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UNIVERSIDADE FEDERAL DORIO GRANDE DO NORTE
CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS, LETRAS E ARTES
CENTRO DE ENSINO SUPERIOR DO SERIDÓ
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM GEOGRAFIA – MESTRADO PROFISSIONAL
JESSIANE DANTAS FERNANDES
O JOGO DE TABULEIRO NO ENSINO DE GEOGRAFIA: a
partir de sequência didática sobre o meio ambiente do
Seridó Potiguar para o Ensino Fundamental - Anos Iniciais
CAICÓ/RN
2022
2.
2
UNIVERSIDADE FEDERAL DORIO GRANDE DO NORTE
CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS, LETRAS E ARTES
CENTRO DE ENSINO SUPERIOR DO SERIDÓ
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM GEOGRAFIA – MESTRADO PROFISSIONAL
JESSIANE DANTAS FERNANDES
O JOGO DE TABULEIRO NO ENSINO DE GEOGRAFIA:
proposta a partir de sequência didática sobre o meio ambiente
do Seridó Potiguar para o Ensino Fundamental - Anos Iniciais
Relatório técnico-científico acompanhado de
produtos educacionais, apresentado ao Programa
de Pós-Graduação da Universidade Federal do Rio
Grande do Norte, Centro de Ensino Superior do
Seridó, Mestrado Profissional em Geografia
(GEOPROF) como requisito para obtenção do título
de Mestre em Geografia.
Orientadora: Profa. Dra. Jeane Medeiros Silva.
Linha de pesquisa: Saberes Geográficos no
Espaço Escolar.
Modalidade de trabalho de conclusão:
Sequência Didática e Jogo.
CAICÓ/RN
2022
3.
3
Universidade Federal doRio Grande do Norte - UFRN
Sistema de Bibliotecas - SISBI
Catalogação de Publicação na Fonte. UFRN - Biblioteca Setorial Prof.ª. Maria Lúcia da Costa Bezerra - -CERES- - Caicó
Fernandes, Jessiane Dantas.
O jogo de tabuleiro no ensino de geografia: proposta a partir
de sequência didática sobre o meio ambiente do Seridó potiguar
para o ensino fundamental - anos iniciais / Jessiane Dantas
Fernandes. - Caicó, 2023.
166f.: il. color.
Dissertação (Mestrado) - Universidade Federal do Rio Grande do
Norte. Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes. Centro de
Ensino Superior do Seridó. Programa de Pós-Graduação em Geografia
- GEOPROF.
Orientação: Profª Drª Jeane Medeiros Silva.
1. Ensino Fundamental - Dissertação. 2. Ensino de Geografia -
Dissertação. 3. Jogo de Tabuleiro - Dissertação. 4. Sequência
didática - Dissertação. 5. Geografia (Ensino fundamental) -
Dissertação. I. Silva, Jeane Medeiros. II. Título.
RN/UF/BS CERES CDU 37.091.33-027.22:796
Elaborado por Martina Luciana Souza Brizolara - CRB-15/844
4.
4
JESSIANE DANTAS FERNANDES
OJOGO DE TABULEIRO NO ENSINO DE GEOGRAFIA:
proposta a partir de sequência didática sobre o meio ambiente
do Seridó Potiguar para o Ensino Fundamental - Anos Iniciais
Trabalho apresentado para o Exame de Defesa de Mestrado do Programa de Pós-
Graduação em Ensino de Geografia 16/12/2022, pela seguinte Banca Examinadora:
_____________________________________
Profa. Dra. Jeane Medeiros Silva
Universidade Federal do Rio Grande do Norte
(Orientadora e Presidente)
_____________________________________
Profa. Dra. Adriany de Ávila Melo Sampaio
Universidade Federal de Uberlândia
(Examinadora externa)
_____________________________________
Prof. Dr. Adriano Lima Troleis
Universidade Federal do Rio Grande do Norte
(Examinador interno)
_____________________________________
Prof. Dr. Djanní Martinho dos Santos Sobrinho
Universidade Federal do Rio Grande do Norte
(Examinador Interno)
5.
5
AGRADECIMENTOS
Agradeço a Deuspor concretizar um sonho, pela persistência e paciência para entrar
no mestrado e permanecer com ânimo e satisfação durante todo o percurso, mesmo
naqueles períodos mais difíceis, nunca pensei em desistir.
Agradeço os meus pais pelo dom da vida e pelos diversos aprendizados ao longo
dela.
Ao meu filho Alec, razão da minha existência e o motivo pelo desejo de progredir
educacionalmente e profissionalmente.
Aos irmãos e aos sobrinhos parceiros de uma vida.
À minha orientadora, Jeane Medeiros da Silva, que também foi minha primeira
professora no GEOPROF, por toda atenção e conhecimento produzido em conjunto
nessa parceria, minha gratidão!
A Djanní, meu amigo e incentivador na concretização da entrada no mestrado.
A Vagner, meu amigo de turma do mestrado, suas fotos trouxeram beleza e
encantamento para o jogo, produto deste trabalho.
A Custódio Jacinto por trazer beleza ao relatório por meio da sua arte e a Raila Mariz
pela produção dos mapas da região do Seridó Potiguar.
A todos os professores do Programa de Pós-Graduação em Ensino de Geografia
(GEOPROF), que aprimoram nossos saberes e contribuem na nossa formação
continuada. E principalmente aos professores Adriano Troiles e Ione Morais pela
participação na minha banca de qualificação, com relevantes contribuições.
Aos meus colegas que cursaram comigo este período, pela contribuição mútua.
Aos amigos queridos que vibraram comigo ao entrar no mestrado, na qualificação e
na conclusão deste trabalho.
6.
6
Sou caatinga, souSertão
Ante a seca me arquiteto
Na mais tristonha estação
Executo o meu projeto
Se a dor não me deixa escolhas
Aos ventos desprendo as folhas
Driblando as intemperanças
Logo volto a florescer
Quando a vida faz verter
Os seus pingos de esperanças
Edcarlos Medeiros
7.
7
RESUMO
Se somos umatotalidade integrada, o estudante necessita conhecer seu papel neste planeta
considerando que a fauna e a flora não são os únicos componentes do meio ambiente. Essa premissa
implica a sensibilização do aluno para a construção de um saber geográfico que ultrapasse os muros
escolares e perpasse a vida em sociedade. Nesse sentido, o ponto de partida será o lugar de vivência,
do qual o estudante poderá chegar a uma percepção sustentável do planeta e de sua própria existência.
Considerando essa concepção de realidade, questionamos: que possibilidades metodológicas, para
além das abordagens usuais, podemos ensinar e aprender lugar, região e percepção ambiental no 4º
ano do Ensino Fundamental? Como trabalhar didaticamente essas categorias no Seridó Potiguar em
aulas de Geografia? Qual a importância do lúdico no ensino-aprendizagem de Geografia? Como o
lúdico contribui para a compreensão do bioma da Caatinga a partir de seu lugar de vivência? O 4º ano
foi escolhido devido às fragilidades que este ano representa para os alunos que não são alfabetizados,
no qual consiste na possibilidade da primeira reprovação escolar e por se adequar à temática curricular
e à metodologia do jogo. Esta pesquisa, a propósito, objetivou elaborar dois produtos, denominado
Sequência Didática com um jogo de tabuleiro: o meio ambiente do Seridó Potiguar no Ensino
Fundamental de Geografia – Anos Iniciais e o outro, Jogo de Tabuleiro Geográfico do Seridó Potiguar.
Como procedimentos metodológicos, para organizar o conteúdo do currículo diversificado, utilizamos
as análises documentais da BNCC, DCRN, Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional - LDB e
do Livro de Ocorrência do Corpo de Bombeiros. A proposta produziu um jogo de tabuleiro analógico
voltado para a leitura espacial do Seridó Potiguar, priorizando os problemas do desmatamento, poluição
ambiental, e a aprendizagem da fauna e da flora caantigueira. Recuperamos características em
construção da Geografia Escolar no Ensino Fundamental – Anos Iniciais, previstas como objetos de
conhecimento da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e do Documento Curricular do Estado do
Rio Grande do Norte (DCRN), aplicáveis à região do Seridó Potiguar, como projeção para o
desenvolvimento do produto. Esses fundamentos foram aliados à sondagem do nível de conhecimento
dos estudantes-sujeitos da pesquisa (matriculados na rede pública estadual de ensino no município de
Caicó/RN), junto aos quais aplicamos a sequência e o jogo de tabuleiro. As abordagens temáticas
trabalhadas foram relacionadas a preservação, degradação, paisagens, relevo, cobertura vegetal e
caracterização de lugares. Percebemos que jogos proporcionam ludicidade e participação do discente
no ambiente de ensino-aprendizagem, potencializando a coletividade como forma de aprender e
socializar essa aprendizagem. Constatando que todas as nossas ações causam reações e impactos,
sejam positivos ou negativos, estamos perante um novo olhar para a Terra, diante de sujeitos que farão
a diferença a partir de sua localidade, com pequenas ações do dia a dia, construindo um espaço
geográfico mais equilibrado ambientalmente. Como resultado, a aplicação dos produtos se mostrou
eficaz no ensino e aprendizagem dos estudantes que contribuíram na construção desta pesquisa,
sendo possível verificar aprendizagem e interesse nas atividades sugeridas.
PALAVRAS-CHAVE: Ensino Fundamental de Geografia - Anos Iniciais. Jogo de Tabuleiro. Sequência
didática. Seridó Potiguar.
8.
8
ABSTRACT
If we arean integrated totality, the student needs to know his role on this planet, considering that the
fauna and flora are not the only environment components. This premise implies the student's awareness
of the geographic knowledge construction that goes beyond school walls and permeates life in society.
In this sense, the starting point will be the living place, from which the student will be able to reach a
sustainable perception of the planet and of his own existence. Considering this reality conception we
question: what methodological possibilities, in addition to the usual approaches, can we teach and learn
place, region and environmental perception in the 4th year of Elementary School? How to work
didactically these categories Geography classes of Seridó Potiguar? What is the ludic importance in the
teaching-learning of Geography? How does the ludic contribute to the understanding of the Caatinga
biome from where you live? This research, by the way, aimed to develop two products, called Didactic
Sequence with a board game: the environment of Seridó Potiguar in Geography Elementary School -
Initial Years and the other, Geographical Board Game of Seridó Potiguar. As methodological
procedures, to organize the content of the diversified curriculum, we used the document analysis of the
BNCC, DCRN, Law of Guidelines and Bases of National Education - LDB and the Book of Occurrence
of the Fire Department. The proposal produced an analog board game aimed at the spatial reading of
the Seridó Potiguar, prioritizing the problems of deforestation, environmental pollution, and learning
about the caantigueira (Caatinga Biome) fauna and flora. We recover characteristics under construction
of School Geography in Elementary Education - Initial Years, foreseen as objects of knowledge of the
Base Nacional Comum Curricular (National Common Curricular Base BNCC) and the Documento
Curricular do Rio Grande do Norte (Curricular Document of the State of Rio Grande do Norte DCRN),
applicable to the Seridó Potiguar region, as projection for product development. These fundamentals
were combined with the survey of the knowledge level of the research subject students (enrolled in the
state public education network in Caicó/RN), with whom we applied the sequence and the board game.
The thematic approaches worked were related to preservation, degradation, landscapes, relief,
vegetation cover and places characterization. We noticed that games provide playfulness and student
participation in the teaching-learning environment, enhancing the community to learn and socialize this
learning. Realizing that all our actions cause reactions and impacts, whether positive or negative, we
are facing a new look at the Earth, in front of individuals who will make the difference from their locality,
with small actions of the day to day, building a geographic space more environmentally balanced.
Knowing and understanding your place of living is also understanding the complexity of the whole (city,
state, country, continent and planet Earth). As a result, the application of the products proved to be
effective in the teaching and learning of the students who contributed to the construction of this research,
making it possible to verify learning and interest in the suggested activities.
KEYWORDS: Elementary Geography Teaching - Early Years. Board game. Following teaching. Seridó
Potiguar.
9.
9
LISTA DE FIGURAS
01Serra do Mulungu no período da seca 30
02 Serra do Mulungu no período chuvoso 31
03 Municípios do Seridó Potiguar 33
04 Vegetação no Seridó Potiguar em 2010 39
05 Vegetação no Seridó Potiguar em 2021 40
06 Árvore Arbórea 43
07 Árvore Arbustiva 44
08 Rios e principais reservatórios do Seridó Potiguar 46
09 Leito do Rio Seridó antes do inverno 47
10 Leito do Rio Seridó durante o inverno 48
11 Verso das Cartas do Tabuleiro Geográfico 65
12 Perguntas nas Cartas do Tabuleiro Geográfico 67
13 Tabuleiro Geográfico do Seridó Potiguar 69
14 Erros nas respostas 75
15 Resultado da partida 75
16 Registro da partida 77
10.
10
LISTA DE QUADROS
01Classificação de tipologia da Caatinga 42
02 Componentes curriculares 58
11.
11
LISTA DE GRÁFICOS
01Incêndio em áreas Florestais Rurais e Urbanas do Seridó
Potiguar
35
02 Incêndios em Lixões e Terrenos Baldios na Cidade de
Caicó-RN
37
12.
12
LISTA DE SIGLAS
ABRELPE– Associação Brasileira de Empresa de Limpeza Pública e Resíduos
Especiais
AME - Abrace o Meio Ambiente
BNCC – Base Nacional Comum Curricular
DCRN – Documento Curricular do Rio Grande do Norte
IDEMA - Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente
LDB – Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira
PNLD – Programa Nacional do Livro e Material Didático
PP – Projeto Pedagógico
SD – Sequência Didática
TEA – Transtorno do Espectro Autista
TDAH – Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade
13.
13
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO 13
1. AGEOGRAFIA ESCOLAR E O CURRÍCULO DIVERSIFICADO:
valorizando os espaços de vivências
18
1.1 Concepções da Geografia escolar no Ensino Fundamental – Anos
Iniciais
20
1.2 Sequência didática: sua importância para a produção de conteúdos e
recursos diversificados
1.2.1 Sequência didática e ludicidade
25
26
2. A REGIÃO DO SERIDÓ POTIGUAR: perspectivas da Geografia do
Ensino Fundamental – Anos Iniciais
28
2.1 Problemas ambientais do Seridó – desmatamento, água, solo e ar
34
3. AS APRENDIZAGENS GEOGRÁFICAS DESENVOLVIDAS POR MEIO
DA SEQUÊNCIA DIDÁTICA E DO JOGO DE TABULEIRO GEOGRÁFICO
DO SERIDÓ POTIGUAR
53
3.1 Sequência Didática – Recurso Educacional de Ensino 55
3.2 A importância e as potencialidades do Jogo de Tabuleiro geográfico do
Seridó Potiguar
60
3.3 Regra do jogo do Tabuleiro geográfico do Seridó Potiguar
3.3 Aplicação da Sequência Didática e do jogo de Tabuleiro geográfico do
Seridó Potiguar
62
70
CONSIDERAÇÕES FINAIS 78
REFERÊNCIAS
81
APÊNDICE
88
14.
14
INTRODUÇÃO
O meio ambiente,do qual fazemos parte, é uma totalidade integrada, pois tudo
está conectado. Assim, os educandos necessitam conhecer seu papel neste planeta,
sendo sensibilizados para a construção de um saber geográfico que ultrapasse os
muros escolares e perpasse pela vida em sociedade. Partindo do seu lugar de vivência
para chegar numa visão mais ampliada do planeta, fundamentada no pensamento
sustentável, ou seja, atender as necessidades econômicas e ambientais da
população, com um controle necessário para não comprometer o futuro, tendo
responsabilidade do que se retira do meio ambiente.
Vivemos uma crise ambiental sem precedentes, que exige novos modelos de
convivência com os recursos naturais e, portanto, com a natureza. Considerando essa
concepção de realidade, questionamos: que possibilidades metodológicas, para além
das abordagens usuais, podemos ensinar e aprender lugar, região e percepção
ambiental no 4º ano do Ensino Fundamental – Anos Iniciais? Como trabalhar
didaticamente essas categorias no Seridó Potiguar em aulas de Geografia? Qual a
importância do lúdico no ensino-aprendizagem de Geografia? Como o lúdico contribui
para a compreensão do bioma da Caatinga a partir de seu lugar de vivência? O 4º ano
foi escolhido devido às fragilidades que este ano representa para os alunos que não
são alfabetizados/letrados, no qual consiste na possibilidade da primeira reprovação
escolar, e por ser o ano que se adequa à abordagem do currículo diversificado e à
proposta metodológica.
Na perspectiva de contribuir com a metodologia do Ensino de Geografia no
Ensino Fundamental - Anos Iniciais e sistematizar uma abordagem entre espaço
geográfico e problemas ambientais, criamos, nesta pesquisa, objetos de ensino e
aprendizagem para ampliar as possibilidades existentes a partir de Sequência
Didática (recurso educacional de ensino), e um jogo analógico de tabuleiro geográfico
(recurso educacional de ensino e de aprendizagem), com recorte espacial na região
15.
15
do Seridó Potiguar1.Aplicamos os produtos desenvolvidos para verificar a
funcionalidade e quais as contribuições no desenvolvimento do ensino e
aprendizagem junto aos estudantes. Como procedimentos metodológicos, utilizamos
as análises documentais da BNCC, DCRN, Lei de Diretrizes e Bases da Educação
Nacional - LDB e do Livro de Ocorrência do Corpo de Bombeiros. Nosso aporte teórico
para o Ensino de Geografia fundamentou-se prioritariamente em Callai (2004),
Cavalcanti (2008) e Straforini (2004; 2022), na sequência didática de acordo com
Zabala (1998), o jogo e a aprendizagem na concepção de Kishimoto (1999), Piaget
(1971) e Libâneo (1991), dentre outros.
Nesse contexto, os jogos de tabuleiro permeiam a ludicidade humana, uma
forma de brincadeira que contém aprendizado na troca de informações e
conhecimento. Ajudam no fortalecimento da concentração, da atenção, do raciocínio
lógico e se apresentam como recursos pedagógicos promissores também para o
Ensino de Geografia. Além disso, contribuem para a socialização do sujeito,
ensinando-o a compreender e obedecer às regras, conviver em grupo, ouvir e analisar
o outro, desenvolver habilidades e autonomia. Desde a Educação Infantil, o brincar se
faz presente como um dos seis direitos2 de aprendizagens que necessitam ser
desenvolvidos nessa etapa de ensino, indicados pela Base Nacional Comum
Curricular (BNCC), contribuindo na construção da identidade e da subjetividade das
crianças. Na ambiência escolar, a ludicidade, compreendida como uma atividade de
entretenimento, ligada ao brincar, quando presente na escolarização torna mais rápida
e compreensível a aprendizagem nas crianças, pois amplia o seu cognitivo.
Nesse sentido, o conhecimento e o brincar caminharam juntos na proposta
deste trabalho, que objetivou elaborar dois produtos, denominados Sequência
Didática com um jogo de tabuleiro: o meio ambiente do Seridó Potiguar no Ensino
Fundamental de Geografia – Anos Iniciais e Jogo de Tabuleiro Geográfico do Seridó
Potiguar, ambos problematizando o espaço geográfico no contexto curricular do 4º
1
A pesquisa foi submetida pelo Comitê de Ética da Pesquisa, pelo Parecer CEP n. 5.529.295, de 15
de junho de 2022.
2
Os seis direitos de aprendizagem: conviver, brincar, participar, explorar, expressar e conhecer-se.
.
16.
16
ano do EnsinoFundamental – Anos Iniciais, componente curricular de Geografia. Para
isso, definimos os seguintes objetivos específicos:
1. Analisar a Geografia Escolar do Ensino Fundamental – Anos
Iniciais, correlacionando com os objetos de conhecimento da
BNCC e do Documento Curricular do Estado do Rio Grande
do Norte (DCRN) para pensar o currículo diversificado
quanto aos conteúdos em proposição;
2. Caracterizar os problemas ambientais do Seridó Potiguar
referente ao desmatamento, a água, o solo e outros, e
constituí-los como objeto de aprendizagem;
3. Aplicar a Sequência Didática e o jogo de Tabuleiro
geográfico do Seridó Potiguar, considerando o nível de
conhecimento identificado sobre o espaço geográfico de
estudantes do 4º ano do Ensino Fundamental – Anos
Iniciais, em uma escola da rede pública estadual de ensino
em Caicó/RN.
Os produtos desta pesquisa procuraram colaborar na compreensão dos
conceitos relacionados à observação do entorno em que vive os alunos do Seridó
Potiguar (especificamente de Caicó/RN, nosso espaço empírico), perceber como a
ação humana interfere nas paisagens e nas nossas vidas, pois somos parte do meio:
a natureza e o ser humano são indissociáveis.
Apesar de viverem no mesmo local, a percepção do lugar é diferente de um
estudante para outro, pois se trata de uma espacialização que advém das referências
de vida, de cultura, de estímulos e conhecimentos prévios. A construção de um sujeito
engloba uma realidade histórica, memória ancestral de episódios que produzem
sentido de pertencimento a um determinado lugar. É uma forma de trazer as
competências sociais do senso comum (conceitos do cotidiano) para sistematizá-las
na escola (conceitos científicos), alinhando-os a outras perspectivas, tais como os
quatros pilares da educação indicados pela Unesco: aprender a conhecer, aprender a
fazer, aprender a viver juntos, aprender a ser (DELORS, 2003, p. 89).
O bioma da Caatinga, presente na região do Seridó Potiguar, perpassa o
currículo diversificado para desenvolvimento das competências escolares propostas.
17.
17
Entendemos por competênciaos conhecimentos e as habilidades mobilizados nas
práticas da vida real, orientados por um pensamento crítico, em acordo com Brasil
(2018, p. 8).
O jogo desenvolvido é voltado para a leitura espacial, necessária para entender
a região do Seridó Potiguar na perspectiva da conservação e degradação da natureza,
na habilidade EF04GE113 da BNCC, com base no pensamento geográfico. Cavalcanti
(1988, p. 11) afirma que o pensamento geográfico auxilia na formação do cidadão
crítico, pois conhecendo o mundo, seus fenômenos espaciais, o estudante consegue
compreender relações entre as escalas local e mundial.
A geração Alpha, objeto desta pesquisa, nascida neste meio totalmente
tecnológico e nomeados de nativos digitais (mesmo com as contradições de um modo
de produção que se especializa com desigualdades e exclusão), tem na tecnologia o
progresso e as possibilidades oferecidas que são inegáveis, devido aos diversos
estímulos. Porém, precisamos proporcionar uma maior socialização entre os pares,
pois muitas vezes as crianças ficam imersas em seus aparelhos eletrônicos, no mundo
digital, esquecendo do mundo real, principalmente, no tempo pandêmico do Covid-19
(SARS-CoV-2), quando foram privadas de ir à escola, frequentar parques, brincar ao
ar livre com seus amigos.
Buscar alternativas para resgatar a socialização presencial entre os estudantes,
pausada em março de 2020, durando mais de um ano no Ensino Remoto, nos
impulsionou a procurar, na prática pedagógica, espaço para se trabalhar habilidades
socioemocionais como empatia, autoconfiança e curiosidade para aprender. Este
resgate deve ser contínuo no retorno presencial (e em todo o fazer pedagógico),
considerando o trabalho ordinário destas habilidades; portanto, aumentar a
socialização e a construção da identidade, que são suas marcas, suas impressões de
suas vivências, seu entorno social (regional e cultural, territoriais, religião, social,
política) entre os discentes, trazendo o constante crescimento social.
A proposta geográfica presente na Sequência Didática e no jogo de Tabuleiro
Geográfico do Seridó Potiguar pretendeu colaborar na compreensão das
particularidades referente ao lugar de vivência dos estudantes. A narrativa descrita no
3
Identificar as características das paisagens naturais e antrópicas (relevo, cobertura vegetal, rios etc.)
no ambiente em que vive, bem como a ação humana na conservação ou degradação dessas áreas.
18.
18
jogo de tabuleirodurante a partida, no tocante às regras, as tentativas, os erros, a
diversão, a interatividade trazem consigo a motivação e o envolvimento dos alunos
numa aprendizagem lúdica e significativa da Geografia e dos espaços cotidianos.
Então, como inserir esse jogo de forma produtiva para o processo de ensino e
aprendizagem de Geografia em sala de aula?
Nesse relatório, o percurso da pesquisa foi dividido em três capítulos que se
integraram. O primeiro capítulo intitulado, A Geografia e o currículo diversificado:
valorizando os espaços de vivências, apresenta um breve relato da geografia escolar
e a parte diversificada do currículo. O segundo capítulo, A região do Seridó Potiguar:
perspectivas da Geografia do Ensino Fundamental – Anos Iniciais discorre sobre os
problemas ambientais da região. O terceiro capítulo, As aprendizagens geográficas
desenvolvidas por meio da Sequência Didática, Caatinga no Seridó Potiguar e do jogo
de Tabuleiro geográfico da Região do Seridó Potiguar apresenta as possibilidades do
lúdico na aprendizagem dos alunos e a aplicabilidade da sequência didática e do jogo
consiste a experiência vivida na Escola Estadual Vilagran Cabrita, na cidade de
Caicó/RN, no turno vespertino do 4º ano do Ensino Fundamental – Anos Iniciais.
19.
19
CAPÍTULO 1
A GEOGRAFIAESCOLAR E O CURRÍCULO DIVERSIFICADO:
valorizando os espaços de vivências
A leitura do mundo precede a leitura das palavras.
(Paulo Freire)
Este capítulo apresenta algumas leis que orientam a Educação Básica
brasileira, a importância de compreender as diferenciações entre o currículo comum
e o currículo diversificado, contextualiza o conhecimento da Geografia Escolar na
prática docente como uma contribuição do fazer pedagógico dos professores que
atuam no Ensino Fundamental – Anos Iniciais e a relevância da Sequência Didática
como recurso pedagógico no Ensino de Geografia. Assim, neste capítulo, valorizamos
a importância dos espaços de vivências que deve estar proposto no currículo
diversificado de cada escola por meio do Projeto Pedagógico e apresentamos uma
breve imersão nas contribuições possíveis da Geografia Escolar para a formação do
estudante; no seguinte, discorremos sobre os problemas ambientais da região do
Seridó Potiguar.
A educação é um direito de todos, como está previsto na Constituição Federal
de 1988, no seu Art. 205. As leis educacionais, como a LDB, alinhada com a
Constituição Federal, primam por três finalidades na educação, o pleno
desenvolvimento do educando, ou seja, o seu desenvolvimento integral (social, físico,
cognitivo, emocional); seu preparo para o exercício da cidadania, que significa tornar-
se um cidadão conhecendo e compreendendo seus direitos e deveres, saber viver em
sociedade; e por último a qualificação para o trabalho no tocante às aprendizagens e
habilidades para desenvolver uma futura profissão.
Na atualidade contamos com a BNCC, uma política educacional que busca
orientar os currículos em nível nacional, enfatizando a educação integral,
aprendizagens essenciais (conhecimentos, habilidades, atitudes, valores e a
capacidade de os mobilizar, articular e integrar) e competências comuns aos
20.
20
estudantes no territórionacional. Destacamos a necessidade de compreender que
BNCC não é currículo, ela direciona e normatiza a parte comum do currículo.
BNCC e currículos têm papéis complementares para assegurar as
aprendizagens essenciais definidas para cada etapa da Educação Básica,
uma vez que tais aprendizagens só se materializam mediante o conjunto de
decisões que caracterizam o currículo em ação (BRASIL, 2018, p. 16).
O currículo escolar se constitui de muitas vertentes, é contextualizado nos
aspectos regionais, locais, históricos, econômicos, sociais e políticos. O currículo e a
proposta pedagógica norteiam os caminhos da aprendizagem nas competências,
ações e papéis desenvolvidos na escola (EYNK, 2010, p. 9).
O currículo é uma práxis antes que um objeto estático emanado de um
modelo coerente de pensar a educação ou as aprendizagens necessárias das
crianças e dos jovens, que tampouco se esgota na parte explícita do projeto
de socialização cultural nas escolas. É uma prática, expressão, da função
socializadora e cultural que determinada instituição tem, que reagrupa em
torno dele uma série de subsistemas ou práticas diversas, entre as quais se
encontra a prática pedagógica desenvolvida em instituições escolares que
comumente chamamos ensino (SACRISTÁN, 2000, p. 15).
Nesse contexto, ressaltamos a parte diversificada do currículo que fornece
subsídios para inserir as especificidades e particularidades existentes no dia a dia das
escolas, na distinção de uma escola para outra levando em consideração suas
características em harmonia com o currículo comum, apresentado na LDB em seu
Artigo 26º:
Os currículos da educação infantil, do ensino fundamental e do ensino médio
devem ter base nacional comum, a ser complementada, em cada sistema de
ensino e em cada estabelecimento escolar, por uma parte diversificada,
exigida pelas características regionais e locais da sociedade, da cultura, da
economia e dos educandos. (Redação dada pela Lei nº 12.796, de 2013).
Dessa forma, há um acréscimo ao currículo comum, pois as escolas têm suas
singularidades, mesmo as que estão no mesmo bairro, por isso a necessidade de
diversificar o currículo, atendendo às demandas de cada uma. É também uma maneira
de valorizar o que temos, o que somos, o que está presente no nosso lugar de origem
ou vivência, sobre desenvolver pertencimento a determinado lugar, seja no âmbito da
cultura, cheiros, sons, paisagens, relevo etc.
O que estamos propondo é que se evidenciem, no currículo, a construção
social e os rumos subsequentes dos conhecimentos, cujas raízes históricas
e culturais tendem a ser usualmente “esquecidas”, o que faz com que
costumem ser vistos como indiscutíveis, neutros, universais, intemporais.
Trata-se de questionar a pretensa estabilidade e o caráter aistórico do
21.
21
conhecimento produzido nomundo ocidental, cuja hegemonia tem sido
incontestável. Trata-se, mais uma vez, de caminhar na contramão do
processo de transposição didática, durante o qual usualmente se costumam
eliminar os vestígios da construção histórica dos saberes. (MOREIRA;
CANDAU, 2007, p. 36).
A Geografia é uma parte integrante da estrutura curricular da escola. Nessa
perspectiva, esta pesquisa e produtos didáticos orientam-se por um caminho possível
para complementar as particularidades existentes na região do Seridó Potiguar,
buscando retratar a identidade desta região. Contemplando a BNCC, o DCRN e a
parte diversificada do currículo, que deve direcionar 30% do currículo para as
singularidades do seu município, como a sua cultura, o seu entorno, o seu bioma, a
sua região, a sua identidade, inserindo novos conteúdos a partir de suas
características enquanto recorte da sociedade. Contribui, portanto, para a formação
cidadã do sujeito, considerar a realidade do aluno, que precisa ser pensada e
potencializada pedagogicamente.
A partir da experiência profissional, por mais de uma década, observou-se que
na região do Seridó potiguar os estudantes que tive contato dos Anos Iniciais, mesmo
convivendo com o bioma da Caatinga, não conheciam objetivamente a fauna e a flora
local, ou percebiam os impactos ambientais como partícipes de sua realidade. Poucos
sabiam algumas informações relacionadas à vegetação, aos animais e problemas
ambientais; geralmente as crianças que vivem na zona rural tinham mais
conhecimento nessa perspectiva, pois foram repassados de pais para filhos e
conviviam de forma mais direta com a área verde presente em sua localidade de
vivência. Porém, a relação dessa fauna e flora não eram relacionadas ao bioma da
Caatinga, parecendo que esses conhecimentos são percebidos com a distância que
inferem, frequentemente, com os conteúdos sistematizados na escola.
1.1 Concepções da Geografia escolar no Ensino Fundamental - Anos Iniciais
A Geografia permite uma ampliação da leitura do mundo a partir do entorno da
escola, do espaço vivido, da cultura, da religião, da política, do território, da economia,
revelando as vivências diretas e indiretas dos sujeitos, construindo seu próprio espaço
de vida de forma reflexiva e crítica. Assim, sua importância alia-se a seu papel de
22.
22
aprendizagem e reflexãoescolar também nos períodos da alfabetização e letramento,
e nos Anos Iniciais como um todo, direcionando seus objetivos para esse nível da
educação escolar, atingindo as habilidades e competências que os estudantes devem
desenvolver em cada período escolar:
A Geografia escolar não se ensina, ela se constrói, ela se realiza. Ela tem um
movimento próprio, relativamente independente, realizado pelos professores
e demais sujeitos da prática escolar que tomam decisões sobre o que é
ensinado efetivamente. Assim, a escola é e pode ser importante espaço para
promover a discussão e a avaliação desse conhecimento (CAVALCANTI,
2008, p. 28).
Na concepção de Straforini (2022, p. 177), “a Geografia Escolar tem um papel
ímpar na leitura reflexiva e crítica do mundo contemporâneo quando seus conceitos e
procedimentos metodológicos são acionados pelos estudantes”. Desse modo, a
criticidade advinda do conhecimento perante as relações dialógicas exprime-se na
perspectiva de Freire (2001, p. 83), quando afirma: “a escola que estimula o aluno a
perguntar, a criticar, a criar; onde se propõe a construção do conhecimento coletivo,
articulando o saber popular e o saber crítico, científico, mediados pelas experiências
no mundo”. Essa escola cumpre o seu papel perante o pleno desenvolvimento do
educando, como recomenda a LDB.
É perceptível o quanto o ensino da Geografia na Educação Básica avançou nas
últimas décadas; até seu passado recente, notava-se uma perspectiva
majoritariamente descritiva e fragmentada do currículo. Atualmente, procuramos uma
formação discente em outros termos, sobretudo analítico-crítico, apesar de alguns
retrocessos que percebemos na nova orientação geral da BNCC (mudança da
concepção de crítica, desconstrução da coletividade em favor de uma individualidade,
dentre outros).
As Ciências Humanas, na BNCC, contemplam noções de tempo e espaço, “o
raciocínio espaço-temporal baseia-se na ideia de que o ser humano produz o espaço
em que vive, apropriando-se dele em determinada circunstância histórica” (BRASIL,
2018, p. 353), o estudante é um ser histórico e traz consigo conhecimentos prévios de
sua vivência. O papel da Geografia segundo Straforini (2022, p.178):
Consiste em proporcionar aos alunos a formação na perspectiva do cidadão,
que busque sempre a justiça e a equidade social a partir do processo de
reflexão crítica sobre os fenômenos e eventos espaciais em suas múltiplas e
indissociáveis escalas de análise, isto é, considerando o que está próximo
(local) e o longínquo (global) como partes de um todo indissociável. Trata-se
23.
23
de operar comum conjunto de conhecimentos que atua e desenvolve formas
de raciocínio geográfico.
De acordo com a pedagogia funcional de Dewey, quando este autor
fundamenta a observação e a interpretação do mundo que nos rodeia para
aprendizagem dos estudantes com atividades que interessem e tenham sentido para
eles (ALTET, 1997, p. 33), o professor torna-se mediador do processo de ensino-
aprendizagem e os estudantes tornam-se protagonistas.
Nesse sentido, Morin (2003, p. 20) afirma que “A reforma do ensino deve levar
à reforma do pensamento, e a reforma do pensamento deve levar à reforma do
ensino”. A criança percebe seu espaço e ao longo de seu crescimento físico e
cognitivo sua compreensão se modifica, associando novos conhecimentos
sistematizados na escola, buscando o pensamento crítico. O espaço vivido é
fundamental para o desenvolvimento do ser humano é nele que a criança se
desenvolve no processo de mudança social. Para Santos (2008, p. 63), o espaço é:
O conjunto indissociável de sistemas de objetos (redes, técnicas, prédios,
ruas) e de sistemas de ações (organização do trabalho, produção, circulação,
consumo de mercadorias, relações familiares e cotidianas) que procura
revelar as práticas sociais dos diferentes grupos que nele produzem, lutam,
sonham, vivem e fazem a vida caminhar.
Nessa perspectiva, Callai (2005, p. 228) expõe que a leitura do mundo pode (e
necessariamente deve) ser realizada pela leitura espacial; com esta podemos
encontrar as marcas da vida humana. Desde a Educação Infantil, as crianças iniciam
esse processo, a princípio relatando o espaço da sua casa, da escola, da rua, da
praça, e à medida que crescem, aumentam a percepção do espaço, da autonomia e
da diversidade de saberes na escala local, regional e global:
Ler o mundo da vida, ler o espaço e compreende que as paisagens que
podemos ver são resultados da vida em sociedade, dos homens na busca da
sua sobrevivência e da satisfação das suas necessidades. Em linhas gerais,
esse é o papel da geografia na escola. Refletir sobre as possibilidades que
representa, no processo de alfabetização, o ensino de geografia, passa a ser
importante para quem quer pensar, entender e propor a geografia como um
componente curricular significativo (CALLAI, 2005, p. 228).
A leitura espacial iniciada pelo estudante, a partir da Educação Infantil
continuada nos Anos Iniciais, cria possibilidades para que perceba e compreenda o
espaço no qual está inserido em experiências distintas das vivências cotidianas. Tem-
24.
24
se origem nosdirecionamentos para o Ensino da Geografia, buscando de forma
sistemática a construção social do sujeito.
Com a implementação da BNCC, a Educação Infantil foi organizada em
Campos de experiência. Nessa organização, o campo Espaço, tempos, quantidades,
relações e transformações explora características do mundo natural e social, situando-
as em diversos espaços e tempos (BRASIL, 2018, p. 42), iniciando a sistematização
educacional dos espaços e das transformações naturais e sociais, que prossegue na
próxima etapa da Educação Básica. No Ensino Fundamental a proposta é
contextualizada pelas noções de tempo e espaço, “o vivido é aqui considerado como
espaço biográfico, que se relaciona com as experiências dos alunos em seus lugares
de vivência” (BRASIL, 2018, p. 355). Por outro lado,
O raciocínio espaço-temporal baseia-se na ideia de que o ser humano produz
o espaço em que vive, apropriando-se dele em determinada circunstância
histórica. A capacidade de identificação dessa circunstância impõe-se como
condição para que o ser humano compreenda, interprete e avalie os
significados das ações realizadas no passado ou no presente, o que o torna
responsável tanto pelo saber produzido quanto pelo controle dos fenômenos
naturais e históricos dos quais é agente (BRASIL, 2018, p. 353).
Quando compreendemos a dinâmica do lugar onde vivemos, podemos ampliar
esse pensamento, fazendo as ligações com o meio externo e entendendo a
espacialidade de uma região, de um país e de um continente: “O pensamento espacial
está associado ao desenvolvimento intelectual que integra conhecimentos não
somente da Geografia, mas também de outras áreas (como Matemática, Ciência, Arte
e Literatura)” (BRASIL, 2018. p. 359). Já o raciocínio geográfico é o exercício do
pensamento espacial para “compreender aspectos fundamentais da realidade: a
localização e a distribuição dos fatos e fenômenos na superfície terrestre, o
ordenamento territorial, as conexões existentes entre componentes físico-naturais e
as ações antrópicas” (BRASIL, 2018. p. 359).
A sociedade, organizada por nós ao longo do tempo, traz consigo suas
particularidades, sua cultura, havendo um “caráter de espacialidade em toda prática
social, assim como há um caráter social da espacialidade” (CAVALCANTI, 1998, p.
11). Essa historicidade, vivenciada pelo sujeito, mais a educação escolar direcionada
para o ensino e a aprendizagem, possibilita a formação de um cidadão crítico e
colabora na construção da sua identidade.
25.
25
A Geografia tambémtem seu período de alfabetização e letramento. No
primeiro, quando há uma codificação dos símbolos, aprendemos a ler as palavras e
seus significados e sentidos, porém é preciso um tempo maior para compreensão da
junção dessas palavras por meio de leitura e interpretação, só então estaremos
letrados. No segundo, o estudante pode conhecer as formas de relevo, de bacias
hidrográficas, mas quando esse conhecimento não tem conexão, ele está apenas
alfabetizado, para chegar ao letramento é necessário que compreenda o conjunto,
como relevo, bacias hidrográficas e desmatamento conversam entre si – isto é, que
se familiariza com os processos e as dinâmicas espaciais. Uma vez que tudo está
conectado. Desenvolver o pensamento geográfico é compreender que somos parte
do todo, nossas atitudes influenciam no desdobramento positivo ou negativo de um
lugar e que o mundo está em constante transformação (CAVALCANTI, 1988, p. 11).
Logo, a relação das pessoas com a natureza define a forma que percebemos
um determinado lugar; Morin (2003, p. 95) afirma que “os indivíduos humanos
produzem a sociedade nas interações e pelas interações, mas a sociedade, à medida
que emerge, produz a humanidade desses indivíduos, fornecendo-lhes a linguagem e
a cultura”. Dessa maneira, as mudanças que ocorrem a partir da educação podem
resultar não só na forma como a sociedade se apropria de um lugar, mas na forma
com que os sujeitos se relacionam com o lugar e o meio no qual estão inseridos, pois
“a história não se escreve fora do espaço, e não há sociedade a-espacial. O espaço,
ele mesmo, é social” (SANTOS, 1982, p. 10). Resende (1986, p. 20) afirma que
quando não fazemos o estudante perceber-se no espaço, o meio natural que ele ajuda
a modificar, seja na forma positiva ou negativa, perde-se a essência geográfica do
sujeito.
Embora a natureza não se confunda inteiramente com a sociedade, ela está,
ao mesmo tempo, na sociedade (a materialidade da natureza transformada
pelas relações sociais); e, quanto à sociedade, mesmo que ela não se
confunda inteiramente com a natureza, ela está, ao mesmo tempo, na
natureza (a ideia de natureza como cultural e historicamente produzida)
(SOUZA, 2013, p. 29).
No ensino da Geografia, segundo Straforini (2004, p.56), a função da Educação
é exibir as contradições existentes na sociedade a partir do espaço, e perante sua
compreensão o surgimento dos questionamentos relacionados à existência humana.
26.
26
1.2 Sequência didática:sua importância para a produção de conteúdos e
recursos diversificados
O livro didático tem sua contribuição no ensino de Geografia, porém é
impossível contemplar as particularidades de cada região, o Brasil tem uma extensão
territorial enorme, com diversidades de espaços, paisagens e sujeitos. Mesmo não
devendo ser o único recurso didático disponível, o livro auxilia o docente no seu fazer
pedagógico; Silva (2006, p. 35) afirma que “o livro tem importância relativa no sistema
de ensino, porque há desde professores que tem o livro como condutor central de sua
atividade (e alunos que têm nesse material o meio mais privilegiado de aquisição de
informações e saber formal) até o contrário disso”. O livro didático, portanto, deve
conviver na escola com outras possibilidades didáticas de ensino e aprendizagem,
sobretudo quando alcançam aquelas escalas difíceis de serem abordadas pelo livro
didático, como o lugar, a microrregião, o município.
Essas alternativas didáticas perpassam pela pesquisa e pela produção
docente. Dentre elas, a Sequência Didática. Segundo Dubeux e Souza (2012, p. 27),
a SD “consiste em um procedimento de ensino, em que um conteúdo específico é
focalizado em passos ou etapas encadeadas, tornando mais eficiente o processo de
aprendizagem”. Ela organiza metodologicamente a sequência de uma aula para outra,
a finalidade e a execução das atividades a serem desenvolvidas com os estudantes.
Segundo Zabala (1998, p. 53):
os tipos de atividades, mas sobretudo sua maneira de se articular, são um
dos traços diferenciais que determina a especificidade de muitas propostas
didáticas. Evidentemente, a exposição de um tema, a observação, o debate,
as provas, os exercícios, as aplicações, etc., podem ter um caráter ou outro
segundo o papel que se atribui, em cada caso, aos professores e alunos, à
dinâmica grupal, aos materiais utilizados, etc.
A SD necessita ser bem planejada, com o tema a ser desenvolvido e as aulas
devem proporcionar a participação ativa dos alunos como protagonista, levando em
consideração seus conhecimentos prévios, especificamente para este trabalho os
espaços de vivências dos estudantes. As diferentes formas de intervenção colaboram
na diversidade empregada numa aula, aumentando as possibilidades de
aprendizagens.
27.
27
1.2.1 Sequência didáticae ludicidade
A Geografia, interdisciplinarmente, nos Anos Iniciais trabalha com leitura,
escrita, gráficos, história de lugares e vivências, conduz abordagem didático-
metodológica; desse fazer, selecionamos nesta pesquisa a ludicidade, com a qual
objetivamos trazer o Seridó Potiguar para os espaços de ensino, valorizando a
existência de um povo e, mais que isso, a realidade objetiva e subjetiva desses
estudantes. Para Zabala (1998, p. 53):
o parcelamento da prática em diversos componentes tem certo grau de
artificialidade, unicamente explicável pelas dificuldades que representa
encontrar um sistema interpretativa que permita, ao mesmo tempo, o estudo
conjunto e interrelacionado de todas as variáveis que incidem nos processos
educativos.
No 4º ano do Ensino Fundamental – Anos Iniciais a criança tem idade média
de nove anos, portanto está no período da Operação Concreta4, o terceiro estágio de
acordo com a teoria Piagetiana, etapa que antecede o período abstrato; nesta fase
acontece um crescente desenvolvimento do pensamento lógico, o que melhora a
sistematização dos conhecimentos.
Atlet (1997, p. 19) diz que “os determinantes da aquisição dos conhecimentos
não estão nem no objecto único, nem no sujeito, nem ligados à preponderância de um
ou de outro, mas numa interação do sujeito e do objecto”. Os dois recursos
pedagógicos são elementos sistematizados que criam hipóteses e estratégias para
resolução de problemas reais e respeitam o nível de maturidade e conhecimento dos
estudantes.
Nessa perspectiva, Libâneo (1991, p. 91) afirma que “a aprendizagem é uma
forma de conhecimento humano – relação cognitiva entre aluno e matéria de estudo
– desenvolvendo-se sob as condições específicas do processo de ensino. O ensino
não existe por si mesmo, mas na relação com a aprendizagem”. Ao desenvolver esse
processo pedagógico aumentamos a autonomia e o desenvolvimento da criança que
experimenta novas situações de ensino-aprendizagem e estabelece relações sociais
4
Estágio que é adquirido entre os sete e onze anos de idade, a maturidade biológica nesse período
propicia o entendimento das regras.
28.
28
mais prazerosas, tornando-separte da sua consciência cidadã a ser lapidada ao longo
do seu desenvolvimento educacional:
Para uma informação se fixar de forma definitiva no cérebro, ou seja, para
que se forme o registro ou traço permanente, é necessário um trabalho
adicional. Os estudos da psicologia cognitiva indicam que, nesta fase, são
importantes os processos de repetição, elaboração e consolidação
(COSENZA, 2011, p. 62).
De acordo com a proposição de Conseza (2011, p. 62), tem-se, como fatores
relevantes de aprendizagem, a repetição do uso da informação (adaptação), a
elaboração da informação por meio da associação com registros anteriores da própria
memória (assimilação) e a consolidação das informações (aprendizagem final).
Dessa forma, o abstrato que passa a ser absorvido pela criança nessa idade
escolar, quando associado ao lúdico, potencializa a compreensão das temáticas
apresentadas. Como as habilidades cognitivas de entender que o desmatamento, as
queimadas e o lixo têm conexão com a poluição ambiental, em si um conceito abstrato.
O lúdico proporciona uma maior qualidade na demonstração das ideias, prazer
e diversão por intermédio de diversos recursos didáticos como brincadeiras, vídeos,
músicas etc., que devem ser inseridos na SD:
A palavra lúdico vem do latim ludus e significa brincar. Neste brincar estão
incluídos jogos, brinquedos e divertimentos e é relativo também à conduta
daquele que joga e se diverte. Por sua vez, a função educativa do jogo
oportuniza a aprendizagem do indivíduo, seu saber, seu conhecimento e sua
compreensão do mundo (SANTOS, 1997, p. 9)
O Ensino de Geografia colabora no desenvolvimento das habilidades de
reflexão, direção, motora e percepção do lugar vivido.
29.
29
CAPÍTULO 2
A REGIÃODO SERIDÓ POTIGUAR: perspectivas da Geografia
para o Ensino Fundamental - Anos Iniciais
O sertão é dentro da gente.
(Guimarães Rosa)
Uma região apresenta características vegetais, sociais, culturais, econômicas
e políticas próprias que são particulares em relação a outra localidade, perante suas
práticas sociais. Segundo Gomes (2000, p. 57), é um ponto de referência para
população que ocupa esse recorte espacial, claramente definida em sua existência,
com uma forte identidade regional, perpassando pela construção histórica de um
povo:
Uma região pode ser politicamente menos do que uma nação. Mas vital e
culturalmente é quase sempre mais do que uma nação; é mais fundamental
que a nação como condição de vida e como meio de expressão ou de criação
humana (FREYRE, 1971, p. 82)
Região, segundo Santos (1953), é uma marcação desses domínios que são
reconhecidos e diferenciados a partir de um determinado espaço geográfico: “A região
é, ao mesmo tempo, o campo empírico de observação e o campo da verificação das
relações gerais” (GOMES, 2000, p. 60). Para Souza (2013, p.147):
Os processos de formação (e alteração e dissolução) de identidades
socioespaciais em escala regional não dependem de vivência direta e
quotidiana da região como um todo; a “experiência regional” pode se dar,
muitas vezes, mediada por um compartilhamento (de um falar ou dialeto, de
certos valores, de determinadas tradições, de alguns interesses etc.) que se
sabe ou presume, com base em uma extrapolação plausível, nos contatos
esporádicos (ou regulares) com outros moradores da mesma região.
A região do Seridó Potiguar é um lugar de forte identidade cultural, localiza-se
no semiárido5 nordestino, apresentando uma grande diversidade econômica e de
5
Uma das regiões mais quentes do planeta. No período seco, a temperatura do solo pode chegar a
60º C e o sol forte acelera a evaporação das águas dos lagos e rios (SENA, 2011, p 15)
30.
30
paisagens; tem comobioma6 a Caatinga7 único exclusivamente brasileiro. Sua
vegetação tem plantas com muitos espinhos, perde as folhas no período de seca para
conter a alta transpiração e se manter viva, espécies adaptadas para uma região sem
o predomínio frequente de períodos chuvosos, tem uma variedade vasta nas
paisagens e uma suntuosa riqueza biológica, o clima é semiárido. Devido a sua
exclusividade enquanto Bioma, há espécies endêmicas8 e “aproximadamente 1.307
espécies animais, dentre as quais 327 são exclusivas da região. As pesquisas sobre
a fauna registram 178 espécies de mamíferos, 591 de aves, 177 de répteis, 79 de
anfíbios, 241 de peixes e 221 espécies de abelhas” (MCTI, 2021).
Os solos mais comuns são rasos e pedregosos, a depredação do solo é uma
realidade seridoense com a desertificação de algumas áreas e grande desmatamento;
segundo Sena (2011, p. 16), os solos são “de origem cristalina (um tipo de rocha
matriz dura e muito antiga que não favorece a acumulação de água) sendo a outra
metade representada por terrenos sedimentares, que possuem boa capacidade de
armazenamento de águas subterrâneas”. O relevo conta com serras, chapadas,
planaltos e depressão esculpidas pelo tempo levando em consideração os fenômenos
naturais como: temperatura, chuvas, ventos e umidade.
O relevo da região do Seridó Potiguar representada na Serra9 do Mulungu, no
município de São João do Sabugi-RN, o mesmo lugar com tons de cores diferentes
capturado em tempos distintos, na Figura 01 no período de estiagem, na qual
prevalece a cor esbranquiçada e na Figura 02, a transformação em tons verdes do
período chuvoso.
6
Bios: vida, e oma: massa ou grupo, pode ser definido como um espaço geográfico cujas
características são definidas pelo tipo de clima, vegetação, solo e altitude (SENA, 2011, p 7)
7
É uma palavra de origem indígena, significando mata cinza ou mata branca, pois “a maioria das
plantas, na estação seca, perde suas folhas e fica com seus troncos ‘brancos e brilhantes’, o que deu
origem a seu nome: o termo indígena cá-a (floresta), ti (branca) e o sufixo nga (que lembra)” (IDEMA,
2021).
8
Exclusiva de determinada região, não sendo encontrada em nenhuma outra parte do mundo. Cerca
de 30% das plantas encontradas na Caatinga são endêmicas. (SENA, 2011, p 19)
9
As serras são um conjunto de montanhas com altitude acima de 400 metros.
31.
31
Figura 1: Serrado Mulungu no período da seca10
Fonte: Valter Borman de Medeiros Júnior (2021)
10 A Serra do Mulungu está localizada no estado do Rio Grande do Norte, a 5 km da zona urbana do município de São João do Sabugi, sua altitude ultrapassa
os 500 metros. Seu nome tem origem num poço que existia ao pé da serra, e na proximidade havia um pé de Mulungú.
32.
32
Figura 2: Serrado Mulungu no período chuvoso
Fonte: Valter Borman de Medeiros Júnior (2021).
33.
33
As paisagens doSeridó Potiguar têm relação com o clima semiárido, com a
caatinga, com seus rios intermitentes (Seridó, Sabugi, Barra Nova Salgado e Acauã),
é um sistema integrado, ou seja, é a relação entre elementos físicos, biológicos e
antrópicos. Para Santos (1988, p. 21) “tudo aquilo que nós vemos, o que nossa visão
alcança, é a paisagem. Esta pode ser definida como o domínio do visível, aquilo que
a vista abarca. Não é formada apenas de volumes, mas também de cores,
movimentos, odores, sons etc.”. A paisagem é uma categoria da Geografia e pode ser
classificada em naturais (com elementos predominantemente da natureza), na qual
sua transformação acontece por meio dos fenômenos naturais como vento, chuva,
animais e culturais ou antrópicas (em que há o predomínio da ação humana), quando
suas transformações ocorrem por meio das intervenções de obras pela espécie
humana.
Entre outros aspectos como paisagens que causam medo, alegrias, bem-estar
ou as paisagens que trazem memórias. Elas podem ser materiais, ou seja, aquelas
que enxergamos e as que não se materializam como cheiros, temperaturas, sons).
Para Souza (2013, p. 51):
A dialética da oposição e da união entre natureza e sociedade (ou cultura) é,
ao lado de outras tantas, como a concernente aos vínculos entre rural e
urbano, ou entre autêntico (ou primitivo, ou natural, ou original/originário, ou
a autóctone, ou vernacular) e artificial, uma das que podem ser pensadas
com o auxílio da reflexão sobre as apresentações da paisagem em cada
momento histórico, em cada contexto geográfico e nos marcos de cada
imaginário específico.
O Seridó Potiguar tem relevância no sertão do estado do Rio Grande do Norte
devido às suas atividades econômicas, história, à tradição culinária, festividades, aos
bordados e à religiosidade: constitui-se de bens materiais e imateriais. Atualmente,
segundo o Sistema de Informações Territoriais compreende 25 municípios: Acari,
Bodó, Caicó, Carnaúba dos Dantas, Cerro Corá, Cruzeta, Currais Novos, Equador,
Florânia, Ipueira, Jardim de Piranhas, Jardim do Seridó, Jucurutu, Lagoa Nova, Ouro
Branco, Parelhas, Santana do Matos, Santana do Seridó, São Fernando, São João do
Sabugi, São José do Seridó, São Vicente, Serra Negra do Norte, Tenente Laurentino
Cruz e Timbaúba dos Batistas, apresentando sua configuração no mapa da Figura 03.
34.
34
Figura 3: Municípiosdo Seridó Potiguar.
Fonte: Francisco Hermínio Ramalho de Araújo (2018).
35.
35
Somos seres bio-psíquico-histórico-sociais,transformamos as paisagens por
meio de nossas ações, a própria natureza transforma as paisagens com seus
fenômenos naturais. Dessa forma, o ser humano é “[...] portanto, um ser plenamente
biológico, mas, se não dispusesse plenamente da cultura, seria um primata do mais
baixo nível. A cultura acumula em si o que é conservado, transmitido, aprendido, e
comporta normas e princípios de aquisição” (MORIN, 2002, p. 52). As memórias de
infância e juventude estão ligadas a determinadas paisagens; nem sempre essas
lembranças são positivas. A paisagem do Seridó Potiguar é dinâmica, muda de acordo
com o período de estiagem ou chuvoso.
Tuan (1983, p. 180) enfatiza que “muitos lugares, altamente significantes para
certos indivíduos e grupos, têm pouca notoriedade visual. São conhecidos
emocionalmente e não através de olhos críticos ou da mente”. O sujeito pode
contribuir nesse processo de sensibilização com suas motivações, necessidades,
conhecimentos prévios, julgamentos, humores e expectativas (FAGIONATO, 2004, p.
26). Lopes et al. (2011, p. 38), completa que a percepção se transforma, desenvolve-
se e amplia-se ao longo do tempo, em função da relação do homem com o meio. As
paisagens envolvem olhares, sentimentos, cheiros e sons.
2.1 Problemas ambientais do Seridó – desmatamento, água e solo
Existe, no Seridó Potiguar, uma vasta diversidade biológica que não são, em
geral, preservadas corretamente por causa do desmatamento, dos incêndios em
áreas florestais e urbanas, expansão das indústrias, ocupação irregular do solo
urbano, da pecuária, dentre outras ações antrópicas. De acordo com o Instituto
Nacional de Pesquisas Espaciais (2016), "entre as principais causas do
desmatamento da Caatinga estão a utilização da lenha na indústria de cerâmica no
Seridó, o processo de degradação destas áreas ocorre desde a década de 1970”.
Essas indústrias também utilizam outro recurso natural, a argila. O desmatamento
desnuda o solo, deixando-o exposto devido às técnicas inadequadas de manejo da
natureza:
36.
36
A ação antrópicaproveniente da indústria ceramista foi provavelmente o
agente majoritário responsável pelo processo de degradação das terras em
função da diminuição da cobertura vegetal. Verificam-se claramente os danos
ambientais que vão desde desmatamentos, queimadas, agricultura e retirada
de argila até outras atividades econômicas desenvolvidas de forma
inadequada, que gradativamente expõe o solo às intempéries (erosão laminar
do solo desmatado em consequência das chuvas torrenciais) deixando-o
cada vez mais vulnerável à desertificação (FERNANDES, 2009, p. 2727).
Além do desmatamento provocado pelas cerâmicas, os incêndios em áreas
florestais rurais e urbanas na Região do Seridó Potiguar aumentam o percentual de
área desmatada. Segundo o Corpo de Bombeiros Militar – Caicó-RN a quantidade de
ocorrências de combate aos incêndios nos anos de 2011 até 2021, aumentou
significativamente conforme apresentado no Gráfico 01.
Gráfico 1: Incêndio em áreas Florestais Rurais e Urbanas do Seridó Potiguar
Fonte: Corpo de Bombeiros Militar de Caicó (2022).
A Lei de Crimes Ambientais, nº 9.605/98, em seu Artigo 41, ressalta a
problemática de provocar incêndio em mata ou floresta, além da multa, pode haver
reclusão.
De acordo com a análise dos dados foi possível perceber o aumento dos
incêndios nos três últimos anos, existe um crescimento do registro das ocorrências de
combate ao incêndio a partir dos meses de agosto até dezembro, em áreas rurais a
quantidade de incêndios é maior que em áreas urbanas. Devido a esse aumento, o
0
20
40
60
80
100
120
140
160
180
200
2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019 2020 2021
37.
37
Corpo de Bombeirose o Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente
(IDEMA) têm uma operação chamada Abrace o Meio Ambiente (AME), desde 2011;
esta operação tem o objetivo de assegurar uma relação mais próxima entre os dois
órgãos para garantir um melhor desenvolvimento na prevenção e combate aos
incêndios florestais. O meio ambiente é definido por Reigota (2009, p. 14):
como o lugar determinado ou percebido onde os elementos naturais e sociais
estão em relações dinâmicas e em interação. Essas relações implicam
processos de criação cultural e tecnológica e processos históricos e sociais
de transformação do meio natural e construído.
Durante a pesquisa, o Sargento Glicério Batista dos Santos relatou (informação
verbal) que, geralmente, as causas desses incêndios são provenientes da queima do
lixo, pois não há coleta regular na zona rural como na zona urbana; as fogueiras
deixadas por caçadores, bem como a técnica das coivaras utilizada por agricultores
para limpar a área e iniciar a plantação.
Os incêndios provocam erosão e perda da absorção do solo, poluição de
nascentes e rios por meio das cinzas, extinção de espécies da fauna e da flora,
destruição de habitat natural, aumento da liberação de dióxido de carbono, uma das
principais causas do aquecimento global.
Um outro recorte sobre incêndios é registrado apenas no município de Caicó,
os incêndios em lixões e terrenos baldios, isso significa que o número é muito maior
do que contabilizamos, pois Caicó é apenas um dos 25 municípios do Seridó Potiguar,
conforme apresentado no Gráfico 02.
38.
38
Gráfico 2: Incêndiosem Lixões e Terrenos Baldios na Cidade de Caicó-RN.
Fonte: Corpo de Bombeiros Militar de Caicó (2022)
Os incêndios em lixões e terrenos baldios ferem a Lei de Crimes Ambientais,
nº 9.605/98, no Artigo 54, no qual se determina causar poluição de qualquer natureza
em níveis tais que resultem ou possam resultar em danos à saúde humana, que
provoquem a mortandade de animais e/ou a destruição significativa da flora: pena -
reclusão, de um a quatro anos, e multa.
Um dos motivos que causam esses incêndios é o descarte incorreto dos
resíduos sólidos, pois gera problemas ambientais, aumento da poluição trazendo
diversos prejuízos à saúde coletiva de quem mora no entorno desses lugares. Essas
ações antrópicas causam um impacto negativo, sendo necessário sensibilizar a
população em geral e os discentes para que reproduzam na sociedade a melhor
maneira de convivermos em harmonia com o meio ambiente, descartando
corretamente os resíduos sólidos.
O aumento dos incêndios em lixões e terrenos baldios em 2021 chama
atenção, pois ao buscar dados sobre a coleta regular do lixo realizada pela Prefeitura
Municipal de Caicó mostra que não houve alterações importantes em relação aos
anos anteriores. Inclusive há relatos e foi divulgado na imprensa local a limpeza no
entorno dos rios, cemitérios e açudes urbanos, porém poucos dias após esta ação, o
lixo volta a ficar acumulado, já aconteceu de populares atearam fogo nesses espaços,
falta sensibilização da população em relação a essa problemática (MAIS, 2021).
0
20
40
60
80
100
120
2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019 2020 2021
39.
39
A produção dosresíduos sólidos aumentou no último ano com a pandemia, pois
as entregas de refeições em domicílios em recipientes plásticos ou de isopor, o uso
de descartáveis em restaurantes, como as luvas e as máscaras descartáveis que a
população utiliza são aspectos importantes que precisam ser observados. Isso é
refletido a partir de dados de materiais reciclados durante a pandemia, pois de acordo
com a Associação Brasileira de Empresa de Limpeza Pública e Resíduos Especiais
(ABRELPE) houve um aumento de 25% a 30% na coleta destes materiais (LEÓN,
2021).
Por meio dos mapas podemos visualizar como aconteceu na última década o
desmatamento do Seridó Potiguar, demonstrados nas Figuras 04 e 05.
42
Existem diferenças significativasentre as Figuras 4 e 5, é possível perceber a
diminuição de corpos hídricos no segundo mapa em relação ao primeiro. Os hábitos
econômicos do Seridó Potiguar causaram uma interferência humana importante na
devastação da área verde, em uma década houve aumento significativo do solo
exposto, principalmente ao Leste do Seridó Potiguar, no qual compreende os
municípios de: Currais Novos, Acari, Carnaúba dos Dantas, Parelhas, São José do
Seridó e Jardim do Seridó.
Durante o ano de 2005, no Programa de Ação Nacional de Combate à
Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca - PAN-Brasil foi constatado que existe
uma degradação muito grave nas cidades de Currais Novos, Acari, Parelhas,
Equador, Carnaúba dos Dantas, Caicó e Jardim do Seridó tinham como principal
causa a:
substituição da caatinga pela agricultura e pecuária, bem como pela
mineração (Gilbués), extração de argila de solos aluviais (Seridó) e retirada
de madeira para lenha. Essas áreas foram caracterizadas como de alto risco
à desertificação, e ficaram conhecidas como núcleos desertificados, a saber:
Gilbués, Irauçuba, Seridó e Cabrobó (PAN-BRASIL, 2005, p. 17).
Embora esses dados sejam anteriores ao período da pesquisa deste trabalho,
percebemos que as estratégias econômicas da Região do Seridó Potiguar sofreram
poucas alterações e se agravaram no decorrer do tempo, aumentaram os números
das indústrias (cerâmicas, massas, queijarias etc.), que utilizam lenha, da pecuária e
expansão das residências com o aumento da população nessa região. Todas essas
modificações podem ter ocorrido sem planejamento sustentável, acarretando perda
da biodiversidade e diminuição de áreas destinadas à agricultura, reduzindo a
produção alimentar e a área verde de florestas rurais. Estes mapas proporcionam a
representação de fenômenos ambientais, podendo colaborar no planejamento de
ações conjuntas para mitigar o desmatamento em curso, buscando melhorias para o
meio ambiente e os atores que vivem nesta região.
Essas práticas econômicas associadas aos incêndios, que são uma realidade
crescente nessa região, também contribuem para a perda da biodiversidade com a
extinção da fauna e da flora, erosão e empobrecimento do solo, bem como a elevação
do aquecimento global.
43.
43
O progresso econômicoé importante para uma região, mas é necessário
preservar a natureza, principalmente quando os meios econômicos são totalmente
dependentes dela. Usar e conservar deveria ser a lógica do mercado, pois sua
sobrevivência e a dos seres humanos dependem do equilíbrio ecológico. Desse modo,
Carvalho (2012, p. 425) afirma que:
ser direcionado para a cidadania ativa considerando seu sentido de
pertencimento e corresponsabilidade que por meio da ação coletiva e
organizada, busca a compreensão e superação das causas estruturais e
conjunturais dos problemas ambientais. Trata-se de construir uma cultura
ecológica que compreenda a natureza e sociedade como dimensões
intrinsecamente relacionadas e que não podem mais ser pensadas – seja nas
decisões governamentais, seja nas ações da sociedade civil – de forma
separada, independente ou autônoma.
O desmatamento provocou a impactou as tipologias da caatinga,
principalmente a arbórea, árvores com mais de 4,5 m. Essas tipologias propostas por
Chaves et al. (2008) classificam as características morfoestruturais deste bioma
separando em quatro níveis por classe, como demonstramos no Quadro 01.
Quadro 1: Classificação de tipologia da Caatinga (altura do corpo arbustivo)
TIPO GRUPO
Vegetação Natural
da Caatinga
Arbórea (> 4,5 m)
Subarbórea (> 3m e <4,5m)
Arbustiva (>1,5m e <3m)
Subarbustiva (<1,5m)
Fonte: Revista do Departamento de Geografia (2018) 11.
As figuras 6 e 7 expõem as tipologias das árvores arbórea e arbustiva,
respectivamente.
11
www.revistas.usp.br/rdg . ISSN 2236-2878 . V.35 (2018) . DOI: 10.11606/rdg.v35i0.142710
46
A flora ea fauna presente na Caatinga são adaptadas e resistentes a longos
períodos de estiagem e altas temperaturas. Na flora temos mandacaru, xique-xique,
umbuzeiro, craibeira, angico, carnaúba, aroeira, entre outras. Na fauna temos onça-
parda, jaguatirica, gato-do-mato, raposa, tatu-bola, mocó, diversos tipos de anfíbios.
Algumas espécies estão ameaçadas de extinção, como a onça-parda, a asa-branca e
o tatu-bola, que foi mascote da Copa em 2014.
Como no meio ambiente tudo está interligado, o desmatamento provoca
impactos negativos importantes, também nos leitos dos rios. Pois, existe acúmulo de
material de transporte que a chuva carrega, prejudicando esse lugar, causando o
assoreamento pela erosão e o desconfigurando com o passar do tempo. No processo
de degradação dos recursos hídricos, a contaminação nos rios é outro fator negativo,
por meio da poluição proveniente das indústrias, da deficiência no tratamento de
esgoto, do agrotóxico utilizado na agricultura, do lixo doméstico diminuindo a
qualidade da água potável, a saúde dos animais que ali vivem e consequentemente
de quem os consomem. Os rios, são recursos naturais, como nós e nossos estudantes
percebemos estes recursos hídricos? Quais as informações e análises propomos?
Portanto, é preciso um processo educativo pautado na convivência equilibrada
com o meio ambiente, no sentido de pertencimento e corresponsabilidade da
sociedade, de forma individual e coletiva, que são essenciais nas estratégias de
conservação da natureza. Sensibilizar a comunidade escolar, obter parcerias na
implementação de estratégias na preservação do meio ambiente são ações
importantes que colaboram no desenvolvimento econômico, social e ambiental.
Na Figura 08 estão presentes os principais reservatórios do Seridó Potiguar e
os rios (Seridó, Potengi, Sabugi, Barra Nova e Acauã), que são intermitentes (secam
durante a estiagem), com exceção do Rio Piranhas-Açu que é perene (não seca
durante a estiagem). Na sequência as Figuras 09 e 10 fotografadas no mesmo lugar,
na Ilha de Sant’Ana em Caicó, na qual visualizamos o rio Seridó, um rio intermitente.
Embora seja o mesmo lugar, as paisagens de uma figura para outra são diferentes,
quais as causas e elementos proporcionam essas mudanças? São reflexões que
podemos discutir em sala de aula.
47.
47
Figura 8: Riose principais reservatórios do Seridó Potiguar
Fonte: Francisco Hermínio Ramalho de Araújo (2019)
48.
48
Figura 9: Leitodo Rio Seridó antes do inverno – 05/01/202212
Fonte: Jessiane Dantas Fernandes (2022)
12
Captura da imagem realizada no Complexo Turístico Ilha de Sant’Ana, uma parte da vegetação se mantém verde, apesar do período de estiagem.
49.
49
Figura 10: Leitodo Rio Seridó durante o inverno – Data: 16/03/2022
Fonte: Jessiane Dantas Fernandes (2022)
50.
50
A seca semprefoi um predicado que acompanhava o sertão nordestino, por
meio do imaginário popular ligado ao solo rachado, ao sofrimento dos seres humanos,
vegetais e animais sem água. Porém, ultrapassou os limites geográficos do Nordeste
e atualmente é uma realidade em várias regiões do país, inclusive no Sul e Sudeste.
O desmatamento causa redução da produção de chuva, interferências na vida do ser
humano com um maior período de estiagem e uma maior necessidade no
armazenamento d’água, destruição de nascentes, mananciais e olho d’água, com isso
diminuímos a quantidade de água doce, limpa e potável que poderíamos utilizar e
colocamos em riscos às bacias hidrográficas. Além do mau uso, com o desperdício
d’água nas residências e indústrias que utilizam como se fosse um recurso inacabável.
Os solos mais comuns na caatinga são rasos e pedregosos, segundo Araújo
Filho (2011, p 02) os solos são a:
ação combinada dos seus fatores de formação, isto é, do material de origem
(geologia), do clima, do relevo, da ação dos organismos e do tempo.
Observando-se cortes verticais de solos nas paisagens, por exemplo, em
barrancos de estrada, estes exibem horizontes pedogenéticos e/ou camadas
que se diferenciam entre si e em relação ao material de origem (rochas ou
sedimentos).
Existe uma preocupação na maneira do uso e ocupação do solo, ele é um
importante elemento natural e necessita de um olhar diferenciado, pois atualmente
existem ameaças a sua fertilidade. Entre elas a desertificação natural, é um fenômeno
que deixa o solo estéril, também a desertificação causada pelo desmatamento, a
saturação do solo por ingredientes químicos utilizados para destruir pragas nas
lavouras e fertilizantes que podem causar outros efeitos se manipulados de forma
errada, como a intoxicação no ser humano.
Quando aceleramos a produção vegetal utilizando fertilizantes, podemos ter
uma safra excedente e depois tornar esse solo pobre em fertilidade ou dependente
desses insumos para sua nutrição, perdendo a fertilidade natural. Ao usar fertilizantes
em excesso contribuímos para o processo de contaminação das águas, sejam em rios
ou no subterrâneo:
O uso inadequado do solo, da água e da vegetação pode causar processos
de desertificação e de degradação da terra, afetando a qualidade de vida das
populações e reduzindo a segurança alimentar. O solo é essencial para a vida
no planeta, servindo de habitat para inúmeras espécies e como excelente
reservatório de água e de nutrientes (BRASIL, 2021).
51.
51
Segundo Bombardi (2017,p. 111, apud PELAEZ et al., 2015), para efeito de
comparação, o Brasil utiliza 500 mil toneladas de agrotóxico por ano, ou seja, 20% da
produção do planeta, e no Rio Grande do Norte foram 962 toneladas no ano de 2012
a 2014, o uso desses produtos em excesso, além de prejudicar o solo, também traz
consequências à saúde do agricultor. Nos anos de 2007 até 2014 tivemos problemas
de intoxicação por agrotóxico no Seridó Potiguar, em maior quantidade nos municípios
de Ipueira e São José do Seridó, em seguida Equador e Serra Negra do Norte, e em
menor proporção no município de Jardim de Piranhas. (BOMBARDI, 2017, p. 162).
O maior causador da erosão é de ordem natural água (chuvas e corpos
hídricos), vento e agentes biológicos que desgastam a superfície terrestre. Porém, no
Seridó Potiguar a ação humana potencializa esses desgastes com a retirada
excessiva da argila do solo para fabricação de telhas e tijolos provocando a erosão
antrópica (causada pela ação do homem). É importante a sensibilização para diminuir
a destruição ambiental e passarmos a ser agentes de conservação do meio ambiente.
A intervenção humana consciente precisa acontecer para mitigar os impactos da seca
e preservar as nascentes e os rios com mata ciliar (árvores e plantas que crescem
nas margens de rios, córregos e nascentes).
O volume de resíduos sólidos cresce a cada ano, consequentemente aumenta
a contaminação do solo. Apenas em julho de 2021, o município de Caicó recebeu a
licença para instalação de um Aterro Sanitário que receberá resíduos sólidos de 25
municípios que participam do Consórcio Público Regional de Resíduos Sólidos do
Seridó, até a conclusão deste Aterro precisamos amenizar a quantidade de resíduos
sólidos que vai para a atual área do lixão, contaminando o solo e os rios. (DANTAS,
2021).
A irresponsabilidade coletiva na interação com o planeta, causará transtornos
futuros com a escassez de recursos naturais necessários para nossa sobrevivência.
O desmatamento provoca desequilíbrio nas águas e atinge o solo. Diante disso, o que
podemos fazer? Temos o dever de nos contrapor a destruição sistemática do meio
ambiente, ele necessita de cuidado e atenção. Precisamos zelar pela comunidade que
estamos inseridos, melhorar as condições de habitabilidade nesta região.
Para Krenak (2019, p. 12) necessitamos consumir de forma consciente,
estamos experimentando uma crise ambiental sem precedentes:
52.
52
precisamos ser críticosa essa ideia plasmada de humanidade homogênea
na qual há muito tempo o consumo tomou lugar daquilo que antes era
cidadania. José Mujica disse que transformamos as pessoas em
consumidores, e não em cidadãos. E nossas, crianças, desde a mais tenra
idade, são ensinadas a serem clientes. Não tem gente mais adulada do que
um consumidor. São adulados até o ponto de ficarem imbecis, babando.
Então para que ser cidadão? Para que ter cidadania, alteridade, estar no
mundo de uma maneira crítica e consciente, se você pode ser um
consumidor? Essa ideia dispensa a experiência de viver numa terra cheia de
sentido, numa plataforma para diferentes cosmovisões.
Esse consumo exacerbado depreda de forma acelerada os recursos naturais,
são milhões de litros de água na produção de diversos produtos de consumo humano.
Precisamos aprender a consumir de forma consciente, pois as emissões excessivas
de combustíveis fósseis alteram de forma prejudicial o sistema climático. Com a
aceleração das mudanças climáticas e o aquecimento global, o bioma da caatinga
será o mais atingido dentre os biomas brasileiros, pois deixará de ser semiárido para
tornar-se árido, clima de regiões desérticas (SENA, 2011, p. 9).
O aquecimento global abre caminho para vários desdobramentos negativos
como: destruição da biodiversidade, expansão volumétrica dos oceanos, crescimento
do nível do mar e a mudança do ciclo da chuva. Estamos na era Antropoceno que
significa “uma nova época geológica caracterizada pelo impacto do homem na Terra”
(ELHACHAM et al., 2020, p. 442), ou seja, “tudo o que foi construído pelo ser humano
no planeta em 2020 (massa antropogênica) superou, pela primeira vez na história, a
massa conjunta dos seres vivos (biomassa)” (ELHACHAM et al., 2020, p. 442). Os
seres humanos têm uma ferocidade na exploração de recursos naturais, o progresso
acontece a qualquer custo, pensando apenas a médio prazo, no tocante ao planeta:
Que desenvolvimento nós queremos? Ou nós queremos envolvimento com o
lugar que nós vivemos? A gente foi colonizado pela ideia de desenvolvimento.
Será que não está na hora da gente pensar em envolvimento com o mundo
que nós compartilhamos? (KRENAK, 2017, p. 23).
Estamos poluindo a Terra e esgotando os seus recursos naturais, prejudicando
a sobrevivência da espécie humana, colocando em risco o nosso futuro. Para
melhorar os problemas ambientais do Seridó Potiguar, precisamos fazer a gestão da
água, do lixo, dos agrotóxicos, do solo e dos hábitos de consumo, pois contribuímos
de forma positiva ou negativa, isso corresponde a prática da sustentabilidade,
possibilitando uma relação de harmonia e equilíbrio com o meio ambiente. De acordo
com Tamaio (2000, p. 85), “A sustentabilidade é entendida como o resultado do
53.
53
equilíbrio entre aspectoseconômicos, sociais e ambientais das atividades produtivas
e do uso dos recursos naturais. E alcançada a partir de um conjunto de ações
socioambientais integradas”. Constitui, portanto, a possibilidade de assegurar a
sobrevivência dos recursos naturais existentes no planeta Terra. Jacob (1999, p. 180),
complementa que “a noção de sustentabilidade implica uma necessária inter-relação
entre justiça social, qualidade de vida, equilíbrio ambiental e a necessidade de
desenvolvimento com capacidade de suporte.”
O DCRN acrescenta duas competências em relação ao BNCC, a 12ª
competência é a sustentabilidade com o objetivo de “respeitar todas as formas de vida
como condição necessária para o equilíbrio dos ecossistemas e a sobrevivência
humana” (SEEC, 2018, p. 22).
No próximo capítulo apresentamos as possibilidades do lúdico na
aprendizagem dos estudantes e a aplicabilidade da sequência didática e do jogo
consiste a experiência vivida na Escola Estadual Vilagran Cabrita, na cidade de
Caicó/RN, no turno vespertino do 4º ano do Ensino Fundamental – Anos Iniciais.
54.
54
CAPÍTULO 3
AS APRENDIZAGENSGEOGRÁFICAS DESENVOLVIDAS POR
MEIO DA SEQUÊNCIA DIDÁTICA E DO JOGO DE TABULEIRO
GEOGRÁFICO DO SERIDÓ POTIGUAR
O brincar é a mais alta forma de pesquisa.
(Albert Einstein)
Os conteúdos significativos para os estudantes surgem a partir de aulas
planejadas em contextos que sejam relevantes para eles. Dessa maneira, criamos
oportunidade para que possam aprender de outras formas a partir da SD e do jogo de
tabuleiro. Para atingir as competências geográficas desejadas, mencionadas
anteriormente, nesta pesquisa contamos com uma Sequência Didática e um jogo de
Tabuleiro geográfico do Seridó Potiguar que trouxeram subsídios para o docente
utilizar em sua aula. Planejamos atingir as seguintes competências geográficas:
1. Utilizar os conhecimentos geográficos para entender a interação
sociedade/natureza e exercitar o interesse e o espírito de investigação e de
resolução de problemas.
2. Estabelecer conexões entre diferentes temas do conhecimento geográfico,
reconhecendo a importância dos objetos técnicos para a compreensão das
formas como os seres humanos fazem uso dos recursos da natureza ao longo
da história.
3. Desenvolver autonomia e senso crítico para compreensão e aplicação do
raciocínio geográfico na análise da ocupação humana e produção do espaço,
envolvendo os princípios de analogia, conexão, diferenciação, distribuição,
extensão, localização e ordem.
4. Desenvolver o pensamento espacial, fazendo uso das linguagens
cartográficas e iconográficas, de diferentes gêneros textuais e das
geotecnologias para a resolução de problemas que envolvam informações
geográficas.
55.
55
5. Desenvolver eutilizar processos, práticas e procedimentos de investigação
para compreender o mundo natural, social, econômico, político e o meio
técnico-científico e informacional, avaliar ações e propor perguntas e
soluções (inclusive tecnológicas) para questões que requerem
conhecimentos científicos da Geografia.
6. Construir argumentos com base em informações geográficas, debater e
defender ideias e pontos de vista que respeitem e promovam a consciência
socioambiental e o respeito à biodiversidade e ao outro, sem preconceitos de
qualquer natureza.
7. Agir pessoal e coletivamente com respeito, autonomia, responsabilidade,
flexibilidade, resiliência e determinação, propondo ações sobre as questões
socioambientais, com base em princípios éticos, democráticos, sustentáveis
e solidários
Perante o objeto de conhecimento, Conservação e degradação da natureza e
a habilidade EF04GE1113 que norteia a pesquisa e os recursos educacionais
desenvolvidos. Olhar para os espaços de vivências é uma contribuição significativa
da Geografia, estimulando o processo de aprendizagem, segundo Libâneo (1991, p.
15):
O processo educativo não é apenas uma exigência da vida em sociedade,
mas também o processo de prover os indivíduos dos conhecimentos e
experiências culturais que os tornam aptos a atuar no meio social e a
transformá-lo em função de necessidades econômicos, sociais e políticas da
coletividade.
A Geografia proporciona descobertas por meio da própria ação dos estudantes,
ao observar seu entorno social, econômico, cultural e físico. As experiências infantis
quando mediadas pelos docentes conduz a uma aprendizagem significativa e coopera
com a descoberta de novas formas de pensamentos. Dessa forma, qual a concepção
de vida em sociedade devemos trazer para eles? Pois, o processo de ensino cria
condições metodológicas e organizacionais que contribuem com a capacidade
intelectual dos estudantes.
13
Identificar as características das paisagens naturais e antrópicas (relevo, cobertura vegetal, rios
etc.) no ambiente em que vive, bem como a ação humana na conservação ou degradação dessas
áreas.
56.
56
3.1 Sequência Didática– Recurso Educacional de Ensino
A ação educativa desta proposta objetivou uma sequência didática que
antecede à apresentação do jogo para o estudante, preparando e contextualizando-o
para a aplicação do jogo.
Como visto, na concepção de Zabala (1998, p. 63), a sequência didática deve
conter “o maior grau de significância das aprendizagens”, ou seja, é necessário
sistematizar os conhecimentos prévios dos alunos em relação aos objetos de
conhecimento que serão discutidos na escola, buscando aproximar o ensino escolar
do contexto dos estudantes. É uma estratégia de ensino que organiza atividades
pedagógicas conforme o eixo temático desejado, ou seja, é um recurso metodológico
da atividade de ensino do professor. Neste produto, o tema relacionou-se à região e
aos problemas ambientais do Seridó Potiguar com uma abordagem interdisciplinar.
Nessa perspectiva, a sequência didática apresentou um conjunto de sete aulas
integradas para alunos do 4º ano do Ensino Fundamental - Anos Iniciais, em
consonância com a BNCC e o DCRN, incluindo a organização de seus objetivos e
habilidade (EF04GE1114) a serem alcançados, finalizando com a avaliação do
conteúdo que foi trabalhado. Essa sequência priorizou a ludicidade por meio do jogo
de tabuleiro geográfico e também ao longo do processo dessas aulas, de forma
contínua.
É a partir da sequência didática que os estudantes terão subsídios para
compreender a temática e jogar o Tabuleiro geográfico do Seridó Potiguar. São
atividades diversificadas, com direcionamento para observar o entorno de onde se
vive, por meio das fotografias (inserindo as tecnologias digitais), tiradas por eles, com
a intencionalidade de promover o pensamento crítico quando se observa o lugar de
vivência e se percebe os problemas existentes.
A sequência didática alinha-se à pesquisa como princípio educativo para que o
estudante tenha uma leitura melhor do mundo e possa escrever sobre suas
percepções, sem um contexto fragmentado do ensino:
14
Identificar as características das paisagens naturais e antrópicas (relevo, cobertura vegetal, rios
etc.) no ambiente em que vive, bem como a ação humana na conservação ou degradação dessas
áreas.
57.
57
Educar pela pesquisatem como condição essencial primeira que o
profissional da educação seja pesquisador, ou seja, maneje a pesquisa como
princípio cientifico e educativo e a tenha como atitude cotidiana. Não é o caso
de fazer de um pesquisador “profissional”, sobretudo na educação básica, já
que não a cultiva em si, mas como instrumento principal do processo
educativo. Não se busca um “profissional da pesquisa”, mas um profissional
da educação pela pesquisa (DEMO, 2015, p. 2).
O professor pesquisador contribui de maneira mais significativa no ensino-
aprendizagem dos estudantes, pois o processo se torna mais direcionado e assertivo.
Durante o processo da aplicação da SD, os estudantes pesquisaram o entorno de
suas casas, da escola, no dicionário na busca de palavras e conceitos geográficos,
tornando mais eficiente a percepção ambiental sobre o seu lugar de vivência.
Geralmente, uma sequência didática dispõe de um plano de aula e uma atividade
complementar para cada conteúdo listado. Além disso, contém uma explicação em
forma de um pequeno relato sobre o conteúdo do plano de aula.
Pressupondo essa explicação, esta sequência didática foi estruturada
considerando os seguintes conteúdos:
● Paisagens naturais e culturais do Seridó Potiguar;
● Desmatamento-incêndios no Seridó Potiguar (Leitura e
interpretação de gráficos);
● Desmatamento no Seridó Potiguar (Leitura e interpretação de
mapas);
● Solo e água;
● Fauna e flora do Seridó Potiguar.
Embora esta pesquisa esteja relacionada ao componente curricular da
Geografia, trabalhamos de forma interdisciplinar; segundo Marques (1993, p. 107):
uma unidade em que se supere a fragmentação das disciplinas e das
responsabilidades, em práticas orientadas por e para linhas e eixos temáticos
e conceituais interdisciplinares, não apenas uma justaposição de disciplinas
enclausuradas em si mesmas, mas de uma maneira que, em cada uma se
impliquem as demais regiões do saber.
Para Fazenda (2008, p. 21) “na interdisciplinaridade escolar, as noções,
finalidades, habilidades e técnicas visam favorecer sobretudo o processo de
58.
58
aprendizagem, respeitando ossaberes dos alunos e sua integração”. Compreender
quais habilidades podemos atingir numa aula é importante para ampliar as
possibilidades de interação, propostas de atividades e intervenção pedagógica.
Apresentamos no Quadro 02 as habilidades esperadas para se trabalhar em
todo o currículo escolar do Ensino Fundamental, ou seja, com os demais componentes
curriculares.
59.
59
Quadro 2: ComponentesCurriculares
COMPONENTE UNIDADE
TEMÁTICA
OBJETOS DE
CONHECIMENTO
HABILIDADES
Geografia Natureza,
ambientes e
qualidade de
vida
Conservação e degradação
da natureza
(EF04GE11) Identificar as características das paisagens
naturais e antrópicas (relevo, cobertura vegetal, rios etc.) no
ambiente em que vive, bem como a ação humana na
conservação ou degradação dessas áreas.
Português
Todos os
campos de
atuação
Oralidade
pública/Intercâmbio
conversacional em sala de
aula
(EF15LP09) Expressar-se em situações de intercâmbio oral
com clareza, preocupando-se em ser compreendido pelo
interlocutor e usando a palavra com tom de voz audível, boa
articulação e ritmo adequado.
Escrita colaborativa (EF35LP15) Opinar e defender ponto de vista sobre tema
polêmico relacionado a situações vivenciadas na escola e/ou
na comunidade, utilizando registro formal e estrutura
adequada à argumentação, considerando a situação
comunicativa e o tema/assunto do texto.
Arte Artes integradas Matrizes estéticas e culturais (EF15AR24) Caracterizar e experimentar brinquedos,
brincadeiras, jogos, danças, canções e histórias de diferentes
matrizes estéticas e culturais.
60.
60
Educação
Física
Brincadeiras e
jogos
Brincadeiras ejogos
populares do Brasil e do
mundo
(EF35EF02) Planejar e utilizar estratégias para possibilitar a
participação segura de todos os alunos em brincadeiras e
jogos populares do Brasil e de matriz indígena e africana.
Matemática Probabilidade e
estatística
Leitura, interpretação e
representação de dados em
tabelas de dupla entrada,
gráficos de colunas simples e
agrupadas, gráficos de
barras e colunas e gráficos
pictóricos
(EF04MA27) Analisar dados apresentados em tabelas simples
ou de dupla entrada e em gráficos de colunas ou pictóricos,
com base em informações das diferentes áreas do
conhecimento, e produzir texto com a síntese de sua análise.
História Transformações
e permanências
nas trajetórias
dos grupos
humanos
O passado e o presente: a
noção de permanência e as
lentas transformações sociais
e culturais
(EF04HI03) Identificar as transformações ocorridas na cidade
ao longo do tempo e discutir suas interferências nos modos de
vida de seus habitantes, tomando como ponto de partida o
presente.
Ciência Vida e evolução Características e
desenvolvimento dos animais
(EF03CI04) Identificar características sobre o modo de vida (o
que comem, como se reproduzem, como se deslocam etc.)
dos animais mais comuns no ambiente próximo.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (2018).
61.
61
3.2 A importânciae as potencialidades do Jogo de Tabuleiro geográfico do
Seridó Potiguar
Na atualidade, podemos ter acesso a diversos jogos de tabuleiros online ou
analógico. Eles são uma forma de entretenimento e necessitam do outro para jogar,
este conjunto dos pares permite um avanço mais significativo na organização do
pensamento, diferente de jogar de forma individualizada, além de contribuir na
socialização e entrosamento entre os participantes.
Mukhina (1995, p.155) fala que o jogo “é atividade principal, não porque a
criança de hoje passa a maior parte do tempo se divertindo, o que não deixa de ser
verdade, mas porque o jogo dá origem a mudanças qualitativas na psique infantil”.
Cada jogo tem um objetivo a ser alcançado, o jogo do Tabuleiro geográfico do Seridó
Potiguar teve como objetivo consolidar de forma lúdica, as aprendizagens geográficas
desenvolvidas por meio da sequência didática proposta neste trabalho. É um recurso
metodológico de ensino para o professor e também um recurso de aprendizagem para
o educando.
O Tabuleiro geográfico do Seridó Potiguar pretende ampliar o conhecimento
geográfico dos estudantes acerca da conservação e degradação da natureza na
região do Seridó Potiguar, conhecer e compreender seu lugar de vivência é importante
para entender a complexidade do todo (estado, país, continente e a Terra). O público-
alvo é formado por estudantes do 4º ano do Ensino Fundamental - Anos Iniciais no
qual serão protagonistas, utilizando as competências e habilidades do senso comum,
seu conhecimento de vida e os sistematizados na escola por meio da sequência
didática.
É um jogo de regras, que se encaixa em três categorias classificadas por
Piaget: exercício, simbólico e regras. Embora este tipo de jogo tenha um caráter
competitivo, buscamos inserir nas regras um caminho pedagógico colaborativo entre
os pares, pois é jogado em conjunto, por grupos de estudantes. Na visão de Teixeira
(2010, p. 16), “para a sociedade, os jogos não são puras expressões de princípio
lúdicos, mas são, cada vez mais, a representação de um aspecto da vida social, pelo
menos quando não se referem a um universo imaginário”. As relações entre os
participantes, o meio e como o jogo é realizado podem tornar mais rápida e
62.
62
compreensível a aprendizagemnas crianças, pois ampliam o seu conhecimento.
Segundo Kishimoto (1990, p. 24), a ação do jogador é uma incógnita, pois ele depende
de fatores internos e externos, além de motivações pessoais. Ele também proporciona
curiosidade, cooperação, participação, autonomia, disciplina, concentração, alegria,
maturidade emocional, sociabilidade, entre outros.
Este jogo é importante na medida em que auxilia o desenvolvimento de ensino
e aprendizagem ao funcionar como um facilitador visual, pois o verso das cartinhas
tem características da diversidade da fauna e da flora presentes no Seridó Potiguar,
a intencionalidade foi relacionar o nome da fauna e da flora à foto, proporcionando
conhecimento indireto, pois está contido nelas a representatividade do lugar, são
símbolos com forte significado do meio social das crianças.
No jogo de Tabuleiro geográfico do Seridó Potiguar contamos com a dinâmica
da ação inserida na brincadeira, na qual o aluno poderá inferir seus conhecimentos
prévios e obter respostas imediatas sobre a problemática do espaço geográfico local,
sistematizando o conhecimento escolar apresentado, permitindo uma melhor
abstração e interação com o seu meio.
O movimento do corpo também se fez presente nesta atividade, os estudantes
saíram da sala de aula e da aula convencional, exploram um outro ambiente, com
uma organização diferenciada do dia a dia comum da avaliação tradicional. A
linguagem corporal impressa nesse novo espaço foi diferente do que acontece na sala
de aula comum, podendo o estudante expressar suas ideias e soluções de forma mais
autônoma, espontânea e prazerosa. Embora seja jogado em grupo, cada jogador teve
responsabilidade durante o seu momento de jogar e pôde solicitar ajuda do grupo para
responder, caso não saiba a resposta. Neste jogo o movimento é trabalhado
relacionado ao deslocamento dos peões nas casas numéricas e à manipulação do
dado e das cartas auxiliares.
A ludicidade presente no jogo favorece a aprendizagem e o desenvolvimento
infantil na convivência com outras pessoas, com seu meio, seu lugar, seus espaços
vividos, acompanhando a história e a cultura que lhes são próprias, cada uma a seu
modo, uma vez que cada ser é singular, único em sua essência, ou seja, subjetivo.
Callai (2005, p.233) afirma que as relações sociais das crianças nas brincadeiras são
63.
63
interações com oespaço, que é social e amplia seu repertório de mundo e valores
sociais, reconhecendo sua complexidade.
Mukhina (1996, p. 160), complementa quando diz que “por meio do jogo, as
crianças conhecem a vida social dos adultos, compreendem melhor as funções sociais
e as regras pelas quais os adultos regem suas relações”. O jogo atinge diversas áreas
do conhecimento e com ele pretendemos consolidar alguns aspectos da
aprendizagem, não só relacionados à parte cognitiva, mas também ao emocional,
atenção, movimento, linguagem, planejamento e relação com os pares.
Ao permitir a ação intencional (afetividade), a construção de representações
mentais (cognição), a manipulação de objetos e o desempenho de ações
sensório-motoras (físico), e as trocas nas interações (social), o jogo
contempla várias formas de representação da criança ou suas múltiplas
inteligência, contribuindo para a aprendizagem e o desenvolvimento infantil.
Quando as situações lúdicas são intencionalmente criadas pelo adulto com
vistas a estimular certos tipos de aprendizagem, surge a dimensão educativa.
(KISHIMOTO, 1999, p. 36).
A potencialização da aprendizagem acontece quando o jogo se torna um
facilitador no processo de ensino-aprendizagem. Piaget (1971), considera que o jogo
faz parte da construção do conhecimento, sendo possível a estruturação do espaço e
do tempo por parte da criança, que desenvolve seu raciocínio, desde a noção de
casualidade até a lógica, pois aplica seus esquemas mentais interagindo com a
realidade que a cerca. Nessa perspectiva, o layout do tabuleiro tem especificidades
do semiárido caracterizado pelo bioma da Caatinga, bem como situações de
incêndios, poluição, desmatamento, erosão e destruição do solo para que os alunos
identifiquem, compreendam e tenham conhecimento da sua região, este jogo passa a
ser um instrumento importante na construção do saber seridoense.
3.3 Regras do jogo do Tabuleiro geográfico do Seridó Potiguar
A proposta do jogo de Tabuleiro geográfico do Seridó Potiguar é iniciada
através de uma sequência didática, em seguida é apresentado o tabuleiro aos
estudantes na oitava aula, sendo necessário apresentar a parte física do jogo, que é
composto por um tabuleiro, um dado, quatro peões e 20 cartas auxiliares.
64.
64
É importante despertaro interesse dos alunos para jogar e dividir os grupos
que farão parte dos quatro times. A separação dos times é iniciada pelos alunos com
mais dificuldades na aprendizagem como líderes de seu grupo, dessa forma
imprimimos protagonismo a estes alunos e se mantém o equilíbrio entre os grupos.
Após a escolha dos líderes, a sala será dividida em quatro equipes, direcionados nos
seguintes passos:
1. Nomear cada grupo (amarelo, azul, verde e vermelho), as
cores estão relacionadas aos peões que os alunos
utilizarão para percorrer o tabuleiro, cada grupo escolhe a
cor desejada, sem saber da sequência das cores na
partida, iniciando o jogo pelas cores em ordem alfabética;
2. O grupo amarelo iniciará a partida, jogando o dado e assim
sucessivamente.
As regras deste jogo foram construídas para que a pontuação seja um conjunto
de fatores, no qual ganha o jogador que fizer um somatório maior na partida. O jogo
atua como um sistematizador do conteúdo e habilidades. Deve ser jogado com no
máximo quatro grupos de jogadores (a sala deve ser dividida em quatro grupos), com
no máximo cinco componentes em cada grupo e estes poderão ajudar nas respostas,
o tempo necessário para a partida são em média duas aulas, a depender da
combinação da sorte e do conhecimento do grupo. O tabuleiro é composto por 36
casas, com três diferenciações:
1. casas retangulares com números, contamos normalmente;
2. casas retangulares com a marcação do cacto, terão o auxílio
de uma carta que o estudante deverá retirar, contendo
perguntas e valendo pontos;
3. casas circulares, contém uma pergunta, valendo pontos;
4. Quando o estudante errar a resposta, permanecerá na
mesma casa numérica;
5. Ao acertar, pulará uma casa numérica;
65.
65
6. O tempopara resposta será de três minutos para o grupo;
7. A pontuação será contabilizada da seguinte maneira:
● 5 pontos para cada casa circular, que contém a
pergunta impressa no tabuleiro;
● 10 pontos para cada carta auxiliar que for retirada e
respondida corretamente;
● 10 pontos para o jogador que terminar primeiro o
percurso do tabuleiro;
● No caso de empate, tirar par ou ímpar, o ganhador
retira uma carta para responder à pergunta final, soma-
se os pontos no resultado final;
● O jogo finaliza quando as 20 cartas forem utilizadas;
● Os alunos que percorrerem o tabuleiro e completar o
percurso, aguardam até os outros grupos acabarem a
finalização das cartas.
Dessa forma, terminar o jogo em primeiro lugar não determina o grupo
vencedor, pois é necessário fazer a somatória de todos os jogadores para ver quem
obteve a maior pontuação.
Interagir, respeitar as regras, administrar as emoções e ajudar ao seu grupo na
partida são cooperações necessárias para atingir as competências propostas neste
trabalho. A ação do jogador (grupo), determinará seu resultado de acertos ou erros,
que ficará registrado entre eles a importância do trabalho em equipe.
Apresentamos na Figura 11 o verso das 20 cartas do jogo de Tabuleiro
geográfico do Seridó Potiguar, elas não foram padronizadas, pois a intenção era
ampliar o conhecimento visual da fauna e da flora presente na região do Seridó
Potiguar. Na Figura 12, a frente das 20 cartas com perguntas relacionadas à
sequência didática desenvolvida neste trabalho. Há perguntas mais simples e outras
mais complexas para tentar equilibrar o jogo. Na Figura 13 está o Tabuleiro geográfico
do Seridó Potiguar.
70
Figura 13: TabuleiroGeográfico do Seridó Potiguar.
Fonte: Jessiane Dantas Fernandes (2022).
71.
71
3.3 Aplicação daSequência Didática e do jogo de Tabuleiro geográfico do Seridó
Potiguar
A Sequência Didática e o jogo de Tabuleiro geográfico do Seridó Potiguar foram
aplicados na Escola Estadual Vilagran Cabrita no turno vespertino, atingindo um total
de nove aulas, sete aulas para desenvolver a Sequência Didática e duas aulas para o
jogo. A sala onde a pesquisa foi realizada tem um total de 19 estudantes, um com
Transtorno do Espectro Autista – TEA e outra com Transtorno do Déficit de Atenção
com Hiperatividade – TDAH, há uma professora de Educação Especial que
acompanha esses dois educandos, a professora titular permaneceu na sala e
colaborou com as aulas, ajudando a três alunos com dificuldades na escrita. Esta
colaboração mais de perto da professora titular, a fez perceber que uma das
estudantes tinha mais conhecimento da escrita do que ela julgava, só necessitava de
alguns ajustes que foram realizados neste período de nove aulas. Elas também
colaboraram na aplicação do jogo. A sequência didática forneceu embasamento
teórico e metodológico para a construção do jogo.
No primeiro contato com os estudantes, ao saber que iriam participar de um
jogo, ficaram contentes e queriam jogar de forma imediata. Perguntados sobre como
acontece uma partida num jogo convencional, disseram que o jogo tem regras e estas
devem ser obedecidas. Porém, foi explicado que o jogo só aconteceria após as sete
aulas referentes a sequência didática. Todos os dias contavam quanto tempo faltava
para finalmente jogarem. Também foi dito que só teriam sucesso na partida se
participassem das aulas e das atividades propostas.
O primeiro dia foi sobre paisagens, para iniciar solicitei que pensassem em uma
paisagem. Apenas uma aluna com necessidades educacionais especiais pensou em
uma paisagem cultural, a paisagem de um jogo virtual, os demais alunos
desconsideraram a resposta e reagiram como se houvesse um erro, pois, para eles
as paisagens seriam apenas as de cunho natural e pensaram em paisagens como
praia, neve, florestas, cachoeiras, vegetação, todas as respostas ligadas ao senso
comum da definição de paisagem.
Apresentei imagens relacionadas a diversos tipos de paisagem, presentes no
município de Caicó/RN, inclusive uma do lixão, eles não consideraram a imagem de
72.
72
um lixão comopaisagem, pois não enxergam paisagem como ação e produto do ser
humano, apenas as de cunho natural.
Após as explicações com imagens, ainda assim, metade da turma acreditava
que o açude é uma paisagem natural, eles também não sabiam que as paisagens
transmitiam medo, movimento e odores. Os alunos assistiram a um vídeo sobre a
música Paisagem na janela, que foi reestruturado pela autora da pesquisa, com
imagens relacionadas a paisagens naturais e culturais, disponibilizado no Youtube
(FERNANDES, 2021). Em seguida, foi realizada uma atividade complementar com o
objetivo de exercitar o que foi apresentado na aula, na parte relacionada a música,
eles entenderam como um desafio e foi uma ótima proposta considerando atenção e
conhecimento, pois ao término da música deveriam dizer quais paisagens naturais e
culturais faziam parte dela. Ao fim da aula todos verbalizaram que entenderam o
conceito de paisagem natural e cultural.
Porém, as perguntas com respostas discursivas tiveram mais dificuldades,
embora soubessem responder oralmente, no momento da escrita as ideias
aconteciam de uma forma diferente, menos elaborada e eficiente na construção da
resposta. A dificuldade não era na escrita, mas em colocar o pensamento em ordem
e ter uma coesão no que estava sendo escrito, além da insegurança, mesmo
respondendo corretamente de forma oral. Essa deficiência foi percebida ao longo dos
dias nas demais atividades, o período de aulas remotas durante a pandemia pode ter
contribuído nessa problemática. As perguntas objetivas foram uma forma de melhorar
essa defasagem e também incluir os alunos com necessidades educacionais que
atingem melhores resultados nesse formato. Nesta aula trabalhamos a seguinte
competência:
1. Utilizar os conhecimentos geográficos para entender a interação
sociedade/natureza e exercitar o interesse e o espírito de investigação e de
resolução de problemas.
Nas últimas questões relacionadas a atividades complementar, solicitava que
os alunos tirassem fotos de paisagens naturais e culturais no entorno de suas casas
e observassem se ele havia identificado algum problema (lixo, erosão, desmatamento,
esgoto etc.) nas paisagens que fotografou, na aula seguintes de posse das fotos que
os estudantes tiraram, discutimos sobre esses problemas encontrados.
73.
73
A partir dosegundo encontro, as aulas fluíram melhor, pois as dificuldades
encontradas na elaboração das atividades no primeiro dia foram sanadas, inclusive a
atividade presente neste relatório do primeiro dia está modificada. A professora titular
relatou que após a segunda aula sobre desmatamento-incêndios no Seridó Potiguar,
os alunos tiveram facilidade de compreender melhor uma aula de História que falava
sobre essa temática, que aconteceu no dia seguinte.
No terceiro encontro, os mapas da Figura 04 do Seridó Potiguar que constam
neste relatório foram analisados pelos alunos, eles observaram que o corpo hídrico
tinha uma quantidade muito inferior ao de solo e a vegetação, e no Mapa 05 era ainda
menor.
Em todas as atividades complementares havia um momento que deveria ser
realizado em casa, sejam por motivos de pesquisa ou por necessitar respostas em
conjunto da família, em uma delas havia a pergunta relacionada a separação de lixo
em casa, foi elaborada uma resposta que nessa casa não separava o lixo para coleta
por falta de tempo. Foi explicado aos estudantes que separar o lixo para reciclagem
não tinha relação com tempo, mas com hábito e educação, a importância deste ato
para contribuir com o meio ambiente, é necessário apenas um espaço diferente para
armazenar os diferentes tipos de resíduos. O segundo e o terceiro encontro tiveram
desdobramentos sobre o desmatamento, abordando os incêndios e as atividades
econômicas. Foram trabalhadas as seguintes competências:
2. Estabelecer conexões entre diferentes temas do conhecimento geográfico,
reconhecendo a importância dos objetos técnicos para a compreensão das
formas como os seres humanos fazem uso dos recursos da natureza ao longo
da história.
3. Desenvolver autonomia e senso crítico para compreensão e aplicação do
raciocínio geográfico na análise da ocupação humana e produção do espaço,
envolvendo os princípios de analogia, conexão, diferenciação, distribuição,
extensão, localização e ordem.
4. Desenvolver o pensamento espacial, fazendo uso das linguagens
cartográficas e iconográficas, de diferentes gêneros textuais e das
geotecnologias para a resolução de problemas que envolvam informações
geográficas.
5. Desenvolver e utilizar processos, práticas e procedimentos de investigação
para compreender o mundo natural, social, econômico, político e o meio
técnico-científico e informacional, avaliar ações e propor perguntas e
74.
74
soluções (inclusive tecnológicas)para questões que requerem
conhecimentos científicos da Geografia.
No quarto encontro, aula referente ao solo, os alunos estavam dispersos e foi
a aula com menor participação. Porém, na atividade se esforçaram e compreenderam
os pontos importantes de aprendizagem para o tema. Tiveram dúvidas em relação à
desertificação, compreenderam bem a questão do solo sem vegetação, que pode
acarretar erosão e menos absorção das águas da chuva, e o que pode acontecer com
casas construídas em morros com erosão e sem vegetação; também a problemática
envolvendo o agrotóxico, no tocante a quantidade de uso contínuo. Foram trabalhadas
as seguintes competências:
1. Utilizar os conhecimentos geográficos para entender a interação
sociedade/natureza e exercitar o interesse e o espírito de investigação e de
resolução de problemas.
6. Construir argumentos com base em informações geográficas, debater e
defender ideias e pontos de vista que respeitem e promovam a consciência
socioambiental e o respeito à biodiversidade e ao outro, sem preconceitos de
qualquer natureza.
7. Agir pessoal e coletivamente com respeito, autonomia, responsabilidade,
flexibilidade, resiliência e determinação, propondo ações sobre as questões
socioambientais, com base em princípios éticos, democráticos, sustentáveis
e solidários
O quinto encontro, aula sobre a fauna e a flora, teve mais participação dos
estudantes, muitos visitam a zona rural e conheciam alguns dos animais
apresentados, gostaram e relataram que a anterior tinha sido um assunto menos
atraente, embora tenha seguido o mesmo percurso das aulas anteriores e posteriores,
realmente houve uma grande diferença em relação às outras aulas. Competências
desenvolvidas na última aula da sequência didática:
3. Desenvolver autonomia e senso crítico para compreensão e aplicação do
raciocínio geográfico na análise da ocupação humana e produção do espaço,
envolvendo os princípios de analogia, conexão, diferenciação, distribuição,
extensão, localização e ordem.
75.
75
5. Desenvolver eutilizar processos, práticas e procedimentos de investigação
para compreender o mundo natural, social, econômico, político e o meio
técnico-científico e informacional, avaliar ações e propor perguntas e
soluções (inclusive tecnológicas) para questões que requerem
conhecimentos científicos da Geografia.
6. Construir argumentos com base em informações geográficas, debater e
defender ideias e pontos de vista que respeitem e promovam a consciência
socioambiental e o respeito à biodiversidade e ao outro, sem preconceitos de
qualquer natureza.
O último encontro foi a aplicação do jogo, com a colaboração da professora
titular e da professora de Educação Especial. Organizamos os estudantes em grupos,
tivemos o cuidado de dar protagonismo aos estudantes que percebemos com mais
dificuldade de aprendizagem e os mais tímidos, eles foram os líderes que convocaram
os demais componentes para seus grupos e a forma das relações interpessoais foi
modificada. Um resultado curioso, foi o protagonismo deles na partida, não sabemos
se este resultado fluiu devido a esta responsabilidade de liderança, a dinâmica do jogo
que proporciona mais atitudes ou a relação entre as duas ações possibilitaram um
maior envolvimento destes estudantes. Expliquei sobre as regras do jogo de Tabuleiro
geográfico do Seridó Potiguar, eles entenderam e cumpriram as regras, ficaram
entusiasmados e concentrados.
A partida ocorreu sem problemas, houve colaboração entre os pares, e o que
mais chamou atenção foi o caráter não competitivo entre eles, pois quando um grupo
errava alguma pergunta, os outros ficavam compadecidos e ainda diziam, como
erraram isso? O comportamento dos alunos foi de companheirismo, não houve
direcionamento para a disputa e os que perderam aceitaram o resultado, sem
problema algum.
Duas perguntas relacionadas às cartas não foram respondidas por dois grupos
que não souberam a resposta, embora, dois grupos participantes soubessem as
respostas, foi percebido na fala dos colegas, porém, essas cartas saíram mais ao final
do jogo e já havia mais competitividade entre eles. As duas perguntas foram discutidas
em sala de aula, em mais de um momento, inclusive a professora titular não acreditou
que eles não sabiam a resposta, foram elas:
76.
76
Figura 14: Errosnas respostas
Fonte: Jessiane Dantas Fernandes (2022).
Durante a aplicação do jogo, foi percebido que alguns estudantes continuavam
sem compreender essas definições, o que foi demonstrado quando erraram as
perguntas sobre essa temática de acordo com a expectativa de resposta planejada.
O grupo que terminou o percurso primeiro não soube responder à última pergunta
impressa do tabuleiro (Identifique dois rios da região do Seridó) e não somou os 10
pontos a eles destinados, quando terminam em primeiro lugar. Após o término do jogo
perguntei se o tempo tinha sido satisfatório e o que eles tinham achado do jogo? A
maioria respondeu que o tempo foi suficiente e que as perguntas estavam dentro do
contexto do que foi estudado na sequência didática e gostaram do jogo.
A partida teve um empate triplo, como mostra a Figura 15, foi decidido no
zerinho ou um, e o grupo que ganhou retirou uma carta, responderam à pergunta
corretamente e ganharam a partida.
Figura 15: Resultado da partida
Fonte: Jessiane Dantas Fernandes (2022)
77.
77
Perante o bomdesenvolvimento dos estudantes e a participação de todos
durante as nove aulas, a professora titular da sala, resolveu utilizar as aulas e o jogo
para atribuir parte da avaliação no corrente bimestre. O aluno com TEA teve um
problema de saúde e faltou neste dia, a aluna com TDAH participou normalmente do
jogo, porém em um determinado momento necessitou dar uma volta na escola, o que
é comum acontecer diariamente no decorrer do ano letivo, faz parte da sua rotina e
da sua necessidade, também acontecia no período da sequência didática com os dois
alunos com necessidades especiais. Os estudantes com mais dificuldade de
aprendizagem e os mais tímidos, durante as aulas da sequência didática, tiveram seu
lugar protagonista quando era sua vez na partida, e também contribuindo nas
respostas assertivas do seu grupo. O jogo proporcionou aos estudantes sair da zona
de conforto, pois, mesmo sabendo as respostas, se não tomassem atitudes, seu grupo
perderia ponto, então eles se tornaram mais participativos e ativos no ato de jogar. As
posturas surpreenderam positivamente os colegas e a professora titular, pois elas
foram relacionadas ao aprendizado e também a desenvoltura desses estudantes que
não costuma ser comum no dia a dia da sala de aula.
A dinâmica do jogo fluiu de forma positiva, com uma funcionalidade adequada,
não houve pontos significativos que travassem a partida, isso se deu a construção das
regras e a forma como foram entendidas pelos estudantes. A aplicação do jogo foi
uma avaliação de todas as competências propostas, com um excelente resultado
relacionado à aprendizagem, autonomia, desenvoltura, movimento, protagonismo e
descontração.
Registro da partida do Tabuleiro geográfico do Seridó Potiguar, realizado no
dia da sua aplicação, na Escola Estadual Vilagran Cabrita, na figura 16. No momento
da foto, os times estavam sendo retirados, portando a ordem dos cones não estavam
dentro do proposto na regra. Em seguida, foi colocado na ordem das regras do jogo.
Foi necessário modificar duas regras, a do empate triplo e em qual momento terminar
o jogo, não haviam sido pensadas.
78.
78
Figura 16: Registroda partida
Fonte: Jessiane Dantas Fernandes (2022)
Quando pensamos em uma proposta pedagógica é importante aplicá-la.
Através da aplicação foi possível detectar alguns ajustes necessários que passariam
despercebidos, detalhes consideráveis que fizeram a diferença na escrita desta parte
do trabalho, nas abordagens da SD e nas regras deste jogo.
O fazer pedagógico acontece entre professor e aluno, eles são indissociáveis,
é um aprendizado em conjunto, os estudantes detalham em suas perguntas e
comportamentos a condução de uma aula, como absorveram os ensinamentos
propostos. Afinal, o professor ensina para sujeitos pensantes e críticos, com uma
bagagem prévia. A mediação desses conhecimentos prévios cabe ao professor
direcionar com metodologia e didática necessária para aprimorar o pensamento
cognitivo dos discentes.
79.
79
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O plenodesenvolvimento do educando e o seu preparo para o exercício da
cidadania, como previsto na Constituição Federal e na LDB, serviram de base para o
desenvolvimento deste trabalho que buscou a criação de recursos pedagógicos
educacionais, pensando em colaborar com o conhecimento e protagonismo do aluno,
nas aulas de Geografia. Ao compreenderem a localização, as particularidades e os
problemas ambientais da região do Seridó Potiguar, os estudantes podem inferir
possíveis soluções para alguns dos problemas apresentados e dessa forma, estamos
contribuindo na formação de um cidadão, conhecedor de seus direitos e deveres.
A partir da compreensão da identidade regional, inicia-se a construção histórica
social do estudante que se percebe imerso em sua cultura, entendendo o seu lugar
de vivência na relação com o seu meio social. A pesquisa realizada no Corpo de
Bombeiros proporcionou a visualização quantificada de um problema ambiental que é
presente na região do Seridó Potiguar e o desdobramento dessas ações no meio
ambiente. Os mapas que retratam esta região nos anos de 2010 e 2022 permitem
observar as modificações ocorridas nesse espaço ao longo de uma década e
relacionar as mudanças às produções de trabalho que existem nessa região como as
indústrias das cerâmicas, de massas, a pecuária, a expansão das residências etc.
Considerando que o desmatamento provoca uma cadeia de consequências negativas
para o solo, o ar e a água, prejudicando o ecossistema. A caatinga como um dos
objetos de estudo que aproxima os estudantes da fauna e da flora existente nesta
região.
Este trabalho teve seu objetivo geral alcançado, quando elaborou a Sequência
Didática, Caatinga no Seridó Potiguar e do jogo de Tabuleiro geográfico do Seridó
Potiguar, pois ampliou o conhecimento dos envolvidos e a interdisciplinaridade esteve
presente em todo o percurso. Bem como, com os objetivos específicos: Descrever a
Geografia Escolar do Ensino Fundamental – Anos Iniciais, correlacionando com os
objetos de conhecimento da BNCC e do Documento Curricular do Estado do Rio
Grande do Norte. Caracterizar os problemas ambientais do Seridó Potiguar referente
ao desmatamento, a água e o solo. Apresentar os objetivos de ensino presente na
80.
80
sequência didática eos objetivos de ensino e aprendizagem presente no jogo de
Tabuleiro geográfico do Seridó Potiguar; aplicar a Sequência Didática e o jogo de
Tabuleiro geográfico do Seridó Potiguar, considerando o nível de conhecimento
identificado sobre o espaço geográfico de estudantes do 4º ano do Ensino
Fundamental – Anos Iniciais, numa escola da rede pública estadual de ensino em
Caicó/RN.
A pesquisa contribuiu com a aprendizagem geográfica dos alunos, pois eles
foram protagonistas nas pesquisas, nos relatos de suas vivências, na observação,
registros do seu entorno e no jogo, pois o grupo precisava responder para obter
sucesso, trabalhando em parceria e construindo novos aprendizados. Trazer para
escola as vivências dos alunos facilita a compressão do conteúdo, pois há uma
familiarização presente no dia a dia dos estudantes, não ficando apenas na
subjetividade do pensamento, embora ele também tenha acontecido, mas os
problemas que são visualizados tendem a ter um melhor aprendizado.
O jogo do Tabuleiro geográfico do Seridó Potiguar também pode ser utilizado
em outra perspectiva, a do diagnóstico para alunos do 5º e 6º anos que já viram esta
habilidade (EF04GE1115), e exclusivamente nesse caso pode ser dissociado da
sequência didática. É uma forma de saber como estão os conhecimentos adquiridos
de forma lúdica, podendo utilizar um relato pós jogo para saber como está o nível de
escrita da turma.
Conhecer e compreender seu lugar de vivência é importante para entender a
complexidade do todo (estado, país, continente e a Terra). Quando pesquisamos
sobre a nossa vivência, descobrimos acontecimentos que não conhecíamos, ou
conhecíamos, mas não compreendemos, um sentimento maior de pertencimento
daquela cultura, daquele lugar nos invade.
Percebemos que jogos proporcionam ludicidade e participação do discente no
ambiente de ensino-aprendizagem, potencializando a coletividade como forma de
aprender e socializar essa aprendizagem. Ao perceber que todas as nossas ações
causam reações e impactos, sejam positivos ou negativos, estamos perante um novo
15
Identificar as características das paisagens naturais e antrópicas (relevo, cobertura vegetal, rios
etc.) no ambiente em que vive, bem como a ação humana na conservação ou degradação dessas
áreas.
81.
81
olhar para aTerra, diante de indivíduos que farão a diferença a partir de sua
localidade, com pequenas ações do dia a dia, construindo um espaço geográfico mais
equilibrado ambientalmente. Conhecer e compreender seu lugar de vivência é
também compreender a complexidade do todo.
Por fim, encontramos no gênero Sequência Didática uma das maneiras
possíveis de se produzir materiais alternativos ao livro didático, sobretudo para
contemplar as temáticas aplicadas ao lugar de vivência do aluno e para aprofundar
temáticas regionais que se excluem das possibilidades curriculares do livro didático.
Em outros termos, a SD é um lugar de pesquisa e produção de saberes escolares. No
caso específico desta pesquisa, foi um espaço para contextualizar um recurso didático
elaborado (o jogo de tabuleiro), que se alia ao lúdico, tão caro às crianças, à
aprendizagem efetiva da Geografia nos anos iniciais do Ensino Fundamental.
82.
82
REFERÊNCIAS
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Horizontes Pedagógicos, 1997.
ARAÚJO FILHO, J. C. Relação solo e paisagem no bioma caatinga. In:
SIMPÓSIO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA FÍSICA APLICADA, 14., 2011, Dourados.
"Dinâmicas socioambientais das inter-relações às interdependências". Dourados:
UFGD, 2011.
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União Europeia. São Paulo: FFLCH – USP. 2017.
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1996. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm. Acesso em:
05 fev. 2022.
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2018. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br . Acesso em 08 de nov.
2021.
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4
Apresentação
Este material foidesenvolvido objetivando criar objetos de aprendizagem com
uma Sequência Didática (recurso educacional de ensino), e considerando o uso de
um jogo analógico (recurso educacional de ensino e de aprendizagem), intitulado
Tabuleiro geográfico do Seridó Potiguar, elaborado para esta sequência. Espera-se
que este material contribua com as aulas de Geografia no 4º ano do Ensino
Fundamental – Anos Iniciais, a partir da observação da habilidade EF04GE1116.
Sua motivação, portanto, centra-se na possibilidade de os estudantes
conhecerem os papéis que devem realizar na conservação do planeta, na percepção
da interferência da ação humana no meio ambiente, na construção de um saber
geográfico que ultrapasse os muros escolares e perpasse a vida em sociedade.
Compreendendo as particularidades referentes à região do Seridó Potiguar, seu lugar
de vivência, a sequência estimou nove aulas, com cinco atividades complementares
para aplicação da Sequência Didática e do jogo de Tabuleiro geográfico do Seridó
Potiguar, utilizando a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e o Documento
Curricular do Rio Grande do Norte (DCRN) como base de referência.
No mundo contemporâneo, vivemos uma crise ambiental sem precedentes, que
exige novos modelos de convivência com os recursos naturais e, portanto, com a
natureza. Esta sequência visa a aprendizagem nesse contexto.
Embora estes produtos estejam direcionados para a aprendizagem no 4º ano,
é possível utilizá-lo em outra perspectiva, a do diagnóstico para alunos do 5º e 6º anos
que já terão trabalhado a habilidade EF04GE11, e, exclusivamente nesse caso, pode
ser dissociado da sequência didática, ou seja, aplicado somente o jogo. Assim, sua
aplicabilidade pode ser esta outra forma de consolidação de aprendizagem: saber
como estão os conhecimentos adquiridos de forma lúdica, podendo-se utilizar um
relato pós jogo para diagnosticar como está o nível de escrita da turma.
Nessa perspectiva, apesar dos produtos terem sido centrados em uma
realidade específica, relacionada à região do Seridó Potiguar, existem mais duas
16
Identificar as características das paisagens naturais e antrópicas (relevo, cobertura vegetal, rios etc.)
no ambiente em que vive, bem como a ação humana na conservação ou degradação dessas áreas.
94.
5
possibilidades de trabalhoa partir da sua estrutura organizacional, que pode ser
adaptada para o ensino de outras regiões e outros contextos geográficos, utilizando
mapas, dados, imagens próprias na realidade do seu interesse. Como também pode
auxiliar o professor de outra região brasileira a trabalhar a temática do Nordeste ou da
Caatinga, considerando a similaridade do Nordeste caatingueiro com o Seridó
Potiguar.
Existem dois tipos de ilustrações17 na Sequência Didática, as pinturas, que
foram produzidas exclusivamente para esta pesquisa pelo artista seridoense Custódio
Jacinto de Medeiros, e as fotografias referentes à fauna e flora do Seridó Potiguar,
que pertencem ao acervo do professor Valter Borman de Medeiros Júnior. Também
está disponível no meu canal, a música18 Paisagem na Janela, cantada por Luiza
Possi, com uma montagem relacionada às paisagens naturais e culturais; esta música
é substituível por outra de preferência do docente. Na terceira e quarta aula são
utilizadas estatísticas e mapas da região do Seridó Potiguar, que podem ser,
igualmente, adaptadas para outras realidades. Estes dados são o ponto de partida
para entender o Seridó Potiguar no município de Caicó-RN. Inserido no plano de aula,
há um campo intitulado “um breve relato”, que situa o conteúdo, com um resumo.
Para o desenvolvimento destes produtos, o percurso foi estruturado a partir do
Desenvolvimento das competências e objetivos de aprendizagem presentes na
sequência didática e no tabuleiro geográfico do Seridó Potiguar, no qual se
apresentam as competências e os objetivos de aprendizagem envolvidos nesta
prática.
Em seguida, tem-se uma abordagem sobre a Sequência Didática como recurso
educacional de ensino, ampliando sua conceituação.
No terceiro momento, há o conjunto de Planos de Aulas que orientam a
Sequência Didática, dividido em nove aulas, sendo utilizado seis dias.
A seguir, temos a apresentação do Jogo de tabuleiro geográfico do Seridó
Potiguar e suas regras.
17
Ilustrações autorizadas para reprodução com fins pedagógicos deste material.
18
(1978) Música para trabalhar Geografia: Paisagens Naturais e Paisagens Culturais - YouTube
95.
6
Por último, aimagem do tabuleiro e as cartinhas, frente e verso, com perguntas.
O verso das cartinhas é diferenciado, essa proposta foi intencional, para que o
estudante ao entrar em contato com elas, possa visualizar a diversidade da fauna e
da flora existente no Seridó Potiguar. Termina-se esse produto com o Apêndice, que
localiza as respostas ou as expectativas de respostas para todas as atividades
propostas nesta sequência.
96.
7
1
Desenvolvimento das competênciase objetivos de aprendizagem
selecionados para a sequência didática e o Tabuleiro Geográfico do
Seridó Potiguar
As abordagens e os conhecimentos geográficos aprimorados ao longo dos
anos na Educação Básica permitem, ao estudante, o conjunto das competências
necessárias ao seu desenvolvimento cognitivo. Entendemos por competências, os
conhecimentos e as habilidades mobilizados nas práticas da vida real, orientados por
um pensamento crítico (BRASIL, 2018, p. 8).
Durante a aplicação da Sequência Didática e do Tabuleiro geográfico do Seridó
Potiguar, observa-se a contribuição, para a aprendizagem do aluno, das seguintes
competências:
1. Utilizar os conhecimentos geográficos para entender a interação
sociedade/natureza e exercitar o interesse e o espírito de investigação
e de resolução de problemas.
2. Estabelecer conexões entre diferentes temas do conhecimento
geográfico, reconhecendo a importância dos objetos técnicos para a
compreensão das formas como os seres humanos fazem uso dos
recursos da natureza ao longo da história.
3. Desenvolver autonomia e senso crítico para compreensão e
aplicação do raciocínio geográfico na análise da ocupação humana e
produção do espaço, envolvendo os princípios de analogia, conexão,
diferenciação, distribuição, extensão, localização e ordem.
4. Desenvolver o pensamento espacial, fazendo uso das linguagens
cartográficas e iconográficas, de diferentes gêneros textuais e das
geotecnologias para a resolução de problemas que envolvam
informações geográficas.
5. Desenvolver e utilizar processos, práticas e procedimentos de
investigação para compreender o mundo natural, social, econômico,
político e o meio técnico-científico e informacional, avaliar ações e
propor perguntas e soluções (inclusive tecnológicas) para questões
que requerem conhecimentos científicos da Geografia.
97.
8
6. Construir argumentoscom base em informações geográficas,
debater e defender ideias e pontos de vista que respeitem e promovam
a consciência socioambiental e o respeito à biodiversidade e ao outro,
sem preconceitos de qualquer natureza.
7. Agir pessoal e coletivamente com respeito, autonomia,
responsabilidade, flexibilidade, resiliência e determinação, propondo
ações sobre as questões socioambientais, com base em princípios
éticos, democráticos, sustentáveis e solidários
As competências norteiam o fazer pedagógico, possibilitando relacionar as
aprendizagens nos diversos contextos vividos pelos estudantes, como o social, o
cultural, o econômico, o político, o científico, entre outros.
No tocante aos objetivos de aprendizagem, é importante defini-los de forma
clara e objetiva, pois é a partir deles que o planejamento acontece, favorecendo o
ensino e direcionando a aprendizagem do estudante. A aplicação desta Sequência
Didática e do Tabuleiro geográfico do Seridó Potiguar se orientam pelos seguintes
objetivos de aprendizagem:
● Compreender paisagens naturais e culturais;
● Identificar a região do Seridó Potiguar;
● Entender a leitura de um gráfico;
● Desenvolver habilidades envolvidas na realização de pesquisa em
grupo;
● Identificar elementos dos mapas e conhecer as funções de cada um;
● Compreender os problemas ambientais do Seridó Potiguar
relacionados ao desmatamento, solo e água;
● Conhecer a fauna e a flora da Região do Seridó Potiguar.
Os objetivos de aprendizagem estão articulados para que, ao final desse
processo, os estudantes possam compreender e, posteriormente, inferir suas
percepções e ações em seu lugar de vivência, preservando o meio ambiente, estando
atento às problemáticas ambientais que estão no seu entorno.
98.
9
2
Sequência didática -Recurso Educacional de Ensino
A ação educativa desta proposta objetiva uma sequência didática que antecede
à apresentação do jogo para o estudante, preparando e contextualizando-o para a
aplicação do jogo.
Na concepção de Zabala (1998, p. 63), a sequência didática deve conter “o
maior grau de significância das aprendizagens”, ou seja, é necessário sistematizar os
conhecimentos prévios dos alunos em relação aos objetos de conhecimento que
serão discutidos na escola, buscando aproximar o ensino escolar do contexto dos
estudantes. É uma estratégia de ensino que organiza atividades pedagógicas
conforme o eixo temático desejado, ou seja, é um recurso metodológico da atividade
de ensino do professor. Neste produto, o tema relaciona-se à região e aos problemas
ambientais do Seridó Potiguar com uma abordagem interdisciplinar.
Nessa perspectiva, a sequência didática apresenta um conjunto de sete aulas
integradas para alunos do 4º ano dos Anos Iniciais, em consonância com a BNCC e
o DCRN, incluindo a organização de seus objetivos e habilidade (EF04GE1119) a
serem alcançados, finalizando com a avaliação do conteúdo que foi trabalhado. Essa
sequência prioriza a ludicidade por meio do jogo de tabuleiro geográfico e também ao
longo do processo dessas aulas, de forma contínua.
É a partir da sequência didática que os estudantes terão subsídios para
compreender a temática e jogar o Tabuleiro geográfico do Seridó Potiguar. São
atividades diversificadas, com direcionamento para observar o entorno de onde se
vive, por meio das fotografias (inserindo as tecnologias digitais), tiradas por eles, com
a intencionalidade de promover o pensamento crítico quando se observar o lugar de
vivência e se percebe os problemas existentes.
19
Identificar as características das paisagens naturais e antrópicas (relevo, cobertura vegetal, rios
etc.) no ambiente em que vive, bem como a ação humana na conservação ou degradação dessas
áreas.
99.
10
A sequência didáticaalinha-se à pesquisa como princípio educativo para que o
estudante tenha uma leitura melhor do mundo e possa escrever sobre suas
percepções, sem um contexto fragmentado do ensino:
Educar pela pesquisa tem como condição essencial primeira que o
profissional da educação seja pesquisador, ou seja, maneje a pesquisa
como princípio científico e educativo e a tenha como atitude cotidiana.
Não é o caso de fazer de um pesquisador “profissional”, sobretudo na
educação básica, já que não a cultiva em si, mas como instrumento
principal do processo educativo. Não se busca um “profissional da
pesquisa”, mas um profissional da educação pela pesquisa (DEMO,
2015, p. 2).
O professor pesquisador contribui de maneira mais significativa no ensino-
aprendizagem dos estudantes, pois o processo se torna mais direcionado e assertivo.
Geralmente, uma sequência didática dispõe de um plano de aula e uma atividade
complementar para cada conteúdo listado. Além disso, contém uma explicação em
forma de um pequeno relato sobre o conteúdo do plano de aula. Pressupondo essa
explicação, esta sequência didática foi estruturada considerando os seguintes
conteúdos:
● Paisagens naturais e culturais do Seridó Potiguar;
● Desmatamento-incêndios no Seridó Potiguar (Leitura e
interpretação de gráficos);
● Desmatamento no Seridó Potiguar (Leitura e interpretação de
mapas);
● Solo e água;
● Fauna e flora do Seridó Potiguar.
Embora o objetivo desta pesquisa seja o componente curricular da Geografia,
trabalhamos de forma interdisciplinar e apresentamos o quadro da BNCC e do DCRN,
constituído das habilidades que são trabalhadas em todo o currículo escolar do Ensino
Fundamental, ou seja, com os demais componentes curriculares.
100.
11
Quadro 1: ComponentesCurriculares.
COMPONENTE
UNIDADE
TEMÁTICA
OBJETOS DE
CONHECIMENTO
HABILIDADES
Geografia
Natureza,
ambientes e
qualidade de
vida
Conservação e degradação
da natureza
(EF04GE11) Identificar as características das paisagens
naturais e antrópicas (relevo, cobertura vegetal, rios etc.) no
ambiente em que vive, bem como a ação humana na
conservação ou degradação dessas áreas.
Português
Todos os
campos de
atuação
Oralidade
pública/Intercâmbio
conversacional em sala de
aula
(EF15LP09) Expressar-se em situações de intercâmbio oral
com clareza, preocupando-se em ser compreendido pelo
interlocutor e usando a palavra com tom de voz audível, boa
articulação e ritmo adequado.
Escrita colaborativa
(EF35LP15) Opinar e defender ponto de vista sobre tema
polêmico relacionado a situações vivenciadas na escola e/ou
na comunidade, utilizando registro formal e estrutura
adequada à argumentação, considerando a situação
comunicativa e o tema/assunto do texto.
Arte Artes integradas Matrizes estéticas e culturais
(EF15AR24) Caracterizar e experimentar brinquedos,
brincadeiras, jogos, danças, canções e histórias de diferentes
matrizes estéticas e culturais.
101.
12
Educação
Física
Brincadeiras e
jogos
Brincadeiras ejogos
populares do Brasil e do
mundo
(EF35EF02) Planejar e utilizar estratégias para possibilitar a
participação segura de todos os alunos em brincadeiras e
jogos populares do Brasil e de matriz indígena e africana.
Matemática
Probabilidade e
estatística
Leitura, interpretação e
representação de dados em
tabelas de dupla entrada,
gráficos de colunas simples e
agrupadas, gráficos de
barras e colunas e gráficos
pictóricos
(EF04MA27) Analisar dados apresentados em tabelas simples
ou de dupla entrada e em gráficos de colunas ou pictóricos,
com base em informações das diferentes áreas do
conhecimento, e produzir texto com a síntese de sua análise.
História
Transformações
e permanências
nas trajetórias
dos grupos
humanos
O passado e o presente: a
noção de permanência e as
lentas transformações sociais
e culturais
(EF04HI03) Identificar as transformações ocorridas na cidade
ao longo do tempo e discutir suas interferências nos modos de
vida de seus habitantes, tomando como ponto de partida o
presente.
Ciência Vida e evolução
Características e
desenvolvimento dos animais
(EF03CI04) Identificar características sobre o modo de vida (o
que comem, como se reproduzem, como se deslocam etc.)
dos animais mais comuns no ambiente próximo.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (2018).
102.
13
3
Plano de aulae Atividades complementares
GEOGRAFIA
4º ANO - 1ª e 2ª aulas
UNIDADE TEMÁTICA OBJETOS DE CONHECIMENTO HABILIDADES
Natureza, ambientes e
qualidade de vida
Conservação e degradação da
natureza
EF04GE11
OBJETIVO
Diferenciar as paisagens naturais e culturais
CONTEÚDO
Paisagens naturais e culturais
RECURSOS DIDÁTICOS
Datashow, computador, caixa de som e atividade impressa
PROBLEMATIZAÇÃO
O que é Paisagem? Qual a diferença entre paisagens naturais e
antrópicas/culturais? As paisagens são apenas as que são consideradas bonitas?
UM BREVE RELATO SOBRE AS PAISAGENS
As paisagens do Seridó Potiguar têm relação com o clima semiárido, com a
Caatinga, com seus rios intermitentes (Seridó, Sabugi, Barra Nova, Salgado e
Acauã). Suas paisagens diversas são trabalhadas didaticamente nos Anos Iniciais.
Este conceito geográfico é relacionado à definição de tudo que podemos apreender
espacialmente, por meio de habilidades sensitivas (domínio visível, texturas,
temperatura, cores, movimento, odores e sons). A paisagem é uma categoria da
103.
14
Geografia e podeser classificada em naturais (com elementos predominantemente
da natureza), na qual sua transformação acontece por meio dos fenômenos naturais
como vento, chuva, animais e culturais ou antrópicas (em que há o predomínio da
ação humana), quando suas transformações ocorrem por meio das intervenções de
obras pela espécie humana. Entre outros aspectos, como paisagens que causam
medo, alegrias, bem-estar ou as paisagens que trazem memórias. Para Souza
(2013, p. 51):
A dialética da oposição e da união entre natureza e sociedade
(ou cultura) é, ao lado de outras tantas, como a concernente
aos vínculos entre rural e urbano, ou entre autêntico (ou
primitivo, ou natural, ou original/originário, ou a autóctone, ou
vernacular) e artificial, uma das que podem ser pensadas com
o auxílio da reflexão sobre as apresentações da paisagem em
cada momento histórico, em cada contexto geográfico e nos
marcos de cada imaginário específico.
Somos seres bio-psíquico-histórico-sociais, transformamos as paisagens por meio
de nossas ações, a própria natureza transforma as paisagens com seus fenômenos
naturais. Dessa forma, o ser humano é “[...] portanto, um ser plenamente biológico,
mas, se não dispusesse plenamente da cultura, seria um primata do mais baixo
nível. A cultura acumula em si o que é conservado, transmitido, aprendido, e
comporta normas e princípios de aquisição” (MORIN, 2002, p. 52). As memórias de
infância e juventude estão ligadas a determinadas paisagens; nem sempre essas
lembranças são positivas. Tuan (1983, p. 180) enfatiza que “muitos lugares,
altamente significativos para certos indivíduos e grupos, têm pouca notoriedade
visual. São conhecidos emocionalmente e não através de olhos críticos ou da
mente”.
DESENVOLVIMENTO
Estas serão aulas expositivas, utilizando slides que evidenciem paisagens naturais
e culturais. Utilizamos, como recursos didáticos, fotografias do município de Caicó,
uma música intitulada Paisagem na Janela (Luiza Possi), inserida no canal
104.
15
pessoal20, e areferência de aula do segundo vídeo21. Após a exposição da aula,
iniciar a atividade complementar. Socializar com os estudantes na aula seguinte,
uma parcial das imagens que eles irão fotografar para verificar a compreensão do
assunto, e se é possível perceber igualdades e desigualdades sociais a partir das
imagens que retratam o entorno das casas dos estudantes.
Escola:_________________________________________________________
Nome:__________________________________________________________
Atividade Complementar
1. Assinale V para verdadeiro e F para falso, para as seguintes perguntas.
____ A paisagem é relacionada à definição de tudo que podemos apreender
espacialmente por meio de habilidades sensitivas (domínio visível, cores,
movimento, odores e sons).
____ A paisagem pode ser classificada em naturais (com elementos
predominantemente da natureza) e culturais ou antrópicas (em que há o predomínio
da ação humana).
____ A paisagem natural tem a interferência do ser humano.
2. Quais as paisagens naturais e culturais/antrópicas que você observou nas
fotografias apresentadas na música, Paisagem na Janela?
Naturais Culturais/Antrópicas
20
(1978) Música para trabalhar Geografia: Paisagens Naturais e Paisagens Culturais - YouTube
21
(1978) Aula: Paisagens Naturais e Culturais - YouTube
105.
16
a) Classifique oselementos presentes nas imagens apresentadas, N para elementos
naturais e C para elementos culturais.
____ Céu ____ Igreja
____ Vegetação ____ Praça
____ Rio ____ Açude
4. Das paisagens apresentadas na aula:
a) Cite uma paisagem natural que foi modificada pelo homem.
___________________________________________________________________
a) Quais os impactos dessa modificação no lugar, foram positivos ou negativos? Por
quê?
_________________________________________________________________
4. A paisagem que você observa na sua rua é igual em dias ensolarados e
chuvosos?
_________________________________________________________________
106.
17
a) Quais asmudanças que ocorrem na sua rua em dias chuvosos?
_________________________________________________________________
b) Explique com suas palavras a definição da palavra paisagem? (pesquisar em
dicionário, internet ou livros).
_________________________________________________________________
_________________________________________________________________
5. Utilize seu celular ou do seu responsável para registrar seis paisagens no
entorno da sua casa, sendo três culturais/antrópicas e três naturais. Enviar pelo
WhatsApp do estudante ou responsável e explicar. [para casa].
6. Você identificou algum problema (lixo, erosão, desmatamento, esgoto etc.)
nas paisagens que fotografou ou no caminho para escola, quais? [para casa].
_________________________________________________________________
_________________________________________________________________
107.
18
GEOGRAFIA
4º ANO -3ª aula
UNIDADE TEMÁTICA OBJETOS DE CONHECIMENTO HABILIDADES
Natureza, ambientes e
qualidade de vida
Conservação e degradação da
natureza
EF04GE11
OBJETIVO
Conhecer os números pesquisados junto ao Corpo de Bombeiros sobre os
incêndios na região do Seridó potiguar e compreender os transtornos que podem
causar ao meio ambiente.
CONTEÚDO
Desmatamento-incêndios (Leitura e interpretação de gráficos)
RECURSOS DIDÁTICOS
Datashow e computador
PROBLEMATIZAÇÃO
Quais dados existem em relação aos incêndios na região Seridó Potiguar? Quais
são as causas desses incêndios? Quais os impactos em relação ao solo, água, ar,
fauna, flora e o ser humano?
UM BREVE RELATO DO DESMATAMENTO NO SERIDÓ POTIGUAR
O desmatamento provocado pelas cerâmicas, os incêndios em áreas florestais
rurais e urbanas na Região do Seridó Potiguar aumentam o percentual de área
desmatada. Segundo o Corpo de Bombeiros Militar – Caicó-RN a quantidade de
ocorrências de combate aos incêndios nos anos de 2011 até 2021, tem aumentado
significativamente. A Lei de Crimes Ambientais, nº 9.605/98, em seu Artigo 41
ressalta a problemática de provocar incêndio em mata ou floresta, além da multa,
pode haver reclusão.
108.
19
Considerando a análisedos dados foi possível perceber o aumento dos incêndios
nos três últimos anos, existe um crescimento do registro das ocorrências de
combate ao incêndio a partir dos meses de agosto até dezembro, em áreas rurais a
quantidade de incêndios é maior que em áreas urbanas. Devido a esse aumento o
Corpo de Bombeiros e o Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente
(IDEMA) tem uma operação chamada Abrace o Meio Ambiente (AME), desde 2011,
essa operação tem o objetivo de assegurar uma relação mais próxima entre os dois
órgãos para garantir um melhor desenvolvimento na prevenção e combate aos
incêndios florestais.
Durante a pesquisa, o Sargento Glicério Batista dos Santos relatou (informação
verbal) que, geralmente, as causas desses incêndios são provenientes da queima
do lixo, pois não há coleta regular na zona rural como na zona urbana; as fogueiras
deixadas por caçadores, bem como a técnica das coivaras utilizada por agricultores
para limpar a área e iniciar a plantação.
Os incêndios provocam erosão e perda da absorção do solo, poluição de nascentes
e rios por meio das cinzas, extinção de espécies da fauna e da flora, destruição de
habitat natural, aumento da liberação de dióxido de carbono, uma das principais
causas do aquecimento global.
Um outro recorte sobre incêndios é registrado apenas na cidade de Caicó, os
incêndios em lixões e terrenos baldios, isso significa que o número é muito maior
do que contabilizamos, pois Caicó é apenas uma das 25 cidades do Seridó Potiguar.
DESENVOLVIMENTO
Apresentar a Lei de Crimes Ambientais, nº 9.605/98 e os gráficos paras os alunos,
o que esses dados causam no Meio Ambiente e nas nossas vidas, por meio de
slides. Pontos a serem discutidos na aula expositiva relacionados com os gráficos
da pesquisa junto ao Corpo de Bombeiro/RN:
● Discutir os números dos gráficos, quais meses tiveram maior ou menor
incidência, e o motivo pelo qual acontece maior incidência;
● O motivo de haver queima de lixo na zona rural;
109.
20
● Os incêndiossão provenientes de: lixo, fogueiras de caçadores, técnica da
coivara;
● Extinção de espécies da fauna e da flora naquele espaço;
● Aumento da liberação de dióxido de carbono, principal causa do aquecimento
global;
● Poluição e problemas causados pelos incêndios;
● O texto a ser produzido pode ser realizado em casa.
110.
21
Escola:_________________________________________________________
Nome:__________________________________________________________
Atividade Complementar
1. Observeo gráfico um e responda:
Gráfico 1: Incêndio em áreas Florestais Rurais e Urbanas do Seridó Potiguar
Fonte: Jessiane Dantas Fernandes (2022)
a) Em quais anos aumentaram os incêndios florestais? ____________________
2. Analise as proposições a seguir e assinale (V) para verdadeiro e (F) para
falso, relacionadas a Lei nº 9.605/98.
____ Artigo 41 ressalta a problemática de provocar incêndio em mata ou floresta,
além da multa, pode haver reclusão.
____ Artigo 54, no qual se determina causar poluição de qualquer natureza em níveis
tais que resultem ou possam resultar em danos à saúde humana, ou que provoquem
a mortandade de animais ou a destruição significativa da flora: Pena - reclusão, de um
a quatro anos, e multa.
____ Artigo 40 ressalta a problemática de provocar incêndio em mata ou floresta, não
causa problemas ambientais.
0
20
40
60
80
100
120
140
160
180
200
2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019 2020 2021
111.
22
3. O queprovocou os incêndios na área florestal da região do Seridó Potiguar?
Marque a resposta correta:
____ Fogueiras deixadas por caçadores e queima de lixo
____ Queima de lixo, fogueiras deixadas por caçadores e técnicas da coivara.
4. Os incêndios se caracterizam como um tipo de desmatamento? Justifique
sua resposta.
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
5. O que os incêndios, com seu fogo e sua fumaça podem causar no(a):
a) ar?
________________________________________________________________
________________________________________________________________
b) rio?
________________________________________________________________
________________________________________________________________
c) solo?
________________________________________________________________
________________________________________________________________
d) animais?
________________________________________________________________
________________________________________________________________
e) vegetação?
________________________________________________________________
________________________________________________________________
112.
23
6. Observe ográfico abaixo e responda:
Gráfico 2: Incêndios em Lixões e Terrenos Baldios na Cidade de Caicó-RN.
Fonte: Jessiane Dantas Fernandes (2022)
a) Em quais anos aumentaram os incêndios? ___________________________
b) Os incêndios desse gráfico aconteceram por causa de qual problema?
_____________________________________________________________
c) Na sua casa, o lixo é descartado de forma correta? Explique.
______________________________________________________________
______________________________________________________________
d) Sua família coloca o lixo para coleta no dia que o carro coletor passa na rua?
______________________________________________________________
e) Vocês costumam separar o lixo reciclável? Se sim, qual lixo, geralmente é
separado em sua casa? Se não, por que não separam?
______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________
0
20
40
60
80
100
120
2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019 2020 2021
113.
24
7. Elabore umtexto evidenciando os problemas ambientais constates na
imagem a seguir. (para casa)
Fonte: Custódio Jacinto de Medeiros (2022)
__________________________
__________________________
__________________________
__________________________
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__________________________
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__________________________
__________________________
114.
25
GEOGRAFIA
4º ANO –4º e 5ª aulas
UNIDADE TEMÁTICA OBJETOS DE CONHECIMENTO HABILIDADES
Natureza, ambientes e
qualidade de vida
Conservação e degradação da
natureza
EF04GE11
OBJETIVO
Perceber como acontece o desmatamento na Região do Seridó Potiguar
CONTEÚDO
Desmatamento (Leitura e interpretação de mapas)
RECURSOS DIDÁTICOS
Datashow, computador e mapas
PROBLEMATIZAÇÃO
Quais as causas do desmatamento? O que o desmatamento prejudica nas nossas
vidas? Quais municípios têm uma maior quantidade de desmatamento? Ao
visualizar o mapa com uma diferença de uma década, o que mudou?
UM BREVE RELATO SOBRE O DESMATAMENTO NO SERIDÓ POTIGUAR
Existe, no Seridó Potiguar, uma vasta diversidade biológica, que não é, em geral,
preservada corretamente por causa do desmatamento, dos incêndios em áreas
florestais e urbanas, expansão das indústrias, ocupação irregular do solo urbano,
pecuária, dentro outras ações antrópicas. De acordo com o Instituto Nacional de
Pesquisas Espaciais (INPE) (2016), "entre as principais causas do desmatamento
da Caatinga estão a utilização da lenha na indústria de cerâmica no Seridó, o
processo de degradação destas áreas ocorre desde a década de 1970”. Essas
indústrias também utilizam outro recurso natural, a argila. O desmatamento desnuda
o solo, deixando-o exposto devido às técnicas inadequadas de manejo da natureza.
A ação antrópica proveniente da indústria ceramista foi
provavelmente o agente majoritário responsável pelo
115.
26
processo de degradaçãodas terras em função da diminuição
da cobertura vegetal. Verificam-se claramente os danos
ambientais que vão desde desmatamentos, queimadas,
agricultura e retirada de argila até outras atividades
econômicas desenvolvidas de forma inadequada, que
gradativamente expõe o solo às intempéries (erosão laminar
do solo desmatado em consequência das chuvas torrenciais)
deixando-o cada vez mais vulnerável à desertificação.
(FERNANDES, 2009, p. 2727).
Além do desmatamento provocado pelas cerâmicas, os incêndios em áreas
florestais rurais e urbanas na Região do Seridó Potiguar aumentam o percentual de
área desmatada. Segundo o Corpo de Bombeiros Militar – Caicó-RN, a quantidade
de ocorrências de combate aos incêndios nos anos de 2011 até 2021, tem
aumentado significativamente.
O desmatamento provocou a diminuição das tipologias da Caatinga, principalmente
a arbórea, árvores com mais de 4,5m. Na região do Seridó, os rios Seridó, Sabugi,
Barra Nova, Salgado e Acauã são intermitentes (secam durante a estiagem), o rio
Piranhas-Açu é o único perene (não seca durante a estiagem).
DESENVOLVIMENTO
Iniciar com a leitura do livro Chapeuzinho Sertanejo (Izabel Cristina da Silva), para
compreenderem um pouco da região do Seridó Potiguar de forma lúdica. Aula
expositiva com os mapas referentes ao Seridó Potiguar nos anos de 2010 e 2021,
e discutir os pontos:
● Quais atividades geram um maior desmatamento?
● O aumento dos incêndios exposto no Gráfico 01 pode ser um item que
contribuiu com esse desmatamento?
● O aumento da pecuária que necessita de pastos, tem impacto nessa
perspectiva?
● O desmatamento provocou a diminuição das tipologias da Caatinga,
principalmente a arbórea, árvores com mais de 4,5m?
● Quais rios integram a região do Seridó Potiguar e quais suas características?
116.
27
Escola:_________________________________________________________
Nome:__________________________________________________________
Atividade Complementar
1. Observeo mapa branco do RN e pinte a região do Seridó Potiguar.
Fonte: Jessiane Dantas Fernandes (2022)
a) Cite três municípios que fazem parte da Região do Seridó Potiguar.
______________________________________________________________
b) Qual o bioma é característico do Seridó Potiguar?
______________________________________________________________
c) Circule as características abaixo que compõem as árvores da Caatinga.
● Ganham folhas no período de seca para se manterem vivas, têm
espinhos, adaptadas à falta de água.
● Perdem as folhas no período de seca, para conter a alta transpiração
e se manterem vivas, plantas com muitos espinhos e adaptadas à
falta de água.
d) Cite três espécies relacionadas à fauna e à flora da Caatinga que você
conhece. ______________________________________________________
______________________________________________________________
e) Como são os solos mais comuns no bioma da Caatinga? Marque a resposta
certa.
____ rasos e pedregosos ____ pedregosos
117.
28
2. Observe osmapas da região do Seridó Potiguar nos anos de 2010 e 2021,
respectivamente:
Fonte: Raila Mariz Faria (2022)
118.
29
a) Quais asdiferenças que você percebe do mapa de 2010 para o mapa de 2021?
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
b) Segundo o mapa de 2021, o maior desmatamento ocorreu ao __________ do
Seridó Potiguar. Marque a resposta certa e complete a frase.
____ Norte ____ Sul
____ Leste ____ Oeste
c) O desmatamento na região do Seridó Potiguar ocorre por quais motivos?
____ indústrias (cerâmica, massas etc.), coivara e incêndios.
____ indústrias (cerâmica, massas etc.), pecuária, incêndios e expansão das
residências
d) O que podemos fazer para a região do Seridó Potiguar voltar a ser como antes?
____________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
e) O desmatamento provocou a diminuição das tipologias da Caatinga, principalmente
das árvores arbóreas, elas têm em média qual tamanho? Marque a resposta certa.
____ 1m ____ 2m ____ 4,5m
119.
30
f) Circule aárvore arbórea
Fonte: Valter Borman de Medeiros Júnior (2021)
120.
31
3. Essas imagenssão do Rio Seridó, seco durante a estiagem e cheio durante
o período chuvoso, ele é:
Fonte: Jessiane Dantas Fernandes (2022)
____ Perene ____ Intermitente
a) Quais as mudanças que você percebe nas ilustrações acima?
______________________________________________________________
b) Quais são os rios perenes e intermitentes da região do Seridó Potiguar?
______________________________________________________________
______________________________________________________________
c) Você conhece algum rio poluído, qual? Como ele é?
______________________________________________________________
______________________________________________________________
d) Como podemos ajudar para não poluir os rios, as ruas, os espaços públicos em
geral?
______________________________________________________________
______________________________________________________________
33
GEOGRAFIA
4º ANO –6ª aula
UNIDADE TEMÁTICA OBJETOS DE CONHECIMENTO HABILIDADES
Natureza, ambientes e
qualidade de vida
Conservação e degradação da
natureza
EF04GE11
OBJETIVO
Identificar os problemas relacionados ao solo na região do Seridó Potiguar
CONTEÚDO
Solo e água
RECURSOS DIDÁTICOS
Computador, Datashow e amostras de tipos de solo
PROBLEMATIZAÇÃO
Quais os problemas do solo e da água e como interferem no meio ambiente?
Quais problemas o agrotóxico causa ao solo, à água e aos seres humanos? Como
acontece a erosão?
UM BREVE RELATO SOBRE O SOLO E A ÁGUA
A seca sempre foi predicado que acompanhava o sertão nordestino, o imaginário
popular ligado ao solo rachado, ao sofrimento dos seres humanos, vegetais e
animais sem água. Porém, ultrapassou os limites geográficos do Nordeste e hoje é
uma realidade em várias regiões do país, inclusive no Sul e Sudeste. O
desmatamento causa redução da produção de chuva, interferências na vida do ser
humano, com um maior período de estiagem e uma maior necessidade no
armazenamento d’água, destruição de nascentes, mananciais e olho d’água, com
isso diminuímos a quantidade de água doce, limpa e potável que poderíamos utilizar
e colocamos em riscos às bacias hidrográficas. Além, do mau uso, com o
123.
34
desperdício d’água nasresidências e indústrias que a utilizam como se fosse um
recurso inacabável.
Os solos mais comuns na Caatinga são rasos e pedregosos, segundo Araújo Filho
(2011, p 02) os solos são a:
ação combinada dos seus fatores de formação, isto é, do
material de origem (geologia), do clima, do relevo, da ação dos
organismos e do tempo. Observando-se cortes verticais de
solos nas paisagens, por exemplo, em barrancos de estrada,
estes exibem horizontes pedogenéticos e/ou camadas que se
diferenciam entre si e em relação ao material de origem
(rochas ou sedimentos).
Existe uma preocupação na maneira do uso e ocupação do solo, ele é um
importante elemento natural e necessita de um olhar diferenciado, pois atualmente
existem ameaças a sua fertilidade. Entre elas a desertificação natural é um
fenômeno que deixa o solo estéril, também a desertificação causada pelo
desmatamento, a saturação do solo por ingredientes químicos utilizados para
destruir pragas nas lavouras e fertilizantes que podem causar outros efeitos, se
manipulados de forma errada, como a intoxicação no ser humano. Quando
aceleramos a produção vegetal utilizando fertilizantes, podemos ter uma safra
excedente e depois tornar esse solo pobre em fertilidade ou dependente desses
insumos para sua nutrição, perdendo a fertilidade natural. Ao usar fertilizantes em
excesso contribuímos para o processo de contaminação das águas, seja em rios ou
no subterrâneo.
O uso inadequado do solo, da água e da vegetação pode
causar processos de desertificação e de degradação da terra,
afetando a qualidade de vida das populações e reduzindo a
segurança alimentar. O solo é essencial para a vida no
planeta, servindo de habitat para inúmeras espécies e como
excelente reservatório de água e de nutrientes. (BRASIL,
2021).
124.
35
Segundo Bombardi (2017,p. 111, apud PELAEZ et al, 2015), o Brasil utiliza
500 mil toneladas de agrotóxico por ano, ou seja, 20% da produção do planeta. No
RN foram 962 toneladas nos anos de 2012 a 2014, o uso desses produtos em
excesso, além de prejudicar o solo, também traz consequências à saúde do
agricultor. Nos anos de 2007 até 2014 tivemos problemas de intoxicação por
agrotóxico no Seridó Potiguar, em maior quantidade nos municípios de Ipueira e
São José do Seridó, em seguida Equador e Serra Negra do Norte, e em menor
proporção no município de Jardim de Piranhas.
Os maiores causadores da erosão são de ordem natural, água (chuvas e corpos
hídricos), vento e agentes biológicos que desgastam a superfície terrestre. Porém,
no Seridó Potiguar a ação humana potencializa esses desgastes, com a retirada
excessiva da argila do solo para fabricação de telhas e tijolos, provocando a erosão
antrópica (causada pela ação do homem). É importante a sensibilização para
diminuir a destruição ambiental e passarmos a ser agentes de conservação do meio
ambiente. A intervenção humana consciente precisa acontecer para mitigar os
impactos da seca e preservar as nascentes e os rios com mata ciliar (árvores e
plantas que crescem nas margens de rios, córregos e nascentes).
DESENVOLVIMENTO
Aula expositiva sobre o solo e água, se houver algum ponto de erosão no
entorno da escola pode-se levar os alunos até o local. Após a exposição da aula,
iniciar a atividade complementar. Trazer vários tipos de solo, se possível, para a
escola (tipos de areia, argila, etc.).
● Erosão e perda da absorção do solo causada pelos incêndios;
● Agrotóxico
● Enchentes
● Desertificação
● Gestão do solo
.
37
a) Qual adiferença entre as imagens? ______________________________
b) A água foi absorvida pelo solo na mesma proporção nas duas imagens?
___________________________________________________________________
c) Em qual imagem pode acontecer assoreamento e alagamento? Explique:
___________________________________________________________________
d) A vegetação auxilia na proteção do solo no impacto direto das gotas da chuva?
___________________________________________________________________
e) O que pode ocorrer no período chuvoso, quando constroem casas em lugares
como na imagem B?
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
2. As ruas que não são calçadas, em período chuvoso têm um processo
provocado pelo excesso de água e vento, causando o desgaste do solo,
chamado de:
____ erupção ____ erosão
3. Responda V para verdadeiro e F para falso
____ Encontramos apenas uma camada de solo na superfície terrestre.
____ A argila retirada do solo é matéria-prima para fazer telhas e tijolos.
____ Na Caatinga os solos são rasos e pedregosos.
____ Existe Desertificação em algumas áreas da região do Seridó Potiguar.
____ A Desertificação é o processo de transformação e empobrecimento dos solos.
____ Na Desertificação o solo é semelhante a um deserto.
____ A contaminação dos solos afeta a comida e a água que utilizamos.
____ O excesso de lixo e o uso frequente de agrotóxicos contaminam o solo.
____ Os solos provenientes da desertificação são férteis e ótimos para plantação.
127.
38
4. Quais osproblemas que o agrotóxico representa para:
a) O solo____________________________________________________________
b) O ser humano______________________________________________________
c) Os vegetais________________________________________________________
5. Marque a resposta correta, para combater a poluição dos solos, devemos ter
uma gestão adequada de:
____ Lixo ____ Agrotóxico
____ Esgoto ____ Agrotóxico, lixo e esgoto
6. Pesquise em livros, dicionários ou internet, o que significa erosão?
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
7. Observe o caminho de sua casa até a escola e fotografe um espaço que tenha
erosão.
8. Leia o texto
Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), as principais doenças
relacionadas à intoxicação por agrotóxicos são: arritmias cardíacas, lesões renais,
câncer, alergias respiratórias, doença de Parkinson, fibrose pulmonar, entre
outras.
Temos muitos casos de intoxicação de agricultores em alguns municípios do
Seridó Potiguar, tais como Ipueira, São José do Seridó, Equador, Serra Negra
do Norte e Jardim de Piranhas. Você conhece alguma pessoa que tenha
adoecido por conta dos agrotóxicos? Comente com seus colegas.
128.
39
Agora, circule nomapa os municípios onde foram identificados casos de
intoxicação.
Fonte: Raila Mariz Faria (2022)
129.
40
9. Faça umtexto explicando essa imagem, levando em consideração o que
estudamos sobre o bioma da Caatinga. (para casa)
Fonte: Custódio Jacinto de Medeiros (2022)
__________________________
__________________________
__________________________
__________________________
__________________________
__________________________
__________________________
__________________________
__________________________
__________________________
__________________________
__________________________
130.
41
GEOGRAFIA
4º ANO –7º aula
UNIDADE TEMÁTICA OBJETOS DE CONHECIMENTO HABILIDADES
Natureza, ambientes e
qualidade de vida
Conservação e degradação da
natureza
EF04GE11
OBJETIVO
Conhecer a fauna e a flora do Seridó Potiguar
CONTEÚDO
Fauna e Flora do Seridó Potiguar
RECURSOS DIDÁTICOS
Computador, Datashow
PROBLEMATIZAÇÃO
Quais animais estão em processo de extinção ou já foram extintos no Seridó
Potiguar? Como conhecer o habitat dos animais na região do Seridó Potiguar?
Como preservar a fauna da região do Seridó Potiguar?
UM BREVE RELATO SOBRE A FAUNA E A FLORA
Na região do Seridó Potiguar percebemos que os alunos convivem com o bioma da
Caatinga, porém não conhecem objetivamente a fauna e a flora local. Poucos
sabem algumas informações relacionadas à vegetação e aos animais, geralmente
as crianças que vivem na zona rural têm mais conhecimento nessa perspectiva, pois
são repassados de pais para filhos e convivem de forma mais direta com a área
verde presente em sua localidade de vivência. Porém, a relação dessa fauna e flora
não são relacionadas ao bioma da Caatinga, esses conhecimentos são
sistematizados na escola.
131.
42
Devido a suaexclusividade enquanto Bioma, há espécies endêmicas22 e
“aproximadamente 1.307 espécies animais, dentre as quais 327 são exclusivas da
região. As pesquisas sobre a fauna registram 178 espécies de mamíferos, 591 de
aves, 177 de répteis, 79 de anfíbios, 241 de peixes e 221 espécies de abelhas.”
(MCTI, 2021).
Na flora temos mandacaru, xique-xique, umbuzeiro, ipê roxo, carnaúba, aroeira,
entre outras. Na fauna temos onça-parda, jaguatirica, gato-do-mato, raposa, tatu-
bola, mocó e diversos tipos de anfíbios. Algumas espécies estão ameaçadas de
extinção, como a onça-parda, a asa-branca e o tatu-bola, que recentemente foi
mascote da Copa em 2014.
DESENVOLVIMENTO
Aula expositiva sobre a fauna e a flora do Seridó Potiguar com apresentação de
imagens, curiosidades sobre os animais em processo de extinção e características
de parte da fauna e da flora da Caatinga. Pesquisa sobre os animais em processo
de extinção para ser realizado em casa.
22
Exclusiva de determinada região, não sendo encontrada em nenhuma outra parte do mundo. Cerca
de 30% das plantas encontradas na Caatinga são endêmicas. (SENA, 2011, p 19)
132.
43
Escola:_________________________________________________________
Nome:__________________________________________________________
Atividade Complementar
1. Leiao ABC da Caatinga e forme 4 frases, utilizando 2 palavras do ABC em
cada frase.
A – ÁRVORE I – IGUANA R – RAPOSA
B – BORBOLETA J – JACU S - SOIN
C – CORRUPIÃO L – LUA T – TATU-BOLA
D – DIA M – MANDACARU U – URUBU REI
E – ESTRELA N – NUVEM V - VEADO
F – FOLHA O - ONÇA-PARDA X – XIQUE-XIQUE
G – GUAXINIM P – PEIXE Z - ZELAR
H - HUMANO Q – QUERO-QUERO
Fonte: Meu caderno caatingueiro23,
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
2. Responda V para verdadeiro e F para falso
____ Asa-branca, onça-parda e tatu-bola estão ameaçados de extinção.
____ A raposa e a cobra-corre-campo são animais silvestres.
____ É permitido criar animais silvestres em residências.
____ A árvore “Angico” atrai abelhas por causa das suas flores brancas.
23
Caderno-caatingueiro_associacao-Caatinga.pdf (aCaatinga.org.br)
133.
44
____ A árvore“Barriguda” tem o poder de absorver água em seu interior.
____ As corujas caçam durante o dia.
3. Preencha a cruzadinha
a) O fruto dessa árvore é um dos ingredientes da umbuzada;
b) Parte dessa árvore é utilizada para fazer cera;
c) Tem odor desagradável em suas folhas:
d) Seu fruto é popularmente chamado de galinha;
e) Tem espinhos e floresce lindas flores;
f) As abelhas são atraídas pelas suas flores brancas;
134.
45
4.Observe as imagensdos animais do Seridó Potiguar em processo de extinção e
pesquise suas características na internet. (para casa).
Tamanho: _____________________________________
Peso: ________________________________________
Moradia: _____________________________________
O que come:____________________________________
Nome científico: ________________________________
Qual horário é mais ativo:_________________________
Fonte: Pixabay.com 2022
Tamanho: __________________________________
Peso: _____________________________________
Moradia: ___________________________________
O que come:________________________________
Nome científico: _____________________________
Qual horário é mais ativo:______________________
Fonte: Pixabay.com 2022
Tamanho: _____________________________
Peso: __________________________________
Moradia: _______________________________
O que come:_____________________________
Nome científico: __________________________
Qual horário é mais ativo:__________________
Fonte: Pixabay.com 2022
Tatu-bola
Onça-parda
Asa-branca
135.
46
4
Jogo de TabuleiroGeográfico do Seridó Potiguar
Atualmente, podemos ter acesso a diversos jogos de tabuleiros online ou
analógico. Eles são uma forma de entretenimento e necessitam do outro para jogar,
este conjunto dos pares permite um avanço mais significativo na organização do
pensamento, diferente de jogar de forma individualizada, além de contribuir na
socialização e entrosamento entre os participantes. Mukhina (1995, p.155) fala que o
jogo “é atividade principal, não porque a criança de hoje passa a maior parte do tempo
se divertindo, o que não deixa de ser verdade, mas porque o jogo dá origem a
mudanças qualitativas na psique infantil”. Cada jogo tem um objetivo a ser alcançado,
o jogo do Tabuleiro geográfico do Seridó Potiguar tem como objetivo consolidar de
forma lúdica, as aprendizagens geográficas desenvolvidas por meio da sequência
didática proposta neste trabalho. É um recurso metodológico de ensino para o
professor e também um recurso de aprendizagem para o educando.
O Tabuleiro geográfico do Seridó Potiguar pretende ampliar o conhecimento
geográfico dos estudantes acerca da conservação e degradação da natureza na
região do Seridó Potiguar, conhecer e compreender seu lugar de vivência é importante
para entender a complexidade do todo (estado, país, continente e a Terra). O público-
alvo é formado por Estudantes do 4º ano do Ensino Fundamental - Anos Iniciais no
qual serão protagonistas, utilizando as competências e habilidades do senso comum,
seu conhecimento de vida e os sistematizados na escola por meio da sequência
didática.
É um jogo de regras, que se encaixa em três categorias classificadas por
Piaget: exercício, simbólico e regras. Embora este tipo de jogo tenha um caráter
competitivo, buscamos inserir nas regras um caminho pedagógico colaborativo entre
os pares, pois é jogado em conjunto, por grupos de alunos. Na visão de Teixeira (2010,
p. 16), “para a sociedade, os jogos não são puras expressões de princípio lúdicos,
mas são, cada vez mais, a representação de um aspecto da vida social, pelo menos
quando não se referem a um universo imaginário”. As relações entre os participantes,
o meio e como o jogo é realizado podem tornar mais rápida e compreensível a
136.
47
aprendizagem nas crianças,pois ampliam o seu conhecimento. Segundo Kishimoto
(1990, p. 24), a ação do jogador é uma incógnita, pois ele depende de fatores internos
e externos, além de motivações pessoais. Ele também proporciona curiosidade,
cooperação, participação, autonomia, disciplina, concentração, alegria, maturidade
emocional, sociabilidade, entre outros.
Esse jogo é importante na medida em que auxilia o desenvolvimento de ensino
e aprendizagem ao funcionar como um facilitador visual, pois o verso das cartinhas
conta com a diversidade da fauna e da flora presentes no Seridó Potiguar, a
intencionalidade foi relacionar o nome da fauna e da flora à foto, proporcionando
conhecimento indireto, pois está contido nelas a representatividade do lugar, são
símbolos com forte significado do meio social das crianças.
No jogo de Tabuleiro geográfico do Seridó Potiguar contamos com a dinâmica
da ação inserida na brincadeira, na qual o aluno poderá inferir seus conhecimentos
prévios e obter respostas imediatas sobre a problemática do espaço geográfico local,
sistematizando o conhecimento escolar apresentado, permitindo uma melhor
abstração e interação com o seu meio.
O movimento do corpo também se faz presente nesta atividade, os estudantes
saem da sala de aula e da aula convencional, exploram um outro ambiente, com uma
organização diferenciada do dia a dia comum da avaliação tradicional. A linguagem
corporal impressa nesse novo espaço é diferente do que acontece na sala de aula
comum, podendo o estudante expressar suas ideias e soluções de forma mais
autônoma, espontânea e prazerosa. Embora seja jogado em grupo, cada jogador tem
responsabilidade durante o seu momento de jogar e poderá solicitar ajuda do grupo
para responder, caso não saiba a resposta. Neste jogo o movimento é trabalhado
relacionado ao deslocamento dos peões nas casas numéricas e à manipulação do
dado e das cartas auxiliares.
A ludicidade presente no jogo favorece a aprendizagem e o desenvolvimento
infantil na convivência com outras pessoas, com seu meio, seu lugar, seus espaços
vividos, acompanhando a história e a cultura que lhes são próprias, cada uma a seu
modo, uma vez que cada ser é singular, único em sua essência, ou seja, subjetivo.
Callai (2005, p.233) afirma que as relações sociais das crianças nas brincadeiras são
interações com o espaço, que é social e amplia seu repertório de mundo e valores
sociais, reconhecendo sua complexidade. Mukhina (1996, p. 160), complementa
137.
48
quando diz que“por meio do jogo, as crianças conhecem a vida social dos adultos,
compreendem melhor as funções sociais e as regras pelas quais os adultos regem
suas relações”. O jogo atinge diversas áreas do conhecimento e com ele pretendemos
consolidar alguns aspectos da aprendizagem, não só relacionados à parte cognitiva,
mas também ao emocional, atenção, movimento, linguagem, planejamento e relação
com os pares.
Ao permitir a ação intencional (afetividade), a construção de
representações mentais (cognição), a manipulação de objetos e o
desempenho de ações sensório-motoras (físico), e as trocas nas
interações (social), o jogo contempla várias formas de representação
da criança ou suas múltiplas inteligência, contribuindo para a
aprendizagem e o desenvolvimento infantil. Quando as situações
lúdicas são intencionalmente criadas pelo adulto com vistas a estimular
certos tipos de aprendizagem, surge a dimensão educativa.
(KISHIMOTO, 1999, p. 36).
A potencialização da aprendizagem acontece quando o jogo se torna um
facilitador no processo de ensino-aprendizagem. Piaget (1971), considera que o jogo
faz parte da construção do conhecimento, sendo possível a estruturação do espaço e
do tempo por parte da criança, que desenvolve seu raciocínio, desde a noção de
casualidade até a lógica, pois aplica seus esquemas mentais interagindo com a
realidade que a cerca. Nessa perspectiva, o layout do tabuleiro tem especificidades
do semiárido caracterizado pelo bioma da Caatinga, bem como situações de
incêndios, poluição, desmatamento, erosão e destruição do solo para que os alunos
identifiquem, compreendam e tenham conhecimento da sua região, este jogo passa a
ser um instrumento importante na construção do saber seridoense.
4.1 Regras do jogo do Tabuleiro geográfico do Seridó Potiguar
A proposta do jogo de Tabuleiro geográfico do Seridó Potiguar é iniciada por
meio da sequência didática, para apresentar o tabuleiro aos estudantes na oitava aula
é necessário apresentar a parte física do jogo, que é composto pelo tabuleiro, um
dado, quatro peões e 20 cartas auxiliares.
É importante despertar o interesse dos alunos para jogar e dividir os grupos
que farão parte dos quatro times. A separação dos times é iniciada pelos alunos com
138.
49
mais dificuldades naaprendizagem como líderes de seu grupo, dessa forma
imprimimos protagonismo a estes alunos e se mantém o equilíbrio entre os grupos.
Após a escolha dos líderes, a sala será dividida em quatro equipes, direcionados nos
seguintes passos:
1. Nomear cada grupo (amarelo, azul, verde e vermelho), as
cores estão relacionadas aos peões que os alunos
utilizarão para percorrer o tabuleiro, cada grupo escolhe a
cor desejada, sem saber da sequência das cores na
partida, iniciando o jogo pelas cores em ordem alfabética;
2. O grupo amarelo iniciará a partida, jogando o dado e assim
sucessivamente.
As regras deste jogo foram construídas para que a pontuação seja um conjunto
de fatores, no qual ganha o jogador que fizer um somatório maior na partida. O jogo
atua como um sistematizador do conteúdo e habilidades. Deve ser jogado com no
máximo quatro grupos de jogadores (a sala deve ser dividida em quatro grupos), com
no máximo cinco componentes em cada grupo e estes poderão ajudar nas respostas,
o tempo necessário para a partida são em média duas aulas, a depender da
combinação da sorte e do conhecimento do grupo. O tabuleiro é composto por 36
casas, com três diferenciações:
8. casas retangulares com números, contamos normalmente;
9. casas retangulares com a marcação do cacto, terão o auxílio
de uma carta que o estudante deverá retirar, contendo
perguntas e valendo pontos;
10.casas circulares, contém uma pergunta, valendo pontos;
11.Quando o estudante errar a resposta, permanecerá na
mesma casa numérica;
12.Ao acertar, pulará uma casa numérica;
13.O tempo para resposta será de três minutos para o grupo;
14.A pontuação será contabilizada da seguinte maneira:
139.
50
● 5 pontospara cada casa circular, que contém a
pergunta impressa no tabuleiro;
● 10 pontos para cada carta auxiliar que for retirada e
respondida corretamente;
● 10 pontos para o jogador que terminar primeiro o
percurso do tabuleiro;
● No caso de empate, tirar par ou ímpar, o ganhador
retira uma carta para responder à pergunta final, soma-
se os pontos no resultado final;
● O jogo finaliza quando as 20 cartas forem utilizadas;
● Os alunos que percorrerem o tabuleiro e completar o
percurso, aguardam até os outros grupos acabarem a
finalização das cartas.
Dessa forma, terminar o jogo em primeiro lugar não determina quem será o
vencedor, pois é necessário fazer a somatória de todos os jogadores para ver quem
obteve a maior pontuação.
Interagir, respeitar as regras, administrar as emoções, ajudar ao seu grupo na
partida são cooperações necessárias para atingir as competências propostas neste
trabalho. A ação do jogador (grupo), determinará seu resultado de acertos ou erros, e
ficará registrado entre eles a importância do trabalho em equipe.
Apresentamos na Figura 11 o verso das 20 cartas do jogo de Tabuleiro
geográfico do Seridó Potiguar, elas não foram padronizadas, pois a intenção era
ampliar o conhecimento visual da fauna e da flora presente na região do Seridó
Potiguar. Na Figura 12, a frente das 20 cartas com perguntas relacionadas à
sequência didática desenvolvida neste trabalho. Há perguntas mais simples e outras
mais complexas para tentar equilibrar o jogo.
140.
51
GEOGRAFIA
4º ANO -8ª e 9º aulas
UNIDADE TEMÁTICA OBJETOS DE CONHECIMENTO HABILIDADES
Natureza, ambientes e
qualidade de vida
Conservação e degradação da
natureza
EF04GE11
OBJETIVO
Avaliar a sequência didática com o Jogo do Tabuleiro geográfico no Seridó
Potiguar
CONTEÚDO
Perpassa todos os conteúdos estudados durante a aplicação da sequência didática
RECURSOS DIDÁTICOS
Tabuleiro Geográfico do Seridó Potiguar, dado, peões, cartinhas.
DESENVOLVIMENTO
Separar os grupos de acordo com as cores dos peões, formar grupos de 4 a 5
pessoas, a depender do total de estudantes na sala, de forma que todos sejam
inseridos em um grupo. Esclarecer as regras do jogo, anotar a pontuação de cada
grupo. O jogo é a avaliação de toda a sequência didática.
REFERÊNCIA
MARIA, A.; PAULA. M. M. Encontros Geografia. FTD. São Paulo, 1ª edição. 2018
74
GABARITO DAS ATIVIDADES
Amaioria das atividades propostas são objetivas, porém há algumas atividades
subjetivas e espera-se que mediante à Sequência Didática trabalhada, o estudante
tenha sensibilidade para observar os problemas ambientais do seu entorno e
colaborar na preservação do meio ambiente.
Primeira Atividade Complementar
1. _V_ , _V_ , F_
5.
NATURAIS CULTURAIS/ANTRÔPICAS
Pássaro, Temporal, Ribeirão e
Árvores
Janela, Igreja, Muro branco, Grade,
Casa, Sinal de trânsito, Torre e
Cemitério
a) _N_ Céu _C_ Igreja _N_ Vegetação _C_ Praça _N_ Rio_C_ Açude
6. Espaço da praça do serrote branco
a) Desejamos que o aluno observe, analise e construa sua resposta.
4. Não
a) A resposta vai depender do lugar do estudante, pois há ruas saneadas ou não,
asfaltadas ou não, planas ou não, etc.
b) 1. 1. extensão de território que o olhar alcança num lance; vista, panorama.
1. 2. conjunto de componentes naturais ou não de um espaço externo que pode
ser apreendido pelo olhar.
5. Espera-se que o estudante registre as fotos para serem analisadas junto com a
turma.
6. A resposta dependerá do que foi registrada nas fotografias.
164.
75
Segunda Atividade Complementar
1.b) 2019, 2020 e 2021
2. __V__ , __V__. e __F__
3. ____ Fogueiras deixadas por caçadores e queima de lixo
__x__ Queima de lixo, fogueiras deixadas por caçadores e técnicas da coivara.
4. SIM
5. a) ar
Com à inalação dos gases tóxicos, pode causar acidentes vasculares cerebrais,
doenças cardíacas, câncer de pulmão, doenças pulmonares e infecções respiratórias,
como a pneumonia.
b) rio
A cinza das fumaças e o material orgânico decorrentes das queimadas prejudicam a
água, pois ao entrar em contato com ela, diminui a porcentagem de oxigênio presente
no rio, prejudicando os organismos aquáticos.
c) solo
O fogo, ao atingir o solo retira recursos importantes, deixando-o pobre em nutrientes
que seriam fundamentais para o desenvolvimento das plantas.
d) animais
Os animais perdem seus lares, alguns ficam machucados, outros morrem por não
conseguirem fugir a tempo.
e) vegetação
O fogo, prejudica a biodiversidade de um local, pois a extingue.
6. a) 2014, 2020 e 2021
b) Por causa de terrenos baldios e queimadas em lixões
c) Resposta pessoal
d) Resposta pessoal
e) Resposta pessoal
7. Espera-se que o estudante fale da poluição do ar, da água. Por quais motivos isso
acontece.
165.
76
Terceira Atividade Complementar
1.
a)Caicó e Carnaúba dos Dantas e Jardim do Seridó, são 25 municípios.
b) Caatinga
c) Perdem as folhas no período de seca, para conter a alta transpiração e se
manterem vivas, plantas com muitos espinhos e adaptadas à falta de água.
d) Umbuzeiro, Tatu-bola, Raposa
e) _x__ rasos e pedregosos ____ pedregosos
2. a) A vegetação e os corpos hídricos diminuíram do mapa de 2010 para o de 2021.
Consequentemente uma maior área desmatada no mapa de 2021.
b) Leste
c) __x__ indústrias (cerâmica, massas etc.), pecuária, incêndios e expansão das
residências
d) Preservar o meio ambiente, mutirões para reflorestamento, encontrar formas de
exploração que não danifiquem o solo, as águas, a vegetação, etc.
e) _x_ 4,5m
f)
3. ____ Perene __x__ Intermitente
a) No período chuvoso o rio tem água, no período de estiagem, seca.
b) Os rios intermitentes são Seridó, Sabugi, Barra Nova, Salgado e Acauã. Apenas o
rio Piranhas-Açu é perene.
c) Sim, o rio Seridó perpassa a cidade de Caicó. Há lixo, esgotos, currais de animais
no seu entorno. Tornando-o poluído.
d) Jogar lixo no local correto, fazer a coleta seletiva, saneamento básico, ajuste dos
esgotos clandestinos que desembocam nos rios, açudes e mares.
4. Espera-se que o estudante fale do desmatamento, dos incêndios, etc.
166.
77
Quarta Atividade Complementar
1.a) A imagem da letra A está preservada e a imagem da letra B está desmatada.
b) Não, a imagem A absorveu mais água que a imagem B.
c) Na imagem b, pois a não absorção da água pelo solo, faz com que a água escorra
para outros lugares, podendo causar alagamento e assoreamento.
d) Sim, a vegetação protege o solo.
e) Desmoronamentos ou alagamentos.
2. ____ erupção __x__ erosão
3. Responda V para verdadeiro e F para falso
__F__ , __V__ , __V__ , __V__ , __V__ , __V__ , __V__ , __V__ e _F__
4. a) A saturação do solo por ingredientes químicos utilizados para destruir pragas nas
lavouras e fertilizantes que podem causar outros efeitos se manipulados de forma
errada, solo pode ficar pobre em fertilidade ou dependente desses insumos para sua
nutrição, perdendo a fertilidade natural.
b) Intoxicação e doenças como: náuseas, tonteiras, dores de cabeça ou alergias até
lesões renais e hepáticas, cânceres, alterações genéticas, doença de Parkinson etc.
c) Podem causar desequilíbrio ambiental, pois o agrotóxico utilizado no vegetal, se
infiltra no solo e na água.
5. __X__ Agrotóxico, lixo e esgoto
6. Processo ou resultado de desgastar(-se) lentamente; corrosão. Desgaste da
superfície terrestre pela ação mecânica e química da água corrente, das intempéries
ou de outros agentes geológicos.
7. Fotografias que tenham erosão.
8.
9. Espera-se que o aluno perceba o espaço ambientalmente equilibrado, remetendo
ao bioma da Caatinga.
167.
78
Quinta Atividade Complementar
1.Resposta pessoal
2. Responda V para verdadeiro e F para falso
__V__, __V__ , __F__ , __V__ , __V__ e __F__
3. Umbuzeiro, Carnaúba, Catingueira, Pereiro, Xique-Xique e Angico
4. Tatu- Bola
Tamanho: 50cm
Peso: 1,2kg
Moradia: tocas abandonadas
O que come: formigas e cupins, consumindo também grande quantidade de areia,
cascas e raízes junto ao alimento
Nome científico: Tolypeutes
Qual horário é mais ativo: hábitos noturnos
Onça-parda
Tamanho: 1,70 e 2,10m
Peso: 45 e 70kg.
Moradia: cerrado, Caatinga e pantanal.
O que come: pequenos mamíferos, aves e roedores de pequeno porte.
Nome científico: Puma concolor.
Qual horário é mais ativo: hábitos noturnos
Asa-branca
Tamanho: 34cm
Peso: 300gr
Moradia: árvores com até 3m
O que come: vegetais, principalmente sementes.
Nome científico: Patagioenas picazuro
Qual horário é mais ativo: hábitos diurnos