Prezado acadêmico! Bem-vindoà terceira etapa de nossos estudos sobre
os princípios básicos de economia. Nela, cujo tema principal é o mercado e os
agentes econômicos, iremos conhecer o que significam a oferta, a demanda,
estrutura de custos, receita marginal, custos marginais e as principais estruturas
de mercado.
APRESENTAÇÃO
Organização
Daniele de Lourdes
Curto da Costa Martins
Reitor da
UNIASSELVI
Prof. Hermínio Kloch
Pró-Reitora do EAD
Prof.ª Francieli Stano
Torres
Edição Gráfica
e Revisão
UNIASSELVI
Autor
Daniel Rodrigo Strelow
3.
CURSO LIVRE -ECONOMIA 3: O MERCADO E OS AGENTES ECONÔMICOS
.01
1 INTRODUÇÃO
Neste primeiro tópico iremos conhecer um dos princípios básicos da
teoria microeconômica, ou seja, a lei da oferta e da demanda. Começaremos
conhecendo algumas características da demanda, seu comportamento na
economia.
Após, conheceremos alguns aspectos da oferta, isto é, suas principais
características e comportamento. Por fim, veremos como se forma o equilíbrio
dos mercados, a partir do comportamento das curvas de demanda e de oferta.
Bom estudo!
2 A DEMANDA
Conceitualmente, a DEMANDA ou PROCURA individual refere-se à
quantidade de determinado bem ou serviço que o consumidor deseja e
está capacitado a adquirir, em certo período de tempo. Devemos notar que
três características são fundamentais nesta definição. Portanto, sempre que
falarmos de Demanda, devemos ter em mente que:
1) A demanda é um desejo, uma aspiração. É o desejo que se tem de adquirir
algum bem ou serviço e não a realização deste desejo. Portanto, não se
pode confundir demanda com compra.
2)Considera-se como demanda de um bem ou serviço aquilo que o
indivíduo tem capacidade de comprar. Isto é, o desejo de um indivíduo
pela compra de um bem terá influência no seu preço caso tal desejo esteja
acompanhado da possibilidade concreta de compra. Quando se fala em
demanda, em economia, deve-se ter em mente um desejo acompanhado
por dinheiro suficiente para adquirir tal bem. Por exemplo, imagine sua
A LEI DA OFERTA
E DA DEMANDA
4.
CURSO LIVRE -ECONOMIA 3: O MERCADO E OS AGENTES ECONÔMICOS
cidade. Possivelmente, muitas pessoas desejam comprar um carro importado.
Porém, poucos são aquelas que têm dinheiro suficiente para adquirir tal
bem. Dessa maneira, a demanda por carros importados da sua cidade é
composta apenas pelas poucas pessoas que têm recursos financeiros para
adquiri-los, e não por todos que têm este desejo.
3)A demanda é um fluxo por unidade de tempo. Isso quer dizer que quando
se fala em procura, devemos expressá-la como a determinada quantidade
(bem ou serviço) desejada em certo período de tempo (se por dia, por
semana, por semestre, por ano, entre outras unidades de tempo). Por
exemplo: a demanda de Maria por café é de 10 quilos por mês. Ou ainda,
a demanda de Marcos por cerveja é de 20 litros por ano. Assim, ficam
evidentes as quantidades desejadas pelas respectivas unidades de tempo.
Em nosso cotidiano, podemos identificar vários fatores que influenciam
a demanda das pessoas, seja por um produto ou por um serviço. Entre eles,
condições favoráveis de crédito, localização do consumidor, sazonalidade,
entre muitos outros. Todos eles provocam uma alteração na procura das
pessoas por um bem ou serviço, isto é, ou a fazem aumentar, ou a fazem
diminuir. Convencionalmente, os economistas destacam cinco grandes fatores
influenciadores da demanda. Examinemos melhor o comportamento diante deles:
I. O preço do bem/serviço: basicamente, a quantidade demandada de um
bem é influenciada pelo seu preço. Assim, quanto MAIOR for o preço de um
bem ou serviço, MENOR será a quantidade desejada pelo consumidor. Do
contrário, quanto MENOR for o preço, MAIOR será a quantidade desejada
pelo consumidor.
II. A renda/salário do consumidor: de acordo com a regra geral, uma
ELEVAÇÃO na renda do consumidor leva a uma ELEVAÇÃO nas quantidades
demandadas. Os bens que têm esta particularidade são chamados de BENS
NORMAIS.
Porém, existem duas exceções a esta regra geral: os bens inferiores
e os bens de consumo saciado. Chamamos de BENS INFERIORES aqueles
em que a demanda varia inversamente às variações ocorridas na renda do
consumidor, dentro de uma faixa de renda específica. Por exemplo: roupas
usadas. A ideia é que, na medida em que a renda aumenta, o consumidor
pode deixar de comprar bens de qualidade inferior e passa a adquirir bens
de maior qualidade.
Já os BENS DE CONSUMO SACIADO referem-se àqueles em que o
desejo do consumidor está totalmente satisfeito após um determinado nível
de renda. Aumentos na renda não provocarão aumento da demanda. Por
exemplo, imagine um amigo seu que goste muito de café. E que, com a renda
atual dele, sente-se satisfeito com a quantidade que consome. Suponha que
5.
CURSO LIVRE -ECONOMIA 3: O MERCADO E OS AGENTES ECONÔMICOS
o salário de seu amigo aumente 10 vezes. Como a quantidade de café diária
consumida (ainda com o salário menor) atende a sua necessidade, dificilmente
ele consumirá ainda mais este produto.
III. O gosto e preferência do consumidor: relaciona a demanda de um bem ou
serviço aos hábitos e preferências do consumidor. Estes se relacionam com
circunstâncias como idade, sexo, tradições culturais, religião, publicidade,
entre outras. Por exemplo: é comum para os cristãos católicos comer
peixe na Sexta-Feira Santa. Neste período, a demanda por peixe aumenta
consideravelmente, enquanto a de carne vermelha diminui.
IV. O preço dos bens relacionados: a demanda de um bem é afetada pela
variação no preço de outros bens. Acontece em duas situações: bens
complementares e bens substitutos.
Os BENS COMPLEMENTARES são aqueles utilizados em conjunto. A
elevação no preço de um deles reduz a demanda do outro e a diminuição no
preço leva a um aumento na demanda do outro. Por exemplo, café e leite:
caso o preço do café se eleve, haverá uma redução no consumo do leite.
Os BENS SUBSTITUTOS são aqueles cujo consumo de um bem pode
substituir o consumo do outro. Há uma relação direta entre preço de um
bem e demanda de outro bem, ou seja, a elevação do preço de um bem
aumenta a demanda de outro bem e a diminuição do preço de um bem leva
à diminuição do outro. Por exemplo, caso a carne bovina aumente muito
de preço, muitos consumidores deixarão de comprá-la, procurando como
substituto uma carne mais barata, como a de frango.
V. As expectativas sobre os preços, rendas ou disponibilidade: as expectativas
que os indivíduos têm em relação ao futuro dos seus rendimentos podem
influenciar na compra de bens e serviços no presente. Por exemplo, se você
acredita que irá receber maiores rendimentos no futuro, estará disposto
a gastar mais no presente. Da mesma maneira, expectativas com relação
ao comportamento dos preços no futuro e a possibilidade de escassez
de certos bens e serviços exercem a mesma influência. Por exemplo, se
existe uma forte perspectiva de aumento no preço de alguns produtos num
futuro próximo, a demanda por eles pode aumentar no presente (sendo
estocados pelos consumidores. Isso era comum na época em que o Brasil
tinha elevados índices de inflação).
Antes de continuarmos, é importante dizer que, quando se analisam
os efeitos destes elementos na demanda (por um produto ou serviço), os
economistas valem-se da condição coeteris paribus. Faz-se uso desta técnica,
pois todos estes elementos que influenciam a demanda podem variar ao
mesmo tempo. E isso dificulta bastante o entendimento que cada um deles,
de forma isolada, exerce sobre a procura dos consumidores.
6.
CURSO LIVRE -ECONOMIA 3: O MERCADO E OS AGENTES ECONÔMICOS
A expressão latina coeteris paribus significa: tudo o mais permanecendo
constante. Essa condição é utilizada quando se deseja avaliar as
consequências de uma variável sobre outra, supondo-se as demais
inalteradas. Exemplo: se quisermos analisar o efeito da variação do preço
na demanda de 1 quilo de feijão, supomos que a renda do consumidor,
o seu gosto, o preço de bens relacionados, as expectativas e os demais
elementos que influenciam a demanda permanecem inalterados. Assim,
podemos verificar apenas os efeitos que a variação do preço provoca
na demanda do quilo de feijão. Com base nisto, se diz que a quantidade
demandada de 1 quilo de feijão depende do seu preço, coeteris paribus. O
mesmo raciocínio é aplicado para analisar os efeitos das demais variáveis,
que vimos acima.
se da condição coeteris paribus. Faz-se uso desta técnica, pois todos
estes elementos que influenciam a demanda podem variar ao mesmo tempo.
E isso dificulta bastante o entendimento que cada um deles, de forma isolada,
exerce sobre a procura dos consumidores.
2.1 A LEI GERAL DA DEMANDA
Tendo chegado até aqui e visto alguns princípios básicos da procura,
é de suma importância conhecermos um conceito muito importante: a Lei
Geral da Demanda. Segundo esta lei geral, a quantidade demandada de um
bem ou serviço, em qualquer período de tempo, VARIA INVERSAMENTE AO
SEU PREÇO, levando em consideração que tudo o mais que afeta a demanda
permaneça constante (coeteris paribus). Resumindo:
Quando o preço (P) cai, as quantidades demandadas
(Qd) aumentam.
Quando o preço (P) sobe, as quantidades demandadas
(Qd) diminuem.
Dois fatores influenciam nesta dinâmica: o efeito substituição e o efeito
renda. No primeiro caso, se um bem possuir um substituto (que satisfaça
a mesma necessidade), quando seu preço aumenta – coeteris paribus –, o
consumidor irá diminuir seu consumo e passará a consumir mais unidades
do bem substituto. Por exemplo, se o preço da caixa de fósforos se elevar
consideravelmente, os consumidores poderão comprar maiores quantidades
de isqueiros.
7.
CURSO LIVRE -ECONOMIA 3: O MERCADO E OS AGENTES ECONÔMICOS
Quanto ao efeito renda, uma redução no preço de um bem faz com que
o poder aquisitivo do consumidor se eleve. Da mesma forma, o aumento no
preço de um bem se reflete em perda do poder de compra do consumidor.
Por exemplo, pense no seu salário e nos principais produtos que você compra
por mês. Caso estas mercadorias sofram uma queda nos preços, você gastará
menos para comprá-las. É como se sua renda tivesse “aumentado”. Com maior
poder de compra, inclusive, é possível aumentar a quantidade demandada
destes produtos. Agora, caso estas mercadorias sofram uma elevação no seu
preço e seu salário continua o mesmo, em termos reais, sua renda (ou poder
de compra) “diminui”. Logo, as quantidades demandadas serão menores.
2.2 A CURVA DA DEMANDA INDIVIDUAL
Como já conhecemos os aspectos gerais da demanda, vejamos como
ela se comporta graficamente, através da curva da demanda, que mostra a
relação entre a quantidade desejada e o preço da mercadoria. Observemos
seu comportamento, com auxílio da tabela a seguir:
ESCALA DE DEMANDA POR BARRAS DE CHOCOLATE POR MÊS
FONTE: O autor com base em Passos e Nogami (2012)
Passando as informações para o gráfico, temos:
Preço ($ barra de
chocolate)
Quantidade demandada por mês ($ barra de
chocolate)
20,00 100
15,00 200
10,00 300
5,00 400
8.
CURSO LIVRE -ECONOMIA 3: O MERCADO E OS AGENTES ECONÔMICOS
Como se vê, ela é desenhada de cima para baixo, da esquerda para a
direita e tem inclinação negativa. Tal inclinação indica que a quantidade
demandada aumenta à medida que o preço diminui. É bom lembrar que a
curva da demanda não é necessariamente linear, pode ser uma curva, ser
irregular. Deve apenas respeitar a lei geral, vista acima.
2.3 A DEMANDA DE MERCADO
Basicamente, a demanda de mercado é a soma das demandas
individuais. Obtém-se somando horizontalmente as quantidades demandadas
individualmente. Por exemplo, imagine um mercado hipotético, composto
por três indivíduos: Pedro, Joel e Ana.
Preço ($/pão
de queijo)
Quantidade demanda por
mês (individualmente) Demanda do mercado
mensal (Pedro + Joel + Ana)
Pedro Joel Ana
10,00 0 0 0 0
8,00 3 2 5 10
6,00 7 5 8 20
4,00 11 7 12 30
2,00 15 10 15 40
ESCALA DA DEMANDA DE MERCADO POR PÃO DE QUEIJO (MÊS)
FONTE: O autor com base em Passos e Nogami (2012)
Para sabermos a demanda de mercado deste mercado hipotético, basta
somar as demandas individuais. Graficamente, podemos ilustrá-la conforme
a figura a seguir.
9.
CURSO LIVRE -ECONOMIA 3: O MERCADO E OS AGENTES ECONÔMICOS
Como vimos anteriormente, a curva da demanda não é necessariamente
linear. Ela pode ser uma linha reta, ter formato curvilíneo ou outra curva,
regular ou irregular. O que se deve respeitar é a Lei Geral da Demanda,
ou seja, que ela sempre deve se inclinar negativamente, revelando o
comportamento inverso entre preço e quantidade demandada (preço sobe
= demanda cai. Preço cai = demanda sobe).
Antes de continuarmos, é preciso fazer algumas observações. Usamos o
termo demanda quando nos referimos à curva da demanda. Os pontos pretos
presentes na curva são denominados de pontos de quantidade demandada.
Por isso, aumento ou diminuição nos preços leva a mudanças nas quantidades
demandadas. As mudanças nos preços geram mudanças nas quantidades
demandadas e não na curva de demanda. Mudanças na curva de demanda
irão ocorrer caso aqueles fatores mantidos constantes, como a renda do
consumidor, o gosto, o preço dos bens relacionados, as expectativas se
alterarem. Mudanças para a direita indicam aumentos de demanda, ao mesmo
preço e com maiores quantidades. Mudanças para a esquerda indicam redução
da demanda, ao mesmo preço e com maiores quantidades.
3 A OFERTA
Tendo conhecido alguns princípios básicos da demanda, façamos o
mesmo com a OFERTA. Conceitualmente, a OFERTA é definida pela quantidade
de um bem ou serviço que os produtores desejam vender por unidade de
tempo. Dois elementos devem ser destacados deste conceito:
1 A oferta é um desejo, uma aspiração. Não podemos confundir oferta com
venda. A oferta é o desejo de se vender um bem ou serviço no mercado.
A realização deste desejo se dará pela venda.
2 A oferta é um fluxo por unidade de tempo. Ou seja, sempre devemos
expressar a oferta como uma quantidade (de bem ou de serviço) em um
determinado período de tempo. Por exemplo, seria incorreto dizer que um
produtor rural deseja oferecer uma tonelada de soja e que essa é a sua oferta.
O correto é dizer que este produtor rural deseja oferecer uma tonelada de
soja por mês (ou outra unidade de tempo, como ano, semestre, semana
etc). Esta á a oferta do agricultor.
Assim como acontece com a demanda, vários fatores podem influenciar
a oferta de um bem ou de um serviço. E, neste caso, também devemos nos
valer da condição coeteris paribus. Entre os diversos fatores que influenciam
a oferta, destacam-se:
10.
CURSO LIVRE -ECONOMIA 3: O MERCADO E OS AGENTES ECONÔMICOS
I. O preço do bem/serviço: normalmente, há uma relação direta entre
quantidade ofertada e preço. Assim, quanto MAIOR for o preço de um bem
ou serviço, MAIOR será sua quantidade ofertada no mercado. Igualmente,
quanto MENOR for o preço, MENOR será a quantidade ofertada. Por exemplo,
um fabricante de cadeiras será estimulado a ofertar ainda mais cadeiras
no mercado, caso seu preço se eleve. Do contrário, se os preços caírem,
ofertará cada vez menos unidades. Isso sempre levando em consideração
a condição coeteris paribus, ou seja, de que todas as outras variáveis que
poderiam afetar a oferta permanecem inalteradas.
É importante ressaltar que na análise do comportamento do ofertante se
faz necessário levar em consideração que sempre haverá um limite mínimo
e um limite máximo para que ele possa produzir. O limite mínimo se dá pelo
custo da produção. Evidentemente, se o preço do produto no mercado não for
capaz de cobrir os custos da produção, não haverá estímulo para esta oferta.
O limite máximo se dá pelo pleno emprego dos fatores de produção. Por
exemplo, um produtor de camisas poderá aumentar sua produção até que
tenha utilizado ao máximo seus fatores de produção (trabalho [número de
trabalhadores], capital [máquinas, equipamentos], tecnologia etc). Quando a
produção alcançar o limite, será constante, até que faça novos investimentos.
II. Os preços dos fatores de produção: a quantidade de um bem que um
produtor deseja oferecer no mercado depende dos preços dos fatores de
produção (preço das matérias-primas, nível dos salários, despesas de capital,
entre outros), já que correspondem aos custos de produção. Logo, uma
REDUÇÃO no preço destes fatores diminui os custos e AUMENTA a oferta.
Um AUMENTO nos preços dos fatores acarreta na DIMINUIÇÃO da oferta
de determinado bem.
Por exemplo, um fabricante de móveis compensados será estimulado a
ofertar ainda mais produtos caso o preço da madeira (matéria-prima) diminua.
A possibilidade de aumentar os lucros fará com que sua firma aumente a
produção e, consequentemente, a oferta no mercado. Caso ocorrer um
aumento no preço da madeira, o efeito será o contrário.
III. O preço de outros bens: a oferta de um bem ou serviço é afetada pela
variação no preço de outros bens. Acontece em duas situações: com bens
substitutos na produção e com bens complementares na produção.
Os bens substitutos na produção são aqueles produzidos com
praticamente os mesmos recursos de produção. Por exemplo, imaginemos
um agricultor que produz milho. Caso o preço da soja se torne muito mais
rentável, ele poderá se interessar por produzir este grão, em detrimento do
milho. Haverá um aumento da oferta de soja e uma diminuição da oferta de
milho.
11.
CURSO LIVRE -ECONOMIA 3: O MERCADO E OS AGENTES ECONÔMICOS
Já os bens complementares na produção são aqueles que sofrem
alteração em sua produção devido à variação no preço de outro bem. Por
exemplo, a carne bovina e o couro. Um aumento no preço da carne poderá
elevar o abate. Consequentemente, a oferta de couro irá aumentar.
IV. As expectativas: expectativas futuras podem influenciar na oferta presente.
Por exemplo, se um produtor de carne considerar que o preço irá subir
futuramente, poderá reter parte do fornecimento atual de gado, com a
finalidade de aproveitar os preços mais altos posteriores.
V. As condições climáticas: especialmente para os produtores agrícolas, as
condições climáticas exercem grande influência na oferta. Por exemplo,
uma seca pode comprometer severamente a oferta de tomates.
3.1 A LEI GERAL DA OFERTA
Segundo esta lei geral, a OFERTA de um produto ou serviço, em
determinado período de tempo, varia na razão DIRETA quanto à variação de
preços deste produto ou serviço. Isso a partir de um nível de preços mínimos
(ou seja, que cubra os custos de produção) até um limite máximo (ou seja,
correspondente ao pleno emprego dos fatores de produção). Resumindo:
Quando o preço (P) de uma mercadoria ou serviço
aumenta, as quantidades ofertadas (Qo) aumentam.
Quando o preço (P) de uma mercadoria ou serviço
diminui, as quantidades ofertadas (Qo) diminuem.
3.2 A CURVA DA OFERTA
A curva da oferta mostra a relação entre a quantidade de bens que o
produtor estará disposto a oferecer e o seu respectivo preço. Como você
pôde perceber, a curva da oferta tem um comportamento inverso à curva
da demanda. Vejamos melhor como ela se comporta, graficamente, com o
auxílio dos dados a seguir.
12.
CURSO LIVRE -ECONOMIA 3: O MERCADO E OS AGENTES ECONÔMICOS
ESCALA DE OFERTA DE OVOS DE PÁSCOA (MÊS)
FONTE: O autor com base em Passos e Nogami (2012)
Preço ($ ovos de
Páscoa)
Quantidade ofertada por mês (ovos de
Páscoa)
50.00 1080
40.00 1000
30.00 840
20.00 600
10.00 280
Graficamente, ela se comporta assim:
Normalmente, a curva de oferta é desenhada de baixo para cima, da
esquerda para a direita, com inclinação positiva, indicando que a quantidade
ofertada aumenta conforme o preço aumenta. É bom lembrar que a curva da
oferta não é necessariamente linear, pode ser uma curva irregular.
3.3 OFERTA DE MERCADO
Da mesma forma que a demanda de mercado, a oferta de mercado
pode ser determinada a partir da soma das ofertas dos produtores individuais.
Graficamente, basta somar horizontalmente as quantidades ofertadas
individualmente.
13.
CURSO LIVRE -ECONOMIA 3: O MERCADO E OS AGENTES ECONÔMICOS
Preço (R$/calça)
Quantidade ofertada por mês Oferta de Mercado
(João+Maria)
Vera Ltda. Oscar Ltda.
250,00 600 800 1400
200,00 500 700 1200
150,00 400 600 1000
100,00 300 500 800
50,00 200 400 600
ESCALA DE OFERTA DE MERCADO DE CALÇAS (MÊS)
FONTE: O autor com base em Passos e Nogami (2012)
Passando os dados para o gráfico:
Destaca-se que o termo oferta está relacionado à curva de oferta. Assim, um
ponto nesta curva chama-se de quantidade ofertada. Logo, mudanças nos preços
provocam variações nas quantidades ofertadas e não na curva de oferta. Mudanças
na curva de oferta irão ocorrer quando houver alterações nos demais fatores
mantidos constantes, ou seja, no preço dos fatores de produção, nas expectativas,
no preço de outros bens etc. Mudanças para a direita indicam aumentos de oferta.
Ao mesmo preço e com maiores quantidades. Mudanças para a esquerda indicam
redução da oferta. Ao mesmo preço e com maiores quantidades.
4 O EQUILÍBRIO DO MERCADO
Como vimos, a curva da oferta e a curva de demanda têm comportamentos
distintos. Porém, há uma situação em que as duas chegam a um equilíbrio.
Essa situação se dá principalmente em mercados competitivos, ou seja, em
14.
CURSO LIVRE -ECONOMIA 3: O MERCADO E OS AGENTES ECONÔMICOS
que existem muitos compradores, muitos vendedores, onde nenhum tem o
poder de monopólio.
O equilíbrio de mercado ocorre quando a quantidade demandada é igual
à quantidade ofertada, a um mesmo preço. Esse equilíbrio se dá no ponto em
que, a um preço de equilíbrio, as quantidades demandadas coincidem com
as quantidades ofertadas.
É uma situação onde os consumidores estarão dispostos a pagar um
certo preço por uma certa quantidade de mercadoria, ponto que expressa,
igualmente, que as firmas estarão dispostas a vender por esse mesmo preço
essa mesma quantidade dessa mesma mercadoria. Assim, temos determinados
o preço de equilíbrio e as quantidades de equilíbrio. Nessa situação não haverá
sobras nem escassez de produtos ou serviços.
Vejamos melhor como se dá o equilíbrio do mercado com a ajuda do
exemplo a seguir:
Preço
($
camisa)
Quantidade
demandada
(camisas/mês)
Quantidade
ofertada
(camisas/mês)
Excesso de oferta (+);
excesso de demanda (-)
50,00 250 850 600 (excesso de oferta)
40,00 400 700 300 (excesso de oferta)
30,00 550 550 Equilíbrio
20,00 700 400
-300 (excesso de
demanda)
10,00 850 250
-600 (excesso de
demanda)
ESCALA DE OFERTA E DE DEMANDA DE CAMISAS (MÊS)
FONTE: O autor com base em Passos e Nogami (2012)
15.
CURSO LIVRE -ECONOMIA 3: O MERCADO E OS AGENTES ECONÔMICOS
Graficamente:
Como se observa no gráfico, o ponto de equilíbrio do mercado ocorre na
intersecção das curvas de oferta e demanda de mercado. No caso do exemplo,
ocorre quando o preço é de $ 30,00 e a quantidade 550. Esses números são,
respectivamente, o preço de equilíbrio e a quantidade de equilíbrio.
Caro acadêmico! Não esqueça que o equilíbrio do mercado ocorre quando
as quantidades ofertadas e as demandadas são iguais. É o ponto, no gráfico,
onde se encontram a curva de demanda e de oferta.
Se olharmos para a tabela, veremos que, além do equilíbrio, existem
duas situações. A primeira é quando os preços estão acima do preço de
equilíbrio. Neste caso, temos excesso de oferta. Isto é, a quantidade ofertada
de determinado produto é superior à quantidade demandada. No exemplo,
com excesso de oferta, primeiramente sobraram 600 camisas e depois 300,
sem serem vendidas. Qual é o sintoma de excesso de oferta? As empresas
começam a acumular estoques, logo, haverá uma tendência para reduzir os
preços até achar o equilíbrio tanto no preço como nas quantidades.
A segunda situação ocorre quando os preços estão abaixo do preço
de equilíbrio. Neste caso, temos excesso de demanda. Isso é, a quantidade
ofertada é inferior à quantidade demandada. No exemplo acima, primeiramente
faltaram 300 camisas e depois, 600. Em uma situação destas, surgirão
pressões para os preços subirem. Qual é o sintoma clássico de excesso de
demanda? Começa a existir desabastecimento da mercadoria no mercado,
16.
CURSO LIVRE -ECONOMIA 3: O MERCADO E OS AGENTES ECONÔMICOS
assim, os consumidores começam a fazer fila e “brigar” pelas mercadorias
ofertadas. Logo, haverá uma tendência de aumento dos preços para nivelar
esse desabastecimento.
É bom ressaltar que, em um mercado competitivo, as pressões de excesso
de oferta e de excesso de demanda pressionam os preços até chegarem a
uma situação de equilíbrio. No exemplo acima, o preço de equilíbrio para as
camisas foi de $60,00 e a quantidade de equilíbrio 550 unidades.
17.
CURSO LIVRE -ECONOMIA 3: O MERCADO E OS AGENTES ECONÔMICOS
A ESTRUTURA
DE CUSTOS
.02
1 INTRODUÇÃO
Prezado acadêmico! Já vimos os conceitos básicos da oferta e da
demanda de mercado. Neste segundo tópico, nossos estudos serão sobre a
estrutura básica de custos. Primeiramente iremos conhecer alguns conceitos
da teoria da produção para, depois, conhecer melhor os custos de produção.
Tanto a teoria da produção como a teoria dos custos da produção nos
ajudam a analisar os preços e as diversas formas de alocação dos fatores de
produção, entre os seus diversos usos na economia. Elas são importantes para
entendermos melhor as relações que existem entre a produção e os custos
de produção, principalmente em uma economia moderna, marcada pela
constante mudança e pelo predomínio tecnológico. Além disso, nos ajudam
na análise da demanda da forma pelos fatores de produção, necessários ao
processo produtivo. Bom estudo!
2 TEORIA DA PRODUÇÃO: CONCEITOS BÁSICOS
O que vem a ser a produção? Basicamente, é o processo de transformação
dos fatores/recursos de produção que a firma dispõe (trabalho, capital, terra,
tecnologia, entre outros) em bens e serviços para o mercado. Como se
percebe nesta definição, o conceito de produção se refere à transformação
em bens físicos, mas também, em serviços (transportes, serviços financeiros,
comércio etc.).
Quando falamos em firma, nos referimos à unidade técnica que produz
bens e serviços. Ou seja, é a empresa.
18.
CURSO LIVRE -ECONOMIA 3: O MERCADO E OS AGENTES ECONÔMICOS
q = f (x1
, x2
, x3,
...xn
)
q = f (x1, x2)
A forma como os fatores de produção são combinados no processo de
produção é denominada método de produção (se usar mais mão de obra
do que outros fatores, serão intensivos em mão de obra. Caso utilize mais
capital, serão intensivos em capital, e assim por diante). A escolha pelo melhor
método de produção se dá pela sua eficiência, visto de dois pontos de vista:
técnico e econômico.
Por eficiência técnica entendemos o método que utiliza a menor
quantidade de fatores de produção (todos ou, pelo menos, um deles)
para produzir uma quantidade equivalente do produto. Já por eficiência
econômica entendemos o método que apresenta o menor custo possível
(mais “barato”), se comparado a outros métodos. Mesmo sendo mais
barato, permite a obtenção da mesma quantidade de produto ou serviço
que outros métodos alternativos.
Outro conceito importante é o de função de produção. Ela é a relação
que nos mostra a quantidade máxima que pode ser obtida de um produto,
a partir da utilização de determinada quantidade utilizada dos fatores de
produção, em um determinado período de tempo. Isso mediante a escolha
do método de produção mais adequado.
Por exemplo, imaginemos uma firma que produza camisas, em um turno
de oito horas. A função de produção indicará o número máximo de camisas
que poderão ser produzidas, nestas oito horas, a partir de determinadas
quantidades de algodão, malha, energia elétrica, mão de obra, etiquetas,
máquinas, equipamentos e demais insumos necessários à produção.
Podemos representar a função produção da seguinte forma:
Onde q é a quantidade produzida de determinado bem, x1, x2, x3,...xn
correspondem às quantidades utilizadas dos diversos fatores de produção
utilizados e f indica que q depende da quantidade de insumos utilizados.
Como forma de tornar esta função mais genérica, fez-se uma
generalização, reduzindo ela para:
19.
CURSO LIVRE -ECONOMIA 3: O MERCADO E OS AGENTES ECONÔMICOS
É importante dizer que a função produção deve sempre ser definida no
tempo, ou seja, todas as suas variáveis se expressam ao longo de um período
de tempo (mês, ano, semestre, entre outros).
Em economia, mais precisamente na análise microeconômica, são
considerados dois tipos de relações entre a quantidade produzida do produto
e a quantidade de fatores: o curto prazo e o longo prazo.
O curto prazo ocorre quando, na função de produção, alguns fatores
são fixos e outros são variáveis. Ele não é meramente um período curto de
tempo, mas sim, um período em que pelo menos um fator de produção se
mantém fixo.
O longo prazo ocorre quando, na função de produção, todos os fatores
são variáveis. O longo prazo não tem necessariamente a ver com um período
de tempo maior, mas sim, com um período de tempo em que todos os fatores
de produção variam.
Entendemos por fatores variáveis aqueles cujas quantidades utilizadas
variam para a realização do processo produtivo. Por fatores fixos,
entendemos aqueles cujas quantidades não variam com a realização do
processo produtivo.
2.1 ANÁLISE DE CURTO PRAZO
Uma análise da curva de produção no curto prazo subentende a
consideração de que pelo menos um dos fatores de produção permanece
fixo. De forma simplificada, se dá considerando apenas dois fatores, um deles
fixo e outro variável. Assim, a variação da quantidade produzida dependerá
da quantidade utilizada do fator variável. Alguns conceitos são importantes,
desde a ótica desta análise: o de produto total, produtividade média do fator
variável e o de produtividade marginal.
Por produto total se entende a quantidade do produto obtida a partir da
utilização do fator variável, tendo em vista a manutenção fixa da quantidade
dos demais fatores.
A produtividade média do fator variável corresponde ao resultado da
divisão entre a quantidade total produzida pela quantidade total deste fator
variável. Podemos representá-la assim:
=
1
q
PMe
x
20.
CURSO LIVRE -ECONOMIA 3: O MERCADO E OS AGENTES ECONÔMICOS
Já a produtividade marginal do fator variável indica o resultado entre
as variações do produto total e as variações da quantidade utilizada do fator
variável. Podemos representá-la:
∆
=
∆ 1
q
PMg
x
Outro conceito importante relacionado à Teoria da Produção e,
especificamente, a esta análise de curto prazo, é a lei dos rendimentos
decrescentes, que descreve como se comporta a taxa de variação da produção
quando é possível variar apenas um dos fatores, mantendo os demais fixos.
Podemos enunciá-la da seguinte forma: aumentando-se a quantidade do
fator variável, permanecendo fixa a quantidade dos demais fatores, em um
primeiro momento, a produção aumentará a taxas crescentes; em um segundo
momento, depois de utilizada certa quantidade do fator variável, continuará
a crescer, mas a taxas decrescentes; continuando o incremento do fator
variável, a produção decrescerá.
2.2 ANÁLISE DE LONGO PRAZO
A outra maneira de analisar a relação entre quantidade produzida do
produto e a quantidade de fatores é com base no longo prazo, cuja hipótese
é a de que todos os fatores são variáveis. Podemos destacar um conceito
importante, o de economias de escala ou rendimentos de escala.
As economias de escala dizem respeito ao resultado da quantidade
produzida (produtos finais) em relação à variação da quantidade utilizada de
todos os fatores de produção (simplificando, quando a empresa aumenta seu
tamanho). Três são os tipos de economias de escala:
1 Rendimentos crescentes de escala, que ocorrem quando a variação na
quantidade do produto total é mais do que proporcional à variação da
quantidade utilizada dos fatores de produção. Exemplificando, aumentando
em 15% a utilização dos fatores de produção, o produto final cresce 30%.
2 Rendimentos constantes de escala, que ocorrem quando a variação do
produto total é proporcional à variação da quantidade utilizada dos fatores
de produção. Por exemplo, aumentando em 15% a utilização dos fatores de
produção, o produto final cresce 15%.
3 Rendimentos decrescentes de escala (ou deseconomias de escala), que ocorrem
quando a variação do produto é menos do que proporcional à variação da
quantidade utilizada dos fatores de produção. Por exemplo, aumentando em
15% a utilização dos fatores de produção, o produto final cresce 10%.
21.
CURSO LIVRE -ECONOMIA 3: O MERCADO E OS AGENTES ECONÔMICOS
3 CUSTOS DE PRODUÇÃO
O objetivo básico da firma, quando realiza o processo produtivo, é
a maximização (ou otimização) dos seus resultados. Isso quer dizer que
procurará sempre obter a máxima produção possível com relação ao uso dos
fatores de produção disponíveis.
A maximização dos resultados da firma pode se dar resolvendo dois
problemas: um deles, maximizando a produção para determinado custo total.
O outro, minimizando o custo total para certo nível de produção. Fazendo
isso, a firma otimizará seus resultados, estando em uma condição de equilíbrio
da firma.
Como já vimos na Unidade 1, os fatores de produção não são bens
infinitos, muito menos, gratuitos. Assim, a firma precisa pagar para poder
utilizá-los. Resumidamente, podemos dizer que a despesa total que ela
tem com o uso dos fatores de produção – isto é, a quantidade de cada um
multiplicado pelo seu preço – corresponde ao custo total de produção.
O custo total de produção é definido como o total de despesas realizadas
pela firma com a utilização da combinação mais econômica dos fatores de
produção, por meio da qual se obtém determinada quantidade do produto.
Os custos totais (CT) da produção se dividem, genericamente, em: custos
variáveis totais (CVT) e custos fixos totais (CFT). Resumindo: CT = CVT + CFT.
Os Custos Fixos Totais (CFT) correspondem à parcela dos custos totais
que independem da produção. Decorrem dos gastos com os fatores fixos.
Por exemplo, o aluguel de uma fábrica. Independentemente se a produção
da firma aumentar ou diminuir, os custos de aluguel continuam os mesmos.
Já os Custos Variáveis Totais (CVT) correspondem à parcela de custos
totais que dependem da produção, isto é, variam conforme a produção
varia. Decorrem, assim, das despesas realizadas com os fatores variáveis
de produção. Por exemplo, gastos com matéria-prima de uma empresa de
tijolos. Caso a produção aumente, será preciso gastar mais com a aquisição
de matéria-prima. Se a produção diminuir, gastar-se-á menos.
Analogamente à análise empreendida na teoria da produção, a análise
dos custos de produção também se divide em curto e longo prazo. Assim,
temos:
22.
CURSO LIVRE -ECONOMIA 3: O MERCADO E OS AGENTES ECONÔMICOS
a) os custos totais de curto prazo, compostos por parcelas de custos fixos
e custos variáveis;
b) os custos totais de longo prazo, compostos unicamente por custos
variáveis (já que, como vimos, no longo prazo todos os fatores de produção
são variáveis).
Tendo estudado estes conceitos, veremos melhor como os custos (de
longo prazo e de curto prazo) se comportam no tópico seguinte.
23.
CURSO LIVRE -ECONOMIA 3: O MERCADO E OS AGENTES ECONÔMICOS
CUSTO MARGINAL E A
RECEITA MARGINAL
.03
1 INTRODUÇÃO
Prezado acadêmico! Neste terceiro tópico daremos continuidade ao
nosso estudo acerca dos custos. Iremos verificar como se comportam no
curto e no longo prazo. Desta análise conheceremos vários conceitos, entre
eles, o de custo marginal. Também será nosso objeto estudar o objetivo da
firma, que em microeconomia é a maximização dos lucros. Outros conceitos
também serão relevantes para nós, como o de receita marginal. Bom estudo!
2 CUSTO TOTAL DE CURTO PRAZO
Como vimos no tópico anterior, os custos de curto prazo são compostos
por custos fixos e custos variáveis. Por exemplo, tomemos como parâmetro
uma firma cujo custo total é composto por um fator fixo, representado pela
estrutura da empresa, e outro variável, representado pela mão de obra.
Como temos um fator fixo (estrutura física), a firma em questão poderá
aumentar ou diminuir sua produção com base na variação da utilização do
fator variável (isto é, mão de obra). Da mesma maneira, o custo total de curto
prazo desta firma se modificará apenas a partir da modificação do custo
variável total. Isso nos permite dizer que o custo total de curto prazo depende
diretamente do nível de produção da firma.
Nesta análise, outros conceitos ganham importância. Entre eles, os
Custos Médios e o Custo Marginal. Podemos destacar entre os custos médios
o Custo Total Médio (CMe), o Custo Variável Médio (CVMe) e o Custo Fixo
Médio (CFMe). Vejamos como cada um é calculado:
O Custo Total Médio (CMe) é encontrado por meio da divisão entre o
custo total (CT) e a quantidade produzida (q). Sua fórmula básica é:
=
CT
CMe
q
24.
CURSO LIVRE -ECONOMIA 3: O MERCADO E OS AGENTES ECONÔMICOS
Obtemos o Custo Variável Médio (CVMe) através da divisão entre o custo
variável total e a quantidade produzida. Sua fórmula, então, é:
=
CVT
CVMe
q
Podemos obter o Custo Fixo Médio (CFMe) dividindo o custo fixo total
pela quantidade produzida. Basicamente, sua fórmula:
=
CFT
CFMe
q
Já o Custo Marginal (CMg) se obtém da variação do custo total em
resposta à variação da quantidade produzida. Significa dizer que o CMg é o
custo adicional que se tem ao produzir mais uma unidade do produto. É a
divisão entre a variação no custo total e a variação da quantidade. A fórmula
pode ser representada:
∆
=
∆
CT
CMg
q
Como vimos anteriormente, o Custo Fixo Total não se modifica no
curto prazo, então, na realidade, o custo marginal no curto prazo se dá pelas
variações no custo variável total. A tabela a seguir nos ajuda a verificar o
comportamento dos Custos de Produção, com base nos conceitos vistos:
Produção
Total (q/
dia)
Custo
Fixo Total
(CFT) $
Custo
Variável
Total
(CVT) $
Custo
Total
(CT) $
[CT =
CVT
+CFT]
Custo Fixo
Médio
(CFMe) $
[CFMe =
CFT/q]
Custo
Variável
Médio
(CVMe) $
[CVMe =
CVT/q]
Custo
Médio
(Cme) $
[CMe =
CT/q]
Custo
Marginal
(CMg) $ [CMg
= variação
CT/variação
q]
0 16,00 0,00 16,00 - - - -
3 16,00 11,00 27,00 5,33 3,67 9,00 3,67
6 16,00 17,00 33,00 2,67 2,83 5,50 2,00
9 16,00 21,00 37,00 1,78 2,33 4,11 1,33
12 16,00 23,00 39,00 1,33 1,92 3,25 0,67
15 16,00 27,00 43,00 1,07 1,80 2,87 1,33
18 16,00 33,00 49,00 0,89 1,83 2,72 2,00
21 16,00 41,00 57,00 0,76 1,95 2,71 2,67
24 16,00 51,00 67,00 0,67 2,13 2,79 3,33
27 16,00 63,00 79,00 0,59 2,33 2,93 4,00
30 16,00 77,00 93,00 0,53 2,57 3,10 4,67
33 16,00 93,00 109,00 0,48 2,82 3,30 5,33
CUSTOS DE PRODUÇÃO
FONTE: O autor com base em Vasconcellos; Garcia (2009)
25.
CURSO LIVRE -ECONOMIA 3: O MERCADO E OS AGENTES ECONÔMICOS
A tabela acima nos traz várias informações sobre os custos da firma. O
Custo Marginal (Cmg) aparece na última coluna. Para chegar a cada resultado,
bastou dividir a variação do Custo Total pela variação nas quantidades (q)
produzidas. Por exemplo, para descobrir o CMg referente à produção de nove
unidades, fazemos:
∆ −
= = = =
∆ −
37,00 33,00 4,00
1,33
9 6 3
CT
CMg
q
Variação no CT diante da mudança na
quantidade produzida, de 6 para 9
Variação na quantidade (q) de 6 para 9
Se observarmos o comportamento do custo variável médio, do custo total
médio e do custo marginal, veremos que em um primeiro momento eles
decrescem para, em um segundo momento, crescerem. Isso acontece
porque no início do processo de produção a firma trabalha com reserva de
capacidade. Sendo assim, os custos totais crescem menos que a produção,
decrescendo os custos médios e marginais. Após certo nível do produto,
os custos totais crescem mais que os aumentos da produção, elevando os
custos médio e marginal. Esse comportamento é conhecido como Lei dos
Custos Crescentes.
2.1 LONGO PRAZO
Como já vimos, no longo prazo todos os fatores de produção e, portanto,
todos os custos são variáveis. Em economia, podemos dizer que o longo
prazo é o horizonte de planejamento da firma, isto é, o período de tempo em
que prevê aumento de suas instalações, com vistas ao aumento da própria
produção. Podemos dizer então que no curto prazo a firma opera, e no longo
prazo, ela planeja.
Analogamente ao curto prazo, podemos destacar como conceitos
importantes o Custo Médio de Longo Prazo (CMeLP) e o Custo Marginal
de Longo Prazo (CMgLP). O raciocínio é o mesmo utilizado no curto prazo,
apenas agora, consideramos que todos os fatores são variáveis. Por isso, não
temos o custo fixo médio.
26.
CURSO LIVRE -ECONOMIA 3: O MERCADO E OS AGENTES ECONÔMICOS
A fórmula do Custo Médio é (igual à do curto prazo):
= lp
lp
CT
CMe
q
O custo marginal de longo prazo (Cmglp) é definido como a variação
ocorrida no custo total de longo prazo que decorre da variação de uma
unidade na quantidade produzida. Chega-se a ele da mesma maneira que no
curto prazo, isto é, dividindo a variação no CT pela variação nas quantidades.
∆
=
∆
lp
lp
CT
CMg
q
3 RECEITA MARGINAL
O objetivo da firma no processo produtivo é a compensação para sua
atividade criadora de riquezas. Podemos dizer, então, que seu objetivo maior é
a maximização dos lucros, seja no curto ou no longo prazo. Alguns conceitos
ajudam a firma a analisar seu desempenho e a atingir estes objetivos. Dentre
eles, o de Receita Total (RT), o de Receita Média (Rme), o de Lucro Total (LT)
e o de Receita Marginal (RMg).
Podemos calcular a Receita Total (RT) das vendas de uma empresa
através da multiplicação do preço (P) cobrado pela quantidade (Q) vendida.
Basicamente: RT = P x Q.
A Receita Média (RMe) é a receita que a firma receberá por unidade
vendida da mercadoria. Podemos obtê-la através da divisão entre a Receita
Total (RT) e a quantidade (Q) vendida do produto. Ou seja:
=
RT
Rme
Q
O Lucro Total (LT) se obtém através da diferença entre a Receita Total
(RT) e o Custo Total (CT) da produção. Simplificadamente: LT = RT – CT.
Por fim, a Receita Marginal (Rmg) nos ajuda a encontrar o ponto onde a
firma maximiza sua produção, em uma economia de concorrência perfeita.
Podemos definir a Rmg como o acréscimo da receita total da empresa quando
ela vende uma unidade adicional do produto.
27.
CURSO LIVRE -ECONOMIA 3: O MERCADO E OS AGENTES ECONÔMICOS
A Receita Marginal (Rmg) é a variação na receita total decorrente da
variação quantidade vendida do produto. É o acréscimo da receita total
da firma quando ela vende uma unidade adicional de seu produto. Já o
Custo Marginal (CMg) é a variação do custo total que decorre da variação
na quantidade produzida. É o custo adicional que a firma tem ao produzir
uma unidade adicional de seu produto.
Para calcular a Receita Marginal (Rmg), basta dividir a variação da Receita
Total (RT) pela variação da quantidade (Q). Ou seja:
∆
=
∆
RT
Rmg
Q
Através desta análise, podemos dizer que a firma irá maximizar os lucros
em um nível de produção em que a Receita Marginal (Rmg) da última unidade
produzida for igual ao Custo Marginal (CMg) da última unidade produzida.
Vejamos melhor com auxílio da tabela a seguir:
Preço
Unitário
($)
Nível de
produção e
vendas - Q
Receita
Total [RT
= P.Q)
Receita Marginal
[variação de RT/
variação de q)
Custo
Total
Custo Marginal
[variação de CT/
variação de q)
Lucro
Total [RT
- CT]
20,00 0 0,00 - 60,00 - -60,00
20,00 1 20,00 20,00 68,00 8,00 -48,00
20,00 2 40,00 20,00 74,00 6,00 -14,00
20,00 3 60,00 20,00 78,00 4,00 -18,00
20,00 4 80,00 20,00 83,00 5,00 -3,00
20,00 5 100,00 20,00 89,00 6,00 11,00
20,00 6 120,00 20,00 97,00 8,00 23,00
20,00 7 140,00 20,00 110,00 13,00 30,00
20,00 8 160,00 20,00 130,00 20,00 30,00
20,00 9 180,00 20,00 162,00 32,00 18,00
20,00 10 200,00 20,00 210,00 48,00 -10,00
MAXIMIZAÇÃO DO LUCRO DA FIRMA
FONTE: O autor com base em Vasconcellos; Garcia (2009)
De acordo com os dados da tabela acima, temos os valores da Receita
Marginal (Rmg) na coluna 4. Para se chegar a este resultado, bastou aplicar a
fórmula descrita anteriormente, ou seja, dividindo a variação da Receita Total
(RT), que está na coluna 3, pela variação nas quantidades, que está na coluna
2. Por exemplo, para saber qual a Rmg quando a quantidade (Q) for de duas
unidades, fazemos:
28.
CURSO LIVRE -ECONOMIA 3: O MERCADO E OS AGENTES ECONÔMICOS
Variação da RT quando passa de 1 unidade
produzida para 2 unidades
Variação da Q produzida, 1 para 2
∆ −
= = = =
∆ −
40,00 20,00 20,00
20,00
2 1 1
RT
Rmg
Q
De acordo com os dados da tabela acima, podemos dizer que o equilíbrio
desta firma será atingido quando ela produzir oito unidades. Isso porque
é a situação em que a Receita Marginal (Rmg) desta oitava unidade (que é
de $ 20,00), é igual ao Custo Marginal (Cmg) (também de $ 20,00). Nesta
situação, o acréscimo de receita será igual ao acréscimo de custo, não
gerando mudança no Lucro Total (que é de $ 30,00). A firma, então, estará
maximizando seus lucros neste nível de produção.
Continuando em nosso exemplo, para qualquer nível de produção,
podemos dizer que o empresário sempre aumentará a produção enquanto
o acréscimo da Rmg for maior que o Cmg, já que, enquanto o acréscimo de
receita for maior que o acréscimo de custo, os lucros também serão acrescidos.
Agora, caso aumente a produção para além da situação de equilíbrio, ou seja,
oito unidades, a Rmg será menor que o Cmg, levando à diminuição dos lucros.
29.
CURSO LIVRE -ECONOMIA 3: O MERCADO E OS AGENTES ECONÔMICOS
AS ESTRUTURAS
DE MERCADO
.04
1 INTRODUÇÃO
Até aqui vimos os princípios básicos do comportamento da demanda
e da oferta, as variáveis que as afetam e como se determinam os preços, o
custo marginal e a receita marginal. Isso tudo tendo como base um mercado
que encontra seu equilíbrio automaticamente. Essa suposição se relaciona
com uma estrutura específica de mercado, ou seja, de concorrência perfeita.
É o regime em que os agentes são incapazes de influenciar o mercado. Isto
é, o equilíbrio se daria em decorrência da igualdade de condições de todos
os agentes econômicos.
Porém, olhando para a realidade, iremos perceber que dificilmente
isso ocorre conforme a teoria. Uma aproximação da realidade factual levou
os economistas a considerarem outras estruturas de mercado. Para o setor
de bens e serviços temos, além da concorrência perfeita, o monopólio, o
oligopólio, a concorrência monopolista. Já desde a ótica do mercado de fatores
de produção (mão de obra, capital, terra, tecnologia, capacidade empresarial),
temos o monopsônio e o oligopsônio.
Elas refletem melhor a realidade heterogênea em que convivem
grandes corporações – que exercem influência nos mercados, inclusive
sobre as políticas econômicas dos países em que atuam – com milhões de
médias, pequenas e microempresas. Podemos identificar alguns fatores que
influenciam na formação destas estruturas, que, muitas vezes, as determinam.
Entre eles temos:
• O número de firmas que atuam no mercado.
• O tamanho ou dimensão das firmas.
• A extensão da interdependência entre as firmas.
• A homogeneidade ou o grau de heterogeneidade do produto das diferentes
firmas.
• A natureza e o número dos compradores.
30.
CURSO LIVRE -ECONOMIA 3: O MERCADO E OS AGENTES ECONÔMICOS
• A extensão das informações que compradores e vendedores dispõem dos
preços das transações de outros produtos.
• A habilidade das firmas individuais para influenciar a procura do mercado
por meio da promoção do produto, melhoria na sua qualidade, facilidades
especiais de comercialização etc.
• A facilidade com que firmas entram e saem do mercado específico.
Nossa tarefa neste Tópico 4 será conhecer melhor as características de
cada uma destas estruturas. Bom estudo!
2 CONCORRÊNCIA PERFEITA
A rigor, a concorrência perfeita é uma estrutura de mercado utópica, que
visa descrever o funcionamento ideal de uma economia. Nesta estrutura há
um grande número de vendedores (empresas) e, portanto, são incapazes de
influenciar o mercado. Também existe um grande número de compradores.
Os preços são determinados pela oferta e pela demanda, tendendo sempre
ao equilíbrio natural. Existe igualdade de condições de todos os agentes
econômicos. Podemos ressaltar as seguintes premissas deste modelo de
mercado:
I. A existência de um grande número de compradores e de vendedores:
ou seja, existe um número muito grande tanto de firmas oferecendo bens
e serviços, como de agentes compradores, de modo que nenhum agente
isolado é capaz de influenciar no preço das mercadorias.
II. Os produtos são homogêneos: isso significa que os produtos colocados
no mercado pelas empresas são perfeitos substitutos entre si. Assim,
os compradores são indiferentes quanto à firma da qual comprarão a
mercadoria.
III. A livre entrada e saída de firmas: ou seja, não existe tipo de barreira
na entrada ou saída de firmas (empresas) no mercado. Não existem
barreiras legais resultantes da ação governamental, muito menos, barreiras
econômicas, como necessidades de grandes investimentos. Além disso, se
pressupõe que não existam direitos de propriedade e patentes, que permitem
o controle de uma firma sobre determinado mercado.
IV. A transparência de mercado: parte-se do pressuposto de que todos os
agentes econômicos, sejam eles compradores ou vendedores, têm todas
as informações sobre o mercado. Os compradores conhecem a qualidade
e os preços das mercadorias. Os vendedores, além de conhecerem as
qualidades e preços, conhecem os custos e os lucros dos concorrentes. Sem
31.
CURSO LIVRE -ECONOMIA 3: O MERCADO E OS AGENTES ECONÔMICOS
desinformação no mercado, nenhum comprador comprará uma mercadoria
por um preço acima do equilíbrio e nenhum vendedor praticará um preço
abaixo daquele estabelecido pelo mercado.
V. Não há influência individual sobre os preços: como existem muitas firmas
no mercado, assim como muitos compradores, nenhum deles consegue
influenciar os preços das mercadorias. O preço é influenciado pelas forças
de oferta e de demanda. Assim, podemos dizer que as firmas são tomadoras
de preços.
3 MONOPÓLIO
A estrutura de mercado caracterizada pelo monopólio apresenta
características totalmente distintas daquela caracterizada pela concorrência
perfeita. No monopólio existe apenas uma única firma exercendo a função
de oferta, e muitos agentes, a função de demanda. Sendo a única empresa a
ofertar determinada mercadoria, ela mantém forte controle sobre os preços.
Como exemplo, podemos citar os monopólios estatais, seja em esfera
municipal, estadual ou federal, como os ligados aos setores de energia.
Podemos ressaltar as seguintes características desta estrutura de
mercado:
I. Um determinado produto é suprido por uma única firma: ou seja, uma
única empresa oferta determinado produto ou serviço no mercado, tendo
total controle sobre os preços.
II. Inexistência de substitutos próximos para este produto: isso quer
dizer que existe pouquíssima ou nenhuma concorrência no mercado. Por
exemplo, imaginemos que exista apenas uma empresa que oferta sabonetes
(denominada marca X). Os consumidores teriam que adquirir esta marca,
ou então, ficariam sem sabonetes.
III. A existência de barreiras, obstáculos e, consequentemente, a difícil
entrada de novas firmas: na estrutura de monopólio existem barreiras
que dificultam e mesmo impedem a entrada de novas firmas competidoras
no mercado, protegendo a condição do monopolista. Por exemplo, firmas
de grandes dimensões que suprem a demanda do mercado a preços mais
baixos que quaisquer outras empresas. Ou então, firmas monopolistas
que detêm o fornecimento de matérias-primas essenciais à produção
de determinado produto podem bloquear o ingresso de novas firmas
no mercado. Outro exemplo, a posse de patentes, licenças e até mesmo
concessões governamentais a determinadas firmas.
32.
CURSO LIVRE -ECONOMIA 3: O MERCADO E OS AGENTES ECONÔMICOS
IV. Forte controle dos preços: por existir uma única firma que atende à
demanda de muitos consumidores, ela influencia fortemente na formação
dos preços. O monopolista é formador de preço, ou seja, ele pode escolher
o preço do produto ou serviço.
4 OLIGOPÓLIO
O oligopólio é uma estrutura de mercado em que se encontram poucos
(dois, três) agentes exercendo a função de oferta, e muitos agentes, a de
demanda. Poucas firmas controlam a oferta de um determinado bem ou
serviço. Por isso mesmo, têm uma influência considerável sobre a formação
dos preços. Na verdade, esta é a forma de mercado que mais tem lugar na
realidade econômica atual. Como exemplos de oligopólio podemos citar
o setor de comunicação no Brasil, a indústria de automóveis, o setor de
defensivos agrícolas (agrotóxicos e fertilizantes) em nível mundial. Podemos
resumir as principais características desta estrutura a seguir:
I. A existência de poucas firmas: poucas são as firmas que controlam a oferta
de um determinado bem ou serviço. Elas são interdependentes, fazendo
com que as decisões sobre o que produzir, quanto produzir e a formação
de preços influenciem no comportamento econômico dos concorrentes.
II. Pode ocorrer tanto com produtos diferenciados como homogêneos: caso
os produtos oferecidos no mercado sejam homogêneos, isto é, perfeitos
substitutos entre si, ele é chamado de oligopólio puro. Por exemplo, indústria
de alumínio, aço, cimento, entre outras. Caso contrário, o oligopólio é
diferenciado, oferecendo bens e serviços que, embora sejam semelhantes,
não são idênticos. Por exemplo, a indústria de cigarros (cada marca tem
um diferencial), a indústria automobilística, entre outros.
III. A difícil entrada de novas firmas: de forma análoga ao monopólio,
algumas barreiras favorecem os oligopólios e impedem e dificultam a entrada
de novas firmas no mercado. Entre elas: as economias de escala, controle
sobre a fonte das matérias-primas, existência de patentes, imposições legais,
formação de cartéis e consequente controle sobre os preços, entre outros
fatores.
IV. O considerável controle dos preços: a estrutura econômica baseada no
oligopólio é caracterizada pela possibilidade considerável de controle dos
preços. Isso devido à existência de poucos ofertantes em um mercado de
muita demanda. Soma-se a isso a possibilidade de controle do processo
de produção, a formação de cartéis e outros mecanismos de controle de
preços.
33.
CURSO LIVRE -ECONOMIA 3: O MERCADO E OS AGENTES ECONÔMICOS
5 CONCORRÊNCIA MONOPOLISTA
Esta é uma estrutura de mercado “intermediária”, caracterizada por
elementos da concorrência perfeita e do monopólio. Suas principais
características são:
I. A existência de um grande número de compradores e vendedores:
existem muitas firmas ofertantes, cada uma respondendo por uma fração
da produção total do mercado. Sendo assim, competem entre si. Da mesma
forma, existem muitos compradores.
II. Cada firma produz um produto diferenciado, mas substituto: a
característica básica desta estrutura é a diferenciação dos produtos. São
substitutos entre si, mas possuem algum diferencial que os torna únicos. Isso
eleva o grau de competitividade entre as firmas. Por exemplo, não existe um
tipo homogêneo de celular. Embora muitas firmas ofertem celulares, cada
uma delas apresenta um diferencial no seu produto (aplicativos diferentes,
facilidades, marca, design, tecnologia, entre outros).
III. A livre entrada e saída de firmas: não existem barreiras, sejam legais ou
propriamente econômicas, que impeçam a entrada e saída de firmas no mercado.
IV. Leve pressão sobre os preços: a margem para fixação de preços não é
muito ampla, pois existem muitos produtos substitutos no mercado.
6 O MONOPSÔNIO E O OLIGOPSÔNIO
Do lado de fatores podemos ressaltar duas estruturas de mercado, as
estruturas de monopsônio e oligopsônio.
Entende-se por monopsônio a estrutura de mercado em que existe
apenas um comprador para muitos vendedores. Como existe um único agente
exercendo a função de demanda, ele influencia fortemente nos preços. Por
exemplo, uma região em que os agricultores produzem leite e exista apenas
um laticínio que compra este produto. Ou então, uma empresa que se instala
em uma cidade do interior e, sendo única, absorve de forma exclusiva a mão
de obra local. Tendo controle sobre grande parte da mão de obra disponível,
controla os salários.
Já o oligopsônio é uma estrutura de mercado em que existem poucos
compradores e muitos vendedores. Por existirem poucos agentes exercendo
a função de demanda e muitos a de oferta, existe um considerável controle
sobre os preços. Utilizando o exemplo anterior, imaginemos uma região
em que existem poucos laticínios (dois ou três) que compram o leite dos
produtores locais.
34.
CURSO LIVRE -ECONOMIA 3: O MERCADO E OS AGENTES ECONÔMICOS
AUTOATIVIDADE
Prezado acadêmico! Estamos chegando ao final de mais uma etapa do Curso
Livre em Economia. Chegando até aqui, é importante fixar alguns conceitos e
teorias que você estudou. Por isso, elaboramos algumas autoatividades para
você testar seus conhecimentos.
1 Logo no primeiro tópico da Etapa 3, estudamos alguns conceitos
importantíssimos da microeconomia, relacionados à oferta e à demanda.
Qual é mesmo a diferença entre a lei da demanda e a lei da oferta?
2 Vimos, no quarto tópico da terceira etapa, que a partir de uma análise do
comportamento dos mercados, os economistas consideraram a existência
de estruturas de mercado. Com base nestes estudos, ligue a primeira coluna
à segunda:
a) Oligopólio.
b) Monopólio.
c) Concorrência perfeita.
d) Monopsônio.
e) Oligopsônio.
f) Concorrência monopolista.
( ) Existência de um grande número de vendedores (ofertantes) e de um
grande número de compradores (demandantes).
( ) Existem poucos compradores (demandantes) e muitos vendedores
(ofertantes).
( ) Caracterizada por elementos da concorrência perfeita e do monopólio.
( ) Poucas são as firmas que controlam a oferta de um determinado bem ou
serviço. E muitos são os consumidores.
( ) Um determinado produto é suprido por uma única firma. Enquanto isso,
muitos são os consumidores.
( ) Existe apenas um comprador (demandante) para muitos vendedores
(ofertante).
3 O objetivo da firma é a maximização da produção e, consequententemente,
do lucro. Para tanto, alguns conceitos são importantes. Entre eles, o de
Custo Marginal e o de Receita Marginal. Diferencie-os.
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CURSO LIVRE -ECONOMIA 3: O MERCADO E OS AGENTES ECONÔMICOS
4 Como vimos, a curva da oferta e a curva da demanda têm comportamentos
diferentes. Enquanto a quantidade ofertada varia em razão direta à variação
dos preços (coeteris paribus), a quantidade demandada varia de forma
inversa à variação dos preços. Porém, há uma situação denominada de
equilíbrio do mercado. Explique como esse equilíbrio ocorre.
5 Podemos definir o custo total (CT) de produção como o total das despesas
que a firma tem com a utilização da combinação mais econômica dos
fatores de produção. O Custo Total se subdivide, de forma genérica, em
duas “partes”. Quais são elas? Explique cada uma.
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CURSO LIVRE -ECONOMIA 3: O MERCADO E OS AGENTES ECONÔMICOS
REFERÊNCIAS
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GREMAUD, Amaury Patrick. Manual de economia. 4. ed. São Paulo: Saraiva,
2003. xviii, 606 p., il.
PASSOS, Carlos Roberto M; NOGAMI, Otto. Princípios de economia. 6. ed.
rev. São Paulo: Cengage Learning, c2012. xxiv, 670 p., il.
ROSSETTI, José Paschoal. Introdução à economia. 20. ed. São Paulo: Atlas,
2003.
SANDRONI, Paulo. Novíssimo dicionário de economia. 3. ed. São Paulo:
Best Seller, 1999. 649 p.
VASCONCELLOS, Marco Antonio Sandoval de; GARCIA, Manuel Enriquez.
Fundamentos de economia. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2009. xix, 292 p., il.
VICECONTI, Paulo Eduardo V. (Paulo Eduardo Vilchez); NEVES, Silvério das.
Introdução à economia. 7. ed. rev. e atual. São Paulo: Frase, 2005. xix, 594
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