Língua de trapos  Autora:Adriana Lisboa Ilustrações:Rui de Oliveira  Editora: Rocco Jovens leitores Alunas:Jéssica,Priscila,Rafaela. Série:6º B
Língua de trapos   No  meio dos briquedos  mora a boneca de  trapos . O rosto, o corpinho, o vestido, é só trapo retalhado. Pano vehlo, restos, fita e renda, barbante  comprido. Foi a mãe quem fez a boneca de trapos.  O rosto, feltro rosa. A boca, um botãozinho. O vestido de renda branca, barra centim, carmim.  Braços verdes, lindos. E pernas cor de  marfim.  Sapatos  azul-pavão.
Por baixo do vestido, umbigo  marrom. Finge um  tombo: no joelho, de barbante. Calcinha amarelo-manhã. Cabelo liso e comprido  azul-celeste, de lã. E é tudo trapo. Uma língua de trapo.  Imaginem  só, ninguém desconfia que essa boneca,  falante de noite,  andou tão calada de dia.
Tem  um pano liso, verde: Fala de mato, cochicha, cricrila, zumbe e zune, festa  de  inseto . A boneca-floresta inteira  cintila. E o retalho  branco? Ah, ele tem voz de lírio, de espuma da  praia, e de conchinhas, um milhão...  diz gesso, diz leite, e diz também a cor do  cavalo de  Napoleão.
Na  boca-botão da boneca   de trapos, são tantos os panos, mil falas, idéias, sonhos tecidos, amor em  farrapos, retalhos baratos,  cerzidos, sobrados.  Ali cabem riquezas, certezas e poréns, cabem futuros (e algumas mentirinhas), vontades, receios, borboleteios, confissões de fadas, de anjos e de joaninhas.
E ela fala,fala,fala, depois adormece,na barra do dia. Seu sono, será que tem cor?  Ah, seu sono é segredo sagrado...  de noite ela acorda – e aí fala dobrado!

Jessica priscila-rafaela

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    Língua de trapos Autora:Adriana Lisboa Ilustrações:Rui de Oliveira Editora: Rocco Jovens leitores Alunas:Jéssica,Priscila,Rafaela. Série:6º B
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    Língua de trapos No meio dos briquedos mora a boneca de trapos . O rosto, o corpinho, o vestido, é só trapo retalhado. Pano vehlo, restos, fita e renda, barbante comprido. Foi a mãe quem fez a boneca de trapos. O rosto, feltro rosa. A boca, um botãozinho. O vestido de renda branca, barra centim, carmim. Braços verdes, lindos. E pernas cor de marfim. Sapatos azul-pavão.
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    Por baixo dovestido, umbigo marrom. Finge um tombo: no joelho, de barbante. Calcinha amarelo-manhã. Cabelo liso e comprido azul-celeste, de lã. E é tudo trapo. Uma língua de trapo. Imaginem só, ninguém desconfia que essa boneca, falante de noite, andou tão calada de dia.
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    Tem umpano liso, verde: Fala de mato, cochicha, cricrila, zumbe e zune, festa de inseto . A boneca-floresta inteira cintila. E o retalho branco? Ah, ele tem voz de lírio, de espuma da praia, e de conchinhas, um milhão... diz gesso, diz leite, e diz também a cor do cavalo de Napoleão.
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    Na boca-botãoda boneca de trapos, são tantos os panos, mil falas, idéias, sonhos tecidos, amor em farrapos, retalhos baratos, cerzidos, sobrados. Ali cabem riquezas, certezas e poréns, cabem futuros (e algumas mentirinhas), vontades, receios, borboleteios, confissões de fadas, de anjos e de joaninhas.
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    E ela fala,fala,fala,depois adormece,na barra do dia. Seu sono, será que tem cor? Ah, seu sono é segredo sagrado... de noite ela acorda – e aí fala dobrado!