Diogo 
Pacheco: 
polêmico e 
talentoso 
Pág. 3 
Angelino 
Bozzini 
testou a 
nova trompa 
dupla Weril 
Pág. 5 
r e v i s t a 
JULHO/AGOSTO.2002.ANO 24.Nº142.WWW.WERIL.COM.BR 
Dicas do trombonista Bocato para 
curtir música em São Paulo 
Pág. 10
“Gostaria de parabenizar a equipe de edição e redação da Revista Weril pelo 
excelente trabalho feito durante estes anos e, é claro, pelas ótimas modifica-ções 
na publicação, que a deixaram com cara de século XXI. Parabéns também 
pela nova linha de trompetes. Muito me orgulha saber que temos instrumen-tos 
de tão alta qualidade produzidos no Brasil.” 
REVISTA WERIL é uma publicação bimes-tral 
da Weril Instrumentos Musicais Ltda. 
Conselho Editorial: Angelino Bozzini, 
Dalmário Oliveira, Domingos Sacco, Gilberto 
Siqueira, Mônica Giardini, Radegundis 
Feitosa, Renato Farias, Sílvio Depieri 
Editora: Aurea Andrade Figueira (MTb 
12.333) - Redatores: Mônica Ranieri, 
Nelson Lourenço e Rafael Argemon - 
Fotos de capa: Beatriz Weingrill - Redação 
e correspondência: Em Foco Assessoria 
de Comunicação - Rua Dr. Renato Paes de 
Barros, 926, São Paulo/SP 04530-001 
e-mail: revista@weril.com.br 
Projeto gráfico, diagramação e edito-ração 
eletrônica: Yvonne Sarué Design 
Tiragem: 35.100 exemplares 
As matérias desta edição podem ser utili-zadas 
em outras mídias ou veículos, des-de 
que citada a fonte. 
Matérias assinadas não expressam obri-gatoriamente 
a opinião da Weril Instru-mentos 
Musicais 
Distribuição gratuita 
Atendimento ao Consumidor 
Weril 0800 175900 
S U A S N O T A S 
10 
5 
Í N D I C E 
190 
2 08/2002 
E D I T O R I A L 
10 
4 
11 
Perfil - Maestro Diogo Pacheco 
Efeito Sonoro – Conheça a trompa dupla 
Papo com o Mestre – Angelino, do Theatro Municipal de SP 
Por Estas Bandas – o ritmo contagiante do Berimbrown 
Intercâmbio 
Fique de Olho – lançamentos em CDs, livros e DVDs 
Música Viva – dicas de Bocato para curtir música em Sampa 
Dicas Técnicas 
Todos os tons– os profissionais dos “mil” empregos 
Entrevista – o norte-americano Steven Trinkle 
6 
15 
Deivson Ferreira dos Santos (por e-mail) 
“Parabéns pela inovação gráfica da revista. Ficou simplesmente ‘brilhante’. 
As dicas técnicas estão muito melhores anexadas à revista. Valeu Weril!” 
Diego Coelho Adam (RS) 
“Continuem nos mantendo sempre atualizados a respeito dos eventos que 
acontecem no Brasil e no mundo. Gostaria que, nas próximas edições, publi-cassem 
uma matéria sobre festivais de músicas no Brasil” 
Douglas Vieira (SP) 
“Comecei a estudar clarinete e gostaria de pedir uma matéria na próxima 
edição sobre o clarinete baixo e o sax barítono, mostrando grandes músicos 
destes instrumentos”. 
José Aderaldo (PB) 
R.: Obrigado pelo seu contato, José. Sua sugestão foi anotada para publica-ção 
em uma próxima oportunidade. 
Agradecemos todas as correspondências recebidas. Se você também quer 
entrar em contato conosco, confira no expediente nosso endereço e e-mail. 
Correção 
O instrumento tocado por Quinzinho Oliveira é o trom-pete, 
e não o trombone, conforme publicado no ro-dapé 
da Dica Técnica 58, edição 141 da Revista Weril 
Os contatos também podem ser feitos através dos 
telefones (11) 4990-7401 e (11) 9620-8246. 
16 
3 
8
P E R F I L 
Batuta 
polêmica 
Com talento proporcional à sua língua afiada, o 
maestro Diogo Pacheco não tem pudor em dizer 
que, no Brasil, o que falta para a música erudita 
“dar as caras” é pura vontade política do poder 
Beatriz Weingrill 
iogo Pacheco, hoje com 73 anos, poderia ser classi-ficado 
como uma pessoa polêmica. Diz que a músi-ca 
está em seu sangue: “Logo que saí da barriga de 
minha mãe, cantei uma ária de ópera”, brinca o 
maestro paulistano. Afirma ainda que ninguém tem 
coragem de fazer música erudita de vanguarda 
atualmente, pois as pessoas não se atrevem a se-rem 
execradas pelo público. 
Nascido em uma família cheia de músicos – 
seu irmão era tenor e sua irmã pianista, Pacheco 
conta que a primeira coisa que comprou na vida 
foi uma vitrola com rádio, na época, um móvel 
enorme. E foi graças aos programas que ali ouvia, 
que sua paixão pela música, erudita e popular, co-meçou 
a crescer. 
Talvez por isso, o maestro sempre tenha gosta-do 
de misturar esses dois mundos, participando de 
movimentos vanguardistas e realizando concertos 
com artistas contemporâneos da música popular, 
como a turma da Jovem Guarda. “Em 65, fui ex-pulso 
do Theatro Municipal, tive que sair pela ja-nela! 
Só porque fiz música de vanguarda. Fui o 
primeiro a fazer John Cage no Brasil (compositor 
vanguardista norte-americano que produziu alguns 
dos trabalhos mais radicais de experimentação den-tro 
da música, como a composição 4’33’’, toda fei-ta 
por pausas). Me desculpe a modéstia, mas não 
existe ninguém hoje para fazer esse tipo de coisa, 
como eu fazia”, afirma, enfatizando a constante 
necessidade da junção do antigo com o novo, do 
popular com o erudito e assim por diante. “Seria 
muito bom se os jovens músicos retomassem essa 
interação entre gerações e estilos musicais. Isso só 
enriqueceria nossa música e a eles mesmos”, acon-selha. 
Sobre o espaço que a música erudita tinha 
(e não tem mais) em redes grandes de TV, ele é 
enfático: “Não é espaço que falta à música erudita 
na TV, é patrocínio, vontade política. Quando o Boni, 
ex-diretor da Rede Globo, estava na emissora, sem-pre 
havia programas com música erudita. E para 
dar uma idéia da populari-dade 
que a TV dá a qual-quer 
coisa, na época em 
que eu apresentava o ‘Con-certos 
Internacionais’, não 
pagava conta de restaurante nenhum! Nem táxi! 
Uma vez um mendigo me parou na rua, no Rio de 
Janeiro, e me falou: ‘Bonita aquela música que o 
senhor faz de madrugada.’ Um mendigo! Isso pro-va 
que não precisa entender de música para gostar 
dela. Ora, não precisa entender de costura para se 
vestir, não?”, questiona. 
Quanto à sua intensa participação nos Festivais 
de Inverno de Campos de Jordão, Pacheco, que 
esteve presente já na primeira edição, em 1969, 
acha-o importantíssimo, mas afirma que a grande 
sacada do festival, idealizado pelo maestro Elea-zar 
de Carvalho, é a oportunidade dada a músicos 
bolsistas: estudar com grandes nomes durante o 
dia e de noite assistir artistas consagrados do cená-rio 
erudito nacional e internacional. Esse aprendi-zado 
é essencial para o jovem músico, que segun-do 
Pacheco, mesmo tendo talento, necessita de 
muito estudo bem direcionado e experiência. 
Um apaixonado 
pela música 
D 
“Em 65, fui expulso do 
Theatro Municipal, tive que 
sair pela janela! Só porque 
fiz música de vanguarda” 
r e v i s t a 3
E F E I T O S O N O R O 
Sonoridade “Made in 
4 08/2002 
Brazil” 
m ano de muitos lançamentos, a Weril coloca 
no mercado mais uma novidade: a trompa du-pla 
com mecânica 100% brasileira, fabricada a 
partir do que existe de mais moderno em tecno-logia 
para produção de instrumentos de sopro. 
A trompa, em Sib e Fá, apresenta quatro 
válvulas rotativas duplas, desenvolvidas no se-tor 
de projetos e confeccionadas no Centro de 
Torneamento Weril através do sistema compu-tadorizado 
CNC. O resultado foi um instrumen-to 
preciso, bem afinado, com perfeição sonora 
na execução dos mais diversos arranjos. Na 
medida exata para realização de performances 
inesquecíveis! 
O projeto, que custou aos engenheiros cer-ca 
de seis meses de pesquisa, incluiu no instru-mento 
a campana rosqueável, que permite ao 
músico “desmontar” a trompa, tornando seu 
transporte ainda mais fácil. 
E 
Gatilho e travessim 
do Flugelhorn Regium 
Foto: Marcelo Breyne 
Campana rosqueável 
Máquina dupla totalmente 
produzida na Weril
Trompa dupla: 
agora com o 
T 
H O M E N A G E M 
nosso gingado 
Maestro Eleazar de Carvalho 
r e v i s t a 
radicionalmente utilizada em orquestras, 
a trompa dupla funciona com se fossem 
dois instrumentos em um só: uma trompa 
em Sib e outra em Fá, tocando toda a ex-tensão 
com mais facilidade e naturalida-de. 
Além de permitir a mudança de uma 
para outra, conforme a exigência da peça 
que está sendo executada. Mas engana-se 
quem pensa que esse modelo só atende 
bem à música erudita. A trompa dupla tam-bém 
já está presente em um bom número 
de bandas. A preferência é compreensível: 
os arranjos para banda estão mais comple-xos 
atualmente, incorporando arranjos sin-fônicos 
e uma linguagem mais sofisticada. 
“Dentre todos os instrumentos de me-tal, 
a trompa é o que apresenta mecâni-ca 
mais sofisticada. Por isso, considero um 
grande avanço para nós, brasileiros, que 
a Weril esteja desenvolvendo o instrumen-to 
inteiramente no país e com resultados 
sonoros tão positivos”, afirma Angelino 
Bozzini, professor e trompista da Orques-tra 
Sinfônica Municipal de São Paulo, que 
experimentou a nova trompa dupla 
durante seus estudos e ensaios. Se-gundo 
ele, o segredo da boa sonori-dade 
está justamente no funciona-mento 
perfeito das válvulas rotativas, 
que devem estar bem vedadas e 
apresentarem movimento ágil. “Esse 
ajuste é obtido na fabricação da vál-vula, 
e exige muito cuidado ao ser 
construído”, revela o músico, que diz 
ter ficado satisfeito também com a 
afinação do instrumento. Para quem 
quer se aprimorar na trompa, dupla 
ou não, Angelino recomenda traba-lhar 
para cultivar o timbre específico 
do instrumento. “Isso é obtido ouvin-do- 
se bons concertos, como os Con-certos 
para Trompa de Mozart, Trio 
de Brahms, Concertos de Richard 
Strauss e Sonata de Beethoven. Um 
bom exemplo de músico da atualida-de 
que também vale a pena conferir 
é o professor iugoslavo Radovan 
Vlaktovic”, sugere. 
5 
P A P O C O M 0 M E S T R E 
Ele conquistou o respeito das platéias de todo 
o mundo, tanto por sua concepção musical na-tural 
e sincera, quanto por seus profundos co-nhecimentos 
da Sinfonia Fantástica, de Berlioz, 
e das sinfonias de Mahler e de Beethoven. Esse 
cearense talentoso, de nome Eleazar de Carva-lho, 
iniciou na carreira aos 11 anos de idade e, 
aos 30, já havia composto uma ópera, intitulada 
“A Descoberta do Brasil”, e sido convidado para 
o cargo de regente assistente da Orquestra Sin-fônica 
Brasileira. 
O maestro completaria 90 anos em 28 de ju-nho 
de 2002, grande parte dos quais dedicados à 
“Cultivar o timbre 
específico da trompa 
é fundamental” 
divulgação da música brasileira, regendo e ensinan-do 
sua arte em diversas orquestras e escolas de mú-sica 
de todo o mundo. Foi sob sua batuta que a 
OSESP teve seu primeiro período de prestígio a par-tir 
de 1973, quando, como diretor artístico, iniciou 
um trabalho para reerguer a orquestra: promoveu 
uma grande modernização, abrindo concursos no 
Brasil e convidando diversos músicos estrangeiros 
para completarem as vagas não ocupadas. A OSESP 
passou a se apresentar regularmente, com progra-mas 
muitas vezes inéditos, em São Paulo e no Bra-sil. 
Ali permaneceu como regente até sua morte, 
em 1996, aos 84 anos. 
Beatriz Weingrill
P 0 R E S T A S B A N D A S 
Suingue 
Um dia, assistindo a um programa 
sobre funk na TV Cultura, o trom 
bonista Bocato ouviu um som que 
o deixou fascinado. “Depois da 
morte do Chico Science, havia um 
vazio na nossa música”, diz o instru-mentista, 
garantindo que, naquele 
momento, viu uma chama de espe-rança 
se acender. Eram os meninos 
do Berimbrown tocando. Meses de-pois, 
assistiu um show do grupo ao 
vivo, em São Paulo. Foi o início de 
uma forte amizade. 
O Berimbrown nasceu no começo 
dos anos 90, com o nome de Bloco 
Afro do Povo de Minas. A proposta 
era resgatar a cultura africana exis-tente 
Beatriz Weingrill 
em Minas Gerais, e que é qua-se 
desconhecida do resto do Brasil. O 
caminho encontrado pelo idealizador 
do projeto, o mestre de capoeira Ne-gro 
Ativo, foi uma espécie de ação 
social voltada para crianças e adoles-centes 
da periferia de Belo Horizon-te, 
em que se ensinava a tocar tam-bor, 
bem ao estilo do grupo Ilê Ayê, 
da Bahia. Aos poucos, o que era ape-nas 
um grupo de percussão começou 
a tomar outra dimensão. Além de con-tar 
com a participação de 80 jovens, 
a vizinhança foi se aproximando e 
agregando novos instrumentos, for-mando 
um novo núcleo, mais bem 
estruturado, dentro daquele grupo 
6 08/2002 
afro-mineiro 
maior. Já no final da década, o grupo 
venceu o Festival de Novas Bandas 
de Minas Gerais e, além de um vide-oclipe 
como prêmio, ganhou também 
a simpatia do público e da mídia. 
“O som que eles fazem é uma mis-tura 
muito forte de funk com a música 
congada, as folias de reis de Minas 
Gerais, o folclore mineiro e a world mu-sic. 
É tudo muito original. Daqui a cin-co 
anos, o trabalho já vai estar consoli-dado 
e o Brasil inteiro estará conhecen-do 
esses talentos”, prevê Bocato. 
O grupo, que é formado por doze 
integrantes, inclui, além dos tambo-res, 
bateria, percussão – com alguns 
instrumentos próprios da capoeira –, 
instrumentos como o baixo, guitarra e 
um naipe de sopros, composto por 
trombone (Marcelo Oliveira), trompe-te 
(Adriano George) e sax (Marcelo Ro-cha). 
O Berimbrown tem um CD pron-to, 
e acabou de gravar uma música 
de Jorge Benjor para integrar a trilha 
sonora da Casa dos Artistas, progra-ma 
exibido pelo SBT. “O naipe de so-pros 
deixou de ser apenas um detalhe 
e cresceu dentro da banda. Descobri-mos 
que podemos apoiar a harmonia 
de forma mais efetiva, auxiliar nas fra-ses, 
nos ritmos, etc. Além disso, so-mos 
todos autodidatas, e agimos mui-to 
pelo sentimento, o que facilita na 
junção entre os metais e percussão”, 
conclui o trompetista Adriano. 
do rádio 
Manter viva a tradição das bandas 
de música – civis ou militares, não 
é uma tarefa das mais simples, mas 
o programa “Vamos Ouvir a Ban-da”, 
transmitido pela Rádio Ban-deirantes 
do Rio de Janeiro, e co-mandado 
pelo jornalista e radialis-ta 
Zair Cansado, tem exercido um 
papel determinante nesse sentido. 
O programa vai ao ar todas as sex-tas- 
feiras, das 22 às 23 horas, na fre-qüência 
1360 kHZ, AM. Confira. 
Nas bandas 
CONTATOS: 
Berimbrown: (31) 9672-3945 – 
com Adriano e (31) 3432-2534 – 
com Mestre Nego Ativo 
Quinteto de Metais Goiânia Brass: 
(62) 943-7957 – com Alessandro 
Naipe de 
sopros do 
Berimbrown: 
amizade 
com Bocato
Divulgação 
Interação 
com a platéia 
Goiânia Brass não deixa escapar um de-talhe. 
Além dos recitais tradicionais, pro-curam 
tocar também em escolas, em 
concertos didáticos, onde apresentam 
os instrumentos e contam histórias so-bre 
as peças. “Nossa proposta é inte-ragir 
com a platéia, e conseguimos isso 
através da variedade de repertório e até 
do acompanhamento do público, em 
certas músicas populares”, acredita. 
Produzir música de câmara de qua-lidade, 
na cidade de Goiânia (GO). 
Esse foi o ponto de partida para 
que cinco músicos, integrantes da 
Orquestra Sinfônica de Goiânia e da 
Banda Sinfônica do CEFET - Centro 
Federal de Ensino Tecnológico, apos-tassem 
na formação do Quinteto de 
Metais Goiânia Brass. Criado em 
2001, o grupo apresenta um vasto 
repertório, que mistura música popu-lar, 
especialmente a brasileira, e eru-dita. 
Nesse caso, são valorizadas 
composições feitas para essa forma-ção, 
com arranjos a partir de peças 
para orquestras, conjunto de cordas, 
de sopros e até mesmo para órgão. 
“Não temos material próprio. Pesqui-samos 
e compramos pela internet, 
procuramos em editoras e encomen-damos 
peças para compositores”, 
conta o trompetista Alessandro da 
Costa, que compõe o grupo ao lado 
de Jonas Figueiredo (trompete), Fer-nando 
Ferreira (trombone), Cristiano 
Aparecido da Costa (trompa), Eliel-son 
Paulo Dantas (tuba) e Wallace da 
Silva Patriarca (participação especial 
na percussão). 
A intenção do Quinteto é gravar um 
CD em 2003. Para isso, estão se 
preparando desde já. “Além de 
fazer uma intensa pesquisa do 
mercado musical, também de-dicamos 
bastante esforço 
às apresentações, pois 
a receptividade do 
público é funda-mental 
para o mú-sico”, 
explica Ales-sandro. 
No quesito 
apresentações, aliás, o 
r e v i s t a 7 
Repertório do Goiânia Brass 
mistura música popular e erudita 
Resgate da tradição 
Criado em 1997 pela Secretaria de 
Estado e Cultura do Estado de São 
Paulo, o Projeto Pró Bandas vem se 
destacando como um ambicioso pro-jeto 
de apoio e resgate das bandas, 
ministrando cursos no interior paulis-ta, 
com a inclusão, este ano, das ban-das 
marciais e fanfarras. 
Os cursos (flauta, clarinete, saxofo-ne, 
trompete, fanfarra e banda-metais, 
trombone, tuba, informática ligada à 
música, saxofone, improvisação e arran-jos) 
percorrerão 25 cidades do interior 
paulista até setembro, e são ministra-dos 
por três equipes diferentes, com 
profissionais gabaritados, como o maes-tro 
Domingos Sacco e o trombonista 
Marcelo de Jesus da Silva, o Bam Bam. 
Outro destaque do projeto é a dis-tribuição 
de material didático para os 
Divulgação 
alunos, auxiliando ainda mais no res-gate 
da cultura, especialmente nos 
municípios em que as bandas e fan-farras 
ainda são o único núcleo de ati-vidade 
musical. 
O curso tem alcançado enorme su-cesso 
e receptividade, e as inscrições 
podem ser feitas pelo telefone (15) 251- 
4573, no Conservatório Dramático Dr. 
Carlos de Campos, em Tatuí. 
Onde estarão acontecendo os 
próximos cursos do Pró Bandas: 
17 e 18/08 - Queluz, Jaú e São José 
do Rio Preto 
24 e 25/08 - São João da Barra, Tupi 
Paulista e Altinópolis 
14 e 15/09 - Cafelândia, São Bernardo 
do Campo e São Luiz do Paraitinga 
28 e 29/09 - Tatuí 
Três equipes se dividem para 
ministrar cursos em várias cidades
I N T E R C Â M B I O 
8 08/2002 
e escolas) – eangelodasilva@aol.com 
Nelilson (com músicos de todo o Bra-sil) 
– R. GB 36 Q70 L22 casa A, Jardim 
Guanabara 3, Goiânia (GO) – CEP: 
74683-350 
Denis Lima (com músicos de fanfar-ras, 
filarmônicas e orquestras) – R. Alto 
da Cruz, 29, Camaçari (BA) – CEP: 
42800-000 
Luciano de Lima Leite (com músi-cos 
cristãos) – R. Francisco Rodrigues 
Alves, 60, CECAP, Lorena (SP) – CEP: 
22600-000 
Luiz Cezar G. Serafín (com músi-cos 
de todo o Brasil) – R. Mme. Pom-mery, 
825, Suzano (SP) – CEP: 
08615-090 
Joel Dionísio de Carvalho (com trom-pistas) 
– R. 3, 60, Chácara São José, 
Jd. Aeroporto, Campinas (SP) – CEP: 
13054-052 
QUEREM RECEBER DOAÇÕES 
DE TÉCNICAS / MATERIAIS 
João Muleano da Silva (para sax) – 
R. Santa Rita de Cássia, 396, Santa 
Rosa, Caruaru (PE) – CEP: 55000-000 
Bárbara da Costa Araújo (para sax 
ou clarineta) – R. Valentim Cezar 
Tafner, 116, Vila Nova, Socorro (SP) 
– CEP: 13960-000 
Romerito Santos de Souza (para 
iniciantes de trompete e trombone de 
pisto) – R. Loíde Alcântara, 78, (BA) – 
CEP: 45850-000 
Edson Rocha (para trombone de pis-to) 
– R. Kaloré, 54, Pirituba, São Pau-lo 
(SP) – CEP: 02976-240 
Ezequias de S. Cândida (para trom-pa) 
– R. V, 69, Vila Margarida, Itaguaí 
(RJ) – CEP: 23820-000 
Arnaldo Roque da Silva (para prin-cipiantes 
em sax) – R. Heitor Azeve-do 
Hummell, 543, Parque Manches-ter, 
Sorocaba (SP) – CEP: 18056-340 
Wagner Feliciano da Silva (para sax 
alto) – R. Renascensia, 1031, Praze-res, 
Jaboatão dos Guararapes (PE) – 
CEP: 54330-510 
Renan Azambuja (CDs de bandas 
instrumentais e militares) – R. Lapla-ce, 
61, Oficinas, Ponta Grossa (PR) – 
CEP: 84045-450 
QUEREM TROCAR PARTITURAS 
Anderson Cleber Cardoso (sax tenor) 
– R. Flor de Lótus, 167, Jd. Maria Cân-dida, 
São Paulo (SP) – CEP: 02318-400 
Aurélio Nunes Bezerra (dobrados, 
samba e chorinho para trombone) – 
R. Antônio Gomes de Sá, 01, Centro, 
Mirandiba (PE) – CEP: 56980-000 
Odair Carlos (arranjos para bandas 
marciais e musicais) – Caixa Postal 
4404, Presidente Prudente (SP) – CEP: 
19020-990 
Evandro de Souza (para trombone 
em Dó e flauta doce) – R. Veiga Filho, 
547, Higienópolis, São Paulo (SP) – 
CEP: 01229-001 
Renan Azambuja (solos de sax alto) 
– R. Laplace, 61, Oficinas, Ponta Gros-sa 
(PR) – CEP: 84045-450 
QUEREM TROCAR 
CORRESPONDÊNCIAS 
Edmilson Ângelo da Silva 
(com entidades, federações musicais 
NAVEGUE 
www.jornalmovimento.com 
Neste site, dedicado à MPB, além de in-formações 
sobre a música nacional, o 
internauta encontra lançamentos em CD, 
cadastro de músicos, arquivos musicais 
e notícias atualizadas. 
http://certasmusicas.digi.com.br 
O site apresenta compositores e intérpre-tes 
de jazz, blues, MPB e música erudita. 
Fornece dados biográficos de Bach, Mo-zart, 
Billie Holiday, Janis Joplin, Elis Regi-na 
e Tom Jobim, entre outros artistas, 
além de entrevistas e notas exclusivas. 
EU RECOMENDO 
Arcádio Minczuk - Oboísta da Or-questra 
Sinfônica do Estado de São 
Paulo 
“Sinfonias de Camargo Guarnieri” 
- Sinfonias 2 e 3 
Orquestra Sinfônica de São Paulo, 
regência de Jonh Neshling 
Selo: BIS 
Informações: (11) 3744-9720 
“Recomendo este CD porque é um dos 
poucos registros existentes de compo-sitores 
brasileiros. Além disso, possui 
um altíssimo nível técnico de gravação” 
Edu Moreno, saxofonista 
“Do pedra espia” - Itiberê Orques-tra 
Família 
Gravadora: Jam Music 
Informações: (11) 3272-8585 – 
Distribuidora Caravelas 
“É um trabalho muito interessante, 
composto por jovens músicos que, li-derados 
por Itiberê, executam cerca 
de 22 instrumentos. É uma das me-lhores 
obras da atual música instru-mental 
brasileira”
F I Q U E D E O L H O 
CD 
Chorinhos Didáticos 
para Flauta, 
Altamiro Carrilho 
Gravadora: 
Movie Play 
Informações: (11) 
3115-6833 
O grande flautista 
Altamiro Carrilho apresenta neste traba-lho 
12 chorinhos de sua autoria, acompa-nhados 
de partituras para flauta ou qual-quer 
instrumento em clave de Sol. Inclui 
playbacks de todas as faixas. Um CD que 
vai agradar professores e alunos. 
Vênus, Mauro Senise 
Gravadora Independente 
Informações sobre 
onde encontrar o CD: 
(21) 2294-8113 ou por 
e-mail: 
analu@oglobo.com.br 
Sexto CD solo do saxofonista e flautista 
Mauro Senise, “Vênus” é composto só com 
músicas brasileiras com nome de mulher. 
A gravação conta com a participação de 
alguns dos mais competentes músicos e 
arranjadores do cenário brasileiro. 
Body and Soul, Billie Holiday 
Gravadora: Universal Music 
Informações sobre onde o CD pode ser encon-trado: 
(11) 3889-5800 
Conhecida como “Lady Day”, este relançamento 
reúne pérolas do repertório da artista, como “Darn 
That Dream” e “They Can´t Take That Away From 
Me”, além de presentear os fãs do jazz com três 
takes da canção “Comes Love”. 
DVD 
“Jazz”, de Ken Burns 
GNT/Som Livre 
Preço médio: R$ 165,00 
Informações: (21) 2503-7738 
O canal GNT e a Som Livre lançam no mercado um 
box set com 4 DVDs, que trazem a íntegra dos 12 
programas da série “Jazz”, de Ken Burns, exibida há 
um ano pelo canal, com recorde de audiência. Consi-derada 
a obra definitiva sobre este gênero musical, a 
série vai além do simples estudo de um ritmo musical, 
retratando o gênero como uma testemunha da histó-ria 
dos Estados Unidos no século 20. Traz 498 músicas 
e mais de 2,4 mil fotografias, além de depoimentos de 
músicos como Wynton Marsalis e Harry Connick 
LIVROS 
A Arte de Ouvir 
Adamo Prince – Lumiar 
50 páginas cada volume 
Preço: R$ 29,00 por volume 
Informações: (21) 2597-2323/ 
2596-7104, lumiarbr@uol.com.br ou 
no site: www.lumiar.com.br 
Lançado em dois volumes bilíngües, o li-vro 
reúne material fonográfico de alto ní-vel 
artístico e didaticamente elaborado 
para evolução passo-a-passo da percepção rítmica. Cada volume 
é acompanhado de um CD, que traz estudos baseados em temas 
universais (clássicos e populares) ou em grooves percussivos. 
r e v i s t a 9 
História Social do Jazz 
Eric J. Hobsbawm - Paz e Terra 
316 páginas 
Preço:R$ 29,50 
Informações: (11) 3337-8399 
O historiador Hobsbawm analisa o 
jazz como uma criação revolucioná-ria 
dos negros. Em seu ensaio, ele 
nos oferece um belo quadro de como 
a industrialização e as transformações 
no padrão de consumo de pretos e bran-cos 
influenciou o jazz, sua indústria de dis-cos 
e espetáculos.
PM EÚ SR I FC IA L V I V A 
Um dia musical 
Vai a São Paulo nos próximos meses? 
Então aproveite as dicas do trombo-nista 
Bocato e cheque tudo que a ci-dade 
oferece para o músico. De um sim-ples 
CD até equipamentos eletrônicos: 
“A melhor opção para quem desem-barca 
em São Paulo é localizar a esta-ção 
de metrô mais próxima. Assim fica 
tudo fácil e muito mais rápido. Pegue o 
metrô para a linha Paulista e então des-ça 
na Estação Clínicas. É a mais perto 
da rua Teodoro Sampaio, o quadrilátero 
musical da cidade. Ali, o amante de 
música tem à disposição uma infinidade 
de lojas, com as mais variadas opções e 
preços. Eu, pessoalmente, gosto muito 
da Gang Instrumentos, onde pode ser 
encontrado o que há de melhor em equi-pamentos 
eletrônicos, como mesas de 
som, equalizadores, guitarras e teclados. 
Sérgio, o proprietário, entende muito do 
assunto e pode dar boas informações. 
Outra loja que costumo freqüentar, ain-da 
na Teodoro Sampaio, é a Ébano. Es-pecializada 
em instrumentos de sopro, 
o atendimento é de primeira linha, e tam-bém 
há grande variedade de acessóri-os. 
Seu proprietário, João Cuca, enten-de 
muito do assunto, e pode auxiliá-lo 
no que for preciso. 
Como sempre fui autodidata, não sa-beria 
indicar um local para compra de 
songbooks, métodos e partituras, mas, 
certamente, na região da Teodoro Sam-paio, 
existem excelentes opções para 
músicos amadores e profissionais. 
Se sua visita a Sampa for num sába-do, 
desça até a Praça Benedito Calixto, 
ali mesmo, na Teodoro Sampaio. Além 
de encontrar antiguidades de todos os 
tipos e muita gente interessante, você 
pode trocar, vender e comprar discos de 
vinil e CDs usados bem legais. A região, 
aliás, é o lugar certo para quem quer 
cruzar com músicos amadores e pro-fissionais. 
Ali também acontece, na par-te 
da tarde, uma das rodas de samba-choro 
mais tradicionais da Capital, com 
o pessoal da velha guarda do choro pau-listano 
apresentando-se a céu aberto. 
Outra opção para quem procura CDs 
é continuar descendo mais alguns quar-teirões, 
entrar na Av. Pedroso de Mora-es, 
e conhecer a Fnac, uma grande loja 
de vídeo e som, que oferece uma gama 
imensa de álbuns para todos os gostos e 
estilos, especialmente na área de jazz. 
Os atendentes são bem informados e 
conhecem bem o assunto. A loja tam-bém 
dispõe de uma seção de revistas 
importadas, onde você pode encontrar 
publicações específicas na área musical. 
Perca um pouco de tempo por lá, pois 
vale a pena! 
Volte pela mesma Teodoro Sampaio 
e, se for uma tarde de sábado, pare na 
loja Matic. Você logo vai reconhecer o 
local, já que, nesses dias, a partir das 16 
horas, sempre acontece uma apresen-tação 
gratuita de música com grandes 
nomes. Os shows são na calçada mes-mo, 
e reúnem um bom número de inte-ressados. 
Ficando na cidade durante a sema-na, 
a dica para ouvir um bom som gas-tando 
quase nada é o Sesc Instrumental 
Paulista, no Sesc Paulista. A programa-ção 
musical acontece sempre a partir das 
18h30 de segunda-feira. Já nas terças-fei-ras, 
às 20 horas, o bom é conferir o que 
rola no Teatro do Sesi, que oferece uma 
programação gratuita bem diversificada. 
A Expomusic, que neste ano aconte-ce 
de 25 a 29 de setembro, também é 
uma excelente oportunidade para quem 
quer aproveitar o máximo seu tempo em 
São Paulo. Ali, o artista vai encontrar 
tudo o que se refere à música, de parti-turas 
e instrumentos até programas de 
computador. A Feira da Música aconte-ce 
no Expo Center Norte, Pavilhões Azul, 
Branco I e Branco II“ 
S E R V I Ç O 
10 08/2002 
em Sampa 
As sugestões de Bocato para ouvir música, comprar CDs, 
equipamentos eletrônicos e ver gente do meio musical em São Paulo 
Beatriz Weingrill 
Praça Benedito Calixto – delimitada 
pelas ruas Cardeal Arcoverde e Teodoro 
Sampaio, fica em frente à Igreja do 
Calvário. As vias paralelas, entre as 
quais fica a Praça, são a avenida 
Henrique Schaumann e a rua João 
Moura 
Ébano – Rua Teodoro Sampaio, 782 – 
Tel.: (11) 3062-8974 
Fnac - Av. Pedroso de Moraes, 858 - 
Pinheiros – Tel.: (11) 3097-0022 
Gang – R. Teodoro Sampaio, 806 – 
Pinheiros – Tel.: (11) 3061-5000 
Matic – R. Teodoro Sampaio, 850 – 
Pinheiros – Tel.: (11) 3061-1914/ 
3063-1627 
Sesc Paulista – Av. Paulista, 119 – 
auditório – Tel.: (11) 3179-3400 
Teatro Popular do Sesi – Av. Paulista, 
1313 – Tel.: (11) 3284-3639 
Expomusic – Feira Internacional da 
Música, Instrumentos Musicais, 
Áudio, Iluminação e Afins – Expo 
Center Norte – R. José Bernardo Pinto, 
333 – Vila Guilherme (de 25 a 29 de 
setembro).
D I C A T É C N I C A 60 
Use escala cromática para 
gliss curtos 
Use escala cromática ou 
diatônica para gliss longos 
Bandas e Fanfarras: 
Análise técnica dos problemas constantes II 
Nesta edição, vamos finalizar o tema iniciado na Revista Weril 141: Fraseado 
e Articulações, com dicas particularmente indicadas para os mestres de banda. 
A s bandas logo se tornam familiares com as figuras rít-micas 
sincopadas (figuras que aparecem no tempo fra-co). 
Por esta razão, poderá ser um aspecto dificultante 
para alunos com pouca experiência em seguir o tempo 
forte do compasso. Portanto pede-se ao regente uma ins-trução 
especial neste sentido, particularmente se existir 
uma síncopa com nota longa, esta deve ser acentuada. 
Exemplo 22 
Estudantes jovens podem ter a tendência em entrar 
atrasado nas mínimas. Veja o exemplo 22a. A pausa de 
semínima no tempo forte é passada antes que eles se 
dêem conta. Ensine-os a não se perderem. A pausa de 
semínima, particularmente em andamentos rápidos, é difí-cil 
de contar. Os alunos devem aprender a “ler na frente”. 
Ritmos tais como os do exemplo 23 podem apresentar 
problemas similares devido à alternância entre tocar no 
tempo forte e fora de tempo. Os alunos devem ser ins-truídos 
a marcar as notas tocadas no tempo. 
Exemplo 23 
Em vez de explicar uma síncopa de colcheia como 
sendo a segunda metade de um tempo cheio, tente ex-plicá- 
la como sendo uma antecipação do próximo tempo. 
Exemplo 24 
Falls off (queda) podem apresentar muitos problemas, o 
maestro deve instruir os alunos acerca do tamanho do fall. 
Alguns arranjadores são bastante específicos e indicam se 
o fall é short (curto) ou long (longo) - veja a tabela sobre 
articulações no final desta matéria. Confusões poderão ser 
evitadas, aconselhando os alunos a terminarem o fall num 
determinado tempo. O fall não deve ser abrupto, mas 
desaparecer gradualmente, seguido de um diminuendo ao 
longo do fall. Os alunos não precisam se preocupar com 
uma escala particular, pois o fall é meramente um efeito. 
Exemplo 25 
Maestro Beto Barros* 
No caso do fall off, os músicos não devem se perder 
no compasso. Eles precisam continuar contando cuidado-samente 
através de seu comprimento inteiro. O fall deve 
ser curto se existe uma entrada imediatamente após, as-sim 
como no exemplo 26. Existem outros termos para fall 
off, como por exemplo, spill ou gliss, ou ainda drop, todas 
com o mesmo significado, que seria “cair fora da nota”. 
Veja exemplo 26. No caso deste exemplo, não existe muita 
diferença se o fall off não for executado, já que ele está 
muito perto do compasso seguinte. Em outros casos ele 
funciona com muita propriedade. 
Exemplo 26 
Quando for realizar um gliss, glissando entre duas no-tas 
como no exemplo 27. A nota que aparece no final do 
glissando deverá ser ligeiramente acentuada, já que ela é 
a culminação do glissando. A escolha da escala para o 
glissando é livre, em alguns casos, é governada pela dis-tância 
entre as notas das pontas do glissando. 
Exemplo 27 
Os alunos devem ser informados da importância de 
um bom ataque antes de se preocupar com os gliss ou 
falls. Jovens músicos são freqüentemente culpados de co-meçarem 
um gliss ou fall off antes que tenham executa-do 
um bom ataque na nota precedente. O arranque para 
o ataque do glissando ascendente é similar para o gliss 
descendente (fall off). Diferente do glissando descenden-te, 
o ascendente normalmente incorpora um crescendo. 
Os saxes poderão iniciar o gliss ascendente pianissimo, ou 
possivelmente em sub tone (sub tone é um efeito muito 
usado e bastante bonito. É utilizado basicamente em dois 
contextos: o backing, “cama” para um solo de metal ou 
soli, ou para um solo de saxs. Consiste em um som macio 
com um pouco de ar presente, produzido por um leve 
relaxamento, soltura da embocadura e com a colocação 
de ar nas bochechas e nas cavidades da boca). Os trom-bones 
têm uma vantagem óbvia em executá-los. Os trom-petes 
poderão usar a técnica de ½ válvula. Uma localiza-ção 
determinada da nota da culminância do glissando é 
muito importante e realmente muito difícil para jovens 
músicos com pouca experiência.
* Maestro Beto Barros dirige sua própria empresa de produções 
artísticas e culturais. Contatos para cursos e workshops: 
(11) 3257-7385 e 3151-4047 ou betobarros@ieg.com.br 
Tabela de Padronização das Articulações 
Heavy Accent / Acento Pesado 
Mantenha o valor total da nota 
Heavy Accent / Acento Pesado 
Mantenha menos do que o valor total 
Heavy Accent / Acento Pesado 
Mais curto possível 
Staccato / Destacado 
Curto, não pesado 
Legato Tongue / Ligado de Língua 
Mantenha o valor total da nota 
The Shake / Parecido com Trinado 
Variação da nota para cima 
Lip Trill / Trinado de Lábio 
Parecido com o shake, porém mais lento e 
com controle labial 
Wide Lip Trill / Trinado de Lábio 
Como lip trill porém com intervalo mais longo 
The Flip / Impulso Repentino 
Toque a nota, suba para o agudo e 
desça com um glissando 
The Smear / Deslizar 
Deslizar para a nota indicada 
The Doit / Brincar 
Toque a nota e faça um glissando ascendente 
Du / Fechado 
Falso ou abafado, surdina fechada 
Exemplo 30 
Aguarde os próximos tópicos que serão abordados 
em edições futuras. Esta matéria é complicada e difícil, 
tanto para os alunos com pouca experiência, quanto para 
os instrutores. No entanto, a chave para o sucesso com a 
banda ou fanfarra é muito trabalho, ensaio e experi-mentação, 
por isso, o instrutor/maestro poderá mudar 
ou acrescentar marcações de articulações no seu reper-tório, 
adaptando-as para o seu grupo. O importante é ter 
uma direção da articulação que será usada para todos. 
Uma banda afinada e com fraseado e articulações bem 
resolvidos, já está um passo à frente. 
Wah / Aberto 
Nota cheia, não abafada. Surdina aberta 
Short Gliss Up / Gliss Asc. Curto 
Deslize para a nota ascendentemente; nenhuma 
nota individual é escutada 
Long Gliss Up / Gliss Asc. Longo 
Mais longo do que o de cima 
Short Gliss Down / Gliss Desc. Curto 
O contrário do short gliss up 
Long Gliss Down / Gliss Desc. Longo 
O contrário do long gliss up 
Short Lift / Elevação Curta 
Entre na nota via escala cromática 
ou diatônica começando +/- terça abaixo 
Long Lift / Elevação Longa 
Como o exemplo acima, porém com a entrada 
mais longa 
Short Spill / Queda Curta 
Queda rápida diatônica ou cromática; o 
contrário do short lift 
Long Spill / Queda Longa 
Como o exemplo acima, porém com a queda 
mais longa 
The Plop / Esquema 
Rápido deslizamento descendente antes de 
soar a nota 
Indefinite Sound / Nota Fantasma 
Nota indefinida ou nota engolida 
Exemplo 28 
Notas fantasmas (ghost notes) são aquelas dedilha-das, 
mas que não soam realmente com a mesma força, 
peso e ataque, ou importância de uma nota regular. O 
exemplo 29 mostra o uso das notas fantasmas. 
Exemplo 29 
É responsabilidade do líder, primeiro sax alto, decidir onde 
as notas fantasmas são apropriadas. Mesmo que não sejam 
indicadas, elas são muito usadas em andamentos rápidos e 
complexos. Normalmente em colcheias e semicolcheias, 
para facilitar um fraseado suave e equilibrado. O exemplo 
30 ilustra a notação apropriada para trompetes e trombo-nes 
nas notas abertas e fechadas. Com surdina plunger 
mute, o sinal (+) indica fechado e o sinal (0) indica aberto.
○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 
D I C A T É C N I C A 6 1 
Trombones de vara tenor e baixo: 
Empunhadura, postura e função dos rotores 
Otrombone de vara, assim como os demais instrumen-tos, 
requer uma adaptação físico-motora do 
músico, afim de que seja executado com naturalida-de 
e obedeça as exigências técnicas particulares de 
cada um. Portanto, antes mesmo de pensar na execu-ção 
musical, é necessário ter consciência de que estará 
exercendo uma atividade física da qual resultará uma 
expressão musical. Assim sendo, faz-se necessário bus-car 
condições físicas satisfatórias, para que se tenha 
uma boa produtividade nos estudos e na atividade elegida: 
a artística musical. 
A família dos trombones de vara é constituída por vá-rios 
modelos, sendo os mais usuais os trombones tenores 
e baixos. Outros modelos são o soprano, o alto e o contra-baixo. 
Dos três tenores, os modelos básicos são: tenor Sib 
(sem rotor) calibre médio com ∅ 12,70 mm e campana 
com ∅ 203mm, e o tenor Sib calibre largo com ∅ 13,90mm 
e campana com ∅ 216mm. Este modelo tem acoplado 
ao corpo da campana um conjunto de voltas tubulares que 
possibilita, ao acionar o gatilho, utilizá-lo em Fá, recurso 
responsável pela aproximação, por exemplo, das posições 
6 e 7 para 1 e 2, bem como aumentar a extensão origi-nal 
do instrumento em uma quadra abaixo. O conjun-to, 
quando acoplado ao instrumento original, torna-o 
um pouco mais pesado. O trombone baixo (com 2 rotores) 
Sib/Fá/Solb/Ré ou Sib/Fá/Ré/Si (com pompa adicional 
em Ré) calibre ∅ 14,30mm e campana com ∅ 241mm ou 
∅ 267mm, tem um peso ainda maior do que o tenor 
com 1 rotor, pois possui 
2 rotores corresponden-tes 
a 2 conjuntos de vol-tas 
tubulares, que alte-ram 
sua extensão em 
quase 1 oitava. 
Para a boa utilização 
e proveito de todos es-tes 
sistemas, dois pon-tos 
são extremamente 
importantes: 
Renato Farias* 
. As diferentes empunhaduras, dependendo do modelo : 
. A postura correta de 
corpo e mãos, como na 
foto ao lado. 
1. para os trombones tenores 
Sib (sem rotor) e Sib/Fá (com 
1 rotor) 
2. para os trombones baixos 
com a pompa normal (Solb) 
acionando os 2 rotores simul-taneamente 
3. para os trombones baixos 
com pompa adicional em Ré 
acionando o 2º rotor inde-pendente 
1 
2 3 
A variação da empunhadura nos trombones baixos, 
quando da utilização do 2ª pompa (adicional em Ré), é 
devido à necessidade de se ter o independente aciona-mento 
do 2° rotor ou o registro em Ré com o dedo anular, 
sendo que com o trombone com a 2ª pompa normal (em 
Solb), para se ter o registro em Ré, terá que estar aciona-do 
os dois rotores simultaneamente, permitindo maior fir-meza 
e equilíbrio na sustentação do instrumento. Obser-ve 
como o dedo indicador da mão esquerda funciona como 
escoramento, impossibilitando o desequilíbrio e o tomba-mento 
ao transpor para o lado esquerdo. Com estas vari-ações 
de empunhadura, o instrumento também poderá 
estar mais apoiado na palma da mão esquerda, permitin-do 
melhor acionamento dos rotores de forma indepen-dente 
ou simultânea. Deve-se levar em conta a necessi-dade 
de alongamento prévio e pós dos braços, pulsos e 
dedos, no caso do instrumentista passar longo tempo de 
sua atividade com o instrumento empunhado.
Nos trombones de vara, tenores e baixos com roto-res, 
é possível a utilização destes recursos através de 
estudos específicos de acionamento dos mesmos, utili-zando 
certas passagens ou combinações de intervalos 
primeiramente na mesma posição e, posteriormente, com-binando 
com outras posições. Algumas passagens, na 
região da extensão original do trombone em Sib (sem a 
utilização do rotor), devem ser estudadas e preparadas 
em suas posições e combinações normais para que a 
digitação não se acomode à utilização contínua do rotor. 
Isto, para evitar que a execução fique comprometida, 
caso ocorra por algum impedimento ou incidente, a ne-cessidade 
de tocar em um instrumento sem rotor. O trom-bone, 
quando utilizado com os rotores, passa a ter me-nos 
posições. Acionado o registro em Fá (rotor 1 tenor e 
baixo), dispõe somente de 6 posições. O trombone baixo 
com os dois rotores acionados dispõe de 5 posições. O 
trombone baixo, quando utilizado o 2º rotor indepen-dente 
com a pompa em Sol terá 6 posições. Já com a 
pompa adicional em Ré acionando somente o 2º rotor, 
obterá 5 posições. A prática de exercícios sistemáticos 
utilizando as várias combinações do rotor com notas exe-cutadas 
sem o mesmo, dará mais liberdade na utilização 
do sistema, proporcionando melhor qualidade musical em 
frases rápidas ou com intervalos mais distantes, principal-mente 
na região média para a grave. O rotor também 
pode ser utilizado em trinados ou trilos em algumas regi-ões 
do instrumento. 
Alguns métodos Importantes para estudos sistemáti-cos 
e utilização do rotor: 
G. Gagliardi – Coletânea de Estudos Diários para Trombone 
Joannes Rochut – Melodious Études for Trombone 
Jacques Toulon – Dix Études pour le Trombone Basse Fa et Ré 
A. Slama – Estudo de Escalas 
* Renato Farias é trombonista, professor e artista Weril. 
Contatos: (11) 9612-1296 ou e-mail: fariasrenato@yahoo.com.br 
Posições básicas do trombone 
* Pode ser utilizado com a pompa em Ré, acionando somente o 2° rotor.
Maratonistas 
CD passo a passo* 
musicais 
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OD0S 
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NS 
r e v i s t a 1 5 
Delícias e agruras de 
quem sobrevive de 
música em nosso país 
O músico e militar 
Aristóteles: vida corrida 
Muita gente acha que vida de mú-sico 
é moleza. Tem um dia-a-dia 
sem rotinas, acorda tarde, não 
tem que bater ponto e, muito 
menos, passar grande parte de sua 
vida dentro de um escritório, cum-prindo 
horários. Além disso, se di-verte. 
Mas a “tal liberdade” também 
cobra seu preço. No Brasil, o instru-mentista 
muitas vezes precisa se des-dobrar 
entre vários empregos e “bi-cos” 
para poder garantir o pagamen-to 
de suas contas no fim do mês. 
“Vou pegando tudo o que aparece: 
trabalhos em estúdios, aulas particu-lares 
e casamentos”, afirma Marcus 
Vinicius Manfredi, o Zão, trompetis-ta 
“pau pra toda obra”, que toca na 
banda Funkacid, de São Paulo. 
A carga horária de um músico, 
muitas vezes, pode ser comparada 
à de uma maratona. Zão que o diga: 
“Em um final de semana, já cheguei 
a tocar em casamentos às 17,18 e 
19 horas, depois sai correndo para a 
fazer a entrada de uma noiva na 
Hebraica (clube paulistano), e voei 
para um show, pois também toco em 
algumas bandas que se apresentam 
na noite”, revela. Aliás, casamen-tos 
são um grande negócio para os 
trompetistas, que têm nesse nicho 
uma excelente oportunidade de ren-da. 
“Para nós é ótimo, pois é sem-pre 
um dinheiro que entra, mas me 
espanto como essa gente gosta de 
casar!”, comenta. 
Histórias de corre-corre também 
são contadas pelo saxofonista Sa-muel 
Pompeu, que certa vez se 
apresentou com a orquestra da 
Osesp, em São Paulo, das 17 às 18 
horas e, no mesmo dia, às 22 horas, 
fez um show com o grupo Fat Fami-ly, 
em Juiz de Fora (MG). “O táxi já 
estava na porta do aeroporto me es-perando. 
Se tivesse chegado alguns 
minutos depois, iria perder a apre-sentação”, 
diz Samuel, que, mesmo 
tendo no currículo apresentações 
com bandas de artistas como Gilber-to 
Gil, Maria Bethânia, Skank, Mo-raes 
Moreira e muitos outros, ainda 
tem que participar do cotidiano 
“olímpico” do músico brasileiro. 
E a vida pessoal, como fica? Sa-muel 
revela que sua mulher também 
está acostumada à rotina de shows. 
“Ela é backing vocal do cantor ro-mântico 
Vavá. Como trabalha no 
show business, ela entende a situa-ção. 
Mas, mesmo assim, a gente 
acaba não se vendo por um bom 
tempo e, às vezes, isso é complica-do”, 
lamenta. Para evitar essa dis-tância, 
o trombonista Aristóteles San-tos, 
o Totty, leva a esposa em algu-mas 
apresentações, já que seu rit-mo 
é intenso - além de músico, é 
militar. Além dos ensaios e compro-missos 
da corporação, ele toca na 
noite em duas bandas, grava com 
alguns grupos de pagode e, até pou-co 
tempo, atuava como músico subs-tituto 
no musical Les Misérables. 
Beatriz Weingrill
16 08/2002 
Ficando em forma. 
Musicalmente 
Steven Trinkle, mestre em música e 
performance pelo Ithaca College, é 
professor de trompete da Shenan-doah 
Conservatory e Shenandoah 
University. O músico, que nasceu em 
Silver Lake, Kansas, EUA, também 
atua como regente e tem diversas 
aparições em renomadas orquestras 
do país e do Exterior, como as 
Sinfônicas de Houston e Maracaibo, 
na Venezuela. Atualmente, Trinkle 
é o diretor artístico do Trinkle Brass 
Works e membro honorário da ATB 
(Associação dos Trompetistas do 
Brasil), por seus esforços no 
desenvolvimento dos trompetistas 
no Brasil. Em recente visita à fábrica 
da Weril, o músico norte-americano 
concedeu esta entrevista: 
RW: O sr. vê diferença entre os mú-sicos 
de sua geração e os atuais 
estudantes? Quais? 
ST: Meus alunos estão tocando mú-sicas 
que eu não tocava quando es-tava 
nesse mesmo estágio. Eles to-cam 
melhor, são melhores nas téc-nicas, 
e isso acontece porque o con-tato 
com as diferentes técnicas dis-poníveis 
é mais fácil hoje em dia. 
Com isso, a possibilidade de cresci-mento 
musical é imensa, pois se 
aprende a tocar músicas de diversas 
culturas, e esse intercâmbio é ma-ravilhoso. 
Em contrapartida, eles têm 
bem menos experiência de palco. 
RW: O que o sr. aconselha a seus 
alunos para que se mantenham 
“musicalmente em forma”? 
ST: Para se manter sempre em sua 
melhor forma, o estudante deve se-guir 
uma rotina de prática diária de 
duas a três horas, que deve incluir 
ENTREVISTA 
Beatriz Weingrill 
exercícios de flexibilidade, interva-los, 
oitavas, escalas (estudo de afi-nação), 
arpejos, tocar sons em pia-no, 
notas longas, golpes de língua 
(1 múltiplo, 2 simples), ornamenta-ção, 
trinados labiais (trompetes em 
Sib, Dó e Ré), leitura à primeira vis-ta, 
treinamento de digitação, sons 
pedais, estudos de transposição e 
passagens orquestrais. Os treina-mentos 
também podem ser combi-nados, 
por exemplo: golpes de lín-gua 
com passagens orquestrais, di-gitação 
com flexibilidade. 
RW: Quais métodos e estudos con-sidera 
essenciais para o estudante 
iniciante? 
ST: Uma boa bibliografia consiste em 
Escalas Maiores e Menores e Arpegi-os 
Maiores e Menores, ambos do Ar-ban, 
Estudos, de Hering e Kopprasch, 
Flexibilidade, de Schlossberg e Solos, 
de Haydn, Hummel, Ropartz e Balay. 
Revista Weril: Quais atitudes o sr. 
considera importantes para quem 
quer obter um amadurecimento 
musical adequado? 
Steven Trinkle: Em primeiro lugar, 
é preciso não ser arrogante. O músi-co 
tem de ter humildade, tem que 
entender que ele é parte do todo. 
Muitos pensam que são melhores do 
que o colega ao lado e acabam com-prometendo 
o resultado do todo. 
Também é preciso estar em cons-tante 
atualização. A arte da música 
muda. O que aprendi há dez anos 
continua sendo importante, mas é 
diferente do que ensino hoje. 
RW: Na sua opinião, qual a situa-ção 
mais motivadora para um 
músico? 
ST: Para mim, tocar uma peça total-mente 
inédita, que nunca tenha ouvi-do, 
antes é um desafio genial. Uma 
situação realmente muito motivadora. 
Para Trinkle, o músico deve incorporar uma rotina 
diária de duas a três horas de estudos práticos

119361750 revista-weril-nº-142 musica

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    Diogo Pacheco: polêmicoe talentoso Pág. 3 Angelino Bozzini testou a nova trompa dupla Weril Pág. 5 r e v i s t a JULHO/AGOSTO.2002.ANO 24.Nº142.WWW.WERIL.COM.BR Dicas do trombonista Bocato para curtir música em São Paulo Pág. 10
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    “Gostaria de parabenizara equipe de edição e redação da Revista Weril pelo excelente trabalho feito durante estes anos e, é claro, pelas ótimas modifica-ções na publicação, que a deixaram com cara de século XXI. Parabéns também pela nova linha de trompetes. Muito me orgulha saber que temos instrumen-tos de tão alta qualidade produzidos no Brasil.” REVISTA WERIL é uma publicação bimes-tral da Weril Instrumentos Musicais Ltda. Conselho Editorial: Angelino Bozzini, Dalmário Oliveira, Domingos Sacco, Gilberto Siqueira, Mônica Giardini, Radegundis Feitosa, Renato Farias, Sílvio Depieri Editora: Aurea Andrade Figueira (MTb 12.333) - Redatores: Mônica Ranieri, Nelson Lourenço e Rafael Argemon - Fotos de capa: Beatriz Weingrill - Redação e correspondência: Em Foco Assessoria de Comunicação - Rua Dr. Renato Paes de Barros, 926, São Paulo/SP 04530-001 e-mail: revista@weril.com.br Projeto gráfico, diagramação e edito-ração eletrônica: Yvonne Sarué Design Tiragem: 35.100 exemplares As matérias desta edição podem ser utili-zadas em outras mídias ou veículos, des-de que citada a fonte. Matérias assinadas não expressam obri-gatoriamente a opinião da Weril Instru-mentos Musicais Distribuição gratuita Atendimento ao Consumidor Weril 0800 175900 S U A S N O T A S 10 5 Í N D I C E 190 2 08/2002 E D I T O R I A L 10 4 11 Perfil - Maestro Diogo Pacheco Efeito Sonoro – Conheça a trompa dupla Papo com o Mestre – Angelino, do Theatro Municipal de SP Por Estas Bandas – o ritmo contagiante do Berimbrown Intercâmbio Fique de Olho – lançamentos em CDs, livros e DVDs Música Viva – dicas de Bocato para curtir música em Sampa Dicas Técnicas Todos os tons– os profissionais dos “mil” empregos Entrevista – o norte-americano Steven Trinkle 6 15 Deivson Ferreira dos Santos (por e-mail) “Parabéns pela inovação gráfica da revista. Ficou simplesmente ‘brilhante’. As dicas técnicas estão muito melhores anexadas à revista. Valeu Weril!” Diego Coelho Adam (RS) “Continuem nos mantendo sempre atualizados a respeito dos eventos que acontecem no Brasil e no mundo. Gostaria que, nas próximas edições, publi-cassem uma matéria sobre festivais de músicas no Brasil” Douglas Vieira (SP) “Comecei a estudar clarinete e gostaria de pedir uma matéria na próxima edição sobre o clarinete baixo e o sax barítono, mostrando grandes músicos destes instrumentos”. José Aderaldo (PB) R.: Obrigado pelo seu contato, José. Sua sugestão foi anotada para publica-ção em uma próxima oportunidade. Agradecemos todas as correspondências recebidas. Se você também quer entrar em contato conosco, confira no expediente nosso endereço e e-mail. Correção O instrumento tocado por Quinzinho Oliveira é o trom-pete, e não o trombone, conforme publicado no ro-dapé da Dica Técnica 58, edição 141 da Revista Weril Os contatos também podem ser feitos através dos telefones (11) 4990-7401 e (11) 9620-8246. 16 3 8
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    P E RF I L Batuta polêmica Com talento proporcional à sua língua afiada, o maestro Diogo Pacheco não tem pudor em dizer que, no Brasil, o que falta para a música erudita “dar as caras” é pura vontade política do poder Beatriz Weingrill iogo Pacheco, hoje com 73 anos, poderia ser classi-ficado como uma pessoa polêmica. Diz que a músi-ca está em seu sangue: “Logo que saí da barriga de minha mãe, cantei uma ária de ópera”, brinca o maestro paulistano. Afirma ainda que ninguém tem coragem de fazer música erudita de vanguarda atualmente, pois as pessoas não se atrevem a se-rem execradas pelo público. Nascido em uma família cheia de músicos – seu irmão era tenor e sua irmã pianista, Pacheco conta que a primeira coisa que comprou na vida foi uma vitrola com rádio, na época, um móvel enorme. E foi graças aos programas que ali ouvia, que sua paixão pela música, erudita e popular, co-meçou a crescer. Talvez por isso, o maestro sempre tenha gosta-do de misturar esses dois mundos, participando de movimentos vanguardistas e realizando concertos com artistas contemporâneos da música popular, como a turma da Jovem Guarda. “Em 65, fui ex-pulso do Theatro Municipal, tive que sair pela ja-nela! Só porque fiz música de vanguarda. Fui o primeiro a fazer John Cage no Brasil (compositor vanguardista norte-americano que produziu alguns dos trabalhos mais radicais de experimentação den-tro da música, como a composição 4’33’’, toda fei-ta por pausas). Me desculpe a modéstia, mas não existe ninguém hoje para fazer esse tipo de coisa, como eu fazia”, afirma, enfatizando a constante necessidade da junção do antigo com o novo, do popular com o erudito e assim por diante. “Seria muito bom se os jovens músicos retomassem essa interação entre gerações e estilos musicais. Isso só enriqueceria nossa música e a eles mesmos”, acon-selha. Sobre o espaço que a música erudita tinha (e não tem mais) em redes grandes de TV, ele é enfático: “Não é espaço que falta à música erudita na TV, é patrocínio, vontade política. Quando o Boni, ex-diretor da Rede Globo, estava na emissora, sem-pre havia programas com música erudita. E para dar uma idéia da populari-dade que a TV dá a qual-quer coisa, na época em que eu apresentava o ‘Con-certos Internacionais’, não pagava conta de restaurante nenhum! Nem táxi! Uma vez um mendigo me parou na rua, no Rio de Janeiro, e me falou: ‘Bonita aquela música que o senhor faz de madrugada.’ Um mendigo! Isso pro-va que não precisa entender de música para gostar dela. Ora, não precisa entender de costura para se vestir, não?”, questiona. Quanto à sua intensa participação nos Festivais de Inverno de Campos de Jordão, Pacheco, que esteve presente já na primeira edição, em 1969, acha-o importantíssimo, mas afirma que a grande sacada do festival, idealizado pelo maestro Elea-zar de Carvalho, é a oportunidade dada a músicos bolsistas: estudar com grandes nomes durante o dia e de noite assistir artistas consagrados do cená-rio erudito nacional e internacional. Esse aprendi-zado é essencial para o jovem músico, que segun-do Pacheco, mesmo tendo talento, necessita de muito estudo bem direcionado e experiência. Um apaixonado pela música D “Em 65, fui expulso do Theatro Municipal, tive que sair pela janela! Só porque fiz música de vanguarda” r e v i s t a 3
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    E F EI T O S O N O R O Sonoridade “Made in 4 08/2002 Brazil” m ano de muitos lançamentos, a Weril coloca no mercado mais uma novidade: a trompa du-pla com mecânica 100% brasileira, fabricada a partir do que existe de mais moderno em tecno-logia para produção de instrumentos de sopro. A trompa, em Sib e Fá, apresenta quatro válvulas rotativas duplas, desenvolvidas no se-tor de projetos e confeccionadas no Centro de Torneamento Weril através do sistema compu-tadorizado CNC. O resultado foi um instrumen-to preciso, bem afinado, com perfeição sonora na execução dos mais diversos arranjos. Na medida exata para realização de performances inesquecíveis! O projeto, que custou aos engenheiros cer-ca de seis meses de pesquisa, incluiu no instru-mento a campana rosqueável, que permite ao músico “desmontar” a trompa, tornando seu transporte ainda mais fácil. E Gatilho e travessim do Flugelhorn Regium Foto: Marcelo Breyne Campana rosqueável Máquina dupla totalmente produzida na Weril
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    Trompa dupla: agoracom o T H O M E N A G E M nosso gingado Maestro Eleazar de Carvalho r e v i s t a radicionalmente utilizada em orquestras, a trompa dupla funciona com se fossem dois instrumentos em um só: uma trompa em Sib e outra em Fá, tocando toda a ex-tensão com mais facilidade e naturalida-de. Além de permitir a mudança de uma para outra, conforme a exigência da peça que está sendo executada. Mas engana-se quem pensa que esse modelo só atende bem à música erudita. A trompa dupla tam-bém já está presente em um bom número de bandas. A preferência é compreensível: os arranjos para banda estão mais comple-xos atualmente, incorporando arranjos sin-fônicos e uma linguagem mais sofisticada. “Dentre todos os instrumentos de me-tal, a trompa é o que apresenta mecâni-ca mais sofisticada. Por isso, considero um grande avanço para nós, brasileiros, que a Weril esteja desenvolvendo o instrumen-to inteiramente no país e com resultados sonoros tão positivos”, afirma Angelino Bozzini, professor e trompista da Orques-tra Sinfônica Municipal de São Paulo, que experimentou a nova trompa dupla durante seus estudos e ensaios. Se-gundo ele, o segredo da boa sonori-dade está justamente no funciona-mento perfeito das válvulas rotativas, que devem estar bem vedadas e apresentarem movimento ágil. “Esse ajuste é obtido na fabricação da vál-vula, e exige muito cuidado ao ser construído”, revela o músico, que diz ter ficado satisfeito também com a afinação do instrumento. Para quem quer se aprimorar na trompa, dupla ou não, Angelino recomenda traba-lhar para cultivar o timbre específico do instrumento. “Isso é obtido ouvin-do- se bons concertos, como os Con-certos para Trompa de Mozart, Trio de Brahms, Concertos de Richard Strauss e Sonata de Beethoven. Um bom exemplo de músico da atualida-de que também vale a pena conferir é o professor iugoslavo Radovan Vlaktovic”, sugere. 5 P A P O C O M 0 M E S T R E Ele conquistou o respeito das platéias de todo o mundo, tanto por sua concepção musical na-tural e sincera, quanto por seus profundos co-nhecimentos da Sinfonia Fantástica, de Berlioz, e das sinfonias de Mahler e de Beethoven. Esse cearense talentoso, de nome Eleazar de Carva-lho, iniciou na carreira aos 11 anos de idade e, aos 30, já havia composto uma ópera, intitulada “A Descoberta do Brasil”, e sido convidado para o cargo de regente assistente da Orquestra Sin-fônica Brasileira. O maestro completaria 90 anos em 28 de ju-nho de 2002, grande parte dos quais dedicados à “Cultivar o timbre específico da trompa é fundamental” divulgação da música brasileira, regendo e ensinan-do sua arte em diversas orquestras e escolas de mú-sica de todo o mundo. Foi sob sua batuta que a OSESP teve seu primeiro período de prestígio a par-tir de 1973, quando, como diretor artístico, iniciou um trabalho para reerguer a orquestra: promoveu uma grande modernização, abrindo concursos no Brasil e convidando diversos músicos estrangeiros para completarem as vagas não ocupadas. A OSESP passou a se apresentar regularmente, com progra-mas muitas vezes inéditos, em São Paulo e no Bra-sil. Ali permaneceu como regente até sua morte, em 1996, aos 84 anos. Beatriz Weingrill
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    P 0 RE S T A S B A N D A S Suingue Um dia, assistindo a um programa sobre funk na TV Cultura, o trom bonista Bocato ouviu um som que o deixou fascinado. “Depois da morte do Chico Science, havia um vazio na nossa música”, diz o instru-mentista, garantindo que, naquele momento, viu uma chama de espe-rança se acender. Eram os meninos do Berimbrown tocando. Meses de-pois, assistiu um show do grupo ao vivo, em São Paulo. Foi o início de uma forte amizade. O Berimbrown nasceu no começo dos anos 90, com o nome de Bloco Afro do Povo de Minas. A proposta era resgatar a cultura africana exis-tente Beatriz Weingrill em Minas Gerais, e que é qua-se desconhecida do resto do Brasil. O caminho encontrado pelo idealizador do projeto, o mestre de capoeira Ne-gro Ativo, foi uma espécie de ação social voltada para crianças e adoles-centes da periferia de Belo Horizon-te, em que se ensinava a tocar tam-bor, bem ao estilo do grupo Ilê Ayê, da Bahia. Aos poucos, o que era ape-nas um grupo de percussão começou a tomar outra dimensão. Além de con-tar com a participação de 80 jovens, a vizinhança foi se aproximando e agregando novos instrumentos, for-mando um novo núcleo, mais bem estruturado, dentro daquele grupo 6 08/2002 afro-mineiro maior. Já no final da década, o grupo venceu o Festival de Novas Bandas de Minas Gerais e, além de um vide-oclipe como prêmio, ganhou também a simpatia do público e da mídia. “O som que eles fazem é uma mis-tura muito forte de funk com a música congada, as folias de reis de Minas Gerais, o folclore mineiro e a world mu-sic. É tudo muito original. Daqui a cin-co anos, o trabalho já vai estar consoli-dado e o Brasil inteiro estará conhecen-do esses talentos”, prevê Bocato. O grupo, que é formado por doze integrantes, inclui, além dos tambo-res, bateria, percussão – com alguns instrumentos próprios da capoeira –, instrumentos como o baixo, guitarra e um naipe de sopros, composto por trombone (Marcelo Oliveira), trompe-te (Adriano George) e sax (Marcelo Ro-cha). O Berimbrown tem um CD pron-to, e acabou de gravar uma música de Jorge Benjor para integrar a trilha sonora da Casa dos Artistas, progra-ma exibido pelo SBT. “O naipe de so-pros deixou de ser apenas um detalhe e cresceu dentro da banda. Descobri-mos que podemos apoiar a harmonia de forma mais efetiva, auxiliar nas fra-ses, nos ritmos, etc. Além disso, so-mos todos autodidatas, e agimos mui-to pelo sentimento, o que facilita na junção entre os metais e percussão”, conclui o trompetista Adriano. do rádio Manter viva a tradição das bandas de música – civis ou militares, não é uma tarefa das mais simples, mas o programa “Vamos Ouvir a Ban-da”, transmitido pela Rádio Ban-deirantes do Rio de Janeiro, e co-mandado pelo jornalista e radialis-ta Zair Cansado, tem exercido um papel determinante nesse sentido. O programa vai ao ar todas as sex-tas- feiras, das 22 às 23 horas, na fre-qüência 1360 kHZ, AM. Confira. Nas bandas CONTATOS: Berimbrown: (31) 9672-3945 – com Adriano e (31) 3432-2534 – com Mestre Nego Ativo Quinteto de Metais Goiânia Brass: (62) 943-7957 – com Alessandro Naipe de sopros do Berimbrown: amizade com Bocato
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    Divulgação Interação coma platéia Goiânia Brass não deixa escapar um de-talhe. Além dos recitais tradicionais, pro-curam tocar também em escolas, em concertos didáticos, onde apresentam os instrumentos e contam histórias so-bre as peças. “Nossa proposta é inte-ragir com a platéia, e conseguimos isso através da variedade de repertório e até do acompanhamento do público, em certas músicas populares”, acredita. Produzir música de câmara de qua-lidade, na cidade de Goiânia (GO). Esse foi o ponto de partida para que cinco músicos, integrantes da Orquestra Sinfônica de Goiânia e da Banda Sinfônica do CEFET - Centro Federal de Ensino Tecnológico, apos-tassem na formação do Quinteto de Metais Goiânia Brass. Criado em 2001, o grupo apresenta um vasto repertório, que mistura música popu-lar, especialmente a brasileira, e eru-dita. Nesse caso, são valorizadas composições feitas para essa forma-ção, com arranjos a partir de peças para orquestras, conjunto de cordas, de sopros e até mesmo para órgão. “Não temos material próprio. Pesqui-samos e compramos pela internet, procuramos em editoras e encomen-damos peças para compositores”, conta o trompetista Alessandro da Costa, que compõe o grupo ao lado de Jonas Figueiredo (trompete), Fer-nando Ferreira (trombone), Cristiano Aparecido da Costa (trompa), Eliel-son Paulo Dantas (tuba) e Wallace da Silva Patriarca (participação especial na percussão). A intenção do Quinteto é gravar um CD em 2003. Para isso, estão se preparando desde já. “Além de fazer uma intensa pesquisa do mercado musical, também de-dicamos bastante esforço às apresentações, pois a receptividade do público é funda-mental para o mú-sico”, explica Ales-sandro. No quesito apresentações, aliás, o r e v i s t a 7 Repertório do Goiânia Brass mistura música popular e erudita Resgate da tradição Criado em 1997 pela Secretaria de Estado e Cultura do Estado de São Paulo, o Projeto Pró Bandas vem se destacando como um ambicioso pro-jeto de apoio e resgate das bandas, ministrando cursos no interior paulis-ta, com a inclusão, este ano, das ban-das marciais e fanfarras. Os cursos (flauta, clarinete, saxofo-ne, trompete, fanfarra e banda-metais, trombone, tuba, informática ligada à música, saxofone, improvisação e arran-jos) percorrerão 25 cidades do interior paulista até setembro, e são ministra-dos por três equipes diferentes, com profissionais gabaritados, como o maes-tro Domingos Sacco e o trombonista Marcelo de Jesus da Silva, o Bam Bam. Outro destaque do projeto é a dis-tribuição de material didático para os Divulgação alunos, auxiliando ainda mais no res-gate da cultura, especialmente nos municípios em que as bandas e fan-farras ainda são o único núcleo de ati-vidade musical. O curso tem alcançado enorme su-cesso e receptividade, e as inscrições podem ser feitas pelo telefone (15) 251- 4573, no Conservatório Dramático Dr. Carlos de Campos, em Tatuí. Onde estarão acontecendo os próximos cursos do Pró Bandas: 17 e 18/08 - Queluz, Jaú e São José do Rio Preto 24 e 25/08 - São João da Barra, Tupi Paulista e Altinópolis 14 e 15/09 - Cafelândia, São Bernardo do Campo e São Luiz do Paraitinga 28 e 29/09 - Tatuí Três equipes se dividem para ministrar cursos em várias cidades
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    I N TE R C Â M B I O 8 08/2002 e escolas) – eangelodasilva@aol.com Nelilson (com músicos de todo o Bra-sil) – R. GB 36 Q70 L22 casa A, Jardim Guanabara 3, Goiânia (GO) – CEP: 74683-350 Denis Lima (com músicos de fanfar-ras, filarmônicas e orquestras) – R. Alto da Cruz, 29, Camaçari (BA) – CEP: 42800-000 Luciano de Lima Leite (com músi-cos cristãos) – R. Francisco Rodrigues Alves, 60, CECAP, Lorena (SP) – CEP: 22600-000 Luiz Cezar G. Serafín (com músi-cos de todo o Brasil) – R. Mme. Pom-mery, 825, Suzano (SP) – CEP: 08615-090 Joel Dionísio de Carvalho (com trom-pistas) – R. 3, 60, Chácara São José, Jd. Aeroporto, Campinas (SP) – CEP: 13054-052 QUEREM RECEBER DOAÇÕES DE TÉCNICAS / MATERIAIS João Muleano da Silva (para sax) – R. Santa Rita de Cássia, 396, Santa Rosa, Caruaru (PE) – CEP: 55000-000 Bárbara da Costa Araújo (para sax ou clarineta) – R. Valentim Cezar Tafner, 116, Vila Nova, Socorro (SP) – CEP: 13960-000 Romerito Santos de Souza (para iniciantes de trompete e trombone de pisto) – R. Loíde Alcântara, 78, (BA) – CEP: 45850-000 Edson Rocha (para trombone de pis-to) – R. Kaloré, 54, Pirituba, São Pau-lo (SP) – CEP: 02976-240 Ezequias de S. Cândida (para trom-pa) – R. V, 69, Vila Margarida, Itaguaí (RJ) – CEP: 23820-000 Arnaldo Roque da Silva (para prin-cipiantes em sax) – R. Heitor Azeve-do Hummell, 543, Parque Manches-ter, Sorocaba (SP) – CEP: 18056-340 Wagner Feliciano da Silva (para sax alto) – R. Renascensia, 1031, Praze-res, Jaboatão dos Guararapes (PE) – CEP: 54330-510 Renan Azambuja (CDs de bandas instrumentais e militares) – R. Lapla-ce, 61, Oficinas, Ponta Grossa (PR) – CEP: 84045-450 QUEREM TROCAR PARTITURAS Anderson Cleber Cardoso (sax tenor) – R. Flor de Lótus, 167, Jd. Maria Cân-dida, São Paulo (SP) – CEP: 02318-400 Aurélio Nunes Bezerra (dobrados, samba e chorinho para trombone) – R. Antônio Gomes de Sá, 01, Centro, Mirandiba (PE) – CEP: 56980-000 Odair Carlos (arranjos para bandas marciais e musicais) – Caixa Postal 4404, Presidente Prudente (SP) – CEP: 19020-990 Evandro de Souza (para trombone em Dó e flauta doce) – R. Veiga Filho, 547, Higienópolis, São Paulo (SP) – CEP: 01229-001 Renan Azambuja (solos de sax alto) – R. Laplace, 61, Oficinas, Ponta Gros-sa (PR) – CEP: 84045-450 QUEREM TROCAR CORRESPONDÊNCIAS Edmilson Ângelo da Silva (com entidades, federações musicais NAVEGUE www.jornalmovimento.com Neste site, dedicado à MPB, além de in-formações sobre a música nacional, o internauta encontra lançamentos em CD, cadastro de músicos, arquivos musicais e notícias atualizadas. http://certasmusicas.digi.com.br O site apresenta compositores e intérpre-tes de jazz, blues, MPB e música erudita. Fornece dados biográficos de Bach, Mo-zart, Billie Holiday, Janis Joplin, Elis Regi-na e Tom Jobim, entre outros artistas, além de entrevistas e notas exclusivas. EU RECOMENDO Arcádio Minczuk - Oboísta da Or-questra Sinfônica do Estado de São Paulo “Sinfonias de Camargo Guarnieri” - Sinfonias 2 e 3 Orquestra Sinfônica de São Paulo, regência de Jonh Neshling Selo: BIS Informações: (11) 3744-9720 “Recomendo este CD porque é um dos poucos registros existentes de compo-sitores brasileiros. Além disso, possui um altíssimo nível técnico de gravação” Edu Moreno, saxofonista “Do pedra espia” - Itiberê Orques-tra Família Gravadora: Jam Music Informações: (11) 3272-8585 – Distribuidora Caravelas “É um trabalho muito interessante, composto por jovens músicos que, li-derados por Itiberê, executam cerca de 22 instrumentos. É uma das me-lhores obras da atual música instru-mental brasileira”
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    F I QU E D E O L H O CD Chorinhos Didáticos para Flauta, Altamiro Carrilho Gravadora: Movie Play Informações: (11) 3115-6833 O grande flautista Altamiro Carrilho apresenta neste traba-lho 12 chorinhos de sua autoria, acompa-nhados de partituras para flauta ou qual-quer instrumento em clave de Sol. Inclui playbacks de todas as faixas. Um CD que vai agradar professores e alunos. Vênus, Mauro Senise Gravadora Independente Informações sobre onde encontrar o CD: (21) 2294-8113 ou por e-mail: analu@oglobo.com.br Sexto CD solo do saxofonista e flautista Mauro Senise, “Vênus” é composto só com músicas brasileiras com nome de mulher. A gravação conta com a participação de alguns dos mais competentes músicos e arranjadores do cenário brasileiro. Body and Soul, Billie Holiday Gravadora: Universal Music Informações sobre onde o CD pode ser encon-trado: (11) 3889-5800 Conhecida como “Lady Day”, este relançamento reúne pérolas do repertório da artista, como “Darn That Dream” e “They Can´t Take That Away From Me”, além de presentear os fãs do jazz com três takes da canção “Comes Love”. DVD “Jazz”, de Ken Burns GNT/Som Livre Preço médio: R$ 165,00 Informações: (21) 2503-7738 O canal GNT e a Som Livre lançam no mercado um box set com 4 DVDs, que trazem a íntegra dos 12 programas da série “Jazz”, de Ken Burns, exibida há um ano pelo canal, com recorde de audiência. Consi-derada a obra definitiva sobre este gênero musical, a série vai além do simples estudo de um ritmo musical, retratando o gênero como uma testemunha da histó-ria dos Estados Unidos no século 20. Traz 498 músicas e mais de 2,4 mil fotografias, além de depoimentos de músicos como Wynton Marsalis e Harry Connick LIVROS A Arte de Ouvir Adamo Prince – Lumiar 50 páginas cada volume Preço: R$ 29,00 por volume Informações: (21) 2597-2323/ 2596-7104, lumiarbr@uol.com.br ou no site: www.lumiar.com.br Lançado em dois volumes bilíngües, o li-vro reúne material fonográfico de alto ní-vel artístico e didaticamente elaborado para evolução passo-a-passo da percepção rítmica. Cada volume é acompanhado de um CD, que traz estudos baseados em temas universais (clássicos e populares) ou em grooves percussivos. r e v i s t a 9 História Social do Jazz Eric J. Hobsbawm - Paz e Terra 316 páginas Preço:R$ 29,50 Informações: (11) 3337-8399 O historiador Hobsbawm analisa o jazz como uma criação revolucioná-ria dos negros. Em seu ensaio, ele nos oferece um belo quadro de como a industrialização e as transformações no padrão de consumo de pretos e bran-cos influenciou o jazz, sua indústria de dis-cos e espetáculos.
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    PM EÚ SRI FC IA L V I V A Um dia musical Vai a São Paulo nos próximos meses? Então aproveite as dicas do trombo-nista Bocato e cheque tudo que a ci-dade oferece para o músico. De um sim-ples CD até equipamentos eletrônicos: “A melhor opção para quem desem-barca em São Paulo é localizar a esta-ção de metrô mais próxima. Assim fica tudo fácil e muito mais rápido. Pegue o metrô para a linha Paulista e então des-ça na Estação Clínicas. É a mais perto da rua Teodoro Sampaio, o quadrilátero musical da cidade. Ali, o amante de música tem à disposição uma infinidade de lojas, com as mais variadas opções e preços. Eu, pessoalmente, gosto muito da Gang Instrumentos, onde pode ser encontrado o que há de melhor em equi-pamentos eletrônicos, como mesas de som, equalizadores, guitarras e teclados. Sérgio, o proprietário, entende muito do assunto e pode dar boas informações. Outra loja que costumo freqüentar, ain-da na Teodoro Sampaio, é a Ébano. Es-pecializada em instrumentos de sopro, o atendimento é de primeira linha, e tam-bém há grande variedade de acessóri-os. Seu proprietário, João Cuca, enten-de muito do assunto, e pode auxiliá-lo no que for preciso. Como sempre fui autodidata, não sa-beria indicar um local para compra de songbooks, métodos e partituras, mas, certamente, na região da Teodoro Sam-paio, existem excelentes opções para músicos amadores e profissionais. Se sua visita a Sampa for num sába-do, desça até a Praça Benedito Calixto, ali mesmo, na Teodoro Sampaio. Além de encontrar antiguidades de todos os tipos e muita gente interessante, você pode trocar, vender e comprar discos de vinil e CDs usados bem legais. A região, aliás, é o lugar certo para quem quer cruzar com músicos amadores e pro-fissionais. Ali também acontece, na par-te da tarde, uma das rodas de samba-choro mais tradicionais da Capital, com o pessoal da velha guarda do choro pau-listano apresentando-se a céu aberto. Outra opção para quem procura CDs é continuar descendo mais alguns quar-teirões, entrar na Av. Pedroso de Mora-es, e conhecer a Fnac, uma grande loja de vídeo e som, que oferece uma gama imensa de álbuns para todos os gostos e estilos, especialmente na área de jazz. Os atendentes são bem informados e conhecem bem o assunto. A loja tam-bém dispõe de uma seção de revistas importadas, onde você pode encontrar publicações específicas na área musical. Perca um pouco de tempo por lá, pois vale a pena! Volte pela mesma Teodoro Sampaio e, se for uma tarde de sábado, pare na loja Matic. Você logo vai reconhecer o local, já que, nesses dias, a partir das 16 horas, sempre acontece uma apresen-tação gratuita de música com grandes nomes. Os shows são na calçada mes-mo, e reúnem um bom número de inte-ressados. Ficando na cidade durante a sema-na, a dica para ouvir um bom som gas-tando quase nada é o Sesc Instrumental Paulista, no Sesc Paulista. A programa-ção musical acontece sempre a partir das 18h30 de segunda-feira. Já nas terças-fei-ras, às 20 horas, o bom é conferir o que rola no Teatro do Sesi, que oferece uma programação gratuita bem diversificada. A Expomusic, que neste ano aconte-ce de 25 a 29 de setembro, também é uma excelente oportunidade para quem quer aproveitar o máximo seu tempo em São Paulo. Ali, o artista vai encontrar tudo o que se refere à música, de parti-turas e instrumentos até programas de computador. A Feira da Música aconte-ce no Expo Center Norte, Pavilhões Azul, Branco I e Branco II“ S E R V I Ç O 10 08/2002 em Sampa As sugestões de Bocato para ouvir música, comprar CDs, equipamentos eletrônicos e ver gente do meio musical em São Paulo Beatriz Weingrill Praça Benedito Calixto – delimitada pelas ruas Cardeal Arcoverde e Teodoro Sampaio, fica em frente à Igreja do Calvário. As vias paralelas, entre as quais fica a Praça, são a avenida Henrique Schaumann e a rua João Moura Ébano – Rua Teodoro Sampaio, 782 – Tel.: (11) 3062-8974 Fnac - Av. Pedroso de Moraes, 858 - Pinheiros – Tel.: (11) 3097-0022 Gang – R. Teodoro Sampaio, 806 – Pinheiros – Tel.: (11) 3061-5000 Matic – R. Teodoro Sampaio, 850 – Pinheiros – Tel.: (11) 3061-1914/ 3063-1627 Sesc Paulista – Av. Paulista, 119 – auditório – Tel.: (11) 3179-3400 Teatro Popular do Sesi – Av. Paulista, 1313 – Tel.: (11) 3284-3639 Expomusic – Feira Internacional da Música, Instrumentos Musicais, Áudio, Iluminação e Afins – Expo Center Norte – R. José Bernardo Pinto, 333 – Vila Guilherme (de 25 a 29 de setembro).
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    D I CA T É C N I C A 60 Use escala cromática para gliss curtos Use escala cromática ou diatônica para gliss longos Bandas e Fanfarras: Análise técnica dos problemas constantes II Nesta edição, vamos finalizar o tema iniciado na Revista Weril 141: Fraseado e Articulações, com dicas particularmente indicadas para os mestres de banda. A s bandas logo se tornam familiares com as figuras rít-micas sincopadas (figuras que aparecem no tempo fra-co). Por esta razão, poderá ser um aspecto dificultante para alunos com pouca experiência em seguir o tempo forte do compasso. Portanto pede-se ao regente uma ins-trução especial neste sentido, particularmente se existir uma síncopa com nota longa, esta deve ser acentuada. Exemplo 22 Estudantes jovens podem ter a tendência em entrar atrasado nas mínimas. Veja o exemplo 22a. A pausa de semínima no tempo forte é passada antes que eles se dêem conta. Ensine-os a não se perderem. A pausa de semínima, particularmente em andamentos rápidos, é difí-cil de contar. Os alunos devem aprender a “ler na frente”. Ritmos tais como os do exemplo 23 podem apresentar problemas similares devido à alternância entre tocar no tempo forte e fora de tempo. Os alunos devem ser ins-truídos a marcar as notas tocadas no tempo. Exemplo 23 Em vez de explicar uma síncopa de colcheia como sendo a segunda metade de um tempo cheio, tente ex-plicá- la como sendo uma antecipação do próximo tempo. Exemplo 24 Falls off (queda) podem apresentar muitos problemas, o maestro deve instruir os alunos acerca do tamanho do fall. Alguns arranjadores são bastante específicos e indicam se o fall é short (curto) ou long (longo) - veja a tabela sobre articulações no final desta matéria. Confusões poderão ser evitadas, aconselhando os alunos a terminarem o fall num determinado tempo. O fall não deve ser abrupto, mas desaparecer gradualmente, seguido de um diminuendo ao longo do fall. Os alunos não precisam se preocupar com uma escala particular, pois o fall é meramente um efeito. Exemplo 25 Maestro Beto Barros* No caso do fall off, os músicos não devem se perder no compasso. Eles precisam continuar contando cuidado-samente através de seu comprimento inteiro. O fall deve ser curto se existe uma entrada imediatamente após, as-sim como no exemplo 26. Existem outros termos para fall off, como por exemplo, spill ou gliss, ou ainda drop, todas com o mesmo significado, que seria “cair fora da nota”. Veja exemplo 26. No caso deste exemplo, não existe muita diferença se o fall off não for executado, já que ele está muito perto do compasso seguinte. Em outros casos ele funciona com muita propriedade. Exemplo 26 Quando for realizar um gliss, glissando entre duas no-tas como no exemplo 27. A nota que aparece no final do glissando deverá ser ligeiramente acentuada, já que ela é a culminação do glissando. A escolha da escala para o glissando é livre, em alguns casos, é governada pela dis-tância entre as notas das pontas do glissando. Exemplo 27 Os alunos devem ser informados da importância de um bom ataque antes de se preocupar com os gliss ou falls. Jovens músicos são freqüentemente culpados de co-meçarem um gliss ou fall off antes que tenham executa-do um bom ataque na nota precedente. O arranque para o ataque do glissando ascendente é similar para o gliss descendente (fall off). Diferente do glissando descenden-te, o ascendente normalmente incorpora um crescendo. Os saxes poderão iniciar o gliss ascendente pianissimo, ou possivelmente em sub tone (sub tone é um efeito muito usado e bastante bonito. É utilizado basicamente em dois contextos: o backing, “cama” para um solo de metal ou soli, ou para um solo de saxs. Consiste em um som macio com um pouco de ar presente, produzido por um leve relaxamento, soltura da embocadura e com a colocação de ar nas bochechas e nas cavidades da boca). Os trom-bones têm uma vantagem óbvia em executá-los. Os trom-petes poderão usar a técnica de ½ válvula. Uma localiza-ção determinada da nota da culminância do glissando é muito importante e realmente muito difícil para jovens músicos com pouca experiência.
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    * Maestro BetoBarros dirige sua própria empresa de produções artísticas e culturais. Contatos para cursos e workshops: (11) 3257-7385 e 3151-4047 ou betobarros@ieg.com.br Tabela de Padronização das Articulações Heavy Accent / Acento Pesado Mantenha o valor total da nota Heavy Accent / Acento Pesado Mantenha menos do que o valor total Heavy Accent / Acento Pesado Mais curto possível Staccato / Destacado Curto, não pesado Legato Tongue / Ligado de Língua Mantenha o valor total da nota The Shake / Parecido com Trinado Variação da nota para cima Lip Trill / Trinado de Lábio Parecido com o shake, porém mais lento e com controle labial Wide Lip Trill / Trinado de Lábio Como lip trill porém com intervalo mais longo The Flip / Impulso Repentino Toque a nota, suba para o agudo e desça com um glissando The Smear / Deslizar Deslizar para a nota indicada The Doit / Brincar Toque a nota e faça um glissando ascendente Du / Fechado Falso ou abafado, surdina fechada Exemplo 30 Aguarde os próximos tópicos que serão abordados em edições futuras. Esta matéria é complicada e difícil, tanto para os alunos com pouca experiência, quanto para os instrutores. No entanto, a chave para o sucesso com a banda ou fanfarra é muito trabalho, ensaio e experi-mentação, por isso, o instrutor/maestro poderá mudar ou acrescentar marcações de articulações no seu reper-tório, adaptando-as para o seu grupo. O importante é ter uma direção da articulação que será usada para todos. Uma banda afinada e com fraseado e articulações bem resolvidos, já está um passo à frente. Wah / Aberto Nota cheia, não abafada. Surdina aberta Short Gliss Up / Gliss Asc. Curto Deslize para a nota ascendentemente; nenhuma nota individual é escutada Long Gliss Up / Gliss Asc. Longo Mais longo do que o de cima Short Gliss Down / Gliss Desc. Curto O contrário do short gliss up Long Gliss Down / Gliss Desc. Longo O contrário do long gliss up Short Lift / Elevação Curta Entre na nota via escala cromática ou diatônica começando +/- terça abaixo Long Lift / Elevação Longa Como o exemplo acima, porém com a entrada mais longa Short Spill / Queda Curta Queda rápida diatônica ou cromática; o contrário do short lift Long Spill / Queda Longa Como o exemplo acima, porém com a queda mais longa The Plop / Esquema Rápido deslizamento descendente antes de soar a nota Indefinite Sound / Nota Fantasma Nota indefinida ou nota engolida Exemplo 28 Notas fantasmas (ghost notes) são aquelas dedilha-das, mas que não soam realmente com a mesma força, peso e ataque, ou importância de uma nota regular. O exemplo 29 mostra o uso das notas fantasmas. Exemplo 29 É responsabilidade do líder, primeiro sax alto, decidir onde as notas fantasmas são apropriadas. Mesmo que não sejam indicadas, elas são muito usadas em andamentos rápidos e complexos. Normalmente em colcheias e semicolcheias, para facilitar um fraseado suave e equilibrado. O exemplo 30 ilustra a notação apropriada para trompetes e trombo-nes nas notas abertas e fechadas. Com surdina plunger mute, o sinal (+) indica fechado e o sinal (0) indica aberto.
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    Nos trombones devara, tenores e baixos com roto-res, é possível a utilização destes recursos através de estudos específicos de acionamento dos mesmos, utili-zando certas passagens ou combinações de intervalos primeiramente na mesma posição e, posteriormente, com-binando com outras posições. Algumas passagens, na região da extensão original do trombone em Sib (sem a utilização do rotor), devem ser estudadas e preparadas em suas posições e combinações normais para que a digitação não se acomode à utilização contínua do rotor. Isto, para evitar que a execução fique comprometida, caso ocorra por algum impedimento ou incidente, a ne-cessidade de tocar em um instrumento sem rotor. O trom-bone, quando utilizado com os rotores, passa a ter me-nos posições. Acionado o registro em Fá (rotor 1 tenor e baixo), dispõe somente de 6 posições. O trombone baixo com os dois rotores acionados dispõe de 5 posições. O trombone baixo, quando utilizado o 2º rotor indepen-dente com a pompa em Sol terá 6 posições. Já com a pompa adicional em Ré acionando somente o 2º rotor, obterá 5 posições. A prática de exercícios sistemáticos utilizando as várias combinações do rotor com notas exe-cutadas sem o mesmo, dará mais liberdade na utilização do sistema, proporcionando melhor qualidade musical em frases rápidas ou com intervalos mais distantes, principal-mente na região média para a grave. O rotor também pode ser utilizado em trinados ou trilos em algumas regi-ões do instrumento. Alguns métodos Importantes para estudos sistemáti-cos e utilização do rotor: G. Gagliardi – Coletânea de Estudos Diários para Trombone Joannes Rochut – Melodious Études for Trombone Jacques Toulon – Dix Études pour le Trombone Basse Fa et Ré A. Slama – Estudo de Escalas * Renato Farias é trombonista, professor e artista Weril. Contatos: (11) 9612-1296 ou e-mail: fariasrenato@yahoo.com.br Posições básicas do trombone * Pode ser utilizado com a pompa em Ré, acionando somente o 2° rotor.
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    Maratonistas CD passoa passo* musicais T OD0S OS T O NS r e v i s t a 1 5 Delícias e agruras de quem sobrevive de música em nosso país O músico e militar Aristóteles: vida corrida Muita gente acha que vida de mú-sico é moleza. Tem um dia-a-dia sem rotinas, acorda tarde, não tem que bater ponto e, muito menos, passar grande parte de sua vida dentro de um escritório, cum-prindo horários. Além disso, se di-verte. Mas a “tal liberdade” também cobra seu preço. No Brasil, o instru-mentista muitas vezes precisa se des-dobrar entre vários empregos e “bi-cos” para poder garantir o pagamen-to de suas contas no fim do mês. “Vou pegando tudo o que aparece: trabalhos em estúdios, aulas particu-lares e casamentos”, afirma Marcus Vinicius Manfredi, o Zão, trompetis-ta “pau pra toda obra”, que toca na banda Funkacid, de São Paulo. A carga horária de um músico, muitas vezes, pode ser comparada à de uma maratona. Zão que o diga: “Em um final de semana, já cheguei a tocar em casamentos às 17,18 e 19 horas, depois sai correndo para a fazer a entrada de uma noiva na Hebraica (clube paulistano), e voei para um show, pois também toco em algumas bandas que se apresentam na noite”, revela. Aliás, casamen-tos são um grande negócio para os trompetistas, que têm nesse nicho uma excelente oportunidade de ren-da. “Para nós é ótimo, pois é sem-pre um dinheiro que entra, mas me espanto como essa gente gosta de casar!”, comenta. Histórias de corre-corre também são contadas pelo saxofonista Sa-muel Pompeu, que certa vez se apresentou com a orquestra da Osesp, em São Paulo, das 17 às 18 horas e, no mesmo dia, às 22 horas, fez um show com o grupo Fat Fami-ly, em Juiz de Fora (MG). “O táxi já estava na porta do aeroporto me es-perando. Se tivesse chegado alguns minutos depois, iria perder a apre-sentação”, diz Samuel, que, mesmo tendo no currículo apresentações com bandas de artistas como Gilber-to Gil, Maria Bethânia, Skank, Mo-raes Moreira e muitos outros, ainda tem que participar do cotidiano “olímpico” do músico brasileiro. E a vida pessoal, como fica? Sa-muel revela que sua mulher também está acostumada à rotina de shows. “Ela é backing vocal do cantor ro-mântico Vavá. Como trabalha no show business, ela entende a situa-ção. Mas, mesmo assim, a gente acaba não se vendo por um bom tempo e, às vezes, isso é complica-do”, lamenta. Para evitar essa dis-tância, o trombonista Aristóteles San-tos, o Totty, leva a esposa em algu-mas apresentações, já que seu rit-mo é intenso - além de músico, é militar. Além dos ensaios e compro-missos da corporação, ele toca na noite em duas bandas, grava com alguns grupos de pagode e, até pou-co tempo, atuava como músico subs-tituto no musical Les Misérables. Beatriz Weingrill
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    16 08/2002 Ficandoem forma. Musicalmente Steven Trinkle, mestre em música e performance pelo Ithaca College, é professor de trompete da Shenan-doah Conservatory e Shenandoah University. O músico, que nasceu em Silver Lake, Kansas, EUA, também atua como regente e tem diversas aparições em renomadas orquestras do país e do Exterior, como as Sinfônicas de Houston e Maracaibo, na Venezuela. Atualmente, Trinkle é o diretor artístico do Trinkle Brass Works e membro honorário da ATB (Associação dos Trompetistas do Brasil), por seus esforços no desenvolvimento dos trompetistas no Brasil. Em recente visita à fábrica da Weril, o músico norte-americano concedeu esta entrevista: RW: O sr. vê diferença entre os mú-sicos de sua geração e os atuais estudantes? Quais? ST: Meus alunos estão tocando mú-sicas que eu não tocava quando es-tava nesse mesmo estágio. Eles to-cam melhor, são melhores nas téc-nicas, e isso acontece porque o con-tato com as diferentes técnicas dis-poníveis é mais fácil hoje em dia. Com isso, a possibilidade de cresci-mento musical é imensa, pois se aprende a tocar músicas de diversas culturas, e esse intercâmbio é ma-ravilhoso. Em contrapartida, eles têm bem menos experiência de palco. RW: O que o sr. aconselha a seus alunos para que se mantenham “musicalmente em forma”? ST: Para se manter sempre em sua melhor forma, o estudante deve se-guir uma rotina de prática diária de duas a três horas, que deve incluir ENTREVISTA Beatriz Weingrill exercícios de flexibilidade, interva-los, oitavas, escalas (estudo de afi-nação), arpejos, tocar sons em pia-no, notas longas, golpes de língua (1 múltiplo, 2 simples), ornamenta-ção, trinados labiais (trompetes em Sib, Dó e Ré), leitura à primeira vis-ta, treinamento de digitação, sons pedais, estudos de transposição e passagens orquestrais. Os treina-mentos também podem ser combi-nados, por exemplo: golpes de lín-gua com passagens orquestrais, di-gitação com flexibilidade. RW: Quais métodos e estudos con-sidera essenciais para o estudante iniciante? ST: Uma boa bibliografia consiste em Escalas Maiores e Menores e Arpegi-os Maiores e Menores, ambos do Ar-ban, Estudos, de Hering e Kopprasch, Flexibilidade, de Schlossberg e Solos, de Haydn, Hummel, Ropartz e Balay. Revista Weril: Quais atitudes o sr. considera importantes para quem quer obter um amadurecimento musical adequado? Steven Trinkle: Em primeiro lugar, é preciso não ser arrogante. O músi-co tem de ter humildade, tem que entender que ele é parte do todo. Muitos pensam que são melhores do que o colega ao lado e acabam com-prometendo o resultado do todo. Também é preciso estar em cons-tante atualização. A arte da música muda. O que aprendi há dez anos continua sendo importante, mas é diferente do que ensino hoje. RW: Na sua opinião, qual a situa-ção mais motivadora para um músico? ST: Para mim, tocar uma peça total-mente inédita, que nunca tenha ouvi-do, antes é um desafio genial. Uma situação realmente muito motivadora. Para Trinkle, o músico deve incorporar uma rotina diária de duas a três horas de estudos práticos