OPINIÃO                                                                                                     Alto risco


                                 João Ferreira do Amaral
                                               Economista


            Aí está. Já temos em execução o Orçamento do estamos, pode fazer agravar a recessão e o de-
            Estado para 2013.                                 semprego para níveis que hoje nos parecem im-
            É certo que ainda poderá vir a ser alterado, caso pensáveis
            o Tribunal Constitucional venha a considerar in- A perda de rendimento disponível das famílias
            constitucionais algumas das suas normas. Mas que o orçamento vai provocar levará a uma nova
            mesmo que tal suceda e que decorram                         contracção da procura interna e daí a
            daí algumas alterações, no essencial Executar um            um agravamento da recessão e a novo
            não haverá grandes mudanças.            orçamento tão       aumento do desemprego.
            E o essencial diz-se muito simples- penalizador dos         Estou convencido que o que se vai fa-
PÁG.        mente: este orçamento é um orça-
                                                    rendimentos,
                                                                        zer este ano em Portugal neste domí-


03
            mento de alto risco. De altíssimo ris-                      nio, ou seja, executar um orçamento
            co, diria.                              como é o actual, fortemente restritivo, a incidir sobre
            Faz-nos entrar numa situação muito na situação em           uma economia que atravessa uma
            perigosa e de certo modo imprevisível que estamos,          recessão tão forte, não terá muitos
            nas suas consequências, mas da qual pode fazer              paralelos na história económica mun-
            não se pode esperar nada de bom.                            dial contemporânea. Por isso, é acon-
            Porquê toda esta visão negativa do
                                                    agravar a           selhável estarmos preparados para
            orçamento?                              recessão e o        tudo.
            Mais uma vez, é fácil de explicar. A desemprego para Face a este enquadramento o que diz
            questão é que a nossa economia atra- níveis que hoje        a Comissão Europeia, pela voz do co-
            vessa, hoje, uma recessão que se pode nos parecem           missário para a economia e finanças?
            qualificar de forte e prolongada. Re-                        Diz esta pérola: é que há riscos de
            cessão que inevitavelmente tem feito
                                                    impensáveis         derrapagem orçamental e que por-
            aumentar o desemprego e continuará                          tanto poderão vir a ser necessárias
            a fazê-lo enquanto perdurar.                      mais medidas de austeridade. Esta visão do co-
            Executar um orçamento tão penalizador dos ren- missário dá bem a medida do nível a que desceu
            dimentos, como é o actual, na situação em que a Comissão.




           Palavra do ano 2012
           Estamos “entroikados” e a “democracia” está em baixo
           “Entroikado” é a palavra do ano. O resultado da elei-     vras “imposto” e “refundar” (ambas com 4%).
           ção foi divulgado esta manhã na Biblioteca José Sara-     “Democracia” não foi além da 9ª posição, com 3%.
           mago, em Loures, pela Porto Editora, que organizou a      A iniciativa da Porto Editora realizou-se, pela primeira
           iniciativa.                                               vez em 2009, ano em que a palavra eleita foi “esmiu-
           A palavra recolheu 32% dos votos dos cibernautas, mais    çar”. No ano seguinte, “vuvuzela” levou o título e, em
           do dobro da palavra “desemprego”, que ficou em se-         2011, foi a vez de “austeridade”, que relegou a “espe-
           gundo lugar com 14% das escolhas. O pódio deste ano       rança” para segundo lugar.
           completa-se com a palavra “solidariedade”, que obte-
           ve 12% das preferências.
           “Entroikado” integrava uma lista de dez palavras, es-
           colhidas pela equipa de linguistas do Departamento de
           Dicionários da editora, e esteve à votação online desde
           o início do ano.
           “A frequência de uso, a relevância assumida ou então,
           simplesmente, porque se relaciona com algum tema
           muito marcante”, foram os critérios, afirma a Porto
           Editora.
           Fora do pódio, com 11% dos votos aparece “bosão” (de
           Higgs), “manifestação” (9%), “cortes” (8%) e as pala-
                                                                                                                                   DR




                                                                                   r/com renascença comunicação multimédia, 2013

JFA: Alto risco

  • 1.
    OPINIÃO Alto risco João Ferreira do Amaral Economista Aí está. Já temos em execução o Orçamento do estamos, pode fazer agravar a recessão e o de- Estado para 2013. semprego para níveis que hoje nos parecem im- É certo que ainda poderá vir a ser alterado, caso pensáveis o Tribunal Constitucional venha a considerar in- A perda de rendimento disponível das famílias constitucionais algumas das suas normas. Mas que o orçamento vai provocar levará a uma nova mesmo que tal suceda e que decorram contracção da procura interna e daí a daí algumas alterações, no essencial Executar um um agravamento da recessão e a novo não haverá grandes mudanças. orçamento tão aumento do desemprego. E o essencial diz-se muito simples- penalizador dos Estou convencido que o que se vai fa- PÁG. mente: este orçamento é um orça- rendimentos, zer este ano em Portugal neste domí- 03 mento de alto risco. De altíssimo ris- nio, ou seja, executar um orçamento co, diria. como é o actual, fortemente restritivo, a incidir sobre Faz-nos entrar numa situação muito na situação em uma economia que atravessa uma perigosa e de certo modo imprevisível que estamos, recessão tão forte, não terá muitos nas suas consequências, mas da qual pode fazer paralelos na história económica mun- não se pode esperar nada de bom. dial contemporânea. Por isso, é acon- Porquê toda esta visão negativa do agravar a selhável estarmos preparados para orçamento? recessão e o tudo. Mais uma vez, é fácil de explicar. A desemprego para Face a este enquadramento o que diz questão é que a nossa economia atra- níveis que hoje a Comissão Europeia, pela voz do co- vessa, hoje, uma recessão que se pode nos parecem missário para a economia e finanças? qualificar de forte e prolongada. Re- Diz esta pérola: é que há riscos de cessão que inevitavelmente tem feito impensáveis derrapagem orçamental e que por- aumentar o desemprego e continuará tanto poderão vir a ser necessárias a fazê-lo enquanto perdurar. mais medidas de austeridade. Esta visão do co- Executar um orçamento tão penalizador dos ren- missário dá bem a medida do nível a que desceu dimentos, como é o actual, na situação em que a Comissão. Palavra do ano 2012 Estamos “entroikados” e a “democracia” está em baixo “Entroikado” é a palavra do ano. O resultado da elei- vras “imposto” e “refundar” (ambas com 4%). ção foi divulgado esta manhã na Biblioteca José Sara- “Democracia” não foi além da 9ª posição, com 3%. mago, em Loures, pela Porto Editora, que organizou a A iniciativa da Porto Editora realizou-se, pela primeira iniciativa. vez em 2009, ano em que a palavra eleita foi “esmiu- A palavra recolheu 32% dos votos dos cibernautas, mais çar”. No ano seguinte, “vuvuzela” levou o título e, em do dobro da palavra “desemprego”, que ficou em se- 2011, foi a vez de “austeridade”, que relegou a “espe- gundo lugar com 14% das escolhas. O pódio deste ano rança” para segundo lugar. completa-se com a palavra “solidariedade”, que obte- ve 12% das preferências. “Entroikado” integrava uma lista de dez palavras, es- colhidas pela equipa de linguistas do Departamento de Dicionários da editora, e esteve à votação online desde o início do ano. “A frequência de uso, a relevância assumida ou então, simplesmente, porque se relaciona com algum tema muito marcante”, foram os critérios, afirma a Porto Editora. Fora do pódio, com 11% dos votos aparece “bosão” (de Higgs), “manifestação” (9%), “cortes” (8%) e as pala- DR r/com renascença comunicação multimédia, 2013