse processodesencadeia uma enorme acumulaçãode capitais pelos donos dos meios de produção que posteriormente serãousados para realizar investimentos no desenvolvimento de novos produtos e na geração de inéditas tecnologias de ponta, sempre a serviço da indústria. CONSEQUENCIAS A Revolução Industrial alterou profundamente as condições de vida do trabalhador, provocando inicialmente um intenso deslocamento da população rural para as cidades, criando enormes concentrações urbanas. A população de Londres passou de 800.000 habitantes em 1780 para mais de 5 milhões em 1880,por exemplo. No início da Revolução Industrial, os operários viviam em péssimas condições de vida e trabalho. O ambiente das fábricas era insalubre, assim como os cortiços onde muitos trabalhadores viviam. A jornadas de trabalhochegava a 80 horas semanais,e os salários variavam em torno de 2,5 vezes o nível de subsistência.[carece de fontes] Para mulheres e crianças,submetidos ao mesmo número de horas e às mesmas condições de trabalho, os salários eram ainda mais baixos. A produção em larga escala e dividida em etapas iria distanciar cada vez mais o trabalhador do produto final, já que cada grupo de trabalhadores passava a dominar apenas uma etapa da produção, mas sua produtividade ficava maior. Como a produtividade do trabalho aumentava os salários reais dos trabalhadores ingleses aumentaram em mais de 300% entre 1800 até 1870.[carece de fontes] Devido ao progresso ocorrido nos primeiros 90 anos de industrialização, em 1860 a jornada de trabalho na Inglaterra já se reduzia para cerca de 50 horas semanais (10 horas diárias em cinco dias de trabalho por semana). Horas de trabalho por semana para trabalhadores adultos nas indústrias têxteis  1780 - em torno de 80 horas por semana  1820 - 67 horas por semana  1860 - 53 horas por semana  2007 - 46 horas por semana Segundo a teoria marxista,o salário corresponde ao custo de reprodução da força de trabalho, ou seja, ao valor mínimo necessário para que o trabalhador sobreviva. Esse nível mínimo de subsistência varia historicamente. Os trabalhadores, notadamente a partir do século XIX, passaram a pressionar os seus patrões, reivindicando melhores condições de trabalho, maiores salários e crescentes reduções da jornada de trabalho. Com maiores salários, o conjunto dos trabalhadores pôde também elevar o seu nível de consumo, tornando possível a produção em massa de bens de consumo.
  • 4.
    Sindicatos e movimentosde trabalhadores A Grande Assembleia Cartista de 1848,em Londres. Os empregados das fábricas formaram associações e sindicatos, a princípio proibidos e duramente reprimidos, durante a Primeira Revolução Industrial. Na segunda metade do século XIX, a organização dos trabalhadores assume um considerável nível deideologização. O sindicalismo na virada do século XX é caracterizadopor veleidades revolucionárias e de independência em relaçãoaospartidos políticos. Após a Primeira Guerra Mundial, uma parte dos sindicatos se alinha ao ideário socialista e comunista, enquanto outra parte se inclina para o reformismo ou para a tradição cristã. Em 1864 é criada em Londres a Associação Internacional de Trabalhadores, a Internacional, primeira central sindical mundial da classe trabalhadora. No mesmo ano, na França, é reconhecido o direito de greve. Em 1919 é criada a Organização Internacional do Trabalho, um dos mais antigos organismos internacionais, com direção tripartite, composta por representantes dos governos, dos trabalhadores e dos empregadores. Movimento Ludista (1811-1812) Reclamações contra as máquinas inventadas após a revolução para poupar a mão-de-obra já eram normais. Mas foi em 1811 que o estopim estourou e surgiu o movimento ludista, uma forma mais radical de protesto. O nome deriva de Ned Ludd, um dos líderes do movimento. Os luditas chamaram muita atençãopelos seus atos. Invadiram fábricas e destruíram máquinas, que, segundo os luditas, por serem mais eficientes que os homens, tiravam seus trabalhos, requerendo, contudo, duras horas de jornada de trabalho. Os manifestantes sofreram uma violenta repressão,foram condenados à prisão, à deportação e até à forca. Os luditas ficaram lembrados como "os quebradores de máquinas". Anos depois os operários ingleses mais experientes adotaram métodos mais eficientes de luta, como a greve e o movimento sindical. Movimento Cartista (1837-1848) O "movimento cartista" foi organizado pela Associação dos Operários, exigindo melhores condições de trabalho, incluindo:  a limitação de oito horas para a jornada de trabalho  a regulamentaçãodo trabalho feminino  a extinção do trabalho infantil  a folga semanal  o salário mínimo Este movimento lutou ainda pela instituição de novos direitos políticos, como o estabelecimento do sufrágio universal ( nesta época, o voto era um direito dos homens, apenas), a extinção da exigência de ter propriedades para que se pudesse ser eleito para o parlamento e o fim do voto censitário. Esse movimento se destacou por sua organização e por sua forma de atuação, chegando a conquistar diversos direitos políticos para os trabalhadores. Consequências[
  • 5.
    O PIB percapita mudou muito pouco durante a parte da história dahumanidade anterior a Revolução Industrial. (As áreas vazias significam ausência de dados, e não de níveis muito baixos. Não há dados para os anos 1, 1000,1500, 1600,1700,1820, 1900 e 2003). A partir da Revolução Industrial o volume de produção aumentou extraordinariamente: a produção de bens deixou de ser artesanale passou a ser maquinofaturada; as populações passaram a ter acessoa bens industrializados e deslocaram-se para os centros urbanos em busca de trabalho. As fábricas passaram a concentrar centenas de trabalhadores, que vendiam a sua força de trabalho em troca de um salário. Outra das consequências da Revolução Industrial foi o rápido crescimento econômico. Antes dela, o progresso econômico era sempre lento (levavam séculos para que a renda per capita aumentasse sensivelmente), e após, a renda per capita e a população começaram acrescer de forma acelerada nunca antes vista na história. Por exemplo, entre 1500 e 1780 a população da Inglaterra aumentou de 3,5 milhões para 8,5, já entre 1780 e 1880 ela saltou para 36 milhões, devido à drástica redução da mortalidade infantil. A Revolução Industrial alterou completamente a maneira de viver das populações dos países que se industrializaram. As cidades atraíram os camponeses e artesãos,e se tornaram cada vez maiores e mais importantes. Na Inglaterra, por volta de 1850, pela primeira vez em um grande país, havia mais pessoas vivendo em cidades do que no campo. Nas cidades, as pessoas mais pobres se aglomeravam em subúrbios de casas velhas e desconfortáveis, com condições horríveis de higiene e salubridade, se comparadas com as habitações dos países industrializados hoje em dia. Mas representavam uma grande melhoria se comparadas as condições de vida dos camponeses,que viviam em choupanas de palha. Conviviam com a falta de água encanada, com os ratos, o esgoto formando riachos nas ruas esburacadas. À medida que a Revolução Industrial se desenvolveu, a produção manufatureira britânica saltou à frente da de outras grandes economias. O trabalho do operário era muito diferente do trabalho do camponês: tarefas monótonas e repetitivas. A vida na cidade moderna significava mudanças incessantes. A cada instante, surgiam novas máquinas, novos produtos, novos gostos, novas modas. Estudos sobre as variações na altura média dos homens no norte da Europa, sugerem que o progresso econômico gerado pela industrialização demorou varias décadas até beneficiar a população como um todo. Eles indicam que, em média, os homens do norte europeu durante o início da Revolução Industrial eram 7,6 centímetros mais baixos que os que viveram 700 anos antes, na Alta Idade Média. É estranho que a altura média dos ingleses tenha caído continuamente durante os anos de 1100 até o início da revolução industrial em 1780,quando a altura média começou a subir. Foi apenas no início do século XX que essas populações voltaram a ter altura semelhante às registradas entre os séculos IX e XI.14 A variação da altura média de uma população ao longo do tempo é considerada um indicador de saúde e bem-estar econômico.