INVESTIGAÇÃO QUIMIOESTRATIGRÁFICA DE
ROCHAS GERADORAS DE HIDROCARBONETOS:
APLICAÇÃO NA ANÁLISE DO SISTEMA PETROLÍFERO
DO GRUPO VILLETA, VALE SUPERIOR DO
MAGDALENA, COLÔMBIA
Félix Thadeu Teixeira Gonçalves
Universidade Federal do Rio de Janeiro
Instituto de Geociências
Doutorado
Orientador: Prof. Dr. João Graciano Mendonça Filho
Rio de Janeiro
2005
INVESTIGAÇÃO QUIMIOESTRATIGRÁFICA DE ROCHAS GERADORAS DE
HIDROCARBONETOS: APLICAÇÃO NA ANÁLISE DO SISTEMA PETROLÍFERO DO
GRUPO VILLETA, VALE SUPERIOR DO MAGDALENA, COLÔMBIA
Félix Thadeu Teixeira Gonçalves
Tese submetida ao corpo docente do Instituto de Geociências da Universidade Federal
do Rio de Janeiro-UFRJ, como parte dos requisitos necessários à obtenção do grau de
Doutor.
Aprovada por:
Prof. Dr. Ismar de Souza Carvalho (UFRJ)
Prof. Dr. Leonardo Fonseca Borghi de Almeida (UFRJ)
Dr. Flávio Luis Fernandes (PGT)
Dr. René Rodrigues (UERJ)
Dr. Henrique Luis de Barros Penteado (Petrobrás)
Rio de Janeiro
2005
ii
iii
G635i Gonçalves, Félix Thadeu Teixeira
Investigação quimioestratigráfica de rochas geradoras de
hidrocarbonetos: aplicação na análise do sistema petrolífero do Grupo
Villeta, Vale Superior do Magdalena, Colômbia. / Félix Thadeu Teixeira
Gonçalves. – 2005.
Tese (Doutorado em Geociências) – Universidade Federal do Rio
de Janeiro, Instituto de Geociências, Rio de Janeiro, 2005.
Orientador: João Graciano Mendonça Filho
1. Quimioestratigráfica 2. Rochas Geradoras de Hidrocarbonetos 3. Sistema Petrolífero
4. Vale Superior do Magdalena, Colômbia. II. Título.
CDD 551.90861
xxi, 202 f.: il.
Anexos: f.167-202
FICHA CATALOGRÁFICA
AGRADECIMENTOS
iv
Sou grato a todos aqueles que de alguma forma apoiaram, incentivaram e colaboraram
na realização deste trabalho. Nesta oportunidade, dedico um especial agradecimento:
	 - aos geólogos Yolima Blanco, Diego Díaz, Christian Niño, Luz Stella Vargas e
Wilson Zamora pela colaboração na etapa de levantamento campo e pelas discussões
sobre a estratigrafia da coluna;
- à química Paulina Gómez pelo empenho no apoio à preparação das amostras
e realização das análises geoquímicas;
	 - ao colega de trabalho e caro amigo Cesar Mora pela sugestão da área de
trabalho, pelo empenho junto a ECOPETROL para a consecução dos recursos para
realização das análises, e pelas discussões e sugestões técnicas dadas durante toda o
período de realização deste estudo;
	 - aos colegas do Instituto Colombiano do Petróleo, em particular a Antonio Rangel
e Luis Fernando Sarmiento, pelas proveitosas discussões sobre a geologia e geoquímica
do petróleo na Colômbia.
- ao Prof. Dr. João Graciano Mendonça Filho, pela realização das análises
organopetrográficas e fotomicrografias, pela orientação e, principalmente, pelos
inestimáveis incentivo e apoio dados desde o início do trabalho;
	 - aos colegas e caros amigos Ricardo Bedregal e Jason Carneiro pelo incentivo
e apoio prestados durante o trabalho e pela revisão crítica de diferentes capítulos da
tese;
- aos colegas Elio Perez, Fernando Pulgati e Juliano Kuchle pelo apoio,
respectivamente, nas etapas de modelagem cinética, análise estatística multivariada e
análise estratigráfica;
- a Magda Almada e Fábio Bagni pelo suporte nas edição das referências
bibliográficas; e aos designers Roberto Rocha e Filipe Baeta pela edição final da tese;
- ao Profs. Drs. Ismar S. Carvalho, Leonardo F. Borghi de Almeida e René
Rodrigues e aos Drs. Henrique L. B. Penteado e Flávio L. Fernandes pela participação
na banca e pelos valiosos comentários e sugestões;
	 - a ECOPETROL, pelo suporte material e logístico necessário para realização
das etapas de campo e analítica;
	 - A Mara, Ricardo, Mariana e Juliana, meus amados esposa e filhos, um
agradecimento especial pela paciência e apoio durante todo o doutorado.
v
RESUMO
GONÇALVES, Félix Thadeu Teixeira. Investigação quimioestratigráfica de rochas gera-
doras de hidrocarbonetos: aplicação na análise do sistema petrolífero do Grupo Villeta,
Vale Superior do Magdalena, Colômbia. Orientador: João Graciano Mendonça FIlho. Rio
de Janeiro: UFRJ/CCMN/IGEO, 2005. Tese (Doutorado em Geociências).
Uma seção de idade albo-coniaciana (Grupo Villeta) com 720m de espessura que aflora
ao longo do Rio Bambuca, no flanco oeste da bacia do Vale Superior do Magdalena
(VSM), Colômbia, foi estudada sob os pontos de vista estratigráfico e geoquímico. As
amostras coletadas foram submetidas a determinações de carbonato e carbono orgâni-
co total, pirólise Rock-Eval, análises elementar e visual do querogênio, e análises de
GC, GC/MS e ICP-MS.
A análise da sucessão estratigráfica da seção permitiu o reconhecimento de superfícies
de inundação máxima, limites de seqüência e eventos trangressivos-regressivos ras-
treáveis em escala regional por todo o VSM. Os resultados das análises revelaram o pre-
domínio de matéria orgânica do tipo II, amorfa e com altos teores de carbono orgânico
total e índices de hidrogênio, além de um baixo grau de evolução térmica.
Foram identificados cinco intervalos correlacionáveis aos eventos anóxicos globais do
Cretáceo (OAE1a, b e c, OAE2 e OAE3). Evidências sedimentológicas e geoquímicas,
entretanto, mostram que as condições redutoras não estiveram limitadas às fases de ano-
xia global devido à estagnação da coluna d’água imposta pelo contexto paleogeográfico.
A correlação entre a sucessão de fácies orgânicas e os ciclos transgressivos-regressivos
mostram que as variações do nível de base tiveram um papel determinante na definição
das características das rochas geradoras de petróleo do Grupo Villeta.
Correlações óleo-rocha sugerem que a Formação La Luna não contribuiu significativa-
mente para a geração dos óleos do VSM. Propõe-se que diferentes fácies orgânicas
da Formação Tetuan sejam as responsáveis pela geração das duas famílias de óleos
observadas nessa bacia.
vi
ABSTRACT
GONÇALVES, Félix Thadeu Teixeira. Chemostratigraphic assessment of hydrocarbon
source rocks: application in the analysis of the Villeta Group petroleum system, Upper
Magdalena Valley, Colombia. Orientador: João Graciano Mendonça FIlho. Rio de Janeiro:
UFRJ/CCMN/IGEO, 2005. Tese (Doutorado em Geociências).
An Albian-Coniacian, 720m-thick section in the Valle Superior del Magdalena (VSM)
basin, Colombia, was studied from the geochemical and stratigraphic points of view. It
comprises rocks of the Villeta Group and outcrops along the Bambuca river, in the western
flank of the basin. Samples were analyzed for carbonate and total organic carbon (TOC),
as well as submitted to elementary and visual kerogen analyses, Rock-Eval pyrolysis,
GC, GC/MS and ICP-MS.
Analysis of the section’s stratigraphic stacking allowed the recognition of maximum
flooding surfaces, sequence boundaries and transgressive-regressive events, the latter
being recognizable, in a regional scale, through all the VSM basin. Analysis results show
the prevalence of amorphous Type II organic matter, with high TOC and hydrogen indices
(HI), as well as poorly developed thermal evolution.
Five intervals, correlatable to the Cretaceous global anoxic events (OAE1a, b and c,
OAE2 and OAE3), were identified. Notwithstanding, geochemical and sedimentological
evidences show that reducing conditions were not limited to global anoxic phases, due to
water column stagnancy imposed by paleogeographic environment. Correlation between
organic facies succession and transgressive-regressive cycles shows that variations in the
base level have had a determinant role in the definition of the Villeta Group hydrocarbon
source-rocks characteristics.
Oil-rock correlation allows suggesting that La Luna Formation has not significantly
contributed to oil generation in VSM basin. It is proposed that different organic facies in
the Tetuan Formation account for the generation of the two oil families observed in the
basin.
1. Introdução
	 1.1. Histórico e Motivação
	 1.2. Abordagem e Objetivos
	 1.3. Organização da Tese
1
1
3
4
2. Materiais e Métodos
	 2.1. Levantamento da Seção e Amostragem
	 2.2. Análise Estratigráfica
	 2.3. Análises Geoquímicas
	 2.4 Análises Estatísticas
5
5
6
6
13
3. Contexto Geológico Regional
	 3.1. Evolução Tectônica da Colômbia
	 3.2. Bacia do Vale Superior do Magdalena
	 3.2.1. Arcabouço Estrutural e Estratigráfico
	 3.2.2. Evolução Tectono-Sedimentar
15
15
20
20
23
4. Análise Estratigráfica da Seção do Rio Bambuca
	 4.1. Localização e Contexto Geológico Local
	 4.2. Caracterização Litológica
	 4.3. Estratigrafia de Seqüências
42
42
47
56
5. Apresentação e Interpretação dos Resultados das Análises
Geoquímicas
	 5.1. Teores de Carbono Orgânico Total
	 5.2. Parâmetros da Pirólise Rock-Eval
	 5.3. Composição do Querogênio (Análise Visual)
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26
28
37
vii
SUMÁRIO
5.4. Marcadores Biológicos
	 5.5. Composição Elementar do Querogênio
	 5.6. Parâmetros Cinéticos de Conversão do Querogênio
	 5.7. Teores de Elementos Maiores, Menores e Traços em
	 RochaTotal
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122
125
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136
6. Análise Quimioestratigráfica das Rochas Geradoras
	 6.1. Reconstrução Paleoambiental
	 6.2. Controle Estratigráfico da Variabilidade Composicional das 		
	 Rochas Geradoras
107
107
112
7. Aplicação dos Resultados no Contexto do VSM
	 7.1. Sistemas Petrolíferos do VSM
	 7.2. Potencial petrolífero das rochas geradoras
	 7.3. Variabilidade cinética e timing de geração de HC
	 7.4. Fácies organo-moleculares e correlação óleo-rocha
8. Conclusões e Recomendações 143
9. Referências Bibliográficas 148
62
77
83
96
viii
167
168
175
178
187
191
194
Anexos
	 1. Resultados das análises de enxofre, carbonato e carbono 		
	 orgânico totais e de pirólise Rock-Eval
	 2. Resultados da análise visual do querogênio
	 3. Razões e índices moleculares (biomarcadores)
	 4. Resultados das análises elementares do querogênio (CHONS)
	 5. Parâmetros cinéticos (A, E e função de erro)
	 6. Resultados das análises de ICP-MS
ÍNDICE DE TABELAS
Tabela 5.2 – Sumário estatístico dos valores de potencial gerador (S2, em
mgHC/gRocha) por unidade estratigráfica da seção do Rio Bambuca, Vale
Superior do Magdalena, Colômbia.
Tabela 5.3 – Sumário estatístico dos dados de índice de hidrogênio (IH, em
mgHC/gCOT) por unidade estratigráfica da seção do Rio Bambuca, Vale
Superior do Magdalena, Colômbia.
Tabela 5.1 – Sumário estatístico dos resultados das análises de teor de carbono
orgânico total (COT) por unidade estratigráfica da seção do Rio Bambuca,
Vale Superior do Magdalena, Colômbia.
Tabela 5.4 – Valores médios de índice de hidrogênio (IH, em mgHC/gCOT)
calculados para cada formação do Grupo Villeta na seção do Rio Bambuca,
Vale Superior do Magdalena, Colômbia. São apresentados os valores de IH
médios calculados a partir (a) do coeficiente de x das retas das regressões
da Figura 5.7 e (b) da média aritmética do IH de amostras individuais, e a
diferença entre os dois valores (em mgHC/gCOT).
Tabela 5.5. – Composição química e razão elementar H/C médias das
biomassas de origem fitoplanctônica e de vegetais superiores (Mello & Estrella,
1984).
Tabela 5.6 – Composição química das principais famílias de compostos pre-
sentes na biomassa depositada em bacias sedimentares (Mello & Estrella,
1984).
Tabela 5.7 – Resumo estatístico das concentrações (em ppm) de elementos
maiores, menores e traços determinados em amostras de rocha total da seção
do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia. Os elementos estão
listados em ordem decrescente pelo valor médio da concentração.
Tabela 5.8 – Matriz de correlação entre os elementos maiores, menores e
traços determinados em amostras de rocha total da seção do Rio Bambuca,
Vale Superior do Magdalena, Colômbia. Os números ressaltados em vermelho
correspondem aos coeficientes de correlação com valores absolutos superiores
a 0,4 (página seguinte).
Capítulo 5
44
49
49
54
62
77
100
103
ix
Tabela 6.1 – Resultados da análise fatorial de matriz de dados com 90
amostras e 59 parâmetros geoquímicos da seção do Rio Bambuca, Vale Su-
perior do Magdalena, Colômbia. Apresentam-se os parâmetros associados
aos três fatores que explicaram a maior parte da variância observada na ma-
triz de dados, e suas respectivas cargas fatoriais.
Tabela 6.2 – Classificação de fácies orgânica baseada nos dados de pirólise
Rock-Eval e em análises visuais do querogênio (modificado de Jones,
1987).
Tabela 6.3 – Valores médios de parâmetros de biomarcadores dos grupos
de amostras definidos a partir da análise de grupamento de amostras da
seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena (ver Figura 6.3).
Também se apresenta a denominação adotada para as fácies moleculares
correspondentes a cada grupo (ver texto para explicação).
Tabela 7.1 – Valores de SPI (Source Potential Index em ton/m2
; Demaison &
Huizinga, 1994) calculados para as formações Tetuan e La Luna na seção do
Rio Bambuca e nos poços San Francisco-1 e Nilo-1, bacia do Vale Superior
do Magdalena. Consultar o texto para maiores explicações sobre a forma de
cálculo e as premissas adotadas.
Tabela 7.2 – Amostras selecionadas para o estudo de correlação óleo-rocha
realizado na bacia do Vale Superior do Magdalena, Colômbia.
Capítulo 6
Capítulo 7
136
129
118
113
108
x
ÍNDICE DE FIGURAS
Figura 1.1 – Mapa da porção noroeste do continente sul-americano com a
localização da bacia do Vale Superior do Magdalena e da coluna sedimentar
analisada neste estudo (adaptado de Schamel, 1991 e Cooper et al., 1995).
Capítulo 1
Figura 3.1 – Mapa geológico esquemático mostrando a distribuição das áreas
sedimentares, das regiões onde afloram rochas ígneas e metamórficas e das
principais feições estruturais da Colômbia e regiões vizinhas (simplificado
de Schamel, 1991 e Cooper et al., 1995). A zona hachurada representa as
regiões mais elevadas do terreno (cordilheiras e maciços). A linha vermelha
tracejada representa a localização aproximada da seção geológica evolutiva
da Figura 3.2.
Capítulo 3
Figura 3.3 – Mapas paleogeográficos esquemáticos mostrando a evolução
tectono-sedimentar da porção central da Colômbia ao longo do Cretáceo
(modificado de Villamil et al., 1999). São apresentadas reconstruções es-
quemáticas no Neo-aptiano/Eo-albiano (a), Meso/Neo-albiano (b), Neoceno-
maniano (c), Eoturoniano (d), Santoniano (e) e Campaniano/Maastrichtiano
(f). Também é mostrada a localização aproximada da seção de afloramento
analisada neste estudo (coluna estratigráfica do Rio Bambuca).
Figura 3.2 – Seções geológicas esquemáticas mostrando três etapas da
evolução tectono-sedimentar da porção central da Colômbia (modificado de
Cooper et al., 1995).
Figura 3.5 – Coluna estratigráfica simplificada da bacia do Vale Superior do
Magdalena (adaptada de Ecopetrol-ICP, 1994).
Figura 3.4 – Mapas mostrando a localização e o arcabouço estrutural da
bacia do Vale Superior do Magdalena (modificado de Schamel, 1991).
Figura 3.6 – Estratigrafia, curva de variação relativa do nível do mar, limites
de seqüências e eventos paleoceanográficos globais da seção de idade apti-
ana/santoniana, conforme definido por Villamil (1998) na região do VSM e da
cordilheira Andina Oriental. As siglas OAE’s 1, 2 e 3 referem-se aos eventos
anóxicos globais do Cretáceo (Oceanic Anoxic Events; Schlanger & Jenkyns,
1976; Arthur et al., 1990).
2
15
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18
21
22
24
xi
Figura 4.2 – Coluna estratigráfica da seção do Rio Bambuca, levantada
ao longo do rio homônimo, no flanco noroeste da sub-bacia de Neiva, Vale
Superior do Magdalena. A figura apresenta, além da sucessão litológica e
feições sedimentares, os dados de raios gama levantados no campo e os
teores de carbonato total determinados em laboratório.
Figura4.1–Localizaçãoecontextogeológicodaseçãoestratigráficalevantada
ao longo do Rio Bambuca. A referida seção atravessa o flanco ocidental do
sinclinal da Media Luna, no limite noroeste da sub-bacia de Neiva, próximo
ao alto de Natagaima (adaptado de Vargas et al., 2002).
Capítulo 4
Figura 4.4 – Fotografia mostrando pacotes de calcários próximo ao topo da
Formação Caballos, seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena,
Colômbia.
Figura 4.3 – Fotografia mostrando intercalações de arenitos, folhelhos
e camadas carbonosas delgadas na Formação Caballos, seção do Rio
Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia.
Figura 4.6 – Fotografia mostrando camadas de calcário maciço intercalado
com calcários laminados e folhelhos no segmento médio da Formação Tetuan,
seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia.
Figura 4.7 – Fotografia em que se vêem intercalações centimétricas de
folhelhos (níveis escuros) e calcários pelágicos (níveis claros) no segmento
superior da Formação Tetuan, seção do Rio Bambuca, Vale Superior do
Magdalena, Colômbia
Figura 4.5 – Fotografia em que se vêem intercalações rítmicas de calcários
pelágicos (níveis claros) e folhelhos calcíferos (camadas escuras) no
segmento médio da Formação Tetuan, seção do Rio Bambuca, Vale Superior
do Magdalena, Colômbia.
Figura 4.8 – Fotografia mostrando afloramento folhelhos e calcários parcial-
mente intemperizados da porção basal da Formação Bambuca, parcialmente
recobertos pela vegetação, na seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Mag-
dalena, Colômbia.
Figura 4.9 – Fotografia em que se vêem afloramentos de folhelhos intem-
perizados da Formação Bambuca, seção do Rio Bambuca, Vale Superior do
Magdalena, Colômbia.
Figura 4.10 – Fotografia em que se vêem intercalações decimétricas de
calcários pelágicos (níveis mais claros) e folhelhos (níveis mais escuros) na
porção inferior da Formação La Luna, seção do Rio Bambuca, Vale Superior
do Magdalena, Colômbia.
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29
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31
31
33
33
34
xii
Capítulo 4
Figura 4.11 – Fotografia mostrando intercalações decimétricas de calcários
pelágicos e folhelhos na porção inferior da Formação La Luna, seção do Rio
Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia.
Figura 4.13 – Estratigrafia, curva de variação relativa do nível do mar, limites
de seqüências, eventos paleoceanográficos globais e principais marcos
estratigráficos da seção de idade aptiana/santoniana na região do VSM e da
cordilheira Andina Oriental (adaptado de Villamil, 1998). As siglas OAE’s 1,
2 e 3 referem-se aos eventos anóxicos globais do Cretáceo (Oceanic Anoxic
Events; Schlanger & Jenkyns, 1976; Arthur et al., 1990).
Figura 4.12 – Fotografia com vista geral da sucessão de cherts, calcários
e folhelhos na porção inferior do Grupo Olini, seção do Rio Bambuca, Vale
Superior do Magdalena, Colômbia.
Figura 4.14 – Coluna estratigráfica da seção levantada ao longo do Rio
Bambuca, no flanco noroeste da sub-bacia de Neiva, Vale Superior do
Magdalena. A figura apresenta os ciclos transgressivo-regressivos e o
arcabouço de estratigrafia de seqüências interpretado a partir da análise da
sucessão litológica.
Capítulo 5
Figura 5.1 – Expressão estratigráfica dos teores de carbono orgânico total ao
longo da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia.
Figura 5.2 – Histogramas mostrando a distribuição dos valores de teor de
carbono orgânico total (COT) para as formações do Grupo Villeta na seção
do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia.
Figura 5.3 – Gráfico de teor de carbonato total vs. teor carbono orgânico
total (COT) para as amostras analisadas na seção do Rio Bambuca, Vale
Superior do Magdalena, Colômbia.
Figura 5.4 – Gráfico de distribuição dos valores de COT (mínimo, máximo,
média e desvio padrão) por faixa de conteúdo de carbonato na seção do Rio
Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia.
Figura 5.5 – Expressão estratigráfica dos valores de índice de hidrogênio
(IH), temperatura máxima (Tmax) e índice de produção (IP) ao longo da
seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia.
35
36
37
39
43
44
46
46
50
xiii
Figura 5.6 – Diagrama do tipo Van Krevelen modificado (Espitalié et al.,
1985) mostrando a distribuição dos índices de hidrogênio (IH) e oxigênio
(IO) das unidades analisadas na seção do Rio Bambuca, Vale Superior do
Magdalena, Colômbia.
Capítulo 5
Figura 5.7 – Gráficos de teor de carbono orgânico (COT) vs. potencial
gerador (S2) para as formações do Grupo Villeta na seção do Rio
Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia. As linhas grossas de
cor cinza separam os campos dos querogênios dos tipos I, II e III. As linhas
tracejadas são retas obtidas a partir da regressão linear dos dados. Ao
lado das retas também são mostrados suas equações e seus coeficientes
de correlação (R2).
Figura 5.9 – Gráfico de teor de carbonato total vs. índice de hidrogênio (IH)
para as amostras analisadas na seção do Rio Bambuca, Vale Superior do
Magdalena, Colômbia
Figura 5.10 – Gráfico de distribuição dos valores de índice de
hidrogênio (IH mínimo, máximo, média e desvio padrão) por
faixa de conteúdo de carbonato na seção do Rio Bambuca, Vale
Superior do Magdalena, Colômbia.
Figura 5.8 – Gráfico de teor de carbono orgânico total (COT) vs. índice de
hidrogênio (IH) para as amostras analisadas na seção do Rio Bambuca,
Vale Superior do Magdalena, Colômbia.
Figura 5.12 – Fotomicrografias do querogênio isolado de amostras
selecionadas da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena,
Colômbia. Matéria orgânica amorfa grumosa em luz branca (a) e
fluorescência (b), e detalhe de dinoflagelado em fluorescência (c).Aumento
de 40X em (c) e de 20X nas demais fotos.
Figura 5.11 – Expressão estratigráfica dos teores de matéria orgânica
amorfa, liptnita e matéria orgânica lenhosa ao longo da seção do Rio
Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia.
Figura 5.13 – Fotomicrografias do querogênio isolado de
amostras selecionadas da seção do Rio Bambuca, Vale Superior
do Magdalena, Colômbia. Grão de pólen em fluorescência
(a), grãos de esporos e matéria lenhosa em fluorescência
(b), e matéria lenhosa e cutinita em luz branca (c). Aumento
de 20X em todas as fotos.
51
53
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55
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59
60
xiv
Capítulo 5
Figura 5.14 – Gráfico de teor de carbonato total vs. teor de matéria orgânica
lenhosa para as amostras da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do
Magdalena, Colômbia.
Figura 5.15 – Gráfico de teor de matéria orgânica amorfa vs. índice
hidrogênio (IH) para as amostras da seção do Rio Bambuca, Vale Superior
do Magdalena, Colômbia.
Figura 5.16 – Cromatogramas gasosos (CG) e cromatogramas de massas
m/z 191 e m/z 217 das frações de hidrocarbonetos saturados de extratos
orgânicos representativos da seção do Rio Bambuca. Compostos corres-
pondentes aos picos identificados: 1= n-C15
, 2= Pristano, 3= Fitano, 4= n-
C25
, 5= C27
18α(H) Trisnorhopano (Ts), 6= C27
17α(H) Trisnorhopano (Tm),
7= 28,30 bisnorhopano, 8= C29
17α(H), 21β(H) norhopano, 9= C30
17α(H),
21β(H) hopano, 10= gamacerano, 11= C27
βα diasterano 20S, 12= C29
αββ
esterano 20R.
Figura 5.18 – Gráfico tridimensional correlacionando a razão pristano/fi-
tano (P/F) e o índice de C24
tetracíclico com teores de matéria orgânica
lenhosa nas amostras da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Mag-
dalena, Colômbia (consultar forma de cálculo da razões e do índice no
Anexo 3).
Figura 5.17 – Expressão estratigráfica das razões pristano/fitano (P/F) e
Ts/(Ts+Tm) e do índice de C24
tetracíclico ao longo da seção do Rio Bam-
buca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia (consultar forma de cálculo
das razões e do índice no Anexo 3).
Figura 5.19 – Expressão estratigráfica dos índices de gamacerano,
bisnorhopano e C35
homohopanos ao longo da seção do Rio Bambuca,
Vale Superior do Magdalena, Colômbia (consultar forma de cálculo dos
índices no Anexo 3).
Figura 5.20 – Expressão estratigráfica das razões esteranos/
(esteranos+hopanos) e C27
/C27
+C29
, e do índice de diasteranos ao longo da
seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia (consultar
forma de cálculo das razões e do índice no Anexo 3).
61
62
65
68
69
70
72
xv
Figura 5.21 – Expressão estratigráfica das razões C31
homohopanos S/S+R,
C29
esteranos ααα S/(S+R) e C29
esteranos αββ/(ααα+αββ) ao longo da
seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia (consultar
forma de cálculo das razões no Anexo 3).
Figura 5.22 – Gráficos de Tmax vs. razões C31
homohopanos S/S+R (a),
C29
esteranos ααα S/(S+R) (b) e C29
esteranos αββ/(ααα+αββ) (c) para as
amostras da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia
(consultar forma de cálculo das razões no Anexo 4). A linha verde tracejada
em (a) foi traçada de forma arbitrária tentando descrever a variação dos
dados. Já a linha azul tracejada em (b) é produto da regressão linear dos
dados com o respectivo coeficiente de correlação (R2
).
Figura 5.24 – Gráficos O/C vs. H/C (diagrama de Van Krevelen) e O/C vs.
S/C mostrando a distribuição dos dados das razões atômicas medidas no
querogênio de amostras das unidades analisadas na seção do Rio Bambuca,
Vale Superior do Magdalena, Colômbia.
Figura 5.23 – Expressão estratigráfica das razões atômicas H/C, O/C, N/C e
S/C medidas no querogênio de amostras tomadas ao longo da seção do Rio
Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia.
Capítulo 5
Figura 5.26 – Gráfico de teor de matéria orgânica amorfa vs. razão H/C
para as amostras da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena,
Colômbia.
Figura 5.25 – Correlação entre o índice de hidrogênio (IH) da pirólise Rock-
Eval e a razão atômica H/C para as amostras analisadas na seção do Rio
Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia.
Figura5.27–Histogramasmostrandoasdistribuiçõesdeenergiasdeativação
dos principais tipos de querogênio e suas respectivas curvas de conversão em
função de uma história de soterramento hipotética (adaptado de Tissot et al.,
1987).Ograudeconversãoédescritopeloparâmetroconhecidocomotaxade
transformação,querepresentaaporcentagemdopotencialgeradororiginalque
foi efetivamente convertido em petróleo
74
76
80
81
82
83
86
xvi
Capítulo 5
Figura5.30–Gráficotridimensionalmostrandovariabilidadedosparâmetros
cinéticos da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena,
Colômbia. Para um conjunto de amostras representativas, apresenta-se
a distribuição dos potenciais geradores de hidrocarbonetos associados às
energias de ativação e aos fatores de freqüência (entre parênteses junto à
identificação da amostra na legenda, em s-1
).
Figura 5.29 – Histograma de distribuição dos valores da função de erro
calculados pelo software Optkin a partir das diferenças quadráticas
entre as curvas de produção de hidrocarbonetos medidas e calculadas
nas amostras da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena,
Colômbia.
Figura 5.28 – Correlação entre as curvas de produção de hidrocarbonetos
medidas pela pirólise Rock-Eval 6 sob taxas de aquecimento de 1, 2, 5, 10,
15 e 25°C/min e as curvas calculadas com base nos parâmetros cinéticos
determinados com auxílio do software Optkin® em uma amostra da seção
do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia.
Figura 5.32 – Gráficos mostrando a evolução da taxa de transformação
em função da refletância da vitrinita para as amostras da seção do Rio
Bambuca e os querogênios dos tipos II e III. A trajetória das curvas foi
calculada com a equação (4), usando os parâmetros cinéticos do Anexo
5 para as amostras da seção e os publicados por Burnham (1989) para
os querogênios dos tipos II e III, assumindo uma taxa de aquecimento
constante de 2°C/M.a. Foram utilizadas as formulações do modelo proposto
por Sweney & Burnham (1990) para calcular a refletância da vitrinita.
Figura 5.31 – Gráficos mostrando a evolução da taxa de transformação
em função da temperatura para as amostras da seção do Rio
Bambuca e os querogênios dos tipos II, II-S e III. A trajetória das
curvas foi calculada com a equação (4), usando os parâmetros
cinéticos do Anexo 5 para as amostras da seção e os publicados por
Burnham (1989) para os querogênios dos tipos II e III, assumindo
uma taxa de aquecimento constante de 2°C/M.a.
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88
89
90
91
xvii
Figura 5.33 – Expressão estratigráfica do parâmetro T@50 para amostras
tomadas ao longo da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena,
Colômbia.Oreferidoparâmetro,adotadocomoindicadordograudereatividade
doquerogênio,correspondeàtemperaturanaqualasamostrasalcançamuma
taxa de transformação de 50%, considerando seus respectivos parâmetros
cinéticos e uma taxa de aquecimento de 2ºC/M.a.
Figura 5.34 – Gráfico de barras mostrando os coeficientes de correlação
linear entre T@50 (ver definição na legenda da figura anterior) uma série
de parâmetros geoquímicos selecionados para as amostras analisadas na
seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia
Figura 5.36 – Gráfico de teor de carbono orgânico total (COT) vs. teor
de enxofre total (S) para as amostras tomadas ao longo da seção do
Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia. A linha vermelha
tracejada representa a relação S/COT = 0,36, encontrada em ambientes
marinhos siliciclásticos normais (Berner & Raiswell, 1984)
Figura 5.35 – Expressão estratigráfica dos teores de enxofre total (S)
determinados em amostras tomadas ao longo da seção do Rio Bambuca,
Vale Superior do Magdalena, Colômbia.
Figura 5.37 – Expressão estratigráfica da concentração de titânio (Ti), e das
razões silício/titânio (Si/Ti) e fósforo/titânio (P/Si) em amostras de rocha
total da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia.
Figura 5.38 – Expressão estratigráfica das razões urânio/titânio (U/Ti),
cobre/titânio (Cu/Ti) e molibdênio/titânio (Mo/Ti) em amostras de rocha total
da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia.
Capítulo 6
Figura 6.1 – Expressão estratigráfica dos três fatores que explicaram a
maior parte da variância observada na matriz de dados geoquímicos da
seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia. As siglas
OAE se referem aos eventos anóxicos oceânicos, inferidos com base na
correlação com o arcabouço cronoestratigráfico adotado (ver explicação
no texto).
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94
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99
104
106
110
xviii
Capítulo 6
Figura 6.2 – Distribuição de fácies orgânicas ao longo da seção do rio
Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia. A coluna na esquerda
mostra as fácies orgânicas definidas com base em dados de pirólise e
petrografiaorgânica(AB,B,BCeC)segundoaclassificaçãodeJones(1987).
A coluna na direita mostra as fácies organo-moleculares determinadas a
partir de dados de biomarcadores (MA= marinha carbonática anóxica, MC=
marinha carbonática, MS= marinha siliciclástica, MT= marinha transicional;
consultar texto para definição).
Figura 6.3 – Dendograma resultante da análise de agrupamento de um
conjunto 18 de parâmetros de biomarcadores indicadores de origem (tipo
de matéria orgânica e ambiente deposicional) da fração de hidrocarbonetos
saturados dos extratos orgânicos de amostras de rocha da seção do Rio
Bambuca, Vale Superior do Magdalena. A análise de agrupamento foi
realizada com o auxílio do software Statistica®, seguindo método descrito
no capítulo 2.4. Assumindo uma distância de corte igual ou maior a três
foram diferenciados quatro grandes grupos de amostras assinalados com
cores distintas.
Figura 6.4 – Cromatogramas gasosos (CG) e cromatogramas de
massas m/z 191 e m/z 217 das frações de hidrocarbonetos saturados
de extratos orgânicos da Seção do Rio Bambuca, Vale Superior do
Magdalena. São apresentadas amostras representativas de cada um dos
grupos resultantes da análise de agrupamento (as cores das amostras
são iguais a dos grupos correspondentes na Figura 6.3). Compostos
correspondentes aos picos identificados: x= terpano desconhecido, 1= n-
C15
, 2= Pristano, 3= Fitano, 4= n-C25
, 5= C27
18α(H) Trisnorhopano (Ts), 6=
C27
17α(H) Trisnorhopano (Tm), 7= 28,30 bisnorhopano, 8= C29
17α(H),
21β(H) norhopano, 9= C30
17α(H), 21β(H) hopano, 10= gamacerano, 11=
C27
βα diasterano 20S, 12= C29
αββ esterano 20R.
Figura 6.5 – Variações de fácies orgânicas e organo-moleculares
comparadas aos ciclos de transgressão e regressão (curva T-R) ao longo
da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia.
114
116
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120
xix
Capítulo 7
Figura 7.1 – Mapa de localização dos campos de petróleo da Bacia do Vale
Superior do Magdalena, Colômbia.
Figura 7.2 – Coluna estratigráfica da bacia do Vale Superior do Magdalena
mostrando as rochas geradoras e a distribuição dos volumes de petróleo
in-place entre as principais rochas reservatório.
Figura 7.3 – Seção estratigráfica com datum no topo do Grupo Villeta
comparando os perfis de teor de carbono orgânico total (COT) da seção do
Rio Bambuca com os perfis dos poços San Francisco-1 e Nilo-1, da bacia
do Vale Superior do Magdalena.
Figura 7.4 – Perfil de teor de carbono orgânico total (COT) do Grupo Villeta
no poço Quillacinga-2sta, na bacia do Putumayo (ver localização da bacia
e do poço no mapa ao lado). No perfil são comparados os teores de COT
obtidos em amostras de calha e de testemunho.
Figura 7.5 – Mapa e seção sísmica dip mostrando a localização e contexto
estrutural do pseudopoço (linha amarela grossa) criado para a realização
da modelagem do processo de geração de petróleo. O referido pseudopoço
foi posicionado no eixo de um sinclinal situado no flanco noroeste da sub-
bacia de Neiva, bacia do Vale Superior do Magdalena.
Figura 7.6 – Gráfico de geohistória mostrando as histórias de soterramento,
térmica e de maturação do pseudopoço modelado na bacia do Vale
Superior do Magdalena (ver localização na Figura 7.5). As linhas vermelhas
representam a evolução das isotermas (em ºC) e as áreas com tons de
verde e vermelho, os diferentes graus de evolução térmica alcançados pela
seção sedimentar em termos de faixas de valores de reflectância de vitrinita
(%Ro; ver legenda).
Figura 7.7 – Perfis de taxa de transformação do Grupo Villeta no pseudopoço
modelado (ver Figuras 7.5 e 7.6). São apresentadas reconstruções em três
idades distintas (55, 40 e 15 M.a. atrás) comparando os perfis obtidos a
partir dos parâmetros cinéticos medidos nas amostras da seção do Rio
Bambuca com aqueles resultantes da adoção dos parâmetros cinéticos do
querogênio padrão do tipo II Burnham (1989).
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xx
Capítulo 7
Figuras 7.8 – Curvas não-cumulativas de evolução da taxa de transformação
da Formação Tetuan no pseudopoço modelado (ver Figuras 7.5 e 7.6).
Comparam-se os resultados obtidos a partir da cinética do querogênio do
tipo II padrão (Burnham, 1989) e dos parâmetros medidos na seção do Rio
Bambuca
Figuras 7.9 – Mapa mostrando a localização das amostras selecionadas
para o estudo de correlação óleo-rocha realizado na bacia do Vale Superior
do Magdalena, Colômbia.
Figuras 7.10 – Correlação geoquímica molecular entre amostras
representativas das duas famílias de óleos definidas por Córdoba (1998) e
extratos orgânicos da Seção do Rio Bambuca, representativos das fácies
organo-moleculares definidas nessatese(verTabela 7.2).Sãoapresentados
os cromatogramas gasosos (CG) e cromatogramas de massas m/z 191 e m/
z 217 da fração de hidrocarbonetos saturados. Compostos correspondentes
aos picos identificados: 1= n-C15
, 2= Pristano, 3= Fitano, 4= n-C25
, 5= C27
18α(H) Trisnorhopano (Ts), 6= C27
17α(H) Trisnorhopano (Tm), 7= 28,30
bisnorhopano, 8= C29
17α(H), 21β(H) norhopano, 9= C30
17α(H), 21β(H)
hopano, 10= gamacerano, 11= C27
βα diasterano 20S, 12= C29
αββ esterano
20R.
Figura 7.11 – Gráficos das razões Gamacerano/C30
Hopano e Bisnorhopano/
C30
Hopano vs. razão C35
/C34
Homohopano para extratos orgânicos das
formações La Luna e Tetuan. São comparados os resultados obtidos na
seção do Rio Bambuca com os parâmetros provenientes de poços da sub-
bacia de Neiva, publicados por Córdoba (1998).
Figura 7.12 – Correlação geoquímica molecular entre o extrato orgânico
representativo da fácies organo-molecular marinha transicional da
seção do Rio Bambuca e os óleos dos poços Encanto-1 e Unicórnio-1,
localizados respectivamente nas bacias do Vale Superior do Magdalena
e do Putumayo (ver mapa). São apresentados os cromatogramas
gasosos (CG) e cromatogramas de massas m/z 191 e m/z 217 da fração
de hidrocarbonetos saturados. Compostos correspondentes aos picos
identificados: 1= n-C15
, 2= Pristano, 3= Fitano, 4= n-C25
, 5= C24
tetracíclico,
6= C27
17α(H) Trisnorhopano (Tm), 7= 28,30 bisnorhopano, 8= C29
17α(H),
21β(H) norhopano, 9= C30
17α(H), 21β(H) hopano, 10= gamacerano, 11=
C27
βα diasterano 20S, 12= C29
αββ esterano 20R.
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137
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142
xxi
1. Introdução
1.1. Histórico e Motivação
O estudo dos processos formadores de rochas ricas em matéria orgânica é
reconhecido pela sua importância econômica. A determinação da distribuição espacial
e da variabilidade composicional dessas rochas é de grande utilidade na avaliação do
processo de geração de petróleo, podendo influenciar sólida e positivamente a taxa
de sucesso das atividades de exploração. Não menos valiosa é a contribuição de tais
estudos para o entendimento de eventos paleoclimáticos e paleoceanográficos. Afinal,
o registro desses eventos, cuja compreensão tem implicações para estudos atuais de
meteorologia e oceanografia, bem como suas conseqüências para a biota, se encontra
gravado na coluna estratigráfica de uma bacia sedimentar.
Não obstante essa importância, os estudos das rochas geradoras de petróleo
encontram obstáculos na qualidade da amostragem. Os poços, principal fonte de
amostras, são normalmente amostrados a cada nove metros e, geralmente, por meio
de amostras de calha. Da mesma forma, e pelo que representam em termos de tempo e
custo de operação, testemunhos de rochas potencialmente geradoras são raros. Baixas
quantidade e representatividade das amostras impedem uma avaliação mais realista das
rochas geradoras de uma bacia, no sentido de conhecer como se deu a sua deposição,
qual é o seu comportamento espacial, sua composição, como a matéria orgânica se
distribui ao longo do registro geológico e da área de ocorrência, e como tal pacote de
rochas comportar-se-ia em resposta aos processos de soterramento e de aumento de
temperatura.
Em decorrência disso, encontra-se com alguma facilidade na literatura técnica
certa e indesejável generalização quando são abordadas rochas geradoras: variações
composicionais são geralmente negligenciadas, sendo comum atribuir a toda uma bacia
um único tipo de matéria orgânica. É também freqüente que os trabalhos não integrem
a estratigrafia aos conceitos e resultados de geoquímica orgânica e inorgânica, sendo
portanto faltos de uma visão mais completa, e por isso mesmo mais complexa, dos
processos envolvidos na formação das rochas geradoras.
No que diz respeito à América do Sul, as principais rochas geradoras de petróleo
da região são depósitos marinhos albo-santonianos, responsáveis por grande parte das
Figura 1.1 – Mapa da porção noroeste do continente sul-americano com a localização da bacia do Vale
Superior do Magdalena e da coluna sedimentar analisada neste estudo (adaptado de Schamel, 1991 e
Cooper et al., 1995).
0 100 200 km
79º 77º 75º 73º 71º 69º
12º
10º
8º
6º
4º
2º
0º
Andes
de
M
érida
Bogotá
FALHADE
ROMERAL
FALHADEBUCARAMANGA
Maciço de
Santa Marta
M
ar do Caribe
Oceano
Pacífico
1
2
5
7
8
9
10
11
12
N
6
AndesdePerijá
FALHA DE OCA
Principais Bacias
Sedimentares:
1. Vale Superior do Magdalena
2. Vale Médio do Magdalena
3. Vale Inferior do Magdalena
4. Cauca-Patia
5. Maracaibo
6. Catatumbo
7. Pacífico
8. Putumayo
9. Llanos Orientais
10. Barinas
11. Amazonas
12. Guajira
Rochas sedimentares Rochas ígneas e metamórficas
Localização da seção
do Rio Bambuca
Áreas de cordilheiras ou maciços
Escudo das Guianas
Colôm
bia
Panamá
Equador
Colômbia
Venezuela
Brasil
Cord.dos
AndesOriental
CordilheiradosAndesOcidentalCord.dosAndesCentral
4
3
reservas de países como Venezuela, Colômbia, Equador e Peru (Dashwood  Abbots,
1990; Mora, 2000; James, 2000). Esses depósitos se encontram distribuídos ao longo
de boa parte da porção noroeste do continente, em bacias sedimentares como a de
Maracaibo na Venezuela, as do Vale do Magdalena na Colômbia, a do Oriente no
Equador, e a de Ucayali no Peru (Macellari, 1988; Villamil, 1998; Villamil  Pindell, 1998;
Erlich et al., 1999). Dentre as várias denominações dadas para esses depósitos nos
países em que ocorrem, são mais conhecidas as denominações La Luna (na Venezuela
e Colômbia), Villeta (na Colômbia), Napo (no Equador) e Chonta (no Peru).
A sedimentação desses depósitos albo-santonianos ocorreu sobre uma vasta
depressão pericratônica cretácica que se estendeu por grande parte da porção noroeste
da América do Sul, e foi controlada por uma complexa interação de fatores, tais como
eventos tectônicos locais e regionais, flutuações eustáticas do nível do mar e eventos
paleoceanográficos globais (Macellari, 1988; Villamil, 1998). São muitos os estudos que
demonstram o controle exercido por tais fatores sobre variações verticais e laterais de
fácies sedimentares. Entretanto, são escassos os trabalhos dedicados a entender de que
forma os mesmos fatores controlaram o grau de variabilidade geoquímica das rochas
geradoras e seu impacto sobre o potencial petrolífero, história de carga de petróleo e
diversidade composicional dos óleos gerados.
Localizado na porção centro-oeste da Colômbia (Figura 1.1), o Vale Superior do
Magdalena (VSM) é uma das bacias onde os depósitos supramencionados são
responsáveis pela geração das reservas de petróleo descobertas até o momento (2.650
milhões de barris; Kairuz et al., 2000; Sarmiento  Rangel, 2004). No caso do VSM,
os depósitos com maior potencial gerador de petróleo são de idade albo-coniaciana, e
comumente englobados sob a denominação de Grupo Villeta. A existência de seções
aflorantes desse grupo, com espessos pacotes de rochas ricas em matéria orgânica,
pouco intemperizados e com baixo grau de evolução térmica, combinada com a
disponibilidade de trabalhos sedimentológicos e estratigráficos prévios, fazem do VSM
um local privilegiado para a realização de um estudo quimioestratigráfico de alta resolução
dessa importante seção geradora de petróleo. Tais condições igualmente fazem do
VSM um laboratório para a investigação dos fatores que condicionam a variabilidade
dos atributos geoquímicos de rochas geradoras marinhas e suas implicações sobre a
dinâmica dos sistemas petrolíferos.
1.2. Abordagem e Objetivos
Em função do exposto acima, definiu-se como objetivo do presente trabalho testar o
potencial da geoquímica, aplicada a um número representativo de amostras e integrada
à estratigrafia, como ferramenta de investigação de sistemas petrolíferos e de avaliação
de potencial de bacias sedimentares. Para isso, escolheu-se uma seção do Grupo
Villeta, com cerca de 700m de espessura, aflorando ao longo do rio Bambuca, no flanco
centro-oeste da bacia do VSM (Figura 1.1), para a realização de um estudo integrando
estratigrafia à mais abrangente avaliação geoquímica. As rochas do Grupo Villeta
afloram de modo relativamente contínuo e sem complicações estruturais significativas
nessa seção, mostrando uma granulação predominantemente fina e um baixo grau de
evolução térmica, o que as torna perfeitamente adequadas ao presente estudo.
Realizou-se a análise estratigráfica da seção do rio Bambuca, e uma amostragem
de detalhe (aproximadamente uma amostra a cada 2m) para execução do maior elenco
possível de análises geoquímicas. Tais procedimentos visam ao seguinte:
•	 Reconhecer e delimitar, com base na sucessão litológica, ciclos
transgressivos e regressivos correlacionados com variações relativas do nível do
mar e registros de eventos paleoceanográficos locais e globais.
•	 Descrever as variações de riqueza orgânica, tipo de querogênio,
potencial gerador de petróleo, fácies orgânicas, características moleculares
(biomarcadores) e concentrações de elementos maiores, menores e traços nas
rochas analisadas.
•	 Reconstruir as condições paleoambientais que condicionaram a deposição
dessas rochas geradoras com base na integração dos resultados das análises
geoquímicas e estratigráficas.
•	 Avaliar o controle exercido pelas mudanças paleoambientais e flutuações
relativas no nível do mar sobre as variações dos atraibutos da matéria orgânica
sedimentar.
•	 Estimar o impacto dos resultados obtidos sobre o que se conhece do
potencial petrolífero e sobre o que se deriva dos atuais estudos de correlação
óleo-rocha e modelagem da geração de petróleo no VSM.
1.3. Organização da Tese
A tese foi dividida em oito capítulos. No primeiro, apresentou-se a motivação e
os objetivos do trabalho. No capítulo 2, descrevem-se os métodos estratigráficos,
geoquímicos e estatísticos empregados na realização do trabalho. No capítulo 3, faz-se
uma revisão da evolução tectônica da Colômbia e da geologia da bacia do Vale Superior
do Magdalena. No capítulo 4, descrevem-se os resultados das análises estratigráficas
da seção do Rio Bambuca. No capítulo 5, são apresentados e interpretados todos
os resultados das análises geoquímicas. No capítulo 6, apresenta-se a análise
quimioestratigráfica da seção do Rio Bambuca, integrando todos os dados geoquímicos
e geológicos. No capítulo 7, avalia-se o impacto dos resultados obtidos sobre a avaliação
de alguns aspectos dos sistemas petrolíferos da bacia do Vale Superior do Magdalena.
Finalmente, no capítulo 8, são apresentadas as principais conclusões do trabalho, bem
como recomendações para trabalhos futuros. A tese é completada com uma lista das
referências bibliográficas citadas no texto e por sete anexos que reportam todos os
resultados das análises geoquímicas.
2. Materiais e Métodos
Para a realização do estudo, levantou-se uma seção que aflora ao longo das margens
do Rio Bambuca, na porção central da bacia do Vale Superior do Magdalena, Colômbia
(Figura 1.1). A seção levantada, doravante denominada de “seção do Rio Bambuca”, foi
selecionada por apresentar uma exposição relativamente contínua do Grupo Villeta, sem
a presença de complicações estruturais significativas, tais como inversão ou repetições
de camadas, e com um baixo grau de evolução térmica. Apresenta-se a seguir como
foram realizados o levantamento e a amostragem da seção do Rio Bambuca, bem como
os métodos empregados em sua análise.
2.1. Levantamento da Seção e Amostragem
A seção do Rio Bambuca foi levantada em quatro campanhas de campo realizadas
no ano de 2002 com auxílio de geólogos do Instituto Colombiano do Petróleo. A seção
foi medida e descrita a uma escala de 1:100 quanto a suas características litológicas,
sedimentológicas e estruturais. Um perfil de raios gama foi obtido realizando-se leituras
a cada 1-2m com um detector portátil (Cintilômetro GRS-500, EDA Instruments). Com
base nas medidas estruturais de campo e no registro da trajetória percorrida, rebateu-
se o levantamento feito ao longo do rio em uma coluna estratigráfica vertical, corrigindo
o efeito de espessura aparente resultante do mergulho estrutural das camadas e das
variações no percurso do rio.
Obteve-se assim uma coluna estratigráfica de 720 m de espessura (ver Figura 4.2)
abrangendo a parte superior da Formação Caballos, todo o Grupo Villeta (formações
Tetuan, Bambuca e La Luna) e a base do Grupo Olini. Uma porção significativa (cerca de
37%) desse intervalo encontra-se encoberta por deslizamentos de terra e/ou vegetação,
impedindo sua descrição e análise. Dentre as unidades estudadas, a Formação Bambuca
é a mais afetada por este problema, com cerca de 70% de sua espessura total encoberta
e/ou muito intemperizada, seguida pela Formação Tetuan, com cerca de 28% de seção
encoberta por deslizamentos de terra e/ou vegetação. As outras unidades, por sua vez,
afloram de forma relativamente contínua, praticamente sem intervalos encobertos.
Ao longo da coluna, foram coletadas duzentos e setenta e seis (276) amostras,
das quais duzentos e trinta e sete (237) amostras de rocha de granulação fina foram
selecionadas para a realização de uma variada gama de ensaios geoquímicos, descritos
a seguir.
2.2. Análise Estratigráfica
O trabalho de análise estratigráfica foi desenvolvido com o propósito de servir de
base para interpretação dos dados geoquímicos e para o entendimento dos processos
e fatores que controlaram a deposição da seção sedimentar levantada. Esta análise, por
sua vez, baseou-se no método fundamentado nos preceitos da estratigrafia de seqüência.
De acordo com esses preceitos, o registro deposicional pode ser hierarquizado em
unidades contendo superfícies cronocorrelatas e padrões de empilhamentos estratais,
geneticamente relacionadas no tempo e espaço e controladas pela interação entre
variações do espaço de acomodação (eustasia vs. tectônica) e do suprimento sedimentar
(Van Wagoner et al., 1988; Posamentier et al., 1988).
As duzentos e setenta e seis (276) amostras coletadas nas campanhas de campo
foram descritas macroscopicamente e em lupa binocular, enquanto quatorze (14)
amostras consideradas representativas dos principais tipos litológicos encontrados
foram submetidas a análises petrográficas para uma caracterização mais detalhada.
A sucessão litológica foi analisada à luz do arcabouço de estratigrafia de seqüências
e de eventos e marcos estratigráficos definidos por Villamil (1998), o que permitiu
inferir a idade do intervalo analisado, reconhecer os ciclos trangressivo-regressivos e o
reconhecimento das superfícies de inundação máxima e os limites de seqüência, duas
das superfícies chave do método de análise estratigráfica de seqüências deposicionais
(Posamentier et al., 1988).
2.3. Análises Geoquímicas
Preparação preliminar das amostras
As amostras passaram inicialmente por um processo de limpeza para eliminação de
impurezas, tais como partes alteradas, contaminação de solo, etc. Em seguida, foram
lavadas em água corrente e secas em estufa a 40°C. Esta preparação e as análises
químicas descritas a seguir foram realizadas nos laboratórios do Instituto Colombiano do
Petróleo, localizado na cidade de Bucaramanga (Colômbia). Já as análises de petrografia
orgânica foram realizadas nos laboratórios de petrografia orgânica da Universidade
Federal do Rio de Janeiro.
Determinação dos teores de carbono orgânico e de carbonato
Após a preparação preliminar, 237 amostras foram pulverizadas em gral de ágata,
peneiradas a 80 mesh (0.177mm) e acondicionadas em frascos de vidro etiquetados
e tampados. Colocou-se cerca de 250mg da amostra pulverizada em um cadinho de
porcelana filtrante e pesou-se o conjunto cadinho/amostra para obtenção do peso original,
utilizado como base de cálculo em etapas posteriores. As amostras foram atacadas com
ácido clorídrico (HCl) a 50% por 24h a frio e por 1h a quente para retirar os carbonatos, e
lavadas em seguida durante 4h para eliminar cloretos. A retirada do carbonato presente
nas rochas é fundamental para a dosagem correta do carbono de origem orgânica, uma
vez que o carbono também está presente no ânion CO3
-2
. Após secagem em estufa a
80°C, os cadinhos com a amostra acidificada foram novamente pesados para determinar,
pela diferença com o peso original, o percentual total de carbonatos na amostra.
Cada amostra acidificada foi introduzida no forno de indução do determinador de
carbono WR-12 da LECO, onde foi queimada a 1000°C na presença de oxigênio. O
dióxido de carbono (CO2
) gerado passa por uma série de filtros e fica retido em uma
peneira molecular. Após captar todo CO2
, a peneira molecular é aquecida a 300ºC,
liberando o gás para detecção em uma célula de condutividade térmica. Esta célula
consiste de um par de termistores: o de referência (mantido com oxigênio à pressão,
fluxo e temperatura constantes) e o de medida, por onde passa o CO2
. A diferença na
condutividade térmica entre os dois gases (O2
e CO2
) é proporcional ao conteúdo de
carbono. Finalmente, o teor de carbono foi determinado a partir do sinal emitido pela
célula, sendo baseado na comparação com um padrão de referência.
Pirólise Rock-Eval
Duzentas e trinta e seis (236) amostras foram pulverizadas em gral de ágata,
peneiradas a 80 mesh e acondicionadas em frascos de vidro etiquetados e tampados.
A alíquota coletada da amostra pulverizada variou entre 10 e 100mg, em função do teor
de carbono orgânico: quanto maior o teor de carbono, menor a quantidade de amostra
usada na pirólise. As amostras foram pesadas em cadinhos de aço, sendo então
colocados no amostrador automático do ROCK-EVAL II. Neste aparelho, a amostra é
introduzida em um forno, sendo submetida a um programa de aquecimento de 25°C/min
até alcançar uma temperatura de 550°C, em atmosfera de hélio. Desta forma, reproduz
-se em laboratório o processo natural de catagênese da matéria orgânica e de geração
do petróleo.
Com o aumento de temperatura, são liberados, sucessivamente, o petróleo livre
porventura existente na amostra e os hidrocarbonetos e o gás carbônico gerados pelo
craqueamento térmico do querogênio (matéria orgânica insolúvel presente nas rochas
sedimentares). No topo do forno de pirólise, um divisor de fluxo regulado à temperatura
de 550°C separa os gases em duas frações iguais. Uma é encaminhada a um detector
de ionização-de-chama, que mede os hidrocarbonetos livres e aqueles gerados pelo
craqueamento do querogênio. A outra fração dirige-se a um trap de CO2
que, após a
programação de temperatura, é reaquecido para liberação do CO2
, que será medido por
um detector de condutividade térmica (Espitalié et al., 1985).
Os gases detectados durante a análise são registrados por uma unidade analógico-
digital que reporta os resultados em um gráfico denominado de pirograma, no qual se
identificam e quantificam os parâmetros de S1, S2, S3 e Tmax, discutidos em detalhe
no capítulo 5.2.
Determinação do teor de enxofre em rocha total
Duzentas e vinte e quatro (224) amostras foram pulverizadas em gral de ágata,
peneiradas a 80 mesh e acondicionadas em frascos de vidro etiquetados e tampados.
Uma quantidade de cerca de 200mg de cada amostra foi colocada em cadinho de
cerâmica e analisada segundo o método para determinação de enxofre em materiais
inorgânicos descrito na norma ASTM D-5016. Neste método, a amostra é introduzida
num forno a alta temperatura e em atmosfera de oxigênio. O enxofre presente é então
oxidado (por combustão) para SO2
, o qual é convertido em SO3
após passar por um
catalisador de sílica platinizada. O SO3
é absorvido no detector de infravermelho em
comprimento de onda específico dentro do espectro de infravermelho. A quantidade de
energia detectada é proporcional à concentração de enxofre na amostra.
Utilizou-se um equipamento LECO CS244, com forno de indução e microprocessador
para cálculo do teor de enxofre. O procedimento também incluiu a calibração do
equipamento com padrão específico.
Petrografia orgânica
Oitenta e sete (87) amostras foram acidificadas com ácido clorídrico, para retirada
dos carbonatos, e com ácido fluorídrico, para eliminação dos silicatos. Logo após, foram
neutralizadas e peneiradas a 12 mesh (1.68mm) e novamente centrifugadas para retirada
de líquido. À parte sólida da amostra é adicionado cloreto de zinco, seguindo-se nova
fase de agitação e centrifugação. Para a montagem da lâmina delgada, uma alíquota
da porção sobrenadante obtida pela centrifugação foi colocada com um pouco de água
e uma gota de goma de acácia sobre uma lamínula de vidro em chapa aquecida em
torno de 37°C. O restante do querogênio foi peneirado (20µ) para eliminação da matéria
mineral fina e colocado do mesmo modo que o material sobrenadante, em posição
adjacente e com outra lamínula.
A análise da matéria orgânica foi realizada por meio de microscopia ótica de luz
transmitida e ultravioleta (para análise da fluorescência). Utilizou-se microscópio
Axioscope II Plus da Carl-Zeiss, com fonte do tipo HBO-100, XBO-75W, e lâmpada de
mercúrio de 100 watts (para análise em luz ultravioleta). Foram identificados três grupos
principais de macerais (correspondentes aos minerais na petrografia): liptinita, vitrinita e
inertinita, além da matéria orgânica amorfa.
Extração e cromatografia líquida
Noventa e duas (92) amostras foram selecionadas para extração de betume para
a realização de análises posteriores. As amostras foram inicialmente pulverizadas em
gral de ágata e peneiradas a 80 mesh, sendo então submetidas à extração em um
equipamento do tipo Sohxlet por 24 h utilizando diclorometano. O solvente presente no
material recuperado foi evaporado para concentração do betume extraído.
Os extratos orgânicos foram submetidos à cromatografia líquida com o propósito
de separar as frações de hidrocarbonetos saturados (parafinas lineares, ramificadas
e cíclicas), hidrocarbonetos aromáticos e compostos NSO (resinas e asfaltenos, que
possuem em sua estrutura átomos de nitrogênio, enxofre e oxigênio). Na cromatografia
líquida, as substâncias são separadas por partição entre um líquido móvel e uma fase
estacionária “sólida”, finamente dividida. O extrato é colocado no topo da coluna, sendo
deslocado pela fase móvel (solvente) que percola através da fase estacionária pela ação
da força de gravidade. Dessa forma, o solvente elui a fração de hidrocarbonetos com
polaridade similar, deixando como resíduo na fase estacionária as frações de polaridade
diferente.
O procedimento realizado consistiu em pesar 200 mg de cada extrato orgânico, os
quais foram posteriormente submetidos a fracionamento em coluna de vidro (dimensões
de 13 cm x 0,5 cm) utilizando 2,5 g de sílica-gel (MERCK 60, 0,063 – 0,200 mm) ativada
na noite anterior a 120°C.Afração de hidrocarbonetos alifáticos foi eluída com 10 ml de n-
hexano, a de hidrocarbonetos aromáticos com 10 ml de n-hexano/diclorometano (1:1), e a
10
de compostos NSO, com 10 mL de diclorometano/metanol (9:1). As frações recuperadas
foram evaporadas em evaporador rotatório sob pressão reduzida e transferidas para
frascos de 2 mL com o auxílio de um pequeno volume de diclorometano (~ 500 µl), o qual
foi evaporado em seguida sob fluxo de Nitrogênio.
Cromatografia Gasosa (CG)
A cromatografia gasosa é um método físico de separação dos componentes
de uma mistura através de uma fase gasosa móvel sobre um sorvente estacionário.
No processo de CG, cada amostra é vaporizada e misturada com um gás carreador
inerte (fase móvel). A amostra é introduzida através de um sistema de injeção em uma
coluna capilar cuja superfície interior está revestida por uma membrana que contém
a fase estacionária. Dentro do equipamento, a solução de amostra é transferida para
uma câmara de vaporização aquecida a temperatura elevada. A agulha da seringa é
aquecida rapidamente de forma que a amostra ao ser injetada vaporiza-se, embora
parcialmente, no seu interior. O gás de arraste leva a amostra para a coluna capilar,
onde a mudança de temperaturas entre a câmara de vaporização (alta temperatura) e a
coluna (baixa temperatura) faz com que as maiores moléculas sejam retidas na cabeça
da coluna cromatográfica. À medida que a temperatura é elevada, dá-se a vaporização
das substâncias que, de acordo com suas propriedades e as da fase estacionária, são
retidas por tempos determinados, chegando à saída da coluna em tempos diferentes. O
emprego de um detector adequado como o detector por ionização em chama (DIC, ou
FID por suas iniciais em inglês), possibilita a detecção e quantificação dos compostos
(Peters  Moldowan, 1993).
Neste trabalho, analisaram-se as frações de hidrocarbonetos saturados dos 92
extratos orgânicos obtidos por meio do processo de extração. Utilizou-se um cromatógrafo
de gases Hewlett-Packard 5890-A (injetor splitless e coluna de 30m SPB-TM-1), com a
seguinte programação de temperatura: de 120° a 310ºC a 6ºC/min. O volume injetado
foi de 1 µL para cada amostra. Utilizou-se hidrogênio como gás carreador, injeção sem
divisão de fluxo por 1 minuto, ionização com chama e detector por ionização em chama
(DIC).
Cromatografia Gasosa-Espectrometria de Massas (CG-EM)
O acoplamento de um detector seletivo de massas ao cromatógrafo gasoso permite
obter informação sobre a estrutura de cada composto que é eluído da cromatografia
gasosa. Esta técnica baseia-se na ionização das moléculas por impacto de elétrons, de
modo que se consegue fragmentá-las em íons de diferentes massas, os quais entram
11
num analisador de massas (ex: tipo quadrupolo), onde são monitorados de acordo com
sua relação massa/carga (m/z) e são detectados por um multiplicador de elétrons. Desta
forma pode-se obter o espectro de massas de cada composto, que junto com o tempo
de retenção da cromatografia gasosa, constituem elementos essenciais para realizar a
identificação dos compostos (Peters  Moldowan, 1993).
Para realizar a caracterização dos biomarcadores nas amostras selecionadas, as
mesmas frações de hidrocarbonetos saturados submetidas às analises de CG foram
analisadas pela técnica de cromatografia gasosa acoplada a espectrometria de massas.
Utilizou-se um detector seletivo de massas HP 5972A acoplado a um cromatógrafo de
gases Hewlett-Packard 5890-A (injetor on-column e coluna de 30m HP-5MS) com a
seguinte programação de temperatura: de 70° a 170ºC a 20ºC/min e de 170° a 310°C a
2ºC/min. Empregou-se hélio como gás carreador, com injeção sem divisão de fluxo por
um minuto e ionização por impacto de elétrons a 70eV. Foi utilizado o monitoramento
de varredura linear na faixa de massas de 50-580 Daltons e o monitoramento seletivo
de íons (“SIM”). Para a análise dos hidrocarbonetos saturados, foram selecionados os
seguintes íons: m/z 191, 217, 218, 259 e 177.
Determinação dos parâmetros cinéticos
Cinqüenta e seis (56) amostras foram pulverizadas em gral de ágata, peneiradas a
80 mesh e acondicionadas em frascos de vidro etiquetados e tampados. Em seguida,
foram submetidas à extração com um aparelho do tipo Soxhlet e diclorometano como
solvente para a remoção completa do betume.
Alíquotas de 40-50mg de cada amostra foram submetidas a pirólise em um
equipamento Rock-Eval 6 (Lafargue et al., 1998) sob seis taxas de aquecimento distintas:
1, 2, 5, 10, 15 e 25°C/min. A otimização numérica foi realizada com o auxílio do software
Optkin® (Beicip-Franlab), o qual se baseia em um modelo cinético em que o processo
de craqueamento do querogênio se dá por meio de uma série de reações paralelas
irreversíveis de primeira ordem. Com base nesse modelo, calcula-se a combinação de
distribuição de energias de ativação e fator de freqüência que melhor se ajusta aos
dados adquiridos pela análise de pirólise.
Análise elementar (CHNOS) do querogênio
Noventa e uma (91) amostras foram acidificadas com ácido clorídrico, para retirada
dos carbonatos, e com ácido fluorídrico, para eliminação dos silicatos. Logo após,
foram neutralizadas e peneiradas a 12 mesh (1.68mm) e novamente centrifugadas para
12
retirada de líquido. À parte sólida da amostra é adicionado cloreto de zinco, seguindo-se
nova fase de agitação e centrifugação. Desta forma, isolou-se a amostra de querogênio
necessária para realização das análises elementares.
Determinaram-se os conteúdos de carbono, hidrogênio, oxigênio e nitrogênio por
meio de detectores de infravermelho em um equipamento LECO CHN-600. As amostras
são submetidas à combustão em presença de oxigênio puro. Os produtos da combustão
são CO2
, H2
O, óxidos de nitrogênio, nitrogênio elementar e óxidos de enxofre. Estes
últimos são removidos com óxido de cálcio em uma zona da câmara de combustão para
evitar que se forme ácido sulfúrico na combinação com a água. Os gases remanescentes
são armazenados para a quantificação dos elementos de interesse. A quantidade de
nitrogênio se determinou com um detector de condutividade térmica, e a dos outros
elementos, com um detector de infravermelho.
Já o conteúdo de enxofre elementar determinou-se em um equipamento PERKIN
ELMER 2400, onde as amostras foram submetidas à combustão a uma temperatura de
975ºC em uma atmosfera de oxigênio para converter os elementos em gases simples
(CO2
, H2
O, N2
e SO2
). O gás de interesse (SO2
) foi homogenizado sob condições
controladas de pressão, temperatura e volume e detectado e quantificado por meio de
um detector de condutividade térmica.
Análise de ICP-MS
Noventa (90) amostras foram pulverizadas em gral de ágata, peneiradas a 80 mesh
e acondicionadas em frascos de vidro etiquetados e tampados. As amostras foram então
submetidas à acidificação com ácido sulfúrico concentrado, obtendo-se um resíduo que
foi posteriormente calcinado em uma mufla. As cinzas resultantes desse processo foram
dissolvidas em ácido nítrico de alta pureza e água deionizada. Esta solução foi então
levada a um espectrômetro ELAN 6000 Inductively Coupled Plasma (ICP-MS) da Perkin
Elmer, onde se determinaram as concentrações de 37 elementos.
Especificamente para determinação dos conteúdos de alumínio e silício, efetuou-
se a combustão das amostras até a obtenção de uma massa carbonosa, a qual
é posteriormente removida por aquecimento em uma mufla a 575± 25°C. O resíduo
obtido dessa forma foi transferido para um cadinho de platina, submetido à evaporação
completa e, em seguida, à fusão com uma mistura de Na2
CO3
:Na2
B4
O7
. O produto é
dissolvido em ácido clorídrico e peróxido de hidrogênio para posterior análise no mesmo
espectrômetro ELAN 6000 Inductively Coupled Plasma (ICP-MS) da Perkin Elmer.
13
2.4. Análises Estatísticas
Diferentes técnicas de análise estatística foram empregadas a fim de compreender
melhor as relações e o comportamento dos dados gerados pelas diversas análises
geoquímicas realizadas neste estudo. Com este fim, empregou-se o software de análise
de dados Statistica®. A seguir, apresenta-se um resumo das técnicas empregadas.
Regressão Linear
A análise de regressão consiste no estudo da dependência de uma variável,
denominada de dependente, em relação a uma ou mais variáveis, denominadas de
explicativas. Com esta análise, é possível estimar e/ou prever a média da população
ou o valor médio da dependente em termos de valores conhecidos das variáveis
explicativas.
No presente estudo, realizaram-se duas análises de regressão. Na primeira aplicação
desta técnica, analisou-se a dependência linear da variável Tmax em relação à variável
razão C29
esteranos ααα S/(S+R) (ver seção 5.4). A segunda aplicação da técnica de
regressão teve como propósito completar a base de dados de geoquímica orgânica e
inorgânica para a realização da análise fatorial. Estudou-se então, a dependência de
cada variável em relação ao conjunto de todas as variáveis explicativas observadas,
método conhecido como análise de regressão múltipla. O modelo aplicado teve
como suposição a linearidade nos parâmetros. Para definir as variáveis explicativas
significativas, adotou-se o método de seleção stepwise. O método consiste em ajustar
o modelo através de um processo interativo, incorporando variáveis explicativas que
contribuam significativamente para explicar o comportamento da variável dependente.
Análise de Agrupamento (cluster analysis)
Aanálise de agrupamento consiste em um conjunto de técnicas que permitem agrupar
indivíduos ou variáveis previamente não agrupados. Partindo de um determinado número
de casos, cada um descrito por um conjunto de variáveis aleatórias, esta análise usa um
esquema de classificação para agrupar os casos (ou as variáveis) em classes, de tal
forma que dentro das classes os casos sejam similares, e simultaneamente diferentes
dos casos pertencentes as demais classes. A análise não exige suposições iniciais
acerca do número de grupos, ou mesmo da estrutura desses grupos. Como resultado
final, são obtidos grupos homogêneos internamente, mas heterogêneos entre si.
14
A análise de agrupamento foi utilizada neste trabalho para auxiliar na definição de
fácies orgânicas com base em dados de biomarcadores (ver capítulo 6). Inicialmente,
foi calculada a distância Euclidiana entre os pares de observações, desenvolvendo
assim uma escala quantitativa conhecida como medida de associação (similaridade).
Em uma segunda etapa, empregou-se o método de agrupamento hierárquico conhecido
como método de Ward. Esses métodos iniciam o processo de agrupamento com casos
individuais, ou seja, cada caso é caracterizado como um “grupo”. Seqüencialmente, os
casos mais similares são agrupados e, através de um processo interativo, os grupos já
formados são unidos de acordo com suas similaridades. Eventualmente, a similaridade
decresce até que todos os grupos sejam fundidos em um único grupo.
Análise Fatorial
A análise fatorial é uma técnica desenvolvida para descrever as relações conjuntas
de muitas variáveis, a partir de um pequeno número de quantidades aleatórias chamadas
“fatores”. A aplicação do método pressupõe que as variáveis observadas possam, de
alguma forma, ser agrupadas de acordo com suas correlações. Desta forma, todas as
variáveis constituintes de um particular grupo, ou fator, estão altamente correlacionadas
entre si e, simultaneamente, pouco correlacionadas com variáveis constituintes dos
demais grupos, ou fatores.
Aanálisefatorialpodeserconsideradacomoumaextensãodaanálisedecomponentes
principais. Ambos os métodos têm por objetivo principal a redução da dimensão original
da matriz de variáveis a partir da matriz de covariância. Aplicou-se esta técnica visando
compreender as relações entre os diversos parâmetros geoquímicos orgânicos e
inorgânicos, e reduzir a grande quantidade de parâmetros a um conjunto pequeno de
fatores, facilitando assim sua interpretação e integração com a informação estratigráfica
(ver capítulo 6).
A estimativa dos escores fatoriais foi efetuada com o método de regressão. A escolha
final do número de fatores foi baseada na combinação dos seguintes indicadores: (a)
a proporção da variância explicada, (b) o conhecimento específico do pesquisador
(subjetivo), e (c) a comparação direta dos dados com o resultado do modelo. Com o
objetivo de facilitar a interpretação dos fatores comuns, fez-se a transformação da matriz
de cargas fatoriais pelo método de rotação Varimax, minimizando assim a complexidade
dos fatores. Diferentes métodos de rotação e de extração foram testados, obtendo-se
a mesma estrutura de fatores, o que atesta a consistência dos resultados da análise
fatorial.
15
3. Contexto Geológico Regional
3.1. Evolução Tectônica da Colômbia
A Bacia do Vale Superior do Magdalena (VSM), como outras bacias subandinas,
teve uma história geológica multifásica, refletindo a complexa sucessão de eventos
tectônicos que afetou a porção noroeste da América do Sul (Pindell  Erikson, 1993;
Villamil  Pindell, 1998; Sarmiento, 2001). Apresenta-se neste capítulo um sumário dos
aspectos mais importantes da história evolutiva desta porção do continente, com ênfase
nas regiões do Vale do Magdalena e das cordilheiras dos Andes Oriental e Central na
Colômbia (Figura 3.1).
0 100 200 km
79º 77º 75º 73º 71º 69º
12º
10º
8º
6º
4º
2º
0º
Andes
de
M
érida
Bogotá
FALHADE
ROMERAL
FALHADEBUCARAMANGA
Maciço de
Santa Marta
M
ar do Caribe
Oceano
Pacífico
1
2
5
7
8
9
10
11
12
N
6
AndesdePerijá
FALHA DE OCA
Principais Bacias
Sedimentares:
1. Vale Superior do Magdalena
2. Vale Médio do Magdalena
3. Vale Inferior do Magdalena
4. Cauca-Patia
5. Maracaibo
6. Catatumbo
7. Pacífico
8. Putumayo
9. Llanos Orientais
10. Barinas
11. Amazonas Colombiana
12. Guajira
Rochas sedimentares Rochas ígneas e metamórficas Áreas de cordilheiras ou maciços
Escudo das Guianas
Colôm
bia
Panamá
Equador
Colômbia
Venezuela
Brasil
Cord.dos
AndesOriental
CordilheiradosAndesOcidentalCord.dosAndesCentral
4
3
Figura 3.1 – Mapa geológico esquemático mostrando a distribuição das áreas sedimentares, das regiões
onde afloram rochas ígneas e metamórficas e das principais feições estruturais da Colômbia e regiões vizi-
nhas (simplificado de Schamel, 1991 e Cooper et al., 1995). A zona hachurada representa as regiões mais
elevadas do terreno (cordilheiras e maciços). A linha vermelha tracejada representa a localização aproxi-
mada da seção geológica evolutiva da Figura 3.2.
16
A quantidade e intensidade dos diversos eventos tectônicos que afetaram a região
norte da América do Sul desde o Triássico dificultam sobremaneira a reconstrução da
história geológica pré-mesozóica dessa região (Cooper et al., 1995; Sarmiento, 2001).
Por esse motivo, as rochas de idade pré-cambriana e paleozóica são consideradas como
o embasamento da seção sedimentar focalizada neste capítulo. Nas bacias subandinas
situadas a leste da cordilheira dos Andes Oriental, o embasamento consiste basicamente
de depósitos sedimentares de idade paleozóica e rochas ígneas e metamórficas pré-
cambrianas do escudo das Guianas (Figura 3.1). Da Falha de Romeral até a cordilheira
Oriental, o embasamento compreende principalmente rochas metamórficas do paleozóico
e do pré-cambriano. Finalmente, a oeste da falha de Romeral, o embasamento é composto
de fragmentos de crosta oceânica e depósitos sedimentares e vulcânicos relacionados
à subducção da placa do Pacífico (Cooper et al., 1995).
As seções e mapas das Figuras 3.2 e 3.3 ilustram, de forma esquemática, a evolução
tectono-sedimentar da Colômbia e das regiões vizinhas. No período compreendido entre
o Jurássico e o início do Cretáceo, a subducção da placa tectônica do Pacífico ao longo da
borda ocidental do Gondwana deu origem a um sistema de arcos magmáticos e bacias de
retro-arco que cobria a maior parte da região que hoje abarca o Vale do Magdalena e as
cordilheirasAndina Central e Oriental (Figuras 3.1 a 3.3). Uma componente transtensional
relacionada à subducção oblíqua da placa do Pacífico deu origem a uma série de meios-
grabens limitados por grandes falhas normais e preenchidos por depósitos sedimentares
e vulcânicos (Schamel, 1991; Cooper et al., 1995; Villamil, 1999; Sarmiento, 2001).
A partir do Hauteriviano e até aproximadamente o Campaniano, toda a região
focalizada passou por uma fase de relativa quiescência, com atividade tectônica menos
intensa e um comportamento de margem passiva (Villamil, 1998). Vastas áreas da
porção noroeste da América do Sul foram inundadas pelo mar, dando origem a uma
bacia de retro-arco ampla e relativamente rasa, que se estendeu por toda a região onde
atualmente se encontram a cordilheira Andina Oriental, as bacias do Vale do Magdalena,
Llanos e Putumayo na Colômbia (Figuras 3.1 a 3.3), e boa parte dos territórios da
Venezuela, Equador e Peru. Na Colômbia, os depocentros dessa ampla bacia de retro-
arco ocupavam sobretudo a região que atualmente faz parte da cordilheira Andina
Oriental (Cooper et al., 1995), constituindo sub-bacias como as do Cocuy e Tablazo-
Magdalena (Figura 3.2a).
A maior parte dos autores que estudaram a região concorda que o arco magmático
relacionado à subducção da placa do Pacífico provavelmente constituiu massas de terra
emersas em pelos menos parte da Colômbia durante o Cretáceo (Figuras 3.2 e 3.3). De
acordo com Cooper et al. (1995), o arco magmático não teria formado terras emersas na
Colômbia antes do Maastrichtiano, à exceção da região do Vale Superior do Magdalena,
onde há evidências da existência de terras emersas desde o Aptiano/Albiano. Segundo
Villamil (1998), desde o Albiano o arco magmático provavelmente emergia durante as
17
Sub-bacia do
Cocuy
Llanos
Orientais
Sub-bacia do
Tablazo-Magdalena
(a) BARREMIANO/CAMPANIANO: Bacia de Retro-Arco
(b) MAASTRICHTIANO/PALEOCENO: Inversão, Bacia Foreland Inicial
(c) MIOCENO/RECENTE: Paroxismo Andino, Bacia Foreland
Paleo-Cordilheira
Central
Cordilheira Andina
Oriental
Llanos
Orientais
Bacias do
Vale do
Magdalena
Plutons Crosta
Oceânica
Crosta
Continental
Megasseqüência
de Retro-Arco
Megasseqüência
Foreland Pré-Andino
Megasseqüência
Foreland Andino
LEGENDA:
Vulcânicas
Cordilheira
Central
Bacia do
Cauca
Paleo-Cordilheira
Central
Colisão Arco de
Ilha/Continente
Cavalgamento
e Inversão
Compressão e Inversão
Generalizadas
Figura 3.2 – Seções geológicas esquemáticas mostrando três etapas da evolução tectono-sedimentar da
porção central da Colômbia (modificado de Cooper et al., 1995).
18
(c) Neo-Cenomaniano
(b) Meso/Neo-Albiano
(d) Eo-Turoniano
76º
12º
8º
4º
72º
Medelin
Bogotá
Cartagena
Merida
76º
12º
8º
4º
72º
Medelin
Bogotá
Cartagena
Merida
NeivaNeiva
76º
12º
8º
4º
72º
Medelin
Bogotá
Cartagena
Merida
Neiva
76º
12º
8º
4º
72º
Medelin
Bogotá
Cartagena
Merida
Neiva
(a) Neo-Aptiano/Eo-Albiano
Chert
Evaporitos Clásticos marinhos proximais
Folhelhos (não-calcários)
Calcários e Folhelhos Calcários proximaisFosfatosLocalização
aproximada da
Seção do rio
Bambuca
Conglomerados
limiteoestedesconhecido
limiteoestedesconhecido
limiteoestedesconhecido
limiteoestedesconhecido
N N
N N
ArcoMagmático(?)
Arcomagmático(?)
Arcomagmático
Figura 3.3 – Mapas paleogeográficos esquemáticos mostrando a evolução tectono-sedimentar da porção
central da Colômbia ao longo do Cretáceo (modificado de Villamil et al., 1999). São apresentadas recons-
truções esquemáticas no Neo-aptiano/Eo-albiano (a), Meso/Neo-albiano (b), Neocenomaniano (c), Eotu-
ronino (d), Santoniano (e) e Campaniano/Maastrichtiano (f). Também é mostrada a localização aproximada
da seção de afloramento analisada neste estudo (coluna estratigráfica do Rio Bambuca).
19
fases de nível do mar baixo. Guerrero et al. (2000) por sua vez, apresentam evidências
sedimentológicas da existência de uma área fonte de composição vulcânica-metamórfica
para os sedimentos albo-maastrichtianos do Vale Superior do Magdalena. Essa área fonte
estava situada a oeste da bacia atual (arco magmático; Figuras 3.2 e 3.3), separando a
bacia de retro-arco cretácica do antigo oceano Pacífico.
A grande bacia de retro-arco cretácea (Hauteriviano/Campaniano) foi preenchida
por sedimentos predominantemente marinhos, com uma diversidade litológica que
inclui folhelhos, calcários, arenitos, cherts, evaporitos e fosfatos. A sedimentação nesse
período de relativa quiescência foi controlada principalmente por flutuações relativas
do nível do mar e influenciada por eventos paleoceanográficos (e.g. eventos anóxicos).
Uma sucessão de ciclos transgressivos, cujo clímax foi alcançado no Eo-Turoniano
(Villamil, 1998), acabou por recobrir boa parte da Colômbia com depósitos marinhos finos
(calcários pelágicos e folhelhos; Figura 3.3d). No Santoniano/Campaniano, mudanças
nas condições paleoceanográficas relacionadas à dinâmica das placas tectônicas no
norte da América do Sul criaram condições favoráveis à ocorrência de episódios de
ressurgência, levando à deposição generalizada de cherts (Macellari  de Vries, 1987;
Villamil et al., 1999; Figura 3.3e).
(e) Santoniano (f) Campaniano/Maastrichtiano
76º
12º
8º
4º
72º
Medelin
Bogotá
Cartagena
Merida
Neiva
76º
12º
8º
4º
72º
Medelin
Bogotá
Cartagena
Merida
Neiva
N N
ArcoMagmático
LevantamentodapaleocordilheiraCentral
Chert
Evaporitos Clásticos marinhos proximais
Folhelhos (não-calcários)
Calcários e Folhelhos Calcários proximaisFosfatosLocalização
aproximada da
Seção do rio
Bambuca
Conglomerados
Figura 3.3 – continuação
20
Do Maastrichtiano ao Eopaleoceno deu-se a acreção da Cordilheira Andina
Ocidental e o soerguimento da paleocordilheira Central (Figuras 3.2b e 3.3f), levando ao
desenvolvimento de uma grande bacia foreland e a uma notável mudança de ambientes
marinhos a ambientes continentais nas áreas atuais da cordilheira Oriental, e bacias do
Vale do Magdalena e dos Llanos (Cooper et al., 1995). No Eoceno, um incremento da
taxa de convergência entre as placas tectônicas Sulamericana e do Caribe causou um
evento de compressão, soerguimento e erosão que se estendeu por grande parte do
território colombiano, dando origem a uma notável discordância de caráter regional. A
maior parte dos sedimentos erodidos da Colômbia neste período foram transportados até
a Venezuela, sendo depositados nas bacias de Maracaibo e Barinas (Villamil, 1999).
No Oligoceno, iniciou-se o soerguimento da região que hoje compreende a cordilheira
Andina Oriental, gerando altos topográficos pouco expressivos e descontínuos (Villamil,
1999). Apenas no Mioceno, entretanto, começou a fase principal da Orogenia Andina
(Figura 3.2c), marcada por forte deformação e pela inversão das antigas falhas
normais e dos depocentros sedimentares cretácicos. A intensa compressão e o notável
soerguimento deram a conformação atual à Cordilheira Andina Oriental, separando
definitivamente as bacias do Vale do Magdalena das bacias dos Llanos e do Putumayo,
e levando a uma nova fase de formação de bacias foreland e à deposição de espessos
depósitos molássicos (Cooper et al., 1995).
3.2. Bacia do Vale Superior do Magdalena
3.2.1. Arcabouço Estrutural e Estratigráfico
Com cerca de 26.000 km2
, a área sedimentar definida como bacia do Vale Superior
do Magdalena (VSM) está localizada na porção centro-oeste da Colômbia, a sudoeste
da capital, Bogotá (Figura 3.4). É limitada ao norte pelo anticlinório de Villeta, que a
separa da bacia do Vale Médio do Magdalena, e ao sul pelo maciço ígneo-metamórfico
pré-mesozóico de Garzon, que a separa da bacia do Putumayo. Os limites leste e oeste
do VSM são dados respectivamente pelas cordilheiras dos Andes Oriental e Central
(Figuras 3.1 e 3.4).
O VSM é subdividido em duas sub-bacias: de Neiva, ao sul, e de Girardot, ao norte,
separadas pelo alto de Natagaima (Figura 3.4), um alto de embasamento onde afloram
rochas vulcano-sedimentares de idade juro-triássica. Do ponto de vista estrutural, o VSM
é limitado a leste e oeste por falhas de empurrão de grande porte, grandes sinclinais
21
3°N
4°N
75°W
50km
CORDILHEIRA
CENTRAL
M
ACIÇO
DE
G
ARZO
N
Alto de
Natagaima
Sub-bacia
de Neiva
Sub-bacia
de Girardot
Bogotá
COLÔMBIA
CORDILHEIRA
ORIENTAL
N
Bacia sedimentar
Cordilheiras e maciços
Figura 3.4 – Mapas mostrando a localização e o arcabouço estrutural da bacia do Vale Superior do
Magdalena (modificado de Schamel, 1991).
assimétricos e amplos anticlinais moldados pelos sucessivos eventos de deformação
que afetaram a região, particularmente os eventos compressivos do Eoceno-Oligoceno
e do Mioceno (Schamel, 1991). O processo de soerguimento e erosão associado ao
paroxismo Andino levou à exposição da seção sedimentar e ao afloramento da seção
cretáceo-terciária no núcleo dos dobramentos ao longo de toda a bacia. As direções
NE, dominantes no arcabouço estrutural da bacia, são aparentemente herdadas do
processo de rifteamento de idade jurássica. De fato, as grandes falhas de empurrão que
constituem os limites atuais da bacia coincidem com as zonas de charneira desse rifte
(Schamel, 1991).
O preenchimento sedimentar do VSM engloba estratos que variam em idade do
Jurássico ao Recente. Devido ao pobre controle bioestratigráfico e à proliferação de
denominações locais, a nomenclatura estratigráfica é particularmente complexa (e.g.
Villamil, 1998; Guerrero et al., 2000). Optou-se pela nomenclatura usada por Ecopetrol-
ICP (1994; Figura 3.5) por adequar-se bem ao escopo deste estudo e por ser também a
mais usada na indústria do petróleo na Colômbia, facilitando a integração dos resultados
com trabalhos prévios de avaliação de sistemas petrolíferos do VSM.
22
Plioc.
Mioc.
Oligoc.
Eoc.
Paleoc.
Super.
Infer.
Coniac.
Turon.
Cenom.
Albiano
Aptiano
Barrem.
Neocom.
Fm. Caballos
Grupo
Villeta
Fm.
La Luna
Fm.
Bambuca
Fm.
Tetuan
Fm. Guaduala
Fm. Barzaloza
Fm. Mesa
Fm.Gigante
Gr. Honda
Gr. Gualanday
Fms. Monserr./Buscav.
Gr. Olini
Fm. Saldaña
Fm. Yavi
TERCIÁRIO
QUATERNÁRIO
CRETÁCEO
JURÁSSICO
CRONO-
ESTRATIGRAFIA
LITO-
ESTRATIGRAFIA
Maastr./
Santon.
Figura 3.5 – Coluna estratigráfica simplificada da bacia do Vale Superior do Magdalena (adaptada
de Ecopetrol-ICP, 1994).
Os depósitos mais antigos encontrados na bacia são os sedimentos de coloração
vermelha e rochas vulcanoclásticas jurássicas da Formação Saldaña, considerados
como embasamento para efeito da exploração de hidrocarbonetos. Esses depósitos são
sobrepostos discordantemente pela megasseqüência de idade barremiana a paleocênica
que engloba as formações Yavi e Caballos, os grupos Villeta e Olini e as formações
Monserrat, Buscavidas e Guaduala (Figura 3.5). A Formação Yavi, de idade barremiana
é composta basicamente por arenitos e siltitos depositados em ambiente continental e a
formação Caballos, de idade aptiana/eo-albiana, compreende principalmente arenitos,
folhelhos e, secundariamente, calcários e margas, depositados em ambientes marinhos
costeiros (lagunas e estuários; Ecopetrol-ICP, 1994).
23
O Grupo Villeta, por sua vez, é subdividido em três unidades (Figura 3.5).AFormação
Tetuan, de idade predominantemente albiana, é composta principalmente por calcários,
margas, e folhelhos de coloração escura. A Formação Bambuca, de idade cenomaniana,
compreende folhelhos, margas, calcários e, minoritariamente, arenitos (Ecopetrol-ICP,
1994). Já na Formação La Luna, de idade turoniana/coniaciana, as rochas carbonáticas
predominam amplamente, seguidas pelos folhelhos e margas. Do Santoniano ao
Campaniano, depositaram-se os cherts, calcários, folhelhos e fosfatos do Grupo Olini.
As formações Monserrate e Buscavidas são compostas por arenitos de ambiente
marinho raso e costeiro depositados no Maastrichtiano, enquanto a Formação Guaduala
é constituída por siltitos e arenitos de ambiente continental a parálico sedimentados no
Paleoceno (Ecopetrol-ICP, 1994).
Os estratos da megasseqüência do Barremiano/Paleoceno são truncados pela
discordância regional do Eoceno e sobrepostos por uma sucessão de seqüências
molássicas que se depositaram do Meso/Neo-Eoceno ao Recente. Esta sucessão
engloba os grupos Gualanday e Honda, e as formações Barzaloza, Mesa e Gigante
(Figura 3.5). Separadas por importantes discordâncias angulares, estas unidades são
compostas principalmente por conglomerados e arenitos depositados em ambientes
fluviais, aluviais e lacustres (Ecopetrol-ICP, 1994).
3.2.2. Evolução Tectono-Sedimentar
A complexidade da história geológica da porção norte do continente sul-americano se
reflete de forma notável na evolução tectono-sedimentar do VSM. Durante grande parte
do Cretáceo, a região que compreende atualmente o VSM foi parte da extensa bacia de
retro-arco que cobriu grande parte do noroeste da América do Sul. Em seguida, a partir
do final do Cretáceo e durante boa parte do Terciário, essa região passou a fazer parte
da grande bacia foreland que se implantou em resposta ao soerguimento da cordilheira
Andina Central. No Mioceno, a região do VSM assumiu por fim sua configuração atual,
a de uma bacia intermontana alongada, limitada pelas cordilheiras Central e Oriental
(Villamil, 1998; Guerrero et al., 2000).
AdeposiçãodasformaçõesYavieCaballosedosgruposVilletaeOlini(Figura3.5)deu-
se na bacia de retro-arco que cobria grande parte da Colômbia e se estendia a nordeste
e a sudeste, até a Venezuela e o Equador, respectivamente. Ocorreu sob condições
de relativa quiescência tectônica, sendo influenciada por eventos paleoceanográficos
globais e controlada principalmente por flutuações relativas do nível do mar (Figura 3.6).
A sedimentação foi dominantemente continental durante o Barremiano e boa parte do
24
Aptiano, período de deposição dos estratos da Formação Yavi e de uma porção da
Formação Caballos. O final dessa fase é definido por um aumento relativo do nível do
mar que tem início no Neo-aptiano e alcança o clímax no final do Mesoalbiano (Villamil,
1998), durante a deposição da Formação Tetuan. Esse evento transgressivo de caráter
regional é representado ao longo de todo o VSM e da cordilheira Oriental por uma notável
transição de fácies continentais a fácies litorâneas e francamente marinhas.
A partir do final do Mesoalbiano, o aporte sedimentar supera o progressivo aumento
relativo do nível do mar (Figura 3.6), dando origem a um trato de sistemas de mar alto
que se estendeu até o Eo-cenomaniano, quando ocorre um evento de regressão forçada
que leva ao retorno das fácies sedimentares de plataforma interna e de litoral (Villamil,
1998). Durante o restante do Cenomaniano, período de deposição da maior parte da
Transgressão
Superfícies
de Inundação
Máxima (SIM)
Limites de
Seqüência (LS)
Eventos Anóxicos
Oceânicos (OAE's)
CRONO
LITO
ESTRATI-
GRAFIA
CON
SAN
TUR
CEN
ALB
OAE-3 ?
OAE-2
OAE-1
LS?
SIM
SIM?
SIM
LS
LS
Fm. Caballos
Gr. OliniGrupoVilleta
Fm.
La Luna
Fm.
Bambuca
Fm.
Tetuan
Figura 3.6 – Estratigrafia, curva de variação relativa do nível do mar, limites de seqüências e eventos pa-
leoceanográficos globais da seção de idade aptiana/santoniana, conforme definido por Villamil (1998) na
região do VSM e da cordilheira Andina Oriental. As siglas OAE’s 1, 2 e 3 referem-se aos eventos anóxicos
globais do Cretáceo (Oceanic Anoxic Events; Schlanger  Jenkyns, 1976; Arthur et al., 1990).
25
Formação Bambuca, desenvolve-se um novo trato de sistema de nível de mar alto, cujo
limite superior é um limite de seqüência de caráter regional resultante da notável redução
relativa do nível de base que ocorreu no Neo-cenomaniano (Figura 3.6). O subseqüente
aumento do nível de base deu origem a um evento transgressivo que se estendeu até
o Eo-turoniano, correspondente à base da Formação La Luna. Depois de uma fase de
relativa estabilidade do nível de base, deu-se um novo rebaixamento no Eo-Santoniano.
Iniciou-se a deposição do Grupo Olini, caracterizado pela deposição generalizada de
cherts associados a eventos de ressurgência (Villamil et al., 1999).
A acreção da cordilheira Andina Ocidental e o soerguimento da cordilheira
Central (Figuras 3.2 e 3.3) ocorridos do Maastrichtiano ao Eopaleoceno levaram ao
desenvolvimento de uma grande bacia foreland (Cooper et al., 1995) e a uma notável
transição de fácies de ambiente marinho raso e costeiro (formações Monserrate e
Buscavidas) para fácies de ambiente continental a parálico (Formação Guaduala). O
evento de compressão do Eoceno causou o soerguimento e a erosão dos estratos mais
antigos, gerando uma marcante discordância angular de caráter regional. Finalmente, o
soerguimento e a erosão das cordilheiras Andinas Central e Oriental durante quase todo
o Terciário levaram à deposição das seqüências de molassas dos grupos Gualanday e
Honda, e formações Barzaloza, Mesa e Gigante (Figura 3.5).
26
4. Análise Estratigráfica da Seção do Rio Bambuca
4.1. Localização e Contexto Geológico Local
Com o propósito de analisar em detalhe a estratigrafia e o comportamento geoquímico
do Grupo Villeta, levantou-se uma seção que aflora ao longo das margens do Rio
Bambuca, no limite noroeste da sub-bacia de Neiva, próxima ao alto de Natagaima (Fig.
4.1). A seção levantada, doravante denominada de “seção do Rio Bambuca”, atravessa
o flanco ocidental do sinclinal da Media Luna, uma dobra cilíndrica aberta com eixo
principal de direção NE-SW. As falhas associadas ao sinclinal são do tipo inverso de
baixo ângulo, com deslocamentos de até 5 km. Os estratos aflorantes ao longo da seção
levantada apresentam mergulho acentuado (70-80º) na direção SE. Não foi constatada
a presença de complicações estruturais significativas, tais como inversão ou repetições
de camadas, ao longo da seção estudada.
Rio
Bambuca
Fm. Caballos
Gr. Villeta
Gr. Olini
Fm. Monserrate
Fm. Guaduala
75°20'W
3°20'N
Falha de
Chusma
0 1 2km
Alto de
Natagaima
Sub-bacia
de Neiva
LOCALIZAÇÃO
DA SEÇÃO
ANALISADA
N
N
SinclinalMediaLuna
Figura 4.1 – Localização e contexto geológico da seção estratigráfica levantada ao longo do Rio Bambuca.
A referida seção atravessa o flanco ocidental do sinclinal da Media Luna, no limite noroeste da sub-bacia de
Neiva, próximo ao alto de Natagaima (adaptado de Vargas et al., 2002).
27
O intervalo estratigráfico analisado inicia-se na parte superior da Formação Caballos,
cobre todo o Grupo Villeta (formações Tetuan, Bambuca e La Luna) e termina na base
do Grupo Olini, abrangendo mais de 700 metros de espessura (Fig. 4.2). Uma porção
significativa (cerca de 37%) desse intervalo encontra-se encoberta por deslizamentos de
terra e/ou vegetação, impedindo sua descrição e análise. Dentre as unidades estudadas,
a Formação Bambuca é a mais afetada, com cerca de 70% de sua espessura total
encoberta e/ou muito intemperizada, seguida pela Formação Tetuan, com cerca de 28%
de seção encoberta por deslizamentos de terra e/ou vegetação. As outras unidades,
por sua vez, afloram de forma relativamente contínua, praticamente sem intervalos
encobertos.
200 400 600
Raios Gama
(cps)
0 50 100
Carbonato Total
(%)
Intervalo de afloramento
coberto
Arenito muito fino
Arenito fino
Siltito
Folhelho
Folhelho calcífero
Bentonita
Grainstone
Mudstone/Wackestone
Chert
Carvão
Bioturbação
Laminação ondulada
Laminação plano-paralela
Concreções calcáreas
L E G E N D A :
0
100
200
300
Albiano
Caba-
llos
Fm.Tetuan
400
500
600
700
m
CenomanianoTuron./Coniac.San.CRONO
LITO
Fm.Bambuca
GrupoVilleta
Fm.LaLuna
Olini
Figura 4.2 – Coluna estratigráfica da seção do Rio Bambuca, levantada ao longo do rio homônimo, no
flanco noroeste da sub-bacia de Neiva, Vale Superior do Magdalena. A figura apresenta, além da sucessão
litológica e feições sedimentares, os dados de raios gama levantados no campo e os teores de carbonato
total determinados em laboratório.
28
4.2. Caracterização Litológica
Apresenta-se a seguir uma descrição das características sedimentológicas e
litológicas de cada uma das unidades litoestratigráficas estudadas na seção do Rio
Bambuca.
Formação Caballos
Apenas a porção correspondente aos 25 m superiores da Formação Caballos foi
analisada. O contato com a Formação Tetuan é concordante e transicional, tendo sido
arbitrariamente marcado no topo da última camada de arenito. Na porção analisada, as
camadasapresentamgeometriatabulareespessuramédiadaordemde1m.Predominam
os arenitos quartzosos de granulação fina a média, cor branca a cinza claro, maciços ou
com laminação ondulada ou plano-paralela, e localmente bioturbados. Minerais como
pirita, muscovita e glauconita, bem como fragmentos de fósseis de plantas, podem ser
observados na análise macroscópica. Secundariamente, ocorrem camadas de folhelhos
carbonáticos de cor cinza escuro a esverdeado e localmente bioturbados, com níveis
carbonosos irregulares de espessura centimétrica (Figura 4.3). Próximo ao topo, também
estão presentes intercalações de calcários bioclásticos (Figura 4.4)
Figura 4.3 – Fotografia mostrando intercalações de arenitos, folhelhos e camadas carbonosas delgadas na
Formação Caballos, seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia.
Arenito
Arenito
Nível
Carbonoso
TOPO
29
Figura 4.4 – Fotografia mostrando pacotes de calcários próximo ao topo da Formação Caballos, seção do
Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia.
Calcário
1m
Grupo Villeta
De acordo com a nomenclatura estratigráfica adotada, foi subdividida nas formações
Tetuan, Bambuca e La Luna.
Formação Tetuan
Com uma espessura total de 210 m, a Formação Tetuan é caracterizada pela
alternância de estratos tabulares de folhelho e calcário com espessura decimétrica a
métrica e contatos plano-paralelos. Esta alternância litológica se reflete nas notáveis
flutuações dos conteúdos de carbonato total e do perfil de raios gama (Figura 4.2). Seus
limites (inferior e superior) são transicionais, tendo sido marcados respectivamente
no topo da última camada de arenito que assinala o topo da Formação Caballos e na
base da seqüência monótona de folhelhos que caracteriza a Formação Bambuca. Três
segmentos (inferior, médio e superior) com características litológicas distintas foram
reconhecidos na Formação Tetuan.
Com cerca de 50 m de espessura, o segmento inferior é composto essencialmente
por folhelhos com laminação plano-paralela fina e coloração cinza-escuro a negra,
intercalados localmente com camadas finas de calcários, apresentando em geral baixos
conteúdos de carbonatos (Figura 4.2). Ao microscópio, os folhelhos apresentam pirita
30
disseminada, fragmentos de biválvios e peixes, níveis submilimétricos de carapaças de
foraminíferosegrãossubangularesdequartzodotamanhosilte,formandoocasionalmente
franjas paralelas à laminação.
O segmento médio, com cerca 75 m de espessura, caracteriza-se basicamente
pela alternância entre camadas de folhelhos e calcários (Figura 4.5). Os folhelhos
apresentam coloração cinza escura à negra e laminação plano-paralela fina. Tal como
no segmento basal, observa-se ao microscópio, além da alta proporção de matéria
orgânica, a presença freqüente de pirita disseminada, fragmentos de bivalvos e peixes,
níveis submilimétricos de carapaças de foraminíferos e grãos subangulares de quartzo
do tamanho silte, formando ocasionalmente franjas paralelas à laminação. Concreções
calcíferas também são abundantes nessa parte da unidade.
As camadas de calcário do segmento médio da unidade consistem de mudstones
e wackestones (classificação de Dunhan, 1962) com abundantes foraminíferos
planctônicos parcialmente recristalizados. Possuem coloração cinza-claro, e mostram
aspecto maciço ou laminação plano-paralela (Figura 4.6). De modo geral, apresentam
uma porcentagem importante de minerais terrígenos (principalmente quartzo), glauconita
e de fósseis diversos, tais como fragmentos de amonitas, biválvios, peixes, etc., além
de foraminíferos planctônicos. Os calcários também ocorrem sob a forma de níveis
nodulares paralelos à estratificação das camadas adjacentes. Cabe ressaltar que níveis
milimétricos esparsos de bentonita foram encontrados nesse segmento.
Figura 4.5 – Fotografia em que se vêem intercalações rítmicas de calcários pelágicos (níveis claros) e
folhelhos calcíferos (camadas escuras) no segmento médio da Formação Tetuan, seção do Rio Bambuca,
Vale Superior do Magdalena, Colômbia.
1m
TOPO
31
Calcário
laminado
TOPO
Figura 4.6 – Fotografia mostrando camadas de calcário maciço intercalado com calcários laminados e
folhelhos no segmento médio da Formação Tetuan, seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena,
Colômbia.
Calcário
maci;o
O segmento superior também compreende um espesso pacote (85 m) de folhelhos
calcíferos e calcários intercalados (Figura 4.7). No entanto, ao contrário do que se observa
no segmento basal, a alternância entre as duas litologias não é uniforme, notando-
se, além do predomínio global dos folhelhos sobre os carbonatos, um incremento na
freqüência e espessura de camadas de folhelhos em direção ao topo da unidade. Os
folhelhos mostram, de modo geral, as mesmas características observadas no segmento
Figura 4.7 – Fotografia em que se vêem intercalações centimétricas de folhelhos (níveis escuros) e calcários
pelágicos (níveis claros) no segmento superior da Formação Tetuan, seção do Rio Bambuca, Vale Superior
do Magdalena, Colômbia
TOPO
32
basal, tais como a coloração cinza-escuro a negra, laminação plano-paralela fina,
presença de níveis submilimétricos de carapaças de foraminíferos planctônicos, lâminas
de material carbonoso, abundante pirita disseminada, fragmentos de biválvios e peixes
e grãos subangulares de quartzo do tamanho silte.
As rochas carbonáticas do segmento superior apresentam coloração cinza-claro,
ocorrendo em camadas maciças ou com laminação plano-paralela, ou sob a forma
de nódulos concordantes com a laminação. As camadas de calcário desse segmento
também consistem de mudstones e wackestones (classificação de Dunhan, 1962). Ao
microscópio, esses calcários mostram-se intensamente dolomitizados, apresentando
uma elevada proporção de fósseis de foraminíferos recristalizados, bem como de
fragmentos de conchas de biválvios, peixes e outros bioclastos fosfatizados.
Cabe ressaltar a ocorrência, próximo ao topo do segmento superior, de uma camada
de siltito interrompendo abruptamente a alternância calcário-folhelho característica desta
unidade (a aproximadamente 185 m; Figura 4.2).
Análises micropaleontológicas realizadas por Vergara (1997) em amostras de
folhelhos e calcários do intervalo correspondente à Formação Tetuan na seção do Rio
Bambuca e outras seções no VSM mostraram que os foraminíferos encontrados nesta
unidade são essencialmente planctônicos. Foram reconhecidas espécies de Ticinella,
Hedbergella, Heterohelix e Globigerinelloides, interpretadas por aquele autor como
indicativas de condições de plataforma externa.
Formação Bambuca
Esta unidade apresenta uma espessura total estimada de 365 m na coluna
estratigráfica levantada, dos quais cerca de 250 m encontram-se cobertos pela vegetação
ou muito intemperizados (Figuras 4.2, 4.8 e 4.9). Seu limite inferior, com a Formação
Tetuan, é concordante e transicional, tendo sido marcado na base da sucessão monótona
de folhelhos com alguns calcários intercalados. Já o seu limite superior, apesar de
igualmente concordante, é abrupto, sendo marcado na base do pacote de calcários da
Formação La Luna.
Nas porções menos alteradas da Formação Bambuca, onde foi possível realizar
o trabalho de caracterização, observa-se que esta unidade é composta por camadas
decimétricas a métricas de folhelhos e calcários (Figura 4.8), com laminações
dominantemente plano-paralelas, e localmente onduladas. Litologicamente, a Formação
Bambuca mostra-se mais homogênea que a unidade sotoposta, sendo composta
principalmente por folhelhos calcíferos e, secundariamente, por intercalações de
camadas calcárias.
33
Os folhelhos da Formação Bambuca apresentam cor cinza-escuro e laminação
plano-paralela fina (Figura 4.9). Assim como na Formação Tetuan, estes folhelhos
apresentam níveis submilimétricos de carapaças de foraminíferos recristalizadas, pirita
disseminada, fragmentos de biválvios e peixes. As rochas carbonáticas compreendem
mudstones e wackestones (classificação de Dunhan, 1962) dolomitizados, de coloração
cinza-claro, maciços ou com laminação plano-paralela. Ao microscópio, mostram uma
elevada proporção de fósseis de foraminíferos recristalizados, bem como de fragmentos
de conchas de bivalvos e de peixes e outros bioclastos fosfatizados.
Figura 4.8 – Fotografia mostrando afloramento de folhelhos e calcários parcialmente intemperizados da
porção basal da Formação Bambuca, parcialmente recobertos pela vegetação, na seção do Rio Bambuca,
Vale Superior do Magdalena, Colômbia.
Figura 4.9 – Fotografia em que se vêem afloramentos de folhelhos intemperizados da Formação Bambuca,
seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia.
1m
TOPO
34
Uma camada de arenito fino com laminação plano-paralela e aproximadamente 2m
de espessura interrompe de forma abrupta a sucessão monótona de folhelhos na porção
superior da unidade (aproximadamente a 530m; Figura 4.2).
Formação La Luna
Na coluna analisada, a Formação La Luna apresenta uma espessura total de cerca
de 110 m (Figura 4.2), dos quais apenas uma pequena porção encontra-se encoberta
(aproximadamente 20 m). O limite inferior, com a Formação Bambuca, é concordante,
sendo marcado pela passagem abrupta de folhelhos para calcários. O limite superior
com o Grupo Olini é igualmente concordante, sendo marcado na base do primeiro pacote
possante de chert. Litologicamente, a Formação La Luna é basicamente composta por
camadas alternadas de folhelhos calcíferos e calcários (Figuras 4.10 e 4.11), o que se
reflete na marcante flutuação dos teores de carbonato total e das leituras do perfil de
raios gama (Figura 4.2). Essas litologias ocorrem em camadas tabulares decimétricas a
métricas, com contatos concordantes e dominantemente plano-paralelos.
Os folhelhos da Formação La Luna apresentam coloração cinza-escuro a negra,
laminação plano-paralela fina e conteúdo de carbonato geralmente mais alto que o
observados nas outras unidades (Figura 4.2). Esses folhelhos também apresentam
grande quantidade de carapaças de foraminíferos recristalizados, lâminas de material
carbonoso,piritafartamentedisseminada,numerosasconcreçõescalcíferaseabundantes
fragmentos de biválvios e peixes.
Figura 4.10 – Fotografia em que se vêem intercalações decimétricas de calcários pelágicos (níveis mais
claros) e folhelhos (níveis mais escuros) na porção inferior da Formação La Luna, seção do Rio Bambuca,
Vale Superior do Magdalena, Colômbia.
TOPO
35
Os calcários da Formação La Luna na coluna analisada consistem basicamente em
wackestones e packstones (classificação de Dunhan, 1962) de foraminíferos. Mostram
coloração cinza-claro e aspecto geralmente maciço. Ao contrário do que se observa
na Formação Tetuan, a matriz dos calcários da Formação La Luna não apresenta
sinais de recristalização. Ao microscópio, mostram uma elevada proporção de fósseis
de foraminíferos esporadicamente recristalizados ou substituídos por pirita. Também
se observam fragmentos de conchas de biválvios, amonitas e de peixes, localmente
fosfatizados. Do mesmo que em outras unidades do Cretáceo marinho do VSM, espécies
planctônicas predominam de forma quase absoluta entre os foraminíferos encontrados
em folhelhos e calcários no intervalo correspondente à Formação La Luna em diversas
seções aflorantes (Vergara, 1997).
Ainda no que se refere à caracterização litológica, é importante destacar a ocorrência
de uma série de finas camadas de bentonita com espessura milimétrica/centimétrica
e coloração amarelo-esverdeada a acinzentada na base da formação (Figura 4.2).
Estes níveis de bentonita encontram-se densamente intercalados com as camadas de
folhelho e calcário ao longo de um intervalo de aproximadamente 3 m de espessura. A
identificação da bentonita foi confirmada por análises de difração de raios-X realizadas
por Vargas et al. (2002).
Na porção superior da unidade, também é digna de nota a ocorrência de camadas finas
de chert e de grainstones (classificação de Dunhan, 1962) de foraminíferos. Os cherts
possuem coloração cinza-escuro a negra e laminação plano-paralela. Ao microscópio,
apresentam algumas carapaças silicificadas de foraminíferos, pirita, restos de biválvios
Figura 4.11 – Fotografia mostrando intercalações decimétricas de calcários pelágicos e folhelhos na porção
inferior da Formação La Luna, seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia.
TOPO
36
e peixes e pellets fosfatizados. Os grainstones, por sua vez, mostram coloração
castanha a cinza-claro e aspecto maciço. Ao microscópio, além da elevada proporção de
foraminíferos de tamanho muito fino, observa-se a presença de uma grande quantidade
de bioclastos intensamente fosfatizados, o que se reflete em altos valores de leitura de
raios gama (intervalo acima de 675 m; Figura 4.2).
Grupo Olini
Foramanalisadossomenteos22mbasaisdoGrupoOlini.SeucontatocomaFormação
La Luna é concordante, tendo sido marcado na base do primeiro pacote possante de
chert. Na porção analisada do Grupo Olini, as camadas apresentam geometria tabular
com contatos plano-paralelos, e espessuras centimétricas a métricas. Litologicamente, a
unidade é composta por cherts, calcários e, secundariamente, folhelhos (Figura 4.12).
Os cherts da porção analisada do Grupo Olini são similares aos que ocorrem na
Formação La Luna, mostrando coloração cinza-escuro a negra e laminação plano-
paralela. Ao microscópio, nota-se a presença de carapaças silicificadas de foraminíferos,
pirita, restos de biválvios e peixes, além de pellets fosfatizados. Os calcários também
consistem basicamente em grainstones (classificação de Dunhan, 1962) de foraminíferos
com coloração castanha a cinza-claro e aspecto maciço. Como na Formação La Luna,
estas rochas carbonáticas apresentam uma elevada proporção de foraminíferos e
de bioclastos intensamente fosfatizados e com altos valores de leitura de raios gama
(Figura 4.2). As poucas camadas de folhelho desta unidade apresentam características
similares àquelas observadas na Formação La Luna.
Figura 4.12 – Fotografia com vista geral da sucessão de cherts, calcários e folhelhos na porção inferior do
Grupo Olini, seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia.
1m
TOPO
37
4.3. Estratigrafia de Seqüências
O franco predomínio de calcários pelágicos e folhelhos no Grupo Villeta indica
que a área da seção do Rio Bambuca se encontrava em uma posição distal durante a
deposição daquela unidade. Esta interpretação está de acordo com as reconstruções
paleogeográficas do Cretáceo na Colômbia (e.g. Etayo et al., 1976; Vergara, 1997;
Villamil, 1998; Guerrero et al., 2000), que posicionam a área estudada na porção ocidental
da grande bacia de retro-arco cretácica, próxima ao arco magmático que separava essa
bacia do antigo oceano Pacífico (Figura 3.3).
Em ambientes deposicionais distais, a baixa amplitude das variações relativas do
nível do mar coíbe o desenvolvimento de quebras significativas no registro sedimentar,
dificultando sobremaneira o reconhecimento de limites de seqüências e tratos de
sistemas. A sucessão litológica da seção do Rio Bambuca foi analisada à luz do
arcabouço de estratigrafia de seqüências e de eventos definido por Villamil (1998). Esse
arcabouço inclui uma série de marcos estratigráficos de caráter regional (e.g. camadas
de bentonita, níveis de concreções, etc.; Figura 4.13) que permitiram inferir a idade
do intervalo analisado na seção do Rio Bambuca e reconhecer os ciclos trangressivo-
regressivos que controlaram a deposição do Cretáceo no VSM, constituindo seqüências
deposicionais de 2ª ordem separadas por discordâncias nas porções proximais e por
superfícies concordantes correlatas nas porções distais da bacia (Villamil, op. cit.).
Níveis de
Bentonitas
Concreções
Calcáreas
Transgressão
Superfícies
de Inundação
Máxima (SIM)
Limites de
Seqüência (LS)
Eventos Anóxicos
Oceânicos (OAE's)
CRONO
LITO
ESTRATI-
GRAFIA
CON
SAN
TUR
CEN
ALB
OAE-3 ?
OAE-2
OAE-1
LS?
SIM
SIM?
SIM
LS
LS
Fm. Caballos
Gr. Olini
GrupoVilleta
Fm.
La Luna
Fm.
Bambuca
Fm.
Tetuan
Figura 4.13 – Estratigrafia, curva de variação relativa do nível do mar, limites de seqüências, eventos
paleoceanográficos globais e principais marcos estratigráficos da seção de idade aptiana/santoniana na
região do VSM e da cordilheira Andina Oriental (adaptado de Villamil, 1998). As siglas OAE’s 1, 2 e 3
referem-se aos eventos anóxicos globais do Cretáceo (Oceanic Anoxic Events; Schlanger  Jenkyns, 1976;
Arthur et al., 1990).
38
A transição de fácies de arenitos marinhos proximais/costeiros da parte superior
da Formação Caballos, para fácies sedimentares típicas de ambientes marinhos mais
profundos, já na base da Formação Tetuan, denuncia um progressivo aumento do nível
de base, caracterizando a passagem de um trato de sistemas de mar baixo para um
trato de sistemas transgressivo. A deposição desses tratos de sistemas é interpretada
como resultado do evento de subida regional do nível do mar do Albiano reconhecido ao
longo do VSM e na cordilheira Oriental (Figuras 4.13 e 4.14; Villamil, 1998). Mais acima,
ainda na porção inferior da Formação Tetuan (aproximadamente 90m; Figura 4.14),
um pacote de carbonatos e folhelhos escuros com abundantes concreções calcíferas
e altos teores de carbono orgânico (Figura 5.1) é interpretado como correspondente
à superfície de inundação máxima que registra o pico de transgressão do Meso/Neo-
albiano, contemporâneo ao Evento Anóxico Oceânico 1 (OAE 1; Fig. 4.13).
Ao longo da porção média/superior da Formação Tetuan, acima da superfície de
inundação máxima mencionada no parágrafo anterior, observa-se um progressivo
aumento da espessura e freqüência dos pacotes de folhelho em detrimento da espessura
e freqüência das camadas de carbonatos pelágicos. Essa sucessão é interpretada como
resposta a um evento progradante em condições de nível de base alto, podendo ser
correlacionada ao trato de sistemas de mar alto depositado do Neo-albiano ao Eo-
cenomaniano ao longo de todo o VSM (Villamil, 1998). Uma camada delgada de siltito
sobrepõe-se abruptamente à seção de intercalações folhelho-carbonato na porção
superior da Formação Tetuan (aproximadamente a 185m; Figura 4.14). À semelhança do
que ocorre em outras seções do VSM e da cordilheira Oriental, esta camada é interpretada
como o registro da queda relativa do nível de base ocorrida no Cenomaniano Inferior.
O subseqüente retorno à deposição de folhelhos e carbonatos intercalados acusa uma
nova fase de aumento relativo do nível de base. Não foi possível, entretanto, identificar a
superfície de inundação máxima associada a esse evento transgressivo, provavelmente
por ela estar posicionada em algum intervalo encoberto e/ou alterado da porção inferior
da Formação Bambuca. Durante o Cenomaniano, dá-se um forte incremento da
proporção de depósitos siliciclásticos em relação aos carbonáticos ao longo de todo o
VSM. Essa mudança é interpretada por Villamil (1998) como resultado de um processo
de progradação causado pelo aumento do aporte sedimentar e pela redução na taxa de
aumento do nível de base, o que caracteriza um trato de sistemas de nível de mar alto.
No caso da seção estudada, o incremento na proporção de siliciclásticos é representado
pelo aumento da espessura e freqüência de camadas de folhelhos observado ao longo
das porções inferior/média da Formação Bambuca, ainda que em grande parte estejam
alterados e/ou encobertos pela vegetação (Figura 4.14).
39
TRANSGRESSÃO
Curva de T-R Estratigrafia
de Seqüências
Intervalo de afloramento
coberto
Limite de Seqüência
Superfície de Inundação
Máxima
Arenito muito fino
Arenito fino
Siltito
Folhelho
Folhelho calcífero
Bentonita
Grainstone
Mudstone/Wackestone
Chert
Carvão
Bioturbação
Laminação ondulada
Laminação plano-paralela
Concreções calcáreas
L E G E N D A :
0
100
200
300
Albiano
Caba-
llos
Fm.Tetuan
400
500
600
700
m
CenomanianoTuron./Coniac.San.CRONO
LITO
Fm.Bambuca
GrupoVilleta
Fm.LaLuna
Olini
? ?
Figura 4.14 – Coluna estratigráfica da seção levantada ao longo do Rio Bambuca, no flanco noroeste da
sub-bacia de Neiva, Vale Superior do Magdalena. A figura apresenta os ciclos transgressivo-regressivos e o
arcabouço de estratigrafia de seqüências interpretado a partir da análise da sucessão litológica.
40
No final do Cenomaniano, um novo evento regressivo afeta todo o VSM e a
cordilheira Oriental (Figura 4.13), levando à deposição de espessos pacotes de arenitos
variando de médios a grossos. Na seção do Rio Bambuca, localizada em uma posição
distal da bacia cretácica, este evento regressivo é representado por uma camada de
arenito fino que interrompe de forma abrupta a sucessão pelítica da porção superior
da Formação Bambuca (em torno de 530m; Figura 4.14). Essa camada de arenito é
sobreposta por um espesso intervalo encoberto, em que não foi possível analisar a
sucessão estratigráfica.
Os limites de seqüência e tratos de sistemas de mar baixo associados aos eventos
regressivos do Neo- e do Eo-cenomaniano são de difícil identificação, em grande parte
devido à posição distal da seção do Rio Bambuca na bacia cretácica colombiana.
Nessa posição, é possível que as discordâncias reconhecidas na borda leste do VSM
e na cordilheira Oriental (Villamil, 1998) correspondam a superfícies concordantes e
hiatos deposicionais. A falta de dados bioestratigráficos, entretanto, não permitiu que
esses hiatos fossem reconhecidos na seção levantada. O pobre desenvolvimento dos
tratos de sistema de nível de mar baixo também pode ser atribuído ao caráter distal da
sedimentação. Segundo reconstruções paleogeográficas publicadas (e.g. Villamil et al.,
1999; Figura 3.3), a área da seção do Rio Bambuca estava próxima ao arco magmático
da antiga cordilheira Central, que devido à sua composição básica e ao provável
recobrimento intermitente pelo mar, constitui uma área fonte de sedimentos clásticos
muito menos efetiva que o escudo das Guianas, na borda oriental da bacia. Assim, no
caso da seção analisada, os tratos de sistemas de nível de mar baixo provavelmente
compreendem tão somente os pacotes de siltito e arenito que interrompem de forma
abrupta a sedimentação pelítica no Eo- e Neo-cenomaniano respectivamente.
A sucessão rítmica de folhelhos e carbonatos que marca o início da Formação La
Luna (Figura 4.14) pode ser rastreada e correlacionada não só ao longo do VSM e
da cordilheira Oriental, mas por praticamente todas as bacias cretácicas da Colômbia,
representando o trato de sistema transgressivo associado à subida do nível do mar do
Neo-cenomaniano/Eoturoniano (Villamil, op. cit.) e contemporâneo ao Evento Anóxico
Oceânico 2 (OAE 2; Figura 4.13). A superfície de inundação máxima relacionada a esse
evento transgressivo na Seção do Rio Bambuca está situada na base da Formação
La Luna (ao redor dos 620m; Figura 4.14), sendo representada por um intervalo de
folhelhos e carbonatos ricos em matéria orgânica e pirita e pela presença de abundantes
concreções calcárias e de vários níveis finos de bentonita, caracterizando uma seção
condensada. Tais níveis, considerados como marcos cronoestratigráficos do limite
Cenomaniano-Turoniano na Colômbia e particularmente no VSM (Villamil, 1998; Villamil
 Arango, 1998; Figura 4.13), são produto da rápida acumulação de cinzas vulcânicas
produzidas pela atividade do arco magmático da paleocordilheira Central (Guerrero et
al., 2000).
41
A porção média/superior da Formação La Luna é caracterizada por um aumento da
espessura das camadas da seqüência rítmica folhelho-calcário com leve predomínio
dos folhelhos, sugerindo condições de nível de base alto (Villamil, 1998). Finalmente,
na parte mais superior da Seção do Rio Bambuca, a base do Grupo Olini é assinalada
por camadas de cherts e fosfatos, interpretadas por Villamil (op. cit.) como o registro do
rebaixamento relativo do nível de base do Eo-santoniano (Figuras 4.13 e 4.14).
42
5. Apresentação e Interpretação dos Resultados das
Análises Geoquímicas
5.1. Teores de Carbono Orgânico Total
O teor de carbono orgânico total (COT) é um indicador da quantidade de matéria
orgânica presente em um sedimento ou rocha sedimentar. Esta quantidade, por sua vez,
é o produto final da interação entre três fatores principais: (1) abundância de biomassa
disponível para acumulação, (2) grau de degradação da matéria orgânica durante a
deposição, e (3) taxa de sedimentação (Tissot  Welte, 1984). Cada um destes fatores é
afetado direta ou indiretamente por uma intrincada rede de fenômenos físico-químicos,
climáticos e geológicos interdependentes, tais como temperatura e salinidade da água,
variações no espaço de acomodação e aporte sedimentar, padrão de circulação da
coluna d’água, insolação e umidade. Portanto, o teor de carbono orgânico de uma rocha
sedimentar, especialmente quando associado a outras informações geoquímicas e
geológicas, pode auxiliar na reconstituição da evolução das características do ambiente
deposicional e sua influência sobre a dinâmica dos fatores que controlaram a quantidade
de matéria orgânica preservada no registro sedimentar. Cabe ressaltar que, além dos
fatores mencionados acima, as transformações que sofre a matéria orgânica com o
avanço do soterramento e da maturação também afetam o teor de COT, reduzindo-o
progressivamente ao longo da evolução dos processos de metagênese e catagênese
(Tissot  Welte, 1984).
Os teores de carbono orgânico total (COT) das amostras analisadas variaram entre
0,44% e 18,75% para as amostras analisadas (Anexo 1 e Figura 5.1). O perfil de variação
dos teores de COT ao longo da seção do Rio Bambuca se caracteriza por uma notável
alternância entre valores da ordem de 2% e valores mais elevados, maiores que 3-
4%). As formações do Grupo Villeta (Tetuan, Bambuca e La Luna) apresentam valores
médios e máximos de COT significativamente mais altos que os das outras unidades
(Tabela 5.1), ainda que caiba ressaltar a quantidade limitada de amostras do Grupo Olini
e Formação Caballos. No que se refere especificamente ao Grupo Villeta, a diferença
entre os teores médios de COT de cada formação é relativamente pequena, variando
entre 4,19% na Formação Bambuca e 5,03% na Formação Tetuan (Tabela 5.1). Não
obstante, os histogramas de distribuição dos teores em cada unidade mostram que as
formações Tetuan e La Luna são as que possuem a maior proporção de amostras com
teores muito altos (8%; Figura 5.2).
43
Figura 5.1 – Expressão estratigráfica dos teores de carbono orgânico total ao longo da seção do Rio
Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia.
0 10 20
COT
(%)
0
100
200
300
Albiano
Caba-
llos
Fm.Tetuan
400
500
600
700
m
CenomanianoTuron./Coniac.San.CRONO
LITO
Fm.Bambuca
GrupoVilleta
Fm.LaLuna
Olini
44
Fm. La Luna
Fm. Bambuca
Fm. Tetuan
0
4
8
12
#Amostras#Amostras
0
4
8
12
#Amostras
COT (%)
0
10
20
30
20 4 6 8 10 12 14 16 18 20
Tabela 5.1 – Sumário estatístico dos resultados das análises de teor de carbono orgânico total (COT)
por unidade estratigráfica da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia.
Unidade Número de
Amostras
Teor de COT
médio (%)
Teor de COT
mínimo (%)
Teor de COT
máximo (%)
Desvio
Padrão
Gr. Olini 5 1,78 0,90 2,91 0,75
Fm. La Luna 59 4,45 0,52 11,37 3,04
Fm. Bambuca 39 4,19 0,72 8,80 2,06
Fm. Tetuan 125 5,03 0,67 18,75 3,52
Fm. Caballos 9 2,99 0,44 5,42 1,96
Figura 5.2 – Histogramas mostrando a distribuição dos valores de teor de carbono orgânico total (COT) para
as formações do Grupo Villeta na seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia.
45
Os altos conteúdos de COT observados na maior parte das amostras analisadas
indicam que condições ótimas de acumulação e preservação da matéria orgânica
prevaleceram durante a deposição dos sedimentos da seção do Rio Bambuca. Com
base nos dados de COT e nos resultados da análise estratigráfica apresentada no
Capítulo 4, é possível reconhecer pelo menos dois modelos genéricos para a deposição
de sedimentos ricos em matéria orgânica na seção do Rio Bambuca. Na base da seção,
próximo ao contato entre as formações Caballos e Tetuan (entre 10 e 25m na escala da
Figura 5.1), os altos teores de COT estão invariavelmente associados a níveis carbonosos
delgados intercalados em camadas de arenitos e folhelhos com estratificação ondulada
e localmente bioturbados. Esses níveis se depositaram sob condições marinhas
proximais restritas (ex: lagunas e/ou estuários) e com forte contribuição de matéria
orgânica terrestre. No restante da seção analisada, o que compreende praticamente
toda a Formação Tetuan e a totalidade das formações Bambuca e La Luna, os altos
conteúdos de matéria orgânica estão relacionados a folhelhos e calcários de coloração
escura, laminação plano-paralela fina e sem evidências de bioturbação, características
indicativas de condições de sedimentação distal e de baixa disponibilidade de oxigênio.
Embora não exista um padrão claro de covariância entre os teores de carbono
orgânico e carbonato total, observa-se como tendência geral que amostras com teores
elevados de carbonato apresentam baixos conteúdos de COT e vice-versa (Figura 5.3).
Contudo, quando se analisa a distribuição dos valores de COT por faixa de conteúdo de
carbonato, observa-se que as amostras mais ricas em matéria orgânica correspondem
àquelas com conteúdo total de carbonato variando de 20 a 40% (Figura 5.4). Nas
rochas mais carbonáticas ( 40% de carbonato), observa-se uma evidente tendência de
decréscimo nos teores de COTcom o aumento do conteúdo de carbonato.Assumindo que
a composição dos sedimentos marinhos possa ser descrita em termos da contribuição
relativa de apenas três componentes: carbonato, matéria orgânica e material siliciclástico
(Ricken, 1993), a tendência descrita acima sugere que o suprimento de matéria orgânica
e siliciclastos deve ter se mantido relativamente uniforme, enquanto o suprimento de
carbonato variava, atuando como diluente do conteúdo de sedimentos siliciclásticos e de
matéria orgânica e controlando o padrão de alternância folhelho-calcário que caracteriza
a maior parte do Grupo Villeta.
46
0
20
40
60
80
100
0 5
COT (%)
CarbonatoTotal(%)
10 15 20
Média
Desvio Padrão
Mínimo-Máximo
0-20 20-40 40-60 60-80 80-100
0
4
8
12
16
20
COT(%)
Carbonato Total (%)
Figura 5.3 – Gráfico de teor de carbonato total vs. teor carbono orgânico total (COT) para as amostras
analisadas na seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia.
Figura 5.4 – Gráfico de distribuição dos valores de COT (mínimo, máximo, média e desvio padrão) por faixa
de conteúdo de carbonato na seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia.
47
5.2. Parâmetros da Pirólise Rock-Eval
Na pirólise Rock-Eval, simula-se em condições de laboratório o processo natural
de meta/catagênese da matéria orgânica e a geração do petróleo. Pequenas amostras
de rocha são aquecidas em um micro-forno com atmosfera inerte para que não ocorra
combustão. As taxas de aquecimento e temperaturas usadas na pirólise (25°C/min e até
600°C respectivamente) são várias ordens de grandeza maiores do que as que controlam
o processo de geração de petróleo na natureza (da ordem de alguns °C/M.a), a fim de
compensar o pouco tempo da análise (da ordem de 30min; Espitalié et al., 1985).
Durante o processo de aquecimento, são liberados, sucessivamente, o petróleo livre
porventura existente na amostra e os hidrocarbonetos e o gás carbônico gerados pelo
craqueamento térmico do querogênio (matéria orgânica insolúvel presente nas rochas
sedimentares). Estes gases são registrados por uma unidade analógico-digital sob a
forma de um pirograma, no qual podem ser observados os três picos denominados de
S1, S2 e S3 (Espitalié et al., 1985).
O pico S1 equivale aproximadamente à quantidade (em mgHC/gRocha) de
hidrocarbonetos livres (betume) que podem ser extraídos normalmente por solventes
orgânicos. O pico S2 corresponde à quantidade (também em mgHC/gRocha) de
hidrocarbonetos liberados pelo craqueamento térmico do querogênio, sendo denominado
de potencial gerador e correspondendo à quantidade de petróleo que a rocha analisada
tem condição de produzir caso seja submetida às condições adequadas de temperatura.
Finalmente, o pico S3 representa a quantidade de dióxido de carbono (CO2
) liberado
pelo craqueamento térmico do querogênio (em mgCO2
/gRocha) (Espitalié et al., 1985).
Como a conversão do querogênio em petróleo ocasiona uma progressiva redução
do potencial gerador (S2) acompanhada por um aumento progressivo da quantidade
de hidrocarbonetos livres (S1), usa-se a relação S1/(S1+S2) (denominada índice de
produção ou IP), como um indicador do avanço do processo de geração e do nível
de maturação da rocha geradora. A temperatura (em °C) em que ocorre o máximo de
geração de hidrocarbonetos pelo craqueamento do querogênio é denominada de Tmax
(Temperatura Máxima) e também reflete o grau de evolução térmica da matéria orgânica,
sendo usada como parâmetro de maturação.
Uma vez que os picos S2 e S3 refletem, respectivamente, a quantidade de hidrogênio
e oxigênio presentes na matéria orgânica, Espitalié et al. (1985) propuseram os índices
de hidrogênio (IH, obtido a partir da razão S2/COT e expresso em mgHC/gCOT) e de
48
oxigênio (IO, calculado pela razão S3/COT e expresso em mgCO2
/gCOT). Estes índices,
correlacionáveis às razões H/C e O/C obtidas através de análises elementares, refletem
a interação entre a natureza da matéria orgânica e seu grau de preservação. De um modo
geral, a matéria orgânica de origem terrestre é pobre em hidrogênio e rica em oxigênio,
enquanto a matéria orgânica de origem algálica é rica em hidrogênio (Tissot  Welte,
1984). Quando submetida a condições oxidantes durante ou logo após a deposição, a
biomassa pode ser alterada, empobrecendo a matéria orgânica em hidrogênio.
Os três tipos básicos de querogênio podem ser identificados a partir da integração
entre os índices de hidrogênio (IH) e de oxigênio (IO) em diagramas do tipo van Krevelen
modificado (Espitalié et al., 1985). Os querogênios do tipo III, de origem essencialmente
terrestre, caracterizam-se geralmente por baixos valores de IH (300mgHC/gCOT) e altos
de IO (100-200mgCO2
/gCOT). Os querogênios do tipo II, derivados predominantemente
de biomassa marinha, apresentam valores de IH entre 400-700mgHC/gCOT, enquanto
os querogênios do tipo I, geralmente de origem lacustre, possuem valores mais altos
de IH (600-700mgHC/gCOT). Os dois últimos tipos de querogênio (I e II) apresentam
baixos valores de IO (100mgCO2
/gCOT). Cabe ressaltar que as faixas de valores de IH
e IO mencionados acima são válidos apenas para rochas geradoras imaturas, uma vez
que com o avanço do processo de maturação, os valores originais de IH e IO tendem a
diminuir, aproximando-se de zero.
Na coluna do Rio Bambuca, as análises de pirólise Rock-Eval revelaram quantidades
de hidrocarbonetos livres (S1) variando entre zero, valor encontrado em algumas
amostras da Formação La Luna, e 6,36 mgHC/gRocha, em uma amostra da Formação
Tetuan (Anexo 1). Os valores de potencial gerador (S2), por sua vez, variam de 0,60
mgHC/gRocha na Formação Caballos a 96,00 mgHC/gRocha na Formação Tetuan
(Anexo 1 e Tabela 5.2). As formações do Grupo Villeta (Tetuan, Bambuca e La Luna)
apresentam valores de potencial gerador (S2) médio e máximo expressivamente mais
altos que os das outras unidades (Tabela 5.2), embora caiba lembrar a limitação da
amostragem disponível no Grupo Olini e na Formação Caballos.
Do mesmo modo que nos teores de COT, também no que se refere ao potencial
gerador, as formações Tetuan e La Luna apresentam os valores médios e máximos mais
elevados do Grupo Villeta, ainda que a diferença em relação à Formação Bambuca não
seja tão expressiva (Tabela 5.2). Finalmente, as quantidades de dióxido de carbono
(CO2
) geradas na pirólise (S3) variaram entre 0,04 mgCO2
/gRocha em uma amostra da
Formação Caballos e 2,43 mgCO2
/gRocha na Formação Tetuan (Anexo 1).
49
O índice de hidrogênio (IH) na seção do Rio Bambuca varia entre 51 e 663 mgHC/
gCOT, valores encontrados nas formações Caballos e La Luna, respectivamente (Anexo
1 e Tabela 5.3). As formações do Grupo Villeta (Tetuan, Bambuca e La Luna), uma vez
mais, apresentam índices de hidrogênio médios mais altos que os da Formação Caballos e
do Grupo Olini, ressalvando a quantidade restrita de amostras nas duas últimas unidades
(Tabela 5.3). Dentro do Grupo Villeta, as formações Tetuan e La Luna novamente se
destacam, apresentando valores de IH médios superiores ao da Formação Bambuca,
conquanto seja por uma diferença moderada (Tabela 5.3). O perfil estratigráfico do índice
de hidrogênio mostra uma tendência geral de suave decréscimo desde valores ao redor
de 400-500 mgHC/gCOT no topo a valores da ordem de 350-450 mgHC/gCOT na base
da seção analisada (Figura 5.5). Essa tendência geral é interrompida por valores de IH
notadamente menores, que ocorrem em alguns pontos da seção (ex: em torno de 210m
e 530m na escala da Figura 5.5). Os índices de oxigênio (IO) são relativamente baixos
em todas as amostras analisadas, variando principalmente entre 1 e 124 mgCO2
/gCOT
(Anexo 1).Adistribuição dos valores dos índices de hidrogênio e de oxigênio no diagrama
do tipo van Krevelen modificado (Espitalié et al., 1985) indica que o querogênio do tipo
II predomina na maioria das amostras analisadas (Figura 5.6). Secundariamente, uma
parte das amostras apresenta valores de IH relativamente baixos (300 mgHC/gCOT),
indicando uma contribuição de querogênio do tipo III.
Unidade Número de
Amostras
S2 médio S2 mínimo S2 máximo Desvio
Padrão
Gr. Olini 5 7,55 1,35 17,16 6,04
Fm. La Luna 58 24,05 1,96 75,31 18,43
Fm. Bambuca 39 18,67 0,91 49,28 12,18
Fm. Tetuan 125 22,93 2,47 96,00 18,37
Fm. Caballos 8 9,46 0,60 20,06 6,78
Tabela 5.2 – Sumário estatístico dos valores de potencial gerador (S2, em mgHC/gRocha) por unidade
estratigráfica da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia.
Tabela 5.3 – Sumário estatístico dos dados de índice de hidrogênio (IH, em mgHC/gCOT) por unidade
estratigráfica da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia.
Unidade Número de
Amostras
IH médio IH mínimo IH máximo Desvio Padrão
Gr. Olini 5 372 151 589 175
Fm. La Luna 58 504 314 663 87
Fm. Bambuca 39 399 84 613 124
Fm. Tetuan 125 419 152 589 90
Fm. Caballos 8 254 51 370 94
50
0 400 800
IH
(mgHC/gCOT)
Tmax
(°C)
400 430 460
IP
(S1/S1+S2)
0.0 0.2 0.4
0
100
200
300
Albiano
Caba-
llos
Fm.Tetuan
400
500
600
700
m
CenomanianoTuron./Coniac.San.CRONO
LITO
Fm.Bambuca
GrupoVilleta
Fm.LaLuna
Olini
Figura 5.5 – Expressão estratigráfica dos valores de índice de hidrogênio (IH), temperatura máxima (Tmax)
e índice de produção (IP) ao longo da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia.
51
A variação dos dados de potencial gerador (S2) em função do conteúdo de carbono
orgânico (COT) nas três unidades do Grupo Villeta é bastante similar (Figura 5.7). No
gráfico de cada formação, nota-se que os dados distribuem-se ao longo de faixas bem
definidas e relativamente estreitas, o que sugere que a composição do querogênio em
cada formação é relativamente uniforme. A regressão linear dos dados de cada formação
resultou em retas com alto coeficiente de correlação (R2
 0,9) situadas dentro do campo
dos querogênios do tipo II (Figura 5.7), corroborando a interpretação do tipo de matéria
orgânica predominante no Grupo Villeta na seção analisada.
É importante notar que as retas das regressões não passam pela origem dos gráficos
(coordenadas x=0 e y=0; Figura 5.7). Esse desvio em relação à origem é interpretado
por Langford  Blanc-Valleron (1990) como reflexo da adsorção dos hidrocarbonetos na
matriz mineral, em especial pelos minerais de argila (e.g. Katz, 1983; Espitalié et al., 1985).
Deste modo, o ponto onde as retas das regressões interceptam o eixo das abscissas
indicaria a quantidade mínima de carbono orgânico necessária para que se supere o
efeito da adsorção e haja detecção de hidrocarbonetos durante a pirólise. Abaixo dessa
quantidade mínima de matéria orgânica, os hidrocarbonetos gerados durante a pirólise
permanecem na rocha, retidos na matriz mineral. No caso das amostras analisadas, os
valores nos pontos de interseção são de 0,61, 0,94 e 0,48% de COT, respectivamente,
para as formações Tetuan, Bambuca e La Luna. O valor mais elevado obtido para a
Formação Bambuca provavelmente reflete sua composição litológica, mais argilosa que
0
200
400
600
800
1000
0 50
IO (mgCO2/gCOT)
IH(mgHC/gCOT)
100 150 200
Gr. Olini
Fm. La Luna
Fm. Bambuca
Fm. Tetuan
Fm. Caballos
I
II
III
Figura 5.6 – Diagrama do tipo Van Krevelen modificado (Espitalié et al., 1985) mostrando a distribuição dos
índices de hidrogênio (IH) e oxigênio (IO) das unidades analisadas na seção do Rio Bambuca, Vale Superior
do Magdalena, Colômbia.
52
a das formações Tetuan e La Luna, e portanto com maior capacidade de adsorção dos
hidrocarbonetos gerados durante a pirólise.
Oefeitodaadsorçãodoshidrocarbonetospelamatrizmineralafetaindiscriminadamente
todas as amostras, mas é especialmente importante em amostras com pouco conteúdo
orgânico,umavezquenestecasoaquantidadedehidrocarbonetosretidapoderepresentar
praticamente toda a quantidade de hidrocarbonetos que a rocha tem capacidade de
gerar. Já no caso de amostras com altos teores de COT, a fração de hidrocarbonetos
retida é muito pequena em relação ao potencial total de geração de hidrocarbonetos.
No cálculo do IH de amostras individuais (IH= S2/COT*100), o efeito da adsorção não é
levado em consideração, subestimando-se o valor do índice de hidrogênio das amostras
com baixos teores de COT.
Avaliações geoquímicas que não levam o efeito da adsorção em consideração
igualmente podem subestimar o potencial gerador de um intervalo ou seção sedimentar.
É o caso dos valores de IH médio da seção do Rio Bambuca, calculados a partir da
média aritmética dos valores de IH de todas as amostras de cada unidade, independente
de seu conteúdo orgânico (Tabela 5.3). Com o propósito de avaliar o quanto se pode
estar subestimando este potencial, realizou-se um novo cálculo do IH médio das
formações do Grupo Villeta utilizando-se coeficiente angular das equações das retas de
regressão dos gráficos da Figura 5.7. Se, conforme discutido acima, o desvio das retas
de regressão em relação à origem é resultante da adsorção dos hidrocarbonetos pela
matriz mineral, o índice hidrogênio derivado deste coeficiente não estaria sendo afetado
por este fenômeno (Langford  Blanc-Valleron, 1990). Os valores de IH assim obtidos são
apresentados na Tabela 5.4, comparados aos valores derivados da aritmética. Observa-
se que a diferença entre esses dois valores é bastante significativa, variando de 88
mgHC/gCOT, na Formação La Luna, a 175 mgHC/gCOT na Formação Bambuca. Cabe
lembrar que estas unidades apresentaram respectivamente o menor e o maior efeito de
adsorção de hidrocarbonetos inferido a partir da interseção da reta de regressão com o
eixo das abscissas.
O gráfico da Figura 5.8 mostra uma forte tendência de incremento dos valores de
índice de hidrogênio em resposta ao aumento do teor de carbono orgânico total, até um
valor de aproximadamente 5% de COT. A partir daí, nota-se uma tendência assintótica
de relativa estabilização dos valores de IH ao longo de uma faixa em torno de 500mgHC/
gCOT, independente do conteúdo de carbono. Tal comportamento pode refletir o controle
exercido pelas condições de oxigenação sobre a preservação dos conteúdos de carbono
e hidrogênio nos depósitos sedimentares. Por outro lado, cabe lembrar a influência da
adsorção dos hidrocarbonetos na determinação do valor de IH, especialmente nas
amostras com menores conteúdos de COT. Essa influência certamente contribui, pelo
menos em parte, para a forte tendência de incremento do IH em função do COT na faixa
de valores situada entre 0 e 5% de COT (Figura 5.8).
53
Tipo I
Tipo II
Tipo III
Tipo I
Tipo II
Tipo III
Fm. La Luna
Fm. Bambuca
Fm. Tetuan
Tipo I
Tipo II
Tipo III
COT (%)
20 4 6 8 10 12 14 16 18 20
S2(mgHC/gRocha)S2(mgHC/gRocha)S2(mgHC/gRocha)
0
20
40
60
80
100
0
20
40
60
80
100
0
20
40
60
80
100
y = 5.9297x - 2.7402
R2 = 0.9533
y = 5.7412x - 5.4151
R2 = 0.9432
y = 5.1244x - 3.1033
R2 = 0.9557
Figura 5.7 – Gráficos de teor de carbono orgânico (COT) vs. potencial gerador (S2) para as formações do
Grupo Villeta na seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia. As linhas grossas de cor
cinza separam os campos dos querogênios dos tipos I, II e III. As linhas tracejadas são retas obtidas a partir
da regressão linear dos dados. Ao lado das retas também são mostrados suas equações e seus coeficientes
de correlação (R2).
54
Tabela 5.4 – Valores médios de índice de hidrogênio (IH, em mgHC/gCOT) calculados para cada
formação do Grupo Villeta na seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia. São
apresentados os valores de IH médios calculados a partir (a) do coeficiente angular das retas das
regressões da Figura 5.7 e (b) da média aritmética do IH de amostras individuais, e a diferença entre
os dois valores (em mgHC/gCOT).
Unidade Número de
Amostras
IH médio [mé-
todo: regressão
COTxS2}
IH médio [méto-
do: média aritmé-
tica}
Diferença
Fm. La Luna 58 592 504 88
Fm. Bambuca 39 574 399 175
Fm. Tetuan 125 512 419 93
COT (%)
IH(mgHC/gCOT)
0
100
200
300
400
500
600
700
0 4 8 12 16 20
Figura 5.8 – Gráfico de teor de carbono orgânico total (COT) vs. índice de hidrogênio (IH) para as amostras
analisadas na seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia.
Como no caso do teor de COT, não há um padrão claro de covariância entre a
qualidade da matéria orgânica (representada pelo IH) e a composição litológica da
amostra (expressa pelo teor carbonato total; Figura 5.9). Contudo, quando se analisa a
distribuição dos valores de IH por faixa de conteúdo de carbonato, vê-se que as amostras
mais ricas em hidrogênio correspondem àquelas com conteúdo total de carbonato
variando de 20 a 40% (Figura 5.10). Nas rochas mais carbonáticas ( 40% de carbonato),
observa-se uma evidente tendência moderada de decréscimo dos valores de IH com o
aumento do conteúdo de carbonato, semelhante ao que é observado nos teores de COT
(Figura 5.4). Portanto, ao contrário do que foi inferido considerando somente a correlação
entre os teores de COT e de carbonato total (ver discussão no Capítulo 5.1 e Figura
5.4), a redução do conteúdo orgânico não se deve simplesmente ao efeito diluente do
suprimento de carbonato. Como a redução de conteúdo orgânico está associada a um
55
empobrecimento em hidrogênio, é possível que os fatores ambientais que controlaram o
suprimento de carbonato tenham influenciado, ainda que parcialmente, as condições de
preservação da matéria orgânica.
Carbonato Total (%)
IH(mgHC/gCOT)
0
100
200
300
400
500
600
700
0 20 40 60 80 100
Média
Desvio Padrão
Mínimo-Máximo
0-20 20-40 40-60 60-80 80-100
Carbonato Total (%)
IH(mgHC/gCOT)
0
100
200
300
400
500
600
700
Figura 5.9 – Gráfico de teor de carbonato total vs. índice de hidrogênio (IH) para as amostras analisadas na
seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia
Figura 5.10 – Gráfico de distribuição dos valores de índice de hidrogênio (IH mínimo, máximo,
média e desvio padrão) por faixa de conteúdo de carbonato na seção do Rio Bambuca, Vale
Superior do Magdalena, Colômbia.
56
Os dados de Temperatura Máxima (Tmax) e do Índice de Produção (IP) mostram
uma tendência suave, porém consistente, de incremento do topo para a base da seção
analisada (Figura 5.5). No topo da seção, na porção superior da Formação La Luna e
no Grupo Olini, os valores de Tmax se encontram em torno de 415-420ºC, aumentando
progressivamente até a base da seção, na porção inferior da Formação Tetuan e na
Formação Caballos, onde alcançam cerca de 435-440°C (Anexo 1). Esses valores são
considerados indicativos do início da metagênese, fase em que tem início o processo
de geração de petróleo para querogênios do tipo II (Espitalié et al., 1985). Os valores de
IP, por sua vez são próximos a zero no topo da seção, aumentando progressivamente
até cerca de 0,10 na base (Anexo 1). Índices de Produção dessa ordem indicam que
o limiar do processo de conversão do querogênio em petróleo foi alcançado. Estes
resultados indicam que a maior parte da seção analisada encontra-se termicamente
imatura (valores de Tmax435ºC e IP0,10).Apenas porção inferior da seção investigada
(60-80m basais; Figura 5.5) encontra-se no limiar da zona matura, porém ainda pouco
afetada pelos processos de geração e migração do petróleo. Portanto, para efeito de
caracterização das rochas potencialmente geradoras da seção do Rio Bambuca, pode
se considerar que os parâmetros geoquímicos são representativos das características
originais dessas rochas.
5.3. Composição do Querogênio (Análise Visual)
A análise visual consistiu no exame ao microscópio, sob luz transmitida e ultravioleta,
do querogênio isolado da matriz mineral de rochas sedimentares. A petrografia dos
constituintes orgânicos das rochas baseia-se nas técnicas palinológicas (para a
separação da matéria orgânica da matriz mineral) e na petrografia de carvões (para a
classificação da matéria orgânica).
Inúmeras classificações têm sido propostas e utilizadas para caracterizar as
partículas da matéria orgânica presente nos sedimentos e rochas sedimentares (ver
revisão realizada por Tyson, 1993). Neste trabalho foram identificados três grupos
principais constituintes orgânicos no querogênio: liptinita, matéria orgânica lenhosa e
matéria orgânica amorfa. A liptnita compreende zoomorfos, pólens, esporos, algas e
cutículas vegetais. A matéria orgânica lenhosa abarca constituintes de origem terrestre
(e.g. colinita, telenita, fusinita, semifusinita). Finalmente, a matéria orgânica amorfa
consiste naquela que não apresenta formas indicativas de sua origem. Na tabela do
Anexo 2 são apresentadas as porcentagens desses três tipos de matéria orgânica nas
amostras analisadas da seção do Rio Bambuca.
57
A análise petrográfica sob luz transmitida permitiu ainda determinar o Índice de
Coloração de Polens e Esporos (ICE; Anexo 2). Este parâmetro consiste em uma escala
de variação de cores numerada seqüencialmente de 1 a 10, construída para descrever
o incremento do grau de diagênese orgânica dos sedimentos (Fischer et al., 1980). Uma
utilidade adicional desta escala é permitir a inferência do nível de maturação em termos
de valores de reflectância da vitrinita. O estudo petrográfico foi complementado pela
observação das lâminas sob luz ultravioleta. A cor e a intensidade de fluorescência dos
maceraisauxiliounasuaidentificação,nacaracterizaçãodaqualidadedamatériaorgânica
para geração de petróleo, e na determinação do seu grau de evolução térmica.
A análise microscópica revelou que o querogênio das amostras de rocha da seção
do Rio Bambuca é constituído preponderantemente de matéria orgânica amorfa, com
porcentagens geralmente superiores a 70% (Figura 5.11). Nas amostras analisadas,
a matéria orgânica amorfa apresenta fluorescência dominantemente amarela e,
secundariamente, laranja (Figura 5.12a-b). Quantitativamente, o segundo grupo de
macerais mais importante nas amostras analisadas é o da liptinita (Figura 5.11),
representado por fragmentos de microplâncton, especialmente cistos de dinoflagelados
(Figura 5.12c) e algas Prasinófitas, cutinita e esporomorfos (Figura 5.13a-b). O material
lenhoso é geralmente minoritário (5% do querogênio; Figura 5.11), sendo composto
de pequenos fitoclastos opacos (Figura 5.13b-c). Localmente, no entanto, a matéria
orgânica lenhosa pode constituir um componente importante do querogênio (30%), tal
como em intervalos delgados na parte superior das formações Caballos e Bambuca (a
10-15m e 525-530m na escala da Figura 5.11). Nestes intervalos, o material lenhoso
consiste de pequenos fragmentos angulosos, irregulares e translúcidos com ou sem
estrutura interna, assim como fragmentos alongados pequenos, irregulares e opacos
(Figura 5.13b-c).
Os valores de Índice de Coloração de Esporos encontrados na seção do Rio Bambuca
variaram entre 2,0 e 3,5 (ICE; Anexo 2), notando-se uma leve tendência de incremento
dos valores do topo para a base. De acordo com o esquema de correlação proposto
por Fischer et al. (1980), esses valores de ICE equivalem a valores de reflectância da
vitrinita da ordem de 0,3 a 0,4%Ro. Os baixos valores de ICE, associados à fluorescência
amarela intensa apresentada pelos macerais na maior parte das amostras, permitem
afirmar que a seção analisada foi pouco afetada pelos processos de geração e migração
do petróleo.
Amatériaorgânicaamorfadepositadaemambientemarinhoéderivadaprincipalmente
de algas unicelulares e bactérias, consistindo muitas vezes em agregados de matéria
orgânica dissolvida ou pelóides fecais (Tyson, 1993). Pouco resistente à degradação
aeróbica, esse tipo de matéria orgânica se preserva em elevadas proporções somente
em ambientes com baixos níveis de oxigenação. Além da concentração, a intensidade
da fluorescência da matéria amorfa também pode ser indicativa do potencial redox do
58
Matéria Orgânica
Amorfa (%)
Matéria Orgânica
Lenhosa (%)
0 50 100 0 50 100
Liptinita
(%)
0 50 100
0
100
200
300
Albiano
Caba-
llos
Fm.Tetuan
400
500
600
700
m
CenomanianoTuron./Coniac.San.CRONO
LITO
Fm.Bambuca
GrupoVilleta
Fm.LaLuna
Olini
Figura 5.11 – Expressão estratigráfica dos teores de matéria orgânica amorfa, liptnita e matéria orgânica
lenhosa ao longo da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia.
59
(a)
(b)
(c)
Figura 5.12 – Fotomicrografias do querogênio isolado de amostras selecionadas da seção do Rio Bambuca,
Vale Superior do Magdalena, Colômbia. Matéria orgânica amorfa grumosa em luz branca (a) e fluorescência
(b), e detalhe de dinoflagelado em fluorescência (c). Aumento de 40X em (c) e de 20X nas demais fotos.
60
Figura 5.13 – Fotomicrografias do querogênio isolado de amostras selecionadas da seção do Rio
Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia. Grão de pólen em fluorescência (a), grãos de
esporos e matéria lenhosa em fluorescência (b), e matéria lenhosa e cutinita em luz branca (c). Aumento
de 20X em todas as fotos.
(a)
(b)
(c)
61
ambiente deposicional, uma vez que este parâmetro reflete a preservação de compostos
ricos em hidrogênio (Tyson, 1993). No caso da seção do Rio Bambuca, a maior parte
das amostras analisadas (cerca de 88% do total) possui altas concentrações de matéria
orgânicaamorfafluorescente(70%;Figura5.11),sugerindoqueprevaleceramcondições
de sedimentação marinha disóxica/anóxica. As poucas amostras remanescentes
representam intervalos onde a matéria orgânica amorfa é substituída por liptinita e,
principalmente, por matéria orgânica lenhosa, refletindo um maior aporte de material
terrestre e/ou proximidade da fonte continental. As amostras com altos teores de matéria
orgânica lenhosa (20%) correspondem a rochas predominantemente siliciclásticas
(teores de carbonato total  10%; Figura 5.14), o que favorece a interpretação de
incremento do aporte terrestre e/ou de aproximação da linha de costa.
Na seção do Rio Bambuca, há uma correlação positiva entre os dados de índice
de hidrogênio e os teores de matéria orgânica amorfa (Figura 5.15), sugerindo que a
origem da matéria orgânica controlou, ao menos em parte, a qualidade e o potencial das
rochas geradoras. Tal comportamento reflete as diferenças composicionais existentes
entre as biomassas de origem fitoplanctônica e de vegetais superiores e seu impacto
sobre as razões H/C (Tabela 5.5). Contudo, apesar desta correlação, há uma significativa
dispersão de valores de IH para amostras com teores similares de matéria orgânica
amorfa. Entre amostras com 80% de matéria orgânica amorfa, por exemplo, os valores
de IH podem variar de cerca de 250 a 600 mgHC/gCOT (Figura 5.15). A amplitude dessa
faixa de variação indica que o valor do índice de hidrogênio também está refletindo
mudanças nas condições de preservação (ambiente oxidante vs. redutor) do ambiente
de sedimentação.
Carbonato Total (%)
M.O.Lenhosa(%)
0 20 40 60 80 100
0
20
40
60
80
100
Figura 5.14 – Gráfico de teor de carbonato total vs. teor de matéria orgânica lenhosa para as amostras da
seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia.
62
5.4. Marcadores Biológicos
Os marcadores biológicos ou biomarcadores, também conhecidos como “fósseis
moleculares”ou“fósseisquímicos”,sãocompostosorgânicospresentesnageosferacujas
estruturas moleculares assemelham-se às encontradas em substâncias presentes nos
seres vivos (Seifert  Moldowan, 1981; Mackenzie, 1984, Peters  Moldowan, 1993). Na
maioria dos casos, apesar das modificações provocadas pelo processo de diagênese, é
possível correlacionar os diferentes biomarcadores encontrados em sedimentos, rochas
ou petróleos com os respectivos precursores biológicos presentes em algas, bactérias,
plantas ou outros organismos (Peters  Moldowan, op. cit.).
Biomassa Proteínas
(%)
Lipídios
(%)
Carboidratos
(%)
Lignina
(%)
Razão
H/C
Fitoplâncton 30 50 20 __ 1,9
Veg. Superiores 3 2 20 75 1,0
Tabela 5.5. – Composição química e razão elementar H/C médias das biomassas de origem
fitoplanctônica e de vegetais superiores (Mello  Estrella, 1984).
0
100
200
300
400
500
600
700
0 20 40 60 80 100
M.O. Amorfa (%)
IH(mgHC/gCOT)
Figura 5.15 – Gráfico de teor de matéria orgânica amorfa vs. índice hidrogênio (IH) para as amostras da
seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia.
63
Embora ocorram em concentrações geralmente diminutas, os biomarcadores têm se
mostrado de grande utilidade na reconstituição das condições ambientais que controlaram
a deposição da biomassa em ambientes antigos e recentes (e.g. Mello et al., 1988; Peters
 Moldowan, 1993). A premissa básica do método é de que as condições ambientais
são refletidas na qualidade e quantidade de organismos, assim como na composição
química da biomassa incorporada aos sedimentos e, conseqüentemente, na distribuição
dos marcadores biológicos nas rochas sedimentares e petróleos. Desta forma, diferentes
fatores ambientais como clima, salinidade, composição química e conteúdo de oxigênio
da água, refletir-se-iam sob a forma de diferentes tipos de organismos, representados
por um tipo ou conjunto particular de marcadores biológicos com concentrações distintas.
Além disso, estes compostos têm desempenhado um papel fundamental na geoquímica
de exploração de petróleo, sendo aplicados na caracterização de rochas geradoras, do
grau de evolução térmica, migração e biodegradação de óleos, e em correlações óleo/
óleo e óleo/rocha geradora. Diversos grupos de biomarcadores têm sido identificados
e caracterizados nas últimas décadas. Dentre os mais aplicados nos estudos
paleoambientais, destacam-se os alcanos cíclicos dos grupos dos triterpanos e dos
esteranos, e alcanos acíclicos dos grupos das parafinas normais e dos isoprenóides.
Os triterpanos têm como principais precursores diversos triterpenóides presentes
em bactérias, cianobactérias e vegetais superiores (Moldowan et al., 1985). Com
base no número de cadeias cíclicas (ou “anéis”) de carbono, os triterpanos podem
ser subdivididos em terpanos pentacíclicos, tetracíclicos e tricíclicos, respectivamente
com cinco, quatro e três anéis de carbono. Os terpanos pentacíclicos são os mais
comumente usados em estudos geoquímicos, compreendendo os hopanóides (ou
hopanos) e os não-hopanóides. Os hopanos, geralmente contendo de 27 a 35 átomos
de carbono, são derivados principalmente de bactérias e constituem o grupo mais
abundante entre os biomarcadores cíclicos. Os não-hopanóides, por sua vez, englobam
compostos provenientes não só de bactérias (e.g. 28,30 bisnorhopano), mas também
de protozoários (gamacerano) e angiosmermas (oleananos) (Ekweozor  Udo, 1988;
Peters  Moldowan, 1993).
Os esteranos são derivados dos esteróis, compostos presentes na maioria das
algas e plantas superiores (Volkman, 1986; Peters  Moldowan, 1993), mas ausentes
nos organismos procarióticos (e.g. bactérias). Os esteranos mais comuns em amostras
de sedimentos, rochas e óleos são os esteranos regulares, que possuem entre 27 e
30 átomos de carbono e são assim denominados por apresentar um “esqueleto” de
carbono igual ao do seu precursor biológico. O grupo dos esteranos também engloba os
diasteranos e os 4-metil-esteranos. Os primeiros são esteranos cuja molécula “regular”
passou por pequenas modificações estruturais durante o processo de diagênese
(Rubinstein et al., 1975). Já os 4-metil-esteranos são esteranos cuja cadeia “regular” é
acrescida de radicais metil (Fu Jiamo et al., 1990). É o caso dos dinosteranos, derivados
64
de precursores presentes nos dinoflagelados (Summons et al., 1987) e que apresentam
três radicais metil adicionais à cadeia regular de 27 átomos de carbono.
Finalmente, os biomarcadores acíclicos abarcam n-alcanos e isoprenóides de origens
diversas,taiscomoalgas,vegetaissuperiores,bactérias,arqueobactérias,cianobactérias,
etc. (Tissot  Welte, 1984; Volkman  Maxwell, 1986; Peters  Moldowan, 1993).
Dentre os diversos biomarcadores acíclicos encontrados em amostras de sedimentos,
rochas e petróleos, os compostos pristano e fitano são os mais usados nos estudos de
reconstituição paleoambiental.
Aidentificação e a caracterização dos biomarcadores é realizada por meio de análises
de cromatografia gasosa (CG) e de cromatografia gasosa acoplada a espectrometria de
massas (CG-EM). Os resultados destas análises são gráficos que mostram variações de
intensidade em função do tempo, onde os picos de intensidade correspondem ao sinal
gerado pelos diversos compostos separados. As áreas dos picos identificados nesses
gráficos, conhecidos como cromatogramas, representam as quantidades relativas dos
diferentes compostos orgânicos detectados.Além da inspeção visual dos cromatogramas,
uma das formas mais usadas para analisar os dados de biomarcadores consiste na
realização de razões de biomarcadores, usando as áreas de picos específicos nos
cromatogramas. Nos últimos anos, diversas razões têm sido usadas como indicadores
das condições paleoambientais, da natureza da biomassa, grau de evolução térmica e
de alteração de rochas e petróleos (ver revisão em Peters  Moldowan, 1993). As razões
de biomarcadores calculadas a partir dos cromatogramas gasosos e de massas são
apresentadas no Anexo 3.
As análises de CG e CG-EM da seção do Rio Bambuca revelaram marcantes
diferenças entre as amostras analisadas (Anexo 3). Quatro amostras foram selecionadas
como representativas das semelhanças e contrastes nas características moleculares
(Figura 5.16). Os cromatogramas gasosos da fração de saturados mostram de modo
geral um predomínio de alcanos normais de baixo peso molecular (n-C23
), com uma
leve preponderância dos compostos pares sobre os ímpares e do pristano sobre o fitano
(Figura 5.16b, c e d). Em algumas amostras, entretanto, verifica-se elevada abundância
de alcanos de peso molecular mais alto (n-C23
a n-C27
) com um marcado predomínio de
compostos ímpares sobre os pares e do pristano sobre o fitano (Figura 5.16d). Por outro
lado, outras amostras mostram um comportamento oposto, com o fitano predominando
sobre o pristano (Figura 5.16a). Os cromatogramas de massa m/z 191 e 217 também
apresentam, entre uma amostra e outra, variações marcantes nas abundâncias relativas
de diversos compostos, tais como o 18α(H) Trisnorhopano (Ts),17α(H) Trisnorhopano
(Tm), 28,30 bisnorhopano, C29
17α(H), 21β(H) norhopano, gamacerano e diasteranos
(Figura 5.16).
65
Com o propósito de monitorar as variações na composição molecular da matéria
orgânica na seção do Rio Bambuca, foram calculadas dezoito razões e índices de
biomarcadores (ver forma de cálculo no Anexo 3), das quais quinze são consideradas
indicativas sobretudo da natureza da biomassa e das condições deposicionais, e as
outras três representativas principalmente do grau de evolução térmica da matéria
orgânica. A seguir, apresenta-se e discute-se em detalhe o comportamento de nove
razões moleculares indicativas do ambiente deposicional (Figuras 5.17 a 5.20) e de três
razões representativas do nível de maturação (Figuras 5.21 e 5.22).
A proporção entre pristano e fitano reflete o potencial redutor do ambiente (Didyk
et al., 1978), a natureza dos organismos contribuintes e/ou a salinidade da água (ten
Haven et al., 1988). De modo geral, tem se verificado que o fitano predomina em relação
ao pristano (razão pristano/fitano, P/F1) em ambientes marinhos carbonáticos anóxicos
CG m/z 191 m/z 217
(a)
Amostra BV-193
696,0m
(b)
Amostra BV-40
82,7m
(c)
Amostra BV-28
75,7m
(d)
Amostra BV-7
16,0 m2
4
5
5
5
6
6
6
6
7
8
8
8
8
9 11
11
11
11 12
12
12
12
9
9
9
10
3
2
3
2
3
2
1
3
4
Figura 5.16 – Cromatogramas gasosos (CG) e cromatogramas de massas m/z 191 e m/z 217 das frações
de hidrocarbonetos saturados de extratos orgânicos representativos da seção do Rio Bambuca. Compostos
correspondentes aos picos identificados: 1= n-C15
, 2= Pristano, 3= Fitano, 4= n-C25
, 5= C27
18α(H) Trisnorho-
pano (Ts), 6= C27
17α(H) Trisnorhopano (Tm), 7= 28,30 bisnorhopano, 8= C29
17α(H), 21β(H) norhopano, 9=
C30
17α(H), 21β(H) hopano, 10= gamacerano, 11= C27
βα diasterano 20S, 12= C29
αββ esterano 20R.
66
e/ou hipersalinos, enquanto a preponderância do pristano é corriqueira sob condições
mais oxidantes e menos salinas (e.g. Mello et al., 1988; Peters  Moldowan, 1993).
Adicionalmente, também tem se notado que em ambientes com intenso aporte de
matéria orgânica terrestre, o pristano predomina amplamente sobre o fitano, resultando
em razões P/F muitos maiores que um (e.g. Philp  Gilbert, 1986; Abdullah et al.,
1988; Isaksen, 1995). Na seção do Rio Bambuca, a razão P/F varia entre 1,0 e 1,5
ao longo de praticamente todo o intervalo compreendido entre a base da coluna e a
base da Formação La Luna. Algumas amostras situadas na Formação Caballos e na
porção superior da Formação Bambuca (respectivamente a 16 m e 530 m, Figura 5.17)
sobressaem, mostrando razões P/F de 2,0 a 4,13. Finalmente, ao longo da Formação La
Luna, predominam valores da razão P/F1. Estes resultados sugerem que os sedimentos
da Formação La Luna se depositaram sob condições mais redutoras (anóxicas) que as
que controlaram a deposição das outras unidades. Embora não tenham sido encontradas
evidências sedimentológicas de alta salinidade, não se pode descartar a possibilidade
de que os baixos valores de P/F indiquem que a Formação La Luna se depositou sob
condições de águas mais salinas do que as que controlaram a sedimentação das outras
unidades.
Altas abundâncias relativas do terpano C24
tetracíclico têm sido relacionadas a
condições ambientais díspares (Peters  Moldowan, 1993), ora a ambientes marinhos
carbonáticos anóxicos (Palacas et al., 1984; Connan, 1986), ora a ambientes proximais
com forte aporte de matéria orgânica terrestre (Philp  Gilbert, 1982; Mello et al., 1988;
Isaksen, 1995). Na seção do Rio Bambuca, o índice de C24
tetracíclico varia entre 0,4
e 0,6 na maior parte da seção, à exceção de dois intervalos, um próximo ao topo da
Formação Caballos e outro na porção superior da Formação Bambuca, onde este
índice se aproxima de 1,0 (Figura 5.17). Estes intervalos correspondem aos níveis onde
foram encontradas altas razões P/F, sugerindo que ambos parâmetros responderam a
condições de forte aporte de matéria orgânica de origem continental. Esta interpretação
é confirmada pelo gráfico da Figura 5.18, onde se observa que as amostras com altos
valores de razão P/F e índice de C24
tetracíclico possuem as porcentagens mais elevadas
de matéria orgânica lenhosa.
A proporção entre os compostos C27
18α(H) Trisnorhopano (Ts) e C27
17α(H)
Trisnorhopano (Tm) tem sido relacionada a fatores ambientais, tipo de matéria orgânica
e maturação térmica (Peters  Moldowan, 1993). De modo geral, o Tm é mais abundante
que o Ts em ambientes marinhos carbonáticos, anóxicos ou salinos, enquanto o oposto
ocorre em ambientes marinhos siliciclásticos (Rullkötter et al., 1985; Mello et al., 1988,
Waples  Machihara, 1991). Estranhamente, em ambientes com forte contribuição de
matéria orgânica terrestre, o Tm é muitíssimo mais abundante que o Ts, conforme tem
sido observado em rochas geradoras deltaicas e em carvões (Philp  Gilbert, 1986;
Abdullah et al., 1988; Isaksen, 1995). A interpretação das implicações ambientais da
67
proporção relativa entre estes compostos deve ser analisada com reservas, uma vez
que a abundância relativa de Ts aumenta com o avanço do processo de maturação
térmica (Peters  Moldowan, 1993). Na seção do Rio Bambuca, a relação Ts/(Ts+Tm)
mostra uma suave tendência geral de incremento, de valores em torno de 0,3 no topo
até valores de cerca de 0,5 na base da seção (Figura 5.17). Essa tendência pode refletir
o suave incremento do grau de evolução térmica apontado pelos dados de pirólise e
petrografia orgânica. Cabe destacar a presença de valores de razão Ts/(Ts+Tm) muito
baixos (entre 0,15 e 0,02) nos mesmos intervalos que mostraram altos valores de P/F
e índice de C24
tetracíclico, próximo ao topo da Formação Caballos e outro na porção
superior da Formação Bambuca (Figura 5.17), reforçando a interpretação de que os
mesmos são resultado de período de intenso aporte continental.
Outros três parâmetros, os índices de gamacerano, bisnorhopano e C35
homohopanos
apresentaram tendências de variação muito similares, caracterizadas por valores baixos
ao longo das formações Caballos, Tetuan e Bambuca e um incremento abrupto na
Formação La Luna (Figura 5.19). Por ser derivado de um lipídio (tetrahimanol; ten Haven
et al., 1989) encontrado principalmente em organismos ciliados que vivem próximos
a quimioclina de ambientes marinhos ou lacustres, a abundância do gamacerano na
matéria orgânica sedimentar é considerada um indicador da intensidade e estabilidade
da estratificação da coluna de água nesses ambientes (Sinninghe Damsté et al., 1995).
Em ambientes hipersalinos, que geralmente possuem colunas d’água fortemente
estratificadas, a presença do gamacerano em elevadas proporções é uma característica
típica (ex: Moldowan et al., 1985; Mello et al., 1988; ten Haven et al., 1988; Peters
 Moldowan, 1993). Na seção analisada, os índices de gamacerano das amostras
da Formação La Luna são marcadamente maiores que os das amostras das outras
unidades (Figura 5.19), sugerindo que os sedimentos desta formação se depositaram
sob condições de estratificação de coluna d’água mais intensas e perenes. Tendo
em vista a falta de evidências sedimentológicas que apontem para um significativo
incremento de paleosalinidade da água, é mais provável que outros fatores (climáticos
e/ou paleoceanográficos) tenham propiciado as condições favoráveis à estratificação da
coluna d’água.
O índice de bisnorhopano é considerado um indicador do nível de oxigenação do
ambiente sedimentar (Peters  Moldowan, 1993). Evidências isotópicas sugerem que
os lipídios precursores do bisnorhopano provêm de bactérias sulfo-oxidantes que vivem
na interface entre sedimentos/águas ricas em H2
S e águas óxicas/subóxicas (Schoell et
al., 1992). Altas concentrações de bisnorhopano estão tipicamente relacionadas a óleos
e sedimentos derivados de ambientes altamente anóxicos (Katz  Elrod, 1983; Mello
et al., 1988 e 1989). Cabe ressaltar, entretanto, que estes compostos freqüentemente
estão ausentes em ambientes tipicamente anóxicos (Peters  Moldowan, op. cit.),
sugerindo que seus precursores estejam relacionados a uma população bacteriana
68
Figura 5.17 – Expressão estratigráfica das razões pristano/fitano (P/F) e Ts/(Ts+Tm) e do índice de C24
tetracíclico ao longo da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia (consultar forma de
cálculo das razões e do índice no Anexo 3).
0
100
200
300
Albiano
Caba-
llos
Fm.Tetuan
400
500
600
700
m
CenomanianoTuron./Coniac.San.CRONO
LITO
Fm.Bambuca
GrupoVilleta
Fm.LaLuna
Olini
Índice de
C24 tetracíclico
0,2 0,6 1,0
Ts
(Ts+Tm)
P
F
0,0 0,2 0,4 0,61 2 3 4
69
Figura 5.18 – Gráfico tridimensional correlacionando a razão pristano/fitano (P/F) e o índice de C24
tetra-
cíclico com teores de matéria orgânica lenhosa nas amostras da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do
Magdalena, Colômbia (consultar forma de cálculo da razões e do índice no Anexo 3).
ainda desconhecida, que se prolifera sob condições ambientais bastante específicas.
O índice de C35
homohopano também é um bom indicador do nível de oxigenação do
ambiente sedimentar (Peters  Moldowan, 1993). No caso dos homohopanos, elevadas
abundâncias de C35
homohopanos em relação a seus homólogos de peso molecular
mais baixo estão geralmente associadas a ambientes sem oxigênio livre (Peters 
Moldowan, 1991), ocorrendo com freqüência em depósitos marinho carbonáticos e/ou
hipersalinos (ten Haven et al.,1988; Mello et al., 1988). Os altos índices de bisnorhopano
e C35
homohopano da Formação La Luna (Figura 5.19) corroboram os baixos valores
da razão P/F, indicando que condições fortemente redutoras prevaleceram durante
a deposição desta unidade. Esta interpretação também está de acordo com os altos
índices de gamacerano, uma vez que a estratificação da coluna d’água é favorável à
implantação e manutenção de condições anóxicas.
70
0
100
200
300
Albiano
Caba-
llos
Fm.Tetuan
400
500
600
700
m
CenomanianoTuron./Coniac.San.CRONO
LITO
Fm.Bambuca
GrupoVilleta
Fm.LaLuna
Olini
Índice de
C35 homohop.
0,00 0,06 0,12
Índice de
bisnorhopano
0,0 0,5 1,0
Índice de
gamacerano
0,0 0,2 0,4
Figura 5.19 – Expressão estratigráfica dos índices de gamacerano, bisnorhopano e C35
homohopanos ao
longo da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia (consultar forma de cálculo dos
índices no Anexo 3).
71
A proporção entre esteranos e hopanos é considerada um bom indicador da
contribuição relativa de organismos eucarióticos (algas, plantas superiores), precursores
dos esteranos, e organismos procarióticos (bactérias), precursores dos hopanóides
(Moldowan et al., 1985; Mello et al., 1988; Peters  Moldowan, 1993). Apesar de variar
significativamente nos diversos ambientes de sedimentação, de modo geral a proporção
de hopanos em relação aos esteranos costuma ser notavelmente alta em ambientes
lacustres (Mello  Maxwell, 1990; Gonçalves, 2002) e muito baixa em ambientes
marinhos carbonáticos e hipersalinos (Mello et al., 1995; Peters  Moldowan, op.cit.).
Neste estudo, a proporção entre essas duas famílias de compostos foi expressa por
meio da razão esteranos/(esteranos+hopanos). Nota-se uma tendência de incremento
consistente de valores em torno de 0,4 na base da seção a valores de aproximadamente
0,8 no topo (Figura 5.20), sugerindo que a contribuição relativa de biomassa de origem
algálica aumentou progressivamente em função do tempo geológico, o que poderia
refletir um aumento progressivo da produtividade primária na região da seção analisada.
Por outro lado, cabe destacar a existência de amostras com valores de razão esteranos/
(esteranos+hopanos) muito baixos (0,1) nos mesmos intervalos em foram encontrados
altos valores de P/F, isto é, próximo ao topo da Formação Caballos e na porção superior
da Formação Bambuca (comparar Figuras 5.17 e 5.20), corroborando a ocorrência de
um aumento do aporte continental durante a deposição destes intervalos (Peters 
Moldowan, op.cit.).
Aabundância relativa dos diasteranos tem sido utilizada como um indicador do aporte
siliciclástico no ambiente deposicional (Mello et al., 1988; Peters  Moldowan, 1993),
uma vez que a formação desses compostos a partir dos esteróis parece ser catalisada
por ácidos disponíveis nas argilas (Rubinstein et al., 1975). Verificou-se uma tendência
geral de aumento do índice de diasteranos do topo para a base da seção analisada
(Figura 5.20). Esse comportamento é compatível com a maior proporção de sedimentos
carbonáticos na porção superior da seção analisada. Por outro lado, cabe ressaltar
que a tendência de incremento do índice de diasteranos pode refletir, pelo menos em
parte, o suave aumento do grau de evolução térmica apontado pelos dados de pirólise
e petrografia orgânica. Como esses compostos são termicamente mais estáveis que os
esteranos regulares, sua abundância relativa tende a aumentar em resposta ao aumento
da maturação (Mello et al., 1988).
Diversos autores propõem que a proporção relativa entre os homólogos com 27, 28
e 29 átomos de carbono da família dos esteranos regulares reflete a contribuição relativa
de fitoplâncton, no caso dos esteranos em C27
e C28
, e plantas superiores, no caso
dos homólogos em C29
(Huang  Meinschein, 1979; Moldowan et al., 1985; Volkman,
1986; Mello et al., 1988). Outros autores, por sua vez, sugerem que cianobactérias e
dinoflagelados também poderiam ser precursores para os esteranos com 29 átomos
de carbono (Fowler  Douglas, 1984; Grantham, 1986). A proporção relativa entre os
72
0
100
200
300
Albiano
Caba-
llos
Fm.Tetuan
400
500
600
700
m
CenomanianoTuron./Coniac.San.CRONO
LITO
Fm.Bambuca
GrupoVilleta
Fm.LaLuna
Olini
C27/(C27+C29)
esteranos
0,2 0,4 0,6 0,8
Índice de
diasteranos
0,0 0,4 0,8
esteranos
(ester. + hop.)
0,0 0,4 0,8
Figura 5.20 – Expressão estratigráfica das razões esteranos/(esteranos+hopanos) e C27
/(C27
+C29
), e do
índice de diasteranos ao longo da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia (consultar
forma de cálculo das razões e do índice no Anexo 3).
73
homólogos dos esteranos regulares com 27 e 29 átomos de carbono foi monitorada
na seção do Rio Bambuca por meio da razão C27
/(C27
+C29
) (Figura 5.20). É evidente
a existência de dois patamares de valores distintos, o primeiro em torno de 0,5
na Formação La Luna, e outro ao redor de 0,6 no restante da seção (Figura 5.20).
Assim sendo, as proporções mais elevadas de homólogos em C29
estão associadas
justamente à Formação La Luna, unidade cujos dados geoquímicos apontam para um
aporte de matéria orgânica terrestre de modo geral mais baixo que o registrado nas
outras unidades, sugerindo que outros organismos possam ter atuado como precursores
destes compostos.
Algumas razões de biomarcadores das famílias dos terpanos e dos esteranos estão
entre os parâmetros moleculares mais usados na caracterização do grau de evolução
térmica de óleos e extratos orgânicos (Peters  Moldowan, 1993). Essas razões
fundamentam-se em mudanças provocadas por reações de isomerização na proporção
relativa entre isômeros de determinados compostos.
No caso dos homohopanos (C31
a C35
), o parâmetro molecular baseia-se no avanço
da reação de isomerização na posição C-22 em função do aumento de temperatura.
Neste processo, o isômero 22R do precursor biológico é progressivamente substituído
por uma mistura de isômeros 22R e 22S. Como resultado desta mudança, a razão
22S/(22S+22R) varia de zero a 0,57-0,60, valor de equilíbrio alcançado no final da
diagênese (em torno de 0,5%Ro; Schoell et al., 1983). Neste trabalho, calculou-se a
razão C31
homohopanos S/(S+R) para os extratos orgânicos da seção do Rio Bambuca.
Os valores obtidos variam desde cerca de 0,40 no topo da Formação La Luna até valores
próximos a 0,60 na porção média/inferior da Formação Bambuca, mantendo-se neste
patamar até a base da seção (Figura 5.21).
No que se refere aos esteranos, dois parâmetros são empregados. No caso da
reação de isomerização na posição C-20 dos esteranos C29
ααα, de forma similar aos
homohopanos, o isômero 20R do precursor biológico é progressivamente substituído
por uma mistura de isômeros 20R e 20S em função do aumento de temperatura. A razão
C29
ααα 20S/(20S+20R) neste caso, varia de zero até 0,50-0,55, sendo este o valor
de equilíbrio atingido próximo ao pico de geração de óleo (aproximadamente 0,8%Ro;
Peters  Moldowan, 1993). Na seção do Rio Bambuca, apesar de alguma dispersão, a
razão C29
ααα 20S/(20S+20R) mostra um padrão de incremento relativamente uniforme
desde 0,1 no topo a 0,4 perto da base da coluna (Figura 5.21).
O outro parâmetro molecular da família dos esteranos usado neste trabalho baseia-
se nas reações de isomerização que ocorrem nas posições C-14 e C-17 dos esteranos
20S e 20R. Neste caso, há um progressivo aumento da proporção dos esteranos αββ
em relação aos ααα, fazendo com que a razão C29
αββ/(ααα+αββ) varie de valores
próximos a zero em amostras imaturas até o valor de equilíbrio, em torno de 0,70, no
74
Figura 5.21 – Expressão estratigráfica das razões C31
homohopanos S/(S+R), C29
esteranos ααα S/(S+R)
e C29
esteranos αββ/(ααα+αββ) ao longo da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia
(consultar forma de cálculo das razões no Anexo 3).
0
100
200
300
Albiano
Caba-
llos
Fm.Tetuan
400
500
600
700
m
CenomanianoTuron./Coniac.San.CRONO
LITO
Fm.Bambuca
GrupoVilleta
Fm.LaLuna
Olini
0,4 0,5 0,6 0,0 0,2 0,4 0,2 0,3 0,4
C31 hopanos
S/(S+R)
C29 esteranos
 S/(S+R) /(+)
75
pico de geração de óleo (aproximadamente 0,9-1,0%Ro; Peters  Moldowan, 1993). Na
seção analisada, a razão C29
αββ/(ααα+αββ) não possui uma tendência consistente de
incremento em função da profundidade (Figura 5.21), mostrando valores relativamente
altos na Formação La Luna, seguidos de valores baixos na Formação Bambuca
e uma tendência pouco consistente de incremento em direção à base da seção. Tal
comportamento sugere que o parâmetro não esteja refletindo somente o grau de evolução
térmica. De fato, vários autores têm alertado para o efeito do ambiente deposicional e
da matriz mineral sobre este parâmetro (McKirdy et al., 1983; Ten Haven et al., 1986;
Rullkötter  Marzi, 1988), reportando altas proporções de esteranos ββ em sedimentos
termicamente imaturos depositados em ambientes marinhos carbonáticos, como é o
caso da Formação La Luna. O trabalho de ten Haven et al. (1986) propõe que esses
isômeros se formem na presença de enxofre durante a diagênese precoce da matéria
orgânica.
Os valores obtidos para as razões C31
homohopanos S/(S+R) e C29
esteranos
ααα S/(S+R) apontam para um baixo grau de evolução térmica, em consonância
com os parâmetros derivados da pirólise (Tmax e IP) e da petrografia orgânica (ICE e
fluorescência). Quando correlacionada com a Tmax, a razão C31
homohopanos S/S+R
mostra uma tendência geral de incremento de 415 a 430ºC (Figura 5.22a), temperatura
a partir da qual parece ter atingido seu valor de estabilização (cerca de 0,58). Por outro
lado, entre a Tmax e a razão C29
esteranos ααα S/(S+R) há uma boa correlação positiva
no intervalo de valores amostrado (Figura 5.22b). Foi realizada uma regressão linear
considerando a Tmax como variável dependente e a razão C29
esteranos ααα S/(S+R)
como variável explicativa. Com um coeficiente de correlação significativo (R2
= 0,76),
obteve-se a seguinte equação:
Tmax = (47,168*[C29
ααα S/(S+R)]) + 416,52;
a qual pode ser usada para estimar o grau de evolução térmica da rocha geradora
responsável por um determinado óleo, dentro da faixa de variação coberta por este
estudo (ver aplicação no Capítulo 7). Finalmente, o gráfico da Figura 5.22c mostra que
a correlação entre a Tmax e a razão C29
esteranos αββ/(ααα+αββ) é pobre, o que se
deve a provável influência de fatores paleoambientais sobre este parâmetro molecular,
conforme mencionado no parágrafo anterior.
76
Figura 5.22 – Gráficos de Tmax vs. razões C31
homohopanos S/(S+R) (a), C29
esteranos ααα S/(S+R) (b) e
C29
esteranos αββ/(ααα+αββ) (c) para as amostras da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena,
Colômbia (consultar forma de cálculo das razões no Anexo 3). A linha verde tracejada em (a) foi traçada
de forma arbitrária tentando descrever a variação dos dados. Já a linha azul tracejada em (b) é produto da
regressão linear dos dados com o respectivo coeficiente de correlação (R2
).
Tmax (ºC)
0,3
0,4
0,5
0,6
0,7
R2 = 0.7572
0,0
(a)
(b)
(c)
0,1
0,2
0,3
0,4
0,5
0,1
0,2
0,3
0,4
0,5
410 420 430 440
C31hopanosS/(S+R)C29esteranosαααS/(S+R)C29esteranosββ/(αα+ββ)
77
5.5. Composição Elementar do Querogênio
O querogênio compreende a fração da matéria orgânica presente nas rochas
sedimentares que é insolúvel em solventes orgânicos (Durand, 1980; Tissot  Welte,
1984). Via de regra, o carbono (C) constitui o elemento mais abundante nos querogênios
(geralmente 50% em peso), seguido pelo oxigênio (O, de 2-20%), hidrogênio (H, de
2-10%), nitrogênio (N, 0-4%) e enxofre (S, 0-4%) (Tissot  Welte, 1984). A abundância
destes elementos reflete a proporção relativa e a composição dos diferentes organismos
que constituíram a biomassa acumulada e preservada no sítio deposicional (comparar
Tabelas 5.6 e 5.5) e as reações que afetaram esta biomassa durante a diagênese.
Biomassa C (%) H (%) O (%) S (%) N (%)
Lipídios 80 10 10
Proteínas 53 7 22 2 16
Lignina 63 5 31 0,1 0,3
Carboidratos 44 6 50
Tabela 5.6 – Composição química das principais famílias de compostos presentes na biomassa de-
positada em bacias sedimentares (Mello  Estrella, 1984).
No caso do oxigênio e do hidrogênio, as concentrações são fortemente condicionadas
pelo aporte relativo de matéria orgânica autóctone (fitoplâncton, zooplâncton, bactérias,
etc.) e alóctone (plantas terrestres) no ambiente deposicional, uma vez que a biomassa
autóctone é enriquecida em H (Tabelas 5.5 e 5.6) e empobrecida em O quando
comparada à biomassa alóctone (Tissot  Welte, 1984). O nível de Eh do ambiente
deposicional também é crítico, já que condições redutoras tendem a preservar o conteúdo
de hidrogênio da biomassa, enquanto condições oxidantes favorecem a degradação da
matéria orgânica, levando à depleção do hidrogênio. As razões elementares H/C e O/C
são dois dos parâmetros geoquímicos mais importantes na caracterização da origem e
natureza da matéria orgânica presente nas rochas sedimentares.
Com base nessas razões, van Krevelen (1961) propôs o diagrama que atualmente
é conhecido pelo nome do autor e que permite distinguir os três tipos básicos de
querogênios. O querogênio do tipo I, constituído principalmente por cadeias alifáticas
derivadas de uma biomassa algálica e/ou microbiana, apresenta altas razões H/C (1,5-
1,8) e baixas razões O/C (0,1). O querogênio do tipo II, rico em cadeias alifáticas e
naftênicas derivadas de uma mistura de fito- e zooplâncton, bactérias, polens e esporos,
78
apresenta razões H/C mais baixas (1,0-1,4) e razões O/C mais altas (0,2) do que as do
tipo I. Finalmente, o querogênio do tipo III, dominado por cadeias aromáticas policíclicas
e grupos funcionais oxigenados derivados da celulose e lignina de vegetais superiores,
apresenta baixas razões H/C (1,0) e altas razões O/C (0,2) (Tissot  Welte, 1984).
O nitrogênio presente na biomassa provém principalmente das proteínas, grupo de
compostos rapidamente degradado durante a diagênese precoce (Tissot  Welte, 1984),
e requerendo, portanto, condições redutoras para sua preservação. No que se refere ao
impacto da origem da biomassa sobre o conteúdo de nitrogênio, uma vez que as ligninas
possuem concentrações muito baixas desse elemento, a maior parte dos querogênios
derivados de matéria orgânica terrestre apresentam baixas razões N/C.
Ao contrário dos outros elementos, a concentração de enxofre no querogênio é mais
um reflexo das condições paleoambientais do que da natureza da biomassa. O enxofre
é incorporado na matéria orgânica sedimentar por meio da interação entre os produtos
inorgânicos das reações de sulfato-redução e os sítios ativos das moléculas orgânicas
durante a diagênese precoce (Sinninghe Damsté  De Leeuw, 1990). A quantidade de
enxofre incorporado depende da disponibilidade de ferro no ambiente deposicional, a
qual é função direta do aporte siliciclástico e da intensidade do processo de sulfato-
redução. Esta por sua vez, é controlada pelo grau de anoxia e pela disponibilidade de
sulfato e de biomassa rica em hidrogênio. Desse modo, em ambientes de sedimentação
onde um intenso processo de sulfato-redução é acompanhado pela carência de ferro,
se produz um excesso de enxofre que pode ser incorporado na matéria orgânica
(Orr, 1986). Analisando amostras de rochas da Formação Monterey (Califórnia, EUA)
depositadas sob estas condições, Orr (op. cit.) reconheceu a existência querogênios do
tipo II excepcionalmente ricos em enxofre (8-14% em peso), denominados de tipo II-S.
Uma razão S/C superior a 0,04 foi estabelecida arbitrariamente por Orr (op. cit.) como
critério para definição deste tipo de querogênio.
Os teores de C, H, O, N e S resultantes das análises das amostras de querogênio
foram normalizadas pelos respectivos pesos atômicos para obtenção das razões
atômicas H/C, O/C, N/C e S/C. As concentrações iniciais e as razões calculadas são
apresentadas na tabela do Anexo 4.
A razão H/C apresenta um comportamento relativamente uniforme ao longo da
seção do Rio Bambuca (Figura 5.23). A maior parte das amostras analisadas (mais de
90%) apresenta razões H/C variando entre 1,00 e 1,40, faixa de valores considerada
característica para o querogênio do tipo II em rochas termicamente imaturas (Tissot 
Welte, 1984). As amostras remanescentes apresentam razões H/C mais baixas, entre
0,87 e 0,97, apontando a contribuição de querogênio do tipo III. Estas amostras estão
posicionadas na Formação Caballos e na porção média/superior da Formação Bambuca
(Figuras 5.23), intervalos que se destacaram por apresentar altas razões pristano/fitano e
79
altas porcentagens de matéria lenhosa, entre outros indicadores geoquímicos de aporte
continental (ver seções de pirólise, petrografia e biomarcadores neste capítulo).
A razão O/C varia entre 0,04 e 0,18 na seção do Rio Bambuca. Embora não existam
tendências consistentes de variação dessa razão ao longo da coluna estratigráfica (Figura
5.23), observa-se que os valores da Formação La Luna são ligeiramente superiores
(média de 0,12) aos observados no restante da seção (média de 0,09). A distribuição dos
dados das razões O/C e H/C no diagrama de Van Krevelen confirma o predomínio de
querogênios do tipo II entre as amostras analisadas (Figura 5.24). Os baixos valores da
razão H/C (1,0) encontrados em algumas amostras das formações Caballos e Bambuca
indicam que há mistura com querogênio do tipo III, de origem terrestre.
Os valores da razão H/C foram correlacionados com os índices de hidrogênio (IH)
nas amostras submetidas a análise elementar na seção do Rio Bambuca (Figura 5.25).
Verifica-se que enquanto as razões H/C variam entre 0,87 e 1,40 (diferença de 38%),
os valores de IH vão de 51 a 663 mgHC/gCOT (diferença de 92%). Discrepâncias desta
ordem foram reportadas por diversos autores ao comparar dados de H/C e IH (e.g. Katz,
1983; Jones, 1987; Baskin, 1997). Estas discrepâncias têm sido atribuídas a diversos
fatores, tais como o efeito da matriz mineral na pirólise das amostras pobres em matéria
orgânica, contaminações de betume e/ou óleo migrado nas amostras de rocha, e a
diferença entre os erros experimentais da análise elementar (3-5%) e da pirólise (10%)
(Peters, 1986; Baskin, op.cit.). Por estes motivos, a razão H/C constitui uma medida
mais acurada da qualidade da matéria orgânica, devendo ser usada em conjunto com o
índice de hidrogênio sempre que possível.
As razões N/C mostram uma tendência de incremento de valores de cerca de 0,04
na base da seção até valores da ordem de 0,08 na porção mediana da Formação Tetuan
(Figura 5.23), refletindo a transição de um ambiente dominado pela influência terrestre
para um ambiente francamente marinho. Os valores seguem flutuando em torno dessa
faixa de valores ao longo de praticamente toda a seção do Rio Bambuca, à exceção de
alguns intervalos onde os valores reduzem-se abruptamente, chegando próximo a zero
(e.g. 212 e 240m; Figura 5.23).
Finalmente, a razão S/C varia entre 0,01 e 0,08 ao longo da seção analisada (Figura
5.23). Utilizando o critério estabelecido por Orr (1986), cerca de 40% das amostras
apresentaram razões S/C iguais ou superiores a 0,04, podendo ter seus querogênios
classificados como sendo do tipo II-S. Estas amostras estão restritas principalmente
às formações La Luna e Tetuan (Figura 5.24). Tal fato provavelmente se deve ao baixo
aporte de siliciclásticos durante a deposição destas unidades, o que deve ter limitado o
suprimento de ferro disponível para reação com o enxofre liberado durante o processo
de alteração da matéria orgânica por sulfato-redução. Nas outras unidades (Caballos
e Bambuca), um maior aporte siliciclástico e, possivelmente, níveis mais altos de
80
Figura 5.23 – Expressão estratigráfica das razões atômicas H/C, O/C, N/C e S/C medidas no querogênio de
amostras tomadas ao longo da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia.
0
100
200
300
Albiano
Caba-
llos
Fm.Tetuan
400
500
600
700
m
CenomanianoTuron./Coniac.San.CRONO
LITO
Fm.Bambuca
GrupoVilleta
Fm.LaLuna
Olini
0,8 1,0 1,2 1,4 0 0,03 0,06 0,090 0,04 0,08 0,120 0,1 0,2
H / C O / C S / CN / C
81
Figura 5.24 – Gráficos O/C vs. H/C (diagrama de Van Krevelen) e O/C vs. S/C mostrando a distribuição
dos dados das razões atômicas medidas no querogênio de amostras das unidades analisadas na seção
do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia.
0,00
0,40
0,80
1,20
1,60
0,00
0,04
0,08
0,00 0,05 0,10 0,15 0,20
0,00 0,05 0,10 0,15
O / C
H/CS/C
Alto S
I
II
III
Gr. Olini
Fm. La Luna
Fm. Bambuca
Fm. Tetuan
Fm. Caballos
82
Figura 5.25 – Correlação entre o índice de hidrogênio (IH) da pirólise Rock-Eval e a razão atômica H/C para
as amostras analisadas na seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia.
IH (mgHC/gCOT)
H/C
0,4
0,8
1,2
1,6
100 200 300 400 500 600 700
oxigenação devem ter limitado a disponibilidade de enxofre para incorporação na matéria
orgânica. Apesar da consistência dos resultados obtidos, é importante ressaltar que não
realizou-se a dosagem do teor de Fe nas amostras de querogênio. Dessa forma, embora
as análises petrográficas não tenham revelado a presença de quantidades significativas
de pirita no querogênio, não é possível descartar a possibilidade de que uma parte do
enxofre aqui considerado como orgânico esteja relacionado à pirita.
Assim como já foi constatado em relação ao índice de hidrogênio (Figura 5.15),
também existe uma correlação positiva entre os teores de matéria orgânica amorfa e
as razões H/C (Figura 5.26). Grande parte das amostras portadoras de querogênio do
tipo II (H/C1,0) possui teores de matéria orgânica amorfa igual ou superior a 80%,
sugerindo que a qualidade e o potencial das rochas geradoras foi controlado, ao menos
parcialmente, pela natureza da biomassa. Entretanto, apesar desta correlação, há uma
significativa dispersão de valores de H/C para amostras com teores similares de matéria
orgânica amorfa. Entre as amostras com, por exemplo, 80% de matéria orgânica amorfa,
as razões H/C podem variar entre 1,05 e 1,40 (Figura 5.26), sugerindo que flutuações nas
condições de oxigenação (ambiente oxidante vs. redutor) podem estar desempenhando
um papel importante na preservação do conteúdo de hidrogênio da matéria orgânica.
83
Figura 5.26 – Gráfico de teor de matéria orgânica amorfa vs. razão H/C para as amostras da seção do Rio
Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia.
H/C
0,8
0,9
1,0
1,1
1,2
1,3
1,4
0 20 40 60 80 100
M. O. Amorfa (%)
5.6. Parâmetros Cinéticos de Conversão do Querogênio
Opetróleoéprodutodadegradaçãotérmicadoquerogênioemrespostaaoprogressivo
incremento de temperatura associado à subsidência da bacia sedimentar e conseqüente
soterramento das rochas sedimentares (Tissot  Welte, 1984). Diversos estudos têm
demonstrado que esse processo de degradação pode ser descrito por modelos baseados
nas formulações da cinética química (e.g. Tissot et al., 1987). Atualmente, a modelagem
cinética do processo de degradação do querogênio e formação do petróleo constitui uma
técnica aplicada de forma rotineira nos estudos de sistemas petrolíferos para a definição
do grau de sincronismo entre o processo de carga de hidrocarbonetos e a formação de
trapas (e.g. Gonçalves et al., 2000 e 2002).
Em geral, o processo de conversão do querogênio em petróleo é descrito como uma
série de reações paralelas, irreversíveis e independentes de primeira ordem (Tissot et
al., 1987). Nas reações de primeira ordem, aquelas nas quais um único reagente gera
84
os produtos, a diminuição relativa da quantidade de reagente é diretamente proporcional
ao tempo de reação, de acordo com a relação:
-dx/x = kdt (1),
onde x é a concentração do reagente, k é conhecido como constante da taxa e t é
o tempo. Como a taxa de conversão (v) do reagente nos produtos é proporcional à
concentração do reagente, obtém-se que:
v = -dx/dt = kx (2),
A constante da taxa (k), por sua vez, é controlada pela temperatura e pela natureza
do reagente, conforme expresso pela Lei de Arrhenius:
k = A e -(Ea/RT)
(3).
onde A é fator de freqüência, Ea é a energia de ativação, R é a constante universal
dos gases e T é a temperatura. O fator de freqüência, também conhecido como fator
pré-exponencial, representa a freqüência necessária de choques entre as moléculas
para gerar os produtos. Já a energia de ativação pode ser definida como o nível mínimo
de energia requerido para que o início da reação. Estas duas constantes (A e Ea)
são comumente conhecidas como parâmetros cinéticos e são característicos de cada
reagente ou reação. Substituindo (3) em (2), obtém-se a equação que permite descrever
a evolução da reação em função do tempo e da temperatura:
dx/x = A e -(E/RT)
dt (4).
Os modelos cinéticos podem ser globais ou composicionais. Os primeiros utilizam
uma série de reações para descrever a conversão do querogênio em petróleo como
um todo (Tissot  Espitalié, 1975; Tissot et al., 1987). Já os modelos composicionais
empregam séries de reações para descrever a conversão do querogênio em classes de
compostos ou mesmo compostos específicos (e.g. C1
, C2
-C5
, C6
-C15
, etc.; Espitalié et al.,
1988; Ungerer, 1990; Behar et al., 1997). No presente trabalho, utilizou-se um modelo
cinético global.
Os parâmetros cinéticos (fator de freqüência e energia de ativação) característicos das
reações envolvidas na geração do petróleo têm sido determinados através de análises
de pirólise em modalidades diversas, com sistema fechado ou aberto, com ou sem água
(e.g. Espitalié et al., 1988; Castelli et al., 1990; Schenk  Horsfield, 1993; Behar et al.,
1997; Ruble et al., 2003). Por ser mais facilmente realizada, a pirólise anidra em sistema
aberto tem sido o método analítico mais empregado na determinação dos parâmetros
cinéticos de rochas geradoras (Ungerer, 1984, 1990 e 1993; Ungerer et al., 1986; Braun
 Burnham, 1987; Burnham et al., 1987; Ungerer  Pelet, 1987; Espitalié et al., 1993).
85
Cabe ressaltar, entretanto, que esse tipo de pirólise não reproduz adequadamente as
reações que ocorrem na natureza, uma vez que o produto gerado não possui a mesma
composição do petróleo (Lewan, 1985 e 1997; Lewan  Ruble, 2002). Apesar dessa
limitação, os resultados da aplicação dos parâmetros cinéticos obtidos pela pirólise
anidra em sistema aberto conseguem reproduzir bem os dados observados em sistemas
petrolíferos, incluindo quantidades de extrato orgânico, potenciais geradores residuais,
etc. (Ungerer et al., 1990; Forbes et al., 1991; Burrus et al., 1996). Uma vez obtidos os
resultados experimentais das análises de pirólise sob diferentes taxas de aquecimento,
os parâmetros cinéticos são calculados por meio da otimização de funções matemáticas
que seguem as formulações da cinética de primeira ordem e a lei de Arrhenius. Obtém-
se deste modo uma distribuição discreta de energias de ativação associadas a um único
fator de freqüência (e.g. Tissot et al., 1987; Espitalié et al., 1993; Behar et al., 1997;
Ungerer, 1990).
Os parâmetros cinéticos de um querogênio estão diretamente relacionados à sua
composição elementar, estrutura molecular e tipos de ligações químicas, conforme pode
ser facilmente demonstrado nos três tipos padrão de querogênio (Ungerer  Pelet, 1987;
Tissot et al., 1987; Espitalié et al., 1988; Behar et al., 1997). No querogênio do tipo I
(Figura 5.27), o caráter unimodal de sua distribuição de energias de ativação (centrada
em 56 kcal/mol) reflete a relativa homogeneidade composicional e de ligações químicas
(essencialmente C-C). O querogênio do tipo II, por conter uma maior quantidade de
heteroátomos (O, S, N, etc.), possui uma maior diversidade de ligações químicas e,
conseqüentemente, uma distribuição mais ampla de energias de ativação (entre 44 e 60
kcal/mol). Sua energia de ativação principal, aquela à qual está associada a maior parte
do potencial gerador, é de 54 kcal/mol, inferior a do querogênio do tipo I (Figura 5.27). O
querogênio do tipo II-S, por sua vez, apresenta energias de ativação ainda mais baixas,
devido à presença de ligações químicas mais frágeis associadas ao enxofre orgânico.
Já no querogênio do tipo III, a existência de tipos diversos de ligações químicas e de
estruturas termicamente mais estáveis (e.g. núcleos aromáticos policíclicos), resulta em
uma distribuição de energias de ativação que, além de ampla, apresenta valores mais
altos (entre 50 e 74 kcal/mol).
As diferenças existentes entre os parâmetros cinéticos dos diferentes tipos de
querogênios podem afetar de forma dramática a evolução do processo de geração
em função do soterramento e do tempo geológico. Ao submeter os quatro tipos de
querogênios mencionados acima a uma mesma história de soterramento hipotética,
obtêm-se comportamentos bem distintos (Figura 5.27). Devido aos valores de energia
de ativação mais baixos, o querogênio do tipo II-S começa a transformar-se a uma
profundidade menor que a observada para os outros tipos. O querogênio do tipo III,
menos reativo, requer um maior soterramento para o início do processo de conversão.
Por essa razão, na base do perfil de soterramento hipotético da Figura 5.27, enquanto
86
5
4
3
2
25 50 75 1000
Taxa de Transformação
Tipo III
Tipo II
Tipo II-S
Tipo I
Profundidade(km)
200
400
600
800
300
200
100
20
0
0
40 50 60 7030
40 50 60 7030
40 50 60 7030
40 50 60 7030
0
40
60
80
Energia de Ativação
(kcal/mol)
Potencial(mgHC/gCOT)
56
54
58
200
100
0
51
Tipo I
Tipo II
Tipo II-S
Tipo III
Figura 5.27 – Histogramas mostrando as distribuições de energias de ativação dos principais tipos
de querogênio e suas respectivas curvas de conversão em função de uma história de soterramento
hipotética (adaptado de Tissot et al., 1987). O grau de conversão é descrito pelo parâmetro conhecido
como taxa de transformação, que representa a porcentagem do potencial gerador original que
foi efetivamente convertido em petróleo.
87
os querogênios dos tipos I, II e II-S já completaram o processo de conversão, com 100%
de taxa de transformação, o querogênio do tipo III ainda se encontra com uma taxa
de 85%. O querogênio do tipo I, devido à relativa homogeneidade composicional, tem
seu processo de conversão completado em uma faixa de profundidade mais estreita
(aproximadamente entre 3 e 4,5 km no caso hipotético da Figura 5.27) que a necessária
para a completa transformação dos outros querogênios. No caso do querogênio do tipo
II-S, por exemplo, o processo de conversão se inicia a cerca de 2 km e se conclui
próximo a 4,5 km de profundidade (Figura 5.27).
Apesar de usados rotineiramente nos estudos de modelagem de bacias e sistemas
petrolíferos, os parâmetros cinéticos dos querogênios padrão não são suficientes para
representar adequadamente toda a variedade composicional possível dos querogênios
presentes nas rochas sedimentares. Na verdade, são muitos os casos de rochas
geradoras de petróleo que apresentam uma grande variabilidade de comportamento
cinético, embora sejam classificadas com base em dados de pirólise como portadoras
de um único tipo de querogênio (e.g. Jarvie, 1991; Sundararaman et al., 1992; Burwood
et al., 1992; Gonçalves et al., 1994; Soldan et al., 1995). Com base na análise de um
conjunto de 71 rochas geradoras de petróleo, Tegelaar  Noble (1994) reconheceram
sete padrões de distribuição de energias de ativação com comportamentos cinéticos
independentes de sua classificação segundo o índice de hidrogênio em querogênios
dos tipos I, II e III. Estes autores sugerem que a distribuição e magnitude das energias
de ativação refletem a proporção relativa dos diferentes tipos de biomacromoléculas
preservadas durante a diagênese e o conteúdo de enxofre orgânico. Outros trabalhos
(Tissot et al., 1987; Baskin  Peters 1992; Araújo  Triguis, 1994, Tomic et al., 1995)
também demonstraram que altos conteúdos de enxofre resultam em valores de energias
de ativação mais baixos.
O processo de otimização dos resultados das análises de pirólise foi bem sucedido
em todas as amostras selecionadas da seção do Rio Bambuca. Adotando-se uma
distribuição de energias de ativação com espaçamento de 2 kcal/mol, foi possível
reproduzir fielmente as curvas de produção da pirólise (Figura 5.28). A eficiência do
processo de otimização é corroborada também pelos valores da função de erro
calculada em cada amostra a partir das diferenças quadráticas entre as curvas medidas
e calculadas. A otimização é considerada boa para valores da função de erro menores
que 0,1, satisfatória para valores situados entre 0,1 e 1,0, e insatisfatória para valores
maiores que 1,0. Nas amostras analisadas, os valores da função de erro variaram entre
0,039 e 0,708, com franco predomínio de valores menores que 0,5 (Figura 5.29). Na
tabela do Anexo 5 são reportados os valores da função de erro, fator de freqüência e a
distribuição de potenciais geradores por energia de ativação para cada amostra.
Os resultados das análises revelaram diferenças marcantes entre os parâmetros
cinéticos obtidos para a seção do Rio Bambuca, conforme ilustrado pelas amostras
88
0
10
20
30
40
NúmerodaAmostras
Faixas de Valor da Função de Erro e
Escala de Eficiência da Otimização
BOA SATISFATÓRIA INSATISFATÓRIA
 0,10 0,10 - 0,50 0,50 - 1,00  1,00
Figura 5.29 – Histograma de distribuição dos valores da função de erro calculados pelo software Optkin a
partir das diferenças quadráticas entre as curvas de produção de hidrocarbonetos medidas e calculadas nas
amostras da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia.
300 340 380 420
Curva medida (Rock-Eval 6)
Curva calculada (Optkin)
460 500 540 580 620 660
0
1
2
3
4
5
6
1°C/m
in2°C/min
5°C/min
10°C/min
15°C/min
25°C/min
GeraçãodeHC
(mgHC/gCOT/°C)
Temperatura (°C)
Figura 5.28 – Correlação entre as curvas de produção de hidrocarbonetos medidas pela pirólise Rock-Eval
6 sob taxas de aquecimento de 1, 2, 5, 10, 15 e 25°C/min e as curvas calculadas com base nos parâmetros
cinéticos determinados com auxílio do software Optkin® em uma amostra da seção do Rio Bambuca, Vale
Superior do Magdalena, Colômbia.
89
Figura 5.30 – Gráfico tridimensional mostrando variabilidade dos parâmetros cinéticos da seção do Rio
Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia. Para um conjunto de amostras representativas, apresenta-
se a distribuição dos potenciais geradores de hidrocarbonetos associados às energias de ativação e aos
fatores de freqüência (entre parênteses junto à identificação da amostra na legenda, em s-1
).
selecionadas para o gráfico da Figura 5.30. Foram obtidos fatores de freqüência entre
7,33x1012
e 8,65x1014
s-1
e variadas distribuições de energias de ativação, concentradas
principalmente na faixa entre 50 e 56 kcal/mol (Anexo 5). Visto que o comportamento
cinético do querogênio depende conjuntamente do fator de freqüência e das energias
de ativação, não é possível comparar o grau de reatividade das amostras analisadas
diretamente a partir dos parâmetros cinéticos. Eventualmente, as altas energias de
ativação de uma amostra podem ser de certa forma compensadas por um baixo fator
de freqüência ou vice-versa. Com o propósito de viabilizar tal comparação, simulou-se
o processo de conversão do querogênio usando a equação (4) e os parâmetros das
amostras analisadas. Adotou-se uma taxa de aquecimento constante de 2°C/M.a., um
valor médio representativo da história de evolução térmica da bacia do Vale Superior do
Magdalena durante o Neocretáceo e o Paleogeno (García et al., 2002).
Com o método descrito no parágrafo anterior, foram obtidas curvas de taxa de
transformação (TT) em função da temperatura para todas as amostras (Figura 5.31),
permitindo uma avaliação comparativa do grau de reatividade, isto é, a facilidade com que
90
o querogênio é degradado termicamente. O espalhamento das curvas de transformação
mostra que há diferenças significativas entre as amostras. Adotando 130ºC como valor
de referência, nota-se que enquanto algumas amostras estariam em uma fase incipiente
de conversão (TT10%), outras amostras que já teriam alcançado taxas da ordem de
60% à mesma temperatura. Por outro lado, usando uma taxa de transformação de 50%
como referência (Figura 5.31), observa-se que as amostras mais reativas atingem este
nível de conversão a 125ºC, enquanto as mais refratárias alcançam este nível somente
a 155ºC. Sob a taxa de aquecimento de 2ºC/M.a. usada na simulação, essa diferença de
30ºC representaria uma defasagem de tempo de 15 Ma.
Para efeito de comparação, simulou-se também a conversão dos querogênios dos
tipos II, II-S e III, usando os parâmetros cinéticos publicados por Burnham (1989). Cabe
recordar que, de acordo com os dados de pirólise e análise elementar, as amostras da
seção do Rio Bambuca são compostas predominantemente por querogênio do tipo II e,
secundariamente, por querogênio do tipo III (Figuras 5.6 e 5.24). Ao comparar com as
curvas de taxa de transformação obtidas para os dados publicados dos querogênios dos
tipos II e III, nota-se que a maior parte das amostras analisadas se concentra próxima
ou ligeiramente adiante do querogênio do tipo II (até 10ºC a mais de defasagem;
0
20
40
60
80
100 130°C
50 100 150 200 250 300
TaxadeTransformação(%)
Temperatura (°C)
Tipo II
Tipo II-S
Tipo III
Amostras
Rio Bambuca
50%
Figura 5.31 – Gráficos mostrando a evolução da taxa de transformação em função da temperatura
para as amostras da seção do Rio Bambuca e os querogênios dos tipos II, II-S e III. A trajetória das
curvas foi calculada com a equação (4), usando os parâmetros cinéticos do Anexo 5 para as amostras
da seção e os publicados por Burnham (1989) para os querogênios dos tipos II, II-S e III, assumindo
uma taxa de aquecimento constante de 2°C/Ma.
91
Figura 5.31). Outras amostras apresentaram um desempenho mais reativo, gerando
a temperaturas um pouco menores que as observadas para o querogênio do tipo II
(10ºC de defasagem), porém ainda distantes da curva correspondente ao tipo II-S.
Finalmente, as amostras remanescentes se mostraram bem menos reativas, com um
comportamento próximo ao de um querogênio do tipo III.
O mesmo tipo de comparação foi realizado usando como referência a refletância
da vitrinita, em vez da temperatura (Figura 5.32). Assumindo a mesma taxa de
aquecimento constante de 2ºC/min, calculou-se a evolução da refletância da vitrinita
usando as formulações do modelo proposto por Sweeney  Burnham (1990). Tomando
como referência inicial o valor de 0,6%Ro, nota-se que a diferença entre as taxas
de transformação das amostras ainda é pequena (entre 0 e 5%). Já em um grau
mais avançado de maturação (1,0%Ro), as diferenças são notáveis, com taxas de
transformação variando de 20% nas amostras mais refratárias a cerca de 93% nas
amostras mais reativas (Figura 5.32). Por outro lado, usando uma taxa de transformação
de 50% como referência, observa-se que enquanto as amostras mais reativas atingem
este nível de conversão com um valor de refletância da vitrinita de 0,75%Ro, as mais
0,0 0,5 1,0 1,5 2,0 2,5
Refletância da Vitrinita (%)
TaxadeTransformação(%)
0
20
40
60
80
100
Tipo II
Tipo III
Amostras
Rio Bambuca
0,6%Ro 1,0%Ro
50%
Figura 5.32 – Gráficos mostrando a evolução da taxa de transformação em função da refletância da vitrinita
para as amostras da seção do Rio Bambuca e os querogênios dos tipos II e III. A trajetória das curvas foi
calculada com a equação (4), usando os parâmetros cinéticos do Anexo 5 para as amostras da seção e os
publicados por Burnham (1989) para os querogênios dos tipos II e III, assumindo uma taxa de aquecimento
constante de 2°C/M.a. Foram utilizadas as formulações do modelo proposto por Sweeney  Burnham (1990)
para calcular a refletância da vitrinita.
92
refratárias alcançam esse nível somente com um grau de evolução térmica equivalente a
1,15%Ro. Na correlação com os querogênios padrão (tipos II e III), observa-se o mesmo
comportamento discutido no gráfico de TT vs. temperatura (Figura 5.31), com a maior
parte das amostras se concentrando próximo ou ligeiramente adiante do querogênio
do tipo II, algumas amostras se mostrando mais reativas que o querogênio do tipo II, e
outras mais refratárias, com um desempenho próximo ao de um querogênio do tipo III.
Visando investigar a expressão estratigráfica do comportamento cinético do
querogênio das amostras e sua correlação com a composição e origem da matéria
orgânica, adotou-se como parâmetro indicativo do grau de reatividade do querogênio a
temperatura na qual as amostras alcançam uma taxa de transformação de 50%, valor
selecionado por permitir uma boa separação entre as amostras (Figura 5.31). Para
facilitar a discussão, o parâmetro definido acima será doravante referido como “T@50”.
Desse modo, amostras com baixos valores de T@50 são mais reativas do que amostras
com altos valores de T@50. No que se refere à expressão estratigráfica deste parâmetro,
apesar da marcante variação observada nos valores de T@50 ao longo da seção do Rio
Bambuca, não existe qualquer tendência consistente ou diferenças marcantes entre as
formações (Figura 5.33).
Um conjunto de parâmetros geoquímicos indicativos da composição, origem e
natureza do querogênio foi selecionado visando entender os fatores que controlaram o
comportamento cinético das amostras analisadas. O gráfico da Figura 5.34 apresenta
os coeficientes de correlação linear entre estes parâmetros geoquímicos e o valor de
T@50. De modo geral, os coeficientes são baixos (entre -0,41 e 0,43), sugerindo que
nenhum dos indicadores geoquímicos selecionados apresenta uma correlação (negativa
ou positiva) marcante com T@50.
O teor de carbonato total é um dos indicadores que apresenta o coeficiente de
correlação mais baixo (-0,06; Figura 5.34).Ainfluência da matriz mineral sobre o processo
de geração de hidrocarbonetos tem sido motivo de controvérsia. Por um lado, existem
trabalhos que usam as diferenças encontradas entre os parâmetros cinéticos obtidos em
rocha total e no querogênio para demonstrar efeito catalítico de determinados tipos de
argilas sobre o processo de geração de hidrocarbonetos (e.g. Dembicki, 1992). Por outro
lado, outros trabalhos mostraram que em rochas com altos teores de carbono orgânico,
as diferenças entre os parâmetros cinéticos da rocha total e do querogênio são ínfimas
(e.g. Pelet, 1994; Reynolds  Burnham, 1995). Esse é o caso das amostras analisadas
na seção do Rio Bambuca, cujos teores de COT variam principalmente entre 2 e 13%,
e em apenas duas amostras é inferior a 2% (1,10 e 1,15%). O coeficiente de correlação
entre T@50 e o teor de carbonato total mostra que a composição da matriz mineral não
influenciou o grau de reatividade da matéria orgânica.
93
0
100
200
300
Albiano
Caba-
llos
Fm.Tetuan
400
500
600
700
m
CenomanianoTuron./Coniac.San.CRONO
LITO
Fm.Bambuca
GrupoVilleta
Fm.LaLuna
Olini
120 140 160
T@50 (ºC)
Figura 5.33 – Expressão estratigráfica do parâmetro T@50 para amostras tomadas ao longo da
seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia. O referido parâmetro, adotado
como indicador do grau de reatividade do querogênio, corresponde à temperatura na qual as
amostras alcançam uma taxa de transformação de 50%, considerando seus respectivos parâmetros
cinéticos e uma taxa de aquecimento de 2ºC/M.a.
94
Figura 5.34 – Gráfico de barras mostrando os coeficientes de correlação linear entre T@50 (ver definição
na legenda da figura anterior) e uma série de parâmetros geoquímicos selecionados para as amostras
analisadas na seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia
Coeficiente de Correlação
-1,0 -0,5 0,0 0,5 1,0
Carbonato (%)
M.O. Amorfa (%)
M.O. Liptinita (%)
M.O. Lenhosa (%)
H/C
N/C
S/C
O/C
Tmax (ºC)
P/F
est./(est.+hop.)
Ind. C24 tetrac.
Ind. gamacerano
Ind. C35 homohop.
Os valores absolutos mais altos encontrados para os coeficientes de correlação (0,3
e -0,3) correspondem a parâmetros geoquímicos indicativos da origem e do tipo de
matéria orgânica, a saber, teores de matéria orgânica amorfa, liptinítica e lenhosa, razão
atômica H/C, razões esteranos/(esteranos+hopanos) e pristano/fitano e o índice do C24
tetracíclico(Figura5.34).Osindicadoresdaproporçãodematériaorgânicaautóctone(teor
de matéria orgânica amorfa e razões H/C e esteranos/ (esteranos+hopanos)) mostram
uma correlação negativa, enquanto os indicadores da contribuição de matéria orgânica
alóctone (teores de liptinita e material lenhoso, razão P/F e índice do C24
tetracíclico)
possuem uma correlação positiva. Ou seja, o incremento na proporção de matéria
orgânica de origem terrestre diminui o grau de reatividade do querogênio, o que se reflete
em um aumento de T@50. Este comportamento é esperado, já que a matéria orgânica
de origem terrestre se caracteriza por conter ligações químicas e estruturas moleculares
(e.g. núcleos aromáticos policíclicos) termicamente mais estáveis. Os coeficientes de
95
correlação negativos, ainda que baixos, obtidos para os índices de gamacerano e C35
homohopanos (respectivamente -0,23 e -0,25, Figura 5.34), estão de acordo com esta
interpretação, uma vez que a ocorrência abundante destes biomarcadores na seção
analisada está associada a intervalos com baixo aporte de matéria continental.
Com a Tmax, obteve-se uma correlação igualmente baixa (0,28), porém positiva
(Figura 5.34), sugerindo que as amostras mais evoluídas termicamente são de modo geral
um pouco mais refratárias do que as amostras menos evoluídas. Jarvie (1991) e Espitalié
et al. (1993), entre outros autores, reportam a influência do grau de maturação térmica
das amostras sobre os parâmetros cinéticos. Tal influência se deve ao caráter seletivo do
processo de degradação do querogênio, que se inicia pelas frações termicamente mais
lábeis. Estas frações são degradadas progressivamente na medida em que a maturação
aumenta, deixando o querogênio, portanto, enriquecido nas frações mais refratárias.
Apesar do baixo coeficiente de correlação com a Tmax, não se pode descartar a
hipótese de que, no caso das amostras da seção do Rio Bambuca, a maturação tenha
influenciado, ainda que pouco, os parâmetros cinéticos obtidos.
Os coeficientes obtidos para os indicadores geoquímicos remanescentes (razões
atômicas N/C, S/C e O/C) são baixos (entre -0,24 e 0,10, Figura 5.34), indicando uma
baixa correlação com T@50 e, portanto, pouca influência sobre o grau de reatividade do
querogênio. O resultado é inusitado, particularmente no caso da razão S/C, considerada
por vários autores com um fator determinante no comportamento cinético da matéria
orgânica (e.g. Orr, 1986; Tissot et al., 1987; Baskin  Peters, 1992; Tegelaar  Noble,
1994). Várias das amostras analisadas possuem teores de enxofre orgânico e razões
S/C compatíveis com o querogênio do tipo II-S, reconhecido pela capacidade de gerar
petróleo precocemente (Orr, op. cit.; Baskin  Peters, op. cit.). Apesar disso, poucas
amostras da seção do Rio Bambuca se mostraram mais reativas do que o querogênio
tipo II convencional, e ainda assim, por uma pequena margem de diferença, distante do
comportamento cinético do querogênio Tipo II-S padrão (Figuras 5.31 e 5.32). Reynolds
et al. (1995) e Jarvie  Jundell (2001) encontraram resultados similares em amostras
da Formação Monterey (Califórnia, EUA). Estes autores reconheceram amostras de
querogênios que, apesar de possuir razões S/C significativamente superiores a 0,04,
apresentam comportamentos cinéticos similares aos observados em querogênios padrão
dos tipos II e mesmo III. Estes resultados sugerem que, além do conteúdo de enxofre, a
estrutura molecular e a natureza das funções que contêm este e outros heteroátomos (N
e O) devem desempenhar um papel importante na definição do comportamento cinético
da matéria orgânica. No caso da seção do Rio Bambuca, cabe ainda lembrar, que a
falta de medidas dos teores de Fe nas amostras de querogênio não permite descartar a
possibilidade de que uma parte do enxofre aqui considerado como orgânico esteja, na
verdade, associado à pirita.
96
5.7. Teores de Elementos Maiores, Menores e Traços em
Rocha Total
Há várias décadas, dados geoquímicos inorgânicos têm sido usados em estudos
ambientais, climáticos, oceanográficos e limnológicos de ambientes recentes e antigos.
A análise de variações no conteúdo e/ou nas proporções entre elementos específicos
tem servido de base para reconstruções das condições de oxigenação, estratificação
e salinidade da coluna d’água, dos níveis produtividade primária, aporte siliciclástico,
entre outros fatores (e.g. Calvert, 1976; Brumsack, 1980; Pratt, 1984; Dean  Arthur,
1989; Brumsack, 1991; Schneider et al., 1997; Algeo  Maynard, 2004; Rimmer, 2004).
Os resultados das análises geoquímicas inorgânicas realizadas em amostras de rocha
total envolvem dados de 38 elementos químicos diferentes. Um total de 224 amostras
dispõe de dados de teor de enxofre (Anexo 1), enquanto os conteúdos dos outros
elementos foram determinados em apenas 90 amostras (Anexo 6). Serão apresentados
e discutidos dados de alguns dos elementos analisados, os quais foram selecionados
por seu potencial para sinalização das condições deposicionais.
Enxofre (S)
Aconcentração deste elemento nos sedimentos e rochas sedimentares é influenciada
por processos de natureza biológica e química, sendo controlada basicamente pela
disponibilidade de enxofre, de ferro reativo e de matéria orgânica no ambiente (Goldhaber
 Kaplan, 1974; Leventhal, 1983; Berner  Raiswell, 1983). Nos ambientes marinhos
siliciclásticos, onde o suprimento de sulfato e ferro reativo em geral não constitui um
fator limitante, o teor de enxofre reflete principalmente a quantidade de pirita formada a
partir da reação entre o ferro (Fe) de origem detrital e o H2
S resultante do processo de
alteração da matéria orgânica por bactérias sulfato-redutoras, aquelas que empregam o
sulfato dissolvido na água como agente oxidante (Goldhaber  Kaplan, op. cit.). Assim, a
quantidade de H2
S gerado é diretamente proporcional à quantidade de matéria orgânica
disponível para alteração pelas bactérias. Por esse motivo, observa-se uma relação
linear entre os teores de carbono orgânico e de enxofre total, com uma razão S/C em
torno de 0,4 (Goldhaber  Kaplan, op. cit.; Leventhal, 1983).
Por outro lado, em ambientes onde a disponibilidade de sulfato e/ou de ferro constitui
um fator limitante, o comportamento é diferente. Nos ambientes lacustres de águas doces,
por exemplo, o suprimento de sulfato é restrito e, portanto, por maior que seja a quantidade
97
disponível de matéria orgânica e de ferro reativo, a formação de pirita é limitada. Como
resultado, não existe uma relação linear entre S e C nesse tipo de ambiente (Davison
et al., 1985; Davison, 1988). Já nos ambientes marinhos carbonáticos distais, onde o
aporte siliciclástico é mínimo, o suprimento de ferro reativo é que normalmente constitui
o grande fator limitante. Com a evolução do processo de sulfato-redução, produz-se
um excesso de H2
S, ocasionando condições euxínicas. O enxofre em excesso acaba
por ser incorporado na matéria orgânica através da interação com os sítios ativos das
moléculas orgânicas durante a diagênese precoce (Sinning Damsté  De Leeuw, 1990),
gerando querogênios ricos em enxofre (tipo II-S; Orr, 1986).
Foram obtidos teores de enxofre total entre 0,03 e 9,18% nas amostras da seção do
Rio Bambuca (Anexo 1). Dois intervalos se destacam por apresentar teores de enxofre
significativamente mais altos que o restante da seção. Um deles está localizado na
porção média da Formação Tetuan (em torno de 130 m), com teores de até 8,39%, e
o outro, na base da Formação La Luna, com até 9,18% de enxofre (cerca de 603 m;
Figura 5.35). Ambos intervalos possuem como característica comum a intercalação com
camadas de bentonita. Mudanças abruptas na composição litológica e geoquímica de
estratos contíguos a estas camadas de rochas de origem vulcânica têm sido reportadas
por diversos autores em seções de mesma idade no VSM e na bacia de Maracaibo (e.g.
Mongenot et al., 1996; Davis et al., 1999; Guerrero et al., 2000), devendo ser resultado
da interação química entre estas rochas de origem vulcânica e os sedimentos durante
a diagênese.
Afora os intervalos mencionados no parágrafo anterior, o restante da seção apresenta
teores de enxofre oscilando 0,03 e 2,83% (Figura 5.35). Os valores mais elevados
são encontrados na Formação Tetuan, particularmente no intervalo entre 90 e 105 m,
interpretado com sendo o registro do clímax do evento transgressivo do Eo/Mesoalbiano
e do evento oceânico anóxico 1 (ver seção 4.3). O teor médio de enxofre da Formação
Tetuan (1,45%) também é mais alto que os valores médios das formações Bambuca e
La Luna (0,68 e 1,08%, respectivamente).
Os teores de enxofre pouco variam em função dos conteúdos de carbono orgânico
total na seção do Rio Bambuca. No gráfico de teor de enxofre vs. COT (Figura 5.36), os
dados se agrupam em uma nuvem de pontos alongada, praticamente paralela ao eixo
das abscissas e cruzando a linha que representa a tendência dominante nos ambientes
marinhos siliciclásticos “normais”. O comportamento constatado nas amostras analisadas
é típico de situações em que o suprimento de sulfato ou de ferro constituíram fatores
limitantes para a incorporação do enxofre nos sedimentos, como ocorre em ambientes
lacustres de água doce e marinhos euxínicos. No caso da seção analisada, claramente
depositada sob condições marinhas, a disponibilidade de sulfato não pode ser invocada
para explicar a falta de covariância entre os teores de enxofre e carbono orgânico. Por
outro lado, o caráter distal da sedimentação e o predomínio de sedimentos carbonáticos
98
Figura 5.35 – Expressão estratigráfica dos teores de enxofre total (S) determinados em amostras tomadas
ao longo da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia.
S (%)
0
100
200
300
Albiano
Caba-
llos
Fm.Tetuan
400
500
600
700
m
CenomanianoTuron./Coniac.San.CRONO
LITO
Fm.Bambuca
GrupoVilleta
Fm.LaLuna
Olini
0 1 2
8,39%
3 4
9,18%
99
S(%)
COT (%)
0 4 8 12 16 20
0
S/C= 0,36
4
2
6
8
10
Figura 5.36 – Gráfico de teor de carbono orgânico total (COT) vs. teor de enxofre total (S) para as amostras
tomadas ao longo da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia. A linha vermelha
tracejada representa a relação S/COT = 0,36, encontrada em ambientes marinhos siliciclásticos normais
(Berner  Raiswell, 1984)
justificam a carência de ferro reativo no ambiente deposicional dos estratos da seção
do Rio Bambuca. Os altos teores de enxofre orgânico encontrado nas amostras
de querogênio analisadas (Anexo 4 e Figuras 5.23 e 5.24) são coerentes com esta
interpretação, pois indicam que havia um “excesso” de enxofre disponível para reagir
com os sítios ativos das moléculas orgânicas e ser incorporado na matéria orgânica.
Alumínio (Al) e Titânio (Ti)
Estes dois elementos, juntamente com outros como o zircônio (Zr), potássio, (K),
rubídio (Rb) e escândio (Sc), são usualmente empregados como indicadores geoquímicos
do componente detrítico em sedimentos e rochas sedimentares (Saito et al., 1992;
Brumsack, 1991; Algeo  Maynard, 2004; Rimmer, 2004). Na seção do Rio Bambuca,
embora com diferentes magnitudes e amplitudes de variação (Tabela 5.7), estes
elementos apresentam de modo geral uma boa correlação (coeficientes de correlação
entre -0,4 e 0,9; Tabela 5.8). Também é boa a correlação com outros elementos de
afinidade detrítica, tais como ferro (Fe), nióbio (Nb) e gálio (Ga).
100
Elemento Símbolo Número de
Amostras
Média Mínimo Máximo Desvio Padrão
Potássio K 90 3327,21 1,01 9773,00 3355,66
Magnésio Mg 90 1751,99 1,33 3923,00 866,73
Titânio Ti 90 1467,79 109,00 4121,00 921,40
Ferro Fe 90 1011,92 1,06 9248,00 2692,31
Sódio Na 90 995,47 105,00 5431,00 915,74
Alumínio Al 90 437,04 1,14 7259,00 1525,16
Vanádio V 89 366,29 7,10 1698,00 338,99
Estrôncio Sr 90 347,57 20,10 960,00 211,70
Cálcio Ca 88 200,92 1,12 8113,00 1049,06
Bário Ba 90 119,27 11,40 522,00 79,68
Zinco Zn 90 97,06 1,55 1122,00 151,14
Manganês Mn 90 72,01 3,70 1493,00 156,69
Níquel Ni 90 67,78 1,60 335,00 57,48
Estanho Sn 89 63,43 9,20 210,00 43,69
Cromo Cr 89 61,92 4,30 780,00 88,49
Zircônio Zr 90 49,81 5,20 217,00 34,40
Fósforo P 89 45,53 7,00 453,00 69,48
Rubídio Rb 90 43,87 1,60 128,00 27,33
Molibdênio Mo 87 41,32 0,60 174,00 38,33
Cério Ce 90 37,71 3,39 106,00 24,39
Lantânio La 89 24,50 2,20 470,00 49,91
Ítrio Y 89 16,36 2,30 83,50 12,48
Neodímio Nd 89 16,04 1,45 44,00 10,18
Cobre Cu 90 15,13 1,69 50,60 10,33
Gálio Ga 89 14,55 0,97 35,80 9,15
Silício Si 87 12,11 1,00 33,00 5,36
Cobalto Co 89 9,30 0,70 32,70 5,11
Chumbo Pb 90 9,03 1,00 39,30 5,98
Tório Th 88 8,90 0,60 27,00 6,29
Urânio U 84 8,59 0,60 37,50 6,66
Escândio Sc 89 6,74 0,89 17,30 3,37
Cádmio Cd 73 6,58 0,38 64,00 9,89
Nióbio Nb 87 6,24 0,50 15,40 3,89
Praseodímio Pr 88 4,97 0,50 22,00 3,47
Tálio Tl 78 3,06 0,40 17,30 2,51
Samário Sm 85 3,04 0,30 8,60 1,88
Disprósio Dy 83 2,43 0,50 6,70 1,42
Tabela 5.7 – Resumo estatístico das concentrações (em ppm) de elementos maiores, menores e
traços em amostras de rocha total da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia.
Os elementos estão listados em ordem decrescente pelo valor médio da concentração.
101
Por ocorrer geralmente em maiores concentrações, o Al, dentre os elementos
mencionados no parágrafo anterior, é o mais usado na caracterização de variações
no aporte terrígeno no ambiente deposicional. No caso da seção do Rio Bambuca,
entretanto, esse elemento apresenta um comportamento insólito, com sete amostras
mostrando concentrações entre 3500 e 7500ppm, e o restante (83 amostras) com
valores inferiores a 17ppm. As amostras com concentrações anomalamente altas estão
distribuídas da seguinte forma: uma no topo da Formação Caballos, outra na porção
média da Formação Tetuan (135 m), e o restante na Formação La Luna. À exceção
da amostra da Formação Caballos, para a qual poderia ser invocada a influência de
alguma fonte detrítica, as outras amostras estão posicionadas em intervalos compostos
por carbonatos pelágicos ou folhelhos calcíferos, onde o aporte terrígeno é mínimo.
Embora sejam utilizadas rotineiramente como um indicador de aporte detrítico,
variações na concentração do alumínio também podem refletir os níveis de
produtividade primária em ambientes deposicionais dominados por atividade biogênica
(Murray  Leinen, 1996). No caso da seção do Rio Bambuca, a falta de correlação
entre altas concentrações de Al e teores elevados de outros elementos indicadores de
produtividade orgânica, tais como fósforo e bário, sugere que a atividade biogênica não
é a responsável pelos teores anômalos de Al. Por outro lado, cabe ressaltar pelo menos
dois dos intervalos com anomalias de concentração de Al, na porção média da Formação
Tetuan e na base da Formação La Luna, estão visivelmente associadas a níveis de
ocorrência de bentonitas. Esse tipo de associação, também observado em afloramentos
do Cretáceo Superior na Venezuela (Erlich et al., 1999; Davis et al., 1999), deve-se
provavelmente às altas concentrações de Al normalmente encontradas em materiais
de origem vulcanoclástica (Schultz et al., 1980). Tendo em vista as evidências de que a
atividade vulcânica prosseguiu por grande parte do Neocretáceo na região do Vale do
Magdalena e cordilheira Oriental (Villamil, 1998; Guerrero et al., 2000), é provável que
as amostras remanescentes da Formação La Luna com teores anômalos de Al estejam
relacionadas a níveis finos e isolados de sedimentos vulcanoclásticos, não identificados
no levantamento de campo.
As concentrações de titânio, por sua vez, apresentam uma distribuição normal, com
teoresvariandoentre109e4121ppmeumvalormédiode1467,79ppm(Tabela5.7).Nota-
se uma tendência geral de decréscimo dos teores da base para o topo da seção (Figura
5.37), coerente com o aumento na proporção de sedimentos carbonáticos observada
no mesmo sentido (Figura 4.2). Por representar o padrão geral de variação do aporte
siliciclástico da seção, sem os problemas mostrados pelo Al, o titânio foi selecionado
para servir como indicador da contribuição detrítica na seção do Rio Bambuca.
102
Bário (Ba), Fósforo (P) e Silício (Si)
Bário, fósforo e silício são elementos freqüentemente usados como indicadores
dos níveis de produtividade primária do ambiente deposicional (Glenn  Arthur, 1985;
Dymond et al., 1992; Gingele et al., 1999). Na seção do Rio Bambuca, estes elementos
apresentam comportamentos distintos, não havendo uma correlação significativa entre
os mesmos (Tabelas 5.7 e 5.8).
O silício apresenta teores flutuando principalmente entre 5 e 15%, à exceção de
dois intervalos com teores superiores a 30% localizados justamente na base (Formação
Caballos) e no topo (Grupo Olini) da seção analisada (Anexo 6). Com o propósito de
destacar as variações no conteúdo de Si que independem do aporte siliciclástico,
calculou-se a razão Si/Ti, cujo perfil de variação ao longo da coluna estratigráfica é
apresentado na Figura 5.37. Os valores obtidos para esta razão são muito baixos em
toda a coluna (0,05), com exceção de uma amostra analisada no Grupo Olini, cujo valor
é 0,30. Como discutido no Capítulo 3, o Grupo Olini caracteriza-se litologicamente pelo
predomínio de cherts interpretado como sendo produto de episódios de ressurgência
(Villamil et al., 1999; ver Capítulo 4). O alto valor da razão Si/Ti obtido na amostra do
Grupo Olini corrobora essa interpretação, sugerindo uma origem biogênica para o
silício nesta unidade. No restante da seção, e particularmente na Formação Caballos,
variações na concentração de Si estão vinculadas principalmente a alterações no aporte
terrígeno.
Tendo em vista as limitações do uso do bário em ambientes marinhos carbonáticos
distais para a reconstrução dos níveis de paleoprodutividade primária (Gingele et al.,
1999), restringiu-se a investigação desse tema à análise das variações do conteúdo
de fósforo na seção do Rio Bambuca. Novamente, normalizou-se a concentração
do elemento analisado pela concentração de titânio para eliminar o efeito do aporte
terrígeno. Na maior parte da seção, a razão fósforo/titânio (P/Ti) varia entre 0,01 e 0,05
(Figura 5.37), à exceção de alguns níveis isolados com razões expressivamente mais
elevadas (0,2). O primeiro destes níveis, com razão P/Ti de 0,37, está posicionado na
base do Grupo Olini (a 707m), no mesmo intervalo onde também se observa o pico da
razão Si/Ti, indicando a prevalência de condições ambientais favoráveis ao aumento da
produtividade de organismos silicosos. Nos demais intervalos (aproximadamente a 83,
125, 410 m), os picos de P/Ti não encontram correspondência no perfil de Si/Ti (Figura
5.37), sendo interpretados como produto de episódios de incremento da produtividade
primária de organismos não-silicosos (carbonáticos ou de parede orgânica).
Tabela 5.8 – Matriz de correlação entre os elementos maiores, menores e traços determinados
em amostras de rocha total da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia.
Os números ressaltados em vermelho correspondem aos coeficientes de correlação com valores
absolutos superiores a 0,4 (página seguinte).
103
104
Figura 5.37 – Expressão estratigráfica da concentração de titânio (Ti), e das razões silício/
titânio (Si/Ti) e fósforo/titânio (P/Si) em amostras de rocha total da seção do Rio Bambuca,
Vale Superior do Magdalena, Colômbia.
0 42 0 4020 0,0 0,40,2
0
100
200
300
Albiano
Caba-
llos
Fm.Tetuan
400
500
600
700
m
CenomanianoTuron./Coniac.San.CRONO
LITO
Fm.Bambuca
GrupoVilleta
Fm.LaLuna
Olini
Ti
(*1000 ppm)
Si / Ti
(*100)
P / Ti
105
Urânio (U), Cobre (Cu) e Molibdênio (Mo)
Certos elementos traços são particularmente sensíveis às condições redox do
ambiente de sedimentação. Sob condições euxínicas, metais como o urânio (U),
molibdênio (Mo) e vanádio (V) migram por difusão, sendo fixados nos sedimentos como
sulfetos, no caso do Mo, ou ligados à matéria orgânica em sua forma reduzida, no caso
do U e V (Lewan  Maynard, 1982; Van der Weijden, 1993; Arthur  Sageman, 1994).
Outros metais como cromo (Cr) níquel (Ni), cobalto (Co), cobre (Cu) e zinco (Zn) também
têm sua fixação nos sedimentos fortemente controlada pelas condições redox. Altas
concentrações de todos os elementos mencionados são comumente encontradas em
folhelhos negros de diversas bacias sedimentares e idades distintas (e.g. Davis et al.,
1999; Piper  Perkins, 2004; Rimmer, 2004).
Na seção do Rio Bambuca, apesar das diferenças nas magnitudes e amplitudes de
variação (Tabela 5.7), estes elementos apresentam de modo geral uma boa correlação,
com valores absolutos de coeficientes de correlação geralmente entre 0,5 e 0,8 (Tabela
5.8). U, Cu e Mo foram selecionados para representar o comportamento da maioria dos
elementos traços ao longo da seção analisada. Tendo em vista que a disponibilidade
destes elementos no corpo d’água também é afetada pelo aporte terrígeno, procedeu-se
novamente à normalização pela concentração de titânio, obtendo-se perfis de variação
das razões U/Ti, Cu/Ti e Mo/Ti (Figura 5.38).
Os perfis das três razões apresentam padrões de variação similares, caracterizados
por altos valores em grande parte da Formação La Luna, e valores significativamente
mais baixos nas formações Tetuan e Bambuca, à exceção de alguns níveis com valores
moderados a altos em alguns intervalos da Formação Tetuan (a cerca de 83, 125 e 140m;
Figura 5.38). Embora outros parâmetros geoquímicos e sedimentológicos indiquem que,
na realidade, grande parte da seção analisada depositou-se sob condições disóxicas-
anóxicas, os resultados dessas análises mostram que os intervalos mencionados acima,
em especial, foram submetidos a condições extremamente redutoras, propiciando a
acumulação de altas concentrações de elementos traços e matéria orgânica rica em
hidrogênio (comparar com perfis das Figuras 5.1 e 5.5).
106
Figura 5.38 – Expressão estratigráfica das razões urânio/titânio (U/Ti), cobre/titânio (Cu/
Ti) e molibdênio/titânio (Mo/Ti) em amostras de rocha total da seção do Rio Bambuca,
Vale Superior do Magdalena, Colômbia.
0
100
200
300
Albiano
Caba-
llos
Fm.Tetuan
400
500
600
700
m
CenomanianoTuron./Coniac.San.CRONO
LITO
Fm.Bambuca
GrupoVilleta
Fm.LaLuna
Olini
0 840 0,030,020,01 0 0,30,15
Cu / TiU / Ti Mo / Ti
107
6. Análise Quimioestratigráfica das Rochas Geradoras
6.1. Reconstrução Paleoambiental
A sucessão litológica encontrada na seção do Rio Bambuca, dominada por folhelhos
e carbonatos pelágicos de coloração escura e laminados, é, por si só, indicativa de
condições deposicionais preponderantemente distais e/ou estagnadas e com uma
pronunciada deficiência de oxigênio livre na coluna d’água (ambiente redutor). Outrossim,
diversas evidências geoquímicas corroboram esta interpretação, tais como elevados
valores de índice de hidrogênio e altos teores de carbono orgânico, de enxofre total e de
vários elementos traços (e.g. urânio, vanádio, níquel, cobalto e cobre). Apesar de correta
desde um ponto de vista mais amplo, esta interpretação não retrata o quadro evolutivo
da coluna estratigráfica analisada. Variações importantes foram observadas em todos os
parâmetros mencionados acima e em outros dados geoquímicos ao longo da seção do
Rio Bambuca (Figuras 5.1, 5.5, 5.17, 5.19, 5.20, 5.23, 5.35, 5.37 e 5.38), indicando que
ocorreram flutuações nas condições paleoambientais.
Com o propósito de integrar os resultados obtidos e reduzir a dimensão da matriz de
dados geoquímicos, facilitando sua interpretação, realizou-se uma análise fatorial dos
dados usando o software Statistica®. Iniciou-se com uma matriz de dados composta por
90 amostras e 59 parâmetros distintos, incluindo dados de geoquímica orgânica (Anexos
1 a 3) e inorgânica (Anexo 6). Aplicando-se a metodologia descrita no capítulo 2.4,
foram obtidos vinte e nove fatores, dos quais somente seis apresentaram autovalores
(eigenvalues) maiores que um (1), o que demonstra ser significativa a variância descrita
por eles. Para a interpretação, foram selecionados os três fatores que explicaram a
maior parte (74%) da variância total, abarcando um total de 24 parâmetros geoquímicos.
A Tabela 6.1 lista os parâmetros associados a cada fator e suas respectivas cargas
fatoriais, as quais representam o grau de correlação entre a variável e seu respectivo
fator.
No Fator 1, estão incluídos parâmetros de origem orgânica e inorgânica: teores de
molibdênio, vanádio, urânio, cobre, níquel, carbono orgânico total, zinco, cromo e fósforo,
e índice de hidrogênio (Tabela 6.1). Tais parâmetros, apesar da origem diversa, têm em
comum uma forte dependência das condições redox do ambiente deposicional (Lewan
 Maynard, 1982; Van der Weijden, 1993; Arthur  Sageman, 1994; Davis et al., 1999;
Piper  Perkins, 2004; Rimmer, 2004). Ambientes redutores (anóxicos ou euxínicos)
108
Parâmetros Geoquímicos Cargas Fatoriais
Fator 1 Fator 2 Fator 3
Teor de Molibdênio 0,916
Teor de Vanádio 0,905
Teor de Urânio 0,861
Teor de Cobre 0,821
Teor de Níquel 0,818
Teor de Carbono Orgânico Total 0,775
Teor de Zinco 0,681
Teor de Cromo 0,576
Teor de Fósforo 0,555
Índice de Hidrogênio 0,427
Índice de C35 Homohopano 0,883
C27/(C27+C29) Esteranos -0,879
Esteranos/(Esteranos+Hopanos) 0,826
Índice de Gamacerano 0,822
Pristano/Fitano -0,756
Índice de Bisnorhopano 0,710
C29/(C27+C29) Esteranos 0,583
Teor de Nióbio 0,925
Teor de Tório 0,899
Teor de Rubídio 0,888
Teor de Titânio 0,803
Teor de Chumbo 0,794
Teor de Carbonato Total -0,613
Teor de Escândio 0,624
Tabela 6.1 – Resultados da análise fatorial de matriz de dados com 90 amostras e 59 parâmetros
geoquímicos da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia. Apresentam-se os
parâmetros associados aos três fatores que explicaram a maior parte da variância observada na
matriz de dados, e suas respectivas cargas fatoriais.
caracterizam-se por altas concentrações dos elementos mencionados acima e por altos
valores de índice de hidrogênio, enquanto ambientes oxidantes são marcados por um
comportamento inverso. As cargas fatoriais de todos os parâmetros que compõem o
Fator 1 são positivas, o que significa que altos valores do fator correspondem a altos
valores de todos esses parâmetros e vice-versa.
O Fator 2, por sua vez, reúne apenas parâmetros geoquímicos orgânicos, os índices
de C35
homohopano, gamacerano e bisnorhopano, e as razões pristano/fitano, esteranos/
(esteranos+hopanos), e C27
/(C27
+C29
) e C29
/(C27
+C29
) esteranos (Tabela 6.1). As razões
pristano/fitano e C27
/(C27
+C29
) esteranos possuem cargas fatoriais com sinais negativos,
contrários aos das outras variáveis. Conforme já discutido no capítulo 5.4, o aumento dos
índices de C35
homohopano, gamacerano e bisnorhopano associados a uma redução da
109
razão pristano/fitano é indicativa de condições anóxicas, forte estratificação e/ou alta
salinidade da coluna d’água (Didyk et al., 1978; Katz  Elrod, 1983; Mello et al., 1988
e 1989; ten Haven et al., 1989; Sinninghe Damsté et al., 1995; Peters  Moldowan,
1993).
Finalmente, o Fator 3, engloba somente parâmetros geoquímicos inorgânicos,
incluindo os teores de nióbio, tório, rubídio, titânio, chumbo, escândio, todos com cargas
fatoriais positivas, e de carbonato total, com carga negativa (Tabela 6.1). Este fator,
portanto, é um indicador da proporção relativa entre o aporte siliciclástico argiloso,
principal fonte dos elementos citados (Saito et al., 1992; Brumsack, 1991; Algeo 
Maynard, 2004; Rimmer, 2004), e a produção carbonática no sítio deposicional.
Na Figura 6.1, pode-se verificar de que forma cada um dos fatores acima mencionados
varia ao longo da seção do rio Bambuca. No caso do Fator 1, interpretado como indicador
das condições redox do ambiente de deposição, os valores flutuam entre -1,0 e 1,0 na
maior parta da seção. Quatro intervalos, entretanto, se destacam por apresentar valores
significativamente mais altos (em torno de 3,0). No contexto da análise fatorial, tais
intervalos (destacados em cinza na Figura 6.1) são aqueles onde variáveis que constituem
o fator 1 (Tabela 6.1) apresentam seus maiores valores. Tendo em vista que praticamente
toda a seção do rio Bambuca apresenta características sedimentológicas e geoquímicas
indicativas de condições anóxicas, é possível que esses intervalos correspondam a
períodos de condições extraordinariamente redutoras. Esta interpretação, em conjunto
com a posição estratigráfica dos intervalos, sugere que os mesmos possam consistir no
registro sedimentar dos grandes eventos anóxicos oceânicos (OAE’s) na bacia do Vale
do Magdalena.
Os eventos anóxicos oceânicos (Oceanic Anoxic Events; Schlanger  Jenkyns,
1976; Arthur et al., 1990) consistem em episódios globais de deposição de sedimentos
excepcionalmente ricos em matéria orgânica em ambientes que variam de plataformais
a marinhos profundos. Os eventos anóxicos mais importantes e de distribuição
geográfica mais ampla se deram durante o Cretáceo (Arthur et al., 1990), no Aptiano
(OAE1a), no limite Aptiano/Albiano (OAE1b), no início do Neo-albiano (OAE1c), no
final do Albiano (OAE1d) e nos limites Cenomaniano/Turoniano (OAE2) e Coniaciano/
Santoniano (OAE3). Nestes períodos, os oceanos passaram por profundas mudanças
físico-químicas e biológicas (redução do nível de oxigenação, aumento da produtividade
primária, eventos de mortandade, etc.), conforme evidenciado por dados geoquímicos,
isotópicos e micropaleontológicos (e.g. Jones  Jenkyns, 2001; Poulsen et al., 2001). A
gênese e a evolução desses episódios anóxicos globais é ainda motivo de controvérsia.
Mudanças paleoclimáticas e paleogeográficas, incremento da taxa de espalhamento do
fundo oceânico, aumento da atividade vulcânica, e variações relativas do nível do mar,
entre outros fatores, têm sido invocados, em conjunto ou isoladamente, para explicar
a origem e o desenvolvimento dos eventos anóxicos oceânicos globais (Arthur et al.,
110
0
100
200
300
Albiano
Caba-
llos
Fm.Tetuan
400
500
600
700
m
CenomanianoTuron./Coniac.San.CRONO
LITO
Fm.Bambuca
GrupoVilleta
Fm.LaLuna
Olini
-2 -1 0 1 2 3 4 -2 -1 0 1 2 3 -2 -1 0 1 2 3
Fator 1 Fator 2 Fator 3
ANOXIA
ANOXIA?/ESTRA-
TIFICAÇÃO DA
COL. D'ÁGUA?
SILICILÁSTICO
CARBONÁTICO
OAE 1b
OAE 1c
OAE 1d
OAE 2
OAE 3
Figura 6.1 – Expressão estratigráfica dos três fatores que explicaram a maior parte da variância observada
na matriz de dados geoquímicos da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia. As
siglas OAE se referem aos eventos anóxicos oceânicos, inferidos com base na correlação com o arcabouço
cronoestratigráfico adotado (ver explicação no texto).
111
1990; Kerr, 1998; Larson  Erba, 1999; Sinton  Duncan, 1997; Jones  Jenkyns, 2001;
Poulsen et al., 2001).
No caso da seção do Rio Bambuca, com base no arcabouço cronoestratigráfico
adotado, os três intervalos com altos valores do fator 1 encontrados na Formação Tetuan
(Figura 6.1), podem ser correlacionados, da base para o topo, aos eventos anóxicos
OAE1b, OAE1c e OAE1d. Já os intervalos anômalos encontrados na base e no topo
da Formação La Luna, podem ser relacionados, aos eventos anóxicos OAE2 e OAE3,
respectivamente. É importante lembrar que, conforme discutido acima, evidências
sedimentológicas e geoquímicas mostram que as condições redutoras não estiveram
limitadas às fases de anoxia global. A posição distal da seção estudada, próxima à
barreira fisiográfica que separava a bacia de retro-arco cretácica do antigo oceano
Pacífico (Figuras 3.2 e 3.2 e capítulo 3), pode ter contribuído de modo determinante
para o desenvolvimento de condições de estagnação da coluna d’água e a conseqüente
redução dos níveis de oxigenação de fundo. Sob estas condições, a preservação da
matéria orgânica seguramente representou um fator decisivo na formação dos intervalos
ricos em matéria orgânica e alto potencial gerador de hidrocarbonetos.
O Fator 2, por sua vez, mostra um comportamento diverso, com valores baixos e
relativamente uniformes ao longo das formações Caballos, Tetuan e Bambuca, e valores
notadamentealtosnaFormaçãoLaLuna(Figura6.1).Emborasejaprodutodeumconjunto
de parâmetros geoquímicos (Tabela 6.1) considerados indicadores principalmente do
grau de anoxia, este fator não apresenta um comportamento condizente com esta linha
de interpretação, uma vez que as condições anóxicas e/ou euxínicas certamente não
estiveram restritas somente à Formação La Luna. A presença do índice de gamacerano
entre esses parâmetros pode indicar que o fator 2 esteja refletindo também variações
de salinidade e/ou do grau de estratificação da coluna d’água (ten Haven et al., 1989;
Sinninghe Damsté et al., 1995). O índice de bisnorhopano, considerado um indicador
de condições redutoras (Katz  Elrod, 1983; Mello et al., 1989), também faz parte do
conjuntodesseconjuntodevariáveis.Opadrãodeocorrênciadessecomposto,entretanto,
sugere que seus precursores estejam relacionados a uma população bacteriana ainda
desconhecida, que se prolifera sob condições ambientais bastante específicas (Peters
 Moldowan, 1993).
Desse modo, por falta de informações e dados que permitam sustentar uma
interpretação mais consistente, dificilmente pode-se relacionar o fator 2 de forma direta
a algum parâmetro ambiental específico. De qualquer forma, as variações apresentadas
por esse fator ao longo da seção analisada (Figura 6.1) indicam que a deposição da
Formação La Luna se deu sob condições significativamente diferentes daquelas que
controlaram a sedimentação do restante do Grupo Villeta. Tal comportamento pode dever-
se, pelo menos em parte, à intensa atividade vulcânica iniciada no limite Cenomaniano/
Turoniano e resultante do desenvolvimento do arco magmático situado a oeste da
112
área de estudo (Figura 3.3) e da Província Ígnea do Caribe, mais a norte (Sinton et al.,
1998). A atividade vulcânica submarina e o hidrotermalismo a ela associado provocam
mudanças marcantes no quimismo da água do mar (Sinton  Duncan, 1997), as quais
podem ter levado ao desenvolvimento de um paleoambiente ímpar durante a deposição
da Formação La Luna.
O fator 3 apresenta um comportamento bastante heterogêneo ao longo da seção do
Rio Bambuca (Figura 6.1). Inicialmente, observa-se um claro aumento dos valores, de
cerca de -1 na base da seção, até aproximadamente 2, na porção inferior da Formação
Tetuan, provavelmente associado à transição de arenitos a folhelhos que ocorre no
mesmo intervalo.Apartir desse ponto da coluna, os valores flutuam de forma sistemática,
em grande parte como reflexo da alternância de folhelhos e carbonatos, característica de
grande parte do Grupo Villeta e que evidenciam o caráter cíclico da sedimentação. Em
outras seções de afloramento do VSM, Villamil (1996 e 1998) reconheceu a existência
de ciclos deposicionais e geoquímicos de baixa e alta freqüência atribuídos a variações
climáticas (climas secos vs. úmidos) relacionadas às oscilações orbitais de Milankovitch.
Durante os períodos secos, a redução na precipitação e, conseqüentemente, no
escoamento superficial favoreceriam a circulação oceânica e a produção de fitoplâncton
calcífero, enquanto nas fases de clima úmido a elevação do escoamento superficial
propiciaria o aumento do aporte de clásticos e da turbidez da águas, reduzindo a
produção de carbonato pelágico.
6.2. Controle Estratigráfico da Variabilidade Composicional
das Rochas Geradoras
Os resultados das diversas análises realizadas na seção do Rio Bambuca revelaram
um significativo grau de variabilidade geoquímica nas rochas potencialmente geradoras
do Grupo Villeta. Com o propósito de integrar os resultados obtidos e reduzir a dimensão
da matriz de parâmetros geoquímicos orgânicos, facilitando sua interpretação e
integração com o arcabouço estratigráfico, fez-se uso do conceito de fácies orgânicas,
termo utilizado normalmente para se referir a um pacote de rochas sedimentares que
apresenta determinadas características geoquímicas que o distinguem de outros pacotes
sedimentares (Jones, 1987; Curiale  Lin, 1991; Fang et al., 1993). Neste trabalho,
foram empregadas duas abordagens distintas para o reconhecimento e distinção de
fácies orgânicas. Em primeiro lugar, empregou-se a classificação proposta por Jones
(1987), com base em dados de análises visuais do querogênio e pirólise Rock-Eval.
Posteriormente, procurou-se diferenciar grupos de amostras com características
moleculares distintas por meio de técnicas de análise estatística multivariada.
113
Utilizando a natureza da matéria orgânica e os dados de índice de hidrogênio como critério
de diferenciação, Jones (1987) propõe uma classificação que contempla a existência
de sete tipos diferentes de fácies orgânicas (Tabela 6.2). Ao aplicar esta classificação
na seção do Rio Bambuca, verifica-se um forte predomínio da fácies orgânica B entre
as amostras analisadas. Secundariamente, também ocorrem amostras de rochas com
características das fácies BC, AB e C (Figura 6.2). Segundo Jones (1987), as fácies
AB e B estão geralmente relacionadas a rochas ou sedimentos cuja matéria orgânica
provém de biomassa de origem algálica e/ou bacteriana depositada sob condições
anóxicas. A fácies BC é produto da mistura de matéria orgânica algálica, parcialmente
degradada sob condições disóxicas, com material terrestre. Já a fácies C ocorre em
rochas depositadas sob condições óxicas a disóxicas com abundante matéria orgânica
terrestre. A sucessão estratigráfica dos tipos de fácies identificados na seção do Rio
Bambuca (Figura 6.2) mostra uma tendência geral de substituição de fácies orgânicas
derivadas de ambientes mais oxidantes e/ou com maior contribuição terrestre (C e
BC) presentes na Formação Caballos e na base da Formação Tetuan, por fácies mais
anóxicas e ricas em biomassa autóctone (B) na porção média da Formação Tetuan. A
partir da porção superior da Formação Tetuan e ao longo de toda a Formação Bambuca,
a fácies B, embora predominante, se encontra freqüentemente intercalada com níveis de
fácies BC e C (e.g. a 180-250m e 530m, Figura 6.2). Finalmente, na Formação La Luna,
a fácies B predomina amplamente, com incursões esporádicas das fácies BC e AB.
Conforme foi discutido e apresentado no Capítulo 5.4, a composição molecular do
betume extraído das rochas sedimentares reflete as condições paleoambientais e a
natureza da biomassa acumulada e preservada no sítio deposicional. Logo, o padrão de
ocorrência e distribuição dos marcadores biológicos também pode servir de base para
definição de fácies orgânicas. Com o propósito de reconhecer e diferenciar pacotes de
rochas sedimentares com características moleculares distintas, aplicou-se a técnica de
análise estatística multivariada denominada análise de grupamento (Cluster Analysis)
Fácies Orgânica I H (mgHC/gCOT) Tipo de matéria orgânica predominante
A 850 Amorfa
AB 650-850 Amorfa (alguma terrestre)
B 400-650 Amorfa (terrestre freqüente)
BC 250-400 Mistura (alguma oxidação)
C 125-250 Terrestre (alguma oxidação)
CD 50-125 Oxidada, retrabalhada
D 50 Muito Oxidada e retrabalhada
Tabela 6.2 – Classificação de fácies orgânica baseada nos dados de pirólise Rock-Eval e em análises
visuais do querogênio (modificado de Jones, 1987).
114
Figura 6.2 – Distribuição de fácies orgânicas ao longo da seção do rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena,
Colômbia. A coluna na esquerda mostra as fácies orgânicas definidas com base em dados de pirólise e
petrografia orgânica (AB, B, BC e C) segundo a classificação de Jones (1987). A coluna na direita mostra
as fácies organo-moleculares determinadas a partir de dados de biomarcadores (MA= marinha carbonática
anóxica, MC= marinha carbonática, MS= marinha siliciclástica, MT= marinha transicional; consultar texto
para definição).
AB B BC C MA MC MS MT
Fácies Orgânicas
Fácies Organo-
Moleculares
0
100
200
300
Albiano
Caba-
llos
Fm.Tetuan
400
500
600
700
m CenomanianoTuron./Coniac.San.CRONO
LITO
Fm.Bambuca
GrupoVilleta
Fm.LaLuna
Olini
115
sobre um conjunto de 18 parâmetros de biomarcadores indicativos de origem (tipo de
matéria orgânica e ambiente deposicional) das 92 amostras submetidas às análises de
CG e CG-EM (Anexo 3). Nesta análise, conduzida com o auxílio do software Statistica®
(ver metodologia no capítulo 2.4), obteve-se um dendograma no qual é possível distinguir
uma série de grupos e subgrupos de amostras (Figura 6.3). Adotando-se uma distância
de corte igual ou maior a três, podem ser facilmente reconhecidos quatro grandes grupos
de amostras com características moleculares distintas (grupos rotulados como 1, 2, 3 e
4; Figura 6.3).
Cada um dos grupos diferenciados na análise estatística compreende uma série
de amostras de rocha que apresentam um conjunto de feições de biomarcadores
característico e distinto do conjunto de feições dos outros grupos. Propõe-se o uso
do termo “fácies organo-molecular” para se referir a esses pacotes sedimentares com
um conjunto de feições de biomarcadores característico e distintivo. Para facilitar a
interpretação do significado genético e a comparação entre estes grupos, ou fácies
organo-moleculares, são apresentados cromatogramas gasosos e de massas (m/z 191 e
217) de amostras representativas de cada grupo na Figura 6.4. Com o mesmo propósito,
foram calculados valores médios para os parâmetros de biomarcadores usados na
análise de agrupamento (Tabela 6.3).
A fácies organo-molecular representada pelo grupo 1 (Figura 6.3) caracteriza-se
pelo predomínio de fitano sobre pristano (P/F  1,0), abundância relativamente alta de
esteranos, baixos índices de diasteranos, abundância moderada a alta de C29
esteranos
em relação a seus equivalentes em C27
e C28
, e índices de Bisnorhopano, Gamacerano
e C35
homohopanos notadamente altos (Figura 6.4 e Tabela 6.3). Estas características
indicam que esta fácies depositou-se em um ambiente marinho carbonático com baixo
aporte siliciclástico, sob condições de coluna d’água estratificada e anóxica/euxínica,
contribuição restrita de matéria orgânica terrestre e predomínio de biomassa algálica
sobre a bacteriana (Palacas et al., 1984; Zumberge, 1984; Mello et al., 1988; 1989 e
1995).
A fácies organo-molecular do grupo 2 (Figura 6.3) engloba um número reduzido de
amostras, caracterizadas por baixas razões esteranos/esteranos+hopanos, abundâncias
relativamente altas de C31
homohopanos e C29
esteranos, razões Ts/Ts+Tm muito baixas,
presença conspícua de um terpano desconhecido que elui pouco antes do Tm, e valores
notadamente altos da razão P/F e do índice de C24
tetracíclico (Figura 6.4 e Tabela 6.3).
Tais características são claramente distintas das apresentadas pelo grupo anterior e
indicam que esta fácies depositou-se em um ambiente marinho óxico/disóxico proximal
(costeiro?) com forte aporte de vegetais superiores (Philp  Gilbert, 1986; Abdullah et al.,
1988; Mello et al., 1988; Isaksen, 1995).
116
Figura 6.3 – Dendograma resultante da análise de agrupamento de um conjunto 18 de parâmetros de
biomarcadores indicadores de origem (tipo de matéria orgânica e ambiente deposicional) da fração de
hidrocarbonetos saturados dos extratos orgânicos de amostras de rocha da seção do Rio Bambuca, Vale
Superior do Magdalena. A análise de agrupamento foi realizada com o auxílio do software Statistica®,
seguindo método descrito no capítulo 2.4. Assumindo uma distância de corte igual ou maior a três, foram
diferenciados quatro grandes grupos de amostras, assinalados com cores distintas.
Distância de Ligação
BV-14
BV-19
BV-22
BV-28
BV-36
BV-97
BV-56
BV-47
BV-51
BV-114
BV-65
BV-76
BV-80
BV-71
BV-100
BV-82
BV-104
BV-72
BV-107
YC-03
BV-43
BV-84
BV-87
BV-89
BV-110
BV-40
BV-40A
BV-127
BV-129
BV-133
BV-63
BV-64
BV-68
BV-140
BV-141
BV-142
BV-146
BV-117
BV-121
BV-125
BV-131
BV-137
BV-135
BV-138
BV-150
BV-161
BV-163
BV-165
BV-167
BV-169
BV-159
BV-156
BV-152
BV-174
YC-08
BV-4
BV-1
BV-7
BV-176
BV-11
BV-177
YC-37
BV-185
BV-186
BV-189
BV-190
BV-178
BV-179
BV-181
BV-182
YC-17
YC-15
YC-16
BV-180
YC-10
YC-09
BV-184
BV-196
BV-199
YC-12
YC-13
BV-171
BV-172
YC-19
BV-193
BV-194
YC-29
YC-27
YC-33
YC-35
YC-49
0 2 4 6 8 10 12 14
1
2
3
4
117
Figura 6.4 – Cromatogramas gasosos (CG) e cromatogramas de massas m/z 191 e m/z 217
das frações de hidrocarbonetos saturados de extratos orgânicos da Seção do Riacho Bambuca,
Vale Superior do Magdalena. São apresentadas amostras representativas de cada um dos
grupos resultantes da análise de agrupamento (as cores das amostras são iguais às dos grupos
correspondentes na Figura 6.3). Compostos correspondentes aos picos identificados: x= terpano
desconhecido, 1= n-C15
, 2= Pristano, 3= Fitano, 4= n-C25
, 5= C27
18α(H) Trisnorhopano (Ts), 6= C27
17α(H)
Trisnorhopano (Tm), 7= 28,30 bisnorhopano, 8= C29
17α(H), 21β(H) norhopano, 9= C30
17α(H), 21β(H)
hopano, 10= gamacerano, 11= C27
βα diasterano 20S, 12= C29
αββ esterano 20R.
Grupo 3
Amostra BV-40
82,7m
Grupo 4
Amostra BV-28
75,7m
Grupo 2
Amostra BV-7
16,0 m
2
4
5
x
5
5
6
6
6
8
8
8
9 11
11
11
12
12
12
9
9
3
2
3
2
3
CG m/z 191 m/z 217Grupo 1
Amostra BV-193
696,0m
2
1
3
4
As fácies organo-moleculares representadas pelos grupos 3 e 4 apresentam um alto
grau de similaridade, conforme indicado pela menor distância de ligação no dendograma
(Figura 6.3). As características comuns entre estas fácies incluem um moderado
predomínio de pristano sobre fitano, proporções moderadas a altas de C27
esteranos,
e abundância relativamente baixa de gamacerano. A fácies do grupo 3, entretanto,
apresenta razões esteranos/esteranos+hopanos, índices de tricíclicos e bisnorhopano
mais altos, e razões Ts/(Ts+Tm) e índices de diasteranos mais baixos que os verificados
na fácies do grupo 4 (Figura 6.4 e Tabela 6.3). As feições moleculares observadas
indicam que ambas as fácies estão relacionadas a ambientes de sedimentação
marinho, porém com algumas diferenças importantes. A deposição da fácies do grupo
3 provavelmente se deu sob condições mais redutoras, de sedimentação carbonática
e biomassa predominantemente algálica (Palacas et al., 1984; Zumberge, 1984; Mello
et al., 1988; Mello et al., 1995), enquanto a deposição da fácies relativa ao Grupo 4,
118
Tabela 6.3 – Valores médios de parâmetros de biomarcadores dos grupos de amostras definidos a
partir da análise de grupamento de amostras da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena
(ver Figura 6.3). Também se apresenta a denominação adotada para as fácies moleculares
correspondentes a cada grupo (ver texto para explicação).
Grupos 1 2 3 4
Pristano/Fitano 0,93 1,99 1,35 1,35
Esteranos/Esteranos+Hopanos 0,70 0,14 0,45 0,36
Índice de Diasteranos 0,16 0,42 0,36 0,53
C27
Esteranos 0,30 0,36 0,44 0,45
C29
Esteranos 0,31 0,34 0,24 0,25
Índice de Tricíclicos 0,32 0,14 0,38 0,22
Índice de C24
Tetracíclico 0,51 0,89 0,45 0,58
Ts/Ts+Tm 0,28 0,11 0,37 0,48
Índice de Bisnorhopano 0,39 0,01 0,06 0,02
Índice de Gamacerano 0,19 0,02 0,04 0,03
Índice de C31
Homohopano 0,42 0,61 0,47 0,41
Índice de C35
Homohopano 0,09 0,02 0,05 0,05
Fácies organo-moleculares
Marinha
Anóxica
(MA)
Marinha
Transicional
(MT)
Marinha
Carbonática
(MC)
Marinha
Siliciclástica
(MS)
ocorreu sob condições mais oxidantes e com um aporte significativo de siliciclásticos
(Mello et al., 1988; Mello et al., 1995).
Com base nas condições paleoambientais apontadas pelos parâmetros de
biomarcadores, as quatro fácies organo-moleculares definidas neste estudo foram
interpretadas tentativamente sob o ponto de vista de variações de distância da linha
de costa e/ou de profundidade da lâmina d’água, dentro do contexto de uma bacia
sedimentar marinha. Neste sentido, a fácies correspondente ao grupo 2, designada
informalmente de fácies marinha transicional (MT), estaria situada na posição mais
proximal. As feições moleculares desta fácies sugerem que a deposição se deu em
ambientes costeiros (estuários, lagunas, etc.), com forte aporte de plantas superiores.
Um pouco mais afastado da costa, mas ainda sob uma coluna d’água relativamente rasa,
depositou-se a fácies relativa ao grupo 4, denominada de fácies marinha siliciclástica
(MS). Em uma posição mais distal, em águas mais profundas e anóxicas e um
ambiente dominantemente carbonático, depositou-se a fácies representada pelo grupo
3, aqui denominada informalmente de fácies marinha carbonática (MC). Finalmente,
sob condições ainda mais distais (?) e redutoras (?), ocorreu a deposição da fácies
correspondente ao grupo 1, designada de fácies marinha anóxica (MA).
119
No perfil da Figura 6.2, apresenta-se a sucessão estratigráfica das fácies organo-
moleculares ao longo da seção do Rio Bambuca. É boa a correlação entre as tendências
gerais de variação de fácies orgânicas e organo-moleculares proximais para distais e vice-
versa. Na base da seção, observa-se uma transição das fácies MT e MS, dominantes na
Formação Caballos e base da Formação Tetuan, para a fácies MC, na porção média da
Formação Tetuan (Figura 6.2). A fácies MC prevalece ao longo de toda a porção média
e superior da Formação Tetuan e em toda a Formação Bambuca, exceto por algumas
ocorrências localizadas das fácies MS (em torno de 200 m), MT (ao redor de 530 m) e
MA (420 e 520m; Figura 6.2). Finalmente, na Formação La Luna e na porção basal do
Grupo Olini, a fácies MA é francamente dominante. Cabe observar que as fácies não
estão restritas a unidades litoestratigráficas específicas. A fácies MC, por exemplo, se
estende por grande parte das formações Tetuan e Bambuca, enquanto a fácies MT,
apesar de minoritária, está distribuída em três unidades distintas (formações Caballos,
Tetuan e Bambuca).
Vários dos trabalhos realizados anteriormente nas bacias colombianas demonstraram
o controle exercido pelas variações relativas do nível do mar sobre a sedimentação dos
depósitos pelíticos do Cretáceo no VSM (e.g. Vergara, 1997; Villamil, 1998). O mesmo
controle pode ser exercido sobre as características químicas da matéria orgânica, uma
vez que esses fatores também afetam a circulação e estratificação da massa d’água, a
quantidade e a proximidade do aporte terrestre, e a entrada e reciclagem de nutrientes
(Bohacs, 1993). Conforme será demonstrado abaixo, as características geoquímicas
orgânicas da seção do rio Bambuca também apresentam uma forte correspondência
com a sucessão litológica/sedimentológica, demonstrando que os mesmos fatores
que governaram o registro estratigráfico controlaram a quantidade, a composição e o
potencial gerador da matéria orgânica sedimentar.
Como pode ser observado na Figura 6.5, o evento transgressivo do Albiano ajusta-
se à transição de fácies orgânicas proximais (com significativo aporte de material
terrestre e menor IH) para fácies distais de caráter anóxico. Por outro lado, a diminuição
relativa do nível do mar do Cenomaniano se encontra registrada na parte superior da
Formação Tetuan por uma clara mudança para fácies orgânicas mais proximais. O
evento transgressivo subseqüente ocasionou um novo incremento de qualidade da
matéria orgânica, e um retorno para fácies mais distais. O evento regressivo do Neo-
Cenomaniano encontra-se registrado na parte superior da Formação Bambuca sob a
forma de uma mudança abrupta das fácies orgânicas. Finalmente, o aparecimento de
fácies orgânicas mais distais e anóxicas marcam a subida relativa do nível do mar do
Cenomaniano ao Turoniano (Figura 6.5).
120
Figura 6.5 – Variações de fácies orgânicas e organo-moleculares comparadas aos ciclos de transgressão e
regressão (curva T-R) ao longo da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia.
AB B BC C MA MC MS MT
Fácies Orgânicas
Fácies Organo-
Moleculares
0
100
200
300
Albiano
Caba-
llos
Fm.Tetuan
400
500
600
700
m
CenomanianoTuron./Coniac.San.CRONO
LITO
Fm.Bambuca
GrupoVilleta
Fm.LaLuna
Olini
TRANSGRESSÃO
Curva de T-R
121
Cabe ressaltar que esta interpretação, em que as fácies orgânicas, e particularmente
as fácies organo-moleculares, refletem unicamente variações de distância da linha de
costa e/ou de profundidade da lâmina d’água, tem limitações óbvias. A alternância
entre as fácies marinha siliciclástica e marinha carbonática (MS e MC), por exemplo,
certamente pode refletir as variações climáticas. Fases de clima seco propiciariam a
implantação de um ambiente de sedimentação carbonático, enquanto em períodos de
clima úmido, o maior influxo de água aumentaria o aporte siliciclástico. Por outro lado,
as condições redutoras da fácies MA podem não ser necessariamente mais intensas
nem obrigatoriamente produto da sedimentação em águas mais profundas do que
as observadas nas fácies MS e MC. No caso específico da Formação La Luna, onde
predomina a fácies MA, outros fatores geológicos podem ter afetado a composição da
matéria orgânica (ver discussão no item 6.1).
De qualquer forma, a boa correspondência entre fácies orgânicas e ciclos
transgressivos-regressivos indica que os atributos geoquímicos do Grupo Villeta podem
ser relacionados ao arcabouço de estratigrafia de seqüências. Esta relação pode servir
de base para a predição de variações laterais e verticais das propriedades das rochas
geradoras ao longo da bacia tendo como base os dados obtidos na exploração (perfis
elétricos de poços, seções sísmicas).
122
7. Aplicação dos Resultados no Contexto do VSM
7.1. Sistemas Petrolíferos do VSM
Um sistema petrolífero é definido como um sistema natural que reúne todos os
elementos e processos essenciais para a formação de uma acumulação de petróleo
(Magoon  Dow, 1994). De acordo com a definição original, os elementos de um sistema
petrolífero incluem a rocha geradora, o reservatório, o selante e a trapa, enquanto
os processos compreendem a geração, migração e acumulação do petróleo e o
processo de formação das trapas. A simples existência dos elementos e a atuação dos
processos, entretanto, não garante a formação de uma acumulação de petróleo, uma
vez que também deve haver uma relação espacial e temporal adequada entre todos os
elementos e processos. O conceito de sistema petrolífero tem sido usado com êxito na
fundamentação e ordenamento lógico dos estudos geológicos de bacias sedimentares
aplicados à exploração de petróleo.
Abacia do Vale Superior do Magdalena (VSM) é uma das mais prolíficas da Colômbia,
sendo objeto de intensa atividade exploratória por parte de várias companhias de
petróleo. Da década de 1950 até os dias de hoje, mais de 22.000 km de linhas sísmicas
foram levantadas e mais de 200 poços foram perfurados na bacia. Como resultado
deste esforço exploratório, foi descoberto um volume in-place de cerca de 2.650 milhões
de barris (2.650 MMbbl) de óleo equivalente (Kairuz et al., 2000; Sarmiento  Rangel,
2004), distribuídos entre cerca de 40 campos de petróleo (ver a localização dos mais
importantes na Figura 7.1). Os trabalhos de Buitrago (1994), Córdoba (1998) e Córdoba
 Kairuz (2000), concentrados na sub-bacia de Neiva, e os de Kairuz et al. (op. cit.) e
Sarmiento  Rangel (op. cit.), abordando a bacia como um todo, são praticamente as
únicas publicações que tratam com profundidade de temas relacionados aos sistemas
petrolíferos do VSM.
A maior parte (85%) do volume de petróleo in-place descoberto até o momento na
bacia do VSM reparte-se entre os reservatórios siliciclásticos das formações Caballos
e Monserrate (Figura 7.2). O restante do petróleo foi encontrado principalmente nos
reservatórios dos grupos Gualanday e Honda. As trapas descobertas são de caráter
essencialmente estrutural e as rochas selantes compreendem majoritariamente folhelhos
das mesmas unidades estratigráficas que contêm os reservatórios. Embora com algumas
diferenças de interpretação discutidas em detalhe mais adiante, os trabalhos citados no
123
parágrafo anterior convergem no que diz respeito à origem do petróleo. Córdoba (1998),
Córdoba  Kairuz (2000), Kairuz et al. (2000) e Sarmiento  Rangel (2004) reconhecem
a existência de duas famílias de óleos composicionalmente distintas, correlacionadas
aos folhelhos e calcários marinhos ricos em matéria orgânica das formações Tetuan e
La Luna, respectivamente.
3°N
4°N
75°W
50km
N
LEGENDA:
Cordilheiras
Bacia do VSM
Principais
campos de
petróleo
Balcón
Rio Ceibas
Encanto
Venganza
Toqui-
Toqui
Guaduas
Dina
San
Francisco
Yaguará
Santa
Clara
La Cañada
Ortega
Figura 7.1 – Mapa de localização dos campos de petróleo da Bacia do Vale Superior
do Magdalena, Colômbia.
124
Plioc.
Mioc.
Oligoc.
Eoc.
Paleoc.
Super.
Infer.
Coniac.
Turon.
Cenom.
Albiano
Aptiano
Barrem.
Neocom.
Maastr./
Santon.
Fm. Caballos
Grupo
Villeta
Fm.
La Luna
Fm.
Bambuca
Fm.
Tetuan
Fm. Guaduala
Fm. Barzaloza
Fm. Mesa
Fm.Gigante
Gr. Honda
Gr. Gualanday
Fms. Monserr./Buscav.
Gr. Olini
Fm. Saldaña
Fm. Yavi
TERCIÁRIO
QUATERNÁRIO
CRETÁCEO
JURÁSSICO
CRONO-
ESTRATIGRAFIA
LITO-
ESTRATIGRAFIA
ROCHA
GERADORA
ROCHA
RESERVATÓRIO
200 600
ÓLEO EQUIVALENTE
IN-PLACE (x106
bbl)
1000
Figura 7.2 – Coluna estratigráfica da bacia do Vale Superior do Magdalena mostrando as rochas geradoras
e a distribuição dos volumes de petróleo in-place entre as principais rochas reservatório.
Nas próximas seções deste capítulo, analisa-se o impacto do estudo da seção do Rio
Bambuca no entendimento dos sistemas petrolíferos da bacia do VSM. Três aspectos
em particular serão detalhados: o potencial petrolífero das rochas geradoras, a origem
das famílias de óleo definidas a partir de correlações óleo-rocha, e o timing de geração
de petróleo.
125
7.2. Potencial petrolífero das rochas geradoras
Os depósitos pelíticos do Cretáceo marinho são considerados como as principais
rochas potencialmente geradoras de hidrocarbonetos das bacias subandinas
setentrionais desde os primeiros trabalhos de geologia do petróleo realizados na região
(Hedberg, 1931). Os resultados das atividades exploratórias e dos estudos realizados
ao longo das décadas subseqüentes demonstraram que os depósitos marinhos ricos
em matéria orgânica de idade albo-campaniana encontrados nas bacias subandinas da
porção noroeste da América do Sul (Macellari, 1988; Villamil, 1998; Villamil  Pindell,
1998; Erlich et al., 1999) são os responsáveis pela maior parte das reservas de petróleo
de países como a Colômbia, Venezuela, Peru e Equador (Dashwood  Abbots, 1990;
Mora, 2000; James, 2000).
De acordo com os trabalhos publicados, os responsáveis pela geração das
acumulações de petróleo descobertas no Vale Superior do Magdalena são os folhelhos e
carbonatos negros do Grupo Villeta (Albo-Coniaciano), particularmente aqueles situados
nosintervaloscorrespondentesàsformaçõesLaLunaeTetuan(Buitrago,1994;Ecopetrol/
ICP, 1994; Córdoba, 1998, Córdoba  Kairuz, 2000; Kairuz et al., 2000; Sarmiento
 Rangel, 2004). Estes trabalhos, entretanto, não aprofundam a discussão sobre a
variabilidade interna dos atributos geoquímicos nestas rochas geradoras. Normalmente,
as informações sobre riqueza e qualidade da matéria orgânica são reportadas na forma
de valores médios de teor de carbono orgânico (COT), potencial gerador, e de outros
parâmetros geoquímicos, por formação, poço, região ou mesmo em toda a bacia.
Buitrago (1994), por exemplo, reporta teores médios de COT de 1,8% e 2,5%,
respectivamente para os intervalos superior e inferior do Grupo Villeta. Ainda segundo
este autor, estes intervalos apresentam espessuras médias de 135 m e 100 m, e
valores médios de índice hidrogênio (IH) de 250 mgHC/gCOT e 425 mgHC/gCOT,
respectivamente. Córdoba (1998), em trabalho realizado na sub-bacia de Neiva,
reportou teores médios de COT por poço variando de 2 a 4% na Formação Tetuan, e
de 1 a 3% na Formação La Luna. Kairuz et al. (2000) reportaram teores médios de 1
a 3% de COT e valores médios de 300 a 650 mgHC/gCOT de IH para o Grupo Villeta
como um todo. Finalmente, Sarmiento  Rangel (2004) calcularam valores médios de
alguns parâmetros geoquímicos das formações Tetuan e La Luna em 17 poços do VSM,
encontrando teores médios de COT entre 1,2 e 3,7%, e valores médios de IH entre 100
e 652 mgHC/gCOT.
126
Na seção do Rio Bambuca, as unidades consideradas como as principais rochas
geradoras (formações Tetuan e La Luna) apresentam valores médios de teor de carbono
orgânico (5,03 e 4,45%, respectivamente) e de índice de hidrogênio (512 e 592 mgHC/
gCOT, respectivamente) mais altos que os publicados. Este contraste provavelmente
não se deve a diferenças no grau de evolução térmica, uma vez que os dados publicados
se referem a amostras com valores médios de Tmax geralmente entre 416 e 432ºC
(Sarmiento  Rangel, 2004), mesma faixa de valores encontrada na seção do Rio
Bambuca (Figura 5.5).
O tipo de amostragem também poderia ser a causa da diferença observada, visto
que os dados publicados são quase todos provenientes de amostras de calha de poços
exploratórios. Neste tipo de amostragem, as amostras são produto da composição dos
fragmentos trazidos à superfície durante a perfuração de um intervalo com espessuras
que geralmente podem variar de 3 a 18 m. Conseqüentemente, as amostras resultantes
deste processo representam uma média do intervalo amostrado. Já no caso da seção
do Rio Bambuca, a amostragem foi levada a cabo da forma mais contínua e regular
possível, ao longo de um afloramento das unidades de interesse. Na seção estratigráfica
da Figura 7.3, os perfis de teor de carbono orgânico total (COT) da seção do Rio Bambuca
são comparados aos perfis dos poços San Francisco-1 e Nilo-1. Nota-se de imediato
a diferença de magnitude entre os valores de COT da seção aflorante e dos poços,
conforme mencionado acima. É importante mencionar que ambos os poços apresentam
valores de Tmax entre 415 e 435ºC, indicativos portanto de um baixo grau de evolução
térmica. Observa-se também, que enquanto os teores médios de COT das três unidades
do Grupo Villeta são bastante similares na seção do Rio Bambuca (Figura 7.3 e Tabela
5.1), na maioria dos poços do VSM (Córdoba, 1998), a Formação Bambuca é nitidamente
mais pobre em matéria orgânica quando comparada às formações Tetuan e La Luna.
Tal feição pode ser o resultado de condições paleoambientais locais, mais favoráveis à
preservação da matéria orgânica, durante a deposição da Formação Bambuca na região
da seção analisada.
Com o propósito de avaliar o efeito do tipo de amostragem sobre as medidas dos
parâmetros geoquímicos das rochas geradoras do Grupo Villeta, buscaram-se poços do
VSM que possuíssem amostras de calha e de testemunho ao longo do mesmo intervalo
desta unidade estratigráfica. Testemunho é o nome dado a um tipo de amostra cilíndrica
e relativamente contínua de um determinado intervalo, obtida por meio de métodos
especiais durante a perfuração do poço. Como não foram encontrados poços no VSM
com esta característica, realizou-se uma busca em outras bacias que já fizeram parte
da grande bacia de retro-arco cretácica na qual se depositaram os sedimentos marinhos
do Grupo Villeta (Figura 3.3). A característica almejada foi encontrada em um poço da
bacia do Putumayo, localizada a sudoeste do VSM, do outro lado na Cordilheira Andina
Oriental (Figura 7.4). No poço selecionado (Quillacinga-2sta), o intervalo correspondente
127
Figura 7.3 – Seção estratigráfica com datum no topo do Grupo Villeta comparando os perfis de teor de
carbono orgânico total (COT) da seção do Rio Bambuca com os perfis dos poços San Francisco-1 e Nilo-1,
da bacia do Vale Superior do Magdalena.
COT (%) COT (%)COT (%)
Seção do Rio
Bambuca
N S
Poço
Nilo-1
Poço San
Francisco-1
0 4 8 12
420
520
620
720
820
920
1020
1120
1220
0 4 8 12
0
100
200
300
400
500
600
700
0 4 8 12
300
400
500
600
700
800
900
La Luna
Formações
Bambuca
Tetuan
Caballos
3°N
75°W
25km
CORD.CENTRAL
Alto de
Natagaima
Sub-bacia
de Neiva
Girardot
CORD.ORIENTAL
N
1
2
3
(1) Seção do Rio Bambuca
(2) Poço San Francisco-1
(3) Poço Nilo-1
128
ao Grupo Villeta possui somente 90 m de espessura, graças a sua posição proximal. Os
teores de COT obtidos a partir das amostras de testemunho apresentam uma maior
variância, bem como são significativamente mais elevados (teor médio de 4,58%) que
aqueles derivados das amostras de calha (teor médio de 2,18%). A grande diferença
é resultante do procedimento adotado pelo laboratório de geoquímica da Ecopetrol
(Empresa Colombiana de Petróleo) à época das análises, o qual processava as
amostras de calha como um todo, sem descartar as litologias de granulação mais
grossa (arenitos, calcarenitos, etc.). Nos testemunhos, por sua vez, somente litologias
finas (folhelhos, margas, etc.) eram selecionadas para análise. O mesmo raciocínio se
aplica na comparação entre os poços do VSM e a seção do Rio Bambuca, e explica as
diferenças encontradas.
Nas análises realizadas até este ponto do trabalho, ainda não se levou a espessura
das unidades potencialmente geradoras de hidrocarbonetos em consideração. Com este
fim, calculou-se o parâmetro SPI (Source Potential Index) para as formações Tetuan e
0 3 6
COT (%)
Profundidade(m)
9 12 15
2750
2800
2850
Testemunho
(Média: 4,58%)
Calha
(Média: 2,18%)
0 100 200 km
79º 77º 75º 73º 71º 69º
12º
10º
8º
6º
4º
2º
0º
Andes
de
M
érida
Bogotá
FALHADEBUCARAMANGA
Maciço de
Santa Marta
M
ar do Caribe
Oceano
Pacífico
1
2
3
4
5
7
8
9
10
11
12
N
6
AndesdePerijá
FALHA DE OCA
Bacias Sedimentares:
1. Vale Superior do Magdalena
2. Vale Médio do Magdalena
3. Vale Inferior do Magdalena
4. Cauca-Patia
5. Maracaibo
6. Catatumbo
7. Pacífico
8. Putumayo
9. Llanos Orientais
10. Barinas
11. Amazonas
12. Guajira
Escudo das Guianas
Colôm
bia
Panamá
Equador
Colômbia
Venezuela
Brasil
Cord.dos
AndesOriental
CordilheiradosAndesOcidentalCord.dosAndesCentral
Poço Quillacinga-2 sta
Figura 7.4 – Perfil de teor de carbono orgânico total (COT) do Grupo Villeta no poço Quillacinga-2sta, na
bacia do Putumayo (ver localização da bacia e do poço no mapa ao lado). No perfil são comparados os
teores de COT obtidos em amostras de calha e de testemunho.
129
La Luna na seção do Rio Bambuca e nos poços San Francisco-1 e Nilo-1. Proposto por
Demaison  Huizinga (1994), o parâmetro mencionado é calculado através da fórmula:
SPI = h (S1+S2) ρ / 1000,
onde h é a espessura da rocha geradora em metros, S1 e S2 correspondem aos valores
médios de quantidade de hidrocarbonetos livres e de potencial gerador medido pela
pirólise em kgHC/tonRocha, e ρ é a densidade da rocha geradora em ton/m3
. Adotou-se
um teor de COT mínimo de 1% para definir a espessura de rocha geradora efetiva para
cada formação. Com base em dados de perfis elétricos, assumiu-se uma densidade média
de 2,6 ton/m3
para as duas formações. Na Tabela 7.1, são reportados os valores obtidos
para o SPI, o qual pode ser interpretado com a quantidade máxima de hidrocarbonetos
por unidade de área (ton/m2
) que pode ser gerada por cada unidade estratigráfica nos
pontos analisados. De acordo com a classificação proposta por Demaison  Huizinga
(1994), as seções geradoras das formações Tetuan e La Luna possuem um potencial de
carga de hidrocarbonetos moderado a alto, comparável a algumas das mais importantes
províncias petrolíferas do mundo (e.g. Mar do Norte, Bacia de Maracaibo, Delta do
Níger).
Tabela 7.1 – Valores de SPI (Source Potential Index em ton/m2
; Demaison  Huizinga, 1994) calculados
para as formações Tetuan e La Luna na seção do Rio Bambuca e nos poços San Francisco-1 e Nilo-1,
bacia do Vale Superior do Magdalena. Consultar o texto para maiores explicações sobre a forma de
cálculo e as premissas adotadas.
Formação Seção do Rio Bambuca Poço San Francisco-1 Poço Nilo -1
La Luna 6,2 4,2 5,9
Tetuan 13,5 17,0 4,7
7.3. Variabilidade cinética e timing de geração de HC
Além da história térmica, os parâmetros cinéticos do querogênio das rochas
geradoras constituem elementos fundamentais na reconstrução da história de geração
do petróleo e na avaliação do seu grau de sincronismo em relação ao processo de
formação de trapas (e.g. Tissot et al., 1987; Waples, 1994). Na ausência de parâmetros
medidos na área ou bacia a ser modelada, empregam-se normalmente os parâmetros
cinéticos publicados de um dos querogênios padrão (tipo I, II, III ou II-S), de acordo com
as características geoquímicas da rocha geradora (valores de índice de hidrogênio, tipo
130
de matéria orgânica predominante). Há dois problemas neste tipo de abordagem. Em
primeiro lugar, é sabido que o comportamento cinético dos querogênios freqüentemente
independe da sua classificação segundo o índice de hidrogênio (Tegelaar  Noble, 1994).
Além disso, diversos trabalhos têm revelado casos de rochas geradoras que, apesar de
consideradas como portadoras de um único tipo de querogênio com base em dados de
pirólise, apresentam uma grande variabilidade de comportamento cinético (e.g. Jarvie,
1991; Sundararaman et al., 1992; Burwood et al., 1992; Gonçalves et al., 1994; Soldan
et al., 1995).
Conforme discutido na seção 5.6, o Grupo Villeta apresentou uma considerável
variabilidade cinética na seção do Rio Bambuca. Na seção supracitada, o comportamento
cinético das amostras foi analisado individualmente e comparado ao comportamento
dos querogênios padrão (tipos I, II, II-S e III). Observou-se um amplo leque de variação,
desde amostras um pouco mais lábeis que o querogênio do tipo II até amostras quase
tão refratárias quanto o querogênio do tipo III (Figuras 5.31, 5.32 e 5.33), embora seja
importante ressaltar que a maior parte das amostras possui um comportamento cinético
bem próximo ao de um querogênio do tipo II típico. Esta seção da tese tem como
propósito aprofundar a discussão sobre a influência de tal variabilidade na história de
geração e expulsão de hidrocarbonetos e suas implicações sobre o grau de sincronismo
com o processo de formação de trapas.
Em virtude de sua posição estrutural e história de soterramento, a seção do Rio
Bambuca encontra-se termicamente imatura. Para permitir a avaliação da influência que
a variabilidade cinética observada nesta seção poderia ter sobre a história de geração
e expulsão de hidrocarbonetos no VSM, criou-se um poço fictício (pseudopoço) em
um ponto situado no eixo de um sinclinal contíguo à área estudada (Figura 7.5). Para
reconstruir as histórias de soterramento, térmica, de maturação e de geração do petróleo
no ponto selecionado, utilizou-se o programa de modelagem unidimensional de bacias
BasinMod®. Os dados e informações necessários para a modelagem dos processos de
geração de petróleo no pseudopoço foram obtidos da seguinte forma:
• Arcabouço cronoestratigráfico.As idades dos eventos estratigráficos (formações
e discordâncias) inseridos na modelagem foram definidas com base na coluna
sedimentar da bacia do VSM (Figura 7.2).
• Topos e espessuras das formações. Os dados de profundidade e espessura
atuais que serviram de base para reconstituição da história de subsidência no ponto
modelado foram obtidos no estudo realizado por Mora (2004), à exceção do Grupo
Villeta, para o qual adotaram-se as espessuras medidas da seção do Rio Bambuca.
• Discordâncias e erosões. Somente as discordâncias regionais constantes
da coluna estratigráfica do VSM (Figura 7.2) foram levadas em consideração na
131
modelagem. Assumiu-se que, no eixo do sinclinal, as erosões associadas a essas
discordâncias são irrelevantes.
• Parâmetros litológicos. Assumiu-se que a composição litológica das formações
no pseudopoço são similares a dos poços situados nos anticlinais vizinhos (Mora,
2004). Foram usados os parâmetros petrofísicos (porosidade inicial, condutividade
térmica, calor específico, etc.) disponíveis na biblioteca de parâmetros default do
programa BasinMod® para litologias puras, ponderados de acordo com a composição
litológica de cada formação.
• Condições térmicas limite. Como limite térmico superior (temperatura na
superfície), adotou-se a temperatura média anual do ar na região (25°C). Já como
condição limite inferior, adotou-se a história regional de fluxo de calor basal definida
por García et al. (2002) com base na modelagem de diversos poços do VSM e
calibrações com dados de temperatura de fundo de poço (BHT) e reflectância da
vitrinita.
• Parâmetros cinéticos da rocha geradora. A simulação do processo de geração
do petróleo no pseudopoço foi conduzida de duas formas distintas. Na primeira,
assumiu-se que as formações Tetuan e La Luna são homogêneas no que se refere
ao comportamento cinético, adotando-se os parâmetros cinéticos do querogênio
do tipo II padrão (Burnham, 1989). Na outra, cada formação foi subdividida em
segmentos, cada qual com os parâmetros cinéticos da amostra representativa do
intervalo correspondente na seção do Rio Bambuca (Anexo 5).
O processo de soterramento foi simulado usando um modelo de compactação
mecânica (Sclater  Christie, 1980). A história térmica da seção sedimentar, por sua vez
foi calculada com base nas formulações de regime transiente disponíveis no BasinMod®,
levando em conta o paleofluxo de calor basal inserido no modelo e os parâmetros
termofísicos de cada formação calculados em função das propriedades da matriz e da
compactação. A evolução da maturação de cada formação foi reconstruída a partir da
história térmica, usando o modelo Easy%Ro (Sweeney  Burnham, 1990). O processo
de geração de petróleo, por sua vez, foi modelado usando a história térmica calculada e
os parâmetros cinéticos acima mencionados.
Com base nos dados, modelos e premissas adotados, foi possível reconstruir as
histórias de soterramento, térmica, de maturação e de geração do petróleo no pseudopoço
(Figura 7.6). No que diz respeito à história de soterramento, há duas fases principais de
subsidência (Cretáceo/Paleoceno e Neo-eoceno/Recente), separadas por um período de
não-deposição (Meso-eoceno). De acordo com os resultados da modelagem, a porção
basal do Grupo Villeta (Formação Tetuan) teria entrado na “janela” de geração de óleo
(0,6 a 1,0%Ro) no final do Cretáceo e na “janela” de geração de gás (1,35%Ro) durante
132
a deposição das molassas do Grupo Honda, no Mioceno (Figura 7.6). Já a parte superior
do Grupo Villeta (Formação La Luna), só teria alcançado a “janela” de geração de óleo
no início do Eoceno, e a “janela” de geração de gás, apenas no Plioceno.
Os resultados da modelagem do processo de geração são resumidos nos gráficos
da Figura 7.7. São apresentados perfis de taxa de transformação ao longo do Grupo
Villeta em três idades distintas (55, 40 e 15 M.a. atrás). Nesses perfis, comparam-se os
perfis obtidos a partir dos parâmetros cinéticos medidos nas amostras da seção do Rio
Bambuca com aqueles resultantes da adoção dos parâmetros cinéticos do querogênio
padrão do tipo II de Burnham (1989). A taxa de transformação, conforme já mencionado
no capítulo 5, representa a porcentagem do potencial gerador original que foi efetivamente
convertido, constituindo portanto um parâmetro indicativo do avanço do processo de
geração do petróleo. Tomando como exemplo os perfis da Formação Tetuan há 40 M.a.
atrás, observa-se que as taxas de transformação obtidas a partir dos parâmetros cinéticos
da seção do Rio Bambuca flutuam de forma irregular entre 20 e 80%. Já a curva taxa de
transformação calculada com os parâmetros do querogênio do tipo II aumenta de forma
uniforme de 60 a 90%. Esses resultados mostram que o processo de geração pode ser
bem menos homogêneo e uniforme do que o suposto quando se assume que a rocha
geradora apresenta um comportamento cinético constante.
Apesar da variabilidade encontrada, ainda não é possível avaliar seu impacto sobre
as avaliações do grau de sincronismo entre os processos de geração de petróleo e o de
formação de trapas no VSM, uma vez que os resultados apresentados até esse ponto
Figura 7.5 – Mapa e seção sísmica dip mostrando a localização e contexto estrutural do pseudopoço (linha
amarela grossa) criado para a realização da modelagem do processo de geração de petróleo. O referido
pseudopoço foi posicionado no eixo de um sinclinal situado no flanco noroeste da sub-bacia de Neiva, bacia
do Vale Superior do Magdalena.
133
Figura 7.6 – Gráfico de geohistória mostrando as histórias de soterramento, térmica e de maturação do
pseudopoço modelado na bacia do Vale Superior do Magdalena (ver localização na Figura 7.5). As linhas
vermelhas representam a evolução das isotermas (em ºC) e as áreas com tons de verde e vermelho, os
diferentes graus de evolução térmica alcançados pela seção sedimentar em termos de faixas de valores de
reflectância de vitrinita (%Ro; ver legenda).
não mostram a evolução global de cada unidade como um todo. Com este fim, efetuou-
se a somatória da massa de hidrocarbonetos gerados pelos horizontes com diferentes
comportamentos cinéticos de uma única formação para cada intervalo de tempo, ao
longo da história geológica. A partir da soma do potencial original das amostras de cada
formação, pôde-se então calcular a evolução em termos de taxa de transformação para
cada formação como um todo. O mesmo procedimento foi aplicado no caso em que
se utilizaram parâmetros cinéticos do querogênio do tipo II. Esta análise foi realizada
apenas para a Formação Tetuan, por apresentar uma densidade de amostragem da
variabilidade cinética maior que a disponível para a Formação La Luna. Os resultados
são apresentados no gráfico da Figura 7.8 por meio de curvas não-cumulativas de
evolução da taxa de transformação da Formação Tetuan, calculadas a partir da cinética
do querogênio do tipo II padrão (Burnham, 1989) e dos parâmetros medidos na seção
do Rio Bambuca.
Nota-se que, apesar da grande variabilidade cinética, o resultado global do processo
de geração usando-se as amostras da seção do Rio Bambuca mostra um comportamento
bastante próximo ao obtido empregando-se apenas parâmetros de um querogênio padrão
do tipo II (Figura 7.8). Este resultado se deve ao fato de que, especificamente para o
universo de amostras analisado, a maioria das amostras apresenta um comportamento
134
1200
1600
2000
2400
1200
1600
2000
2400
0 20 40 60 80 100
0 20 40 60 80 100
0 20
La LunaFormações:
Parâmetros
Cinéticos:
Seção do
R. Bambuca
Tetuan
40 60 80 100
1600
2000
2400
1600
2000
2400
2800
3200
3600
2800
3200
3600
Querogênio
Tipo II
Taxa de Transformação (%)Profundidade(m)Profundidade(m)Profundidade(m)
55 M.a.
40 M.a.
15 M.a.
Figura 7.7 – Perfis de taxa de transformação do Grupo Villeta no pseudopoço modelado (ver Figuras 7.5 e
7.6). São apresentadas reconstruções em três idades distintas (55, 40 e 15 M.a. atrás) comparando os perfis
obtidos a partir dos parâmetros cinéticos medidos nas amostras da seção do Rio Bambuca com aqueles
resultantes da adoção dos parâmetros cinéticos do querogênio padrão do tipo II Burnham (1989).
135
Figuras 7.8 – Curvas não-cumulativas de evolução da taxa de transformação da Formação Tetuan no
pseudopoço modelado (ver Figuras 7.5 e 7.6). Comparam-se os resultados obtidos a partir da cinética do
querogênio do tipo II padrão (Burnham, 1989) e dos parâmetros medidos na seção do Rio Bambuca
0
2
4
6
8
10
100 80 60 40 20 0
Querogênio Tipo II
Parâmetros Cinéticos:
Seção R. Bambuca
TaxadeTransformação(%)
Idade (M.a.)
cinético relativamente similar ao de um querogênio do tipo II típico, com um número
restrito de amostras significativamente mais refratárias ou lábeis (Figuras 5.31 e 5.32).
A defasagem em tempo entre as duas curvas varia de 7-8 M.a. no início do processo de
geração, a cerca de 2-3 M.a. no pico de geração de hidrocarbonetos (ver diferença de
idade entre os picos de taxa de transformação das duas curvas da Figura 7.8).
No caso do VSM, como resultado da complexa superposição de eventos tectônicos,
diversas fases de formação e destruição de trapas vêm se sucedendo desde o
Paleoceno (Sarmiento  Rangel, 2004). Diferenças de idade de geração da ordem de
magnitude encontrada (2 a 8 M.a.) poderiam ser importantes na correlação com eventos
específicos de formação de trapas. Por outro lado, entretanto, devido à escassez de
dados bioestratigráficos e à complexidade estrutural da região, há uma considerável
margem de incerteza nas idades absolutas das fases de estruturação da bacia (Sarmiento
 Rangel, 2004). Outrossim, também são enormes as incertezas quanto à história de
evolução tectono-termal do VSM e de outras bacias da Colômbia (Mora et al., 2001;
García et al., 2001; García et al., 2002). Neste contexto, considerando apenas os dados
cinéticos adquiridos na seção do Rio Bambuca, eventuais imprecisões induzidas pelo
uso de parâmetros cinéticos publicados de um único tipo de querogênio são menores do
que aquelas que podem ser causadas pelas incertezas associadas à idade de formação
das trapas e à história tectono-termal.
136
7.4. Fácies organo-moleculares e correlação óleo-rocha
Nos trabalhos que estudaram os óleos do VSM a partir de parâmetros globais e
de biomarcadores (Córdoba, 1998; Sarmiento  Rangel, 2004), duas grandes famílias
de óleos foram reconhecidas: uma de afinidade marinha carbonática e outra, marinha
siliciclástica. Com base na comparação com dados geoquímicos de extratos orgânicos
do Grupo Villeta em diversos poços da sub-bacia de Neiva e em considerações sobre
os tipos litológicos predominantes em cada formação desse grupo, Córdoba (1998)
conclui que os óleos marinhos carbonáticos são derivados das rochas geradoras da
Formação La Luna, enquanto os óleos marinhos siliciclásticos são provenientes das
rochas geradoras da Formação Tetuan. Utilizando a mesma abordagem, porém em todo
o VSM, Sarmiento  Rangel (2004) chegam a conclusões similares.
Neste trabalho, procurou-se reavaliar as conclusões dos trabalhos anteriores à luz
dos resultados obtidos na seção do Rio Bambuca. A abordagem empregada consistiu
na realização de correlações moleculares entre os óleos e as fácies organo-moleculares
definidas nesta tese. Com este fim, foram selecionadas duas amostras de óleos
representativas das famílias identificadas por Córdoba (1998) e Sarmiento  Rangel
(2004) e quatro extratos orgânicos representativos das fácies organo-moleculares no
capítulo 6 (Tabela 7.2 e Figura 7.9). É importante ressaltar que os termos usados para
designar as famílias de óleos no trabalho de Córdoba (1998), bem como as fácies
organo-moleculares nesta tese, não têm a pretensão de definir de forma absoluta o
ambiente deposicional em que se depositaram as rochas geradoras. Esses termos, na
verdade, expressam as características paleoambientais de forma relativa, ou seja, na
comparação entre as fácies ou famílias.
Origem Identificação da Amostra Tipo da Amostra Família de Óleos (Cór-
doba, 1998)
Fácies organo-molecular
(esta tese; Capítulo 6)
Poços Balcón-1 óleo Marinha Siliclástica
Santa Clara-1 óleo Marinha Carbonática
Seção do Rio
Bambuca
BV-193 extrato orgânico Marinha Anóxica
BV-7 extrato orgânico Marinha Transicional
BV-40 extrato orgânico Marinha Carbonática
BV-28 extrato orgânico Marinha Siliciclástica
Tabela 7.2 – Amostras selecionadas para o estudo de correlação óleo-rocha realizado na bacia do
Vale Superior do Magdalena, Colômbia.
137
Na figura 7.10 são comparados os cromatogramas gasosos e cromatogramas de
massa m/z 191 e 217 das amostras selecionadas (Tabela 7.2). O extrato orgânico da
fácies marinha anóxica apresenta uma correlação pobre com os óleos selecionados,
mesmo considerando a diferença no grau de evolução térmica. A diferença mais
marcante refere-se aos compostos bisnorhopano e gamacerano (picos identificados
com os números 7 e 10; Figura 7.10), presentes em elevadas proporções no extrato
orgânico, mas praticamente ausentes nas amostras de óleo. A correlação é igualmente
pobre entre os óleos e o extrato orgânico da fácies marinha transicional. Neste caso, as
principais diferenças estão na abundância relativa de n-alcanos de alto peso molecular
(n-C25
, pico 4), na proporção entre pristano e fitano (picos 2 e 3) e entre Ts e Tm (picos
5 e 6), e na abundância relativa do C29
norhopano (pico 8; Figura 7.10). Por outro lado,
é boa a correlação entre as amostras das famílias de óleo e os extratos orgânicos das
fácies homônimas. O óleo e o extrato designados de marinhos siliciclásticos (Balcón-1 e
BV-28) apresentam predomínio de Ts sobre Tm, alta proporção relativa de diasteranos e
baixas abundâncias relativas de terpanos tricíclicos. Já no óleo e no extrato denominados
de marinhos carbonáticos (Santa Clara-1 e BV-40), nota-se o predomínio de Tm sobre
Ts, baixa abundância relativa de diasteranos e altas proporções de terpanos tricíclicos.
Conforme foi discutido no capítulo 6, embora a ocorrência das fácies organo-
moleculares na seção do Rio Bambuca não esteja limitada a unidades litoestratigráficas
específicas, há algumas afinidades evidentes. Constata-se, por exemplo, que a fácies
marinha anóxica se encontra praticamente restrita à Formação La Luna. Assumindo
3°N
75°W
50km
N LEGENDA:
Cordilheiras
Bacia do VSM
Principais
campos de
petróleo
Seção do
Rio Bambuca
Balcón
Rio Ceibas
Encanto
Venganza
Dina
San
Francisco
Yaguará
Santa
Clara
La Cañada
Ortega
Figuras 7.9 – Mapa mostrando a localização das amostras selecionadas para o estudo de correlação óleo-
rocha realizado na bacia do Vale Superior do Magdalena, Colômbia.
138
6
5
6
5
Santa Clara-1
Família Marinha
Carbonática
Balcon-1
Família Marinha
Siliciclástica
CG m/z 191 m/z 217
CG m/z 191 m/z 217
BV-193
Fácies Marinha
Anóxica
BV-40
Fácies Marinha
Carbonática
BV-28
Fácies Marinha
Siliclástica
BV-7
Fácies Marinha
Transicional
2
4
5
5
5
6
6
6
6
7
8
8
8
8
9 11
11
11
11
11
11
12
12
12
12
9
9
9
9
9
10
3
2
3
2
3
2
1
3
2
3
2
3
4
AMOSTRAS DE ÓLEO
EXTRATOS ORGÂNICOS
1
1
4
4
Figuras 7.10 – Correlação geoquímica molecular entre amostras representativas das duas famílias de
óleos definidas por Córdoba (1998) e extratos orgânicos da Seção do Rio Bambuca, representativos das
fácies organo-moleculares definidas nessa tese (ver Tabela 7.2). São apresentados os cromatogramas
gasosos (CG) e cromatogramas de massas m/z 191 e m/z 217 da fração de hidrocarbonetos saturados.
Compostos correspondentes aos picos identificados: 1= n-C15
, 2= Pristano, 3= Fitano, 4= n-C25
, 5= C27
18α(H) Trisnorhopano (Ts), 6= C27
17α(H) Trisnorhopano (Tm), 7= 28,30 bisnorhopano, 8= C29
17α(H),
21β(H) norhopano, 9= C30
17α(H), 21β(H) hopano, 10= gamacerano, 11= C27
βα diasterano 20S, 12= C29
αββ esterano 20R.
139
que a composição da matéria orgânica do Grupo Villeta na seção do Rio Bambuca é
representativa do que ocorre na bacia como um todo, essa constatação, combinada com
a correlação óleo-rocha discutida acima, sugere que a Formação La Luna não contribuiu
significativamente para a geração dos óleos do VSM, contrariamente às conclusões
de Córdoba (1998) e Sarmiento  Rangel (2004). Por outro lado, as fácies marinha
carbonática e marinha siliciclástica estão ambas presentes na Formação Tetuan na
seção do Rio Bambuca. Considerando essa distribuição de fácies e, novamente, os
resultados da correlação óleo-rocha, conclui-se que diferentes intervalos de uma única
unidade (Formação Tetuan) poderiam ser os reais responsáveis pela geração das duas
famílias de óleos observadas no VSM.
As conclusões do parágrafo anterior baseiam-se no pressuposto de que a composição
da matéria orgânica do Grupo Villeta na seção do Rio Bambuca é representativa do
que ocorre na bacia como um todo. Para testar esta pressuposição, realizou-se a
comparação dos parâmetros moleculares de extratos orgânicos das formações Tetuan e
La Luna na seção do Rio Bambuca com os parâmetros medidos em extratos orgânicos
das mesmas unidades em poços da sub-bacia de Neiva, publicados por Córdoba (1998)
(Figura 7.11). Obtém-se uma boa correlação, sendo possível diferenciar duas envoltórias
praticamente isoladas separando os dados das duas formações independentemente
da origem dos dados (seção do Rio Bambuca vs. sub-bacia de Neiva). Este resultado
confirma a extensão lateral das fácies organo-moleculares, pelo menos na sub-bacia de
Neiva, e corrobora as conclusões das correlações óleo-rocha discutidas acima. Ainda
assim, tendo em vista a limitação da amostragem disponível, não se pode descartar a
possibilidade de que a Formação La Luna possua características distintas em outras
áreas da bacia e possa ter contribuído também para a geração de petróleo no VSM.
No campo de Encanto (Figura 7.9), descoberto no final do ano 2001, encontrou-se um
óleo com características bem diferentes daquelas que marcam as duas famílias de óleos
definidas por Córdoba (1998) e Sarmiento  Rangel (2004). O óleo do poço Encanto-
1 se caracteriza por uma baixa razão esteranos/(esteranos+hopanos), abundâncias
relativamente altas de C31
homohopanos e C29
esteranos, razõesTs/(Ts+Tm) muito baixas,
e valores notadamente altos da razão pristano/fitano e do índice de C24
tetracíclico (Figura
7.12). Tais características, muito similares àquelas observadas nos extratos orgânicos da
fácies organo-molecular marinha transicional da seção do Rio Bambuca (Figura 7.12),
são indicativas de um paleoambiente deposicional marinho óxico/disóxico proximal
(costeiro?) com forte aporte de vegetais superiores (Philp  Gilbert, 1986; Abdullah et al.,
1988; Mello et al., 1988; Isaksen, 1995). A fácies organo-molecular marinha transicional,
apesar de minoritária na seção do Rio Bambuca, é encontrada nas formações Caballos,
Tetuan e Bambuca (ver capítulo 6), o que faz destas unidades potenciais candidatas a
geradoras do óleo analisado, ainda que seja importante ressaltar que o referido óleo
encontra-se acumulado em arenitos da Formação Caballos.
140
0.0
0.4
0.8
1.2
1.6
0.0 0.2 0.4 0.6
0.0
0.4
0.8
1.2
1.6
0.0 1.0 2.0 3.0
Poços (Neiva)
R. Bambuca
Poços (Neiva)
R. Bambuca
Fm. La Luna Fm. Tetuan
Poços (Neiva)
R. Bambuca
Poços (Neiva)
R. Bambuca
Fm. La Luna Fm. Tetuan
Gamacerano/C30 Hopano
Bisnorhopano/C30 Hopano
C35/C34HomohopanoC35/C34Homohopano
Figura 7.11 – Gráficos das razões Gamacerano/C30
Hopano e Bisnorhopano/C30
Hopano vs. razão C35
/C34
Homohopano para extratos orgânicos das formações La Luna e Tetuan. São comparados os resultados
obtidos na seção do Rio Bambuca com os parâmetros provenientes de poços da sub-bacia de Neiva,
publicados por Córdoba (1998).
141
Também se observou uma excelente correlação entre o óleo do poço Encanto-1,
perfurado no VSM, e o óleo recuperado no poço Unicornio-1, localizado na bacia do
Putumayo, a mais de 300km de distância (Figura 7.12). Igualmente recuperado em
arenitosdaFormaçãoCaballos,oóleodopoçoUnicornio-1tambémapresentabaixarazão
esteranos/(esteranos+hopanos), abundâncias relativamente altas de C31
homohopanos
e C29
esteranos, razões Ts/(Ts+Tm) muito baixas, e valores notadamente altos da razão
pristano/fitano e do índice de C24
tetracíclico, apontando para uma origem a partir de
fácies depositadas em um ambiente marinho proximal (costeiro?) muito similares às
que deram origem ao óleo do Encanto-1. Este resultado confirma a representatividade
regional e a grande extensão lateral das fácies organo-moleculares definidas na seção
do Rio Bambuca.
Para estimar o grau de evolução térmica das rochas geradoras quando da expulsão
dos óleos do VSM, aplicou-se a equação obtida a partir da regressão linear considerando
a Tmax como variável dependente e a razão C29
esteranos ααα S/(S+R) como variável
explicativa (ver capítulo 5.4):
Tmax = (47,168*[C29
ααα S/(S+R)]) + 416,52;
Com base nos dados publicados por Córdoba (1998) e Sarmiento  Rangel (2004),
a razão C29
esteranos ααα S/(S+R) das amostras de óleos do VSM variam entre 0,30 e
0,43, o que corresponderiam, de acordo com a equação acima, a valores de Tmax entre
431 e 437ºC. Estes valores são considerados muito baixos para uma rocha geradora
em condições de expulsar petróleo, uma vez que se considera que o início da geração
do petróleo em rochas geradoras com querogênio do tipo II corresponde a um valor de
Tmax de 435ºC (Espitalié et al., 1985). Os baixos valores obtidos poderiam dever-se à
contribuição de querogênios mais reativos (e.g. Tipo II-S), que teriam a capacidade de
gerar petróleo sob condições de grau de evolução térmica mais baixo. A análise dos
parâmetroscinéticos,entretanto,mostrouquequerogêniosdestetiponãoestãopresentes
no Grupo Villeta, pelo menos na seção do Rio Bambuca. Estudos mais aprofundados
devem ser desenvolvidos para permitir um melhor entendimento deste fato.
142
Figura 7.12 – Correlação geoquímica molecular entre o extrato orgânico representativo da fácies organo-
molecular marinha transicional da seção do Rio Bambuca e os óleos dos poços Encanto-1 e Unicórnio-1,
localizados respectivamente nas bacias do Vale Superior do Magdalena e do Putumayo (ver mapa). São
apresentados os cromatogramas gasosos (CG) e cromatogramas de massas m/z 191 e m/z 217 da fração
de hidrocarbonetos saturados. Compostos correspondentes aos picos identificados: 1= n-C15
, 2= Pristano,
3= Fitano, 4= n-C25
, 5= C24
tetracíclico, 6= C27
17α(H) Trisnorhopano (Tm), 7= 28,30 bisnorhopano, 8= C29
17α(H), 21β(H) norhopano, 9= C30
17α(H), 21β(H) hopano, 10= gamacerano, 11= C27
βα diasterano 20S,
12= C29
αββ esterano 20R.
2
2
2
3
3
3
4
4
4
5
6
8
9
5 6
8
9
5 6
8
9
11
11
12
12
11 12
BV-7
Fácies Marinha
Transicional
Encanto-1
Unicórnio-1
AMOSTRAS DE ÓLEO
EXTRATOS ORGÂNICOS
0 100 200 km
79º 77º 75º 73º 71º 69º
6º
4º
2º
0º
Bogotá
FALHADE
ROMERAL
Oceano
Pacífico
5
1
2
6
3
7
N
Bacias Sedimentares:
1. Vale Médio do Magdalena
2. Pacífico
3. Llanos Orientais
4. Cauca-Patia
5. Vale Superior do Magdalena
6. Putumayo
7. Amazonas
Seção do Rio Bambuca
Poço Encanto-1
Poço Unicornio-1
Rochas sedimentares
Rochas ígneas e metamórficas
Áreas de cordilheiras ou maciços
Escudo das Guianas
Colôm
bia
Equador
Colômbia
Venezuela
Brasil
Cord.dos
AndesOriental
CordilheiradosAndesOcidentalCord.dosAndesCentral
4
143
8. Conclusões e Recomendações
O trabalho de análise estratigráfica e geoquímica da seção do Rio Bambuca e
sua integração com os dados do Vale Superior do Magdalena levaram às seguintes
conclusões:
•	 Na seção do Rio Bambuca, o Grupo Villeta é constituído essencialmente por
intercalações de camadas de calcários pelágicos e folhelhos de coloração escura
e laminação plano-paralela. A análise da sucessão litológica da seção do Rio
Bambuca à luz do arcabouço de estratigrafia de seqüências e de eventos definido
por Villamil (1998) permitiu o reconhecimento de superfícies de inundação máxima
do Meso/Neo-albiano (porção inferior da Formação Tetuan), do Eo-turoniano
(base da Formação La Luna) e, de forma duvidosa, do Eo-cenomaniano (topo da
Formação Tetuan/base da Formação Bambuca?).
•	 Como resultado da posição distal da seção do Rio Bambuca no contexto
paleogeográfico da bacia de retro-arco cretácica, as camadas delgadas de siltito
e arenito que interrompem abruptamente a alternância rítmica de folhelhos e
calcários na porção superior das formações Tetuan e Bambuca, respectivamente,
constituem o único registro do trato de sistemas de mar baixo na seção analisada.
Não existem truncamentos deposicionais, sugerindo que os limites de seqüência
nesta posição da bacia são constituídos por hiatos deposicionais, os quais não
foram comprovados devido à falta de dados bioestratigráficos.
•	 O predomínio de folhelhos e calcários pelágicos, de coloração escura, finamente
laminados e sem evidências de bioturbação, associado à presença de matéria
orgânica e pirita em abundância, indicam que o Grupo Villeta depositou-se sob
condições preponderantemente anóxicas na região da seção analisada.
•	 Foram encontrados teores de carbono orgânico total (COT) variando entre 0,44%
e 18,75%. As unidades do Grupo Villeta apresentam teores médios de carbono
orgânicos bastante similares, variando de 4,19% na Formação Bambuca a 5,03%
na Formação Tetuan. Os potenciais geradores são igualmente elevados no
Grupo Villeta, com valores médios variando de 18 mgHC/gRocha na Formação
Bambuca a 24 mgHC/gRocha na Formação La Luna.
•	 Valores de índice de hidrogênio (IH) variando principalmente na faixa de 400 a 500
mgHC/gCOT, associados a valores de índice de oxigênio geralmente inferiores
a 100 mgCO2/gCOT e altas proporções de matéria orgânica amorfa (80%)
144
apontam para o predomínio de querogênio do tipo II na seção do Rio Bambuca.
Localmente, em alguns intervalos de pequena espessura, são encontrados
valores de IH mais baixos e porcentagens elevadas de matéria orgânica lenhosa,
acusando a contribuição de querogênio do tipo III.
•	 Os valores de Tmax variando entre 415 e 435ºC e os baixos índices de produção
(IP0,10) associados a valores de índice de coloração de esporos (ICE) na faixa
de 2,0 a 3,5 e fluorescência amarela intensa na maioria das amostras indicam
que a seção esteve submetida a um baixo grau de evolução térmica, equivalente
a valores de reflectância da vitrinita da ordem de 0,3 a 0,4%Ro.
•	 Os parâmetros de biomarcadores indicativos da natureza da matéria orgânica
e do paleoambiente deposicional sugerem que a deposição da maior parte do
Grupo Villeta deu-se em um ambiente marinho carbonático anóxico, com matéria
orgânica predominantemente autóctone (algálica e bacteriana). Localmente,
os parâmetros moleculares acusam a existência de fases em que dominaram
condições oxidantes e um alto aporte de material de origem terrestre.
•	 A maior parte das amostras de querogênio analisadas apresentaram razões H/
C variando entre 1,00 e 1,40, faixa de valores considerada característica para
o querogênio do tipo II em rochas termicamente imaturas. Algumas poucas,
entretanto, mostram razões H/C mais baixas (0,87-0,97), indicando uma
contribuição de querogênio do tipo III. Uma fração significativa das amostras
apresenta razões S/C iguais ou superiores a 0,04, podendo ser classificados como
querogênios do tipo II-S, embora caiba ressaltar a possibilidade de influência do
enxofre associado à pirita sobre esses valores.
•	 No que diz respeito aos parâmetros cinéticos, há um importante grau de
variabilidade ao longo da seção do Rio Bambuca. A maior parte das amostras
analisadas possui um comportamento cinético similar ao do querogênio do tipo
II. Secundariamente, existem amostras que se mostraram bem menos reativas,
com um comportamento próximo ao de um querogênio do tipo III. Finalmente,
apenas uma pequena quantidade de amostras apresenta um comportamento um
pouco mais lábil que o do querogênio do tipo II.
•	 Existe uma boa correlação entre o comportamento cinético do querogênio e
alguns parâmetros indicativos da origem do querogênio (autóctone vs. alóctone).
De um modo geral, as amostras mais reativas apresentam menores proporções
de matéria orgânica de origem terrestre e vice-versa. Não se observou uma
correlação aparente com a quantidade enxofre do querogênio, sugerindo que
outros fatores, como a estrutura molecular e a natureza das funções que contêm
heteroátomos (S, N e O) também condicionam o comportamento cinético.
145
•	 Os teores de enxofre e sua relação com os teores de carbono orgânico indicam
que a deposição do Grupo Villeta na área da seção investigada deu-se em um
ambiente anóxico a euxínico. A existência de alguns intervalos com altos teores
de fósforo sugerem a ocorrência de episódios de incremento da produtividade
primária. Os altos conteúdos de alguns elementos traços (U, Mo, V, Cr, Ni, Co,
Cu, Zn) apontam para o predomínio de condições anóxicas durante a deposição
da maior parte da seção analisada.
•	 A integração de diversos parâmetros geoquímicos usando técnicas de análise
fatorial permitiu o reconhecimento de cinco intervalos correlacionáveis aos
eventos anóxicos do Aptiano (OAE1a), do limite Aptiano/Albiano (OAE1b),
do início do Neo-albiano (OAE1c), no final do Albiano (OAE1d) e dos limites
Cenomaniano/Turoniano (OAE2) e Coniaciano/Santoniano (OAE3).
•	 Evidências sedimentológicas e geoquímicas, entretanto, mostram que as
condições redutoras não estiveram limitadas às fases de anoxia global. A posição
distal da seção estudada, próxima à barreira fisiográfica que separava a bacia
de retro-arco cretácica do antigo oceano Pacífico, pode ter contribuído de modo
determinante para o desenvolvimento de condições de estagnação da coluna
d’água e a conseqüente redução dos níveis de oxigenação de fundo. Sob estas
condições, a preservação da matéria orgânica seguramente representou um fator
decisivo na formação dos intervalos ricos em matéria orgânica e alto potencial
gerador de hidrocarbonetos.
•	 Características moleculares encontradas somente na Formação La Luna sugere
que esta unidade depositou-se sob condições ambientais que, pelo menos
em alguns aspectos, diferem significativamente daquelas que controlaram a
sedimentação das outras unidades estratigráficas. Este comportamento pode
dever-se, pelo menos em parte, a mudanças no quimismo da água do mar
provocadas pela intensa atividade vulcânica iniciada no limite Cenomaniano/
Turoniano, resultante do desenvolvimento do arco magmático situado a oeste da
área de estudo e da Província Ígnea do Caribe.
•	 Há uma boa correspondência entre as fácies orgânicas definidas com base em
dados de petrografia orgânica e pirólise e em dados de biomarcadores (fácies
organo-moleculares) e os ciclos transgressivos-regressivos reconhecidos na
seção do Rio Bambuca. A boa correspondência encontrada mostra que os
atributos geoquímicos do Grupo Villeta podem ser relacionados ao arcabouço de
estratigrafia de seqüências da região, o que pode servir de base para a predição
de variações laterais e verticais das propriedades das rochas geradoras ao longo
da bacia tendo como base os dados obtidos na exploração (perfis elétricos de
poços, seções sísmicas).
146
•	 Os valores de conteúdo orgânico e potencial gerador encontrados na seção do
Rio Bambuca são significativamente maiores do que os observados em poços
do VSM. Tendo em vista as limitações inerentes ao processo de coleta de
amostras em poços e aos métodos de preparação e seleção dessas amostras
em laboratório, considera-se que os valores obtidos neste trabalho representam
de forma mais fidedigna o potencial petrolífero do Grupo Villeta na região. Os
valores de SPI (Source Potential Index) calculados para as Formações La Luna
e Tetuan foram de 6,2 e 13,5 ton/m2, respectivamente.
•	 A simulação do processo de transformação do querogênio em um pseudopoço
situado no eixo de um sinclinal no VSM usando os parâmetros cinéticos adquiridos
na seção do Rio Bambuca mostrou que o processo de geração pode ser bem
menos homogêneo e uniforme do que o suposto quando se assume que a rocha
geradora apresenta um comportamento cinético constante. Por outro lado, nota-
se que, apesar da grande variabilidade cinética, o resultado global do processo
de geração para uma unidade estratigráfica é similar ao obtido empregando-se
apenas parâmetros cinéticos de um querogênio padrão do tipo II. No contexto
do VSM, concluiu-se que eventuais imprecisões na análise de sincronismo do
sistema petrolífero induzidas pelo uso de parâmetros cinéticos inadequados são
menores do que aquelas que podem ser causadas pelas incertezas associadas a
outros fatores, como a idade de formação das trapas e à história tectono-termal.
•	 Estudos de correlação óleo-rocha sugerem que a Formação La Luna não
contribuiu significativamente para a geração dos óleos do VSM, contrariamente
às conclusões de trabalhos anteriores. Os resultados desses estudos indicam
que diferentes fácies orgânicas da Formação Tetuan podem ser as responsáveis
pela geração das duas famílias de óleos observadas no VSM. Constatou-se
a existência de uma terceira família de óleos, derivada de fácies orgânicas
de afinidade terrestre e correlacionável a uma família de óleos da bacia do
Putumayo, localizada a mais de 300km de distância. Este resultado confirma
a representatividade regional e a grande extensão lateral das fácies organo-
moleculares definidas na seção do Rio Bambuca.
Com base nos resultados obtidos e nas dificuldades encontradas ao longo da
condução deste trabalho de pesquisa, são feitas as seguintes recomendações para
trabalhos futuros:
•	 Realização de análises bioestratigráficas para uma definição mais acurada das
idades na seção do Rio Bambuca.
147
•	 Refinamento da análise sedimentológica/estratigráfica para uma melhor
caracterização da sucessão de litofácies na seção do rio Bambuca.
•	 Refinamento da análise visual do querogênio, incluindo a caracterização das
organopalinofácies e da fluorescência da matéria orgânica amorfa ao longo da
seção.
•	 Teste de outros modelos cinéticos no processamento dos dados de pirólise para
definição dos parâmetros cinéticos.
•	 Realização de análises de infravermelho para definição da estrutura molecular
e dos tipos de ligações químicas do querogênio, visando chegar a um melhor
entendimento de seu comportamento cinético.
•	 Detalhamento das análises de biomarcadores (CG/EM-EM), buscando outros
compostos indicativos de condições paleoambientais e do tipo de matéria
orgânica.
•	 Realização de análises isotópicas em amostras de carbonato, de extrato orgânico
e de compostos orgânicos individuais para um melhor entendimento da evolução
paleoambiental e correlação com eventos globais.
148
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167
Anexos
168
Anexo 1 – Resultados das análises de enxofre, carbonato e
carbono orgânico totais e de pirólise Rock-Eval das amostras da
coluna estratigráfica do Rio Bambuca, Bacia do Vale Superior
do Magdalena, Colômbia. Parâmetros Geoquímicos: S= Teor
de enxofre total (em % peso), CARB= Teor de carbonato total
calculado a partir das medidas de resíduo insolúvel (em %
peso), COT= Teor de Carbono Orgânico Total (em % peso), S1=
Hidrocarbonetos Livres (mgHC/gRocha), S2= Potencial Gerador
de Hidrocarbonetos (em mgHC/gRocha), S3= CO2
gerado (em
mgCO2
/gRocha),Tmax=Temperatura Máxima (em ºC), IH= Índice
de Hidrogênio (em mgHC/gCOT), IO= Índice de Hidrogênio (em
mgCO2/gCOT), IP= Índice de Produção (S1/S1+S2).
169
Amostra Posição (m) S CARB COT S1 S2 S3 Tmax IH IO IP
YC-47 709,50 0,27 67,84 1,36 0,01 3,90 1,01 422 286 74 0,00
YC-49 707,00 0,29 12,03 2,91 0,55 17,16 0,59 422 589 20 0,03
YC-48 705,00 0,24 91,22 0,90 0,00 1,35 1,11 423 151 124 0,00
YC-46 702,70 0,44 63,98 1,72 0,07 8,69 0,47 420 506 27 0,01
BO-199 702,00 0,14 18,49 2,03 0,19 6,68 0,60 419 329 30 0,03
YC-45 701,00 0,24 11,85 1,97 0,08 10,50 0,47 420 534 24 0,01
BV-198 699,60 0,23 9,43 3,04 0,47 13,37 0,86 418 441 28 0,03
BV-196 698,30 0,33 34,86 2,41 0,31 10,61 0,75 417 440 31 0,03
BV-195 697,00 64,30 1,57 0,33 7,12 0,62 418 454 39 0,04
BV-194 696,50 0,93 24,75 6,14 1,94 40,46 0,62 423 659 10 0,05
YC-44 696,20 0,80 76,11 4,64 0,57 26,41 1,06 421 570 23 0,02
BV-193 696,00 1,34 30,50 11,37 3,29 75,31 1,68 419 662 15 0,04
BV-192 695,50 0,85 55,07 3,35 1,00 18,81 0,70 422 561 21 0,05
BV-191 694,70 0,13 81,74 0,58 0,11 2,16 0,39 422 372 67 0,05
YC-43 694,00 1,31 46,89 6,24 1,00 38,32 0,73 425 614 12 0,03
BV-190 694,00 0,33 53,52 2,14 0,40 10,70 0,68 418 500 32 0,04
YC-42 690,70 1,05 37,51 9,82 1,80 58,60 2,15 422 597 22 0,03
BV-189 690,50 67,88 1,75 0,37 8,44 0,69 419 482 39 0,04
BV-188 690,00 1,00 38,55 8,35 2,07 46,63 1,65 420 559 20 0,04
BV-187 689,30 0,12 79,75 0,99 0,14 3,75 0,53 423 379 54 0,04
BV-186 688,70 0,90 49,03 8,59 2,12 43,63 1,70 420 508 20 0,05
YC-41 688,30 0,28 78,92 1,07 0,10 5,61 0,36 420 526 34 0,02
BV-185 688,00 0,53 48,93 6,53 1,20 32,00 2,02 420 490 31 0,04
YC-40 686,70 0,55 52,25 5,97 0,77 33,62 1,17 422 563 20 0,02
BV-184 684,50 0,50 71,63 2,62 0,93 16,42 0,33 420 627 13 0,05
BV-183 682,00 0,10 58,43 1,42 0,24 5,83 0,54 417 411 38 0,04
BV-182 676,70 0,90 56,09 5,02 1,27 25,84 0,80 420 515 16 0,05
YC-39 676,50 0,39 63,22 3,79 0,27 18,82 0,91 420 497 24 0,01
YC-38 673,50 0,33 82,33 0,93 0,00 4,60 0,45 420 495 48 0,00
YC-37 671,50 0,45 49,41 4,82 0,23 22,48 1,56 421 466 32 0,01
YC-36 669,50 1,00 81,31 1,11 0,05 5,32 0,28 420 478 25 0,01
YC-35 662,00 1,06 46,91 5,19 1,12 31,28 0,88 424 602 17 0,03
YC-34 653,00 0,33 67,99 1,24 0,09 6,43 0,39 418 517 31 0,01
YC-33 646,70 0,73 29,80 7,11 0,99 41,24 1,18 422 580 17 0,02
YC-32 644,70 1,04 60,35 5,10 1,15 31,93 0,46 424 626 9 0,03
YC-31 642,00 0,35 46,53 3,66 0,01 11,47 1,62 424 314 44 0,00
BV-181 636,50 0,10 69,37 1,15 0,14 4,18 0,59 423 363 51 0,03
YC-30 636,00 0,49 85,87 0,81 0,00 3,55 0,36 420 441 45 0,00
YC-29 633,00 0,60 22,84 6,35 0,60 29,98 2,31 419 472 36 0,02
YC-28 631,20 0,58 21,75 5,54 0,48 27,93 1,50 421 504 27 0,02
YC-27 629,30 1,31 35,75 9,28 1,69 56,65 1,53 422 611 16 0,03
YC-26 628,20 0,80 22,26 6,26 0,66 33,10 1,53 419 528 24 0,02
YC-25 627,20 1,70 57,10 9,82 2,57 65,14 0,61 426 663 6 0,04
BV-180 627,00 32,46 5,42 1,33 26,69 0,51 420 492 9 0,05
170
Amostra Posição (m) S CARB COT S1 S2 S3 Tmax IH IO IP
YC-24 621,50 1,09 57,46 8,79 2,15 49,83 2,18 422 567 25 0,04
BV-179 620,30 0,86 86,12 1,10 0,83 6,06 0,23 422 551 21 0,12
YC-23 618,70 0,46 93,78 1,42 0,36 8,64 0,18 427 609 13 0,04
YC-22 615,00 0,33 78,76 3,82 0,24 18,04 1,07 422 472 28 0,01
BV-178 614,30 0,41 63,64 5,70 1,16 26,12 1,49 422 458 26 0,04
YC-21 611,50 0,41 70,52 3,51 0,32 17,62 1,09 420 503 31 0,02
BV-177 608,80 0,41 60,27 4,18 0,68 17,32 1,51 421 414 36 0,04
YC-20 608,20 0,10 95,33 0,52 0,00 1,96 0,65 422 375 124 0,00
YC-19 606,50 0,58 36,30 6,49 0,27 28,52 1,71 421 439 26 0,01
YC-18 604,00 0,22 86,59 1,01 0,00 3,45 0,50 423 341 49 0,00
YC-16 603,60 0,89 51,78 9,31 1,78 53,49 1,71 421 575 18 0,03
YC-17 603,30 0,59 61,93 2,21 0,43 12,95 0,35 421 587 16 0,03
YC-15 603,15 2,26 43,92 6,27 0,54 35,89 0,92 421 573 15 0,01
YC-14B 603,10 8,39 20,54 0,93
YC-13 603,00 2,83 27,49 7,54 0,97 38,81 0,82 423 515 11 0,02
YC-12 602,70 5,46 33,69 6,29 0,28 23,59 1,51 415 375 24 0,01
YC-11 602,50 1,16 89,44 0,62 0,01 2,35 0,16 422 380 26 0,00
YC-10 602,00 6,49 42,84 6,65 0,31 24,15 1,66 415 363 25 0,01
YC-9 601,50 2,61 39,39 11,24 2,20 62,78 0,91 427 559 8 0,03
YC-8 601,00 87,23 1,86 0,95 8,93 0,52 419 481 28 0,10
BV-176 530,00 0,70 5,04 2,03 0,09 2,90 0,08 437 143 4 0,03
BV-175 528,20 0,89 4,43 1,08 0,07 0,91 0,10 431 84 9 0,07
BV-174 526,00 0,90 4,52 1,21 0,09 1,60 0,09 431 132 7 0,05
BV-173 525,00 0,20 71,65 0,72 0,07 1,50 0,19 427 208 26 0,04
BV-172 518,70 0,83 21,66 8,80 2,27 49,28 1,11 429 560 13 0,04
BV-171 416,20 0,35 35,71 6,27 1,13 29,63 1,21 426 473 19 0,04
BV-170 414,00 0,84 19,55 6,08 1,66 28,62 0,71 428 471 12 0,05
BV-169 413,30 0,28 27,02 7,07 2,62 43,34 1,60 424 613 23 0,06
YC-07 412,70 0,75 28,07 5,53 1,41 26,71 0,72 431 483 13 0,05
BV-168 412,00 0,06 9,48 2,34 0,28 5,42 0,69 428 232 29 0,05
BV-167 410,00 0,32 56,20 2,66 0,81 11,90 0,74 426 447 28 0,06
BV-165 366,50 0,13 11,62 4,00 0,64 11,68 1,06 429 292 26 0,05
BV-164 365,00 0,16 15,11 3,75 0,70 11,06 0,77 427 295 21 0,06
BV-163 324,00 0,60 20,23 5,57 1,38 24,34 0,76 428 437 14 0,05
BV-162 302,00 0,11 24,59 3,49 0,28 12,25 1,87 427 351 54 0,02
BV-161 295,00 1,57 17,04 3,17 0,90 12,99 0,46 430 410 15 0,06
BV-160 293,00 1,13 21,94 3,85 1,22 18,69 0,44 434 485 11 0,06
BV-159 292,50 0,67 8,51 4,75 1,39 24,88 0,49 431 524 10 0,05
BV-158 291,50 1,67 20,72 3,82 1,27 18,84 0,41 432 493 11 0,06
BV-157 290,20 0,80 42,25 6,85 2,48 36,11 0,60 432 527 9 0,06
BV-156 289,60 0,48 17,01 5,59 1,59 23,17 0,74 430 414 13 0,06
BV-155 288,30 0,57 24,53 5,59 2,25 26,05 0,51 433 466 9 0,08
BV-154 287,80 0,22 26,47 5,90 1,78 25,81 0,95 431 437 16 0,06
BV-153 287,30 0,83 21,26 6,07 2,22 30,33 0,35 433 500 6 0,07
BV-152 286,50 0,61 14,70 5,70 2,00 27,55 0,61 432 483 11 0,07
171
Amostra Posição (m) S CARB COT S1 S2 S3 Tmax IH IO IP
BV-151 271,50 0,73 13,94 5,14 1,42 22,70 0,69 427 442 13 0,06
BV-150 270,80 0,90 13,70 6,21 1,95 31,62 0,45 432 509 7 0,06
BV-149 270,20 0,73 49,75 1,36 0,29 3,78 0,48 429 278 35 0,07
BV-148 269,80 0,85 55,27 1,39 0,31 3,34 0,48 428 241 35 0,08
BV-147 269,30 0,59 74,27 1,30 0,79 5,24 0,37 428 403 28 0,13
BV-146 267,00 1,08 33,06 5,93 2,02 29,26 0,79 429 493 13 0,06
BV-142 258,50 1,21 50,53 1,87 0,36 7,19 0,41 426 384 22 0,05
BV-141 255,00 16,69 6,36 1,06 30,22 0,59 431 475 9 0,03
BV-140 245,50 0,20 20,12 5,73 0,82 21,35 1,45 430 373 25 0,04
BV-139 244,50 1,04 39,71 2,30 0,77 11,34 0,33 430 493 14 0,06
BV-138 243,00 0,17 17,75 3,46 0,53 10,51 0,92 430 304 27 0,05
BV-137 239,30 0,18 18,59 4,24 0,80 18,67 0,88 428 440 21 0,04
BV-136 237,70 0,79 10,11 5,07 1,02 23,17 0,55 429 457 11 0,04
BV-135 236,70 1,52 66,11 1,41 0,37 4,47 0,53 429 317 38 0,08
BV-134 234,30 0,88 22,44 7,74 2,23 38,30 0,78 432 495 10 0,06
BV-133 232,00 27,97 8,01 2,08 41,67 0,66 433 520 8 0,05
BV-132 230,00 1,20 84,83 0,67 0,36 2,50 0,29 430 373 43 0,13
BV-131 227,50 1,31 18,14 5,11 1,10 27,99 0,41 432 548 8 0,04
BV-130 226,70 0,48 78,86 1,39 0,56 6,61 0,31 431 476 22 0,08
BV-129 223,30 1,32 24,24 7,04 2,15 36,22 0,40 433 514 6 0,06
BV-128 221,50 0,76 74,97 1,24 0,63 5,31 0,20 428 428 16 0,11
BV-127 220,00 0,58 30,84 6,43 1,66 32,58 1,05 433 507 16 0,05
BV-125 212,80 0,54 14,52 4,16 1,18 17,43 0,59 430 419 14 0,06
BV-124 212,20 0,07 8,09 1,80 0,41 4,52 0,43 427 251 24 0,08
BV-123 211,70 0,11 15,27 2,70 0,98 9,64 0,48 427 356 18 0,09
BV-122 211,00 0,73 54,14 1,73 0,23 3,70 0,74 430 214 43 0,06
BV-121 210,50 0,58 19,58 5,36 2,01 24,55 0,61 430 458 11 0,08
BV-120 210,00 0,47 31,37 5,49 2,05 25,74 0,63 432 469 11 0,07
BV-119 209,50 0,94 82,36 0,89 0,32 3,59 0,17 432 403 19 0,08
BV-118 209,00 0,54 60,92 1,55 0,28 2,50 0,96 432 161 62 0,10
BV-117 208,70 1,20 67,28 1,17 0,26 3,02 0,46 430 258 39 0,08
BV-114 198,00 11,23 4,98 1,06 16,01 0,84 430 321 17 0,06
BV-113 196,50 1,71 52,12 1,77 0,77 7,35 0,30 430 414 17 0,09
BV-112 195,70 1,08 17,50 7,71 1,50 34,43 1,07 431 447 14 0,04
BV-111 195,00 1,57 25,56 9,50 2,06 46,77 0,83 436 492 9 0,04
BV-110 193,50 1,45 12,43 11,81 2,53 61,03 1,03 435 517 9 0,04
BV-109 193,00 0,62 48,62 6,22 1,41 27,00 0,63 434 434 10 0,05
BV-108 192,20 2,40 75,61 1,46 0,65 6,50 0,26 435 445 18 0,09
BV-107 191,70 0,34 13,66 4,93 2,14 23,17 0,53 430 470 11 0,08
BV-106 191,30 1,19 15,49 8,90 2,00 42,00 0,67 436 472 8 0,05
BV-105 190,30 0,95 26,76 7,14 1,57 33,65 0,87 436 471 12 0,04
BV-104 189,70 0,83 60,97 1,81 0,68 6,57 0,42 431 363 23 0,09
BV-103 189,30 1,34 79,38 1,33 0,54 4,75 0,28 434 357 21 0,10
BV-102 188,70 1,13 19,01 6,36 1,83 26,57 0,59 435 418 9 0,06
BV-101 188,30 1,86 25,97 9,56 2,49 47,57 0,87 435 498 9 0,05
172
Amostra Posição (m) S CARB COT S1 S2 S3 Tmax IH IO IP
BV-100 187,70 1,85 13,46 12,42 3,73 59,13 0,95 434 476 8 0,06
BV-99 186,70 2,05 17,54 7,26 2,50 35,52 0,62 435 489 9 0,07
BV-98 186,00 1,42 20,57 7,57 2,10 37,51 0,52 437 496 7 0,05
BV-97 185,30 1,82 7,31 2,43 0,95 10,46 0,25 433 430 10 0,08
BV-96 185,00 1,54 5,39 2,06 0,71 7,62 0,18 431 370 9 0,09
BV-95 184,00 1,15 25,71 1,89 0,81 7,37 0,36 433 390 19 0,10
BV-94 183,20 1,72 8,63 1,86 0,63 6,53 0,19 433 351 10 0,09
BV-89 145,00 1,66 22,81 10,14 2,60 54,07 0,85 435 533 8 0,05
BV-88 144,00 2,28 76,56 0,96 0,28 2,78 0,32 430 290 33 0,09
BV-87 143,30 0,85 12,59 5,86 1,65 29,76 0,51 433 508 9 0,05
BV-86 142,50 0,85 10,64 3,82 0,78 16,25 0,38 432 425 10 0,05
BV-85 142,00 0,37 8,59 3,54 1,46 15,92 0,45 432 450 13 0,08
BV-84 141,00 1,35 15,24 8,22 2,18 38,45 0,57 432 468 7 0,05
BV-83 140,50 1,78 7,82 8,51 1,43 37,88 0,47 435 445 6 0,04
YC-05 140,30 1,56 35,21 5,37 0,92 25,81 0,53 433 481 10 0,03
BV-82 140,00 1,28 32,27 4,04 1,01 16,03 0,53 433 397 13 0,06
BV-81 139,00 1,18 81,07 1,11 0,35 3,69 0,22 431 332 20 0,09
BV-80 138,00 1,76 22,16 9,15 1,74 45,00 0,70 436 492 8 0,04
BV-79 137,50 1,00 18,93 5,25 1,33 24,07 0,56 431 458 11 0,05
BV-78 136,70 1,04 18,84 8,40 1,87 40,84 0,84 435 486 10 0,04
BV-77 135,70 0,79 5,68 10,16 2,41 46,72 0,67 430 460 7 0,05
BV-76 134,50 2,48 21,87 12,62 2,31 60,00 0,58 435 475 5 0,04
BV-75 133,70 0,37 88,62 0,93 0,42 3,31 0,17 431 356 18 0,11
BV-74 132,30 1,62 41,59 11,67 2,65 64,68 1,12 434 554 10 0,04
BV-73 131,50 1,39 80,63 1,22 0,30 4,62 0,21 432 379 17 0,06
BV-72 130,70 0,81 37,06 6,21 1,21 24,65 1,11 432 397 18 0,05
BV-71 130,00 1,63 18,02 13,98 3,51 76,66 1,57 436 548 11 0,04
BV-70A 129,70 1,38 18,64 9,01 2,50 41,92 0,77 430 465 9 0,06
BV-70 129,50 9,18 68,95 1,48 0,42 6,43 0,22 428 434 15 0,06
BV-69 128,50 1,39 17,91 9,52 2,28 46,45 0,61 435 488 6 0,05
BV-68 128,00 10,62 11,64 3,66 56,54 0,98 433 486 8 0,06
BV-67 127,00 0,74 77,14 1,66 1,01 7,11 0,36 429 428 22 0,12
BV-66 126,50 1,43 48,87 11,27 6,36 53,75 1,20 433 477 11 0,11
BV-65 125,70 0,57 83,91 1,42 0,92 5,84 0,30 431 411 21 0,14
BV-64 124,50 1,83 30,24 7,55 3,84 39,44 0,68 435 522 9 0,09
BV-63 100,50 21,70 5,98 1,30 28,39 0,47 435 475 8 0,04
BV-62 100,00 1,06 18,17 7,31 1,27 31,78 0,75 432 435 10 0,04
BV-61 99,70 0,33 76,53 1,03 0,31 2,93 0,33 429 284 32 0,10
BV-60 99,40 1,04 15,72 4,36 0,85 15,64 0,56 432 359 13 0,05
BV-59 99,00 2,16 17,44 3,21 0,65 13,67 0,29 433 426 9 0,05
BV-58 98,30 1,99 9,65 4,42 0,77 19,92 0,30 435 451 7 0,04
BV-57 98,00 2,31 29,58 2,86 0,45 8,84 0,56 428 309 20 0,05
BV-56 97,00 2,18 6,24 4,06 0,86 19,12 0,30 435 471 7 0,04
BV-55 96,50 1,87 9,74 5,55 1,29 26,85 0,37 435 484 7 0,05
BV-54 95,00 2,71 6,10 3,48 0,93 16,79 0,37 434 482 11 0,05
173
Amostra Posição (m) S CARB COT S1 S2 S3 Tmax IH IO IP
BV-53 94,00 2,09 12,49 4,03 1,30 21,42 0,41 436 532 10 0,06
BV-52 93,20 2,42 6,66 4,99 1,96 26,59 0,46 433 533 9 0,07
BV-51 92,70 2,48 5,98 5,01 1,91 26,82 0,39 435 535 8 0,07
BV-50A 92,30 2,32 16,74 4,41 1,54 18,13 0,31 432 411 12 0,08
BV-50 92,00 2,40 11,83 7,76 3,05 39,13 0,54 434 504 13 0,07
BV-49 91,60 2,27 45,08 2,68 0,74 9,07 0,24 430 339 18 0,08
BV-48 91,00 2,55 10,91 4,38 1,00 18,78 0,41 434 429 16 0,05
BV-47 90,20 1,98 7,68 4,74 1,23 23,75 0,36 433 501 13 0,05
BV-46 89,50 2,71 8,84 7,51 2,00 42,19 0,57 437 562 12 0,05
BV-45 89,00 2,37 16,92 5,38 1,65 26,59 0,54 435 495 15 0,06
BV-44 88,30 2,59 30,26 4,57 1,10 22,53 0,38 433 493 12 0,05
BV-43 88,00 1,83 26,97 7,85 1,97 39,02 0,53 433 497 11 0,05
BV-42 87,50 0,38 9,96 7,95 0,90 34,87 1,06 431 438 20 0,03
BV-41 86,70 0,63 19,78 5,48 1,08 24,36 0,84 430 445 15 0,04
BV-40A 83,00 2,55 39,47 11,87 2,81 59,20 1,09 434 499 9 0,05
BV-40 82,70 2,60 30,39 18,75 5,04 96,00 2,43 432 512 13 0,05
BV-39 81,50 1,42 55,58 7,54 2,34 44,43 1,13 435 589 15 0,05
BV-38 80,70 2,03 33,33 8,30 2,99 44,25 0,88 435 533 11 0,06
BV-37 80,00 1,46 40,21 2,15 0,75 9,79 0,36 431 455 17 0,07
BV-36 79,50 2,39 6,73 1,82 0,80 6,92 0,21 432 380 12 0,10
BV-34 78,70 2,08 5,68 1,68 0,60 6,12 0,16 435 364 10 0,09
BV-33 78,30 1,51 4,32 1,98 0,72 6,76 0,18 433 341 9 0,10
BV-32A 78,20 1,34 23,20 1,94 0,76 7,07 0,47 432 364 24 0,10
BV-32 78,00 1,67 15,63 1,92 0,70 7,96 0,20 432 415 10 0,08
BV-31 77,00 0,11 3,65 2,68 0,72 7,81 0,61 428 291 23 0,08
BV-30 76,50 0,57 62,64 0,90 0,28 2,87 0,39 430 319 43 0,09
BV-29 75,70 0,26 0,32 2,53 0,70 7,62 0,47 429 301 19 0,08
BV-28 74,50 0,24 2,79 2,38 0,75 6,34 0,54 427 266 23 0,11
BV-27 72,00 1,62 13,34 2,22 0,97 8,63 0,33 430 389 15 0,10
BV-26 68,00 0,23 1,93 2,20 0,49 4,52 0,69 427 205 31 0,10
BV-25 64,00 0,31 2,61 2,25 0,60 6,43 0,50 428 286 22 0,09
BV-24 59,00 2,61 2,09 0,54 5,71 0,43 429 273 21 0,09
BV-23 57,00 4,29 2,39 0,74 7,81 0,50 433 327 21 0,09
BV-22 54,50 0,63 8,96 3,72 0,93 12,73 0,53 431 342 14 0,07
BV-21 53,00 1,13 2,27 0,72 8,02 0,31 429 353 14 0,08
BV-20 51,50 1,36 13,29 1,61 0,38 2,91 0,74 432 181 46 0,12
BV-19-20 51,00 11,56 1,62 0,32 2,47 0,68 431 152 42 0,11
BV-19 50,50 1,81 2,72 1,22 13,64 0,37 432 501 14 0,08
BV-18 49,30 1,72 6,01 2,37 0,85 8,47 0,29 430 357 12 0,09
BV-17 48,70 0,92 54,17 1,18 0,45 4,14 0,31 432 351 26 0,10
BV-16 30,50 1,48 5,82 3,83 0,73 15,78 0,55 431 412 14 0,04
BV-15 29,50 1,67 4,17 2,62 0,75 8,91 0,37 432 340 14 0,08
BV-14 28,50 1,88 4,22 3,74 1,15 19,51 0,60 436 522 16 0,06
BV-13 27,00 2,06 7,77 3,14 0,69 11,20 0,48 435 356 15 0,06
BC-12A 26,50 1,17 1,39 4,23 1,10 20,21 0,25 435 478 6 0,05
174
Amostra Posição (m) S CARB COT S1 S2 S3 Tmax IH IO IP
BV-12 25,50 1,86 1,22 3,73 1,38 17,41 0,58 440 467 16 0,07
BV-11 23,80 2,38 5,99 12,08 4,45 36,72 1,76 438 304 15 0,11
BV-10 22,00 0,96 7,78 8,78 1,61 24,79 1,00 437 282 11 0,06
BV-9 21,00 0,78 4,96 9,39 3,28 34,40 0,64 439 366 7 0,09
BV-7 16,00 2,67 6,17 4,67 0,62 11,69 0,04 438 250 1 0,05
BV-6 15,20 1,56 5,26 3,45 0,95 11,05 0,26 438 320 8 0,08
YC-04 14,50 0,05 5,98 1,17 0,01 0,60 0,67 443 51 57 0,02
BV-5 14,20 0,58 5,33 5,42 1,29 20,06 0,34 438 370 6 0,06
BV-4 13,80 0,47 5,70 4,30 1,04 11,02 0,28 439 256 7 0,09
YC-03 12,00 0,05 2,80 2,03 0,31 4,59 0,54 436 227 27 0,06
BC-1 9,00 0,16 8,02 4,93 1,04 15,27 0,74 438 310 15 0,06
YC-02 3,50 0,05 3,04 0,58 0,31 1,46 0,20 424 250 35 0,18
YC-01 0,00 0,03 4,74 0,44
175
Anexo 2 – Resultados da análise visual do querogênio. São re-
portadas as porcentagens de matéria orgânica amorfa, liptinita
e matéria orgânica lenhosa, e os valores medidos do Índice de
Coloração de Esporos (ICE).
176
Amostra Posição (m) Amorfa (%) Liptinita (%) Lenhosa (%) ICE
YC-49 707,00 90,0 5,0 5,0 2,5-3,0
BV-199 702,00 85,0 10,0 5,0 2,5-3,0
BV-196 698,30 85,0 10,0 5,0 2,5-3,0
BV-194 696,50 85,0 10,0 5,0 2,5-3,0
BV-193 696,00 85,0 10,0 5,0 2,5-3,0
BV-190 694,00 85,0 10,0 5,0 2,5-3,0
BV-189 690,50 85,0 10,0 5,0 2,5-3,0
BV-186 688,70 80,0 15,0 5,0 2,5-3,0
BV-185 688,00 80,0 15,0 5,0 2,5-3,0
BV-184 684,50 80,0 15,0 5,0 2,5-3,0
BV-182 676,70 80,0 15,0 5,0 2,5-3,0
YC-37 671,50 90,0 5,0 5,0 2,5-3,0
YC-35 662,00 90,0 5,0 5,0 2,5-3,0
YC-33 646,70 90,0 5,0 5,0 2,5-3,0
BV-181 636,50 80,0 15,0 5,0 2,5-3,0
YC-29 633,00 85,0 10,0 5,0 2,5-3,0
YC-27 629,30 90,0 5,0 5,0 2,5-3,0
BV-180 627,00 85,0 10,0 5,0 2,5-3,0
BV-179 620,30 85,0 10,0 5,0 2,0-2,5
BV-178 614,30 80,0 15,0 5,0 2,5-3,0
YC-19 606,50 90,0 5,0 5,0 2,5-3,0
YC-16 603,60 80,0 15,0 5,0 2,5-3,0
YC-17 603,30 90,0 5,0 5,0 2,5-3,0
YC-15 603,15 90,0 5,0 5,0 2,5-3,0
YC-13 603,00 90,0 5,0 5,0 2,5-3,0
YC-12 602,70 90,0 5,0 5,0 2,5-3,0
YC-10 602,00 90,0 5,0 5,0 2,5-3,0
YC-09 601,50 90,0 5,0 5,0 2,5-3,0
YC-08 601,00 90,0 5,0 5,0 2,5-30
BV-176 530,00 10,0 40,0 50,0 2,5-3,0
BV-174 526,00 35,0 40,0 25,0 2,5-3,0
BV-172 518,70 90,0 5,0 5,0 2,0-2,5
BV-171 416,20 90,0 5,0 5,0 2,5-3,0
BV-169 413,30 90,0 5,0 5,0 2,0-2,5
BV-167 410,00 80,0 15,0 5,0 3,0-3,5
BV-165 366,50 80,0 15,0 5,0 2,0-2,5
BV-163 324,00 80,0 15,0 5,0 2,0-2,5
BV-161 295,00 80,0 15,0 5,0 2,0-2,5
BV-159 292,50 75,0 20,0 5,0 2,0-2,5
BV-156 289,60 90,0 5,0 5,0 2,0-2,5
BV-152 286,50 75,0 20,0 5,0 2,0-2,5
BV-150 270,80 85,0 10,0 5,0 2,0-2,5
BV-146 267,00 80,0 15,0 5,0 2,0-2,5
BV-142 258,50 80,0 15,0 5,0 2,0-2,5
BV-141 255,00 70,0 25,0 5,0 2,0-2,5
177
Amostra Posição (m) Amorfa (%) Liptinita (%) Lenhosa (%) ICE
BV-140 245,50 85,0 10,0 5,0 2,0-2,5
BV-138 243,00 70,0 25,0 5,0 2,5-3,0
BV-137 239,30 80,0 15,0 5,0 2,0-2,5
BV-135 236,70 70,0 25,0 5,0 2,5-3,0
BV-133 232,00 85,0 10,0 5,0 2,0-2,5
BV-131 227,50 85,0 15,0 5,0 2,5-3,0
BV-129 223,30 85,0 10,0 5,0 2,0-2,5
BV-127 220,00 85,0 10,0 5,0 2,5-3,0
BV-121 210,50 90,0 10,0 0,0 2,5-3,0
BV-117 208,70 80,0 15,0 5,0 2,0-2,5
BV-114 198,00 80,0 15,0 5,0 2,5-3,0
BV-110 193,50 90,0 10,0 0,0 2,0-2,5
BV-107 191,70 85,0 15,0 0,0 2,5-3,0
BV-104 189,70 85,0 15,0 0,0 2,0-2,5
BV-100 187,70 90,0 10,0 0,0 2,5-3,0
BV-89 145,00 85,0 15,0 0,0 2,5-3,0
BV-84 141,00 85,0 15,0 0,0 2,5-3,0
BV-82 140,00 85,0 10,0 5,0 2,5-3,0
BV-80 138,00 85,0 15,0 0,0 3,0-3,5
BV-76 134,50 85,0 10,0 5,0 2,5-3,0
BV-72 130,70 80,0 15,0 5,0 3,0-3,5
BV-71 130,00 80,0 15,0 5,0 2,5-3,0
BV-68 128,00 80,0 15,0 5,0 2,5-3,0
BV-65 125,70 80,0 15,0 5,0 2,5-3,0
BV-64 124,50 75,0 10,0 15,0 2,5-3,0
BV-63 100,50 80,0 15,0 5,0 2,5-3,0
BV-56 97,00 80,0 15,0 5,0 2,5-3,0
BV-51 92,70 80,0 15,0 5,0 2,5-3,0
BV-47 90,20 80,0 15,0 5,0 2,5-3,0
BV-43 88,00 85,0 10,0 5,0 2,5-3,0
BV-40A 83,00 85,0 10,0 5,0 2,5-3,0
BV-40 82,70 80,0 15,0 5,0 2,5-3,0
BV-36 79,50 35,0 60,0 5,0 2,5-3,0
BV-28 75,70 60,0 35,0 5,0 2,5-3,0
BV-22 54,50 65,0 30,0 5,0 2,5-3,0
BV-19 50,50 60,0 35,0 5,0 2,0-2,5
BV-14 28,50 70,0 25,0 5,0 2,5-3,0
BV-11 23,80 70,0 25,0 5,0 3,0-3,5
BV-7 16,00 40,0 25,0 35,0 3,0-3,5
BV-4 13,80 5,0 35,0 60,0 3,0-3,5
YC-03 12,00 0,0 10,0 90,0 3,0-3,5
BV-1 9,00 40,0 25,0 35,0 3,0-3,5
178
Anexo 3 – Razões e índices moleculares (biomarcadores) das
amostras da coluna estratigráfica do Rio Bambuca, Bacia do Vale
Superior do Magdalena, Colômbia. As razões e índices foram
calculados utilizando-se as áreas dos picos dos compostos iden-
tificados nos cromatogramas gasosos e de massas, de acordo
com as fórmulas apresentadas neste anexo.
179
•	 P/(P+F) – Razão Pristano/[Pristano+Fitano] = pristano / [pristano+fitano]; no
cromatograma gasoso.
•	 SterHop – Razão Esteranos/[Esteranos+Hopanos] = [5α(H), 14β(H), 17β(H) (20S+20R)
colestano + 5α(H), 14β(H), 17β(H) (20S+20R) 24-metil-colestano + 5α(H), 14β(H), 17β(H)
(20S+20R) 24-etil-colestano] / [5α(H), 14β(H), 17β(H) (20S+20R) colestano + 5α(H),
14β(H), 17β(H) (20S+20R) 24-metil-colestano + 5α(H), 14β(H), 17β(H) (20S+20R) 24-
etil-colestano + C27
18α(H) trisnorneohopane + C27
17α(H) trisnorhopano + C29
17α(H),
21β(H) norhopano + C30
17α(H), 21β(H) hopano + C31-35
17α(H), 21β(H) homohopanos];
nos cromatogramas de massas m/z 191 e 217.
•	 Diast – Índice de Diasteranos = 13β (H), 17α (H) (20S+20R) diacolestano / [13β(H),
17α(H) (20S+20R) diacolestano + 5α(H), I4α(H), I7α(H) (20S+20R) colestano; no
cromatograma de massa m/z 217.
•	 C27Ster – % C27
Esteranos = 5α(H), 14β(H), 17β(H) (20S+20R) colestano / [5α(H),
14β(H), 17β(H) (20S+20R) colestano + 5α(H), 14β(H), 17β(H) (20S+20R) 24-metil-
colestano + 5α(H), 14β(H), 17β(H) (20S+20R) 24-etil-colestano]; no cromatograma de
massa m/z 218.
•	 C28Ster – % C28
Esteranos = 5α(H), 14β(H), 17β(H) (20S+20R) 24-metil-colestano
/ [5α(H), 14β(H), 17β(H) (20S+20R) colestano + 5α(H), 14β(H), 17β(H) (20S+20R) 24-
metil-colestano + 5α(H), 14β(H), 17β(H) (20S+20R) 24-etil-colestano]; no cromatograma
de massa m/z 218.
•	 C29Ster – % C29
Esteranos = 5α(H), 14β(H), 17β(H) (20S+20R) 24-etil-colestano /
[5α(H), 14β(H), 17β(H) (20S+20R) colestano + 5α(H), 14β(H), 17β(H) (20S+20R) 24-
metil-colestano + 5α(H), 14β(H), 17β(H) (20S+20R) 24-etil-colestano]; no cromatograma
de massa m/z 218.
•	 C30Ster – % C30
Esteranos = 5α(H), 14β(H), 17β(H) (20S+20R) 24-propil-colestano
/ [5α(H), 14β(H), 17β(H) (20S+20R) colestano + 5α(H), 14β(H), 17β(H) (20S+20R) 24-
metil-colestano + 5α(H), 14β(H), 17β(H) (20S+20R) 24-etil-colestano + 5α(H), 14β(H),
17β(H) (20S+20R) 24-propil-colestano]; no cromatograma de massa m/z 218.
•	 C27/29Ster – Razão C27
/[C27
+C29
] Esteranos = 5α(H), 14β(H), 17β(H) (20S+20R)
colestano / [5α(H), 14β(H), 17β(H) (20S+20R) colestano + 5α(H), 14β(H), 17β(H)
(20S+20R) 24-etil-colestano]; no cromatograma de massa m/z 218.
•	 C29aaSter – Razão C29
Esteranos S/[S+R] = 5α(H), 14α(H), 17α(H) 24-etil-colestano
20S / [20S + 20R]; no cromatograma de massa m/z 217.
•	 C29bbSter – Razão C29
Esteranos αββ/[αββ+ααα] = 5α(H), 14β(H), 17β(H) (20S+20R)
24-etil-colestano / [5α(H), 14β(H), 17β(H) (20S+20R) 24-etil-colestano + 5α(H), 14α(H),
17α(H) (20S+20R) 24-etil-colestano]; no cromatograma de massa m/z 217.
180
•	 Tric – Índice de Tricíclicos = C20-26
terpanos tricíclicos / [C20-26
terpanos tricíclicos + C27
18α(H) trisnorneohopane + C27
17α(H) trisnorhopano + C29
17α(H), 21β(H) norhopano +
C30
17α(H), 21β(H) hopano + C31-35
17α(H), 21β(H) homohopanos]; no cromatograma de
massa m/z 191.
•	 C24Tetra – Índice de C24
Tetracíclico = C24
terpano tetracíclico / [C24
terpano tetracíclico
+ C26
terpano tricíclico]; no cromatograma de massa m/z 191.
•	 Ts/(Ts+Tm) – Razão Ts/[Ts+Tm] = C27
18α(H) trisnorneohopano / [C27
18α(H)
trisnorneohopane + C27
17α(H) trisnorhopano]; no cromatograma de massa m/z 191.
•	 Bisnorhop – Índice de Bisnorhopano = C28
17α(H), 18α(H), 21β(H) 28,30-bisnorhopano
/ [C28
17α(H), 18α(H), 21β(H) 28,30-bisnorhopano + C30
17α(H), 21β(H) hopano]; no
cromatograma de massa m/z 191.
•	 C29Norhop – Índice de C29
Norhopano = C29
17α(H), 21β(H) norhopano / [C29
17α(H),
21β(H) norhopano + C30
17α(H), 21β(H) hopano]; no cromatograma de massa m/z 191.
•	 Gamma – Índice de Gamacerano = Gamacerano / [Gamacerano + C30
17α(H), 21β(H)
hopano]; no cromatograma de massa m/z 191.
•	 C31S/R – Razão C31
Homopanos 22S/[22S=22R] = C31
17α(H), 21β(H) homohopano
22S / [22S+22R]; no cromatograma de massa m/z 191.
•	 C31Homo – Índice de C31
Homopanos = C31
17α(H), 21β(H) (22S+22R) homohopano /
C31-35
17α(H), 21β(H) (22S+22R) homohopanos; no cromatograma de massa m/z 191.
•	 C32Homo – Índice de C32
Homopanos = C32
17α(H), 21β(H) (22S+22R) homohopano /
C31-35
17α(H), 21β(H) (22S+22R) homohopanos; no cromatograma de massa m/z 191.
•	 C33Homo – Índice de C33
Homopanos = C33
17α(H), 21β(H) (22S+22R) homohopano /
C31-35
17α(H), 21β(H) (22S+22R) homohopanos; no cromatograma de massa m/z 191.
•	 C34Homo – Índice de C34
Homopanos = C34
17α(H), 21β(H) (22S+22R) homohopano /
C31-35
17α(H), 21β(H) (22S+22R) homohopanos; no cromatograma de massa m/z 191.
•	 C35Homo – Índice de C35
Homopanos = C35
17α(H), 21β(H) (22S+22R) homohopano /
C31-35
17α(H), 21β(H) (22S+22R) homohopanos; no cromatograma de massa m/z 191.
181
Amostra Posição (m) P/P+F SterHop Diast C27Ster C28Ster C29Ster C30Ster C27/29Ster
YC-49 707.00 0.44 0.67 0.17 0.35 0.35 0.30 0.03 0.53
BV-199 702.00 0.51 0.86 0.19 0.31 0.40 0.29 0.03 0.47
BV-196 698.30 0.43 0.82 0.13 0.28 0.41 0.31 0.02 0.45
BV-194 696.50 0.43 0.77 0.10 0.28 0.41 0.31 0.04 0.45
BV-193 696.00 0.44 0.74 0.09 0.31 0.36 0.34 0.03 0.43
BV-190 694.00 0.44 0.84 0.11 0.30 0.44 0.26 0.02 0.52
BV-189 690.50 0.45 0.78 0.13 0.30 0.41 0.29 0.02 0.49
BV-186 688.70 0.46 0.76 0.11 0.32 0.37 0.30 0.02 0.50
BV-185 688.00 0.43 0.76 0.11 0.30 0.41 0.29 0.03 0.49
BV-184 684.50 0.47 0.76 0.13 0.27 0.42 0.32 0.03 0.45
BV-182 676.70 0.50 0.60 0.21 0.29 0.41 0.29 0.02 0.48
YC-37 671.50 0.47 0.79 0.13 0.26 0.42 0.32 0.03 0.45
YC-35 662.00 0.58 0.78 0.09 0.27 0.42 0.31 0.02 0.46
YC-33 646.70 0.58 0.66 0.14 0.32 0.37 0.31 0.02 0.48
BV-181 636.50 0.48 0.62 0.21 0.34 0.38 0.28 0.02 0.51
YC-29 633.00 0.45 0.56 0.11 0.31 0.39 0.30 0.03 0.50
YC-27 629.30 0.52 0.57 0.17 0.35 0.37 0.28 0.02 0.55
BV-180 627.00 0.58 0.46 0.24 0.33 0.38 0.29 0.03 0.54
BV-179 620.30 0.47 0.60 0.18 0.32 0.38 0.30 0.02 0.53
BV-178 614.30 0.49 0.73 0.21 0.33 0.39 0.28 0.02 0.52
BV-177 608.80 0.54 0.30 0.27 0.32 0.36 0.32 0.03
YC-19 606.50 0.49 0.77 0.21 0.29 0.42 0.29 0.01 0.47
YC-16 603.60 0.47 0.62 0.12 0.30 0.40 0.30 0.02 0.47
YC-17 603.30 0.46 0.63 0.16 0.26 0.37 0.36 0.00 0.41
YC-15 603.15 0.45 0.69 0.11 0.23 0.38 0.40 0.01 0.35
YC-13 603.00 0.45 0.62 0.18 0.21 0.39 0.40 0.02 0.36
YC-12 602.70 0.46 0.62 0.16 0.24 0.37 0.39 0.01 0.36
YC-10 602.00 0.52 0.72 0.20 0.24 0.40 0.36 0.02 0.40
YC-09 601.50 0.49 0.73 0.19 0.28 0.41 0.31 0.02 0.46
YC-08 601.00 0.51 0.52 0.33 0.37 0.35 0.28 0.02 0.57
BV-176 530.00 0.81 0.10 0.24 0.31 0.35 0.34 0.04 0.45
BV-174 526.00 0.57 0.44 0.33 0.41 0.34 0.25 0.02 0.62
BV-172 518.70 0.48 0.69 0.18 0.35 0.35 0.30 0.02 0.53
BV-171 416.20 0.48 0.70 0.19 0.32 0.38 0.30 0.02 0.50
BV-169 413.30 0.57 0.57 0.29 0.41 0.34 0.25 0.02 0.61
BV-167 410.00 0.57 0.68 0.29 0.39 0.34 0.26 0.02 0.58
BV-165 366.50 0.59 0.41 0.32 0.40 0.34 0.26 0.02 0.59
BV-163 324.00 0.59 0.44 0.30 0.39 0.36 0.26 0.02 0.58
BV-161 295.00 0.59 0.45 0.31 0.37 0.37 0.26 0.02 0.58
BV-159 292.50 0.60 0.44 0.34 0.43 0.32 0.25 0.02 0.62
BV-156 289.60 0.57 0.44 0.31 0.41 0.35 0.24 0.02 0.62
BV-152 286.50 0.57 0.43 0.33 0.41 0.34 0.25 0.02 0.62
BV-150 270.80 0.57 0.49 0.32 0.42 0.33 0.25 0.02 0.63
BV-146 267.00 0.57 0.51 0.31 0.43 0.33 0.24 0.02 0.65
BV-142 258.50 0.56 0.49 0.32 0.45 0.31 0.23 0.02 0.65
BV-141 255.00 0.56 0.50 0.30 0.43 0.33 0.24 0.02 0.65
BV-140 245.50 0.57 0.52 0.31 0.42 0.34 0.24 0.02 0.65
Parte A
182
Amostra Posição (m) P/P+F SterHop Diast C27Ster C28Ster C29Ster C30Ster C27/29Ster
BV-138 243.00 0.54 0.51 0.32 0.43 0.32 0.25 0.02 0.63
BV-137 239.30 0.57 0.53 0.31 0.41 0.33 0.26 0.02 0.62
BV-135 236.70 0.49 0.54 0.36 0.40 0.31 0.28 0.02 0.58
BV-133 232.00 0.52 0.58 0.27 0.47 0.31 0.23 0.02 0.68
BV-131 227.50 0.57 0.48 0.34 0.43 0.33 0.24 0.02 0.66
BV-129 223.30 0.57 0.53 0.31 0.44 0.32 0.25 0.02 0.64
BV-127 220.00 0.55 0.51 0.31 0.45 0.31 0.24 0.02 0.65
BV-125 212.80 0.53 0.44 0.38 0.46 0.31 0.23 0.02 0.67
BV-121 210.50 0.55 0.46 0.39 0.44 0.31 0.25 0.02 0.64
BV-117 208.70 0.55 0.47 0.40 0.41 0.32 0.26 0.02 0.61
BV-114 198.00 0.60 0.33 0.51 0.45 0.32 0.24 0.02 0.65
BV-110 193.50 0.62 0.33 0.43 0.48 0.30 0.22 0.02 0.68
BV-107 191.70 0.56 0.38 0.45 0.46 0.30 0.24 0.02 0.66
BV-104 189.70 0.56 0.40 0.46 0.48 0.30 0.22 0.02 0.68
BV-100 187.70 0.60 0.40 0.41 0.48 0.30 0.22 0.01 0.70
BV-97 185.30 0.52 0.40 0.54 0.43 0.29 0.28 0.03 0.61
BV-89 145.00 0.59 0.40 0.37 0.45 0.32 0.23 0.02 0.67
BV-87 143.30 0.59 0.43 0.39 0.47 0.31 0.22 0.02 0.68
BV-84 141.00 0.60 0.43 0.38 0.48 0.30 0.21 0.01 0.70
BV-82 140.00 0.57 0.42 0.41 0.47 0.30 0.23 0.02 0.68
BV-80 138.00 0.59 0.36 0.41 0.46 0.31 0.23 0.02 0.67
BV-76 134.50 0.60 0.34 0.40 0.47 0.30 0.23 0.02 0.68
BV-72 130.70 0.57 0.40 0.44 0.48 0.29 0.22 0.02 0.68
BV-71 130.00 0.58 0.41 0.45 0.48 0.30 0.22 0.01 0.68
BV-68 128.00 0.57 0.47 0.38 0.46 0.31 0.23 0.02 0.67
BV-65 125.70 0.53 0.35 0.55 0.42 0.32 0.26 0.02 0.62
BV-64 124.50 0.55 0.48 0.39 0.45 0.31 0.24 0.02 0.65
BV-63 100.50 0.57 0.50 0.35 0.44 0.32 0.24 0.02 0.64
BV-56 97.00 0.59 0.41 0.45 0.45 0.32 0.23 0.02 0.66
BV-51 92.70 0.60 0.36 0.50 0.47 0.31 0.23 0.02 0.68
BV-47 90.20 0.59 0.31 0.47 0.47 0.29 0.24 0.02 0.66
BV-43 88.00 0.59 0.43 0.39 0.48 0.31 0.21 0.01 0.69
BV-40A 83.00 0.60 0.36 0.42 0.46 0.31 0.23 0.02 0.67
BV-40 82.70 0.61 0.34 0.40 0.50 0.30 0.20 0.01 0.71
BV-36 79.50 0.52 0.38 0.53 0.44 0.30 0.26 0.03 0.63
BV-28 75.70 0.56 0.46 0.51 0.42 0.31 0.27 0.03 0.62
BV-22 54.50 0.56 0.31 0.55 0.44 0.28 0.28 0.03 0.63
BV-19 50.50 0.59 0.37 0.57 0.48 0.26 0.26 0.03 0.65
BV-14 28.50 0.58 0.31 0.67 0.47 0.28 0.25 0.02 0.65
BV-11 23.80 0.60 0.21 0.43 0.44 0.31 0.25 0.02 0.64
BV-7 16.00 0.69 0.09 0.47 0.41 0.27 0.31 0.01 0.57
BV-4 13.80 0.76 0.07 0.61 0.28 0.23 0.49 0.01 0.42
YC-03 12.00 0.59 0.44 0.44 0.43 0.32 0.25 0.02 0.64
BV-1 9.00 0.63 0.08 0.53 0.37 0.28 0.35 0.00 0.55
YC-02 3.50 0.42 0.42 0.41 0.34 0.25 0.02 0.63
Parte A
183
Amostra Posição (m) C29aaSter C29bbSter Tric C24Tetra Ts/Ts+Tm Bisnorhop C29Norhop Gamma
YC-49 707.00 0.07 0.31 0.37 0.46 0.40 0.22 0.32 0.14
BV-199 702.00 0.05 0.25 0.29 0.60 0.39 0.62 0.30 0.21
BV-196 698.30 0.06 0.30 0.27 0.53 0.34 0.40 0.27 0.14
BV-194 696.50 0.07 0.29 0.30 0.51 0.24 0.24 0.28 0.37
BV-193 696.00 0.07 0.31 0.48 0.36 0.21 0.24 0.31 0.28
BV-190 694.00 0.08 0.31 0.55 0.44 0.29 0.52 0.34 0.17
BV-189 690.50 0.07 0.31 0.40 0.45 0.30 0.66 0.38 0.19
BV-186 688.70 0.08 0.29 0.40 0.47 0.28 0.54 0.34 0.21
BV-185 688.00 0.08 0.28 0.39 0.45 0.25 0.44 0.05 0.16
BV-184 684.50 0.08 0.24 0.31 0.52 0.30 0.46 0.37 0.21
BV-182 676.70 0.08 0.34 0.19 0.59 0.30 0.72 0.41 0.18
YC-37 671.50 0.08 0.28 0.34 0.48 0.26 0.40 0.06 0.20
YC-35 662.00 0.08 0.28 0.34 0.49 0.26 0.29 0.34 0.24
YC-33 646.70 0.07 0.31 0.34 0.45 0.26 0.31 0.35 0.28
BV-181 636.50 0.10 0.32 0.31 0.58 0.31 0.69 0.49 0.23
YC-29 633.00 0.16 0.26 0.40 0.41 0.24 0.24 0.35 0.33
YC-27 629.30 0.16 0.22 0.33 0.51 0.25 0.28 0.34 0.23
BV-180 627.00 0.16 0.23 0.18 0.59 0.25 0.50 0.36 0.20
BV-179 620.30 0.20 0.23 0.29 0.49 0.24 0.65 0.41 0.17
BV-178 614.30 0.18 0.25 0.35 0.49 0.25 0.72 0.48 0.24
BV-177 608.80 0.16 0.81 0.06 0.01 0.42 0.02
YC-19 606.50 0.08 0.32 0.32 0.50 0.31 0.04 0.34 0.11
YC-16 603.60 0.10 0.31 0.28 0.58 0.20 0.49 0.40 0.25
YC-17 603.30 0.10 0.37 0.40 0.59 0.25 0.47 0.41 0.15
YC-15 603.15 0.10 0.31 0.23 0.62 0.23 0.46 0.40 0.16
YC-13 603.00 0.10 0.24 0.18 0.63 0.27 0.12 0.38 0.19
YC-12 602.70 0.09 0.23 0.17 0.64 0.28 0.10 0.35 0.16
YC-10 602.00 0.09 0.23 0.18 0.65 0.33 0.47 0.36 0.09
YC-09 601.50 0.09 0.30 0.28 0.51 0.29 0.50 0.35 0.15
YC-08 601.00 0.21 0.25 0.32 0.39 0.31 0.21 0.39 0.07
BV-176 530.00 0.24 0.09 0.93 0.02 0.02 0.49 0.01
BV-174 526.00 0.26 0.21 0.32 0.44 0.33 0.28 0.42 0.05
BV-172 518.70 0.16 0.20 0.34 0.42 0.26 0.01 0.38 0.05
BV-171 416.20 0.16 0.22 0.34 0.39 0.28 0.00 0.36 0.04
BV-169 413.30 0.22 0.22 0.32 0.51 0.32 0.30 0.43 0.05
BV-167 410.00 0.22 0.23 0.30 0.48 0.34 0.23 0.44 0.05
BV-165 366.50 0.23 0.22 0.19 0.62 0.35 0.16 0.46 0.04
BV-163 324.00 0.25 0.22 0.21 0.56 0.31 0.00 0.43 0.03
BV-161 295.00 0.26 0.23 0.19 0.63 0.35 0.03 0.43 0.04
BV-159 292.50 0.25 0.24 0.25 0.48 0.36 0.18 0.43 0.04
BV-156 289.60 0.23 0.24 0.28 0.45 0.34 0.24 0.41 0.04
BV-152 286.50 0.26 0.25 0.29 0.44 0.32 0.29 0.42 0.05
BV-150 270.80 0.27 0.24 0.28 0.48 0.33 0.00 0.42 0.04
BV-146 267.00 0.27 0.25 0.39 0.47 0.33 0.14 0.43 0.05
BV-142 258.50 0.28 0.25 0.37 0.51 0.35 0.05 0.41 0.04
BV-141 255.00 0.28 0.23 0.35 0.48 0.35 0.05 0.41 0.04
BV-140 245.50 0.28 0.24 0.38 0.47 0.35 0.04 0.41 0.04
Parte B
184
Amostra Posição (m) C29aaSter C29bbSter Tric C24Tetra Ts/Ts+Tm Bisnorhop C29Norhop Gamma
BV-138 243.00 0.29 0.24 0.28 0.46 0.38 0.00 0.40 0.03
BV-137 239.30 0.29 0.25 0.37 0.37 0.35 0.00 0.40 0.05
BV-135 236.70 0.31 0.27 0.25 0.42 0.36 0.00 0.38 0.03
BV-133 232.00 0.31 0.26 0.52 0.39 0.34 0.00 0.40 0.04
BV-131 227.50 0.32 0.27 0.38 0.38 0.36 0.00 0.39 0.04
BV-129 223.30 0.32 0.27 0.47 0.34 0.37 0.01 0.39 0.05
BV-127 220.00 0.32 0.27 0.49 0.34 0.35 0.02 0.41 0.05
BV-125 212.80 0.33 0.29 0.36 0.36 0.39 0.02 0.39 0.04
BV-121 210.50 0.34 0.31 0.41 0.32 0.39 0.02 0.41 0.04
BV-117 208.70 0.36 0.29 0.34 0.38 0.42 0.03 0.39 0.03
BV-114 198.00 0.31 0.33 0.19 0.59 0.43 0.03 0.39 0.03
BV-110 193.50 0.36 0.31 0.38 0.50 0.39 0.02 0.41 0.03
BV-107 191.70 0.38 0.34 0.36 0.42 0.40 0.02 0.39 0.04
BV-104 189.70 0.37 0.35 0.41 0.39 0.41 0.03 0.40 0.04
BV-100 187.70 0.36 0.34 0.47 0.43 0.39 0.02 0.40 0.04
BV-97 185.30 0.35 0.39 0.22 0.58 0.51 0.01 0.32 0.03
BV-89 145.00 0.35 0.27 0.36 0.52 0.40 0.02 0.41 0.03
BV-87 143.30 0.34 0.29 0.39 0.48 0.40 0.02 0.42 0.04
BV-84 141.00 0.35 0.32 0.48 0.48 0.38 0.02 0.41 0.04
BV-82 140.00 0.36 0.33 0.41 0.44 0.41 0.03 0.39 0.04
BV-80 138.00 0.32 0.35 0.42 0.39 0.38 0.02 0.40 0.04
BV-76 134.50 0.32 0.32 0.41 0.43 0.38 0.02 0.41 0.04
BV-72 130.70 0.38 0.36 0.37 0.43 0.41 0.03 0.38 0.04
BV-71 130.00 0.38 0.36 0.50 0.40 0.40 0.03 0.39 0.04
BV-68 128.00 0.32 0.30 0.42 0.48 0.40 0.04 0.40 0.04
BV-65 125.70 0.33 0.31 0.37 0.42 0.41 0.07 0.38 0.04
BV-64 124.50 0.32 0.30 0.40 0.46 0.39 0.04 0.39 0.04
BV-63 100.50 0.33 0.28 0.40 0.41 0.40 0.02 0.40 0.03
BV-56 97.00 0.33 0.31 0.30 0.56 0.44 0.02 0.39 0.03
BV-51 92.70 0.35 0.31 0.23 0.55 0.43 0.02 0.39 0.03
BV-47 90.20 0.35 0.31 0.21 0.53 0.42 0.02 0.38 0.03
BV-43 88.00 0.30 0.33 0.45 0.53 0.39 0.02 0.42 0.03
BV-40A 83.00 0.33 0.37 0.57 0.34 0.36 0.03 0.41 0.05
BV-40 82.70 0.37 0.34 0.60 0.34 0.33 0.06 0.45 0.05
BV-36 79.50 0.37 0.37 0.26 0.56 0.51 0.04 0.34 0.03
BV-28 75.70 0.38 0.36 0.20 0.63 0.53 0.00 0.33 0.03
BV-22 54.50 0.32 0.41 0.16 0.57 0.52 0.00 0.34 0.04
BV-19 50.50 0.40 0.37 0.13 0.69 0.49 0.01 0.32 0.04
BV-14 28.50 0.41 0.43 0.28 0.57 0.49 0.02 0.34 0.04
BV-11 23.80 0.33 0.34 0.17 0.76 0.14 0.00 0.48 0.02
BV-7 16.00 0.34 0.37 0.11 0.94 0.15 0.01 0.48 0.01
BV-4 13.80 0.41 0.44 0.15 0.97 0.11 0.01 0.51 0.01
YC-03 12.00 0.33 0.33 0.44 0.58 0.37 0.04 0.41 0.03
BV-1 9.00 0.36 0.41 0.19 0.93 0.16 0.02 0.46 0.01
YC-02 3.50 0.37 0.39 0.61 0.36 0.16 0.43 0.05
Parte B
185
Amostra Posição (m) C31S/R C31Homo C32Homo C33Homo C34Homo C35Homo
YC-49 707.00 0.53 0.37 0.19 0.28 0.08 0.08
BV-199 702.00 0.44 0.50 0.17 0.22 0.06 0.06
BV-196 698.30 0.41 0.43 0.17 0.21 0.08 0.11
BV-194 696.50 0.43 0.33 0.17 0.28 0.11 0.12
BV-193 696.00 0.43 0.34 0.18 0.27 0.09 0.12
BV-190 694.00 0.42 0.48 0.18 0.17 0.08 0.09
BV-189 690.50 0.43 0.48 0.19 0.17 0.07 0.10
BV-186 688.70 0.42 0.48 0.17 0.19 0.07 0.09
BV-185 688.00 0.43 0.41 0.18 0.21 0.09 0.11
BV-184 684.50 0.40 0.44 0.19 0.19 0.09 0.10
BV-182 676.70 0.44 0.38 0.18 0.28 0.07 0.09
YC-37 671.50 0.40 0.43 0.18 0.19 0.09 0.10
YC-35 662.00 0.44 0.45 0.20 0.17 0.08 0.10
YC-33 646.70 0.44 0.38 0.20 0.25 0.08 0.09
BV-181 636.50 0.47 0.45 0.22 0.17 0.08 0.08
YC-29 633.00 0.51 0.40 0.24 0.19 0.08 0.08
YC-27 629.30 0.52 0.46 0.23 0.19 0.07 0.05
BV-180 627.00 0.54 0.34 0.20 0.29 0.09 0.08
BV-179 620.30 0.54 0.41 0.22 0.18 0.10 0.09
BV-178 614.30 0.51 0.39 0.21 0.19 0.10 0.11
BV-177 608.80 0.68 0.22 0.07 0.02 0.01
YC-19 606.50 0.44 0.52 0.18 0.16 0.06 0.08
YC-16 603.60 0.48 0.38 0.24 0.21 0.08 0.09
YC-17 603.30 0.49 0.49 0.23 0.15 0.06 0.06
YC-15 603.15 0.45 0.40 0.23 0.19 0.08 0.10
YC-13 603.00 0.44 0.44 0.23 0.17 0.08 0.07
YC-12 602.70 0.44 0.45 0.23 0.17 0.08 0.07
YC-10 602.00 0.45 0.39 0.18 0.25 0.08 0.11
YC-09 601.50 0.44 0.37 0.21 0.25 0.08 0.10
YC-08 601.00 0.56 0.42 0.22 0.20 0.09 0.07
BV-176 530.00 0.55 0.75 0.20 0.04 0.01 0.00
BV-174 526.00 0.59 0.46 0.22 0.19 0.08 0.04
BV-172 518.70 0.54 0.48 0.21 0.18 0.08 0.05
BV-171 416.20 0.53 0.44 0.20 0.21 0.08 0.07
BV-169 413.30 0.57 0.49 0.21 0.18 0.07 0.04
BV-167 410.00 0.57 0.49 0.20 0.17 0.08 0.06
BV-165 366.50 0.59 0.47 0.24 0.18 0.08 0.04
BV-163 324.00 0.59 0.47 0.23 0.19 0.08 0.04
BV-161 295.00 0.57 0.45 0.23 0.20 0.08 0.04
BV-159 292.50 0.59 0.47 0.23 0.19 0.08 0.04
BV-156 289.60 0.59 0.44 0.23 0.20 0.08 0.05
BV-152 286.50 0.57 0.44 0.22 0.20 0.09 0.05
BV-150 270.80 0.58 0.45 0.22 0.20 0.08 0.04
BV-146 267.00 0.59 0.50 0.22 0.18 0.07 0.04
BV-142 258.50 0.60 0.49 0.23 0.17 0.07 0.04
BV-141 255.00 0.58 0.46 0.22 0.19 0.08 0.05
BV-140 245.50 0.59 0.48 0.22 0.18 0.07 0.04
Parte C
186
Amostra Posição (m) C31S/R C31Homo C32Homo C33Homo C34Homo C35Homo
BV-138 243.00 0.58 0.42 0.23 0.20 0.09 0.05
BV-137 239.30 0.58 0.45 0.23 0.19 0.08 0.05
BV-135 236.70 0.58 0.41 0.22 0.20 0.10 0.06
BV-133 232.00 0.59 0.48 0.23 0.18 0.07 0.04
BV-131 227.50 0.58 0.41 0.22 0.21 0.09 0.06
BV-129 223.30 0.59 0.46 0.23 0.18 0.08 0.05
BV-127 220.00 0.58 0.48 0.23 0.17 0.07 0.05
BV-125 212.80 0.58 0.41 0.22 0.21 0.09 0.07
BV-121 210.50 0.58 0.44 0.22 0.19 0.09 0.06
BV-117 208.70 0.58 0.43 0.23 0.18 0.10 0.06
BV-114 198.00 0.60 0.43 0.24 0.18 0.10 0.06
BV-110 193.50 0.60 0.52 0.23 0.15 0.06 0.04
BV-107 191.70 0.59 0.44 0.23 0.18 0.09 0.06
BV-104 189.70 0.58 0.45 0.24 0.17 0.08 0.05
BV-100 187.70 0.60 0.49 0.23 0.16 0.07 0.04
BV-97 185.30 0.60 0.39 0.24 0.22 0.10 0.05
BV-89 145.00 0.58 0.47 0.23 0.17 0.08 0.05
BV-87 143.30 0.59 0.48 0.23 0.17 0.08 0.05
BV-84 141.00 0.59 0.51 0.23 0.15 0.06 0.04
BV-82 140.00 0.59 0.45 0.23 0.18 0.08 0.06
BV-80 138.00 0.60 0.46 0.23 0.17 0.08 0.05
BV-76 134.50 0.59 0.49 0.24 0.16 0.07 0.04
BV-72 130.70 0.59 0.46 0.22 0.18 0.08 0.05
BV-71 130.00 0.59 0.47 0.23 0.17 0.08 0.04
BV-68 128.00 0.59 0.49 0.23 0.17 0.07 0.04
BV-65 125.70 0.56 0.43 0.23 0.19 0.09 0.06
BV-64 124.50 0.58 0.45 0.22 0.18 0.08 0.05
BV-63 100.50 0.58 0.46 0.22 0.18 0.09 0.05
BV-56 97.00 0.59 0.44 0.24 0.18 0.09 0.05
BV-51 92.70 0.59 0.44 0.24 0.18 0.09 0.06
BV-47 90.20 0.60 0.41 0.23 0.19 0.10 0.06
BV-43 88.00 0.58 0.50 0.24 0.15 0.07 0.04
BV-40A 83.00 0.59 0.52 0.23 0.15 0.06 0.04
BV-40 82.70 0.58 0.51 0.22 0.16 0.07 0.05
BV-36 79.50 0.60 0.40 0.25 0.20 0.10 0.05
BV-28 75.70 0.60 0.43 0.25 0.19 0.09 0.04
BV-22 54.50 0.60 0.40 0.25 0.20 0.10 0.05
BV-19 50.50 0.59 0.39 0.25 0.21 0.10 0.05
BV-14 28.50 0.59 0.41 0.26 0.18 0.10 0.06
BV-11 23.80 0.60 0.50 0.25 0.13 0.08 0.04
BV-7 16.00 0.60 0.55 0.24 0.12 0.06 0.02
BV-4 13.80 0.57 0.58 0.24 0.11 0.05 0.01
YC-03 12.00 0.59 0.49 0.25 0.16 0.07 0.04
BV-1 9.00 0.60 0.60 0.24 0.10 0.05 0.02
YC-02 3.50 0.61 0.46 0.26 0.17 0.07 0.04
Parte C
187
Anexo 4 – Resultados das análises elementares do querogênio
das amostras da coluna estratigráfica do Rio Bambuca, Bacia do
Vale Superior do Magdalena, Colômbia. São apresentados os
teores (% em peso do querogênio) de carbono (C), hidrogênio
(H), oxigênio (O), nitrogênio (N) e enxofre (S) e as razões atômi-
cas H/C, O/C, N/C e S/C.
188
Amostra Posição (m) % C % H % O % N % S H/C O/C N/C S/C
YC-49 707,00 53,47 5,68 10,75 2,16 5,75 1,27 0,15 0,03 0,04
BV-199 702,00 65,06 6,20 11,17 6,12 3,48 1,14 0,13 0,08 0,02
BV-196 698,30 57,78 5,64 8,66 5,84 5,77 1,16 0,11 0,09 0,04
BV-194 696,50 64,76 6,38 6,93 6,94 6,34 1,17 0,08 0,09 0,04
BV-193 696,00 47,00 5,26 7,56 4,72 6,65 1,33 0,12 0,09 0,05
BV-190 694,00 57,81 6,12 7,79 6,48 6,24 1,26 0,10 0,10 0,04
BV-189 690,50 47,52 5,13 10,40 4,20 4,41 1,29 0,16 0,08 0,03
BV-186 688,70 65,77 6,53 9,41 8,06 6,30 1,18 0,11 0,11 0,04
BV-185 688,00 64,11 6,29 11,08 6,81 4,93 1,17 0,13 0,09 0,03
BV-184 684,50 58,29 5,97 7,36 6,13 4,95 1,22 0,09 0,09 0,03
BV-182 676,70 56,81 5,62 7,71 5,01 7,88 1,18 0,10 0,08 0,05
YC-37 671,50 65,44 6,65 9,00 3,10 7,05 1,21 0,10 0,04 0,04
YC-35 662,00 64,74 6,62 8,14 5,00 8,30 1,22 0,09 0,07 0,05
YC-33 646,70 49,39 5,39 7,63 3,51 6,43 1,30 0,12 0,06 0,05
BV-181 636,50 63,59 6,12 13,70 4,07 4,35 1,15 0,16 0,05 0,03
YC-29 633,00 66,08 6,95 9,78 1,53 6,95 1,25 0,11 0,02 0,04
YC-27 629,30 59,60 6,34 7,78 2,79 8,96 1,27 0,10 0,04 0,06
BV-180 627,00 51,95 5,06 6,88 3,68 10,87 1,16 0,10 0,06 0,08
BV-179 620,30 37,07 4,11 7,06 3,54 3,77 1,32 0,14 0,08 0,04
BV-178 614,30 66,35 6,74 11,99 1,66 5,34 1,21 0,14 0,02 0,03
BV-177 608,80 63,59 5,76 12,05 6,47 3,66 1,08 0,14 0,09 0,02
YC-19 606,50 65,64 5,86 11,73 6,70 4,27 1,06 0,13 0,09 0,02
YC-16 603,60 51,31 6,01 10,56 1,51 2,99 1,40 0,15 0,03 0,02
YC-17 603,30 58,62 5,99 6,85 5,76 7,70 1,22 0,09 0,08 0,05
YC-15 603,15 54,51 5,81 7,93 3,83 7,99 1,27 0,11 0,06 0,06
YC-13 603,00 48,45 5,14 8,65 1,78 10,31 1,26 0,13 0,03 0,08
YC-12 602,70 60,40 6,42 7,82 2,14 12,58 1,27 0,10 0,03 0,08
YC-10 602,00 53,08 5,75 7,89 2,13 10,06 1,29 0,11 0,03 0,07
YC-09 601,50 51,24 4,98 8,02 4,86 6,94 1,16 0,12 0,08 0,05
YC-08 601,00 57,90 5,61 6,38 6,91 4,02 1,15 0,08 0,10 0,03
BV-176 530,00 65,54 5,11 11,67 3,82 2,09 0,93 0,13 0,05 0,01
BV-174 526,00 45,04 3,94 10,03 3,02 2,91 1,04 0,17 0,06 0,02
BV-172 518,70 56,72 5,57 7,80 4,89 3,96 1,17 0,10 0,07 0,03
BV-171 416,20 53,20 5,50 6,56 5,22 2,41 1,23 0,09 0,08 0,02
BV-169 413,30 43,27 4,54 5,26 1,28 3,19 1,25 0,09 0,03 0,03
BV-167 410,00 63,70 6,10 4,83 6,39 3,08 1,14 0,06 0,09 0,02
BV-165 366,50 68,26 6,80 13,06 2,25 2,96 1,19 0,14 0,03 0,02
BV-163 324,00 64,37 6,19 7,79 7,17 3,44 1,15 0,09 0,10 0,02
BV-161 295,00 70,12 7,18 5,77 1,97 6,29 1,22 0,06 0,02 0,03
BV-159 292,50 64,13 6,00 5,75 6,66 3,40 1,11 0,07 0,09 0,02
BV-156 289,60 69,85 6,22 6,38 6,16 3,98 1,06 0,07 0,08 0,02
189
Amostra Posição (m) % C % H % O % N % S H/C O/C N/C S/C
BV-156 289,60 53,72 5,13 4,99 4,58 4,71 1,14 0,07 0,07 0,03
BV-150 270,80 59,43 5,29 4,32 5,65 4,00 1,06 0,05 0,08 0,03
BV-146 267,00 53,70 5,07 5,53 4,54 3,07 1,13 0,08 0,07 0,02
BV-142 258,50 47,53 5,45 11,49 4,24 3,32 1,37 0,18 0,08 0,03
BV-141 255,00 59,84 5,56 6,55 6,01 2,85 1,11 0,08 0,09 0,02
BV-140 245,50 72,33 7,45 9,54 2,17 3,19 1,23 0,10 0,03 0,02
BV-138 243,00 59,44 5,81 6,52 4,84 2,84 1,16 0,08 0,07 0,02
BV-137 239,30 69,41 6,65 7,28 0,65 4,90 1,14 0,08 0,01 0,03
BV-135 236,70 60,70 6,02 5,96 5,71 4,52 1,18 0,07 0,08 0,03
BV-133 232,00 60,21 6,37 6,11 1,77 5,80 1,26 0,08 0,03 0,04
BV-131 227,50 62,40 5,91 5,78 6,08 4,43 1,13 0,07 0,08 0,03
BV-129 223,30 63,47 6,12 5,03 4,49 7,20 1,15 0,06 0,06 0,04
BV-127 220,00 65,91 6,38 7,86 5,80 4,03 1,15 0,09 0,08 0,02
BV-125 212,80 68,76 7,23 5,56 1,67 4,08 1,25 0,06 0,02 0,02
BV-121 210,50 62,32 5,80 7,39 5,15 2,14 1,11 0,09 0,07 0,01
BV-117 208,70 65,16 5,78 6,79 6,63 3,01 1,06 0,08 0,09 0,02
BV-114 198,00 61,18 6,11 9,55 4,83 3,49 1,19 0,12 0,07 0,02
BV-110 193,50 51,01 5,23 6,05 4,09 4,79 1,22 0,09 0,07 0,04
BV-107 191,70 57,76 5,59 3,35 5,09 4,09 1,15 0,04 0,08 0,03
BV-104 189,70 52,72 5,43 6,31 5,00 8,18 1,23 0,09 0,08 0,06
BV-100 187,70 40,37 4,48 6,48 3,52 4,47 1,32 0,12 0,07 0,04
BV-089 145,00 42,30 4,53 6,80 4,07 5,52 1,28 0,12 0,08 0,05
BV-084 141,00 38,96 3,98 4,80 3,25 5,19 1,22 0,09 0,07 0,05
BV-082 140,00 50,48 4,71 4,11 4,46 6,37 1,11 0,06 0,08 0,05
BV-080 138,00 62,54 5,68 6,44 6,11 5,32 1,08 0,08 0,08 0,03
BV-76 134,50 46,11 4,59 6,60 3,82 5,56 1,19 0,11 0,07 0,05
BV-076 134,50 44,07 4,48 6,48 3,25 5,06 1,21 0,11 0,06 0,04
BV-072 130,70 54,21 5,32 6,40 4,14 3,57 1,17 0,09 0,07 0,02
BV-071 130,00 47,67 5,14 8,40 1,69 4,51 1,28 0,13 0,03 0,04
BV-068 128,00 42,65 4,33 4,15 3,59 3,06 1,21 0,07 0,07 0,03
BV-68 128,00 44,40 4,63 5,01 3,43 3,16 1,24 0,08 0,07 0,03
BV-065 125,70 28,05 3,12 4,59 2,06 1,70 1,33 0,12 0,06 0,02
BV-064 124,50 44,79 4,39 4,77 3,65 3,71 1,17 0,08 0,07 0,03
BV-063 100,50 61,21 5,51 6,63 5,91 4,27 1,07 0,08 0,08 0,03
BV-056 97,00 59,84 5,50 6,49 5,27 9,68 1,10 0,08 0,08 0,06
BV-051 92,70 55,85 5,51 6,57 5,43 6,35 1,18 0,09 0,08 0,04
BV-047 90,20 53,56 5,14 5,59 5,13 9,48 1,14 0,08 0,08 0,07
BV-40A 83,00 47,52 4,73 6,18 3,60 5,35 1,19 0,10 0,07 0,04
BV-040 82,70 60,75 5,41 4,82 5,85 5,89 1,06 0,06 0,08 0,04
190
Amostra Posição (m) % C % H % O % N % S H/C O/C N/C S/C
BV-036 79,50 57,99 5,58 4,86 7,60 1,15 0,07 0,05
BV-028 74,50 70,09 6,77 7,30 6,06 3,01 1,15 0,08 0,07 0,02
BV-022 54,50 67,25 6,16 5,11 6,76 3,93 1,09 0,06 0,09 0,02
BV-019 50,50 63,14 5,37 7,55 4,86 5,68 1,01 0,09 0,07 0,03
BV-014 28,50 55,20 5,58 8,64 4,67 11,51 1,20 0,12 0,07 0,08
BV-011 23,80 40,67 4,09 7,79 2,51 5,08 1,20 0,14 0,05 0,05
BV-007 16,00 68,65 5,58 7,17 4,46 5,76 0,97 0,08 0,06 0,03
BV-004 13,80 69,84 5,39 7,94 4,42 3,18 0,92 0,09 0,05 0,02
YC-03 12,00 34,92 2,56 4,36 1,97 1,07 0,87 0,09 0,05 0,01
BV-001 9,00 70,14 5,42 7,88 3,92 2,31 0,92 0,08 0,05 0,01
YC-02 3,50 59,29 4,34 9,19 2,31 1,29 0,87 0,12 0,03 0,01
191
Anexo 5 – Parâmetros cinéticos das amostras da coluna es-
tratigráfica do Rio Bambuca, Bacia do Vale Superior do Magda-
lena, Colômbia. São apresentados os valores da função de erro
(FE, adimensional), do fator de freqüência (A, em s-1) e dos po-
tenciais geradores (em mgHC/gCOT) associados a cada energia
de ativação (kcal/mol).
192
AmostraPosição
(m)
FEA(s-1)Potenciaisgeradores(mgHC/gCOT)porEnergiadeAtivação(emkcal/mol)
404244464850525456586062646668707274767880
BV-196698.300.163.93E+140.000.000.000.204.201.7044.30181.80140.1037.8011.004.703.803.302.201.601.901.000.100.000.00
BV-193696.000.041.21E+130.000.003.8013.30120.30404.7091.6013.107.102.802.201.600.800.300.100.000.000.000.000.000.00
BV-190694.000.146.76E+130.000.000.003.8011.3078.90251.70111.2023.008.203.402.902.201.400.900.700.200.100.000.000.00
BV-186688.700.087.99E+130.000.000.004.9018.5082.60223.40120.6032.3011.905.003.202.501.700.800.300.100.000.000.000.00
BV-184684.500.136.75E+130.000.000.104.703.10104.20314.40142.1032.609.604.003.702.801.801.601.500.400.100.000.000.00
BV-182676.700.061.68E+130.000.001.406.9077.40264.10120.3024.708.003.703.002.201.501.100.500.100.000.000.000.000.00
BV-180627.000.141.44E+130.000.000.000.0095.60270.1095.2017.805.301.601.801.801.300.900.400.100.000.000.000.000.00
BV-178614.300.081.70E+130.000.003.3011.2059.10201.70127.7027.4012.904.403.602.501.601.400.600.100.000.000.000.000.00
BV-172518.700.181.37E+130.000.100.100.0022.10354.70141.9016.3011.903.503.302.801.701.000.400.100.000.000.000.000.00
BV-171416.200.121.30E+130.000.100.600.000.00298.50137.6013.3010.702.803.602.501.601.200.500.100.000.000.000.000.00
BV-169413.300.081.46E+130.000.100.700.000.00351.10194.3028.0017.805.806.004.302.401.600.600.100.000.000.000.000.00
BV-167410.000.212.27E+140.000.000.001.004.200.200.80250.60142.8017.9011.503.804.303.401.701.802.500.500.000.000.00
BV-165366.500.211.95E+140.000.000.000.704.701.004.70153.4087.5014.7010.304.203.502.901.701.401.000.200.000.000.00
BV-163324.000.261.13E+130.000.000.000.000.00305.00101.0015.106.602.102.702.101.200.700.200.000.000.000.000.000.00
BV-161295.000.264.32E+130.000.001.500.500.000.00268.00111.9013.405.801.301.901.401.101.701.200.200.000.000.000.00
BV-159292.500.269.67E+120.000.000.000.000.00349.00136.8016.309.102.503.702.701.701.200.400.100.000.000.000.000.00
BV-156289.600.162.12E+140.000.000.000.900.100.000.00263.60114.7014.708.102.403.202.401.601.100.600.200.000.000.00
BV-152286.500.714.80E+130.000.000.400.400.000.40299.20139.3018.6011.503.004.002.801.701.100.400.000.000.000.000.00
BV-150270.800.191.01E+130.000.100.000.000.00358.90119.2015.407.500.902.601.901.200.900.200.000.000.000.000.000.00
BV-146267.000.121.11E+130.000.000.000.000.00344.70113.6013.909.702.603.402.701.400.600.100.000.000.000.000.000.00
BV-141255.000.149.88E+120.000.000.000.000.00329.30106.3016.009.903.704.102.701.601.100.300.000.000.000.000.000.00
BV-140245.500.151.08E+130.000.200.600.000.00237.30100.0013.109.703.403.502.501.400.800.200.100.000.000.000.000.00
BV-138243.000.253.77E+130.000.000.803.300.000.20206.3065.608.607.003.303.101.901.401.800.700.100.000.000.000.00
BV-137239.300.268.65E+140.000.000.000.001.901.200.000.00269.80120.1018.0010.504.104.303.402.301.801.700.600.100.00
BV-131227.500.358.81E+120.000.000.000.000.00414.60103.1019.303.501.501.801.701.200.700.200.100.000.000.000.000.00
BV-129223.300.057.91E+120.000.000.000.000.10396.3091.3014.104.701.902.201.900.800.300.100.000.000.000.000.000.00
BV-127220.000.084.08E+130.000.000.200.000.000.00351.10117.3015.509.603.703.602.901.600.700.200.100.000.000.000.00
BV-125212.800.224.02E+130.000.000.100.000.000.10292.6093.2012.307.903.703.302.601.601.100.400.100.000.000.000.00
BV-121210.500.094.33E+130.000.000.603.200.000.60301.50117.7013.208.303.203.302.701.701.100.400.100.000.000.000.00
BV-114198.000.353.58E+130.000.000.000.000.000.00234.3057.5012.105.403.603.002.101.501.100.300.000.000.000.000.00
193
BV-110193.500.063.45E+130.000.000.000.000.000.00378.10102.9015.309.202.803.603.201.400.400.100.000.000.000.000.00
BV-107191.700.089.42E+120.000.301.500.000.00314.40107.4017.2012.505.204.803.501.800.800.200.000.000.000.000.000.00
BV-100187.700.213.27E+130.000.000.100.000.0016.80346.4084.1012.506.702.502.902.400.800.200.000.000.000.000.000.00
BV-97185.300.363.23E+130.000.001.803.200.000.00298.70106.008.204.101.501.301.001.001.701.000.100.000.000.000.00
BV-89145.000.183.37E+130.000.000.300.000.000.30394.20109.0015.306.001.202.102.301.400.500.100.000.000.000.000.00
BV-87143.300.117.60E+120.000.000.000.000.00392.0084.8014.404.603.703.802.601.200.500.100.000.000.000.000.000.00
BV-84141.000.147.93E+120.000.200.300.001.30350.5085.8011.307.902.903.502.701.000.200.000.000.000.000.000.000.00
BV-82140.000.141.38E+140.000.000.000.000.000.000.20271.9091.3018.205.201.303.002.201.501.400.600.000.000.000.00
BV-80138.000.138.46E+120.000.000.000.000.00363.5095.6014.607.203.203.602.701.000.300.100.000.000.000.000.000.00
BV-76134.500.067.97E+120.000.000.000.000.30367.8077.9014.605.702.103.402.600.600.100.000.000.000.000.000.000.00
BV-72130.700.425.90E+140.000.000.000.001.700.000.000.00265.60101.6015.801.401.902.001.601.201.502.100.400.100.00
BV-68128.000.273.79E+130.000.000.000.000.000.20339.40100.4020.1010.105.204.403.501.900.700.100.000.000.000.000.00
BV-64124.500.087.33E+120.000.000.000.000.00410.7078.8017.405.502.703.302.201.000.300.100.000.000.000.000.000.00
BV-63100.500.073.65E+130.000.000.000.000.000.10339.10102.2016.206.702.703.002.601.500.700.200.000.000.000.000.00
BV-5697.000.263.25E+130.000.000.000.000.000.00338.20106.9015.803.501.301.501.101.001.200.400.100.000.000.000.00
BV-5192.700.193.37E+130.000.001.200.200.000.00382.20124.0016.304.601.201.401.301.000.700.300.100.000.000.000.00
BV-4790.200.111.49E+140.000.000.001.101.500.000.70336.40133.8016.605.200.601.001.301.100.900.500.100.000.000.00
BV-4388.000.228.40E+120.000.000.000.000.00375.3091.6016.503.502.503.202.401.100.400.100.000.000.000.000.000.00
BV-40A83.000.149.02E+120.000.200.700.002.00354.30106.5017.808.802.002.602.201.000.300.100.000.000.000.000.000.00
BV-2254.500.223.11E+130.000.000.300.000.000.40258.4058.5012.402.902.502.301.401.301.300.400.000.000.000.000.00
BV-1950.500.193.06E+130.000.003.401.000.000.00364.80102.4016.503.302.402.201.501.201.400.500.100.000.000.000.00
BV-1428.500.122.58E+130.000.001.200.000.000.00402.8092.7014.602.801.901.701.201.301.200.200.000.000.000.000.00
BV-1123.800.183.35E+130.000.001.205.801.3015.60156.0080.2023.3010.601.903.002.501.500.800.200.000.000.000.000.00
BV-716.000.321.13E+140.000.000.002.201.100.000.00174.5049.2010.604.101.902.001.401.101.100.500.100.000.000.00
BV-413.800.161.28E+140.000.000.002.102.100.000.00147.9066.1018.607.801.903.302.401.701.400.500.100.000.000.00
BV-19.000.224.61E+140.000.000.000.000.000.000.000.00181.7071.9022.0012.106.006.504.002.801.900.800.100.000.00
AmostraPosição
(m)
FEA(s-1)Potenciaisgeradores(mgHC/gCOT)porEnergiadeAtivação(emkcal/mol)
404244464850525456586062646668707274767880
194
Anexo 6 – Resultados das análises de ICP-MS em amostras de
rocha total da coluna estratigráfica do Rio Bambuca, Bacia do
Vale Superior do Magdalena, Colômbia.
São apresentadas concentrações de 37 elementos: Potássio
(K), Alumínio (Al), Magnésio (Mg), Disprósio (Dy), Samário (Sa),
Tálio (Tl), Praseodímio (Pr), Nióbio (Nb), Cádmio (Cd), Escândio
(Sc), Urânio (U), Tório (Th), Chumbo (Pb), Cobalto (Co), Gálio
(Ga), Cobre (Cu), Neodímio (Nd), Ítrio (Y), Lantânio (La), Cério
(Ce), Molibdênio (Mo), Rubídio (Rb), Fósforo (P), Zircônio (Zr),
Cromo (Cr), Estanho (Sn), Níquel (Ni), Manganês (Mn), Zinco
(Zn), Bário (Ba), Estrôncio (Sr), Vanádio (V), Sódio (Na), Titânio
(Ti), Cálcio (Ca), Ferro (Fe) e Silício (Si).
À exceção do Si, cujas concentrações estão reportadas em por-
centagem do peso da amostra (% peso), todos os elementos
restantes tem suas concentrações apresentadas em partes por
milhão (ppm).
195
Amostra Posição (m) Na Mg Al K Ca V Cr Mn
YC-49 707.00 734.000 203.000 4756.000 850.000 2.680 113.000 12.000 4.600
BV-199 702.00 1230.000 1938.000 2.701 3687.000 4.922 122.000 55.300 26.300
BV-196 698.30 1087.000 2154.000 5.303 7627.000 6.787 709.000 53.400 34.400
BV-194 696.50 1984.000 1536.000 3.088 4496.000 11.634 868.000 46.200 34.500
BV-193 696.00 906.000 1992.000 2.142 4038.000 12.306 1092.000 63.500 37.500
BV-190 694.00 1690.000 1296.000 1.905 3530.000 14.413 544.000 33.900 43.700
BV-189 690.50 286.000 2054.000 3566.000 840.000 28.103 103.000 6.200 139.000
BV-186 688.70 1248.000 1354.000 2.920 4573.000 21.395 677.000 46.200 45.900
BV-185 688.00 1324.000 2052.000 2.742 4202.000 14.831 839.000 51.000 47.900
BV-184 684.50 1184.000 1054.000 6135.000 1098.000 23.961 152.000 13.000 43.000
BV-182 676.70 1018.000 1042.000 1.712 1570.000 17.924 74.000 11.400 37.000
YC-37 671.50 790.000 1094.000 1.630 2769.000 20.320 332.000 38.000 42.000
YC-35 662.00 400.000 872.000 2.041 3341.000 14.155 497.000 35.000 33.600
YC-33 646.70 832.000 1153.000 4.153 4727.000 9.306 269.000 25.100 29.200
BV-181 636.50 2467.000 1257.000 1.344 1555.000 25.261 137.000 10.600 33.700
YC-29 633.00 1765.000 957.000 2.152 2318.000 15.255 156.000 16.500 22.200
YC-27 629.30 1065.000 993.000 1.612 2848.000 14.238 414.000 26.400 24.000
BV-180 627.00 693.000 1186.000 3.386 4180.000 10.487 561.000 43.000 28.200
BV-179 620.30 2640.000 1428.000 4879.000 944.000 27.319 127.000 4.700 44.000
BV-178 614.30 2012.000 1225.000 2.142 2842.000 24.901 350.000 22.400 39.800
YC-19 606.50 422.000 1355.000 6.289 7964.000 10.433 383.000 39.200 58.500
YC-16 603.60 550.000 994.000 3.877 5159.000 15.225 75.000 26.000 167.000
YC-17 603.30 415.000 663.000 1.195 1783.000 14.294 26.000 14.800 216.000
YC-15 603.15 1141.000 1623.000 6.141 7057.000 3.912 179.000 72.500 180.000
YC-13 603.00 582.000 1152.000 3.487 5846.000 12.074 47.500 21.900 146.000
YC-12 602.70 541.000 1221.000 4.138 6813.000 11.762 59.000 26.000 142.000
YC-10 602.00 675.000 1613.000 5.221 9773.000 5.235 409.000 105.000 116.000
YC-09 601.50 486.000 1397.000 6.042 9579.000 11.152 348.000 68.400 120.000
YC-08 601.00 1468.000 1673.000 6357.000 1038.000 33.119 59.000 4.300 99.400
BV-176 530.00 571.000 2611.000 13.787 1.658 5054.000 36.200 36.300 38.000
BV-174 526.00 433.000 2171.000 16.072 1.817 1.170 38.800 30.900 62.800
BV-172 518.70 348.000 1233.000 8.849 1.072 8.155 382.000 39.200 41.000
BV-171 416.20 234.000 1137.000 7.151 8252.000 13.270 290.000 29.000 38.400
BV-169 413.30 279.000 1054.000 6.884 8173.000 9.208 314.000 29.300 31.600
BV-167 410.00 215.000 706.000 3.434 4088.000 17.988 163.000 18.700 44.500
BV-165 366.50 966.000 2522.000 10.337 1.029 2.533 372.000 63.400 56.000
BV-163 324.00 492.000 1859.000 9.246 9377.000 8.612 426.000 50.000 45.000
BV-161 295.00 1058.000 2355.000 9.136 9427.000 7.223 241.000 49.300 46.500
BV-159 292.50 479.000 2141.000 9.566 1.029 6.108 420.000 64.500 33.100
BV-156 289.60 1088.000 2113.000 8.212 8672.000 8.383 444.000 54.000 35.000
BV-152 286.50 703.000 2208.000 6.504 7609.000 10.058 527.000 51.600 33.100
BV-150 270.80 577.000 2104.000 8.871 1.005 5.661 533.000 66.000 34.000
BV-146 267.00 434.000 1833.000 5.348 6538.000 9.352 561.000 42.000 32.000
BV-142 258.50 250.000 1.330 6.165 7714.000 10.551 102.000 28.000 145.000
BV-141 255.00 429.000 3282.000 8.747 1.207 6.027 223.000 48.000 50.000
BV-140 245.50 438.000 1729.000 6.949 1.024 9.198 361.000 41.600 34.400
BV-138 243.00 310.000 1724.000 9.519 1.155 5.083 161.000 44.000 46.000
Parte A
196
Amostra Posição (m) Na Mg Al K Ca V Cr Mn
BV-137 239.30 998.000 1836.000 9.652 1.220 5.219 225.000 45.400 32.000
BV-135 236.70 231.000 1070.000 2.788 3695.000 27.498 34.000 9.400 80.000
BV-133 232.00 673.000 1416.000 5.879 8463.000 11.279 400.000 42.000 43.000
BV-131 227.50 347.000 1899.000 8.072 1.099 6.957 243.000 50.000 54.000
BV-129 223.30 560.000 1597.000 6.867 1.090 9.187 348.000 67.000 45.000
BV-127 220.00 608.000 1486.000 5.304 8622.000 11.064 411.000 48.800 54.500
BV-125 212.80 648.000 2033.000 7.257 1.202 5.378 230.000 40.700 38.200
BV-121 210.50 500.000 1604.000 5.750 8629.000 7.255 426.000 35.400 22.700
BV-117 208.70 363.000 872.000 2.582 4140.000 23.722 34.900 10.200 73.300
BV-114 198.00 624.000 2276.000 9.243 1.100 2.514 144.000 49.500 45.700
BV-110 193.50 306.000 1008.000 3.329 6611.000 15.416 477.000 47.600 39.300
BV-104 189.70 208.000 720.000 1.142 2246.000 26.914 46.800 11.000 32.900
BV-100 187.70 677.000 1770.000 4.715 1.079 4.867 1157.000 110.000 40.000
BV-97 185.30 1005.000 1757.000 10.214 1.356 1.864 206.000 68.700 52.000
BV-89 145.00 588.000 1172.000 5.645 8470.000 9.584 399.000 41.000 24.500
BV-87 143.30 683.000 1053.000 3.710 7560.000 5.563 430.000 55.200 18.000
BV-84 141.00 899.000 1876.000 3.496 7483.000 5.546 1323.000 124.000 30.000
BV-82 140.00 722.000 1846.000 2.651 6354.000 13.125 299.000 58.200 45.900
BV-80 138.00 986.000 2511.000 5.316 1.069 8.605 1049.000 142.000 45.000
BV-76 134.50 1257.000 2771.000 6.435 1.298 7.545 1494.000 210.000 51.500
BV-72 130.70 462.000 1633.000 3.158 6972.000 20.603 285.000 57.000 48.500
BV-71 130.00 2630.000 2634.000 5.038 1.219 14.694 647.000 96.000 53.000
BV-68 128.00 1867.000 3300.000 6.888 2.246 5.132 1698.000 230.000 71.000
BV-65 125.70 663.000 998.000 7259.000 1632.000 33.683 48.000 14.400 47.000
BV-64 124.50 742.000 3572.000 4.467 9107.000 12.411 290.000 84.000 133.000
BV-63 100.50 1794.000 2547.000 7.521 1.317 8.671 320.000 69.400 47.400
BV-56 97.00 725.000 3278.000 9.790 1.285 4.020 107.000 58.500 62.200
BV-51 92.70 2995.000 3906.000 10.385 1.292 3.936 432.000 79.000 72.000
BV-47 90.20 596.000 3496.000 11.938 1.587 3.842 508.000 87.200 66.000
BV-43 88.00 1183.000 3923.000 4.885 1.030 10.422 861.000 97.000 77.000
BV-40A 83.00 1998.000 2018.000 3.440 1.156 13.751 780.000 69.000
BV-40 82.70 1005.000 2439.000 5.647 1.426 10.509 1111.000 245.000 60.000
BV-36 79.50 744.000 3438.000 11.216 1.322 2.545 170.000 74.000 120.000
BV-28 75.70 3186.000 2475.000 13.160 1.293 8113.000 292.000 103.000 39.400
BV-22 54.50 5431.000 3052.000 13.062 1.492 1.563 275.000 49.800
BV-19 50.50 1054.000 2577.000 12.998 1.478 1.118 226.000 108.000 51.000
BV-14 28.50 1103.000 3444.000 12.748 1.879 1.574 247.000 98.000 120.000
BV-11 23.80 5210.000 1640.000 10.721 5592.000 2669.000 192.000 49.800 21.000
BV-7 16.00 877.000 748.000 13.729 6532.000 6.500 73.000 50.000 13.800
BV-4 13.80 944.000 462.000 7.740 3899.000 13.100 36.000 36.000 10.300
YC-03 12.00 161.000 88.000 2.799 1132.000 18.500 16.700 3.700
BV-1 9.00 295.000 2093.000 9.082 4986.000 892.000 63.000 30.000 1493.000
YC-02 3.50 105.000 31.000 5859.000 385.000 7.100 4.300 3.800
Parte A
197
Amostra Posição (m) Fe Co Ni Cu Zn Y Mo Cd Ba
YC-49 707.00 1.803 15.280 4.990 46.000 2.300 5.160 3.000 133.000
BV-199 702.00 1.105 2.400 26.500 5.900 27.080 9.400 2.100 1.500 223.000
BV-196 698.30 1.362 4.500 57.300 19.000 122.200 15.800 36.300 8.100 156.000
BV-194 696.50 8104.000 4.200 136.000 26.200 338.000 10.900 61.200 17.400 198.000
BV-193 696.00 1.185 4.800 308.000 38.700 400.000 13.700 152.000 15.700 158.000
BV-190 694.00 7652.000 4.500 90.300 14.900 219.300 61.000 8.190 144.000
BV-189 690.50 8292.000 5.200 11.250 1.690 22.100 3.760 5.800 0.970 51.300
BV-186 688.70 1.249 6.700 82.000 15.500 96.000 19.200 62.500 4.300 245.000
BV-185 688.00 1.125 6.650 94.400 18.400 187.000 9.700 65.000 13.700 96.000
BV-184 684.50 4778.000 6.300 17.400 3.700 29.700 9.400 10.400 1.190 61.600
BV-182 676.70 9248.000 7.600 47.700 6.600 21.300 6.500 30.300 0.380 60.000
YC-37 671.50 8260.000 6.700 43.400 11.600 91.000 8.000 28.300 4.900 87.000
YC-35 662.00 9216.000 5.800 85.400 11.200 225.000 12.900 46.000 6.600 193.000
YC-33 646.70 1.204 5.300 94.000 13.600 55.400 12.100 55.000 0.900 111.000
BV-181 636.50 7293.000 7.170 23.500 3.900 32.000 4.700 8.700 0.700 83.200
YC-29 633.00 1.114 4.900 68.700 5.700 25.400 6.000 43.000 0.500 99.600
YC-27 629.30 1.077 5.500 80.200 11.600 248.000 12.000 68.000 9.500 111.000
BV-180 627.00 1.376 6.500 85.000 10.900 61.000 9.000 59.000 1.800 99.000
BV-179 620.30 9004.000 6.500 18.800 2.300 26.300 3.300 21.800 0.780 81.000
BV-178 614.30 8437.000 8.700 61.400 5.400 37.600 10.600 16.000 0.680 122.000
YC-19 606.50 2.172 10.600 83.000 14.000 125.000 15.400 29.700 0.690 501.000
YC-16 603.60 2.306 12.600 43.300 13.800 21.400 10.000 6.000 0.750 163.000
YC-17 603.30 3.798 10.400 38.200 17.700 10.400 15.000 2.890 101.000
YC-15 603.15 3.901 32.700 95.800 50.600 30.800 9.000 10.000 80.000
YC-13 603.00 2.936 12.000 24.000 17.600 8.200 35.000 2.200 87.000
YC-12 602.70 2.534 15.300 29.300 19.700 11.200 11.400 1.400 78.000
YC-10 602.00 3.445 17.300 207.000 37.700 43.100 16.000 27.200 0.900 110.000
YC-09 601.50 4.607 14.300 335.000 37.000 112.000 41.000 44.800 2.860 90.000
YC-08 601.00 1.850 7.000 22.500 2.380 19.700 6.750 9.100 0.500 27.900
BV-176 530.00 4.282 7.400 12.400 5.200 14.300 24.200 108.000
BV-174 526.00 4.801 5.360 12.600 5.500 13.200 20.300 1.700 94.000
BV-172 518.70 3.163 4.200 56.600 10.600 52.700 11.600 27.000 2.750 192.000
BV-171 416.20 2.791 5.100 44.400 7.800 34.000 9.800 24.200 1.570 89.000
BV-169 413.30 2.583 4.700 35.400 9.300 37.000 11.200 23.400 1.480 108.000
BV-167 410.00 2.111 5.100 27.400 6.800 136.000 22.400 18.000 12.000 69.000
BV-165 366.50 3.499 5.900 51.000 11.700 46.000 18.700 23.900 1.300 133.000
BV-163 324.00 2.715 6.800 49.000 11.200 44.000 18.700 44.000 1.880 139.000
BV-161 295.00 3.298 7.700 42.100 11.100 11.900 20.200 18.000 127.000
BV-159 292.50 2.576 7.500 56.000 11.300 31.000 22.100 23.000 0.980 106.000
BV-156 289.60 2.799 5.900 52.000 9.900 39.700 15.800 46.000 2.700 117.000
BV-152 286.50 2.749 6.700 61.400 14.000 79.000 16.800 56.000 4.000 146.000
BV-150 270.80 2.202 7.700 66.800 13.200 38.100 18.200 42.200 2.000 134.000
BV-146 267.00 2.218 7.300 61.100 13.000 51.200 13.500 41.000 2.000 95.000
BV-142 258.50 8.366 8.000 33.000 6.700 9.700 11.400 14.200 76.000
BV-141 255.00 3.170 7.200 52.000 12.600 25.000 14.800 32.000 0.700 77.000
BV-140 245.50 2.336 8.450 54.300 12.500 56.500 17.000 42.700 2.600 160.000
BV-138 243.00 3.129 8.000 38.600 10.000 48.100 16.200 24.100 2.460 148.000
Parte B
198
Amostra Posição (m) Fe Co Ni Cu Zn Y Mo Cd Ba
BV-137 239.30 2.578 6.600 40.500 9.700 20.200 14.000 26.000 0.600 129.000
BV-135 236.70 2.904 13.300 16.900 3.100 2.700 6.400 6.670 37.200
BV-133 232.00 1.950 10.500 59.400 13.700 120.000 20.000 68.000 4.400 117.000
BV-131 227.50 2.265 8.700 48.600 11.700 36.400 13.300 29.200 1.380 107.000
BV-129 223.30 2.074 9.200 58.400 14.300 73.000 17.500 44.000 4.400 124.000
BV-127 220.00 2.286 8.700 59.100 13.900 70.000 13.300 45.000 4.700 125.000
BV-125 212.80 2.659 6.100 43.100 10.200 45.000 13.100 27.000 2.300 81.000
BV-121 210.50 2.216 5.600 58.700 10.300 93.500 8.400 52.700 3.800 79.000
BV-117 208.70 3.363 14.100 16.800 3.900 2.100 9.300 6.500 82.000
BV-114 198.00 3.781 7.400 36.400 11.200 20.400 10.500 18.200 0.700 60.000
BV-110 193.50 1.518 9.700 63.500 11.600 72.700 4.790 59.900 6.900 51.000
BV-104 189.70 1.233 13.200 14.900 2.900 2.000 2.400 7.400 11.400
BV-100 187.70 1.913 6.400 143.000 27.000 433.000 9.600 146.000 27.900 155.000
BV-97 185.30 3.018 7.000 41.000 11.100 24.400 12.480 17.300 0.720 75.600
BV-89 145.00 2.082 7.100 77.000 15.200 71.100 9.280 85.000 4.600 62.000
BV-87 143.30 1.256 4.300 61.000 12.100 88.500 10.000 59.000 8.160 65.000
BV-84 141.00 1.263 7.300 174.000 34.700 1122.000 13.800 174.000 64.000 83.000
BV-82 140.00 2.013 9.700 70.500 14.300 37.000 13.000 40.500 2.800 522.000
BV-80 138.00 2.189 12.400 141.000 29.500 240.000 18.500 108.000 21.400 164.000
BV-76 134.50 2.644 12.100 197.000 41.000 304.000 15.500 170.000 23.100 123.000
BV-72 130.70 3.427 18.200 64.100 13.800 33.000 19.200 27.500 2.590 53.000
BV-71 130.00 4.945 18.900 108.000 22.800 130.000 14.700 80.000 9.600 46.000
BV-68 128.00 3.112 11.000 126.000 46.000 235.000 20.000 117.000 19.100 117.000
BV-65 125.70 1.061 26.000 19.800 4.200 8.900 14.300 7.800 0.600 25.000
BV-64 124.50 2.610 16.100 94.000 17.700 114.000 81.300 50.700 7.700 117.000
BV-63 100.50 2.627 18.500 88.800 16.500 55.000 22.900 43.000 3.100 111.000
BV-56 97.00 3.337 12.400 48.400 14.100 15.200 16.900 18.300 0.450 98.000
BV-51 92.70 3.696 13.200 95.500 21.800 50.900 22.700 80.000 3.300 151.000
BV-47 90.20 3.408 11.400 85.000 18.700 88.400 18.600 67.000 4.800 146.000
BV-43 88.00 2.472 13.000 104.000 22.900 184.000 16.800 91.000 14.200 170.000
BV-40A 83.00 2.115 11.300 152.000 29.100 240.000 29.000 94.000 17.000 100.000
BV-40 82.70 3.184 14.300 179.000 44.000 388.000 83.500 127.000 27.000 337.000
BV-36 79.50 4.173 12.600 45.900 14.300 41.100 25.000 20.400 1.400 172.000
BV-28 75.70 2.956 8.900 51.000 16.600 103.000 35.000 25.000 4.800 234.000
BV-22 54.50 2.923 11.200 66.400 22.200 512.000 30.200 34.500 31.400 152.000
BV-19 50.50 3.275 10.100 49.600 18.100 57.800 24.600 18.800 2.380 98.000
BV-14 28.50 3.219 9.200 51.400 20.100 100.000 30.000 20.000 4.100 153.000
BV-11 23.80 3.178 23.000 77.000 25.500 9.000 11.100 6.900 60.000
BV-7 16.00 2.002 8.700 14.800 13.500 10.300 18.000 1.900 112.000
BV-4 13.80 2.007 10.800 14.000 13.800 13.200 16.500 0.600 65.000
YC-03 12.00 8560.000 0.800 3.100 7.200 2.100 6.600 25.000
BV-1 9.00 10.869 7.000 8.900 8.500 5.500 18.700 0.700 59.000
YC-02 3.50 2014.000 0.700 1.600 4.600 1.550 3.300 11.600
Parte B
199
Amostra Posição (m) Tl Pb Th U Sc Ti Ga Rb Sr Zr
YC-49 707.00 2.500 0.600 109.000 1.700 4.300 207.000 5.200
BV-199 702.00 3.850 5.000 2.300 3.880 801.000 9.400 29.900 278.000 27.000
BV-196 698.30 2.900 10.700 11.200 10.000 5.400 1559.000 19.500 61.000 310.000 45.800
BV-194 696.50 3.570 9.270 5.300 10.700 5.600 532.000 10.700 35.000 539.000 43.000
BV-193 696.00 7.600 9.400 3.700 15.400 7.400 557.000 8.700 29.600 666.000 36.000
BV-190 694.00 3.200 5.400 3.500 11.700 4.800 708.000 9.500 26.900 723.000 41.700
BV-189 690.50 0.400 1.400 3.400 0.890 348.000 0.970 4.000 916.000 6.000
BV-186 688.70 2.400 6.300 4.500 13.400 4.880 851.000 9.700 31.000 841.000 25.200
BV-185 688.00 3.900 7.900 5.900 5.900 6.000 848.000 38.000 710.000 26.000
BV-184 684.50 0.480 1.400 1.300 3.600 2.600 381.000 1.860 6.300 960.000 8.100
BV-182 676.70 1.700 3.800 2.900 3.500 5.200 396.000 5.400 12.800 881.000 12.400
YC-37 671.50 1.470 5.000 2.900 4.500 3.600 540.000 5.060 18.000 742.000 14.400
YC-35 662.00 2.900 5.100 2.500 9.000 5.900 496.000 7.000 23.100 651.000 24.000
YC-33 646.70 4.200 8.400 10.600 13.800 7.200 624.000 12.100 36.000 484.000 20.000
BV-181 636.50 0.700 2.800 1.700 2.800 3.500 451.000 3.100 9.000 733.000 6.300
YC-29 633.00 2.500 6.000 2.400 5.000 5.700 605.000 5.400 16.000 703.000 10.000
YC-27 629.30 3.200 5.000 3.100 12.900 7.000 422.000 6.900 20.000 683.000 14.200
BV-180 627.00 4.400 7.200 5.700 4.900 4.600 1324.000 10.400 34.000 620.000 15.300
BV-179 620.30 1.130 0.700 3.300 372.000 1.100 2.500 444.000 6.400
BV-178 614.30 0.850 3.800 3.400 9.200 4.500 754.000 4.600 18.300 831.000 16.700
YC-19 606.50 2.700 11.500 11.000 8.700 6.700 2038.000 19.300 64.000 375.000 57.000
YC-16 603.60 1.400 5.700 4.800 3.800 4.700 1339.000 10.300 32.000 415.000 23.000
YC-17 603.30 1.400 2.750 1.400 2.100 5.190 264.000 6.900 8.300 321.000 25.000
YC-15 603.15 7.700 8.700 5.100 17.200 2014.000 30.800 50.000 225.000 54.000
YC-13 603.00 2.700 5.000 5.000 8.100 10.400 1120.000 17.100 28.600 396.000 71.400
YC-12 602.70 2.300 5.700 5.000 4.000 10.500 1388.000 21.600 37.000 375.000 61.000
YC-10 602.00 9.000 6.400 7.100 6.200 12.800 1602.000 20.700 57.000 240.000 62.000
YC-09 601.50 17.300 8.900 7.000 15.000 6.200 1264.000 12.900 41.000 354.000 56.000
YC-08 601.00 0.600 1.200 0.600 3.600 2.300 267.000 1.100 3.500 593.000 8.800
BV-176 530.00 17.200 27.000 2.900 7.200 2126.000 25.800 77.000 104.800 82.000
BV-174 526.00 0.400 15.900 25.700 6.000 1683.000 23.000 70.000 112.000 59.000
BV-172 518.70 1.490 12.600 13.400 8.200 3.560 1198.000 13.500 38.000 242.000 43.000
BV-171 416.20 1.500 8.700 9.400 5.300 2.600 961.000 10.800 30.000 238.000 37.000
BV-169 413.30 2.350 6.000 9.000 3.300 3.100 898.000 10.100 31.000 236.000 44.000
BV-167 410.00 1.130 4.050 1.960 17.500 1.950 349.000 5.600 14.000 363.000 20.000
BV-165 366.50 2.600 16.300 19.700 5.800 9.000 2221.000 30.000 74.300 222.000 63.000
BV-163 324.00 2.000 11.400 15.400 3.300 7.100 1810.000 23.300 57.000 377.000 50.000
BV-161 295.00 2.000 12.400 15.700 3.700 8.200 2025.000 23.000 58.000 341.000 52.000
BV-159 292.50 2.000 13.700 18.100 8.700 6.600 2161.000 24.700 64.000 306.000 87.000
BV-156 289.60 2.000 10.100 13.100 7.700 6.400 1667.000 18.600 49.000 329.000 43.000
BV-152 286.50 2.900 7.100 10.200 10.100 5.900 1398.000 15.500 42.700 453.000 64.000
BV-150 270.80 3.300 13.300 17.400 7.400 7.800 2056.000 24.700 69.000 320.000 79.000
BV-146 267.00 2.100 8.700 6.800 9.400 4.700 1421.000 13.900 41.000 392.000 58.000
BV-142 258.50 1.300 7.800 8.700 3.500 6.500 1228.000 12.500 40.000 244.000 33.000
BV-141 255.00 2.300 11.700 12.800 7.500 7.400 1915.000 21.000 68.000 236.000 53.000
BV-140 245.50 3.000 8.200 9.200 10.000 6.090 1467.000 15.800 55.000 335.000 52.000
BV-138 243.00 1.650 12.400 5.900 7.500 6.500 1870.000 20.500 62.000 225.000 63.000
Parte C
200
Amostra Posição (m) Tl Pb Th U Sc Ti Ga Rb Sr Zr
BV-137 239.30 1.800 13.200 15.200 8.000 6.800 1765.000 19.500 64.500 215.000 87.000
BV-135 236.70 3.200 3.200 0.600 2.000 494.000 4.200 14.400 283.000 26.000
BV-133 232.00 3.600 7.760 9.900 9.600 7.400 1247.000 12.600 45.000 365.000 104.000
BV-131 227.50 2.050 9.200 13.500 4.200 5.370 1571.000 16.300 58.500 243.000 42.000
BV-129 223.30 2.570 8.900 11.400 14.400 5.900 1571.000 14.900 56.000 322.000 47.000
BV-127 220.00 2.000 7.300 8.300 9.300 5.600 1102.000 10.300 40.000 284.000 62.000
BV-125 212.80 1.980 7.400 10.900 6.900 4.900 1257.000 13.000 50.000 172.000 33.000
BV-121 210.50 2.300 7.400 8.400 10.300 5.700 924.000 10.100 38.700 222.000 59.600
BV-117 208.70 2.500 3.400 3.600 299.000 3.700 14.900 235.000 42.000
BV-114 198.00 2.000 10.800 12.100 3.800 6.700 2513.000 18.900 52.000 117.000 42.000
BV-110 193.50 2.100 3.000 2.700 5.900 3.550 602.000 5.400 20.600 281.000 22.000
BV-104 189.70 0.470 1.500 1.000 2.100 309.000 1.600 7.100 214.000 12.900
BV-100 187.70 6.100 5.600 5.100 17.300 4.980 1355.000 10.000 43.000 138.000 41.000
BV-97 185.30 2.200 11.700 8.800 1.500 5.100 2614.000 21.000 52.000 91.000 48.000
BV-89 145.00 3.990 5.600 10.700 4.100 1156.000 8.900 28.800 218.000 18.600
BV-87 143.30 2.800 3.800 5.500 11.000 2.800 902.000 6.300 28.000 165.000 46.000
BV-84 141.00 5.600 6.800 6.800 22.500 9.400 1287.000 10.400 41.500 255.000 85.000
BV-82 140.00 1.890 5.200 3.800 8.300 4.060 720.000 6.500 30.000 338.000 17.000
BV-80 138.00 5.930 9.900 7.980 17.500 9.500 1881.000 13.600 59.000 337.000 35.000
BV-76 134.50 10.700 10.600 10.200 20.300 10.400 2060.000 16.800 69.000 260.000 38.300
BV-72 130.70 1.140 4.100 4.000 7.100 6.380 652.000 5.900 31.000 369.000 34.000
BV-71 130.00 2.300 6.300 5.150 9.770 9.400 1598.000 9.900 58.000 295.000 28.000
BV-68 128.00 4.100 9.800 3.900 33.000 5.360 2206.000 22.200 69.600 220.000 167.000
BV-65 125.70 1.000 1.160 2.380 6.500 388.000 1.300 6.700 333.000 68.600
BV-64 124.50 2.500 7.030 9.600 25.000 8.900 1527.000 12.000 48.000 426.000 98.000
BV-63 100.50 2.890 11.600 13.800 12.100 10.700 1897.000 17.800 79.600 360.000 54.000
BV-56 97.00 2.000 14.500 15.900 4.500 9.000 3077.000 24.200 83.000 222.000 83.000
BV-51 92.70 5.800 17.000 17.900 11.300 12.900 3025.000 27.700 89.000 241.000 54.400
BV-47 90.20 4.680 16.200 19.000 10.200 10.300 2480.000 29.000 101.000 218.000 51.000
BV-43 88.00 4.300 8.600 9.300 17.900 7.900 1837.000 12.600 54.000 365.000 32.000
BV-40A 83.00 3.600 7.900 4.760 15.700 3.000 1452.000 11.800 58.600 374.000 148.000
BV-40 82.70 5.400 11.500 9.400 37.500 9.000 1831.000 14.200 72.000 455.000 66.000
BV-36 79.50 2.200 18.600 21.000 5.300 10.900 2945.000 32.200 109.000 191.000 48.000
BV-28 75.70 2.800 21.000 22.400 6.600 15.700 3717.000 35.800 91.000 149.000 64.000
BV-22 54.50 3.700 18.500 18.800 3.800 10.600 3608.000 35.000 100.000 126.000 71.000
BV-19 50.50 2.700 18.400 22.800 2.600 13.900 3488.000 34.600 110.000 130.000 53.000
BV-14 28.50 2.300 25.200 21.400 4.900 10.700 2170.000 31.000 128.000 116.000 41.000
BV-11 23.80 0.700 39.300 8.100 2.300 9.700 3461.000 28.000 35.000 70.000 68.500
BV-7 16.00 17.800 13.600 4.200 12.900 4121.000 32.000 42.000 114.000 115.000
BV-4 13.80 15.400 13.100 4.300 7.200 3632.000 18.600 20.900 86.000 217.000
YC-03 12.00 6.000 6.200 1.100 2.900 1839.000 7.200 6.000 60.000 85.000
BV-1 9.00 12.600 7.400 2.100 17.300 2253.000 20.000 24.600 294.000 76.000
YC-02 3.50 3.400 3.300 0.700 4.000 840.000 1.990 1.600 20.100 48.000
Parte C
201
Amostra Posição (m) Nb Sn La Ce Pr Nd Sm Dy P Si
YC-49 707.00 134.000 2.400 3.390 1.450 40.400 33.000
BV-199 702.00 3.800 53.000 10.800 23.300 2.800 9.700 1.860 1.200 25.800 25.000
BV-196 698.30 8.300 50.000 22.200 41.400 5.400 18.400 3.400 2.100 31.000 15.100
BV-194 696.50 3.840 97.400 9.160 16.700 2.120 7.300 1.270 1.000 23.800 18.200
BV-193 696.00 2.400 29.500 9.600 17.000 1.960 6.860 1.190 1.100 77.000 14.321
BV-190 694.00 3.100 168.000 10.400 21.300 2.500 8.900 1.600 1.600 33.000 13.810
BV-189 690.50 51.700 2.200 4.700 1.900 21.750 5.810
BV-186 688.70 3.400 39.000 14.900 36.400 4.000 14.200 2.500 1.990 56.000 7.100
BV-185 688.00 3.600 74.400 9.150 21.000 2.400 8.200 1.470 1.150 19.300 8.405
BV-184 684.50 79.000 5.500 13.000 1.300 4.800 0.900 0.800 27.700 7.100
BV-182 676.70 1.900 46.800 6.500 12.900 1.500 5.000 0.920 0.700 14.500 8.800
YC-37 671.50 1.800 52.000 6.700 14.600 1.500 5.500 1.000 0.800 20.000 9.300
YC-35 662.00 1.500 41.000 470.000 51.000 22.000 11.800 1.900 1.500 14.200
YC-33 646.70 3.900 40.000 13.400 31.800 3.500 12.300 2.200 1.600 25.000 16.200
BV-181 636.50 1.050 19.900 4.100 10.900 1.000 3.900 0.690 22.300
YC-29 633.00 2.700 24.800 6.800 13.100 1.700 5.600 1.000 19.200 13.324
YC-27 629.30 2.200 35.400 7.300 21.700 2.200 8.300 1.600 1.400 14.200 13.348
BV-180 627.00 4.200 33.000 9.900 22.800 2.600 8.900 1.700 1.200 17.600 15.337
BV-179 620.30 0.600 43.000 2.400 5.100 0.600 2.200 0.300 7.000 2.964
BV-178 614.30 3.100 58.500 8.200 17.300 2.100 7.400 1.300 1.000 29.700 5.780
YC-19 606.50 10.100 15.600 20.700 44.400 5.400 18.000 3.300 2.260 15.600 7.729
YC-16 603.60 4.500 29.900 9.800 20.400 2.300 8.200 1.500 1.200 13.700 8.043
YC-17 603.30 1.120 30.900 5.200 10.400 1.300 5.000 1.100 1.500 9.900 11.323
YC-15 603.15 4.700 38.000 8.200 14.200 1.900 6.800 1.400 1.300 8.100 9.912
YC-13 603.00 2.800 20.000 13.000 36.100 4.400 17.800 4.400 4.600 40.000 10.785
YC-12 602.70 3.800 22.700 8.400 16.600 2.000 7.190 1.400 1.400 9.100 13.239
YC-10 602.00 4.500 17.800 10.500 21.900 2.700 9.900 2.000 9.600 13.430
YC-09 601.50 4.400 18.500 26.000 34.400 5.500 19.200 3.900 3.660 69.000 9.736
YC-08 601.00 0.500 35.700 3.300 5.500 0.600 2.400 0.450 22.300 2.872
BV-176 530.00 13.500 14.900 40.000 95.000 10.600 36.100 6.700 4.300 8.500 12.054
BV-174 526.00 11.200 33.500 36.000 84.000 9.300 32.000 5.900 3.800 10.500 10.881
BV-172 518.70 7.500 18.800 34.900 4.200 14.100 2.460 1.800 15.000 10.798
BV-171 416.20 5.500 16.100 15.800 30.700 3.700 12.300 2.100 1.500 14.900 8.658
BV-169 413.30 4.800 15.500 13.600 31.600 3.800 13.300 2.400 1.700 15.600 12.077
BV-167 410.00 2.200 29.800 17.900 5.000 17.600 3.200 2.700 69.000 7.897
BV-165 366.50 12.700 34.500 36.500 76.500 9.000 29.800 5.100 3.400 17.900 13.113
BV-163 324.00 9.600 30.000 30.000 62.000 7.300 24.800 4.300 3.100 21.000 11.467
BV-161 295.00 10.700 101.000 31.000 67.000 8.000 28.300 5.400 3.400 24.400 11.130
BV-159 292.50 12.300 31.000 34.000 69.000 8.300 29.000 5.100 3.700 31.000 11.367
BV-156 289.60 8.900 47.000 23.300 49.700 6.000 20.000 3.470 2.400 19.800 8.351
BV-152 286.50 6.700 26.000 20.000 46.000 5.600 19.700 3.500 2.600 26.000 13.890
BV-150 270.80 11.000 71.000 27.700 59.000 7.200 24.500 4.200 2.900 25.000 12.381
BV-146 267.00 6.800 18.800 101.000 67.000 12.400 24.200 3.550 2.000 24.000 12.997
BV-142 258.50 5.600 17.400 16.300 38.400 4.200 14.300 2.500 1.800 13.200 7.441
BV-141 255.00 9.200 60.000 23.000 52.000 6.000 20.000 3.500 2.600 19.900 11.920
BV-140 245.50 6.900 28.100 20.200 49.000 5.500 19.000 3.500 2.700 21.000 10.819
BV-138 243.00 9.600 75.000 31.600 56.000 7.400 24.000 4.900 2.900 22.300 10.601
Parte D
202
Amostra Posição (m) Nb Sn La Ce Pr Nd Sm Dy P Si
BV-137 239.30 9.400 65.000 24.200 50.000 5.800 19.600 3.400 2.500 20.600 11.939
BV-135 236.70 2.000 73.000 7.000 16.800 1.990 7.100 1.300 0.900 10.000 4.994
BV-133 232.00 5.300 57.000 21.000 49.000 5.800 21.100 3.800 3.000 61.000 10.468
BV-131 227.50 7.100 117.000 19.900 46.300 5.500 19.300 3.500 2.400 33.000 12.265
BV-129 223.30 7.200 19.800 21.400 52.000 6.100 22.100 4.100 3.100 76.000 10.235
BV-127 220.00 4.700 80.000 14.900 31.000 3.900 13.700 2.500 2.000 42.000 10.287
BV-125 212.80 5.700 69.000 15.700 39.500 4.700 16.900 3.200 2.300 30.000 15.274
BV-121 210.50 4.600 35.100 12.900 24.800 3.100 1.800 1.400 17.600 15.943
BV-117 208.70 1.780 54.000 7.800 19.300 2.300 8.400 1.650 1.300 27.000
BV-114 198.00 9.600 53.300 20.200 44.400 4.700 15.000 2.490 1.890 14.700 11.637
BV-110 193.50 2.500 45.800 4.450 8.090 1.040 3.680 0.680 0.500 19.100 12.280
BV-104 189.70 0.800 58.000 2.300 4.100 0.500 1.700 8.100 4.287
BV-100 187.70 3.900 42.000 8.800 15.000 1.980 6.900 1.300 1.100 45.000 14.891
BV-97 185.30 9.550 68.000 18.600 39.500 5.000 17.600 3.440 2.390 27.900 12.807
BV-89 145.00 3.800 53.600 53.000 22.800 7.550 9.080 1.590 1.360 43.900 11.571
BV-87 143.30 2.900 47.000 10.480 17.060 2.340 7.810 1.730 1.250 55.200 20.000
BV-84 141.00 3.800 78.000 15.200 17.160 2.480 7.880 1.520 1.360 78.500 20.000
BV-82 140.00 2.800 167.000 8.200 15.900 2.100 7.600 1.300 57.000 14.781
BV-80 138.00 6.000 133.000 14.900 27.700 3.500 12.900 2.620 2.060 62.700 14.698
BV-76 134.50 6.800 75.400 16.030 28.700 3.500 12.500 2.200 1.900 44.900 10.011
BV-72 130.70 2.600 93.000 11.100 19.600 2.610 9.780 1.790 1.800 77.900 8.859
BV-71 130.00 4.600 210.000 12.700 19.800 2.700 9.400 1.700 1.500 53.000 7.646
BV-68 128.00 5.900 9.200 20.600 36.700 5.100 19.700 3.500 3.100 200.000 11.918
BV-65 125.70 0.800 94.600 7.600 8.400 1.300 5.200 0.940 1.000 58.000 1.000
BV-64 124.50 5.300 120.000 40.000 56.000 8.800 33.600 6.200 6.700 446.000 9.553
BV-63 100.50 8.500 87.700 24.900 52.500 6.200 21.500 4.100 5.900 66.000 10.895
BV-56 97.00 13.300 182.000 27.500 64.000 7.000 23.000 4.000 3.000 35.400 12.354
BV-51 92.70 12.100 61.000 30.700 78.400 9.200 32.000 6.000 4.300 48.500 12.751
BV-47 90.20 11.300 84.000 31.100 72.000 8.000 26.800 4.700 3.400 40.000 13.600
BV-43 88.00 6.170 175.000 14.700 27.500 3.300 11.700 2.180 1.900 112.000 13.034
BV-40A 83.00 3.700 26.800 24.500 30.800 4.900 18.600 3.300 3.100 188.000 7.680
BV-40 82.70 6.000 170.000 43.000 48.000 8.200 32.000 5.600 6.500 453.000 8.370
BV-36 79.50 13.200 77.400 37.000 82.000 10.000 35.000 6.300 4.700 36.600
BV-28 75.70 15.400 45.000 40.000 86.000 11.800 44.000 8.600 6.400 61.000 13.380
BV-22 54.50 14.000 37.000 35.000 75.000 9.100 32.000 6.500 4.300 54.000 8.000
BV-19 50.50 14.400 127.000 37.000 82.000 10.000 36.000 6.800 4.900 45.000 11.913
BV-14 28.50 10.400 51.000 34.400 72.000 9.000 33.000 6.200 4.800 82.000 13.200
BV-11 23.80 10.000 117.000 22.600 48.000 5.000 15.600 2.300 1.800 17.600 11.323
BV-7 16.00 13.600 80.000 36.000 86.000 9.200 31.000 4.980 3.480 20.000 13.500
BV-4 13.80 11.900 77.600 19.900 44.000 5.200 18.800 2.950 2.500 13.700 21.000
YC-03 12.00 5.800 117.000 12.500 27.800 3.300 12.100 1.970 1.200 15.000 30.000
BV-1 9.00 7.900 50.000 39.000 106.000 11.100 40.600 8.400 4.200 23.000 11.346
YC-02 3.50 3.400 113.000 6.100 13.300 1.570 5.400 0.900 0.500 11.100 32.000
Parte D

PhD Thesis

  • 1.
    INVESTIGAÇÃO QUIMIOESTRATIGRÁFICA DE ROCHASGERADORAS DE HIDROCARBONETOS: APLICAÇÃO NA ANÁLISE DO SISTEMA PETROLÍFERO DO GRUPO VILLETA, VALE SUPERIOR DO MAGDALENA, COLÔMBIA Félix Thadeu Teixeira Gonçalves Universidade Federal do Rio de Janeiro Instituto de Geociências Doutorado Orientador: Prof. Dr. João Graciano Mendonça Filho Rio de Janeiro 2005
  • 2.
    INVESTIGAÇÃO QUIMIOESTRATIGRÁFICA DEROCHAS GERADORAS DE HIDROCARBONETOS: APLICAÇÃO NA ANÁLISE DO SISTEMA PETROLÍFERO DO GRUPO VILLETA, VALE SUPERIOR DO MAGDALENA, COLÔMBIA Félix Thadeu Teixeira Gonçalves Tese submetida ao corpo docente do Instituto de Geociências da Universidade Federal do Rio de Janeiro-UFRJ, como parte dos requisitos necessários à obtenção do grau de Doutor. Aprovada por: Prof. Dr. Ismar de Souza Carvalho (UFRJ) Prof. Dr. Leonardo Fonseca Borghi de Almeida (UFRJ) Dr. Flávio Luis Fernandes (PGT) Dr. René Rodrigues (UERJ) Dr. Henrique Luis de Barros Penteado (Petrobrás) Rio de Janeiro 2005 ii
  • 3.
    iii G635i Gonçalves, FélixThadeu Teixeira Investigação quimioestratigráfica de rochas geradoras de hidrocarbonetos: aplicação na análise do sistema petrolífero do Grupo Villeta, Vale Superior do Magdalena, Colômbia. / Félix Thadeu Teixeira Gonçalves. – 2005. Tese (Doutorado em Geociências) – Universidade Federal do Rio de Janeiro, Instituto de Geociências, Rio de Janeiro, 2005. Orientador: João Graciano Mendonça Filho 1. Quimioestratigráfica 2. Rochas Geradoras de Hidrocarbonetos 3. Sistema Petrolífero 4. Vale Superior do Magdalena, Colômbia. II. Título. CDD 551.90861 xxi, 202 f.: il. Anexos: f.167-202 FICHA CATALOGRÁFICA
  • 4.
    AGRADECIMENTOS iv Sou grato atodos aqueles que de alguma forma apoiaram, incentivaram e colaboraram na realização deste trabalho. Nesta oportunidade, dedico um especial agradecimento: - aos geólogos Yolima Blanco, Diego Díaz, Christian Niño, Luz Stella Vargas e Wilson Zamora pela colaboração na etapa de levantamento campo e pelas discussões sobre a estratigrafia da coluna; - à química Paulina Gómez pelo empenho no apoio à preparação das amostras e realização das análises geoquímicas; - ao colega de trabalho e caro amigo Cesar Mora pela sugestão da área de trabalho, pelo empenho junto a ECOPETROL para a consecução dos recursos para realização das análises, e pelas discussões e sugestões técnicas dadas durante toda o período de realização deste estudo; - aos colegas do Instituto Colombiano do Petróleo, em particular a Antonio Rangel e Luis Fernando Sarmiento, pelas proveitosas discussões sobre a geologia e geoquímica do petróleo na Colômbia. - ao Prof. Dr. João Graciano Mendonça Filho, pela realização das análises organopetrográficas e fotomicrografias, pela orientação e, principalmente, pelos inestimáveis incentivo e apoio dados desde o início do trabalho; - aos colegas e caros amigos Ricardo Bedregal e Jason Carneiro pelo incentivo e apoio prestados durante o trabalho e pela revisão crítica de diferentes capítulos da tese; - aos colegas Elio Perez, Fernando Pulgati e Juliano Kuchle pelo apoio, respectivamente, nas etapas de modelagem cinética, análise estatística multivariada e análise estratigráfica; - a Magda Almada e Fábio Bagni pelo suporte nas edição das referências bibliográficas; e aos designers Roberto Rocha e Filipe Baeta pela edição final da tese; - ao Profs. Drs. Ismar S. Carvalho, Leonardo F. Borghi de Almeida e René Rodrigues e aos Drs. Henrique L. B. Penteado e Flávio L. Fernandes pela participação na banca e pelos valiosos comentários e sugestões; - a ECOPETROL, pelo suporte material e logístico necessário para realização das etapas de campo e analítica; - A Mara, Ricardo, Mariana e Juliana, meus amados esposa e filhos, um agradecimento especial pela paciência e apoio durante todo o doutorado.
  • 5.
    v RESUMO GONÇALVES, Félix ThadeuTeixeira. Investigação quimioestratigráfica de rochas gera- doras de hidrocarbonetos: aplicação na análise do sistema petrolífero do Grupo Villeta, Vale Superior do Magdalena, Colômbia. Orientador: João Graciano Mendonça FIlho. Rio de Janeiro: UFRJ/CCMN/IGEO, 2005. Tese (Doutorado em Geociências). Uma seção de idade albo-coniaciana (Grupo Villeta) com 720m de espessura que aflora ao longo do Rio Bambuca, no flanco oeste da bacia do Vale Superior do Magdalena (VSM), Colômbia, foi estudada sob os pontos de vista estratigráfico e geoquímico. As amostras coletadas foram submetidas a determinações de carbonato e carbono orgâni- co total, pirólise Rock-Eval, análises elementar e visual do querogênio, e análises de GC, GC/MS e ICP-MS. A análise da sucessão estratigráfica da seção permitiu o reconhecimento de superfícies de inundação máxima, limites de seqüência e eventos trangressivos-regressivos ras- treáveis em escala regional por todo o VSM. Os resultados das análises revelaram o pre- domínio de matéria orgânica do tipo II, amorfa e com altos teores de carbono orgânico total e índices de hidrogênio, além de um baixo grau de evolução térmica. Foram identificados cinco intervalos correlacionáveis aos eventos anóxicos globais do Cretáceo (OAE1a, b e c, OAE2 e OAE3). Evidências sedimentológicas e geoquímicas, entretanto, mostram que as condições redutoras não estiveram limitadas às fases de ano- xia global devido à estagnação da coluna d’água imposta pelo contexto paleogeográfico. A correlação entre a sucessão de fácies orgânicas e os ciclos transgressivos-regressivos mostram que as variações do nível de base tiveram um papel determinante na definição das características das rochas geradoras de petróleo do Grupo Villeta. Correlações óleo-rocha sugerem que a Formação La Luna não contribuiu significativa- mente para a geração dos óleos do VSM. Propõe-se que diferentes fácies orgânicas da Formação Tetuan sejam as responsáveis pela geração das duas famílias de óleos observadas nessa bacia.
  • 6.
    vi ABSTRACT GONÇALVES, Félix ThadeuTeixeira. Chemostratigraphic assessment of hydrocarbon source rocks: application in the analysis of the Villeta Group petroleum system, Upper Magdalena Valley, Colombia. Orientador: João Graciano Mendonça FIlho. Rio de Janeiro: UFRJ/CCMN/IGEO, 2005. Tese (Doutorado em Geociências). An Albian-Coniacian, 720m-thick section in the Valle Superior del Magdalena (VSM) basin, Colombia, was studied from the geochemical and stratigraphic points of view. It comprises rocks of the Villeta Group and outcrops along the Bambuca river, in the western flank of the basin. Samples were analyzed for carbonate and total organic carbon (TOC), as well as submitted to elementary and visual kerogen analyses, Rock-Eval pyrolysis, GC, GC/MS and ICP-MS. Analysis of the section’s stratigraphic stacking allowed the recognition of maximum flooding surfaces, sequence boundaries and transgressive-regressive events, the latter being recognizable, in a regional scale, through all the VSM basin. Analysis results show the prevalence of amorphous Type II organic matter, with high TOC and hydrogen indices (HI), as well as poorly developed thermal evolution. Five intervals, correlatable to the Cretaceous global anoxic events (OAE1a, b and c, OAE2 and OAE3), were identified. Notwithstanding, geochemical and sedimentological evidences show that reducing conditions were not limited to global anoxic phases, due to water column stagnancy imposed by paleogeographic environment. Correlation between organic facies succession and transgressive-regressive cycles shows that variations in the base level have had a determinant role in the definition of the Villeta Group hydrocarbon source-rocks characteristics. Oil-rock correlation allows suggesting that La Luna Formation has not significantly contributed to oil generation in VSM basin. It is proposed that different organic facies in the Tetuan Formation account for the generation of the two oil families observed in the basin.
  • 7.
    1. Introdução 1.1.Histórico e Motivação 1.2. Abordagem e Objetivos 1.3. Organização da Tese 1 1 3 4 2. Materiais e Métodos 2.1. Levantamento da Seção e Amostragem 2.2. Análise Estratigráfica 2.3. Análises Geoquímicas 2.4 Análises Estatísticas 5 5 6 6 13 3. Contexto Geológico Regional 3.1. Evolução Tectônica da Colômbia 3.2. Bacia do Vale Superior do Magdalena 3.2.1. Arcabouço Estrutural e Estratigráfico 3.2.2. Evolução Tectono-Sedimentar 15 15 20 20 23 4. Análise Estratigráfica da Seção do Rio Bambuca 4.1. Localização e Contexto Geológico Local 4.2. Caracterização Litológica 4.3. Estratigrafia de Seqüências 42 42 47 56 5. Apresentação e Interpretação dos Resultados das Análises Geoquímicas 5.1. Teores de Carbono Orgânico Total 5.2. Parâmetros da Pirólise Rock-Eval 5.3. Composição do Querogênio (Análise Visual) 26 26 28 37 vii SUMÁRIO
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    5.4. Marcadores Biológicos 5.5. Composição Elementar do Querogênio 5.6. Parâmetros Cinéticos de Conversão do Querogênio 5.7. Teores de Elementos Maiores, Menores e Traços em RochaTotal 122 122 125 129 136 6. Análise Quimioestratigráfica das Rochas Geradoras 6.1. Reconstrução Paleoambiental 6.2. Controle Estratigráfico da Variabilidade Composicional das Rochas Geradoras 107 107 112 7. Aplicação dos Resultados no Contexto do VSM 7.1. Sistemas Petrolíferos do VSM 7.2. Potencial petrolífero das rochas geradoras 7.3. Variabilidade cinética e timing de geração de HC 7.4. Fácies organo-moleculares e correlação óleo-rocha 8. Conclusões e Recomendações 143 9. Referências Bibliográficas 148 62 77 83 96 viii 167 168 175 178 187 191 194 Anexos 1. Resultados das análises de enxofre, carbonato e carbono orgânico totais e de pirólise Rock-Eval 2. Resultados da análise visual do querogênio 3. Razões e índices moleculares (biomarcadores) 4. Resultados das análises elementares do querogênio (CHONS) 5. Parâmetros cinéticos (A, E e função de erro) 6. Resultados das análises de ICP-MS
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    ÍNDICE DE TABELAS Tabela5.2 – Sumário estatístico dos valores de potencial gerador (S2, em mgHC/gRocha) por unidade estratigráfica da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia. Tabela 5.3 – Sumário estatístico dos dados de índice de hidrogênio (IH, em mgHC/gCOT) por unidade estratigráfica da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia. Tabela 5.1 – Sumário estatístico dos resultados das análises de teor de carbono orgânico total (COT) por unidade estratigráfica da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia. Tabela 5.4 – Valores médios de índice de hidrogênio (IH, em mgHC/gCOT) calculados para cada formação do Grupo Villeta na seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia. São apresentados os valores de IH médios calculados a partir (a) do coeficiente de x das retas das regressões da Figura 5.7 e (b) da média aritmética do IH de amostras individuais, e a diferença entre os dois valores (em mgHC/gCOT). Tabela 5.5. – Composição química e razão elementar H/C médias das biomassas de origem fitoplanctônica e de vegetais superiores (Mello & Estrella, 1984). Tabela 5.6 – Composição química das principais famílias de compostos pre- sentes na biomassa depositada em bacias sedimentares (Mello & Estrella, 1984). Tabela 5.7 – Resumo estatístico das concentrações (em ppm) de elementos maiores, menores e traços determinados em amostras de rocha total da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia. Os elementos estão listados em ordem decrescente pelo valor médio da concentração. Tabela 5.8 – Matriz de correlação entre os elementos maiores, menores e traços determinados em amostras de rocha total da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia. Os números ressaltados em vermelho correspondem aos coeficientes de correlação com valores absolutos superiores a 0,4 (página seguinte). Capítulo 5 44 49 49 54 62 77 100 103 ix
  • 10.
    Tabela 6.1 –Resultados da análise fatorial de matriz de dados com 90 amostras e 59 parâmetros geoquímicos da seção do Rio Bambuca, Vale Su- perior do Magdalena, Colômbia. Apresentam-se os parâmetros associados aos três fatores que explicaram a maior parte da variância observada na ma- triz de dados, e suas respectivas cargas fatoriais. Tabela 6.2 – Classificação de fácies orgânica baseada nos dados de pirólise Rock-Eval e em análises visuais do querogênio (modificado de Jones, 1987). Tabela 6.3 – Valores médios de parâmetros de biomarcadores dos grupos de amostras definidos a partir da análise de grupamento de amostras da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena (ver Figura 6.3). Também se apresenta a denominação adotada para as fácies moleculares correspondentes a cada grupo (ver texto para explicação). Tabela 7.1 – Valores de SPI (Source Potential Index em ton/m2 ; Demaison & Huizinga, 1994) calculados para as formações Tetuan e La Luna na seção do Rio Bambuca e nos poços San Francisco-1 e Nilo-1, bacia do Vale Superior do Magdalena. Consultar o texto para maiores explicações sobre a forma de cálculo e as premissas adotadas. Tabela 7.2 – Amostras selecionadas para o estudo de correlação óleo-rocha realizado na bacia do Vale Superior do Magdalena, Colômbia. Capítulo 6 Capítulo 7 136 129 118 113 108 x
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    ÍNDICE DE FIGURAS Figura1.1 – Mapa da porção noroeste do continente sul-americano com a localização da bacia do Vale Superior do Magdalena e da coluna sedimentar analisada neste estudo (adaptado de Schamel, 1991 e Cooper et al., 1995). Capítulo 1 Figura 3.1 – Mapa geológico esquemático mostrando a distribuição das áreas sedimentares, das regiões onde afloram rochas ígneas e metamórficas e das principais feições estruturais da Colômbia e regiões vizinhas (simplificado de Schamel, 1991 e Cooper et al., 1995). A zona hachurada representa as regiões mais elevadas do terreno (cordilheiras e maciços). A linha vermelha tracejada representa a localização aproximada da seção geológica evolutiva da Figura 3.2. Capítulo 3 Figura 3.3 – Mapas paleogeográficos esquemáticos mostrando a evolução tectono-sedimentar da porção central da Colômbia ao longo do Cretáceo (modificado de Villamil et al., 1999). São apresentadas reconstruções es- quemáticas no Neo-aptiano/Eo-albiano (a), Meso/Neo-albiano (b), Neoceno- maniano (c), Eoturoniano (d), Santoniano (e) e Campaniano/Maastrichtiano (f). Também é mostrada a localização aproximada da seção de afloramento analisada neste estudo (coluna estratigráfica do Rio Bambuca). Figura 3.2 – Seções geológicas esquemáticas mostrando três etapas da evolução tectono-sedimentar da porção central da Colômbia (modificado de Cooper et al., 1995). Figura 3.5 – Coluna estratigráfica simplificada da bacia do Vale Superior do Magdalena (adaptada de Ecopetrol-ICP, 1994). Figura 3.4 – Mapas mostrando a localização e o arcabouço estrutural da bacia do Vale Superior do Magdalena (modificado de Schamel, 1991). Figura 3.6 – Estratigrafia, curva de variação relativa do nível do mar, limites de seqüências e eventos paleoceanográficos globais da seção de idade apti- ana/santoniana, conforme definido por Villamil (1998) na região do VSM e da cordilheira Andina Oriental. As siglas OAE’s 1, 2 e 3 referem-se aos eventos anóxicos globais do Cretáceo (Oceanic Anoxic Events; Schlanger & Jenkyns, 1976; Arthur et al., 1990). 2 15 17 18 21 22 24 xi
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    Figura 4.2 –Coluna estratigráfica da seção do Rio Bambuca, levantada ao longo do rio homônimo, no flanco noroeste da sub-bacia de Neiva, Vale Superior do Magdalena. A figura apresenta, além da sucessão litológica e feições sedimentares, os dados de raios gama levantados no campo e os teores de carbonato total determinados em laboratório. Figura4.1–Localizaçãoecontextogeológicodaseçãoestratigráficalevantada ao longo do Rio Bambuca. A referida seção atravessa o flanco ocidental do sinclinal da Media Luna, no limite noroeste da sub-bacia de Neiva, próximo ao alto de Natagaima (adaptado de Vargas et al., 2002). Capítulo 4 Figura 4.4 – Fotografia mostrando pacotes de calcários próximo ao topo da Formação Caballos, seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia. Figura 4.3 – Fotografia mostrando intercalações de arenitos, folhelhos e camadas carbonosas delgadas na Formação Caballos, seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia. Figura 4.6 – Fotografia mostrando camadas de calcário maciço intercalado com calcários laminados e folhelhos no segmento médio da Formação Tetuan, seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia. Figura 4.7 – Fotografia em que se vêem intercalações centimétricas de folhelhos (níveis escuros) e calcários pelágicos (níveis claros) no segmento superior da Formação Tetuan, seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia Figura 4.5 – Fotografia em que se vêem intercalações rítmicas de calcários pelágicos (níveis claros) e folhelhos calcíferos (camadas escuras) no segmento médio da Formação Tetuan, seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia. Figura 4.8 – Fotografia mostrando afloramento folhelhos e calcários parcial- mente intemperizados da porção basal da Formação Bambuca, parcialmente recobertos pela vegetação, na seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Mag- dalena, Colômbia. Figura 4.9 – Fotografia em que se vêem afloramentos de folhelhos intem- perizados da Formação Bambuca, seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia. Figura 4.10 – Fotografia em que se vêem intercalações decimétricas de calcários pelágicos (níveis mais claros) e folhelhos (níveis mais escuros) na porção inferior da Formação La Luna, seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia. 26 27 28 29 30 31 31 33 33 34 xii
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    Capítulo 4 Figura 4.11– Fotografia mostrando intercalações decimétricas de calcários pelágicos e folhelhos na porção inferior da Formação La Luna, seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia. Figura 4.13 – Estratigrafia, curva de variação relativa do nível do mar, limites de seqüências, eventos paleoceanográficos globais e principais marcos estratigráficos da seção de idade aptiana/santoniana na região do VSM e da cordilheira Andina Oriental (adaptado de Villamil, 1998). As siglas OAE’s 1, 2 e 3 referem-se aos eventos anóxicos globais do Cretáceo (Oceanic Anoxic Events; Schlanger & Jenkyns, 1976; Arthur et al., 1990). Figura 4.12 – Fotografia com vista geral da sucessão de cherts, calcários e folhelhos na porção inferior do Grupo Olini, seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia. Figura 4.14 – Coluna estratigráfica da seção levantada ao longo do Rio Bambuca, no flanco noroeste da sub-bacia de Neiva, Vale Superior do Magdalena. A figura apresenta os ciclos transgressivo-regressivos e o arcabouço de estratigrafia de seqüências interpretado a partir da análise da sucessão litológica. Capítulo 5 Figura 5.1 – Expressão estratigráfica dos teores de carbono orgânico total ao longo da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia. Figura 5.2 – Histogramas mostrando a distribuição dos valores de teor de carbono orgânico total (COT) para as formações do Grupo Villeta na seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia. Figura 5.3 – Gráfico de teor de carbonato total vs. teor carbono orgânico total (COT) para as amostras analisadas na seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia. Figura 5.4 – Gráfico de distribuição dos valores de COT (mínimo, máximo, média e desvio padrão) por faixa de conteúdo de carbonato na seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia. Figura 5.5 – Expressão estratigráfica dos valores de índice de hidrogênio (IH), temperatura máxima (Tmax) e índice de produção (IP) ao longo da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia. 35 36 37 39 43 44 46 46 50 xiii
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    Figura 5.6 –Diagrama do tipo Van Krevelen modificado (Espitalié et al., 1985) mostrando a distribuição dos índices de hidrogênio (IH) e oxigênio (IO) das unidades analisadas na seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia. Capítulo 5 Figura 5.7 – Gráficos de teor de carbono orgânico (COT) vs. potencial gerador (S2) para as formações do Grupo Villeta na seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia. As linhas grossas de cor cinza separam os campos dos querogênios dos tipos I, II e III. As linhas tracejadas são retas obtidas a partir da regressão linear dos dados. Ao lado das retas também são mostrados suas equações e seus coeficientes de correlação (R2). Figura 5.9 – Gráfico de teor de carbonato total vs. índice de hidrogênio (IH) para as amostras analisadas na seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia Figura 5.10 – Gráfico de distribuição dos valores de índice de hidrogênio (IH mínimo, máximo, média e desvio padrão) por faixa de conteúdo de carbonato na seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia. Figura 5.8 – Gráfico de teor de carbono orgânico total (COT) vs. índice de hidrogênio (IH) para as amostras analisadas na seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia. Figura 5.12 – Fotomicrografias do querogênio isolado de amostras selecionadas da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia. Matéria orgânica amorfa grumosa em luz branca (a) e fluorescência (b), e detalhe de dinoflagelado em fluorescência (c).Aumento de 40X em (c) e de 20X nas demais fotos. Figura 5.11 – Expressão estratigráfica dos teores de matéria orgânica amorfa, liptnita e matéria orgânica lenhosa ao longo da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia. Figura 5.13 – Fotomicrografias do querogênio isolado de amostras selecionadas da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia. Grão de pólen em fluorescência (a), grãos de esporos e matéria lenhosa em fluorescência (b), e matéria lenhosa e cutinita em luz branca (c). Aumento de 20X em todas as fotos. 51 53 54 55 55 58 59 60 xiv
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    Capítulo 5 Figura 5.14– Gráfico de teor de carbonato total vs. teor de matéria orgânica lenhosa para as amostras da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia. Figura 5.15 – Gráfico de teor de matéria orgânica amorfa vs. índice hidrogênio (IH) para as amostras da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia. Figura 5.16 – Cromatogramas gasosos (CG) e cromatogramas de massas m/z 191 e m/z 217 das frações de hidrocarbonetos saturados de extratos orgânicos representativos da seção do Rio Bambuca. Compostos corres- pondentes aos picos identificados: 1= n-C15 , 2= Pristano, 3= Fitano, 4= n- C25 , 5= C27 18α(H) Trisnorhopano (Ts), 6= C27 17α(H) Trisnorhopano (Tm), 7= 28,30 bisnorhopano, 8= C29 17α(H), 21β(H) norhopano, 9= C30 17α(H), 21β(H) hopano, 10= gamacerano, 11= C27 βα diasterano 20S, 12= C29 αββ esterano 20R. Figura 5.18 – Gráfico tridimensional correlacionando a razão pristano/fi- tano (P/F) e o índice de C24 tetracíclico com teores de matéria orgânica lenhosa nas amostras da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Mag- dalena, Colômbia (consultar forma de cálculo da razões e do índice no Anexo 3). Figura 5.17 – Expressão estratigráfica das razões pristano/fitano (P/F) e Ts/(Ts+Tm) e do índice de C24 tetracíclico ao longo da seção do Rio Bam- buca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia (consultar forma de cálculo das razões e do índice no Anexo 3). Figura 5.19 – Expressão estratigráfica dos índices de gamacerano, bisnorhopano e C35 homohopanos ao longo da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia (consultar forma de cálculo dos índices no Anexo 3). Figura 5.20 – Expressão estratigráfica das razões esteranos/ (esteranos+hopanos) e C27 /C27 +C29 , e do índice de diasteranos ao longo da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia (consultar forma de cálculo das razões e do índice no Anexo 3). 61 62 65 68 69 70 72 xv
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    Figura 5.21 –Expressão estratigráfica das razões C31 homohopanos S/S+R, C29 esteranos ααα S/(S+R) e C29 esteranos αββ/(ααα+αββ) ao longo da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia (consultar forma de cálculo das razões no Anexo 3). Figura 5.22 – Gráficos de Tmax vs. razões C31 homohopanos S/S+R (a), C29 esteranos ααα S/(S+R) (b) e C29 esteranos αββ/(ααα+αββ) (c) para as amostras da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia (consultar forma de cálculo das razões no Anexo 4). A linha verde tracejada em (a) foi traçada de forma arbitrária tentando descrever a variação dos dados. Já a linha azul tracejada em (b) é produto da regressão linear dos dados com o respectivo coeficiente de correlação (R2 ). Figura 5.24 – Gráficos O/C vs. H/C (diagrama de Van Krevelen) e O/C vs. S/C mostrando a distribuição dos dados das razões atômicas medidas no querogênio de amostras das unidades analisadas na seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia. Figura 5.23 – Expressão estratigráfica das razões atômicas H/C, O/C, N/C e S/C medidas no querogênio de amostras tomadas ao longo da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia. Capítulo 5 Figura 5.26 – Gráfico de teor de matéria orgânica amorfa vs. razão H/C para as amostras da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia. Figura 5.25 – Correlação entre o índice de hidrogênio (IH) da pirólise Rock- Eval e a razão atômica H/C para as amostras analisadas na seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia. Figura5.27–Histogramasmostrandoasdistribuiçõesdeenergiasdeativação dos principais tipos de querogênio e suas respectivas curvas de conversão em função de uma história de soterramento hipotética (adaptado de Tissot et al., 1987).Ograudeconversãoédescritopeloparâmetroconhecidocomotaxade transformação,querepresentaaporcentagemdopotencialgeradororiginalque foi efetivamente convertido em petróleo 74 76 80 81 82 83 86 xvi
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    Capítulo 5 Figura5.30–Gráficotridimensionalmostrandovariabilidadedosparâmetros cinéticos daseção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia. Para um conjunto de amostras representativas, apresenta-se a distribuição dos potenciais geradores de hidrocarbonetos associados às energias de ativação e aos fatores de freqüência (entre parênteses junto à identificação da amostra na legenda, em s-1 ). Figura 5.29 – Histograma de distribuição dos valores da função de erro calculados pelo software Optkin a partir das diferenças quadráticas entre as curvas de produção de hidrocarbonetos medidas e calculadas nas amostras da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia. Figura 5.28 – Correlação entre as curvas de produção de hidrocarbonetos medidas pela pirólise Rock-Eval 6 sob taxas de aquecimento de 1, 2, 5, 10, 15 e 25°C/min e as curvas calculadas com base nos parâmetros cinéticos determinados com auxílio do software Optkin® em uma amostra da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia. Figura 5.32 – Gráficos mostrando a evolução da taxa de transformação em função da refletância da vitrinita para as amostras da seção do Rio Bambuca e os querogênios dos tipos II e III. A trajetória das curvas foi calculada com a equação (4), usando os parâmetros cinéticos do Anexo 5 para as amostras da seção e os publicados por Burnham (1989) para os querogênios dos tipos II e III, assumindo uma taxa de aquecimento constante de 2°C/M.a. Foram utilizadas as formulações do modelo proposto por Sweney & Burnham (1990) para calcular a refletância da vitrinita. Figura 5.31 – Gráficos mostrando a evolução da taxa de transformação em função da temperatura para as amostras da seção do Rio Bambuca e os querogênios dos tipos II, II-S e III. A trajetória das curvas foi calculada com a equação (4), usando os parâmetros cinéticos do Anexo 5 para as amostras da seção e os publicados por Burnham (1989) para os querogênios dos tipos II e III, assumindo uma taxa de aquecimento constante de 2°C/M.a. 88 88 89 90 91 xvii
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    Figura 5.33 –Expressão estratigráfica do parâmetro T@50 para amostras tomadas ao longo da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia.Oreferidoparâmetro,adotadocomoindicadordograudereatividade doquerogênio,correspondeàtemperaturanaqualasamostrasalcançamuma taxa de transformação de 50%, considerando seus respectivos parâmetros cinéticos e uma taxa de aquecimento de 2ºC/M.a. Figura 5.34 – Gráfico de barras mostrando os coeficientes de correlação linear entre T@50 (ver definição na legenda da figura anterior) uma série de parâmetros geoquímicos selecionados para as amostras analisadas na seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia Figura 5.36 – Gráfico de teor de carbono orgânico total (COT) vs. teor de enxofre total (S) para as amostras tomadas ao longo da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia. A linha vermelha tracejada representa a relação S/COT = 0,36, encontrada em ambientes marinhos siliciclásticos normais (Berner & Raiswell, 1984) Figura 5.35 – Expressão estratigráfica dos teores de enxofre total (S) determinados em amostras tomadas ao longo da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia. Figura 5.37 – Expressão estratigráfica da concentração de titânio (Ti), e das razões silício/titânio (Si/Ti) e fósforo/titânio (P/Si) em amostras de rocha total da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia. Figura 5.38 – Expressão estratigráfica das razões urânio/titânio (U/Ti), cobre/titânio (Cu/Ti) e molibdênio/titânio (Mo/Ti) em amostras de rocha total da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia. Capítulo 6 Figura 6.1 – Expressão estratigráfica dos três fatores que explicaram a maior parte da variância observada na matriz de dados geoquímicos da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia. As siglas OAE se referem aos eventos anóxicos oceânicos, inferidos com base na correlação com o arcabouço cronoestratigráfico adotado (ver explicação no texto). 93 94 98 99 104 106 110 xviii
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    Capítulo 6 Figura 6.2– Distribuição de fácies orgânicas ao longo da seção do rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia. A coluna na esquerda mostra as fácies orgânicas definidas com base em dados de pirólise e petrografiaorgânica(AB,B,BCeC)segundoaclassificaçãodeJones(1987). A coluna na direita mostra as fácies organo-moleculares determinadas a partir de dados de biomarcadores (MA= marinha carbonática anóxica, MC= marinha carbonática, MS= marinha siliciclástica, MT= marinha transicional; consultar texto para definição). Figura 6.3 – Dendograma resultante da análise de agrupamento de um conjunto 18 de parâmetros de biomarcadores indicadores de origem (tipo de matéria orgânica e ambiente deposicional) da fração de hidrocarbonetos saturados dos extratos orgânicos de amostras de rocha da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena. A análise de agrupamento foi realizada com o auxílio do software Statistica®, seguindo método descrito no capítulo 2.4. Assumindo uma distância de corte igual ou maior a três foram diferenciados quatro grandes grupos de amostras assinalados com cores distintas. Figura 6.4 – Cromatogramas gasosos (CG) e cromatogramas de massas m/z 191 e m/z 217 das frações de hidrocarbonetos saturados de extratos orgânicos da Seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena. São apresentadas amostras representativas de cada um dos grupos resultantes da análise de agrupamento (as cores das amostras são iguais a dos grupos correspondentes na Figura 6.3). Compostos correspondentes aos picos identificados: x= terpano desconhecido, 1= n- C15 , 2= Pristano, 3= Fitano, 4= n-C25 , 5= C27 18α(H) Trisnorhopano (Ts), 6= C27 17α(H) Trisnorhopano (Tm), 7= 28,30 bisnorhopano, 8= C29 17α(H), 21β(H) norhopano, 9= C30 17α(H), 21β(H) hopano, 10= gamacerano, 11= C27 βα diasterano 20S, 12= C29 αββ esterano 20R. Figura 6.5 – Variações de fácies orgânicas e organo-moleculares comparadas aos ciclos de transgressão e regressão (curva T-R) ao longo da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia. 114 116 117 120 xix
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    Capítulo 7 Figura 7.1– Mapa de localização dos campos de petróleo da Bacia do Vale Superior do Magdalena, Colômbia. Figura 7.2 – Coluna estratigráfica da bacia do Vale Superior do Magdalena mostrando as rochas geradoras e a distribuição dos volumes de petróleo in-place entre as principais rochas reservatório. Figura 7.3 – Seção estratigráfica com datum no topo do Grupo Villeta comparando os perfis de teor de carbono orgânico total (COT) da seção do Rio Bambuca com os perfis dos poços San Francisco-1 e Nilo-1, da bacia do Vale Superior do Magdalena. Figura 7.4 – Perfil de teor de carbono orgânico total (COT) do Grupo Villeta no poço Quillacinga-2sta, na bacia do Putumayo (ver localização da bacia e do poço no mapa ao lado). No perfil são comparados os teores de COT obtidos em amostras de calha e de testemunho. Figura 7.5 – Mapa e seção sísmica dip mostrando a localização e contexto estrutural do pseudopoço (linha amarela grossa) criado para a realização da modelagem do processo de geração de petróleo. O referido pseudopoço foi posicionado no eixo de um sinclinal situado no flanco noroeste da sub- bacia de Neiva, bacia do Vale Superior do Magdalena. Figura 7.6 – Gráfico de geohistória mostrando as histórias de soterramento, térmica e de maturação do pseudopoço modelado na bacia do Vale Superior do Magdalena (ver localização na Figura 7.5). As linhas vermelhas representam a evolução das isotermas (em ºC) e as áreas com tons de verde e vermelho, os diferentes graus de evolução térmica alcançados pela seção sedimentar em termos de faixas de valores de reflectância de vitrinita (%Ro; ver legenda). Figura 7.7 – Perfis de taxa de transformação do Grupo Villeta no pseudopoço modelado (ver Figuras 7.5 e 7.6). São apresentadas reconstruções em três idades distintas (55, 40 e 15 M.a. atrás) comparando os perfis obtidos a partir dos parâmetros cinéticos medidos nas amostras da seção do Rio Bambuca com aqueles resultantes da adoção dos parâmetros cinéticos do querogênio padrão do tipo II Burnham (1989). 123 124 127 128 132 133 134 xx
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    Capítulo 7 Figuras 7.8– Curvas não-cumulativas de evolução da taxa de transformação da Formação Tetuan no pseudopoço modelado (ver Figuras 7.5 e 7.6). Comparam-se os resultados obtidos a partir da cinética do querogênio do tipo II padrão (Burnham, 1989) e dos parâmetros medidos na seção do Rio Bambuca Figuras 7.9 – Mapa mostrando a localização das amostras selecionadas para o estudo de correlação óleo-rocha realizado na bacia do Vale Superior do Magdalena, Colômbia. Figuras 7.10 – Correlação geoquímica molecular entre amostras representativas das duas famílias de óleos definidas por Córdoba (1998) e extratos orgânicos da Seção do Rio Bambuca, representativos das fácies organo-moleculares definidas nessatese(verTabela 7.2).Sãoapresentados os cromatogramas gasosos (CG) e cromatogramas de massas m/z 191 e m/ z 217 da fração de hidrocarbonetos saturados. Compostos correspondentes aos picos identificados: 1= n-C15 , 2= Pristano, 3= Fitano, 4= n-C25 , 5= C27 18α(H) Trisnorhopano (Ts), 6= C27 17α(H) Trisnorhopano (Tm), 7= 28,30 bisnorhopano, 8= C29 17α(H), 21β(H) norhopano, 9= C30 17α(H), 21β(H) hopano, 10= gamacerano, 11= C27 βα diasterano 20S, 12= C29 αββ esterano 20R. Figura 7.11 – Gráficos das razões Gamacerano/C30 Hopano e Bisnorhopano/ C30 Hopano vs. razão C35 /C34 Homohopano para extratos orgânicos das formações La Luna e Tetuan. São comparados os resultados obtidos na seção do Rio Bambuca com os parâmetros provenientes de poços da sub- bacia de Neiva, publicados por Córdoba (1998). Figura 7.12 – Correlação geoquímica molecular entre o extrato orgânico representativo da fácies organo-molecular marinha transicional da seção do Rio Bambuca e os óleos dos poços Encanto-1 e Unicórnio-1, localizados respectivamente nas bacias do Vale Superior do Magdalena e do Putumayo (ver mapa). São apresentados os cromatogramas gasosos (CG) e cromatogramas de massas m/z 191 e m/z 217 da fração de hidrocarbonetos saturados. Compostos correspondentes aos picos identificados: 1= n-C15 , 2= Pristano, 3= Fitano, 4= n-C25 , 5= C24 tetracíclico, 6= C27 17α(H) Trisnorhopano (Tm), 7= 28,30 bisnorhopano, 8= C29 17α(H), 21β(H) norhopano, 9= C30 17α(H), 21β(H) hopano, 10= gamacerano, 11= C27 βα diasterano 20S, 12= C29 αββ esterano 20R. 135 137 138 140 142 xxi
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    1. Introdução 1.1. Históricoe Motivação O estudo dos processos formadores de rochas ricas em matéria orgânica é reconhecido pela sua importância econômica. A determinação da distribuição espacial e da variabilidade composicional dessas rochas é de grande utilidade na avaliação do processo de geração de petróleo, podendo influenciar sólida e positivamente a taxa de sucesso das atividades de exploração. Não menos valiosa é a contribuição de tais estudos para o entendimento de eventos paleoclimáticos e paleoceanográficos. Afinal, o registro desses eventos, cuja compreensão tem implicações para estudos atuais de meteorologia e oceanografia, bem como suas conseqüências para a biota, se encontra gravado na coluna estratigráfica de uma bacia sedimentar. Não obstante essa importância, os estudos das rochas geradoras de petróleo encontram obstáculos na qualidade da amostragem. Os poços, principal fonte de amostras, são normalmente amostrados a cada nove metros e, geralmente, por meio de amostras de calha. Da mesma forma, e pelo que representam em termos de tempo e custo de operação, testemunhos de rochas potencialmente geradoras são raros. Baixas quantidade e representatividade das amostras impedem uma avaliação mais realista das rochas geradoras de uma bacia, no sentido de conhecer como se deu a sua deposição, qual é o seu comportamento espacial, sua composição, como a matéria orgânica se distribui ao longo do registro geológico e da área de ocorrência, e como tal pacote de rochas comportar-se-ia em resposta aos processos de soterramento e de aumento de temperatura. Em decorrência disso, encontra-se com alguma facilidade na literatura técnica certa e indesejável generalização quando são abordadas rochas geradoras: variações composicionais são geralmente negligenciadas, sendo comum atribuir a toda uma bacia um único tipo de matéria orgânica. É também freqüente que os trabalhos não integrem a estratigrafia aos conceitos e resultados de geoquímica orgânica e inorgânica, sendo portanto faltos de uma visão mais completa, e por isso mesmo mais complexa, dos processos envolvidos na formação das rochas geradoras. No que diz respeito à América do Sul, as principais rochas geradoras de petróleo da região são depósitos marinhos albo-santonianos, responsáveis por grande parte das
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    Figura 1.1 –Mapa da porção noroeste do continente sul-americano com a localização da bacia do Vale Superior do Magdalena e da coluna sedimentar analisada neste estudo (adaptado de Schamel, 1991 e Cooper et al., 1995). 0 100 200 km 79º 77º 75º 73º 71º 69º 12º 10º 8º 6º 4º 2º 0º Andes de M érida Bogotá FALHADE ROMERAL FALHADEBUCARAMANGA Maciço de Santa Marta M ar do Caribe Oceano Pacífico 1 2 5 7 8 9 10 11 12 N 6 AndesdePerijá FALHA DE OCA Principais Bacias Sedimentares: 1. Vale Superior do Magdalena 2. Vale Médio do Magdalena 3. Vale Inferior do Magdalena 4. Cauca-Patia 5. Maracaibo 6. Catatumbo 7. Pacífico 8. Putumayo 9. Llanos Orientais 10. Barinas 11. Amazonas 12. Guajira Rochas sedimentares Rochas ígneas e metamórficas Localização da seção do Rio Bambuca Áreas de cordilheiras ou maciços Escudo das Guianas Colôm bia Panamá Equador Colômbia Venezuela Brasil Cord.dos AndesOriental CordilheiradosAndesOcidentalCord.dosAndesCentral 4 3 reservas de países como Venezuela, Colômbia, Equador e Peru (Dashwood Abbots, 1990; Mora, 2000; James, 2000). Esses depósitos se encontram distribuídos ao longo de boa parte da porção noroeste do continente, em bacias sedimentares como a de Maracaibo na Venezuela, as do Vale do Magdalena na Colômbia, a do Oriente no Equador, e a de Ucayali no Peru (Macellari, 1988; Villamil, 1998; Villamil Pindell, 1998; Erlich et al., 1999). Dentre as várias denominações dadas para esses depósitos nos países em que ocorrem, são mais conhecidas as denominações La Luna (na Venezuela e Colômbia), Villeta (na Colômbia), Napo (no Equador) e Chonta (no Peru). A sedimentação desses depósitos albo-santonianos ocorreu sobre uma vasta depressão pericratônica cretácica que se estendeu por grande parte da porção noroeste da América do Sul, e foi controlada por uma complexa interação de fatores, tais como
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    eventos tectônicos locaise regionais, flutuações eustáticas do nível do mar e eventos paleoceanográficos globais (Macellari, 1988; Villamil, 1998). São muitos os estudos que demonstram o controle exercido por tais fatores sobre variações verticais e laterais de fácies sedimentares. Entretanto, são escassos os trabalhos dedicados a entender de que forma os mesmos fatores controlaram o grau de variabilidade geoquímica das rochas geradoras e seu impacto sobre o potencial petrolífero, história de carga de petróleo e diversidade composicional dos óleos gerados. Localizado na porção centro-oeste da Colômbia (Figura 1.1), o Vale Superior do Magdalena (VSM) é uma das bacias onde os depósitos supramencionados são responsáveis pela geração das reservas de petróleo descobertas até o momento (2.650 milhões de barris; Kairuz et al., 2000; Sarmiento Rangel, 2004). No caso do VSM, os depósitos com maior potencial gerador de petróleo são de idade albo-coniaciana, e comumente englobados sob a denominação de Grupo Villeta. A existência de seções aflorantes desse grupo, com espessos pacotes de rochas ricas em matéria orgânica, pouco intemperizados e com baixo grau de evolução térmica, combinada com a disponibilidade de trabalhos sedimentológicos e estratigráficos prévios, fazem do VSM um local privilegiado para a realização de um estudo quimioestratigráfico de alta resolução dessa importante seção geradora de petróleo. Tais condições igualmente fazem do VSM um laboratório para a investigação dos fatores que condicionam a variabilidade dos atributos geoquímicos de rochas geradoras marinhas e suas implicações sobre a dinâmica dos sistemas petrolíferos. 1.2. Abordagem e Objetivos Em função do exposto acima, definiu-se como objetivo do presente trabalho testar o potencial da geoquímica, aplicada a um número representativo de amostras e integrada à estratigrafia, como ferramenta de investigação de sistemas petrolíferos e de avaliação de potencial de bacias sedimentares. Para isso, escolheu-se uma seção do Grupo Villeta, com cerca de 700m de espessura, aflorando ao longo do rio Bambuca, no flanco centro-oeste da bacia do VSM (Figura 1.1), para a realização de um estudo integrando estratigrafia à mais abrangente avaliação geoquímica. As rochas do Grupo Villeta afloram de modo relativamente contínuo e sem complicações estruturais significativas nessa seção, mostrando uma granulação predominantemente fina e um baixo grau de evolução térmica, o que as torna perfeitamente adequadas ao presente estudo. Realizou-se a análise estratigráfica da seção do rio Bambuca, e uma amostragem de detalhe (aproximadamente uma amostra a cada 2m) para execução do maior elenco
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    possível de análisesgeoquímicas. Tais procedimentos visam ao seguinte: • Reconhecer e delimitar, com base na sucessão litológica, ciclos transgressivos e regressivos correlacionados com variações relativas do nível do mar e registros de eventos paleoceanográficos locais e globais. • Descrever as variações de riqueza orgânica, tipo de querogênio, potencial gerador de petróleo, fácies orgânicas, características moleculares (biomarcadores) e concentrações de elementos maiores, menores e traços nas rochas analisadas. • Reconstruir as condições paleoambientais que condicionaram a deposição dessas rochas geradoras com base na integração dos resultados das análises geoquímicas e estratigráficas. • Avaliar o controle exercido pelas mudanças paleoambientais e flutuações relativas no nível do mar sobre as variações dos atraibutos da matéria orgânica sedimentar. • Estimar o impacto dos resultados obtidos sobre o que se conhece do potencial petrolífero e sobre o que se deriva dos atuais estudos de correlação óleo-rocha e modelagem da geração de petróleo no VSM. 1.3. Organização da Tese A tese foi dividida em oito capítulos. No primeiro, apresentou-se a motivação e os objetivos do trabalho. No capítulo 2, descrevem-se os métodos estratigráficos, geoquímicos e estatísticos empregados na realização do trabalho. No capítulo 3, faz-se uma revisão da evolução tectônica da Colômbia e da geologia da bacia do Vale Superior do Magdalena. No capítulo 4, descrevem-se os resultados das análises estratigráficas da seção do Rio Bambuca. No capítulo 5, são apresentados e interpretados todos os resultados das análises geoquímicas. No capítulo 6, apresenta-se a análise quimioestratigráfica da seção do Rio Bambuca, integrando todos os dados geoquímicos e geológicos. No capítulo 7, avalia-se o impacto dos resultados obtidos sobre a avaliação de alguns aspectos dos sistemas petrolíferos da bacia do Vale Superior do Magdalena. Finalmente, no capítulo 8, são apresentadas as principais conclusões do trabalho, bem como recomendações para trabalhos futuros. A tese é completada com uma lista das referências bibliográficas citadas no texto e por sete anexos que reportam todos os resultados das análises geoquímicas.
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    2. Materiais eMétodos Para a realização do estudo, levantou-se uma seção que aflora ao longo das margens do Rio Bambuca, na porção central da bacia do Vale Superior do Magdalena, Colômbia (Figura 1.1). A seção levantada, doravante denominada de “seção do Rio Bambuca”, foi selecionada por apresentar uma exposição relativamente contínua do Grupo Villeta, sem a presença de complicações estruturais significativas, tais como inversão ou repetições de camadas, e com um baixo grau de evolução térmica. Apresenta-se a seguir como foram realizados o levantamento e a amostragem da seção do Rio Bambuca, bem como os métodos empregados em sua análise. 2.1. Levantamento da Seção e Amostragem A seção do Rio Bambuca foi levantada em quatro campanhas de campo realizadas no ano de 2002 com auxílio de geólogos do Instituto Colombiano do Petróleo. A seção foi medida e descrita a uma escala de 1:100 quanto a suas características litológicas, sedimentológicas e estruturais. Um perfil de raios gama foi obtido realizando-se leituras a cada 1-2m com um detector portátil (Cintilômetro GRS-500, EDA Instruments). Com base nas medidas estruturais de campo e no registro da trajetória percorrida, rebateu- se o levantamento feito ao longo do rio em uma coluna estratigráfica vertical, corrigindo o efeito de espessura aparente resultante do mergulho estrutural das camadas e das variações no percurso do rio. Obteve-se assim uma coluna estratigráfica de 720 m de espessura (ver Figura 4.2) abrangendo a parte superior da Formação Caballos, todo o Grupo Villeta (formações Tetuan, Bambuca e La Luna) e a base do Grupo Olini. Uma porção significativa (cerca de 37%) desse intervalo encontra-se encoberta por deslizamentos de terra e/ou vegetação, impedindo sua descrição e análise. Dentre as unidades estudadas, a Formação Bambuca é a mais afetada por este problema, com cerca de 70% de sua espessura total encoberta e/ou muito intemperizada, seguida pela Formação Tetuan, com cerca de 28% de seção encoberta por deslizamentos de terra e/ou vegetação. As outras unidades, por sua vez, afloram de forma relativamente contínua, praticamente sem intervalos encobertos.
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    Ao longo dacoluna, foram coletadas duzentos e setenta e seis (276) amostras, das quais duzentos e trinta e sete (237) amostras de rocha de granulação fina foram selecionadas para a realização de uma variada gama de ensaios geoquímicos, descritos a seguir. 2.2. Análise Estratigráfica O trabalho de análise estratigráfica foi desenvolvido com o propósito de servir de base para interpretação dos dados geoquímicos e para o entendimento dos processos e fatores que controlaram a deposição da seção sedimentar levantada. Esta análise, por sua vez, baseou-se no método fundamentado nos preceitos da estratigrafia de seqüência. De acordo com esses preceitos, o registro deposicional pode ser hierarquizado em unidades contendo superfícies cronocorrelatas e padrões de empilhamentos estratais, geneticamente relacionadas no tempo e espaço e controladas pela interação entre variações do espaço de acomodação (eustasia vs. tectônica) e do suprimento sedimentar (Van Wagoner et al., 1988; Posamentier et al., 1988). As duzentos e setenta e seis (276) amostras coletadas nas campanhas de campo foram descritas macroscopicamente e em lupa binocular, enquanto quatorze (14) amostras consideradas representativas dos principais tipos litológicos encontrados foram submetidas a análises petrográficas para uma caracterização mais detalhada. A sucessão litológica foi analisada à luz do arcabouço de estratigrafia de seqüências e de eventos e marcos estratigráficos definidos por Villamil (1998), o que permitiu inferir a idade do intervalo analisado, reconhecer os ciclos trangressivo-regressivos e o reconhecimento das superfícies de inundação máxima e os limites de seqüência, duas das superfícies chave do método de análise estratigráfica de seqüências deposicionais (Posamentier et al., 1988). 2.3. Análises Geoquímicas Preparação preliminar das amostras As amostras passaram inicialmente por um processo de limpeza para eliminação de impurezas, tais como partes alteradas, contaminação de solo, etc. Em seguida, foram lavadas em água corrente e secas em estufa a 40°C. Esta preparação e as análises
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    químicas descritas aseguir foram realizadas nos laboratórios do Instituto Colombiano do Petróleo, localizado na cidade de Bucaramanga (Colômbia). Já as análises de petrografia orgânica foram realizadas nos laboratórios de petrografia orgânica da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Determinação dos teores de carbono orgânico e de carbonato Após a preparação preliminar, 237 amostras foram pulverizadas em gral de ágata, peneiradas a 80 mesh (0.177mm) e acondicionadas em frascos de vidro etiquetados e tampados. Colocou-se cerca de 250mg da amostra pulverizada em um cadinho de porcelana filtrante e pesou-se o conjunto cadinho/amostra para obtenção do peso original, utilizado como base de cálculo em etapas posteriores. As amostras foram atacadas com ácido clorídrico (HCl) a 50% por 24h a frio e por 1h a quente para retirar os carbonatos, e lavadas em seguida durante 4h para eliminar cloretos. A retirada do carbonato presente nas rochas é fundamental para a dosagem correta do carbono de origem orgânica, uma vez que o carbono também está presente no ânion CO3 -2 . Após secagem em estufa a 80°C, os cadinhos com a amostra acidificada foram novamente pesados para determinar, pela diferença com o peso original, o percentual total de carbonatos na amostra. Cada amostra acidificada foi introduzida no forno de indução do determinador de carbono WR-12 da LECO, onde foi queimada a 1000°C na presença de oxigênio. O dióxido de carbono (CO2 ) gerado passa por uma série de filtros e fica retido em uma peneira molecular. Após captar todo CO2 , a peneira molecular é aquecida a 300ºC, liberando o gás para detecção em uma célula de condutividade térmica. Esta célula consiste de um par de termistores: o de referência (mantido com oxigênio à pressão, fluxo e temperatura constantes) e o de medida, por onde passa o CO2 . A diferença na condutividade térmica entre os dois gases (O2 e CO2 ) é proporcional ao conteúdo de carbono. Finalmente, o teor de carbono foi determinado a partir do sinal emitido pela célula, sendo baseado na comparação com um padrão de referência. Pirólise Rock-Eval Duzentas e trinta e seis (236) amostras foram pulverizadas em gral de ágata, peneiradas a 80 mesh e acondicionadas em frascos de vidro etiquetados e tampados. A alíquota coletada da amostra pulverizada variou entre 10 e 100mg, em função do teor de carbono orgânico: quanto maior o teor de carbono, menor a quantidade de amostra usada na pirólise. As amostras foram pesadas em cadinhos de aço, sendo então colocados no amostrador automático do ROCK-EVAL II. Neste aparelho, a amostra é introduzida em um forno, sendo submetida a um programa de aquecimento de 25°C/min
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    até alcançar umatemperatura de 550°C, em atmosfera de hélio. Desta forma, reproduz -se em laboratório o processo natural de catagênese da matéria orgânica e de geração do petróleo. Com o aumento de temperatura, são liberados, sucessivamente, o petróleo livre porventura existente na amostra e os hidrocarbonetos e o gás carbônico gerados pelo craqueamento térmico do querogênio (matéria orgânica insolúvel presente nas rochas sedimentares). No topo do forno de pirólise, um divisor de fluxo regulado à temperatura de 550°C separa os gases em duas frações iguais. Uma é encaminhada a um detector de ionização-de-chama, que mede os hidrocarbonetos livres e aqueles gerados pelo craqueamento do querogênio. A outra fração dirige-se a um trap de CO2 que, após a programação de temperatura, é reaquecido para liberação do CO2 , que será medido por um detector de condutividade térmica (Espitalié et al., 1985). Os gases detectados durante a análise são registrados por uma unidade analógico- digital que reporta os resultados em um gráfico denominado de pirograma, no qual se identificam e quantificam os parâmetros de S1, S2, S3 e Tmax, discutidos em detalhe no capítulo 5.2. Determinação do teor de enxofre em rocha total Duzentas e vinte e quatro (224) amostras foram pulverizadas em gral de ágata, peneiradas a 80 mesh e acondicionadas em frascos de vidro etiquetados e tampados. Uma quantidade de cerca de 200mg de cada amostra foi colocada em cadinho de cerâmica e analisada segundo o método para determinação de enxofre em materiais inorgânicos descrito na norma ASTM D-5016. Neste método, a amostra é introduzida num forno a alta temperatura e em atmosfera de oxigênio. O enxofre presente é então oxidado (por combustão) para SO2 , o qual é convertido em SO3 após passar por um catalisador de sílica platinizada. O SO3 é absorvido no detector de infravermelho em comprimento de onda específico dentro do espectro de infravermelho. A quantidade de energia detectada é proporcional à concentração de enxofre na amostra. Utilizou-se um equipamento LECO CS244, com forno de indução e microprocessador para cálculo do teor de enxofre. O procedimento também incluiu a calibração do equipamento com padrão específico. Petrografia orgânica Oitenta e sete (87) amostras foram acidificadas com ácido clorídrico, para retirada dos carbonatos, e com ácido fluorídrico, para eliminação dos silicatos. Logo após, foram
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    neutralizadas e peneiradasa 12 mesh (1.68mm) e novamente centrifugadas para retirada de líquido. À parte sólida da amostra é adicionado cloreto de zinco, seguindo-se nova fase de agitação e centrifugação. Para a montagem da lâmina delgada, uma alíquota da porção sobrenadante obtida pela centrifugação foi colocada com um pouco de água e uma gota de goma de acácia sobre uma lamínula de vidro em chapa aquecida em torno de 37°C. O restante do querogênio foi peneirado (20µ) para eliminação da matéria mineral fina e colocado do mesmo modo que o material sobrenadante, em posição adjacente e com outra lamínula. A análise da matéria orgânica foi realizada por meio de microscopia ótica de luz transmitida e ultravioleta (para análise da fluorescência). Utilizou-se microscópio Axioscope II Plus da Carl-Zeiss, com fonte do tipo HBO-100, XBO-75W, e lâmpada de mercúrio de 100 watts (para análise em luz ultravioleta). Foram identificados três grupos principais de macerais (correspondentes aos minerais na petrografia): liptinita, vitrinita e inertinita, além da matéria orgânica amorfa. Extração e cromatografia líquida Noventa e duas (92) amostras foram selecionadas para extração de betume para a realização de análises posteriores. As amostras foram inicialmente pulverizadas em gral de ágata e peneiradas a 80 mesh, sendo então submetidas à extração em um equipamento do tipo Sohxlet por 24 h utilizando diclorometano. O solvente presente no material recuperado foi evaporado para concentração do betume extraído. Os extratos orgânicos foram submetidos à cromatografia líquida com o propósito de separar as frações de hidrocarbonetos saturados (parafinas lineares, ramificadas e cíclicas), hidrocarbonetos aromáticos e compostos NSO (resinas e asfaltenos, que possuem em sua estrutura átomos de nitrogênio, enxofre e oxigênio). Na cromatografia líquida, as substâncias são separadas por partição entre um líquido móvel e uma fase estacionária “sólida”, finamente dividida. O extrato é colocado no topo da coluna, sendo deslocado pela fase móvel (solvente) que percola através da fase estacionária pela ação da força de gravidade. Dessa forma, o solvente elui a fração de hidrocarbonetos com polaridade similar, deixando como resíduo na fase estacionária as frações de polaridade diferente. O procedimento realizado consistiu em pesar 200 mg de cada extrato orgânico, os quais foram posteriormente submetidos a fracionamento em coluna de vidro (dimensões de 13 cm x 0,5 cm) utilizando 2,5 g de sílica-gel (MERCK 60, 0,063 – 0,200 mm) ativada na noite anterior a 120°C.Afração de hidrocarbonetos alifáticos foi eluída com 10 ml de n- hexano, a de hidrocarbonetos aromáticos com 10 ml de n-hexano/diclorometano (1:1), e a
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    10 de compostos NSO,com 10 mL de diclorometano/metanol (9:1). As frações recuperadas foram evaporadas em evaporador rotatório sob pressão reduzida e transferidas para frascos de 2 mL com o auxílio de um pequeno volume de diclorometano (~ 500 µl), o qual foi evaporado em seguida sob fluxo de Nitrogênio. Cromatografia Gasosa (CG) A cromatografia gasosa é um método físico de separação dos componentes de uma mistura através de uma fase gasosa móvel sobre um sorvente estacionário. No processo de CG, cada amostra é vaporizada e misturada com um gás carreador inerte (fase móvel). A amostra é introduzida através de um sistema de injeção em uma coluna capilar cuja superfície interior está revestida por uma membrana que contém a fase estacionária. Dentro do equipamento, a solução de amostra é transferida para uma câmara de vaporização aquecida a temperatura elevada. A agulha da seringa é aquecida rapidamente de forma que a amostra ao ser injetada vaporiza-se, embora parcialmente, no seu interior. O gás de arraste leva a amostra para a coluna capilar, onde a mudança de temperaturas entre a câmara de vaporização (alta temperatura) e a coluna (baixa temperatura) faz com que as maiores moléculas sejam retidas na cabeça da coluna cromatográfica. À medida que a temperatura é elevada, dá-se a vaporização das substâncias que, de acordo com suas propriedades e as da fase estacionária, são retidas por tempos determinados, chegando à saída da coluna em tempos diferentes. O emprego de um detector adequado como o detector por ionização em chama (DIC, ou FID por suas iniciais em inglês), possibilita a detecção e quantificação dos compostos (Peters Moldowan, 1993). Neste trabalho, analisaram-se as frações de hidrocarbonetos saturados dos 92 extratos orgânicos obtidos por meio do processo de extração. Utilizou-se um cromatógrafo de gases Hewlett-Packard 5890-A (injetor splitless e coluna de 30m SPB-TM-1), com a seguinte programação de temperatura: de 120° a 310ºC a 6ºC/min. O volume injetado foi de 1 µL para cada amostra. Utilizou-se hidrogênio como gás carreador, injeção sem divisão de fluxo por 1 minuto, ionização com chama e detector por ionização em chama (DIC). Cromatografia Gasosa-Espectrometria de Massas (CG-EM) O acoplamento de um detector seletivo de massas ao cromatógrafo gasoso permite obter informação sobre a estrutura de cada composto que é eluído da cromatografia gasosa. Esta técnica baseia-se na ionização das moléculas por impacto de elétrons, de modo que se consegue fragmentá-las em íons de diferentes massas, os quais entram
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    11 num analisador demassas (ex: tipo quadrupolo), onde são monitorados de acordo com sua relação massa/carga (m/z) e são detectados por um multiplicador de elétrons. Desta forma pode-se obter o espectro de massas de cada composto, que junto com o tempo de retenção da cromatografia gasosa, constituem elementos essenciais para realizar a identificação dos compostos (Peters Moldowan, 1993). Para realizar a caracterização dos biomarcadores nas amostras selecionadas, as mesmas frações de hidrocarbonetos saturados submetidas às analises de CG foram analisadas pela técnica de cromatografia gasosa acoplada a espectrometria de massas. Utilizou-se um detector seletivo de massas HP 5972A acoplado a um cromatógrafo de gases Hewlett-Packard 5890-A (injetor on-column e coluna de 30m HP-5MS) com a seguinte programação de temperatura: de 70° a 170ºC a 20ºC/min e de 170° a 310°C a 2ºC/min. Empregou-se hélio como gás carreador, com injeção sem divisão de fluxo por um minuto e ionização por impacto de elétrons a 70eV. Foi utilizado o monitoramento de varredura linear na faixa de massas de 50-580 Daltons e o monitoramento seletivo de íons (“SIM”). Para a análise dos hidrocarbonetos saturados, foram selecionados os seguintes íons: m/z 191, 217, 218, 259 e 177. Determinação dos parâmetros cinéticos Cinqüenta e seis (56) amostras foram pulverizadas em gral de ágata, peneiradas a 80 mesh e acondicionadas em frascos de vidro etiquetados e tampados. Em seguida, foram submetidas à extração com um aparelho do tipo Soxhlet e diclorometano como solvente para a remoção completa do betume. Alíquotas de 40-50mg de cada amostra foram submetidas a pirólise em um equipamento Rock-Eval 6 (Lafargue et al., 1998) sob seis taxas de aquecimento distintas: 1, 2, 5, 10, 15 e 25°C/min. A otimização numérica foi realizada com o auxílio do software Optkin® (Beicip-Franlab), o qual se baseia em um modelo cinético em que o processo de craqueamento do querogênio se dá por meio de uma série de reações paralelas irreversíveis de primeira ordem. Com base nesse modelo, calcula-se a combinação de distribuição de energias de ativação e fator de freqüência que melhor se ajusta aos dados adquiridos pela análise de pirólise. Análise elementar (CHNOS) do querogênio Noventa e uma (91) amostras foram acidificadas com ácido clorídrico, para retirada dos carbonatos, e com ácido fluorídrico, para eliminação dos silicatos. Logo após, foram neutralizadas e peneiradas a 12 mesh (1.68mm) e novamente centrifugadas para
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    12 retirada de líquido.À parte sólida da amostra é adicionado cloreto de zinco, seguindo-se nova fase de agitação e centrifugação. Desta forma, isolou-se a amostra de querogênio necessária para realização das análises elementares. Determinaram-se os conteúdos de carbono, hidrogênio, oxigênio e nitrogênio por meio de detectores de infravermelho em um equipamento LECO CHN-600. As amostras são submetidas à combustão em presença de oxigênio puro. Os produtos da combustão são CO2 , H2 O, óxidos de nitrogênio, nitrogênio elementar e óxidos de enxofre. Estes últimos são removidos com óxido de cálcio em uma zona da câmara de combustão para evitar que se forme ácido sulfúrico na combinação com a água. Os gases remanescentes são armazenados para a quantificação dos elementos de interesse. A quantidade de nitrogênio se determinou com um detector de condutividade térmica, e a dos outros elementos, com um detector de infravermelho. Já o conteúdo de enxofre elementar determinou-se em um equipamento PERKIN ELMER 2400, onde as amostras foram submetidas à combustão a uma temperatura de 975ºC em uma atmosfera de oxigênio para converter os elementos em gases simples (CO2 , H2 O, N2 e SO2 ). O gás de interesse (SO2 ) foi homogenizado sob condições controladas de pressão, temperatura e volume e detectado e quantificado por meio de um detector de condutividade térmica. Análise de ICP-MS Noventa (90) amostras foram pulverizadas em gral de ágata, peneiradas a 80 mesh e acondicionadas em frascos de vidro etiquetados e tampados. As amostras foram então submetidas à acidificação com ácido sulfúrico concentrado, obtendo-se um resíduo que foi posteriormente calcinado em uma mufla. As cinzas resultantes desse processo foram dissolvidas em ácido nítrico de alta pureza e água deionizada. Esta solução foi então levada a um espectrômetro ELAN 6000 Inductively Coupled Plasma (ICP-MS) da Perkin Elmer, onde se determinaram as concentrações de 37 elementos. Especificamente para determinação dos conteúdos de alumínio e silício, efetuou- se a combustão das amostras até a obtenção de uma massa carbonosa, a qual é posteriormente removida por aquecimento em uma mufla a 575± 25°C. O resíduo obtido dessa forma foi transferido para um cadinho de platina, submetido à evaporação completa e, em seguida, à fusão com uma mistura de Na2 CO3 :Na2 B4 O7 . O produto é dissolvido em ácido clorídrico e peróxido de hidrogênio para posterior análise no mesmo espectrômetro ELAN 6000 Inductively Coupled Plasma (ICP-MS) da Perkin Elmer.
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    13 2.4. Análises Estatísticas Diferentestécnicas de análise estatística foram empregadas a fim de compreender melhor as relações e o comportamento dos dados gerados pelas diversas análises geoquímicas realizadas neste estudo. Com este fim, empregou-se o software de análise de dados Statistica®. A seguir, apresenta-se um resumo das técnicas empregadas. Regressão Linear A análise de regressão consiste no estudo da dependência de uma variável, denominada de dependente, em relação a uma ou mais variáveis, denominadas de explicativas. Com esta análise, é possível estimar e/ou prever a média da população ou o valor médio da dependente em termos de valores conhecidos das variáveis explicativas. No presente estudo, realizaram-se duas análises de regressão. Na primeira aplicação desta técnica, analisou-se a dependência linear da variável Tmax em relação à variável razão C29 esteranos ααα S/(S+R) (ver seção 5.4). A segunda aplicação da técnica de regressão teve como propósito completar a base de dados de geoquímica orgânica e inorgânica para a realização da análise fatorial. Estudou-se então, a dependência de cada variável em relação ao conjunto de todas as variáveis explicativas observadas, método conhecido como análise de regressão múltipla. O modelo aplicado teve como suposição a linearidade nos parâmetros. Para definir as variáveis explicativas significativas, adotou-se o método de seleção stepwise. O método consiste em ajustar o modelo através de um processo interativo, incorporando variáveis explicativas que contribuam significativamente para explicar o comportamento da variável dependente. Análise de Agrupamento (cluster analysis) Aanálise de agrupamento consiste em um conjunto de técnicas que permitem agrupar indivíduos ou variáveis previamente não agrupados. Partindo de um determinado número de casos, cada um descrito por um conjunto de variáveis aleatórias, esta análise usa um esquema de classificação para agrupar os casos (ou as variáveis) em classes, de tal forma que dentro das classes os casos sejam similares, e simultaneamente diferentes dos casos pertencentes as demais classes. A análise não exige suposições iniciais acerca do número de grupos, ou mesmo da estrutura desses grupos. Como resultado final, são obtidos grupos homogêneos internamente, mas heterogêneos entre si.
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    14 A análise deagrupamento foi utilizada neste trabalho para auxiliar na definição de fácies orgânicas com base em dados de biomarcadores (ver capítulo 6). Inicialmente, foi calculada a distância Euclidiana entre os pares de observações, desenvolvendo assim uma escala quantitativa conhecida como medida de associação (similaridade). Em uma segunda etapa, empregou-se o método de agrupamento hierárquico conhecido como método de Ward. Esses métodos iniciam o processo de agrupamento com casos individuais, ou seja, cada caso é caracterizado como um “grupo”. Seqüencialmente, os casos mais similares são agrupados e, através de um processo interativo, os grupos já formados são unidos de acordo com suas similaridades. Eventualmente, a similaridade decresce até que todos os grupos sejam fundidos em um único grupo. Análise Fatorial A análise fatorial é uma técnica desenvolvida para descrever as relações conjuntas de muitas variáveis, a partir de um pequeno número de quantidades aleatórias chamadas “fatores”. A aplicação do método pressupõe que as variáveis observadas possam, de alguma forma, ser agrupadas de acordo com suas correlações. Desta forma, todas as variáveis constituintes de um particular grupo, ou fator, estão altamente correlacionadas entre si e, simultaneamente, pouco correlacionadas com variáveis constituintes dos demais grupos, ou fatores. Aanálisefatorialpodeserconsideradacomoumaextensãodaanálisedecomponentes principais. Ambos os métodos têm por objetivo principal a redução da dimensão original da matriz de variáveis a partir da matriz de covariância. Aplicou-se esta técnica visando compreender as relações entre os diversos parâmetros geoquímicos orgânicos e inorgânicos, e reduzir a grande quantidade de parâmetros a um conjunto pequeno de fatores, facilitando assim sua interpretação e integração com a informação estratigráfica (ver capítulo 6). A estimativa dos escores fatoriais foi efetuada com o método de regressão. A escolha final do número de fatores foi baseada na combinação dos seguintes indicadores: (a) a proporção da variância explicada, (b) o conhecimento específico do pesquisador (subjetivo), e (c) a comparação direta dos dados com o resultado do modelo. Com o objetivo de facilitar a interpretação dos fatores comuns, fez-se a transformação da matriz de cargas fatoriais pelo método de rotação Varimax, minimizando assim a complexidade dos fatores. Diferentes métodos de rotação e de extração foram testados, obtendo-se a mesma estrutura de fatores, o que atesta a consistência dos resultados da análise fatorial.
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    15 3. Contexto GeológicoRegional 3.1. Evolução Tectônica da Colômbia A Bacia do Vale Superior do Magdalena (VSM), como outras bacias subandinas, teve uma história geológica multifásica, refletindo a complexa sucessão de eventos tectônicos que afetou a porção noroeste da América do Sul (Pindell Erikson, 1993; Villamil Pindell, 1998; Sarmiento, 2001). Apresenta-se neste capítulo um sumário dos aspectos mais importantes da história evolutiva desta porção do continente, com ênfase nas regiões do Vale do Magdalena e das cordilheiras dos Andes Oriental e Central na Colômbia (Figura 3.1). 0 100 200 km 79º 77º 75º 73º 71º 69º 12º 10º 8º 6º 4º 2º 0º Andes de M érida Bogotá FALHADE ROMERAL FALHADEBUCARAMANGA Maciço de Santa Marta M ar do Caribe Oceano Pacífico 1 2 5 7 8 9 10 11 12 N 6 AndesdePerijá FALHA DE OCA Principais Bacias Sedimentares: 1. Vale Superior do Magdalena 2. Vale Médio do Magdalena 3. Vale Inferior do Magdalena 4. Cauca-Patia 5. Maracaibo 6. Catatumbo 7. Pacífico 8. Putumayo 9. Llanos Orientais 10. Barinas 11. Amazonas Colombiana 12. Guajira Rochas sedimentares Rochas ígneas e metamórficas Áreas de cordilheiras ou maciços Escudo das Guianas Colôm bia Panamá Equador Colômbia Venezuela Brasil Cord.dos AndesOriental CordilheiradosAndesOcidentalCord.dosAndesCentral 4 3 Figura 3.1 – Mapa geológico esquemático mostrando a distribuição das áreas sedimentares, das regiões onde afloram rochas ígneas e metamórficas e das principais feições estruturais da Colômbia e regiões vizi- nhas (simplificado de Schamel, 1991 e Cooper et al., 1995). A zona hachurada representa as regiões mais elevadas do terreno (cordilheiras e maciços). A linha vermelha tracejada representa a localização aproxi- mada da seção geológica evolutiva da Figura 3.2.
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    16 A quantidade eintensidade dos diversos eventos tectônicos que afetaram a região norte da América do Sul desde o Triássico dificultam sobremaneira a reconstrução da história geológica pré-mesozóica dessa região (Cooper et al., 1995; Sarmiento, 2001). Por esse motivo, as rochas de idade pré-cambriana e paleozóica são consideradas como o embasamento da seção sedimentar focalizada neste capítulo. Nas bacias subandinas situadas a leste da cordilheira dos Andes Oriental, o embasamento consiste basicamente de depósitos sedimentares de idade paleozóica e rochas ígneas e metamórficas pré- cambrianas do escudo das Guianas (Figura 3.1). Da Falha de Romeral até a cordilheira Oriental, o embasamento compreende principalmente rochas metamórficas do paleozóico e do pré-cambriano. Finalmente, a oeste da falha de Romeral, o embasamento é composto de fragmentos de crosta oceânica e depósitos sedimentares e vulcânicos relacionados à subducção da placa do Pacífico (Cooper et al., 1995). As seções e mapas das Figuras 3.2 e 3.3 ilustram, de forma esquemática, a evolução tectono-sedimentar da Colômbia e das regiões vizinhas. No período compreendido entre o Jurássico e o início do Cretáceo, a subducção da placa tectônica do Pacífico ao longo da borda ocidental do Gondwana deu origem a um sistema de arcos magmáticos e bacias de retro-arco que cobria a maior parte da região que hoje abarca o Vale do Magdalena e as cordilheirasAndina Central e Oriental (Figuras 3.1 a 3.3). Uma componente transtensional relacionada à subducção oblíqua da placa do Pacífico deu origem a uma série de meios- grabens limitados por grandes falhas normais e preenchidos por depósitos sedimentares e vulcânicos (Schamel, 1991; Cooper et al., 1995; Villamil, 1999; Sarmiento, 2001). A partir do Hauteriviano e até aproximadamente o Campaniano, toda a região focalizada passou por uma fase de relativa quiescência, com atividade tectônica menos intensa e um comportamento de margem passiva (Villamil, 1998). Vastas áreas da porção noroeste da América do Sul foram inundadas pelo mar, dando origem a uma bacia de retro-arco ampla e relativamente rasa, que se estendeu por toda a região onde atualmente se encontram a cordilheira Andina Oriental, as bacias do Vale do Magdalena, Llanos e Putumayo na Colômbia (Figuras 3.1 a 3.3), e boa parte dos territórios da Venezuela, Equador e Peru. Na Colômbia, os depocentros dessa ampla bacia de retro- arco ocupavam sobretudo a região que atualmente faz parte da cordilheira Andina Oriental (Cooper et al., 1995), constituindo sub-bacias como as do Cocuy e Tablazo- Magdalena (Figura 3.2a). A maior parte dos autores que estudaram a região concorda que o arco magmático relacionado à subducção da placa do Pacífico provavelmente constituiu massas de terra emersas em pelos menos parte da Colômbia durante o Cretáceo (Figuras 3.2 e 3.3). De acordo com Cooper et al. (1995), o arco magmático não teria formado terras emersas na Colômbia antes do Maastrichtiano, à exceção da região do Vale Superior do Magdalena, onde há evidências da existência de terras emersas desde o Aptiano/Albiano. Segundo Villamil (1998), desde o Albiano o arco magmático provavelmente emergia durante as
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    17 Sub-bacia do Cocuy Llanos Orientais Sub-bacia do Tablazo-Magdalena (a)BARREMIANO/CAMPANIANO: Bacia de Retro-Arco (b) MAASTRICHTIANO/PALEOCENO: Inversão, Bacia Foreland Inicial (c) MIOCENO/RECENTE: Paroxismo Andino, Bacia Foreland Paleo-Cordilheira Central Cordilheira Andina Oriental Llanos Orientais Bacias do Vale do Magdalena Plutons Crosta Oceânica Crosta Continental Megasseqüência de Retro-Arco Megasseqüência Foreland Pré-Andino Megasseqüência Foreland Andino LEGENDA: Vulcânicas Cordilheira Central Bacia do Cauca Paleo-Cordilheira Central Colisão Arco de Ilha/Continente Cavalgamento e Inversão Compressão e Inversão Generalizadas Figura 3.2 – Seções geológicas esquemáticas mostrando três etapas da evolução tectono-sedimentar da porção central da Colômbia (modificado de Cooper et al., 1995).
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    18 (c) Neo-Cenomaniano (b) Meso/Neo-Albiano (d)Eo-Turoniano 76º 12º 8º 4º 72º Medelin Bogotá Cartagena Merida 76º 12º 8º 4º 72º Medelin Bogotá Cartagena Merida NeivaNeiva 76º 12º 8º 4º 72º Medelin Bogotá Cartagena Merida Neiva 76º 12º 8º 4º 72º Medelin Bogotá Cartagena Merida Neiva (a) Neo-Aptiano/Eo-Albiano Chert Evaporitos Clásticos marinhos proximais Folhelhos (não-calcários) Calcários e Folhelhos Calcários proximaisFosfatosLocalização aproximada da Seção do rio Bambuca Conglomerados limiteoestedesconhecido limiteoestedesconhecido limiteoestedesconhecido limiteoestedesconhecido N N N N ArcoMagmático(?) Arcomagmático(?) Arcomagmático Figura 3.3 – Mapas paleogeográficos esquemáticos mostrando a evolução tectono-sedimentar da porção central da Colômbia ao longo do Cretáceo (modificado de Villamil et al., 1999). São apresentadas recons- truções esquemáticas no Neo-aptiano/Eo-albiano (a), Meso/Neo-albiano (b), Neocenomaniano (c), Eotu- ronino (d), Santoniano (e) e Campaniano/Maastrichtiano (f). Também é mostrada a localização aproximada da seção de afloramento analisada neste estudo (coluna estratigráfica do Rio Bambuca).
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    19 fases de níveldo mar baixo. Guerrero et al. (2000) por sua vez, apresentam evidências sedimentológicas da existência de uma área fonte de composição vulcânica-metamórfica para os sedimentos albo-maastrichtianos do Vale Superior do Magdalena. Essa área fonte estava situada a oeste da bacia atual (arco magmático; Figuras 3.2 e 3.3), separando a bacia de retro-arco cretácica do antigo oceano Pacífico. A grande bacia de retro-arco cretácea (Hauteriviano/Campaniano) foi preenchida por sedimentos predominantemente marinhos, com uma diversidade litológica que inclui folhelhos, calcários, arenitos, cherts, evaporitos e fosfatos. A sedimentação nesse período de relativa quiescência foi controlada principalmente por flutuações relativas do nível do mar e influenciada por eventos paleoceanográficos (e.g. eventos anóxicos). Uma sucessão de ciclos transgressivos, cujo clímax foi alcançado no Eo-Turoniano (Villamil, 1998), acabou por recobrir boa parte da Colômbia com depósitos marinhos finos (calcários pelágicos e folhelhos; Figura 3.3d). No Santoniano/Campaniano, mudanças nas condições paleoceanográficas relacionadas à dinâmica das placas tectônicas no norte da América do Sul criaram condições favoráveis à ocorrência de episódios de ressurgência, levando à deposição generalizada de cherts (Macellari de Vries, 1987; Villamil et al., 1999; Figura 3.3e). (e) Santoniano (f) Campaniano/Maastrichtiano 76º 12º 8º 4º 72º Medelin Bogotá Cartagena Merida Neiva 76º 12º 8º 4º 72º Medelin Bogotá Cartagena Merida Neiva N N ArcoMagmático LevantamentodapaleocordilheiraCentral Chert Evaporitos Clásticos marinhos proximais Folhelhos (não-calcários) Calcários e Folhelhos Calcários proximaisFosfatosLocalização aproximada da Seção do rio Bambuca Conglomerados Figura 3.3 – continuação
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    20 Do Maastrichtiano aoEopaleoceno deu-se a acreção da Cordilheira Andina Ocidental e o soerguimento da paleocordilheira Central (Figuras 3.2b e 3.3f), levando ao desenvolvimento de uma grande bacia foreland e a uma notável mudança de ambientes marinhos a ambientes continentais nas áreas atuais da cordilheira Oriental, e bacias do Vale do Magdalena e dos Llanos (Cooper et al., 1995). No Eoceno, um incremento da taxa de convergência entre as placas tectônicas Sulamericana e do Caribe causou um evento de compressão, soerguimento e erosão que se estendeu por grande parte do território colombiano, dando origem a uma notável discordância de caráter regional. A maior parte dos sedimentos erodidos da Colômbia neste período foram transportados até a Venezuela, sendo depositados nas bacias de Maracaibo e Barinas (Villamil, 1999). No Oligoceno, iniciou-se o soerguimento da região que hoje compreende a cordilheira Andina Oriental, gerando altos topográficos pouco expressivos e descontínuos (Villamil, 1999). Apenas no Mioceno, entretanto, começou a fase principal da Orogenia Andina (Figura 3.2c), marcada por forte deformação e pela inversão das antigas falhas normais e dos depocentros sedimentares cretácicos. A intensa compressão e o notável soerguimento deram a conformação atual à Cordilheira Andina Oriental, separando definitivamente as bacias do Vale do Magdalena das bacias dos Llanos e do Putumayo, e levando a uma nova fase de formação de bacias foreland e à deposição de espessos depósitos molássicos (Cooper et al., 1995). 3.2. Bacia do Vale Superior do Magdalena 3.2.1. Arcabouço Estrutural e Estratigráfico Com cerca de 26.000 km2 , a área sedimentar definida como bacia do Vale Superior do Magdalena (VSM) está localizada na porção centro-oeste da Colômbia, a sudoeste da capital, Bogotá (Figura 3.4). É limitada ao norte pelo anticlinório de Villeta, que a separa da bacia do Vale Médio do Magdalena, e ao sul pelo maciço ígneo-metamórfico pré-mesozóico de Garzon, que a separa da bacia do Putumayo. Os limites leste e oeste do VSM são dados respectivamente pelas cordilheiras dos Andes Oriental e Central (Figuras 3.1 e 3.4). O VSM é subdividido em duas sub-bacias: de Neiva, ao sul, e de Girardot, ao norte, separadas pelo alto de Natagaima (Figura 3.4), um alto de embasamento onde afloram rochas vulcano-sedimentares de idade juro-triássica. Do ponto de vista estrutural, o VSM é limitado a leste e oeste por falhas de empurrão de grande porte, grandes sinclinais
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    21 3°N 4°N 75°W 50km CORDILHEIRA CENTRAL M ACIÇO DE G ARZO N Alto de Natagaima Sub-bacia de Neiva Sub-bacia deGirardot Bogotá COLÔMBIA CORDILHEIRA ORIENTAL N Bacia sedimentar Cordilheiras e maciços Figura 3.4 – Mapas mostrando a localização e o arcabouço estrutural da bacia do Vale Superior do Magdalena (modificado de Schamel, 1991). assimétricos e amplos anticlinais moldados pelos sucessivos eventos de deformação que afetaram a região, particularmente os eventos compressivos do Eoceno-Oligoceno e do Mioceno (Schamel, 1991). O processo de soerguimento e erosão associado ao paroxismo Andino levou à exposição da seção sedimentar e ao afloramento da seção cretáceo-terciária no núcleo dos dobramentos ao longo de toda a bacia. As direções NE, dominantes no arcabouço estrutural da bacia, são aparentemente herdadas do processo de rifteamento de idade jurássica. De fato, as grandes falhas de empurrão que constituem os limites atuais da bacia coincidem com as zonas de charneira desse rifte (Schamel, 1991). O preenchimento sedimentar do VSM engloba estratos que variam em idade do Jurássico ao Recente. Devido ao pobre controle bioestratigráfico e à proliferação de denominações locais, a nomenclatura estratigráfica é particularmente complexa (e.g. Villamil, 1998; Guerrero et al., 2000). Optou-se pela nomenclatura usada por Ecopetrol- ICP (1994; Figura 3.5) por adequar-se bem ao escopo deste estudo e por ser também a mais usada na indústria do petróleo na Colômbia, facilitando a integração dos resultados com trabalhos prévios de avaliação de sistemas petrolíferos do VSM.
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    22 Plioc. Mioc. Oligoc. Eoc. Paleoc. Super. Infer. Coniac. Turon. Cenom. Albiano Aptiano Barrem. Neocom. Fm. Caballos Grupo Villeta Fm. La Luna Fm. Bambuca Fm. Tetuan Fm.Guaduala Fm. Barzaloza Fm. Mesa Fm.Gigante Gr. Honda Gr. Gualanday Fms. Monserr./Buscav. Gr. Olini Fm. Saldaña Fm. Yavi TERCIÁRIO QUATERNÁRIO CRETÁCEO JURÁSSICO CRONO- ESTRATIGRAFIA LITO- ESTRATIGRAFIA Maastr./ Santon. Figura 3.5 – Coluna estratigráfica simplificada da bacia do Vale Superior do Magdalena (adaptada de Ecopetrol-ICP, 1994). Os depósitos mais antigos encontrados na bacia são os sedimentos de coloração vermelha e rochas vulcanoclásticas jurássicas da Formação Saldaña, considerados como embasamento para efeito da exploração de hidrocarbonetos. Esses depósitos são sobrepostos discordantemente pela megasseqüência de idade barremiana a paleocênica que engloba as formações Yavi e Caballos, os grupos Villeta e Olini e as formações Monserrat, Buscavidas e Guaduala (Figura 3.5). A Formação Yavi, de idade barremiana é composta basicamente por arenitos e siltitos depositados em ambiente continental e a formação Caballos, de idade aptiana/eo-albiana, compreende principalmente arenitos, folhelhos e, secundariamente, calcários e margas, depositados em ambientes marinhos costeiros (lagunas e estuários; Ecopetrol-ICP, 1994).
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    23 O Grupo Villeta,por sua vez, é subdividido em três unidades (Figura 3.5).AFormação Tetuan, de idade predominantemente albiana, é composta principalmente por calcários, margas, e folhelhos de coloração escura. A Formação Bambuca, de idade cenomaniana, compreende folhelhos, margas, calcários e, minoritariamente, arenitos (Ecopetrol-ICP, 1994). Já na Formação La Luna, de idade turoniana/coniaciana, as rochas carbonáticas predominam amplamente, seguidas pelos folhelhos e margas. Do Santoniano ao Campaniano, depositaram-se os cherts, calcários, folhelhos e fosfatos do Grupo Olini. As formações Monserrate e Buscavidas são compostas por arenitos de ambiente marinho raso e costeiro depositados no Maastrichtiano, enquanto a Formação Guaduala é constituída por siltitos e arenitos de ambiente continental a parálico sedimentados no Paleoceno (Ecopetrol-ICP, 1994). Os estratos da megasseqüência do Barremiano/Paleoceno são truncados pela discordância regional do Eoceno e sobrepostos por uma sucessão de seqüências molássicas que se depositaram do Meso/Neo-Eoceno ao Recente. Esta sucessão engloba os grupos Gualanday e Honda, e as formações Barzaloza, Mesa e Gigante (Figura 3.5). Separadas por importantes discordâncias angulares, estas unidades são compostas principalmente por conglomerados e arenitos depositados em ambientes fluviais, aluviais e lacustres (Ecopetrol-ICP, 1994). 3.2.2. Evolução Tectono-Sedimentar A complexidade da história geológica da porção norte do continente sul-americano se reflete de forma notável na evolução tectono-sedimentar do VSM. Durante grande parte do Cretáceo, a região que compreende atualmente o VSM foi parte da extensa bacia de retro-arco que cobriu grande parte do noroeste da América do Sul. Em seguida, a partir do final do Cretáceo e durante boa parte do Terciário, essa região passou a fazer parte da grande bacia foreland que se implantou em resposta ao soerguimento da cordilheira Andina Central. No Mioceno, a região do VSM assumiu por fim sua configuração atual, a de uma bacia intermontana alongada, limitada pelas cordilheiras Central e Oriental (Villamil, 1998; Guerrero et al., 2000). AdeposiçãodasformaçõesYavieCaballosedosgruposVilletaeOlini(Figura3.5)deu- se na bacia de retro-arco que cobria grande parte da Colômbia e se estendia a nordeste e a sudeste, até a Venezuela e o Equador, respectivamente. Ocorreu sob condições de relativa quiescência tectônica, sendo influenciada por eventos paleoceanográficos globais e controlada principalmente por flutuações relativas do nível do mar (Figura 3.6). A sedimentação foi dominantemente continental durante o Barremiano e boa parte do
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    24 Aptiano, período dedeposição dos estratos da Formação Yavi e de uma porção da Formação Caballos. O final dessa fase é definido por um aumento relativo do nível do mar que tem início no Neo-aptiano e alcança o clímax no final do Mesoalbiano (Villamil, 1998), durante a deposição da Formação Tetuan. Esse evento transgressivo de caráter regional é representado ao longo de todo o VSM e da cordilheira Oriental por uma notável transição de fácies continentais a fácies litorâneas e francamente marinhas. A partir do final do Mesoalbiano, o aporte sedimentar supera o progressivo aumento relativo do nível do mar (Figura 3.6), dando origem a um trato de sistemas de mar alto que se estendeu até o Eo-cenomaniano, quando ocorre um evento de regressão forçada que leva ao retorno das fácies sedimentares de plataforma interna e de litoral (Villamil, 1998). Durante o restante do Cenomaniano, período de deposição da maior parte da Transgressão Superfícies de Inundação Máxima (SIM) Limites de Seqüência (LS) Eventos Anóxicos Oceânicos (OAE's) CRONO LITO ESTRATI- GRAFIA CON SAN TUR CEN ALB OAE-3 ? OAE-2 OAE-1 LS? SIM SIM? SIM LS LS Fm. Caballos Gr. OliniGrupoVilleta Fm. La Luna Fm. Bambuca Fm. Tetuan Figura 3.6 – Estratigrafia, curva de variação relativa do nível do mar, limites de seqüências e eventos pa- leoceanográficos globais da seção de idade aptiana/santoniana, conforme definido por Villamil (1998) na região do VSM e da cordilheira Andina Oriental. As siglas OAE’s 1, 2 e 3 referem-se aos eventos anóxicos globais do Cretáceo (Oceanic Anoxic Events; Schlanger Jenkyns, 1976; Arthur et al., 1990).
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    25 Formação Bambuca, desenvolve-seum novo trato de sistema de nível de mar alto, cujo limite superior é um limite de seqüência de caráter regional resultante da notável redução relativa do nível de base que ocorreu no Neo-cenomaniano (Figura 3.6). O subseqüente aumento do nível de base deu origem a um evento transgressivo que se estendeu até o Eo-turoniano, correspondente à base da Formação La Luna. Depois de uma fase de relativa estabilidade do nível de base, deu-se um novo rebaixamento no Eo-Santoniano. Iniciou-se a deposição do Grupo Olini, caracterizado pela deposição generalizada de cherts associados a eventos de ressurgência (Villamil et al., 1999). A acreção da cordilheira Andina Ocidental e o soerguimento da cordilheira Central (Figuras 3.2 e 3.3) ocorridos do Maastrichtiano ao Eopaleoceno levaram ao desenvolvimento de uma grande bacia foreland (Cooper et al., 1995) e a uma notável transição de fácies de ambiente marinho raso e costeiro (formações Monserrate e Buscavidas) para fácies de ambiente continental a parálico (Formação Guaduala). O evento de compressão do Eoceno causou o soerguimento e a erosão dos estratos mais antigos, gerando uma marcante discordância angular de caráter regional. Finalmente, o soerguimento e a erosão das cordilheiras Andinas Central e Oriental durante quase todo o Terciário levaram à deposição das seqüências de molassas dos grupos Gualanday e Honda, e formações Barzaloza, Mesa e Gigante (Figura 3.5).
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    26 4. Análise Estratigráficada Seção do Rio Bambuca 4.1. Localização e Contexto Geológico Local Com o propósito de analisar em detalhe a estratigrafia e o comportamento geoquímico do Grupo Villeta, levantou-se uma seção que aflora ao longo das margens do Rio Bambuca, no limite noroeste da sub-bacia de Neiva, próxima ao alto de Natagaima (Fig. 4.1). A seção levantada, doravante denominada de “seção do Rio Bambuca”, atravessa o flanco ocidental do sinclinal da Media Luna, uma dobra cilíndrica aberta com eixo principal de direção NE-SW. As falhas associadas ao sinclinal são do tipo inverso de baixo ângulo, com deslocamentos de até 5 km. Os estratos aflorantes ao longo da seção levantada apresentam mergulho acentuado (70-80º) na direção SE. Não foi constatada a presença de complicações estruturais significativas, tais como inversão ou repetições de camadas, ao longo da seção estudada. Rio Bambuca Fm. Caballos Gr. Villeta Gr. Olini Fm. Monserrate Fm. Guaduala 75°20'W 3°20'N Falha de Chusma 0 1 2km Alto de Natagaima Sub-bacia de Neiva LOCALIZAÇÃO DA SEÇÃO ANALISADA N N SinclinalMediaLuna Figura 4.1 – Localização e contexto geológico da seção estratigráfica levantada ao longo do Rio Bambuca. A referida seção atravessa o flanco ocidental do sinclinal da Media Luna, no limite noroeste da sub-bacia de Neiva, próximo ao alto de Natagaima (adaptado de Vargas et al., 2002).
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    27 O intervalo estratigráficoanalisado inicia-se na parte superior da Formação Caballos, cobre todo o Grupo Villeta (formações Tetuan, Bambuca e La Luna) e termina na base do Grupo Olini, abrangendo mais de 700 metros de espessura (Fig. 4.2). Uma porção significativa (cerca de 37%) desse intervalo encontra-se encoberta por deslizamentos de terra e/ou vegetação, impedindo sua descrição e análise. Dentre as unidades estudadas, a Formação Bambuca é a mais afetada, com cerca de 70% de sua espessura total encoberta e/ou muito intemperizada, seguida pela Formação Tetuan, com cerca de 28% de seção encoberta por deslizamentos de terra e/ou vegetação. As outras unidades, por sua vez, afloram de forma relativamente contínua, praticamente sem intervalos encobertos. 200 400 600 Raios Gama (cps) 0 50 100 Carbonato Total (%) Intervalo de afloramento coberto Arenito muito fino Arenito fino Siltito Folhelho Folhelho calcífero Bentonita Grainstone Mudstone/Wackestone Chert Carvão Bioturbação Laminação ondulada Laminação plano-paralela Concreções calcáreas L E G E N D A : 0 100 200 300 Albiano Caba- llos Fm.Tetuan 400 500 600 700 m CenomanianoTuron./Coniac.San.CRONO LITO Fm.Bambuca GrupoVilleta Fm.LaLuna Olini Figura 4.2 – Coluna estratigráfica da seção do Rio Bambuca, levantada ao longo do rio homônimo, no flanco noroeste da sub-bacia de Neiva, Vale Superior do Magdalena. A figura apresenta, além da sucessão litológica e feições sedimentares, os dados de raios gama levantados no campo e os teores de carbonato total determinados em laboratório.
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    28 4.2. Caracterização Litológica Apresenta-sea seguir uma descrição das características sedimentológicas e litológicas de cada uma das unidades litoestratigráficas estudadas na seção do Rio Bambuca. Formação Caballos Apenas a porção correspondente aos 25 m superiores da Formação Caballos foi analisada. O contato com a Formação Tetuan é concordante e transicional, tendo sido arbitrariamente marcado no topo da última camada de arenito. Na porção analisada, as camadasapresentamgeometriatabulareespessuramédiadaordemde1m.Predominam os arenitos quartzosos de granulação fina a média, cor branca a cinza claro, maciços ou com laminação ondulada ou plano-paralela, e localmente bioturbados. Minerais como pirita, muscovita e glauconita, bem como fragmentos de fósseis de plantas, podem ser observados na análise macroscópica. Secundariamente, ocorrem camadas de folhelhos carbonáticos de cor cinza escuro a esverdeado e localmente bioturbados, com níveis carbonosos irregulares de espessura centimétrica (Figura 4.3). Próximo ao topo, também estão presentes intercalações de calcários bioclásticos (Figura 4.4) Figura 4.3 – Fotografia mostrando intercalações de arenitos, folhelhos e camadas carbonosas delgadas na Formação Caballos, seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia. Arenito Arenito Nível Carbonoso TOPO
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    29 Figura 4.4 –Fotografia mostrando pacotes de calcários próximo ao topo da Formação Caballos, seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia. Calcário 1m Grupo Villeta De acordo com a nomenclatura estratigráfica adotada, foi subdividida nas formações Tetuan, Bambuca e La Luna. Formação Tetuan Com uma espessura total de 210 m, a Formação Tetuan é caracterizada pela alternância de estratos tabulares de folhelho e calcário com espessura decimétrica a métrica e contatos plano-paralelos. Esta alternância litológica se reflete nas notáveis flutuações dos conteúdos de carbonato total e do perfil de raios gama (Figura 4.2). Seus limites (inferior e superior) são transicionais, tendo sido marcados respectivamente no topo da última camada de arenito que assinala o topo da Formação Caballos e na base da seqüência monótona de folhelhos que caracteriza a Formação Bambuca. Três segmentos (inferior, médio e superior) com características litológicas distintas foram reconhecidos na Formação Tetuan. Com cerca de 50 m de espessura, o segmento inferior é composto essencialmente por folhelhos com laminação plano-paralela fina e coloração cinza-escuro a negra, intercalados localmente com camadas finas de calcários, apresentando em geral baixos conteúdos de carbonatos (Figura 4.2). Ao microscópio, os folhelhos apresentam pirita
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    30 disseminada, fragmentos debiválvios e peixes, níveis submilimétricos de carapaças de foraminíferosegrãossubangularesdequartzodotamanhosilte,formandoocasionalmente franjas paralelas à laminação. O segmento médio, com cerca 75 m de espessura, caracteriza-se basicamente pela alternância entre camadas de folhelhos e calcários (Figura 4.5). Os folhelhos apresentam coloração cinza escura à negra e laminação plano-paralela fina. Tal como no segmento basal, observa-se ao microscópio, além da alta proporção de matéria orgânica, a presença freqüente de pirita disseminada, fragmentos de bivalvos e peixes, níveis submilimétricos de carapaças de foraminíferos e grãos subangulares de quartzo do tamanho silte, formando ocasionalmente franjas paralelas à laminação. Concreções calcíferas também são abundantes nessa parte da unidade. As camadas de calcário do segmento médio da unidade consistem de mudstones e wackestones (classificação de Dunhan, 1962) com abundantes foraminíferos planctônicos parcialmente recristalizados. Possuem coloração cinza-claro, e mostram aspecto maciço ou laminação plano-paralela (Figura 4.6). De modo geral, apresentam uma porcentagem importante de minerais terrígenos (principalmente quartzo), glauconita e de fósseis diversos, tais como fragmentos de amonitas, biválvios, peixes, etc., além de foraminíferos planctônicos. Os calcários também ocorrem sob a forma de níveis nodulares paralelos à estratificação das camadas adjacentes. Cabe ressaltar que níveis milimétricos esparsos de bentonita foram encontrados nesse segmento. Figura 4.5 – Fotografia em que se vêem intercalações rítmicas de calcários pelágicos (níveis claros) e folhelhos calcíferos (camadas escuras) no segmento médio da Formação Tetuan, seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia. 1m TOPO
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    31 Calcário laminado TOPO Figura 4.6 –Fotografia mostrando camadas de calcário maciço intercalado com calcários laminados e folhelhos no segmento médio da Formação Tetuan, seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia. Calcário maci;o O segmento superior também compreende um espesso pacote (85 m) de folhelhos calcíferos e calcários intercalados (Figura 4.7). No entanto, ao contrário do que se observa no segmento basal, a alternância entre as duas litologias não é uniforme, notando- se, além do predomínio global dos folhelhos sobre os carbonatos, um incremento na freqüência e espessura de camadas de folhelhos em direção ao topo da unidade. Os folhelhos mostram, de modo geral, as mesmas características observadas no segmento Figura 4.7 – Fotografia em que se vêem intercalações centimétricas de folhelhos (níveis escuros) e calcários pelágicos (níveis claros) no segmento superior da Formação Tetuan, seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia TOPO
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    32 basal, tais comoa coloração cinza-escuro a negra, laminação plano-paralela fina, presença de níveis submilimétricos de carapaças de foraminíferos planctônicos, lâminas de material carbonoso, abundante pirita disseminada, fragmentos de biválvios e peixes e grãos subangulares de quartzo do tamanho silte. As rochas carbonáticas do segmento superior apresentam coloração cinza-claro, ocorrendo em camadas maciças ou com laminação plano-paralela, ou sob a forma de nódulos concordantes com a laminação. As camadas de calcário desse segmento também consistem de mudstones e wackestones (classificação de Dunhan, 1962). Ao microscópio, esses calcários mostram-se intensamente dolomitizados, apresentando uma elevada proporção de fósseis de foraminíferos recristalizados, bem como de fragmentos de conchas de biválvios, peixes e outros bioclastos fosfatizados. Cabe ressaltar a ocorrência, próximo ao topo do segmento superior, de uma camada de siltito interrompendo abruptamente a alternância calcário-folhelho característica desta unidade (a aproximadamente 185 m; Figura 4.2). Análises micropaleontológicas realizadas por Vergara (1997) em amostras de folhelhos e calcários do intervalo correspondente à Formação Tetuan na seção do Rio Bambuca e outras seções no VSM mostraram que os foraminíferos encontrados nesta unidade são essencialmente planctônicos. Foram reconhecidas espécies de Ticinella, Hedbergella, Heterohelix e Globigerinelloides, interpretadas por aquele autor como indicativas de condições de plataforma externa. Formação Bambuca Esta unidade apresenta uma espessura total estimada de 365 m na coluna estratigráfica levantada, dos quais cerca de 250 m encontram-se cobertos pela vegetação ou muito intemperizados (Figuras 4.2, 4.8 e 4.9). Seu limite inferior, com a Formação Tetuan, é concordante e transicional, tendo sido marcado na base da sucessão monótona de folhelhos com alguns calcários intercalados. Já o seu limite superior, apesar de igualmente concordante, é abrupto, sendo marcado na base do pacote de calcários da Formação La Luna. Nas porções menos alteradas da Formação Bambuca, onde foi possível realizar o trabalho de caracterização, observa-se que esta unidade é composta por camadas decimétricas a métricas de folhelhos e calcários (Figura 4.8), com laminações dominantemente plano-paralelas, e localmente onduladas. Litologicamente, a Formação Bambuca mostra-se mais homogênea que a unidade sotoposta, sendo composta principalmente por folhelhos calcíferos e, secundariamente, por intercalações de camadas calcárias.
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    33 Os folhelhos daFormação Bambuca apresentam cor cinza-escuro e laminação plano-paralela fina (Figura 4.9). Assim como na Formação Tetuan, estes folhelhos apresentam níveis submilimétricos de carapaças de foraminíferos recristalizadas, pirita disseminada, fragmentos de biválvios e peixes. As rochas carbonáticas compreendem mudstones e wackestones (classificação de Dunhan, 1962) dolomitizados, de coloração cinza-claro, maciços ou com laminação plano-paralela. Ao microscópio, mostram uma elevada proporção de fósseis de foraminíferos recristalizados, bem como de fragmentos de conchas de bivalvos e de peixes e outros bioclastos fosfatizados. Figura 4.8 – Fotografia mostrando afloramento de folhelhos e calcários parcialmente intemperizados da porção basal da Formação Bambuca, parcialmente recobertos pela vegetação, na seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia. Figura 4.9 – Fotografia em que se vêem afloramentos de folhelhos intemperizados da Formação Bambuca, seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia. 1m TOPO
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    34 Uma camada dearenito fino com laminação plano-paralela e aproximadamente 2m de espessura interrompe de forma abrupta a sucessão monótona de folhelhos na porção superior da unidade (aproximadamente a 530m; Figura 4.2). Formação La Luna Na coluna analisada, a Formação La Luna apresenta uma espessura total de cerca de 110 m (Figura 4.2), dos quais apenas uma pequena porção encontra-se encoberta (aproximadamente 20 m). O limite inferior, com a Formação Bambuca, é concordante, sendo marcado pela passagem abrupta de folhelhos para calcários. O limite superior com o Grupo Olini é igualmente concordante, sendo marcado na base do primeiro pacote possante de chert. Litologicamente, a Formação La Luna é basicamente composta por camadas alternadas de folhelhos calcíferos e calcários (Figuras 4.10 e 4.11), o que se reflete na marcante flutuação dos teores de carbonato total e das leituras do perfil de raios gama (Figura 4.2). Essas litologias ocorrem em camadas tabulares decimétricas a métricas, com contatos concordantes e dominantemente plano-paralelos. Os folhelhos da Formação La Luna apresentam coloração cinza-escuro a negra, laminação plano-paralela fina e conteúdo de carbonato geralmente mais alto que o observados nas outras unidades (Figura 4.2). Esses folhelhos também apresentam grande quantidade de carapaças de foraminíferos recristalizados, lâminas de material carbonoso,piritafartamentedisseminada,numerosasconcreçõescalcíferaseabundantes fragmentos de biválvios e peixes. Figura 4.10 – Fotografia em que se vêem intercalações decimétricas de calcários pelágicos (níveis mais claros) e folhelhos (níveis mais escuros) na porção inferior da Formação La Luna, seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia. TOPO
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    35 Os calcários daFormação La Luna na coluna analisada consistem basicamente em wackestones e packstones (classificação de Dunhan, 1962) de foraminíferos. Mostram coloração cinza-claro e aspecto geralmente maciço. Ao contrário do que se observa na Formação Tetuan, a matriz dos calcários da Formação La Luna não apresenta sinais de recristalização. Ao microscópio, mostram uma elevada proporção de fósseis de foraminíferos esporadicamente recristalizados ou substituídos por pirita. Também se observam fragmentos de conchas de biválvios, amonitas e de peixes, localmente fosfatizados. Do mesmo que em outras unidades do Cretáceo marinho do VSM, espécies planctônicas predominam de forma quase absoluta entre os foraminíferos encontrados em folhelhos e calcários no intervalo correspondente à Formação La Luna em diversas seções aflorantes (Vergara, 1997). Ainda no que se refere à caracterização litológica, é importante destacar a ocorrência de uma série de finas camadas de bentonita com espessura milimétrica/centimétrica e coloração amarelo-esverdeada a acinzentada na base da formação (Figura 4.2). Estes níveis de bentonita encontram-se densamente intercalados com as camadas de folhelho e calcário ao longo de um intervalo de aproximadamente 3 m de espessura. A identificação da bentonita foi confirmada por análises de difração de raios-X realizadas por Vargas et al. (2002). Na porção superior da unidade, também é digna de nota a ocorrência de camadas finas de chert e de grainstones (classificação de Dunhan, 1962) de foraminíferos. Os cherts possuem coloração cinza-escuro a negra e laminação plano-paralela. Ao microscópio, apresentam algumas carapaças silicificadas de foraminíferos, pirita, restos de biválvios Figura 4.11 – Fotografia mostrando intercalações decimétricas de calcários pelágicos e folhelhos na porção inferior da Formação La Luna, seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia. TOPO
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    36 e peixes epellets fosfatizados. Os grainstones, por sua vez, mostram coloração castanha a cinza-claro e aspecto maciço. Ao microscópio, além da elevada proporção de foraminíferos de tamanho muito fino, observa-se a presença de uma grande quantidade de bioclastos intensamente fosfatizados, o que se reflete em altos valores de leitura de raios gama (intervalo acima de 675 m; Figura 4.2). Grupo Olini Foramanalisadossomenteos22mbasaisdoGrupoOlini.SeucontatocomaFormação La Luna é concordante, tendo sido marcado na base do primeiro pacote possante de chert. Na porção analisada do Grupo Olini, as camadas apresentam geometria tabular com contatos plano-paralelos, e espessuras centimétricas a métricas. Litologicamente, a unidade é composta por cherts, calcários e, secundariamente, folhelhos (Figura 4.12). Os cherts da porção analisada do Grupo Olini são similares aos que ocorrem na Formação La Luna, mostrando coloração cinza-escuro a negra e laminação plano- paralela. Ao microscópio, nota-se a presença de carapaças silicificadas de foraminíferos, pirita, restos de biválvios e peixes, além de pellets fosfatizados. Os calcários também consistem basicamente em grainstones (classificação de Dunhan, 1962) de foraminíferos com coloração castanha a cinza-claro e aspecto maciço. Como na Formação La Luna, estas rochas carbonáticas apresentam uma elevada proporção de foraminíferos e de bioclastos intensamente fosfatizados e com altos valores de leitura de raios gama (Figura 4.2). As poucas camadas de folhelho desta unidade apresentam características similares àquelas observadas na Formação La Luna. Figura 4.12 – Fotografia com vista geral da sucessão de cherts, calcários e folhelhos na porção inferior do Grupo Olini, seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia. 1m TOPO
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    37 4.3. Estratigrafia deSeqüências O franco predomínio de calcários pelágicos e folhelhos no Grupo Villeta indica que a área da seção do Rio Bambuca se encontrava em uma posição distal durante a deposição daquela unidade. Esta interpretação está de acordo com as reconstruções paleogeográficas do Cretáceo na Colômbia (e.g. Etayo et al., 1976; Vergara, 1997; Villamil, 1998; Guerrero et al., 2000), que posicionam a área estudada na porção ocidental da grande bacia de retro-arco cretácica, próxima ao arco magmático que separava essa bacia do antigo oceano Pacífico (Figura 3.3). Em ambientes deposicionais distais, a baixa amplitude das variações relativas do nível do mar coíbe o desenvolvimento de quebras significativas no registro sedimentar, dificultando sobremaneira o reconhecimento de limites de seqüências e tratos de sistemas. A sucessão litológica da seção do Rio Bambuca foi analisada à luz do arcabouço de estratigrafia de seqüências e de eventos definido por Villamil (1998). Esse arcabouço inclui uma série de marcos estratigráficos de caráter regional (e.g. camadas de bentonita, níveis de concreções, etc.; Figura 4.13) que permitiram inferir a idade do intervalo analisado na seção do Rio Bambuca e reconhecer os ciclos trangressivo- regressivos que controlaram a deposição do Cretáceo no VSM, constituindo seqüências deposicionais de 2ª ordem separadas por discordâncias nas porções proximais e por superfícies concordantes correlatas nas porções distais da bacia (Villamil, op. cit.). Níveis de Bentonitas Concreções Calcáreas Transgressão Superfícies de Inundação Máxima (SIM) Limites de Seqüência (LS) Eventos Anóxicos Oceânicos (OAE's) CRONO LITO ESTRATI- GRAFIA CON SAN TUR CEN ALB OAE-3 ? OAE-2 OAE-1 LS? SIM SIM? SIM LS LS Fm. Caballos Gr. Olini GrupoVilleta Fm. La Luna Fm. Bambuca Fm. Tetuan Figura 4.13 – Estratigrafia, curva de variação relativa do nível do mar, limites de seqüências, eventos paleoceanográficos globais e principais marcos estratigráficos da seção de idade aptiana/santoniana na região do VSM e da cordilheira Andina Oriental (adaptado de Villamil, 1998). As siglas OAE’s 1, 2 e 3 referem-se aos eventos anóxicos globais do Cretáceo (Oceanic Anoxic Events; Schlanger Jenkyns, 1976; Arthur et al., 1990).
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    38 A transição defácies de arenitos marinhos proximais/costeiros da parte superior da Formação Caballos, para fácies sedimentares típicas de ambientes marinhos mais profundos, já na base da Formação Tetuan, denuncia um progressivo aumento do nível de base, caracterizando a passagem de um trato de sistemas de mar baixo para um trato de sistemas transgressivo. A deposição desses tratos de sistemas é interpretada como resultado do evento de subida regional do nível do mar do Albiano reconhecido ao longo do VSM e na cordilheira Oriental (Figuras 4.13 e 4.14; Villamil, 1998). Mais acima, ainda na porção inferior da Formação Tetuan (aproximadamente 90m; Figura 4.14), um pacote de carbonatos e folhelhos escuros com abundantes concreções calcíferas e altos teores de carbono orgânico (Figura 5.1) é interpretado como correspondente à superfície de inundação máxima que registra o pico de transgressão do Meso/Neo- albiano, contemporâneo ao Evento Anóxico Oceânico 1 (OAE 1; Fig. 4.13). Ao longo da porção média/superior da Formação Tetuan, acima da superfície de inundação máxima mencionada no parágrafo anterior, observa-se um progressivo aumento da espessura e freqüência dos pacotes de folhelho em detrimento da espessura e freqüência das camadas de carbonatos pelágicos. Essa sucessão é interpretada como resposta a um evento progradante em condições de nível de base alto, podendo ser correlacionada ao trato de sistemas de mar alto depositado do Neo-albiano ao Eo- cenomaniano ao longo de todo o VSM (Villamil, 1998). Uma camada delgada de siltito sobrepõe-se abruptamente à seção de intercalações folhelho-carbonato na porção superior da Formação Tetuan (aproximadamente a 185m; Figura 4.14). À semelhança do que ocorre em outras seções do VSM e da cordilheira Oriental, esta camada é interpretada como o registro da queda relativa do nível de base ocorrida no Cenomaniano Inferior. O subseqüente retorno à deposição de folhelhos e carbonatos intercalados acusa uma nova fase de aumento relativo do nível de base. Não foi possível, entretanto, identificar a superfície de inundação máxima associada a esse evento transgressivo, provavelmente por ela estar posicionada em algum intervalo encoberto e/ou alterado da porção inferior da Formação Bambuca. Durante o Cenomaniano, dá-se um forte incremento da proporção de depósitos siliciclásticos em relação aos carbonáticos ao longo de todo o VSM. Essa mudança é interpretada por Villamil (1998) como resultado de um processo de progradação causado pelo aumento do aporte sedimentar e pela redução na taxa de aumento do nível de base, o que caracteriza um trato de sistemas de nível de mar alto. No caso da seção estudada, o incremento na proporção de siliciclásticos é representado pelo aumento da espessura e freqüência de camadas de folhelhos observado ao longo das porções inferior/média da Formação Bambuca, ainda que em grande parte estejam alterados e/ou encobertos pela vegetação (Figura 4.14).
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    39 TRANSGRESSÃO Curva de T-REstratigrafia de Seqüências Intervalo de afloramento coberto Limite de Seqüência Superfície de Inundação Máxima Arenito muito fino Arenito fino Siltito Folhelho Folhelho calcífero Bentonita Grainstone Mudstone/Wackestone Chert Carvão Bioturbação Laminação ondulada Laminação plano-paralela Concreções calcáreas L E G E N D A : 0 100 200 300 Albiano Caba- llos Fm.Tetuan 400 500 600 700 m CenomanianoTuron./Coniac.San.CRONO LITO Fm.Bambuca GrupoVilleta Fm.LaLuna Olini ? ? Figura 4.14 – Coluna estratigráfica da seção levantada ao longo do Rio Bambuca, no flanco noroeste da sub-bacia de Neiva, Vale Superior do Magdalena. A figura apresenta os ciclos transgressivo-regressivos e o arcabouço de estratigrafia de seqüências interpretado a partir da análise da sucessão litológica.
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    40 No final doCenomaniano, um novo evento regressivo afeta todo o VSM e a cordilheira Oriental (Figura 4.13), levando à deposição de espessos pacotes de arenitos variando de médios a grossos. Na seção do Rio Bambuca, localizada em uma posição distal da bacia cretácica, este evento regressivo é representado por uma camada de arenito fino que interrompe de forma abrupta a sucessão pelítica da porção superior da Formação Bambuca (em torno de 530m; Figura 4.14). Essa camada de arenito é sobreposta por um espesso intervalo encoberto, em que não foi possível analisar a sucessão estratigráfica. Os limites de seqüência e tratos de sistemas de mar baixo associados aos eventos regressivos do Neo- e do Eo-cenomaniano são de difícil identificação, em grande parte devido à posição distal da seção do Rio Bambuca na bacia cretácica colombiana. Nessa posição, é possível que as discordâncias reconhecidas na borda leste do VSM e na cordilheira Oriental (Villamil, 1998) correspondam a superfícies concordantes e hiatos deposicionais. A falta de dados bioestratigráficos, entretanto, não permitiu que esses hiatos fossem reconhecidos na seção levantada. O pobre desenvolvimento dos tratos de sistema de nível de mar baixo também pode ser atribuído ao caráter distal da sedimentação. Segundo reconstruções paleogeográficas publicadas (e.g. Villamil et al., 1999; Figura 3.3), a área da seção do Rio Bambuca estava próxima ao arco magmático da antiga cordilheira Central, que devido à sua composição básica e ao provável recobrimento intermitente pelo mar, constitui uma área fonte de sedimentos clásticos muito menos efetiva que o escudo das Guianas, na borda oriental da bacia. Assim, no caso da seção analisada, os tratos de sistemas de nível de mar baixo provavelmente compreendem tão somente os pacotes de siltito e arenito que interrompem de forma abrupta a sedimentação pelítica no Eo- e Neo-cenomaniano respectivamente. A sucessão rítmica de folhelhos e carbonatos que marca o início da Formação La Luna (Figura 4.14) pode ser rastreada e correlacionada não só ao longo do VSM e da cordilheira Oriental, mas por praticamente todas as bacias cretácicas da Colômbia, representando o trato de sistema transgressivo associado à subida do nível do mar do Neo-cenomaniano/Eoturoniano (Villamil, op. cit.) e contemporâneo ao Evento Anóxico Oceânico 2 (OAE 2; Figura 4.13). A superfície de inundação máxima relacionada a esse evento transgressivo na Seção do Rio Bambuca está situada na base da Formação La Luna (ao redor dos 620m; Figura 4.14), sendo representada por um intervalo de folhelhos e carbonatos ricos em matéria orgânica e pirita e pela presença de abundantes concreções calcárias e de vários níveis finos de bentonita, caracterizando uma seção condensada. Tais níveis, considerados como marcos cronoestratigráficos do limite Cenomaniano-Turoniano na Colômbia e particularmente no VSM (Villamil, 1998; Villamil Arango, 1998; Figura 4.13), são produto da rápida acumulação de cinzas vulcânicas produzidas pela atividade do arco magmático da paleocordilheira Central (Guerrero et al., 2000).
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    41 A porção média/superiorda Formação La Luna é caracterizada por um aumento da espessura das camadas da seqüência rítmica folhelho-calcário com leve predomínio dos folhelhos, sugerindo condições de nível de base alto (Villamil, 1998). Finalmente, na parte mais superior da Seção do Rio Bambuca, a base do Grupo Olini é assinalada por camadas de cherts e fosfatos, interpretadas por Villamil (op. cit.) como o registro do rebaixamento relativo do nível de base do Eo-santoniano (Figuras 4.13 e 4.14).
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    42 5. Apresentação eInterpretação dos Resultados das Análises Geoquímicas 5.1. Teores de Carbono Orgânico Total O teor de carbono orgânico total (COT) é um indicador da quantidade de matéria orgânica presente em um sedimento ou rocha sedimentar. Esta quantidade, por sua vez, é o produto final da interação entre três fatores principais: (1) abundância de biomassa disponível para acumulação, (2) grau de degradação da matéria orgânica durante a deposição, e (3) taxa de sedimentação (Tissot Welte, 1984). Cada um destes fatores é afetado direta ou indiretamente por uma intrincada rede de fenômenos físico-químicos, climáticos e geológicos interdependentes, tais como temperatura e salinidade da água, variações no espaço de acomodação e aporte sedimentar, padrão de circulação da coluna d’água, insolação e umidade. Portanto, o teor de carbono orgânico de uma rocha sedimentar, especialmente quando associado a outras informações geoquímicas e geológicas, pode auxiliar na reconstituição da evolução das características do ambiente deposicional e sua influência sobre a dinâmica dos fatores que controlaram a quantidade de matéria orgânica preservada no registro sedimentar. Cabe ressaltar que, além dos fatores mencionados acima, as transformações que sofre a matéria orgânica com o avanço do soterramento e da maturação também afetam o teor de COT, reduzindo-o progressivamente ao longo da evolução dos processos de metagênese e catagênese (Tissot Welte, 1984). Os teores de carbono orgânico total (COT) das amostras analisadas variaram entre 0,44% e 18,75% para as amostras analisadas (Anexo 1 e Figura 5.1). O perfil de variação dos teores de COT ao longo da seção do Rio Bambuca se caracteriza por uma notável alternância entre valores da ordem de 2% e valores mais elevados, maiores que 3- 4%). As formações do Grupo Villeta (Tetuan, Bambuca e La Luna) apresentam valores médios e máximos de COT significativamente mais altos que os das outras unidades (Tabela 5.1), ainda que caiba ressaltar a quantidade limitada de amostras do Grupo Olini e Formação Caballos. No que se refere especificamente ao Grupo Villeta, a diferença entre os teores médios de COT de cada formação é relativamente pequena, variando entre 4,19% na Formação Bambuca e 5,03% na Formação Tetuan (Tabela 5.1). Não obstante, os histogramas de distribuição dos teores em cada unidade mostram que as formações Tetuan e La Luna são as que possuem a maior proporção de amostras com teores muito altos (8%; Figura 5.2).
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    43 Figura 5.1 –Expressão estratigráfica dos teores de carbono orgânico total ao longo da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia. 0 10 20 COT (%) 0 100 200 300 Albiano Caba- llos Fm.Tetuan 400 500 600 700 m CenomanianoTuron./Coniac.San.CRONO LITO Fm.Bambuca GrupoVilleta Fm.LaLuna Olini
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    44 Fm. La Luna Fm.Bambuca Fm. Tetuan 0 4 8 12 #Amostras#Amostras 0 4 8 12 #Amostras COT (%) 0 10 20 30 20 4 6 8 10 12 14 16 18 20 Tabela 5.1 – Sumário estatístico dos resultados das análises de teor de carbono orgânico total (COT) por unidade estratigráfica da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia. Unidade Número de Amostras Teor de COT médio (%) Teor de COT mínimo (%) Teor de COT máximo (%) Desvio Padrão Gr. Olini 5 1,78 0,90 2,91 0,75 Fm. La Luna 59 4,45 0,52 11,37 3,04 Fm. Bambuca 39 4,19 0,72 8,80 2,06 Fm. Tetuan 125 5,03 0,67 18,75 3,52 Fm. Caballos 9 2,99 0,44 5,42 1,96 Figura 5.2 – Histogramas mostrando a distribuição dos valores de teor de carbono orgânico total (COT) para as formações do Grupo Villeta na seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia.
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    45 Os altos conteúdosde COT observados na maior parte das amostras analisadas indicam que condições ótimas de acumulação e preservação da matéria orgânica prevaleceram durante a deposição dos sedimentos da seção do Rio Bambuca. Com base nos dados de COT e nos resultados da análise estratigráfica apresentada no Capítulo 4, é possível reconhecer pelo menos dois modelos genéricos para a deposição de sedimentos ricos em matéria orgânica na seção do Rio Bambuca. Na base da seção, próximo ao contato entre as formações Caballos e Tetuan (entre 10 e 25m na escala da Figura 5.1), os altos teores de COT estão invariavelmente associados a níveis carbonosos delgados intercalados em camadas de arenitos e folhelhos com estratificação ondulada e localmente bioturbados. Esses níveis se depositaram sob condições marinhas proximais restritas (ex: lagunas e/ou estuários) e com forte contribuição de matéria orgânica terrestre. No restante da seção analisada, o que compreende praticamente toda a Formação Tetuan e a totalidade das formações Bambuca e La Luna, os altos conteúdos de matéria orgânica estão relacionados a folhelhos e calcários de coloração escura, laminação plano-paralela fina e sem evidências de bioturbação, características indicativas de condições de sedimentação distal e de baixa disponibilidade de oxigênio. Embora não exista um padrão claro de covariância entre os teores de carbono orgânico e carbonato total, observa-se como tendência geral que amostras com teores elevados de carbonato apresentam baixos conteúdos de COT e vice-versa (Figura 5.3). Contudo, quando se analisa a distribuição dos valores de COT por faixa de conteúdo de carbonato, observa-se que as amostras mais ricas em matéria orgânica correspondem àquelas com conteúdo total de carbonato variando de 20 a 40% (Figura 5.4). Nas rochas mais carbonáticas ( 40% de carbonato), observa-se uma evidente tendência de decréscimo nos teores de COTcom o aumento do conteúdo de carbonato.Assumindo que a composição dos sedimentos marinhos possa ser descrita em termos da contribuição relativa de apenas três componentes: carbonato, matéria orgânica e material siliciclástico (Ricken, 1993), a tendência descrita acima sugere que o suprimento de matéria orgânica e siliciclastos deve ter se mantido relativamente uniforme, enquanto o suprimento de carbonato variava, atuando como diluente do conteúdo de sedimentos siliciclásticos e de matéria orgânica e controlando o padrão de alternância folhelho-calcário que caracteriza a maior parte do Grupo Villeta.
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    46 0 20 40 60 80 100 0 5 COT (%) CarbonatoTotal(%) 1015 20 Média Desvio Padrão Mínimo-Máximo 0-20 20-40 40-60 60-80 80-100 0 4 8 12 16 20 COT(%) Carbonato Total (%) Figura 5.3 – Gráfico de teor de carbonato total vs. teor carbono orgânico total (COT) para as amostras analisadas na seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia. Figura 5.4 – Gráfico de distribuição dos valores de COT (mínimo, máximo, média e desvio padrão) por faixa de conteúdo de carbonato na seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia.
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    47 5.2. Parâmetros daPirólise Rock-Eval Na pirólise Rock-Eval, simula-se em condições de laboratório o processo natural de meta/catagênese da matéria orgânica e a geração do petróleo. Pequenas amostras de rocha são aquecidas em um micro-forno com atmosfera inerte para que não ocorra combustão. As taxas de aquecimento e temperaturas usadas na pirólise (25°C/min e até 600°C respectivamente) são várias ordens de grandeza maiores do que as que controlam o processo de geração de petróleo na natureza (da ordem de alguns °C/M.a), a fim de compensar o pouco tempo da análise (da ordem de 30min; Espitalié et al., 1985). Durante o processo de aquecimento, são liberados, sucessivamente, o petróleo livre porventura existente na amostra e os hidrocarbonetos e o gás carbônico gerados pelo craqueamento térmico do querogênio (matéria orgânica insolúvel presente nas rochas sedimentares). Estes gases são registrados por uma unidade analógico-digital sob a forma de um pirograma, no qual podem ser observados os três picos denominados de S1, S2 e S3 (Espitalié et al., 1985). O pico S1 equivale aproximadamente à quantidade (em mgHC/gRocha) de hidrocarbonetos livres (betume) que podem ser extraídos normalmente por solventes orgânicos. O pico S2 corresponde à quantidade (também em mgHC/gRocha) de hidrocarbonetos liberados pelo craqueamento térmico do querogênio, sendo denominado de potencial gerador e correspondendo à quantidade de petróleo que a rocha analisada tem condição de produzir caso seja submetida às condições adequadas de temperatura. Finalmente, o pico S3 representa a quantidade de dióxido de carbono (CO2 ) liberado pelo craqueamento térmico do querogênio (em mgCO2 /gRocha) (Espitalié et al., 1985). Como a conversão do querogênio em petróleo ocasiona uma progressiva redução do potencial gerador (S2) acompanhada por um aumento progressivo da quantidade de hidrocarbonetos livres (S1), usa-se a relação S1/(S1+S2) (denominada índice de produção ou IP), como um indicador do avanço do processo de geração e do nível de maturação da rocha geradora. A temperatura (em °C) em que ocorre o máximo de geração de hidrocarbonetos pelo craqueamento do querogênio é denominada de Tmax (Temperatura Máxima) e também reflete o grau de evolução térmica da matéria orgânica, sendo usada como parâmetro de maturação. Uma vez que os picos S2 e S3 refletem, respectivamente, a quantidade de hidrogênio e oxigênio presentes na matéria orgânica, Espitalié et al. (1985) propuseram os índices de hidrogênio (IH, obtido a partir da razão S2/COT e expresso em mgHC/gCOT) e de
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    48 oxigênio (IO, calculadopela razão S3/COT e expresso em mgCO2 /gCOT). Estes índices, correlacionáveis às razões H/C e O/C obtidas através de análises elementares, refletem a interação entre a natureza da matéria orgânica e seu grau de preservação. De um modo geral, a matéria orgânica de origem terrestre é pobre em hidrogênio e rica em oxigênio, enquanto a matéria orgânica de origem algálica é rica em hidrogênio (Tissot Welte, 1984). Quando submetida a condições oxidantes durante ou logo após a deposição, a biomassa pode ser alterada, empobrecendo a matéria orgânica em hidrogênio. Os três tipos básicos de querogênio podem ser identificados a partir da integração entre os índices de hidrogênio (IH) e de oxigênio (IO) em diagramas do tipo van Krevelen modificado (Espitalié et al., 1985). Os querogênios do tipo III, de origem essencialmente terrestre, caracterizam-se geralmente por baixos valores de IH (300mgHC/gCOT) e altos de IO (100-200mgCO2 /gCOT). Os querogênios do tipo II, derivados predominantemente de biomassa marinha, apresentam valores de IH entre 400-700mgHC/gCOT, enquanto os querogênios do tipo I, geralmente de origem lacustre, possuem valores mais altos de IH (600-700mgHC/gCOT). Os dois últimos tipos de querogênio (I e II) apresentam baixos valores de IO (100mgCO2 /gCOT). Cabe ressaltar que as faixas de valores de IH e IO mencionados acima são válidos apenas para rochas geradoras imaturas, uma vez que com o avanço do processo de maturação, os valores originais de IH e IO tendem a diminuir, aproximando-se de zero. Na coluna do Rio Bambuca, as análises de pirólise Rock-Eval revelaram quantidades de hidrocarbonetos livres (S1) variando entre zero, valor encontrado em algumas amostras da Formação La Luna, e 6,36 mgHC/gRocha, em uma amostra da Formação Tetuan (Anexo 1). Os valores de potencial gerador (S2), por sua vez, variam de 0,60 mgHC/gRocha na Formação Caballos a 96,00 mgHC/gRocha na Formação Tetuan (Anexo 1 e Tabela 5.2). As formações do Grupo Villeta (Tetuan, Bambuca e La Luna) apresentam valores de potencial gerador (S2) médio e máximo expressivamente mais altos que os das outras unidades (Tabela 5.2), embora caiba lembrar a limitação da amostragem disponível no Grupo Olini e na Formação Caballos. Do mesmo modo que nos teores de COT, também no que se refere ao potencial gerador, as formações Tetuan e La Luna apresentam os valores médios e máximos mais elevados do Grupo Villeta, ainda que a diferença em relação à Formação Bambuca não seja tão expressiva (Tabela 5.2). Finalmente, as quantidades de dióxido de carbono (CO2 ) geradas na pirólise (S3) variaram entre 0,04 mgCO2 /gRocha em uma amostra da Formação Caballos e 2,43 mgCO2 /gRocha na Formação Tetuan (Anexo 1).
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    49 O índice dehidrogênio (IH) na seção do Rio Bambuca varia entre 51 e 663 mgHC/ gCOT, valores encontrados nas formações Caballos e La Luna, respectivamente (Anexo 1 e Tabela 5.3). As formações do Grupo Villeta (Tetuan, Bambuca e La Luna), uma vez mais, apresentam índices de hidrogênio médios mais altos que os da Formação Caballos e do Grupo Olini, ressalvando a quantidade restrita de amostras nas duas últimas unidades (Tabela 5.3). Dentro do Grupo Villeta, as formações Tetuan e La Luna novamente se destacam, apresentando valores de IH médios superiores ao da Formação Bambuca, conquanto seja por uma diferença moderada (Tabela 5.3). O perfil estratigráfico do índice de hidrogênio mostra uma tendência geral de suave decréscimo desde valores ao redor de 400-500 mgHC/gCOT no topo a valores da ordem de 350-450 mgHC/gCOT na base da seção analisada (Figura 5.5). Essa tendência geral é interrompida por valores de IH notadamente menores, que ocorrem em alguns pontos da seção (ex: em torno de 210m e 530m na escala da Figura 5.5). Os índices de oxigênio (IO) são relativamente baixos em todas as amostras analisadas, variando principalmente entre 1 e 124 mgCO2 /gCOT (Anexo 1).Adistribuição dos valores dos índices de hidrogênio e de oxigênio no diagrama do tipo van Krevelen modificado (Espitalié et al., 1985) indica que o querogênio do tipo II predomina na maioria das amostras analisadas (Figura 5.6). Secundariamente, uma parte das amostras apresenta valores de IH relativamente baixos (300 mgHC/gCOT), indicando uma contribuição de querogênio do tipo III. Unidade Número de Amostras S2 médio S2 mínimo S2 máximo Desvio Padrão Gr. Olini 5 7,55 1,35 17,16 6,04 Fm. La Luna 58 24,05 1,96 75,31 18,43 Fm. Bambuca 39 18,67 0,91 49,28 12,18 Fm. Tetuan 125 22,93 2,47 96,00 18,37 Fm. Caballos 8 9,46 0,60 20,06 6,78 Tabela 5.2 – Sumário estatístico dos valores de potencial gerador (S2, em mgHC/gRocha) por unidade estratigráfica da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia. Tabela 5.3 – Sumário estatístico dos dados de índice de hidrogênio (IH, em mgHC/gCOT) por unidade estratigráfica da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia. Unidade Número de Amostras IH médio IH mínimo IH máximo Desvio Padrão Gr. Olini 5 372 151 589 175 Fm. La Luna 58 504 314 663 87 Fm. Bambuca 39 399 84 613 124 Fm. Tetuan 125 419 152 589 90 Fm. Caballos 8 254 51 370 94
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    50 0 400 800 IH (mgHC/gCOT) Tmax (°C) 400430 460 IP (S1/S1+S2) 0.0 0.2 0.4 0 100 200 300 Albiano Caba- llos Fm.Tetuan 400 500 600 700 m CenomanianoTuron./Coniac.San.CRONO LITO Fm.Bambuca GrupoVilleta Fm.LaLuna Olini Figura 5.5 – Expressão estratigráfica dos valores de índice de hidrogênio (IH), temperatura máxima (Tmax) e índice de produção (IP) ao longo da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia.
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    51 A variação dosdados de potencial gerador (S2) em função do conteúdo de carbono orgânico (COT) nas três unidades do Grupo Villeta é bastante similar (Figura 5.7). No gráfico de cada formação, nota-se que os dados distribuem-se ao longo de faixas bem definidas e relativamente estreitas, o que sugere que a composição do querogênio em cada formação é relativamente uniforme. A regressão linear dos dados de cada formação resultou em retas com alto coeficiente de correlação (R2 0,9) situadas dentro do campo dos querogênios do tipo II (Figura 5.7), corroborando a interpretação do tipo de matéria orgânica predominante no Grupo Villeta na seção analisada. É importante notar que as retas das regressões não passam pela origem dos gráficos (coordenadas x=0 e y=0; Figura 5.7). Esse desvio em relação à origem é interpretado por Langford Blanc-Valleron (1990) como reflexo da adsorção dos hidrocarbonetos na matriz mineral, em especial pelos minerais de argila (e.g. Katz, 1983; Espitalié et al., 1985). Deste modo, o ponto onde as retas das regressões interceptam o eixo das abscissas indicaria a quantidade mínima de carbono orgânico necessária para que se supere o efeito da adsorção e haja detecção de hidrocarbonetos durante a pirólise. Abaixo dessa quantidade mínima de matéria orgânica, os hidrocarbonetos gerados durante a pirólise permanecem na rocha, retidos na matriz mineral. No caso das amostras analisadas, os valores nos pontos de interseção são de 0,61, 0,94 e 0,48% de COT, respectivamente, para as formações Tetuan, Bambuca e La Luna. O valor mais elevado obtido para a Formação Bambuca provavelmente reflete sua composição litológica, mais argilosa que 0 200 400 600 800 1000 0 50 IO (mgCO2/gCOT) IH(mgHC/gCOT) 100 150 200 Gr. Olini Fm. La Luna Fm. Bambuca Fm. Tetuan Fm. Caballos I II III Figura 5.6 – Diagrama do tipo Van Krevelen modificado (Espitalié et al., 1985) mostrando a distribuição dos índices de hidrogênio (IH) e oxigênio (IO) das unidades analisadas na seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia.
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    52 a das formaçõesTetuan e La Luna, e portanto com maior capacidade de adsorção dos hidrocarbonetos gerados durante a pirólise. Oefeitodaadsorçãodoshidrocarbonetospelamatrizmineralafetaindiscriminadamente todas as amostras, mas é especialmente importante em amostras com pouco conteúdo orgânico,umavezquenestecasoaquantidadedehidrocarbonetosretidapoderepresentar praticamente toda a quantidade de hidrocarbonetos que a rocha tem capacidade de gerar. Já no caso de amostras com altos teores de COT, a fração de hidrocarbonetos retida é muito pequena em relação ao potencial total de geração de hidrocarbonetos. No cálculo do IH de amostras individuais (IH= S2/COT*100), o efeito da adsorção não é levado em consideração, subestimando-se o valor do índice de hidrogênio das amostras com baixos teores de COT. Avaliações geoquímicas que não levam o efeito da adsorção em consideração igualmente podem subestimar o potencial gerador de um intervalo ou seção sedimentar. É o caso dos valores de IH médio da seção do Rio Bambuca, calculados a partir da média aritmética dos valores de IH de todas as amostras de cada unidade, independente de seu conteúdo orgânico (Tabela 5.3). Com o propósito de avaliar o quanto se pode estar subestimando este potencial, realizou-se um novo cálculo do IH médio das formações do Grupo Villeta utilizando-se coeficiente angular das equações das retas de regressão dos gráficos da Figura 5.7. Se, conforme discutido acima, o desvio das retas de regressão em relação à origem é resultante da adsorção dos hidrocarbonetos pela matriz mineral, o índice hidrogênio derivado deste coeficiente não estaria sendo afetado por este fenômeno (Langford Blanc-Valleron, 1990). Os valores de IH assim obtidos são apresentados na Tabela 5.4, comparados aos valores derivados da aritmética. Observa- se que a diferença entre esses dois valores é bastante significativa, variando de 88 mgHC/gCOT, na Formação La Luna, a 175 mgHC/gCOT na Formação Bambuca. Cabe lembrar que estas unidades apresentaram respectivamente o menor e o maior efeito de adsorção de hidrocarbonetos inferido a partir da interseção da reta de regressão com o eixo das abscissas. O gráfico da Figura 5.8 mostra uma forte tendência de incremento dos valores de índice de hidrogênio em resposta ao aumento do teor de carbono orgânico total, até um valor de aproximadamente 5% de COT. A partir daí, nota-se uma tendência assintótica de relativa estabilização dos valores de IH ao longo de uma faixa em torno de 500mgHC/ gCOT, independente do conteúdo de carbono. Tal comportamento pode refletir o controle exercido pelas condições de oxigenação sobre a preservação dos conteúdos de carbono e hidrogênio nos depósitos sedimentares. Por outro lado, cabe lembrar a influência da adsorção dos hidrocarbonetos na determinação do valor de IH, especialmente nas amostras com menores conteúdos de COT. Essa influência certamente contribui, pelo menos em parte, para a forte tendência de incremento do IH em função do COT na faixa de valores situada entre 0 e 5% de COT (Figura 5.8).
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    53 Tipo I Tipo II TipoIII Tipo I Tipo II Tipo III Fm. La Luna Fm. Bambuca Fm. Tetuan Tipo I Tipo II Tipo III COT (%) 20 4 6 8 10 12 14 16 18 20 S2(mgHC/gRocha)S2(mgHC/gRocha)S2(mgHC/gRocha) 0 20 40 60 80 100 0 20 40 60 80 100 0 20 40 60 80 100 y = 5.9297x - 2.7402 R2 = 0.9533 y = 5.7412x - 5.4151 R2 = 0.9432 y = 5.1244x - 3.1033 R2 = 0.9557 Figura 5.7 – Gráficos de teor de carbono orgânico (COT) vs. potencial gerador (S2) para as formações do Grupo Villeta na seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia. As linhas grossas de cor cinza separam os campos dos querogênios dos tipos I, II e III. As linhas tracejadas são retas obtidas a partir da regressão linear dos dados. Ao lado das retas também são mostrados suas equações e seus coeficientes de correlação (R2).
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    54 Tabela 5.4 –Valores médios de índice de hidrogênio (IH, em mgHC/gCOT) calculados para cada formação do Grupo Villeta na seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia. São apresentados os valores de IH médios calculados a partir (a) do coeficiente angular das retas das regressões da Figura 5.7 e (b) da média aritmética do IH de amostras individuais, e a diferença entre os dois valores (em mgHC/gCOT). Unidade Número de Amostras IH médio [mé- todo: regressão COTxS2} IH médio [méto- do: média aritmé- tica} Diferença Fm. La Luna 58 592 504 88 Fm. Bambuca 39 574 399 175 Fm. Tetuan 125 512 419 93 COT (%) IH(mgHC/gCOT) 0 100 200 300 400 500 600 700 0 4 8 12 16 20 Figura 5.8 – Gráfico de teor de carbono orgânico total (COT) vs. índice de hidrogênio (IH) para as amostras analisadas na seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia. Como no caso do teor de COT, não há um padrão claro de covariância entre a qualidade da matéria orgânica (representada pelo IH) e a composição litológica da amostra (expressa pelo teor carbonato total; Figura 5.9). Contudo, quando se analisa a distribuição dos valores de IH por faixa de conteúdo de carbonato, vê-se que as amostras mais ricas em hidrogênio correspondem àquelas com conteúdo total de carbonato variando de 20 a 40% (Figura 5.10). Nas rochas mais carbonáticas ( 40% de carbonato), observa-se uma evidente tendência moderada de decréscimo dos valores de IH com o aumento do conteúdo de carbonato, semelhante ao que é observado nos teores de COT (Figura 5.4). Portanto, ao contrário do que foi inferido considerando somente a correlação entre os teores de COT e de carbonato total (ver discussão no Capítulo 5.1 e Figura 5.4), a redução do conteúdo orgânico não se deve simplesmente ao efeito diluente do suprimento de carbonato. Como a redução de conteúdo orgânico está associada a um
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    55 empobrecimento em hidrogênio,é possível que os fatores ambientais que controlaram o suprimento de carbonato tenham influenciado, ainda que parcialmente, as condições de preservação da matéria orgânica. Carbonato Total (%) IH(mgHC/gCOT) 0 100 200 300 400 500 600 700 0 20 40 60 80 100 Média Desvio Padrão Mínimo-Máximo 0-20 20-40 40-60 60-80 80-100 Carbonato Total (%) IH(mgHC/gCOT) 0 100 200 300 400 500 600 700 Figura 5.9 – Gráfico de teor de carbonato total vs. índice de hidrogênio (IH) para as amostras analisadas na seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia Figura 5.10 – Gráfico de distribuição dos valores de índice de hidrogênio (IH mínimo, máximo, média e desvio padrão) por faixa de conteúdo de carbonato na seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia.
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    56 Os dados deTemperatura Máxima (Tmax) e do Índice de Produção (IP) mostram uma tendência suave, porém consistente, de incremento do topo para a base da seção analisada (Figura 5.5). No topo da seção, na porção superior da Formação La Luna e no Grupo Olini, os valores de Tmax se encontram em torno de 415-420ºC, aumentando progressivamente até a base da seção, na porção inferior da Formação Tetuan e na Formação Caballos, onde alcançam cerca de 435-440°C (Anexo 1). Esses valores são considerados indicativos do início da metagênese, fase em que tem início o processo de geração de petróleo para querogênios do tipo II (Espitalié et al., 1985). Os valores de IP, por sua vez são próximos a zero no topo da seção, aumentando progressivamente até cerca de 0,10 na base (Anexo 1). Índices de Produção dessa ordem indicam que o limiar do processo de conversão do querogênio em petróleo foi alcançado. Estes resultados indicam que a maior parte da seção analisada encontra-se termicamente imatura (valores de Tmax435ºC e IP0,10).Apenas porção inferior da seção investigada (60-80m basais; Figura 5.5) encontra-se no limiar da zona matura, porém ainda pouco afetada pelos processos de geração e migração do petróleo. Portanto, para efeito de caracterização das rochas potencialmente geradoras da seção do Rio Bambuca, pode se considerar que os parâmetros geoquímicos são representativos das características originais dessas rochas. 5.3. Composição do Querogênio (Análise Visual) A análise visual consistiu no exame ao microscópio, sob luz transmitida e ultravioleta, do querogênio isolado da matriz mineral de rochas sedimentares. A petrografia dos constituintes orgânicos das rochas baseia-se nas técnicas palinológicas (para a separação da matéria orgânica da matriz mineral) e na petrografia de carvões (para a classificação da matéria orgânica). Inúmeras classificações têm sido propostas e utilizadas para caracterizar as partículas da matéria orgânica presente nos sedimentos e rochas sedimentares (ver revisão realizada por Tyson, 1993). Neste trabalho foram identificados três grupos principais constituintes orgânicos no querogênio: liptinita, matéria orgânica lenhosa e matéria orgânica amorfa. A liptnita compreende zoomorfos, pólens, esporos, algas e cutículas vegetais. A matéria orgânica lenhosa abarca constituintes de origem terrestre (e.g. colinita, telenita, fusinita, semifusinita). Finalmente, a matéria orgânica amorfa consiste naquela que não apresenta formas indicativas de sua origem. Na tabela do Anexo 2 são apresentadas as porcentagens desses três tipos de matéria orgânica nas amostras analisadas da seção do Rio Bambuca.
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    57 A análise petrográficasob luz transmitida permitiu ainda determinar o Índice de Coloração de Polens e Esporos (ICE; Anexo 2). Este parâmetro consiste em uma escala de variação de cores numerada seqüencialmente de 1 a 10, construída para descrever o incremento do grau de diagênese orgânica dos sedimentos (Fischer et al., 1980). Uma utilidade adicional desta escala é permitir a inferência do nível de maturação em termos de valores de reflectância da vitrinita. O estudo petrográfico foi complementado pela observação das lâminas sob luz ultravioleta. A cor e a intensidade de fluorescência dos maceraisauxiliounasuaidentificação,nacaracterizaçãodaqualidadedamatériaorgânica para geração de petróleo, e na determinação do seu grau de evolução térmica. A análise microscópica revelou que o querogênio das amostras de rocha da seção do Rio Bambuca é constituído preponderantemente de matéria orgânica amorfa, com porcentagens geralmente superiores a 70% (Figura 5.11). Nas amostras analisadas, a matéria orgânica amorfa apresenta fluorescência dominantemente amarela e, secundariamente, laranja (Figura 5.12a-b). Quantitativamente, o segundo grupo de macerais mais importante nas amostras analisadas é o da liptinita (Figura 5.11), representado por fragmentos de microplâncton, especialmente cistos de dinoflagelados (Figura 5.12c) e algas Prasinófitas, cutinita e esporomorfos (Figura 5.13a-b). O material lenhoso é geralmente minoritário (5% do querogênio; Figura 5.11), sendo composto de pequenos fitoclastos opacos (Figura 5.13b-c). Localmente, no entanto, a matéria orgânica lenhosa pode constituir um componente importante do querogênio (30%), tal como em intervalos delgados na parte superior das formações Caballos e Bambuca (a 10-15m e 525-530m na escala da Figura 5.11). Nestes intervalos, o material lenhoso consiste de pequenos fragmentos angulosos, irregulares e translúcidos com ou sem estrutura interna, assim como fragmentos alongados pequenos, irregulares e opacos (Figura 5.13b-c). Os valores de Índice de Coloração de Esporos encontrados na seção do Rio Bambuca variaram entre 2,0 e 3,5 (ICE; Anexo 2), notando-se uma leve tendência de incremento dos valores do topo para a base. De acordo com o esquema de correlação proposto por Fischer et al. (1980), esses valores de ICE equivalem a valores de reflectância da vitrinita da ordem de 0,3 a 0,4%Ro. Os baixos valores de ICE, associados à fluorescência amarela intensa apresentada pelos macerais na maior parte das amostras, permitem afirmar que a seção analisada foi pouco afetada pelos processos de geração e migração do petróleo. Amatériaorgânicaamorfadepositadaemambientemarinhoéderivadaprincipalmente de algas unicelulares e bactérias, consistindo muitas vezes em agregados de matéria orgânica dissolvida ou pelóides fecais (Tyson, 1993). Pouco resistente à degradação aeróbica, esse tipo de matéria orgânica se preserva em elevadas proporções somente em ambientes com baixos níveis de oxigenação. Além da concentração, a intensidade da fluorescência da matéria amorfa também pode ser indicativa do potencial redox do
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    58 Matéria Orgânica Amorfa (%) MatériaOrgânica Lenhosa (%) 0 50 100 0 50 100 Liptinita (%) 0 50 100 0 100 200 300 Albiano Caba- llos Fm.Tetuan 400 500 600 700 m CenomanianoTuron./Coniac.San.CRONO LITO Fm.Bambuca GrupoVilleta Fm.LaLuna Olini Figura 5.11 – Expressão estratigráfica dos teores de matéria orgânica amorfa, liptnita e matéria orgânica lenhosa ao longo da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia.
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    59 (a) (b) (c) Figura 5.12 –Fotomicrografias do querogênio isolado de amostras selecionadas da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia. Matéria orgânica amorfa grumosa em luz branca (a) e fluorescência (b), e detalhe de dinoflagelado em fluorescência (c). Aumento de 40X em (c) e de 20X nas demais fotos.
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    60 Figura 5.13 –Fotomicrografias do querogênio isolado de amostras selecionadas da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia. Grão de pólen em fluorescência (a), grãos de esporos e matéria lenhosa em fluorescência (b), e matéria lenhosa e cutinita em luz branca (c). Aumento de 20X em todas as fotos. (a) (b) (c)
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    61 ambiente deposicional, umavez que este parâmetro reflete a preservação de compostos ricos em hidrogênio (Tyson, 1993). No caso da seção do Rio Bambuca, a maior parte das amostras analisadas (cerca de 88% do total) possui altas concentrações de matéria orgânicaamorfafluorescente(70%;Figura5.11),sugerindoqueprevaleceramcondições de sedimentação marinha disóxica/anóxica. As poucas amostras remanescentes representam intervalos onde a matéria orgânica amorfa é substituída por liptinita e, principalmente, por matéria orgânica lenhosa, refletindo um maior aporte de material terrestre e/ou proximidade da fonte continental. As amostras com altos teores de matéria orgânica lenhosa (20%) correspondem a rochas predominantemente siliciclásticas (teores de carbonato total 10%; Figura 5.14), o que favorece a interpretação de incremento do aporte terrestre e/ou de aproximação da linha de costa. Na seção do Rio Bambuca, há uma correlação positiva entre os dados de índice de hidrogênio e os teores de matéria orgânica amorfa (Figura 5.15), sugerindo que a origem da matéria orgânica controlou, ao menos em parte, a qualidade e o potencial das rochas geradoras. Tal comportamento reflete as diferenças composicionais existentes entre as biomassas de origem fitoplanctônica e de vegetais superiores e seu impacto sobre as razões H/C (Tabela 5.5). Contudo, apesar desta correlação, há uma significativa dispersão de valores de IH para amostras com teores similares de matéria orgânica amorfa. Entre amostras com 80% de matéria orgânica amorfa, por exemplo, os valores de IH podem variar de cerca de 250 a 600 mgHC/gCOT (Figura 5.15). A amplitude dessa faixa de variação indica que o valor do índice de hidrogênio também está refletindo mudanças nas condições de preservação (ambiente oxidante vs. redutor) do ambiente de sedimentação. Carbonato Total (%) M.O.Lenhosa(%) 0 20 40 60 80 100 0 20 40 60 80 100 Figura 5.14 – Gráfico de teor de carbonato total vs. teor de matéria orgânica lenhosa para as amostras da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia.
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    62 5.4. Marcadores Biológicos Osmarcadores biológicos ou biomarcadores, também conhecidos como “fósseis moleculares”ou“fósseisquímicos”,sãocompostosorgânicospresentesnageosferacujas estruturas moleculares assemelham-se às encontradas em substâncias presentes nos seres vivos (Seifert Moldowan, 1981; Mackenzie, 1984, Peters Moldowan, 1993). Na maioria dos casos, apesar das modificações provocadas pelo processo de diagênese, é possível correlacionar os diferentes biomarcadores encontrados em sedimentos, rochas ou petróleos com os respectivos precursores biológicos presentes em algas, bactérias, plantas ou outros organismos (Peters Moldowan, op. cit.). Biomassa Proteínas (%) Lipídios (%) Carboidratos (%) Lignina (%) Razão H/C Fitoplâncton 30 50 20 __ 1,9 Veg. Superiores 3 2 20 75 1,0 Tabela 5.5. – Composição química e razão elementar H/C médias das biomassas de origem fitoplanctônica e de vegetais superiores (Mello Estrella, 1984). 0 100 200 300 400 500 600 700 0 20 40 60 80 100 M.O. Amorfa (%) IH(mgHC/gCOT) Figura 5.15 – Gráfico de teor de matéria orgânica amorfa vs. índice hidrogênio (IH) para as amostras da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia.
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    63 Embora ocorram emconcentrações geralmente diminutas, os biomarcadores têm se mostrado de grande utilidade na reconstituição das condições ambientais que controlaram a deposição da biomassa em ambientes antigos e recentes (e.g. Mello et al., 1988; Peters Moldowan, 1993). A premissa básica do método é de que as condições ambientais são refletidas na qualidade e quantidade de organismos, assim como na composição química da biomassa incorporada aos sedimentos e, conseqüentemente, na distribuição dos marcadores biológicos nas rochas sedimentares e petróleos. Desta forma, diferentes fatores ambientais como clima, salinidade, composição química e conteúdo de oxigênio da água, refletir-se-iam sob a forma de diferentes tipos de organismos, representados por um tipo ou conjunto particular de marcadores biológicos com concentrações distintas. Além disso, estes compostos têm desempenhado um papel fundamental na geoquímica de exploração de petróleo, sendo aplicados na caracterização de rochas geradoras, do grau de evolução térmica, migração e biodegradação de óleos, e em correlações óleo/ óleo e óleo/rocha geradora. Diversos grupos de biomarcadores têm sido identificados e caracterizados nas últimas décadas. Dentre os mais aplicados nos estudos paleoambientais, destacam-se os alcanos cíclicos dos grupos dos triterpanos e dos esteranos, e alcanos acíclicos dos grupos das parafinas normais e dos isoprenóides. Os triterpanos têm como principais precursores diversos triterpenóides presentes em bactérias, cianobactérias e vegetais superiores (Moldowan et al., 1985). Com base no número de cadeias cíclicas (ou “anéis”) de carbono, os triterpanos podem ser subdivididos em terpanos pentacíclicos, tetracíclicos e tricíclicos, respectivamente com cinco, quatro e três anéis de carbono. Os terpanos pentacíclicos são os mais comumente usados em estudos geoquímicos, compreendendo os hopanóides (ou hopanos) e os não-hopanóides. Os hopanos, geralmente contendo de 27 a 35 átomos de carbono, são derivados principalmente de bactérias e constituem o grupo mais abundante entre os biomarcadores cíclicos. Os não-hopanóides, por sua vez, englobam compostos provenientes não só de bactérias (e.g. 28,30 bisnorhopano), mas também de protozoários (gamacerano) e angiosmermas (oleananos) (Ekweozor Udo, 1988; Peters Moldowan, 1993). Os esteranos são derivados dos esteróis, compostos presentes na maioria das algas e plantas superiores (Volkman, 1986; Peters Moldowan, 1993), mas ausentes nos organismos procarióticos (e.g. bactérias). Os esteranos mais comuns em amostras de sedimentos, rochas e óleos são os esteranos regulares, que possuem entre 27 e 30 átomos de carbono e são assim denominados por apresentar um “esqueleto” de carbono igual ao do seu precursor biológico. O grupo dos esteranos também engloba os diasteranos e os 4-metil-esteranos. Os primeiros são esteranos cuja molécula “regular” passou por pequenas modificações estruturais durante o processo de diagênese (Rubinstein et al., 1975). Já os 4-metil-esteranos são esteranos cuja cadeia “regular” é acrescida de radicais metil (Fu Jiamo et al., 1990). É o caso dos dinosteranos, derivados
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    64 de precursores presentesnos dinoflagelados (Summons et al., 1987) e que apresentam três radicais metil adicionais à cadeia regular de 27 átomos de carbono. Finalmente, os biomarcadores acíclicos abarcam n-alcanos e isoprenóides de origens diversas,taiscomoalgas,vegetaissuperiores,bactérias,arqueobactérias,cianobactérias, etc. (Tissot Welte, 1984; Volkman Maxwell, 1986; Peters Moldowan, 1993). Dentre os diversos biomarcadores acíclicos encontrados em amostras de sedimentos, rochas e petróleos, os compostos pristano e fitano são os mais usados nos estudos de reconstituição paleoambiental. Aidentificação e a caracterização dos biomarcadores é realizada por meio de análises de cromatografia gasosa (CG) e de cromatografia gasosa acoplada a espectrometria de massas (CG-EM). Os resultados destas análises são gráficos que mostram variações de intensidade em função do tempo, onde os picos de intensidade correspondem ao sinal gerado pelos diversos compostos separados. As áreas dos picos identificados nesses gráficos, conhecidos como cromatogramas, representam as quantidades relativas dos diferentes compostos orgânicos detectados.Além da inspeção visual dos cromatogramas, uma das formas mais usadas para analisar os dados de biomarcadores consiste na realização de razões de biomarcadores, usando as áreas de picos específicos nos cromatogramas. Nos últimos anos, diversas razões têm sido usadas como indicadores das condições paleoambientais, da natureza da biomassa, grau de evolução térmica e de alteração de rochas e petróleos (ver revisão em Peters Moldowan, 1993). As razões de biomarcadores calculadas a partir dos cromatogramas gasosos e de massas são apresentadas no Anexo 3. As análises de CG e CG-EM da seção do Rio Bambuca revelaram marcantes diferenças entre as amostras analisadas (Anexo 3). Quatro amostras foram selecionadas como representativas das semelhanças e contrastes nas características moleculares (Figura 5.16). Os cromatogramas gasosos da fração de saturados mostram de modo geral um predomínio de alcanos normais de baixo peso molecular (n-C23 ), com uma leve preponderância dos compostos pares sobre os ímpares e do pristano sobre o fitano (Figura 5.16b, c e d). Em algumas amostras, entretanto, verifica-se elevada abundância de alcanos de peso molecular mais alto (n-C23 a n-C27 ) com um marcado predomínio de compostos ímpares sobre os pares e do pristano sobre o fitano (Figura 5.16d). Por outro lado, outras amostras mostram um comportamento oposto, com o fitano predominando sobre o pristano (Figura 5.16a). Os cromatogramas de massa m/z 191 e 217 também apresentam, entre uma amostra e outra, variações marcantes nas abundâncias relativas de diversos compostos, tais como o 18α(H) Trisnorhopano (Ts),17α(H) Trisnorhopano (Tm), 28,30 bisnorhopano, C29 17α(H), 21β(H) norhopano, gamacerano e diasteranos (Figura 5.16).
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    65 Com o propósitode monitorar as variações na composição molecular da matéria orgânica na seção do Rio Bambuca, foram calculadas dezoito razões e índices de biomarcadores (ver forma de cálculo no Anexo 3), das quais quinze são consideradas indicativas sobretudo da natureza da biomassa e das condições deposicionais, e as outras três representativas principalmente do grau de evolução térmica da matéria orgânica. A seguir, apresenta-se e discute-se em detalhe o comportamento de nove razões moleculares indicativas do ambiente deposicional (Figuras 5.17 a 5.20) e de três razões representativas do nível de maturação (Figuras 5.21 e 5.22). A proporção entre pristano e fitano reflete o potencial redutor do ambiente (Didyk et al., 1978), a natureza dos organismos contribuintes e/ou a salinidade da água (ten Haven et al., 1988). De modo geral, tem se verificado que o fitano predomina em relação ao pristano (razão pristano/fitano, P/F1) em ambientes marinhos carbonáticos anóxicos CG m/z 191 m/z 217 (a) Amostra BV-193 696,0m (b) Amostra BV-40 82,7m (c) Amostra BV-28 75,7m (d) Amostra BV-7 16,0 m2 4 5 5 5 6 6 6 6 7 8 8 8 8 9 11 11 11 11 12 12 12 12 9 9 9 10 3 2 3 2 3 2 1 3 4 Figura 5.16 – Cromatogramas gasosos (CG) e cromatogramas de massas m/z 191 e m/z 217 das frações de hidrocarbonetos saturados de extratos orgânicos representativos da seção do Rio Bambuca. Compostos correspondentes aos picos identificados: 1= n-C15 , 2= Pristano, 3= Fitano, 4= n-C25 , 5= C27 18α(H) Trisnorho- pano (Ts), 6= C27 17α(H) Trisnorhopano (Tm), 7= 28,30 bisnorhopano, 8= C29 17α(H), 21β(H) norhopano, 9= C30 17α(H), 21β(H) hopano, 10= gamacerano, 11= C27 βα diasterano 20S, 12= C29 αββ esterano 20R.
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    66 e/ou hipersalinos, enquantoa preponderância do pristano é corriqueira sob condições mais oxidantes e menos salinas (e.g. Mello et al., 1988; Peters Moldowan, 1993). Adicionalmente, também tem se notado que em ambientes com intenso aporte de matéria orgânica terrestre, o pristano predomina amplamente sobre o fitano, resultando em razões P/F muitos maiores que um (e.g. Philp Gilbert, 1986; Abdullah et al., 1988; Isaksen, 1995). Na seção do Rio Bambuca, a razão P/F varia entre 1,0 e 1,5 ao longo de praticamente todo o intervalo compreendido entre a base da coluna e a base da Formação La Luna. Algumas amostras situadas na Formação Caballos e na porção superior da Formação Bambuca (respectivamente a 16 m e 530 m, Figura 5.17) sobressaem, mostrando razões P/F de 2,0 a 4,13. Finalmente, ao longo da Formação La Luna, predominam valores da razão P/F1. Estes resultados sugerem que os sedimentos da Formação La Luna se depositaram sob condições mais redutoras (anóxicas) que as que controlaram a deposição das outras unidades. Embora não tenham sido encontradas evidências sedimentológicas de alta salinidade, não se pode descartar a possibilidade de que os baixos valores de P/F indiquem que a Formação La Luna se depositou sob condições de águas mais salinas do que as que controlaram a sedimentação das outras unidades. Altas abundâncias relativas do terpano C24 tetracíclico têm sido relacionadas a condições ambientais díspares (Peters Moldowan, 1993), ora a ambientes marinhos carbonáticos anóxicos (Palacas et al., 1984; Connan, 1986), ora a ambientes proximais com forte aporte de matéria orgânica terrestre (Philp Gilbert, 1982; Mello et al., 1988; Isaksen, 1995). Na seção do Rio Bambuca, o índice de C24 tetracíclico varia entre 0,4 e 0,6 na maior parte da seção, à exceção de dois intervalos, um próximo ao topo da Formação Caballos e outro na porção superior da Formação Bambuca, onde este índice se aproxima de 1,0 (Figura 5.17). Estes intervalos correspondem aos níveis onde foram encontradas altas razões P/F, sugerindo que ambos parâmetros responderam a condições de forte aporte de matéria orgânica de origem continental. Esta interpretação é confirmada pelo gráfico da Figura 5.18, onde se observa que as amostras com altos valores de razão P/F e índice de C24 tetracíclico possuem as porcentagens mais elevadas de matéria orgânica lenhosa. A proporção entre os compostos C27 18α(H) Trisnorhopano (Ts) e C27 17α(H) Trisnorhopano (Tm) tem sido relacionada a fatores ambientais, tipo de matéria orgânica e maturação térmica (Peters Moldowan, 1993). De modo geral, o Tm é mais abundante que o Ts em ambientes marinhos carbonáticos, anóxicos ou salinos, enquanto o oposto ocorre em ambientes marinhos siliciclásticos (Rullkötter et al., 1985; Mello et al., 1988, Waples Machihara, 1991). Estranhamente, em ambientes com forte contribuição de matéria orgânica terrestre, o Tm é muitíssimo mais abundante que o Ts, conforme tem sido observado em rochas geradoras deltaicas e em carvões (Philp Gilbert, 1986; Abdullah et al., 1988; Isaksen, 1995). A interpretação das implicações ambientais da
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    67 proporção relativa entreestes compostos deve ser analisada com reservas, uma vez que a abundância relativa de Ts aumenta com o avanço do processo de maturação térmica (Peters Moldowan, 1993). Na seção do Rio Bambuca, a relação Ts/(Ts+Tm) mostra uma suave tendência geral de incremento, de valores em torno de 0,3 no topo até valores de cerca de 0,5 na base da seção (Figura 5.17). Essa tendência pode refletir o suave incremento do grau de evolução térmica apontado pelos dados de pirólise e petrografia orgânica. Cabe destacar a presença de valores de razão Ts/(Ts+Tm) muito baixos (entre 0,15 e 0,02) nos mesmos intervalos que mostraram altos valores de P/F e índice de C24 tetracíclico, próximo ao topo da Formação Caballos e outro na porção superior da Formação Bambuca (Figura 5.17), reforçando a interpretação de que os mesmos são resultado de período de intenso aporte continental. Outros três parâmetros, os índices de gamacerano, bisnorhopano e C35 homohopanos apresentaram tendências de variação muito similares, caracterizadas por valores baixos ao longo das formações Caballos, Tetuan e Bambuca e um incremento abrupto na Formação La Luna (Figura 5.19). Por ser derivado de um lipídio (tetrahimanol; ten Haven et al., 1989) encontrado principalmente em organismos ciliados que vivem próximos a quimioclina de ambientes marinhos ou lacustres, a abundância do gamacerano na matéria orgânica sedimentar é considerada um indicador da intensidade e estabilidade da estratificação da coluna de água nesses ambientes (Sinninghe Damsté et al., 1995). Em ambientes hipersalinos, que geralmente possuem colunas d’água fortemente estratificadas, a presença do gamacerano em elevadas proporções é uma característica típica (ex: Moldowan et al., 1985; Mello et al., 1988; ten Haven et al., 1988; Peters Moldowan, 1993). Na seção analisada, os índices de gamacerano das amostras da Formação La Luna são marcadamente maiores que os das amostras das outras unidades (Figura 5.19), sugerindo que os sedimentos desta formação se depositaram sob condições de estratificação de coluna d’água mais intensas e perenes. Tendo em vista a falta de evidências sedimentológicas que apontem para um significativo incremento de paleosalinidade da água, é mais provável que outros fatores (climáticos e/ou paleoceanográficos) tenham propiciado as condições favoráveis à estratificação da coluna d’água. O índice de bisnorhopano é considerado um indicador do nível de oxigenação do ambiente sedimentar (Peters Moldowan, 1993). Evidências isotópicas sugerem que os lipídios precursores do bisnorhopano provêm de bactérias sulfo-oxidantes que vivem na interface entre sedimentos/águas ricas em H2 S e águas óxicas/subóxicas (Schoell et al., 1992). Altas concentrações de bisnorhopano estão tipicamente relacionadas a óleos e sedimentos derivados de ambientes altamente anóxicos (Katz Elrod, 1983; Mello et al., 1988 e 1989). Cabe ressaltar, entretanto, que estes compostos freqüentemente estão ausentes em ambientes tipicamente anóxicos (Peters Moldowan, op. cit.), sugerindo que seus precursores estejam relacionados a uma população bacteriana
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    68 Figura 5.17 –Expressão estratigráfica das razões pristano/fitano (P/F) e Ts/(Ts+Tm) e do índice de C24 tetracíclico ao longo da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia (consultar forma de cálculo das razões e do índice no Anexo 3). 0 100 200 300 Albiano Caba- llos Fm.Tetuan 400 500 600 700 m CenomanianoTuron./Coniac.San.CRONO LITO Fm.Bambuca GrupoVilleta Fm.LaLuna Olini Índice de C24 tetracíclico 0,2 0,6 1,0 Ts (Ts+Tm) P F 0,0 0,2 0,4 0,61 2 3 4
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    69 Figura 5.18 –Gráfico tridimensional correlacionando a razão pristano/fitano (P/F) e o índice de C24 tetra- cíclico com teores de matéria orgânica lenhosa nas amostras da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia (consultar forma de cálculo da razões e do índice no Anexo 3). ainda desconhecida, que se prolifera sob condições ambientais bastante específicas. O índice de C35 homohopano também é um bom indicador do nível de oxigenação do ambiente sedimentar (Peters Moldowan, 1993). No caso dos homohopanos, elevadas abundâncias de C35 homohopanos em relação a seus homólogos de peso molecular mais baixo estão geralmente associadas a ambientes sem oxigênio livre (Peters Moldowan, 1991), ocorrendo com freqüência em depósitos marinho carbonáticos e/ou hipersalinos (ten Haven et al.,1988; Mello et al., 1988). Os altos índices de bisnorhopano e C35 homohopano da Formação La Luna (Figura 5.19) corroboram os baixos valores da razão P/F, indicando que condições fortemente redutoras prevaleceram durante a deposição desta unidade. Esta interpretação também está de acordo com os altos índices de gamacerano, uma vez que a estratificação da coluna d’água é favorável à implantação e manutenção de condições anóxicas.
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    70 0 100 200 300 Albiano Caba- llos Fm.Tetuan 400 500 600 700 m CenomanianoTuron./Coniac.San.CRONO LITO Fm.Bambuca GrupoVilleta Fm.LaLuna Olini Índice de C35 homohop. 0,000,06 0,12 Índice de bisnorhopano 0,0 0,5 1,0 Índice de gamacerano 0,0 0,2 0,4 Figura 5.19 – Expressão estratigráfica dos índices de gamacerano, bisnorhopano e C35 homohopanos ao longo da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia (consultar forma de cálculo dos índices no Anexo 3).
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    71 A proporção entreesteranos e hopanos é considerada um bom indicador da contribuição relativa de organismos eucarióticos (algas, plantas superiores), precursores dos esteranos, e organismos procarióticos (bactérias), precursores dos hopanóides (Moldowan et al., 1985; Mello et al., 1988; Peters Moldowan, 1993). Apesar de variar significativamente nos diversos ambientes de sedimentação, de modo geral a proporção de hopanos em relação aos esteranos costuma ser notavelmente alta em ambientes lacustres (Mello Maxwell, 1990; Gonçalves, 2002) e muito baixa em ambientes marinhos carbonáticos e hipersalinos (Mello et al., 1995; Peters Moldowan, op.cit.). Neste estudo, a proporção entre essas duas famílias de compostos foi expressa por meio da razão esteranos/(esteranos+hopanos). Nota-se uma tendência de incremento consistente de valores em torno de 0,4 na base da seção a valores de aproximadamente 0,8 no topo (Figura 5.20), sugerindo que a contribuição relativa de biomassa de origem algálica aumentou progressivamente em função do tempo geológico, o que poderia refletir um aumento progressivo da produtividade primária na região da seção analisada. Por outro lado, cabe destacar a existência de amostras com valores de razão esteranos/ (esteranos+hopanos) muito baixos (0,1) nos mesmos intervalos em foram encontrados altos valores de P/F, isto é, próximo ao topo da Formação Caballos e na porção superior da Formação Bambuca (comparar Figuras 5.17 e 5.20), corroborando a ocorrência de um aumento do aporte continental durante a deposição destes intervalos (Peters Moldowan, op.cit.). Aabundância relativa dos diasteranos tem sido utilizada como um indicador do aporte siliciclástico no ambiente deposicional (Mello et al., 1988; Peters Moldowan, 1993), uma vez que a formação desses compostos a partir dos esteróis parece ser catalisada por ácidos disponíveis nas argilas (Rubinstein et al., 1975). Verificou-se uma tendência geral de aumento do índice de diasteranos do topo para a base da seção analisada (Figura 5.20). Esse comportamento é compatível com a maior proporção de sedimentos carbonáticos na porção superior da seção analisada. Por outro lado, cabe ressaltar que a tendência de incremento do índice de diasteranos pode refletir, pelo menos em parte, o suave aumento do grau de evolução térmica apontado pelos dados de pirólise e petrografia orgânica. Como esses compostos são termicamente mais estáveis que os esteranos regulares, sua abundância relativa tende a aumentar em resposta ao aumento da maturação (Mello et al., 1988). Diversos autores propõem que a proporção relativa entre os homólogos com 27, 28 e 29 átomos de carbono da família dos esteranos regulares reflete a contribuição relativa de fitoplâncton, no caso dos esteranos em C27 e C28 , e plantas superiores, no caso dos homólogos em C29 (Huang Meinschein, 1979; Moldowan et al., 1985; Volkman, 1986; Mello et al., 1988). Outros autores, por sua vez, sugerem que cianobactérias e dinoflagelados também poderiam ser precursores para os esteranos com 29 átomos de carbono (Fowler Douglas, 1984; Grantham, 1986). A proporção relativa entre os
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    72 0 100 200 300 Albiano Caba- llos Fm.Tetuan 400 500 600 700 m CenomanianoTuron./Coniac.San.CRONO LITO Fm.Bambuca GrupoVilleta Fm.LaLuna Olini C27/(C27+C29) esteranos 0,2 0,4 0,60,8 Índice de diasteranos 0,0 0,4 0,8 esteranos (ester. + hop.) 0,0 0,4 0,8 Figura 5.20 – Expressão estratigráfica das razões esteranos/(esteranos+hopanos) e C27 /(C27 +C29 ), e do índice de diasteranos ao longo da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia (consultar forma de cálculo das razões e do índice no Anexo 3).
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    73 homólogos dos esteranosregulares com 27 e 29 átomos de carbono foi monitorada na seção do Rio Bambuca por meio da razão C27 /(C27 +C29 ) (Figura 5.20). É evidente a existência de dois patamares de valores distintos, o primeiro em torno de 0,5 na Formação La Luna, e outro ao redor de 0,6 no restante da seção (Figura 5.20). Assim sendo, as proporções mais elevadas de homólogos em C29 estão associadas justamente à Formação La Luna, unidade cujos dados geoquímicos apontam para um aporte de matéria orgânica terrestre de modo geral mais baixo que o registrado nas outras unidades, sugerindo que outros organismos possam ter atuado como precursores destes compostos. Algumas razões de biomarcadores das famílias dos terpanos e dos esteranos estão entre os parâmetros moleculares mais usados na caracterização do grau de evolução térmica de óleos e extratos orgânicos (Peters Moldowan, 1993). Essas razões fundamentam-se em mudanças provocadas por reações de isomerização na proporção relativa entre isômeros de determinados compostos. No caso dos homohopanos (C31 a C35 ), o parâmetro molecular baseia-se no avanço da reação de isomerização na posição C-22 em função do aumento de temperatura. Neste processo, o isômero 22R do precursor biológico é progressivamente substituído por uma mistura de isômeros 22R e 22S. Como resultado desta mudança, a razão 22S/(22S+22R) varia de zero a 0,57-0,60, valor de equilíbrio alcançado no final da diagênese (em torno de 0,5%Ro; Schoell et al., 1983). Neste trabalho, calculou-se a razão C31 homohopanos S/(S+R) para os extratos orgânicos da seção do Rio Bambuca. Os valores obtidos variam desde cerca de 0,40 no topo da Formação La Luna até valores próximos a 0,60 na porção média/inferior da Formação Bambuca, mantendo-se neste patamar até a base da seção (Figura 5.21). No que se refere aos esteranos, dois parâmetros são empregados. No caso da reação de isomerização na posição C-20 dos esteranos C29 ααα, de forma similar aos homohopanos, o isômero 20R do precursor biológico é progressivamente substituído por uma mistura de isômeros 20R e 20S em função do aumento de temperatura. A razão C29 ααα 20S/(20S+20R) neste caso, varia de zero até 0,50-0,55, sendo este o valor de equilíbrio atingido próximo ao pico de geração de óleo (aproximadamente 0,8%Ro; Peters Moldowan, 1993). Na seção do Rio Bambuca, apesar de alguma dispersão, a razão C29 ααα 20S/(20S+20R) mostra um padrão de incremento relativamente uniforme desde 0,1 no topo a 0,4 perto da base da coluna (Figura 5.21). O outro parâmetro molecular da família dos esteranos usado neste trabalho baseia- se nas reações de isomerização que ocorrem nas posições C-14 e C-17 dos esteranos 20S e 20R. Neste caso, há um progressivo aumento da proporção dos esteranos αββ em relação aos ααα, fazendo com que a razão C29 αββ/(ααα+αββ) varie de valores próximos a zero em amostras imaturas até o valor de equilíbrio, em torno de 0,70, no
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    74 Figura 5.21 –Expressão estratigráfica das razões C31 homohopanos S/(S+R), C29 esteranos ααα S/(S+R) e C29 esteranos αββ/(ααα+αββ) ao longo da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia (consultar forma de cálculo das razões no Anexo 3). 0 100 200 300 Albiano Caba- llos Fm.Tetuan 400 500 600 700 m CenomanianoTuron./Coniac.San.CRONO LITO Fm.Bambuca GrupoVilleta Fm.LaLuna Olini 0,4 0,5 0,6 0,0 0,2 0,4 0,2 0,3 0,4 C31 hopanos S/(S+R) C29 esteranos  S/(S+R) /(+)
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    75 pico de geraçãode óleo (aproximadamente 0,9-1,0%Ro; Peters Moldowan, 1993). Na seção analisada, a razão C29 αββ/(ααα+αββ) não possui uma tendência consistente de incremento em função da profundidade (Figura 5.21), mostrando valores relativamente altos na Formação La Luna, seguidos de valores baixos na Formação Bambuca e uma tendência pouco consistente de incremento em direção à base da seção. Tal comportamento sugere que o parâmetro não esteja refletindo somente o grau de evolução térmica. De fato, vários autores têm alertado para o efeito do ambiente deposicional e da matriz mineral sobre este parâmetro (McKirdy et al., 1983; Ten Haven et al., 1986; Rullkötter Marzi, 1988), reportando altas proporções de esteranos ββ em sedimentos termicamente imaturos depositados em ambientes marinhos carbonáticos, como é o caso da Formação La Luna. O trabalho de ten Haven et al. (1986) propõe que esses isômeros se formem na presença de enxofre durante a diagênese precoce da matéria orgânica. Os valores obtidos para as razões C31 homohopanos S/(S+R) e C29 esteranos ααα S/(S+R) apontam para um baixo grau de evolução térmica, em consonância com os parâmetros derivados da pirólise (Tmax e IP) e da petrografia orgânica (ICE e fluorescência). Quando correlacionada com a Tmax, a razão C31 homohopanos S/S+R mostra uma tendência geral de incremento de 415 a 430ºC (Figura 5.22a), temperatura a partir da qual parece ter atingido seu valor de estabilização (cerca de 0,58). Por outro lado, entre a Tmax e a razão C29 esteranos ααα S/(S+R) há uma boa correlação positiva no intervalo de valores amostrado (Figura 5.22b). Foi realizada uma regressão linear considerando a Tmax como variável dependente e a razão C29 esteranos ααα S/(S+R) como variável explicativa. Com um coeficiente de correlação significativo (R2 = 0,76), obteve-se a seguinte equação: Tmax = (47,168*[C29 ααα S/(S+R)]) + 416,52; a qual pode ser usada para estimar o grau de evolução térmica da rocha geradora responsável por um determinado óleo, dentro da faixa de variação coberta por este estudo (ver aplicação no Capítulo 7). Finalmente, o gráfico da Figura 5.22c mostra que a correlação entre a Tmax e a razão C29 esteranos αββ/(ααα+αββ) é pobre, o que se deve a provável influência de fatores paleoambientais sobre este parâmetro molecular, conforme mencionado no parágrafo anterior.
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    76 Figura 5.22 –Gráficos de Tmax vs. razões C31 homohopanos S/(S+R) (a), C29 esteranos ααα S/(S+R) (b) e C29 esteranos αββ/(ααα+αββ) (c) para as amostras da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia (consultar forma de cálculo das razões no Anexo 3). A linha verde tracejada em (a) foi traçada de forma arbitrária tentando descrever a variação dos dados. Já a linha azul tracejada em (b) é produto da regressão linear dos dados com o respectivo coeficiente de correlação (R2 ). Tmax (ºC) 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 R2 = 0.7572 0,0 (a) (b) (c) 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 410 420 430 440 C31hopanosS/(S+R)C29esteranosαααS/(S+R)C29esteranosββ/(αα+ββ)
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    77 5.5. Composição Elementardo Querogênio O querogênio compreende a fração da matéria orgânica presente nas rochas sedimentares que é insolúvel em solventes orgânicos (Durand, 1980; Tissot Welte, 1984). Via de regra, o carbono (C) constitui o elemento mais abundante nos querogênios (geralmente 50% em peso), seguido pelo oxigênio (O, de 2-20%), hidrogênio (H, de 2-10%), nitrogênio (N, 0-4%) e enxofre (S, 0-4%) (Tissot Welte, 1984). A abundância destes elementos reflete a proporção relativa e a composição dos diferentes organismos que constituíram a biomassa acumulada e preservada no sítio deposicional (comparar Tabelas 5.6 e 5.5) e as reações que afetaram esta biomassa durante a diagênese. Biomassa C (%) H (%) O (%) S (%) N (%) Lipídios 80 10 10 Proteínas 53 7 22 2 16 Lignina 63 5 31 0,1 0,3 Carboidratos 44 6 50 Tabela 5.6 – Composição química das principais famílias de compostos presentes na biomassa de- positada em bacias sedimentares (Mello Estrella, 1984). No caso do oxigênio e do hidrogênio, as concentrações são fortemente condicionadas pelo aporte relativo de matéria orgânica autóctone (fitoplâncton, zooplâncton, bactérias, etc.) e alóctone (plantas terrestres) no ambiente deposicional, uma vez que a biomassa autóctone é enriquecida em H (Tabelas 5.5 e 5.6) e empobrecida em O quando comparada à biomassa alóctone (Tissot Welte, 1984). O nível de Eh do ambiente deposicional também é crítico, já que condições redutoras tendem a preservar o conteúdo de hidrogênio da biomassa, enquanto condições oxidantes favorecem a degradação da matéria orgânica, levando à depleção do hidrogênio. As razões elementares H/C e O/C são dois dos parâmetros geoquímicos mais importantes na caracterização da origem e natureza da matéria orgânica presente nas rochas sedimentares. Com base nessas razões, van Krevelen (1961) propôs o diagrama que atualmente é conhecido pelo nome do autor e que permite distinguir os três tipos básicos de querogênios. O querogênio do tipo I, constituído principalmente por cadeias alifáticas derivadas de uma biomassa algálica e/ou microbiana, apresenta altas razões H/C (1,5- 1,8) e baixas razões O/C (0,1). O querogênio do tipo II, rico em cadeias alifáticas e naftênicas derivadas de uma mistura de fito- e zooplâncton, bactérias, polens e esporos,
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    78 apresenta razões H/Cmais baixas (1,0-1,4) e razões O/C mais altas (0,2) do que as do tipo I. Finalmente, o querogênio do tipo III, dominado por cadeias aromáticas policíclicas e grupos funcionais oxigenados derivados da celulose e lignina de vegetais superiores, apresenta baixas razões H/C (1,0) e altas razões O/C (0,2) (Tissot Welte, 1984). O nitrogênio presente na biomassa provém principalmente das proteínas, grupo de compostos rapidamente degradado durante a diagênese precoce (Tissot Welte, 1984), e requerendo, portanto, condições redutoras para sua preservação. No que se refere ao impacto da origem da biomassa sobre o conteúdo de nitrogênio, uma vez que as ligninas possuem concentrações muito baixas desse elemento, a maior parte dos querogênios derivados de matéria orgânica terrestre apresentam baixas razões N/C. Ao contrário dos outros elementos, a concentração de enxofre no querogênio é mais um reflexo das condições paleoambientais do que da natureza da biomassa. O enxofre é incorporado na matéria orgânica sedimentar por meio da interação entre os produtos inorgânicos das reações de sulfato-redução e os sítios ativos das moléculas orgânicas durante a diagênese precoce (Sinninghe Damsté De Leeuw, 1990). A quantidade de enxofre incorporado depende da disponibilidade de ferro no ambiente deposicional, a qual é função direta do aporte siliciclástico e da intensidade do processo de sulfato- redução. Esta por sua vez, é controlada pelo grau de anoxia e pela disponibilidade de sulfato e de biomassa rica em hidrogênio. Desse modo, em ambientes de sedimentação onde um intenso processo de sulfato-redução é acompanhado pela carência de ferro, se produz um excesso de enxofre que pode ser incorporado na matéria orgânica (Orr, 1986). Analisando amostras de rochas da Formação Monterey (Califórnia, EUA) depositadas sob estas condições, Orr (op. cit.) reconheceu a existência querogênios do tipo II excepcionalmente ricos em enxofre (8-14% em peso), denominados de tipo II-S. Uma razão S/C superior a 0,04 foi estabelecida arbitrariamente por Orr (op. cit.) como critério para definição deste tipo de querogênio. Os teores de C, H, O, N e S resultantes das análises das amostras de querogênio foram normalizadas pelos respectivos pesos atômicos para obtenção das razões atômicas H/C, O/C, N/C e S/C. As concentrações iniciais e as razões calculadas são apresentadas na tabela do Anexo 4. A razão H/C apresenta um comportamento relativamente uniforme ao longo da seção do Rio Bambuca (Figura 5.23). A maior parte das amostras analisadas (mais de 90%) apresenta razões H/C variando entre 1,00 e 1,40, faixa de valores considerada característica para o querogênio do tipo II em rochas termicamente imaturas (Tissot Welte, 1984). As amostras remanescentes apresentam razões H/C mais baixas, entre 0,87 e 0,97, apontando a contribuição de querogênio do tipo III. Estas amostras estão posicionadas na Formação Caballos e na porção média/superior da Formação Bambuca (Figuras 5.23), intervalos que se destacaram por apresentar altas razões pristano/fitano e
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    79 altas porcentagens dematéria lenhosa, entre outros indicadores geoquímicos de aporte continental (ver seções de pirólise, petrografia e biomarcadores neste capítulo). A razão O/C varia entre 0,04 e 0,18 na seção do Rio Bambuca. Embora não existam tendências consistentes de variação dessa razão ao longo da coluna estratigráfica (Figura 5.23), observa-se que os valores da Formação La Luna são ligeiramente superiores (média de 0,12) aos observados no restante da seção (média de 0,09). A distribuição dos dados das razões O/C e H/C no diagrama de Van Krevelen confirma o predomínio de querogênios do tipo II entre as amostras analisadas (Figura 5.24). Os baixos valores da razão H/C (1,0) encontrados em algumas amostras das formações Caballos e Bambuca indicam que há mistura com querogênio do tipo III, de origem terrestre. Os valores da razão H/C foram correlacionados com os índices de hidrogênio (IH) nas amostras submetidas a análise elementar na seção do Rio Bambuca (Figura 5.25). Verifica-se que enquanto as razões H/C variam entre 0,87 e 1,40 (diferença de 38%), os valores de IH vão de 51 a 663 mgHC/gCOT (diferença de 92%). Discrepâncias desta ordem foram reportadas por diversos autores ao comparar dados de H/C e IH (e.g. Katz, 1983; Jones, 1987; Baskin, 1997). Estas discrepâncias têm sido atribuídas a diversos fatores, tais como o efeito da matriz mineral na pirólise das amostras pobres em matéria orgânica, contaminações de betume e/ou óleo migrado nas amostras de rocha, e a diferença entre os erros experimentais da análise elementar (3-5%) e da pirólise (10%) (Peters, 1986; Baskin, op.cit.). Por estes motivos, a razão H/C constitui uma medida mais acurada da qualidade da matéria orgânica, devendo ser usada em conjunto com o índice de hidrogênio sempre que possível. As razões N/C mostram uma tendência de incremento de valores de cerca de 0,04 na base da seção até valores da ordem de 0,08 na porção mediana da Formação Tetuan (Figura 5.23), refletindo a transição de um ambiente dominado pela influência terrestre para um ambiente francamente marinho. Os valores seguem flutuando em torno dessa faixa de valores ao longo de praticamente toda a seção do Rio Bambuca, à exceção de alguns intervalos onde os valores reduzem-se abruptamente, chegando próximo a zero (e.g. 212 e 240m; Figura 5.23). Finalmente, a razão S/C varia entre 0,01 e 0,08 ao longo da seção analisada (Figura 5.23). Utilizando o critério estabelecido por Orr (1986), cerca de 40% das amostras apresentaram razões S/C iguais ou superiores a 0,04, podendo ter seus querogênios classificados como sendo do tipo II-S. Estas amostras estão restritas principalmente às formações La Luna e Tetuan (Figura 5.24). Tal fato provavelmente se deve ao baixo aporte de siliciclásticos durante a deposição destas unidades, o que deve ter limitado o suprimento de ferro disponível para reação com o enxofre liberado durante o processo de alteração da matéria orgânica por sulfato-redução. Nas outras unidades (Caballos e Bambuca), um maior aporte siliciclástico e, possivelmente, níveis mais altos de
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    80 Figura 5.23 –Expressão estratigráfica das razões atômicas H/C, O/C, N/C e S/C medidas no querogênio de amostras tomadas ao longo da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia. 0 100 200 300 Albiano Caba- llos Fm.Tetuan 400 500 600 700 m CenomanianoTuron./Coniac.San.CRONO LITO Fm.Bambuca GrupoVilleta Fm.LaLuna Olini 0,8 1,0 1,2 1,4 0 0,03 0,06 0,090 0,04 0,08 0,120 0,1 0,2 H / C O / C S / CN / C
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    81 Figura 5.24 –Gráficos O/C vs. H/C (diagrama de Van Krevelen) e O/C vs. S/C mostrando a distribuição dos dados das razões atômicas medidas no querogênio de amostras das unidades analisadas na seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia. 0,00 0,40 0,80 1,20 1,60 0,00 0,04 0,08 0,00 0,05 0,10 0,15 0,20 0,00 0,05 0,10 0,15 O / C H/CS/C Alto S I II III Gr. Olini Fm. La Luna Fm. Bambuca Fm. Tetuan Fm. Caballos
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    82 Figura 5.25 –Correlação entre o índice de hidrogênio (IH) da pirólise Rock-Eval e a razão atômica H/C para as amostras analisadas na seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia. IH (mgHC/gCOT) H/C 0,4 0,8 1,2 1,6 100 200 300 400 500 600 700 oxigenação devem ter limitado a disponibilidade de enxofre para incorporação na matéria orgânica. Apesar da consistência dos resultados obtidos, é importante ressaltar que não realizou-se a dosagem do teor de Fe nas amostras de querogênio. Dessa forma, embora as análises petrográficas não tenham revelado a presença de quantidades significativas de pirita no querogênio, não é possível descartar a possibilidade de que uma parte do enxofre aqui considerado como orgânico esteja relacionado à pirita. Assim como já foi constatado em relação ao índice de hidrogênio (Figura 5.15), também existe uma correlação positiva entre os teores de matéria orgânica amorfa e as razões H/C (Figura 5.26). Grande parte das amostras portadoras de querogênio do tipo II (H/C1,0) possui teores de matéria orgânica amorfa igual ou superior a 80%, sugerindo que a qualidade e o potencial das rochas geradoras foi controlado, ao menos parcialmente, pela natureza da biomassa. Entretanto, apesar desta correlação, há uma significativa dispersão de valores de H/C para amostras com teores similares de matéria orgânica amorfa. Entre as amostras com, por exemplo, 80% de matéria orgânica amorfa, as razões H/C podem variar entre 1,05 e 1,40 (Figura 5.26), sugerindo que flutuações nas condições de oxigenação (ambiente oxidante vs. redutor) podem estar desempenhando um papel importante na preservação do conteúdo de hidrogênio da matéria orgânica.
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    83 Figura 5.26 –Gráfico de teor de matéria orgânica amorfa vs. razão H/C para as amostras da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia. H/C 0,8 0,9 1,0 1,1 1,2 1,3 1,4 0 20 40 60 80 100 M. O. Amorfa (%) 5.6. Parâmetros Cinéticos de Conversão do Querogênio Opetróleoéprodutodadegradaçãotérmicadoquerogênioemrespostaaoprogressivo incremento de temperatura associado à subsidência da bacia sedimentar e conseqüente soterramento das rochas sedimentares (Tissot Welte, 1984). Diversos estudos têm demonstrado que esse processo de degradação pode ser descrito por modelos baseados nas formulações da cinética química (e.g. Tissot et al., 1987). Atualmente, a modelagem cinética do processo de degradação do querogênio e formação do petróleo constitui uma técnica aplicada de forma rotineira nos estudos de sistemas petrolíferos para a definição do grau de sincronismo entre o processo de carga de hidrocarbonetos e a formação de trapas (e.g. Gonçalves et al., 2000 e 2002). Em geral, o processo de conversão do querogênio em petróleo é descrito como uma série de reações paralelas, irreversíveis e independentes de primeira ordem (Tissot et al., 1987). Nas reações de primeira ordem, aquelas nas quais um único reagente gera
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    84 os produtos, adiminuição relativa da quantidade de reagente é diretamente proporcional ao tempo de reação, de acordo com a relação: -dx/x = kdt (1), onde x é a concentração do reagente, k é conhecido como constante da taxa e t é o tempo. Como a taxa de conversão (v) do reagente nos produtos é proporcional à concentração do reagente, obtém-se que: v = -dx/dt = kx (2), A constante da taxa (k), por sua vez, é controlada pela temperatura e pela natureza do reagente, conforme expresso pela Lei de Arrhenius: k = A e -(Ea/RT) (3). onde A é fator de freqüência, Ea é a energia de ativação, R é a constante universal dos gases e T é a temperatura. O fator de freqüência, também conhecido como fator pré-exponencial, representa a freqüência necessária de choques entre as moléculas para gerar os produtos. Já a energia de ativação pode ser definida como o nível mínimo de energia requerido para que o início da reação. Estas duas constantes (A e Ea) são comumente conhecidas como parâmetros cinéticos e são característicos de cada reagente ou reação. Substituindo (3) em (2), obtém-se a equação que permite descrever a evolução da reação em função do tempo e da temperatura: dx/x = A e -(E/RT) dt (4). Os modelos cinéticos podem ser globais ou composicionais. Os primeiros utilizam uma série de reações para descrever a conversão do querogênio em petróleo como um todo (Tissot Espitalié, 1975; Tissot et al., 1987). Já os modelos composicionais empregam séries de reações para descrever a conversão do querogênio em classes de compostos ou mesmo compostos específicos (e.g. C1 , C2 -C5 , C6 -C15 , etc.; Espitalié et al., 1988; Ungerer, 1990; Behar et al., 1997). No presente trabalho, utilizou-se um modelo cinético global. Os parâmetros cinéticos (fator de freqüência e energia de ativação) característicos das reações envolvidas na geração do petróleo têm sido determinados através de análises de pirólise em modalidades diversas, com sistema fechado ou aberto, com ou sem água (e.g. Espitalié et al., 1988; Castelli et al., 1990; Schenk Horsfield, 1993; Behar et al., 1997; Ruble et al., 2003). Por ser mais facilmente realizada, a pirólise anidra em sistema aberto tem sido o método analítico mais empregado na determinação dos parâmetros cinéticos de rochas geradoras (Ungerer, 1984, 1990 e 1993; Ungerer et al., 1986; Braun Burnham, 1987; Burnham et al., 1987; Ungerer Pelet, 1987; Espitalié et al., 1993).
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    85 Cabe ressaltar, entretanto,que esse tipo de pirólise não reproduz adequadamente as reações que ocorrem na natureza, uma vez que o produto gerado não possui a mesma composição do petróleo (Lewan, 1985 e 1997; Lewan Ruble, 2002). Apesar dessa limitação, os resultados da aplicação dos parâmetros cinéticos obtidos pela pirólise anidra em sistema aberto conseguem reproduzir bem os dados observados em sistemas petrolíferos, incluindo quantidades de extrato orgânico, potenciais geradores residuais, etc. (Ungerer et al., 1990; Forbes et al., 1991; Burrus et al., 1996). Uma vez obtidos os resultados experimentais das análises de pirólise sob diferentes taxas de aquecimento, os parâmetros cinéticos são calculados por meio da otimização de funções matemáticas que seguem as formulações da cinética de primeira ordem e a lei de Arrhenius. Obtém- se deste modo uma distribuição discreta de energias de ativação associadas a um único fator de freqüência (e.g. Tissot et al., 1987; Espitalié et al., 1993; Behar et al., 1997; Ungerer, 1990). Os parâmetros cinéticos de um querogênio estão diretamente relacionados à sua composição elementar, estrutura molecular e tipos de ligações químicas, conforme pode ser facilmente demonstrado nos três tipos padrão de querogênio (Ungerer Pelet, 1987; Tissot et al., 1987; Espitalié et al., 1988; Behar et al., 1997). No querogênio do tipo I (Figura 5.27), o caráter unimodal de sua distribuição de energias de ativação (centrada em 56 kcal/mol) reflete a relativa homogeneidade composicional e de ligações químicas (essencialmente C-C). O querogênio do tipo II, por conter uma maior quantidade de heteroátomos (O, S, N, etc.), possui uma maior diversidade de ligações químicas e, conseqüentemente, uma distribuição mais ampla de energias de ativação (entre 44 e 60 kcal/mol). Sua energia de ativação principal, aquela à qual está associada a maior parte do potencial gerador, é de 54 kcal/mol, inferior a do querogênio do tipo I (Figura 5.27). O querogênio do tipo II-S, por sua vez, apresenta energias de ativação ainda mais baixas, devido à presença de ligações químicas mais frágeis associadas ao enxofre orgânico. Já no querogênio do tipo III, a existência de tipos diversos de ligações químicas e de estruturas termicamente mais estáveis (e.g. núcleos aromáticos policíclicos), resulta em uma distribuição de energias de ativação que, além de ampla, apresenta valores mais altos (entre 50 e 74 kcal/mol). As diferenças existentes entre os parâmetros cinéticos dos diferentes tipos de querogênios podem afetar de forma dramática a evolução do processo de geração em função do soterramento e do tempo geológico. Ao submeter os quatro tipos de querogênios mencionados acima a uma mesma história de soterramento hipotética, obtêm-se comportamentos bem distintos (Figura 5.27). Devido aos valores de energia de ativação mais baixos, o querogênio do tipo II-S começa a transformar-se a uma profundidade menor que a observada para os outros tipos. O querogênio do tipo III, menos reativo, requer um maior soterramento para o início do processo de conversão. Por essa razão, na base do perfil de soterramento hipotético da Figura 5.27, enquanto
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    86 5 4 3 2 25 50 751000 Taxa de Transformação Tipo III Tipo II Tipo II-S Tipo I Profundidade(km) 200 400 600 800 300 200 100 20 0 0 40 50 60 7030 40 50 60 7030 40 50 60 7030 40 50 60 7030 0 40 60 80 Energia de Ativação (kcal/mol) Potencial(mgHC/gCOT) 56 54 58 200 100 0 51 Tipo I Tipo II Tipo II-S Tipo III Figura 5.27 – Histogramas mostrando as distribuições de energias de ativação dos principais tipos de querogênio e suas respectivas curvas de conversão em função de uma história de soterramento hipotética (adaptado de Tissot et al., 1987). O grau de conversão é descrito pelo parâmetro conhecido como taxa de transformação, que representa a porcentagem do potencial gerador original que foi efetivamente convertido em petróleo.
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    87 os querogênios dostipos I, II e II-S já completaram o processo de conversão, com 100% de taxa de transformação, o querogênio do tipo III ainda se encontra com uma taxa de 85%. O querogênio do tipo I, devido à relativa homogeneidade composicional, tem seu processo de conversão completado em uma faixa de profundidade mais estreita (aproximadamente entre 3 e 4,5 km no caso hipotético da Figura 5.27) que a necessária para a completa transformação dos outros querogênios. No caso do querogênio do tipo II-S, por exemplo, o processo de conversão se inicia a cerca de 2 km e se conclui próximo a 4,5 km de profundidade (Figura 5.27). Apesar de usados rotineiramente nos estudos de modelagem de bacias e sistemas petrolíferos, os parâmetros cinéticos dos querogênios padrão não são suficientes para representar adequadamente toda a variedade composicional possível dos querogênios presentes nas rochas sedimentares. Na verdade, são muitos os casos de rochas geradoras de petróleo que apresentam uma grande variabilidade de comportamento cinético, embora sejam classificadas com base em dados de pirólise como portadoras de um único tipo de querogênio (e.g. Jarvie, 1991; Sundararaman et al., 1992; Burwood et al., 1992; Gonçalves et al., 1994; Soldan et al., 1995). Com base na análise de um conjunto de 71 rochas geradoras de petróleo, Tegelaar Noble (1994) reconheceram sete padrões de distribuição de energias de ativação com comportamentos cinéticos independentes de sua classificação segundo o índice de hidrogênio em querogênios dos tipos I, II e III. Estes autores sugerem que a distribuição e magnitude das energias de ativação refletem a proporção relativa dos diferentes tipos de biomacromoléculas preservadas durante a diagênese e o conteúdo de enxofre orgânico. Outros trabalhos (Tissot et al., 1987; Baskin Peters 1992; Araújo Triguis, 1994, Tomic et al., 1995) também demonstraram que altos conteúdos de enxofre resultam em valores de energias de ativação mais baixos. O processo de otimização dos resultados das análises de pirólise foi bem sucedido em todas as amostras selecionadas da seção do Rio Bambuca. Adotando-se uma distribuição de energias de ativação com espaçamento de 2 kcal/mol, foi possível reproduzir fielmente as curvas de produção da pirólise (Figura 5.28). A eficiência do processo de otimização é corroborada também pelos valores da função de erro calculada em cada amostra a partir das diferenças quadráticas entre as curvas medidas e calculadas. A otimização é considerada boa para valores da função de erro menores que 0,1, satisfatória para valores situados entre 0,1 e 1,0, e insatisfatória para valores maiores que 1,0. Nas amostras analisadas, os valores da função de erro variaram entre 0,039 e 0,708, com franco predomínio de valores menores que 0,5 (Figura 5.29). Na tabela do Anexo 5 são reportados os valores da função de erro, fator de freqüência e a distribuição de potenciais geradores por energia de ativação para cada amostra. Os resultados das análises revelaram diferenças marcantes entre os parâmetros cinéticos obtidos para a seção do Rio Bambuca, conforme ilustrado pelas amostras
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    88 0 10 20 30 40 NúmerodaAmostras Faixas de Valorda Função de Erro e Escala de Eficiência da Otimização BOA SATISFATÓRIA INSATISFATÓRIA 0,10 0,10 - 0,50 0,50 - 1,00 1,00 Figura 5.29 – Histograma de distribuição dos valores da função de erro calculados pelo software Optkin a partir das diferenças quadráticas entre as curvas de produção de hidrocarbonetos medidas e calculadas nas amostras da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia. 300 340 380 420 Curva medida (Rock-Eval 6) Curva calculada (Optkin) 460 500 540 580 620 660 0 1 2 3 4 5 6 1°C/m in2°C/min 5°C/min 10°C/min 15°C/min 25°C/min GeraçãodeHC (mgHC/gCOT/°C) Temperatura (°C) Figura 5.28 – Correlação entre as curvas de produção de hidrocarbonetos medidas pela pirólise Rock-Eval 6 sob taxas de aquecimento de 1, 2, 5, 10, 15 e 25°C/min e as curvas calculadas com base nos parâmetros cinéticos determinados com auxílio do software Optkin® em uma amostra da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia.
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    89 Figura 5.30 –Gráfico tridimensional mostrando variabilidade dos parâmetros cinéticos da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia. Para um conjunto de amostras representativas, apresenta- se a distribuição dos potenciais geradores de hidrocarbonetos associados às energias de ativação e aos fatores de freqüência (entre parênteses junto à identificação da amostra na legenda, em s-1 ). selecionadas para o gráfico da Figura 5.30. Foram obtidos fatores de freqüência entre 7,33x1012 e 8,65x1014 s-1 e variadas distribuições de energias de ativação, concentradas principalmente na faixa entre 50 e 56 kcal/mol (Anexo 5). Visto que o comportamento cinético do querogênio depende conjuntamente do fator de freqüência e das energias de ativação, não é possível comparar o grau de reatividade das amostras analisadas diretamente a partir dos parâmetros cinéticos. Eventualmente, as altas energias de ativação de uma amostra podem ser de certa forma compensadas por um baixo fator de freqüência ou vice-versa. Com o propósito de viabilizar tal comparação, simulou-se o processo de conversão do querogênio usando a equação (4) e os parâmetros das amostras analisadas. Adotou-se uma taxa de aquecimento constante de 2°C/M.a., um valor médio representativo da história de evolução térmica da bacia do Vale Superior do Magdalena durante o Neocretáceo e o Paleogeno (García et al., 2002). Com o método descrito no parágrafo anterior, foram obtidas curvas de taxa de transformação (TT) em função da temperatura para todas as amostras (Figura 5.31), permitindo uma avaliação comparativa do grau de reatividade, isto é, a facilidade com que
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    90 o querogênio édegradado termicamente. O espalhamento das curvas de transformação mostra que há diferenças significativas entre as amostras. Adotando 130ºC como valor de referência, nota-se que enquanto algumas amostras estariam em uma fase incipiente de conversão (TT10%), outras amostras que já teriam alcançado taxas da ordem de 60% à mesma temperatura. Por outro lado, usando uma taxa de transformação de 50% como referência (Figura 5.31), observa-se que as amostras mais reativas atingem este nível de conversão a 125ºC, enquanto as mais refratárias alcançam este nível somente a 155ºC. Sob a taxa de aquecimento de 2ºC/M.a. usada na simulação, essa diferença de 30ºC representaria uma defasagem de tempo de 15 Ma. Para efeito de comparação, simulou-se também a conversão dos querogênios dos tipos II, II-S e III, usando os parâmetros cinéticos publicados por Burnham (1989). Cabe recordar que, de acordo com os dados de pirólise e análise elementar, as amostras da seção do Rio Bambuca são compostas predominantemente por querogênio do tipo II e, secundariamente, por querogênio do tipo III (Figuras 5.6 e 5.24). Ao comparar com as curvas de taxa de transformação obtidas para os dados publicados dos querogênios dos tipos II e III, nota-se que a maior parte das amostras analisadas se concentra próxima ou ligeiramente adiante do querogênio do tipo II (até 10ºC a mais de defasagem; 0 20 40 60 80 100 130°C 50 100 150 200 250 300 TaxadeTransformação(%) Temperatura (°C) Tipo II Tipo II-S Tipo III Amostras Rio Bambuca 50% Figura 5.31 – Gráficos mostrando a evolução da taxa de transformação em função da temperatura para as amostras da seção do Rio Bambuca e os querogênios dos tipos II, II-S e III. A trajetória das curvas foi calculada com a equação (4), usando os parâmetros cinéticos do Anexo 5 para as amostras da seção e os publicados por Burnham (1989) para os querogênios dos tipos II, II-S e III, assumindo uma taxa de aquecimento constante de 2°C/Ma.
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    91 Figura 5.31). Outrasamostras apresentaram um desempenho mais reativo, gerando a temperaturas um pouco menores que as observadas para o querogênio do tipo II (10ºC de defasagem), porém ainda distantes da curva correspondente ao tipo II-S. Finalmente, as amostras remanescentes se mostraram bem menos reativas, com um comportamento próximo ao de um querogênio do tipo III. O mesmo tipo de comparação foi realizado usando como referência a refletância da vitrinita, em vez da temperatura (Figura 5.32). Assumindo a mesma taxa de aquecimento constante de 2ºC/min, calculou-se a evolução da refletância da vitrinita usando as formulações do modelo proposto por Sweeney Burnham (1990). Tomando como referência inicial o valor de 0,6%Ro, nota-se que a diferença entre as taxas de transformação das amostras ainda é pequena (entre 0 e 5%). Já em um grau mais avançado de maturação (1,0%Ro), as diferenças são notáveis, com taxas de transformação variando de 20% nas amostras mais refratárias a cerca de 93% nas amostras mais reativas (Figura 5.32). Por outro lado, usando uma taxa de transformação de 50% como referência, observa-se que enquanto as amostras mais reativas atingem este nível de conversão com um valor de refletância da vitrinita de 0,75%Ro, as mais 0,0 0,5 1,0 1,5 2,0 2,5 Refletância da Vitrinita (%) TaxadeTransformação(%) 0 20 40 60 80 100 Tipo II Tipo III Amostras Rio Bambuca 0,6%Ro 1,0%Ro 50% Figura 5.32 – Gráficos mostrando a evolução da taxa de transformação em função da refletância da vitrinita para as amostras da seção do Rio Bambuca e os querogênios dos tipos II e III. A trajetória das curvas foi calculada com a equação (4), usando os parâmetros cinéticos do Anexo 5 para as amostras da seção e os publicados por Burnham (1989) para os querogênios dos tipos II e III, assumindo uma taxa de aquecimento constante de 2°C/M.a. Foram utilizadas as formulações do modelo proposto por Sweeney Burnham (1990) para calcular a refletância da vitrinita.
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    92 refratárias alcançam essenível somente com um grau de evolução térmica equivalente a 1,15%Ro. Na correlação com os querogênios padrão (tipos II e III), observa-se o mesmo comportamento discutido no gráfico de TT vs. temperatura (Figura 5.31), com a maior parte das amostras se concentrando próximo ou ligeiramente adiante do querogênio do tipo II, algumas amostras se mostrando mais reativas que o querogênio do tipo II, e outras mais refratárias, com um desempenho próximo ao de um querogênio do tipo III. Visando investigar a expressão estratigráfica do comportamento cinético do querogênio das amostras e sua correlação com a composição e origem da matéria orgânica, adotou-se como parâmetro indicativo do grau de reatividade do querogênio a temperatura na qual as amostras alcançam uma taxa de transformação de 50%, valor selecionado por permitir uma boa separação entre as amostras (Figura 5.31). Para facilitar a discussão, o parâmetro definido acima será doravante referido como “T@50”. Desse modo, amostras com baixos valores de T@50 são mais reativas do que amostras com altos valores de T@50. No que se refere à expressão estratigráfica deste parâmetro, apesar da marcante variação observada nos valores de T@50 ao longo da seção do Rio Bambuca, não existe qualquer tendência consistente ou diferenças marcantes entre as formações (Figura 5.33). Um conjunto de parâmetros geoquímicos indicativos da composição, origem e natureza do querogênio foi selecionado visando entender os fatores que controlaram o comportamento cinético das amostras analisadas. O gráfico da Figura 5.34 apresenta os coeficientes de correlação linear entre estes parâmetros geoquímicos e o valor de T@50. De modo geral, os coeficientes são baixos (entre -0,41 e 0,43), sugerindo que nenhum dos indicadores geoquímicos selecionados apresenta uma correlação (negativa ou positiva) marcante com T@50. O teor de carbonato total é um dos indicadores que apresenta o coeficiente de correlação mais baixo (-0,06; Figura 5.34).Ainfluência da matriz mineral sobre o processo de geração de hidrocarbonetos tem sido motivo de controvérsia. Por um lado, existem trabalhos que usam as diferenças encontradas entre os parâmetros cinéticos obtidos em rocha total e no querogênio para demonstrar efeito catalítico de determinados tipos de argilas sobre o processo de geração de hidrocarbonetos (e.g. Dembicki, 1992). Por outro lado, outros trabalhos mostraram que em rochas com altos teores de carbono orgânico, as diferenças entre os parâmetros cinéticos da rocha total e do querogênio são ínfimas (e.g. Pelet, 1994; Reynolds Burnham, 1995). Esse é o caso das amostras analisadas na seção do Rio Bambuca, cujos teores de COT variam principalmente entre 2 e 13%, e em apenas duas amostras é inferior a 2% (1,10 e 1,15%). O coeficiente de correlação entre T@50 e o teor de carbonato total mostra que a composição da matriz mineral não influenciou o grau de reatividade da matéria orgânica.
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    93 0 100 200 300 Albiano Caba- llos Fm.Tetuan 400 500 600 700 m CenomanianoTuron./Coniac.San.CRONO LITO Fm.Bambuca GrupoVilleta Fm.LaLuna Olini 120 140 160 T@50(ºC) Figura 5.33 – Expressão estratigráfica do parâmetro T@50 para amostras tomadas ao longo da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia. O referido parâmetro, adotado como indicador do grau de reatividade do querogênio, corresponde à temperatura na qual as amostras alcançam uma taxa de transformação de 50%, considerando seus respectivos parâmetros cinéticos e uma taxa de aquecimento de 2ºC/M.a.
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    94 Figura 5.34 –Gráfico de barras mostrando os coeficientes de correlação linear entre T@50 (ver definição na legenda da figura anterior) e uma série de parâmetros geoquímicos selecionados para as amostras analisadas na seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia Coeficiente de Correlação -1,0 -0,5 0,0 0,5 1,0 Carbonato (%) M.O. Amorfa (%) M.O. Liptinita (%) M.O. Lenhosa (%) H/C N/C S/C O/C Tmax (ºC) P/F est./(est.+hop.) Ind. C24 tetrac. Ind. gamacerano Ind. C35 homohop. Os valores absolutos mais altos encontrados para os coeficientes de correlação (0,3 e -0,3) correspondem a parâmetros geoquímicos indicativos da origem e do tipo de matéria orgânica, a saber, teores de matéria orgânica amorfa, liptinítica e lenhosa, razão atômica H/C, razões esteranos/(esteranos+hopanos) e pristano/fitano e o índice do C24 tetracíclico(Figura5.34).Osindicadoresdaproporçãodematériaorgânicaautóctone(teor de matéria orgânica amorfa e razões H/C e esteranos/ (esteranos+hopanos)) mostram uma correlação negativa, enquanto os indicadores da contribuição de matéria orgânica alóctone (teores de liptinita e material lenhoso, razão P/F e índice do C24 tetracíclico) possuem uma correlação positiva. Ou seja, o incremento na proporção de matéria orgânica de origem terrestre diminui o grau de reatividade do querogênio, o que se reflete em um aumento de T@50. Este comportamento é esperado, já que a matéria orgânica de origem terrestre se caracteriza por conter ligações químicas e estruturas moleculares (e.g. núcleos aromáticos policíclicos) termicamente mais estáveis. Os coeficientes de
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    95 correlação negativos, aindaque baixos, obtidos para os índices de gamacerano e C35 homohopanos (respectivamente -0,23 e -0,25, Figura 5.34), estão de acordo com esta interpretação, uma vez que a ocorrência abundante destes biomarcadores na seção analisada está associada a intervalos com baixo aporte de matéria continental. Com a Tmax, obteve-se uma correlação igualmente baixa (0,28), porém positiva (Figura 5.34), sugerindo que as amostras mais evoluídas termicamente são de modo geral um pouco mais refratárias do que as amostras menos evoluídas. Jarvie (1991) e Espitalié et al. (1993), entre outros autores, reportam a influência do grau de maturação térmica das amostras sobre os parâmetros cinéticos. Tal influência se deve ao caráter seletivo do processo de degradação do querogênio, que se inicia pelas frações termicamente mais lábeis. Estas frações são degradadas progressivamente na medida em que a maturação aumenta, deixando o querogênio, portanto, enriquecido nas frações mais refratárias. Apesar do baixo coeficiente de correlação com a Tmax, não se pode descartar a hipótese de que, no caso das amostras da seção do Rio Bambuca, a maturação tenha influenciado, ainda que pouco, os parâmetros cinéticos obtidos. Os coeficientes obtidos para os indicadores geoquímicos remanescentes (razões atômicas N/C, S/C e O/C) são baixos (entre -0,24 e 0,10, Figura 5.34), indicando uma baixa correlação com T@50 e, portanto, pouca influência sobre o grau de reatividade do querogênio. O resultado é inusitado, particularmente no caso da razão S/C, considerada por vários autores com um fator determinante no comportamento cinético da matéria orgânica (e.g. Orr, 1986; Tissot et al., 1987; Baskin Peters, 1992; Tegelaar Noble, 1994). Várias das amostras analisadas possuem teores de enxofre orgânico e razões S/C compatíveis com o querogênio do tipo II-S, reconhecido pela capacidade de gerar petróleo precocemente (Orr, op. cit.; Baskin Peters, op. cit.). Apesar disso, poucas amostras da seção do Rio Bambuca se mostraram mais reativas do que o querogênio tipo II convencional, e ainda assim, por uma pequena margem de diferença, distante do comportamento cinético do querogênio Tipo II-S padrão (Figuras 5.31 e 5.32). Reynolds et al. (1995) e Jarvie Jundell (2001) encontraram resultados similares em amostras da Formação Monterey (Califórnia, EUA). Estes autores reconheceram amostras de querogênios que, apesar de possuir razões S/C significativamente superiores a 0,04, apresentam comportamentos cinéticos similares aos observados em querogênios padrão dos tipos II e mesmo III. Estes resultados sugerem que, além do conteúdo de enxofre, a estrutura molecular e a natureza das funções que contêm este e outros heteroátomos (N e O) devem desempenhar um papel importante na definição do comportamento cinético da matéria orgânica. No caso da seção do Rio Bambuca, cabe ainda lembrar, que a falta de medidas dos teores de Fe nas amostras de querogênio não permite descartar a possibilidade de que uma parte do enxofre aqui considerado como orgânico esteja, na verdade, associado à pirita.
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    96 5.7. Teores deElementos Maiores, Menores e Traços em Rocha Total Há várias décadas, dados geoquímicos inorgânicos têm sido usados em estudos ambientais, climáticos, oceanográficos e limnológicos de ambientes recentes e antigos. A análise de variações no conteúdo e/ou nas proporções entre elementos específicos tem servido de base para reconstruções das condições de oxigenação, estratificação e salinidade da coluna d’água, dos níveis produtividade primária, aporte siliciclástico, entre outros fatores (e.g. Calvert, 1976; Brumsack, 1980; Pratt, 1984; Dean Arthur, 1989; Brumsack, 1991; Schneider et al., 1997; Algeo Maynard, 2004; Rimmer, 2004). Os resultados das análises geoquímicas inorgânicas realizadas em amostras de rocha total envolvem dados de 38 elementos químicos diferentes. Um total de 224 amostras dispõe de dados de teor de enxofre (Anexo 1), enquanto os conteúdos dos outros elementos foram determinados em apenas 90 amostras (Anexo 6). Serão apresentados e discutidos dados de alguns dos elementos analisados, os quais foram selecionados por seu potencial para sinalização das condições deposicionais. Enxofre (S) Aconcentração deste elemento nos sedimentos e rochas sedimentares é influenciada por processos de natureza biológica e química, sendo controlada basicamente pela disponibilidade de enxofre, de ferro reativo e de matéria orgânica no ambiente (Goldhaber Kaplan, 1974; Leventhal, 1983; Berner Raiswell, 1983). Nos ambientes marinhos siliciclásticos, onde o suprimento de sulfato e ferro reativo em geral não constitui um fator limitante, o teor de enxofre reflete principalmente a quantidade de pirita formada a partir da reação entre o ferro (Fe) de origem detrital e o H2 S resultante do processo de alteração da matéria orgânica por bactérias sulfato-redutoras, aquelas que empregam o sulfato dissolvido na água como agente oxidante (Goldhaber Kaplan, op. cit.). Assim, a quantidade de H2 S gerado é diretamente proporcional à quantidade de matéria orgânica disponível para alteração pelas bactérias. Por esse motivo, observa-se uma relação linear entre os teores de carbono orgânico e de enxofre total, com uma razão S/C em torno de 0,4 (Goldhaber Kaplan, op. cit.; Leventhal, 1983). Por outro lado, em ambientes onde a disponibilidade de sulfato e/ou de ferro constitui um fator limitante, o comportamento é diferente. Nos ambientes lacustres de águas doces, por exemplo, o suprimento de sulfato é restrito e, portanto, por maior que seja a quantidade
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    97 disponível de matériaorgânica e de ferro reativo, a formação de pirita é limitada. Como resultado, não existe uma relação linear entre S e C nesse tipo de ambiente (Davison et al., 1985; Davison, 1988). Já nos ambientes marinhos carbonáticos distais, onde o aporte siliciclástico é mínimo, o suprimento de ferro reativo é que normalmente constitui o grande fator limitante. Com a evolução do processo de sulfato-redução, produz-se um excesso de H2 S, ocasionando condições euxínicas. O enxofre em excesso acaba por ser incorporado na matéria orgânica através da interação com os sítios ativos das moléculas orgânicas durante a diagênese precoce (Sinning Damsté De Leeuw, 1990), gerando querogênios ricos em enxofre (tipo II-S; Orr, 1986). Foram obtidos teores de enxofre total entre 0,03 e 9,18% nas amostras da seção do Rio Bambuca (Anexo 1). Dois intervalos se destacam por apresentar teores de enxofre significativamente mais altos que o restante da seção. Um deles está localizado na porção média da Formação Tetuan (em torno de 130 m), com teores de até 8,39%, e o outro, na base da Formação La Luna, com até 9,18% de enxofre (cerca de 603 m; Figura 5.35). Ambos intervalos possuem como característica comum a intercalação com camadas de bentonita. Mudanças abruptas na composição litológica e geoquímica de estratos contíguos a estas camadas de rochas de origem vulcânica têm sido reportadas por diversos autores em seções de mesma idade no VSM e na bacia de Maracaibo (e.g. Mongenot et al., 1996; Davis et al., 1999; Guerrero et al., 2000), devendo ser resultado da interação química entre estas rochas de origem vulcânica e os sedimentos durante a diagênese. Afora os intervalos mencionados no parágrafo anterior, o restante da seção apresenta teores de enxofre oscilando 0,03 e 2,83% (Figura 5.35). Os valores mais elevados são encontrados na Formação Tetuan, particularmente no intervalo entre 90 e 105 m, interpretado com sendo o registro do clímax do evento transgressivo do Eo/Mesoalbiano e do evento oceânico anóxico 1 (ver seção 4.3). O teor médio de enxofre da Formação Tetuan (1,45%) também é mais alto que os valores médios das formações Bambuca e La Luna (0,68 e 1,08%, respectivamente). Os teores de enxofre pouco variam em função dos conteúdos de carbono orgânico total na seção do Rio Bambuca. No gráfico de teor de enxofre vs. COT (Figura 5.36), os dados se agrupam em uma nuvem de pontos alongada, praticamente paralela ao eixo das abscissas e cruzando a linha que representa a tendência dominante nos ambientes marinhos siliciclásticos “normais”. O comportamento constatado nas amostras analisadas é típico de situações em que o suprimento de sulfato ou de ferro constituíram fatores limitantes para a incorporação do enxofre nos sedimentos, como ocorre em ambientes lacustres de água doce e marinhos euxínicos. No caso da seção analisada, claramente depositada sob condições marinhas, a disponibilidade de sulfato não pode ser invocada para explicar a falta de covariância entre os teores de enxofre e carbono orgânico. Por outro lado, o caráter distal da sedimentação e o predomínio de sedimentos carbonáticos
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    98 Figura 5.35 –Expressão estratigráfica dos teores de enxofre total (S) determinados em amostras tomadas ao longo da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia. S (%) 0 100 200 300 Albiano Caba- llos Fm.Tetuan 400 500 600 700 m CenomanianoTuron./Coniac.San.CRONO LITO Fm.Bambuca GrupoVilleta Fm.LaLuna Olini 0 1 2 8,39% 3 4 9,18%
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    99 S(%) COT (%) 0 48 12 16 20 0 S/C= 0,36 4 2 6 8 10 Figura 5.36 – Gráfico de teor de carbono orgânico total (COT) vs. teor de enxofre total (S) para as amostras tomadas ao longo da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia. A linha vermelha tracejada representa a relação S/COT = 0,36, encontrada em ambientes marinhos siliciclásticos normais (Berner Raiswell, 1984) justificam a carência de ferro reativo no ambiente deposicional dos estratos da seção do Rio Bambuca. Os altos teores de enxofre orgânico encontrado nas amostras de querogênio analisadas (Anexo 4 e Figuras 5.23 e 5.24) são coerentes com esta interpretação, pois indicam que havia um “excesso” de enxofre disponível para reagir com os sítios ativos das moléculas orgânicas e ser incorporado na matéria orgânica. Alumínio (Al) e Titânio (Ti) Estes dois elementos, juntamente com outros como o zircônio (Zr), potássio, (K), rubídio (Rb) e escândio (Sc), são usualmente empregados como indicadores geoquímicos do componente detrítico em sedimentos e rochas sedimentares (Saito et al., 1992; Brumsack, 1991; Algeo Maynard, 2004; Rimmer, 2004). Na seção do Rio Bambuca, embora com diferentes magnitudes e amplitudes de variação (Tabela 5.7), estes elementos apresentam de modo geral uma boa correlação (coeficientes de correlação entre -0,4 e 0,9; Tabela 5.8). Também é boa a correlação com outros elementos de afinidade detrítica, tais como ferro (Fe), nióbio (Nb) e gálio (Ga).
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    100 Elemento Símbolo Númerode Amostras Média Mínimo Máximo Desvio Padrão Potássio K 90 3327,21 1,01 9773,00 3355,66 Magnésio Mg 90 1751,99 1,33 3923,00 866,73 Titânio Ti 90 1467,79 109,00 4121,00 921,40 Ferro Fe 90 1011,92 1,06 9248,00 2692,31 Sódio Na 90 995,47 105,00 5431,00 915,74 Alumínio Al 90 437,04 1,14 7259,00 1525,16 Vanádio V 89 366,29 7,10 1698,00 338,99 Estrôncio Sr 90 347,57 20,10 960,00 211,70 Cálcio Ca 88 200,92 1,12 8113,00 1049,06 Bário Ba 90 119,27 11,40 522,00 79,68 Zinco Zn 90 97,06 1,55 1122,00 151,14 Manganês Mn 90 72,01 3,70 1493,00 156,69 Níquel Ni 90 67,78 1,60 335,00 57,48 Estanho Sn 89 63,43 9,20 210,00 43,69 Cromo Cr 89 61,92 4,30 780,00 88,49 Zircônio Zr 90 49,81 5,20 217,00 34,40 Fósforo P 89 45,53 7,00 453,00 69,48 Rubídio Rb 90 43,87 1,60 128,00 27,33 Molibdênio Mo 87 41,32 0,60 174,00 38,33 Cério Ce 90 37,71 3,39 106,00 24,39 Lantânio La 89 24,50 2,20 470,00 49,91 Ítrio Y 89 16,36 2,30 83,50 12,48 Neodímio Nd 89 16,04 1,45 44,00 10,18 Cobre Cu 90 15,13 1,69 50,60 10,33 Gálio Ga 89 14,55 0,97 35,80 9,15 Silício Si 87 12,11 1,00 33,00 5,36 Cobalto Co 89 9,30 0,70 32,70 5,11 Chumbo Pb 90 9,03 1,00 39,30 5,98 Tório Th 88 8,90 0,60 27,00 6,29 Urânio U 84 8,59 0,60 37,50 6,66 Escândio Sc 89 6,74 0,89 17,30 3,37 Cádmio Cd 73 6,58 0,38 64,00 9,89 Nióbio Nb 87 6,24 0,50 15,40 3,89 Praseodímio Pr 88 4,97 0,50 22,00 3,47 Tálio Tl 78 3,06 0,40 17,30 2,51 Samário Sm 85 3,04 0,30 8,60 1,88 Disprósio Dy 83 2,43 0,50 6,70 1,42 Tabela 5.7 – Resumo estatístico das concentrações (em ppm) de elementos maiores, menores e traços em amostras de rocha total da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia. Os elementos estão listados em ordem decrescente pelo valor médio da concentração.
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    101 Por ocorrer geralmenteem maiores concentrações, o Al, dentre os elementos mencionados no parágrafo anterior, é o mais usado na caracterização de variações no aporte terrígeno no ambiente deposicional. No caso da seção do Rio Bambuca, entretanto, esse elemento apresenta um comportamento insólito, com sete amostras mostrando concentrações entre 3500 e 7500ppm, e o restante (83 amostras) com valores inferiores a 17ppm. As amostras com concentrações anomalamente altas estão distribuídas da seguinte forma: uma no topo da Formação Caballos, outra na porção média da Formação Tetuan (135 m), e o restante na Formação La Luna. À exceção da amostra da Formação Caballos, para a qual poderia ser invocada a influência de alguma fonte detrítica, as outras amostras estão posicionadas em intervalos compostos por carbonatos pelágicos ou folhelhos calcíferos, onde o aporte terrígeno é mínimo. Embora sejam utilizadas rotineiramente como um indicador de aporte detrítico, variações na concentração do alumínio também podem refletir os níveis de produtividade primária em ambientes deposicionais dominados por atividade biogênica (Murray Leinen, 1996). No caso da seção do Rio Bambuca, a falta de correlação entre altas concentrações de Al e teores elevados de outros elementos indicadores de produtividade orgânica, tais como fósforo e bário, sugere que a atividade biogênica não é a responsável pelos teores anômalos de Al. Por outro lado, cabe ressaltar pelo menos dois dos intervalos com anomalias de concentração de Al, na porção média da Formação Tetuan e na base da Formação La Luna, estão visivelmente associadas a níveis de ocorrência de bentonitas. Esse tipo de associação, também observado em afloramentos do Cretáceo Superior na Venezuela (Erlich et al., 1999; Davis et al., 1999), deve-se provavelmente às altas concentrações de Al normalmente encontradas em materiais de origem vulcanoclástica (Schultz et al., 1980). Tendo em vista as evidências de que a atividade vulcânica prosseguiu por grande parte do Neocretáceo na região do Vale do Magdalena e cordilheira Oriental (Villamil, 1998; Guerrero et al., 2000), é provável que as amostras remanescentes da Formação La Luna com teores anômalos de Al estejam relacionadas a níveis finos e isolados de sedimentos vulcanoclásticos, não identificados no levantamento de campo. As concentrações de titânio, por sua vez, apresentam uma distribuição normal, com teoresvariandoentre109e4121ppmeumvalormédiode1467,79ppm(Tabela5.7).Nota- se uma tendência geral de decréscimo dos teores da base para o topo da seção (Figura 5.37), coerente com o aumento na proporção de sedimentos carbonáticos observada no mesmo sentido (Figura 4.2). Por representar o padrão geral de variação do aporte siliciclástico da seção, sem os problemas mostrados pelo Al, o titânio foi selecionado para servir como indicador da contribuição detrítica na seção do Rio Bambuca.
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    102 Bário (Ba), Fósforo(P) e Silício (Si) Bário, fósforo e silício são elementos freqüentemente usados como indicadores dos níveis de produtividade primária do ambiente deposicional (Glenn Arthur, 1985; Dymond et al., 1992; Gingele et al., 1999). Na seção do Rio Bambuca, estes elementos apresentam comportamentos distintos, não havendo uma correlação significativa entre os mesmos (Tabelas 5.7 e 5.8). O silício apresenta teores flutuando principalmente entre 5 e 15%, à exceção de dois intervalos com teores superiores a 30% localizados justamente na base (Formação Caballos) e no topo (Grupo Olini) da seção analisada (Anexo 6). Com o propósito de destacar as variações no conteúdo de Si que independem do aporte siliciclástico, calculou-se a razão Si/Ti, cujo perfil de variação ao longo da coluna estratigráfica é apresentado na Figura 5.37. Os valores obtidos para esta razão são muito baixos em toda a coluna (0,05), com exceção de uma amostra analisada no Grupo Olini, cujo valor é 0,30. Como discutido no Capítulo 3, o Grupo Olini caracteriza-se litologicamente pelo predomínio de cherts interpretado como sendo produto de episódios de ressurgência (Villamil et al., 1999; ver Capítulo 4). O alto valor da razão Si/Ti obtido na amostra do Grupo Olini corrobora essa interpretação, sugerindo uma origem biogênica para o silício nesta unidade. No restante da seção, e particularmente na Formação Caballos, variações na concentração de Si estão vinculadas principalmente a alterações no aporte terrígeno. Tendo em vista as limitações do uso do bário em ambientes marinhos carbonáticos distais para a reconstrução dos níveis de paleoprodutividade primária (Gingele et al., 1999), restringiu-se a investigação desse tema à análise das variações do conteúdo de fósforo na seção do Rio Bambuca. Novamente, normalizou-se a concentração do elemento analisado pela concentração de titânio para eliminar o efeito do aporte terrígeno. Na maior parte da seção, a razão fósforo/titânio (P/Ti) varia entre 0,01 e 0,05 (Figura 5.37), à exceção de alguns níveis isolados com razões expressivamente mais elevadas (0,2). O primeiro destes níveis, com razão P/Ti de 0,37, está posicionado na base do Grupo Olini (a 707m), no mesmo intervalo onde também se observa o pico da razão Si/Ti, indicando a prevalência de condições ambientais favoráveis ao aumento da produtividade de organismos silicosos. Nos demais intervalos (aproximadamente a 83, 125, 410 m), os picos de P/Ti não encontram correspondência no perfil de Si/Ti (Figura 5.37), sendo interpretados como produto de episódios de incremento da produtividade primária de organismos não-silicosos (carbonáticos ou de parede orgânica). Tabela 5.8 – Matriz de correlação entre os elementos maiores, menores e traços determinados em amostras de rocha total da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia. Os números ressaltados em vermelho correspondem aos coeficientes de correlação com valores absolutos superiores a 0,4 (página seguinte).
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    104 Figura 5.37 –Expressão estratigráfica da concentração de titânio (Ti), e das razões silício/ titânio (Si/Ti) e fósforo/titânio (P/Si) em amostras de rocha total da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia. 0 42 0 4020 0,0 0,40,2 0 100 200 300 Albiano Caba- llos Fm.Tetuan 400 500 600 700 m CenomanianoTuron./Coniac.San.CRONO LITO Fm.Bambuca GrupoVilleta Fm.LaLuna Olini Ti (*1000 ppm) Si / Ti (*100) P / Ti
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    105 Urânio (U), Cobre(Cu) e Molibdênio (Mo) Certos elementos traços são particularmente sensíveis às condições redox do ambiente de sedimentação. Sob condições euxínicas, metais como o urânio (U), molibdênio (Mo) e vanádio (V) migram por difusão, sendo fixados nos sedimentos como sulfetos, no caso do Mo, ou ligados à matéria orgânica em sua forma reduzida, no caso do U e V (Lewan Maynard, 1982; Van der Weijden, 1993; Arthur Sageman, 1994). Outros metais como cromo (Cr) níquel (Ni), cobalto (Co), cobre (Cu) e zinco (Zn) também têm sua fixação nos sedimentos fortemente controlada pelas condições redox. Altas concentrações de todos os elementos mencionados são comumente encontradas em folhelhos negros de diversas bacias sedimentares e idades distintas (e.g. Davis et al., 1999; Piper Perkins, 2004; Rimmer, 2004). Na seção do Rio Bambuca, apesar das diferenças nas magnitudes e amplitudes de variação (Tabela 5.7), estes elementos apresentam de modo geral uma boa correlação, com valores absolutos de coeficientes de correlação geralmente entre 0,5 e 0,8 (Tabela 5.8). U, Cu e Mo foram selecionados para representar o comportamento da maioria dos elementos traços ao longo da seção analisada. Tendo em vista que a disponibilidade destes elementos no corpo d’água também é afetada pelo aporte terrígeno, procedeu-se novamente à normalização pela concentração de titânio, obtendo-se perfis de variação das razões U/Ti, Cu/Ti e Mo/Ti (Figura 5.38). Os perfis das três razões apresentam padrões de variação similares, caracterizados por altos valores em grande parte da Formação La Luna, e valores significativamente mais baixos nas formações Tetuan e Bambuca, à exceção de alguns níveis com valores moderados a altos em alguns intervalos da Formação Tetuan (a cerca de 83, 125 e 140m; Figura 5.38). Embora outros parâmetros geoquímicos e sedimentológicos indiquem que, na realidade, grande parte da seção analisada depositou-se sob condições disóxicas- anóxicas, os resultados dessas análises mostram que os intervalos mencionados acima, em especial, foram submetidos a condições extremamente redutoras, propiciando a acumulação de altas concentrações de elementos traços e matéria orgânica rica em hidrogênio (comparar com perfis das Figuras 5.1 e 5.5).
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    106 Figura 5.38 –Expressão estratigráfica das razões urânio/titânio (U/Ti), cobre/titânio (Cu/ Ti) e molibdênio/titânio (Mo/Ti) em amostras de rocha total da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia. 0 100 200 300 Albiano Caba- llos Fm.Tetuan 400 500 600 700 m CenomanianoTuron./Coniac.San.CRONO LITO Fm.Bambuca GrupoVilleta Fm.LaLuna Olini 0 840 0,030,020,01 0 0,30,15 Cu / TiU / Ti Mo / Ti
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    107 6. Análise Quimioestratigráficadas Rochas Geradoras 6.1. Reconstrução Paleoambiental A sucessão litológica encontrada na seção do Rio Bambuca, dominada por folhelhos e carbonatos pelágicos de coloração escura e laminados, é, por si só, indicativa de condições deposicionais preponderantemente distais e/ou estagnadas e com uma pronunciada deficiência de oxigênio livre na coluna d’água (ambiente redutor). Outrossim, diversas evidências geoquímicas corroboram esta interpretação, tais como elevados valores de índice de hidrogênio e altos teores de carbono orgânico, de enxofre total e de vários elementos traços (e.g. urânio, vanádio, níquel, cobalto e cobre). Apesar de correta desde um ponto de vista mais amplo, esta interpretação não retrata o quadro evolutivo da coluna estratigráfica analisada. Variações importantes foram observadas em todos os parâmetros mencionados acima e em outros dados geoquímicos ao longo da seção do Rio Bambuca (Figuras 5.1, 5.5, 5.17, 5.19, 5.20, 5.23, 5.35, 5.37 e 5.38), indicando que ocorreram flutuações nas condições paleoambientais. Com o propósito de integrar os resultados obtidos e reduzir a dimensão da matriz de dados geoquímicos, facilitando sua interpretação, realizou-se uma análise fatorial dos dados usando o software Statistica®. Iniciou-se com uma matriz de dados composta por 90 amostras e 59 parâmetros distintos, incluindo dados de geoquímica orgânica (Anexos 1 a 3) e inorgânica (Anexo 6). Aplicando-se a metodologia descrita no capítulo 2.4, foram obtidos vinte e nove fatores, dos quais somente seis apresentaram autovalores (eigenvalues) maiores que um (1), o que demonstra ser significativa a variância descrita por eles. Para a interpretação, foram selecionados os três fatores que explicaram a maior parte (74%) da variância total, abarcando um total de 24 parâmetros geoquímicos. A Tabela 6.1 lista os parâmetros associados a cada fator e suas respectivas cargas fatoriais, as quais representam o grau de correlação entre a variável e seu respectivo fator. No Fator 1, estão incluídos parâmetros de origem orgânica e inorgânica: teores de molibdênio, vanádio, urânio, cobre, níquel, carbono orgânico total, zinco, cromo e fósforo, e índice de hidrogênio (Tabela 6.1). Tais parâmetros, apesar da origem diversa, têm em comum uma forte dependência das condições redox do ambiente deposicional (Lewan Maynard, 1982; Van der Weijden, 1993; Arthur Sageman, 1994; Davis et al., 1999; Piper Perkins, 2004; Rimmer, 2004). Ambientes redutores (anóxicos ou euxínicos)
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    108 Parâmetros Geoquímicos CargasFatoriais Fator 1 Fator 2 Fator 3 Teor de Molibdênio 0,916 Teor de Vanádio 0,905 Teor de Urânio 0,861 Teor de Cobre 0,821 Teor de Níquel 0,818 Teor de Carbono Orgânico Total 0,775 Teor de Zinco 0,681 Teor de Cromo 0,576 Teor de Fósforo 0,555 Índice de Hidrogênio 0,427 Índice de C35 Homohopano 0,883 C27/(C27+C29) Esteranos -0,879 Esteranos/(Esteranos+Hopanos) 0,826 Índice de Gamacerano 0,822 Pristano/Fitano -0,756 Índice de Bisnorhopano 0,710 C29/(C27+C29) Esteranos 0,583 Teor de Nióbio 0,925 Teor de Tório 0,899 Teor de Rubídio 0,888 Teor de Titânio 0,803 Teor de Chumbo 0,794 Teor de Carbonato Total -0,613 Teor de Escândio 0,624 Tabela 6.1 – Resultados da análise fatorial de matriz de dados com 90 amostras e 59 parâmetros geoquímicos da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia. Apresentam-se os parâmetros associados aos três fatores que explicaram a maior parte da variância observada na matriz de dados, e suas respectivas cargas fatoriais. caracterizam-se por altas concentrações dos elementos mencionados acima e por altos valores de índice de hidrogênio, enquanto ambientes oxidantes são marcados por um comportamento inverso. As cargas fatoriais de todos os parâmetros que compõem o Fator 1 são positivas, o que significa que altos valores do fator correspondem a altos valores de todos esses parâmetros e vice-versa. O Fator 2, por sua vez, reúne apenas parâmetros geoquímicos orgânicos, os índices de C35 homohopano, gamacerano e bisnorhopano, e as razões pristano/fitano, esteranos/ (esteranos+hopanos), e C27 /(C27 +C29 ) e C29 /(C27 +C29 ) esteranos (Tabela 6.1). As razões pristano/fitano e C27 /(C27 +C29 ) esteranos possuem cargas fatoriais com sinais negativos, contrários aos das outras variáveis. Conforme já discutido no capítulo 5.4, o aumento dos índices de C35 homohopano, gamacerano e bisnorhopano associados a uma redução da
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    109 razão pristano/fitano éindicativa de condições anóxicas, forte estratificação e/ou alta salinidade da coluna d’água (Didyk et al., 1978; Katz Elrod, 1983; Mello et al., 1988 e 1989; ten Haven et al., 1989; Sinninghe Damsté et al., 1995; Peters Moldowan, 1993). Finalmente, o Fator 3, engloba somente parâmetros geoquímicos inorgânicos, incluindo os teores de nióbio, tório, rubídio, titânio, chumbo, escândio, todos com cargas fatoriais positivas, e de carbonato total, com carga negativa (Tabela 6.1). Este fator, portanto, é um indicador da proporção relativa entre o aporte siliciclástico argiloso, principal fonte dos elementos citados (Saito et al., 1992; Brumsack, 1991; Algeo Maynard, 2004; Rimmer, 2004), e a produção carbonática no sítio deposicional. Na Figura 6.1, pode-se verificar de que forma cada um dos fatores acima mencionados varia ao longo da seção do rio Bambuca. No caso do Fator 1, interpretado como indicador das condições redox do ambiente de deposição, os valores flutuam entre -1,0 e 1,0 na maior parta da seção. Quatro intervalos, entretanto, se destacam por apresentar valores significativamente mais altos (em torno de 3,0). No contexto da análise fatorial, tais intervalos (destacados em cinza na Figura 6.1) são aqueles onde variáveis que constituem o fator 1 (Tabela 6.1) apresentam seus maiores valores. Tendo em vista que praticamente toda a seção do rio Bambuca apresenta características sedimentológicas e geoquímicas indicativas de condições anóxicas, é possível que esses intervalos correspondam a períodos de condições extraordinariamente redutoras. Esta interpretação, em conjunto com a posição estratigráfica dos intervalos, sugere que os mesmos possam consistir no registro sedimentar dos grandes eventos anóxicos oceânicos (OAE’s) na bacia do Vale do Magdalena. Os eventos anóxicos oceânicos (Oceanic Anoxic Events; Schlanger Jenkyns, 1976; Arthur et al., 1990) consistem em episódios globais de deposição de sedimentos excepcionalmente ricos em matéria orgânica em ambientes que variam de plataformais a marinhos profundos. Os eventos anóxicos mais importantes e de distribuição geográfica mais ampla se deram durante o Cretáceo (Arthur et al., 1990), no Aptiano (OAE1a), no limite Aptiano/Albiano (OAE1b), no início do Neo-albiano (OAE1c), no final do Albiano (OAE1d) e nos limites Cenomaniano/Turoniano (OAE2) e Coniaciano/ Santoniano (OAE3). Nestes períodos, os oceanos passaram por profundas mudanças físico-químicas e biológicas (redução do nível de oxigenação, aumento da produtividade primária, eventos de mortandade, etc.), conforme evidenciado por dados geoquímicos, isotópicos e micropaleontológicos (e.g. Jones Jenkyns, 2001; Poulsen et al., 2001). A gênese e a evolução desses episódios anóxicos globais é ainda motivo de controvérsia. Mudanças paleoclimáticas e paleogeográficas, incremento da taxa de espalhamento do fundo oceânico, aumento da atividade vulcânica, e variações relativas do nível do mar, entre outros fatores, têm sido invocados, em conjunto ou isoladamente, para explicar a origem e o desenvolvimento dos eventos anóxicos oceânicos globais (Arthur et al.,
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    110 0 100 200 300 Albiano Caba- llos Fm.Tetuan 400 500 600 700 m CenomanianoTuron./Coniac.San.CRONO LITO Fm.Bambuca GrupoVilleta Fm.LaLuna Olini -2 -1 01 2 3 4 -2 -1 0 1 2 3 -2 -1 0 1 2 3 Fator 1 Fator 2 Fator 3 ANOXIA ANOXIA?/ESTRA- TIFICAÇÃO DA COL. D'ÁGUA? SILICILÁSTICO CARBONÁTICO OAE 1b OAE 1c OAE 1d OAE 2 OAE 3 Figura 6.1 – Expressão estratigráfica dos três fatores que explicaram a maior parte da variância observada na matriz de dados geoquímicos da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia. As siglas OAE se referem aos eventos anóxicos oceânicos, inferidos com base na correlação com o arcabouço cronoestratigráfico adotado (ver explicação no texto).
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    111 1990; Kerr, 1998;Larson Erba, 1999; Sinton Duncan, 1997; Jones Jenkyns, 2001; Poulsen et al., 2001). No caso da seção do Rio Bambuca, com base no arcabouço cronoestratigráfico adotado, os três intervalos com altos valores do fator 1 encontrados na Formação Tetuan (Figura 6.1), podem ser correlacionados, da base para o topo, aos eventos anóxicos OAE1b, OAE1c e OAE1d. Já os intervalos anômalos encontrados na base e no topo da Formação La Luna, podem ser relacionados, aos eventos anóxicos OAE2 e OAE3, respectivamente. É importante lembrar que, conforme discutido acima, evidências sedimentológicas e geoquímicas mostram que as condições redutoras não estiveram limitadas às fases de anoxia global. A posição distal da seção estudada, próxima à barreira fisiográfica que separava a bacia de retro-arco cretácica do antigo oceano Pacífico (Figuras 3.2 e 3.2 e capítulo 3), pode ter contribuído de modo determinante para o desenvolvimento de condições de estagnação da coluna d’água e a conseqüente redução dos níveis de oxigenação de fundo. Sob estas condições, a preservação da matéria orgânica seguramente representou um fator decisivo na formação dos intervalos ricos em matéria orgânica e alto potencial gerador de hidrocarbonetos. O Fator 2, por sua vez, mostra um comportamento diverso, com valores baixos e relativamente uniformes ao longo das formações Caballos, Tetuan e Bambuca, e valores notadamentealtosnaFormaçãoLaLuna(Figura6.1).Emborasejaprodutodeumconjunto de parâmetros geoquímicos (Tabela 6.1) considerados indicadores principalmente do grau de anoxia, este fator não apresenta um comportamento condizente com esta linha de interpretação, uma vez que as condições anóxicas e/ou euxínicas certamente não estiveram restritas somente à Formação La Luna. A presença do índice de gamacerano entre esses parâmetros pode indicar que o fator 2 esteja refletindo também variações de salinidade e/ou do grau de estratificação da coluna d’água (ten Haven et al., 1989; Sinninghe Damsté et al., 1995). O índice de bisnorhopano, considerado um indicador de condições redutoras (Katz Elrod, 1983; Mello et al., 1989), também faz parte do conjuntodesseconjuntodevariáveis.Opadrãodeocorrênciadessecomposto,entretanto, sugere que seus precursores estejam relacionados a uma população bacteriana ainda desconhecida, que se prolifera sob condições ambientais bastante específicas (Peters Moldowan, 1993). Desse modo, por falta de informações e dados que permitam sustentar uma interpretação mais consistente, dificilmente pode-se relacionar o fator 2 de forma direta a algum parâmetro ambiental específico. De qualquer forma, as variações apresentadas por esse fator ao longo da seção analisada (Figura 6.1) indicam que a deposição da Formação La Luna se deu sob condições significativamente diferentes daquelas que controlaram a sedimentação do restante do Grupo Villeta. Tal comportamento pode dever- se, pelo menos em parte, à intensa atividade vulcânica iniciada no limite Cenomaniano/ Turoniano e resultante do desenvolvimento do arco magmático situado a oeste da
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    112 área de estudo(Figura 3.3) e da Província Ígnea do Caribe, mais a norte (Sinton et al., 1998). A atividade vulcânica submarina e o hidrotermalismo a ela associado provocam mudanças marcantes no quimismo da água do mar (Sinton Duncan, 1997), as quais podem ter levado ao desenvolvimento de um paleoambiente ímpar durante a deposição da Formação La Luna. O fator 3 apresenta um comportamento bastante heterogêneo ao longo da seção do Rio Bambuca (Figura 6.1). Inicialmente, observa-se um claro aumento dos valores, de cerca de -1 na base da seção, até aproximadamente 2, na porção inferior da Formação Tetuan, provavelmente associado à transição de arenitos a folhelhos que ocorre no mesmo intervalo.Apartir desse ponto da coluna, os valores flutuam de forma sistemática, em grande parte como reflexo da alternância de folhelhos e carbonatos, característica de grande parte do Grupo Villeta e que evidenciam o caráter cíclico da sedimentação. Em outras seções de afloramento do VSM, Villamil (1996 e 1998) reconheceu a existência de ciclos deposicionais e geoquímicos de baixa e alta freqüência atribuídos a variações climáticas (climas secos vs. úmidos) relacionadas às oscilações orbitais de Milankovitch. Durante os períodos secos, a redução na precipitação e, conseqüentemente, no escoamento superficial favoreceriam a circulação oceânica e a produção de fitoplâncton calcífero, enquanto nas fases de clima úmido a elevação do escoamento superficial propiciaria o aumento do aporte de clásticos e da turbidez da águas, reduzindo a produção de carbonato pelágico. 6.2. Controle Estratigráfico da Variabilidade Composicional das Rochas Geradoras Os resultados das diversas análises realizadas na seção do Rio Bambuca revelaram um significativo grau de variabilidade geoquímica nas rochas potencialmente geradoras do Grupo Villeta. Com o propósito de integrar os resultados obtidos e reduzir a dimensão da matriz de parâmetros geoquímicos orgânicos, facilitando sua interpretação e integração com o arcabouço estratigráfico, fez-se uso do conceito de fácies orgânicas, termo utilizado normalmente para se referir a um pacote de rochas sedimentares que apresenta determinadas características geoquímicas que o distinguem de outros pacotes sedimentares (Jones, 1987; Curiale Lin, 1991; Fang et al., 1993). Neste trabalho, foram empregadas duas abordagens distintas para o reconhecimento e distinção de fácies orgânicas. Em primeiro lugar, empregou-se a classificação proposta por Jones (1987), com base em dados de análises visuais do querogênio e pirólise Rock-Eval. Posteriormente, procurou-se diferenciar grupos de amostras com características moleculares distintas por meio de técnicas de análise estatística multivariada.
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    113 Utilizando a naturezada matéria orgânica e os dados de índice de hidrogênio como critério de diferenciação, Jones (1987) propõe uma classificação que contempla a existência de sete tipos diferentes de fácies orgânicas (Tabela 6.2). Ao aplicar esta classificação na seção do Rio Bambuca, verifica-se um forte predomínio da fácies orgânica B entre as amostras analisadas. Secundariamente, também ocorrem amostras de rochas com características das fácies BC, AB e C (Figura 6.2). Segundo Jones (1987), as fácies AB e B estão geralmente relacionadas a rochas ou sedimentos cuja matéria orgânica provém de biomassa de origem algálica e/ou bacteriana depositada sob condições anóxicas. A fácies BC é produto da mistura de matéria orgânica algálica, parcialmente degradada sob condições disóxicas, com material terrestre. Já a fácies C ocorre em rochas depositadas sob condições óxicas a disóxicas com abundante matéria orgânica terrestre. A sucessão estratigráfica dos tipos de fácies identificados na seção do Rio Bambuca (Figura 6.2) mostra uma tendência geral de substituição de fácies orgânicas derivadas de ambientes mais oxidantes e/ou com maior contribuição terrestre (C e BC) presentes na Formação Caballos e na base da Formação Tetuan, por fácies mais anóxicas e ricas em biomassa autóctone (B) na porção média da Formação Tetuan. A partir da porção superior da Formação Tetuan e ao longo de toda a Formação Bambuca, a fácies B, embora predominante, se encontra freqüentemente intercalada com níveis de fácies BC e C (e.g. a 180-250m e 530m, Figura 6.2). Finalmente, na Formação La Luna, a fácies B predomina amplamente, com incursões esporádicas das fácies BC e AB. Conforme foi discutido e apresentado no Capítulo 5.4, a composição molecular do betume extraído das rochas sedimentares reflete as condições paleoambientais e a natureza da biomassa acumulada e preservada no sítio deposicional. Logo, o padrão de ocorrência e distribuição dos marcadores biológicos também pode servir de base para definição de fácies orgânicas. Com o propósito de reconhecer e diferenciar pacotes de rochas sedimentares com características moleculares distintas, aplicou-se a técnica de análise estatística multivariada denominada análise de grupamento (Cluster Analysis) Fácies Orgânica I H (mgHC/gCOT) Tipo de matéria orgânica predominante A 850 Amorfa AB 650-850 Amorfa (alguma terrestre) B 400-650 Amorfa (terrestre freqüente) BC 250-400 Mistura (alguma oxidação) C 125-250 Terrestre (alguma oxidação) CD 50-125 Oxidada, retrabalhada D 50 Muito Oxidada e retrabalhada Tabela 6.2 – Classificação de fácies orgânica baseada nos dados de pirólise Rock-Eval e em análises visuais do querogênio (modificado de Jones, 1987).
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    114 Figura 6.2 –Distribuição de fácies orgânicas ao longo da seção do rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia. A coluna na esquerda mostra as fácies orgânicas definidas com base em dados de pirólise e petrografia orgânica (AB, B, BC e C) segundo a classificação de Jones (1987). A coluna na direita mostra as fácies organo-moleculares determinadas a partir de dados de biomarcadores (MA= marinha carbonática anóxica, MC= marinha carbonática, MS= marinha siliciclástica, MT= marinha transicional; consultar texto para definição). AB B BC C MA MC MS MT Fácies Orgânicas Fácies Organo- Moleculares 0 100 200 300 Albiano Caba- llos Fm.Tetuan 400 500 600 700 m CenomanianoTuron./Coniac.San.CRONO LITO Fm.Bambuca GrupoVilleta Fm.LaLuna Olini
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    115 sobre um conjuntode 18 parâmetros de biomarcadores indicativos de origem (tipo de matéria orgânica e ambiente deposicional) das 92 amostras submetidas às análises de CG e CG-EM (Anexo 3). Nesta análise, conduzida com o auxílio do software Statistica® (ver metodologia no capítulo 2.4), obteve-se um dendograma no qual é possível distinguir uma série de grupos e subgrupos de amostras (Figura 6.3). Adotando-se uma distância de corte igual ou maior a três, podem ser facilmente reconhecidos quatro grandes grupos de amostras com características moleculares distintas (grupos rotulados como 1, 2, 3 e 4; Figura 6.3). Cada um dos grupos diferenciados na análise estatística compreende uma série de amostras de rocha que apresentam um conjunto de feições de biomarcadores característico e distinto do conjunto de feições dos outros grupos. Propõe-se o uso do termo “fácies organo-molecular” para se referir a esses pacotes sedimentares com um conjunto de feições de biomarcadores característico e distintivo. Para facilitar a interpretação do significado genético e a comparação entre estes grupos, ou fácies organo-moleculares, são apresentados cromatogramas gasosos e de massas (m/z 191 e 217) de amostras representativas de cada grupo na Figura 6.4. Com o mesmo propósito, foram calculados valores médios para os parâmetros de biomarcadores usados na análise de agrupamento (Tabela 6.3). A fácies organo-molecular representada pelo grupo 1 (Figura 6.3) caracteriza-se pelo predomínio de fitano sobre pristano (P/F 1,0), abundância relativamente alta de esteranos, baixos índices de diasteranos, abundância moderada a alta de C29 esteranos em relação a seus equivalentes em C27 e C28 , e índices de Bisnorhopano, Gamacerano e C35 homohopanos notadamente altos (Figura 6.4 e Tabela 6.3). Estas características indicam que esta fácies depositou-se em um ambiente marinho carbonático com baixo aporte siliciclástico, sob condições de coluna d’água estratificada e anóxica/euxínica, contribuição restrita de matéria orgânica terrestre e predomínio de biomassa algálica sobre a bacteriana (Palacas et al., 1984; Zumberge, 1984; Mello et al., 1988; 1989 e 1995). A fácies organo-molecular do grupo 2 (Figura 6.3) engloba um número reduzido de amostras, caracterizadas por baixas razões esteranos/esteranos+hopanos, abundâncias relativamente altas de C31 homohopanos e C29 esteranos, razões Ts/Ts+Tm muito baixas, presença conspícua de um terpano desconhecido que elui pouco antes do Tm, e valores notadamente altos da razão P/F e do índice de C24 tetracíclico (Figura 6.4 e Tabela 6.3). Tais características são claramente distintas das apresentadas pelo grupo anterior e indicam que esta fácies depositou-se em um ambiente marinho óxico/disóxico proximal (costeiro?) com forte aporte de vegetais superiores (Philp Gilbert, 1986; Abdullah et al., 1988; Mello et al., 1988; Isaksen, 1995).
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    116 Figura 6.3 –Dendograma resultante da análise de agrupamento de um conjunto 18 de parâmetros de biomarcadores indicadores de origem (tipo de matéria orgânica e ambiente deposicional) da fração de hidrocarbonetos saturados dos extratos orgânicos de amostras de rocha da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena. A análise de agrupamento foi realizada com o auxílio do software Statistica®, seguindo método descrito no capítulo 2.4. Assumindo uma distância de corte igual ou maior a três, foram diferenciados quatro grandes grupos de amostras, assinalados com cores distintas. Distância de Ligação BV-14 BV-19 BV-22 BV-28 BV-36 BV-97 BV-56 BV-47 BV-51 BV-114 BV-65 BV-76 BV-80 BV-71 BV-100 BV-82 BV-104 BV-72 BV-107 YC-03 BV-43 BV-84 BV-87 BV-89 BV-110 BV-40 BV-40A BV-127 BV-129 BV-133 BV-63 BV-64 BV-68 BV-140 BV-141 BV-142 BV-146 BV-117 BV-121 BV-125 BV-131 BV-137 BV-135 BV-138 BV-150 BV-161 BV-163 BV-165 BV-167 BV-169 BV-159 BV-156 BV-152 BV-174 YC-08 BV-4 BV-1 BV-7 BV-176 BV-11 BV-177 YC-37 BV-185 BV-186 BV-189 BV-190 BV-178 BV-179 BV-181 BV-182 YC-17 YC-15 YC-16 BV-180 YC-10 YC-09 BV-184 BV-196 BV-199 YC-12 YC-13 BV-171 BV-172 YC-19 BV-193 BV-194 YC-29 YC-27 YC-33 YC-35 YC-49 0 2 4 6 8 10 12 14 1 2 3 4
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    117 Figura 6.4 –Cromatogramas gasosos (CG) e cromatogramas de massas m/z 191 e m/z 217 das frações de hidrocarbonetos saturados de extratos orgânicos da Seção do Riacho Bambuca, Vale Superior do Magdalena. São apresentadas amostras representativas de cada um dos grupos resultantes da análise de agrupamento (as cores das amostras são iguais às dos grupos correspondentes na Figura 6.3). Compostos correspondentes aos picos identificados: x= terpano desconhecido, 1= n-C15 , 2= Pristano, 3= Fitano, 4= n-C25 , 5= C27 18α(H) Trisnorhopano (Ts), 6= C27 17α(H) Trisnorhopano (Tm), 7= 28,30 bisnorhopano, 8= C29 17α(H), 21β(H) norhopano, 9= C30 17α(H), 21β(H) hopano, 10= gamacerano, 11= C27 βα diasterano 20S, 12= C29 αββ esterano 20R. Grupo 3 Amostra BV-40 82,7m Grupo 4 Amostra BV-28 75,7m Grupo 2 Amostra BV-7 16,0 m 2 4 5 x 5 5 6 6 6 8 8 8 9 11 11 11 12 12 12 9 9 3 2 3 2 3 CG m/z 191 m/z 217Grupo 1 Amostra BV-193 696,0m 2 1 3 4 As fácies organo-moleculares representadas pelos grupos 3 e 4 apresentam um alto grau de similaridade, conforme indicado pela menor distância de ligação no dendograma (Figura 6.3). As características comuns entre estas fácies incluem um moderado predomínio de pristano sobre fitano, proporções moderadas a altas de C27 esteranos, e abundância relativamente baixa de gamacerano. A fácies do grupo 3, entretanto, apresenta razões esteranos/esteranos+hopanos, índices de tricíclicos e bisnorhopano mais altos, e razões Ts/(Ts+Tm) e índices de diasteranos mais baixos que os verificados na fácies do grupo 4 (Figura 6.4 e Tabela 6.3). As feições moleculares observadas indicam que ambas as fácies estão relacionadas a ambientes de sedimentação marinho, porém com algumas diferenças importantes. A deposição da fácies do grupo 3 provavelmente se deu sob condições mais redutoras, de sedimentação carbonática e biomassa predominantemente algálica (Palacas et al., 1984; Zumberge, 1984; Mello et al., 1988; Mello et al., 1995), enquanto a deposição da fácies relativa ao Grupo 4,
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    118 Tabela 6.3 –Valores médios de parâmetros de biomarcadores dos grupos de amostras definidos a partir da análise de grupamento de amostras da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena (ver Figura 6.3). Também se apresenta a denominação adotada para as fácies moleculares correspondentes a cada grupo (ver texto para explicação). Grupos 1 2 3 4 Pristano/Fitano 0,93 1,99 1,35 1,35 Esteranos/Esteranos+Hopanos 0,70 0,14 0,45 0,36 Índice de Diasteranos 0,16 0,42 0,36 0,53 C27 Esteranos 0,30 0,36 0,44 0,45 C29 Esteranos 0,31 0,34 0,24 0,25 Índice de Tricíclicos 0,32 0,14 0,38 0,22 Índice de C24 Tetracíclico 0,51 0,89 0,45 0,58 Ts/Ts+Tm 0,28 0,11 0,37 0,48 Índice de Bisnorhopano 0,39 0,01 0,06 0,02 Índice de Gamacerano 0,19 0,02 0,04 0,03 Índice de C31 Homohopano 0,42 0,61 0,47 0,41 Índice de C35 Homohopano 0,09 0,02 0,05 0,05 Fácies organo-moleculares Marinha Anóxica (MA) Marinha Transicional (MT) Marinha Carbonática (MC) Marinha Siliciclástica (MS) ocorreu sob condições mais oxidantes e com um aporte significativo de siliciclásticos (Mello et al., 1988; Mello et al., 1995). Com base nas condições paleoambientais apontadas pelos parâmetros de biomarcadores, as quatro fácies organo-moleculares definidas neste estudo foram interpretadas tentativamente sob o ponto de vista de variações de distância da linha de costa e/ou de profundidade da lâmina d’água, dentro do contexto de uma bacia sedimentar marinha. Neste sentido, a fácies correspondente ao grupo 2, designada informalmente de fácies marinha transicional (MT), estaria situada na posição mais proximal. As feições moleculares desta fácies sugerem que a deposição se deu em ambientes costeiros (estuários, lagunas, etc.), com forte aporte de plantas superiores. Um pouco mais afastado da costa, mas ainda sob uma coluna d’água relativamente rasa, depositou-se a fácies relativa ao grupo 4, denominada de fácies marinha siliciclástica (MS). Em uma posição mais distal, em águas mais profundas e anóxicas e um ambiente dominantemente carbonático, depositou-se a fácies representada pelo grupo 3, aqui denominada informalmente de fácies marinha carbonática (MC). Finalmente, sob condições ainda mais distais (?) e redutoras (?), ocorreu a deposição da fácies correspondente ao grupo 1, designada de fácies marinha anóxica (MA).
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    119 No perfil daFigura 6.2, apresenta-se a sucessão estratigráfica das fácies organo- moleculares ao longo da seção do Rio Bambuca. É boa a correlação entre as tendências gerais de variação de fácies orgânicas e organo-moleculares proximais para distais e vice- versa. Na base da seção, observa-se uma transição das fácies MT e MS, dominantes na Formação Caballos e base da Formação Tetuan, para a fácies MC, na porção média da Formação Tetuan (Figura 6.2). A fácies MC prevalece ao longo de toda a porção média e superior da Formação Tetuan e em toda a Formação Bambuca, exceto por algumas ocorrências localizadas das fácies MS (em torno de 200 m), MT (ao redor de 530 m) e MA (420 e 520m; Figura 6.2). Finalmente, na Formação La Luna e na porção basal do Grupo Olini, a fácies MA é francamente dominante. Cabe observar que as fácies não estão restritas a unidades litoestratigráficas específicas. A fácies MC, por exemplo, se estende por grande parte das formações Tetuan e Bambuca, enquanto a fácies MT, apesar de minoritária, está distribuída em três unidades distintas (formações Caballos, Tetuan e Bambuca). Vários dos trabalhos realizados anteriormente nas bacias colombianas demonstraram o controle exercido pelas variações relativas do nível do mar sobre a sedimentação dos depósitos pelíticos do Cretáceo no VSM (e.g. Vergara, 1997; Villamil, 1998). O mesmo controle pode ser exercido sobre as características químicas da matéria orgânica, uma vez que esses fatores também afetam a circulação e estratificação da massa d’água, a quantidade e a proximidade do aporte terrestre, e a entrada e reciclagem de nutrientes (Bohacs, 1993). Conforme será demonstrado abaixo, as características geoquímicas orgânicas da seção do rio Bambuca também apresentam uma forte correspondência com a sucessão litológica/sedimentológica, demonstrando que os mesmos fatores que governaram o registro estratigráfico controlaram a quantidade, a composição e o potencial gerador da matéria orgânica sedimentar. Como pode ser observado na Figura 6.5, o evento transgressivo do Albiano ajusta- se à transição de fácies orgânicas proximais (com significativo aporte de material terrestre e menor IH) para fácies distais de caráter anóxico. Por outro lado, a diminuição relativa do nível do mar do Cenomaniano se encontra registrada na parte superior da Formação Tetuan por uma clara mudança para fácies orgânicas mais proximais. O evento transgressivo subseqüente ocasionou um novo incremento de qualidade da matéria orgânica, e um retorno para fácies mais distais. O evento regressivo do Neo- Cenomaniano encontra-se registrado na parte superior da Formação Bambuca sob a forma de uma mudança abrupta das fácies orgânicas. Finalmente, o aparecimento de fácies orgânicas mais distais e anóxicas marcam a subida relativa do nível do mar do Cenomaniano ao Turoniano (Figura 6.5).
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    120 Figura 6.5 –Variações de fácies orgânicas e organo-moleculares comparadas aos ciclos de transgressão e regressão (curva T-R) ao longo da seção do Rio Bambuca, Vale Superior do Magdalena, Colômbia. AB B BC C MA MC MS MT Fácies Orgânicas Fácies Organo- Moleculares 0 100 200 300 Albiano Caba- llos Fm.Tetuan 400 500 600 700 m CenomanianoTuron./Coniac.San.CRONO LITO Fm.Bambuca GrupoVilleta Fm.LaLuna Olini TRANSGRESSÃO Curva de T-R
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    121 Cabe ressaltar queesta interpretação, em que as fácies orgânicas, e particularmente as fácies organo-moleculares, refletem unicamente variações de distância da linha de costa e/ou de profundidade da lâmina d’água, tem limitações óbvias. A alternância entre as fácies marinha siliciclástica e marinha carbonática (MS e MC), por exemplo, certamente pode refletir as variações climáticas. Fases de clima seco propiciariam a implantação de um ambiente de sedimentação carbonático, enquanto em períodos de clima úmido, o maior influxo de água aumentaria o aporte siliciclástico. Por outro lado, as condições redutoras da fácies MA podem não ser necessariamente mais intensas nem obrigatoriamente produto da sedimentação em águas mais profundas do que as observadas nas fácies MS e MC. No caso específico da Formação La Luna, onde predomina a fácies MA, outros fatores geológicos podem ter afetado a composição da matéria orgânica (ver discussão no item 6.1). De qualquer forma, a boa correspondência entre fácies orgânicas e ciclos transgressivos-regressivos indica que os atributos geoquímicos do Grupo Villeta podem ser relacionados ao arcabouço de estratigrafia de seqüências. Esta relação pode servir de base para a predição de variações laterais e verticais das propriedades das rochas geradoras ao longo da bacia tendo como base os dados obtidos na exploração (perfis elétricos de poços, seções sísmicas).
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    122 7. Aplicação dosResultados no Contexto do VSM 7.1. Sistemas Petrolíferos do VSM Um sistema petrolífero é definido como um sistema natural que reúne todos os elementos e processos essenciais para a formação de uma acumulação de petróleo (Magoon Dow, 1994). De acordo com a definição original, os elementos de um sistema petrolífero incluem a rocha geradora, o reservatório, o selante e a trapa, enquanto os processos compreendem a geração, migração e acumulação do petróleo e o processo de formação das trapas. A simples existência dos elementos e a atuação dos processos, entretanto, não garante a formação de uma acumulação de petróleo, uma vez que também deve haver uma relação espacial e temporal adequada entre todos os elementos e processos. O conceito de sistema petrolífero tem sido usado com êxito na fundamentação e ordenamento lógico dos estudos geológicos de bacias sedimentares aplicados à exploração de petróleo. Abacia do Vale Superior do Magdalena (VSM) é uma das mais prolíficas da Colômbia, sendo objeto de intensa atividade exploratória por parte de várias companhias de petróleo. Da década de 1950 até os dias de hoje, mais de 22.000 km de linhas sísmicas foram levantadas e mais de 200 poços foram perfurados na bacia. Como resultado deste esforço exploratório, foi descoberto um volume in-place de cerca de 2.650 milhões de barris (2.650 MMbbl) de óleo equivalente (Kairuz et al., 2000; Sarmiento Rangel, 2004), distribuídos entre cerca de 40 campos de petróleo (ver a localização dos mais importantes na Figura 7.1). Os trabalhos de Buitrago (1994), Córdoba (1998) e Córdoba Kairuz (2000), concentrados na sub-bacia de Neiva, e os de Kairuz et al. (op. cit.) e Sarmiento Rangel (op. cit.), abordando a bacia como um todo, são praticamente as únicas publicações que tratam com profundidade de temas relacionados aos sistemas petrolíferos do VSM. A maior parte (85%) do volume de petróleo in-place descoberto até o momento na bacia do VSM reparte-se entre os reservatórios siliciclásticos das formações Caballos e Monserrate (Figura 7.2). O restante do petróleo foi encontrado principalmente nos reservatórios dos grupos Gualanday e Honda. As trapas descobertas são de caráter essencialmente estrutural e as rochas selantes compreendem majoritariamente folhelhos das mesmas unidades estratigráficas que contêm os reservatórios. Embora com algumas diferenças de interpretação discutidas em detalhe mais adiante, os trabalhos citados no
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    123 parágrafo anterior convergemno que diz respeito à origem do petróleo. Córdoba (1998), Córdoba Kairuz (2000), Kairuz et al. (2000) e Sarmiento Rangel (2004) reconhecem a existência de duas famílias de óleos composicionalmente distintas, correlacionadas aos folhelhos e calcários marinhos ricos em matéria orgânica das formações Tetuan e La Luna, respectivamente. 3°N 4°N 75°W 50km N LEGENDA: Cordilheiras Bacia do VSM Principais campos de petróleo Balcón Rio Ceibas Encanto Venganza Toqui- Toqui Guaduas Dina San Francisco Yaguará Santa Clara La Cañada Ortega Figura 7.1 – Mapa de localização dos campos de petróleo da Bacia do Vale Superior do Magdalena, Colômbia.
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    124 Plioc. Mioc. Oligoc. Eoc. Paleoc. Super. Infer. Coniac. Turon. Cenom. Albiano Aptiano Barrem. Neocom. Maastr./ Santon. Fm. Caballos Grupo Villeta Fm. La Luna Fm. Bambuca Fm. Tetuan Fm.Guaduala Fm. Barzaloza Fm. Mesa Fm.Gigante Gr. Honda Gr. Gualanday Fms. Monserr./Buscav. Gr. Olini Fm. Saldaña Fm. Yavi TERCIÁRIO QUATERNÁRIO CRETÁCEO JURÁSSICO CRONO- ESTRATIGRAFIA LITO- ESTRATIGRAFIA ROCHA GERADORA ROCHA RESERVATÓRIO 200 600 ÓLEO EQUIVALENTE IN-PLACE (x106 bbl) 1000 Figura 7.2 – Coluna estratigráfica da bacia do Vale Superior do Magdalena mostrando as rochas geradoras e a distribuição dos volumes de petróleo in-place entre as principais rochas reservatório. Nas próximas seções deste capítulo, analisa-se o impacto do estudo da seção do Rio Bambuca no entendimento dos sistemas petrolíferos da bacia do VSM. Três aspectos em particular serão detalhados: o potencial petrolífero das rochas geradoras, a origem das famílias de óleo definidas a partir de correlações óleo-rocha, e o timing de geração de petróleo.
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    125 7.2. Potencial petrolíferodas rochas geradoras Os depósitos pelíticos do Cretáceo marinho são considerados como as principais rochas potencialmente geradoras de hidrocarbonetos das bacias subandinas setentrionais desde os primeiros trabalhos de geologia do petróleo realizados na região (Hedberg, 1931). Os resultados das atividades exploratórias e dos estudos realizados ao longo das décadas subseqüentes demonstraram que os depósitos marinhos ricos em matéria orgânica de idade albo-campaniana encontrados nas bacias subandinas da porção noroeste da América do Sul (Macellari, 1988; Villamil, 1998; Villamil Pindell, 1998; Erlich et al., 1999) são os responsáveis pela maior parte das reservas de petróleo de países como a Colômbia, Venezuela, Peru e Equador (Dashwood Abbots, 1990; Mora, 2000; James, 2000). De acordo com os trabalhos publicados, os responsáveis pela geração das acumulações de petróleo descobertas no Vale Superior do Magdalena são os folhelhos e carbonatos negros do Grupo Villeta (Albo-Coniaciano), particularmente aqueles situados nosintervaloscorrespondentesàsformaçõesLaLunaeTetuan(Buitrago,1994;Ecopetrol/ ICP, 1994; Córdoba, 1998, Córdoba Kairuz, 2000; Kairuz et al., 2000; Sarmiento Rangel, 2004). Estes trabalhos, entretanto, não aprofundam a discussão sobre a variabilidade interna dos atributos geoquímicos nestas rochas geradoras. Normalmente, as informações sobre riqueza e qualidade da matéria orgânica são reportadas na forma de valores médios de teor de carbono orgânico (COT), potencial gerador, e de outros parâmetros geoquímicos, por formação, poço, região ou mesmo em toda a bacia. Buitrago (1994), por exemplo, reporta teores médios de COT de 1,8% e 2,5%, respectivamente para os intervalos superior e inferior do Grupo Villeta. Ainda segundo este autor, estes intervalos apresentam espessuras médias de 135 m e 100 m, e valores médios de índice hidrogênio (IH) de 250 mgHC/gCOT e 425 mgHC/gCOT, respectivamente. Córdoba (1998), em trabalho realizado na sub-bacia de Neiva, reportou teores médios de COT por poço variando de 2 a 4% na Formação Tetuan, e de 1 a 3% na Formação La Luna. Kairuz et al. (2000) reportaram teores médios de 1 a 3% de COT e valores médios de 300 a 650 mgHC/gCOT de IH para o Grupo Villeta como um todo. Finalmente, Sarmiento Rangel (2004) calcularam valores médios de alguns parâmetros geoquímicos das formações Tetuan e La Luna em 17 poços do VSM, encontrando teores médios de COT entre 1,2 e 3,7%, e valores médios de IH entre 100 e 652 mgHC/gCOT.
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    126 Na seção doRio Bambuca, as unidades consideradas como as principais rochas geradoras (formações Tetuan e La Luna) apresentam valores médios de teor de carbono orgânico (5,03 e 4,45%, respectivamente) e de índice de hidrogênio (512 e 592 mgHC/ gCOT, respectivamente) mais altos que os publicados. Este contraste provavelmente não se deve a diferenças no grau de evolução térmica, uma vez que os dados publicados se referem a amostras com valores médios de Tmax geralmente entre 416 e 432ºC (Sarmiento Rangel, 2004), mesma faixa de valores encontrada na seção do Rio Bambuca (Figura 5.5). O tipo de amostragem também poderia ser a causa da diferença observada, visto que os dados publicados são quase todos provenientes de amostras de calha de poços exploratórios. Neste tipo de amostragem, as amostras são produto da composição dos fragmentos trazidos à superfície durante a perfuração de um intervalo com espessuras que geralmente podem variar de 3 a 18 m. Conseqüentemente, as amostras resultantes deste processo representam uma média do intervalo amostrado. Já no caso da seção do Rio Bambuca, a amostragem foi levada a cabo da forma mais contínua e regular possível, ao longo de um afloramento das unidades de interesse. Na seção estratigráfica da Figura 7.3, os perfis de teor de carbono orgânico total (COT) da seção do Rio Bambuca são comparados aos perfis dos poços San Francisco-1 e Nilo-1. Nota-se de imediato a diferença de magnitude entre os valores de COT da seção aflorante e dos poços, conforme mencionado acima. É importante mencionar que ambos os poços apresentam valores de Tmax entre 415 e 435ºC, indicativos portanto de um baixo grau de evolução térmica. Observa-se também, que enquanto os teores médios de COT das três unidades do Grupo Villeta são bastante similares na seção do Rio Bambuca (Figura 7.3 e Tabela 5.1), na maioria dos poços do VSM (Córdoba, 1998), a Formação Bambuca é nitidamente mais pobre em matéria orgânica quando comparada às formações Tetuan e La Luna. Tal feição pode ser o resultado de condições paleoambientais locais, mais favoráveis à preservação da matéria orgânica, durante a deposição da Formação Bambuca na região da seção analisada. Com o propósito de avaliar o efeito do tipo de amostragem sobre as medidas dos parâmetros geoquímicos das rochas geradoras do Grupo Villeta, buscaram-se poços do VSM que possuíssem amostras de calha e de testemunho ao longo do mesmo intervalo desta unidade estratigráfica. Testemunho é o nome dado a um tipo de amostra cilíndrica e relativamente contínua de um determinado intervalo, obtida por meio de métodos especiais durante a perfuração do poço. Como não foram encontrados poços no VSM com esta característica, realizou-se uma busca em outras bacias que já fizeram parte da grande bacia de retro-arco cretácica na qual se depositaram os sedimentos marinhos do Grupo Villeta (Figura 3.3). A característica almejada foi encontrada em um poço da bacia do Putumayo, localizada a sudoeste do VSM, do outro lado na Cordilheira Andina Oriental (Figura 7.4). No poço selecionado (Quillacinga-2sta), o intervalo correspondente
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    127 Figura 7.3 –Seção estratigráfica com datum no topo do Grupo Villeta comparando os perfis de teor de carbono orgânico total (COT) da seção do Rio Bambuca com os perfis dos poços San Francisco-1 e Nilo-1, da bacia do Vale Superior do Magdalena. COT (%) COT (%)COT (%) Seção do Rio Bambuca N S Poço Nilo-1 Poço San Francisco-1 0 4 8 12 420 520 620 720 820 920 1020 1120 1220 0 4 8 12 0 100 200 300 400 500 600 700 0 4 8 12 300 400 500 600 700 800 900 La Luna Formações Bambuca Tetuan Caballos 3°N 75°W 25km CORD.CENTRAL Alto de Natagaima Sub-bacia de Neiva Girardot CORD.ORIENTAL N 1 2 3 (1) Seção do Rio Bambuca (2) Poço San Francisco-1 (3) Poço Nilo-1
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    128 ao Grupo Villetapossui somente 90 m de espessura, graças a sua posição proximal. Os teores de COT obtidos a partir das amostras de testemunho apresentam uma maior variância, bem como são significativamente mais elevados (teor médio de 4,58%) que aqueles derivados das amostras de calha (teor médio de 2,18%). A grande diferença é resultante do procedimento adotado pelo laboratório de geoquímica da Ecopetrol (Empresa Colombiana de Petróleo) à época das análises, o qual processava as amostras de calha como um todo, sem descartar as litologias de granulação mais grossa (arenitos, calcarenitos, etc.). Nos testemunhos, por sua vez, somente litologias finas (folhelhos, margas, etc.) eram selecionadas para análise. O mesmo raciocínio se aplica na comparação entre os poços do VSM e a seção do Rio Bambuca, e explica as diferenças encontradas. Nas análises realizadas até este ponto do trabalho, ainda não se levou a espessura das unidades potencialmente geradoras de hidrocarbonetos em consideração. Com este fim, calculou-se o parâmetro SPI (Source Potential Index) para as formações Tetuan e 0 3 6 COT (%) Profundidade(m) 9 12 15 2750 2800 2850 Testemunho (Média: 4,58%) Calha (Média: 2,18%) 0 100 200 km 79º 77º 75º 73º 71º 69º 12º 10º 8º 6º 4º 2º 0º Andes de M érida Bogotá FALHADEBUCARAMANGA Maciço de Santa Marta M ar do Caribe Oceano Pacífico 1 2 3 4 5 7 8 9 10 11 12 N 6 AndesdePerijá FALHA DE OCA Bacias Sedimentares: 1. Vale Superior do Magdalena 2. Vale Médio do Magdalena 3. Vale Inferior do Magdalena 4. Cauca-Patia 5. Maracaibo 6. Catatumbo 7. Pacífico 8. Putumayo 9. Llanos Orientais 10. Barinas 11. Amazonas 12. Guajira Escudo das Guianas Colôm bia Panamá Equador Colômbia Venezuela Brasil Cord.dos AndesOriental CordilheiradosAndesOcidentalCord.dosAndesCentral Poço Quillacinga-2 sta Figura 7.4 – Perfil de teor de carbono orgânico total (COT) do Grupo Villeta no poço Quillacinga-2sta, na bacia do Putumayo (ver localização da bacia e do poço no mapa ao lado). No perfil são comparados os teores de COT obtidos em amostras de calha e de testemunho.
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    129 La Luna naseção do Rio Bambuca e nos poços San Francisco-1 e Nilo-1. Proposto por Demaison Huizinga (1994), o parâmetro mencionado é calculado através da fórmula: SPI = h (S1+S2) ρ / 1000, onde h é a espessura da rocha geradora em metros, S1 e S2 correspondem aos valores médios de quantidade de hidrocarbonetos livres e de potencial gerador medido pela pirólise em kgHC/tonRocha, e ρ é a densidade da rocha geradora em ton/m3 . Adotou-se um teor de COT mínimo de 1% para definir a espessura de rocha geradora efetiva para cada formação. Com base em dados de perfis elétricos, assumiu-se uma densidade média de 2,6 ton/m3 para as duas formações. Na Tabela 7.1, são reportados os valores obtidos para o SPI, o qual pode ser interpretado com a quantidade máxima de hidrocarbonetos por unidade de área (ton/m2 ) que pode ser gerada por cada unidade estratigráfica nos pontos analisados. De acordo com a classificação proposta por Demaison Huizinga (1994), as seções geradoras das formações Tetuan e La Luna possuem um potencial de carga de hidrocarbonetos moderado a alto, comparável a algumas das mais importantes províncias petrolíferas do mundo (e.g. Mar do Norte, Bacia de Maracaibo, Delta do Níger). Tabela 7.1 – Valores de SPI (Source Potential Index em ton/m2 ; Demaison Huizinga, 1994) calculados para as formações Tetuan e La Luna na seção do Rio Bambuca e nos poços San Francisco-1 e Nilo-1, bacia do Vale Superior do Magdalena. Consultar o texto para maiores explicações sobre a forma de cálculo e as premissas adotadas. Formação Seção do Rio Bambuca Poço San Francisco-1 Poço Nilo -1 La Luna 6,2 4,2 5,9 Tetuan 13,5 17,0 4,7 7.3. Variabilidade cinética e timing de geração de HC Além da história térmica, os parâmetros cinéticos do querogênio das rochas geradoras constituem elementos fundamentais na reconstrução da história de geração do petróleo e na avaliação do seu grau de sincronismo em relação ao processo de formação de trapas (e.g. Tissot et al., 1987; Waples, 1994). Na ausência de parâmetros medidos na área ou bacia a ser modelada, empregam-se normalmente os parâmetros cinéticos publicados de um dos querogênios padrão (tipo I, II, III ou II-S), de acordo com as características geoquímicas da rocha geradora (valores de índice de hidrogênio, tipo
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    130 de matéria orgânicapredominante). Há dois problemas neste tipo de abordagem. Em primeiro lugar, é sabido que o comportamento cinético dos querogênios freqüentemente independe da sua classificação segundo o índice de hidrogênio (Tegelaar Noble, 1994). Além disso, diversos trabalhos têm revelado casos de rochas geradoras que, apesar de consideradas como portadoras de um único tipo de querogênio com base em dados de pirólise, apresentam uma grande variabilidade de comportamento cinético (e.g. Jarvie, 1991; Sundararaman et al., 1992; Burwood et al., 1992; Gonçalves et al., 1994; Soldan et al., 1995). Conforme discutido na seção 5.6, o Grupo Villeta apresentou uma considerável variabilidade cinética na seção do Rio Bambuca. Na seção supracitada, o comportamento cinético das amostras foi analisado individualmente e comparado ao comportamento dos querogênios padrão (tipos I, II, II-S e III). Observou-se um amplo leque de variação, desde amostras um pouco mais lábeis que o querogênio do tipo II até amostras quase tão refratárias quanto o querogênio do tipo III (Figuras 5.31, 5.32 e 5.33), embora seja importante ressaltar que a maior parte das amostras possui um comportamento cinético bem próximo ao de um querogênio do tipo II típico. Esta seção da tese tem como propósito aprofundar a discussão sobre a influência de tal variabilidade na história de geração e expulsão de hidrocarbonetos e suas implicações sobre o grau de sincronismo com o processo de formação de trapas. Em virtude de sua posição estrutural e história de soterramento, a seção do Rio Bambuca encontra-se termicamente imatura. Para permitir a avaliação da influência que a variabilidade cinética observada nesta seção poderia ter sobre a história de geração e expulsão de hidrocarbonetos no VSM, criou-se um poço fictício (pseudopoço) em um ponto situado no eixo de um sinclinal contíguo à área estudada (Figura 7.5). Para reconstruir as histórias de soterramento, térmica, de maturação e de geração do petróleo no ponto selecionado, utilizou-se o programa de modelagem unidimensional de bacias BasinMod®. Os dados e informações necessários para a modelagem dos processos de geração de petróleo no pseudopoço foram obtidos da seguinte forma: • Arcabouço cronoestratigráfico.As idades dos eventos estratigráficos (formações e discordâncias) inseridos na modelagem foram definidas com base na coluna sedimentar da bacia do VSM (Figura 7.2). • Topos e espessuras das formações. Os dados de profundidade e espessura atuais que serviram de base para reconstituição da história de subsidência no ponto modelado foram obtidos no estudo realizado por Mora (2004), à exceção do Grupo Villeta, para o qual adotaram-se as espessuras medidas da seção do Rio Bambuca. • Discordâncias e erosões. Somente as discordâncias regionais constantes da coluna estratigráfica do VSM (Figura 7.2) foram levadas em consideração na
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    131 modelagem. Assumiu-se que,no eixo do sinclinal, as erosões associadas a essas discordâncias são irrelevantes. • Parâmetros litológicos. Assumiu-se que a composição litológica das formações no pseudopoço são similares a dos poços situados nos anticlinais vizinhos (Mora, 2004). Foram usados os parâmetros petrofísicos (porosidade inicial, condutividade térmica, calor específico, etc.) disponíveis na biblioteca de parâmetros default do programa BasinMod® para litologias puras, ponderados de acordo com a composição litológica de cada formação. • Condições térmicas limite. Como limite térmico superior (temperatura na superfície), adotou-se a temperatura média anual do ar na região (25°C). Já como condição limite inferior, adotou-se a história regional de fluxo de calor basal definida por García et al. (2002) com base na modelagem de diversos poços do VSM e calibrações com dados de temperatura de fundo de poço (BHT) e reflectância da vitrinita. • Parâmetros cinéticos da rocha geradora. A simulação do processo de geração do petróleo no pseudopoço foi conduzida de duas formas distintas. Na primeira, assumiu-se que as formações Tetuan e La Luna são homogêneas no que se refere ao comportamento cinético, adotando-se os parâmetros cinéticos do querogênio do tipo II padrão (Burnham, 1989). Na outra, cada formação foi subdividida em segmentos, cada qual com os parâmetros cinéticos da amostra representativa do intervalo correspondente na seção do Rio Bambuca (Anexo 5). O processo de soterramento foi simulado usando um modelo de compactação mecânica (Sclater Christie, 1980). A história térmica da seção sedimentar, por sua vez foi calculada com base nas formulações de regime transiente disponíveis no BasinMod®, levando em conta o paleofluxo de calor basal inserido no modelo e os parâmetros termofísicos de cada formação calculados em função das propriedades da matriz e da compactação. A evolução da maturação de cada formação foi reconstruída a partir da história térmica, usando o modelo Easy%Ro (Sweeney Burnham, 1990). O processo de geração de petróleo, por sua vez, foi modelado usando a história térmica calculada e os parâmetros cinéticos acima mencionados. Com base nos dados, modelos e premissas adotados, foi possível reconstruir as histórias de soterramento, térmica, de maturação e de geração do petróleo no pseudopoço (Figura 7.6). No que diz respeito à história de soterramento, há duas fases principais de subsidência (Cretáceo/Paleoceno e Neo-eoceno/Recente), separadas por um período de não-deposição (Meso-eoceno). De acordo com os resultados da modelagem, a porção basal do Grupo Villeta (Formação Tetuan) teria entrado na “janela” de geração de óleo (0,6 a 1,0%Ro) no final do Cretáceo e na “janela” de geração de gás (1,35%Ro) durante
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    132 a deposição dasmolassas do Grupo Honda, no Mioceno (Figura 7.6). Já a parte superior do Grupo Villeta (Formação La Luna), só teria alcançado a “janela” de geração de óleo no início do Eoceno, e a “janela” de geração de gás, apenas no Plioceno. Os resultados da modelagem do processo de geração são resumidos nos gráficos da Figura 7.7. São apresentados perfis de taxa de transformação ao longo do Grupo Villeta em três idades distintas (55, 40 e 15 M.a. atrás). Nesses perfis, comparam-se os perfis obtidos a partir dos parâmetros cinéticos medidos nas amostras da seção do Rio Bambuca com aqueles resultantes da adoção dos parâmetros cinéticos do querogênio padrão do tipo II de Burnham (1989). A taxa de transformação, conforme já mencionado no capítulo 5, representa a porcentagem do potencial gerador original que foi efetivamente convertido, constituindo portanto um parâmetro indicativo do avanço do processo de geração do petróleo. Tomando como exemplo os perfis da Formação Tetuan há 40 M.a. atrás, observa-se que as taxas de transformação obtidas a partir dos parâmetros cinéticos da seção do Rio Bambuca flutuam de forma irregular entre 20 e 80%. Já a curva taxa de transformação calculada com os parâmetros do querogênio do tipo II aumenta de forma uniforme de 60 a 90%. Esses resultados mostram que o processo de geração pode ser bem menos homogêneo e uniforme do que o suposto quando se assume que a rocha geradora apresenta um comportamento cinético constante. Apesar da variabilidade encontrada, ainda não é possível avaliar seu impacto sobre as avaliações do grau de sincronismo entre os processos de geração de petróleo e o de formação de trapas no VSM, uma vez que os resultados apresentados até esse ponto Figura 7.5 – Mapa e seção sísmica dip mostrando a localização e contexto estrutural do pseudopoço (linha amarela grossa) criado para a realização da modelagem do processo de geração de petróleo. O referido pseudopoço foi posicionado no eixo de um sinclinal situado no flanco noroeste da sub-bacia de Neiva, bacia do Vale Superior do Magdalena.
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    133 Figura 7.6 –Gráfico de geohistória mostrando as histórias de soterramento, térmica e de maturação do pseudopoço modelado na bacia do Vale Superior do Magdalena (ver localização na Figura 7.5). As linhas vermelhas representam a evolução das isotermas (em ºC) e as áreas com tons de verde e vermelho, os diferentes graus de evolução térmica alcançados pela seção sedimentar em termos de faixas de valores de reflectância de vitrinita (%Ro; ver legenda). não mostram a evolução global de cada unidade como um todo. Com este fim, efetuou- se a somatória da massa de hidrocarbonetos gerados pelos horizontes com diferentes comportamentos cinéticos de uma única formação para cada intervalo de tempo, ao longo da história geológica. A partir da soma do potencial original das amostras de cada formação, pôde-se então calcular a evolução em termos de taxa de transformação para cada formação como um todo. O mesmo procedimento foi aplicado no caso em que se utilizaram parâmetros cinéticos do querogênio do tipo II. Esta análise foi realizada apenas para a Formação Tetuan, por apresentar uma densidade de amostragem da variabilidade cinética maior que a disponível para a Formação La Luna. Os resultados são apresentados no gráfico da Figura 7.8 por meio de curvas não-cumulativas de evolução da taxa de transformação da Formação Tetuan, calculadas a partir da cinética do querogênio do tipo II padrão (Burnham, 1989) e dos parâmetros medidos na seção do Rio Bambuca. Nota-se que, apesar da grande variabilidade cinética, o resultado global do processo de geração usando-se as amostras da seção do Rio Bambuca mostra um comportamento bastante próximo ao obtido empregando-se apenas parâmetros de um querogênio padrão do tipo II (Figura 7.8). Este resultado se deve ao fato de que, especificamente para o universo de amostras analisado, a maioria das amostras apresenta um comportamento
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    134 1200 1600 2000 2400 1200 1600 2000 2400 0 20 4060 80 100 0 20 40 60 80 100 0 20 La LunaFormações: Parâmetros Cinéticos: Seção do R. Bambuca Tetuan 40 60 80 100 1600 2000 2400 1600 2000 2400 2800 3200 3600 2800 3200 3600 Querogênio Tipo II Taxa de Transformação (%)Profundidade(m)Profundidade(m)Profundidade(m) 55 M.a. 40 M.a. 15 M.a. Figura 7.7 – Perfis de taxa de transformação do Grupo Villeta no pseudopoço modelado (ver Figuras 7.5 e 7.6). São apresentadas reconstruções em três idades distintas (55, 40 e 15 M.a. atrás) comparando os perfis obtidos a partir dos parâmetros cinéticos medidos nas amostras da seção do Rio Bambuca com aqueles resultantes da adoção dos parâmetros cinéticos do querogênio padrão do tipo II Burnham (1989).
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    135 Figuras 7.8 –Curvas não-cumulativas de evolução da taxa de transformação da Formação Tetuan no pseudopoço modelado (ver Figuras 7.5 e 7.6). Comparam-se os resultados obtidos a partir da cinética do querogênio do tipo II padrão (Burnham, 1989) e dos parâmetros medidos na seção do Rio Bambuca 0 2 4 6 8 10 100 80 60 40 20 0 Querogênio Tipo II Parâmetros Cinéticos: Seção R. Bambuca TaxadeTransformação(%) Idade (M.a.) cinético relativamente similar ao de um querogênio do tipo II típico, com um número restrito de amostras significativamente mais refratárias ou lábeis (Figuras 5.31 e 5.32). A defasagem em tempo entre as duas curvas varia de 7-8 M.a. no início do processo de geração, a cerca de 2-3 M.a. no pico de geração de hidrocarbonetos (ver diferença de idade entre os picos de taxa de transformação das duas curvas da Figura 7.8). No caso do VSM, como resultado da complexa superposição de eventos tectônicos, diversas fases de formação e destruição de trapas vêm se sucedendo desde o Paleoceno (Sarmiento Rangel, 2004). Diferenças de idade de geração da ordem de magnitude encontrada (2 a 8 M.a.) poderiam ser importantes na correlação com eventos específicos de formação de trapas. Por outro lado, entretanto, devido à escassez de dados bioestratigráficos e à complexidade estrutural da região, há uma considerável margem de incerteza nas idades absolutas das fases de estruturação da bacia (Sarmiento Rangel, 2004). Outrossim, também são enormes as incertezas quanto à história de evolução tectono-termal do VSM e de outras bacias da Colômbia (Mora et al., 2001; García et al., 2001; García et al., 2002). Neste contexto, considerando apenas os dados cinéticos adquiridos na seção do Rio Bambuca, eventuais imprecisões induzidas pelo uso de parâmetros cinéticos publicados de um único tipo de querogênio são menores do que aquelas que podem ser causadas pelas incertezas associadas à idade de formação das trapas e à história tectono-termal.
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    136 7.4. Fácies organo-molecularese correlação óleo-rocha Nos trabalhos que estudaram os óleos do VSM a partir de parâmetros globais e de biomarcadores (Córdoba, 1998; Sarmiento Rangel, 2004), duas grandes famílias de óleos foram reconhecidas: uma de afinidade marinha carbonática e outra, marinha siliciclástica. Com base na comparação com dados geoquímicos de extratos orgânicos do Grupo Villeta em diversos poços da sub-bacia de Neiva e em considerações sobre os tipos litológicos predominantes em cada formação desse grupo, Córdoba (1998) conclui que os óleos marinhos carbonáticos são derivados das rochas geradoras da Formação La Luna, enquanto os óleos marinhos siliciclásticos são provenientes das rochas geradoras da Formação Tetuan. Utilizando a mesma abordagem, porém em todo o VSM, Sarmiento Rangel (2004) chegam a conclusões similares. Neste trabalho, procurou-se reavaliar as conclusões dos trabalhos anteriores à luz dos resultados obtidos na seção do Rio Bambuca. A abordagem empregada consistiu na realização de correlações moleculares entre os óleos e as fácies organo-moleculares definidas nesta tese. Com este fim, foram selecionadas duas amostras de óleos representativas das famílias identificadas por Córdoba (1998) e Sarmiento Rangel (2004) e quatro extratos orgânicos representativos das fácies organo-moleculares no capítulo 6 (Tabela 7.2 e Figura 7.9). É importante ressaltar que os termos usados para designar as famílias de óleos no trabalho de Córdoba (1998), bem como as fácies organo-moleculares nesta tese, não têm a pretensão de definir de forma absoluta o ambiente deposicional em que se depositaram as rochas geradoras. Esses termos, na verdade, expressam as características paleoambientais de forma relativa, ou seja, na comparação entre as fácies ou famílias. Origem Identificação da Amostra Tipo da Amostra Família de Óleos (Cór- doba, 1998) Fácies organo-molecular (esta tese; Capítulo 6) Poços Balcón-1 óleo Marinha Siliclástica Santa Clara-1 óleo Marinha Carbonática Seção do Rio Bambuca BV-193 extrato orgânico Marinha Anóxica BV-7 extrato orgânico Marinha Transicional BV-40 extrato orgânico Marinha Carbonática BV-28 extrato orgânico Marinha Siliciclástica Tabela 7.2 – Amostras selecionadas para o estudo de correlação óleo-rocha realizado na bacia do Vale Superior do Magdalena, Colômbia.
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    137 Na figura 7.10são comparados os cromatogramas gasosos e cromatogramas de massa m/z 191 e 217 das amostras selecionadas (Tabela 7.2). O extrato orgânico da fácies marinha anóxica apresenta uma correlação pobre com os óleos selecionados, mesmo considerando a diferença no grau de evolução térmica. A diferença mais marcante refere-se aos compostos bisnorhopano e gamacerano (picos identificados com os números 7 e 10; Figura 7.10), presentes em elevadas proporções no extrato orgânico, mas praticamente ausentes nas amostras de óleo. A correlação é igualmente pobre entre os óleos e o extrato orgânico da fácies marinha transicional. Neste caso, as principais diferenças estão na abundância relativa de n-alcanos de alto peso molecular (n-C25 , pico 4), na proporção entre pristano e fitano (picos 2 e 3) e entre Ts e Tm (picos 5 e 6), e na abundância relativa do C29 norhopano (pico 8; Figura 7.10). Por outro lado, é boa a correlação entre as amostras das famílias de óleo e os extratos orgânicos das fácies homônimas. O óleo e o extrato designados de marinhos siliciclásticos (Balcón-1 e BV-28) apresentam predomínio de Ts sobre Tm, alta proporção relativa de diasteranos e baixas abundâncias relativas de terpanos tricíclicos. Já no óleo e no extrato denominados de marinhos carbonáticos (Santa Clara-1 e BV-40), nota-se o predomínio de Tm sobre Ts, baixa abundância relativa de diasteranos e altas proporções de terpanos tricíclicos. Conforme foi discutido no capítulo 6, embora a ocorrência das fácies organo- moleculares na seção do Rio Bambuca não esteja limitada a unidades litoestratigráficas específicas, há algumas afinidades evidentes. Constata-se, por exemplo, que a fácies marinha anóxica se encontra praticamente restrita à Formação La Luna. Assumindo 3°N 75°W 50km N LEGENDA: Cordilheiras Bacia do VSM Principais campos de petróleo Seção do Rio Bambuca Balcón Rio Ceibas Encanto Venganza Dina San Francisco Yaguará Santa Clara La Cañada Ortega Figuras 7.9 – Mapa mostrando a localização das amostras selecionadas para o estudo de correlação óleo- rocha realizado na bacia do Vale Superior do Magdalena, Colômbia.
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    138 6 5 6 5 Santa Clara-1 Família Marinha Carbonática Balcon-1 FamíliaMarinha Siliciclástica CG m/z 191 m/z 217 CG m/z 191 m/z 217 BV-193 Fácies Marinha Anóxica BV-40 Fácies Marinha Carbonática BV-28 Fácies Marinha Siliclástica BV-7 Fácies Marinha Transicional 2 4 5 5 5 6 6 6 6 7 8 8 8 8 9 11 11 11 11 11 11 12 12 12 12 9 9 9 9 9 10 3 2 3 2 3 2 1 3 2 3 2 3 4 AMOSTRAS DE ÓLEO EXTRATOS ORGÂNICOS 1 1 4 4 Figuras 7.10 – Correlação geoquímica molecular entre amostras representativas das duas famílias de óleos definidas por Córdoba (1998) e extratos orgânicos da Seção do Rio Bambuca, representativos das fácies organo-moleculares definidas nessa tese (ver Tabela 7.2). São apresentados os cromatogramas gasosos (CG) e cromatogramas de massas m/z 191 e m/z 217 da fração de hidrocarbonetos saturados. Compostos correspondentes aos picos identificados: 1= n-C15 , 2= Pristano, 3= Fitano, 4= n-C25 , 5= C27 18α(H) Trisnorhopano (Ts), 6= C27 17α(H) Trisnorhopano (Tm), 7= 28,30 bisnorhopano, 8= C29 17α(H), 21β(H) norhopano, 9= C30 17α(H), 21β(H) hopano, 10= gamacerano, 11= C27 βα diasterano 20S, 12= C29 αββ esterano 20R.
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    139 que a composiçãoda matéria orgânica do Grupo Villeta na seção do Rio Bambuca é representativa do que ocorre na bacia como um todo, essa constatação, combinada com a correlação óleo-rocha discutida acima, sugere que a Formação La Luna não contribuiu significativamente para a geração dos óleos do VSM, contrariamente às conclusões de Córdoba (1998) e Sarmiento Rangel (2004). Por outro lado, as fácies marinha carbonática e marinha siliciclástica estão ambas presentes na Formação Tetuan na seção do Rio Bambuca. Considerando essa distribuição de fácies e, novamente, os resultados da correlação óleo-rocha, conclui-se que diferentes intervalos de uma única unidade (Formação Tetuan) poderiam ser os reais responsáveis pela geração das duas famílias de óleos observadas no VSM. As conclusões do parágrafo anterior baseiam-se no pressuposto de que a composição da matéria orgânica do Grupo Villeta na seção do Rio Bambuca é representativa do que ocorre na bacia como um todo. Para testar esta pressuposição, realizou-se a comparação dos parâmetros moleculares de extratos orgânicos das formações Tetuan e La Luna na seção do Rio Bambuca com os parâmetros medidos em extratos orgânicos das mesmas unidades em poços da sub-bacia de Neiva, publicados por Córdoba (1998) (Figura 7.11). Obtém-se uma boa correlação, sendo possível diferenciar duas envoltórias praticamente isoladas separando os dados das duas formações independentemente da origem dos dados (seção do Rio Bambuca vs. sub-bacia de Neiva). Este resultado confirma a extensão lateral das fácies organo-moleculares, pelo menos na sub-bacia de Neiva, e corrobora as conclusões das correlações óleo-rocha discutidas acima. Ainda assim, tendo em vista a limitação da amostragem disponível, não se pode descartar a possibilidade de que a Formação La Luna possua características distintas em outras áreas da bacia e possa ter contribuído também para a geração de petróleo no VSM. No campo de Encanto (Figura 7.9), descoberto no final do ano 2001, encontrou-se um óleo com características bem diferentes daquelas que marcam as duas famílias de óleos definidas por Córdoba (1998) e Sarmiento Rangel (2004). O óleo do poço Encanto- 1 se caracteriza por uma baixa razão esteranos/(esteranos+hopanos), abundâncias relativamente altas de C31 homohopanos e C29 esteranos, razõesTs/(Ts+Tm) muito baixas, e valores notadamente altos da razão pristano/fitano e do índice de C24 tetracíclico (Figura 7.12). Tais características, muito similares àquelas observadas nos extratos orgânicos da fácies organo-molecular marinha transicional da seção do Rio Bambuca (Figura 7.12), são indicativas de um paleoambiente deposicional marinho óxico/disóxico proximal (costeiro?) com forte aporte de vegetais superiores (Philp Gilbert, 1986; Abdullah et al., 1988; Mello et al., 1988; Isaksen, 1995). A fácies organo-molecular marinha transicional, apesar de minoritária na seção do Rio Bambuca, é encontrada nas formações Caballos, Tetuan e Bambuca (ver capítulo 6), o que faz destas unidades potenciais candidatas a geradoras do óleo analisado, ainda que seja importante ressaltar que o referido óleo encontra-se acumulado em arenitos da Formação Caballos.
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    140 0.0 0.4 0.8 1.2 1.6 0.0 0.2 0.40.6 0.0 0.4 0.8 1.2 1.6 0.0 1.0 2.0 3.0 Poços (Neiva) R. Bambuca Poços (Neiva) R. Bambuca Fm. La Luna Fm. Tetuan Poços (Neiva) R. Bambuca Poços (Neiva) R. Bambuca Fm. La Luna Fm. Tetuan Gamacerano/C30 Hopano Bisnorhopano/C30 Hopano C35/C34HomohopanoC35/C34Homohopano Figura 7.11 – Gráficos das razões Gamacerano/C30 Hopano e Bisnorhopano/C30 Hopano vs. razão C35 /C34 Homohopano para extratos orgânicos das formações La Luna e Tetuan. São comparados os resultados obtidos na seção do Rio Bambuca com os parâmetros provenientes de poços da sub-bacia de Neiva, publicados por Córdoba (1998).
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    141 Também se observouuma excelente correlação entre o óleo do poço Encanto-1, perfurado no VSM, e o óleo recuperado no poço Unicornio-1, localizado na bacia do Putumayo, a mais de 300km de distância (Figura 7.12). Igualmente recuperado em arenitosdaFormaçãoCaballos,oóleodopoçoUnicornio-1tambémapresentabaixarazão esteranos/(esteranos+hopanos), abundâncias relativamente altas de C31 homohopanos e C29 esteranos, razões Ts/(Ts+Tm) muito baixas, e valores notadamente altos da razão pristano/fitano e do índice de C24 tetracíclico, apontando para uma origem a partir de fácies depositadas em um ambiente marinho proximal (costeiro?) muito similares às que deram origem ao óleo do Encanto-1. Este resultado confirma a representatividade regional e a grande extensão lateral das fácies organo-moleculares definidas na seção do Rio Bambuca. Para estimar o grau de evolução térmica das rochas geradoras quando da expulsão dos óleos do VSM, aplicou-se a equação obtida a partir da regressão linear considerando a Tmax como variável dependente e a razão C29 esteranos ααα S/(S+R) como variável explicativa (ver capítulo 5.4): Tmax = (47,168*[C29 ααα S/(S+R)]) + 416,52; Com base nos dados publicados por Córdoba (1998) e Sarmiento Rangel (2004), a razão C29 esteranos ααα S/(S+R) das amostras de óleos do VSM variam entre 0,30 e 0,43, o que corresponderiam, de acordo com a equação acima, a valores de Tmax entre 431 e 437ºC. Estes valores são considerados muito baixos para uma rocha geradora em condições de expulsar petróleo, uma vez que se considera que o início da geração do petróleo em rochas geradoras com querogênio do tipo II corresponde a um valor de Tmax de 435ºC (Espitalié et al., 1985). Os baixos valores obtidos poderiam dever-se à contribuição de querogênios mais reativos (e.g. Tipo II-S), que teriam a capacidade de gerar petróleo sob condições de grau de evolução térmica mais baixo. A análise dos parâmetroscinéticos,entretanto,mostrouquequerogêniosdestetiponãoestãopresentes no Grupo Villeta, pelo menos na seção do Rio Bambuca. Estudos mais aprofundados devem ser desenvolvidos para permitir um melhor entendimento deste fato.
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    142 Figura 7.12 –Correlação geoquímica molecular entre o extrato orgânico representativo da fácies organo- molecular marinha transicional da seção do Rio Bambuca e os óleos dos poços Encanto-1 e Unicórnio-1, localizados respectivamente nas bacias do Vale Superior do Magdalena e do Putumayo (ver mapa). São apresentados os cromatogramas gasosos (CG) e cromatogramas de massas m/z 191 e m/z 217 da fração de hidrocarbonetos saturados. Compostos correspondentes aos picos identificados: 1= n-C15 , 2= Pristano, 3= Fitano, 4= n-C25 , 5= C24 tetracíclico, 6= C27 17α(H) Trisnorhopano (Tm), 7= 28,30 bisnorhopano, 8= C29 17α(H), 21β(H) norhopano, 9= C30 17α(H), 21β(H) hopano, 10= gamacerano, 11= C27 βα diasterano 20S, 12= C29 αββ esterano 20R. 2 2 2 3 3 3 4 4 4 5 6 8 9 5 6 8 9 5 6 8 9 11 11 12 12 11 12 BV-7 Fácies Marinha Transicional Encanto-1 Unicórnio-1 AMOSTRAS DE ÓLEO EXTRATOS ORGÂNICOS 0 100 200 km 79º 77º 75º 73º 71º 69º 6º 4º 2º 0º Bogotá FALHADE ROMERAL Oceano Pacífico 5 1 2 6 3 7 N Bacias Sedimentares: 1. Vale Médio do Magdalena 2. Pacífico 3. Llanos Orientais 4. Cauca-Patia 5. Vale Superior do Magdalena 6. Putumayo 7. Amazonas Seção do Rio Bambuca Poço Encanto-1 Poço Unicornio-1 Rochas sedimentares Rochas ígneas e metamórficas Áreas de cordilheiras ou maciços Escudo das Guianas Colôm bia Equador Colômbia Venezuela Brasil Cord.dos AndesOriental CordilheiradosAndesOcidentalCord.dosAndesCentral 4
  • 164.
    143 8. Conclusões eRecomendações O trabalho de análise estratigráfica e geoquímica da seção do Rio Bambuca e sua integração com os dados do Vale Superior do Magdalena levaram às seguintes conclusões: • Na seção do Rio Bambuca, o Grupo Villeta é constituído essencialmente por intercalações de camadas de calcários pelágicos e folhelhos de coloração escura e laminação plano-paralela. A análise da sucessão litológica da seção do Rio Bambuca à luz do arcabouço de estratigrafia de seqüências e de eventos definido por Villamil (1998) permitiu o reconhecimento de superfícies de inundação máxima do Meso/Neo-albiano (porção inferior da Formação Tetuan), do Eo-turoniano (base da Formação La Luna) e, de forma duvidosa, do Eo-cenomaniano (topo da Formação Tetuan/base da Formação Bambuca?). • Como resultado da posição distal da seção do Rio Bambuca no contexto paleogeográfico da bacia de retro-arco cretácica, as camadas delgadas de siltito e arenito que interrompem abruptamente a alternância rítmica de folhelhos e calcários na porção superior das formações Tetuan e Bambuca, respectivamente, constituem o único registro do trato de sistemas de mar baixo na seção analisada. Não existem truncamentos deposicionais, sugerindo que os limites de seqüência nesta posição da bacia são constituídos por hiatos deposicionais, os quais não foram comprovados devido à falta de dados bioestratigráficos. • O predomínio de folhelhos e calcários pelágicos, de coloração escura, finamente laminados e sem evidências de bioturbação, associado à presença de matéria orgânica e pirita em abundância, indicam que o Grupo Villeta depositou-se sob condições preponderantemente anóxicas na região da seção analisada. • Foram encontrados teores de carbono orgânico total (COT) variando entre 0,44% e 18,75%. As unidades do Grupo Villeta apresentam teores médios de carbono orgânicos bastante similares, variando de 4,19% na Formação Bambuca a 5,03% na Formação Tetuan. Os potenciais geradores são igualmente elevados no Grupo Villeta, com valores médios variando de 18 mgHC/gRocha na Formação Bambuca a 24 mgHC/gRocha na Formação La Luna. • Valores de índice de hidrogênio (IH) variando principalmente na faixa de 400 a 500 mgHC/gCOT, associados a valores de índice de oxigênio geralmente inferiores a 100 mgCO2/gCOT e altas proporções de matéria orgânica amorfa (80%)
  • 165.
    144 apontam para opredomínio de querogênio do tipo II na seção do Rio Bambuca. Localmente, em alguns intervalos de pequena espessura, são encontrados valores de IH mais baixos e porcentagens elevadas de matéria orgânica lenhosa, acusando a contribuição de querogênio do tipo III. • Os valores de Tmax variando entre 415 e 435ºC e os baixos índices de produção (IP0,10) associados a valores de índice de coloração de esporos (ICE) na faixa de 2,0 a 3,5 e fluorescência amarela intensa na maioria das amostras indicam que a seção esteve submetida a um baixo grau de evolução térmica, equivalente a valores de reflectância da vitrinita da ordem de 0,3 a 0,4%Ro. • Os parâmetros de biomarcadores indicativos da natureza da matéria orgânica e do paleoambiente deposicional sugerem que a deposição da maior parte do Grupo Villeta deu-se em um ambiente marinho carbonático anóxico, com matéria orgânica predominantemente autóctone (algálica e bacteriana). Localmente, os parâmetros moleculares acusam a existência de fases em que dominaram condições oxidantes e um alto aporte de material de origem terrestre. • A maior parte das amostras de querogênio analisadas apresentaram razões H/ C variando entre 1,00 e 1,40, faixa de valores considerada característica para o querogênio do tipo II em rochas termicamente imaturas. Algumas poucas, entretanto, mostram razões H/C mais baixas (0,87-0,97), indicando uma contribuição de querogênio do tipo III. Uma fração significativa das amostras apresenta razões S/C iguais ou superiores a 0,04, podendo ser classificados como querogênios do tipo II-S, embora caiba ressaltar a possibilidade de influência do enxofre associado à pirita sobre esses valores. • No que diz respeito aos parâmetros cinéticos, há um importante grau de variabilidade ao longo da seção do Rio Bambuca. A maior parte das amostras analisadas possui um comportamento cinético similar ao do querogênio do tipo II. Secundariamente, existem amostras que se mostraram bem menos reativas, com um comportamento próximo ao de um querogênio do tipo III. Finalmente, apenas uma pequena quantidade de amostras apresenta um comportamento um pouco mais lábil que o do querogênio do tipo II. • Existe uma boa correlação entre o comportamento cinético do querogênio e alguns parâmetros indicativos da origem do querogênio (autóctone vs. alóctone). De um modo geral, as amostras mais reativas apresentam menores proporções de matéria orgânica de origem terrestre e vice-versa. Não se observou uma correlação aparente com a quantidade enxofre do querogênio, sugerindo que outros fatores, como a estrutura molecular e a natureza das funções que contêm heteroátomos (S, N e O) também condicionam o comportamento cinético.
  • 166.
    145 • Os teoresde enxofre e sua relação com os teores de carbono orgânico indicam que a deposição do Grupo Villeta na área da seção investigada deu-se em um ambiente anóxico a euxínico. A existência de alguns intervalos com altos teores de fósforo sugerem a ocorrência de episódios de incremento da produtividade primária. Os altos conteúdos de alguns elementos traços (U, Mo, V, Cr, Ni, Co, Cu, Zn) apontam para o predomínio de condições anóxicas durante a deposição da maior parte da seção analisada. • A integração de diversos parâmetros geoquímicos usando técnicas de análise fatorial permitiu o reconhecimento de cinco intervalos correlacionáveis aos eventos anóxicos do Aptiano (OAE1a), do limite Aptiano/Albiano (OAE1b), do início do Neo-albiano (OAE1c), no final do Albiano (OAE1d) e dos limites Cenomaniano/Turoniano (OAE2) e Coniaciano/Santoniano (OAE3). • Evidências sedimentológicas e geoquímicas, entretanto, mostram que as condições redutoras não estiveram limitadas às fases de anoxia global. A posição distal da seção estudada, próxima à barreira fisiográfica que separava a bacia de retro-arco cretácica do antigo oceano Pacífico, pode ter contribuído de modo determinante para o desenvolvimento de condições de estagnação da coluna d’água e a conseqüente redução dos níveis de oxigenação de fundo. Sob estas condições, a preservação da matéria orgânica seguramente representou um fator decisivo na formação dos intervalos ricos em matéria orgânica e alto potencial gerador de hidrocarbonetos. • Características moleculares encontradas somente na Formação La Luna sugere que esta unidade depositou-se sob condições ambientais que, pelo menos em alguns aspectos, diferem significativamente daquelas que controlaram a sedimentação das outras unidades estratigráficas. Este comportamento pode dever-se, pelo menos em parte, a mudanças no quimismo da água do mar provocadas pela intensa atividade vulcânica iniciada no limite Cenomaniano/ Turoniano, resultante do desenvolvimento do arco magmático situado a oeste da área de estudo e da Província Ígnea do Caribe. • Há uma boa correspondência entre as fácies orgânicas definidas com base em dados de petrografia orgânica e pirólise e em dados de biomarcadores (fácies organo-moleculares) e os ciclos transgressivos-regressivos reconhecidos na seção do Rio Bambuca. A boa correspondência encontrada mostra que os atributos geoquímicos do Grupo Villeta podem ser relacionados ao arcabouço de estratigrafia de seqüências da região, o que pode servir de base para a predição de variações laterais e verticais das propriedades das rochas geradoras ao longo da bacia tendo como base os dados obtidos na exploração (perfis elétricos de poços, seções sísmicas).
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    146 • Os valoresde conteúdo orgânico e potencial gerador encontrados na seção do Rio Bambuca são significativamente maiores do que os observados em poços do VSM. Tendo em vista as limitações inerentes ao processo de coleta de amostras em poços e aos métodos de preparação e seleção dessas amostras em laboratório, considera-se que os valores obtidos neste trabalho representam de forma mais fidedigna o potencial petrolífero do Grupo Villeta na região. Os valores de SPI (Source Potential Index) calculados para as Formações La Luna e Tetuan foram de 6,2 e 13,5 ton/m2, respectivamente. • A simulação do processo de transformação do querogênio em um pseudopoço situado no eixo de um sinclinal no VSM usando os parâmetros cinéticos adquiridos na seção do Rio Bambuca mostrou que o processo de geração pode ser bem menos homogêneo e uniforme do que o suposto quando se assume que a rocha geradora apresenta um comportamento cinético constante. Por outro lado, nota- se que, apesar da grande variabilidade cinética, o resultado global do processo de geração para uma unidade estratigráfica é similar ao obtido empregando-se apenas parâmetros cinéticos de um querogênio padrão do tipo II. No contexto do VSM, concluiu-se que eventuais imprecisões na análise de sincronismo do sistema petrolífero induzidas pelo uso de parâmetros cinéticos inadequados são menores do que aquelas que podem ser causadas pelas incertezas associadas a outros fatores, como a idade de formação das trapas e à história tectono-termal. • Estudos de correlação óleo-rocha sugerem que a Formação La Luna não contribuiu significativamente para a geração dos óleos do VSM, contrariamente às conclusões de trabalhos anteriores. Os resultados desses estudos indicam que diferentes fácies orgânicas da Formação Tetuan podem ser as responsáveis pela geração das duas famílias de óleos observadas no VSM. Constatou-se a existência de uma terceira família de óleos, derivada de fácies orgânicas de afinidade terrestre e correlacionável a uma família de óleos da bacia do Putumayo, localizada a mais de 300km de distância. Este resultado confirma a representatividade regional e a grande extensão lateral das fácies organo- moleculares definidas na seção do Rio Bambuca. Com base nos resultados obtidos e nas dificuldades encontradas ao longo da condução deste trabalho de pesquisa, são feitas as seguintes recomendações para trabalhos futuros: • Realização de análises bioestratigráficas para uma definição mais acurada das idades na seção do Rio Bambuca.
  • 168.
    147 • Refinamento daanálise sedimentológica/estratigráfica para uma melhor caracterização da sucessão de litofácies na seção do rio Bambuca. • Refinamento da análise visual do querogênio, incluindo a caracterização das organopalinofácies e da fluorescência da matéria orgânica amorfa ao longo da seção. • Teste de outros modelos cinéticos no processamento dos dados de pirólise para definição dos parâmetros cinéticos. • Realização de análises de infravermelho para definição da estrutura molecular e dos tipos de ligações químicas do querogênio, visando chegar a um melhor entendimento de seu comportamento cinético. • Detalhamento das análises de biomarcadores (CG/EM-EM), buscando outros compostos indicativos de condições paleoambientais e do tipo de matéria orgânica. • Realização de análises isotópicas em amostras de carbonato, de extrato orgânico e de compostos orgânicos individuais para um melhor entendimento da evolução paleoambiental e correlação com eventos globais.
  • 169.
    148 9. Referências Bibliográficas ABDULLAH,W. H., MURCHISON, D., JONES, J. M., TELNAES, N., GJELBERG, J. Lower Carboniferous coal depositional environments on Spitsbergen, Svalbard. Organic Geochemistry, v.13, n.4-6, p.953-964, 1988. ALGEO, T.J., MAYNARD, J.B. Trace element behavior and redox facies in core shales of Upper Pennsylvanian Kansas-type cyclothems. Chemical Geology, v.206, p.289- 318, 2004. ARAÚJO, L.M., TRIGÜIS, J.A. Evaluation of hydrocarbon generation processes of the Irati Formation source rock, Paraná Basin, Brazil. In: LATIN AMERICAN CONGRESS ON ORGANIC GEOCHEMISTRY, 4., Colômbia, 1994. Resumos Expandidos... Colômbia, p.92, 1994. ARTHUR, M.A., JENKYNS, H.C., BRUMSACH, H.J, SCHLANGER, S.O. Stratigraphy, geochemistry,andpaleoceanographyoforganiccarbon-richCretaceoussequences. In: GINSBURG, R.N., BEAUDOLN, B. (Eds.), Cretaceous Resources, Events and Rhythms, p.75-199, 1990. ARTHUR, M.A., SAGEMAN, B.B. Marine Black Shales: depositional mechanisms and environments of ancient deposits. Annual Review of Earth and Planetary Sciences, v.22, p.499-551, 1994. BASKIN, D.K. Atomic H/C ratio of kerogen as an estimate of thermal maturity and organic matter conversion. AAPG Bulletin, v.81, p.1437-1450, 1997. BASKIN, D.K., PETERS, K.E. Early generation characteristics of a sulfur-rich Monterey kerogen. AAPG Bulletin, v.76, n1, p.1-13, 1992. BEHAR, F., VANDENBROUCKE, M., TANG, Y., MARQUIS, F., ESPITALIÉ, J. Thermal cracking ofkerogen inopen and closed systems:determination ofkinetic parameters and stoichiometric coefficients for oil and gas generation. Organic Geochemistry, v.26, n.5-6, p.321-339, 1997.
  • 170.
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    168 Anexo 1 –Resultados das análises de enxofre, carbonato e carbono orgânico totais e de pirólise Rock-Eval das amostras da coluna estratigráfica do Rio Bambuca, Bacia do Vale Superior do Magdalena, Colômbia. Parâmetros Geoquímicos: S= Teor de enxofre total (em % peso), CARB= Teor de carbonato total calculado a partir das medidas de resíduo insolúvel (em % peso), COT= Teor de Carbono Orgânico Total (em % peso), S1= Hidrocarbonetos Livres (mgHC/gRocha), S2= Potencial Gerador de Hidrocarbonetos (em mgHC/gRocha), S3= CO2 gerado (em mgCO2 /gRocha),Tmax=Temperatura Máxima (em ºC), IH= Índice de Hidrogênio (em mgHC/gCOT), IO= Índice de Hidrogênio (em mgCO2/gCOT), IP= Índice de Produção (S1/S1+S2).
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    169 Amostra Posição (m)S CARB COT S1 S2 S3 Tmax IH IO IP YC-47 709,50 0,27 67,84 1,36 0,01 3,90 1,01 422 286 74 0,00 YC-49 707,00 0,29 12,03 2,91 0,55 17,16 0,59 422 589 20 0,03 YC-48 705,00 0,24 91,22 0,90 0,00 1,35 1,11 423 151 124 0,00 YC-46 702,70 0,44 63,98 1,72 0,07 8,69 0,47 420 506 27 0,01 BO-199 702,00 0,14 18,49 2,03 0,19 6,68 0,60 419 329 30 0,03 YC-45 701,00 0,24 11,85 1,97 0,08 10,50 0,47 420 534 24 0,01 BV-198 699,60 0,23 9,43 3,04 0,47 13,37 0,86 418 441 28 0,03 BV-196 698,30 0,33 34,86 2,41 0,31 10,61 0,75 417 440 31 0,03 BV-195 697,00 64,30 1,57 0,33 7,12 0,62 418 454 39 0,04 BV-194 696,50 0,93 24,75 6,14 1,94 40,46 0,62 423 659 10 0,05 YC-44 696,20 0,80 76,11 4,64 0,57 26,41 1,06 421 570 23 0,02 BV-193 696,00 1,34 30,50 11,37 3,29 75,31 1,68 419 662 15 0,04 BV-192 695,50 0,85 55,07 3,35 1,00 18,81 0,70 422 561 21 0,05 BV-191 694,70 0,13 81,74 0,58 0,11 2,16 0,39 422 372 67 0,05 YC-43 694,00 1,31 46,89 6,24 1,00 38,32 0,73 425 614 12 0,03 BV-190 694,00 0,33 53,52 2,14 0,40 10,70 0,68 418 500 32 0,04 YC-42 690,70 1,05 37,51 9,82 1,80 58,60 2,15 422 597 22 0,03 BV-189 690,50 67,88 1,75 0,37 8,44 0,69 419 482 39 0,04 BV-188 690,00 1,00 38,55 8,35 2,07 46,63 1,65 420 559 20 0,04 BV-187 689,30 0,12 79,75 0,99 0,14 3,75 0,53 423 379 54 0,04 BV-186 688,70 0,90 49,03 8,59 2,12 43,63 1,70 420 508 20 0,05 YC-41 688,30 0,28 78,92 1,07 0,10 5,61 0,36 420 526 34 0,02 BV-185 688,00 0,53 48,93 6,53 1,20 32,00 2,02 420 490 31 0,04 YC-40 686,70 0,55 52,25 5,97 0,77 33,62 1,17 422 563 20 0,02 BV-184 684,50 0,50 71,63 2,62 0,93 16,42 0,33 420 627 13 0,05 BV-183 682,00 0,10 58,43 1,42 0,24 5,83 0,54 417 411 38 0,04 BV-182 676,70 0,90 56,09 5,02 1,27 25,84 0,80 420 515 16 0,05 YC-39 676,50 0,39 63,22 3,79 0,27 18,82 0,91 420 497 24 0,01 YC-38 673,50 0,33 82,33 0,93 0,00 4,60 0,45 420 495 48 0,00 YC-37 671,50 0,45 49,41 4,82 0,23 22,48 1,56 421 466 32 0,01 YC-36 669,50 1,00 81,31 1,11 0,05 5,32 0,28 420 478 25 0,01 YC-35 662,00 1,06 46,91 5,19 1,12 31,28 0,88 424 602 17 0,03 YC-34 653,00 0,33 67,99 1,24 0,09 6,43 0,39 418 517 31 0,01 YC-33 646,70 0,73 29,80 7,11 0,99 41,24 1,18 422 580 17 0,02 YC-32 644,70 1,04 60,35 5,10 1,15 31,93 0,46 424 626 9 0,03 YC-31 642,00 0,35 46,53 3,66 0,01 11,47 1,62 424 314 44 0,00 BV-181 636,50 0,10 69,37 1,15 0,14 4,18 0,59 423 363 51 0,03 YC-30 636,00 0,49 85,87 0,81 0,00 3,55 0,36 420 441 45 0,00 YC-29 633,00 0,60 22,84 6,35 0,60 29,98 2,31 419 472 36 0,02 YC-28 631,20 0,58 21,75 5,54 0,48 27,93 1,50 421 504 27 0,02 YC-27 629,30 1,31 35,75 9,28 1,69 56,65 1,53 422 611 16 0,03 YC-26 628,20 0,80 22,26 6,26 0,66 33,10 1,53 419 528 24 0,02 YC-25 627,20 1,70 57,10 9,82 2,57 65,14 0,61 426 663 6 0,04 BV-180 627,00 32,46 5,42 1,33 26,69 0,51 420 492 9 0,05
  • 191.
    170 Amostra Posição (m)S CARB COT S1 S2 S3 Tmax IH IO IP YC-24 621,50 1,09 57,46 8,79 2,15 49,83 2,18 422 567 25 0,04 BV-179 620,30 0,86 86,12 1,10 0,83 6,06 0,23 422 551 21 0,12 YC-23 618,70 0,46 93,78 1,42 0,36 8,64 0,18 427 609 13 0,04 YC-22 615,00 0,33 78,76 3,82 0,24 18,04 1,07 422 472 28 0,01 BV-178 614,30 0,41 63,64 5,70 1,16 26,12 1,49 422 458 26 0,04 YC-21 611,50 0,41 70,52 3,51 0,32 17,62 1,09 420 503 31 0,02 BV-177 608,80 0,41 60,27 4,18 0,68 17,32 1,51 421 414 36 0,04 YC-20 608,20 0,10 95,33 0,52 0,00 1,96 0,65 422 375 124 0,00 YC-19 606,50 0,58 36,30 6,49 0,27 28,52 1,71 421 439 26 0,01 YC-18 604,00 0,22 86,59 1,01 0,00 3,45 0,50 423 341 49 0,00 YC-16 603,60 0,89 51,78 9,31 1,78 53,49 1,71 421 575 18 0,03 YC-17 603,30 0,59 61,93 2,21 0,43 12,95 0,35 421 587 16 0,03 YC-15 603,15 2,26 43,92 6,27 0,54 35,89 0,92 421 573 15 0,01 YC-14B 603,10 8,39 20,54 0,93 YC-13 603,00 2,83 27,49 7,54 0,97 38,81 0,82 423 515 11 0,02 YC-12 602,70 5,46 33,69 6,29 0,28 23,59 1,51 415 375 24 0,01 YC-11 602,50 1,16 89,44 0,62 0,01 2,35 0,16 422 380 26 0,00 YC-10 602,00 6,49 42,84 6,65 0,31 24,15 1,66 415 363 25 0,01 YC-9 601,50 2,61 39,39 11,24 2,20 62,78 0,91 427 559 8 0,03 YC-8 601,00 87,23 1,86 0,95 8,93 0,52 419 481 28 0,10 BV-176 530,00 0,70 5,04 2,03 0,09 2,90 0,08 437 143 4 0,03 BV-175 528,20 0,89 4,43 1,08 0,07 0,91 0,10 431 84 9 0,07 BV-174 526,00 0,90 4,52 1,21 0,09 1,60 0,09 431 132 7 0,05 BV-173 525,00 0,20 71,65 0,72 0,07 1,50 0,19 427 208 26 0,04 BV-172 518,70 0,83 21,66 8,80 2,27 49,28 1,11 429 560 13 0,04 BV-171 416,20 0,35 35,71 6,27 1,13 29,63 1,21 426 473 19 0,04 BV-170 414,00 0,84 19,55 6,08 1,66 28,62 0,71 428 471 12 0,05 BV-169 413,30 0,28 27,02 7,07 2,62 43,34 1,60 424 613 23 0,06 YC-07 412,70 0,75 28,07 5,53 1,41 26,71 0,72 431 483 13 0,05 BV-168 412,00 0,06 9,48 2,34 0,28 5,42 0,69 428 232 29 0,05 BV-167 410,00 0,32 56,20 2,66 0,81 11,90 0,74 426 447 28 0,06 BV-165 366,50 0,13 11,62 4,00 0,64 11,68 1,06 429 292 26 0,05 BV-164 365,00 0,16 15,11 3,75 0,70 11,06 0,77 427 295 21 0,06 BV-163 324,00 0,60 20,23 5,57 1,38 24,34 0,76 428 437 14 0,05 BV-162 302,00 0,11 24,59 3,49 0,28 12,25 1,87 427 351 54 0,02 BV-161 295,00 1,57 17,04 3,17 0,90 12,99 0,46 430 410 15 0,06 BV-160 293,00 1,13 21,94 3,85 1,22 18,69 0,44 434 485 11 0,06 BV-159 292,50 0,67 8,51 4,75 1,39 24,88 0,49 431 524 10 0,05 BV-158 291,50 1,67 20,72 3,82 1,27 18,84 0,41 432 493 11 0,06 BV-157 290,20 0,80 42,25 6,85 2,48 36,11 0,60 432 527 9 0,06 BV-156 289,60 0,48 17,01 5,59 1,59 23,17 0,74 430 414 13 0,06 BV-155 288,30 0,57 24,53 5,59 2,25 26,05 0,51 433 466 9 0,08 BV-154 287,80 0,22 26,47 5,90 1,78 25,81 0,95 431 437 16 0,06 BV-153 287,30 0,83 21,26 6,07 2,22 30,33 0,35 433 500 6 0,07 BV-152 286,50 0,61 14,70 5,70 2,00 27,55 0,61 432 483 11 0,07
  • 192.
    171 Amostra Posição (m)S CARB COT S1 S2 S3 Tmax IH IO IP BV-151 271,50 0,73 13,94 5,14 1,42 22,70 0,69 427 442 13 0,06 BV-150 270,80 0,90 13,70 6,21 1,95 31,62 0,45 432 509 7 0,06 BV-149 270,20 0,73 49,75 1,36 0,29 3,78 0,48 429 278 35 0,07 BV-148 269,80 0,85 55,27 1,39 0,31 3,34 0,48 428 241 35 0,08 BV-147 269,30 0,59 74,27 1,30 0,79 5,24 0,37 428 403 28 0,13 BV-146 267,00 1,08 33,06 5,93 2,02 29,26 0,79 429 493 13 0,06 BV-142 258,50 1,21 50,53 1,87 0,36 7,19 0,41 426 384 22 0,05 BV-141 255,00 16,69 6,36 1,06 30,22 0,59 431 475 9 0,03 BV-140 245,50 0,20 20,12 5,73 0,82 21,35 1,45 430 373 25 0,04 BV-139 244,50 1,04 39,71 2,30 0,77 11,34 0,33 430 493 14 0,06 BV-138 243,00 0,17 17,75 3,46 0,53 10,51 0,92 430 304 27 0,05 BV-137 239,30 0,18 18,59 4,24 0,80 18,67 0,88 428 440 21 0,04 BV-136 237,70 0,79 10,11 5,07 1,02 23,17 0,55 429 457 11 0,04 BV-135 236,70 1,52 66,11 1,41 0,37 4,47 0,53 429 317 38 0,08 BV-134 234,30 0,88 22,44 7,74 2,23 38,30 0,78 432 495 10 0,06 BV-133 232,00 27,97 8,01 2,08 41,67 0,66 433 520 8 0,05 BV-132 230,00 1,20 84,83 0,67 0,36 2,50 0,29 430 373 43 0,13 BV-131 227,50 1,31 18,14 5,11 1,10 27,99 0,41 432 548 8 0,04 BV-130 226,70 0,48 78,86 1,39 0,56 6,61 0,31 431 476 22 0,08 BV-129 223,30 1,32 24,24 7,04 2,15 36,22 0,40 433 514 6 0,06 BV-128 221,50 0,76 74,97 1,24 0,63 5,31 0,20 428 428 16 0,11 BV-127 220,00 0,58 30,84 6,43 1,66 32,58 1,05 433 507 16 0,05 BV-125 212,80 0,54 14,52 4,16 1,18 17,43 0,59 430 419 14 0,06 BV-124 212,20 0,07 8,09 1,80 0,41 4,52 0,43 427 251 24 0,08 BV-123 211,70 0,11 15,27 2,70 0,98 9,64 0,48 427 356 18 0,09 BV-122 211,00 0,73 54,14 1,73 0,23 3,70 0,74 430 214 43 0,06 BV-121 210,50 0,58 19,58 5,36 2,01 24,55 0,61 430 458 11 0,08 BV-120 210,00 0,47 31,37 5,49 2,05 25,74 0,63 432 469 11 0,07 BV-119 209,50 0,94 82,36 0,89 0,32 3,59 0,17 432 403 19 0,08 BV-118 209,00 0,54 60,92 1,55 0,28 2,50 0,96 432 161 62 0,10 BV-117 208,70 1,20 67,28 1,17 0,26 3,02 0,46 430 258 39 0,08 BV-114 198,00 11,23 4,98 1,06 16,01 0,84 430 321 17 0,06 BV-113 196,50 1,71 52,12 1,77 0,77 7,35 0,30 430 414 17 0,09 BV-112 195,70 1,08 17,50 7,71 1,50 34,43 1,07 431 447 14 0,04 BV-111 195,00 1,57 25,56 9,50 2,06 46,77 0,83 436 492 9 0,04 BV-110 193,50 1,45 12,43 11,81 2,53 61,03 1,03 435 517 9 0,04 BV-109 193,00 0,62 48,62 6,22 1,41 27,00 0,63 434 434 10 0,05 BV-108 192,20 2,40 75,61 1,46 0,65 6,50 0,26 435 445 18 0,09 BV-107 191,70 0,34 13,66 4,93 2,14 23,17 0,53 430 470 11 0,08 BV-106 191,30 1,19 15,49 8,90 2,00 42,00 0,67 436 472 8 0,05 BV-105 190,30 0,95 26,76 7,14 1,57 33,65 0,87 436 471 12 0,04 BV-104 189,70 0,83 60,97 1,81 0,68 6,57 0,42 431 363 23 0,09 BV-103 189,30 1,34 79,38 1,33 0,54 4,75 0,28 434 357 21 0,10 BV-102 188,70 1,13 19,01 6,36 1,83 26,57 0,59 435 418 9 0,06 BV-101 188,30 1,86 25,97 9,56 2,49 47,57 0,87 435 498 9 0,05
  • 193.
    172 Amostra Posição (m)S CARB COT S1 S2 S3 Tmax IH IO IP BV-100 187,70 1,85 13,46 12,42 3,73 59,13 0,95 434 476 8 0,06 BV-99 186,70 2,05 17,54 7,26 2,50 35,52 0,62 435 489 9 0,07 BV-98 186,00 1,42 20,57 7,57 2,10 37,51 0,52 437 496 7 0,05 BV-97 185,30 1,82 7,31 2,43 0,95 10,46 0,25 433 430 10 0,08 BV-96 185,00 1,54 5,39 2,06 0,71 7,62 0,18 431 370 9 0,09 BV-95 184,00 1,15 25,71 1,89 0,81 7,37 0,36 433 390 19 0,10 BV-94 183,20 1,72 8,63 1,86 0,63 6,53 0,19 433 351 10 0,09 BV-89 145,00 1,66 22,81 10,14 2,60 54,07 0,85 435 533 8 0,05 BV-88 144,00 2,28 76,56 0,96 0,28 2,78 0,32 430 290 33 0,09 BV-87 143,30 0,85 12,59 5,86 1,65 29,76 0,51 433 508 9 0,05 BV-86 142,50 0,85 10,64 3,82 0,78 16,25 0,38 432 425 10 0,05 BV-85 142,00 0,37 8,59 3,54 1,46 15,92 0,45 432 450 13 0,08 BV-84 141,00 1,35 15,24 8,22 2,18 38,45 0,57 432 468 7 0,05 BV-83 140,50 1,78 7,82 8,51 1,43 37,88 0,47 435 445 6 0,04 YC-05 140,30 1,56 35,21 5,37 0,92 25,81 0,53 433 481 10 0,03 BV-82 140,00 1,28 32,27 4,04 1,01 16,03 0,53 433 397 13 0,06 BV-81 139,00 1,18 81,07 1,11 0,35 3,69 0,22 431 332 20 0,09 BV-80 138,00 1,76 22,16 9,15 1,74 45,00 0,70 436 492 8 0,04 BV-79 137,50 1,00 18,93 5,25 1,33 24,07 0,56 431 458 11 0,05 BV-78 136,70 1,04 18,84 8,40 1,87 40,84 0,84 435 486 10 0,04 BV-77 135,70 0,79 5,68 10,16 2,41 46,72 0,67 430 460 7 0,05 BV-76 134,50 2,48 21,87 12,62 2,31 60,00 0,58 435 475 5 0,04 BV-75 133,70 0,37 88,62 0,93 0,42 3,31 0,17 431 356 18 0,11 BV-74 132,30 1,62 41,59 11,67 2,65 64,68 1,12 434 554 10 0,04 BV-73 131,50 1,39 80,63 1,22 0,30 4,62 0,21 432 379 17 0,06 BV-72 130,70 0,81 37,06 6,21 1,21 24,65 1,11 432 397 18 0,05 BV-71 130,00 1,63 18,02 13,98 3,51 76,66 1,57 436 548 11 0,04 BV-70A 129,70 1,38 18,64 9,01 2,50 41,92 0,77 430 465 9 0,06 BV-70 129,50 9,18 68,95 1,48 0,42 6,43 0,22 428 434 15 0,06 BV-69 128,50 1,39 17,91 9,52 2,28 46,45 0,61 435 488 6 0,05 BV-68 128,00 10,62 11,64 3,66 56,54 0,98 433 486 8 0,06 BV-67 127,00 0,74 77,14 1,66 1,01 7,11 0,36 429 428 22 0,12 BV-66 126,50 1,43 48,87 11,27 6,36 53,75 1,20 433 477 11 0,11 BV-65 125,70 0,57 83,91 1,42 0,92 5,84 0,30 431 411 21 0,14 BV-64 124,50 1,83 30,24 7,55 3,84 39,44 0,68 435 522 9 0,09 BV-63 100,50 21,70 5,98 1,30 28,39 0,47 435 475 8 0,04 BV-62 100,00 1,06 18,17 7,31 1,27 31,78 0,75 432 435 10 0,04 BV-61 99,70 0,33 76,53 1,03 0,31 2,93 0,33 429 284 32 0,10 BV-60 99,40 1,04 15,72 4,36 0,85 15,64 0,56 432 359 13 0,05 BV-59 99,00 2,16 17,44 3,21 0,65 13,67 0,29 433 426 9 0,05 BV-58 98,30 1,99 9,65 4,42 0,77 19,92 0,30 435 451 7 0,04 BV-57 98,00 2,31 29,58 2,86 0,45 8,84 0,56 428 309 20 0,05 BV-56 97,00 2,18 6,24 4,06 0,86 19,12 0,30 435 471 7 0,04 BV-55 96,50 1,87 9,74 5,55 1,29 26,85 0,37 435 484 7 0,05 BV-54 95,00 2,71 6,10 3,48 0,93 16,79 0,37 434 482 11 0,05
  • 194.
    173 Amostra Posição (m)S CARB COT S1 S2 S3 Tmax IH IO IP BV-53 94,00 2,09 12,49 4,03 1,30 21,42 0,41 436 532 10 0,06 BV-52 93,20 2,42 6,66 4,99 1,96 26,59 0,46 433 533 9 0,07 BV-51 92,70 2,48 5,98 5,01 1,91 26,82 0,39 435 535 8 0,07 BV-50A 92,30 2,32 16,74 4,41 1,54 18,13 0,31 432 411 12 0,08 BV-50 92,00 2,40 11,83 7,76 3,05 39,13 0,54 434 504 13 0,07 BV-49 91,60 2,27 45,08 2,68 0,74 9,07 0,24 430 339 18 0,08 BV-48 91,00 2,55 10,91 4,38 1,00 18,78 0,41 434 429 16 0,05 BV-47 90,20 1,98 7,68 4,74 1,23 23,75 0,36 433 501 13 0,05 BV-46 89,50 2,71 8,84 7,51 2,00 42,19 0,57 437 562 12 0,05 BV-45 89,00 2,37 16,92 5,38 1,65 26,59 0,54 435 495 15 0,06 BV-44 88,30 2,59 30,26 4,57 1,10 22,53 0,38 433 493 12 0,05 BV-43 88,00 1,83 26,97 7,85 1,97 39,02 0,53 433 497 11 0,05 BV-42 87,50 0,38 9,96 7,95 0,90 34,87 1,06 431 438 20 0,03 BV-41 86,70 0,63 19,78 5,48 1,08 24,36 0,84 430 445 15 0,04 BV-40A 83,00 2,55 39,47 11,87 2,81 59,20 1,09 434 499 9 0,05 BV-40 82,70 2,60 30,39 18,75 5,04 96,00 2,43 432 512 13 0,05 BV-39 81,50 1,42 55,58 7,54 2,34 44,43 1,13 435 589 15 0,05 BV-38 80,70 2,03 33,33 8,30 2,99 44,25 0,88 435 533 11 0,06 BV-37 80,00 1,46 40,21 2,15 0,75 9,79 0,36 431 455 17 0,07 BV-36 79,50 2,39 6,73 1,82 0,80 6,92 0,21 432 380 12 0,10 BV-34 78,70 2,08 5,68 1,68 0,60 6,12 0,16 435 364 10 0,09 BV-33 78,30 1,51 4,32 1,98 0,72 6,76 0,18 433 341 9 0,10 BV-32A 78,20 1,34 23,20 1,94 0,76 7,07 0,47 432 364 24 0,10 BV-32 78,00 1,67 15,63 1,92 0,70 7,96 0,20 432 415 10 0,08 BV-31 77,00 0,11 3,65 2,68 0,72 7,81 0,61 428 291 23 0,08 BV-30 76,50 0,57 62,64 0,90 0,28 2,87 0,39 430 319 43 0,09 BV-29 75,70 0,26 0,32 2,53 0,70 7,62 0,47 429 301 19 0,08 BV-28 74,50 0,24 2,79 2,38 0,75 6,34 0,54 427 266 23 0,11 BV-27 72,00 1,62 13,34 2,22 0,97 8,63 0,33 430 389 15 0,10 BV-26 68,00 0,23 1,93 2,20 0,49 4,52 0,69 427 205 31 0,10 BV-25 64,00 0,31 2,61 2,25 0,60 6,43 0,50 428 286 22 0,09 BV-24 59,00 2,61 2,09 0,54 5,71 0,43 429 273 21 0,09 BV-23 57,00 4,29 2,39 0,74 7,81 0,50 433 327 21 0,09 BV-22 54,50 0,63 8,96 3,72 0,93 12,73 0,53 431 342 14 0,07 BV-21 53,00 1,13 2,27 0,72 8,02 0,31 429 353 14 0,08 BV-20 51,50 1,36 13,29 1,61 0,38 2,91 0,74 432 181 46 0,12 BV-19-20 51,00 11,56 1,62 0,32 2,47 0,68 431 152 42 0,11 BV-19 50,50 1,81 2,72 1,22 13,64 0,37 432 501 14 0,08 BV-18 49,30 1,72 6,01 2,37 0,85 8,47 0,29 430 357 12 0,09 BV-17 48,70 0,92 54,17 1,18 0,45 4,14 0,31 432 351 26 0,10 BV-16 30,50 1,48 5,82 3,83 0,73 15,78 0,55 431 412 14 0,04 BV-15 29,50 1,67 4,17 2,62 0,75 8,91 0,37 432 340 14 0,08 BV-14 28,50 1,88 4,22 3,74 1,15 19,51 0,60 436 522 16 0,06 BV-13 27,00 2,06 7,77 3,14 0,69 11,20 0,48 435 356 15 0,06 BC-12A 26,50 1,17 1,39 4,23 1,10 20,21 0,25 435 478 6 0,05
  • 195.
    174 Amostra Posição (m)S CARB COT S1 S2 S3 Tmax IH IO IP BV-12 25,50 1,86 1,22 3,73 1,38 17,41 0,58 440 467 16 0,07 BV-11 23,80 2,38 5,99 12,08 4,45 36,72 1,76 438 304 15 0,11 BV-10 22,00 0,96 7,78 8,78 1,61 24,79 1,00 437 282 11 0,06 BV-9 21,00 0,78 4,96 9,39 3,28 34,40 0,64 439 366 7 0,09 BV-7 16,00 2,67 6,17 4,67 0,62 11,69 0,04 438 250 1 0,05 BV-6 15,20 1,56 5,26 3,45 0,95 11,05 0,26 438 320 8 0,08 YC-04 14,50 0,05 5,98 1,17 0,01 0,60 0,67 443 51 57 0,02 BV-5 14,20 0,58 5,33 5,42 1,29 20,06 0,34 438 370 6 0,06 BV-4 13,80 0,47 5,70 4,30 1,04 11,02 0,28 439 256 7 0,09 YC-03 12,00 0,05 2,80 2,03 0,31 4,59 0,54 436 227 27 0,06 BC-1 9,00 0,16 8,02 4,93 1,04 15,27 0,74 438 310 15 0,06 YC-02 3,50 0,05 3,04 0,58 0,31 1,46 0,20 424 250 35 0,18 YC-01 0,00 0,03 4,74 0,44
  • 196.
    175 Anexo 2 –Resultados da análise visual do querogênio. São re- portadas as porcentagens de matéria orgânica amorfa, liptinita e matéria orgânica lenhosa, e os valores medidos do Índice de Coloração de Esporos (ICE).
  • 197.
    176 Amostra Posição (m)Amorfa (%) Liptinita (%) Lenhosa (%) ICE YC-49 707,00 90,0 5,0 5,0 2,5-3,0 BV-199 702,00 85,0 10,0 5,0 2,5-3,0 BV-196 698,30 85,0 10,0 5,0 2,5-3,0 BV-194 696,50 85,0 10,0 5,0 2,5-3,0 BV-193 696,00 85,0 10,0 5,0 2,5-3,0 BV-190 694,00 85,0 10,0 5,0 2,5-3,0 BV-189 690,50 85,0 10,0 5,0 2,5-3,0 BV-186 688,70 80,0 15,0 5,0 2,5-3,0 BV-185 688,00 80,0 15,0 5,0 2,5-3,0 BV-184 684,50 80,0 15,0 5,0 2,5-3,0 BV-182 676,70 80,0 15,0 5,0 2,5-3,0 YC-37 671,50 90,0 5,0 5,0 2,5-3,0 YC-35 662,00 90,0 5,0 5,0 2,5-3,0 YC-33 646,70 90,0 5,0 5,0 2,5-3,0 BV-181 636,50 80,0 15,0 5,0 2,5-3,0 YC-29 633,00 85,0 10,0 5,0 2,5-3,0 YC-27 629,30 90,0 5,0 5,0 2,5-3,0 BV-180 627,00 85,0 10,0 5,0 2,5-3,0 BV-179 620,30 85,0 10,0 5,0 2,0-2,5 BV-178 614,30 80,0 15,0 5,0 2,5-3,0 YC-19 606,50 90,0 5,0 5,0 2,5-3,0 YC-16 603,60 80,0 15,0 5,0 2,5-3,0 YC-17 603,30 90,0 5,0 5,0 2,5-3,0 YC-15 603,15 90,0 5,0 5,0 2,5-3,0 YC-13 603,00 90,0 5,0 5,0 2,5-3,0 YC-12 602,70 90,0 5,0 5,0 2,5-3,0 YC-10 602,00 90,0 5,0 5,0 2,5-3,0 YC-09 601,50 90,0 5,0 5,0 2,5-3,0 YC-08 601,00 90,0 5,0 5,0 2,5-30 BV-176 530,00 10,0 40,0 50,0 2,5-3,0 BV-174 526,00 35,0 40,0 25,0 2,5-3,0 BV-172 518,70 90,0 5,0 5,0 2,0-2,5 BV-171 416,20 90,0 5,0 5,0 2,5-3,0 BV-169 413,30 90,0 5,0 5,0 2,0-2,5 BV-167 410,00 80,0 15,0 5,0 3,0-3,5 BV-165 366,50 80,0 15,0 5,0 2,0-2,5 BV-163 324,00 80,0 15,0 5,0 2,0-2,5 BV-161 295,00 80,0 15,0 5,0 2,0-2,5 BV-159 292,50 75,0 20,0 5,0 2,0-2,5 BV-156 289,60 90,0 5,0 5,0 2,0-2,5 BV-152 286,50 75,0 20,0 5,0 2,0-2,5 BV-150 270,80 85,0 10,0 5,0 2,0-2,5 BV-146 267,00 80,0 15,0 5,0 2,0-2,5 BV-142 258,50 80,0 15,0 5,0 2,0-2,5 BV-141 255,00 70,0 25,0 5,0 2,0-2,5
  • 198.
    177 Amostra Posição (m)Amorfa (%) Liptinita (%) Lenhosa (%) ICE BV-140 245,50 85,0 10,0 5,0 2,0-2,5 BV-138 243,00 70,0 25,0 5,0 2,5-3,0 BV-137 239,30 80,0 15,0 5,0 2,0-2,5 BV-135 236,70 70,0 25,0 5,0 2,5-3,0 BV-133 232,00 85,0 10,0 5,0 2,0-2,5 BV-131 227,50 85,0 15,0 5,0 2,5-3,0 BV-129 223,30 85,0 10,0 5,0 2,0-2,5 BV-127 220,00 85,0 10,0 5,0 2,5-3,0 BV-121 210,50 90,0 10,0 0,0 2,5-3,0 BV-117 208,70 80,0 15,0 5,0 2,0-2,5 BV-114 198,00 80,0 15,0 5,0 2,5-3,0 BV-110 193,50 90,0 10,0 0,0 2,0-2,5 BV-107 191,70 85,0 15,0 0,0 2,5-3,0 BV-104 189,70 85,0 15,0 0,0 2,0-2,5 BV-100 187,70 90,0 10,0 0,0 2,5-3,0 BV-89 145,00 85,0 15,0 0,0 2,5-3,0 BV-84 141,00 85,0 15,0 0,0 2,5-3,0 BV-82 140,00 85,0 10,0 5,0 2,5-3,0 BV-80 138,00 85,0 15,0 0,0 3,0-3,5 BV-76 134,50 85,0 10,0 5,0 2,5-3,0 BV-72 130,70 80,0 15,0 5,0 3,0-3,5 BV-71 130,00 80,0 15,0 5,0 2,5-3,0 BV-68 128,00 80,0 15,0 5,0 2,5-3,0 BV-65 125,70 80,0 15,0 5,0 2,5-3,0 BV-64 124,50 75,0 10,0 15,0 2,5-3,0 BV-63 100,50 80,0 15,0 5,0 2,5-3,0 BV-56 97,00 80,0 15,0 5,0 2,5-3,0 BV-51 92,70 80,0 15,0 5,0 2,5-3,0 BV-47 90,20 80,0 15,0 5,0 2,5-3,0 BV-43 88,00 85,0 10,0 5,0 2,5-3,0 BV-40A 83,00 85,0 10,0 5,0 2,5-3,0 BV-40 82,70 80,0 15,0 5,0 2,5-3,0 BV-36 79,50 35,0 60,0 5,0 2,5-3,0 BV-28 75,70 60,0 35,0 5,0 2,5-3,0 BV-22 54,50 65,0 30,0 5,0 2,5-3,0 BV-19 50,50 60,0 35,0 5,0 2,0-2,5 BV-14 28,50 70,0 25,0 5,0 2,5-3,0 BV-11 23,80 70,0 25,0 5,0 3,0-3,5 BV-7 16,00 40,0 25,0 35,0 3,0-3,5 BV-4 13,80 5,0 35,0 60,0 3,0-3,5 YC-03 12,00 0,0 10,0 90,0 3,0-3,5 BV-1 9,00 40,0 25,0 35,0 3,0-3,5
  • 199.
    178 Anexo 3 –Razões e índices moleculares (biomarcadores) das amostras da coluna estratigráfica do Rio Bambuca, Bacia do Vale Superior do Magdalena, Colômbia. As razões e índices foram calculados utilizando-se as áreas dos picos dos compostos iden- tificados nos cromatogramas gasosos e de massas, de acordo com as fórmulas apresentadas neste anexo.
  • 200.
    179 • P/(P+F) –Razão Pristano/[Pristano+Fitano] = pristano / [pristano+fitano]; no cromatograma gasoso. • SterHop – Razão Esteranos/[Esteranos+Hopanos] = [5α(H), 14β(H), 17β(H) (20S+20R) colestano + 5α(H), 14β(H), 17β(H) (20S+20R) 24-metil-colestano + 5α(H), 14β(H), 17β(H) (20S+20R) 24-etil-colestano] / [5α(H), 14β(H), 17β(H) (20S+20R) colestano + 5α(H), 14β(H), 17β(H) (20S+20R) 24-metil-colestano + 5α(H), 14β(H), 17β(H) (20S+20R) 24- etil-colestano + C27 18α(H) trisnorneohopane + C27 17α(H) trisnorhopano + C29 17α(H), 21β(H) norhopano + C30 17α(H), 21β(H) hopano + C31-35 17α(H), 21β(H) homohopanos]; nos cromatogramas de massas m/z 191 e 217. • Diast – Índice de Diasteranos = 13β (H), 17α (H) (20S+20R) diacolestano / [13β(H), 17α(H) (20S+20R) diacolestano + 5α(H), I4α(H), I7α(H) (20S+20R) colestano; no cromatograma de massa m/z 217. • C27Ster – % C27 Esteranos = 5α(H), 14β(H), 17β(H) (20S+20R) colestano / [5α(H), 14β(H), 17β(H) (20S+20R) colestano + 5α(H), 14β(H), 17β(H) (20S+20R) 24-metil- colestano + 5α(H), 14β(H), 17β(H) (20S+20R) 24-etil-colestano]; no cromatograma de massa m/z 218. • C28Ster – % C28 Esteranos = 5α(H), 14β(H), 17β(H) (20S+20R) 24-metil-colestano / [5α(H), 14β(H), 17β(H) (20S+20R) colestano + 5α(H), 14β(H), 17β(H) (20S+20R) 24- metil-colestano + 5α(H), 14β(H), 17β(H) (20S+20R) 24-etil-colestano]; no cromatograma de massa m/z 218. • C29Ster – % C29 Esteranos = 5α(H), 14β(H), 17β(H) (20S+20R) 24-etil-colestano / [5α(H), 14β(H), 17β(H) (20S+20R) colestano + 5α(H), 14β(H), 17β(H) (20S+20R) 24- metil-colestano + 5α(H), 14β(H), 17β(H) (20S+20R) 24-etil-colestano]; no cromatograma de massa m/z 218. • C30Ster – % C30 Esteranos = 5α(H), 14β(H), 17β(H) (20S+20R) 24-propil-colestano / [5α(H), 14β(H), 17β(H) (20S+20R) colestano + 5α(H), 14β(H), 17β(H) (20S+20R) 24- metil-colestano + 5α(H), 14β(H), 17β(H) (20S+20R) 24-etil-colestano + 5α(H), 14β(H), 17β(H) (20S+20R) 24-propil-colestano]; no cromatograma de massa m/z 218. • C27/29Ster – Razão C27 /[C27 +C29 ] Esteranos = 5α(H), 14β(H), 17β(H) (20S+20R) colestano / [5α(H), 14β(H), 17β(H) (20S+20R) colestano + 5α(H), 14β(H), 17β(H) (20S+20R) 24-etil-colestano]; no cromatograma de massa m/z 218. • C29aaSter – Razão C29 Esteranos S/[S+R] = 5α(H), 14α(H), 17α(H) 24-etil-colestano 20S / [20S + 20R]; no cromatograma de massa m/z 217. • C29bbSter – Razão C29 Esteranos αββ/[αββ+ααα] = 5α(H), 14β(H), 17β(H) (20S+20R) 24-etil-colestano / [5α(H), 14β(H), 17β(H) (20S+20R) 24-etil-colestano + 5α(H), 14α(H), 17α(H) (20S+20R) 24-etil-colestano]; no cromatograma de massa m/z 217.
  • 201.
    180 • Tric –Índice de Tricíclicos = C20-26 terpanos tricíclicos / [C20-26 terpanos tricíclicos + C27 18α(H) trisnorneohopane + C27 17α(H) trisnorhopano + C29 17α(H), 21β(H) norhopano + C30 17α(H), 21β(H) hopano + C31-35 17α(H), 21β(H) homohopanos]; no cromatograma de massa m/z 191. • C24Tetra – Índice de C24 Tetracíclico = C24 terpano tetracíclico / [C24 terpano tetracíclico + C26 terpano tricíclico]; no cromatograma de massa m/z 191. • Ts/(Ts+Tm) – Razão Ts/[Ts+Tm] = C27 18α(H) trisnorneohopano / [C27 18α(H) trisnorneohopane + C27 17α(H) trisnorhopano]; no cromatograma de massa m/z 191. • Bisnorhop – Índice de Bisnorhopano = C28 17α(H), 18α(H), 21β(H) 28,30-bisnorhopano / [C28 17α(H), 18α(H), 21β(H) 28,30-bisnorhopano + C30 17α(H), 21β(H) hopano]; no cromatograma de massa m/z 191. • C29Norhop – Índice de C29 Norhopano = C29 17α(H), 21β(H) norhopano / [C29 17α(H), 21β(H) norhopano + C30 17α(H), 21β(H) hopano]; no cromatograma de massa m/z 191. • Gamma – Índice de Gamacerano = Gamacerano / [Gamacerano + C30 17α(H), 21β(H) hopano]; no cromatograma de massa m/z 191. • C31S/R – Razão C31 Homopanos 22S/[22S=22R] = C31 17α(H), 21β(H) homohopano 22S / [22S+22R]; no cromatograma de massa m/z 191. • C31Homo – Índice de C31 Homopanos = C31 17α(H), 21β(H) (22S+22R) homohopano / C31-35 17α(H), 21β(H) (22S+22R) homohopanos; no cromatograma de massa m/z 191. • C32Homo – Índice de C32 Homopanos = C32 17α(H), 21β(H) (22S+22R) homohopano / C31-35 17α(H), 21β(H) (22S+22R) homohopanos; no cromatograma de massa m/z 191. • C33Homo – Índice de C33 Homopanos = C33 17α(H), 21β(H) (22S+22R) homohopano / C31-35 17α(H), 21β(H) (22S+22R) homohopanos; no cromatograma de massa m/z 191. • C34Homo – Índice de C34 Homopanos = C34 17α(H), 21β(H) (22S+22R) homohopano / C31-35 17α(H), 21β(H) (22S+22R) homohopanos; no cromatograma de massa m/z 191. • C35Homo – Índice de C35 Homopanos = C35 17α(H), 21β(H) (22S+22R) homohopano / C31-35 17α(H), 21β(H) (22S+22R) homohopanos; no cromatograma de massa m/z 191.
  • 202.
    181 Amostra Posição (m)P/P+F SterHop Diast C27Ster C28Ster C29Ster C30Ster C27/29Ster YC-49 707.00 0.44 0.67 0.17 0.35 0.35 0.30 0.03 0.53 BV-199 702.00 0.51 0.86 0.19 0.31 0.40 0.29 0.03 0.47 BV-196 698.30 0.43 0.82 0.13 0.28 0.41 0.31 0.02 0.45 BV-194 696.50 0.43 0.77 0.10 0.28 0.41 0.31 0.04 0.45 BV-193 696.00 0.44 0.74 0.09 0.31 0.36 0.34 0.03 0.43 BV-190 694.00 0.44 0.84 0.11 0.30 0.44 0.26 0.02 0.52 BV-189 690.50 0.45 0.78 0.13 0.30 0.41 0.29 0.02 0.49 BV-186 688.70 0.46 0.76 0.11 0.32 0.37 0.30 0.02 0.50 BV-185 688.00 0.43 0.76 0.11 0.30 0.41 0.29 0.03 0.49 BV-184 684.50 0.47 0.76 0.13 0.27 0.42 0.32 0.03 0.45 BV-182 676.70 0.50 0.60 0.21 0.29 0.41 0.29 0.02 0.48 YC-37 671.50 0.47 0.79 0.13 0.26 0.42 0.32 0.03 0.45 YC-35 662.00 0.58 0.78 0.09 0.27 0.42 0.31 0.02 0.46 YC-33 646.70 0.58 0.66 0.14 0.32 0.37 0.31 0.02 0.48 BV-181 636.50 0.48 0.62 0.21 0.34 0.38 0.28 0.02 0.51 YC-29 633.00 0.45 0.56 0.11 0.31 0.39 0.30 0.03 0.50 YC-27 629.30 0.52 0.57 0.17 0.35 0.37 0.28 0.02 0.55 BV-180 627.00 0.58 0.46 0.24 0.33 0.38 0.29 0.03 0.54 BV-179 620.30 0.47 0.60 0.18 0.32 0.38 0.30 0.02 0.53 BV-178 614.30 0.49 0.73 0.21 0.33 0.39 0.28 0.02 0.52 BV-177 608.80 0.54 0.30 0.27 0.32 0.36 0.32 0.03 YC-19 606.50 0.49 0.77 0.21 0.29 0.42 0.29 0.01 0.47 YC-16 603.60 0.47 0.62 0.12 0.30 0.40 0.30 0.02 0.47 YC-17 603.30 0.46 0.63 0.16 0.26 0.37 0.36 0.00 0.41 YC-15 603.15 0.45 0.69 0.11 0.23 0.38 0.40 0.01 0.35 YC-13 603.00 0.45 0.62 0.18 0.21 0.39 0.40 0.02 0.36 YC-12 602.70 0.46 0.62 0.16 0.24 0.37 0.39 0.01 0.36 YC-10 602.00 0.52 0.72 0.20 0.24 0.40 0.36 0.02 0.40 YC-09 601.50 0.49 0.73 0.19 0.28 0.41 0.31 0.02 0.46 YC-08 601.00 0.51 0.52 0.33 0.37 0.35 0.28 0.02 0.57 BV-176 530.00 0.81 0.10 0.24 0.31 0.35 0.34 0.04 0.45 BV-174 526.00 0.57 0.44 0.33 0.41 0.34 0.25 0.02 0.62 BV-172 518.70 0.48 0.69 0.18 0.35 0.35 0.30 0.02 0.53 BV-171 416.20 0.48 0.70 0.19 0.32 0.38 0.30 0.02 0.50 BV-169 413.30 0.57 0.57 0.29 0.41 0.34 0.25 0.02 0.61 BV-167 410.00 0.57 0.68 0.29 0.39 0.34 0.26 0.02 0.58 BV-165 366.50 0.59 0.41 0.32 0.40 0.34 0.26 0.02 0.59 BV-163 324.00 0.59 0.44 0.30 0.39 0.36 0.26 0.02 0.58 BV-161 295.00 0.59 0.45 0.31 0.37 0.37 0.26 0.02 0.58 BV-159 292.50 0.60 0.44 0.34 0.43 0.32 0.25 0.02 0.62 BV-156 289.60 0.57 0.44 0.31 0.41 0.35 0.24 0.02 0.62 BV-152 286.50 0.57 0.43 0.33 0.41 0.34 0.25 0.02 0.62 BV-150 270.80 0.57 0.49 0.32 0.42 0.33 0.25 0.02 0.63 BV-146 267.00 0.57 0.51 0.31 0.43 0.33 0.24 0.02 0.65 BV-142 258.50 0.56 0.49 0.32 0.45 0.31 0.23 0.02 0.65 BV-141 255.00 0.56 0.50 0.30 0.43 0.33 0.24 0.02 0.65 BV-140 245.50 0.57 0.52 0.31 0.42 0.34 0.24 0.02 0.65 Parte A
  • 203.
    182 Amostra Posição (m)P/P+F SterHop Diast C27Ster C28Ster C29Ster C30Ster C27/29Ster BV-138 243.00 0.54 0.51 0.32 0.43 0.32 0.25 0.02 0.63 BV-137 239.30 0.57 0.53 0.31 0.41 0.33 0.26 0.02 0.62 BV-135 236.70 0.49 0.54 0.36 0.40 0.31 0.28 0.02 0.58 BV-133 232.00 0.52 0.58 0.27 0.47 0.31 0.23 0.02 0.68 BV-131 227.50 0.57 0.48 0.34 0.43 0.33 0.24 0.02 0.66 BV-129 223.30 0.57 0.53 0.31 0.44 0.32 0.25 0.02 0.64 BV-127 220.00 0.55 0.51 0.31 0.45 0.31 0.24 0.02 0.65 BV-125 212.80 0.53 0.44 0.38 0.46 0.31 0.23 0.02 0.67 BV-121 210.50 0.55 0.46 0.39 0.44 0.31 0.25 0.02 0.64 BV-117 208.70 0.55 0.47 0.40 0.41 0.32 0.26 0.02 0.61 BV-114 198.00 0.60 0.33 0.51 0.45 0.32 0.24 0.02 0.65 BV-110 193.50 0.62 0.33 0.43 0.48 0.30 0.22 0.02 0.68 BV-107 191.70 0.56 0.38 0.45 0.46 0.30 0.24 0.02 0.66 BV-104 189.70 0.56 0.40 0.46 0.48 0.30 0.22 0.02 0.68 BV-100 187.70 0.60 0.40 0.41 0.48 0.30 0.22 0.01 0.70 BV-97 185.30 0.52 0.40 0.54 0.43 0.29 0.28 0.03 0.61 BV-89 145.00 0.59 0.40 0.37 0.45 0.32 0.23 0.02 0.67 BV-87 143.30 0.59 0.43 0.39 0.47 0.31 0.22 0.02 0.68 BV-84 141.00 0.60 0.43 0.38 0.48 0.30 0.21 0.01 0.70 BV-82 140.00 0.57 0.42 0.41 0.47 0.30 0.23 0.02 0.68 BV-80 138.00 0.59 0.36 0.41 0.46 0.31 0.23 0.02 0.67 BV-76 134.50 0.60 0.34 0.40 0.47 0.30 0.23 0.02 0.68 BV-72 130.70 0.57 0.40 0.44 0.48 0.29 0.22 0.02 0.68 BV-71 130.00 0.58 0.41 0.45 0.48 0.30 0.22 0.01 0.68 BV-68 128.00 0.57 0.47 0.38 0.46 0.31 0.23 0.02 0.67 BV-65 125.70 0.53 0.35 0.55 0.42 0.32 0.26 0.02 0.62 BV-64 124.50 0.55 0.48 0.39 0.45 0.31 0.24 0.02 0.65 BV-63 100.50 0.57 0.50 0.35 0.44 0.32 0.24 0.02 0.64 BV-56 97.00 0.59 0.41 0.45 0.45 0.32 0.23 0.02 0.66 BV-51 92.70 0.60 0.36 0.50 0.47 0.31 0.23 0.02 0.68 BV-47 90.20 0.59 0.31 0.47 0.47 0.29 0.24 0.02 0.66 BV-43 88.00 0.59 0.43 0.39 0.48 0.31 0.21 0.01 0.69 BV-40A 83.00 0.60 0.36 0.42 0.46 0.31 0.23 0.02 0.67 BV-40 82.70 0.61 0.34 0.40 0.50 0.30 0.20 0.01 0.71 BV-36 79.50 0.52 0.38 0.53 0.44 0.30 0.26 0.03 0.63 BV-28 75.70 0.56 0.46 0.51 0.42 0.31 0.27 0.03 0.62 BV-22 54.50 0.56 0.31 0.55 0.44 0.28 0.28 0.03 0.63 BV-19 50.50 0.59 0.37 0.57 0.48 0.26 0.26 0.03 0.65 BV-14 28.50 0.58 0.31 0.67 0.47 0.28 0.25 0.02 0.65 BV-11 23.80 0.60 0.21 0.43 0.44 0.31 0.25 0.02 0.64 BV-7 16.00 0.69 0.09 0.47 0.41 0.27 0.31 0.01 0.57 BV-4 13.80 0.76 0.07 0.61 0.28 0.23 0.49 0.01 0.42 YC-03 12.00 0.59 0.44 0.44 0.43 0.32 0.25 0.02 0.64 BV-1 9.00 0.63 0.08 0.53 0.37 0.28 0.35 0.00 0.55 YC-02 3.50 0.42 0.42 0.41 0.34 0.25 0.02 0.63 Parte A
  • 204.
    183 Amostra Posição (m)C29aaSter C29bbSter Tric C24Tetra Ts/Ts+Tm Bisnorhop C29Norhop Gamma YC-49 707.00 0.07 0.31 0.37 0.46 0.40 0.22 0.32 0.14 BV-199 702.00 0.05 0.25 0.29 0.60 0.39 0.62 0.30 0.21 BV-196 698.30 0.06 0.30 0.27 0.53 0.34 0.40 0.27 0.14 BV-194 696.50 0.07 0.29 0.30 0.51 0.24 0.24 0.28 0.37 BV-193 696.00 0.07 0.31 0.48 0.36 0.21 0.24 0.31 0.28 BV-190 694.00 0.08 0.31 0.55 0.44 0.29 0.52 0.34 0.17 BV-189 690.50 0.07 0.31 0.40 0.45 0.30 0.66 0.38 0.19 BV-186 688.70 0.08 0.29 0.40 0.47 0.28 0.54 0.34 0.21 BV-185 688.00 0.08 0.28 0.39 0.45 0.25 0.44 0.05 0.16 BV-184 684.50 0.08 0.24 0.31 0.52 0.30 0.46 0.37 0.21 BV-182 676.70 0.08 0.34 0.19 0.59 0.30 0.72 0.41 0.18 YC-37 671.50 0.08 0.28 0.34 0.48 0.26 0.40 0.06 0.20 YC-35 662.00 0.08 0.28 0.34 0.49 0.26 0.29 0.34 0.24 YC-33 646.70 0.07 0.31 0.34 0.45 0.26 0.31 0.35 0.28 BV-181 636.50 0.10 0.32 0.31 0.58 0.31 0.69 0.49 0.23 YC-29 633.00 0.16 0.26 0.40 0.41 0.24 0.24 0.35 0.33 YC-27 629.30 0.16 0.22 0.33 0.51 0.25 0.28 0.34 0.23 BV-180 627.00 0.16 0.23 0.18 0.59 0.25 0.50 0.36 0.20 BV-179 620.30 0.20 0.23 0.29 0.49 0.24 0.65 0.41 0.17 BV-178 614.30 0.18 0.25 0.35 0.49 0.25 0.72 0.48 0.24 BV-177 608.80 0.16 0.81 0.06 0.01 0.42 0.02 YC-19 606.50 0.08 0.32 0.32 0.50 0.31 0.04 0.34 0.11 YC-16 603.60 0.10 0.31 0.28 0.58 0.20 0.49 0.40 0.25 YC-17 603.30 0.10 0.37 0.40 0.59 0.25 0.47 0.41 0.15 YC-15 603.15 0.10 0.31 0.23 0.62 0.23 0.46 0.40 0.16 YC-13 603.00 0.10 0.24 0.18 0.63 0.27 0.12 0.38 0.19 YC-12 602.70 0.09 0.23 0.17 0.64 0.28 0.10 0.35 0.16 YC-10 602.00 0.09 0.23 0.18 0.65 0.33 0.47 0.36 0.09 YC-09 601.50 0.09 0.30 0.28 0.51 0.29 0.50 0.35 0.15 YC-08 601.00 0.21 0.25 0.32 0.39 0.31 0.21 0.39 0.07 BV-176 530.00 0.24 0.09 0.93 0.02 0.02 0.49 0.01 BV-174 526.00 0.26 0.21 0.32 0.44 0.33 0.28 0.42 0.05 BV-172 518.70 0.16 0.20 0.34 0.42 0.26 0.01 0.38 0.05 BV-171 416.20 0.16 0.22 0.34 0.39 0.28 0.00 0.36 0.04 BV-169 413.30 0.22 0.22 0.32 0.51 0.32 0.30 0.43 0.05 BV-167 410.00 0.22 0.23 0.30 0.48 0.34 0.23 0.44 0.05 BV-165 366.50 0.23 0.22 0.19 0.62 0.35 0.16 0.46 0.04 BV-163 324.00 0.25 0.22 0.21 0.56 0.31 0.00 0.43 0.03 BV-161 295.00 0.26 0.23 0.19 0.63 0.35 0.03 0.43 0.04 BV-159 292.50 0.25 0.24 0.25 0.48 0.36 0.18 0.43 0.04 BV-156 289.60 0.23 0.24 0.28 0.45 0.34 0.24 0.41 0.04 BV-152 286.50 0.26 0.25 0.29 0.44 0.32 0.29 0.42 0.05 BV-150 270.80 0.27 0.24 0.28 0.48 0.33 0.00 0.42 0.04 BV-146 267.00 0.27 0.25 0.39 0.47 0.33 0.14 0.43 0.05 BV-142 258.50 0.28 0.25 0.37 0.51 0.35 0.05 0.41 0.04 BV-141 255.00 0.28 0.23 0.35 0.48 0.35 0.05 0.41 0.04 BV-140 245.50 0.28 0.24 0.38 0.47 0.35 0.04 0.41 0.04 Parte B
  • 205.
    184 Amostra Posição (m)C29aaSter C29bbSter Tric C24Tetra Ts/Ts+Tm Bisnorhop C29Norhop Gamma BV-138 243.00 0.29 0.24 0.28 0.46 0.38 0.00 0.40 0.03 BV-137 239.30 0.29 0.25 0.37 0.37 0.35 0.00 0.40 0.05 BV-135 236.70 0.31 0.27 0.25 0.42 0.36 0.00 0.38 0.03 BV-133 232.00 0.31 0.26 0.52 0.39 0.34 0.00 0.40 0.04 BV-131 227.50 0.32 0.27 0.38 0.38 0.36 0.00 0.39 0.04 BV-129 223.30 0.32 0.27 0.47 0.34 0.37 0.01 0.39 0.05 BV-127 220.00 0.32 0.27 0.49 0.34 0.35 0.02 0.41 0.05 BV-125 212.80 0.33 0.29 0.36 0.36 0.39 0.02 0.39 0.04 BV-121 210.50 0.34 0.31 0.41 0.32 0.39 0.02 0.41 0.04 BV-117 208.70 0.36 0.29 0.34 0.38 0.42 0.03 0.39 0.03 BV-114 198.00 0.31 0.33 0.19 0.59 0.43 0.03 0.39 0.03 BV-110 193.50 0.36 0.31 0.38 0.50 0.39 0.02 0.41 0.03 BV-107 191.70 0.38 0.34 0.36 0.42 0.40 0.02 0.39 0.04 BV-104 189.70 0.37 0.35 0.41 0.39 0.41 0.03 0.40 0.04 BV-100 187.70 0.36 0.34 0.47 0.43 0.39 0.02 0.40 0.04 BV-97 185.30 0.35 0.39 0.22 0.58 0.51 0.01 0.32 0.03 BV-89 145.00 0.35 0.27 0.36 0.52 0.40 0.02 0.41 0.03 BV-87 143.30 0.34 0.29 0.39 0.48 0.40 0.02 0.42 0.04 BV-84 141.00 0.35 0.32 0.48 0.48 0.38 0.02 0.41 0.04 BV-82 140.00 0.36 0.33 0.41 0.44 0.41 0.03 0.39 0.04 BV-80 138.00 0.32 0.35 0.42 0.39 0.38 0.02 0.40 0.04 BV-76 134.50 0.32 0.32 0.41 0.43 0.38 0.02 0.41 0.04 BV-72 130.70 0.38 0.36 0.37 0.43 0.41 0.03 0.38 0.04 BV-71 130.00 0.38 0.36 0.50 0.40 0.40 0.03 0.39 0.04 BV-68 128.00 0.32 0.30 0.42 0.48 0.40 0.04 0.40 0.04 BV-65 125.70 0.33 0.31 0.37 0.42 0.41 0.07 0.38 0.04 BV-64 124.50 0.32 0.30 0.40 0.46 0.39 0.04 0.39 0.04 BV-63 100.50 0.33 0.28 0.40 0.41 0.40 0.02 0.40 0.03 BV-56 97.00 0.33 0.31 0.30 0.56 0.44 0.02 0.39 0.03 BV-51 92.70 0.35 0.31 0.23 0.55 0.43 0.02 0.39 0.03 BV-47 90.20 0.35 0.31 0.21 0.53 0.42 0.02 0.38 0.03 BV-43 88.00 0.30 0.33 0.45 0.53 0.39 0.02 0.42 0.03 BV-40A 83.00 0.33 0.37 0.57 0.34 0.36 0.03 0.41 0.05 BV-40 82.70 0.37 0.34 0.60 0.34 0.33 0.06 0.45 0.05 BV-36 79.50 0.37 0.37 0.26 0.56 0.51 0.04 0.34 0.03 BV-28 75.70 0.38 0.36 0.20 0.63 0.53 0.00 0.33 0.03 BV-22 54.50 0.32 0.41 0.16 0.57 0.52 0.00 0.34 0.04 BV-19 50.50 0.40 0.37 0.13 0.69 0.49 0.01 0.32 0.04 BV-14 28.50 0.41 0.43 0.28 0.57 0.49 0.02 0.34 0.04 BV-11 23.80 0.33 0.34 0.17 0.76 0.14 0.00 0.48 0.02 BV-7 16.00 0.34 0.37 0.11 0.94 0.15 0.01 0.48 0.01 BV-4 13.80 0.41 0.44 0.15 0.97 0.11 0.01 0.51 0.01 YC-03 12.00 0.33 0.33 0.44 0.58 0.37 0.04 0.41 0.03 BV-1 9.00 0.36 0.41 0.19 0.93 0.16 0.02 0.46 0.01 YC-02 3.50 0.37 0.39 0.61 0.36 0.16 0.43 0.05 Parte B
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    185 Amostra Posição (m)C31S/R C31Homo C32Homo C33Homo C34Homo C35Homo YC-49 707.00 0.53 0.37 0.19 0.28 0.08 0.08 BV-199 702.00 0.44 0.50 0.17 0.22 0.06 0.06 BV-196 698.30 0.41 0.43 0.17 0.21 0.08 0.11 BV-194 696.50 0.43 0.33 0.17 0.28 0.11 0.12 BV-193 696.00 0.43 0.34 0.18 0.27 0.09 0.12 BV-190 694.00 0.42 0.48 0.18 0.17 0.08 0.09 BV-189 690.50 0.43 0.48 0.19 0.17 0.07 0.10 BV-186 688.70 0.42 0.48 0.17 0.19 0.07 0.09 BV-185 688.00 0.43 0.41 0.18 0.21 0.09 0.11 BV-184 684.50 0.40 0.44 0.19 0.19 0.09 0.10 BV-182 676.70 0.44 0.38 0.18 0.28 0.07 0.09 YC-37 671.50 0.40 0.43 0.18 0.19 0.09 0.10 YC-35 662.00 0.44 0.45 0.20 0.17 0.08 0.10 YC-33 646.70 0.44 0.38 0.20 0.25 0.08 0.09 BV-181 636.50 0.47 0.45 0.22 0.17 0.08 0.08 YC-29 633.00 0.51 0.40 0.24 0.19 0.08 0.08 YC-27 629.30 0.52 0.46 0.23 0.19 0.07 0.05 BV-180 627.00 0.54 0.34 0.20 0.29 0.09 0.08 BV-179 620.30 0.54 0.41 0.22 0.18 0.10 0.09 BV-178 614.30 0.51 0.39 0.21 0.19 0.10 0.11 BV-177 608.80 0.68 0.22 0.07 0.02 0.01 YC-19 606.50 0.44 0.52 0.18 0.16 0.06 0.08 YC-16 603.60 0.48 0.38 0.24 0.21 0.08 0.09 YC-17 603.30 0.49 0.49 0.23 0.15 0.06 0.06 YC-15 603.15 0.45 0.40 0.23 0.19 0.08 0.10 YC-13 603.00 0.44 0.44 0.23 0.17 0.08 0.07 YC-12 602.70 0.44 0.45 0.23 0.17 0.08 0.07 YC-10 602.00 0.45 0.39 0.18 0.25 0.08 0.11 YC-09 601.50 0.44 0.37 0.21 0.25 0.08 0.10 YC-08 601.00 0.56 0.42 0.22 0.20 0.09 0.07 BV-176 530.00 0.55 0.75 0.20 0.04 0.01 0.00 BV-174 526.00 0.59 0.46 0.22 0.19 0.08 0.04 BV-172 518.70 0.54 0.48 0.21 0.18 0.08 0.05 BV-171 416.20 0.53 0.44 0.20 0.21 0.08 0.07 BV-169 413.30 0.57 0.49 0.21 0.18 0.07 0.04 BV-167 410.00 0.57 0.49 0.20 0.17 0.08 0.06 BV-165 366.50 0.59 0.47 0.24 0.18 0.08 0.04 BV-163 324.00 0.59 0.47 0.23 0.19 0.08 0.04 BV-161 295.00 0.57 0.45 0.23 0.20 0.08 0.04 BV-159 292.50 0.59 0.47 0.23 0.19 0.08 0.04 BV-156 289.60 0.59 0.44 0.23 0.20 0.08 0.05 BV-152 286.50 0.57 0.44 0.22 0.20 0.09 0.05 BV-150 270.80 0.58 0.45 0.22 0.20 0.08 0.04 BV-146 267.00 0.59 0.50 0.22 0.18 0.07 0.04 BV-142 258.50 0.60 0.49 0.23 0.17 0.07 0.04 BV-141 255.00 0.58 0.46 0.22 0.19 0.08 0.05 BV-140 245.50 0.59 0.48 0.22 0.18 0.07 0.04 Parte C
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    186 Amostra Posição (m)C31S/R C31Homo C32Homo C33Homo C34Homo C35Homo BV-138 243.00 0.58 0.42 0.23 0.20 0.09 0.05 BV-137 239.30 0.58 0.45 0.23 0.19 0.08 0.05 BV-135 236.70 0.58 0.41 0.22 0.20 0.10 0.06 BV-133 232.00 0.59 0.48 0.23 0.18 0.07 0.04 BV-131 227.50 0.58 0.41 0.22 0.21 0.09 0.06 BV-129 223.30 0.59 0.46 0.23 0.18 0.08 0.05 BV-127 220.00 0.58 0.48 0.23 0.17 0.07 0.05 BV-125 212.80 0.58 0.41 0.22 0.21 0.09 0.07 BV-121 210.50 0.58 0.44 0.22 0.19 0.09 0.06 BV-117 208.70 0.58 0.43 0.23 0.18 0.10 0.06 BV-114 198.00 0.60 0.43 0.24 0.18 0.10 0.06 BV-110 193.50 0.60 0.52 0.23 0.15 0.06 0.04 BV-107 191.70 0.59 0.44 0.23 0.18 0.09 0.06 BV-104 189.70 0.58 0.45 0.24 0.17 0.08 0.05 BV-100 187.70 0.60 0.49 0.23 0.16 0.07 0.04 BV-97 185.30 0.60 0.39 0.24 0.22 0.10 0.05 BV-89 145.00 0.58 0.47 0.23 0.17 0.08 0.05 BV-87 143.30 0.59 0.48 0.23 0.17 0.08 0.05 BV-84 141.00 0.59 0.51 0.23 0.15 0.06 0.04 BV-82 140.00 0.59 0.45 0.23 0.18 0.08 0.06 BV-80 138.00 0.60 0.46 0.23 0.17 0.08 0.05 BV-76 134.50 0.59 0.49 0.24 0.16 0.07 0.04 BV-72 130.70 0.59 0.46 0.22 0.18 0.08 0.05 BV-71 130.00 0.59 0.47 0.23 0.17 0.08 0.04 BV-68 128.00 0.59 0.49 0.23 0.17 0.07 0.04 BV-65 125.70 0.56 0.43 0.23 0.19 0.09 0.06 BV-64 124.50 0.58 0.45 0.22 0.18 0.08 0.05 BV-63 100.50 0.58 0.46 0.22 0.18 0.09 0.05 BV-56 97.00 0.59 0.44 0.24 0.18 0.09 0.05 BV-51 92.70 0.59 0.44 0.24 0.18 0.09 0.06 BV-47 90.20 0.60 0.41 0.23 0.19 0.10 0.06 BV-43 88.00 0.58 0.50 0.24 0.15 0.07 0.04 BV-40A 83.00 0.59 0.52 0.23 0.15 0.06 0.04 BV-40 82.70 0.58 0.51 0.22 0.16 0.07 0.05 BV-36 79.50 0.60 0.40 0.25 0.20 0.10 0.05 BV-28 75.70 0.60 0.43 0.25 0.19 0.09 0.04 BV-22 54.50 0.60 0.40 0.25 0.20 0.10 0.05 BV-19 50.50 0.59 0.39 0.25 0.21 0.10 0.05 BV-14 28.50 0.59 0.41 0.26 0.18 0.10 0.06 BV-11 23.80 0.60 0.50 0.25 0.13 0.08 0.04 BV-7 16.00 0.60 0.55 0.24 0.12 0.06 0.02 BV-4 13.80 0.57 0.58 0.24 0.11 0.05 0.01 YC-03 12.00 0.59 0.49 0.25 0.16 0.07 0.04 BV-1 9.00 0.60 0.60 0.24 0.10 0.05 0.02 YC-02 3.50 0.61 0.46 0.26 0.17 0.07 0.04 Parte C
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    187 Anexo 4 –Resultados das análises elementares do querogênio das amostras da coluna estratigráfica do Rio Bambuca, Bacia do Vale Superior do Magdalena, Colômbia. São apresentados os teores (% em peso do querogênio) de carbono (C), hidrogênio (H), oxigênio (O), nitrogênio (N) e enxofre (S) e as razões atômi- cas H/C, O/C, N/C e S/C.
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    188 Amostra Posição (m)% C % H % O % N % S H/C O/C N/C S/C YC-49 707,00 53,47 5,68 10,75 2,16 5,75 1,27 0,15 0,03 0,04 BV-199 702,00 65,06 6,20 11,17 6,12 3,48 1,14 0,13 0,08 0,02 BV-196 698,30 57,78 5,64 8,66 5,84 5,77 1,16 0,11 0,09 0,04 BV-194 696,50 64,76 6,38 6,93 6,94 6,34 1,17 0,08 0,09 0,04 BV-193 696,00 47,00 5,26 7,56 4,72 6,65 1,33 0,12 0,09 0,05 BV-190 694,00 57,81 6,12 7,79 6,48 6,24 1,26 0,10 0,10 0,04 BV-189 690,50 47,52 5,13 10,40 4,20 4,41 1,29 0,16 0,08 0,03 BV-186 688,70 65,77 6,53 9,41 8,06 6,30 1,18 0,11 0,11 0,04 BV-185 688,00 64,11 6,29 11,08 6,81 4,93 1,17 0,13 0,09 0,03 BV-184 684,50 58,29 5,97 7,36 6,13 4,95 1,22 0,09 0,09 0,03 BV-182 676,70 56,81 5,62 7,71 5,01 7,88 1,18 0,10 0,08 0,05 YC-37 671,50 65,44 6,65 9,00 3,10 7,05 1,21 0,10 0,04 0,04 YC-35 662,00 64,74 6,62 8,14 5,00 8,30 1,22 0,09 0,07 0,05 YC-33 646,70 49,39 5,39 7,63 3,51 6,43 1,30 0,12 0,06 0,05 BV-181 636,50 63,59 6,12 13,70 4,07 4,35 1,15 0,16 0,05 0,03 YC-29 633,00 66,08 6,95 9,78 1,53 6,95 1,25 0,11 0,02 0,04 YC-27 629,30 59,60 6,34 7,78 2,79 8,96 1,27 0,10 0,04 0,06 BV-180 627,00 51,95 5,06 6,88 3,68 10,87 1,16 0,10 0,06 0,08 BV-179 620,30 37,07 4,11 7,06 3,54 3,77 1,32 0,14 0,08 0,04 BV-178 614,30 66,35 6,74 11,99 1,66 5,34 1,21 0,14 0,02 0,03 BV-177 608,80 63,59 5,76 12,05 6,47 3,66 1,08 0,14 0,09 0,02 YC-19 606,50 65,64 5,86 11,73 6,70 4,27 1,06 0,13 0,09 0,02 YC-16 603,60 51,31 6,01 10,56 1,51 2,99 1,40 0,15 0,03 0,02 YC-17 603,30 58,62 5,99 6,85 5,76 7,70 1,22 0,09 0,08 0,05 YC-15 603,15 54,51 5,81 7,93 3,83 7,99 1,27 0,11 0,06 0,06 YC-13 603,00 48,45 5,14 8,65 1,78 10,31 1,26 0,13 0,03 0,08 YC-12 602,70 60,40 6,42 7,82 2,14 12,58 1,27 0,10 0,03 0,08 YC-10 602,00 53,08 5,75 7,89 2,13 10,06 1,29 0,11 0,03 0,07 YC-09 601,50 51,24 4,98 8,02 4,86 6,94 1,16 0,12 0,08 0,05 YC-08 601,00 57,90 5,61 6,38 6,91 4,02 1,15 0,08 0,10 0,03 BV-176 530,00 65,54 5,11 11,67 3,82 2,09 0,93 0,13 0,05 0,01 BV-174 526,00 45,04 3,94 10,03 3,02 2,91 1,04 0,17 0,06 0,02 BV-172 518,70 56,72 5,57 7,80 4,89 3,96 1,17 0,10 0,07 0,03 BV-171 416,20 53,20 5,50 6,56 5,22 2,41 1,23 0,09 0,08 0,02 BV-169 413,30 43,27 4,54 5,26 1,28 3,19 1,25 0,09 0,03 0,03 BV-167 410,00 63,70 6,10 4,83 6,39 3,08 1,14 0,06 0,09 0,02 BV-165 366,50 68,26 6,80 13,06 2,25 2,96 1,19 0,14 0,03 0,02 BV-163 324,00 64,37 6,19 7,79 7,17 3,44 1,15 0,09 0,10 0,02 BV-161 295,00 70,12 7,18 5,77 1,97 6,29 1,22 0,06 0,02 0,03 BV-159 292,50 64,13 6,00 5,75 6,66 3,40 1,11 0,07 0,09 0,02 BV-156 289,60 69,85 6,22 6,38 6,16 3,98 1,06 0,07 0,08 0,02
  • 210.
    189 Amostra Posição (m)% C % H % O % N % S H/C O/C N/C S/C BV-156 289,60 53,72 5,13 4,99 4,58 4,71 1,14 0,07 0,07 0,03 BV-150 270,80 59,43 5,29 4,32 5,65 4,00 1,06 0,05 0,08 0,03 BV-146 267,00 53,70 5,07 5,53 4,54 3,07 1,13 0,08 0,07 0,02 BV-142 258,50 47,53 5,45 11,49 4,24 3,32 1,37 0,18 0,08 0,03 BV-141 255,00 59,84 5,56 6,55 6,01 2,85 1,11 0,08 0,09 0,02 BV-140 245,50 72,33 7,45 9,54 2,17 3,19 1,23 0,10 0,03 0,02 BV-138 243,00 59,44 5,81 6,52 4,84 2,84 1,16 0,08 0,07 0,02 BV-137 239,30 69,41 6,65 7,28 0,65 4,90 1,14 0,08 0,01 0,03 BV-135 236,70 60,70 6,02 5,96 5,71 4,52 1,18 0,07 0,08 0,03 BV-133 232,00 60,21 6,37 6,11 1,77 5,80 1,26 0,08 0,03 0,04 BV-131 227,50 62,40 5,91 5,78 6,08 4,43 1,13 0,07 0,08 0,03 BV-129 223,30 63,47 6,12 5,03 4,49 7,20 1,15 0,06 0,06 0,04 BV-127 220,00 65,91 6,38 7,86 5,80 4,03 1,15 0,09 0,08 0,02 BV-125 212,80 68,76 7,23 5,56 1,67 4,08 1,25 0,06 0,02 0,02 BV-121 210,50 62,32 5,80 7,39 5,15 2,14 1,11 0,09 0,07 0,01 BV-117 208,70 65,16 5,78 6,79 6,63 3,01 1,06 0,08 0,09 0,02 BV-114 198,00 61,18 6,11 9,55 4,83 3,49 1,19 0,12 0,07 0,02 BV-110 193,50 51,01 5,23 6,05 4,09 4,79 1,22 0,09 0,07 0,04 BV-107 191,70 57,76 5,59 3,35 5,09 4,09 1,15 0,04 0,08 0,03 BV-104 189,70 52,72 5,43 6,31 5,00 8,18 1,23 0,09 0,08 0,06 BV-100 187,70 40,37 4,48 6,48 3,52 4,47 1,32 0,12 0,07 0,04 BV-089 145,00 42,30 4,53 6,80 4,07 5,52 1,28 0,12 0,08 0,05 BV-084 141,00 38,96 3,98 4,80 3,25 5,19 1,22 0,09 0,07 0,05 BV-082 140,00 50,48 4,71 4,11 4,46 6,37 1,11 0,06 0,08 0,05 BV-080 138,00 62,54 5,68 6,44 6,11 5,32 1,08 0,08 0,08 0,03 BV-76 134,50 46,11 4,59 6,60 3,82 5,56 1,19 0,11 0,07 0,05 BV-076 134,50 44,07 4,48 6,48 3,25 5,06 1,21 0,11 0,06 0,04 BV-072 130,70 54,21 5,32 6,40 4,14 3,57 1,17 0,09 0,07 0,02 BV-071 130,00 47,67 5,14 8,40 1,69 4,51 1,28 0,13 0,03 0,04 BV-068 128,00 42,65 4,33 4,15 3,59 3,06 1,21 0,07 0,07 0,03 BV-68 128,00 44,40 4,63 5,01 3,43 3,16 1,24 0,08 0,07 0,03 BV-065 125,70 28,05 3,12 4,59 2,06 1,70 1,33 0,12 0,06 0,02 BV-064 124,50 44,79 4,39 4,77 3,65 3,71 1,17 0,08 0,07 0,03 BV-063 100,50 61,21 5,51 6,63 5,91 4,27 1,07 0,08 0,08 0,03 BV-056 97,00 59,84 5,50 6,49 5,27 9,68 1,10 0,08 0,08 0,06 BV-051 92,70 55,85 5,51 6,57 5,43 6,35 1,18 0,09 0,08 0,04 BV-047 90,20 53,56 5,14 5,59 5,13 9,48 1,14 0,08 0,08 0,07 BV-40A 83,00 47,52 4,73 6,18 3,60 5,35 1,19 0,10 0,07 0,04 BV-040 82,70 60,75 5,41 4,82 5,85 5,89 1,06 0,06 0,08 0,04
  • 211.
    190 Amostra Posição (m)% C % H % O % N % S H/C O/C N/C S/C BV-036 79,50 57,99 5,58 4,86 7,60 1,15 0,07 0,05 BV-028 74,50 70,09 6,77 7,30 6,06 3,01 1,15 0,08 0,07 0,02 BV-022 54,50 67,25 6,16 5,11 6,76 3,93 1,09 0,06 0,09 0,02 BV-019 50,50 63,14 5,37 7,55 4,86 5,68 1,01 0,09 0,07 0,03 BV-014 28,50 55,20 5,58 8,64 4,67 11,51 1,20 0,12 0,07 0,08 BV-011 23,80 40,67 4,09 7,79 2,51 5,08 1,20 0,14 0,05 0,05 BV-007 16,00 68,65 5,58 7,17 4,46 5,76 0,97 0,08 0,06 0,03 BV-004 13,80 69,84 5,39 7,94 4,42 3,18 0,92 0,09 0,05 0,02 YC-03 12,00 34,92 2,56 4,36 1,97 1,07 0,87 0,09 0,05 0,01 BV-001 9,00 70,14 5,42 7,88 3,92 2,31 0,92 0,08 0,05 0,01 YC-02 3,50 59,29 4,34 9,19 2,31 1,29 0,87 0,12 0,03 0,01
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    191 Anexo 5 –Parâmetros cinéticos das amostras da coluna es- tratigráfica do Rio Bambuca, Bacia do Vale Superior do Magda- lena, Colômbia. São apresentados os valores da função de erro (FE, adimensional), do fator de freqüência (A, em s-1) e dos po- tenciais geradores (em mgHC/gCOT) associados a cada energia de ativação (kcal/mol).
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    192 AmostraPosição (m) FEA(s-1)Potenciaisgeradores(mgHC/gCOT)porEnergiadeAtivação(emkcal/mol) 404244464850525456586062646668707274767880 BV-196698.300.163.93E+140.000.000.000.204.201.7044.30181.80140.1037.8011.004.703.803.302.201.601.901.000.100.000.00 BV-193696.000.041.21E+130.000.003.8013.30120.30404.7091.6013.107.102.802.201.600.800.300.100.000.000.000.000.000.00 BV-190694.000.146.76E+130.000.000.003.8011.3078.90251.70111.2023.008.203.402.902.201.400.900.700.200.100.000.000.00 BV-186688.700.087.99E+130.000.000.004.9018.5082.60223.40120.6032.3011.905.003.202.501.700.800.300.100.000.000.000.00 BV-184684.500.136.75E+130.000.000.104.703.10104.20314.40142.1032.609.604.003.702.801.801.601.500.400.100.000.000.00 BV-182676.700.061.68E+130.000.001.406.9077.40264.10120.3024.708.003.703.002.201.501.100.500.100.000.000.000.000.00 BV-180627.000.141.44E+130.000.000.000.0095.60270.1095.2017.805.301.601.801.801.300.900.400.100.000.000.000.000.00 BV-178614.300.081.70E+130.000.003.3011.2059.10201.70127.7027.4012.904.403.602.501.601.400.600.100.000.000.000.000.00 BV-172518.700.181.37E+130.000.100.100.0022.10354.70141.9016.3011.903.503.302.801.701.000.400.100.000.000.000.000.00 BV-171416.200.121.30E+130.000.100.600.000.00298.50137.6013.3010.702.803.602.501.601.200.500.100.000.000.000.000.00 BV-169413.300.081.46E+130.000.100.700.000.00351.10194.3028.0017.805.806.004.302.401.600.600.100.000.000.000.000.00 BV-167410.000.212.27E+140.000.000.001.004.200.200.80250.60142.8017.9011.503.804.303.401.701.802.500.500.000.000.00 BV-165366.500.211.95E+140.000.000.000.704.701.004.70153.4087.5014.7010.304.203.502.901.701.401.000.200.000.000.00 BV-163324.000.261.13E+130.000.000.000.000.00305.00101.0015.106.602.102.702.101.200.700.200.000.000.000.000.000.00 BV-161295.000.264.32E+130.000.001.500.500.000.00268.00111.9013.405.801.301.901.401.101.701.200.200.000.000.000.00 BV-159292.500.269.67E+120.000.000.000.000.00349.00136.8016.309.102.503.702.701.701.200.400.100.000.000.000.000.00 BV-156289.600.162.12E+140.000.000.000.900.100.000.00263.60114.7014.708.102.403.202.401.601.100.600.200.000.000.00 BV-152286.500.714.80E+130.000.000.400.400.000.40299.20139.3018.6011.503.004.002.801.701.100.400.000.000.000.000.00 BV-150270.800.191.01E+130.000.100.000.000.00358.90119.2015.407.500.902.601.901.200.900.200.000.000.000.000.000.00 BV-146267.000.121.11E+130.000.000.000.000.00344.70113.6013.909.702.603.402.701.400.600.100.000.000.000.000.000.00 BV-141255.000.149.88E+120.000.000.000.000.00329.30106.3016.009.903.704.102.701.601.100.300.000.000.000.000.000.00 BV-140245.500.151.08E+130.000.200.600.000.00237.30100.0013.109.703.403.502.501.400.800.200.100.000.000.000.000.00 BV-138243.000.253.77E+130.000.000.803.300.000.20206.3065.608.607.003.303.101.901.401.800.700.100.000.000.000.00 BV-137239.300.268.65E+140.000.000.000.001.901.200.000.00269.80120.1018.0010.504.104.303.402.301.801.700.600.100.00 BV-131227.500.358.81E+120.000.000.000.000.00414.60103.1019.303.501.501.801.701.200.700.200.100.000.000.000.000.00 BV-129223.300.057.91E+120.000.000.000.000.10396.3091.3014.104.701.902.201.900.800.300.100.000.000.000.000.000.00 BV-127220.000.084.08E+130.000.000.200.000.000.00351.10117.3015.509.603.703.602.901.600.700.200.100.000.000.000.00 BV-125212.800.224.02E+130.000.000.100.000.000.10292.6093.2012.307.903.703.302.601.601.100.400.100.000.000.000.00 BV-121210.500.094.33E+130.000.000.603.200.000.60301.50117.7013.208.303.203.302.701.701.100.400.100.000.000.000.00 BV-114198.000.353.58E+130.000.000.000.000.000.00234.3057.5012.105.403.603.002.101.501.100.300.000.000.000.000.00
  • 214.
    193 BV-110193.500.063.45E+130.000.000.000.000.000.00378.10102.9015.309.202.803.603.201.400.400.100.000.000.000.000.00 BV-107191.700.089.42E+120.000.301.500.000.00314.40107.4017.2012.505.204.803.501.800.800.200.000.000.000.000.000.00 BV-100187.700.213.27E+130.000.000.100.000.0016.80346.4084.1012.506.702.502.902.400.800.200.000.000.000.000.000.00 BV-97185.300.363.23E+130.000.001.803.200.000.00298.70106.008.204.101.501.301.001.001.701.000.100.000.000.000.00 BV-89145.000.183.37E+130.000.000.300.000.000.30394.20109.0015.306.001.202.102.301.400.500.100.000.000.000.000.00 BV-87143.300.117.60E+120.000.000.000.000.00392.0084.8014.404.603.703.802.601.200.500.100.000.000.000.000.000.00 BV-84141.000.147.93E+120.000.200.300.001.30350.5085.8011.307.902.903.502.701.000.200.000.000.000.000.000.000.00 BV-82140.000.141.38E+140.000.000.000.000.000.000.20271.9091.3018.205.201.303.002.201.501.400.600.000.000.000.00 BV-80138.000.138.46E+120.000.000.000.000.00363.5095.6014.607.203.203.602.701.000.300.100.000.000.000.000.000.00 BV-76134.500.067.97E+120.000.000.000.000.30367.8077.9014.605.702.103.402.600.600.100.000.000.000.000.000.000.00 BV-72130.700.425.90E+140.000.000.000.001.700.000.000.00265.60101.6015.801.401.902.001.601.201.502.100.400.100.00 BV-68128.000.273.79E+130.000.000.000.000.000.20339.40100.4020.1010.105.204.403.501.900.700.100.000.000.000.000.00 BV-64124.500.087.33E+120.000.000.000.000.00410.7078.8017.405.502.703.302.201.000.300.100.000.000.000.000.000.00 BV-63100.500.073.65E+130.000.000.000.000.000.10339.10102.2016.206.702.703.002.601.500.700.200.000.000.000.000.00 BV-5697.000.263.25E+130.000.000.000.000.000.00338.20106.9015.803.501.301.501.101.001.200.400.100.000.000.000.00 BV-5192.700.193.37E+130.000.001.200.200.000.00382.20124.0016.304.601.201.401.301.000.700.300.100.000.000.000.00 BV-4790.200.111.49E+140.000.000.001.101.500.000.70336.40133.8016.605.200.601.001.301.100.900.500.100.000.000.00 BV-4388.000.228.40E+120.000.000.000.000.00375.3091.6016.503.502.503.202.401.100.400.100.000.000.000.000.000.00 BV-40A83.000.149.02E+120.000.200.700.002.00354.30106.5017.808.802.002.602.201.000.300.100.000.000.000.000.000.00 BV-2254.500.223.11E+130.000.000.300.000.000.40258.4058.5012.402.902.502.301.401.301.300.400.000.000.000.000.00 BV-1950.500.193.06E+130.000.003.401.000.000.00364.80102.4016.503.302.402.201.501.201.400.500.100.000.000.000.00 BV-1428.500.122.58E+130.000.001.200.000.000.00402.8092.7014.602.801.901.701.201.301.200.200.000.000.000.000.00 BV-1123.800.183.35E+130.000.001.205.801.3015.60156.0080.2023.3010.601.903.002.501.500.800.200.000.000.000.000.00 BV-716.000.321.13E+140.000.000.002.201.100.000.00174.5049.2010.604.101.902.001.401.101.100.500.100.000.000.00 BV-413.800.161.28E+140.000.000.002.102.100.000.00147.9066.1018.607.801.903.302.401.701.400.500.100.000.000.00 BV-19.000.224.61E+140.000.000.000.000.000.000.000.00181.7071.9022.0012.106.006.504.002.801.900.800.100.000.00 AmostraPosição (m) FEA(s-1)Potenciaisgeradores(mgHC/gCOT)porEnergiadeAtivação(emkcal/mol) 404244464850525456586062646668707274767880
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    194 Anexo 6 –Resultados das análises de ICP-MS em amostras de rocha total da coluna estratigráfica do Rio Bambuca, Bacia do Vale Superior do Magdalena, Colômbia. São apresentadas concentrações de 37 elementos: Potássio (K), Alumínio (Al), Magnésio (Mg), Disprósio (Dy), Samário (Sa), Tálio (Tl), Praseodímio (Pr), Nióbio (Nb), Cádmio (Cd), Escândio (Sc), Urânio (U), Tório (Th), Chumbo (Pb), Cobalto (Co), Gálio (Ga), Cobre (Cu), Neodímio (Nd), Ítrio (Y), Lantânio (La), Cério (Ce), Molibdênio (Mo), Rubídio (Rb), Fósforo (P), Zircônio (Zr), Cromo (Cr), Estanho (Sn), Níquel (Ni), Manganês (Mn), Zinco (Zn), Bário (Ba), Estrôncio (Sr), Vanádio (V), Sódio (Na), Titânio (Ti), Cálcio (Ca), Ferro (Fe) e Silício (Si). À exceção do Si, cujas concentrações estão reportadas em por- centagem do peso da amostra (% peso), todos os elementos restantes tem suas concentrações apresentadas em partes por milhão (ppm).
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    195 Amostra Posição (m)Na Mg Al K Ca V Cr Mn YC-49 707.00 734.000 203.000 4756.000 850.000 2.680 113.000 12.000 4.600 BV-199 702.00 1230.000 1938.000 2.701 3687.000 4.922 122.000 55.300 26.300 BV-196 698.30 1087.000 2154.000 5.303 7627.000 6.787 709.000 53.400 34.400 BV-194 696.50 1984.000 1536.000 3.088 4496.000 11.634 868.000 46.200 34.500 BV-193 696.00 906.000 1992.000 2.142 4038.000 12.306 1092.000 63.500 37.500 BV-190 694.00 1690.000 1296.000 1.905 3530.000 14.413 544.000 33.900 43.700 BV-189 690.50 286.000 2054.000 3566.000 840.000 28.103 103.000 6.200 139.000 BV-186 688.70 1248.000 1354.000 2.920 4573.000 21.395 677.000 46.200 45.900 BV-185 688.00 1324.000 2052.000 2.742 4202.000 14.831 839.000 51.000 47.900 BV-184 684.50 1184.000 1054.000 6135.000 1098.000 23.961 152.000 13.000 43.000 BV-182 676.70 1018.000 1042.000 1.712 1570.000 17.924 74.000 11.400 37.000 YC-37 671.50 790.000 1094.000 1.630 2769.000 20.320 332.000 38.000 42.000 YC-35 662.00 400.000 872.000 2.041 3341.000 14.155 497.000 35.000 33.600 YC-33 646.70 832.000 1153.000 4.153 4727.000 9.306 269.000 25.100 29.200 BV-181 636.50 2467.000 1257.000 1.344 1555.000 25.261 137.000 10.600 33.700 YC-29 633.00 1765.000 957.000 2.152 2318.000 15.255 156.000 16.500 22.200 YC-27 629.30 1065.000 993.000 1.612 2848.000 14.238 414.000 26.400 24.000 BV-180 627.00 693.000 1186.000 3.386 4180.000 10.487 561.000 43.000 28.200 BV-179 620.30 2640.000 1428.000 4879.000 944.000 27.319 127.000 4.700 44.000 BV-178 614.30 2012.000 1225.000 2.142 2842.000 24.901 350.000 22.400 39.800 YC-19 606.50 422.000 1355.000 6.289 7964.000 10.433 383.000 39.200 58.500 YC-16 603.60 550.000 994.000 3.877 5159.000 15.225 75.000 26.000 167.000 YC-17 603.30 415.000 663.000 1.195 1783.000 14.294 26.000 14.800 216.000 YC-15 603.15 1141.000 1623.000 6.141 7057.000 3.912 179.000 72.500 180.000 YC-13 603.00 582.000 1152.000 3.487 5846.000 12.074 47.500 21.900 146.000 YC-12 602.70 541.000 1221.000 4.138 6813.000 11.762 59.000 26.000 142.000 YC-10 602.00 675.000 1613.000 5.221 9773.000 5.235 409.000 105.000 116.000 YC-09 601.50 486.000 1397.000 6.042 9579.000 11.152 348.000 68.400 120.000 YC-08 601.00 1468.000 1673.000 6357.000 1038.000 33.119 59.000 4.300 99.400 BV-176 530.00 571.000 2611.000 13.787 1.658 5054.000 36.200 36.300 38.000 BV-174 526.00 433.000 2171.000 16.072 1.817 1.170 38.800 30.900 62.800 BV-172 518.70 348.000 1233.000 8.849 1.072 8.155 382.000 39.200 41.000 BV-171 416.20 234.000 1137.000 7.151 8252.000 13.270 290.000 29.000 38.400 BV-169 413.30 279.000 1054.000 6.884 8173.000 9.208 314.000 29.300 31.600 BV-167 410.00 215.000 706.000 3.434 4088.000 17.988 163.000 18.700 44.500 BV-165 366.50 966.000 2522.000 10.337 1.029 2.533 372.000 63.400 56.000 BV-163 324.00 492.000 1859.000 9.246 9377.000 8.612 426.000 50.000 45.000 BV-161 295.00 1058.000 2355.000 9.136 9427.000 7.223 241.000 49.300 46.500 BV-159 292.50 479.000 2141.000 9.566 1.029 6.108 420.000 64.500 33.100 BV-156 289.60 1088.000 2113.000 8.212 8672.000 8.383 444.000 54.000 35.000 BV-152 286.50 703.000 2208.000 6.504 7609.000 10.058 527.000 51.600 33.100 BV-150 270.80 577.000 2104.000 8.871 1.005 5.661 533.000 66.000 34.000 BV-146 267.00 434.000 1833.000 5.348 6538.000 9.352 561.000 42.000 32.000 BV-142 258.50 250.000 1.330 6.165 7714.000 10.551 102.000 28.000 145.000 BV-141 255.00 429.000 3282.000 8.747 1.207 6.027 223.000 48.000 50.000 BV-140 245.50 438.000 1729.000 6.949 1.024 9.198 361.000 41.600 34.400 BV-138 243.00 310.000 1724.000 9.519 1.155 5.083 161.000 44.000 46.000 Parte A
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    196 Amostra Posição (m)Na Mg Al K Ca V Cr Mn BV-137 239.30 998.000 1836.000 9.652 1.220 5.219 225.000 45.400 32.000 BV-135 236.70 231.000 1070.000 2.788 3695.000 27.498 34.000 9.400 80.000 BV-133 232.00 673.000 1416.000 5.879 8463.000 11.279 400.000 42.000 43.000 BV-131 227.50 347.000 1899.000 8.072 1.099 6.957 243.000 50.000 54.000 BV-129 223.30 560.000 1597.000 6.867 1.090 9.187 348.000 67.000 45.000 BV-127 220.00 608.000 1486.000 5.304 8622.000 11.064 411.000 48.800 54.500 BV-125 212.80 648.000 2033.000 7.257 1.202 5.378 230.000 40.700 38.200 BV-121 210.50 500.000 1604.000 5.750 8629.000 7.255 426.000 35.400 22.700 BV-117 208.70 363.000 872.000 2.582 4140.000 23.722 34.900 10.200 73.300 BV-114 198.00 624.000 2276.000 9.243 1.100 2.514 144.000 49.500 45.700 BV-110 193.50 306.000 1008.000 3.329 6611.000 15.416 477.000 47.600 39.300 BV-104 189.70 208.000 720.000 1.142 2246.000 26.914 46.800 11.000 32.900 BV-100 187.70 677.000 1770.000 4.715 1.079 4.867 1157.000 110.000 40.000 BV-97 185.30 1005.000 1757.000 10.214 1.356 1.864 206.000 68.700 52.000 BV-89 145.00 588.000 1172.000 5.645 8470.000 9.584 399.000 41.000 24.500 BV-87 143.30 683.000 1053.000 3.710 7560.000 5.563 430.000 55.200 18.000 BV-84 141.00 899.000 1876.000 3.496 7483.000 5.546 1323.000 124.000 30.000 BV-82 140.00 722.000 1846.000 2.651 6354.000 13.125 299.000 58.200 45.900 BV-80 138.00 986.000 2511.000 5.316 1.069 8.605 1049.000 142.000 45.000 BV-76 134.50 1257.000 2771.000 6.435 1.298 7.545 1494.000 210.000 51.500 BV-72 130.70 462.000 1633.000 3.158 6972.000 20.603 285.000 57.000 48.500 BV-71 130.00 2630.000 2634.000 5.038 1.219 14.694 647.000 96.000 53.000 BV-68 128.00 1867.000 3300.000 6.888 2.246 5.132 1698.000 230.000 71.000 BV-65 125.70 663.000 998.000 7259.000 1632.000 33.683 48.000 14.400 47.000 BV-64 124.50 742.000 3572.000 4.467 9107.000 12.411 290.000 84.000 133.000 BV-63 100.50 1794.000 2547.000 7.521 1.317 8.671 320.000 69.400 47.400 BV-56 97.00 725.000 3278.000 9.790 1.285 4.020 107.000 58.500 62.200 BV-51 92.70 2995.000 3906.000 10.385 1.292 3.936 432.000 79.000 72.000 BV-47 90.20 596.000 3496.000 11.938 1.587 3.842 508.000 87.200 66.000 BV-43 88.00 1183.000 3923.000 4.885 1.030 10.422 861.000 97.000 77.000 BV-40A 83.00 1998.000 2018.000 3.440 1.156 13.751 780.000 69.000 BV-40 82.70 1005.000 2439.000 5.647 1.426 10.509 1111.000 245.000 60.000 BV-36 79.50 744.000 3438.000 11.216 1.322 2.545 170.000 74.000 120.000 BV-28 75.70 3186.000 2475.000 13.160 1.293 8113.000 292.000 103.000 39.400 BV-22 54.50 5431.000 3052.000 13.062 1.492 1.563 275.000 49.800 BV-19 50.50 1054.000 2577.000 12.998 1.478 1.118 226.000 108.000 51.000 BV-14 28.50 1103.000 3444.000 12.748 1.879 1.574 247.000 98.000 120.000 BV-11 23.80 5210.000 1640.000 10.721 5592.000 2669.000 192.000 49.800 21.000 BV-7 16.00 877.000 748.000 13.729 6532.000 6.500 73.000 50.000 13.800 BV-4 13.80 944.000 462.000 7.740 3899.000 13.100 36.000 36.000 10.300 YC-03 12.00 161.000 88.000 2.799 1132.000 18.500 16.700 3.700 BV-1 9.00 295.000 2093.000 9.082 4986.000 892.000 63.000 30.000 1493.000 YC-02 3.50 105.000 31.000 5859.000 385.000 7.100 4.300 3.800 Parte A
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    197 Amostra Posição (m)Fe Co Ni Cu Zn Y Mo Cd Ba YC-49 707.00 1.803 15.280 4.990 46.000 2.300 5.160 3.000 133.000 BV-199 702.00 1.105 2.400 26.500 5.900 27.080 9.400 2.100 1.500 223.000 BV-196 698.30 1.362 4.500 57.300 19.000 122.200 15.800 36.300 8.100 156.000 BV-194 696.50 8104.000 4.200 136.000 26.200 338.000 10.900 61.200 17.400 198.000 BV-193 696.00 1.185 4.800 308.000 38.700 400.000 13.700 152.000 15.700 158.000 BV-190 694.00 7652.000 4.500 90.300 14.900 219.300 61.000 8.190 144.000 BV-189 690.50 8292.000 5.200 11.250 1.690 22.100 3.760 5.800 0.970 51.300 BV-186 688.70 1.249 6.700 82.000 15.500 96.000 19.200 62.500 4.300 245.000 BV-185 688.00 1.125 6.650 94.400 18.400 187.000 9.700 65.000 13.700 96.000 BV-184 684.50 4778.000 6.300 17.400 3.700 29.700 9.400 10.400 1.190 61.600 BV-182 676.70 9248.000 7.600 47.700 6.600 21.300 6.500 30.300 0.380 60.000 YC-37 671.50 8260.000 6.700 43.400 11.600 91.000 8.000 28.300 4.900 87.000 YC-35 662.00 9216.000 5.800 85.400 11.200 225.000 12.900 46.000 6.600 193.000 YC-33 646.70 1.204 5.300 94.000 13.600 55.400 12.100 55.000 0.900 111.000 BV-181 636.50 7293.000 7.170 23.500 3.900 32.000 4.700 8.700 0.700 83.200 YC-29 633.00 1.114 4.900 68.700 5.700 25.400 6.000 43.000 0.500 99.600 YC-27 629.30 1.077 5.500 80.200 11.600 248.000 12.000 68.000 9.500 111.000 BV-180 627.00 1.376 6.500 85.000 10.900 61.000 9.000 59.000 1.800 99.000 BV-179 620.30 9004.000 6.500 18.800 2.300 26.300 3.300 21.800 0.780 81.000 BV-178 614.30 8437.000 8.700 61.400 5.400 37.600 10.600 16.000 0.680 122.000 YC-19 606.50 2.172 10.600 83.000 14.000 125.000 15.400 29.700 0.690 501.000 YC-16 603.60 2.306 12.600 43.300 13.800 21.400 10.000 6.000 0.750 163.000 YC-17 603.30 3.798 10.400 38.200 17.700 10.400 15.000 2.890 101.000 YC-15 603.15 3.901 32.700 95.800 50.600 30.800 9.000 10.000 80.000 YC-13 603.00 2.936 12.000 24.000 17.600 8.200 35.000 2.200 87.000 YC-12 602.70 2.534 15.300 29.300 19.700 11.200 11.400 1.400 78.000 YC-10 602.00 3.445 17.300 207.000 37.700 43.100 16.000 27.200 0.900 110.000 YC-09 601.50 4.607 14.300 335.000 37.000 112.000 41.000 44.800 2.860 90.000 YC-08 601.00 1.850 7.000 22.500 2.380 19.700 6.750 9.100 0.500 27.900 BV-176 530.00 4.282 7.400 12.400 5.200 14.300 24.200 108.000 BV-174 526.00 4.801 5.360 12.600 5.500 13.200 20.300 1.700 94.000 BV-172 518.70 3.163 4.200 56.600 10.600 52.700 11.600 27.000 2.750 192.000 BV-171 416.20 2.791 5.100 44.400 7.800 34.000 9.800 24.200 1.570 89.000 BV-169 413.30 2.583 4.700 35.400 9.300 37.000 11.200 23.400 1.480 108.000 BV-167 410.00 2.111 5.100 27.400 6.800 136.000 22.400 18.000 12.000 69.000 BV-165 366.50 3.499 5.900 51.000 11.700 46.000 18.700 23.900 1.300 133.000 BV-163 324.00 2.715 6.800 49.000 11.200 44.000 18.700 44.000 1.880 139.000 BV-161 295.00 3.298 7.700 42.100 11.100 11.900 20.200 18.000 127.000 BV-159 292.50 2.576 7.500 56.000 11.300 31.000 22.100 23.000 0.980 106.000 BV-156 289.60 2.799 5.900 52.000 9.900 39.700 15.800 46.000 2.700 117.000 BV-152 286.50 2.749 6.700 61.400 14.000 79.000 16.800 56.000 4.000 146.000 BV-150 270.80 2.202 7.700 66.800 13.200 38.100 18.200 42.200 2.000 134.000 BV-146 267.00 2.218 7.300 61.100 13.000 51.200 13.500 41.000 2.000 95.000 BV-142 258.50 8.366 8.000 33.000 6.700 9.700 11.400 14.200 76.000 BV-141 255.00 3.170 7.200 52.000 12.600 25.000 14.800 32.000 0.700 77.000 BV-140 245.50 2.336 8.450 54.300 12.500 56.500 17.000 42.700 2.600 160.000 BV-138 243.00 3.129 8.000 38.600 10.000 48.100 16.200 24.100 2.460 148.000 Parte B
  • 219.
    198 Amostra Posição (m)Fe Co Ni Cu Zn Y Mo Cd Ba BV-137 239.30 2.578 6.600 40.500 9.700 20.200 14.000 26.000 0.600 129.000 BV-135 236.70 2.904 13.300 16.900 3.100 2.700 6.400 6.670 37.200 BV-133 232.00 1.950 10.500 59.400 13.700 120.000 20.000 68.000 4.400 117.000 BV-131 227.50 2.265 8.700 48.600 11.700 36.400 13.300 29.200 1.380 107.000 BV-129 223.30 2.074 9.200 58.400 14.300 73.000 17.500 44.000 4.400 124.000 BV-127 220.00 2.286 8.700 59.100 13.900 70.000 13.300 45.000 4.700 125.000 BV-125 212.80 2.659 6.100 43.100 10.200 45.000 13.100 27.000 2.300 81.000 BV-121 210.50 2.216 5.600 58.700 10.300 93.500 8.400 52.700 3.800 79.000 BV-117 208.70 3.363 14.100 16.800 3.900 2.100 9.300 6.500 82.000 BV-114 198.00 3.781 7.400 36.400 11.200 20.400 10.500 18.200 0.700 60.000 BV-110 193.50 1.518 9.700 63.500 11.600 72.700 4.790 59.900 6.900 51.000 BV-104 189.70 1.233 13.200 14.900 2.900 2.000 2.400 7.400 11.400 BV-100 187.70 1.913 6.400 143.000 27.000 433.000 9.600 146.000 27.900 155.000 BV-97 185.30 3.018 7.000 41.000 11.100 24.400 12.480 17.300 0.720 75.600 BV-89 145.00 2.082 7.100 77.000 15.200 71.100 9.280 85.000 4.600 62.000 BV-87 143.30 1.256 4.300 61.000 12.100 88.500 10.000 59.000 8.160 65.000 BV-84 141.00 1.263 7.300 174.000 34.700 1122.000 13.800 174.000 64.000 83.000 BV-82 140.00 2.013 9.700 70.500 14.300 37.000 13.000 40.500 2.800 522.000 BV-80 138.00 2.189 12.400 141.000 29.500 240.000 18.500 108.000 21.400 164.000 BV-76 134.50 2.644 12.100 197.000 41.000 304.000 15.500 170.000 23.100 123.000 BV-72 130.70 3.427 18.200 64.100 13.800 33.000 19.200 27.500 2.590 53.000 BV-71 130.00 4.945 18.900 108.000 22.800 130.000 14.700 80.000 9.600 46.000 BV-68 128.00 3.112 11.000 126.000 46.000 235.000 20.000 117.000 19.100 117.000 BV-65 125.70 1.061 26.000 19.800 4.200 8.900 14.300 7.800 0.600 25.000 BV-64 124.50 2.610 16.100 94.000 17.700 114.000 81.300 50.700 7.700 117.000 BV-63 100.50 2.627 18.500 88.800 16.500 55.000 22.900 43.000 3.100 111.000 BV-56 97.00 3.337 12.400 48.400 14.100 15.200 16.900 18.300 0.450 98.000 BV-51 92.70 3.696 13.200 95.500 21.800 50.900 22.700 80.000 3.300 151.000 BV-47 90.20 3.408 11.400 85.000 18.700 88.400 18.600 67.000 4.800 146.000 BV-43 88.00 2.472 13.000 104.000 22.900 184.000 16.800 91.000 14.200 170.000 BV-40A 83.00 2.115 11.300 152.000 29.100 240.000 29.000 94.000 17.000 100.000 BV-40 82.70 3.184 14.300 179.000 44.000 388.000 83.500 127.000 27.000 337.000 BV-36 79.50 4.173 12.600 45.900 14.300 41.100 25.000 20.400 1.400 172.000 BV-28 75.70 2.956 8.900 51.000 16.600 103.000 35.000 25.000 4.800 234.000 BV-22 54.50 2.923 11.200 66.400 22.200 512.000 30.200 34.500 31.400 152.000 BV-19 50.50 3.275 10.100 49.600 18.100 57.800 24.600 18.800 2.380 98.000 BV-14 28.50 3.219 9.200 51.400 20.100 100.000 30.000 20.000 4.100 153.000 BV-11 23.80 3.178 23.000 77.000 25.500 9.000 11.100 6.900 60.000 BV-7 16.00 2.002 8.700 14.800 13.500 10.300 18.000 1.900 112.000 BV-4 13.80 2.007 10.800 14.000 13.800 13.200 16.500 0.600 65.000 YC-03 12.00 8560.000 0.800 3.100 7.200 2.100 6.600 25.000 BV-1 9.00 10.869 7.000 8.900 8.500 5.500 18.700 0.700 59.000 YC-02 3.50 2014.000 0.700 1.600 4.600 1.550 3.300 11.600 Parte B
  • 220.
    199 Amostra Posição (m)Tl Pb Th U Sc Ti Ga Rb Sr Zr YC-49 707.00 2.500 0.600 109.000 1.700 4.300 207.000 5.200 BV-199 702.00 3.850 5.000 2.300 3.880 801.000 9.400 29.900 278.000 27.000 BV-196 698.30 2.900 10.700 11.200 10.000 5.400 1559.000 19.500 61.000 310.000 45.800 BV-194 696.50 3.570 9.270 5.300 10.700 5.600 532.000 10.700 35.000 539.000 43.000 BV-193 696.00 7.600 9.400 3.700 15.400 7.400 557.000 8.700 29.600 666.000 36.000 BV-190 694.00 3.200 5.400 3.500 11.700 4.800 708.000 9.500 26.900 723.000 41.700 BV-189 690.50 0.400 1.400 3.400 0.890 348.000 0.970 4.000 916.000 6.000 BV-186 688.70 2.400 6.300 4.500 13.400 4.880 851.000 9.700 31.000 841.000 25.200 BV-185 688.00 3.900 7.900 5.900 5.900 6.000 848.000 38.000 710.000 26.000 BV-184 684.50 0.480 1.400 1.300 3.600 2.600 381.000 1.860 6.300 960.000 8.100 BV-182 676.70 1.700 3.800 2.900 3.500 5.200 396.000 5.400 12.800 881.000 12.400 YC-37 671.50 1.470 5.000 2.900 4.500 3.600 540.000 5.060 18.000 742.000 14.400 YC-35 662.00 2.900 5.100 2.500 9.000 5.900 496.000 7.000 23.100 651.000 24.000 YC-33 646.70 4.200 8.400 10.600 13.800 7.200 624.000 12.100 36.000 484.000 20.000 BV-181 636.50 0.700 2.800 1.700 2.800 3.500 451.000 3.100 9.000 733.000 6.300 YC-29 633.00 2.500 6.000 2.400 5.000 5.700 605.000 5.400 16.000 703.000 10.000 YC-27 629.30 3.200 5.000 3.100 12.900 7.000 422.000 6.900 20.000 683.000 14.200 BV-180 627.00 4.400 7.200 5.700 4.900 4.600 1324.000 10.400 34.000 620.000 15.300 BV-179 620.30 1.130 0.700 3.300 372.000 1.100 2.500 444.000 6.400 BV-178 614.30 0.850 3.800 3.400 9.200 4.500 754.000 4.600 18.300 831.000 16.700 YC-19 606.50 2.700 11.500 11.000 8.700 6.700 2038.000 19.300 64.000 375.000 57.000 YC-16 603.60 1.400 5.700 4.800 3.800 4.700 1339.000 10.300 32.000 415.000 23.000 YC-17 603.30 1.400 2.750 1.400 2.100 5.190 264.000 6.900 8.300 321.000 25.000 YC-15 603.15 7.700 8.700 5.100 17.200 2014.000 30.800 50.000 225.000 54.000 YC-13 603.00 2.700 5.000 5.000 8.100 10.400 1120.000 17.100 28.600 396.000 71.400 YC-12 602.70 2.300 5.700 5.000 4.000 10.500 1388.000 21.600 37.000 375.000 61.000 YC-10 602.00 9.000 6.400 7.100 6.200 12.800 1602.000 20.700 57.000 240.000 62.000 YC-09 601.50 17.300 8.900 7.000 15.000 6.200 1264.000 12.900 41.000 354.000 56.000 YC-08 601.00 0.600 1.200 0.600 3.600 2.300 267.000 1.100 3.500 593.000 8.800 BV-176 530.00 17.200 27.000 2.900 7.200 2126.000 25.800 77.000 104.800 82.000 BV-174 526.00 0.400 15.900 25.700 6.000 1683.000 23.000 70.000 112.000 59.000 BV-172 518.70 1.490 12.600 13.400 8.200 3.560 1198.000 13.500 38.000 242.000 43.000 BV-171 416.20 1.500 8.700 9.400 5.300 2.600 961.000 10.800 30.000 238.000 37.000 BV-169 413.30 2.350 6.000 9.000 3.300 3.100 898.000 10.100 31.000 236.000 44.000 BV-167 410.00 1.130 4.050 1.960 17.500 1.950 349.000 5.600 14.000 363.000 20.000 BV-165 366.50 2.600 16.300 19.700 5.800 9.000 2221.000 30.000 74.300 222.000 63.000 BV-163 324.00 2.000 11.400 15.400 3.300 7.100 1810.000 23.300 57.000 377.000 50.000 BV-161 295.00 2.000 12.400 15.700 3.700 8.200 2025.000 23.000 58.000 341.000 52.000 BV-159 292.50 2.000 13.700 18.100 8.700 6.600 2161.000 24.700 64.000 306.000 87.000 BV-156 289.60 2.000 10.100 13.100 7.700 6.400 1667.000 18.600 49.000 329.000 43.000 BV-152 286.50 2.900 7.100 10.200 10.100 5.900 1398.000 15.500 42.700 453.000 64.000 BV-150 270.80 3.300 13.300 17.400 7.400 7.800 2056.000 24.700 69.000 320.000 79.000 BV-146 267.00 2.100 8.700 6.800 9.400 4.700 1421.000 13.900 41.000 392.000 58.000 BV-142 258.50 1.300 7.800 8.700 3.500 6.500 1228.000 12.500 40.000 244.000 33.000 BV-141 255.00 2.300 11.700 12.800 7.500 7.400 1915.000 21.000 68.000 236.000 53.000 BV-140 245.50 3.000 8.200 9.200 10.000 6.090 1467.000 15.800 55.000 335.000 52.000 BV-138 243.00 1.650 12.400 5.900 7.500 6.500 1870.000 20.500 62.000 225.000 63.000 Parte C
  • 221.
    200 Amostra Posição (m)Tl Pb Th U Sc Ti Ga Rb Sr Zr BV-137 239.30 1.800 13.200 15.200 8.000 6.800 1765.000 19.500 64.500 215.000 87.000 BV-135 236.70 3.200 3.200 0.600 2.000 494.000 4.200 14.400 283.000 26.000 BV-133 232.00 3.600 7.760 9.900 9.600 7.400 1247.000 12.600 45.000 365.000 104.000 BV-131 227.50 2.050 9.200 13.500 4.200 5.370 1571.000 16.300 58.500 243.000 42.000 BV-129 223.30 2.570 8.900 11.400 14.400 5.900 1571.000 14.900 56.000 322.000 47.000 BV-127 220.00 2.000 7.300 8.300 9.300 5.600 1102.000 10.300 40.000 284.000 62.000 BV-125 212.80 1.980 7.400 10.900 6.900 4.900 1257.000 13.000 50.000 172.000 33.000 BV-121 210.50 2.300 7.400 8.400 10.300 5.700 924.000 10.100 38.700 222.000 59.600 BV-117 208.70 2.500 3.400 3.600 299.000 3.700 14.900 235.000 42.000 BV-114 198.00 2.000 10.800 12.100 3.800 6.700 2513.000 18.900 52.000 117.000 42.000 BV-110 193.50 2.100 3.000 2.700 5.900 3.550 602.000 5.400 20.600 281.000 22.000 BV-104 189.70 0.470 1.500 1.000 2.100 309.000 1.600 7.100 214.000 12.900 BV-100 187.70 6.100 5.600 5.100 17.300 4.980 1355.000 10.000 43.000 138.000 41.000 BV-97 185.30 2.200 11.700 8.800 1.500 5.100 2614.000 21.000 52.000 91.000 48.000 BV-89 145.00 3.990 5.600 10.700 4.100 1156.000 8.900 28.800 218.000 18.600 BV-87 143.30 2.800 3.800 5.500 11.000 2.800 902.000 6.300 28.000 165.000 46.000 BV-84 141.00 5.600 6.800 6.800 22.500 9.400 1287.000 10.400 41.500 255.000 85.000 BV-82 140.00 1.890 5.200 3.800 8.300 4.060 720.000 6.500 30.000 338.000 17.000 BV-80 138.00 5.930 9.900 7.980 17.500 9.500 1881.000 13.600 59.000 337.000 35.000 BV-76 134.50 10.700 10.600 10.200 20.300 10.400 2060.000 16.800 69.000 260.000 38.300 BV-72 130.70 1.140 4.100 4.000 7.100 6.380 652.000 5.900 31.000 369.000 34.000 BV-71 130.00 2.300 6.300 5.150 9.770 9.400 1598.000 9.900 58.000 295.000 28.000 BV-68 128.00 4.100 9.800 3.900 33.000 5.360 2206.000 22.200 69.600 220.000 167.000 BV-65 125.70 1.000 1.160 2.380 6.500 388.000 1.300 6.700 333.000 68.600 BV-64 124.50 2.500 7.030 9.600 25.000 8.900 1527.000 12.000 48.000 426.000 98.000 BV-63 100.50 2.890 11.600 13.800 12.100 10.700 1897.000 17.800 79.600 360.000 54.000 BV-56 97.00 2.000 14.500 15.900 4.500 9.000 3077.000 24.200 83.000 222.000 83.000 BV-51 92.70 5.800 17.000 17.900 11.300 12.900 3025.000 27.700 89.000 241.000 54.400 BV-47 90.20 4.680 16.200 19.000 10.200 10.300 2480.000 29.000 101.000 218.000 51.000 BV-43 88.00 4.300 8.600 9.300 17.900 7.900 1837.000 12.600 54.000 365.000 32.000 BV-40A 83.00 3.600 7.900 4.760 15.700 3.000 1452.000 11.800 58.600 374.000 148.000 BV-40 82.70 5.400 11.500 9.400 37.500 9.000 1831.000 14.200 72.000 455.000 66.000 BV-36 79.50 2.200 18.600 21.000 5.300 10.900 2945.000 32.200 109.000 191.000 48.000 BV-28 75.70 2.800 21.000 22.400 6.600 15.700 3717.000 35.800 91.000 149.000 64.000 BV-22 54.50 3.700 18.500 18.800 3.800 10.600 3608.000 35.000 100.000 126.000 71.000 BV-19 50.50 2.700 18.400 22.800 2.600 13.900 3488.000 34.600 110.000 130.000 53.000 BV-14 28.50 2.300 25.200 21.400 4.900 10.700 2170.000 31.000 128.000 116.000 41.000 BV-11 23.80 0.700 39.300 8.100 2.300 9.700 3461.000 28.000 35.000 70.000 68.500 BV-7 16.00 17.800 13.600 4.200 12.900 4121.000 32.000 42.000 114.000 115.000 BV-4 13.80 15.400 13.100 4.300 7.200 3632.000 18.600 20.900 86.000 217.000 YC-03 12.00 6.000 6.200 1.100 2.900 1839.000 7.200 6.000 60.000 85.000 BV-1 9.00 12.600 7.400 2.100 17.300 2253.000 20.000 24.600 294.000 76.000 YC-02 3.50 3.400 3.300 0.700 4.000 840.000 1.990 1.600 20.100 48.000 Parte C
  • 222.
    201 Amostra Posição (m)Nb Sn La Ce Pr Nd Sm Dy P Si YC-49 707.00 134.000 2.400 3.390 1.450 40.400 33.000 BV-199 702.00 3.800 53.000 10.800 23.300 2.800 9.700 1.860 1.200 25.800 25.000 BV-196 698.30 8.300 50.000 22.200 41.400 5.400 18.400 3.400 2.100 31.000 15.100 BV-194 696.50 3.840 97.400 9.160 16.700 2.120 7.300 1.270 1.000 23.800 18.200 BV-193 696.00 2.400 29.500 9.600 17.000 1.960 6.860 1.190 1.100 77.000 14.321 BV-190 694.00 3.100 168.000 10.400 21.300 2.500 8.900 1.600 1.600 33.000 13.810 BV-189 690.50 51.700 2.200 4.700 1.900 21.750 5.810 BV-186 688.70 3.400 39.000 14.900 36.400 4.000 14.200 2.500 1.990 56.000 7.100 BV-185 688.00 3.600 74.400 9.150 21.000 2.400 8.200 1.470 1.150 19.300 8.405 BV-184 684.50 79.000 5.500 13.000 1.300 4.800 0.900 0.800 27.700 7.100 BV-182 676.70 1.900 46.800 6.500 12.900 1.500 5.000 0.920 0.700 14.500 8.800 YC-37 671.50 1.800 52.000 6.700 14.600 1.500 5.500 1.000 0.800 20.000 9.300 YC-35 662.00 1.500 41.000 470.000 51.000 22.000 11.800 1.900 1.500 14.200 YC-33 646.70 3.900 40.000 13.400 31.800 3.500 12.300 2.200 1.600 25.000 16.200 BV-181 636.50 1.050 19.900 4.100 10.900 1.000 3.900 0.690 22.300 YC-29 633.00 2.700 24.800 6.800 13.100 1.700 5.600 1.000 19.200 13.324 YC-27 629.30 2.200 35.400 7.300 21.700 2.200 8.300 1.600 1.400 14.200 13.348 BV-180 627.00 4.200 33.000 9.900 22.800 2.600 8.900 1.700 1.200 17.600 15.337 BV-179 620.30 0.600 43.000 2.400 5.100 0.600 2.200 0.300 7.000 2.964 BV-178 614.30 3.100 58.500 8.200 17.300 2.100 7.400 1.300 1.000 29.700 5.780 YC-19 606.50 10.100 15.600 20.700 44.400 5.400 18.000 3.300 2.260 15.600 7.729 YC-16 603.60 4.500 29.900 9.800 20.400 2.300 8.200 1.500 1.200 13.700 8.043 YC-17 603.30 1.120 30.900 5.200 10.400 1.300 5.000 1.100 1.500 9.900 11.323 YC-15 603.15 4.700 38.000 8.200 14.200 1.900 6.800 1.400 1.300 8.100 9.912 YC-13 603.00 2.800 20.000 13.000 36.100 4.400 17.800 4.400 4.600 40.000 10.785 YC-12 602.70 3.800 22.700 8.400 16.600 2.000 7.190 1.400 1.400 9.100 13.239 YC-10 602.00 4.500 17.800 10.500 21.900 2.700 9.900 2.000 9.600 13.430 YC-09 601.50 4.400 18.500 26.000 34.400 5.500 19.200 3.900 3.660 69.000 9.736 YC-08 601.00 0.500 35.700 3.300 5.500 0.600 2.400 0.450 22.300 2.872 BV-176 530.00 13.500 14.900 40.000 95.000 10.600 36.100 6.700 4.300 8.500 12.054 BV-174 526.00 11.200 33.500 36.000 84.000 9.300 32.000 5.900 3.800 10.500 10.881 BV-172 518.70 7.500 18.800 34.900 4.200 14.100 2.460 1.800 15.000 10.798 BV-171 416.20 5.500 16.100 15.800 30.700 3.700 12.300 2.100 1.500 14.900 8.658 BV-169 413.30 4.800 15.500 13.600 31.600 3.800 13.300 2.400 1.700 15.600 12.077 BV-167 410.00 2.200 29.800 17.900 5.000 17.600 3.200 2.700 69.000 7.897 BV-165 366.50 12.700 34.500 36.500 76.500 9.000 29.800 5.100 3.400 17.900 13.113 BV-163 324.00 9.600 30.000 30.000 62.000 7.300 24.800 4.300 3.100 21.000 11.467 BV-161 295.00 10.700 101.000 31.000 67.000 8.000 28.300 5.400 3.400 24.400 11.130 BV-159 292.50 12.300 31.000 34.000 69.000 8.300 29.000 5.100 3.700 31.000 11.367 BV-156 289.60 8.900 47.000 23.300 49.700 6.000 20.000 3.470 2.400 19.800 8.351 BV-152 286.50 6.700 26.000 20.000 46.000 5.600 19.700 3.500 2.600 26.000 13.890 BV-150 270.80 11.000 71.000 27.700 59.000 7.200 24.500 4.200 2.900 25.000 12.381 BV-146 267.00 6.800 18.800 101.000 67.000 12.400 24.200 3.550 2.000 24.000 12.997 BV-142 258.50 5.600 17.400 16.300 38.400 4.200 14.300 2.500 1.800 13.200 7.441 BV-141 255.00 9.200 60.000 23.000 52.000 6.000 20.000 3.500 2.600 19.900 11.920 BV-140 245.50 6.900 28.100 20.200 49.000 5.500 19.000 3.500 2.700 21.000 10.819 BV-138 243.00 9.600 75.000 31.600 56.000 7.400 24.000 4.900 2.900 22.300 10.601 Parte D
  • 223.
    202 Amostra Posição (m)Nb Sn La Ce Pr Nd Sm Dy P Si BV-137 239.30 9.400 65.000 24.200 50.000 5.800 19.600 3.400 2.500 20.600 11.939 BV-135 236.70 2.000 73.000 7.000 16.800 1.990 7.100 1.300 0.900 10.000 4.994 BV-133 232.00 5.300 57.000 21.000 49.000 5.800 21.100 3.800 3.000 61.000 10.468 BV-131 227.50 7.100 117.000 19.900 46.300 5.500 19.300 3.500 2.400 33.000 12.265 BV-129 223.30 7.200 19.800 21.400 52.000 6.100 22.100 4.100 3.100 76.000 10.235 BV-127 220.00 4.700 80.000 14.900 31.000 3.900 13.700 2.500 2.000 42.000 10.287 BV-125 212.80 5.700 69.000 15.700 39.500 4.700 16.900 3.200 2.300 30.000 15.274 BV-121 210.50 4.600 35.100 12.900 24.800 3.100 1.800 1.400 17.600 15.943 BV-117 208.70 1.780 54.000 7.800 19.300 2.300 8.400 1.650 1.300 27.000 BV-114 198.00 9.600 53.300 20.200 44.400 4.700 15.000 2.490 1.890 14.700 11.637 BV-110 193.50 2.500 45.800 4.450 8.090 1.040 3.680 0.680 0.500 19.100 12.280 BV-104 189.70 0.800 58.000 2.300 4.100 0.500 1.700 8.100 4.287 BV-100 187.70 3.900 42.000 8.800 15.000 1.980 6.900 1.300 1.100 45.000 14.891 BV-97 185.30 9.550 68.000 18.600 39.500 5.000 17.600 3.440 2.390 27.900 12.807 BV-89 145.00 3.800 53.600 53.000 22.800 7.550 9.080 1.590 1.360 43.900 11.571 BV-87 143.30 2.900 47.000 10.480 17.060 2.340 7.810 1.730 1.250 55.200 20.000 BV-84 141.00 3.800 78.000 15.200 17.160 2.480 7.880 1.520 1.360 78.500 20.000 BV-82 140.00 2.800 167.000 8.200 15.900 2.100 7.600 1.300 57.000 14.781 BV-80 138.00 6.000 133.000 14.900 27.700 3.500 12.900 2.620 2.060 62.700 14.698 BV-76 134.50 6.800 75.400 16.030 28.700 3.500 12.500 2.200 1.900 44.900 10.011 BV-72 130.70 2.600 93.000 11.100 19.600 2.610 9.780 1.790 1.800 77.900 8.859 BV-71 130.00 4.600 210.000 12.700 19.800 2.700 9.400 1.700 1.500 53.000 7.646 BV-68 128.00 5.900 9.200 20.600 36.700 5.100 19.700 3.500 3.100 200.000 11.918 BV-65 125.70 0.800 94.600 7.600 8.400 1.300 5.200 0.940 1.000 58.000 1.000 BV-64 124.50 5.300 120.000 40.000 56.000 8.800 33.600 6.200 6.700 446.000 9.553 BV-63 100.50 8.500 87.700 24.900 52.500 6.200 21.500 4.100 5.900 66.000 10.895 BV-56 97.00 13.300 182.000 27.500 64.000 7.000 23.000 4.000 3.000 35.400 12.354 BV-51 92.70 12.100 61.000 30.700 78.400 9.200 32.000 6.000 4.300 48.500 12.751 BV-47 90.20 11.300 84.000 31.100 72.000 8.000 26.800 4.700 3.400 40.000 13.600 BV-43 88.00 6.170 175.000 14.700 27.500 3.300 11.700 2.180 1.900 112.000 13.034 BV-40A 83.00 3.700 26.800 24.500 30.800 4.900 18.600 3.300 3.100 188.000 7.680 BV-40 82.70 6.000 170.000 43.000 48.000 8.200 32.000 5.600 6.500 453.000 8.370 BV-36 79.50 13.200 77.400 37.000 82.000 10.000 35.000 6.300 4.700 36.600 BV-28 75.70 15.400 45.000 40.000 86.000 11.800 44.000 8.600 6.400 61.000 13.380 BV-22 54.50 14.000 37.000 35.000 75.000 9.100 32.000 6.500 4.300 54.000 8.000 BV-19 50.50 14.400 127.000 37.000 82.000 10.000 36.000 6.800 4.900 45.000 11.913 BV-14 28.50 10.400 51.000 34.400 72.000 9.000 33.000 6.200 4.800 82.000 13.200 BV-11 23.80 10.000 117.000 22.600 48.000 5.000 15.600 2.300 1.800 17.600 11.323 BV-7 16.00 13.600 80.000 36.000 86.000 9.200 31.000 4.980 3.480 20.000 13.500 BV-4 13.80 11.900 77.600 19.900 44.000 5.200 18.800 2.950 2.500 13.700 21.000 YC-03 12.00 5.800 117.000 12.500 27.800 3.300 12.100 1.970 1.200 15.000 30.000 BV-1 9.00 7.900 50.000 39.000 106.000 11.100 40.600 8.400 4.200 23.000 11.346 YC-02 3.50 3.400 113.000 6.100 13.300 1.570 5.400 0.900 0.500 11.100 32.000 Parte D