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Desvalorização do real
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Por Antonio Penteado Mendonça
Oscilação do valor das moedas tem forte impacto nas apólices de seguros empresariais e isso pode acarretar
importâncias seguradas mais altas que as necessárias ou o contrário.
As grandes empresas e suas corretoras estão tratando do assunto já faz tempo. Aliás, não é a primeira vez que o
problema acontece, no Brasil ou no mundo. Sim, no mundo também. A oscilação do valor das moedas nacionais,
depois da globalização, tem forte impacto nas apólices de seguros empresariais.
Agora mesmo o euro está com a menor cotação em mais de uma década. Seu valor é praticamente o mesmo do
dólar.  Isso  pode  acarretar  importâncias  seguradas  mais  altas  do  que  as  necessárias  ou  o  contrário  –  riscos
segurados por menos do que seria o correto. Para que o seguro continue bem feito, as duas situações devem ser
corrigidas, quer pelo aumento dos valores das apólices, quer pela sua redução, com a consequente devolução
de prêmio pago amais.
O Brasil viveu esta situação durante e depois da hiperinflação. Já com o Plano Real garantindo a estabilidade da moeda, as oscilações para mais e
para menos do real, especialmente em relação ao dólar, já causaram movimentos como os descritos acima, com forte impacto nos seguros.
A situação das empresas brasileiras, no momento, está longe de ser confortável. Com grande parte do parque industrial composto por equipamentos
importados, ou com grande quantidade de componentes importados, a desvalorização impressionante do real diante do dólar faz com que uma
parte significativa das empresas brasileiras, no caso de um sinistro, simplesmente não consiga repor os equipamentos afetados, ainda que tendo
uma apólice corretamente contratada quando da aquisição da máquina ou equipamento.
Não faz muito tempo, o real valia R$ 1,70 por dólar. Agora a relação é de R$ 3 por dólar. Isso significa que o valor do dólar em relação a ele
praticamente dobrou. O que, na prática, obriga o empresário que necessite repor um equipamento a pagar, em reais, quase 50% a mais do que
pagaria no passado recente.
O problema é que as apólices de seguros brasileiras são emitidas em real. Assim, ainda que a empresa tenha um seguro feito corretamente na
época da contratação, atualmente, por causa da desvalorização cambial, ela estará com as importâncias seguradas dos equipamentos importados
completamente defasa da, com tudo de ruim que isso representa.
O primeiro prejuízo é que, no caso de uma perda total, os valores das apólices não serão suficientes para pagar a aquisição de novos equipamentos
com preço em dólar. O segundo é que a defasagem cambial joga o segurado nas consequências previstas na cláusula de rateio, ou seja, ele,
mesmo sem querer e por fato estranho à sua vontade, se torna sócio da seguradora na proporção a menos entre o valor real do bem e o constante
da apólice. Por isso, as grandes empresas estão preocupadas com o tema e discutindo com seus corretores e seguradores a melhor forma de
neutralizar ou minimizar o problema. Mas, e as empresas médias e pequenas, será que têm noção do risco que isso significa para sua capacidade
de atuação e a preservação de seu patrimônio?
Provavelmente não. Seus administradores não conhecem os detalhes da atividade seguradora e nem sempre os corretores que os atendem estão
preparados para lidar com sofisticações como o reajuste dos valores segurados em função da variação cambial.
É  por  isso  que  é  interessante  aproveitar  o  fechamento  dos  balanços  para  fazer  uma  reavaliação  do  ativo,  com  foco  especial  nas  máquinas  e
equipamentos importados. O que custava US$100 mil continua custando US$ 100 mil, só que US$100 mil, hoje, valem R$ 300 mil e não mais os R$
170 mil de um ano atrás. Quem não se preocupar com essa diferença e não providenciar a correção dos valores de sua apólice, em caso de sinistro,
corre  o  risco  de  receber  de  sua  seguradora,  em  reais,  muito  menos  do  que  o  imaginado  e  que,  convertido  para  dólares,  será  seguramente
insuficiente para repor o que foi destruído pelo sinistro.
Qual a solução? Reavaliar os seguros levando em conta o novo preço dos produtos importados em reais e, além disso, verificar se a apólice tem
cláusula de rateio parcial.
Fonte: O Estado de São Paulo, em 30.03.2015.
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