Dados da experiência
sobre violência e assédio
no trabalho: um primeiro
inquérito mundial
© Organização Internacional do Trabalho e Lloyd’s Register Foundation 2023
Publicado pela primeira vez em 2023
Attribution 4.0 International (CC BY 4.0)
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mundial, Genebra: Organização Internacional do Trabalho, 2023, © OIT e Lloyd’s Register Foundation.
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ISBN: 978-972-704-500-6
Também disponível em espanhol: Experiencias de violencia y acoso en el trabajo: Primera encuesta mundial, ISBN 9789220385050
(webPDF),francês:Donnéesd’expériencesurlaviolenceetleharcèlementautravail:premièreenquêtemondiale,ISBN9789220385043
(web PDF) e em inglês: Experiences of violence and harassment at work: A global first survey, ISBN 9789220384923 (web
PDF), https://doi.org/10.54394/IOAX8567.
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Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
Prefácio
A violência e o assédio no trabalho causam danos aos indivíduos, às pessoas, às famílias, às empresas e às sociedades. Afeta a vida,
a dignidade, a saúde e o bem-estar das pessoas. Além disso, agrava a desigualdade nas sociedades e prejudica a produtividade
das empresas. Não deve haver lugar nem tolerância para a violência e o assédio no trabalho – em lado nenhum. Para os prevenir
e abordar eficazmente, temos de os conhecer melhor. Precisamos de saber que tipos de violência e assédio no trabalho são mais
prevalecentes e onde, e quem está mais exposto a eles e porquê. Até agora, não existiam dados globais e regionais comparáveis
sobre este fenómeno. Para colmatar esta lacuna, a Organização Internacional do Trabalho uniu esforços com a Lloyd’s Register
Foundation e a Gallup para realizar um inquérito mundial sobre as experiências das pessoas em matéria de violência e assédio
no trabalho, no âmbito do 2021 Lloyd’s Register Foundation World Risk Poll, que, por sua vez, é realizado como parte do Gallup
World Poll.
Os resultados desta primeira imagem mundial são informativos e reveladores e, nalguns casos, surpreendentes. Ajudam-nos a
ter uma noção da magnitude da violência e do assédio no trabalho, incluindo as suas diferentes formas, e dos fatores que podem
impedir as pessoas de falar sobre o assunto, seja por vergonha e culpa, seja por falta de confiança nas instituições ou, talvez ainda
pior, porque esses comportamentos inaceitáveis são considerados “normais”.
Esperamos que este relato exploratório a nível mundial lance mais luz sobre este flagelo e abra caminho a uma investigação
e análise mais aprofundadas. Ter uma imagem mais clara de como a violência e o assédio afetam o mundo do trabalho é um
passo importante para a sua eliminação, tal como solicitado pela comunidade internacional ao adotar a Convenção (N.º 190)
sobre Violência e Assédio, de 2019 e a Recomendação (N.º 206) sobre Violência e Assédio, de 2019 da OIT. A Convenção n.º 190 é
inovadora em muitos aspetos, nomeadamente ao codificar a violência e o assédio como uma questão de igualdade e de segurança
e saúde no trabalho. Esta mensagem foi reforçada em 2022, quando o mandato tripartido da OIT elevou o direito a um ambiente
de trabalho saudável e seguro a um princípio e direito fundamental no trabalho.
Este inquérito mundial faz parte de um esforço mais amplo para acelerar a ação com vista a alcançar os Objetivos de
Desenvolvimento Sustentável, através dos quais a comunidade mundial se comprometeu a transformar o nosso mundo até
2030. Este objetivo inclui a criação de um mundo do trabalho melhor, baseado na equidade, na sustentabilidade e no respeito
pelos direitos.
Este relatório foi concebido para acelerar a ação. Todas as pessoas têm direito a um mundo do trabalho livre de violência e assédio.
Gilbert F. Houngbo
Diretor-geral
Organização Internacional do Trabalho
Ruth Boumphrey
Diretora-executiva
Lloyd’s Register Foundation
Jon Clifton
Diretor-executivo
Gallup
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Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
Índice
Prefácio............................................................................................................................................................ 3
Lista de figuras............................................................................................................................................. 5
Agradecimentos........................................................................................................................................... 7
Resumo dos resultados............................................................................................................................. 8
Introdução...................................................................................................................................................... 9
Como foi realizado o inquérito? 10
1 Qual é o estado da violência e do assédio no trabalho?.........................................................12
1.1. Violência e assédio no trabalho: uma visão geral 12
1.2. Violência física e assédio no trabalho 15
1.3. Violência psicológica e assédio no trabalho 19
1.4. Violência e assédio sexual no trabalho 22
2 Quem está mais em risco?..................................................................................................................28
2.1. Jovens 28
2.2. Mulheres migrantes 30
2.3. Mulheres trabalhadoras por conta de outrem 33
2.4. Pessoas vítimas de discriminação 35
3 Porque é que é tão difícil falar sobre violência e assédio no trabalho?...........................38
3.1. Quem e para quem: revelar experiências de violência e assédio no trabalho 38
3.2. Barreiras à revelação de experiências de violência e assédio 43
Conclusão......................................................................................................................................................46
Referências...................................................................................................................................................48
Anexos............................................................................................................................................................50
Anexo 1. Questionário sobre violência e assédio 2021 50
Anexo 2. Recursos da OIT sobre a Convenção n.º 190 e a Recomendação n.º 206 54
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Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
Lista de figuras
Figura 1.1 Percentagem de pessoas empregadas que foram vítimas de violência e assédio no trabalho
e última vez que isso ocorreu, por região, por grupo de rendimento e por sexo, 2021 (%).................... 13
Figura 1.2 Frequência com que as vítimas foram confrontadas com violência e assédio no trabalho,
por região, por grupo de rendimento e por sexo, 2021 (%)............................................................................ 14
Figura 1.3 Percentagem de pessoas empregadas que foram vítimas de violência física e assédio no
trabalho e última vez que isso aconteceu, por região, por grupo de rendimento
e por sexo, 2021 (%)..................................................................................................................................................... 16
Figura 1.4 Frequência com que as vítimas de violência física e assédio no trabalho tiveram de lidar
com tais comportamentos, por região, por grupo de rendimento e por sexo, 2021 (%)...................... 18
Figura 1.5 Percentagem de pessoas empregadas que foram vítimas de violência psicológica e assédio no
trabalho e a última vez que sofreram, por região, por grupo de rendimento e por sexo, 2021 (%)........ 20
Figura 1.6 Frequência com que as vítimas de violência psicológica e assédio no trabalho
experienciaram tais comportamentos, por região, por grupo de rendimento
e por sexo, 2021 (%).....................................................................................................................................................21
Figura 1.7 Percentagem de pessoas empregadas vítimas de violência e assédio sexual no trabalho e
última vez que os factos ocorreram, por região, por grupo de rendimento e por sexo, 2021 (%)........23
Figura 1.8 Percentagem de pessoas empregadas que foram vítimas de violência física, psicológica
e/ou sexual e assédio no trabalho e última vez que os factos se produziram, resultados
globais nível mundial, 2021 (%)................................................................................................................................24
Figura 1.9 Frequência com que as vítimas de violência e assédio sexual no trabalho sofreram tais
comportamentos, por região, por grupo de rendimento e por sexo,.........................................................25
Figura 1.10 Sobreposição de experiências de diferentes formas de violência e assédio no trabalho,
entre pessoas empregadas que declararam ter sido vítimas alguma vez de qualquer
forma de violência e assédio no trabalho, 2021 (%)..........................................................................................26
Figura 2.1 Percentagem de pessoas empregadas vítimas de violência e assédio no trabalho nos
últimos cinco anos, por região, por grupo de rendimento, por idade e por sexo, 2021 (%)................29
Figura 2.2 Percentagem de pessoas empregadas a nível mundial que foram vítimas de violência
e assédio no trabalho nos últimos cinco anos, por tipo de violência e assédio, por idade
e por sexo, 2021 (%).....................................................................................................................................................30
Figura 2.3 Percentagem de pessoas empregadas que sofreram de violência e assédio no trabalho
nos últimos cinco anos, por país de nascimento, por região, por grupo de rendimento e
por sexo, 2021 (por cento).........................................................................................................................................31
Figura 2.4 Percentagem de pessoas empregadas que já foram vítimas de violência física, psicológica
e/ou sexual e assédio no trabalho, por tipo de violência e assédio sofrido, por país de
nascimento e por sexo, 2021 (%).............................................................................................................................32
Figura 2.5 Percentagem de pessoas empregadas que sofreram de violência e assédio no local de
trabalho nos últimos cinco anos, por país de nascimento, por idade e por sexo, 2021 (%).................33
Figura 2.6 Percentagem de pessoas empregadas vítimas de violência e assédio no trabalho nos
últimos cinco anos, por situação na profissão, região, grupo de rendimento e sexo, 2021 (%).........34
Figura 2.7 Percentagem de pessoas empregadas que já foram vítimas de violência e assédio no
trabalho, por sexo e por experiências de discriminação ao longo da vida, 2021 (%).............................36
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Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
Figura 2.8 Percentagem de pessoas empregadas que já sofreram de violência e assédio no trabalho,
por sexo e por experiências de discriminação com base numa ou mais características
pessoais, 2021 (%)........................................................................................................................................................37
Figura 3.1 Percentagem de pessoas empregadas que foram vítimas de violência e assédio no
trabalho nos últimos cinco anos e que contaram a alguém, por região, por grupo
de rendimento e por sexo, 2021 (%).......................................................................................................................39
Figura 3.2 Percentagem de pessoas empregadas que foram vítimas de violência e assédio
no trabalho nos últimos cinco anos e que contaram a alguém, por tipo de violência
e assédio, 2021 (%).......................................................................................................................................................40
Figura 3.3 Percentagem de pessoas empregadas vítimas de violência e assédio no trabalho nos
últimos cinco anos e que contaram a alguém, e pessoa a quem contaram, por região
e por sexo, 2021 (%).....................................................................................................................................................42
Figura 3.4 Percentagem de pessoas empregadas que sofreram de violência e assédio no trabalho
nos últimos cinco anos, mas não o comunicaram, por motivo de não comunicação,
por região e por sexo, 2021 (%)................................................................................................................................44
Figura 3.5 Percentagem de pessoas empregadas que sofreram de violência e assédio nos últimos
cinco anos, por motivo invocado para não comunicar a ocorrência e por tipo de violência
e assédio, resultados à escala mundial, 2021 (%)..............................................................................................45
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Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
Agradecimentos
O relatório é o resultado da colaboração entre o Serviço de Género, Igualdade, Diversidade e Inclusão (GEDI) do Departamento
de Condições de Trabalho e Igualdade (WORKQUALITY) da Organização Internacional do Trabalho, a Fundação Lloyd’s Register
e a Gallup. No caso da OIT, os principais autores são Valentina Beghini, Umberto Cattaneo e Emanuela Pozzan, tendo Ira
Postolachi fornecido contributos inestimáveis, nomeadamente em termos deapoio à redação. O trabalho foi orientado, apoiado e
supervisionado por Manuela Tomei e Chidi King. Na Gallup, o relatório foi dirigido por Andrew Dugan, com a assistência de Beatrice
Locatelli, Steve Crabtree, John Reimnitz, Andrew Rzepa e Anne Schulte, tendo Hailey Spillman como designer. O relatório beneficiou
da contribuição substancial de Sarah Cumbers, Aaron Gardner, Ed Morrow e Caitlin Vaughan (Lloyd’s Register Foundation).
O nosso apreço vai para os muitos colegas da OIT, tanto na sede como nos escritórios no terreno, que contribuíram com os
seus conhecimentos e experiência. Por ordem alfabética, gostaríamos de agradecer a: Laura Addati, Paz Arancibia Roman, Ozge
Berber Agtas, Simon Boehmer, Maria José Chamorro, Jae-Hee Chang, Mwila Chigaga, Jenni Jostock, Emmanuel Julien, Frida Khan,
Olga Gomez, Aya Matsuura, Dorothea Schmidt-Klau, Joni Simpson, Esteban Tromel, Andonirina Rakotonarivo, Victor Hugo Ricco,
Catherine Saget e Julien Varlin. John Maloy foi responsável pela revisão de provas.
A presente obra foi parcialmente financiada pela Agência Sueca de Cooperação para o Desenvolvimento Internacional (Sida) e
pelo Governo francês.
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Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
Resumo dos resultados
1 Lloyd’s Register Foundation World Risk Poll 2021 [Conjunto de dados].
2 Por oposição a um trabalhador por conta própria.
O inquérito OIT-Lloyd’s Register Foundation-Gallup1
constitui a
primeira visão geral mundial das experiências de violência e
assédio no trabalho vividas pelos próprios trabalhadores. Os
resultados fornecem uma primeira visão sobre a magnitude
e a frequência da violência e do assédio no trabalho, dando
a conhecer as principais formas de violência e assédio (ou
seja, físico, psicológico e sexual) e as principais barreiras que
impedem as pessoas de falar sobre o assunto.
A violência e o assédio no trabalho são um fenómeno
generalizado em todo o mundo, com mais de uma em cada
cinco (22,8 por cento ou 743 milhões) pessoas empregadas
a ter sofrido pelo menos uma forma de violência e assédio
no trabalho durante a sua vida profissional. Entre as pessoas
que sofreram de violência e assédio no trabalho, cerca de um
terço (31,8 por cento) afirmou ter sofrido mais do que uma
forma, tendo 6,3 por cento enfrentado as três formas na sua
vida profissional:

Quase uma em cada dez (8,5 por cento ou 277 milhões)
pessoas empregadas foi vítima de violência física e
assédio no trabalho durante a sua vida profissional. Os
homens eram mais suscetíveis do que as mulheres a
declarar ter sido vítima de violência física e assédio.

A violência e o assédio psicológico foram a forma
mais comum de violência e assédio relatada tanto
por homens como por mulheres, com quase uma em
cada cinco pessoas (17,9 por cento ou 583 milhões)
empregadas ter vivido essa experiência na sua
vida profissional.

Uma em cada quinze (6,3 por cento ou 205 milhões)
pessoas empregadas foi vítima de violência e assédio
sexual no trabalho durante a sua vida profissional.
As mulheres estavam particularmente expostas à
violência e ao assédio sexual no trabalho. Os dados
relativos à violência e ao assédio sexual revelam, de
longe, a maior diferença entre homens e mulheres
(8,2 por cento das mulheres contra 5,0 por cento dos
homens) entre as três formas de violência e assédio.
A violência e o assédio no trabalho são também um
fenómeno recorrente e persistente. Mais de três em cada
cinco vítimas de violência e assédio no local de trabalho
afirmaramquetallhesaconteceuváriasvezese,paraamaioria
delas, o último incidente ocorreu nos últimos cinco anos.
O risco de ser vítima de violência e assédio no trabalho é
particularmente elevado em certos grupos demográficos.
Os jovens, os migrantes e as mulheres e homens por conta
de outrem2
eram mais suscetíveis de sofrerem de violência
e assédio no trabalho, o que pode ser particularmente
verdadeiro para as mulheres. Por exemplo, os resultados dos
inquéritos mostram que as mulheres jovens têm duas vezes
mais probabilidades do que os homens jovens de terem
sofrido de violência e assédio sexual, e que as mulheres
migrantes têm quase duas vezes mais probabilidades do
que as mulheres não migrantes de denunciarem violência e
assédio sexual.
As pessoas que sofreram discriminação em algum mo-
mento da sua vida com base nas questões de género, no
estatuto das pessoas com deficiência, na nacionalidade/
etnia, na cor da pele e/ou na religião eram mais suscetíveis
de ter sofrido de violência e assédio no trabalho do que
as que não foram vítimas dessa discriminação. As pessoas
vítimas de discriminação com base nas questões de género
foram particularmente afetadas: Quase cinco em cada dez
pessoas que sofreram de discriminação com base nestas
questões na sua vida, também enfrentaram violência e assé-
dio no trabalho, em comparação com duas em cada dez das
pessoas que não foram discriminadas com base nas questões
de género.
Falar sobre experiências pessoais de violência e
assédio continua a ser um desafio. Apenas um pouco
mais de metade (54,4 por cento) das vítimas partilharam
a sua experiência com alguém e, muitas vezes, só depois
de terem sofrido mais do que uma forma de violência e
assédio. É também mais provável que as pessoas contem
aos amigos ou à família, em vez de recorrerem a outros
canais informais ou formais.
Vários fatores e barreiras podem impedir as pessoas de
comunicar incidentes de violência e assédio no trabalho.
Entre os inquiridos, a “perda de tempo” e o “receio pela
sua reputação” foram os obstáculos mais comuns que
desencorajam as pessoas de falar sobre as suas próprias
experiências de violência e assédio no trabalho.
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Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
Introdução
3 Lloyd’s Register Foundation World Risk Poll 2021 [Conjunto de dados].
4 No inquérito e, consequentemente, no presente relatório, a expressão “no trabalho” é sinónimo de “no mundo do trabalho”.
A violência e o assédio no mundo do trabalho são um
fenómeno generalizado e nocivo, com efeitos profundos e
onerosos que vão desde consequências graves para a saúde
física e mental até à perda de rendimentos e à destruição
de carreiras profissionais, ou por perdas económicas para
as empresas e as sociedades. Para fazer face a este flagelo,
a Organização Internacional do Trabalho (OIT) adotou a
Convenção (N.º 190) sobre Violência e Assédio, de 2019 e a
respetiva Recomendação (N.º 206) em junho de 2019. Estes
instrumentos reconhecem o direito de todas as pessoas a
um mundo do trabalho livre de violência e assédio e, pela
primeira vez, proporcionam um quadro comum para a
prevenção e eliminação da violência e do assédio no mundo
do trabalho, incluindo a violência e o assédio com base nas
questões de género.
Para criar um mundo do trabalho isento de violência
e assédio, é fundamental dispor de dados sólidos e
comparáveis. No entanto, as estatísticas sobre a violência e
o assédio no mundo do trabalho são esporádicas e escassas.
A comparabilidade dos dados é problemática devido ao facto
de terem sido utilizados conceitos, definições e métodos
diferentes. As estatísticas são frequentemente recolhidas
para uma profissão, indústria ou grupo específico e podem
não estar desagregadas por sexo. A subnotificação de casos
de violência e assédio no mundo do trabalho é também um
problema, devido ao receio de vitimização e retaliação, bem
como à falta de sistemas de controlo e aplicação eficazes ou
acessíveis em muitos países.
Para colmatar esta lacuna e melhor compreender e combater
a violência e o assédio no mundo do trabalho, a OIT uniu
esforços com a Lloyd’s Register Foundation e a Gallup para
levar a cabo o primeiro exercício exploratório mundial
destinado a avaliar as experiências de violência e assédio no
trabalho das pessoas em todo o mundo.3
Este inquérito visava
explorar a prevalência e a frequência da violência e do assédio
no trabalho, incluindo as suas principais formas, sejam físicas,
psicológicas ou sexuais, e as experiências dos inquiridos ao
revelarem tais ocorrências (ver Anexo 1).4
O objetivo final é
sensibilizar para uma questão antiga e altamente complexa,
enraizada em contextos económicos, sociais e culturais mais
vastos, incluindo os que envolvem o mundo do trabalho e os
papéis enraizados de homens e de mulheres.
Em 2021, foram realizadas entrevistas a cerca de 125 000
pessoascomidadeigualousuperiora15anosem121paísese
territórios, utilizando o método de amostragem probabilística
aleatória para garantir dados e resultados representativos a
nívelnacional.Noentanto,asconclusõesdopresenterelatório
centram-se exclusivamente nas 74 364 pessoas inquiridas
que tinham emprego no momento da entrevista.
É provável que o inquérito tenha sido influenciado por uma
série de fatores macro ambientais (política nacional, normas
institucionais, tradições históricas ou normas culturais) e por
fatores micro ambientais (por exemplo, o local da entrevista
ou a presença de outras pessoas durante a entrevista), bem
como pela vontade ou reticência dos indivíduos em revelar
essas informações. Por exemplo, algumas questões não
foram colocadas ou foram colocadas de forma diferente em
alguns países devido a sensibilidades políticas e culturais
(ver a secção seguinte e a Nota Técnica para se obter mais
pormenores sobre a metodologia). Este facto deve ser tido
em conta na leitura das conclusões globais e na comparação
dos resultados entre regiões. Além disso, foram observadas
diferençasculturaisaquandodaaplicaçãodoquestionário,que
apontam para diferentes definições do que constitui violência
e assédio, bem como para diferentes graus de aceitação de
tais comportamentos. Além disso, a sensibilidade pessoal
das pessoas inquiridas pode também ter desempenhado um
papelfundamentalnadecisãodedivulgarounãoinformações
sobre violência e assédio no trabalho.
Feitas as ressalvas, este relatório apresenta o primeiro relato
mundial de sempre das experiências de violência e assédio
no trabalho, utilizando questões num questionário comum,
permitindo assim uma primeira medida da prevalência e
frequência deste fenómeno a nível mundial, bem como a
comparabilidade dos resultados entre regiões. Este estudo
abre caminho a mais investigação quantitativa e qualitativa
sobre a violência e o assédio no trabalho. Em última análise,
a existência de provas mais sólidas ajudará na elaboração de
legislação, políticas e práticas mais eficazes que promovam
medidas de prevenção, abordem fatores de risco específicos
e causas profundas e garantam que as vítimas não sejam
deixadas sozinhas a lidar com estas ocorrências inaceitáveis.
Os legisladores e os decisores políticos, os empregadores e os
trabalhadores e as suas respetivas organizações, bem como
os ativistas em todo o mundo, podem utilizar os resultados
deste estudo para introduzir alterações legislativas e políticas
inclusivas, integradas e sensíveis às questões de género, com
o objetivo de criar um mundo do trabalho livre de violência
e assédio.
O relatório está estruturado em três capítulos. O primeiro
apresenta uma visão geral da prevalência e frequência da
violência e do assédio nas suas diferentes formas. O segundo
identifica alguns dos principais fatores associados a um risco
mais elevado de violência e assédio e o terceiro centra-se
na vontade das pessoas de revelar tais ocorrências e nas
barreiras que as impedem de o fazer.
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Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
Como foi realizado o inquérito?
5 OWorldRiskPoll2021abrangeumasériedetópicosimportantessobresegurançaeriscos.ParasabermaissobreoWorldRiskPoll,visiteoseguintesite:https://wrp.
lrfoundation.org.uk/ bem como o site da Gallup para obter mais informações sobre a metodologia: https://www.gallup.com/ 178667/gallup-world-poll-work.aspx.
6 As exceções notáveis incluem a China e a Índia, onde foram recolhidas pelo menos 3000 entrevistas, e a Rússia, onde participaram 2001 indivíduos. Apenas
em dois países a dimensão da amostra (ou seja, o número de pessoas entrevistadas) foi inferior a 1000 – Jamaica e Islândia, onde foram entrevistadas cerca de
500 pessoas.
7 Dado que o inquérito Gallup World Poll foi concebido para ser representativo a nível nacional, a subamostra de pessoas empregadas no momento da entrevista
deve também constituir igualmente uma amostra representativa.
8 As pessoas inquiridas foram questionadas sobre se tinham sofrido de violência e assédio no local de trabalho e, em caso afirmativo, quando sofreram pela
última vez. Os inquiridos que tinham sofrido de violência e assédio no trabalho tinham quatro respostas possíveis relativamente à data da última ocorrência:
(i) “no último ano”; (ii) “há dois a cinco anos”; (iii) “há mais de cinco anos”; e (iv) “não sabe”. Tendo em conta o rigor das medidas de contenção da COVID-19, que
determinaram o encerramento do trabalho ou o trabalho a partir de casa em muitos países, bem como para maximizar a dimensão da amostra subjacente e
garantir a robustez das estimativas, os inquiridos que comunicaram incidentes de violência e assédio ocorridos “no último ano” e “há dois a cinco anos” foram
agrupados, e as pessoas inquiridas que não sabiam quando o incidente ocorreu foram agrupados com as pessoas inquiridas “há mais de cinco anos”.
Oinquéritosobreviolênciaeassédionotrabalhofoiconcebido
como um submódulo do 2021 Lloyd’s Register Foundation
World Risk Poll, realizado como parte da Gallup World Poll.5
Ao executar a World Risk Poll 2021, a Gallup realizou cerca
de 125 000 entrevistas em 121 países e territórios durante
2021, recolhendo informações sobre as experiências das
pessoas em matéria de violência e assédio no trabalho, bem
como outros riscos que vão desde as alterações climáticas e
a resiliência a catástrofes até à utilização de dados pessoais.
Uma vez que o inquérito foi realizado durante a pandemia de
COVID-19, a maioria das entrevistas foi realizada por telefone,
tendo sido realizadas entrevistas presenciais sempre que
possível (ver Nota Técnica). As entrevistas foram realizadas
por telefone em 69 dos 121 países (telefone fixo, telemóvel ou
uma combinação dos dois) e pessoalmente em 52.
Na maioria dos países e territórios, o inquérito foi realizado
junto de 1000 indivíduos, utilizando um conjunto normalizado
de questões que tinham sido traduzidas para as principais
línguas do respetivo país.6
O método utilizado foi o da amostragem probabilística e
representativa a nível nacional da população adulta residente
com idade igual ou superior a 15 anos, para garantir dados
representativos a nível nacional.
A World Risk Poll não foi submetida exclusivamente às pessoas
inquiridasqueestavamatualmenteempregadasnomomento
da entrevista. No entanto, o presente relatório centra-se
exclusivamente nas pessoas que estavam empregadas no
momento da entrevista, independentemente da sua situação
na profissão – sejam eles trabalhadores por conta própria ou
por conta de outrem, a tempo completo ou a tempo parcial.7
É também de salientar que 2,7 por cento das pessoas
inquiridas (ou seja, 2091) indicaram no início da World Risk Poll
que estavam empregadas, mas depois disseram que nunca
tinham trabalhado quando questionadas sobre experiências
de violência e assédio no trabalho, sendo que existia uma
maior probabilidade das mulheres do que os homens de
responderem desta forma (1,8 por cento contra 1,5 por cento).
Isto pode indicar que os inquiridos não estavam dispostos ou
não se sentiam à vontade para discutir e revelar a violência
e o assédio, especialmente no contexto do trabalho. Estas
pessoas inquiridas foram, por conseguinte, retiradas da
amostra global, uma vez que não lhes foram colocadas mais
questões do sub módulo de violência e assédio no trabalho.
Uma vez efetuadas as exclusões acima referidas, a amostra
final do estudo foi de 74 364 pessoas, todas empregadas no
momento da entrevista.
A seguir, verifica-se que as pessoas inquiridas que declararam
ter sofrido violência e assédio no trabalho foram divididas
em dois grupos com base na data em que foram vítimas de
violênciaeassédionotrabalhopelaúltimavez,nomeadamente
“nos últimos cinco anos” ou “há mais de cinco anos ou não
sabe exatamente quando”.8
Todas as estimativas apresentadas no presente relatório,
salvo indicação em contrário, foram calculadas utilizando
as ponderações do inquérito. A ponderação dos dados é
utilizada para garantir que as amostras são representativas
a nível nacional para cada país e destina-se a ser utilizada
para gerar estimativas dentro de um país. O procedimento de
ponderação consiste em três etapas principais:

Em primeiro lugar, a ponderação de base ou de
conceção é construída para ter em conta qualquer
desproporção no processo de seleção das
pessoas inquiridas.

Em seguida, as ponderações de base são objeto
de uma estratificação a posteriori para ajustar a
não-resposta e para fazer corresponder os totais
da amostra ponderada aos totais conhecidos
da população-alvo obtidos a partir de dados de
recenseamento a nível nacional. A Gallup faz ajustes
de não-resposta no que diz respeito a sexo, idade e,
quando há dados fiáveis disponíveis, educação ou
situação socioeconómica.

Por fim, são calculados o efeito aproximado da
conceção do estudo e a margem de erro. O cálculo do
efeito de conceção reflete a influência da ponderação
dos dados.
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Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
Uma vez que a análise deste relatório se centra em
comparações entre países, os coeficientes de ponderação
do inquérito foram escalonados pelo número de pessoas
empregadas com 15 ou mais anos de idade (bem como pelo
número de mulheres e homens empregados para a análise
desagregada por sexo).9
O escalonamento da população
ajusta os dados para dar maior peso aos países mais
populosos ao calcular as estatísticas entre países.
Dada a ausência de um quadro de medição estatística padrão
estabelecido sobre a violência e o assédio relacionados com o
trabalho – e a sensibilidade do tema – o inquérito deparou-se
com alguns desafios metodológicos.
Para minimizar as diferenças culturais nos estilos de resposta
e facilitar as comparações entre culturas, as questões do
inquérito foram concebidas de forma dicotómica simples
(“sim” ou “não”), utilizando formulações que foram testadas
cognitivamente num grupo diversificado de nações. O estudo
explora a prevalência e a frequência das seguintes formas
principais de violência e assédio no trabalho:

Violência física e assédio,
tais como agressões, restrição aos movimentos
ou cuspidelas

Violência psicológica e assédio,
tais como insultos, ameaças, perseguição ou intimidação

Violência sexual e assédio,
tais como toques sexuais não consentidos, comentários,
fotografias, e-mails ou convites de teor sexual.
No entanto, é de notar que, nalguns países, algumas questões
não foram colocadas ou foram reformuladas. Por exemplo,
na China, as questões sobre experiências de violência física
e assédio não foram colocadas e a questão sobre violência
psicológicaeassédiofoiligeiramentereformulada.Alémdisso,
no Iraque, na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos,
as questões sobre violência e assédio sexual não foram
colocadas, enquanto na Argélia, China, Jordânia, Marrocos e
Paquistão foram reformuladas.10
Além disso, nenhuma das
questões relacionadas com o facto de os indivíduos terem
falado sobre a sua experiência de violência e assédio no
trabalho foi colocada na China, e pelo menos uma destas
questões foi eliminada em Myanmar, na Arábia Saudita, no
Tajiquistão e nos Emirados Árabes Unidos. Estas exceções
devem ser tidas em conta ao considerar os resultados globais
do inquérito.
O inquérito sobre violência e assédio no trabalho utilizou
uma abordagem de “autorrotularem”, o que significa que os
inquiridos foram diretamente convidados a avaliar se tinham
sido vítimas de violência e assédio no trabalho, pelo que uma
resposta afirmativa significa que são os próprios inquiridos
que qualificam as experiências como constituindo violência
e assédio.
9 Estas ponderações baseadas na população foram calculadas, país a país, da seguinte forma [Número total de pessoas empregadas com 15 ou mais anos em
2021, conforme relatado pelo ILOSTAT] / [Dimensão ponderada da amostra de todos as pessoas inquiridas que afirmaram estar empregadas no momento
do inquérito].
10 A questão foi reformulada da seguinte forma: “Alguma vez sofreu, pessoalmente, de algum tipo de contacto físico íntimo indesejado no trabalho e/ou foi
exposto a comentários, imagens, e-mails ou convites vulgares indesejados durante o trabalho, criando um ambiente de trabalho hostil?”
A vantagem desta abordagem é o facto de as questões
fornecerem “informação sintética” sobre a questão
colocada, sem definir a questão ou explicitar toda a gama de
comportamentos que podem constituir violência e assédio.
Adesvantageméqueaabordagemdependedainterpretação
da pessoa inquirida quanto às ações ou comportamentos
que se enquadram no conceito mais amplo, bem como da
vontade desta de reconhecer esses incidentes.
Estudos anteriores sugerem que pode ser difícil para
as pessoas inquiridas reconhecer as suas experiências
como violência e assédio, e a definição fornecida pode não
corresponder às suas experiências (Nielsen, Matthiesen e
Einarsen, 2011). Por outras palavras, o que constitui violência
e assédio num país pode ser considerado apenas um
comportamento “mau” ou “indelicado” noutros, como se pode
ver nos testes cognitivos realizados para testar as questões
do inquérito (ver Nota Técnica). Essa subjetividade só pode
ser controlada através de questões precisas “baseadas em
atos ou comportamentos” que não deixem margem para
interpretações; no entanto, não foi possível incluir essas
questões neste inquérito devido a limitações de tempo e
de duração, mas tal será implementado e considerado em
futuros trabalhos da OIT. Estas são questões importantes a
considerar na interpretação dos resultados deste inquérito,
bem como na comparação de dados entre regiões ou
grupos demográficos.
Alémdisso,comoacontececomqualquerdadoreportadopela
própria pessoa sobre uma questão que é sensível ou mesmo
tabu em muitas sociedades, os resultados estão sujeitos
a influências culturais e normas sociais, incluindo níveis
variáveis de subnotificação associados ao desconforto ou à
falta de familiaridade com o que constitui um comportamento
inaceitável por parte das pessoas empregadas. O modo de
entrevistar – a forma como a entrevista é conduzida – também
pode, por vezes, ter um efeito na forma como os indivíduos
respondem a uma questão do inquérito. A este respeito, é de
salientar que a maioria destes inquéritos foi realizada através
de entrevistas telefónicas, tendo em conta as restrições
impostas pela COVID-19. Por conseguinte, as pessoas
inquiridas em mais de metade dos países limitaram-se
a homens e mulheres com acesso a telefone fixo e/ou
telemóveis. Embora a Gallup World Poll tenha uma vasta
experiência em colocar questões sobre temas sensíveis de
forma a minimizar este tipo de efeito, não é possível eliminá-
lo totalmente (Andreenkova e Javeline, 2019).
11
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Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
1
Qual é o estado da violência e do
assédio no trabalho?
11 Todas as estimativas percentuais entre países são calculadas utilizando ponderações à escala da população, tal como referido na Introdução e na Nota
Técnica. As projeções relativas ao número de pessoas empregadas afetadas pela violência e pelo assédio no trabalho baseiam-se no número total de pessoas
empregadas a nível mundial em 2021, tal como consta da base de dados ILOSTAT da OIT.
12 Nalguns países, algumas questões foram completamente excluídas ou tiveram de ser ligeiramente reformuladas devido a sensibilidades culturais. Na China,
as questões sobre experiências de violência física e assédio não foram colocadas e no Iraque, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, as questões sobre
violência sexual e assédio não foram colocadas. Além disso, na Argélia, China, Jordânia, Marrocos e Paquistão, as questões sobre violência ou assédio sexual
foram reformuladas para se referirem a “contacto físico íntimo não desejado”.
Os dados sobre a violência e o assédio no mundo do
trabalho são ainda esporádicos e escassos. Além disso, a
comparabilidade desses dados é problemática porque são
utilizados conceitos, definições e métodos diferentes. Este
capítulo apresenta a primeira análise mundial e regional
sobre a prevalência e a frequência da violência e do assédio
no mundo do trabalho – incluindo as suas diferentes formas:
física, psicológica e sexual – utilizando questões coerentes
e comuns.
1.1. Violência e assédio no trabalho: uma visão geral
A nível mundial, mais de uma em cada cinco pessoas empregadas foi vítima
de violência e assédio no trabalho durante a vida profissional
Em 2021, em todo o mundo, 22,8 por cento, ou 743 milhões
de pessoas empregadas, tinham sido vítimas de violência e
assédio no trabalho – físico, psicológico ou sexual – durante a
sua vida profissional (figura 1.1).11
Para 79,4 por cento destas
vítimas, a última ocorrência foi nos cinco anos anteriores à
realização do inquérito.
Isto equivale a 18,1 por cento ou aproximadamente 590
milhõesdepessoasempregadas.Anívelmundial,asmulheres
eram ligeiramente mais suscetíveis do que os homens de
terem sido vítimas de violência e assédio durante a sua vida
profissional (0,8 pontos percentuais).
As Américas registaram a taxa de prevalência mais elevada,
com 34,3 por cento, seguindo-se a África (25,7 por cento), a
Europa e a Ásia Central (25,5 por cento), a Ásia e o Pacífico
(19,2 por cento) e os Estados Árabes (13,6 por cento).12
Quando se analisam as diferenças entre homens e mulheres,
nas Américas, as mulheres tinham 8,2 pontos percentuais de
mais probabilidades do que os homens de terem sofrido de
violência e assédio na sua vida profissional (39,0 por cento
contra 30,8 por cento), seguindo-se a Europa e a Ásia Central
(8,0 pontos percentuais) e os Estados Árabes (5,9 pontos
percentuais). Em contrapartida, na Ásia e Pacífico e em África,
os homens eram mais suscetíveis do que as mulheres de
ter essa experiência, tanto na sua vida profissional como
nos últimos cinco anos (3,2 pontos percentuais e 2,2 pontos
percentuais, respetivamente).
Os dados mostram também que os países de rendimento
elevado registaram a prevalência mais elevada e os países
com rendimento baixo e médio-baixo a prevalência mais
baixa, tanto ao longo de toda a vida ativa como nos últimos
cinco anos.
Quando se analisam as diferenças entre homens e mulheres
nos países de rendimento elevado, as mulheres têm maior
probabilidade de sofrer de violência e assédio durante a sua
vida profissional (38,7 por cento) do que os homens (26,3 por
cento). Em contrapartida, tanto nos países de rendimento
médio-alto como nos países de rendimento baixo e médio-
-baixo, os homens eram mais suscetíveis do que as mulheres
de sofrer violência e assédio na sua vida profissional (5,9
pontos percentuais e 1,0 ponto percentual, respetivamente).
Além disso, os dados mostram que existe um padrão
semelhante quando se olha para a prevalência nos últimos
cinco anos, embora numa medida diferente. Nos países de
rendimento elevado, as mulheres eram mais suscetíveis de
sofrer de violência e assédio do que os homens (27,8 por cento
contra 19,0 por cento). Tanto nos países de rendimento médio-
alto como nos países de rendimento baixo e médio-baixo, os
homens eram mais suscetíveis do que as mulheres de terem
sofrido de violência e assédio nos últimos cinco anos (4,9
pontos percentuais e 1,1 pontos percentuais, respetivamente).
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Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
Figura 1.1 	
Percentagem de pessoas empregadas que foram vítimas de violência e assédio no trabalho
e última vez que isso ocorreu, por região, por grupo de rendimento e por sexo, 2021 (%)
A questão do inquérito: Alguma vez foi vítima, pessoalmente, de violência [física/psicológica/sexual] e/ou assédio no trabalho,
por exemplo [agressões, restrição aos movimentos ou cuspidelas/insultos, ameaças, intimidação ou perseguição/toques sexuais
não consentidos, comentários, fotografias, e-mails ou convites de teor sexual durante o trabalho]?
Total Mulheres Homens Sim, nos últimos cinco anos Sim, há mais de cinco anos ou não sabe quando
4,7
5,0
4,4
3,7
3,8
3,6
7,6
8,9
6,7
4,2
3,7
3,2
3,8
7,2
9,0
5,8
3,3
3,3
3,2
4,1
3,5
4,5
8,9
10,9
7,3
18,1
18,2
18,0
22,0
20,5
22,9
26,7
30,1
24,1
11,8
14,3
11,3
15,5
13,9
16,5
18,3
21,0
16,2
13,6
12,9
14,0
20,3
17,5
22,4
23,0
27,8
19,0
Mundo
África
Américas
Estados Árabes
Ásia e Pacífico
Europa e Ásia Central
Rendimento baixo
e médio-baixo
Rendimento médio-alto
Rendimento elevado
Por região
Por rendimento
22,8
Total
23,2
22,4
25,7
24,3
26,5
34,3
39,0
30,8
13,6
18,5
12,6
19,2
17,1
20,3
25,5
30,0
22,0
16,9
16,2
17,2
24,4
21,0
26,9
31,9
38,7
26,3
1,8
1,3
Nota: Entre todos os trabalhadores por conta de outrem com 15 ou mais anos. As estimativas mundiais, regionais e dos grupos de rendimento são
ponderadas pela população ativa total de pessoas com mais de 15 anos de cada país. Percentagem da população empregada e número de países –
Mundo: 92,4 por cento (121 países); África: 62,3 por cento (26 países); Américas: 95,8 por cento (20 países); Estados Árabes: 63,2 por cento (5 países); Ásia e
Pacífico: 98,8 por cento (24 países); Europa e Ásia Central: 97,1 por cento (46 países); países de rendimento baixo e médio-baixo: 85,4 por cento (44 países);
países de rendimento médio-alto: 97,8 por cento (35 países); países de rendimento elevado: 98,1 por cento (42 países).
Fonte: Lloyd’s Register Foundation World Risk Poll 2021 [Conjunto de dados]
13
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Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
Mais de três em cada cinco pessoas foram vítimas de violência e assédio no
trabalho várias vezes
Foi perguntado às pessoas inquiridas quantas vezes tinham
sido vítimas de qualquer forma de violência e assédio – uma
ou duas vezes, três a cinco vezes ou mais de cinco vezes.
A nível mundial, 61,4 por cento das vítimas afirmaram ter sido
vítimas de violência e assédio mais de três vezes durante a sua
vida profissional (figura 1.2).
É de salientar que a maior parte deste grupo (38,1 por cento)
já tinha estado exposta mais de cinco vezes. Nas Américas,
as vítimas tinham mais tendência a dizer que isso tinha
acontecido mais de cinco vezes (48,2 por cento). Seguem-se a
África com 43,2 por cento e a Europa e a Ásia Central com 39,5
por cento. No geral, 39,2 por cento das mulheres vítimas, em
comparação com 37,2 por cento dos homens vítimas, tinham
sido confrontados com a violência e assédio mais de cinco
vezes na sua vida profissional.
Figura 1.2	
Frequência com que as vítimas foram confrontadas com violência e assédio no trabalho, por
região, por grupo de rendimento e por sexo, 2021 (%)
Questão do inquérito: Quantas vezes foi vítima de [violência física/psicológica/sexual e/ou assédio no trabalho]? Uma ou duas
vezes, três a cinco vezes, ou mais de cinco vezes?
Total Mulheres Homens Uma ou duas vezes Três a cinco vezes Mais de cinco vezes
38,1
39,2
37,2
43,2
41,6
44,4
48,2
50,8
45,6
32,2
14,7
37,6
32,4
32,4
32,2
39,5
37,1
41,7
36,1
35,4
36,3
34,6
34,2
34,9
45,9
47,1
44,0
23,3
21,8
24,1
22,5
24,0
21,6
23,4
21,4
25,3
22,1
19,0
23,2
24,4
21,2
25,4
20,4
22,5
18,2
25,7
27,2
24,4
23,2
20,3
24,9
20,9
20,1
22,1
38,6
39,0
38,6
34,3
34,4
34,0
28,4
27,8
29,1
45,6
66,3
39,2
43,3
46,4
42,3
40,1
40,3
40,0
38,1
37,4
39,3
42,3
45,5
40,3
33,2
32,7
33,9
Mundo
África
Américas
Estados Árabes
Ásia e Pacífico
Europa e Ásia Central
Rendimento baixo
e médio-baixo
Rendimento médio-alto
Rendimento elevado
Por região
Por rendimento
Nota: Entre todos os trabalhadores por conta de outrem com 15 ou mais anos que afirmaram ter sido vítima de qualquer forma de violência e assédio no
trabalho. As pessoas que não têm a certeza do número de vezes que foram vítimas de violência e assédio no trabalho são excluídas destes cálculos. Para
uma cobertura global, regional e por grupos de rendimento, ver figura 1.1.
Fonte: Lloyd’s Register Foundation World Risk Poll 2021 [Conjunto de dados]
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Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
1.2. Violência física e assédio no trabalho
Quase uma em cada dez pessoas empregadas foi vítima de violência física
e assédio no trabalho durante a sua vida ativa
13 Note-se que as questões sobre violência física e assédio não foram colocadas na China.
As pessoas inquiridas foram questionadas sobre as suas
experiências de violência física e assédio no trabalho, tais
como agressões, restrição aos movimentos ou cuspidelas,
bem como sobre a frequência dessas experiências e a sua
recente ocorrência. A nível mundial, 8,5 por cento ou 277
milhões de pessoas empregadas foram vítimas de violência
física e assédio na sua vida profissional (figura 1.3). A grande
maioriadestesincidentes(71,8porcento)ocorreupelaúltima
vez nos últimos cinco anos, o que significa que 6,1 por cento
ou199milhõesdepessoasempregadasforamrecentemente
expostas a este tipo de comportamento inaceitável.
A desagregação por sexo mostra que a violência física e
o assédio no trabalho são mais comuns entre os homens
do que entre as mulheres (9,0 por cento e 7,7 por cento,
respetivamente).
Numa perspetiva regional, a África registou a prevalência
mais elevada, com 12,5 por cento, seguida das Américas (9,0
por cento), da Ásia e do Pacífico (7,9 por cento),13
dos Estados
Árabes (7,2 por cento) e da Europa e da Ásia Central (6,5
por cento).
A título de comparação, as pessoas em África tinham quase
duas vezes mais riscos de ter sido vítimas de violência física e
assédio na sua vida profissional do que as pessoas na Europa
e na Ásia Central. Se considerarmos apenas a experiência
recente de violência física e assédio no trabalho (últimos
cinco anos), a África continua a ter a taxa de prevalência mais
elevada, com 10,1 por cento, seguida das Américas (6,5 por
cento),dosEstadosÁrabes(5,8porcento),daÁsiaedoPacífico
(5,4 por cento) e da Europa e Ásia Central (4,5 por cento).
Quando se consideram as diferenças por sexo, podem
encontrar-se variações regionais. Por exemplo, na Ásia e no
Pacífico, os homens eram mais suscetíveis do que as mulheres
de terem sido vítimas destes comportamentos inaceitáveis ao
longo da sua vida profissional (9,1 por cento e 5,8 por cento,
respetivamente). Do mesmo modo, os homens em África e
na Europa e Ásia Central estavam mais expostos a riscos do
que as mulheres, embora em menor grau. Inversamente, nos
Estados Árabes e nas Américas, as experiências de violência
física e assédio foram mais comuns entre as mulheres do que
entre os homens.
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Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
Figura 1.3	
Percentagem de pessoas empregadas que foram vítimas de violência física e assédio no
trabalho e última vez que isso aconteceu, por região, por grupo de rendimento e por sexo,
2021 (%)
Questão do inquérito: Já alguma vez foi vítima, pessoalmente, de violência física e/ou assédio no trabalho, como agressões,
restrição aos movimentos ou cuspidelas?
Total Mulheres Homens Sim, nos últimos cinco anos Sim, há mais de cinco anos ou não sabe quando
2,4
2,2
2,5
2,4
2,2
2,5
2,5
2,8
2,3
1,4
2,8
1,1
2,5
2,0
2,7
2,0
1,9
2,2
2,4
2.,0
2,5
1,5
1,6
1,4
3,2
2,7
3,5
6,1
5,5
6,5
10,1
9,5
10,5
6,5
7,0
6,1
5,8
5,8
5,8
5,4
3,8
6,4
4,5
4.3
4,6
6,8
5,8
7,4
4,6
3,4
5,5
5,7
6,5
5,0
8,5
7,7
9,0
12,5
11,7
13,0
9,0
9,8
8,4
7,2
8,6
6,9
7,9
5,8
9,1
6,5
6,2
6,8
9,2
7,8
9,9
6,1
5,0
6,9
8,9
9,2
8,5
Total
Mundo
África
Américas
Estados Árabes
Ásia e Pacífico
Europa e Ásia Central
Rendimento baixo
e médio-baixo
Rendimento médio-alto
Rendimento elevado
Por região
Por rendimento
Nota: Entre todos os trabalhadores por conta de outrem com 15 ou mais anos. As estimativas globais e regionais são ponderadas em função da população
ativa total de indivíduos com mais de 15 anos de cada país. Percentagem da população empregada e número de países – Mundo: 68,7 por cento (120
países); África: 62,3 por cento (26 países); Américas: 95,8 por cento (20 países); Estados Árabes: 63,2 por cento (5 países); Ásia e Pacífico: 57,8 por cento
(23 países); Europa e Ásia Central: 97,1 por cento (46 países); países de rendimento baixo e médio-baixo: 85,4 por cento (44 países); países de rendimento
médio-alto: 35,6 por cento (34 países); países de rendimento elevado: 98,1 por cento (42 países). A questão da violência física e do assédio não foi colocada
na China.
Fonte: Lloyd’s Register Foundation World Risk Poll 2021 [Conjunto de dados]
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Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
À escala mundial, os homens corriam mais riscos do que as mulheres de serem
vítimas de episódios recorrentes de violência física e assédio no trabalho
Aviolênciafísicaeoassédioforamacontecimentosrecorrentes
para a maioria das pessoas que os sofreram, com 55,3 por
cento das vítimas em todo o mundo a afirmarem que sofreram
disso três ou mais vezes na sua vida profissional (figura 1.4).
Os homens vítimas de violência estavam mais inclinados em
afirmar que tinham sido vítimas de violência física e assédio
várias vezes (55,7 por cento) do que as mulheres vítimas (52,2
por cento).
Numa perspetiva regional, a África apresentou a frequência
mais elevada, com 61,3 por cento das vítimas a sofrerem de
violência física e assédio no trabalho mais de três vezes na sua
vida profissional, seguida das Américas (55,9 por cento), da
Ásia e do Pacífico (55,3 por cento), da Europa e da Ásia Central
(46,7 por cento) e dos Estados Árabes (44,0 por cento).
A desagregação por sexo mostra que, nas Américas, os
homens vítimas tinham 17,9 pontos percentuais mais
probabilidades do que as mulheres de terem sofrido três
ou mais episódios de violência física e assédio na sua vida
profissional. Na Ásia e no Pacífico, observou-se um quadro
semelhante, embora em menor grau. Em contrapartida, em
África e na Europa e Ásia Central, a percentagem de mulheres
vítimas era ligeiramente superior à dos homens vítimas a
terem tido cinco ou mais experiências deste tipo, de 2,3 e 1,3
pontos percentuais, respetivamente.
17
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Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
Figura 1.4	
Frequência com que as vítimas de violência física e assédio no trabalho tiveram de lidar com tais
comportamentos, por região, por grupo de rendimento e por sexo, 2021 (%)
Questão do inquérito: Quantas vezes foi vítima de [violência física e/ou assédio no trabalho]? Uma ou duas vezes, três a cinco
vezes, ou mais de cinco vezes?
Total Mulheres Homens Uma ou duas vezes Três a cinco vezes Mais de cinco vezes
31,5
28,9
32,5
38,6
39,9
37,6
31,9
24,2
38,6
24,2
30,2
30,4
27,9
30,7
25,0
25,6
24,3
32,4
33,8
31,4
33,5
23,8
38,4
28,5
24,7
31,7
23,8
23,3
23,2
22,7
20,6
24,3
24,0
22,2
25,7
19,8
28,3
17,7
24,9
26,6
22,8
21,7
23,0
20,5
23,8
24,4
22,4
24,7
26,6
23,5
23,2
20,7
25,5
44,8
47,8
44,3
38,7
39,5
38,1
44,1
53,6
35,6
56,0
71,7
52,1
44,7
45,6
46,5
53,3
51,4
55,2
43,8
41,8
46,2
41,8
49,5
38,2
48,3
54,6
42,9
Por região
Por rendimento
Mundo
África
Américas
Estados Árabes
Ásia e Pacífico
Europa e Ásia Central
Rendimento baixo
e médio-baixo
Rendimento médio-alto
Rendimento elevado
Por região
Por rendimento
Nota: Entre todos os trabalhadores por conta de outrem com 15 ou mais anos que afirmaram ter sido confrontados com qualquer forma de violência
e assédio no trabalho. As pessoas que afirmaram ter sido vítimas de violência física e assédio, mas que não tinham a certeza do número de vezes que
tinham sofrido, foram excluídas destes cálculos. Para uma cobertura mundial, regional e por grupos de rendimento, ver figura 1.3.
Fonte: Lloyd’s Register Foundation World Risk Poll 2021 [Conjunto de dados]
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Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
1.3. Violência psicológica e assédio no trabalho
Quase uma em cada cinco pessoas empregadas já sofreu de violência
psicológica e assédio no trabalho durante a sua vida profissional
14 Na China, o texto da questão era o seguinte: “Já alguma vez sentiu que alguém o(a) magoou psicologicamente no trabalho, por exemplo, dizendo-lhe algo que
o(a) magoasse ou ameaçasse?”
Também foi pedido às pessoas inquiridas que indicassem a
sua experiência de violência psicológica e assédio no trabalho,
tais como insultos, ameaças, perseguição ou intimidação,
bem como sobre a sua frequência e a última vez em que
ocorreram.14
A nível mundial, 17,9 por cento das pessoas, ou
seja, aproximadamente 583 milhões de pessoas empregadas,
já sofreram este tipo de comportamento inaceitável na sua
vida profissional (figura 1.5). Para quase 80 por cento das
vítimas,ouseja,cercade463milhõesdepessoasempregadas,
independentemente do sexo, a última ocorrência registou-se
nos últimos cinco anos. Em geral, as mulheres registaram
uma prevalência mais elevada do que os homens, tanto no
decurso da vida profissional como nos últimos cinco anos,
embora com diferenças mínimas (1,3 pontos percentuais e
0,6 pontos percentuais, respetivamente).
A nível regional, as Américas registaram a maior prevalência
de violência psicológica e assédio na vida profissional (29,3
por cento), seguidas de África (20,2 por cento), enquanto os
Estados Árabes registaram a menor prevalência (11,4 por
cento). No entanto, 86,0 por cento das vítimas nos Estados
Árabes declararam que a sua última experiência de violência
psicológica e assédio ocorreu nos últimos cinco anos,
seguidas de 85,1 por cento em África e 81,4 por cento na Ásia
e no Pacífico.
Na Europa e na Ásia Central, a violência psicológica e o assédio
têm sido uma realidade na vida profissional para 22,7 por
cento das mulheres, em comparação com 17,4 por cento dos
homens. As mulheres corriam mais riscos do que os homens
de serem confrontadas com a violência nos Estados Árabes
(15,0 por cento contra 10,7 por cento) e nas Américas (31,5 por
cento contra 27,6 por cento).
Por outro lado, em África, os homens relataram taxas mais
elevadasdeviolênciapsicológicaeassédiodoqueasmulheres
(21,2 por cento contra 18,9 por cento), o mesmo acontecendo
com os homens na Ásia e no Pacífico (14,6 por cento contra
13,9 por cento).
Os trabalhadores por conta de outrem dos países de
rendimento elevado foram os que mais afirmaram ter sofrido
de violência psicológica e assédio, tanto ao longo da sua vida
profissional (25,5 por cento) como nos últimos cinco anos
(18,2 por cento).
As experiências das mulheres e dos homens com esta
forma de violência e assédio variam consoante o grupo de
rendimento do país a que pertencem. Enquanto as mulheres
dos países de rendimento elevado e dos países de rendimento
baixo e médio-baixo registaram uma incidência mais elevada
na sua vida ativa do que os homens (8,0 pontos percentuais e
1,0 ponto percentual, respetivamente), os homens dos países
de rendimento médios-alto registaram uma prevalência
mais elevada na sua vida ativa do que as mulheres (4,9
pontos percentuais).
A prevalência da violência psicológica e do assédio nos
últimos cinco anos refletiu a prevalência em toda a vida
profissional, embora as diferenças entre homens e mulheres
tenham diminuído. Nos últimos cinco anos, as mulheres eram
mais suscetíveis do que os homens de terem sido vítimas
de violência psicológica e assédio nos países de rendimento
elevado e nos países de rendimento baixo e médio-baixo, em
5,3 e 0,4 pontos percentuais, respetivamente; enquanto nos
países de rendimento médio-alto, os homens corriam um
risco maior, em 4,0 pontos percentuais.
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Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
Figura 1.5	
Percentagem de pessoas empregadas que foram vítimas de violência psicológica e assédio no
trabalho e a última vez que sofreram, por região, por grupo de rendimento e por sexo, 2021 (%)
Questão do inquérito: Já foi, pessoalmente, vítima de violência psicológica e/ou assédio, por exemplo com insultos, ameaças,
intimidação ou perseguição no trabalho?
Total Mulheres Homens Sim, nos últimos cinco anos Sim, há mais de cinco anos ou não sabe quando
3,7
4,1
3,4
3.0
3,4
2,8
6,8
7,3
6,4
5,3
2,7
2,6
2,6
5,6
6,9
4,5
2,3
2,6
3,3
2,8
3,7
7,3
8,8
6.,1
14,2
14,5
13,9
17,2
15,5
18,4
22,5
24,2
21,2
9,8
9,7
9,8
11,8
11,3
12,0
14,2
15,8
12,9
9,3
9,4
9,0
17,2
15,0
19,0
18,2
21,1
15,8
17,9
18,6
17,3
20,2
18,9
21,2
29,3
31,5
27,6
11,4
15,0
10,7
14,5
13,9
14,6
19,8
22,7
17,4
11,6
12,0
11,0
20,5
17,8
22,7
25,5
29,9
21,9
Total
1,6
2,0
0,9
Por região
Por rendimento
Mundo
África
Américas
Estados Árabes
Ásia e Pacífico
Europa e Ásia Central
Rendimento baixo
e médio-baixo
Rendimento médio-alto
Rendimento elevado
Nota: Entre todos os trabalhadores por conta de outrem com 15 ou mais anos. As estimativas mundiais, regionais e dos grupos de rendimento são
ponderadas pela população ativa total de indivíduos com mais de 15 anos de cada país. Percentagem da população empregada e número de países –
Mundo: 92,4 por cento (121 países); África: 62,3 por cento (26 países); Américas: 95,8 por cento (20 países); Estados Árabes: 63,2 por cento (5 países); Ásia e
Pacífico: 98,8 por cento (24 países); Europa e Ásia Central: 97,1 por cento (46 países); países de rendimento baixo e médio-baixo: 85,4 por cento (44 países);
países de rendimento médio-alto: 97,8 por cento (35 países); países de rendimento elevado: 98,1 por cento (42 países).
Fonte: Lloyd’s Register Foundation World Risk Poll 2021 [Conjunto de dados]
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Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
Mais de três em cada cinco vítimas foram vítimas de violência psicológica e
assédio várias vezes
A nível mundial, mais de três em cada cinco pessoas
empregadas que sofreram de violência psicológica e assédio
no trabalho indicaram que tal lhes tinha acontecido três ou
mais vezes (63,2 por cento), sendo os homens ligeiramente
mais suscetíveis do que as mulheres de enfrentar episódios
recorrentes (figura 1.6). Além disso, quase duas em cada cinco
vítimas (38,6 por cento) afirmaram que tal tinha ocorrido mais
de cinco vezes ao longo da sua vida ativa.
Estes resultados foram relativamente consistentes em todas
as regiões e grupos de rendimento, com a exceção de que
quase metade das vítimas nas Américas afirmaram ter sido
confrontadas mais de cinco vezes, em comparação com
menos de um terço das vítimas nos Estados Árabes. Quando
se analisam as diferenças entre os sexos, a frequência da
violência psicológica e do assédio foi maior para os homens
do que para as mulheres em quase todas as regiões, exceto
nas Américas e na Ásia e Pacífico.
Figura 1.6	
Frequência com que as vítimas de violência psicológica e assédio no trabalho experienciaram
tais comportamentos, por região, por grupo de rendimento e por sexo, 2021 (%)
Questão do inquérito: Quantas vezes foi vítima de [violência psicológica e/ou assédio no trabalho]? Uma ou duas vezes, três a
cinco vezes, ou mais de cinco vezes?
Total Mulheres Homens Uma ou duas vezes Três a cinco vezes Mais de cinco vezes
38,6
39,0
38,4
39,7
34,6
42,8
46,5
47,9
45,3
30,1
17,8
33,8
33,8
34,7
33,2
42,1
39,1
44,9
35,4
31,8
37,1
35,2
35,3
35,2
47.5
47.9
46.8
24,6
22,4
26,0
23,0
26,4
20,8
23,8
22,6
24,9
24,0
21,3
25,0
26,3
21,2
29,0
21,0
22,7
19,4
27,8
28,8
27,2
24,4
20,2
27,0
21.6
21.2
22.1
36,8
38,6
35.7
37,4
39,0
36,5
29,7
29,5
29,8
45,9
60,8
41,2
39,9
44,1
37,8
36,9
38,3
35,7
36,8
39,4
35,7
40,4
44,4
37,8
30.8
30.9
31.0
África
Por região
Por rendimento
Américas
Estados Árabes
Ásia e Pacífico
Europa e Ásia Central
Rendimento baixo
e médio-baixo
Rendimento médio-alto
Rendimento elevado
Mundo
Nota: Entre todos os trabalhadores por conta de outrem com 15 ou mais anos que afirmaram ter sofrido de qualquer forma de violência e assédio no
trabalho. As pessoas que afirmaram ter sido vítimas de violência psicológica e assédio, mas que não tinham a certeza do número de vezes que isso tinha
acontecido, foram excluídas destes cálculos. Para uma cobertura mundiall, regional e por grupos de rendimento, ver figura 1.5.
Fonte: Lloyd’s Register Foundation World Risk Poll 2021 [Conjunto de dados]
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Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
1.4. Violência e assédio sexual no trabalho
Uma em cada 15 pessoas empregadas foi vítima de violência e assédio sexual
no trabalho durante a sua vida profissional
15 Na Argélia, China, Paquistão, Jordânia e Marrocos, esta questão foi colocada de forma ligeiramente diferente devido a sensibilidades culturais ou políticas:
“Alguma vez sofreu, pessoalmente, de algum tipo de contacto físico íntimo indesejado no trabalho e/ou foi exposto a comentários, imagens, e-mails ou pedidos
vulgares indesejados durante o trabalho, criando um ambiente de trabalho hostil?” No Iraque, na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos, as questões
sobre a experiência de violência e assédio sexual não foram colocadas. Por conseguinte, os resultados regionais relativos aos Estados Árabes foram omitidos
devido à insuficiente cobertura dos países. No entanto, para os países dos Estados Árabes onde existem dados disponíveis para esta questão, estes dados
foram incluídos no cálculo dos resultados globais e dos resultados dos grupos de rendimento a que o país pertence.
Para além da violência física e psicológica e do assédio,
as pessoas inquiridas foram questionadas sobre as suas
experiências de violência e assédio sexual no trabalho,
tais como toques sexuais não consentidos, comentários,
fotografias, e-mails ou convites de teor sexual.15
Globalmente, 6,3 por cento ou cerca de 205 milhões de
pessoas empregadas sofreram de violência e assédio sexual
na sua vida profissional (ver figura 1.7). Destas, mais de
dois terços (71,4 por cento) foram confrontadas com estes
incidentes nos últimos cinco anos, o que significa que 4,5 por
cento ou cerca de 147 milhões de pessoas empregadas em
todo o mundo foram recentemente expostas a este flagelo.
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Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
Figura 1.7	
Percentagem de pessoas empregadas vítimas de violência e assédio sexual no trabalho e última
vez que os factos ocorreram, por região, por grupo de rendimento e por sexo, 2021 (%)
Questão do inquérito: Alguma vez foi vítima, pessoalmente, de qualquer tipo de violência e/ou assédio sexual no trabalho, como
toques sexuais não consentidos, comentários, fotografias, mensagens de e-mail ou convites de teor sexual durante o trabalho?
Total Mulheres Homens Sim, nos últimos cinco anos Sim, há mais de cinco anos ou não sabe quando
1,8
2,8
1,1
1,2
1,5
4,1
6,6
2,1
1,3
1,6
1,9
3,8
1,2
1,9
2,0
1,8
3,8
6,7
1,4
4,5
5,4
3,9
4,0
4,4
3,7
7,7
11,1
5,1
4,1
4,0
4,0
3,5
5,3
2,0
2,3
2,7
2,1
6,2
5,9
6,3
5,8
8,5
3,6
Mundo
África
Américas
Ásia e Pacífico
Europa e Ásia Central
6,3
8,2
5,0
5,2
5,9
4,6
11,8
17,7
7,2
5,4
5,6
5,0
5,4
9,1
2,5
3,0
3,9
2,4
8,1
7,9
8,1
9,6
15,2
5,0
Total
0,9
1,0
0,5
0,7
0,3
Por rendimento
Por região
Rendimento baixo
e médio-baixo
Rendimento médio-alto
Rendimento elevado
Nota: Entre todos os trabalhadores por conta de outrem com 15 ou mais anos. As estimativas globais, regionais e dos grupos de rendimento são
ponderadas pela população ativa total de indivíduos com mais de 15 anos de cada país. Percentagem da população empregada e número de países –
Mundo: 91,4 por cento (118 países); África: 62,3 por cento (26 países); Américas: 95,8 por cento (20 países); Ásia e Pacífico: 98,8 por cento (24 países); Europa
e Ásia Central: 97,1 por cento (46 países); países de rendimento baixo e médio-baixo: 85,4 por cento (44 países); países de rendimento médio-alto: 97,0 por
cento (34 países); países de rendimento elevado: 94,4 por cento (40 países).
Fonte: Lloyd’s Register Foundation World Risk Poll 2021 [Conjunto de dados]
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Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
Figura 1.8	
Percentagem de pessoas empregadas que foram vítimas de violência física, psicológica e/ou
sexual e assédio no trabalho e última vez que os factos se produziram, resultados globais nível
mundial, 2021 (%)
Questão do inquérito: Aproximadamente, quando foi a última vez que isto lhe aconteceu – foi no último ano, há dois a cinco anos,
ou há mais de cinco anos?
Total Mulheres Homens Sim, nos últimos cinco anos Sim, há mais de cinco anos ou não sabe quando
2,4
2,2
2,5
3,7
4,1
3,4
1,8
2,8
6,1
5,5
6,5
14,2
14,5
13,9
4,5
5,4
3,9
Violência física e assédio
Violência psicológica e assédio
Violência sexual e assédio
8,5
7,7
9,0
17,9
18,6
17,3
6,3
8,2
5,0
Total
1,1
Nota: As estimativas mundiais são ponderadas pela população ativa total de indivíduos com 15 e mais de anos em cada país.
Fonte: Lloyd’s Register Foundation World Risk Poll 2021 [Conjunto de dados]
Globalmente, 8,2 por cento das mulheres empregadas tinham
sido vítimas de violência e assédio sexual durante a sua vida
profissional, em comparação com 5,0 por cento dos homens.
Esta é, de longe, a maior diferença entre homens e mulheres
na experiência de violência e assédio no trabalho entre as três
formas de violência e assédio (ver figura 1.8).
As Américas registaram a maior prevalência de violência e
assédio sexual ao longo da vida ativa em 11,8 por cento, em
comparação com um pouco mais de 5 por cento em média
em todas as outras regiões (figura 1.7). Por outras palavras, as
pessoas nas Américas tinham duas vezes mais probabilidades
de dizer que tinham sido vítimas de violência e assédio sexual
do que as que viviam noutras regiões. Analisando apenas
as pessoas que foram vítimas de violência e assédio sexual
nos últimos cinco anos, este número foi mais elevado nas
Américas (7,7 por cento), seguido da Ásia e do Pacífico (4,1
por cento), África (4,0 por cento) e Europa e Ásia Central (3,5
por cento).
De um modo geral, em todas as regiões, as mulheres
referiram uma maior exposição à violência e ao assédio
sexual no trabalho do que os homens, tanto ao longo da sua
vida ativa como nos últimos cinco anos (figura 1.7), embora as
taxas variem consoante a região. Nas Américas, quase duas
em cada dez mulheres (17,7 por cento) relataram esse tipo
de comportamento inaceitável na sua vida profissional, em
comparação com menos de um em cada dez homens (7,2 por
cento). Foram também registadas diferenças consideráveis
na Europa e na Ásia Central, onde 9,1 por cento das mulheres
foram vítimas de violência e assédio sexual na sua vida
profissional, em comparação com 2,5 por cento dos homens.
Seguem-se a África e a Ásia e o Pacífico, com diferenças
mínimas entre homens e mulheres (1,3 pontos percentuais e
0,6 pontos percentuais, respetivamente).
No que se refere ao nível de rendimento do país, os dados
mostram que as pessoas inquiridas em países de rendimento
elevado afirmaram ter sofrido uma maior prevalência de
violência e assédio sexual ao longo da sua vida profissional
(9,6 por cento) em comparação com os inquiridos em
países de rendimento médio-alto (8,1 por cento) e países de
rendimento baixo e médio-baixo (3,0 por cento). No entanto,
também é interessante verificar que, embora os dois últimos
grupos de rendimento possam ter taxas mais baixas de
violência e assédio sexual ao longo da vida profissional, têm
percentagens mais elevadas de vítimas que referem que
esses incidentes ocorreram pela última vez nos últimos cinco
anos – 76,5 por cento nos países de rendimento médio-alto
e 76,7 por cento nos países de rendimento baixo e médio-
-baixo, em comparação com 60,4 por cento nos países de
rendimento elevado. Entre as mulheres vítimas em países
com rendimentos elevados, este valor é de 55,9 por cento.
Em geral, as mulheres estavam mais expostas à violência
e ao assédio sexual durante a sua vida profissional do que
os homens, tanto nos países de rendimento elevado como
nos países de rendimento baixo e médio-baixo (10,2 pontos
percentuais e 1,5 pontos percentuais, respetivamente). Nos
países de rendimento médio-alto, a diferença é mínima,
sendo os homens ligeiramente mais suscetíveis a declarar ter
sofrido de violência ou assédio sexual no trabalho (0,2 pontos
percentuais). Observa-se um padrão semelhante quando
se analisa a prevalência nos últimos cinco anos, embora em
menorgrau.Asmulheresvítimaserammaissuscetíveisdoque
os homens de denunciar esses comportamentos inaceitáveis
nos últimos cinco anos, tanto nos países de rendimento
elevado como nos países de rendimento baixo e médio-
-baixo, em 4,9 pontos percentuais e 0,6 pontos percentuais,
respetivamente. Nos países de rendimento médio-alto, a
violência e o assédio sexual nos últimos cinco anos foram
mais referidos pelos homens do que pelas mulheres, embora
a diferença fosse insignificante (0,4 pontos percentuais).
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Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
As mulheres eram mais suscetíveis do que os homens de terem sofrido de
violência e assédio sexual no trabalho
À escala mundial, mais de metade das pessoas inquiridas
vítimas de violência e assédio sexual na sua vida profissional
afirmaram tê-lo enfrentado três ou mais vezes (51,9 por cento),
e quase três em cada dez afirmaram tê-lo enfrentado mais
de cinco vezes (29,5 por cento) (figura 1.9). A probabilidade
de sofrer episódios recorrentes de violência sexual e assédio
era maior para as mulheres vítimas do que para os homens
vítimas (56,5 por cento contra 46,2 por cento).
As mulheres vítimas em África relataram a maior incidência de
episódios recorrentes, sendo 14,0 pontos percentuais mais
suscetíveis do que os homens de serem vítimas de violência
sexual e assédio. Seguem-se a Ásia e o Pacífico e a Europa e
a Ásia Central, com uma diferença de 9,8 pontos percentuais
e 4,9 pontos percentuais, respetivamente; enquanto nas
Américas, a diferença entre mulheres e homens vítimas não é
significativa (0,1 pontos percentuais).
Figura 1.9	
Frequência com que as vítimas de violência e assédio sexual no trabalho sofreram tais
comportamentos, por região, por grupo de rendimento e por sexo, 2021 (%)
Questão do inquérito: Quantas vezes foi vítima de [qualquer tipo de violência e/ou assédio sexual no trabalho]? Uma ou duas
vezes, três a cinco vezes, ou mais de cinco vezes?
Total Mulheres Homens Uma ou duas vezes Três a cinco vezes Mais de cinco vezes
29,5
31,6
26,6
29,1
34,4
24,1
37,6
37,6
37,9
25,3
27,7
22,6
29,1
27,1
34,7
25,7
32,8
17,2
28,0
28,4
27,6
34,9
34,4
35,9
22,4
24,9
19,6
18,8
20,9
17,2
28,0
28,0
27,6
20,0
22,7
18,0
21,9
25,4
12,9
21,8
24,9
18,9
20,4
23,2
18,2
26,2
26,7
25,2
48,1
43,5
53,8
52,0
44,7
58,6
34,4
34,4
34,5
54,7
49,5
59,5
49,0
47,5
52,5
52,5
42,3
63,9
51,6
48,5
54,2
38,9
38,9
38,8
Mundo
África
Américas
Ásia e Pacífico
Europa e Ásia Central
Rendimento baixo
e médio-baixo
Rendimento médio-alto
Rendimento elevado
Por rendimento
Por região
Nota: Entre todos os trabalhadores por conta de outrem com 15 ou mais anos que afirmaram ter sido vítimas de qualquer forma de violência e assédio
no trabalho. As pessoas que afirmaram ter sofrido de violência e assédio sexual, mas que não tinham a certeza do número de vezes que o tinham sido,
foram excluídas destes cálculos. Para uma cobertura a nível mundial, regional e por grupos de rendimento, ver figura 1.7.
Fonte: Lloyd’s Register Foundation World Risk Poll 2021 [Conjunto de dados]
25
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Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
Dados de experiência de múltiplas formas de violência e assédio no trabalho
Entre as pessoas vítimas de violência e assédio no trabalho, 31,8 por cento afirmaram ter sofrido de mais do que uma
forma, sendo que 6,3 por cento das vítimas estiveram expostas às três formas durante a sua vida profissional (figura
1.10). As mulheres eram mais suscetíveis do que os homens de afirmar que tinham enfrentado mais do que uma forma
de violência e assédio na sua vida profissional (34,1 por cento contra 29,6 por cento). Em geral, as mulheres vítimas eram
as mais suscetíveis de serem vítimas de violência e assédio psicológico e sexual (12,5 por cento); enquanto os homens
vítimas eram os mais suscetíveis de terem sofrido violência e assédio físico e psicológico (18,6 por cento).
Figura 1.10	
Sobreposição de experiências de diferentes formas de violência e assédio no trabalho,
entre pessoas empregadas que declararam ter sido vítimas alguma vez de qualquer
forma de violência e assédio no trabalho, 2021 (%)
Questãodoinquérito:Algumavezsofreu,pessoalmente,deviolência[física/psicológica/sexual]e/ouassédionotrabalho,
por exemplo [agressões, restrição aos movimentos ou cuspidelas/insultos, ameaças, intimidação ou perseguição/toques
sexuais não consentidos, comentários, fotografias, e-mails ou convites de teor sexual durante o trabalho]?
Violência física e assédio
Violência psicológica e assédio
Violência sexual e assédio
Nota: Os indivíduos a quem não foi colocada pelo menos uma das três questões foram excluídos dos cálculos acima referidos, incluindo
as pessoas inquiridas de países onde não era permitida pelo menos uma das três questões. As estimativas globais são ponderadas pela
população total de pessoas empregadas com mais de 15 anos de cada país. Percentagem da população empregada e número de países –
Mundo: 67,8 por cento (117 países).
Fonte: Lloyd’s Register Foundation World Risk Poll 2021 [Conjunto de dados]
14,4%
15,9%
6,3%
46,2%
7,9%
7,6%
1,7%
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Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
2
Quem está mais em risco?
O risco de exposição a violência e assédio no trabalho não
está igualmente distribuído entre os diferentes grupos
demográficos; pelo contrário, para algumas pessoas,
especialmente as que enfrentam formas múltiplas e cruzadas
de discriminação, as taxas de prevalência são superiores.
O risco também varia em função de outros fatores, como a
situação na profissão. Muitas vezes, dentro destes grupos, as
mulheres correm mais riscos do que os homens.
2.1. Jovens
As pessoas mais jovens eram as mais suscetíveis de exposição à violência
e assédio
A nível mundial, os jovens empregados (com idades
compreendidas entre os 15 e os 24 anos) eram os mais
suscetíveis de terem sido vítimas de violência e assédio no
trabalho nos últimos cinco anos, com uma prevalência de 23,3
por cento. Este valor diminui com a idade, de 20,2 por cento
entre os trabalhadores por conta de outrem com idades
compreendidas entre os 25 e os 34 anos para 12,0 por cento
entre os trabalhadores com 55 anos ou mais (ver figura 2.1).
No que se refere às diferenças entre homens e mulheres, as
mulheres jovens eram mais suscetíveis do que os homens
jovens de terem sido vítimas de violência e assédio no trabalho
nos últimos cinco anos (26,8 por cento contra 20,8 por cento).
Além disso, tanto as mulheres como os homens mais jovens
registaram uma prevalência mais elevada em comparação
com outros grupos etários dentro do mesmo sexo. Por outras
palavras, mais de uma em cada quatro mulheres jovens foi
vítima de violência e assédio no trabalho nos últimos cinco
anos, em comparação com uma em cada dez mulheres com
idade igual ou superior a 55 anos, e dois em cada dez homens
jovens relataram tais experiências nos últimos cinco anos, em
comparação com pouco mais de um em cada dez homens
com idade igual ou superior a 55 anos.
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Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
Figura 2.1	
Percentagem de pessoas empregadas vítimas de violência e assédio no trabalho nos últimos
cinco anos, por região, por grupo de rendimento, por idade e por sexo, 2021 (%)
Questão do inquérito: Aproximadamente, quando foi a última vez que isto lhe aconteceu – foi no último ano, entre dois a cinco
anos, ou há mais de cinco anos?
15–24 25–34 35–44 45–54 55+
12,0
10,1
13,1
16,5
16,2
16,7
17,2
17,0
17,4
20,2
19,5
21,0
23,3
26,8
20,8
Homens
Mulheres
Total
7,4
12,8
6,1
12,1
26,5
9,7
8,8
9,5
8,6
14,1
13,2
14,2
12,1
11,6
12,3
Homens
Mulheres
Total
8,5
6,8
9,6
9,9
10,3
9,9
12,3
11,1
12,9
15,6
12,9
17,4
18,4
19,5
17,4
Homens
Mulheres
Total
14,4
14,0
14,6
17,4
19,3
16,1
20,0
19,1
20,6
21,7
19,5
23,3
29,0
25,2
32,0
Homens
Mulheres
Total
11,1
13,8
15,4
12,1
17,2
14,2
12,9
15,1
17,7
14,9
19,6
18,5
22,6
15,8
Homens
Mulheres
Total
13,2
17,2
19,7
13,6
23,9
19,0
16,7
21,4
22,2
19,6
24,1
27,5
30,0
25,4
Homens
Mulheres
Total
12,7
15,3
10,6
21,0
27,0
16,9
28,1
28,4
28,0
31,7
36,3
28,5
36,8
40,5
33,7
Homens
Mulheres
Total
13,6
14,9
12,1
17,3
19,6
15,2
19,3
22,9
16,8
20,6
23,2
19,1
21,3
27,1
17,2
Homens
Mulheres
Total
15,2
17,8
12,8
20,1
26,5
14,6
23,7
28,2
20,4
28,0
33,7
23,9
31,4
37,7
25,9
Homens
Mulheres
Total
Mundo
África
Américas
Estados
Árabes
Ásia
e
Pacífico
Europa
e
Ásia
Central
Rendimento
baixo
e
médio-baixo
Rendimento
médio-alto
Rendimento
elevado
3,9
4,6
Nota: Entre todos os trabalhadores por conta de outrem com 15 ou mais anos. As estimativas globais, regionais e dos grupos de rendimento são
ponderadas pela população ativa total de indivíduos com mais de 15 anos de cada país. Percentagem da população empregada e número de países –
Mundo: 92,4 por cento (121 países); África: 62,3 por cento (26 países); Américas: 95,8 por cento (20 países); Estados Árabes: 63,2 por cento (5 países); Ásia e
Pacífico: 98,8 por cento (24 países); Europa e Ásia Central: 97,1 por cento (46 países); países de rendimento baixo e médio-baixo: 85,4 por cento (44 países);
países de rendimento médio-alto: 97,8 por cento (35 países); países de rendimento elevado: 98,1 por cento (42 países).
Fonte: Lloyd’s Register Foundation World Risk Poll 2021 [Conjunto de dados]
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Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
As mulheres jovens tinham duas vezes mais probabilidades do que os homens
jovens de terem sido vítimas de violência e assédio sexual no trabalho
16 Tal como referido na Introdução e em várias notas de rodapé do Capítulo 1, a questão sobre violência física e assédio não foi colocada na China e a questão
sobre violência sexual e assédio não foi colocada no Iraque, na Arábia Saudita ou nos Emirados Árabes Unidos. Uma forma modificada da questão sobre
violência e assédio sexual foi colocada na China, Argélia, Jordânia, Marrocos e Paquistão.
17 Por razões práticas de medição e em conformidade com as recomendações das Nações Unidas, os “migrantes internacionais” podem ser identificados como
“todas as pessoas que são residentes habituais desse país e [1] que são cidadãos de outro país (população estrangeira) ou [2] cujo local de nascimento se situa
noutro país (população nascida no estrangeiro)” (OIT 2018a, para. 13). A Gallup World Poll utilizou o critério referido no número 2.
Quando se analisa a prevalência das três diferentes formas
de violência e assédio, a violência psicológica e o assédio são
as formas mais comuns registadas pelas mulheres e homens
jovens empregados (figura 2.2). No total, 17,9 por cento ou
cerca de 73 milhões de jovens empregados foram vítimas de
violência psicológica e assédio nos últimos cinco anos, em
comparação com 8,8 por cento ou cerca de 36 milhões que
sofreram de violência física e assédio e 6,0 por cento, ou seja,
cerca de 24 milhões de pessoas que tinham sido vítimas e
violência e assédio sexual.16
Embora não tenham sido observadas diferenças significativas
entre homens e mulheres em relação à violência física e ao
assédio, as mulheres jovens eram 5,5 pontos percentuais
mais suscetíveis do que os jovens do sexo masculino terem
sido vítimas de violência psicológica e assédio, e mais do
dobro de terem sido vítimas de violência sexual e assédio.
Figura 2.2	
Percentagem de pessoas empregadas a nível mundial que foram vítimas de violência e assédio
no trabalho nos últimos cinco anos, por tipo de violência e assédio, por idade e
por sexo, 2021 (%)
Questão do inquérito: Aproximadamente, quando foi a última vez que isto lhe aconteceu - foi no último ano, há dois a cinco
anos, ou há mais de cinco anos?
15–24 25–34 35–44 45–54 55+
3,2
2,5
3,7
4,9
5,3
4,7
5,6
5,2
6,1
7,1
5,3
8,3
8,8
8,7
8,9
Homens
Mulheres
Total
9,3
8,5
9,7
13,4
13,5
13,2
13,7
13,2
13,9
15,6
15,1
16,1
17,9
21,0
15,5
Homens
Mulheres
Total
2,5
1,6
3,0
4,3
4,2
4,3
3,5
3,9
3,2
5,8
7,5
4,7
6,0
8,8
4,0
Homens
Mulheres
Total
Nota: Entre todos os trabalhadores por conta de outrem com 15 ou mais anos de idade que afirmaram ter sido vítimas de violência física, psicológica ou
sexual e de assédio no trabalho. As estimativas a nível mundial são ponderadas em função da população ativa total de indivíduos de 15 anos e mais anos
em cada país.
Fonte: Lloyd’s Register Foundation World Risk Poll 2021 [Conjunto de dados]
2.2. Mulheres migrantes
As mulheres migrantes trabalhadoras têm estado especialmente em risco
Em todo o mundo, os trabalhadores migrantes registaram
uma maior prevalência de violência e assédio no trabalho nos
últimos cinco anos (figura 2.3).17
Globalmente, os migrantes tinham 3,1 pontos percentuais
mais probabilidades de terem sido vítimas de violência e
assédio do que os não migrantes.
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Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
As mulheres migrantes tinham 8,7 pontos percentuais mais
probabilidades do que os homens migrantes de terem sido
vítimas de violência e assédio (26,6 por cento contra 17,9 por
cento).
As mulheres migrantes eram também mais suscetíveis de
sofrer qualquer forma de violência e assédio do que as
mulheresnãomigrantes(26,6porcentocontra18,4porcento).
Figura 2.3	
Percentagem de pessoas empregadas que sofreram de violência e assédio no trabalho nos
últimos cinco anos, por país de nascimento, por região, por grupo de rendimento e por sexo,
2021 (por cento)
Questão do inquérito: Aproximadamente, quando foi a última vez que isto lhe aconteceu – foi no último ano, entre dois a cinco
anos, ou há mais de cinco anos?
Mundo
África
Américas
Estados Árabes
Ásia e Pacífico
Europa e Ásia Central
Rendimento médio-alto
Rendimento elevado
Por região
Por rendimento
22,0
26,6
17,9
23,8
22,3
25,7
27,5
33,7
21,0
13,1
15,1
12,7
16,3
20,1
11,5
20,8
24,6
17,6
19,6
20,1
18,6
19,4
19,2
19,3
23,2
30,2
17,3
18,9
18,4
19,2
21,9
20,4
22,9
26,7
29,9
24,3
11,5
14,2
10,9
16,4
14,2
17,9
18,0
20,6
16,1
14,0
13,1
14,4
20,3
17,5
22,5
22,9
27,5
19,3
Tota
Migrantes
Não-migrantes
Mulheres
Migrantes
Não-migrantes
Homens
Migrantes
Não-migrantes
40
0
Rendimento baixo
e médio-baixo
Nota: Para a cobertura nível mundial, regional e por grupo de rendimentos, ver figura 2.1. Para esta análise, os inquiridos que afirmaram ter nascido
noutro país são considerados “migrantes”, enquanto os inquiridos que afirmaram ter nascido no país são considerados “não-migrantes”..
Fonte: Lloyd’s Register Foundation World Risk Poll 2021 [Conjunto de dados]
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Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
Quando se analisam as diferentes formas
de violência e assédio, as mulheres
migrantes têm quase o dobro da
probabilidade de assinalar violência
e assédio sexual do que as mulheres
não migrantes (10,0 por cento
contra 5,4 por cento) (figura 2.4).
As mulheres migrantes também estavam mais expostas ao
risco de violência psicológica e assédio do que as mulheres
não migrantes (20,4 por cento contra 14,8 por cento) e,
em menor grau, também eram mais suscetíveis de sofrer
violência física e assédio (6,1 por cento contra 5,3 por cento).
Quando se analisa a combinação de fatores de discriminação
entre sexo, idade e situação migratória (figura 2.5), os dados
mostram que 40,7 por cento das mulheres jovens migrantes
foram vítimas de alguma forma de violência e assédio no
trabalho nos últimos cinco anos, em comparação com 26,8
por cento das mulheres jovens não migrantes.
Figura 2.4	
Percentagem de pessoas empregadas que já foram vítimas de violência física, psicológica e/ou
sexual e assédio no trabalho, por tipo de violência e assédio sofrido, por país de nascimento e
por sexo, 2021 (%)
Questão do inquérito: Alguma vez sofreu, pessoalmente, de violência [física/psicológica/sexual] e/ou assédio no trabalho, tais
como [agressões, restrição aos movimentos ou cuspidelas/insultos, ameaças, intimidação ou perseguição/toques sexuais não
consentidos, comentários, fotografias, e-mails ou convites de teor sexual durante o trabalho]?
Migrantes Não-migrantes
Violência física e assédio
Violência psicológica e assédio
Violência sexual e assédio
5,6
5,3
5,8
5,8
6,1
5,6
Homens
Mulheres
Total
15,4
14,8
15,9
17,0
20,4
13,9
Homens
Mulheres
Total
4,8
5,4
4,3
6,8
10,0
3,7
Homens
Mulheres
Total
Nota: Entre todos os trabalhadores por conta de outrem com 15 ou mais anos que afirmaram ter sido vítimas de violência física, psicológica ou sexual e de
assédio no trabalho. As estimativas a nível mundial são ponderadas em função da população ativa total de indivíduos com 15 ou mais anos em cada país.
Para esta análise, os inquiridos que afirmaram ter nascido noutro país são considerados “migrantes”, enquanto os inquiridos que afirmaram ter nascido
no país são considerados “não-migrantes”.
Fonte: Lloyd’s Register Foundation World Risk Poll 2021 [Conjunto de dados]
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Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
Figura 2.5	
Percentagem de pessoas empregadas que sofreram de violência e assédio no trabalho nos
últimos cinco anos, por país de nascimento, por idade e por sexo, 2021 (%)
Questão do inquérito: Aproximadamente, quando foi a última vez que isto lhe aconteceu – foi no último ano, há dois a cinco anos,
ou há mais de cinco anos?
15–24 25–34 35–44 45–54 55+
15,4
17,9
12,5
18,0
22,8
14,6
21,5
27,7
16,6
23,5
26,2
20,9
33,3
40,7
25,6
Homens
Mulheres
Total
12,5
10,3
13,6
17,6
16,6
18,3
18,1
17,1
18,9
20,7
19,8
21,4
24,6
26,8
22,9
Homens
Mulheres
Total
Migrantes
Não-migrantes
Nota: Para uma cobertura a nível mundial, regional e por grupos de rendimento, ver figura 2.1. Para esta análise, os inquiridos que afirmaram ter nascido
noutro país são considerados “migrantes”, enquanto os inquiridos que afirmaram ter nascido no país são considerados “não-migrantes”.
Fonte: Lloyd’s Register Foundation World Risk Poll 2021 [Conjunto de dados]
2.3. Mulheres trabalhadoras por conta de outrem
As mulheres trabalhadoras por conta de outrem estavam mais expostas ao
risco do que os homens e as mulheres trabalhadores/as por conta própria
Os/as trabalhadores/as por conta de outrem tinham mais
probabilidades do que os/as trabalhadores/as por conta
própria de terem sido vítimas de violência e assédio nos
últimos cinco anos (19,0 por cento contra 16,8 por cento)
(figura 2.6). Entre os trabalhadores por conta de outrem, as
mulheres estavam 2,5 pontos percentuais mais expostas ao
risco de violência e assédio do que os homens. Além disso,
as mulheres trabalhadoras por conta de outrem também se
encontravam em pior situação do que as trabalhadoras por
conta própria, sendo 6,0 pontos percentuais mais suscetíveis
de terem sido vítimas de violência e assédio. Em contrapartida,
a diferença entre os trabalhadores assalariados e os
trabalhadores por conta própria foi muito pequena.
Registaram-se variações regionais consideráveis nestes
resultados. A maior diferença nas experiências de violência
e assédio verificou-se nas Américas, onde os trabalhadores
por conta de outrem tinham 8,3 pontos percentuais mais
probabilidades do que os trabalhadores por conta própria de
terem sofrido de violência e assédio nos últimos cinco anos,
seguidos da Europa e Ásia Central (3,1 pontos percentuais),
África (2,5 pontos percentuais) e Ásia e Pacífico (0,6 pontos
percentuais). Nos Estados Árabes, porém, os trabalhadores
por conta própria estavam mais expostos a riscos do que os
trabalhadores por conta de outrem (3,5 pontos percentuais).
Entre os trabalhadores por conta de outrem, a maior
diferença entre homens e mulheres verificou-se nas
Américas, onde as mulheres tinham uma taxa mais elevada
de 8,8 pontos percentuais do que os homens no que diz
respeito a terem sido vítimas de violência e assédio, seguidas
dos Estados Árabes (7,2 pontos percentuais) e da Europa e
Ásia Central (4,3 pontos percentuais). Entre os trabalhadores
por conta própria, as disparidades entre homens e mulheres
variam consoante a região. Na Europa e na Ásia Central, as
mulheres a trabalhar por conta própria tinham 6,3 pontos
percentuais mais probabilidades do que os homens de
terem sido vítimas de violência e assédio nos últimos cinco
anos. Em contrapartida, os homens que trabalham por conta
própria estavam mais expostos a riscos nos Estados Árabes,
na Ásia e Pacífico e em África, com as duas primeiras regiões
a registarem uma diferença de 6,8 e 6,1 pontos percentuais,
respetivamente, entre homens e mulheres que trabalham por
conta própria.
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Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
Figura 2.6	
Percentagem de pessoas empregadas vítimas de violência e assédio no trabalho nos últimos
cinco anos, por situação na profissão, região, grupo de rendimento e sexo, 2021 (%)
Questão do inquérito: Aproximadamente, quando foi a última vez que isto lhe aconteceu – foi no último ano, entre dois a cinco
anos, ou há mais de cinco anos?
Mundo
África
Américas
Estados Árabes
Ásia e Pacífico
Europa e Ásia Central
Por região
Por rendimento
19,0
20,6
18,1
23,4
23,4
23,3
29,8
34,7
25,9
10,8
16,8
9,6
15,8
15,9
16,0
19,0
21,3
17,0
14,0
13,5
14,5
20,5
19,2
21,7
23,7
28,5
19,6
16,8
14,6
17,9
20,9
19,0
22,5
21.,5
22,2
20,9
14,3
8,9
15,7
15,2
11,0
17,1
15,9
19,9
13,6
13,2
12,4
13,5
20,1
15,2
23,1
19,5
23,8
16,8
40
0
Rendimento médio-alto
Rendimento elevado
Rendimento baixo
e médio-baixo
Nota: Para uma cobertura a nível mundial, regional e por grupos de rendimento, ver figura 2.1.
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Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
2.4. Pessoas vítimas de discriminação
As pessoas que foram vítimas de discriminação ao longo da vida eram mais
suscetíveis de ser vítimas de violência e assédio no trabalho
18 As respostas às questões do World Risk Poll sobre experiências de discriminação são analisados no documento da Lloyd’s Register Foundation, World risk Poll
2021: A Resilient World? – Understanding Vulnerability in a Changing Climate, 2021, 24.
O 2021 Lloyd’s Register Foundation World Risk Poll incluía
uma série de questões sobre se uma pessoa já tinha sido
discriminada com base em cinco características-chave.18
Os resultados ajudam a esclarecer a relação entre a
vulnerabilidade geral das pessoas à discriminação na vida
pública e privada e a sua probabilidade de enfrentar violência
e assédio no trabalho.
De uma maneira geral, as pessoas que foram discriminadas
com base em pelo menos um dos motivos acima referidos
têm quase três vezes mais probabilidades do que as
pessoas que não foram discriminadas de afirmar que
foram vítimas de violência e assédio durante a sua vida
profissional (figura 2.7).
A diferença foi mais acentuada no caso da discriminação
com base em questões de género: quase cinco em cada
dez pessoas que sofreram de discriminação com base em
questões de género também sofreram de violência e assédio
no trabalho, em comparação com quase duas em cada dez
das pessoas que não foram vítimas de discriminação com
base nas questões de género. Embora as mulheres tivessem
quase o dobro da probabilidade dos homens de afirmarem
que alguma vez tinham sido vítimas de discriminação com
base nas questões de género (17,2 por cento e 9,0 por cento,
respetivamente), a incidência de violência e assédio entre as
mulheres que tinham sido vítimas de discriminação com base
nas questões de género era mais elevada do que entre os
homens (50,9 por cento e 46,8 por cento, respetivamente).
35
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Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
Figura 2.7	
Percentagem de pessoas empregadas que já foram vítimas de violência e assédio no trabalho,
por sexo e por experiências de discriminação ao longo da vida, 2021 (%)
Questão colocada no inquérito: Alguma vez sofreu, pessoalmente, de violência [física/psicológica/sexual] e/ou assédio no
trabalho, tais como [agressões, restrição aos movimentos ou cuspidelas/insultos, ameaças, intimidação ou perseguição/toques
sexuais não consentidos, comentários, fotografias, e-mails ou convites de teor sexual durante o trabalho]?
Questão do inquérito: Alguma vez foi, pessoalmente, objeto de discriminação devido a algum dos seguintes motivos?
Total Mulheres Homens
60
0
Discriminação com base na cor da pele
Discriminação com base na religião
Discriminação com base na nacionalidade/etnia
Discriminação com base no género
Discriminação com base na deficiência
Discriminação com base num ou vários destes motivos
44,8
17,6
49,8
21,7
46,5
19,1
Não
Sim
42,4
17,3
43,3
22,4
42,5
19,2
Não
Sim
43,6
16,8
48,1
21,5
44,7
18,6
Não
Sim
46,8
17,8
50,9
19,6
48,5
18,5
Não
Sim
46,9
19,3
42,9
24,1
44,7
21,1
Não
Sim
40.2
13,9
44,1
15,7
41,6
14,6
Não
Sim
Nota: Nenhuma das questões sobre discriminação foi colocada na China, na Arábia Saudita ou nos Emirados Árabes Unidos. No Tajiquistão, não foram
colocadas questões sobre discriminação com base na religião e na nacionalidade/etnia. As estimativas a nível global e regionais são ponderadas pela
população ativa total de indivíduos com 15 anos e mais de cada país. Percentagem da população empregada e número de países - Mundo: 68,0 por cento
(118 países); África: 62,3 por cento (26 países); Américas: 95,8 por cento (20 países); Estados Árabes: 24,2 por cento (3 países); Ásia e Pacífico: 57,8 por cento
(23 países); Europa e Ásia Central: 97,1 por cento (46 países); países de rendimento baixo e médio-baixo: 85,4 por cento (44 países); países de rendimento
médio-alto: 35,6 por cento (34 países); países de rendimento elevado: 94,4 por cento (40 países).
Fonte: Lloyd’s Register Foundation World Risk Poll 2021 [Conjunto de dados]
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Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
A discriminação baseada nas quatro outras características
pessoais estava quase tão fortemente relacionada com as
denúncias de violência e assédio relacionados com o trabalho
como a discriminação baseada em questões de género. Mais
de duas em cada cinco pessoas que tinham sido discriminadas
com base na cor da pele, raça/etnia/nacionalidade, religião
ou deficiência também tinham sofrido de violência e assédio
no trabalho, em comparação com menos de uma em cada
cinco das pessoas que não tinham sido objeto de qualquer
discriminação na sua vida profissional.
A desagregação por sexo mostra que a discriminação com
base na cor da pele e na raça/etnia/nacionalidade está mais
fortemente associada a uma maior incidência de violência
e assédio no trabalho entre as mulheres do que entre os
homens; enquanto a discriminação com base na deficiência
está mais fortemente associada a uma maior incidência de
violência e assédio no trabalho entre os homens. A Figura
2.8 mostra ainda que a incidência de violência e assédio no
trabalho aumenta entre as pessoas que foram discriminadas
com base em mais do que uma caraterística pessoal.
Figura 2.8	
Percentagem de pessoas empregadas que já sofreram de violência e assédio no trabalho, por
sexo e por experiências de discriminação com base numa ou mais características pessoais,
2021 (%)
Questão do inquérito: Alguma vez sofreu, pessoalmente, de violência [física/psicológica/sexual] e/ou assédio no trabalho, tais
como [agressões, restrição aos movimentos ou cuspidelas/insultos, ameaças, intimidação ou perseguição/toques sexuais não
consentidos, comentários, fotografias, e-mails ou convites de teor sexual durante o trabalho]?
Total Mulheres Homens
13,5
32,3
42,9
50,6
15,6
39,3
43,2
55,4
14,2
35,6
42,2
52,0
De três a cinco
Dois
Um
Zero
60
10
Número de razões pelas quais uma pessoa sofreu discriminação
Nota: Nenhuma das questões sobre discriminação foi colocada na China, na Arábia Saudita ou nos Emirados Árabes Unidos. No Tajiquistão, não foram
colocadas questões sobre discriminação com base na religião e na nacionalidade/etnia. Para uma cobertura a nível mundial, regional e por grupos de
rendimento, ver figura 2.7.
Fonte: Lloyd’s Register Foundation World Risk Poll 2021 [Conjunto de dados]
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Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
3
Porque é que é tão difícil falar sobre
violência e assédio no trabalho?
19 Esta questão foi colocada apenas às pessoas inquiridas que estavam empregadas na altura do inquérito e que afirmaram ter sido vítimas de pelo menos uma
forma de violência e assédio nos últimos cinco anos. As questões não foram colocadas na China; enquanto noutros países, incluindo Myanmar, Arábia Saudita,
Tajiquistão e Emirados Árabes Unidos, a Gallup não conseguiu colocar pelo menos uma das questões do inquérito.
É sabido que falar sobre experiências pessoais de violência e
assédio pode ser difícil e que muitos fatores podem impedir
as pessoas de o fazer, incluindo o receio de ser estigmatizado,
o desconhecimento dos sistemas de denúncia e de
acompanhamento, a “normalização” da violência e assédio,
e riscos de nova vitimização ou retaliação (ILO 2018b).
Para aprofundar a questão, o inquérito questionava qual a
probabilidade de as pessoas partilharem as suas experiências
(e com quem), bem como as razões para não as partilhar.19
3.1. Quem e para quem: revelar experiências de violência
e assédio no trabalho
Apenas uma em cada duas pessoas partilhou a sua experiência de violência
e assédio no trabalho com outra pessoa
Em todo o mundo, 54,4 por cento das pessoas empregadas
que foram vítimas de violência e assédio nos últimos cinco
anos afirmaram tê-lo revelado a outra pessoa, sendo as
mulheres as vítimas mais suscetíveis de partilhar essas
experiências dolorosas com outras pessoas (60,7 por cento,
contra 50,1 por cento dos homens vítimas). É o que acontece
em quase todas as regiões (exceto em África), embora em
graus diferentes (figura 3.1).
Questão do inquérito: Alguma vez contou a alguém
sobre a violência e/ou assédio de que foi vítima no
trabalho? Resultados globais
54,4%
Total
60,7%
Mulheres
50,1%
Homens
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Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
Figura 3.1	
Percentagem de pessoas empregadas que foram vítimas de violência e assédio no trabalho nos
últimos cinco anos e que contaram a alguém, por região, por grupo de rendimento e por sexo,
2021 (%)
Questão do inquérito: Alguma vez contou a alguém sobre a violência e/ou assédio de que foi vítima no trabalho?
Total Mulheres Homens
54,4
60,7
50,1
51,5
51,3
51,5
63,5
72,9
54,1
58,0
68,0
55,8
46,0
51,9
44,2
56,9
57,6
56,2
43,4
43,3
43,8
53,2
59,0
48,7
69,2
73,9
63,6
Men
Women
Total
Men
Women
Total
Men
Women
Total
Men
Women
Total
Men
Women
Total
Men
Women
Total
Men
Women
Total
Men
Women
Total
Men
Women
Total
Mundo
África
Américas
Estados Árabes
Ásia e Pacífico
Europa e Ásia Central
Rendimento médio-alto
Rendimento elevado
Por região
Por rendimento
Rendimento baixo
e médio-baixo
Nota: Entre todos os trabalhadores por conta de outrem com 15 ou mais anos. As estimativas mundiais e regionais são ponderadas pela população ativa
total de indivíduos de 15 e mais anos de cada país. Percentagem da população empregada e número de países - Mundo: 68,7 por cento (120 países); África:
62,3 por cento (26 países); Américas: 95,8 por cento (20 países); Estados Árabes: 63,2 por cento (5 países); Ásia e Pacífico: 57,8 por cento (23 países); Europa
e Ásia Central: 97,1 por cento (46 países); países de rendimento baixo e médio-baixo: 85,4 por cento (44 países); países de rendimentos médios-altos: 35,6
por cento (34 países); países de rendimento elevado: 98,1 por cento (42 países). A questão do inquérito A questão”Alguma vez contou a alguém sobre a
violência e/ou assédio de que foi vítima no trabalho” não foi colocada na China.
Fonte: Lloyd’s Register Foundation World Risk Poll 2021 [Conjunto de dados]
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Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
As pessoas que foram vítimas de mais do que uma forma de violência
e assédio estavam mais dispostas a falar sobre o que lhes aconteceu
A decisão das pessoas de falar com outras pessoas
sobre as suas experiências de violência e assédio variou
consideravelmente consoante a(s) forma(s) de violência e
assédio a que foram sujeitas (ver figura 3.2). As pessoas que
tinham sido vítimas apenas de violência física e assédio nos
últimos cinco anos eram as menos suscetíveis de o revelar,
com37,6porcento.Ataxadedivulgaçãofoimaiselevadaentre
as pessoas que foram vítimas apenas de violência psicológica
e assédio, com 51,1 por cento, e ainda mais elevada entre
as pessoas que foram apenas vítimas de violência sexual e
assédio, com 62,0 por cento.
A probabilidade de falar sobre violência e assédio era maior
entre as pessoas inquiridas que tinham sofrido mais do que
uma forma de violência e assédio (63,4 por cento). A desa-
gregação por sexo mostra que, de um modo geral, existia
uma maior probabilidade de as mulheres vítimas do que
os homens de falar sobre a sua experiência, independen-
temente do tipo específico de violência e assédio que lhes
tinha sido infligido. No caso da violência física e do assédio,
esta diferença é pouco significativa (0,6 pontos percentuais),
mas as diferenças eram consideráveis no caso da violência
psicológica e do assédio (8,0 pontos percentuais) e,
especialmente, da violência sexual e do assédio (12,9
pontos percentuais).
Figura 3.2	
Percentagem de pessoas empregadas que foram vítimas de violência e assédio no trabalho nos
últimos cinco anos e que contaram a alguém, por tipo de violência e assédio, 2021 (%)
Questão do inquérito: Alguma vez contou a alguém sobre a violência e/ou assédio de que foi vítima no trabalho?
Total Mulheres Homens
37,6
38,9
38,3
51,1
56,2
48,2
62,0
62,0
68,2
55,3
63,4
70,1
57,5
Men
Women
Total
Men
Women
Total
Men
Women
Total
Men
Women
Total
Apenas violência física e assédio
Apenas violência psicológica e assédio
Apenas violência sexual e assédio
Mais do que um tipo de violência e assédio
Nota: As pessoas a quem pelo menos uma das três questões não foi colocada foram excluídos dos cálculos acima referidos, incluindo as pessoas
inquiridas de países onde não era permitida pelo menos uma das três questões. As estimativas a nível mundial são ponderadas pela população total de
pessoas empregadas com 15 ou mais anos de cada país. Percentagem da população empregada e número de países - Mundo: 67,8 por cento (117 países).
Fonte: Lloyd’s Register Foundation World Risk Poll 2021 [Conjunto de dados]
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Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
É mais provável que as pessoas tenham contado aos amigos ou à família
do que utilizado outros canais informais ou formais
No inquérito perguntou-se às vítimas que tinham partilhado
as suas experiências de violência e assédio no trabalho qual
dos seis canais seguintes tinham utilizado para partilhar essas
experiências (figura 3.3):

a um amigo ou a um familiar;

a um colega de trabalho;

ao seu empregador ou supervisor;
àpolícia,umlídercomunitárioouuminspetordotrabalho;

a um representante sindical; e

a serviços sociais ou uma organização sem fins lucrativos
De um modo geral, as vítimas que partilharam as suas
experiências referiram ter utilizado uma média de 2,4 dos 6
canais, com poucas diferenças entre homens e mulheres, e
era muito mais provável que fizessem confidências a outras
pessoas do que utilizassem canais institucionais.
Por exemplo, as vítimas de violência e assédio recorreram
mais frequentemente a amigos ou familiares (84,9 por
cento), sendo que as mulheres estavam ligeiramente mais
predispostas a fazê-lo do que os homens (86,6 por cento
contra 83,3 por cento). Os colegas de trabalho foram o
segundo canal mais utilizado pelas pessoas, com 70,4 por
cento, sendo este valor ligeiramente mais elevado entre os
homens do que entre as mulheres (71,0 por cento contra 69,6
por cento). Os empregadores e supervisores surgem a seguir,
commaisdemetadedasvítimasarecorreremaeles.Poroutro
lado, as pessoas que tinham sofrido de violência e assédio no
trabalho tinham muito menos probabilidades de recorrer a
instituições como a polícia, líderes comunitários ou inspetores
do trabalho (16,0 por cento), sindicatos ou representantes
(14,8 por cento), ou serviços sociais ou organizações sem fins
lucrativos (9,2 por cento).
Questão do inquérito: A quem contou sobre as
suas experiências? Foi...? Resultados globais
84,9%
Um amigo ou
um familiar
70,4%
Um colega
de trabalho
55,3%
O seu empregador
ou supervisor
16,0%
À polícia, um líder
comunitário ou um
inspetor do
trabalho
14,8%
Um representante
sindical
9.2%
Serviços sociais ou
uma organização
sem fins lucrativos
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Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
Figura 3.3	
Percentagem de pessoas empregadas vítimas de violência e assédio no trabalho nos últimos
cinco anos e que contaram a alguém, e pessoa a quem contaram, por região e por sexo, 2021 (%)
Questão do inquérito: A quem contou as suas experiências? Foi...?
Mulheres Homens
100
0
Mundo
África
Américas
Estados Árabes
Ásia e Pacífico
Europa e Ásia Central
Total
84,9
70,4
55,3
16,0
14,8
9,2
87,0
62,1
50,9
24,5
18,1
13,6
87,4
72,4
63,2
11,0
10,7
4,9
70,4
59,9
47,2
23,9
9,0
1,2
82,7
71,3
51,8
21,1
19,8
12,3
82,7
72,8
50,3
12,8
11,3
9,1
83,3
71,0
55,2
18,0
16,3
9,1
86,6
69,6
55,4
13,5
12,9
8,8
Serviços sociais ou uma o
rganização sem fins luc
rativos
A um representante sindical
À polícia, um líder comunitário ou um inspetor do t
rabalho
Ao seu empregador ou supervisor
A um colega de trabalho
A um amigo ou a um familiar
86,3
67,4
52,3
23,3
16,8
12,6
88,5
53,8
48,1
26,2
20,1
15,0
87,2
70,4
64,8
12,0
11,6
4,5
87,5
73,9
62,4
10,2
10,0
5,3
65,5
63,5
45,5
23,0
11,5
0,7
87,0
49,6
54,0
28,8
0,7
2,0
80,6
72,1
51,5
24,0
22,4
11,9
86,0
69,5
51,5
13,8
13,8
10,4
81,2
73,9
50,7
11,9
10,4
7,3
84,3
71,6
50,0
13,3
12,2
10,7
Serviços sociais ou uma o
rganização sem fins luc
rativos
A um representante sindical
À polícia, um líder comunitário ou um inspetor do t
rabalho
Ao seu empregador ou supervisor
A um colega de trabalho
A um amigo ou a um familiar
Serviços sociais ou uma o
rganização sem fins luc
rativos
A um representante sindical
À polícia, um líder comunitário ou um inspetor do t
rabalho
Ao seu empregador ou supervisor
A um colega de trabalho
A um amigo ou a um familiar
A um representante sindical
Serviços sociais ou uma o
rganização sem fins luc
rativos
À polícia, um líder comunitário ou um inspetor do t
rabalho
Ao seu empregador ou supervisor
A um colega de trabalho
A um amigo ou a um familiar
Serviços sociais ou uma o
rganização sem fins luc
rativos
A um representante sindical
À polícia, um líder comunitário ou um inspetor do t
rabalho
Ao seu empregador ou supervisor
A um colega de trabalho
A um amigo ou a um familiar
Serviços sociais ou uma o
rganização sem fins luc
rativos
À polícia, um líder comunitário ou um inspetor do t
rabalho
A um representante sindical
Ao seu empregador ou supervisor
A um colega de trabalho
A um amigo ou a um familiar
Nota: Entre todas as pessoas empregadas com mais de 15 anos que afirmaram ter sido vítimas de qualquer forma de violência e assédio nos últimos
cinco anos e que contaram a alguém a sua experiência. É possível mais do que uma resposta. As estimativas a nível mundial e regional são ponderadas
pela população ativa total de pessoas de 15 e mais anos de cada país. Percentagem da população empregada e número de países – Mundo: 68,7 por
cento (120 países). Na China não foram colocadas questões sobre a comunicação de experiências de violência e assédio no trabalho; a opção de resposta
“representante sindical” foi omitida nos Emirados Árabes Unidos e “polícia, líder comunitário” foi omitida na Arábia Saudita.
Fonte: Lloyd’s Register Foundation World Risk Poll 2021 [Conjunto de dados]
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Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
3.2. Barreiras à revelação de experiências de violência
e assédio
O facto de ser uma “perda de tempo” foi o principal obstáculo à revelação de
casos de violência e assédio no trabalho
20 A nível mundial, as pessoas inquiridas selecionaram, em média, mais de três motivos, sem qualquer diferença entre homens e mulheres.
Aos inquiridos que não partilharam as suas experiências de
violência e assédio no trabalho foi pedido que selecionassem
a(s) sua(s) razão(ões) para não o fazerem de entre as seguintes
sete opções:20

achou que era uma perda de tempo;

temeu pela sua reputação;

os procedimentos no trabalho não eram claros;

há uma falta de confiança na polícia, nos líderes
comunitários ou nos inspetores do trabalho;

receava que as pessoas descobrissem no trabalho;

não sabia o que fazer; e

tinha receio de ser punido.
Mais de metade, 55,0 por cento, considerava que falar sobre
o assunto teria sido uma “perda de tempo”, com muito pouca
diferença entre homens e mulheres (figura 3.4). A segunda
resposta mais comum, dada por 44,5 por cento, foi “temeu
pela reputação”. No entanto, muitos dos inquiridos que não
partilharam a sua experiência de violência e assédio disseram-
-no porque “os procedimentos no trabalho não eram claros”
(43,1 por cento) ou devido à “falta de confiança na polícia, nos
líderes comunitários ou nos inspetores do trabalho” (42,5 por
cento). Além disso, 40,8 por cento estavam “preocupados
com o facto de as pessoas descobrirem no trabalho” e muitos
“não sabiam o que fazer” (38,3 por cento) ou receavam ser
punidos (33,2 por cento).
Questão do inquérito: Por favor, diga-me se cada
uma das seguintes razões o(a) levou a não contar
a ninguém sobre a sua experiência. Foi porque...?
Resultados globais
38,3%
Não sabia o que fazer
55,0%
Achou que era uma
perda de tempo
44,5%
Temeu pela
sua reputação
43,1%
Os procedimentos no
trabalho não eram claros
42,5%
Há uma falta de confiança
na polícia, nos líderes
comunitários ou nos
inspetores do trabalho
40,8%
Receava que as pessoas
descobrissem no trabalho
33,2%
Tinha receio de ser punido
43
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Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
Figura 3.4	
Percentagem de pessoas empregadas que sofreram de violência e assédio no trabalho nos
últimos cinco anos, mas não o comunicaram, por motivo de não comunicação, por região e por
sexo, 2021 (%)
Questãodoinquérito:Porfavor,digasecadaumadasseguintesrazõeso(a)levouanãocontaraninguémsobreasuaexperiência.
Foi porque...?
Mulheres Homens
70
10
Mundo
África
Américas
Estados Árabes
Ásia e Pacífico
Europa e Ásia Central
Total
55,0
44,5
43,1
42,5
40,8
38,3
33,2
58,1
45,1
43,6
41,5
40,7
36,6
33,0
62,4
46,2
45,3
44,1
42,2
41,4
33,5
62,7
43,2
38,2
34,3
33,5
32,7
27,0
50,5
50,2
49,6
46,6
46,1
42,5
32,5
53,2
37,4
34,7
31,5
29,9
23,6
20,3
55,0
42,7
42,3
44,7
36,4
34,5
31,0
54,0
48,1
43,7
39,4
47,4
44,9
36,6
Tinha receio de ser punido
Não sabia o que fazer
Receava que as pessoas descobrissem no trabalho
Os procedimentos no trabalho não eram claros
Temeu pela sua reputação
Achou que era uma perda de tempo
63,3
42,9
38,9
44,6
40,3
33,8
34,0
52,9
38,3
51,2
35,9
41,3
41,2
32,0
61,5
43,6
40,5
39,1
45,9
30,4
27,3
64,1
50,7
53,5
52,6
35,5
60,3
43,8
64,1
43,4
37,1
35,4
33,3
32,4
24,5
54,3
41,3
45,9
29,7
35,7
35,0
39,4
46,5
48,8
49,1
46,0
49,2
40,2
33,2
53,9
50,5
51,7
46,3
41,0
47,2
36,0
54,7
34,4
31,9
24,0
19,5
14,2
14,8
54,0
40,0
37,7
39,4
44,9
47,4
25,9
Tinha receio de ser punido
Receava que as pessoas descobrissem no trabalho
Os procedimentos no trabalho não eram claros
Temeu pela sua reputação
Não sabia o que fazer
Achou que era uma perda de tempo
Não sabia o que fazer
Receava que as pessoas descobrissem no trabalho
Tinha receio de ser punido
Os procedimentos no trabalho não eram claros
Temeu pela sua reputação
Achou que era uma perda de tempo
Tinha receio de ser punido
Não sabia o que fazer
Receava que as pessoas descobrissem no trabalho
Os procedimentos no trabalho não eram claros
Temeu pela sua reputação
Achou que era uma perda de tempo
Tinha receio de ser punido
Não sabia o que fazer
Os procedimentos no trabalho não eram claros
Temeu pela sua reputação
Achou que era uma perda de tempo
Receava que as pessoas descobrissem no trabalho
Tinha receio de ser punido
Receava que as pessoas descobrissem no trabalho
Não sabia o que fazer
Temeu pela sua reputação
Os procedimentos no trabalho não eram claros
Achou que era uma perda de tempo
Nota: Entre todas as pessoas empregadas com 15 ou mais anos de idade que afirmaram ter sido vítimas de uma qualquer forma de violência e assédio
nos últimos cinco anos e que afirmaram não ter contado a ninguém sobre essa experiência. É possível mais do que uma resposta. As estimativas a nível
mundial e regionais são ponderadas pela população ativa total de indivíduos de 15 ou mais anos de cada país. Percentagem da população empregada
e número de países - Mundo: 68,7 por cento (120 países). As questões sobre a não comunicação de experiências de violência e assédio no trabalho não
foram colocadas na China, e a opção de resposta “falta de confiança na polícia, nos líderes comunitários ou em [inserir exemplo específico do país]” foi
omitida em Myanmar, na Arábia Saudita e no Tajiquistão.
Fonte: Lloyd’s Register Foundation World Risk Poll 2021 [Conjunto de dados]
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Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
Quando se analisam as razões
para não falar sobre cada uma das
formas específicas de violência
e assédio, a “perda de tempo” foi
o motivo mais frequentemente
referido para cada uma delas.
Curiosamente, os homens tiveram uma maior tendência do
que as mulheres para mencionar a “perda de tempo” como
um obstáculo no caso da violência psicológica e do assédio
(58,9 por cento e 56,3 por cento, respetivamente); enquanto
as mulheres estavam muito mais inclinadas a mencioná-la do
que os homens no caso da violência sexual e do assédio (61,5
por cento e 38,3 por cento, respetivamente). É significativo
o número de inquiridos, principalmente mulheres, que não
partilharam a sua experiência de violência e assédio sexual
por recearem a sua reputação ou por recearem que as
pessoas no trabalho descobrissem
Figura 3.5	
Percentagem de pessoas empregadas que sofreram de violência e assédio nos últimos cinco
anos, por motivo invocado para não comunicar a ocorrência e por tipo de violência e assédio,
resultados à escala mundial, 2021 (%)
Questãodoinquérito:Porfavor,digasecadaumadasseguintesrazõeso(a)levouanãocontaraninguémsobreasuaexperiência.
Foi porque...?
Mulheres Homens
70
10
Apenas violência física e assédio
Apenas violência psicológica e assédio
Apenas violência sexual e assédio
Total
44,3
39,3
37,8
36,6
24,0
33,3
32,9
57,7
37,4
43,6
35,8
32,3
40,5
38,2
50,2
33,8
38,7
38,8
27,5
46,0
40,1
43,9
42,3
39,9
38,7
23,1
36,3
33,3
43,7
33,7
36,2
32,9
28,0
29,2
31,4
Temeu pela sua reputação
Tinha receio de ser punido
Receava que as pessoas descobrissem no trabalho
Os procedimentos no trabalho não eram claros
Não sabia o que fazer
Achou que era uma perda de tempo
58,9
32,4
41,4
39,9
56,3
44,6
46,6
43,1
33,3
41,6
34,6
38,3
27,6
46,7
28,4
40,2
45,7
61,5
42,5
31,0
51,4
28,8
53,5
35,4
Temeu pela sua reputação
Tinha receio de ser punido
Receava que as pessoas descobrissem no trabalho
Os procedimentos no trabalho não eram claros
Não sabia o que fazer
Achou que era uma perda de tempo
Temeu pela sua reputação
Tinha receio de ser punido
Receava que as pessoas descobrissem no trabalho
Os procedimentos no trabalho não eram claros
Não sabia o que fazer
Achou que era uma perda de tempo
30,6
31,8
41,6
27,6
Nota: Entre todas as pessoas empregadas com 15 e mais anos de idade que afirmaram ter sido vítimas de qualquer forma de violência e assédio nos
últimos cinco anos e que afirmaram não ter contado a ninguém sobre essa experiência. É possível mais do que uma resposta. Percentagem da população
empregada e número de países – Mundo: 67,8 por cento (117 países). Não foram colocadas questões sobre violência física e assédio na China e não foram
colocadas questões sobre violência sexual e assédio no Iraque, na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos.
Fonte: Lloyd’s Register Foundation World Risk Poll 2021 [Conjunto de dados]
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Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
Conclusão
21 Por oposição a um trabalhador por conta própria.
22 Ver o Anexo 2 para obter uma lista de publicações e materiais da OIT sobre a Convenção n.º 190 e a Recomendação n.º 206.
NT O BIT é o Secretariado técnico da OIT.
O inquérito da OIT-Lloyd’s Register Foundation-Gallup repre-
senta uma primeira tentativa de avaliar a prevalência e as
características da violência e do assédio relacionados com o
trabalho, um tema que é difícil de quantificar. Este inquérito
confirma que a violência e o assédio são um fenómeno
generalizado em todo o mundo, tendo mais de uma em cada
cinco pessoas empregadas sido vítima de violência e assédio
no trabalho durante a sua vida profissional. As conclusões
mostram também que a violência e o assédio no trabalho
são um fenómeno recorrente, com mais de três em cada
cinco vítimas a terem sido confrontadas várias vezes. Para
a maioria das vítimas, o último episódio foi recente, tendo
ocorrido nos últimos cinco anos. Além disso, tendo em conta
as limitações de cobertura de algumas regiões em relação a
questões específicas do inquérito, a violência psicológica e o
assédio surgiram como a forma de violência e assédio mais
comummente confrontada durante a vida profissional das
pessoas inquiridas.
De um modo geral, as mulheres representavam a maioria das
pessoas que sofreram de violência e assédio sexual e tinham
uma probabilidade ligeiramente superior à dos homens de
serem vítimas de violência e assédio psicológico, enquanto
os homens estavam sobre representados entre as pessoas
vítimas de violência e assédio físico. Além disso, os resultados
também mostram que o risco de sofrer violência e assédio no
trabalho não está igualmente distribuído entre os diferentes
grupos demográficos. Pelo contrário, certos grupos de
pessoas, como os jovens, os migrantes e as mulheres e
homens assalariados,21
mostraram estar mais expostos a
estes riscos.
O risco de violência e assédio no trabalho aumenta quando
estas características coincidem. Por exemplo, os resultados
dos inquéritos mostram que as mulheres jovens têm duas
vezes mais probabilidades do que os homens jovens de terem
sido vítimas de violência e assédio sexual e que as mulheres
migrantes têm quase duas vezes mais probabilidades do
que as mulheres não migrantes de denunciarem violência e
assédio sexual. Além disso, as pessoas que foram vítimas de
discriminação relacionada com as questões de género, a raça/
nacionalidade/etnia, a cor da pele, a religião ou o estatuto de
deficiência durante a sua vida eram mais suscetíveis de terem
sido vítimas de violência e assédio no trabalho. As pessoas
que sofreram de discriminação com base nas questões de
género foram particularmente afetadas, uma vez que têm
mais de 2,5 vezes mais probabilidades de terem sido vítimas
de violência e assédio no trabalho do que aquelas que não
foram discriminadas com base nas questões de género ao
longo da sua vida.
De um modo geral, os resultados do inquérito mostram que
falar sobre violência e assédio continua a ser um desafio
para muitas vítimas, sendo que apenas uma em cada duas
pessoas está disposta a partilhar a sua experiência com outra
pessoa. A convicção de que seria uma “perda de tempo” e o
“receio pela sua reputação” foram as razões mais comuns que
impediram as pessoas de falar sobre a sua experiência.
Estas conclusões confirmam que a Convenção (N.º 190) sobre
Violência e Assédio, de 2019 e a Recomendação (N.º 206) da
OIT, de 2019, são fundamentais para a criação de um mundo
do trabalho baseado na dignidade e no respeito por todas
as pessoas. Ao reconhecerem o direito de todas as pessoas
a um mundo do trabalho livre de violência e assédio, estes
instrumentos apelam à adoção de uma abordagem inclusiva,
integrada e sensível às questões de género, com medidas
que incluem a prevenção e a proteção, a aplicação e as vias
de recurso, bem como a formação e a sensibilização e que
prevê que os parceiros sociais desempem um papel essencial
no processo.22
Os novos dados resultantes deste primeiro
inquérito mundial confirmam fortemente a urgência e a
necessidade de adotar esta abordagem, sendo necessário
prestar a devida atenção:

Àrecolhamaisregulardedadosfiáveissobreaviolência
e o assédio relacionados com o trabalho a nível nacional,
regional e mundial. É importante que a legislação e os
mecanismos de prevenção e reparação, as políticas e os
programas, bem como a investigação e a sensibilização
se baseiem em estatísticas de qualidade sobre este
fenómeno. A obtenção de melhores dados requer um
quadro de medição concetual e metodológico sólido,
para o qual o BITNT
está a trabalhar, com o objetivo de
ajudar os países a medir este fenómeno e a acompanhar
os progressos no futuro.

Aos mecanismos de prevenção. Os mecanismos
existentes a nível nacional e no local de trabalho
devem ser alargados ou adaptados para prevenir e
gerir eficazmente a violência e o assédio no mundo do
trabalho, nomeadamente através de sistemas de gestão
da segurança e saúde no trabalho (SST), políticas e
programas de SST, mecanismos tripartidos nacionais
de SST e sistemas de inspeção do trabalho. Estes
mecanismos de prevenção devem ser atualizados para
permitir a proteção contra todas as formas de violência e
assédio, respondendo às diferentes necessidades.
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Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
Ao quadro baseado nos direitos para a prevenção
e eliminação da violência e do assédio, assente no
trabalho digno e na eliminação das desigualdades.
No que diz respeito a este aspeto, os resultados do
estudo fornecem informações importantes sobre a
relação significativa entre a vulnerabilidade geral das
pessoas à discriminação, tanto na vida privada como
na vida pública, e a sua probabilidade de serem vítimas
de violência e assédio no trabalho, apontando para o
facto de que a violência e o assédio não acontecem
isoladamente, mas são alimentados por um clima geral
de injustiça e desigualdade. Os esforços para promover
a igualdade real e superar as normas sociais prejudiciais
– incluindo os estereótipos baseados no sexo e noutras
características pessoais – devem ser reforçados, uma
vez que contribuiriam para reduzir a discriminação,
a violência e o assédio, tanto na sociedade como no
mundo do trabalho.

A um aumento da sensibilização para o fenómeno
da violência e assédio no trabalho, bem como para
o estigma e as atitudes sociais, com vista a alterar
as perceções e os comportamentos que perpetuam
a violência e o assédio em todas as suas formas.
Demasiadas pessoas continuam a ter medo de falar
por recearem pela sua própria reputação e sofrerem
represálias. Uma maior sensibilização e conhecimento
são um primeiro passo para mudar as perceções e
atitudes que perpetuam ou toleram várias formas de
violência e assédio, em especial a violência e o assédio
baseados em questões de género e a violência e o
assédio motivados pela discriminação.

Ao reforço das capacidades das instituições a todos
os níveis para prestarem serviços eficazes de prevenção,
reparação e apoio, a fim de reforçar a confiança
das pessoas na justiça e garantir que as vítimas não
são deixadas sozinhas a tratar destes incidentes
inaceitáveis. Em conformidade com a Convenção N.º 190
e a Recomendação N.º 206 da OIT, tal incluiria o reforço
das capacidades das organizações de empregadores
e de trabalhadores para conceber e aplicar medidas
eficazes, bem como para prestar serviços de apoio
aos seus membros. Incluiria também o reforço dos
mecanismos e serviços de resolução de conflitos para
tratar atempadamente e de forma sensível às questões
de género os casos de violência e assédio.
Em conclusão, é inegável que é um desafio desenvolver
e aplicar estratégias e medidas eficazes e bem-sucedidas
para prevenir e reparar a violência e o assédio no trabalho.
Para tal, é necessário o envolvimento de todos os níveis
de governo, empregadores e trabalhadores e respetivas
organizações, bem como da sociedade em geral e dos
atores internacionais relevantes. Uma vontade política
forte e esforços concertados são cruciais para garantir um
mundo do trabalho isento de violência e assédio para todas
as pessoas.
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Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
Referências
Andreenkova, Anna V., e Javeline, Debra. 2019. “Sensitive Questions in Comparative Surveys.” In Advances in Comparative Survey
Methods: Multinational, Multiregional, and Multicultural Contexts (3MC), editado por Timothy P. Johnson, Beth-Ellen Pennell, Ineke
A.L. Stoop, e Brita Dorer. 139–160. Hoboken, NJ: Wiley.
OIT. 2018a. Guidelines Concerning Statistics of International Labour Migration, ICLS/20/2018/Guidelines.
———. 2018b. Ending Violence and Harassment Against Women and Men in the World of Work, ILC.107/V/1.
Lloyd’s Register Foundation. 2021. World Risk Poll 2021: A Resilient World? – Understanding Vulnerability in a Changing Climate.
Nelson, Morten Birkeland, Stig Berge Matthiesen, e Ståle Einarsen. 2011. “The Impact of Methodological Moderators on Prevalence
Rates of Workplace Bullying: A Meta-Analysis.” Journal of Occupational and Organizational Psychology 83 (4): 955–979.
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Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
Anexos
Anexo 1. Questionário sobre violência e assédio 2021
Agora, gostaria de colocar questões sobre violência e assédio no trabalho. Por “trabalho”, entende-se qualquer atividade que
tenha exercido e pela qual tenha recebido dinheiro ou bens. Asseguramos-lhe que as informações que fornecer permanecerão
estritamente confidenciais.
VH1
Já ALGUMA vez foi vítima, pessoalmente, de violência FÍSICA e/ou assédio NO TRABALHO, como agressões, restrições
aos movimentos ou cuspidelas?
OPÇÕES DE RESPOSTA
Sim 1
Não 2
(O inquirido nunca trabalhou) 7
(Não sabe) 8
(Recusa-se a responder) 9
(Se o código 1 em VH1, Continuar; Se o código 7 em VH1, Terminar; Caso contrário, Saltar para VH2)
VH1_B
Quantas vezes foi vítima disto? Uma ou duas vezes, entre três e cinco vezes, ou mais de cinco vezes?
OPÇÕES DE RESPOSTA
Uma ou duas vezes 1
Entre três e cinco vezes 2
Mais de cinco vezes 3
(Não sabe) 8
(Recusa-se a responder) 9
VH1_C
Aproximadamente, QUANDO foi a ÚLTIMA vez que isto lhe aconteceu – foi no último ano, há entre dois a cinco anos, ou
há mais de cinco anos?
RESPONSE OPTIONS
No último ano 1
Dois a cinco anos atrás 2
Há mais de cinco anos 3
(Não sabe) 8
(Recusa-se a responder) 9
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Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
VH2
ALGUMAvezfoivítima,pessoalmente,deviolênciaPSICOLÓGICAe/ouassédio,taiscomoinsultos,ameaças,perseguição
ou intimidação no trabalho?
OPÇÕES DE RESPOSTA
Sim 1
Não 2
(O inquirido nunca trabalhou) 7
(Não sabe) 8
(Recusa-se a responder) 9
(Se o código 1 em VH2, Continuar; Se o código 7 em VH2, Terminar; Caso contrário, Saltar para VH3/WP22503)
VH2_B
Quantas vezes foi vítima disto? Uma ou duas vezes, três a cinco vezes, ou mais de cinco vezes?
OPÇÕES DE RESPOSTA
Uma ou duas vezes 1
3 a 5 vezes 2
Mais de 5 vezes 3
(Não sabe) 8
(Recusa-se a responder) 9
VH2_C
Aproximadamente, QUANDO foi a ÚLTIMA vez que isto lhe aconteceu – foi no último ano, há dois a cinco anos, ou há
mais de cinco anos?
OPÇÕES DE RESPOSTA
No último ano 1
2 a 5 anos atrás 2
Mais de 5 anos atrás 3
(Não sabe) 8
(Recusa-se a responder) 9
VH3
ALGUMA vez sofreu, pessoalmente, de qualquer tipo de violência e/ou assédio SEXUAL NO TRABALHO, como toques
sexuais não consentidos, comentários, fotografias, e-mails ou convites de teor sexual durante o TRABALHO?
OPÇÕES DE RESPOSTA
Sim 1
Não 2
(O inquirido nunca trabalhou) 7
(Não sabe) 8
(Recusa-se a responder) 9
(Se o código 1 em VH3, Continuar; Se o código 7 em VH3, Saltar para Terminar; Caso contrário, Saltar para a Nota antes de VH4)
51
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Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
VH3_B
Quantas vezes é que experienciou isto? Uma ou duas vezes, três a cinco vezes ou mais de cinco vezes?
OPÇÕES DE RESPOSTA
Uma ou duas vezes 1
3 – 5 vezes 2
Mais de 5 vezes 3
(Não sabe) 8
(Recusa-se a responder 9
VH3_C
Aproximadamente, QUANDO foi a ÚLTIMA vez que isto lhe aconteceu – foi no último ano, há dois a cinco anos ou há mais
de cinco anos?
OPÇÕES DE RESPOSTA
No último ano 1
2 – 5 anos atrás 2
Mais de 5 anos atrás 3
(Não sabe) 8
(Recusa-se a responder) 9
(Se o código 1 em VH1, VH2, ou VH3, Continuar; Caso contrário, Terminar)
VH4
Alguma vez contou a alguém sobre a violência e/ou assédio que sofreu NO TRABALHO?
OPÇÕES DE RESPOSTA
Sim 1
Não 2
(Não sabe) 8
(Recusa-se a responder) 9
(Se o código 1 em VH4, Continuar; Se o código 2 em VH4, Passar para VH4_C/Texto; Caso contrário, Terminar)
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Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
VH4_B
A quem contou as suas experiências? Foi...?
Sim Não
(Não
sabe)
(Recusa-se
responder)
VH4_B1 Ao seu empregador ou supervisor 1 2 8 9
VH4_B2 Um colega de trabalho 1 2 8 9
VH4_B3 Um amigo ou familiar 1 2 8 9
VH4_B4 Um representante sindical 1 2 8 9
VH4_B5
À polícia, um líder comunitário, ou (a/
um [inserir exemplo específico do país,
como um inspetor do trabalho])
1 2 8 9
VH4_B6
Serviços sociais ou uma organização
sem fins lucrativos
1 2 8 9
(Todos em VH4_B, Terminar)
VH4_C
Por favor, diga se cada uma das seguintes razões o(a) levou a não contar a ninguém sobre a sua experiência. Foi porque...?
Sim Não
(Não
sabe)
(Recusa-se
responder)
VH4_C1 Achou que era uma perda de tempo 1 2 8 9
VH4_C2 Não sabia o que fazer 1 2 8 9
VH4_C3 Os procedimentos no trabalho não eram claros 1 2 8 9
VH4_C4
Receava que as pessoas
descobrissem no trabalho
1 2 8 9
VH4_C5 Receio de ser punido 1 2 8 9
VH4_C6 Receio pela sua reputação 1 2 8 9
VH4_C7
Tinha falta de confiança na polícia, nos líderes
comunitários ou [inserir exemplo específico
do país, como inspetores do trabalho]
1 2 8 9
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Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
Anexo 2. Recursos da OIT sobre a Convenção n.º 190
e a Recomendação n.º 206
Convenção (N.º 190) sobre Violência e Assédio, de 2019
Recomendação (N.º 206) sobre Violência e Assédio, de 2019
Publicações
OIT. 2022. Violence and Harassment at Work: A Practical Guide for Employers.
OIT. 2021. Violência e assédio no mundo do trabalho: Um guia sobre a Convenção N.º 190 e a Recomendação N.º 206
(versão pdf) ) (versão interativa)
OIT. 2021. “How to Promote Disability Inclusion in Programmes to Prevent, Address and Eliminate Violence and Harassment
in the World of Work”, nota informativa da OIT.
OIT. 2021. ILO Standards and COVID-19 (Coronavirus): FAQ, versão 3.0, 13 de abril.
OIT. 2020. Safe and Healthy Working Environments Free from Violence and Harassment.
OIT. 2020. Série de notas técnicas: Violência e assédio no mundo do trabalho:
Nota n.º 1: “Convention No. 190 and Recommendation No.206 at a Glance”.
Nota n.º 2: “Sexual Harassment in the World of Work”.
Nota n.º 3: “Domestic Violence and Its Impact in the World of Work”.
Nota n.º 4: “Violence and Harassment against Persons with Disabilities”.
Nota n.º 5: “HIV-related Violence and Harassment in the World of Work”.
OIT. 2020. Some World Agreements about Stopping Violence and Harassment at Work.
OIT. 2020. “Convenção sobre a Violência e Assédio (n.º 190) de 2019: 12 formas de apoiar a resposta e a recuperação da
COVID-19 Recuperação”, sumário da OIT, maio.
OIT. 2020. “Convenção sobre Violência e Assédio (n.º 190) de 2019 e Recomendação n.º 206 da OIT sobre a violência e o
assédio: Sumário das Políticas para Organizações de Trabalhadores”.
OIT. 2020. “Policy Brief on Sexual Harassment in the Entertainment Industry”, novembro.
OIT e ONU Mulheres. 2019. Handbook: Addressing Violence and Harassment against Women in the World of Work.
OIT. 2019. Ending Violence and Harassment in the World of Work, ILC.108/V/2A. (capa azul)
OIT. 2018. Ending Violence and Harassment in the World of Work, iLC.108/V/1 (capa castanha)
OIT. 2018. Ending Violence and Harassment in the World of Work, ILC.107/V2. (capa amarela)
OIT. 2017. Ending Violence and Harassment against Women and Men in the World of Work, ILC.107/V/1 (capa branca)
OIT. 2016. Final Report: Meeting of Experts on Violence against Women and Men in the World of Work, MEVWM/2016/7.
OIT. 2016. Background Paper for Discussion at the Meeting of Experts on Violence against Women and Men in the World of
Work, MEVWM/2016.
Portais
Portal Temático da OIT sobre a eliminação da violência e do assédio no mundo do trabalho
Campanha de Ratificação da OIT – Conjunto de instrumentos da campanha da OIT
54 Copyright © 2022 Organização Internacional do Trabalho. Todos os direitos reservados
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Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
ilo.org
Organização Internacional do Trabalho
Route des Morillons 4
1211 Genebra 22
Suíça
p
ge
MINISTÉRIO DO TRABALHO, SOLIDARIEDADE E SEGURANÇA SOCIAL
Gabinete de Estratégia
e Planeamento
Tradução para português financiada por:

Pesquisa OIT - Inquérito mundial sobre assédio

  • 1.
    Dados da experiência sobreviolência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
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    © Organização Internacionaldo Trabalho e Lloyd’s Register Foundation 2023 Publicado pela primeira vez em 2023 Attribution 4.0 International (CC BY 4.0) Este trabalho está licenciado ao abrigo da Creative Commons Attribution 4.0 International. Para consultar uma cópia desta licença, por favor aceda a https://creativecommons.org/licences/by/4.0. É permitida a reprodução, partilha (cópia e distribuição), adaptação (composição, alteração e transformação para criar um trabalho derivado), de acordo com o descrito na licença. O utilizador deve claramente indicar que a OIT e a Lloyd’s Register Foundation são a fonte da obra e se foi feita qualquer alteração ao conteúdo original. Não é permitida a associação do símbolo, nome e logótipo da OIT e da Lloyd’s Register Foundation traduções, adaptações ou outros trabalhos derivados. Atribuição – O utilizador deve indicar se foram feitas alterações e citar o trabalho como se segue: Organização Internacional do Trabalho (OIT), Lloyd’s Register Foundation: Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial, Genebra: Organização Internacional do Trabalho, 2023, © OIT e Lloyd’s Register Foundation. Traduções – Tratando-se de uma tradução deste trabalho, a isenção de responsabilidade deve ser acompanhada da menção da fonte da obra: Esta é uma tradução de um trabalho sob licença da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e da Lloyd’s Register Foundation. Esta tradução não foi realizada, revista ou aprovada pela OIT ou pela Lloyd’s Register Foundation e não deve ser considerada uma tradução oficial da OIT ou da Lloyd’s Register Foundation. A OIT e a Lloyd’s Register Foundation estão isentas de qualquer responsabilidade pelo conteúdo e precisão da tradução. A responsabilidade recai exclusivamente sobre o/a autor/ a(s) ou autores/as da tradução. Adaptações – Tratando-se de uma adaptação deste trabalho, a isenção de responsabilidade deve ser acompanhada da menção da fonte da obra: Esta é uma adaptação de um trabalho sob licença da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e da Lloyd’s Register Foundation. Esta adaptação não foi realizada, revista ou aprovada pela OIT ou pela Lloyd’s Register Foundation e não deve ser considerada uma adaptação oficial da OIT ou da Lloyd’s Register Foundation. A OIT e a Lloyd’s Register Foundation estão isentas de qualquer responsabilidade pelo conteúdo e precisão da adaptação. A responsabilidade recai exclusivamente sobre o/a auto/ar(s) ou autores/as da adaptação. Obras de terceiros – Esta licença Creative Commons não se aplica a obras com direitos autorais não pertencentes à OIT e à Lloyd’s Register Foundation incluídas nesta publicação. Se o material for atribuído a terceiros, o utilizador desse material é o responsável único pela obtenção das autorizações necessárias junto do titular dos direitos e por qualquer alegada violação. Qualquer conflito relativo a esta licença que não possa ser resolvido de forma amigável será submetido à arbitragem de acordo com as Regras de Arbitragem da Comissão das Nações Unidas para o Direito Comercial Internacional (UNCITRAL). As partes estarão vinculadas por qualquer sentença arbitral proferida em resultado dessa arbitragem como decisão final desse conflito. As dúvidas relativas a direitos autorais e licenças devem ser enviadas para ILO Publishing Unit (Rights and Licensing), para rights@ ilo.org. Podem ser obtidas informações sobre as publicações e os produtos digitais da OIT em: www.ilo.org/publns. ISBN: 978-972-704-500-6 Também disponível em espanhol: Experiencias de violencia y acoso en el trabajo: Primera encuesta mundial, ISBN 9789220385050 (webPDF),francês:Donnéesd’expériencesurlaviolenceetleharcèlementautravail:premièreenquêtemondiale,ISBN9789220385043 (web PDF) e em inglês: Experiences of violence and harassment at work: A global first survey, ISBN 9789220384923 (web PDF), https://doi.org/10.54394/IOAX8567. As designações constantes das publicações e das bases de dados da OIT, que estão em conformidade com a prática seguida pelas Nações Unidas, e a apresentação do material nelas contido, não significam a expressão de qualquer juízo de valor por parte da OIT em relação ao estatuto jurídico de qualquer país, zona ou território ou das suas autoridades, ou à delimitação das suas fronteiras ou limites. As opiniões e pontos de vista expressos nesta publicação pertencem aos/às autores/as e não refletem necessariamente as opiniões, pontos de vista ou a política da OIT. A referência ou a não referência a nomes de empresas, produtos ou processos comerciais não implica qualquer apreciação favorável ou desfavorável por parte da OIT ou da Lloyd’s Register Foundation. 2 Copyright © 2022 Organização Internacional do Trabalho. Todos os direitos reservados 334-24_OIT_DadosExperienciaViolenciaAssedioTrabalho  Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
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    Prefácio A violência eo assédio no trabalho causam danos aos indivíduos, às pessoas, às famílias, às empresas e às sociedades. Afeta a vida, a dignidade, a saúde e o bem-estar das pessoas. Além disso, agrava a desigualdade nas sociedades e prejudica a produtividade das empresas. Não deve haver lugar nem tolerância para a violência e o assédio no trabalho – em lado nenhum. Para os prevenir e abordar eficazmente, temos de os conhecer melhor. Precisamos de saber que tipos de violência e assédio no trabalho são mais prevalecentes e onde, e quem está mais exposto a eles e porquê. Até agora, não existiam dados globais e regionais comparáveis sobre este fenómeno. Para colmatar esta lacuna, a Organização Internacional do Trabalho uniu esforços com a Lloyd’s Register Foundation e a Gallup para realizar um inquérito mundial sobre as experiências das pessoas em matéria de violência e assédio no trabalho, no âmbito do 2021 Lloyd’s Register Foundation World Risk Poll, que, por sua vez, é realizado como parte do Gallup World Poll. Os resultados desta primeira imagem mundial são informativos e reveladores e, nalguns casos, surpreendentes. Ajudam-nos a ter uma noção da magnitude da violência e do assédio no trabalho, incluindo as suas diferentes formas, e dos fatores que podem impedir as pessoas de falar sobre o assunto, seja por vergonha e culpa, seja por falta de confiança nas instituições ou, talvez ainda pior, porque esses comportamentos inaceitáveis são considerados “normais”. Esperamos que este relato exploratório a nível mundial lance mais luz sobre este flagelo e abra caminho a uma investigação e análise mais aprofundadas. Ter uma imagem mais clara de como a violência e o assédio afetam o mundo do trabalho é um passo importante para a sua eliminação, tal como solicitado pela comunidade internacional ao adotar a Convenção (N.º 190) sobre Violência e Assédio, de 2019 e a Recomendação (N.º 206) sobre Violência e Assédio, de 2019 da OIT. A Convenção n.º 190 é inovadora em muitos aspetos, nomeadamente ao codificar a violência e o assédio como uma questão de igualdade e de segurança e saúde no trabalho. Esta mensagem foi reforçada em 2022, quando o mandato tripartido da OIT elevou o direito a um ambiente de trabalho saudável e seguro a um princípio e direito fundamental no trabalho. Este inquérito mundial faz parte de um esforço mais amplo para acelerar a ação com vista a alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, através dos quais a comunidade mundial se comprometeu a transformar o nosso mundo até 2030. Este objetivo inclui a criação de um mundo do trabalho melhor, baseado na equidade, na sustentabilidade e no respeito pelos direitos. Este relatório foi concebido para acelerar a ação. Todas as pessoas têm direito a um mundo do trabalho livre de violência e assédio. Gilbert F. Houngbo Diretor-geral Organização Internacional do Trabalho Ruth Boumphrey Diretora-executiva Lloyd’s Register Foundation Jon Clifton Diretor-executivo Gallup 3 Copyright © 2022 Organização Internacional do Trabalho. Todos os direitos reservados 334-24_OIT_DadosExperienciaViolenciaAssedioTrabalho  Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
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    Índice Prefácio............................................................................................................................................................ 3 Lista defiguras............................................................................................................................................. 5 Agradecimentos........................................................................................................................................... 7 Resumo dos resultados............................................................................................................................. 8 Introdução...................................................................................................................................................... 9 Como foi realizado o inquérito? 10 1 Qual é o estado da violência e do assédio no trabalho?.........................................................12 1.1. Violência e assédio no trabalho: uma visão geral 12 1.2. Violência física e assédio no trabalho 15 1.3. Violência psicológica e assédio no trabalho 19 1.4. Violência e assédio sexual no trabalho 22 2 Quem está mais em risco?..................................................................................................................28 2.1. Jovens 28 2.2. Mulheres migrantes 30 2.3. Mulheres trabalhadoras por conta de outrem 33 2.4. Pessoas vítimas de discriminação 35 3 Porque é que é tão difícil falar sobre violência e assédio no trabalho?...........................38 3.1. Quem e para quem: revelar experiências de violência e assédio no trabalho 38 3.2. Barreiras à revelação de experiências de violência e assédio 43 Conclusão......................................................................................................................................................46 Referências...................................................................................................................................................48 Anexos............................................................................................................................................................50 Anexo 1. Questionário sobre violência e assédio 2021 50 Anexo 2. Recursos da OIT sobre a Convenção n.º 190 e a Recomendação n.º 206 54 4 Copyright © 2022 Organização Internacional do Trabalho. Todos os direitos reservados 334-24_OIT_DadosExperienciaViolenciaAssedioTrabalho  Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
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    Lista de figuras Figura1.1 Percentagem de pessoas empregadas que foram vítimas de violência e assédio no trabalho e última vez que isso ocorreu, por região, por grupo de rendimento e por sexo, 2021 (%).................... 13 Figura 1.2 Frequência com que as vítimas foram confrontadas com violência e assédio no trabalho, por região, por grupo de rendimento e por sexo, 2021 (%)............................................................................ 14 Figura 1.3 Percentagem de pessoas empregadas que foram vítimas de violência física e assédio no trabalho e última vez que isso aconteceu, por região, por grupo de rendimento e por sexo, 2021 (%)..................................................................................................................................................... 16 Figura 1.4 Frequência com que as vítimas de violência física e assédio no trabalho tiveram de lidar com tais comportamentos, por região, por grupo de rendimento e por sexo, 2021 (%)...................... 18 Figura 1.5 Percentagem de pessoas empregadas que foram vítimas de violência psicológica e assédio no trabalho e a última vez que sofreram, por região, por grupo de rendimento e por sexo, 2021 (%)........ 20 Figura 1.6 Frequência com que as vítimas de violência psicológica e assédio no trabalho experienciaram tais comportamentos, por região, por grupo de rendimento e por sexo, 2021 (%).....................................................................................................................................................21 Figura 1.7 Percentagem de pessoas empregadas vítimas de violência e assédio sexual no trabalho e última vez que os factos ocorreram, por região, por grupo de rendimento e por sexo, 2021 (%)........23 Figura 1.8 Percentagem de pessoas empregadas que foram vítimas de violência física, psicológica e/ou sexual e assédio no trabalho e última vez que os factos se produziram, resultados globais nível mundial, 2021 (%)................................................................................................................................24 Figura 1.9 Frequência com que as vítimas de violência e assédio sexual no trabalho sofreram tais comportamentos, por região, por grupo de rendimento e por sexo,.........................................................25 Figura 1.10 Sobreposição de experiências de diferentes formas de violência e assédio no trabalho, entre pessoas empregadas que declararam ter sido vítimas alguma vez de qualquer forma de violência e assédio no trabalho, 2021 (%)..........................................................................................26 Figura 2.1 Percentagem de pessoas empregadas vítimas de violência e assédio no trabalho nos últimos cinco anos, por região, por grupo de rendimento, por idade e por sexo, 2021 (%)................29 Figura 2.2 Percentagem de pessoas empregadas a nível mundial que foram vítimas de violência e assédio no trabalho nos últimos cinco anos, por tipo de violência e assédio, por idade e por sexo, 2021 (%).....................................................................................................................................................30 Figura 2.3 Percentagem de pessoas empregadas que sofreram de violência e assédio no trabalho nos últimos cinco anos, por país de nascimento, por região, por grupo de rendimento e por sexo, 2021 (por cento).........................................................................................................................................31 Figura 2.4 Percentagem de pessoas empregadas que já foram vítimas de violência física, psicológica e/ou sexual e assédio no trabalho, por tipo de violência e assédio sofrido, por país de nascimento e por sexo, 2021 (%).............................................................................................................................32 Figura 2.5 Percentagem de pessoas empregadas que sofreram de violência e assédio no local de trabalho nos últimos cinco anos, por país de nascimento, por idade e por sexo, 2021 (%).................33 Figura 2.6 Percentagem de pessoas empregadas vítimas de violência e assédio no trabalho nos últimos cinco anos, por situação na profissão, região, grupo de rendimento e sexo, 2021 (%).........34 Figura 2.7 Percentagem de pessoas empregadas que já foram vítimas de violência e assédio no trabalho, por sexo e por experiências de discriminação ao longo da vida, 2021 (%).............................36 5 Copyright © 2022 Organização Internacional do Trabalho. Todos os direitos reservados 334-24_OIT_DadosExperienciaViolenciaAssedioTrabalho  Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
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    Figura 2.8 Percentagemde pessoas empregadas que já sofreram de violência e assédio no trabalho, por sexo e por experiências de discriminação com base numa ou mais características pessoais, 2021 (%)........................................................................................................................................................37 Figura 3.1 Percentagem de pessoas empregadas que foram vítimas de violência e assédio no trabalho nos últimos cinco anos e que contaram a alguém, por região, por grupo de rendimento e por sexo, 2021 (%).......................................................................................................................39 Figura 3.2 Percentagem de pessoas empregadas que foram vítimas de violência e assédio no trabalho nos últimos cinco anos e que contaram a alguém, por tipo de violência e assédio, 2021 (%).......................................................................................................................................................40 Figura 3.3 Percentagem de pessoas empregadas vítimas de violência e assédio no trabalho nos últimos cinco anos e que contaram a alguém, e pessoa a quem contaram, por região e por sexo, 2021 (%).....................................................................................................................................................42 Figura 3.4 Percentagem de pessoas empregadas que sofreram de violência e assédio no trabalho nos últimos cinco anos, mas não o comunicaram, por motivo de não comunicação, por região e por sexo, 2021 (%)................................................................................................................................44 Figura 3.5 Percentagem de pessoas empregadas que sofreram de violência e assédio nos últimos cinco anos, por motivo invocado para não comunicar a ocorrência e por tipo de violência e assédio, resultados à escala mundial, 2021 (%)..............................................................................................45 6 Copyright © 2022 Organização Internacional do Trabalho. Todos os direitos reservados 334-24_OIT_DadosExperienciaViolenciaAssedioTrabalho  Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
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    Agradecimentos O relatório éo resultado da colaboração entre o Serviço de Género, Igualdade, Diversidade e Inclusão (GEDI) do Departamento de Condições de Trabalho e Igualdade (WORKQUALITY) da Organização Internacional do Trabalho, a Fundação Lloyd’s Register e a Gallup. No caso da OIT, os principais autores são Valentina Beghini, Umberto Cattaneo e Emanuela Pozzan, tendo Ira Postolachi fornecido contributos inestimáveis, nomeadamente em termos deapoio à redação. O trabalho foi orientado, apoiado e supervisionado por Manuela Tomei e Chidi King. Na Gallup, o relatório foi dirigido por Andrew Dugan, com a assistência de Beatrice Locatelli, Steve Crabtree, John Reimnitz, Andrew Rzepa e Anne Schulte, tendo Hailey Spillman como designer. O relatório beneficiou da contribuição substancial de Sarah Cumbers, Aaron Gardner, Ed Morrow e Caitlin Vaughan (Lloyd’s Register Foundation). O nosso apreço vai para os muitos colegas da OIT, tanto na sede como nos escritórios no terreno, que contribuíram com os seus conhecimentos e experiência. Por ordem alfabética, gostaríamos de agradecer a: Laura Addati, Paz Arancibia Roman, Ozge Berber Agtas, Simon Boehmer, Maria José Chamorro, Jae-Hee Chang, Mwila Chigaga, Jenni Jostock, Emmanuel Julien, Frida Khan, Olga Gomez, Aya Matsuura, Dorothea Schmidt-Klau, Joni Simpson, Esteban Tromel, Andonirina Rakotonarivo, Victor Hugo Ricco, Catherine Saget e Julien Varlin. John Maloy foi responsável pela revisão de provas. A presente obra foi parcialmente financiada pela Agência Sueca de Cooperação para o Desenvolvimento Internacional (Sida) e pelo Governo francês. 7 Copyright © 2022 Organização Internacional do Trabalho. Todos os direitos reservados 334-24_OIT_DadosExperienciaViolenciaAssedioTrabalho  Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
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    Resumo dos resultados 1Lloyd’s Register Foundation World Risk Poll 2021 [Conjunto de dados]. 2 Por oposição a um trabalhador por conta própria. O inquérito OIT-Lloyd’s Register Foundation-Gallup1 constitui a primeira visão geral mundial das experiências de violência e assédio no trabalho vividas pelos próprios trabalhadores. Os resultados fornecem uma primeira visão sobre a magnitude e a frequência da violência e do assédio no trabalho, dando a conhecer as principais formas de violência e assédio (ou seja, físico, psicológico e sexual) e as principais barreiras que impedem as pessoas de falar sobre o assunto. A violência e o assédio no trabalho são um fenómeno generalizado em todo o mundo, com mais de uma em cada cinco (22,8 por cento ou 743 milhões) pessoas empregadas a ter sofrido pelo menos uma forma de violência e assédio no trabalho durante a sua vida profissional. Entre as pessoas que sofreram de violência e assédio no trabalho, cerca de um terço (31,8 por cento) afirmou ter sofrido mais do que uma forma, tendo 6,3 por cento enfrentado as três formas na sua vida profissional: Quase uma em cada dez (8,5 por cento ou 277 milhões) pessoas empregadas foi vítima de violência física e assédio no trabalho durante a sua vida profissional. Os homens eram mais suscetíveis do que as mulheres a declarar ter sido vítima de violência física e assédio. A violência e o assédio psicológico foram a forma mais comum de violência e assédio relatada tanto por homens como por mulheres, com quase uma em cada cinco pessoas (17,9 por cento ou 583 milhões) empregadas ter vivido essa experiência na sua vida profissional. Uma em cada quinze (6,3 por cento ou 205 milhões) pessoas empregadas foi vítima de violência e assédio sexual no trabalho durante a sua vida profissional. As mulheres estavam particularmente expostas à violência e ao assédio sexual no trabalho. Os dados relativos à violência e ao assédio sexual revelam, de longe, a maior diferença entre homens e mulheres (8,2 por cento das mulheres contra 5,0 por cento dos homens) entre as três formas de violência e assédio. A violência e o assédio no trabalho são também um fenómeno recorrente e persistente. Mais de três em cada cinco vítimas de violência e assédio no local de trabalho afirmaramquetallhesaconteceuváriasvezese,paraamaioria delas, o último incidente ocorreu nos últimos cinco anos. O risco de ser vítima de violência e assédio no trabalho é particularmente elevado em certos grupos demográficos. Os jovens, os migrantes e as mulheres e homens por conta de outrem2 eram mais suscetíveis de sofrerem de violência e assédio no trabalho, o que pode ser particularmente verdadeiro para as mulheres. Por exemplo, os resultados dos inquéritos mostram que as mulheres jovens têm duas vezes mais probabilidades do que os homens jovens de terem sofrido de violência e assédio sexual, e que as mulheres migrantes têm quase duas vezes mais probabilidades do que as mulheres não migrantes de denunciarem violência e assédio sexual. As pessoas que sofreram discriminação em algum mo- mento da sua vida com base nas questões de género, no estatuto das pessoas com deficiência, na nacionalidade/ etnia, na cor da pele e/ou na religião eram mais suscetíveis de ter sofrido de violência e assédio no trabalho do que as que não foram vítimas dessa discriminação. As pessoas vítimas de discriminação com base nas questões de género foram particularmente afetadas: Quase cinco em cada dez pessoas que sofreram de discriminação com base nestas questões na sua vida, também enfrentaram violência e assé- dio no trabalho, em comparação com duas em cada dez das pessoas que não foram discriminadas com base nas questões de género. Falar sobre experiências pessoais de violência e assédio continua a ser um desafio. Apenas um pouco mais de metade (54,4 por cento) das vítimas partilharam a sua experiência com alguém e, muitas vezes, só depois de terem sofrido mais do que uma forma de violência e assédio. É também mais provável que as pessoas contem aos amigos ou à família, em vez de recorrerem a outros canais informais ou formais. Vários fatores e barreiras podem impedir as pessoas de comunicar incidentes de violência e assédio no trabalho. Entre os inquiridos, a “perda de tempo” e o “receio pela sua reputação” foram os obstáculos mais comuns que desencorajam as pessoas de falar sobre as suas próprias experiências de violência e assédio no trabalho. 8 Copyright © 2022 Organização Internacional do Trabalho. Todos os direitos reservados 334-24_OIT_DadosExperienciaViolenciaAssedioTrabalho  Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
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    Introdução 3 Lloyd’s RegisterFoundation World Risk Poll 2021 [Conjunto de dados]. 4 No inquérito e, consequentemente, no presente relatório, a expressão “no trabalho” é sinónimo de “no mundo do trabalho”. A violência e o assédio no mundo do trabalho são um fenómeno generalizado e nocivo, com efeitos profundos e onerosos que vão desde consequências graves para a saúde física e mental até à perda de rendimentos e à destruição de carreiras profissionais, ou por perdas económicas para as empresas e as sociedades. Para fazer face a este flagelo, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) adotou a Convenção (N.º 190) sobre Violência e Assédio, de 2019 e a respetiva Recomendação (N.º 206) em junho de 2019. Estes instrumentos reconhecem o direito de todas as pessoas a um mundo do trabalho livre de violência e assédio e, pela primeira vez, proporcionam um quadro comum para a prevenção e eliminação da violência e do assédio no mundo do trabalho, incluindo a violência e o assédio com base nas questões de género. Para criar um mundo do trabalho isento de violência e assédio, é fundamental dispor de dados sólidos e comparáveis. No entanto, as estatísticas sobre a violência e o assédio no mundo do trabalho são esporádicas e escassas. A comparabilidade dos dados é problemática devido ao facto de terem sido utilizados conceitos, definições e métodos diferentes. As estatísticas são frequentemente recolhidas para uma profissão, indústria ou grupo específico e podem não estar desagregadas por sexo. A subnotificação de casos de violência e assédio no mundo do trabalho é também um problema, devido ao receio de vitimização e retaliação, bem como à falta de sistemas de controlo e aplicação eficazes ou acessíveis em muitos países. Para colmatar esta lacuna e melhor compreender e combater a violência e o assédio no mundo do trabalho, a OIT uniu esforços com a Lloyd’s Register Foundation e a Gallup para levar a cabo o primeiro exercício exploratório mundial destinado a avaliar as experiências de violência e assédio no trabalho das pessoas em todo o mundo.3 Este inquérito visava explorar a prevalência e a frequência da violência e do assédio no trabalho, incluindo as suas principais formas, sejam físicas, psicológicas ou sexuais, e as experiências dos inquiridos ao revelarem tais ocorrências (ver Anexo 1).4 O objetivo final é sensibilizar para uma questão antiga e altamente complexa, enraizada em contextos económicos, sociais e culturais mais vastos, incluindo os que envolvem o mundo do trabalho e os papéis enraizados de homens e de mulheres. Em 2021, foram realizadas entrevistas a cerca de 125 000 pessoascomidadeigualousuperiora15anosem121paísese territórios, utilizando o método de amostragem probabilística aleatória para garantir dados e resultados representativos a nívelnacional.Noentanto,asconclusõesdopresenterelatório centram-se exclusivamente nas 74 364 pessoas inquiridas que tinham emprego no momento da entrevista. É provável que o inquérito tenha sido influenciado por uma série de fatores macro ambientais (política nacional, normas institucionais, tradições históricas ou normas culturais) e por fatores micro ambientais (por exemplo, o local da entrevista ou a presença de outras pessoas durante a entrevista), bem como pela vontade ou reticência dos indivíduos em revelar essas informações. Por exemplo, algumas questões não foram colocadas ou foram colocadas de forma diferente em alguns países devido a sensibilidades políticas e culturais (ver a secção seguinte e a Nota Técnica para se obter mais pormenores sobre a metodologia). Este facto deve ser tido em conta na leitura das conclusões globais e na comparação dos resultados entre regiões. Além disso, foram observadas diferençasculturaisaquandodaaplicaçãodoquestionário,que apontam para diferentes definições do que constitui violência e assédio, bem como para diferentes graus de aceitação de tais comportamentos. Além disso, a sensibilidade pessoal das pessoas inquiridas pode também ter desempenhado um papelfundamentalnadecisãodedivulgarounãoinformações sobre violência e assédio no trabalho. Feitas as ressalvas, este relatório apresenta o primeiro relato mundial de sempre das experiências de violência e assédio no trabalho, utilizando questões num questionário comum, permitindo assim uma primeira medida da prevalência e frequência deste fenómeno a nível mundial, bem como a comparabilidade dos resultados entre regiões. Este estudo abre caminho a mais investigação quantitativa e qualitativa sobre a violência e o assédio no trabalho. Em última análise, a existência de provas mais sólidas ajudará na elaboração de legislação, políticas e práticas mais eficazes que promovam medidas de prevenção, abordem fatores de risco específicos e causas profundas e garantam que as vítimas não sejam deixadas sozinhas a lidar com estas ocorrências inaceitáveis. Os legisladores e os decisores políticos, os empregadores e os trabalhadores e as suas respetivas organizações, bem como os ativistas em todo o mundo, podem utilizar os resultados deste estudo para introduzir alterações legislativas e políticas inclusivas, integradas e sensíveis às questões de género, com o objetivo de criar um mundo do trabalho livre de violência e assédio. O relatório está estruturado em três capítulos. O primeiro apresenta uma visão geral da prevalência e frequência da violência e do assédio nas suas diferentes formas. O segundo identifica alguns dos principais fatores associados a um risco mais elevado de violência e assédio e o terceiro centra-se na vontade das pessoas de revelar tais ocorrências e nas barreiras que as impedem de o fazer. 9 Copyright © 2022 Organização Internacional do Trabalho. 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    Como foi realizadoo inquérito? 5 OWorldRiskPoll2021abrangeumasériedetópicosimportantessobresegurançaeriscos.ParasabermaissobreoWorldRiskPoll,visiteoseguintesite:https://wrp. lrfoundation.org.uk/ bem como o site da Gallup para obter mais informações sobre a metodologia: https://www.gallup.com/ 178667/gallup-world-poll-work.aspx. 6 As exceções notáveis incluem a China e a Índia, onde foram recolhidas pelo menos 3000 entrevistas, e a Rússia, onde participaram 2001 indivíduos. Apenas em dois países a dimensão da amostra (ou seja, o número de pessoas entrevistadas) foi inferior a 1000 – Jamaica e Islândia, onde foram entrevistadas cerca de 500 pessoas. 7 Dado que o inquérito Gallup World Poll foi concebido para ser representativo a nível nacional, a subamostra de pessoas empregadas no momento da entrevista deve também constituir igualmente uma amostra representativa. 8 As pessoas inquiridas foram questionadas sobre se tinham sofrido de violência e assédio no local de trabalho e, em caso afirmativo, quando sofreram pela última vez. Os inquiridos que tinham sofrido de violência e assédio no trabalho tinham quatro respostas possíveis relativamente à data da última ocorrência: (i) “no último ano”; (ii) “há dois a cinco anos”; (iii) “há mais de cinco anos”; e (iv) “não sabe”. Tendo em conta o rigor das medidas de contenção da COVID-19, que determinaram o encerramento do trabalho ou o trabalho a partir de casa em muitos países, bem como para maximizar a dimensão da amostra subjacente e garantir a robustez das estimativas, os inquiridos que comunicaram incidentes de violência e assédio ocorridos “no último ano” e “há dois a cinco anos” foram agrupados, e as pessoas inquiridas que não sabiam quando o incidente ocorreu foram agrupados com as pessoas inquiridas “há mais de cinco anos”. Oinquéritosobreviolênciaeassédionotrabalhofoiconcebido como um submódulo do 2021 Lloyd’s Register Foundation World Risk Poll, realizado como parte da Gallup World Poll.5 Ao executar a World Risk Poll 2021, a Gallup realizou cerca de 125 000 entrevistas em 121 países e territórios durante 2021, recolhendo informações sobre as experiências das pessoas em matéria de violência e assédio no trabalho, bem como outros riscos que vão desde as alterações climáticas e a resiliência a catástrofes até à utilização de dados pessoais. Uma vez que o inquérito foi realizado durante a pandemia de COVID-19, a maioria das entrevistas foi realizada por telefone, tendo sido realizadas entrevistas presenciais sempre que possível (ver Nota Técnica). As entrevistas foram realizadas por telefone em 69 dos 121 países (telefone fixo, telemóvel ou uma combinação dos dois) e pessoalmente em 52. Na maioria dos países e territórios, o inquérito foi realizado junto de 1000 indivíduos, utilizando um conjunto normalizado de questões que tinham sido traduzidas para as principais línguas do respetivo país.6 O método utilizado foi o da amostragem probabilística e representativa a nível nacional da população adulta residente com idade igual ou superior a 15 anos, para garantir dados representativos a nível nacional. A World Risk Poll não foi submetida exclusivamente às pessoas inquiridasqueestavamatualmenteempregadasnomomento da entrevista. No entanto, o presente relatório centra-se exclusivamente nas pessoas que estavam empregadas no momento da entrevista, independentemente da sua situação na profissão – sejam eles trabalhadores por conta própria ou por conta de outrem, a tempo completo ou a tempo parcial.7 É também de salientar que 2,7 por cento das pessoas inquiridas (ou seja, 2091) indicaram no início da World Risk Poll que estavam empregadas, mas depois disseram que nunca tinham trabalhado quando questionadas sobre experiências de violência e assédio no trabalho, sendo que existia uma maior probabilidade das mulheres do que os homens de responderem desta forma (1,8 por cento contra 1,5 por cento). Isto pode indicar que os inquiridos não estavam dispostos ou não se sentiam à vontade para discutir e revelar a violência e o assédio, especialmente no contexto do trabalho. Estas pessoas inquiridas foram, por conseguinte, retiradas da amostra global, uma vez que não lhes foram colocadas mais questões do sub módulo de violência e assédio no trabalho. Uma vez efetuadas as exclusões acima referidas, a amostra final do estudo foi de 74 364 pessoas, todas empregadas no momento da entrevista. A seguir, verifica-se que as pessoas inquiridas que declararam ter sofrido violência e assédio no trabalho foram divididas em dois grupos com base na data em que foram vítimas de violênciaeassédionotrabalhopelaúltimavez,nomeadamente “nos últimos cinco anos” ou “há mais de cinco anos ou não sabe exatamente quando”.8 Todas as estimativas apresentadas no presente relatório, salvo indicação em contrário, foram calculadas utilizando as ponderações do inquérito. A ponderação dos dados é utilizada para garantir que as amostras são representativas a nível nacional para cada país e destina-se a ser utilizada para gerar estimativas dentro de um país. O procedimento de ponderação consiste em três etapas principais: Em primeiro lugar, a ponderação de base ou de conceção é construída para ter em conta qualquer desproporção no processo de seleção das pessoas inquiridas. Em seguida, as ponderações de base são objeto de uma estratificação a posteriori para ajustar a não-resposta e para fazer corresponder os totais da amostra ponderada aos totais conhecidos da população-alvo obtidos a partir de dados de recenseamento a nível nacional. A Gallup faz ajustes de não-resposta no que diz respeito a sexo, idade e, quando há dados fiáveis disponíveis, educação ou situação socioeconómica. Por fim, são calculados o efeito aproximado da conceção do estudo e a margem de erro. O cálculo do efeito de conceção reflete a influência da ponderação dos dados. 10 Copyright © 2022 Organização Internacional do Trabalho. Todos os direitos reservados 334-24_OIT_DadosExperienciaViolenciaAssedioTrabalho  Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
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    Uma vez quea análise deste relatório se centra em comparações entre países, os coeficientes de ponderação do inquérito foram escalonados pelo número de pessoas empregadas com 15 ou mais anos de idade (bem como pelo número de mulheres e homens empregados para a análise desagregada por sexo).9 O escalonamento da população ajusta os dados para dar maior peso aos países mais populosos ao calcular as estatísticas entre países. Dada a ausência de um quadro de medição estatística padrão estabelecido sobre a violência e o assédio relacionados com o trabalho – e a sensibilidade do tema – o inquérito deparou-se com alguns desafios metodológicos. Para minimizar as diferenças culturais nos estilos de resposta e facilitar as comparações entre culturas, as questões do inquérito foram concebidas de forma dicotómica simples (“sim” ou “não”), utilizando formulações que foram testadas cognitivamente num grupo diversificado de nações. O estudo explora a prevalência e a frequência das seguintes formas principais de violência e assédio no trabalho: Violência física e assédio, tais como agressões, restrição aos movimentos ou cuspidelas Violência psicológica e assédio, tais como insultos, ameaças, perseguição ou intimidação Violência sexual e assédio, tais como toques sexuais não consentidos, comentários, fotografias, e-mails ou convites de teor sexual. No entanto, é de notar que, nalguns países, algumas questões não foram colocadas ou foram reformuladas. Por exemplo, na China, as questões sobre experiências de violência física e assédio não foram colocadas e a questão sobre violência psicológicaeassédiofoiligeiramentereformulada.Alémdisso, no Iraque, na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos, as questões sobre violência e assédio sexual não foram colocadas, enquanto na Argélia, China, Jordânia, Marrocos e Paquistão foram reformuladas.10 Além disso, nenhuma das questões relacionadas com o facto de os indivíduos terem falado sobre a sua experiência de violência e assédio no trabalho foi colocada na China, e pelo menos uma destas questões foi eliminada em Myanmar, na Arábia Saudita, no Tajiquistão e nos Emirados Árabes Unidos. Estas exceções devem ser tidas em conta ao considerar os resultados globais do inquérito. O inquérito sobre violência e assédio no trabalho utilizou uma abordagem de “autorrotularem”, o que significa que os inquiridos foram diretamente convidados a avaliar se tinham sido vítimas de violência e assédio no trabalho, pelo que uma resposta afirmativa significa que são os próprios inquiridos que qualificam as experiências como constituindo violência e assédio. 9 Estas ponderações baseadas na população foram calculadas, país a país, da seguinte forma [Número total de pessoas empregadas com 15 ou mais anos em 2021, conforme relatado pelo ILOSTAT] / [Dimensão ponderada da amostra de todos as pessoas inquiridas que afirmaram estar empregadas no momento do inquérito]. 10 A questão foi reformulada da seguinte forma: “Alguma vez sofreu, pessoalmente, de algum tipo de contacto físico íntimo indesejado no trabalho e/ou foi exposto a comentários, imagens, e-mails ou convites vulgares indesejados durante o trabalho, criando um ambiente de trabalho hostil?” A vantagem desta abordagem é o facto de as questões fornecerem “informação sintética” sobre a questão colocada, sem definir a questão ou explicitar toda a gama de comportamentos que podem constituir violência e assédio. Adesvantageméqueaabordagemdependedainterpretação da pessoa inquirida quanto às ações ou comportamentos que se enquadram no conceito mais amplo, bem como da vontade desta de reconhecer esses incidentes. Estudos anteriores sugerem que pode ser difícil para as pessoas inquiridas reconhecer as suas experiências como violência e assédio, e a definição fornecida pode não corresponder às suas experiências (Nielsen, Matthiesen e Einarsen, 2011). Por outras palavras, o que constitui violência e assédio num país pode ser considerado apenas um comportamento “mau” ou “indelicado” noutros, como se pode ver nos testes cognitivos realizados para testar as questões do inquérito (ver Nota Técnica). Essa subjetividade só pode ser controlada através de questões precisas “baseadas em atos ou comportamentos” que não deixem margem para interpretações; no entanto, não foi possível incluir essas questões neste inquérito devido a limitações de tempo e de duração, mas tal será implementado e considerado em futuros trabalhos da OIT. Estas são questões importantes a considerar na interpretação dos resultados deste inquérito, bem como na comparação de dados entre regiões ou grupos demográficos. Alémdisso,comoacontececomqualquerdadoreportadopela própria pessoa sobre uma questão que é sensível ou mesmo tabu em muitas sociedades, os resultados estão sujeitos a influências culturais e normas sociais, incluindo níveis variáveis de subnotificação associados ao desconforto ou à falta de familiaridade com o que constitui um comportamento inaceitável por parte das pessoas empregadas. O modo de entrevistar – a forma como a entrevista é conduzida – também pode, por vezes, ter um efeito na forma como os indivíduos respondem a uma questão do inquérito. A este respeito, é de salientar que a maioria destes inquéritos foi realizada através de entrevistas telefónicas, tendo em conta as restrições impostas pela COVID-19. Por conseguinte, as pessoas inquiridas em mais de metade dos países limitaram-se a homens e mulheres com acesso a telefone fixo e/ou telemóveis. Embora a Gallup World Poll tenha uma vasta experiência em colocar questões sobre temas sensíveis de forma a minimizar este tipo de efeito, não é possível eliminá- lo totalmente (Andreenkova e Javeline, 2019). 11 Copyright © 2022 Organização Internacional do Trabalho. Todos os direitos reservados 334-24_OIT_DadosExperienciaViolenciaAssedioTrabalho  Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
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    1 Qual é oestado da violência e do assédio no trabalho? 11 Todas as estimativas percentuais entre países são calculadas utilizando ponderações à escala da população, tal como referido na Introdução e na Nota Técnica. As projeções relativas ao número de pessoas empregadas afetadas pela violência e pelo assédio no trabalho baseiam-se no número total de pessoas empregadas a nível mundial em 2021, tal como consta da base de dados ILOSTAT da OIT. 12 Nalguns países, algumas questões foram completamente excluídas ou tiveram de ser ligeiramente reformuladas devido a sensibilidades culturais. Na China, as questões sobre experiências de violência física e assédio não foram colocadas e no Iraque, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, as questões sobre violência sexual e assédio não foram colocadas. Além disso, na Argélia, China, Jordânia, Marrocos e Paquistão, as questões sobre violência ou assédio sexual foram reformuladas para se referirem a “contacto físico íntimo não desejado”. Os dados sobre a violência e o assédio no mundo do trabalho são ainda esporádicos e escassos. Além disso, a comparabilidade desses dados é problemática porque são utilizados conceitos, definições e métodos diferentes. Este capítulo apresenta a primeira análise mundial e regional sobre a prevalência e a frequência da violência e do assédio no mundo do trabalho – incluindo as suas diferentes formas: física, psicológica e sexual – utilizando questões coerentes e comuns. 1.1. Violência e assédio no trabalho: uma visão geral A nível mundial, mais de uma em cada cinco pessoas empregadas foi vítima de violência e assédio no trabalho durante a vida profissional Em 2021, em todo o mundo, 22,8 por cento, ou 743 milhões de pessoas empregadas, tinham sido vítimas de violência e assédio no trabalho – físico, psicológico ou sexual – durante a sua vida profissional (figura 1.1).11 Para 79,4 por cento destas vítimas, a última ocorrência foi nos cinco anos anteriores à realização do inquérito. Isto equivale a 18,1 por cento ou aproximadamente 590 milhõesdepessoasempregadas.Anívelmundial,asmulheres eram ligeiramente mais suscetíveis do que os homens de terem sido vítimas de violência e assédio durante a sua vida profissional (0,8 pontos percentuais). As Américas registaram a taxa de prevalência mais elevada, com 34,3 por cento, seguindo-se a África (25,7 por cento), a Europa e a Ásia Central (25,5 por cento), a Ásia e o Pacífico (19,2 por cento) e os Estados Árabes (13,6 por cento).12 Quando se analisam as diferenças entre homens e mulheres, nas Américas, as mulheres tinham 8,2 pontos percentuais de mais probabilidades do que os homens de terem sofrido de violência e assédio na sua vida profissional (39,0 por cento contra 30,8 por cento), seguindo-se a Europa e a Ásia Central (8,0 pontos percentuais) e os Estados Árabes (5,9 pontos percentuais). Em contrapartida, na Ásia e Pacífico e em África, os homens eram mais suscetíveis do que as mulheres de ter essa experiência, tanto na sua vida profissional como nos últimos cinco anos (3,2 pontos percentuais e 2,2 pontos percentuais, respetivamente). Os dados mostram também que os países de rendimento elevado registaram a prevalência mais elevada e os países com rendimento baixo e médio-baixo a prevalência mais baixa, tanto ao longo de toda a vida ativa como nos últimos cinco anos. Quando se analisam as diferenças entre homens e mulheres nos países de rendimento elevado, as mulheres têm maior probabilidade de sofrer de violência e assédio durante a sua vida profissional (38,7 por cento) do que os homens (26,3 por cento). Em contrapartida, tanto nos países de rendimento médio-alto como nos países de rendimento baixo e médio- -baixo, os homens eram mais suscetíveis do que as mulheres de sofrer violência e assédio na sua vida profissional (5,9 pontos percentuais e 1,0 ponto percentual, respetivamente). Além disso, os dados mostram que existe um padrão semelhante quando se olha para a prevalência nos últimos cinco anos, embora numa medida diferente. Nos países de rendimento elevado, as mulheres eram mais suscetíveis de sofrer de violência e assédio do que os homens (27,8 por cento contra 19,0 por cento). Tanto nos países de rendimento médio- alto como nos países de rendimento baixo e médio-baixo, os homens eram mais suscetíveis do que as mulheres de terem sofrido de violência e assédio nos últimos cinco anos (4,9 pontos percentuais e 1,1 pontos percentuais, respetivamente). 12 Copyright © 2022 Organização Internacional do Trabalho. Todos os direitos reservados 334-24_OIT_DadosExperienciaViolenciaAssedioTrabalho  Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
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    Figura 1.1 Percentagemde pessoas empregadas que foram vítimas de violência e assédio no trabalho e última vez que isso ocorreu, por região, por grupo de rendimento e por sexo, 2021 (%) A questão do inquérito: Alguma vez foi vítima, pessoalmente, de violência [física/psicológica/sexual] e/ou assédio no trabalho, por exemplo [agressões, restrição aos movimentos ou cuspidelas/insultos, ameaças, intimidação ou perseguição/toques sexuais não consentidos, comentários, fotografias, e-mails ou convites de teor sexual durante o trabalho]? Total Mulheres Homens Sim, nos últimos cinco anos Sim, há mais de cinco anos ou não sabe quando 4,7 5,0 4,4 3,7 3,8 3,6 7,6 8,9 6,7 4,2 3,7 3,2 3,8 7,2 9,0 5,8 3,3 3,3 3,2 4,1 3,5 4,5 8,9 10,9 7,3 18,1 18,2 18,0 22,0 20,5 22,9 26,7 30,1 24,1 11,8 14,3 11,3 15,5 13,9 16,5 18,3 21,0 16,2 13,6 12,9 14,0 20,3 17,5 22,4 23,0 27,8 19,0 Mundo África Américas Estados Árabes Ásia e Pacífico Europa e Ásia Central Rendimento baixo e médio-baixo Rendimento médio-alto Rendimento elevado Por região Por rendimento 22,8 Total 23,2 22,4 25,7 24,3 26,5 34,3 39,0 30,8 13,6 18,5 12,6 19,2 17,1 20,3 25,5 30,0 22,0 16,9 16,2 17,2 24,4 21,0 26,9 31,9 38,7 26,3 1,8 1,3 Nota: Entre todos os trabalhadores por conta de outrem com 15 ou mais anos. As estimativas mundiais, regionais e dos grupos de rendimento são ponderadas pela população ativa total de pessoas com mais de 15 anos de cada país. Percentagem da população empregada e número de países – Mundo: 92,4 por cento (121 países); África: 62,3 por cento (26 países); Américas: 95,8 por cento (20 países); Estados Árabes: 63,2 por cento (5 países); Ásia e Pacífico: 98,8 por cento (24 países); Europa e Ásia Central: 97,1 por cento (46 países); países de rendimento baixo e médio-baixo: 85,4 por cento (44 países); países de rendimento médio-alto: 97,8 por cento (35 países); países de rendimento elevado: 98,1 por cento (42 países). Fonte: Lloyd’s Register Foundation World Risk Poll 2021 [Conjunto de dados] 13 Copyright © 2022 Organização Internacional do Trabalho. Todos os direitos reservados 334-24_OIT_DadosExperienciaViolenciaAssedioTrabalho  Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
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    Mais de trêsem cada cinco pessoas foram vítimas de violência e assédio no trabalho várias vezes Foi perguntado às pessoas inquiridas quantas vezes tinham sido vítimas de qualquer forma de violência e assédio – uma ou duas vezes, três a cinco vezes ou mais de cinco vezes. A nível mundial, 61,4 por cento das vítimas afirmaram ter sido vítimas de violência e assédio mais de três vezes durante a sua vida profissional (figura 1.2). É de salientar que a maior parte deste grupo (38,1 por cento) já tinha estado exposta mais de cinco vezes. Nas Américas, as vítimas tinham mais tendência a dizer que isso tinha acontecido mais de cinco vezes (48,2 por cento). Seguem-se a África com 43,2 por cento e a Europa e a Ásia Central com 39,5 por cento. No geral, 39,2 por cento das mulheres vítimas, em comparação com 37,2 por cento dos homens vítimas, tinham sido confrontados com a violência e assédio mais de cinco vezes na sua vida profissional. Figura 1.2 Frequência com que as vítimas foram confrontadas com violência e assédio no trabalho, por região, por grupo de rendimento e por sexo, 2021 (%) Questão do inquérito: Quantas vezes foi vítima de [violência física/psicológica/sexual e/ou assédio no trabalho]? Uma ou duas vezes, três a cinco vezes, ou mais de cinco vezes? Total Mulheres Homens Uma ou duas vezes Três a cinco vezes Mais de cinco vezes 38,1 39,2 37,2 43,2 41,6 44,4 48,2 50,8 45,6 32,2 14,7 37,6 32,4 32,4 32,2 39,5 37,1 41,7 36,1 35,4 36,3 34,6 34,2 34,9 45,9 47,1 44,0 23,3 21,8 24,1 22,5 24,0 21,6 23,4 21,4 25,3 22,1 19,0 23,2 24,4 21,2 25,4 20,4 22,5 18,2 25,7 27,2 24,4 23,2 20,3 24,9 20,9 20,1 22,1 38,6 39,0 38,6 34,3 34,4 34,0 28,4 27,8 29,1 45,6 66,3 39,2 43,3 46,4 42,3 40,1 40,3 40,0 38,1 37,4 39,3 42,3 45,5 40,3 33,2 32,7 33,9 Mundo África Américas Estados Árabes Ásia e Pacífico Europa e Ásia Central Rendimento baixo e médio-baixo Rendimento médio-alto Rendimento elevado Por região Por rendimento Nota: Entre todos os trabalhadores por conta de outrem com 15 ou mais anos que afirmaram ter sido vítima de qualquer forma de violência e assédio no trabalho. As pessoas que não têm a certeza do número de vezes que foram vítimas de violência e assédio no trabalho são excluídas destes cálculos. Para uma cobertura global, regional e por grupos de rendimento, ver figura 1.1. Fonte: Lloyd’s Register Foundation World Risk Poll 2021 [Conjunto de dados] 14 Copyright © 2022 Organização Internacional do Trabalho. Todos os direitos reservados 334-24_OIT_DadosExperienciaViolenciaAssedioTrabalho  Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
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    1.2. Violência físicae assédio no trabalho Quase uma em cada dez pessoas empregadas foi vítima de violência física e assédio no trabalho durante a sua vida ativa 13 Note-se que as questões sobre violência física e assédio não foram colocadas na China. As pessoas inquiridas foram questionadas sobre as suas experiências de violência física e assédio no trabalho, tais como agressões, restrição aos movimentos ou cuspidelas, bem como sobre a frequência dessas experiências e a sua recente ocorrência. A nível mundial, 8,5 por cento ou 277 milhões de pessoas empregadas foram vítimas de violência física e assédio na sua vida profissional (figura 1.3). A grande maioriadestesincidentes(71,8porcento)ocorreupelaúltima vez nos últimos cinco anos, o que significa que 6,1 por cento ou199milhõesdepessoasempregadasforamrecentemente expostas a este tipo de comportamento inaceitável. A desagregação por sexo mostra que a violência física e o assédio no trabalho são mais comuns entre os homens do que entre as mulheres (9,0 por cento e 7,7 por cento, respetivamente). Numa perspetiva regional, a África registou a prevalência mais elevada, com 12,5 por cento, seguida das Américas (9,0 por cento), da Ásia e do Pacífico (7,9 por cento),13 dos Estados Árabes (7,2 por cento) e da Europa e da Ásia Central (6,5 por cento). A título de comparação, as pessoas em África tinham quase duas vezes mais riscos de ter sido vítimas de violência física e assédio na sua vida profissional do que as pessoas na Europa e na Ásia Central. Se considerarmos apenas a experiência recente de violência física e assédio no trabalho (últimos cinco anos), a África continua a ter a taxa de prevalência mais elevada, com 10,1 por cento, seguida das Américas (6,5 por cento),dosEstadosÁrabes(5,8porcento),daÁsiaedoPacífico (5,4 por cento) e da Europa e Ásia Central (4,5 por cento). Quando se consideram as diferenças por sexo, podem encontrar-se variações regionais. Por exemplo, na Ásia e no Pacífico, os homens eram mais suscetíveis do que as mulheres de terem sido vítimas destes comportamentos inaceitáveis ao longo da sua vida profissional (9,1 por cento e 5,8 por cento, respetivamente). Do mesmo modo, os homens em África e na Europa e Ásia Central estavam mais expostos a riscos do que as mulheres, embora em menor grau. Inversamente, nos Estados Árabes e nas Américas, as experiências de violência física e assédio foram mais comuns entre as mulheres do que entre os homens. 15 Copyright © 2022 Organização Internacional do Trabalho. Todos os direitos reservados 334-24_OIT_DadosExperienciaViolenciaAssedioTrabalho  Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
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    Figura 1.3 Percentagem depessoas empregadas que foram vítimas de violência física e assédio no trabalho e última vez que isso aconteceu, por região, por grupo de rendimento e por sexo, 2021 (%) Questão do inquérito: Já alguma vez foi vítima, pessoalmente, de violência física e/ou assédio no trabalho, como agressões, restrição aos movimentos ou cuspidelas? Total Mulheres Homens Sim, nos últimos cinco anos Sim, há mais de cinco anos ou não sabe quando 2,4 2,2 2,5 2,4 2,2 2,5 2,5 2,8 2,3 1,4 2,8 1,1 2,5 2,0 2,7 2,0 1,9 2,2 2,4 2.,0 2,5 1,5 1,6 1,4 3,2 2,7 3,5 6,1 5,5 6,5 10,1 9,5 10,5 6,5 7,0 6,1 5,8 5,8 5,8 5,4 3,8 6,4 4,5 4.3 4,6 6,8 5,8 7,4 4,6 3,4 5,5 5,7 6,5 5,0 8,5 7,7 9,0 12,5 11,7 13,0 9,0 9,8 8,4 7,2 8,6 6,9 7,9 5,8 9,1 6,5 6,2 6,8 9,2 7,8 9,9 6,1 5,0 6,9 8,9 9,2 8,5 Total Mundo África Américas Estados Árabes Ásia e Pacífico Europa e Ásia Central Rendimento baixo e médio-baixo Rendimento médio-alto Rendimento elevado Por região Por rendimento Nota: Entre todos os trabalhadores por conta de outrem com 15 ou mais anos. As estimativas globais e regionais são ponderadas em função da população ativa total de indivíduos com mais de 15 anos de cada país. Percentagem da população empregada e número de países – Mundo: 68,7 por cento (120 países); África: 62,3 por cento (26 países); Américas: 95,8 por cento (20 países); Estados Árabes: 63,2 por cento (5 países); Ásia e Pacífico: 57,8 por cento (23 países); Europa e Ásia Central: 97,1 por cento (46 países); países de rendimento baixo e médio-baixo: 85,4 por cento (44 países); países de rendimento médio-alto: 35,6 por cento (34 países); países de rendimento elevado: 98,1 por cento (42 países). A questão da violência física e do assédio não foi colocada na China. Fonte: Lloyd’s Register Foundation World Risk Poll 2021 [Conjunto de dados] 16 Copyright © 2022 Organização Internacional do Trabalho. Todos os direitos reservados 334-24_OIT_DadosExperienciaViolenciaAssedioTrabalho  Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
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    À escala mundial,os homens corriam mais riscos do que as mulheres de serem vítimas de episódios recorrentes de violência física e assédio no trabalho Aviolênciafísicaeoassédioforamacontecimentosrecorrentes para a maioria das pessoas que os sofreram, com 55,3 por cento das vítimas em todo o mundo a afirmarem que sofreram disso três ou mais vezes na sua vida profissional (figura 1.4). Os homens vítimas de violência estavam mais inclinados em afirmar que tinham sido vítimas de violência física e assédio várias vezes (55,7 por cento) do que as mulheres vítimas (52,2 por cento). Numa perspetiva regional, a África apresentou a frequência mais elevada, com 61,3 por cento das vítimas a sofrerem de violência física e assédio no trabalho mais de três vezes na sua vida profissional, seguida das Américas (55,9 por cento), da Ásia e do Pacífico (55,3 por cento), da Europa e da Ásia Central (46,7 por cento) e dos Estados Árabes (44,0 por cento). A desagregação por sexo mostra que, nas Américas, os homens vítimas tinham 17,9 pontos percentuais mais probabilidades do que as mulheres de terem sofrido três ou mais episódios de violência física e assédio na sua vida profissional. Na Ásia e no Pacífico, observou-se um quadro semelhante, embora em menor grau. Em contrapartida, em África e na Europa e Ásia Central, a percentagem de mulheres vítimas era ligeiramente superior à dos homens vítimas a terem tido cinco ou mais experiências deste tipo, de 2,3 e 1,3 pontos percentuais, respetivamente. 17 Copyright © 2022 Organização Internacional do Trabalho. Todos os direitos reservados 334-24_OIT_DadosExperienciaViolenciaAssedioTrabalho  Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
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    Figura 1.4 Frequência comque as vítimas de violência física e assédio no trabalho tiveram de lidar com tais comportamentos, por região, por grupo de rendimento e por sexo, 2021 (%) Questão do inquérito: Quantas vezes foi vítima de [violência física e/ou assédio no trabalho]? Uma ou duas vezes, três a cinco vezes, ou mais de cinco vezes? Total Mulheres Homens Uma ou duas vezes Três a cinco vezes Mais de cinco vezes 31,5 28,9 32,5 38,6 39,9 37,6 31,9 24,2 38,6 24,2 30,2 30,4 27,9 30,7 25,0 25,6 24,3 32,4 33,8 31,4 33,5 23,8 38,4 28,5 24,7 31,7 23,8 23,3 23,2 22,7 20,6 24,3 24,0 22,2 25,7 19,8 28,3 17,7 24,9 26,6 22,8 21,7 23,0 20,5 23,8 24,4 22,4 24,7 26,6 23,5 23,2 20,7 25,5 44,8 47,8 44,3 38,7 39,5 38,1 44,1 53,6 35,6 56,0 71,7 52,1 44,7 45,6 46,5 53,3 51,4 55,2 43,8 41,8 46,2 41,8 49,5 38,2 48,3 54,6 42,9 Por região Por rendimento Mundo África Américas Estados Árabes Ásia e Pacífico Europa e Ásia Central Rendimento baixo e médio-baixo Rendimento médio-alto Rendimento elevado Por região Por rendimento Nota: Entre todos os trabalhadores por conta de outrem com 15 ou mais anos que afirmaram ter sido confrontados com qualquer forma de violência e assédio no trabalho. As pessoas que afirmaram ter sido vítimas de violência física e assédio, mas que não tinham a certeza do número de vezes que tinham sofrido, foram excluídas destes cálculos. Para uma cobertura mundial, regional e por grupos de rendimento, ver figura 1.3. Fonte: Lloyd’s Register Foundation World Risk Poll 2021 [Conjunto de dados] 18 Copyright © 2022 Organização Internacional do Trabalho. Todos os direitos reservados 334-24_OIT_DadosExperienciaViolenciaAssedioTrabalho  Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
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    1.3. Violência psicológicae assédio no trabalho Quase uma em cada cinco pessoas empregadas já sofreu de violência psicológica e assédio no trabalho durante a sua vida profissional 14 Na China, o texto da questão era o seguinte: “Já alguma vez sentiu que alguém o(a) magoou psicologicamente no trabalho, por exemplo, dizendo-lhe algo que o(a) magoasse ou ameaçasse?” Também foi pedido às pessoas inquiridas que indicassem a sua experiência de violência psicológica e assédio no trabalho, tais como insultos, ameaças, perseguição ou intimidação, bem como sobre a sua frequência e a última vez em que ocorreram.14 A nível mundial, 17,9 por cento das pessoas, ou seja, aproximadamente 583 milhões de pessoas empregadas, já sofreram este tipo de comportamento inaceitável na sua vida profissional (figura 1.5). Para quase 80 por cento das vítimas,ouseja,cercade463milhõesdepessoasempregadas, independentemente do sexo, a última ocorrência registou-se nos últimos cinco anos. Em geral, as mulheres registaram uma prevalência mais elevada do que os homens, tanto no decurso da vida profissional como nos últimos cinco anos, embora com diferenças mínimas (1,3 pontos percentuais e 0,6 pontos percentuais, respetivamente). A nível regional, as Américas registaram a maior prevalência de violência psicológica e assédio na vida profissional (29,3 por cento), seguidas de África (20,2 por cento), enquanto os Estados Árabes registaram a menor prevalência (11,4 por cento). No entanto, 86,0 por cento das vítimas nos Estados Árabes declararam que a sua última experiência de violência psicológica e assédio ocorreu nos últimos cinco anos, seguidas de 85,1 por cento em África e 81,4 por cento na Ásia e no Pacífico. Na Europa e na Ásia Central, a violência psicológica e o assédio têm sido uma realidade na vida profissional para 22,7 por cento das mulheres, em comparação com 17,4 por cento dos homens. As mulheres corriam mais riscos do que os homens de serem confrontadas com a violência nos Estados Árabes (15,0 por cento contra 10,7 por cento) e nas Américas (31,5 por cento contra 27,6 por cento). Por outro lado, em África, os homens relataram taxas mais elevadasdeviolênciapsicológicaeassédiodoqueasmulheres (21,2 por cento contra 18,9 por cento), o mesmo acontecendo com os homens na Ásia e no Pacífico (14,6 por cento contra 13,9 por cento). Os trabalhadores por conta de outrem dos países de rendimento elevado foram os que mais afirmaram ter sofrido de violência psicológica e assédio, tanto ao longo da sua vida profissional (25,5 por cento) como nos últimos cinco anos (18,2 por cento). As experiências das mulheres e dos homens com esta forma de violência e assédio variam consoante o grupo de rendimento do país a que pertencem. Enquanto as mulheres dos países de rendimento elevado e dos países de rendimento baixo e médio-baixo registaram uma incidência mais elevada na sua vida ativa do que os homens (8,0 pontos percentuais e 1,0 ponto percentual, respetivamente), os homens dos países de rendimento médios-alto registaram uma prevalência mais elevada na sua vida ativa do que as mulheres (4,9 pontos percentuais). A prevalência da violência psicológica e do assédio nos últimos cinco anos refletiu a prevalência em toda a vida profissional, embora as diferenças entre homens e mulheres tenham diminuído. Nos últimos cinco anos, as mulheres eram mais suscetíveis do que os homens de terem sido vítimas de violência psicológica e assédio nos países de rendimento elevado e nos países de rendimento baixo e médio-baixo, em 5,3 e 0,4 pontos percentuais, respetivamente; enquanto nos países de rendimento médio-alto, os homens corriam um risco maior, em 4,0 pontos percentuais. 19 Copyright © 2022 Organização Internacional do Trabalho. Todos os direitos reservados 334-24_OIT_DadosExperienciaViolenciaAssedioTrabalho  Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
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    Figura 1.5 Percentagem depessoas empregadas que foram vítimas de violência psicológica e assédio no trabalho e a última vez que sofreram, por região, por grupo de rendimento e por sexo, 2021 (%) Questão do inquérito: Já foi, pessoalmente, vítima de violência psicológica e/ou assédio, por exemplo com insultos, ameaças, intimidação ou perseguição no trabalho? Total Mulheres Homens Sim, nos últimos cinco anos Sim, há mais de cinco anos ou não sabe quando 3,7 4,1 3,4 3.0 3,4 2,8 6,8 7,3 6,4 5,3 2,7 2,6 2,6 5,6 6,9 4,5 2,3 2,6 3,3 2,8 3,7 7,3 8,8 6.,1 14,2 14,5 13,9 17,2 15,5 18,4 22,5 24,2 21,2 9,8 9,7 9,8 11,8 11,3 12,0 14,2 15,8 12,9 9,3 9,4 9,0 17,2 15,0 19,0 18,2 21,1 15,8 17,9 18,6 17,3 20,2 18,9 21,2 29,3 31,5 27,6 11,4 15,0 10,7 14,5 13,9 14,6 19,8 22,7 17,4 11,6 12,0 11,0 20,5 17,8 22,7 25,5 29,9 21,9 Total 1,6 2,0 0,9 Por região Por rendimento Mundo África Américas Estados Árabes Ásia e Pacífico Europa e Ásia Central Rendimento baixo e médio-baixo Rendimento médio-alto Rendimento elevado Nota: Entre todos os trabalhadores por conta de outrem com 15 ou mais anos. As estimativas mundiais, regionais e dos grupos de rendimento são ponderadas pela população ativa total de indivíduos com mais de 15 anos de cada país. Percentagem da população empregada e número de países – Mundo: 92,4 por cento (121 países); África: 62,3 por cento (26 países); Américas: 95,8 por cento (20 países); Estados Árabes: 63,2 por cento (5 países); Ásia e Pacífico: 98,8 por cento (24 países); Europa e Ásia Central: 97,1 por cento (46 países); países de rendimento baixo e médio-baixo: 85,4 por cento (44 países); países de rendimento médio-alto: 97,8 por cento (35 países); países de rendimento elevado: 98,1 por cento (42 países). Fonte: Lloyd’s Register Foundation World Risk Poll 2021 [Conjunto de dados] 20 Copyright © 2022 Organização Internacional do Trabalho. Todos os direitos reservados 334-24_OIT_DadosExperienciaViolenciaAssedioTrabalho  Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
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    Mais de trêsem cada cinco vítimas foram vítimas de violência psicológica e assédio várias vezes A nível mundial, mais de três em cada cinco pessoas empregadas que sofreram de violência psicológica e assédio no trabalho indicaram que tal lhes tinha acontecido três ou mais vezes (63,2 por cento), sendo os homens ligeiramente mais suscetíveis do que as mulheres de enfrentar episódios recorrentes (figura 1.6). Além disso, quase duas em cada cinco vítimas (38,6 por cento) afirmaram que tal tinha ocorrido mais de cinco vezes ao longo da sua vida ativa. Estes resultados foram relativamente consistentes em todas as regiões e grupos de rendimento, com a exceção de que quase metade das vítimas nas Américas afirmaram ter sido confrontadas mais de cinco vezes, em comparação com menos de um terço das vítimas nos Estados Árabes. Quando se analisam as diferenças entre os sexos, a frequência da violência psicológica e do assédio foi maior para os homens do que para as mulheres em quase todas as regiões, exceto nas Américas e na Ásia e Pacífico. Figura 1.6 Frequência com que as vítimas de violência psicológica e assédio no trabalho experienciaram tais comportamentos, por região, por grupo de rendimento e por sexo, 2021 (%) Questão do inquérito: Quantas vezes foi vítima de [violência psicológica e/ou assédio no trabalho]? Uma ou duas vezes, três a cinco vezes, ou mais de cinco vezes? Total Mulheres Homens Uma ou duas vezes Três a cinco vezes Mais de cinco vezes 38,6 39,0 38,4 39,7 34,6 42,8 46,5 47,9 45,3 30,1 17,8 33,8 33,8 34,7 33,2 42,1 39,1 44,9 35,4 31,8 37,1 35,2 35,3 35,2 47.5 47.9 46.8 24,6 22,4 26,0 23,0 26,4 20,8 23,8 22,6 24,9 24,0 21,3 25,0 26,3 21,2 29,0 21,0 22,7 19,4 27,8 28,8 27,2 24,4 20,2 27,0 21.6 21.2 22.1 36,8 38,6 35.7 37,4 39,0 36,5 29,7 29,5 29,8 45,9 60,8 41,2 39,9 44,1 37,8 36,9 38,3 35,7 36,8 39,4 35,7 40,4 44,4 37,8 30.8 30.9 31.0 África Por região Por rendimento Américas Estados Árabes Ásia e Pacífico Europa e Ásia Central Rendimento baixo e médio-baixo Rendimento médio-alto Rendimento elevado Mundo Nota: Entre todos os trabalhadores por conta de outrem com 15 ou mais anos que afirmaram ter sofrido de qualquer forma de violência e assédio no trabalho. As pessoas que afirmaram ter sido vítimas de violência psicológica e assédio, mas que não tinham a certeza do número de vezes que isso tinha acontecido, foram excluídas destes cálculos. Para uma cobertura mundiall, regional e por grupos de rendimento, ver figura 1.5. Fonte: Lloyd’s Register Foundation World Risk Poll 2021 [Conjunto de dados] 21 Copyright © 2022 Organização Internacional do Trabalho. Todos os direitos reservados 334-24_OIT_DadosExperienciaViolenciaAssedioTrabalho  Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
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    1.4. Violência eassédio sexual no trabalho Uma em cada 15 pessoas empregadas foi vítima de violência e assédio sexual no trabalho durante a sua vida profissional 15 Na Argélia, China, Paquistão, Jordânia e Marrocos, esta questão foi colocada de forma ligeiramente diferente devido a sensibilidades culturais ou políticas: “Alguma vez sofreu, pessoalmente, de algum tipo de contacto físico íntimo indesejado no trabalho e/ou foi exposto a comentários, imagens, e-mails ou pedidos vulgares indesejados durante o trabalho, criando um ambiente de trabalho hostil?” No Iraque, na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos, as questões sobre a experiência de violência e assédio sexual não foram colocadas. Por conseguinte, os resultados regionais relativos aos Estados Árabes foram omitidos devido à insuficiente cobertura dos países. No entanto, para os países dos Estados Árabes onde existem dados disponíveis para esta questão, estes dados foram incluídos no cálculo dos resultados globais e dos resultados dos grupos de rendimento a que o país pertence. Para além da violência física e psicológica e do assédio, as pessoas inquiridas foram questionadas sobre as suas experiências de violência e assédio sexual no trabalho, tais como toques sexuais não consentidos, comentários, fotografias, e-mails ou convites de teor sexual.15 Globalmente, 6,3 por cento ou cerca de 205 milhões de pessoas empregadas sofreram de violência e assédio sexual na sua vida profissional (ver figura 1.7). Destas, mais de dois terços (71,4 por cento) foram confrontadas com estes incidentes nos últimos cinco anos, o que significa que 4,5 por cento ou cerca de 147 milhões de pessoas empregadas em todo o mundo foram recentemente expostas a este flagelo. 22 Copyright © 2022 Organização Internacional do Trabalho. Todos os direitos reservados 334-24_OIT_DadosExperienciaViolenciaAssedioTrabalho  Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
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    Figura 1.7 Percentagem depessoas empregadas vítimas de violência e assédio sexual no trabalho e última vez que os factos ocorreram, por região, por grupo de rendimento e por sexo, 2021 (%) Questão do inquérito: Alguma vez foi vítima, pessoalmente, de qualquer tipo de violência e/ou assédio sexual no trabalho, como toques sexuais não consentidos, comentários, fotografias, mensagens de e-mail ou convites de teor sexual durante o trabalho? Total Mulheres Homens Sim, nos últimos cinco anos Sim, há mais de cinco anos ou não sabe quando 1,8 2,8 1,1 1,2 1,5 4,1 6,6 2,1 1,3 1,6 1,9 3,8 1,2 1,9 2,0 1,8 3,8 6,7 1,4 4,5 5,4 3,9 4,0 4,4 3,7 7,7 11,1 5,1 4,1 4,0 4,0 3,5 5,3 2,0 2,3 2,7 2,1 6,2 5,9 6,3 5,8 8,5 3,6 Mundo África Américas Ásia e Pacífico Europa e Ásia Central 6,3 8,2 5,0 5,2 5,9 4,6 11,8 17,7 7,2 5,4 5,6 5,0 5,4 9,1 2,5 3,0 3,9 2,4 8,1 7,9 8,1 9,6 15,2 5,0 Total 0,9 1,0 0,5 0,7 0,3 Por rendimento Por região Rendimento baixo e médio-baixo Rendimento médio-alto Rendimento elevado Nota: Entre todos os trabalhadores por conta de outrem com 15 ou mais anos. As estimativas globais, regionais e dos grupos de rendimento são ponderadas pela população ativa total de indivíduos com mais de 15 anos de cada país. Percentagem da população empregada e número de países – Mundo: 91,4 por cento (118 países); África: 62,3 por cento (26 países); Américas: 95,8 por cento (20 países); Ásia e Pacífico: 98,8 por cento (24 países); Europa e Ásia Central: 97,1 por cento (46 países); países de rendimento baixo e médio-baixo: 85,4 por cento (44 países); países de rendimento médio-alto: 97,0 por cento (34 países); países de rendimento elevado: 94,4 por cento (40 países). Fonte: Lloyd’s Register Foundation World Risk Poll 2021 [Conjunto de dados] 23 Copyright © 2022 Organização Internacional do Trabalho. Todos os direitos reservados 334-24_OIT_DadosExperienciaViolenciaAssedioTrabalho  Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
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    Figura 1.8 Percentagem depessoas empregadas que foram vítimas de violência física, psicológica e/ou sexual e assédio no trabalho e última vez que os factos se produziram, resultados globais nível mundial, 2021 (%) Questão do inquérito: Aproximadamente, quando foi a última vez que isto lhe aconteceu – foi no último ano, há dois a cinco anos, ou há mais de cinco anos? Total Mulheres Homens Sim, nos últimos cinco anos Sim, há mais de cinco anos ou não sabe quando 2,4 2,2 2,5 3,7 4,1 3,4 1,8 2,8 6,1 5,5 6,5 14,2 14,5 13,9 4,5 5,4 3,9 Violência física e assédio Violência psicológica e assédio Violência sexual e assédio 8,5 7,7 9,0 17,9 18,6 17,3 6,3 8,2 5,0 Total 1,1 Nota: As estimativas mundiais são ponderadas pela população ativa total de indivíduos com 15 e mais de anos em cada país. Fonte: Lloyd’s Register Foundation World Risk Poll 2021 [Conjunto de dados] Globalmente, 8,2 por cento das mulheres empregadas tinham sido vítimas de violência e assédio sexual durante a sua vida profissional, em comparação com 5,0 por cento dos homens. Esta é, de longe, a maior diferença entre homens e mulheres na experiência de violência e assédio no trabalho entre as três formas de violência e assédio (ver figura 1.8). As Américas registaram a maior prevalência de violência e assédio sexual ao longo da vida ativa em 11,8 por cento, em comparação com um pouco mais de 5 por cento em média em todas as outras regiões (figura 1.7). Por outras palavras, as pessoas nas Américas tinham duas vezes mais probabilidades de dizer que tinham sido vítimas de violência e assédio sexual do que as que viviam noutras regiões. Analisando apenas as pessoas que foram vítimas de violência e assédio sexual nos últimos cinco anos, este número foi mais elevado nas Américas (7,7 por cento), seguido da Ásia e do Pacífico (4,1 por cento), África (4,0 por cento) e Europa e Ásia Central (3,5 por cento). De um modo geral, em todas as regiões, as mulheres referiram uma maior exposição à violência e ao assédio sexual no trabalho do que os homens, tanto ao longo da sua vida ativa como nos últimos cinco anos (figura 1.7), embora as taxas variem consoante a região. Nas Américas, quase duas em cada dez mulheres (17,7 por cento) relataram esse tipo de comportamento inaceitável na sua vida profissional, em comparação com menos de um em cada dez homens (7,2 por cento). Foram também registadas diferenças consideráveis na Europa e na Ásia Central, onde 9,1 por cento das mulheres foram vítimas de violência e assédio sexual na sua vida profissional, em comparação com 2,5 por cento dos homens. Seguem-se a África e a Ásia e o Pacífico, com diferenças mínimas entre homens e mulheres (1,3 pontos percentuais e 0,6 pontos percentuais, respetivamente). No que se refere ao nível de rendimento do país, os dados mostram que as pessoas inquiridas em países de rendimento elevado afirmaram ter sofrido uma maior prevalência de violência e assédio sexual ao longo da sua vida profissional (9,6 por cento) em comparação com os inquiridos em países de rendimento médio-alto (8,1 por cento) e países de rendimento baixo e médio-baixo (3,0 por cento). No entanto, também é interessante verificar que, embora os dois últimos grupos de rendimento possam ter taxas mais baixas de violência e assédio sexual ao longo da vida profissional, têm percentagens mais elevadas de vítimas que referem que esses incidentes ocorreram pela última vez nos últimos cinco anos – 76,5 por cento nos países de rendimento médio-alto e 76,7 por cento nos países de rendimento baixo e médio- -baixo, em comparação com 60,4 por cento nos países de rendimento elevado. Entre as mulheres vítimas em países com rendimentos elevados, este valor é de 55,9 por cento. Em geral, as mulheres estavam mais expostas à violência e ao assédio sexual durante a sua vida profissional do que os homens, tanto nos países de rendimento elevado como nos países de rendimento baixo e médio-baixo (10,2 pontos percentuais e 1,5 pontos percentuais, respetivamente). Nos países de rendimento médio-alto, a diferença é mínima, sendo os homens ligeiramente mais suscetíveis a declarar ter sofrido de violência ou assédio sexual no trabalho (0,2 pontos percentuais). Observa-se um padrão semelhante quando se analisa a prevalência nos últimos cinco anos, embora em menorgrau.Asmulheresvítimaserammaissuscetíveisdoque os homens de denunciar esses comportamentos inaceitáveis nos últimos cinco anos, tanto nos países de rendimento elevado como nos países de rendimento baixo e médio- -baixo, em 4,9 pontos percentuais e 0,6 pontos percentuais, respetivamente. Nos países de rendimento médio-alto, a violência e o assédio sexual nos últimos cinco anos foram mais referidos pelos homens do que pelas mulheres, embora a diferença fosse insignificante (0,4 pontos percentuais). 24 Copyright © 2022 Organização Internacional do Trabalho. 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    As mulheres erammais suscetíveis do que os homens de terem sofrido de violência e assédio sexual no trabalho À escala mundial, mais de metade das pessoas inquiridas vítimas de violência e assédio sexual na sua vida profissional afirmaram tê-lo enfrentado três ou mais vezes (51,9 por cento), e quase três em cada dez afirmaram tê-lo enfrentado mais de cinco vezes (29,5 por cento) (figura 1.9). A probabilidade de sofrer episódios recorrentes de violência sexual e assédio era maior para as mulheres vítimas do que para os homens vítimas (56,5 por cento contra 46,2 por cento). As mulheres vítimas em África relataram a maior incidência de episódios recorrentes, sendo 14,0 pontos percentuais mais suscetíveis do que os homens de serem vítimas de violência sexual e assédio. Seguem-se a Ásia e o Pacífico e a Europa e a Ásia Central, com uma diferença de 9,8 pontos percentuais e 4,9 pontos percentuais, respetivamente; enquanto nas Américas, a diferença entre mulheres e homens vítimas não é significativa (0,1 pontos percentuais). Figura 1.9 Frequência com que as vítimas de violência e assédio sexual no trabalho sofreram tais comportamentos, por região, por grupo de rendimento e por sexo, 2021 (%) Questão do inquérito: Quantas vezes foi vítima de [qualquer tipo de violência e/ou assédio sexual no trabalho]? Uma ou duas vezes, três a cinco vezes, ou mais de cinco vezes? Total Mulheres Homens Uma ou duas vezes Três a cinco vezes Mais de cinco vezes 29,5 31,6 26,6 29,1 34,4 24,1 37,6 37,6 37,9 25,3 27,7 22,6 29,1 27,1 34,7 25,7 32,8 17,2 28,0 28,4 27,6 34,9 34,4 35,9 22,4 24,9 19,6 18,8 20,9 17,2 28,0 28,0 27,6 20,0 22,7 18,0 21,9 25,4 12,9 21,8 24,9 18,9 20,4 23,2 18,2 26,2 26,7 25,2 48,1 43,5 53,8 52,0 44,7 58,6 34,4 34,4 34,5 54,7 49,5 59,5 49,0 47,5 52,5 52,5 42,3 63,9 51,6 48,5 54,2 38,9 38,9 38,8 Mundo África Américas Ásia e Pacífico Europa e Ásia Central Rendimento baixo e médio-baixo Rendimento médio-alto Rendimento elevado Por rendimento Por região Nota: Entre todos os trabalhadores por conta de outrem com 15 ou mais anos que afirmaram ter sido vítimas de qualquer forma de violência e assédio no trabalho. As pessoas que afirmaram ter sofrido de violência e assédio sexual, mas que não tinham a certeza do número de vezes que o tinham sido, foram excluídas destes cálculos. Para uma cobertura a nível mundial, regional e por grupos de rendimento, ver figura 1.7. Fonte: Lloyd’s Register Foundation World Risk Poll 2021 [Conjunto de dados] 25 Copyright © 2022 Organização Internacional do Trabalho. Todos os direitos reservados 334-24_OIT_DadosExperienciaViolenciaAssedioTrabalho  Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
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    Dados de experiênciade múltiplas formas de violência e assédio no trabalho Entre as pessoas vítimas de violência e assédio no trabalho, 31,8 por cento afirmaram ter sofrido de mais do que uma forma, sendo que 6,3 por cento das vítimas estiveram expostas às três formas durante a sua vida profissional (figura 1.10). As mulheres eram mais suscetíveis do que os homens de afirmar que tinham enfrentado mais do que uma forma de violência e assédio na sua vida profissional (34,1 por cento contra 29,6 por cento). Em geral, as mulheres vítimas eram as mais suscetíveis de serem vítimas de violência e assédio psicológico e sexual (12,5 por cento); enquanto os homens vítimas eram os mais suscetíveis de terem sofrido violência e assédio físico e psicológico (18,6 por cento). Figura 1.10 Sobreposição de experiências de diferentes formas de violência e assédio no trabalho, entre pessoas empregadas que declararam ter sido vítimas alguma vez de qualquer forma de violência e assédio no trabalho, 2021 (%) Questãodoinquérito:Algumavezsofreu,pessoalmente,deviolência[física/psicológica/sexual]e/ouassédionotrabalho, por exemplo [agressões, restrição aos movimentos ou cuspidelas/insultos, ameaças, intimidação ou perseguição/toques sexuais não consentidos, comentários, fotografias, e-mails ou convites de teor sexual durante o trabalho]? Violência física e assédio Violência psicológica e assédio Violência sexual e assédio Nota: Os indivíduos a quem não foi colocada pelo menos uma das três questões foram excluídos dos cálculos acima referidos, incluindo as pessoas inquiridas de países onde não era permitida pelo menos uma das três questões. As estimativas globais são ponderadas pela população total de pessoas empregadas com mais de 15 anos de cada país. Percentagem da população empregada e número de países – Mundo: 67,8 por cento (117 países). Fonte: Lloyd’s Register Foundation World Risk Poll 2021 [Conjunto de dados] 14,4% 15,9% 6,3% 46,2% 7,9% 7,6% 1,7% 26 Copyright © 2022 Organização Internacional do Trabalho. Todos os direitos reservados 334-24_OIT_DadosExperienciaViolenciaAssedioTrabalho  Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
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    2 Quem está maisem risco? O risco de exposição a violência e assédio no trabalho não está igualmente distribuído entre os diferentes grupos demográficos; pelo contrário, para algumas pessoas, especialmente as que enfrentam formas múltiplas e cruzadas de discriminação, as taxas de prevalência são superiores. O risco também varia em função de outros fatores, como a situação na profissão. Muitas vezes, dentro destes grupos, as mulheres correm mais riscos do que os homens. 2.1. Jovens As pessoas mais jovens eram as mais suscetíveis de exposição à violência e assédio A nível mundial, os jovens empregados (com idades compreendidas entre os 15 e os 24 anos) eram os mais suscetíveis de terem sido vítimas de violência e assédio no trabalho nos últimos cinco anos, com uma prevalência de 23,3 por cento. Este valor diminui com a idade, de 20,2 por cento entre os trabalhadores por conta de outrem com idades compreendidas entre os 25 e os 34 anos para 12,0 por cento entre os trabalhadores com 55 anos ou mais (ver figura 2.1). No que se refere às diferenças entre homens e mulheres, as mulheres jovens eram mais suscetíveis do que os homens jovens de terem sido vítimas de violência e assédio no trabalho nos últimos cinco anos (26,8 por cento contra 20,8 por cento). Além disso, tanto as mulheres como os homens mais jovens registaram uma prevalência mais elevada em comparação com outros grupos etários dentro do mesmo sexo. Por outras palavras, mais de uma em cada quatro mulheres jovens foi vítima de violência e assédio no trabalho nos últimos cinco anos, em comparação com uma em cada dez mulheres com idade igual ou superior a 55 anos, e dois em cada dez homens jovens relataram tais experiências nos últimos cinco anos, em comparação com pouco mais de um em cada dez homens com idade igual ou superior a 55 anos. 28 Copyright © 2022 Organização Internacional do Trabalho. Todos os direitos reservados 334-24_OIT_DadosExperienciaViolenciaAssedioTrabalho  Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
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    Figura 2.1 Percentagem depessoas empregadas vítimas de violência e assédio no trabalho nos últimos cinco anos, por região, por grupo de rendimento, por idade e por sexo, 2021 (%) Questão do inquérito: Aproximadamente, quando foi a última vez que isto lhe aconteceu – foi no último ano, entre dois a cinco anos, ou há mais de cinco anos? 15–24 25–34 35–44 45–54 55+ 12,0 10,1 13,1 16,5 16,2 16,7 17,2 17,0 17,4 20,2 19,5 21,0 23,3 26,8 20,8 Homens Mulheres Total 7,4 12,8 6,1 12,1 26,5 9,7 8,8 9,5 8,6 14,1 13,2 14,2 12,1 11,6 12,3 Homens Mulheres Total 8,5 6,8 9,6 9,9 10,3 9,9 12,3 11,1 12,9 15,6 12,9 17,4 18,4 19,5 17,4 Homens Mulheres Total 14,4 14,0 14,6 17,4 19,3 16,1 20,0 19,1 20,6 21,7 19,5 23,3 29,0 25,2 32,0 Homens Mulheres Total 11,1 13,8 15,4 12,1 17,2 14,2 12,9 15,1 17,7 14,9 19,6 18,5 22,6 15,8 Homens Mulheres Total 13,2 17,2 19,7 13,6 23,9 19,0 16,7 21,4 22,2 19,6 24,1 27,5 30,0 25,4 Homens Mulheres Total 12,7 15,3 10,6 21,0 27,0 16,9 28,1 28,4 28,0 31,7 36,3 28,5 36,8 40,5 33,7 Homens Mulheres Total 13,6 14,9 12,1 17,3 19,6 15,2 19,3 22,9 16,8 20,6 23,2 19,1 21,3 27,1 17,2 Homens Mulheres Total 15,2 17,8 12,8 20,1 26,5 14,6 23,7 28,2 20,4 28,0 33,7 23,9 31,4 37,7 25,9 Homens Mulheres Total Mundo África Américas Estados Árabes Ásia e Pacífico Europa e Ásia Central Rendimento baixo e médio-baixo Rendimento médio-alto Rendimento elevado 3,9 4,6 Nota: Entre todos os trabalhadores por conta de outrem com 15 ou mais anos. As estimativas globais, regionais e dos grupos de rendimento são ponderadas pela população ativa total de indivíduos com mais de 15 anos de cada país. Percentagem da população empregada e número de países – Mundo: 92,4 por cento (121 países); África: 62,3 por cento (26 países); Américas: 95,8 por cento (20 países); Estados Árabes: 63,2 por cento (5 países); Ásia e Pacífico: 98,8 por cento (24 países); Europa e Ásia Central: 97,1 por cento (46 países); países de rendimento baixo e médio-baixo: 85,4 por cento (44 países); países de rendimento médio-alto: 97,8 por cento (35 países); países de rendimento elevado: 98,1 por cento (42 países). Fonte: Lloyd’s Register Foundation World Risk Poll 2021 [Conjunto de dados] 29 Copyright © 2022 Organização Internacional do Trabalho. Todos os direitos reservados 334-24_OIT_DadosExperienciaViolenciaAssedioTrabalho  Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
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    As mulheres jovenstinham duas vezes mais probabilidades do que os homens jovens de terem sido vítimas de violência e assédio sexual no trabalho 16 Tal como referido na Introdução e em várias notas de rodapé do Capítulo 1, a questão sobre violência física e assédio não foi colocada na China e a questão sobre violência sexual e assédio não foi colocada no Iraque, na Arábia Saudita ou nos Emirados Árabes Unidos. Uma forma modificada da questão sobre violência e assédio sexual foi colocada na China, Argélia, Jordânia, Marrocos e Paquistão. 17 Por razões práticas de medição e em conformidade com as recomendações das Nações Unidas, os “migrantes internacionais” podem ser identificados como “todas as pessoas que são residentes habituais desse país e [1] que são cidadãos de outro país (população estrangeira) ou [2] cujo local de nascimento se situa noutro país (população nascida no estrangeiro)” (OIT 2018a, para. 13). A Gallup World Poll utilizou o critério referido no número 2. Quando se analisa a prevalência das três diferentes formas de violência e assédio, a violência psicológica e o assédio são as formas mais comuns registadas pelas mulheres e homens jovens empregados (figura 2.2). No total, 17,9 por cento ou cerca de 73 milhões de jovens empregados foram vítimas de violência psicológica e assédio nos últimos cinco anos, em comparação com 8,8 por cento ou cerca de 36 milhões que sofreram de violência física e assédio e 6,0 por cento, ou seja, cerca de 24 milhões de pessoas que tinham sido vítimas e violência e assédio sexual.16 Embora não tenham sido observadas diferenças significativas entre homens e mulheres em relação à violência física e ao assédio, as mulheres jovens eram 5,5 pontos percentuais mais suscetíveis do que os jovens do sexo masculino terem sido vítimas de violência psicológica e assédio, e mais do dobro de terem sido vítimas de violência sexual e assédio. Figura 2.2 Percentagem de pessoas empregadas a nível mundial que foram vítimas de violência e assédio no trabalho nos últimos cinco anos, por tipo de violência e assédio, por idade e por sexo, 2021 (%) Questão do inquérito: Aproximadamente, quando foi a última vez que isto lhe aconteceu - foi no último ano, há dois a cinco anos, ou há mais de cinco anos? 15–24 25–34 35–44 45–54 55+ 3,2 2,5 3,7 4,9 5,3 4,7 5,6 5,2 6,1 7,1 5,3 8,3 8,8 8,7 8,9 Homens Mulheres Total 9,3 8,5 9,7 13,4 13,5 13,2 13,7 13,2 13,9 15,6 15,1 16,1 17,9 21,0 15,5 Homens Mulheres Total 2,5 1,6 3,0 4,3 4,2 4,3 3,5 3,9 3,2 5,8 7,5 4,7 6,0 8,8 4,0 Homens Mulheres Total Nota: Entre todos os trabalhadores por conta de outrem com 15 ou mais anos de idade que afirmaram ter sido vítimas de violência física, psicológica ou sexual e de assédio no trabalho. As estimativas a nível mundial são ponderadas em função da população ativa total de indivíduos de 15 anos e mais anos em cada país. Fonte: Lloyd’s Register Foundation World Risk Poll 2021 [Conjunto de dados] 2.2. Mulheres migrantes As mulheres migrantes trabalhadoras têm estado especialmente em risco Em todo o mundo, os trabalhadores migrantes registaram uma maior prevalência de violência e assédio no trabalho nos últimos cinco anos (figura 2.3).17 Globalmente, os migrantes tinham 3,1 pontos percentuais mais probabilidades de terem sido vítimas de violência e assédio do que os não migrantes. 30 Copyright © 2022 Organização Internacional do Trabalho. Todos os direitos reservados 334-24_OIT_DadosExperienciaViolenciaAssedioTrabalho  Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
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    As mulheres migrantestinham 8,7 pontos percentuais mais probabilidades do que os homens migrantes de terem sido vítimas de violência e assédio (26,6 por cento contra 17,9 por cento). As mulheres migrantes eram também mais suscetíveis de sofrer qualquer forma de violência e assédio do que as mulheresnãomigrantes(26,6porcentocontra18,4porcento). Figura 2.3 Percentagem de pessoas empregadas que sofreram de violência e assédio no trabalho nos últimos cinco anos, por país de nascimento, por região, por grupo de rendimento e por sexo, 2021 (por cento) Questão do inquérito: Aproximadamente, quando foi a última vez que isto lhe aconteceu – foi no último ano, entre dois a cinco anos, ou há mais de cinco anos? Mundo África Américas Estados Árabes Ásia e Pacífico Europa e Ásia Central Rendimento médio-alto Rendimento elevado Por região Por rendimento 22,0 26,6 17,9 23,8 22,3 25,7 27,5 33,7 21,0 13,1 15,1 12,7 16,3 20,1 11,5 20,8 24,6 17,6 19,6 20,1 18,6 19,4 19,2 19,3 23,2 30,2 17,3 18,9 18,4 19,2 21,9 20,4 22,9 26,7 29,9 24,3 11,5 14,2 10,9 16,4 14,2 17,9 18,0 20,6 16,1 14,0 13,1 14,4 20,3 17,5 22,5 22,9 27,5 19,3 Tota Migrantes Não-migrantes Mulheres Migrantes Não-migrantes Homens Migrantes Não-migrantes 40 0 Rendimento baixo e médio-baixo Nota: Para a cobertura nível mundial, regional e por grupo de rendimentos, ver figura 2.1. Para esta análise, os inquiridos que afirmaram ter nascido noutro país são considerados “migrantes”, enquanto os inquiridos que afirmaram ter nascido no país são considerados “não-migrantes”.. Fonte: Lloyd’s Register Foundation World Risk Poll 2021 [Conjunto de dados] 31 Copyright © 2022 Organização Internacional do Trabalho. Todos os direitos reservados 334-24_OIT_DadosExperienciaViolenciaAssedioTrabalho  Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
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    Quando se analisamas diferentes formas de violência e assédio, as mulheres migrantes têm quase o dobro da probabilidade de assinalar violência e assédio sexual do que as mulheres não migrantes (10,0 por cento contra 5,4 por cento) (figura 2.4). As mulheres migrantes também estavam mais expostas ao risco de violência psicológica e assédio do que as mulheres não migrantes (20,4 por cento contra 14,8 por cento) e, em menor grau, também eram mais suscetíveis de sofrer violência física e assédio (6,1 por cento contra 5,3 por cento). Quando se analisa a combinação de fatores de discriminação entre sexo, idade e situação migratória (figura 2.5), os dados mostram que 40,7 por cento das mulheres jovens migrantes foram vítimas de alguma forma de violência e assédio no trabalho nos últimos cinco anos, em comparação com 26,8 por cento das mulheres jovens não migrantes. Figura 2.4 Percentagem de pessoas empregadas que já foram vítimas de violência física, psicológica e/ou sexual e assédio no trabalho, por tipo de violência e assédio sofrido, por país de nascimento e por sexo, 2021 (%) Questão do inquérito: Alguma vez sofreu, pessoalmente, de violência [física/psicológica/sexual] e/ou assédio no trabalho, tais como [agressões, restrição aos movimentos ou cuspidelas/insultos, ameaças, intimidação ou perseguição/toques sexuais não consentidos, comentários, fotografias, e-mails ou convites de teor sexual durante o trabalho]? Migrantes Não-migrantes Violência física e assédio Violência psicológica e assédio Violência sexual e assédio 5,6 5,3 5,8 5,8 6,1 5,6 Homens Mulheres Total 15,4 14,8 15,9 17,0 20,4 13,9 Homens Mulheres Total 4,8 5,4 4,3 6,8 10,0 3,7 Homens Mulheres Total Nota: Entre todos os trabalhadores por conta de outrem com 15 ou mais anos que afirmaram ter sido vítimas de violência física, psicológica ou sexual e de assédio no trabalho. As estimativas a nível mundial são ponderadas em função da população ativa total de indivíduos com 15 ou mais anos em cada país. Para esta análise, os inquiridos que afirmaram ter nascido noutro país são considerados “migrantes”, enquanto os inquiridos que afirmaram ter nascido no país são considerados “não-migrantes”. Fonte: Lloyd’s Register Foundation World Risk Poll 2021 [Conjunto de dados] 32 Copyright © 2022 Organização Internacional do Trabalho. Todos os direitos reservados 334-24_OIT_DadosExperienciaViolenciaAssedioTrabalho  Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
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    Figura 2.5 Percentagem depessoas empregadas que sofreram de violência e assédio no trabalho nos últimos cinco anos, por país de nascimento, por idade e por sexo, 2021 (%) Questão do inquérito: Aproximadamente, quando foi a última vez que isto lhe aconteceu – foi no último ano, há dois a cinco anos, ou há mais de cinco anos? 15–24 25–34 35–44 45–54 55+ 15,4 17,9 12,5 18,0 22,8 14,6 21,5 27,7 16,6 23,5 26,2 20,9 33,3 40,7 25,6 Homens Mulheres Total 12,5 10,3 13,6 17,6 16,6 18,3 18,1 17,1 18,9 20,7 19,8 21,4 24,6 26,8 22,9 Homens Mulheres Total Migrantes Não-migrantes Nota: Para uma cobertura a nível mundial, regional e por grupos de rendimento, ver figura 2.1. Para esta análise, os inquiridos que afirmaram ter nascido noutro país são considerados “migrantes”, enquanto os inquiridos que afirmaram ter nascido no país são considerados “não-migrantes”. Fonte: Lloyd’s Register Foundation World Risk Poll 2021 [Conjunto de dados] 2.3. Mulheres trabalhadoras por conta de outrem As mulheres trabalhadoras por conta de outrem estavam mais expostas ao risco do que os homens e as mulheres trabalhadores/as por conta própria Os/as trabalhadores/as por conta de outrem tinham mais probabilidades do que os/as trabalhadores/as por conta própria de terem sido vítimas de violência e assédio nos últimos cinco anos (19,0 por cento contra 16,8 por cento) (figura 2.6). Entre os trabalhadores por conta de outrem, as mulheres estavam 2,5 pontos percentuais mais expostas ao risco de violência e assédio do que os homens. Além disso, as mulheres trabalhadoras por conta de outrem também se encontravam em pior situação do que as trabalhadoras por conta própria, sendo 6,0 pontos percentuais mais suscetíveis de terem sido vítimas de violência e assédio. Em contrapartida, a diferença entre os trabalhadores assalariados e os trabalhadores por conta própria foi muito pequena. Registaram-se variações regionais consideráveis nestes resultados. A maior diferença nas experiências de violência e assédio verificou-se nas Américas, onde os trabalhadores por conta de outrem tinham 8,3 pontos percentuais mais probabilidades do que os trabalhadores por conta própria de terem sofrido de violência e assédio nos últimos cinco anos, seguidos da Europa e Ásia Central (3,1 pontos percentuais), África (2,5 pontos percentuais) e Ásia e Pacífico (0,6 pontos percentuais). Nos Estados Árabes, porém, os trabalhadores por conta própria estavam mais expostos a riscos do que os trabalhadores por conta de outrem (3,5 pontos percentuais). Entre os trabalhadores por conta de outrem, a maior diferença entre homens e mulheres verificou-se nas Américas, onde as mulheres tinham uma taxa mais elevada de 8,8 pontos percentuais do que os homens no que diz respeito a terem sido vítimas de violência e assédio, seguidas dos Estados Árabes (7,2 pontos percentuais) e da Europa e Ásia Central (4,3 pontos percentuais). Entre os trabalhadores por conta própria, as disparidades entre homens e mulheres variam consoante a região. Na Europa e na Ásia Central, as mulheres a trabalhar por conta própria tinham 6,3 pontos percentuais mais probabilidades do que os homens de terem sido vítimas de violência e assédio nos últimos cinco anos. Em contrapartida, os homens que trabalham por conta própria estavam mais expostos a riscos nos Estados Árabes, na Ásia e Pacífico e em África, com as duas primeiras regiões a registarem uma diferença de 6,8 e 6,1 pontos percentuais, respetivamente, entre homens e mulheres que trabalham por conta própria. 33 Copyright © 2022 Organização Internacional do Trabalho. Todos os direitos reservados 334-24_OIT_DadosExperienciaViolenciaAssedioTrabalho  Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
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    Figura 2.6 Percentagem depessoas empregadas vítimas de violência e assédio no trabalho nos últimos cinco anos, por situação na profissão, região, grupo de rendimento e sexo, 2021 (%) Questão do inquérito: Aproximadamente, quando foi a última vez que isto lhe aconteceu – foi no último ano, entre dois a cinco anos, ou há mais de cinco anos? Mundo África Américas Estados Árabes Ásia e Pacífico Europa e Ásia Central Por região Por rendimento 19,0 20,6 18,1 23,4 23,4 23,3 29,8 34,7 25,9 10,8 16,8 9,6 15,8 15,9 16,0 19,0 21,3 17,0 14,0 13,5 14,5 20,5 19,2 21,7 23,7 28,5 19,6 16,8 14,6 17,9 20,9 19,0 22,5 21.,5 22,2 20,9 14,3 8,9 15,7 15,2 11,0 17,1 15,9 19,9 13,6 13,2 12,4 13,5 20,1 15,2 23,1 19,5 23,8 16,8 40 0 Rendimento médio-alto Rendimento elevado Rendimento baixo e médio-baixo Nota: Para uma cobertura a nível mundial, regional e por grupos de rendimento, ver figura 2.1. Fonte: Lloyd’s Register Foundation World Risk Poll 2021 [Conjunto de dados] 34 Copyright © 2022 Organização Internacional do Trabalho. Todos os direitos reservados 334-24_OIT_DadosExperienciaViolenciaAssedioTrabalho  Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
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    2.4. Pessoas vítimasde discriminação As pessoas que foram vítimas de discriminação ao longo da vida eram mais suscetíveis de ser vítimas de violência e assédio no trabalho 18 As respostas às questões do World Risk Poll sobre experiências de discriminação são analisados no documento da Lloyd’s Register Foundation, World risk Poll 2021: A Resilient World? – Understanding Vulnerability in a Changing Climate, 2021, 24. O 2021 Lloyd’s Register Foundation World Risk Poll incluía uma série de questões sobre se uma pessoa já tinha sido discriminada com base em cinco características-chave.18 Os resultados ajudam a esclarecer a relação entre a vulnerabilidade geral das pessoas à discriminação na vida pública e privada e a sua probabilidade de enfrentar violência e assédio no trabalho. De uma maneira geral, as pessoas que foram discriminadas com base em pelo menos um dos motivos acima referidos têm quase três vezes mais probabilidades do que as pessoas que não foram discriminadas de afirmar que foram vítimas de violência e assédio durante a sua vida profissional (figura 2.7). A diferença foi mais acentuada no caso da discriminação com base em questões de género: quase cinco em cada dez pessoas que sofreram de discriminação com base em questões de género também sofreram de violência e assédio no trabalho, em comparação com quase duas em cada dez das pessoas que não foram vítimas de discriminação com base nas questões de género. Embora as mulheres tivessem quase o dobro da probabilidade dos homens de afirmarem que alguma vez tinham sido vítimas de discriminação com base nas questões de género (17,2 por cento e 9,0 por cento, respetivamente), a incidência de violência e assédio entre as mulheres que tinham sido vítimas de discriminação com base nas questões de género era mais elevada do que entre os homens (50,9 por cento e 46,8 por cento, respetivamente). 35 Copyright © 2022 Organização Internacional do Trabalho. Todos os direitos reservados 334-24_OIT_DadosExperienciaViolenciaAssedioTrabalho  Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
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    Figura 2.7 Percentagem depessoas empregadas que já foram vítimas de violência e assédio no trabalho, por sexo e por experiências de discriminação ao longo da vida, 2021 (%) Questão colocada no inquérito: Alguma vez sofreu, pessoalmente, de violência [física/psicológica/sexual] e/ou assédio no trabalho, tais como [agressões, restrição aos movimentos ou cuspidelas/insultos, ameaças, intimidação ou perseguição/toques sexuais não consentidos, comentários, fotografias, e-mails ou convites de teor sexual durante o trabalho]? Questão do inquérito: Alguma vez foi, pessoalmente, objeto de discriminação devido a algum dos seguintes motivos? Total Mulheres Homens 60 0 Discriminação com base na cor da pele Discriminação com base na religião Discriminação com base na nacionalidade/etnia Discriminação com base no género Discriminação com base na deficiência Discriminação com base num ou vários destes motivos 44,8 17,6 49,8 21,7 46,5 19,1 Não Sim 42,4 17,3 43,3 22,4 42,5 19,2 Não Sim 43,6 16,8 48,1 21,5 44,7 18,6 Não Sim 46,8 17,8 50,9 19,6 48,5 18,5 Não Sim 46,9 19,3 42,9 24,1 44,7 21,1 Não Sim 40.2 13,9 44,1 15,7 41,6 14,6 Não Sim Nota: Nenhuma das questões sobre discriminação foi colocada na China, na Arábia Saudita ou nos Emirados Árabes Unidos. No Tajiquistão, não foram colocadas questões sobre discriminação com base na religião e na nacionalidade/etnia. As estimativas a nível global e regionais são ponderadas pela população ativa total de indivíduos com 15 anos e mais de cada país. Percentagem da população empregada e número de países - Mundo: 68,0 por cento (118 países); África: 62,3 por cento (26 países); Américas: 95,8 por cento (20 países); Estados Árabes: 24,2 por cento (3 países); Ásia e Pacífico: 57,8 por cento (23 países); Europa e Ásia Central: 97,1 por cento (46 países); países de rendimento baixo e médio-baixo: 85,4 por cento (44 países); países de rendimento médio-alto: 35,6 por cento (34 países); países de rendimento elevado: 94,4 por cento (40 países). Fonte: Lloyd’s Register Foundation World Risk Poll 2021 [Conjunto de dados] 36 Copyright © 2022 Organização Internacional do Trabalho. Todos os direitos reservados 334-24_OIT_DadosExperienciaViolenciaAssedioTrabalho  Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
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    A discriminação baseadanas quatro outras características pessoais estava quase tão fortemente relacionada com as denúncias de violência e assédio relacionados com o trabalho como a discriminação baseada em questões de género. Mais de duas em cada cinco pessoas que tinham sido discriminadas com base na cor da pele, raça/etnia/nacionalidade, religião ou deficiência também tinham sofrido de violência e assédio no trabalho, em comparação com menos de uma em cada cinco das pessoas que não tinham sido objeto de qualquer discriminação na sua vida profissional. A desagregação por sexo mostra que a discriminação com base na cor da pele e na raça/etnia/nacionalidade está mais fortemente associada a uma maior incidência de violência e assédio no trabalho entre as mulheres do que entre os homens; enquanto a discriminação com base na deficiência está mais fortemente associada a uma maior incidência de violência e assédio no trabalho entre os homens. A Figura 2.8 mostra ainda que a incidência de violência e assédio no trabalho aumenta entre as pessoas que foram discriminadas com base em mais do que uma caraterística pessoal. Figura 2.8 Percentagem de pessoas empregadas que já sofreram de violência e assédio no trabalho, por sexo e por experiências de discriminação com base numa ou mais características pessoais, 2021 (%) Questão do inquérito: Alguma vez sofreu, pessoalmente, de violência [física/psicológica/sexual] e/ou assédio no trabalho, tais como [agressões, restrição aos movimentos ou cuspidelas/insultos, ameaças, intimidação ou perseguição/toques sexuais não consentidos, comentários, fotografias, e-mails ou convites de teor sexual durante o trabalho]? Total Mulheres Homens 13,5 32,3 42,9 50,6 15,6 39,3 43,2 55,4 14,2 35,6 42,2 52,0 De três a cinco Dois Um Zero 60 10 Número de razões pelas quais uma pessoa sofreu discriminação Nota: Nenhuma das questões sobre discriminação foi colocada na China, na Arábia Saudita ou nos Emirados Árabes Unidos. No Tajiquistão, não foram colocadas questões sobre discriminação com base na religião e na nacionalidade/etnia. Para uma cobertura a nível mundial, regional e por grupos de rendimento, ver figura 2.7. Fonte: Lloyd’s Register Foundation World Risk Poll 2021 [Conjunto de dados] 37 Copyright © 2022 Organização Internacional do Trabalho. Todos os direitos reservados 334-24_OIT_DadosExperienciaViolenciaAssedioTrabalho  Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
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    3 Porque é queé tão difícil falar sobre violência e assédio no trabalho? 19 Esta questão foi colocada apenas às pessoas inquiridas que estavam empregadas na altura do inquérito e que afirmaram ter sido vítimas de pelo menos uma forma de violência e assédio nos últimos cinco anos. As questões não foram colocadas na China; enquanto noutros países, incluindo Myanmar, Arábia Saudita, Tajiquistão e Emirados Árabes Unidos, a Gallup não conseguiu colocar pelo menos uma das questões do inquérito. É sabido que falar sobre experiências pessoais de violência e assédio pode ser difícil e que muitos fatores podem impedir as pessoas de o fazer, incluindo o receio de ser estigmatizado, o desconhecimento dos sistemas de denúncia e de acompanhamento, a “normalização” da violência e assédio, e riscos de nova vitimização ou retaliação (ILO 2018b). Para aprofundar a questão, o inquérito questionava qual a probabilidade de as pessoas partilharem as suas experiências (e com quem), bem como as razões para não as partilhar.19 3.1. Quem e para quem: revelar experiências de violência e assédio no trabalho Apenas uma em cada duas pessoas partilhou a sua experiência de violência e assédio no trabalho com outra pessoa Em todo o mundo, 54,4 por cento das pessoas empregadas que foram vítimas de violência e assédio nos últimos cinco anos afirmaram tê-lo revelado a outra pessoa, sendo as mulheres as vítimas mais suscetíveis de partilhar essas experiências dolorosas com outras pessoas (60,7 por cento, contra 50,1 por cento dos homens vítimas). É o que acontece em quase todas as regiões (exceto em África), embora em graus diferentes (figura 3.1). Questão do inquérito: Alguma vez contou a alguém sobre a violência e/ou assédio de que foi vítima no trabalho? Resultados globais 54,4% Total 60,7% Mulheres 50,1% Homens 38 Copyright © 2022 Organização Internacional do Trabalho. Todos os direitos reservados 334-24_OIT_DadosExperienciaViolenciaAssedioTrabalho  Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
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    Figura 3.1 Percentagem depessoas empregadas que foram vítimas de violência e assédio no trabalho nos últimos cinco anos e que contaram a alguém, por região, por grupo de rendimento e por sexo, 2021 (%) Questão do inquérito: Alguma vez contou a alguém sobre a violência e/ou assédio de que foi vítima no trabalho? Total Mulheres Homens 54,4 60,7 50,1 51,5 51,3 51,5 63,5 72,9 54,1 58,0 68,0 55,8 46,0 51,9 44,2 56,9 57,6 56,2 43,4 43,3 43,8 53,2 59,0 48,7 69,2 73,9 63,6 Men Women Total Men Women Total Men Women Total Men Women Total Men Women Total Men Women Total Men Women Total Men Women Total Men Women Total Mundo África Américas Estados Árabes Ásia e Pacífico Europa e Ásia Central Rendimento médio-alto Rendimento elevado Por região Por rendimento Rendimento baixo e médio-baixo Nota: Entre todos os trabalhadores por conta de outrem com 15 ou mais anos. As estimativas mundiais e regionais são ponderadas pela população ativa total de indivíduos de 15 e mais anos de cada país. Percentagem da população empregada e número de países - Mundo: 68,7 por cento (120 países); África: 62,3 por cento (26 países); Américas: 95,8 por cento (20 países); Estados Árabes: 63,2 por cento (5 países); Ásia e Pacífico: 57,8 por cento (23 países); Europa e Ásia Central: 97,1 por cento (46 países); países de rendimento baixo e médio-baixo: 85,4 por cento (44 países); países de rendimentos médios-altos: 35,6 por cento (34 países); países de rendimento elevado: 98,1 por cento (42 países). A questão do inquérito A questão”Alguma vez contou a alguém sobre a violência e/ou assédio de que foi vítima no trabalho” não foi colocada na China. Fonte: Lloyd’s Register Foundation World Risk Poll 2021 [Conjunto de dados] 39 Copyright © 2022 Organização Internacional do Trabalho. Todos os direitos reservados 334-24_OIT_DadosExperienciaViolenciaAssedioTrabalho  Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
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    As pessoas queforam vítimas de mais do que uma forma de violência e assédio estavam mais dispostas a falar sobre o que lhes aconteceu A decisão das pessoas de falar com outras pessoas sobre as suas experiências de violência e assédio variou consideravelmente consoante a(s) forma(s) de violência e assédio a que foram sujeitas (ver figura 3.2). As pessoas que tinham sido vítimas apenas de violência física e assédio nos últimos cinco anos eram as menos suscetíveis de o revelar, com37,6porcento.Ataxadedivulgaçãofoimaiselevadaentre as pessoas que foram vítimas apenas de violência psicológica e assédio, com 51,1 por cento, e ainda mais elevada entre as pessoas que foram apenas vítimas de violência sexual e assédio, com 62,0 por cento. A probabilidade de falar sobre violência e assédio era maior entre as pessoas inquiridas que tinham sofrido mais do que uma forma de violência e assédio (63,4 por cento). A desa- gregação por sexo mostra que, de um modo geral, existia uma maior probabilidade de as mulheres vítimas do que os homens de falar sobre a sua experiência, independen- temente do tipo específico de violência e assédio que lhes tinha sido infligido. No caso da violência física e do assédio, esta diferença é pouco significativa (0,6 pontos percentuais), mas as diferenças eram consideráveis no caso da violência psicológica e do assédio (8,0 pontos percentuais) e, especialmente, da violência sexual e do assédio (12,9 pontos percentuais). Figura 3.2 Percentagem de pessoas empregadas que foram vítimas de violência e assédio no trabalho nos últimos cinco anos e que contaram a alguém, por tipo de violência e assédio, 2021 (%) Questão do inquérito: Alguma vez contou a alguém sobre a violência e/ou assédio de que foi vítima no trabalho? Total Mulheres Homens 37,6 38,9 38,3 51,1 56,2 48,2 62,0 62,0 68,2 55,3 63,4 70,1 57,5 Men Women Total Men Women Total Men Women Total Men Women Total Apenas violência física e assédio Apenas violência psicológica e assédio Apenas violência sexual e assédio Mais do que um tipo de violência e assédio Nota: As pessoas a quem pelo menos uma das três questões não foi colocada foram excluídos dos cálculos acima referidos, incluindo as pessoas inquiridas de países onde não era permitida pelo menos uma das três questões. As estimativas a nível mundial são ponderadas pela população total de pessoas empregadas com 15 ou mais anos de cada país. Percentagem da população empregada e número de países - Mundo: 67,8 por cento (117 países). Fonte: Lloyd’s Register Foundation World Risk Poll 2021 [Conjunto de dados] 40 Copyright © 2022 Organização Internacional do Trabalho. Todos os direitos reservados 334-24_OIT_DadosExperienciaViolenciaAssedioTrabalho  Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
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    É mais provávelque as pessoas tenham contado aos amigos ou à família do que utilizado outros canais informais ou formais No inquérito perguntou-se às vítimas que tinham partilhado as suas experiências de violência e assédio no trabalho qual dos seis canais seguintes tinham utilizado para partilhar essas experiências (figura 3.3): a um amigo ou a um familiar; a um colega de trabalho; ao seu empregador ou supervisor; àpolícia,umlídercomunitárioouuminspetordotrabalho; a um representante sindical; e a serviços sociais ou uma organização sem fins lucrativos De um modo geral, as vítimas que partilharam as suas experiências referiram ter utilizado uma média de 2,4 dos 6 canais, com poucas diferenças entre homens e mulheres, e era muito mais provável que fizessem confidências a outras pessoas do que utilizassem canais institucionais. Por exemplo, as vítimas de violência e assédio recorreram mais frequentemente a amigos ou familiares (84,9 por cento), sendo que as mulheres estavam ligeiramente mais predispostas a fazê-lo do que os homens (86,6 por cento contra 83,3 por cento). Os colegas de trabalho foram o segundo canal mais utilizado pelas pessoas, com 70,4 por cento, sendo este valor ligeiramente mais elevado entre os homens do que entre as mulheres (71,0 por cento contra 69,6 por cento). Os empregadores e supervisores surgem a seguir, commaisdemetadedasvítimasarecorreremaeles.Poroutro lado, as pessoas que tinham sofrido de violência e assédio no trabalho tinham muito menos probabilidades de recorrer a instituições como a polícia, líderes comunitários ou inspetores do trabalho (16,0 por cento), sindicatos ou representantes (14,8 por cento), ou serviços sociais ou organizações sem fins lucrativos (9,2 por cento). Questão do inquérito: A quem contou sobre as suas experiências? Foi...? Resultados globais 84,9% Um amigo ou um familiar 70,4% Um colega de trabalho 55,3% O seu empregador ou supervisor 16,0% À polícia, um líder comunitário ou um inspetor do trabalho 14,8% Um representante sindical 9.2% Serviços sociais ou uma organização sem fins lucrativos 41 Copyright © 2022 Organização Internacional do Trabalho. Todos os direitos reservados 334-24_OIT_DadosExperienciaViolenciaAssedioTrabalho  Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
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    Figura 3.3 Percentagem depessoas empregadas vítimas de violência e assédio no trabalho nos últimos cinco anos e que contaram a alguém, e pessoa a quem contaram, por região e por sexo, 2021 (%) Questão do inquérito: A quem contou as suas experiências? Foi...? Mulheres Homens 100 0 Mundo África Américas Estados Árabes Ásia e Pacífico Europa e Ásia Central Total 84,9 70,4 55,3 16,0 14,8 9,2 87,0 62,1 50,9 24,5 18,1 13,6 87,4 72,4 63,2 11,0 10,7 4,9 70,4 59,9 47,2 23,9 9,0 1,2 82,7 71,3 51,8 21,1 19,8 12,3 82,7 72,8 50,3 12,8 11,3 9,1 83,3 71,0 55,2 18,0 16,3 9,1 86,6 69,6 55,4 13,5 12,9 8,8 Serviços sociais ou uma o rganização sem fins luc rativos A um representante sindical À polícia, um líder comunitário ou um inspetor do t rabalho Ao seu empregador ou supervisor A um colega de trabalho A um amigo ou a um familiar 86,3 67,4 52,3 23,3 16,8 12,6 88,5 53,8 48,1 26,2 20,1 15,0 87,2 70,4 64,8 12,0 11,6 4,5 87,5 73,9 62,4 10,2 10,0 5,3 65,5 63,5 45,5 23,0 11,5 0,7 87,0 49,6 54,0 28,8 0,7 2,0 80,6 72,1 51,5 24,0 22,4 11,9 86,0 69,5 51,5 13,8 13,8 10,4 81,2 73,9 50,7 11,9 10,4 7,3 84,3 71,6 50,0 13,3 12,2 10,7 Serviços sociais ou uma o rganização sem fins luc rativos A um representante sindical À polícia, um líder comunitário ou um inspetor do t rabalho Ao seu empregador ou supervisor A um colega de trabalho A um amigo ou a um familiar Serviços sociais ou uma o rganização sem fins luc rativos A um representante sindical À polícia, um líder comunitário ou um inspetor do t rabalho Ao seu empregador ou supervisor A um colega de trabalho A um amigo ou a um familiar A um representante sindical Serviços sociais ou uma o rganização sem fins luc rativos À polícia, um líder comunitário ou um inspetor do t rabalho Ao seu empregador ou supervisor A um colega de trabalho A um amigo ou a um familiar Serviços sociais ou uma o rganização sem fins luc rativos A um representante sindical À polícia, um líder comunitário ou um inspetor do t rabalho Ao seu empregador ou supervisor A um colega de trabalho A um amigo ou a um familiar Serviços sociais ou uma o rganização sem fins luc rativos À polícia, um líder comunitário ou um inspetor do t rabalho A um representante sindical Ao seu empregador ou supervisor A um colega de trabalho A um amigo ou a um familiar Nota: Entre todas as pessoas empregadas com mais de 15 anos que afirmaram ter sido vítimas de qualquer forma de violência e assédio nos últimos cinco anos e que contaram a alguém a sua experiência. É possível mais do que uma resposta. As estimativas a nível mundial e regional são ponderadas pela população ativa total de pessoas de 15 e mais anos de cada país. Percentagem da população empregada e número de países – Mundo: 68,7 por cento (120 países). Na China não foram colocadas questões sobre a comunicação de experiências de violência e assédio no trabalho; a opção de resposta “representante sindical” foi omitida nos Emirados Árabes Unidos e “polícia, líder comunitário” foi omitida na Arábia Saudita. Fonte: Lloyd’s Register Foundation World Risk Poll 2021 [Conjunto de dados] 42 Copyright © 2022 Organização Internacional do Trabalho. Todos os direitos reservados 334-24_OIT_DadosExperienciaViolenciaAssedioTrabalho  Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
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    3.2. Barreiras àrevelação de experiências de violência e assédio O facto de ser uma “perda de tempo” foi o principal obstáculo à revelação de casos de violência e assédio no trabalho 20 A nível mundial, as pessoas inquiridas selecionaram, em média, mais de três motivos, sem qualquer diferença entre homens e mulheres. Aos inquiridos que não partilharam as suas experiências de violência e assédio no trabalho foi pedido que selecionassem a(s) sua(s) razão(ões) para não o fazerem de entre as seguintes sete opções:20 achou que era uma perda de tempo; temeu pela sua reputação; os procedimentos no trabalho não eram claros; há uma falta de confiança na polícia, nos líderes comunitários ou nos inspetores do trabalho; receava que as pessoas descobrissem no trabalho; não sabia o que fazer; e tinha receio de ser punido. Mais de metade, 55,0 por cento, considerava que falar sobre o assunto teria sido uma “perda de tempo”, com muito pouca diferença entre homens e mulheres (figura 3.4). A segunda resposta mais comum, dada por 44,5 por cento, foi “temeu pela reputação”. No entanto, muitos dos inquiridos que não partilharam a sua experiência de violência e assédio disseram- -no porque “os procedimentos no trabalho não eram claros” (43,1 por cento) ou devido à “falta de confiança na polícia, nos líderes comunitários ou nos inspetores do trabalho” (42,5 por cento). Além disso, 40,8 por cento estavam “preocupados com o facto de as pessoas descobrirem no trabalho” e muitos “não sabiam o que fazer” (38,3 por cento) ou receavam ser punidos (33,2 por cento). Questão do inquérito: Por favor, diga-me se cada uma das seguintes razões o(a) levou a não contar a ninguém sobre a sua experiência. Foi porque...? Resultados globais 38,3% Não sabia o que fazer 55,0% Achou que era uma perda de tempo 44,5% Temeu pela sua reputação 43,1% Os procedimentos no trabalho não eram claros 42,5% Há uma falta de confiança na polícia, nos líderes comunitários ou nos inspetores do trabalho 40,8% Receava que as pessoas descobrissem no trabalho 33,2% Tinha receio de ser punido 43 Copyright © 2022 Organização Internacional do Trabalho. Todos os direitos reservados 334-24_OIT_DadosExperienciaViolenciaAssedioTrabalho  Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
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    Figura 3.4 Percentagem depessoas empregadas que sofreram de violência e assédio no trabalho nos últimos cinco anos, mas não o comunicaram, por motivo de não comunicação, por região e por sexo, 2021 (%) Questãodoinquérito:Porfavor,digasecadaumadasseguintesrazõeso(a)levouanãocontaraninguémsobreasuaexperiência. Foi porque...? Mulheres Homens 70 10 Mundo África Américas Estados Árabes Ásia e Pacífico Europa e Ásia Central Total 55,0 44,5 43,1 42,5 40,8 38,3 33,2 58,1 45,1 43,6 41,5 40,7 36,6 33,0 62,4 46,2 45,3 44,1 42,2 41,4 33,5 62,7 43,2 38,2 34,3 33,5 32,7 27,0 50,5 50,2 49,6 46,6 46,1 42,5 32,5 53,2 37,4 34,7 31,5 29,9 23,6 20,3 55,0 42,7 42,3 44,7 36,4 34,5 31,0 54,0 48,1 43,7 39,4 47,4 44,9 36,6 Tinha receio de ser punido Não sabia o que fazer Receava que as pessoas descobrissem no trabalho Os procedimentos no trabalho não eram claros Temeu pela sua reputação Achou que era uma perda de tempo 63,3 42,9 38,9 44,6 40,3 33,8 34,0 52,9 38,3 51,2 35,9 41,3 41,2 32,0 61,5 43,6 40,5 39,1 45,9 30,4 27,3 64,1 50,7 53,5 52,6 35,5 60,3 43,8 64,1 43,4 37,1 35,4 33,3 32,4 24,5 54,3 41,3 45,9 29,7 35,7 35,0 39,4 46,5 48,8 49,1 46,0 49,2 40,2 33,2 53,9 50,5 51,7 46,3 41,0 47,2 36,0 54,7 34,4 31,9 24,0 19,5 14,2 14,8 54,0 40,0 37,7 39,4 44,9 47,4 25,9 Tinha receio de ser punido Receava que as pessoas descobrissem no trabalho Os procedimentos no trabalho não eram claros Temeu pela sua reputação Não sabia o que fazer Achou que era uma perda de tempo Não sabia o que fazer Receava que as pessoas descobrissem no trabalho Tinha receio de ser punido Os procedimentos no trabalho não eram claros Temeu pela sua reputação Achou que era uma perda de tempo Tinha receio de ser punido Não sabia o que fazer Receava que as pessoas descobrissem no trabalho Os procedimentos no trabalho não eram claros Temeu pela sua reputação Achou que era uma perda de tempo Tinha receio de ser punido Não sabia o que fazer Os procedimentos no trabalho não eram claros Temeu pela sua reputação Achou que era uma perda de tempo Receava que as pessoas descobrissem no trabalho Tinha receio de ser punido Receava que as pessoas descobrissem no trabalho Não sabia o que fazer Temeu pela sua reputação Os procedimentos no trabalho não eram claros Achou que era uma perda de tempo Nota: Entre todas as pessoas empregadas com 15 ou mais anos de idade que afirmaram ter sido vítimas de uma qualquer forma de violência e assédio nos últimos cinco anos e que afirmaram não ter contado a ninguém sobre essa experiência. É possível mais do que uma resposta. As estimativas a nível mundial e regionais são ponderadas pela população ativa total de indivíduos de 15 ou mais anos de cada país. Percentagem da população empregada e número de países - Mundo: 68,7 por cento (120 países). As questões sobre a não comunicação de experiências de violência e assédio no trabalho não foram colocadas na China, e a opção de resposta “falta de confiança na polícia, nos líderes comunitários ou em [inserir exemplo específico do país]” foi omitida em Myanmar, na Arábia Saudita e no Tajiquistão. Fonte: Lloyd’s Register Foundation World Risk Poll 2021 [Conjunto de dados] 44 Copyright © 2022 Organização Internacional do Trabalho. Todos os direitos reservados 334-24_OIT_DadosExperienciaViolenciaAssedioTrabalho  Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
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    Quando se analisamas razões para não falar sobre cada uma das formas específicas de violência e assédio, a “perda de tempo” foi o motivo mais frequentemente referido para cada uma delas. Curiosamente, os homens tiveram uma maior tendência do que as mulheres para mencionar a “perda de tempo” como um obstáculo no caso da violência psicológica e do assédio (58,9 por cento e 56,3 por cento, respetivamente); enquanto as mulheres estavam muito mais inclinadas a mencioná-la do que os homens no caso da violência sexual e do assédio (61,5 por cento e 38,3 por cento, respetivamente). É significativo o número de inquiridos, principalmente mulheres, que não partilharam a sua experiência de violência e assédio sexual por recearem a sua reputação ou por recearem que as pessoas no trabalho descobrissem Figura 3.5 Percentagem de pessoas empregadas que sofreram de violência e assédio nos últimos cinco anos, por motivo invocado para não comunicar a ocorrência e por tipo de violência e assédio, resultados à escala mundial, 2021 (%) Questãodoinquérito:Porfavor,digasecadaumadasseguintesrazõeso(a)levouanãocontaraninguémsobreasuaexperiência. Foi porque...? Mulheres Homens 70 10 Apenas violência física e assédio Apenas violência psicológica e assédio Apenas violência sexual e assédio Total 44,3 39,3 37,8 36,6 24,0 33,3 32,9 57,7 37,4 43,6 35,8 32,3 40,5 38,2 50,2 33,8 38,7 38,8 27,5 46,0 40,1 43,9 42,3 39,9 38,7 23,1 36,3 33,3 43,7 33,7 36,2 32,9 28,0 29,2 31,4 Temeu pela sua reputação Tinha receio de ser punido Receava que as pessoas descobrissem no trabalho Os procedimentos no trabalho não eram claros Não sabia o que fazer Achou que era uma perda de tempo 58,9 32,4 41,4 39,9 56,3 44,6 46,6 43,1 33,3 41,6 34,6 38,3 27,6 46,7 28,4 40,2 45,7 61,5 42,5 31,0 51,4 28,8 53,5 35,4 Temeu pela sua reputação Tinha receio de ser punido Receava que as pessoas descobrissem no trabalho Os procedimentos no trabalho não eram claros Não sabia o que fazer Achou que era uma perda de tempo Temeu pela sua reputação Tinha receio de ser punido Receava que as pessoas descobrissem no trabalho Os procedimentos no trabalho não eram claros Não sabia o que fazer Achou que era uma perda de tempo 30,6 31,8 41,6 27,6 Nota: Entre todas as pessoas empregadas com 15 e mais anos de idade que afirmaram ter sido vítimas de qualquer forma de violência e assédio nos últimos cinco anos e que afirmaram não ter contado a ninguém sobre essa experiência. É possível mais do que uma resposta. Percentagem da população empregada e número de países – Mundo: 67,8 por cento (117 países). Não foram colocadas questões sobre violência física e assédio na China e não foram colocadas questões sobre violência sexual e assédio no Iraque, na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos. Fonte: Lloyd’s Register Foundation World Risk Poll 2021 [Conjunto de dados] 45 Copyright © 2022 Organização Internacional do Trabalho. Todos os direitos reservados 334-24_OIT_DadosExperienciaViolenciaAssedioTrabalho  Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
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    Conclusão 21 Por oposiçãoa um trabalhador por conta própria. 22 Ver o Anexo 2 para obter uma lista de publicações e materiais da OIT sobre a Convenção n.º 190 e a Recomendação n.º 206. NT O BIT é o Secretariado técnico da OIT. O inquérito da OIT-Lloyd’s Register Foundation-Gallup repre- senta uma primeira tentativa de avaliar a prevalência e as características da violência e do assédio relacionados com o trabalho, um tema que é difícil de quantificar. Este inquérito confirma que a violência e o assédio são um fenómeno generalizado em todo o mundo, tendo mais de uma em cada cinco pessoas empregadas sido vítima de violência e assédio no trabalho durante a sua vida profissional. As conclusões mostram também que a violência e o assédio no trabalho são um fenómeno recorrente, com mais de três em cada cinco vítimas a terem sido confrontadas várias vezes. Para a maioria das vítimas, o último episódio foi recente, tendo ocorrido nos últimos cinco anos. Além disso, tendo em conta as limitações de cobertura de algumas regiões em relação a questões específicas do inquérito, a violência psicológica e o assédio surgiram como a forma de violência e assédio mais comummente confrontada durante a vida profissional das pessoas inquiridas. De um modo geral, as mulheres representavam a maioria das pessoas que sofreram de violência e assédio sexual e tinham uma probabilidade ligeiramente superior à dos homens de serem vítimas de violência e assédio psicológico, enquanto os homens estavam sobre representados entre as pessoas vítimas de violência e assédio físico. Além disso, os resultados também mostram que o risco de sofrer violência e assédio no trabalho não está igualmente distribuído entre os diferentes grupos demográficos. Pelo contrário, certos grupos de pessoas, como os jovens, os migrantes e as mulheres e homens assalariados,21 mostraram estar mais expostos a estes riscos. O risco de violência e assédio no trabalho aumenta quando estas características coincidem. Por exemplo, os resultados dos inquéritos mostram que as mulheres jovens têm duas vezes mais probabilidades do que os homens jovens de terem sido vítimas de violência e assédio sexual e que as mulheres migrantes têm quase duas vezes mais probabilidades do que as mulheres não migrantes de denunciarem violência e assédio sexual. Além disso, as pessoas que foram vítimas de discriminação relacionada com as questões de género, a raça/ nacionalidade/etnia, a cor da pele, a religião ou o estatuto de deficiência durante a sua vida eram mais suscetíveis de terem sido vítimas de violência e assédio no trabalho. As pessoas que sofreram de discriminação com base nas questões de género foram particularmente afetadas, uma vez que têm mais de 2,5 vezes mais probabilidades de terem sido vítimas de violência e assédio no trabalho do que aquelas que não foram discriminadas com base nas questões de género ao longo da sua vida. De um modo geral, os resultados do inquérito mostram que falar sobre violência e assédio continua a ser um desafio para muitas vítimas, sendo que apenas uma em cada duas pessoas está disposta a partilhar a sua experiência com outra pessoa. A convicção de que seria uma “perda de tempo” e o “receio pela sua reputação” foram as razões mais comuns que impediram as pessoas de falar sobre a sua experiência. Estas conclusões confirmam que a Convenção (N.º 190) sobre Violência e Assédio, de 2019 e a Recomendação (N.º 206) da OIT, de 2019, são fundamentais para a criação de um mundo do trabalho baseado na dignidade e no respeito por todas as pessoas. Ao reconhecerem o direito de todas as pessoas a um mundo do trabalho livre de violência e assédio, estes instrumentos apelam à adoção de uma abordagem inclusiva, integrada e sensível às questões de género, com medidas que incluem a prevenção e a proteção, a aplicação e as vias de recurso, bem como a formação e a sensibilização e que prevê que os parceiros sociais desempem um papel essencial no processo.22 Os novos dados resultantes deste primeiro inquérito mundial confirmam fortemente a urgência e a necessidade de adotar esta abordagem, sendo necessário prestar a devida atenção: Àrecolhamaisregulardedadosfiáveissobreaviolência e o assédio relacionados com o trabalho a nível nacional, regional e mundial. É importante que a legislação e os mecanismos de prevenção e reparação, as políticas e os programas, bem como a investigação e a sensibilização se baseiem em estatísticas de qualidade sobre este fenómeno. A obtenção de melhores dados requer um quadro de medição concetual e metodológico sólido, para o qual o BITNT está a trabalhar, com o objetivo de ajudar os países a medir este fenómeno e a acompanhar os progressos no futuro. Aos mecanismos de prevenção. Os mecanismos existentes a nível nacional e no local de trabalho devem ser alargados ou adaptados para prevenir e gerir eficazmente a violência e o assédio no mundo do trabalho, nomeadamente através de sistemas de gestão da segurança e saúde no trabalho (SST), políticas e programas de SST, mecanismos tripartidos nacionais de SST e sistemas de inspeção do trabalho. Estes mecanismos de prevenção devem ser atualizados para permitir a proteção contra todas as formas de violência e assédio, respondendo às diferentes necessidades. 46 Copyright © 2022 Organização Internacional do Trabalho. 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    Ao quadro baseadonos direitos para a prevenção e eliminação da violência e do assédio, assente no trabalho digno e na eliminação das desigualdades. No que diz respeito a este aspeto, os resultados do estudo fornecem informações importantes sobre a relação significativa entre a vulnerabilidade geral das pessoas à discriminação, tanto na vida privada como na vida pública, e a sua probabilidade de serem vítimas de violência e assédio no trabalho, apontando para o facto de que a violência e o assédio não acontecem isoladamente, mas são alimentados por um clima geral de injustiça e desigualdade. Os esforços para promover a igualdade real e superar as normas sociais prejudiciais – incluindo os estereótipos baseados no sexo e noutras características pessoais – devem ser reforçados, uma vez que contribuiriam para reduzir a discriminação, a violência e o assédio, tanto na sociedade como no mundo do trabalho. A um aumento da sensibilização para o fenómeno da violência e assédio no trabalho, bem como para o estigma e as atitudes sociais, com vista a alterar as perceções e os comportamentos que perpetuam a violência e o assédio em todas as suas formas. Demasiadas pessoas continuam a ter medo de falar por recearem pela sua própria reputação e sofrerem represálias. Uma maior sensibilização e conhecimento são um primeiro passo para mudar as perceções e atitudes que perpetuam ou toleram várias formas de violência e assédio, em especial a violência e o assédio baseados em questões de género e a violência e o assédio motivados pela discriminação. Ao reforço das capacidades das instituições a todos os níveis para prestarem serviços eficazes de prevenção, reparação e apoio, a fim de reforçar a confiança das pessoas na justiça e garantir que as vítimas não são deixadas sozinhas a tratar destes incidentes inaceitáveis. Em conformidade com a Convenção N.º 190 e a Recomendação N.º 206 da OIT, tal incluiria o reforço das capacidades das organizações de empregadores e de trabalhadores para conceber e aplicar medidas eficazes, bem como para prestar serviços de apoio aos seus membros. Incluiria também o reforço dos mecanismos e serviços de resolução de conflitos para tratar atempadamente e de forma sensível às questões de género os casos de violência e assédio. Em conclusão, é inegável que é um desafio desenvolver e aplicar estratégias e medidas eficazes e bem-sucedidas para prevenir e reparar a violência e o assédio no trabalho. Para tal, é necessário o envolvimento de todos os níveis de governo, empregadores e trabalhadores e respetivas organizações, bem como da sociedade em geral e dos atores internacionais relevantes. Uma vontade política forte e esforços concertados são cruciais para garantir um mundo do trabalho isento de violência e assédio para todas as pessoas. 47 Copyright © 2022 Organização Internacional do Trabalho. Todos os direitos reservados 334-24_OIT_DadosExperienciaViolenciaAssedioTrabalho  Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
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    Referências Andreenkova, Anna V.,e Javeline, Debra. 2019. “Sensitive Questions in Comparative Surveys.” In Advances in Comparative Survey Methods: Multinational, Multiregional, and Multicultural Contexts (3MC), editado por Timothy P. Johnson, Beth-Ellen Pennell, Ineke A.L. Stoop, e Brita Dorer. 139–160. Hoboken, NJ: Wiley. OIT. 2018a. Guidelines Concerning Statistics of International Labour Migration, ICLS/20/2018/Guidelines. ———. 2018b. Ending Violence and Harassment Against Women and Men in the World of Work, ILC.107/V/1. Lloyd’s Register Foundation. 2021. World Risk Poll 2021: A Resilient World? – Understanding Vulnerability in a Changing Climate. Nelson, Morten Birkeland, Stig Berge Matthiesen, e Ståle Einarsen. 2011. “The Impact of Methodological Moderators on Prevalence Rates of Workplace Bullying: A Meta-Analysis.” Journal of Occupational and Organizational Psychology 83 (4): 955–979. 48 Copyright © 2022 Organização Internacional do Trabalho. Todos os direitos reservados 334-24_OIT_DadosExperienciaViolenciaAssedioTrabalho  Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
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    Anexos Anexo 1. Questionáriosobre violência e assédio 2021 Agora, gostaria de colocar questões sobre violência e assédio no trabalho. Por “trabalho”, entende-se qualquer atividade que tenha exercido e pela qual tenha recebido dinheiro ou bens. Asseguramos-lhe que as informações que fornecer permanecerão estritamente confidenciais. VH1 Já ALGUMA vez foi vítima, pessoalmente, de violência FÍSICA e/ou assédio NO TRABALHO, como agressões, restrições aos movimentos ou cuspidelas? OPÇÕES DE RESPOSTA Sim 1 Não 2 (O inquirido nunca trabalhou) 7 (Não sabe) 8 (Recusa-se a responder) 9 (Se o código 1 em VH1, Continuar; Se o código 7 em VH1, Terminar; Caso contrário, Saltar para VH2) VH1_B Quantas vezes foi vítima disto? Uma ou duas vezes, entre três e cinco vezes, ou mais de cinco vezes? OPÇÕES DE RESPOSTA Uma ou duas vezes 1 Entre três e cinco vezes 2 Mais de cinco vezes 3 (Não sabe) 8 (Recusa-se a responder) 9 VH1_C Aproximadamente, QUANDO foi a ÚLTIMA vez que isto lhe aconteceu – foi no último ano, há entre dois a cinco anos, ou há mais de cinco anos? RESPONSE OPTIONS No último ano 1 Dois a cinco anos atrás 2 Há mais de cinco anos 3 (Não sabe) 8 (Recusa-se a responder) 9 50 Copyright © 2022 Organização Internacional do Trabalho. Todos os direitos reservados 334-24_OIT_DadosExperienciaViolenciaAssedioTrabalho  Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
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    VH2 ALGUMAvezfoivítima,pessoalmente,deviolênciaPSICOLÓGICAe/ouassédio,taiscomoinsultos,ameaças,perseguição ou intimidação notrabalho? OPÇÕES DE RESPOSTA Sim 1 Não 2 (O inquirido nunca trabalhou) 7 (Não sabe) 8 (Recusa-se a responder) 9 (Se o código 1 em VH2, Continuar; Se o código 7 em VH2, Terminar; Caso contrário, Saltar para VH3/WP22503) VH2_B Quantas vezes foi vítima disto? Uma ou duas vezes, três a cinco vezes, ou mais de cinco vezes? OPÇÕES DE RESPOSTA Uma ou duas vezes 1 3 a 5 vezes 2 Mais de 5 vezes 3 (Não sabe) 8 (Recusa-se a responder) 9 VH2_C Aproximadamente, QUANDO foi a ÚLTIMA vez que isto lhe aconteceu – foi no último ano, há dois a cinco anos, ou há mais de cinco anos? OPÇÕES DE RESPOSTA No último ano 1 2 a 5 anos atrás 2 Mais de 5 anos atrás 3 (Não sabe) 8 (Recusa-se a responder) 9 VH3 ALGUMA vez sofreu, pessoalmente, de qualquer tipo de violência e/ou assédio SEXUAL NO TRABALHO, como toques sexuais não consentidos, comentários, fotografias, e-mails ou convites de teor sexual durante o TRABALHO? OPÇÕES DE RESPOSTA Sim 1 Não 2 (O inquirido nunca trabalhou) 7 (Não sabe) 8 (Recusa-se a responder) 9 (Se o código 1 em VH3, Continuar; Se o código 7 em VH3, Saltar para Terminar; Caso contrário, Saltar para a Nota antes de VH4) 51 Copyright © 2022 Organização Internacional do Trabalho. Todos os direitos reservados 334-24_OIT_DadosExperienciaViolenciaAssedioTrabalho  Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
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    VH3_B Quantas vezes éque experienciou isto? Uma ou duas vezes, três a cinco vezes ou mais de cinco vezes? OPÇÕES DE RESPOSTA Uma ou duas vezes 1 3 – 5 vezes 2 Mais de 5 vezes 3 (Não sabe) 8 (Recusa-se a responder 9 VH3_C Aproximadamente, QUANDO foi a ÚLTIMA vez que isto lhe aconteceu – foi no último ano, há dois a cinco anos ou há mais de cinco anos? OPÇÕES DE RESPOSTA No último ano 1 2 – 5 anos atrás 2 Mais de 5 anos atrás 3 (Não sabe) 8 (Recusa-se a responder) 9 (Se o código 1 em VH1, VH2, ou VH3, Continuar; Caso contrário, Terminar) VH4 Alguma vez contou a alguém sobre a violência e/ou assédio que sofreu NO TRABALHO? OPÇÕES DE RESPOSTA Sim 1 Não 2 (Não sabe) 8 (Recusa-se a responder) 9 (Se o código 1 em VH4, Continuar; Se o código 2 em VH4, Passar para VH4_C/Texto; Caso contrário, Terminar) 52 Copyright © 2022 Organização Internacional do Trabalho. Todos os direitos reservados 334-24_OIT_DadosExperienciaViolenciaAssedioTrabalho  Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
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    VH4_B A quem contouas suas experiências? Foi...? Sim Não (Não sabe) (Recusa-se responder) VH4_B1 Ao seu empregador ou supervisor 1 2 8 9 VH4_B2 Um colega de trabalho 1 2 8 9 VH4_B3 Um amigo ou familiar 1 2 8 9 VH4_B4 Um representante sindical 1 2 8 9 VH4_B5 À polícia, um líder comunitário, ou (a/ um [inserir exemplo específico do país, como um inspetor do trabalho]) 1 2 8 9 VH4_B6 Serviços sociais ou uma organização sem fins lucrativos 1 2 8 9 (Todos em VH4_B, Terminar) VH4_C Por favor, diga se cada uma das seguintes razões o(a) levou a não contar a ninguém sobre a sua experiência. Foi porque...? Sim Não (Não sabe) (Recusa-se responder) VH4_C1 Achou que era uma perda de tempo 1 2 8 9 VH4_C2 Não sabia o que fazer 1 2 8 9 VH4_C3 Os procedimentos no trabalho não eram claros 1 2 8 9 VH4_C4 Receava que as pessoas descobrissem no trabalho 1 2 8 9 VH4_C5 Receio de ser punido 1 2 8 9 VH4_C6 Receio pela sua reputação 1 2 8 9 VH4_C7 Tinha falta de confiança na polícia, nos líderes comunitários ou [inserir exemplo específico do país, como inspetores do trabalho] 1 2 8 9 53 Copyright © 2022 Organização Internacional do Trabalho. Todos os direitos reservados 334-24_OIT_DadosExperienciaViolenciaAssedioTrabalho  Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
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    Anexo 2. Recursosda OIT sobre a Convenção n.º 190 e a Recomendação n.º 206 Convenção (N.º 190) sobre Violência e Assédio, de 2019 Recomendação (N.º 206) sobre Violência e Assédio, de 2019 Publicações OIT. 2022. Violence and Harassment at Work: A Practical Guide for Employers. OIT. 2021. Violência e assédio no mundo do trabalho: Um guia sobre a Convenção N.º 190 e a Recomendação N.º 206 (versão pdf) ) (versão interativa) OIT. 2021. “How to Promote Disability Inclusion in Programmes to Prevent, Address and Eliminate Violence and Harassment in the World of Work”, nota informativa da OIT. OIT. 2021. ILO Standards and COVID-19 (Coronavirus): FAQ, versão 3.0, 13 de abril. OIT. 2020. Safe and Healthy Working Environments Free from Violence and Harassment. OIT. 2020. Série de notas técnicas: Violência e assédio no mundo do trabalho: Nota n.º 1: “Convention No. 190 and Recommendation No.206 at a Glance”. Nota n.º 2: “Sexual Harassment in the World of Work”. Nota n.º 3: “Domestic Violence and Its Impact in the World of Work”. Nota n.º 4: “Violence and Harassment against Persons with Disabilities”. Nota n.º 5: “HIV-related Violence and Harassment in the World of Work”. OIT. 2020. Some World Agreements about Stopping Violence and Harassment at Work. OIT. 2020. “Convenção sobre a Violência e Assédio (n.º 190) de 2019: 12 formas de apoiar a resposta e a recuperação da COVID-19 Recuperação”, sumário da OIT, maio. OIT. 2020. “Convenção sobre Violência e Assédio (n.º 190) de 2019 e Recomendação n.º 206 da OIT sobre a violência e o assédio: Sumário das Políticas para Organizações de Trabalhadores”. OIT. 2020. “Policy Brief on Sexual Harassment in the Entertainment Industry”, novembro. OIT e ONU Mulheres. 2019. Handbook: Addressing Violence and Harassment against Women in the World of Work. OIT. 2019. Ending Violence and Harassment in the World of Work, ILC.108/V/2A. (capa azul) OIT. 2018. Ending Violence and Harassment in the World of Work, iLC.108/V/1 (capa castanha) OIT. 2018. Ending Violence and Harassment in the World of Work, ILC.107/V2. (capa amarela) OIT. 2017. Ending Violence and Harassment against Women and Men in the World of Work, ILC.107/V/1 (capa branca) OIT. 2016. Final Report: Meeting of Experts on Violence against Women and Men in the World of Work, MEVWM/2016/7. OIT. 2016. Background Paper for Discussion at the Meeting of Experts on Violence against Women and Men in the World of Work, MEVWM/2016. Portais Portal Temático da OIT sobre a eliminação da violência e do assédio no mundo do trabalho Campanha de Ratificação da OIT – Conjunto de instrumentos da campanha da OIT 54 Copyright © 2022 Organização Internacional do Trabalho. Todos os direitos reservados 334-24_OIT_DadosExperienciaViolenciaAssedioTrabalho  Dados da experiência sobre violência e assédio no trabalho: um primeiro inquérito mundial
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    ilo.org Organização Internacional doTrabalho Route des Morillons 4 1211 Genebra 22 Suíça p ge MINISTÉRIO DO TRABALHO, SOLIDARIEDADE E SEGURANÇA SOCIAL Gabinete de Estratégia e Planeamento Tradução para português financiada por: