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Ano: 2024 Banca: Instituto Consulplan Órgão: Prefeitura de Além Paraíba - MG
Feliz por nada
Geralmente, quando uma pessoa exclama Estou tão feliz!, é porque engatou um novo amor, conseguiu uma promoção,
ganhou uma bolsa de estudos, perdeu os quilos que precisava ou algo do tipo. Há sempre um porquê. Eu costumo torcer
para que essa felicidade dure um bom tempo, mas sei que as novidades envelhecem e que não é seguro se sentir feliz
apenas por atingimento de metas. Muito melhor é ser feliz por nada.
Digamos: feliz porque maio recém começou e temos longos oito meses para fazer de 2010 um ano memorável. Feliz
por estar com as dívidas pagas. Feliz porque alguém o elogiou.
Feliz porque existe uma perspectiva de viagem daqui a alguns meses. Feliz porque você não magoou ninguém hoje.
Feliz porque daqui a pouco será hora de dormir e não há lugar no mundo mais acolhedor do que sua cama.
Esquece. Mesmo sendo motivos prosaicos, isso ainda é ser feliz por muito.
Feliz por nada, nada mesmo?
Talvez passe pela total despreocupação com essa busca. Essa tal de felicidade inferniza.
“Faça isso, faça aquilo”. A troco? Quem garante que todos chegam lá pelo mesmo caminho?
Particularmente, gosto de quem tem compromisso com a alegria, que procura relativizar as chatices diárias e se
concentrar no que importa pra valer, e assim alivia o seu cotidiano e não atormenta o dos outros. Mas não estando alegre,
é possível ser feliz também. Não estando “realizado”, também. Estando triste, felicíssimo igual. Porque felicidade é calma.
Consciência. É ter talento para aturar o inevitável, é tirar algum proveito do imprevisto, é ficar debochadamente
assombrado consigo próprio: como é que eu me meti nessa, como é que foi acontecer comigo? Pois é, são os efeitos
colaterais de se estar vivo.
Benditos os que conseguem se deixar em paz. Os que não se cobram por não terem cumprido suas resoluções, que
não se culpam por terem falhado, não se torturam por terem sido contraditórios, não se punem por não terem sido
perfeitos. Apenas fazem o melhor que podem.
Se é para ser mestre em alguma coisa, então que sejamos mestres em nos libertar da patrulha do pensamento. De
querer se adequar à sociedade e ao mesmo tempo ser livre.
Adequação e liberdade simultaneamente? É uma senhora ambição. Demanda a energia de uma usina. Para que se
consumir tanto?
A vida não é um questionário de Proust. Você não precisa ter que responder ao mundo quais são suas qualidades, sua
cor preferida, seu prato favorito, que bicho seria. Que mania de se autoconhecer. Chega de se autoconhecer. Você é o que
é, um imperfeito bem-intencionado e que muda de opinião sem a menor culpa.
Ser feliz por nada talvez seja isso.
(MEDEIROS, Martha. Feliz por nada, 2011. Ediora L&PM., 216 p.)
Em “Mas não estando alegre, é possível ser feliz também. Não estando ‘realizado’, também. Estando triste, felicíssimo igual. Porque
felicidade é calma.” (8º§) há a presença do vocábulo “felicíssimo”. Independente do contexto, é possível afirmar que esse termo
exprime a ideia de:
A Pouca felicidade.
B Felicidade escassa.
C Felicidade limitada.
D Felicidade extrema.
Ano: 2024 Banca: Instituto Consulplan Órgão: Prefeitura de Além Paraíba - MG
Primeira impressão
Emoção e memória coordenadas influenciam encontro social.
A primeira impressão é a que fica, já diz o jargão popular sobre o primeiro encontro entre duas pessoas desconhecidas.
Buscar as razões pelas quais isso acontece foi o objetivo de cientistas da Universidade de Haifa, em Israel, a partir de um
experimento com ratos de laboratório. Entre os achados, verificou-se que emoção social e memória social estão
intimamente ligadas nesse processo, e trabalham de forma coordenada.
101 Q3099524 >
Português Morfologia , Adjetivos
Prova: Instituto Consulplan - 2024 - Prefeitura de
Além Paraíba - MG - Auxiliar de Serviços Gerais
102 Q3099666 >
Português Morfologia , Substantivos
Prova: Instituto Consulplan - 2024 - Prefeitura de
Além Paraíba - MG - Recepcionista/PSF
Testando os ratos, os pesquisadores verificaram que a emoção do encontro social com um rato estranho criou um alto
nível de atividade rítmica sincronizada no cérebro, fator que parece facilitar a formação de memória social. Uma vez que os
ratos estavam familiarizados uns com os outros, a excitação diminuía, e as áreas distintas do cérebro passavam a trabalhar
de forma menos coordenada.
Os cientistas também procuraram investigar se outras emoções em particular geravam essa sincronização de
atividades cerebrais, mas isso não aconteceu. Emoções negativas como medo e mesmo emoções positivas, mas
relacionadas a um ser inanimado, não provocam as mesmas reações. Os especialistas sugerem que o experimento seja
repetido em humanos para que se confirme ser essa atividade sincronizada no cérebro o fator que nos faz lembrar mais
fortemente dos primeiros momentos que tivemos com alguém.
(Psique, Ciência e Vida. Número 117-Ano IX. Em: 2020.)
Na língua portuguesa, o gênero de um substantivo pode ser masculino ou feminino. Dessa forma, são expressões
transcritas do texto que se encontram no feminino, EXCETO:
A Cérebro.
B Emoção.
C Memória.
D Sincronização.
Ano: 2024 Banca: Instituto Consulplan Órgão: Prefeitura de Além Paraíba - MG
A geladeira e o livro
Fazia dois dias que minha geladeira havia entrado em pane. Não deixou de resfriar, mas as luzes do painel piscavam o
dia inteiro, como se fosse uma bomba a ponto de explodir, e o alarme disparava de tempo em tempo, mesmo a porta
estando bem fechada. Sou otimista, achei que tudo se resolveria num passe de mágica, mas o coelho não saiu da cartola e
acabei tendo que chamar um técnico, que agendou a visita para a manhã seguinte, às 9h30m. Quando eram 9h25m, as
luzes do painel, antes esquizofrênicas, apagaram. O alarme já não disparava desde a noite anterior. Eu não queria mágica?
A primeira coisa que disse ao técnico: “Acredite, há dois dias que esta geladeira está tendo chilique, só parou quando o
senhor começou a subir pelo elevador”. Ele me deu um olhar compreensivo, fez um check up no aparelho e descobriu um
pequeno defeito. Alívio. Morri em R$ 300, mas a geladeira ganhou uma sobrevida. E minha neura também.
Ninguém gosta de passar por exagerado. Ao sairmos do cinema, somos capazes de listar um sem-número de elogios ao
filme que assistimos, mas basta alguém se empolgar com a nossa descrição e resolver assisti-lo por nossa causa que a
responsabilidade começa a pesar: “Olha, eu gostei, mas talvez não seja seu tipo de história. Vá sem expectativas. É meio
longo. Tem uma partezinha devagar, mas, sei lá, acho que vale a pena”.
Um amigo me recomendou um livro sensacional. Segundo ele, a melhor coisa que leu no último ano. Bom, então quero
ler também. No dia seguinte, ele largou o livro na portaria do meu prédio, e quando liguei para agradecer, ouvi: “Talvez tu
não goste tanto assim. Comprei pra ti uma edição diferente da minha, o tradutor não sei se é tão bom. Tu não é obrigada a
gostar, tá?”.
Os episódios da geladeira e do livro, cada um a seu modo, demonstram o quanto ficamos inseguros ao virarmos
referência. No caso da geladeira, a única prova que eu tinha de que ela estava amarelando eram as luzes piscantes. Quando
elas pararam de piscar, passou a valer apenas a minha palavra. Que solidão.
Quando meu amigo incentivou a leitura do livro, estava expondo sua erudição, já que o autor era um filósofo. Mas no
momento em que demonstrei interesse em ler também, ele passou a duvidar do próprio entusiasmo. E se o livro não fosse
tão bom no meu parecer? De repente, não era mais o livro que estaria em julgamento, e sim ele. Solidão, também.
Outra: uma amiga resolveu ir a Machu Picchu depois que comentei coisas incríveis sobre a viagem que fiz para lá
recentemente. Ai, ai, ai. E se ela passar mal com a altitude? E se achar a comida muito apimentada? E se voltar pensando
que me empolgo por qualquer ruína de cartão postal? Já era: terá perdido a chance de ir para outro lugar mais encantador a
seus olhos. Por que fui emprestar os meus?
No fim das contas, tudo o que queremos é ser amados. Por aqueles a quem recomendamos um livro, por quem
resolveu viajar incentivado por nós, e, sim, pelo técnico que confirmou que nossa geladeira estava mesmo estragada, contra
qualquer evidência. Falando na geladeira, passa bem. As luzes nunca mais piscaram, nem o alarme disparou. A não ser o
meu: “Não se leve tão a sério, não se leve tão a sério, não se leve tão a sério”.
(Martha Madeiros. Revista O Globo. Em: 2012.)
A expressão do ponto de vista da autora pode ser representada através de certos recursos, como o da adjetivação. Tal fato
pode ser identificado no seguinte fragmento transcrito:
A “Ninguém gosta de passar por exagerado.” (3º§)
B “Um amigo me recomendou um livro sensacional.” (4º§)
103 Q3099705 >
Português Morfologia , Adjetivos
Prova: Instituto Consulplan - 2024 - Prefeitura de
Além Paraíba - MG - Agente de Combate de Endemias
C “As luzes nunca mais piscaram, nem o alarme disparou.” (8º§)
D “Quando elas pararam de piscar, passou a valer apenas a minha palavra.” (5º§)
Ano: 2025 Banca: Instituto Consulplan Órgão: Prefeitura de Nova Iguaçu - RJ
A mão no metrô
Assim que o metrô chegou, ela preparou-se para incomodação. Porque o vagão estava cheio, completamente lotado, e
ela já sabia o que a esperava tão logo embarcasse: sem demora, algum homem, ou vários homens, encostariam nela,
tentando tirar proveito da situação. Mulher ainda jovem, bonita, estava sujeita a essas situações, que a deixavam indignada.
Mas, como outras usuárias na mesma situação, resignava-se. Era, achava, o preço que tinha de pagar por ser pobre, por
não ter carro, como outras colegas de escritório.
Pensou em não entrar, em esperar outro metrô mais vazio. Mas já era tarde, e ela precisava ir para casa. Num impulso,
entrou, e imediatamente viu-se na clássica posição de sardinha em lata, imprensada entre corpos, vários deles masculinos.
Só faltava a mão.
Que não tardou a se fazer presente. Aos poucos, suavemente, ela sentiu a pressão de dedos sobre seu corpo.
Mas, surpreendentemente, aquilo não a enojou, não a alarmou. Porque era diferente, o contato daquela mão. Não se
tratava de uma “mão-boba”; não havia malícia naqueles dedos, não havia safadeza. Para começar, eles estavam em lugar
neutro, não nas nádegas, não nas coxas, mas nas costas, as costas que ela tinha doloridas depois de um dia de árduo
trabalho. E a mão não estava em busca de prazer, de sacanagem; estava simplesmente pousada, quieta. Como se dissesse
estou em busca de contato humano, é só isso que eu quero.
Ela poderia olhar ao redor, tentar descobrir quem, daqueles homens e mulheres à sua volta, estava a tocá-la. Mas não
queria fazer isso. A verdade é que a gentil mão não a incomodava. Pelo contrário, fazia com que lembrasse uma passagem
na infância, o dia em que o pai a levara à escola pela primeira vez. Tinham também ido de metrô; ela estava assustada,
chorosa. O pai então colocara-lhe a mão nas costas, como a ampará-la, dizendo qualquer coisa do tipo “não chore, a escola
é boa, você vai gostar”. E ela se acalmara, não tanto por causa das palavras, mas pelo contato da mão paterna. E era a
mesma sensação que tinha agora: a sensação de amparo, de conforto.
Estava chegando, precisava descer. Como se houvesse percebido, a mão, discretamente, retirou-se de seu dorso. A porta
se abriu e ela saiu do vagão. Ainda teve a tentação de olhar para trás, mas resistiu. Não queria associar nenhum dos rostos
que ali estavam com a mão que a tocara. Queria, isto sim, guardar a lembrança dessa mão como uma entidade misteriosa
que, de algum modo, a fizera viver uma estranha e perturbadora aventura.
(Moacyr Scliar. Folha de São Paulo. São Paulo. Em: 12/09/2005.)
“Mulher ainda jovem, bonita, estava sujeita a essas situações, que a deixavam indignada.” (1º§) O adjetivo “indignada” foi
atribuído pelo narrador à personagem, porque ela:
A Era jovem e ainda viveria inúmeras situações constrangedoras na vida.
B Sentia repulsa por ser pobre e não ter carro como as demais colegas de escritório.
C Poderia vivenciar situações inconvenientes por estar vulnerável em um vagão lotado de homens.
D Experimentava lembranças assustadoras do seu passado – ocasião que viveu sem amparo e sem proteção.
Ano: 2024 Banca: Instituto Consulplan Órgão: Prefeitura de São Fidélis - RJ
Considere a seguinte frase redigida por aluno do ensino médio em uma atividade escolar: “Peguei o documento e guardei
ele no bolso”. Pode-se afirmar corretamente que:
A Diante de prescrição linguística, de acordo com a gramática normativa, tal sentença deverá ser modificada.
B Demonstra correção quanto ao uso da gramática normativa, mas conflito em relação ao uso da língua falada.
C Trata-se de exemplo de construção própria da gramática normativa quanto à sintaxe pronominal do português.
104 Q3235856 >
Português Morfologia , Adjetivos
Prova: Instituto Consulplan - 2025 - Prefeitura de Nova
Iguaçu - RJ - Técnico Programador de Computação
105 Q3378842 >
Português Morfologia - Pronomes
Prova: Instituto Consulplan - 2024 - Prefeitura de São
Fidélis - RJ - Professor I - Língua Portuguesa
D Demonstra a limitação do funcionamento da língua em seu aspecto gramatical, considerando a gramática normativa.
Ano: 2023 Banca: Instituto Consulplan Órgão: ISGH
O ciclo da vida
Recorro à minha profissão de tradutora, que exerci intensamente por longo tempo, para apresentar aqui versos da
poetisa americana Edna St. Vincent Millay, falecida, sobre a morte: “Não me resigno quando depositam corações amorosos
na terra dura. É assim, assim será para sempre: entram na escuridão os sábios e os encantadores. Coroados de lírios e
louros, lá se vão: mas eu não me conformo. Na treva da tumba lá se vão, com seu olhar sincero, o riso, o amor; vão
docemente os belos, os ternos, os bondosos; vão‐se tranquilamente os inteligentes, os engraçados, os bravos. Eu sei. Mas
não aprovo. E não me conformo”.
Conformados ou não, a morte é algo que precisaríamos aceitar, com mais ou menos dor, mais ou menos resistência, mais
ou menos inconformidade. E esse processo, mais ou menos demorado, mais ou menos cruel, depende da estrutura
emocional e das crenças de cada um.
O ciclo da vida e morte é um duro aprendizado. Nós, maus alunos.
Não escrevo sobre o tema pela morte de um ou outro, em acidentes, por doença dolorosa, ou mesmo dormindo, morte
abençoada. Morrem mais pessoas aqui de morte violenta do que em guerras atuais. A banalização da morte, portanto a
desvalorização da vida, é espantosa. Escrevo porque ela, a senhora Morte, é cotidiana e estranha, ao menos para a maioria
de nós. Há alguns anos, menininha ainda, uma de minhas netas me perguntou com a perturbadora simplicidade das
crianças: “Por que eu não tenho vovô?”. Respondi, como costumo, da maneira mais natural possível, que o vovô tinha
morrido antes de ela nascer, que estava em outro lugar, e, acreditava eu, ainda sabendo da gente, sempre cuidando de nós
– também dela. Continuei dizendo que a vida das pessoas é como a das plantas e dos animais. Nascem, crescem, umas
morrem muito cedo, outras ficam bem velhinhas, umas morrem por acidente, ou doença, ou simplesmente se acabam
como uma vela se apaga.
Falar é fácil, eu dizia a mim mesma enquanto comentava isso com a criança. O drama da vida não se encerra com o
baque da morte, mas começa, nesse instante outra grande indagação.
Recordo a frase, atribuída a Sócrates na hora em que bebia cicuta, condenado pelos cidadãos de Atenas a se matar: “Se a
morte for um sono sem sonhos, será bom; se for um reencontro com pessoas que amei e se foram, será bom também.
Então, não se desesperem tanto”. Precisamos de tempo para integrar a morte na vida. Talvez os mortos vivam enquanto
lembrarmos suas ações, seu rosto, a voz, o gesto, a risada, a melancolia, os belos momentos e os difíceis. Enquanto eles se
repetirem no milagre genético, em filhos, e netos, ou se perpetuarem em fotografias e filmes. Enquanto alguém os retiver
no pensamento, os mortos estarão de certa forma vivos? Porque morrer é natural, deveria ser simples: mas para quase
todos nós, é um grande e grave enigma.
(Lya Luft. Revista Veja. Em: agosto de 2014. Adaptado.)
Possui papel adjetivo no segmento a seguir, o termo em destaque:
A “Falar é fácil, eu dizia a mim mesma [...]”
B “O ciclo da vida e morte é um duro aprendizado.”
C “Se a morte for um sono sem sonhos, será bom; [...]”
D “Recorro à minha profissão de tradutora, que exerci intensamente [...]”
Ano: 2023 Banca: Instituto Consulplan Órgão: FEPAM - RS
A responsabilidade e a sustentabilidade ambiental
O surgimento das indústrias, durante a Primeira Revolução Industrial (final do século XVIII) trouxe consigo um
incremento na fabricação de produtos e o progresso contínuo da qualidade e da expectativa de vida da população.
Entretanto, esse rápido desenvolvimento não levou em conta os impactos que seriam causados ao meio ambiente, em
decorrência dessas atividades industriais, desde a obtenção da matéria-prima e o uso de recursos naturais até o descarte
do produto, por parte dos consumidores.
Ao longo dos séculos, constatou-se que esse modelo de desenvolvimento deixou um rastro de destruição ambiental,
provocando a extinção de fontes não renováveis de energia, a elevação da temperatura do planeta pelo efeito do
106 Q2089494 >
Português Morfologia , Adjetivos
Prova: Instituto Consulplan - 2023 - ISGH - Maqueiro
107 Q2123282 >
Português Morfologia - Verbos
Provas: Instituto Consulplan - 2023 - FEPAM - RS - Administrador
...
aquecimento global e tanto a fauna quanto a flora foram seriamente comprometidas. Não é difícil prever que o resultado
desse desequilíbrio será catastrófico, colocando em risco o futuro da humanidade. Visando minimizar os efeitos desses
desastres ambientais e ajudando a humanidade a evoluir, sem colocar em risco o futuro do planeta Terra, vários
dispositivos legais, normativos e regulatórios foram criados em todo o planeta, com o objetivo de proteger o meio
ambiente.
Além disso, o desenvolvimento sustentável, antes visto como um modelo oneroso pelas entidades, se tornou uma
vantagem competitiva para as empresas que adotam rigorosas políticas ambientais. É essencial que as empresas
estabeleçam medidas de responsabilidade ambiental, visando a preservação do meio ambiente e dos recursos naturais,
reduzindo os seus impactos, com vista ao atingimento do desenvolvimento sustentável. Algumas medidas de
responsabilidade ambiental estão presentes, no nosso dia a dia, ainda, que muitas vezes passem despercebidos, tais como:
a necessidade de economizar água e energia elétrica e de evitar colocar o lixo em local inapropriado, além de prevalecer o
uso do transporte público/coletivo, em vez de carro particular.
No que se refere à sustentabilidade ambiental das empresas, existem exemplos como a criação de programas para
reciclagem de lixo e de economia de água/energia, além de campanhas para reaproveitamento de água da chuva e para
utilização da matéria-prima de empresas responsáveis com o meio ambiente, como, também, o estímulo a não poluição dos
rios, afluentes e nascentes e ao investimento em medidas de economia de recursos não renováveis. Todas essas ações
pessoais e as medidas/providências empresariais adotadas/tomadas pelas sociedades em geral promovem o
desenvolvimento sustentável das empresas e visam proteger os recursos naturais. Afinal, ao estimular e cultivar a
responsabilidade e a sustentabilidade ambiental empresarial, além de promover um ambiente de negócios mais saudável,
também fortalece a identidade, a posição e a marca da empresa.
Em outras palavras, as atitudes tomadas pelas empresas para reduzir os impactos ambientais proporciona o
desenvolvimento sustentável e promove a responsabilidade e a educação ambiental, de forma consciente, trazendo
benefícios para os empreendimentos. Nunca esquecendo que investir na questão ambiental, trata-se de fator determinante
e não um diferencial, pois a sobrevivência do negócio dificilmente alcançará uma longevidade, sem a devida
responsabilidade e a sustentabilidade ambiental.
(Cláudio Sá Leitão e Luís Henrique Cunha. Disponível em:
https://www.diariodepernambuco.com.br/noticia/opiniao/2022/07/aresponsabilidade-e-a-sustentabilidade-
ambiental.html. Acesso em:
06/07/2022. Adaptado.)
De acordo com o emprego da norma padrão da língua, considere as variações a seguir para a forma verbal
destacada em “[...] trouxe consigo um incremento na fabricação de produtos [...]” (1º§) e indique a INADEQUADA
(desconsidere possíveis alterações semânticas).
A traz
B traria
C trouxera
D havia trago
E havia trazido
Ano: 2023 Banca: Instituto Consulplan Órgão: Prefeitura de Jequié - BA
No lugar do outro
Estamos vivendo uma crise intensa: a das relações humanas. Todos os dias testemunhamos ou protagonizamos, tanto
na vida presencial quanto na virtual, comportamentos e atitudes que vão do ódio declarado ou sutil ao desdém em relação
ao outro. As relações humanas, sempre tão complexas, exigem, no entanto, delicadeza, atenção e compromisso social. Tem
sido difícil manter a saúde mental e a qualidade de vida no contexto atual.
Crianças e adolescentes já dão sinais claros de que têm aprendido muito com nossa dificuldade em conviver com as
diferenças e de respeitá-las; de tentar colocar-se no lugar do outro para compreender suas posições e atitudes; de ter
compaixão; de conflitar em vez de confrontar; de agir com doçura, por exemplo. Conseguir fazer isso é ter empatia com o
outro.
Pais e professores têm reclamado de comportamentos provocativos, desrespeitosos, desafiadores e desobedientes dos
mais novos. Entretanto, se pudéssemos nos dedicar por alguns momentos à auto-observação, constataríamos essas
características também em nós, adultos.
Mas são os mais novos que levam a pior nessa história: crianças e adolescentes que desobedecem, desafiam e têm
comportamentos considerados agressivos, como os nossos, podem receber diagnósticos e orientação para tratamento.
Conheço famílias com filhos diagnosticados com “Transtorno Desafiador Opositivo”, porque têm comportamentos típicos da
idade.
Há uma grande preocupação global com a nossa atual falta de empatia. Um sinal disso foi a inauguração, em Londres, do
primeiro Museu da Empatia.
108 Q2259865 >
Português Morfologia - Verbos
Provas: Instituto Consulplan - 2023 - Prefeitura de Jequié - BA
- Pedagogo – SEDES ...
Nele, os visitantes são convocados a experimentar/enxergar o mundo pelo olhar de um outro – não próximo ou
conhecido, mas um outro com quem eles não têm qualquer relação. A expressão que deu sentido ao museu é a expressão
inglesa in your shoes(em seus sapatos), que em língua portuguesa significa “em seu lugar”.
Os visitantes se deparam, na entrada, com uma caixa com diferentes pares de sapatos usados. Escolhem um de seu
número para calçar e recebem um áudio que conta uma parte da história da pessoa que foi dona daquele par.
Desenvolver a empatia é uma condição absolutamente necessária para ensiná-la aos mais novos. Aliás, eles podem tê-la
mais facilmente do que nós.
Um pai me contou, comovido, que conversava com um amigo a respeito da situação de muitos refugiados de países em
guerra e que comentou que não adiantava a busca por outro local, já que a crise de empregos era mundial. Seu filho, de
sete anos, que estava por perto, perguntou de imediato: “Pai, se tivesse guerra aqui, você preferiria que eu morresse?”. Ele
mudou de ideia.
Estacionar o carro em vaga de idosos, grávidas e portadores de deficiência é mais do que contravenção: é falta de
empatia. Reclamar da lentidão dos velhos é mais do que desrespeito: é falta de empatia. Agredir ostensivamente o outro
por suas posições é mais do que dificuldade em lidar comas diferenças: é falta de empatia. O mesmo modo, reclamar do
comportamento dos mais novos é falta de empatia.
A empatia pode provocar uma grande mudança social, diz Roman Krznari, estudioso do tema. Vamos desenvolvê-la para
ensiná-la?
(SAYÃO, Rosely. Disponível em: http://www.udemo.org.br/2015/ Leituras/Leituras15_0046-15_No%20lugar-do-outro.html.
Acesso em: 05/06/2023.)
De acordo com o texto, “Crianças e adolescentes já dão sinais claros de que têm aprendido muito com nossa dificuldade
em conviver com as diferenças e de respeitá-las; de tentar colocar-se no lugar do outro para compreender suas posições e
atitudes; de ter compaixão; de conflitar em vez de confrontar; de agir com doçura, por exemplo.” (2º§). A respeito do
verbo sublinhado, é correto afirmar que ele se classifica como:
A De ligação.
B Intransitivo.
C Transitivo direto.
D Transitivo indireto.
Ano: 2024 Banca: Instituto Consulplan Órgão: Prefeitura de Iúna - ES
A cartomante
Não havia dúvida que naqueles atrasos e atrapalhações de sua vida alguma influência misteriosa preponderava. Era ele
tentar qualquer coisa, logo tudo mudava. Esteve quase para arranjar-se na saúde pública; mas assim que obteve um bom
“pistolão”, toda a política mudou. Se jogava no bicho, era sempre o grupo seguinte ou o anterior que dava. Tudo parecia
mostrar-lhe que ele não deveria ir para diante. Se não fossem as costuras da mulher, não sabia bem como poderia ter
vivido até ali. Há cinco anos que não recebia vintém de seu trabalho. Uma nota de dois mil-réis, se alcançava ter na algibeira
por vezes, era obtida com o auxílio de não sabia quantas humilhações, apelando para a generosidade dos amigos.
Queria fugir, fugir para bem longe, onde a sua miséria atual não tivesse o realce da prosperidade passada; mas, como
fugir? Onde havia de buscar dinheiro que o transportasse, a ele, à mulher e aos filhos? Viver assim era terrível! Preso à sua
vergonha como a uma calceta, sem que nenhum código e juiz tivessem condenado, que martírio!
A certeza, porém, de que todas as suas infelicidades vinham de uma influência misteriosa, deu-lhe mais alento. Se era
“coisa-feita”, havia de haver por força quem a desfizesse. Acordou mais alegre e se não falou à mulher alegremente era
porque ela já havia saído. Pobre de sua mulher! Avelhantada precocemente, trabalhando que nem uma moura, doente,
entretanto a sua fragilidade transformava-se em energia para manter o casal.
Ela saía, virava a cidade, trazia costuras, recebia dinheiro, e aquele angustioso lar ia se arrastando, graças aos esforços da
esposa. Bem! As coisas iam mudar! Ele iria a uma cartomante e havia de descobrir o que é que atrasava sua vida.
Saiu, foi à venda e consultou o jornal. Havia muitos videntes, espíritas, teósofos anunciados; mas simpatizou com uma
cartomante, cujo anúncio dizia assim: “Madame Dadá, sonâmbula, extralúcida, deita as cartas e desfaz toda a espécie de
feitiçaria, principalmente a africana. Rua, etc.”. Não quis procurar outra; era aquela, pois já adquirira a convicção de que
aquela sua vida vinha sendo trabalhada pela mandinga de algum preto-mina, a soldo do seu cunhado, Castrioto, que jamais
vira com bons olhos o seu casamento com a irmã.
Arranjou com o primeiro conhecido que encontrou o dinheiro necessário, e correu depressa para a casa de Madame
Dadá.
O mistério ia desfazer-se e o malefício ser cortado. A abastança voltaria a casa; compraria um terno para Zezé, umas
botinas para Alice, a filha mais moça; e aquela cruciante vida de cinco anos havia de lhe ficar na memória como passageiro
pesadelo.
109 Q2525067 >
Português Morfologia , Advérbios
Prova: Instituto Consulplan - 2024 - Prefeitura de Iúna - ES -
Auxiliar Administrativo
Pelo caminho tudo lhe sorria. Era o sol muito claro, e doce, um sol de junho; eram as fisionomias risonhas dos
transeuntes; e o mundo que até ali lhe aparecia mau e turvo, repentinamente lhe surgia claro e doce.
Entrou, esperou um pouco, com o coração a lhe saltar do peito. O consulente saiu e ele foi afinal à presença da
pitonisa. Era sua mulher.
(Contos completos de Lima Barreto. Por: Lima Barreto. 2010. Adaptado.)
Considerando as informações do texto, assinale a afirmativa indevida.
A “Preso à sua vergonha como a uma calceta, [...]” (2º§) A expressão “calceta” significa “algema”.
B
Em “Acordou mais alegre e se não falou à mulher alegremente era porque ela já havia saído.” (3º§), a palavra sublinhada
exprime circunstância de intensidade.
C
Em “A certeza, porém, de que todas as suas infelicidades vinham de uma influência misteriosa, [...]” (3º§), o termo “porém”
pode ser substituído sem perda semântica por “no entanto”.
D
No fragmento “Não quis procurar outra; era aquela, pois já adquirira a convicção de que aquela sua vida vinha sendo
trabalhada pela mandinga [...]” (7º§), a expressão “aquela” se refere à cartomante – madame Dadá.
Ano: 2023 Banca: Instituto Consulplan Órgão: CORE-PB
Os desafios impostos pelo crescimento populacional em ritmo mais lento
A situação revelada pelo novo Censo pode se converter em oportunidade.
Durante o século XX, o Brasil se consolidou como um país de famílias numerosas e gente jovem em profusão, com
maternidades sempre cheias e abundância de braços para abastecer o mercado de trabalho, que floresceu de mãos dadas
com um acelerado processo de urbanização. Mas a passagem do tempo vem chacoalhando os pilares demográficos e
trazendo ao país um cenário de profundas transformações, tal qual ocorre nas nações mais desenvolvidas. A constante
diminuição dos nascimentos, aliada ao avanço dos idosos, confere à sociedade uma nova face e planta complexos desafios
no horizonte. O primeiro deles, impensável meio século atrás, é como perseguir a prosperidade quando a população cresce
cada vez mais vagarosamente e caminha para o encolhimento no médio prazo, segundo mostra o recém-divulgado Censo,
elaborado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O tão aguardado levantamento, que veio à luz com dois anos de atraso, indica que o país atingiu a marca de 203,1
milhões de habitantes, apenas 12 milhões a mais do que na última aferição, em 2010. O que mais chama a atenção é o
lento ritmo de expansão do contingente — 0,52% ao ano em uma década, um recorde negativo. Desde 1872, data da
pioneira pesquisa censitária no Brasil, ainda na era imperial, até os dias de hoje, nunca a velocidade de aumento
populacional havia sido tão arrastada. Os números causaram espanto aos especialistas — projeções estimavam mais 10
milhões de pessoas além da atual contagem. “O país está envelhecendo mais rapidamente do que se sabia e, para embalar
sua economia, precisará registrar ganhos de produtividade, destravando freios ao crescimento e investindo em educação”,
diz o demógrafo José Eustáquio Alves.
Que uma transição demográfica está em curso acelerado não há dúvida. Mas os estudiosos lançam sobre as estatísticas
saídas do forno do IBGE um ponto de interrogação quanto a sua precisão. Essa foi, de fato, uma rodada cercada de fatos
atípicos, pelo menos 1 milhão se recusaram a receber os funcionários do instituto. Mesmo que esse conjunto de fatores
tenha influenciado o resultado final (alguns demógrafos sérios calculam a população em 207 milhões, 2% a mais que o
divulgado), há unanimidade sobre a direção para a qual o Brasil anda: é uma nação que, inevitavelmente, logo percorrerá a
trilha da redução populacional.
Historicamente, a população só fazia engordar até chegar ao ápice, nos anos de 1950. A partir daí, foi gradativamente
perdendo impulso. O movimento é, em parte, um retrato de mudanças relevantes na sociedade, como o adiamento dos
casamentos e o maciço ingresso das mulheres no mercado de trabalho, o que se refletiu na queda do número de filhos.
Questões conjunturais também contribuíram para as transformações, entre elas o quadro de baixo crescimento
econômico — outro desestímulo à maternidade e um empurrão à emigração. Na última década, pulou de 1,9 milhão para
4,2 milhões o número de brasileiros vivendo fora, mais uma marca inédita. “Também o zika vírus e a pandemia derrubaram
a natalidade e fizeram a mortalidade subir”, observa José Eustáquio.
Com tudo isso, a bem-vinda janela do bônus demográfico, que se abre quando o número de pessoas em idade ativa
supera o de crianças e idosos, deve se fechar por volta de 2035, uma década antes do esperado. Nenhum país conta para
sempre com superavit de jovens, mas o problema no Brasil é que eles minguaram sem que a economia tenha se
beneficiado como poderia. Nação mais envelhecida do planeta, o Japão, por exemplo, escalou a um patamar de renda alto
antes de acumular cabeças brancas. “Aqui, estamos envelhecendo antes de ficarmos ricos, mas ainda temos pela frente uns
dez anos de bônus demográfico, e eles precisam ser bem aproveitados”, afirma o economista Maílson da Nóbrega.
A equação para isso envolve a superação de velhos gargalos, como desemperrar a burocracia, desenrolar o sistema
tributário, investir para valer em infraestrutura e dar graúdos estímulos à inovação. Em paralelo, é mandatório canalizar
esforços para prover boa educação, trilha conhecida para alcançar os tais ganhos de produtividade, fazendo mais com
menos gente — esse um mantra dos tempos atuais já vastamente abraçado pelos envelhecidos países da OCDE, o grupo
dos mais desenvolvidos.
O panorama agora traçado pelo Censo enfatiza o sentido de urgência de tais medidas. Pela primeira vez, oito entre os
vinte municípios mais populosos retrocederam em habitantes. Ao todo, 864 cidades devem perder população — um
110 Q2252541 >
Português Morfologia - Pronomes
Prova: Instituto Consulplan - 2023 - CORE-PB - Assistente Jurídico
tremendo vespeiro, uma vez que a distribuição de verbas federais é proporcional ao número de residentes.
Além do envelhecimento de suas pirâmides etárias, essas cidades vêm registrando pouco dinamismo na economia, com
fuga de empresas para regiões mais efervescentes. “O que mantém a população em determinado lugar é a possibilidade de
se inserir na cadeia produtiva. Do contrário, há migração”, afirma o demógrafo Roberto Carmo, da Unicamp. O
levantamento do IBGE também sinaliza para transformações que repercutem no campo da sociologia: há 34% mais lares
onde vive uma única pessoa, reflexo do adiamento nos casamentos e do aumento da longevidade “Preferi me dedicar à
carreira a casar cedo”, relata a cabeleireira Paloma Malta, de São Paulo.
O quadro pintado pelo IBGE não destoa da parcela mais abastada do planeta. Entre os mais ricos, como os Estados
Unidos e países da União Europeia, a fecundidade média é de 1,6 filho por mulher (versus 1,7 no Brasil) — menor, portanto,
do que a taxa de reposição, de 2,1 filhos por casal, necessária para evitar o declínio populacional. O escasseamento de
nascimentos em contraste ao volume de idosos já trazem consequências, entre elas o estrangulamento dos sistemas
previdenciários e a falta de cérebros para exercer certas funções, o que nações como Canadá e também os Estados Unidos
amenizam com a atração de estrangeiros. Outra estratégia é fornecer vantagens para que as pessoas sigam trabalhando.
“Países que não estão se mexendo para conter a queda populacional já enfrentam estagnação, como é o caso do Japão”,
lembra a economista Melissa Kearney, da Universidade de Maryland.
Em tempos não tão remotos assim, o que assombrava o universo da demografia era a superpopulação da Terra, que teve
no reverendo e economista britânico Thomas Malthus (1776-1834) seu maior catastrofista. É dele a teoria de que seria
impossível alimentar tantas bocas numa época em que a produção de comida não acompanhava a multiplicação de
indivíduos. Mas aí entrou em cena a capacidade inovadora, proporcionando avanços tecnológicos notáveis e ganhos de
produtividade, sobretudo dos celeiros alimentares — e assim a fome não grassou. Agora, debruçada sobre uma questão de
sinal inverso, novamente a espécie precisa exercer sua extraordinária inteligência para saltar obstáculos, podendo até se
beneficiar da situação. “Com menos pessoas, dá para investir mais na saúde e na educação de cada um, e o meio ambiente
é naturalmente menos castigado”, diz José Eustáquio. É um bom caminho, que põe a engenhosidade humana à prova.
(Ernesto Neves. Disponível em: https://veja.abril.com.br/brasil/osdesafios-impostos-pelo-crescimento-populacional-em-
ritmo-maislento/. Acesso em: 03/06/2023. Fragmento. Adaptado.)
Em “Em paralelo, é mandatório canalizar esforços para prover boa educação, trilha conhecida para alcançar os tais ganhos
de produtividade, fazendo mais com menos gente — esse um mantra dos tempos atuais já vastamente abraçado pelos
envelhecidos países da OCDE, o grupo dos mais desenvolvidos.” (6º§), o emprego do pronome “esse” se explica por
A retomar o que foi dito anteriormente.
B indicar uma distância entre os interlocutores.
C chamar atenção sobre o que foi dito posteriormente.
D indicar um afastamento no tempo ou uma época anterior ao período em que o texto foi escrito.
Ano: 2023 Banca: Instituto Consulplan Órgão: Prefeitura de Nova Friburgo - RJ
Apelo
Amanhã faz um mês que a Senhora está longe de casa. Primeiros dias, para dizer a verdade, não senti falta, bom
chegar tarde, esquecido na conversa de esquina. Não foi ausência por uma semana: o batom ainda no lenço, o prato na
mesa por engano, a imagem de relance no espelho.
Com os dias, Senhora, o leite primeira vez coalhou. A notícia de sua perda veio aos poucos: a pilha de jornais ali no
chão, ninguém os guardou debaixo da escada. Toda a casa era um corredor deserto, e até o canário ficou mudo. Para não
dar parte de fraco, ah, Senhora, fui beber com os amigos. Uma hora da noite e eles se iam e eu ficava só, sem o perdão de
sua presença a todas as aflições do dia, como a última luz na varanda.
E comecei a sentir falta das pequenas brigas por causa do tempero na salada − o meu jeito de querer bem. Acaso é
saudade, Senhora? Às suas violetas, na janela, não lhes poupei água e elas murcham. Não tenho botão na camisa, calço a
meia furada. Que fim levou o saca-rolhas?
Nenhum de nós sabe, sem a Senhora, conversar com os outros: bocas raivosas mastigando.
Venha para casa, Senhora, por favor.
(TREVISAN, Dalton. Mistérios de Curitiba. 5ª ed. Rio de Janeiro: Record, 1996.)
Numa linguagem bem simples podemos afirmar que a morfologia tem por objeto, ou objetivo de estudo, as
palavras dentro da nossa Língua, as quais são agrupadas em classes gramaticais ou classes de palavras. Em outras
palavras, “é o estudo da estrutura e dos processos de flexão e formação dos vocábulos, bem como a classificação
dos mesmos”. Assinale a alternativa em que o termo destacado NÃO pertence à mesma classe gramatical dos
demais.
111 Q2321935 >
Português Morfologia , Advérbios
Provas: Instituto Consulplan - 2023 - Prefeitura de
Nova Friburgo - RJ - Agente Administrativo ...
A “Uma hora da noite e eles se iam e eu ficava só, [...]” (2º§)
B “Amanhã faz um mês que a Senhora está longe de casa.” (1º§)
C “Não foi ausência por uma semana: o batom ainda no lenço, [...]” (1º§)
D “[...] a pilha de jornais ali no chão, ninguém os guardou debaixo da escada.” (2º§)
Ano: 2023 Banca: Instituto Consulplan Órgão: Prefeitura de Nova Friburgo - RJ
As expressões evidenciadas nas frases a seguir são preposição, EXCETO:
A “Acaso é saudade, Senhora?” (3º§)
B “[...] e até o canário ficou mudo.” (2º§)
C “Não foi ausência por uma semana: [...]” (1º§)
D “[...] sem o perdão de sua presença a todas as aflições do dia, [...]” (2º§)
Ano: 2024 Banca: Instituto Consulplan Órgão: Prefeitura de Cacoal - RO
Os adolescentes, a criatividade, as bolhas e os algoritmos
País do futebol arte, da bossa nova, do carnaval espetáculo, do cinema novo e de tantas outras formas de arte
admiráveis. Essas sempre foram justificativas para que o Brasil fosse visto como um país criativo, que inova em diversas
situações. Por isso, qual não foi a surpresa quando o Pisa, a avaliação internacional para estudantes com 15 anos, realizada
pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), divulgou os resultados do exame de 2022 no
quesito pensamento criativo: estamos no 49º lugar, com 23 pontos.
Desde o ano 2000, o Pisa avalia os conhecimentos gerais em matemática, ciências e leitura de alunos de escolas públicas
e particulares, e essa foi a primeira vez em que a criatividade foi considerada nas respostas. Com o tema “Mentes criativas e
escolas criativas”, a proposta era avaliar como os diferentes países integram a criatividade nos currículos escolares, com o
objetivo de formar cidadãos capazes de explorar novas perspectivas para solucionar problemas de maneira original e eficaz.
Mas por que será que o Brasil apareceu entre os 12 piores resultados?
Especialistas analisam a questão sob diferentes perspectivas: a escola brasileira precisa ser um ambiente mais propício à
criatividade, oferecendo mais espaço para disciplinas e atividades que estimulem os alunos a buscarem alternativas novas
para os problemas cotidianos e não apenas focar nas disciplinas obrigatórias; os educadores precisam ser melhor formados
para implementar atividades e projetos que desenvolvam diferentes competências e habilidades artísticas e inovadoras nas
crianças e jovens; os brasileiros são um dos públicos que mais tempo passa em frente às telas de celulares e tablets e, por
fim, há quem chame a atenção para as imensas desigualdades de toda ordem existentes em nosso país, que dificultam o
aprendizado de conteúdos básicos como leitura, escrita e cálculo.
Todas as análises fazem sentido, porém, questões complexas como essa pedem respostas na mesma linha. Há uma crise
de criatividade entre as crianças e jovens das novas gerações, e isso é um sinal de que há algo acontecendo nos corações e
mentes desse público no mundo inteiro. Como sabemos, a adolescência é a fase de transição entre a infância e a vida
adulta, e traz, em seu bojo, a dicotomia entre a saudade dos tempos pueris e o desejo de desbravar o desconhecido, de
preferência, por conta e risco. Em tempos em que as conexões digitais têm tomado o espaço precioso das interações reais
em que se aprendia a solucionar os problemas por meio da experiência concreta de ter de lidar cara a cara com o diferente
e o diverso, assistimos a esses indivíduos aguardando que os algoritmos e sistemas de busca lhes forneçam todas as
respostas. E como as máquinas ainda não dão conta da miríade de possibilidades que as relações nos oferecem para a
resolução dos problemas, temos meninos e meninas mais acomodados, passivos, entediados. Como exercer a criatividade
em uma bolha na qual todos pensam e agem de maneira igual? Como buscar novas visões sobre o que nos rodeia com um
algoritmo nos propondo, sem cessar, mais conteúdos sobre o que gostamos e com os quais nos sentimos mais
confortáveis?
Essas são perguntas que também nós, adultos, temos de nos fazer. Não só como educadores dessa nova geração, mas
como indivíduos e cidadãos. Sair das bolhas, combater a polarização e tudo o que nos divide e desumaniza é um exercício
cotidiano de criatividade. “Consumimos sempre as mesmas coisas nas redes, ignorando o que é diferente. Por isso, é
112 Q2321936 >
Português Morfologia , Preposições
Provas: Instituto Consulplan - 2023 - Prefeitura de
Nova Friburgo - RJ - Agente Administrativo ...
113 Q3087664 >
Português Morfologia , Adjetivos
Provas: Instituto Consulplan - 2024 - Prefeitura de Cacoal -
RO - Biomédico ...
sempre bom dar um nó no algoritmo. Ouvir playlists fora do que estamos acostumados, andar por regiões diferentes,
escutar o que os outros pensam, nos relacionar com pessoas que trazem olhares diferentes das coisas”, aconselha a
jornalista e especialista em comunicação digital Pollyana Ferrari, autora do livro “Como sair das bolhas”. Olhar para além
das redes é, sobretudo, um exercício de manutenção da saúde mental, mas, como tudo o que envolve um certo esforço e
nos desacomoda, torna-se um grande desafio. E andamos cansados demais para dar conta desses e de tantos outros que a
vida contemporânea tem nos colocado.
É interessante observar como a aparente facilidade que nos é oferecida pelos algoritmos e bolhas vai diminuindo não
apenas a nossa criatividade e criticidade. Eles, ao moldarem nossos gostos e necessidades, resumem as nossas preferências
a meia dúzia de coisas que conduzem a uma reprodução automática, gerando tédio e desinteresse pelo que nem sabemos
existir. Como afirmou um estudante que entrevistamos para o podcast “curti, e daí?”: “Eu estava no TikTok e apareceu um
vídeo para mim. Coisas que eu mais gosto, e aí, todas as coisas que apareceram no vídeo eram as coisas que eu mais
gostava de fazer. Eu percebo que a cada dia isso é mais evidente, como se fosse diminuindo tudo que eu gosto mais, sabe?
Como se fosse compactando as coisas que eu mais gosto…”.
Ter consciência do que nos acontece é sempre um bom começo. Porém, é preciso lembrar do porquê de estarmos nas
redes: em busca da sensação de pertencimento, algo que é fundamental para o ser humano e mais ainda para aqueles que
estão em formação. Estamos sempre à procura de afeto e reconhecimento, e nas redes isso vem de maneira rápida e
volumosa, traduzido por cliques e likes. “Desinformação, fake news, tudo é sintoma. Tire-as da reta e o problema continuará
ali, igual, de pé. Porque o problema principal é o do alinhamento de identidades e de como é reconfortante estar num
grupo homogêneo. Toda conversa, nas redes sociais, se torna um ritual de reafirmação dessa identidade alinhada. Somos
atores num palco eternamente demonstrando o quanto somos parecidos com os nossos e distintos daqueles outros”, alerta
o jornalista Pedro Dória em seu artigo “A rede social perfeita para as democracias”, publicado no Canal Meio.
Nesse sentido, cabe-nos perguntar não apenas por que vivemos uma crise de criatividade, mas sobretudo por que não
conseguimos nos encontrar nos espaços que promovem o diálogo, a interação corpo a corpo, que estimulam a imaginação
nos trazendo novas paisagens (físicas e ficcionais). Precisamos recuperar a nossa capacidade de imaginar para além dos
fatos, dados e informações, já que estamos inundados por eles. Um bom começo pode estar no resgate de alguns sonhos e
projetos que não estão no nosso feed. Não requer muito esforço, apenas iniciativa, atitude indissociável da criatividade.
(Disponível em: https://www.nexojornal.com.br/colunistas/2024/07/04/os-adolescentes-a-criatividade-as-bolhas-e-os-
algoritmos. Acesso em: setembro de 2024. Adaptado.)
A língua, por ser um organismo dinâmico, permite que determinadas palavras adquiram valor de outras classes gramaticais,
como ocorre no processo de substantivação, que é a atribuição de funções de substantivo a alguma outra palavra como,
por exemplo, a um adjetivo. Considerando essas informações, assinale a alternativa em que há presença de adjetivo
substantivado.
A “Especialistas analisam a questão sob diferentes perspectivas: [...]” (3º§)
B “[...] os brasileiros são um dos públicos que mais tempo passa em frente [...]” (3º§)
C “[...] divulgou os resultados do exame de 2022 no quesito pensamento criativo: [...]” (1º§)
D “‘Toda conversa [...] se torna um ritual de reafirmação dessa identidade alinhada.’” (7º§)
Ano: 2024 Banca: Instituto Consulplan Órgão: Prefeitura de Cacoal - RO
Em qual alternativa o pronome anafórico destacado teve seu referente INCORRETAMENTE apontado?
A “[...] já que estamos inundados por eles.” (8º§) – diálogo e interação.
B “[...] com os quais nos sentimos mais confortáveis?” (4º§) – conteúdos.
C “[...] sistemas de busca lhes forneçam todas as respostas.” (4º§) – indivíduos.
D “Tire-as da reta e o problema continuará ali, [...]” (7º§) – desinformação e fake news.
Ano: 2024 Banca: Instituto Consulplan Órgão: Prefeitura de Nova Iguaçu - RJ
Felicidade em excesso pode fazer mal
114 Q3087667 >
Português Morfologia - Pronomes
Provas: Instituto Consulplan - 2024 - Prefeitura de Cacoal -
RO - Biomédico ...
115 Q2503958 >
Português Morfologia - Verbos
Prova: Instituto Consulplan - 2024 - Prefeitura de Nova
Iguaçu - RJ - Auxiliar de Serviços Gerais - II
Não há dúvida de que ser feliz é bom, mas em excesso pode ser um veneno. E, quanto mais procuramos a felicidade,
menos somos felizes. Conheça o lado B da felicidade.
Ser feliz é uma das maiores preocupações de nossa sociedade hoje. Ela se manifesta na cultura popular, em livros de
autoajuda, terapias e palestras de motivação. Não é para menos. Há fortes evidências sobre os benefícios de ter mais
emoções positivas, menos emoções negativas e de estar satisfeito com a vida – os três pilares da felicidade. No entanto,
essa história também tem dois lados. Se for vivida em excesso, na hora errada e no lugar errado, a felicidade pode levar a
resultados indesejados. E, inclusive, não ser saudável.
É o que indicam estudos recentes. Níveis moderados de emoções positivas favorecem a criatividade, mas níveis altos
não. Crianças altamente alegres estão associadas com o maior risco de mortalidade na idade adulta por seu envolvimento
em comportamentos arriscados. Isso porque uma pessoa muito feliz teria menos probabilidade de discernir as ameaças
iminentes. Aqui, na Universidade de Yale, nos Estados Unidos, fizemos uma pesquisa com 20 mil participantes saudáveis de
16 países. E encontramos os maiores níveis de bem-estar naqueles que tinham uma relação moderada entre emoções
positivas e negativas em sua vida diária. Também vimos que níveis moderados (não extremos) de sentimentos positivos
estão ligados à redução de sintomas de depressão e ansiedade, além do aumento da satisfação pessoal.
Como você pode perceber, felicidade não é uma só. Ela vem em diferentes sabores. Varia, por exemplo, segundo a
dimensão do estímulo (excitação x calma) ou do engajamento social (compaixão x orgulho). Certos tipos de felicidade são
muito autofocados e, por isso, acabam sendo mal-adaptados. É o caso do orgulho, geralmente ligado às conquistas e ao
status social. O orgulho pode ser bom em certos contextos, mas também tem sido associado à agressividade e ao risco de
desenvolver transtornos de humor, como a mania.
A própria busca por ser feliz também pode ser contraproducente. Muitas vezes, aliás, quanto mais as pessoas procuram
a felicidade, menos parecem capazes de obtê-la. A razão é simples: elas concentram tanta energia e expectativa nesse
esforço que os eventos felizes, como festas e encontros com amigos, acabam sendo decepcionantes. Em adultos jovens e
saudáveis, essa busca incessante pela felicidade tem sido ligada ao maior risco de mania e depressão.
O que fazer então? É impossível ser feliz o tempo todo ou em todo lugar. Não vale a pena nem tentar. Pense na situação
em que você deseja (ou é mais relevante para você) ser feliz. E não se esqueça: não desmereça os sentimentos negativos. A
tristeza, por exemplo, é parte da experiência humana e não necessariamente é ruim. Ela até nos ajuda a manter os pés no
chão.
Tentar maximizar emoções positivas e minimizar as negativas, portanto, nem sempre é uma boa. O equilíbrio é
fundamental.
(Superinteressante. June Gruber. Em: janeiro de 2012.)
Em todas as transcrições literais, as formas verbais destacadas estão flexionadas no mesmo tempo, EXCETO em:
A “O equilíbrio é fundamental.” (6º§)
B “Níveis moderados de emoções positivas favorecem a criatividade, [...]” (2º§)
C “Ela se manifesta na cultura popular, em livros de autoajuda, terapias e palestras de motivação.” (1º§)
D
“Aqui, na Universidade de Yale, nos Estados Unidos, fizemos uma pesquisa com 20 mil participantes saudáveis de 16 países.”
(2º§)
Ano: 2024 Banca: Instituto Consulplan Órgão: Prefeitura de Nova Iguaçu - RJ
Feridas antigas
Na longa espera, esperava o retorno de quem há muito partira. Os olhos dela eram um espelho das lágrimas
derramadas, noites mal dormidas. O silêncio lhe tirara o sol lhe embriagara o sangue. Sangue que não mais corria.
Rastejava-se, lânguido, por entre veias ressequidas, sem muita ideia de para onde ir. A Terra em constante movimento, mas
ela estática. O amor lhe traíra. Uma faca em seu peito num momento de distração. Seus pés fincados no chão, as solas
grossas, amalgamadas ao concreto frio.
Num certo dia, parou de olhar ao redor. Concluiu que o passado foi feito para ficar lá atrás. Um instante destruído não
poderia ser eternizado. Não poderia lhe corar as faces. Nem tombar sua consciência.
Em anos, pela primeira vez, o futuro lhe sorriu. A sombra que se lhe fizera renegar, agora, derretia-se ante a intensidade
que ela mesma carregava em estado natimorto. Soergueu-se no impacto do desejo, e descobriu-se apaixonada por si.
Quando segundos ficaram para trás, seus pés caminhavam apressados rumo ao horizonte que lhe convidava.
No caminho, encontrou com ele – ele, a razão de todo seu sofrimento. Ele sorriu-lhe feridas antigas, pediu-lhe perdões
impossíveis, jurou-lhe promessas que não cumpriria. Por um instante, ela parou. Recorreu ao que antes ignorara: uma
análise criteriosa da situação. Após pensar e meditar, sorriu-lhe acidez e despediu-se dele com um retundo:
– Vá pastar!
(Juliano Martinz. Corrosivas – Crônicas Corrosivas e Gestos de Amor, 2010.)
Os trechos a seguir foram retirados do primeiro parágrafo do texto. Assinale, a seguir, uma INCONSISTÊNCIA do que está
em destaque com a sua associação.
116 Q2503963 >
Português Morfologia , Advérbios
Prova: Instituto Consulplan - 2024 - Prefeitura de Nova
Iguaçu - RJ - Auxiliar de Serviços Gerais - II
A “O amor lhe traíra.” – artigo.
B “Sangue que não mais corria.” – verbo.
C “A Terra em constante movimento, mas ela estática.” – advérbio.
D “Rastejava-se, lânguido, por entre veias ressequidas, […]” – preposição.
Ano: 2024 Banca: Instituto Consulplan Órgão: Prefeitura de Nova Iguaçu - RJ
Em “Após pensar e meditar, sorriu-lhe acidez e despediu-se dele com um retundo:” (4º§), a palavra em destaque possui a função
de:
A Pronome.
B Interjeição.
C Conjunção.
D Preposição.
Ano: 2024 Banca: Instituto Consulplan Órgão: Prefeitura de Pouso Alegre - MG
Os cães engarrafados
“Nunca vi boa amizade nascer em leiteria”, disse certa vez Vinicius de Moraes, inveterado beberrão, para quem o melhor
termômetro de afetos era uma garrafa de uísque – uma, no caso, é modo de dizer, pois melhor se fossem duas, três,
quatro. “Uísque é o cachorro engarrafado”, concluiu, certamente depois de algumas doses. Não é improvável que esse
diagnóstico etílico tenha surgido durante um pileque com Rubem Braga, outro voraz consumidor de malte.
Além da dedicação às garrafas, os dois amigos tinham vários pontos em comum: nasceram no mesmo 1913, exerceram
postos diplomáticos e foram grandes gozadores dos prazeres da vida, apaixonando-se com tremenda facilidade. Braga, dos
nossos maiores cronistas, fez também poesia. Vinicius, dos nossos maiores poetas, também escreveu crônica. E os dois
foram, cada um ao seu modo, renomados anfitriões.
Em 1951, quando Vinicius retornou de Los Angeles, onde atuava como vice-cônsul, trouxe nada mais que 480 garrafas de
uísque, divididas em 40 caixas. Era, certamente, o maior estoque de uísque do Rio de Janeiro. Não demorou para que sua
casa, no Leblon, virasse um ponto de encontro da intelectualidade carioca.
Em Ipanema, a famosa cobertura de Rubem Braga vivia destrancada. O amigo que quisesse desfrutar daquele jardim
suspenso precisava só pegar a escadinha do décimo segundo andar e abrir a porta. O uísque estava lá à disposição. Braga,
nem sempre – às vezes, dependendo de seu humor, sequer se levantava da rede para receber a visita.
“Rubem Braga é, sabidamente, um conhecedor de passarinhos”, começa Vinicius com a advertência. Conhece tudo de tico-
tico, curió, sanhaço, cardeal, sabiá, “mas em matéria de canário trata-se de um otário completo e acabado”. O cronista vinha
pela Cinelândia quando topou com um vendedor. Ele oferecia um casal de canários numa gaiola “dividida por uma
separação levadiça em dois compartimentos, um para o macho, outro para a fêmea”. A graça era abrir a portinhola do
macho, deixá-lo voar livremente e vê-lo voltar assim que a fêmea piasse. O rapaz fez uma demonstração do número e
convenceu o cliente.
Decerto Braga se emocionou com aquele espécime masculino que trocava a liberdade pela companhia da amada.
Chegando em casa, quis rever o espetáculo. “E lá se foi o canarinho pelo azul afora, em lindas evoluções”, até que a fêmea o
chamasse. Ele voltou e ficou parado diante da portinhola, sem entrar. Braga, apreensivo, tentou atraí-lo com uma suculenta
folha de alface, mas o bicho não bicou a isca. E a fêmea, no descuido do cronista que procurava um encaixe para a verdura,
“fez força com o biquinho e acabou por erguer a portinhola”. Dali para o Jardim Botânico não teve nem graça. “Canário, hein
Braguinha?”, cutucou o amigo.
De Braga para Vinicius, a primeira homenagem veio durante a temporada norte-americana do poeta, período em que
ficou cinco anos sem retornar para o Brasil. Do Rio, o colega enviou-lhe um “Bilhete para Los Angeles”, um dos poucos de sua
diminuta lavra de poemas. Os versos de escárnio são puro carinho de mãos ásperas. “Só queres amor e ócio/capadócio!” e
“Tanto mal que já fizeste/cafajeste!”, querem dizer, na verdade, “Deus te dê vida e saúde/em Hollywood!”.
Poucos meses depois de Vinicius morrer, em 1980, Braga voltou a escrever para ele, agora com uma notícia grave: a
primavera tinha chegado e aquela era a primeira, desde 1913, sem a participação do poeta. Sabendo do hábito epistolar
dos amigos, “Recado de primavera” fica ainda mais comovente. “Seu nome virou placa de rua; e nessa rua, que tem seu
nome na placa, vi ontem três garotas de Ipanema que usavam minissaias.” O mar estava virado, e da varanda do cronista
117 Q2503965 >
Português Morfologia , Preposições
Prova: Instituto Consulplan - 2024 - Prefeitura de Nova
Iguaçu - RJ - Auxiliar de Serviços Gerais - II
118 Q2605096 >
Português Morfologia - Verbos
Prova: Instituto Consulplan - 2024 - Prefeitura de
Pouso Alegre - MG - Agente Administrativo
era possível ver “uma vaga de espuma galgar o costão sul da ilha das Palmas” – tudo isso, diz, são “violências primaveris”.
Um tico-tico, “com uma folhinha seca de capim no bico”, começara a construir seu ninho. E as “moitas de azaleias e manacás
em flor” traziam promessas da vida. “O tempo vai passando, poeta”, arremata Rubem. “Chega a primavera nesta Ipanema,
toda cheia de sua música e de seus versos. Eu ainda vou ficando um pouco por aqui – a vigiar, em seu nome, as ondas, os
tico-ticos e as moças em flor. Adeus.”
(TAUIL, Guilherme. Disponível em: https://cronicabrasileira.org.br/. Acesso em: 22/03/2024.)
Considere o verbo sublinhado no trecho: “Conhece tudo de tico-tico, curió, sanhaço, cardeal, sabiá, ‘mas em matéria de canário
trata-se de um otário completo e acabado’.” (5º§). Ao considerar o contexto em que se insere, é correto afirmar que seu
sujeito pode ser corretamente classificado como:
A Simples.
B Inexistente.
C Desinencial.
D Indeterminado.
Ano: 2024 Banca: Instituto Consulplan Órgão: Prefeitura de Pouso Alegre - MG
Considere o termo sublinhado no trecho “Decerto Braga se emocionou com aquele espécime masculino que trocava a liberdade
pela companhia da amada.” (6º§). Caso reescrita a frase, os advérbios/locuções adverbiais dispostos nas alternativas
corretamente o poderiam substituir sem alteração de sentido, EXCETO:
A Certamente.
B Com certeza.
C Sisudamente.
D De modo certo.
Ano: 2024 Banca: Instituto Consulplan Órgão: Prefeitura de Divinópolis - MG
O taxista de cabelo branco
Dos taxistas aqui da esquina, só sei o nome do Adão. Na primeira vez que peguei seu táxi, ele apontou para fora da
janela, disse “olha só, as goiabeiras da Henrique Schaumann tão carregadas” e, quando reparei nas goiabas que brotavam no
canteiro central da avenida, já éramos amigos de infância. Adão conhece todas as árvores frutíferas espalhadas pela cidade
e, sempre que me leva a algum lugar, faz um relatório detalhado de seu esparso pomar: conta que as jacas do parque da
Luz tão quase caindo em cima dos carros, que a mangueira da avenida Pacaembu tá atraindo um bando de maritacas, que
houve um bafafá na zona leste porque a prefeitura ameaçou cortar um abacateiro, lá na rua Padre Adelino.
Muito diferente do Adão é o taxista de cabelo branco. Seu nome não sei e admito que, até a última quinta, não estava
interessado em saber. Havia, entre mim e o taxista de cabelo branco, um certo desconforto. Veja, não sou homem de
alimentar inimizades e costumo preferir o acordo ao conflito, mas em algumas ocasiões não há consenso possível: antes da
última Copa do Mundo eu reclamei do Dunga, o sujeito resolveu apoiar o obtuso treinador e, irritado, fez um longo discurso
defendendo a supremacia da prudência, da ordem e da disciplina sobre a ousadia, a criatividade e a beleza – como eu
poderia ficar calado?
Estou longe de ser um aventureiro. Sou caseiro e covarde como um cocker-spaniel. Talvez por isso mesmo, por procurar
no mundo o que não trago em mim, é que prefira o gol de bicicleta, o “Soneto da fidelidade” e um solo de chaleira de
Hermeto Pascoal à seleção alemã, aos enxadristas russos, à ponte Rio-Niterói. O taxista de cabelo branco, contudo, não
pensa como eu. Quando tentei convencê-lo de que o futebol não tinha nenhum sentido senão pela beleza, ele riu, e, como
todos os arautos da mediocridade, mencionou 82 com desprezo. Eu afirmei que preferia a derrota de 82 à vitória de 94, e
foi aí que a conversa melou de vez; ele bufou, ligou o rádio e aquele ruído instalou-se entre nós, definitivamente.
Não, não definitivamente. Na última quinta, eu e o taxista de cabelo branco estávamos na Vinte e Três de Maio, a
caminho de Congonhas, imersos em nossa silenciosa discórdia, quando tocou meu celular. Durante os últimos meses, eu e
minha mulher vínhamos procurando um lugar para morar. Depois de um sem-número de tristes visitas a quintais
azulejados, pesadelos de cerejeira & esquadrias de alumínio, finalmente encontramos uma linda casa com jardim, uma
mesa à sombra duma jabuticabeira, onde vislumbramos cafés da manhã que entrariam pela tarde, almoços que entrariam
pela noite e os filhos, claro, que em breve entrarão em nossas vidas. Fizemos uma proposta um pouco abaixo do que o
119 Q2605097 >
Português Morfologia , Advérbios
Prova: Instituto Consulplan - 2024 - Prefeitura de
Pouso Alegre - MG - Agente Administrativo
120 Q3045114 >
Português Morfologia - Verbos
Provas: Instituto Consulplan - 2024 - Prefeitura de
Divinópolis - MG - Atendente Consultório Dentário - PSF ...
proprietário estava pedindo, ele ficou de pensar, sumiu e, quando já estávamos quase desistindo de receber uma resposta,
eis que meu celular começa a tremer e gritar, exibindo o nome do homem na telinha, pequeno oráculo de cristal líquido.
Atendi, nervoso. Ele disse que topava, fechamos negócio.
Quando desliguei, já estávamos no aeroporto, o carro encostando no meio-fio, com o pisca-alerta ligado. “Comprei uma
casa!”, eu disse, exultante, ao motorista. “Vou pegar dinheiro do banco, vou pagar juros por muitos e muitos anos, mas terei
uma casa!”. O taxista de cabelo branco me sorriu, genuinamente feliz. “Não tem problema pagar pro banco. Importante é
que a casa é sua. É um grande passo na vida.”
Sorri de volta, entendendo e compartilhando a alegria de meu ex-antípoda: endividar-se para garantir um teto e um
jardim era o meio caminho entre nós dois, um ato contendo a mesma medida de ousadia e prudência. Apertamos as mãos
e fui para o Rio de Janeiro, contente com meu futuro e acreditando na concórdia universal.
(À maneira de Braga: O taxista de cabelo branco, por Antonio Prata. Literatura. Equipe IMS. Em: junho de 2011.)
Em todas as transcrições textuais, as formas verbais sublinhadas estão flexionadas no mesmo tempo, EXCETO, em:
A “Atendi, nervoso.” (4º§)
B “Adão conhece todas as árvores frutíferas [...]” (1º§)
C “O taxista de cabelo branco me sorriu, genuinamente feliz.” (5º§)
D “[...] antes da última Copa do Mundo eu reclamei do Dunga, [...]” (2º§)
Respostas
101: D 102: A 103: A 104: C 105: A 106: B 107: D 108: C 109: B 110: A 111: A
112: A 113: B 114: A 115: D 116: C 117: D 118: X 119: C 120: B
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  • 1.
    www.qconcursos.com Ano: 2024 Banca:Instituto Consulplan Órgão: Prefeitura de Além Paraíba - MG Feliz por nada Geralmente, quando uma pessoa exclama Estou tão feliz!, é porque engatou um novo amor, conseguiu uma promoção, ganhou uma bolsa de estudos, perdeu os quilos que precisava ou algo do tipo. Há sempre um porquê. Eu costumo torcer para que essa felicidade dure um bom tempo, mas sei que as novidades envelhecem e que não é seguro se sentir feliz apenas por atingimento de metas. Muito melhor é ser feliz por nada. Digamos: feliz porque maio recém começou e temos longos oito meses para fazer de 2010 um ano memorável. Feliz por estar com as dívidas pagas. Feliz porque alguém o elogiou. Feliz porque existe uma perspectiva de viagem daqui a alguns meses. Feliz porque você não magoou ninguém hoje. Feliz porque daqui a pouco será hora de dormir e não há lugar no mundo mais acolhedor do que sua cama. Esquece. Mesmo sendo motivos prosaicos, isso ainda é ser feliz por muito. Feliz por nada, nada mesmo? Talvez passe pela total despreocupação com essa busca. Essa tal de felicidade inferniza. “Faça isso, faça aquilo”. A troco? Quem garante que todos chegam lá pelo mesmo caminho? Particularmente, gosto de quem tem compromisso com a alegria, que procura relativizar as chatices diárias e se concentrar no que importa pra valer, e assim alivia o seu cotidiano e não atormenta o dos outros. Mas não estando alegre, é possível ser feliz também. Não estando “realizado”, também. Estando triste, felicíssimo igual. Porque felicidade é calma. Consciência. É ter talento para aturar o inevitável, é tirar algum proveito do imprevisto, é ficar debochadamente assombrado consigo próprio: como é que eu me meti nessa, como é que foi acontecer comigo? Pois é, são os efeitos colaterais de se estar vivo. Benditos os que conseguem se deixar em paz. Os que não se cobram por não terem cumprido suas resoluções, que não se culpam por terem falhado, não se torturam por terem sido contraditórios, não se punem por não terem sido perfeitos. Apenas fazem o melhor que podem. Se é para ser mestre em alguma coisa, então que sejamos mestres em nos libertar da patrulha do pensamento. De querer se adequar à sociedade e ao mesmo tempo ser livre. Adequação e liberdade simultaneamente? É uma senhora ambição. Demanda a energia de uma usina. Para que se consumir tanto? A vida não é um questionário de Proust. Você não precisa ter que responder ao mundo quais são suas qualidades, sua cor preferida, seu prato favorito, que bicho seria. Que mania de se autoconhecer. Chega de se autoconhecer. Você é o que é, um imperfeito bem-intencionado e que muda de opinião sem a menor culpa. Ser feliz por nada talvez seja isso. (MEDEIROS, Martha. Feliz por nada, 2011. Ediora L&PM., 216 p.) Em “Mas não estando alegre, é possível ser feliz também. Não estando ‘realizado’, também. Estando triste, felicíssimo igual. Porque felicidade é calma.” (8º§) há a presença do vocábulo “felicíssimo”. Independente do contexto, é possível afirmar que esse termo exprime a ideia de: A Pouca felicidade. B Felicidade escassa. C Felicidade limitada. D Felicidade extrema. Ano: 2024 Banca: Instituto Consulplan Órgão: Prefeitura de Além Paraíba - MG Primeira impressão Emoção e memória coordenadas influenciam encontro social. A primeira impressão é a que fica, já diz o jargão popular sobre o primeiro encontro entre duas pessoas desconhecidas. Buscar as razões pelas quais isso acontece foi o objetivo de cientistas da Universidade de Haifa, em Israel, a partir de um experimento com ratos de laboratório. Entre os achados, verificou-se que emoção social e memória social estão intimamente ligadas nesse processo, e trabalham de forma coordenada. 101 Q3099524 > Português Morfologia , Adjetivos Prova: Instituto Consulplan - 2024 - Prefeitura de Além Paraíba - MG - Auxiliar de Serviços Gerais 102 Q3099666 > Português Morfologia , Substantivos Prova: Instituto Consulplan - 2024 - Prefeitura de Além Paraíba - MG - Recepcionista/PSF Testando os ratos, os pesquisadores verificaram que a emoção do encontro social com um rato estranho criou um alto nível de atividade rítmica sincronizada no cérebro, fator que parece facilitar a formação de memória social. Uma vez que os ratos estavam familiarizados uns com os outros, a excitação diminuía, e as áreas distintas do cérebro passavam a trabalhar de forma menos coordenada. Os cientistas também procuraram investigar se outras emoções em particular geravam essa sincronização de atividades cerebrais, mas isso não aconteceu. Emoções negativas como medo e mesmo emoções positivas, mas relacionadas a um ser inanimado, não provocam as mesmas reações. Os especialistas sugerem que o experimento seja repetido em humanos para que se confirme ser essa atividade sincronizada no cérebro o fator que nos faz lembrar mais fortemente dos primeiros momentos que tivemos com alguém. (Psique, Ciência e Vida. Número 117-Ano IX. Em: 2020.) Na língua portuguesa, o gênero de um substantivo pode ser masculino ou feminino. Dessa forma, são expressões transcritas do texto que se encontram no feminino, EXCETO: A Cérebro. B Emoção. C Memória. D Sincronização. Ano: 2024 Banca: Instituto Consulplan Órgão: Prefeitura de Além Paraíba - MG A geladeira e o livro Fazia dois dias que minha geladeira havia entrado em pane. Não deixou de resfriar, mas as luzes do painel piscavam o dia inteiro, como se fosse uma bomba a ponto de explodir, e o alarme disparava de tempo em tempo, mesmo a porta estando bem fechada. Sou otimista, achei que tudo se resolveria num passe de mágica, mas o coelho não saiu da cartola e acabei tendo que chamar um técnico, que agendou a visita para a manhã seguinte, às 9h30m. Quando eram 9h25m, as luzes do painel, antes esquizofrênicas, apagaram. O alarme já não disparava desde a noite anterior. Eu não queria mágica? A primeira coisa que disse ao técnico: “Acredite, há dois dias que esta geladeira está tendo chilique, só parou quando o senhor começou a subir pelo elevador”. Ele me deu um olhar compreensivo, fez um check up no aparelho e descobriu um pequeno defeito. Alívio. Morri em R$ 300, mas a geladeira ganhou uma sobrevida. E minha neura também. Ninguém gosta de passar por exagerado. Ao sairmos do cinema, somos capazes de listar um sem-número de elogios ao filme que assistimos, mas basta alguém se empolgar com a nossa descrição e resolver assisti-lo por nossa causa que a responsabilidade começa a pesar: “Olha, eu gostei, mas talvez não seja seu tipo de história. Vá sem expectativas. É meio longo. Tem uma partezinha devagar, mas, sei lá, acho que vale a pena”. Um amigo me recomendou um livro sensacional. Segundo ele, a melhor coisa que leu no último ano. Bom, então quero ler também. No dia seguinte, ele largou o livro na portaria do meu prédio, e quando liguei para agradecer, ouvi: “Talvez tu não goste tanto assim. Comprei pra ti uma edição diferente da minha, o tradutor não sei se é tão bom. Tu não é obrigada a gostar, tá?”. Os episódios da geladeira e do livro, cada um a seu modo, demonstram o quanto ficamos inseguros ao virarmos referência. No caso da geladeira, a única prova que eu tinha de que ela estava amarelando eram as luzes piscantes. Quando elas pararam de piscar, passou a valer apenas a minha palavra. Que solidão. Quando meu amigo incentivou a leitura do livro, estava expondo sua erudição, já que o autor era um filósofo. Mas no momento em que demonstrei interesse em ler também, ele passou a duvidar do próprio entusiasmo. E se o livro não fosse tão bom no meu parecer? De repente, não era mais o livro que estaria em julgamento, e sim ele. Solidão, também. Outra: uma amiga resolveu ir a Machu Picchu depois que comentei coisas incríveis sobre a viagem que fiz para lá recentemente. Ai, ai, ai. E se ela passar mal com a altitude? E se achar a comida muito apimentada? E se voltar pensando que me empolgo por qualquer ruína de cartão postal? Já era: terá perdido a chance de ir para outro lugar mais encantador a seus olhos. Por que fui emprestar os meus? No fim das contas, tudo o que queremos é ser amados. Por aqueles a quem recomendamos um livro, por quem resolveu viajar incentivado por nós, e, sim, pelo técnico que confirmou que nossa geladeira estava mesmo estragada, contra qualquer evidência. Falando na geladeira, passa bem. As luzes nunca mais piscaram, nem o alarme disparou. A não ser o meu: “Não se leve tão a sério, não se leve tão a sério, não se leve tão a sério”. (Martha Madeiros. Revista O Globo. Em: 2012.) A expressão do ponto de vista da autora pode ser representada através de certos recursos, como o da adjetivação. Tal fato pode ser identificado no seguinte fragmento transcrito: A “Ninguém gosta de passar por exagerado.” (3º§) B “Um amigo me recomendou um livro sensacional.” (4º§) 103 Q3099705 > Português Morfologia , Adjetivos Prova: Instituto Consulplan - 2024 - Prefeitura de Além Paraíba - MG - Agente de Combate de Endemias
  • 2.
    C “As luzesnunca mais piscaram, nem o alarme disparou.” (8º§) D “Quando elas pararam de piscar, passou a valer apenas a minha palavra.” (5º§) Ano: 2025 Banca: Instituto Consulplan Órgão: Prefeitura de Nova Iguaçu - RJ A mão no metrô Assim que o metrô chegou, ela preparou-se para incomodação. Porque o vagão estava cheio, completamente lotado, e ela já sabia o que a esperava tão logo embarcasse: sem demora, algum homem, ou vários homens, encostariam nela, tentando tirar proveito da situação. Mulher ainda jovem, bonita, estava sujeita a essas situações, que a deixavam indignada. Mas, como outras usuárias na mesma situação, resignava-se. Era, achava, o preço que tinha de pagar por ser pobre, por não ter carro, como outras colegas de escritório. Pensou em não entrar, em esperar outro metrô mais vazio. Mas já era tarde, e ela precisava ir para casa. Num impulso, entrou, e imediatamente viu-se na clássica posição de sardinha em lata, imprensada entre corpos, vários deles masculinos. Só faltava a mão. Que não tardou a se fazer presente. Aos poucos, suavemente, ela sentiu a pressão de dedos sobre seu corpo. Mas, surpreendentemente, aquilo não a enojou, não a alarmou. Porque era diferente, o contato daquela mão. Não se tratava de uma “mão-boba”; não havia malícia naqueles dedos, não havia safadeza. Para começar, eles estavam em lugar neutro, não nas nádegas, não nas coxas, mas nas costas, as costas que ela tinha doloridas depois de um dia de árduo trabalho. E a mão não estava em busca de prazer, de sacanagem; estava simplesmente pousada, quieta. Como se dissesse estou em busca de contato humano, é só isso que eu quero. Ela poderia olhar ao redor, tentar descobrir quem, daqueles homens e mulheres à sua volta, estava a tocá-la. Mas não queria fazer isso. A verdade é que a gentil mão não a incomodava. Pelo contrário, fazia com que lembrasse uma passagem na infância, o dia em que o pai a levara à escola pela primeira vez. Tinham também ido de metrô; ela estava assustada, chorosa. O pai então colocara-lhe a mão nas costas, como a ampará-la, dizendo qualquer coisa do tipo “não chore, a escola é boa, você vai gostar”. E ela se acalmara, não tanto por causa das palavras, mas pelo contato da mão paterna. E era a mesma sensação que tinha agora: a sensação de amparo, de conforto. Estava chegando, precisava descer. Como se houvesse percebido, a mão, discretamente, retirou-se de seu dorso. A porta se abriu e ela saiu do vagão. Ainda teve a tentação de olhar para trás, mas resistiu. Não queria associar nenhum dos rostos que ali estavam com a mão que a tocara. Queria, isto sim, guardar a lembrança dessa mão como uma entidade misteriosa que, de algum modo, a fizera viver uma estranha e perturbadora aventura. (Moacyr Scliar. Folha de São Paulo. São Paulo. Em: 12/09/2005.) “Mulher ainda jovem, bonita, estava sujeita a essas situações, que a deixavam indignada.” (1º§) O adjetivo “indignada” foi atribuído pelo narrador à personagem, porque ela: A Era jovem e ainda viveria inúmeras situações constrangedoras na vida. B Sentia repulsa por ser pobre e não ter carro como as demais colegas de escritório. C Poderia vivenciar situações inconvenientes por estar vulnerável em um vagão lotado de homens. D Experimentava lembranças assustadoras do seu passado – ocasião que viveu sem amparo e sem proteção. Ano: 2024 Banca: Instituto Consulplan Órgão: Prefeitura de São Fidélis - RJ Considere a seguinte frase redigida por aluno do ensino médio em uma atividade escolar: “Peguei o documento e guardei ele no bolso”. Pode-se afirmar corretamente que: A Diante de prescrição linguística, de acordo com a gramática normativa, tal sentença deverá ser modificada. B Demonstra correção quanto ao uso da gramática normativa, mas conflito em relação ao uso da língua falada. C Trata-se de exemplo de construção própria da gramática normativa quanto à sintaxe pronominal do português. 104 Q3235856 > Português Morfologia , Adjetivos Prova: Instituto Consulplan - 2025 - Prefeitura de Nova Iguaçu - RJ - Técnico Programador de Computação 105 Q3378842 > Português Morfologia - Pronomes Prova: Instituto Consulplan - 2024 - Prefeitura de São Fidélis - RJ - Professor I - Língua Portuguesa D Demonstra a limitação do funcionamento da língua em seu aspecto gramatical, considerando a gramática normativa. Ano: 2023 Banca: Instituto Consulplan Órgão: ISGH O ciclo da vida Recorro à minha profissão de tradutora, que exerci intensamente por longo tempo, para apresentar aqui versos da poetisa americana Edna St. Vincent Millay, falecida, sobre a morte: “Não me resigno quando depositam corações amorosos na terra dura. É assim, assim será para sempre: entram na escuridão os sábios e os encantadores. Coroados de lírios e louros, lá se vão: mas eu não me conformo. Na treva da tumba lá se vão, com seu olhar sincero, o riso, o amor; vão docemente os belos, os ternos, os bondosos; vão‐se tranquilamente os inteligentes, os engraçados, os bravos. Eu sei. Mas não aprovo. E não me conformo”. Conformados ou não, a morte é algo que precisaríamos aceitar, com mais ou menos dor, mais ou menos resistência, mais ou menos inconformidade. E esse processo, mais ou menos demorado, mais ou menos cruel, depende da estrutura emocional e das crenças de cada um. O ciclo da vida e morte é um duro aprendizado. Nós, maus alunos. Não escrevo sobre o tema pela morte de um ou outro, em acidentes, por doença dolorosa, ou mesmo dormindo, morte abençoada. Morrem mais pessoas aqui de morte violenta do que em guerras atuais. A banalização da morte, portanto a desvalorização da vida, é espantosa. Escrevo porque ela, a senhora Morte, é cotidiana e estranha, ao menos para a maioria de nós. Há alguns anos, menininha ainda, uma de minhas netas me perguntou com a perturbadora simplicidade das crianças: “Por que eu não tenho vovô?”. Respondi, como costumo, da maneira mais natural possível, que o vovô tinha morrido antes de ela nascer, que estava em outro lugar, e, acreditava eu, ainda sabendo da gente, sempre cuidando de nós – também dela. Continuei dizendo que a vida das pessoas é como a das plantas e dos animais. Nascem, crescem, umas morrem muito cedo, outras ficam bem velhinhas, umas morrem por acidente, ou doença, ou simplesmente se acabam como uma vela se apaga. Falar é fácil, eu dizia a mim mesma enquanto comentava isso com a criança. O drama da vida não se encerra com o baque da morte, mas começa, nesse instante outra grande indagação. Recordo a frase, atribuída a Sócrates na hora em que bebia cicuta, condenado pelos cidadãos de Atenas a se matar: “Se a morte for um sono sem sonhos, será bom; se for um reencontro com pessoas que amei e se foram, será bom também. Então, não se desesperem tanto”. Precisamos de tempo para integrar a morte na vida. Talvez os mortos vivam enquanto lembrarmos suas ações, seu rosto, a voz, o gesto, a risada, a melancolia, os belos momentos e os difíceis. Enquanto eles se repetirem no milagre genético, em filhos, e netos, ou se perpetuarem em fotografias e filmes. Enquanto alguém os retiver no pensamento, os mortos estarão de certa forma vivos? Porque morrer é natural, deveria ser simples: mas para quase todos nós, é um grande e grave enigma. (Lya Luft. Revista Veja. Em: agosto de 2014. Adaptado.) Possui papel adjetivo no segmento a seguir, o termo em destaque: A “Falar é fácil, eu dizia a mim mesma [...]” B “O ciclo da vida e morte é um duro aprendizado.” C “Se a morte for um sono sem sonhos, será bom; [...]” D “Recorro à minha profissão de tradutora, que exerci intensamente [...]” Ano: 2023 Banca: Instituto Consulplan Órgão: FEPAM - RS A responsabilidade e a sustentabilidade ambiental O surgimento das indústrias, durante a Primeira Revolução Industrial (final do século XVIII) trouxe consigo um incremento na fabricação de produtos e o progresso contínuo da qualidade e da expectativa de vida da população. Entretanto, esse rápido desenvolvimento não levou em conta os impactos que seriam causados ao meio ambiente, em decorrência dessas atividades industriais, desde a obtenção da matéria-prima e o uso de recursos naturais até o descarte do produto, por parte dos consumidores. Ao longo dos séculos, constatou-se que esse modelo de desenvolvimento deixou um rastro de destruição ambiental, provocando a extinção de fontes não renováveis de energia, a elevação da temperatura do planeta pelo efeito do 106 Q2089494 > Português Morfologia , Adjetivos Prova: Instituto Consulplan - 2023 - ISGH - Maqueiro 107 Q2123282 > Português Morfologia - Verbos Provas: Instituto Consulplan - 2023 - FEPAM - RS - Administrador ...
  • 3.
    aquecimento global etanto a fauna quanto a flora foram seriamente comprometidas. Não é difícil prever que o resultado desse desequilíbrio será catastrófico, colocando em risco o futuro da humanidade. Visando minimizar os efeitos desses desastres ambientais e ajudando a humanidade a evoluir, sem colocar em risco o futuro do planeta Terra, vários dispositivos legais, normativos e regulatórios foram criados em todo o planeta, com o objetivo de proteger o meio ambiente. Além disso, o desenvolvimento sustentável, antes visto como um modelo oneroso pelas entidades, se tornou uma vantagem competitiva para as empresas que adotam rigorosas políticas ambientais. É essencial que as empresas estabeleçam medidas de responsabilidade ambiental, visando a preservação do meio ambiente e dos recursos naturais, reduzindo os seus impactos, com vista ao atingimento do desenvolvimento sustentável. Algumas medidas de responsabilidade ambiental estão presentes, no nosso dia a dia, ainda, que muitas vezes passem despercebidos, tais como: a necessidade de economizar água e energia elétrica e de evitar colocar o lixo em local inapropriado, além de prevalecer o uso do transporte público/coletivo, em vez de carro particular. No que se refere à sustentabilidade ambiental das empresas, existem exemplos como a criação de programas para reciclagem de lixo e de economia de água/energia, além de campanhas para reaproveitamento de água da chuva e para utilização da matéria-prima de empresas responsáveis com o meio ambiente, como, também, o estímulo a não poluição dos rios, afluentes e nascentes e ao investimento em medidas de economia de recursos não renováveis. Todas essas ações pessoais e as medidas/providências empresariais adotadas/tomadas pelas sociedades em geral promovem o desenvolvimento sustentável das empresas e visam proteger os recursos naturais. Afinal, ao estimular e cultivar a responsabilidade e a sustentabilidade ambiental empresarial, além de promover um ambiente de negócios mais saudável, também fortalece a identidade, a posição e a marca da empresa. Em outras palavras, as atitudes tomadas pelas empresas para reduzir os impactos ambientais proporciona o desenvolvimento sustentável e promove a responsabilidade e a educação ambiental, de forma consciente, trazendo benefícios para os empreendimentos. Nunca esquecendo que investir na questão ambiental, trata-se de fator determinante e não um diferencial, pois a sobrevivência do negócio dificilmente alcançará uma longevidade, sem a devida responsabilidade e a sustentabilidade ambiental. (Cláudio Sá Leitão e Luís Henrique Cunha. Disponível em: https://www.diariodepernambuco.com.br/noticia/opiniao/2022/07/aresponsabilidade-e-a-sustentabilidade- ambiental.html. Acesso em: 06/07/2022. Adaptado.) De acordo com o emprego da norma padrão da língua, considere as variações a seguir para a forma verbal destacada em “[...] trouxe consigo um incremento na fabricação de produtos [...]” (1º§) e indique a INADEQUADA (desconsidere possíveis alterações semânticas). A traz B traria C trouxera D havia trago E havia trazido Ano: 2023 Banca: Instituto Consulplan Órgão: Prefeitura de Jequié - BA No lugar do outro Estamos vivendo uma crise intensa: a das relações humanas. Todos os dias testemunhamos ou protagonizamos, tanto na vida presencial quanto na virtual, comportamentos e atitudes que vão do ódio declarado ou sutil ao desdém em relação ao outro. As relações humanas, sempre tão complexas, exigem, no entanto, delicadeza, atenção e compromisso social. Tem sido difícil manter a saúde mental e a qualidade de vida no contexto atual. Crianças e adolescentes já dão sinais claros de que têm aprendido muito com nossa dificuldade em conviver com as diferenças e de respeitá-las; de tentar colocar-se no lugar do outro para compreender suas posições e atitudes; de ter compaixão; de conflitar em vez de confrontar; de agir com doçura, por exemplo. Conseguir fazer isso é ter empatia com o outro. Pais e professores têm reclamado de comportamentos provocativos, desrespeitosos, desafiadores e desobedientes dos mais novos. Entretanto, se pudéssemos nos dedicar por alguns momentos à auto-observação, constataríamos essas características também em nós, adultos. Mas são os mais novos que levam a pior nessa história: crianças e adolescentes que desobedecem, desafiam e têm comportamentos considerados agressivos, como os nossos, podem receber diagnósticos e orientação para tratamento. Conheço famílias com filhos diagnosticados com “Transtorno Desafiador Opositivo”, porque têm comportamentos típicos da idade. Há uma grande preocupação global com a nossa atual falta de empatia. Um sinal disso foi a inauguração, em Londres, do primeiro Museu da Empatia. 108 Q2259865 > Português Morfologia - Verbos Provas: Instituto Consulplan - 2023 - Prefeitura de Jequié - BA - Pedagogo – SEDES ... Nele, os visitantes são convocados a experimentar/enxergar o mundo pelo olhar de um outro – não próximo ou conhecido, mas um outro com quem eles não têm qualquer relação. A expressão que deu sentido ao museu é a expressão inglesa in your shoes(em seus sapatos), que em língua portuguesa significa “em seu lugar”. Os visitantes se deparam, na entrada, com uma caixa com diferentes pares de sapatos usados. Escolhem um de seu número para calçar e recebem um áudio que conta uma parte da história da pessoa que foi dona daquele par. Desenvolver a empatia é uma condição absolutamente necessária para ensiná-la aos mais novos. Aliás, eles podem tê-la mais facilmente do que nós. Um pai me contou, comovido, que conversava com um amigo a respeito da situação de muitos refugiados de países em guerra e que comentou que não adiantava a busca por outro local, já que a crise de empregos era mundial. Seu filho, de sete anos, que estava por perto, perguntou de imediato: “Pai, se tivesse guerra aqui, você preferiria que eu morresse?”. Ele mudou de ideia. Estacionar o carro em vaga de idosos, grávidas e portadores de deficiência é mais do que contravenção: é falta de empatia. Reclamar da lentidão dos velhos é mais do que desrespeito: é falta de empatia. Agredir ostensivamente o outro por suas posições é mais do que dificuldade em lidar comas diferenças: é falta de empatia. O mesmo modo, reclamar do comportamento dos mais novos é falta de empatia. A empatia pode provocar uma grande mudança social, diz Roman Krznari, estudioso do tema. Vamos desenvolvê-la para ensiná-la? (SAYÃO, Rosely. Disponível em: http://www.udemo.org.br/2015/ Leituras/Leituras15_0046-15_No%20lugar-do-outro.html. Acesso em: 05/06/2023.) De acordo com o texto, “Crianças e adolescentes já dão sinais claros de que têm aprendido muito com nossa dificuldade em conviver com as diferenças e de respeitá-las; de tentar colocar-se no lugar do outro para compreender suas posições e atitudes; de ter compaixão; de conflitar em vez de confrontar; de agir com doçura, por exemplo.” (2º§). A respeito do verbo sublinhado, é correto afirmar que ele se classifica como: A De ligação. B Intransitivo. C Transitivo direto. D Transitivo indireto. Ano: 2024 Banca: Instituto Consulplan Órgão: Prefeitura de Iúna - ES A cartomante Não havia dúvida que naqueles atrasos e atrapalhações de sua vida alguma influência misteriosa preponderava. Era ele tentar qualquer coisa, logo tudo mudava. Esteve quase para arranjar-se na saúde pública; mas assim que obteve um bom “pistolão”, toda a política mudou. Se jogava no bicho, era sempre o grupo seguinte ou o anterior que dava. Tudo parecia mostrar-lhe que ele não deveria ir para diante. Se não fossem as costuras da mulher, não sabia bem como poderia ter vivido até ali. Há cinco anos que não recebia vintém de seu trabalho. Uma nota de dois mil-réis, se alcançava ter na algibeira por vezes, era obtida com o auxílio de não sabia quantas humilhações, apelando para a generosidade dos amigos. Queria fugir, fugir para bem longe, onde a sua miséria atual não tivesse o realce da prosperidade passada; mas, como fugir? Onde havia de buscar dinheiro que o transportasse, a ele, à mulher e aos filhos? Viver assim era terrível! Preso à sua vergonha como a uma calceta, sem que nenhum código e juiz tivessem condenado, que martírio! A certeza, porém, de que todas as suas infelicidades vinham de uma influência misteriosa, deu-lhe mais alento. Se era “coisa-feita”, havia de haver por força quem a desfizesse. Acordou mais alegre e se não falou à mulher alegremente era porque ela já havia saído. Pobre de sua mulher! Avelhantada precocemente, trabalhando que nem uma moura, doente, entretanto a sua fragilidade transformava-se em energia para manter o casal. Ela saía, virava a cidade, trazia costuras, recebia dinheiro, e aquele angustioso lar ia se arrastando, graças aos esforços da esposa. Bem! As coisas iam mudar! Ele iria a uma cartomante e havia de descobrir o que é que atrasava sua vida. Saiu, foi à venda e consultou o jornal. Havia muitos videntes, espíritas, teósofos anunciados; mas simpatizou com uma cartomante, cujo anúncio dizia assim: “Madame Dadá, sonâmbula, extralúcida, deita as cartas e desfaz toda a espécie de feitiçaria, principalmente a africana. Rua, etc.”. Não quis procurar outra; era aquela, pois já adquirira a convicção de que aquela sua vida vinha sendo trabalhada pela mandinga de algum preto-mina, a soldo do seu cunhado, Castrioto, que jamais vira com bons olhos o seu casamento com a irmã. Arranjou com o primeiro conhecido que encontrou o dinheiro necessário, e correu depressa para a casa de Madame Dadá. O mistério ia desfazer-se e o malefício ser cortado. A abastança voltaria a casa; compraria um terno para Zezé, umas botinas para Alice, a filha mais moça; e aquela cruciante vida de cinco anos havia de lhe ficar na memória como passageiro pesadelo. 109 Q2525067 > Português Morfologia , Advérbios Prova: Instituto Consulplan - 2024 - Prefeitura de Iúna - ES - Auxiliar Administrativo
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    Pelo caminho tudolhe sorria. Era o sol muito claro, e doce, um sol de junho; eram as fisionomias risonhas dos transeuntes; e o mundo que até ali lhe aparecia mau e turvo, repentinamente lhe surgia claro e doce. Entrou, esperou um pouco, com o coração a lhe saltar do peito. O consulente saiu e ele foi afinal à presença da pitonisa. Era sua mulher. (Contos completos de Lima Barreto. Por: Lima Barreto. 2010. Adaptado.) Considerando as informações do texto, assinale a afirmativa indevida. A “Preso à sua vergonha como a uma calceta, [...]” (2º§) A expressão “calceta” significa “algema”. B Em “Acordou mais alegre e se não falou à mulher alegremente era porque ela já havia saído.” (3º§), a palavra sublinhada exprime circunstância de intensidade. C Em “A certeza, porém, de que todas as suas infelicidades vinham de uma influência misteriosa, [...]” (3º§), o termo “porém” pode ser substituído sem perda semântica por “no entanto”. D No fragmento “Não quis procurar outra; era aquela, pois já adquirira a convicção de que aquela sua vida vinha sendo trabalhada pela mandinga [...]” (7º§), a expressão “aquela” se refere à cartomante – madame Dadá. Ano: 2023 Banca: Instituto Consulplan Órgão: CORE-PB Os desafios impostos pelo crescimento populacional em ritmo mais lento A situação revelada pelo novo Censo pode se converter em oportunidade. Durante o século XX, o Brasil se consolidou como um país de famílias numerosas e gente jovem em profusão, com maternidades sempre cheias e abundância de braços para abastecer o mercado de trabalho, que floresceu de mãos dadas com um acelerado processo de urbanização. Mas a passagem do tempo vem chacoalhando os pilares demográficos e trazendo ao país um cenário de profundas transformações, tal qual ocorre nas nações mais desenvolvidas. A constante diminuição dos nascimentos, aliada ao avanço dos idosos, confere à sociedade uma nova face e planta complexos desafios no horizonte. O primeiro deles, impensável meio século atrás, é como perseguir a prosperidade quando a população cresce cada vez mais vagarosamente e caminha para o encolhimento no médio prazo, segundo mostra o recém-divulgado Censo, elaborado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O tão aguardado levantamento, que veio à luz com dois anos de atraso, indica que o país atingiu a marca de 203,1 milhões de habitantes, apenas 12 milhões a mais do que na última aferição, em 2010. O que mais chama a atenção é o lento ritmo de expansão do contingente — 0,52% ao ano em uma década, um recorde negativo. Desde 1872, data da pioneira pesquisa censitária no Brasil, ainda na era imperial, até os dias de hoje, nunca a velocidade de aumento populacional havia sido tão arrastada. Os números causaram espanto aos especialistas — projeções estimavam mais 10 milhões de pessoas além da atual contagem. “O país está envelhecendo mais rapidamente do que se sabia e, para embalar sua economia, precisará registrar ganhos de produtividade, destravando freios ao crescimento e investindo em educação”, diz o demógrafo José Eustáquio Alves. Que uma transição demográfica está em curso acelerado não há dúvida. Mas os estudiosos lançam sobre as estatísticas saídas do forno do IBGE um ponto de interrogação quanto a sua precisão. Essa foi, de fato, uma rodada cercada de fatos atípicos, pelo menos 1 milhão se recusaram a receber os funcionários do instituto. Mesmo que esse conjunto de fatores tenha influenciado o resultado final (alguns demógrafos sérios calculam a população em 207 milhões, 2% a mais que o divulgado), há unanimidade sobre a direção para a qual o Brasil anda: é uma nação que, inevitavelmente, logo percorrerá a trilha da redução populacional. Historicamente, a população só fazia engordar até chegar ao ápice, nos anos de 1950. A partir daí, foi gradativamente perdendo impulso. O movimento é, em parte, um retrato de mudanças relevantes na sociedade, como o adiamento dos casamentos e o maciço ingresso das mulheres no mercado de trabalho, o que se refletiu na queda do número de filhos. Questões conjunturais também contribuíram para as transformações, entre elas o quadro de baixo crescimento econômico — outro desestímulo à maternidade e um empurrão à emigração. Na última década, pulou de 1,9 milhão para 4,2 milhões o número de brasileiros vivendo fora, mais uma marca inédita. “Também o zika vírus e a pandemia derrubaram a natalidade e fizeram a mortalidade subir”, observa José Eustáquio. Com tudo isso, a bem-vinda janela do bônus demográfico, que se abre quando o número de pessoas em idade ativa supera o de crianças e idosos, deve se fechar por volta de 2035, uma década antes do esperado. Nenhum país conta para sempre com superavit de jovens, mas o problema no Brasil é que eles minguaram sem que a economia tenha se beneficiado como poderia. Nação mais envelhecida do planeta, o Japão, por exemplo, escalou a um patamar de renda alto antes de acumular cabeças brancas. “Aqui, estamos envelhecendo antes de ficarmos ricos, mas ainda temos pela frente uns dez anos de bônus demográfico, e eles precisam ser bem aproveitados”, afirma o economista Maílson da Nóbrega. A equação para isso envolve a superação de velhos gargalos, como desemperrar a burocracia, desenrolar o sistema tributário, investir para valer em infraestrutura e dar graúdos estímulos à inovação. Em paralelo, é mandatório canalizar esforços para prover boa educação, trilha conhecida para alcançar os tais ganhos de produtividade, fazendo mais com menos gente — esse um mantra dos tempos atuais já vastamente abraçado pelos envelhecidos países da OCDE, o grupo dos mais desenvolvidos. O panorama agora traçado pelo Censo enfatiza o sentido de urgência de tais medidas. Pela primeira vez, oito entre os vinte municípios mais populosos retrocederam em habitantes. Ao todo, 864 cidades devem perder população — um 110 Q2252541 > Português Morfologia - Pronomes Prova: Instituto Consulplan - 2023 - CORE-PB - Assistente Jurídico tremendo vespeiro, uma vez que a distribuição de verbas federais é proporcional ao número de residentes. Além do envelhecimento de suas pirâmides etárias, essas cidades vêm registrando pouco dinamismo na economia, com fuga de empresas para regiões mais efervescentes. “O que mantém a população em determinado lugar é a possibilidade de se inserir na cadeia produtiva. Do contrário, há migração”, afirma o demógrafo Roberto Carmo, da Unicamp. O levantamento do IBGE também sinaliza para transformações que repercutem no campo da sociologia: há 34% mais lares onde vive uma única pessoa, reflexo do adiamento nos casamentos e do aumento da longevidade “Preferi me dedicar à carreira a casar cedo”, relata a cabeleireira Paloma Malta, de São Paulo. O quadro pintado pelo IBGE não destoa da parcela mais abastada do planeta. Entre os mais ricos, como os Estados Unidos e países da União Europeia, a fecundidade média é de 1,6 filho por mulher (versus 1,7 no Brasil) — menor, portanto, do que a taxa de reposição, de 2,1 filhos por casal, necessária para evitar o declínio populacional. O escasseamento de nascimentos em contraste ao volume de idosos já trazem consequências, entre elas o estrangulamento dos sistemas previdenciários e a falta de cérebros para exercer certas funções, o que nações como Canadá e também os Estados Unidos amenizam com a atração de estrangeiros. Outra estratégia é fornecer vantagens para que as pessoas sigam trabalhando. “Países que não estão se mexendo para conter a queda populacional já enfrentam estagnação, como é o caso do Japão”, lembra a economista Melissa Kearney, da Universidade de Maryland. Em tempos não tão remotos assim, o que assombrava o universo da demografia era a superpopulação da Terra, que teve no reverendo e economista britânico Thomas Malthus (1776-1834) seu maior catastrofista. É dele a teoria de que seria impossível alimentar tantas bocas numa época em que a produção de comida não acompanhava a multiplicação de indivíduos. Mas aí entrou em cena a capacidade inovadora, proporcionando avanços tecnológicos notáveis e ganhos de produtividade, sobretudo dos celeiros alimentares — e assim a fome não grassou. Agora, debruçada sobre uma questão de sinal inverso, novamente a espécie precisa exercer sua extraordinária inteligência para saltar obstáculos, podendo até se beneficiar da situação. “Com menos pessoas, dá para investir mais na saúde e na educação de cada um, e o meio ambiente é naturalmente menos castigado”, diz José Eustáquio. É um bom caminho, que põe a engenhosidade humana à prova. (Ernesto Neves. Disponível em: https://veja.abril.com.br/brasil/osdesafios-impostos-pelo-crescimento-populacional-em- ritmo-maislento/. Acesso em: 03/06/2023. Fragmento. Adaptado.) Em “Em paralelo, é mandatório canalizar esforços para prover boa educação, trilha conhecida para alcançar os tais ganhos de produtividade, fazendo mais com menos gente — esse um mantra dos tempos atuais já vastamente abraçado pelos envelhecidos países da OCDE, o grupo dos mais desenvolvidos.” (6º§), o emprego do pronome “esse” se explica por A retomar o que foi dito anteriormente. B indicar uma distância entre os interlocutores. C chamar atenção sobre o que foi dito posteriormente. D indicar um afastamento no tempo ou uma época anterior ao período em que o texto foi escrito. Ano: 2023 Banca: Instituto Consulplan Órgão: Prefeitura de Nova Friburgo - RJ Apelo Amanhã faz um mês que a Senhora está longe de casa. Primeiros dias, para dizer a verdade, não senti falta, bom chegar tarde, esquecido na conversa de esquina. Não foi ausência por uma semana: o batom ainda no lenço, o prato na mesa por engano, a imagem de relance no espelho. Com os dias, Senhora, o leite primeira vez coalhou. A notícia de sua perda veio aos poucos: a pilha de jornais ali no chão, ninguém os guardou debaixo da escada. Toda a casa era um corredor deserto, e até o canário ficou mudo. Para não dar parte de fraco, ah, Senhora, fui beber com os amigos. Uma hora da noite e eles se iam e eu ficava só, sem o perdão de sua presença a todas as aflições do dia, como a última luz na varanda. E comecei a sentir falta das pequenas brigas por causa do tempero na salada − o meu jeito de querer bem. Acaso é saudade, Senhora? Às suas violetas, na janela, não lhes poupei água e elas murcham. Não tenho botão na camisa, calço a meia furada. Que fim levou o saca-rolhas? Nenhum de nós sabe, sem a Senhora, conversar com os outros: bocas raivosas mastigando. Venha para casa, Senhora, por favor. (TREVISAN, Dalton. Mistérios de Curitiba. 5ª ed. Rio de Janeiro: Record, 1996.) Numa linguagem bem simples podemos afirmar que a morfologia tem por objeto, ou objetivo de estudo, as palavras dentro da nossa Língua, as quais são agrupadas em classes gramaticais ou classes de palavras. Em outras palavras, “é o estudo da estrutura e dos processos de flexão e formação dos vocábulos, bem como a classificação dos mesmos”. Assinale a alternativa em que o termo destacado NÃO pertence à mesma classe gramatical dos demais. 111 Q2321935 > Português Morfologia , Advérbios Provas: Instituto Consulplan - 2023 - Prefeitura de Nova Friburgo - RJ - Agente Administrativo ...
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    A “Uma horada noite e eles se iam e eu ficava só, [...]” (2º§) B “Amanhã faz um mês que a Senhora está longe de casa.” (1º§) C “Não foi ausência por uma semana: o batom ainda no lenço, [...]” (1º§) D “[...] a pilha de jornais ali no chão, ninguém os guardou debaixo da escada.” (2º§) Ano: 2023 Banca: Instituto Consulplan Órgão: Prefeitura de Nova Friburgo - RJ As expressões evidenciadas nas frases a seguir são preposição, EXCETO: A “Acaso é saudade, Senhora?” (3º§) B “[...] e até o canário ficou mudo.” (2º§) C “Não foi ausência por uma semana: [...]” (1º§) D “[...] sem o perdão de sua presença a todas as aflições do dia, [...]” (2º§) Ano: 2024 Banca: Instituto Consulplan Órgão: Prefeitura de Cacoal - RO Os adolescentes, a criatividade, as bolhas e os algoritmos País do futebol arte, da bossa nova, do carnaval espetáculo, do cinema novo e de tantas outras formas de arte admiráveis. Essas sempre foram justificativas para que o Brasil fosse visto como um país criativo, que inova em diversas situações. Por isso, qual não foi a surpresa quando o Pisa, a avaliação internacional para estudantes com 15 anos, realizada pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), divulgou os resultados do exame de 2022 no quesito pensamento criativo: estamos no 49º lugar, com 23 pontos. Desde o ano 2000, o Pisa avalia os conhecimentos gerais em matemática, ciências e leitura de alunos de escolas públicas e particulares, e essa foi a primeira vez em que a criatividade foi considerada nas respostas. Com o tema “Mentes criativas e escolas criativas”, a proposta era avaliar como os diferentes países integram a criatividade nos currículos escolares, com o objetivo de formar cidadãos capazes de explorar novas perspectivas para solucionar problemas de maneira original e eficaz. Mas por que será que o Brasil apareceu entre os 12 piores resultados? Especialistas analisam a questão sob diferentes perspectivas: a escola brasileira precisa ser um ambiente mais propício à criatividade, oferecendo mais espaço para disciplinas e atividades que estimulem os alunos a buscarem alternativas novas para os problemas cotidianos e não apenas focar nas disciplinas obrigatórias; os educadores precisam ser melhor formados para implementar atividades e projetos que desenvolvam diferentes competências e habilidades artísticas e inovadoras nas crianças e jovens; os brasileiros são um dos públicos que mais tempo passa em frente às telas de celulares e tablets e, por fim, há quem chame a atenção para as imensas desigualdades de toda ordem existentes em nosso país, que dificultam o aprendizado de conteúdos básicos como leitura, escrita e cálculo. Todas as análises fazem sentido, porém, questões complexas como essa pedem respostas na mesma linha. Há uma crise de criatividade entre as crianças e jovens das novas gerações, e isso é um sinal de que há algo acontecendo nos corações e mentes desse público no mundo inteiro. Como sabemos, a adolescência é a fase de transição entre a infância e a vida adulta, e traz, em seu bojo, a dicotomia entre a saudade dos tempos pueris e o desejo de desbravar o desconhecido, de preferência, por conta e risco. Em tempos em que as conexões digitais têm tomado o espaço precioso das interações reais em que se aprendia a solucionar os problemas por meio da experiência concreta de ter de lidar cara a cara com o diferente e o diverso, assistimos a esses indivíduos aguardando que os algoritmos e sistemas de busca lhes forneçam todas as respostas. E como as máquinas ainda não dão conta da miríade de possibilidades que as relações nos oferecem para a resolução dos problemas, temos meninos e meninas mais acomodados, passivos, entediados. Como exercer a criatividade em uma bolha na qual todos pensam e agem de maneira igual? Como buscar novas visões sobre o que nos rodeia com um algoritmo nos propondo, sem cessar, mais conteúdos sobre o que gostamos e com os quais nos sentimos mais confortáveis? Essas são perguntas que também nós, adultos, temos de nos fazer. Não só como educadores dessa nova geração, mas como indivíduos e cidadãos. Sair das bolhas, combater a polarização e tudo o que nos divide e desumaniza é um exercício cotidiano de criatividade. “Consumimos sempre as mesmas coisas nas redes, ignorando o que é diferente. Por isso, é 112 Q2321936 > Português Morfologia , Preposições Provas: Instituto Consulplan - 2023 - Prefeitura de Nova Friburgo - RJ - Agente Administrativo ... 113 Q3087664 > Português Morfologia , Adjetivos Provas: Instituto Consulplan - 2024 - Prefeitura de Cacoal - RO - Biomédico ... sempre bom dar um nó no algoritmo. Ouvir playlists fora do que estamos acostumados, andar por regiões diferentes, escutar o que os outros pensam, nos relacionar com pessoas que trazem olhares diferentes das coisas”, aconselha a jornalista e especialista em comunicação digital Pollyana Ferrari, autora do livro “Como sair das bolhas”. Olhar para além das redes é, sobretudo, um exercício de manutenção da saúde mental, mas, como tudo o que envolve um certo esforço e nos desacomoda, torna-se um grande desafio. E andamos cansados demais para dar conta desses e de tantos outros que a vida contemporânea tem nos colocado. É interessante observar como a aparente facilidade que nos é oferecida pelos algoritmos e bolhas vai diminuindo não apenas a nossa criatividade e criticidade. Eles, ao moldarem nossos gostos e necessidades, resumem as nossas preferências a meia dúzia de coisas que conduzem a uma reprodução automática, gerando tédio e desinteresse pelo que nem sabemos existir. Como afirmou um estudante que entrevistamos para o podcast “curti, e daí?”: “Eu estava no TikTok e apareceu um vídeo para mim. Coisas que eu mais gosto, e aí, todas as coisas que apareceram no vídeo eram as coisas que eu mais gostava de fazer. Eu percebo que a cada dia isso é mais evidente, como se fosse diminuindo tudo que eu gosto mais, sabe? Como se fosse compactando as coisas que eu mais gosto…”. Ter consciência do que nos acontece é sempre um bom começo. Porém, é preciso lembrar do porquê de estarmos nas redes: em busca da sensação de pertencimento, algo que é fundamental para o ser humano e mais ainda para aqueles que estão em formação. Estamos sempre à procura de afeto e reconhecimento, e nas redes isso vem de maneira rápida e volumosa, traduzido por cliques e likes. “Desinformação, fake news, tudo é sintoma. Tire-as da reta e o problema continuará ali, igual, de pé. Porque o problema principal é o do alinhamento de identidades e de como é reconfortante estar num grupo homogêneo. Toda conversa, nas redes sociais, se torna um ritual de reafirmação dessa identidade alinhada. Somos atores num palco eternamente demonstrando o quanto somos parecidos com os nossos e distintos daqueles outros”, alerta o jornalista Pedro Dória em seu artigo “A rede social perfeita para as democracias”, publicado no Canal Meio. Nesse sentido, cabe-nos perguntar não apenas por que vivemos uma crise de criatividade, mas sobretudo por que não conseguimos nos encontrar nos espaços que promovem o diálogo, a interação corpo a corpo, que estimulam a imaginação nos trazendo novas paisagens (físicas e ficcionais). Precisamos recuperar a nossa capacidade de imaginar para além dos fatos, dados e informações, já que estamos inundados por eles. Um bom começo pode estar no resgate de alguns sonhos e projetos que não estão no nosso feed. Não requer muito esforço, apenas iniciativa, atitude indissociável da criatividade. (Disponível em: https://www.nexojornal.com.br/colunistas/2024/07/04/os-adolescentes-a-criatividade-as-bolhas-e-os- algoritmos. Acesso em: setembro de 2024. Adaptado.) A língua, por ser um organismo dinâmico, permite que determinadas palavras adquiram valor de outras classes gramaticais, como ocorre no processo de substantivação, que é a atribuição de funções de substantivo a alguma outra palavra como, por exemplo, a um adjetivo. Considerando essas informações, assinale a alternativa em que há presença de adjetivo substantivado. A “Especialistas analisam a questão sob diferentes perspectivas: [...]” (3º§) B “[...] os brasileiros são um dos públicos que mais tempo passa em frente [...]” (3º§) C “[...] divulgou os resultados do exame de 2022 no quesito pensamento criativo: [...]” (1º§) D “‘Toda conversa [...] se torna um ritual de reafirmação dessa identidade alinhada.’” (7º§) Ano: 2024 Banca: Instituto Consulplan Órgão: Prefeitura de Cacoal - RO Em qual alternativa o pronome anafórico destacado teve seu referente INCORRETAMENTE apontado? A “[...] já que estamos inundados por eles.” (8º§) – diálogo e interação. B “[...] com os quais nos sentimos mais confortáveis?” (4º§) – conteúdos. C “[...] sistemas de busca lhes forneçam todas as respostas.” (4º§) – indivíduos. D “Tire-as da reta e o problema continuará ali, [...]” (7º§) – desinformação e fake news. Ano: 2024 Banca: Instituto Consulplan Órgão: Prefeitura de Nova Iguaçu - RJ Felicidade em excesso pode fazer mal 114 Q3087667 > Português Morfologia - Pronomes Provas: Instituto Consulplan - 2024 - Prefeitura de Cacoal - RO - Biomédico ... 115 Q2503958 > Português Morfologia - Verbos Prova: Instituto Consulplan - 2024 - Prefeitura de Nova Iguaçu - RJ - Auxiliar de Serviços Gerais - II
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    Não há dúvidade que ser feliz é bom, mas em excesso pode ser um veneno. E, quanto mais procuramos a felicidade, menos somos felizes. Conheça o lado B da felicidade. Ser feliz é uma das maiores preocupações de nossa sociedade hoje. Ela se manifesta na cultura popular, em livros de autoajuda, terapias e palestras de motivação. Não é para menos. Há fortes evidências sobre os benefícios de ter mais emoções positivas, menos emoções negativas e de estar satisfeito com a vida – os três pilares da felicidade. No entanto, essa história também tem dois lados. Se for vivida em excesso, na hora errada e no lugar errado, a felicidade pode levar a resultados indesejados. E, inclusive, não ser saudável. É o que indicam estudos recentes. Níveis moderados de emoções positivas favorecem a criatividade, mas níveis altos não. Crianças altamente alegres estão associadas com o maior risco de mortalidade na idade adulta por seu envolvimento em comportamentos arriscados. Isso porque uma pessoa muito feliz teria menos probabilidade de discernir as ameaças iminentes. Aqui, na Universidade de Yale, nos Estados Unidos, fizemos uma pesquisa com 20 mil participantes saudáveis de 16 países. E encontramos os maiores níveis de bem-estar naqueles que tinham uma relação moderada entre emoções positivas e negativas em sua vida diária. Também vimos que níveis moderados (não extremos) de sentimentos positivos estão ligados à redução de sintomas de depressão e ansiedade, além do aumento da satisfação pessoal. Como você pode perceber, felicidade não é uma só. Ela vem em diferentes sabores. Varia, por exemplo, segundo a dimensão do estímulo (excitação x calma) ou do engajamento social (compaixão x orgulho). Certos tipos de felicidade são muito autofocados e, por isso, acabam sendo mal-adaptados. É o caso do orgulho, geralmente ligado às conquistas e ao status social. O orgulho pode ser bom em certos contextos, mas também tem sido associado à agressividade e ao risco de desenvolver transtornos de humor, como a mania. A própria busca por ser feliz também pode ser contraproducente. Muitas vezes, aliás, quanto mais as pessoas procuram a felicidade, menos parecem capazes de obtê-la. A razão é simples: elas concentram tanta energia e expectativa nesse esforço que os eventos felizes, como festas e encontros com amigos, acabam sendo decepcionantes. Em adultos jovens e saudáveis, essa busca incessante pela felicidade tem sido ligada ao maior risco de mania e depressão. O que fazer então? É impossível ser feliz o tempo todo ou em todo lugar. Não vale a pena nem tentar. Pense na situação em que você deseja (ou é mais relevante para você) ser feliz. E não se esqueça: não desmereça os sentimentos negativos. A tristeza, por exemplo, é parte da experiência humana e não necessariamente é ruim. Ela até nos ajuda a manter os pés no chão. Tentar maximizar emoções positivas e minimizar as negativas, portanto, nem sempre é uma boa. O equilíbrio é fundamental. (Superinteressante. June Gruber. Em: janeiro de 2012.) Em todas as transcrições literais, as formas verbais destacadas estão flexionadas no mesmo tempo, EXCETO em: A “O equilíbrio é fundamental.” (6º§) B “Níveis moderados de emoções positivas favorecem a criatividade, [...]” (2º§) C “Ela se manifesta na cultura popular, em livros de autoajuda, terapias e palestras de motivação.” (1º§) D “Aqui, na Universidade de Yale, nos Estados Unidos, fizemos uma pesquisa com 20 mil participantes saudáveis de 16 países.” (2º§) Ano: 2024 Banca: Instituto Consulplan Órgão: Prefeitura de Nova Iguaçu - RJ Feridas antigas Na longa espera, esperava o retorno de quem há muito partira. Os olhos dela eram um espelho das lágrimas derramadas, noites mal dormidas. O silêncio lhe tirara o sol lhe embriagara o sangue. Sangue que não mais corria. Rastejava-se, lânguido, por entre veias ressequidas, sem muita ideia de para onde ir. A Terra em constante movimento, mas ela estática. O amor lhe traíra. Uma faca em seu peito num momento de distração. Seus pés fincados no chão, as solas grossas, amalgamadas ao concreto frio. Num certo dia, parou de olhar ao redor. Concluiu que o passado foi feito para ficar lá atrás. Um instante destruído não poderia ser eternizado. Não poderia lhe corar as faces. Nem tombar sua consciência. Em anos, pela primeira vez, o futuro lhe sorriu. A sombra que se lhe fizera renegar, agora, derretia-se ante a intensidade que ela mesma carregava em estado natimorto. Soergueu-se no impacto do desejo, e descobriu-se apaixonada por si. Quando segundos ficaram para trás, seus pés caminhavam apressados rumo ao horizonte que lhe convidava. No caminho, encontrou com ele – ele, a razão de todo seu sofrimento. Ele sorriu-lhe feridas antigas, pediu-lhe perdões impossíveis, jurou-lhe promessas que não cumpriria. Por um instante, ela parou. Recorreu ao que antes ignorara: uma análise criteriosa da situação. Após pensar e meditar, sorriu-lhe acidez e despediu-se dele com um retundo: – Vá pastar! (Juliano Martinz. Corrosivas – Crônicas Corrosivas e Gestos de Amor, 2010.) Os trechos a seguir foram retirados do primeiro parágrafo do texto. Assinale, a seguir, uma INCONSISTÊNCIA do que está em destaque com a sua associação. 116 Q2503963 > Português Morfologia , Advérbios Prova: Instituto Consulplan - 2024 - Prefeitura de Nova Iguaçu - RJ - Auxiliar de Serviços Gerais - II A “O amor lhe traíra.” – artigo. B “Sangue que não mais corria.” – verbo. C “A Terra em constante movimento, mas ela estática.” – advérbio. D “Rastejava-se, lânguido, por entre veias ressequidas, […]” – preposição. Ano: 2024 Banca: Instituto Consulplan Órgão: Prefeitura de Nova Iguaçu - RJ Em “Após pensar e meditar, sorriu-lhe acidez e despediu-se dele com um retundo:” (4º§), a palavra em destaque possui a função de: A Pronome. B Interjeição. C Conjunção. D Preposição. Ano: 2024 Banca: Instituto Consulplan Órgão: Prefeitura de Pouso Alegre - MG Os cães engarrafados “Nunca vi boa amizade nascer em leiteria”, disse certa vez Vinicius de Moraes, inveterado beberrão, para quem o melhor termômetro de afetos era uma garrafa de uísque – uma, no caso, é modo de dizer, pois melhor se fossem duas, três, quatro. “Uísque é o cachorro engarrafado”, concluiu, certamente depois de algumas doses. Não é improvável que esse diagnóstico etílico tenha surgido durante um pileque com Rubem Braga, outro voraz consumidor de malte. Além da dedicação às garrafas, os dois amigos tinham vários pontos em comum: nasceram no mesmo 1913, exerceram postos diplomáticos e foram grandes gozadores dos prazeres da vida, apaixonando-se com tremenda facilidade. Braga, dos nossos maiores cronistas, fez também poesia. Vinicius, dos nossos maiores poetas, também escreveu crônica. E os dois foram, cada um ao seu modo, renomados anfitriões. Em 1951, quando Vinicius retornou de Los Angeles, onde atuava como vice-cônsul, trouxe nada mais que 480 garrafas de uísque, divididas em 40 caixas. Era, certamente, o maior estoque de uísque do Rio de Janeiro. Não demorou para que sua casa, no Leblon, virasse um ponto de encontro da intelectualidade carioca. Em Ipanema, a famosa cobertura de Rubem Braga vivia destrancada. O amigo que quisesse desfrutar daquele jardim suspenso precisava só pegar a escadinha do décimo segundo andar e abrir a porta. O uísque estava lá à disposição. Braga, nem sempre – às vezes, dependendo de seu humor, sequer se levantava da rede para receber a visita. “Rubem Braga é, sabidamente, um conhecedor de passarinhos”, começa Vinicius com a advertência. Conhece tudo de tico- tico, curió, sanhaço, cardeal, sabiá, “mas em matéria de canário trata-se de um otário completo e acabado”. O cronista vinha pela Cinelândia quando topou com um vendedor. Ele oferecia um casal de canários numa gaiola “dividida por uma separação levadiça em dois compartimentos, um para o macho, outro para a fêmea”. A graça era abrir a portinhola do macho, deixá-lo voar livremente e vê-lo voltar assim que a fêmea piasse. O rapaz fez uma demonstração do número e convenceu o cliente. Decerto Braga se emocionou com aquele espécime masculino que trocava a liberdade pela companhia da amada. Chegando em casa, quis rever o espetáculo. “E lá se foi o canarinho pelo azul afora, em lindas evoluções”, até que a fêmea o chamasse. Ele voltou e ficou parado diante da portinhola, sem entrar. Braga, apreensivo, tentou atraí-lo com uma suculenta folha de alface, mas o bicho não bicou a isca. E a fêmea, no descuido do cronista que procurava um encaixe para a verdura, “fez força com o biquinho e acabou por erguer a portinhola”. Dali para o Jardim Botânico não teve nem graça. “Canário, hein Braguinha?”, cutucou o amigo. De Braga para Vinicius, a primeira homenagem veio durante a temporada norte-americana do poeta, período em que ficou cinco anos sem retornar para o Brasil. Do Rio, o colega enviou-lhe um “Bilhete para Los Angeles”, um dos poucos de sua diminuta lavra de poemas. Os versos de escárnio são puro carinho de mãos ásperas. “Só queres amor e ócio/capadócio!” e “Tanto mal que já fizeste/cafajeste!”, querem dizer, na verdade, “Deus te dê vida e saúde/em Hollywood!”. Poucos meses depois de Vinicius morrer, em 1980, Braga voltou a escrever para ele, agora com uma notícia grave: a primavera tinha chegado e aquela era a primeira, desde 1913, sem a participação do poeta. Sabendo do hábito epistolar dos amigos, “Recado de primavera” fica ainda mais comovente. “Seu nome virou placa de rua; e nessa rua, que tem seu nome na placa, vi ontem três garotas de Ipanema que usavam minissaias.” O mar estava virado, e da varanda do cronista 117 Q2503965 > Português Morfologia , Preposições Prova: Instituto Consulplan - 2024 - Prefeitura de Nova Iguaçu - RJ - Auxiliar de Serviços Gerais - II 118 Q2605096 > Português Morfologia - Verbos Prova: Instituto Consulplan - 2024 - Prefeitura de Pouso Alegre - MG - Agente Administrativo
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    era possível ver“uma vaga de espuma galgar o costão sul da ilha das Palmas” – tudo isso, diz, são “violências primaveris”. Um tico-tico, “com uma folhinha seca de capim no bico”, começara a construir seu ninho. E as “moitas de azaleias e manacás em flor” traziam promessas da vida. “O tempo vai passando, poeta”, arremata Rubem. “Chega a primavera nesta Ipanema, toda cheia de sua música e de seus versos. Eu ainda vou ficando um pouco por aqui – a vigiar, em seu nome, as ondas, os tico-ticos e as moças em flor. Adeus.” (TAUIL, Guilherme. Disponível em: https://cronicabrasileira.org.br/. Acesso em: 22/03/2024.) Considere o verbo sublinhado no trecho: “Conhece tudo de tico-tico, curió, sanhaço, cardeal, sabiá, ‘mas em matéria de canário trata-se de um otário completo e acabado’.” (5º§). Ao considerar o contexto em que se insere, é correto afirmar que seu sujeito pode ser corretamente classificado como: A Simples. B Inexistente. C Desinencial. D Indeterminado. Ano: 2024 Banca: Instituto Consulplan Órgão: Prefeitura de Pouso Alegre - MG Considere o termo sublinhado no trecho “Decerto Braga se emocionou com aquele espécime masculino que trocava a liberdade pela companhia da amada.” (6º§). Caso reescrita a frase, os advérbios/locuções adverbiais dispostos nas alternativas corretamente o poderiam substituir sem alteração de sentido, EXCETO: A Certamente. B Com certeza. C Sisudamente. D De modo certo. Ano: 2024 Banca: Instituto Consulplan Órgão: Prefeitura de Divinópolis - MG O taxista de cabelo branco Dos taxistas aqui da esquina, só sei o nome do Adão. Na primeira vez que peguei seu táxi, ele apontou para fora da janela, disse “olha só, as goiabeiras da Henrique Schaumann tão carregadas” e, quando reparei nas goiabas que brotavam no canteiro central da avenida, já éramos amigos de infância. Adão conhece todas as árvores frutíferas espalhadas pela cidade e, sempre que me leva a algum lugar, faz um relatório detalhado de seu esparso pomar: conta que as jacas do parque da Luz tão quase caindo em cima dos carros, que a mangueira da avenida Pacaembu tá atraindo um bando de maritacas, que houve um bafafá na zona leste porque a prefeitura ameaçou cortar um abacateiro, lá na rua Padre Adelino. Muito diferente do Adão é o taxista de cabelo branco. Seu nome não sei e admito que, até a última quinta, não estava interessado em saber. Havia, entre mim e o taxista de cabelo branco, um certo desconforto. Veja, não sou homem de alimentar inimizades e costumo preferir o acordo ao conflito, mas em algumas ocasiões não há consenso possível: antes da última Copa do Mundo eu reclamei do Dunga, o sujeito resolveu apoiar o obtuso treinador e, irritado, fez um longo discurso defendendo a supremacia da prudência, da ordem e da disciplina sobre a ousadia, a criatividade e a beleza – como eu poderia ficar calado? Estou longe de ser um aventureiro. Sou caseiro e covarde como um cocker-spaniel. Talvez por isso mesmo, por procurar no mundo o que não trago em mim, é que prefira o gol de bicicleta, o “Soneto da fidelidade” e um solo de chaleira de Hermeto Pascoal à seleção alemã, aos enxadristas russos, à ponte Rio-Niterói. O taxista de cabelo branco, contudo, não pensa como eu. Quando tentei convencê-lo de que o futebol não tinha nenhum sentido senão pela beleza, ele riu, e, como todos os arautos da mediocridade, mencionou 82 com desprezo. Eu afirmei que preferia a derrota de 82 à vitória de 94, e foi aí que a conversa melou de vez; ele bufou, ligou o rádio e aquele ruído instalou-se entre nós, definitivamente. Não, não definitivamente. Na última quinta, eu e o taxista de cabelo branco estávamos na Vinte e Três de Maio, a caminho de Congonhas, imersos em nossa silenciosa discórdia, quando tocou meu celular. Durante os últimos meses, eu e minha mulher vínhamos procurando um lugar para morar. Depois de um sem-número de tristes visitas a quintais azulejados, pesadelos de cerejeira & esquadrias de alumínio, finalmente encontramos uma linda casa com jardim, uma mesa à sombra duma jabuticabeira, onde vislumbramos cafés da manhã que entrariam pela tarde, almoços que entrariam pela noite e os filhos, claro, que em breve entrarão em nossas vidas. Fizemos uma proposta um pouco abaixo do que o 119 Q2605097 > Português Morfologia , Advérbios Prova: Instituto Consulplan - 2024 - Prefeitura de Pouso Alegre - MG - Agente Administrativo 120 Q3045114 > Português Morfologia - Verbos Provas: Instituto Consulplan - 2024 - Prefeitura de Divinópolis - MG - Atendente Consultório Dentário - PSF ... proprietário estava pedindo, ele ficou de pensar, sumiu e, quando já estávamos quase desistindo de receber uma resposta, eis que meu celular começa a tremer e gritar, exibindo o nome do homem na telinha, pequeno oráculo de cristal líquido. Atendi, nervoso. Ele disse que topava, fechamos negócio. Quando desliguei, já estávamos no aeroporto, o carro encostando no meio-fio, com o pisca-alerta ligado. “Comprei uma casa!”, eu disse, exultante, ao motorista. “Vou pegar dinheiro do banco, vou pagar juros por muitos e muitos anos, mas terei uma casa!”. O taxista de cabelo branco me sorriu, genuinamente feliz. “Não tem problema pagar pro banco. Importante é que a casa é sua. É um grande passo na vida.” Sorri de volta, entendendo e compartilhando a alegria de meu ex-antípoda: endividar-se para garantir um teto e um jardim era o meio caminho entre nós dois, um ato contendo a mesma medida de ousadia e prudência. Apertamos as mãos e fui para o Rio de Janeiro, contente com meu futuro e acreditando na concórdia universal. (À maneira de Braga: O taxista de cabelo branco, por Antonio Prata. Literatura. Equipe IMS. Em: junho de 2011.) Em todas as transcrições textuais, as formas verbais sublinhadas estão flexionadas no mesmo tempo, EXCETO, em: A “Atendi, nervoso.” (4º§) B “Adão conhece todas as árvores frutíferas [...]” (1º§) C “O taxista de cabelo branco me sorriu, genuinamente feliz.” (5º§) D “[...] antes da última Copa do Mundo eu reclamei do Dunga, [...]” (2º§) Respostas 101: D 102: A 103: A 104: C 105: A 106: B 107: D 108: C 109: B 110: A 111: A 112: A 113: B 114: A 115: D 116: C 117: D 118: X 119: C 120: B www.qconcursos.com