O Tesouro José Matias Alves
Perto da cidade de Alexandria vivia um homem honrado na sua casa solarenga que tinha um jardim.
No jardim havia um poço e ao lado do poço estava plantada uma frondosa figueira.  Na fachada da casa havia um relógio de sol que ia marcando as horas durante o dia.
Ora, este homem sonha, durante várias noites seguidas, que no templo de Alexandria por detrás de uma lousa mais escura que as outras está escondido um tesouro de incalculável valor.
E, guiado pelos sonhos, decide fazer uma viagem até à cidade e procurar no templo, por detrás de uma lousa mais escura que as outras, esse incalculável tesouro.
Poupa o dinheiro necessário e, quando possui o suficiente, empreende a viagem levando uma caixa de ferramentas que lhe permitam buscar atrás da lousa.
Chega de dia, esconde-se, pois não quer que o vejam, e quando chega a noite, à luz da lua, sai do seu esconderijo e começa a procurar essa lousa com que tinha insistentemente sonhado.
Porém, não tem a sorte do seu lado. Após três horas de busca infrutífera, é surpreendido pela polícia que o conduz à presença de um juiz, a quem tinham previamente explicado a situação.
Ao ver o homem diante de si, o juiz pergunta-lhe sem dilação ou rodeios:  - Pode saber-se o que fazia a estas horas da noite em pleno tempo, com essa caixa de ferramentas?
O homem responde com toda a sinceridade, preocupado com as consequências da sua clandestina exploração:  - Sonhei, durante várias noites seguidas, que,  no templo de Alexandria,  por detrás de uma lousa mais escura do que as outras, estava escondido um tesouro de incalculável valor. E vim buscá-lo.
O Juiz responde-lhe calmamente:  - Como pode ser tão ingénuo, tão crédulo, tão insensato, tão ridículo? Por que faz caso de sonhos? Tem de se guiar pela realidade que nos fala de forma clara e eficaz. Vá para sua casa, esqueça esses sonhos e guie-se pela razão.
E isto, porque, veja bem, eu também sonhei que numa casa solarenga, nos arredores da Alexandria, vivia um homem honrado. E que a casa tinha um jardim e que no jardim havia um poço e ao lado do poço uma frondosa figueira. E que na frontaria da casa havia um relógio de sol.
E ao lado do poço, em direcção ao norte, a três metros de profundidade, encontrava-se uma arca de ferro com quinhentas moedas de ouro.  Mas que ridículo seria pensar que isto seria verdade.
Portanto, vá para sua casa, esqueça os sonhos e eu me esquecerei deste incidente no templo! Faça apenas caso dos factos, siga a razão se não vai dar-se mal com a vida.
O Homem escuta atentamente o juiz, agradece o seu conselho, despede-se e dirige-se precipitadamente para sua casa. Mal chega, sem sequer descansar, pega numa picareta e numa pá e começa a cavar exactamente onde o juiz dissera que havia sonhado que estava um tesouro.
E, com efeito, ao lado do poço de sua casa, na direcção do norte, e a três metros de profundidade, encontra uma arca de ferro com quinhentas reluzentes moedas de ouro.
A casa solarenga é a nossa família, os nossos amigos, o nosso trabalho, o nosso coração. Muitas vezes, realizamos viagens insólitas em busca da felicidade, mas acontece que está mais perto do que pensamos. Ao buscá-la longe, estamo-nos afastando dela.  (impertinente questão: que tesouro podemos encontrar na nossa escola?) A partir de Miguel Santos Guerra  “La Opinión de Malaga”
 

O Tesouro

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    O Tesouro JoséMatias Alves
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    Perto da cidadede Alexandria vivia um homem honrado na sua casa solarenga que tinha um jardim.
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    No jardim haviaum poço e ao lado do poço estava plantada uma frondosa figueira. Na fachada da casa havia um relógio de sol que ia marcando as horas durante o dia.
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    Ora, este homemsonha, durante várias noites seguidas, que no templo de Alexandria por detrás de uma lousa mais escura que as outras está escondido um tesouro de incalculável valor.
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    E, guiado pelossonhos, decide fazer uma viagem até à cidade e procurar no templo, por detrás de uma lousa mais escura que as outras, esse incalculável tesouro.
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    Poupa o dinheironecessário e, quando possui o suficiente, empreende a viagem levando uma caixa de ferramentas que lhe permitam buscar atrás da lousa.
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    Chega de dia,esconde-se, pois não quer que o vejam, e quando chega a noite, à luz da lua, sai do seu esconderijo e começa a procurar essa lousa com que tinha insistentemente sonhado.
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    Porém, não tema sorte do seu lado. Após três horas de busca infrutífera, é surpreendido pela polícia que o conduz à presença de um juiz, a quem tinham previamente explicado a situação.
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    Ao ver ohomem diante de si, o juiz pergunta-lhe sem dilação ou rodeios: - Pode saber-se o que fazia a estas horas da noite em pleno tempo, com essa caixa de ferramentas?
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    O homem respondecom toda a sinceridade, preocupado com as consequências da sua clandestina exploração: - Sonhei, durante várias noites seguidas, que, no templo de Alexandria, por detrás de uma lousa mais escura do que as outras, estava escondido um tesouro de incalculável valor. E vim buscá-lo.
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    O Juiz responde-lhecalmamente: - Como pode ser tão ingénuo, tão crédulo, tão insensato, tão ridículo? Por que faz caso de sonhos? Tem de se guiar pela realidade que nos fala de forma clara e eficaz. Vá para sua casa, esqueça esses sonhos e guie-se pela razão.
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    E isto, porque,veja bem, eu também sonhei que numa casa solarenga, nos arredores da Alexandria, vivia um homem honrado. E que a casa tinha um jardim e que no jardim havia um poço e ao lado do poço uma frondosa figueira. E que na frontaria da casa havia um relógio de sol.
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    E ao ladodo poço, em direcção ao norte, a três metros de profundidade, encontrava-se uma arca de ferro com quinhentas moedas de ouro. Mas que ridículo seria pensar que isto seria verdade.
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    Portanto, vá parasua casa, esqueça os sonhos e eu me esquecerei deste incidente no templo! Faça apenas caso dos factos, siga a razão se não vai dar-se mal com a vida.
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    O Homem escutaatentamente o juiz, agradece o seu conselho, despede-se e dirige-se precipitadamente para sua casa. Mal chega, sem sequer descansar, pega numa picareta e numa pá e começa a cavar exactamente onde o juiz dissera que havia sonhado que estava um tesouro.
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    E, com efeito,ao lado do poço de sua casa, na direcção do norte, e a três metros de profundidade, encontra uma arca de ferro com quinhentas reluzentes moedas de ouro.
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    A casa solarengaé a nossa família, os nossos amigos, o nosso trabalho, o nosso coração. Muitas vezes, realizamos viagens insólitas em busca da felicidade, mas acontece que está mais perto do que pensamos. Ao buscá-la longe, estamo-nos afastando dela. (impertinente questão: que tesouro podemos encontrar na nossa escola?) A partir de Miguel Santos Guerra “La Opinión de Malaga”
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