O documento apresenta uma edição da revista Weril, incluindo matérias sobre o maestro Diogo Pacheco, a nova trompa dupla fabricada no Brasil e dicas do trompista Angelino Bozzini.
Diogo
Pacheco:
polêmicoe
talentoso
Pág. 3
Angelino
Bozzini
testou a
nova trompa
dupla Weril
Pág. 5
r e v i s t a
JULHO/AGOSTO.2002.ANO 24.Nº142.WWW.WERIL.COM.BR
Dicas do trombonista Bocato para
curtir música em São Paulo
Pág. 10
2.
“Gostaria de parabenizara equipe de edição e redação da Revista Weril pelo
excelente trabalho feito durante estes anos e, é claro, pelas ótimas modifica-ções
na publicação, que a deixaram com cara de século XXI. Parabéns também
pela nova linha de trompetes. Muito me orgulha saber que temos instrumen-tos
de tão alta qualidade produzidos no Brasil.”
REVISTA WERIL é uma publicação bimes-tral
da Weril Instrumentos Musicais Ltda.
Conselho Editorial: Angelino Bozzini,
Dalmário Oliveira, Domingos Sacco, Gilberto
Siqueira, Mônica Giardini, Radegundis
Feitosa, Renato Farias, Sílvio Depieri
Editora: Aurea Andrade Figueira (MTb
12.333) - Redatores: Mônica Ranieri,
Nelson Lourenço e Rafael Argemon -
Fotos de capa: Beatriz Weingrill - Redação
e correspondência: Em Foco Assessoria
de Comunicação - Rua Dr. Renato Paes de
Barros, 926, São Paulo/SP 04530-001
e-mail: revista@weril.com.br
Projeto gráfico, diagramação e edito-ração
eletrônica: Yvonne Sarué Design
Tiragem: 35.100 exemplares
As matérias desta edição podem ser utili-zadas
em outras mídias ou veículos, des-de
que citada a fonte.
Matérias assinadas não expressam obri-gatoriamente
a opinião da Weril Instru-mentos
Musicais
Distribuição gratuita
Atendimento ao Consumidor
Weril 0800 175900
S U A S N O T A S
10
5
Í N D I C E
190
2 08/2002
E D I T O R I A L
10
4
11
Perfil - Maestro Diogo Pacheco
Efeito Sonoro – Conheça a trompa dupla
Papo com o Mestre – Angelino, do Theatro Municipal de SP
Por Estas Bandas – o ritmo contagiante do Berimbrown
Intercâmbio
Fique de Olho – lançamentos em CDs, livros e DVDs
Música Viva – dicas de Bocato para curtir música em Sampa
Dicas Técnicas
Todos os tons– os profissionais dos “mil” empregos
Entrevista – o norte-americano Steven Trinkle
6
15
Deivson Ferreira dos Santos (por e-mail)
“Parabéns pela inovação gráfica da revista. Ficou simplesmente ‘brilhante’.
As dicas técnicas estão muito melhores anexadas à revista. Valeu Weril!”
Diego Coelho Adam (RS)
“Continuem nos mantendo sempre atualizados a respeito dos eventos que
acontecem no Brasil e no mundo. Gostaria que, nas próximas edições, publi-cassem
uma matéria sobre festivais de músicas no Brasil”
Douglas Vieira (SP)
“Comecei a estudar clarinete e gostaria de pedir uma matéria na próxima
edição sobre o clarinete baixo e o sax barítono, mostrando grandes músicos
destes instrumentos”.
José Aderaldo (PB)
R.: Obrigado pelo seu contato, José. Sua sugestão foi anotada para publica-ção
em uma próxima oportunidade.
Agradecemos todas as correspondências recebidas. Se você também quer
entrar em contato conosco, confira no expediente nosso endereço e e-mail.
Correção
O instrumento tocado por Quinzinho Oliveira é o trom-pete,
e não o trombone, conforme publicado no ro-dapé
da Dica Técnica 58, edição 141 da Revista Weril
Os contatos também podem ser feitos através dos
telefones (11) 4990-7401 e (11) 9620-8246.
16
3
8
3.
P E RF I L
Batuta
polêmica
Com talento proporcional à sua língua afiada, o
maestro Diogo Pacheco não tem pudor em dizer
que, no Brasil, o que falta para a música erudita
“dar as caras” é pura vontade política do poder
Beatriz Weingrill
iogo Pacheco, hoje com 73 anos, poderia ser classi-ficado
como uma pessoa polêmica. Diz que a músi-ca
está em seu sangue: “Logo que saí da barriga de
minha mãe, cantei uma ária de ópera”, brinca o
maestro paulistano. Afirma ainda que ninguém tem
coragem de fazer música erudita de vanguarda
atualmente, pois as pessoas não se atrevem a se-rem
execradas pelo público.
Nascido em uma família cheia de músicos –
seu irmão era tenor e sua irmã pianista, Pacheco
conta que a primeira coisa que comprou na vida
foi uma vitrola com rádio, na época, um móvel
enorme. E foi graças aos programas que ali ouvia,
que sua paixão pela música, erudita e popular, co-meçou
a crescer.
Talvez por isso, o maestro sempre tenha gosta-do
de misturar esses dois mundos, participando de
movimentos vanguardistas e realizando concertos
com artistas contemporâneos da música popular,
como a turma da Jovem Guarda. “Em 65, fui ex-pulso
do Theatro Municipal, tive que sair pela ja-nela!
Só porque fiz música de vanguarda. Fui o
primeiro a fazer John Cage no Brasil (compositor
vanguardista norte-americano que produziu alguns
dos trabalhos mais radicais de experimentação den-tro
da música, como a composição 4’33’’, toda fei-ta
por pausas). Me desculpe a modéstia, mas não
existe ninguém hoje para fazer esse tipo de coisa,
como eu fazia”, afirma, enfatizando a constante
necessidade da junção do antigo com o novo, do
popular com o erudito e assim por diante. “Seria
muito bom se os jovens músicos retomassem essa
interação entre gerações e estilos musicais. Isso só
enriqueceria nossa música e a eles mesmos”, acon-selha.
Sobre o espaço que a música erudita tinha
(e não tem mais) em redes grandes de TV, ele é
enfático: “Não é espaço que falta à música erudita
na TV, é patrocínio, vontade política. Quando o Boni,
ex-diretor da Rede Globo, estava na emissora, sem-pre
havia programas com música erudita. E para
dar uma idéia da populari-dade
que a TV dá a qual-quer
coisa, na época em
que eu apresentava o ‘Con-certos
Internacionais’, não
pagava conta de restaurante nenhum! Nem táxi!
Uma vez um mendigo me parou na rua, no Rio de
Janeiro, e me falou: ‘Bonita aquela música que o
senhor faz de madrugada.’ Um mendigo! Isso pro-va
que não precisa entender de música para gostar
dela. Ora, não precisa entender de costura para se
vestir, não?”, questiona.
Quanto à sua intensa participação nos Festivais
de Inverno de Campos de Jordão, Pacheco, que
esteve presente já na primeira edição, em 1969,
acha-o importantíssimo, mas afirma que a grande
sacada do festival, idealizado pelo maestro Elea-zar
de Carvalho, é a oportunidade dada a músicos
bolsistas: estudar com grandes nomes durante o
dia e de noite assistir artistas consagrados do cená-rio
erudito nacional e internacional. Esse aprendi-zado
é essencial para o jovem músico, que segun-do
Pacheco, mesmo tendo talento, necessita de
muito estudo bem direcionado e experiência.
Um apaixonado
pela música
D
“Em 65, fui expulso do
Theatro Municipal, tive que
sair pela janela! Só porque
fiz música de vanguarda”
r e v i s t a 3
4.
E F EI T O S O N O R O
Sonoridade “Made in
4 08/2002
Brazil”
m ano de muitos lançamentos, a Weril coloca
no mercado mais uma novidade: a trompa du-pla
com mecânica 100% brasileira, fabricada a
partir do que existe de mais moderno em tecno-logia
para produção de instrumentos de sopro.
A trompa, em Sib e Fá, apresenta quatro
válvulas rotativas duplas, desenvolvidas no se-tor
de projetos e confeccionadas no Centro de
Torneamento Weril através do sistema compu-tadorizado
CNC. O resultado foi um instrumen-to
preciso, bem afinado, com perfeição sonora
na execução dos mais diversos arranjos. Na
medida exata para realização de performances
inesquecíveis!
O projeto, que custou aos engenheiros cer-ca
de seis meses de pesquisa, incluiu no instru-mento
a campana rosqueável, que permite ao
músico “desmontar” a trompa, tornando seu
transporte ainda mais fácil.
E
Gatilho e travessim
do Flugelhorn Regium
Foto: Marcelo Breyne
Campana rosqueável
Máquina dupla totalmente
produzida na Weril
5.
Trompa dupla:
agoracom o
T
H O M E N A G E M
nosso gingado
Maestro Eleazar de Carvalho
r e v i s t a
radicionalmente utilizada em orquestras,
a trompa dupla funciona com se fossem
dois instrumentos em um só: uma trompa
em Sib e outra em Fá, tocando toda a ex-tensão
com mais facilidade e naturalida-de.
Além de permitir a mudança de uma
para outra, conforme a exigência da peça
que está sendo executada. Mas engana-se
quem pensa que esse modelo só atende
bem à música erudita. A trompa dupla tam-bém
já está presente em um bom número
de bandas. A preferência é compreensível:
os arranjos para banda estão mais comple-xos
atualmente, incorporando arranjos sin-fônicos
e uma linguagem mais sofisticada.
“Dentre todos os instrumentos de me-tal,
a trompa é o que apresenta mecâni-ca
mais sofisticada. Por isso, considero um
grande avanço para nós, brasileiros, que
a Weril esteja desenvolvendo o instrumen-to
inteiramente no país e com resultados
sonoros tão positivos”, afirma Angelino
Bozzini, professor e trompista da Orques-tra
Sinfônica Municipal de São Paulo, que
experimentou a nova trompa dupla
durante seus estudos e ensaios. Se-gundo
ele, o segredo da boa sonori-dade
está justamente no funciona-mento
perfeito das válvulas rotativas,
que devem estar bem vedadas e
apresentarem movimento ágil. “Esse
ajuste é obtido na fabricação da vál-vula,
e exige muito cuidado ao ser
construído”, revela o músico, que diz
ter ficado satisfeito também com a
afinação do instrumento. Para quem
quer se aprimorar na trompa, dupla
ou não, Angelino recomenda traba-lhar
para cultivar o timbre específico
do instrumento. “Isso é obtido ouvin-do-
se bons concertos, como os Con-certos
para Trompa de Mozart, Trio
de Brahms, Concertos de Richard
Strauss e Sonata de Beethoven. Um
bom exemplo de músico da atualida-de
que também vale a pena conferir
é o professor iugoslavo Radovan
Vlaktovic”, sugere.
5
P A P O C O M 0 M E S T R E
Ele conquistou o respeito das platéias de todo
o mundo, tanto por sua concepção musical na-tural
e sincera, quanto por seus profundos co-nhecimentos
da Sinfonia Fantástica, de Berlioz,
e das sinfonias de Mahler e de Beethoven. Esse
cearense talentoso, de nome Eleazar de Carva-lho,
iniciou na carreira aos 11 anos de idade e,
aos 30, já havia composto uma ópera, intitulada
“A Descoberta do Brasil”, e sido convidado para
o cargo de regente assistente da Orquestra Sin-fônica
Brasileira.
O maestro completaria 90 anos em 28 de ju-nho
de 2002, grande parte dos quais dedicados à
“Cultivar o timbre
específico da trompa
é fundamental”
divulgação da música brasileira, regendo e ensinan-do
sua arte em diversas orquestras e escolas de mú-sica
de todo o mundo. Foi sob sua batuta que a
OSESP teve seu primeiro período de prestígio a par-tir
de 1973, quando, como diretor artístico, iniciou
um trabalho para reerguer a orquestra: promoveu
uma grande modernização, abrindo concursos no
Brasil e convidando diversos músicos estrangeiros
para completarem as vagas não ocupadas. A OSESP
passou a se apresentar regularmente, com progra-mas
muitas vezes inéditos, em São Paulo e no Bra-sil.
Ali permaneceu como regente até sua morte,
em 1996, aos 84 anos.
Beatriz Weingrill
6.
P 0 RE S T A S B A N D A S
Suingue
Um dia, assistindo a um programa
sobre funk na TV Cultura, o trom
bonista Bocato ouviu um som que
o deixou fascinado. “Depois da
morte do Chico Science, havia um
vazio na nossa música”, diz o instru-mentista,
garantindo que, naquele
momento, viu uma chama de espe-rança
se acender. Eram os meninos
do Berimbrown tocando. Meses de-pois,
assistiu um show do grupo ao
vivo, em São Paulo. Foi o início de
uma forte amizade.
O Berimbrown nasceu no começo
dos anos 90, com o nome de Bloco
Afro do Povo de Minas. A proposta
era resgatar a cultura africana exis-tente
Beatriz Weingrill
em Minas Gerais, e que é qua-se
desconhecida do resto do Brasil. O
caminho encontrado pelo idealizador
do projeto, o mestre de capoeira Ne-gro
Ativo, foi uma espécie de ação
social voltada para crianças e adoles-centes
da periferia de Belo Horizon-te,
em que se ensinava a tocar tam-bor,
bem ao estilo do grupo Ilê Ayê,
da Bahia. Aos poucos, o que era ape-nas
um grupo de percussão começou
a tomar outra dimensão. Além de con-tar
com a participação de 80 jovens,
a vizinhança foi se aproximando e
agregando novos instrumentos, for-mando
um novo núcleo, mais bem
estruturado, dentro daquele grupo
6 08/2002
afro-mineiro
maior. Já no final da década, o grupo
venceu o Festival de Novas Bandas
de Minas Gerais e, além de um vide-oclipe
como prêmio, ganhou também
a simpatia do público e da mídia.
“O som que eles fazem é uma mis-tura
muito forte de funk com a música
congada, as folias de reis de Minas
Gerais, o folclore mineiro e a world mu-sic.
É tudo muito original. Daqui a cin-co
anos, o trabalho já vai estar consoli-dado
e o Brasil inteiro estará conhecen-do
esses talentos”, prevê Bocato.
O grupo, que é formado por doze
integrantes, inclui, além dos tambo-res,
bateria, percussão – com alguns
instrumentos próprios da capoeira –,
instrumentos como o baixo, guitarra e
um naipe de sopros, composto por
trombone (Marcelo Oliveira), trompe-te
(Adriano George) e sax (Marcelo Ro-cha).
O Berimbrown tem um CD pron-to,
e acabou de gravar uma música
de Jorge Benjor para integrar a trilha
sonora da Casa dos Artistas, progra-ma
exibido pelo SBT. “O naipe de so-pros
deixou de ser apenas um detalhe
e cresceu dentro da banda. Descobri-mos
que podemos apoiar a harmonia
de forma mais efetiva, auxiliar nas fra-ses,
nos ritmos, etc. Além disso, so-mos
todos autodidatas, e agimos mui-to
pelo sentimento, o que facilita na
junção entre os metais e percussão”,
conclui o trompetista Adriano.
do rádio
Manter viva a tradição das bandas
de música – civis ou militares, não
é uma tarefa das mais simples, mas
o programa “Vamos Ouvir a Ban-da”,
transmitido pela Rádio Ban-deirantes
do Rio de Janeiro, e co-mandado
pelo jornalista e radialis-ta
Zair Cansado, tem exercido um
papel determinante nesse sentido.
O programa vai ao ar todas as sex-tas-
feiras, das 22 às 23 horas, na fre-qüência
1360 kHZ, AM. Confira.
Nas bandas
CONTATOS:
Berimbrown: (31) 9672-3945 –
com Adriano e (31) 3432-2534 –
com Mestre Nego Ativo
Quinteto de Metais Goiânia Brass:
(62) 943-7957 – com Alessandro
Naipe de
sopros do
Berimbrown:
amizade
com Bocato
7.
Divulgação
Interação
coma platéia
Goiânia Brass não deixa escapar um de-talhe.
Além dos recitais tradicionais, pro-curam
tocar também em escolas, em
concertos didáticos, onde apresentam
os instrumentos e contam histórias so-bre
as peças. “Nossa proposta é inte-ragir
com a platéia, e conseguimos isso
através da variedade de repertório e até
do acompanhamento do público, em
certas músicas populares”, acredita.
Produzir música de câmara de qua-lidade,
na cidade de Goiânia (GO).
Esse foi o ponto de partida para
que cinco músicos, integrantes da
Orquestra Sinfônica de Goiânia e da
Banda Sinfônica do CEFET - Centro
Federal de Ensino Tecnológico, apos-tassem
na formação do Quinteto de
Metais Goiânia Brass. Criado em
2001, o grupo apresenta um vasto
repertório, que mistura música popu-lar,
especialmente a brasileira, e eru-dita.
Nesse caso, são valorizadas
composições feitas para essa forma-ção,
com arranjos a partir de peças
para orquestras, conjunto de cordas,
de sopros e até mesmo para órgão.
“Não temos material próprio. Pesqui-samos
e compramos pela internet,
procuramos em editoras e encomen-damos
peças para compositores”,
conta o trompetista Alessandro da
Costa, que compõe o grupo ao lado
de Jonas Figueiredo (trompete), Fer-nando
Ferreira (trombone), Cristiano
Aparecido da Costa (trompa), Eliel-son
Paulo Dantas (tuba) e Wallace da
Silva Patriarca (participação especial
na percussão).
A intenção do Quinteto é gravar um
CD em 2003. Para isso, estão se
preparando desde já. “Além de
fazer uma intensa pesquisa do
mercado musical, também de-dicamos
bastante esforço
às apresentações, pois
a receptividade do
público é funda-mental
para o mú-sico”,
explica Ales-sandro.
No quesito
apresentações, aliás, o
r e v i s t a 7
Repertório do Goiânia Brass
mistura música popular e erudita
Resgate da tradição
Criado em 1997 pela Secretaria de
Estado e Cultura do Estado de São
Paulo, o Projeto Pró Bandas vem se
destacando como um ambicioso pro-jeto
de apoio e resgate das bandas,
ministrando cursos no interior paulis-ta,
com a inclusão, este ano, das ban-das
marciais e fanfarras.
Os cursos (flauta, clarinete, saxofo-ne,
trompete, fanfarra e banda-metais,
trombone, tuba, informática ligada à
música, saxofone, improvisação e arran-jos)
percorrerão 25 cidades do interior
paulista até setembro, e são ministra-dos
por três equipes diferentes, com
profissionais gabaritados, como o maes-tro
Domingos Sacco e o trombonista
Marcelo de Jesus da Silva, o Bam Bam.
Outro destaque do projeto é a dis-tribuição
de material didático para os
Divulgação
alunos, auxiliando ainda mais no res-gate
da cultura, especialmente nos
municípios em que as bandas e fan-farras
ainda são o único núcleo de ati-vidade
musical.
O curso tem alcançado enorme su-cesso
e receptividade, e as inscrições
podem ser feitas pelo telefone (15) 251-
4573, no Conservatório Dramático Dr.
Carlos de Campos, em Tatuí.
Onde estarão acontecendo os
próximos cursos do Pró Bandas:
17 e 18/08 - Queluz, Jaú e São José
do Rio Preto
24 e 25/08 - São João da Barra, Tupi
Paulista e Altinópolis
14 e 15/09 - Cafelândia, São Bernardo
do Campo e São Luiz do Paraitinga
28 e 29/09 - Tatuí
Três equipes se dividem para
ministrar cursos em várias cidades
8.
I N TE R C Â M B I O
8 08/2002
e escolas) – eangelodasilva@aol.com
Nelilson (com músicos de todo o Bra-sil)
– R. GB 36 Q70 L22 casa A, Jardim
Guanabara 3, Goiânia (GO) – CEP:
74683-350
Denis Lima (com músicos de fanfar-ras,
filarmônicas e orquestras) – R. Alto
da Cruz, 29, Camaçari (BA) – CEP:
42800-000
Luciano de Lima Leite (com músi-cos
cristãos) – R. Francisco Rodrigues
Alves, 60, CECAP, Lorena (SP) – CEP:
22600-000
Luiz Cezar G. Serafín (com músi-cos
de todo o Brasil) – R. Mme. Pom-mery,
825, Suzano (SP) – CEP:
08615-090
Joel Dionísio de Carvalho (com trom-pistas)
– R. 3, 60, Chácara São José,
Jd. Aeroporto, Campinas (SP) – CEP:
13054-052
QUEREM RECEBER DOAÇÕES
DE TÉCNICAS / MATERIAIS
João Muleano da Silva (para sax) –
R. Santa Rita de Cássia, 396, Santa
Rosa, Caruaru (PE) – CEP: 55000-000
Bárbara da Costa Araújo (para sax
ou clarineta) – R. Valentim Cezar
Tafner, 116, Vila Nova, Socorro (SP)
– CEP: 13960-000
Romerito Santos de Souza (para
iniciantes de trompete e trombone de
pisto) – R. Loíde Alcântara, 78, (BA) –
CEP: 45850-000
Edson Rocha (para trombone de pis-to)
– R. Kaloré, 54, Pirituba, São Pau-lo
(SP) – CEP: 02976-240
Ezequias de S. Cândida (para trom-pa)
– R. V, 69, Vila Margarida, Itaguaí
(RJ) – CEP: 23820-000
Arnaldo Roque da Silva (para prin-cipiantes
em sax) – R. Heitor Azeve-do
Hummell, 543, Parque Manches-ter,
Sorocaba (SP) – CEP: 18056-340
Wagner Feliciano da Silva (para sax
alto) – R. Renascensia, 1031, Praze-res,
Jaboatão dos Guararapes (PE) –
CEP: 54330-510
Renan Azambuja (CDs de bandas
instrumentais e militares) – R. Lapla-ce,
61, Oficinas, Ponta Grossa (PR) –
CEP: 84045-450
QUEREM TROCAR PARTITURAS
Anderson Cleber Cardoso (sax tenor)
– R. Flor de Lótus, 167, Jd. Maria Cân-dida,
São Paulo (SP) – CEP: 02318-400
Aurélio Nunes Bezerra (dobrados,
samba e chorinho para trombone) –
R. Antônio Gomes de Sá, 01, Centro,
Mirandiba (PE) – CEP: 56980-000
Odair Carlos (arranjos para bandas
marciais e musicais) – Caixa Postal
4404, Presidente Prudente (SP) – CEP:
19020-990
Evandro de Souza (para trombone
em Dó e flauta doce) – R. Veiga Filho,
547, Higienópolis, São Paulo (SP) –
CEP: 01229-001
Renan Azambuja (solos de sax alto)
– R. Laplace, 61, Oficinas, Ponta Gros-sa
(PR) – CEP: 84045-450
QUEREM TROCAR
CORRESPONDÊNCIAS
Edmilson Ângelo da Silva
(com entidades, federações musicais
NAVEGUE
www.jornalmovimento.com
Neste site, dedicado à MPB, além de in-formações
sobre a música nacional, o
internauta encontra lançamentos em CD,
cadastro de músicos, arquivos musicais
e notícias atualizadas.
http://certasmusicas.digi.com.br
O site apresenta compositores e intérpre-tes
de jazz, blues, MPB e música erudita.
Fornece dados biográficos de Bach, Mo-zart,
Billie Holiday, Janis Joplin, Elis Regi-na
e Tom Jobim, entre outros artistas,
além de entrevistas e notas exclusivas.
EU RECOMENDO
Arcádio Minczuk - Oboísta da Or-questra
Sinfônica do Estado de São
Paulo
“Sinfonias de Camargo Guarnieri”
- Sinfonias 2 e 3
Orquestra Sinfônica de São Paulo,
regência de Jonh Neshling
Selo: BIS
Informações: (11) 3744-9720
“Recomendo este CD porque é um dos
poucos registros existentes de compo-sitores
brasileiros. Além disso, possui
um altíssimo nível técnico de gravação”
Edu Moreno, saxofonista
“Do pedra espia” - Itiberê Orques-tra
Família
Gravadora: Jam Music
Informações: (11) 3272-8585 –
Distribuidora Caravelas
“É um trabalho muito interessante,
composto por jovens músicos que, li-derados
por Itiberê, executam cerca
de 22 instrumentos. É uma das me-lhores
obras da atual música instru-mental
brasileira”
9.
F I QU E D E O L H O
CD
Chorinhos Didáticos
para Flauta,
Altamiro Carrilho
Gravadora:
Movie Play
Informações: (11)
3115-6833
O grande flautista
Altamiro Carrilho apresenta neste traba-lho
12 chorinhos de sua autoria, acompa-nhados
de partituras para flauta ou qual-quer
instrumento em clave de Sol. Inclui
playbacks de todas as faixas. Um CD que
vai agradar professores e alunos.
Vênus, Mauro Senise
Gravadora Independente
Informações sobre
onde encontrar o CD:
(21) 2294-8113 ou por
e-mail:
analu@oglobo.com.br
Sexto CD solo do saxofonista e flautista
Mauro Senise, “Vênus” é composto só com
músicas brasileiras com nome de mulher.
A gravação conta com a participação de
alguns dos mais competentes músicos e
arranjadores do cenário brasileiro.
Body and Soul, Billie Holiday
Gravadora: Universal Music
Informações sobre onde o CD pode ser encon-trado:
(11) 3889-5800
Conhecida como “Lady Day”, este relançamento
reúne pérolas do repertório da artista, como “Darn
That Dream” e “They Can´t Take That Away From
Me”, além de presentear os fãs do jazz com três
takes da canção “Comes Love”.
DVD
“Jazz”, de Ken Burns
GNT/Som Livre
Preço médio: R$ 165,00
Informações: (21) 2503-7738
O canal GNT e a Som Livre lançam no mercado um
box set com 4 DVDs, que trazem a íntegra dos 12
programas da série “Jazz”, de Ken Burns, exibida há
um ano pelo canal, com recorde de audiência. Consi-derada
a obra definitiva sobre este gênero musical, a
série vai além do simples estudo de um ritmo musical,
retratando o gênero como uma testemunha da histó-ria
dos Estados Unidos no século 20. Traz 498 músicas
e mais de 2,4 mil fotografias, além de depoimentos de
músicos como Wynton Marsalis e Harry Connick
LIVROS
A Arte de Ouvir
Adamo Prince – Lumiar
50 páginas cada volume
Preço: R$ 29,00 por volume
Informações: (21) 2597-2323/
2596-7104, lumiarbr@uol.com.br ou
no site: www.lumiar.com.br
Lançado em dois volumes bilíngües, o li-vro
reúne material fonográfico de alto ní-vel
artístico e didaticamente elaborado
para evolução passo-a-passo da percepção rítmica. Cada volume
é acompanhado de um CD, que traz estudos baseados em temas
universais (clássicos e populares) ou em grooves percussivos.
r e v i s t a 9
História Social do Jazz
Eric J. Hobsbawm - Paz e Terra
316 páginas
Preço:R$ 29,50
Informações: (11) 3337-8399
O historiador Hobsbawm analisa o
jazz como uma criação revolucioná-ria
dos negros. Em seu ensaio, ele
nos oferece um belo quadro de como
a industrialização e as transformações
no padrão de consumo de pretos e bran-cos
influenciou o jazz, sua indústria de dis-cos
e espetáculos.
10.
PM EÚ SRI FC IA L V I V A
Um dia musical
Vai a São Paulo nos próximos meses?
Então aproveite as dicas do trombo-nista
Bocato e cheque tudo que a ci-dade
oferece para o músico. De um sim-ples
CD até equipamentos eletrônicos:
“A melhor opção para quem desem-barca
em São Paulo é localizar a esta-ção
de metrô mais próxima. Assim fica
tudo fácil e muito mais rápido. Pegue o
metrô para a linha Paulista e então des-ça
na Estação Clínicas. É a mais perto
da rua Teodoro Sampaio, o quadrilátero
musical da cidade. Ali, o amante de
música tem à disposição uma infinidade
de lojas, com as mais variadas opções e
preços. Eu, pessoalmente, gosto muito
da Gang Instrumentos, onde pode ser
encontrado o que há de melhor em equi-pamentos
eletrônicos, como mesas de
som, equalizadores, guitarras e teclados.
Sérgio, o proprietário, entende muito do
assunto e pode dar boas informações.
Outra loja que costumo freqüentar, ain-da
na Teodoro Sampaio, é a Ébano. Es-pecializada
em instrumentos de sopro,
o atendimento é de primeira linha, e tam-bém
há grande variedade de acessóri-os.
Seu proprietário, João Cuca, enten-de
muito do assunto, e pode auxiliá-lo
no que for preciso.
Como sempre fui autodidata, não sa-beria
indicar um local para compra de
songbooks, métodos e partituras, mas,
certamente, na região da Teodoro Sam-paio,
existem excelentes opções para
músicos amadores e profissionais.
Se sua visita a Sampa for num sába-do,
desça até a Praça Benedito Calixto,
ali mesmo, na Teodoro Sampaio. Além
de encontrar antiguidades de todos os
tipos e muita gente interessante, você
pode trocar, vender e comprar discos de
vinil e CDs usados bem legais. A região,
aliás, é o lugar certo para quem quer
cruzar com músicos amadores e pro-fissionais.
Ali também acontece, na par-te
da tarde, uma das rodas de samba-choro
mais tradicionais da Capital, com
o pessoal da velha guarda do choro pau-listano
apresentando-se a céu aberto.
Outra opção para quem procura CDs
é continuar descendo mais alguns quar-teirões,
entrar na Av. Pedroso de Mora-es,
e conhecer a Fnac, uma grande loja
de vídeo e som, que oferece uma gama
imensa de álbuns para todos os gostos e
estilos, especialmente na área de jazz.
Os atendentes são bem informados e
conhecem bem o assunto. A loja tam-bém
dispõe de uma seção de revistas
importadas, onde você pode encontrar
publicações específicas na área musical.
Perca um pouco de tempo por lá, pois
vale a pena!
Volte pela mesma Teodoro Sampaio
e, se for uma tarde de sábado, pare na
loja Matic. Você logo vai reconhecer o
local, já que, nesses dias, a partir das 16
horas, sempre acontece uma apresen-tação
gratuita de música com grandes
nomes. Os shows são na calçada mes-mo,
e reúnem um bom número de inte-ressados.
Ficando na cidade durante a sema-na,
a dica para ouvir um bom som gas-tando
quase nada é o Sesc Instrumental
Paulista, no Sesc Paulista. A programa-ção
musical acontece sempre a partir das
18h30 de segunda-feira. Já nas terças-fei-ras,
às 20 horas, o bom é conferir o que
rola no Teatro do Sesi, que oferece uma
programação gratuita bem diversificada.
A Expomusic, que neste ano aconte-ce
de 25 a 29 de setembro, também é
uma excelente oportunidade para quem
quer aproveitar o máximo seu tempo em
São Paulo. Ali, o artista vai encontrar
tudo o que se refere à música, de parti-turas
e instrumentos até programas de
computador. A Feira da Música aconte-ce
no Expo Center Norte, Pavilhões Azul,
Branco I e Branco II“
S E R V I Ç O
10 08/2002
em Sampa
As sugestões de Bocato para ouvir música, comprar CDs,
equipamentos eletrônicos e ver gente do meio musical em São Paulo
Beatriz Weingrill
Praça Benedito Calixto – delimitada
pelas ruas Cardeal Arcoverde e Teodoro
Sampaio, fica em frente à Igreja do
Calvário. As vias paralelas, entre as
quais fica a Praça, são a avenida
Henrique Schaumann e a rua João
Moura
Ébano – Rua Teodoro Sampaio, 782 –
Tel.: (11) 3062-8974
Fnac - Av. Pedroso de Moraes, 858 -
Pinheiros – Tel.: (11) 3097-0022
Gang – R. Teodoro Sampaio, 806 –
Pinheiros – Tel.: (11) 3061-5000
Matic – R. Teodoro Sampaio, 850 –
Pinheiros – Tel.: (11) 3061-1914/
3063-1627
Sesc Paulista – Av. Paulista, 119 –
auditório – Tel.: (11) 3179-3400
Teatro Popular do Sesi – Av. Paulista,
1313 – Tel.: (11) 3284-3639
Expomusic – Feira Internacional da
Música, Instrumentos Musicais,
Áudio, Iluminação e Afins – Expo
Center Norte – R. José Bernardo Pinto,
333 – Vila Guilherme (de 25 a 29 de
setembro).
11.
D I CA T É C N I C A 60
Use escala cromática para
gliss curtos
Use escala cromática ou
diatônica para gliss longos
Bandas e Fanfarras:
Análise técnica dos problemas constantes II
Nesta edição, vamos finalizar o tema iniciado na Revista Weril 141: Fraseado
e Articulações, com dicas particularmente indicadas para os mestres de banda.
A s bandas logo se tornam familiares com as figuras rít-micas
sincopadas (figuras que aparecem no tempo fra-co).
Por esta razão, poderá ser um aspecto dificultante
para alunos com pouca experiência em seguir o tempo
forte do compasso. Portanto pede-se ao regente uma ins-trução
especial neste sentido, particularmente se existir
uma síncopa com nota longa, esta deve ser acentuada.
Exemplo 22
Estudantes jovens podem ter a tendência em entrar
atrasado nas mínimas. Veja o exemplo 22a. A pausa de
semínima no tempo forte é passada antes que eles se
dêem conta. Ensine-os a não se perderem. A pausa de
semínima, particularmente em andamentos rápidos, é difí-cil
de contar. Os alunos devem aprender a “ler na frente”.
Ritmos tais como os do exemplo 23 podem apresentar
problemas similares devido à alternância entre tocar no
tempo forte e fora de tempo. Os alunos devem ser ins-truídos
a marcar as notas tocadas no tempo.
Exemplo 23
Em vez de explicar uma síncopa de colcheia como
sendo a segunda metade de um tempo cheio, tente ex-plicá-
la como sendo uma antecipação do próximo tempo.
Exemplo 24
Falls off (queda) podem apresentar muitos problemas, o
maestro deve instruir os alunos acerca do tamanho do fall.
Alguns arranjadores são bastante específicos e indicam se
o fall é short (curto) ou long (longo) - veja a tabela sobre
articulações no final desta matéria. Confusões poderão ser
evitadas, aconselhando os alunos a terminarem o fall num
determinado tempo. O fall não deve ser abrupto, mas
desaparecer gradualmente, seguido de um diminuendo ao
longo do fall. Os alunos não precisam se preocupar com
uma escala particular, pois o fall é meramente um efeito.
Exemplo 25
Maestro Beto Barros*
No caso do fall off, os músicos não devem se perder
no compasso. Eles precisam continuar contando cuidado-samente
através de seu comprimento inteiro. O fall deve
ser curto se existe uma entrada imediatamente após, as-sim
como no exemplo 26. Existem outros termos para fall
off, como por exemplo, spill ou gliss, ou ainda drop, todas
com o mesmo significado, que seria “cair fora da nota”.
Veja exemplo 26. No caso deste exemplo, não existe muita
diferença se o fall off não for executado, já que ele está
muito perto do compasso seguinte. Em outros casos ele
funciona com muita propriedade.
Exemplo 26
Quando for realizar um gliss, glissando entre duas no-tas
como no exemplo 27. A nota que aparece no final do
glissando deverá ser ligeiramente acentuada, já que ela é
a culminação do glissando. A escolha da escala para o
glissando é livre, em alguns casos, é governada pela dis-tância
entre as notas das pontas do glissando.
Exemplo 27
Os alunos devem ser informados da importância de
um bom ataque antes de se preocupar com os gliss ou
falls. Jovens músicos são freqüentemente culpados de co-meçarem
um gliss ou fall off antes que tenham executa-do
um bom ataque na nota precedente. O arranque para
o ataque do glissando ascendente é similar para o gliss
descendente (fall off). Diferente do glissando descenden-te,
o ascendente normalmente incorpora um crescendo.
Os saxes poderão iniciar o gliss ascendente pianissimo, ou
possivelmente em sub tone (sub tone é um efeito muito
usado e bastante bonito. É utilizado basicamente em dois
contextos: o backing, “cama” para um solo de metal ou
soli, ou para um solo de saxs. Consiste em um som macio
com um pouco de ar presente, produzido por um leve
relaxamento, soltura da embocadura e com a colocação
de ar nas bochechas e nas cavidades da boca). Os trom-bones
têm uma vantagem óbvia em executá-los. Os trom-petes
poderão usar a técnica de ½ válvula. Uma localiza-ção
determinada da nota da culminância do glissando é
muito importante e realmente muito difícil para jovens
músicos com pouca experiência.
12.
* Maestro BetoBarros dirige sua própria empresa de produções
artísticas e culturais. Contatos para cursos e workshops:
(11) 3257-7385 e 3151-4047 ou betobarros@ieg.com.br
Tabela de Padronização das Articulações
Heavy Accent / Acento Pesado
Mantenha o valor total da nota
Heavy Accent / Acento Pesado
Mantenha menos do que o valor total
Heavy Accent / Acento Pesado
Mais curto possível
Staccato / Destacado
Curto, não pesado
Legato Tongue / Ligado de Língua
Mantenha o valor total da nota
The Shake / Parecido com Trinado
Variação da nota para cima
Lip Trill / Trinado de Lábio
Parecido com o shake, porém mais lento e
com controle labial
Wide Lip Trill / Trinado de Lábio
Como lip trill porém com intervalo mais longo
The Flip / Impulso Repentino
Toque a nota, suba para o agudo e
desça com um glissando
The Smear / Deslizar
Deslizar para a nota indicada
The Doit / Brincar
Toque a nota e faça um glissando ascendente
Du / Fechado
Falso ou abafado, surdina fechada
Exemplo 30
Aguarde os próximos tópicos que serão abordados
em edições futuras. Esta matéria é complicada e difícil,
tanto para os alunos com pouca experiência, quanto para
os instrutores. No entanto, a chave para o sucesso com a
banda ou fanfarra é muito trabalho, ensaio e experi-mentação,
por isso, o instrutor/maestro poderá mudar
ou acrescentar marcações de articulações no seu reper-tório,
adaptando-as para o seu grupo. O importante é ter
uma direção da articulação que será usada para todos.
Uma banda afinada e com fraseado e articulações bem
resolvidos, já está um passo à frente.
Wah / Aberto
Nota cheia, não abafada. Surdina aberta
Short Gliss Up / Gliss Asc. Curto
Deslize para a nota ascendentemente; nenhuma
nota individual é escutada
Long Gliss Up / Gliss Asc. Longo
Mais longo do que o de cima
Short Gliss Down / Gliss Desc. Curto
O contrário do short gliss up
Long Gliss Down / Gliss Desc. Longo
O contrário do long gliss up
Short Lift / Elevação Curta
Entre na nota via escala cromática
ou diatônica começando +/- terça abaixo
Long Lift / Elevação Longa
Como o exemplo acima, porém com a entrada
mais longa
Short Spill / Queda Curta
Queda rápida diatônica ou cromática; o
contrário do short lift
Long Spill / Queda Longa
Como o exemplo acima, porém com a queda
mais longa
The Plop / Esquema
Rápido deslizamento descendente antes de
soar a nota
Indefinite Sound / Nota Fantasma
Nota indefinida ou nota engolida
Exemplo 28
Notas fantasmas (ghost notes) são aquelas dedilha-das,
mas que não soam realmente com a mesma força,
peso e ataque, ou importância de uma nota regular. O
exemplo 29 mostra o uso das notas fantasmas.
Exemplo 29
É responsabilidade do líder, primeiro sax alto, decidir onde
as notas fantasmas são apropriadas. Mesmo que não sejam
indicadas, elas são muito usadas em andamentos rápidos e
complexos. Normalmente em colcheias e semicolcheias,
para facilitar um fraseado suave e equilibrado. O exemplo
30 ilustra a notação apropriada para trompetes e trombo-nes
nas notas abertas e fechadas. Com surdina plunger
mute, o sinal (+) indica fechado e o sinal (0) indica aberto.
13.
○ ○ ○○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○
D I C A T É C N I C A 6 1
Trombones de vara tenor e baixo:
Empunhadura, postura e função dos rotores
Otrombone de vara, assim como os demais instrumen-tos,
requer uma adaptação físico-motora do
músico, afim de que seja executado com naturalida-de
e obedeça as exigências técnicas particulares de
cada um. Portanto, antes mesmo de pensar na execu-ção
musical, é necessário ter consciência de que estará
exercendo uma atividade física da qual resultará uma
expressão musical. Assim sendo, faz-se necessário bus-car
condições físicas satisfatórias, para que se tenha
uma boa produtividade nos estudos e na atividade elegida:
a artística musical.
A família dos trombones de vara é constituída por vá-rios
modelos, sendo os mais usuais os trombones tenores
e baixos. Outros modelos são o soprano, o alto e o contra-baixo.
Dos três tenores, os modelos básicos são: tenor Sib
(sem rotor) calibre médio com ∅ 12,70 mm e campana
com ∅ 203mm, e o tenor Sib calibre largo com ∅ 13,90mm
e campana com ∅ 216mm. Este modelo tem acoplado
ao corpo da campana um conjunto de voltas tubulares que
possibilita, ao acionar o gatilho, utilizá-lo em Fá, recurso
responsável pela aproximação, por exemplo, das posições
6 e 7 para 1 e 2, bem como aumentar a extensão origi-nal
do instrumento em uma quadra abaixo. O conjun-to,
quando acoplado ao instrumento original, torna-o
um pouco mais pesado. O trombone baixo (com 2 rotores)
Sib/Fá/Solb/Ré ou Sib/Fá/Ré/Si (com pompa adicional
em Ré) calibre ∅ 14,30mm e campana com ∅ 241mm ou
∅ 267mm, tem um peso ainda maior do que o tenor
com 1 rotor, pois possui
2 rotores corresponden-tes
a 2 conjuntos de vol-tas
tubulares, que alte-ram
sua extensão em
quase 1 oitava.
Para a boa utilização
e proveito de todos es-tes
sistemas, dois pon-tos
são extremamente
importantes:
Renato Farias*
. As diferentes empunhaduras, dependendo do modelo :
. A postura correta de
corpo e mãos, como na
foto ao lado.
1. para os trombones tenores
Sib (sem rotor) e Sib/Fá (com
1 rotor)
2. para os trombones baixos
com a pompa normal (Solb)
acionando os 2 rotores simul-taneamente
3. para os trombones baixos
com pompa adicional em Ré
acionando o 2º rotor inde-pendente
1
2 3
A variação da empunhadura nos trombones baixos,
quando da utilização do 2ª pompa (adicional em Ré), é
devido à necessidade de se ter o independente aciona-mento
do 2° rotor ou o registro em Ré com o dedo anular,
sendo que com o trombone com a 2ª pompa normal (em
Solb), para se ter o registro em Ré, terá que estar aciona-do
os dois rotores simultaneamente, permitindo maior fir-meza
e equilíbrio na sustentação do instrumento. Obser-ve
como o dedo indicador da mão esquerda funciona como
escoramento, impossibilitando o desequilíbrio e o tomba-mento
ao transpor para o lado esquerdo. Com estas vari-ações
de empunhadura, o instrumento também poderá
estar mais apoiado na palma da mão esquerda, permitin-do
melhor acionamento dos rotores de forma indepen-dente
ou simultânea. Deve-se levar em conta a necessi-dade
de alongamento prévio e pós dos braços, pulsos e
dedos, no caso do instrumentista passar longo tempo de
sua atividade com o instrumento empunhado.
14.
Nos trombones devara, tenores e baixos com roto-res,
é possível a utilização destes recursos através de
estudos específicos de acionamento dos mesmos, utili-zando
certas passagens ou combinações de intervalos
primeiramente na mesma posição e, posteriormente, com-binando
com outras posições. Algumas passagens, na
região da extensão original do trombone em Sib (sem a
utilização do rotor), devem ser estudadas e preparadas
em suas posições e combinações normais para que a
digitação não se acomode à utilização contínua do rotor.
Isto, para evitar que a execução fique comprometida,
caso ocorra por algum impedimento ou incidente, a ne-cessidade
de tocar em um instrumento sem rotor. O trom-bone,
quando utilizado com os rotores, passa a ter me-nos
posições. Acionado o registro em Fá (rotor 1 tenor e
baixo), dispõe somente de 6 posições. O trombone baixo
com os dois rotores acionados dispõe de 5 posições. O
trombone baixo, quando utilizado o 2º rotor indepen-dente
com a pompa em Sol terá 6 posições. Já com a
pompa adicional em Ré acionando somente o 2º rotor,
obterá 5 posições. A prática de exercícios sistemáticos
utilizando as várias combinações do rotor com notas exe-cutadas
sem o mesmo, dará mais liberdade na utilização
do sistema, proporcionando melhor qualidade musical em
frases rápidas ou com intervalos mais distantes, principal-mente
na região média para a grave. O rotor também
pode ser utilizado em trinados ou trilos em algumas regi-ões
do instrumento.
Alguns métodos Importantes para estudos sistemáti-cos
e utilização do rotor:
G. Gagliardi – Coletânea de Estudos Diários para Trombone
Joannes Rochut – Melodious Études for Trombone
Jacques Toulon – Dix Études pour le Trombone Basse Fa et Ré
A. Slama – Estudo de Escalas
* Renato Farias é trombonista, professor e artista Weril.
Contatos: (11) 9612-1296 ou e-mail: fariasrenato@yahoo.com.br
Posições básicas do trombone
* Pode ser utilizado com a pompa em Ré, acionando somente o 2° rotor.
15.
Maratonistas
CD passoa passo*
musicais
T
OD0S
OS
T
O
NS
r e v i s t a 1 5
Delícias e agruras de
quem sobrevive de
música em nosso país
O músico e militar
Aristóteles: vida corrida
Muita gente acha que vida de mú-sico
é moleza. Tem um dia-a-dia
sem rotinas, acorda tarde, não
tem que bater ponto e, muito
menos, passar grande parte de sua
vida dentro de um escritório, cum-prindo
horários. Além disso, se di-verte.
Mas a “tal liberdade” também
cobra seu preço. No Brasil, o instru-mentista
muitas vezes precisa se des-dobrar
entre vários empregos e “bi-cos”
para poder garantir o pagamen-to
de suas contas no fim do mês.
“Vou pegando tudo o que aparece:
trabalhos em estúdios, aulas particu-lares
e casamentos”, afirma Marcus
Vinicius Manfredi, o Zão, trompetis-ta
“pau pra toda obra”, que toca na
banda Funkacid, de São Paulo.
A carga horária de um músico,
muitas vezes, pode ser comparada
à de uma maratona. Zão que o diga:
“Em um final de semana, já cheguei
a tocar em casamentos às 17,18 e
19 horas, depois sai correndo para a
fazer a entrada de uma noiva na
Hebraica (clube paulistano), e voei
para um show, pois também toco em
algumas bandas que se apresentam
na noite”, revela. Aliás, casamen-tos
são um grande negócio para os
trompetistas, que têm nesse nicho
uma excelente oportunidade de ren-da.
“Para nós é ótimo, pois é sem-pre
um dinheiro que entra, mas me
espanto como essa gente gosta de
casar!”, comenta.
Histórias de corre-corre também
são contadas pelo saxofonista Sa-muel
Pompeu, que certa vez se
apresentou com a orquestra da
Osesp, em São Paulo, das 17 às 18
horas e, no mesmo dia, às 22 horas,
fez um show com o grupo Fat Fami-ly,
em Juiz de Fora (MG). “O táxi já
estava na porta do aeroporto me es-perando.
Se tivesse chegado alguns
minutos depois, iria perder a apre-sentação”,
diz Samuel, que, mesmo
tendo no currículo apresentações
com bandas de artistas como Gilber-to
Gil, Maria Bethânia, Skank, Mo-raes
Moreira e muitos outros, ainda
tem que participar do cotidiano
“olímpico” do músico brasileiro.
E a vida pessoal, como fica? Sa-muel
revela que sua mulher também
está acostumada à rotina de shows.
“Ela é backing vocal do cantor ro-mântico
Vavá. Como trabalha no
show business, ela entende a situa-ção.
Mas, mesmo assim, a gente
acaba não se vendo por um bom
tempo e, às vezes, isso é complica-do”,
lamenta. Para evitar essa dis-tância,
o trombonista Aristóteles San-tos,
o Totty, leva a esposa em algu-mas
apresentações, já que seu rit-mo
é intenso - além de músico, é
militar. Além dos ensaios e compro-missos
da corporação, ele toca na
noite em duas bandas, grava com
alguns grupos de pagode e, até pou-co
tempo, atuava como músico subs-tituto
no musical Les Misérables.
Beatriz Weingrill
16.
16 08/2002
Ficandoem forma.
Musicalmente
Steven Trinkle, mestre em música e
performance pelo Ithaca College, é
professor de trompete da Shenan-doah
Conservatory e Shenandoah
University. O músico, que nasceu em
Silver Lake, Kansas, EUA, também
atua como regente e tem diversas
aparições em renomadas orquestras
do país e do Exterior, como as
Sinfônicas de Houston e Maracaibo,
na Venezuela. Atualmente, Trinkle
é o diretor artístico do Trinkle Brass
Works e membro honorário da ATB
(Associação dos Trompetistas do
Brasil), por seus esforços no
desenvolvimento dos trompetistas
no Brasil. Em recente visita à fábrica
da Weril, o músico norte-americano
concedeu esta entrevista:
RW: O sr. vê diferença entre os mú-sicos
de sua geração e os atuais
estudantes? Quais?
ST: Meus alunos estão tocando mú-sicas
que eu não tocava quando es-tava
nesse mesmo estágio. Eles to-cam
melhor, são melhores nas téc-nicas,
e isso acontece porque o con-tato
com as diferentes técnicas dis-poníveis
é mais fácil hoje em dia.
Com isso, a possibilidade de cresci-mento
musical é imensa, pois se
aprende a tocar músicas de diversas
culturas, e esse intercâmbio é ma-ravilhoso.
Em contrapartida, eles têm
bem menos experiência de palco.
RW: O que o sr. aconselha a seus
alunos para que se mantenham
“musicalmente em forma”?
ST: Para se manter sempre em sua
melhor forma, o estudante deve se-guir
uma rotina de prática diária de
duas a três horas, que deve incluir
ENTREVISTA
Beatriz Weingrill
exercícios de flexibilidade, interva-los,
oitavas, escalas (estudo de afi-nação),
arpejos, tocar sons em pia-no,
notas longas, golpes de língua
(1 múltiplo, 2 simples), ornamenta-ção,
trinados labiais (trompetes em
Sib, Dó e Ré), leitura à primeira vis-ta,
treinamento de digitação, sons
pedais, estudos de transposição e
passagens orquestrais. Os treina-mentos
também podem ser combi-nados,
por exemplo: golpes de lín-gua
com passagens orquestrais, di-gitação
com flexibilidade.
RW: Quais métodos e estudos con-sidera
essenciais para o estudante
iniciante?
ST: Uma boa bibliografia consiste em
Escalas Maiores e Menores e Arpegi-os
Maiores e Menores, ambos do Ar-ban,
Estudos, de Hering e Kopprasch,
Flexibilidade, de Schlossberg e Solos,
de Haydn, Hummel, Ropartz e Balay.
Revista Weril: Quais atitudes o sr.
considera importantes para quem
quer obter um amadurecimento
musical adequado?
Steven Trinkle: Em primeiro lugar,
é preciso não ser arrogante. O músi-co
tem de ter humildade, tem que
entender que ele é parte do todo.
Muitos pensam que são melhores do
que o colega ao lado e acabam com-prometendo
o resultado do todo.
Também é preciso estar em cons-tante
atualização. A arte da música
muda. O que aprendi há dez anos
continua sendo importante, mas é
diferente do que ensino hoje.
RW: Na sua opinião, qual a situa-ção
mais motivadora para um
músico?
ST: Para mim, tocar uma peça total-mente
inédita, que nunca tenha ouvi-do,
antes é um desafio genial. Uma
situação realmente muito motivadora.
Para Trinkle, o músico deve incorporar uma rotina
diária de duas a três horas de estudos práticos