Universidade de São Paulo - USP
                  Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” - ESALQ
                    Departamento de Economia, Administração e Sociologia
        Programa de Educação Continuada em Economia e Gestão de Empresas - PECEGE




                                     Coordenação:
                           CARLOS EDUARDO OSÓRIO XAVIER
                             DANIEL YOKOYAMA SONODA
                              LEONARDO BOTELHO ZILIO
                             PEDRO VALENTIM MARQUES


                                      Equipe técnica:
                                 ANA MARIA COVOLAM
                               ANDRÉ DA CUNHA BASTOS
                                   DOUGLAS BOTTREL
                                    ISABELA PRADO
                          JOÃO HENRIQUE MANTELLATTO ROSA
                                  JULIANA FLORÊNCIO
                                   KEDLEY DE FARIAS
                              LISIANE ISSISAKI KAMIMURA
                            HAROLDO JOSÉ TORRES DA SILVA
                           MARIA ALICE MÓZ CHRISTOFOLETTI
                             RENAN BENEDITO D’ARAGONE
                               RICARDO DE CAMPOS BULL
                             RODOLFO MARGATO DA SILVA
                           WELLINGTON GUSTAVO BENDINELLI



PECEGE. Custos de produção de cana-de-açúcar, açúcar e etanol no Brasil: Fechamento da
safra 2010/2011. Piracicaba: Universidade de São Paulo, Escola Superior de Agricultura “Luiz de
Queiroz”, Programa de Educação Continuada em Economia e Gestão de Empresas/Departamento de
Economia, Administração e Sociologia. 2011. 141 p. Relatório apresentado à Confederação da
Agricultura e Pecuária do Brasil – CNA.
                                                                               ISSN 2177-4358

2
SUMÁRIO
LISTA DE FIGURAS ........................................................................................................................................ 5
LISTA DE TABELAS ....................................................................................................................................... 8
SUMÁRIO EXECUTIVO ............................................................................................................................... 12
1. INTRODUÇÃO ............................................................................................................................................ 16
2. AMOSTRAGEM E COLETA DE DADOS ............................................................................................. 18
3. RESULTADOS ............................................................................................................................................ 25
3.1      Configuração técnica.............................................................................................................................. 25
3.1.1 Agrícola.................................................................................................................................................... 25
3.1.1.1 Variedades de cana-de-açúcar mais utilizadas ................................................................................. 25
3.1.1.2 Tratos culturais..................................................................................................................................... 26
3.1.1.2.1 Principais pragas na cultura da cana-de-açúcar............................................................................. 26
3.1.1.2.2 Plantas daninhas ............................................................................................................................... 28
3.1.1.3 Doenças................................................................................................................................................. 30
3.1.1.4 Rotação de Culturas............................................................................................................................. 31
3.1.1.5 Agricultura de precisão ....................................................................................................................... 32
3.1.2 Industrial .................................................................................................................................................. 33
3.2 Indicadores de Produção ........................................................................................................................... 38
3.2.1 Fornecedores............................................................................................................................................ 38
3.2.2 Usinas ....................................................................................................................................................... 42
3.2.2.1 Agrícola ................................................................................................................................................ 42
3.2.2.2 Industrial ............................................................................................................................................... 49
3.2.2.2.1 Indicadores gerais das unidades industriais ................................................................................... 50
3.2.2.2.2 Qualidade da matéria-prima ............................................................................................................ 56
3.2.2.2.3 Rendimentos e perdas industriais ................................................................................................... 60
3.2.2.2.4 Subprodutos industriais.................................................................................................................... 65
3.3 Preços de insumos ...................................................................................................................................... 69
3.3.1 Agrícolas .................................................................................................................................................. 69

                                                                                                                                                                     3
3.3.2 Industriais................................................................................................................................................. 75
3.4 Custos .......................................................................................................................................................... 80
3.4.1 Fornecedores ............................................................................................................................................ 80
3.4.2 Usinas....................................................................................................................................................... 93
3.4.2.1 Agrícola................................................................................................................................................. 93
3.4.2.2 Industrial ............................................................................................................................................. 105
3.4.2.3 Administrativo .................................................................................................................................... 124
4. EVOLUÇÃO DOS RESULTADOS DOS LEVANTAMENTOS DE CUSTO .................................. 126
4.1. Fornecedores ............................................................................................................................................ 126
4.2 Usinas ........................................................................................................................................................ 132
5. CONCLUSÕES .......................................................................................................................................... 136
6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..................................................................................................... 140




4
LISTA DE FIGURAS
Figura 1. Representatividade da moagem amostrada pelo PECEGE/CNA, para o fechamento da safra
2010/11. .................................................................................................................................................. 21
Figura 2. Representatividade da produção de açúcar amostrada pelo PECEGE/CNA, para o
fechamento da safra 2010/11 .................................................................................................................. 22
Figura 3. Representatividade da produção de etanol amostrada pelo PECEGE/CNA, para o fechamento
da safra 2010/11 ..................................................................................................................................... 23
Figura 4. Histograma de frequências das variedades mais plantadas no Brasil e nas regiões Centro-Sul
Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. ...................................................................................... 26
Figura 5. Principais pragas da cultura da cana-de-açúcar no Brasil, na amostra do PECEGE/CNA, para
o fechamento da safra 2010/11. .............................................................................................................. 28
Figura 6. Principais plantas daninhas na cultura da cana-de-açúcar e suas respectivas
representatividades em nível Brasil, para o fechamento da safra 2010/11. ........................................... 29
Figura 7. Utilização de agricultura de precisão na cultura da cana-de-açúcar no Brasil e nas regiões
Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste..................................................................... 32
Figura 8. Distribuição das usinas em relação à capacidade de extração diária em toneladas. ............... 33
Figura 9. Distribuição das usinas em relação à capacidade diária das destilarias de etanol. ................. 34
Figura 10. Distribuição das usinas em relação à via de desidratação de etanol. .................................... 34
Figura 11. Distribuição das usinas em relação à quantidade de caldeiras para a produção de vapor. ... 35
Figura 12. Quantidade de caldeiras por classes de pressão de vapor (em kgf/cm²). .............................. 35
Figura 13. Quantidade de caldeiras por capacidade de produção (em t vapor/h). ................................. 36
Figura 14. Quantidade de geradores por classes de potência de energia elétrica (em MW). ................. 38
Figura 15. Distribuição de produtividade média (t/ha) em função de faixas de moagem (milhões de t)
para usinas das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. .............................. 43
Figura 16. Histograma de freqüência de produtividade média (t/ha) para usinas das regiões Centro-Sul
Tradicional (a), Centro-Sul Expansão (b) e Nordeste (c)....................................................................... 43
Figura 17. Histograma de freqüência de colheita mecanizada (%) para usinas das regiões Centro-Sul
Tradicional (a), Centro-Sul Expansão (b) e Nordeste (c)....................................................................... 44
Figura 18. Histograma de freqüência da concentração de ATR em cana própria para usinas das regiões
Centro-Sul Tradicional (a), Centro-Sul Expansão (b) e Nordeste (c). ................................................... 46
Figura 19. Histograma de freqüência dos preços de arrendamentos para usinas das regiões Centro-Sul
Tradicional (a), Centro-Sul Expansão (b) e Nordeste (c)....................................................................... 47
Figura 20. Distribuição de horas de processamento e eficiência do tempo (%). ................................... 52
Figura 21. Distribuição das horas paradas.............................................................................................. 52
Figura 22. Mix de produção entre açúcar e etanol (em %). ................................................................... 53
Figura 23. Distribuição da Pol% da cana (PC da cana - percentual de sacarose na composição da cana)
para as regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. ........................................... 57
Figura 24. Distribuição das usinas em relação ao teor de fibra da cana-de-açúcar (em %). .................. 58
Figura 25. Pureza do caldo da cana (relação percentual entre Pol % e Brix). ....................................... 59
Figura 26. Distribuição de perdas na extração (% ART) em função de faixas de moagem (milhões de t)
para usinas das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. .............................. 60


                                                                                                                                                            5
Figura 27. Histograma de freqüência de perdas na extração (%) para usinas das regiões Centro-Sul
Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. ...................................................................................... 61
Figura 28. Porcentagem de lavagem de cana-de-açúcar (%). ................................................................ 62
Figura 29. Rendimento de fermentação (%)........................................................................................... 62
Figura 30. Rendimento de destilação (%). ............................................................................................. 63
Figura 31. Produção relativa de vinhaça (l/l de etanol). ......................................................................... 66
Figura 32. Produção relativa de bagaço (kg/t cana). .............................................................................. 66
Figura 33. Produção relativa de torta de filtro (kg/t cana). .................................................................... 67
Figura 34. Produção relativa de óleo fúsel (l/m³ de etanol). .................................................................. 67
Figura 35. Produção relativa de levedura (kg/m³ de etanol). ................................................................. 68
Figura 36. Produção relativa de mel (kg/t açúcar). ................................................................................ 68
Figura 37. Preço do bagaço (R$/t). ......................................................................................................... 69
Figura 38. Representação gráfica dos custos de produção e dos preços da cana-de-açúcar encarados
pelos fornecedores das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste, para o
fechamento da safra 2010/11. ................................................................................................................. 84
Figura 39. Indicadores de rentabilidade para os fornecedores de cana das regiões Centro-Sul
Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste, para o fechamento da safra 2010/11. ........................... 85
Figura 40. Participação dos insumos no COE, COT e CT dos fornecedores de cana da região Centro-
Sul Tradicional. ...................................................................................................................................... 86
Figura 41. Participação dos insumos no COE, COT e CT dos fornecedores de cana da região Centro-
Sul Expansão. ......................................................................................................................................... 87
Figura 42. Participação dos insumos no COE, COT e CT dos fornecedores de cana da região Nordeste.
................................................................................................................................................................ 88
Figura 43. Fluxograma de custos de produção por estágio e item de custo dos fornecedores de cana da
região Centro-Sul Tradicional. ............................................................................................................... 90
Figura 44. Fluxograma de custos de produção por estágio e item de custo dos fornecedores de cana da
região Centro-Sul Expansão. .................................................................................................................. 91
Figura 45. Fluxograma de custos de produção por estágio e item de custo dos fornecedores de cana da
região Nordeste....................................................................................................................................... 92
Figura 46. Representação gráfica dos custos e preços de cana-de-açúcar, para a safra 2010/11,
considerando as usinas das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste, em
R$/tc. ...................................................................................................................................................... 99
Figura 47. Indicadores de rentabilidade das usinas das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul
Expansão e Nordeste, para a safra 2010/11, em valores percentuais. .................................................. 100
Figura 48. Fluxograma de custos de produção por estágio e item de custo, para as usinas da região
Centro-Sul Tradicional, na safra 2010/11. ........................................................................................... 101
Figura 49. Fluxograma de custos de produção por estágio e item de custo, para as usinas da região
Centro-Sul Expansão, na safra 2010/11. .............................................................................................. 102
Figura 50. Fluxograma de custos de produção por estágio e item de custo, para as usinas da região
Nordeste, na safra 2010/11. .................................................................................................................. 103
Figura 51. Distribuição de custos com mão de obra (R$/t) em função de faixas de moagem (milhões de t)
para usinas das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. ............................ 106

6
Figura 52. Custos de peças e serviços de manutenção industrial (R$/t) para usinas das regiões Centro-
Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. .............................................................................. 109
Figura 53. COE, COT, CT e Preço médio para a região Centro-Sul Expansão: a) Açúcar Branco e
Açúcar VHP; b) Etanol Anidro e Etanol Hidratado. ............................................................................ 118
Figura 54. COE, COT, CT e Preço médio para a região Centro-Sul Tradicional: a) Açúcar Branco e
Açúcar VHP; b) Etanol Anidro e Etanol Hidratado. ............................................................................ 119
Figura 55. COE, COT, CT e Preço médio para a região Nordeste: a) Açúcar Branco e Açúcar VHP; b)
Etanol Anidro e Etanol Hidratado. ....................................................................................................... 120
Figura 56. Fluxograma de custos de produção por estágio e item de custo industrial, para as usinas da
região Expansão, na safra 2010/11. ...................................................................................................... 121
Figura 57. Fluxograma de custos de produção por estágio e item de custo industrial, para as usinas da
região Tradicional, na safra 2010/11. ................................................................................................... 122
Figura 58. Fluxograma de custos de produção por estágio e item de custo industrial, para as usinas da
região Nordeste, na safra 2010/11. ....................................................................................................... 123
Figura 59. Evolução dos custos nominais de produção de cana-de-açúcar: fornecedores da região
Tradicional. .......................................................................................................................................... 127
Figura 60. Evolução dos custos nominais de produção de cana-de-açúcar: fornecedores da região de
Expansão. ............................................................................................................................................. 127
Figura 61. Evolução dos custos nominais de produção de cana-de-açúcar: fornecedores da região
Nordeste. .............................................................................................................................................. 129
Figura 62. Evolução das margens sobre o custo total de produção da cana: fornecedores das regiões
Tradicional, Expansão e Nordeste. ....................................................................................................... 129
Figura 63. Evolução dos custos reais de produção da cana-de-açúcar: fornecedores das regiões
Tradicional, Expansão e Nordeste. ....................................................................................................... 130
Figura 64. Custos e preços reais da cana-de-açúcar: média das safras 2007/08 à 2010/11 para
fornecedores das regiões Tradicional, Expansão e Nordeste. .............................................................. 131
Figura 65. Custo total e preço médio para a cana – Comparativo entre safras. ................................... 132
Figura 66. Custo total e preço médio para o Açúcar Branco – Comparativo entre safras. .................. 133
Figura 67. Custo total e preço médio para o Açúcar VHP – Comparativo entre safras. ...................... 133
Figura 68. Custo Total e Preço médio para Etanol Anidro – Comparativo entre safras. ..................... 134
Figura 69. Custo Total e Preço médio para o Etanol Hidratado – Comparativo entre safras. ............. 134




                                                                                                                                                          7
LISTA DE TABELAS
Tabela 1. Cidades e regiões em que os painéis foram realizados na safra 2010/11 ............................... 19
Tabela 2. Evolução do número de moagem (em milhões de toneladas) e do número de usinas
participantes da pesquisa ........................................................................................................................ 20
Tabela 3. Representatividade da amostra do PECEGE em relação à moagem e às produções de açúcar
e etanol do país, para o fechamento da safra 2010/11 ............................................................................ 24
Tabela 4. Principais pragas da cana-de-açúcar e suas respectivas representatividades nas regiões
produtoras amostradas ............................................................................................................................ 27
Tabela 5. Principais plantas daninhas na cultura da cana-de-açúcar e suas respectivas
representatividades nas regiões produtoras amostradas. ........................................................................ 29
Tabela 6. Principais doenças para a cultura da cana-de-açúcar e suas respectivas representatividades
nas regiões produtoras amostradas ......................................................................................................... 30
Tabela 7. Utilização de rotação de culturas para as lavouras de cana-de-açúcar do Brasil, na amostra do
PECEGE/CNA ....................................................................................................................................... 31
Tabela 8. Mínimo, máximo e média para a potência instalada de geração de energia elétrica por usina
(em MW). ............................................................................................................................................... 36
Tabela 9. Porcentagem de vapor alocado às turbinas de geração de eletricidade (em %). .................... 36
Tabela 10. Produção relativa de energia elétrica (em KWh/tc). ............................................................. 37
Tabela 11. Taxa de utilização dos equipamentos de moagem (em %). .................................................. 37
Tabela 12. Taxa de utilização dos equipamentos de destilação (em %). ............................................... 37
Tabela 13. Taxa de utilização dos equipamentos de fabricação de açúcar (em %). ............................... 37
Tabela 14. Taxa de utilização dos equipamentos de geração de vapor (em %). .................................... 37
Tabela 15. Mínimos, máximos e médias da produtividade agrícola (t/ha) para os fornecedores das
regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. ....................................................... 39
Tabela 16. Mínimos, máximos e médias do raio médio (km) para os fornecedores das regiões Centro-
Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. ................................................................................ 39
Tabela 17. Mínimos, máximos e médias da concentração de ATR em cana própria (kg ATR/t) dos
fornecedores das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste ............................ 39
Tabela 18. Mínimos, máximos e médias de preços de arrendamento, em espécie (t/ha/ano), pagos por
fornecedores das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. ........................... 40
Tabela 19. Mínimos, máximos e médias do ATR padrão pago em contratos de arrendamentos (kg
ATR/tc): regiões Tradicional, Expansão e Nordeste. ............................................................................. 40
Tabela 20. Mínimos, máximos e médias do preço do ATR (R$/kg ATR) pago aos fornecedores das
regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. ....................................................... 41
Tabela 21. Mínimos, máximos e médias da porcentagem de colheita mecanizada dos fornecedores das
regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. ....................................................... 41
Tabela 22. Mínimos, máximos e médias da porcentagem de colheita manual dos fornecedores das
regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. ....................................................... 41
Tabela 23. Mínimo, máximo e média de produtividade agrícola (t/ha) para usinas das regiões Centro-
Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. ................................................................................ 44
Tabela 24. Mínimo, máximo e média da porcentagem de colheita mecânica das usinas das regiões
Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. .................................................................... 45

8
Tabela 25. Mínimo, máximo e média da concentração de ATR em cana própria (kg ATR/t) para usinas
das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. ................................................. 46
Tabela 26. Mínimo, máximo e média de preços de arrendamentos, em espécie (t/ha/ano), para usinas
das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. ................................................. 47
Tabela 27. Mínimo, máximo e moda do ATR padrão pago em contratos de arrendamentos (kg
ATR/tc), para usinas das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste................ 48
Tabela 28. Mínimo, máximo e média do preço do ATR (R$/kg ATR) para usinas das regiões Centro-
Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. ................................................................................ 49
Tabela 29. Mínimo, máximo e média para a participação da cana própria nas moagens das usinas das
regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste, para a safra 2010/11...................... 50
Tabela 30. Parâmetros de processamento de cana-de-açúcar utilizados nos modelos regionais de
custos, para a safra 2010/11. .................................................................................................................. 51
Tabela 31. Mix de produção utilizados nos modelos de custos regionais. ............................................. 53
Tabela 32. Mix de produtos utilizados nos modelos de custos regionais. ............................................. 54
Tabela 33. Produção final dos produtos considerados nos modelos de custos regionais. ...................... 54
Tabela 34. Produção relativa final dos produtos considerados nos modelos de custos regionais. ......... 55
Tabela 35. Produção e comercialização de eletricidade consideradas nos modelos de custos regionais,
em kWh por tonelada de cana processada. ............................................................................................. 55
Tabela 36. Produção e comercialização de eletricidade consideradas nos modelos de custos regionais,
em MWh. ................................................................................................................................................ 56
Tabela 37. Mínimos, máximos e médias do teor de Pol% (PC) da cana-de-açúcar para usinas das
regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste, em %. ............................................ 57
Tabela 38. Mínimos, máximos e médias do teor de fibra (%) da cana-de-açúcar para usinas das regiões
Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste..................................................................... 58
Tabela 39. Mínimos, máximos e médias para a pureza do caldo (relação percentual entre Pol % e Brix)
da cana-de-açúcar, para usinas das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. 59
Tabela 40. Parâmetros de qualidade de matéria prima utilizados no modelo. ....................................... 59
Tabela 41. Mínimos, máximos e médias para perdas na extração (% ART) para usinas das regiões
Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste..................................................................... 61
Tabela 42. Mínimos, máximos e médias do rendimento de fermentação (%) para usinas das regiões
Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste..................................................................... 63
Tabela 43. Mínimos, máximos e médias do rendimento de destilação (%) para usinas das regiões
Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste..................................................................... 63
Tabela 44. Perdas e eficiências industriais utilizadas nos modelos regionais de custo (em %). ............ 64
Tabela 45. Mínimos, máximos e médias de perdas na lavagem (% ART) para usinas das regiões
Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste..................................................................... 64
Tabela 46. Mínimos, máximos e médias de perdas na torta (% ART) para usinas das regiões Centro-
Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. ................................................................................ 64
Tabela 47. Mínimos, máximos e médias de perdas indeterminadas (% ART) para usinas das regiões
Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste..................................................................... 65
Tabela 48. Mínimos, máximos e médias da pureza do mel final (%) para usinas das regiões Centro-Sul
Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. ...................................................................................... 65

                                                                                                                                                         9
Tabela 49. Preços e quantidades de insumos agrícolas da região Centro-Sul Expansão, safra 2010/11 –
Fornecedor e Usina ................................................................................................................................. 71
Tabela 50. Preços e quantidades de insumos agrícolas da região Centro-Sul Tradicional, safra 2010/11
– Fornecedor e Usina .............................................................................................................................. 71
Tabela 51. Preços e quantidades de insumos agrícolas da região Nordeste, safra 2010/11 – Fornecedor
e Usina .................................................................................................................................................... 72
Tabela 52. Evolução dos preços médios (R$) e taxas de crescimento dos principais insumos agrícolas
levantados na região Centro-Sul Tradicional (safras 2007/08 a 2010/11) – Fornecedores e Usinas. .... 73
Tabela 53. Evolução dos preços médios e taxas de crescimento dos principais insumos agrícolas
levantados na região Centro-Sul Expansão (safra 2007/08 a 2010/11) – Fornecedores e Usinas. ........ 74
Tabela 54. Evolução dos preços médios e taxas de crescimento dos principais insumos agrícolas
levantados na região Nordeste (safra 2007/08 a 2010/11) – Fornecedores e Usinas. ............................ 74
Tabela 55. Preços e consumos médios dos principais insumos industriais coletados no Brasil, para a
safra 2010/11. ......................................................................................................................................... 76
Tabela 56. Evolução dos preços médios dos principais insumos industriais coletados no Brasil (safra
2007/08 à safra 2010/11). ....................................................................................................................... 77
Tabela 57. Evolução dos consumos médios específicos dos principais insumos industriais coletados no
Brasil (safra 2007/08 à safra 2010/11). .................................................................................................. 79
Tabela 58. Premissas básicas adotadas no modelo de custos de cana de fornecedores, para as regiões
Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. .................................................................... 81
Tabela 59. Quantidade de ATR por tonelada de cana-de-açúcar (kg ATR/t) e preços de ATR (R$/kg
ATR). ...................................................................................................................................................... 81
Tabela 60. Custos de produção de cana-de-açúcar de fornecedores das regiões Centro-Sul Tradicional,
Centro-Sul Expansão e Nordeste, para o fechamento da safra 2010/11................................................. 83
Tabela 61. Participação dos insumos no COE, COT e CT dos fornecedores de cana da região Centro-
Sul Tradicional. ...................................................................................................................................... 86
Tabela 62. Participação dos insumos no COE, COT e CT dos fornecedores de cana da região Centro-
Sul Expansão. ......................................................................................................................................... 87
Tabela 63. Participação dos insumos no COE, COT e CT dos fornecedores de cana da região Nordeste.
................................................................................................................................................................ 88
Tabela 64. Premissas básicas adotadas no modelo de custos de cana das usinas, para as regiões Centro-
Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. ................................................................................ 94
Tabela 65. Quantidade de ATR por tonelada de cana-de-açúcar (kg ATR/t) e preços do ATR (R$/kg
ATR) para as usinas das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. ............... 95
Tabela 66. Custos de produção de cana-de-açúcar de usinas das regiões Centro-Sul Tradicional,
Centro-Sul Expansão e Nordeste, para o fechamento da safra 2010/11................................................. 98
Tabela 67. Ponderação do custo da cana-de-açúcar: COE. .................................................................. 104
Tabela 68. Ponderação do custo da cana-de-açúcar: COT. .................................................................. 104
Tabela 69. Ponderação do custo da cana-de-açúcar: CT. ..................................................................... 104
Tabela 70. Mínimos, máximos e médias para os custos com mão-de-obra (R$/t) para usinas das regiões
Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. .................................................................. 105


10
Tabela 71 Mínimos, máximos e médias de custos com insumos industriais (R$/t) para usinas das
regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. ..................................................... 107
Tabela 72. Mínimos, máximos e médias de custos com manutenção industrial (R$/t), e as respectivas
participações dos grupos de materiais e serviços na composição desses custos, para usinas das regiões
Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste................................................................... 108
Tabela 73. Mínimos, máximos e médias de custos com administração industrial (R$/t) para usinas das
regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. ..................................................... 110
Tabela 74. Custos de produção agroindustrial do processamento de cana-de-açúcar: região Centro-Sul
Expansão. ............................................................................................................................................. 112
Tabela 75. Custos de produção agroindustrial do processamento de cana-de-açúcar: região Centro-Sul
Tradicional. .......................................................................................................................................... 113
Tabela 76. Custos de produção agroindustrial do processamento de cana-de-açúcar: região Nordeste.
.............................................................................................................................................................. 114
Tabela 77. Custos de produção agroindustrial de açúcar e etanol: região Centro-Sul Expansão. ....... 115
Tabela 78. Custos de produção agroindustrial de açúcar e etanol: região Centro-Sul Tradicional. .... 116
Tabela 79. Custos de produção agroindustrial de açúcar e etanol: região Nordeste. ........................... 117
Tabela 80. Resumo dos custos de produção agroindustriais de açúcar e etanol: região Centro-Sul
Expansão. ............................................................................................................................................. 118
Tabela 81. Resumo dos custos de produção agroindustriais de açúcar e etanol: região Centro-Sul
Tradicional. .......................................................................................................................................... 119
Tabela 82. Resumo dos custos de produção agroindustriais de açúcar e etanol: região Nordeste. ...... 120
Tabela 83. Mínimos, máximos e médias para custos com mão-de-obra (R$/t) de usinas das regiões
Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste................................................................... 124
Tabela 84. Mínimos, máximos e médias para custos com financiamento para capital de giro (R$/t) de
usinas das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. .................................... 124
Tabela 85. Mínimos, máximos e médias para custos com serviços e utilidades (R$/t) de usinas das
regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. ..................................................... 125
Tabela 86. Mínimos, máximos e médias para custos com serviços técnicos e profissionais (R$/t) de
usinas das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. .................................... 125
Tabela 87. Mínimos, máximos e médias para custos com materiais de consumo (R$/t) de usinas das
regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. ..................................................... 125
Tabela 88. Mínimos, máximos e médias para custos com diversos (R$/t) de usinas das regiões Centro-
Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. .............................................................................. 125
Tabela 89. Evolução dos custos de produção do açúcar branco, em R$/t. ........................................... 135
Tabela 90. Evolução dos custos de produção do açúcar VHP, em R$/t............................................... 135
Tabela 91. Evolução dos custos de produção do etanol anidro, em R$/m³. ......................................... 135
Tabela 92. Evolução dos custos de produção do etanol hidratado, em R$/m³. ................................... 135




                                                                                                                                                              11
SUMÁRIO EXECUTIVO

       No 5º levantamento de custos de produção de cana-de-açúcar, açúcar e etanol do PECEGE
ESALQ/USP-CNA houve expressivo crescimento do número de participantes e da representatividade
da amostragem em termos de moagem de cana e de produção de açúcar e etanol. Ao todo, 101 usinas
responderam aos questionários do levantamento, além de 19 associações de fornecedores de cana-de-
açúcar. A pesquisa computou 51 questionários para a região Centro-Sul Tradicional, enquanto que
para as regiões Centro-Sul Expansão e Nordeste foram registrados 29 e 21 questionários,
respectivamente.
       Em média, o preço da cana-de-açúcar foi suficiente para cobrir os custos operacionais e as
depreciações dos fornecedores (COT), e para as regiões de Expansão e Nordeste o preço de venda
também conseguiu remunerar os custos de oportunidade do capital dos produtores (CT). No Centro-
Sul Tradicional, a rentabilidade negativa em termos de resultado econômico explica-se pelos maiores
níveis de preços de arrendamentos e pela maior ociosidade do capital investido (Figura A).

                80
                70                                                                     72,93
                60                                                              7,56
                50         13,12 55,23                         51,76           16,27
                                                        6,90
        R$/tc




                40         14,03
                                                       10,68
                30
                20                                                             40,23
                           32,18                       29,43
                10
                 0
                         Tradicional                  Expansão                Nordeste


                                          COE   COT     CT       Preço cana
Figura A. Custos de produção e do preço da cana-de-açúcar para os fornecedores das regiões Centro-
            Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste, para a safra 2010/11, em R$/tc.


       Os custos totais de produção (CT) da cana própria ficaram abaixo dos preços da matéria-prima
para as unidades industriais, em todas as regiões analisadas. Destaca-se a margem de rentabilidade


12
econômica das usinas do Nordeste. Tais resultados diferem daqueles apurados na safra 2009/10,
quando os preços da cana das regiões do Centro-Sul não foram suficientes para cobrir totalmente os
custos de oportunidade da atividade (Figura B).

                80
                70                                                                      73,45
                60                    54,04                                         7,19
                                                                   52,94
                50             6,09                                                12,63
                                                            3,31
        R$/tc




                40             9,18                         9,07
                30
                20            37,86                                                43,57
                                                           34,74
                10
                 0
                            Tradicional                   Expansão                Nordeste

                                              COE   COT   CT       Preço cana

Figura B. Custos e preços da cana-de-açúcar para as usinas das regiões Centro-Sul Tradicional,
                Centro-Sul Expansão e Nordeste, para a safra 2010/11, em R$/tc.


       Os preços dos mercados de açúcar e etanol remuneraram todos os fatores de produção no
Centro-Sul e no Nordeste, refletindo cenários satisfatórios para as unidades do Brasil na safra 2010/11.
Ou seja, os preços dos principais produtos do setor (açúcar branco, açúcar VHP, etanol anidro e etanol
hidratado) foram maiores do que os custos totais de produção, gerando margens de rentabilidade
positivas para as três regiões da pesquisa. Dentre esses produtos, destacam-se as margens obtidas com
o açúcar branco, que atingiram patamares em torno de 40% no Centro-Sul e de aproximadamente 30%
no Nordeste (Figuras C, D e E).
       Em comparação com os custos estimados pelo relatório de acompanhamento da safra 2010/11
do Centro-Sul, as diferenças entre estes valores e os divulgados pelo presente relatório de fechamento
foram bastante pequenas, sendo inclusive nula para a região Tradicional, o que reflete a ótima
aderência entre os levantamentos realizados.




                                                                                                     13
1.600                                    1.600
                   1.400                                    1.400
                   1.200                                    1.200
                   1.000                                    1.000




                                                    R$/m³
            R$/t

                     800                                      800
                     600                                      600
                     400                                      400
                     200                                      200
                       0                                        0
                             Branco        VHP                        Anidro        Hidratado

               COE         COT   CT   Preço médio       COE         COT   CT    Preço médio



                                      a)                                       b)


Figura C. COE, COT, CT e Preço médio para a região Centro-Sul Expansão: a) Açúcar Branco e
         Açúcar VHP; b) Etanol Anidro e Etanol Hidratado.


                   1.600                                    1.600
                   1.400                                    1.400
                   1.200                                    1.200
                   1.000                                    1.000
                                                    R$/m³
            R$/t




                    800                                      800
                    600                                      600
                    400                                      400
                    200                                      200
                      0                                        0
                             Branco        VHP                        Anidro        Hidratado

               COE         COT   CT   Preço médio       COE         COT   CT    Preço médio

                                      a)                                       b)


Figura D. COE, COT, CT e Preço médio para a região Centro-Sul Tradicional: a) Açúcar Branco e
          Açúcar VHP; b) Etanol Anidro e Etanol Hidratado.


14
1.600                                       1.600
                   1.400                                       1.400
                   1.200                                       1.200
                   1.000                                       1.000




                                                       R$/m³
            R$/t
                     800                                         800
                     600                                         600
                     400                                         400
                     200                                         200
                       0                                           0
                             Branco      VHP                             Anidro        Hidratado

               COE         COT   CT   Preço médio          COE         COT   CT    Preço médio


                                 a)                                               b)
Figura E. COE, COT, CT e Preço médio para a região Nordeste: a) Açúcar Branco e Açúcar VHP; b)
            Etanol Anidro e Etanol Hidratado.


       A partir dos resultados obtidos com o estudo, e com base nas tendências de custos e preços
observadas ao longo dos últimos anos, espera-se que após o fechamento da safra 2011/12 os patamares
de rentabilidade dos fornecedores de cana aproximem-se do equilíbrio econômico de longo prazo,
caracterizado pelo lucro nulo, ao serem considerados todos os custos de oportunidade do capital.
       Após o cenário de baixa rentabilidade, os preços dos produtos superaram, em geral, todos os
custos totais de produção, apesar destes apresentarem aumentos em comparação com a safra anterior.
       Os resultados e conclusões do relatório reforçam a importância do desenvolvimento de
trabalhos como esse, cujo objetivo consiste em medir os fatores que são determinantes para o custo de
produção e gerar indicadores que reflitam as melhores práticas de gerenciamento e controle da
produção.




                                                                                                   15
1. INTRODUÇÃO


       De forma a prosseguir com os levantamentos de custos de produção do setor sucroenergético
brasileiro, o Programa de Educação Continuada em Economia e Gestão de Empresas – PECEGE,
novamente em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil- CNA, realizou no
primeiro semestre de 2011 o levantamento de custos de produção de cana-de-açúcar, açúcar e etanol
do Brasil, tendo como referência a safra 2010/11.
       A metodologia aplicada no estudo seguiu os procedimentos delineados por Marques (2009) e
Xavier et al (2009), mediante o levantamento dos custos agrícolas (cana-de-açúcar) de fornecedores
autônomos e usinas, e dos custos industriais destas (produção de açúcar e etanol). No que tange às
modificações de importância, ou seja, às alterações e incrementos do procedimento metodológico
aplicado para o fechamento da safra 2010/11 face ao último levantamento, destacam-se a expansão do
tratamento dos custos de insumos agrícolas e de mão-de-obra, além da aplicação de questionário
específico de configuração tecnológica agrícola junto às usinas participantes.
       No que diz respeito à representatividade amostral da pesquisa, detalhada no capítulo seguinte
deste documento, salienta-se a evolução do número de agentes participantes, bem como o alcance do
estudo em todas as grandes regiões canavieiras do país. Com base nos dados fornecidos referentes à
safra 2010/11, a amostragem englobou 23,22% de todas as usinas instaladas no Brasil, o que
correspondeu a 28,84% de toda moagem de cana registrada em tal safra, sendo equivalente a 34,85%
da produção de açúcar e a 26,07% da produção de etanol registradas para o país.
       Com o intuito de aperfeiçoar ainda mais o levantamento de custos de produção de cana-de-
açúcar, açúcar e etanol, o PECEGE busca continuamente novas usinas participantes do projeto.
Espera-se, para a próxima edição, análises mais abrangentes referentes à manutenção industrial e aos
custos administrativos das usinas, bem como maior detalhamento das configurações tecnológicas
agrícolas dos fornecedores.
       Além da introdução, o trabalho contempla análises descritivas sobre a amostragem e a coleta de
dados (Seção 2) e resultados (Seção 3), sendo que neste último podem ser encontrados dados sobre
configuração técnica (Subseção 3.1), fatores de produção (Subseção 3.2), preços de insumos (Subseção 3.3) e


16
custos (subseção 3.4) que, diferentemente do último relatório desenvolvido pelo PECEGE, estão
divididos, majoritariamente, entre fornecedores e usinas. As Seções 4 e 5, por sua vez, abrangem a
evolução dos resultados dos levantamentos de custos e as conclusões, respectivamente.

       Os resultados dos outros levantamentos (safras 2007/08, 2008/09, 2009/10 e 2010/11 –
acompanhamento Centro-Sul) podem ser obtidos no site www.pecege.esalq.usp.br.




                                                                                                17
2. AMOSTRAGEM E COLETA DE DADOS

       A amostragem baseou-se na metodologia aplicada nos levantamentos anteriores. Dessa forma,
foram contatadas todas as usinas situadas nos nove maiores estados produtores do país, bem como no
Rio de Janeiro. Foram estabelecidos contatos (visitas, telefone ou e-mail) com aproximadamente 230
unidades sucroenergéticas do Brasil, para a obtenção de informações dos custos de produção de cana-
de-açúcar, açúcar e etanol das três regiões produtoras do Brasil: Centro-Sul Tradicional (São Paulo,
Rio de Janeiro e Paraná), Centro-Sul Expansão (Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e
Goiás) e Nordeste (Pernambuco, Alagoas e Paraíba).
       Após o estabelecimento de contato e o envio de questionários às usinas, foram obtidas
informações de 101 unidades, sendo 51 delas localizadas na região Centro-Sul Tradicional, 31 na
região Centro-Sul Expansão e 19 na região Nordeste. Tais questionários continham consultas sobre
indicadores de produção, custos, configuração tecnológica e utilização de insumos, para as áreas
agrícola e industrial das usinas. Além dos dados levantados junto às unidades industriais, também
foram realizadas visitas de campo em todos os 10 estados amostrados pelo levantamento, incluindo
visitas às associações de fornecedores de cana-de-açúcar, alinhadas à realização de painéis presenciais
com produtores, técnicos e outros agentes do setor. Os painéis realizados junto aos fornecedores de
cana-de-açúcar na safra 2010/11 constam na Tabela 1.
       O aumento do número de participantes mostra a evolução do processo de amostragem do 5°
levantamento de custos de produção de cana-de-açúcar, açúcar e etanol. Houve uma taxa de
crescimento superior a 260% em comparação com a última pesquisa, o que reflete o aprimoramento
dos processos de coleta e análise de dados, e a percepção da relevância do trabalho sob a ótica dos
agentes do setor sucroenergético como um todo.




18
Tabela 1. Cidades e regiões em que os painéis foram realizados na safra 2010/11
                     Cidade (Painel)                                         Região
Andradina – SP                                                              Expansão
Araçatuba – SP                                                             Tradicional
Assis – SP                                                                 Tradicional
Campos dos Goytacazes – RJ                                                 Tradicional
Catanduva – SP                                                             Tradicional
Goiatuba – GO                                                               Expansão
Ituiutaba – MG                                                              Expansão
Jacarezinho – PR                                                           Tradicional
Jaú – SP                                                                   Tradicional
João Pessoa – PB                                                            Nordeste
Maceió – AL                                                                 Nordeste
Maracaju – MS                                                               Expansão
Nova Olímpia – MT                                                           Expansão
Piracicaba – SP                                                            Tradicional
Porecatu – PR                                                              Tradicional
Quirinópolis – GO                                                           Expansão
Recife – PE                                                                 Nordeste
Sertãozinho – SP                                                           Tradicional
Uberaba – MG                                                                Expansão
Fonte: Dados do PECEGE/CNA


       O total amostrado na primeira safra analisada (2007/08) totalizou 40,9 milhões de toneladas de
cana moída, das quais 23,1 milhões foram referentes ao Centro-Sul Tradicional do país, 9,8 milhões
relativas ao Centro-Sul Expansão e 8,0 milhões correspondentes ao Nordeste. Para a safra 2010/11,
174,31 milhões de toneladas foram amostrados, em 101 unidades industriais espalhadas por 10 estados
brasileiros. Nesse sentido, cabe ressaltar que 80 usinas forneceram informações dos questionários de
indicadores de produção e custos, ao passo que as outras 21 componentes da base de dados efetuaram
cadastros junto ao sistema de contatos do PECEGE/CNA, transmitindo informações parciais, tais
como moagem total e produção de açúcar e etanol. A amostra contém moagens de 104,2 e 44,5
milhões de toneladas de cana para as regiões Centro-Sul Tradicional e Centro-Sul Expansão,
respectivamente, enquanto 25,6 milhões correspondem à moagem nordestina (Tabela 2).



                                                                                                   19
Tabela 2. Evolução do número de moagem (em milhões de toneladas) e do número de usinas
              participantes da pesquisa
                       2007/08             2008/09              2009/10           2010/11*           2010/11
Unidades da
Federação                       Nº                  Nº                  Nº                Nº                 Nº
                  Moagem               Moagem              Moagem              Moagem             Moagem
                              usinas              usinas              usinas            usinas             usinas
Alagoas              3,7         3        5,2        4        3,0        3        -        -       15,6      10
Goiás                3,3         3        8,7        4        8,3        4      10,7       5       20,6      11
Mato Grosso          0,0         0        0,0        0        1,6        1       3,3       4        1,2       2
Mato G. Sul          1,5         1        0,2        1        0,0        0       2,1       1        3,3       3
Minas Gerais         5,0         4        4,4        2        6,0        3       4,6       3       19,4      13
Paraíba              0,0         0        0,0        0        0,8        1        -        -        2,8       4
Paraná               1,7         3        1,3        1        1,4        1      20,8      11        5,5       5
Pernambuco           4,3         3        1,7        1        1,7        1        -        -        7,2       7
Rio de Janeiro       0,6         2        6,9        1        1,5        2       1,6       2        1,7       2
São Paulo            20,8        13      15,1        6       26,6         11    72,6         29    97,0        44
TOTAL                40,9        32       44         20      50,8         28    115,6        55    174,3       101
Fonte: Dados do PECEGE/ CNA.
* Dados do relatório de Acompanhamento de Safra para a região Centro-Sul.


        Com o intuito de comparar os dados amostrados pela pesquisa realizada pelo PECEGE/CNA
com os totais de moagem e produção de açúcar e etanol do Brasil, foram coletados dados fornecidos
pela União da Indústria de Cana-de-açúcar – UNICA, para a região Centro-Sul, e pelo Sindicato da
Indústria do Açúcar e do Álcool – SINDAÇÚCAR/PE, para a região Nordeste. Com isso, pode ser
verificada na Figura 1, Figura 2 e Figura 3 a representatividade do levantamento frente às principais
instituições do setor sucroenergético, nos diversos estados brasileiros e nos painéis regionais, para a
safra 2010/11 (Tabela3). Em relação à moagem, são bastante significativas as representatividades da
amostragem executada pelo PECEGE/CNA nos estados de Alagoas, Rio de Janeiro, Paraíba,
Pernambuco e Goiás, que atingiram os patamares de 58,41%, 56,07%, 54,64%, 44,72% e 44,18% das
moagens totais dessas unidades da federação na safra 2010/11, respectivamente. Dentre os maiores
produtores em âmbito nacional, os estados de São Paulo e Minas Gerais também são
consideravelmente abrangidos pelo levantamento, haja vista os níveis respectivos de 26,43% e
38,00%. Embora as representatividades de Paraná, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul sejam menores




20
em termos relativos, as usinas amostradas possuem cerca de um décimo de toda moagem existente em
tais unidades da federação (Figura 1).
       Em termos mais específicos, ressalta-se ainda que em determinados painéis de São Paulo e
Goiás a amostra do PECEGE/CNA alcançou valores relativos muito expressivos, o que reflete a
diversificação regional e a robustez dos resultados obtidos pelo levantamento. Para as subdivisões
estabelecidas em São Paulo, foram amostrados 39,35%, 33,91% e 29,73% das moagens totais de
Catanduva, Araçatuba e Sertãozinho, respectivamente, tendo como referência a safra anterior. Além
disso, a pesquisa representou em Goiás 53,03% e 35,20% das produções totais registradas nos painéis
de Quirinópolis e Goiatuba.


   70,00%

   60,00%

   50,00%

   40,00%

   30,00%

   20,00%

   10,00%

    0,00%
               AL      GO     MT         MS    MG    PB     PR      PE      RJ     SP    TOTAL

                                         Moagem - AMOSTRA PECEGE

Figura 1. Representatividade da moagem amostrada pelo PECEGE/CNA, para o fechamento da safra
            2010/11.


       No que se refere à participação da amostra do PECEGE/CNA em relação à distribuição das
produções brasileiras dos principais produtos do setor sucroenergético, verifica-se que a amostra de
São Paulo contabilizou aproximadamente 34,78% e 21,34% do total estadual produzido de açúcar e
etanol, respectivamente. Dentre as subdivisões regionais estabelecidas, Catanduva, Araçatuba,


                                                                                                 21
Sertãozinho e Assis destacam-se pela produção de açúcar. Para a primeira mesorregião citada, a
amostragem representou 86,17% do total produzido, com base em dados da UNICA. Os mesmos
destaques devem ser dados aos valores amostrados em Minas Gerais, Goiás e Rio de Janeiro, além da
região Nordeste como um todo. A propósito, quanto à produção total de açúcar, os painéis de Uberaba
– MG, Campos dos Goytacazes - RJ e Goiatuba - GO apresentaram indicadores respectivos de
amostragem de 61,85%, 57,70% e 50,81%. Para a produção de etanol, os percentuais de Quirinópolis –
GO e das três capitais nordestinas presentes no levantamento merecem ser realçadas, tendo em vista os
valores de 62,55% para o painel goiano e 74,88%, 67,63% e 50,76% para Maceió, João Pessoa e
Recife, respectivamente. Além disso, a despeito das produções de etanol do Mato Grosso e do Mato
Grosso do Sul terem sido pouco amostrados, relativamente, suas produções de açúcar tiveram bastante
representatividade na pesquisa. Os painéis de Nova Olímpia – MT e Maracaju – MS apresentaram
valores de 20,67% e 21,35% para a produção açucareira, em termos respectivos.


     70,00%

     60,00%

     50,00%

     40,00%

     30,00%

     20,00%

     10,00%

     0,00%
                AL     GO     MT      MS     MG      PB      PR     PE      RJ      SP    TOTAL

                                       Açúcar - AMOSTRA PECEGE

Figura 2. Representatividade da produção de açúcar amostrada pelo PECEGE/CNA, para o
              fechamento da safra 2010/11




22
80,00%
   70,00%
   60,00%
   50,00%
   40,00%
   30,00%
   20,00%
   10,00%
    0,00%
              AL      GO     MT      MS      MG      PB    PR     PE     RJ      SP   TOTAL

                                       Etanol - AMOSTRA PECEGE

Figura 3. Representatividade da produção de etanol amostrada pelo PECEGE/CNA, para o fechamento
         da safra 2010/11


       De maneira geral, para o Brasil como todo, a amostra desenvolvida pelo PECEGE/CNA
abrangeu 23,22% das usinas instaladas e registradas, e 28,84% da moagem de cana da safra 2010/11.
Em relação aos principais produtos industriais, a amostragem representou 34,85% e 26,07% das
produções nacionais de açúcar e etanol, respectivamente.




                                                                                               23
Tabela 3. Representatividade da amostra do PECEGE em relação à moagem e às produções de açúcar
         e etanol do país, para o fechamento da safra 2010/11
                                                   Nº Usinas    Moagem    Açúcar     Etanol
Painéis de SÃO PAULO
Catanduva                                           40,63%      39,35%    86,17%     22,42%
Sertãozinho                                         27,91%      29,73%    23,43%     20,41%
Piracicaba                                          11,76%      13,21%    14,05%     11,09%
Araçatuba                                           22,50%      33,91%    41,39%     33,10%
Assis                                               11,11%      20,45%    24,37%     21,97%
Jaú                                                 13,79%      13,51%    11,63%     15,59%
TOTAL                                               22,45%      26,98%    35,17%     21,89%
Painéis do PARANÁ
Porecatu                                            17,86%      14,62%    9,02%      19,53%
Jacarezinho                                            -           -         -          -
TOTAL                                               14,29%      12,75%    8,54%      15,95%
Painéis de MINAS GERAIS
Uberaba                                             29,55%      38,00%    61,85%     39,82%
TOTAL                                               29,55%      38,00%    61,85%     39,82%
Painéis de GOIÁS
Goiatuba                                            40,00%      35,20%    50,81%     29,14%
Quirinópolis                                        28,00%      53,03%    14,96%     62,55%
TOTAL                                               31,43%      44,18%    32,05%     45,79%
Painéis do MATO GROSSO
Nova Olímpia                                        10,00%      8,31%     20,67%      4,90%
TOTAL                                               10,00%      8,31%     20,67%      4,90%
Painéis do MATO GROSSO DO SUL
Maracaju                                            15,00%      12,30%    21,35%      6,09%
TOTAL                                               15,00%      12,30%    21,35%      6,09%
Painéis do RIO DE JANEIRO
Campos dos Goytacazes                               18,18%      56,07%    57,70%     44,01%
TOTAL                                               18,18%      56,07%    57,70%     44,01%
Painéis de PERNAMBUCO
Recife                                              30,43%      44,72%    35,72%     50,76%
TOTAL                                               30,43%      44,72%    35,72%     50,76%
Painéis de ALAGOAS
Maceió                                              29,41%      58,41%    49,08%     74,88%
TOTAL                                               29,41%      58,41%    49,08%     74,88%
Painéis da PARAÍBA
João Pessoa                                         23,53%      54,64%    43,54%     67,63%
TOTAL                                               23,53%      54,64%    43,54%     67,63%




24
3. RESULTADOS


3.1 Configuração técnica


    3.1.1 Agrícola
       Com o intuito de aperfeiçoar as análises de custos de produção de cana-de-açúcar, açúcar e
etanol, o PECEGE/CNA realizou uma primeira coleta de dados referente à configuração técnica
agrícola das usinas participantes do projeto. Assim, na presente seção são apresentados os dados da
configuração tecnológica das unidades do setor sucroenergético, que estão divididos em: variedades
mais utilizadas, tratos culturais (principais pragas, plantas daninhas e doenças), rotação de cultura,
sistema de preparo de solo, uso de irrigação e agricultura de precisão.


       3.1.1.1 Variedades de cana-de-açúcar mais utilizadas
       O uso de diferentes variedades de cana-de-açúcar consiste em uma estratégia que busca
explorar os ganhos da interação das mesmas com o ambiente, além de ter em vista o manejo das pragas
e a diversificação da época de colheita e maturação da cana. Dessa forma, são apresentadas na Figura 4
as principais variedades estabelecidas nas usinas participantes, bem como suas representatividades em
cada grande região da pesquisa.
       Na região Centro-Sul Tradicional as principais variedades levantadas foram RB867515, SP81-
3250 e RB966928, que representaram em conjunto 67% do total da área plantada na região. Já na
região Centro-Sul Expansão as variedades que mostraram maior predominância foram a RB867515 e a
SP81-3250, correspondentes a 48% de todo o plantio. Na região Nordeste, observou-se que as
variedades mais utilizadas foram SP81-3250, RB92579 e SP79-1011, as quais representaram 81% do
total cultivado, com destaque à variedade RB92579, que sozinha representou 54% do total. No Brasil,
de forma geral, as principais variedades de cana-de-açúcar levantadas foram as variedades RB867515,
SP81-3250 e RB966928, totalizando59% da área de cana-de-açúcar plantada em todo o país.




                                                                                                   25
60%
     50%
     40%
     30%
     20%
     10%
     0%
              Outras




              Outras




              Outras




              Outras
           SP81-3250
           SP83-2847
           SP81-3250




           SP83-2847
           SP81-3250
           SP79-1011




           SP79-1011




           SP83-2847
           SP81-3250
           SP79-1011
           RB966928

           RB867515
           RB855453
           RB855156




           RB867515
           RB855453
           RB855156




           RB867515




           RB966928

           RB867515
           RB855453
           RB855156
            RB92579




            RB72454




            RB92579




            RB92579




            RB72454
            Centro-Sul Tradicional   Centro-Sul Expansão   Nordeste              Brasil

Figura 4. Histograma de frequências das variedades mais plantadas no Brasil e nas regiões Centro-Sul
           Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste.


       3.1.1.2 Tratos culturais


       3.1.1.2.1 Principais pragas na cultura da cana-de-açúcar
       Vários são os danos causados pelas pragas na cultura da cana-de-açúcar, gerando queda de
produtividade e redução de qualidade da matéria-prima. Além dos danos diretos, também são
relevantes os danos indiretos causados pelas mesmas, tais como a infestação por pragas secundárias, o
que acarreta a intensificação das perdas na produção e o aumento de custos com defensivos. A
propósito, a importância de uma espécie de praga varia em função da região de cultivo (condições
edafoclimáticas), do ano agrícola e das técnicas adotadas na condução da lavoura. Por isso, a Tabela 4
e Figura 5 apresentam as principais pragas da cana-de-açúcar levantadas, bem como suas
representatividades referentes a cada região.
       Na região Nordeste as pragas mais recorrentes foram: broca da cana-de-açúcar (Diatraea
saccharalis), broca gigante (Telchin licus), cigarrinha-da-folha (Mahanarva posticata), cupins,




26
formigas e lagarta elasmo (Elasmopalpus lignosellus). Nesse sentido, é importante salientar a grande
relevância da broca gigante para esta região (23%), fato inexistente nos outros locais amostrados.
        Já na região Centro-Sul Expansão, as pragas de maior recorrência foram: broca da cana-de-
açúcar (Diatraea flavipennella), cigarrinha-da-raiz (Mahanarva fimbriolata), cupins e formigas, que
equivaleram a 75% de todas as pragas levantadas. Na região Centro-Sul Tradicional, por sua vez, as
principais pragas levantadas foram: broca da cana-de-açúcar (Diatraea flavipennella), cigarrinha-da-
raiz (Mahanarva fimbriolata), migdolus (Migdolus fryanus) e cupins, representando 84% do total
registrado.
        Em síntese, no Brasil como um todo, as pragas mais presentes foram: a broca da cana-de-
açúcar (Diatraea flavipennella), a cigarrinha-da-raiz (Mahanarva fimbriolata), cupins, formigas e o
migdolus (Migdolus fryanus), que totalizaram 75% das pragas mencionadas.


Tabela 4. Principais pragas da cana-de-açúcar e suas respectivas representatividades nas regiões
              produtoras amostradas
Nome Popular               Nome Científico                  Nordeste Centro-Sul Expansão Centro-Sul Tradicional
Bicudo da cana-de-açúcar   Sphenophoruslevis                  0%              0%                  0%
Broca da cana-de-açúcar    Diatraea flavipennella             0%             18%                 24%
Broca da cana-de-açúcar    Diatraea saccharalis               15%             4%                  0%
Broca gigante              Telchin licus                      23%             0%                  0%
Broca peluda               Hyponeumataltula                   0%              4%                  0%
Cigarrinha-da-raiz         Mahanarva fimbriolata              0%             18%                 24%
Cigarrinha-da-folha        Mahanarva posticata                15%             0%                  0%
Cupins                     Cupins (várias espécies)           15%            14%                 17%
Formigas                   Formigas (várias espécies)         15%            25%                  5%
Lagarta elasmo             Elasmopalpus lignosellus           15%             7%                   0
Migdolus                   Migdolus fryanus                   0%              7%                 19%
Nematóides                 Nematóides (várias espécies)       0%              0%                 12%
Pão-de-galinha             Pão-de-galinha (várias espécies)   0%              4%                   0




                                                                                                            27
20%
                 18%              18%
         18%
                                                  15%
         16%
         14%                                               13%
                                                                      12%
         12%
         10%
          8%                                                                     6%
          6%                                                                                  5%
                                                                                                                 4%           4%
          4%                                                                                                                                  2%          2%
          2%                                                                                                                                                            1%             1%
          0%




                                                                                 Nematóides
                                                           Formigas
                                                  Cupins




                                                                      Migdolus




                                                                                                                                                                        Broca peluda
                                                                                                                              Broca gigante




                                                                                                                                                                                       Pão-de-galinha
                flavipennella)




                                                                                                               saccharalis)
                                 Cigarrinha-da-




                                                                                                                                                       Cigarrinha-da-
                                                                                              Lagarta elasmo

                                                                                                                Broca (D.




                                                                                                                                              Bicudo
                  Broca (D.




                                                                                                                                                           folha
                                      raiz




Figura 5. Principais pragas da cultura da cana-de-açúcar no Brasil, na amostra do PECEGE/CNA, para
         o fechamento da safra 2010/11.


       3.1.1.2.2 Plantas daninhas
       Na Tabela 5 e na Figura 6 desta subseção são apresentadas as principais plantas daninhas
levantadas para a safra 2010/11, assim como suas representatividades referentes a cada região
produtora.
       Na região Nordeste, as principais plantas invasoras levantadas foram a Cyperus sp. e a Ipomoea sp.,
popularmente conhecidas como Tiririca e Corda-de-viola, respectivamente, que representaram 33% do
total de plantas daninhas citadas pelas unidades da amostragem. Já nas regiões Centro-Sul Tradicional
e Centro-Sul Expansão, os principais problemas foram causados pelas plantas: Capim colchão
(Digitaria sp.), Capim colonião (Panicum maximum), Capim braquiária (Brachiaria decumbens) e
Corda-de-viola (Ipomoea sp.), que juntas corresponderam a 64% do total levantado.




28
Tabela 5. Principais plantas daninhas na cultura da cana-de-açúcar e suas respectivas
                 representatividades nas regiões produtoras amostradas.
Nome Popular           Nome Científico                             Nordeste        Centro-Sul Expansão                Centro-Sul Tradicional
Capim colonião         Panicum maximum                               8%                          13%                             15%
Capim colchão          Digitaria sp.                                 0%                          17%                             18%
Capim braquiária       Brachiaria decumbens                          8%                          13%                             15%
Tiririca               Cyperus sp.                                   17%                         4%                               9%
Corda-de-viola         Ipomoea sp.                                   17%                         22%                             15%
Jitirana               Merremia aegyptia L.                          8%                          0%                               0%
Trapoeraba             Commelina benghalensis                        8%                          4%                               0%
Capim mão de sapo      Dactyloctenium aegyptium                      8%                          0%                               0%
Capim pé de galinha    Eleusine indica                               8%                          0%                               0%
             Representatividade Total                               83%                          74%                             73%




   20%                                                               18%
   18%
   16%                  15%
             13%                         13%
   14%
   12%
   10%                                               9%
    8%
    6%
    4%                                                                                              3%
    2%                                                                               1%                            1%             1%
    0%
                                                                                   aegyptia L.
                        Digitaria sp.
             maximum




                                                     Cyperus sp.



                                                                     Ipomoea sp.
                                        decumbens




                                                                                                                 Dactylocteniu
                                                                                                  benghalensis




                                                                                                                                 Eleusine
                                                                                                                 m aegyptium
                                        Brachiaria
             Panicum




                                                                                                   Commelina
                                                                                    Merremia




                                                                                                                                  indica




Figura 6. Principais plantas daninhas na cultura da cana-de-açúcar e suas respectivas
                 representatividades em nível Brasil, para o fechamento da safra 2010/11.




                                                                                                                                            29
3.1.1.3 Doenças
         Na região Nordeste, no que diz respeito às principais doenças levantadas, observa-se que 50%
dos problemas foram atribuídos a somente duas doenças: Ferrugem (Puccinia melanocephala) e
Raquitismo da soqueira (Leifsonia xyli subsp. xyli). Entre as doenças fúngicas que trazem
preocupações e podem acarretar prejuízos ao setor canavieiro na região Centro-Sul do Brasil,
destacam-se também a Ferrugem, o Carvão (Ustilago scitaminea) e a Podridão do abacaxi
(Ceratocystis paradoxa). De fato, em âmbito nacional, as quatro doenças mencionadas foram
responsáveis por 68% do total de danos na cultura da cana-de-açúcar referentes a enfermidades,
segundo o fechamento da safra 2010/11.


Tabela 6. Principais doenças para a cultura da cana-de-açúcar e suas respectivas representatividades
            nas regiões produtoras amostradas
Doença - Nome Popular               Nordeste       Centro-Sul Expansão       Centro-Sul Tradicional
Mancha anelar                         10%                  0%                         0%
Ferrugem alaranjada                    0%                  0%                         9%
Podridão abacaxi                       0%                 11%                        21%
Podridão vermelha                      0%                  0%                        12%
Ferrugem                              30%                 32%                        18%
Carvão                                10%                 26%                        18%
Estria vermelha                       10%                  0%                         3%
Raquitismo da soqueira                20%                 16%                         6%
Escaldadura das folhas                10%                  0%                         6%
Síndrome do amarelinho                10%                  0%                         0%




30
3.1.1.4 Rotação de Culturas
         Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – EMBRAPA, a rotação de culturas
configura-se como um processo de cultivo para a preservação ambiental, que influi positivamente na
recuperação, manutenção e melhoria dos recursos naturais. As vantagens do uso contínuo da rotação
de culturas são a preservação ou aprimoramento das características físicas, químicas e biológicas do
solo, além do auxílio ao controle de plantas daninhas, doenças e pragas. No levantamento em estudo, a
rotação de cultura da cana-de-açúcar vem sendo utilizada em todas as regiões amostradas, sendo que
esta prática se fez presente em 79% dos canaviais brasileiros, a partir de dados da safra 2010/11. Na
região Centro-Sul Tradicional, cerca de 50% das unidades adotaram a prática, utilizando
principalmente amendoim, soja, milheto e crotalárias (Crotalária Juncea e Crotalária Spectabilis). Na
região Centro–Sul Expansão, por sua vez, a rotação vem sendo executada principalmente com soja e
crotalárias. Na região Nordeste,as culturas foram aquelas utilizadas no Centro-Sul, porém, o índice de
utilização foi bastante inferior ao observado nas outras regiões (Tabela 7).


Tabela 7. Utilização de rotação de culturas para as lavouras de cana-de-açúcar do Brasil, na amostra do
           PECEGE/CNA
Região                                        Cultura utilizada                 Utilização de Rotação
                                          Amendoim, Soja, Milheto,
Centro-Sul Tradicional                                                                  53%
                                   Crotalária Juncea e Crotalária Spectabilis
                                           Soja, Crotalária Junceae
Centro-Sul Expansão                                                                     21%
                                             Crotalária Spectabilis
Nordeste                           Crotalária Juncea e Crotalária Spectabilis           5%
                                          Amendoim, Soja, Milheto,
Brasil                                                                                  79%
                                   Crotalária Juncea e Crotalária Spectabilis




                                                                                                        31
3.1.1.5 Agricultura de precisão
           A agricultura de precisão permite o gerenciamento localizado dos cultivos, acarretando a
otimização do uso de insumos e, consequentemente, o melhor gerenciamento dos gastos da produção
agrícola. Tal técnica vem sendo utilizada tanto na região Centro-Sul Tradicional como na região de
Expansão, com as participações de 30% e 33% dos canaviais amostrados, respectivamente. Em
contrapartida, as práticas de agricultura de precisão não foram adotadas na região Nordeste (Figura 7).
           Em termos específicos, a região Centro-Sul Expansão faz uso de imagens de satélite, piloto
automático, fotografias aéreas, amostragem de solo georreferenciada, tecnologia de aplicação em taxa
variável, sistema de direcionamento via satélite, aplicação de gesso, fósforo e potássio em taxa
variável, e também mapeamento do pH do solo. Na região Centro-Sul Tradicional, foram constatadas
as mesmas tecnologias citadas acima, à exceção da fotografia aérea e da aplicação de fósforo em taxa
variável.
     50%
     45%
     40%
     35%                                     33%
                                                                  30%
     30%                                                                               28%
     25%
     20%
     15%
     10%
     5%
                      0
     0%
                   Nordeste         Centro-Sul Expansão   Centro-Sul Tradicional       Brasil

Figura 7. Utilização de agricultura de precisão na cultura da cana-de-açúcar no Brasil e nas regiões
              Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste.




32
3.1.2 Industrial


                 Na busca de retratar a configuração técnica industrial dos participantes da pesquisa, da Figura 8 à
Figura 14 são mostrados o resumo das capacidades e características dos principais equipamentos
utilizados nos processos industriais que dão origem aos produtos finais. Além disso, da Tabela 11 à
Tabela 14 são apresentadas as taxa de utilização dos equipamentos de moagem, destilação, fabricação
de açúcar e geração de vapor. Como se observa, os dados muitas vezes apresentam um percentual
inferior à capacidade total de utilização dos mesmos, o que denota que existe espaço para expansão na
produção. As taxas máximas de moagem observadas por algumas usinas foram de 96,6% nas
destilarias, ao passo que se observa valores de 93,1% e 94,9% na fabricação de açúcar. Uma das
causas da não utilização da capacidade nominal dos equipamentos, além dos aspectos de qualidade da
matéria prima, corresponde ao fato de alguns processos dependerem da velocidade de produção do
processo anterior.

                          20%
                          18%
  Porcentagem de usinas




                          16%
                          14%
                          12%
                          10%
                           8%
                           6%
                           4%
                           2%
                           0%
                                                                                         > 20.001




                                                                                                                                                                    > 20.001
                                                                       15.001 - 20.000
                                                     10.001 - 15.000




                                                                                                                                10.001 - 15.000


                                                                                                                                                  15.001 - 20.000




                                                                                                                                                                                                            10.001 - 15.000
                                                                                                    < 5.000




                                                                                                                                                                               < 5.000
                                5.001 - 10.000




                                                                                                               5.001 - 10.000




                                                                                                                                                                                           5.001 - 10.000




                                                 Centro-Sul Expansão                                          Centro-Sul Tradicional                                                     Nordeste

Figura 8. Distribuição das usinas em relação à capacidade de extração diária em toneladas.




                                                                                                                                                                                                                              33
16%
                         14%
 Porcentagem de usinas




                         12%
                         10%
                                8%
                                6%
                                4%
                                2%
                                0%
                                                            251 - 500




                                                                                                                                                         501 - 750
                                                                            501 - 750




                                                                                                     1001 - 1250


                                                                                                                      1251 - 1500




                                                                                                                                             251 - 500




                                                                                                                                                                                  1001 - 1250




                                                                                                                                                                                                        251 - 500
                                                < 250




                                                                                                                                    < 250




                                                                                                                                                                                                < 250
                                                                                        751 - 1000




                                                                                                                                                                     751 - 1000
                                                                        Centro-Sul Expansão                                                 Centro-Sul Tradicional                                Nordeste

Figura 9. Distribuição das usinas em relação à capacidade diária das destilarias de etanol.


                                          16%
                                          14%
                  Porcentagem de usinas




                                          12%
                                          10%
                                          8%
                                          6%
                                          4%
                                          2%
                                          0%
                                                        ciclo-hexano                    MEG                        ciclo-hexano                 MEG                   peneira                   ciclo-hexano
                                                                                                                                                                     molecular

                                                            Centro-Sul Expansão                                                      Centro-Sul Tradicional                                      Nordeste

Figura 10. Distribuição das usinas em relação à via de desidratação de etanol.




34
20%
                                 18%
                                 16%
         Porcentagem de usinas


                                 14%
                                 12%
                                 10%
                                  8%
                                  6%
                                  4%
                                  2%
                                  0%
                                         1      2       3     1   2     3      4      5         6   1     2      3       4    5

                                       Centro-Sul Expansão        Centro-Sul Tradicional                      Nordeste

Figura 11. Distribuição das usinas em relação à quantidade de caldeiras para a produção de vapor.



                             140

                             120
                                                                                123
                             100
  Nº de Caldeiras




                                 80

                                 60

                                 40

                                 20
                                                    8                                                           20
                                 0
                                          > 21 ( baixa pressão)       30 - 45 (média pressão)           > 65 (alta pressão)



Figura 12. Quantidade de caldeiras por classes de pressão de vapor (em kgf/cm²).




                                                                                                                                  35
80
                       70
                       60
     Nº de caldeiras




                       50
                       40
                       30
                       20
                       10
                       0
                                   < 50   51 - 100                 101 - 150         > 151
                                          Cap. produção caldeiras (t vapor/h)

Figura 13. Quantidade de caldeiras por capacidade de produção (em t vapor/h).


Tabela 8. Mínimo, máximo e média para a potência instalada de geração de energia elétrica por usina
                            (em MW).
Região                                     Mínimo                         Máximo             Média
Expansão                                         4,1                          70,0           28,0
Tradicional                                      3,0                          80,0           27,3
Nordeste                                         5,8                          19,0           13,0


Tabela 9. Porcentagem de vapor alocado às turbinas de geração de eletricidade (em %).

Região                                    Mínimo                      Máximo             Média

Expansão                                     3                           100                 38
Tradicional                                  4                           100                 44
Nordeste                                     6                           96                  48




36
Tabela 10. Produção relativa de energia elétrica (em KWh/tc).

Região                              Mínimo                  Máximo                      Média

Expansão                             4080,0                 70000,0                     26308,0
Tradicional                          3000,0                 80000,0                     27308,7
Nordeste                             5800,0                 19000,0                     12985,7


Tabela 11. Taxa de utilização dos equipamentos de moagem (em %).
Região                                         Mín.       Máx.         Desvio-padrão         Média
Nordeste                                       73,4       96,2              9,7                   86,6
Centro sul – Expansão                          73,9       95,6              8,2                   85,2
Centro sul – Tradicional                       44,3       95,6             13,3                   84,4


Tabela 12. Taxa de utilização dos equipamentos de destilação (em %).
Região                                         Mín.       Máx.         Desvio-padrão         Média
Nordeste                                       65,7       78,1              6,3                 71,3
Centro sul – Expansão                          49,0       87,8             15,5                 74,2
Centro sul – Tradicional                       22,7       93,1             19,5                 69,7


Tabela 13. Taxa de utilização dos equipamentos de fabricação de açúcar (em %).
Região                                         Mín.       Máx.         Desvio-padrão         Média
Nordeste                                       69,0       83,1              7,3                   77,1
Centro sul – Expansão                          40,2       94,9             31,2                   58,9
Centro sul – Tradicional                       39,8       91,7             17,5                   67,8


Tabela 14. Taxa de utilização dos equipamentos de geração de vapor (em %).
Região                                        Mín.        Máx.         Desvio- padrão        Média

Nordeste                                      100,0       100,0              0,0                100,0
Centro sul - Expansão                         78,1        100,0              8,3                  90,6
Centro sul - Tradicional                      64,0        100,0             10,8                  96,2




                                                                                                         37
80
                       70
                       60
     Nº de geradores




                       50
                       40
                       30
                       20
                       10
                        0
                                       <5                         6 - 20                     >21
                                                         Classes de Potências (MW)


Figura 14. Quantidade de geradores por classes de potência de energia elétrica (em MW).


                3.2 Indicadores de Produção


                       3.2.1 Fornecedores


                       Nesta seção são apresentados os indicadores de produção coletados junto aos fornecedores de
cana-de-açúcar. Para isso, foram escolhidos os indicadores de maior interesse ao setor para fins de
comparação e acompanhamento da evolução dos mesmos, permitindo análises quanto à
competitividade de cada região estudada.
                       Conforme apresentado na Tabela 15, cabe destaque para os maiores níveis de produtividade
agrícola na região de Expansão (88,15 t/ha). Como esperado, as menores médias de produtividade
foram observadas na região Nordeste (52,33 t/ha), enquanto que a região Tradicional apresentou
valores entre 54,00 t/ha e 90,00 t/ha, com média de 79,69 t/ha.




38
Tabela 15. Mínimos, máximos e médias da produtividade agrícola (t/ha) para os fornecedores das
              regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste.
Região                                    Mínimo                   Máximo                  Média
Tradicional                                54,00                    90,00                  79,69
Expansão                                   80,00                   104,00                  88,15
Nordeste                                   42,00                    60,00                  52,33


         Na Tabela 16 apresenta-se o raio médio (km) para a entrega da cana de açúcar à usina nas três
regiões estudadas. A região que apresentou maior raio médio (km) foi a Tradicional, haja vista a média
de 27,07 km, seguida pela região Nordeste com 23,33 km e pela de Expansão com 22,00 km.



Tabela 16. Mínimos, máximos e médias do raio médio (km) para os fornecedores das regiões Centro-
              Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste.
Região                                    Mínimo                   Máximo                  Média
Tradicional                                18,00                    45,00                  27,07
Expansão                                   15,00                    30,00                  22,00
Nordeste                                   20,00                    25,00                  23,33


         Os níveis de concentração de ATR em cana própria de fornecedores são apresentados a seguir.
Nesse caso, a região com melhores patamares de ATR/tc foi a de Expansão, seguida pela Tradicional e
pelo Nordeste (Tabela 17).

Tabela 17. Mínimos, máximos e médias da concentração de ATR em cana própria (kg ATR/t) dos
              fornecedores das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste
Região                                   Mínimo                   Máximo                  Média
Tradicional                               122,50                  145,00                  137,45
Expansão                                  135,00                  150,60                  140,51
Nordeste                                  128,53                  133,00                  130,51




                                                                                                    39
Os valores de arrendamentos atualizados para a safra 2010/11, por sua vez, seguiram a
tendência de alta observada ao longo das últimas safras. Os maiores preços foram observados na região
Tradicional, enquanto que no Nordeste paga-se bem menos pelo aluguel de terras para a produção de
cana (Tabela 18).

Tabela 18. Mínimos, máximos e médias de preços de arrendamento, em espécie (t/ha/ano), pagos por
              fornecedores das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste.
Região                                    Mínimo                     Máximo                Média
Tradicional                                12,50                      27,50                19,14
Expansão                                   11,00                      14,46                12,39
Nordeste                                    5,00                      13,20                 8,07


         A Tabela 19 compõe os valores do ATR padrão pago em contratos de arrendamento nas três
regiões analisadas. O padrão de 121,97 kg ATR/tc pode ser claramente observado no Centro-Sul
brasileiro, enquanto que no Nordeste menores patamares são comumente negociados.


Tabela 19. Mínimos, máximos e médias do ATR padrão pago em contratos de arrendamentos (kg
              ATR/tc): regiões Tradicional, Expansão e Nordeste.
Região                                    Mínimo                   Máximo                 Média
Tradicional                               109,30                     121,97               118,45
Expansão                                  119,00                     121,97               121,38
Nordeste                                  114,09                     120,00               117,70


         Os preços do quilograma do ATR (R$/kg ATR) consolidados para a safra de 2010/11 são
apresentados na Tabela 20. Nesse caso, assim como na safra 2009/10, o Nordeste apresentou maiores
valores quando comparados aos do Centro-Sul. Como fatores explicativos, percebe-se que melhores
preços de venda do açúcar e do etanol, tanto para exportação quanto para mercado interno, fizeram
com que a rentabilidade nordestina fosse elevada na safra 2010/11.




40
Tabela 20. Mínimos, máximos e médias do preço do ATR (R$/kg ATR) pago aos fornecedores das
              regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste.
Região                                    Mínimo                   Máximo               Média
Tradicional                                0,3300                   0,4520              0,3995
Expansão                                   0,3315                   0,4286              0,3771
Nordeste                                   0,5305                   0,5687              0,5529


         A Tabela 21 e a Tabela 22 logo abaixo mostram a incidência de colheita mecanizada e manual
nas três regiões. Observa-se a diferença tecnológica nas mesmas, sendo a região de Expansão aquela
que possui o maior índice de colheita mecânica (90%), sendo seguida pela região Tradicional (40%).
No Nordeste brasileiro, por outro lado, atualmente não são observadas áreas de canaviais colhidas
mecanicamente, ao menos no que diz respeito aos fornecedores de cana. Nessa região, toda colheita é
realizada manualmente.



Tabela 21. Mínimos, máximos e médias da porcentagem de colheita mecanizada dos fornecedores das
              regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste.
Região                                    Mínimo                   Máximo               Média
Tradicional                                 4%                       70%                 40%
Expansão                                    70%                     100%                 90%
Nordeste                                    0%                       0%                  0%


Tabela 22. Mínimos, máximos e médias da porcentagem de colheita manual dos fornecedores das
              regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste.
Região                                    Mínimo                   Máximo               Média
Tradicional                                 30%                      96%                 60%
Expansão                                    0%                       30%                 10%
Nordeste                                   100%                     100%                100%




                                                                                                 41
3.2.2 Usinas

        3.2.2.1 Agrícola

        Neste tópico são apresentados os principais indicadores de produção agrícola das unidades
industriais amostradas, sendo eles: produtividade média, percentual de colheita mecanizada,
concentração de ATR da cana própria e preços de arrendamento praticados. Com exceção do indicador
de produtividade, que compreende uma ilustração de dispersão da amostra, a estrutura de apresentação
dos dados é feita a partir de histogramas de freqüência e de tabelas que expressam os valores de
mínimos, máximos e de médias regionais, sendo estas utilizadas no modelo.
        Cabe ressaltar que, assim como em levantamentos anteriores, com o intuito de manter a
confidencialidade quanto à identidade dos participantes da amostra, as informações apresentadas em
função da moagem contam com uma classificação em intervalos de 250 mil toneladas e o teto de 4
milhões, sendo cada unidade alocada para a classe de moagem mais próxima da real. A propósito, os
valores alocados como moagem zero referem-se às unidades que declararam os dados, mas não
informaram a moagem total.
        Na Figura 15 é apresentada a distribuição da produtividade média para as macrorregiões. Como
se pode observar, a região Nordeste concentra produtividades em torno de 60 t/ha, enquanto que na
região Centro-Sul os valores são mais variáveis. Nos histogramas da Figura 16 pode-se visualizar de
forma mais conclusiva as faixas de concentração de moagem. Enquanto que na região de Expansão a
amostra se concentra entre 80 e 90 t/ha, na região Tradicional são verificados dois perfis distintos, com
valores nos limiares da faixa de 80 t/ha, praticamente dividindo a amostra entre 70 a 80 t/ha e 80 a 90 t/ha.




42
120
                          110
   Produtividade (t/ha)

                          100
                           90
                           80
                           70
                           60
                           50
                           40
                                0,00               0,50               1,00         1,50                 2,00               2,50         3,00        3,50               4,00
                                                                                     Moagem (milhões de t)

                                                          Centro-Sul Expansão               Centro-Sul Tradicional                 Nordeste

Figura 15. Distribuição de produtividade média (t/ha) em função de faixas de moagem (milhões de t)
                               para usinas das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste.


                   60%                                                       60%                                                  60%

                   50%                                                       50%                                                  50%

                   40%                                                       40%                                                  40%

                   30%                                                       30%                                                  30%

                   20%                                                       20%                                                  20%

                   10%                                                       10%                                                  10%

                          0%                                                 0%                                                   0%
                                  < 66




                                                                                     < 66




                                                                                                                                           < 55
                                         67 - 80

                                                     81 - 94




                                                                                              67 - 80

                                                                                                          81 - 94




                                                                                                                                                   55 - 65


                                                                                                                                                             65 - 70
                                                               Mais




                                                                                                                    Mais




                                               t/ha                                                 t/ha                                           t/ha


                           (a) Tradicional                                          (b) Expansão                                               (c) Nordeste

Figura 16. Histograma de freqüência de produtividade média (t/ha) para usinas das regiões Centro-Sul
                               Tradicional (a), Centro-Sul Expansão (b) e Nordeste (c).


                                                                                                                                                                              43
Tabela 23. Mínimo, máximo e média de produtividade agrícola (t/ha) para usinas das regiões Centro-
               Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste.
Região                                                               Mínimo                                   Máximo                            Média
Expansão                                                             60,30                                    107,15                            84,67
Tradicional                                                          63,80                                    106,18                            83,50
Nordeste                                                             53,80                                     66,03                            59,45



           Na Figura 17, são ilustrados os histogramas de freqüência relacionados ao percentual de colheita
mecanizada. Para a região Centro-Sul, principalmente na Tradicional, as medidas legislativas,
especificamente o Protocolo Agroambiental, assinado entre UNICA e o governo do Estado de São
Paulo, estão surtindo efeitos. Como se pode observar, a maior freqüência de colheita mecanizada está
na faixa de 55 a 80%, apresentando a média válida de 64% (Tabela 24). Tal valor se mostra bem acima
do coletado no primeiro levantamento de custos PECEGE/CNA, para a safra 2007/2008, que foi de
45%. Ou seja, o índice de mecanização na colheita aumentou cerca de 40% em três anos.

     80%                                                  80%                                                 80%


     60%                                                  60%                                                 60%

     40%                                                  40%                                                 40%

     20%                                                  20%
                                                                                                              20%

     0%                                                   0%
                                                                                                               0%
                  5 - 30




                                               85 - 100




                                                                      5 - 30




                                                                                                   85 - 100
                                                                <5
            <5



                           30 - 55

                                     55 - 80




                                                                               30 - 55

                                                                                         55 - 80




                                                                                                                                                   0
                                                                                                                       20 - 30


                                                                                                                                      30 - 35




                            %                                                   %                                                      %


            (a) Tradicional                                      (b) Expansão                                                    (c) Nordeste

Figura 17. Histograma de freqüência de colheita mecanizada (%) para usinas das regiões Centro-Sul
                 Tradicional (a), Centro-Sul Expansão (b) e Nordeste (c).


44
Para a região de Expansão, como esperado, os valores de colheita mecanizada continuam
elevados, acima do patamar de 85%. Na região Nordeste a prática ainda é pouco comum, em função,
principalmente, dos terrenos acidentados em termos de relevo. Cabe ressaltar, entretanto, que alguns
locais da região Nordeste, como o estado da Paraíba, o sul do Pernambuco e o norte de Alagoas,
apresentam áreas relativamente planas, com declividades inferiores a 12%, permitindo assim a
mecanização das operações. Reflexo disso são índices de até 33% (Tabela 24) de colheita mecanizada
em cerca de 15% da amostra desta macrorregião.


Tabela 24. Mínimo, máximo e média da porcentagem de colheita mecânica das usinas das regiões
              Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste.
Região                                        Mínimo               Máximo              Média
Expansão                                        0%                  100%                86%
Tradicional                                     0%                  100%                64%
Nordeste                                        0%                  33%                  7%



         No que concerne à concentração de ATR por tonelada de cana própria de usina, os maiores
índices são verificados nas regiões Centro-Sul Expansão e Centro-Sul Tradicional, em ordem
decrescente (Tabela 25). No caso da primeira região, um terço das usinas apresentou concentrações na
faixa entre 140 e 145 kg/tonelada, enquanto que 44% das usinas da outra região tiveram concentrações
de ATR entre 132 e 140 kg/tonelada (Figura 18). Tais valores se mostram bem superiores aos da safra
2009/2010, quando houve diminuição do teor de sacarose devido à maior incidência de chuvas,
prejudicando consideravelmente a rentabilidade do setor à época. Para a região Nordeste, os índices
não sofreram grandes alterações, com a amostra concentrada na classe delimitada entre 130 e 135
kg/tonelada, englobando metade das usinas pesquisadas.




                                                                                                  45
Tabela 25. Mínimo, máximo e média da concentração de ATR em cana própria (kg ATR/t) para usinas
               das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste.
Região                                                                   Mínimo                                    Máximo                           Média
Expansão                                                                 130,20                                    159,21                           141,15
Tradicional                                                              119,79                                    144,77                           134,46
Nordeste                                                                 120,38                                    134,76                           130,18



 60%                                                      60%                                                      60%
 50%                                                      50%                                                      50%
 40%                                                      40%                                                      40%
 30%                                                      30%                                                      30%
 20%                                                      20%                                                      20%
 10%                                                      10%                                                      10%
     0%                                                   0%                                                        0%
                                                140-145
           < 124

                      124 - 132

                                    132 - 140




                                                                                                                            < 125


                                                                                                                                        125 - 130


                                                                                                                                                       130 - 135
                                                                                                  145-150
                                                                < 135

                                                                         135 - 140

                                                                                      140 - 145




                                                                                                            Mais



                                                                                     kg/t                                               kg/t
                                  kg/t
           (a) Tradicional                                              (b) Expansão                                                (c) Nordeste

Figura 18. Histograma de freqüência da concentração de ATR em cana própria para usinas das regiões
                   Centro-Sul Tradicional (a), Centro-Sul Expansão (b) e Nordeste (c).


          No que diz respeito aos preços de arrendamentos, constata-se que as usinas da região
Tradicional praticam valores bastante superiores àqueles das demais localidades, o que salienta a
escassez relativa de terras agricultáveis em São Paulo e Paraná e a subsequente sobrevalorização das
áreas desses estados (Tabela 16). Em termos médios, o preço de arrendamento em espécie do Centro-
Sul Tradicional superou os preços do Centro-Sul Expansão e do Nordeste em 6,73 e 12,21 t/ha ano,
respectivamente.




46
Conforme visualizado na Figura 19, os preços de arrendamentos entre 20 e 25 t/ha/ano
  ocorreram para 37,50% das usinas da região Centro-Sul Tradicional na safra 2010/11, refletindo a
  concentração das unidades industriais em altos patamares de arrendamento. Na região Centro-Sul
  Expansão, por outro lado, nota-se um perfil marcante de preços, sendo que 81% das unidades praticam
  valores entre 10 e 13 t/ha/ano. De modo ainda mais contrastante, praticamente 45% das usinas
  nordestinas tiveram preços de arrendamentos inferiores a 5 t/ha/ano, e apenas 11% delas registraram
  valores entre 10 e 13 t/ha/ano. Logo, todos esses dados refletem a forte pressão por terras que acomete
  a região Tradicional, com destaque às macrorregiões paulistas de Piracicaba e Sertãozinho.


  Tabela 26. Mínimo, máximo e média de preços de arrendamentos, em espécie (t/ha/ano), para usinas
                  das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste.
  Região                                                       Mínimo                      Máximo                   Média
  Expansão                                                      9,86                        20,00                   11,42
  Tradicional                                                  12,40                        24,79                   18,15
  Nordeste                                                      4,03                        12,39                    5,94


40%                                                                                        50%
                                                100%

30%                                              80%                                       40%

                                                 60%                                       30%
20%
                                                 40%                                       20%
10%
                                                 20%                                       10%

0%                                                0%                                        0%
                                                                                                                7 - 10


                                                                                                                            10-13
                                                                                                         5-7
                                                                                                    <5
                                                        < 10




                                                                                   16-20
                                                               10 - 13


                                                                         13 - 16
                                      20-25
                 13 - 16


                            16 - 20
       < 13




                 t/ha.ano                                       t/ha.ano                                 t/ha.ano
              (a) Tradicional                 (b) Expansão     (c) Nordeste
  Figura 19. Histograma de freqüência dos preços de arrendamentos para usinas das regiões Centro-Sul
                  Tradicional (a), Centro-Sul Expansão (b) e Nordeste (c).


                                                                                                                                    47
De forma complementar, a Tabela 27 mostra os valores de ATR pagos em contratos de
arrendamentos, ou ATR padrão, para as três grandes regiões produtoras em questão. Sem sofrer
alterações em relação a safras passadas, os valores se mantiveram em 121,97 kg ATR/t para a região
Centro-Sul e 119,00 kg ATR/t para a região Nordeste.


Tabela 27. Mínimo, máximo e moda do ATR padrão pago em contratos de arrendamentos (kg
              ATR/tc), para usinas das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e
              Nordeste.
Região                                        Mínimo               Máximo                Moda
Expansão                                       109,19               121,97               121,97
Tradicional                                    109,19               121,97               121,97
Nordeste                                       114,09               125,73               119,00



         Por fim, a Tabela 28 explicita os preços pagos pelo ATR. Para esta variável, percebe-se menor
dispersão na região de Expansão, cuja amplitude foi de R$ 0,07/kg ATR na safra 2010/11, fechado a
um valor de R$ 0,3751/kg ATR. Na região Tradicional, especificamente o estado de São Paulo, o
preço do ATR mensal em março, no fechamento da safra, quebrou o recorde histórico desde a
implantação do CONSECANA, o que também levou o ATR final ao patamar mais elevado desde a
safra 1998/99, quando da criação deste sistema. Sendo assim, pelo fato da grande representatividade de
usinas de São Paulo e pela maior parte delas seguirem o sistema CONSECANA, o valor médio final
ficou próximo ao de fechamento da safra pelo referido conselho, que foi de R$ 0,4022/kg ATR. Para a
região Nordeste, os preços seguiram a tendência de serem maiores que no Centro-Sul, em função,
principalmente, do mix mais açucareiro das unidades industriais e dos bons preços do mercado,
fechando em R$ 0,5642/kg ATR.




48
Tabela 28. Mínimo, máximo e média do preço do ATR (R$/kg ATR) para usinas das regiões Centro-
              Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste.
Região                                         Mínimo               Máximo                Média
Expansão                                       0,3503                0,4222               0,3751
Tradicional                                    0,3700                0,5279               0,4019
Nordeste                                       0,4233                0,6000               0,5642



     3.2.2.2 Industrial


         Nesta seção do relatório são apresentados os resultados oriundos da aplicação de questionários
aos departamentos industriais das unidades produtoras de açúcar e etanol. Para as análises referentes à
safra 2010/11 os principais parâmetros técnicos industriais são os indicadores gerais das usinas, os
índices de qualidade da matéria-prima processada, as perdas e rendimentos industriais, as produções
relativas de subprodutos resultantes do processo de fabricação de açúcar e etanol e a configuração
tecnológica industrial, que foi detalhada na última seção do documento. Em termos metodológicos,
cabe ressaltar o procedimento estatístico de eliminação de informações julgadas discrepantes para as
estimativas dos modelos regionais de custos de produção, tendo em vista que a presença de
observações outliers pode comprometer seriamente a homogeneidade amostral e a robustez dos
resultados e análises. Ademais, cada unidade participante é representada através de uma numeração
que não permite sua identificação, zelando assim pela confidencialidade das informações. Por fim,
todos os dados técnicos referentes à safra 2010/2011 levantados juntos às usinas foram analisados de
acordo com o assunto abordado e expostos em tabelas e gráficos, sendo as unidades das usinas
agrupadas por região produtora.
           Em síntese, a seção subdivide-se em: dados técnicos (indicadores gerais das unidades
industriais, qualidade da matéria-prima, rendimentos e perdas industriais), dados econômicos e dados
administrativos.




                                                                                                    49
3.2.2.2.1 Indicadores gerais das unidades industriais
         O primeiro resultado considerado relevante remete às proporções entre o processamento de
cana própria e cana de fornecedores, para as unidades das três grandes regiões produtoras (Tabela 29).
Nesse sentido, observa-se que as usinas do Centro-Sul Tradicional foram aquelas que mais utilizaram
cana própria em suas moagens, haja vista a proporção média de 73% aferida na safra 2010/11. De
forma contrária, o Centro-Sul Expansão englobou as unidades que mais moeram cana de fornecedores,
dada a participação de apenas 60% da cana própria em tal região.
         De forma a definir os modelos regionais de custos, a Tabela 30 explicita os parâmetros
utilizados sobre a capacidade de processamento de cana-de-açúcar, com base em atualizações julgadas
necessárias para a obtenção de estimativas realísticas. Os montantes de processamento na safra (em
toneladas) foram mantidos constantes, pois as mudanças do último relatório de acompanhamento já
haviam incorporado a elevação média de produção das usinas do Brasil. Dentre as mudanças, pode-se
destacar a redução no número de dias de safra das usinas típicas das regiões do Centro-Sul. Em geral,
as unidades da região Tradicional adiaram o início efetivo da safra em torno de 10 dias, devido aos
elevados índices pluviométricos registrados no primeiro trimestre de 2010, enquanto que as usinas da
região de Expansão anteciparam a safra em cerca de 10 dias, em termos médios. A usina típica da
região Nordeste, por outro lado, teve elevação no número de dias de safra, pois o término da safra
2010/11 ocorreu em média 20 dias após aquele computado em 2009/10.


Tabela 29. Mínimo, máximo e média para a participação da cana própria nas moagens das usinas das
              regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste, para a safra 2010/11.
Região                                   Mínimo                  Máximo                  Média
Expansão                                   0%                      100%                  60%
Tradicional                                0%                      99%                   73%
Nordeste                                  38%                      72%                   63%




50
Tabela 30. Parâmetros de processamento de cana-de-açúcar utilizados nos modelos regionais de
                  custos, para a safra 2010/11.
                         Descrição                  Expansão         Tradicional        Nordeste
Processamento na safra (t)                          2.400.000         2.400.000         1.200.000
Início de safra                                     04/04/2010        28/03/2010        02/09/2010
Fim de safra                                        24/11/2010        30/11/2010        09/03/2011
Dias de safra                                          236               248               189
Horas de moagem                                       4785              4842              3681
Horas paradas por falta de cana/chuva                  440               714               410
Horas paradas por problemas industriais                427               393               448
Eficiência de aproveitamento de tempo (%)            84,65%            81,39%            81,10%


         Em termos da eficiência de aproveitamento de tempo (em %), as atualizações foram efetuadas
no sentido de elevar os índices das regiões Centro-Sul e de reduzir o parâmetro do Nordeste. Em suma,
houve aumentos nos coeficientes de horas de moagem das regiões Tradicional e de Expansão, na
ordem de 7,15% e 2,66%, respectivamente. Ademais, as ociosidades das usinas da região Tradicional
na safra 2010/11 foram causadas especialmente por falta de matéria-prima ou chuva (714 horas
paradas), ao passo que esta região foi a que menos sofreu com problemas industriais (393 horas
paradas). Nas demais regiões, ambos os motivos acarretaram quantidades de horas ociosas
relativamente próximas. A propósito, a Figura 20 mostra a distribuição de horas de processamento das
unidades industriais, bem como a eficiência de aproveitamento do tempo, enquanto a Figura 21
explicita a distribuição de horas paradas, segmentando-as entre problemas industriais e de falta de
chuva e/ou cana.




                                                                                                     51
12.000                                                                                                          100%
                                                                                                                             90%
             10.000                                                                                                          80%
                 8.000                                                                                                       70%
                                                                                                                             60%
                 6.000                                                                                                       50%
         Horas




                                                                                                                             40%
                 4.000                                                                                                       30%
                 2.000                                                                                                       20%
                                                                                                                             10%
                    0                                                                                                        0%
                          9 25 27 30 32 40 49 52 57 62 1 3 5 8 15 17 20 23 42 46 53 58 64 66 68 76 79 11 14 33 35 41 48 77

                             Centro-Sul Expansão                   Centro-Sul Tradicional                  Nordeste

                           Horas de moagem           Horas de fábrica parada        Eficiência de aproveitamento do tempo (%)

Figura 20. Distribuição de horas de processamento e eficiência do tempo (%).


             3.000

             2.500

             2.000
 Horas (h)




             1.500

             1.000

                 500

                   0
                         9 25 27 30 32 40 49 52 57 62 1 3 5 8 15 17 20 23 42 46 54 61 65 67 75 78 10 13 21 34 36 45 59

                             Centro-Sul Expansão                   Centro-Sul Tradicional                   Nordeste

                           Horas paradas por falta de cana/chuva        Horas paradas por problemas industriais

Figura 21. Distribuição das horas paradas.


                 Após a definição dos parâmetros de processamento, a Tabela 31 e a Tabela 32 evidenciam os
valores de mix de produção e mix de produtos utilizados nos modelos regionais de custos. No tocante à
produção, constata-se que o mix típico das usinas da região Tradicional sofreu poucas alterações na

52
safra 2010/11 face à safra anterior, dada a ascensão da participação do açúcar de 48,00% para 49,45%.
No entanto, as modificações de maior magnitude foram percebidas no mix das regiões Centro-Sul
Expansão e Nordeste, especialmente para etanol. Na primeira, a participação da produção de etanol
passou de 55,0% para 63,69%, enquanto que a outra região apresentou o aumento de 27,0% para
35,02%. A Figura 22 logo abaixo reforça os resultados relacionados ao mix de produção entre açúcar e
etanol.


Tabela 31. Mix de produção utilizados nos modelos de custos regionais.
Região                                                                   Açúcar                                 Etanol
Expansão                                                                 36,31%                                 63,69%
Tradicional                                                              49,45%                                 50,55%
Nordeste                                                                 64,98%                                 35,02%


                        100%
                         90%
                         80%
  Mix de produção (%)




                         70%
                         60%
                         50%
                         40%
                         30%
                         20%
                         10%
                          0%
                               9 24 26 29 31 37 44 52 57 62 1 3 5 7 12 16 18 22 28 43 47 54 61 65 67 75 78 10 13 21 34 36 45 59

                                   Centro-Sul Expansão                   Centro-Sul Tradicional                  Nordeste


                                                               Açúcar (%)     Etanol (%)
Figura 22. Mix de produção entre açúcar e etanol (em %).


                        Quanto ao mix de produtos, foram perceptíveis as mudanças relevantes nos percentuais
produzidos dos tipos de açúcar. Apesar de na safra 2010/11 em ambas as regiões do Centro-Sul a
produção de açúcar VHP ainda superar a de açúcar branco, a composição da produção de açúcar da


                                                                                                                                  53
região Tradicional reduziu a importância do VHP em comparação com a safra 2009/10, em termos
relativos, haja vista o decréscimo de 75,00% para 57,51% verificado nos levantamentos. A região
Nordeste, por outro lado, tipicamente produtora de açúcar, manteve a maior proporção para o açúcar
branco, a despeito da diminuição de 63,50% para 51,01% sofrida por tal produto com base nas duas
últimas safras.
         Em relação aos tipos de etanol, a produção do hidratado superou a do anidro em todas as
regiões de produção. Contudo, as proporções de cada tipo tiveram variações distintas quando da
comparação entre Centro-Sul e Nordeste. Para a região Tradicional, a produção relativa de hidratado
considerada foi de 61,17%, ou seja, inferior àquela verificada na safra 2009/10 (65,0%), ao passo que a
proporção nordestina ascendeu de 49,10% para 54,18%. No Centro-Sul Expansão, praticamente não
houve mudanças no mix de etanol, com o hidratado respondendo por 70% da produção.


Tabela 32. Mix de produtos utilizados nos modelos de custos regionais.
                                     Açúcar (t)                                Etanol (m³)
Região
                       VHP            Branco          Outros        Anidro      Hidratado      Outros
Expansão              54,81%          42,61%           2,58%        29,88%       70,07%        0,05%
Tradicional           57,51%          35,61%           6,88%        38,66%       61,17%        0,17%
Nordeste              35,35%          51,01%          13,64%        45,82%       54,18%        0,00%


         Por fim, a Tabela 33 mostra a produção final adotada nos modelos de custos regionais,
enquanto a Tabela 34 expõe as produções de açúcar e etanol por tonelada de cana, ou seja, de forma
relativizada.


Tabela 33. Produção final dos produtos considerados nos modelos de custos regionais.
                                       Açúcar (t)                              Etanol (m³)
Região
                          VHP           Branco         Outros       Anidro      Hidratado      Outros
Expansão                  65.207        50.494          3.058       37.887        95.377         71
Tradicional               93.107        57.415         11.086       39.002        66.222        185
Nordeste                  34.576        49.685         13.285       14.560        18.481         -




54
Tabela 34. Produção relativa final dos produtos considerados nos modelos de custos regionais.
                                    Açúcar (kg/t de cana)                      Etanol (l/t de cana)
Região
                           VHP            Branco             Outros   Anidro       Hidratado          Outros
Expansão                   136,54         136,00             136,00   82,96           89,04           89,04
Tradicional                136,41         135,86             135,86   83,14           89,24           89,24
Nordeste                   125,43         124,92             124,92   75,62           81,16             -



         Ao longo dos levantamentos vem sendo observada a tendência de crescimento da produção e
comercialização de eletricidade, demonstrando o aumento de importância da bioeletricidade como uma
fonte de receita ao setor sucroenergético e, consequentemente, a necessidade de boas metodologias de
definição de seus custos de produção. Com isso, a mensuração dos custos de produção de
bioeletricidade é a principal meta de evolução metodológica para os próximos levantamentos do
PECEGE/CNA.
         A Tabela 35 logo abaixo apresenta as produções e as taxas de comercializações relativas de
eletricidade para a amostra analisada, em kWh por tonelada, enquanto que a Tabela 36 evidencia as
produções, vendas e compras de eletricidade, em MWh, nas três grandes regiões estudadas. Nesse
sentido, deve-se ressaltar a diferença na produção relativa de energia elétrica entre as regiões
Tradicional e de Expansão, a despeito das capacidades de moagem de ambas terem sido consideradas
iguais no modelo de custos agrícolas. Isso ocorre devido às distintas configurações tecnológicas
industriais das regiões. Outro ponto relevante remete ao fato de que, ao longo da safra 2010/11, metade
da amostra de usinas da primeira região comercializou eletricidade, enquanto que na região Centro-Sul
Expansão 64% o fizeram.


Tabela 35. Produção e comercialização de eletricidade consideradas nos modelos de custos regionais,
              em kWh por tonelada de cana processada.
Região                                         Produção (kWh/t)                    Venda (kWh/t)
Expansão                                             53,75                              23,70
Tradicional                                          34,15                              15,75
Nordeste                                             29,83                               4,15




                                                                                                              55
Tabela 36. Produção e comercialização de eletricidade consideradas nos modelos de custos regionais,
              em MWh.
Região                         Produção (MWh)             Venda (MWh)             Compra (MWh)
Expansão                          128.994.101               56.883.840                  931
Tradicional                       81.953.501                37.805.232                 1.429
Nordeste                          71.600.537                9.950.838                   686


         3.2.2.2.2 Qualidade da matéria-prima
         Os dados referentes à qualidade da matéria-prima são importantes fatores que repercutem
diretamente na qualidade e quantidade dos produtos derivados da cana, sendo que os principais
parâmetros analisados para especificar essa qualidade são a Pol% da cana (percentual de sacarose na
composição da cana), o teor de fibra e a pureza do caldo. Além de impactarem na qualidade dos
produtos, esses fatores também são utilizados como base para cálculo da quantidade de ART
(Açúcares Redutores Totais) da cana-de-açúcar processada pelas indústrias. Assim, a Figura 23, a
Figura 24 e a Figura 25 referem-se respectivamente a Pol, fibra da cana e pureza do caldo das unidades
participantes da pesquisa. Logo abaixo, na Tabela 37, Tabela 38, Tabela 39 e Tabela 40 são
apresentados os mesmos parâmetros utilizados nos modelos regionais. Como se pode observar, a
região de Expansão teve em relação à safra passada um aumento na Pol de 6%, a região Tradicional de
4,1% e a região Nordeste de 2,57%. A fibra da cana, por sua vez, aumentou 1,57% na região Expansão
e 15,26% na região Nordeste, e declinou 11,74% no Centro-Sul Tradicional. Por fim, a pureza do
caldo teve variação mínima nas três regiões analisadas, apresentando aumentos de 1,19% e 1,48% para
as regiões Expansão e Tradicional, e leve queda de 0,72% para o Nordeste.




56
Porcentagem de usinas   25%

                          20%

                          15%

                          10%

                          5%

                          0%




                                                                            > 16
                                   > 16




                                                  14-15




                                                                                                         13-14
                                          12-13




                                                          13-14


                                                                    15-16




                                                                                     12-13


                                                                                             14-15




                                                                                                                 15-16


                                                                                                                         12-13


                                                                                                                                   14-15


                                                                                                                                            13-14
                                          Centro-Sul Expansão                      Centro-Sul Tradicional                        Nordeste
                                                                                   Pol (%)


Figura 23. Distribuição da Pol% da cana (PC da cana - percentual de sacarose na composição da cana)
                                para as regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste.


Tabela 37. Mínimos, máximos e médias do teor de Pol% (PC) da cana-de-açúcar para usinas das
                                regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste, em %.
Região                                                            Mínimo                       Máximo                            Média
Expansão                                                          13,11                              14,84                       14,04
Tradicional                                                       13,10                              14,80                       14,13
Nordeste                                                          12,59                              14,07                       13,23




                                                                                                                                                57
25%

                         20%

                         15%
 Porcentagem de usinas




                         10%

                         5%

                         0%




                                                                                                                    > 16
                                                                        > 16




                                                                                                                              14-15


                                                                                                                                       15-16
                                  13-14


                                             14-15


                                                      12-13


                                                                15-16




                                                                                 13-14


                                                                                          14-15


                                                                                                    12-13


                                                                                                            15-16
                                          Centro-Sul Expansão                    Centro-Sul Tradicional                     Nordeste
                                                                                   Fibra (%)


Figura 24. Distribuição das usinas em relação ao teor de fibra da cana-de-açúcar (em %).


Tabela 38. Mínimos, máximos e médias do teor de fibra (%) da cana-de-açúcar para usinas das regiões
                               Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste.
Região                                                                  Mínimo                    Máximo                   Média
Expansão                                                                12,42%                    14,45%                   13,38%
Tradicional                                                             12,47%                    14,44%                   13,20%
Nordeste                                                                14,04%                    15,94%                   15,27%




58
Porcentagem de usinas   20%

                          15%

                          10%

                          5%

                          0%
                                  84-86


                                          82-84


                                                  86-88


                                                           78-80


                                                                   80-82


                                                                             84-86


                                                                                       82-84


                                                                                               86-88


                                                                                                        78-80


                                                                                                                80-82


                                                                                                                        84-86


                                                                                                                                82-84


                                                                                                                                           86-88
                                      Centro-Sul Expansão                   Centro-Sul Tradicional                       Nordeste
                                                                             Pureza do caldo (%)


Figura 25. Pureza do caldo da cana (relação percentual entre Pol % e Brix).


Tabela 39. Mínimos, máximos e médias para a pureza do caldo (relação percentual entre Pol % e Brix)
                                da cana-de-açúcar, para usinas das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e
                                Nordeste.
Região                                                             Mínimo                              Máximo                      Média
Expansão                                                           82,53%                              86,71%                     84,63%
Tradicional                                                        80,20%                              86,98%                     85,11%
Nordeste                                                           82,51%                              86,79%                     83,52%



Tabela 40. Parâmetros de qualidade de matéria prima utilizados no modelo.
Região                                            Pol (%)                  Fibra (%)                   Pureza (%)                 ART (kg/t)
Expansão                                          14,04%                    13,38%                      84,63%                          153,89
Tradicional                                       14,13%                    13,20%                      85,11%                          154,68
Nordeste                                          13,23%                    15,27%                      83,52%                          146,85




                                                                                                                                                   59
3.2.2.2.3 Rendimentos e perdas industriais
          As perdas industriais são classificadas pelo critério LBTI (lavagem, bagaço, torta e
indeterminada). A Figura 26 exibe os dados mediante o critério apresentado, em que se pode constatar
a incidência de cada classe e fazer a comparação entre as usinas das regiões pesquisadas. A Figura 27
apresenta os dados referentes aos rendimentos no processo de fermentação e destilação, enquanto que
a Tabela 41 mostra as perdas e as eficiências industriais apresentadas nos modelos regionais. Em
suma, foram verificadas diminuições e 18,70%, 6,90% e 11,61% nas regiões Centro-Sul Expansão,
Centro-Sul Tradicional e Nordeste, respectivamente. Os rendimentos na fermentação tiveram leves
altas de 1,29% na região de Expansão, 1,93% na Tradicional e 1,44% no Nordeste, enquanto que a
destilação praticamente não se alterou com relação à safra passada.
          As perdas e rendimentos são analisados em conjunto com outras informações, tais como
moagem, qualidade de matéria prima, mix de produção e de produtos, sendo os dados validados
através de análise do balanço de ART, seguindo a metodologia proposta por Marques (2009).

                                  6,50%
                                  6,00%
      Perda na extração (% ART)




                                  5,50%
                                  5,00%
                                  4,50%
                                  4,00%
                                  3,50%
                                  3,00%
                                  2,50%
                                          0,00   0,50       1,00         1,50          2,00        2,50      3,00    3,50   4,00
                                                                           Moagem (milhões de t)
                                                   Centro-Sul Expansão          Centro-Sul Tradicional    Nordeste

Figura 26. Distribuição de perdas na extração (% ART) em função de faixas de moagem (milhões de t)
                                  para usinas das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste.




60
70%
  60%
  50%
  40%
  30%
  20%
  10%
   0%




                                               Perda na extração (%)

                         Centro-Sul Expansão      Centro-Sul Tradicional      Nordeste

Figura 27. Histograma de freqüência de perdas na extração (%) para usinas das regiões Centro-Sul
              Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste.


Tabela 41. Mínimos, máximos e médias para perdas na extração (% ART) para usinas das regiões
              Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste.
Região                                   Mínimo                        Máximo            Média
Expansão                                  3,00%                            4,73%         3,87%
Tradicional                               3,11%                            5,48%         4,54%
Nordeste                                  5,00%                            6,30%         6,07%




                                                                                                 61
14%
                             12%
     Porcentagem de usinas




                             10%
                             8%
                             6%
                             4%
                             2%
                             0%
                                   0 - 25      50 - 75   75 - 100         0 - 25      25 - 50             50 - 75        75 - 100        50 - 75      75 - 100

                                      Centro-Sul Expansão                           Centro-Sul Tradicional                                    Nordeste

                                                                               Lavagem da cana (%)

Figura 28. Porcentagem de lavagem de cana-de-açúcar (%).



                             25%
     Porcentagem de usinas




                             20%

                             15%

                             10%

                             5%

                             0%



                                                                                                                                                         90 - 95
                                               85 - 90



                                                         90 - 95




                                                                                                85 - 90



                                                                                                               90 - 95




                                                                                                                                            85 - 90
                                   < 85




                                                                    95 - 100



                                                                                   < 85




                                                                                                                              95 - 100




                                            Centro-Sul Expansão                           Centro-Sul Tradicional                                Nordeste

                                                                                 Fermentação (%)

Figura 29. Rendimento de fermentação (%).




62
Tabela 42. Mínimos, máximos e médias do rendimento de fermentação (%) para usinas das regiões
                                Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste.
Região                                                                   Mínimo                                        Máximo                            Média
Expansão                                                                 87,00%                                        91,62%                            89,81%
Tradicional                                                              88,20%                                        91,60%                            90,13%
Nordeste                                                                 86,00%                                        91,67%                            89,43%




                          25%
  Porcentagem de usinas




                          20%
                          15%
                          10%
                          5%
                          0%
                                              99 - 99,5




                                                                                              99 - 99,5




                                                                                                                                             99 - 99,5
                                                          99,5 - 100


                                                                       < 98




                                                                                                          99,5 - 100


                                                                                                                          < 98




                                                                                                                                                             99,5 - 100
                                  98,5 - 99




                                                                                  98,5 - 99




                                                                                                                                 98,5 - 99
                                   Centro-Sul Expansão                        Centro-Sul Tradicional                                 Nordeste
                                                                              Rendimento de destilação (%)


Figura 30. Rendimento de destilação (%).


Tabela 43. Mínimos, máximos e médias do rendimento de destilação (%) para usinas das regiões
                                Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste.
Região                                                                   Mínimo                                        Máximo                            Média
Expansão                                                                 98,96%                                        99,76%                            99,55%
Tradicional                                                              99,00%                                        99,85%                            99,51%
Nordeste                                                                 98,90%                                        99,71%                            99,20%




                                                                                                                                                                          63
Tabela 44. Perdas e eficiências industriais utilizadas nos modelos regionais de custo (em %).
Descrição                                          Expansão           Tradicional          Nordeste
PERDAS                                               7,26                 7,82                  10,73
           Lavagem                                   0,39                 0,50                  1,00
           Bagaço                                    3,87                 4,54                  6,07
           Torta                                     0,50                 0,42                  0,57
           Indeterminadas                            2,51                 2,37                  3,08
EFICIÊNCIAS
           Fermentação                               89,81                90,13                 89,43
           Destilação                                99,55                99,51                 99,20
PUREZA DO MEL FINAL                                  57,59                59,45                 43,86
LAVAGEM DE CANA                                      2,81                 38,74                 87,10



Tabela 45. Mínimos, máximos e médias de perdas na lavagem (% ART) para usinas das regiões
               Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste.
Região                                   Mínimo                  Máximo                 Média
Expansão                                  0,07                     1,00                  0,39
Tradicional                               0,02                     1,77                  0,50
Nordeste                                  1,00                     1,00                  1,00



Tabela 46. Mínimos, máximos e médias de perdas na torta (% ART) para usinas das regiões Centro-
              Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste.
Região                                   Mínimo                  Máximo                 Média
Expansão                                  0,31                     0,64                  0,50
Tradicional                               0,28                     0,63                  0,42
Nordeste                                  0,24                     0,70                  0,57




64
Tabela 47. Mínimos, máximos e médias de perdas indeterminadas (% ART) para usinas das regiões
              Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste.
Região                                   Mínimo                 Máximo                 Média
Expansão                                  1,39                    3,86                  2,51
Tradicional                               1,05                    4,83                  2,37
Nordeste                                  2,00                    4,87                  3,08



Tabela 48. Mínimos, máximos e médias da pureza do mel final (%) para usinas das regiões Centro-Sul
              Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste.
Região                                   Mínimo                 Máximo                 Média
Expansão                                 52,92%                  67,25%                57,59%
Tradicional                              50,29%                  68,06%                59,45%
Nordeste                                 42,00%                  49,50%                43,86%



         3.2.2.2.4 Subprodutos industriais
         Com o objetivo de integrar, em levantamentos futuros, os dados de custos de aplicação dos
subprodutos industriais com a parte agrícola (vinhaça e torta) e a captação do seu valor (bagaço, óleo
fúsel, mel e leveduras), da Figura 31 à Figura 36 são apresentadas as produções relativas aos
subprodutos da produção de açúcar e etanol, e na Figura 37 os preços do bagaço (em R$/t).




                                                                                                    65
Figura 31. Produção relativa de vinhaça (1/1 de etanol).




Figura 32. Produção relativa de bagaço (kg/t cana).




66
Porcentagem de usinas   20%

                          15%

                          10%

                          5%

                          0%




                                                                                      > 50
                                    0 - 10




                                                                                                                                         > 50

                                                                                                                                                0 - 10




                                                                                                                                                                                                  > 50
                                                                                                                                                                              30 - 40
                                              10 - 20

                                                        20 - 30

                                                                  30 - 40

                                                                            40 - 50



                                                                                             10 - 20

                                                                                                           20 - 30

                                                                                                                     30 - 40

                                                                                                                               40 - 50




                                                                                                                                                         10 - 20

                                                                                                                                                                   20 - 30



                                                                                                                                                                                        40 - 50
                                              Centro-Sul Expansão                                Centro-Sul Tradicional                                            Nordeste
                                                                                                       Torta/Moagem (kg)


Figura 33. Produção relativa de torta de filtro (kg/t cana).



                                4
                           3,5
                                3
  l/m³ de etanol




                           2,5
                                2
                           1,5
                                1
                           0,5
                                0
                                       9      26 27 52 56 57                          5      7         8        12 22 23 28 46 53 54 58 10 36

                                             Centro-Sul Expansão                                               Centro-Sul Tradicional                                        Nordeste

Figura 34. Produção relativa de óleo fúsel (l/m³ de etanol).




                                                                                                                                                                                                         67
20
                       18
                       16
                       14
     Kg/m³ de etanol




                       12
                       10
                        8
                        6
                        4
                        2
                        0
                                19         32       15      22       43        47       53       54     58        76    78

                                Centro-Sul                                     Centro-Sul Tradicional
                                Expansão

Figura 35. Produção relativa de levedura (kg/m³ de etanol).



                       1000
                       900
                       800
                       700
     Kg/t de açúcar




                       600
                       500
                       400
                       300
                       200
                       100
                            0
                                     29           30            31        61          64           11        34        35

                                          Centro-Sul Expansão        Centro-Sul Tradicional              Nordeste


Figura 36. Produção relativa de mel (kg/t açúcar).




68
70

         60

         50

         40
  R$/t




         30

         20

         10

         0
              25 31 40 49 50 52 56 57    3   8   22 53 54 68 76 78 79 13 21 33 34 59 77

                  Centro-Sul Expansão            Centro-Sul Tradicional         Nordeste

Figura 37. Preço do bagaço (R$/t).


3.3 Preços de insumos


         3.3.1 Agrícolas


         Esta subseção apresenta as informações amostradas na safra 2010/2011 sobre preços de
insumos agrícolas coletados diretamente com os fornecedores e usinas de cana-de-açúcar, para as
regiões Centro-Sul Expansão, Centro-Sul Tradicional e Nordeste. Desta forma, as tabelas a seguir
(Tabela 49, Tabela 50 e Tabela 51) expõem, para cada região analisada, os preços e as quantidades
mínimas, máximas e médias dos principais insumos utilizados ao longo do sistema produtivo da cana-
de-açúcar.
         Conforme os procedimentos metodológicos pré-estabelecidos por Marques (2009) e Xavier et
al. (2009), foram considerados os insumos mais citados durante a coleta primária de dados, ou seja,
foram alocados para os cálculos dos custos de produção aqueles insumos que mais vezes apareceram
nos painéis realizados e nos questionários aplicados junto às usinas. Com posse dos dados originais,
foram estabelecidos os valores médios, mínimos, máximos e os desvios-padrão, com posterior


                                                                                                  69
exclusão dos valores que se encontravam fora do intervalo delimitado pelo “valor médio
acrescido/diminuído de um desvio-padrão”, conforme procedimento estatístico.
       Ao comparar os preços dos principais insumos agrícolas entre as regiões analisadas, nota-se
que os preços de fertilizantes para operações de plantio e tratos culturais de cana soca são maiores para
fornecedores e usinas da região Tradicional. No caso do grupo “Corretivos”, o preço médio da
tonelada de calcário foi superior na região Nordeste, enquanto que a tonelada de gesso foi mais cara
para fornecedores e usinas da região de Expansão. No que tange aos herbicidas, o litro do 2,4 D, o
quilograma do Velpar K e o litro do Glifosato foram mais caros na região Tradicional. Os preços do
principal inseticida coletado (Regent 800 WG), bem como da Cotésia, também foram superiores na
região Nordeste, custando, em média, R$ 693,33/Kg e R$ 6,25/copo, respectivamente, no ano-safra
2010/11. Em resumo, os preços de fertilizantes foram maiores na região Centro-Sul do país, enquanto
que, de forma geral, a região Nordeste apresentou preços superiores de herbicidas e corretivos, em
comparação com as outras regiões supracitadas, no período analisado.




70
Tabela 49. Preços e quantidades de insumos agrícolas da região Centro-Sul Expansão, safra 2010/11 –
                 Fornecedor e Usina
                                                  Preços (R$/un)                  Quantidades (un/ha)
                    Insumo                                         Média                           Média
                                       Mínimo        Máximo                   Mínimo   Máximo
                                                                   Válida                          Válida
Fertilizantes - Plantio (t)            1.080,00      1.400,00      1.141,50    0,40      0,65       0,59
Fertilizantes - Tratos Cana Soca (t)    850,00       2.050,00       925,00     0,25      0,63       0,50
2,4 D (l)                                7,00         10,00          7,81      0,50      1,50       0,94
Calcário (t)                             64,63        64,63          65,33     1,00      3,50       2,10
Furadan SC (l)                           21,00        22,50          22,25     1,00      6,00       6,00
Combine (l)                              23,80       25,54          25,00      1,50      3,20       2,00
Cotésia (copo)                           1,70         3,30          3,00       4,00      4,00       4,00
Gesso (t)                                22,90       90,00          71,00      1,00      2,00       1,00
Glifosato (l)                            5,00        12,00          6,76       0,50      5,50       3,70
MSMA (l)                                 8,90        12,25          12,25      1,00      1,20       1,00
Provence (Kg)                           390,00       390,00        390,00      0,10      0,12       0,12
Regent 800 WG (Kg)                      565,00       750,00        611,00      0,00      0,25       0,23
Velpar K (Kg)                            19,10       32,00          19,47      1,50      2,20       1,51

Tabela 50. Preços e quantidades de insumos agrícolas da região Centro-Sul Tradicional, safra 2010/11
              – Fornecedor e Usina
                                                  Preços (R$/un)                  Quantidades (un/ha)
                    Insumo                                         Média                           Média
                                       Mínimo        Máximo                   Mínimo    Máximo
                                                                   Válida                          Válida
Fertilizantes - Plantio (t)            800,00        1.800,00      1.159,24    0,21       0,54      0,44
Fertilizantes - Tratos Cana Soca (t)   820,00        1.150,00       963,00     0,40       0,50      0,41
2,4 D (l)                               8,50          10,00          9,25      1,50       2,00      1,75
Ametrina (l)                            7,57          12,50          8,37      1,26       6,50      3,50
Calcário (t)                            42,00         100,00        66,20      1,00       2,50      1,95
Combine (l)                             22,79          48,00        26,41      0,80       2,20      1,55
Cotésia (copo)                           1,30          3,00          2,72      3,75      10,00      5,55
Diuron (l)                               8,50          9,00          8,55      3,00       3,50      3,50
Gesso (t)                               45,00          80,00        65,50      0,50       1,00      1,00
Glifosato (l)                            3,25          11,50         8,10      2,00       6,00      5,49
Regent 800 WG (Kg)                     532,03         850,00        605,63     0,01       0,25      0,08
Velpar K (Kg)                          13,35           33,00        22,06      0,65       2,50      1,77
Volcane (l)                             8,64           9,30          8,77      1,24       2,00      1,37


                                                                                                            71
Tabela 51. Preços e quantidades de insumos agrícolas da região Nordeste, safra 2010/11 – Fornecedor
              e Usina
                                                 Preços (R$/un)                Quantidades (un/ha)
                   Insumo                                         Média                         Média
                                       Mínimo       Máximo                 Mínimo   Máximo
                                                                  Válida                        Válida
Fert. Cana Planta (t)                   790,00      1.755,00      915,00    0,40      0,60       0,50
Fert. Cana Soca (t)                     600,00       800,00       700,00    0,50      0,50       0,50
2,4 D (l)                                8,50         11,50        8,50     1,00      1,50       1,00
Calcário (t)                            80,00         95,00       82,50     2,00      2,50       2,50
Combine (l)                             27,00         32,00       29,50     1,00      2,00       1,50
Cotésia (copo)                           3,50        6,50          6,25     2,00      4,00       2,00
Diuron (l)                              10,00        14,00        12,00     2,00      2,50       2,00
Glifosato (l)                            6,00        8,00          6,00     4,00      5,00       5,00
Gramoxone (l)                           12,59        19,00        19,00     1,00      1,00       1,00
Goal (l)                                25,39        36,00        35,00     2,00      2,00       2,00
Regent 800 WG (Kg)                      650,00      700,00        693,33    0,01      0,25       0,25



         A seguir, são analisadas as evoluções dos preços médios dos principais insumos agrícolas
levantados desde a safra 2007/08 (Tabela 52, Tabela 53 e Tabela 54). Para a região Tradicional, os
fertilizantes (cana planta e soca), corretivos (calcário e gesso), inseticidas (Regent 800 WG) e a
Cotésia apresentaram, ao longo das safras analisadas, uma taxa de crescimento anual positiva. Já os
nematicidas e a maior parte dos herbicidas amostrados (com exceção do MSMA) tiveram queda em
seus respectivos preços.

         No que se refere à região de Expansão, somente o Furadan, o Combine e o Velpar K tiveram
taxas de crescimento anuais negativas. Todos os outros insumos agrícolas listados apresentaram
aumentos em seus respectivos preços. O mesmo fato ocorreu na região Nordeste, onde somente os
preços dos fertilizantes (cana planta e soca) e do Roundup tiveram reduções em seus respectivos
preços, durante o período supramencionado. Desta forma, observa-se uma predominância de taxas de
crescimento positivas nos preços dos insumos agrícolas para as regiões de Expansão e Nordeste.




72
Tabela 52. Evolução dos preços médios (R$) e taxas de crescimento dos principais insumos agrícolas
                levantados na região Centro-Sul Tradicional (safras 2007/08 a 2010/11) – Fornecedores e
                Usinas.
                                                                        Safra                    Taxa de crescimento
Categoria                           Insumo
                                                     2007/08   2008/09     2009/10    2010/11           (a.a.)
                             Fert. Cana Planta (t)   792,50    1.267,27    1.103,33   1.159,24         10,54%
Fertilizantes
                             Fert. Cana Soca (t)     740,00    1.061,95    1.007,47    963,00          7,66%
                             Calcário (t)            50,30      59,99       65,42      66,20           9,54%
Corretivo
                             Gesso (t)                52,45     53,57       63,37      65,50           8,71%
Nematicidas                  Furadan SC (l)           23,25     20,75       21,75      22,00           -1,18%
                             Combine (l)              33,00     30,15       27,61      26,41           -7,28%
                             Diuron (l)                n.d      29,60       17,80       8,55          -46,69%
                             Gamit (l)               41,20      37,40       40,85      34,00           -4,76%
                             Hexaron (kg)             n.d       31,40       23,57       n.d           -24,93%
Herbicidas                   MSMA (l)                 n.d       10,00       11,19      12,37           11,22%
                             Plateau (kg)            338,00     417,14      361,59     350,00          -0,38%
                             Roundup (l)             10,00      10,91        7,20       n.d           -15,15%
                             Velpar K (kg)           29,35      31,34       28,80      22,06           -8,98%
                             Volcane (l)             11,50      11,00       10,70       8,77           -8,07%
Inseticida                   Regent 800 WG (kg)      600,20     675,17      690,89     605,63          0,50%
Outros Insumos               Cotesia Flavipes (cp)    2,60       2,50        2,80       2,72           2,52%
Notas: n.d corresponde a valores não disponíveis.




                                                                                                                  73
Tabela 53. Evolução dos preços médios e taxas de crescimento dos principais insumos agrícolas
                levantados na região Centro-Sul Expansão (safra 2007/08 a 2010/11) – Fornecedores e
                Usinas.
                                                                          Safra                        Taxa de crescimento
Categoria                            Insumo
                                                      2007/08    2008/09     2009/10        2010/11           (a.a.)
                             Fert. Cana Planta (t)    1.015,00   929,50      1.251,67       1.141,50         6,72%
Fertilizantes
                             Fert. Cana Soca (t)       818,50    824,00      1.092,00        925,00          6,71%
                             Calcário (t)              57,45     57,50        65,00          65,33           5,21%
Corretivo
                             Gesso (t)                 66,90     52,00        68,30          71,00           4,61%
Nematicidas                  Furadan SC (l)             23,40     22,00       25,50           22,25          -0,04%
                             Combine (l)                32,00     34,00       32,76           25,00          -7,49%
                             Diuron (l)                 11,60     18,80       11,82            n.d            0,94%
Herbicidas                   MSMA (l)                   10,10      7,56       11,61           12,25          10,61%
                             Roundup (l)                10,00     12,00       10,63            n.d            3,10%
                             Velpar K (kg)             30,00     25,40        28,01          19,47          -11,30%
Inseticida                   Regent 800 WG (kg)        597,50    541,00       695,31         611,00          3,22%
Outros Insumos               Maturador (l)              70,00     70,00       96,00           72,00          4,08%
Notas: n.d corresponde a valores não disponíveis.


Tabela 54. Evolução dos preços médios e taxas de crescimento dos principais insumos agrícolas
                levantados na região Nordeste (safra 2007/08 a 2010/11) – Fornecedores e Usinas.
                                                                           Safra                               Taxa de
     Categoria                   Insumo                                                                      crescimento
                                                     2007/08     2008/09          2009/10       2010/11         (a.a.)
                       Fert. Cana Planta (t)          1.290,00    1.143,01         1.200,00       915,00       -9,35%
Fertilizantes
                       Fert. Cana Soca (t)             781,75      851,50           649,66        700,00       -6,01%
Corretivo              Calcário (t)                     75,00       72,50            80,00        82,50         3,91%
                       Advance (kg)                     30,00       42,00             n.d          n.d         40,00%
                      Combine (l)                        n.d        29,00            29,60        29,50         0,85%
Herbicidas            Goal (l)                          34,25       34,00            32,71        35,00         0,26%
                      Plateau (kg)                     455,40      455,50             n.d          n.d          0,02%
                      Roundup (l)                       14,00       10,50            11,32         n.d         -10,08%
Inseticida            Regent 800 WG (kg)               650,50      632,50           673,05        693,33        2,56%
Notas: n.d corresponde a valores não disponíveis.




74
3.3.2 Industriais


        Esta subseção dedica-se à análise do consumo específico e dos preços médios dos principais
insumos industriais coletados nas usinas durante a safra 2010/11. Tais valores são correspondentes à
média agregada das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste, e podem ser
visualizados na Tabela 55. Novamente, como procedimento estatístico padrão, foram considerados os
insumos mais citados durante a coleta primária de dados, com exclusão dos valores considerados
outliers.
        Ao analisar a evolução dos preços médios dos principais insumos industriais coletados entre as
usinas participantes do levantamento de custos de produção da safra 2010/11 (Tabela 56) observam-se
aumentos no preço médio do lubrificante para recepção e preparo da cana-de-açúcar (0,42% a.a.),do
lubrificante de massa para a fábrica de açúcar (8,17% a.a), do sulfito, fosfato e neutralizante de vapor
para o processo de geração de valor, na ordem de 13,35% a.a, 9,01% a.a e 5,35% a.a, respectivamente.
Em relação ao processo de extração, pode-se observar que apenas os eletrodos para chapisco e picote
apresentaram reduções em seus respectivos preços médios, ao longo do período analisado (0,41% a.a e
18,49% a.a.).
        No caso dos principais insumos utilizados para o tratamento de caldo, nota-se uma
predominância de reduções anuais nos preços, durante o período supracitado. Porém, o mesmo não
ocorre para os insumos industriais coletados para o processo de fermentação e geração de vapor, cujos
preços médios, majoritariamente, tiveram aumentos.




                                                                                                     75
Tabela 55. Preços e consumos médios dos principais insumos industriais coletados no Brasil, para a
              safra 2010/11.
                                                               Consumo específico   Unid.        Preço
Processo                  Insumo              Unid.consumo
                                                              Mín    méd    máx.    preço  mín    méd    máx.
Recepção         Lubrificante                  ml/t cana      1,29   1,74    2,42   R$/L   4,21   5,10   5,50
Extração         Eletrodo (chapisco)           g/t cana       1,86   3,48    6,44   R$/kg 9,50    10,57 12,22
Extração         Eletrodo (base e sobre-base) g/t cana        2,14   2,83    3,46   R$/kg 7,11    9,48  12,93
Extração         Eletrodo (picotes)            g/t cana       0,17   0,86    2,14   R$/kg 8,41    31,70 50,51
Extração         Eletrodo (facas, desfibrador) g/t cana       0,75   0,97    1,31   R$/kg 16,64 23,03 28,33
Trat. caldo      Cal virgem                    g/t cana       0,23   0,53    0,85   R$/kg 0,24    0,13   0,29
Trat. caldo      Anti-incrustante              kg/t açúcar    0,40   0,38    0,78   R$/kg 2,61    3,53   4,82
Trat. caldo      Floculante (decantador)       g/t açúcar     27,48 40,66 58,77     R$/kg 7,54    8,55   9,14
Trat. caldo      Ácido Fosfórico               kg/t açúcar*   0,92   1,21    1,51   R$/kg 1,05    1,53   2,32
Trat. caldo      Enxofre                       kg/t açúcar*   1,48   2,02    1,48   R$/kg  1,25   1,13   1,25
Trat. caldo      Floculante (xarope)           g/t açúcar*    16,59 19,02 22,82     R$/kg 9,07    10,95 14,01
Fermentação Ácido Sulfúrico                    kg/m³          4,45   6,58    7,72   R$/kg 0,23    0,66   1,15
Fermentação Dispersante                        kg/m³          0,12   0,28    0,64   R$/kg 8,26    10,83 13,23
Fermentação Antiespumante                      kg/m³          0,12   0,32    0,61   R$/kg 4,30    6,68  11,07
Fermentação Antibiótico                        g/m³           3,78   5,83    8,50   R$/kg 163,00 204,75 250,37
Fermentação Nutriente                          kg/m³          0,24   0,70    1,40   R$/kg 0,56    2,03   2,90
Destilação       Soda cáustica                 kg/m³          0,26   0,40    0,66   R$/kg 1,40    1,68   1,44
Desidratação Ciclohexano                       kg/m³**        1,01   1,22    1,15   R$/kg 4,03    4,21   4,30
Fábrica açúcar Lubrificante massa              g/t açúcar     0,65   1,60    2,97   R$/kg 2,05    4,05   6,00
Trat. água       Policloreto alumínio          g/m³ água      13,51 31,15 44,75     R$/kg 1,05    1,43   2,18
Geração vapor Sulfito                          g/t vapor      0,43   1,27    2,39   R$/kg 8,06    10,02 12,39
Geração vapor Dispersante                      g/t vapor      0,43   2,53    6,98   R$/kg 6,04    9,02  13,38
Geração vapor Fosfato                          g/t vapor      0,27   0,96    1,94   R$/kg 6,55    11,91 14,86
Carreg. etanol Corante                         ml/m³**        11,33 12,73 15,20     R$/L 16,77 24,39 29,60
Notas: * açúcar branco.
         ** etanol anidro.
         n.d corresponde a valores não disponíveis.




76
Tabela 56. Evolução dos preços médios dos principais insumos industriais coletados no Brasil (safra
               2007/08 à safra 2010/11).
                                                                           Preço (R$/kg)                 Taxa de
                                                  Unidade de
Processo                        Insumo                                                                 crescimento
                                                   consumo
                                                                 2007/08 2008/09   2009/10   2010/11     (% a.a.)
Recepção          Lubrificante                    ml/t cana       4,67     6,30     5,05      5,10       0,42%
Extração          Lubrificante                    ml/t cana        n.d    11,00     4,72      5,10      -31,93%
Extração          Eletrodo (chapisco)             g/t cana        10,92    9,25     10,64     10,57      0,41%
Extração          Eletrodo (base e sobre-base)    g/t cana        12,46   17,89     12,41     9,48      -11,17%
Extração          Eletrodo (picotes)              g/t cana        20,87   19,35     30,13     31,70      18,49%
Extração          Eletrodo (facas, desfibrador)   g/t cana        21,21   57,05     27,56     23,03      -4,70%
Extração          Bactericida                     g/t cana         n.d     4,86     2,86       n.d      -41,26%
Trat. caldo       Cal virgem                      kg/t cana       0,23     0,20     0,23      0,13      -13,69%
Trat. caldo       Anti-incrustante                kg/t açúcar      n.d     3,51     3,15      3,53       0,24%
Trat. caldo       Floculante (decantador)         g/t açúcar       n.d     9,40     8,37      8,55       -4,61%
Trat. caldo       Ácido Fosfórico                 kg/t açúcar*    2,32     2,10     1,62      1,53      -14,53%
Trat. caldo       Enxofre                         kg/t açúcar*    1,34     1,11     0,57      1,13      -11,15%
Trat. caldo       Floculante (xarope)             g/t açúcar*     12,09   10,82     9,59      10,95      -4,09%
Fermentação       Ácido Sulfúrico                 kg/m³           0,95     0,57     0,48      0,66      -11,86%
Fermentação       Dispersante                     kg/m³           10,65   11,63     11,20     10,83      0,12%
Fermentação       Antiespumante                   kg/m³           5,86     5,60     6,07      6,68       4,85%
Fermentação       Antibiótico                     g/m³           179,84   212,82   234,09    204,75      4,96%
Fermentação       Nutriente                       kg/m³           2,13     1,74     2,70      2,03       3,01%
Destilação        Soda cáustica                   kg/m³           1,83     2,10     1,91      1,68       -3,40%
Desidratação      Ciclohexano                     kg/m³**         4,18     4,35     4,23      4,21       -0,07%
Fábrica açúcar    Lubrificante massa              g/t açúcar      3,21     3,65     3,98      4,05       8,17%
Trat. água        Policloreto alumínio            g/m³ água       2,12     1,28     1,69      1,43       -8,62%
Geração vapor     Sulfito                         g/t vapor        7,8     8,68     14,33     10,02      13,35%
Geração vapor     Dispersante                     g/t vapor       9,17     7,87     7,95      9,02       -0,39%
Geração vapor     Fosfato                         g/t vapor       9,15     7,51     8,07      11,91      9,01%
Geração vapor     Neutralizante vapor             g/t vapor       4,92     4,08     5,46       n.d       5,35%
Carreg. etanol Corante                            ml/m³**          n.d    27,37     25,76     24,39      -5,60%
Notas: * açúcar branco.
        ** etanol anidro.
        n.d corresponde à valores não disponíveis.




                                                                                                                  77
No que tange à evolução dos consumos médios específicos (Tabela 57), pode-se perceber que
as taxas de crescimento anuais foram positivas para o lubrificante (Recepção) e para todos os insumos
industriais listados no processo de extração. No caso do tratamento de caldo, merecem destaque os
crescimentos anuais da cal virgem, do anti-incrustante e do enxofre, com variações da ordem de -
25,74% a.a, 91,44% a.a e -19,90% a.a., de forma respectiva. Para o processo de fermentação, vale
ressaltar as variações respectivas de 12,48% a.a, -10,70% a.a e 32,14% a.a. do dispersante, do
antibiótico e do nutriente. Já o antiespumante e o ácido sulfúrico permaneceram com consumos
relativamente estáveis ao longo das safras.Também são dignas de menção as reduções de 28,89% a.a e
34,24% a.a do consumo médio do sulfito e do fosfato, para o processo de geração de vapor, e de
31,09% a.a no consumo médio específico do corante, para o processo de carregamento de etanol.




78
Tabela 57. Evolução dos consumos médiosespecíficos dos principais insumos industriais coletados no
               Brasil (safra 2007/08 à safra 2010/11).
                                                                          Consumo específico
                                                                                                         Taxa de
                                                  Unidade de
Processo                     Insumo                                                                    crescimento
                                                   consumo       2007/08 2008/09 2009/10 2010/11         (% a.a.)

Recepção          Lubrificante                    ml/t cana       0,29      3,74     0,82      1,74      47,01%
Extração          Eletrodo (chapisco)             g/t cana        2,40      2,96     3,08      3,48      12,25%
Extração          Eletrodo (base e sobre-base)    g/t cana        0,90      1,42     1,20      2,83      38,71%
Extração          Eletrodo (picotes)              g/t cana        0,50      0,36     0,77      0,86      26,90%
Extração          Eletrodo (facas, desfibrador)   g/t cana        1,60      0,87     1,11      0,97     -11,95%
Trat. caldo       Cal virgem                      kg/t cana        n.d      0,97     0,95      0,53     -25,74%
Trat. caldo       Anti-incrustante                kg/t açúcar      n.d      0,10     0,35      0,38      91,44%
Trat. caldo       Floculante (decantador)         g/t açúcar       n.d      34,12    42,71     40,66     9,17%
Trat. caldo       Ácido Fosfórico                 kg/t açúcar*    0,89      3,35     1,28       1,21     -0,48%
Trat. caldo       Enxofre                         kg/t açúcar*    1,60      1,50     4,58       2,02     19,90%
Fermentação       Ácido Sulfúrico                 kg/m³           7,13      6,94     7,48       6,58     -1,63%
Fermentação       Dispersante                     kg/m³           0,20      0,19     0,20      0,28     12,485%
Fermentação       Antiespumante                   kg/m³           0,32      0,37     0,37      0,32      0,05%
Fermentação       Antibiótico                     g/m³            11,00     4,48     9,69      5,83     -10,70%
Fermentação       Nutriente                       kg/m³           0,36      0,13     0,29      0,70      32,14%
Destilação        Soda cáustica                   kg/m³           0,45      0,26     0,32      0,40      -1,24%
Desidratação      Ciclohexano                     kg/m³**         1,27      1,62     1,20      1,22      -4,06%
Geração vapor Sulfito                            g/t vapor         n.d      2,50     1,28       1,27    -28,89%
Geração vapor Dispersante                        g/t vapor         n.d      2,48     1,55       2,53     1,01%
Geração vapor Fosfato                            g/t vapor         n.d      2,22     2,29       0,96    -34,24%
Carreg. etanol Corante                           ml/m³**           n.d      7,41     12,72     12,73     31,09%
Notas: * açúcar branco.
        ** etanol anidro.
        n.d corresponde à valores não disponíveis.




                                                                                                                  79
3.4 Custos


       3.4.1 Fornecedores

       Para que fossem estimados os custos de produção da cana-de-açúcar produzida pelos
fornecedores das regiões Centro-Sul e Nordeste na safra 2010/11, foram levadas em consideração as
premissas expostas na Tabela 58. Tais valores foram coletados junto a Sindicatos e Associações de
fornecedores de cana-de-açúcar, tal como apresentado no capítulo 2 desse documento.
       Em comparação com a safra 2009/10, nota-se que a produtividade média das lavouras de
fornecedores diminuiu levemente na região Tradicional, mas aumentou nas demais regiões. Por outro
lado, percebe-se uma evolução positiva (em termos de custo de produção) quanto aos arrendamentos,
os quais vêm aumento gradativamente safra após safra. Ainda, exclusivamente na região Tradicional,
foi possível aferir um aumento no número de cortes por ciclo produtivo (6 cortes, frente a 5 cortes nos
levantamentos passados).
       Quanto aos níveis de colheita mecanizada, houve grande disparidade de valores com relação à
safra anterior, isto porque no presente levantamento foram separadas as informações de usinas e de
fornecedores para a aferição deste parâmetro. Dessa forma, as estimativas apontaram para altos níveis
de mecanização na colheita da cana dos fornecedores na região de Expansão (95%), níveis
intermediários na região Tradicional (41%) e níveis nulos (0%) na região Nordeste. Na última região,
o relevo consiste no principal empecilho para a existência da mecanização no estágio de colheita. Para
as demais, nota-se que na região de Expansão são mais comuns propriedades de maior porte, bem
como a existência de condomínios de fornecedores que se unem para a produção agrícola (seja de
cana-de-açúcar, seja de outras culturas). Assim, eleva-se a possibilidade de compra de colhedoras, algo
ainda não muito perceptível na região tradicionalmente produtora.




80
Tabela 58. Premissas básicas adotadas no modelo de custos de cana de fornecedores, para as regiões
               Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste.
Descrição                                          Tradicional                Expansão            Nordeste
Produção (t)                                         10.860                     33.255             12.650
Produtividade (t/ha)                                    82,90                      84,19            57,50
Cortes                                                   6                          5                 5
Área útil total(ha)                                     131                        395               220
Área própria (ha)                                       116                        254               134
Área arrendada (ha)                                      15                        141               86
Colheita mec. (%)                                       41%                        95%               0%
Raio médio (km)                                          27                        21,7              25
Preço arrendamento (t/ha/ano)                           17,87                      12,17            5,50


         Quanto aos parâmetros de quantidade e preços de ATR, adotaram-se no presente estudo os
valores expostos na Tabela 59. Conforme evidenciado nesta tabela, os valores finais da safra 2010/11
para o Centro-Sul permaneceram acima daqueles observados na safra 2009/10, ano no qual houve
prejuízo no teor de ATR por tonelada de cana devido ao alto índice de chuvas. Em termos de preços,
constatou-se uma significativa melhora no valor do quilograma do ATR, oriunda dos altos preços
praticados nos mercados de açúcar e etanol. O mesmo cenário estende-se atualmente para a safra
2011/12, elevando, consequentemente, os níveis de atratividade da atividade canavieira.


Tabela 59. Quantidade de ATR por tonelada de cana-de-açúcar (kg ATR/t) e preços de ATR
               (R$/kg ATR).
Região                          ATR médio (kg/t cana)           ATR padrão (kg/t cana)     Preço ATR (R$/kg)
Tradicional                               137,43                          121,97                  0,4019
Expansão                                  137,99                          121,97                  0,3751
Nordeste                                  129,27                          119,51                  0,5642




                                                                                                               81
Após o delineamento do modelo para a safra 2010/11, apresentam-se a seguir os resultados dos
custos de produção de cana-de-açúcar para os fornecedores das regiões analisadas (Tabela 60). Com
base nos dados consolidados da última safra, os valores dos custos totais incorridos pelos fornecedores
de cana foram de R$ 59,33/tc, R$ 47,01/tc e R$ 64,05/tc, para as regiões Tradicional, Expansão e
Nordeste, respectivamente. Em comparação com os custos estimados no relatório de acompanhamento
(Centro-Sul), a diferença do custo previsto para o realizado foi de 0% e 3% para as regiões Tradicional
e Expansão, respectivamente. Quando comparados ao fechamento da safra 2009/10, entretanto, apenas
no Centro-Sul Tradicional pôde-se observar elevação de custos (5,10%). Nas demais regiões, foram
constatadas reduções de custos, principalmente devido ao aumento da produtividade agrícola dos
canaviais de fornecedores. O detalhamento dessas análises evolutivas está disponível no capítulo
seguinte.




82
Tabela 60. Custos de produção de cana-de-açúcar de fornecedores das regiões Centro-Sul Tradicional,
               Centro-Sul Expansão e Nordeste, para o fechamento da safra 2010/11.
                                                  Tradicional          Expansão                Nordeste
Descrição
                                                R$/t      R$/ha     R$/t     R$/ha     R$/t          R$/ha
Mecanização                                    13,97     1.157,89   16,68   1.404,40   15,75         905,37
Mão de obra                                    10,02     830,25     3,05     257,16    13,38         769,29
Insumos                                         5,14     426,30     6,07     511,13    6,45          370,76
            Fertilizantes                       3,82     316,33     4,37     368,00    4,17          240,00
            Corretivos                          0,31      25,78     0,55     46,56     0,23          13,20
            Herbicidas                          0,61      50,27     1,00     84,36     1,87          107,80
            Inseticidas                         0,18      15,06     0,03      2,30     0,00           0,00
            Outros                              0,23      18,85     0,12      9,92     0,17           9,76
Arrendamento                                    1,21     100,30     2,36     198,75    2,52          144,97
Despesas administrativas                        1,85     153,30     1,26     106,31    2,14          122,82
            Contador                            0,36      29,47     0,12     10,33     0,52          29,73
            Tributos                            0,57      47,25     0,78     65,67     0,75          43,13
            Outras                              0,92      76,58     0,36     30,32     0,87          49,96
Custo Operacional Efetivo (COE)                32,18     2.668,04   29,43   2.477,76   40,23        2.313,21
Depreciações                                    9,82     814,22     9,40     791,79    13,86         796,70
            Formação do Canavial                6,13     507,91     7,83     659,35    11,54         663,43
            - Mecanização                       1,95     161,73     1,96     164,88    2,75          157,98
            - Mão de Obra                       0,79      65,77     1,33     112,26    2,11          121,13
            - Insumos                           3,38     280,42     4,54     382,22    6,68          384,33
            Máquinas                            2,78     230,41     1,20     101,34    1,49          85,81
            Benfeitorias                        0,92      75,89     0,37     31,10     0,83          47,45
            Irrigação                           0,00      0,00      0,00      0,00     0,00           0,00
Remuneração do proprietário                     4,21     348,68     1,27     107,19    2,41          138,55
Custo Operacional Total (COT)                  46,21     3.830,94   40,11   3.376,75   56,50        3.248,47
Remuneração da terra                            9,36     775,68     4,25     358,04    3,93          225,88
Remuneração do capital                          3,76     312,10     2,65     222,77    3,63          208,54
            Formação do canavial                1,29     106,66     1,41     118,68    2,08          119,42
            Irrigação/fertirrigação             0,00      0,00      0,00      0,00     0,00           0,00
            Máquinas e implementos              1,37     113,72     0,60     50,58     0,64          36,60
            Benfeitorias                        0,67      55,33     0,27     23,10     0,65          37,10
            Capital de giro – juros             0,44      36,39     0,36     30,41     0,27          15,41
Custo Total (CT)                               59,33     4.918,72   47,01   3.957,55   64,05        3.682,88


                                                                                                              83
De forma ilustrativa, a Figura 38 apresenta as relações observadas entre os custos de produção
(COE, COT e CT) e os preços recebidos pela tonelada da cana-de-açúcar. Claramente nota-se que os
preços recebidos na região Tradicional não foram suficientes para cobrir os custos totais da cana. Em
contrapartida a isso, nas outras duas regiões os preços de venda da cana foram suficientes para
remunerar o CT, inclusive com sobra líquida de capital.

             80
                                                                                              72,93
             70
             60                                                                        7,56
                                     55,23                         51,76
             50              13,12
                                                                                      16,27
                                                            6,90
     R$/tc




             40              14,03
                                                           10,68
             30
             20                                                                       40,23
                             32,18                         29,43
             10
              0
                           Tradicional                    Expansão                   Nordeste

                                             COE    COT      CT       Preço cana

Figura 38. Representação gráfica dos custos de produção e dos preços da cana-de-açúcar encarados
                  pelos fornecedores das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste,
                  para o fechamento da safra 2010/11.


             De forma semelhante, a Figura 39 expõe as margens obtidas na cultura da cana-de-açúcar na
safra 2010/11, em termos médios, para os fornecedores do Centro-Sul e do Nordeste brasileiro. Em
suma, os resultados consolidados da safra mostraram-se mais atrativos do que aqueles projetados no
início de 2011, sendo que as margens sobre o COE apresentaram valores entre 70% e 80%. Quando da
comparação do preço obtido pela tonelada de cana com o COT, por sua vez, o patamar de
rentabilidade atingiu aproximadamente 30%, exceto para a região Tradicional, onde foram
visualizados maiores níveis de arrendamentos e maior ociosidade do capital investido. Tais fatores




84
fizeram com que esta região fosse a única a apresentar rentabilidade negativa (-6,91%) na comparação
do preço da cana com o CT.
       Na região de Expansão, por outro lado, a margem sobre o custo total foi de 10,11%, enquanto
que na região Nordeste esse valor alcançou 13,87%, fruto dos maiores preços repassados aos
fornecedores de cana da região.

    90%                                                                    81,29%
    80%                                     75,87%
            71,62%
    70%
    60%
    50%
    40%                                                 29,05%                       29,10%
    30%                 19,52%
    20%                                                          10,11%                        13,87%
    10%
     0%
   -10%
                                   -6,91%
   -20%
                     Tradicional                      Expansão                      Nordeste


                             Margem - COE (%)        Margem - COT (%)     Margem - CT (%)

Figura 39. Indicadores de rentabilidade para os fornecedores de cana das regiões Centro-Sul
             Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste, para o fechamento da safra 2010/11.


       Outro papel importante assumido por este estudo remete à atualização das participações dos
insumos agrícolas dentro das três classes de custos. Logo, a Tabela 61, Tabela 62 e Tabela 63,
juntamente com a Figura 40, a Figura 41 e a Figura 42, apresentam os valores gastos com fertilizantes,
defensivos, corretivos, mudas e outros insumos na safra 2010/2011, assim como suas participações no
COE, COT e CT da atividade canavieira nas regiões do Centro-Sul e no Nordeste.
Predominantemente, percebe-se que os fertilizantes são a classe de insumos com maior peso nos custos
de produção, sendo seguidos por mudas, herbicidas e corretivos.




                                                                                                        85
Tabela 61. Participação dos insumos no COE, COT e CT dos fornecedores de cana da região Centro-
                Sul Tradicional.
Insumos                                R$/t            R$/ha          % COE          % COT            % CT
Fertilizantes                          4,96            411,32         16,11%         11,07%           8,57%
Corretivos                             0,71            58,64          2,30%          1,58%            1,22%
Herbicidas                             0,73            60,75          2,38%          1,63%            1,27%
Inseticidas                            0,48            40,17          1,57%          1,08%            0,84%
Mudas                                  1,41            116,99         4,58%          3,15%            2,44%
Outros                                 0,23            18,85          0,74%          0,51%            0,39%
TOTAL                                  8,52            706,72         27,68%         19,02%           14,72%




     25%


     20%


     15%


     10%


     5%


     0%
                         % COE                              % COT                         % CT
                       Fertilizantes      Corretivos     Herbicidas   Inseticidas   Mudas    Outros


Figura 40. Participação dos insumos no COE, COT e CT dos fornecedores de cana da região Centro-
                Sul Tradicional.




86
Tabela 62. Participação dos insumos no COE, COT e CT dos fornecedores de cana da região Centro-
                Sul Expansão.
Insumos                               R$/t            R$/ha              % COE           % COT           % CT
Fertilizantes                         6,09            513,04              21,38%         15,55%          13,23%
Corretivos                            1,07            90,22               3,76%              2,74%       2,33%
Herbicidas                            1,09            91,63               3,82%              2,78%       2,36%
Inseticidas                           0,39            32,50               1,35%              0,99%       0,84%
Mudas                                 1,85            156,04              6,50%              4,73%       4,02%
Outros                                0,12             9,92               0,41%              0,30%       0,26%
TOTAL                                 10,61           893,35              37,23%         27,08%          23,04%




    25%

    20%

    15%

    10%

      5%

      0%
                        % COE                                  % COT                             % CT

                      Fertilizantes      Corretivos   Herbicidas       Inseticidas   Mudas      Outros

Figura 41. Participação dos insumos no COE, COT e CT dos fornecedores de cana da região Centro-
Figura 41. Participação dos insumos no COE, COT e CT dos fornecedores de cana da região Centro-
           Sul Expansão.
           Sul Expansão




                                                                                                                  87
Tabela 63.Participação dos insumos no COE, COT e CT dos fornecedores de cana da região Nordeste.
Insumos                             R$/t            R$/ha              % COE           % COT           % CT
Fertilizantes                       6,26            360,00              15,56%         11,08%          9,77%
Corretivos                          0,95            54,45               2,35%              1,68%       1,48%
Herbicidas                          1,98            113,80              4,92%              3,50%       3,09%
Inseticidas                         0,60            34,75               1,50%              1,07%       0,94%
Mudas                               3,17            182,33              7,88%              5,61%       4,95%
Outros                              0,17             9,76               0,42%              0,30%       0,27%
TOTAL                               13,13           755,09              32,64%         23,24%          20,50%




     25%

     20%

     15%

     10%

      5%

      0%
                      % COE                                  % COT                             % CT

                    Fertilizantes      Corretivos   Herbicidas       Inseticidas   Mudas      Outros

Figura 42. Participação dos insumos no COE, COT e CT dos fornecedores de cana da região Nordeste.


         No presente documento, também foram atualizados os fluxogramas de custos agrícolas.
Através desta análise, torna-se mais fácil a compreensão dos custos por estágio de produção, bem
como de suas representatividades dentro dos custos totais da cana-de-açúcar nas regiões Centro-Sul e
no Nordeste do Brasil (Figura 43, Figura 44 e Figura 45).
         À parte dos custos diretos envolvidos nos estágios de produção, percebe-se nitidamente pela
análise das colunas da direita dos fluxogramas que a região Centro-Sul Tradicional arca com altos


88
custos de terras, administração, depreciações e de capital. Com relação ao Centro-Sul Expansão, tais
custos foram em média 77% mais elevados naquela região, enquanto que comparando os valores com
a região Nordeste, o percentual das áreas tradicionais sobe para 104%. Ou seja, mesmo com a elevação
dos preços da cana-de-açúcar, os fornecedores de São Paulo e Paraná, principalmente, precisam focar
seus esforços na redução de capital ocioso (diminuindo depreciações e remuneração de capital) e de
despesas administrativas. Outra possibilidade seria aumentar as áreas de cultivo de cana, alternativa
nem sempre possível no atual cenário vivenciado pelos fornecedores do Centro-Sul Tradicional.




                                                                                                  89
Modelo agrícola de fornecedor da região Tradicional




Figura 43. Fluxograma de custos de produção por estágio e item de custo dos fornecedores de cana da
            região Centro-Sul Tradicional.
Nota: Depreciações de máquinas e implementos agrícolas embutidas nos valores de custos dos estágios de produção:
      preparo do solo, plantio, tratos culturais cana planta, tratos culturais cana soca e colheita. Além disso, cabe ressaltar
      que os valores apresentados (R$/ha e R$/ton) para cada um desses estágios foram ponderados de acordo com as suas
      respectivas áreas.




90
Modelo agrícola de fornecedor da região de Expansão




Figura 44. Fluxograma de custos de produção por estágio e item de custo dos fornecedores de cana da
            região Centro-Sul Expansão.
Nota: Depreciações de máquinas e implementos agrícolas embutidas nos valores de custos dos estágios de produção:
      preparo do solo, plantio, tratos culturais cana planta, tratos culturais cana soca e colheita. Além disso, cabe ressaltar
      que os valores apresentados (R$/ha e R$/ton) para cada um desses estágios foram ponderados de acordo com as suas
      respectivas áreas.




                                                                                                                            91
Modelo agrícola de fornecedor da região Nordeste




Figura 45. Fluxograma de custos de produção por estágio e item de custo dos fornecedores de cana da
             região Nordeste.
Nota: Depreciações de máquinas e implementos agrícolas embutidas nos valores de custos dos estágios de produção:
      preparo do solo, plantio, tratos culturais cana planta, tratos culturais cana soca e colheita. Além disso, cabe ressaltar
      que os valores apresentados (R$/ha e R$/ton) para cada um desses estágios foram ponderados de acordo com as suas
      respectivas áreas.




92
3.4.2 Usinas


       3.4.2.1.1 Agrícola

       A presente subseção apresenta informações sobre os principais indicadores econômicos
agrícolas das usinas. Para isso, as premissas adotadas para a formação do modelo de cálculo dos custos
de produção de cana-de-açúcar para as unidades industriais do setor sucroenergético encontram-se na
Tabela 64. Tendo em vista alterações na dinâmica do setor, tanto em aspectos estruturais e
tecnológicos, quanto em condições mercadológicas, alguns parâmetros básicos tiveram seus valores
modificados face às safras analisadas nos levantamentos anteriores, tais como a participação das usinas
na moagem total de cana, os percentuais de colheita mecanizada e os raios médios.
       No que concerne ao primeiro item, foram definidas reduções generalizadas, dado que as
participações das usinas típicas na moagem diminuíram 5 p. p. para a região Centro-Sul Tradicional, 2
p.p. para o Centro-Sul Expansão e 7 p.p. para a região Nordeste. Em relação à colheita mecanizada, a
mudança mais significativa ocorreu para o Centro-Sul Expansão, haja vista a adoção do valor de 86%
para a safra 2010/11 e a utilização de 65% para a safra anterior. O parâmetro da região Centro-Sul
Tradicional, por sua vez, teve branda modificação, de 65% para 64%, enquanto que para a região
Nordeste considerou-se a existência de colheita mecanizada para a safra 2010/11 (7%), o que destoa
essencialmente do coeficiente nulo adotado no último relatório de fechamento de safra. Quanto ao raio
médio, a atualização dos valores foi mais expressiva para o Centro-Sul Expansão, cuja distância saltou
de 20 km na safra 2009/10 para 26 km na safra 2010/11. As variações do Centro-Sul Tradicional e do
Nordeste, por sua vez, foram correspondentes ao aumento de 3 km para a primeira região e à redução
de 2 km para a segunda.
       Dentre os outros indicadores, também merecem certo destaque as variações da produtividade
média, cuja maior alteração remete ao Centro-Sul Tradicional, dado o declínio de 91,62 t/ha para 83,50
t/ha sofrido entre as duas últimas safras. No tocante ao preço de arrendamento em espécie (t/ha/ano),
ressalta-se a modificação estipulada para o Nordeste, pois o indicador encarado pelas usinas típicas




                                                                                                    93
desta região na safra 2009/10 foi de 7,90, contrastando com o coeficiente de 5,90 t/ha/ano definido
para 2010/11.


Tabela 64. Premissas básicas adotadas no modelo de custos de cana das usinas, para as regiões Centro-
               Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste.
Descrição                                       Tradicional         Expansão           Nordeste
Moagem (t)                                       2.400.000          2.400.000          1.200.000
Participação de cana própria (%)                   60%                73%                63%
Produção (t)                                     1.440.000          1.752.000           756.000
Produtividade (t/ha)                               83,50              84,67              59,45
Cortes                                              5                   5                  5
Área própria (ha)                                  36%                17%                64%
% colheita mecanizada (%)                          64%                86%                 7%
Raio médio (km)                                     26                 26                 18
Preço arrendamento (t/ha/ano)                      18,1               11,4                5,9
Fonte: PECEGE/CNA com o auxílio de dados do CTC, SINDAÇÚCAR-AL, SINDAÇÚCAR-PE e SINDÁLCOOL-PB.


         Após o delineamento dos parâmetros componentes do modelo de custos, são indicados na
tabela seguinte os valores da qualidade da cana-de-açúcar (kg ATR/t de cana), do ATR padrão para
contratos de arrendamentos e dos preços de ATR praticados na safra 2010/11 (Tabela 65). Em relação
ao ATR médio, percebe-se melhora na concentração de açúcares da cana para o Centro-Sul Tradicional
e o Centro-Sul Expansão, face ao último levantamento, especialmente para a última região
mencionada, que elevou seu nível médio de 129,64 kg/t cana para 141,15 kg/t cana. Em contrapartida a
isso, a região Nordeste teve seu valor médio de concentração reduzido de 132,24 kg/t cana para 130,18
kg/t cana. Dessa forma, constata-se que as condições climáticas favoráveis ao longo da safra 2010/11
permitiram que os níveis de qualidade da matéria-prima das usinas do Centro-Sul brasileiro
superassem àqueles do Nordeste, cenário antagônico ao verificado na safra anterior.
         No que tange aos preços do ATR, observa-se a sustentação dos valores médios em patamares
relativamente elevados, tendo como base comparativa as aferições das safras anteriores. Em suma, os
preços médios registrados na safra 2010/11 registraram maior pagamento especialmente na região


94
Nordeste, que atingiu R$ 0,5642/kg ATR. Os valores apurados nas regiões Tradicional e de Expansão,
respectivos em R$ 0,4019/kg e R$ 0,3751 kg, refletem o cenário de relativos ganhos de qualidade e de
aumento dos preços pagos pelo ATR. Tal cenário de movimentos altistas de preços originou-se
principalmente das condições satisfatórias do mercado internacional de açúcar, devido à forte demanda
dos denominados países emergentes, cujas mudanças socioeconômicas vêm impulsionando diversos
mercados de commodities agrícolas, e também por causada menor oferta de açúcar da Índia.

Tabela 65. Quantidade de ATR por tonelada de cana-de-açúcar (kg ATR/t) e preços do ATR (R$/kg
              ATR) para as usinas das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste.
Região                 ATR médio (kg/t cana)        ATR padrão (kg/t cana)        Preço ATR (R$/kg)
Tradicional                   134,46                        121,97                      0,4019
Expansão                      141,15                        121,97                      0,3751
Nordeste                      130,18                        119,00                      0,5642


         Após a definição do modelo utilizado para custos agrícolas de usinas, bem como a análise sobre
a qualidade da cana e os preços médios de ATR, a subseção apresenta os resultados de custos de
produção de cana-de-açúcar propriamente ditos, considerando grandes grupos de custos para as usinas
das três regiões produtoras, com referência à safra 2010/11 (Tabela 66).
         Seguindo o mesmo procedimento metodológico do último relatório de fechamento (2009/10),
os custos de formação de canavial foram tratados como itens do Custo Operacional Total (COT), e não
como rubricas do Custo Operacional Efetivo (COE). Como resultados principais, os custos totais de
produção de cana-de-açúcar, que englobam os custos de oportunidade da atividade, aumentaram em
todas as regiões pesquisadas. Ademais, verificou-se a expansão das diferenças entre os custos totais
das regiões, inclusive entre as duas grandes áreas do Centro-Sul brasileiro. Para a safra 2010/11, os
níveis de CT das usinas localizadas nas regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e
Nordeste foram iguais a R$ 53,12/t, R$ 47,11/t e R$ 63,39/t, respectivamente. Na safra anterior, a
título de comparação, os valores de CT foram correspondentes a R$ 45,07/t, R$ 45,72/t e R$ 55,35/t.




                                                                                                      95
Segundo tais dados, cabe ressaltar a maior dispersão dos custos totais médios entre as regiões
produtoras, refletidas pelos desvios-padrão de R$ 5,76/t na safra 09/10 e R$ 8,23/t na safra 2010/11, e
os incrementos superiores a R$ 8,00/t no CT da região Tradicional e da região Nordeste.
       Para os aumentos generalizados dos custos agrícolas das usinas, os itens desembolsáveis mais
impactantes foram os dispêndios com mão-de-obra e insumos, com destaque ao primeiro grupo de
custos. A propósito, os custos unitários com o fator trabalho sofreram acréscimos entre R$ 4,02 e R$
5,54/tc na comparação entre as safras 2009/10 e 2010/11. No que diz respeito aos insumos agrícolas,
os movimentos foram bastante distintos. As usinas da região Centro-Sul Tradicional tiveram o
acréscimo médio de 14,91% no custo com insumos, enquanto as usinas da região de Expansão
reduziram seus dispêndios em 37,38%, atingindo o valor de R$ 5,36 por tonelada de cana. Para a
região Nordeste, verificou-se diminuição relativamente mais branda, na ordem de 7,36%. Além de
mão-de-obra e insumos, a variação das despesas administrativas desta região também ocorreu em
magnitude relativamente grande, pois na safra 2010/11 apurou-se o valor de R$ 3,58 por tonelada de
cana, ou seja, um patamar bastante superior àqueles observados nas regiões do Centro-Sul, e também
em relação ao custo de R$ 1,91 aferido para as usinas nordestinas na safra 2009/10.
       Dentre os itens que mais pesaram para as diferenças entre os COEs das regiões produtoras,
estão a mão-de-obra, o arrendamento e as despesas administrativas. Para o trabalho, ressalta-se que o
custo médio do Nordeste durante a safra 2010/11 superou aqueles mensurados nas usinas do Centro-
Sul em pelo menos R$ 10,00 por tonelada de cana, tendo em vista, principalmente, as operações
manuais em tal região. O arrendamento do Nordeste foi bastante inferior aos registrados nas demais
regiões, especialmente no custo unitário do Centro-Sul Tradicional, em que os obstáculos à expansão
de área, bem como a maior concorrência por terras agricultáveis, elevam o seu custo de arrendamento.
Por fim, em relação às despesas administrativas, os valores incorridos pelas unidades nordestinas
aumentaram bem mais do que aqueles encarados pelas usinas dos estados do Centro-Sul brasileiro. De
fato, os gastos unitários com administração no Nordeste foram quase o dobro dos montantes gastos nas
demais regiões, uma vez que o Centro-Sul possui maior escala de produção.
       Para os itens que entram no cômputo do COT e não são contabilmente desembolsáveis, as
diferenças mais contundentes entre as regiões foram referentes às depreciações com formação do


96
canavial e irrigação, que atingiram níveis bem maiores do que aqueles do Centro-Sul. Considerando a
formação do canavial, os custos das usinas nordestinas superaram em pelo menos R$ 3,25/tc os custos
das unidades industriais de outros estados, ao passo que os custos unitários relativos à irrigação do
Nordeste chegaram a ser mais do que o triplo daqueles do Centro-Sul Tradicional, e quase oito vezes
os custos do Centro-Sul Expansão. Tal fato está atrelado à predominância de operações manuais para a
formação do canavial, e ao clima favorável à irrigação.
       Quanto ao Custo Total, a remuneração da terra compreende o principal fator de diferenciação
entre os custos das regiões produtoras. Em síntese, devido à maior disponibilidade relativa de áreas
para a agropecuária, e aos menores valores de ATR praticados, a região Centro-Sul Expansão possui
menor custo de oportunidade atrelado ao uso do fator de produção terra, e por isso sua remuneração
média referente à safra 2010/11 (R$ 1,06/tc) foi bastante inferior aos custos incorridos pelas regiões
Centro-Sul Tradicional e Nordeste, com destaque à remuneração da última, que atingiu R$
4,26/tc,basicamente em função do alto preço do ATR. A denominada remuneração do capital, por sua
vez, não apresentou diferenças regionais extraordinárias. O Nordeste, nesse quesito, também foi
responsável pelo maior valor.




                                                                                                    97
Tabela 66. Custos de produção de cana-de-açúcar de usinas das regiões Centro-Sul Tradicional,
            Centro-Sul Expansão e Nordeste, para o fechamento da safra 2010/11.

                                            Tradicional         Expansão              Nordeste
Descrição
                                         R$/t      R$/ha    R$/t      R$/ha       R$/t     R$/ha
Mecanização                              15,27 1.274,79     13,72    1.161,40     11,02    655,03
Mão de obra                               9,05    755,90     8,71     737,59      19,23   1.143,06
Insumos                                   4,47    373,63     5,36     453,72       7,30    433,85
Arrendamento                              6,83    570,42     5,11     432,67       2,45    145,51
Despesas administrativas                  2,23    186,24     1,84     155,55       3,58    212,68
Custo Operacional Efetivo (COE)          37,86 3.160,99     34,74    2.940,93     43,57   2.590,13
Depreciações                              9,18    766,23     9,07     767,59      12,63    750,76
           Formação do Canavial           7,86    656,60     7,77     657,72      11,11    660,41
           Máquinas                       1,10     91,57     1,13      95,76       1,10     65,18
           Benfeitorias                   0,10      8,67     0,11      9,74        0,03      1,74
           Irrigação                      0,11      9,38     0,05      4,37        0,39     23,43
Custo Operacional Total (COT)            47,03 3.927,21     43,80    3.708,52     56,20   3.340,89
Remuneração da terra                      3,82    319,18     1,06      89,87       4,26    253,39
Remuneração do capital                    2,27    189,16     2,25     190,15       2,93    174,12
           Formação do canavial           1,42    118,19     1,40     118,39       2,00    118,87
           Irrigação/fertirrigação        0,66     54,94     0,68      57,46       0,66     39,11
           Máquinas e implementos         0,12     10,40     0,14      11,68       0,04      2,08
           Benfeitorias                   0,07      5,63     0,03      2,62        0,24     14,06
Custo Total (CT)                         53,12 4.435,56     47,11    3.988,55     63,39   3.768,40


       De maneira geral, as usinas típicas de todas as regiões experimentaram retornos médios
positivos, inclusive no confronto do preço da cana-de-açúcar com o custo total de produção, isto é,
mesmo com o cômputo dos custos de oportunidade associados à atividade (Figura 46). Além do mais,
percebe-se que as margens de rentabilidade média mais elevadas na safra 2010/11 foram aferidas para
o Nordeste brasileiro, pois o preço da tonelada da cana superou seu CT de produção em R$ 10,06. Por
outro lado, as usinas da região Tradicional tiveram os retornos mais estreitos, dado que seu preço
médio da cana suplantou o respectivo CT em apenas R$ 0,91 por tonelada. A região de Expansão
apresentou resultado intermediário, já que a diferença entre o preço médio da tonelada de cana-de-
açúcar e seu CT de produção foi de R$ 5,82.

98
80
                                                                                             73,45
            70
            60                      54,04                                             7,19
                                                                 52,94
            50               6,09                                                    12,63
                                                          3,31
                             9,18
    R$/tc




            40                                            9,07
            30
            20                                                                       43,57
                            37,86                        34,74
            10
             0
                          Tradicional                   Expansão                    Nordeste

                                            COE   COT   CT       Preço cana

Figura 46. Representação gráfica dos custos e preços de cana-de-açúcar, para a safra 2010/11,
                 considerando as usinas das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e
                 Nordeste, em R$/tc.


            De forma complementar, a Figura 47 indica as margens relativas de produção para as usinas na
safra 2010/11, comparando os preços médios da cana-de-açúcar com os diferentes níveis de custos:
COE, COT e CT. Como pode ser observado, todas as margens levando em consideração apenas os
custos efetivamente desembolsados (COE) foram superiores ao patamar de 40,00%, com a
rentabilidade da usina nordestina típica alcançando quase 70,00%. As margens sobre os custos totais
da atividade, no entanto, foram iguais a 1,73%, 12,39% e 15,87% para as regiões Centro-Sul
Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste, em termos respectivos.
            Como ressalva, deve-se esclarecer que os custos de usinas e fornecedores não são perfeitamente
comparáveis, devido a não incorporação da “remuneração do proprietário” no cálculo do custo agrícola
das unidades industriais, entre outros fatores. Além disso, os termos percentuais de margens de
rentabilidade computados consistem basicamente na razão dos preços de mercado da cana-de-açúcar
pelas respectivas etapas de composição do custo total das usinas.




                                                                                                        99
80%
                                                                            68,58%
      70%
      60%                                     52,42%
      50%
              42,76%
      40%
                                                                                      30,70%
      30%
                                                         20,87%
      20%                 14,90%                                                                15,87%
                                                                  12,39%
      10%
                                     1,73%
      0%
                       Tradicional                     Expansão                      Nordeste

                           Margem - COE (%)     Margem - COT (%)       Margem - CT (%)

Figura 47. Indicadores de rentabilidade das usinas das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul
              Expansão e Nordeste, para a safra 2010/11, em valores percentuais.


          De forma resumida, apresentam-se a seguir fluxogramas de custos de produção discriminados
por processo/estágio e também por itens de custo (Figura 48, Figura 49 e Figura 50). Os estágios
considerados são formação do canavial, tratos culturais de cana planta, tratos culturais de cana soca e
colheita, e os demais itens esquematizados são a remuneração da terra, os custos administrativos, as
depreciações e os custos de oportunidade vinculados ao capital imobilizado. Vale ressaltar apenas que
o item formação do canavial, que compreende preparo de solo e plantio, está dividido pelo número de
cortes.




100
Mode lo agrícola de us ina da re gião Tradicional


                                                     R$/ha   R$/ton                                                                                      R$/ha   R$/ton
         Formação do canavial                        656,60 7,86                                         Re mune ração da te rra                         889,61 10,65
         Mecanização                                  288,22   3,45                                      Área própria                                     319,18   3,82
         Mão de obra                                  180,29   2,16                                      Área arrendada                                   570,42   6,83
         Insumos                                      188,10   2,25
                                                                                                                                                         R$/ha   R$/ton
                                                                                                         Cus tos adminis trativos                        186,24   2,23
                                                                                                         Salários agrícolas                               132,34   1,58
                                                     R$/ha   R$/ton                                      Despesas administrativas                          53,91   0,65
         Tratos cult. cana planta                     83,67 1,00
         Mecanização                                   24,75   0,30                                                                                      R$/ha   R$/ton
         Mão de obra                                   23,54   0,28                                      De pre ciação                                   109,62   1,31
         Insumos                                       35,38   0,42                                      Benfeitorias                                       8,67   0,10
                                                                                                         Irrigação/Fertirrigação                            9,38   0,11
                                                     R$/ha   R$/ton                                      Máquinas e implementos                            91,57   1,10
         Tratos cult. cana s oca                     694,74 8,32
         Mecanização                                  245,80   2,94                                                                                      R$/ha   R$/ton
         Mão de obra                                  110,69   1,33                                      Re mune raçõe s de Capital                      189,16   2,27
         Insumos                                      338,25   4,05                                      Lavoura fundada                                  118,19   1,42
                                                                                                         Irrigação/Fertirrigação                            5,63   0,07
                                                    R$/ha    R$/ton                                      Máquinas e implementos                            54,94   0,66
         Colhe ita                                 1.717,48 20,57                                        Benfeitorias                                      10,40   0,12
         Mecanização                                1.095,81 13,12                                       Capital de giro - juros                            0,00   0,00
         Mão de obra                                  621,67   7,44
         Insumos                                        0,00   0,00                                      Cus to Total                                  4.435,56         53,12
Figura 48. Fluxograma de custos de produção por estágio e item de custo, para as usinas da região Centro-Sul Tradicional, na safra
      Figura 48. Fluxograma de custos de produção por estágio e item de custo, para as usinas da região Centro-Sul Tradicional, na safra 2010/11.
           2010/11.
Nota: Depreciações de máquinas ee implementos agrícolas embutidas nos valores deestágios de produção: preparoprodução: preparo culturais cana planta, tratosculturais cana
       Nota: Depreciações de máquinas implementos agrícolas embutidas nos valores de custos dos custos dos estágios de do solo, plantio, tratos do solo, plantio, tratos culturais
       cana soca e colheita. Além disso, cabe ressaltar que os valores apresentados (R$/ha e R$/ton) para cada um desses estágios foram ponderados de acordo com as suas respectivas áreas.
      planta, tratos culturais cana soca e colheita. Além disso, cabe ressaltar que os valores apresentados (R$/ha e R$/ton) para cada um desses estágios foram
      ponderados de acordo com as suas respectivas áreas.

                                                                                                                                                                                      101




 101
102
                                                           Mode lo agrícola de us ina da re gião Expans ão


                                                         R$/ha   R$/ton                                                                                    R$/ha   R$/ton
              Formação do canavial                       657,72 7,77                                        Re mune ração da te rra                        522,54   6,17
              Mecanização                                 281,41   3,32                                     Área própria                                     89,87   1,06
              Mão de obra                                 154,15   1,82                                     Área arrendada                                  432,67   5,11
              Insumos                                     222,15   2,62
                                                                                                                                                           R$/ha   R$/ton
                                                                                                            Cus tos adminis trativos                       155,55   1,84
                                                                                                            Salários agrícolas                               92,21   1,09
                                                         R$/ha   R$/ton                                     Despesas administrativas                         63,34   0,75
              Tratos cult. cana planta                    89,67 1,06
              Mecanização                                  23,76   0,28                                                                                    R$/ha   R$/ton
              Mão de obra                                  21,88   0,26                                     De pre ciação                                  109,87   1,30
              Insumos                                      44,02   0,52                                     Benfeitorias                                      9,74   0,11
                                                                                                            Irrigação/Fertirrigação                           4,37   0,05
                                                         R$/ha   R$/ton                                     Máquinas e implementos                           95,76   1,13
              Tratos cult. cana s oca                    687,30 8,12
              Mecanização                                 142,53   1,68                                                                                    R$/ha   R$/ton
              Mão de obra                                 135,08   1,60                                     Re mune raçõe s de Capital                     190,15   2,25
              Insumos                                     409,69   4,84                                     Lavoura fundada                                 118,39   1,40
                                                                                                            Irrigação/Fertirrigação                           2,62   0,03
                                                       R$/ha    R$/ton                                      Máquinas e implementos                           57,46   0,68
              Colhe ita                               1.671,51 19,74                                        Benfeitorias                                     11,68   0,14
              Mecanização                              1.090,88 12,88                                       Capital de giro - juros                           0,00   0,00
              Mão de obra                                580,63   6,86
              Insumos                                      0,00   0,00                                      Cus to Total                                 3.988,55         47,11
Figura 49. Fluxograma de custos de produção por estágio e item de custo, para as usinas da região Centro-Sul Expansão, na safra
        Figura 49. Fluxograma de custos de produção por estágio e item de custo, para as usinas da região Centro-Sul Expansão, na safra 2010/11.
            2010/11.
        Nota: Depreciações de máquinas e implementos agrícolas embutidas nos valores de custos dos estágios de produção: preparo do solo, plantio, tratos culturais cana planta, tratos culturais
Nota: Depreciações colheita. Além disso,implementos agrícolas apresentados (R$/havalores de custos dos estágios de produção: preparo do solo, plantio, tratos culturais cana
          cana soca e de máquinas e cabe ressaltar que os valores embutidas nos e R$/ton) para cada um desses estágios foram ponderados de acordo com as suas respectivas áreas.
      planta, tratos culturais cana soca e colheita. Além disso, cabe ressaltar que os valores apresentados (R$/ha e R$/ton) para cada um desses estágios foram
      ponderados de acordo com as suas respectivas áreas.

102
Mode lo agrícola de us ina da re gião Norde s te


                                                     R$/ha   R$/ton                                                                                       R$/ha   R$/ton
         Formação do canavial                        660,41 11,11                                        Re mune ração da te rra                          398,89   6,71
         Mecanização                                  165,55   2,78                                      Área própria                                      253,39   4,26
         Mão de obra                                  197,60   3,32                                      Área arrendada                                    145,51   2,45
         Insumos                                      297,27   5,00
                                                                                                                                                          R$/ha   R$/ton
                                                                                                         Cus tos adminis trativos                         212,68   3,58
                                                                                                         Salários agrícolas                                131,50   2,21
                                                     R$/ha   R$/ton                                      Despesas administrativas                           81,18   1,37
         Tratos cult. cana planta                    126,80 2,13
         Mecanização                                   21,36   0,36                                                                                       R$/ha   R$/ton
         Mão de obra                                   59,84   1,01                                      De pre ciação                                     90,34   1,52
         Insumos                                       45,60   0,77                                      Benfeitorias                                        1,74   0,03
                                                                                                         Irrigação/Fertirrigação                            23,43   0,39
                                                     R$/ha   R$/ton                                      Máquinas e implementos                             65,18   1,10
         Tratos cult. cana s oca                     685,50 11,53
         Mecanização                                  144,06   2,42                                                                                       R$/ha   R$/ton
         Mão de obra                                  153,18   2,58                                      Re mune raçõe s de Capital                       174,12   2,93
         Insumos                                      388,26   6,53                                      Lavoura fundada                                   118,87   2,00
                                                                                                         Irrigação/Fertirrigação                            14,06   0,24
                                                   R$/ha    R$/ton                                       Máquinas e implementos                             39,11   0,66
         Colhe ita                                1.484,83 24,98                                         Benfeitorias                                        2,08   0,04
         Mecanização                                 554,79   9,33                                       Capital de giro - juros                             0,00   0,00
         Mão de obra                                 930,03 15,64
         Insumos                                       0,00   0,00                                       Cus to Total                                  3.768,40          63,39
Figura 50. Fluxograma de custos de produção por estágio e item de custo, para as usinas da região Nordeste, na safra 2010/11.
Nota: DepreciaçõesFluxograma deimplementos agrícolas embutidas e item de custo, para as usinas da de produção: preparo safra 2010/11. tratos culturais cana
       Figura 50. de máquinas e custos de produção por estágio nos valores de custos dos estágios região Nordeste, na do solo, plantio,
       planta, tratos culturais canaesoca e colheita. Além disso, cabe ressaltar que estágios de produção: preparo do solo, plantio, tratos culturais cana um desses culturais foram
        Nota: Depreciações de máquinas implementos agrícolas embutidas nos valores de custos dos os valores apresentados (R$/ha e R$/ton) para cada planta, tratos estágios
        cana soca e colheita. Além disso, cabe ressaltar que os valores apresentados (R$/ha e R$/ton) para cada um desses estágios foram ponderados de acordo com as suas respectivas áreas.
       ponderados de acordo com as suas respectivas áreas.

                                                                                                                                                                                       103




 103
Por fim, para a composição dos custos agroindustriais de açúcar e etanol, faz-se necessária a
inclusão dos custos agrícolas (cana-de-açúcar) ponderados. Isto é feito de acordo com o nível de
participação da matéria-prima própria e seu respectivo preço, bem como pelo preço pago pela cana de
fornecedores. Da Tabela 67 à Tabela 69 são apresentadas as ponderações dos custos agrícolas que
serviram de input para o cálculo dos custos agroindustriais dos produtos da cadeia sucroenergética.


Tabela 67. Ponderação do custo da cana-de-açúcar: COE.

                                                       Custo cana fornecedores
Região              Custo (R$/t)   Cana Própria (%)                              Preço ponderado (R$/t)
                                                                (R$/t)

Tradicional            37,86              60                    56,54                    45,33
Expansão               34,74              73                    52,50                    39,53
Nordeste               43,57              63                    73,74                    54,73



Tabela 68. Ponderação do custo da cana-de-açúcar: COT.

                                                       Custo cana fornecedores
Região              Custo (R$/t)   Cana Própria (%)                              Preço ponderado (R$/t)
                                                                (R$/t)

Tradicional            47,03              60                    56,54                    50,83
Expansão               43,80              73                    52,50                    46,15
Nordeste               56,20              63                    73,74                    62,69



Tabela 69. Ponderação do custo da cana-de-açúcar: CT.

                                                       Custo cana fornecedores
Região              Custo (R$/t)   Cana Própria (%)                              Preço ponderado (R$/t)
                                                                (R$/t)

Tradicional            53,12              60                    56,54                    54,49
Expansão               47,11              73                    52,50                    48,56
Nordeste               63,39              63                    73,74                    67,22




104
3.4.2.2 Industrial


         Os principais fatores de formação dos custos industriais são apresentados em valores nominais
nesta subseção, sendo eles: mão-de-obra, insumos, manutenção e administração industrial. De modo a
permitir a comparação direta entre os valores de usinas com escalas de moagem diferentes, as
informações são apresentadas em reais por tonelada de cana processada. Ressalta-se novamente que as
escalas de moagem estão deslocadas em classes de 250 mil toneladas, com o intuito de manter o sigilo
das unidades industriais informantes.
         Ainda, em função do aumento do número de unidades participantes neste levantamento, as
médias utilizadas nos modelos para os custos industriais referentes a mão-de-obra, insumos químicos,
energia elétrica, sacaria e manutenção estão atreladas, para cada região produtora, a um determinado
intervalo de mix de produção. Tal mecanismo, juntamente com outros tratamentos estatísticos, foi
aplicado com o objetivo de eliminar dados discrepantes.
         A Tabela 70 e a Figura 51 logo abaixo apresentam os custos com mão-de-obra industrial. Para
a região Centro-Sul, verifica-se que os valores médios ficaram bem próximos aos da safra 2009/2010,
em torno de R$ 3,80/t, enquanto que para região Nordeste observou-se queda de quase 8%. Apesar do
declínio, os maiores custos aferidos nas unidades nordestinas (média de R$ 4,04/t) refletem a relativa
escassez desse tipo especializado de mão-de-obra na região, e reforça o fator trabalho como ponto
importante na composição de seus custos industriais.


Tabela 70. Mínimos, máximos e médias para os custos com mão-de-obra (R$/t) para usinas das regiões
              Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste.
Região                                   Mínimo                  Máximo                Média
Expansão                                  2,79                    6,01                  3,85
Tradicional                               2,70                    5,93                  3,72
Nordeste                                  2,59                    5,73                  4,04




                                                                                                   105
7,00

                       6,00
  Mão-de-obra - R$/t




                       5,00

                       4,00

                       3,00

                       2,00
                              0,00      0,50      1,00       1,50         2,00        2,50     3,00     3,50    4,00
                                                                 Moagem (milhões de t)

                                           Centro-Sul Expansão      Centro-Sul Tradicional   Nordeste

Figura 51. Distribuição de custos com mão de obra (R$/t) em função de faixas de moagem (milhões de
                               t) para usinas das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste.


                       Os valores detalhados para insumos industriais são expostos na tabela seguinte (Tabela 71). De
forma geral, destacam-se os seguintes pontos acerca das variações de preços dos insumos: i) aumento
dos custos com combustíveis e lubrificantes; ii) queda dos custos com energia elétrica para a região
Centro-Sul Expansão; iii) queda de custos com insumos químicos na região Tradicional; e iv) aumento
dos custos com sacaria na região Nordeste.
                       Nas análises comparativas entre regiões, são dignos de menção os custos mais elevados
incorridos pelas unidades do Nordeste na aquisição de insumos químicos, combustíveis e embalagens.
Dentre tais itens, destaca-se a diferença de R$ 0,73/tc entre os custos médios com embalagens do
Centro-Sul Expansão e do Nordeste, em função do mix de produção. Isto porque, no Nordeste, esta
grande diferença está atrelada ao mix açucareiro, cuja produção demanda relativamente mais insumos,
em especial, os químicos. No confronto de custos entre as duas grandes regiões do Centro-Sul, por sua
vez, os distintos gastos relativos com insumos químicos são os mais relevantes. Em termos globais, o
menor custo médio com insumos industriais foi registrado para o Centro-Sul Tradicional, na ordem de




106
R$ 2,03 por tonelada de cana processada, ao passo que as regiões Centro-Sul Expansão e Nordeste
apresentaram custos médios superiores em 11,82% e 86,21%, respectivamente.


Tabela 71 Mínimos, máximos e médias de custos com insumos industriais (R$/t) para usinas das
                regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste.
                               Expansão                    Tradicional                   Nordeste
Insumos
                        Mín      Máx       Méd      Mín      Máx         Méd      Mín     Máx       Méd
Químicos                0,82     2,25      1,43     0,70      2,07       1,01     0,99    2,42      1,99
Eletrodos               0,08     0,12      0,10     0,07      0,19       0,14     0,06    0,28      0,11
Combustíveis            0,06     0,30      0,17     0,07      0,24       0,11     0,06    0,29      0,24
Lubrificantes           0,07     0,23      0,10     0,07      0,25       0,14     0,11    0,24      0,16
Energia elétrica        0,06     0,37      0,20     0,08      0,49       0,27     0,19    0,47      0,27
Embalagem               0,00     1,37      0,28     0,00      1,81       0,35     0,00    2,59      1,01
TOTAL                     -        -       2,27      -         -         2,03      -        -       3,78



         Além da discriminação dos principais insumos industriais, cuja evolução foi mais bem tratada
em capítulo anterior deste documento, outro ponto importante remete aos custos com manutenção
industrial. A Tabela 72 evidencia medidas desses custos para as três grandes regiões em questão, além
das respectivas participações das peças e serviços em suas composições. Como observado, os
dispêndios médios com manutenção industrial não foram muito discrepantes regionalmente, dada a
diferença inferior a 10% entre os custos médios das regiões do Centro-Sul. Além do mais, é importante
frisar a relativa concentração espacial das empresas que prestam manutenção às unidades do setor
sucroenergético brasileiro, que compreende um dos fatores explicativos das diferenças regionais acerca
das participações de peças e serviços na formação dos custos totais com manutenção. A propósito, a
contribuição dos serviços no total gasto com manutenção nas usinas do Nordeste (31,02%) foi bastante
inferior àquelas participações registradas no Centro-Sul, correspondentes a aproximadamente metade
de todo custo com manutenção industrial.




                                                                                                       107
Com o intuito de complementar as participações dos itens de peças e serviços de manutenção
expostas anteriormente, a Figura 52 mostra os valores absolutos dos custos de ambas as categorias,
para todas as regiões produtoras analisadas.


Tabela 72. Mínimos, máximos e médias de custos com manutenção industrial (R$/t), e as respectivas
               participações dos grupos de materiais e serviços na composição desses custos, para usinas
               das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste.
Região                                Medida             Expansão         Tradicional       Nordeste
                                        Mín                 3,52             3,33              3,08
Manutenção - R$/t                      Máx                  6,04             6,45              7,51
                                       Méd                  4,43             4,86              4,70
                                        Mín                37,97             26,02            44,94
Material - %                           Máx                 60,54             68,92            85,75
                                       Méd                 45,29             50,39            68,98
                                        Mín                39,46             31,08            14,25
Serviço - %                            Máx                 62,03             73,98            55,06
                                       Méd                 54,71             49,61            31,02




108
6,00

         5,00

         4,00                                                                     1,46
                                                        2,41
                            2,42
  R$/t




         3,00

         2,00
                                                                                  3,24
                                                        2,45
         1,00               2,01

         0,00
                          Expansão                   Tradicional                Nordeste


                                                  Material     Serviço

Figura 52. Custos de peças e serviços de manutenção industrial (R$/t) para usinas das regiões Centro-
                Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste.


         Além da manutenção industrial, as respostas das usinas acerca dos principais fatores de custos
administrativo-industriais também merecem atenção especial. Da mesma maneira que a apresentação
dos custos industriais, torna-se válido mencionar que todos os custos administrativos são referentes aos
valores nominais dos preços praticados na safra 2010/11, sendo apresentados para as três grandes
regiões produtoras do Brasil.
         Em termos gerais, a Tabela 73 expõe os custos totais com administração industrial por tonelada
de cana processada, segundo a divisão regional proposta no estudo. O gasto médio do Nordeste foi
bastante superior àqueles das outras localidades, representando 40,58% do montante incorrido pelo
Centro-Sul Expansão e 64,41% do custo relativo do Centro-Sul Tradicional.




                                                                                                    109
Tabela 73. Mínimos, máximos e médias de custos com administração industrial (R$/t) para usinas das
              regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste.
Região                                   Mínimo                   Máximo                 Média
Expansão                                  0,32                     1,31                   0,69
Tradicional                               0,22                     1,54                   0,59
Nordeste                                  0,35                     1,67                   0,97


         Em relação aos modelos típicos de usinas das três regiões pesquisadas, os resultados dos custos
de produção são apresentados a seguir, lembrando que as premissas utilizadas já foram descritas ao
longo do relatório, estando expressas como valores médios. Da Tabela 74 à Tabela 76, são
apresentados os valores resultantes dos modelos de custos de processamento agroindustrial da cana-de-
açúcar das regiões de Expansão, Tradicional e Nordeste, respectivamente. Os mesmos são
apresentados em reais e em reais por tonelada decana, além da participação relativa de cada
departamento no custo final de processamento da cana-de-açúcar.
         Os custos de produção dos produtos finais açúcar branco, açúcar VHP, etanol anidro e etanol
hidratado são apresentados da Tabela 77 à Tabela 79 e da Figura 53 à Figura 55, sendo que os gráficos
confrontam os custos de produção com os preços recebidos. Cabe ressaltar que apesar de outros tipos
de açúcar e etanol terem sido considerados no mix de produtos, seus respectivos custos de produção
não foram modelados. Tal fato se deve à ampla gama de produtos considerados como “outros”, sendo
a amostragem dificultada por peculiaridades de cada produto, bem como pela pouca relevância, em
termos quantitativos, dos mesmos frente à escala produtiva dos produtos “tradicionais”. Por fim, da
Figura 56 à Figura 58 são apresentados os fluxogramas industriais, cuja ilustração contrasta os
resultados técnicos e econômicos dos modelos.
         Em termos metodológicos, além dos princípios utilizados em levantamentos passados, isto é,
do custo médio da região e custo médio de usina da região com escala de produção compatível com
escalas do modelo, o levantamento de fechamento da safra 2010/2011, dado o aumento da amostra,
contou com mais um principio, baseado no mix de produção, sendo elencadas unidades com mix
semelhante ao do respectivo modelo regional.



110
Outro ponto que vale ser ressaltado é a mensuração de custos de depreciação industrial e de
capital, que apesar de seguirem a proposta de Marques (2009) e terem os valores de investimentos
mantidos os mesmos, teve uma mudança conceitual em sua definição. Por definição teórica optou-se
por manter a consideração de investimentos médios de R$ 100,00 por tonelada de cana processada
para a produção de etanol e R$ 120,00 por tonelada de cana para produção de açúcar. Por premissa, foi
definido que esses valores de investimentos não incluem nenhum investimento em caldeiras ou
geradores de eletricidades, os quais serão considerados como investimentos para a produção de
eletricidade e que serão à parte do processo de produção de açúcar e etanol. O conceito de
simplificação assumido para o cálculo de custos de produção de açúcar e etanol é o de que a geração
de eletricidade trata-se de um processo independente que utiliza bagaço fornecido a custo zero e, por
outro lado, supre com vapor e eletricidade, também a custo zero, o processo produtivo de açúcar e
etanol.




                                                                                                  111
Tabela 74. Custos de produção agroindustrial do processamento de cana-de-açúcar: região Centro-Sul
               Expansão.

DESCRIÇÃO                                          Total Anual (R$)     R$/t        Participação


Custo da cana                                       116.554.222,23     48,56          59,55%
        COE                                         94.876.184,77      39,53
                   Cana de fornecedores             34.020.146,92      14,18
                   COE cana própria                 60.856.037,85      25,36
        Depreciações                                15.883.552,26      6,62
        Remuneração do capital e terra               5.794.485,19       2,41
Custo industrial                                    52.324.599,09      21,80          26,73%
      Operação industrial                           26.990.305,91      11,25
            Mão-de-obra                              9.249.190,70       3,85
            Insumos                                  5.457.379,34       2,27
                   Químico                           3.434.112,00       1,43
                    Eletrodos                        242.297,98         0,10
                    Combustível                      417.264,00         0,17
                    Lubrificante                     232.041,90         0,10
                    Eletricidade                     469.260,00         0,20
                    Embalagem                        662.403,47         0,28
              Manutenção                            10.632.690,44       4,43
                    Material                        4.816.036,00        2,01
                    Serviço                         5.816.654,44        2,42
      Administração industrial                      1.651.045,43        0,69
      Depreciação industrial                        8.237.651,39        3,43
      Custo de Capital industrial                   15.445.596,36       6,44
Departamento administrativo                         26.853.072,82      11,19          13,72%
                     Mão-de-obra                     9.959.529,54       4,15           29,08
                     Insumos e serviços              7.702.793,89       3,21           22,49
                     Capital de giro                 9.190.749,39       3,83           26,83
Custo Total                                         195.731.894,14     81,55          100,00%




112
Tabela 75. Custos de produção agroindustrial do processamento de cana-de-açúcar: região Centro-Sul
              Tradicional.

DESCRIÇÃO                                          Total Anual (R$)     R$/t        Participação


Custo da cana                                       130.768.307,59     54,49          63,93%
      COE                                           108.788.197,07     45,33
                 Cana de fornecedores                54.276.789,58     22,62
                 COE cana própria                    54.511.407,49     22,71
      Depreciações                                   13.213.623,01     5,51
      Remuneração do capital e terra                 8.766.487,52       3,65
Custo industrial                                    52.561.160,85      21,90          25,70%
     Operação industrial                            26.880.911,34      11,20
           Mão-de-obra                               8.916.504,04       3,72
           Insumos                                   4.868.186,44       2,03
                  Químico                            2.434.354,29       1,01
                  Eletrodos                          346.421,66         0,14
                  Combustível                        271.128,00         0,11
                  Lubrificante                       327.430,48         0,14
                  Eletricidade                       655.988,57         0,27
                  Embalagem                          832.863,44         0,35
            Manutenção                              11.679.591,78       4,87
                  Material                          5.885.613,90        2,45
                  Serviço                           5.793.977,88        2,41
    Administração industrial                        1.416.629,09        0,59
    Depreciação industrial                          8.439.520,15        3,52
    Custo de Capital industrial                     15.824.100,28       6,59
Departamento administrativo                         21.204.390,24       8,84          10,37%
                   Mão-de-obra                       6.889.770,08       2,87           20,13
                   Insumos e serviços                5.123.870,77       2,13           14,97
                   Capital de giro                   9.190.749,39       3,83           26,86
Custo Total                                         204.533.858,69     85,22          100,00%




                                                                                                113
Tabela 76. Custos de produção agroindustrial do processamento de cana-de-açúcar: região Nordeste.

DESCRIÇÃO                                           Total Anual (R$)     R$/t        Participação


Custo da cana                                        80.662.276,04      67,22           68,69%
        COE                                          65.678.762,50      54,73
                   Cana de fornecedores              32.741.188,31      27,28
                   COE cana própria                  32.937.574,19      27,45
        Depreciações                                 9.547.060,87       7,96
        Remuneração do capital e terra               5.436.452,67       4,53
Custo industrial                                     29.831.506,57      24,86           25,40%
      Operação industrial                            16.187.119,19      13,49
            Mão-de-obra                              4.844.759,45       4,04
            Insumos                                  4.536.719,88       3,78
                   Químico                           2.384.020,00       1,99
                   Eletrodos                          133.924,48        0,11
                   Combustível                        285.720,00        0,24
                    Lubrificante                       188.586,10        0,16
                    Eletricidade                       327.240,00        0,27
                    Embalagem                         1.217.229,30       1,01
              Manutenção                              5.635.977,86       4,70
                    Material                          3.887.868,13       3,24
                    Serviço                           1.748.109,73       1,46
      Administração industrial                        1.169.661,99       0,97
      Depreciação industrial                          4.339.034,92       3,62
      Custo de Capital industrial                     8.135.690,47       6,78
Departamento administrativo                           6.931.408,43       5,78           5,90%
                     Mão-de-obra                      3.528.509,03       2,94            22,43
                     Insumos e serviços               2.545.472,20       2,12            16,18
                     Capital de giro                   857.427,20        0,71            5,45
Custo Total                                          117.425.191,04     97,85          100,00%




114
Tabela 77. Custos de produção agroindustrial de açúcar e etanol: região Centro-Sul Expansão.
                                                                                             Etanol
                                               Açúcar Branco Açúcar VHP     Etanol Anidro
DESCRIÇÃO                                                                                   Hidratado
                                                   R$/t         R$/t           R$/m³
                                                                                             R$/m³
Custo da cana                                     382,24         360,50        580,90          529,79
      COE                                         315,82         294,35        472,02          428,35
                 Cana de fornecedores             129,37         108,65        166,37          143,56
                 COE cana própria                 186,45         185,70        305,65          284,78
      Depreciações                                 48,66         48,47          79,78          74,33
      Remuneração do capital e terra               17,75         17,68          29,10          27,12
Custo industrial                                  174,96         161,19        243,13          226,53
     Operação industrial                           93,78         80,34         132,23          123,20
           Mão-de-obra                             28,34         28,22          46,45          43,28
            Insumos                                27,81         14,63          24,08          22,44
                  Químico                          10,52         10,48          17,25          16,07
                  Eletrodos                        0,74           0,74          1,22            1,13
                  Combustível                      1,28           1,27          2,10            1,95
                  Lubrificante                     0,71           0,71          1,17            1,09
                  Eletricidade                     1,44           1,43          2,36            2,20
                  Embalagem                        13,12          0,00          0,00            0,00
            Manutenção                             32,58         32,45          53,40          49,76
                  Material                         14,76         14,70          24,19          22,54
                  Serviço                          17,82         17,75          29,21          27,22
    Administração industrial                       5,06           5,04          8,29            7,73
    Depreciação industrial                         28,24         28,12          38,57          35,94
    Custo de Capital industrial                    52,94         52,73          72,32          67,39
Departamento administrativo                        82,27         81,94         134,87          125,66
                   Mão-de-obra                     30,51         30,39          50,02          46,61
                   Insumos e serviços              23,60         23,51          38,69          36,05
                   Capital de giro                 28,16         28,05          46,16          43,01
Custo Total                                       639,47         603,64        958,90          881,98




                                                                                                    115
Tabela 78. Custos de produção agroindustrial de açúcar e etanol: região Centro-Sul Tradicional.
                                                                                              Etanol
                                               Açúcar Branco Açúcar VHP      Etanol Anidro
DESCRIÇÃO                                                                                    Hidratado
                                                   R$/t         R$/t            R$/m³
                                                                                              R$/m³
Custo da cana                                      433,34        401,87         635,97        585,16
        COE                                        365,93        334,74         525,82        482,52
                   Cana de fornecedores            198,75        168,23         252,64        228,00
                   COE cana própria                167,18        166,51         273,18        254,53
        Depreciações                                40,52        40,36           66,22        61,70
        Remuneração do capital e terra              26,89        26,78           43,93        40,93
Custo industrial                                   175,65        160,50         241,19        224,72
      Operação industrial                           94,39         79,56         130,54        121,62
            Mão-de-obra                             27,35         27,24          44,68        41,63
              Insumos                               26,88         12,33          20,22         18,84
                    Químico                         7,47          7,44           12,20         11,37
                    Eletrodos                       1,06          1,06           1,74           1,62
                    Combustível                     0,83          0,83           1,36           1,27
                    Lubrificante                    1,00           1,00          1,64           1,53
                    Eletricidade                    2,01           2,00          3,29           3,06
                    Embalagem                       14,51          0,00          0,00           0,00
              Manutenção                            35,82         35,68          58,53         54,53
                    Material                        18,05         17,98          29,49         27,48
                    Serviço                         17,77         17,70          29,04         27,05
      Administração industrial                      4,34           4,33          7,10           6,61
      Depreciação industrial                        28,26         28,15          38,49         35,86
      Custo de Capital industrial                   52,99         52,78          72,16         67,24
Departamento administrativo                         65,03         64,77         106,26         99,01
                     Mão-de-obra                    21,13         21,04          34,53         32,17
                     Insumos e serviços             15,71         15,65          25,68         23,92
                     Capital de giro                28,19         28,07          46,06         42,91
Custo Total                                        674,02        627,14         983,42        908,88




116
Tabela 79. Custos de produção agroindustrial de açúcar e etanol: região Nordeste.
                                                                                            Etanol
                                               Açúcar Branco    Açúcar     Etanol Anidro
DESCRIÇÃO                                                                                  Hidratado
                                                   R$/t        VHP R$/t       R$/m³
                                                                                            R$/m³
Custo da cana                                     569,62        534,99        823,23        774,25
      COE                                         469,67        435,44        658,11        620,40
                 Cana de fornecedores             249,95        216,60        295,13        282,21
                 COE cana própria                 219,72        218,84        362,98        338,20
      Depreciações                                63,69         63,43         105,21         98,03
      Remuneração do capital e terra              36,27         36,12          59,91         55,82
Custo industrial                                  212,73        187,48        286,63        267,06
     Operação industrial                          124,36         99,46        164,97        153,71
           Mão-de-obra                            32,32          32,19         53,39         49,74
            Insumos                                46,64         22,05         36,58         34,08
                  Químico                          15,90         15,84         26,27         24,48
                  Eletrodos                         0,89          0,89         1,48          1,38
                  Combustível                       1,91          1,90         3,15          2,93
                  Lubrificante                      1,26          1,25         2,08          1,94
                  Eletricidade                      2,18          2,17         3,61          3,36
                  Embalagem                        24,50          0,00         0,00          0,00
            Manutenção                             37,60         37,45         62,11         57,87
                  Material                         25,94         25,83         42,84         39,92
                  Serviço                          11,66         11,61         19,26         17,95
    Administração industrial                        7,80          7,77         12,89         12,01
    Depreciação industrial                         30,74         30,62         42,32         39,43
    Custo de Capital industrial                    57,64         57,40         79,35         73,93
Departamento administrativo                        46,24         46,05         76,39         71,17
                   Mão-de-obra                     23,54         23,44         38,88         36,23
                   Insumos e serviços              16,98         16,91         28,05         26,14
                   Capital de giro                 5,72          5,70          9,45          8,80
Custo Total                                       828,59        768,53        1.186,25     1.112,49




                                                                                                     117
Tabela 80. Resumo dos custos de produção agroindustriais de açúcar e etanol: região Centro-Sul
                 Expansão.
                                                                                                           Etanol
                                                  Açúcar Branco         Açúcar         Etanol Anidro
DESCRIÇÃO                                                                                                 Hidratado
                                                      R$/t             VHP R$/t           R$/m³
                                                                                                           R$/m³
COE cana-de-açúcar                                   315,82             294,35            472,02           428,35
COT cana-de-açúcar                                   364,48             342,82            551,80           502,67
CT cana-de-açúcar                                    382,24             360,50            580,90           529,79
COE industrial                                       93,78              80,34             132,23           123,20
COE administrativo                                   82,27              81,94             134,87           125,66
COE agroindustrial                                   491,87             456,63            739,13           677,21
COT agroindustrial                                   568,78             533,22            857,47           787,48
CT agroindustrial                                    639,47             603,64            958,90           881,98
Preço médio                                          903,74             758,98            1113,60          960,92
Margem sobre CT                                      41,33%             25,73%            16,13%           8,95%
         1.600                                                 1.600
         1.400                                                 1.400
         1.200                                                 1.200
         1.000                                                 1.000
                                                       R$/m³
  R$/t




          800                                                   800
          600                                                   600
          400                                                   400
          200                                                   200
            0                                                     0
                      Branco             VHP                               Anidro             Hidratado

           COE       COT     CT     Preço médio                  COE     COT        CT     Preço médio



                                  (a)                                            (b)

Figura 53. COE, COT, CT e Preço médio para a região Centro-Sul Expansão: a) Açúcar Branco e
             Açúcar VHP; b) Etanol Anidro e Etanol Hidratado.




118
Tabela 81. Resumo dos custos de produção agroindustriais de açúcar e etanol: região Centro-Sul
             Tradicional.
                                                                                                      Etanol
                                                 Açúcar Branco Açúcar VHP        Etanol Anidro
DESCRIÇÃO                                                                                            Hidratado
                                                     R$/t         R$/t              R$/m³
                                                                                                      R$/m³
COE cana-de-açúcar                                    365,93           334,74          525,82          482,52
COT cana-de-açúcar                                    406,45           375,10          592,04          544,22
CT cana-de-açúcar                                     433,34           401,87          635,97          585,16
COE industrial                                         94,39           79,56           130,54          121,62
COE administrativo                                     65,03           64,77           106,26          99,01
COE agroindustrial                                    525,35           479,07          762,62          703,16
COT agroindustrial                                    594,14           547,58          867,32          800,71
CT agroindustrial                                     674,02           627,14          983,42          908,88
Preço médio                                           942,06           797,38          1147,36         1035,44
Margem sobre CT                                       39,77%           27,15%          16,67%          13,92%



                       1.600                                           1.600
                       1.400                                           1.400
                       1.200                                           1.200
                       1.000                                           1.000
                                                               R$/m³
                R$/t




                        800                                             800
                        600                                             600
                        400                                             400
                        200                                             200
                          0                                               0
                                Branco          VHP                              Anidro             Hidratado

                         COE   COT    CT   Preço médio                   COE    COT       CT     Preço médio
                                (a)                                              (b)
                                  (a)                                          (b)
Figura 54. COE, COT, CT e Preço médio para a região Centro-Sul Tradicional: a) Açúcar Branco e
Figura 54. COE, COT, CT e Preço médio para a região Centro-Sul Tradicional: a) Açúcar Branco e
           Acúcar VHP; b) Etanol Anidro e Etanol Hidratado.
           Açúcar VHP; b) Etanol Anidro e Etanol Hidratado.




                                                                                                               119
                                                                                                               119
Tabela 82. Resumo dos custos de produção agroindustriais de açúcar e etanol: região Nordeste.
                                                                                                        Etanol
                                                      Açúcar Branco      Açúcar        Etanol Anidro
DESCRIÇÃO                                                                                              Hidratado
                                                          R$/t          VHP R$/t          R$/m³
                                                                                                        R$/m³
COE cana-de-açúcar                                        469,67         435,44           658,11        620,40
COT cana-de-açúcar                                        533,35         498,87           763,32        718,43
CT cana-de-açúcar                                         569,62         534,99           823,23        774,25
COE industrial                                            124,36         99,46            164,97        153,71
COE administrativo                                        46,24          46,05             76,39         71,17
COE agroindustrial                                        640,26         580,96           899,47        845,28
COT agroindustrial                                        734,69         675,00           1046,99       982,74
CT agroindustrial                                         828,59         768,53           1186,25       1112,49
Preço médio                                              1063,55         921,68           1203,25       1150,56
Margem sobre CT                                          28,36%          19,93%            1,43%         3,42%


             1.600                                              1.600
             1.400                                              1.400
             1.200                                              1.200
             1.000                                              1.000
                                                        R$/m³
      R$/t




              800                                                800
              600                                                600
              400                                                400
              200                                                200
                0                                                  0
                       Branco                VHP                         Anidro            Hidratado

               COE    COT    CT         Preço médio               COE   COT       CT    Preço médio

                                  (a)                                         (b)

Figura 55. COE, COT, CT e Preço médio para a região Nordeste: a) Açúcar Branco e Açúcar VHP; b)
              Etanol Anidro e Etanol Hidratado.




120
Modelo industrial de usina região Tradicional




                                                                     Custos de produção agroindustrial do processamento                                                           Mixde produção
                Estação de tratamento de água                                                                                     Qualidade da matéria-prima                                                                            Moagem
                                                                                      da cana de açúcar                                                                Açúcar                         49,45%
Vazão de captação de água (m³/h)                              600                                                                                                                                               Moagem da cana (t)                            2.400.000
                                                                                                                                                                       Etanol                         50,55%
                      Produção de etanol                                                             Total     R$/ton         Pol % Cana (PC)                 14,13%         Produção de sub-produtos
                                                                                                                                                                                                                             Recepção, Preparo e Extração
Sistema de fermentação                               contínuo        I - Custo cana             130.768.307,59 54,49          Fibra da cana                   13,20%   Bagaço total         660.327         t   Sistema de entrega da cana               bate - e - volta
Número de dornas de fermentação                              8         COE                      108.788.197,07 45,33          Pureza da cana                  85,11%   Torta de filtro       77.131         t   Número de mesas de recepção                             2
capacidade de fermentação (m³/h)                        4.500
                                                                     Depreciações                13.213.623,01    5,51        ART da cana (Kg/t)              154,68   Vinhaça           1.166.609        m³    Sistema de acionamento                  turbina a vapor
Possui fábrica de fermento na usina?                       não
                                                                     Remuneração capital e terra 8.766.487,52     3,65                                                 Leveduras               1.260        t   Número de tratores (Recepção)                           2
Número de linhas de destilação                               3                                                                        Rendimento industrial
                                                                                                                                                                       Mel final                  -         t   Número de pás carregadeiras                             2
Capacidade total de destilação                            600
                                                                     II - Custo industrial            51.144.531,77   21,31   Lavagemda cana                  38,74%   Óleo fúsel                215      m³             Sistema de extração                   moenda
Forma de aquecimento da coluna                          direto
                                                                                                                                                                                                                Número de linhas de extração                            1
                      Cap. (m³/dia) Uso (m³/dia) Desidratação          Operação industrial            26.880.911,34   11,20   Perdas de lavagem                0,50%                  Produtos
                                                                                                                                                                                                                Capacidade total de extração (TCD)               12.000
Linha 1                        300          280 ciclo-hexano             Mão de obra                   8.916.504,04    3,72   Perdas no bagaço                 4,54%                    Açúcar
                                                                                                                                                                                                                               Cap. (TCD) Nº Ternos Acionamento
Linha 2                        200          180 ciclo-hexano             Insumos                       4.868.186,44    2,03   Perdas na torta de filtro        0,42%   Açúcar branco          942,06     R$/t
Linha 3                                                                                                                                                                                                         Linha 1           12.000              6 turbina a vapor
                               100           60       nenhum             Manutenção                   11.679.591,78    4,87   Perdas indeterminadas            2,37%   Açúcar VHP             797,38     R$/t
                        Vapor e energia                                  Administração industrial      1.416.629,09    0,59   Rendimentos fermentação         90,13%   Outros                     942    R$/t                     Tratamento do caldo
Número de caldeiras                                             2      Depreciação                     8.439.520,15    3,52   Rendimentos destilação          99,51%                    Etanol                  Número de linhas de tratamento                         2
Produção de vapor (tv/h)                                    220        Custo do capital industrial    15.824.100,28    6,59   Pureza mel residual             59,45%   Hidratado            1.035,44 R$/m³      Decantação automatizada?                             sim
Consumo de vapor válvula redutora                                -                                                                                                                                              Evaporação automatizada?                             sim
                                                                                                                                                                       Anidro               1.147,36 R$/m³
                        Cap. (t/h)    Prod. (t/h) Pressão (bar)                                                                                                                                                 Nº de efeitos de evaporação (açúcar)                   5
                                                                     III - Dep. administrativo        21.204.390,24    8,84               Produtividade                Outros                  1.147 R$/m³
Caldeira 1                      150           130             21                                                                                                                                                Trat. Separado de açúcar e Etanol                    sim
Caldeira 2                                                                                                                    Horas de moagem                  4.842                 Eletricidade
                                100            90             21
Número de geradores                                             2                                                             Horas fábrica parada             1.107   Compra              222,00 R$/MWh
                                                                                                                                                                                                                                  Produção de açúcar
Capacidade total de geração (MW)                                6    Custo total                     203.117.229,61   84,63   Eficiência                      81,39%   Venda               150,00 R$/MWh
                                                                                                                                                                                                                Tipo de cozimento                               batelada
           Potência      Turbina                   cons. (tv/h)
                                                                                                                                                                                                                Número de massas do cozimento                          2
Gerador 1          4                contrapressão             42
                                                                                                         Custos de produção agroindustrial de açúcar e etanol                                                   É automatizada?                                      não
Gerador 2          2                contrapressão             25
                                                                                                                                         Custos                                                                 Possui refinaria?                                    não
                          Tanques                                                            Açúcar branco Açúcar VHP Açúcar outros Etanol anidro Etanol hidratado Etanol outros                Cana
Número de tanques                                             5                                 R$/ton        R$/ton       R$/ton          R$/m³           R$/m³      R$/m³                    R$/ton                                 Armazéns
Capacidade total de armazenagem (m³)                    50.000            COE agroindustrial    525,35        479,07       510,85          762,62          703,16     727,80                    65,36           Número de armazéns                               3
                      Quantidade           Capacidade (m³)                COT agroindustrial    594,14        547,58       579,63          867,32          800,71     825,36                    74,39           Capacidade total de armazenagem (t)         40.000
Tanque 1                        2                         5.000           CT agroindustrial     674,02        627,14       659,51          983,42          908,88     933,53                    84,63                        Quantidade          Capacidade
Tanque 2                        2                       10.000            Preço médio           942,06        797,38       942,06        1147,36          1035,44    1147,36                   105,13           Armazém 1               1                   15.000
Tanque 3                        1                       20.000            Margem                39,8%         27,1%        42,8%           16,7%           13,9%      22,9%                    24,2%            Armazém 2               2                    7.500
            121




                         Figura 56. Fluxograma de custos de produção por estágio e item de custo industrial, para as usinas da região Expansão, na safra 2010/11.
Modelo industrial de usina região Expansão




             122




                Estação de tratamento de água                        Custos de produção agroindustrial do processamento                                                           Mixde produção                                       Moagem
                                                                                                                                  Qualidade da matéria-prima
Vazão de captação de água (m³/h)                              600                     da cana de açúcar                                                                Açúcar                         49,45%    Moagem da cana (t)                           2.400.000
                                                                                                                                                                       Etanol                         50,55%
                       Produção de etanol                                                                                                                                    Produção de sub-produtos
                                                                                                     Total     R$/ton         Pol % Cana (PC)                 14,13%                                                         Recepção, Preparo e Extração
Sistema de fermentação                                batelada
                                                                     I - Custo cana             130.768.307,59 54,49          Fibra da cana                   13,20%   Bagaço total         660.327         t   Sistema de entrega da cana                          fila
Número de dornas de fermentação                              8
capacidade de fermentação (m³/h)                              -
                                                                       COE                      108.788.197,07 45,33          Pureza da cana                  85,11%   Torta de filtro       77.131         t   Número de mesas de recepção                            2
                                                                     Depreciações                13.213.623,01    5,51        ART da cana (Kg/t)              154,68   Vinhaça            1.229.290       m³    Sistema de acionamento                  turbina a vapor
Possui fábrica de fermento na usina?                       não
                                                                     Remuneração capital e terra 8.766.487,52     3,65                                                 Leveduras               1.279        t   Número de tratores (Recepção)                          4
Número de linhas de destilação                               2
                                                                                                                                      Rendimento industrial                                                     Número de pás carregadeiras                            2
Capacidade total de destilação                             600                                                                                                         Mel final             67.985         t
                                                                                                                                                                                                                         Sistema de extração                  moenda
Forma de aquecimento da coluna                          direto       II - Custo industrial            51.144.531,77   21,31   Lavagem da cana                 38,74%   Óleo fúsel                262      m³
                      Cap. (m³/dia) Uso (m³/dia) Desidratação                                                                                                                                                   Número de linhas de extração                           1
                                                                       Operação industrial            26.880.911,34   11,20   Perdas de lavagem                0,50%                   Produtos                 Capacidade total de extração (TCD)              12.000
Linha 1                        400          380 ciclo-hexano
                                                                         Mão de obra                   8.916.504,04    3,72   Perdas no bagaço                 4,54%                    Açúcar                                 Cap. (TCD) Nº Ternos Acionamento
Linha 2                        200          160 ciclo-hexano
Linha 3                           -            -              -
                                                                         Insumos                       4.868.186,44    2,03   Perdas na torta de filtro        0,42%   Açúcar branco          942,06     R$/t   Linha 1           12.000              6 turbina a vapor
                                                                         Manutenção                   11.679.591,78    4,87   Perdas indeterminadas            2,37%   Açúcar VHP             797,38     R$/t
                         Vapor e energia                                 Administração industrial      1.416.629,09    0,59   Rendimentos fermentação         90,13%   Outros                     942    R$/t                     Tratamento do caldo
Número de caldeiras                                             2                                      8.439.520,15                                                                                             Número de linhas de tratamento                        2
                                                                       Depreciação                                     3,52   Rendimentos destilação          99,51%                    Etanol
Produção de vapor (tv/h)                                     240                                                                                                                                                Decantação automatizada?                            sim
Consumo de vapor válvula redutora
                                                                       Custo do capital industrial    15.824.100,28    6,59   Pureza mel residual             59,45%   Hidratado            1.035,44 R$/m³
                                                                 -                                                                                                                                              Evaporação automatizada?                            sim
                        Cap. (t/h)    Prod. (t/h) Pressão (bar)                                                                                                        Anidro               1.147,36 R$/m³
                                                                                                                                                                                                                Nº de efeitos de evaporação (açúcar)                  5
Caldeira 1                      200           160             42     III - Dep. administrativo        21.204.390,24    8,84               Produtividade                Outros                  1.147 R$/m³
                                                                                                                                                                                                                Trat. Separado de açúcar e Etanol                   sim
Caldeira 2                      100             80            42                                                              Horas de moagem                  4.842                 Eletricidade
Número de geradores                                             2                                                             Horas fábrica parada             1.107   Compra               222,00 R$/MWh
                                                                                                                                                                                                                                  Produção de açúcar
Capacidade total de geração (MW)                              40     Custo total                     203.117.229,61   84,63   Eficiência                      81,39%   Venda                150,00 R$/MWh       Tipo de cozimento                              batelada
           Potência      Turbina                   cons. (tv/h)
                                                                                                                                                                                                                Número de massas do cozimento                         2
Gerador 1         20                contrapressão            120
                                                                                                           Custos de produção agroindustrial de açúcar e etanol                                                 É automatizada?                                     sim
Gerador 2         20                contrapressão            120
                                                                                                                                           Custos                                                               Possui refinaria?                                   não
                          Tanques                                                              Açúcar branco Açúcar VHP Açúcar outros Etanol anidro Etanol hidratado Etanol outros             Cana
Número de tanques                                             5                                   R$/ton        R$/ton       R$/ton          R$/m³           R$/m³       R$/m³                R$/ton                                  Armazéns
Capacidade total de armazenagem (m³)                    50.000              COE agroindustrial    491,87        456,63       478,76          739,13          677,21      700,02                61,97            Número de armazéns                               1
                      Quantidade           Capacidade (m³)                  COT agroindustrial    568,78        533,22       555,66          857,47          787,48      810,29                72,02            Capacidade total de armazenagem (t)         50.000
Tanque 1                        1                       20.000              CT agroindustrial     639,47        603,64       626,35          958,90          881,98      904,79                80,87                         Quantidade          Capacidade
Tanque 2                        2                       20.000              Preço médio           903,74        758,98       903,74         1113,60          960,92     1113,60                96,59            Armazém 1               1                   50.000
Tanque 3                        2                         5.000             Margem                41,3%         25,7%        44,3%           16,1%            9,0%       23,1%                19,4%             Armazém 2                -                        -




                         Figura 57. Fluxograma de custos de produção por estágio e item de custo industrial, para as usinas da região Tradicional, na safra 2010/11.
Modelo industrial de usina região Nordeste




                     Estação de tratamento de água                   Custos de produção agroindustrial do processamento                                                           Mixde produção                                      Moagem
                                                                                                                                  Qualidade da matéria-prima
Va zã o de ca pta çã o de á gua (m³/h)                      1500                      da cana de açúcar                                                                Açúcar                        49,45%    Moagem da cana (t)                          1.200.000
                                                                                                                                                                       Etanol                        50,55%
                      Produção de etanol
                                                                                                     Total     R$/ton         Pol % Cana (PC)                 14,13%         Produção de sub-produtos                       Recepção, Preparo e Extração
Sistema de fermentação                                batelada
Número de dornas de fermentação
                                                                     I - Custo cana             130.768.307,59 54,49          Fibra da cana                   13,20%   Bagaço total         660.327        t   Sistema de entrega da cana                        pátio
                                                            10
                                                                       COE                      108.788.197,07 45,33          Pureza da cana                  85,11%   Torta de filtro       77.131        t   Número de mesas de recepção                           2
capacidade de fermentação (m³/h)                        2.000
                                                                     Depreciações                13.213.623,01    5,51        ART da cana (Kg/t)              154,68   Vinhaça              352.562      m³    Sistema de acionamento                  turbina a vapor
Possui fábrica de fermento na usina?                       não
                                                                                                                                                                                                               Número de tratores (Recepção)                         1
Número de linhas de destilação                               3       Remuneração capital e terra 8.766.487,52     3,65                                                 Leveduras               -           t
                                                                                                                                      Rendimento industrial                                                    Número de pás carregadeiras                           2
Capacidade total de destilação                            250                                                                                                          Mel final            126.669        t
                                                                                                                                                                                                                        Sistema de extração                  moenda
Forma de aquecimento da coluna                          direto       II - Custo industrial            51.144.531,77   21,31   Lavagem da cana                 38,74%   Óleo fúsel              -         m³    Número de linhas de extração                          1
                      Cap. (m³/dia) Uso (m³/dia) Desidratação          Operação industrial            26.880.911,34   11,20   Perdas de lavagem                0,50%                  Produtos                 Capacidade total de extração (TCD)               9.500
Linha 1                        120          100 ciclo-hexano
                                                                         Mão de obra                   8.916.504,04    3,72   Perdas no bagaço                 4,54%                    Açúcar                                Cap. (TCD) Nº Ternos Acionamento
Linha 2                        100           70 ciclo-hexano
Linha 3                          30            -      nenhum
                                                                         Insumos                       4.868.186,44    2,03   Perdas na torta de filtro        0,42%   Açúcar branco          942,06    R$/t   Linha 1             9.500            5 turbina a vapor
                                                                         Manutenção                   11.679.591,78    4,87   Perdas indeterminadas            2,37%   Açúcar VHP             797,38    R$/t
                        Vapor e energia                                  Administração industrial      1.416.629,09    0,59   Rendimentos fermentação         90,13%   Outros                    942    R$/t                     Tratamento do caldo
Número de caldeiras                                             4                                                                                                                                              Número de linhas de tratamento                       1
                                                                       Depreciação                     8.439.520,15    3,52   Rendimentos destilação          99,51%                    Etanol
Produção de vapor (tv/h)                                    240                                                                                                                                                Decantação automatizada?                           não
Consumo de vapor válvula redutora                                      Custo do capital industrial    15.824.100,28    6,59   Pureza mel residual             59,45%   Hidratado            1.035,44 R$/m³
                                                                 -                                                                                                                                             Evaporação automatizada?                           não
                        Cap. (t/h)    Prod. (t/h) Pressão (bar)                                                                                                        Anidro               1.147,36 R$/m³
                                                                                                                                                                                                               Nº de efeitos de evaporação (açúcar)                 5
Caldeira 1                       80            70             42     III - Dep. administrativo        21.204.390,24    8,84               Produtividade                Outros                  1.147 R$/m³     Trat. Separado de açúcar e Etanol                  não
Caldeira 2                       60            50             21                                                              Horas de moagem                  4.842                 Eletricidade
Número de geradores                                             3                                                             Horas fábrica parada             1.107   Compra              222,00 R$/MWh                         Produção de açúcar
Capacidade total de geração (MW)                              18     Custo total                     203.117.229,61   84,63   Eficiência                      81,39%   Venda               150,00 R$/MWh       Tipo de cozimento                             batelada
           Potência      Turbina                   cons. (tv/h)
                                                                                                                                                                                                               Número de massas do cozimento                        3
Gerador 1         10                contrapressão           100
                                                                                                           Custos de produção agroindustrial de açúcar e etanol                                                É automatizada?                                    não
Gerador 2          5                contrapressão             50
                                                                                                                                           Custos                                                              Possui refinaria?                                  não
                             Tanques                                                           Açúcar branco Açúcar VHP Açúcar outros Etanol anidro Etanol hidratado Etanol outros             Cana
Número de tanques                                              6                                   R$/ton       R$/ton       R$/ton          R$/m³           R$/m³       R$/m³                R$/ton                                 Armazéns
Capacidade total de armazenagem (m³)                     17.000             COE agroindustrial     640,26       580,96       615,76          899,47          845,28       0,00                 74,00           Número de armazéns                               2
                      Quantidade            Capacidade (m³)                 COT agroindustrial     734,69       675,00       710,19         1046,99          982,74       0,00                 85,57           Capacidade total de armazenagem (t)         20.000
Tanque 1                        5                          3.000            CT agroindustrial      828,59       768,53       804,09         1186,25         1112,49       0,00                 96,88                        Quantidade          Capacidade
Tanque 2                        1                          2.000            Preço médio           1063,55       921,68      1063,55         1203,25         1150,56     1203,25               114,69           Armazém 1               2                   20.000
Tanque 3                         -                              -           Margem                 28,4%        19,9%        32,3%            1,4%            3,4%          -                 18,4%            Armazém 2                -                        -
             123




                           Figura 58. Fluxograma de custos de produção por estágio e item de custo industrial, para as usinas da região Nordeste, na safra 2010/11.
3.4.2.3 Administrativo


         Apesar do levantamento de custos do departamento administrativo ainda ser objeto de maior
desenvolvimento metodológico para essa pesquisa, evoluções quanto à sistematização de estruturas
administrativas vêm sendo notadas. Anteriormente composto apenas pelos itens mão-de-obra, capital
de giro e despesas diversas, o levantamento da safra 2010/2011 traz como novas estruturas os fatores,
serviços e utilidades, serviços técnicos e profissionais e, por fim, materiais de consumo. Todos esses
itens são apresentados, em R$/t, da Tabela 83 à Tabela 88, nas medidas mínimo, máximo e média.
Para próximos levantamentos espera-se incluir outros itens deste departamento, como custos de
transporte de produtos acabados, comissões de comercialização, despesas finais com taxas e também
tributos, que hoje são desconsiderados no relatório.


Tabela 83. Mínimos, máximos e médias para custos com mão-de-obra (R$/t) de usinas das regiões
              Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste.
Região                                   Mínimo                 Máximo                     Média
Expansão                                  1,78                    4,70                     4,15
Tradicional                               1,73                    4,34                     2,87
Nordeste                                  2,11                    3,71                     2,94




Tabela 84. Mínimos, máximos e médias para custos com financiamento para capital de giro (R$/t) de
              usinas das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste.
Região                                   Mínimo                 Máximo                     Média
Expansão                                  0,00                    5,71                     0,52
Tradicional                               0,00                   26,88                     3,83
Nordeste                                  0,00                    2,32                     0,71




124
Tabela 85. Mínimos, máximos e médias para custos com serviços e utilidades (R$/t) de usinas das
               regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste.
Região                                   Mínimo                  Máximo                    Média
Expansão                                  0,16                    0,91                     0,67
Tradicional                               0,11                    0,37                     0,16
Nordeste                                  0,11                    0,33                     0,18


Tabela 86. Mínimos, máximos e médias para custos com serviços técnicos e profissionais (R$/t) de
              usinas das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste.
Região                                   Mínimo                  Máximo                    Média
Expansão                                  0,04                    6,48                     0,99
Tradicional                               0,00                    3,46                     0,92
Nordeste                                  0,00                    3,00                     0,97


Tabela 87. Mínimos, máximos e médias para custos com materiais de consumo (R$/t) de usinas das
              regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste.
Região                                   Mínimo                  Máximo                    Média
Expansão                                  0,04                    0,62                     0,25
Tradicional                               0,04                    1,02                     0,16
Nordeste                                  0,02                    1,67                     0,18


Tabela 88. Mínimos, máximos e médias para custos com diversos (R$/t) de usinas das regiões Centro-
              Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste.
Região                                   Mínimo                  Máximo                    Média
Expansão                                  0,13                    3,34                     1,30
Tradicional                               0,02                    2,48                     0,89
Nordeste                                  0,08                    2,60                     0,79




                                                                                                   125
4. EVOLUÇÃO DOS RESULTADOS DOS LEVANTAMENTOS DE CUSTO


       4.1. Fornecedores


       Nesta subseção são apresentadas as evoluções temporais dos custos de produção da cana-de-
açúcar, bem como das margens aferidas nas quatro safras até então analisadas.
       A Figura 59 mostra, para fornecedores da região Tradicional, o histórico de custos (COE, COT
e CT) e preços da cana para as safras 2007/08 à 2010/11. Nela percebe-se que o custo total, em termos
nominais, vem aumentando ao longo dos anos, mas de forma menos acentuada do que os preços
recebidos pela tonelada de cana. Ainda, nas safras 2007/08 e 2008/09, o preço foi suficiente apenas
para cobrir parte do COT, enquanto que, nas últimas duas safras, as receitas remuneraram todos os
custos desembolsáveis, depreciações, remuneração do produtor e ainda parte da remuneração do
capital (terra e ativos físicos) do fornecedor.
       Para a região de Expansão, a realidade mostra-se mais atrativa em comparação com a região
Tradicional. Embora o comportamento de custos e preços tenha sido semelhante em ambas as regiões,
fatores como maiores níveis de produtividade, reduções nos preços pagos pelos insumos agrícolas e
uma forte elevação no percentual de colheita mecanizada fizeram com que fosse observada uma queda
dos custos totais de produção na safra 2010/11, em comparação à safra 2009/10 (Figura 60).




126
70
           60
           50
           40
   R$/tc




           30
           20
           10
            -
                       2007/08         2008/09                 2009/10         2010/11

                                                 Tradicional

                                   COE    COT     CT     Preço cana

Figura 59. Evolução dos custos nominais de produção de cana-de-açúcar: fornecedores da região
                Tradicional.


           70
           60
           50
           40
   R$/tc




           30
           20
           10
            -
                       2007/08         2008/09                 2009/10         2010/11

                                                 Expansão

                                   COE    COT     CT     Preço cana


Figura 60. Evolução dos custos nominais de produção de cana-de-açúcar: fornecedores da região de
                Expansão.




                                                                                             127
Na região Nordeste (Figura 61), assim como na região de Expansão, observou-se queda dos
custos totais de produção na safra 2010/11 em comparação à safra 2009/10. O fator preponderante para
esta redução de custos foi a elevação da produtividade média aferida para canaviais da região (57,50
tc/ha frente a 51,00 tc/ha na safra anterior).
         Por fim, as margens sobre o custo total para as quatro safras até então analisadas são
apresentadas na Figura 62. Ao contrário do ocorrido nas três primeiras safras (2007/08 à 2009/10), a
safra 2010/11 apresentou retornos positivos para as regiões de Expansão e Nordeste, com margens de
10% e 14%, respectivamente. Apenas na região Tradicional, com margem de -7%, foi aferido prejuízo
econômico na atividade. Ressalta-se ainda que tais valores não significam que o produtor de cana desta
região perdeu dinheiro, mas sim, que ele deixou de ser melhor remunerado em atividades alternativas
(arrendar as terras próprias e aplicar seu montante imobilizado em ativos a uma taxa de juros real de
6% a.a, a exemplo.).
         Em média, nos últimos quatro anos, as rentabilidades estimadas das regiões em análise foram
de -20% (Tradicional), -8% (Expansão) e -15% (Nordeste), cenário que tende a melhorar com os atuais
preços praticados nos mercados de açúcar e etanol. Ou seja, espera-se que, após o fechamento da safra
2011/12, tais patamares de rentabilidade aproximem-se do equilíbrio econômico de longo prazo, que é
de 0%.




128
80
           70
           60
           50
   R$/tc




           40
           30
           20
           10
            -
                         2007/08                     2008/09                        2009/10                    2010/11

                                                                      Nordeste

                                                  COE     COT         CT    Preço cana


Figura 61. Evolução dos custos nominais de produção de cana-de-açúcar: fornecedores da região
                Nordeste.


    20%                                                                                                            14%
                                                                            10%
    10%

     0%

   -10%                              -7%                              -8%           -8%                      -8%
   -20%                                                        -15%                                                      -15%
                              -20%         -20%         -19%
   -30%                -25%
                -27%                                                                                  -27%
   -40%
                                                                                               -37%
   -50%
                         Tradicional                              Expansão                               Nordeste

                                     2007/08       2008/09       2009/10         2010/11      Média


Figura 62. Evolução das margens sobre o custo total de produção da cana: fornecedores das regiões
                Tradicional, Expansão e Nordeste.




                                                                                                                                129
Por outro lado, podem ser realizadas análises das séries de custos e preços em termos reais.
Para tanto, as séries foram deflacionadas pelo IGP-M (Figura 63).
             Nota-se que até a safra 2009/10 havia uma tendência de alta nos custos reais de produção da
cana-de-açúcar, em especial no Centro-Sul do país. Tal tendência foi quebrada na safra 2010/11,
conforme motivos já citados anteriormente.
        80
        75
        70
        65
        60
R$/tc




        55
        50
        45
        40
        35
                      2007/08                2008/09              2009/10               2010/11

                                       Tradicional     Expansão       Nordeste

Figura 63. Evolução dos custos reais de produção da cana-de-açúcar: fornecedores das regiões
                  Tradicional, Expansão e Nordeste.


             Quando cruzadas as médias históricas de custos reais com os preços reais (também
deflacionados pelo IGP-M) recebidos pela tonelada de cana, nota-se que, até o momento, todos os
custos desembolsáveis, depreciações e remuneração do produtor das três regiões estudadas foram
cobertos pelo preço recebido. No entanto, apenas na região de Expansão parte dos custos de
oportunidades foi remunerada (Figura 64). Apesar da tendência de melhora dos níveis de atratividade
da cultura existente atualmente, ações devem ser tomadas para combater os altos custos de produção
observados.
             Na região Tradicional, por exemplo, esforços na redução dos custos de preparo de solo, plantio
e CCT (via melhor aproveitamento de maquinário ou composição de condomínios de produção), de
depreciações (também via formação de condomínios de produção que visem otimizar a produção, além


130
de redução do número de máquinas ociosas na propriedade), e de remuneração do produtor (que
encontra-se atualmente muito acima da média brasileira) são soluções possíveis para reduções
significativas dos custos.
           No Nordeste, os custos com mão-de-obra salientam um problema crônico à produção da cana.
Entretanto, devido ao relevo regional, por exemplo, tal problema torna-se um fator de difícil resolução.
Nesse caso, práticas como irrigação poderiam elevar a produtividade agrícola e, assim, a rentabilidade
do produtor nordestino.
           Para todas as três regiões, nota-se que ações que visem à melhoria da produtividade agrícola do
canavial e dos teores de ATR na cana seriam ideais. Dentre elas, a aplicação de maturadores, a correta
renovação dos canaviais e o adequado tratamento da soqueira são ações que devem ser tratadas como
prioritárias pelos fornecedores brasileiros.


           80
           70
           60
           50
   R$/tc




           40
           30
           20
           10
            -
                         Tradicional                  Expansão                     Nordeste

                                        COE    COT     CT   Preço cana


Figura 64. Custos e preços reais da cana-de-açúcar: média das safras 2007/08 à 2010/11 para
                fornecedores das regiões Tradicional, Expansão e Nordeste.




                                                                                                      131
4.2 Usinas


                           A oportunidade de pesquisa criada pela continuidade desse trabalho de levantamento de custos
permitiu a consolidação de um banco de dados de indicadores e resultados de custos desde a safra
2007/2008. Os resultados de custos com base na metodologia atual são apresentados da Figura 65 à
Figura 69, em que se destaca o comparativo de custo total de produção com o preço médio da cana e
dos produtos industriais: açúcar branco, açúcar VHP, etanol anidro e etanol hidratado.
                           A análise dos gráficos demonstra a tendência de evolução dos custos de produção,
principalmente em função da tendência observada de aumento de custos de fatores de produção
agrícola e do aumento dos preços dos produtos industriais, implicando em aumento dos preços da cana
para o fornecedor.
                           Da Tabela 89 à Tabela 92, destacam-se a variação anual média e a variação acumulada dos custos
de produção dos produtos industriais analisados na série de levantamentos PECEGE/CNA.

                           80
                           70
   Cana de açúcar - R$/t




                           60
                           50
                           40
                           30
                           20
                           10
                            -
                                           2008/09
                                 2007/08




                                                     2009/10


                                                               2010/11


                                                                            2007/08


                                                                                       2008/09


                                                                                                     2009/10


                                                                                                               2010/11


                                                                                                                         2007/08


                                                                                                                                   2008/09


                                                                                                                                             2009/10


                                                                                                                                                       2010/11

                                             Expansão                                  Tradicional                                   Nordeste

                                                                         Custo Total             Preço médio



Figura 65. Custo total e preço médio para a cana – Comparativo entre safras.




132
1.200
   Açúcar Branco - R$/t
                          1.000
                           800
                           600
                           400
                           200
                              -




                                                                          2007/08




                                                                                                2009/10




                                                                                                                    2007/08




                                                                                                                                        2009/10
                                  2007/08


                                            2008/09


                                                      2009/10


                                                                2010/11




                                                                                      2008/09




                                                                                                          2010/11




                                                                                                                              2008/09




                                                                                                                                                  2010/11
                                              Expansão                                Tradicional                               Nordeste

                                                                    Custo Total          Preço Médio


Figura 66. Custo total e preço médio para o Açúcar Branco – Comparativo entre safras.

                          1.000
   Açúcar VHP - R$/t




                           800

                           600

                           400

                           200

                              -
                                                      2009/10
                                  2007/08


                                            2008/09




                                                                2010/11


                                                                          2007/08


                                                                                      2008/09


                                                                                                2009/10


                                                                                                          2010/11


                                                                                                                    2007/08


                                                                                                                              2008/09


                                                                                                                                        2009/10


                                                                                                                                                  2010/11
                                              Expansão                                Tradicional                               Nordeste

                                                                          CT        Preço Médio


Figura 67. Custo total e preço médio para o Açúcar VHP – Comparativo entre safras.




                                                                                                                                                            133
                                                                                                                                                            133
1.400
        Etanol Anidro - R$/m³

                                  1.200
                                  1.000
                                   800
                                   600
                                   400
                                   200
                                      -




                                                                                  2007/08




                                                                                                                                                          2010/11
                                          2007/08


                                                    2008/09


                                                              2009/10


                                                                        2010/11




                                                                                            2008/09


                                                                                                      2009/10


                                                                                                                2010/11


                                                                                                                          2007/08


                                                                                                                                    2008/09


                                                                                                                                               2009/10
                                                     Expansão                               Tradicional                               Nordeste

                                                                            Custo Total        Preço Médio


      Figura 68. Custo Total e Preço médio para Etanol Anidro – Comparativo entre safras.

                                  1.400
        Etanol Hidrtado - R$/m³




                                  1.200
                                  1.000
                                   800
                                   600
                                   400
                                   200
                                      -
                                                                        2010/11




                                                                                                                                     2008/09
                                          2007/08


                                                    2008/09


                                                              2009/10




                                                                                  2007/08


                                                                                            2008/09


                                                                                                      2009/10


                                                                                                                2010/11


                                                                                                                          2007/08




                                                                                                                                                2009/10


                                                                                                                                                           2010/11
                                                      Expansão                              Tradicional                                Nordeste

                                                                            Custo Total         Preço Médio


      Figura 69. Custo Total e Preço médio para o Etanol Hidratado – Comparativo entre safras.




134
      134
Tabela 89. Evolução dos custos de produção do açúcar branco, em R$/t.
                                     Custo da safra                      Variação    Variação
Região
                    2007/08      2008/09        2009/10     2010/11         anual    acumulada
Expansão            484,51        556,99        635,79       639,47         9,90%     26,69%
Tradicional         475,99        535,47        686,30       674,02         12,96%    38,87%
Nordeste            610,61        647,56        714,42       828,59         10,79%    32,36%



Tabela 90. Evolução dos custos de produção do açúcar VHP, em R$/t.
                                     Custo da safra                      Variação    Variação
Região
                    2007/08      2008/09        2009/10     2010/11         anual    acumulada
Expansão            458,17        539,27        595,96       603,64         9,83%     29,50%
Tradicional         453,55        515,21        598,81       627,14         11,52%    34,55%
Nordeste            569,66        617,49        662,04       768,53         10,57%    31,70%



Tabela 91. Evolução dos custos de produção do etanol anidro, em R$/m³.
                                     Custo da safra                      Variação    Variação
Região
                   2007/08       2008/09       2009/10      2010/11         anual    acumulada
Expansão            774,56       927,93         972,15      958,61          7,72%     23,17%
Tradicional         763,66       886,50         996,20      984,74          9,10%     27,31%
Nordeste            992,09       1.081,32      1.108,31    1.186,25         6,17%     18,52%


Tabela 92. Evolução dos custos de produção do etanol hidratado, em R$/m³.
                                     Custo da safra                      Variação    Variação
Região
                   2007/08       2008/09       2009/10      2010/11         anual    acumulada
Expansão            714,35       845,56         901,83      881,74          7,60%     22,79%
Tradicional         701,71       803,44         906,36      910,07          9,24%     27,72%
Nordeste            917,65       982,09        1.015,51    1.108,53         6,53%     19,59%




                                                                                                135
5. CONCLUSÕES

       O 5º levantamento de custos de produção de cana-de-açúcar, açúcar e etanol do PECEGE-CNA
evidenciou expressivo crescimento do número de participantes e das representatividades da
amostragem no que diz respeito aos totais de moagem de cana e produção de açúcar e etanol do Brasil.
Além do mais, a pesquisa referente à safra 2010/11 trouxe algumas abordagens inéditas, tais como a
configuração agrícola das unidades industriais e a evolução de preços médios de insumos agrícolas,
assim como a evolução de consumos específicos e preços médios dos insumos industriais.
       Em suma, no presente levantamento foram observados custos de produção agroindustrial
superiores aos observados na última safra, para todas as regiões analisadas, tanto para fornecedores
quanto para usinas. De forma desagregada, o custo da cana apresentou aumentos significativos,
enquanto que o custo industrial registrou pequenas reduções nas regiões do Centro-Sul e leve elevação
no Nordeste.
       No que tange aos principais produtos do setor sucroenergético, os preços visualizados para o
açúcar branco e o VHP, bem como para o etanol anidro e o etanol hidratado, foram maiores do que os
custos totais de produção, gerando margens de rentabilidade positivas para as três grandes regiões da
pesquisa. Dentre esses produtos, destacam-se as altas margens obtidas com o açúcar branco, que
atingiram patamares em torno de 40% no Centro-Sul e de aproximadamente 30% no Nordeste. A
propósito, as elevações para tal produto originaram-se dos altos preços verificados no mercado
internacional. Além do mais, de forma contrária aos valores observados na safra 2009/10, o etanol
hidratado e o anidro tiveram margens positivas para o Centro-Sul Tradicional e o Centro-Sul
Expansão, ao passo que na região Nordeste houve considerável diminuição na rentabilidade
correspondente ao etanol anidro. Cabe ressaltar que aspectos como custos de transporte de produtos
acabados, comissões de comercialização, despesas finais com taxas e impostos não são considerados
nos custos divulgados pela pesquisa.




136
Em comparação com as safras anteriores, outros pontos conclusivos são dignos de menção:
• Fornecedores
    ○ Os preços recebidos pela cana na região Tradicional foram suficientes para cobrir todos
      os custos operacionais de produção, inclusive as depreciações, porém não conseguiram
      superar os custos totais, que abrangem os custos de oportunidade. Nas regiões Centro-Sul
      Expansão e Nordeste, por outro lado, os preços de venda foram suficientes para cobrir o
      CT, gerando sobra líquida de capital;
    ○ A rentabilidade negativa para a região Tradicional, na comparação do preço da cana com o
      custo total de produção, explica-se pelos maiores níveis de preços de arrendamentos e pela
      maior ociosidade do capital investido;
    ○ A despeito do comportamento relativamente semelhante de custos e preços de ambas as
      regiões do Centro-Sul, fatores como maiores níveis de produtividade, reduções nos preços
      pagos pelos insumos agrícolas e a forte elevação do percentual de colheita mecanizada
      fizeram com que houvesse uma maior queda dos custos totais de produção da safra em
      análise para a região de Expansão, comparativamente à Tradicional. Já para o Nordeste,
      o declínio do custo total foi causado especialmente pela ascensão da produtividade média
      dos canaviais;
    ○ Houve tendência altista dos valores de arrendamentos para as três regiões, com destaque
      para o Centro-Sul Tradicional;
    ○ A região Nordeste apresentou os maiores valores de preço de ATR (R$/kg ATR), tendo em
      vista o forte caráter açucareiro das usinas de tal região, a existência de quotas de exporta-
      ção para o açúcar VHP e condições de mercado locais que elevam os preços do açúcar e
      do etanol;
    ○ Para as últimas quatro safras, as maiores taxas de crescimento dos preços dos insumos
      agrícolas ocorreram para as regiões de Expansão e o Nordeste;
    ○ Na análise dos custos reais encarados pelos fornecedores de cana, observa-se que a tendên-
      cia de alta persistente até a safra 2009/10 foi quebrada na safra 2010/11. Quando da com-
      paração com os preços reais recebidos, constata-se que todos os custos desembolsáveis, as

                                                                                               137
depreciações e a remuneração do produtor das três regiões foram cobertos na última
             safra. Contudo, somente na região de Expansão os preços conseguiram remunerar
             parte dos custos de oportunidade.
      • Usinas
           ○ Para o Centro-Sul Tradicional, nota-se aumento de 40% no índice de mecanização da
             colheita entre as safras 2007/08 e 2010/11. Ademais, apesar desta prática ser pouco
             comum no Nordeste, alguns locais dos estados da Paraíba, de Pernambuco e de Ala-
             goas apresentam áreas relativamente planas, onde os índices de colheita mecanizada
             chegaram a até 33% na última safra;
           ○ O nível de concentração de ATR por tonelada de cana própria no Centro-Sul aumentou
             consideravelmente em relação à safra 2009/10, quando os canaviais foram seriamente
             prejudicados pelos elevados índices pluviométricos;
           ○ Em termos de eficiência de aproveitamento de tempo (em %), verificaram-se grandes
             aumentos nos coeficientes de horas de moagem do Centro-Sul;
           ○ Houve aumentos dos custos totais de produção de cana-de-açúcar em todas as regiões
             pesquisadas, além da expansão das diferenças de custos inter-regionais;
           ○ Dentre os itens de maior impacto sobre os custos agrícolas das usinas, destaca-se a
             elevação dos gas tos com mão-de-obra, principalmente acerca do aumento relativo
             sofrido pela região Tradicional;
           ○ A respeito dos custos de oportunidade para a produção de cana-de-açúcar, a remune-
             ração da terra consiste no mais importante elemento de diferenciação entre as regiões
             produtoras. A propósito, os menores níveis foram referentes ao Centro-Sul Expansão;
           ○ Dentre os principais aumentos de preços dos insumos industriais, foram notórios os
             custos incorridos pelas usinas nordestinas na aquisição de insumos químicos, combus-
             tíveis e embalagens;
           ○ No que se refere à evolução dos custos de produção das unidades industriais, para o
             período delimitado pelas safras 2007/08 e 2010/11, a região Centro-Sul Tradicional



138
registrou os maiores aumentos, principalmente para a produção de açúcar branco e
               açúcar VHP.


       Além dos pontos elencados acima, torna-se importante salientar que, em comparação com os
custos estimados pelo relatório de acompanhamento da safra 2010/11 do Centro-Sul, as diferenças
entre estes valores e os divulgados pelo presente relatório de fechamento foram bastante pequenas,
sendo inclusive nula para a região Tradicional, o que mostra a ótima aderência entre os levantamentos
realizados.
       De modo sintético, a partir das tendências de custos e preços observadas ao longo dos últimos
anos, espera-se que após o fechamento da safra 2011/12 os patamares de rentabilidade dos
fornecedores de cana aproximem-se do equilíbrio econômico de longo prazo, caracterizado pelo lucro
nulo, ao serem considerados todos os custos de oportunidade do capital.
       Em relação às unidades industriais, constata-se que as usinas das três regiões produtoras
tiveram na safra 2010/11 margens sobre o Custo Total positivas, considerando todos os principais
produtos agroindustriais (açúcar branco, açúcar VHP, etanol anidro e etanol hidratado). Para os ganhos
relativos, vale ressaltar as magnitudes referentes à produção de açúcar branco, especialmente pelo
Centro-Sul, e também a margem de rentabilidade do etanol hidratado aferida para a região Tradicional.
Em termos evolutivos, verifica-se que na região Centro-Sul os preços médios dos principais produtos
agroindustriais conseguiram cobrir os custos totais de produção apenas na safra 2010/11, gerando
rentabilidades positivas às usinas. Para a região Nordeste, entretanto, os preços da safra 2009/10
também conseguiram remunerar o CT de produção.
       Após cenários de baixa rentabilidade, as usinas e fornecedores do setor sucroenergético
brasileiro finalmente experimentaram níveis de preços suficientemente atrativos, que em geral
superaram todos os custos totais de produção, os quais tiveram aumentos em comparação com os
valores incorridos na safra anterior.




                                                                                                  139
6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


CEPEA. Indicadores de preço de açúcar e etanol. Disponível em: www.cepea.esalq.usp.br>. Acesso
em 5 de agosto de 2011.

CONSELHO DOS PRODUTORES DE CANA-DE-AÇÚCAR, AÇÚCAR E ÁLCOOL DOESTADO
DE SÃO PAULO - CONSECANA-SP. Manual de instruções. Disponível em:
http://www.unica.com.br/download.asp?mmdCode=A8D2ABCA-8247-45D1-8720-C14CD485F380>.
Acesso em 13 de julho de 2011.

EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA – EMBRAPA. Disponível em:
www.embrapa.br

SINDICATO DA INDÚSTRIA DO AÇÚCAR E DO ÁLCOOL NO ESTADO DE PERNAMBUCO –
SINDAÇÚCAR-PE. Disponível em: www.sindacucar.com.br

MARQUES, P. V. (Coord.) Custo de Produção Agrícola e Industrial de Açúcar e Álcool no Brasil na
Safra 2007/2008. Piracicaba: Universidade de São Paulo, Escola Superior de Agricultura “Luiz de
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Economia, Administração e Sociologia. 2009. 194 p. Relatório Apresentando a Confederação da
Agricultura e Pecuária do Brasil – CNA.

PECEGE. Custos de produção de cana-de-açúcar, açúcar e etanol no Brasil: safra 2009/10. Piracicaba:
Universidade de São Paulo, Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, Programa de Educação
Continuada em Economia e Gestão de Empresas/Departamento de Economia,Administração e
Sociologia. 2010. 100 p. Relatório Apresentando a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil –
CNA.

UNIÃO DA INDÚSTRIA                DE    CANA-DE-AÇÚCAR            –   UNICA.      Disponível    em:
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XAVIER, C.E.O.; ZILIO, L.B.; SONODA, D.Y.; MARQUES, P.V. Custos de produção de cana-de-
açúcar, açúcar e etanol no Brasil: safra 2008/09. Piracicaba: Universidade de São Paulo, Escola
Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, Programa de Educação Continuada em Economia e Gestão
de Empresas/Departamento de Economia, Administração e Sociologia. 2009. 79 p.Relatório
Apresentando à Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil – CNA.



140
14
14

14

  • 1.
    Universidade de SãoPaulo - USP Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” - ESALQ Departamento de Economia, Administração e Sociologia Programa de Educação Continuada em Economia e Gestão de Empresas - PECEGE Coordenação: CARLOS EDUARDO OSÓRIO XAVIER DANIEL YOKOYAMA SONODA LEONARDO BOTELHO ZILIO PEDRO VALENTIM MARQUES Equipe técnica: ANA MARIA COVOLAM ANDRÉ DA CUNHA BASTOS DOUGLAS BOTTREL ISABELA PRADO JOÃO HENRIQUE MANTELLATTO ROSA JULIANA FLORÊNCIO KEDLEY DE FARIAS LISIANE ISSISAKI KAMIMURA HAROLDO JOSÉ TORRES DA SILVA MARIA ALICE MÓZ CHRISTOFOLETTI RENAN BENEDITO D’ARAGONE RICARDO DE CAMPOS BULL RODOLFO MARGATO DA SILVA WELLINGTON GUSTAVO BENDINELLI PECEGE. Custos de produção de cana-de-açúcar, açúcar e etanol no Brasil: Fechamento da safra 2010/2011. Piracicaba: Universidade de São Paulo, Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, Programa de Educação Continuada em Economia e Gestão de Empresas/Departamento de Economia, Administração e Sociologia. 2011. 141 p. Relatório apresentado à Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil – CNA. ISSN 2177-4358 2
  • 2.
    SUMÁRIO LISTA DE FIGURAS........................................................................................................................................ 5 LISTA DE TABELAS ....................................................................................................................................... 8 SUMÁRIO EXECUTIVO ............................................................................................................................... 12 1. INTRODUÇÃO ............................................................................................................................................ 16 2. AMOSTRAGEM E COLETA DE DADOS ............................................................................................. 18 3. RESULTADOS ............................................................................................................................................ 25 3.1 Configuração técnica.............................................................................................................................. 25 3.1.1 Agrícola.................................................................................................................................................... 25 3.1.1.1 Variedades de cana-de-açúcar mais utilizadas ................................................................................. 25 3.1.1.2 Tratos culturais..................................................................................................................................... 26 3.1.1.2.1 Principais pragas na cultura da cana-de-açúcar............................................................................. 26 3.1.1.2.2 Plantas daninhas ............................................................................................................................... 28 3.1.1.3 Doenças................................................................................................................................................. 30 3.1.1.4 Rotação de Culturas............................................................................................................................. 31 3.1.1.5 Agricultura de precisão ....................................................................................................................... 32 3.1.2 Industrial .................................................................................................................................................. 33 3.2 Indicadores de Produção ........................................................................................................................... 38 3.2.1 Fornecedores............................................................................................................................................ 38 3.2.2 Usinas ....................................................................................................................................................... 42 3.2.2.1 Agrícola ................................................................................................................................................ 42 3.2.2.2 Industrial ............................................................................................................................................... 49 3.2.2.2.1 Indicadores gerais das unidades industriais ................................................................................... 50 3.2.2.2.2 Qualidade da matéria-prima ............................................................................................................ 56 3.2.2.2.3 Rendimentos e perdas industriais ................................................................................................... 60 3.2.2.2.4 Subprodutos industriais.................................................................................................................... 65 3.3 Preços de insumos ...................................................................................................................................... 69 3.3.1 Agrícolas .................................................................................................................................................. 69 3
  • 3.
    3.3.2 Industriais................................................................................................................................................. 75 3.4Custos .......................................................................................................................................................... 80 3.4.1 Fornecedores ............................................................................................................................................ 80 3.4.2 Usinas....................................................................................................................................................... 93 3.4.2.1 Agrícola................................................................................................................................................. 93 3.4.2.2 Industrial ............................................................................................................................................. 105 3.4.2.3 Administrativo .................................................................................................................................... 124 4. EVOLUÇÃO DOS RESULTADOS DOS LEVANTAMENTOS DE CUSTO .................................. 126 4.1. Fornecedores ............................................................................................................................................ 126 4.2 Usinas ........................................................................................................................................................ 132 5. CONCLUSÕES .......................................................................................................................................... 136 6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..................................................................................................... 140 4
  • 4.
    LISTA DE FIGURAS Figura1. Representatividade da moagem amostrada pelo PECEGE/CNA, para o fechamento da safra 2010/11. .................................................................................................................................................. 21 Figura 2. Representatividade da produção de açúcar amostrada pelo PECEGE/CNA, para o fechamento da safra 2010/11 .................................................................................................................. 22 Figura 3. Representatividade da produção de etanol amostrada pelo PECEGE/CNA, para o fechamento da safra 2010/11 ..................................................................................................................................... 23 Figura 4. Histograma de frequências das variedades mais plantadas no Brasil e nas regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. ...................................................................................... 26 Figura 5. Principais pragas da cultura da cana-de-açúcar no Brasil, na amostra do PECEGE/CNA, para o fechamento da safra 2010/11. .............................................................................................................. 28 Figura 6. Principais plantas daninhas na cultura da cana-de-açúcar e suas respectivas representatividades em nível Brasil, para o fechamento da safra 2010/11. ........................................... 29 Figura 7. Utilização de agricultura de precisão na cultura da cana-de-açúcar no Brasil e nas regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste..................................................................... 32 Figura 8. Distribuição das usinas em relação à capacidade de extração diária em toneladas. ............... 33 Figura 9. Distribuição das usinas em relação à capacidade diária das destilarias de etanol. ................. 34 Figura 10. Distribuição das usinas em relação à via de desidratação de etanol. .................................... 34 Figura 11. Distribuição das usinas em relação à quantidade de caldeiras para a produção de vapor. ... 35 Figura 12. Quantidade de caldeiras por classes de pressão de vapor (em kgf/cm²). .............................. 35 Figura 13. Quantidade de caldeiras por capacidade de produção (em t vapor/h). ................................. 36 Figura 14. Quantidade de geradores por classes de potência de energia elétrica (em MW). ................. 38 Figura 15. Distribuição de produtividade média (t/ha) em função de faixas de moagem (milhões de t) para usinas das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. .............................. 43 Figura 16. Histograma de freqüência de produtividade média (t/ha) para usinas das regiões Centro-Sul Tradicional (a), Centro-Sul Expansão (b) e Nordeste (c)....................................................................... 43 Figura 17. Histograma de freqüência de colheita mecanizada (%) para usinas das regiões Centro-Sul Tradicional (a), Centro-Sul Expansão (b) e Nordeste (c)....................................................................... 44 Figura 18. Histograma de freqüência da concentração de ATR em cana própria para usinas das regiões Centro-Sul Tradicional (a), Centro-Sul Expansão (b) e Nordeste (c). ................................................... 46 Figura 19. Histograma de freqüência dos preços de arrendamentos para usinas das regiões Centro-Sul Tradicional (a), Centro-Sul Expansão (b) e Nordeste (c)....................................................................... 47 Figura 20. Distribuição de horas de processamento e eficiência do tempo (%). ................................... 52 Figura 21. Distribuição das horas paradas.............................................................................................. 52 Figura 22. Mix de produção entre açúcar e etanol (em %). ................................................................... 53 Figura 23. Distribuição da Pol% da cana (PC da cana - percentual de sacarose na composição da cana) para as regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. ........................................... 57 Figura 24. Distribuição das usinas em relação ao teor de fibra da cana-de-açúcar (em %). .................. 58 Figura 25. Pureza do caldo da cana (relação percentual entre Pol % e Brix). ....................................... 59 Figura 26. Distribuição de perdas na extração (% ART) em função de faixas de moagem (milhões de t) para usinas das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. .............................. 60 5
  • 5.
    Figura 27. Histogramade freqüência de perdas na extração (%) para usinas das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. ...................................................................................... 61 Figura 28. Porcentagem de lavagem de cana-de-açúcar (%). ................................................................ 62 Figura 29. Rendimento de fermentação (%)........................................................................................... 62 Figura 30. Rendimento de destilação (%). ............................................................................................. 63 Figura 31. Produção relativa de vinhaça (l/l de etanol). ......................................................................... 66 Figura 32. Produção relativa de bagaço (kg/t cana). .............................................................................. 66 Figura 33. Produção relativa de torta de filtro (kg/t cana). .................................................................... 67 Figura 34. Produção relativa de óleo fúsel (l/m³ de etanol). .................................................................. 67 Figura 35. Produção relativa de levedura (kg/m³ de etanol). ................................................................. 68 Figura 36. Produção relativa de mel (kg/t açúcar). ................................................................................ 68 Figura 37. Preço do bagaço (R$/t). ......................................................................................................... 69 Figura 38. Representação gráfica dos custos de produção e dos preços da cana-de-açúcar encarados pelos fornecedores das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste, para o fechamento da safra 2010/11. ................................................................................................................. 84 Figura 39. Indicadores de rentabilidade para os fornecedores de cana das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste, para o fechamento da safra 2010/11. ........................... 85 Figura 40. Participação dos insumos no COE, COT e CT dos fornecedores de cana da região Centro- Sul Tradicional. ...................................................................................................................................... 86 Figura 41. Participação dos insumos no COE, COT e CT dos fornecedores de cana da região Centro- Sul Expansão. ......................................................................................................................................... 87 Figura 42. Participação dos insumos no COE, COT e CT dos fornecedores de cana da região Nordeste. ................................................................................................................................................................ 88 Figura 43. Fluxograma de custos de produção por estágio e item de custo dos fornecedores de cana da região Centro-Sul Tradicional. ............................................................................................................... 90 Figura 44. Fluxograma de custos de produção por estágio e item de custo dos fornecedores de cana da região Centro-Sul Expansão. .................................................................................................................. 91 Figura 45. Fluxograma de custos de produção por estágio e item de custo dos fornecedores de cana da região Nordeste....................................................................................................................................... 92 Figura 46. Representação gráfica dos custos e preços de cana-de-açúcar, para a safra 2010/11, considerando as usinas das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste, em R$/tc. ...................................................................................................................................................... 99 Figura 47. Indicadores de rentabilidade das usinas das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste, para a safra 2010/11, em valores percentuais. .................................................. 100 Figura 48. Fluxograma de custos de produção por estágio e item de custo, para as usinas da região Centro-Sul Tradicional, na safra 2010/11. ........................................................................................... 101 Figura 49. Fluxograma de custos de produção por estágio e item de custo, para as usinas da região Centro-Sul Expansão, na safra 2010/11. .............................................................................................. 102 Figura 50. Fluxograma de custos de produção por estágio e item de custo, para as usinas da região Nordeste, na safra 2010/11. .................................................................................................................. 103 Figura 51. Distribuição de custos com mão de obra (R$/t) em função de faixas de moagem (milhões de t) para usinas das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. ............................ 106 6
  • 6.
    Figura 52. Custosde peças e serviços de manutenção industrial (R$/t) para usinas das regiões Centro- Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. .............................................................................. 109 Figura 53. COE, COT, CT e Preço médio para a região Centro-Sul Expansão: a) Açúcar Branco e Açúcar VHP; b) Etanol Anidro e Etanol Hidratado. ............................................................................ 118 Figura 54. COE, COT, CT e Preço médio para a região Centro-Sul Tradicional: a) Açúcar Branco e Açúcar VHP; b) Etanol Anidro e Etanol Hidratado. ............................................................................ 119 Figura 55. COE, COT, CT e Preço médio para a região Nordeste: a) Açúcar Branco e Açúcar VHP; b) Etanol Anidro e Etanol Hidratado. ....................................................................................................... 120 Figura 56. Fluxograma de custos de produção por estágio e item de custo industrial, para as usinas da região Expansão, na safra 2010/11. ...................................................................................................... 121 Figura 57. Fluxograma de custos de produção por estágio e item de custo industrial, para as usinas da região Tradicional, na safra 2010/11. ................................................................................................... 122 Figura 58. Fluxograma de custos de produção por estágio e item de custo industrial, para as usinas da região Nordeste, na safra 2010/11. ....................................................................................................... 123 Figura 59. Evolução dos custos nominais de produção de cana-de-açúcar: fornecedores da região Tradicional. .......................................................................................................................................... 127 Figura 60. Evolução dos custos nominais de produção de cana-de-açúcar: fornecedores da região de Expansão. ............................................................................................................................................. 127 Figura 61. Evolução dos custos nominais de produção de cana-de-açúcar: fornecedores da região Nordeste. .............................................................................................................................................. 129 Figura 62. Evolução das margens sobre o custo total de produção da cana: fornecedores das regiões Tradicional, Expansão e Nordeste. ....................................................................................................... 129 Figura 63. Evolução dos custos reais de produção da cana-de-açúcar: fornecedores das regiões Tradicional, Expansão e Nordeste. ....................................................................................................... 130 Figura 64. Custos e preços reais da cana-de-açúcar: média das safras 2007/08 à 2010/11 para fornecedores das regiões Tradicional, Expansão e Nordeste. .............................................................. 131 Figura 65. Custo total e preço médio para a cana – Comparativo entre safras. ................................... 132 Figura 66. Custo total e preço médio para o Açúcar Branco – Comparativo entre safras. .................. 133 Figura 67. Custo total e preço médio para o Açúcar VHP – Comparativo entre safras. ...................... 133 Figura 68. Custo Total e Preço médio para Etanol Anidro – Comparativo entre safras. ..................... 134 Figura 69. Custo Total e Preço médio para o Etanol Hidratado – Comparativo entre safras. ............. 134 7
  • 7.
    LISTA DE TABELAS Tabela1. Cidades e regiões em que os painéis foram realizados na safra 2010/11 ............................... 19 Tabela 2. Evolução do número de moagem (em milhões de toneladas) e do número de usinas participantes da pesquisa ........................................................................................................................ 20 Tabela 3. Representatividade da amostra do PECEGE em relação à moagem e às produções de açúcar e etanol do país, para o fechamento da safra 2010/11 ............................................................................ 24 Tabela 4. Principais pragas da cana-de-açúcar e suas respectivas representatividades nas regiões produtoras amostradas ............................................................................................................................ 27 Tabela 5. Principais plantas daninhas na cultura da cana-de-açúcar e suas respectivas representatividades nas regiões produtoras amostradas. ........................................................................ 29 Tabela 6. Principais doenças para a cultura da cana-de-açúcar e suas respectivas representatividades nas regiões produtoras amostradas ......................................................................................................... 30 Tabela 7. Utilização de rotação de culturas para as lavouras de cana-de-açúcar do Brasil, na amostra do PECEGE/CNA ....................................................................................................................................... 31 Tabela 8. Mínimo, máximo e média para a potência instalada de geração de energia elétrica por usina (em MW). ............................................................................................................................................... 36 Tabela 9. Porcentagem de vapor alocado às turbinas de geração de eletricidade (em %). .................... 36 Tabela 10. Produção relativa de energia elétrica (em KWh/tc). ............................................................. 37 Tabela 11. Taxa de utilização dos equipamentos de moagem (em %). .................................................. 37 Tabela 12. Taxa de utilização dos equipamentos de destilação (em %). ............................................... 37 Tabela 13. Taxa de utilização dos equipamentos de fabricação de açúcar (em %). ............................... 37 Tabela 14. Taxa de utilização dos equipamentos de geração de vapor (em %). .................................... 37 Tabela 15. Mínimos, máximos e médias da produtividade agrícola (t/ha) para os fornecedores das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. ....................................................... 39 Tabela 16. Mínimos, máximos e médias do raio médio (km) para os fornecedores das regiões Centro- Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. ................................................................................ 39 Tabela 17. Mínimos, máximos e médias da concentração de ATR em cana própria (kg ATR/t) dos fornecedores das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste ............................ 39 Tabela 18. Mínimos, máximos e médias de preços de arrendamento, em espécie (t/ha/ano), pagos por fornecedores das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. ........................... 40 Tabela 19. Mínimos, máximos e médias do ATR padrão pago em contratos de arrendamentos (kg ATR/tc): regiões Tradicional, Expansão e Nordeste. ............................................................................. 40 Tabela 20. Mínimos, máximos e médias do preço do ATR (R$/kg ATR) pago aos fornecedores das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. ....................................................... 41 Tabela 21. Mínimos, máximos e médias da porcentagem de colheita mecanizada dos fornecedores das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. ....................................................... 41 Tabela 22. Mínimos, máximos e médias da porcentagem de colheita manual dos fornecedores das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. ....................................................... 41 Tabela 23. Mínimo, máximo e média de produtividade agrícola (t/ha) para usinas das regiões Centro- Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. ................................................................................ 44 Tabela 24. Mínimo, máximo e média da porcentagem de colheita mecânica das usinas das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. .................................................................... 45 8
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    Tabela 25. Mínimo,máximo e média da concentração de ATR em cana própria (kg ATR/t) para usinas das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. ................................................. 46 Tabela 26. Mínimo, máximo e média de preços de arrendamentos, em espécie (t/ha/ano), para usinas das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. ................................................. 47 Tabela 27. Mínimo, máximo e moda do ATR padrão pago em contratos de arrendamentos (kg ATR/tc), para usinas das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste................ 48 Tabela 28. Mínimo, máximo e média do preço do ATR (R$/kg ATR) para usinas das regiões Centro- Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. ................................................................................ 49 Tabela 29. Mínimo, máximo e média para a participação da cana própria nas moagens das usinas das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste, para a safra 2010/11...................... 50 Tabela 30. Parâmetros de processamento de cana-de-açúcar utilizados nos modelos regionais de custos, para a safra 2010/11. .................................................................................................................. 51 Tabela 31. Mix de produção utilizados nos modelos de custos regionais. ............................................. 53 Tabela 32. Mix de produtos utilizados nos modelos de custos regionais. ............................................. 54 Tabela 33. Produção final dos produtos considerados nos modelos de custos regionais. ...................... 54 Tabela 34. Produção relativa final dos produtos considerados nos modelos de custos regionais. ......... 55 Tabela 35. Produção e comercialização de eletricidade consideradas nos modelos de custos regionais, em kWh por tonelada de cana processada. ............................................................................................. 55 Tabela 36. Produção e comercialização de eletricidade consideradas nos modelos de custos regionais, em MWh. ................................................................................................................................................ 56 Tabela 37. Mínimos, máximos e médias do teor de Pol% (PC) da cana-de-açúcar para usinas das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste, em %. ............................................ 57 Tabela 38. Mínimos, máximos e médias do teor de fibra (%) da cana-de-açúcar para usinas das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste..................................................................... 58 Tabela 39. Mínimos, máximos e médias para a pureza do caldo (relação percentual entre Pol % e Brix) da cana-de-açúcar, para usinas das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. 59 Tabela 40. Parâmetros de qualidade de matéria prima utilizados no modelo. ....................................... 59 Tabela 41. Mínimos, máximos e médias para perdas na extração (% ART) para usinas das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste..................................................................... 61 Tabela 42. Mínimos, máximos e médias do rendimento de fermentação (%) para usinas das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste..................................................................... 63 Tabela 43. Mínimos, máximos e médias do rendimento de destilação (%) para usinas das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste..................................................................... 63 Tabela 44. Perdas e eficiências industriais utilizadas nos modelos regionais de custo (em %). ............ 64 Tabela 45. Mínimos, máximos e médias de perdas na lavagem (% ART) para usinas das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste..................................................................... 64 Tabela 46. Mínimos, máximos e médias de perdas na torta (% ART) para usinas das regiões Centro- Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. ................................................................................ 64 Tabela 47. Mínimos, máximos e médias de perdas indeterminadas (% ART) para usinas das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste..................................................................... 65 Tabela 48. Mínimos, máximos e médias da pureza do mel final (%) para usinas das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. ...................................................................................... 65 9
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    Tabela 49. Preçose quantidades de insumos agrícolas da região Centro-Sul Expansão, safra 2010/11 – Fornecedor e Usina ................................................................................................................................. 71 Tabela 50. Preços e quantidades de insumos agrícolas da região Centro-Sul Tradicional, safra 2010/11 – Fornecedor e Usina .............................................................................................................................. 71 Tabela 51. Preços e quantidades de insumos agrícolas da região Nordeste, safra 2010/11 – Fornecedor e Usina .................................................................................................................................................... 72 Tabela 52. Evolução dos preços médios (R$) e taxas de crescimento dos principais insumos agrícolas levantados na região Centro-Sul Tradicional (safras 2007/08 a 2010/11) – Fornecedores e Usinas. .... 73 Tabela 53. Evolução dos preços médios e taxas de crescimento dos principais insumos agrícolas levantados na região Centro-Sul Expansão (safra 2007/08 a 2010/11) – Fornecedores e Usinas. ........ 74 Tabela 54. Evolução dos preços médios e taxas de crescimento dos principais insumos agrícolas levantados na região Nordeste (safra 2007/08 a 2010/11) – Fornecedores e Usinas. ............................ 74 Tabela 55. Preços e consumos médios dos principais insumos industriais coletados no Brasil, para a safra 2010/11. ......................................................................................................................................... 76 Tabela 56. Evolução dos preços médios dos principais insumos industriais coletados no Brasil (safra 2007/08 à safra 2010/11). ....................................................................................................................... 77 Tabela 57. Evolução dos consumos médios específicos dos principais insumos industriais coletados no Brasil (safra 2007/08 à safra 2010/11). .................................................................................................. 79 Tabela 58. Premissas básicas adotadas no modelo de custos de cana de fornecedores, para as regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. .................................................................... 81 Tabela 59. Quantidade de ATR por tonelada de cana-de-açúcar (kg ATR/t) e preços de ATR (R$/kg ATR). ...................................................................................................................................................... 81 Tabela 60. Custos de produção de cana-de-açúcar de fornecedores das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste, para o fechamento da safra 2010/11................................................. 83 Tabela 61. Participação dos insumos no COE, COT e CT dos fornecedores de cana da região Centro- Sul Tradicional. ...................................................................................................................................... 86 Tabela 62. Participação dos insumos no COE, COT e CT dos fornecedores de cana da região Centro- Sul Expansão. ......................................................................................................................................... 87 Tabela 63. Participação dos insumos no COE, COT e CT dos fornecedores de cana da região Nordeste. ................................................................................................................................................................ 88 Tabela 64. Premissas básicas adotadas no modelo de custos de cana das usinas, para as regiões Centro- Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. ................................................................................ 94 Tabela 65. Quantidade de ATR por tonelada de cana-de-açúcar (kg ATR/t) e preços do ATR (R$/kg ATR) para as usinas das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. ............... 95 Tabela 66. Custos de produção de cana-de-açúcar de usinas das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste, para o fechamento da safra 2010/11................................................. 98 Tabela 67. Ponderação do custo da cana-de-açúcar: COE. .................................................................. 104 Tabela 68. Ponderação do custo da cana-de-açúcar: COT. .................................................................. 104 Tabela 69. Ponderação do custo da cana-de-açúcar: CT. ..................................................................... 104 Tabela 70. Mínimos, máximos e médias para os custos com mão-de-obra (R$/t) para usinas das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. .................................................................. 105 10
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    Tabela 71 Mínimos,máximos e médias de custos com insumos industriais (R$/t) para usinas das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. ..................................................... 107 Tabela 72. Mínimos, máximos e médias de custos com manutenção industrial (R$/t), e as respectivas participações dos grupos de materiais e serviços na composição desses custos, para usinas das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste................................................................... 108 Tabela 73. Mínimos, máximos e médias de custos com administração industrial (R$/t) para usinas das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. ..................................................... 110 Tabela 74. Custos de produção agroindustrial do processamento de cana-de-açúcar: região Centro-Sul Expansão. ............................................................................................................................................. 112 Tabela 75. Custos de produção agroindustrial do processamento de cana-de-açúcar: região Centro-Sul Tradicional. .......................................................................................................................................... 113 Tabela 76. Custos de produção agroindustrial do processamento de cana-de-açúcar: região Nordeste. .............................................................................................................................................................. 114 Tabela 77. Custos de produção agroindustrial de açúcar e etanol: região Centro-Sul Expansão. ....... 115 Tabela 78. Custos de produção agroindustrial de açúcar e etanol: região Centro-Sul Tradicional. .... 116 Tabela 79. Custos de produção agroindustrial de açúcar e etanol: região Nordeste. ........................... 117 Tabela 80. Resumo dos custos de produção agroindustriais de açúcar e etanol: região Centro-Sul Expansão. ............................................................................................................................................. 118 Tabela 81. Resumo dos custos de produção agroindustriais de açúcar e etanol: região Centro-Sul Tradicional. .......................................................................................................................................... 119 Tabela 82. Resumo dos custos de produção agroindustriais de açúcar e etanol: região Nordeste. ...... 120 Tabela 83. Mínimos, máximos e médias para custos com mão-de-obra (R$/t) de usinas das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste................................................................... 124 Tabela 84. Mínimos, máximos e médias para custos com financiamento para capital de giro (R$/t) de usinas das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. .................................... 124 Tabela 85. Mínimos, máximos e médias para custos com serviços e utilidades (R$/t) de usinas das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. ..................................................... 125 Tabela 86. Mínimos, máximos e médias para custos com serviços técnicos e profissionais (R$/t) de usinas das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. .................................... 125 Tabela 87. Mínimos, máximos e médias para custos com materiais de consumo (R$/t) de usinas das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. ..................................................... 125 Tabela 88. Mínimos, máximos e médias para custos com diversos (R$/t) de usinas das regiões Centro- Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. .............................................................................. 125 Tabela 89. Evolução dos custos de produção do açúcar branco, em R$/t. ........................................... 135 Tabela 90. Evolução dos custos de produção do açúcar VHP, em R$/t............................................... 135 Tabela 91. Evolução dos custos de produção do etanol anidro, em R$/m³. ......................................... 135 Tabela 92. Evolução dos custos de produção do etanol hidratado, em R$/m³. ................................... 135 11
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    SUMÁRIO EXECUTIVO No 5º levantamento de custos de produção de cana-de-açúcar, açúcar e etanol do PECEGE ESALQ/USP-CNA houve expressivo crescimento do número de participantes e da representatividade da amostragem em termos de moagem de cana e de produção de açúcar e etanol. Ao todo, 101 usinas responderam aos questionários do levantamento, além de 19 associações de fornecedores de cana-de- açúcar. A pesquisa computou 51 questionários para a região Centro-Sul Tradicional, enquanto que para as regiões Centro-Sul Expansão e Nordeste foram registrados 29 e 21 questionários, respectivamente. Em média, o preço da cana-de-açúcar foi suficiente para cobrir os custos operacionais e as depreciações dos fornecedores (COT), e para as regiões de Expansão e Nordeste o preço de venda também conseguiu remunerar os custos de oportunidade do capital dos produtores (CT). No Centro- Sul Tradicional, a rentabilidade negativa em termos de resultado econômico explica-se pelos maiores níveis de preços de arrendamentos e pela maior ociosidade do capital investido (Figura A). 80 70 72,93 60 7,56 50 13,12 55,23 51,76 16,27 6,90 R$/tc 40 14,03 10,68 30 20 40,23 32,18 29,43 10 0 Tradicional Expansão Nordeste COE COT CT Preço cana Figura A. Custos de produção e do preço da cana-de-açúcar para os fornecedores das regiões Centro- Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste, para a safra 2010/11, em R$/tc. Os custos totais de produção (CT) da cana própria ficaram abaixo dos preços da matéria-prima para as unidades industriais, em todas as regiões analisadas. Destaca-se a margem de rentabilidade 12
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    econômica das usinasdo Nordeste. Tais resultados diferem daqueles apurados na safra 2009/10, quando os preços da cana das regiões do Centro-Sul não foram suficientes para cobrir totalmente os custos de oportunidade da atividade (Figura B). 80 70 73,45 60 54,04 7,19 52,94 50 6,09 12,63 3,31 R$/tc 40 9,18 9,07 30 20 37,86 43,57 34,74 10 0 Tradicional Expansão Nordeste COE COT CT Preço cana Figura B. Custos e preços da cana-de-açúcar para as usinas das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste, para a safra 2010/11, em R$/tc. Os preços dos mercados de açúcar e etanol remuneraram todos os fatores de produção no Centro-Sul e no Nordeste, refletindo cenários satisfatórios para as unidades do Brasil na safra 2010/11. Ou seja, os preços dos principais produtos do setor (açúcar branco, açúcar VHP, etanol anidro e etanol hidratado) foram maiores do que os custos totais de produção, gerando margens de rentabilidade positivas para as três regiões da pesquisa. Dentre esses produtos, destacam-se as margens obtidas com o açúcar branco, que atingiram patamares em torno de 40% no Centro-Sul e de aproximadamente 30% no Nordeste (Figuras C, D e E). Em comparação com os custos estimados pelo relatório de acompanhamento da safra 2010/11 do Centro-Sul, as diferenças entre estes valores e os divulgados pelo presente relatório de fechamento foram bastante pequenas, sendo inclusive nula para a região Tradicional, o que reflete a ótima aderência entre os levantamentos realizados. 13
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    1.600 1.600 1.400 1.400 1.200 1.200 1.000 1.000 R$/m³ R$/t 800 800 600 600 400 400 200 200 0 0 Branco VHP Anidro Hidratado COE COT CT Preço médio COE COT CT Preço médio a) b) Figura C. COE, COT, CT e Preço médio para a região Centro-Sul Expansão: a) Açúcar Branco e Açúcar VHP; b) Etanol Anidro e Etanol Hidratado. 1.600 1.600 1.400 1.400 1.200 1.200 1.000 1.000 R$/m³ R$/t 800 800 600 600 400 400 200 200 0 0 Branco VHP Anidro Hidratado COE COT CT Preço médio COE COT CT Preço médio a) b) Figura D. COE, COT, CT e Preço médio para a região Centro-Sul Tradicional: a) Açúcar Branco e Açúcar VHP; b) Etanol Anidro e Etanol Hidratado. 14
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    1.600 1.600 1.400 1.400 1.200 1.200 1.000 1.000 R$/m³ R$/t 800 800 600 600 400 400 200 200 0 0 Branco VHP Anidro Hidratado COE COT CT Preço médio COE COT CT Preço médio a) b) Figura E. COE, COT, CT e Preço médio para a região Nordeste: a) Açúcar Branco e Açúcar VHP; b) Etanol Anidro e Etanol Hidratado. A partir dos resultados obtidos com o estudo, e com base nas tendências de custos e preços observadas ao longo dos últimos anos, espera-se que após o fechamento da safra 2011/12 os patamares de rentabilidade dos fornecedores de cana aproximem-se do equilíbrio econômico de longo prazo, caracterizado pelo lucro nulo, ao serem considerados todos os custos de oportunidade do capital. Após o cenário de baixa rentabilidade, os preços dos produtos superaram, em geral, todos os custos totais de produção, apesar destes apresentarem aumentos em comparação com a safra anterior. Os resultados e conclusões do relatório reforçam a importância do desenvolvimento de trabalhos como esse, cujo objetivo consiste em medir os fatores que são determinantes para o custo de produção e gerar indicadores que reflitam as melhores práticas de gerenciamento e controle da produção. 15
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    1. INTRODUÇÃO De forma a prosseguir com os levantamentos de custos de produção do setor sucroenergético brasileiro, o Programa de Educação Continuada em Economia e Gestão de Empresas – PECEGE, novamente em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil- CNA, realizou no primeiro semestre de 2011 o levantamento de custos de produção de cana-de-açúcar, açúcar e etanol do Brasil, tendo como referência a safra 2010/11. A metodologia aplicada no estudo seguiu os procedimentos delineados por Marques (2009) e Xavier et al (2009), mediante o levantamento dos custos agrícolas (cana-de-açúcar) de fornecedores autônomos e usinas, e dos custos industriais destas (produção de açúcar e etanol). No que tange às modificações de importância, ou seja, às alterações e incrementos do procedimento metodológico aplicado para o fechamento da safra 2010/11 face ao último levantamento, destacam-se a expansão do tratamento dos custos de insumos agrícolas e de mão-de-obra, além da aplicação de questionário específico de configuração tecnológica agrícola junto às usinas participantes. No que diz respeito à representatividade amostral da pesquisa, detalhada no capítulo seguinte deste documento, salienta-se a evolução do número de agentes participantes, bem como o alcance do estudo em todas as grandes regiões canavieiras do país. Com base nos dados fornecidos referentes à safra 2010/11, a amostragem englobou 23,22% de todas as usinas instaladas no Brasil, o que correspondeu a 28,84% de toda moagem de cana registrada em tal safra, sendo equivalente a 34,85% da produção de açúcar e a 26,07% da produção de etanol registradas para o país. Com o intuito de aperfeiçoar ainda mais o levantamento de custos de produção de cana-de- açúcar, açúcar e etanol, o PECEGE busca continuamente novas usinas participantes do projeto. Espera-se, para a próxima edição, análises mais abrangentes referentes à manutenção industrial e aos custos administrativos das usinas, bem como maior detalhamento das configurações tecnológicas agrícolas dos fornecedores. Além da introdução, o trabalho contempla análises descritivas sobre a amostragem e a coleta de dados (Seção 2) e resultados (Seção 3), sendo que neste último podem ser encontrados dados sobre configuração técnica (Subseção 3.1), fatores de produção (Subseção 3.2), preços de insumos (Subseção 3.3) e 16
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    custos (subseção 3.4)que, diferentemente do último relatório desenvolvido pelo PECEGE, estão divididos, majoritariamente, entre fornecedores e usinas. As Seções 4 e 5, por sua vez, abrangem a evolução dos resultados dos levantamentos de custos e as conclusões, respectivamente. Os resultados dos outros levantamentos (safras 2007/08, 2008/09, 2009/10 e 2010/11 – acompanhamento Centro-Sul) podem ser obtidos no site www.pecege.esalq.usp.br. 17
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    2. AMOSTRAGEM ECOLETA DE DADOS A amostragem baseou-se na metodologia aplicada nos levantamentos anteriores. Dessa forma, foram contatadas todas as usinas situadas nos nove maiores estados produtores do país, bem como no Rio de Janeiro. Foram estabelecidos contatos (visitas, telefone ou e-mail) com aproximadamente 230 unidades sucroenergéticas do Brasil, para a obtenção de informações dos custos de produção de cana- de-açúcar, açúcar e etanol das três regiões produtoras do Brasil: Centro-Sul Tradicional (São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná), Centro-Sul Expansão (Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás) e Nordeste (Pernambuco, Alagoas e Paraíba). Após o estabelecimento de contato e o envio de questionários às usinas, foram obtidas informações de 101 unidades, sendo 51 delas localizadas na região Centro-Sul Tradicional, 31 na região Centro-Sul Expansão e 19 na região Nordeste. Tais questionários continham consultas sobre indicadores de produção, custos, configuração tecnológica e utilização de insumos, para as áreas agrícola e industrial das usinas. Além dos dados levantados junto às unidades industriais, também foram realizadas visitas de campo em todos os 10 estados amostrados pelo levantamento, incluindo visitas às associações de fornecedores de cana-de-açúcar, alinhadas à realização de painéis presenciais com produtores, técnicos e outros agentes do setor. Os painéis realizados junto aos fornecedores de cana-de-açúcar na safra 2010/11 constam na Tabela 1. O aumento do número de participantes mostra a evolução do processo de amostragem do 5° levantamento de custos de produção de cana-de-açúcar, açúcar e etanol. Houve uma taxa de crescimento superior a 260% em comparação com a última pesquisa, o que reflete o aprimoramento dos processos de coleta e análise de dados, e a percepção da relevância do trabalho sob a ótica dos agentes do setor sucroenergético como um todo. 18
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    Tabela 1. Cidadese regiões em que os painéis foram realizados na safra 2010/11 Cidade (Painel) Região Andradina – SP Expansão Araçatuba – SP Tradicional Assis – SP Tradicional Campos dos Goytacazes – RJ Tradicional Catanduva – SP Tradicional Goiatuba – GO Expansão Ituiutaba – MG Expansão Jacarezinho – PR Tradicional Jaú – SP Tradicional João Pessoa – PB Nordeste Maceió – AL Nordeste Maracaju – MS Expansão Nova Olímpia – MT Expansão Piracicaba – SP Tradicional Porecatu – PR Tradicional Quirinópolis – GO Expansão Recife – PE Nordeste Sertãozinho – SP Tradicional Uberaba – MG Expansão Fonte: Dados do PECEGE/CNA O total amostrado na primeira safra analisada (2007/08) totalizou 40,9 milhões de toneladas de cana moída, das quais 23,1 milhões foram referentes ao Centro-Sul Tradicional do país, 9,8 milhões relativas ao Centro-Sul Expansão e 8,0 milhões correspondentes ao Nordeste. Para a safra 2010/11, 174,31 milhões de toneladas foram amostrados, em 101 unidades industriais espalhadas por 10 estados brasileiros. Nesse sentido, cabe ressaltar que 80 usinas forneceram informações dos questionários de indicadores de produção e custos, ao passo que as outras 21 componentes da base de dados efetuaram cadastros junto ao sistema de contatos do PECEGE/CNA, transmitindo informações parciais, tais como moagem total e produção de açúcar e etanol. A amostra contém moagens de 104,2 e 44,5 milhões de toneladas de cana para as regiões Centro-Sul Tradicional e Centro-Sul Expansão, respectivamente, enquanto 25,6 milhões correspondem à moagem nordestina (Tabela 2). 19
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    Tabela 2. Evoluçãodo número de moagem (em milhões de toneladas) e do número de usinas participantes da pesquisa 2007/08 2008/09 2009/10 2010/11* 2010/11 Unidades da Federação Nº Nº Nº Nº Nº Moagem Moagem Moagem Moagem Moagem usinas usinas usinas usinas usinas Alagoas 3,7 3 5,2 4 3,0 3 - - 15,6 10 Goiás 3,3 3 8,7 4 8,3 4 10,7 5 20,6 11 Mato Grosso 0,0 0 0,0 0 1,6 1 3,3 4 1,2 2 Mato G. Sul 1,5 1 0,2 1 0,0 0 2,1 1 3,3 3 Minas Gerais 5,0 4 4,4 2 6,0 3 4,6 3 19,4 13 Paraíba 0,0 0 0,0 0 0,8 1 - - 2,8 4 Paraná 1,7 3 1,3 1 1,4 1 20,8 11 5,5 5 Pernambuco 4,3 3 1,7 1 1,7 1 - - 7,2 7 Rio de Janeiro 0,6 2 6,9 1 1,5 2 1,6 2 1,7 2 São Paulo 20,8 13 15,1 6 26,6 11 72,6 29 97,0 44 TOTAL 40,9 32 44 20 50,8 28 115,6 55 174,3 101 Fonte: Dados do PECEGE/ CNA. * Dados do relatório de Acompanhamento de Safra para a região Centro-Sul. Com o intuito de comparar os dados amostrados pela pesquisa realizada pelo PECEGE/CNA com os totais de moagem e produção de açúcar e etanol do Brasil, foram coletados dados fornecidos pela União da Indústria de Cana-de-açúcar – UNICA, para a região Centro-Sul, e pelo Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool – SINDAÇÚCAR/PE, para a região Nordeste. Com isso, pode ser verificada na Figura 1, Figura 2 e Figura 3 a representatividade do levantamento frente às principais instituições do setor sucroenergético, nos diversos estados brasileiros e nos painéis regionais, para a safra 2010/11 (Tabela3). Em relação à moagem, são bastante significativas as representatividades da amostragem executada pelo PECEGE/CNA nos estados de Alagoas, Rio de Janeiro, Paraíba, Pernambuco e Goiás, que atingiram os patamares de 58,41%, 56,07%, 54,64%, 44,72% e 44,18% das moagens totais dessas unidades da federação na safra 2010/11, respectivamente. Dentre os maiores produtores em âmbito nacional, os estados de São Paulo e Minas Gerais também são consideravelmente abrangidos pelo levantamento, haja vista os níveis respectivos de 26,43% e 38,00%. Embora as representatividades de Paraná, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul sejam menores 20
  • 20.
    em termos relativos,as usinas amostradas possuem cerca de um décimo de toda moagem existente em tais unidades da federação (Figura 1). Em termos mais específicos, ressalta-se ainda que em determinados painéis de São Paulo e Goiás a amostra do PECEGE/CNA alcançou valores relativos muito expressivos, o que reflete a diversificação regional e a robustez dos resultados obtidos pelo levantamento. Para as subdivisões estabelecidas em São Paulo, foram amostrados 39,35%, 33,91% e 29,73% das moagens totais de Catanduva, Araçatuba e Sertãozinho, respectivamente, tendo como referência a safra anterior. Além disso, a pesquisa representou em Goiás 53,03% e 35,20% das produções totais registradas nos painéis de Quirinópolis e Goiatuba. 70,00% 60,00% 50,00% 40,00% 30,00% 20,00% 10,00% 0,00% AL GO MT MS MG PB PR PE RJ SP TOTAL Moagem - AMOSTRA PECEGE Figura 1. Representatividade da moagem amostrada pelo PECEGE/CNA, para o fechamento da safra 2010/11. No que se refere à participação da amostra do PECEGE/CNA em relação à distribuição das produções brasileiras dos principais produtos do setor sucroenergético, verifica-se que a amostra de São Paulo contabilizou aproximadamente 34,78% e 21,34% do total estadual produzido de açúcar e etanol, respectivamente. Dentre as subdivisões regionais estabelecidas, Catanduva, Araçatuba, 21
  • 21.
    Sertãozinho e Assisdestacam-se pela produção de açúcar. Para a primeira mesorregião citada, a amostragem representou 86,17% do total produzido, com base em dados da UNICA. Os mesmos destaques devem ser dados aos valores amostrados em Minas Gerais, Goiás e Rio de Janeiro, além da região Nordeste como um todo. A propósito, quanto à produção total de açúcar, os painéis de Uberaba – MG, Campos dos Goytacazes - RJ e Goiatuba - GO apresentaram indicadores respectivos de amostragem de 61,85%, 57,70% e 50,81%. Para a produção de etanol, os percentuais de Quirinópolis – GO e das três capitais nordestinas presentes no levantamento merecem ser realçadas, tendo em vista os valores de 62,55% para o painel goiano e 74,88%, 67,63% e 50,76% para Maceió, João Pessoa e Recife, respectivamente. Além disso, a despeito das produções de etanol do Mato Grosso e do Mato Grosso do Sul terem sido pouco amostrados, relativamente, suas produções de açúcar tiveram bastante representatividade na pesquisa. Os painéis de Nova Olímpia – MT e Maracaju – MS apresentaram valores de 20,67% e 21,35% para a produção açucareira, em termos respectivos. 70,00% 60,00% 50,00% 40,00% 30,00% 20,00% 10,00% 0,00% AL GO MT MS MG PB PR PE RJ SP TOTAL Açúcar - AMOSTRA PECEGE Figura 2. Representatividade da produção de açúcar amostrada pelo PECEGE/CNA, para o fechamento da safra 2010/11 22
  • 22.
    80,00% 70,00% 60,00% 50,00% 40,00% 30,00% 20,00% 10,00% 0,00% AL GO MT MS MG PB PR PE RJ SP TOTAL Etanol - AMOSTRA PECEGE Figura 3. Representatividade da produção de etanol amostrada pelo PECEGE/CNA, para o fechamento da safra 2010/11 De maneira geral, para o Brasil como todo, a amostra desenvolvida pelo PECEGE/CNA abrangeu 23,22% das usinas instaladas e registradas, e 28,84% da moagem de cana da safra 2010/11. Em relação aos principais produtos industriais, a amostragem representou 34,85% e 26,07% das produções nacionais de açúcar e etanol, respectivamente. 23
  • 23.
    Tabela 3. Representatividadeda amostra do PECEGE em relação à moagem e às produções de açúcar e etanol do país, para o fechamento da safra 2010/11 Nº Usinas Moagem Açúcar Etanol Painéis de SÃO PAULO Catanduva 40,63% 39,35% 86,17% 22,42% Sertãozinho 27,91% 29,73% 23,43% 20,41% Piracicaba 11,76% 13,21% 14,05% 11,09% Araçatuba 22,50% 33,91% 41,39% 33,10% Assis 11,11% 20,45% 24,37% 21,97% Jaú 13,79% 13,51% 11,63% 15,59% TOTAL 22,45% 26,98% 35,17% 21,89% Painéis do PARANÁ Porecatu 17,86% 14,62% 9,02% 19,53% Jacarezinho - - - - TOTAL 14,29% 12,75% 8,54% 15,95% Painéis de MINAS GERAIS Uberaba 29,55% 38,00% 61,85% 39,82% TOTAL 29,55% 38,00% 61,85% 39,82% Painéis de GOIÁS Goiatuba 40,00% 35,20% 50,81% 29,14% Quirinópolis 28,00% 53,03% 14,96% 62,55% TOTAL 31,43% 44,18% 32,05% 45,79% Painéis do MATO GROSSO Nova Olímpia 10,00% 8,31% 20,67% 4,90% TOTAL 10,00% 8,31% 20,67% 4,90% Painéis do MATO GROSSO DO SUL Maracaju 15,00% 12,30% 21,35% 6,09% TOTAL 15,00% 12,30% 21,35% 6,09% Painéis do RIO DE JANEIRO Campos dos Goytacazes 18,18% 56,07% 57,70% 44,01% TOTAL 18,18% 56,07% 57,70% 44,01% Painéis de PERNAMBUCO Recife 30,43% 44,72% 35,72% 50,76% TOTAL 30,43% 44,72% 35,72% 50,76% Painéis de ALAGOAS Maceió 29,41% 58,41% 49,08% 74,88% TOTAL 29,41% 58,41% 49,08% 74,88% Painéis da PARAÍBA João Pessoa 23,53% 54,64% 43,54% 67,63% TOTAL 23,53% 54,64% 43,54% 67,63% 24
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    3. RESULTADOS 3.1 Configuraçãotécnica 3.1.1 Agrícola Com o intuito de aperfeiçoar as análises de custos de produção de cana-de-açúcar, açúcar e etanol, o PECEGE/CNA realizou uma primeira coleta de dados referente à configuração técnica agrícola das usinas participantes do projeto. Assim, na presente seção são apresentados os dados da configuração tecnológica das unidades do setor sucroenergético, que estão divididos em: variedades mais utilizadas, tratos culturais (principais pragas, plantas daninhas e doenças), rotação de cultura, sistema de preparo de solo, uso de irrigação e agricultura de precisão. 3.1.1.1 Variedades de cana-de-açúcar mais utilizadas O uso de diferentes variedades de cana-de-açúcar consiste em uma estratégia que busca explorar os ganhos da interação das mesmas com o ambiente, além de ter em vista o manejo das pragas e a diversificação da época de colheita e maturação da cana. Dessa forma, são apresentadas na Figura 4 as principais variedades estabelecidas nas usinas participantes, bem como suas representatividades em cada grande região da pesquisa. Na região Centro-Sul Tradicional as principais variedades levantadas foram RB867515, SP81- 3250 e RB966928, que representaram em conjunto 67% do total da área plantada na região. Já na região Centro-Sul Expansão as variedades que mostraram maior predominância foram a RB867515 e a SP81-3250, correspondentes a 48% de todo o plantio. Na região Nordeste, observou-se que as variedades mais utilizadas foram SP81-3250, RB92579 e SP79-1011, as quais representaram 81% do total cultivado, com destaque à variedade RB92579, que sozinha representou 54% do total. No Brasil, de forma geral, as principais variedades de cana-de-açúcar levantadas foram as variedades RB867515, SP81-3250 e RB966928, totalizando59% da área de cana-de-açúcar plantada em todo o país. 25
  • 25.
    60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% Outras Outras Outras Outras SP81-3250 SP83-2847 SP81-3250 SP83-2847 SP81-3250 SP79-1011 SP79-1011 SP83-2847 SP81-3250 SP79-1011 RB966928 RB867515 RB855453 RB855156 RB867515 RB855453 RB855156 RB867515 RB966928 RB867515 RB855453 RB855156 RB92579 RB72454 RB92579 RB92579 RB72454 Centro-Sul Tradicional Centro-Sul Expansão Nordeste Brasil Figura 4. Histograma de frequências das variedades mais plantadas no Brasil e nas regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. 3.1.1.2 Tratos culturais 3.1.1.2.1 Principais pragas na cultura da cana-de-açúcar Vários são os danos causados pelas pragas na cultura da cana-de-açúcar, gerando queda de produtividade e redução de qualidade da matéria-prima. Além dos danos diretos, também são relevantes os danos indiretos causados pelas mesmas, tais como a infestação por pragas secundárias, o que acarreta a intensificação das perdas na produção e o aumento de custos com defensivos. A propósito, a importância de uma espécie de praga varia em função da região de cultivo (condições edafoclimáticas), do ano agrícola e das técnicas adotadas na condução da lavoura. Por isso, a Tabela 4 e Figura 5 apresentam as principais pragas da cana-de-açúcar levantadas, bem como suas representatividades referentes a cada região. Na região Nordeste as pragas mais recorrentes foram: broca da cana-de-açúcar (Diatraea saccharalis), broca gigante (Telchin licus), cigarrinha-da-folha (Mahanarva posticata), cupins, 26
  • 26.
    formigas e lagartaelasmo (Elasmopalpus lignosellus). Nesse sentido, é importante salientar a grande relevância da broca gigante para esta região (23%), fato inexistente nos outros locais amostrados. Já na região Centro-Sul Expansão, as pragas de maior recorrência foram: broca da cana-de- açúcar (Diatraea flavipennella), cigarrinha-da-raiz (Mahanarva fimbriolata), cupins e formigas, que equivaleram a 75% de todas as pragas levantadas. Na região Centro-Sul Tradicional, por sua vez, as principais pragas levantadas foram: broca da cana-de-açúcar (Diatraea flavipennella), cigarrinha-da- raiz (Mahanarva fimbriolata), migdolus (Migdolus fryanus) e cupins, representando 84% do total registrado. Em síntese, no Brasil como um todo, as pragas mais presentes foram: a broca da cana-de- açúcar (Diatraea flavipennella), a cigarrinha-da-raiz (Mahanarva fimbriolata), cupins, formigas e o migdolus (Migdolus fryanus), que totalizaram 75% das pragas mencionadas. Tabela 4. Principais pragas da cana-de-açúcar e suas respectivas representatividades nas regiões produtoras amostradas Nome Popular Nome Científico Nordeste Centro-Sul Expansão Centro-Sul Tradicional Bicudo da cana-de-açúcar Sphenophoruslevis 0% 0% 0% Broca da cana-de-açúcar Diatraea flavipennella 0% 18% 24% Broca da cana-de-açúcar Diatraea saccharalis 15% 4% 0% Broca gigante Telchin licus 23% 0% 0% Broca peluda Hyponeumataltula 0% 4% 0% Cigarrinha-da-raiz Mahanarva fimbriolata 0% 18% 24% Cigarrinha-da-folha Mahanarva posticata 15% 0% 0% Cupins Cupins (várias espécies) 15% 14% 17% Formigas Formigas (várias espécies) 15% 25% 5% Lagarta elasmo Elasmopalpus lignosellus 15% 7% 0 Migdolus Migdolus fryanus 0% 7% 19% Nematóides Nematóides (várias espécies) 0% 0% 12% Pão-de-galinha Pão-de-galinha (várias espécies) 0% 4% 0 27
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    20% 18% 18% 18% 15% 16% 14% 13% 12% 12% 10% 8% 6% 6% 5% 4% 4% 4% 2% 2% 2% 1% 1% 0% Nematóides Formigas Cupins Migdolus Broca peluda Broca gigante Pão-de-galinha flavipennella) saccharalis) Cigarrinha-da- Cigarrinha-da- Lagarta elasmo Broca (D. Bicudo Broca (D. folha raiz Figura 5. Principais pragas da cultura da cana-de-açúcar no Brasil, na amostra do PECEGE/CNA, para o fechamento da safra 2010/11. 3.1.1.2.2 Plantas daninhas Na Tabela 5 e na Figura 6 desta subseção são apresentadas as principais plantas daninhas levantadas para a safra 2010/11, assim como suas representatividades referentes a cada região produtora. Na região Nordeste, as principais plantas invasoras levantadas foram a Cyperus sp. e a Ipomoea sp., popularmente conhecidas como Tiririca e Corda-de-viola, respectivamente, que representaram 33% do total de plantas daninhas citadas pelas unidades da amostragem. Já nas regiões Centro-Sul Tradicional e Centro-Sul Expansão, os principais problemas foram causados pelas plantas: Capim colchão (Digitaria sp.), Capim colonião (Panicum maximum), Capim braquiária (Brachiaria decumbens) e Corda-de-viola (Ipomoea sp.), que juntas corresponderam a 64% do total levantado. 28
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    Tabela 5. Principaisplantas daninhas na cultura da cana-de-açúcar e suas respectivas representatividades nas regiões produtoras amostradas. Nome Popular Nome Científico Nordeste Centro-Sul Expansão Centro-Sul Tradicional Capim colonião Panicum maximum 8% 13% 15% Capim colchão Digitaria sp. 0% 17% 18% Capim braquiária Brachiaria decumbens 8% 13% 15% Tiririca Cyperus sp. 17% 4% 9% Corda-de-viola Ipomoea sp. 17% 22% 15% Jitirana Merremia aegyptia L. 8% 0% 0% Trapoeraba Commelina benghalensis 8% 4% 0% Capim mão de sapo Dactyloctenium aegyptium 8% 0% 0% Capim pé de galinha Eleusine indica 8% 0% 0% Representatividade Total 83% 74% 73% 20% 18% 18% 16% 15% 13% 13% 14% 12% 10% 9% 8% 6% 4% 3% 2% 1% 1% 1% 0% aegyptia L. Digitaria sp. maximum Cyperus sp. Ipomoea sp. decumbens Dactylocteniu benghalensis Eleusine m aegyptium Brachiaria Panicum Commelina Merremia indica Figura 6. Principais plantas daninhas na cultura da cana-de-açúcar e suas respectivas representatividades em nível Brasil, para o fechamento da safra 2010/11. 29
  • 29.
    3.1.1.3 Doenças Na região Nordeste, no que diz respeito às principais doenças levantadas, observa-se que 50% dos problemas foram atribuídos a somente duas doenças: Ferrugem (Puccinia melanocephala) e Raquitismo da soqueira (Leifsonia xyli subsp. xyli). Entre as doenças fúngicas que trazem preocupações e podem acarretar prejuízos ao setor canavieiro na região Centro-Sul do Brasil, destacam-se também a Ferrugem, o Carvão (Ustilago scitaminea) e a Podridão do abacaxi (Ceratocystis paradoxa). De fato, em âmbito nacional, as quatro doenças mencionadas foram responsáveis por 68% do total de danos na cultura da cana-de-açúcar referentes a enfermidades, segundo o fechamento da safra 2010/11. Tabela 6. Principais doenças para a cultura da cana-de-açúcar e suas respectivas representatividades nas regiões produtoras amostradas Doença - Nome Popular Nordeste Centro-Sul Expansão Centro-Sul Tradicional Mancha anelar 10% 0% 0% Ferrugem alaranjada 0% 0% 9% Podridão abacaxi 0% 11% 21% Podridão vermelha 0% 0% 12% Ferrugem 30% 32% 18% Carvão 10% 26% 18% Estria vermelha 10% 0% 3% Raquitismo da soqueira 20% 16% 6% Escaldadura das folhas 10% 0% 6% Síndrome do amarelinho 10% 0% 0% 30
  • 30.
    3.1.1.4 Rotação deCulturas Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – EMBRAPA, a rotação de culturas configura-se como um processo de cultivo para a preservação ambiental, que influi positivamente na recuperação, manutenção e melhoria dos recursos naturais. As vantagens do uso contínuo da rotação de culturas são a preservação ou aprimoramento das características físicas, químicas e biológicas do solo, além do auxílio ao controle de plantas daninhas, doenças e pragas. No levantamento em estudo, a rotação de cultura da cana-de-açúcar vem sendo utilizada em todas as regiões amostradas, sendo que esta prática se fez presente em 79% dos canaviais brasileiros, a partir de dados da safra 2010/11. Na região Centro-Sul Tradicional, cerca de 50% das unidades adotaram a prática, utilizando principalmente amendoim, soja, milheto e crotalárias (Crotalária Juncea e Crotalária Spectabilis). Na região Centro–Sul Expansão, por sua vez, a rotação vem sendo executada principalmente com soja e crotalárias. Na região Nordeste,as culturas foram aquelas utilizadas no Centro-Sul, porém, o índice de utilização foi bastante inferior ao observado nas outras regiões (Tabela 7). Tabela 7. Utilização de rotação de culturas para as lavouras de cana-de-açúcar do Brasil, na amostra do PECEGE/CNA Região Cultura utilizada Utilização de Rotação Amendoim, Soja, Milheto, Centro-Sul Tradicional 53% Crotalária Juncea e Crotalária Spectabilis Soja, Crotalária Junceae Centro-Sul Expansão 21% Crotalária Spectabilis Nordeste Crotalária Juncea e Crotalária Spectabilis 5% Amendoim, Soja, Milheto, Brasil 79% Crotalária Juncea e Crotalária Spectabilis 31
  • 31.
    3.1.1.5 Agricultura deprecisão A agricultura de precisão permite o gerenciamento localizado dos cultivos, acarretando a otimização do uso de insumos e, consequentemente, o melhor gerenciamento dos gastos da produção agrícola. Tal técnica vem sendo utilizada tanto na região Centro-Sul Tradicional como na região de Expansão, com as participações de 30% e 33% dos canaviais amostrados, respectivamente. Em contrapartida, as práticas de agricultura de precisão não foram adotadas na região Nordeste (Figura 7). Em termos específicos, a região Centro-Sul Expansão faz uso de imagens de satélite, piloto automático, fotografias aéreas, amostragem de solo georreferenciada, tecnologia de aplicação em taxa variável, sistema de direcionamento via satélite, aplicação de gesso, fósforo e potássio em taxa variável, e também mapeamento do pH do solo. Na região Centro-Sul Tradicional, foram constatadas as mesmas tecnologias citadas acima, à exceção da fotografia aérea e da aplicação de fósforo em taxa variável. 50% 45% 40% 35% 33% 30% 30% 28% 25% 20% 15% 10% 5% 0 0% Nordeste Centro-Sul Expansão Centro-Sul Tradicional Brasil Figura 7. Utilização de agricultura de precisão na cultura da cana-de-açúcar no Brasil e nas regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. 32
  • 32.
    3.1.2 Industrial Na busca de retratar a configuração técnica industrial dos participantes da pesquisa, da Figura 8 à Figura 14 são mostrados o resumo das capacidades e características dos principais equipamentos utilizados nos processos industriais que dão origem aos produtos finais. Além disso, da Tabela 11 à Tabela 14 são apresentadas as taxa de utilização dos equipamentos de moagem, destilação, fabricação de açúcar e geração de vapor. Como se observa, os dados muitas vezes apresentam um percentual inferior à capacidade total de utilização dos mesmos, o que denota que existe espaço para expansão na produção. As taxas máximas de moagem observadas por algumas usinas foram de 96,6% nas destilarias, ao passo que se observa valores de 93,1% e 94,9% na fabricação de açúcar. Uma das causas da não utilização da capacidade nominal dos equipamentos, além dos aspectos de qualidade da matéria prima, corresponde ao fato de alguns processos dependerem da velocidade de produção do processo anterior. 20% 18% Porcentagem de usinas 16% 14% 12% 10% 8% 6% 4% 2% 0% > 20.001 > 20.001 15.001 - 20.000 10.001 - 15.000 10.001 - 15.000 15.001 - 20.000 10.001 - 15.000 < 5.000 < 5.000 5.001 - 10.000 5.001 - 10.000 5.001 - 10.000 Centro-Sul Expansão Centro-Sul Tradicional Nordeste Figura 8. Distribuição das usinas em relação à capacidade de extração diária em toneladas. 33
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    16% 14% Porcentagem de usinas 12% 10% 8% 6% 4% 2% 0% 251 - 500 501 - 750 501 - 750 1001 - 1250 1251 - 1500 251 - 500 1001 - 1250 251 - 500 < 250 < 250 < 250 751 - 1000 751 - 1000 Centro-Sul Expansão Centro-Sul Tradicional Nordeste Figura 9. Distribuição das usinas em relação à capacidade diária das destilarias de etanol. 16% 14% Porcentagem de usinas 12% 10% 8% 6% 4% 2% 0% ciclo-hexano MEG ciclo-hexano MEG peneira ciclo-hexano molecular Centro-Sul Expansão Centro-Sul Tradicional Nordeste Figura 10. Distribuição das usinas em relação à via de desidratação de etanol. 34
  • 34.
    20% 18% 16% Porcentagem de usinas 14% 12% 10% 8% 6% 4% 2% 0% 1 2 3 1 2 3 4 5 6 1 2 3 4 5 Centro-Sul Expansão Centro-Sul Tradicional Nordeste Figura 11. Distribuição das usinas em relação à quantidade de caldeiras para a produção de vapor. 140 120 123 100 Nº de Caldeiras 80 60 40 20 8 20 0 > 21 ( baixa pressão) 30 - 45 (média pressão) > 65 (alta pressão) Figura 12. Quantidade de caldeiras por classes de pressão de vapor (em kgf/cm²). 35
  • 35.
    80 70 60 Nº de caldeiras 50 40 30 20 10 0 < 50 51 - 100 101 - 150 > 151 Cap. produção caldeiras (t vapor/h) Figura 13. Quantidade de caldeiras por capacidade de produção (em t vapor/h). Tabela 8. Mínimo, máximo e média para a potência instalada de geração de energia elétrica por usina (em MW). Região Mínimo Máximo Média Expansão 4,1 70,0 28,0 Tradicional 3,0 80,0 27,3 Nordeste 5,8 19,0 13,0 Tabela 9. Porcentagem de vapor alocado às turbinas de geração de eletricidade (em %). Região Mínimo Máximo Média Expansão 3 100 38 Tradicional 4 100 44 Nordeste 6 96 48 36
  • 36.
    Tabela 10. Produçãorelativa de energia elétrica (em KWh/tc). Região Mínimo Máximo Média Expansão 4080,0 70000,0 26308,0 Tradicional 3000,0 80000,0 27308,7 Nordeste 5800,0 19000,0 12985,7 Tabela 11. Taxa de utilização dos equipamentos de moagem (em %). Região Mín. Máx. Desvio-padrão Média Nordeste 73,4 96,2 9,7 86,6 Centro sul – Expansão 73,9 95,6 8,2 85,2 Centro sul – Tradicional 44,3 95,6 13,3 84,4 Tabela 12. Taxa de utilização dos equipamentos de destilação (em %). Região Mín. Máx. Desvio-padrão Média Nordeste 65,7 78,1 6,3 71,3 Centro sul – Expansão 49,0 87,8 15,5 74,2 Centro sul – Tradicional 22,7 93,1 19,5 69,7 Tabela 13. Taxa de utilização dos equipamentos de fabricação de açúcar (em %). Região Mín. Máx. Desvio-padrão Média Nordeste 69,0 83,1 7,3 77,1 Centro sul – Expansão 40,2 94,9 31,2 58,9 Centro sul – Tradicional 39,8 91,7 17,5 67,8 Tabela 14. Taxa de utilização dos equipamentos de geração de vapor (em %). Região Mín. Máx. Desvio- padrão Média Nordeste 100,0 100,0 0,0 100,0 Centro sul - Expansão 78,1 100,0 8,3 90,6 Centro sul - Tradicional 64,0 100,0 10,8 96,2 37
  • 37.
    80 70 60 Nº de geradores 50 40 30 20 10 0 <5 6 - 20 >21 Classes de Potências (MW) Figura 14. Quantidade de geradores por classes de potência de energia elétrica (em MW). 3.2 Indicadores de Produção 3.2.1 Fornecedores Nesta seção são apresentados os indicadores de produção coletados junto aos fornecedores de cana-de-açúcar. Para isso, foram escolhidos os indicadores de maior interesse ao setor para fins de comparação e acompanhamento da evolução dos mesmos, permitindo análises quanto à competitividade de cada região estudada. Conforme apresentado na Tabela 15, cabe destaque para os maiores níveis de produtividade agrícola na região de Expansão (88,15 t/ha). Como esperado, as menores médias de produtividade foram observadas na região Nordeste (52,33 t/ha), enquanto que a região Tradicional apresentou valores entre 54,00 t/ha e 90,00 t/ha, com média de 79,69 t/ha. 38
  • 38.
    Tabela 15. Mínimos,máximos e médias da produtividade agrícola (t/ha) para os fornecedores das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. Região Mínimo Máximo Média Tradicional 54,00 90,00 79,69 Expansão 80,00 104,00 88,15 Nordeste 42,00 60,00 52,33 Na Tabela 16 apresenta-se o raio médio (km) para a entrega da cana de açúcar à usina nas três regiões estudadas. A região que apresentou maior raio médio (km) foi a Tradicional, haja vista a média de 27,07 km, seguida pela região Nordeste com 23,33 km e pela de Expansão com 22,00 km. Tabela 16. Mínimos, máximos e médias do raio médio (km) para os fornecedores das regiões Centro- Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. Região Mínimo Máximo Média Tradicional 18,00 45,00 27,07 Expansão 15,00 30,00 22,00 Nordeste 20,00 25,00 23,33 Os níveis de concentração de ATR em cana própria de fornecedores são apresentados a seguir. Nesse caso, a região com melhores patamares de ATR/tc foi a de Expansão, seguida pela Tradicional e pelo Nordeste (Tabela 17). Tabela 17. Mínimos, máximos e médias da concentração de ATR em cana própria (kg ATR/t) dos fornecedores das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste Região Mínimo Máximo Média Tradicional 122,50 145,00 137,45 Expansão 135,00 150,60 140,51 Nordeste 128,53 133,00 130,51 39
  • 39.
    Os valores dearrendamentos atualizados para a safra 2010/11, por sua vez, seguiram a tendência de alta observada ao longo das últimas safras. Os maiores preços foram observados na região Tradicional, enquanto que no Nordeste paga-se bem menos pelo aluguel de terras para a produção de cana (Tabela 18). Tabela 18. Mínimos, máximos e médias de preços de arrendamento, em espécie (t/ha/ano), pagos por fornecedores das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. Região Mínimo Máximo Média Tradicional 12,50 27,50 19,14 Expansão 11,00 14,46 12,39 Nordeste 5,00 13,20 8,07 A Tabela 19 compõe os valores do ATR padrão pago em contratos de arrendamento nas três regiões analisadas. O padrão de 121,97 kg ATR/tc pode ser claramente observado no Centro-Sul brasileiro, enquanto que no Nordeste menores patamares são comumente negociados. Tabela 19. Mínimos, máximos e médias do ATR padrão pago em contratos de arrendamentos (kg ATR/tc): regiões Tradicional, Expansão e Nordeste. Região Mínimo Máximo Média Tradicional 109,30 121,97 118,45 Expansão 119,00 121,97 121,38 Nordeste 114,09 120,00 117,70 Os preços do quilograma do ATR (R$/kg ATR) consolidados para a safra de 2010/11 são apresentados na Tabela 20. Nesse caso, assim como na safra 2009/10, o Nordeste apresentou maiores valores quando comparados aos do Centro-Sul. Como fatores explicativos, percebe-se que melhores preços de venda do açúcar e do etanol, tanto para exportação quanto para mercado interno, fizeram com que a rentabilidade nordestina fosse elevada na safra 2010/11. 40
  • 40.
    Tabela 20. Mínimos,máximos e médias do preço do ATR (R$/kg ATR) pago aos fornecedores das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. Região Mínimo Máximo Média Tradicional 0,3300 0,4520 0,3995 Expansão 0,3315 0,4286 0,3771 Nordeste 0,5305 0,5687 0,5529 A Tabela 21 e a Tabela 22 logo abaixo mostram a incidência de colheita mecanizada e manual nas três regiões. Observa-se a diferença tecnológica nas mesmas, sendo a região de Expansão aquela que possui o maior índice de colheita mecânica (90%), sendo seguida pela região Tradicional (40%). No Nordeste brasileiro, por outro lado, atualmente não são observadas áreas de canaviais colhidas mecanicamente, ao menos no que diz respeito aos fornecedores de cana. Nessa região, toda colheita é realizada manualmente. Tabela 21. Mínimos, máximos e médias da porcentagem de colheita mecanizada dos fornecedores das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. Região Mínimo Máximo Média Tradicional 4% 70% 40% Expansão 70% 100% 90% Nordeste 0% 0% 0% Tabela 22. Mínimos, máximos e médias da porcentagem de colheita manual dos fornecedores das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. Região Mínimo Máximo Média Tradicional 30% 96% 60% Expansão 0% 30% 10% Nordeste 100% 100% 100% 41
  • 41.
    3.2.2 Usinas 3.2.2.1 Agrícola Neste tópico são apresentados os principais indicadores de produção agrícola das unidades industriais amostradas, sendo eles: produtividade média, percentual de colheita mecanizada, concentração de ATR da cana própria e preços de arrendamento praticados. Com exceção do indicador de produtividade, que compreende uma ilustração de dispersão da amostra, a estrutura de apresentação dos dados é feita a partir de histogramas de freqüência e de tabelas que expressam os valores de mínimos, máximos e de médias regionais, sendo estas utilizadas no modelo. Cabe ressaltar que, assim como em levantamentos anteriores, com o intuito de manter a confidencialidade quanto à identidade dos participantes da amostra, as informações apresentadas em função da moagem contam com uma classificação em intervalos de 250 mil toneladas e o teto de 4 milhões, sendo cada unidade alocada para a classe de moagem mais próxima da real. A propósito, os valores alocados como moagem zero referem-se às unidades que declararam os dados, mas não informaram a moagem total. Na Figura 15 é apresentada a distribuição da produtividade média para as macrorregiões. Como se pode observar, a região Nordeste concentra produtividades em torno de 60 t/ha, enquanto que na região Centro-Sul os valores são mais variáveis. Nos histogramas da Figura 16 pode-se visualizar de forma mais conclusiva as faixas de concentração de moagem. Enquanto que na região de Expansão a amostra se concentra entre 80 e 90 t/ha, na região Tradicional são verificados dois perfis distintos, com valores nos limiares da faixa de 80 t/ha, praticamente dividindo a amostra entre 70 a 80 t/ha e 80 a 90 t/ha. 42
  • 42.
    120 110 Produtividade (t/ha) 100 90 80 70 60 50 40 0,00 0,50 1,00 1,50 2,00 2,50 3,00 3,50 4,00 Moagem (milhões de t) Centro-Sul Expansão Centro-Sul Tradicional Nordeste Figura 15. Distribuição de produtividade média (t/ha) em função de faixas de moagem (milhões de t) para usinas das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. 60% 60% 60% 50% 50% 50% 40% 40% 40% 30% 30% 30% 20% 20% 20% 10% 10% 10% 0% 0% 0% < 66 < 66 < 55 67 - 80 81 - 94 67 - 80 81 - 94 55 - 65 65 - 70 Mais Mais t/ha t/ha t/ha (a) Tradicional (b) Expansão (c) Nordeste Figura 16. Histograma de freqüência de produtividade média (t/ha) para usinas das regiões Centro-Sul Tradicional (a), Centro-Sul Expansão (b) e Nordeste (c). 43
  • 43.
    Tabela 23. Mínimo,máximo e média de produtividade agrícola (t/ha) para usinas das regiões Centro- Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. Região Mínimo Máximo Média Expansão 60,30 107,15 84,67 Tradicional 63,80 106,18 83,50 Nordeste 53,80 66,03 59,45 Na Figura 17, são ilustrados os histogramas de freqüência relacionados ao percentual de colheita mecanizada. Para a região Centro-Sul, principalmente na Tradicional, as medidas legislativas, especificamente o Protocolo Agroambiental, assinado entre UNICA e o governo do Estado de São Paulo, estão surtindo efeitos. Como se pode observar, a maior freqüência de colheita mecanizada está na faixa de 55 a 80%, apresentando a média válida de 64% (Tabela 24). Tal valor se mostra bem acima do coletado no primeiro levantamento de custos PECEGE/CNA, para a safra 2007/2008, que foi de 45%. Ou seja, o índice de mecanização na colheita aumentou cerca de 40% em três anos. 80% 80% 80% 60% 60% 60% 40% 40% 40% 20% 20% 20% 0% 0% 0% 5 - 30 85 - 100 5 - 30 85 - 100 <5 <5 30 - 55 55 - 80 30 - 55 55 - 80 0 20 - 30 30 - 35 % % % (a) Tradicional (b) Expansão (c) Nordeste Figura 17. Histograma de freqüência de colheita mecanizada (%) para usinas das regiões Centro-Sul Tradicional (a), Centro-Sul Expansão (b) e Nordeste (c). 44
  • 44.
    Para a regiãode Expansão, como esperado, os valores de colheita mecanizada continuam elevados, acima do patamar de 85%. Na região Nordeste a prática ainda é pouco comum, em função, principalmente, dos terrenos acidentados em termos de relevo. Cabe ressaltar, entretanto, que alguns locais da região Nordeste, como o estado da Paraíba, o sul do Pernambuco e o norte de Alagoas, apresentam áreas relativamente planas, com declividades inferiores a 12%, permitindo assim a mecanização das operações. Reflexo disso são índices de até 33% (Tabela 24) de colheita mecanizada em cerca de 15% da amostra desta macrorregião. Tabela 24. Mínimo, máximo e média da porcentagem de colheita mecânica das usinas das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. Região Mínimo Máximo Média Expansão 0% 100% 86% Tradicional 0% 100% 64% Nordeste 0% 33% 7% No que concerne à concentração de ATR por tonelada de cana própria de usina, os maiores índices são verificados nas regiões Centro-Sul Expansão e Centro-Sul Tradicional, em ordem decrescente (Tabela 25). No caso da primeira região, um terço das usinas apresentou concentrações na faixa entre 140 e 145 kg/tonelada, enquanto que 44% das usinas da outra região tiveram concentrações de ATR entre 132 e 140 kg/tonelada (Figura 18). Tais valores se mostram bem superiores aos da safra 2009/2010, quando houve diminuição do teor de sacarose devido à maior incidência de chuvas, prejudicando consideravelmente a rentabilidade do setor à época. Para a região Nordeste, os índices não sofreram grandes alterações, com a amostra concentrada na classe delimitada entre 130 e 135 kg/tonelada, englobando metade das usinas pesquisadas. 45
  • 45.
    Tabela 25. Mínimo,máximo e média da concentração de ATR em cana própria (kg ATR/t) para usinas das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. Região Mínimo Máximo Média Expansão 130,20 159,21 141,15 Tradicional 119,79 144,77 134,46 Nordeste 120,38 134,76 130,18 60% 60% 60% 50% 50% 50% 40% 40% 40% 30% 30% 30% 20% 20% 20% 10% 10% 10% 0% 0% 0% 140-145 < 124 124 - 132 132 - 140 < 125 125 - 130 130 - 135 145-150 < 135 135 - 140 140 - 145 Mais kg/t kg/t kg/t (a) Tradicional (b) Expansão (c) Nordeste Figura 18. Histograma de freqüência da concentração de ATR em cana própria para usinas das regiões Centro-Sul Tradicional (a), Centro-Sul Expansão (b) e Nordeste (c). No que diz respeito aos preços de arrendamentos, constata-se que as usinas da região Tradicional praticam valores bastante superiores àqueles das demais localidades, o que salienta a escassez relativa de terras agricultáveis em São Paulo e Paraná e a subsequente sobrevalorização das áreas desses estados (Tabela 16). Em termos médios, o preço de arrendamento em espécie do Centro- Sul Tradicional superou os preços do Centro-Sul Expansão e do Nordeste em 6,73 e 12,21 t/ha ano, respectivamente. 46
  • 46.
    Conforme visualizado naFigura 19, os preços de arrendamentos entre 20 e 25 t/ha/ano ocorreram para 37,50% das usinas da região Centro-Sul Tradicional na safra 2010/11, refletindo a concentração das unidades industriais em altos patamares de arrendamento. Na região Centro-Sul Expansão, por outro lado, nota-se um perfil marcante de preços, sendo que 81% das unidades praticam valores entre 10 e 13 t/ha/ano. De modo ainda mais contrastante, praticamente 45% das usinas nordestinas tiveram preços de arrendamentos inferiores a 5 t/ha/ano, e apenas 11% delas registraram valores entre 10 e 13 t/ha/ano. Logo, todos esses dados refletem a forte pressão por terras que acomete a região Tradicional, com destaque às macrorregiões paulistas de Piracicaba e Sertãozinho. Tabela 26. Mínimo, máximo e média de preços de arrendamentos, em espécie (t/ha/ano), para usinas das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. Região Mínimo Máximo Média Expansão 9,86 20,00 11,42 Tradicional 12,40 24,79 18,15 Nordeste 4,03 12,39 5,94 40% 50% 100% 30% 80% 40% 60% 30% 20% 40% 20% 10% 20% 10% 0% 0% 0% 7 - 10 10-13 5-7 <5 < 10 16-20 10 - 13 13 - 16 20-25 13 - 16 16 - 20 < 13 t/ha.ano t/ha.ano t/ha.ano (a) Tradicional (b) Expansão (c) Nordeste Figura 19. Histograma de freqüência dos preços de arrendamentos para usinas das regiões Centro-Sul Tradicional (a), Centro-Sul Expansão (b) e Nordeste (c). 47
  • 47.
    De forma complementar,a Tabela 27 mostra os valores de ATR pagos em contratos de arrendamentos, ou ATR padrão, para as três grandes regiões produtoras em questão. Sem sofrer alterações em relação a safras passadas, os valores se mantiveram em 121,97 kg ATR/t para a região Centro-Sul e 119,00 kg ATR/t para a região Nordeste. Tabela 27. Mínimo, máximo e moda do ATR padrão pago em contratos de arrendamentos (kg ATR/tc), para usinas das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. Região Mínimo Máximo Moda Expansão 109,19 121,97 121,97 Tradicional 109,19 121,97 121,97 Nordeste 114,09 125,73 119,00 Por fim, a Tabela 28 explicita os preços pagos pelo ATR. Para esta variável, percebe-se menor dispersão na região de Expansão, cuja amplitude foi de R$ 0,07/kg ATR na safra 2010/11, fechado a um valor de R$ 0,3751/kg ATR. Na região Tradicional, especificamente o estado de São Paulo, o preço do ATR mensal em março, no fechamento da safra, quebrou o recorde histórico desde a implantação do CONSECANA, o que também levou o ATR final ao patamar mais elevado desde a safra 1998/99, quando da criação deste sistema. Sendo assim, pelo fato da grande representatividade de usinas de São Paulo e pela maior parte delas seguirem o sistema CONSECANA, o valor médio final ficou próximo ao de fechamento da safra pelo referido conselho, que foi de R$ 0,4022/kg ATR. Para a região Nordeste, os preços seguiram a tendência de serem maiores que no Centro-Sul, em função, principalmente, do mix mais açucareiro das unidades industriais e dos bons preços do mercado, fechando em R$ 0,5642/kg ATR. 48
  • 48.
    Tabela 28. Mínimo,máximo e média do preço do ATR (R$/kg ATR) para usinas das regiões Centro- Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. Região Mínimo Máximo Média Expansão 0,3503 0,4222 0,3751 Tradicional 0,3700 0,5279 0,4019 Nordeste 0,4233 0,6000 0,5642 3.2.2.2 Industrial Nesta seção do relatório são apresentados os resultados oriundos da aplicação de questionários aos departamentos industriais das unidades produtoras de açúcar e etanol. Para as análises referentes à safra 2010/11 os principais parâmetros técnicos industriais são os indicadores gerais das usinas, os índices de qualidade da matéria-prima processada, as perdas e rendimentos industriais, as produções relativas de subprodutos resultantes do processo de fabricação de açúcar e etanol e a configuração tecnológica industrial, que foi detalhada na última seção do documento. Em termos metodológicos, cabe ressaltar o procedimento estatístico de eliminação de informações julgadas discrepantes para as estimativas dos modelos regionais de custos de produção, tendo em vista que a presença de observações outliers pode comprometer seriamente a homogeneidade amostral e a robustez dos resultados e análises. Ademais, cada unidade participante é representada através de uma numeração que não permite sua identificação, zelando assim pela confidencialidade das informações. Por fim, todos os dados técnicos referentes à safra 2010/2011 levantados juntos às usinas foram analisados de acordo com o assunto abordado e expostos em tabelas e gráficos, sendo as unidades das usinas agrupadas por região produtora. Em síntese, a seção subdivide-se em: dados técnicos (indicadores gerais das unidades industriais, qualidade da matéria-prima, rendimentos e perdas industriais), dados econômicos e dados administrativos. 49
  • 49.
    3.2.2.2.1 Indicadores geraisdas unidades industriais O primeiro resultado considerado relevante remete às proporções entre o processamento de cana própria e cana de fornecedores, para as unidades das três grandes regiões produtoras (Tabela 29). Nesse sentido, observa-se que as usinas do Centro-Sul Tradicional foram aquelas que mais utilizaram cana própria em suas moagens, haja vista a proporção média de 73% aferida na safra 2010/11. De forma contrária, o Centro-Sul Expansão englobou as unidades que mais moeram cana de fornecedores, dada a participação de apenas 60% da cana própria em tal região. De forma a definir os modelos regionais de custos, a Tabela 30 explicita os parâmetros utilizados sobre a capacidade de processamento de cana-de-açúcar, com base em atualizações julgadas necessárias para a obtenção de estimativas realísticas. Os montantes de processamento na safra (em toneladas) foram mantidos constantes, pois as mudanças do último relatório de acompanhamento já haviam incorporado a elevação média de produção das usinas do Brasil. Dentre as mudanças, pode-se destacar a redução no número de dias de safra das usinas típicas das regiões do Centro-Sul. Em geral, as unidades da região Tradicional adiaram o início efetivo da safra em torno de 10 dias, devido aos elevados índices pluviométricos registrados no primeiro trimestre de 2010, enquanto que as usinas da região de Expansão anteciparam a safra em cerca de 10 dias, em termos médios. A usina típica da região Nordeste, por outro lado, teve elevação no número de dias de safra, pois o término da safra 2010/11 ocorreu em média 20 dias após aquele computado em 2009/10. Tabela 29. Mínimo, máximo e média para a participação da cana própria nas moagens das usinas das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste, para a safra 2010/11. Região Mínimo Máximo Média Expansão 0% 100% 60% Tradicional 0% 99% 73% Nordeste 38% 72% 63% 50
  • 50.
    Tabela 30. Parâmetrosde processamento de cana-de-açúcar utilizados nos modelos regionais de custos, para a safra 2010/11. Descrição Expansão Tradicional Nordeste Processamento na safra (t) 2.400.000 2.400.000 1.200.000 Início de safra 04/04/2010 28/03/2010 02/09/2010 Fim de safra 24/11/2010 30/11/2010 09/03/2011 Dias de safra 236 248 189 Horas de moagem 4785 4842 3681 Horas paradas por falta de cana/chuva 440 714 410 Horas paradas por problemas industriais 427 393 448 Eficiência de aproveitamento de tempo (%) 84,65% 81,39% 81,10% Em termos da eficiência de aproveitamento de tempo (em %), as atualizações foram efetuadas no sentido de elevar os índices das regiões Centro-Sul e de reduzir o parâmetro do Nordeste. Em suma, houve aumentos nos coeficientes de horas de moagem das regiões Tradicional e de Expansão, na ordem de 7,15% e 2,66%, respectivamente. Ademais, as ociosidades das usinas da região Tradicional na safra 2010/11 foram causadas especialmente por falta de matéria-prima ou chuva (714 horas paradas), ao passo que esta região foi a que menos sofreu com problemas industriais (393 horas paradas). Nas demais regiões, ambos os motivos acarretaram quantidades de horas ociosas relativamente próximas. A propósito, a Figura 20 mostra a distribuição de horas de processamento das unidades industriais, bem como a eficiência de aproveitamento do tempo, enquanto a Figura 21 explicita a distribuição de horas paradas, segmentando-as entre problemas industriais e de falta de chuva e/ou cana. 51
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    12.000 100% 90% 10.000 80% 8.000 70% 60% 6.000 50% Horas 40% 4.000 30% 2.000 20% 10% 0 0% 9 25 27 30 32 40 49 52 57 62 1 3 5 8 15 17 20 23 42 46 53 58 64 66 68 76 79 11 14 33 35 41 48 77 Centro-Sul Expansão Centro-Sul Tradicional Nordeste Horas de moagem Horas de fábrica parada Eficiência de aproveitamento do tempo (%) Figura 20. Distribuição de horas de processamento e eficiência do tempo (%). 3.000 2.500 2.000 Horas (h) 1.500 1.000 500 0 9 25 27 30 32 40 49 52 57 62 1 3 5 8 15 17 20 23 42 46 54 61 65 67 75 78 10 13 21 34 36 45 59 Centro-Sul Expansão Centro-Sul Tradicional Nordeste Horas paradas por falta de cana/chuva Horas paradas por problemas industriais Figura 21. Distribuição das horas paradas. Após a definição dos parâmetros de processamento, a Tabela 31 e a Tabela 32 evidenciam os valores de mix de produção e mix de produtos utilizados nos modelos regionais de custos. No tocante à produção, constata-se que o mix típico das usinas da região Tradicional sofreu poucas alterações na 52
  • 52.
    safra 2010/11 faceà safra anterior, dada a ascensão da participação do açúcar de 48,00% para 49,45%. No entanto, as modificações de maior magnitude foram percebidas no mix das regiões Centro-Sul Expansão e Nordeste, especialmente para etanol. Na primeira, a participação da produção de etanol passou de 55,0% para 63,69%, enquanto que a outra região apresentou o aumento de 27,0% para 35,02%. A Figura 22 logo abaixo reforça os resultados relacionados ao mix de produção entre açúcar e etanol. Tabela 31. Mix de produção utilizados nos modelos de custos regionais. Região Açúcar Etanol Expansão 36,31% 63,69% Tradicional 49,45% 50,55% Nordeste 64,98% 35,02% 100% 90% 80% Mix de produção (%) 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% 9 24 26 29 31 37 44 52 57 62 1 3 5 7 12 16 18 22 28 43 47 54 61 65 67 75 78 10 13 21 34 36 45 59 Centro-Sul Expansão Centro-Sul Tradicional Nordeste Açúcar (%) Etanol (%) Figura 22. Mix de produção entre açúcar e etanol (em %). Quanto ao mix de produtos, foram perceptíveis as mudanças relevantes nos percentuais produzidos dos tipos de açúcar. Apesar de na safra 2010/11 em ambas as regiões do Centro-Sul a produção de açúcar VHP ainda superar a de açúcar branco, a composição da produção de açúcar da 53
  • 53.
    região Tradicional reduziua importância do VHP em comparação com a safra 2009/10, em termos relativos, haja vista o decréscimo de 75,00% para 57,51% verificado nos levantamentos. A região Nordeste, por outro lado, tipicamente produtora de açúcar, manteve a maior proporção para o açúcar branco, a despeito da diminuição de 63,50% para 51,01% sofrida por tal produto com base nas duas últimas safras. Em relação aos tipos de etanol, a produção do hidratado superou a do anidro em todas as regiões de produção. Contudo, as proporções de cada tipo tiveram variações distintas quando da comparação entre Centro-Sul e Nordeste. Para a região Tradicional, a produção relativa de hidratado considerada foi de 61,17%, ou seja, inferior àquela verificada na safra 2009/10 (65,0%), ao passo que a proporção nordestina ascendeu de 49,10% para 54,18%. No Centro-Sul Expansão, praticamente não houve mudanças no mix de etanol, com o hidratado respondendo por 70% da produção. Tabela 32. Mix de produtos utilizados nos modelos de custos regionais. Açúcar (t) Etanol (m³) Região VHP Branco Outros Anidro Hidratado Outros Expansão 54,81% 42,61% 2,58% 29,88% 70,07% 0,05% Tradicional 57,51% 35,61% 6,88% 38,66% 61,17% 0,17% Nordeste 35,35% 51,01% 13,64% 45,82% 54,18% 0,00% Por fim, a Tabela 33 mostra a produção final adotada nos modelos de custos regionais, enquanto a Tabela 34 expõe as produções de açúcar e etanol por tonelada de cana, ou seja, de forma relativizada. Tabela 33. Produção final dos produtos considerados nos modelos de custos regionais. Açúcar (t) Etanol (m³) Região VHP Branco Outros Anidro Hidratado Outros Expansão 65.207 50.494 3.058 37.887 95.377 71 Tradicional 93.107 57.415 11.086 39.002 66.222 185 Nordeste 34.576 49.685 13.285 14.560 18.481 - 54
  • 54.
    Tabela 34. Produçãorelativa final dos produtos considerados nos modelos de custos regionais. Açúcar (kg/t de cana) Etanol (l/t de cana) Região VHP Branco Outros Anidro Hidratado Outros Expansão 136,54 136,00 136,00 82,96 89,04 89,04 Tradicional 136,41 135,86 135,86 83,14 89,24 89,24 Nordeste 125,43 124,92 124,92 75,62 81,16 - Ao longo dos levantamentos vem sendo observada a tendência de crescimento da produção e comercialização de eletricidade, demonstrando o aumento de importância da bioeletricidade como uma fonte de receita ao setor sucroenergético e, consequentemente, a necessidade de boas metodologias de definição de seus custos de produção. Com isso, a mensuração dos custos de produção de bioeletricidade é a principal meta de evolução metodológica para os próximos levantamentos do PECEGE/CNA. A Tabela 35 logo abaixo apresenta as produções e as taxas de comercializações relativas de eletricidade para a amostra analisada, em kWh por tonelada, enquanto que a Tabela 36 evidencia as produções, vendas e compras de eletricidade, em MWh, nas três grandes regiões estudadas. Nesse sentido, deve-se ressaltar a diferença na produção relativa de energia elétrica entre as regiões Tradicional e de Expansão, a despeito das capacidades de moagem de ambas terem sido consideradas iguais no modelo de custos agrícolas. Isso ocorre devido às distintas configurações tecnológicas industriais das regiões. Outro ponto relevante remete ao fato de que, ao longo da safra 2010/11, metade da amostra de usinas da primeira região comercializou eletricidade, enquanto que na região Centro-Sul Expansão 64% o fizeram. Tabela 35. Produção e comercialização de eletricidade consideradas nos modelos de custos regionais, em kWh por tonelada de cana processada. Região Produção (kWh/t) Venda (kWh/t) Expansão 53,75 23,70 Tradicional 34,15 15,75 Nordeste 29,83 4,15 55
  • 55.
    Tabela 36. Produçãoe comercialização de eletricidade consideradas nos modelos de custos regionais, em MWh. Região Produção (MWh) Venda (MWh) Compra (MWh) Expansão 128.994.101 56.883.840 931 Tradicional 81.953.501 37.805.232 1.429 Nordeste 71.600.537 9.950.838 686 3.2.2.2.2 Qualidade da matéria-prima Os dados referentes à qualidade da matéria-prima são importantes fatores que repercutem diretamente na qualidade e quantidade dos produtos derivados da cana, sendo que os principais parâmetros analisados para especificar essa qualidade são a Pol% da cana (percentual de sacarose na composição da cana), o teor de fibra e a pureza do caldo. Além de impactarem na qualidade dos produtos, esses fatores também são utilizados como base para cálculo da quantidade de ART (Açúcares Redutores Totais) da cana-de-açúcar processada pelas indústrias. Assim, a Figura 23, a Figura 24 e a Figura 25 referem-se respectivamente a Pol, fibra da cana e pureza do caldo das unidades participantes da pesquisa. Logo abaixo, na Tabela 37, Tabela 38, Tabela 39 e Tabela 40 são apresentados os mesmos parâmetros utilizados nos modelos regionais. Como se pode observar, a região de Expansão teve em relação à safra passada um aumento na Pol de 6%, a região Tradicional de 4,1% e a região Nordeste de 2,57%. A fibra da cana, por sua vez, aumentou 1,57% na região Expansão e 15,26% na região Nordeste, e declinou 11,74% no Centro-Sul Tradicional. Por fim, a pureza do caldo teve variação mínima nas três regiões analisadas, apresentando aumentos de 1,19% e 1,48% para as regiões Expansão e Tradicional, e leve queda de 0,72% para o Nordeste. 56
  • 56.
    Porcentagem de usinas 25% 20% 15% 10% 5% 0% > 16 > 16 14-15 13-14 12-13 13-14 15-16 12-13 14-15 15-16 12-13 14-15 13-14 Centro-Sul Expansão Centro-Sul Tradicional Nordeste Pol (%) Figura 23. Distribuição da Pol% da cana (PC da cana - percentual de sacarose na composição da cana) para as regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. Tabela 37. Mínimos, máximos e médias do teor de Pol% (PC) da cana-de-açúcar para usinas das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste, em %. Região Mínimo Máximo Média Expansão 13,11 14,84 14,04 Tradicional 13,10 14,80 14,13 Nordeste 12,59 14,07 13,23 57
  • 57.
    25% 20% 15% Porcentagem de usinas 10% 5% 0% > 16 > 16 14-15 15-16 13-14 14-15 12-13 15-16 13-14 14-15 12-13 15-16 Centro-Sul Expansão Centro-Sul Tradicional Nordeste Fibra (%) Figura 24. Distribuição das usinas em relação ao teor de fibra da cana-de-açúcar (em %). Tabela 38. Mínimos, máximos e médias do teor de fibra (%) da cana-de-açúcar para usinas das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. Região Mínimo Máximo Média Expansão 12,42% 14,45% 13,38% Tradicional 12,47% 14,44% 13,20% Nordeste 14,04% 15,94% 15,27% 58
  • 58.
    Porcentagem de usinas 20% 15% 10% 5% 0% 84-86 82-84 86-88 78-80 80-82 84-86 82-84 86-88 78-80 80-82 84-86 82-84 86-88 Centro-Sul Expansão Centro-Sul Tradicional Nordeste Pureza do caldo (%) Figura 25. Pureza do caldo da cana (relação percentual entre Pol % e Brix). Tabela 39. Mínimos, máximos e médias para a pureza do caldo (relação percentual entre Pol % e Brix) da cana-de-açúcar, para usinas das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. Região Mínimo Máximo Média Expansão 82,53% 86,71% 84,63% Tradicional 80,20% 86,98% 85,11% Nordeste 82,51% 86,79% 83,52% Tabela 40. Parâmetros de qualidade de matéria prima utilizados no modelo. Região Pol (%) Fibra (%) Pureza (%) ART (kg/t) Expansão 14,04% 13,38% 84,63% 153,89 Tradicional 14,13% 13,20% 85,11% 154,68 Nordeste 13,23% 15,27% 83,52% 146,85 59
  • 59.
    3.2.2.2.3 Rendimentos eperdas industriais As perdas industriais são classificadas pelo critério LBTI (lavagem, bagaço, torta e indeterminada). A Figura 26 exibe os dados mediante o critério apresentado, em que se pode constatar a incidência de cada classe e fazer a comparação entre as usinas das regiões pesquisadas. A Figura 27 apresenta os dados referentes aos rendimentos no processo de fermentação e destilação, enquanto que a Tabela 41 mostra as perdas e as eficiências industriais apresentadas nos modelos regionais. Em suma, foram verificadas diminuições e 18,70%, 6,90% e 11,61% nas regiões Centro-Sul Expansão, Centro-Sul Tradicional e Nordeste, respectivamente. Os rendimentos na fermentação tiveram leves altas de 1,29% na região de Expansão, 1,93% na Tradicional e 1,44% no Nordeste, enquanto que a destilação praticamente não se alterou com relação à safra passada. As perdas e rendimentos são analisados em conjunto com outras informações, tais como moagem, qualidade de matéria prima, mix de produção e de produtos, sendo os dados validados através de análise do balanço de ART, seguindo a metodologia proposta por Marques (2009). 6,50% 6,00% Perda na extração (% ART) 5,50% 5,00% 4,50% 4,00% 3,50% 3,00% 2,50% 0,00 0,50 1,00 1,50 2,00 2,50 3,00 3,50 4,00 Moagem (milhões de t) Centro-Sul Expansão Centro-Sul Tradicional Nordeste Figura 26. Distribuição de perdas na extração (% ART) em função de faixas de moagem (milhões de t) para usinas das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. 60
  • 60.
    70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% Perda na extração (%) Centro-Sul Expansão Centro-Sul Tradicional Nordeste Figura 27. Histograma de freqüência de perdas na extração (%) para usinas das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. Tabela 41. Mínimos, máximos e médias para perdas na extração (% ART) para usinas das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. Região Mínimo Máximo Média Expansão 3,00% 4,73% 3,87% Tradicional 3,11% 5,48% 4,54% Nordeste 5,00% 6,30% 6,07% 61
  • 61.
    14% 12% Porcentagem de usinas 10% 8% 6% 4% 2% 0% 0 - 25 50 - 75 75 - 100 0 - 25 25 - 50 50 - 75 75 - 100 50 - 75 75 - 100 Centro-Sul Expansão Centro-Sul Tradicional Nordeste Lavagem da cana (%) Figura 28. Porcentagem de lavagem de cana-de-açúcar (%). 25% Porcentagem de usinas 20% 15% 10% 5% 0% 90 - 95 85 - 90 90 - 95 85 - 90 90 - 95 85 - 90 < 85 95 - 100 < 85 95 - 100 Centro-Sul Expansão Centro-Sul Tradicional Nordeste Fermentação (%) Figura 29. Rendimento de fermentação (%). 62
  • 62.
    Tabela 42. Mínimos,máximos e médias do rendimento de fermentação (%) para usinas das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. Região Mínimo Máximo Média Expansão 87,00% 91,62% 89,81% Tradicional 88,20% 91,60% 90,13% Nordeste 86,00% 91,67% 89,43% 25% Porcentagem de usinas 20% 15% 10% 5% 0% 99 - 99,5 99 - 99,5 99 - 99,5 99,5 - 100 < 98 99,5 - 100 < 98 99,5 - 100 98,5 - 99 98,5 - 99 98,5 - 99 Centro-Sul Expansão Centro-Sul Tradicional Nordeste Rendimento de destilação (%) Figura 30. Rendimento de destilação (%). Tabela 43. Mínimos, máximos e médias do rendimento de destilação (%) para usinas das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. Região Mínimo Máximo Média Expansão 98,96% 99,76% 99,55% Tradicional 99,00% 99,85% 99,51% Nordeste 98,90% 99,71% 99,20% 63
  • 63.
    Tabela 44. Perdase eficiências industriais utilizadas nos modelos regionais de custo (em %). Descrição Expansão Tradicional Nordeste PERDAS 7,26 7,82 10,73 Lavagem 0,39 0,50 1,00 Bagaço 3,87 4,54 6,07 Torta 0,50 0,42 0,57 Indeterminadas 2,51 2,37 3,08 EFICIÊNCIAS Fermentação 89,81 90,13 89,43 Destilação 99,55 99,51 99,20 PUREZA DO MEL FINAL 57,59 59,45 43,86 LAVAGEM DE CANA 2,81 38,74 87,10 Tabela 45. Mínimos, máximos e médias de perdas na lavagem (% ART) para usinas das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. Região Mínimo Máximo Média Expansão 0,07 1,00 0,39 Tradicional 0,02 1,77 0,50 Nordeste 1,00 1,00 1,00 Tabela 46. Mínimos, máximos e médias de perdas na torta (% ART) para usinas das regiões Centro- Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. Região Mínimo Máximo Média Expansão 0,31 0,64 0,50 Tradicional 0,28 0,63 0,42 Nordeste 0,24 0,70 0,57 64
  • 64.
    Tabela 47. Mínimos,máximos e médias de perdas indeterminadas (% ART) para usinas das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. Região Mínimo Máximo Média Expansão 1,39 3,86 2,51 Tradicional 1,05 4,83 2,37 Nordeste 2,00 4,87 3,08 Tabela 48. Mínimos, máximos e médias da pureza do mel final (%) para usinas das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. Região Mínimo Máximo Média Expansão 52,92% 67,25% 57,59% Tradicional 50,29% 68,06% 59,45% Nordeste 42,00% 49,50% 43,86% 3.2.2.2.4 Subprodutos industriais Com o objetivo de integrar, em levantamentos futuros, os dados de custos de aplicação dos subprodutos industriais com a parte agrícola (vinhaça e torta) e a captação do seu valor (bagaço, óleo fúsel, mel e leveduras), da Figura 31 à Figura 36 são apresentadas as produções relativas aos subprodutos da produção de açúcar e etanol, e na Figura 37 os preços do bagaço (em R$/t). 65
  • 65.
    Figura 31. Produçãorelativa de vinhaça (1/1 de etanol). Figura 32. Produção relativa de bagaço (kg/t cana). 66
  • 66.
    Porcentagem de usinas 20% 15% 10% 5% 0% > 50 0 - 10 > 50 0 - 10 > 50 30 - 40 10 - 20 20 - 30 30 - 40 40 - 50 10 - 20 20 - 30 30 - 40 40 - 50 10 - 20 20 - 30 40 - 50 Centro-Sul Expansão Centro-Sul Tradicional Nordeste Torta/Moagem (kg) Figura 33. Produção relativa de torta de filtro (kg/t cana). 4 3,5 3 l/m³ de etanol 2,5 2 1,5 1 0,5 0 9 26 27 52 56 57 5 7 8 12 22 23 28 46 53 54 58 10 36 Centro-Sul Expansão Centro-Sul Tradicional Nordeste Figura 34. Produção relativa de óleo fúsel (l/m³ de etanol). 67
  • 67.
    20 18 16 14 Kg/m³ de etanol 12 10 8 6 4 2 0 19 32 15 22 43 47 53 54 58 76 78 Centro-Sul Centro-Sul Tradicional Expansão Figura 35. Produção relativa de levedura (kg/m³ de etanol). 1000 900 800 700 Kg/t de açúcar 600 500 400 300 200 100 0 29 30 31 61 64 11 34 35 Centro-Sul Expansão Centro-Sul Tradicional Nordeste Figura 36. Produção relativa de mel (kg/t açúcar). 68
  • 68.
    70 60 50 40 R$/t 30 20 10 0 25 31 40 49 50 52 56 57 3 8 22 53 54 68 76 78 79 13 21 33 34 59 77 Centro-Sul Expansão Centro-Sul Tradicional Nordeste Figura 37. Preço do bagaço (R$/t). 3.3 Preços de insumos 3.3.1 Agrícolas Esta subseção apresenta as informações amostradas na safra 2010/2011 sobre preços de insumos agrícolas coletados diretamente com os fornecedores e usinas de cana-de-açúcar, para as regiões Centro-Sul Expansão, Centro-Sul Tradicional e Nordeste. Desta forma, as tabelas a seguir (Tabela 49, Tabela 50 e Tabela 51) expõem, para cada região analisada, os preços e as quantidades mínimas, máximas e médias dos principais insumos utilizados ao longo do sistema produtivo da cana- de-açúcar. Conforme os procedimentos metodológicos pré-estabelecidos por Marques (2009) e Xavier et al. (2009), foram considerados os insumos mais citados durante a coleta primária de dados, ou seja, foram alocados para os cálculos dos custos de produção aqueles insumos que mais vezes apareceram nos painéis realizados e nos questionários aplicados junto às usinas. Com posse dos dados originais, foram estabelecidos os valores médios, mínimos, máximos e os desvios-padrão, com posterior 69
  • 69.
    exclusão dos valoresque se encontravam fora do intervalo delimitado pelo “valor médio acrescido/diminuído de um desvio-padrão”, conforme procedimento estatístico. Ao comparar os preços dos principais insumos agrícolas entre as regiões analisadas, nota-se que os preços de fertilizantes para operações de plantio e tratos culturais de cana soca são maiores para fornecedores e usinas da região Tradicional. No caso do grupo “Corretivos”, o preço médio da tonelada de calcário foi superior na região Nordeste, enquanto que a tonelada de gesso foi mais cara para fornecedores e usinas da região de Expansão. No que tange aos herbicidas, o litro do 2,4 D, o quilograma do Velpar K e o litro do Glifosato foram mais caros na região Tradicional. Os preços do principal inseticida coletado (Regent 800 WG), bem como da Cotésia, também foram superiores na região Nordeste, custando, em média, R$ 693,33/Kg e R$ 6,25/copo, respectivamente, no ano-safra 2010/11. Em resumo, os preços de fertilizantes foram maiores na região Centro-Sul do país, enquanto que, de forma geral, a região Nordeste apresentou preços superiores de herbicidas e corretivos, em comparação com as outras regiões supracitadas, no período analisado. 70
  • 70.
    Tabela 49. Preçose quantidades de insumos agrícolas da região Centro-Sul Expansão, safra 2010/11 – Fornecedor e Usina Preços (R$/un) Quantidades (un/ha) Insumo Média Média Mínimo Máximo Mínimo Máximo Válida Válida Fertilizantes - Plantio (t) 1.080,00 1.400,00 1.141,50 0,40 0,65 0,59 Fertilizantes - Tratos Cana Soca (t) 850,00 2.050,00 925,00 0,25 0,63 0,50 2,4 D (l) 7,00 10,00 7,81 0,50 1,50 0,94 Calcário (t) 64,63 64,63 65,33 1,00 3,50 2,10 Furadan SC (l) 21,00 22,50 22,25 1,00 6,00 6,00 Combine (l) 23,80 25,54 25,00 1,50 3,20 2,00 Cotésia (copo) 1,70 3,30 3,00 4,00 4,00 4,00 Gesso (t) 22,90 90,00 71,00 1,00 2,00 1,00 Glifosato (l) 5,00 12,00 6,76 0,50 5,50 3,70 MSMA (l) 8,90 12,25 12,25 1,00 1,20 1,00 Provence (Kg) 390,00 390,00 390,00 0,10 0,12 0,12 Regent 800 WG (Kg) 565,00 750,00 611,00 0,00 0,25 0,23 Velpar K (Kg) 19,10 32,00 19,47 1,50 2,20 1,51 Tabela 50. Preços e quantidades de insumos agrícolas da região Centro-Sul Tradicional, safra 2010/11 – Fornecedor e Usina Preços (R$/un) Quantidades (un/ha) Insumo Média Média Mínimo Máximo Mínimo Máximo Válida Válida Fertilizantes - Plantio (t) 800,00 1.800,00 1.159,24 0,21 0,54 0,44 Fertilizantes - Tratos Cana Soca (t) 820,00 1.150,00 963,00 0,40 0,50 0,41 2,4 D (l) 8,50 10,00 9,25 1,50 2,00 1,75 Ametrina (l) 7,57 12,50 8,37 1,26 6,50 3,50 Calcário (t) 42,00 100,00 66,20 1,00 2,50 1,95 Combine (l) 22,79 48,00 26,41 0,80 2,20 1,55 Cotésia (copo) 1,30 3,00 2,72 3,75 10,00 5,55 Diuron (l) 8,50 9,00 8,55 3,00 3,50 3,50 Gesso (t) 45,00 80,00 65,50 0,50 1,00 1,00 Glifosato (l) 3,25 11,50 8,10 2,00 6,00 5,49 Regent 800 WG (Kg) 532,03 850,00 605,63 0,01 0,25 0,08 Velpar K (Kg) 13,35 33,00 22,06 0,65 2,50 1,77 Volcane (l) 8,64 9,30 8,77 1,24 2,00 1,37 71
  • 71.
    Tabela 51. Preçose quantidades de insumos agrícolas da região Nordeste, safra 2010/11 – Fornecedor e Usina Preços (R$/un) Quantidades (un/ha) Insumo Média Média Mínimo Máximo Mínimo Máximo Válida Válida Fert. Cana Planta (t) 790,00 1.755,00 915,00 0,40 0,60 0,50 Fert. Cana Soca (t) 600,00 800,00 700,00 0,50 0,50 0,50 2,4 D (l) 8,50 11,50 8,50 1,00 1,50 1,00 Calcário (t) 80,00 95,00 82,50 2,00 2,50 2,50 Combine (l) 27,00 32,00 29,50 1,00 2,00 1,50 Cotésia (copo) 3,50 6,50 6,25 2,00 4,00 2,00 Diuron (l) 10,00 14,00 12,00 2,00 2,50 2,00 Glifosato (l) 6,00 8,00 6,00 4,00 5,00 5,00 Gramoxone (l) 12,59 19,00 19,00 1,00 1,00 1,00 Goal (l) 25,39 36,00 35,00 2,00 2,00 2,00 Regent 800 WG (Kg) 650,00 700,00 693,33 0,01 0,25 0,25 A seguir, são analisadas as evoluções dos preços médios dos principais insumos agrícolas levantados desde a safra 2007/08 (Tabela 52, Tabela 53 e Tabela 54). Para a região Tradicional, os fertilizantes (cana planta e soca), corretivos (calcário e gesso), inseticidas (Regent 800 WG) e a Cotésia apresentaram, ao longo das safras analisadas, uma taxa de crescimento anual positiva. Já os nematicidas e a maior parte dos herbicidas amostrados (com exceção do MSMA) tiveram queda em seus respectivos preços. No que se refere à região de Expansão, somente o Furadan, o Combine e o Velpar K tiveram taxas de crescimento anuais negativas. Todos os outros insumos agrícolas listados apresentaram aumentos em seus respectivos preços. O mesmo fato ocorreu na região Nordeste, onde somente os preços dos fertilizantes (cana planta e soca) e do Roundup tiveram reduções em seus respectivos preços, durante o período supramencionado. Desta forma, observa-se uma predominância de taxas de crescimento positivas nos preços dos insumos agrícolas para as regiões de Expansão e Nordeste. 72
  • 72.
    Tabela 52. Evoluçãodos preços médios (R$) e taxas de crescimento dos principais insumos agrícolas levantados na região Centro-Sul Tradicional (safras 2007/08 a 2010/11) – Fornecedores e Usinas. Safra Taxa de crescimento Categoria Insumo 2007/08 2008/09 2009/10 2010/11 (a.a.) Fert. Cana Planta (t) 792,50 1.267,27 1.103,33 1.159,24 10,54% Fertilizantes Fert. Cana Soca (t) 740,00 1.061,95 1.007,47 963,00 7,66% Calcário (t) 50,30 59,99 65,42 66,20 9,54% Corretivo Gesso (t) 52,45 53,57 63,37 65,50 8,71% Nematicidas Furadan SC (l) 23,25 20,75 21,75 22,00 -1,18% Combine (l) 33,00 30,15 27,61 26,41 -7,28% Diuron (l) n.d 29,60 17,80 8,55 -46,69% Gamit (l) 41,20 37,40 40,85 34,00 -4,76% Hexaron (kg) n.d 31,40 23,57 n.d -24,93% Herbicidas MSMA (l) n.d 10,00 11,19 12,37 11,22% Plateau (kg) 338,00 417,14 361,59 350,00 -0,38% Roundup (l) 10,00 10,91 7,20 n.d -15,15% Velpar K (kg) 29,35 31,34 28,80 22,06 -8,98% Volcane (l) 11,50 11,00 10,70 8,77 -8,07% Inseticida Regent 800 WG (kg) 600,20 675,17 690,89 605,63 0,50% Outros Insumos Cotesia Flavipes (cp) 2,60 2,50 2,80 2,72 2,52% Notas: n.d corresponde a valores não disponíveis. 73
  • 73.
    Tabela 53. Evoluçãodos preços médios e taxas de crescimento dos principais insumos agrícolas levantados na região Centro-Sul Expansão (safra 2007/08 a 2010/11) – Fornecedores e Usinas. Safra Taxa de crescimento Categoria Insumo 2007/08 2008/09 2009/10 2010/11 (a.a.) Fert. Cana Planta (t) 1.015,00 929,50 1.251,67 1.141,50 6,72% Fertilizantes Fert. Cana Soca (t) 818,50 824,00 1.092,00 925,00 6,71% Calcário (t) 57,45 57,50 65,00 65,33 5,21% Corretivo Gesso (t) 66,90 52,00 68,30 71,00 4,61% Nematicidas Furadan SC (l) 23,40 22,00 25,50 22,25 -0,04% Combine (l) 32,00 34,00 32,76 25,00 -7,49% Diuron (l) 11,60 18,80 11,82 n.d 0,94% Herbicidas MSMA (l) 10,10 7,56 11,61 12,25 10,61% Roundup (l) 10,00 12,00 10,63 n.d 3,10% Velpar K (kg) 30,00 25,40 28,01 19,47 -11,30% Inseticida Regent 800 WG (kg) 597,50 541,00 695,31 611,00 3,22% Outros Insumos Maturador (l) 70,00 70,00 96,00 72,00 4,08% Notas: n.d corresponde a valores não disponíveis. Tabela 54. Evolução dos preços médios e taxas de crescimento dos principais insumos agrícolas levantados na região Nordeste (safra 2007/08 a 2010/11) – Fornecedores e Usinas. Safra Taxa de Categoria Insumo crescimento 2007/08 2008/09 2009/10 2010/11 (a.a.) Fert. Cana Planta (t) 1.290,00 1.143,01 1.200,00 915,00 -9,35% Fertilizantes Fert. Cana Soca (t) 781,75 851,50 649,66 700,00 -6,01% Corretivo Calcário (t) 75,00 72,50 80,00 82,50 3,91% Advance (kg) 30,00 42,00 n.d n.d 40,00% Combine (l) n.d 29,00 29,60 29,50 0,85% Herbicidas Goal (l) 34,25 34,00 32,71 35,00 0,26% Plateau (kg) 455,40 455,50 n.d n.d 0,02% Roundup (l) 14,00 10,50 11,32 n.d -10,08% Inseticida Regent 800 WG (kg) 650,50 632,50 673,05 693,33 2,56% Notas: n.d corresponde a valores não disponíveis. 74
  • 74.
    3.3.2 Industriais Esta subseção dedica-se à análise do consumo específico e dos preços médios dos principais insumos industriais coletados nas usinas durante a safra 2010/11. Tais valores são correspondentes à média agregada das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste, e podem ser visualizados na Tabela 55. Novamente, como procedimento estatístico padrão, foram considerados os insumos mais citados durante a coleta primária de dados, com exclusão dos valores considerados outliers. Ao analisar a evolução dos preços médios dos principais insumos industriais coletados entre as usinas participantes do levantamento de custos de produção da safra 2010/11 (Tabela 56) observam-se aumentos no preço médio do lubrificante para recepção e preparo da cana-de-açúcar (0,42% a.a.),do lubrificante de massa para a fábrica de açúcar (8,17% a.a), do sulfito, fosfato e neutralizante de vapor para o processo de geração de valor, na ordem de 13,35% a.a, 9,01% a.a e 5,35% a.a, respectivamente. Em relação ao processo de extração, pode-se observar que apenas os eletrodos para chapisco e picote apresentaram reduções em seus respectivos preços médios, ao longo do período analisado (0,41% a.a e 18,49% a.a.). No caso dos principais insumos utilizados para o tratamento de caldo, nota-se uma predominância de reduções anuais nos preços, durante o período supracitado. Porém, o mesmo não ocorre para os insumos industriais coletados para o processo de fermentação e geração de vapor, cujos preços médios, majoritariamente, tiveram aumentos. 75
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    Tabela 55. Preçose consumos médios dos principais insumos industriais coletados no Brasil, para a safra 2010/11. Consumo específico Unid. Preço Processo Insumo Unid.consumo Mín méd máx. preço mín méd máx. Recepção Lubrificante ml/t cana 1,29 1,74 2,42 R$/L 4,21 5,10 5,50 Extração Eletrodo (chapisco) g/t cana 1,86 3,48 6,44 R$/kg 9,50 10,57 12,22 Extração Eletrodo (base e sobre-base) g/t cana 2,14 2,83 3,46 R$/kg 7,11 9,48 12,93 Extração Eletrodo (picotes) g/t cana 0,17 0,86 2,14 R$/kg 8,41 31,70 50,51 Extração Eletrodo (facas, desfibrador) g/t cana 0,75 0,97 1,31 R$/kg 16,64 23,03 28,33 Trat. caldo Cal virgem g/t cana 0,23 0,53 0,85 R$/kg 0,24 0,13 0,29 Trat. caldo Anti-incrustante kg/t açúcar 0,40 0,38 0,78 R$/kg 2,61 3,53 4,82 Trat. caldo Floculante (decantador) g/t açúcar 27,48 40,66 58,77 R$/kg 7,54 8,55 9,14 Trat. caldo Ácido Fosfórico kg/t açúcar* 0,92 1,21 1,51 R$/kg 1,05 1,53 2,32 Trat. caldo Enxofre kg/t açúcar* 1,48 2,02 1,48 R$/kg 1,25 1,13 1,25 Trat. caldo Floculante (xarope) g/t açúcar* 16,59 19,02 22,82 R$/kg 9,07 10,95 14,01 Fermentação Ácido Sulfúrico kg/m³ 4,45 6,58 7,72 R$/kg 0,23 0,66 1,15 Fermentação Dispersante kg/m³ 0,12 0,28 0,64 R$/kg 8,26 10,83 13,23 Fermentação Antiespumante kg/m³ 0,12 0,32 0,61 R$/kg 4,30 6,68 11,07 Fermentação Antibiótico g/m³ 3,78 5,83 8,50 R$/kg 163,00 204,75 250,37 Fermentação Nutriente kg/m³ 0,24 0,70 1,40 R$/kg 0,56 2,03 2,90 Destilação Soda cáustica kg/m³ 0,26 0,40 0,66 R$/kg 1,40 1,68 1,44 Desidratação Ciclohexano kg/m³** 1,01 1,22 1,15 R$/kg 4,03 4,21 4,30 Fábrica açúcar Lubrificante massa g/t açúcar 0,65 1,60 2,97 R$/kg 2,05 4,05 6,00 Trat. água Policloreto alumínio g/m³ água 13,51 31,15 44,75 R$/kg 1,05 1,43 2,18 Geração vapor Sulfito g/t vapor 0,43 1,27 2,39 R$/kg 8,06 10,02 12,39 Geração vapor Dispersante g/t vapor 0,43 2,53 6,98 R$/kg 6,04 9,02 13,38 Geração vapor Fosfato g/t vapor 0,27 0,96 1,94 R$/kg 6,55 11,91 14,86 Carreg. etanol Corante ml/m³** 11,33 12,73 15,20 R$/L 16,77 24,39 29,60 Notas: * açúcar branco. ** etanol anidro. n.d corresponde a valores não disponíveis. 76
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    Tabela 56. Evoluçãodos preços médios dos principais insumos industriais coletados no Brasil (safra 2007/08 à safra 2010/11). Preço (R$/kg) Taxa de Unidade de Processo Insumo crescimento consumo 2007/08 2008/09 2009/10 2010/11 (% a.a.) Recepção Lubrificante ml/t cana 4,67 6,30 5,05 5,10 0,42% Extração Lubrificante ml/t cana n.d 11,00 4,72 5,10 -31,93% Extração Eletrodo (chapisco) g/t cana 10,92 9,25 10,64 10,57 0,41% Extração Eletrodo (base e sobre-base) g/t cana 12,46 17,89 12,41 9,48 -11,17% Extração Eletrodo (picotes) g/t cana 20,87 19,35 30,13 31,70 18,49% Extração Eletrodo (facas, desfibrador) g/t cana 21,21 57,05 27,56 23,03 -4,70% Extração Bactericida g/t cana n.d 4,86 2,86 n.d -41,26% Trat. caldo Cal virgem kg/t cana 0,23 0,20 0,23 0,13 -13,69% Trat. caldo Anti-incrustante kg/t açúcar n.d 3,51 3,15 3,53 0,24% Trat. caldo Floculante (decantador) g/t açúcar n.d 9,40 8,37 8,55 -4,61% Trat. caldo Ácido Fosfórico kg/t açúcar* 2,32 2,10 1,62 1,53 -14,53% Trat. caldo Enxofre kg/t açúcar* 1,34 1,11 0,57 1,13 -11,15% Trat. caldo Floculante (xarope) g/t açúcar* 12,09 10,82 9,59 10,95 -4,09% Fermentação Ácido Sulfúrico kg/m³ 0,95 0,57 0,48 0,66 -11,86% Fermentação Dispersante kg/m³ 10,65 11,63 11,20 10,83 0,12% Fermentação Antiespumante kg/m³ 5,86 5,60 6,07 6,68 4,85% Fermentação Antibiótico g/m³ 179,84 212,82 234,09 204,75 4,96% Fermentação Nutriente kg/m³ 2,13 1,74 2,70 2,03 3,01% Destilação Soda cáustica kg/m³ 1,83 2,10 1,91 1,68 -3,40% Desidratação Ciclohexano kg/m³** 4,18 4,35 4,23 4,21 -0,07% Fábrica açúcar Lubrificante massa g/t açúcar 3,21 3,65 3,98 4,05 8,17% Trat. água Policloreto alumínio g/m³ água 2,12 1,28 1,69 1,43 -8,62% Geração vapor Sulfito g/t vapor 7,8 8,68 14,33 10,02 13,35% Geração vapor Dispersante g/t vapor 9,17 7,87 7,95 9,02 -0,39% Geração vapor Fosfato g/t vapor 9,15 7,51 8,07 11,91 9,01% Geração vapor Neutralizante vapor g/t vapor 4,92 4,08 5,46 n.d 5,35% Carreg. etanol Corante ml/m³** n.d 27,37 25,76 24,39 -5,60% Notas: * açúcar branco. ** etanol anidro. n.d corresponde à valores não disponíveis. 77
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    No que tangeà evolução dos consumos médios específicos (Tabela 57), pode-se perceber que as taxas de crescimento anuais foram positivas para o lubrificante (Recepção) e para todos os insumos industriais listados no processo de extração. No caso do tratamento de caldo, merecem destaque os crescimentos anuais da cal virgem, do anti-incrustante e do enxofre, com variações da ordem de - 25,74% a.a, 91,44% a.a e -19,90% a.a., de forma respectiva. Para o processo de fermentação, vale ressaltar as variações respectivas de 12,48% a.a, -10,70% a.a e 32,14% a.a. do dispersante, do antibiótico e do nutriente. Já o antiespumante e o ácido sulfúrico permaneceram com consumos relativamente estáveis ao longo das safras.Também são dignas de menção as reduções de 28,89% a.a e 34,24% a.a do consumo médio do sulfito e do fosfato, para o processo de geração de vapor, e de 31,09% a.a no consumo médio específico do corante, para o processo de carregamento de etanol. 78
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    Tabela 57. Evoluçãodos consumos médiosespecíficos dos principais insumos industriais coletados no Brasil (safra 2007/08 à safra 2010/11). Consumo específico Taxa de Unidade de Processo Insumo crescimento consumo 2007/08 2008/09 2009/10 2010/11 (% a.a.) Recepção Lubrificante ml/t cana 0,29 3,74 0,82 1,74 47,01% Extração Eletrodo (chapisco) g/t cana 2,40 2,96 3,08 3,48 12,25% Extração Eletrodo (base e sobre-base) g/t cana 0,90 1,42 1,20 2,83 38,71% Extração Eletrodo (picotes) g/t cana 0,50 0,36 0,77 0,86 26,90% Extração Eletrodo (facas, desfibrador) g/t cana 1,60 0,87 1,11 0,97 -11,95% Trat. caldo Cal virgem kg/t cana n.d 0,97 0,95 0,53 -25,74% Trat. caldo Anti-incrustante kg/t açúcar n.d 0,10 0,35 0,38 91,44% Trat. caldo Floculante (decantador) g/t açúcar n.d 34,12 42,71 40,66 9,17% Trat. caldo Ácido Fosfórico kg/t açúcar* 0,89 3,35 1,28 1,21 -0,48% Trat. caldo Enxofre kg/t açúcar* 1,60 1,50 4,58 2,02 19,90% Fermentação Ácido Sulfúrico kg/m³ 7,13 6,94 7,48 6,58 -1,63% Fermentação Dispersante kg/m³ 0,20 0,19 0,20 0,28 12,485% Fermentação Antiespumante kg/m³ 0,32 0,37 0,37 0,32 0,05% Fermentação Antibiótico g/m³ 11,00 4,48 9,69 5,83 -10,70% Fermentação Nutriente kg/m³ 0,36 0,13 0,29 0,70 32,14% Destilação Soda cáustica kg/m³ 0,45 0,26 0,32 0,40 -1,24% Desidratação Ciclohexano kg/m³** 1,27 1,62 1,20 1,22 -4,06% Geração vapor Sulfito g/t vapor n.d 2,50 1,28 1,27 -28,89% Geração vapor Dispersante g/t vapor n.d 2,48 1,55 2,53 1,01% Geração vapor Fosfato g/t vapor n.d 2,22 2,29 0,96 -34,24% Carreg. etanol Corante ml/m³** n.d 7,41 12,72 12,73 31,09% Notas: * açúcar branco. ** etanol anidro. n.d corresponde à valores não disponíveis. 79
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    3.4 Custos 3.4.1 Fornecedores Para que fossem estimados os custos de produção da cana-de-açúcar produzida pelos fornecedores das regiões Centro-Sul e Nordeste na safra 2010/11, foram levadas em consideração as premissas expostas na Tabela 58. Tais valores foram coletados junto a Sindicatos e Associações de fornecedores de cana-de-açúcar, tal como apresentado no capítulo 2 desse documento. Em comparação com a safra 2009/10, nota-se que a produtividade média das lavouras de fornecedores diminuiu levemente na região Tradicional, mas aumentou nas demais regiões. Por outro lado, percebe-se uma evolução positiva (em termos de custo de produção) quanto aos arrendamentos, os quais vêm aumento gradativamente safra após safra. Ainda, exclusivamente na região Tradicional, foi possível aferir um aumento no número de cortes por ciclo produtivo (6 cortes, frente a 5 cortes nos levantamentos passados). Quanto aos níveis de colheita mecanizada, houve grande disparidade de valores com relação à safra anterior, isto porque no presente levantamento foram separadas as informações de usinas e de fornecedores para a aferição deste parâmetro. Dessa forma, as estimativas apontaram para altos níveis de mecanização na colheita da cana dos fornecedores na região de Expansão (95%), níveis intermediários na região Tradicional (41%) e níveis nulos (0%) na região Nordeste. Na última região, o relevo consiste no principal empecilho para a existência da mecanização no estágio de colheita. Para as demais, nota-se que na região de Expansão são mais comuns propriedades de maior porte, bem como a existência de condomínios de fornecedores que se unem para a produção agrícola (seja de cana-de-açúcar, seja de outras culturas). Assim, eleva-se a possibilidade de compra de colhedoras, algo ainda não muito perceptível na região tradicionalmente produtora. 80
  • 80.
    Tabela 58. Premissasbásicas adotadas no modelo de custos de cana de fornecedores, para as regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. Descrição Tradicional Expansão Nordeste Produção (t) 10.860 33.255 12.650 Produtividade (t/ha) 82,90 84,19 57,50 Cortes 6 5 5 Área útil total(ha) 131 395 220 Área própria (ha) 116 254 134 Área arrendada (ha) 15 141 86 Colheita mec. (%) 41% 95% 0% Raio médio (km) 27 21,7 25 Preço arrendamento (t/ha/ano) 17,87 12,17 5,50 Quanto aos parâmetros de quantidade e preços de ATR, adotaram-se no presente estudo os valores expostos na Tabela 59. Conforme evidenciado nesta tabela, os valores finais da safra 2010/11 para o Centro-Sul permaneceram acima daqueles observados na safra 2009/10, ano no qual houve prejuízo no teor de ATR por tonelada de cana devido ao alto índice de chuvas. Em termos de preços, constatou-se uma significativa melhora no valor do quilograma do ATR, oriunda dos altos preços praticados nos mercados de açúcar e etanol. O mesmo cenário estende-se atualmente para a safra 2011/12, elevando, consequentemente, os níveis de atratividade da atividade canavieira. Tabela 59. Quantidade de ATR por tonelada de cana-de-açúcar (kg ATR/t) e preços de ATR (R$/kg ATR). Região ATR médio (kg/t cana) ATR padrão (kg/t cana) Preço ATR (R$/kg) Tradicional 137,43 121,97 0,4019 Expansão 137,99 121,97 0,3751 Nordeste 129,27 119,51 0,5642 81
  • 81.
    Após o delineamentodo modelo para a safra 2010/11, apresentam-se a seguir os resultados dos custos de produção de cana-de-açúcar para os fornecedores das regiões analisadas (Tabela 60). Com base nos dados consolidados da última safra, os valores dos custos totais incorridos pelos fornecedores de cana foram de R$ 59,33/tc, R$ 47,01/tc e R$ 64,05/tc, para as regiões Tradicional, Expansão e Nordeste, respectivamente. Em comparação com os custos estimados no relatório de acompanhamento (Centro-Sul), a diferença do custo previsto para o realizado foi de 0% e 3% para as regiões Tradicional e Expansão, respectivamente. Quando comparados ao fechamento da safra 2009/10, entretanto, apenas no Centro-Sul Tradicional pôde-se observar elevação de custos (5,10%). Nas demais regiões, foram constatadas reduções de custos, principalmente devido ao aumento da produtividade agrícola dos canaviais de fornecedores. O detalhamento dessas análises evolutivas está disponível no capítulo seguinte. 82
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    Tabela 60. Custosde produção de cana-de-açúcar de fornecedores das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste, para o fechamento da safra 2010/11. Tradicional Expansão Nordeste Descrição R$/t R$/ha R$/t R$/ha R$/t R$/ha Mecanização 13,97 1.157,89 16,68 1.404,40 15,75 905,37 Mão de obra 10,02 830,25 3,05 257,16 13,38 769,29 Insumos 5,14 426,30 6,07 511,13 6,45 370,76 Fertilizantes 3,82 316,33 4,37 368,00 4,17 240,00 Corretivos 0,31 25,78 0,55 46,56 0,23 13,20 Herbicidas 0,61 50,27 1,00 84,36 1,87 107,80 Inseticidas 0,18 15,06 0,03 2,30 0,00 0,00 Outros 0,23 18,85 0,12 9,92 0,17 9,76 Arrendamento 1,21 100,30 2,36 198,75 2,52 144,97 Despesas administrativas 1,85 153,30 1,26 106,31 2,14 122,82 Contador 0,36 29,47 0,12 10,33 0,52 29,73 Tributos 0,57 47,25 0,78 65,67 0,75 43,13 Outras 0,92 76,58 0,36 30,32 0,87 49,96 Custo Operacional Efetivo (COE) 32,18 2.668,04 29,43 2.477,76 40,23 2.313,21 Depreciações 9,82 814,22 9,40 791,79 13,86 796,70 Formação do Canavial 6,13 507,91 7,83 659,35 11,54 663,43 - Mecanização 1,95 161,73 1,96 164,88 2,75 157,98 - Mão de Obra 0,79 65,77 1,33 112,26 2,11 121,13 - Insumos 3,38 280,42 4,54 382,22 6,68 384,33 Máquinas 2,78 230,41 1,20 101,34 1,49 85,81 Benfeitorias 0,92 75,89 0,37 31,10 0,83 47,45 Irrigação 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 Remuneração do proprietário 4,21 348,68 1,27 107,19 2,41 138,55 Custo Operacional Total (COT) 46,21 3.830,94 40,11 3.376,75 56,50 3.248,47 Remuneração da terra 9,36 775,68 4,25 358,04 3,93 225,88 Remuneração do capital 3,76 312,10 2,65 222,77 3,63 208,54 Formação do canavial 1,29 106,66 1,41 118,68 2,08 119,42 Irrigação/fertirrigação 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 Máquinas e implementos 1,37 113,72 0,60 50,58 0,64 36,60 Benfeitorias 0,67 55,33 0,27 23,10 0,65 37,10 Capital de giro – juros 0,44 36,39 0,36 30,41 0,27 15,41 Custo Total (CT) 59,33 4.918,72 47,01 3.957,55 64,05 3.682,88 83
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    De forma ilustrativa,a Figura 38 apresenta as relações observadas entre os custos de produção (COE, COT e CT) e os preços recebidos pela tonelada da cana-de-açúcar. Claramente nota-se que os preços recebidos na região Tradicional não foram suficientes para cobrir os custos totais da cana. Em contrapartida a isso, nas outras duas regiões os preços de venda da cana foram suficientes para remunerar o CT, inclusive com sobra líquida de capital. 80 72,93 70 60 7,56 55,23 51,76 50 13,12 16,27 6,90 R$/tc 40 14,03 10,68 30 20 40,23 32,18 29,43 10 0 Tradicional Expansão Nordeste COE COT CT Preço cana Figura 38. Representação gráfica dos custos de produção e dos preços da cana-de-açúcar encarados pelos fornecedores das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste, para o fechamento da safra 2010/11. De forma semelhante, a Figura 39 expõe as margens obtidas na cultura da cana-de-açúcar na safra 2010/11, em termos médios, para os fornecedores do Centro-Sul e do Nordeste brasileiro. Em suma, os resultados consolidados da safra mostraram-se mais atrativos do que aqueles projetados no início de 2011, sendo que as margens sobre o COE apresentaram valores entre 70% e 80%. Quando da comparação do preço obtido pela tonelada de cana com o COT, por sua vez, o patamar de rentabilidade atingiu aproximadamente 30%, exceto para a região Tradicional, onde foram visualizados maiores níveis de arrendamentos e maior ociosidade do capital investido. Tais fatores 84
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    fizeram com queesta região fosse a única a apresentar rentabilidade negativa (-6,91%) na comparação do preço da cana com o CT. Na região de Expansão, por outro lado, a margem sobre o custo total foi de 10,11%, enquanto que na região Nordeste esse valor alcançou 13,87%, fruto dos maiores preços repassados aos fornecedores de cana da região. 90% 81,29% 80% 75,87% 71,62% 70% 60% 50% 40% 29,05% 29,10% 30% 19,52% 20% 10,11% 13,87% 10% 0% -10% -6,91% -20% Tradicional Expansão Nordeste Margem - COE (%) Margem - COT (%) Margem - CT (%) Figura 39. Indicadores de rentabilidade para os fornecedores de cana das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste, para o fechamento da safra 2010/11. Outro papel importante assumido por este estudo remete à atualização das participações dos insumos agrícolas dentro das três classes de custos. Logo, a Tabela 61, Tabela 62 e Tabela 63, juntamente com a Figura 40, a Figura 41 e a Figura 42, apresentam os valores gastos com fertilizantes, defensivos, corretivos, mudas e outros insumos na safra 2010/2011, assim como suas participações no COE, COT e CT da atividade canavieira nas regiões do Centro-Sul e no Nordeste. Predominantemente, percebe-se que os fertilizantes são a classe de insumos com maior peso nos custos de produção, sendo seguidos por mudas, herbicidas e corretivos. 85
  • 85.
    Tabela 61. Participaçãodos insumos no COE, COT e CT dos fornecedores de cana da região Centro- Sul Tradicional. Insumos R$/t R$/ha % COE % COT % CT Fertilizantes 4,96 411,32 16,11% 11,07% 8,57% Corretivos 0,71 58,64 2,30% 1,58% 1,22% Herbicidas 0,73 60,75 2,38% 1,63% 1,27% Inseticidas 0,48 40,17 1,57% 1,08% 0,84% Mudas 1,41 116,99 4,58% 3,15% 2,44% Outros 0,23 18,85 0,74% 0,51% 0,39% TOTAL 8,52 706,72 27,68% 19,02% 14,72% 25% 20% 15% 10% 5% 0% % COE % COT % CT Fertilizantes Corretivos Herbicidas Inseticidas Mudas Outros Figura 40. Participação dos insumos no COE, COT e CT dos fornecedores de cana da região Centro- Sul Tradicional. 86
  • 86.
    Tabela 62. Participaçãodos insumos no COE, COT e CT dos fornecedores de cana da região Centro- Sul Expansão. Insumos R$/t R$/ha % COE % COT % CT Fertilizantes 6,09 513,04 21,38% 15,55% 13,23% Corretivos 1,07 90,22 3,76% 2,74% 2,33% Herbicidas 1,09 91,63 3,82% 2,78% 2,36% Inseticidas 0,39 32,50 1,35% 0,99% 0,84% Mudas 1,85 156,04 6,50% 4,73% 4,02% Outros 0,12 9,92 0,41% 0,30% 0,26% TOTAL 10,61 893,35 37,23% 27,08% 23,04% 25% 20% 15% 10% 5% 0% % COE % COT % CT Fertilizantes Corretivos Herbicidas Inseticidas Mudas Outros Figura 41. Participação dos insumos no COE, COT e CT dos fornecedores de cana da região Centro- Figura 41. Participação dos insumos no COE, COT e CT dos fornecedores de cana da região Centro- Sul Expansão. Sul Expansão 87
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    Tabela 63.Participação dosinsumos no COE, COT e CT dos fornecedores de cana da região Nordeste. Insumos R$/t R$/ha % COE % COT % CT Fertilizantes 6,26 360,00 15,56% 11,08% 9,77% Corretivos 0,95 54,45 2,35% 1,68% 1,48% Herbicidas 1,98 113,80 4,92% 3,50% 3,09% Inseticidas 0,60 34,75 1,50% 1,07% 0,94% Mudas 3,17 182,33 7,88% 5,61% 4,95% Outros 0,17 9,76 0,42% 0,30% 0,27% TOTAL 13,13 755,09 32,64% 23,24% 20,50% 25% 20% 15% 10% 5% 0% % COE % COT % CT Fertilizantes Corretivos Herbicidas Inseticidas Mudas Outros Figura 42. Participação dos insumos no COE, COT e CT dos fornecedores de cana da região Nordeste. No presente documento, também foram atualizados os fluxogramas de custos agrícolas. Através desta análise, torna-se mais fácil a compreensão dos custos por estágio de produção, bem como de suas representatividades dentro dos custos totais da cana-de-açúcar nas regiões Centro-Sul e no Nordeste do Brasil (Figura 43, Figura 44 e Figura 45). À parte dos custos diretos envolvidos nos estágios de produção, percebe-se nitidamente pela análise das colunas da direita dos fluxogramas que a região Centro-Sul Tradicional arca com altos 88
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    custos de terras,administração, depreciações e de capital. Com relação ao Centro-Sul Expansão, tais custos foram em média 77% mais elevados naquela região, enquanto que comparando os valores com a região Nordeste, o percentual das áreas tradicionais sobe para 104%. Ou seja, mesmo com a elevação dos preços da cana-de-açúcar, os fornecedores de São Paulo e Paraná, principalmente, precisam focar seus esforços na redução de capital ocioso (diminuindo depreciações e remuneração de capital) e de despesas administrativas. Outra possibilidade seria aumentar as áreas de cultivo de cana, alternativa nem sempre possível no atual cenário vivenciado pelos fornecedores do Centro-Sul Tradicional. 89
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    Modelo agrícola defornecedor da região Tradicional Figura 43. Fluxograma de custos de produção por estágio e item de custo dos fornecedores de cana da região Centro-Sul Tradicional. Nota: Depreciações de máquinas e implementos agrícolas embutidas nos valores de custos dos estágios de produção: preparo do solo, plantio, tratos culturais cana planta, tratos culturais cana soca e colheita. Além disso, cabe ressaltar que os valores apresentados (R$/ha e R$/ton) para cada um desses estágios foram ponderados de acordo com as suas respectivas áreas. 90
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    Modelo agrícola defornecedor da região de Expansão Figura 44. Fluxograma de custos de produção por estágio e item de custo dos fornecedores de cana da região Centro-Sul Expansão. Nota: Depreciações de máquinas e implementos agrícolas embutidas nos valores de custos dos estágios de produção: preparo do solo, plantio, tratos culturais cana planta, tratos culturais cana soca e colheita. Além disso, cabe ressaltar que os valores apresentados (R$/ha e R$/ton) para cada um desses estágios foram ponderados de acordo com as suas respectivas áreas. 91
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    Modelo agrícola defornecedor da região Nordeste Figura 45. Fluxograma de custos de produção por estágio e item de custo dos fornecedores de cana da região Nordeste. Nota: Depreciações de máquinas e implementos agrícolas embutidas nos valores de custos dos estágios de produção: preparo do solo, plantio, tratos culturais cana planta, tratos culturais cana soca e colheita. Além disso, cabe ressaltar que os valores apresentados (R$/ha e R$/ton) para cada um desses estágios foram ponderados de acordo com as suas respectivas áreas. 92
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    3.4.2 Usinas 3.4.2.1.1 Agrícola A presente subseção apresenta informações sobre os principais indicadores econômicos agrícolas das usinas. Para isso, as premissas adotadas para a formação do modelo de cálculo dos custos de produção de cana-de-açúcar para as unidades industriais do setor sucroenergético encontram-se na Tabela 64. Tendo em vista alterações na dinâmica do setor, tanto em aspectos estruturais e tecnológicos, quanto em condições mercadológicas, alguns parâmetros básicos tiveram seus valores modificados face às safras analisadas nos levantamentos anteriores, tais como a participação das usinas na moagem total de cana, os percentuais de colheita mecanizada e os raios médios. No que concerne ao primeiro item, foram definidas reduções generalizadas, dado que as participações das usinas típicas na moagem diminuíram 5 p. p. para a região Centro-Sul Tradicional, 2 p.p. para o Centro-Sul Expansão e 7 p.p. para a região Nordeste. Em relação à colheita mecanizada, a mudança mais significativa ocorreu para o Centro-Sul Expansão, haja vista a adoção do valor de 86% para a safra 2010/11 e a utilização de 65% para a safra anterior. O parâmetro da região Centro-Sul Tradicional, por sua vez, teve branda modificação, de 65% para 64%, enquanto que para a região Nordeste considerou-se a existência de colheita mecanizada para a safra 2010/11 (7%), o que destoa essencialmente do coeficiente nulo adotado no último relatório de fechamento de safra. Quanto ao raio médio, a atualização dos valores foi mais expressiva para o Centro-Sul Expansão, cuja distância saltou de 20 km na safra 2009/10 para 26 km na safra 2010/11. As variações do Centro-Sul Tradicional e do Nordeste, por sua vez, foram correspondentes ao aumento de 3 km para a primeira região e à redução de 2 km para a segunda. Dentre os outros indicadores, também merecem certo destaque as variações da produtividade média, cuja maior alteração remete ao Centro-Sul Tradicional, dado o declínio de 91,62 t/ha para 83,50 t/ha sofrido entre as duas últimas safras. No tocante ao preço de arrendamento em espécie (t/ha/ano), ressalta-se a modificação estipulada para o Nordeste, pois o indicador encarado pelas usinas típicas 93
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    desta região nasafra 2009/10 foi de 7,90, contrastando com o coeficiente de 5,90 t/ha/ano definido para 2010/11. Tabela 64. Premissas básicas adotadas no modelo de custos de cana das usinas, para as regiões Centro- Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. Descrição Tradicional Expansão Nordeste Moagem (t) 2.400.000 2.400.000 1.200.000 Participação de cana própria (%) 60% 73% 63% Produção (t) 1.440.000 1.752.000 756.000 Produtividade (t/ha) 83,50 84,67 59,45 Cortes 5 5 5 Área própria (ha) 36% 17% 64% % colheita mecanizada (%) 64% 86% 7% Raio médio (km) 26 26 18 Preço arrendamento (t/ha/ano) 18,1 11,4 5,9 Fonte: PECEGE/CNA com o auxílio de dados do CTC, SINDAÇÚCAR-AL, SINDAÇÚCAR-PE e SINDÁLCOOL-PB. Após o delineamento dos parâmetros componentes do modelo de custos, são indicados na tabela seguinte os valores da qualidade da cana-de-açúcar (kg ATR/t de cana), do ATR padrão para contratos de arrendamentos e dos preços de ATR praticados na safra 2010/11 (Tabela 65). Em relação ao ATR médio, percebe-se melhora na concentração de açúcares da cana para o Centro-Sul Tradicional e o Centro-Sul Expansão, face ao último levantamento, especialmente para a última região mencionada, que elevou seu nível médio de 129,64 kg/t cana para 141,15 kg/t cana. Em contrapartida a isso, a região Nordeste teve seu valor médio de concentração reduzido de 132,24 kg/t cana para 130,18 kg/t cana. Dessa forma, constata-se que as condições climáticas favoráveis ao longo da safra 2010/11 permitiram que os níveis de qualidade da matéria-prima das usinas do Centro-Sul brasileiro superassem àqueles do Nordeste, cenário antagônico ao verificado na safra anterior. No que tange aos preços do ATR, observa-se a sustentação dos valores médios em patamares relativamente elevados, tendo como base comparativa as aferições das safras anteriores. Em suma, os preços médios registrados na safra 2010/11 registraram maior pagamento especialmente na região 94
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    Nordeste, que atingiuR$ 0,5642/kg ATR. Os valores apurados nas regiões Tradicional e de Expansão, respectivos em R$ 0,4019/kg e R$ 0,3751 kg, refletem o cenário de relativos ganhos de qualidade e de aumento dos preços pagos pelo ATR. Tal cenário de movimentos altistas de preços originou-se principalmente das condições satisfatórias do mercado internacional de açúcar, devido à forte demanda dos denominados países emergentes, cujas mudanças socioeconômicas vêm impulsionando diversos mercados de commodities agrícolas, e também por causada menor oferta de açúcar da Índia. Tabela 65. Quantidade de ATR por tonelada de cana-de-açúcar (kg ATR/t) e preços do ATR (R$/kg ATR) para as usinas das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. Região ATR médio (kg/t cana) ATR padrão (kg/t cana) Preço ATR (R$/kg) Tradicional 134,46 121,97 0,4019 Expansão 141,15 121,97 0,3751 Nordeste 130,18 119,00 0,5642 Após a definição do modelo utilizado para custos agrícolas de usinas, bem como a análise sobre a qualidade da cana e os preços médios de ATR, a subseção apresenta os resultados de custos de produção de cana-de-açúcar propriamente ditos, considerando grandes grupos de custos para as usinas das três regiões produtoras, com referência à safra 2010/11 (Tabela 66). Seguindo o mesmo procedimento metodológico do último relatório de fechamento (2009/10), os custos de formação de canavial foram tratados como itens do Custo Operacional Total (COT), e não como rubricas do Custo Operacional Efetivo (COE). Como resultados principais, os custos totais de produção de cana-de-açúcar, que englobam os custos de oportunidade da atividade, aumentaram em todas as regiões pesquisadas. Ademais, verificou-se a expansão das diferenças entre os custos totais das regiões, inclusive entre as duas grandes áreas do Centro-Sul brasileiro. Para a safra 2010/11, os níveis de CT das usinas localizadas nas regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste foram iguais a R$ 53,12/t, R$ 47,11/t e R$ 63,39/t, respectivamente. Na safra anterior, a título de comparação, os valores de CT foram correspondentes a R$ 45,07/t, R$ 45,72/t e R$ 55,35/t. 95
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    Segundo tais dados,cabe ressaltar a maior dispersão dos custos totais médios entre as regiões produtoras, refletidas pelos desvios-padrão de R$ 5,76/t na safra 09/10 e R$ 8,23/t na safra 2010/11, e os incrementos superiores a R$ 8,00/t no CT da região Tradicional e da região Nordeste. Para os aumentos generalizados dos custos agrícolas das usinas, os itens desembolsáveis mais impactantes foram os dispêndios com mão-de-obra e insumos, com destaque ao primeiro grupo de custos. A propósito, os custos unitários com o fator trabalho sofreram acréscimos entre R$ 4,02 e R$ 5,54/tc na comparação entre as safras 2009/10 e 2010/11. No que diz respeito aos insumos agrícolas, os movimentos foram bastante distintos. As usinas da região Centro-Sul Tradicional tiveram o acréscimo médio de 14,91% no custo com insumos, enquanto as usinas da região de Expansão reduziram seus dispêndios em 37,38%, atingindo o valor de R$ 5,36 por tonelada de cana. Para a região Nordeste, verificou-se diminuição relativamente mais branda, na ordem de 7,36%. Além de mão-de-obra e insumos, a variação das despesas administrativas desta região também ocorreu em magnitude relativamente grande, pois na safra 2010/11 apurou-se o valor de R$ 3,58 por tonelada de cana, ou seja, um patamar bastante superior àqueles observados nas regiões do Centro-Sul, e também em relação ao custo de R$ 1,91 aferido para as usinas nordestinas na safra 2009/10. Dentre os itens que mais pesaram para as diferenças entre os COEs das regiões produtoras, estão a mão-de-obra, o arrendamento e as despesas administrativas. Para o trabalho, ressalta-se que o custo médio do Nordeste durante a safra 2010/11 superou aqueles mensurados nas usinas do Centro- Sul em pelo menos R$ 10,00 por tonelada de cana, tendo em vista, principalmente, as operações manuais em tal região. O arrendamento do Nordeste foi bastante inferior aos registrados nas demais regiões, especialmente no custo unitário do Centro-Sul Tradicional, em que os obstáculos à expansão de área, bem como a maior concorrência por terras agricultáveis, elevam o seu custo de arrendamento. Por fim, em relação às despesas administrativas, os valores incorridos pelas unidades nordestinas aumentaram bem mais do que aqueles encarados pelas usinas dos estados do Centro-Sul brasileiro. De fato, os gastos unitários com administração no Nordeste foram quase o dobro dos montantes gastos nas demais regiões, uma vez que o Centro-Sul possui maior escala de produção. Para os itens que entram no cômputo do COT e não são contabilmente desembolsáveis, as diferenças mais contundentes entre as regiões foram referentes às depreciações com formação do 96
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    canavial e irrigação,que atingiram níveis bem maiores do que aqueles do Centro-Sul. Considerando a formação do canavial, os custos das usinas nordestinas superaram em pelo menos R$ 3,25/tc os custos das unidades industriais de outros estados, ao passo que os custos unitários relativos à irrigação do Nordeste chegaram a ser mais do que o triplo daqueles do Centro-Sul Tradicional, e quase oito vezes os custos do Centro-Sul Expansão. Tal fato está atrelado à predominância de operações manuais para a formação do canavial, e ao clima favorável à irrigação. Quanto ao Custo Total, a remuneração da terra compreende o principal fator de diferenciação entre os custos das regiões produtoras. Em síntese, devido à maior disponibilidade relativa de áreas para a agropecuária, e aos menores valores de ATR praticados, a região Centro-Sul Expansão possui menor custo de oportunidade atrelado ao uso do fator de produção terra, e por isso sua remuneração média referente à safra 2010/11 (R$ 1,06/tc) foi bastante inferior aos custos incorridos pelas regiões Centro-Sul Tradicional e Nordeste, com destaque à remuneração da última, que atingiu R$ 4,26/tc,basicamente em função do alto preço do ATR. A denominada remuneração do capital, por sua vez, não apresentou diferenças regionais extraordinárias. O Nordeste, nesse quesito, também foi responsável pelo maior valor. 97
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    Tabela 66. Custosde produção de cana-de-açúcar de usinas das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste, para o fechamento da safra 2010/11. Tradicional Expansão Nordeste Descrição R$/t R$/ha R$/t R$/ha R$/t R$/ha Mecanização 15,27 1.274,79 13,72 1.161,40 11,02 655,03 Mão de obra 9,05 755,90 8,71 737,59 19,23 1.143,06 Insumos 4,47 373,63 5,36 453,72 7,30 433,85 Arrendamento 6,83 570,42 5,11 432,67 2,45 145,51 Despesas administrativas 2,23 186,24 1,84 155,55 3,58 212,68 Custo Operacional Efetivo (COE) 37,86 3.160,99 34,74 2.940,93 43,57 2.590,13 Depreciações 9,18 766,23 9,07 767,59 12,63 750,76 Formação do Canavial 7,86 656,60 7,77 657,72 11,11 660,41 Máquinas 1,10 91,57 1,13 95,76 1,10 65,18 Benfeitorias 0,10 8,67 0,11 9,74 0,03 1,74 Irrigação 0,11 9,38 0,05 4,37 0,39 23,43 Custo Operacional Total (COT) 47,03 3.927,21 43,80 3.708,52 56,20 3.340,89 Remuneração da terra 3,82 319,18 1,06 89,87 4,26 253,39 Remuneração do capital 2,27 189,16 2,25 190,15 2,93 174,12 Formação do canavial 1,42 118,19 1,40 118,39 2,00 118,87 Irrigação/fertirrigação 0,66 54,94 0,68 57,46 0,66 39,11 Máquinas e implementos 0,12 10,40 0,14 11,68 0,04 2,08 Benfeitorias 0,07 5,63 0,03 2,62 0,24 14,06 Custo Total (CT) 53,12 4.435,56 47,11 3.988,55 63,39 3.768,40 De maneira geral, as usinas típicas de todas as regiões experimentaram retornos médios positivos, inclusive no confronto do preço da cana-de-açúcar com o custo total de produção, isto é, mesmo com o cômputo dos custos de oportunidade associados à atividade (Figura 46). Além do mais, percebe-se que as margens de rentabilidade média mais elevadas na safra 2010/11 foram aferidas para o Nordeste brasileiro, pois o preço da tonelada da cana superou seu CT de produção em R$ 10,06. Por outro lado, as usinas da região Tradicional tiveram os retornos mais estreitos, dado que seu preço médio da cana suplantou o respectivo CT em apenas R$ 0,91 por tonelada. A região de Expansão apresentou resultado intermediário, já que a diferença entre o preço médio da tonelada de cana-de- açúcar e seu CT de produção foi de R$ 5,82. 98
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    80 73,45 70 60 54,04 7,19 52,94 50 6,09 12,63 3,31 9,18 R$/tc 40 9,07 30 20 43,57 37,86 34,74 10 0 Tradicional Expansão Nordeste COE COT CT Preço cana Figura 46. Representação gráfica dos custos e preços de cana-de-açúcar, para a safra 2010/11, considerando as usinas das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste, em R$/tc. De forma complementar, a Figura 47 indica as margens relativas de produção para as usinas na safra 2010/11, comparando os preços médios da cana-de-açúcar com os diferentes níveis de custos: COE, COT e CT. Como pode ser observado, todas as margens levando em consideração apenas os custos efetivamente desembolsados (COE) foram superiores ao patamar de 40,00%, com a rentabilidade da usina nordestina típica alcançando quase 70,00%. As margens sobre os custos totais da atividade, no entanto, foram iguais a 1,73%, 12,39% e 15,87% para as regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste, em termos respectivos. Como ressalva, deve-se esclarecer que os custos de usinas e fornecedores não são perfeitamente comparáveis, devido a não incorporação da “remuneração do proprietário” no cálculo do custo agrícola das unidades industriais, entre outros fatores. Além disso, os termos percentuais de margens de rentabilidade computados consistem basicamente na razão dos preços de mercado da cana-de-açúcar pelas respectivas etapas de composição do custo total das usinas. 99
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    80% 68,58% 70% 60% 52,42% 50% 42,76% 40% 30,70% 30% 20,87% 20% 14,90% 15,87% 12,39% 10% 1,73% 0% Tradicional Expansão Nordeste Margem - COE (%) Margem - COT (%) Margem - CT (%) Figura 47. Indicadores de rentabilidade das usinas das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste, para a safra 2010/11, em valores percentuais. De forma resumida, apresentam-se a seguir fluxogramas de custos de produção discriminados por processo/estágio e também por itens de custo (Figura 48, Figura 49 e Figura 50). Os estágios considerados são formação do canavial, tratos culturais de cana planta, tratos culturais de cana soca e colheita, e os demais itens esquematizados são a remuneração da terra, os custos administrativos, as depreciações e os custos de oportunidade vinculados ao capital imobilizado. Vale ressaltar apenas que o item formação do canavial, que compreende preparo de solo e plantio, está dividido pelo número de cortes. 100
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    Mode lo agrícolade us ina da re gião Tradicional R$/ha R$/ton R$/ha R$/ton Formação do canavial 656,60 7,86 Re mune ração da te rra 889,61 10,65 Mecanização 288,22 3,45 Área própria 319,18 3,82 Mão de obra 180,29 2,16 Área arrendada 570,42 6,83 Insumos 188,10 2,25 R$/ha R$/ton Cus tos adminis trativos 186,24 2,23 Salários agrícolas 132,34 1,58 R$/ha R$/ton Despesas administrativas 53,91 0,65 Tratos cult. cana planta 83,67 1,00 Mecanização 24,75 0,30 R$/ha R$/ton Mão de obra 23,54 0,28 De pre ciação 109,62 1,31 Insumos 35,38 0,42 Benfeitorias 8,67 0,10 Irrigação/Fertirrigação 9,38 0,11 R$/ha R$/ton Máquinas e implementos 91,57 1,10 Tratos cult. cana s oca 694,74 8,32 Mecanização 245,80 2,94 R$/ha R$/ton Mão de obra 110,69 1,33 Re mune raçõe s de Capital 189,16 2,27 Insumos 338,25 4,05 Lavoura fundada 118,19 1,42 Irrigação/Fertirrigação 5,63 0,07 R$/ha R$/ton Máquinas e implementos 54,94 0,66 Colhe ita 1.717,48 20,57 Benfeitorias 10,40 0,12 Mecanização 1.095,81 13,12 Capital de giro - juros 0,00 0,00 Mão de obra 621,67 7,44 Insumos 0,00 0,00 Cus to Total 4.435,56 53,12 Figura 48. Fluxograma de custos de produção por estágio e item de custo, para as usinas da região Centro-Sul Tradicional, na safra Figura 48. Fluxograma de custos de produção por estágio e item de custo, para as usinas da região Centro-Sul Tradicional, na safra 2010/11. 2010/11. Nota: Depreciações de máquinas ee implementos agrícolas embutidas nos valores deestágios de produção: preparoprodução: preparo culturais cana planta, tratosculturais cana Nota: Depreciações de máquinas implementos agrícolas embutidas nos valores de custos dos custos dos estágios de do solo, plantio, tratos do solo, plantio, tratos culturais cana soca e colheita. Além disso, cabe ressaltar que os valores apresentados (R$/ha e R$/ton) para cada um desses estágios foram ponderados de acordo com as suas respectivas áreas. planta, tratos culturais cana soca e colheita. Além disso, cabe ressaltar que os valores apresentados (R$/ha e R$/ton) para cada um desses estágios foram ponderados de acordo com as suas respectivas áreas. 101 101
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    102 Mode lo agrícola de us ina da re gião Expans ão R$/ha R$/ton R$/ha R$/ton Formação do canavial 657,72 7,77 Re mune ração da te rra 522,54 6,17 Mecanização 281,41 3,32 Área própria 89,87 1,06 Mão de obra 154,15 1,82 Área arrendada 432,67 5,11 Insumos 222,15 2,62 R$/ha R$/ton Cus tos adminis trativos 155,55 1,84 Salários agrícolas 92,21 1,09 R$/ha R$/ton Despesas administrativas 63,34 0,75 Tratos cult. cana planta 89,67 1,06 Mecanização 23,76 0,28 R$/ha R$/ton Mão de obra 21,88 0,26 De pre ciação 109,87 1,30 Insumos 44,02 0,52 Benfeitorias 9,74 0,11 Irrigação/Fertirrigação 4,37 0,05 R$/ha R$/ton Máquinas e implementos 95,76 1,13 Tratos cult. cana s oca 687,30 8,12 Mecanização 142,53 1,68 R$/ha R$/ton Mão de obra 135,08 1,60 Re mune raçõe s de Capital 190,15 2,25 Insumos 409,69 4,84 Lavoura fundada 118,39 1,40 Irrigação/Fertirrigação 2,62 0,03 R$/ha R$/ton Máquinas e implementos 57,46 0,68 Colhe ita 1.671,51 19,74 Benfeitorias 11,68 0,14 Mecanização 1.090,88 12,88 Capital de giro - juros 0,00 0,00 Mão de obra 580,63 6,86 Insumos 0,00 0,00 Cus to Total 3.988,55 47,11 Figura 49. Fluxograma de custos de produção por estágio e item de custo, para as usinas da região Centro-Sul Expansão, na safra Figura 49. Fluxograma de custos de produção por estágio e item de custo, para as usinas da região Centro-Sul Expansão, na safra 2010/11. 2010/11. Nota: Depreciações de máquinas e implementos agrícolas embutidas nos valores de custos dos estágios de produção: preparo do solo, plantio, tratos culturais cana planta, tratos culturais Nota: Depreciações colheita. Além disso,implementos agrícolas apresentados (R$/havalores de custos dos estágios de produção: preparo do solo, plantio, tratos culturais cana cana soca e de máquinas e cabe ressaltar que os valores embutidas nos e R$/ton) para cada um desses estágios foram ponderados de acordo com as suas respectivas áreas. planta, tratos culturais cana soca e colheita. Além disso, cabe ressaltar que os valores apresentados (R$/ha e R$/ton) para cada um desses estágios foram ponderados de acordo com as suas respectivas áreas. 102
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    Mode lo agrícolade us ina da re gião Norde s te R$/ha R$/ton R$/ha R$/ton Formação do canavial 660,41 11,11 Re mune ração da te rra 398,89 6,71 Mecanização 165,55 2,78 Área própria 253,39 4,26 Mão de obra 197,60 3,32 Área arrendada 145,51 2,45 Insumos 297,27 5,00 R$/ha R$/ton Cus tos adminis trativos 212,68 3,58 Salários agrícolas 131,50 2,21 R$/ha R$/ton Despesas administrativas 81,18 1,37 Tratos cult. cana planta 126,80 2,13 Mecanização 21,36 0,36 R$/ha R$/ton Mão de obra 59,84 1,01 De pre ciação 90,34 1,52 Insumos 45,60 0,77 Benfeitorias 1,74 0,03 Irrigação/Fertirrigação 23,43 0,39 R$/ha R$/ton Máquinas e implementos 65,18 1,10 Tratos cult. cana s oca 685,50 11,53 Mecanização 144,06 2,42 R$/ha R$/ton Mão de obra 153,18 2,58 Re mune raçõe s de Capital 174,12 2,93 Insumos 388,26 6,53 Lavoura fundada 118,87 2,00 Irrigação/Fertirrigação 14,06 0,24 R$/ha R$/ton Máquinas e implementos 39,11 0,66 Colhe ita 1.484,83 24,98 Benfeitorias 2,08 0,04 Mecanização 554,79 9,33 Capital de giro - juros 0,00 0,00 Mão de obra 930,03 15,64 Insumos 0,00 0,00 Cus to Total 3.768,40 63,39 Figura 50. Fluxograma de custos de produção por estágio e item de custo, para as usinas da região Nordeste, na safra 2010/11. Nota: DepreciaçõesFluxograma deimplementos agrícolas embutidas e item de custo, para as usinas da de produção: preparo safra 2010/11. tratos culturais cana Figura 50. de máquinas e custos de produção por estágio nos valores de custos dos estágios região Nordeste, na do solo, plantio, planta, tratos culturais canaesoca e colheita. Além disso, cabe ressaltar que estágios de produção: preparo do solo, plantio, tratos culturais cana um desses culturais foram Nota: Depreciações de máquinas implementos agrícolas embutidas nos valores de custos dos os valores apresentados (R$/ha e R$/ton) para cada planta, tratos estágios cana soca e colheita. Além disso, cabe ressaltar que os valores apresentados (R$/ha e R$/ton) para cada um desses estágios foram ponderados de acordo com as suas respectivas áreas. ponderados de acordo com as suas respectivas áreas. 103 103
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    Por fim, paraa composição dos custos agroindustriais de açúcar e etanol, faz-se necessária a inclusão dos custos agrícolas (cana-de-açúcar) ponderados. Isto é feito de acordo com o nível de participação da matéria-prima própria e seu respectivo preço, bem como pelo preço pago pela cana de fornecedores. Da Tabela 67 à Tabela 69 são apresentadas as ponderações dos custos agrícolas que serviram de input para o cálculo dos custos agroindustriais dos produtos da cadeia sucroenergética. Tabela 67. Ponderação do custo da cana-de-açúcar: COE. Custo cana fornecedores Região Custo (R$/t) Cana Própria (%) Preço ponderado (R$/t) (R$/t) Tradicional 37,86 60 56,54 45,33 Expansão 34,74 73 52,50 39,53 Nordeste 43,57 63 73,74 54,73 Tabela 68. Ponderação do custo da cana-de-açúcar: COT. Custo cana fornecedores Região Custo (R$/t) Cana Própria (%) Preço ponderado (R$/t) (R$/t) Tradicional 47,03 60 56,54 50,83 Expansão 43,80 73 52,50 46,15 Nordeste 56,20 63 73,74 62,69 Tabela 69. Ponderação do custo da cana-de-açúcar: CT. Custo cana fornecedores Região Custo (R$/t) Cana Própria (%) Preço ponderado (R$/t) (R$/t) Tradicional 53,12 60 56,54 54,49 Expansão 47,11 73 52,50 48,56 Nordeste 63,39 63 73,74 67,22 104
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    3.4.2.2 Industrial Os principais fatores de formação dos custos industriais são apresentados em valores nominais nesta subseção, sendo eles: mão-de-obra, insumos, manutenção e administração industrial. De modo a permitir a comparação direta entre os valores de usinas com escalas de moagem diferentes, as informações são apresentadas em reais por tonelada de cana processada. Ressalta-se novamente que as escalas de moagem estão deslocadas em classes de 250 mil toneladas, com o intuito de manter o sigilo das unidades industriais informantes. Ainda, em função do aumento do número de unidades participantes neste levantamento, as médias utilizadas nos modelos para os custos industriais referentes a mão-de-obra, insumos químicos, energia elétrica, sacaria e manutenção estão atreladas, para cada região produtora, a um determinado intervalo de mix de produção. Tal mecanismo, juntamente com outros tratamentos estatísticos, foi aplicado com o objetivo de eliminar dados discrepantes. A Tabela 70 e a Figura 51 logo abaixo apresentam os custos com mão-de-obra industrial. Para a região Centro-Sul, verifica-se que os valores médios ficaram bem próximos aos da safra 2009/2010, em torno de R$ 3,80/t, enquanto que para região Nordeste observou-se queda de quase 8%. Apesar do declínio, os maiores custos aferidos nas unidades nordestinas (média de R$ 4,04/t) refletem a relativa escassez desse tipo especializado de mão-de-obra na região, e reforça o fator trabalho como ponto importante na composição de seus custos industriais. Tabela 70. Mínimos, máximos e médias para os custos com mão-de-obra (R$/t) para usinas das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. Região Mínimo Máximo Média Expansão 2,79 6,01 3,85 Tradicional 2,70 5,93 3,72 Nordeste 2,59 5,73 4,04 105
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    7,00 6,00 Mão-de-obra - R$/t 5,00 4,00 3,00 2,00 0,00 0,50 1,00 1,50 2,00 2,50 3,00 3,50 4,00 Moagem (milhões de t) Centro-Sul Expansão Centro-Sul Tradicional Nordeste Figura 51. Distribuição de custos com mão de obra (R$/t) em função de faixas de moagem (milhões de t) para usinas das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. Os valores detalhados para insumos industriais são expostos na tabela seguinte (Tabela 71). De forma geral, destacam-se os seguintes pontos acerca das variações de preços dos insumos: i) aumento dos custos com combustíveis e lubrificantes; ii) queda dos custos com energia elétrica para a região Centro-Sul Expansão; iii) queda de custos com insumos químicos na região Tradicional; e iv) aumento dos custos com sacaria na região Nordeste. Nas análises comparativas entre regiões, são dignos de menção os custos mais elevados incorridos pelas unidades do Nordeste na aquisição de insumos químicos, combustíveis e embalagens. Dentre tais itens, destaca-se a diferença de R$ 0,73/tc entre os custos médios com embalagens do Centro-Sul Expansão e do Nordeste, em função do mix de produção. Isto porque, no Nordeste, esta grande diferença está atrelada ao mix açucareiro, cuja produção demanda relativamente mais insumos, em especial, os químicos. No confronto de custos entre as duas grandes regiões do Centro-Sul, por sua vez, os distintos gastos relativos com insumos químicos são os mais relevantes. Em termos globais, o menor custo médio com insumos industriais foi registrado para o Centro-Sul Tradicional, na ordem de 106
  • 106.
    R$ 2,03 portonelada de cana processada, ao passo que as regiões Centro-Sul Expansão e Nordeste apresentaram custos médios superiores em 11,82% e 86,21%, respectivamente. Tabela 71 Mínimos, máximos e médias de custos com insumos industriais (R$/t) para usinas das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. Expansão Tradicional Nordeste Insumos Mín Máx Méd Mín Máx Méd Mín Máx Méd Químicos 0,82 2,25 1,43 0,70 2,07 1,01 0,99 2,42 1,99 Eletrodos 0,08 0,12 0,10 0,07 0,19 0,14 0,06 0,28 0,11 Combustíveis 0,06 0,30 0,17 0,07 0,24 0,11 0,06 0,29 0,24 Lubrificantes 0,07 0,23 0,10 0,07 0,25 0,14 0,11 0,24 0,16 Energia elétrica 0,06 0,37 0,20 0,08 0,49 0,27 0,19 0,47 0,27 Embalagem 0,00 1,37 0,28 0,00 1,81 0,35 0,00 2,59 1,01 TOTAL - - 2,27 - - 2,03 - - 3,78 Além da discriminação dos principais insumos industriais, cuja evolução foi mais bem tratada em capítulo anterior deste documento, outro ponto importante remete aos custos com manutenção industrial. A Tabela 72 evidencia medidas desses custos para as três grandes regiões em questão, além das respectivas participações das peças e serviços em suas composições. Como observado, os dispêndios médios com manutenção industrial não foram muito discrepantes regionalmente, dada a diferença inferior a 10% entre os custos médios das regiões do Centro-Sul. Além do mais, é importante frisar a relativa concentração espacial das empresas que prestam manutenção às unidades do setor sucroenergético brasileiro, que compreende um dos fatores explicativos das diferenças regionais acerca das participações de peças e serviços na formação dos custos totais com manutenção. A propósito, a contribuição dos serviços no total gasto com manutenção nas usinas do Nordeste (31,02%) foi bastante inferior àquelas participações registradas no Centro-Sul, correspondentes a aproximadamente metade de todo custo com manutenção industrial. 107
  • 107.
    Com o intuitode complementar as participações dos itens de peças e serviços de manutenção expostas anteriormente, a Figura 52 mostra os valores absolutos dos custos de ambas as categorias, para todas as regiões produtoras analisadas. Tabela 72. Mínimos, máximos e médias de custos com manutenção industrial (R$/t), e as respectivas participações dos grupos de materiais e serviços na composição desses custos, para usinas das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. Região Medida Expansão Tradicional Nordeste Mín 3,52 3,33 3,08 Manutenção - R$/t Máx 6,04 6,45 7,51 Méd 4,43 4,86 4,70 Mín 37,97 26,02 44,94 Material - % Máx 60,54 68,92 85,75 Méd 45,29 50,39 68,98 Mín 39,46 31,08 14,25 Serviço - % Máx 62,03 73,98 55,06 Méd 54,71 49,61 31,02 108
  • 108.
    6,00 5,00 4,00 1,46 2,41 2,42 R$/t 3,00 2,00 3,24 2,45 1,00 2,01 0,00 Expansão Tradicional Nordeste Material Serviço Figura 52. Custos de peças e serviços de manutenção industrial (R$/t) para usinas das regiões Centro- Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. Além da manutenção industrial, as respostas das usinas acerca dos principais fatores de custos administrativo-industriais também merecem atenção especial. Da mesma maneira que a apresentação dos custos industriais, torna-se válido mencionar que todos os custos administrativos são referentes aos valores nominais dos preços praticados na safra 2010/11, sendo apresentados para as três grandes regiões produtoras do Brasil. Em termos gerais, a Tabela 73 expõe os custos totais com administração industrial por tonelada de cana processada, segundo a divisão regional proposta no estudo. O gasto médio do Nordeste foi bastante superior àqueles das outras localidades, representando 40,58% do montante incorrido pelo Centro-Sul Expansão e 64,41% do custo relativo do Centro-Sul Tradicional. 109
  • 109.
    Tabela 73. Mínimos,máximos e médias de custos com administração industrial (R$/t) para usinas das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. Região Mínimo Máximo Média Expansão 0,32 1,31 0,69 Tradicional 0,22 1,54 0,59 Nordeste 0,35 1,67 0,97 Em relação aos modelos típicos de usinas das três regiões pesquisadas, os resultados dos custos de produção são apresentados a seguir, lembrando que as premissas utilizadas já foram descritas ao longo do relatório, estando expressas como valores médios. Da Tabela 74 à Tabela 76, são apresentados os valores resultantes dos modelos de custos de processamento agroindustrial da cana-de- açúcar das regiões de Expansão, Tradicional e Nordeste, respectivamente. Os mesmos são apresentados em reais e em reais por tonelada decana, além da participação relativa de cada departamento no custo final de processamento da cana-de-açúcar. Os custos de produção dos produtos finais açúcar branco, açúcar VHP, etanol anidro e etanol hidratado são apresentados da Tabela 77 à Tabela 79 e da Figura 53 à Figura 55, sendo que os gráficos confrontam os custos de produção com os preços recebidos. Cabe ressaltar que apesar de outros tipos de açúcar e etanol terem sido considerados no mix de produtos, seus respectivos custos de produção não foram modelados. Tal fato se deve à ampla gama de produtos considerados como “outros”, sendo a amostragem dificultada por peculiaridades de cada produto, bem como pela pouca relevância, em termos quantitativos, dos mesmos frente à escala produtiva dos produtos “tradicionais”. Por fim, da Figura 56 à Figura 58 são apresentados os fluxogramas industriais, cuja ilustração contrasta os resultados técnicos e econômicos dos modelos. Em termos metodológicos, além dos princípios utilizados em levantamentos passados, isto é, do custo médio da região e custo médio de usina da região com escala de produção compatível com escalas do modelo, o levantamento de fechamento da safra 2010/2011, dado o aumento da amostra, contou com mais um principio, baseado no mix de produção, sendo elencadas unidades com mix semelhante ao do respectivo modelo regional. 110
  • 110.
    Outro ponto quevale ser ressaltado é a mensuração de custos de depreciação industrial e de capital, que apesar de seguirem a proposta de Marques (2009) e terem os valores de investimentos mantidos os mesmos, teve uma mudança conceitual em sua definição. Por definição teórica optou-se por manter a consideração de investimentos médios de R$ 100,00 por tonelada de cana processada para a produção de etanol e R$ 120,00 por tonelada de cana para produção de açúcar. Por premissa, foi definido que esses valores de investimentos não incluem nenhum investimento em caldeiras ou geradores de eletricidades, os quais serão considerados como investimentos para a produção de eletricidade e que serão à parte do processo de produção de açúcar e etanol. O conceito de simplificação assumido para o cálculo de custos de produção de açúcar e etanol é o de que a geração de eletricidade trata-se de um processo independente que utiliza bagaço fornecido a custo zero e, por outro lado, supre com vapor e eletricidade, também a custo zero, o processo produtivo de açúcar e etanol. 111
  • 111.
    Tabela 74. Custosde produção agroindustrial do processamento de cana-de-açúcar: região Centro-Sul Expansão. DESCRIÇÃO Total Anual (R$) R$/t Participação Custo da cana 116.554.222,23 48,56 59,55% COE 94.876.184,77 39,53 Cana de fornecedores 34.020.146,92 14,18 COE cana própria 60.856.037,85 25,36 Depreciações 15.883.552,26 6,62 Remuneração do capital e terra 5.794.485,19 2,41 Custo industrial 52.324.599,09 21,80 26,73% Operação industrial 26.990.305,91 11,25 Mão-de-obra 9.249.190,70 3,85 Insumos 5.457.379,34 2,27 Químico 3.434.112,00 1,43 Eletrodos 242.297,98 0,10 Combustível 417.264,00 0,17 Lubrificante 232.041,90 0,10 Eletricidade 469.260,00 0,20 Embalagem 662.403,47 0,28 Manutenção 10.632.690,44 4,43 Material 4.816.036,00 2,01 Serviço 5.816.654,44 2,42 Administração industrial 1.651.045,43 0,69 Depreciação industrial 8.237.651,39 3,43 Custo de Capital industrial 15.445.596,36 6,44 Departamento administrativo 26.853.072,82 11,19 13,72% Mão-de-obra 9.959.529,54 4,15 29,08 Insumos e serviços 7.702.793,89 3,21 22,49 Capital de giro 9.190.749,39 3,83 26,83 Custo Total 195.731.894,14 81,55 100,00% 112
  • 112.
    Tabela 75. Custosde produção agroindustrial do processamento de cana-de-açúcar: região Centro-Sul Tradicional. DESCRIÇÃO Total Anual (R$) R$/t Participação Custo da cana 130.768.307,59 54,49 63,93% COE 108.788.197,07 45,33 Cana de fornecedores 54.276.789,58 22,62 COE cana própria 54.511.407,49 22,71 Depreciações 13.213.623,01 5,51 Remuneração do capital e terra 8.766.487,52 3,65 Custo industrial 52.561.160,85 21,90 25,70% Operação industrial 26.880.911,34 11,20 Mão-de-obra 8.916.504,04 3,72 Insumos 4.868.186,44 2,03 Químico 2.434.354,29 1,01 Eletrodos 346.421,66 0,14 Combustível 271.128,00 0,11 Lubrificante 327.430,48 0,14 Eletricidade 655.988,57 0,27 Embalagem 832.863,44 0,35 Manutenção 11.679.591,78 4,87 Material 5.885.613,90 2,45 Serviço 5.793.977,88 2,41 Administração industrial 1.416.629,09 0,59 Depreciação industrial 8.439.520,15 3,52 Custo de Capital industrial 15.824.100,28 6,59 Departamento administrativo 21.204.390,24 8,84 10,37% Mão-de-obra 6.889.770,08 2,87 20,13 Insumos e serviços 5.123.870,77 2,13 14,97 Capital de giro 9.190.749,39 3,83 26,86 Custo Total 204.533.858,69 85,22 100,00% 113
  • 113.
    Tabela 76. Custosde produção agroindustrial do processamento de cana-de-açúcar: região Nordeste. DESCRIÇÃO Total Anual (R$) R$/t Participação Custo da cana 80.662.276,04 67,22 68,69% COE 65.678.762,50 54,73 Cana de fornecedores 32.741.188,31 27,28 COE cana própria 32.937.574,19 27,45 Depreciações 9.547.060,87 7,96 Remuneração do capital e terra 5.436.452,67 4,53 Custo industrial 29.831.506,57 24,86 25,40% Operação industrial 16.187.119,19 13,49 Mão-de-obra 4.844.759,45 4,04 Insumos 4.536.719,88 3,78 Químico 2.384.020,00 1,99 Eletrodos 133.924,48 0,11 Combustível 285.720,00 0,24 Lubrificante 188.586,10 0,16 Eletricidade 327.240,00 0,27 Embalagem 1.217.229,30 1,01 Manutenção 5.635.977,86 4,70 Material 3.887.868,13 3,24 Serviço 1.748.109,73 1,46 Administração industrial 1.169.661,99 0,97 Depreciação industrial 4.339.034,92 3,62 Custo de Capital industrial 8.135.690,47 6,78 Departamento administrativo 6.931.408,43 5,78 5,90% Mão-de-obra 3.528.509,03 2,94 22,43 Insumos e serviços 2.545.472,20 2,12 16,18 Capital de giro 857.427,20 0,71 5,45 Custo Total 117.425.191,04 97,85 100,00% 114
  • 114.
    Tabela 77. Custosde produção agroindustrial de açúcar e etanol: região Centro-Sul Expansão. Etanol Açúcar Branco Açúcar VHP Etanol Anidro DESCRIÇÃO Hidratado R$/t R$/t R$/m³ R$/m³ Custo da cana 382,24 360,50 580,90 529,79 COE 315,82 294,35 472,02 428,35 Cana de fornecedores 129,37 108,65 166,37 143,56 COE cana própria 186,45 185,70 305,65 284,78 Depreciações 48,66 48,47 79,78 74,33 Remuneração do capital e terra 17,75 17,68 29,10 27,12 Custo industrial 174,96 161,19 243,13 226,53 Operação industrial 93,78 80,34 132,23 123,20 Mão-de-obra 28,34 28,22 46,45 43,28 Insumos 27,81 14,63 24,08 22,44 Químico 10,52 10,48 17,25 16,07 Eletrodos 0,74 0,74 1,22 1,13 Combustível 1,28 1,27 2,10 1,95 Lubrificante 0,71 0,71 1,17 1,09 Eletricidade 1,44 1,43 2,36 2,20 Embalagem 13,12 0,00 0,00 0,00 Manutenção 32,58 32,45 53,40 49,76 Material 14,76 14,70 24,19 22,54 Serviço 17,82 17,75 29,21 27,22 Administração industrial 5,06 5,04 8,29 7,73 Depreciação industrial 28,24 28,12 38,57 35,94 Custo de Capital industrial 52,94 52,73 72,32 67,39 Departamento administrativo 82,27 81,94 134,87 125,66 Mão-de-obra 30,51 30,39 50,02 46,61 Insumos e serviços 23,60 23,51 38,69 36,05 Capital de giro 28,16 28,05 46,16 43,01 Custo Total 639,47 603,64 958,90 881,98 115
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    Tabela 78. Custosde produção agroindustrial de açúcar e etanol: região Centro-Sul Tradicional. Etanol Açúcar Branco Açúcar VHP Etanol Anidro DESCRIÇÃO Hidratado R$/t R$/t R$/m³ R$/m³ Custo da cana 433,34 401,87 635,97 585,16 COE 365,93 334,74 525,82 482,52 Cana de fornecedores 198,75 168,23 252,64 228,00 COE cana própria 167,18 166,51 273,18 254,53 Depreciações 40,52 40,36 66,22 61,70 Remuneração do capital e terra 26,89 26,78 43,93 40,93 Custo industrial 175,65 160,50 241,19 224,72 Operação industrial 94,39 79,56 130,54 121,62 Mão-de-obra 27,35 27,24 44,68 41,63 Insumos 26,88 12,33 20,22 18,84 Químico 7,47 7,44 12,20 11,37 Eletrodos 1,06 1,06 1,74 1,62 Combustível 0,83 0,83 1,36 1,27 Lubrificante 1,00 1,00 1,64 1,53 Eletricidade 2,01 2,00 3,29 3,06 Embalagem 14,51 0,00 0,00 0,00 Manutenção 35,82 35,68 58,53 54,53 Material 18,05 17,98 29,49 27,48 Serviço 17,77 17,70 29,04 27,05 Administração industrial 4,34 4,33 7,10 6,61 Depreciação industrial 28,26 28,15 38,49 35,86 Custo de Capital industrial 52,99 52,78 72,16 67,24 Departamento administrativo 65,03 64,77 106,26 99,01 Mão-de-obra 21,13 21,04 34,53 32,17 Insumos e serviços 15,71 15,65 25,68 23,92 Capital de giro 28,19 28,07 46,06 42,91 Custo Total 674,02 627,14 983,42 908,88 116
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    Tabela 79. Custosde produção agroindustrial de açúcar e etanol: região Nordeste. Etanol Açúcar Branco Açúcar Etanol Anidro DESCRIÇÃO Hidratado R$/t VHP R$/t R$/m³ R$/m³ Custo da cana 569,62 534,99 823,23 774,25 COE 469,67 435,44 658,11 620,40 Cana de fornecedores 249,95 216,60 295,13 282,21 COE cana própria 219,72 218,84 362,98 338,20 Depreciações 63,69 63,43 105,21 98,03 Remuneração do capital e terra 36,27 36,12 59,91 55,82 Custo industrial 212,73 187,48 286,63 267,06 Operação industrial 124,36 99,46 164,97 153,71 Mão-de-obra 32,32 32,19 53,39 49,74 Insumos 46,64 22,05 36,58 34,08 Químico 15,90 15,84 26,27 24,48 Eletrodos 0,89 0,89 1,48 1,38 Combustível 1,91 1,90 3,15 2,93 Lubrificante 1,26 1,25 2,08 1,94 Eletricidade 2,18 2,17 3,61 3,36 Embalagem 24,50 0,00 0,00 0,00 Manutenção 37,60 37,45 62,11 57,87 Material 25,94 25,83 42,84 39,92 Serviço 11,66 11,61 19,26 17,95 Administração industrial 7,80 7,77 12,89 12,01 Depreciação industrial 30,74 30,62 42,32 39,43 Custo de Capital industrial 57,64 57,40 79,35 73,93 Departamento administrativo 46,24 46,05 76,39 71,17 Mão-de-obra 23,54 23,44 38,88 36,23 Insumos e serviços 16,98 16,91 28,05 26,14 Capital de giro 5,72 5,70 9,45 8,80 Custo Total 828,59 768,53 1.186,25 1.112,49 117
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    Tabela 80. Resumodos custos de produção agroindustriais de açúcar e etanol: região Centro-Sul Expansão. Etanol Açúcar Branco Açúcar Etanol Anidro DESCRIÇÃO Hidratado R$/t VHP R$/t R$/m³ R$/m³ COE cana-de-açúcar 315,82 294,35 472,02 428,35 COT cana-de-açúcar 364,48 342,82 551,80 502,67 CT cana-de-açúcar 382,24 360,50 580,90 529,79 COE industrial 93,78 80,34 132,23 123,20 COE administrativo 82,27 81,94 134,87 125,66 COE agroindustrial 491,87 456,63 739,13 677,21 COT agroindustrial 568,78 533,22 857,47 787,48 CT agroindustrial 639,47 603,64 958,90 881,98 Preço médio 903,74 758,98 1113,60 960,92 Margem sobre CT 41,33% 25,73% 16,13% 8,95% 1.600 1.600 1.400 1.400 1.200 1.200 1.000 1.000 R$/m³ R$/t 800 800 600 600 400 400 200 200 0 0 Branco VHP Anidro Hidratado COE COT CT Preço médio COE COT CT Preço médio (a) (b) Figura 53. COE, COT, CT e Preço médio para a região Centro-Sul Expansão: a) Açúcar Branco e Açúcar VHP; b) Etanol Anidro e Etanol Hidratado. 118
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    Tabela 81. Resumodos custos de produção agroindustriais de açúcar e etanol: região Centro-Sul Tradicional. Etanol Açúcar Branco Açúcar VHP Etanol Anidro DESCRIÇÃO Hidratado R$/t R$/t R$/m³ R$/m³ COE cana-de-açúcar 365,93 334,74 525,82 482,52 COT cana-de-açúcar 406,45 375,10 592,04 544,22 CT cana-de-açúcar 433,34 401,87 635,97 585,16 COE industrial 94,39 79,56 130,54 121,62 COE administrativo 65,03 64,77 106,26 99,01 COE agroindustrial 525,35 479,07 762,62 703,16 COT agroindustrial 594,14 547,58 867,32 800,71 CT agroindustrial 674,02 627,14 983,42 908,88 Preço médio 942,06 797,38 1147,36 1035,44 Margem sobre CT 39,77% 27,15% 16,67% 13,92% 1.600 1.600 1.400 1.400 1.200 1.200 1.000 1.000 R$/m³ R$/t 800 800 600 600 400 400 200 200 0 0 Branco VHP Anidro Hidratado COE COT CT Preço médio COE COT CT Preço médio (a) (b) (a) (b) Figura 54. COE, COT, CT e Preço médio para a região Centro-Sul Tradicional: a) Açúcar Branco e Figura 54. COE, COT, CT e Preço médio para a região Centro-Sul Tradicional: a) Açúcar Branco e Acúcar VHP; b) Etanol Anidro e Etanol Hidratado. Açúcar VHP; b) Etanol Anidro e Etanol Hidratado. 119 119
  • 119.
    Tabela 82. Resumodos custos de produção agroindustriais de açúcar e etanol: região Nordeste. Etanol Açúcar Branco Açúcar Etanol Anidro DESCRIÇÃO Hidratado R$/t VHP R$/t R$/m³ R$/m³ COE cana-de-açúcar 469,67 435,44 658,11 620,40 COT cana-de-açúcar 533,35 498,87 763,32 718,43 CT cana-de-açúcar 569,62 534,99 823,23 774,25 COE industrial 124,36 99,46 164,97 153,71 COE administrativo 46,24 46,05 76,39 71,17 COE agroindustrial 640,26 580,96 899,47 845,28 COT agroindustrial 734,69 675,00 1046,99 982,74 CT agroindustrial 828,59 768,53 1186,25 1112,49 Preço médio 1063,55 921,68 1203,25 1150,56 Margem sobre CT 28,36% 19,93% 1,43% 3,42% 1.600 1.600 1.400 1.400 1.200 1.200 1.000 1.000 R$/m³ R$/t 800 800 600 600 400 400 200 200 0 0 Branco VHP Anidro Hidratado COE COT CT Preço médio COE COT CT Preço médio (a) (b) Figura 55. COE, COT, CT e Preço médio para a região Nordeste: a) Açúcar Branco e Açúcar VHP; b) Etanol Anidro e Etanol Hidratado. 120
  • 120.
    Modelo industrial deusina região Tradicional Custos de produção agroindustrial do processamento Mixde produção Estação de tratamento de água Qualidade da matéria-prima Moagem da cana de açúcar Açúcar 49,45% Vazão de captação de água (m³/h) 600 Moagem da cana (t) 2.400.000 Etanol 50,55% Produção de etanol Total R$/ton Pol % Cana (PC) 14,13% Produção de sub-produtos Recepção, Preparo e Extração Sistema de fermentação contínuo I - Custo cana 130.768.307,59 54,49 Fibra da cana 13,20% Bagaço total 660.327 t Sistema de entrega da cana bate - e - volta Número de dornas de fermentação 8 COE 108.788.197,07 45,33 Pureza da cana 85,11% Torta de filtro 77.131 t Número de mesas de recepção 2 capacidade de fermentação (m³/h) 4.500 Depreciações 13.213.623,01 5,51 ART da cana (Kg/t) 154,68 Vinhaça 1.166.609 m³ Sistema de acionamento turbina a vapor Possui fábrica de fermento na usina? não Remuneração capital e terra 8.766.487,52 3,65 Leveduras 1.260 t Número de tratores (Recepção) 2 Número de linhas de destilação 3 Rendimento industrial Mel final - t Número de pás carregadeiras 2 Capacidade total de destilação 600 II - Custo industrial 51.144.531,77 21,31 Lavagemda cana 38,74% Óleo fúsel 215 m³ Sistema de extração moenda Forma de aquecimento da coluna direto Número de linhas de extração 1 Cap. (m³/dia) Uso (m³/dia) Desidratação Operação industrial 26.880.911,34 11,20 Perdas de lavagem 0,50% Produtos Capacidade total de extração (TCD) 12.000 Linha 1 300 280 ciclo-hexano Mão de obra 8.916.504,04 3,72 Perdas no bagaço 4,54% Açúcar Cap. (TCD) Nº Ternos Acionamento Linha 2 200 180 ciclo-hexano Insumos 4.868.186,44 2,03 Perdas na torta de filtro 0,42% Açúcar branco 942,06 R$/t Linha 3 Linha 1 12.000 6 turbina a vapor 100 60 nenhum Manutenção 11.679.591,78 4,87 Perdas indeterminadas 2,37% Açúcar VHP 797,38 R$/t Vapor e energia Administração industrial 1.416.629,09 0,59 Rendimentos fermentação 90,13% Outros 942 R$/t Tratamento do caldo Número de caldeiras 2 Depreciação 8.439.520,15 3,52 Rendimentos destilação 99,51% Etanol Número de linhas de tratamento 2 Produção de vapor (tv/h) 220 Custo do capital industrial 15.824.100,28 6,59 Pureza mel residual 59,45% Hidratado 1.035,44 R$/m³ Decantação automatizada? sim Consumo de vapor válvula redutora - Evaporação automatizada? sim Anidro 1.147,36 R$/m³ Cap. (t/h) Prod. (t/h) Pressão (bar) Nº de efeitos de evaporação (açúcar) 5 III - Dep. administrativo 21.204.390,24 8,84 Produtividade Outros 1.147 R$/m³ Caldeira 1 150 130 21 Trat. Separado de açúcar e Etanol sim Caldeira 2 Horas de moagem 4.842 Eletricidade 100 90 21 Número de geradores 2 Horas fábrica parada 1.107 Compra 222,00 R$/MWh Produção de açúcar Capacidade total de geração (MW) 6 Custo total 203.117.229,61 84,63 Eficiência 81,39% Venda 150,00 R$/MWh Tipo de cozimento batelada Potência Turbina cons. (tv/h) Número de massas do cozimento 2 Gerador 1 4 contrapressão 42 Custos de produção agroindustrial de açúcar e etanol É automatizada? não Gerador 2 2 contrapressão 25 Custos Possui refinaria? não Tanques Açúcar branco Açúcar VHP Açúcar outros Etanol anidro Etanol hidratado Etanol outros Cana Número de tanques 5 R$/ton R$/ton R$/ton R$/m³ R$/m³ R$/m³ R$/ton Armazéns Capacidade total de armazenagem (m³) 50.000 COE agroindustrial 525,35 479,07 510,85 762,62 703,16 727,80 65,36 Número de armazéns 3 Quantidade Capacidade (m³) COT agroindustrial 594,14 547,58 579,63 867,32 800,71 825,36 74,39 Capacidade total de armazenagem (t) 40.000 Tanque 1 2 5.000 CT agroindustrial 674,02 627,14 659,51 983,42 908,88 933,53 84,63 Quantidade Capacidade Tanque 2 2 10.000 Preço médio 942,06 797,38 942,06 1147,36 1035,44 1147,36 105,13 Armazém 1 1 15.000 Tanque 3 1 20.000 Margem 39,8% 27,1% 42,8% 16,7% 13,9% 22,9% 24,2% Armazém 2 2 7.500 121 Figura 56. Fluxograma de custos de produção por estágio e item de custo industrial, para as usinas da região Expansão, na safra 2010/11.
  • 121.
    Modelo industrial deusina região Expansão 122 Estação de tratamento de água Custos de produção agroindustrial do processamento Mixde produção Moagem Qualidade da matéria-prima Vazão de captação de água (m³/h) 600 da cana de açúcar Açúcar 49,45% Moagem da cana (t) 2.400.000 Etanol 50,55% Produção de etanol Produção de sub-produtos Total R$/ton Pol % Cana (PC) 14,13% Recepção, Preparo e Extração Sistema de fermentação batelada I - Custo cana 130.768.307,59 54,49 Fibra da cana 13,20% Bagaço total 660.327 t Sistema de entrega da cana fila Número de dornas de fermentação 8 capacidade de fermentação (m³/h) - COE 108.788.197,07 45,33 Pureza da cana 85,11% Torta de filtro 77.131 t Número de mesas de recepção 2 Depreciações 13.213.623,01 5,51 ART da cana (Kg/t) 154,68 Vinhaça 1.229.290 m³ Sistema de acionamento turbina a vapor Possui fábrica de fermento na usina? não Remuneração capital e terra 8.766.487,52 3,65 Leveduras 1.279 t Número de tratores (Recepção) 4 Número de linhas de destilação 2 Rendimento industrial Número de pás carregadeiras 2 Capacidade total de destilação 600 Mel final 67.985 t Sistema de extração moenda Forma de aquecimento da coluna direto II - Custo industrial 51.144.531,77 21,31 Lavagem da cana 38,74% Óleo fúsel 262 m³ Cap. (m³/dia) Uso (m³/dia) Desidratação Número de linhas de extração 1 Operação industrial 26.880.911,34 11,20 Perdas de lavagem 0,50% Produtos Capacidade total de extração (TCD) 12.000 Linha 1 400 380 ciclo-hexano Mão de obra 8.916.504,04 3,72 Perdas no bagaço 4,54% Açúcar Cap. (TCD) Nº Ternos Acionamento Linha 2 200 160 ciclo-hexano Linha 3 - - - Insumos 4.868.186,44 2,03 Perdas na torta de filtro 0,42% Açúcar branco 942,06 R$/t Linha 1 12.000 6 turbina a vapor Manutenção 11.679.591,78 4,87 Perdas indeterminadas 2,37% Açúcar VHP 797,38 R$/t Vapor e energia Administração industrial 1.416.629,09 0,59 Rendimentos fermentação 90,13% Outros 942 R$/t Tratamento do caldo Número de caldeiras 2 8.439.520,15 Número de linhas de tratamento 2 Depreciação 3,52 Rendimentos destilação 99,51% Etanol Produção de vapor (tv/h) 240 Decantação automatizada? sim Consumo de vapor válvula redutora Custo do capital industrial 15.824.100,28 6,59 Pureza mel residual 59,45% Hidratado 1.035,44 R$/m³ - Evaporação automatizada? sim Cap. (t/h) Prod. (t/h) Pressão (bar) Anidro 1.147,36 R$/m³ Nº de efeitos de evaporação (açúcar) 5 Caldeira 1 200 160 42 III - Dep. administrativo 21.204.390,24 8,84 Produtividade Outros 1.147 R$/m³ Trat. Separado de açúcar e Etanol sim Caldeira 2 100 80 42 Horas de moagem 4.842 Eletricidade Número de geradores 2 Horas fábrica parada 1.107 Compra 222,00 R$/MWh Produção de açúcar Capacidade total de geração (MW) 40 Custo total 203.117.229,61 84,63 Eficiência 81,39% Venda 150,00 R$/MWh Tipo de cozimento batelada Potência Turbina cons. (tv/h) Número de massas do cozimento 2 Gerador 1 20 contrapressão 120 Custos de produção agroindustrial de açúcar e etanol É automatizada? sim Gerador 2 20 contrapressão 120 Custos Possui refinaria? não Tanques Açúcar branco Açúcar VHP Açúcar outros Etanol anidro Etanol hidratado Etanol outros Cana Número de tanques 5 R$/ton R$/ton R$/ton R$/m³ R$/m³ R$/m³ R$/ton Armazéns Capacidade total de armazenagem (m³) 50.000 COE agroindustrial 491,87 456,63 478,76 739,13 677,21 700,02 61,97 Número de armazéns 1 Quantidade Capacidade (m³) COT agroindustrial 568,78 533,22 555,66 857,47 787,48 810,29 72,02 Capacidade total de armazenagem (t) 50.000 Tanque 1 1 20.000 CT agroindustrial 639,47 603,64 626,35 958,90 881,98 904,79 80,87 Quantidade Capacidade Tanque 2 2 20.000 Preço médio 903,74 758,98 903,74 1113,60 960,92 1113,60 96,59 Armazém 1 1 50.000 Tanque 3 2 5.000 Margem 41,3% 25,7% 44,3% 16,1% 9,0% 23,1% 19,4% Armazém 2 - - Figura 57. Fluxograma de custos de produção por estágio e item de custo industrial, para as usinas da região Tradicional, na safra 2010/11.
  • 122.
    Modelo industrial deusina região Nordeste Estação de tratamento de água Custos de produção agroindustrial do processamento Mixde produção Moagem Qualidade da matéria-prima Va zã o de ca pta çã o de á gua (m³/h) 1500 da cana de açúcar Açúcar 49,45% Moagem da cana (t) 1.200.000 Etanol 50,55% Produção de etanol Total R$/ton Pol % Cana (PC) 14,13% Produção de sub-produtos Recepção, Preparo e Extração Sistema de fermentação batelada Número de dornas de fermentação I - Custo cana 130.768.307,59 54,49 Fibra da cana 13,20% Bagaço total 660.327 t Sistema de entrega da cana pátio 10 COE 108.788.197,07 45,33 Pureza da cana 85,11% Torta de filtro 77.131 t Número de mesas de recepção 2 capacidade de fermentação (m³/h) 2.000 Depreciações 13.213.623,01 5,51 ART da cana (Kg/t) 154,68 Vinhaça 352.562 m³ Sistema de acionamento turbina a vapor Possui fábrica de fermento na usina? não Número de tratores (Recepção) 1 Número de linhas de destilação 3 Remuneração capital e terra 8.766.487,52 3,65 Leveduras - t Rendimento industrial Número de pás carregadeiras 2 Capacidade total de destilação 250 Mel final 126.669 t Sistema de extração moenda Forma de aquecimento da coluna direto II - Custo industrial 51.144.531,77 21,31 Lavagem da cana 38,74% Óleo fúsel - m³ Número de linhas de extração 1 Cap. (m³/dia) Uso (m³/dia) Desidratação Operação industrial 26.880.911,34 11,20 Perdas de lavagem 0,50% Produtos Capacidade total de extração (TCD) 9.500 Linha 1 120 100 ciclo-hexano Mão de obra 8.916.504,04 3,72 Perdas no bagaço 4,54% Açúcar Cap. (TCD) Nº Ternos Acionamento Linha 2 100 70 ciclo-hexano Linha 3 30 - nenhum Insumos 4.868.186,44 2,03 Perdas na torta de filtro 0,42% Açúcar branco 942,06 R$/t Linha 1 9.500 5 turbina a vapor Manutenção 11.679.591,78 4,87 Perdas indeterminadas 2,37% Açúcar VHP 797,38 R$/t Vapor e energia Administração industrial 1.416.629,09 0,59 Rendimentos fermentação 90,13% Outros 942 R$/t Tratamento do caldo Número de caldeiras 4 Número de linhas de tratamento 1 Depreciação 8.439.520,15 3,52 Rendimentos destilação 99,51% Etanol Produção de vapor (tv/h) 240 Decantação automatizada? não Consumo de vapor válvula redutora Custo do capital industrial 15.824.100,28 6,59 Pureza mel residual 59,45% Hidratado 1.035,44 R$/m³ - Evaporação automatizada? não Cap. (t/h) Prod. (t/h) Pressão (bar) Anidro 1.147,36 R$/m³ Nº de efeitos de evaporação (açúcar) 5 Caldeira 1 80 70 42 III - Dep. administrativo 21.204.390,24 8,84 Produtividade Outros 1.147 R$/m³ Trat. Separado de açúcar e Etanol não Caldeira 2 60 50 21 Horas de moagem 4.842 Eletricidade Número de geradores 3 Horas fábrica parada 1.107 Compra 222,00 R$/MWh Produção de açúcar Capacidade total de geração (MW) 18 Custo total 203.117.229,61 84,63 Eficiência 81,39% Venda 150,00 R$/MWh Tipo de cozimento batelada Potência Turbina cons. (tv/h) Número de massas do cozimento 3 Gerador 1 10 contrapressão 100 Custos de produção agroindustrial de açúcar e etanol É automatizada? não Gerador 2 5 contrapressão 50 Custos Possui refinaria? não Tanques Açúcar branco Açúcar VHP Açúcar outros Etanol anidro Etanol hidratado Etanol outros Cana Número de tanques 6 R$/ton R$/ton R$/ton R$/m³ R$/m³ R$/m³ R$/ton Armazéns Capacidade total de armazenagem (m³) 17.000 COE agroindustrial 640,26 580,96 615,76 899,47 845,28 0,00 74,00 Número de armazéns 2 Quantidade Capacidade (m³) COT agroindustrial 734,69 675,00 710,19 1046,99 982,74 0,00 85,57 Capacidade total de armazenagem (t) 20.000 Tanque 1 5 3.000 CT agroindustrial 828,59 768,53 804,09 1186,25 1112,49 0,00 96,88 Quantidade Capacidade Tanque 2 1 2.000 Preço médio 1063,55 921,68 1063,55 1203,25 1150,56 1203,25 114,69 Armazém 1 2 20.000 Tanque 3 - - Margem 28,4% 19,9% 32,3% 1,4% 3,4% - 18,4% Armazém 2 - - 123 Figura 58. Fluxograma de custos de produção por estágio e item de custo industrial, para as usinas da região Nordeste, na safra 2010/11.
  • 123.
    3.4.2.3 Administrativo Apesar do levantamento de custos do departamento administrativo ainda ser objeto de maior desenvolvimento metodológico para essa pesquisa, evoluções quanto à sistematização de estruturas administrativas vêm sendo notadas. Anteriormente composto apenas pelos itens mão-de-obra, capital de giro e despesas diversas, o levantamento da safra 2010/2011 traz como novas estruturas os fatores, serviços e utilidades, serviços técnicos e profissionais e, por fim, materiais de consumo. Todos esses itens são apresentados, em R$/t, da Tabela 83 à Tabela 88, nas medidas mínimo, máximo e média. Para próximos levantamentos espera-se incluir outros itens deste departamento, como custos de transporte de produtos acabados, comissões de comercialização, despesas finais com taxas e também tributos, que hoje são desconsiderados no relatório. Tabela 83. Mínimos, máximos e médias para custos com mão-de-obra (R$/t) de usinas das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. Região Mínimo Máximo Média Expansão 1,78 4,70 4,15 Tradicional 1,73 4,34 2,87 Nordeste 2,11 3,71 2,94 Tabela 84. Mínimos, máximos e médias para custos com financiamento para capital de giro (R$/t) de usinas das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. Região Mínimo Máximo Média Expansão 0,00 5,71 0,52 Tradicional 0,00 26,88 3,83 Nordeste 0,00 2,32 0,71 124
  • 124.
    Tabela 85. Mínimos,máximos e médias para custos com serviços e utilidades (R$/t) de usinas das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. Região Mínimo Máximo Média Expansão 0,16 0,91 0,67 Tradicional 0,11 0,37 0,16 Nordeste 0,11 0,33 0,18 Tabela 86. Mínimos, máximos e médias para custos com serviços técnicos e profissionais (R$/t) de usinas das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. Região Mínimo Máximo Média Expansão 0,04 6,48 0,99 Tradicional 0,00 3,46 0,92 Nordeste 0,00 3,00 0,97 Tabela 87. Mínimos, máximos e médias para custos com materiais de consumo (R$/t) de usinas das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. Região Mínimo Máximo Média Expansão 0,04 0,62 0,25 Tradicional 0,04 1,02 0,16 Nordeste 0,02 1,67 0,18 Tabela 88. Mínimos, máximos e médias para custos com diversos (R$/t) de usinas das regiões Centro- Sul Tradicional, Centro-Sul Expansão e Nordeste. Região Mínimo Máximo Média Expansão 0,13 3,34 1,30 Tradicional 0,02 2,48 0,89 Nordeste 0,08 2,60 0,79 125
  • 125.
    4. EVOLUÇÃO DOSRESULTADOS DOS LEVANTAMENTOS DE CUSTO 4.1. Fornecedores Nesta subseção são apresentadas as evoluções temporais dos custos de produção da cana-de- açúcar, bem como das margens aferidas nas quatro safras até então analisadas. A Figura 59 mostra, para fornecedores da região Tradicional, o histórico de custos (COE, COT e CT) e preços da cana para as safras 2007/08 à 2010/11. Nela percebe-se que o custo total, em termos nominais, vem aumentando ao longo dos anos, mas de forma menos acentuada do que os preços recebidos pela tonelada de cana. Ainda, nas safras 2007/08 e 2008/09, o preço foi suficiente apenas para cobrir parte do COT, enquanto que, nas últimas duas safras, as receitas remuneraram todos os custos desembolsáveis, depreciações, remuneração do produtor e ainda parte da remuneração do capital (terra e ativos físicos) do fornecedor. Para a região de Expansão, a realidade mostra-se mais atrativa em comparação com a região Tradicional. Embora o comportamento de custos e preços tenha sido semelhante em ambas as regiões, fatores como maiores níveis de produtividade, reduções nos preços pagos pelos insumos agrícolas e uma forte elevação no percentual de colheita mecanizada fizeram com que fosse observada uma queda dos custos totais de produção na safra 2010/11, em comparação à safra 2009/10 (Figura 60). 126
  • 126.
    70 60 50 40 R$/tc 30 20 10 - 2007/08 2008/09 2009/10 2010/11 Tradicional COE COT CT Preço cana Figura 59. Evolução dos custos nominais de produção de cana-de-açúcar: fornecedores da região Tradicional. 70 60 50 40 R$/tc 30 20 10 - 2007/08 2008/09 2009/10 2010/11 Expansão COE COT CT Preço cana Figura 60. Evolução dos custos nominais de produção de cana-de-açúcar: fornecedores da região de Expansão. 127
  • 127.
    Na região Nordeste(Figura 61), assim como na região de Expansão, observou-se queda dos custos totais de produção na safra 2010/11 em comparação à safra 2009/10. O fator preponderante para esta redução de custos foi a elevação da produtividade média aferida para canaviais da região (57,50 tc/ha frente a 51,00 tc/ha na safra anterior). Por fim, as margens sobre o custo total para as quatro safras até então analisadas são apresentadas na Figura 62. Ao contrário do ocorrido nas três primeiras safras (2007/08 à 2009/10), a safra 2010/11 apresentou retornos positivos para as regiões de Expansão e Nordeste, com margens de 10% e 14%, respectivamente. Apenas na região Tradicional, com margem de -7%, foi aferido prejuízo econômico na atividade. Ressalta-se ainda que tais valores não significam que o produtor de cana desta região perdeu dinheiro, mas sim, que ele deixou de ser melhor remunerado em atividades alternativas (arrendar as terras próprias e aplicar seu montante imobilizado em ativos a uma taxa de juros real de 6% a.a, a exemplo.). Em média, nos últimos quatro anos, as rentabilidades estimadas das regiões em análise foram de -20% (Tradicional), -8% (Expansão) e -15% (Nordeste), cenário que tende a melhorar com os atuais preços praticados nos mercados de açúcar e etanol. Ou seja, espera-se que, após o fechamento da safra 2011/12, tais patamares de rentabilidade aproximem-se do equilíbrio econômico de longo prazo, que é de 0%. 128
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    80 70 60 50 R$/tc 40 30 20 10 - 2007/08 2008/09 2009/10 2010/11 Nordeste COE COT CT Preço cana Figura 61. Evolução dos custos nominais de produção de cana-de-açúcar: fornecedores da região Nordeste. 20% 14% 10% 10% 0% -10% -7% -8% -8% -8% -20% -15% -15% -20% -20% -19% -30% -25% -27% -27% -40% -37% -50% Tradicional Expansão Nordeste 2007/08 2008/09 2009/10 2010/11 Média Figura 62. Evolução das margens sobre o custo total de produção da cana: fornecedores das regiões Tradicional, Expansão e Nordeste. 129
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    Por outro lado,podem ser realizadas análises das séries de custos e preços em termos reais. Para tanto, as séries foram deflacionadas pelo IGP-M (Figura 63). Nota-se que até a safra 2009/10 havia uma tendência de alta nos custos reais de produção da cana-de-açúcar, em especial no Centro-Sul do país. Tal tendência foi quebrada na safra 2010/11, conforme motivos já citados anteriormente. 80 75 70 65 60 R$/tc 55 50 45 40 35 2007/08 2008/09 2009/10 2010/11 Tradicional Expansão Nordeste Figura 63. Evolução dos custos reais de produção da cana-de-açúcar: fornecedores das regiões Tradicional, Expansão e Nordeste. Quando cruzadas as médias históricas de custos reais com os preços reais (também deflacionados pelo IGP-M) recebidos pela tonelada de cana, nota-se que, até o momento, todos os custos desembolsáveis, depreciações e remuneração do produtor das três regiões estudadas foram cobertos pelo preço recebido. No entanto, apenas na região de Expansão parte dos custos de oportunidades foi remunerada (Figura 64). Apesar da tendência de melhora dos níveis de atratividade da cultura existente atualmente, ações devem ser tomadas para combater os altos custos de produção observados. Na região Tradicional, por exemplo, esforços na redução dos custos de preparo de solo, plantio e CCT (via melhor aproveitamento de maquinário ou composição de condomínios de produção), de depreciações (também via formação de condomínios de produção que visem otimizar a produção, além 130
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    de redução donúmero de máquinas ociosas na propriedade), e de remuneração do produtor (que encontra-se atualmente muito acima da média brasileira) são soluções possíveis para reduções significativas dos custos. No Nordeste, os custos com mão-de-obra salientam um problema crônico à produção da cana. Entretanto, devido ao relevo regional, por exemplo, tal problema torna-se um fator de difícil resolução. Nesse caso, práticas como irrigação poderiam elevar a produtividade agrícola e, assim, a rentabilidade do produtor nordestino. Para todas as três regiões, nota-se que ações que visem à melhoria da produtividade agrícola do canavial e dos teores de ATR na cana seriam ideais. Dentre elas, a aplicação de maturadores, a correta renovação dos canaviais e o adequado tratamento da soqueira são ações que devem ser tratadas como prioritárias pelos fornecedores brasileiros. 80 70 60 50 R$/tc 40 30 20 10 - Tradicional Expansão Nordeste COE COT CT Preço cana Figura 64. Custos e preços reais da cana-de-açúcar: média das safras 2007/08 à 2010/11 para fornecedores das regiões Tradicional, Expansão e Nordeste. 131
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    4.2 Usinas A oportunidade de pesquisa criada pela continuidade desse trabalho de levantamento de custos permitiu a consolidação de um banco de dados de indicadores e resultados de custos desde a safra 2007/2008. Os resultados de custos com base na metodologia atual são apresentados da Figura 65 à Figura 69, em que se destaca o comparativo de custo total de produção com o preço médio da cana e dos produtos industriais: açúcar branco, açúcar VHP, etanol anidro e etanol hidratado. A análise dos gráficos demonstra a tendência de evolução dos custos de produção, principalmente em função da tendência observada de aumento de custos de fatores de produção agrícola e do aumento dos preços dos produtos industriais, implicando em aumento dos preços da cana para o fornecedor. Da Tabela 89 à Tabela 92, destacam-se a variação anual média e a variação acumulada dos custos de produção dos produtos industriais analisados na série de levantamentos PECEGE/CNA. 80 70 Cana de açúcar - R$/t 60 50 40 30 20 10 - 2008/09 2007/08 2009/10 2010/11 2007/08 2008/09 2009/10 2010/11 2007/08 2008/09 2009/10 2010/11 Expansão Tradicional Nordeste Custo Total Preço médio Figura 65. Custo total e preço médio para a cana – Comparativo entre safras. 132
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    1.200 Açúcar Branco - R$/t 1.000 800 600 400 200 - 2007/08 2009/10 2007/08 2009/10 2007/08 2008/09 2009/10 2010/11 2008/09 2010/11 2008/09 2010/11 Expansão Tradicional Nordeste Custo Total Preço Médio Figura 66. Custo total e preço médio para o Açúcar Branco – Comparativo entre safras. 1.000 Açúcar VHP - R$/t 800 600 400 200 - 2009/10 2007/08 2008/09 2010/11 2007/08 2008/09 2009/10 2010/11 2007/08 2008/09 2009/10 2010/11 Expansão Tradicional Nordeste CT Preço Médio Figura 67. Custo total e preço médio para o Açúcar VHP – Comparativo entre safras. 133 133
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    1.400 Etanol Anidro - R$/m³ 1.200 1.000 800 600 400 200 - 2007/08 2010/11 2007/08 2008/09 2009/10 2010/11 2008/09 2009/10 2010/11 2007/08 2008/09 2009/10 Expansão Tradicional Nordeste Custo Total Preço Médio Figura 68. Custo Total e Preço médio para Etanol Anidro – Comparativo entre safras. 1.400 Etanol Hidrtado - R$/m³ 1.200 1.000 800 600 400 200 - 2010/11 2008/09 2007/08 2008/09 2009/10 2007/08 2008/09 2009/10 2010/11 2007/08 2009/10 2010/11 Expansão Tradicional Nordeste Custo Total Preço Médio Figura 69. Custo Total e Preço médio para o Etanol Hidratado – Comparativo entre safras. 134 134
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    Tabela 89. Evoluçãodos custos de produção do açúcar branco, em R$/t. Custo da safra Variação Variação Região 2007/08 2008/09 2009/10 2010/11 anual acumulada Expansão 484,51 556,99 635,79 639,47 9,90% 26,69% Tradicional 475,99 535,47 686,30 674,02 12,96% 38,87% Nordeste 610,61 647,56 714,42 828,59 10,79% 32,36% Tabela 90. Evolução dos custos de produção do açúcar VHP, em R$/t. Custo da safra Variação Variação Região 2007/08 2008/09 2009/10 2010/11 anual acumulada Expansão 458,17 539,27 595,96 603,64 9,83% 29,50% Tradicional 453,55 515,21 598,81 627,14 11,52% 34,55% Nordeste 569,66 617,49 662,04 768,53 10,57% 31,70% Tabela 91. Evolução dos custos de produção do etanol anidro, em R$/m³. Custo da safra Variação Variação Região 2007/08 2008/09 2009/10 2010/11 anual acumulada Expansão 774,56 927,93 972,15 958,61 7,72% 23,17% Tradicional 763,66 886,50 996,20 984,74 9,10% 27,31% Nordeste 992,09 1.081,32 1.108,31 1.186,25 6,17% 18,52% Tabela 92. Evolução dos custos de produção do etanol hidratado, em R$/m³. Custo da safra Variação Variação Região 2007/08 2008/09 2009/10 2010/11 anual acumulada Expansão 714,35 845,56 901,83 881,74 7,60% 22,79% Tradicional 701,71 803,44 906,36 910,07 9,24% 27,72% Nordeste 917,65 982,09 1.015,51 1.108,53 6,53% 19,59% 135
  • 135.
    5. CONCLUSÕES O 5º levantamento de custos de produção de cana-de-açúcar, açúcar e etanol do PECEGE-CNA evidenciou expressivo crescimento do número de participantes e das representatividades da amostragem no que diz respeito aos totais de moagem de cana e produção de açúcar e etanol do Brasil. Além do mais, a pesquisa referente à safra 2010/11 trouxe algumas abordagens inéditas, tais como a configuração agrícola das unidades industriais e a evolução de preços médios de insumos agrícolas, assim como a evolução de consumos específicos e preços médios dos insumos industriais. Em suma, no presente levantamento foram observados custos de produção agroindustrial superiores aos observados na última safra, para todas as regiões analisadas, tanto para fornecedores quanto para usinas. De forma desagregada, o custo da cana apresentou aumentos significativos, enquanto que o custo industrial registrou pequenas reduções nas regiões do Centro-Sul e leve elevação no Nordeste. No que tange aos principais produtos do setor sucroenergético, os preços visualizados para o açúcar branco e o VHP, bem como para o etanol anidro e o etanol hidratado, foram maiores do que os custos totais de produção, gerando margens de rentabilidade positivas para as três grandes regiões da pesquisa. Dentre esses produtos, destacam-se as altas margens obtidas com o açúcar branco, que atingiram patamares em torno de 40% no Centro-Sul e de aproximadamente 30% no Nordeste. A propósito, as elevações para tal produto originaram-se dos altos preços verificados no mercado internacional. Além do mais, de forma contrária aos valores observados na safra 2009/10, o etanol hidratado e o anidro tiveram margens positivas para o Centro-Sul Tradicional e o Centro-Sul Expansão, ao passo que na região Nordeste houve considerável diminuição na rentabilidade correspondente ao etanol anidro. Cabe ressaltar que aspectos como custos de transporte de produtos acabados, comissões de comercialização, despesas finais com taxas e impostos não são considerados nos custos divulgados pela pesquisa. 136
  • 136.
    Em comparação comas safras anteriores, outros pontos conclusivos são dignos de menção: • Fornecedores ○ Os preços recebidos pela cana na região Tradicional foram suficientes para cobrir todos os custos operacionais de produção, inclusive as depreciações, porém não conseguiram superar os custos totais, que abrangem os custos de oportunidade. Nas regiões Centro-Sul Expansão e Nordeste, por outro lado, os preços de venda foram suficientes para cobrir o CT, gerando sobra líquida de capital; ○ A rentabilidade negativa para a região Tradicional, na comparação do preço da cana com o custo total de produção, explica-se pelos maiores níveis de preços de arrendamentos e pela maior ociosidade do capital investido; ○ A despeito do comportamento relativamente semelhante de custos e preços de ambas as regiões do Centro-Sul, fatores como maiores níveis de produtividade, reduções nos preços pagos pelos insumos agrícolas e a forte elevação do percentual de colheita mecanizada fizeram com que houvesse uma maior queda dos custos totais de produção da safra em análise para a região de Expansão, comparativamente à Tradicional. Já para o Nordeste, o declínio do custo total foi causado especialmente pela ascensão da produtividade média dos canaviais; ○ Houve tendência altista dos valores de arrendamentos para as três regiões, com destaque para o Centro-Sul Tradicional; ○ A região Nordeste apresentou os maiores valores de preço de ATR (R$/kg ATR), tendo em vista o forte caráter açucareiro das usinas de tal região, a existência de quotas de exporta- ção para o açúcar VHP e condições de mercado locais que elevam os preços do açúcar e do etanol; ○ Para as últimas quatro safras, as maiores taxas de crescimento dos preços dos insumos agrícolas ocorreram para as regiões de Expansão e o Nordeste; ○ Na análise dos custos reais encarados pelos fornecedores de cana, observa-se que a tendên- cia de alta persistente até a safra 2009/10 foi quebrada na safra 2010/11. Quando da com- paração com os preços reais recebidos, constata-se que todos os custos desembolsáveis, as 137
  • 137.
    depreciações e aremuneração do produtor das três regiões foram cobertos na última safra. Contudo, somente na região de Expansão os preços conseguiram remunerar parte dos custos de oportunidade. • Usinas ○ Para o Centro-Sul Tradicional, nota-se aumento de 40% no índice de mecanização da colheita entre as safras 2007/08 e 2010/11. Ademais, apesar desta prática ser pouco comum no Nordeste, alguns locais dos estados da Paraíba, de Pernambuco e de Ala- goas apresentam áreas relativamente planas, onde os índices de colheita mecanizada chegaram a até 33% na última safra; ○ O nível de concentração de ATR por tonelada de cana própria no Centro-Sul aumentou consideravelmente em relação à safra 2009/10, quando os canaviais foram seriamente prejudicados pelos elevados índices pluviométricos; ○ Em termos de eficiência de aproveitamento de tempo (em %), verificaram-se grandes aumentos nos coeficientes de horas de moagem do Centro-Sul; ○ Houve aumentos dos custos totais de produção de cana-de-açúcar em todas as regiões pesquisadas, além da expansão das diferenças de custos inter-regionais; ○ Dentre os itens de maior impacto sobre os custos agrícolas das usinas, destaca-se a elevação dos gas tos com mão-de-obra, principalmente acerca do aumento relativo sofrido pela região Tradicional; ○ A respeito dos custos de oportunidade para a produção de cana-de-açúcar, a remune- ração da terra consiste no mais importante elemento de diferenciação entre as regiões produtoras. A propósito, os menores níveis foram referentes ao Centro-Sul Expansão; ○ Dentre os principais aumentos de preços dos insumos industriais, foram notórios os custos incorridos pelas usinas nordestinas na aquisição de insumos químicos, combus- tíveis e embalagens; ○ No que se refere à evolução dos custos de produção das unidades industriais, para o período delimitado pelas safras 2007/08 e 2010/11, a região Centro-Sul Tradicional 138
  • 138.
    registrou os maioresaumentos, principalmente para a produção de açúcar branco e açúcar VHP. Além dos pontos elencados acima, torna-se importante salientar que, em comparação com os custos estimados pelo relatório de acompanhamento da safra 2010/11 do Centro-Sul, as diferenças entre estes valores e os divulgados pelo presente relatório de fechamento foram bastante pequenas, sendo inclusive nula para a região Tradicional, o que mostra a ótima aderência entre os levantamentos realizados. De modo sintético, a partir das tendências de custos e preços observadas ao longo dos últimos anos, espera-se que após o fechamento da safra 2011/12 os patamares de rentabilidade dos fornecedores de cana aproximem-se do equilíbrio econômico de longo prazo, caracterizado pelo lucro nulo, ao serem considerados todos os custos de oportunidade do capital. Em relação às unidades industriais, constata-se que as usinas das três regiões produtoras tiveram na safra 2010/11 margens sobre o Custo Total positivas, considerando todos os principais produtos agroindustriais (açúcar branco, açúcar VHP, etanol anidro e etanol hidratado). Para os ganhos relativos, vale ressaltar as magnitudes referentes à produção de açúcar branco, especialmente pelo Centro-Sul, e também a margem de rentabilidade do etanol hidratado aferida para a região Tradicional. Em termos evolutivos, verifica-se que na região Centro-Sul os preços médios dos principais produtos agroindustriais conseguiram cobrir os custos totais de produção apenas na safra 2010/11, gerando rentabilidades positivas às usinas. Para a região Nordeste, entretanto, os preços da safra 2009/10 também conseguiram remunerar o CT de produção. Após cenários de baixa rentabilidade, as usinas e fornecedores do setor sucroenergético brasileiro finalmente experimentaram níveis de preços suficientemente atrativos, que em geral superaram todos os custos totais de produção, os quais tiveram aumentos em comparação com os valores incorridos na safra anterior. 139
  • 139.
    6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS CEPEA.Indicadores de preço de açúcar e etanol. Disponível em: www.cepea.esalq.usp.br>. Acesso em 5 de agosto de 2011. CONSELHO DOS PRODUTORES DE CANA-DE-AÇÚCAR, AÇÚCAR E ÁLCOOL DOESTADO DE SÃO PAULO - CONSECANA-SP. Manual de instruções. Disponível em: http://www.unica.com.br/download.asp?mmdCode=A8D2ABCA-8247-45D1-8720-C14CD485F380>. Acesso em 13 de julho de 2011. EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA – EMBRAPA. Disponível em: www.embrapa.br SINDICATO DA INDÚSTRIA DO AÇÚCAR E DO ÁLCOOL NO ESTADO DE PERNAMBUCO – SINDAÇÚCAR-PE. Disponível em: www.sindacucar.com.br MARQUES, P. V. (Coord.) Custo de Produção Agrícola e Industrial de Açúcar e Álcool no Brasil na Safra 2007/2008. Piracicaba: Universidade de São Paulo, Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, Programa de Educação Continuada em Economia e Gestão de Empresas/Departamento de Economia, Administração e Sociologia. 2009. 194 p. Relatório Apresentando a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil – CNA. PECEGE. Custos de produção de cana-de-açúcar, açúcar e etanol no Brasil: safra 2009/10. Piracicaba: Universidade de São Paulo, Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, Programa de Educação Continuada em Economia e Gestão de Empresas/Departamento de Economia,Administração e Sociologia. 2010. 100 p. Relatório Apresentando a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil – CNA. UNIÃO DA INDÚSTRIA DE CANA-DE-AÇÚCAR – UNICA. Disponível em: http://www.unica.com.br XAVIER, C.E.O.; ZILIO, L.B.; SONODA, D.Y.; MARQUES, P.V. Custos de produção de cana-de- açúcar, açúcar e etanol no Brasil: safra 2008/09. Piracicaba: Universidade de São Paulo, Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, Programa de Educação Continuada em Economia e Gestão de Empresas/Departamento de Economia, Administração e Sociologia. 2009. 79 p.Relatório Apresentando à Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil – CNA. 140