ESMAC ESCOLA SUPERIOR MADRE CELESTE
CURSO DE ARTES VISUAIS
JOSILENE DO ROSARIO SILVEIRA
MEMÓRIA MANIPULADA: A fotografia e a
manipulação digital.
ANANINDEUA – PA
2014
ESMAC ESCOLA SUPERIOR MADRE CELESTE
CURSO DE ARTES VISUAIS
JOSILENE DO ROSARIO SILVEIRA
MEMORIA MANIPULADA
A fotografia e a manipulação manual e digital
Trabalho de graduação a ser submetido à banca
examinadora como requisito parcial para obtenção
do titulo de bacharelado do curso de Artes Visuais
(Bacharelado e Licenciatura) da Escola Superior
Madre Celeste/ESMAC.
Orientadora: Prof.ª Dra. Sandra Christina Ferreira
dos Santos.
ANANINDEUA – PA
2014
FICHA CATALOGRÁFICA
IBSN:
Composto e Digitado em Belém e Ananindeua (PA): 1º Sem/2014
SILVEIRA, Josilene.
MEMORIA MANIPULA: a fotografia e a manipulação manual e
digital: 2014. SILVEIRA, Josilene/Orientadora: SANTOS, Sandra Christina
Ferreira. 70f.; il.
Trabalho de Graduação (Linha de Pesquisa: Poéticas Visuais e
Tecnologia). Escola Superior Madre Celeste – ESMAC.
Curso de Artes Visuais, Ananindeua (PA): 2014.
Título
1. INTRODUÇÃO 2. FOTOGRAFIA: (IN)DISPENSÁVEL 3.
PROCESSOS QUIMICOS 4. OS NEGATIVOS E A REVELAÇÃO 5.
CONCLUSÃO
JOSILENE DO ROSARIO SILVEIRA
MEMORIA MANIPULADA
A fotografia e a manipulação manual e digital
Trabalho de graduação a ser submetido à banca
examinadora como requisito parcial para
obtenção do titulo de bacharelado do curso de
Artes Visuais (Bacharelado e Licenciatura) da
Escola Superior Madre Celeste/ESMAC.
Orientadora: Prof.ª Dra. Sandra Christina
Ferreira dos Santos.
BANCA EXAMINADORA
Profª Dr.ª Sandra Cristina Ferreira Santos________________________________________
Profª_____________________________________________________________________
Profª_____________________________________________________________________
DATA DA AVALIAÇÃO:
Ao meu Avô Adelino e Avó Josefa, meus pais,
minha irmã e meu orientador.
AGRADECIMENTOS
Aos meus pais que enfrentaram e superaram todas as dificuldades para que eu e minha
irmã - Engenheira Civil formada pela UFPA - tivéssemos acesso à educação;
Família Rosário e a Família Silveira pelas orações e ao apoio;
Aos meus professores que ao longo da minha vida escolar me ensinaram o valor do
aprendizado e ao meus professores de graduação pela paciência que tiveram comigo;
Ao Paulo Ramos, por ter se tornado um grande amigo, aos meus amigos e a Deus.
Vejo fotos por toda parte, como todo
mundo hoje em dia; elas vêm do mundo para
mim, sem que eu peça; não passam de “imagens”,
seu modo de aparição é o tudo-o-que-vier (ou
tudo-o-que-for)*. Todavia, entre as que foram
escolhidas, avaliadas, apreciadas, reunidas em
álbuns ou revistas, e que assim passaram pelo
filtro da cultura, eu constatava que algumas
provocavam em mim pequenos júbilos, como se
estas remetessem a um centro silenciado, um bem
erótico ou dilacerante, enterrado em mim mesmo
(por mais bem comportado e aparentemente fosse
o tema); e que outras ao contrario, me eram de tal
modo indiferentes (...).
(BARTHES, 1984, p. 31-32).
RESUMO
Este trabalho de graduação apresenta o estudo sobre a manipulação manual e digital de
imagens digitais que remetem a memórias, a partir de dados coletados na pesquisa de
produção artística (experiência autoral), tendo como problemática: “Como, por meio da
produção fotográfica, é possível entender as manipulações manuais e digitais utilizando
efeitos de programas online como Befunky, Instagram, MomentCam?”. Manipulando,
observando e comparando imagens, utilizando diversas técnicas de produção como:
Fotografia Digital, Auto Retrato, Arte-Digital foi possível constatar as transformações na
aparência das formas presentes nas imagens e, com isso re-significa-las. O estudo teve como
alicerce teórico, “Criatividade e processo de criação” (OSTROWER, 2001), “A arte no século
XXI: A Humanização das Tecnologias” (DOMINGUES, 1997), “A arte no século XXI:
Tecnologia, Ciência e Criatividade” (DOMINGUES, 2003), “Arqueologia da criação artística.
Vestígio de uma gênese: o trabalho artístico em seu movimento” (SANMARTIN, 2004) e
“Arte e Tecnologia: diferença e invenção” (GALVÃO, 2008). A pesquisa teve como enfoque
filosófico a fenomenologia que tem como intuito proporcionar a percepção com descrição
direta da experiência tal como ela se deu. O tipo de pesquisa se caracterizou como qualitativa,
indutiva, estudo de caráter exploratório. Os resultados alcançados foram expostos nas
exposições realizadas na Galeria de La Roque, do curso de Artes Visuais/Esmac no período
de novembro de dois mil e treze e março de dois mil e quatorze. E possibilitaram confirmar os
efeitos que as manipulações manuais e digitais provocam na aparência das imagens.
Palavras-Chave: Fotografia. Manipulação. Imagem. Memória
ABSTRACT
This work presents the undergraduate study of manual and digital manipulation of digital
images that recall memories, from data collected in the survey of artistic production (authorial
experience), having as problematic: "How, through photographic production is possible to
understand the manual and digital manipulation effects using online programs like Befunky,
Instagram, MomentCam?". Manipulating, observing and comparing images using various
production techniques as: Digital Photography, Self Portrait, Art-Digital was possible to
observe the changes in the appearance of forms present in the images, it means re-them. The
study was theoretical foundation, "Creativity and creation process" (Ostrower, 2001), "Art in
the XXI century: The Humanization of Technology" (Domingues, 1997), "Art in the XXI
Century: Technology, Science and Creativity "(Domingues, 2003)," Archaeology of artistic
creation. Vestige of a genesis: the artwork in its movement "(SANMARTIN, 2004) and" Art
and Technology: difference and invention "(Galvão, 2008). The study was phenomenology
philosophical approach that has the intention to provide insight direct description of
experience as it happened. What kind of research was characterized as qualitative, inductive,
exploratory study. The results were displayed in exhibitions at the Gallery La Roque, of
course Visual / Esmac Arts from November two thousand and thirteen to March two thousand
and Fourteen. And confirm the possible effects that the manual and digital manipulations
cause the appearance of images.
Keywords: Photography. Manipulation. Image. Memory
LISTA DE ILUSTRAÇÕES
Imagem 1 - “Fries to go” (2009) ..............................................................................................18
Imagem 2 - “Luci_four” (2009) ...............................................................................................19
Imagem 3 - Imagem do livro “Dicas para Retoque de Fotos para Uso Comercial”.................27
Imagem 4 - Imagem do livro “Dicas para Retoque de Fotos para Uso Comercial”.................28
Imagem 5 - Imagem do livro “Dicas para Retoque de Fotos para Uso Comercial”.................28
Imagem 6 - Imagem do livro “Dicas para Retoque de Fotos para Uso Comercial”.................28
Imagem 7 - Imagem do livro “Dicas para Retoque de Fotos para Uso Comercial”.................28
Imagem 8 - O Ministro Sumiu..................................................................................................29
Imagem 9 - Convite à Ilusão.....................................................................................................29
Imagem 10 - Revista Time .......................................................................................................30
Imagem 11 - Pré-Photoshop .....................................................................................................30
Imagem 12 - Fotografia digital sem efeitos..............................................................................31
Imagem 13 - Utilizando filtro Stenciler 3.................................................................................31
Imagem 14 - Utilizando filtro Pop Art. ....................................................................................32
Imagem 15 - Utilizando filtro Old Photo..................................................................................32
Imagem 16 - Dora Maar fotografia da pintura Guernica de Pablo Picasso..............................34
Imagem 17 - Dora Maar fotografia da pintura Guernica de Pablo Picasso..............................34
Imagem 18 - Dora Maar fotografia da pintura Guernica de Pablo Picasso..............................34
Imagem 19 - Dora Maar fotografia da pintura Guernica de Pablo Picasso..............................35
Imagem 20 - Guernica, de Pablo Picasso. ................................................................................35
Imagem 21 - Anton Giulio Bragaglia, “Typewriter”................................................................36
Imagem 22 - Fotografias do processo de Dalí Atômico...........................................................37
Imagem 23 - Dalí Atômico.......................................................................................................38
Imagem 24 - Photogram ...........................................................................................................38
Imagem 25 - Violon d'Ingres....................................................................................................39
Imagem 26 - Documentário Lixo Extraordinário.....................................................................40
Imagem 27 - Documentário Lixo Extraordinário.....................................................................40
Imagem 28 - Documentário Lixo Extraordinário.....................................................................40
Imagem 29 - Documentário Lixo Extraordinário.....................................................................40
Imagem 30 - House Anthems 99..............................................................................................41
Imagem 31 - “Madre”...............................................................................................................41
Imagem 32 – Sem Titulo ..........................................................................................................42
Imagem 33 - “Sunbathing”.......................................................................................................43
Imagem 34 - “Oh Sheet!”.........................................................................................................43
Imagem 35 - “Icy Studs” ..........................................................................................................43
Imagem 36 - Serie Bioshot.......................................................................................................45
Imagem 37 - Serie Bioshot.......................................................................................................45
Imagem 38 - Symbiosis............................................................................................................46
Imagem 39 - Symbiosis............................................................................................................47
Imagem 40 - Exposição Memória Manipulada: Fotografia .....................................................55
Imagem 41 - Exposição Memória Manipulada: Fotografia .....................................................55
Imagem 42 - Exposição Memória Manipulada: Fotografia .....................................................55
Imagem 43 - Processo de produção manipulação manual........................................................56
Imagem 44 - Fotografia manipulada digitalmente ...................................................................56
Imagem 45 - Processo de produção manipulação manual Exposição Revelar.........................57
Imagem 46 - Exposição Revelar...............................................................................................57
Imagem 47 - Exposição Revelar...............................................................................................58
Imagem 48 - Exposição Revelar...............................................................................................58
Imagem 49 - Exposição Revelar...............................................................................................58
Imagem 50 - Exposição Revelar...............................................................................................58
Imagem 51 - Exposição Revelar...............................................................................................59
Imagem 52 - Viviane Almeida Mácola ....................................................................................60
Imagem 53 - Ana Paula Corrêa ................................................................................................60
Imagem 54 - Rosane Caldas.....................................................................................................60
Imagem 55 - Josiane Silveira ...................................................................................................60
Imagem 56 - Mostra Interdisciplinar Arte Urbana ...................................................................61
Imagem 57 - Mostra Interdisciplinar Arte Urbana ...................................................................61
Imagem 58 - Mostra Interdisciplinar Arte Urbana...................................................................62
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO ..................................................................................................................13
2. FOTOGRAFIA: (IN)DISPENSÁVEL..............................................................................16
2.1 O QUE GEROU ENQUANTO PROBLEMÁTICA..........................................................17
2.2 REFERENCIAL TEÓRICO E ARTÍSTICO .....................................................................19
2.2.1 Definição dos Conceitos da Pesquisa..............................................................................20
2.2.2 Manipulação ....................................................................................................................20
2.2.3 Imagem............................................................................................................................21
2.2.4 Memória ..........................................................................................................................21
2.3 METODOLOGIA CIENTÍFICA EMPREGADA..............................................................23
3. PROCESSOS QUIMICOS ................................................................................................26
3.1. A MANIPULAÇÃO FOTOGRÁFICA DIGITAL............................................................26
3.1.1 Filtros Inteligentes...........................................................................................................30
2.1.2 Fotografia Como Arte......................................................................................................33
3.2 ARTISTAS LOCAIS QUE MANIPULAM SUAS PRODUÇÕES FOTOGRÁFICAS ...44
3.3 ARTE E TECNOLOGIA ...................................................................................................47
3.4 IMAGEM ...........................................................................................................................48
3.5 FOTOGRAFIA...................................................................................................................50
3.6 CRIATIVIDADE NO PROCESSO DE CRIAÇÃO COM FOTOGRAFIA
MANIPULADA .......................................................................................................................50
4. OS NEGATIVOS E A REVELAÇÃO..............................................................................53
4.1 ENFOQUE, PROCESSOS E RESULTADOS...................................................................53
4.1.1 Processos de Produção para a Exposição Memória Manipulada: Fotografia..................54
4.1.2 Processos de Produção para a Exposição Revelar...........................................................56
4.1.3 Processos de Produção para a Instalação Urbana Selfie..................................................59
4.2 ANÁLISE A PARTIR DOS CONCEITOS: MANIPULAÇÃO, IMAGEM E MEMÓRIA
..................................................................................................................................................62
5. CONCLUSÃO.....................................................................................................................65
REFERÊNCIAS .....................................................................................................................70
13
1. INTRODUÇÃO
A presente pesquisa foi desenvolvida para conclusão do curso de Artes Visuais que
convergiu da necessidade de entender o sentindo da fotografia na atualidade a partir de
manipulação manual e digital através de programas de edição online de tratamentos de
imagens utilizados em computadores e aparelhos celulares.
O percurso traçado dessa pesquisa se deu com a experiência quando da utilização da
fotografia e o tratamento digital. O que foi materializado são produções feitas a partir de
intuições artístico estéticas daquilo que aparentemente parece se esconder, mas que emerge
nas expressões fotográficas. Inicialmente meu intuito era entender o motivo de tamanha
necessidade de modificar o real, de fotografar o presente sem esperar que esse registro
pudesse se tornar uma lembrança no futuro, no entanto à medida que produzia surgia ou
reforçou o sentido de manipulação para tornar algo que satisfizesse esteticamente e me
apropriar desses sentidos quando utilizar a linguagem fotográfica.
Busco através da arte conduzi todo esse processo, manipulando e sobrepondo o mundo
imaginário/ideal ao real, procuro representar os fragmentos que aparentemente estão
escondidos, são medos, defeitos, revelando a natureza do individuo, um passo difícil, uma vez
que deixar evidente os sentimentos, por meio da expressão, pensamentos que me tornariam
vulnerável. Para entender um pouco mais sobre o sentido da edição de imagens, fiz autos
retratos e os manipulei, e em uma primeira análise percebi que meu maior impulso na
manipulação é o desejo de esconder minha face, meus defeitos físicos que me causam
constrangimento e também por achar que ao expor meu rosto em fotografias eu estaria
revelando o lado interior que procuro evitar, e por isso manipulo imagens até o ponto de
torna-las imperceptível.
A busca de referências de artistas e teóricos que trabalharam em suas obras o mesmo
tema e técnica foi importante, para revalidar aquilo que estava fazendo e ver novas
perspectivas para implementar nas outras produções.
No primeiro capítulo da pesquisa trato da intencionalidade do estudo da problemática:
“Como, por meio da produção fotográfica, é possível entender as manipulações manuais
e digitais utilizando efeitos de programas online como Befunky, Instagram, MomentCam
?”
14
Tendo como desdobramento as seguintes questões norteadoras: - Que tipos de efeitos
na manipulação fotográfica digital intensifica ou minimiza os elementos formais?
- Como os resultados da utilização dos efeitos influenciam as interpretações do publico
espectador da exposição “Memória Manipulada”?
A pesquisa que inicialmente era sobre a arte digital, sofreu mudanças desde a
disciplina de Arte e Ciência: Teoria e Metodologias, no entanto desde o primeiro semestre do
curso em artes senti vontade de falar sobre a fotografia. O gosto pela área digital me levou a
pensar sobre a mudança de valores que atribuímos à fotografia, o que antes era guardado com
carinho agora é simplesmente deletado, levando muitas vezes a perda de detalhes que podem
ser significativos para a memória/lembranças.
Minhas primeiras leituras resultaram em produções nas quais busco responder a
problemática, tal produção resultou na exposição fotográfica “Memória Manipulada:
Fotografia” que aconteceu na Galeria De La Roque Soares do Curso de Arte Visuais/ESMAC
em Ananindeua. Nessa exposição pude ter o primeiro contato com a percepção e
entendimento que os visitantes frequentadores tiveram como impressão das obras e foi
interessante perceber que os mesmos fazem distinção entre fotografia manipulada e não
manipulada. O desdobramento dessa primeira experiência individual se deu com a segunda e
terceira exposição: Revelar e Selfie, em ambas a manipulação foi manual e digital.
A estrutura da pesquisa está organizada nos seguintes capítulos: o primeiro
“Fotografia (In)dispensável” é abordado a intencionalidade da pesquisa, situando o que levou
a esse tema, problemática, questões, norteadoras; objetivos, marco teórico e artístico e
procedimentos metodológicos. A pesquisa tem como finalidade analisar por meio de
produções fotográficas as possibilidades de manifestação de filtros que corroborem para a
expressividade artística. Para alcançar este objetivo são necessários, como especificidades:
produzir fotografias manipulando-as por intermédio de programas digitais online como o
Befunky, Instagram ou MomentCam que oferecem ferramentas, filtros que podem ampliar ou
minimizar os efeitos dos elementos visuais; identificar nas produções fotográficas
manipuladas e nas condições expressivas e esclarecer a maneira como o publico interpreta as
produções fotográficas apresentadas na exposição “Revelar”.
O segundo capitulo “Processos Químicos”, traço o marco teórico que a priori, foi
estudado e que me deu alicerce para fundamentos e conceitos, que se apresentam como
variáveis nessa pesquisa. Com as teorias de “Criatividade e processo de criação”
(OSTROWER, 2001), “A arte no século XXI: A Humanização das Tecnologias”
15
(DOMINGUES, 1997), “A arte no século XXI: Tecnologia, Ciência e Criatividade”
(DOMINGUES, 2003), “Arqueologia da criação artística. Vestígio de uma gênese: o trabalho
artístico em seu movimento” (SANMARTIN, 2004) e “Arte e Tecnologia: diferença e
invenção” (GALVÃO,2008).
No terceiro capitulo “Os negativos e a Revelação”, aborda a metodologia empregada,
definindo o enfoque filosófico, método, as técnicas e instrumentos para a coleta de dados e o
tipo de análise. Como enfoque filosófico este estudo se adéqua a fenomenologia que segundo
Merleau Ponty assim que algo se revela frente à consciência humana, o Homem inicialmente
o observa e o percebe em completa conformidade com sua forma, do ponto de vista da sua
capacidade perceptiva. Apresento a descrição dos procedimentos na pesquisa de produção
artística-estética e a análise-interpretativa dos resultados alcançados com a produção,
exposição e percepção das visitantes, participadores que frequentaram a exposição.
Na conclusão retomo ao problema e os objetivos traçados focando reflexão com os
resultados alcançados, compreendendo que a pesquisa ao anunciar esses resultados, abriu
outras possibilidades de investigação não só sobre o processo de criação, mas também sobre
as possibilidades técnicas tecnológicas de manipulação da fotografia; sobe a receptividade do
publico e tantas outras maneiras de revisitar o tema, como parte das recordações.
16
2. FOTOGRAFIA: (IN)DISPENSÁVEL
A vontade do homem de capturar a imagem não é algo novo, muito antes da fotografia
como conhecemos existir pintores, escultores, poetas e tantos outros tipos de artistas tentaram
a sua maneira reproduzir o fragmento do real, quando a fotografia surgiu percebeu-se que este
poderia ser o meio que iria capturar com exatidão a realidade. Quando do seu surgimento no
século XIX, a fotografia atraiu muitos críticos e muitos admiradores, acreditava-se que
modificar o real era impossível, pois a fotografia criou a ilusão de que a captura do real se
dava de maneira fiel nesse modo de expressão.
A fotografia tornou-se tão popular que em 1888, apenas 49 anos após a criação da
câmera fotográfica, o daguerreótipo, uma empresa fundada por George Eastman, a Kodak
lançava sua primeira câmara que era vendida carregada com um rolo de filme, qualquer
pessoa poderia compra a câmara e após a exposição do filme, a maquina era devolvida ao
fabricante e este se encarregava de revelar as fotos e devolver a câmera carregada juntamente
com as fotos copiadas ao dono, a Kodak tinha um lema: “Você aperta o botão, nos fazemos o
resto.”, e assim nascia o mercado da fotografia amadora. Por muito tempo fotografar exigia
certa técnica, a câmera analógica exigia certos recursos que somente fotógrafos profissionais
conseguiam entender e uma boa foto era guardada como relíquia, um objeto que serviria como
veiculo de resgate da memória.
Esta pesquisa iniciou com a preocupação de entender qual a importância da fotografia
e de sua manipulação na atualidade, ao perceber que ultimamente não tem mais o valor de
antes. Atualmente todos podem ser fotógrafos, pois a câmera fotográfica está em quase todos
os equipamentos tecnológicos: celular, Ipad, Iphone, tablet... Não importa onde, nem a
ocasião sempre há alguém com um dispositivo equipado com câmera digital. Enquadramento,
planos, iluminação e a qualidade fotográfica não são mais conhecimentos específicos do
fotografo profissional, as maquinas possuem todos esses recursos. Imprimir fotos não é mais
preciso, seja por curiosidade para saber como ficou a foto ou para guardar, a impressão
tornou-se desnecessária e para algumas pessoas até sem sentido, como é possível ver a
imagem segundos após o momento em foi registrada perdeu-se a necessidade ou o sentido de
ter álbuns ou portas retratos. Há menos de dez anos uma foto era usada para guarda um
momento, a ansiedade em saber o resultado, a espera pela revelação era algo que, penso eu,
aumentava o valor imaterial pela imagem. Dificilmente a foto era modificada, mesmos as
17
fotos com momentos constrangedores recebiam um certo valor e eram guardadas. Atualmente
com a facilidade de acesso à maquinas fotográficas digitais as imagens são facilmente
apagadas, qualquer situação desagradável, uma pose que não é favorável é facilmente
deletada.
2.1 O QUE GEROU ENQUANTO PROBLEMÁTICA
A problemática “Como, por meio da produção fotográfica, é possível entender as
manipulações manuais e digitais utilizando efeitos de programas online como Befunky,
Instagram, MomentCam ?” Surge da necessidade de fazer um parâmetro do valor imaterial da
fotografia da era analógica com a fotografia da era digital. Através da pesquisa tento encontrar
respostas para a problemática.
A materialização parte do desejo de criar algo que está inserido no contexto do
individuo. Para Ostrower (2001), está criação pode ser algo que represente a realidade vivida
ou algo que o homem gostaria de viver, situações não vivenciadas na realidade, mas que são
desejadas na sua imaginação. Quando criamos colocamos em nossa criação um pouco de nós,
os registros ao serem feitos tem o objetivo de guardar um momento para que este nunca seja
esquecido. Quando o registro é feito sem intencionalidade não percebemos ao certo o que
estamos registrando ou por que o estamos fazendo, possivelmente tal registro seja feito não
para guarda um momento, mas guarda um sentimento, algo que não pode ser registrado
fisicamente. Quando modificamos uma mesma imagem, reproduzindo-a varias vezes e dando
a ela vários cenários nós não reinventamos o fato real, não o modificamos em sua existência
dentro do contexto histórico, nós reinventamos o sentido pessoal, a interpretação que se
configurou a partir de um desejo, a renovação ocorre na percepção e personalidade do autor.
Para Barthes (1984) a fotografia gira em torno do olhar. O ver se diferencia do olhar,
pois o olhar se relaciona com a emoção, ao subjetivo, aos sentimentos e o ver é mais objetivo,
é aquilo que está lá para ser visto exigindo por parte daquele que a cria, capacidade para dar
forma (por meio dos elementos visuais) e ordenação (conjugando os elementos visuais a
maneiras de organização), mediante a forma e a organização é possível direcionar o olhar a
ver aquilo que segundo o criador da imagem se configura como importante. Para Barthes as
fotos são teoricamente objetivas, mas ao exibi-las elas se tornam subjetivas e suscetíveis a
18
Imagem 1 - “Fries to go” (2009), Russ Mills
múltiplas interpretações, atualmente com a quantidade exagerada de imagens que são
exibidas, olhamos para a fotografia com superficialidade, com pouca ou nenhuma emoção.
Trabalhando com o tratamento de imagem fotográfica através dos programas de
edição, há uma variedade de filtros já prontos que podem ser utilizados para criar diferentes
efeitos. Os efeitos impõe na fotografia uma carga de emoção quando associados de forma
consciente na intenção de evidenciar sentidos, como podemos evidenciar nas fotografias de
Russ Mills, artista e ilustrador britânico. Segundo Mills, a sua obra oscila entre as belas artes
clássicas e o surrealismo Pop. "Uma colisão entre a realidade e o digital. Ilustração
firmemente alicerçada no desenho e focada na forma humana, particularmente no rosto, em
interação com elementos do reino animal que refletem frequentemente o absurdo da natureza
humana".1
Fonte: Galeria de imagens no site do artista. Disponível em:
<http://www.byroglyphics.co.uk/20089/k0kk83goddbcbx0rfydu2msdr6
gbzh>. Acesso em: 19/08/2014
1
http://o-que-vem-a-rede.blogspot.com.br/2012/06/retratos-pintura-e-ilustracao-de-
russ.html#sthash.rxR11VV9.dpuf, acesso em: 04/02/2014.
19
Fonte: Galeria de imagens no site do artista. Disponível em:
<http://www.byroglyphics.co.uk/20089/k0kk83goddbcbx0rfydu2msdr6
gbzh>. Acesso em: 19/08/2014
Como objetivo geral essa pesquisa se concentra em:
a) Analisar como os resultados da utilização dos efeitos influenciam as interpretações
do publico espectador.
E como especifico:
a) Constatar os tipos de efeitos que na manipulação fotográfica digital intensifica a
expressividade dos elementos formais/visuais.
Esta pesquisa teve como local de estudo e área de abrangência de produção, a Galeria
De La Roque Soares, mais especificamente no Município de Ananindeua sede onde está
localizada a ESMAC: Escola Superior Madre Celeste, que funcionará como alicerce de
pesquisa deste estudo. A periodização histórica deste projeto pretende cobrir um horizonte
temporal de 1ª ano iniciando em Agosto de 2013 e estendendo-se até Junho de 2014, período
de duração 6º e 7º semestre do curso de Artes Visuais da ESMAC.
2.2 REFERENCIAL TEÓRICO E ARTÍSTICO
Imagem 2 - “Luci_four” (2009), Russ Mills
20
O marco referencial será exposto no 2ª Capitulo desta pesquisa, com as teorias de
(OSTROWER, 2001) “Criatividade e processo de criação”, (DOMINGUES, 1997) “A arte no
século XXI: A Humanização das Tecnologias”, (DOMINGUES, 2003) “A arte no século
XXI: Tecnologia, Ciência e Criatividade”, (SANMARTIN, 2004) “Arqueologia da criação
artística. Vestígio de uma gênese: o trabalho artístico em seu movimento”, (GALVÃO, 2008)
“Arte e Tecnologia: diferença e invenção”.
2.2.1 Definição dos Conceitos da Pesquisa
Com a finalidade de sistematizar a linguagem utilizada no trabalho de conclusão de
curso, adoto como referência neste estudo, as abordagens teóricas fundamentadas na definição
dos conceitos básicos desta pesquisa:
2.2.2 Manipulação
Manipular imagens é tão antigo quanto fotografar, bem antes dos softwares como o
photoshop ou os programas online como o Befunky ou Instagram, a fotografia já conhecia a
manipulação e assim como no passado fotografar era algo restrito devido à complexidade de
manusear o daguerreótipo e depois a maquina analógica, manipular fotos também era uma
técnica reservada a poucos. No passado as manipulações eram utilizadas para promover
chefes de governo ou militares, atualmente modificar a imagem além ser algo simples é
utilizado de diversas formas, desde uma simples alteração como alterar o contraste, balanço
cor, foco até a descaracterização da imagem através de filtros e sobreposições.
Segundo Ostrower (2001) o modo como utilizamos a imagem e a modificamos
demonstra o nosso desejo. O que queremos mostrar, o que queremos vivenciar. Ao modificar
o cenário o individuo demonstra o que gostaria de vivenciar em sua realidade, o que lhe atrai
e o que lhe incomoda, talvez esse seja o motivo de modificar a imagem, já que a realidade não
pode ser transformada, transforma-se o imaginário.
21
Nós somos apaixonados por nossa própria imagem, Rokeby (1997) exemplifica isso
falando do mito “Eco de Narciso”, onde Narciso se apaixona pela própria imagem refletida na
água. Narciso não percebe que é sua imagem refletida. No meio interativo o interagente não
percebe sua própria imagem refletida e cria sob ela um novo sentido, uma nova relação entre
o seu eu e o mundo. A tecnologia reflete nossas ações e decisões, portanto reflete o que somos
o meio com qual nós comunicamos e não somente o que lhe é dado, “o que retorna somos nós
mesmos, transformados e processados.”2
.
2.2.3 Imagem
Toda visualização construída pela ação do homem, todo e qualquer objeto que pode
ser percebido visualmente3
é uma imagem. Atualmente estamos cercados por imagens:
outdoors, revistas, panfletos, jornais, além das nossas criações fotográficas, produzimos uma
enxurrada de imagens na mesma proporção e velocidade em que recebemos e com uma
agilidade muito maior nos desfazemos delas sem ao menos analisa-las. Para Czegledy (2003)
o modo como a tecnologia avança está modificando o jeito como vemos uma imagem e a nos
mesmos. Tais mudanças estão mudando nossos valores culturais. Segundo Ostrower (2001)
quando olhamos para alguma imagem normalmente não analisamos como deveríamos.
Tornou-se tão comum que não percebemos detalhes importantes que revelam algo do criador.
O individuo cria em função do seu contexto cultural e individual, ao mudar seu meio cultural
ele muda sua criação. A mudança de ambiente modifica hábitos, costumes e faz com que o
potencial criador também se modifique. Para Sanmartin (2004) a imagem é uma metáfora,
uma relação da imagem que está em nossa mente com a imagem que queremos materializar.
2.2.4 Memória
A memória é a capacidade de registrar, armazenar e manipular informações
provenientes de interações entre o cérebro e o corpo ou todo o organismo e o mundo externo.
2
(ROKEBY, Op. Cit., p. 67)
3
http://pt.wikipedia.org/wiki/Imagem#An.C3.A1lise_da_Imagem, acesso em: 05/02/2014
22
É a base dos nossos sentimentos ou de qualquer atitude cotidiana, variando conforme os
diferentes períodos da vida (gestação, infância, adolescência, senescência). Está intimamente
relacionada com o aprendizado, uma vez que o aprendizado é a aquisição de conhecimentos e
a memória é o resgate desses conhecimentos após certo tempo4
, é a nossa memória que irá nos
ajudar a constituir nossa identidade pessoal, são nossas lembranças que nos levam a evoluir, a
desejar situações ainda não vividas ou reviver momentos, é através da memória que iremos
idealizar e criar.
A observação do mundo exterior é considerada como uma exigência para o artista
plástico e sem dúvida este exercício o permite apreender elementos que o permitirá
depois constituir base para criar. [...] Ampliar o espaço pessoal, para que se possa
perceber o universo de forma mais inteira e explorar um outro mundo, o interior.
(SANMARTIN, 2004, p.47)
Para Sanmartin (2004) quando observa seu procedimento o artista novamente entra em
contato com seu eu, com tudo que vivenciou seu passado, suas lembranças, o método leva o
artista a revisitar situações vividas e ele perceberá que tudo tem ligação, em algum ponto a
obra irá conectar suas memórias.
A memória é um fator inerente ao homem e é a memória que irá torna-lo um ser
criador segundo Ostrower (2001), ainda que no inconsciente, uma vez que são as memórias
que levam o homem a criar, a imaginar.
A percepção do meio leva o homem a torna-se consciente não somente sobre as
imagens, mas sobre os lugares, sons, etc. qualquer coisa que tenha relação com a situação
vivida vai fazer com que um determinado objeto, fato ou local do passado ou do presente seja
relembrado, reativando situações vivenciadas.
As intenções se estruturam junto com a memória. São importantes para criá-lo. Nem
sempre serão conscientes nem, necessariamente, precisam equacionar-se com
objetivos imediatos. Fazem-se conhecer, no curso das ações, como uma espécie de
guia aceitando ou rejeitando certas opções e sugestões contidas no ambiente. Ás
vezes, descobrimos as nossas intenções só depois de realizada a ação. [...]
(OSTROWER, 2001, p. 18)
Considerando os objetivos e o intento de pesquisar em construir os efeitos na
interpretação das imagens que sofreram manipulação foram elaborados os questionamentos:
4
Fonte: http://pt.shvoong.com/medicine-and-health/neurology/1617140-que-%C3%A9-
mem%C3%B3ria/#ixzz2s20MEVZE, acesso em: 04/02/2014.
23
a) Que tipos de filtros na manipulação fotográfica digital intensifica a expressividade
dos elementos formais/visuais?
b) Como os resultados da manipulação influenciam as interpretações do publico
espectador?
2.3 METODOLOGIA CIENTÍFICA EMPREGADA
Para a metodologia Cientifica da pesquisa, o método de abordagem, foi deste estudo
Fenomenológico que segundo Merleau Ponty é existencialista, no sentido de que se preocupa
com a existência do homem num mundo pré-dado. Trata-se de uma filosofia que não está
interessada no abstrato, mas sim num “homem histórico”, à medida em que este se engaja e
existe no mundo5
.
O método fenomenológico, foi apresentado por Edmund Husserl (1859-1938), propõe-
se estabelecer uma base segura, liberta de proposições, para todas as ciências. Para Husserl, as
certezas positivistas que permeiam o discurso das ciências empíricas são “ingênuas”. A
suprema fonte de todas as afirmações racionais é a “consciência doadora originaria”. Dai a
primeira e fundamental regra do método fenomenológico: “avançar para as próprias coisas”.
Por coisa entendem-se simplesmente os dados, o fenômeno, aquilo que e visto diante da
consciência. A fenomenologia se encontre atrás do fenômeno, portanto em desvelar o que
aparente os olhos não percebe, mas está aí, só visa os dados, sem querer decidir se este é uma
realidade ou aparência. Haja o que houver, a coisa está ai.
A fenomenologia é o estudo das essências, e todos os problemas, segundo ela,
resumem-se em definir essências: a essência da percepção, a essência da
consciência, por exemplo. Mas a fenomenologia é também uma filosofia que repõe
as essências na existência, e não pensa que se possa compreender o homem e o
mundo de outra maneira senão a partir de sua “facticidade”. É uma filosofia
transcendental que coloca em suspenso, para compreendê-las, as afirmações da
atitude natural, mas é também uma filosofia para a qual o mundo já está sempre
“ali”, antes da reflexão, como uma presença inalienável, e cujo esforço todo consiste
em reencontrar este contato ingênuo com o mundo, para dar-lhe enfim um estatuto
filosófico. É a ambição de uma filosofia que seja uma “ciência exata”, mas é
também um relato do espaço, do tempo, do mundo “vividos”. É a tentativa de uma
descrição direta de nossa experiência tal como ela é, e sem nenhuma deferência à
5
Maria Lúcia Sadala, A fenomenologia como método para investigar a experiência vivida uma perspectiva do
pensamento de Husserl e de Merleau Pontye - FM Botucatu/UNESP.
24
sua gênese psicológica e às explicações causais que o cientista, o historiador ou o
sociólogo dela possam fornecer (MERLEAU-PONTY, 1999)6
Segundo Merleau-Ponty, quando o ser humano se depara com algo que se apresenta
diante de sua consciência, primeiro nota e percebe esse objeto em total harmonia com a sua
forma, a partir de sua consciência perceptiva. Após perceber o objeto, este entra em
sua consciência e passa a ser um fenômeno.
Com a intenção de percebê-lo, o ser humano intui algo sobre ele, imagina-o em toda
sua plenitude, e será capaz de descrever o que ele realmente é. Dessa forma, o conhecimento
do fenômeno é gerado em torno do próprio fenômeno.
Para Merleau-Ponty, o ser humano é o centro da discussão sobre o conhecimento. O
conhecimento nasce e faz-se sensível em sua corporeidade.
O método indutivo parte do particular para o geral. É um método “proposto pelos
empiristas (Bacon, Hobbes, Locke, Hume), para os quais o conhecimento é fundamentado
exclusivamente na experiência” (GIL, 1999, p.28), ou seja, as conclusões obtidas são apenas
prováveis. Na constituição das ciências sociais foi um método importante, pois serviu para
que os pesquisadores da época abandonassem a postura especulativa e adotassem a
observação como procedimento para avaliar os fenômenos sociais, como as expressões
artísticas estão vinculadas a esses fenômenos, justifica-se a opção por tal método.
A concepção indutiva parte da observação do objeto de estudo, a análise dos dados
coletados tem por finalidade descobrir a relação existente entre eles, a partir dessa análise é
feita conclusão do estudo.
O tipo de pesquisa é qualitativo, uma vez que tem a intenção de estimular o
pesquisador a aprender os aspectos expressivos a pensar e discursar sobre as observações e
interpretações sobre as manipulações.
A técnica de pesquisa aplicada, para a coleta de dados foi a produção fotográfica com
manipulação de filtros do programa Befunky e entrevista gravadas com o publico expectador
das obras nas exposições Memória Manipulada, Revelar e Selfie, tendo como subsidio um
roteiro de perguntas abertas.
Para a coleta de dados a ser levantado será necessário implementar as seguintes etapas:
a) Produção de fotografias manipuladas manualmente através do programa online
Befunky;
6
Fenomenologia da percepção / Maurice Merleau-Ponty ; [tradução Carlos Alberto Ribeiro de Moura]. - 2- ed. -
São Paulo : Martins Fontes, 1999. - (Tópicos). Disponível em: < http://pt.scribd.com/doc/43625077/Maurice-
Merleau-Ponty-Fenomenologia-da-Percepcao> Acesso em: 02/03/2014
25
b) Aplicação da entrevista junto ao publico espectador;
c) Descrição dos aspectos técnicos e significativos das produções fotográficas;
d) Descrição e análise das informações coletadas nas entrevistas, que estão
relacionadas aos procedimentos e métodos escolhidos.
Delimitação do universo estudado, por se tratar de uma pesquisa na linha de trabalho
em Poéticas Visuais, mais especificamente a produção artístico-estético sobre a fotografia
manipulada, e de caráter autoral tendo no publico expectador a análise de imagens
modificadas, que não guardam uma memória especifica e, portanto, criam uma interpretação
diferente.
26
3. PROCESSOS QUIMICOS
Nesse capitulo será feita a abordagem teórica dos autores que me deram base para a
construção dessa pesquisa, farei uma abordagem sobre o inicio da manipulação fotográfica,
sobre os tipos de filtros utilizados na manipulação digital, a fotografia como arte e os artistas
que trabalham com manipulação fotográfica: Flavya Mutran e Roberta Carvalho.
3.1. A MANIPULAÇÃO FOTOGRÁFICA DIGITAL
Quando a fotografia surgiu acreditou-se que era a captura fiel do real, portanto era
algo que não podia ser alterado, manipulado. No entanto a manipulação fotográfica começa
desde o momento em que o modelo se posiciona para ser fotografado - roupas, cabelo
arrumado, maquiagem -, até a composição da paisagem. O que atualmente modificamos com
um simples software, no passado era composto por todo um cenário, onde o fotografo era
conhecedor de todas as técnicas para uma foto perfeita, Charles Baudelaire descreve sua
descontentação com as fotografias que demonstram tudo fielmente,
Gostaria de ter o seu retrato. É uma ideia que se apoderou de mim. Há um excelente
fotografo em Hâvre. Mas temo que isso não seja possível agora. Seria necessário
que eu estivesse presente. Você não entende desse assunto, e todos os fotógrafos,
mesmo os excelentes, têm manias ridículas: eles tomam por uma boa imagem, uma
imagem em que todas as verrugas, todas as rugas, todos os defeitos, todas as
trivialidades do rosto se tornam muito visíveis, muito exageradas: quanto mais dura
é a imagem, mais eles são contentes. Além disso, eu gostaria que o rosto tivesse a
dimensão de duas polegadas. Apenas em Paris há quem saiba fazer o que desejo,
quero dizer, um retrato exato, mas tendo o flou de um desenho. Enfim, pensaremos
nisso, não? (BAUDELAIRE apud ENTLER, 2007, p.6).
A citação acima data de 1865, de uma carta do poeta e crítico francês Charles
Baudelaire à sua mãe. O poeta teve no inicio grande aversão a fotografia, mas com o passar
do tempo as criticas se tornaram menos contundente, o que pode-se perceber no trecho citado
é que apesar da época a manipulação fotográfica já existia, no entanto necessitava de técnica.
No mundo atual, onde fotografar passou a ser pra qualquer um – celular, smartphones, iphone,
ipad, tablets – a facilidade em manipular é enorme e muito simples, mas engana-se quem
acredita que a manipulação fotográfica é coisa da era digital, a manipulação fotográfica é algo
27
tão antigo quanto a fotografia, as modificações que hoje são simples antes era algo
engenhoso, bem antes do mais famoso programa de edição de imagens o photoshop, lançado
em 1989, as imagens de fotos analógicas já eram modificadas, por questões estéticas, políticas
ou artísticas. Mas no passado era preciso exatidão e conhecimento, uma das técnicas para
modificar uma fotografia era a de sobrepor um negativo ao outro: primeiro, faziam um
negativo do céu, depois outro negativo da paisagem. No escuro do laboratório, sobrepunham
um negativo ao outro – e assim revelava-se a paisagem na sua inteireza, inclusive a
vivacidade do azul-celeste7
. Outro método utilizado era os pinceis e tintas, profissionais da
época usava verdadeiros kits equipados com materiais essenciais como régua, tintas de vários
tons diferentes, algodão, cola, gelatina e rolos de borracha. Datado de 1946 o livro “Dicas
para Retoque de Fotos para uso Comercial” de Raymond Wardell, ensina técnicas de edição
de imagens, o livro dava dicas de como obter uma boa imagem final, ter uma mão firme (se
houvesse um erro, o trabalho estava perdido), usar uma mesa de desenho com altura e ângulos
ajustáveis e principalmente remover as falhas das imagens, acrescentar detalhes de maior
contraste, não exagerar nos retoques, regras que garantiam resultado final desejado.
Fonte: CONDLIFFE, Jamie. Como Fotógrafos Retocavam suas Fotos Antes do Photoshop.
2013, Disponível em: < http://gizmodo.uol.com.br/retoques-antes-do-photoshop/>. Acesso em:
16/06/2013
7
http://veja.abril.com.br/blog/ricardo-setti/tema-livre/uma-fascinante-e-perturbadora-incursao-pela-historia-da-
manipulacao-da-fotografia/. Acesso em: 05/02/2014
Imagem 3 - Imagem do livro “Dicas para Retoque de Fotos para Uso
Comercial”
28
Imagem 4 - Imagem do livro
“Dicas para Retoque de Fotos para
Uso Comercial”
Imagem 5 - Imagem do livro “Dicas
para Retoque de Fotos para Uso
Comercial”
Imagem 6 - Imagem do livro “Dicas para
Retoque de Fotos para Uso Comercial”
Imagem 7 - Imagem do livro “Dicas para
Retoque de Fotos para Uso Comercial”
Fonte: CONDLIFFE, Jamie. Como
Fotógrafos Retocavam suas Fotos Antes do
Photoshop. 2013, Disponível em:
<http://gizmodo.uol.com.br/retoques-antes-
do-photoshop/>. Acesso em: 16/06/2013
Fonte: CONDLIFFE, Jamie. Como
Fotógrafos Retocavam suas Fotos Antes do
Photoshop. 2013, Disponível em:
<http://gizmodo.uol.com.br/retoques-antes-
do-photoshop/>. Acesso em: 16/06/2013
Fonte: CONDLIFFE, Jamie. Como
Fotógrafos Retocavam suas Fotos Antes do
Photoshop. 2013, Disponível em:
<http://gizmodo.uol.com.br/retoques-antes-
do-photoshop/>. Acesso em: 16/06/2013
Fonte: CONDLIFFE, Jamie. Como
Fotógrafos Retocavam suas Fotos Antes do
Photoshop. 2013. Disponível em:
<http://gizmodo.uol.com.br/retoques-antes-
do-photoshop/>. Acesso em: 16/06/2013
29
Imagem 8 - O Ministro Sumiu Imagem 9 - Convite à Ilusão
Ao longo da historia a manipulação mostrou-se presente na historia, seja em registros de
momentos políticos marcantes ou na publicidade ou fotos artísticas, mudou-se o modo de
manipular e talvez os motivos, mas a intenção de modificar o fragmento do real sempre
existiu. Em 1960, o artista Yves Klein montou a foto do seu "salto no vazio" (Imagem 9),
num subúrbio perto de Paris: nem toda manipulação é para trapacear; mas toda ela é para
iludir.
Em 1937, Hitler tirou uma foto com outros nazistas. Por razões desconhecidas, seu
ministro da Propaganda, Goebels, foi apagado da cena (Imagem 8).
Fonte: SETTI, Ricardo. Uma Fascinante (E
Perturbadora) Incursão Pela História da
Manipulação da Fotografia, 2012. Disponível
em:
<http://veja.abril.com.br/blog/ricardo-
setti/tema-livre/uma-fascinante-e-perturbadora-
incursao-pela-historia-da-manipulacao-da-
fotografia/>. Acesso em 05/02/2014
Fonte: SETTI, Ricardo. Uma Fascinante (E
Perturbadora) Incursão Pela História da
Manipulação da Fotografia, 2012. Disponível em:
<http://veja.abril.com.br/blog/ricardo-setti/tema-
livre/uma-fascinante-e-perturbadora-incursao-pela-
historia-da-manipulacao-da-fotografia/>. Acesso
em 05/02/2014
Para a imprensa a manipulação é usada para iludir, seja para cria uma imagem mais
agradável , como fez da "Saturday Evening Post", em 1941 muito antes do Photoshop
(Imagem 11), ou para dramatizar como fez a revista Time em 1994, que para dar ênfase a um
crime racial escureceu artificialmente a pele do negro O. J. Simpson (Imagem 10).
30
Imagem 10 - Revista Time Imagem 11 - Pré-Photoshop
Fonte: SETTI, Ricardo. Uma Fascinante (E Perturbadora) Incursão
Pela História da Manipulação da Fotografia, 2012. Disponível em:
<http://veja.abril.com.br/blog/ricardo-setti/tema-livre/uma-fascinante-
e-perturbadora-incursao-pela-historia-da-manipulacao-da-fotografia/>.
Acesso em 05/02/2014
3.1.1 Filtros Inteligentes
Filtros são efeitos que programas como o photoshop ou Befunky fornecem para serem
aplicados às fotografias, com os filtros é possível limpar, alterar cor, aplicar efeitos artísticos e
uma infinidade de possibilidades para modificar imagens.
Nesta pesquisa minhas produções se deram através do programa online befunky,
apesar de saber manusear o photoshop. Minha escolha resultou da facilidade em usar o
programa, dos variados tipos de filtros oferecidos, da possibilidade de fazer sobreposições de
filtros nas imagens e do pouco tempo necessário para finalizar minhas produções. O programa
acima mencionado não necessita estar instalado no computador para funcionar e também pode
ser utilizado por telefone celular compatível.
É possível com um simples click modificar uma imagem atribuindo a ela
características do pop arte, stencil ou simplesmente adicionar efeito para deixar a fotografia
com aparência envelhecida, basta apenas escolher o filtro e aplicar a seleção.
As imagens abaixo mostram uma fotografia em processo de manipulação, os efeitos
inseridos modificam a imagem de forma bem diversificadas. A Imagem 12 mostra a
Fonte: Revista TIME, Vol. 143
Nº 26, 1994. Disponível em:
<http://content.time.com/time/m
agazine/0,9263,7601940627,00.h
tml>
Acesso: 06/02/2014
31
Imagem 12 - Fotografia digital sem efeitos
Imagem 13 - Utilizando filtro Stenciler 3
fotografia original sem filtros, inserida no programa Online Befunk, no menu à esquerda estão
disponíveis vários efeitos que podem ser colocados com um simples clique.
Fonte: Acervo do Artista.
Nas imagens a seguir podemos ver a fotografia já com efeitos, o filtro Stenciler 3
(Imagem 13) deu a imagem uma aparência figurativa e/ou abstrata, uma representação própria
do stencil.
Fonte: Acervo do Artista.
32
Usando outro filtro é possível produzir na imagem um efeito artístico que difere do
anterior, como o da Pop Art (Imagem 14), ou ainda deixar a imagem com aparência de foto
antiga (Imagem 15).
Fonte: Acervo do Artista.
Fonte: Acervo do Artista.
Uma única imagem pode ganhar significados diferentes de acordo com o efeito
inserido, avaliando a imagem sem filtros e as posteriores são perceptíveis às varias leituras
que é possível fazer de acordo com as mudanças causadas pelos efeitos na imagem.
Imagem 14 - Utilizando filtro Pop Art.
Imagem 15 - Utilizando filtro Old Photo.
33
2.1.2 Fotografia Como Arte
Antes de a fotografia existir cabia aos pintores a missão de reproduzir a realidade, com
o surgimento dos daguerreótipos muito se discutiu sobre o seu valor artístico, pois a imagem
era feita pela maquina e não pelo fotografo, não exigindo nenhum dom artístico para criação
dessa imagem e o fotografo era um assistente da maquina. A fotografia conquistou a simpatia
de muitos, mas também encontrou muitos críticos avessos à sua fidelidade com o real, dentre
eles o poeta e crítico francês, Charles Baudelaire que no inicio demonstrava toda a sua
aversão à fotografia, como na carta ao diretor da Revue Française, sobre o salão de 1859,
onde, pela primeira vez abriu-se um espaço a fotografia,
Nesses dias deploráveis, produziu-se uma nova indústria que muito contribuirá para
confirmar a idiotice da fé que nela se tem, e para arruinar o que poderia restar de
divino no espírito francês. Essa multidão idólatra postulou um ideal digno de si, e
apropriado a sua natureza, isso está claro. Em matéria de pintura e de escultura, o
Credo atual do povo, sobretudo na França (e não creio que alguém ouse afirmar o
contrário) é este: “Creio na natureza e creio somente na natureza (há boas razões
para isso). Creio que a arte é e não pode ser outra coisa alem da reprodução exata da
natureza (um grupo tímido e dissidente reivindica que objetos de caráter repugnante
sejam descartados, como um penico ou um esqueleto). Assim, o mecanismo que nos
oferecer um resultado idêntico à natureza será a arte absoluta”. Um Deus vingador
acolheu as súplicas dessa multidão. Daguerre foi seu Messias. E então ela diz a si
mesma: “Visto que a fotografia nos dá todas as garantias desejáveis de exatidão
(eles crêem nisso, os insensatos), a arte é fotografia”. A partir desse momento, a
sociedade imunda se lança, como um único Narciso, à contemplação de sua imagem
trivial sobre o metal. Uma loucura, um fanatismo extraordinário se apodera de todos
esses adoradores do sol. (BAUDELAIRE, apud ENTLER, 2007, p. 11-12)
A fotografia tornou-se um registro da realidade tal como ela é e muito mais que o
registro de uma cena, a fotografia era um testemunho do real, não se pensava em fotografia
como arte, fotografia era unicamente um registro que não podia ser modificado ou
manipulado, era estritamente documental. No entanto, muitos artistas se valeram da fotografia
como índice para suas produções.
A partir da primeira metade do século XX é que a fotografia começou a ser vista como
linguagem artística, movimentos como o Cubismo, o Futurismo, Surrealismo, Dadaísmo e o
Construtivismo usaram a fotografia como meio de pesquisa para produções artísticas.
A fotógrafa Dora Maar fez registros durante a produção de Guernica de Pablo Picasso,
um dos fundadores do cubismo, nos registros é possível perceber que apesar de ser uma
pintura planejada ela se modificou enquanto progredia.
34
Imagem 16 - Dora Maar fotografia da pintura Guernica de Pablo
Picasso em etapas. Paris estúdio 1937.
Imagem 17 - Dora Maar fotografia da pintura Guernica de Pablo
Picasso em etapas. Paris estúdio 1937.
Imagem 18 - Dora Maar fotografia da pintura Guernica de Pablo
Picasso em etapas. Paris estúdio 1937.
Fonte: DION, Dora Maar Fotografias Guernica de Picasso, 2013. Disponível em:
<http://www.artnewsblog.com/dora-maar-photographs-picassos-guernica/>.
Acesso em: 05/05/2014
Fonte: DION, Dora Maar Fotografias Guernica de Picasso, 2013. Disponível em:
<http://www.artnewsblog.com/dora-maar-photographs-picassos-guernica/>.
Acesso em: 05/05/2014
Fonte: DION, Dora Maar Fotografias Guernica de Picasso, 2013. Disponível em:
<http://www.artnewsblog.com/dora-maar-photographs-picassos-guernica/>.
Acesso em: 05/05/2014
35
Imagem 19 - Dora Maar fotografia da pintura Guernica de Pablo
Picasso em etapas. Paris estúdio 1937
Imagem 20 - Guernica, de Pablo Picasso. 1937. 349 cm × 776
centímetros
Fonte: DION, Dora Maar Fotografias Guernica de Picasso, 2013. Disponível em:
http://www.artnewsblog.com/dora-maar-photographs-picassos-guernica/>. Acesso
em: 05/05/2014
Fonte: DION, Dora Maar Fotografias Guernica de Picasso, 2013. Disponível em:
http://www.artnewsblog.com/dora-maar-photographs-picassos-guernica/>. Acesso
em: 05/05/2014
No futurismo Anton Giulio Bragaglia e seu irmão Arturo criaram a fotodinâmica, que
era a fotografia da vida nos seus movimentos, os irmãos acreditavam que para reproduzir a
vida em fotografias, era preciso fotografar também os movimentos, “Enojados pela cadavérica
imobilidade das representações na arte, preferimos fotografar em movimento, mesmo as
coisas paradas, assim como as vemos, na correria dos nossos dias vertiginosos. Por isso
36
Imagem 21 - Anton Giulio Bragaglia, “Typewriter”, 1911
detestamos a fotografia glacial e racionalmente seguimos, na nossa Fotodinâmica, gestos
essencialmente futuristas.” (BRAGAGLIA, 1913) 8
Os fotógrafos futuristas desenvolveram vários estudos para conseguir chegar a técnica
da fotografia em movimento.
Fonte: PESSOA, Davi. Anton Giulio Bragaglia, “A fotografia do
movimento”, 1913. Disponível em:
<http://traduzirfantasmas.wordpress.com/2011/11/14/a-fotografia-do-
movimento/>. Acesso em: 04/05/2014
O fotografo Phillipe Halsman e o artista surrealista Salvador Dalí criaram muitos
trabalhos inspirados no surrealismo, o resultado final nem sempre foi fácil de conseguir, eram
necessárias várias tentativas, Halsman não usava montagens para conseguir o efeito surreal, o
fotografo usava a encenação, o conhecimento fotográfico e a paciência, em Dalí Atômico
(Imagens 22 e 23) feita em 1948, o fotografo só conseguiu a imagem desejada na 28º
tentativa, depois de horas tentando.
8
Anton Giulio Bragaglia, “A fotografia do movimento”, 1913. Disponível em:
<http://traduzirfantasmas.wordpress.com/2011/11/14/a-fotografia-do-movimento/>. Acesso em: 04/05/2014
37
Imagem 22 - Fotografias do processo de Dalí Atômico
Fonte: Hooks , Jeremy. Dali Por Philippe Halsman Atomicus. 2011. Disponível em:
<http://www.photoandvideography.com/dali-atomicus-by-philippe-halsman-234/>. Acesso em:
04/05/2014
38
Imagem 23 - Dalí Atômico
Imagem 24 - Photogram
Fonte: Hooks , Jeremy. Dali Por Philippe Halsman Atomicus. 2011. Disponível
em: <http://www.photoandvideography.com/dali-atomicus-by-philippe-halsman-234/>.
Acesso em: 04/05/2014
O construtivismo utilizou-se da fotomontagem que é o processo de recortar, reordenar
elementos dentro de um quadro e fotografar novamente o produto final teve grande influencia
para László Moholy Nagy, um artista construtivista. Nagy usava técnicas de colagem e de
fotografias sem câmera chamado de photogram que era o contato do objeto com o papel
sensível à luz.
Fonte: Blog Art Blart - Exposição: 'László Moholy-Nagy - Arte de Luz.
2011. Disponível em: <http://artblart.com/tag/laszlo-moholy-nagy-oskar-
schlemmer-in-ascona/>. Acesso em: 04/05/2014
39
Imagem 25 - Violon d'Ingres
No Dadaísmo um dos artistas mais expressivos foi Man Ray, foi um dos maiores
defensores da fotografia como arte. Influenciado inicialmente pelo movimento artístico
Dadaísmo e posteriormente pelo Surrealismo, tornou-se a figura central das vanguardas
fotográficas, abordando inúmeras linguagens e técnicas. Inventou os rayogramas e a
solarização, imagens misteriosas, indefinidas e quase abstratas, obtidas de forma direta, sem
uso da câmara, que se aproximavam dos fotogramas de Moholy-Nagy. Uma das suas obras
mais conhecidas é a fotografia surrealista "Violon d'Ingres" (Imagem 25), realizada em 19249
,
suas obras não tinham a preocupação de representar a realidade.
Fonte: Wikiart Visual Art Encyclopedia.
Disponível em:
<http://www.wikiart.org/en/man-ray/ingre-
s-violin-1924#supersized-artistPaintings-
210880>. Acesso em: 03/02/2014
Fotografar a produção artística tornou-se arte também, atualmente as galerias de arte
expõem produções como o do artista plástico Vick Muniz que trabalha em suas produções a
reutilização de materiais em desuso, a Art Povera. Muniz inicia seu processo de criação com
a fotografia como pesquisa e durante o procedimento mistura técnicas como escultura,
gravura e pintura para criar e finaliza sua criação com o registro fotográfico e este registro é o
que será exposto nas galerias. No documentário Lixo Extraordinário o artista mostra como
transformou fotografias de catadores de lixo em arte, utilizando o próprio lixo, as imagens
9
fotografia (arte). In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2014. Disponível em:
<http://www.infopedia.pt/$fotografia-(arte)>. Acesso em: 03/02/2014.
40
Imagem 27 - Documentário Lixo
Extraordinário
Imagem 26 - Documentário Lixo
Extraordinário
Imagem 28 - Documentário Lixo Extraordinário
abaixo mostram um momento do processo de criação (Imagens 26 e 27) e alguns dos
resultados finais (Imagens 29 e 30) que foram fotografados e leiloados na Inglaterra.
Fonte: Site do documentário Lixo Extraordinário.
2011. Disponível em:
<http://www.lixoextraordinario.net/galeria.php>.
Acesso em: 12/05/2014
Fonte: Site do documentário Lixo Extraordinário.
2011. Disponível em:
<http://www.lixoextraordinario.net/galeria.php>.
Acesso em: 12/05/2014
Fonte:Blog Sandra Lazzerini. 2012. Disponível em:
<http://sandrainteriores.blogspot.com.br/2012/07/li
xo-extraordinario.html>. Acesso em: 15/05/2014
Fonte:Blog Sandra Lazzerini. 2012. Disponível em:
<http://sandrainteriores.blogspot.com.br/2012/07/li
xo-extraordinario.html>. Acesso em: 15/05/2014
Assim como o Vick Muniz outros artistas trabalham o neoexpressionismo através da
manipulação fotográfica, o artista, ilustrador e designer gráfico Russ Mills possui trabalhos
que são uma mistura de estilos que vai do clássico ao surrealismo pop, Mills trabalha
principalmente sobre a forma humana e seus trabalhos abrangem temas como superficialidade
e isolamento, passando para expressões mais sociopolíticas. Algumas de suas produções são
Imagem 29 - Documentário Lixo Extraordinário
41
Imagem 30 - House Anthems 99 Imagem 31 - “Madre”
frutos de medos próprios, temores normais que se multiplicaram e que levaram o artista a
traduzir esse medo em seus trabalhos.
Inicia seus trabalhos com esboços em fotografias de amigos ou desconhecidos que
segundo ele “darão vida às cidades, animais, plantas etc...”, ele utiliza tinta, caneta
esferográfica, aquarela, elementos da natureza e depois digitaliza tudo e transfere para o
computador, onde através de muitas camadas, o trabalho irá ser finalizado. Segundo Russ
Mills, no primeiro passo do trabalho é utilizado todo tipo de material como texturas, pontos,
rabiscos, aleatório, essa primeira etapa é a mais demorada, pois é base de seu trabalho, depois
tudo é digitalizado e ele dá continuidade no computador utilizando varias camadas, no entanto
não utiliza filtros em todas as camadas, pois isso ajuda a “manter a natureza ‘digital’ da
imagem.”.
Fonte: Site do artista Russ Mills. Disponível em:
<http://www.byroglyphics.co.uk/20089/kyy33na0nmadkdg
ny7yc6ooqg7kq0t>. Acesso em: 19/08/2014
Fonte: Site Kai Fine Art. Disponível em:
http://www.kaifineart.com/2014/02/russ-
mills.html. Acesso em: 19/08/2014
42
Imagem 32 – Sem Titulo
Fonte: CRUZ, Yesenia. TETE A TETE: Russ Mills,
Byroglyphics. 2008. Disponível em:
<http://trifora.blogspot.com.br/2008/09/tete-tete-russ-mills-
byroglyphics.html>. Acesso em: 14/05/2014
Thomas Barbèy é um artista que faz fotomontagens surrealistas, o artista não utiliza
programas de edição de imagens nas suas criações e nem maquinas fotográficas digitais,
Thomas Barbèy usa câmeras analógicas, as imagens são capturadas com os modelos Mamiya
RB 67 e Canon AE-1s 35mm e filme SLR. Ele cria suas obras através da revelação desses
filmes.
“Os negativos são combinados e a ampliação é feita simultaneamente, ou planejo a
dupla exposição na própria câmera, ou uma combinação de tudo isso”, explica o artista,
lembrando que cada negativo montado é único e suporta um número limitado de cópias.10
Antes de produzir o artista cria um conceito sobre sua próxima imagem e a partir disso
ele começa a seleção de imagens, algumas vezes o processo segue o caminho inverso, a
imagem é criada e só depois ele pensa o conceito. Thomas Barbèy possui um banco de
imagens capturadas em suas viagens pelo mundo, segundo ele algumas imagens levam anos
para serem usadas algumas imagens são compostas de negativos que são separadas por uma
década no tempo real e só ganham vida quando eles encontraram o seu par perfeito. É a
combinação de dois ou mais negativos que dão origem a uma visão completamente fora do
comum, mas acima de tudo, o título que ele dá a imagem final é a cola da substância da peça,
“Algumas vezes já venho com uma ideia pré-concebida e tanto materializá-la de forma que
10
Disponível em:< http://maytepiragibe.com/o-artista-thomas-barbey/>. Acesso em: 03/03/2014
43
Imagem 34 - “Oh Sheet!”
Imagem 33 - “Sunbathing”
Imagem 35 - “Icy Studs”
funcione. Em outras tudo é meio por acaso, e quando a imagem surge o conceito ainda precisa
ser definido.”.11
Para o artista a imagem só está finalizada quando ao olhar para a produção ele percebe
uma estória, quando uma imagem transmite todo um contexto, quando o expectador consegue
imaginar, criar toda uma estória apenas visualizando a representação, então o artista sente que
concluiu o seu trabalho. Thomas Barbèy possui um site onde expõe e vende suas obras.
Fonte:Site do artista Thomas Barbèy. Disponível em:
<http://thomasbarbey.com/>. Acesso em: 03/03/2014
Fonte:Site do artista Thomas Barbèy.
Disponível em:
<http://thomasbarbey.com/>. Acesso
em: 03/03/2014
11
Disponível em: < http://thomasbarbey.com/>. Acesso em: 03/03/2014
Fonte:Site do artista Thomas Barbèy. Disponível em:
<http://thomasbarbey.com/>. Acesso em: 03/03/2014
44
3.2 ARTISTAS LOCAIS QUE MANIPULAM SUAS PRODUÇÕES FOTOGRÁFICAS
Muitos artistas trabalham a manipulação digital atualmente, nesta pesquisa irei falar
sobre as obras das Artistas Visuais Flavya Mutran que mistura procedimentos automatizados
ou manual nas suas produções e Roberta de Carvalho que usa a fotografia em suas
intervenções urbanas.
Flavya Mutran é uma artista plástica paraense que atua com fotografia desde 1989, em
2010 desenvolveu uma serie na qual utilizou um software para manipular digitalmente, o
programa gratuito disponível no site yearbookyourself.com que inspirou a série de imagens
Bioshot.
A série foi produzida a partir de um software que permite manipular digitalmente
retratos em preto e branco de 52 tipos humanos caracterizados pelo período de 1950 aos anos
2000. Trata-se de uma galeria online com perfis masculinos e femininos dispostos no site
como se fossem fantasias, ou máscaras em que o usuário pode brincar de trocar sua aparência
– ou a de outra pessoa –, gerando diferentes combinações raciais, temporais e de gênero,
bastando para isso alimentar o aplicativo com a imagem de um rosto que encaixe nos
modelos.12
Para Mutran o uso de fotografias aliada à exibição na internet reafirma o desejo de
inclusão na esfera publica,
Explorei o potencial que aplicativos como este possuem enquanto ferramenta
ficcional e lúdica, que auxilia o usuário na reinvenção de sua trajetória pessoal, na
(dis) simulação da identidade, da sexualidade, da condição social e até da herança
biológica. Ficou evidente a ideia de que existe uma interrelação entre os
autorretratos fotográficos e a noção de território de subjetividade que se estabelece a
partir do uso da fotografia associada à exibição na internet, pois o uso de programas
como o yearsbookyourself, além de confirmar essa febre “retrô” da primeira década
do século XXI, atesta o desejo de autorrepresentação e autoinclusão do indivíduo na
esfera pública, conhecida como Web 2.0.5 (MUTRAN, 2012, 51)
A artista produziu ao todo 156 matrizes que se desdobraram em suporte variados que
vão desde a fotografia digital, passando pela copia xerox, fotogravuras em água forte até ao
adesivo autocolantes aplicados em espelhos (Imagens 36 e 37), “São imagens híbridas, fruto
de combinações que sugerem ao mesmo tempo o esquecimento e a lembrança que reescreve
velhos temas de forma nova, ou vice-versa. As imagens resultantes desta série também
12
FLAVYA MUTRAN E JANDER RAMA, Distopias anacrônicas: tensões construtivas entre imagem digital
e artesanal - 2012, p. 45 - 54
45
Imagem 36 - Serie Bioshot
Imagem 37 - Serie Bioshot
tipificam o descompromisso atual com o tradicional valor documental e indiciário da
fotografia” (MUTRAN, 2012, 52).
Fonte: MUTRAN, Flavya; RAMA, Jander. Distopias anacrônicas: tensões construtivas entre imagem digital e
artesanal. Revista Porto Arte: Porto Alegre, V. 19, N. 32, Maio/2012.
Fonte: MUTRAN, Flavya; RAMA, Jander. Distopias anacrônicas: tensões construtivas entre imagem digital e
artesanal. Revista Porto Arte: Porto Alegre, V. 19, N. 32, Maio/2012.
A paraense Roberta Carvalho é artista visual e desenvolve trabalhos na área imagem,
intervenção urbana e vídeo arte, teve como base para suas produções a artista contemporânea
Elaine Tedesco que faz suas intervenções utilizando imagens criadas, transformadas em slides
e projetadas em locais não convencionais. A artista Roberta Carvalho mistura fotografia,
video e video mapping em suas experimentações, e faz projeções em espaços não óbvios,
como copas de arvores no projeto “Symbiosis”. Nesse projeto Carvalho tenta mostrar a
integração do homem com a natureza, segundo a artista “A ideia do ‘Symbiosis’ é restaurar
essa identidade e fazer com que literalmente nos vejamos nessa natureza da qual nos
separamos e vice-versa”.
46
Imagem 38 - Symbiosis
Para essa produção a artista projetou imagens de rostos humanos em copas de arvores,
um suporte não convencional, mas que modificou e deu um novo sentido a imagem. Carvalho
explica que o critério básico da escolha do corpo a ser projetado relaciona-se bastante com sua
questão formal. Já houve casos, no entanto, em que a relação conceitual falou mais alto na
opção pela imagem. Em uma das exibições do projeto, por exemplo, o rosto de uma criança
foi projetado em uma árvore “jovem”, no meio de diversas árvores muito maiores. As
imagens em geral são de rostos de homens, crianças, e da própria artista, mas não há um rigor
para a escolha de quem estará nas projeções. Segundo Roberta, a base do trabalho é a
experimentação e a expressividade das formas. “A ‘symbiosi’ é realmente uma busca deste
projeto e ela se dá quando há uma perfeita adequação do corpo (do ser humano ou da arte)
com a natureza. E isso, só experimentando ver para sentir”.13
O resultado final são fotografias de intervenções que mostram uma natureza com
rostos, que demonstram como fazemos parte dessa natureza e como podemos modifica-la e
nós modificar.
Fonte: NETO, Pimentel. Árvores que pulsam, a arte da “cineclubista” Roberta
Carvalho. 2014. Disponível em:
<http://marvadacarne.wordpress.com/2014/01/25/arvores-que-pulsam-a-
arte-da-cineclubista-roberta-carvalho/>. Acesso em: 28/04/2014
13
Árvores que pulsam, a arteda“cineclubista” Roberta Carvalho,.disponível em:
<http://marvadacarne.wordpress.com/2014/01/25/arvores-que-pulsam-a-arte-da-cineclubista-roberta-carvalho/>.
Acesso em: 28/04/2014
47
Imagem 39 - Symbiosis
Fonte: NETO, Pimentel. Árvores que pulsam, a arte da “cineclubista” Roberta
Carvalho. 2014. Disponível em:
<http://marvadacarne.wordpress.com/2014/01/25/arvores-que-pulsam-a-arte-
da-cineclubista-roberta-carvalho/>. Acesso em: 28/04/2014
3.3 ARTE E TECNOLOGIA
No âmbito da indústria cultural a arte é uma mercadoria que “deve agradar um numero
cada vez maior de consumidores para o seu divertimento” (GALVÃO, 2008. p.17). O produto
oferecido leva a opressão da liberdade, da criatividade, da autonomia, o sujeito deixa de ser
quem ele é “A revolta resultante da opressão foi apaziguada por uma promessa que nunca
poderá ser realizada no âmbito coletivo, mas que permanece no sonho individual do Um que
se destaca na massa, desejo que já foi programado pelo próprio discurso.”14
Segundo Galvão, para a tecnologia ficou a impressão, cada vez mais latente de
banalização do discurso, um exemplo são os filmes com uma estrutura repetitiva, no qual a
novidade são os efeitos especiais, para o espectador filmes com contexto, que precisam de
uma reflexão são chatos, os melhores filmes da atualidade estão cheios de efeitos especiais,
tecnologia e pouco ou nenhum contexto “Logo se pode perceber como terminará um filme,
quem será recompensado, punido ou esquecido; para não falar da musica ligeira em que o
ouvido acostumado consegue, desde os primeiros acordes, adivinhar a continuação, e sentir-se
feliz quando ela ocorre” (ADORNO; HORKHEIMER apud GALVÃO,2008,p. 17)
14
GALVÃO, Op. Cit., p. 18.
48
Por outro lado existe a arte que criou-se a partir da tecnologia, os vídeos mapping, as
intervenções urbanas, as interfaces digitais que misturam varias linguagens em uma única
produção, uma nova linguagem que opta por não ocupar galerias de artes, mas espaços
abertos como praças, ruas, fachadas de prédios, espaços não óbvios quando se fala em
exposições de arte com produções que visa mostrar como a arte interage com a tecnologia e
como essa linguagem que não é assim tão nova pode fazer o artista pensar em novas poéticas
visuais, levando ao publico possibilidades diferentes do que é arte e do fazer arte.
A tecnologia e a arte são partes integrantes na era contemporânea, as similaridades
entre as duas são evidentes quando percebemos que tanto a arte quanto a tecnologia não estão
ao alcance de todos e a minoria privilegiada que tem esse acesso não desfruta de todo o
conceito que a arte e a tecnologia propõem.
3.4 IMAGEM
A imagem é uma projeção de nossa mente, portanto o que queremos no nosso
imaginário é realizado através dela, com a fotografia digital realizar o que nosso imaginário
deseja tornou-se mais fácil através de efeitos digitais, “As facilidades de manipulação da
imagem em formato digital permitem que um número muito grande delas perca uma de suas
principais funções: a de ser um retrato do mundo ao qual estamos visualmente
familiarizados.” (ANTUNES, 2008, p. 44).
Quando modificamos uma mesma imagem, reproduzindo-a varias vezes e dando a ela
vários cenários nós não reinventamos o fato real, não o modificamos em sua existência dentro
do contexto histórico, nós reinventamos o sentido pessoal, a interpretação que se configurou a
partir de um desejo, a renovação ocorre na personalidade do criador.
Nessa era digital a indústria tecnológica cria objetos cada vez mais interativos que
facilitam nossa vida e nos deixam cada vez mais conectados, tanta interatividade está
provocando uma perda de identidade. A tecnologia reflete nossas ações e decisões, portanto
reflete o que somos, o meio com qual nós comunicamos. David Rokeby fala que o meio não
reflete somente o que lhe é dado, ao usarmos nossa imagem para inserir uma modificação
quando essa imagem retorna vemos a nós mesmo transformados e processados.
49
As novas ferramentas tecnológicas estão mudando valores sociais, as ferramentas
tecnológicas passaram a ser algo necessário na vida cotidiana, hoje a cultura não é mais
absorvida pela população, é simplesmente aceita e da mesma forma como é rapidamente
aceita é também descartada.
Do mesmo modo que os exames de ressonância magnética, espectrometria e
tomografia deixaram nosso corpo exposto, as atuais tecnologias também nos deixam
expostos, também nos revelam em detalhes que antes não seriam exibidos. Nosso corpo virou
espetáculo visual para fins comerciais e “o corpo (nosso próprio corpo) ficou cada vez mais
exposto e, assim, mais vulnerável do que nunca.” (CZEGLEDY, 2003, p.129). O projeto visa
debater sobre as mudanças tecnológicas que mudaram o modo como o corpo é visto, para a
autora somente com os discursos levantados sobre o corpo e a revolução digital é que teremos
uma melhor compreensão sobre nossas percepções atuais e o futuro.
Tal onda pode ser vista na quantidade de imagens do corpo humano ou sobre ele, que
nos rodeia. Anúncios de academia, centros de estéticas, passamos a cultuar mais o que é belo,
esteticamente belo. O corpo humano passou ser cultuado de varias forma, como maquina pela
ciência, como escultura para academias, o modo como a tecnologia avança está modificando o
jeito como vemos uma imagem e a nos mesmos. Tais mudanças estão mudando nossos
valores culturais “O impacto dessa revolução que permeia nosso cotidiano mudou
significativamente a percepção comum do corpo humano” (CZEGLEDY, 2003, p.127).
As novas ferramentas tecnológicas estão mudando valores sociais, as ferramentas
tecnológicas passaram a ser algo necessário na vida cotidiana, hoje a cultura não é mais
absorvida pela população, é simplesmente aceita e da mesma forma como é rapidamente
aceita é também descartada. A necessidade de criação se modifica ao longo do tempo, o que
antes era necessário agora torna-se sem importância. O que para um jovem é essencial (filtros
em uma foto são o meio de comunição, é através do filtro de demonstram o quanto feliz ou
quanto triste se está naquele momento, sem os filtros parece ser impossível, para eles,
demonstra seu sentimentos) para um adulto pode não ter sentido, pois o real é o que lhe
interessa. A criatividade muda porque a personalidade muda.
A criação ira renovar o criador, algo irá modificar em seu potencial, em seu conceito,
ainda que a criação não represente o novo, “Na era digital, a imagem passa a ser uma
informação que pode ser escrita, apagada e refeita quantas vezes quisermos. É claro que essa
maleabilidade depende da capacidade tecnológica de que se dispõe em hardware e software, a
50
qual, por sua vez, depende do quanto se quer investir em tecnologia.” (ANTUNES, 2008, p.
46).
3.5 FOTOGRAFIA
Desenhar com a luz ou criar imagens por meio da exposição da luz, o significado de
fotografia pode representar uma visão do real, entretanto a câmera fotográfica pode reproduzir
muito mais que cenários existentes, a fotografia pode criar representações que estão além de
nosso imaginário “se a fotografia inicialmente é a realização do desejo de uma visão
automática, façamos dela uma máquina de visão, capaz de mostrar o que não pode ser visto
nem reproduzindo pelo ‘olho comum’, até mesmo criar abstrações.” (GALVÃO, 2008, p. 21).
Se inicialmente a fotografia tinha o objetivo de guarda um momento da historia,
posteriormente a arte modificou a técnica para qual foi criada. O registro tornou-se expressão
artística, que provoca o emocional, que torna-se poesia, que transforma um sujeito
fotografado em objeto ou coisa. Fotografar vai além de simplesmente registrar um momento,
fotografar é recriar uma ocasião através das interpretações de quem olha a imagem.
A fotografia vive um longo período de transição da analógica para o digital, e talvez
por isso alguns fotógrafos acreditem que a fotografia morreu e ao mesmo tempo que ela nunca
esteve tão viva, segundo o professor e fotografo Pedro Vasquez todos podem ser fotógrafos, a
era digital possibilitou isso. A nova era do celular com 41 megapixels, da câmera fotográfica
digital, dos tablets... possibilitou a inovação fotográfica a até mesmo a volta à técnicas do
passado como a daguerreotipia. Para Vazques (2014, p.1) a era digital não provocou o “fim da
verdade fotográfica”, pois tal verdade nunca existiu, segundo Vasquez “A fotografia sempre
foi falsa, tendenciosa e mentirosa (em outras palavras: humana), porém dotada de insuperável
capacidade de reprodução fidedigna do mundo visível.”.
3.6 CRIATIVIDADE NO PROCESSO DE CRIAÇÃO COM FOTOGRAFIA
MANIPULADA
51
Nossa cultura vive uma era em que criar, modificar, imaginar está ligado a utilidade. A
imagem tornou-se efêmera quando deixou de ser um catalisador de memórias. O mundo
digital não permite o valor das fotos impressas ficou minimizado diante dos suportes digitais
que possam estar exibindo-as e mesmo que permitisse o que iria ser impresso? O que valeria a
pena guarda com tanto cuidado? Que momento seria tão importante? E por que ele é tão
importante? Na manipulação de imagem é perceptível que o cenário e os atores são
constantemente modificados, a realidade em que vive não é agradável e modificar torna-se
essencial, o que fica claro nessas mudanças é o quanto a realidade é incômoda ou o quanto o
ser criador é condicionado a mudanças, ele é levado a acreditar que precisa modificar o meio
que está inserido, mesmo que esse meio o agrade.
Atualmente a fotografia tornou-se algo do agora, o que antes servia como um veiculo
para relembrar o passado, para interligar o ontem ao amanhã, hoje serve para mostrar o agora.
É possível percebe a necessidade que foi imposta e não sentida de registrar o momento atual
única e exclusivamente para mostrar o agora e tal registro não pode mostrar o real, é
necessário que filtros sejam utilizados, modificando a autenticidade do mundo real. Segundo
Ostrower (2001) tem-se a necessidade de mostrar o fato no momento em que ele acontece,
mas não com o cenário real. Ao modificar a cena real muda-se o contexto, o fato fotografado
não é mais o fato vivenciado, o contexto em questão possui uma nova configuração.
A manipulação de imagens existe há muito tempo, mas atualmente manipula-las
tornou-se necessário, quase que obrigatório. Os meios que modificam imagens mudaram com
o passar do tempo, mas a intenção continua a mesma, que é a de modificar a realidade,
mostrando aquilo que é interessante em sobreposição ao que quero esconder.
No processo de manipulação de imagens o processo criativo existe, mas não é
observado e dependendo de quem o faz é algo inconsciente. Por achar que a criatividade
emana do nada, pensa-se que o processo não existe, porém ele está lá, mesmo que o criador
não seja artista. “Quem fala através de imagens primordiais, fala como se tivesse mil vozes;
comove e subjuga, elevando simultaneamente aquilo que qualifica como único e efêmero na
esfera do contínuo devir” (JUNG Apud SANMARTIN, 2004, p.30), retirar a mascara e
mostrar suas sombras é algo difícil, mas necessário para conhecer verdadeiramente o eu,
modificar a imagem é uma forma de ocultar a realidade, de esconder a parte carregada de
culpas. Fotos sem filtros mostram imagens reais, de pessoas que não ocultam a sua realidade,
sua face, que vivem o seu contexto. Analisar o processo criativo nos leva a entender
52
primeiramente o autor, seu jogo de luz e sombra, aquilo que quer esconder e depois a obra em
si.
53
4. OS NEGATIVOS E A REVELAÇÃO
Neste capitulo serão abordados os procedimentos metodológicos que nortearam essa
pesquisa, a descrição do processo de produção, a análise com interpretação que foi dada a
estas produções como resultadas. Para análise serão considerados os conceitos traçados no
segundo capitulo, fundamentados nas abordagens teóricas.
O caráter fenomenológico dessa pesquisa caracterizou-se, como já foi salientado no
primeiro capitulo, por estudar a partir da percepção da pesquisadora sobre a impressão quando
das produções para as exposições Memória Manipulada: Fotografia e Revelar e na
Intervenção Urbana Selfie, no intuinto de buscar compreender aquilo que a movia. Para tal
entendimento se fez necessário descrever os encaminhamentos traçados ao longo da pesquisa.
4.1 ENFOQUE, PROCESSOS E RESULTADOS
Baseado na percepção do que foi pesquisado e nas impressões resultantes das
produções para as exposições percebi que modifiquei meu processo de criação e de acordo
com a resposta do publico na relação com as obras modifiquei minha linha pensamento em
relação ao processo de manipulação fotográfica. Pois, ao manipular a própria imagem acredito
agora, que de alguma maneira, modificamos a percepção da realidade, a partir da captação do
fragmento que se faz da mesma. No entanto, como isso se dá no interior do cérebro, precisaria
de conhecimentos técnicos para explicar que a ênfase da percepção é motivada por algo que
move o desejo daquele que vê.
Nas produções que realizo, modifico minha imagem por achar que assim estarei me
protegendo e evitando que meus pensamentos, meus devaneios possam ser percebidos, então,
ocultar seria a razão para não tornar perceptível aos olhos dos outros. Também existe o fato de
querer melhorar esteticamente a aparência daquilo que no real acredito não estar no perfil da
minha concepção de belo. A manipulação que realizo não procura fazer correções estéticas
publicitárias, tão evidenciadas pelas revistas impressas e meio eletrônico modifico até me
sentir a vontade com minha imagem, com aquilo que acredito alcançar equilíbrio, harmonia
dando ênfase as vezes para cor, textura e tantos outros efeitos que acredito ser necessários
54
para estabelecer a unidade. O resultado será sempre uma imagem destorcida, borrada,
manchada, com elementos que descaracterizam por completo a imagem original, no entanto
esse tipo de modificação é o que me agrada.
4.1.1 Processos de Produção para a Exposição Memória Manipulada: Fotografia.
Ao iniciar o desenvolvimento dessa pesquisa visitei alguns sites online que manipulam
fotos de maneiras simples, entre eles Instagram, Moment Cam e BeFunky, todos esses sites
permitem que a imagem modificada possa ser publicada nas redes sociais, alguns deles até
possuem suas próprias redes sociais. A facilidade em fotografar e modificar inserindo efeitos
e molduras tornou necessário o ato de capturar a imagem de cada segundo vivido pelos
usuários, e tais programas passaram a ser indispensáveis para quem não consegue fazer
upload15
de fotos em redes sociais sem antes edita-las.
Pensando nessa necessidade em editar e em como as pessoas modificam suas imagens,
destorcendo-as a ponto de torna-se irreconhecíveis criei a exposição fotográfica ‘Memória
Manipulada: Fotografia’, na qual fotografei meu rosto e pensando nos possíveis motivos que
levam os usuários dos programas acima citados, manipularei as suas imagens e publicarem
nas redes sociais, comecei a manipular minhas fotografias utilizando o celular e o
computador.
Ao iniciar o processo de produção notei que meu maior impulsionador para a
manipulação foi o incomodo em ter meu rosto nítido, totalmente perceptível. A cada filtro
inserido (motion color, holgaart, watercolor, metal, ente outros), minha fisionomia ficava
menos aparente, menos exposta e percebi que ficava mais a vontade com minha imagem e
com a ideia do meu rosto exposto, nessa primeira produção utilizei até quatro filtros em uma
mesma imagem. Também senti a necessidade de não fotografar meus rosto frontalmente, fiz
fotos de perfil e me escondia atrás de meus cabelos. Nesta produção percebi que utilizei a
fotografia para tornar real o que desejava, me sentir esteticamente bela. Uma beleza
melancólica de alguém introvertida que não quer estar sempre em evidencia e por isso
esconde seu rosto.
15
Processo de transferência de dados de um computador para outro.
55
Imagem 42 - Exposição Memória Manipulada: Fotografia
Imagem 41 - Exposição Memória
Manipulada: Fotografia
Imagem 40 - Exposição Memória
Manipulada: Fotografia
Na imagem abaixo (Imagem 42) a produção foi impressa em adesivo leitoso e em
tamanho 0,90 x 1,00 m. O meu rosto é perceptível, mas por minha face não está totalmente
visível e por achar que com tantos efeitos fiquei esteticamente bonita me sentir a vontade em
me expor, em exibir um semblante borrado, manchado.
Fonte: Acervo do ArtistaFonte: Acervo do Artista
Fonte: Acervo do Artista
56
Imagem 44 - Fotografia
manipulada digitalmente
Imagem 43 - Processo de
produção manipulação manual
4.1.2 Processos de Produção para a Exposição Revelar
Manipular, modificar, alterar tudo o que não está do nosso agrado, a era digital tornou
tudo isso muito fácil, pelo menos no mundo das redes sociais. Talvez essa facilidade em
modificar o real que foi possibilitado pelo meio tecnológico é que tenha tornado tudo
obsoleto, pensando nesse desuso é que foi pensada a segunda exposição fotográfica ‘Revelar’.
O processo de produção foi pensado a partir das fotografias de álbuns de família, que
no passado foi algo muito comum e muito valorizado, e dos motivos que mereciam ser
fotografados e no modo como a tecnologia está modificando o jeito como vemos uma imagem
e a nós mesmos. Pensando nesses questionamentos selecionei fotos de minha infância e do
momento atual, fotos analógicas e digitais, algumas manipulei manualmente utilizando
acetona e aguarrás mineral para intervir modificando a imagem (Imagem 43), deixando-as
desgastadas, como se a ação do tempo e o descuido tivesse apagado parte da imagem, e outras
manipulei digitalmente inserindo efeitos (Imagem 44) e em uma produção tríade com imagens
já manipuladas digitalmente interferir manualmente modificando ainda mais a imagem
(Imagens 45 e 46), algumas fotografias foram colocadas em bandejas com água, e água
também interferiu nas fotos, causando um desgaste, uma perda visual da imagem, procurei
representar um laboratório de revelação do fotos analógicas relembrando um tempo em que se
tinha um valor sentimental maior, quando álbuns eram montados e guardados como
preciosidades.
Fonte: Acervo do Artista Fonte: Acervo do Artista
57
Imagem 45 - Processo de produção
manipulação manual Exposição Revelar
O intuito de modificar as imagens foi o de demonstrar que os registros da memória,
feitos através de fotografias, pode estar se perdendo e que a manipulação modifica o real
escondendo nosso mundo verdadeiro, estamos esquecendo que o que fica guardado na
memória é o momento exato sem efeitos, filtros ou molduras.
Fonte: Sanchris Santos
Fonte: Sanchris Santos
Imagem 46 - Exposição Revelar
58
Fonte: Acervo do Artista
Imagem 48 - Exposição Revelar
Imagem 50 - Exposição RevelarImagem 49 - Exposição Revelar
Fonte: Acervo do Artista
A exposição “REVELAR” mostrou fragmentos do meu real com e sem montagens,
expondo o que sempre procuro esconder com o intuito de mostrar que, é o que ficará
registrado em nossa memória e mostra-lo faz parte de nossa aceitação com quem somos.
Fonte: Acervo do Artista Fonte: Acervo do Artista
Imagem 47 - Exposição Revelar
59
A interpretação do publico que esteve presente na exposição foi a de que procuramos
esconder o que nos desagrada por isso modificamos nossas fotos, e o fazemos sem a intenção
de guarda o momento ou sem imaginar que a mudança pode causar um esquecimento do
momento vivido.
4.1.3 Processos de Produção para a Instalação Urbana Selfie
Segundo o provérbio chinês “uma imagem vale mais que mil palavras” 16
e de acordo
com dados estatísticos em única rede social 4 mil fotos são postadas por segundo17
, ao pensar
em quais informações cada imagem pode fornecer o questionamento que surge é sobre o que
esta sendo mostrado, qual a interpretação de quem está vendo e qual a mensagem que esses
usuários pretendem ao postar cada segundo de suas vidas e por que essa vida é mostrada com
efeitos de atribuem a imagem um sentido diferente do real.
A intervenção foi pensada a partir das imagens manipuladas e colocadas em rede
social, quatro voluntárias fizeram individualmente uma foto de corpo inteiro, depois
manipularam digitalmente as imagens em programas online, cada voluntaria fez sua
16
Kunf Fu Tsé (Confúcio) foi poeta, filósofo e historiador da tradição chinesa, conhecido por sua sentença “uma
imagem vale mais que mil palavras”.
17
Disponível em:<http://tecnologia.terra.com.br/internet/facebook-tem-mais-de-350-milhoes-de-fotos-postadas-
por-dia,d907f4ca57c21410VgnVCM20000099cceb0aRCRD.html>. Acesso em: 05/05/2014
Fonte: Acervo do Artista
Imagem 51 - Exposição Revelar
60
Imagem 54 - Rosane Caldas
Imagem 52 - Viviane Almeida Mácola Imagem 53 - Ana Paula Corrêa
manipulação deixando a fotografia de acordo com o desejado por cada uma, as posses, os
efeitos, o programa a ser utilizado foi definido por cada voluntaria.
Fonte: Ana Paula CorrêaFonte: Viviane Mácola
Fonte: Josiane SilveiraFonte: Rosane Caldas
Imagem 55 - Josiane Silveira
61
Imagem 57 - Mostra Interdisciplinar Arte Urbana
As imagens finalizadas foram impressas em tamanho real e transformadas em totens
que foram dispostas na praça da bíblia em Ananindeua durante a Mostra Interdisciplinar. Os
totens representaram as pessoas que se fotografam e manipulam suas imagens antes de postar
na rede, como se aquela situação manipulada fosse a real e, portanto os totens trouxeram para
o real a imagem virtual.
Fonte: Acervo do Artista
Fonte: Marcelo Roger
Imagem 56 - Mostra Interdisciplinar Arte Urbana
62
4.2 ANÁLISE A PARTIR DOS CONCEITOS: MANIPULAÇÃO, IMAGEM E MEMÓRIA
Ao iniciar as produções para minha primeira exposição percebi que os motivos que me
levaram a manipular nem sempre estavam claros, por vezes foi necessário rever minhas
produções e me questionar o que estava fazendo e o porquê, à medida que respondia aos meus
questionamentos percebi que descobria um pouco mais sobre meu eu, segundo Sanmartin
(2004), o processo de criação inicia-se reconhecendo a si, rompendo com preconceitos,
despindo-se deles, conhecendo-se profundamente. O conhecimento da personalidade oculta é
necessário para que o processo de criação ocorra de forma completa e consciente. Ao perceber
o que me impulsionava a modificar também percebi que ao interferir exageradamente estava
modificando registros de fatos reais, o fato em si não mudaria, mas o elemento que em um
determinado momento do futuro serviria como ligação com o passado estava alterado e
possivelmente eu não recordaria o fato e isso resultaria em perda de um fragmento da minha
vida. No entanto, tal ato de modificar revela que estava tentando recriar uma situação que eu
gostaria de viver, situações não vivenciadas na realidade, mas que foram desejadas na minha
imaginação.
Fonte: Acervo do Artista
Imagem 58 - Mostra Interdisciplinar Arte Urbana
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As imagens criadas são representações do que eu gostaria que fosse verdadeiro, em
alguns casos a ocultação do real. Ao analisar a interpretação do publico percebi que a
manipulação muda totalmente o real sentido da fotografia, cada imagem reflete algo diferente
para quem vê, mas nada é a descrição do real. Não há descrição do local ou sobre quem está
na imagem, as descrições são sempre abstratas, alheias a aparências exteriores.
Pensando em quanto ocultei meu rosto inicialmente, na produção seguinte usei menos
os efeitos digitais, em algumas imagens manipulei manualmente, dessa vez os motivos não
eram o de ocultar, mas o de revelar. Mostrando fatos existentes de minha vida que sempre são
revividos ou relembrados ao olhar a fotografia, momentos guardados na memória e que
constituem o que somos, para Ostrower (2001) qualquer coisa que tenha relação com a
situação vivida vai fazer com que um determinado objeto, fato ou local do passado ou do
presente seja relembrado, reativando situações vivenciadas. A avaliação do publico foi que
estamos descartando registros de nossos momentos vividos sem perceber que eles são
importantes para o futuro, que manipulamos a imagem, mas o que fica guardado na memória
não está modificado.
Talvez o mundo capitalista tenha contribuído para tal descarte, vivemos um momento
em que o mercado tecnológico lança novos produtos a uma velocidade quase impossível de
acompanhar, o desejo de ter o que há de mais moderno nós leva a descartar com extrema
facilidade o que não é mais tão novo, as tecnologias mudaram o modo como vemos uma
imagem e a nós mesmos, segundo Czegledy (2003) atualmente vivemos cercados de
tecnologia que nos deixam conectados 24h, criamos nossas próprias jaulas para nos proteger
do mundo exterior, no entanto essas mesmas tecnologias nós deixam expostos, mostramos
muito mais agora que no passado, a imagem que antes era para guardar um momento hoje
serve somente para mostrar o presente.
O valor que atribuímos as imagens modificaram-se do acordo com mudanças que a
revolução tecnológica trouxe, antes nas fotografias em formato analógico era possível o
contato, o que caracterizava um certo sentimento com a imagem impressa, um zelo com o
álbum de fotografia, com a fotografia digital isso não é permitido, nem mesmo é pensado,
segundo Antunes (2008) as imagens que são criadas a partir de software, que nunca existiram
na natureza podem nos causar um impacto, uma emoção, mas elas são fictícias e nos fazem
ter um compreensão equivocada dos fatos. Portanto a imagem e o sentimento não são reais,
mas por não sermos capazes de diferenciar entre a ficção e a realidade somos cada vez mais
tendenciados a aceitar o que é dito como real.
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Para Galvão (2008) o mundo capitalista é opressor e se apropria da capacidade de ser
do sujeito e este passa a aceitar tudo que é imposto, inclusive o entretenimento, a diversão só
é valida se houver consumo. E a tecnologia é uma aliada na hora expor ao mundo o que
estamos fazendo, exibindo a todos que está sendo consumido e os filtros ajudam a nos deixar
mais felizes e bonitos.
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5. CONCLUSÃO
Manipulamos nossa vida e nem percebemos, criamos cenários, sorrisos, luzes, flash e
tudo mais somente para ficar bonito, não na foto, mas nas redes sociais. Estamos muito mais
preocupados em aparecer felizes, cercados de pessoas que amamos, em lugares lindos e caros,
pois também estamos preocupados em demonstrar o quanto de poder aquisitivo temos. Ainda
que a felicidade seja falsa, as pessoas nem tão amigas - algumas mal conhecemos - estamos
sempre tentando demonstrar muito mais o que desejamos do que o que vivemos. Tentamos
projetar a imagem que gostaríamos que fosse real e para isso usamos os artifícios que a
tecnologia nos dá. O percurso traçado por essa pesquisa me levou a análise de minhas
produções fotográficas e a entender os motivos da necessidade de manipular, os
questionamentos que fazia a cada imagem mostraram as intenções estéticas que buscava
satisfazer, tal avaliação foi fundamental para obter as respostas que precisava para a
problemática da pesquisa.
No iniciar dessa pesquisa achei que meu principal incentivador era o desejo de
manipular, o gosto pela arte digital, mas ao iniciar meu processo de produção e com base em
minhas leituras percebi que meu real incentivo era o meu desejo de mudar o meu real, de
modificar o que incomodava. Os efeitos exagerados eram na verdade meu jeito de me
esconder do mundo e de demonstrar um personagem para o outro, não sentia a necessidade de
aceitação, o que me incomodava era a sensação de que alguém poderia conhecer o meu ser,
meu intimo, não demonstrar esse mais profundo eu me dava a sensação de proteção, se não
me conhecem profundamente, se não sabem o que penso, então não poderão me prejudicar.
Busquei através dessa pesquisa entender o porque da manipulação fotográfica, percebi
que as reais intenções estão ligadas com a não aceitação do real, com a necessidade de ser
aceito pelo outro, da necessidade do ser belo, do aparentar ser feliz em qualquer situação e de
precisar demonstrar que tem uma vida social agitada, com base nas leituras e na análise de
minha produções concluir que a manipulação existe porque queremos reproduzir nosso
mundo ideal, e essa concretização é possível com a fotografia. Na era tecnológica, que
conecta todos no mundo virtual, mas deixa todos sem contato no mundo real, na era da
mensagem rápida, da vida social nas redes, dos milhões de amigos, seguidores e admiradores
virtuais, a vida é muito intensa e muito divertida no mundo virtual, no entanto no real estamos
sozinhos, ocupados demais com nossos mundos imaginários não percebemos o quão solitários
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estamos. Ou talvez tenhamos percebido e por isso nos preocupamos tanto em demonstrar o
quanto estamos bem, e fazemos isso a cada momento.
O que ficou perceptível é que para mostrar o que fazemos no presente usamos
molduras, filtros, efeitos que deixam a imagem com a aparência de fotografia antiga, como o
filtro sépia, ou modernas demais, como o filtro light. A diversidade de filtros que um
programa online oferece permite ao usuário escolher o que ressaltar na sua foto, efeitos que
intensificam ou mudam cores, como aquela foto com um céu nublado, após alguns cliques o
céu estará perfeitamente azul, ou que permitem que a imagem fique em preto e branco, o
efeito escolhido sempre será aquele que irá diminuir as linhas de expressão do rosto, deixando
a face mais jovem. Outros efeitos irão dar a impressão de que a fotografia é uma pintura em
tela. A imagem modificada causa a quem observar uma interpretação diferente daquela de
quem a produziu, alguns filtros nos dão a sensação de nostalgia, as fotos parecem que irão nos
fazer lembrar de algo do passado, no entanto a imagem é do agora e nos deparamos com
aquela sensação de saudade de algo que nunca vivemos ou com a vontade de querer ter vivido
aquela situação antes.
Se de um lado a intenção de quem manipula é deixar a aparência bela, por outro quem
olha a imagem nem sempre entende o que o criador tenta passar, certos filtros descaracterizam
a imagem tornado difícil a interpretação e até mesmo o reconhecimento da pessoa na imagem.
A vontade de mostrar uma beleza que foi estabelecida pelos padrões sociais leva o usuário a
exagerar em suas manipulações, sem perceber que ficou descaracterizado. Mas, essa
descaracterização mostra um ser que se esconde do mundo, que esconde seu verdadeiro rosto
por medo de não ser aceito e acaba criando uma nova identidade, existente apenas nas
fotografias das redes sociais, não somos quem queremos ser, somos o que agrada ao outro.
Os resultados alcançados nessa pesquisa podem ser aplicados na educação, trabalhar o
olhar fotográfico, a manipulação de imagens e a análise das produções dentro de sala de aula
permite ao educando o autoconhecimento, além de possibilitar novas técnicas de produção
que possivelmente são desconhecidas do aluno. Fazer uso de equipamentos como celular,
iphone, tablet... é mostrar para o aluno que a fotografia está muito mais no olhar pessoal que
no tipo de equipamento a ser usado e mesmo que o aparelho não capture exatamente o
desejado a foto não está perdida, pois ainda é possível modifica-la, estimulando o aluno a
criar uma nova possibilidade, novas interpretações a partir de sua produção, trabalhando a
percepção através das produções e das leituras das imagens produzidas e possibilitando a
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expressão de seus pensamentos, emoções e historia, permitindo ao observador o entendimento
do que o autor pretende expressar.
Através desta pesquisa entendi que manipulações não são possíveis somente através de
programas online, modificar a cena, aparentar situações também é um modo de manipular o
real, costume que é antigo, pois a fotografia desde sua criação está relacionada com a
manipulação o que mudou desde a época de seu surgimento até os dias atuais foram as
maneiras de modificar o real, ficando mais fácil e mais acessível. Tal acessibilidade pode
trazer benefícios no campo da arte, sem computador e com um celular com câmera é possível
fazer uma foto e transforma-la, mesmo que o aparelho não tenha acesso a programas online,
mesmo não havendo acesso à laboratórios de revelação, para criar uma imagem é preciso
apenas que o cenário seja modificado, montado. Todos têm potencial criador e a criatividade
está em usar o que está inserido em nosso contexto e transforma-lo em arte.
Com base nos resultados alcançados faço três considerações:
- Utilizar a tecnologia em sala de aula: minhas produções partiram de fotografias feitas
em câmera de celular e nenhum momento a qualidade ou a resolução fotográfica se tornaram
empecilho, apesar de possuir câmera fotográfica semi-profissional optei por utilizar o
dispositivo móvel por saber que esse é o meio mais comum de registro de imagem
atualmente, por isso acredito que usar os meios que estão disponíveis é o modo mais prático
de ensinar sobre a fotografia, não quero dizer com isso que deve-se deixar de ensinar sobre a
historia da fotografia, acredito que devemos sim trabalhar com a câmera obscura para explicar
como a imagem se forma nos dispositivos fotográficos, ensinar a construir e utilizar o pinhole
levando ao conhecimento e a compreensão do processo fotográfico para que o aluno conheça
como e por que surgiu a fotografia e quais influencias recebemos, mas as aulas não podem ser
limitadas ao processo histórico da analógica. É possível utilizar a tecnologia como janela que
liga o passado ao momento atual com seus celulares e outros dispositivos equipados com
câmeras fotográficas ampliar o conhecimento do aluno.
- Usar a fotografia para ampliar a percepção visual: usar a imagem para fazer leituras e
com isso entender o que o autor da imagem está tentando dizer é fazer o educando entender
sobre a percepção e com isso ensinar ao aluno a usar o olhar próprio. Para consegui explicar
sobre meu processo de produção precisei primeiro entender o motivo de tais produções e só
assim pude ampliar o conhecimento sobre meus trabalhos, o aluno deve analisar seu processo
criador para que ele entenda que inspiração não surge do nada, tudo está envolvido em um
contexto no qual ele está inserido.
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- Trabalhar a fotografia com o celular: não é necessário uma câmera digital de ultima
geração para ser fazer uma boa fotografia para trabalha-la em sala de aula é preciso muito
mais percepção do olhar que equipamento. Com o aparelho celular é possível fazer vários
trabalhos fotográficos, o principal é o olhar fotográfico é ele quem irá revelar a intenção do
fotografo.
O desenvolver dessa pesquisa me fez pensar em novas possibilidades a serem
estudadas, como as produções que precisam da fotografia para serem finalizadas, nesta
pesquisa estudei um pouco as obras de Vick Muniz e Roberta Carvalho, artistas que criam
suas obras a partir de suportes inusitados, mas precisam da fotografia para finalizar suas
produções ou sobre a fotografia utilizado como estudo, imagens que servirão de registros para
estudos futuros, como são realizadas, quais ângulos são indispensáveis, qual equipamento
usar e quem fotografa. A fotografia é muito mais que um registro, é uma produção finalizada.
No percurso desta pesquisa a minha principal dificuldade foi a falta de teóricos
falando sobre o assunto, fala-se muito da fotografia e pouco sobre manipulação, apesar de
existir inúmeros fatos na historia que demonstram montagens fotográficas fala-se pouco sobre
os motivos que levaram a modificar e sobre o processo.
Percebi que no inicio da fotografia não consideravam-se a manipulação, por achar que
a câmera fotográfica registrava o real e que por isso seria impossível modificar uma foto, no
entanto o que a historia mostra é que manipular o real é muito simples, não é preciso usar
tinta, técnicas de revelação ou filtros, para ludibriar é preciso apenas criar uma cena, Feliz
Nadar fez isso muito bem ao fazer fotografias áreas sem precisar sair do chão e dentro de um
estúdio ou fotografias subterrâneas utilizando luz elétrica ainda experimental e um boneco
manequim vestido com as roupas do coveiro, a imagem levou aproximadamente seis horas
para ser finalizada, sendo impossível uma humano ficar tanto tempo parado, o fotografo
utilizou um manequim para garantir a qualidade da imagem, essa é uma manipulação, não
utilizou filtros ou químicos da revelação, apenas criou-se uma ilusão, tornou real o que a
mente imaginou.
Espero que minha pesquisa ajude no desenvolvimento de novos olhares tanto para
quem atua com as artes visuais como para aqueles que apreciam, principalmente na fotografia
digital utilizada a partir de dispositivos moveis, uma forma comum e acessível de registro,
mas ainda muito criticada talvez por sua praticidade. A manipulação digital também deve ser
melhor analisada tanto as formas mais comuns de modificar como os cenários montados, as
posses criadas quanto os meios mais complexos criados através de programas, situações que
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foram inventadas ou reformuladas para que pudessem ser representadas, para tornarem-se
representação fiel da imaginação humana.
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REFERÊNCIAS
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estúdios de fotografia. São Paulo, 2003. p. 110.
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SANMARTIN, Stela Martins. Arqueologia da criação artística. Vestígio de uma gênese: o
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SITES
71
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<http://marvadacarne.wordpress.com/2014/01/25/arvores-que-pulsam-a-arte-da-cineclubista-
roberta-carvalho/>. Acesso em: 28/04/2014
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<http://tecnologia.terra.com.br/internet/facebook-tem-mais-de-350-milhoes-de-fotos-
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05/05/2014
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health/neurology/1617140-que-%C3%A9-mem%C3%B3ria/#ixzz2s20MEVZE>. Acesso em:
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O que vem a rede. Disponível em: <http://o-que-vem-a-
rede.blogspot.com.br/2012/06/retratos-pintura-e-ilustracao-de-russ.html>. Acesso em:
04/02/2014.
Uma imagem vale mais que mil palavras? Erradooooo… Disponível em: <
http://www.filosofix.com.br/blogramiro/?p=111>. Acesso em: 06/05/2014.

Memória Manipulada: A fotografia e a manipulação digital

  • 1.
    ESMAC ESCOLA SUPERIORMADRE CELESTE CURSO DE ARTES VISUAIS JOSILENE DO ROSARIO SILVEIRA MEMÓRIA MANIPULADA: A fotografia e a manipulação digital. ANANINDEUA – PA 2014
  • 2.
    ESMAC ESCOLA SUPERIORMADRE CELESTE CURSO DE ARTES VISUAIS JOSILENE DO ROSARIO SILVEIRA MEMORIA MANIPULADA A fotografia e a manipulação manual e digital Trabalho de graduação a ser submetido à banca examinadora como requisito parcial para obtenção do titulo de bacharelado do curso de Artes Visuais (Bacharelado e Licenciatura) da Escola Superior Madre Celeste/ESMAC. Orientadora: Prof.ª Dra. Sandra Christina Ferreira dos Santos. ANANINDEUA – PA 2014
  • 3.
    FICHA CATALOGRÁFICA IBSN: Composto eDigitado em Belém e Ananindeua (PA): 1º Sem/2014 SILVEIRA, Josilene. MEMORIA MANIPULA: a fotografia e a manipulação manual e digital: 2014. SILVEIRA, Josilene/Orientadora: SANTOS, Sandra Christina Ferreira. 70f.; il. Trabalho de Graduação (Linha de Pesquisa: Poéticas Visuais e Tecnologia). Escola Superior Madre Celeste – ESMAC. Curso de Artes Visuais, Ananindeua (PA): 2014. Título 1. INTRODUÇÃO 2. FOTOGRAFIA: (IN)DISPENSÁVEL 3. PROCESSOS QUIMICOS 4. OS NEGATIVOS E A REVELAÇÃO 5. CONCLUSÃO
  • 4.
    JOSILENE DO ROSARIOSILVEIRA MEMORIA MANIPULADA A fotografia e a manipulação manual e digital Trabalho de graduação a ser submetido à banca examinadora como requisito parcial para obtenção do titulo de bacharelado do curso de Artes Visuais (Bacharelado e Licenciatura) da Escola Superior Madre Celeste/ESMAC. Orientadora: Prof.ª Dra. Sandra Christina Ferreira dos Santos. BANCA EXAMINADORA Profª Dr.ª Sandra Cristina Ferreira Santos________________________________________ Profª_____________________________________________________________________ Profª_____________________________________________________________________ DATA DA AVALIAÇÃO:
  • 5.
    Ao meu AvôAdelino e Avó Josefa, meus pais, minha irmã e meu orientador.
  • 6.
    AGRADECIMENTOS Aos meus paisque enfrentaram e superaram todas as dificuldades para que eu e minha irmã - Engenheira Civil formada pela UFPA - tivéssemos acesso à educação; Família Rosário e a Família Silveira pelas orações e ao apoio; Aos meus professores que ao longo da minha vida escolar me ensinaram o valor do aprendizado e ao meus professores de graduação pela paciência que tiveram comigo; Ao Paulo Ramos, por ter se tornado um grande amigo, aos meus amigos e a Deus.
  • 7.
    Vejo fotos portoda parte, como todo mundo hoje em dia; elas vêm do mundo para mim, sem que eu peça; não passam de “imagens”, seu modo de aparição é o tudo-o-que-vier (ou tudo-o-que-for)*. Todavia, entre as que foram escolhidas, avaliadas, apreciadas, reunidas em álbuns ou revistas, e que assim passaram pelo filtro da cultura, eu constatava que algumas provocavam em mim pequenos júbilos, como se estas remetessem a um centro silenciado, um bem erótico ou dilacerante, enterrado em mim mesmo (por mais bem comportado e aparentemente fosse o tema); e que outras ao contrario, me eram de tal modo indiferentes (...). (BARTHES, 1984, p. 31-32).
  • 8.
    RESUMO Este trabalho degraduação apresenta o estudo sobre a manipulação manual e digital de imagens digitais que remetem a memórias, a partir de dados coletados na pesquisa de produção artística (experiência autoral), tendo como problemática: “Como, por meio da produção fotográfica, é possível entender as manipulações manuais e digitais utilizando efeitos de programas online como Befunky, Instagram, MomentCam?”. Manipulando, observando e comparando imagens, utilizando diversas técnicas de produção como: Fotografia Digital, Auto Retrato, Arte-Digital foi possível constatar as transformações na aparência das formas presentes nas imagens e, com isso re-significa-las. O estudo teve como alicerce teórico, “Criatividade e processo de criação” (OSTROWER, 2001), “A arte no século XXI: A Humanização das Tecnologias” (DOMINGUES, 1997), “A arte no século XXI: Tecnologia, Ciência e Criatividade” (DOMINGUES, 2003), “Arqueologia da criação artística. Vestígio de uma gênese: o trabalho artístico em seu movimento” (SANMARTIN, 2004) e “Arte e Tecnologia: diferença e invenção” (GALVÃO, 2008). A pesquisa teve como enfoque filosófico a fenomenologia que tem como intuito proporcionar a percepção com descrição direta da experiência tal como ela se deu. O tipo de pesquisa se caracterizou como qualitativa, indutiva, estudo de caráter exploratório. Os resultados alcançados foram expostos nas exposições realizadas na Galeria de La Roque, do curso de Artes Visuais/Esmac no período de novembro de dois mil e treze e março de dois mil e quatorze. E possibilitaram confirmar os efeitos que as manipulações manuais e digitais provocam na aparência das imagens. Palavras-Chave: Fotografia. Manipulação. Imagem. Memória
  • 9.
    ABSTRACT This work presentsthe undergraduate study of manual and digital manipulation of digital images that recall memories, from data collected in the survey of artistic production (authorial experience), having as problematic: "How, through photographic production is possible to understand the manual and digital manipulation effects using online programs like Befunky, Instagram, MomentCam?". Manipulating, observing and comparing images using various production techniques as: Digital Photography, Self Portrait, Art-Digital was possible to observe the changes in the appearance of forms present in the images, it means re-them. The study was theoretical foundation, "Creativity and creation process" (Ostrower, 2001), "Art in the XXI century: The Humanization of Technology" (Domingues, 1997), "Art in the XXI Century: Technology, Science and Creativity "(Domingues, 2003)," Archaeology of artistic creation. Vestige of a genesis: the artwork in its movement "(SANMARTIN, 2004) and" Art and Technology: difference and invention "(Galvão, 2008). The study was phenomenology philosophical approach that has the intention to provide insight direct description of experience as it happened. What kind of research was characterized as qualitative, inductive, exploratory study. The results were displayed in exhibitions at the Gallery La Roque, of course Visual / Esmac Arts from November two thousand and thirteen to March two thousand and Fourteen. And confirm the possible effects that the manual and digital manipulations cause the appearance of images. Keywords: Photography. Manipulation. Image. Memory
  • 10.
    LISTA DE ILUSTRAÇÕES Imagem1 - “Fries to go” (2009) ..............................................................................................18 Imagem 2 - “Luci_four” (2009) ...............................................................................................19 Imagem 3 - Imagem do livro “Dicas para Retoque de Fotos para Uso Comercial”.................27 Imagem 4 - Imagem do livro “Dicas para Retoque de Fotos para Uso Comercial”.................28 Imagem 5 - Imagem do livro “Dicas para Retoque de Fotos para Uso Comercial”.................28 Imagem 6 - Imagem do livro “Dicas para Retoque de Fotos para Uso Comercial”.................28 Imagem 7 - Imagem do livro “Dicas para Retoque de Fotos para Uso Comercial”.................28 Imagem 8 - O Ministro Sumiu..................................................................................................29 Imagem 9 - Convite à Ilusão.....................................................................................................29 Imagem 10 - Revista Time .......................................................................................................30 Imagem 11 - Pré-Photoshop .....................................................................................................30 Imagem 12 - Fotografia digital sem efeitos..............................................................................31 Imagem 13 - Utilizando filtro Stenciler 3.................................................................................31 Imagem 14 - Utilizando filtro Pop Art. ....................................................................................32 Imagem 15 - Utilizando filtro Old Photo..................................................................................32 Imagem 16 - Dora Maar fotografia da pintura Guernica de Pablo Picasso..............................34 Imagem 17 - Dora Maar fotografia da pintura Guernica de Pablo Picasso..............................34 Imagem 18 - Dora Maar fotografia da pintura Guernica de Pablo Picasso..............................34 Imagem 19 - Dora Maar fotografia da pintura Guernica de Pablo Picasso..............................35 Imagem 20 - Guernica, de Pablo Picasso. ................................................................................35 Imagem 21 - Anton Giulio Bragaglia, “Typewriter”................................................................36 Imagem 22 - Fotografias do processo de Dalí Atômico...........................................................37 Imagem 23 - Dalí Atômico.......................................................................................................38 Imagem 24 - Photogram ...........................................................................................................38 Imagem 25 - Violon d'Ingres....................................................................................................39 Imagem 26 - Documentário Lixo Extraordinário.....................................................................40 Imagem 27 - Documentário Lixo Extraordinário.....................................................................40 Imagem 28 - Documentário Lixo Extraordinário.....................................................................40 Imagem 29 - Documentário Lixo Extraordinário.....................................................................40 Imagem 30 - House Anthems 99..............................................................................................41 Imagem 31 - “Madre”...............................................................................................................41
  • 11.
    Imagem 32 –Sem Titulo ..........................................................................................................42 Imagem 33 - “Sunbathing”.......................................................................................................43 Imagem 34 - “Oh Sheet!”.........................................................................................................43 Imagem 35 - “Icy Studs” ..........................................................................................................43 Imagem 36 - Serie Bioshot.......................................................................................................45 Imagem 37 - Serie Bioshot.......................................................................................................45 Imagem 38 - Symbiosis............................................................................................................46 Imagem 39 - Symbiosis............................................................................................................47 Imagem 40 - Exposição Memória Manipulada: Fotografia .....................................................55 Imagem 41 - Exposição Memória Manipulada: Fotografia .....................................................55 Imagem 42 - Exposição Memória Manipulada: Fotografia .....................................................55 Imagem 43 - Processo de produção manipulação manual........................................................56 Imagem 44 - Fotografia manipulada digitalmente ...................................................................56 Imagem 45 - Processo de produção manipulação manual Exposição Revelar.........................57 Imagem 46 - Exposição Revelar...............................................................................................57 Imagem 47 - Exposição Revelar...............................................................................................58 Imagem 48 - Exposição Revelar...............................................................................................58 Imagem 49 - Exposição Revelar...............................................................................................58 Imagem 50 - Exposição Revelar...............................................................................................58 Imagem 51 - Exposição Revelar...............................................................................................59 Imagem 52 - Viviane Almeida Mácola ....................................................................................60 Imagem 53 - Ana Paula Corrêa ................................................................................................60 Imagem 54 - Rosane Caldas.....................................................................................................60 Imagem 55 - Josiane Silveira ...................................................................................................60 Imagem 56 - Mostra Interdisciplinar Arte Urbana ...................................................................61 Imagem 57 - Mostra Interdisciplinar Arte Urbana ...................................................................61 Imagem 58 - Mostra Interdisciplinar Arte Urbana...................................................................62
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    SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO ..................................................................................................................13 2.FOTOGRAFIA: (IN)DISPENSÁVEL..............................................................................16 2.1 O QUE GEROU ENQUANTO PROBLEMÁTICA..........................................................17 2.2 REFERENCIAL TEÓRICO E ARTÍSTICO .....................................................................19 2.2.1 Definição dos Conceitos da Pesquisa..............................................................................20 2.2.2 Manipulação ....................................................................................................................20 2.2.3 Imagem............................................................................................................................21 2.2.4 Memória ..........................................................................................................................21 2.3 METODOLOGIA CIENTÍFICA EMPREGADA..............................................................23 3. PROCESSOS QUIMICOS ................................................................................................26 3.1. A MANIPULAÇÃO FOTOGRÁFICA DIGITAL............................................................26 3.1.1 Filtros Inteligentes...........................................................................................................30 2.1.2 Fotografia Como Arte......................................................................................................33 3.2 ARTISTAS LOCAIS QUE MANIPULAM SUAS PRODUÇÕES FOTOGRÁFICAS ...44 3.3 ARTE E TECNOLOGIA ...................................................................................................47 3.4 IMAGEM ...........................................................................................................................48 3.5 FOTOGRAFIA...................................................................................................................50 3.6 CRIATIVIDADE NO PROCESSO DE CRIAÇÃO COM FOTOGRAFIA MANIPULADA .......................................................................................................................50 4. OS NEGATIVOS E A REVELAÇÃO..............................................................................53 4.1 ENFOQUE, PROCESSOS E RESULTADOS...................................................................53 4.1.1 Processos de Produção para a Exposição Memória Manipulada: Fotografia..................54 4.1.2 Processos de Produção para a Exposição Revelar...........................................................56 4.1.3 Processos de Produção para a Instalação Urbana Selfie..................................................59 4.2 ANÁLISE A PARTIR DOS CONCEITOS: MANIPULAÇÃO, IMAGEM E MEMÓRIA ..................................................................................................................................................62 5. CONCLUSÃO.....................................................................................................................65 REFERÊNCIAS .....................................................................................................................70
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    13 1. INTRODUÇÃO A presentepesquisa foi desenvolvida para conclusão do curso de Artes Visuais que convergiu da necessidade de entender o sentindo da fotografia na atualidade a partir de manipulação manual e digital através de programas de edição online de tratamentos de imagens utilizados em computadores e aparelhos celulares. O percurso traçado dessa pesquisa se deu com a experiência quando da utilização da fotografia e o tratamento digital. O que foi materializado são produções feitas a partir de intuições artístico estéticas daquilo que aparentemente parece se esconder, mas que emerge nas expressões fotográficas. Inicialmente meu intuito era entender o motivo de tamanha necessidade de modificar o real, de fotografar o presente sem esperar que esse registro pudesse se tornar uma lembrança no futuro, no entanto à medida que produzia surgia ou reforçou o sentido de manipulação para tornar algo que satisfizesse esteticamente e me apropriar desses sentidos quando utilizar a linguagem fotográfica. Busco através da arte conduzi todo esse processo, manipulando e sobrepondo o mundo imaginário/ideal ao real, procuro representar os fragmentos que aparentemente estão escondidos, são medos, defeitos, revelando a natureza do individuo, um passo difícil, uma vez que deixar evidente os sentimentos, por meio da expressão, pensamentos que me tornariam vulnerável. Para entender um pouco mais sobre o sentido da edição de imagens, fiz autos retratos e os manipulei, e em uma primeira análise percebi que meu maior impulso na manipulação é o desejo de esconder minha face, meus defeitos físicos que me causam constrangimento e também por achar que ao expor meu rosto em fotografias eu estaria revelando o lado interior que procuro evitar, e por isso manipulo imagens até o ponto de torna-las imperceptível. A busca de referências de artistas e teóricos que trabalharam em suas obras o mesmo tema e técnica foi importante, para revalidar aquilo que estava fazendo e ver novas perspectivas para implementar nas outras produções. No primeiro capítulo da pesquisa trato da intencionalidade do estudo da problemática: “Como, por meio da produção fotográfica, é possível entender as manipulações manuais e digitais utilizando efeitos de programas online como Befunky, Instagram, MomentCam ?”
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    14 Tendo como desdobramentoas seguintes questões norteadoras: - Que tipos de efeitos na manipulação fotográfica digital intensifica ou minimiza os elementos formais? - Como os resultados da utilização dos efeitos influenciam as interpretações do publico espectador da exposição “Memória Manipulada”? A pesquisa que inicialmente era sobre a arte digital, sofreu mudanças desde a disciplina de Arte e Ciência: Teoria e Metodologias, no entanto desde o primeiro semestre do curso em artes senti vontade de falar sobre a fotografia. O gosto pela área digital me levou a pensar sobre a mudança de valores que atribuímos à fotografia, o que antes era guardado com carinho agora é simplesmente deletado, levando muitas vezes a perda de detalhes que podem ser significativos para a memória/lembranças. Minhas primeiras leituras resultaram em produções nas quais busco responder a problemática, tal produção resultou na exposição fotográfica “Memória Manipulada: Fotografia” que aconteceu na Galeria De La Roque Soares do Curso de Arte Visuais/ESMAC em Ananindeua. Nessa exposição pude ter o primeiro contato com a percepção e entendimento que os visitantes frequentadores tiveram como impressão das obras e foi interessante perceber que os mesmos fazem distinção entre fotografia manipulada e não manipulada. O desdobramento dessa primeira experiência individual se deu com a segunda e terceira exposição: Revelar e Selfie, em ambas a manipulação foi manual e digital. A estrutura da pesquisa está organizada nos seguintes capítulos: o primeiro “Fotografia (In)dispensável” é abordado a intencionalidade da pesquisa, situando o que levou a esse tema, problemática, questões, norteadoras; objetivos, marco teórico e artístico e procedimentos metodológicos. A pesquisa tem como finalidade analisar por meio de produções fotográficas as possibilidades de manifestação de filtros que corroborem para a expressividade artística. Para alcançar este objetivo são necessários, como especificidades: produzir fotografias manipulando-as por intermédio de programas digitais online como o Befunky, Instagram ou MomentCam que oferecem ferramentas, filtros que podem ampliar ou minimizar os efeitos dos elementos visuais; identificar nas produções fotográficas manipuladas e nas condições expressivas e esclarecer a maneira como o publico interpreta as produções fotográficas apresentadas na exposição “Revelar”. O segundo capitulo “Processos Químicos”, traço o marco teórico que a priori, foi estudado e que me deu alicerce para fundamentos e conceitos, que se apresentam como variáveis nessa pesquisa. Com as teorias de “Criatividade e processo de criação” (OSTROWER, 2001), “A arte no século XXI: A Humanização das Tecnologias”
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    15 (DOMINGUES, 1997), “Aarte no século XXI: Tecnologia, Ciência e Criatividade” (DOMINGUES, 2003), “Arqueologia da criação artística. Vestígio de uma gênese: o trabalho artístico em seu movimento” (SANMARTIN, 2004) e “Arte e Tecnologia: diferença e invenção” (GALVÃO,2008). No terceiro capitulo “Os negativos e a Revelação”, aborda a metodologia empregada, definindo o enfoque filosófico, método, as técnicas e instrumentos para a coleta de dados e o tipo de análise. Como enfoque filosófico este estudo se adéqua a fenomenologia que segundo Merleau Ponty assim que algo se revela frente à consciência humana, o Homem inicialmente o observa e o percebe em completa conformidade com sua forma, do ponto de vista da sua capacidade perceptiva. Apresento a descrição dos procedimentos na pesquisa de produção artística-estética e a análise-interpretativa dos resultados alcançados com a produção, exposição e percepção das visitantes, participadores que frequentaram a exposição. Na conclusão retomo ao problema e os objetivos traçados focando reflexão com os resultados alcançados, compreendendo que a pesquisa ao anunciar esses resultados, abriu outras possibilidades de investigação não só sobre o processo de criação, mas também sobre as possibilidades técnicas tecnológicas de manipulação da fotografia; sobe a receptividade do publico e tantas outras maneiras de revisitar o tema, como parte das recordações.
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    16 2. FOTOGRAFIA: (IN)DISPENSÁVEL Avontade do homem de capturar a imagem não é algo novo, muito antes da fotografia como conhecemos existir pintores, escultores, poetas e tantos outros tipos de artistas tentaram a sua maneira reproduzir o fragmento do real, quando a fotografia surgiu percebeu-se que este poderia ser o meio que iria capturar com exatidão a realidade. Quando do seu surgimento no século XIX, a fotografia atraiu muitos críticos e muitos admiradores, acreditava-se que modificar o real era impossível, pois a fotografia criou a ilusão de que a captura do real se dava de maneira fiel nesse modo de expressão. A fotografia tornou-se tão popular que em 1888, apenas 49 anos após a criação da câmera fotográfica, o daguerreótipo, uma empresa fundada por George Eastman, a Kodak lançava sua primeira câmara que era vendida carregada com um rolo de filme, qualquer pessoa poderia compra a câmara e após a exposição do filme, a maquina era devolvida ao fabricante e este se encarregava de revelar as fotos e devolver a câmera carregada juntamente com as fotos copiadas ao dono, a Kodak tinha um lema: “Você aperta o botão, nos fazemos o resto.”, e assim nascia o mercado da fotografia amadora. Por muito tempo fotografar exigia certa técnica, a câmera analógica exigia certos recursos que somente fotógrafos profissionais conseguiam entender e uma boa foto era guardada como relíquia, um objeto que serviria como veiculo de resgate da memória. Esta pesquisa iniciou com a preocupação de entender qual a importância da fotografia e de sua manipulação na atualidade, ao perceber que ultimamente não tem mais o valor de antes. Atualmente todos podem ser fotógrafos, pois a câmera fotográfica está em quase todos os equipamentos tecnológicos: celular, Ipad, Iphone, tablet... Não importa onde, nem a ocasião sempre há alguém com um dispositivo equipado com câmera digital. Enquadramento, planos, iluminação e a qualidade fotográfica não são mais conhecimentos específicos do fotografo profissional, as maquinas possuem todos esses recursos. Imprimir fotos não é mais preciso, seja por curiosidade para saber como ficou a foto ou para guardar, a impressão tornou-se desnecessária e para algumas pessoas até sem sentido, como é possível ver a imagem segundos após o momento em foi registrada perdeu-se a necessidade ou o sentido de ter álbuns ou portas retratos. Há menos de dez anos uma foto era usada para guarda um momento, a ansiedade em saber o resultado, a espera pela revelação era algo que, penso eu, aumentava o valor imaterial pela imagem. Dificilmente a foto era modificada, mesmos as
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    17 fotos com momentosconstrangedores recebiam um certo valor e eram guardadas. Atualmente com a facilidade de acesso à maquinas fotográficas digitais as imagens são facilmente apagadas, qualquer situação desagradável, uma pose que não é favorável é facilmente deletada. 2.1 O QUE GEROU ENQUANTO PROBLEMÁTICA A problemática “Como, por meio da produção fotográfica, é possível entender as manipulações manuais e digitais utilizando efeitos de programas online como Befunky, Instagram, MomentCam ?” Surge da necessidade de fazer um parâmetro do valor imaterial da fotografia da era analógica com a fotografia da era digital. Através da pesquisa tento encontrar respostas para a problemática. A materialização parte do desejo de criar algo que está inserido no contexto do individuo. Para Ostrower (2001), está criação pode ser algo que represente a realidade vivida ou algo que o homem gostaria de viver, situações não vivenciadas na realidade, mas que são desejadas na sua imaginação. Quando criamos colocamos em nossa criação um pouco de nós, os registros ao serem feitos tem o objetivo de guardar um momento para que este nunca seja esquecido. Quando o registro é feito sem intencionalidade não percebemos ao certo o que estamos registrando ou por que o estamos fazendo, possivelmente tal registro seja feito não para guarda um momento, mas guarda um sentimento, algo que não pode ser registrado fisicamente. Quando modificamos uma mesma imagem, reproduzindo-a varias vezes e dando a ela vários cenários nós não reinventamos o fato real, não o modificamos em sua existência dentro do contexto histórico, nós reinventamos o sentido pessoal, a interpretação que se configurou a partir de um desejo, a renovação ocorre na percepção e personalidade do autor. Para Barthes (1984) a fotografia gira em torno do olhar. O ver se diferencia do olhar, pois o olhar se relaciona com a emoção, ao subjetivo, aos sentimentos e o ver é mais objetivo, é aquilo que está lá para ser visto exigindo por parte daquele que a cria, capacidade para dar forma (por meio dos elementos visuais) e ordenação (conjugando os elementos visuais a maneiras de organização), mediante a forma e a organização é possível direcionar o olhar a ver aquilo que segundo o criador da imagem se configura como importante. Para Barthes as fotos são teoricamente objetivas, mas ao exibi-las elas se tornam subjetivas e suscetíveis a
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    18 Imagem 1 -“Fries to go” (2009), Russ Mills múltiplas interpretações, atualmente com a quantidade exagerada de imagens que são exibidas, olhamos para a fotografia com superficialidade, com pouca ou nenhuma emoção. Trabalhando com o tratamento de imagem fotográfica através dos programas de edição, há uma variedade de filtros já prontos que podem ser utilizados para criar diferentes efeitos. Os efeitos impõe na fotografia uma carga de emoção quando associados de forma consciente na intenção de evidenciar sentidos, como podemos evidenciar nas fotografias de Russ Mills, artista e ilustrador britânico. Segundo Mills, a sua obra oscila entre as belas artes clássicas e o surrealismo Pop. "Uma colisão entre a realidade e o digital. Ilustração firmemente alicerçada no desenho e focada na forma humana, particularmente no rosto, em interação com elementos do reino animal que refletem frequentemente o absurdo da natureza humana".1 Fonte: Galeria de imagens no site do artista. Disponível em: <http://www.byroglyphics.co.uk/20089/k0kk83goddbcbx0rfydu2msdr6 gbzh>. Acesso em: 19/08/2014 1 http://o-que-vem-a-rede.blogspot.com.br/2012/06/retratos-pintura-e-ilustracao-de- russ.html#sthash.rxR11VV9.dpuf, acesso em: 04/02/2014.
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    19 Fonte: Galeria deimagens no site do artista. Disponível em: <http://www.byroglyphics.co.uk/20089/k0kk83goddbcbx0rfydu2msdr6 gbzh>. Acesso em: 19/08/2014 Como objetivo geral essa pesquisa se concentra em: a) Analisar como os resultados da utilização dos efeitos influenciam as interpretações do publico espectador. E como especifico: a) Constatar os tipos de efeitos que na manipulação fotográfica digital intensifica a expressividade dos elementos formais/visuais. Esta pesquisa teve como local de estudo e área de abrangência de produção, a Galeria De La Roque Soares, mais especificamente no Município de Ananindeua sede onde está localizada a ESMAC: Escola Superior Madre Celeste, que funcionará como alicerce de pesquisa deste estudo. A periodização histórica deste projeto pretende cobrir um horizonte temporal de 1ª ano iniciando em Agosto de 2013 e estendendo-se até Junho de 2014, período de duração 6º e 7º semestre do curso de Artes Visuais da ESMAC. 2.2 REFERENCIAL TEÓRICO E ARTÍSTICO Imagem 2 - “Luci_four” (2009), Russ Mills
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    20 O marco referencialserá exposto no 2ª Capitulo desta pesquisa, com as teorias de (OSTROWER, 2001) “Criatividade e processo de criação”, (DOMINGUES, 1997) “A arte no século XXI: A Humanização das Tecnologias”, (DOMINGUES, 2003) “A arte no século XXI: Tecnologia, Ciência e Criatividade”, (SANMARTIN, 2004) “Arqueologia da criação artística. Vestígio de uma gênese: o trabalho artístico em seu movimento”, (GALVÃO, 2008) “Arte e Tecnologia: diferença e invenção”. 2.2.1 Definição dos Conceitos da Pesquisa Com a finalidade de sistematizar a linguagem utilizada no trabalho de conclusão de curso, adoto como referência neste estudo, as abordagens teóricas fundamentadas na definição dos conceitos básicos desta pesquisa: 2.2.2 Manipulação Manipular imagens é tão antigo quanto fotografar, bem antes dos softwares como o photoshop ou os programas online como o Befunky ou Instagram, a fotografia já conhecia a manipulação e assim como no passado fotografar era algo restrito devido à complexidade de manusear o daguerreótipo e depois a maquina analógica, manipular fotos também era uma técnica reservada a poucos. No passado as manipulações eram utilizadas para promover chefes de governo ou militares, atualmente modificar a imagem além ser algo simples é utilizado de diversas formas, desde uma simples alteração como alterar o contraste, balanço cor, foco até a descaracterização da imagem através de filtros e sobreposições. Segundo Ostrower (2001) o modo como utilizamos a imagem e a modificamos demonstra o nosso desejo. O que queremos mostrar, o que queremos vivenciar. Ao modificar o cenário o individuo demonstra o que gostaria de vivenciar em sua realidade, o que lhe atrai e o que lhe incomoda, talvez esse seja o motivo de modificar a imagem, já que a realidade não pode ser transformada, transforma-se o imaginário.
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    21 Nós somos apaixonadospor nossa própria imagem, Rokeby (1997) exemplifica isso falando do mito “Eco de Narciso”, onde Narciso se apaixona pela própria imagem refletida na água. Narciso não percebe que é sua imagem refletida. No meio interativo o interagente não percebe sua própria imagem refletida e cria sob ela um novo sentido, uma nova relação entre o seu eu e o mundo. A tecnologia reflete nossas ações e decisões, portanto reflete o que somos o meio com qual nós comunicamos e não somente o que lhe é dado, “o que retorna somos nós mesmos, transformados e processados.”2 . 2.2.3 Imagem Toda visualização construída pela ação do homem, todo e qualquer objeto que pode ser percebido visualmente3 é uma imagem. Atualmente estamos cercados por imagens: outdoors, revistas, panfletos, jornais, além das nossas criações fotográficas, produzimos uma enxurrada de imagens na mesma proporção e velocidade em que recebemos e com uma agilidade muito maior nos desfazemos delas sem ao menos analisa-las. Para Czegledy (2003) o modo como a tecnologia avança está modificando o jeito como vemos uma imagem e a nos mesmos. Tais mudanças estão mudando nossos valores culturais. Segundo Ostrower (2001) quando olhamos para alguma imagem normalmente não analisamos como deveríamos. Tornou-se tão comum que não percebemos detalhes importantes que revelam algo do criador. O individuo cria em função do seu contexto cultural e individual, ao mudar seu meio cultural ele muda sua criação. A mudança de ambiente modifica hábitos, costumes e faz com que o potencial criador também se modifique. Para Sanmartin (2004) a imagem é uma metáfora, uma relação da imagem que está em nossa mente com a imagem que queremos materializar. 2.2.4 Memória A memória é a capacidade de registrar, armazenar e manipular informações provenientes de interações entre o cérebro e o corpo ou todo o organismo e o mundo externo. 2 (ROKEBY, Op. Cit., p. 67) 3 http://pt.wikipedia.org/wiki/Imagem#An.C3.A1lise_da_Imagem, acesso em: 05/02/2014
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    22 É a basedos nossos sentimentos ou de qualquer atitude cotidiana, variando conforme os diferentes períodos da vida (gestação, infância, adolescência, senescência). Está intimamente relacionada com o aprendizado, uma vez que o aprendizado é a aquisição de conhecimentos e a memória é o resgate desses conhecimentos após certo tempo4 , é a nossa memória que irá nos ajudar a constituir nossa identidade pessoal, são nossas lembranças que nos levam a evoluir, a desejar situações ainda não vividas ou reviver momentos, é através da memória que iremos idealizar e criar. A observação do mundo exterior é considerada como uma exigência para o artista plástico e sem dúvida este exercício o permite apreender elementos que o permitirá depois constituir base para criar. [...] Ampliar o espaço pessoal, para que se possa perceber o universo de forma mais inteira e explorar um outro mundo, o interior. (SANMARTIN, 2004, p.47) Para Sanmartin (2004) quando observa seu procedimento o artista novamente entra em contato com seu eu, com tudo que vivenciou seu passado, suas lembranças, o método leva o artista a revisitar situações vividas e ele perceberá que tudo tem ligação, em algum ponto a obra irá conectar suas memórias. A memória é um fator inerente ao homem e é a memória que irá torna-lo um ser criador segundo Ostrower (2001), ainda que no inconsciente, uma vez que são as memórias que levam o homem a criar, a imaginar. A percepção do meio leva o homem a torna-se consciente não somente sobre as imagens, mas sobre os lugares, sons, etc. qualquer coisa que tenha relação com a situação vivida vai fazer com que um determinado objeto, fato ou local do passado ou do presente seja relembrado, reativando situações vivenciadas. As intenções se estruturam junto com a memória. São importantes para criá-lo. Nem sempre serão conscientes nem, necessariamente, precisam equacionar-se com objetivos imediatos. Fazem-se conhecer, no curso das ações, como uma espécie de guia aceitando ou rejeitando certas opções e sugestões contidas no ambiente. Ás vezes, descobrimos as nossas intenções só depois de realizada a ação. [...] (OSTROWER, 2001, p. 18) Considerando os objetivos e o intento de pesquisar em construir os efeitos na interpretação das imagens que sofreram manipulação foram elaborados os questionamentos: 4 Fonte: http://pt.shvoong.com/medicine-and-health/neurology/1617140-que-%C3%A9- mem%C3%B3ria/#ixzz2s20MEVZE, acesso em: 04/02/2014.
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    23 a) Que tiposde filtros na manipulação fotográfica digital intensifica a expressividade dos elementos formais/visuais? b) Como os resultados da manipulação influenciam as interpretações do publico espectador? 2.3 METODOLOGIA CIENTÍFICA EMPREGADA Para a metodologia Cientifica da pesquisa, o método de abordagem, foi deste estudo Fenomenológico que segundo Merleau Ponty é existencialista, no sentido de que se preocupa com a existência do homem num mundo pré-dado. Trata-se de uma filosofia que não está interessada no abstrato, mas sim num “homem histórico”, à medida em que este se engaja e existe no mundo5 . O método fenomenológico, foi apresentado por Edmund Husserl (1859-1938), propõe- se estabelecer uma base segura, liberta de proposições, para todas as ciências. Para Husserl, as certezas positivistas que permeiam o discurso das ciências empíricas são “ingênuas”. A suprema fonte de todas as afirmações racionais é a “consciência doadora originaria”. Dai a primeira e fundamental regra do método fenomenológico: “avançar para as próprias coisas”. Por coisa entendem-se simplesmente os dados, o fenômeno, aquilo que e visto diante da consciência. A fenomenologia se encontre atrás do fenômeno, portanto em desvelar o que aparente os olhos não percebe, mas está aí, só visa os dados, sem querer decidir se este é uma realidade ou aparência. Haja o que houver, a coisa está ai. A fenomenologia é o estudo das essências, e todos os problemas, segundo ela, resumem-se em definir essências: a essência da percepção, a essência da consciência, por exemplo. Mas a fenomenologia é também uma filosofia que repõe as essências na existência, e não pensa que se possa compreender o homem e o mundo de outra maneira senão a partir de sua “facticidade”. É uma filosofia transcendental que coloca em suspenso, para compreendê-las, as afirmações da atitude natural, mas é também uma filosofia para a qual o mundo já está sempre “ali”, antes da reflexão, como uma presença inalienável, e cujo esforço todo consiste em reencontrar este contato ingênuo com o mundo, para dar-lhe enfim um estatuto filosófico. É a ambição de uma filosofia que seja uma “ciência exata”, mas é também um relato do espaço, do tempo, do mundo “vividos”. É a tentativa de uma descrição direta de nossa experiência tal como ela é, e sem nenhuma deferência à 5 Maria Lúcia Sadala, A fenomenologia como método para investigar a experiência vivida uma perspectiva do pensamento de Husserl e de Merleau Pontye - FM Botucatu/UNESP.
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    24 sua gênese psicológicae às explicações causais que o cientista, o historiador ou o sociólogo dela possam fornecer (MERLEAU-PONTY, 1999)6 Segundo Merleau-Ponty, quando o ser humano se depara com algo que se apresenta diante de sua consciência, primeiro nota e percebe esse objeto em total harmonia com a sua forma, a partir de sua consciência perceptiva. Após perceber o objeto, este entra em sua consciência e passa a ser um fenômeno. Com a intenção de percebê-lo, o ser humano intui algo sobre ele, imagina-o em toda sua plenitude, e será capaz de descrever o que ele realmente é. Dessa forma, o conhecimento do fenômeno é gerado em torno do próprio fenômeno. Para Merleau-Ponty, o ser humano é o centro da discussão sobre o conhecimento. O conhecimento nasce e faz-se sensível em sua corporeidade. O método indutivo parte do particular para o geral. É um método “proposto pelos empiristas (Bacon, Hobbes, Locke, Hume), para os quais o conhecimento é fundamentado exclusivamente na experiência” (GIL, 1999, p.28), ou seja, as conclusões obtidas são apenas prováveis. Na constituição das ciências sociais foi um método importante, pois serviu para que os pesquisadores da época abandonassem a postura especulativa e adotassem a observação como procedimento para avaliar os fenômenos sociais, como as expressões artísticas estão vinculadas a esses fenômenos, justifica-se a opção por tal método. A concepção indutiva parte da observação do objeto de estudo, a análise dos dados coletados tem por finalidade descobrir a relação existente entre eles, a partir dessa análise é feita conclusão do estudo. O tipo de pesquisa é qualitativo, uma vez que tem a intenção de estimular o pesquisador a aprender os aspectos expressivos a pensar e discursar sobre as observações e interpretações sobre as manipulações. A técnica de pesquisa aplicada, para a coleta de dados foi a produção fotográfica com manipulação de filtros do programa Befunky e entrevista gravadas com o publico expectador das obras nas exposições Memória Manipulada, Revelar e Selfie, tendo como subsidio um roteiro de perguntas abertas. Para a coleta de dados a ser levantado será necessário implementar as seguintes etapas: a) Produção de fotografias manipuladas manualmente através do programa online Befunky; 6 Fenomenologia da percepção / Maurice Merleau-Ponty ; [tradução Carlos Alberto Ribeiro de Moura]. - 2- ed. - São Paulo : Martins Fontes, 1999. - (Tópicos). Disponível em: < http://pt.scribd.com/doc/43625077/Maurice- Merleau-Ponty-Fenomenologia-da-Percepcao> Acesso em: 02/03/2014
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    25 b) Aplicação daentrevista junto ao publico espectador; c) Descrição dos aspectos técnicos e significativos das produções fotográficas; d) Descrição e análise das informações coletadas nas entrevistas, que estão relacionadas aos procedimentos e métodos escolhidos. Delimitação do universo estudado, por se tratar de uma pesquisa na linha de trabalho em Poéticas Visuais, mais especificamente a produção artístico-estético sobre a fotografia manipulada, e de caráter autoral tendo no publico expectador a análise de imagens modificadas, que não guardam uma memória especifica e, portanto, criam uma interpretação diferente.
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    26 3. PROCESSOS QUIMICOS Nessecapitulo será feita a abordagem teórica dos autores que me deram base para a construção dessa pesquisa, farei uma abordagem sobre o inicio da manipulação fotográfica, sobre os tipos de filtros utilizados na manipulação digital, a fotografia como arte e os artistas que trabalham com manipulação fotográfica: Flavya Mutran e Roberta Carvalho. 3.1. A MANIPULAÇÃO FOTOGRÁFICA DIGITAL Quando a fotografia surgiu acreditou-se que era a captura fiel do real, portanto era algo que não podia ser alterado, manipulado. No entanto a manipulação fotográfica começa desde o momento em que o modelo se posiciona para ser fotografado - roupas, cabelo arrumado, maquiagem -, até a composição da paisagem. O que atualmente modificamos com um simples software, no passado era composto por todo um cenário, onde o fotografo era conhecedor de todas as técnicas para uma foto perfeita, Charles Baudelaire descreve sua descontentação com as fotografias que demonstram tudo fielmente, Gostaria de ter o seu retrato. É uma ideia que se apoderou de mim. Há um excelente fotografo em Hâvre. Mas temo que isso não seja possível agora. Seria necessário que eu estivesse presente. Você não entende desse assunto, e todos os fotógrafos, mesmo os excelentes, têm manias ridículas: eles tomam por uma boa imagem, uma imagem em que todas as verrugas, todas as rugas, todos os defeitos, todas as trivialidades do rosto se tornam muito visíveis, muito exageradas: quanto mais dura é a imagem, mais eles são contentes. Além disso, eu gostaria que o rosto tivesse a dimensão de duas polegadas. Apenas em Paris há quem saiba fazer o que desejo, quero dizer, um retrato exato, mas tendo o flou de um desenho. Enfim, pensaremos nisso, não? (BAUDELAIRE apud ENTLER, 2007, p.6). A citação acima data de 1865, de uma carta do poeta e crítico francês Charles Baudelaire à sua mãe. O poeta teve no inicio grande aversão a fotografia, mas com o passar do tempo as criticas se tornaram menos contundente, o que pode-se perceber no trecho citado é que apesar da época a manipulação fotográfica já existia, no entanto necessitava de técnica. No mundo atual, onde fotografar passou a ser pra qualquer um – celular, smartphones, iphone, ipad, tablets – a facilidade em manipular é enorme e muito simples, mas engana-se quem acredita que a manipulação fotográfica é coisa da era digital, a manipulação fotográfica é algo
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    27 tão antigo quantoa fotografia, as modificações que hoje são simples antes era algo engenhoso, bem antes do mais famoso programa de edição de imagens o photoshop, lançado em 1989, as imagens de fotos analógicas já eram modificadas, por questões estéticas, políticas ou artísticas. Mas no passado era preciso exatidão e conhecimento, uma das técnicas para modificar uma fotografia era a de sobrepor um negativo ao outro: primeiro, faziam um negativo do céu, depois outro negativo da paisagem. No escuro do laboratório, sobrepunham um negativo ao outro – e assim revelava-se a paisagem na sua inteireza, inclusive a vivacidade do azul-celeste7 . Outro método utilizado era os pinceis e tintas, profissionais da época usava verdadeiros kits equipados com materiais essenciais como régua, tintas de vários tons diferentes, algodão, cola, gelatina e rolos de borracha. Datado de 1946 o livro “Dicas para Retoque de Fotos para uso Comercial” de Raymond Wardell, ensina técnicas de edição de imagens, o livro dava dicas de como obter uma boa imagem final, ter uma mão firme (se houvesse um erro, o trabalho estava perdido), usar uma mesa de desenho com altura e ângulos ajustáveis e principalmente remover as falhas das imagens, acrescentar detalhes de maior contraste, não exagerar nos retoques, regras que garantiam resultado final desejado. Fonte: CONDLIFFE, Jamie. Como Fotógrafos Retocavam suas Fotos Antes do Photoshop. 2013, Disponível em: < http://gizmodo.uol.com.br/retoques-antes-do-photoshop/>. Acesso em: 16/06/2013 7 http://veja.abril.com.br/blog/ricardo-setti/tema-livre/uma-fascinante-e-perturbadora-incursao-pela-historia-da- manipulacao-da-fotografia/. Acesso em: 05/02/2014 Imagem 3 - Imagem do livro “Dicas para Retoque de Fotos para Uso Comercial”
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    28 Imagem 4 -Imagem do livro “Dicas para Retoque de Fotos para Uso Comercial” Imagem 5 - Imagem do livro “Dicas para Retoque de Fotos para Uso Comercial” Imagem 6 - Imagem do livro “Dicas para Retoque de Fotos para Uso Comercial” Imagem 7 - Imagem do livro “Dicas para Retoque de Fotos para Uso Comercial” Fonte: CONDLIFFE, Jamie. Como Fotógrafos Retocavam suas Fotos Antes do Photoshop. 2013, Disponível em: <http://gizmodo.uol.com.br/retoques-antes- do-photoshop/>. Acesso em: 16/06/2013 Fonte: CONDLIFFE, Jamie. Como Fotógrafos Retocavam suas Fotos Antes do Photoshop. 2013, Disponível em: <http://gizmodo.uol.com.br/retoques-antes- do-photoshop/>. Acesso em: 16/06/2013 Fonte: CONDLIFFE, Jamie. Como Fotógrafos Retocavam suas Fotos Antes do Photoshop. 2013, Disponível em: <http://gizmodo.uol.com.br/retoques-antes- do-photoshop/>. Acesso em: 16/06/2013 Fonte: CONDLIFFE, Jamie. Como Fotógrafos Retocavam suas Fotos Antes do Photoshop. 2013. Disponível em: <http://gizmodo.uol.com.br/retoques-antes- do-photoshop/>. Acesso em: 16/06/2013
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    29 Imagem 8 -O Ministro Sumiu Imagem 9 - Convite à Ilusão Ao longo da historia a manipulação mostrou-se presente na historia, seja em registros de momentos políticos marcantes ou na publicidade ou fotos artísticas, mudou-se o modo de manipular e talvez os motivos, mas a intenção de modificar o fragmento do real sempre existiu. Em 1960, o artista Yves Klein montou a foto do seu "salto no vazio" (Imagem 9), num subúrbio perto de Paris: nem toda manipulação é para trapacear; mas toda ela é para iludir. Em 1937, Hitler tirou uma foto com outros nazistas. Por razões desconhecidas, seu ministro da Propaganda, Goebels, foi apagado da cena (Imagem 8). Fonte: SETTI, Ricardo. Uma Fascinante (E Perturbadora) Incursão Pela História da Manipulação da Fotografia, 2012. Disponível em: <http://veja.abril.com.br/blog/ricardo- setti/tema-livre/uma-fascinante-e-perturbadora- incursao-pela-historia-da-manipulacao-da- fotografia/>. Acesso em 05/02/2014 Fonte: SETTI, Ricardo. Uma Fascinante (E Perturbadora) Incursão Pela História da Manipulação da Fotografia, 2012. Disponível em: <http://veja.abril.com.br/blog/ricardo-setti/tema- livre/uma-fascinante-e-perturbadora-incursao-pela- historia-da-manipulacao-da-fotografia/>. Acesso em 05/02/2014 Para a imprensa a manipulação é usada para iludir, seja para cria uma imagem mais agradável , como fez da "Saturday Evening Post", em 1941 muito antes do Photoshop (Imagem 11), ou para dramatizar como fez a revista Time em 1994, que para dar ênfase a um crime racial escureceu artificialmente a pele do negro O. J. Simpson (Imagem 10).
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    30 Imagem 10 -Revista Time Imagem 11 - Pré-Photoshop Fonte: SETTI, Ricardo. Uma Fascinante (E Perturbadora) Incursão Pela História da Manipulação da Fotografia, 2012. Disponível em: <http://veja.abril.com.br/blog/ricardo-setti/tema-livre/uma-fascinante- e-perturbadora-incursao-pela-historia-da-manipulacao-da-fotografia/>. Acesso em 05/02/2014 3.1.1 Filtros Inteligentes Filtros são efeitos que programas como o photoshop ou Befunky fornecem para serem aplicados às fotografias, com os filtros é possível limpar, alterar cor, aplicar efeitos artísticos e uma infinidade de possibilidades para modificar imagens. Nesta pesquisa minhas produções se deram através do programa online befunky, apesar de saber manusear o photoshop. Minha escolha resultou da facilidade em usar o programa, dos variados tipos de filtros oferecidos, da possibilidade de fazer sobreposições de filtros nas imagens e do pouco tempo necessário para finalizar minhas produções. O programa acima mencionado não necessita estar instalado no computador para funcionar e também pode ser utilizado por telefone celular compatível. É possível com um simples click modificar uma imagem atribuindo a ela características do pop arte, stencil ou simplesmente adicionar efeito para deixar a fotografia com aparência envelhecida, basta apenas escolher o filtro e aplicar a seleção. As imagens abaixo mostram uma fotografia em processo de manipulação, os efeitos inseridos modificam a imagem de forma bem diversificadas. A Imagem 12 mostra a Fonte: Revista TIME, Vol. 143 Nº 26, 1994. Disponível em: <http://content.time.com/time/m agazine/0,9263,7601940627,00.h tml> Acesso: 06/02/2014
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    31 Imagem 12 -Fotografia digital sem efeitos Imagem 13 - Utilizando filtro Stenciler 3 fotografia original sem filtros, inserida no programa Online Befunk, no menu à esquerda estão disponíveis vários efeitos que podem ser colocados com um simples clique. Fonte: Acervo do Artista. Nas imagens a seguir podemos ver a fotografia já com efeitos, o filtro Stenciler 3 (Imagem 13) deu a imagem uma aparência figurativa e/ou abstrata, uma representação própria do stencil. Fonte: Acervo do Artista.
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    32 Usando outro filtroé possível produzir na imagem um efeito artístico que difere do anterior, como o da Pop Art (Imagem 14), ou ainda deixar a imagem com aparência de foto antiga (Imagem 15). Fonte: Acervo do Artista. Fonte: Acervo do Artista. Uma única imagem pode ganhar significados diferentes de acordo com o efeito inserido, avaliando a imagem sem filtros e as posteriores são perceptíveis às varias leituras que é possível fazer de acordo com as mudanças causadas pelos efeitos na imagem. Imagem 14 - Utilizando filtro Pop Art. Imagem 15 - Utilizando filtro Old Photo.
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    33 2.1.2 Fotografia ComoArte Antes de a fotografia existir cabia aos pintores a missão de reproduzir a realidade, com o surgimento dos daguerreótipos muito se discutiu sobre o seu valor artístico, pois a imagem era feita pela maquina e não pelo fotografo, não exigindo nenhum dom artístico para criação dessa imagem e o fotografo era um assistente da maquina. A fotografia conquistou a simpatia de muitos, mas também encontrou muitos críticos avessos à sua fidelidade com o real, dentre eles o poeta e crítico francês, Charles Baudelaire que no inicio demonstrava toda a sua aversão à fotografia, como na carta ao diretor da Revue Française, sobre o salão de 1859, onde, pela primeira vez abriu-se um espaço a fotografia, Nesses dias deploráveis, produziu-se uma nova indústria que muito contribuirá para confirmar a idiotice da fé que nela se tem, e para arruinar o que poderia restar de divino no espírito francês. Essa multidão idólatra postulou um ideal digno de si, e apropriado a sua natureza, isso está claro. Em matéria de pintura e de escultura, o Credo atual do povo, sobretudo na França (e não creio que alguém ouse afirmar o contrário) é este: “Creio na natureza e creio somente na natureza (há boas razões para isso). Creio que a arte é e não pode ser outra coisa alem da reprodução exata da natureza (um grupo tímido e dissidente reivindica que objetos de caráter repugnante sejam descartados, como um penico ou um esqueleto). Assim, o mecanismo que nos oferecer um resultado idêntico à natureza será a arte absoluta”. Um Deus vingador acolheu as súplicas dessa multidão. Daguerre foi seu Messias. E então ela diz a si mesma: “Visto que a fotografia nos dá todas as garantias desejáveis de exatidão (eles crêem nisso, os insensatos), a arte é fotografia”. A partir desse momento, a sociedade imunda se lança, como um único Narciso, à contemplação de sua imagem trivial sobre o metal. Uma loucura, um fanatismo extraordinário se apodera de todos esses adoradores do sol. (BAUDELAIRE, apud ENTLER, 2007, p. 11-12) A fotografia tornou-se um registro da realidade tal como ela é e muito mais que o registro de uma cena, a fotografia era um testemunho do real, não se pensava em fotografia como arte, fotografia era unicamente um registro que não podia ser modificado ou manipulado, era estritamente documental. No entanto, muitos artistas se valeram da fotografia como índice para suas produções. A partir da primeira metade do século XX é que a fotografia começou a ser vista como linguagem artística, movimentos como o Cubismo, o Futurismo, Surrealismo, Dadaísmo e o Construtivismo usaram a fotografia como meio de pesquisa para produções artísticas. A fotógrafa Dora Maar fez registros durante a produção de Guernica de Pablo Picasso, um dos fundadores do cubismo, nos registros é possível perceber que apesar de ser uma pintura planejada ela se modificou enquanto progredia.
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    34 Imagem 16 -Dora Maar fotografia da pintura Guernica de Pablo Picasso em etapas. Paris estúdio 1937. Imagem 17 - Dora Maar fotografia da pintura Guernica de Pablo Picasso em etapas. Paris estúdio 1937. Imagem 18 - Dora Maar fotografia da pintura Guernica de Pablo Picasso em etapas. Paris estúdio 1937. Fonte: DION, Dora Maar Fotografias Guernica de Picasso, 2013. Disponível em: <http://www.artnewsblog.com/dora-maar-photographs-picassos-guernica/>. Acesso em: 05/05/2014 Fonte: DION, Dora Maar Fotografias Guernica de Picasso, 2013. Disponível em: <http://www.artnewsblog.com/dora-maar-photographs-picassos-guernica/>. Acesso em: 05/05/2014 Fonte: DION, Dora Maar Fotografias Guernica de Picasso, 2013. Disponível em: <http://www.artnewsblog.com/dora-maar-photographs-picassos-guernica/>. Acesso em: 05/05/2014
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    35 Imagem 19 -Dora Maar fotografia da pintura Guernica de Pablo Picasso em etapas. Paris estúdio 1937 Imagem 20 - Guernica, de Pablo Picasso. 1937. 349 cm × 776 centímetros Fonte: DION, Dora Maar Fotografias Guernica de Picasso, 2013. Disponível em: http://www.artnewsblog.com/dora-maar-photographs-picassos-guernica/>. Acesso em: 05/05/2014 Fonte: DION, Dora Maar Fotografias Guernica de Picasso, 2013. Disponível em: http://www.artnewsblog.com/dora-maar-photographs-picassos-guernica/>. Acesso em: 05/05/2014 No futurismo Anton Giulio Bragaglia e seu irmão Arturo criaram a fotodinâmica, que era a fotografia da vida nos seus movimentos, os irmãos acreditavam que para reproduzir a vida em fotografias, era preciso fotografar também os movimentos, “Enojados pela cadavérica imobilidade das representações na arte, preferimos fotografar em movimento, mesmo as coisas paradas, assim como as vemos, na correria dos nossos dias vertiginosos. Por isso
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    36 Imagem 21 -Anton Giulio Bragaglia, “Typewriter”, 1911 detestamos a fotografia glacial e racionalmente seguimos, na nossa Fotodinâmica, gestos essencialmente futuristas.” (BRAGAGLIA, 1913) 8 Os fotógrafos futuristas desenvolveram vários estudos para conseguir chegar a técnica da fotografia em movimento. Fonte: PESSOA, Davi. Anton Giulio Bragaglia, “A fotografia do movimento”, 1913. Disponível em: <http://traduzirfantasmas.wordpress.com/2011/11/14/a-fotografia-do- movimento/>. Acesso em: 04/05/2014 O fotografo Phillipe Halsman e o artista surrealista Salvador Dalí criaram muitos trabalhos inspirados no surrealismo, o resultado final nem sempre foi fácil de conseguir, eram necessárias várias tentativas, Halsman não usava montagens para conseguir o efeito surreal, o fotografo usava a encenação, o conhecimento fotográfico e a paciência, em Dalí Atômico (Imagens 22 e 23) feita em 1948, o fotografo só conseguiu a imagem desejada na 28º tentativa, depois de horas tentando. 8 Anton Giulio Bragaglia, “A fotografia do movimento”, 1913. Disponível em: <http://traduzirfantasmas.wordpress.com/2011/11/14/a-fotografia-do-movimento/>. Acesso em: 04/05/2014
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    37 Imagem 22 -Fotografias do processo de Dalí Atômico Fonte: Hooks , Jeremy. Dali Por Philippe Halsman Atomicus. 2011. Disponível em: <http://www.photoandvideography.com/dali-atomicus-by-philippe-halsman-234/>. Acesso em: 04/05/2014
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    38 Imagem 23 -Dalí Atômico Imagem 24 - Photogram Fonte: Hooks , Jeremy. Dali Por Philippe Halsman Atomicus. 2011. Disponível em: <http://www.photoandvideography.com/dali-atomicus-by-philippe-halsman-234/>. Acesso em: 04/05/2014 O construtivismo utilizou-se da fotomontagem que é o processo de recortar, reordenar elementos dentro de um quadro e fotografar novamente o produto final teve grande influencia para László Moholy Nagy, um artista construtivista. Nagy usava técnicas de colagem e de fotografias sem câmera chamado de photogram que era o contato do objeto com o papel sensível à luz. Fonte: Blog Art Blart - Exposição: 'László Moholy-Nagy - Arte de Luz. 2011. Disponível em: <http://artblart.com/tag/laszlo-moholy-nagy-oskar- schlemmer-in-ascona/>. Acesso em: 04/05/2014
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    39 Imagem 25 -Violon d'Ingres No Dadaísmo um dos artistas mais expressivos foi Man Ray, foi um dos maiores defensores da fotografia como arte. Influenciado inicialmente pelo movimento artístico Dadaísmo e posteriormente pelo Surrealismo, tornou-se a figura central das vanguardas fotográficas, abordando inúmeras linguagens e técnicas. Inventou os rayogramas e a solarização, imagens misteriosas, indefinidas e quase abstratas, obtidas de forma direta, sem uso da câmara, que se aproximavam dos fotogramas de Moholy-Nagy. Uma das suas obras mais conhecidas é a fotografia surrealista "Violon d'Ingres" (Imagem 25), realizada em 19249 , suas obras não tinham a preocupação de representar a realidade. Fonte: Wikiart Visual Art Encyclopedia. Disponível em: <http://www.wikiart.org/en/man-ray/ingre- s-violin-1924#supersized-artistPaintings- 210880>. Acesso em: 03/02/2014 Fotografar a produção artística tornou-se arte também, atualmente as galerias de arte expõem produções como o do artista plástico Vick Muniz que trabalha em suas produções a reutilização de materiais em desuso, a Art Povera. Muniz inicia seu processo de criação com a fotografia como pesquisa e durante o procedimento mistura técnicas como escultura, gravura e pintura para criar e finaliza sua criação com o registro fotográfico e este registro é o que será exposto nas galerias. No documentário Lixo Extraordinário o artista mostra como transformou fotografias de catadores de lixo em arte, utilizando o próprio lixo, as imagens 9 fotografia (arte). In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2014. Disponível em: <http://www.infopedia.pt/$fotografia-(arte)>. Acesso em: 03/02/2014.
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    40 Imagem 27 -Documentário Lixo Extraordinário Imagem 26 - Documentário Lixo Extraordinário Imagem 28 - Documentário Lixo Extraordinário abaixo mostram um momento do processo de criação (Imagens 26 e 27) e alguns dos resultados finais (Imagens 29 e 30) que foram fotografados e leiloados na Inglaterra. Fonte: Site do documentário Lixo Extraordinário. 2011. Disponível em: <http://www.lixoextraordinario.net/galeria.php>. Acesso em: 12/05/2014 Fonte: Site do documentário Lixo Extraordinário. 2011. Disponível em: <http://www.lixoextraordinario.net/galeria.php>. Acesso em: 12/05/2014 Fonte:Blog Sandra Lazzerini. 2012. Disponível em: <http://sandrainteriores.blogspot.com.br/2012/07/li xo-extraordinario.html>. Acesso em: 15/05/2014 Fonte:Blog Sandra Lazzerini. 2012. Disponível em: <http://sandrainteriores.blogspot.com.br/2012/07/li xo-extraordinario.html>. Acesso em: 15/05/2014 Assim como o Vick Muniz outros artistas trabalham o neoexpressionismo através da manipulação fotográfica, o artista, ilustrador e designer gráfico Russ Mills possui trabalhos que são uma mistura de estilos que vai do clássico ao surrealismo pop, Mills trabalha principalmente sobre a forma humana e seus trabalhos abrangem temas como superficialidade e isolamento, passando para expressões mais sociopolíticas. Algumas de suas produções são Imagem 29 - Documentário Lixo Extraordinário
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    41 Imagem 30 -House Anthems 99 Imagem 31 - “Madre” frutos de medos próprios, temores normais que se multiplicaram e que levaram o artista a traduzir esse medo em seus trabalhos. Inicia seus trabalhos com esboços em fotografias de amigos ou desconhecidos que segundo ele “darão vida às cidades, animais, plantas etc...”, ele utiliza tinta, caneta esferográfica, aquarela, elementos da natureza e depois digitaliza tudo e transfere para o computador, onde através de muitas camadas, o trabalho irá ser finalizado. Segundo Russ Mills, no primeiro passo do trabalho é utilizado todo tipo de material como texturas, pontos, rabiscos, aleatório, essa primeira etapa é a mais demorada, pois é base de seu trabalho, depois tudo é digitalizado e ele dá continuidade no computador utilizando varias camadas, no entanto não utiliza filtros em todas as camadas, pois isso ajuda a “manter a natureza ‘digital’ da imagem.”. Fonte: Site do artista Russ Mills. Disponível em: <http://www.byroglyphics.co.uk/20089/kyy33na0nmadkdg ny7yc6ooqg7kq0t>. Acesso em: 19/08/2014 Fonte: Site Kai Fine Art. Disponível em: http://www.kaifineart.com/2014/02/russ- mills.html. Acesso em: 19/08/2014
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    42 Imagem 32 –Sem Titulo Fonte: CRUZ, Yesenia. TETE A TETE: Russ Mills, Byroglyphics. 2008. Disponível em: <http://trifora.blogspot.com.br/2008/09/tete-tete-russ-mills- byroglyphics.html>. Acesso em: 14/05/2014 Thomas Barbèy é um artista que faz fotomontagens surrealistas, o artista não utiliza programas de edição de imagens nas suas criações e nem maquinas fotográficas digitais, Thomas Barbèy usa câmeras analógicas, as imagens são capturadas com os modelos Mamiya RB 67 e Canon AE-1s 35mm e filme SLR. Ele cria suas obras através da revelação desses filmes. “Os negativos são combinados e a ampliação é feita simultaneamente, ou planejo a dupla exposição na própria câmera, ou uma combinação de tudo isso”, explica o artista, lembrando que cada negativo montado é único e suporta um número limitado de cópias.10 Antes de produzir o artista cria um conceito sobre sua próxima imagem e a partir disso ele começa a seleção de imagens, algumas vezes o processo segue o caminho inverso, a imagem é criada e só depois ele pensa o conceito. Thomas Barbèy possui um banco de imagens capturadas em suas viagens pelo mundo, segundo ele algumas imagens levam anos para serem usadas algumas imagens são compostas de negativos que são separadas por uma década no tempo real e só ganham vida quando eles encontraram o seu par perfeito. É a combinação de dois ou mais negativos que dão origem a uma visão completamente fora do comum, mas acima de tudo, o título que ele dá a imagem final é a cola da substância da peça, “Algumas vezes já venho com uma ideia pré-concebida e tanto materializá-la de forma que 10 Disponível em:< http://maytepiragibe.com/o-artista-thomas-barbey/>. Acesso em: 03/03/2014
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    43 Imagem 34 -“Oh Sheet!” Imagem 33 - “Sunbathing” Imagem 35 - “Icy Studs” funcione. Em outras tudo é meio por acaso, e quando a imagem surge o conceito ainda precisa ser definido.”.11 Para o artista a imagem só está finalizada quando ao olhar para a produção ele percebe uma estória, quando uma imagem transmite todo um contexto, quando o expectador consegue imaginar, criar toda uma estória apenas visualizando a representação, então o artista sente que concluiu o seu trabalho. Thomas Barbèy possui um site onde expõe e vende suas obras. Fonte:Site do artista Thomas Barbèy. Disponível em: <http://thomasbarbey.com/>. Acesso em: 03/03/2014 Fonte:Site do artista Thomas Barbèy. Disponível em: <http://thomasbarbey.com/>. Acesso em: 03/03/2014 11 Disponível em: < http://thomasbarbey.com/>. Acesso em: 03/03/2014 Fonte:Site do artista Thomas Barbèy. Disponível em: <http://thomasbarbey.com/>. Acesso em: 03/03/2014
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    44 3.2 ARTISTAS LOCAISQUE MANIPULAM SUAS PRODUÇÕES FOTOGRÁFICAS Muitos artistas trabalham a manipulação digital atualmente, nesta pesquisa irei falar sobre as obras das Artistas Visuais Flavya Mutran que mistura procedimentos automatizados ou manual nas suas produções e Roberta de Carvalho que usa a fotografia em suas intervenções urbanas. Flavya Mutran é uma artista plástica paraense que atua com fotografia desde 1989, em 2010 desenvolveu uma serie na qual utilizou um software para manipular digitalmente, o programa gratuito disponível no site yearbookyourself.com que inspirou a série de imagens Bioshot. A série foi produzida a partir de um software que permite manipular digitalmente retratos em preto e branco de 52 tipos humanos caracterizados pelo período de 1950 aos anos 2000. Trata-se de uma galeria online com perfis masculinos e femininos dispostos no site como se fossem fantasias, ou máscaras em que o usuário pode brincar de trocar sua aparência – ou a de outra pessoa –, gerando diferentes combinações raciais, temporais e de gênero, bastando para isso alimentar o aplicativo com a imagem de um rosto que encaixe nos modelos.12 Para Mutran o uso de fotografias aliada à exibição na internet reafirma o desejo de inclusão na esfera publica, Explorei o potencial que aplicativos como este possuem enquanto ferramenta ficcional e lúdica, que auxilia o usuário na reinvenção de sua trajetória pessoal, na (dis) simulação da identidade, da sexualidade, da condição social e até da herança biológica. Ficou evidente a ideia de que existe uma interrelação entre os autorretratos fotográficos e a noção de território de subjetividade que se estabelece a partir do uso da fotografia associada à exibição na internet, pois o uso de programas como o yearsbookyourself, além de confirmar essa febre “retrô” da primeira década do século XXI, atesta o desejo de autorrepresentação e autoinclusão do indivíduo na esfera pública, conhecida como Web 2.0.5 (MUTRAN, 2012, 51) A artista produziu ao todo 156 matrizes que se desdobraram em suporte variados que vão desde a fotografia digital, passando pela copia xerox, fotogravuras em água forte até ao adesivo autocolantes aplicados em espelhos (Imagens 36 e 37), “São imagens híbridas, fruto de combinações que sugerem ao mesmo tempo o esquecimento e a lembrança que reescreve velhos temas de forma nova, ou vice-versa. As imagens resultantes desta série também 12 FLAVYA MUTRAN E JANDER RAMA, Distopias anacrônicas: tensões construtivas entre imagem digital e artesanal - 2012, p. 45 - 54
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    45 Imagem 36 -Serie Bioshot Imagem 37 - Serie Bioshot tipificam o descompromisso atual com o tradicional valor documental e indiciário da fotografia” (MUTRAN, 2012, 52). Fonte: MUTRAN, Flavya; RAMA, Jander. Distopias anacrônicas: tensões construtivas entre imagem digital e artesanal. Revista Porto Arte: Porto Alegre, V. 19, N. 32, Maio/2012. Fonte: MUTRAN, Flavya; RAMA, Jander. Distopias anacrônicas: tensões construtivas entre imagem digital e artesanal. Revista Porto Arte: Porto Alegre, V. 19, N. 32, Maio/2012. A paraense Roberta Carvalho é artista visual e desenvolve trabalhos na área imagem, intervenção urbana e vídeo arte, teve como base para suas produções a artista contemporânea Elaine Tedesco que faz suas intervenções utilizando imagens criadas, transformadas em slides e projetadas em locais não convencionais. A artista Roberta Carvalho mistura fotografia, video e video mapping em suas experimentações, e faz projeções em espaços não óbvios, como copas de arvores no projeto “Symbiosis”. Nesse projeto Carvalho tenta mostrar a integração do homem com a natureza, segundo a artista “A ideia do ‘Symbiosis’ é restaurar essa identidade e fazer com que literalmente nos vejamos nessa natureza da qual nos separamos e vice-versa”.
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    46 Imagem 38 -Symbiosis Para essa produção a artista projetou imagens de rostos humanos em copas de arvores, um suporte não convencional, mas que modificou e deu um novo sentido a imagem. Carvalho explica que o critério básico da escolha do corpo a ser projetado relaciona-se bastante com sua questão formal. Já houve casos, no entanto, em que a relação conceitual falou mais alto na opção pela imagem. Em uma das exibições do projeto, por exemplo, o rosto de uma criança foi projetado em uma árvore “jovem”, no meio de diversas árvores muito maiores. As imagens em geral são de rostos de homens, crianças, e da própria artista, mas não há um rigor para a escolha de quem estará nas projeções. Segundo Roberta, a base do trabalho é a experimentação e a expressividade das formas. “A ‘symbiosi’ é realmente uma busca deste projeto e ela se dá quando há uma perfeita adequação do corpo (do ser humano ou da arte) com a natureza. E isso, só experimentando ver para sentir”.13 O resultado final são fotografias de intervenções que mostram uma natureza com rostos, que demonstram como fazemos parte dessa natureza e como podemos modifica-la e nós modificar. Fonte: NETO, Pimentel. Árvores que pulsam, a arte da “cineclubista” Roberta Carvalho. 2014. Disponível em: <http://marvadacarne.wordpress.com/2014/01/25/arvores-que-pulsam-a- arte-da-cineclubista-roberta-carvalho/>. Acesso em: 28/04/2014 13 Árvores que pulsam, a arteda“cineclubista” Roberta Carvalho,.disponível em: <http://marvadacarne.wordpress.com/2014/01/25/arvores-que-pulsam-a-arte-da-cineclubista-roberta-carvalho/>. Acesso em: 28/04/2014
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    47 Imagem 39 -Symbiosis Fonte: NETO, Pimentel. Árvores que pulsam, a arte da “cineclubista” Roberta Carvalho. 2014. Disponível em: <http://marvadacarne.wordpress.com/2014/01/25/arvores-que-pulsam-a-arte- da-cineclubista-roberta-carvalho/>. Acesso em: 28/04/2014 3.3 ARTE E TECNOLOGIA No âmbito da indústria cultural a arte é uma mercadoria que “deve agradar um numero cada vez maior de consumidores para o seu divertimento” (GALVÃO, 2008. p.17). O produto oferecido leva a opressão da liberdade, da criatividade, da autonomia, o sujeito deixa de ser quem ele é “A revolta resultante da opressão foi apaziguada por uma promessa que nunca poderá ser realizada no âmbito coletivo, mas que permanece no sonho individual do Um que se destaca na massa, desejo que já foi programado pelo próprio discurso.”14 Segundo Galvão, para a tecnologia ficou a impressão, cada vez mais latente de banalização do discurso, um exemplo são os filmes com uma estrutura repetitiva, no qual a novidade são os efeitos especiais, para o espectador filmes com contexto, que precisam de uma reflexão são chatos, os melhores filmes da atualidade estão cheios de efeitos especiais, tecnologia e pouco ou nenhum contexto “Logo se pode perceber como terminará um filme, quem será recompensado, punido ou esquecido; para não falar da musica ligeira em que o ouvido acostumado consegue, desde os primeiros acordes, adivinhar a continuação, e sentir-se feliz quando ela ocorre” (ADORNO; HORKHEIMER apud GALVÃO,2008,p. 17) 14 GALVÃO, Op. Cit., p. 18.
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    48 Por outro ladoexiste a arte que criou-se a partir da tecnologia, os vídeos mapping, as intervenções urbanas, as interfaces digitais que misturam varias linguagens em uma única produção, uma nova linguagem que opta por não ocupar galerias de artes, mas espaços abertos como praças, ruas, fachadas de prédios, espaços não óbvios quando se fala em exposições de arte com produções que visa mostrar como a arte interage com a tecnologia e como essa linguagem que não é assim tão nova pode fazer o artista pensar em novas poéticas visuais, levando ao publico possibilidades diferentes do que é arte e do fazer arte. A tecnologia e a arte são partes integrantes na era contemporânea, as similaridades entre as duas são evidentes quando percebemos que tanto a arte quanto a tecnologia não estão ao alcance de todos e a minoria privilegiada que tem esse acesso não desfruta de todo o conceito que a arte e a tecnologia propõem. 3.4 IMAGEM A imagem é uma projeção de nossa mente, portanto o que queremos no nosso imaginário é realizado através dela, com a fotografia digital realizar o que nosso imaginário deseja tornou-se mais fácil através de efeitos digitais, “As facilidades de manipulação da imagem em formato digital permitem que um número muito grande delas perca uma de suas principais funções: a de ser um retrato do mundo ao qual estamos visualmente familiarizados.” (ANTUNES, 2008, p. 44). Quando modificamos uma mesma imagem, reproduzindo-a varias vezes e dando a ela vários cenários nós não reinventamos o fato real, não o modificamos em sua existência dentro do contexto histórico, nós reinventamos o sentido pessoal, a interpretação que se configurou a partir de um desejo, a renovação ocorre na personalidade do criador. Nessa era digital a indústria tecnológica cria objetos cada vez mais interativos que facilitam nossa vida e nos deixam cada vez mais conectados, tanta interatividade está provocando uma perda de identidade. A tecnologia reflete nossas ações e decisões, portanto reflete o que somos, o meio com qual nós comunicamos. David Rokeby fala que o meio não reflete somente o que lhe é dado, ao usarmos nossa imagem para inserir uma modificação quando essa imagem retorna vemos a nós mesmo transformados e processados.
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    49 As novas ferramentastecnológicas estão mudando valores sociais, as ferramentas tecnológicas passaram a ser algo necessário na vida cotidiana, hoje a cultura não é mais absorvida pela população, é simplesmente aceita e da mesma forma como é rapidamente aceita é também descartada. Do mesmo modo que os exames de ressonância magnética, espectrometria e tomografia deixaram nosso corpo exposto, as atuais tecnologias também nos deixam expostos, também nos revelam em detalhes que antes não seriam exibidos. Nosso corpo virou espetáculo visual para fins comerciais e “o corpo (nosso próprio corpo) ficou cada vez mais exposto e, assim, mais vulnerável do que nunca.” (CZEGLEDY, 2003, p.129). O projeto visa debater sobre as mudanças tecnológicas que mudaram o modo como o corpo é visto, para a autora somente com os discursos levantados sobre o corpo e a revolução digital é que teremos uma melhor compreensão sobre nossas percepções atuais e o futuro. Tal onda pode ser vista na quantidade de imagens do corpo humano ou sobre ele, que nos rodeia. Anúncios de academia, centros de estéticas, passamos a cultuar mais o que é belo, esteticamente belo. O corpo humano passou ser cultuado de varias forma, como maquina pela ciência, como escultura para academias, o modo como a tecnologia avança está modificando o jeito como vemos uma imagem e a nos mesmos. Tais mudanças estão mudando nossos valores culturais “O impacto dessa revolução que permeia nosso cotidiano mudou significativamente a percepção comum do corpo humano” (CZEGLEDY, 2003, p.127). As novas ferramentas tecnológicas estão mudando valores sociais, as ferramentas tecnológicas passaram a ser algo necessário na vida cotidiana, hoje a cultura não é mais absorvida pela população, é simplesmente aceita e da mesma forma como é rapidamente aceita é também descartada. A necessidade de criação se modifica ao longo do tempo, o que antes era necessário agora torna-se sem importância. O que para um jovem é essencial (filtros em uma foto são o meio de comunição, é através do filtro de demonstram o quanto feliz ou quanto triste se está naquele momento, sem os filtros parece ser impossível, para eles, demonstra seu sentimentos) para um adulto pode não ter sentido, pois o real é o que lhe interessa. A criatividade muda porque a personalidade muda. A criação ira renovar o criador, algo irá modificar em seu potencial, em seu conceito, ainda que a criação não represente o novo, “Na era digital, a imagem passa a ser uma informação que pode ser escrita, apagada e refeita quantas vezes quisermos. É claro que essa maleabilidade depende da capacidade tecnológica de que se dispõe em hardware e software, a
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    50 qual, por suavez, depende do quanto se quer investir em tecnologia.” (ANTUNES, 2008, p. 46). 3.5 FOTOGRAFIA Desenhar com a luz ou criar imagens por meio da exposição da luz, o significado de fotografia pode representar uma visão do real, entretanto a câmera fotográfica pode reproduzir muito mais que cenários existentes, a fotografia pode criar representações que estão além de nosso imaginário “se a fotografia inicialmente é a realização do desejo de uma visão automática, façamos dela uma máquina de visão, capaz de mostrar o que não pode ser visto nem reproduzindo pelo ‘olho comum’, até mesmo criar abstrações.” (GALVÃO, 2008, p. 21). Se inicialmente a fotografia tinha o objetivo de guarda um momento da historia, posteriormente a arte modificou a técnica para qual foi criada. O registro tornou-se expressão artística, que provoca o emocional, que torna-se poesia, que transforma um sujeito fotografado em objeto ou coisa. Fotografar vai além de simplesmente registrar um momento, fotografar é recriar uma ocasião através das interpretações de quem olha a imagem. A fotografia vive um longo período de transição da analógica para o digital, e talvez por isso alguns fotógrafos acreditem que a fotografia morreu e ao mesmo tempo que ela nunca esteve tão viva, segundo o professor e fotografo Pedro Vasquez todos podem ser fotógrafos, a era digital possibilitou isso. A nova era do celular com 41 megapixels, da câmera fotográfica digital, dos tablets... possibilitou a inovação fotográfica a até mesmo a volta à técnicas do passado como a daguerreotipia. Para Vazques (2014, p.1) a era digital não provocou o “fim da verdade fotográfica”, pois tal verdade nunca existiu, segundo Vasquez “A fotografia sempre foi falsa, tendenciosa e mentirosa (em outras palavras: humana), porém dotada de insuperável capacidade de reprodução fidedigna do mundo visível.”. 3.6 CRIATIVIDADE NO PROCESSO DE CRIAÇÃO COM FOTOGRAFIA MANIPULADA
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    51 Nossa cultura viveuma era em que criar, modificar, imaginar está ligado a utilidade. A imagem tornou-se efêmera quando deixou de ser um catalisador de memórias. O mundo digital não permite o valor das fotos impressas ficou minimizado diante dos suportes digitais que possam estar exibindo-as e mesmo que permitisse o que iria ser impresso? O que valeria a pena guarda com tanto cuidado? Que momento seria tão importante? E por que ele é tão importante? Na manipulação de imagem é perceptível que o cenário e os atores são constantemente modificados, a realidade em que vive não é agradável e modificar torna-se essencial, o que fica claro nessas mudanças é o quanto a realidade é incômoda ou o quanto o ser criador é condicionado a mudanças, ele é levado a acreditar que precisa modificar o meio que está inserido, mesmo que esse meio o agrade. Atualmente a fotografia tornou-se algo do agora, o que antes servia como um veiculo para relembrar o passado, para interligar o ontem ao amanhã, hoje serve para mostrar o agora. É possível percebe a necessidade que foi imposta e não sentida de registrar o momento atual única e exclusivamente para mostrar o agora e tal registro não pode mostrar o real, é necessário que filtros sejam utilizados, modificando a autenticidade do mundo real. Segundo Ostrower (2001) tem-se a necessidade de mostrar o fato no momento em que ele acontece, mas não com o cenário real. Ao modificar a cena real muda-se o contexto, o fato fotografado não é mais o fato vivenciado, o contexto em questão possui uma nova configuração. A manipulação de imagens existe há muito tempo, mas atualmente manipula-las tornou-se necessário, quase que obrigatório. Os meios que modificam imagens mudaram com o passar do tempo, mas a intenção continua a mesma, que é a de modificar a realidade, mostrando aquilo que é interessante em sobreposição ao que quero esconder. No processo de manipulação de imagens o processo criativo existe, mas não é observado e dependendo de quem o faz é algo inconsciente. Por achar que a criatividade emana do nada, pensa-se que o processo não existe, porém ele está lá, mesmo que o criador não seja artista. “Quem fala através de imagens primordiais, fala como se tivesse mil vozes; comove e subjuga, elevando simultaneamente aquilo que qualifica como único e efêmero na esfera do contínuo devir” (JUNG Apud SANMARTIN, 2004, p.30), retirar a mascara e mostrar suas sombras é algo difícil, mas necessário para conhecer verdadeiramente o eu, modificar a imagem é uma forma de ocultar a realidade, de esconder a parte carregada de culpas. Fotos sem filtros mostram imagens reais, de pessoas que não ocultam a sua realidade, sua face, que vivem o seu contexto. Analisar o processo criativo nos leva a entender
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    52 primeiramente o autor,seu jogo de luz e sombra, aquilo que quer esconder e depois a obra em si.
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    53 4. OS NEGATIVOSE A REVELAÇÃO Neste capitulo serão abordados os procedimentos metodológicos que nortearam essa pesquisa, a descrição do processo de produção, a análise com interpretação que foi dada a estas produções como resultadas. Para análise serão considerados os conceitos traçados no segundo capitulo, fundamentados nas abordagens teóricas. O caráter fenomenológico dessa pesquisa caracterizou-se, como já foi salientado no primeiro capitulo, por estudar a partir da percepção da pesquisadora sobre a impressão quando das produções para as exposições Memória Manipulada: Fotografia e Revelar e na Intervenção Urbana Selfie, no intuinto de buscar compreender aquilo que a movia. Para tal entendimento se fez necessário descrever os encaminhamentos traçados ao longo da pesquisa. 4.1 ENFOQUE, PROCESSOS E RESULTADOS Baseado na percepção do que foi pesquisado e nas impressões resultantes das produções para as exposições percebi que modifiquei meu processo de criação e de acordo com a resposta do publico na relação com as obras modifiquei minha linha pensamento em relação ao processo de manipulação fotográfica. Pois, ao manipular a própria imagem acredito agora, que de alguma maneira, modificamos a percepção da realidade, a partir da captação do fragmento que se faz da mesma. No entanto, como isso se dá no interior do cérebro, precisaria de conhecimentos técnicos para explicar que a ênfase da percepção é motivada por algo que move o desejo daquele que vê. Nas produções que realizo, modifico minha imagem por achar que assim estarei me protegendo e evitando que meus pensamentos, meus devaneios possam ser percebidos, então, ocultar seria a razão para não tornar perceptível aos olhos dos outros. Também existe o fato de querer melhorar esteticamente a aparência daquilo que no real acredito não estar no perfil da minha concepção de belo. A manipulação que realizo não procura fazer correções estéticas publicitárias, tão evidenciadas pelas revistas impressas e meio eletrônico modifico até me sentir a vontade com minha imagem, com aquilo que acredito alcançar equilíbrio, harmonia dando ênfase as vezes para cor, textura e tantos outros efeitos que acredito ser necessários
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    54 para estabelecer aunidade. O resultado será sempre uma imagem destorcida, borrada, manchada, com elementos que descaracterizam por completo a imagem original, no entanto esse tipo de modificação é o que me agrada. 4.1.1 Processos de Produção para a Exposição Memória Manipulada: Fotografia. Ao iniciar o desenvolvimento dessa pesquisa visitei alguns sites online que manipulam fotos de maneiras simples, entre eles Instagram, Moment Cam e BeFunky, todos esses sites permitem que a imagem modificada possa ser publicada nas redes sociais, alguns deles até possuem suas próprias redes sociais. A facilidade em fotografar e modificar inserindo efeitos e molduras tornou necessário o ato de capturar a imagem de cada segundo vivido pelos usuários, e tais programas passaram a ser indispensáveis para quem não consegue fazer upload15 de fotos em redes sociais sem antes edita-las. Pensando nessa necessidade em editar e em como as pessoas modificam suas imagens, destorcendo-as a ponto de torna-se irreconhecíveis criei a exposição fotográfica ‘Memória Manipulada: Fotografia’, na qual fotografei meu rosto e pensando nos possíveis motivos que levam os usuários dos programas acima citados, manipularei as suas imagens e publicarem nas redes sociais, comecei a manipular minhas fotografias utilizando o celular e o computador. Ao iniciar o processo de produção notei que meu maior impulsionador para a manipulação foi o incomodo em ter meu rosto nítido, totalmente perceptível. A cada filtro inserido (motion color, holgaart, watercolor, metal, ente outros), minha fisionomia ficava menos aparente, menos exposta e percebi que ficava mais a vontade com minha imagem e com a ideia do meu rosto exposto, nessa primeira produção utilizei até quatro filtros em uma mesma imagem. Também senti a necessidade de não fotografar meus rosto frontalmente, fiz fotos de perfil e me escondia atrás de meus cabelos. Nesta produção percebi que utilizei a fotografia para tornar real o que desejava, me sentir esteticamente bela. Uma beleza melancólica de alguém introvertida que não quer estar sempre em evidencia e por isso esconde seu rosto. 15 Processo de transferência de dados de um computador para outro.
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    55 Imagem 42 -Exposição Memória Manipulada: Fotografia Imagem 41 - Exposição Memória Manipulada: Fotografia Imagem 40 - Exposição Memória Manipulada: Fotografia Na imagem abaixo (Imagem 42) a produção foi impressa em adesivo leitoso e em tamanho 0,90 x 1,00 m. O meu rosto é perceptível, mas por minha face não está totalmente visível e por achar que com tantos efeitos fiquei esteticamente bonita me sentir a vontade em me expor, em exibir um semblante borrado, manchado. Fonte: Acervo do ArtistaFonte: Acervo do Artista Fonte: Acervo do Artista
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    56 Imagem 44 -Fotografia manipulada digitalmente Imagem 43 - Processo de produção manipulação manual 4.1.2 Processos de Produção para a Exposição Revelar Manipular, modificar, alterar tudo o que não está do nosso agrado, a era digital tornou tudo isso muito fácil, pelo menos no mundo das redes sociais. Talvez essa facilidade em modificar o real que foi possibilitado pelo meio tecnológico é que tenha tornado tudo obsoleto, pensando nesse desuso é que foi pensada a segunda exposição fotográfica ‘Revelar’. O processo de produção foi pensado a partir das fotografias de álbuns de família, que no passado foi algo muito comum e muito valorizado, e dos motivos que mereciam ser fotografados e no modo como a tecnologia está modificando o jeito como vemos uma imagem e a nós mesmos. Pensando nesses questionamentos selecionei fotos de minha infância e do momento atual, fotos analógicas e digitais, algumas manipulei manualmente utilizando acetona e aguarrás mineral para intervir modificando a imagem (Imagem 43), deixando-as desgastadas, como se a ação do tempo e o descuido tivesse apagado parte da imagem, e outras manipulei digitalmente inserindo efeitos (Imagem 44) e em uma produção tríade com imagens já manipuladas digitalmente interferir manualmente modificando ainda mais a imagem (Imagens 45 e 46), algumas fotografias foram colocadas em bandejas com água, e água também interferiu nas fotos, causando um desgaste, uma perda visual da imagem, procurei representar um laboratório de revelação do fotos analógicas relembrando um tempo em que se tinha um valor sentimental maior, quando álbuns eram montados e guardados como preciosidades. Fonte: Acervo do Artista Fonte: Acervo do Artista
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    57 Imagem 45 -Processo de produção manipulação manual Exposição Revelar O intuito de modificar as imagens foi o de demonstrar que os registros da memória, feitos através de fotografias, pode estar se perdendo e que a manipulação modifica o real escondendo nosso mundo verdadeiro, estamos esquecendo que o que fica guardado na memória é o momento exato sem efeitos, filtros ou molduras. Fonte: Sanchris Santos Fonte: Sanchris Santos Imagem 46 - Exposição Revelar
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    58 Fonte: Acervo doArtista Imagem 48 - Exposição Revelar Imagem 50 - Exposição RevelarImagem 49 - Exposição Revelar Fonte: Acervo do Artista A exposição “REVELAR” mostrou fragmentos do meu real com e sem montagens, expondo o que sempre procuro esconder com o intuito de mostrar que, é o que ficará registrado em nossa memória e mostra-lo faz parte de nossa aceitação com quem somos. Fonte: Acervo do Artista Fonte: Acervo do Artista Imagem 47 - Exposição Revelar
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    59 A interpretação dopublico que esteve presente na exposição foi a de que procuramos esconder o que nos desagrada por isso modificamos nossas fotos, e o fazemos sem a intenção de guarda o momento ou sem imaginar que a mudança pode causar um esquecimento do momento vivido. 4.1.3 Processos de Produção para a Instalação Urbana Selfie Segundo o provérbio chinês “uma imagem vale mais que mil palavras” 16 e de acordo com dados estatísticos em única rede social 4 mil fotos são postadas por segundo17 , ao pensar em quais informações cada imagem pode fornecer o questionamento que surge é sobre o que esta sendo mostrado, qual a interpretação de quem está vendo e qual a mensagem que esses usuários pretendem ao postar cada segundo de suas vidas e por que essa vida é mostrada com efeitos de atribuem a imagem um sentido diferente do real. A intervenção foi pensada a partir das imagens manipuladas e colocadas em rede social, quatro voluntárias fizeram individualmente uma foto de corpo inteiro, depois manipularam digitalmente as imagens em programas online, cada voluntaria fez sua 16 Kunf Fu Tsé (Confúcio) foi poeta, filósofo e historiador da tradição chinesa, conhecido por sua sentença “uma imagem vale mais que mil palavras”. 17 Disponível em:<http://tecnologia.terra.com.br/internet/facebook-tem-mais-de-350-milhoes-de-fotos-postadas- por-dia,d907f4ca57c21410VgnVCM20000099cceb0aRCRD.html>. Acesso em: 05/05/2014 Fonte: Acervo do Artista Imagem 51 - Exposição Revelar
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    60 Imagem 54 -Rosane Caldas Imagem 52 - Viviane Almeida Mácola Imagem 53 - Ana Paula Corrêa manipulação deixando a fotografia de acordo com o desejado por cada uma, as posses, os efeitos, o programa a ser utilizado foi definido por cada voluntaria. Fonte: Ana Paula CorrêaFonte: Viviane Mácola Fonte: Josiane SilveiraFonte: Rosane Caldas Imagem 55 - Josiane Silveira
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    61 Imagem 57 -Mostra Interdisciplinar Arte Urbana As imagens finalizadas foram impressas em tamanho real e transformadas em totens que foram dispostas na praça da bíblia em Ananindeua durante a Mostra Interdisciplinar. Os totens representaram as pessoas que se fotografam e manipulam suas imagens antes de postar na rede, como se aquela situação manipulada fosse a real e, portanto os totens trouxeram para o real a imagem virtual. Fonte: Acervo do Artista Fonte: Marcelo Roger Imagem 56 - Mostra Interdisciplinar Arte Urbana
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    62 4.2 ANÁLISE APARTIR DOS CONCEITOS: MANIPULAÇÃO, IMAGEM E MEMÓRIA Ao iniciar as produções para minha primeira exposição percebi que os motivos que me levaram a manipular nem sempre estavam claros, por vezes foi necessário rever minhas produções e me questionar o que estava fazendo e o porquê, à medida que respondia aos meus questionamentos percebi que descobria um pouco mais sobre meu eu, segundo Sanmartin (2004), o processo de criação inicia-se reconhecendo a si, rompendo com preconceitos, despindo-se deles, conhecendo-se profundamente. O conhecimento da personalidade oculta é necessário para que o processo de criação ocorra de forma completa e consciente. Ao perceber o que me impulsionava a modificar também percebi que ao interferir exageradamente estava modificando registros de fatos reais, o fato em si não mudaria, mas o elemento que em um determinado momento do futuro serviria como ligação com o passado estava alterado e possivelmente eu não recordaria o fato e isso resultaria em perda de um fragmento da minha vida. No entanto, tal ato de modificar revela que estava tentando recriar uma situação que eu gostaria de viver, situações não vivenciadas na realidade, mas que foram desejadas na minha imaginação. Fonte: Acervo do Artista Imagem 58 - Mostra Interdisciplinar Arte Urbana
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    63 As imagens criadassão representações do que eu gostaria que fosse verdadeiro, em alguns casos a ocultação do real. Ao analisar a interpretação do publico percebi que a manipulação muda totalmente o real sentido da fotografia, cada imagem reflete algo diferente para quem vê, mas nada é a descrição do real. Não há descrição do local ou sobre quem está na imagem, as descrições são sempre abstratas, alheias a aparências exteriores. Pensando em quanto ocultei meu rosto inicialmente, na produção seguinte usei menos os efeitos digitais, em algumas imagens manipulei manualmente, dessa vez os motivos não eram o de ocultar, mas o de revelar. Mostrando fatos existentes de minha vida que sempre são revividos ou relembrados ao olhar a fotografia, momentos guardados na memória e que constituem o que somos, para Ostrower (2001) qualquer coisa que tenha relação com a situação vivida vai fazer com que um determinado objeto, fato ou local do passado ou do presente seja relembrado, reativando situações vivenciadas. A avaliação do publico foi que estamos descartando registros de nossos momentos vividos sem perceber que eles são importantes para o futuro, que manipulamos a imagem, mas o que fica guardado na memória não está modificado. Talvez o mundo capitalista tenha contribuído para tal descarte, vivemos um momento em que o mercado tecnológico lança novos produtos a uma velocidade quase impossível de acompanhar, o desejo de ter o que há de mais moderno nós leva a descartar com extrema facilidade o que não é mais tão novo, as tecnologias mudaram o modo como vemos uma imagem e a nós mesmos, segundo Czegledy (2003) atualmente vivemos cercados de tecnologia que nos deixam conectados 24h, criamos nossas próprias jaulas para nos proteger do mundo exterior, no entanto essas mesmas tecnologias nós deixam expostos, mostramos muito mais agora que no passado, a imagem que antes era para guardar um momento hoje serve somente para mostrar o presente. O valor que atribuímos as imagens modificaram-se do acordo com mudanças que a revolução tecnológica trouxe, antes nas fotografias em formato analógico era possível o contato, o que caracterizava um certo sentimento com a imagem impressa, um zelo com o álbum de fotografia, com a fotografia digital isso não é permitido, nem mesmo é pensado, segundo Antunes (2008) as imagens que são criadas a partir de software, que nunca existiram na natureza podem nos causar um impacto, uma emoção, mas elas são fictícias e nos fazem ter um compreensão equivocada dos fatos. Portanto a imagem e o sentimento não são reais, mas por não sermos capazes de diferenciar entre a ficção e a realidade somos cada vez mais tendenciados a aceitar o que é dito como real.
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    64 Para Galvão (2008)o mundo capitalista é opressor e se apropria da capacidade de ser do sujeito e este passa a aceitar tudo que é imposto, inclusive o entretenimento, a diversão só é valida se houver consumo. E a tecnologia é uma aliada na hora expor ao mundo o que estamos fazendo, exibindo a todos que está sendo consumido e os filtros ajudam a nos deixar mais felizes e bonitos.
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    65 5. CONCLUSÃO Manipulamos nossavida e nem percebemos, criamos cenários, sorrisos, luzes, flash e tudo mais somente para ficar bonito, não na foto, mas nas redes sociais. Estamos muito mais preocupados em aparecer felizes, cercados de pessoas que amamos, em lugares lindos e caros, pois também estamos preocupados em demonstrar o quanto de poder aquisitivo temos. Ainda que a felicidade seja falsa, as pessoas nem tão amigas - algumas mal conhecemos - estamos sempre tentando demonstrar muito mais o que desejamos do que o que vivemos. Tentamos projetar a imagem que gostaríamos que fosse real e para isso usamos os artifícios que a tecnologia nos dá. O percurso traçado por essa pesquisa me levou a análise de minhas produções fotográficas e a entender os motivos da necessidade de manipular, os questionamentos que fazia a cada imagem mostraram as intenções estéticas que buscava satisfazer, tal avaliação foi fundamental para obter as respostas que precisava para a problemática da pesquisa. No iniciar dessa pesquisa achei que meu principal incentivador era o desejo de manipular, o gosto pela arte digital, mas ao iniciar meu processo de produção e com base em minhas leituras percebi que meu real incentivo era o meu desejo de mudar o meu real, de modificar o que incomodava. Os efeitos exagerados eram na verdade meu jeito de me esconder do mundo e de demonstrar um personagem para o outro, não sentia a necessidade de aceitação, o que me incomodava era a sensação de que alguém poderia conhecer o meu ser, meu intimo, não demonstrar esse mais profundo eu me dava a sensação de proteção, se não me conhecem profundamente, se não sabem o que penso, então não poderão me prejudicar. Busquei através dessa pesquisa entender o porque da manipulação fotográfica, percebi que as reais intenções estão ligadas com a não aceitação do real, com a necessidade de ser aceito pelo outro, da necessidade do ser belo, do aparentar ser feliz em qualquer situação e de precisar demonstrar que tem uma vida social agitada, com base nas leituras e na análise de minha produções concluir que a manipulação existe porque queremos reproduzir nosso mundo ideal, e essa concretização é possível com a fotografia. Na era tecnológica, que conecta todos no mundo virtual, mas deixa todos sem contato no mundo real, na era da mensagem rápida, da vida social nas redes, dos milhões de amigos, seguidores e admiradores virtuais, a vida é muito intensa e muito divertida no mundo virtual, no entanto no real estamos sozinhos, ocupados demais com nossos mundos imaginários não percebemos o quão solitários
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    66 estamos. Ou talveztenhamos percebido e por isso nos preocupamos tanto em demonstrar o quanto estamos bem, e fazemos isso a cada momento. O que ficou perceptível é que para mostrar o que fazemos no presente usamos molduras, filtros, efeitos que deixam a imagem com a aparência de fotografia antiga, como o filtro sépia, ou modernas demais, como o filtro light. A diversidade de filtros que um programa online oferece permite ao usuário escolher o que ressaltar na sua foto, efeitos que intensificam ou mudam cores, como aquela foto com um céu nublado, após alguns cliques o céu estará perfeitamente azul, ou que permitem que a imagem fique em preto e branco, o efeito escolhido sempre será aquele que irá diminuir as linhas de expressão do rosto, deixando a face mais jovem. Outros efeitos irão dar a impressão de que a fotografia é uma pintura em tela. A imagem modificada causa a quem observar uma interpretação diferente daquela de quem a produziu, alguns filtros nos dão a sensação de nostalgia, as fotos parecem que irão nos fazer lembrar de algo do passado, no entanto a imagem é do agora e nos deparamos com aquela sensação de saudade de algo que nunca vivemos ou com a vontade de querer ter vivido aquela situação antes. Se de um lado a intenção de quem manipula é deixar a aparência bela, por outro quem olha a imagem nem sempre entende o que o criador tenta passar, certos filtros descaracterizam a imagem tornado difícil a interpretação e até mesmo o reconhecimento da pessoa na imagem. A vontade de mostrar uma beleza que foi estabelecida pelos padrões sociais leva o usuário a exagerar em suas manipulações, sem perceber que ficou descaracterizado. Mas, essa descaracterização mostra um ser que se esconde do mundo, que esconde seu verdadeiro rosto por medo de não ser aceito e acaba criando uma nova identidade, existente apenas nas fotografias das redes sociais, não somos quem queremos ser, somos o que agrada ao outro. Os resultados alcançados nessa pesquisa podem ser aplicados na educação, trabalhar o olhar fotográfico, a manipulação de imagens e a análise das produções dentro de sala de aula permite ao educando o autoconhecimento, além de possibilitar novas técnicas de produção que possivelmente são desconhecidas do aluno. Fazer uso de equipamentos como celular, iphone, tablet... é mostrar para o aluno que a fotografia está muito mais no olhar pessoal que no tipo de equipamento a ser usado e mesmo que o aparelho não capture exatamente o desejado a foto não está perdida, pois ainda é possível modifica-la, estimulando o aluno a criar uma nova possibilidade, novas interpretações a partir de sua produção, trabalhando a percepção através das produções e das leituras das imagens produzidas e possibilitando a
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    67 expressão de seuspensamentos, emoções e historia, permitindo ao observador o entendimento do que o autor pretende expressar. Através desta pesquisa entendi que manipulações não são possíveis somente através de programas online, modificar a cena, aparentar situações também é um modo de manipular o real, costume que é antigo, pois a fotografia desde sua criação está relacionada com a manipulação o que mudou desde a época de seu surgimento até os dias atuais foram as maneiras de modificar o real, ficando mais fácil e mais acessível. Tal acessibilidade pode trazer benefícios no campo da arte, sem computador e com um celular com câmera é possível fazer uma foto e transforma-la, mesmo que o aparelho não tenha acesso a programas online, mesmo não havendo acesso à laboratórios de revelação, para criar uma imagem é preciso apenas que o cenário seja modificado, montado. Todos têm potencial criador e a criatividade está em usar o que está inserido em nosso contexto e transforma-lo em arte. Com base nos resultados alcançados faço três considerações: - Utilizar a tecnologia em sala de aula: minhas produções partiram de fotografias feitas em câmera de celular e nenhum momento a qualidade ou a resolução fotográfica se tornaram empecilho, apesar de possuir câmera fotográfica semi-profissional optei por utilizar o dispositivo móvel por saber que esse é o meio mais comum de registro de imagem atualmente, por isso acredito que usar os meios que estão disponíveis é o modo mais prático de ensinar sobre a fotografia, não quero dizer com isso que deve-se deixar de ensinar sobre a historia da fotografia, acredito que devemos sim trabalhar com a câmera obscura para explicar como a imagem se forma nos dispositivos fotográficos, ensinar a construir e utilizar o pinhole levando ao conhecimento e a compreensão do processo fotográfico para que o aluno conheça como e por que surgiu a fotografia e quais influencias recebemos, mas as aulas não podem ser limitadas ao processo histórico da analógica. É possível utilizar a tecnologia como janela que liga o passado ao momento atual com seus celulares e outros dispositivos equipados com câmeras fotográficas ampliar o conhecimento do aluno. - Usar a fotografia para ampliar a percepção visual: usar a imagem para fazer leituras e com isso entender o que o autor da imagem está tentando dizer é fazer o educando entender sobre a percepção e com isso ensinar ao aluno a usar o olhar próprio. Para consegui explicar sobre meu processo de produção precisei primeiro entender o motivo de tais produções e só assim pude ampliar o conhecimento sobre meus trabalhos, o aluno deve analisar seu processo criador para que ele entenda que inspiração não surge do nada, tudo está envolvido em um contexto no qual ele está inserido.
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    68 - Trabalhar afotografia com o celular: não é necessário uma câmera digital de ultima geração para ser fazer uma boa fotografia para trabalha-la em sala de aula é preciso muito mais percepção do olhar que equipamento. Com o aparelho celular é possível fazer vários trabalhos fotográficos, o principal é o olhar fotográfico é ele quem irá revelar a intenção do fotografo. O desenvolver dessa pesquisa me fez pensar em novas possibilidades a serem estudadas, como as produções que precisam da fotografia para serem finalizadas, nesta pesquisa estudei um pouco as obras de Vick Muniz e Roberta Carvalho, artistas que criam suas obras a partir de suportes inusitados, mas precisam da fotografia para finalizar suas produções ou sobre a fotografia utilizado como estudo, imagens que servirão de registros para estudos futuros, como são realizadas, quais ângulos são indispensáveis, qual equipamento usar e quem fotografa. A fotografia é muito mais que um registro, é uma produção finalizada. No percurso desta pesquisa a minha principal dificuldade foi a falta de teóricos falando sobre o assunto, fala-se muito da fotografia e pouco sobre manipulação, apesar de existir inúmeros fatos na historia que demonstram montagens fotográficas fala-se pouco sobre os motivos que levaram a modificar e sobre o processo. Percebi que no inicio da fotografia não consideravam-se a manipulação, por achar que a câmera fotográfica registrava o real e que por isso seria impossível modificar uma foto, no entanto o que a historia mostra é que manipular o real é muito simples, não é preciso usar tinta, técnicas de revelação ou filtros, para ludibriar é preciso apenas criar uma cena, Feliz Nadar fez isso muito bem ao fazer fotografias áreas sem precisar sair do chão e dentro de um estúdio ou fotografias subterrâneas utilizando luz elétrica ainda experimental e um boneco manequim vestido com as roupas do coveiro, a imagem levou aproximadamente seis horas para ser finalizada, sendo impossível uma humano ficar tanto tempo parado, o fotografo utilizou um manequim para garantir a qualidade da imagem, essa é uma manipulação, não utilizou filtros ou químicos da revelação, apenas criou-se uma ilusão, tornou real o que a mente imaginou. Espero que minha pesquisa ajude no desenvolvimento de novos olhares tanto para quem atua com as artes visuais como para aqueles que apreciam, principalmente na fotografia digital utilizada a partir de dispositivos moveis, uma forma comum e acessível de registro, mas ainda muito criticada talvez por sua praticidade. A manipulação digital também deve ser melhor analisada tanto as formas mais comuns de modificar como os cenários montados, as posses criadas quanto os meios mais complexos criados através de programas, situações que
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    69 foram inventadas oureformuladas para que pudessem ser representadas, para tornarem-se representação fiel da imaginação humana.
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    70 REFERÊNCIAS ANTUNES, Danilo dasGraças Alves. Os impactos da tecnologia digital na gestão dos estúdios de fotografia. São Paulo, 2003. p. 110. BARTHES, Roland. A câmara clara: nota sobre a fotografia/ Roland Barthes; tradução de Julio Castañon Guimarães. – Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984. p.185 BEARDON, Colin. “Praticas criativas e o projeto de software“. In DOMINGUES, Diana. A arte no século XXI: Tecnologia, Ciência e Criatividade. São Paulo. Fundação Editora da Unesp, 2003. p. 181-197. CZEGLEDY, Nina. “Arte como ciência: ciência como arte”. In DOMINGUES, Diana. A arte no século XXI: Tecnologia, Ciência e Criatividade. São Paulo. Fundação Editora da Unesp, 2003. p. 125-145. MUTRAN, Flavya; RAMA, Jander. Distopias anacrônicas: tensões construtivas entre imagem digital e artesanal. Revista Porto Arte: Porto Alegre, V. 19, N. 32, Maio/2012. p. 45-54. GALVÃO, Edilamar. Arte e Tecnologia: diferença e invenção. FACOM – Nº 19 – 1º semestre de 2008. p.16 – 29. GIL, Antônio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social/Antônio Carlos Gil. – 5 ed. – São Paulo: Atlas, 1999. p.206 OSTROWER, Fayga. Criatividade e processo de criação/Fayga Ostrower.-Petrópolis, Vozes, 2001. p.167 PRADO, Gilberto. “Arte e tecnologia: Produções recentes no evento ‘A Arte No Seculo XXI’”. In DOMINGUES, Diana. A arte no século XXI: A Humanização das Tecnologias. São Paulo. Fundação Editora da Unesp, 1997. p. 243-245. ROKEBY, David. “Espelhos Transformadores”. In DOMINGUES, Diana. A arte no século XXI: A Humanização das Tecnologias. São Paulo. Fundação Editora da Unesp, 1997. p. 67- 69. SADALA, Maria Lúcia. A fenomenologia como método para investigar a experiência vivida uma perspectiva do pensamento de Husserl e de Merleau Pontye - FM Botucatu/UNESP. 2009. p.10 SANMARTIN, Stela Martins. Arqueologia da criação artística. Vestígio de uma gênese: o trabalho artístico em seu movimento. Campinas, 2004. p. 133 VASQUEZ, Pedro Afonso. A fotografia morreu. Viva a Fotografia!. Rio de Janeiro, 2013. p. 8. VELHO, Luiz. “Vizualização e computação gráfica”. In DOMINGUES, Diana. A arte no século XXI: A Humanização das Tecnologias. São Paulo. Fundação Editora da Unesp, 1997. p. 113-115. SITES
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    71 A fotografia domovimento, Anton Giulio Bragaglia. Disponível em: <http://traduzirfantasmas.wordpress.com/2011/11/14/a-fotografia-do-movimento/>. Acesso em: 04/05/2014. Árvores que pulsam, a arte da “cineclubista” Roberta Carvalho. Disponível em: <http://marvadacarne.wordpress.com/2014/01/25/arvores-que-pulsam-a-arte-da-cineclubista- roberta-carvalho/>. Acesso em: 28/04/2014 Facebook tem mais de 350 milhões de fotos postadas por dia. Disponível em: <http://tecnologia.terra.com.br/internet/facebook-tem-mais-de-350-milhoes-de-fotos- postadas-por-dia,d907f4ca57c21410VgnVCM20000099cceb0aRCRD.html>. Acesso em: 05/05/2014 Fenomenologia da percepção / Maurice Merleau-Ponty ; [tradução Carlos Alberto Ribeiro de Moura]. - 2- ed. - São Paulo: Martins Fontes, 1999. - (Tópicos). Disponível em: <http://pt.scribd.com/doc/43625077/Maurice-Merleau-Ponty-Fenomenologia-da-Percepcao>. Acesso em: 02/03/2014. Fotografia (arte). In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2014. Disponível em: <http://www.infopedia.pt/$fotografia-(arte)>. Acesso em: 03/02/2014. Homepage do artista Thomas Barbey. Disponível em: <http://thomasbarbey.com/>. Acesso em: 03/03/2014 O Artista – Thomas Barbey. Disponível em:<http://maytepiragibe.com/o-artista-thomas- barbey/>. Acesso em: 03/03/2014 O que é memória? Disponível em: <http://pt.shvoong.com/medicine-and- health/neurology/1617140-que-%C3%A9-mem%C3%B3ria/#ixzz2s20MEVZE>. Acesso em: 04/02/2014. O que vem a rede. Disponível em: <http://o-que-vem-a- rede.blogspot.com.br/2012/06/retratos-pintura-e-ilustracao-de-russ.html>. Acesso em: 04/02/2014. Uma imagem vale mais que mil palavras? Erradooooo… Disponível em: < http://www.filosofix.com.br/blogramiro/?p=111>. Acesso em: 06/05/2014.