A PUNIÇÃO FÍSICA DE CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIA MENTAL NO AMBIENTE DOMÉSTICO Paulo Pinto Alexandre Orientadora : Dra Cristian...
INTRODUÇÃO <ul><ul><li>A punição física é uma realidade no relacio-namento de pais e filhos  (AZEVEDO; GUERRA, 2005; WEBER...
INTRODUÇÃO <ul><ul><li>A punição física na relação do adulto com a criança historicamente foi sendo construída a partir de...
INTRODUÇÃO <ul><li>Para Straus  (1994, p.197): </li></ul><ul><ul><li>“ punição corporal é o uso de força física com a inte...
REVISÃO DA LITERATURA REALIZADA EM TRÊS ETAPAS <ul><li>Duas importantes revisões e um levantamento nas principais bases de...
REVISÃO DA LITERATURA E JUSTIFICATIVA <ul><ul><li>Verdugo et al., (1995), estudo com 445 pessoas de 0 a 19 anos idade com ...
OBJETIVOS  <ul><li>1) Descrever a punição física grave e não grave no ambiente doméstico contra crianças com deficiência m...
MÉTODO <ul><li>Desenho do estudo:  estudo de corte transversal. </li></ul><ul><li>Local : As crianças são freqüentadoras d...
MÉTODO <ul><li>Definições  de  punição física  grave e não grave: </li></ul><ul><ul><li>a) Contra a criança: </li></ul></u...
MÉTODO <ul><ul><li>b) Contra os pais: </li></ul></ul><ul><ul><ul><li>Grave : surras de cinta, chicote/vara, socos, cabo de...
CONSIDERAÇÕES ÉTICAS <ul><li>Os participantes da pesquisa assinaram um termo de consentimento livre e esclarecido somente ...
AMOSTRA <ul><li>Amostra inicial de 149 pacientes: todas as crianças de 0 a 12 anos com diagnóstico de deficiência mental d...
SISTEMATIZAÇÃO DOS DADOS <ul><li>Fez-se análise estatística  no SPSS, versão 10.0; </li></ul><ul><li>Fez-se testes de Qui-...
PUNIÇÃO FÍSICA CONTRA AS CRIANÇAS
PUNIÇÃO FÍSICA GRAVE  CONTRA A CRIANÇA <ul><li>Constata-se que 12,1% das crianças sofreram punição física grave no ambient...
PUNIÇÃO FÍSICA NÃO GRAVE CONTRA A CRIANÇA <ul><li>Chama atenção a alta taxa de  60,6 % de punição física não grave contra ...
PUNIÇÃO FÍSICA GRAVE CONTRA OS PAIS NA INFÂNCIA/ADOLESCÊNCIA
PUNIÇÃO FÍSICA GRAVE  CONTRA OS PAIS <ul><li>63,6% sofreu punição física grave; </li></ul><ul><li>Mais  comuns : surras de...
PUNIÇÃO FÍSICA NÃO GRAVE  CONTRA OS PAIS <ul><li>86,4% sofreu punição física não grave na infância/adolescência; </li></ul...
PAIS VÍTIMAS DE PUNIÇÃO FÍSICA GRAVE E O USO CONTRA OS FILHOS
DISCUSSÃO <ul><li>Filhos de informantes v í timas de puni ç ão f í sica grave na infância ou adolescência têm maiores chan...
PAIS VÍTIMAS DE PUNIÇÃO FÍSICA NÃO GRAVE E O USO CONTRA OS FILHOS
DISCUSSÃO <ul><li>A  punição física  de criança com deficiência mental desta amostra foi  freqüente : </li></ul><ul><ul><l...
DISCUSSÃO <ul><li>Semelhanças das taxas de punição física entre crianças com e sem deficiência: </li></ul><ul><ul><ul><li>...
DISCUSSÃO <ul><ul><li>Comparação com dados  internacionais : </li></ul></ul><ul><ul><ul><li>12,1% de punição física grave ...
DISCUSSÃO <ul><li>A freq ü ência da puni ç ão f í sica entre crian ç as com deficiência mental parece ser tão alta quanto ...
DISCUSSÃO <ul><li>Assim, fica evidente a necessidade de prevenções para remediar os efeitos da punição física contra a cri...
AGRADECIMENTOS <ul><li>Ao Instituto Presbiteriano Mackenzie que financiou este trabalho de pesquisa, através do Fundo Mack...
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A punição física de criança com deficiência mental no ambiente doméstico, dissertação de mestrado de Paulo Alexandre. Para os que apreciam trabalhos acadêmicos, vale conferir.

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Defesa2008 1

  1. 1. A PUNIÇÃO FÍSICA DE CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIA MENTAL NO AMBIENTE DOMÉSTICO Paulo Pinto Alexandre Orientadora : Dra Cristiane Silvestre de Paula
  2. 2. INTRODUÇÃO <ul><ul><li>A punição física é uma realidade no relacio-namento de pais e filhos (AZEVEDO; GUERRA, 2005; WEBER; VIEZZER; BRANDERNBURG, 2002; WEBER; BRANDENBURG 2005; VITOLO et al., 2005 ); </li></ul></ul><ul><ul><li>A punição física pode causar danos para o desenvolvimento sócio-psico-emocional da criança ( WILLIAMS, 2003; WEBER; VIEZZER; BRANDERNBURG, 2002; BASTOS, et al., 1999) </li></ul></ul><ul><ul><li>A punição física faz fronteira com o abuso físico e violência física contra a criança ( STRAUS, 1994; AZEVEDO; GUERRA 2001; WEBER, 2001; DAY et al., 2003; GUERRA, 2005); </li></ul></ul>
  3. 3. INTRODUÇÃO <ul><ul><li>A punição física na relação do adulto com a criança historicamente foi sendo construída a partir de uma concepção de infância corrupta , que requeria o combate dela por meio da vara, da palmatória (ARIÈS, 1981; BADINTER, 1985; POLLOCK, 1990). </li></ul></ul><ul><ul><li>No contexto brasileiro a punição física esteve presente desde o Brasil Colônia (DEL PRIORE, 2002). </li></ul></ul><ul><ul><li>Há informações de que os Jesuítas foram os que socializaram a punição física no contexto brasileiro (SILVA, 2002; GUERRA, 2005) . </li></ul></ul>
  4. 4. INTRODUÇÃO <ul><li>Para Straus (1994, p.197): </li></ul><ul><ul><li>“ punição corporal é o uso de força física com a intenção de fazer a criança experimentar dor, mas sem machucá-la, com a finalidade de correção ou controle do comportamento da criança” . </li></ul></ul><ul><li>Portanto, a punição física significa infringir dor a uma criança de modo intencional para que ela pare com o comportamento indesejado ou inadequado sob o ponto de vista do adulto. Assim, a punição física independente da forma em que aparece é, no mínimo, uma agressão ao corpo da criança (AZEVEDO; GUERRA, 2004). </li></ul>
  5. 5. REVISÃO DA LITERATURA REALIZADA EM TRÊS ETAPAS <ul><li>Duas importantes revisões e um levantamento nas principais bases de dados da área da saúde (MEDLINE, LILACS E PUBMED) identificaram: </li></ul><ul><ul><ul><li>Prevalência de punição física contra crianças surdas (ROPER, 1998), N=52 estudantes jovens e adultos surdos, 86% receberam punição física dos pais. Resultado : crianças surdas são punidas na mesma freqüência e severidade que crianças ouvintes; </li></ul></ul></ul><ul><ul><li>Longo et al. (2002) e Weber e Brandenburg (2005); Horner-Johson e Drum (2006) </li></ul></ul>
  6. 6. REVISÃO DA LITERATURA E JUSTIFICATIVA <ul><ul><li>Verdugo et al., (1995), estudo com 445 pessoas de 0 a 19 anos idade com deficiência mental. Prevalência de maus-tratos de 11,5%(n=51), destes 31% de suspeita de abuso físico . </li></ul></ul><ul><ul><li>Percebe-se, portanto, que o tema é importante e que publicações científicas referentes ao uso da punição física em crianças com deficiência mental por parte de mães ou pais são muito raras (HORNER-JOHNSON;DRUM, 2006). </li></ul></ul>
  7. 7. OBJETIVOS <ul><li>1) Descrever a punição física grave e não grave no ambiente doméstico contra crianças com deficiência mental; </li></ul><ul><li>2) Descrever a punição física grave e não grave que os pais destas crianças sofreram durante a infância/adolescência e, se isto, tem alguma associação com a punição física que praticam atualmente contra seu filho com deficiência. </li></ul>
  8. 8. MÉTODO <ul><li>Desenho do estudo: estudo de corte transversal. </li></ul><ul><li>Local : As crianças são freqüentadoras de uma unidade de reabilitação clínica de uma instituição privada no Grande ABC, São Paulo. </li></ul><ul><li>Usou-se um questionário estruturado (Anexo 2), que foi aplicado na própria instituição por auxiliares de pesquisa treinados; </li></ul>
  9. 9. MÉTODO <ul><li>Definições de punição física grave e não grave: </li></ul><ul><ul><li>a) Contra a criança: </li></ul></ul><ul><ul><ul><li>Grave : bater no corpo e nas nádegas com objeto, surra, queimar, chutar, sufocar, esganar, sacudir ( < 2anos), ameaçar com faca ou revólver. </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>Não Grave : chinelada, puxão de orelha, sacudir ( > 3anos), beliscão, puxão de cabelo, empurrão, croque, tapa no rosto, ajoelhar no milho; </li></ul></ul></ul>
  10. 10. MÉTODO <ul><ul><li>b) Contra os pais: </li></ul></ul><ul><ul><ul><li>Grave : surras de cinta, chicote/vara, socos, cabo de vassoura, pontapés, correia de máquina, fio de ferro, queimaduras, imersão da cabeça na privada, por a mão em chapa quente de fogão. </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>Não grave : tapas nas nádegas, chinelada, puxão de orelha, beliscão, puxão de cabelo, empurrão, bofetadas. </li></ul></ul></ul>
  11. 11. CONSIDERAÇÕES ÉTICAS <ul><li>Os participantes da pesquisa assinaram um termo de consentimento livre e esclarecido somente após a leitura da carta de informação ao sujeito. </li></ul><ul><li>Para os coordenadores da instituição, foi apresentado o parecer da comissão de ética da UPM, uma carta de informação e o termo de consentimento livre e esclarecido. </li></ul>
  12. 12. AMOSTRA <ul><li>Amostra inicial de 149 pacientes: todas as crianças de 0 a 12 anos com diagnóstico de deficiência mental de uma instituição de reabilitação clínica no Grande ABC. </li></ul><ul><li>Após 17 perdas (11,4%), a amostra final ficou em 132 famílias. </li></ul>
  13. 13. SISTEMATIZAÇÃO DOS DADOS <ul><li>Fez-se análise estatística no SPSS, versão 10.0; </li></ul><ul><li>Fez-se testes de Qui-quadrado e razão chances ( odds ratio ), com intervalo de confiança de 95%. </li></ul>
  14. 14. PUNIÇÃO FÍSICA CONTRA AS CRIANÇAS
  15. 15. PUNIÇÃO FÍSICA GRAVE CONTRA A CRIANÇA <ul><li>Constata-se que 12,1% das crianças sofreram punição física grave no ambiente doméstico, nos últimos 12 meses. </li></ul><ul><li>As formas relatadas : queimar com fogo, cigarro, água quente; bater no corpo com objeto inclusive nas nádegas e surras. </li></ul><ul><li>Não identificadas : sacudir ( < 2anos), chutar, sufocar, esganar e ameaçar com arma. </li></ul>
  16. 16. PUNIÇÃO FÍSICA NÃO GRAVE CONTRA A CRIANÇA <ul><li>Chama atenção a alta taxa de 60,6 % de punição física não grave contra a criança; </li></ul><ul><li>Todas as formas de punição física não grave investigadas nesta pesquisa foram relatadas; </li></ul><ul><li>Forma rara : ajoelhar no milho (n=1); </li></ul><ul><li>Forma mais comum : chinelada (49,4%); </li></ul><ul><li>Mais freqüente : chinelada, puxão de orelha (16,7%), sacudir ( > 3anos) 16,7% e beliscão (12,1%). </li></ul>
  17. 17. PUNIÇÃO FÍSICA GRAVE CONTRA OS PAIS NA INFÂNCIA/ADOLESCÊNCIA
  18. 18. PUNIÇÃO FÍSICA GRAVE CONTRA OS PAIS <ul><li>63,6% sofreu punição física grave; </li></ul><ul><li>Mais comuns : surras de cinta (53,0%), surras de chicote/vara (18,9%) e socos (12,1%); </li></ul><ul><li>Não relatadas : queimaduras, imersão da cabeça na privada e pôr a mão em chapa quente de fogão. </li></ul>
  19. 19. PUNIÇÃO FÍSICA NÃO GRAVE CONTRA OS PAIS <ul><li>86,4% sofreu punição física não grave na infância/adolescência; </li></ul><ul><li>Todas as formas investigadas por este estudo estiveram presente; </li></ul><ul><li>Mais comuns : tapas nas nádegas (59,8%), chinelada (58,3%), puxão de orelha (37,1%) e beliscão (31,8%). </li></ul>
  20. 20. PAIS VÍTIMAS DE PUNIÇÃO FÍSICA GRAVE E O USO CONTRA OS FILHOS
  21. 21. DISCUSSÃO <ul><li>Filhos de informantes v í timas de puni ç ão f í sica grave na infância ou adolescência têm maiores chances de serem punidos fisicamente que filhos de informantes que não haviam sido v í timas desse tipo de puni ç ão (OR=1,2; p=0,01). </li></ul>
  22. 22. PAIS VÍTIMAS DE PUNIÇÃO FÍSICA NÃO GRAVE E O USO CONTRA OS FILHOS
  23. 23. DISCUSSÃO <ul><li>A punição física de criança com deficiência mental desta amostra foi freqüente : </li></ul><ul><ul><li>12,1% haviam sofrido punição física grave e </li></ul></ul><ul><ul><li>60,6% punição física não grave, </li></ul></ul><ul><ul><li>Crianças de 06 a 12 anos. </li></ul></ul><ul><ul><ul><li>Essas taxas são compatíveis com o trabalho de Bordin et al. (2006) que encontrou 10,1% de punição física grave e 75,3% de punição não grave em crianças sem deficiência. </li></ul></ul></ul>
  24. 24. DISCUSSÃO <ul><li>Semelhanças das taxas de punição física entre crianças com e sem deficiência: </li></ul><ul><ul><ul><li>Usou-se a mesma definição de Bordin et al. (2006); </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>A instituição funciona como uma forma de controle social; </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>Questões culturais: crianças com deficiência seriam mais protegidas no contexto brasileiro (PICCININI et al. (2003) </li></ul></ul></ul>
  25. 25. DISCUSSÃO <ul><ul><li>Comparação com dados internacionais : </li></ul></ul><ul><ul><ul><li>12,1% de punição física grave desta pesquisa é inferior a de amostras na Europa (31%) - (VERDUGO et al.,(1995); </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>O que pode ser explicado pela grande variação nas taxas de prevalência de abusos contra a criança oscilando entre 9,7% e 61% (GONZALVO, 2002; WILLIAMS (2003), em função de definições adotadas. </li></ul></ul></ul>
  26. 26. DISCUSSÃO <ul><li>A freq ü ência da puni ç ão f í sica entre crian ç as com deficiência mental parece ser tão alta quanto entre crian ç as sem deficiência e a transgeracionalidade fica clara neste estudo. </li></ul>
  27. 27. DISCUSSÃO <ul><li>Assim, fica evidente a necessidade de prevenções para remediar os efeitos da punição física contra a criança com deficiência e evitar a sua repetição, pois as taxas encontradas por esse estudo são altas. </li></ul>
  28. 28. AGRADECIMENTOS <ul><li>Ao Instituto Presbiteriano Mackenzie que financiou este trabalho de pesquisa, através do Fundo Mackenzie de Pesquisa. </li></ul><ul><li>À instituição que abriu suas portas para que nela realizássemos esta pesquisa. </li></ul><ul><li>À Josie D’Almeida, à Luana e à Nádia que me ajudaram nas simulações de aplicação do instrumento de coleta de dados. </li></ul><ul><li>Ao Orlando pela preparação do banco de dados no Acess e pela consultoria. </li></ul>

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