“O famoso cachimbo... Como fui censurado
por isso!E, entretanto...Vocês podem encher
de fumo o meu cachimbo?Não,não é mesmo?
Ele é apenas uma representação.Portanto,se
eu tivesse escrito sob o meu quadro: "Isto é um
cachimbo",eu teria mentido.”
Magritte in FOUCAULT, Isto não é um cachimbo.
(1) Período Clássico;
(2) Período Medieval;
(3) Racionalismo;
(4) Empirismo Britânico;
(5) Iluminismo.
 Platão: (428/27-347 a. C.)
 (1) Os signos verbais, naturais ou convencionais,
são representações incompletas da verdadeira
natureza das coisas;
 (2) O estudo das ideias nada revela sobre a
verdadeira natureza das coisas, uma vez que a
realidade das ideias é independente das
representações sob a forma de palavras;
 (3) O conhecimento mediado por signos é
indirecto e inferior ao conhecimento imediato, e a
verdade sobre as coisas através das palavras é
inferior ao conhecimento da verdade em si.
 Aristóteles (384-322 a. C.):
 “Um nome é um som falado significante por
convenção. Eu digo por convenção, porque
nenhum nome é natural, mas apenas quando se
torna um símbolo”.
 Signos:
 (1) Marcas escritas são símbolos de sons falados;
 (2) Sons falados são signos e símbolos de
impressões mentais;
 (3) Impressões mentais são cópias das coisas;
 (4) Enquanto os eventos mentais e as coisas são
os mesmos para a humanidade, o discurso não é.
Estóicos (Zenão de Cítio, séc. III a. C.):
O signo liga três componentes:
(1) o significante material;
(2) o significado ou sentido;
(3) o objecto externo referente.
Enquanto o significante e o objecto são
entendidos como entidades materiais, o
significado é considerado incorpóreo.
 Santo Agostinho (Agostinho de Hipona, 354-
430) :
 Signo:
 (1) Plano semântico: “um signo é o que se
mostra a si mesmo ao sentido, e que, para
além de si, mostra ainda alguma coisa ao
espírito”;
 (2) Plano comunicacional: “a palavra é o
signo de uma coisa que pode ser
compreendida pelo auditor quando é
proferida pelo locutor”.
Para Todorov, Santo Agostinho é o
primeiro semiótico:
(1) os seus estudos têm propósitos
cognitivos;
(2) estuda os signos em geral e não
apenas os linguísticos.
Descartes (1596-1650):
(1) negação da zoosemiótica: os animais
caracterizam-se, não só pela ausência de
linguagem, como pela ausência de razão;
(2) axioma das ideias inatas: pressupõe a
prioridade do conhecimento intelectual
sobre a experiência perceptual;
(3) variabilidade dos sons e constância
das ideias.
 Leibniz (1646-1716):
 (1) visão pansemiótica: inclui, nos signos,
palavras, letras, símbolos químicos e
astronómicos, caracteres chineses,
hieróglifos, marcas musicais, algébricas e
aritméticas e outros signos que usamos, em
vez das coisas, quando pensamos.
 (2) “Um signo é aquilo que percepcionamos
e, por outro lado, consideramos conectado
com outra coisa, em virtude da nossa ou da
experiência de outrem”;
(3) os signos são ferramentas úteis e
necessárias que servem de abreviatura a
concepções semânticas mais complexas
que representam.
John Locke (1632-1704):
Signos (dois tipos):
(1) ideias;
(2) palavras.
Rejeita o axioma das ideias inatas: “as
ideias provêm das sensações dos objectos
externos”, por reflexão. A mente
percepciona e reflecte (cada uma per si).
Diderot (1713-1784):
(1) Distinção entre signos linguísticos e
não linguísticos;
(2) Superioridade da linguagem não
verbal: a linguagem dos gestos, não é só
mais expressiva, mas também mais lógica
que a linguagem verbal: no seu ponto de
vista, a linearidade da linguagem falada
implica uma visão distorcida da realidade.
 Ciência do século XX
 Pais:
 Ferdinand de Saussure reivindica a
ciência“que estudaria em que consistem os
signos, que leis os regem”, e propõe a
designação “semiologia” (do grego semeion,
“sinal").
 Charles Sanders Peirce entendia a
Semiótica, enquanto doutrina formal dos
signos, como apenas um outro nome da
ciência da Lógica.
Peirce e Charles Morris concebem a
Semiótica como a ciência das ciências,
incluindo todas as demais.
“A Semiótica tem uma dupla relação com
as ciências: ela é simultaneamente uma
ciência entre as ciências e um instrumento
das ciências” (“meta-ciência”).
 Charles Morris
O SIGNO
“entidade psíquica de duas faces”
“combinação do conceito e da imagem
acústica”
“une não uma coisa e um nome, mas um
conceito e uma imagem acústica”
• IMAGEM ACÚSTICA – parte sensível, sensorial e é só, neste
sentido, que é material; a marca ou impressão psíquica desse
som, a sua representação mental facultada pelo testemunho dos
sentidos;
• CONCEITO – parte psíquica, imagem mental, é mais abstracto
que a imagem acústica.
• As imagens acústicas são variáveis consoante as línguas; os
conceitos são universais. (Aristóteles)
Conceito
Imagem
acústica
Significado
Significant
e
“árvore”
Substância
Forma
Conteúdo
Expressão
Psíquico
Sensível
• Pode dividir-se em:
• 1. parte exterior (vibração dos sons no seu trajecto boca-
ouvido) / parte interior (tudo o resto);
• 2. parte psíquica (cérebro e processos a ele associados) /
parte não psíquica (factos fisiológicos com sede nos
órgãos: fonação e audição, e factos físicos exteriores ao
sujeito, possibilitados através das ondas sonoras);
•
3. parte activa (centro de associação do sujeito emissor
ao ouvido do outro) / parte passiva (o que se processa
do ouvido deste ao seu centro de associação);
• 4. cérebro: parte executiva (activa) e parte receptiva
(passiva).
1. ARBITRARIEDADE;
2. LINEARIDADE DO SIGNIFICANTE;
3. IMUTABILIDADE;
4. MUTABILIDADE.
 O traço que une o significante ao significado é
arbitrário, o. s., não assenta numa relação lógica,
racional, motivada nem natural.
 Ex.º: a ideia de pé não está ligada por nenhuma
relação à cadeia de sons “p” + “é”. Podia ser
perfeitamente representada por outra cadeia de sons,
provando-o as diferenças entre as várias línguas.
 Os sinais puramente arbitrários realizam melhor do que
os outros o ideal do processo semiológico.
OBJECÇÕES:
Onomatopeias;
Exclamações;
Protótipos de composição e derivação
vocabulares.
 Não deve dar a ideia de que o significante
depende da livre escolha do sujeito falante:
não está em poder do indivíduo alterar o
signo, desde que ele tenha sido aceite por um
grupo linguístico.
 Arbitrariedade sim, mas na relação do signo
ao significado, com o qual não tem qualquer
ligação natural.
Um sistema é arbitrário, quando os seus
signos são estabelecidos, não por contrato,
mas por decisão unilateral.
 Roland Barthes
O significante, por ser de natureza
auditiva, desenvolve-se no tempo e, ao
tempo, vai buscar os seus atributos:
A) representa uma extensão;
B) essa extensão é mensurável numa só
dimensão: é uma linha.
Todo o mecanismo da língua, para deter
sentido, carece deste princípio.
 O signo é imutável, porque resiste a qualquer
substituição arbitrária.
 A massa social não é consultada e o
significante, escolhido pela língua, não
poderia ser substituído por qualquer outro.
 A comunidade linguística não tem soberania
sobre uma só palavra.
 O factor linguístico da transmissão domina
totalmente a língua e exclui qualquer
modificação linguística geral e repentina.
 Explicações:
 A soma dos esforços, que exige a aprendizagem da
língua materna, impossibilita uma modificação geral;
 A reflexão não intervém na prática de um idioma: os
sujeitos falantes são, na sua larga maioria,
inconscientes das leis da língua e, se não se apercebem
delas, não podem, sobre elas, reflectir e modificá-las;
 E mesmo se os sujeitos falantes fossem conhecedores,
seria preciso recordar que os factos linguísticos não
provocam grandes críticas, pois cada povo está
geralmente satisfeito com a língua recebida.
 Explicações (cont.):
 Carácter arbitrário do signo: coloca a língua ao abrigo de
qualquer tentativa de mutação;
 A enorme quantidade de signos necessários para
constituir qualquer língua;
 Carácter demasiado complexo do sistema: uma língua
constitui um sistema, ponto em que reina uma certa
disciplina e em que se denota mais a incompetência da
comunidade para a transformar;
 Resistência da inércia colectiva a todas as inovações
linguísticas: a língua é o sistema de que mais se servem
os indivíduos e é, de todas as instituições sociais, a que
oferece menor margem a iniciativas factor de
conservação.
 Apesar de a solidariedade para com o passado
anular a liberdade de escolha e, assim,
garantir a estabilidade do signo, o TEMPO,
que assegura a continuidade da língua, tem
um outro efeito sobre esta: o de alterar, mais
ou menos rapidamente, o signo linguístico.
Daí podermos falar simultaneamente em
imutabilidade e mutabilidade do signo.
 O signo altera-se, porque permanece.
• A língua é radicalmente impotente para se defender,
instante a instante, dos factores que desviam a relação
entre significante e significado.
o Ex.ºs: o latim plicare (matar) evoluiu para o francês noyer
(afogar); o árabe suq (mercado) evoluiu para o português açougue
(talho; matadouro).
É uma das consequências da arbitrariedade do
signo.
O tempo altera tudo: não há motivos para que a
língua seja excepção a esta lei universal.
“é um estímulo – isto é, uma substância
sensível – cuja imagem mental está
associada no nosso espírito à de um outro
estímulo que ele tem por função evocar
com vista a uma comunicação”.
 Pierre Guiraud
 1. Comunicação: o signo é sempre a marca
de uma intenção de comunicar um sentido.
Exclui os índices naturais.
 2. Codificação: a relação entre o significante
e o significado é convencional, o. s., resulta de
um acordo entre os seus utentes, que a
reconhecem e a respeitam no emprego do
signo.
 3. Motivação: relação natural entre o
significante e o significado, parte da sua
natureza. A motivação não exclui a
convenção.
3. Motivação (cont.)
“a maior parte das vezes os signos são
motivados no seu princípio; todavia, a
evolução histórica tende a obliterar a
motivação e deixando esta de ser notada, o
signo funciona por convenção”.
 Pierre Guiraud
 4. Monossemia (um significante faz-se
corresponder a um significado e vice-versa) e
polissemia (um significante pode combinar-
se com vários significados e um significado
com vários significantes);
 5. Denotação (constituída pelo significado
concebido objectivamente e apenas como tal)
e conotação (expressa por valores
subjectivos ligados ao signo, resultantes da
sua forma e função).
 Ex.º: Um uniforme denota o grau e uma função; conota o prestígio e
autoridade que lhe estão associados.
6. Matéria (ou veículo sensível),
substância (ideia, conceito) e forma
(valor).
 Tratar o signo, não pela sua composição, mas
pelas suas imediações: é o problema do valor.
 O valor está intrinsecamente relacionado com
a noção de língua: leva a despsicologizar a
Linguística e a aproximá-la da Economia.
 Abordagem de um sistema de equivalências.
Para que haja SIGNO ou valor económico, é
necessário:
1. a troca de coisas dissemelhantes;
2. a comparação de coisas similares entre si.
O sentido só fica verdadeiramente fixado,
depois desta dupla determinação:
significação e valor.
O valor não é a significação: ele provém,
diz Saussure, “da situação recíproca das
peças da língua”; é mesmo mais
importante do que a significação: “que há
de ideia ou de matéria fónica num signo
tem menos importância do que o que
existe à volta dele nos outros signos”.
A. Divisão da Semiótica:
(1) Pragmática: estuda o sujeito falante,
independentemente do código empregue;
(2) Semântica: estuda a relação entre os
signos e as coisas significadas;
(3) Sintaxe: estuda as relações formais
entre os signos.
 B. Composição do Signo:
a) O signo propriamente dito ou
representamen (Morris chamar-lhe-á "veículo
sígnico"): é "aquilo que representa"; b) o
interpretante ou "imagem mental": é o signo
criado na mente de alguém (o "intérprete")
pelo representamen; c) o objecto: é aquilo
(algo) que é representado, o referente, a
coisa.
O signo liga-se ao objecto através do
interpretante.
Semiosis ou semiose: criação ininterrupta
de significados associados ao signo inicial,
possível num indivíduo, o intérprete.
 C. Tipologia dos Signos:
 (1) Índice: a relação entre o signo e o objecto
assenta numa relação de contiguidade, de
transitoriedade, em que se observa a
passagem de um estado para outro.
• Ex.º: nuvens que ameaçam chuva
 (2) Ícone: a relação estabelecida entre o
signo e o objecto assenta na semelhança.
Dispensa, por isso, a aprendizagem de um
código.
• Ex.º: foto
 (3) Símbolo: a relação entre o signo e o
objecto está convencionada, exigindo, para a
sua descodificação, uma aprendizagem.
 “O Homem é mais um ser simbólico do que
racional”.
 Charles Morris
 Pode dizer-se que o índice antecede, o ícone
está presente e o símbolo representa.
• Contaminadas pelos seus fundadores
• Eduardo Prado Coelho:
• (1) ponto de partida: Saussure parte do acto
sémico entendido como facto social que, por via
do circuito da fala, estabelece uma relação entre,
pelo menos, dois interlocutores; Peirce parte da
ideia de semiosis, que explana a lógica de
funcionamento do signo e que exige a intervenção
de uma personagem: o intérprete;
 (2) limites das ciências: a Semiologia confronta-se
com limites e existem objectos exteriores ao seu
âmbito, o. s., não semiotizáveis: a Semiologia
inclui-se na Psicologia Social; Peirce entende que
tudo é semiotizável, pelo que a Semiótica não tem
freios;
 (3) concepção do signo: Saussure perspectiva o
signo como entidade psíquica de duas faces –
significante e significado – que se condicionam
mutuamente; em Peirce, o signo é sobretudo um
processo de mediação, que tende para a
infinitude.

O SIGNO LINGUÍSTICO-CONCEITOS E APLICAÇÕES

  • 3.
    “O famoso cachimbo...Como fui censurado por isso!E, entretanto...Vocês podem encher de fumo o meu cachimbo?Não,não é mesmo? Ele é apenas uma representação.Portanto,se eu tivesse escrito sob o meu quadro: "Isto é um cachimbo",eu teria mentido.” Magritte in FOUCAULT, Isto não é um cachimbo.
  • 4.
    (1) Período Clássico; (2)Período Medieval; (3) Racionalismo; (4) Empirismo Britânico; (5) Iluminismo.
  • 5.
     Platão: (428/27-347a. C.)  (1) Os signos verbais, naturais ou convencionais, são representações incompletas da verdadeira natureza das coisas;  (2) O estudo das ideias nada revela sobre a verdadeira natureza das coisas, uma vez que a realidade das ideias é independente das representações sob a forma de palavras;  (3) O conhecimento mediado por signos é indirecto e inferior ao conhecimento imediato, e a verdade sobre as coisas através das palavras é inferior ao conhecimento da verdade em si.
  • 6.
     Aristóteles (384-322a. C.):  “Um nome é um som falado significante por convenção. Eu digo por convenção, porque nenhum nome é natural, mas apenas quando se torna um símbolo”.  Signos:  (1) Marcas escritas são símbolos de sons falados;  (2) Sons falados são signos e símbolos de impressões mentais;  (3) Impressões mentais são cópias das coisas;  (4) Enquanto os eventos mentais e as coisas são os mesmos para a humanidade, o discurso não é.
  • 7.
    Estóicos (Zenão deCítio, séc. III a. C.): O signo liga três componentes: (1) o significante material; (2) o significado ou sentido; (3) o objecto externo referente. Enquanto o significante e o objecto são entendidos como entidades materiais, o significado é considerado incorpóreo.
  • 8.
     Santo Agostinho(Agostinho de Hipona, 354- 430) :  Signo:  (1) Plano semântico: “um signo é o que se mostra a si mesmo ao sentido, e que, para além de si, mostra ainda alguma coisa ao espírito”;  (2) Plano comunicacional: “a palavra é o signo de uma coisa que pode ser compreendida pelo auditor quando é proferida pelo locutor”.
  • 9.
    Para Todorov, SantoAgostinho é o primeiro semiótico: (1) os seus estudos têm propósitos cognitivos; (2) estuda os signos em geral e não apenas os linguísticos.
  • 10.
    Descartes (1596-1650): (1) negaçãoda zoosemiótica: os animais caracterizam-se, não só pela ausência de linguagem, como pela ausência de razão; (2) axioma das ideias inatas: pressupõe a prioridade do conhecimento intelectual sobre a experiência perceptual; (3) variabilidade dos sons e constância das ideias.
  • 11.
     Leibniz (1646-1716): (1) visão pansemiótica: inclui, nos signos, palavras, letras, símbolos químicos e astronómicos, caracteres chineses, hieróglifos, marcas musicais, algébricas e aritméticas e outros signos que usamos, em vez das coisas, quando pensamos.  (2) “Um signo é aquilo que percepcionamos e, por outro lado, consideramos conectado com outra coisa, em virtude da nossa ou da experiência de outrem”;
  • 12.
    (3) os signossão ferramentas úteis e necessárias que servem de abreviatura a concepções semânticas mais complexas que representam.
  • 13.
    John Locke (1632-1704): Signos(dois tipos): (1) ideias; (2) palavras. Rejeita o axioma das ideias inatas: “as ideias provêm das sensações dos objectos externos”, por reflexão. A mente percepciona e reflecte (cada uma per si).
  • 14.
    Diderot (1713-1784): (1) Distinçãoentre signos linguísticos e não linguísticos; (2) Superioridade da linguagem não verbal: a linguagem dos gestos, não é só mais expressiva, mas também mais lógica que a linguagem verbal: no seu ponto de vista, a linearidade da linguagem falada implica uma visão distorcida da realidade.
  • 15.
     Ciência doséculo XX  Pais:  Ferdinand de Saussure reivindica a ciência“que estudaria em que consistem os signos, que leis os regem”, e propõe a designação “semiologia” (do grego semeion, “sinal").  Charles Sanders Peirce entendia a Semiótica, enquanto doutrina formal dos signos, como apenas um outro nome da ciência da Lógica.
  • 16.
    Peirce e CharlesMorris concebem a Semiótica como a ciência das ciências, incluindo todas as demais. “A Semiótica tem uma dupla relação com as ciências: ela é simultaneamente uma ciência entre as ciências e um instrumento das ciências” (“meta-ciência”).  Charles Morris
  • 17.
  • 19.
    “entidade psíquica deduas faces” “combinação do conceito e da imagem acústica” “une não uma coisa e um nome, mas um conceito e uma imagem acústica”
  • 20.
    • IMAGEM ACÚSTICA– parte sensível, sensorial e é só, neste sentido, que é material; a marca ou impressão psíquica desse som, a sua representação mental facultada pelo testemunho dos sentidos; • CONCEITO – parte psíquica, imagem mental, é mais abstracto que a imagem acústica. • As imagens acústicas são variáveis consoante as línguas; os conceitos são universais. (Aristóteles)
  • 21.
  • 23.
    • Pode dividir-seem: • 1. parte exterior (vibração dos sons no seu trajecto boca- ouvido) / parte interior (tudo o resto); • 2. parte psíquica (cérebro e processos a ele associados) / parte não psíquica (factos fisiológicos com sede nos órgãos: fonação e audição, e factos físicos exteriores ao sujeito, possibilitados através das ondas sonoras); • 3. parte activa (centro de associação do sujeito emissor ao ouvido do outro) / parte passiva (o que se processa do ouvido deste ao seu centro de associação); • 4. cérebro: parte executiva (activa) e parte receptiva (passiva).
  • 24.
    1. ARBITRARIEDADE; 2. LINEARIDADEDO SIGNIFICANTE; 3. IMUTABILIDADE; 4. MUTABILIDADE.
  • 25.
     O traçoque une o significante ao significado é arbitrário, o. s., não assenta numa relação lógica, racional, motivada nem natural.  Ex.º: a ideia de pé não está ligada por nenhuma relação à cadeia de sons “p” + “é”. Podia ser perfeitamente representada por outra cadeia de sons, provando-o as diferenças entre as várias línguas.  Os sinais puramente arbitrários realizam melhor do que os outros o ideal do processo semiológico.
  • 26.
  • 27.
     Não devedar a ideia de que o significante depende da livre escolha do sujeito falante: não está em poder do indivíduo alterar o signo, desde que ele tenha sido aceite por um grupo linguístico.  Arbitrariedade sim, mas na relação do signo ao significado, com o qual não tem qualquer ligação natural.
  • 28.
    Um sistema éarbitrário, quando os seus signos são estabelecidos, não por contrato, mas por decisão unilateral.  Roland Barthes
  • 29.
    O significante, porser de natureza auditiva, desenvolve-se no tempo e, ao tempo, vai buscar os seus atributos: A) representa uma extensão; B) essa extensão é mensurável numa só dimensão: é uma linha. Todo o mecanismo da língua, para deter sentido, carece deste princípio.
  • 30.
     O signoé imutável, porque resiste a qualquer substituição arbitrária.  A massa social não é consultada e o significante, escolhido pela língua, não poderia ser substituído por qualquer outro.  A comunidade linguística não tem soberania sobre uma só palavra.  O factor linguístico da transmissão domina totalmente a língua e exclui qualquer modificação linguística geral e repentina.
  • 31.
     Explicações:  Asoma dos esforços, que exige a aprendizagem da língua materna, impossibilita uma modificação geral;  A reflexão não intervém na prática de um idioma: os sujeitos falantes são, na sua larga maioria, inconscientes das leis da língua e, se não se apercebem delas, não podem, sobre elas, reflectir e modificá-las;  E mesmo se os sujeitos falantes fossem conhecedores, seria preciso recordar que os factos linguísticos não provocam grandes críticas, pois cada povo está geralmente satisfeito com a língua recebida.
  • 32.
     Explicações (cont.): Carácter arbitrário do signo: coloca a língua ao abrigo de qualquer tentativa de mutação;  A enorme quantidade de signos necessários para constituir qualquer língua;  Carácter demasiado complexo do sistema: uma língua constitui um sistema, ponto em que reina uma certa disciplina e em que se denota mais a incompetência da comunidade para a transformar;  Resistência da inércia colectiva a todas as inovações linguísticas: a língua é o sistema de que mais se servem os indivíduos e é, de todas as instituições sociais, a que oferece menor margem a iniciativas factor de conservação.
  • 33.
     Apesar dea solidariedade para com o passado anular a liberdade de escolha e, assim, garantir a estabilidade do signo, o TEMPO, que assegura a continuidade da língua, tem um outro efeito sobre esta: o de alterar, mais ou menos rapidamente, o signo linguístico. Daí podermos falar simultaneamente em imutabilidade e mutabilidade do signo.  O signo altera-se, porque permanece.
  • 34.
    • A línguaé radicalmente impotente para se defender, instante a instante, dos factores que desviam a relação entre significante e significado. o Ex.ºs: o latim plicare (matar) evoluiu para o francês noyer (afogar); o árabe suq (mercado) evoluiu para o português açougue (talho; matadouro). É uma das consequências da arbitrariedade do signo. O tempo altera tudo: não há motivos para que a língua seja excepção a esta lei universal.
  • 35.
    “é um estímulo– isto é, uma substância sensível – cuja imagem mental está associada no nosso espírito à de um outro estímulo que ele tem por função evocar com vista a uma comunicação”.  Pierre Guiraud
  • 36.
     1. Comunicação:o signo é sempre a marca de uma intenção de comunicar um sentido. Exclui os índices naturais.  2. Codificação: a relação entre o significante e o significado é convencional, o. s., resulta de um acordo entre os seus utentes, que a reconhecem e a respeitam no emprego do signo.  3. Motivação: relação natural entre o significante e o significado, parte da sua natureza. A motivação não exclui a convenção.
  • 37.
    3. Motivação (cont.) “amaior parte das vezes os signos são motivados no seu princípio; todavia, a evolução histórica tende a obliterar a motivação e deixando esta de ser notada, o signo funciona por convenção”.  Pierre Guiraud
  • 38.
     4. Monossemia(um significante faz-se corresponder a um significado e vice-versa) e polissemia (um significante pode combinar- se com vários significados e um significado com vários significantes);  5. Denotação (constituída pelo significado concebido objectivamente e apenas como tal) e conotação (expressa por valores subjectivos ligados ao signo, resultantes da sua forma e função).  Ex.º: Um uniforme denota o grau e uma função; conota o prestígio e autoridade que lhe estão associados.
  • 39.
    6. Matéria (ouveículo sensível), substância (ideia, conceito) e forma (valor).
  • 40.
     Tratar osigno, não pela sua composição, mas pelas suas imediações: é o problema do valor.  O valor está intrinsecamente relacionado com a noção de língua: leva a despsicologizar a Linguística e a aproximá-la da Economia.  Abordagem de um sistema de equivalências.
  • 41.
    Para que hajaSIGNO ou valor económico, é necessário: 1. a troca de coisas dissemelhantes; 2. a comparação de coisas similares entre si. O sentido só fica verdadeiramente fixado, depois desta dupla determinação: significação e valor.
  • 42.
    O valor nãoé a significação: ele provém, diz Saussure, “da situação recíproca das peças da língua”; é mesmo mais importante do que a significação: “que há de ideia ou de matéria fónica num signo tem menos importância do que o que existe à volta dele nos outros signos”.
  • 44.
    A. Divisão daSemiótica: (1) Pragmática: estuda o sujeito falante, independentemente do código empregue; (2) Semântica: estuda a relação entre os signos e as coisas significadas; (3) Sintaxe: estuda as relações formais entre os signos.
  • 45.
     B. Composiçãodo Signo: a) O signo propriamente dito ou representamen (Morris chamar-lhe-á "veículo sígnico"): é "aquilo que representa"; b) o interpretante ou "imagem mental": é o signo criado na mente de alguém (o "intérprete") pelo representamen; c) o objecto: é aquilo (algo) que é representado, o referente, a coisa. O signo liga-se ao objecto através do interpretante.
  • 46.
    Semiosis ou semiose:criação ininterrupta de significados associados ao signo inicial, possível num indivíduo, o intérprete.
  • 47.
     C. Tipologiados Signos:  (1) Índice: a relação entre o signo e o objecto assenta numa relação de contiguidade, de transitoriedade, em que se observa a passagem de um estado para outro. • Ex.º: nuvens que ameaçam chuva  (2) Ícone: a relação estabelecida entre o signo e o objecto assenta na semelhança. Dispensa, por isso, a aprendizagem de um código. • Ex.º: foto
  • 48.
     (3) Símbolo:a relação entre o signo e o objecto está convencionada, exigindo, para a sua descodificação, uma aprendizagem.  “O Homem é mais um ser simbólico do que racional”.  Charles Morris  Pode dizer-se que o índice antecede, o ícone está presente e o símbolo representa.
  • 49.
    • Contaminadas pelosseus fundadores • Eduardo Prado Coelho: • (1) ponto de partida: Saussure parte do acto sémico entendido como facto social que, por via do circuito da fala, estabelece uma relação entre, pelo menos, dois interlocutores; Peirce parte da ideia de semiosis, que explana a lógica de funcionamento do signo e que exige a intervenção de uma personagem: o intérprete;
  • 50.
     (2) limitesdas ciências: a Semiologia confronta-se com limites e existem objectos exteriores ao seu âmbito, o. s., não semiotizáveis: a Semiologia inclui-se na Psicologia Social; Peirce entende que tudo é semiotizável, pelo que a Semiótica não tem freios;  (3) concepção do signo: Saussure perspectiva o signo como entidade psíquica de duas faces – significante e significado – que se condicionam mutuamente; em Peirce, o signo é sobretudo um processo de mediação, que tende para a infinitude.