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Existe um país
Onde as pessoas quase não falam.
É o país da grande
fábrica de palavras.
Neste estranho país, é
preciso comprar e engolir
as palavras
Para pronunciá-las.
A grande fábrica de
palavras trabalha
De dia e de noite. As
palavras que saem
das suas máquinas
são tão variadas
quanto as linguagens.
Há palavras que são mais caras
do que outras e que raramente
são ditas,
a não ser que sejamos muito ricos!
No país da grande fábrica,
falar sai caro!
Quem não tem dinheiro, remexe
os caixotes de lixo à procura de
palavras, mas as que encontram
não são muito interessantes: há
muitos
“ excrementos de
cabra” e “rabos de
coelho”.
Na primavera, as palavras
Entram em saldos.
Um conjunto de palavras fica
muito mais barato mas, regra
geral, a maioria não serve para
grande coisa:
O que fazer com
“ventríloquo” ou
filodendro”?
Por vezes, as palavras são levadas pelo
vento.
Nesses dias, as crianças apressam–
se a pegar suas redes
E a apanhá-las como se fossem
borboletas.
E à noite, durante o jantar, sentem-se
orgulhosas por poderem dizê-las aos seus
pais.
Hoje, o Felipe apanhou três palavras, mas
Prefere não proferi-las à noite. Quer guardá-
las para alguém muito especial.
Amanhã é aniversário da Sara e o Felipe
está apaixonado por ela. A sua vontade
era dizer-lhe – Amo-te – mas não tem
dinheiro no seu mealheiro.
A única coisa que pode fazer é oferecer-lhe
as palavras que apanhou: “ cereja,
poeira, cadeira”.
A Sara e o Felipe são vizinhos.
Depois de tocar à campainha, ele não
diz:
-Bom dia! Como vais!? –
pois não tem essas palavras consigo.
Em vez disso, sorri. A Sara traz um
vestido cor de cereja e retribui o
sorriso.
Atrás dela o Felipe repara no Óscar, que
é o seu maior inimigo. Os pais dos
Óscar são muito ricos, mas não é por isso
que o Felipe o detesta.
O Óscar não sorri. Ele fala Com a Sara.
- Aquilo deve ter custado uma fortuna! –
pensa o Felipe. A Sara continua a sorrir e
o Felipe não sabe para quem.
Ainda por cima , há tanta confiança nos
olhos do Óscar!
-As minhas palavras são tão
insignificantes... – pensa o Felipe. Então
ele inspira fundo, pensa em todo amor
que lhe agasalha o coração e, de uma
assentada, pronuncia as palavras que
havia apanhado com sua rede.
As palavras voam em direção a Sara e
atingem-na como pedras preciosas:
A Sara deixa de sorrir. Fica a observá-lo.
Ao que parece, está sem palavras.
Decide aproximar-se dele e beijar-lhe o
nariz com ternura.
Mas o Filipe tem uma última palavra a
dizer.
Em tempos, encontrou-a num caixote
de lixo cheio de “excrementos de cabra” e
de “rabos de coelho” e é uma palavra que
ele adora.
Guardou-a para um dia especial e, agora,
esse dia chegou!
Por isso olhando diretamente nos olhos
de Sara, o Filipe diz-lhe:
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A grande fabrica_de_palavras

  • 1.
  • 2.
  • 3. Existe um país Onde as pessoas quase não falam. É o país da grande fábrica de palavras.
  • 4. Neste estranho país, é preciso comprar e engolir as palavras Para pronunciá-las.
  • 5. A grande fábrica de palavras trabalha De dia e de noite. As palavras que saem das suas máquinas são tão variadas quanto as linguagens.
  • 6. Há palavras que são mais caras do que outras e que raramente são ditas, a não ser que sejamos muito ricos! No país da grande fábrica, falar sai caro!
  • 7. Quem não tem dinheiro, remexe os caixotes de lixo à procura de palavras, mas as que encontram não são muito interessantes: há muitos “ excrementos de cabra” e “rabos de coelho”.
  • 8. Na primavera, as palavras Entram em saldos. Um conjunto de palavras fica muito mais barato mas, regra geral, a maioria não serve para grande coisa: O que fazer com “ventríloquo” ou filodendro”?
  • 9. Por vezes, as palavras são levadas pelo vento. Nesses dias, as crianças apressam– se a pegar suas redes E a apanhá-las como se fossem borboletas. E à noite, durante o jantar, sentem-se orgulhosas por poderem dizê-las aos seus pais.
  • 10. Hoje, o Felipe apanhou três palavras, mas Prefere não proferi-las à noite. Quer guardá- las para alguém muito especial. Amanhã é aniversário da Sara e o Felipe está apaixonado por ela. A sua vontade era dizer-lhe – Amo-te – mas não tem dinheiro no seu mealheiro. A única coisa que pode fazer é oferecer-lhe as palavras que apanhou: “ cereja, poeira, cadeira”.
  • 11. A Sara e o Felipe são vizinhos. Depois de tocar à campainha, ele não diz: -Bom dia! Como vais!? – pois não tem essas palavras consigo. Em vez disso, sorri. A Sara traz um vestido cor de cereja e retribui o sorriso.
  • 12. Atrás dela o Felipe repara no Óscar, que é o seu maior inimigo. Os pais dos Óscar são muito ricos, mas não é por isso que o Felipe o detesta. O Óscar não sorri. Ele fala Com a Sara.
  • 13.
  • 14. - Aquilo deve ter custado uma fortuna! – pensa o Felipe. A Sara continua a sorrir e o Felipe não sabe para quem. Ainda por cima , há tanta confiança nos olhos do Óscar! -As minhas palavras são tão insignificantes... – pensa o Felipe. Então ele inspira fundo, pensa em todo amor que lhe agasalha o coração e, de uma assentada, pronuncia as palavras que havia apanhado com sua rede. As palavras voam em direção a Sara e atingem-na como pedras preciosas:
  • 15.
  • 16.
  • 17. A Sara deixa de sorrir. Fica a observá-lo. Ao que parece, está sem palavras. Decide aproximar-se dele e beijar-lhe o nariz com ternura.
  • 18. Mas o Filipe tem uma última palavra a dizer. Em tempos, encontrou-a num caixote de lixo cheio de “excrementos de cabra” e de “rabos de coelho” e é uma palavra que ele adora. Guardou-a para um dia especial e, agora, esse dia chegou! Por isso olhando diretamente nos olhos de Sara, o Filipe diz-lhe: