Estudo de Concepção
Sistema Produtor São Lourenço
- Relatório Síntese -
São Paulo, 2011
SECRETARIA ESTADUAL DE SANEAMENTO E
RECURSOS HÍDRICOS
sabesp
ESTUDO DE CONCEPÇÃO
SISTEMA PRODUTOR SÃO LOURENÇO
Relatório Síntese
São Paulo, 2011
Diretoria de Tecnologia, Empreendimentos e Meio Ambiente – T
Superintendência de Gestão de Empreendimentos – TE
Departamento de Concepção e Modelagem de Empreendimentos ‐ TEC
sabesp
GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO
Geraldo Alckmin
Governador
SECRETARIA ESTADUAL DE
SANEAMENTO E RECURSOS HIDRICOS
Edson Giriboni
Secretario
COMPANHIA DE SANEAMENTO BÁSICO DO
ESTADO DE SÃO PAULO ‐ SABESP
Dilma Pena
Presidente
Marcelo Salles Holanda de Freitas
Diretor de Tecnologia, Empreendimentos e Meio Ambiente
Manuelito Pereira Magalhães Junior
Diretor de Gestão Corporativa
Paulo Massato Yoshimoto
Diretor Metropolitano
Rui de Brito Alvares Affonso
Diretor Econômico‐Financeiro e de Relações com Investidores
Luis Paulo de Almeida Neto
Diretor de Sistemas Regionais
sabesp
APRESENTAÇÃO
A tarefa de manter e expandir o abastecimento de água da Região Metropolitana de São Paulo
vem desafiando planejadores, construtores e operadores há várias décadas. Suas proporções
gigantescas geram também demandas de água superiores à capacidade da região onde se
insere, levando à busca de fontes cada vez mais distantes.
Como principal responsável pelos serviços de fornecimento de água na RMSP, cabe à Sabesp
operar e manter todo o formidável sistema existente de captações, tubulações e estações de
tratamento e bombeamento de água. Além disto, a empresa tem papel central na expansão da
produção de água para garantir a universalização da oferta de água às atividades da metrópole,
em regime de fornecimento constante, 24 horas por dia.
Diversas gerações de engenheiros da Sabesp dedicaram‐se à tarefa de planejar e implantar, ao
longo de tempo, os oito sistemas produtores que hoje atendem aos 20 milhões de habitantes
com mais de 70 metros cúbicos por segundo de água tratada. Quase 30 anos após o
planejamento e início da implantação do Sistema Alto Tietê, último dos grandes sistemas
produtores em operação, coube à nossa geração o planejamento e implantação de um novo
sistema produtor para a RMSP.
O Sistema Produtor São Lourenço aproveita as águas do rio Juquiá, que sempre foi uma
presença constante nos diversos planos de água da RMSP, como alternativa para suprimento
após a utilização completa dos mananciais existentes na bacia do Alto Tietê. Tomou sua forma
atual no PDAA de 2005, quando se definiu pelo aproveitamento do Alto Juquiá, captando‐se 4,7
metros cúbicos por segundo na represa Cachoeira do França, conforme proposto no presente
estudo.
Como também ocorreu na concepção de outros sistemas de água e esgotos para a RMSP, a
proposta do Sistema São Lourenço foi objeto de amplo debate devido ao seu porte, custo e
impacto. Trata‐se de captação distante, com longas adutoras e elevado bombeamento por
causa da necessária transposição de bacia hidrográfica. Ao final, consolidou‐se o acerto na
definição do rio Juquiá como a mais viável fonte para a ampliação do abastecimento da RMSP,
notadamente da sua região oeste.
A diminuição das taxas de crescimento populacional na metrópole, o uso mais consciente da
água, assim como os progressos das ações de redução de perdas pela Sabesp e demais
operadoras, permitem imaginar uma situação que leve o Sistema São Lourenço a ser o último a
ser implantado para a RMSP. Esta resposta virá no futuro e dependerá essencialmente da
evolução da degradação dos mananciais atuais, dos conflitos pelo uso da água (especialmente
nas transposições existentes) e dos níveis de crescimento econômico da região. É certo,
entretanto, que os futuros sistemas não serão produtos de planejamento só para a RMSP, mas
sim visando o equacionamento do problema para a chamada Macrometrópole Paulista que
envolve também as regiões de Campinas, Sorocaba, Baixada Santista e Vale do Paraíba.
Marcelo Salles Holanda Freitas
Diretor de Tecnologia, Empreendimentos e Meio Ambiente – T
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ÍNDICE
1. INTRODUÇÃO...............................................................................................................................1
1.1. OBJETIVO DO RELATÓRIO ...............................................................................................1
1.2. ANTECEDENTES ............................................................................................................1
2. OBJETIVOS E JUSTIFICATIVA DO SISTEMA PRODUTOR SÃO LOURENÇO ........................................4
2.1. SISTEMA EXISTENTE DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA...............................................................4
2.2. SITUAÇÃO DO ÍNDICE DE REGULARIDADE DE ABASTECIMENTO – IRA.........................................6
2.3. SITUAÇÃO FUTURA DE REGULARIDADE DE ABASTECIMENTO NA RMSP......................................6
2.4. DEMANDAS DE ÁGUA DO SISTEMA INTEGRADO METROPOLITANO (SIM)...................................7
2.5. PROGRAMA METROPOLITANO DE CONTROLE DE PERDAS .....................................................10
2.5.1. Perdas Reais e Perdas Aparentes ............................................................................10
2.5.2. Metas de Redução de Perdas..................................................................................10
2.6. DISPONIBILIDADE HÍDRICA DOS MANANCIAIS....................................................................11
2.6.1. Disponibilidade Hídrica Efetiva dos Mananciais......................................................12
2.6.2. Alternativas de Aproveitamento de Novos Mananciais..........................................12
2.7. BALANÇO DEMANDAS X DISPONIBILIDADE HÍDRICA ............................................................13
2.8. NECESSIDADE E OBJETIVOS DO SPSL...............................................................................14
2.9. UTILIZAÇÃO PREVISTA DA PRODUÇÃO DE ÁGUA DO SPSL ....................................................14
3. ASPECTOS RELEVANTES DA ÁREA DE ESTUDO DO SISTEMA PRODUTOR SÃO LOURENÇO ...........16
3.1. LOCALIZAÇÃO E ACESSOS VIÁRIOS ..................................................................................16
3.2. CLIMA E PLUVIOMETRIA...............................................................................................16
3.3. CARACTERÍSTICAS GEOLÓGICO‐GEOTÉCNICAS....................................................................18
3.4. BACIAS HIDROGRÁFICAS. INTERVENÇÕES EM RECURSOS HÍDRICOS .........................................18
3.4.1. Bacias Hidrográficas envolvidas ..............................................................................18
3.4.2. Outorgas ..................................................................................................................18
3.4.3. Cobrança pelo Uso da Água.....................................................................................19
3.4.4. Proteção de Mananciais ..........................................................................................20
3.5. SISTEMA DE GERAÇÃO HIDRELÉTRICA DA CBA...................................................................20
3.6. CONDICIONANTES AMBIENTAIS......................................................................................21
4. MANANCIAL PROPOSTO ............................................................................................................24
4.1. DISPONIBILIDADE HÍDRICA NA BACIA DO ALTO JUQUIÁ........................................................24
4.2. USOS MÚLTIPLOS DOS RECURSOS HÍDRICOS .....................................................................25
4.3. QUALIDADE DAS ÁGUAS...............................................................................................27
4.4. ESTUDOS DE TRATABILIDADE.........................................................................................28
4.4.1. Ensaios em Escala de Bancada ................................................................................28
4.4.2. Ensaios em Escala Piloto..........................................................................................29
5. ALTERNATIVAS DE CONCEPÇÃO DO SISTEMA PRODUTOR SÃO LOURENÇO ................................31
5.1. CONDICIONANTES PARA A FORMULAÇÃO DAS ALTERNATIVAS................................................31
5.2. CAPTAÇÃO DE ÁGUA BRUTA .........................................................................................34
5.2.1. Alternativas de Captação.........................................................................................34
5.2.2. Captação no Reservatório Cachoeira do França .....................................................35
5.3. DIRETRIZ GUARAPIRANGA ............................................................................................39
5.3.1. Considerações Gerais ..............................................................................................39
5.3.2. Adução de Água Bruta.............................................................................................39
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ii
5.3.3. Adução de Água Tratada .........................................................................................40
5.3.4. Resumo das Alternativas da Diretriz Guarapiranga ................................................42
5.4. DIRETRIZ ITAPECERICA .................................................................................................46
5.4.1. Considerações Gerais ..............................................................................................46
5.4.2. Adução de Água Bruta.............................................................................................46
5.4.3. Adução de Água Tratada .........................................................................................47
5.4.4. Resumo das Alternativas da Diretriz Itapecerica ....................................................48
5.5. DIRETRIZ IBIÚNA ‐ COTIA..............................................................................................52
5.5.1. Considerações Gerais ..............................................................................................52
5.5.2. Adução de Água Bruta.............................................................................................53
5.5.3. Adução de Água Tratada .........................................................................................53
5.5.4. Resumo das Alternativas da Diretriz Ibiúna ‐ Cotia.................................................54
5.6. RESUMO DAS CARACTERÍSTICAS FÍSICAS DAS ALTERNATIVAS CONSIDERADAS ............................54
6. ANÁLISE E COMPARAÇÃO ENTRE ALTERNATIVAS .......................................................................58
6.1. ASPECTO ECONÔMICO‐FINANCEIRO ................................................................................58
6.1.1. Custos de Investimento das Alternativas ................................................................58
6.1.2. Despesas com Energia Elétrica................................................................................59
6.1.3. Indicador de Custo Total das Alternativas...............................................................59
6.1.4. Análise e Comparação sob o Aspecto Econômico‐Financeiro.................................59
6.2. ANÁLISE E COMPARAÇÃO SOB O ASPECTO TÉCNICO‐OPERACIONAL.........................................60
6.2.1. Facilidades e Dificuldades Construtivas ..................................................................61
6.2.2. Nível de Comprovação das Tecnologias Previstas...................................................61
6.2.3. Confiabilidade..........................................................................................................61
6.2.4. Eficiência Energética................................................................................................62
6.2.5. Economicidade dos Insumos Básicos ......................................................................62
6.2.6. Facilidades e Dificuldades Operacionais e de Manutenção....................................62
6.2.7. Flexibilidade Operacional ........................................................................................63
6.2.8. Padronização dos Materiais e Equipamentos .........................................................64
6.3. ANÁLISE E COMPARAÇÃO SOB O ASPECTO SÓCIO‐AMBIENTAL...............................................64
6.3.1. Principais Impactos Ambientais das Intervenções..................................................64
6.3.2. Comparação Multicritério das Alternativas sob o Aspecto Ambiental...................65
6.4. ESCOLHA DE SOLUÇÃO PARA A CONCEPÇÃO DO SPSL..........................................................68
7. DETALHAMENTO DA ALTERNATIVA SELECIONADA.....................................................................70
7.1. SISTEMA DE REVERSÃO DE ÁGUA BRUTA PARA A RMSP......................................................70
7.1.1. Captação e Tomada D’água.....................................................................................71
7.1.2. Estação Elevatória de Água Bruta (EEAB)................................................................73
7.1.3. Adutora de Água Bruta por Recalque – Trecho I.....................................................76
7.1.4. Chaminé de Equilíbrio de Água Bruta (CEQ‐AB)......................................................76
7.1.5. Adutora de Água Bruta por Gravidade – Trecho II..................................................77
7.1.6. Reservatório de Compensação de Água Bruta (RCAB)............................................80
7.2. ESTAÇÃO DE TRATAMENTO DE ÁGUA – ETA .....................................................................81
7.3. SISTEMA DE ADUÇÃO DE ÁGUA TRATADA.........................................................................83
7.3.1. Estação Elevatória de Água Tratada – EEAT............................................................85
7.3.2. Adução de Água Tratada – Alça Principal................................................................85
7.3.3. Chaminé de Equilíbrio de Água Tratada (CEQ‐AT) ..................................................88
7.3.4. Reservatório de Compensação Granja Carolina (RCGC) .........................................90
7.3.5. Reservatório Gênesis...............................................................................................92
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iii
7.3.6. Adução de Água Tratada – Interligação com o SIM ................................................92
7.4. FORNECIMENTO DE ENERGIA ELÉTRICA ............................................................................96
PARTICIPAÇÃO ...................................................................................................................................98
Lista de Tabelas
Tabela 2.1 ‐ Disponibilidade Hídrica e Capacidade de Produção. Sistemas Produtores da RMSP
Tabela 2.2 ‐ Sistema Integrado da RMSP. Projeções de Demanda de Água
Tabela 2.3 ‐ Composição dos Consumos e Perdas na Distribuição
Tabela 2.4 ‐ Índices de Perdas na Distribuição. Sistema Integrado. Cenário Dirigido
Tabela 2.5 ‐ Ajuste da Disponibilidade Hídrica dos Mananciais, conforme PBH‐AT 2007
Tabela 2.6 ‐ Demandas de Água dos Setores a serem Abastecidos pelo SPSL
Tabela 3.1 ‐ Características das Usinas da CBA no rio Juquiá
Tabela 3.2 ‐ Cobertura Vegetal e Uso do Solo
Tabela 4.1 ‐ Disponibilidade Hídrica do Alto Juquiá
Tabela 4.2 ‐ Resumo de Tratabilidade em Escala de Bancada
Tabela 5.1 ‐ Características Físicas das Alternativas Consideradas
Tabela 6.1 ‐ Custos de Implantação de cada Alternativa (R$ x 103
)
Tabela 6.2 ‐ Despesas com Energia Elétrica. Valor Presente (R$ x 103
)
Tabela 6.3 ‐ Indicador de Custo Total das Alternativas (R$ x 103
)
Tabela 6.4 ‐ Comparativo dos Indicadores Ambientais das Alternativas
Tabela 6.5 ‐ Metodologia Multicritério. Notas Ambientais das Alternativas
Lista de Gráficos
Gráfico 2.1 ‐ Evolução do IRA dos Setores de Abastecimento atendidos pelo SIM
Gráfico 2.2 ‐ Evolução do Índice de Perdas da Sabesp (Estado de São Paulo)
Gráfico 2.3 ‐ Evolução do Balanço Demandas x Disponibilidade Hídrica para o Sistema Integrado
Gráfico 4.1 ‐ Vazões Médias Mensais no rio Juquiá
Lista de Figuras
Figura 2.1 ‐ Sistema Integrado Metropolitano – SIM. Sistema Existente e Área de Influência dos
Sistemas Produtores
Figura 2.2 ‐ IRA médio anual em 2008
Figura 2.3 ‐ Cenário em 2014, IRA sem obras do PMA e sem o SPSL
Figura 2.4 ‐ Cenário em 2014, IRA com os investimentos do PMA e sem o SPSL
Figura 2.5 ‐ Cenário em 2014, IRA com os investimentos do PMA e com o SPSL
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iv
Figura 3.1 ‐ Planta de Localização e Sistema Viário
Figura 4.1 ‐ Bacia do Alto Juquiá
Figura 4.2 ‐ Locais de Coleta de Amostras para Estudos de Qualidade de Água
Figura 5.1 ‐ Diretrizes de Traçado e Condicionantes Ambientais
Figura 5.2 ‐ Locais de Captação Estudados
Figura 5.3 ‐ Variação dos Níveis Mensais do Reservatório Cachoeira do França
Figura 5.4 ‐ Batimetria. Planta e Localização das Seções
Figura 5.5 ‐ Batimetria do Braço do Reservatório no Local da Captação
Figura 5.6 ‐ Sistema de Adução de Água Tratada associado à AAT‐1
Figura 5.7 ‐ Sistema de Adução de Água Tratada associado à AAT‐2
Figura 5.8 ‐ Alternativas de Traçado da Adutora de Água Bruta da Diretriz Guarapiranga
Figura 5.9 ‐ Traçado da Adutora de Água Tratada: AAT‐1 e AAT‐2
Figura 5.10 ‐ Perfil Reduzido e Linha Piezométrica: Alternativa Embu Guaçu
Figura 5.11 ‐ Sistema de Adução de Água Tratada associado à AAT‐3
Figura 5.12 ‐ Alternativas de Traçado da Adutora de Água Bruta da Diretriz Itapecerica
Figura 5.13 ‐ Traçado da Adutora de Água Tratada: AAT‐3
Figura 5.14 ‐ Perfil Reduzido e Linha Piezométrica: Alternativa Laranjeiras
Figura 5.15 ‐ Sistema de Adução de Água Tratada associado à AAT‐4
Figura 5.16 ‐ Alternativas de Traçado da Adutora de Água Bruta da Diretriz Ibiúna ‐ Cotia
Figura 5.17 ‐ Traçado da Adutora de Água Tratada: AAT‐4 Cotia 1 e AAT‐4 Cotia 2
Figura 5.18 ‐ Perfil Reduzido e Linha Piezométrica: Alternativa Ibiúna‐Cotia 2
Figura 6.1 ‐ Comparação das Alternativas em termos de Custo Total
Figura 6.2 ‐ Hierarquização das Alternativas
Figura 7.1 ‐ Traçado do Sistema de Adução de Água Bruta
Figura 7.2 ‐ Arranjo Geral da Captação e EEAB: Implantação
Figura 7.3 ‐ Chaminé de Equilíbrio de Água Bruta (CEQ‐AB)
Figura 7.4 ‐ Perfil Reduzido e Linhas Piezométricas da Adutora de Água Bruta
Figura 7.5 ‐ ETA São Lourenço. Arranjo Geral
Figura 7.6 ‐ Traçado do Sistema de Adução de Água Tratada
Figura 7.7 ‐ Perfil Reduzido e Linhas Piezométricas da Adutora de Água Tratada
Figura 7.8 ‐ Chaminé de Equilíbrio de Água Tratada
Figura 7.9 ‐ Reservatório de Compensação Granja Carolina
Figura 7.10 ‐ Reservatório Gênesis ‐ Arranjo Geral
sabesp
v
Siglas Utilizadas
 Diâmetro
AAB Adutora de Água Bruta
AAT Adutora de Água Tratada
AB Água Bruta
AD Área de Drenagem
AMT Altura Manométrica Total
ANA Agência Nacional de Águas
ANEEL Agência Nacional de Energia Elétrica
APA Área de Proteção Ambiental
APP Área de Preservação Permanente
APRM Área de Proteção e Recuperação de Mananciais
ASTM American Society of Test and Materials
AT Água Tratada
AWWA American Water Works Association
CBA Companhia Brasileira de Alumínio
CEQ‐ AB Chaminé de Equilíbrio de Água Bruta
CEQ‐ AT Chaminé de Equilíbrio de Água Tratada
Cetesb Companhia Ambiental do Estado de São Paulo
CF Cloreto Férrico
CONAMA Conselho Nacional do Meio Ambiente
CONSEMA Conselho Estadual do Meio Ambiente do Estado de São Paulo
COT Carbono Orgânico Total
CPFL Companhia Paulista de Força e Luz
CPTM Companhia Paulista de Trens Metropolitanos
CRH Conselho Estadual de Recursos Hídricos do Estado de São Paulo
CTEEP Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista
DAEE Departamento de Águas e Energia Elétrica do Estado de São Paulo
DBO Demanda Bioquímica de Oxigênio
EEAB Estação Elevatória de Água Bruta
EEAT Estação Elevatória de Água Tratada
EIA Estudo de Impacto Ambiental
EMPLASA Empresa Metropolitana de Planejamento do Estado de São Paulo
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ERQ Estação de Recuperação de Qualidade de Água
ETA Estação de Tratamento de Água
EVI Estudo de Viabilidade de Implantação
Fo
Fo
Ferro Fundido
FUSP Fundação de Apoio à Universidade de São Paulo
HIDROPLAN Plano Integrado de Aproveitamento e Controle dos Recursos Hídricos das Bacias
do Alto Tietê, Piracicaba e Baixada Santista.
IF Instituto Florestal do Estado de São Paulo
IPT Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo
IRA Índice de Regularidade do Abastecimento
LI Licença Ambiental de Instalação
LP Licença Ambiental Prévia
LT Linha de Transmissão de Energia Elétrica
mca metros de coluna de água
MD Margem Direita
ME Margem Esquerda
MIB Metilisoborneol
MO Unidade de Negócio Metropolitana Oeste, da Sabesp
MS Unidade de Negócio Metropolitana Sul, da Sabesp
NA Nível de Água
NPSHr Net Positive Suction Head required ‐ Carga Líquida de Sucção requerida (pela bomba)
O&M Operação e Manutenção
OD Oxigênio Dissolvido
PAC Policloreto de Alumínio
PBH‐AT Plano da Bacia do Alto Tietê
PDAA Plano Diretor de Abastecimento de Água da Região Metropolitana de São Paulo
PMA Plano Metropolitano de Água
Q Vazão
Q7,10 Vazão mínima anual de 7 dias consecutivos e 10 anos de período de retorno
Q95 Vazão assegurada com garantia de 95% (do tempo)
QMLT Vazão média de longo termo
RAP Relatório Ambiental Preliminar
RAT Reservatório de Água Tratada
RBCV Reserva da Biosfera do Cinturão Verde de São Paulo
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vii
RCAB Reservatório de Compensação de Água Bruta
RCGC Reservatório de Compensação Granja Carolina
RIMA Relatório de Impacto no Meio Ambiente
RMSP Região Metropolitana de São Paulo
RPPN Reserva Particular do Patrimônio Natural
SA Sulfato de Alumínio
Sabesp Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo
SE Subestação de Transformação de Energia Elétrica
SEADE Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados
SESRH Secretaria de Energia, Saneamento e Recursos Hídricos do Estado de São Paulo
SF Sulfato Férrico
SAM Sistema Adutor Metropolitano
SIM Sistema Integrado Metropolitano
SMA Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo
SPSL Sistema Produtor São Lourenço
UC Unidade de Conservação
UGRHI Unidade de Gerenciamento de Recursos Hídricos
UHE Usina Hidrelétrica
UN Unidade de Negócios da Sabesp
SISTEMA PRODUTOR SÃO LOURENÇO sabesp
1
1. INTRODUÇÃO
1.1. Objetivo do Relatório
O presente Relatório tem por finalidade apresentar a síntese do Estudo de Concepção do
Sistema Produtor São Lourenço, abrangendo: (i) a justificativa e objetivos do novo Sistema, (ii)
as alternativas analisadas para a reversão e o aproveitamento das águas da bacia do rio Juquiá,
para fins de reforço do abastecimento da zona oeste da Região Metropolitana de São Paulo
(RMSP), tendo como horizonte de projeto o ano de 2025, (iii) as análises realizadas para
selecionar a melhor alternativa para a implantação do empreendimento, a partir da avaliação
dos aspectos técnico‐operacionais, econômico‐financeiro, sócio‐ambiental e jurídico‐
institucional; e (iv) a descrição da concepção final adotada.
1.2. Antecedentes
O aproveitamento das águas do rio Juquiá para o abastecimento da RMSP vem sendo proposto
desde a década de 1960 por Planos de Recursos Hídricos, Planos de Bacias e Planos Diretores
de Abastecimento de Água.
Nos estudos concluídos em fins de 1995, o HIDROPLAN teve a oportunidade de efetuar a
reavaliação das possibilidades de aproveitamento do rio Juquiá para suprimento da RMSP. O
estudo concluiu que a forma de viabilizar tal aproveitamento, sob o ponto de vista ambiental,
seria o desenvolvimento de uma concepção de obras que dispensasse a implantação dos
reservatórios de Rosas e Cachoeira, na bacia do rio Juquiá, e os reservatórios Santa Rita e Embu
Guaçu, na Bacia do Guarapiranga; os quais estavam previstos nos estudos anteriores.
A concepção proposta pelo HIDROPLAN previa uma captação a fio d’água no rio Juquiá, em
Juquitiba. O sistema de adução de água bruta seria implantado ao longo da rodovia Régis
Bittencourt (BR‐116), derivando posteriormente para leste e efetuando a transposição em túnel
do divisor de águas com a bacia do Guarapiranga, com desemboque no ribeirão Santa Rita, um
dos formadores do reservatório Guarapiranga. Considerava ainda, ser de fundamental
importância a execução das obras da duplicação da rodovia Régis Bittencourt, para viabilizar a
implantação dessa adução.
Os seguintes fatos relevantes ocorreram após a conclusão do estudo HIDROPLAN:
 Decreto Presidencial assegurando o direito de reversão de 4,7 m3
/s para abastecimento da
RMSP, em 1996;
 Renovação por 20 anos do Contrato de Concessão da CBA com a ANEEL, até o ano 2016,
mantendo o direito de reversão para abastecimento da RMSP (28/06/96);
 Elaboração do Projeto Básico do Sistema Produtor Juquitiba (1996).
O projeto básico do Sistema Produtor Juquitiba, desenvolvido pela Hidroconsult em 1996 com
base nas diretrizes do HIDROPLAN, contemplou: (i) uma barragem de elevação de nível e
captação a fio d’água no rio Juquiá; (ii) o recalque através de estação elevatória com altura
manométrica de 208 mca e adutora em aço de 16,9 km de extensão; (iii) túnel‐canal que
permitiria transpor o divisor de águas Alto Juquiá ‐ Guarapiranga, com 7.412 m de extensão,
que funcionaria em escoamento livre por gravidade e descarregaria as águas no ribeirão Santa
Rita; (iv) construção de canal nos primeiros 3,46 km do ribeirão Santa Rita e ampliação de 22
travessias viárias sobre o curso de água; (v) escoamento da vazão revertida pelo leito do
SISTEMA PRODUTOR SÃO LOURENÇO sabesp
2
ribeirão Santa Rita e rio Embu Guaçu até a represa do Guarapiranga; (vi) uma segunda captação
no trecho superior da represa; (vii) estação de tratamento de água (ETA Alvorada), em
península na margem esquerda da represa; e (viii) adutora de água tratada com 21.653 m de
extensão, até interligação com o Sistema Integrado Metropolitano (SIM) no Reservatório
Morumbi.
O Projeto Juquitiba fazia parte do Plano Metropolitano de Água (PMA), um conjunto de
iniciativas que a Sabesp formulou em 1996 para superar o grave problema de déficit no
abastecimento de água que a RMSP vivia naquela época. A Sabesp levou o PMA à apreciação do
Comitê de Bacia Hidrográfica do Alto Tietê CBH‐AT e do Conselho Estadual do Meio Ambiente –
CONSEMA, e também elaborou um RAP do Projeto Juquitiba com o qual instruiu a solicitação a
SMA de licença ambiental prévia para o empreendimento.
Na análise do PMA, o Comitê da Bacia do Alto Tietê aprovou deliberação recomendando o
aproveitamento prioritário dos recursos hídricos da própria bacia do Alto Tietê para
abastecimento da RMSP antes de lançar mão de novas reversões. O CONSEMA também se
manifestou em igual sentido.
A SMA considerou que, pelas suas implicações ambientais, o licenciamento do Projeto devia ser
instruído mediante EIA/RIMA, com estudos em maior profundidade que os do RAP. O Parecer
Técnico da SMA levantou preocupações com o lançamento das águas revertidas do Alto Juquiá
no ribeirão Santa Rita, em função do impacto no ribeirão, e das possíveis conseqüências
ecológicas da transferência de organismos de outra bacia para a represa Guarapiranga. Como
alternativa para viabilidade do Projeto, o Parecer propôs que a adução fosse tubulada até a
ETA. A continuidade desse estudo foi então postergada em função de outras obras de curto
prazo previstas no PMA para aproveitamento de águas da bacia do Alto Tietê.
Períodos hidrológicos desfavoráveis sempre despertam um alerta para o planejamento. Nestas
últimas três décadas, e em particular no início da década de 2000, a RMSP experimentou
situações críticas de queda na oferta dos mananciais produtores e o comprometimento do
atendimento à população. A situação crítica, sobretudo no Sistema Cantareira, sugeriu a
necessidade de elaboração de novos estudos visando dispor de alternativas para aumentar a
oferta de água para RMSP, o que veio a ser concretizado pela contratação, pela Sabesp, do
estudo: “Revisão e Atualização do Plano Diretor de Abastecimento de Água da RMSP (PDAA‐
2025)”.
O PDAA‐2025 propõe, dentre outras ações, a implantação de um novo Sistema Produtor,
doravante denominado Sistema Produtor São Lourenço (SPSL), com o objetivo de reforçar o
abastecimento de água das regiões Oeste e Sudoeste e dar cobertura às demandas previstas
tendo por horizonte o ano 2025. O PDAA‐2025 considerou como base a concepção do SPSL
prevista no Projeto Juquitiba, mas assinalou a necessidade de estudar outras soluções de
adução e interligação ao SIM.
O planejamento geral do PDAA é feito habitualmente a cada 10 anos, com dados do censo
demográfico mais recente. No meio tempo, a Sabesp atualiza periodicamente o planejamento
de obras mediante o Plano Metropolitano de Água (PMA), o qual considera, de forma dinâmica,
a evolução das demandas, o desempenho operacional do SIM, fatos novos em termos de
disponibilidade hídrica, e a programação de recursos para investimentos.
O Plano Metropolitano de Água – PMA 2006‐2014 – da Sabesp incluiu a previsão de
implantação do SPSL no segundo quadriênio desse período.
SISTEMA PRODUTOR SÃO LOURENÇO sabesp
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O presente Estudo de Concepção do SPSL utilizou o anterior Projeto Juquitiba como ponto de
partida, tanto para a formulação de novas alternativas que permitissem superar seus pontos
fracos, quanto como padrão para comparação do desempenho das soluções aventadas.
O SPSL deverá complementar a vazão disponibilizada pelos Sistemas Cantareira, Guarapiranga,
Alto Cotia e Baixo Cotia, via Sistema Integrado Metropolitano (SIM), para atendimento da
demanda da região, mediante uma operação integrada de produção e adução, consolidando o
conceito do Sistema Integrado de Abastecimento de Água da RMSP.
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4
2. OBJETIVOS E JUSTIFICATIVA DO SISTEMA PRODUTOR SÃO LOURENÇO
O Sistema Produtor São Lourenço (SPSL) objetiva aumentar a oferta de água tratada para
reforço e regularização do abastecimento público de água na zona oeste da RMSP, bem como,
ampliar a flexibilidade operacional e a garantia de disponibilidade hídrica do Sistema Integrado
Metropolitano (SIM).
A RMSP abrange uma área de 7.944 km² e encontra‐se subdividida em 39 municípios, com uma
população total de 19,7 milhões de habitantes em 2010. Possui 10,4% da população do País e
47,7% daquela do Estado de São Paulo, em apenas 2,4% da área do estado.
A bacia do Alto Tietê, com área de drenagem de 5.720 km², abriga quase toda a população da
RMSP. Em face da grande concentração urbana e da disponibilidade hídrica escassa, agravada
por problemas de poluição dos mananciais disponíveis, a bacia do Alto Tietê foi se tornando, ao
longo do tempo, deficitária para o abastecimento público da metrópole em expansão; razão
pela qual, alguns dos sistemas produtores atualmente operados pela Sabesp tiveram reforços
de vazão por meio de reversões de águas de outras bacias contíguas (vide Tabela 2.1).
2.1. Sistema Existente de Abastecimento de Água
O Sistema Integrado Metropolitano (SIM) abastece uma população de cerca de 19,4 milhões de
habitantes em 30 municípios da RMSP, com praticamente 100% de atendimento, por meio de
cerca de 4,67 milhões de ligações que abrangem 6,92 milhões de economias.
Outros 9 municípios da RMSP e núcleos de alguns desses 30 municípios são abastecidos por
Sistemas Isolados, a maioria dos quais operados pela Sabesp. Estes sistemas atendem uma
população de cerca de 290 mil habitantes e não são objeto de consideração neste Relatório.
O SIM conta com 8 Sistemas Produtores, os quais se ligam aos centros de consumo através de
um complexo de 8 ETAs, 1.270 km de adutoras, 137 centros de reservação, 52 torres, 98
estações elevatórias, 24 boosters e cerca de 26.000 km de redes de distribuição; abrangendo a
área metropolitana conurbada e interligando os principais Sistemas Produtores da Sabesp na
região. A cada Sistema Produtor corresponde uma determinada área de influência que é
proporcional à sua produção e geograficamente próxima à respectiva ETA. A Figura 2.1 ilustra a
estrutura física das adutoras e reservatórios que compõem o SIM e as áreas de influência dos
sistemas produtores.
A disponibilidade hídrica desse Sistema Integrado era estimada até 2007 em 66,1 m3
/s (ver
reavaliação das disponibilidades hídricas a partir do Plano de Bacia do Alto Tietê [FUSP, 2007],
adiante). A capacidade nominal de produção desses sistemas totaliza 67,8 m3
/s (Tabela 2.1).
TABELA 2.1 - DISPONIBILIDADE HÍDRICA E CAPACIDADE DE PRODUÇÃO. SISTEMAS PRODUTORES DA RMSP
Sistema Produtor
Disponibilidade Hídrica (m³/s) Capacidade Nominal de Produção
(m³/s)
Bacia AT Reversão Total
Cantareira 3,4 27,9 31,3 33,0
Guarapiranga 13,3 1,0 14,3 14,0
Alto Tietê 9,7 --- 9,7 10,0
Rio Grande 4,8 --- 4,8 4,5
Rio Claro 3,5 0,5 4,0 4,0
Alto Cotia 1,1 --- 1,1 1,2
Baixo Cotia 0,8 --- 0,8 1,0
Ribeirão da Estiva 0,1 --- 0,1 0,1
TOTAL 36,7 29,4 66,1 67,8
Fonte: PMA 2006/2014
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6
Os estudos prospectivos para a metrópole apontam um crescimento das demandas de água
que esses Sistemas Produtores, mesmo com obras de ampliação e melhoria, não têm condições
de atender. Essa restrição hídrica vem provocando índices críticos na regularidade do
abastecimento em parte dos setores abastecidos pelo SIM.
2.2. Situação do Índice de Regularidade de Abastecimento – IRA
O IRA, indicador que corresponde à porcentagem de horas do dia em que o setor teve
abastecimento pleno, vem evoluindo positivamente ao longo dos anos para todo o SIM.
GRÁFICO 2.1 - EVOLUÇÃO DO IRA DOS SETORES DE ABASTECIMENTO ATENDIDOS PELO SIM
70,0
75,0
80,0
85,0
90,0
95,0
1
00,0
IRA
(%)
IRA M ínimo 75,5 88,2 84,6 84,5 83,0 80,5 87,1 93,5 90,1 91
,6 93,9 93,8 97,3 97,3 96,3 96,5 98,3
IRA M édio 88,6 94,1 92,2 88,5 86,7 88,0 93,2 95,5 92,9 93,9 95,9 96,2 98,3 97,8 97,9 98,3 98,9
IRA M áximo 95,1 96,1 96,0 91
,3 91
,1 91
,5 97,3 96,7 94,7 95,3 97,5 97,5 99,2 98,8 98,9 99,4 99,4
1
992 1
993 1
994 1
995 1
996 1
997 1
998 1
999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008
Entretanto, a Figura 2.2 (IRA em 2008) mostra que há vários locais periféricos, especialmente
onde as populações mais crescem, onde o índice apresenta valores “com tendência a críticos”
ou “críticos”, com abastecimento irregular ou intermitente. Os sistemas produtores com pior
desempenho na regularidade do fornecimento de água são os Sistemas Alto e Baixo Cotia,
situados na zona oeste da RMSP. O Sistema Alto Cotia apresentou durante todo o ano de 2008
IRA de apenas 92,6%, destacando‐se como sistema mais crítico. O Sistema Baixo Cotia também
apresentou desempenho com tendência a crítico, com IRA de 96,6%.
No conjunto do Sistema Integrado, os Setores de Abastecimento com IRA crítico somam 249 mil
habitantes e aqueles com tendência a crítico outros 3,45 milhões habitantes (18% da população
total). A zona oeste da metrópole é a região mais crítica no abastecimento da RMSP, como se
observa no mapa do IRA médio de 2008 (Figura 2.2). Em boa parte isso se deve à insuficiência
de produção dos Sistemas Alto e Baixo Cotia em relação às demandas crescentes dessa zona, e
às limitadas possibilidades de transferência de água dos Sistemas Cantareira e Guarapiranga,
em face das demandas em suas próprias áreas de influência.
2.3. Situação Futura de Regularidade de Abastecimento na RMSP
As simulações com as estimativas de demanda para 2014, sem considerar novos investimentos
em adução e produção (Figura 2.3), mostram a expansão das manchas de atendimento
deficiente nas bordas periféricas da metrópole, onde a população cresce a taxas altas, tanto ao
sul, como a oeste, leste e norte.
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7
A Figura 2.4 indica o IRA por setor de abastecimento com as obras previstas no PMA (que
incluem a ampliação do Sistema Produtor Alto Tietê), exceto o novo Sistema Produtor São
Lourenço. Observa‐se que as áreas com padrões deficientes permanecem especialmente
concentradas nas zonas oeste e sudoeste da metrópole.
Já a Figura 2.5 indica o IRA considerando também a entrada em operação do SPSL, o que reduz
os pontos mal atendidos a setores localizados de Guarulhos, Santo André e Mauá (municípios
fora da área de influência do SPSL).
2.4. Demandas de Água do Sistema Integrado Metropolitano (SIM)
Para fundamentar o planejamento da entrada do novo Sistema Produtor São Lourenço, a
Sabesp atualizou as projeções de demandas e disponibilidades do PDAA‐2025 para o Sistema
Integrado da RMSP, elaboradas em 2004, considerando as novas metas de perdas e uso
racional da água da Companhia, IRAs médios de 2008, projeção de população e domicílios
proposta pelo SEADE e os consumos efetivamente verificados em 2008.
O estudo atualizado mantém a consideração de dois cenários do PDAA‐2025, o Tendencial e o
Dirigido, que diferem apenas no grau de sucesso alcançado no esforço de redução de perdas.
O Cenário Tendencial pressupõe a manutenção dos níveis de investimento em renovação da
rede e controle de perdas realizados até passado recente, que evitem a natural tendência de
crescimento das perdas, com o envelhecimento dos sistemas. O Cenário Dirigido considera que
se alcancem as metas dos programas de uso racional e redução de perdas, já em
implementação pela Sabesp. Todos os demais critérios de planejamento são os mesmos em
ambos cenários.
A Tabela 2.2 apresenta a projeção de demandas de água para o Sistema Integrado da RMSP,
para o Cenário Tendencial e o Cenário Dirigido, respectivamente, mostrando os valores
registrados no ano base de 2008 e os valores projetados por qüinqüênio, de 2010 a 2025.
TABELA 2.2 - SISTEMA INTEGRADO DA RMSP. PROJEÇÕES DE DEMANDA DE ÁGUA
ITEM 2008 2010 2015 2020 2025
Cenário Tendencial (m
3
/s) 67,0 69,7 73,9 76,9 79,2
Cenário Dirigido (m
3
/s) 67,0 69,6 71,5 72,3 74,7
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FIGURA 2.2 - IRA MÉDIO ANUAL EM 2008
FIGURA 2.3 - CENÁRIO EM 2014, IRA SEM OBRAS DO PMA E SEM O SPSL
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9
FIGURA 2.4 - CENÁRIO EM 2014, IRA COM OS INVESTIMENTOS DO PMA E SEM O SPSL
FIGURA 2.5 - CENÁRIO EM 2014, IRA COM OS INVESTIMENTOS DO PMA E COM O SPSL
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10
2.5. Programa Metropolitano de Controle de Perdas
2.5.1. Perdas Reais e Perdas Aparentes
Da vazão total produzida nas ETAs, as perdas de água ocorrem: (i) na adução, até a entrega da
água nos reservatórios setoriais; e (ii) no sistema de distribuição. A Tabela 2.3 explicita a
definição conceitual dos vários tipos de consumos e perdas que ocorrem no sistema de
distribuição, destacando: (a) os vários tipos de consumos autorizados, mas não‐faturados, entre
os quais sobressaem os usos sociais; (b) as perdas reais; e (c) as perdas aparentes.
TABELA 2.3 - COMPOSIÇÃO DOS CONSUMOS E PERDAS NA DISTRIBUIÇÃO
Volume
Disponibilizado
à
Distribuição
Consumos
Autorizados
Consumos
Autorizados
Faturados
Consumos medidos faturados
Águas
Fatu-
radas
Consumos não-medidos faturados (estimados)
Consumos
Autorizados
Não
Faturados
Consumos medidos não-faturados (usos próprios, caminhão-pipa etc.)
Águas
Não-Faturadas
Consumos não-medidos, não-faturados (corpo de bombeiros, etc.)
Consumos não-medidos, não-faturados (usos sociais: consumo em favelas)
Perdas
de
Água
Perdas
Aparentes
Consumos não-autorizados (fraudes e falhas de cadastro)
Sub-medição nos hidrômetros
Perdas
Reais
Vazamentos nas redes de distribuição
Vazamentos nos ramais prediais até o hidrômetro
Vazamentos e extravasamentos nos reservatórios de distribuição
Os dados de 2008 apontam perdas de 37,6% do volume produzido, sendo 3,9% de perdas na
adução, 23,3% de perdas reais na distribuição e 10,4% de perdas aparentes, o que corresponde
a um índice de perdas totais de 450 L/ligxdia no sistema de distribuição, sendo cerca de 311
L/ligxdia de perdas reais e 139 L/ligxdia de perdas aparentes. Comparativamente, o consumo
micro‐medido foi de 727 L/ligxdia e o uso social requereu outros 107 L/ligxdia.
Através de estudos recentes, calculou‐se o Índice Econômico de Perdas, tanto para as perdas
reais como para as aparentes. Este índice representa um valor a partir do qual não compensa
reduzir as perdas, já que os custos para a recuperação dos volumes superam os custos de
produção e distribuição de água. Em geral, o “índice econômico” é bastante superior ao índice
de perdas inevitáveis.
Baseado nas características do sistema de distribuição da RMSP, o Índice de Perdas Inevitáveis
corresponde a pouco mais de 40 L/lig.xdia. O índice de perdas reais de 2008 foi de
aproximadamente 311 L/ligxdia, passível portanto de melhorias significativas em termos de
redução de perdas. Cabe salientar que estes são índices médios para todo o sistema de
distribuição, havendo grandes variações entre setores de abastecimento.
2.5.2. Metas de Redução de Perdas
Nos últimos anos, a Sabesp vem desenvolvendo esforços significativos para reduzir as perdas
nos sistemas sob sua responsabilidade. O Gráfico 2.2 mostra a evolução do índice de perdas
totais (reais + aparentes) no conjunto dos sistemas que a Companhia opera no Estado de São
Paulo, o qual caiu de um patamar de 550 L/ramalxdia até 2003 para 432 L/ramalxdia em 2008.
Os números são representativos para o Sistema Integrado da RMSP, pois ele representa cerca
de 72% da vazão produzida no Estado.
Estes esforços são crescentes e foram consolidados com a instituição do Programa Corporativo
de Redução de Perdas e Eficiência Energética.
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GRÁFICO 2.2 - EVOLUÇÃO DO ÍNDICE DE PERDAS DA SABESP (ESTADO DE SÃO PAULO)
Fonte: Fonte: Superintendência de Planejamento Integrado – Sabesp – 2008
Para fixação de metas de redução de perdas, a Sabesp desenvolveu estudos com apoio de
consultoria e cooperação técnica internacional. Esses estudos permitiram estabelecer uma
linha de tendência e faixas de valores para a redução possível ao longo do tempo. Nas
condições do Sistema Integrado da RMSP, isso representa algo próximo de 170 L/lig.xdia para
as perdas reais, valor considerado representativo do provável nível econômico de perda.
A meta de longo prazo para as perdas aparentes foi fixada em 80 L/lig.xdia, cerca de duas vezes
o que foi adotado como “perda aparente inevitável” e pouco mais da metade do valor de 2008
(139 L/lig.xdia).
Considerando que a meta de longo prazo será atingida gradativamente, a projeção de
demandas do Cenário Dirigido adotou os seguintes valores:
TABELA 2.4 - ÍNDICES DE PERDAS NA DISTRIBUIÇÃO. SISTEMA INTEGRADO. CENÁRIO DIRIGIDO
Índice (L/lig.xdia) 2008 2010 2015 2020 2025 Longo Prazo
Perdas Reais 311 306 252 209 207 170
Perdas Aparentes 139 136 112 93 92 80
Perda Total na Distribuição 450 443 364 302 300 250
A redução maior ocorre nos dois primeiros qüinqüênios, até 2020, consistente com o Programa
Corporativo que prevê investimentos substanciais no período 2009‐2019. Para o período 2020‐
2025 considerou‐se basicamente que serão feitos investimentos para manutenção dos índices
alcançados. A meta de longo prazo provavelmente requererá esforços adicionais, a serem
avaliados no médio prazo em função dos resultados que se alcancem com o Programa de
Redução de Perdas de Água e Eficiência Energética, em curso.
2.6. Disponibilidade Hídrica dos Mananciais
O atendimento das demandas de água do Sistema Integrado requer um adequado balanço com
a capacidade de produção de água dos sistemas produtores que abastecem o SIM. Dois tipos de
balanço oferta x demanda devem ser equilibrados ao longo do tempo: (i) a disponibilidade
hídrica total dos mananciais utilizados deve atender a demanda média anual prevista; e (ii) a
capacidade de produção total dos sistemas produtores deve atender a demanda máxima diária,
do dia de maior consumo. Adicionalmente, a disponibilidade hídrica a considerar em cada
manancial está limitada à vazão que o respectivo sistema produtor (formado por captação,
adução de água bruta, ETA e adução de água tratada) pode produzir de forma contínua.
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12
2.6.1. Disponibilidade Hídrica Efetiva dos Mananciais
O planejamento da Sabesp (PDAA‐2025, de 2004) considerou que os mananciais utilizados para
o Sistema Integrado tinham na época uma disponibilidade hídrica total de 66,1 m3
/s. O PMA
2006‐2014 partiu dessa mesma linha de base e considerou o aumento da disponibilidade
hídrica de 66,1 para 73,7 m3
/s, como resultado dos seguintes acréscimos:
 Sistema Guarapiranga: ampliação de 2,0 para 4,0 m3
/s na capacidade de reversão do
Taquacetuba para o reservatório Guarapiranga, o que resulta em acréscimo de 1,7 m3
/s de
vazão garantida com 95% (aumento de 14,3 para 16,0 m3
/s).
 Sistema Alto Tietê: (i) adição dos reservatórios Paraitinga e Biritiba, com vazão garantida
adicional de 2,5 m3
/s; (ii) fechamento do reservatório Taiaçupeba (+0,4 m3
/s); (iii) reversão
para o reservatório Biritiba das vazões do rio Tietê geradas na área incremental entre as
barragens de Paraitinga, Ponte Nova e Biritiba, até a foz do Biritiba, e operação integrada do
sistema de reservatórios (+3,0 m3
/s), o que resulta em aumento da disponibilidade total de
9,7 para 15,6 m3
/s.
O Plano da Bacia do Alto Tietê (PBH‐AT) (FUSP, 2007) fez uma reavaliação das disponibilidades
hídricas dos mananciais considerando as séries hidrológicas mais recentes e a nova realidade de
outorgas e regras operativas estabelecidas para vários sistemas.
TABELA 2.5 - AJUSTE DA DISPONIBILIDADE HÍDRICA DOS MANANCIAIS, CONFORME PBH-AT 2007
Sistema
Produtor
PDAA
2004
PMA
2006
PBH-AT 2007 Comentários
Cantareira 31,3 31,3 29,9
Renovação da outorga do Cantareira e exigência de vazões
mínimas no rio Juqueri: de 0,5 m³/s para 1,0 m³/s
Guarapiranga 14,3
14,3+1,7
= 16,0
13,0
Limitações na transferência Taquacetuba-Guarapiranga em função
do nível mínimo da Billings, reflexo da regra da EMAE para geração
de energia assegurada.
Alto Tietê 9,7
9,7+5,9
= 15,6
14,6
Regularização de outorgas para irrigantes a jusante de Biritiba (0,51
m³/s), ampliação da outorga para a SEMAE (Mogi das Cruzes) e
outros usuários da bacia do Alto Tietê.
Rio Grande 4,8 4,8 4,0 Regularização de outorgas de usuários da bacia
Rio Claro 4,0 4,0 4,4 / 4,0 (*) Resultados da modelagem do PBH-AT
Alto Cotia 1,1 1,1 1,5 Resultados da modelagem do PBH-AT
Baixo Cotia 0,8 0,8 1,0 Resultados da modelagem do PBH-AT
Rib. Estiva 0,1 0,1 0,1 Sem alteração
TOTAL 66,1 73,7 68,5 / 68,1 (*) Redução na disponibilidade hídrica total para o Sistema Integrado.
Vazão assegurada com 95% de garantia
(*) A vazão efetivamente aproveitável no Sistema Rio Claro é de 4,0 m3
/s.
2.6.2. Alternativas de Aproveitamento de Novos Mananciais
As premissas de planejamento definidas pela Sabesp no PDAA‐2025, atualizadas e corroboradas
pelo PMA 2006‐2014 definiram as seguintes prioridades de aproveitamento de novos
mananciais para o Sistema Integrado Metropolitano:
1. Paraitinga e Biritiba, e fechamento do Taiaçupeba (Sistema Produtor Alto Tietê): obras
sendo concluídas;
2. Fechamento do braço do rio Pequeno (Sistema Produtor Rio Grande);
3. Projeto Juquitiba (rio Juquiá, atual Sistema Produtor São Lourenço);
4. Itatinga‐Itapanhaú (ampliação do Sistema Produtor Alto Tietê).
SISTEMA PRODUTOR SÃO LOURENÇO sabesp
13
O fechamento do braço do Rio Pequeno (Billings) foi bem qualificado, mas a ampliação do
Sistema Rio Grande não resolve o abastecimento da zona oeste da RMSP, onde se concentram
as maiores deficiências de suprimento. A prioridade seguinte é o aproveitamento da bacia do
Alto Juquiá, ora em viabilização mediante o Sistema Produtor São Lourenço.
O aproveitamento dos rios Itatinga e Itapanhaú, para reforço do Sistema Produtor Alto Tietê
tem severas restrições técnicas, econômicas e ambientais. Além disso, situa‐se no extremo
oposto da zona oeste, onde há maior carência de suprimento, o que obrigaria a executar
pesadas obras adicionais de adução por dentro da malha urbana, com alto custo econômico e
alto impacto socioeconômico.
2.7. Balanço Demandas x Disponibilidade Hídrica
O Gráfico 2.3 apresenta o confronto entre as curvas de demanda média anual, para o Cenário
Tendencial (linha ocre) e o Cenário Dirigido (linha verde), e uma previsão de escalonamento da
disponibilidade hídrica, de acordo com a entrada em operação de ampliações na oferta de
água: o SPSL e o fechamento do braço do rio Pequeno, até 2025. A oferta de água considera
concluídas as obras de ampliação do Sistema Guarapiranga e do Sistema Alto Tietê.
GRÁFICO 2.3 - EVOLUÇÃO DO BALANÇO DEMANDAS X DISPONIBILIDADE HÍDRICA PARA O SISTEMA INTEGRADO
O escalonamento da oferta ilustra a consideração de duas situações: (i) a disponibilidade
hídrica considerada no PDAA‐2025 e no PMA 2006‐2014 (as faixas horizontais pintadas no
Gráfico, e a linha azul para o total); e (ii) a disponibilidade hídrica, considerando as vazões com
garantia de 95% determinadas no PBH‐AT (linha vermelha tracejada, situada 5,6 m3
/s abaixo da
anterior).
SISTEMA PRODUTOR SÃO LOURENÇO sabesp
14
Como as disponibilidades efetivas são menores que aquelas supostas no PDAA‐2025 em 2004, o
fato real é que o Sistema Integrado já estava operando em 2010 com disponibilidade total com
garantia de 95% (Q95 = 68,1 m3
/s) 1,5 m3
/s inferior à demanda média estimada (de 69,6 m3
/s).
Não está havendo falta de água porque:
 a situação hidrológica é favorável, e os mananciais dispõem de vazões superiores ao Q95;
 a capacidade nominal das ETAs é de 67,8 m3
/s, mas alguns sistemas produtores podem
eventualmente produzir por algum tempo acima da sua capacidade nominal; e
 subsistem problemas de suprimento de água por limitações de capacidade na adução em
setores de abastecimento com IRA deficiente que abrangem 3,7 milhões de habitantes, com
o que as demandas potenciais não podem manifestar‐se de forma integral.
O hiato entre disponibilidade e demanda tende a ampliar‐se nos próximos anos, chegando a
uma faixa de déficit entre 3,4 e 5,8 m3
/s em 2015 (cenários dirigido e tendencial,
respectivamente). Nesse período, as obras de ampliação no âmbito do SIM devem permitir
superar muitas das limitações existentes em termos de capacidade de adução, tornando real a
demanda potencial estimada.
Analisando o Gráfico 2.3, o Sistema Produtor São Lourenço seria necessário já no curto prazo.
Na prática, a expectativa é que ele possa entrar em operação no início de 2017, permitindo que
o Sistema Integrado volte a operar até 2020 em uma zona de maior segurança, com
disponibilidade hídrica próxima das demandas estimadas no Cenário Dirigido.
2.8. Necessidade e Objetivos do SPSL
Atualmente, o déficit de suprimento está concentrado principalmente nos municípios da zona
oeste da RMSP, onde a produção dos sistemas Alto e Baixo Cotia é insuficiente e requer
transferências dos sistemas Cantareira e Guarapiranga, os quais deixam de atender
satisfatoriamente setores das suas próprias áreas de influência.
A posição geográfica do SPSL, cuja adutora de água tratada segue pelo extremo oeste da RMSP
(Cotia, Vargem Grande Paulista, Itapevi, Jandira, Barueri, Carapicuíba, Santana de Parnaíba)
permite atender diretamente os setores com maior deficiência e contribui para equilibrar as
áreas de influência dos sistemas produtores. O SPSL permitirá liberar água do Cantareira para
que a Sabesp possa atender melhor municípios do extremo norte da RMSP, como Franco da
Rocha e Francisco Morato. Permitirá também liberar água do Alto Cotia, e assim atender
melhor municípios como Embu, Itapecerica da Serra e Embu Guaçu.
Após aproveitar quase integralmente os mananciais utilizáveis para abastecimento da própria
bacia do Alto Tietê, otimizar a operação integrada dos reservatórios, interligar os sistemas
através do SIM, e empreender um vultoso programa de redução de perdas que dará ao Sistema
Integrado um padrão de boa eficiência no uso da água, a Sabesp propõe o desenvolvimento do
Sistema Produtor São Lourenço.
A entrada em operação do SPSL nos próximos anos constitui condição necessária para superar
os déficits atuais e atender as demandas previstas a partir de 2016‐17.
2.9. Utilização Prevista da Produção de Água do SPSL
O Sistema Produtor São Lourenço beneficiará setores e municípios da zona oeste e sul da
RMSP, que hoje são atendidos pelos Sistemas Produtores Alto Cotia, Baixo Cotia, Guarapiranga
e Cantareira.
SISTEMA PRODUTOR SÃO LOURENÇO sabesp
15
Na concepção adotada, o SPSL será responsável pelo suprimento de água de 13 setores de
abastecimento em 7 municípios, que têm uma população estimada de 1,55 milhão de
habitantes em 2015 e 1,67 milhão de habitantes em 2025, além de beneficiar diversos outros
setores que serão melhor abastecidos pelos atuais sistemas produtores.
TABELA 2.6 - DEMANDAS DE ÁGUA DOS SETORES A SEREM ABASTECIDOS PELO SPSL
Município
Setor de
Abastecimento
Vazão Média Diária (l/s) Vazão Máxima Diária (l/s)
2015 2020 2025 2015 2020 2025
Vargem Grande Pta. Vargem Grande Pta 149 163 174 160 176 188
Cotia
Caucaia do Alto 73 80 86 78 86 93
Cotia ‐ Atalaia 371 410 439 399 441 475
Barueri
Barueri ‐ Centro 422 459 490 480 552 561
Barueri ‐ Tamboré 394 428 457 448 488 523
Barueri ‐ Jardim Tupã 380 412 440 431 470 504
Jandira Jandira 514 541 564 570 600 627
Itapevi
Itapevi 464 482 501 522 543 564
Granja Carolina 155 160 167 174 180 188
Carapicuíba
Vila Dirce 540 574 603 560 596 626
Carapicuíba ‐ COHAB 110 117 125 142 153 163
Carapicuíba ‐ Centro 683 733 782 785 844 901
Santana de Parnaíba Gênesis 459 519 573 512 579 640
Demanda Total 4.714 5.078 5.401 5.261 5.708 6.053
Vazão do Sistema Produtor São Lourenço 4.700 4.700 4.700 6.000 6.000 6.000
Vazão do Sistema Produtor Baixo Cotia 14 378 701 (1) (1) 53
(1) Até 2025, a vazão máxima do SPSL é suficiente para atender as demandas de sua área de influência.
Fonte: Estudo de Concepção do SPSL. Sabesp 2010.
SISTEMA PRODUTOR SÃO LOURENÇO sabesp
16
3. ASPECTOS RELEVANTES DA ÁREA DE ESTUDO DO SISTEMA PRODUTOR SÃO LOURENÇO
3.1. Localização e Acessos Viários
A área de estudo do Sistema Produtor São Lourenço abrange 12 municípios das zonas Oeste e
Sudoeste da RMSP: Juquitiba, São Lourenço da Serra, Embu Guaçu, Itapecerica da Serra, Embu,
Cotia, Vargem Grande Paulista, Itapevi, Jandira, Barueri, Carapicuíba e Santana de Parnaíba, e
mais uma parte da zona rural do município de Ibiúna.
Este território é servido por malha viária de estrutura tipicamente radial, como toda a RMSP,
com epicentro em São Paulo, de onde irradiam os eixos conformados pelas rodovias Castelo
Branco, Raposo Tavares e Régis Bittencourt, que organizam alguns dos vetores de maior
expansão da metrópole (ver Figura 3.1):
 vetor oeste, ao longo da rodovia Castelo Branco e da Linha 8 Diamante da CPTM, com
Osasco, Carapicuíba, Barueri, Jandira, Itapevi e Santana de Parnaíba;
 vetor oeste, cerca de 10 km ao sul do anterior, ao longo da rodovia Raposo Tavares, onde se
situam Cotia e Vargem Grande Paulista, e
 vetor sudoeste, ao longo da rodovia Regis Bittencourt, onde se situam os municípios de
Embu, Itapecerica da Serra, São Lourenço da Serra e Juquitiba; abrange também Embu
Guaçu, com ligação secundária pela SP‐234.
Estes eixos radiais são interligados pelo Rodoanel Mario Covas, trechos Oeste e Sul.
A área de estudo está inserida nas bacias hidrográficas do Alto Juquiá, Guarapiranga, Alto
Sorocaba e Alto Tietê, representando a primeira, a fonte de suprimento do futuro Sistema
Produtor. As bacias do Guarapiranga e do Alto Sorocaba são transpostas (somente uma delas
em cada alternativa), recebem parte menor da vazão revertida e abrigam a Estação de
Tratamento de Água (ETA). A bacia do Alto Tietê é a principal receptora do volume de água
revertido através da interligação com as adutoras do SIM. A área de estudo faz parte das
Unidades de Negócio Médio Tietê – RM, Vale do Ribeira – RR, Metropolitana Oeste – MO e
Metropolitana Sul – MS da SABESP.
Os 12 municípios da RMSP na Área de Estudo têm 1.830 km2
de superfície (23,0% da RMSP) e
abrigavam em 2010 cerca de 1,77 milhões de habitantes (9,0% da população da RMSP).
Juquitiba, São Lourenço da Serra e Ibiúna são abastecidos pela Sabesp por meio de sistemas
isolados, e algumas porções dos outros municípios fazem parte de setores de abastecimento
que serão atendidos por outros sistemas produtores. A população beneficiada dos setores de
abastecimento que serão atendidos pelo SPSL é da ordem de 1,5 milhões de habitantes.
3.2. Clima e Pluviometria
A bacia do Alto Juquiá apresenta clima tropical úmido sem estação seca. A bacia do Alto Juquiá
participa inteiramente das condições meteorológicas peculiares do Sul do Brasil, sofrendo com
freqüência a ação das massas de ar e das perturbações frontais que assolam a costa brasileira.
Na maior parte do tempo, a região fica sob a ação da massa de ar Tropical Atlântica, controlada
pelo anticiclone subtropical semipermanente do Atlântico Sul.
SISTEMA PRODUTOR SÃO LOURENÇO sabesp
18
A precipitação média anual na bacia do rio Juquiá até a confluência do rio São Lourenço é da
ordem de 2.000 mm/ano, enquanto na bacia do rio São Lourenço é de 1.650 mm/ano. À
jusante da confluência dos rios São Lourenço e Juquiá, incluindo o reservatório Cachoeira do
França, os totais decrescem significativamente, ficando entre 1.500 e 1.570 mm/ano.
3.3. Características Geológico‐Geotécnicas
Os três conjuntos geológico‐geomorfológicos em que se desenvolve a área de estudo do
Sistema São Lourenço são: 1) o dominante embasamento cristalino pré‐cambriano; 2) os
terrenos terciário‐quaternários da Bacia Sedimentar de São Paulo; e 3) as coberturas aluviais e
colúvios quaternários. Estes conjuntos bastante diferenciados condicionam a morfologia da
região, refletindo na existência de formas de relevo mais salientes, sustentadas por corpos
graníticos e lentes de metassedimentos mais resistentes, resultando em processos do meio
físico importantes para a previsão do comportamento geotécnico dos terrenos ante o seu uso.
Os processos do meio físico dominantes nessa região atravessada pelas alternativas de traçado
do SPSL mostram uma situação relativamente homogênea, dado o comportamento geral das
morfoestruturas e a escala da abordagem. Os processos do meio físico dominantes na área de
influência das alternativas estudadas são: (i) no embasamento cristalino: (a) alta suscetibilidade
à erosão nos solos sub‐superficiais, induzida por movimentos de terra; (b) média suscetibilidade
a escorregamentos exclusivamente induzidos; e (ii) nos sedimentos aluvionares quaternários:
alta suscetibilidade a inundações, recalques, assoreamentos, solapamentos das margens dos
rios.
3.4. Bacias Hidrográficas. Intervenções em Recursos Hídricos
3.4.1. Bacias Hidrográficas envolvidas
O Sistema Produtor São Lourenço envolve três importantes unidades de gerenciamento de
recursos hídricos paulistas, a saber:
 UGRHI 11 – Ribeira de Iguape/Litoral Sul: fornecerá 4,7 m3
/s do Alto Juquiá para a bacia do
Tietê, através de transposição, e abrigará as instalações da captação e estação elevatória, e
trecho da adutora de água bruta;
 UGRHI 10 – Sorocaba/Médio Tietê: abrigará a ETA, receberá parte menor da vazão revertida
para abastecimento de Caucaia do Alto e Vargem Grande Paulista, e abrigará trechos
extensos do sistema de adução (água bruta e tratada), que atravessarão a bacia do Alto
Sorocaba nos municípios de Ibiúna, Cotia e Vargem Grande Paulista;
 UGRHI 06 – Alto Tietê: será a bacia receptora da maior parte da vazão revertida do Alto
Juquiá, a ser utilizada para abastecimento público da zona oeste da RMSP; abrigará o
reservatório de água tratada e extensos trechos de adutoras de água tratada.
3.4.2. Outorgas
O rio Juquiá é um rio de domínio estadual, situado integralmente no Estado de São Paulo. Cabe,
portanto, ao Departamento de Águas e Energia Elétrica do Estado São Paulo – DAEE a
competência de emitir a outorga de direito de uso para derivação de recursos hídricos para fins
de abastecimento público e as outorgas para interferências com recursos hídricos.
As interferências do Sistema Produtor São Lourenço com recursos hídricos abrangem: (i) a
captação, derivação e reversão de 4,7 m3
/s de águas para outra bacia; (ii) construção da
SISTEMA PRODUTOR SÃO LOURENÇO sabesp
19
tomada de água dentro do reservatório, com instalação de ensecadeira provisória; (iii)
modificação do NA mín. operacional do reservatório, de 623,00 para 630,00; (iv) eventuais
obras de canalização de trechos de cursos de água; (v) travessia subterrânea da adutora sob
cerca de 110 córregos, com desvio temporário destes durante a obra; (vi) travessia aérea de 4
rios maiores, sem intervenção direta no curso d’água; (vii) eventuais descargas, permanentes
ou eventuais de águas ou efluentes das instalações do Sistema Produtor.
De acordo com a Resolução Conjunta SESRH‐SMA No
1/05, que regula a emissão de outorgas e
o licenciamento ambiental de empreendimentos com interferência em recursos hídricos no
Estado de SP, a Sabesp deverá requerer a outorga para o SPSL em duas etapas: (i) Outorga de
Implantação do Empreendimento, que é requerida na etapa de concepção, instruída com o
Estudo de Viabilidade de Implantação (EVI), e abrange todas as interferências com recursos
hídricos; é pré‐requisito para a emissão de Licença Ambiental Prévia (LP) pela CETESB e não
autoriza ainda a utilização do recurso hídrico; (ii) Outorga de Direito de Uso do Recurso Hídrico,
que será requerida após a obtenção da Licença de Instalação (LI) emitida pela CETESB; autoriza
a execução das obras e a exploração do recurso hídrico nas condições estabelecidas no ato da
concessão e pode ser solicitada em separado para cada obra, em momentos diferentes.
Em face da interferência do empreendimento com a geração de energia elétrica, assunto de
competência federal por intermédio da ANEEL, o DAEE provavelmente realizará consultas junto
a essa agência federal durante a tramitação das outorgas.
3.4.3. Cobrança pelo Uso da Água
A Cobrança ainda não está instituída na bacia do Ribeira do Iguape, mas provavelmente ela já
estará vigente quando o Sistema São Lourenço estiver pronto para entrar em operação.
Nas duas bacias em que a cobrança está vigente, os critérios principais adotados são:
 Fixação de três Preços Unitários Básicos (PUBs), para: (i) captação, extração ou derivação;
(ii) consumo (diferença entre o volume captado e o volume devolvido à própria bacia); e (iii)
lançamento de carga poluidora.
 Ponderação dos PUBs de captação e consumo mediante coeficientes que levam em conta:
(i) natureza do corpo de água (superficial ou subterrâneo); (ii) classe de uso preponderante
(Decreto Estadual 10.577/77); (iii) disponibilidade hídrica local (relação demanda / Q7,10);
(iv) medição ou não do volume captado e seu regime de variação; (v) consumo efetivo; (vi)
finalidade do uso (sistema público, solução alternativa, indústria); e (vii) existência ou não
de transposição de bacia.
 Implantação progressiva dos valores fixados, com desconto nos dois primeiros anos.
 Teto para o Preço Unitário Final (PUF) cobrado por captação ou derivação (fixado na Lei
12.183/05).
No caso do SPSL, a cobrança pelo uso da água do Alto Juquiá incidirá sobre 100% da vazão
captada, tanto na derivação quanto no consumo, pois toda essa vazão será transposta e não
retornará à própria bacia. Observam‐se critérios muito diferentes (desconto ou acréscimo) para
ponderar a transposição de águas para outra bacia; o Conselho Estadual de Recursos Hídricos
está discutindo uma padronização desses critérios.
Cálculos preliminares com base nos critérios em uso naquelas duas bacias permitem estimar o
valor da Cobrança para o SPSL em cerca de R$ 4,5 milhões por ano.
SISTEMA PRODUTOR SÃO LOURENÇO sabesp
20
3.4.4. Proteção de Mananciais
A política de proteção de mananciais na RMSP foi instituída na década de 1970 pela Lei 898/75,
que disciplina e estabelece normas de restrição do uso do solo para a proteção dos mananciais,
cursos e reservatórios de água e demais recursos hídricos de interesse na RMSP, e pela Lei
1.172/76, que delimita tais áreas de proteção e dá providências correlatas.
Posteriormente, a Lei Estadual nº 9.866/97 estabeleceu um novo marco legal, com novos
critérios e procedimentos para a proteção dos mananciais de interesse regional para o
abastecimento público no Estado de São Paulo. Essa lei institui as Áreas de Proteção e
Recuperação de Mananciais – APRMs e define que sua gestão será feita por bacia hidrográfica
mediante lei específica para cada uma delas, baseada em Plano Diretor de Proteção Ambiental
– PDPA da bacia.
O artigo 45 da Lei nº 9.866/97 prevê que ficam mantidas as disposições das Leis 898/75 e
1.172/76 para a Região Metropolitana, até que sejam promulgadas as leis específicas para cada
uma das sub‐bacias hidrográficas dos mananciais metropolitanos. A Lei Específica da APRM
Guarapiranga (Lei nº 12.233) foi aprovada em janeiro de 2006 e a Lei Específica da APRM
Billings (Lei no
13.579) em julho de 2009.
Projeto de Lei Específica da APRM Alto Juquiá – São Lourenço, da UGRHI 11, está sendo
desenvolvido e discutido pelo Comitê da Bacia Hidrográfica do Ribeira de Iguape / Litoral Sul
por meio de Câmara Técnica instituída para esse fim.
As Leis 898/75 e 1.172/76, atualmente vigentes no Alto Juquiá, abrangem territórios dos
municípios de Juquitiba e São Lourenço, “até os limites da RMSP”. A futura lei específica da
APRM Alto Juquiá, com base na Lei 9.866/97, deverá abranger toda a bacia do reservatório
Cachoeira do França, incluindo a porção da bacia pertencente ao município de Ibiúna.
A Sabesp participa ativamente das atividades do Comitê da Bacia do Ribeira e da Câmara
Técnica do Alto Juquiá e São Lourenço, e compartilha a preocupação com a preservação da
qualidade do manancial. Como contribuição ao esforço de proteção da bacia, a Companhia está
desenvolvendo os estudos de concepção para a ampliação dos sistemas de coleta, tratamento e
disposição final de esgotos dos núcleos urbanos dos municípios de Juquitiba e São Lourenço.
3.5. Sistema de Geração Hidrelétrica da CBA
A CBA detém a concessão do aproveitamento hidrelétrico de uma seqüência de 6 usinas (UHEs)
instaladas no rio Juquiá; na seqüência de montante para jusante: França, Fumaça, Barra, Porto
Raso, Alecrim, Serraria, e a UHE Salto de Iporanga no rio Assungui, afluente do rio Juquiá à
jusante de Serraria. As 6 usinas no rio Juquiá praticamente aproveitam todo o potencial
hidráulico do rio entre a borda do planalto (reservatório Cachoeira do França NA = 623‐640m) e
a planície do rio Ribeira de Iguape. O reservatório Cachoeira do França é o principal elemento
de regularização das vazões desse sistema.
O Art. 5º do Decreto Federal de 27/06/1996, que renovou a concessão das usinas à CBA pelo
prazo de 20 anos estabelece que “Fica preservado o direito de reversão das águas do Alto
Juquiá, com reversão de até 4,7 m3
/s, para abastecimento público da Região Metropolitana da
Cidade de São Paulo”. Igual providência consta do Contrato de Concessão.
A UHE França está localizada no município de Juquitiba, na divisa com Ibiúna, a 90 km da cidade
de São Paulo. Sua construção foi iniciada em 1954 e a conclusão efetivada em 1957, entrando
em operação no ano seguinte.
SISTEMA PRODUTOR SÃO LOURENÇO sabesp
21
Reservatório Cachoeira do França Barragem da UHE Cachoeira do França
A regularização das vazões do rio Juquiá no reservatório Cachoeira do França permite o melhor
aproveitamento das águas do rio para geração de energia nas UHEs implantadas no rio Juquiá à
jusante desta, caracterizadas a seguir.
TABELA 3.1 - CARACTERÍSTICAS DAS USINAS DA CBA NO RIO JUQUIÁ
Usina
Município Cap. Inst. Ger. Média Área Reservatório
UHE MW GWh/ano Km2
França Juquitiba 29,52 155 12,70
Fumaça Ibiúna 36,40 220 5,20
Barra Tapiraí 40,40 240 2,01
Porto Raso Tapiraí 28,40 170 1,48
Alecrim Miracatu 72,00 400 1,54
Serraria Juquiá 24,00 145 2,13
Total – 6 UHEs 230,72 1330 25,06
Uma linha de transmissão de uso restrito em 88 kV transporta a produção das UHEs França e
Fumaça (65,9MW instalados, 375 GWh/ano) até a fábrica da CBA, no município de Alumínio,
SP. Essa LT tem 12 km entre a SE Fumaça e a SE França, e mais 42 km até Alumínio. A produção
das outras 4 usinas é transportada até a fábrica da CBA em Alumínio por outra LT de uso
restrito em 230 kV que sai da SE Alecrim.
A redução de geração de energia nas 6 UHEs do rio Juquiá, decorrente da reversão de 4,7 m3
/s
do reservatório superior do sistema não representará encargo econômico para Sabesp, pois a
concessão para aproveitamento hidrelétrico das seis centrais contém a ressalva dessa reversão.
As eventuais restrições operacionais do reservatório, decorrentes da operação planejada da
captação com deplecionamento estabelecido em nível adequado à submergência dos
equipamentos de recalque, ao invés do mínino de 623,0 m, deverão ser fixadas na Outorga, e
as condições técnicas específicas da captação e as regras operativas deverão ser submetidas e
previamente aprovadas pela ANEEL.
3.6. Condicionantes Ambientais
A vegetação nativa remanescente é a categoria de uso e ocupação do solo predominante no
conjunto de onze municípios da área de estudo que serão atravessados pelo SPSL, ocupando
58,6% da área total de 2.670 km2
.
SISTEMA PRODUTOR SÃO LOURENÇO sabesp
22
TABELA 3.2 - COBERTURA VEGETAL E USO DO SOLO
Usos na Área de Estudo Área (km2
) %
Remanescentes de vegetação nativa 1.564,5 58,6
Campo antrópico 183,9 6,9
Reflorestamento 92,2 3,4
Uso agrícola 29,3 1,1
Outros usos 800,1 30,0
Área Total 2.670 100
Fonte: Atlas de Uso e Ocupação do Solo dos municípios (Emplasa, 2003) e IF (2005)
Encostas e topos de morro concentram grande parte das formações florestais remanescentes,
devido à dificuldade de acesso, enquanto áreas marginais às rodovias e estradas vicinais
concentram campos antrópicos, reflorestamentos e áreas de uso agrícola.
Ibiúna e Juquitiba apresentam a maior proporção de vegetação nativa contínua e os maiores
graus de conectividade entre os fragmentos remanescentes, em especial na porção sul de seus
territórios, que constituem unidades de conservação. Destaca‐se o grande maciço florestal que
ocupa a bacia do Alto Cotia e constitui a Reserva Estadual Morro Grande. São Lourenço da Serra
e Embu Guaçu também possuem significativa vegetação nativa. O setor do município de Ibiúna
atravessado por algumas das alternativas possui grandes áreas de reflorestamento e, mais ao
norte, áreas bastante antropizadas.
Os levantamentos de campo indicam a presença de uma flora e fauna bastante rica em
diversidade de espécies, especialmente nos setores com vegetação mais conservada e com
menor fragmentação.
O traçado previsto para o SPSL atravessa ou fica próximo das seguintes Unidades de
Conservação ou suas zonas de amortecimento (faixa de 3 km, para UC sem plano de manejo):
 Parque Estadual da Serra do Mar ‐ Núcleo Pedro de Toledo (Juquitiba, São Lourenço da
Serra) e Núcleo Curucutu (Juquitiba) (o traçado atravessa a zona de amortecimento do
Parque, que abrange toda a Área de Proteção aos Mananciais);
 Parque Estadual do Jurupará (o traçado atravessa a zona de amortecimento do Parque, em
Ibiúna e Juquitiba);
 APA da Serra do Mar (proximidade, o traçado não cruza a APA);
 Reserva Estadual do Morro Grande e Área Natural Tombada Morro Grande (Cotia e Vargem
Grande Paulista, o traçado atravessa a zona de amortecimento);
 APA de Itupararanga, que abrange toda a bacia contribuinte à represa homônima. O
traçado atravessa extenso setor, nas cabeceiras dos formadores Sorocabuçu e Sorocamirim,
nos municípios de Ibiúna, Cotia e Vargem Grande Paulista;
 APA Várzeas do Rio Tietê, Setor Oeste nos municípios de Barueri, Carapicuíba e Santana de
Parnaíba (o traçado atravessa a APA em Zona de Uso Consolidado, com uso compatível);
 RPPN Fazenda Meandros, RPPN Fazenda Meandros II e RPPN Fazenda Meandros III: áreas
protegidas federais situadas na Fazenda Meandros, município de Ibiúna (o traçado da
adutora de água bruta tangencia a RPPN Fazenda Meandros).
As Unidades de Conservação e outras áreas protegidas presentes na área de estudo fazem
parte da Reserva da Biosfera do Cinturão Verde de São Paulo (RBCV), da Reserva da Biosfera da
Mata Atlântica e encontram‐se relacionadas entre as Áreas Prioritárias para Conservação, Uso
SISTEMA PRODUTOR SÃO LOURENÇO sabesp
23
Sustentável e Repartição dos Benefícios da Biodiversidade Brasileira. O traçado cruza zonas de
amortecimento e zonas de transição da RBCV, não afetando as zonas núcleo, de maior
restrição.
A Figura 5.1 apresenta a hidrografia, a cobertura vegetal e as unidades de conservação
existentes na área de estudo, e ilustra como estes elementos condicionaram a definição das
diretrizes de traçado do SPSL.
Em abril de 2011, a Sabesp concluiu a elaboração do EIA‐RIMA do Sistema Produtor São
Lourenço e requereu a CETESB a Licença Ambiental Prévia para o empreendimento.
SISTEMA PRODUTOR SÃO LOURENÇO sabesp
24
4. MANANCIAL PROPOSTO
4.1. Disponibilidade Hídrica na Bacia do Alto Juquiá
A bacia contribuinte ao reservatório Cachoeira do França, na seção da barragem (Alto Juquiá),
tem área de drenagem de 951 km2
, e drena áreas dos municípios de Juquitiba, São Lourenço e
Ibiúna. Seu principal formador é o rio Juquiá, que recebe o rio São Lourenço pouco a montante
do remanso do reservatório. Outros afluentes importantes contribuintes ao reservatório são os
ribeirões das Laranjeiras, São Sebastião e das Vargens.
A produção hídrica da bacia do Alto Juquiá é favorecida pelas fortes precipitações, altas
temperaturas, baixa evaporação e vegetação exuberante no alto da Serra do Mar. Esses fatos,
junto com as características geológicas e geomorfológicas da bacia, fazem com que a rede de
drenagem seja extremamente densa, com grande quantidade de água para alimentação dos
rios. As características litológicas e a vegetação compensam as declividades das encostas do
planalto, não permitindo o escoamento rápido das águas, mantendo um regime regular e as
características típicas de um rio de planalto.
O Estudo de Concepção incluiu a elaboração de estudo hidrológico da bacia e de simulação
operacional do reservatório Cachoeira do França, com base em dados de postos pluviométricos
e fluviométricos da ANA e do DAEE. Análises de consistência das séries históricas, estudos de
correlação entre postos, e a aplicação de modelo chuva‐vazão permitiram obter séries
sintéticas de vazões médias mensais para o período Out 1946 a Set 2007 (61 anos) na entrada
do reservatório. Também foram obtidas vazões mínimas anuais de 7 dias consecutivos e curvas
de permanência das vazões médias diárias.
FIGURA 4.1 - BACIA DO ALTO JUQUIÁ
A Tabela 4.1 apresenta as vazões médias de longo termo (QMLT) e as vazões mínimas anuais de
7 dias consecutivos (Q7,10) para as seções de interesse para o estudo.
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25
TABELA 4.1 - DISPONIBILIDADE HÍDRICA DO ALTO JUQUIÁ
Local AD (km2
) QMLT Q7,10
Rio Juquiá, logo à montante da foz do São Lourenço 238 9,3 2,9
Rio São Lourenço, na foz 237 4,4 1,5
Rio Juquiá, logo à jusante da foz do São Lourenço 480 13,8 5,9
Rio Juquiá, na entrada do reservatório 532 15,3 6,5
Vazões em m3
/s.
As maiores vazões são verificadas em janeiro, fevereiro e março, no final do período mais
chuvoso na bacia, que ocorre de outubro até meados de março. As vazões vão se reduzindo a
partir de abril. O mínimo ocorre em meados de agosto.
GRÁFICO 4.1 - VAZÕES MÉDIAS MENSAIS NO RIO JUQUIÁ
Distribuição Sazonal do Rio Juquiá no Posto Fluviométrico Juquitiba I (81470000)
19,1
18,5
20,2
16,3
12,7
10,9
10,3
9,6
10,9
13,1
13,6
16,5
0,0
5,0
10,0
15,0
20,0
25,0
Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Junho Julho Agosto Setembro Outubro Novembro Dezembro
Vazão
(m
3
/s)
média mensal média anual
O reservatório Cachoeira do França opera com NA máx. operacional na cota 640 m e NA mín.
na cota 623 m. Seu volume útil é de 124 milhões de m3
. A simulação operacional do
reservatório com base na série sintética gerada forneceu as seguintes estimativas de vazões:
 Vazão média de longo termo: 27,4 m3
/s
 Vazão com 80% de garantia: 26,2 m3
/s
 Vazão com 90% de garantia: 24,2 m3
/s
 Vazão com 95% de garantia: 22,3 m3
/s
 Vazão regularizada com 100% de garantia: 18,6 m3
/s
4.2. Usos Múltiplos dos Recursos Hídricos
Pelo Decreto Estadual n° 10.755, de 22/11/1977, o rio Juquiá e todos os seus afluentes, até a
divisa dos municípios de Juquitiba e Miracatu, estão enquadrados na Classe 1 (inclui toda a
bacia do Alto Juquiá à montante da UHE França). Conforme o Decreto Estadual no
8.468/76, as
SISTEMA PRODUTOR SÃO LOURENÇO sabesp
26
águas de Classe 1 destinam‐se preponderantemente ao abastecimento doméstico, sem
tratamento prévio ou com simples desinfecção.
Por analogia, a Classe 1 do Decreto no
8.468/76 corresponde à Classe Especial da Resolução
CONAMA n° 357/05 – norma federal vigente quanto à classificação das águas –, pois as águas
de Classe Especial destinam‐se: a) ao abastecimento para consumo humano, com desinfecção;
b) à preservação do equilíbrio natural das comunidades aquáticas; e c) à preservação dos
ambientes aquáticos em unidades de conservação de proteção integral.
Já as águas de Classe 1 (Resolução CONAMA n° 357/05) podem ser destinadas: a) ao
abastecimento para consumo humano, após tratamento simplificado; b) à proteção das
comunidades aquáticas; c) à recreação de contato primário; d) à irrigação de hortaliças.
Ecoturismo. O trecho do rio Juquiá entre a ponte da BR‐116 – rodovia Régis Bittencourt e o
remanso do reservatório Cachoeira do França (cerca de 7 km) é bastante utilizado para a
prática de canoagem (rafting), esporte aquático que utiliza as corredeiras do curso d’água
principal após a contribuição do rio São Lourenço. A implantação de uma tomada a fio d’água
nesse setor inviabilizaria a prática de canoagem nos períodos de estiagem pela brutal redução
da vazão para jusante da captação, impactando negativamente uma das poucas atividades
permitidas nesta área de grandes restrições ambientais. A solução de captação no reservatório
evita qualquer impacto do SPSL com a atividade de canoagem.
Abastecimento de Água. As águas do Alto Juquiá são utilizadas atualmente pela Sabesp como
manancial de abastecimento público dos municípios de Juquitiba e São Lourenço:
 no Sistema Sede de São Lourenço da Serra, há captação de 17 l/s de água bruta a fio d’água
no rio São Lourenço, na área urbana da cidade.
 no Sistema Paiol do Meio, sistema independente que atende comunidades localizadas nas
imediações da BR‐116, próximo da divisa entre São Lourenço da Serra e Juquitiba, há
captação superficial também no rio São Lourenço, de 14 l/s.
 no sistema que atende a Sede de Juquitiba, há captação superficial no ribeirão dos
Godinhos, afluente do rio São Lourenço, de 30 l/s.
No total, os dois municípios captam cerca de 60 l/s na bacia do São Lourenço para
abastecimento público.
Disposição de Efluentes. As águas dos rios São Lourenço e Juquiá constituem corpo receptor
das cargas poluidoras provenientes das atividades humanas na bacia. Conforme dados do SNIS
(2006), a população urbana servida com rede de coleta de esgoto e tratamento é de 3.080
pessoas em São Lourenço da Serra e 2.910 em Juquitiba, totalizando cerca de 6.000 habitantes
que têm seus esgotos lançados, após tratamento, na sub‐bacia do rio São Lourenço.
O esgoto gerado pela população urbana não servida por rede coletora e pela população rural
(cerca de 42.840 pessoas na bacia do Alto Juquiá) em geral é disposto em fossas sépticas
residenciais ou sumidouros. Esse esgoto sofre uma depuração parcial na passagem pelo solo e
termina por afluir aos cursos de água na forma de cargas difusas. Nas bacias do Guarapiranga e
Billings, as cargas difusas oriundas do esgoto doméstico disposto mediante sistemas individuais
constituem a principal fonte da poluição por fósforo afluente a essas represas.
SISTEMA PRODUTOR SÃO LOURENÇO sabesp
27
4.3. Qualidade das Águas
A CETESB mantém monitoramento bimestral (6 campanhas anuais) de diversos parâmetros e
indicadores de qualidade da água no rio Juquiá, à montante da foz do rio São Lourenço (este
local não sofre influência das cargas poluidoras recebidas pelo rio São Lourenço).
A comparação dos resultados do monitoramento da CETESB com os padrões da Resolução
CONAMA nº 357/05 para a Classe 1 mostra pequenas não‐conformidades para os parâmetros
DBO e OD, desde 2003. O mesmo foi observado para os parâmetros Coli Termo e toxicidade,
que revelaram ultrapassagem dos padrões nos anos 2005, 2006 e 2007. Também se constatam
ultrapassagens esporádicas dos valores permitidos para os parâmetros Alumínio, Fósforo Total,
Fenóis, Níquel, Cobre, Ferro e Cloreto.
Os índices médios do Índice de Qualidade das Águas para fins de Abastecimento Público (IAP) e
do Índice de Qualidade das Águas (IQA) indicam classificação Boa para a qualidade das águas no
rio Juquiá no ponto monitorado.
O Índice de Qualidade das Águas para Proteção da Vida Aquática (IVA) é prejudicado pela
sistemática toxicidade crônica à Ceriodaphnia dubia, detectada na maioria das coletas,
determinando a classificação Aceitável. Não há informação sobre a causa desta situação. Esta
toxicidade refere‐se à fauna aquática, e não afeta a qualidade da água para consumo humano.
O Estudo de Concepção do SPSL incluiu a realização de 11 campanhas de coleta de amostras e
determinação da qualidade da água bruta nos rios Juquiá e São Lourenço, à montante da
confluência dos mesmos (Pontos P1 e P2) e em quatro pontos do reservatório Cachoeira do
França (pontos P4 a P7, em superfície, meio e fundo), associados aos possíveis locais de
captação. O trabalho incluiu também a determinação da qualidade dos sedimentos no
reservatório (pontos P4 a P7 e mais o ponto P3, no remanso do rio Juquiá no reservatório). As
coletas foram realizadas em dois períodos: Set‐Dez 2008 e Jul‐Ago 2009.
As campanhas permitiram determinar um amplo leque de dezenas de parâmetros físico‐
químicos, bacteriológicos, hidrobiológicos, compostos orgânicos, toxicidade, estratificação e
estado trófico, tendo em vista cobrir tanto os parâmetros relevantes para a potabilização da
água e a qualidade da água tratada, quanto parâmetros indicadores das condições ambientais
do ecossistema aquático, em vários níveis da coluna de água e nos sedimentos.
Os resultados mostram um reservatório com água de qualidade muito boa para abastecimento
público após tratamento convencional. O reservatório apresenta estratificação térmica e
química não muito acentuada, mas com qualidade de água boa na camada inferior (hipolímnio),
e estado mesotrófico, com níveis de fósforo e clorofila‐a dentro dos limites recomendáveis. A
composição do fitoplancton indica baixa presença de algas cianofíceas e baixos níveis de MIB e
Geosmina, apontando uma condição favorável para assegurar a produção de água tratada de
boa qualidade (sem gosto nem odor) com menores requerimentos no tratamento na ETA.
Os resultados dos ensaios indicam que as águas do reservatório atendem, de forma geral, os
limites da Resolução CONAMA 357/05. As concentrações dos 47 compostos orgânicos (tóxicos)
pesquisados foram todas inferiores aos limites de detecção dos métodos utilizados. A qualidade
dos sedimentos em geral atende os limites da Resolução CONAMA 344/04.
A qualidade da água também é boa, de forma geral, em termos de proteção do ecossistema
aquático. A principal exceção é a ocorrência generalizada de toxicidade a Ceriodaphnia dubia,
com algum decréscimo de freqüência no sentido de jusante no braço principal do rio Juquiá,
SISTEMA PRODUTOR SÃO LOURENÇO sabesp
28
mas com ocorrência também no rio São Lourenço (ponto P2) e no braço do rib. Laranjeiras
(ponto P7), mostrando tratar‐se de uma característica geral da bacia do Alto Juquiá. Esta
toxicidade refere‐se à fauna aquática, e não afeta a qualidade da água para consumo humano.
FIGURA 4.2 - LOCAIS DE COLETA DE AMOSTRAS PARA ESTUDOS DE QUALIDADE DE ÁGUA
4.4. Estudos de Tratabilidade
O Estudo de Concepção incluiu estudos de tratabilidade da água bruta do reservatório
Cachoeira do França, para subsidiar o projeto da ETA. Os estudos foram conduzidos em período
seco e úmido e abrangeram ensaios em nível de bancada sob a forma de “Jar Tests” e em escala
piloto (ETA Piloto).
4.4.1. Ensaios em Escala de Bancada
A Tabela 4.2 resume as conclusões de tratabilidade em escala de bancada relativamente aos
principais parâmetros de avaliação: eficiências de remoção de cor aparente, turbidez e
partículas na faixa 2‐40 micra.
TABELA 4.2 - RESUMO DE TRATABILIDADE EM ESCALA DE BANCADA
O melhor coagulante
Remoção de Cor Aparente Remoção de Turbidez Remoção de Partículas
P4 P5 P6 P4 P5 P6 P4 P5 P6
Em tempo seco PAC PAC PAC SA PAC PAC SF SF SF
Em tempo úmido PAC SA PAC PAC SA PAC PAC PAC PAC
PAC: Policloreto de Alumínio
SA: Sulfato de Alumínio
SF: Sulfato Férrico
Em termos globais, o coagulante PAC apresentou os melhores resultados de tratabilidade.
Adicionalmente, tanto em tempo seco como em tempo úmido, as dosagens ótimas de PAC
foram substancialmente menores que as dosagens ótimas correspondentes de SF ou SA para a
mesma água bruta. Sais de ferro (Sulfato Férrico, Cloreto Férrico – este testado somente em
SISTEMA PRODUTOR SÃO LOURENÇO sabesp
29
escala piloto) levaram à formação de flocos mais densos e mais resistentes ao cisalhamento no
decantador e filtros que sais de alumínio (Policloreto de Alumínio ou Sulfato de Alumínio).
As diferenças percentuais (eficiências de remoção) entre o melhor e o pior coagulante ficaram
na faixa de 1 a 10% para remoção de partículas e na faixa de 11 a 36% para remoção de cor
aparente e turbidez. O tempo ótimo de floculação deve estar compreendido na faixa entre 20 e
30 minutos, com tendência de melhora para valores superiores e de piora para os inferiores.
4.4.2. Ensaios em Escala Piloto
O regime pluviométrico vigente em 2009 (até o último ensaio piloto em Set 2009) apresentou
somente tempo úmido, mesmo durante os meses considerados secos de abril a setembro.
Deste modo, os resultados são associados unicamente a tempo úmido.
O ciclo de operação da ETA Piloto para cada ensaio de tratabilidade foi dividido em 2 partes:
um ensaio curto de 4 horas para estabelecimento das condições ótimas de coagulação‐
floculação da água bruta recebida, seguido por ensaio ininterrupto da ETA Piloto até o final da
água bruta disponível para o ensaio, com cerca de 30 horas de operação dos filtros.
As seguintes conclusões foram obtidas:
Coagulação/floculação
A coagulação com PAC ou cloreto férrico (CF) conduziu a excelentes resultados de remoção de
turbidez, partículas e COT da água filtrada, assim como a uma melhor remoção de turbidez na
água decantada e a uma maior estabilidade de operação do decantador do que a coagulação
por sulfato de alumínio. A coagulação com sulfato férrico (SF) apresentou bons resultados de
remoção de turbidez (mas não de cor aparente). Na remoção de cor aparente, a coagulação
com sal de alumínio foi ligeiramente superior àquela com sal de ferro em escala piloto, em
termos da água filtrada produzida.
Decantação
Produção aparente de lodo: foi função direta da dosagem de coagulante e do tamanho e
densidade resultante dos flocos formados. Não foi observada uma relação entre o tipo de
coagulante e a produção aparente de lodo, exceto que a coagulação com sal de ferro tendeu a
gerar mais lodo no fundo do decantador do que com sal de alumínio.
Estabilidade de operação do decantador: a coagulação com sal de ferro conduziu a uma
estabilidade superior àquela obtida com coagulação por sal de alumínio.
Filtração
Remoção de turbidez e cor aparente: As diferenças entre os filtros com relação à turbidez e cor
aparente da água filtrada foram pequenas, particularmente com relação à turbidez.
Estabilidade de operação dos filtros sem ocorrência de trespasse: os filtros convencionais foram
claramente superiores aos filtros de camada profunda.
Evolução da perda de carga com o tempo de operação dos filtros: resultados inconclusivos,
exceto que nenhum filtro foi superior aos demais. Pode‐se, no entanto, afirmar que na grande
maioria dos ensaios as perdas de carga por unidade de tempo não foram elevadas.
Remoção de Metais (cromo, chumbo, alumínio e ferro) e Carbono Orgânico Total (COT) pelos
filtros: Não houve diferença significativa entre os quatro filtros testados. Tipicamente o COT da
SISTEMA PRODUTOR SÃO LOURENÇO sabesp
30
água filtrada ficou na faixa de 30% (coagulação com SA) a 50% (coagulação com PAC) menor
que o COT da água bruta. A conclusão não é robusta porque apenas duas baterias de ensaios
(dois resultados por filtro, uma por coagulante) foram obtidas.
Oxidação como auxiliar de coagulação e de filtração: a aplicação de pré‐oxidante (antes da
coagulação) ou de inter‐oxidante (na água decantada antes da filtração) não foi testada, porém
pode‐se afirmar com segurança para ambos os casos que uma dosagem otimizada de oxidante
(particularmente cloro ou ozônio) teria certamente melhorado o desempenho das operações
unitárias de tratamento subseqüentes ao ponto de aplicação do mesmo, independentemente
do tipo de coagulante utilizado.
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31
5. ALTERNATIVAS DE CONCEPÇÃO DO SISTEMA PRODUTOR SÃO LOURENÇO
5.1. Condicionantes para a Formulação das Alternativas
A vazão de projeto está condicionada à vazão de reversão estipulada no Art. 5º do Decreto de
27 de junho de 1996 da Presidência da República:
“Fica preservado o direito de derivação das águas do Alto Juquiá, com reversão de até 4,7 m³/s,
para abastecimento público da Região Metropolitana da Cidade de São Paulo.”
Foram analisadas as possibilidades de captação no rio Juquiá, à montante da represa, e no
reservatório Cachoeira do França. Esta questão influencia fortemente a concepção do Sistema e
envolve a disponibilidade hídrica do manancial, a segurança do fornecimento do Sistema
Produtor, a qualidade da água bruta, o impacto ambiental e as interferências com outros usos
da água. O estudo das alternativas concluiu por captar no reservatório, em locais situados na
sua margem direita, próximos da foz do ribeirão Laranjeiras, a meio caminho entre o remanso
do rio Juquiá e a UHE França.
O objetivo do aproveitamento é adicionar 4,7 m3
/s à disponibilidade hídrica do Sistema
Integrado Metropolitano (SIM), tendo como centro de gravidade os municípios da zona oeste
da RMSP, hoje atendidos pelos Sistemas Cantareira, Alto Cotia e Baixo Cotia. O SPSL deverá
estender‐se desde a captação no Alto Juquiá até perto do rio Tietê em Carapicuíba e Barueri,
em uma distância de quase 60 km em linha reta, interligando‐se: (i) com a Alça Oeste do
Sistema Produtor Cantareira, em Carapicuíba, e (ii) com a Alça Principal do Sistema Produtor
Baixo Cotia, em Barueri, e (iii) com as adutoras do Sistema Produtor Alto Cotia que atendem
Caucaia do Alto e Vargem Grande Paulista.
A conformação geográfica do território, o sentido geral N‐NE do caminhamento entre os pontos
inicial e final e a presença de grandes maciços de matas ‐ tanto no divisor de águas entre as
bacias do Alto Juquiá e Embu Guaçu, como na Reserva Estadual Morro Grande e seu entorno ‐
determinaram a organização das possíveis opções de traçado do sistema de reversão em três
grandes corredores ou diretrizes: Guarapiranga, Itapecerica e Ibiúna ‐ Cotia.
A diretriz Guarapiranga constitui tentativa de adaptar o anterior Projeto Juquitiba aos atuais
critérios de projeto. Pressupõe desviar para leste, transpor a área de mata densa no divisor Alto
Juquiá – Embu Guaçu em túnel, implantar a Estação de Tratamento de Água (ETA) nas
proximidades da represa Guarapiranga e seguir com a adutora de água tratada rumo norte, em
direção a Carapicuíba.
A diretriz Itapecerica consiste em passar a leste da Reserva Estadual Morro Grande,
aproveitando o corredor antropizado da rodovia Régis Bittencourt, implantar a ETA em
Itapecerica, próximo do divisor Alto Juquiá – Embu Mirim, e seguir com a adutora de água
tratada, que coincide com o traçado da diretriz Guarapiranga a partir do centro de Embu.
A diretriz Ibiúna ‐ Cotia propõe passar a oeste da Reserva, implantar a ETA em Caucaia do Alto
no município de Cotia e seguir com a adutora de água tratada em direção a Carapicuíba,
adotando um caminhamento mais periférico em relação à mancha conurbada da metrópole,
mais próximo dos centros de consumo críticos que o SPSL deverá atender.
A Figura 5.1 apresenta a localização geográfica das diretrizes e alternativas consideradas. As
alternativas de traçado estudadas em cada diretriz são apresentadas em seções específicas.
PE da Serra do Mar
RPPN Fazenda
Meandros III
RPPN Fazenda
Meandros II
da Serra
Itapecerica
da Serra
Diretriz Itapecerica
Diretriz Ibiuna - Cotia
Diretriz Guarapiranga
Bacia
Bacia
Itupararanga
Bacia Alto-Cotia
Bacia
Guarapiranga
Bacia
Bacia Baixada
Santista
Bacia Ribeira do
Iguape
Juquitiba
Cotia
Embu
Osasco
Jandira
Itapevi
Barueri
Vargem Grande
Paulista
da Serra
Juquitiba
Caieiras
Pirapora do
Bom Jesus
Cajamar
PEC
Guarapiranga
Principais Pontos
do S.I.M.
Osasco
Barueri
Itapevi
Cotia
Cotia
Cotia
Cotia
Cotia
Embu
da Serra
da Serra
Juquitiba
Juquitiba
Reserva Estadual
Morro Grande
ETA COTIA 2
ETA COTIA 1
ITAPECERICA
ETA ALVORADA
RPPN
Fazenda
Meandros I
Diretriz Ibiuna - Cotia
Diretriz Itapecerica
Diretriz Guarapiranga
Diretriz Itapecerica
NM
Figura 5.1
HORTIFRUTIGRANJEIRO
MATA
CAPOEIRA
REFLORESTAMENTO RODOVIAS
ENCIBRA S. A.
Estudos e Projetos de Engenharia
SISTEMA PRODUTOR SÃO LOURENÇO sabesp
33
O elevado custo por metro de adutora favorece a escolha de traçados retilíneos, com a menor
extensão possível. Entretanto, as zonas rurais atravessadas apresentam, em todas as
alternativas, relevo muito acidentado e com significativa cobertura de vegetação natural, em
áreas com diferente status de proteção ambiental.
A opção de projeto foi adotar traçados ao longo de estradas vicinais ou intermunicipais (que já
seguem uma rota aplainada), com eventuais pequenos trechos de interligação entre elas. Esta
decisão permite minimizar obras de corte e aterro em relevo acidentado, o desmatamento de
vegetação significativa, a fragmentação de ecossistemas, a desapropriação ou imposição de
servidão em longas faixas e os impactos ambientais nas bacias atravessadas. Esses fatos
contribuem de forma notável para a viabilidade ambiental e institucional do Sistema Produtor
proposto.
Todas as alternativas requerem significativo bombeamento de água bruta (a partir do
reservatório na cota 640 msnm) para transpor o divisor de águas entre o Alto Juquiá e as bacias
vizinhas: bacia do Embu Guaçu na diretriz Guarapiranga, do Embu Mirim na diretriz Itapecerica,
e do Sorocaba na diretriz Ibiúna ‐ Cotia.
As duas primeiras diretrizes requerem uma altura de recalque menor para a água bruta, pois
transpõem o divisor em túnel na cota 800 m e 850 m, respectivamente. Entretanto, elas
requerem um recalque significativo na saída da ETA, pois a adutora de água tratada precisa
atravessar locais em cotas elevadas, da ordem de 900 m, nas proximidades de Embu.
Na diretriz Ibiúna ‐ Cotia não foi viável a execução de túnel para transpor o divisor de águas,
devido à longa extensão a ser percorrida, tendo como conseqüência um recalque maior na
água bruta (divisor na cota 960 m), mas menor na água tratada, resultando em uma altura de
recalque total bastante similar à dos caminhamentos analisados nas demais diretrizes.
As alternativas de localização da ETA foram analisadas de forma específica para cada diretriz e
alternativa, como parte dos estudos de definição do traçado, em âmbito local.
Os principais critérios de projeto adotados para a formulação e o dimensionamento das
alternativas consideradas no Estudo de Concepção do SPSL são os seguintes:
 Utilização de imagens de satélite, fotografias aéreas, mapas e bases cartográficas existentes
para o estabelecimento de diretrizes e na formulação de alternativas de implantação;
 Interrupção do bombeamento durante o horário de pico de consumo de energia, por um
período mínimo de 4 horas, para obtenção do benefício de redução da tarifa horo‐sazonal;
 Adoção de vazão de captação e adução de 6 m3
/s para fins de dimensionamento do sistema
de reversão, que, para um período diário de operação em torno de 20 horas implique na
retirada do mesmo volume de água bruta autorizado para fins de abastecimento da RMSP;
 Utilização de duplo recalque sempre que os desníveis geométricos mínimos superem 200
mca, de forma a possibilitar a utilização de equipamentos com fabricação nacional e
comumente utilizados em instalações existentes da Sabesp;
 Dimensionamento da ETA para a vazão média diária de 5,0 m3
/s, próxima à vazão
autorizada de 4,7 m3
/s, e para a vazão máxima diária de 6,0 m3
/s, considerando o
coeficiente do dia de maior consumo (K1) igual a 1,2;
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34
 Utilização de Reservatório de Compensação de Água Bruta (RCAB) para regularização da
vazão a ser tratada e suprir a ETA durante a parada do bombeamento de água bruta no
reservatório Cachoeira do França;
 Dimensionamento de todo o Sistema de Adução de Água Tratada do SPSL para a vazão
máxima diária;
 Consideração de todos os estudos e projetos já elaborados para fins de utilização das águas
do rio Juquiá no abastecimento da RMSP.
5.2. Captação de Água Bruta
5.2.1. Alternativas de Captação
Foram estudadas as diversas possibilidades de captação de água bruta para suprir o SPSL: a fio
d’água no rio Juquiá e com tomada direta no reservatório (vide Figura 5.2).
A captação no rio Juquiá, à montante do reservatório Cachoeira do França, deve estar
localizada, necessariamente, no pequeno trecho de 7 km entre a foz do rio São Lourenço e o
remanso do reservatório, uma vez que:
 a captação teria que ser feita a fio d’água, sem regularização, pois: (i) a criação de um novo
reservatório de regularização no trecho seria ambientalmente inviável; e (ii) uma eventual
barragem teria capacidade de regularização bastante limitada; e
 somente com a contribuição do rio São Lourenço é que o rio Juquiá dispõe de vazão mínima
compatível com a vazão objetivo de 4,7 m3
/s a ser captada: QMLT = 13,8 m3
/s e Q7,10 = 5,9
m3
/s (vide Tabela 4.1).
O dispositivo de captação consistiria em barragem de elevação de nível, de baixa altura e com
soleira vertente, e tomada de água mediante canal lateral. Duas alternativas foram estudadas
(Figura 5.2): (i) Área 1: barragem a cerca de 1.200 m à jusante da foz do São Lourenço e
instalações na margem esquerda do rio Juquiá; e (ii) Área 2: barragem logo à montante do
remanso do reservatório Cachoeira do França e instalações similares na margem direita do rio
Juquiá.
A captação a fio d’água apresenta um sério problema de disponibilidade hídrica, pois a vazão
mínima Q7,10 é de 5,9 m3
/s na seção da Área 1 e 6,5 m3
/s na seção da Área 2. Dessa forma a
captação de 6,0 m3
/s implicaria em praticamente “secar” o trecho à jusante da barragem em
épocas de estiagem severa.
O trecho do rio Juquiá entre a ponte da rodovia Régis Bittencourt e o remanso do reservatório
Cachoeira do França é bastante utilizado para a prática de canoagem (“rafting”). Vários clubes
de canoagem estão estabelecidos nesse setor e desde há muitos anos o local é palco freqüente
de competições de âmbito nacional e internacional. Esta atividade esportiva é desenvolvida em
um contexto de ecoturismo, acoplada com passeios por trilhas no meio da mata e visitas
guiadas para apreciação da exuberante paisagem natural. Esta atividade esportiva e
ecoturística tem significado econômico importante para o município de Juquitiba, o qual desde
os anos 1970 está sujeito a restrições para atração de atividades industriais em função da Lei de
Proteção de Mananciais.
SISTEMA PRODUTOR SÃO LOURENÇO sabesp
35
A construção de barragem de elevação de nível no rio Juquiá para captação a fio de água
inviabilizaria a atividade de canoagem, o que teria importante impacto socioeconômico local e
entraria em conflito com recomendação expressa do Comitê da Bacia do Ribeira.
A captação no reservatório Cachoeira do França evita qualquer interferência com a prática de
canoagem no rio Juquiá e permite, na prática: (i) ampliar a bacia de contribuição afluente à
captação a todo o setor do Alto Juquiá à montante da barragem de França; e (ii) aproveitar a
capacidade de regularização do reservatório. O acréscimo na bacia de contribuição implica em
praticamente dobrar as vazões naturais afluentes médias e mínimas (QMLT passa de 14‐15 para
27,4 m3
/s, e o Q7,10 passa de 6 para 11,1 m3
/s). A regularização permite quase duplicar as
vazões garantidas, passando de cerca de 11‐12 m3
/s de afluência natural na seção da barragem
de França, por ocasião de estiagem severa, para 22,3 m3
/s de vazão com garantia de 95%.
A captação no reservatório também permite aproveitar a autodepuração natural das águas
afluentes e o amortecimento das variações bruscas de qualidade associadas a enxurradas, e
não coloca obstáculos ao deslocamento da fauna aquática.
O Estudo de Concepção concluiu pela inviabilidade técnica e ambiental da captação a fio d’água
no rio Juquiá, e pela necessidade de captação no reservatório Cachoeira do França. Destaca‐se
que este reservatório faz parte do Alto Juquiá e está abrangido na reserva de vazão para
abastecimento da RMSP, estabelecida no referido Decreto Federal de 1996, e constante do
contrato de concessão do potencial hidrelétrico firmado pela CBA com a ANEEL.
5.2.2. Captação no Reservatório Cachoeira do França
Quatro locais alternativos para localização da Captação e da Estação Elevatória de Água Bruta
(EEAB) foram considerados, buscando‐se: (i) locais com profundidade suficiente para permitir a
submergência dos equipamentos de recalque, mesmo com o deplecionamento do nível do
reservatório para fins de geração de energia; e (ii) áreas já antropizadas e com acesso viário,
onde o impacto ambiental decorrente das obras fosse menor. Os locais estudados (vide Figura
5.2) são:
 Área 3: Península na margem direita – MD – do reservatório (“Sítio do Bizarro”). Área com
topografia favorável, situada 4.100 m à jusante do remanso do rio Juquiá e 600 m à
montante da foz do ribeirão Laranjeiras. Foi adotada como diretriz preferencial para a
maioria das alternativas de traçado.
 Área 4: Local na margem esquerda – ME – do reservatório (“Pesqueiro”). Área com
declividade mais acentuada, situada 1.800 m à jusante do remanso do rio Juquiá. Foi
descartada pela sua localização do lado oposto ao sentido preferencial de desenvolvimento
dos traçados e por razões ambientais.
 Área 5: Local na MD do reservatório, pouco à jusante da foz do ribeirão Laranjeiras. Ela
apresenta topografia desfavorável, dificuldades de acesso e maior impacto ambiental.
 Área 6: Local na MD, no braço do reservatório no ribeirão Laranjeiras (“sítio Editora 3”).
Península com topografia favorável para a implantação das estruturas da captação e EEAB.
Foi adotada nas alternativas da diretriz Ibiúna ‐ Cotia, e selecionada na concepção final.
SISTEMA PRODUTOR SÃO LOURENÇO sabesp
36
FIGURA 5.2 - LOCAIS DE CAPTAÇÃO ESTUDADOS
Foram analisadas soluções de captação em canal, captação flutuante e captação mediante
túnel. Uma primeira conclusão foi que todas essas alternativas técnicas são compatíveis com a
concepção hidráulica básica estabelecida para o Sistema Produtor e com os possíveis locais de
captação. Assim, a escolha do tipo de captação ficou para o ajuste final da alternativa
selecionada, atividade a ser desenvolvida após a escolha e antes do detalhamento do projeto
básico do SPSL.
O reservatório Cachoeira do França tem seus níveis operacionais máximo e mínimo (NAmax. e
NAmin.) nas cotas 640,0 m e 623,0 m, respectivamente. Todas as alternativas de captação no
reservatório pressupõem limitar o NAmin. operacional em cota superior ao atual valor de 623 m,
pois o dispositivo de tomada d’água deve garantir a submergência dos equipamentos de
recalque para a não ocorrência de vórtices na sucção. A única forma de manter a captação
operando com o reservatório em cota 623,0 m seria localizar a tomada de água junto da
barragem, próximo à tomada d’água do conduto forçado que alimenta as turbinas da UHE, o
que implicaria em interferências físicas e operacionais com os dispositivos de geração de
energia.
A Sabesp estabeleceu um nível de interesse para o projeto e está negociando com a CBA a
limitação de deplecionamento do NAmin. operacional do reservatório na cota 630 m. O gráfico
dos níveis mensais registrados pela CBA entre Ago 1958 e Ago 2008 (Figura 5.3) mostra que: (i)
o nível mínimo histórico registrado nesses 50 anos de existência do reservatório ocorreu em
Ago 1964 e Ago 1965 com valor 624,30 m; (ii) desde 1986 (já faz 24 anos) não se registraram
níveis inferiores a 630 m; e (iii) desde 1972 (últimos 38 anos), níveis inferiores à cota 630 m
foram registrados em apenas duas ocasiões.
SISTEMA PRODUTOR SÃO LOURENÇO sabesp
37
FIGURA 5.3 - VARIAÇÃO DOS NÍVEIS MENSAIS DO RESERVATÓRIO CACHOEIRA DO FRANÇA
As batimetrias realizadas confirmaram que os dois locais pré‐selecionados para captação (sítio
do Bizarro e sítio Editora Três) dispõem de profundidade adequada próximo da margem para
que a tomada de água possa operar com NAmin. na cota 630 m. A Figura 5.4 apresenta a
localização das seções batimétricas realizadas no braço do ribeirão Laranjeiras e a Figura 5.5, a
seguir, ilustra a batimetria do braço do reservatório na altura do local da captação.
FIGURA 5.5 - BATIMETRIA DO BRAÇO DO RESERVATÓRIO NO LOCAL DA CAPTAÇÃO
SISTEMA PRODUTOR SÃO LOURENÇO sabesp
39
5.3. Diretriz Guarapiranga
5.3.1. Considerações Gerais
A diretriz Guarapiranga decorre do antigo Projeto Juquitiba (1995) e explora modificações que
permitam superar os problemas do projeto original. O objetivo principal é atravessar a bacia do
Alto Juquiá na menor extensão possível, transpor em túnel o divisor com a bacia do Embu
Guaçu na altura das cabeceiras do ribeirão Santa Rita, implantar a ETA nas proximidades da
represa Guarapiranga e seguir com a adutora de água tratada rumo norte, em direção a
Carapicuíba.
O bombeamento de água bruta é feito por duas estações elevatórias em série: a primeira EEAB
fica na captação do reservatório, com altura de recalque da ordem de 170 m, e a segunda EEAB
próxima do emboque do túnel, com altura de recalque diferente em cada caso, de forma a
alcançar a respectiva ETA.
A partir do desemboque do túnel, as três alternativas consideradas: Santa Rita ‐ Alvorada,
Alvorada e Embu Guaçu seguem por caminhamentos próprios, com duas soluções de
localização de ETA: ETA Alvorada para as duas primeiras, e ETA Embu Guaçu para a última.
Nas alternativas Santa Rita ‐ Alvorada e Alvorada, a adutora de água tratada AAT‐1 sai da ETA
Alvorada e chega aos pontos de interligação com o Sistema Integrado Metropolitano (SIM) em
Carapicuíba e Barueri, passando pelo centro de Embu e da Granja Viana. Na alternativa Embu
Guaçu, a adutora de água tratada AAT‐2 sai da ETA Embu Guaçu com igual destino, e segue um
traçado comum com a AAT‐1 a partir da zona central de Embu.
Os trechos que diferenciam estas alternativas entre si estão integralmente localizados na bacia
do Guarapiranga.
As seções a seguir descrevem as alternativas de traçado do Sistema de Adução de Água Bruta e
de localização da ETA, e, na seqüência, os respectivos traçados da adutora de água tratada.
5.3.2. Adução de Água Bruta
 Alternativa Santa Rita ‐ Alvorada
Esta alternativa é similar ao antigo Projeto Juquitiba, mas com captação no reservatório
Cachoeira do França e adutora de água tratada chegando aos pontos de interligação com o SIM
em Carapicuíba e Barueri. Suas principais características são:
 na saída do túnel as águas são descarregadas nas cabeceiras do ribeirão Santa Rita;
 obras de adequação hidráulica são necessárias a partir do desemboque do túnel, ao longo
do ribeirão Santa Rita e nas travessias viárias, para comportar a vazão de reversão de 6
m3
/s;
 a vazão revertida é conduzida ao reservatório Guarapiranga pela calha do ribeirão Santa
Rita e depois pelo rio Embu Guaçu, num desnível topográfico da ordem de 60 m;
 uma 3ª EEAB de baixa carga bombeia a água bruta captada no reservatório Guarapiranga
até a ETA Alvorada.
SISTEMA PRODUTOR SÃO LOURENÇO sabesp
40
 Alternativa Alvorada
Esta alternativa constitui uma tentativa de manter em parte a concepção original do Projeto
Juquitiba, inclusive a ETA Alvorada, mas com adução da água bruta por conduto forçado entre a
saída do túnel e a ETA Alvorada. O caminhamento seria por ruas e estradas vicinais, a curta
distância do ribeirão Santa Rita, e ruas em áreas urbanas de Itapecerica da Serra e São Paulo.
Esta solução visa evitar o grande impacto ambiental que seria causado pela descarga da vazão
revertida no ribeirão Santa Rita, além de evitar a mistura de organismos aquáticos de dois
mananciais, Juquiá e Guarapiranga, fato este bastante criticado pela SMA na época.
Nesta alternativa há necessidade de dissipar em torno de 60 mca na entrada da ETA,
decorrente do grande desnível geométrico entre o desemboque do túnel e a ETA Alvorada.
 Alternativa Embu Guaçu
Esta alternativa mantém a adução de água bruta por recalque em conduto forçado e, depois do
desemboque do túnel, busca um local mais favorável para a ETA, em cota mais elevada, de
forma a evitar a dissipação de energia das alternativas anteriores e cortar caminho em direção
aos pontos de entrega da água tratada, evitando a passagem por longos trechos de ruas
urbanas.
Quatro alternativas foram estudadas para localização da ETA. A área selecionada já está
desmatada e situa‐se em cotas adequadas, próxima à rodovia Prefeito Bento Roger Domingues,
SP‐234, na altura do km 46.
5.3.3. Adução de Água Tratada
 A partir da ETA Alvorada – AAT‐1
A adutora de água tratada AAT‐1, em aço soldado e com 43,5 km de extensão, tem a função de
abastecer os municípios de Embu Guaçu e Itapecerica da Serra, e os Setores de Abastecimento:
Barueri Centro, Barueri Tamboré, Barueri Jardim Tupã, Carapicuíba Centro, Carapicuíba COHAB,
Carapicuíba Vila Dirce, Jandira, Jandira Mirante, Itapevi e Santana de Parnaíba ‐ Gênesis. A
configuração do Sistema de Adução de Água Tratada nesta alternativa, considerada no Estudo
de Concepção do SPSL, é mostrada na Figura 5.6, a seguir.
SISTEMA PRODUTOR SÃO LOURENÇO sabesp
41
FIGURA 5.6 - SISTEMA DE ADUÇÃO DE ÁGUA TRATADA ASSOCIADO À AAT-1
 A partir da ETA Embu Guaçu – AAT‐2
A adutora de água tratada AAT‐2, em aço soldado e com 47,5 km de extensão, tem uma
derivação em sentido sul para abastecer o município de Embu Guaçu. A linha principal segue
em sentido norte para abastecer os setores Itapecerica Campestre e Itapecerica Centro, com
pequeno trecho em túnel. A AAT‐2 deriva para a lateral da rodovia Régis Bittencourt, segue em
sentido norte e a partir do centro de Embu adota o mesmo traçado da AAT‐1, com interligações
para atender os setores: Barueri Centro, Barueri Tamboré, Barueri Jardim Tupã, Carapicuíba
Centro, Carapicuíba COHAB, Carapicuíba Vila Dirce, Jandira, Jandira Mirante, Itapevi e Santana
de Parnaíba ‐ Gênesis. A área de influência da AAT‐2 é a mesma da AAT‐1. A configuração do
Sistema de Adução de Água Tratada nesta alternativa, considerada no Estudo de Concepção do
SPSL, é mostrada na Figura 5.7, a seguir.
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42
FIGURA 5.7 - SISTEMA DE ADUÇÃO DE ÁGUA TRATADA ASSOCIADO À AAT-2
5.3.4. Resumo das Alternativas da Diretriz Guarapiranga
As Figuras 5.8 e 5.9 apresentam, respectivamente, o traçado em planta dos Sistemas de
Adução de Água Bruta e de Água Tratada das alternativas da diretriz Guarapiranga.
A Figura 5.10 a seguir apresenta o Perfil Reduzido e Linha Piezométrica da alternativa Embu
Guaçu e respectiva AAT‐2, que é aquela que o estudo indicou como a melhor opção da diretriz
Guarapiranga.
SISTEMA PRODUTOR SÃO LOURENÇO sabesp
43
FIGURA 5.10 - PERFIL REDUZIDO E LINHA PIEZOMÉTRICA: ALTERNATIVA EMBU GUAÇU
600
650
700
750
800
850
900
950
1000
0 10.000 20.000 30.000 40.000 50.000 60.000 70.000 80.000 90.000 100.000 110.000
Distância (m)
Cota
(m)
L = 104.343m
EEAB‐01
AMT = 170,01m
Pot M = 4.400 CV
EEAB‐02
AMT = 71,38m
Pot M = 1.900 CV
SIM
ETA
EEAT
AMT = 146,04m
Pot M = 3.700 CV
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46
5.4. Diretriz Itapecerica
5.4.1. Considerações Gerais
As alternativas desta diretriz foram formuladas considerando a captação na margem direita
(MD) do reservatório. Os traçados das alternativas sobem rumo norte em direção a Carapicuíba
e Barueri passando pelo corredor antropizado no entorno da rodovia Régis Bittencourt; situado
entre a Reserva Estadual Morro Grande a oeste e o maciço de matas a leste que recobre o
divisor de águas Alto Juquiá – Embu Guaçu e Embu Mirim – Embu Guaçu.
A ETA Itapecerica localiza‐se logo após a transposição do divisor Alto Juquiá – Embu Mirim. Esta
diretriz compreende quatro traçados alternativos para a adução de água bruta, todos os quais
têm como destino a ETA Itapecerica.
Uma das alternativas de traçado é o caminhamento pela lateral da rodovia Régis Bittencourt,
após percorrer o trecho de 11,6 km entre a captação e as proximidades da cidade de Juquitiba,
no mesmo traçado da diretriz Guarapiranga. As outras três alternativas da diretriz Itapecerica
exploram outros possíveis corredores antropizados entre a captação e a ETA, seguindo por
estradas vicinais que permitam a maior aproximação possível à ETA.
As estradas das Laranjeiras e dos Padeiros atravessam áreas com forte presença de matas,
sendo que a partir da segunda metade, estes traçados da água bruta enfrentam um relevo mais
acidentado e cobertura mais densa de matas ao atravessar trecho da Serra de Paranapiacaba. A
transposição do divisor e a chegada à ETA devem ser feitos necessariamente em túnel, pois
estes traçados passam sob o limite sul da Reserva Estadual Morro Grande, em terrenos
situados próximo de cota 1000 e com densa cobertura de matas.
Quatro alternativas foram estudadas para localização da ETA Itapecerica. A área adotada está
situada na altura do Km 297 da rodovia, junto à pista sentido Curitiba.
Para a adução de água tratada, a diretriz Itapecerica (AAT‐3) segue pela lateral da rodovia Régis
Bittencourt por aproximadamente 14,5 km, passa pelo centro de Embu e, a partir daí, coincide
com o traçado da AAT‐1 que vem da ETA Alvorada. O trecho final até Barueri é comum a todas
as alternativas das diretrizes Guarapiranga e Itapecerica.
5.4.2. Adução de Água Bruta
 Alternativa Régis
Nos primeiros 11,6 km segue por estradas vicinais e por ruas que contornam pelo oeste a área
urbana da cidade Juquitiba. Depois, segue por 29,4 km pela lateral da rodovia Régis Bittencourt
até a ETA, incluindo no caminho quatro túneis com extensão total de 4,2 km.
Considerando a dificuldade técnica e institucional de instalar a adutora na faixa de domínio da
rodovia, definiu‐se um traçado que segue, em muitos trechos, o eixo da linha de postes no
limite da faixa de domínio da rodovia e, em outros casos, ruas laterais, onde houver. Em
conseqüência, o traçado enfrenta um relevo bem mais movimentado que o das alternativas
que seguem pelas estradas vicinais, galgando taludes íngremes em meia encosta e transpondo
vales profundos, mesmo que a curta distância da rodovia, sem poder beneficiar‐se da
regularização do relevo ao longo da rodovia. Apesar dos cuidados, é provável que em muitos
trechos haja necessidade de utilizar o acostamento e a lateral da plataforma da rodovia como
área de apoio às obras.
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47
 Alternativa Padeiros 1
A alternativa Padeiros 1 segue por estradas vicinais até tomar o rumo da estrada dos Padeiros;
transpondo em túnel um trecho em que os trabalhos na estrada implicariam em impacto maior
na vegetação adjacente. No final da estrada dos Padeiros, o traçado encontra uma região de
relevo bastante acidentado e cobertura de matas, que é atravessada por dois túneis, até
alcançar a ETA.
A Alternativa Padeiros 1 tem o traçado mais retilíneo entre a captação e a ETA, por isso
apresenta a menor extensão total dentre todas as alternativas estudadas para esta diretriz:
79,8 km (AAB+AAT), mas também a maior extensão de túneis: 18,3 km.
 Alternativa Laranjeiras
Segue por estradas vicinais em traçado que deriva para o norte para depois tomar o rumo da
estrada das Laranjeiras, próximo do ribeirão homônimo. O vale deste ribeirão apresenta maior
grau de antropização que o eixo da estrada dos Padeiros, e o traçado segue por estradas mais
largas, o que reduz as interferências sócio‐ambientais nas laterais das estradas.
No Km 32,3 o traçado sai da estrada das Laranjeiras e sobe até Reservatório de Compensação
de Água Bruta (RCAB) localizado em ponto alto nas cabeceiras do ribeirão Laranjeiras. A ligação
entre o reservatório e a ETA é feita por gravidade em adutora pressurizada instalada no interior
de túnel que passa sob o setor de mata densa da Serra de Paranapiacaba.
A alternativa Laranjeiras tem extensão total de 83,3 km, algo maior que a da Alternativa
Padeiros 1, mas com menor extensão de túnel: 8,4 km.
 Alternativa Padeiros 2
Esta alternativa combina os traçados das alternativas Padeiros 1 e Laranjeiras, com algumas
variações. Segue inicialmente pelas mesmas estradas vicinais, também transpondo em túnel e
em vala, embora em posições diferentes daqueles da alternativa Padeiros 1, o trecho
correspondente à estrada dos Padeiros.
No final da estrada dos Padeiros, ao invés de entrar em túnel, ela deriva para o eixo da estrada
das Laranjeiras por estrada vicinal que passa entre áreas de reflorestamento. A partir da
interseção com a estrada das Laranjeiras, a Alternativa Padeiros 2 segue o mesmo traçado da
Alternativa Laranjeiras até a ETA.
A Alternativa Padeiros 2 tem uma extensão total de 82,4 km com 11,8 km de túnel.
5.4.3. Adução de Água Tratada
A adutora de água tratada AAT‐3, em aço soldado e com 41,7 km de extensão segue
paralelamente à Rodovia Régis Bittencourt, até a primeira derivação que irá abastecer os
municípios de Itapecerica da Serra e Embu Guaçu. A alça principal de adução segue rumo norte,
e a partir do centro de Embu adota o mesmo traçado da diretriz Guarapiranga (AAT‐1), com
interligações para atender os setores: Barueri Centro, Barueri Tamboré, Barueri Jardim Tupã,
Carapicuíba Centro, Carapicuíba COHAB, Carapicuíba Vila Dirce, Jandira, Jandira Mirante,
Itapevi e Santana de Parnaíba ‐ Gênesis. A área de influência da AAT‐3 é a mesma da AAT‐1 e
AAT‐2. A configuração do Sistema de Adução de Água Tratada nesta diretriz, considerada no
Estudo de Concepção do SPSL, é mostrada na Figura 5.11, a seguir.
SISTEMA PRODUTOR SÃO LOURENÇO sabesp
48
FIGURA 5.11 - SISTEMA DE ADUÇÃO DE ÁGUA TRATADA ASSOCIADO À AAT-3
5.4.4. Resumo das Alternativas da Diretriz Itapecerica
As Figuras 5.12 e 5.13 apresentam, respectivamente, os traçados em planta dos Sistemas de
Adução de Água Bruta e de Água Tratada das alternativas da diretriz Itapecerica.
A Figura 5.14, a seguir apresenta o Perfil Reduzido e Linha Piezométrica da alternativa
Laranjeiras e respectiva AAT‐3, que é aquela que o estudo indicou como a melhor opção da
diretriz Itapecerica.
SISTEMA PRODUTOR SÃO LOURENÇO sabesp
49
FIGURA 5.14 - PERFIL REDUZIDO E LINHA PIEZOMÉTRICA: ALTERNATIVA LARANJEIRAS
600
650
700
750
800
850
900
950
1.000
1.050
0 10.000 20.000 30.000 40.000 50.000 60.000 70.000 80.000
Distância (m)
Cota
(m)
EEAB II
AMT = 142,61 m
Pot M = 3.500 CV
EEAB I
AMT = 125,22 m
Pot M = 3.400 CV
L = 83.330 m
Divisor de Águas
EMBU
Derivação
Barueri‐Tamboré
Derivação
Vila DIRCE
Interligação
SIM
Baixo Cotia
Interligação
SIM ‐ Ø 1500mm
Derivação
Itapecerica
EEAT
AMT = 101,91 m
Pot M = 2.500 CV
ETA
SISTEMA PRODUTOR SÃO LOURENÇO sabesp
52
5.5. Diretriz Ibiúna ‐ Cotia
5.5.1. Considerações Gerais
Os caminhamentos da diretriz Ibiúna ‐ Cotia seguem rumo norte por áreas com forte presença
de reflorestamento; passam a oeste da Reserva Estadual Morro Grande, sem afetá‐la, e
atravessam a zona oeste da RMSP por zonas urbanas com menor densidade de ocupação que
aquelas atravessadas pela adutora de água tratada das diretrizes Itapecerica e Guarapiranga.
Topograficamente, após a captação na represa, estes traçados logo se aproximam da Serra de
Paranapiacaba e atravessam o divisor Alto Juquiá – Alto Sorocaba, percorrendo depois o
planalto de Ibiúna (cabeceiras dos rios Sorocabuçu e Sorocamirim) em cota superior a 900 m.
Na bacia do Alto Tietê, continuam em cotas altas e percorrem caminhos próximos do divisor
entre as sub‐bacias dos rios São João e Cotia, afluentes do rio Tietê, para depois acompanhar as
proximidades da várzea do rio Cotia e a várzea do Tietê.
Esta diretriz compreende dois traçados: (i) Alternativa Ibiúna ‐ Cotia 1, com captação na MD do
reservatório, no “sítio do Bizarro” (mesmo local de captação considerado nas diretrizes
Guarapiranga e Itapecerica) e ETA junto da estrada Beira Rio, e (ii) Alternativa Ibiúna ‐ Cotia 2,
com captação no reservatório na MD do braço do ribeirão Laranjeiras, “sítio Editora 3”, e ETA
junto à estrada dos Pereiras. Ambos locais de ETA estão situados no distrito de Caucaia do Alto,
no município de Cotia, em áreas antropizadas.
As adutoras de água tratada de cada alternativa partem das respectivas EEATs, localizadas na
área da respectiva ETA, e abastecem os setores de Caucaia do Alto e Atalaia (município de
Cotia), e os municípios de Vargem Grande Paulista, Itapevi, Jandira, Barueri, Carapicuíba e
Santana de Parnaíba. A configuração do Sistema de Adução de Água Tratada nesta diretriz,
considerada no Estudo de Concepção do SPSL, é mostrada na Figura 5.15, a seguir.
FIGURA 5.15 - SISTEMA DE ADUÇÃO DE ÁGUA TRATADA ASSOCIADO À AAT-4
SISTEMA PRODUTOR SÃO LOURENÇO sabesp
53
5.5.2. Adução de Água Bruta
 Alternativa Ibiúna ‐ Cotia 1
Segue inicialmente por estradas vicinais no município de Juquitiba, com 14,6 km em comum
com a alternativa Laranjeiras da diretriz Itapecerica. Depois, entra em Ibiúna e segue por
estradas vicinais nos municípios de Ibiúna e Cotia, a maior parte em vala, com 4 pequenos
túneis que totalizam 1,3 km. A ETA Cotia 1 localiza‐se junto à estrada Beira Rio, pouco depois
do traçado entrar no município de Cotia. O traçado em planta no município de Ibiúna é similar
nas alternativas Ibiúna ‐ Cotia 1 e 2, mas com perfis longitudinais diferentes, já que a adutora
de água bruta da Ibiúna ‐ Cotia 2 não tem túneis.
 Alternativa Ibiúna ‐ Cotia 2
Esta alternativa tem captação no reservatório, na MD do braço do ribeirão Laranjeiras, no “sítio
Editora 3”, no município de Ibiúna. Nos primeiros 7,0 km, o traçado se desenvolve por estradas
internas de fazendas de reflorestamento, que deverão ser ampliadas e melhoradas durante as
obras. Após o assentamento da adutora, uma estrada deverá ser implantada para acesso à
captação e estação elevatória na fase de operação, seguindo basicamente o eixo da adutora.
O traçado segue em vala por estradas vicinais nos municípios de Juquitiba e Ibiúna, e sobe a
serra de Paranapiacaba pela estrada Verava, onde se situam as instalações da EEAB‐2 e do
Reservatório de Compensação de Água Bruta (RCAB). Após o reservatório, o traçado continua
em vala, por gravidade, rumo ao norte por estradas vicinais nos municípios de Ibiúna e Cotia,
contorna o núcleo urbano de Caucaia do Alto, e segue até a ETA Cotia 2, situada ao norte da
estrada dos Pereiras.
5.5.3. Adução de Água Tratada
 AAT‐4 Cotia 1: a partir da ETA Cotia 1
A adutora de água tratada (AAT‐4 Cotia 1) segue em vala por estradas vicinais, cruza em túnel
trecho de 2,9 km e em seguida atravessa o núcleo urbano de Caucaia do Alto. Depois segue
pela estrada de Caucaia até a rodovia Raposo Tavares, que atravessa em túnel de 1,3 km de
extensão, o qual desemboca junto ao Reservatório de Compensação Granja Carolina (RCGC). A
partir do RCGC, a AAT‐4 Cotia 1 continua por mais 20,6 km em vala, até a interligação com a
Alça Oeste do Sistema Produtor Cantareira, na adutora Carapicuíba ‐ Tamboré. O traçado da
AAT‐4 Cotia 1 percorre os municípios de Vargem Grande Paulista, Cotia, Itapevi, Jandira,
Barueri, Carapicuíba e Santana de Parnaíba.
 AAT‐4 Cotia 2: a partir da ETA Cotia 2
A adutora de água tratada (AAT‐4 Cotia 2) segue pela estrada dos Pereiras e depois pela estrada
de Caucaia, atravessa a rodovia Raposo Tavares por método não destrutivo, e depois sob
maciço alto em túnel de 1,2 km. Atravessa área de futuro loteamento de alto padrão Granja
Carolina, onde se localiza o Reservatório de Compensação Granja Carolina (RCGC). Depois do
RCGC, o traçado volta a coincidir com o da Alternativa Ibiúna ‐ Cotia 1, com pequeno trecho
diferente. A partir desse ponto, o caminhamento das duas alternativas é o mesmo até a
interligação com a alça oeste do Sistema Produtor Cantareira, na adutora Carapicuíba‐Tamboré.
SISTEMA PRODUTOR SÃO LOURENÇO sabesp
54
5.5.4. Resumo das Alternativas da Diretriz Ibiúna ‐ Cotia
As Figuras 5.16 e 5.17 apresentam, respectivamente, o traçado em planta dos Sistemas de
Adução de Água Bruta e de Água Tratada das alternativas da diretriz Ibiúna ‐ Cotia.
A Figura 5.18 a seguir apresenta o Perfil Reduzido e Linha Piezométrica da alternativa Ibiúna ‐
Cotia 2 e respectiva AAT‐4, que é aquela que o estudo indicou como a melhor opção da diretriz
Ibiúna ‐ Cotia.
FIGURA 5.18 - PERFIL REDUZIDO E LINHA PIEZOMÉTRICA: ALTERNATIVA IBIÚNA-COTIA 2
600
650
700
750
800
850
900
950
1.000
1.050
0 10.000 20.000 30.000 40.000 50.000 60.000 70.000 80.000
Distância (m)
Cota
(m)
EEAB II
AMT = 180,83 m
Pot M = 5.000 CV
EEAB I
AMT = 192,93 m
Pot M = 5.000 CV
L = 78.456m
Ponte sobre o Rib.
Laranjeiras
ETA‐EEAT
AMT = 38,20m
Pot M = 900 CV
Ponte sobre o
Rib. Laranjeiras
RES AB
ETA
RAT
S I M
Interligação
Baixo Cotia
Jandira
Mirante
Jd. Tupã
5.6. Resumo das Características Físicas das Alternativas Consideradas
A Tabela 5.1 apresenta o resumo das características físicas das alternativas consideradas em
cada diretriz.
SISTEMA PRODUTOR SÃO LOURENÇO
57
sabesp
Tabela 5.1
Características Físicas das Alternativas Consideradas
Diretriz Alternativa
Adução de Água Bruta ‐ AB Adução de Água Tratada ‐ AT Sistema Completo (AB+AT)
Adutora
Túneis
(m)
Extensão
Adutora
AB (m)
Elevatórias AB Adutoras (m)
Túneis
(m)
Extensão
Adutora
AT (m)
Elevatória AT Adutoras (m)
Túneis
(m)
Extensão
Adutoras
(m)
Elevatórias
Φ 2.100
(m)
EEAB
AMT
(m)
Potência
(CV)
Φ 2.100 Φ 1.800 Φ 1.500 Φ 1.200
AMT
(m)
Potência
(CV)
Φ 2.100 Φ 1.800 Φ 1.500 Φ 1.200
AMT
(m)
Potência
(CV)
Guara‐
piranga
Santa Rita ‐
Alvorada
34.242 7.520 34.242
EEAB‐1 170,28 4.400
35.197 ‐ 3.510 4.803 ‐ 43.510 162,23 4.000 69.439 ‐ 3.510 4.803 7.520 77.752 415,67 10.500
EEAB‐2 45,10 1.100
EEAB‐3 38,06 1.000
Alvorada 70.136 10.720 70.136
EEAB‐1 170,28 4.400
35.197 ‐ 3.510 4.803 ‐ 43.510 162,23 4.000 105.333 ‐ 3.510 4.803 10.720 113.646 402,74 10.200
EEAB‐2 70,23 1.800
Embu Guaçu 56.845 7.520 56.845
EEAB‐1 170,01 4.400
39.185 ‐ 3.510 4.803 1.950 47.498 146,04 3.700 96.030 ‐ 3.510 4.803 9.470 104.343 387,43 10.000
EEAB‐2 71,38 1.900
Itape‐
cerica
Régis 41.879 4.222 41.879
EEAB‐1 110,32 2.900
33.425 ‐ 3.510 4.803 ‐ 41.738 101,91 2.500 75.304 ‐ 3.510 4.803 4.222 83.617 345,55 9.000
EEAB‐2 133,32 3.600
Padeiros 1 38.074 18.328 38.074
EEAB‐1 172,49 4.500
33.425 ‐ 3.510 4.803 ‐ 41.738 101,91 2.500 71.499 ‐ 3.510 4.803 18.328 79.812 358,36 9.200
EEAB‐2 83,96 2.200
Padeiros 2 40.695 11.860 40.695
EEAB‐1 119,83 3.000
33.425 ‐ 3.510 4.803 ‐ 41.738 101,91 2.500 74.120 ‐ 3.510 4.803 11.860 82.433 369,32 9.200
EEAB‐2 147,58 3.700
Laranjeiras 41.592 8.400 41.592
EEAB‐1 125,22 3.400
33.425 ‐ 3.510 4.803 ‐ 41.738 101,91 2.500 75.017 ‐ 3.510 4.803 8.400 83.330 369,74 9.400
EEAB‐2 142,61 3.500
Ibiúna‐
Cotia
Ibiúna‐Cotia 1 37.626 1.325 37.626
EEAB‐1 168,74 4.400
18.013 16.056 4.803 ‐ 6.590 38.872 56,50 1.500 55.639 16.056 4.803 ‐ 7.915 76.498 397,47 10.300
EEAB‐2 172,23 4.400
Ibiúna‐Cotia 2 47.419 ‐ 47.419
EEAB‐1 192,93 5.000
7.761 13.542 4.803 ‐ 1.204 26.106 38,20 900 55.180 13.542 4.803 ‐ 1.204 73.525 411,96 10.900
EEAB‐2 180,83 5.000
SISTEMA PRODUTOR SÃO LOURENÇO sabesp
58
6. ANÁLISE E COMPARAÇÃO ENTRE ALTERNATIVAS
As nove alternativas de concepção e traçado do Sistema Produtor São Lourenço (SPSL) foram
avaliadas através de cotejo econômico‐financeiro, técnico‐operacional, sócio‐ambiental e
institucional mediante metodologia de análise multicritério, de forma a instruir de maneira
fundamentada a decisão quanto à escolha da solução a ser objeto da elaboração do Projeto
Básico do SPSL.
Aspectos comuns a todas as alternativas são devidamente considerados na formatação do
empreendimento, mas não participam da análise comparativa entre alternativas de traçado.
6.1. Aspecto Econômico‐Financeiro
6.1.1. Custos de Investimento das Alternativas
As estimativas dos custos de investimento para cada alternativa foram elaboradas ao nível de
concepção, utilizando em parte os preços unitários do Banco de Preços da SABESP (Jun/08),
estimativas de custo com base em obras similares já executadas (curvas de custos), pesquisas
de mercado e, quando necessário, em estimativas mais detalhadas com fornecedores de
equipamentos, como para o caso das estações de bombeamento.
Em razão das áreas requeridas serem praticamente as mesmas para todas as alternativas, não
se consideraram os custos de desapropriação de áreas para implantação das unidades de
produção, assim como os custos das linhas de transmissão, pois os locais de captação, que
representam o centro de demanda de energia, estão praticamente em um mesmo sítio, na
margem direita do reservatório Cachoeira do França.
TABELA 6.1 - CUSTOS DE IMPLANTAÇÃO DE CADA ALTERNATIVA (R$ X 103
)
Diretrizes Alternativas Captação
Adução de
Água Bruta
ETA
Adução de
Água Tratada
Total (R$)
Guara‐
piranga
Santa Rita ‐ Alvorada 81.407 596.001 174.744 512.254 1.364.407
Alvorada 58.111 962.947 145.620 512.254 1.678.932
Embu Guaçu 58.511 744.600 145.620 538.870 1.487.600
Itape‐
cerica
Regis 45.111 546.834 145.620 448.847 1.186.412
Padeiros 1 58.111 1.065.015 145.620 448.847 1.717.593
Padeiros 2 45.011 777.641 145.620 448.847 1.417.119
Laranjeiras 46.561 667.312 145.620 448.847 1.308.340
Ibiúna
Cotia
Ibiúna ‐ Cotia 1 58.111 356.818 145.620 597.787 1.158.335
Ibiúna ‐ Cotia 2 58.111 396.788 145.620 323.223 923.741
Ref.: Junho 2008
O custo de investimento para a implantação da ETA na alternativa Santa Rita ‐ Alvorada está
diferenciado dos demais, em razão da qualidade pior da água a ser tratada, decorrente da
mistura da água da represa Cachoeira do França com a do Guarapiranga. Adotou‐se um valor
20% superior para representar o investimento mais elevado em unidades de tratamento
avançado e o valor presente dos seus custos operacionais em insumos, pela maior aplicação de
produtos químicos.
SISTEMA PRODUTOR SÃO LOURENÇO sabesp
59
6.1.2. Despesas com Energia Elétrica
Todas as alternativas estão constituídas das mesmas unidades de produção com características
similares em termos de concepção, quantidades e capacidades, constituindo unidades comuns
que ocasionam as mesmas despesas operacionais.
Portanto, consideram‐se apenas as despesas diferenciadas, representadas pelos custos com
energia elétrica, calculados a valor presente, à taxa de desconto de 10,71% ao ano. O custo de
energia elétrica das elevatórias é estimado com base na tarifa horo‐sazonal, para fornecimento
em 88 kV. O bombeamento de água bruta é considerado somente fora do horário de ponta,
operando em torno de 20 horas diárias, enquanto o bombeamento de água tratada é
considerado, em todas as alternativas, ininterrupto por 24 horas diárias.
TABELA 6.2 - DESPESAS COM ENERGIA ELÉTRICA. VALOR PRESENTE (R$ X 103
)
Diretriz Alternativa EE‐AB EE‐AT Total
Guarapiranga Santa Rita ‐ Alvorada 114.791 76.917 191.708
Alvorada 109.381 76.918 186.299
Embu Guaçu 109.804 69.253 179.057
Itapecerica Régis 110.260 48.306 158.566
Padeiros 1 118.189 48.306 166.495
Padeiros 2 120.343 48.306 168.648
Laranjeiras 120.537 48.306 168.843
Ibiúna‐Cotia Ibiúna‐Cotia 1 154.367 25.316 179.683
Ibiúna‐Cotia 2 169.211 17.918 187.129
Ref.: Junho 2008
6.1.3. Indicador de Custo Total das Alternativas
A Tabela 6.3, a seguir, apresenta um indicador de custo total das alternativas, considerando a
soma dos custos de investimento e de valor presente do consumo de energia elétrica.
TABELA 6.3 - INDICADOR DE CUSTO TOTAL DAS ALTERNATIVAS (R$ X 103
)
Santa Rita ‐ Alvorada 1.364.407 191.708 1.556.115
Alvorada 1.678.932 186.299 1.865.231
Embu Guaçu 1.487.600 179.057 1.666.657
Régis 1.186.412 158.566 1.344.977
Padeiros 1 1.717.593 166.495 1.884.088
Padeiros 2 1.417.119 168.648 1.585.767
Laranjeiras 1.308.340 168.843 1.477.182
Ibiúna Cotia 1 1.158.335 179.683 1.338.018
Ibiúna Cotia 2 923.741 187.129 1.110.870
ITAPECERICA
COTIA
CONSUMO DE
ENERGIA ELÉTRICA
INVESTIMENTO CUSTO TOTAL
ALTERNATIVAS
DIRETRIZ
GUARAPIRANGA
Ref.: Junho 2008
6.1.4. Análise e Comparação sob o Aspecto Econômico‐Financeiro
Todas as alternativas têm o mesmo benefício econômico, em termos de população abastecida
e prazo similar para iniciar a geração de benefícios. Assim, a comparação sob o aspecto
econômico busca estabelecer a solução mais favorável em termos de menor custo total de
implantação e operação do Sistema Produtor, no longo prazo. O indicador habitualmente
SISTEMA PRODUTOR SÃO LOURENÇO sabesp
60
utilizado é o valor presente da série temporal de custos de investimento na implantação e de
custos na operação e manutenção (O&M) do sistema.
O indicador de custo total das alternativas, descrito no item anterior, constitui uma boa
aproximação, pois destaca os principais componentes de investimento e de O&M diferentes
entre alternativas. A exclusão de custos de O&M similares nas alternativas não altera a ordem
de classificação, apenas amplifica um pouco as diferenças entre alternativas e dá mais peso
relativo aos investimentos.
A comparação sob o aspecto financeiro em geral privilegia as alternativas que requerem
menores dispêndios na fase inicial e/ou que permitem antecipar a geração de receitas. Tal
indicador é também adequado para a avaliação financeira, em face do peso dominante dos
investimentos no custo total e da similaridade do prazo para início de operação do sistema.
A Figura 6.1 apresenta um gráfico comparativo que ilustra o desempenho das alternativas sob o
aspecto econômico‐financeiro. A alternativa Ibiúna ‐ Cotia 2 aparece como a solução mais
favorável. As duas seguintes: Ibiúna ‐ Cotia 1 e Régis apresentam custo total de 18 a 21%
superior.
FIGURA 6.1 - COMPARAÇÃO DAS ALTERNATIVAS EM TERMOS DE CUSTO TOTAL
0
200
400
600
800
1.000
1.200
1.400
1.600
1.800
2.000
Padeiros 1
Alvorada
Embu Guaçu
Padeiros 2
Sta Rita‐Alvorada
Laranjeiras
Régis
Cotia 1
Cotia 2
Milhões
(R$)
Custo Investimento
Custo Energia Elétrica
Custo Total
Analisando a composição dos custos, verifica‐se que a vantagem da alternativa Ibiúna ‐ Cotia 2
decorre principalmente da menor extensão de adutora em túnel (o item mais caro por metro
linear), associado a um desempenho bom em outros itens importantes, como extensão por
diâmetro, travessias e consumo de energia.
Constata‐se o peso dominante dos investimentos no custo total, e a pequena diferença entre
alternativas no valor presente do consumo de energia elétrica.
6.2. Análise e Comparação sob o Aspecto Técnico‐Operacional
As nove alternativas foram avaliadas, comparativamente, em termos de um conjunto
selecionado de oito indicadores que representam, de modo abrangente, riscos de construção e
desempenho operacional do Sistema Produtor.
SISTEMA PRODUTOR SÃO LOURENÇO sabesp
61
6.2.1. Facilidades e Dificuldades Construtivas
Os maiores riscos de problemas técnicos, com implicações no alongamento de prazos e/ou
custos maiores que os previstos, tendem a ocorrer na execução de túneis e de obras de arte de
maior porte, como travessias aéreas ou subterrâneas de rios, rodovias ou avenidas.
A comparação dos prazos estimados para execução das obras, das extensões e características
de túneis e obras de arte das alternativas mostrou vantagem para a diretriz Ibiúna ‐ Cotia; em
especial para a alternativa Ibiúna ‐ Cotia 2, com a menor extensão de túnel e traçado pela zona
oeste da RMSP por áreas com menor densidade de ocupação.
6.2.2. Nível de Comprovação das Tecnologias Previstas
Com a premissa adotada na concepção do SPSL, de utilização de dois bombeamentos para a
reversão de água bruta, constatou‐se que as soluções indicadas para todas as alternativas:
emprego de tubulações e peças de aço segundo as normas padrão ASTM (American Society of
Test and Materials) e AWWA (American Water Works Association); e utilização de bombas de
eixo horizontal, dispositivos e válvulas com possibilidade de fabricação nacional, são de
aplicação corriqueira nos projetos das instalações operacionais da Sabesp, não exigindo
produtos com tecnologias especiais.
Portanto, o nível de tecnologia previsto para as obras no Estudo de Concepção é similar em
todas as alternativas.
6.2.3. Confiabilidade
A confiabilidade de um Sistema Produtor significa a garantia de fornecimento da água de forma
contínua sob as condições especificadas.
As alternativas de adução de água bruta e de ETA apresentam condições de operação similares,
com exceção da alternativa Santa Rita ‐ Alvorada, que está sujeita a maiores imprevistos na
adução pela calha do ribeirão Santa Rita. Neste quesito, as diferenças entre alternativas são
sutis e podem ser equacionadas com soluções de engenharia.
O controle dos transientes hidráulicos no Sistema de Adução de Água Tratada mostra situações
diferenciadas. Nas diretrizes Guarapiranga e Itapecerica, o Reservatório de Compensação de
Água Tratada, necessário para o atendimento das flutuações diárias de consumo, está
localizado na área da ETA e a EEAT bombeará diretamente para os reservatórios setoriais. No
caso de parada repentina do bombeamento, longos trechos da adutora de recalque estarão
submetidos a pressões indesejáveis, necessitando de dispositivos de proteção.
Na diretriz Ibiúna ‐ Cotia, o Reservatório de Compensação Granja Carolina (RCGC) está
localizado em ponto alto a jusante da EEAT, o que possibilita um melhor controle das pressões
transitórias indesejáveis. Como, neste caso, a adução ao SIM será efetuada em grande parte
por gravidade, o controle das pressões transitórias será realizado pelo estabelecimento das
manobras de abertura e fechamento das válvulas de controle na entrada dos reservatórios
setoriais, de modo que a envoltória das pressões transientes seja compatível com a classe de
pressão das tubulações do SPSL. Esta configuração confere maior confiabilidade às alternativas
da diretriz Ibiúna ‐ Cotia.
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62
6.2.4. Eficiência Energética
Considera‐se como alternativa de maior eficiência energética aquela que apresentar o menor
consumo anual de energia elétrica, requerido para prover o benefício do suprimento adicional
de 4,7 m3
/s de água tratada ao Sistema Integrado Metropolitano (SIM). Este conceito considera
o incremento de consumo de energia em todas as etapas do serviço: captação, adução de água
bruta, tratamento, adução de água tratada e distribuição, bem como os reflexos na operação
dos outros sistemas produtores que terão sua área de influência modificada.
Como as diferenças de área de influência entre as alternativas são pequenas, as despesas com
o consumo de energia elétrica nas estações elevatórias do SPSL (Tabela 6.2) constituem uma
boa aproximação deste indicador, que considera inclusive o valor social diferenciado dos
consumos no horário de pico de energia e fora dele. Observa‐se que:
 O consumo total de energia elétrica (Tabela 6.2) e a altura manométrica total das
elevatórias (Tabela 5.1) são bastante similares entre alternativas, com diferença máxima de
19‐21% entre o menor e o maior valor. Algumas alternativas transpõem o divisor de águas
do Alto Juquiá em cotas menores, mas a altura de recalque menor na água bruta é em boa
medida compensada pela necessidade de um recalque maior na água tratada junto à ETA.
 As alternativas da diretriz Itapecerica, e em especial a alternativa Régis, apresentam o perfil
energético mais equilibrado.
A alternativa Ibiúna ‐ Cotia 2, que apresenta desempenho destacado em diversos quesitos,
mostra uma eficiência energética menor que as outras soluções, superando apenas a
alternativa Santa Rita ‐ Alvorada. Em boa medida, a busca de caminhos que evitem longos
túneis e interferências urbanas e ambientais requer galgar cotas mais elevadas, o que resulta
em um consumo um pouco maior de energia na transposição, mas também em disponibilidade
de energia a dissipar no Sistema de Adução de Água Tratada, que poderá ser utilizada
futuramente no atendimento das partes altas ocupadas, no caso de uma ressetorização.
6.2.5. Economicidade dos Insumos Básicos
A concepção da ETA é a mesma para oito das nove alternativas consideradas, com o que o
custo dos insumos básicos (produtos químicos, etc.) é basicamente o mesmo.
No caso da alternativa Santa Rita ‐ Alvorada, o custo de implantação e operação da ETA
Alvorada é certamente maior que o das demais alternativas, uma vez que a mistura das águas
do reservatório Cachoeira do França com as águas da represa Guarapiranga exigirá a introdução
de processos de tratamento diferenciados, de forma a garantir o padrão de qualidade da
Sabesp.
6.2.6. Facilidades e Dificuldades Operacionais e de Manutenção
Dentre os fatores que condicionam a segurança e a confiabilidade (continuidade e qualidade)
da produção de água de abastecimento público, tem‐se: grau de proteção contra agentes
externos; estabilidade das instalações contra intempéries; amplitude dos dispositivos de
segurança utilizados; embasamento geológico e geotécnico, entre outros.
Estes aspectos estão relacionados com: (i) as instalações de recalque, extensões x altura
manométrica; (ii) alimentação de energia; (iii) reservação; (iv) preservação do manancial; (v)
pontos de fuga (descargas da adutora); (vi) dispositivos de controle; (vii) túneis; (viii) travessias
aéreas; (ix) ocupação de faixas de rodovias; etc.
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63
Quanto maior a extensão de linhas de adução e de recalque, maiores os cuidados operacionais
e serviços de manutenção requeridos. Trechos que necessitam de métodos de assentamento
não destrutivos (túneis, travessias) e trechos com presença de tubulação aparente (travessias
aéreas) estão sujeitos a maiores riscos e apresentam um maior comprometimento em relação à
manutenção e segurança.
As alternativas da diretriz Ibiúna ‐ Cotia apresentam melhor desempenho neste quesito,
ficando as diretrizes Itapecerica e Guarapiranga em patamar bem inferior, variável conforme a
alternativa e a presença de fatores que acrescentam dificuldades operacionais e de
manutenção; as linhas de adução de água tratada de ambas diretrizes são implantadas em
regiões densamente ocupadas no Embu e na Granja Viana em Cotia.
A alternativa Santa Rita ‐ Alvorada apresenta uma condição particularmente desfavorável pela
exposição do trecho com condução das águas revertidas pela calha do ribeirão Santa Rita.
6.2.7. Flexibilidade Operacional
As interligações do SPSL com o SIM existente buscam obter a melhor logística de adução de
água tratada para os Setores de Abastecimento e proporcionar melhor flexibilidade operacional
ao sistema adutor ao longo do tempo. As intervenções objetivam eliminar as restrições de
adução, ampliar a capacidade de veiculação de vazão do sistema adutor e proporcionar maior
capacidade de transferência entre os Sistemas Produtores existentes.
Elemento comum a todas as alternativas é a interligação do SPSL com a alça oeste do Sistema
Produtor Cantareira e com a adutora de recalque da ETA Baixo Cotia, o que determina uma
área de influência comum a todas as alternativas, composta pelos municípios de Barueri,
Jandira, Itapevi, Carapicuíba e Santana de Parnaíba. O atendimento desse núcleo pelo SPSL
permitirá reduzir a área de influência do Sistema Cantareira, e a interligação com o recalque do
Baixo Cotia possibilitará paralisar parcial ou totalmente a produção dessa ETA; quando
eventualmente necessário.
O atendimento de setores próximos do traçado de cada alternativa coloca um fator de
diferenciação neste quesito. As diretrizes Guarapiranga e Itapecerica permitem atender com
maior facilidade os municípios de Itapecerica da Serra e Embu Guaçu. Já a diretriz Ibiúna ‐ Cotia
permite atender setores de Caucaia do Alto, Vargem Grande Paulista e Cotia, hoje atendidos
com limitações pela ETA Alto Cotia, e liberar vazão do Alto Cotia para reforçar o atendimento
de Itapecerica e Embu Guaçu.
A diretriz Ibiúna ‐ Cotia apresenta a condição mais favorável de flexibilidade operacional, pois o
traçado da sua AAT em arco periférico pela zona oeste da RMSP permite implantar várias
derivações ao longo do caminho para atender de forma mais direta setores que hoje estão
dentre os mais críticos em termos de regularidade de abastecimento. Tal fato possibilita a
redução gradual do diâmetro da Alça Principal de adução, que tem início com 2,1 m de
diâmetro, nas proximidades da nova ETA em Cotia, até interligar com a adutora existente
Carapicuíba – Tamboré com 1,2 m.
No cenário da diretriz Ibiúna ‐ Cotia, os municípios de toda a zona oeste da RMSP teriam duas
fontes principais de suprimento de água: o SPSL entrando pelo oeste (até Carapicuíba) e o
Cantareira pelo leste (até Osasco), e com possibilidade de interpenetração das áreas de
influência por meio das interligações do sistema adutor.
SISTEMA PRODUTOR SÃO LOURENÇO sabesp
64
Outro aspecto relevante da diretriz Ibiúna ‐ Cotia é o fato de não necessitar de obras adicionais
para o atendimento da evolução futura das demandas na zona oeste da RMSP, uma vez que
esse crescimento tende a concentrar‐se na periferia e implicaria apenas na diminuição da área
de influência do SPSL, sem a necessidade de implantação de novas obras. Neste caso, as
diretrizes Guarapiranga e Itapecerica necessitariam avançar no sentido oeste, a partir de
Carapicuíba, com novas adutoras e, eventualmente, com implantação de novas elevatórias.
6.2.8. Padronização dos Materiais e Equipamentos
Os materiais selecionados são equivalentes em todas as alternativas e obedecem às
padronizações de materiais e equipamentos utilizados pela SABESP nas instalações do SIM. No
caso dos conjuntos motobombas, são utilizados os mesmos modelos para todas as alternativas,
não havendo, portanto, diferenciação entre os mesmos.
6.3. Análise e Comparação sob o Aspecto Sócio‐Ambiental
A concepção das alternativas e a escolha dos traçados foram feitas, desde o início, de modo a
trabalhar com soluções pré‐otimizadas em termos ambientais que representam opções
ambientalmente viáveis, umas melhores do que as outras (exceto a alternativa Santa Rita ‐
Alvorada, utilizada como ponto de partida em decorrência dos estudos anteriores, mas
manifestamente inviável em termos ambientais).
6.3.1. Principais Impactos Ambientais das Intervenções
A abertura da faixa de trabalho, com dezenas de quilômetros de extensão para instalação da
adutora enterrada em vala, constitui o principal fator gerador de impactos no SPSL, com a
conseqüente remoção da cobertura vegetal e da ocupação antrópica preexistente. A avaliação
de impactos inclui a quantificação das interferências decorrentes da abertura e melhoria de
acessos viários às faixas de obras.
As instalações localizadas – captação, elevatórias, reservatórios de água bruta e tratada, ETA –
também são fatores geradores que contribuem com parcela maior ou menor de impactos no
ambiente natural, dependendo da cobertura vegetal e da presença de cursos de água próximos
dos locais escolhidos.
Os possíveis traçados do SPSL e os respectivos impactos no ambiente natural ocorrem nas
bacias hidrográficas do Alto Juquiá e do Alto Tietê, e, conforme a alternativa, na bacia do
Guarapiranga ou na bacia do Alto Sorocaba. A avaliação realizada atribui pesos diferenciados
aos impactos ocorrentes em cada bacia, em função das suas características em termos de grau
de preservação (especialmente dos maciços de matas), importância como manancial,
fragilidade e grau de comprometimento ambiental, entre outros.
Quatro categorias principais de impactos foram consideradas: impacto geral das obras, impacto
no ambiente natural, impacto socioeconômico e indução à ocupação de APRM, cada uma delas
com vários indicadores, explicitados a seguir.
a) Impacto ambiental geral das obras
Indicador: Volume de movimentação de materiais
b) Impacto no ambiente natural
Indicadores:
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65
 Trechos que requerem movimento de terra significativo;
 Interferências em APP;
 Supressão de vegetação;
 Abertura de clareiras na mata;
 Afetação de bordas de mata;
 Afetação significativa de ecossistemas aquáticos e ribeirinhos;
 Efeito barreira no ecossistema aquático; e
 Interferência direta com áreas protegidas.
c) Impacto socioeconômico
Indicadores:
 Desapropriação, servidão de passagem e ocupação temporária;
 Deslocamento de população;
 Afetação do ecoturismo e da atratividade da região para lazer;
 Interferências com vias públicas; e
 Interferências com população e usos lindeiros.
d) Atração de população e indução à ocupação em mananciais (APRM)
Indicador (avaliação qualitativa):
 Atração de população pelo emprego gerado e risco de assentamentos irregulares.
A Tabela 6.4 apresenta a quantificação dos indicadores para cada alternativa.
6.3.2. Comparação Multicritério das Alternativas sob o Aspecto Ambiental
Os indicadores ambientais das nove alternativas foram qualificados e ponderados mediante a
atribuição de notas e pesos, mediante metodologia multicritério. A nota 10 corresponde a um
valor desejável ou admissível (benchmark), em geral, próximo do desempenho obtido pela
melhor alternativa nesse quesito. Quando o indicador se afasta do valor desejável, a alternativa
é penalizada com o desconto de pontos, de acordo com regras específicas, função da
sensibilidade ambiental do indicador. Alternativas com desempenho baixo ou ruim têm uma
penalização elevada que pode resultar em notas negativas.
Os impactos no ambiente natural são ponderados de acordo com as bacias em que ocorrem,
em função do grau de fragilidade ambiental e importância ecológica da vegetação existente. A
nota ambiental final é obtida pela ponderação dos quatro indicadores de impacto adotados.
SISTEMA PRODUTOR SÃO LOURENÇO sabesp
66
Diretriz Guarapiranga Diretriz Itapecerica Dir. Ibiúna Cotia
Indicador Santa Rita
Alvorada
Alvorada
Embu
Guaçu
Regis Padeiros 1 Padeiros 2
Laran‐
jeiras
Ibiúna
Cotia 1
Ibiúna
Cotia 2
Extensão Total 77.752 113.646 104.343 83.617 79.812 82.433 83.330 76.299 78.456
Extensão em Vala 70.232 102.926 94.873 79.395 61.484 70.573 74.930 68.384 77.252
Extensão em Túnel 7.520 10.720 7.520 4.222 18.329 11.860 8.400 7.915 1.204
Percentual da Extensão por Bacias
% Juquiá (sensível) 43,9% 29,9% 32,3% 54,1% 50,6% 52,3% 53,0% 29,4% 26,6%
% Guarapiranga ou Sorocaba (sensível) 35,4% 55,9% 52,4% 25,8% 28,3% 27,3% 26,9% 36,3% 40,2%
% Alto Tietê 20,7% 14,2% 15,3% 20,1% 21,1% 20,4% 20,1% 34,3% 33,2%
1. Impacto ambiental geral das obras
1.1 Volume de movimentação de materiais (10
3
m
3
) 1.753 2.388 2.229 1.640 1.971 1.828 1.768 1.794 1.643
2. Impacto no ambiente natural
2.1 Trechos com grande movimento de terra (m) 18.800 28.330 28.555 17.040 14.410 15.520 15.400 21.020 12.360
2.2 Intervenção em APP (ha) 131,19 23,13 22,39 21,89 21,39 22,20 20,02 20,68 17,79
2.3 Supressão de vegetação (ha de vegetação equivalente) 235,66 30,48 31,34 32,57 29,48 28,86 27,79 17,42 16,28
2.4 Abertura de clareiras na mata (m) 23.420 5.020 5.220 1.455 1.645 1.375 765 255 150
2.5 Afetação de bordas de mata (m) 7.669 14.284 17.193 9.320 9.614 8.805 8.493 11.395 8.035
3. Impacto socioeconômico
3.1 Desapropriação + servidão + ocupação temporária 2.015 3.319 1.842 2.249 1.938 1.933 1.902 2.187 1.104
3.2 Deslocamento de população (famílias) 226 51 17 22 17 16 16 7 5
3.4 Interferência com vias públicas (km equivalentes) 170,7 239,7 203,5 193,5 139,5 149,1 153,3 110,2 100,6
3.5 Interferência com pop. e usos lindeiros (dom. equiv.) 8.052 9.778 8.725 7.837 6.671 6.715 6.696 3.332 2.719
3.6 Interferências com centros urbanos consolidados 6 6 6 7 6 6 6 2 1
TABELA 6.4 - COMPARATIVO DOS INDICADORES AMBIENTAIS DAS ALTERNATIVAS
SISTEMA PRODUTOR SÃO LOURENÇO sabesp
67
TABELA 6.5 - METODOLOGIA MULTICRITÉRIO. NOTAS AMBIENTAIS DAS ALTERNATIVAS
Diretriz Nota Ambiental
Alternativa
Impacto
Geral Obras
Ambiente
Natural
Socio‐
econômico
Indução
Ocup. APRM
Final
Peso: 15% 40% 30% 15% 100%
Diretriz Guarapiranga
Santa Rita ‐ Alvorada 8,8 ‐86,2 ‐5,4 8,0 ‐33,6
Alvorada 7,1 ‐5,7 ‐4,3 8,0 ‐1,3
Embu Guaçu 7,5 ‐6,2 0,3 8,0 ‐0,1
Diretriz Itapecerica
Régis 9,1 ‐0,3 0,8 8,0 2,7
Padeiros 1 8,2 1,1 3,5 3,0 3,2
Padeiros 2 8,6 0,8 3,2 3,0 3,0
Laranjeiras 8,8 2,9 3,2 3,0 3,9
Diretriz Ibiúna ‐ Cotia
Ibiúna ‐ Cotia 1 9,3 7,3 8,0 7,0 7,8
Ibiúna ‐ Cotia 2 9,7 9,3 9,7 7,0 9,1
A Tabela 6.5 mostra que as alternativas da diretriz Ibiúna ‐ Cotia colocam‐se em posição muito
superior às demais, atingindo 7,8 e 9,1 pontos dentro da escala máxima de 10 pontos. As
alternativas da diretriz Itapecerica situam‐se na faixa de 2,7 a 3,9 pontos, e as da diretriz
Guarapiranga apresentam nota negativa, entre ‐33,6 e ‐0,1 pontos. A nota negativa de ‐33,6
pontos da alternativa Santa Rita ‐ Alvorada expressa quantitativamente a inviabilidade
ambiental da reversão direta das águas do Alto Juquiá para as cabeceiras do ribeirão Santa Rita,
no contexto da existência de soluções muito mais favoráveis em termos técnico‐econômicos e
ambientais.
A alternativa Ibiúna ‐ Cotia 2 obtém a melhor pontuação ambiental geral, com 9,1 pontos sobre
10. A vantagem dessa alternativa ocorre em todos os itens de impacto avaliados: obras,
ambiente natural e socioeconômico. A seguir, os principais fundamentos do desempenho
ambiental de cada diretriz e das vantagens da diretriz Ibiúna ‐ Cotia e, em particular, da
alternativa Ibiúna ‐ Cotia 2:
a) A diretriz Ibiúna ‐ Cotia tem uma extensão menor que a Itapecerica e muito menor que a da
diretriz Guarapiranga. Este fator resulta, para as duas primeiras diretrizes, em menores
impactos de obras e em menor número de interferências com vegetação, cursos d’água e
ocupação antrópica lindeira.
b) Enquanto as diretrizes Guarapiranga e Itapecerica situam‐se em 80‐85% de sua extensão
nas bacias do Alto Juquiá e Guarapiranga, altamente suscetíveis a impactos ambientais, a
diretriz Ibiúna ‐ Cotia tem apenas 24% no Alto Juquiá e 41% na bacia do Alto Sorocaba, com
os restantes 35% desenvolvendo‐se na bacia do Alto Tietê, menos sensível em termos
ambientais. Isto é, os impactos de obra na região da diretriz Ibiúna ‐ Cotia ocorrem em
ambientes com menor sensibilidade ambiental.
c) As características da cobertura vegetal dos ambientes atravessados têm peso relevante na
diferenciação entre diretrizes:
− A diretriz Guarapiranga atravessa maciço expressivo de matas existente no divisor de
águas entre as bacias do Alto Juquiá e Guarapiranga. Embora grande parte dessa
travessia seja feita em túnel, trechos extensos do traçado seguem por estradas vicinais
estreitas em meio a matas, cujo alargamento para a obra afetará a vegetação, bordas de
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mata e abrirá clareiras. Além disso, o traçado relativamente próximo do ribeirão Santa
Rita afeta APP e vegetação em ambientes sensíveis.
− A diretriz Itapecerica atravessa trecho da Serra de Paranapiacaba e subsistemas locais,
com densa vegetação de matas. A concepção do traçado procurou reduzir, na medida
do possível, o impacto sobre essas florestas mediante caminhamento por pequenas
estradas vicinais que contornam alguns desses maciços, e pela passagem em túnel sob o
setor mais alto no divisor Alto Juquiá – Alto Embu Mirim.
− Diferentemente, a diretriz Ibiúna ‐ Cotia atravessa grandes extensões de
reflorestamento (nas bacias do Alto Juquiá e do Sorocabuçu) e, embora haja maciços
significativos de matas em seu caminhamento, eles são cortados ou tangenciados em
menor extensão que nas outras diretrizes, em face da maior ocupação antrópica
anterior dessas terras.
d) As diretrizes Itapecerica e Guarapiranga têm parcela comum da adutora de água tratada
que percorre ruas e avenidas do entorno do centro histórico de Embu e, após a travessia da
rodovia Raposo Tavares, segue pela Rua José Felix de Oliveira, via principal de comércio,
serviços e grandes moradias do núcleo de alta renda da Granja Viana. Em Carapicuíba, esse
traçado percorre a estrada da Fazendinha e av. Inocêncio Seráfico. Haverá afetação de
frentes de moradias e transtornos às atividades econômicas, o que deve gerar fortes
reações, pelo maior poder de reivindicação da população de renda média e alta.
Na diretriz Ibiúna ‐ Cotia, a entrada em área urbana consolidada ocorre já próxima ao
destino em Carapicuíba, reduzindo com isso as interferências urbanas.
e) A comparação dos valores absolutos dos impactos, nas três alternativas selecionadas em
cada diretriz, sem ponderação por bacia, favorece em geral à alternativa Ibiúna ‐ Cotia 2.
6.4. Escolha de Solução para a Concepção do SPSL
A alternativa Ibiúna ‐ Cotia 2 mostra desempenho superior em quase todos os fatores
analisados (Figura 6.2), em muitos casos por margem bastante significativa, sendo ela,
portanto, a alternativa de concepção selecionada para detalhamento no Projeto Básico do
SPSL.
A superioridade de uma alternativa em quase todos os fatores de decisão: menor custo, melhor
desempenho técnico‐operacional, menor impacto sócio‐ambiental, simplificou muito a análise
multicritério, pois não foi necessário realizar ponderações entre fatores dissimiles.
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69
FIGURA 6.2 - HIERARQUIZAÇÃO DAS ALTERNATIVAS
Item Composição das Alternativas ==>
AAB‐1 Santa Rita
Alvorada
AAB‐1
Alvorada
AAB‐2 Embu
Guaçu
AAB‐3
Regis
AAB‐4
Padeiros 1
AAB‐5
Padeiros 2
AAB‐6
Laranjeiras
AAB‐7
Cotia 1
AAB‐7
Cotia 2
Indicadores AAT‐1 AAT‐1 AAT‐2 AAT‐3 AAT‐3 AAT‐3 AAT‐3 AAT‐4 /1 AAT‐4 /2
ASPECTOS TÉCNICO‐OPERACIONAIS
Facilidades e Dificuldades Construtivas
Comprovação das Tecnologias Previstas
Confiabilidade
Eficiência Energética
Economicidade dos Insumos Básicos
Facil. Dificuld. Operacionais / Manutenção
Flexibilidade e Segurança Operacional
Padronização Materiais e Equipamentos
ASPECTOS ECONÔMICO‐FINANCEIROS
Investimento + VP Energia Elétrica (R$) Menor Preço
ASPECTOS SÓCIO‐AMBIENTAIS
Impacto Ambiental Geral das Obras
Impacto no Ambiente Natural
Impacto Socioeconômico
Indução à Ocupação em APRM
LEGENDA
Alternativas Mais Vantajosas
Alternativas Intermediárias
Alternativas Menos Vantajosas
1
2
3
GUARAPIRANGA IBIÚNA / COTIA
D I R E T R I Z ==>
ESTUDO DE CONCEPÇÃO ‐ SISTEMA PRODUTOR SÃO LOURENÇO
QUADRO RESUMO DE VANTAGENS E DESVANTAGENS DAS ALTERNATIVAS ESTUDADAS
ITAPECERICA
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7. DETALHAMENTO DA ALTERNATIVA SELECIONADA
Na seqüência apresenta‐se a descrição das características básicas do Sistema Produtor São
Lourenço (SPSL), tal como concebido para reversão e exploração de vazão média de até 4,7
m3
/s da bacia do Alto Juquiá para abastecimento da RMSP.
Como visto, para fins de seleção da melhor alternativa de implantação do SPSL, no cotejo entre
as 9 alternativas estudadas, consideraram‐se apenas os aspectos que as diferenciavam entre si,
deixando para definição posterior a otimização dos aspectos comuns a todas elas, tais como:
tipo de captação na represa Cachoeira do França, utilização de recalque único para a reversão
de água bruta, sistemas de proteção e controle da adução, definição do processo de
tratamento da ETA e fornecimento de energia elétrica.
A alternativa selecionada na diretriz Ibiúna ‐ Cotia foi sendo melhorada a partir do
aprofundamento do conhecimento da realidade física e ambiental da área de intervenção,
obtido principalmente pelos levantamentos topográficos, cadastrais e geotécnicos efetuados
nos serviços de campo, e dos condicionantes técnicos, operacionais e ambientais associados à
implantação e operação do empreendimento.
Dessa forma, neste capítulo são apresentados os resultados dos ajustes promovidos na
alternativa selecionada pelo Estudo de Concepção, necessários para elaboração da fase
subseqüente, relativa ao detalhamento em nível de Projeto Básico das instalações operacionais
previstas.
7.1. Sistema de Reversão de Água Bruta para a RMSP
Após a captação no reservatório Cachoeira do França, a água será bombeada pela Estação
Elevatória de Água Bruta (EEAB) para vencer o desnível da ordem de 300,0 m da Serra do
Paranapiacaba, correspondente ao divisor de águas entre as bacias hidrográficas dos rios Juquiá
e Sorocaba. No ponto alto, entre o Trecho I (recalque) e o II (gravidade) da adutora, será
implantada a estrutura de transição do tipo Chaminé de Equilíbrio de Água Bruta (CEQ‐AB) para
proteção da adutora com relação à ocorrência de pressões transitórias e facilitar a operação e
controle do sistema de reversão.
A partir da CEQ‐AB, a adutora seguirá em conduto forçado por gravidade até o Reservatório de
Compensação de Água Bruta (RCAB), a ser implantado na área da Estação de Tratamento de
Água (ETA), denominada de ETA São Lourenço. A montante do RCAB deverá ser implantada a
Estrutura de Controle de água bruta, constituída de válvulas de controle e de medidor
eletromagnético de vazão.
A extensão da adutora por recalque, entre a EEAB e a CEQ‐AB, é de aproximadamente 21,6 km,
e a extensão do conduto forçado por gravidade, da CEQ‐AB até o RCAB na área da ETA, é de
26,5 km. Ambos os trechos serão executados em tubulação de aço com Ø 2.100 mm de
diâmetro.
Diversas simulações hidráulicas foram realizadas para as configurações de recalque com um e
com dois bombeamentos em série; tanto para condições normais de operação como para
situações transitórias, admitindo‐se a parada brusca do bombeamento por queda no
fornecimento de energia elétrica aos conjuntos motobombas em operação, o que permitiu
estabelecer os parâmetros técnicos requeridos para os equipamentos e os materiais.
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71
A solução de recalque único tornou‐se vencedora quando se confirmou a existência de
fornecedor nacional de tubo de aço de alta resistência, capaz de suportar as pressões elevadas
do recalque, com custo pouco superior ao da tubulação convencional, visto que nas duas
situações as tubulações são dimensionadas para a condição de colapso estrutural e apresentam
a mesma espessura. Com isso, os custos totais das alternativas se aproximam, com grande
vantagem operacional para o bombeamento único sobre o duplo bombeamento, adotado
como premissa no Estudo de Concepção.
Em complementação, o estudo analisou os requisitos técnicos dos diferentes tipos de aços
especiais disponíveis no mercado. A escolha foi por tubos de aço que obedecem à norma
ASTM, tanto na fabricação quanto na aceitação da qualidade da solda. Esta solução assegura o
atendimento pleno das normas técnicas de segurança para as instalações projetadas de
recalque de água bruta, bem como maior disponibilidade de mão de obra especializada, maior
rapidez e menor custo nas operações de instalação e montagem da tubulação.
Outra decisão importante foi em relação ao tipo de bombas a utilizar na EEAB junto à captação:
bombas de eixo horizontal ou de eixo vertical. As bombas de eixo horizontal apresentam
menores problemas de manutenção, mas requerem mais espaço físico e implicam, portanto,
em uma obra civil da EEAB de custo maior do que com a utilização de bombas de eixo vertical.
Considerando a maior experiência com bombas de eixo horizontal, os problemas na
manutenção de bombas verticais das instalações existentes da Sabesp, a preocupação com
eventuais problemas de alinhamento do eixo das bombas de eixo vertical, com 18,0 m de
comprimento no SPSL, e a prioridade conferida à segurança do abastecimento, a escolha
técnica foi pelo uso de bombas de eixo horizontal.
Para usufruir da vantagem econômica da tarifa horo‐sazonal de energia elétrica e operar o
sistema de recalque somente fora do horário do pico, serão aduzidos 6,0 m3
/s durante cerca de
20 horas diárias. Dessa, forma, é necessária a implantação de um Reservatório de
Compensação de Água Bruta (RCAB) que regularize a vazão que alimenta a ETA, de forma que
esta opere continuamente com a vazão média de 4,7 m3
/s, correspondente à vazão autorizada
para abastecimento da RMSP.
Para efeito de descrição das características físicas, a adutora de água bruta foi dividida em dois
trechos: por recalque em alta pressão e por gravidade, em baixa pressão. Estes trechos estão
localizados, respectivamente, à montante e à jusante da Chaminé de Equilibro (CEQ‐AB),
posicionada no ponto alto da Serra de Paranapiacaba, no divisor de águas entre as bacias
hidrográficas dos rios Juquiá e Sorocaba.
A Figura 7.1 mostra o Traçado do Sistema de Adução de Água Bruta do Sistema Produtor São
Lourenço.
7.1.1. Captação e Tomada D’água
A captação proposta para o SPSL situar‐se‐á na margem direita do reservatório Cachoeira do
França, no braço do ribeirão Laranjeiras que divide os municípios de Ibiúna e Juquitiba. As
instalações das unidades de captação e tomada d’água e estação elevatória ocupam uma área
de aproximadamente 4,5 ha situada no município de Ibiúna, em terrenos pertencentes à
Editora 3 e à Companhia Brasileira de Alumínio (CBA).
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73
Várias alternativas de tomada de água no reservatório foram estudadas: (i) captação flutuante
com elevatória de baixa carga; (ii) captação tubular com elementos filtrantes do tipo “Johnson”,
com ou sem elevatória de baixa carga; e (iii) captação em canal, cuja implantação requer o uso
de ensecadeira provisória, de forma a minimizar as interferências na operação das UHEs da CBA
durante a construção. Essas alternativas foram submetidas a avaliações técnico‐operacionais,
de custo de investimento e de impacto ambiental durante o processo de seleção.
Os custos de investimento da captação flutuante e da captação tubular são similares, com
diferenças que não definem uma vantagem clara para determinada alternativa. A captação em
canal é mais cara, pelo porte das estruturas e pela construção e retirada da ensecadeira.
A segurança operacional é um fator chave, e quanto maior o número de instalações de
bombeamento e a diversidade nos equipamentos, maiores as possibilidades de ocorrência de
problemas operacionais e de manutenção. Este fator penaliza as soluções que incluem uma
elevatória de baixa carga, seja flutuante ou na margem do lago.
A captação flutuante apresenta impactos ambientais permanentes importantes, em termos de
afetação da paisagem, risco de vazamentos acidentais de óleo das bombas, e riscos de
segurança a usuários do reservatório para lazer. A captação tubular não tem esses impactos,
pois é um elemento que fica permanentemente submerso, com entrada de água por ranhuras.
A captação em canal fica em situação intermediária, com algum impacto na paisagem, mas sem
oferecer riscos de poluição ou de segurança às pessoas.
A ponderação desse conjunto de fatores determinou a escolha técnica da captação da EEAB em
canal, contendo instalações de gradeamento e de retenção de areia, alimentando, no seu final,
o poço de sucção dos conjuntos motobombas da elevatória.
Considerando a referência de nível da CBA, a estrutura da captação foi concebida considerando
as variações de nível d’água entre máximo de 640,0 e mínimo de 630,0 m, e a cota 643,0 m de
limite de desapropriação da represa Cachoeira do França. É constituída de tomada direta em
canal com três células, onde serão instaladas grades grosseiras de proteção contra materiais
afluentes, seguida por grade fina mecanizada e, em cada extremo dos canais, guias para stop‐
logs. Na seqüência, uma estrutura de transição para a caixa de areia em formato “delta”
permite alcançar os canais projetados para a retenção de areia.
Uma segunda estrutura de transição no formato trapezoidal foi concebida entre as saídas da
caixa de areia e as entradas para os canais que dão acesso aos poços de sucção das bombas, os
quais poderão ser isolados pelo acionamento de comportas.
Uma barragem provisória tipo ensecadeira deverá ser implantada dentro do reservatório, em
volta da área da captação, para permitir a construção da estrutura da tomada de água sem
interferir na geração de energia elétrica da UHE França da CBA.
Em função do porte e da complexidade da estrutura proposta, e para aferição do desempenho
operacional do poço de sucção da EEAB, será necessária a elaboração de estudo em modelo
reduzido da tomada d’água no reservatório, para instruir possíveis ajustes dessa concepção nas
fases subseqüentes de projeto.
7.1.2. Estação Elevatória de Água Bruta (EEAB)
A Estação Elevatória de Água Bruta (EEAB) foi concebida para operar durante cerca de 20 horas
diárias com uma vazão de 6,0 m3
/s para evitar operar em horário de ponta da demanda de
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74
energia elétrica, e ter como benefício o abatimento da tarifa horo‐sazonal de energia elétrica. O
início e a parada do bombeamento deverão ocorrer diariamente mediante procedimentos a
serem estabelecidos nas fases subseqüentes de projeto.
Devido às condições operacionais de pressão a que estará submetido o sistema de
bombeamento, a instalação deverá ser protegida contra ocorrências de sobre e subpressões
transitórias, causadas pela interrupção repentina dos equipamentos de recalque em operação.
Para esta proteção serão utilizados equipamentos convencionais de proteção do tipo
Reservatórios Hidropneumáticos (RHOs), constituídos de tubos de aço.
Em razão do deplecionamento de cerca de 10,0 m dos níveis operacionais no poço de sucção,
decorrente da operação da UHE França, e em decorrência do NPSH requerido da bomba
adotada, a casa de bombas deverá ser implantada enterrada com profundidade por volta de
26,0 m. A classe de pressão de toda a instalação do barrilete de recalque não deverá ser inferior
a 400 mca (40 bar).
A Subestação de Energia Elétrica que atenderá a EEAB será constituída de dois transformadores
com rebaixamento da tensão de 138 kV para 13,2 kV, ambos com potência nominal de 35 MVA.
O sistema de 13,2 kV da subestação será composto por um quadro de média tensão que
controlará a alimentação de cada uma das 5 motobombas principais e os transformadores de
serviços auxiliares, em 220 V, que alimentarão as bombas de drenagem, ponte rolante,
compressores, válvulas, comportas, quadros de iluminação e demais serviços auxiliares da
EEAB.
As características principais da EEAB são:
 Vazão total de recalque: 6,0 m³/s (20 horas/dia);
 Número de conjuntos motobombas: 5 (4+1R);
 Vazão unitária de recalque: 1,5 m³/s;
 Altura manométrica: 360,0 mca;
 Potência dos motores (unitária): 10.000 CV;
 Dispositivos de proteção: Reservatório Hidropneumáticos (RHOs);
 Número de RHOs: 4 un;
 Diâmetro dos RHOs: 3,0 m;
 Altura dos RHOs: 11,0 m;
 Volume de ar dos RHOs: 37,5 m³/un;
 Nível máximo de sucção: 640,0 m (CBA); e
 Nível mínimo de sucção: 630,0 m (CBA).
A Figura 7.2 mostra o Arranjo Geral proposto para a Captação e a Estação Elevatória de Água
Bruta (EEAB) do Sistema Produtor São Lourenço.
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76
7.1.3. Adutora de Água Bruta por Recalque – Trecho I
A partir da EEAB implantada no município de Ibiúna, o traçado proposto para a adutora de água
bruta segue 7,0 km no sentido norte por estradas internas em área de propriedade da Editora 3
e, em seguida, por vias vicinais públicas dos municípios de Ibiúna e de Juquitiba, atravessa duas
vezes o ribeirão Laranjeiras; após a primeira, entra por 5,8 km no município de Juquitiba e,
depois da segunda, o traçado retorna de novo para Ibiúna até a estrada Verava.
O traçado adotado até a estrada Verava tem cerca de 4,0 km a mais que um traçado mais
direto estudado por estradas particulares e faixas de servidão, dentro das Fazendas SAMA e
Meandros, no município de Ibiúna. Entretanto, adotou‐se o traçado por vias vicinais públicas do
município de Juquitiba para evitar interferências com a unidade de conservação RPPN existente
na Fazenda Meandros.
Continuando pela estrada Verava, o traçado alcança o alto da serra, totalizando 21,6 km. A
estrada Verava apresenta perfil íngreme e predominantemente sinuoso, com precário estado
de conservação.
Neste trecho de alta pressão, submetido a pressões máximas da ordem de 400 mca em
situações transitórias junto à EEAB, a adutora deverá ser constituída de tubos de aço de alta
resistência do tipo ASTM A1018 Gr60.
Uma estrada será implantada nos primeiros 7,0 km do traçado, no interior da fazenda da
Editora 3, para implantação da adutora e permitir o acesso viário permanente às instalações da
EEAB, a partir do sistema viário existente. Essa estrada deverá assegurar condições para o
transporte de cargas e equipamentos pesados durante a execução da obra e, posteriormente,
para a manutenção e operação das instalações.
As características principais do da adutora de água bruta por recalque são:
 Material do tubo: aço;
 Tipo de aço: ASTM A1018 Gr60;
 Diâmetro do tubo: 2.100 mm;
 Espessura da chapa: 15,8 mm; e
 Extensão da adutora: 21,6 km.
7.1.4. Chaminé de Equilíbrio de Água Bruta (CEQ‐AB)
No ponto alto entre o Trecho I (recalque) e II (gravidade) da adutora de água bruta será
implantada a estrutura de transição do tipo Chaminé de Equilíbrio (CEQ‐AB). Além de
proporcionar a adequada transição entre os regimes hidráulicos, a CEQ‐AB visa proteger a
adutora contra as pressões transitórias que podem ocorrer numa eventual parada não
programada do recalque causada pela interrupção do fornecimento de energia elétrica aos
conjuntos motobombas em operação.
A CEQ‐AB consistirá em estrutura de concreto cilíndrica sem cobertura, localizada ao lado da
estrada Verava. O ramal de conexão da CEQ‐AB com a adutora de água bruta será realizado por
meio de um ramal com o mesmo diâmetro da adutora.
O dispositivo de proteção terá ainda um volume adicional de segurança para fins de instalação
de alarmes e controles para prevenir transbordamentos.
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77
As características principais da CEQ‐AB são:
 Volume operacional: 5.400 m³;
 Forma da CEQ: cilíndrica;
 Diâmetro da CEQ: 25,0 m;
 Altura da CEQ: 11,0 m;
 Cota da base: 959,3 m;
 Nível máximo: 970,3 m;
 Diâmetro do ramal: 2.100 mm; e
 Comprimento do ramal: 10,0 m.
A Figura 7.3 mostra as características principais de implantação da Chaminé de Equilíbrio de
Água Bruta.
7.1.5. Adutora de Água Bruta por Gravidade – Trecho II
Este segundo trecho tem início na interligação da adutora de água bruta com a CEQ‐AB e
desenvolve‐se até o Reservatório de Compensação de Água Bruta (RCAB), a ser implantado na
área da ETA São Lourenço. O trecho por gravidade percorre o planalto de Ibiúna, em cotas que
variam de 870,0 a 945,0 m. Esse perfil topográfico suave do traçado impõe pressões que não
superam os 80 mca, permitindo o uso de tubulação de aço com classes de pressão
convencionais.
O traçado segue para norte pela estrada Verava, que apresenta melhores condições para
assentamento da adutora de água bruta, e passa por dois pequenos núcleos rurais: bairro dos
Paulos e bairro Verava. No percurso, atravessa áreas com atividade de reflorestamento e
tráfego de caminhões. A adutora adentra a av. Nossa Senhora do Carmo e passa pelo núcleo
rural Carmo Messias. Depois segue por trechos da estrada da Campininha e da estrada Santana,
passando pelo bairro da Campininha.
Após entrar no município de Cotia, segue pela estrada Santana e pela estrada Nhanduca; a
ocupação é predominantemente rural, com chácaras e cultivos de hortaliças. Em seguida, segue
pela estrada que passa pelo bairro Água Espraiada e, em seguida, pela estrada dos Pereiras, por
onde segue até a ETA São Lourenço.
As características principais da adutora de água bruta por gravidade são:
 Material do tubo: aço;
 Tipo de aço: ASTM A283 GrD;
 Diâmetro do tubo: 2.100 mm;
 Espessura da chapa: 15,8 mm; e
 Extensão da adutora: 26,5 Km.
A Figura 7.4 mostra o Perfil da Adutora de Água Bruta e Linhas Piezométricas do Sistema
Produtor São Lourenço.
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80
7.1.6. Reservatório de Compensação de Água Bruta (RCAB)
O Reservatório de Compensação de Água Bruta (RCAB) será implantado na parte mais elevada
do terreno da ETA, para alimenta‐la por gravidade. A finalidade do RCAB será permitir que a
reversão de 6,0 m3
/s, durante cerca de 20 horas diárias, seja regularizada de forma contínua
para tratamento, durante 24 horas diárias, com a vazão média de 4,7 m3
/s, aproveitando assim
os benefícios da tarifa horo‐sazonal de energia elétrica no bombeamento de água bruta.
O volume útil total deste reservatório será da ordem de 86.000 m3
, resultante da parada do
bombeamento por um período em torno de 4 horas diárias. O RCAB não terá laje de cobertura
e disporá de um volume adicional de segurança para fins de instalação de alarmes e controles
para prevenir transbordamentos.
As características principais do RCAB são:
 Volume total: 86.000 m³;
 Formato: retangular
 Número de câmaras: 4 un;
 Dimensões de cada câmara: 31,0 x 65,0 x 12,5 m;
 Lâmina d’água: 11,0 m;
 Nível máximo: 934,0 m; e
 Nível mínimo: 923,0 m.
Uma Estrutura de Controle de pressão e de vazão deverá ser implantada à jusante do trecho
por gravidade, a montante do RCAB na área da ETA, para manutenção do regime operacional
do sistema de adução de água bruta e para proteção da adutora com relação à ocorrência de
pressões transitórias. Essa estrutura possibilitará o ajuste de vazão em função das regras
operacionais em cada período considerado e impedirá o esvaziamento do trecho da adutora
por gravidade com o fechamento das válvulas de controle, por ocasião da interrupção do
bombeamento.
O controle de vazões será efetuado por 4 válvulas com diâmetro de 900 mm. Para facilitar a
operação da reversão, o número de válvulas em operação deverá ser associado, via sistema de
supervisão e controle, ao número de bombas acionadas na EEAB.
O medidor de vazão será do tipo eletromagnético com 2.100 mm de diâmetro.
A Figura 7.5 mostra o Reservatório de Compensação de Água Bruta (RCAB) junto à Estação de
Tratamento de Água (ETA) e à Estação Elevatória de Água Tratada (EEAT).
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7.2. Estação de Tratamento de Água – ETA
A ETA São Lourenço foi concebida e dimensionada para constituir uma unidade de tratamento
convencional de ciclo completo com capacidade para tratar uma vazão média de cerca de 5,0
m3
/s e uma vazão máxima diária de 6,0 m³/s. A ETA será implantada no distrito de Caucaia do
Alto, no município de Cotia, em área antropizada situada na margem esquerda da estrada dos
Pereiras, distando aproximadamente 2,0 km da estrada de Caucaia.
Conforme mostrado na Figura 7.5, o Reservatório de Compensação de Água Bruta (RCAB), a
Estação de Tratamento de Água (ETA) e a Estação Elevatória de Água Tratada (EEAT) estão
inseridos em um terreno de cerca de 28 ha, pertencente a dois proprietários particulares.
A ETA foi projetada para ser constituída das seguintes unidades principais:
Fase Líquida
 Câmara de chegada e de pré‐oxidação;
 Calha Parshall: mistura rápida hidráulica com controle de ressalto hidráulico;
 Estrutura de repartição de água coagulada (caixa com oito vertedores);
 Oito módulos de floculação hidráulico/mecânica (três floculadores por módulo e quatro
compartimentos por floculador);
 Oito módulos de decantação lamelar (seis distribuidores de água floculada por módulo e
quatro bombas de sucção de lodo concentrado em covas por módulo);
 Duas câmaras de cloração intermediária (uma em cada canal de decantado);
 Vinte e quatro filtros de camada dupla com areia e antracito para operação sob regime de
taxas declinantes variáveis, lavagem principal a partir de reservatório específico e auxiliar,
por ar; e
 Dois módulos de tanque de contato para desinfecção final.
Fase Sólida
 Tanque para recuperação de água de lavagem dos filtros;
 Tanque de lodo concentrado;
 Prédio de desaguamento de lodo: adensadores mecânicos, centrífugas decantadoras e
sistemas automáticos de dissolução (tanques sobrepostos) e dosagem de polímeros; e
 Área de 1,0 ha para secagem complementar da torta de lodo por processo natural.
Produtos Químicos
 Áreas para armazenagem; preparo e dosagens de produtos químicos.
Edificações
 Completa a ocupação uma área equivalente a 1,5 ha, reservada para instalação de
edificações para portaria, administração, edifício de controle, laboratório, auditório, oficinas
e vestiários.
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7.3. Sistema de Adução de Água Tratada
O Sistema de Adução de Água Tratada da alternativa selecionada na diretriz Ibiúna – Cotia, foi
idealizado inicialmente no Estudo de Concepção junto com a Estação Elevatória de Água
Tratada (EEAT), a ser implantada na área da ETA, recalcando diretamente até o Reservatório de
Compensação Granja Carolina (RCGC), localizado cerca de 14,0 km de distância da EEAT.
O levantamento planialtimétrico efetuado posteriormente, para fins de detalhamento da
alternativa selecionada, mostrou a ocorrência de alguns pontos altos no perfil da Alça Principal
de adução, que superariam a linha piezométrica em determinadas situações operacionais. A
solução adotada consistiu em implantar uma Chaminé de Equilíbrio de Água Tratada (CEQ‐AT)
em ponto alto junto à estrada de Caucaia, cerca de 3,0 km de distância da EEAT, no divisor de
águas entre as bacias hidrográficas dos rios Sorocaba e do Alto Tietê, com adução por gravidade
no restante da adutora de água tratada. Mesmo com a implantação da CEQ‐AT houve a
necessidade de manutenção do túnel a ser executado no maciço rochoso, situado após a
travessia da rodovia Raposo Tavares, para vencer o divisor de águas entre os rios Cotia e São
João do Barueri.
A inclusão da CEQ‐AT permitiu eliminar o problema de insuficiência de nível piezométrico e
reduzir a extensão da linha de recalque, facilitando o controle operacional do sistema de
recalque e minimizando a ocorrência de pressões transitórias em caso de parada repentina do
bombeamento por falha no suprimento de energia elétrica aos conjuntos motobombas em
operação.
A localização da CEQ‐AT também permite uma solução operacionalmente mais simples para a
derivação para os reservatórios setoriais de Caucaia do Alto e de Vargem Grande Paulista, uma
vez que as estações elevatórias para esses setores podem ser implantadas na área da CEQ‐AT
com sucção d’água na própria chaminé.
Dessa forma, o Sistema de Adução de Água Tratada do SPSL será constituído das seguintes
instalações principais:
 Estação Elevatória de Água Tratada (EEAT) e Subestação de Energia Elétrica na área da ETA;
 Alça Principal da adutora de água tratada, com aproximadamente 30,7 km de extensão e
diâmetros de 2.100, 1.800, 1.500 e 1.200 mm; decrescentes à medida que são feitas, ao
longo do caminho, as diversas conexões com o Sistema Integrado Metropolitano – SIM,
existente;
 Chaminé de Equilíbrio de Água Tratada (CEQ‐AT);
 Reservatório de Compensação Granja Carolina (RCGC);
 Estações Elevatórias e/ou “Boosters” de Vargem Grande Paulista, Caucaia do Alto e Atalaia;
 Subadutoras com aproximadamente 14,3 km de extensão total e diâmetros de 800 mm;
 Estruturas de Dissipação de Energia; e
 Estruturas de Controle de Vazão e de Pressão nos reservatórios setoriais.
O Sistema de Adução de Água Tratada do SPSL atravessará os municípios de Cotia, Vargem
Grande Paulista, Itapevi, Jandira, Barueri, Carapicuíba e Santana de Parnaíba, conforme mostra
a Figura 7.6.
SISTEMA PRODUTOR SÃO LOURENÇO sabesp
85
7.3.1. Estação Elevatória de Água Tratada – EEAT
A Estação Elevatória de Água Tratada (EEAT) foi concebida com tomada d’água em poço de
sucção, implantado ao lado do tanque de contato da ETA, por intermédio de uma tubulação de
aço que alimenta o barrilete de sucção das bombas, com diâmetro 2.100 mm e 86,0 m de
extensão.
Serão utilizadas bombas de eixo horizontal bipartidas, sendo que dois conjuntos motobombas
serão dotados de inversores de freqüência para possibilitar o ajuste da vazão de recalque com a
tratada, economia de energia elétrica e flexibilidade operacional do sistema de recalque.
As características principais da EEAT são:
 Vazão Total de recalque: 6,0 m³/s;
 Número de conjuntos motobombas: 5 (4 + 1R);
 Vazão de recalque (unitária): 1,5 m³/s;
 Altura manométrica: 32,0 mca; e
 Potência dos motores (unitária): 900 CV.
A Subestação Principal de Energia Elétrica que atenderá a ETA e a EEAT será constituída de dois
transformadores de 88/138 kV para 13,2 kV, ambos com potência nominal de 6 MVA. A saída
em 13,2 kV alimentará a subestação da EEAT e duas subestações da ETA.
7.3.2. Adução de Água Tratada – Alça Principal
O traçado da Alça Principal do SPSL, entrando na zona conurbada da RMSP no sentido oeste‐
sudoeste, permite atender os reservatórios da sua área de influência mediante conexões com
linhas de adução existentes, ou mediante subadutoras novas de curta extensão. A subadutora
Gênesis é a única linha nova mais longa, com cerca de 10,0 km de extensão, pois ela amplia a
abrangência espacial do Sistema Integrado Metropolitano (SIM), ao incorporar ao SIM a porção
do município de Santana de Parnaíba situada ao norte do rio Tietê, hoje atendida por sistemas
isolados.
A partir do RCGC, implantado nos limites do município de Cotia, o relevo do traçado
selecionado para a Alça Principal apresenta decréscimos acentuados na topografia, impondo
em função do elevado nível piezométrico do RCGC (NA médio = 924,0 m) pressões elevadas
para a área de influência do SPSL.
Para a interligação Alça Principal do SPSL com as tubulações existentes do SIM, adotou‐se como
premissa básica a manutenção da mesma faixa de pressão a que elas são submetidas
atualmente no abastecimento efetuado por outros Sistemas Produtores.
Para tanto, foi necessária a implantação de duas Estruturas de Dissipação de Energia antes de
duas interligações com o sistema existente: a primeira na derivação para Itapevi, Jandira e
Barueri Centro, antes da interligação com a adutora proveniente da ETA Baixo Cotia; e a
segunda, próxima do final da Alça Principal de adução do SPSL, antes da interligação com a
subadutora existente Carapicuíba – Tamboré, pertencente à Alça Oeste do Sistema Produtor
Cantareira.
A Alça Principal de adução do SPSL é constituída pelos seguintes trechos principais:
SISTEMA PRODUTOR SÃO LOURENÇO sabesp
86
Trecho I: A adutora deste trecho, com uma extensão de 5,3 km e diâmetro 2100 mm, pode ser
operacionalmente dividida em dois subtrechos:
 Trecho por recalque, com extensão de 3,1 km e 2.100 mm de diâmetro, da EEAT até a
Chaminé de Equilíbrio (CEQ‐AT); e
 Trecho por gravidade, com extensão 2,2 km e 2.100 mm de diâmetro, da CEQ‐AT até a
interligação com o Sistema Produtor Alto Cotia.
Trecho II: Este trecho compreende a extensão da Alça Principal de adução, situada entre as
interligações com as adutoras existentes dos Sistemas Produtores Alto e Baixo Cotia, passando
pelo Reservatório de Compensação Granja Carolina e percorrendo uma extensão total da
ordem de 20,4 km com diâmetro de 1800 mm.
Trecho III: Compreende ao trecho final da Alça Principal do SPSL, situado entre as interligações
com as adutoras existentes dos Sistemas Produtores Baixo Cotia e Cantareira, percorrendo um
total de 5,0 km com dois diâmetros diferentes:
 Extensão de 2,7 km e 1.500 mm de diâmetro até a derivação da subadutora projetada para
o futuro Setor de Abastecimento Gênesis; e
 Extensão de 2,3 km e 1.200 mm de diâmetro, da derivação da subadutora Gênesis até a
interligação com a subadutora existente Carapicuíba ‐ Tamboré;
A Alça Principal de adução do SPSL será constituída de tubulações de aço, do tipo ASTM A283
GrD, com espessuras variadas.
A Figura 7.7 mostra o Perfil da Alça Principal da Adutora de Água Tratada e suas Linhas
Piezométricas.
SISTEMA PRODUTOR SÃO LOURENÇO sabesp
88
7.3.3. Chaminé de Equilíbrio de Água Tratada (CEQ‐AT)
A Chaminé de Equilíbrio de Água Tratada (CEQ‐AT) foi dimensionada para o controle das
pressões transitórias decorrentes da parada repentina do bombeamento da EEAT, servir de
poço de sucção para as Estações Elevatórias de Caucaia do Alto e de Vargem Grande Paulista, e
proporcionar condições operacionais adequadas para aduzir, por gravidade, a vazão
demandada pela área de influência do SPSL.
A CEQ‐AT será implantada em terreno adjacente à Estrada de Caucaia e consistirá em estrutura
de concreto armado coberta. As tubulações de entrada e saída serão independentes, forçando
a recirculação da água tratada no seu interior para manutenção da sua potabilidade, e terão a
sua geratriz inferior no mesmo nível da laje de fundo do dispositivo de proteção.
A chaminé terá ainda um volume adicional de segurança para fins de instalação de alarmes e
controles para prevenir transbordamentos. Uma canaleta em volta da estrutura cilíndrica
coletará a água de eventual transbordamento e a conduzirá mediante canal de concreto e
depois tubulação de drenagem para descarga em córrego existente.
As características principais da CEQ‐AT são:
 Volume operacional: 5.100 m³;
 Formato da CEQ: cilíndrica;
 Diâmetro da CEQ: 24,0 m;
 Altura da CEQ: 16,3 m;
 Cota da base: 930,7 m; e
 Nível máximo: 942,0 m.
A Figura 7.8 mostra as características principais de implantação da Chaminé de Equilíbrio de
Água Tratada.
SISTEMA PRODUTOR SÃO LOURENÇO sabesp
90
7.3.4. Reservatório de Compensação Granja Carolina (RCGC)
O Reservatório de Compensação de Água Tratada Granja Carolina (RCGC) será implantado em
área do Condomínio Granja Carolina – Reserva Cotia, pertencente à ALPHAVILLE Urbanismo SA,
à margem de estrada projetada para acesso, a partir da estrada do Pau Furado no município de
Cotia.
O RCGC terá por finalidades: (i) suprir as flutuações diárias do Sistema de Adução de Água
Tratada do SPSL; (ii) evitar a separação da coluna líquida no local de implantação e limitar as
pressões a jusante em situações transitórias; (iii) garantir o abastecimento durante paralisações
não programadas do bombeamento de água tratada por um período em torno de uma hora; e
(iv) atender futuramente a um novo Setor de Abastecimento, abrangendo áreas adjacentes dos
municípios de Cotia e Itapevi.
As características principais do RCGC são:
 Volume total: 30.000 m³;
 Material: concreto armado;
 Formato: retangular
 Número de câmaras: 3 un;
 Dimensões de cada câmara: 28,0 x 36,0 x 11,5 m;
 Lâmina d’água: 10,0 m;
 Nível máximo: 924,0 m; e
 Nível mínimo: 914,0 m.
O volume de reservação estipulado é composto de duas parcelas: a primeira com 20.000 m3
tem a função de atender a flutuação diária de consumo do sistema de adução do SPSL; e a
segunda, com 10.000 m3
, suprirá as demandas de um novo Setor de Abastecimento para
atendimento de partes dos municípios de Cotia e Itapevi, que atualmente apresentam
situações precárias de abastecimento.
A Figura 7.9 mostra as características principais de implantação do Reservatório de
Compensação de Água Tratada Granja Carolina (RCGC).
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92
7.3.5. Reservatório Gênesis
Santana de Parnaíba é o município da UN Oeste com o maior número de sistemas isolados de
abastecimento de água, nove ao todo. Existem também áreas do município abastecidas
diretamente pelo Sistema Integrado Metropolitano (SIM), por intermédio de prolongamentos
de redes de distribuição dos setores Barueri e Tamboré.
O reservatório Gênesis a ser implantado com capacidade de 10.000 m3
no condomínio
existente de mesmo nome, possibilitará a criação de um novo Setor de Abastecimento que
atenderá, por intermédio de uma ressetorização, todos os sistemas isolados e demais áreas do
SIM pertencentes ao município de Santana de Parnaíba.
As características principais do reservatório Gênesis são:
 Volume Total: 10.000 m3
;
 Formato: cilíndrico;
 Diâmetro: 40,0 m;
 Altura: 8,0 m;
 Cota da base: 846,0 m; e
 Nível máximo: 854,0 m.
A Figura 7.10 mostra as características principais de implantação do Reservatório Gênesis.
7.3.6. Adução de Água Tratada – Interligação com o SIM
A interligação do Sistema Produtor São Lourenço (SPSL) com a malha do Sistema Integrado
Metropolitano (SIM) ocorrerá por intermédio de várias derivações ao longo do caminho da Alça
Principal da adução água tratada, as quais atenderão Setores de Abastecimento do extremo
oeste da RMSP que hoje apresentam sérias deficiências de abastecimento.
Além de regularizar o abastecimento dentro da sua área de influência, o SPSL possibilitará
alterar as configurações atuais de outros Sistemas Produtores existentes, permitindo
redirecionar o abastecimento e beneficiar indiretamente áreas que também já acusam
indicadores de desabastecimento, quais sejam:
 O abastecimento dos setores Caucaia do Alto, Atalaia e Vargem Grande Paulista pelo SPSL,
aliviará o Sistema Produtor Alto Cotia e permitirá redirecionar mais água para o
abastecimento de Itapecerica da Serra, Embu e Embu Guaçu; e
 O abastecimento de Carapicuíba, Barueri Tamboré, Barueri Jardim Tupã e Santana de
Parnaíba pelo SPSL, aliviará o Sistema Produtor Cantareira e permitirá adequar o
abastecimento do extremo norte, via Estação Elevatória Jardim Damasceno.
Outro benefício associado à entrada em operação do SPSL será decorrente da sua interligação
com o Sistema Produtor Baixo Cotia, que permitirá atender parcialmente ou totalmente os
setores Barueri Centro, Jandira e Itapevi, atualmente abastecidos pela ETA Baixo Cotia. Esta
interligação, além de eliminar as intermitências do abastecimento desses setores, possibilitará
a parada da ETA Baixo Cotia para eventuais obras de melhoria do processo de tratamento
existente, adequando‐o ao nível de degradação constatado atualmente na qualidade da água
bruta do rio Cotia.
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94
As modificações decorrentes da implantação do SPSL e características principais da adução de
água tratada aos Setores de Abastecimento constituintes da área de influência são:
Abastecimento dos Setores Caucaia do Alto (Cotia) e Vargem Grande Paulista:
Os Setores de Abastecimento Caucaia do Alto, no município de Cotia, e Vargem Grande Paulista
são atualmente abastecidos pelo Sistema Produtor Alto Cotia, mediante adutora existente na
estrada das Mulatas e que bifurca em duas subadutoras que seguem em sentidos opostos pela
estrada de Caucaia em direção aos reservatórios setoriais existentes. Esses reservatórios estão
em cotas elevadas: Caucaia do Alto com nível 973,7 m e Vargem Grande Paulista com nível
942,5 m.
Com a implantação da CEQ‐AT do SPSL em ponto alto na estrada de Caucaia, cerca de 2.200 m a
montante da bifurcação das referidas subadutoras, o abastecimento desses setores será
realizado a partir dos seguintes procedimentos: (i) bloqueio da conexão com as adutoras
provenientes do Sistema Produtor Alto Cotia; (ii) implantação de Estações Elevatórias
independentes para cada reservatório; e (iii) interligação das subadutoras existentes e
projetadas com a Alça Principal do SPSL.
As duas elevatórias serão implantadas na área operacional da CEQ‐AT e terão um sistema
comum de sucção a partir da base da chaminé, por intermédio de uma tubulação de diâmetro
600 mm em Fo
Fo
. A concepção proposta para essas elevatórias apresenta as seguintes
características principais:
EEAT Caucaia do Alto:
 Vazão de recalque: 95,0 l/s;
 Altura manométrica: 78,0 mca;
 Número de conjuntos: 2 (1 + 1R); e
 Potência dos motores (unitária): 150 CV.
EEAT Vargem Grande Paulista:
 Vazão de recalque: 188,0 l/s;
 Altura manométrica: 59,0 mca;
 Número de conjuntos: 3 (2 + 1R); e
 Potência dos motores (unitária): 100 CV.
Abastecimento do Setor Atalaia (Cotia):
O Setor de Abastecimento Atalaia, no município de Cotia, é hoje precariamente atendido pelo
Sistema Produtor Alto Cotia, mediante longa adutora com um bombeamento intermediário. O
reservatório setorial encontra‐se no nível 934,8 m.
O estudo indicou a conveniência de implantar uma nova subadutora, derivando da Alça
Principal do SPSL na altura do desemboque do túnel a ser executado após a rodovia Raposo
Tavares, percorrendo uma extensão de 2,3 km com diâmetro 800 mm em aço. Nas
proximidades do reservatório será necessária a implantação de um “Booster” para
complementação do nível piezométrico.
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95
Booster Cotia Atalaia:
 Número de bombas: 1+1R;
 Vazão por bomba: 420 l/s;
 Altura manométrica total: 25 mca;
 Potência do motor: 220 CV.
O diâmetro da subadutora a montante do “Booster” proposto para o setor Atalaia, foi
dimensionado para o atendimento futuro do setor Cotia Centro por gravidade, o que
possibilitará aliviar ainda mais o Sistema Alto Cotia e liberar a sua produção para outras áreas
com problemas de abastecimento.
Abastecimento do Setor Mirante (Jandira)
O suprimento do Setor de Abastecimento Mirante, no município de Jandira, será realizado por
gravidade, a partir do Reservatório de Compensação Granja Carolina (RCGC), mediante
implantação de subadutora em aço, com 0,8 km de extensão e 800 mm de diâmetro. O sistema
atual de abastecimento pela ETA Baixo Cotia, com bombeamento a partir do reservatório
Jandira, será desativado.
Em função da pequena extensão da subadutora e a disponibilidade de água do SPSL com nível
piezométrico adequado para o abastecimento de grande parte do município, decidiu‐se adotar
uma folga no dimensionamento para suportar acréscimos futuros de vazão. Além destes
aspectos, a fixação do diâmetro em 800 mm permitiu uniformizar o fornecimento de tubos por
ocasião da execução da obra e eliminar os blocos de ancoragem que seriam necessários caso se
utilizassem tubulações de ferro fundido.
Abastecimento do Setor Jardim Tupã (Barueri)
O Setor de Abastecimento Jardim Tupã, no município de Barueri, terá o atendimento por
gravidade a partir do RCGC mediante implantação de uma nova subadutora em aço, com 1,0
km de extensão e 800 mm de diâmetro, que deriva Alça Principal do SPSL nas proximidades da
ETA Baixo Cotia. O sistema atual de abastecimento a partir do “Booster” Baixo Cotia será
desativado.
Abastecimento dos Setores Itapevi, Jandira e Barueri Centro
Os Setores de Abastecimento Itapevi, Jandira e Barueri Centro são atualmente abastecidos por
intermédio de uma Estação Elevatória existente na área da ETA Baixo Cotia. A adutora de
recalque foi implantada no início da década de 1960, em ferro fundido e diâmetro inicial de
1.100 mm; posteriormente alguns trechos foram remanejados em aço.
Na configuração prevista para implantação do Sistema de Adução de Água Tratada do SPSL,
será realizada uma interligação dessa adutora existente com uma derivação da Alça Principal da
adutora, nas proximidades da ETA Baixo Cotia, permitindo flexibilidade operacional para
atender totalmente ou parcialmente esses setores por intermédio da ETA São Lourenço.
Em face da idade de implantação do Sistema Baixo Cotia, uma Estrutura de Dissipação de
Energia será implantada na derivação do SPSL, à montante da interligação, para adequar os
níveis piezométricos dos dois sistemas, e não submeter às adutoras existentes a pressões
superiores àquelas que hoje operam.
SISTEMA PRODUTOR SÃO LOURENÇO sabesp
96
Abastecimento do Setor Gênesis (Santana de Parnaíba)
A região do município de Santana de Parnaíba ao norte do rio Tietê é atualmente atendida por
sistemas isolados de abastecimento de água ou, ainda, por prolongamentos de rede de
distribuição do Setor de Abastecimento Tamboré, pertencente ao município de Barueri. A
concepção do Sistema Produtor São Lourenço (SPSL) considerou a diretriz de implantar um
novo setor nessa região, denominado de Setor de Abastecimento Gênesis, integrando‐o ao SIM
e com abastecimento por gravidade a partir do RCGC.
A solução adotada foi implantar uma derivação da Alça Principal do SPSL nas proximidades da
ETE Barueri, tão logo a adutora se aproxima do rio Tietê, permitindo aproveitar o elevado nível
piezométrico do sistema de adução para abastecer o reservatório Gênesis por gravidade. A
nova subadutora será executada com tubos de aço, com 10,1 km de extensão e 800 mm de
diâmetro.
Abastecimento do Setor Tamboré (Barueri)
O Setor de Abastecimento Tamboré atende grande parte do município de Barueri e encontra‐se
no extremo oeste do SIM, sendo atualmente abastecido pelo Sistema Produtor Cantareira, via
“Booster” Jaguara e da subadutora Carapicuíba ‐ Tamboré. Esta subadutora é constituída de
tubos de ferro fundido, com ponta e bolsa, e 1200 mm de diâmetro.
A alteração do abastecimento deverá ser realizada interligando a Alça Principal do SPSL, de
diâmetro 1200 mm, com a adutora existente. Para não superar os esforços utilizados no
dimensionamento dos blocos de ancoragem da subadutora existente, deverá ser implantada, a
montante da interligação, uma Estrutura de Dissipação de Energia para redução pressão do
novo sistema produtor.
Abastecimento dos Setores Centro, COHAB e Vila Dirce (Carapicuíba)
Os três Setores de Abastecimento do município de Carapicuíba deverão ser atendidos pela
mesma interligação da Alça Principal do SPSL efetuada para suprir o setor Tamboré de Barueri,
por intermédio da reversão de fluxo na subadutora Carapicuíba – Tamboré.
Em função da redução de pressão do SPSL, decorrente da limitação de esforços da subadutora
existente, deverá ser mantida a Estação Elevatória existente que atualmente recalca as
demandas do Setor de Abastecimento Vila Dirce.
7.4. Fornecimento de Energia Elétrica
Estudos de alternativas de acesso ao Sistema Interligado de Energia Elétrica em Alta Tensão,
para suprimento das unidades consumidoras do SPSL, foram desenvolvidos para a alternativa
Ibiúna ‐ Cotia selecionada. As cargas estão concentradas na EEAB e, em menor magnitude, na
ETA / EEAT.
Os estudos realizados para fins de ilustração e encaminhamento das licenças ambientais,
considerando os fatores que mais influenciam o custo do suprimento elétrico, indicam que a
solução técnica mais provável deva ser constituída das seguintes intervenções:
 Alimentação da Captação e EEAB por linha de transmissão (LT) em 138 kV, em circuito
duplo, a partir da subestação Embu Guaçu da CTEEP;
SISTEMA PRODUTOR SÃO LOURENÇO sabesp
97
 Alimentação da ETA e EEAT pela rede da AES ELETROPAULO em Cotia, mediante linha de 88
kV, com algum eventual reforço da sua malha de transmissão;
 Entrega da energia elétrica pela concessionária de energia nas instalações da Captação /
EEAB e da ETA / EEAT, em 138 kV; e
 Compra da energia elétrica pela Sabesp na condição de consumidor cativo.
Nesse modelo, as concessionárias de energia elétrica serão as entidades responsáveis pelo
projeto, aprovação, licenciamento ambiental, construção, operação e manutenção das Linhas
de Transmissão ‐ LTs.
Embora a decisão quanto às características técnicas e ao traçado das LTs que alimentarão o
SPSL não caiba à Sabesp, um traçado referencial da LT que alimentará a EEAB teve que ser
desenvolvido a fim de avaliar o impacto e a viabilidade ambiental do empreendimento, uma vez
que o licenciamento ambiental prévio do SPSL inclui o sistema de alimentação elétrica.
O estudo adotou parâmetros típicos de LT em torre, em 138 kV, circuito duplo, de acordo com
parâmetros de projeto fornecidos pela CPFL. O traçado tem início na subestação Embu Guaçu
da CTEEP e termina na área da captação, percorrendo, em linha reta, em torno de 37,5 km.
O enfoque do estudo foi predominantemente ambiental, no sentido de buscar diretrizes de
traçado que se afastem pouco de um alinhamento retilíneo, mas que minimizem a supressão
de vegetação arbórea e a abertura de clareiras, pois o trecho atravessado contém vegetação
natural bastante conservada. Esta questão é central para o licenciamento ambiental, pois se
estima que o impacto ambiental desta LT seja superior que o impacto de todo o circuito
hidráulico do SPSL.
SISTEMA PRODUTOR SÃO LOURENÇO sabesp
98
PARTICIPAÇÃO
COMPANHIA DE SANEAMENTO BÁSICO DO ESTADO DE SÃO PAULO – SABESP
Marcelo Salles Holanda Freitas Diretor T
Silvio Leifert Superintendente TE
Antônio Sérgio da Cunha Guasco Coordenador Geral TEC
José Lavrador Filho Coordenador TEC
João Luis Bertagna Coordenador TEC
Priscila Pantaleoni Mariaca Coordenador TEC
Domingos Palopoli Bonadie Coordenador TEC
Ciro Sakai Coordenador TEC
Silvio Renato Siqueira Engenheiro TAH
Fátima Valéria Carvalho Engenheira M/Ass
Cristina Knorich Zuffo Engenheira TXP
Sheila Gozzo Camera Química MATC
Edilson Pereira Silva Químico MATC
Angelino Aniello Saullo Engenheiro MATV
Ana Maria Kairalla Química MATV
Fabiana Rorato de L. Prado Engenheira PIT
Maria Regina Ferraz de Campos Engenheira PIT
Gisele Alessandra Nunes da C. Abreu Engenheira TOG
Fábio Rodrigues Tecnólogo TOG
Ligia Marinho Bióloga TOQ
Marcia Moribe Química MPO
José Francisco Proença Engenheiro MM
Marcos Rogério Araujo Engenheiro MME
Marcos Almir de Oliveira Geógrafo MPD
Sergio Luz Tecnólogo TGT
Adilson Menegatte Mello Campo Tecnólogo CSQ
SISTEMA PRODUTOR SÃO LOURENÇO sabesp
99
ENCIBRA S.A. ESTUDOS E PROJETOS DE ENGENHARIA
DIRETORIA
Faustino Miguel López Diretor Presidente
Russell George Ludwig Diretor Vice‐Presidente Executivo
Russell Rudolf Ludwig Diretor de Planejamento
Alexandre Miguel López Diretor Comercial
Rogers Baladi Rufino Pereira Diretor de Engenharia Sanitária e Ambiental
Eduardo Pericle Colzi Diretor de Engenharia de Energia
Alexandre Miguel López Diretor de Engenharia de Transportes
EQUIPE TÉCNICA
Eduardo Pericle Colzi Coordenador Geral
Newton Pimentel Coordenador
Carlos Augusto Menezes Coordenador
Rondon Salazar Resende Coordenador
Antonio Roberto Gonçalves Lopes Coordenador
Rogers Baladi Rufino Pereira Coordenador
Sérgio Luís de Abreu Coordenador
Almir Ferreira da Silva Projetista
Cristiane Nunes Martins Santos Engenheira Civil
Edmundo Koelle Consultor Hidráulica
Eduardo da Silva Araujo Engenheiro Civil
Fabiana Fernandes Konig Engenheira Ambiental
Franz Bessa da Silva Engenheiro Civil
Frederico de Almeida Lage Filho Consultor de Estudos de Tratabilidade
Ilana Noronha Lopes Engenheira Ambiental
Jamil El Achkar Engenheiro Civil
Jorge de Almeida Francisco Projetista
SISTEMA PRODUTOR SÃO LOURENÇO sabesp
100
Jorge Kushima Designer
Luciano Alberto Miranda Diaz Engenheiro Civil
Luis Vill Garcia (in memoriam) Consultor de Hidrologia
Luiz Henrique Oriani Engenheiro Sanitarista
Micheli Ribeiro dos Santos Tecnóloga
Patricia Gonçalves Costa Arquiteta
Rafael Hinnah Engenheiro Sanitarista
Renan Caratti Alves Engenheiro Químico
Ricardo Ribeiro da Silva (in memoriam) Engenheiro Civil
Sergio Roberto Carvalho de Souza Consultor Tratamento de Água
Sidney Seckler Ferreira Filho Consultor de Estudos de Tratabilidade
Toshiaki Hori Projetista
Vagner Almeida Lima Engenheiro Civil
Víctor E. León B. de Camargo Consultor Geotécnico
PRIME ENGENHARIA LTDA
Guillermo Raul Fernandes d’Oliveira Coordenação
Marta Arantes Godoy Ambiente Natural
Vera Lúcia Dominguez Pastorelo Socioeconomia
Rogério Peter de Camargo Geoprocessamento
Jansen Furuta Geoprocessamento
Alexandre Pittini Uso do Solo e Produtos Gráficos
SECRETARIA ESTADUAL DE SANEAMENTO E
RECURSOS HÍDRICOS

estudo_concepção_SPSL.pdf

  • 1.
    Estudo de Concepção SistemaProdutor São Lourenço - Relatório Síntese - São Paulo, 2011 SECRETARIA ESTADUAL DE SANEAMENTO E RECURSOS HÍDRICOS
  • 2.
    sabesp ESTUDO DE CONCEPÇÃO SISTEMAPRODUTOR SÃO LOURENÇO Relatório Síntese São Paulo, 2011 Diretoria de Tecnologia, Empreendimentos e Meio Ambiente – T Superintendência de Gestão de Empreendimentos – TE Departamento de Concepção e Modelagem de Empreendimentos ‐ TEC
  • 3.
    sabesp GOVERNO DO ESTADODE SÃO PAULO Geraldo Alckmin Governador SECRETARIA ESTADUAL DE SANEAMENTO E RECURSOS HIDRICOS Edson Giriboni Secretario COMPANHIA DE SANEAMENTO BÁSICO DO ESTADO DE SÃO PAULO ‐ SABESP Dilma Pena Presidente Marcelo Salles Holanda de Freitas Diretor de Tecnologia, Empreendimentos e Meio Ambiente Manuelito Pereira Magalhães Junior Diretor de Gestão Corporativa Paulo Massato Yoshimoto Diretor Metropolitano Rui de Brito Alvares Affonso Diretor Econômico‐Financeiro e de Relações com Investidores Luis Paulo de Almeida Neto Diretor de Sistemas Regionais
  • 4.
    sabesp APRESENTAÇÃO A tarefa demanter e expandir o abastecimento de água da Região Metropolitana de São Paulo vem desafiando planejadores, construtores e operadores há várias décadas. Suas proporções gigantescas geram também demandas de água superiores à capacidade da região onde se insere, levando à busca de fontes cada vez mais distantes. Como principal responsável pelos serviços de fornecimento de água na RMSP, cabe à Sabesp operar e manter todo o formidável sistema existente de captações, tubulações e estações de tratamento e bombeamento de água. Além disto, a empresa tem papel central na expansão da produção de água para garantir a universalização da oferta de água às atividades da metrópole, em regime de fornecimento constante, 24 horas por dia. Diversas gerações de engenheiros da Sabesp dedicaram‐se à tarefa de planejar e implantar, ao longo de tempo, os oito sistemas produtores que hoje atendem aos 20 milhões de habitantes com mais de 70 metros cúbicos por segundo de água tratada. Quase 30 anos após o planejamento e início da implantação do Sistema Alto Tietê, último dos grandes sistemas produtores em operação, coube à nossa geração o planejamento e implantação de um novo sistema produtor para a RMSP. O Sistema Produtor São Lourenço aproveita as águas do rio Juquiá, que sempre foi uma presença constante nos diversos planos de água da RMSP, como alternativa para suprimento após a utilização completa dos mananciais existentes na bacia do Alto Tietê. Tomou sua forma atual no PDAA de 2005, quando se definiu pelo aproveitamento do Alto Juquiá, captando‐se 4,7 metros cúbicos por segundo na represa Cachoeira do França, conforme proposto no presente estudo. Como também ocorreu na concepção de outros sistemas de água e esgotos para a RMSP, a proposta do Sistema São Lourenço foi objeto de amplo debate devido ao seu porte, custo e impacto. Trata‐se de captação distante, com longas adutoras e elevado bombeamento por causa da necessária transposição de bacia hidrográfica. Ao final, consolidou‐se o acerto na definição do rio Juquiá como a mais viável fonte para a ampliação do abastecimento da RMSP, notadamente da sua região oeste. A diminuição das taxas de crescimento populacional na metrópole, o uso mais consciente da água, assim como os progressos das ações de redução de perdas pela Sabesp e demais operadoras, permitem imaginar uma situação que leve o Sistema São Lourenço a ser o último a ser implantado para a RMSP. Esta resposta virá no futuro e dependerá essencialmente da evolução da degradação dos mananciais atuais, dos conflitos pelo uso da água (especialmente nas transposições existentes) e dos níveis de crescimento econômico da região. É certo, entretanto, que os futuros sistemas não serão produtos de planejamento só para a RMSP, mas sim visando o equacionamento do problema para a chamada Macrometrópole Paulista que envolve também as regiões de Campinas, Sorocaba, Baixada Santista e Vale do Paraíba. Marcelo Salles Holanda Freitas Diretor de Tecnologia, Empreendimentos e Meio Ambiente – T
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    sabesp i S SI IS ST TE EM MA A P PR RO OD DU UT TO OR R S SÃ ÃO OL LO OU UR RE EN NÇ ÇO O E ES ST TU UD DO O D DE E C CO ON NC CE EP PÇ ÇÃ ÃO O ‐ ‐ R RE EL LA AT TÓ ÓR RI IO O S SÍ ÍN NT TE ES SE E ÍNDICE 1. INTRODUÇÃO...............................................................................................................................1 1.1. OBJETIVO DO RELATÓRIO ...............................................................................................1 1.2. ANTECEDENTES ............................................................................................................1 2. OBJETIVOS E JUSTIFICATIVA DO SISTEMA PRODUTOR SÃO LOURENÇO ........................................4 2.1. SISTEMA EXISTENTE DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA...............................................................4 2.2. SITUAÇÃO DO ÍNDICE DE REGULARIDADE DE ABASTECIMENTO – IRA.........................................6 2.3. SITUAÇÃO FUTURA DE REGULARIDADE DE ABASTECIMENTO NA RMSP......................................6 2.4. DEMANDAS DE ÁGUA DO SISTEMA INTEGRADO METROPOLITANO (SIM)...................................7 2.5. PROGRAMA METROPOLITANO DE CONTROLE DE PERDAS .....................................................10 2.5.1. Perdas Reais e Perdas Aparentes ............................................................................10 2.5.2. Metas de Redução de Perdas..................................................................................10 2.6. DISPONIBILIDADE HÍDRICA DOS MANANCIAIS....................................................................11 2.6.1. Disponibilidade Hídrica Efetiva dos Mananciais......................................................12 2.6.2. Alternativas de Aproveitamento de Novos Mananciais..........................................12 2.7. BALANÇO DEMANDAS X DISPONIBILIDADE HÍDRICA ............................................................13 2.8. NECESSIDADE E OBJETIVOS DO SPSL...............................................................................14 2.9. UTILIZAÇÃO PREVISTA DA PRODUÇÃO DE ÁGUA DO SPSL ....................................................14 3. ASPECTOS RELEVANTES DA ÁREA DE ESTUDO DO SISTEMA PRODUTOR SÃO LOURENÇO ...........16 3.1. LOCALIZAÇÃO E ACESSOS VIÁRIOS ..................................................................................16 3.2. CLIMA E PLUVIOMETRIA...............................................................................................16 3.3. CARACTERÍSTICAS GEOLÓGICO‐GEOTÉCNICAS....................................................................18 3.4. BACIAS HIDROGRÁFICAS. INTERVENÇÕES EM RECURSOS HÍDRICOS .........................................18 3.4.1. Bacias Hidrográficas envolvidas ..............................................................................18 3.4.2. Outorgas ..................................................................................................................18 3.4.3. Cobrança pelo Uso da Água.....................................................................................19 3.4.4. Proteção de Mananciais ..........................................................................................20 3.5. SISTEMA DE GERAÇÃO HIDRELÉTRICA DA CBA...................................................................20 3.6. CONDICIONANTES AMBIENTAIS......................................................................................21 4. MANANCIAL PROPOSTO ............................................................................................................24 4.1. DISPONIBILIDADE HÍDRICA NA BACIA DO ALTO JUQUIÁ........................................................24 4.2. USOS MÚLTIPLOS DOS RECURSOS HÍDRICOS .....................................................................25 4.3. QUALIDADE DAS ÁGUAS...............................................................................................27 4.4. ESTUDOS DE TRATABILIDADE.........................................................................................28 4.4.1. Ensaios em Escala de Bancada ................................................................................28 4.4.2. Ensaios em Escala Piloto..........................................................................................29 5. ALTERNATIVAS DE CONCEPÇÃO DO SISTEMA PRODUTOR SÃO LOURENÇO ................................31 5.1. CONDICIONANTES PARA A FORMULAÇÃO DAS ALTERNATIVAS................................................31 5.2. CAPTAÇÃO DE ÁGUA BRUTA .........................................................................................34 5.2.1. Alternativas de Captação.........................................................................................34 5.2.2. Captação no Reservatório Cachoeira do França .....................................................35 5.3. DIRETRIZ GUARAPIRANGA ............................................................................................39 5.3.1. Considerações Gerais ..............................................................................................39 5.3.2. Adução de Água Bruta.............................................................................................39
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    sabesp ii 5.3.3. Adução deÁgua Tratada .........................................................................................40 5.3.4. Resumo das Alternativas da Diretriz Guarapiranga ................................................42 5.4. DIRETRIZ ITAPECERICA .................................................................................................46 5.4.1. Considerações Gerais ..............................................................................................46 5.4.2. Adução de Água Bruta.............................................................................................46 5.4.3. Adução de Água Tratada .........................................................................................47 5.4.4. Resumo das Alternativas da Diretriz Itapecerica ....................................................48 5.5. DIRETRIZ IBIÚNA ‐ COTIA..............................................................................................52 5.5.1. Considerações Gerais ..............................................................................................52 5.5.2. Adução de Água Bruta.............................................................................................53 5.5.3. Adução de Água Tratada .........................................................................................53 5.5.4. Resumo das Alternativas da Diretriz Ibiúna ‐ Cotia.................................................54 5.6. RESUMO DAS CARACTERÍSTICAS FÍSICAS DAS ALTERNATIVAS CONSIDERADAS ............................54 6. ANÁLISE E COMPARAÇÃO ENTRE ALTERNATIVAS .......................................................................58 6.1. ASPECTO ECONÔMICO‐FINANCEIRO ................................................................................58 6.1.1. Custos de Investimento das Alternativas ................................................................58 6.1.2. Despesas com Energia Elétrica................................................................................59 6.1.3. Indicador de Custo Total das Alternativas...............................................................59 6.1.4. Análise e Comparação sob o Aspecto Econômico‐Financeiro.................................59 6.2. ANÁLISE E COMPARAÇÃO SOB O ASPECTO TÉCNICO‐OPERACIONAL.........................................60 6.2.1. Facilidades e Dificuldades Construtivas ..................................................................61 6.2.2. Nível de Comprovação das Tecnologias Previstas...................................................61 6.2.3. Confiabilidade..........................................................................................................61 6.2.4. Eficiência Energética................................................................................................62 6.2.5. Economicidade dos Insumos Básicos ......................................................................62 6.2.6. Facilidades e Dificuldades Operacionais e de Manutenção....................................62 6.2.7. Flexibilidade Operacional ........................................................................................63 6.2.8. Padronização dos Materiais e Equipamentos .........................................................64 6.3. ANÁLISE E COMPARAÇÃO SOB O ASPECTO SÓCIO‐AMBIENTAL...............................................64 6.3.1. Principais Impactos Ambientais das Intervenções..................................................64 6.3.2. Comparação Multicritério das Alternativas sob o Aspecto Ambiental...................65 6.4. ESCOLHA DE SOLUÇÃO PARA A CONCEPÇÃO DO SPSL..........................................................68 7. DETALHAMENTO DA ALTERNATIVA SELECIONADA.....................................................................70 7.1. SISTEMA DE REVERSÃO DE ÁGUA BRUTA PARA A RMSP......................................................70 7.1.1. Captação e Tomada D’água.....................................................................................71 7.1.2. Estação Elevatória de Água Bruta (EEAB)................................................................73 7.1.3. Adutora de Água Bruta por Recalque – Trecho I.....................................................76 7.1.4. Chaminé de Equilíbrio de Água Bruta (CEQ‐AB)......................................................76 7.1.5. Adutora de Água Bruta por Gravidade – Trecho II..................................................77 7.1.6. Reservatório de Compensação de Água Bruta (RCAB)............................................80 7.2. ESTAÇÃO DE TRATAMENTO DE ÁGUA – ETA .....................................................................81 7.3. SISTEMA DE ADUÇÃO DE ÁGUA TRATADA.........................................................................83 7.3.1. Estação Elevatória de Água Tratada – EEAT............................................................85 7.3.2. Adução de Água Tratada – Alça Principal................................................................85 7.3.3. Chaminé de Equilíbrio de Água Tratada (CEQ‐AT) ..................................................88 7.3.4. Reservatório de Compensação Granja Carolina (RCGC) .........................................90 7.3.5. Reservatório Gênesis...............................................................................................92
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    sabesp iii 7.3.6. Adução deÁgua Tratada – Interligação com o SIM ................................................92 7.4. FORNECIMENTO DE ENERGIA ELÉTRICA ............................................................................96 PARTICIPAÇÃO ...................................................................................................................................98 Lista de Tabelas Tabela 2.1 ‐ Disponibilidade Hídrica e Capacidade de Produção. Sistemas Produtores da RMSP Tabela 2.2 ‐ Sistema Integrado da RMSP. Projeções de Demanda de Água Tabela 2.3 ‐ Composição dos Consumos e Perdas na Distribuição Tabela 2.4 ‐ Índices de Perdas na Distribuição. Sistema Integrado. Cenário Dirigido Tabela 2.5 ‐ Ajuste da Disponibilidade Hídrica dos Mananciais, conforme PBH‐AT 2007 Tabela 2.6 ‐ Demandas de Água dos Setores a serem Abastecidos pelo SPSL Tabela 3.1 ‐ Características das Usinas da CBA no rio Juquiá Tabela 3.2 ‐ Cobertura Vegetal e Uso do Solo Tabela 4.1 ‐ Disponibilidade Hídrica do Alto Juquiá Tabela 4.2 ‐ Resumo de Tratabilidade em Escala de Bancada Tabela 5.1 ‐ Características Físicas das Alternativas Consideradas Tabela 6.1 ‐ Custos de Implantação de cada Alternativa (R$ x 103 ) Tabela 6.2 ‐ Despesas com Energia Elétrica. Valor Presente (R$ x 103 ) Tabela 6.3 ‐ Indicador de Custo Total das Alternativas (R$ x 103 ) Tabela 6.4 ‐ Comparativo dos Indicadores Ambientais das Alternativas Tabela 6.5 ‐ Metodologia Multicritério. Notas Ambientais das Alternativas Lista de Gráficos Gráfico 2.1 ‐ Evolução do IRA dos Setores de Abastecimento atendidos pelo SIM Gráfico 2.2 ‐ Evolução do Índice de Perdas da Sabesp (Estado de São Paulo) Gráfico 2.3 ‐ Evolução do Balanço Demandas x Disponibilidade Hídrica para o Sistema Integrado Gráfico 4.1 ‐ Vazões Médias Mensais no rio Juquiá Lista de Figuras Figura 2.1 ‐ Sistema Integrado Metropolitano – SIM. Sistema Existente e Área de Influência dos Sistemas Produtores Figura 2.2 ‐ IRA médio anual em 2008 Figura 2.3 ‐ Cenário em 2014, IRA sem obras do PMA e sem o SPSL Figura 2.4 ‐ Cenário em 2014, IRA com os investimentos do PMA e sem o SPSL Figura 2.5 ‐ Cenário em 2014, IRA com os investimentos do PMA e com o SPSL
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    sabesp iv Figura 3.1 ‐Planta de Localização e Sistema Viário Figura 4.1 ‐ Bacia do Alto Juquiá Figura 4.2 ‐ Locais de Coleta de Amostras para Estudos de Qualidade de Água Figura 5.1 ‐ Diretrizes de Traçado e Condicionantes Ambientais Figura 5.2 ‐ Locais de Captação Estudados Figura 5.3 ‐ Variação dos Níveis Mensais do Reservatório Cachoeira do França Figura 5.4 ‐ Batimetria. Planta e Localização das Seções Figura 5.5 ‐ Batimetria do Braço do Reservatório no Local da Captação Figura 5.6 ‐ Sistema de Adução de Água Tratada associado à AAT‐1 Figura 5.7 ‐ Sistema de Adução de Água Tratada associado à AAT‐2 Figura 5.8 ‐ Alternativas de Traçado da Adutora de Água Bruta da Diretriz Guarapiranga Figura 5.9 ‐ Traçado da Adutora de Água Tratada: AAT‐1 e AAT‐2 Figura 5.10 ‐ Perfil Reduzido e Linha Piezométrica: Alternativa Embu Guaçu Figura 5.11 ‐ Sistema de Adução de Água Tratada associado à AAT‐3 Figura 5.12 ‐ Alternativas de Traçado da Adutora de Água Bruta da Diretriz Itapecerica Figura 5.13 ‐ Traçado da Adutora de Água Tratada: AAT‐3 Figura 5.14 ‐ Perfil Reduzido e Linha Piezométrica: Alternativa Laranjeiras Figura 5.15 ‐ Sistema de Adução de Água Tratada associado à AAT‐4 Figura 5.16 ‐ Alternativas de Traçado da Adutora de Água Bruta da Diretriz Ibiúna ‐ Cotia Figura 5.17 ‐ Traçado da Adutora de Água Tratada: AAT‐4 Cotia 1 e AAT‐4 Cotia 2 Figura 5.18 ‐ Perfil Reduzido e Linha Piezométrica: Alternativa Ibiúna‐Cotia 2 Figura 6.1 ‐ Comparação das Alternativas em termos de Custo Total Figura 6.2 ‐ Hierarquização das Alternativas Figura 7.1 ‐ Traçado do Sistema de Adução de Água Bruta Figura 7.2 ‐ Arranjo Geral da Captação e EEAB: Implantação Figura 7.3 ‐ Chaminé de Equilíbrio de Água Bruta (CEQ‐AB) Figura 7.4 ‐ Perfil Reduzido e Linhas Piezométricas da Adutora de Água Bruta Figura 7.5 ‐ ETA São Lourenço. Arranjo Geral Figura 7.6 ‐ Traçado do Sistema de Adução de Água Tratada Figura 7.7 ‐ Perfil Reduzido e Linhas Piezométricas da Adutora de Água Tratada Figura 7.8 ‐ Chaminé de Equilíbrio de Água Tratada Figura 7.9 ‐ Reservatório de Compensação Granja Carolina Figura 7.10 ‐ Reservatório Gênesis ‐ Arranjo Geral
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    sabesp v Siglas Utilizadas  Diâmetro AABAdutora de Água Bruta AAT Adutora de Água Tratada AB Água Bruta AD Área de Drenagem AMT Altura Manométrica Total ANA Agência Nacional de Águas ANEEL Agência Nacional de Energia Elétrica APA Área de Proteção Ambiental APP Área de Preservação Permanente APRM Área de Proteção e Recuperação de Mananciais ASTM American Society of Test and Materials AT Água Tratada AWWA American Water Works Association CBA Companhia Brasileira de Alumínio CEQ‐ AB Chaminé de Equilíbrio de Água Bruta CEQ‐ AT Chaminé de Equilíbrio de Água Tratada Cetesb Companhia Ambiental do Estado de São Paulo CF Cloreto Férrico CONAMA Conselho Nacional do Meio Ambiente CONSEMA Conselho Estadual do Meio Ambiente do Estado de São Paulo COT Carbono Orgânico Total CPFL Companhia Paulista de Força e Luz CPTM Companhia Paulista de Trens Metropolitanos CRH Conselho Estadual de Recursos Hídricos do Estado de São Paulo CTEEP Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista DAEE Departamento de Águas e Energia Elétrica do Estado de São Paulo DBO Demanda Bioquímica de Oxigênio EEAB Estação Elevatória de Água Bruta EEAT Estação Elevatória de Água Tratada EIA Estudo de Impacto Ambiental EMPLASA Empresa Metropolitana de Planejamento do Estado de São Paulo
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    sabesp vi ERQ Estação deRecuperação de Qualidade de Água ETA Estação de Tratamento de Água EVI Estudo de Viabilidade de Implantação Fo Fo Ferro Fundido FUSP Fundação de Apoio à Universidade de São Paulo HIDROPLAN Plano Integrado de Aproveitamento e Controle dos Recursos Hídricos das Bacias do Alto Tietê, Piracicaba e Baixada Santista. IF Instituto Florestal do Estado de São Paulo IPT Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo IRA Índice de Regularidade do Abastecimento LI Licença Ambiental de Instalação LP Licença Ambiental Prévia LT Linha de Transmissão de Energia Elétrica mca metros de coluna de água MD Margem Direita ME Margem Esquerda MIB Metilisoborneol MO Unidade de Negócio Metropolitana Oeste, da Sabesp MS Unidade de Negócio Metropolitana Sul, da Sabesp NA Nível de Água NPSHr Net Positive Suction Head required ‐ Carga Líquida de Sucção requerida (pela bomba) O&M Operação e Manutenção OD Oxigênio Dissolvido PAC Policloreto de Alumínio PBH‐AT Plano da Bacia do Alto Tietê PDAA Plano Diretor de Abastecimento de Água da Região Metropolitana de São Paulo PMA Plano Metropolitano de Água Q Vazão Q7,10 Vazão mínima anual de 7 dias consecutivos e 10 anos de período de retorno Q95 Vazão assegurada com garantia de 95% (do tempo) QMLT Vazão média de longo termo RAP Relatório Ambiental Preliminar RAT Reservatório de Água Tratada RBCV Reserva da Biosfera do Cinturão Verde de São Paulo
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    sabesp vii RCAB Reservatório deCompensação de Água Bruta RCGC Reservatório de Compensação Granja Carolina RIMA Relatório de Impacto no Meio Ambiente RMSP Região Metropolitana de São Paulo RPPN Reserva Particular do Patrimônio Natural SA Sulfato de Alumínio Sabesp Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo SE Subestação de Transformação de Energia Elétrica SEADE Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados SESRH Secretaria de Energia, Saneamento e Recursos Hídricos do Estado de São Paulo SF Sulfato Férrico SAM Sistema Adutor Metropolitano SIM Sistema Integrado Metropolitano SMA Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo SPSL Sistema Produtor São Lourenço UC Unidade de Conservação UGRHI Unidade de Gerenciamento de Recursos Hídricos UHE Usina Hidrelétrica UN Unidade de Negócios da Sabesp
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    SISTEMA PRODUTOR SÃOLOURENÇO sabesp 1 1. INTRODUÇÃO 1.1. Objetivo do Relatório O presente Relatório tem por finalidade apresentar a síntese do Estudo de Concepção do Sistema Produtor São Lourenço, abrangendo: (i) a justificativa e objetivos do novo Sistema, (ii) as alternativas analisadas para a reversão e o aproveitamento das águas da bacia do rio Juquiá, para fins de reforço do abastecimento da zona oeste da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), tendo como horizonte de projeto o ano de 2025, (iii) as análises realizadas para selecionar a melhor alternativa para a implantação do empreendimento, a partir da avaliação dos aspectos técnico‐operacionais, econômico‐financeiro, sócio‐ambiental e jurídico‐ institucional; e (iv) a descrição da concepção final adotada. 1.2. Antecedentes O aproveitamento das águas do rio Juquiá para o abastecimento da RMSP vem sendo proposto desde a década de 1960 por Planos de Recursos Hídricos, Planos de Bacias e Planos Diretores de Abastecimento de Água. Nos estudos concluídos em fins de 1995, o HIDROPLAN teve a oportunidade de efetuar a reavaliação das possibilidades de aproveitamento do rio Juquiá para suprimento da RMSP. O estudo concluiu que a forma de viabilizar tal aproveitamento, sob o ponto de vista ambiental, seria o desenvolvimento de uma concepção de obras que dispensasse a implantação dos reservatórios de Rosas e Cachoeira, na bacia do rio Juquiá, e os reservatórios Santa Rita e Embu Guaçu, na Bacia do Guarapiranga; os quais estavam previstos nos estudos anteriores. A concepção proposta pelo HIDROPLAN previa uma captação a fio d’água no rio Juquiá, em Juquitiba. O sistema de adução de água bruta seria implantado ao longo da rodovia Régis Bittencourt (BR‐116), derivando posteriormente para leste e efetuando a transposição em túnel do divisor de águas com a bacia do Guarapiranga, com desemboque no ribeirão Santa Rita, um dos formadores do reservatório Guarapiranga. Considerava ainda, ser de fundamental importância a execução das obras da duplicação da rodovia Régis Bittencourt, para viabilizar a implantação dessa adução. Os seguintes fatos relevantes ocorreram após a conclusão do estudo HIDROPLAN:  Decreto Presidencial assegurando o direito de reversão de 4,7 m3 /s para abastecimento da RMSP, em 1996;  Renovação por 20 anos do Contrato de Concessão da CBA com a ANEEL, até o ano 2016, mantendo o direito de reversão para abastecimento da RMSP (28/06/96);  Elaboração do Projeto Básico do Sistema Produtor Juquitiba (1996). O projeto básico do Sistema Produtor Juquitiba, desenvolvido pela Hidroconsult em 1996 com base nas diretrizes do HIDROPLAN, contemplou: (i) uma barragem de elevação de nível e captação a fio d’água no rio Juquiá; (ii) o recalque através de estação elevatória com altura manométrica de 208 mca e adutora em aço de 16,9 km de extensão; (iii) túnel‐canal que permitiria transpor o divisor de águas Alto Juquiá ‐ Guarapiranga, com 7.412 m de extensão, que funcionaria em escoamento livre por gravidade e descarregaria as águas no ribeirão Santa Rita; (iv) construção de canal nos primeiros 3,46 km do ribeirão Santa Rita e ampliação de 22 travessias viárias sobre o curso de água; (v) escoamento da vazão revertida pelo leito do
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    SISTEMA PRODUTOR SÃOLOURENÇO sabesp 2 ribeirão Santa Rita e rio Embu Guaçu até a represa do Guarapiranga; (vi) uma segunda captação no trecho superior da represa; (vii) estação de tratamento de água (ETA Alvorada), em península na margem esquerda da represa; e (viii) adutora de água tratada com 21.653 m de extensão, até interligação com o Sistema Integrado Metropolitano (SIM) no Reservatório Morumbi. O Projeto Juquitiba fazia parte do Plano Metropolitano de Água (PMA), um conjunto de iniciativas que a Sabesp formulou em 1996 para superar o grave problema de déficit no abastecimento de água que a RMSP vivia naquela época. A Sabesp levou o PMA à apreciação do Comitê de Bacia Hidrográfica do Alto Tietê CBH‐AT e do Conselho Estadual do Meio Ambiente – CONSEMA, e também elaborou um RAP do Projeto Juquitiba com o qual instruiu a solicitação a SMA de licença ambiental prévia para o empreendimento. Na análise do PMA, o Comitê da Bacia do Alto Tietê aprovou deliberação recomendando o aproveitamento prioritário dos recursos hídricos da própria bacia do Alto Tietê para abastecimento da RMSP antes de lançar mão de novas reversões. O CONSEMA também se manifestou em igual sentido. A SMA considerou que, pelas suas implicações ambientais, o licenciamento do Projeto devia ser instruído mediante EIA/RIMA, com estudos em maior profundidade que os do RAP. O Parecer Técnico da SMA levantou preocupações com o lançamento das águas revertidas do Alto Juquiá no ribeirão Santa Rita, em função do impacto no ribeirão, e das possíveis conseqüências ecológicas da transferência de organismos de outra bacia para a represa Guarapiranga. Como alternativa para viabilidade do Projeto, o Parecer propôs que a adução fosse tubulada até a ETA. A continuidade desse estudo foi então postergada em função de outras obras de curto prazo previstas no PMA para aproveitamento de águas da bacia do Alto Tietê. Períodos hidrológicos desfavoráveis sempre despertam um alerta para o planejamento. Nestas últimas três décadas, e em particular no início da década de 2000, a RMSP experimentou situações críticas de queda na oferta dos mananciais produtores e o comprometimento do atendimento à população. A situação crítica, sobretudo no Sistema Cantareira, sugeriu a necessidade de elaboração de novos estudos visando dispor de alternativas para aumentar a oferta de água para RMSP, o que veio a ser concretizado pela contratação, pela Sabesp, do estudo: “Revisão e Atualização do Plano Diretor de Abastecimento de Água da RMSP (PDAA‐ 2025)”. O PDAA‐2025 propõe, dentre outras ações, a implantação de um novo Sistema Produtor, doravante denominado Sistema Produtor São Lourenço (SPSL), com o objetivo de reforçar o abastecimento de água das regiões Oeste e Sudoeste e dar cobertura às demandas previstas tendo por horizonte o ano 2025. O PDAA‐2025 considerou como base a concepção do SPSL prevista no Projeto Juquitiba, mas assinalou a necessidade de estudar outras soluções de adução e interligação ao SIM. O planejamento geral do PDAA é feito habitualmente a cada 10 anos, com dados do censo demográfico mais recente. No meio tempo, a Sabesp atualiza periodicamente o planejamento de obras mediante o Plano Metropolitano de Água (PMA), o qual considera, de forma dinâmica, a evolução das demandas, o desempenho operacional do SIM, fatos novos em termos de disponibilidade hídrica, e a programação de recursos para investimentos. O Plano Metropolitano de Água – PMA 2006‐2014 – da Sabesp incluiu a previsão de implantação do SPSL no segundo quadriênio desse período.
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    SISTEMA PRODUTOR SÃOLOURENÇO sabesp 3 O presente Estudo de Concepção do SPSL utilizou o anterior Projeto Juquitiba como ponto de partida, tanto para a formulação de novas alternativas que permitissem superar seus pontos fracos, quanto como padrão para comparação do desempenho das soluções aventadas. O SPSL deverá complementar a vazão disponibilizada pelos Sistemas Cantareira, Guarapiranga, Alto Cotia e Baixo Cotia, via Sistema Integrado Metropolitano (SIM), para atendimento da demanda da região, mediante uma operação integrada de produção e adução, consolidando o conceito do Sistema Integrado de Abastecimento de Água da RMSP.
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    SISTEMA PRODUTOR SÃOLOURENÇO sabesp 4 2. OBJETIVOS E JUSTIFICATIVA DO SISTEMA PRODUTOR SÃO LOURENÇO O Sistema Produtor São Lourenço (SPSL) objetiva aumentar a oferta de água tratada para reforço e regularização do abastecimento público de água na zona oeste da RMSP, bem como, ampliar a flexibilidade operacional e a garantia de disponibilidade hídrica do Sistema Integrado Metropolitano (SIM). A RMSP abrange uma área de 7.944 km² e encontra‐se subdividida em 39 municípios, com uma população total de 19,7 milhões de habitantes em 2010. Possui 10,4% da população do País e 47,7% daquela do Estado de São Paulo, em apenas 2,4% da área do estado. A bacia do Alto Tietê, com área de drenagem de 5.720 km², abriga quase toda a população da RMSP. Em face da grande concentração urbana e da disponibilidade hídrica escassa, agravada por problemas de poluição dos mananciais disponíveis, a bacia do Alto Tietê foi se tornando, ao longo do tempo, deficitária para o abastecimento público da metrópole em expansão; razão pela qual, alguns dos sistemas produtores atualmente operados pela Sabesp tiveram reforços de vazão por meio de reversões de águas de outras bacias contíguas (vide Tabela 2.1). 2.1. Sistema Existente de Abastecimento de Água O Sistema Integrado Metropolitano (SIM) abastece uma população de cerca de 19,4 milhões de habitantes em 30 municípios da RMSP, com praticamente 100% de atendimento, por meio de cerca de 4,67 milhões de ligações que abrangem 6,92 milhões de economias. Outros 9 municípios da RMSP e núcleos de alguns desses 30 municípios são abastecidos por Sistemas Isolados, a maioria dos quais operados pela Sabesp. Estes sistemas atendem uma população de cerca de 290 mil habitantes e não são objeto de consideração neste Relatório. O SIM conta com 8 Sistemas Produtores, os quais se ligam aos centros de consumo através de um complexo de 8 ETAs, 1.270 km de adutoras, 137 centros de reservação, 52 torres, 98 estações elevatórias, 24 boosters e cerca de 26.000 km de redes de distribuição; abrangendo a área metropolitana conurbada e interligando os principais Sistemas Produtores da Sabesp na região. A cada Sistema Produtor corresponde uma determinada área de influência que é proporcional à sua produção e geograficamente próxima à respectiva ETA. A Figura 2.1 ilustra a estrutura física das adutoras e reservatórios que compõem o SIM e as áreas de influência dos sistemas produtores. A disponibilidade hídrica desse Sistema Integrado era estimada até 2007 em 66,1 m3 /s (ver reavaliação das disponibilidades hídricas a partir do Plano de Bacia do Alto Tietê [FUSP, 2007], adiante). A capacidade nominal de produção desses sistemas totaliza 67,8 m3 /s (Tabela 2.1). TABELA 2.1 - DISPONIBILIDADE HÍDRICA E CAPACIDADE DE PRODUÇÃO. SISTEMAS PRODUTORES DA RMSP Sistema Produtor Disponibilidade Hídrica (m³/s) Capacidade Nominal de Produção (m³/s) Bacia AT Reversão Total Cantareira 3,4 27,9 31,3 33,0 Guarapiranga 13,3 1,0 14,3 14,0 Alto Tietê 9,7 --- 9,7 10,0 Rio Grande 4,8 --- 4,8 4,5 Rio Claro 3,5 0,5 4,0 4,0 Alto Cotia 1,1 --- 1,1 1,2 Baixo Cotia 0,8 --- 0,8 1,0 Ribeirão da Estiva 0,1 --- 0,1 0,1 TOTAL 36,7 29,4 66,1 67,8 Fonte: PMA 2006/2014
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    SISTEMA PRODUTOR SÃOLOURENÇO sabesp 6 Os estudos prospectivos para a metrópole apontam um crescimento das demandas de água que esses Sistemas Produtores, mesmo com obras de ampliação e melhoria, não têm condições de atender. Essa restrição hídrica vem provocando índices críticos na regularidade do abastecimento em parte dos setores abastecidos pelo SIM. 2.2. Situação do Índice de Regularidade de Abastecimento – IRA O IRA, indicador que corresponde à porcentagem de horas do dia em que o setor teve abastecimento pleno, vem evoluindo positivamente ao longo dos anos para todo o SIM. GRÁFICO 2.1 - EVOLUÇÃO DO IRA DOS SETORES DE ABASTECIMENTO ATENDIDOS PELO SIM 70,0 75,0 80,0 85,0 90,0 95,0 1 00,0 IRA (%) IRA M ínimo 75,5 88,2 84,6 84,5 83,0 80,5 87,1 93,5 90,1 91 ,6 93,9 93,8 97,3 97,3 96,3 96,5 98,3 IRA M édio 88,6 94,1 92,2 88,5 86,7 88,0 93,2 95,5 92,9 93,9 95,9 96,2 98,3 97,8 97,9 98,3 98,9 IRA M áximo 95,1 96,1 96,0 91 ,3 91 ,1 91 ,5 97,3 96,7 94,7 95,3 97,5 97,5 99,2 98,8 98,9 99,4 99,4 1 992 1 993 1 994 1 995 1 996 1 997 1 998 1 999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 Entretanto, a Figura 2.2 (IRA em 2008) mostra que há vários locais periféricos, especialmente onde as populações mais crescem, onde o índice apresenta valores “com tendência a críticos” ou “críticos”, com abastecimento irregular ou intermitente. Os sistemas produtores com pior desempenho na regularidade do fornecimento de água são os Sistemas Alto e Baixo Cotia, situados na zona oeste da RMSP. O Sistema Alto Cotia apresentou durante todo o ano de 2008 IRA de apenas 92,6%, destacando‐se como sistema mais crítico. O Sistema Baixo Cotia também apresentou desempenho com tendência a crítico, com IRA de 96,6%. No conjunto do Sistema Integrado, os Setores de Abastecimento com IRA crítico somam 249 mil habitantes e aqueles com tendência a crítico outros 3,45 milhões habitantes (18% da população total). A zona oeste da metrópole é a região mais crítica no abastecimento da RMSP, como se observa no mapa do IRA médio de 2008 (Figura 2.2). Em boa parte isso se deve à insuficiência de produção dos Sistemas Alto e Baixo Cotia em relação às demandas crescentes dessa zona, e às limitadas possibilidades de transferência de água dos Sistemas Cantareira e Guarapiranga, em face das demandas em suas próprias áreas de influência. 2.3. Situação Futura de Regularidade de Abastecimento na RMSP As simulações com as estimativas de demanda para 2014, sem considerar novos investimentos em adução e produção (Figura 2.3), mostram a expansão das manchas de atendimento deficiente nas bordas periféricas da metrópole, onde a população cresce a taxas altas, tanto ao sul, como a oeste, leste e norte.
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    SISTEMA PRODUTOR SÃOLOURENÇO sabesp 7 A Figura 2.4 indica o IRA por setor de abastecimento com as obras previstas no PMA (que incluem a ampliação do Sistema Produtor Alto Tietê), exceto o novo Sistema Produtor São Lourenço. Observa‐se que as áreas com padrões deficientes permanecem especialmente concentradas nas zonas oeste e sudoeste da metrópole. Já a Figura 2.5 indica o IRA considerando também a entrada em operação do SPSL, o que reduz os pontos mal atendidos a setores localizados de Guarulhos, Santo André e Mauá (municípios fora da área de influência do SPSL). 2.4. Demandas de Água do Sistema Integrado Metropolitano (SIM) Para fundamentar o planejamento da entrada do novo Sistema Produtor São Lourenço, a Sabesp atualizou as projeções de demandas e disponibilidades do PDAA‐2025 para o Sistema Integrado da RMSP, elaboradas em 2004, considerando as novas metas de perdas e uso racional da água da Companhia, IRAs médios de 2008, projeção de população e domicílios proposta pelo SEADE e os consumos efetivamente verificados em 2008. O estudo atualizado mantém a consideração de dois cenários do PDAA‐2025, o Tendencial e o Dirigido, que diferem apenas no grau de sucesso alcançado no esforço de redução de perdas. O Cenário Tendencial pressupõe a manutenção dos níveis de investimento em renovação da rede e controle de perdas realizados até passado recente, que evitem a natural tendência de crescimento das perdas, com o envelhecimento dos sistemas. O Cenário Dirigido considera que se alcancem as metas dos programas de uso racional e redução de perdas, já em implementação pela Sabesp. Todos os demais critérios de planejamento são os mesmos em ambos cenários. A Tabela 2.2 apresenta a projeção de demandas de água para o Sistema Integrado da RMSP, para o Cenário Tendencial e o Cenário Dirigido, respectivamente, mostrando os valores registrados no ano base de 2008 e os valores projetados por qüinqüênio, de 2010 a 2025. TABELA 2.2 - SISTEMA INTEGRADO DA RMSP. PROJEÇÕES DE DEMANDA DE ÁGUA ITEM 2008 2010 2015 2020 2025 Cenário Tendencial (m 3 /s) 67,0 69,7 73,9 76,9 79,2 Cenário Dirigido (m 3 /s) 67,0 69,6 71,5 72,3 74,7
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    SISTEMA PRODUTOR SÃOLOURENÇO sabesp 8 FIGURA 2.2 - IRA MÉDIO ANUAL EM 2008 FIGURA 2.3 - CENÁRIO EM 2014, IRA SEM OBRAS DO PMA E SEM O SPSL
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    SISTEMA PRODUTOR SÃOLOURENÇO sabesp 9 FIGURA 2.4 - CENÁRIO EM 2014, IRA COM OS INVESTIMENTOS DO PMA E SEM O SPSL FIGURA 2.5 - CENÁRIO EM 2014, IRA COM OS INVESTIMENTOS DO PMA E COM O SPSL
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    SISTEMA PRODUTOR SÃOLOURENÇO sabesp 10 2.5. Programa Metropolitano de Controle de Perdas 2.5.1. Perdas Reais e Perdas Aparentes Da vazão total produzida nas ETAs, as perdas de água ocorrem: (i) na adução, até a entrega da água nos reservatórios setoriais; e (ii) no sistema de distribuição. A Tabela 2.3 explicita a definição conceitual dos vários tipos de consumos e perdas que ocorrem no sistema de distribuição, destacando: (a) os vários tipos de consumos autorizados, mas não‐faturados, entre os quais sobressaem os usos sociais; (b) as perdas reais; e (c) as perdas aparentes. TABELA 2.3 - COMPOSIÇÃO DOS CONSUMOS E PERDAS NA DISTRIBUIÇÃO Volume Disponibilizado à Distribuição Consumos Autorizados Consumos Autorizados Faturados Consumos medidos faturados Águas Fatu- radas Consumos não-medidos faturados (estimados) Consumos Autorizados Não Faturados Consumos medidos não-faturados (usos próprios, caminhão-pipa etc.) Águas Não-Faturadas Consumos não-medidos, não-faturados (corpo de bombeiros, etc.) Consumos não-medidos, não-faturados (usos sociais: consumo em favelas) Perdas de Água Perdas Aparentes Consumos não-autorizados (fraudes e falhas de cadastro) Sub-medição nos hidrômetros Perdas Reais Vazamentos nas redes de distribuição Vazamentos nos ramais prediais até o hidrômetro Vazamentos e extravasamentos nos reservatórios de distribuição Os dados de 2008 apontam perdas de 37,6% do volume produzido, sendo 3,9% de perdas na adução, 23,3% de perdas reais na distribuição e 10,4% de perdas aparentes, o que corresponde a um índice de perdas totais de 450 L/ligxdia no sistema de distribuição, sendo cerca de 311 L/ligxdia de perdas reais e 139 L/ligxdia de perdas aparentes. Comparativamente, o consumo micro‐medido foi de 727 L/ligxdia e o uso social requereu outros 107 L/ligxdia. Através de estudos recentes, calculou‐se o Índice Econômico de Perdas, tanto para as perdas reais como para as aparentes. Este índice representa um valor a partir do qual não compensa reduzir as perdas, já que os custos para a recuperação dos volumes superam os custos de produção e distribuição de água. Em geral, o “índice econômico” é bastante superior ao índice de perdas inevitáveis. Baseado nas características do sistema de distribuição da RMSP, o Índice de Perdas Inevitáveis corresponde a pouco mais de 40 L/lig.xdia. O índice de perdas reais de 2008 foi de aproximadamente 311 L/ligxdia, passível portanto de melhorias significativas em termos de redução de perdas. Cabe salientar que estes são índices médios para todo o sistema de distribuição, havendo grandes variações entre setores de abastecimento. 2.5.2. Metas de Redução de Perdas Nos últimos anos, a Sabesp vem desenvolvendo esforços significativos para reduzir as perdas nos sistemas sob sua responsabilidade. O Gráfico 2.2 mostra a evolução do índice de perdas totais (reais + aparentes) no conjunto dos sistemas que a Companhia opera no Estado de São Paulo, o qual caiu de um patamar de 550 L/ramalxdia até 2003 para 432 L/ramalxdia em 2008. Os números são representativos para o Sistema Integrado da RMSP, pois ele representa cerca de 72% da vazão produzida no Estado. Estes esforços são crescentes e foram consolidados com a instituição do Programa Corporativo de Redução de Perdas e Eficiência Energética.
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    SISTEMA PRODUTOR SÃOLOURENÇO sabesp 11 GRÁFICO 2.2 - EVOLUÇÃO DO ÍNDICE DE PERDAS DA SABESP (ESTADO DE SÃO PAULO) Fonte: Fonte: Superintendência de Planejamento Integrado – Sabesp – 2008 Para fixação de metas de redução de perdas, a Sabesp desenvolveu estudos com apoio de consultoria e cooperação técnica internacional. Esses estudos permitiram estabelecer uma linha de tendência e faixas de valores para a redução possível ao longo do tempo. Nas condições do Sistema Integrado da RMSP, isso representa algo próximo de 170 L/lig.xdia para as perdas reais, valor considerado representativo do provável nível econômico de perda. A meta de longo prazo para as perdas aparentes foi fixada em 80 L/lig.xdia, cerca de duas vezes o que foi adotado como “perda aparente inevitável” e pouco mais da metade do valor de 2008 (139 L/lig.xdia). Considerando que a meta de longo prazo será atingida gradativamente, a projeção de demandas do Cenário Dirigido adotou os seguintes valores: TABELA 2.4 - ÍNDICES DE PERDAS NA DISTRIBUIÇÃO. SISTEMA INTEGRADO. CENÁRIO DIRIGIDO Índice (L/lig.xdia) 2008 2010 2015 2020 2025 Longo Prazo Perdas Reais 311 306 252 209 207 170 Perdas Aparentes 139 136 112 93 92 80 Perda Total na Distribuição 450 443 364 302 300 250 A redução maior ocorre nos dois primeiros qüinqüênios, até 2020, consistente com o Programa Corporativo que prevê investimentos substanciais no período 2009‐2019. Para o período 2020‐ 2025 considerou‐se basicamente que serão feitos investimentos para manutenção dos índices alcançados. A meta de longo prazo provavelmente requererá esforços adicionais, a serem avaliados no médio prazo em função dos resultados que se alcancem com o Programa de Redução de Perdas de Água e Eficiência Energética, em curso. 2.6. Disponibilidade Hídrica dos Mananciais O atendimento das demandas de água do Sistema Integrado requer um adequado balanço com a capacidade de produção de água dos sistemas produtores que abastecem o SIM. Dois tipos de balanço oferta x demanda devem ser equilibrados ao longo do tempo: (i) a disponibilidade hídrica total dos mananciais utilizados deve atender a demanda média anual prevista; e (ii) a capacidade de produção total dos sistemas produtores deve atender a demanda máxima diária, do dia de maior consumo. Adicionalmente, a disponibilidade hídrica a considerar em cada manancial está limitada à vazão que o respectivo sistema produtor (formado por captação, adução de água bruta, ETA e adução de água tratada) pode produzir de forma contínua.
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    SISTEMA PRODUTOR SÃOLOURENÇO sabesp 12 2.6.1. Disponibilidade Hídrica Efetiva dos Mananciais O planejamento da Sabesp (PDAA‐2025, de 2004) considerou que os mananciais utilizados para o Sistema Integrado tinham na época uma disponibilidade hídrica total de 66,1 m3 /s. O PMA 2006‐2014 partiu dessa mesma linha de base e considerou o aumento da disponibilidade hídrica de 66,1 para 73,7 m3 /s, como resultado dos seguintes acréscimos:  Sistema Guarapiranga: ampliação de 2,0 para 4,0 m3 /s na capacidade de reversão do Taquacetuba para o reservatório Guarapiranga, o que resulta em acréscimo de 1,7 m3 /s de vazão garantida com 95% (aumento de 14,3 para 16,0 m3 /s).  Sistema Alto Tietê: (i) adição dos reservatórios Paraitinga e Biritiba, com vazão garantida adicional de 2,5 m3 /s; (ii) fechamento do reservatório Taiaçupeba (+0,4 m3 /s); (iii) reversão para o reservatório Biritiba das vazões do rio Tietê geradas na área incremental entre as barragens de Paraitinga, Ponte Nova e Biritiba, até a foz do Biritiba, e operação integrada do sistema de reservatórios (+3,0 m3 /s), o que resulta em aumento da disponibilidade total de 9,7 para 15,6 m3 /s. O Plano da Bacia do Alto Tietê (PBH‐AT) (FUSP, 2007) fez uma reavaliação das disponibilidades hídricas dos mananciais considerando as séries hidrológicas mais recentes e a nova realidade de outorgas e regras operativas estabelecidas para vários sistemas. TABELA 2.5 - AJUSTE DA DISPONIBILIDADE HÍDRICA DOS MANANCIAIS, CONFORME PBH-AT 2007 Sistema Produtor PDAA 2004 PMA 2006 PBH-AT 2007 Comentários Cantareira 31,3 31,3 29,9 Renovação da outorga do Cantareira e exigência de vazões mínimas no rio Juqueri: de 0,5 m³/s para 1,0 m³/s Guarapiranga 14,3 14,3+1,7 = 16,0 13,0 Limitações na transferência Taquacetuba-Guarapiranga em função do nível mínimo da Billings, reflexo da regra da EMAE para geração de energia assegurada. Alto Tietê 9,7 9,7+5,9 = 15,6 14,6 Regularização de outorgas para irrigantes a jusante de Biritiba (0,51 m³/s), ampliação da outorga para a SEMAE (Mogi das Cruzes) e outros usuários da bacia do Alto Tietê. Rio Grande 4,8 4,8 4,0 Regularização de outorgas de usuários da bacia Rio Claro 4,0 4,0 4,4 / 4,0 (*) Resultados da modelagem do PBH-AT Alto Cotia 1,1 1,1 1,5 Resultados da modelagem do PBH-AT Baixo Cotia 0,8 0,8 1,0 Resultados da modelagem do PBH-AT Rib. Estiva 0,1 0,1 0,1 Sem alteração TOTAL 66,1 73,7 68,5 / 68,1 (*) Redução na disponibilidade hídrica total para o Sistema Integrado. Vazão assegurada com 95% de garantia (*) A vazão efetivamente aproveitável no Sistema Rio Claro é de 4,0 m3 /s. 2.6.2. Alternativas de Aproveitamento de Novos Mananciais As premissas de planejamento definidas pela Sabesp no PDAA‐2025, atualizadas e corroboradas pelo PMA 2006‐2014 definiram as seguintes prioridades de aproveitamento de novos mananciais para o Sistema Integrado Metropolitano: 1. Paraitinga e Biritiba, e fechamento do Taiaçupeba (Sistema Produtor Alto Tietê): obras sendo concluídas; 2. Fechamento do braço do rio Pequeno (Sistema Produtor Rio Grande); 3. Projeto Juquitiba (rio Juquiá, atual Sistema Produtor São Lourenço); 4. Itatinga‐Itapanhaú (ampliação do Sistema Produtor Alto Tietê).
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    SISTEMA PRODUTOR SÃOLOURENÇO sabesp 13 O fechamento do braço do Rio Pequeno (Billings) foi bem qualificado, mas a ampliação do Sistema Rio Grande não resolve o abastecimento da zona oeste da RMSP, onde se concentram as maiores deficiências de suprimento. A prioridade seguinte é o aproveitamento da bacia do Alto Juquiá, ora em viabilização mediante o Sistema Produtor São Lourenço. O aproveitamento dos rios Itatinga e Itapanhaú, para reforço do Sistema Produtor Alto Tietê tem severas restrições técnicas, econômicas e ambientais. Além disso, situa‐se no extremo oposto da zona oeste, onde há maior carência de suprimento, o que obrigaria a executar pesadas obras adicionais de adução por dentro da malha urbana, com alto custo econômico e alto impacto socioeconômico. 2.7. Balanço Demandas x Disponibilidade Hídrica O Gráfico 2.3 apresenta o confronto entre as curvas de demanda média anual, para o Cenário Tendencial (linha ocre) e o Cenário Dirigido (linha verde), e uma previsão de escalonamento da disponibilidade hídrica, de acordo com a entrada em operação de ampliações na oferta de água: o SPSL e o fechamento do braço do rio Pequeno, até 2025. A oferta de água considera concluídas as obras de ampliação do Sistema Guarapiranga e do Sistema Alto Tietê. GRÁFICO 2.3 - EVOLUÇÃO DO BALANÇO DEMANDAS X DISPONIBILIDADE HÍDRICA PARA O SISTEMA INTEGRADO O escalonamento da oferta ilustra a consideração de duas situações: (i) a disponibilidade hídrica considerada no PDAA‐2025 e no PMA 2006‐2014 (as faixas horizontais pintadas no Gráfico, e a linha azul para o total); e (ii) a disponibilidade hídrica, considerando as vazões com garantia de 95% determinadas no PBH‐AT (linha vermelha tracejada, situada 5,6 m3 /s abaixo da anterior).
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    SISTEMA PRODUTOR SÃOLOURENÇO sabesp 14 Como as disponibilidades efetivas são menores que aquelas supostas no PDAA‐2025 em 2004, o fato real é que o Sistema Integrado já estava operando em 2010 com disponibilidade total com garantia de 95% (Q95 = 68,1 m3 /s) 1,5 m3 /s inferior à demanda média estimada (de 69,6 m3 /s). Não está havendo falta de água porque:  a situação hidrológica é favorável, e os mananciais dispõem de vazões superiores ao Q95;  a capacidade nominal das ETAs é de 67,8 m3 /s, mas alguns sistemas produtores podem eventualmente produzir por algum tempo acima da sua capacidade nominal; e  subsistem problemas de suprimento de água por limitações de capacidade na adução em setores de abastecimento com IRA deficiente que abrangem 3,7 milhões de habitantes, com o que as demandas potenciais não podem manifestar‐se de forma integral. O hiato entre disponibilidade e demanda tende a ampliar‐se nos próximos anos, chegando a uma faixa de déficit entre 3,4 e 5,8 m3 /s em 2015 (cenários dirigido e tendencial, respectivamente). Nesse período, as obras de ampliação no âmbito do SIM devem permitir superar muitas das limitações existentes em termos de capacidade de adução, tornando real a demanda potencial estimada. Analisando o Gráfico 2.3, o Sistema Produtor São Lourenço seria necessário já no curto prazo. Na prática, a expectativa é que ele possa entrar em operação no início de 2017, permitindo que o Sistema Integrado volte a operar até 2020 em uma zona de maior segurança, com disponibilidade hídrica próxima das demandas estimadas no Cenário Dirigido. 2.8. Necessidade e Objetivos do SPSL Atualmente, o déficit de suprimento está concentrado principalmente nos municípios da zona oeste da RMSP, onde a produção dos sistemas Alto e Baixo Cotia é insuficiente e requer transferências dos sistemas Cantareira e Guarapiranga, os quais deixam de atender satisfatoriamente setores das suas próprias áreas de influência. A posição geográfica do SPSL, cuja adutora de água tratada segue pelo extremo oeste da RMSP (Cotia, Vargem Grande Paulista, Itapevi, Jandira, Barueri, Carapicuíba, Santana de Parnaíba) permite atender diretamente os setores com maior deficiência e contribui para equilibrar as áreas de influência dos sistemas produtores. O SPSL permitirá liberar água do Cantareira para que a Sabesp possa atender melhor municípios do extremo norte da RMSP, como Franco da Rocha e Francisco Morato. Permitirá também liberar água do Alto Cotia, e assim atender melhor municípios como Embu, Itapecerica da Serra e Embu Guaçu. Após aproveitar quase integralmente os mananciais utilizáveis para abastecimento da própria bacia do Alto Tietê, otimizar a operação integrada dos reservatórios, interligar os sistemas através do SIM, e empreender um vultoso programa de redução de perdas que dará ao Sistema Integrado um padrão de boa eficiência no uso da água, a Sabesp propõe o desenvolvimento do Sistema Produtor São Lourenço. A entrada em operação do SPSL nos próximos anos constitui condição necessária para superar os déficits atuais e atender as demandas previstas a partir de 2016‐17. 2.9. Utilização Prevista da Produção de Água do SPSL O Sistema Produtor São Lourenço beneficiará setores e municípios da zona oeste e sul da RMSP, que hoje são atendidos pelos Sistemas Produtores Alto Cotia, Baixo Cotia, Guarapiranga e Cantareira.
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    SISTEMA PRODUTOR SÃOLOURENÇO sabesp 15 Na concepção adotada, o SPSL será responsável pelo suprimento de água de 13 setores de abastecimento em 7 municípios, que têm uma população estimada de 1,55 milhão de habitantes em 2015 e 1,67 milhão de habitantes em 2025, além de beneficiar diversos outros setores que serão melhor abastecidos pelos atuais sistemas produtores. TABELA 2.6 - DEMANDAS DE ÁGUA DOS SETORES A SEREM ABASTECIDOS PELO SPSL Município Setor de Abastecimento Vazão Média Diária (l/s) Vazão Máxima Diária (l/s) 2015 2020 2025 2015 2020 2025 Vargem Grande Pta. Vargem Grande Pta 149 163 174 160 176 188 Cotia Caucaia do Alto 73 80 86 78 86 93 Cotia ‐ Atalaia 371 410 439 399 441 475 Barueri Barueri ‐ Centro 422 459 490 480 552 561 Barueri ‐ Tamboré 394 428 457 448 488 523 Barueri ‐ Jardim Tupã 380 412 440 431 470 504 Jandira Jandira 514 541 564 570 600 627 Itapevi Itapevi 464 482 501 522 543 564 Granja Carolina 155 160 167 174 180 188 Carapicuíba Vila Dirce 540 574 603 560 596 626 Carapicuíba ‐ COHAB 110 117 125 142 153 163 Carapicuíba ‐ Centro 683 733 782 785 844 901 Santana de Parnaíba Gênesis 459 519 573 512 579 640 Demanda Total 4.714 5.078 5.401 5.261 5.708 6.053 Vazão do Sistema Produtor São Lourenço 4.700 4.700 4.700 6.000 6.000 6.000 Vazão do Sistema Produtor Baixo Cotia 14 378 701 (1) (1) 53 (1) Até 2025, a vazão máxima do SPSL é suficiente para atender as demandas de sua área de influência. Fonte: Estudo de Concepção do SPSL. Sabesp 2010.
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    SISTEMA PRODUTOR SÃOLOURENÇO sabesp 16 3. ASPECTOS RELEVANTES DA ÁREA DE ESTUDO DO SISTEMA PRODUTOR SÃO LOURENÇO 3.1. Localização e Acessos Viários A área de estudo do Sistema Produtor São Lourenço abrange 12 municípios das zonas Oeste e Sudoeste da RMSP: Juquitiba, São Lourenço da Serra, Embu Guaçu, Itapecerica da Serra, Embu, Cotia, Vargem Grande Paulista, Itapevi, Jandira, Barueri, Carapicuíba e Santana de Parnaíba, e mais uma parte da zona rural do município de Ibiúna. Este território é servido por malha viária de estrutura tipicamente radial, como toda a RMSP, com epicentro em São Paulo, de onde irradiam os eixos conformados pelas rodovias Castelo Branco, Raposo Tavares e Régis Bittencourt, que organizam alguns dos vetores de maior expansão da metrópole (ver Figura 3.1):  vetor oeste, ao longo da rodovia Castelo Branco e da Linha 8 Diamante da CPTM, com Osasco, Carapicuíba, Barueri, Jandira, Itapevi e Santana de Parnaíba;  vetor oeste, cerca de 10 km ao sul do anterior, ao longo da rodovia Raposo Tavares, onde se situam Cotia e Vargem Grande Paulista, e  vetor sudoeste, ao longo da rodovia Regis Bittencourt, onde se situam os municípios de Embu, Itapecerica da Serra, São Lourenço da Serra e Juquitiba; abrange também Embu Guaçu, com ligação secundária pela SP‐234. Estes eixos radiais são interligados pelo Rodoanel Mario Covas, trechos Oeste e Sul. A área de estudo está inserida nas bacias hidrográficas do Alto Juquiá, Guarapiranga, Alto Sorocaba e Alto Tietê, representando a primeira, a fonte de suprimento do futuro Sistema Produtor. As bacias do Guarapiranga e do Alto Sorocaba são transpostas (somente uma delas em cada alternativa), recebem parte menor da vazão revertida e abrigam a Estação de Tratamento de Água (ETA). A bacia do Alto Tietê é a principal receptora do volume de água revertido através da interligação com as adutoras do SIM. A área de estudo faz parte das Unidades de Negócio Médio Tietê – RM, Vale do Ribeira – RR, Metropolitana Oeste – MO e Metropolitana Sul – MS da SABESP. Os 12 municípios da RMSP na Área de Estudo têm 1.830 km2 de superfície (23,0% da RMSP) e abrigavam em 2010 cerca de 1,77 milhões de habitantes (9,0% da população da RMSP). Juquitiba, São Lourenço da Serra e Ibiúna são abastecidos pela Sabesp por meio de sistemas isolados, e algumas porções dos outros municípios fazem parte de setores de abastecimento que serão atendidos por outros sistemas produtores. A população beneficiada dos setores de abastecimento que serão atendidos pelo SPSL é da ordem de 1,5 milhões de habitantes. 3.2. Clima e Pluviometria A bacia do Alto Juquiá apresenta clima tropical úmido sem estação seca. A bacia do Alto Juquiá participa inteiramente das condições meteorológicas peculiares do Sul do Brasil, sofrendo com freqüência a ação das massas de ar e das perturbações frontais que assolam a costa brasileira. Na maior parte do tempo, a região fica sob a ação da massa de ar Tropical Atlântica, controlada pelo anticiclone subtropical semipermanente do Atlântico Sul.
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    SISTEMA PRODUTOR SÃOLOURENÇO sabesp 18 A precipitação média anual na bacia do rio Juquiá até a confluência do rio São Lourenço é da ordem de 2.000 mm/ano, enquanto na bacia do rio São Lourenço é de 1.650 mm/ano. À jusante da confluência dos rios São Lourenço e Juquiá, incluindo o reservatório Cachoeira do França, os totais decrescem significativamente, ficando entre 1.500 e 1.570 mm/ano. 3.3. Características Geológico‐Geotécnicas Os três conjuntos geológico‐geomorfológicos em que se desenvolve a área de estudo do Sistema São Lourenço são: 1) o dominante embasamento cristalino pré‐cambriano; 2) os terrenos terciário‐quaternários da Bacia Sedimentar de São Paulo; e 3) as coberturas aluviais e colúvios quaternários. Estes conjuntos bastante diferenciados condicionam a morfologia da região, refletindo na existência de formas de relevo mais salientes, sustentadas por corpos graníticos e lentes de metassedimentos mais resistentes, resultando em processos do meio físico importantes para a previsão do comportamento geotécnico dos terrenos ante o seu uso. Os processos do meio físico dominantes nessa região atravessada pelas alternativas de traçado do SPSL mostram uma situação relativamente homogênea, dado o comportamento geral das morfoestruturas e a escala da abordagem. Os processos do meio físico dominantes na área de influência das alternativas estudadas são: (i) no embasamento cristalino: (a) alta suscetibilidade à erosão nos solos sub‐superficiais, induzida por movimentos de terra; (b) média suscetibilidade a escorregamentos exclusivamente induzidos; e (ii) nos sedimentos aluvionares quaternários: alta suscetibilidade a inundações, recalques, assoreamentos, solapamentos das margens dos rios. 3.4. Bacias Hidrográficas. Intervenções em Recursos Hídricos 3.4.1. Bacias Hidrográficas envolvidas O Sistema Produtor São Lourenço envolve três importantes unidades de gerenciamento de recursos hídricos paulistas, a saber:  UGRHI 11 – Ribeira de Iguape/Litoral Sul: fornecerá 4,7 m3 /s do Alto Juquiá para a bacia do Tietê, através de transposição, e abrigará as instalações da captação e estação elevatória, e trecho da adutora de água bruta;  UGRHI 10 – Sorocaba/Médio Tietê: abrigará a ETA, receberá parte menor da vazão revertida para abastecimento de Caucaia do Alto e Vargem Grande Paulista, e abrigará trechos extensos do sistema de adução (água bruta e tratada), que atravessarão a bacia do Alto Sorocaba nos municípios de Ibiúna, Cotia e Vargem Grande Paulista;  UGRHI 06 – Alto Tietê: será a bacia receptora da maior parte da vazão revertida do Alto Juquiá, a ser utilizada para abastecimento público da zona oeste da RMSP; abrigará o reservatório de água tratada e extensos trechos de adutoras de água tratada. 3.4.2. Outorgas O rio Juquiá é um rio de domínio estadual, situado integralmente no Estado de São Paulo. Cabe, portanto, ao Departamento de Águas e Energia Elétrica do Estado São Paulo – DAEE a competência de emitir a outorga de direito de uso para derivação de recursos hídricos para fins de abastecimento público e as outorgas para interferências com recursos hídricos. As interferências do Sistema Produtor São Lourenço com recursos hídricos abrangem: (i) a captação, derivação e reversão de 4,7 m3 /s de águas para outra bacia; (ii) construção da
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    SISTEMA PRODUTOR SÃOLOURENÇO sabesp 19 tomada de água dentro do reservatório, com instalação de ensecadeira provisória; (iii) modificação do NA mín. operacional do reservatório, de 623,00 para 630,00; (iv) eventuais obras de canalização de trechos de cursos de água; (v) travessia subterrânea da adutora sob cerca de 110 córregos, com desvio temporário destes durante a obra; (vi) travessia aérea de 4 rios maiores, sem intervenção direta no curso d’água; (vii) eventuais descargas, permanentes ou eventuais de águas ou efluentes das instalações do Sistema Produtor. De acordo com a Resolução Conjunta SESRH‐SMA No 1/05, que regula a emissão de outorgas e o licenciamento ambiental de empreendimentos com interferência em recursos hídricos no Estado de SP, a Sabesp deverá requerer a outorga para o SPSL em duas etapas: (i) Outorga de Implantação do Empreendimento, que é requerida na etapa de concepção, instruída com o Estudo de Viabilidade de Implantação (EVI), e abrange todas as interferências com recursos hídricos; é pré‐requisito para a emissão de Licença Ambiental Prévia (LP) pela CETESB e não autoriza ainda a utilização do recurso hídrico; (ii) Outorga de Direito de Uso do Recurso Hídrico, que será requerida após a obtenção da Licença de Instalação (LI) emitida pela CETESB; autoriza a execução das obras e a exploração do recurso hídrico nas condições estabelecidas no ato da concessão e pode ser solicitada em separado para cada obra, em momentos diferentes. Em face da interferência do empreendimento com a geração de energia elétrica, assunto de competência federal por intermédio da ANEEL, o DAEE provavelmente realizará consultas junto a essa agência federal durante a tramitação das outorgas. 3.4.3. Cobrança pelo Uso da Água A Cobrança ainda não está instituída na bacia do Ribeira do Iguape, mas provavelmente ela já estará vigente quando o Sistema São Lourenço estiver pronto para entrar em operação. Nas duas bacias em que a cobrança está vigente, os critérios principais adotados são:  Fixação de três Preços Unitários Básicos (PUBs), para: (i) captação, extração ou derivação; (ii) consumo (diferença entre o volume captado e o volume devolvido à própria bacia); e (iii) lançamento de carga poluidora.  Ponderação dos PUBs de captação e consumo mediante coeficientes que levam em conta: (i) natureza do corpo de água (superficial ou subterrâneo); (ii) classe de uso preponderante (Decreto Estadual 10.577/77); (iii) disponibilidade hídrica local (relação demanda / Q7,10); (iv) medição ou não do volume captado e seu regime de variação; (v) consumo efetivo; (vi) finalidade do uso (sistema público, solução alternativa, indústria); e (vii) existência ou não de transposição de bacia.  Implantação progressiva dos valores fixados, com desconto nos dois primeiros anos.  Teto para o Preço Unitário Final (PUF) cobrado por captação ou derivação (fixado na Lei 12.183/05). No caso do SPSL, a cobrança pelo uso da água do Alto Juquiá incidirá sobre 100% da vazão captada, tanto na derivação quanto no consumo, pois toda essa vazão será transposta e não retornará à própria bacia. Observam‐se critérios muito diferentes (desconto ou acréscimo) para ponderar a transposição de águas para outra bacia; o Conselho Estadual de Recursos Hídricos está discutindo uma padronização desses critérios. Cálculos preliminares com base nos critérios em uso naquelas duas bacias permitem estimar o valor da Cobrança para o SPSL em cerca de R$ 4,5 milhões por ano.
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    SISTEMA PRODUTOR SÃOLOURENÇO sabesp 20 3.4.4. Proteção de Mananciais A política de proteção de mananciais na RMSP foi instituída na década de 1970 pela Lei 898/75, que disciplina e estabelece normas de restrição do uso do solo para a proteção dos mananciais, cursos e reservatórios de água e demais recursos hídricos de interesse na RMSP, e pela Lei 1.172/76, que delimita tais áreas de proteção e dá providências correlatas. Posteriormente, a Lei Estadual nº 9.866/97 estabeleceu um novo marco legal, com novos critérios e procedimentos para a proteção dos mananciais de interesse regional para o abastecimento público no Estado de São Paulo. Essa lei institui as Áreas de Proteção e Recuperação de Mananciais – APRMs e define que sua gestão será feita por bacia hidrográfica mediante lei específica para cada uma delas, baseada em Plano Diretor de Proteção Ambiental – PDPA da bacia. O artigo 45 da Lei nº 9.866/97 prevê que ficam mantidas as disposições das Leis 898/75 e 1.172/76 para a Região Metropolitana, até que sejam promulgadas as leis específicas para cada uma das sub‐bacias hidrográficas dos mananciais metropolitanos. A Lei Específica da APRM Guarapiranga (Lei nº 12.233) foi aprovada em janeiro de 2006 e a Lei Específica da APRM Billings (Lei no 13.579) em julho de 2009. Projeto de Lei Específica da APRM Alto Juquiá – São Lourenço, da UGRHI 11, está sendo desenvolvido e discutido pelo Comitê da Bacia Hidrográfica do Ribeira de Iguape / Litoral Sul por meio de Câmara Técnica instituída para esse fim. As Leis 898/75 e 1.172/76, atualmente vigentes no Alto Juquiá, abrangem territórios dos municípios de Juquitiba e São Lourenço, “até os limites da RMSP”. A futura lei específica da APRM Alto Juquiá, com base na Lei 9.866/97, deverá abranger toda a bacia do reservatório Cachoeira do França, incluindo a porção da bacia pertencente ao município de Ibiúna. A Sabesp participa ativamente das atividades do Comitê da Bacia do Ribeira e da Câmara Técnica do Alto Juquiá e São Lourenço, e compartilha a preocupação com a preservação da qualidade do manancial. Como contribuição ao esforço de proteção da bacia, a Companhia está desenvolvendo os estudos de concepção para a ampliação dos sistemas de coleta, tratamento e disposição final de esgotos dos núcleos urbanos dos municípios de Juquitiba e São Lourenço. 3.5. Sistema de Geração Hidrelétrica da CBA A CBA detém a concessão do aproveitamento hidrelétrico de uma seqüência de 6 usinas (UHEs) instaladas no rio Juquiá; na seqüência de montante para jusante: França, Fumaça, Barra, Porto Raso, Alecrim, Serraria, e a UHE Salto de Iporanga no rio Assungui, afluente do rio Juquiá à jusante de Serraria. As 6 usinas no rio Juquiá praticamente aproveitam todo o potencial hidráulico do rio entre a borda do planalto (reservatório Cachoeira do França NA = 623‐640m) e a planície do rio Ribeira de Iguape. O reservatório Cachoeira do França é o principal elemento de regularização das vazões desse sistema. O Art. 5º do Decreto Federal de 27/06/1996, que renovou a concessão das usinas à CBA pelo prazo de 20 anos estabelece que “Fica preservado o direito de reversão das águas do Alto Juquiá, com reversão de até 4,7 m3 /s, para abastecimento público da Região Metropolitana da Cidade de São Paulo”. Igual providência consta do Contrato de Concessão. A UHE França está localizada no município de Juquitiba, na divisa com Ibiúna, a 90 km da cidade de São Paulo. Sua construção foi iniciada em 1954 e a conclusão efetivada em 1957, entrando em operação no ano seguinte.
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    SISTEMA PRODUTOR SÃOLOURENÇO sabesp 21 Reservatório Cachoeira do França Barragem da UHE Cachoeira do França A regularização das vazões do rio Juquiá no reservatório Cachoeira do França permite o melhor aproveitamento das águas do rio para geração de energia nas UHEs implantadas no rio Juquiá à jusante desta, caracterizadas a seguir. TABELA 3.1 - CARACTERÍSTICAS DAS USINAS DA CBA NO RIO JUQUIÁ Usina Município Cap. Inst. Ger. Média Área Reservatório UHE MW GWh/ano Km2 França Juquitiba 29,52 155 12,70 Fumaça Ibiúna 36,40 220 5,20 Barra Tapiraí 40,40 240 2,01 Porto Raso Tapiraí 28,40 170 1,48 Alecrim Miracatu 72,00 400 1,54 Serraria Juquiá 24,00 145 2,13 Total – 6 UHEs 230,72 1330 25,06 Uma linha de transmissão de uso restrito em 88 kV transporta a produção das UHEs França e Fumaça (65,9MW instalados, 375 GWh/ano) até a fábrica da CBA, no município de Alumínio, SP. Essa LT tem 12 km entre a SE Fumaça e a SE França, e mais 42 km até Alumínio. A produção das outras 4 usinas é transportada até a fábrica da CBA em Alumínio por outra LT de uso restrito em 230 kV que sai da SE Alecrim. A redução de geração de energia nas 6 UHEs do rio Juquiá, decorrente da reversão de 4,7 m3 /s do reservatório superior do sistema não representará encargo econômico para Sabesp, pois a concessão para aproveitamento hidrelétrico das seis centrais contém a ressalva dessa reversão. As eventuais restrições operacionais do reservatório, decorrentes da operação planejada da captação com deplecionamento estabelecido em nível adequado à submergência dos equipamentos de recalque, ao invés do mínino de 623,0 m, deverão ser fixadas na Outorga, e as condições técnicas específicas da captação e as regras operativas deverão ser submetidas e previamente aprovadas pela ANEEL. 3.6. Condicionantes Ambientais A vegetação nativa remanescente é a categoria de uso e ocupação do solo predominante no conjunto de onze municípios da área de estudo que serão atravessados pelo SPSL, ocupando 58,6% da área total de 2.670 km2 .
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    SISTEMA PRODUTOR SÃOLOURENÇO sabesp 22 TABELA 3.2 - COBERTURA VEGETAL E USO DO SOLO Usos na Área de Estudo Área (km2 ) % Remanescentes de vegetação nativa 1.564,5 58,6 Campo antrópico 183,9 6,9 Reflorestamento 92,2 3,4 Uso agrícola 29,3 1,1 Outros usos 800,1 30,0 Área Total 2.670 100 Fonte: Atlas de Uso e Ocupação do Solo dos municípios (Emplasa, 2003) e IF (2005) Encostas e topos de morro concentram grande parte das formações florestais remanescentes, devido à dificuldade de acesso, enquanto áreas marginais às rodovias e estradas vicinais concentram campos antrópicos, reflorestamentos e áreas de uso agrícola. Ibiúna e Juquitiba apresentam a maior proporção de vegetação nativa contínua e os maiores graus de conectividade entre os fragmentos remanescentes, em especial na porção sul de seus territórios, que constituem unidades de conservação. Destaca‐se o grande maciço florestal que ocupa a bacia do Alto Cotia e constitui a Reserva Estadual Morro Grande. São Lourenço da Serra e Embu Guaçu também possuem significativa vegetação nativa. O setor do município de Ibiúna atravessado por algumas das alternativas possui grandes áreas de reflorestamento e, mais ao norte, áreas bastante antropizadas. Os levantamentos de campo indicam a presença de uma flora e fauna bastante rica em diversidade de espécies, especialmente nos setores com vegetação mais conservada e com menor fragmentação. O traçado previsto para o SPSL atravessa ou fica próximo das seguintes Unidades de Conservação ou suas zonas de amortecimento (faixa de 3 km, para UC sem plano de manejo):  Parque Estadual da Serra do Mar ‐ Núcleo Pedro de Toledo (Juquitiba, São Lourenço da Serra) e Núcleo Curucutu (Juquitiba) (o traçado atravessa a zona de amortecimento do Parque, que abrange toda a Área de Proteção aos Mananciais);  Parque Estadual do Jurupará (o traçado atravessa a zona de amortecimento do Parque, em Ibiúna e Juquitiba);  APA da Serra do Mar (proximidade, o traçado não cruza a APA);  Reserva Estadual do Morro Grande e Área Natural Tombada Morro Grande (Cotia e Vargem Grande Paulista, o traçado atravessa a zona de amortecimento);  APA de Itupararanga, que abrange toda a bacia contribuinte à represa homônima. O traçado atravessa extenso setor, nas cabeceiras dos formadores Sorocabuçu e Sorocamirim, nos municípios de Ibiúna, Cotia e Vargem Grande Paulista;  APA Várzeas do Rio Tietê, Setor Oeste nos municípios de Barueri, Carapicuíba e Santana de Parnaíba (o traçado atravessa a APA em Zona de Uso Consolidado, com uso compatível);  RPPN Fazenda Meandros, RPPN Fazenda Meandros II e RPPN Fazenda Meandros III: áreas protegidas federais situadas na Fazenda Meandros, município de Ibiúna (o traçado da adutora de água bruta tangencia a RPPN Fazenda Meandros). As Unidades de Conservação e outras áreas protegidas presentes na área de estudo fazem parte da Reserva da Biosfera do Cinturão Verde de São Paulo (RBCV), da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica e encontram‐se relacionadas entre as Áreas Prioritárias para Conservação, Uso
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    SISTEMA PRODUTOR SÃOLOURENÇO sabesp 23 Sustentável e Repartição dos Benefícios da Biodiversidade Brasileira. O traçado cruza zonas de amortecimento e zonas de transição da RBCV, não afetando as zonas núcleo, de maior restrição. A Figura 5.1 apresenta a hidrografia, a cobertura vegetal e as unidades de conservação existentes na área de estudo, e ilustra como estes elementos condicionaram a definição das diretrizes de traçado do SPSL. Em abril de 2011, a Sabesp concluiu a elaboração do EIA‐RIMA do Sistema Produtor São Lourenço e requereu a CETESB a Licença Ambiental Prévia para o empreendimento.
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    SISTEMA PRODUTOR SÃOLOURENÇO sabesp 24 4. MANANCIAL PROPOSTO 4.1. Disponibilidade Hídrica na Bacia do Alto Juquiá A bacia contribuinte ao reservatório Cachoeira do França, na seção da barragem (Alto Juquiá), tem área de drenagem de 951 km2 , e drena áreas dos municípios de Juquitiba, São Lourenço e Ibiúna. Seu principal formador é o rio Juquiá, que recebe o rio São Lourenço pouco a montante do remanso do reservatório. Outros afluentes importantes contribuintes ao reservatório são os ribeirões das Laranjeiras, São Sebastião e das Vargens. A produção hídrica da bacia do Alto Juquiá é favorecida pelas fortes precipitações, altas temperaturas, baixa evaporação e vegetação exuberante no alto da Serra do Mar. Esses fatos, junto com as características geológicas e geomorfológicas da bacia, fazem com que a rede de drenagem seja extremamente densa, com grande quantidade de água para alimentação dos rios. As características litológicas e a vegetação compensam as declividades das encostas do planalto, não permitindo o escoamento rápido das águas, mantendo um regime regular e as características típicas de um rio de planalto. O Estudo de Concepção incluiu a elaboração de estudo hidrológico da bacia e de simulação operacional do reservatório Cachoeira do França, com base em dados de postos pluviométricos e fluviométricos da ANA e do DAEE. Análises de consistência das séries históricas, estudos de correlação entre postos, e a aplicação de modelo chuva‐vazão permitiram obter séries sintéticas de vazões médias mensais para o período Out 1946 a Set 2007 (61 anos) na entrada do reservatório. Também foram obtidas vazões mínimas anuais de 7 dias consecutivos e curvas de permanência das vazões médias diárias. FIGURA 4.1 - BACIA DO ALTO JUQUIÁ A Tabela 4.1 apresenta as vazões médias de longo termo (QMLT) e as vazões mínimas anuais de 7 dias consecutivos (Q7,10) para as seções de interesse para o estudo.
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    SISTEMA PRODUTOR SÃOLOURENÇO sabesp 25 TABELA 4.1 - DISPONIBILIDADE HÍDRICA DO ALTO JUQUIÁ Local AD (km2 ) QMLT Q7,10 Rio Juquiá, logo à montante da foz do São Lourenço 238 9,3 2,9 Rio São Lourenço, na foz 237 4,4 1,5 Rio Juquiá, logo à jusante da foz do São Lourenço 480 13,8 5,9 Rio Juquiá, na entrada do reservatório 532 15,3 6,5 Vazões em m3 /s. As maiores vazões são verificadas em janeiro, fevereiro e março, no final do período mais chuvoso na bacia, que ocorre de outubro até meados de março. As vazões vão se reduzindo a partir de abril. O mínimo ocorre em meados de agosto. GRÁFICO 4.1 - VAZÕES MÉDIAS MENSAIS NO RIO JUQUIÁ Distribuição Sazonal do Rio Juquiá no Posto Fluviométrico Juquitiba I (81470000) 19,1 18,5 20,2 16,3 12,7 10,9 10,3 9,6 10,9 13,1 13,6 16,5 0,0 5,0 10,0 15,0 20,0 25,0 Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Junho Julho Agosto Setembro Outubro Novembro Dezembro Vazão (m 3 /s) média mensal média anual O reservatório Cachoeira do França opera com NA máx. operacional na cota 640 m e NA mín. na cota 623 m. Seu volume útil é de 124 milhões de m3 . A simulação operacional do reservatório com base na série sintética gerada forneceu as seguintes estimativas de vazões:  Vazão média de longo termo: 27,4 m3 /s  Vazão com 80% de garantia: 26,2 m3 /s  Vazão com 90% de garantia: 24,2 m3 /s  Vazão com 95% de garantia: 22,3 m3 /s  Vazão regularizada com 100% de garantia: 18,6 m3 /s 4.2. Usos Múltiplos dos Recursos Hídricos Pelo Decreto Estadual n° 10.755, de 22/11/1977, o rio Juquiá e todos os seus afluentes, até a divisa dos municípios de Juquitiba e Miracatu, estão enquadrados na Classe 1 (inclui toda a bacia do Alto Juquiá à montante da UHE França). Conforme o Decreto Estadual no 8.468/76, as
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    SISTEMA PRODUTOR SÃOLOURENÇO sabesp 26 águas de Classe 1 destinam‐se preponderantemente ao abastecimento doméstico, sem tratamento prévio ou com simples desinfecção. Por analogia, a Classe 1 do Decreto no 8.468/76 corresponde à Classe Especial da Resolução CONAMA n° 357/05 – norma federal vigente quanto à classificação das águas –, pois as águas de Classe Especial destinam‐se: a) ao abastecimento para consumo humano, com desinfecção; b) à preservação do equilíbrio natural das comunidades aquáticas; e c) à preservação dos ambientes aquáticos em unidades de conservação de proteção integral. Já as águas de Classe 1 (Resolução CONAMA n° 357/05) podem ser destinadas: a) ao abastecimento para consumo humano, após tratamento simplificado; b) à proteção das comunidades aquáticas; c) à recreação de contato primário; d) à irrigação de hortaliças. Ecoturismo. O trecho do rio Juquiá entre a ponte da BR‐116 – rodovia Régis Bittencourt e o remanso do reservatório Cachoeira do França (cerca de 7 km) é bastante utilizado para a prática de canoagem (rafting), esporte aquático que utiliza as corredeiras do curso d’água principal após a contribuição do rio São Lourenço. A implantação de uma tomada a fio d’água nesse setor inviabilizaria a prática de canoagem nos períodos de estiagem pela brutal redução da vazão para jusante da captação, impactando negativamente uma das poucas atividades permitidas nesta área de grandes restrições ambientais. A solução de captação no reservatório evita qualquer impacto do SPSL com a atividade de canoagem. Abastecimento de Água. As águas do Alto Juquiá são utilizadas atualmente pela Sabesp como manancial de abastecimento público dos municípios de Juquitiba e São Lourenço:  no Sistema Sede de São Lourenço da Serra, há captação de 17 l/s de água bruta a fio d’água no rio São Lourenço, na área urbana da cidade.  no Sistema Paiol do Meio, sistema independente que atende comunidades localizadas nas imediações da BR‐116, próximo da divisa entre São Lourenço da Serra e Juquitiba, há captação superficial também no rio São Lourenço, de 14 l/s.  no sistema que atende a Sede de Juquitiba, há captação superficial no ribeirão dos Godinhos, afluente do rio São Lourenço, de 30 l/s. No total, os dois municípios captam cerca de 60 l/s na bacia do São Lourenço para abastecimento público. Disposição de Efluentes. As águas dos rios São Lourenço e Juquiá constituem corpo receptor das cargas poluidoras provenientes das atividades humanas na bacia. Conforme dados do SNIS (2006), a população urbana servida com rede de coleta de esgoto e tratamento é de 3.080 pessoas em São Lourenço da Serra e 2.910 em Juquitiba, totalizando cerca de 6.000 habitantes que têm seus esgotos lançados, após tratamento, na sub‐bacia do rio São Lourenço. O esgoto gerado pela população urbana não servida por rede coletora e pela população rural (cerca de 42.840 pessoas na bacia do Alto Juquiá) em geral é disposto em fossas sépticas residenciais ou sumidouros. Esse esgoto sofre uma depuração parcial na passagem pelo solo e termina por afluir aos cursos de água na forma de cargas difusas. Nas bacias do Guarapiranga e Billings, as cargas difusas oriundas do esgoto doméstico disposto mediante sistemas individuais constituem a principal fonte da poluição por fósforo afluente a essas represas.
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    SISTEMA PRODUTOR SÃOLOURENÇO sabesp 27 4.3. Qualidade das Águas A CETESB mantém monitoramento bimestral (6 campanhas anuais) de diversos parâmetros e indicadores de qualidade da água no rio Juquiá, à montante da foz do rio São Lourenço (este local não sofre influência das cargas poluidoras recebidas pelo rio São Lourenço). A comparação dos resultados do monitoramento da CETESB com os padrões da Resolução CONAMA nº 357/05 para a Classe 1 mostra pequenas não‐conformidades para os parâmetros DBO e OD, desde 2003. O mesmo foi observado para os parâmetros Coli Termo e toxicidade, que revelaram ultrapassagem dos padrões nos anos 2005, 2006 e 2007. Também se constatam ultrapassagens esporádicas dos valores permitidos para os parâmetros Alumínio, Fósforo Total, Fenóis, Níquel, Cobre, Ferro e Cloreto. Os índices médios do Índice de Qualidade das Águas para fins de Abastecimento Público (IAP) e do Índice de Qualidade das Águas (IQA) indicam classificação Boa para a qualidade das águas no rio Juquiá no ponto monitorado. O Índice de Qualidade das Águas para Proteção da Vida Aquática (IVA) é prejudicado pela sistemática toxicidade crônica à Ceriodaphnia dubia, detectada na maioria das coletas, determinando a classificação Aceitável. Não há informação sobre a causa desta situação. Esta toxicidade refere‐se à fauna aquática, e não afeta a qualidade da água para consumo humano. O Estudo de Concepção do SPSL incluiu a realização de 11 campanhas de coleta de amostras e determinação da qualidade da água bruta nos rios Juquiá e São Lourenço, à montante da confluência dos mesmos (Pontos P1 e P2) e em quatro pontos do reservatório Cachoeira do França (pontos P4 a P7, em superfície, meio e fundo), associados aos possíveis locais de captação. O trabalho incluiu também a determinação da qualidade dos sedimentos no reservatório (pontos P4 a P7 e mais o ponto P3, no remanso do rio Juquiá no reservatório). As coletas foram realizadas em dois períodos: Set‐Dez 2008 e Jul‐Ago 2009. As campanhas permitiram determinar um amplo leque de dezenas de parâmetros físico‐ químicos, bacteriológicos, hidrobiológicos, compostos orgânicos, toxicidade, estratificação e estado trófico, tendo em vista cobrir tanto os parâmetros relevantes para a potabilização da água e a qualidade da água tratada, quanto parâmetros indicadores das condições ambientais do ecossistema aquático, em vários níveis da coluna de água e nos sedimentos. Os resultados mostram um reservatório com água de qualidade muito boa para abastecimento público após tratamento convencional. O reservatório apresenta estratificação térmica e química não muito acentuada, mas com qualidade de água boa na camada inferior (hipolímnio), e estado mesotrófico, com níveis de fósforo e clorofila‐a dentro dos limites recomendáveis. A composição do fitoplancton indica baixa presença de algas cianofíceas e baixos níveis de MIB e Geosmina, apontando uma condição favorável para assegurar a produção de água tratada de boa qualidade (sem gosto nem odor) com menores requerimentos no tratamento na ETA. Os resultados dos ensaios indicam que as águas do reservatório atendem, de forma geral, os limites da Resolução CONAMA 357/05. As concentrações dos 47 compostos orgânicos (tóxicos) pesquisados foram todas inferiores aos limites de detecção dos métodos utilizados. A qualidade dos sedimentos em geral atende os limites da Resolução CONAMA 344/04. A qualidade da água também é boa, de forma geral, em termos de proteção do ecossistema aquático. A principal exceção é a ocorrência generalizada de toxicidade a Ceriodaphnia dubia, com algum decréscimo de freqüência no sentido de jusante no braço principal do rio Juquiá,
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    SISTEMA PRODUTOR SÃOLOURENÇO sabesp 28 mas com ocorrência também no rio São Lourenço (ponto P2) e no braço do rib. Laranjeiras (ponto P7), mostrando tratar‐se de uma característica geral da bacia do Alto Juquiá. Esta toxicidade refere‐se à fauna aquática, e não afeta a qualidade da água para consumo humano. FIGURA 4.2 - LOCAIS DE COLETA DE AMOSTRAS PARA ESTUDOS DE QUALIDADE DE ÁGUA 4.4. Estudos de Tratabilidade O Estudo de Concepção incluiu estudos de tratabilidade da água bruta do reservatório Cachoeira do França, para subsidiar o projeto da ETA. Os estudos foram conduzidos em período seco e úmido e abrangeram ensaios em nível de bancada sob a forma de “Jar Tests” e em escala piloto (ETA Piloto). 4.4.1. Ensaios em Escala de Bancada A Tabela 4.2 resume as conclusões de tratabilidade em escala de bancada relativamente aos principais parâmetros de avaliação: eficiências de remoção de cor aparente, turbidez e partículas na faixa 2‐40 micra. TABELA 4.2 - RESUMO DE TRATABILIDADE EM ESCALA DE BANCADA O melhor coagulante Remoção de Cor Aparente Remoção de Turbidez Remoção de Partículas P4 P5 P6 P4 P5 P6 P4 P5 P6 Em tempo seco PAC PAC PAC SA PAC PAC SF SF SF Em tempo úmido PAC SA PAC PAC SA PAC PAC PAC PAC PAC: Policloreto de Alumínio SA: Sulfato de Alumínio SF: Sulfato Férrico Em termos globais, o coagulante PAC apresentou os melhores resultados de tratabilidade. Adicionalmente, tanto em tempo seco como em tempo úmido, as dosagens ótimas de PAC foram substancialmente menores que as dosagens ótimas correspondentes de SF ou SA para a mesma água bruta. Sais de ferro (Sulfato Férrico, Cloreto Férrico – este testado somente em
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    SISTEMA PRODUTOR SÃOLOURENÇO sabesp 29 escala piloto) levaram à formação de flocos mais densos e mais resistentes ao cisalhamento no decantador e filtros que sais de alumínio (Policloreto de Alumínio ou Sulfato de Alumínio). As diferenças percentuais (eficiências de remoção) entre o melhor e o pior coagulante ficaram na faixa de 1 a 10% para remoção de partículas e na faixa de 11 a 36% para remoção de cor aparente e turbidez. O tempo ótimo de floculação deve estar compreendido na faixa entre 20 e 30 minutos, com tendência de melhora para valores superiores e de piora para os inferiores. 4.4.2. Ensaios em Escala Piloto O regime pluviométrico vigente em 2009 (até o último ensaio piloto em Set 2009) apresentou somente tempo úmido, mesmo durante os meses considerados secos de abril a setembro. Deste modo, os resultados são associados unicamente a tempo úmido. O ciclo de operação da ETA Piloto para cada ensaio de tratabilidade foi dividido em 2 partes: um ensaio curto de 4 horas para estabelecimento das condições ótimas de coagulação‐ floculação da água bruta recebida, seguido por ensaio ininterrupto da ETA Piloto até o final da água bruta disponível para o ensaio, com cerca de 30 horas de operação dos filtros. As seguintes conclusões foram obtidas: Coagulação/floculação A coagulação com PAC ou cloreto férrico (CF) conduziu a excelentes resultados de remoção de turbidez, partículas e COT da água filtrada, assim como a uma melhor remoção de turbidez na água decantada e a uma maior estabilidade de operação do decantador do que a coagulação por sulfato de alumínio. A coagulação com sulfato férrico (SF) apresentou bons resultados de remoção de turbidez (mas não de cor aparente). Na remoção de cor aparente, a coagulação com sal de alumínio foi ligeiramente superior àquela com sal de ferro em escala piloto, em termos da água filtrada produzida. Decantação Produção aparente de lodo: foi função direta da dosagem de coagulante e do tamanho e densidade resultante dos flocos formados. Não foi observada uma relação entre o tipo de coagulante e a produção aparente de lodo, exceto que a coagulação com sal de ferro tendeu a gerar mais lodo no fundo do decantador do que com sal de alumínio. Estabilidade de operação do decantador: a coagulação com sal de ferro conduziu a uma estabilidade superior àquela obtida com coagulação por sal de alumínio. Filtração Remoção de turbidez e cor aparente: As diferenças entre os filtros com relação à turbidez e cor aparente da água filtrada foram pequenas, particularmente com relação à turbidez. Estabilidade de operação dos filtros sem ocorrência de trespasse: os filtros convencionais foram claramente superiores aos filtros de camada profunda. Evolução da perda de carga com o tempo de operação dos filtros: resultados inconclusivos, exceto que nenhum filtro foi superior aos demais. Pode‐se, no entanto, afirmar que na grande maioria dos ensaios as perdas de carga por unidade de tempo não foram elevadas. Remoção de Metais (cromo, chumbo, alumínio e ferro) e Carbono Orgânico Total (COT) pelos filtros: Não houve diferença significativa entre os quatro filtros testados. Tipicamente o COT da
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    SISTEMA PRODUTOR SÃOLOURENÇO sabesp 30 água filtrada ficou na faixa de 30% (coagulação com SA) a 50% (coagulação com PAC) menor que o COT da água bruta. A conclusão não é robusta porque apenas duas baterias de ensaios (dois resultados por filtro, uma por coagulante) foram obtidas. Oxidação como auxiliar de coagulação e de filtração: a aplicação de pré‐oxidante (antes da coagulação) ou de inter‐oxidante (na água decantada antes da filtração) não foi testada, porém pode‐se afirmar com segurança para ambos os casos que uma dosagem otimizada de oxidante (particularmente cloro ou ozônio) teria certamente melhorado o desempenho das operações unitárias de tratamento subseqüentes ao ponto de aplicação do mesmo, independentemente do tipo de coagulante utilizado.
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    SISTEMA PRODUTOR SÃOLOURENÇO sabesp 31 5. ALTERNATIVAS DE CONCEPÇÃO DO SISTEMA PRODUTOR SÃO LOURENÇO 5.1. Condicionantes para a Formulação das Alternativas A vazão de projeto está condicionada à vazão de reversão estipulada no Art. 5º do Decreto de 27 de junho de 1996 da Presidência da República: “Fica preservado o direito de derivação das águas do Alto Juquiá, com reversão de até 4,7 m³/s, para abastecimento público da Região Metropolitana da Cidade de São Paulo.” Foram analisadas as possibilidades de captação no rio Juquiá, à montante da represa, e no reservatório Cachoeira do França. Esta questão influencia fortemente a concepção do Sistema e envolve a disponibilidade hídrica do manancial, a segurança do fornecimento do Sistema Produtor, a qualidade da água bruta, o impacto ambiental e as interferências com outros usos da água. O estudo das alternativas concluiu por captar no reservatório, em locais situados na sua margem direita, próximos da foz do ribeirão Laranjeiras, a meio caminho entre o remanso do rio Juquiá e a UHE França. O objetivo do aproveitamento é adicionar 4,7 m3 /s à disponibilidade hídrica do Sistema Integrado Metropolitano (SIM), tendo como centro de gravidade os municípios da zona oeste da RMSP, hoje atendidos pelos Sistemas Cantareira, Alto Cotia e Baixo Cotia. O SPSL deverá estender‐se desde a captação no Alto Juquiá até perto do rio Tietê em Carapicuíba e Barueri, em uma distância de quase 60 km em linha reta, interligando‐se: (i) com a Alça Oeste do Sistema Produtor Cantareira, em Carapicuíba, e (ii) com a Alça Principal do Sistema Produtor Baixo Cotia, em Barueri, e (iii) com as adutoras do Sistema Produtor Alto Cotia que atendem Caucaia do Alto e Vargem Grande Paulista. A conformação geográfica do território, o sentido geral N‐NE do caminhamento entre os pontos inicial e final e a presença de grandes maciços de matas ‐ tanto no divisor de águas entre as bacias do Alto Juquiá e Embu Guaçu, como na Reserva Estadual Morro Grande e seu entorno ‐ determinaram a organização das possíveis opções de traçado do sistema de reversão em três grandes corredores ou diretrizes: Guarapiranga, Itapecerica e Ibiúna ‐ Cotia. A diretriz Guarapiranga constitui tentativa de adaptar o anterior Projeto Juquitiba aos atuais critérios de projeto. Pressupõe desviar para leste, transpor a área de mata densa no divisor Alto Juquiá – Embu Guaçu em túnel, implantar a Estação de Tratamento de Água (ETA) nas proximidades da represa Guarapiranga e seguir com a adutora de água tratada rumo norte, em direção a Carapicuíba. A diretriz Itapecerica consiste em passar a leste da Reserva Estadual Morro Grande, aproveitando o corredor antropizado da rodovia Régis Bittencourt, implantar a ETA em Itapecerica, próximo do divisor Alto Juquiá – Embu Mirim, e seguir com a adutora de água tratada, que coincide com o traçado da diretriz Guarapiranga a partir do centro de Embu. A diretriz Ibiúna ‐ Cotia propõe passar a oeste da Reserva, implantar a ETA em Caucaia do Alto no município de Cotia e seguir com a adutora de água tratada em direção a Carapicuíba, adotando um caminhamento mais periférico em relação à mancha conurbada da metrópole, mais próximo dos centros de consumo críticos que o SPSL deverá atender. A Figura 5.1 apresenta a localização geográfica das diretrizes e alternativas consideradas. As alternativas de traçado estudadas em cada diretriz são apresentadas em seções específicas.
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    PE da Serrado Mar RPPN Fazenda Meandros III RPPN Fazenda Meandros II da Serra Itapecerica da Serra Diretriz Itapecerica Diretriz Ibiuna - Cotia Diretriz Guarapiranga Bacia Bacia Itupararanga Bacia Alto-Cotia Bacia Guarapiranga Bacia Bacia Baixada Santista Bacia Ribeira do Iguape Juquitiba Cotia Embu Osasco Jandira Itapevi Barueri Vargem Grande Paulista da Serra Juquitiba Caieiras Pirapora do Bom Jesus Cajamar PEC Guarapiranga Principais Pontos do S.I.M. Osasco Barueri Itapevi Cotia Cotia Cotia Cotia Cotia Embu da Serra da Serra Juquitiba Juquitiba Reserva Estadual Morro Grande ETA COTIA 2 ETA COTIA 1 ITAPECERICA ETA ALVORADA RPPN Fazenda Meandros I Diretriz Ibiuna - Cotia Diretriz Itapecerica Diretriz Guarapiranga Diretriz Itapecerica NM Figura 5.1 HORTIFRUTIGRANJEIRO MATA CAPOEIRA REFLORESTAMENTO RODOVIAS ENCIBRA S. A. Estudos e Projetos de Engenharia
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    SISTEMA PRODUTOR SÃOLOURENÇO sabesp 33 O elevado custo por metro de adutora favorece a escolha de traçados retilíneos, com a menor extensão possível. Entretanto, as zonas rurais atravessadas apresentam, em todas as alternativas, relevo muito acidentado e com significativa cobertura de vegetação natural, em áreas com diferente status de proteção ambiental. A opção de projeto foi adotar traçados ao longo de estradas vicinais ou intermunicipais (que já seguem uma rota aplainada), com eventuais pequenos trechos de interligação entre elas. Esta decisão permite minimizar obras de corte e aterro em relevo acidentado, o desmatamento de vegetação significativa, a fragmentação de ecossistemas, a desapropriação ou imposição de servidão em longas faixas e os impactos ambientais nas bacias atravessadas. Esses fatos contribuem de forma notável para a viabilidade ambiental e institucional do Sistema Produtor proposto. Todas as alternativas requerem significativo bombeamento de água bruta (a partir do reservatório na cota 640 msnm) para transpor o divisor de águas entre o Alto Juquiá e as bacias vizinhas: bacia do Embu Guaçu na diretriz Guarapiranga, do Embu Mirim na diretriz Itapecerica, e do Sorocaba na diretriz Ibiúna ‐ Cotia. As duas primeiras diretrizes requerem uma altura de recalque menor para a água bruta, pois transpõem o divisor em túnel na cota 800 m e 850 m, respectivamente. Entretanto, elas requerem um recalque significativo na saída da ETA, pois a adutora de água tratada precisa atravessar locais em cotas elevadas, da ordem de 900 m, nas proximidades de Embu. Na diretriz Ibiúna ‐ Cotia não foi viável a execução de túnel para transpor o divisor de águas, devido à longa extensão a ser percorrida, tendo como conseqüência um recalque maior na água bruta (divisor na cota 960 m), mas menor na água tratada, resultando em uma altura de recalque total bastante similar à dos caminhamentos analisados nas demais diretrizes. As alternativas de localização da ETA foram analisadas de forma específica para cada diretriz e alternativa, como parte dos estudos de definição do traçado, em âmbito local. Os principais critérios de projeto adotados para a formulação e o dimensionamento das alternativas consideradas no Estudo de Concepção do SPSL são os seguintes:  Utilização de imagens de satélite, fotografias aéreas, mapas e bases cartográficas existentes para o estabelecimento de diretrizes e na formulação de alternativas de implantação;  Interrupção do bombeamento durante o horário de pico de consumo de energia, por um período mínimo de 4 horas, para obtenção do benefício de redução da tarifa horo‐sazonal;  Adoção de vazão de captação e adução de 6 m3 /s para fins de dimensionamento do sistema de reversão, que, para um período diário de operação em torno de 20 horas implique na retirada do mesmo volume de água bruta autorizado para fins de abastecimento da RMSP;  Utilização de duplo recalque sempre que os desníveis geométricos mínimos superem 200 mca, de forma a possibilitar a utilização de equipamentos com fabricação nacional e comumente utilizados em instalações existentes da Sabesp;  Dimensionamento da ETA para a vazão média diária de 5,0 m3 /s, próxima à vazão autorizada de 4,7 m3 /s, e para a vazão máxima diária de 6,0 m3 /s, considerando o coeficiente do dia de maior consumo (K1) igual a 1,2;
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    SISTEMA PRODUTOR SÃOLOURENÇO sabesp 34  Utilização de Reservatório de Compensação de Água Bruta (RCAB) para regularização da vazão a ser tratada e suprir a ETA durante a parada do bombeamento de água bruta no reservatório Cachoeira do França;  Dimensionamento de todo o Sistema de Adução de Água Tratada do SPSL para a vazão máxima diária;  Consideração de todos os estudos e projetos já elaborados para fins de utilização das águas do rio Juquiá no abastecimento da RMSP. 5.2. Captação de Água Bruta 5.2.1. Alternativas de Captação Foram estudadas as diversas possibilidades de captação de água bruta para suprir o SPSL: a fio d’água no rio Juquiá e com tomada direta no reservatório (vide Figura 5.2). A captação no rio Juquiá, à montante do reservatório Cachoeira do França, deve estar localizada, necessariamente, no pequeno trecho de 7 km entre a foz do rio São Lourenço e o remanso do reservatório, uma vez que:  a captação teria que ser feita a fio d’água, sem regularização, pois: (i) a criação de um novo reservatório de regularização no trecho seria ambientalmente inviável; e (ii) uma eventual barragem teria capacidade de regularização bastante limitada; e  somente com a contribuição do rio São Lourenço é que o rio Juquiá dispõe de vazão mínima compatível com a vazão objetivo de 4,7 m3 /s a ser captada: QMLT = 13,8 m3 /s e Q7,10 = 5,9 m3 /s (vide Tabela 4.1). O dispositivo de captação consistiria em barragem de elevação de nível, de baixa altura e com soleira vertente, e tomada de água mediante canal lateral. Duas alternativas foram estudadas (Figura 5.2): (i) Área 1: barragem a cerca de 1.200 m à jusante da foz do São Lourenço e instalações na margem esquerda do rio Juquiá; e (ii) Área 2: barragem logo à montante do remanso do reservatório Cachoeira do França e instalações similares na margem direita do rio Juquiá. A captação a fio d’água apresenta um sério problema de disponibilidade hídrica, pois a vazão mínima Q7,10 é de 5,9 m3 /s na seção da Área 1 e 6,5 m3 /s na seção da Área 2. Dessa forma a captação de 6,0 m3 /s implicaria em praticamente “secar” o trecho à jusante da barragem em épocas de estiagem severa. O trecho do rio Juquiá entre a ponte da rodovia Régis Bittencourt e o remanso do reservatório Cachoeira do França é bastante utilizado para a prática de canoagem (“rafting”). Vários clubes de canoagem estão estabelecidos nesse setor e desde há muitos anos o local é palco freqüente de competições de âmbito nacional e internacional. Esta atividade esportiva é desenvolvida em um contexto de ecoturismo, acoplada com passeios por trilhas no meio da mata e visitas guiadas para apreciação da exuberante paisagem natural. Esta atividade esportiva e ecoturística tem significado econômico importante para o município de Juquitiba, o qual desde os anos 1970 está sujeito a restrições para atração de atividades industriais em função da Lei de Proteção de Mananciais.
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    SISTEMA PRODUTOR SÃOLOURENÇO sabesp 35 A construção de barragem de elevação de nível no rio Juquiá para captação a fio de água inviabilizaria a atividade de canoagem, o que teria importante impacto socioeconômico local e entraria em conflito com recomendação expressa do Comitê da Bacia do Ribeira. A captação no reservatório Cachoeira do França evita qualquer interferência com a prática de canoagem no rio Juquiá e permite, na prática: (i) ampliar a bacia de contribuição afluente à captação a todo o setor do Alto Juquiá à montante da barragem de França; e (ii) aproveitar a capacidade de regularização do reservatório. O acréscimo na bacia de contribuição implica em praticamente dobrar as vazões naturais afluentes médias e mínimas (QMLT passa de 14‐15 para 27,4 m3 /s, e o Q7,10 passa de 6 para 11,1 m3 /s). A regularização permite quase duplicar as vazões garantidas, passando de cerca de 11‐12 m3 /s de afluência natural na seção da barragem de França, por ocasião de estiagem severa, para 22,3 m3 /s de vazão com garantia de 95%. A captação no reservatório também permite aproveitar a autodepuração natural das águas afluentes e o amortecimento das variações bruscas de qualidade associadas a enxurradas, e não coloca obstáculos ao deslocamento da fauna aquática. O Estudo de Concepção concluiu pela inviabilidade técnica e ambiental da captação a fio d’água no rio Juquiá, e pela necessidade de captação no reservatório Cachoeira do França. Destaca‐se que este reservatório faz parte do Alto Juquiá e está abrangido na reserva de vazão para abastecimento da RMSP, estabelecida no referido Decreto Federal de 1996, e constante do contrato de concessão do potencial hidrelétrico firmado pela CBA com a ANEEL. 5.2.2. Captação no Reservatório Cachoeira do França Quatro locais alternativos para localização da Captação e da Estação Elevatória de Água Bruta (EEAB) foram considerados, buscando‐se: (i) locais com profundidade suficiente para permitir a submergência dos equipamentos de recalque, mesmo com o deplecionamento do nível do reservatório para fins de geração de energia; e (ii) áreas já antropizadas e com acesso viário, onde o impacto ambiental decorrente das obras fosse menor. Os locais estudados (vide Figura 5.2) são:  Área 3: Península na margem direita – MD – do reservatório (“Sítio do Bizarro”). Área com topografia favorável, situada 4.100 m à jusante do remanso do rio Juquiá e 600 m à montante da foz do ribeirão Laranjeiras. Foi adotada como diretriz preferencial para a maioria das alternativas de traçado.  Área 4: Local na margem esquerda – ME – do reservatório (“Pesqueiro”). Área com declividade mais acentuada, situada 1.800 m à jusante do remanso do rio Juquiá. Foi descartada pela sua localização do lado oposto ao sentido preferencial de desenvolvimento dos traçados e por razões ambientais.  Área 5: Local na MD do reservatório, pouco à jusante da foz do ribeirão Laranjeiras. Ela apresenta topografia desfavorável, dificuldades de acesso e maior impacto ambiental.  Área 6: Local na MD, no braço do reservatório no ribeirão Laranjeiras (“sítio Editora 3”). Península com topografia favorável para a implantação das estruturas da captação e EEAB. Foi adotada nas alternativas da diretriz Ibiúna ‐ Cotia, e selecionada na concepção final.
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    SISTEMA PRODUTOR SÃOLOURENÇO sabesp 36 FIGURA 5.2 - LOCAIS DE CAPTAÇÃO ESTUDADOS Foram analisadas soluções de captação em canal, captação flutuante e captação mediante túnel. Uma primeira conclusão foi que todas essas alternativas técnicas são compatíveis com a concepção hidráulica básica estabelecida para o Sistema Produtor e com os possíveis locais de captação. Assim, a escolha do tipo de captação ficou para o ajuste final da alternativa selecionada, atividade a ser desenvolvida após a escolha e antes do detalhamento do projeto básico do SPSL. O reservatório Cachoeira do França tem seus níveis operacionais máximo e mínimo (NAmax. e NAmin.) nas cotas 640,0 m e 623,0 m, respectivamente. Todas as alternativas de captação no reservatório pressupõem limitar o NAmin. operacional em cota superior ao atual valor de 623 m, pois o dispositivo de tomada d’água deve garantir a submergência dos equipamentos de recalque para a não ocorrência de vórtices na sucção. A única forma de manter a captação operando com o reservatório em cota 623,0 m seria localizar a tomada de água junto da barragem, próximo à tomada d’água do conduto forçado que alimenta as turbinas da UHE, o que implicaria em interferências físicas e operacionais com os dispositivos de geração de energia. A Sabesp estabeleceu um nível de interesse para o projeto e está negociando com a CBA a limitação de deplecionamento do NAmin. operacional do reservatório na cota 630 m. O gráfico dos níveis mensais registrados pela CBA entre Ago 1958 e Ago 2008 (Figura 5.3) mostra que: (i) o nível mínimo histórico registrado nesses 50 anos de existência do reservatório ocorreu em Ago 1964 e Ago 1965 com valor 624,30 m; (ii) desde 1986 (já faz 24 anos) não se registraram níveis inferiores a 630 m; e (iii) desde 1972 (últimos 38 anos), níveis inferiores à cota 630 m foram registrados em apenas duas ocasiões.
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    SISTEMA PRODUTOR SÃOLOURENÇO sabesp 37 FIGURA 5.3 - VARIAÇÃO DOS NÍVEIS MENSAIS DO RESERVATÓRIO CACHOEIRA DO FRANÇA As batimetrias realizadas confirmaram que os dois locais pré‐selecionados para captação (sítio do Bizarro e sítio Editora Três) dispõem de profundidade adequada próximo da margem para que a tomada de água possa operar com NAmin. na cota 630 m. A Figura 5.4 apresenta a localização das seções batimétricas realizadas no braço do ribeirão Laranjeiras e a Figura 5.5, a seguir, ilustra a batimetria do braço do reservatório na altura do local da captação. FIGURA 5.5 - BATIMETRIA DO BRAÇO DO RESERVATÓRIO NO LOCAL DA CAPTAÇÃO
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    SISTEMA PRODUTOR SÃOLOURENÇO sabesp 39 5.3. Diretriz Guarapiranga 5.3.1. Considerações Gerais A diretriz Guarapiranga decorre do antigo Projeto Juquitiba (1995) e explora modificações que permitam superar os problemas do projeto original. O objetivo principal é atravessar a bacia do Alto Juquiá na menor extensão possível, transpor em túnel o divisor com a bacia do Embu Guaçu na altura das cabeceiras do ribeirão Santa Rita, implantar a ETA nas proximidades da represa Guarapiranga e seguir com a adutora de água tratada rumo norte, em direção a Carapicuíba. O bombeamento de água bruta é feito por duas estações elevatórias em série: a primeira EEAB fica na captação do reservatório, com altura de recalque da ordem de 170 m, e a segunda EEAB próxima do emboque do túnel, com altura de recalque diferente em cada caso, de forma a alcançar a respectiva ETA. A partir do desemboque do túnel, as três alternativas consideradas: Santa Rita ‐ Alvorada, Alvorada e Embu Guaçu seguem por caminhamentos próprios, com duas soluções de localização de ETA: ETA Alvorada para as duas primeiras, e ETA Embu Guaçu para a última. Nas alternativas Santa Rita ‐ Alvorada e Alvorada, a adutora de água tratada AAT‐1 sai da ETA Alvorada e chega aos pontos de interligação com o Sistema Integrado Metropolitano (SIM) em Carapicuíba e Barueri, passando pelo centro de Embu e da Granja Viana. Na alternativa Embu Guaçu, a adutora de água tratada AAT‐2 sai da ETA Embu Guaçu com igual destino, e segue um traçado comum com a AAT‐1 a partir da zona central de Embu. Os trechos que diferenciam estas alternativas entre si estão integralmente localizados na bacia do Guarapiranga. As seções a seguir descrevem as alternativas de traçado do Sistema de Adução de Água Bruta e de localização da ETA, e, na seqüência, os respectivos traçados da adutora de água tratada. 5.3.2. Adução de Água Bruta  Alternativa Santa Rita ‐ Alvorada Esta alternativa é similar ao antigo Projeto Juquitiba, mas com captação no reservatório Cachoeira do França e adutora de água tratada chegando aos pontos de interligação com o SIM em Carapicuíba e Barueri. Suas principais características são:  na saída do túnel as águas são descarregadas nas cabeceiras do ribeirão Santa Rita;  obras de adequação hidráulica são necessárias a partir do desemboque do túnel, ao longo do ribeirão Santa Rita e nas travessias viárias, para comportar a vazão de reversão de 6 m3 /s;  a vazão revertida é conduzida ao reservatório Guarapiranga pela calha do ribeirão Santa Rita e depois pelo rio Embu Guaçu, num desnível topográfico da ordem de 60 m;  uma 3ª EEAB de baixa carga bombeia a água bruta captada no reservatório Guarapiranga até a ETA Alvorada.
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    SISTEMA PRODUTOR SÃOLOURENÇO sabesp 40  Alternativa Alvorada Esta alternativa constitui uma tentativa de manter em parte a concepção original do Projeto Juquitiba, inclusive a ETA Alvorada, mas com adução da água bruta por conduto forçado entre a saída do túnel e a ETA Alvorada. O caminhamento seria por ruas e estradas vicinais, a curta distância do ribeirão Santa Rita, e ruas em áreas urbanas de Itapecerica da Serra e São Paulo. Esta solução visa evitar o grande impacto ambiental que seria causado pela descarga da vazão revertida no ribeirão Santa Rita, além de evitar a mistura de organismos aquáticos de dois mananciais, Juquiá e Guarapiranga, fato este bastante criticado pela SMA na época. Nesta alternativa há necessidade de dissipar em torno de 60 mca na entrada da ETA, decorrente do grande desnível geométrico entre o desemboque do túnel e a ETA Alvorada.  Alternativa Embu Guaçu Esta alternativa mantém a adução de água bruta por recalque em conduto forçado e, depois do desemboque do túnel, busca um local mais favorável para a ETA, em cota mais elevada, de forma a evitar a dissipação de energia das alternativas anteriores e cortar caminho em direção aos pontos de entrega da água tratada, evitando a passagem por longos trechos de ruas urbanas. Quatro alternativas foram estudadas para localização da ETA. A área selecionada já está desmatada e situa‐se em cotas adequadas, próxima à rodovia Prefeito Bento Roger Domingues, SP‐234, na altura do km 46. 5.3.3. Adução de Água Tratada  A partir da ETA Alvorada – AAT‐1 A adutora de água tratada AAT‐1, em aço soldado e com 43,5 km de extensão, tem a função de abastecer os municípios de Embu Guaçu e Itapecerica da Serra, e os Setores de Abastecimento: Barueri Centro, Barueri Tamboré, Barueri Jardim Tupã, Carapicuíba Centro, Carapicuíba COHAB, Carapicuíba Vila Dirce, Jandira, Jandira Mirante, Itapevi e Santana de Parnaíba ‐ Gênesis. A configuração do Sistema de Adução de Água Tratada nesta alternativa, considerada no Estudo de Concepção do SPSL, é mostrada na Figura 5.6, a seguir.
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    SISTEMA PRODUTOR SÃOLOURENÇO sabesp 41 FIGURA 5.6 - SISTEMA DE ADUÇÃO DE ÁGUA TRATADA ASSOCIADO À AAT-1  A partir da ETA Embu Guaçu – AAT‐2 A adutora de água tratada AAT‐2, em aço soldado e com 47,5 km de extensão, tem uma derivação em sentido sul para abastecer o município de Embu Guaçu. A linha principal segue em sentido norte para abastecer os setores Itapecerica Campestre e Itapecerica Centro, com pequeno trecho em túnel. A AAT‐2 deriva para a lateral da rodovia Régis Bittencourt, segue em sentido norte e a partir do centro de Embu adota o mesmo traçado da AAT‐1, com interligações para atender os setores: Barueri Centro, Barueri Tamboré, Barueri Jardim Tupã, Carapicuíba Centro, Carapicuíba COHAB, Carapicuíba Vila Dirce, Jandira, Jandira Mirante, Itapevi e Santana de Parnaíba ‐ Gênesis. A área de influência da AAT‐2 é a mesma da AAT‐1. A configuração do Sistema de Adução de Água Tratada nesta alternativa, considerada no Estudo de Concepção do SPSL, é mostrada na Figura 5.7, a seguir.
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    SISTEMA PRODUTOR SÃOLOURENÇO sabesp 42 FIGURA 5.7 - SISTEMA DE ADUÇÃO DE ÁGUA TRATADA ASSOCIADO À AAT-2 5.3.4. Resumo das Alternativas da Diretriz Guarapiranga As Figuras 5.8 e 5.9 apresentam, respectivamente, o traçado em planta dos Sistemas de Adução de Água Bruta e de Água Tratada das alternativas da diretriz Guarapiranga. A Figura 5.10 a seguir apresenta o Perfil Reduzido e Linha Piezométrica da alternativa Embu Guaçu e respectiva AAT‐2, que é aquela que o estudo indicou como a melhor opção da diretriz Guarapiranga.
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    SISTEMA PRODUTOR SÃOLOURENÇO sabesp 43 FIGURA 5.10 - PERFIL REDUZIDO E LINHA PIEZOMÉTRICA: ALTERNATIVA EMBU GUAÇU 600 650 700 750 800 850 900 950 1000 0 10.000 20.000 30.000 40.000 50.000 60.000 70.000 80.000 90.000 100.000 110.000 Distância (m) Cota (m) L = 104.343m EEAB‐01 AMT = 170,01m Pot M = 4.400 CV EEAB‐02 AMT = 71,38m Pot M = 1.900 CV SIM ETA EEAT AMT = 146,04m Pot M = 3.700 CV
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    SISTEMA PRODUTOR SÃOLOURENÇO sabesp 46 5.4. Diretriz Itapecerica 5.4.1. Considerações Gerais As alternativas desta diretriz foram formuladas considerando a captação na margem direita (MD) do reservatório. Os traçados das alternativas sobem rumo norte em direção a Carapicuíba e Barueri passando pelo corredor antropizado no entorno da rodovia Régis Bittencourt; situado entre a Reserva Estadual Morro Grande a oeste e o maciço de matas a leste que recobre o divisor de águas Alto Juquiá – Embu Guaçu e Embu Mirim – Embu Guaçu. A ETA Itapecerica localiza‐se logo após a transposição do divisor Alto Juquiá – Embu Mirim. Esta diretriz compreende quatro traçados alternativos para a adução de água bruta, todos os quais têm como destino a ETA Itapecerica. Uma das alternativas de traçado é o caminhamento pela lateral da rodovia Régis Bittencourt, após percorrer o trecho de 11,6 km entre a captação e as proximidades da cidade de Juquitiba, no mesmo traçado da diretriz Guarapiranga. As outras três alternativas da diretriz Itapecerica exploram outros possíveis corredores antropizados entre a captação e a ETA, seguindo por estradas vicinais que permitam a maior aproximação possível à ETA. As estradas das Laranjeiras e dos Padeiros atravessam áreas com forte presença de matas, sendo que a partir da segunda metade, estes traçados da água bruta enfrentam um relevo mais acidentado e cobertura mais densa de matas ao atravessar trecho da Serra de Paranapiacaba. A transposição do divisor e a chegada à ETA devem ser feitos necessariamente em túnel, pois estes traçados passam sob o limite sul da Reserva Estadual Morro Grande, em terrenos situados próximo de cota 1000 e com densa cobertura de matas. Quatro alternativas foram estudadas para localização da ETA Itapecerica. A área adotada está situada na altura do Km 297 da rodovia, junto à pista sentido Curitiba. Para a adução de água tratada, a diretriz Itapecerica (AAT‐3) segue pela lateral da rodovia Régis Bittencourt por aproximadamente 14,5 km, passa pelo centro de Embu e, a partir daí, coincide com o traçado da AAT‐1 que vem da ETA Alvorada. O trecho final até Barueri é comum a todas as alternativas das diretrizes Guarapiranga e Itapecerica. 5.4.2. Adução de Água Bruta  Alternativa Régis Nos primeiros 11,6 km segue por estradas vicinais e por ruas que contornam pelo oeste a área urbana da cidade Juquitiba. Depois, segue por 29,4 km pela lateral da rodovia Régis Bittencourt até a ETA, incluindo no caminho quatro túneis com extensão total de 4,2 km. Considerando a dificuldade técnica e institucional de instalar a adutora na faixa de domínio da rodovia, definiu‐se um traçado que segue, em muitos trechos, o eixo da linha de postes no limite da faixa de domínio da rodovia e, em outros casos, ruas laterais, onde houver. Em conseqüência, o traçado enfrenta um relevo bem mais movimentado que o das alternativas que seguem pelas estradas vicinais, galgando taludes íngremes em meia encosta e transpondo vales profundos, mesmo que a curta distância da rodovia, sem poder beneficiar‐se da regularização do relevo ao longo da rodovia. Apesar dos cuidados, é provável que em muitos trechos haja necessidade de utilizar o acostamento e a lateral da plataforma da rodovia como área de apoio às obras.
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    SISTEMA PRODUTOR SÃOLOURENÇO sabesp 47  Alternativa Padeiros 1 A alternativa Padeiros 1 segue por estradas vicinais até tomar o rumo da estrada dos Padeiros; transpondo em túnel um trecho em que os trabalhos na estrada implicariam em impacto maior na vegetação adjacente. No final da estrada dos Padeiros, o traçado encontra uma região de relevo bastante acidentado e cobertura de matas, que é atravessada por dois túneis, até alcançar a ETA. A Alternativa Padeiros 1 tem o traçado mais retilíneo entre a captação e a ETA, por isso apresenta a menor extensão total dentre todas as alternativas estudadas para esta diretriz: 79,8 km (AAB+AAT), mas também a maior extensão de túneis: 18,3 km.  Alternativa Laranjeiras Segue por estradas vicinais em traçado que deriva para o norte para depois tomar o rumo da estrada das Laranjeiras, próximo do ribeirão homônimo. O vale deste ribeirão apresenta maior grau de antropização que o eixo da estrada dos Padeiros, e o traçado segue por estradas mais largas, o que reduz as interferências sócio‐ambientais nas laterais das estradas. No Km 32,3 o traçado sai da estrada das Laranjeiras e sobe até Reservatório de Compensação de Água Bruta (RCAB) localizado em ponto alto nas cabeceiras do ribeirão Laranjeiras. A ligação entre o reservatório e a ETA é feita por gravidade em adutora pressurizada instalada no interior de túnel que passa sob o setor de mata densa da Serra de Paranapiacaba. A alternativa Laranjeiras tem extensão total de 83,3 km, algo maior que a da Alternativa Padeiros 1, mas com menor extensão de túnel: 8,4 km.  Alternativa Padeiros 2 Esta alternativa combina os traçados das alternativas Padeiros 1 e Laranjeiras, com algumas variações. Segue inicialmente pelas mesmas estradas vicinais, também transpondo em túnel e em vala, embora em posições diferentes daqueles da alternativa Padeiros 1, o trecho correspondente à estrada dos Padeiros. No final da estrada dos Padeiros, ao invés de entrar em túnel, ela deriva para o eixo da estrada das Laranjeiras por estrada vicinal que passa entre áreas de reflorestamento. A partir da interseção com a estrada das Laranjeiras, a Alternativa Padeiros 2 segue o mesmo traçado da Alternativa Laranjeiras até a ETA. A Alternativa Padeiros 2 tem uma extensão total de 82,4 km com 11,8 km de túnel. 5.4.3. Adução de Água Tratada A adutora de água tratada AAT‐3, em aço soldado e com 41,7 km de extensão segue paralelamente à Rodovia Régis Bittencourt, até a primeira derivação que irá abastecer os municípios de Itapecerica da Serra e Embu Guaçu. A alça principal de adução segue rumo norte, e a partir do centro de Embu adota o mesmo traçado da diretriz Guarapiranga (AAT‐1), com interligações para atender os setores: Barueri Centro, Barueri Tamboré, Barueri Jardim Tupã, Carapicuíba Centro, Carapicuíba COHAB, Carapicuíba Vila Dirce, Jandira, Jandira Mirante, Itapevi e Santana de Parnaíba ‐ Gênesis. A área de influência da AAT‐3 é a mesma da AAT‐1 e AAT‐2. A configuração do Sistema de Adução de Água Tratada nesta diretriz, considerada no Estudo de Concepção do SPSL, é mostrada na Figura 5.11, a seguir.
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    SISTEMA PRODUTOR SÃOLOURENÇO sabesp 48 FIGURA 5.11 - SISTEMA DE ADUÇÃO DE ÁGUA TRATADA ASSOCIADO À AAT-3 5.4.4. Resumo das Alternativas da Diretriz Itapecerica As Figuras 5.12 e 5.13 apresentam, respectivamente, os traçados em planta dos Sistemas de Adução de Água Bruta e de Água Tratada das alternativas da diretriz Itapecerica. A Figura 5.14, a seguir apresenta o Perfil Reduzido e Linha Piezométrica da alternativa Laranjeiras e respectiva AAT‐3, que é aquela que o estudo indicou como a melhor opção da diretriz Itapecerica.
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    SISTEMA PRODUTOR SÃOLOURENÇO sabesp 49 FIGURA 5.14 - PERFIL REDUZIDO E LINHA PIEZOMÉTRICA: ALTERNATIVA LARANJEIRAS 600 650 700 750 800 850 900 950 1.000 1.050 0 10.000 20.000 30.000 40.000 50.000 60.000 70.000 80.000 Distância (m) Cota (m) EEAB II AMT = 142,61 m Pot M = 3.500 CV EEAB I AMT = 125,22 m Pot M = 3.400 CV L = 83.330 m Divisor de Águas EMBU Derivação Barueri‐Tamboré Derivação Vila DIRCE Interligação SIM Baixo Cotia Interligação SIM ‐ Ø 1500mm Derivação Itapecerica EEAT AMT = 101,91 m Pot M = 2.500 CV ETA
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    SISTEMA PRODUTOR SÃOLOURENÇO sabesp 52 5.5. Diretriz Ibiúna ‐ Cotia 5.5.1. Considerações Gerais Os caminhamentos da diretriz Ibiúna ‐ Cotia seguem rumo norte por áreas com forte presença de reflorestamento; passam a oeste da Reserva Estadual Morro Grande, sem afetá‐la, e atravessam a zona oeste da RMSP por zonas urbanas com menor densidade de ocupação que aquelas atravessadas pela adutora de água tratada das diretrizes Itapecerica e Guarapiranga. Topograficamente, após a captação na represa, estes traçados logo se aproximam da Serra de Paranapiacaba e atravessam o divisor Alto Juquiá – Alto Sorocaba, percorrendo depois o planalto de Ibiúna (cabeceiras dos rios Sorocabuçu e Sorocamirim) em cota superior a 900 m. Na bacia do Alto Tietê, continuam em cotas altas e percorrem caminhos próximos do divisor entre as sub‐bacias dos rios São João e Cotia, afluentes do rio Tietê, para depois acompanhar as proximidades da várzea do rio Cotia e a várzea do Tietê. Esta diretriz compreende dois traçados: (i) Alternativa Ibiúna ‐ Cotia 1, com captação na MD do reservatório, no “sítio do Bizarro” (mesmo local de captação considerado nas diretrizes Guarapiranga e Itapecerica) e ETA junto da estrada Beira Rio, e (ii) Alternativa Ibiúna ‐ Cotia 2, com captação no reservatório na MD do braço do ribeirão Laranjeiras, “sítio Editora 3”, e ETA junto à estrada dos Pereiras. Ambos locais de ETA estão situados no distrito de Caucaia do Alto, no município de Cotia, em áreas antropizadas. As adutoras de água tratada de cada alternativa partem das respectivas EEATs, localizadas na área da respectiva ETA, e abastecem os setores de Caucaia do Alto e Atalaia (município de Cotia), e os municípios de Vargem Grande Paulista, Itapevi, Jandira, Barueri, Carapicuíba e Santana de Parnaíba. A configuração do Sistema de Adução de Água Tratada nesta diretriz, considerada no Estudo de Concepção do SPSL, é mostrada na Figura 5.15, a seguir. FIGURA 5.15 - SISTEMA DE ADUÇÃO DE ÁGUA TRATADA ASSOCIADO À AAT-4
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    SISTEMA PRODUTOR SÃOLOURENÇO sabesp 53 5.5.2. Adução de Água Bruta  Alternativa Ibiúna ‐ Cotia 1 Segue inicialmente por estradas vicinais no município de Juquitiba, com 14,6 km em comum com a alternativa Laranjeiras da diretriz Itapecerica. Depois, entra em Ibiúna e segue por estradas vicinais nos municípios de Ibiúna e Cotia, a maior parte em vala, com 4 pequenos túneis que totalizam 1,3 km. A ETA Cotia 1 localiza‐se junto à estrada Beira Rio, pouco depois do traçado entrar no município de Cotia. O traçado em planta no município de Ibiúna é similar nas alternativas Ibiúna ‐ Cotia 1 e 2, mas com perfis longitudinais diferentes, já que a adutora de água bruta da Ibiúna ‐ Cotia 2 não tem túneis.  Alternativa Ibiúna ‐ Cotia 2 Esta alternativa tem captação no reservatório, na MD do braço do ribeirão Laranjeiras, no “sítio Editora 3”, no município de Ibiúna. Nos primeiros 7,0 km, o traçado se desenvolve por estradas internas de fazendas de reflorestamento, que deverão ser ampliadas e melhoradas durante as obras. Após o assentamento da adutora, uma estrada deverá ser implantada para acesso à captação e estação elevatória na fase de operação, seguindo basicamente o eixo da adutora. O traçado segue em vala por estradas vicinais nos municípios de Juquitiba e Ibiúna, e sobe a serra de Paranapiacaba pela estrada Verava, onde se situam as instalações da EEAB‐2 e do Reservatório de Compensação de Água Bruta (RCAB). Após o reservatório, o traçado continua em vala, por gravidade, rumo ao norte por estradas vicinais nos municípios de Ibiúna e Cotia, contorna o núcleo urbano de Caucaia do Alto, e segue até a ETA Cotia 2, situada ao norte da estrada dos Pereiras. 5.5.3. Adução de Água Tratada  AAT‐4 Cotia 1: a partir da ETA Cotia 1 A adutora de água tratada (AAT‐4 Cotia 1) segue em vala por estradas vicinais, cruza em túnel trecho de 2,9 km e em seguida atravessa o núcleo urbano de Caucaia do Alto. Depois segue pela estrada de Caucaia até a rodovia Raposo Tavares, que atravessa em túnel de 1,3 km de extensão, o qual desemboca junto ao Reservatório de Compensação Granja Carolina (RCGC). A partir do RCGC, a AAT‐4 Cotia 1 continua por mais 20,6 km em vala, até a interligação com a Alça Oeste do Sistema Produtor Cantareira, na adutora Carapicuíba ‐ Tamboré. O traçado da AAT‐4 Cotia 1 percorre os municípios de Vargem Grande Paulista, Cotia, Itapevi, Jandira, Barueri, Carapicuíba e Santana de Parnaíba.  AAT‐4 Cotia 2: a partir da ETA Cotia 2 A adutora de água tratada (AAT‐4 Cotia 2) segue pela estrada dos Pereiras e depois pela estrada de Caucaia, atravessa a rodovia Raposo Tavares por método não destrutivo, e depois sob maciço alto em túnel de 1,2 km. Atravessa área de futuro loteamento de alto padrão Granja Carolina, onde se localiza o Reservatório de Compensação Granja Carolina (RCGC). Depois do RCGC, o traçado volta a coincidir com o da Alternativa Ibiúna ‐ Cotia 1, com pequeno trecho diferente. A partir desse ponto, o caminhamento das duas alternativas é o mesmo até a interligação com a alça oeste do Sistema Produtor Cantareira, na adutora Carapicuíba‐Tamboré.
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    SISTEMA PRODUTOR SÃOLOURENÇO sabesp 54 5.5.4. Resumo das Alternativas da Diretriz Ibiúna ‐ Cotia As Figuras 5.16 e 5.17 apresentam, respectivamente, o traçado em planta dos Sistemas de Adução de Água Bruta e de Água Tratada das alternativas da diretriz Ibiúna ‐ Cotia. A Figura 5.18 a seguir apresenta o Perfil Reduzido e Linha Piezométrica da alternativa Ibiúna ‐ Cotia 2 e respectiva AAT‐4, que é aquela que o estudo indicou como a melhor opção da diretriz Ibiúna ‐ Cotia. FIGURA 5.18 - PERFIL REDUZIDO E LINHA PIEZOMÉTRICA: ALTERNATIVA IBIÚNA-COTIA 2 600 650 700 750 800 850 900 950 1.000 1.050 0 10.000 20.000 30.000 40.000 50.000 60.000 70.000 80.000 Distância (m) Cota (m) EEAB II AMT = 180,83 m Pot M = 5.000 CV EEAB I AMT = 192,93 m Pot M = 5.000 CV L = 78.456m Ponte sobre o Rib. Laranjeiras ETA‐EEAT AMT = 38,20m Pot M = 900 CV Ponte sobre o Rib. Laranjeiras RES AB ETA RAT S I M Interligação Baixo Cotia Jandira Mirante Jd. Tupã 5.6. Resumo das Características Físicas das Alternativas Consideradas A Tabela 5.1 apresenta o resumo das características físicas das alternativas consideradas em cada diretriz.
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    SISTEMA PRODUTOR SÃOLOURENÇO 57 sabesp Tabela 5.1 Características Físicas das Alternativas Consideradas Diretriz Alternativa Adução de Água Bruta ‐ AB Adução de Água Tratada ‐ AT Sistema Completo (AB+AT) Adutora Túneis (m) Extensão Adutora AB (m) Elevatórias AB Adutoras (m) Túneis (m) Extensão Adutora AT (m) Elevatória AT Adutoras (m) Túneis (m) Extensão Adutoras (m) Elevatórias Φ 2.100 (m) EEAB AMT (m) Potência (CV) Φ 2.100 Φ 1.800 Φ 1.500 Φ 1.200 AMT (m) Potência (CV) Φ 2.100 Φ 1.800 Φ 1.500 Φ 1.200 AMT (m) Potência (CV) Guara‐ piranga Santa Rita ‐ Alvorada 34.242 7.520 34.242 EEAB‐1 170,28 4.400 35.197 ‐ 3.510 4.803 ‐ 43.510 162,23 4.000 69.439 ‐ 3.510 4.803 7.520 77.752 415,67 10.500 EEAB‐2 45,10 1.100 EEAB‐3 38,06 1.000 Alvorada 70.136 10.720 70.136 EEAB‐1 170,28 4.400 35.197 ‐ 3.510 4.803 ‐ 43.510 162,23 4.000 105.333 ‐ 3.510 4.803 10.720 113.646 402,74 10.200 EEAB‐2 70,23 1.800 Embu Guaçu 56.845 7.520 56.845 EEAB‐1 170,01 4.400 39.185 ‐ 3.510 4.803 1.950 47.498 146,04 3.700 96.030 ‐ 3.510 4.803 9.470 104.343 387,43 10.000 EEAB‐2 71,38 1.900 Itape‐ cerica Régis 41.879 4.222 41.879 EEAB‐1 110,32 2.900 33.425 ‐ 3.510 4.803 ‐ 41.738 101,91 2.500 75.304 ‐ 3.510 4.803 4.222 83.617 345,55 9.000 EEAB‐2 133,32 3.600 Padeiros 1 38.074 18.328 38.074 EEAB‐1 172,49 4.500 33.425 ‐ 3.510 4.803 ‐ 41.738 101,91 2.500 71.499 ‐ 3.510 4.803 18.328 79.812 358,36 9.200 EEAB‐2 83,96 2.200 Padeiros 2 40.695 11.860 40.695 EEAB‐1 119,83 3.000 33.425 ‐ 3.510 4.803 ‐ 41.738 101,91 2.500 74.120 ‐ 3.510 4.803 11.860 82.433 369,32 9.200 EEAB‐2 147,58 3.700 Laranjeiras 41.592 8.400 41.592 EEAB‐1 125,22 3.400 33.425 ‐ 3.510 4.803 ‐ 41.738 101,91 2.500 75.017 ‐ 3.510 4.803 8.400 83.330 369,74 9.400 EEAB‐2 142,61 3.500 Ibiúna‐ Cotia Ibiúna‐Cotia 1 37.626 1.325 37.626 EEAB‐1 168,74 4.400 18.013 16.056 4.803 ‐ 6.590 38.872 56,50 1.500 55.639 16.056 4.803 ‐ 7.915 76.498 397,47 10.300 EEAB‐2 172,23 4.400 Ibiúna‐Cotia 2 47.419 ‐ 47.419 EEAB‐1 192,93 5.000 7.761 13.542 4.803 ‐ 1.204 26.106 38,20 900 55.180 13.542 4.803 ‐ 1.204 73.525 411,96 10.900 EEAB‐2 180,83 5.000
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    SISTEMA PRODUTOR SÃOLOURENÇO sabesp 58 6. ANÁLISE E COMPARAÇÃO ENTRE ALTERNATIVAS As nove alternativas de concepção e traçado do Sistema Produtor São Lourenço (SPSL) foram avaliadas através de cotejo econômico‐financeiro, técnico‐operacional, sócio‐ambiental e institucional mediante metodologia de análise multicritério, de forma a instruir de maneira fundamentada a decisão quanto à escolha da solução a ser objeto da elaboração do Projeto Básico do SPSL. Aspectos comuns a todas as alternativas são devidamente considerados na formatação do empreendimento, mas não participam da análise comparativa entre alternativas de traçado. 6.1. Aspecto Econômico‐Financeiro 6.1.1. Custos de Investimento das Alternativas As estimativas dos custos de investimento para cada alternativa foram elaboradas ao nível de concepção, utilizando em parte os preços unitários do Banco de Preços da SABESP (Jun/08), estimativas de custo com base em obras similares já executadas (curvas de custos), pesquisas de mercado e, quando necessário, em estimativas mais detalhadas com fornecedores de equipamentos, como para o caso das estações de bombeamento. Em razão das áreas requeridas serem praticamente as mesmas para todas as alternativas, não se consideraram os custos de desapropriação de áreas para implantação das unidades de produção, assim como os custos das linhas de transmissão, pois os locais de captação, que representam o centro de demanda de energia, estão praticamente em um mesmo sítio, na margem direita do reservatório Cachoeira do França. TABELA 6.1 - CUSTOS DE IMPLANTAÇÃO DE CADA ALTERNATIVA (R$ X 103 ) Diretrizes Alternativas Captação Adução de Água Bruta ETA Adução de Água Tratada Total (R$) Guara‐ piranga Santa Rita ‐ Alvorada 81.407 596.001 174.744 512.254 1.364.407 Alvorada 58.111 962.947 145.620 512.254 1.678.932 Embu Guaçu 58.511 744.600 145.620 538.870 1.487.600 Itape‐ cerica Regis 45.111 546.834 145.620 448.847 1.186.412 Padeiros 1 58.111 1.065.015 145.620 448.847 1.717.593 Padeiros 2 45.011 777.641 145.620 448.847 1.417.119 Laranjeiras 46.561 667.312 145.620 448.847 1.308.340 Ibiúna Cotia Ibiúna ‐ Cotia 1 58.111 356.818 145.620 597.787 1.158.335 Ibiúna ‐ Cotia 2 58.111 396.788 145.620 323.223 923.741 Ref.: Junho 2008 O custo de investimento para a implantação da ETA na alternativa Santa Rita ‐ Alvorada está diferenciado dos demais, em razão da qualidade pior da água a ser tratada, decorrente da mistura da água da represa Cachoeira do França com a do Guarapiranga. Adotou‐se um valor 20% superior para representar o investimento mais elevado em unidades de tratamento avançado e o valor presente dos seus custos operacionais em insumos, pela maior aplicação de produtos químicos.
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    SISTEMA PRODUTOR SÃOLOURENÇO sabesp 59 6.1.2. Despesas com Energia Elétrica Todas as alternativas estão constituídas das mesmas unidades de produção com características similares em termos de concepção, quantidades e capacidades, constituindo unidades comuns que ocasionam as mesmas despesas operacionais. Portanto, consideram‐se apenas as despesas diferenciadas, representadas pelos custos com energia elétrica, calculados a valor presente, à taxa de desconto de 10,71% ao ano. O custo de energia elétrica das elevatórias é estimado com base na tarifa horo‐sazonal, para fornecimento em 88 kV. O bombeamento de água bruta é considerado somente fora do horário de ponta, operando em torno de 20 horas diárias, enquanto o bombeamento de água tratada é considerado, em todas as alternativas, ininterrupto por 24 horas diárias. TABELA 6.2 - DESPESAS COM ENERGIA ELÉTRICA. VALOR PRESENTE (R$ X 103 ) Diretriz Alternativa EE‐AB EE‐AT Total Guarapiranga Santa Rita ‐ Alvorada 114.791 76.917 191.708 Alvorada 109.381 76.918 186.299 Embu Guaçu 109.804 69.253 179.057 Itapecerica Régis 110.260 48.306 158.566 Padeiros 1 118.189 48.306 166.495 Padeiros 2 120.343 48.306 168.648 Laranjeiras 120.537 48.306 168.843 Ibiúna‐Cotia Ibiúna‐Cotia 1 154.367 25.316 179.683 Ibiúna‐Cotia 2 169.211 17.918 187.129 Ref.: Junho 2008 6.1.3. Indicador de Custo Total das Alternativas A Tabela 6.3, a seguir, apresenta um indicador de custo total das alternativas, considerando a soma dos custos de investimento e de valor presente do consumo de energia elétrica. TABELA 6.3 - INDICADOR DE CUSTO TOTAL DAS ALTERNATIVAS (R$ X 103 ) Santa Rita ‐ Alvorada 1.364.407 191.708 1.556.115 Alvorada 1.678.932 186.299 1.865.231 Embu Guaçu 1.487.600 179.057 1.666.657 Régis 1.186.412 158.566 1.344.977 Padeiros 1 1.717.593 166.495 1.884.088 Padeiros 2 1.417.119 168.648 1.585.767 Laranjeiras 1.308.340 168.843 1.477.182 Ibiúna Cotia 1 1.158.335 179.683 1.338.018 Ibiúna Cotia 2 923.741 187.129 1.110.870 ITAPECERICA COTIA CONSUMO DE ENERGIA ELÉTRICA INVESTIMENTO CUSTO TOTAL ALTERNATIVAS DIRETRIZ GUARAPIRANGA Ref.: Junho 2008 6.1.4. Análise e Comparação sob o Aspecto Econômico‐Financeiro Todas as alternativas têm o mesmo benefício econômico, em termos de população abastecida e prazo similar para iniciar a geração de benefícios. Assim, a comparação sob o aspecto econômico busca estabelecer a solução mais favorável em termos de menor custo total de implantação e operação do Sistema Produtor, no longo prazo. O indicador habitualmente
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    SISTEMA PRODUTOR SÃOLOURENÇO sabesp 60 utilizado é o valor presente da série temporal de custos de investimento na implantação e de custos na operação e manutenção (O&M) do sistema. O indicador de custo total das alternativas, descrito no item anterior, constitui uma boa aproximação, pois destaca os principais componentes de investimento e de O&M diferentes entre alternativas. A exclusão de custos de O&M similares nas alternativas não altera a ordem de classificação, apenas amplifica um pouco as diferenças entre alternativas e dá mais peso relativo aos investimentos. A comparação sob o aspecto financeiro em geral privilegia as alternativas que requerem menores dispêndios na fase inicial e/ou que permitem antecipar a geração de receitas. Tal indicador é também adequado para a avaliação financeira, em face do peso dominante dos investimentos no custo total e da similaridade do prazo para início de operação do sistema. A Figura 6.1 apresenta um gráfico comparativo que ilustra o desempenho das alternativas sob o aspecto econômico‐financeiro. A alternativa Ibiúna ‐ Cotia 2 aparece como a solução mais favorável. As duas seguintes: Ibiúna ‐ Cotia 1 e Régis apresentam custo total de 18 a 21% superior. FIGURA 6.1 - COMPARAÇÃO DAS ALTERNATIVAS EM TERMOS DE CUSTO TOTAL 0 200 400 600 800 1.000 1.200 1.400 1.600 1.800 2.000 Padeiros 1 Alvorada Embu Guaçu Padeiros 2 Sta Rita‐Alvorada Laranjeiras Régis Cotia 1 Cotia 2 Milhões (R$) Custo Investimento Custo Energia Elétrica Custo Total Analisando a composição dos custos, verifica‐se que a vantagem da alternativa Ibiúna ‐ Cotia 2 decorre principalmente da menor extensão de adutora em túnel (o item mais caro por metro linear), associado a um desempenho bom em outros itens importantes, como extensão por diâmetro, travessias e consumo de energia. Constata‐se o peso dominante dos investimentos no custo total, e a pequena diferença entre alternativas no valor presente do consumo de energia elétrica. 6.2. Análise e Comparação sob o Aspecto Técnico‐Operacional As nove alternativas foram avaliadas, comparativamente, em termos de um conjunto selecionado de oito indicadores que representam, de modo abrangente, riscos de construção e desempenho operacional do Sistema Produtor.
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    SISTEMA PRODUTOR SÃOLOURENÇO sabesp 61 6.2.1. Facilidades e Dificuldades Construtivas Os maiores riscos de problemas técnicos, com implicações no alongamento de prazos e/ou custos maiores que os previstos, tendem a ocorrer na execução de túneis e de obras de arte de maior porte, como travessias aéreas ou subterrâneas de rios, rodovias ou avenidas. A comparação dos prazos estimados para execução das obras, das extensões e características de túneis e obras de arte das alternativas mostrou vantagem para a diretriz Ibiúna ‐ Cotia; em especial para a alternativa Ibiúna ‐ Cotia 2, com a menor extensão de túnel e traçado pela zona oeste da RMSP por áreas com menor densidade de ocupação. 6.2.2. Nível de Comprovação das Tecnologias Previstas Com a premissa adotada na concepção do SPSL, de utilização de dois bombeamentos para a reversão de água bruta, constatou‐se que as soluções indicadas para todas as alternativas: emprego de tubulações e peças de aço segundo as normas padrão ASTM (American Society of Test and Materials) e AWWA (American Water Works Association); e utilização de bombas de eixo horizontal, dispositivos e válvulas com possibilidade de fabricação nacional, são de aplicação corriqueira nos projetos das instalações operacionais da Sabesp, não exigindo produtos com tecnologias especiais. Portanto, o nível de tecnologia previsto para as obras no Estudo de Concepção é similar em todas as alternativas. 6.2.3. Confiabilidade A confiabilidade de um Sistema Produtor significa a garantia de fornecimento da água de forma contínua sob as condições especificadas. As alternativas de adução de água bruta e de ETA apresentam condições de operação similares, com exceção da alternativa Santa Rita ‐ Alvorada, que está sujeita a maiores imprevistos na adução pela calha do ribeirão Santa Rita. Neste quesito, as diferenças entre alternativas são sutis e podem ser equacionadas com soluções de engenharia. O controle dos transientes hidráulicos no Sistema de Adução de Água Tratada mostra situações diferenciadas. Nas diretrizes Guarapiranga e Itapecerica, o Reservatório de Compensação de Água Tratada, necessário para o atendimento das flutuações diárias de consumo, está localizado na área da ETA e a EEAT bombeará diretamente para os reservatórios setoriais. No caso de parada repentina do bombeamento, longos trechos da adutora de recalque estarão submetidos a pressões indesejáveis, necessitando de dispositivos de proteção. Na diretriz Ibiúna ‐ Cotia, o Reservatório de Compensação Granja Carolina (RCGC) está localizado em ponto alto a jusante da EEAT, o que possibilita um melhor controle das pressões transitórias indesejáveis. Como, neste caso, a adução ao SIM será efetuada em grande parte por gravidade, o controle das pressões transitórias será realizado pelo estabelecimento das manobras de abertura e fechamento das válvulas de controle na entrada dos reservatórios setoriais, de modo que a envoltória das pressões transientes seja compatível com a classe de pressão das tubulações do SPSL. Esta configuração confere maior confiabilidade às alternativas da diretriz Ibiúna ‐ Cotia.
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    SISTEMA PRODUTOR SÃOLOURENÇO sabesp 62 6.2.4. Eficiência Energética Considera‐se como alternativa de maior eficiência energética aquela que apresentar o menor consumo anual de energia elétrica, requerido para prover o benefício do suprimento adicional de 4,7 m3 /s de água tratada ao Sistema Integrado Metropolitano (SIM). Este conceito considera o incremento de consumo de energia em todas as etapas do serviço: captação, adução de água bruta, tratamento, adução de água tratada e distribuição, bem como os reflexos na operação dos outros sistemas produtores que terão sua área de influência modificada. Como as diferenças de área de influência entre as alternativas são pequenas, as despesas com o consumo de energia elétrica nas estações elevatórias do SPSL (Tabela 6.2) constituem uma boa aproximação deste indicador, que considera inclusive o valor social diferenciado dos consumos no horário de pico de energia e fora dele. Observa‐se que:  O consumo total de energia elétrica (Tabela 6.2) e a altura manométrica total das elevatórias (Tabela 5.1) são bastante similares entre alternativas, com diferença máxima de 19‐21% entre o menor e o maior valor. Algumas alternativas transpõem o divisor de águas do Alto Juquiá em cotas menores, mas a altura de recalque menor na água bruta é em boa medida compensada pela necessidade de um recalque maior na água tratada junto à ETA.  As alternativas da diretriz Itapecerica, e em especial a alternativa Régis, apresentam o perfil energético mais equilibrado. A alternativa Ibiúna ‐ Cotia 2, que apresenta desempenho destacado em diversos quesitos, mostra uma eficiência energética menor que as outras soluções, superando apenas a alternativa Santa Rita ‐ Alvorada. Em boa medida, a busca de caminhos que evitem longos túneis e interferências urbanas e ambientais requer galgar cotas mais elevadas, o que resulta em um consumo um pouco maior de energia na transposição, mas também em disponibilidade de energia a dissipar no Sistema de Adução de Água Tratada, que poderá ser utilizada futuramente no atendimento das partes altas ocupadas, no caso de uma ressetorização. 6.2.5. Economicidade dos Insumos Básicos A concepção da ETA é a mesma para oito das nove alternativas consideradas, com o que o custo dos insumos básicos (produtos químicos, etc.) é basicamente o mesmo. No caso da alternativa Santa Rita ‐ Alvorada, o custo de implantação e operação da ETA Alvorada é certamente maior que o das demais alternativas, uma vez que a mistura das águas do reservatório Cachoeira do França com as águas da represa Guarapiranga exigirá a introdução de processos de tratamento diferenciados, de forma a garantir o padrão de qualidade da Sabesp. 6.2.6. Facilidades e Dificuldades Operacionais e de Manutenção Dentre os fatores que condicionam a segurança e a confiabilidade (continuidade e qualidade) da produção de água de abastecimento público, tem‐se: grau de proteção contra agentes externos; estabilidade das instalações contra intempéries; amplitude dos dispositivos de segurança utilizados; embasamento geológico e geotécnico, entre outros. Estes aspectos estão relacionados com: (i) as instalações de recalque, extensões x altura manométrica; (ii) alimentação de energia; (iii) reservação; (iv) preservação do manancial; (v) pontos de fuga (descargas da adutora); (vi) dispositivos de controle; (vii) túneis; (viii) travessias aéreas; (ix) ocupação de faixas de rodovias; etc.
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    SISTEMA PRODUTOR SÃOLOURENÇO sabesp 63 Quanto maior a extensão de linhas de adução e de recalque, maiores os cuidados operacionais e serviços de manutenção requeridos. Trechos que necessitam de métodos de assentamento não destrutivos (túneis, travessias) e trechos com presença de tubulação aparente (travessias aéreas) estão sujeitos a maiores riscos e apresentam um maior comprometimento em relação à manutenção e segurança. As alternativas da diretriz Ibiúna ‐ Cotia apresentam melhor desempenho neste quesito, ficando as diretrizes Itapecerica e Guarapiranga em patamar bem inferior, variável conforme a alternativa e a presença de fatores que acrescentam dificuldades operacionais e de manutenção; as linhas de adução de água tratada de ambas diretrizes são implantadas em regiões densamente ocupadas no Embu e na Granja Viana em Cotia. A alternativa Santa Rita ‐ Alvorada apresenta uma condição particularmente desfavorável pela exposição do trecho com condução das águas revertidas pela calha do ribeirão Santa Rita. 6.2.7. Flexibilidade Operacional As interligações do SPSL com o SIM existente buscam obter a melhor logística de adução de água tratada para os Setores de Abastecimento e proporcionar melhor flexibilidade operacional ao sistema adutor ao longo do tempo. As intervenções objetivam eliminar as restrições de adução, ampliar a capacidade de veiculação de vazão do sistema adutor e proporcionar maior capacidade de transferência entre os Sistemas Produtores existentes. Elemento comum a todas as alternativas é a interligação do SPSL com a alça oeste do Sistema Produtor Cantareira e com a adutora de recalque da ETA Baixo Cotia, o que determina uma área de influência comum a todas as alternativas, composta pelos municípios de Barueri, Jandira, Itapevi, Carapicuíba e Santana de Parnaíba. O atendimento desse núcleo pelo SPSL permitirá reduzir a área de influência do Sistema Cantareira, e a interligação com o recalque do Baixo Cotia possibilitará paralisar parcial ou totalmente a produção dessa ETA; quando eventualmente necessário. O atendimento de setores próximos do traçado de cada alternativa coloca um fator de diferenciação neste quesito. As diretrizes Guarapiranga e Itapecerica permitem atender com maior facilidade os municípios de Itapecerica da Serra e Embu Guaçu. Já a diretriz Ibiúna ‐ Cotia permite atender setores de Caucaia do Alto, Vargem Grande Paulista e Cotia, hoje atendidos com limitações pela ETA Alto Cotia, e liberar vazão do Alto Cotia para reforçar o atendimento de Itapecerica e Embu Guaçu. A diretriz Ibiúna ‐ Cotia apresenta a condição mais favorável de flexibilidade operacional, pois o traçado da sua AAT em arco periférico pela zona oeste da RMSP permite implantar várias derivações ao longo do caminho para atender de forma mais direta setores que hoje estão dentre os mais críticos em termos de regularidade de abastecimento. Tal fato possibilita a redução gradual do diâmetro da Alça Principal de adução, que tem início com 2,1 m de diâmetro, nas proximidades da nova ETA em Cotia, até interligar com a adutora existente Carapicuíba – Tamboré com 1,2 m. No cenário da diretriz Ibiúna ‐ Cotia, os municípios de toda a zona oeste da RMSP teriam duas fontes principais de suprimento de água: o SPSL entrando pelo oeste (até Carapicuíba) e o Cantareira pelo leste (até Osasco), e com possibilidade de interpenetração das áreas de influência por meio das interligações do sistema adutor.
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    SISTEMA PRODUTOR SÃOLOURENÇO sabesp 64 Outro aspecto relevante da diretriz Ibiúna ‐ Cotia é o fato de não necessitar de obras adicionais para o atendimento da evolução futura das demandas na zona oeste da RMSP, uma vez que esse crescimento tende a concentrar‐se na periferia e implicaria apenas na diminuição da área de influência do SPSL, sem a necessidade de implantação de novas obras. Neste caso, as diretrizes Guarapiranga e Itapecerica necessitariam avançar no sentido oeste, a partir de Carapicuíba, com novas adutoras e, eventualmente, com implantação de novas elevatórias. 6.2.8. Padronização dos Materiais e Equipamentos Os materiais selecionados são equivalentes em todas as alternativas e obedecem às padronizações de materiais e equipamentos utilizados pela SABESP nas instalações do SIM. No caso dos conjuntos motobombas, são utilizados os mesmos modelos para todas as alternativas, não havendo, portanto, diferenciação entre os mesmos. 6.3. Análise e Comparação sob o Aspecto Sócio‐Ambiental A concepção das alternativas e a escolha dos traçados foram feitas, desde o início, de modo a trabalhar com soluções pré‐otimizadas em termos ambientais que representam opções ambientalmente viáveis, umas melhores do que as outras (exceto a alternativa Santa Rita ‐ Alvorada, utilizada como ponto de partida em decorrência dos estudos anteriores, mas manifestamente inviável em termos ambientais). 6.3.1. Principais Impactos Ambientais das Intervenções A abertura da faixa de trabalho, com dezenas de quilômetros de extensão para instalação da adutora enterrada em vala, constitui o principal fator gerador de impactos no SPSL, com a conseqüente remoção da cobertura vegetal e da ocupação antrópica preexistente. A avaliação de impactos inclui a quantificação das interferências decorrentes da abertura e melhoria de acessos viários às faixas de obras. As instalações localizadas – captação, elevatórias, reservatórios de água bruta e tratada, ETA – também são fatores geradores que contribuem com parcela maior ou menor de impactos no ambiente natural, dependendo da cobertura vegetal e da presença de cursos de água próximos dos locais escolhidos. Os possíveis traçados do SPSL e os respectivos impactos no ambiente natural ocorrem nas bacias hidrográficas do Alto Juquiá e do Alto Tietê, e, conforme a alternativa, na bacia do Guarapiranga ou na bacia do Alto Sorocaba. A avaliação realizada atribui pesos diferenciados aos impactos ocorrentes em cada bacia, em função das suas características em termos de grau de preservação (especialmente dos maciços de matas), importância como manancial, fragilidade e grau de comprometimento ambiental, entre outros. Quatro categorias principais de impactos foram consideradas: impacto geral das obras, impacto no ambiente natural, impacto socioeconômico e indução à ocupação de APRM, cada uma delas com vários indicadores, explicitados a seguir. a) Impacto ambiental geral das obras Indicador: Volume de movimentação de materiais b) Impacto no ambiente natural Indicadores:
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    SISTEMA PRODUTOR SÃOLOURENÇO sabesp 65  Trechos que requerem movimento de terra significativo;  Interferências em APP;  Supressão de vegetação;  Abertura de clareiras na mata;  Afetação de bordas de mata;  Afetação significativa de ecossistemas aquáticos e ribeirinhos;  Efeito barreira no ecossistema aquático; e  Interferência direta com áreas protegidas. c) Impacto socioeconômico Indicadores:  Desapropriação, servidão de passagem e ocupação temporária;  Deslocamento de população;  Afetação do ecoturismo e da atratividade da região para lazer;  Interferências com vias públicas; e  Interferências com população e usos lindeiros. d) Atração de população e indução à ocupação em mananciais (APRM) Indicador (avaliação qualitativa):  Atração de população pelo emprego gerado e risco de assentamentos irregulares. A Tabela 6.4 apresenta a quantificação dos indicadores para cada alternativa. 6.3.2. Comparação Multicritério das Alternativas sob o Aspecto Ambiental Os indicadores ambientais das nove alternativas foram qualificados e ponderados mediante a atribuição de notas e pesos, mediante metodologia multicritério. A nota 10 corresponde a um valor desejável ou admissível (benchmark), em geral, próximo do desempenho obtido pela melhor alternativa nesse quesito. Quando o indicador se afasta do valor desejável, a alternativa é penalizada com o desconto de pontos, de acordo com regras específicas, função da sensibilidade ambiental do indicador. Alternativas com desempenho baixo ou ruim têm uma penalização elevada que pode resultar em notas negativas. Os impactos no ambiente natural são ponderados de acordo com as bacias em que ocorrem, em função do grau de fragilidade ambiental e importância ecológica da vegetação existente. A nota ambiental final é obtida pela ponderação dos quatro indicadores de impacto adotados.
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    SISTEMA PRODUTOR SÃOLOURENÇO sabesp 66 Diretriz Guarapiranga Diretriz Itapecerica Dir. Ibiúna Cotia Indicador Santa Rita Alvorada Alvorada Embu Guaçu Regis Padeiros 1 Padeiros 2 Laran‐ jeiras Ibiúna Cotia 1 Ibiúna Cotia 2 Extensão Total 77.752 113.646 104.343 83.617 79.812 82.433 83.330 76.299 78.456 Extensão em Vala 70.232 102.926 94.873 79.395 61.484 70.573 74.930 68.384 77.252 Extensão em Túnel 7.520 10.720 7.520 4.222 18.329 11.860 8.400 7.915 1.204 Percentual da Extensão por Bacias % Juquiá (sensível) 43,9% 29,9% 32,3% 54,1% 50,6% 52,3% 53,0% 29,4% 26,6% % Guarapiranga ou Sorocaba (sensível) 35,4% 55,9% 52,4% 25,8% 28,3% 27,3% 26,9% 36,3% 40,2% % Alto Tietê 20,7% 14,2% 15,3% 20,1% 21,1% 20,4% 20,1% 34,3% 33,2% 1. Impacto ambiental geral das obras 1.1 Volume de movimentação de materiais (10 3 m 3 ) 1.753 2.388 2.229 1.640 1.971 1.828 1.768 1.794 1.643 2. Impacto no ambiente natural 2.1 Trechos com grande movimento de terra (m) 18.800 28.330 28.555 17.040 14.410 15.520 15.400 21.020 12.360 2.2 Intervenção em APP (ha) 131,19 23,13 22,39 21,89 21,39 22,20 20,02 20,68 17,79 2.3 Supressão de vegetação (ha de vegetação equivalente) 235,66 30,48 31,34 32,57 29,48 28,86 27,79 17,42 16,28 2.4 Abertura de clareiras na mata (m) 23.420 5.020 5.220 1.455 1.645 1.375 765 255 150 2.5 Afetação de bordas de mata (m) 7.669 14.284 17.193 9.320 9.614 8.805 8.493 11.395 8.035 3. Impacto socioeconômico 3.1 Desapropriação + servidão + ocupação temporária 2.015 3.319 1.842 2.249 1.938 1.933 1.902 2.187 1.104 3.2 Deslocamento de população (famílias) 226 51 17 22 17 16 16 7 5 3.4 Interferência com vias públicas (km equivalentes) 170,7 239,7 203,5 193,5 139,5 149,1 153,3 110,2 100,6 3.5 Interferência com pop. e usos lindeiros (dom. equiv.) 8.052 9.778 8.725 7.837 6.671 6.715 6.696 3.332 2.719 3.6 Interferências com centros urbanos consolidados 6 6 6 7 6 6 6 2 1 TABELA 6.4 - COMPARATIVO DOS INDICADORES AMBIENTAIS DAS ALTERNATIVAS
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    SISTEMA PRODUTOR SÃOLOURENÇO sabesp 67 TABELA 6.5 - METODOLOGIA MULTICRITÉRIO. NOTAS AMBIENTAIS DAS ALTERNATIVAS Diretriz Nota Ambiental Alternativa Impacto Geral Obras Ambiente Natural Socio‐ econômico Indução Ocup. APRM Final Peso: 15% 40% 30% 15% 100% Diretriz Guarapiranga Santa Rita ‐ Alvorada 8,8 ‐86,2 ‐5,4 8,0 ‐33,6 Alvorada 7,1 ‐5,7 ‐4,3 8,0 ‐1,3 Embu Guaçu 7,5 ‐6,2 0,3 8,0 ‐0,1 Diretriz Itapecerica Régis 9,1 ‐0,3 0,8 8,0 2,7 Padeiros 1 8,2 1,1 3,5 3,0 3,2 Padeiros 2 8,6 0,8 3,2 3,0 3,0 Laranjeiras 8,8 2,9 3,2 3,0 3,9 Diretriz Ibiúna ‐ Cotia Ibiúna ‐ Cotia 1 9,3 7,3 8,0 7,0 7,8 Ibiúna ‐ Cotia 2 9,7 9,3 9,7 7,0 9,1 A Tabela 6.5 mostra que as alternativas da diretriz Ibiúna ‐ Cotia colocam‐se em posição muito superior às demais, atingindo 7,8 e 9,1 pontos dentro da escala máxima de 10 pontos. As alternativas da diretriz Itapecerica situam‐se na faixa de 2,7 a 3,9 pontos, e as da diretriz Guarapiranga apresentam nota negativa, entre ‐33,6 e ‐0,1 pontos. A nota negativa de ‐33,6 pontos da alternativa Santa Rita ‐ Alvorada expressa quantitativamente a inviabilidade ambiental da reversão direta das águas do Alto Juquiá para as cabeceiras do ribeirão Santa Rita, no contexto da existência de soluções muito mais favoráveis em termos técnico‐econômicos e ambientais. A alternativa Ibiúna ‐ Cotia 2 obtém a melhor pontuação ambiental geral, com 9,1 pontos sobre 10. A vantagem dessa alternativa ocorre em todos os itens de impacto avaliados: obras, ambiente natural e socioeconômico. A seguir, os principais fundamentos do desempenho ambiental de cada diretriz e das vantagens da diretriz Ibiúna ‐ Cotia e, em particular, da alternativa Ibiúna ‐ Cotia 2: a) A diretriz Ibiúna ‐ Cotia tem uma extensão menor que a Itapecerica e muito menor que a da diretriz Guarapiranga. Este fator resulta, para as duas primeiras diretrizes, em menores impactos de obras e em menor número de interferências com vegetação, cursos d’água e ocupação antrópica lindeira. b) Enquanto as diretrizes Guarapiranga e Itapecerica situam‐se em 80‐85% de sua extensão nas bacias do Alto Juquiá e Guarapiranga, altamente suscetíveis a impactos ambientais, a diretriz Ibiúna ‐ Cotia tem apenas 24% no Alto Juquiá e 41% na bacia do Alto Sorocaba, com os restantes 35% desenvolvendo‐se na bacia do Alto Tietê, menos sensível em termos ambientais. Isto é, os impactos de obra na região da diretriz Ibiúna ‐ Cotia ocorrem em ambientes com menor sensibilidade ambiental. c) As características da cobertura vegetal dos ambientes atravessados têm peso relevante na diferenciação entre diretrizes: − A diretriz Guarapiranga atravessa maciço expressivo de matas existente no divisor de águas entre as bacias do Alto Juquiá e Guarapiranga. Embora grande parte dessa travessia seja feita em túnel, trechos extensos do traçado seguem por estradas vicinais estreitas em meio a matas, cujo alargamento para a obra afetará a vegetação, bordas de
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    SISTEMA PRODUTOR SÃOLOURENÇO sabesp 68 mata e abrirá clareiras. Além disso, o traçado relativamente próximo do ribeirão Santa Rita afeta APP e vegetação em ambientes sensíveis. − A diretriz Itapecerica atravessa trecho da Serra de Paranapiacaba e subsistemas locais, com densa vegetação de matas. A concepção do traçado procurou reduzir, na medida do possível, o impacto sobre essas florestas mediante caminhamento por pequenas estradas vicinais que contornam alguns desses maciços, e pela passagem em túnel sob o setor mais alto no divisor Alto Juquiá – Alto Embu Mirim. − Diferentemente, a diretriz Ibiúna ‐ Cotia atravessa grandes extensões de reflorestamento (nas bacias do Alto Juquiá e do Sorocabuçu) e, embora haja maciços significativos de matas em seu caminhamento, eles são cortados ou tangenciados em menor extensão que nas outras diretrizes, em face da maior ocupação antrópica anterior dessas terras. d) As diretrizes Itapecerica e Guarapiranga têm parcela comum da adutora de água tratada que percorre ruas e avenidas do entorno do centro histórico de Embu e, após a travessia da rodovia Raposo Tavares, segue pela Rua José Felix de Oliveira, via principal de comércio, serviços e grandes moradias do núcleo de alta renda da Granja Viana. Em Carapicuíba, esse traçado percorre a estrada da Fazendinha e av. Inocêncio Seráfico. Haverá afetação de frentes de moradias e transtornos às atividades econômicas, o que deve gerar fortes reações, pelo maior poder de reivindicação da população de renda média e alta. Na diretriz Ibiúna ‐ Cotia, a entrada em área urbana consolidada ocorre já próxima ao destino em Carapicuíba, reduzindo com isso as interferências urbanas. e) A comparação dos valores absolutos dos impactos, nas três alternativas selecionadas em cada diretriz, sem ponderação por bacia, favorece em geral à alternativa Ibiúna ‐ Cotia 2. 6.4. Escolha de Solução para a Concepção do SPSL A alternativa Ibiúna ‐ Cotia 2 mostra desempenho superior em quase todos os fatores analisados (Figura 6.2), em muitos casos por margem bastante significativa, sendo ela, portanto, a alternativa de concepção selecionada para detalhamento no Projeto Básico do SPSL. A superioridade de uma alternativa em quase todos os fatores de decisão: menor custo, melhor desempenho técnico‐operacional, menor impacto sócio‐ambiental, simplificou muito a análise multicritério, pois não foi necessário realizar ponderações entre fatores dissimiles.
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    SISTEMA PRODUTOR SÃOLOURENÇO sabesp 69 FIGURA 6.2 - HIERARQUIZAÇÃO DAS ALTERNATIVAS Item Composição das Alternativas ==> AAB‐1 Santa Rita Alvorada AAB‐1 Alvorada AAB‐2 Embu Guaçu AAB‐3 Regis AAB‐4 Padeiros 1 AAB‐5 Padeiros 2 AAB‐6 Laranjeiras AAB‐7 Cotia 1 AAB‐7 Cotia 2 Indicadores AAT‐1 AAT‐1 AAT‐2 AAT‐3 AAT‐3 AAT‐3 AAT‐3 AAT‐4 /1 AAT‐4 /2 ASPECTOS TÉCNICO‐OPERACIONAIS Facilidades e Dificuldades Construtivas Comprovação das Tecnologias Previstas Confiabilidade Eficiência Energética Economicidade dos Insumos Básicos Facil. Dificuld. Operacionais / Manutenção Flexibilidade e Segurança Operacional Padronização Materiais e Equipamentos ASPECTOS ECONÔMICO‐FINANCEIROS Investimento + VP Energia Elétrica (R$) Menor Preço ASPECTOS SÓCIO‐AMBIENTAIS Impacto Ambiental Geral das Obras Impacto no Ambiente Natural Impacto Socioeconômico Indução à Ocupação em APRM LEGENDA Alternativas Mais Vantajosas Alternativas Intermediárias Alternativas Menos Vantajosas 1 2 3 GUARAPIRANGA IBIÚNA / COTIA D I R E T R I Z ==> ESTUDO DE CONCEPÇÃO ‐ SISTEMA PRODUTOR SÃO LOURENÇO QUADRO RESUMO DE VANTAGENS E DESVANTAGENS DAS ALTERNATIVAS ESTUDADAS ITAPECERICA
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    SISTEMA PRODUTOR SÃOLOURENÇO sabesp 70 7. DETALHAMENTO DA ALTERNATIVA SELECIONADA Na seqüência apresenta‐se a descrição das características básicas do Sistema Produtor São Lourenço (SPSL), tal como concebido para reversão e exploração de vazão média de até 4,7 m3 /s da bacia do Alto Juquiá para abastecimento da RMSP. Como visto, para fins de seleção da melhor alternativa de implantação do SPSL, no cotejo entre as 9 alternativas estudadas, consideraram‐se apenas os aspectos que as diferenciavam entre si, deixando para definição posterior a otimização dos aspectos comuns a todas elas, tais como: tipo de captação na represa Cachoeira do França, utilização de recalque único para a reversão de água bruta, sistemas de proteção e controle da adução, definição do processo de tratamento da ETA e fornecimento de energia elétrica. A alternativa selecionada na diretriz Ibiúna ‐ Cotia foi sendo melhorada a partir do aprofundamento do conhecimento da realidade física e ambiental da área de intervenção, obtido principalmente pelos levantamentos topográficos, cadastrais e geotécnicos efetuados nos serviços de campo, e dos condicionantes técnicos, operacionais e ambientais associados à implantação e operação do empreendimento. Dessa forma, neste capítulo são apresentados os resultados dos ajustes promovidos na alternativa selecionada pelo Estudo de Concepção, necessários para elaboração da fase subseqüente, relativa ao detalhamento em nível de Projeto Básico das instalações operacionais previstas. 7.1. Sistema de Reversão de Água Bruta para a RMSP Após a captação no reservatório Cachoeira do França, a água será bombeada pela Estação Elevatória de Água Bruta (EEAB) para vencer o desnível da ordem de 300,0 m da Serra do Paranapiacaba, correspondente ao divisor de águas entre as bacias hidrográficas dos rios Juquiá e Sorocaba. No ponto alto, entre o Trecho I (recalque) e o II (gravidade) da adutora, será implantada a estrutura de transição do tipo Chaminé de Equilíbrio de Água Bruta (CEQ‐AB) para proteção da adutora com relação à ocorrência de pressões transitórias e facilitar a operação e controle do sistema de reversão. A partir da CEQ‐AB, a adutora seguirá em conduto forçado por gravidade até o Reservatório de Compensação de Água Bruta (RCAB), a ser implantado na área da Estação de Tratamento de Água (ETA), denominada de ETA São Lourenço. A montante do RCAB deverá ser implantada a Estrutura de Controle de água bruta, constituída de válvulas de controle e de medidor eletromagnético de vazão. A extensão da adutora por recalque, entre a EEAB e a CEQ‐AB, é de aproximadamente 21,6 km, e a extensão do conduto forçado por gravidade, da CEQ‐AB até o RCAB na área da ETA, é de 26,5 km. Ambos os trechos serão executados em tubulação de aço com Ø 2.100 mm de diâmetro. Diversas simulações hidráulicas foram realizadas para as configurações de recalque com um e com dois bombeamentos em série; tanto para condições normais de operação como para situações transitórias, admitindo‐se a parada brusca do bombeamento por queda no fornecimento de energia elétrica aos conjuntos motobombas em operação, o que permitiu estabelecer os parâmetros técnicos requeridos para os equipamentos e os materiais.
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    SISTEMA PRODUTOR SÃOLOURENÇO sabesp 71 A solução de recalque único tornou‐se vencedora quando se confirmou a existência de fornecedor nacional de tubo de aço de alta resistência, capaz de suportar as pressões elevadas do recalque, com custo pouco superior ao da tubulação convencional, visto que nas duas situações as tubulações são dimensionadas para a condição de colapso estrutural e apresentam a mesma espessura. Com isso, os custos totais das alternativas se aproximam, com grande vantagem operacional para o bombeamento único sobre o duplo bombeamento, adotado como premissa no Estudo de Concepção. Em complementação, o estudo analisou os requisitos técnicos dos diferentes tipos de aços especiais disponíveis no mercado. A escolha foi por tubos de aço que obedecem à norma ASTM, tanto na fabricação quanto na aceitação da qualidade da solda. Esta solução assegura o atendimento pleno das normas técnicas de segurança para as instalações projetadas de recalque de água bruta, bem como maior disponibilidade de mão de obra especializada, maior rapidez e menor custo nas operações de instalação e montagem da tubulação. Outra decisão importante foi em relação ao tipo de bombas a utilizar na EEAB junto à captação: bombas de eixo horizontal ou de eixo vertical. As bombas de eixo horizontal apresentam menores problemas de manutenção, mas requerem mais espaço físico e implicam, portanto, em uma obra civil da EEAB de custo maior do que com a utilização de bombas de eixo vertical. Considerando a maior experiência com bombas de eixo horizontal, os problemas na manutenção de bombas verticais das instalações existentes da Sabesp, a preocupação com eventuais problemas de alinhamento do eixo das bombas de eixo vertical, com 18,0 m de comprimento no SPSL, e a prioridade conferida à segurança do abastecimento, a escolha técnica foi pelo uso de bombas de eixo horizontal. Para usufruir da vantagem econômica da tarifa horo‐sazonal de energia elétrica e operar o sistema de recalque somente fora do horário do pico, serão aduzidos 6,0 m3 /s durante cerca de 20 horas diárias. Dessa, forma, é necessária a implantação de um Reservatório de Compensação de Água Bruta (RCAB) que regularize a vazão que alimenta a ETA, de forma que esta opere continuamente com a vazão média de 4,7 m3 /s, correspondente à vazão autorizada para abastecimento da RMSP. Para efeito de descrição das características físicas, a adutora de água bruta foi dividida em dois trechos: por recalque em alta pressão e por gravidade, em baixa pressão. Estes trechos estão localizados, respectivamente, à montante e à jusante da Chaminé de Equilibro (CEQ‐AB), posicionada no ponto alto da Serra de Paranapiacaba, no divisor de águas entre as bacias hidrográficas dos rios Juquiá e Sorocaba. A Figura 7.1 mostra o Traçado do Sistema de Adução de Água Bruta do Sistema Produtor São Lourenço. 7.1.1. Captação e Tomada D’água A captação proposta para o SPSL situar‐se‐á na margem direita do reservatório Cachoeira do França, no braço do ribeirão Laranjeiras que divide os municípios de Ibiúna e Juquitiba. As instalações das unidades de captação e tomada d’água e estação elevatória ocupam uma área de aproximadamente 4,5 ha situada no município de Ibiúna, em terrenos pertencentes à Editora 3 e à Companhia Brasileira de Alumínio (CBA).
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    SISTEMA PRODUTOR SÃOLOURENÇO sabesp 73 Várias alternativas de tomada de água no reservatório foram estudadas: (i) captação flutuante com elevatória de baixa carga; (ii) captação tubular com elementos filtrantes do tipo “Johnson”, com ou sem elevatória de baixa carga; e (iii) captação em canal, cuja implantação requer o uso de ensecadeira provisória, de forma a minimizar as interferências na operação das UHEs da CBA durante a construção. Essas alternativas foram submetidas a avaliações técnico‐operacionais, de custo de investimento e de impacto ambiental durante o processo de seleção. Os custos de investimento da captação flutuante e da captação tubular são similares, com diferenças que não definem uma vantagem clara para determinada alternativa. A captação em canal é mais cara, pelo porte das estruturas e pela construção e retirada da ensecadeira. A segurança operacional é um fator chave, e quanto maior o número de instalações de bombeamento e a diversidade nos equipamentos, maiores as possibilidades de ocorrência de problemas operacionais e de manutenção. Este fator penaliza as soluções que incluem uma elevatória de baixa carga, seja flutuante ou na margem do lago. A captação flutuante apresenta impactos ambientais permanentes importantes, em termos de afetação da paisagem, risco de vazamentos acidentais de óleo das bombas, e riscos de segurança a usuários do reservatório para lazer. A captação tubular não tem esses impactos, pois é um elemento que fica permanentemente submerso, com entrada de água por ranhuras. A captação em canal fica em situação intermediária, com algum impacto na paisagem, mas sem oferecer riscos de poluição ou de segurança às pessoas. A ponderação desse conjunto de fatores determinou a escolha técnica da captação da EEAB em canal, contendo instalações de gradeamento e de retenção de areia, alimentando, no seu final, o poço de sucção dos conjuntos motobombas da elevatória. Considerando a referência de nível da CBA, a estrutura da captação foi concebida considerando as variações de nível d’água entre máximo de 640,0 e mínimo de 630,0 m, e a cota 643,0 m de limite de desapropriação da represa Cachoeira do França. É constituída de tomada direta em canal com três células, onde serão instaladas grades grosseiras de proteção contra materiais afluentes, seguida por grade fina mecanizada e, em cada extremo dos canais, guias para stop‐ logs. Na seqüência, uma estrutura de transição para a caixa de areia em formato “delta” permite alcançar os canais projetados para a retenção de areia. Uma segunda estrutura de transição no formato trapezoidal foi concebida entre as saídas da caixa de areia e as entradas para os canais que dão acesso aos poços de sucção das bombas, os quais poderão ser isolados pelo acionamento de comportas. Uma barragem provisória tipo ensecadeira deverá ser implantada dentro do reservatório, em volta da área da captação, para permitir a construção da estrutura da tomada de água sem interferir na geração de energia elétrica da UHE França da CBA. Em função do porte e da complexidade da estrutura proposta, e para aferição do desempenho operacional do poço de sucção da EEAB, será necessária a elaboração de estudo em modelo reduzido da tomada d’água no reservatório, para instruir possíveis ajustes dessa concepção nas fases subseqüentes de projeto. 7.1.2. Estação Elevatória de Água Bruta (EEAB) A Estação Elevatória de Água Bruta (EEAB) foi concebida para operar durante cerca de 20 horas diárias com uma vazão de 6,0 m3 /s para evitar operar em horário de ponta da demanda de
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    SISTEMA PRODUTOR SÃOLOURENÇO sabesp 74 energia elétrica, e ter como benefício o abatimento da tarifa horo‐sazonal de energia elétrica. O início e a parada do bombeamento deverão ocorrer diariamente mediante procedimentos a serem estabelecidos nas fases subseqüentes de projeto. Devido às condições operacionais de pressão a que estará submetido o sistema de bombeamento, a instalação deverá ser protegida contra ocorrências de sobre e subpressões transitórias, causadas pela interrupção repentina dos equipamentos de recalque em operação. Para esta proteção serão utilizados equipamentos convencionais de proteção do tipo Reservatórios Hidropneumáticos (RHOs), constituídos de tubos de aço. Em razão do deplecionamento de cerca de 10,0 m dos níveis operacionais no poço de sucção, decorrente da operação da UHE França, e em decorrência do NPSH requerido da bomba adotada, a casa de bombas deverá ser implantada enterrada com profundidade por volta de 26,0 m. A classe de pressão de toda a instalação do barrilete de recalque não deverá ser inferior a 400 mca (40 bar). A Subestação de Energia Elétrica que atenderá a EEAB será constituída de dois transformadores com rebaixamento da tensão de 138 kV para 13,2 kV, ambos com potência nominal de 35 MVA. O sistema de 13,2 kV da subestação será composto por um quadro de média tensão que controlará a alimentação de cada uma das 5 motobombas principais e os transformadores de serviços auxiliares, em 220 V, que alimentarão as bombas de drenagem, ponte rolante, compressores, válvulas, comportas, quadros de iluminação e demais serviços auxiliares da EEAB. As características principais da EEAB são:  Vazão total de recalque: 6,0 m³/s (20 horas/dia);  Número de conjuntos motobombas: 5 (4+1R);  Vazão unitária de recalque: 1,5 m³/s;  Altura manométrica: 360,0 mca;  Potência dos motores (unitária): 10.000 CV;  Dispositivos de proteção: Reservatório Hidropneumáticos (RHOs);  Número de RHOs: 4 un;  Diâmetro dos RHOs: 3,0 m;  Altura dos RHOs: 11,0 m;  Volume de ar dos RHOs: 37,5 m³/un;  Nível máximo de sucção: 640,0 m (CBA); e  Nível mínimo de sucção: 630,0 m (CBA). A Figura 7.2 mostra o Arranjo Geral proposto para a Captação e a Estação Elevatória de Água Bruta (EEAB) do Sistema Produtor São Lourenço.
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    SISTEMA PRODUTOR SÃOLOURENÇO sabesp 76 7.1.3. Adutora de Água Bruta por Recalque – Trecho I A partir da EEAB implantada no município de Ibiúna, o traçado proposto para a adutora de água bruta segue 7,0 km no sentido norte por estradas internas em área de propriedade da Editora 3 e, em seguida, por vias vicinais públicas dos municípios de Ibiúna e de Juquitiba, atravessa duas vezes o ribeirão Laranjeiras; após a primeira, entra por 5,8 km no município de Juquitiba e, depois da segunda, o traçado retorna de novo para Ibiúna até a estrada Verava. O traçado adotado até a estrada Verava tem cerca de 4,0 km a mais que um traçado mais direto estudado por estradas particulares e faixas de servidão, dentro das Fazendas SAMA e Meandros, no município de Ibiúna. Entretanto, adotou‐se o traçado por vias vicinais públicas do município de Juquitiba para evitar interferências com a unidade de conservação RPPN existente na Fazenda Meandros. Continuando pela estrada Verava, o traçado alcança o alto da serra, totalizando 21,6 km. A estrada Verava apresenta perfil íngreme e predominantemente sinuoso, com precário estado de conservação. Neste trecho de alta pressão, submetido a pressões máximas da ordem de 400 mca em situações transitórias junto à EEAB, a adutora deverá ser constituída de tubos de aço de alta resistência do tipo ASTM A1018 Gr60. Uma estrada será implantada nos primeiros 7,0 km do traçado, no interior da fazenda da Editora 3, para implantação da adutora e permitir o acesso viário permanente às instalações da EEAB, a partir do sistema viário existente. Essa estrada deverá assegurar condições para o transporte de cargas e equipamentos pesados durante a execução da obra e, posteriormente, para a manutenção e operação das instalações. As características principais do da adutora de água bruta por recalque são:  Material do tubo: aço;  Tipo de aço: ASTM A1018 Gr60;  Diâmetro do tubo: 2.100 mm;  Espessura da chapa: 15,8 mm; e  Extensão da adutora: 21,6 km. 7.1.4. Chaminé de Equilíbrio de Água Bruta (CEQ‐AB) No ponto alto entre o Trecho I (recalque) e II (gravidade) da adutora de água bruta será implantada a estrutura de transição do tipo Chaminé de Equilíbrio (CEQ‐AB). Além de proporcionar a adequada transição entre os regimes hidráulicos, a CEQ‐AB visa proteger a adutora contra as pressões transitórias que podem ocorrer numa eventual parada não programada do recalque causada pela interrupção do fornecimento de energia elétrica aos conjuntos motobombas em operação. A CEQ‐AB consistirá em estrutura de concreto cilíndrica sem cobertura, localizada ao lado da estrada Verava. O ramal de conexão da CEQ‐AB com a adutora de água bruta será realizado por meio de um ramal com o mesmo diâmetro da adutora. O dispositivo de proteção terá ainda um volume adicional de segurança para fins de instalação de alarmes e controles para prevenir transbordamentos.
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    SISTEMA PRODUTOR SÃOLOURENÇO sabesp 77 As características principais da CEQ‐AB são:  Volume operacional: 5.400 m³;  Forma da CEQ: cilíndrica;  Diâmetro da CEQ: 25,0 m;  Altura da CEQ: 11,0 m;  Cota da base: 959,3 m;  Nível máximo: 970,3 m;  Diâmetro do ramal: 2.100 mm; e  Comprimento do ramal: 10,0 m. A Figura 7.3 mostra as características principais de implantação da Chaminé de Equilíbrio de Água Bruta. 7.1.5. Adutora de Água Bruta por Gravidade – Trecho II Este segundo trecho tem início na interligação da adutora de água bruta com a CEQ‐AB e desenvolve‐se até o Reservatório de Compensação de Água Bruta (RCAB), a ser implantado na área da ETA São Lourenço. O trecho por gravidade percorre o planalto de Ibiúna, em cotas que variam de 870,0 a 945,0 m. Esse perfil topográfico suave do traçado impõe pressões que não superam os 80 mca, permitindo o uso de tubulação de aço com classes de pressão convencionais. O traçado segue para norte pela estrada Verava, que apresenta melhores condições para assentamento da adutora de água bruta, e passa por dois pequenos núcleos rurais: bairro dos Paulos e bairro Verava. No percurso, atravessa áreas com atividade de reflorestamento e tráfego de caminhões. A adutora adentra a av. Nossa Senhora do Carmo e passa pelo núcleo rural Carmo Messias. Depois segue por trechos da estrada da Campininha e da estrada Santana, passando pelo bairro da Campininha. Após entrar no município de Cotia, segue pela estrada Santana e pela estrada Nhanduca; a ocupação é predominantemente rural, com chácaras e cultivos de hortaliças. Em seguida, segue pela estrada que passa pelo bairro Água Espraiada e, em seguida, pela estrada dos Pereiras, por onde segue até a ETA São Lourenço. As características principais da adutora de água bruta por gravidade são:  Material do tubo: aço;  Tipo de aço: ASTM A283 GrD;  Diâmetro do tubo: 2.100 mm;  Espessura da chapa: 15,8 mm; e  Extensão da adutora: 26,5 Km. A Figura 7.4 mostra o Perfil da Adutora de Água Bruta e Linhas Piezométricas do Sistema Produtor São Lourenço.
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    SISTEMA PRODUTOR SÃOLOURENÇO sabesp 80 7.1.6. Reservatório de Compensação de Água Bruta (RCAB) O Reservatório de Compensação de Água Bruta (RCAB) será implantado na parte mais elevada do terreno da ETA, para alimenta‐la por gravidade. A finalidade do RCAB será permitir que a reversão de 6,0 m3 /s, durante cerca de 20 horas diárias, seja regularizada de forma contínua para tratamento, durante 24 horas diárias, com a vazão média de 4,7 m3 /s, aproveitando assim os benefícios da tarifa horo‐sazonal de energia elétrica no bombeamento de água bruta. O volume útil total deste reservatório será da ordem de 86.000 m3 , resultante da parada do bombeamento por um período em torno de 4 horas diárias. O RCAB não terá laje de cobertura e disporá de um volume adicional de segurança para fins de instalação de alarmes e controles para prevenir transbordamentos. As características principais do RCAB são:  Volume total: 86.000 m³;  Formato: retangular  Número de câmaras: 4 un;  Dimensões de cada câmara: 31,0 x 65,0 x 12,5 m;  Lâmina d’água: 11,0 m;  Nível máximo: 934,0 m; e  Nível mínimo: 923,0 m. Uma Estrutura de Controle de pressão e de vazão deverá ser implantada à jusante do trecho por gravidade, a montante do RCAB na área da ETA, para manutenção do regime operacional do sistema de adução de água bruta e para proteção da adutora com relação à ocorrência de pressões transitórias. Essa estrutura possibilitará o ajuste de vazão em função das regras operacionais em cada período considerado e impedirá o esvaziamento do trecho da adutora por gravidade com o fechamento das válvulas de controle, por ocasião da interrupção do bombeamento. O controle de vazões será efetuado por 4 válvulas com diâmetro de 900 mm. Para facilitar a operação da reversão, o número de válvulas em operação deverá ser associado, via sistema de supervisão e controle, ao número de bombas acionadas na EEAB. O medidor de vazão será do tipo eletromagnético com 2.100 mm de diâmetro. A Figura 7.5 mostra o Reservatório de Compensação de Água Bruta (RCAB) junto à Estação de Tratamento de Água (ETA) e à Estação Elevatória de Água Tratada (EEAT).
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    SISTEMA PRODUTOR SÃOLOURENÇO sabesp 81 7.2. Estação de Tratamento de Água – ETA A ETA São Lourenço foi concebida e dimensionada para constituir uma unidade de tratamento convencional de ciclo completo com capacidade para tratar uma vazão média de cerca de 5,0 m3 /s e uma vazão máxima diária de 6,0 m³/s. A ETA será implantada no distrito de Caucaia do Alto, no município de Cotia, em área antropizada situada na margem esquerda da estrada dos Pereiras, distando aproximadamente 2,0 km da estrada de Caucaia. Conforme mostrado na Figura 7.5, o Reservatório de Compensação de Água Bruta (RCAB), a Estação de Tratamento de Água (ETA) e a Estação Elevatória de Água Tratada (EEAT) estão inseridos em um terreno de cerca de 28 ha, pertencente a dois proprietários particulares. A ETA foi projetada para ser constituída das seguintes unidades principais: Fase Líquida  Câmara de chegada e de pré‐oxidação;  Calha Parshall: mistura rápida hidráulica com controle de ressalto hidráulico;  Estrutura de repartição de água coagulada (caixa com oito vertedores);  Oito módulos de floculação hidráulico/mecânica (três floculadores por módulo e quatro compartimentos por floculador);  Oito módulos de decantação lamelar (seis distribuidores de água floculada por módulo e quatro bombas de sucção de lodo concentrado em covas por módulo);  Duas câmaras de cloração intermediária (uma em cada canal de decantado);  Vinte e quatro filtros de camada dupla com areia e antracito para operação sob regime de taxas declinantes variáveis, lavagem principal a partir de reservatório específico e auxiliar, por ar; e  Dois módulos de tanque de contato para desinfecção final. Fase Sólida  Tanque para recuperação de água de lavagem dos filtros;  Tanque de lodo concentrado;  Prédio de desaguamento de lodo: adensadores mecânicos, centrífugas decantadoras e sistemas automáticos de dissolução (tanques sobrepostos) e dosagem de polímeros; e  Área de 1,0 ha para secagem complementar da torta de lodo por processo natural. Produtos Químicos  Áreas para armazenagem; preparo e dosagens de produtos químicos. Edificações  Completa a ocupação uma área equivalente a 1,5 ha, reservada para instalação de edificações para portaria, administração, edifício de controle, laboratório, auditório, oficinas e vestiários.
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    SISTEMA PRODUTOR SÃOLOURENÇO sabesp 83 7.3. Sistema de Adução de Água Tratada O Sistema de Adução de Água Tratada da alternativa selecionada na diretriz Ibiúna – Cotia, foi idealizado inicialmente no Estudo de Concepção junto com a Estação Elevatória de Água Tratada (EEAT), a ser implantada na área da ETA, recalcando diretamente até o Reservatório de Compensação Granja Carolina (RCGC), localizado cerca de 14,0 km de distância da EEAT. O levantamento planialtimétrico efetuado posteriormente, para fins de detalhamento da alternativa selecionada, mostrou a ocorrência de alguns pontos altos no perfil da Alça Principal de adução, que superariam a linha piezométrica em determinadas situações operacionais. A solução adotada consistiu em implantar uma Chaminé de Equilíbrio de Água Tratada (CEQ‐AT) em ponto alto junto à estrada de Caucaia, cerca de 3,0 km de distância da EEAT, no divisor de águas entre as bacias hidrográficas dos rios Sorocaba e do Alto Tietê, com adução por gravidade no restante da adutora de água tratada. Mesmo com a implantação da CEQ‐AT houve a necessidade de manutenção do túnel a ser executado no maciço rochoso, situado após a travessia da rodovia Raposo Tavares, para vencer o divisor de águas entre os rios Cotia e São João do Barueri. A inclusão da CEQ‐AT permitiu eliminar o problema de insuficiência de nível piezométrico e reduzir a extensão da linha de recalque, facilitando o controle operacional do sistema de recalque e minimizando a ocorrência de pressões transitórias em caso de parada repentina do bombeamento por falha no suprimento de energia elétrica aos conjuntos motobombas em operação. A localização da CEQ‐AT também permite uma solução operacionalmente mais simples para a derivação para os reservatórios setoriais de Caucaia do Alto e de Vargem Grande Paulista, uma vez que as estações elevatórias para esses setores podem ser implantadas na área da CEQ‐AT com sucção d’água na própria chaminé. Dessa forma, o Sistema de Adução de Água Tratada do SPSL será constituído das seguintes instalações principais:  Estação Elevatória de Água Tratada (EEAT) e Subestação de Energia Elétrica na área da ETA;  Alça Principal da adutora de água tratada, com aproximadamente 30,7 km de extensão e diâmetros de 2.100, 1.800, 1.500 e 1.200 mm; decrescentes à medida que são feitas, ao longo do caminho, as diversas conexões com o Sistema Integrado Metropolitano – SIM, existente;  Chaminé de Equilíbrio de Água Tratada (CEQ‐AT);  Reservatório de Compensação Granja Carolina (RCGC);  Estações Elevatórias e/ou “Boosters” de Vargem Grande Paulista, Caucaia do Alto e Atalaia;  Subadutoras com aproximadamente 14,3 km de extensão total e diâmetros de 800 mm;  Estruturas de Dissipação de Energia; e  Estruturas de Controle de Vazão e de Pressão nos reservatórios setoriais. O Sistema de Adução de Água Tratada do SPSL atravessará os municípios de Cotia, Vargem Grande Paulista, Itapevi, Jandira, Barueri, Carapicuíba e Santana de Parnaíba, conforme mostra a Figura 7.6.
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    SISTEMA PRODUTOR SÃOLOURENÇO sabesp 85 7.3.1. Estação Elevatória de Água Tratada – EEAT A Estação Elevatória de Água Tratada (EEAT) foi concebida com tomada d’água em poço de sucção, implantado ao lado do tanque de contato da ETA, por intermédio de uma tubulação de aço que alimenta o barrilete de sucção das bombas, com diâmetro 2.100 mm e 86,0 m de extensão. Serão utilizadas bombas de eixo horizontal bipartidas, sendo que dois conjuntos motobombas serão dotados de inversores de freqüência para possibilitar o ajuste da vazão de recalque com a tratada, economia de energia elétrica e flexibilidade operacional do sistema de recalque. As características principais da EEAT são:  Vazão Total de recalque: 6,0 m³/s;  Número de conjuntos motobombas: 5 (4 + 1R);  Vazão de recalque (unitária): 1,5 m³/s;  Altura manométrica: 32,0 mca; e  Potência dos motores (unitária): 900 CV. A Subestação Principal de Energia Elétrica que atenderá a ETA e a EEAT será constituída de dois transformadores de 88/138 kV para 13,2 kV, ambos com potência nominal de 6 MVA. A saída em 13,2 kV alimentará a subestação da EEAT e duas subestações da ETA. 7.3.2. Adução de Água Tratada – Alça Principal O traçado da Alça Principal do SPSL, entrando na zona conurbada da RMSP no sentido oeste‐ sudoeste, permite atender os reservatórios da sua área de influência mediante conexões com linhas de adução existentes, ou mediante subadutoras novas de curta extensão. A subadutora Gênesis é a única linha nova mais longa, com cerca de 10,0 km de extensão, pois ela amplia a abrangência espacial do Sistema Integrado Metropolitano (SIM), ao incorporar ao SIM a porção do município de Santana de Parnaíba situada ao norte do rio Tietê, hoje atendida por sistemas isolados. A partir do RCGC, implantado nos limites do município de Cotia, o relevo do traçado selecionado para a Alça Principal apresenta decréscimos acentuados na topografia, impondo em função do elevado nível piezométrico do RCGC (NA médio = 924,0 m) pressões elevadas para a área de influência do SPSL. Para a interligação Alça Principal do SPSL com as tubulações existentes do SIM, adotou‐se como premissa básica a manutenção da mesma faixa de pressão a que elas são submetidas atualmente no abastecimento efetuado por outros Sistemas Produtores. Para tanto, foi necessária a implantação de duas Estruturas de Dissipação de Energia antes de duas interligações com o sistema existente: a primeira na derivação para Itapevi, Jandira e Barueri Centro, antes da interligação com a adutora proveniente da ETA Baixo Cotia; e a segunda, próxima do final da Alça Principal de adução do SPSL, antes da interligação com a subadutora existente Carapicuíba – Tamboré, pertencente à Alça Oeste do Sistema Produtor Cantareira. A Alça Principal de adução do SPSL é constituída pelos seguintes trechos principais:
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    SISTEMA PRODUTOR SÃOLOURENÇO sabesp 86 Trecho I: A adutora deste trecho, com uma extensão de 5,3 km e diâmetro 2100 mm, pode ser operacionalmente dividida em dois subtrechos:  Trecho por recalque, com extensão de 3,1 km e 2.100 mm de diâmetro, da EEAT até a Chaminé de Equilíbrio (CEQ‐AT); e  Trecho por gravidade, com extensão 2,2 km e 2.100 mm de diâmetro, da CEQ‐AT até a interligação com o Sistema Produtor Alto Cotia. Trecho II: Este trecho compreende a extensão da Alça Principal de adução, situada entre as interligações com as adutoras existentes dos Sistemas Produtores Alto e Baixo Cotia, passando pelo Reservatório de Compensação Granja Carolina e percorrendo uma extensão total da ordem de 20,4 km com diâmetro de 1800 mm. Trecho III: Compreende ao trecho final da Alça Principal do SPSL, situado entre as interligações com as adutoras existentes dos Sistemas Produtores Baixo Cotia e Cantareira, percorrendo um total de 5,0 km com dois diâmetros diferentes:  Extensão de 2,7 km e 1.500 mm de diâmetro até a derivação da subadutora projetada para o futuro Setor de Abastecimento Gênesis; e  Extensão de 2,3 km e 1.200 mm de diâmetro, da derivação da subadutora Gênesis até a interligação com a subadutora existente Carapicuíba ‐ Tamboré; A Alça Principal de adução do SPSL será constituída de tubulações de aço, do tipo ASTM A283 GrD, com espessuras variadas. A Figura 7.7 mostra o Perfil da Alça Principal da Adutora de Água Tratada e suas Linhas Piezométricas.
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    SISTEMA PRODUTOR SÃOLOURENÇO sabesp 88 7.3.3. Chaminé de Equilíbrio de Água Tratada (CEQ‐AT) A Chaminé de Equilíbrio de Água Tratada (CEQ‐AT) foi dimensionada para o controle das pressões transitórias decorrentes da parada repentina do bombeamento da EEAT, servir de poço de sucção para as Estações Elevatórias de Caucaia do Alto e de Vargem Grande Paulista, e proporcionar condições operacionais adequadas para aduzir, por gravidade, a vazão demandada pela área de influência do SPSL. A CEQ‐AT será implantada em terreno adjacente à Estrada de Caucaia e consistirá em estrutura de concreto armado coberta. As tubulações de entrada e saída serão independentes, forçando a recirculação da água tratada no seu interior para manutenção da sua potabilidade, e terão a sua geratriz inferior no mesmo nível da laje de fundo do dispositivo de proteção. A chaminé terá ainda um volume adicional de segurança para fins de instalação de alarmes e controles para prevenir transbordamentos. Uma canaleta em volta da estrutura cilíndrica coletará a água de eventual transbordamento e a conduzirá mediante canal de concreto e depois tubulação de drenagem para descarga em córrego existente. As características principais da CEQ‐AT são:  Volume operacional: 5.100 m³;  Formato da CEQ: cilíndrica;  Diâmetro da CEQ: 24,0 m;  Altura da CEQ: 16,3 m;  Cota da base: 930,7 m; e  Nível máximo: 942,0 m. A Figura 7.8 mostra as características principais de implantação da Chaminé de Equilíbrio de Água Tratada.
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    SISTEMA PRODUTOR SÃOLOURENÇO sabesp 90 7.3.4. Reservatório de Compensação Granja Carolina (RCGC) O Reservatório de Compensação de Água Tratada Granja Carolina (RCGC) será implantado em área do Condomínio Granja Carolina – Reserva Cotia, pertencente à ALPHAVILLE Urbanismo SA, à margem de estrada projetada para acesso, a partir da estrada do Pau Furado no município de Cotia. O RCGC terá por finalidades: (i) suprir as flutuações diárias do Sistema de Adução de Água Tratada do SPSL; (ii) evitar a separação da coluna líquida no local de implantação e limitar as pressões a jusante em situações transitórias; (iii) garantir o abastecimento durante paralisações não programadas do bombeamento de água tratada por um período em torno de uma hora; e (iv) atender futuramente a um novo Setor de Abastecimento, abrangendo áreas adjacentes dos municípios de Cotia e Itapevi. As características principais do RCGC são:  Volume total: 30.000 m³;  Material: concreto armado;  Formato: retangular  Número de câmaras: 3 un;  Dimensões de cada câmara: 28,0 x 36,0 x 11,5 m;  Lâmina d’água: 10,0 m;  Nível máximo: 924,0 m; e  Nível mínimo: 914,0 m. O volume de reservação estipulado é composto de duas parcelas: a primeira com 20.000 m3 tem a função de atender a flutuação diária de consumo do sistema de adução do SPSL; e a segunda, com 10.000 m3 , suprirá as demandas de um novo Setor de Abastecimento para atendimento de partes dos municípios de Cotia e Itapevi, que atualmente apresentam situações precárias de abastecimento. A Figura 7.9 mostra as características principais de implantação do Reservatório de Compensação de Água Tratada Granja Carolina (RCGC).
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    SISTEMA PRODUTOR SÃOLOURENÇO sabesp 92 7.3.5. Reservatório Gênesis Santana de Parnaíba é o município da UN Oeste com o maior número de sistemas isolados de abastecimento de água, nove ao todo. Existem também áreas do município abastecidas diretamente pelo Sistema Integrado Metropolitano (SIM), por intermédio de prolongamentos de redes de distribuição dos setores Barueri e Tamboré. O reservatório Gênesis a ser implantado com capacidade de 10.000 m3 no condomínio existente de mesmo nome, possibilitará a criação de um novo Setor de Abastecimento que atenderá, por intermédio de uma ressetorização, todos os sistemas isolados e demais áreas do SIM pertencentes ao município de Santana de Parnaíba. As características principais do reservatório Gênesis são:  Volume Total: 10.000 m3 ;  Formato: cilíndrico;  Diâmetro: 40,0 m;  Altura: 8,0 m;  Cota da base: 846,0 m; e  Nível máximo: 854,0 m. A Figura 7.10 mostra as características principais de implantação do Reservatório Gênesis. 7.3.6. Adução de Água Tratada – Interligação com o SIM A interligação do Sistema Produtor São Lourenço (SPSL) com a malha do Sistema Integrado Metropolitano (SIM) ocorrerá por intermédio de várias derivações ao longo do caminho da Alça Principal da adução água tratada, as quais atenderão Setores de Abastecimento do extremo oeste da RMSP que hoje apresentam sérias deficiências de abastecimento. Além de regularizar o abastecimento dentro da sua área de influência, o SPSL possibilitará alterar as configurações atuais de outros Sistemas Produtores existentes, permitindo redirecionar o abastecimento e beneficiar indiretamente áreas que também já acusam indicadores de desabastecimento, quais sejam:  O abastecimento dos setores Caucaia do Alto, Atalaia e Vargem Grande Paulista pelo SPSL, aliviará o Sistema Produtor Alto Cotia e permitirá redirecionar mais água para o abastecimento de Itapecerica da Serra, Embu e Embu Guaçu; e  O abastecimento de Carapicuíba, Barueri Tamboré, Barueri Jardim Tupã e Santana de Parnaíba pelo SPSL, aliviará o Sistema Produtor Cantareira e permitirá adequar o abastecimento do extremo norte, via Estação Elevatória Jardim Damasceno. Outro benefício associado à entrada em operação do SPSL será decorrente da sua interligação com o Sistema Produtor Baixo Cotia, que permitirá atender parcialmente ou totalmente os setores Barueri Centro, Jandira e Itapevi, atualmente abastecidos pela ETA Baixo Cotia. Esta interligação, além de eliminar as intermitências do abastecimento desses setores, possibilitará a parada da ETA Baixo Cotia para eventuais obras de melhoria do processo de tratamento existente, adequando‐o ao nível de degradação constatado atualmente na qualidade da água bruta do rio Cotia.
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    SISTEMA PRODUTOR SÃOLOURENÇO sabesp 94 As modificações decorrentes da implantação do SPSL e características principais da adução de água tratada aos Setores de Abastecimento constituintes da área de influência são: Abastecimento dos Setores Caucaia do Alto (Cotia) e Vargem Grande Paulista: Os Setores de Abastecimento Caucaia do Alto, no município de Cotia, e Vargem Grande Paulista são atualmente abastecidos pelo Sistema Produtor Alto Cotia, mediante adutora existente na estrada das Mulatas e que bifurca em duas subadutoras que seguem em sentidos opostos pela estrada de Caucaia em direção aos reservatórios setoriais existentes. Esses reservatórios estão em cotas elevadas: Caucaia do Alto com nível 973,7 m e Vargem Grande Paulista com nível 942,5 m. Com a implantação da CEQ‐AT do SPSL em ponto alto na estrada de Caucaia, cerca de 2.200 m a montante da bifurcação das referidas subadutoras, o abastecimento desses setores será realizado a partir dos seguintes procedimentos: (i) bloqueio da conexão com as adutoras provenientes do Sistema Produtor Alto Cotia; (ii) implantação de Estações Elevatórias independentes para cada reservatório; e (iii) interligação das subadutoras existentes e projetadas com a Alça Principal do SPSL. As duas elevatórias serão implantadas na área operacional da CEQ‐AT e terão um sistema comum de sucção a partir da base da chaminé, por intermédio de uma tubulação de diâmetro 600 mm em Fo Fo . A concepção proposta para essas elevatórias apresenta as seguintes características principais: EEAT Caucaia do Alto:  Vazão de recalque: 95,0 l/s;  Altura manométrica: 78,0 mca;  Número de conjuntos: 2 (1 + 1R); e  Potência dos motores (unitária): 150 CV. EEAT Vargem Grande Paulista:  Vazão de recalque: 188,0 l/s;  Altura manométrica: 59,0 mca;  Número de conjuntos: 3 (2 + 1R); e  Potência dos motores (unitária): 100 CV. Abastecimento do Setor Atalaia (Cotia): O Setor de Abastecimento Atalaia, no município de Cotia, é hoje precariamente atendido pelo Sistema Produtor Alto Cotia, mediante longa adutora com um bombeamento intermediário. O reservatório setorial encontra‐se no nível 934,8 m. O estudo indicou a conveniência de implantar uma nova subadutora, derivando da Alça Principal do SPSL na altura do desemboque do túnel a ser executado após a rodovia Raposo Tavares, percorrendo uma extensão de 2,3 km com diâmetro 800 mm em aço. Nas proximidades do reservatório será necessária a implantação de um “Booster” para complementação do nível piezométrico.
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    SISTEMA PRODUTOR SÃOLOURENÇO sabesp 95 Booster Cotia Atalaia:  Número de bombas: 1+1R;  Vazão por bomba: 420 l/s;  Altura manométrica total: 25 mca;  Potência do motor: 220 CV. O diâmetro da subadutora a montante do “Booster” proposto para o setor Atalaia, foi dimensionado para o atendimento futuro do setor Cotia Centro por gravidade, o que possibilitará aliviar ainda mais o Sistema Alto Cotia e liberar a sua produção para outras áreas com problemas de abastecimento. Abastecimento do Setor Mirante (Jandira) O suprimento do Setor de Abastecimento Mirante, no município de Jandira, será realizado por gravidade, a partir do Reservatório de Compensação Granja Carolina (RCGC), mediante implantação de subadutora em aço, com 0,8 km de extensão e 800 mm de diâmetro. O sistema atual de abastecimento pela ETA Baixo Cotia, com bombeamento a partir do reservatório Jandira, será desativado. Em função da pequena extensão da subadutora e a disponibilidade de água do SPSL com nível piezométrico adequado para o abastecimento de grande parte do município, decidiu‐se adotar uma folga no dimensionamento para suportar acréscimos futuros de vazão. Além destes aspectos, a fixação do diâmetro em 800 mm permitiu uniformizar o fornecimento de tubos por ocasião da execução da obra e eliminar os blocos de ancoragem que seriam necessários caso se utilizassem tubulações de ferro fundido. Abastecimento do Setor Jardim Tupã (Barueri) O Setor de Abastecimento Jardim Tupã, no município de Barueri, terá o atendimento por gravidade a partir do RCGC mediante implantação de uma nova subadutora em aço, com 1,0 km de extensão e 800 mm de diâmetro, que deriva Alça Principal do SPSL nas proximidades da ETA Baixo Cotia. O sistema atual de abastecimento a partir do “Booster” Baixo Cotia será desativado. Abastecimento dos Setores Itapevi, Jandira e Barueri Centro Os Setores de Abastecimento Itapevi, Jandira e Barueri Centro são atualmente abastecidos por intermédio de uma Estação Elevatória existente na área da ETA Baixo Cotia. A adutora de recalque foi implantada no início da década de 1960, em ferro fundido e diâmetro inicial de 1.100 mm; posteriormente alguns trechos foram remanejados em aço. Na configuração prevista para implantação do Sistema de Adução de Água Tratada do SPSL, será realizada uma interligação dessa adutora existente com uma derivação da Alça Principal da adutora, nas proximidades da ETA Baixo Cotia, permitindo flexibilidade operacional para atender totalmente ou parcialmente esses setores por intermédio da ETA São Lourenço. Em face da idade de implantação do Sistema Baixo Cotia, uma Estrutura de Dissipação de Energia será implantada na derivação do SPSL, à montante da interligação, para adequar os níveis piezométricos dos dois sistemas, e não submeter às adutoras existentes a pressões superiores àquelas que hoje operam.
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    SISTEMA PRODUTOR SÃOLOURENÇO sabesp 96 Abastecimento do Setor Gênesis (Santana de Parnaíba) A região do município de Santana de Parnaíba ao norte do rio Tietê é atualmente atendida por sistemas isolados de abastecimento de água ou, ainda, por prolongamentos de rede de distribuição do Setor de Abastecimento Tamboré, pertencente ao município de Barueri. A concepção do Sistema Produtor São Lourenço (SPSL) considerou a diretriz de implantar um novo setor nessa região, denominado de Setor de Abastecimento Gênesis, integrando‐o ao SIM e com abastecimento por gravidade a partir do RCGC. A solução adotada foi implantar uma derivação da Alça Principal do SPSL nas proximidades da ETE Barueri, tão logo a adutora se aproxima do rio Tietê, permitindo aproveitar o elevado nível piezométrico do sistema de adução para abastecer o reservatório Gênesis por gravidade. A nova subadutora será executada com tubos de aço, com 10,1 km de extensão e 800 mm de diâmetro. Abastecimento do Setor Tamboré (Barueri) O Setor de Abastecimento Tamboré atende grande parte do município de Barueri e encontra‐se no extremo oeste do SIM, sendo atualmente abastecido pelo Sistema Produtor Cantareira, via “Booster” Jaguara e da subadutora Carapicuíba ‐ Tamboré. Esta subadutora é constituída de tubos de ferro fundido, com ponta e bolsa, e 1200 mm de diâmetro. A alteração do abastecimento deverá ser realizada interligando a Alça Principal do SPSL, de diâmetro 1200 mm, com a adutora existente. Para não superar os esforços utilizados no dimensionamento dos blocos de ancoragem da subadutora existente, deverá ser implantada, a montante da interligação, uma Estrutura de Dissipação de Energia para redução pressão do novo sistema produtor. Abastecimento dos Setores Centro, COHAB e Vila Dirce (Carapicuíba) Os três Setores de Abastecimento do município de Carapicuíba deverão ser atendidos pela mesma interligação da Alça Principal do SPSL efetuada para suprir o setor Tamboré de Barueri, por intermédio da reversão de fluxo na subadutora Carapicuíba – Tamboré. Em função da redução de pressão do SPSL, decorrente da limitação de esforços da subadutora existente, deverá ser mantida a Estação Elevatória existente que atualmente recalca as demandas do Setor de Abastecimento Vila Dirce. 7.4. Fornecimento de Energia Elétrica Estudos de alternativas de acesso ao Sistema Interligado de Energia Elétrica em Alta Tensão, para suprimento das unidades consumidoras do SPSL, foram desenvolvidos para a alternativa Ibiúna ‐ Cotia selecionada. As cargas estão concentradas na EEAB e, em menor magnitude, na ETA / EEAT. Os estudos realizados para fins de ilustração e encaminhamento das licenças ambientais, considerando os fatores que mais influenciam o custo do suprimento elétrico, indicam que a solução técnica mais provável deva ser constituída das seguintes intervenções:  Alimentação da Captação e EEAB por linha de transmissão (LT) em 138 kV, em circuito duplo, a partir da subestação Embu Guaçu da CTEEP;
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    SISTEMA PRODUTOR SÃOLOURENÇO sabesp 97  Alimentação da ETA e EEAT pela rede da AES ELETROPAULO em Cotia, mediante linha de 88 kV, com algum eventual reforço da sua malha de transmissão;  Entrega da energia elétrica pela concessionária de energia nas instalações da Captação / EEAB e da ETA / EEAT, em 138 kV; e  Compra da energia elétrica pela Sabesp na condição de consumidor cativo. Nesse modelo, as concessionárias de energia elétrica serão as entidades responsáveis pelo projeto, aprovação, licenciamento ambiental, construção, operação e manutenção das Linhas de Transmissão ‐ LTs. Embora a decisão quanto às características técnicas e ao traçado das LTs que alimentarão o SPSL não caiba à Sabesp, um traçado referencial da LT que alimentará a EEAB teve que ser desenvolvido a fim de avaliar o impacto e a viabilidade ambiental do empreendimento, uma vez que o licenciamento ambiental prévio do SPSL inclui o sistema de alimentação elétrica. O estudo adotou parâmetros típicos de LT em torre, em 138 kV, circuito duplo, de acordo com parâmetros de projeto fornecidos pela CPFL. O traçado tem início na subestação Embu Guaçu da CTEEP e termina na área da captação, percorrendo, em linha reta, em torno de 37,5 km. O enfoque do estudo foi predominantemente ambiental, no sentido de buscar diretrizes de traçado que se afastem pouco de um alinhamento retilíneo, mas que minimizem a supressão de vegetação arbórea e a abertura de clareiras, pois o trecho atravessado contém vegetação natural bastante conservada. Esta questão é central para o licenciamento ambiental, pois se estima que o impacto ambiental desta LT seja superior que o impacto de todo o circuito hidráulico do SPSL.
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    SISTEMA PRODUTOR SÃOLOURENÇO sabesp 98 PARTICIPAÇÃO COMPANHIA DE SANEAMENTO BÁSICO DO ESTADO DE SÃO PAULO – SABESP Marcelo Salles Holanda Freitas Diretor T Silvio Leifert Superintendente TE Antônio Sérgio da Cunha Guasco Coordenador Geral TEC José Lavrador Filho Coordenador TEC João Luis Bertagna Coordenador TEC Priscila Pantaleoni Mariaca Coordenador TEC Domingos Palopoli Bonadie Coordenador TEC Ciro Sakai Coordenador TEC Silvio Renato Siqueira Engenheiro TAH Fátima Valéria Carvalho Engenheira M/Ass Cristina Knorich Zuffo Engenheira TXP Sheila Gozzo Camera Química MATC Edilson Pereira Silva Químico MATC Angelino Aniello Saullo Engenheiro MATV Ana Maria Kairalla Química MATV Fabiana Rorato de L. Prado Engenheira PIT Maria Regina Ferraz de Campos Engenheira PIT Gisele Alessandra Nunes da C. Abreu Engenheira TOG Fábio Rodrigues Tecnólogo TOG Ligia Marinho Bióloga TOQ Marcia Moribe Química MPO José Francisco Proença Engenheiro MM Marcos Rogério Araujo Engenheiro MME Marcos Almir de Oliveira Geógrafo MPD Sergio Luz Tecnólogo TGT Adilson Menegatte Mello Campo Tecnólogo CSQ
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    SISTEMA PRODUTOR SÃOLOURENÇO sabesp 99 ENCIBRA S.A. ESTUDOS E PROJETOS DE ENGENHARIA DIRETORIA Faustino Miguel López Diretor Presidente Russell George Ludwig Diretor Vice‐Presidente Executivo Russell Rudolf Ludwig Diretor de Planejamento Alexandre Miguel López Diretor Comercial Rogers Baladi Rufino Pereira Diretor de Engenharia Sanitária e Ambiental Eduardo Pericle Colzi Diretor de Engenharia de Energia Alexandre Miguel López Diretor de Engenharia de Transportes EQUIPE TÉCNICA Eduardo Pericle Colzi Coordenador Geral Newton Pimentel Coordenador Carlos Augusto Menezes Coordenador Rondon Salazar Resende Coordenador Antonio Roberto Gonçalves Lopes Coordenador Rogers Baladi Rufino Pereira Coordenador Sérgio Luís de Abreu Coordenador Almir Ferreira da Silva Projetista Cristiane Nunes Martins Santos Engenheira Civil Edmundo Koelle Consultor Hidráulica Eduardo da Silva Araujo Engenheiro Civil Fabiana Fernandes Konig Engenheira Ambiental Franz Bessa da Silva Engenheiro Civil Frederico de Almeida Lage Filho Consultor de Estudos de Tratabilidade Ilana Noronha Lopes Engenheira Ambiental Jamil El Achkar Engenheiro Civil Jorge de Almeida Francisco Projetista
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    SISTEMA PRODUTOR SÃOLOURENÇO sabesp 100 Jorge Kushima Designer Luciano Alberto Miranda Diaz Engenheiro Civil Luis Vill Garcia (in memoriam) Consultor de Hidrologia Luiz Henrique Oriani Engenheiro Sanitarista Micheli Ribeiro dos Santos Tecnóloga Patricia Gonçalves Costa Arquiteta Rafael Hinnah Engenheiro Sanitarista Renan Caratti Alves Engenheiro Químico Ricardo Ribeiro da Silva (in memoriam) Engenheiro Civil Sergio Roberto Carvalho de Souza Consultor Tratamento de Água Sidney Seckler Ferreira Filho Consultor de Estudos de Tratabilidade Toshiaki Hori Projetista Vagner Almeida Lima Engenheiro Civil Víctor E. León B. de Camargo Consultor Geotécnico PRIME ENGENHARIA LTDA Guillermo Raul Fernandes d’Oliveira Coordenação Marta Arantes Godoy Ambiente Natural Vera Lúcia Dominguez Pastorelo Socioeconomia Rogério Peter de Camargo Geoprocessamento Jansen Furuta Geoprocessamento Alexandre Pittini Uso do Solo e Produtos Gráficos
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    SECRETARIA ESTADUAL DESANEAMENTO E RECURSOS HÍDRICOS