CONCESSÕES
• Na última semana, com o fracasso do leilão do primeiro
lote de rodovias a serem concedidas à iniciativa
privada --o trecho da BR-262 não teve sequer um
interessado--, a gestão petista recebeu um duro
recado: o mercado gosta de regras claras e desconfia
do governo.
• Para quem estava prestes a celebrar o sucesso do
primeiro dos muitos leilões previstos no setor de
transportes, foi uma lição inesperada. A rendição do PT
à realidade de uma governança pública mais
responsável com os destinos do país requer ainda longo
aprendizado.
• Ao longo de sua história, o PT fez do combate
ferrenho às privatizações uma de suas bandeiras mais
ostensivas. Nos pleitos, vendeu ao eleitorado, com
hipocrisia, a certeza de que as privatizações seriam
um crime de lesa-pátria, uma entrega do patrimônio
nacional a preços aviltantes.
• Assumido o poder, a ação do partido se descolou do
discurso. Agora, para assegurar o sucesso dos leilões,
o governo não poupa esforços na concessão de
incentivos. Grande parte dos financiamentos das
obras virá do BNDES, com empréstimos concedidos a
taxas subsidiadas pelo Tesouro Nacional.
• A verdade é que pagamos um alto preço pela
ineficiência dos últimos anos. Com a infraestrutura
deteriorada, o país vem perdendo competitividade
no cenário internacional. Por questões ideológicas, o
PT impôs um calendário de atraso ao país.
• É preciso agora correr contra o tempo. O programa
de concessões para desenvolver o setor de
infraestrutura parece ser a única carta que o
governo tem nas mãos para mudar o rumo da
economia. Mais uma carta, aliás, que o PT tomou de
empréstimo ao programa do PSDB.
• Não tenho dúvida de que a abertura ao investimento
privado é o caminho certo para a recuperação da
nossa combalida infraestrutura. É nessa trilha que o
governo deve perseverar. Mas é necessário que o
programa seja mais transparente, equilibrado e,
sobretudo, livre de ideologia e preconceitos. Assim ele
pode dar certo, como todos esperamos, e o país
precisa.

Concessões aecio neves

  • 1.
    CONCESSÕES • Na últimasemana, com o fracasso do leilão do primeiro lote de rodovias a serem concedidas à iniciativa privada --o trecho da BR-262 não teve sequer um interessado--, a gestão petista recebeu um duro recado: o mercado gosta de regras claras e desconfia do governo. • Para quem estava prestes a celebrar o sucesso do primeiro dos muitos leilões previstos no setor de transportes, foi uma lição inesperada. A rendição do PT à realidade de uma governança pública mais responsável com os destinos do país requer ainda longo aprendizado.
  • 2.
    • Ao longode sua história, o PT fez do combate ferrenho às privatizações uma de suas bandeiras mais ostensivas. Nos pleitos, vendeu ao eleitorado, com hipocrisia, a certeza de que as privatizações seriam um crime de lesa-pátria, uma entrega do patrimônio nacional a preços aviltantes. • Assumido o poder, a ação do partido se descolou do discurso. Agora, para assegurar o sucesso dos leilões, o governo não poupa esforços na concessão de incentivos. Grande parte dos financiamentos das obras virá do BNDES, com empréstimos concedidos a taxas subsidiadas pelo Tesouro Nacional.
  • 3.
    • A verdadeé que pagamos um alto preço pela ineficiência dos últimos anos. Com a infraestrutura deteriorada, o país vem perdendo competitividade no cenário internacional. Por questões ideológicas, o PT impôs um calendário de atraso ao país. • É preciso agora correr contra o tempo. O programa de concessões para desenvolver o setor de infraestrutura parece ser a única carta que o governo tem nas mãos para mudar o rumo da economia. Mais uma carta, aliás, que o PT tomou de empréstimo ao programa do PSDB.
  • 4.
    • Não tenhodúvida de que a abertura ao investimento privado é o caminho certo para a recuperação da nossa combalida infraestrutura. É nessa trilha que o governo deve perseverar. Mas é necessário que o programa seja mais transparente, equilibrado e, sobretudo, livre de ideologia e preconceitos. Assim ele pode dar certo, como todos esperamos, e o país precisa.