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Conheça a
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  1. 1. FUNDAÇÃO DO CURSO DE JORNALISMO Conheça a história do professor RÔmulo Azevedo Raimundo Cavalcante, o primeiro aluno do curso pág. 6 pág. 10 pág. 18 Edição 1 Turma 2022.1
  2. 2. Casa. De todas as palavras relacionadas aocursodejornalismoda UEPB, ditas em entrevis- tas à nossa equipe, essa foi a que me chamou mais atenção. Como um curso de formação aca- dêmica poderia criar esse sentimento tão sin- gelo e reconfortante nas pessoas? Em 50 anos de existência, alunos, pro- fessores e técnicos usam um pequeno substan- tivo feminino para fa- lar sobre essa gradua- ção que forma, todos os anos, o que há de melhor no jornalismo paraibano. Criar a Revista Meio Século foi um desafio que nossa equipe insistiu para fazer desde a pri- meira reunião da nossa redação, sendo um dos primeiros produtos a ser confirmado. - “Vamos ter a revista!” Mas sobre o quê? Sobre quem? Qual recorte entre mais de 600 meses vamos esco- lher? Dividimos os conte- údos com as outras pla- taformas e chegamos a um acordo: a revista pre- cisa seguir uma ordem para contar a história do curso que forma “con- tadores de histórias”. Ao deslizar pelas páginas, você irá en- contrar entrevistas com personagens importan- tes da história do cur- so, curiosidades sobre a nossa estrutura e pro- jetos, relatos de pesso- as que passaram pela UEPB em períodos mais recentes, fotografias e documentos históricos, além de uma crônica que volta ao prédio do São José, antiga insta- lação do nosso curso. Caro leitor, nossa re- vista digital é um encon- tro do passado com o presente. Você poderá se aventurarnãosópeloque temos aqui, mas tam- bém em outras plata- formas do nosso projeto. Nosso podcast, site e as redes sociais se juntam à revista para comemorar, com uma redação inte- grada, produções móveis e digitais, as 5 décadas de jornalismo na UEPB. Embarque nesta viagem em nossa casa. Conheça ou relembre o passado, sinta o presen- te e sonhe com o futuro. Casa é lar, é famí- lia, e a nossa está com- pletando Meio Século. Boa leitura! EDITORIAL Sumario Cronica: O antigo eu do novo Galeria de raridades Perfil: Romulo Azevedo Da sala de aula para a TV Entrevista: Raimundo Cavalcante De primeiro aluno a professor O nascimento do curso: quase meio século de sua fundação Os pilares do Jornalismo: a estrutura do curso na UEPB Perfil: Daniel Motta “O jornalismo de hoje, é a história de amanhã” ^ ^ O suporte para o futuro: importância dos técnicos no curso Clique no número da página desejada para ser direcionado. 4 8 12 14 16 5 10 6
  3. 3. novo por Alisson Brando | Produção: Raiza Mota CRÔNICA O antigo “eu”do 4 5 GALERIA RARIDADES de de Clique nas miniaturas para abrir as fotos em tamanho expandido. 1ª sede do curso, no São José Central de Aulas, sede atual B airro São José de Cam- pina Grande, um clássi- co para os graduados daquele ano, a minha casa era diferente, as portas estavam sempre abertas para a entrada dos filhos da comu- nicação. Vigilantes e seguran- ças sempre ausentes, sabia lá onde estavam, mas não íamos procurar, não me sentia tão segura, mas o abraço do es- paço tornou tudo diferente e seguro para a nossa conclusão que sempre estava a chegar. A precariedade sempre existia, mas nada nos impe- dia, árvores os tínhamos para que tudo pudesse ser lindo, habitavam morcegos dentro delas pois eram o seu lar, as- sim como o antigo prédio que eu estava a frequentar. Portas pequenas e grandes estavam prestes a me abraçar, dia e noite tudo a constatar pois re- latos emitiram que era igual nível médio escolar, éra- mos tão distante um dos outros, mas tão perto que não fugia de um ambiente universitário familiar. Não sei se chegava a se considerar, mas a madri- nha que tínhamos lá nos so- corre até no dia secular. Toi- nha, mulher forte e guerreira que sempre esteve presente no nosso lar, tão difícil resis- tir quando passávamos por lá, cheirinho de acolhimen- to e gosto de aproveitar, des- de o tempo do São José essa mulher estava para nos abra- çar, digna de se homenagear. Que pátio tão famoso era aquele que pisamos para fes- tejar, eram organizadas pelos próprios filhos da comunica- ção que moravam por lá. Ban- das de pop e rock iam se apre- sentar, muitas expectativas e comentários rondavam por lá, calouradas bem faladas que meus amigos comentavam d e s - de a data marcada, toda turma entra- va na onda da at- mosfera da festa com muitas b e b i - das e músicas para aproveitar. Tínhamos cinco labora- tórios: informática, fotografia, edição de vídeo, rádio e um Estúdio de jornal de TV. Proje- to gráfico me permitia diagra- mar conteúdos que hoje me fazem levar para demais filhos da comunicação, onde adotei o papel da minha antiga gera- ção. A Biblioteca habitava para o nosso saber, quão bom era frequentar aquele lugar, a ma- gia era ímpar. Eram modesta- mente equipados para o que se precisava, mas não eram completos, nem dos melho- res, mas nos fez se aperfeiçoar. Nada a reclamar, só a re- latar. Cinquenta anos do curso se fez, o antigo “Eu” do prédio se faz agora novo, dinâmi- cas e estruturas que hoje nos possibilitam alcançar objeti- vos com facilidades a nosso favor. Que tempo bom foi vi- ver no São José, parte de mim carrega um espaço espetacu- lar naquele lugar, lembranças presentes ao subir escadas e rampas no nosso atual CIAc.”
  4. 4. D e máscara no rosto, pro- tegendo-se da Covid-19. Com um boné na cabe- ça. Na mão, um celular, a lista de presença dos alunos e o livro de Vera Paternostro — que afirma reiteradamente para os alunos ser a “bíblia” do telejornalismo. Assim, Rômulo Azevedo termina mais uma aula de laboratório de telejornalismo na sala 204 na Central de Aulas da UEPB. Muitos dos alunos saem de sala. Cinco alunos ficam tirando dú- vidas. Cada um rece- be a devida orientação. Tudo para que o telejor- nal da turma fique pronto o mais rápido possível. Aos 69 anos, j á com os cabelos brancos, essa tem sido a rotina do Professor Rômulo Azevedo. Com mais de 47 anos de sala de aula, sendo quarenta e três lecionando no curso de jornalismo da UEPB, ele é o professor com mais tempo de serviços prestados ao Depar- tamento de Comunicação da Universidade. “Eu poderia já ter me aposen- tado. Mas o que me mantém no curso é quando toda vez que vai renovar o semestre, venho na coordenação e tem lista com os novos alunos. E eu vou ficando por conta deles. E eu modes- tamente poder passar minha experiência. Desses 25 anos em televisão, editei mais 6 mil jornais. O que me prende aqui são justamente as novas gera- ções, a curiosidade dela e isso me move. Vou ficando por aqui... não sei até quando.”, relata Rô- mulo com entusiasmo. A história dele com o curso de jornalismo iniciou em 1979. Nesse ano, Ma- chado Bittencourt, que lecionava a disciplina jor- nalismo cine- matográfico, m u d o u - s e para João Pessoa e Ro- mero Aze- vedo, que e n s i n a v a técnica de c i n e m a , recebeu o convi- te para fundar o departamento de artes da Universidade Federal da Paraíba Campus II, hoje UFCG (Universidade Federal de Cam- pina Grande). Com a saída des- ses dois professores do curso de Comunicação Social e Artes da antiga URNE (Universidade Re- gional do Nordeste), atual UEPB, Rômulo foi convidado em maio daquele ano para assumir as disciplinas. Em agosto fez o con- curso. Foi efetivado. E permane- ce até hoje. O cinema foi o que deu régua e compasso a Rômulo. Quando assistiu o primeiro filme na vida por volta dos seus quatro ou cin- co anos de idade achou “fas- cinante”. Era o longa Branca de Neve e os sete anões. A primeira grande produção dos estúdios Disney foi responsável por des- pertar no ainda pequeno Rômu- lo a paixão pelo cinema. Mas a relação com a sétima arte está no DNA. Na década de 1940, seu pai era exibidor de fil- mes no interior de Alagoas. Na adolescência, o vínculo com o cinema se intensificou. No final da década 1960, fez parte do ci- neclube de Campina Grande, juntamente com o irmão, o ci- neasta Romero Azevedo, e Luiz Custódio, Bráulio Tavares, Jak- son Agra e Marcos Agra, figuras conhecidas no audiovisual e no jornalismo paraibano. Apesar da formação em direito, Rômulo não chegou a praticar a profissão. “Me projetei pra fazer cinema. Tanto é que fui estudar no Rio de Janeiro-RJ. Mas, devi- RÔMULO AZEVEDO “ “O jornalismo foi a O jornalismo foi a forma de fazer o meu forma de fazer o meu cinema cinema” ” PERFIL do às dificuldades brasileiras, tive que voltar. O Brasil não é Hollywood”, comenta. “O jornalismo foi um rio que passou na minha vida e o meu coração se deixou levar” conta Rômulo Azevedo Durante essas quatro décadas na Universidade, Rômulo esti- ma que 86 turmas já assistiram suas aulas. Ele foi chefe e vi- ce-chefe do departamento de comunicação, diretor do Centro de Ciências Sociais Aplicadas por dois mandatos e coordena- dor do curso por três vezes. Mas o professor não deixou marcas apenas no curso, mas na própria história da comu- nicação da Paraíba. “Eu tenho consciência, modestamente, de que ajudei a modernizar o jor- nalismo de televisão em Cam- pina Grande.”, conta Rômulo. Graças a formação cinema- tográfica e a aproximação com o jornalismo, Rômulo teve por- tas abertas para entrar na te- levisão. “O jornalismo me atraiu porque foi a forma de fazer o meu cinema, nas minhas re- portagens”, comenta. Em 1986, após ser demitido da TV Borborema e de uma breve passagem pela rádio Caturité, Azevedo foi convidado por Hil- ton Motta, fundador da Cam- pina FM,para integrar a equipe da rádio. Inicialmente, apresen- tou o programa de variedades chamado “Alto Falante”. Meses depois, sugeriu a Motta criar um radiojornal no meio- -dia. Naquele tempo, meio-dia nas rádios FM tocava-se músi- cas orquestradas, e no AM, era resenha esportiva. Receoso com a proposta, pois pensava que o público não gostava de ouvir notícias na hora do almo- ço, Hilton Motta permitiu, mas alertou: “é estranho, mas faça e se der certo o mérito é seu. Agora se der errado, vai ser co- brado de você.” “Criei o ‘Jornal em FM’ Come- çava ao meio-dia e terminava uma hora da tarde. Era apre- sentado por Flávio Barros, que tinha sido locutor da BBC de Londres, Inaudete Amorim, que era locutora na rádio, Timóteo de Sousa, que fazia as repor- tagens externas, Joãozito Silva, que fazia o noticiário esportivo, e eu era locutor, editor-chefe e produtor geral. Começamos o jornal e foi um sucesso”, relem- bra. Em Dezembro de 1986, Arlindo Almeida, executivo do Grupo São Braz, telefona para Rômulo e o convida para uma reunião. No encontro, recebe a proposta de um importante desafio: im- plantar o jornalismo da TV Pa- raíba. José Carlos da Silva Jú- nior (o já falecido proprietário da TV Paraíba) fez questão que o jornalista e professor fosse fazer parte da equipe. Foi chefe da redação da emis- sora por mais de 20 anos. Apro- veitava do seu cargo para levar seus alunos de telejornalismo todos os sábados para tele- visão. “Os alunos tinham essa aula extra numa emissora de verdade. Lá eles viam o repór- ter chegando com a matéria e a edição sendo feita” relembra. Em 2006, mais uma demis- são. Terminava a sua história com a TV Paraíba. Mas como da vez que foi demitido da TV Borborema, não demorou pra receber outro desafio. Mais uma vez o telefone tocava. Era o empresário Dalton Gade- lha o convidando para fazer parte da equipe da TV Itararé, hoje Rede ITA. Sem pestanejar, topou o desafio. Foi o primeiro editor chefe da emissora, onde passou 3 anos. Com alunos espalhados em todos os recantos do país, e que hoje são profissionais con- solidados, o professor que fez parte deste meio século do curso de jornalismo da UEPB deixa uma mensagem para os futuros alunos: “Primeiro lugar, respeite o pú- blico, o ouvinte, o telespec- tador. Faça um trabalho com ética, com seriedade. Faça um jornalismo para formação da cidadania das pessoas, para elas entenderem que tem di- reitos dentro dessa socieda- de.”, finaliza Rômulo. 7 6 Produção e reportagem: Hélio Andrade | Edição: Ana Beatriz Lopes
  5. 5. oito nós já estávamos dando aula, praticamente todos já se aposentaram. Meio Século - Quais eram as principais dificuldades na épo- ca da sua formação? Raimundo - A dificuldade era porque a maioria ou quase to- dos alunos já trabalhavam. A metade trabalhava na área de comunicação, mas a gen- te conciliava, porque o curso só funcionava à noite, então a gente conciliava o trabalho com as aulas. Meio Século - Como foi que o senhor decidiu que viraria pro- fessor do curso, onde se for- mou? E onde começou a dar aula ? Raimundo - Eu não decidi vi- rar professor, eu fui convidado. É tanto que eu já dava aulas, a turmas iniciantes quando eu já estava no último período, antes de terminar em setenta e sete eu já estava dando aula aos alunos novatos. Depois que me graduei, passei a dar aula a to- dos os períodos de comunica- ção. Dei aula em vários lugares que o curso passou, e fui acom- panhando, mas a maioria dos tempos foi lá no São José. Meio Século- Falando sobre mudanças, como você vê a evolução e adaptação do novo fazer jornalístico? Raimundo- Nós não podemos fugir das inovações tecnológi- cas, o repórter levava um gra- vador grande, hoje você faz com o celular. Você quer fazer um fil- me você faz pelo celular, se você quiser fazer um programa de rá- dio você faz como celular, você quer bater uma fotografia você faz com o celular. Antes nós tí- nhamos, câmeras fotográficas, hoje cada aluno tem seu celu- lar, cada aluno tem sua câme- ra para filmar. Antes para ter a câmera no curso de comunica- ção, você tinha que comprar fil- me. Hoje as inovações tecnoló- gicas favorecem demais, você só não é um bom jornalista se não quiser, porque antes você tinha só em livros para pesqui- sar, hoje você pesquisa dentro da sala de aula com o celular. Quando o aluno é convidado a fazer um trabalho, se o profes- sor não for meio exigente, o tra- balho já vem pronto, só é fazer a capa e botar seu nome, antes não tinha essa facilidade, você tinha que pesquisar, dizer o tal canto, tal livro, tal página, a re- ferência bibliográfica. Meio Século - Para dar aula no curso, você foi se adaptando também? Raimundo - Fui sim, porque co- mecei só com o giz, depois co- meçou o retroprojetor e, isso já foi um avanço. Depois dis- so, o datashow, que você liga no computador e dá a melhor aula do mundo, hoje a pessoa só não é um bom professor se não quiser. Mas antes não era fácil, você mandava fazer, tirar o retroprojetor, fazia uma lâmi- na, batia, fazia xerox na lâmina e copiava, era muito complicado. Meio Século - Qual sua pers- pectiva em relação às pessoas que já foram seus alunos e que hoje estão trabalhando na TV? Raimundo - Eu tive um alu- no que acabou de chegar da Rússia, Basílio, o pai dele é vio- leiro, um excelente aluno, fala e escreve fluentemente o rus- so, passou lá quatro anos es- tudando o russo e traduzindo obras de autores famosos para o português. Além dele, nós te- mos vários outros artistas, pro- fissionais de comunicação que estão atuando em diversas ci- dades do país. Nós formamos para o Brasil, as pessoas que ficam em Campina Grande é por opção, mas se você che- gar em Roraima você vai en- contrar mais de dez jornalistas formados em Campina Grande, se você chegar em Porto Velho, Amapá ou Acre a mesma coisa. Se você se forma pensando em ficar em Campina Grande você vai lutar muito para conseguir derrubar alguém para conse- guir aquele seu espaço, mas você pode conseguir. Conheço aqui uns cinquenta jornalistas vindos da UEPB, todos estão em TV Paraíba, TV Borborema, TV Itararé, a rádio Borborema, tem gente que me surpreende hoje. Meio Século - Como foi o pri- meiro contato com a universi- dade e qual era a emoção de cursar o jornalismo na época? Raimundo - Eu ingressei em 1973, no primeiro vestibular da antiga Universidade Regional do Nordeste, a FURNE agora UEPB, e concluí o curso em 1977, quatro anos depois. O que me motivou a ingressar no curso de comu- nicação era que na época eu já trabalhava na imprensa, tinha trabalhado no Diário da Borbo- rema como repórter, trabalhei no Correio da Paraíba como re- dator, e trabalhava na época como gerente de administrati- vo financeiro da TV Borborema. Então como eu já estava viven- ciando a comunicação e tam- bém era assessor de imprensa da Federação das Indústrias e da Universidade Federal da Pa- raíba, eu procurei uma capaci- tação que justificasse a minha atividade jornalística, mesmo eu sendo jornalista provisiona- do, ou seja, eu podia exercer até como jornalista, porque a lei me permitia mas eu procurei sus- tentar a minha atividade jorna- lística com o curso superior de comunicação. Meio Século - Como se deu esse pontapé para trabalhar nas emissoras antes de ter o curso superior de comunicação? Raimundo - Eu apenas fazia o terceiro ano científico e fiz o teste para reportér do Diário da Borborema com mais sete pes- soas, e passei junto com mais três colegas, só que eles fizeram por necessidade financeira por que eles eram estudantes, um estudava engenharia elétrica outro estudava engenharia civil e outro estudava direito. Mas aí, claro que eles iam deixar o em- prego do teste logo cedo por- que iam terminar seus cursos e eu fiquei por que minha expec- tativa era ser jornalista, como realmente sou. Então, durante os primeiros seis meses, eu já fui chefe de reportagem sem ser formado em jornalismo, no Di- ário da Borborema, já ajudava a editar o jornal. A partir de ter feito esse trabalho no Diário da Borborema, passei para o Cor- reio da Paraíba também como redator, e depois fui para a TV Borborema. Meio Século - Quantos alunos começaram na sua turma de jornalismo? Todos formaram ou desistiram no caminho? Raimundo - Acho que eram mais ou menos vinte pessoas. Todos se formaram, é interes- sante que desses que se forma- ram a maioria já se apegava a mídia, já trabalhava em rádio, jornal, televisão e queria um cur- so justamente para consolidar a profissão. Desses vinte, oito já faleceram e todos eles eram excelentes profissionais, é tanto que logo após o término do cur- so a maioria dos que se forma- ram foram sempre professores, inclusive eu. Na primeira turma de setenta e sete, em setenta e R aimundoCavalcanteRodrigues,foialunodaprimei- ra turma em 1973, ano de criação do curso, e termi- nou quatro anos depois, em 1977. Após a conclusão no mesmo ano fez um concurso para ministrar aula no referido curso tendo como colegas de trabalho grandes profissionais como Machado Bittencourt, Socorro Agra, José Humberto, Levi Soares, entre outros. Raimundo foi professor do Departamento de Comunicação Social da Paraíba por longos 41 anos, chegando a se aposentar em 2018 por tempo de serviço, ao longo desses anos o curso passou por vários coordenadores, como o ex- reitor Itan Pereira, o padre Genival Saraiva, professor Luiz Custódio, entre outros. Raimundo conversou com a equipe do pro- jeto Meio Século e contou detalhes dessa história: ENTREVISTA RAIMUNDO CAVALCANTE de primeiro aluno a professor Por: Raiza Mota | Produção: Juliana Oliveira | Edição: Laura Almeida 8 9 Raimundo Cavalcante, em sua formatura.
  6. 6. O ano era 1973. O Brasil sobrevi- via o período mais sangrento da ditadura militar com a vigência do ato institucional número 5. Em Cam- pina Grande, Evaldo Sousa Cruz assu- mia a prefeitura. A região começava a se transformar numa cidade universitária. A Escola Politécnica da Paraíba se conso- lidara como campus II da Universidade Federal da Paraíba (hoje UFCG). A Furne (Fundação da Universidade Regional do Nordeste), hoje UEPB, completava sete anos de existência. Nesse contexto, em dois de outubro daquele ano, sem sede e sem reconhecimento, era fundado o cur- so de comunicação social da FURNE. Criado pela resolução 06/73 do Con- selho de Ensino, Pesquisa e Extensão da FURNE, o curso de jornalismo está prestes a completar meio século de história. Ele é considerado um dos primeiros a existir no nordeste. “Tinha curso de comunicação em Salvador, em Recife e Fortaleza, mas Campina Grande foi a primeira cidade do interior da região a ter um curso de co- municação social”, afirma o jornalista Gil- son Souto Maior, aluno da primeira turma do curso. Em 1974, o curso teve sua primeira tur- ma. “Um fato interessante é que seus pri- meiros alunos já eram jornalistas de ba- tente, que atuavam em rádio, televisão e jornal”, relembra Gilson Souto Maior, que se tornou professor e chefe do departa- mento de comunicação no início da dé- cada 80. Além de Gilson, preenchiam a classe Machado Bittencourt, cineasta, Levy Soa- res, ex-chefe de redação da Globo Nor- deste e Raimundo Rodrigues. Todos eles se tornaram professores do curso ao lon- go da história. Inicialmente, a grade curricular con- templava também as áreas artísticas. “O currículo tinha cinema, teatro, publicida- de e propaganda, jornalismo impresso, jornalismo comparado, jornalismo cine- matográfico, jornalismo de televisão, que virou telejornalismo, paginação/diagra- mação”, diz Rômulo Azevedo, que com- pleta 43 anos como professor da UEPB. Questionado como era ensinar em plena ditadura militar, Rômulo decla- ra: “era um clima sufocante. Mas o curso conseguiu atravessar essa fase sombria da história brasileira. Tinha problema em toda a universidade. Você entrava na sala de aula e tinha um aluno novo, que ninguém conhecia. Perguntava “quem é esse cara?” –“ não sei, é um transferido”. Não era. Era um espião que ficava na sala pra ouvir quem era o mais afoito, quem era que criticava o governante.” Mesmo sob tanta pressão, após 5 anos de existência, em 1978, o curso obteve o reconhecimento oficial. Ernesto Geisel, o então presidente da república, no de- creto Nº 82.673, no dia vinte de novembro expressou: É concedido reconhecimento aos cursos de Ciências Contábeis e de Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo, ministrados pelo Cen- tro de Ciências Humanas, Letras e Artes, mantido pela Fundação Universidade Re- gional do Nordeste, com sede na cidade de Campina Grande, Estado da Paraíba. “Esse foi o grande momento do nosso curso”, relembra Rômulo. O nascimento do curso, há quase meio século REPORTAGEM Por Hélio Andrade “CAMPINA GRANDE FOI A PRIMEIRA CIDADE DO INTERIOR DA REGIÃO A TER UM CURSO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL” Resolução de criação do curso de Comunicação Social, em 1973 11 10
  7. 7. H á dez anos a Central de Aulas da UEPB se tornou a “morada” do cur- so de jornalismo. A transição para o local marca apenas uma das diver- sas mudanças que já aconteceram na estru- tura, buscando oferecer uma melhor experi- ência para os estudantes e equipe técnica. Hoje, com os laboratórios e equipamentos adequados, o graduando consegue ter o es- tudo teórico intercalado com a execução de atividades práticas, no objetivo de preparar para o mercado de trabalho, que deman- da cada vez mais um jornalista multitarefa. Em uma história que alcança quase meio século, o curso já passou por inúmeras casas. Durante boa parte da década de 70, por exemplo, um espaço do colégio Pio XI foi cedido para permitir o funcionamento das atividades pedagógicas do curso que, na época, era Comunicação Social com Habili- taçãoemJornalismo.Aconquistadeumlocal próprio, situado no bairro do São José, sina- lizava que passos largos estavam sendo da- dos em busca de uma estrutura adequada e capaz de abrigar os estudantes do departa- mento. A sede no São José ainda era carente em inúmeros quesitos, mas já representava um avanço nos recursos oferecidos, com a presença de laboratórios e equipamentos. Em 2012, quando foi integrado à Central de Aulas, o Departamento de Comunica- ção pôde desfrutar de um espaço moderno e que atende boa parte de suas ne- cessidades. Uma parte dos equipa- mentos e mobílias utilizados no São José foram rea- proveitados, mas a renovação dos la- boratórios, com es- truturas completa- mente atualizadas e que correspon- dem às demandas contemporâneas do jornalismo pos- sibilitam, hoje, uma experiência mais qualificada para o aluno. É como escla- rece Leonardo Alves, professor doutor da UEPB: “Houve sim um aprimoramento. Na minha época mesmo [São José], os labo- ratórios tinham uma estrutura bem mais precária. Parte deles foi reaproveitada em alguns outros projetos na Central de Aulas, mas hoje por exemplo o estúdio de Telejornalismo tem uma boa estrutu- ra, as câmeras são de grande qualidade, nem toda emissora de televisão da Pa- raíba tem câmeras como essas que es- tão disponibilizadas no curso. O estúdio, a acústica, os profissionais envolvidos: são técnicos específicos com ampla ex- periência. Da mesma forma no estúdio de rádio, que não deixa a desejar por ne- nhuma rádio aqui da Paraíba, tem uma boa acústica, tem uma estrutura boa, tem um grande profissional trabalhando.” Mais recentemente, no ano de 2017, foram inauguradas novas estruturas para os laboratórios de telejornalismo e radiojornalismo, além da inauguração do laboratório de Web Rádio e do laboratório de Projeto Gráfico e Design Editorial. Com isso, o Câmpus I da UEPB fornece ao curso de jornalismo um total de 7 (sete) laboratórios: Telejor- nalismo, Radiojornalismo, Foto- jornalismo, Multimídia, Labora- tório de Web Rádio, Laboratório de Projeto Gráfico e Redação e, por fim, Laboratório de Pro- jeto Gráfico e Design Editorial. Sobre a necessidade de contar com esse apoio estru- tural na formação acadêmica, o estudante Rodrigo Silva afir- ma: “É importante ter essa parte de prática com todo o material disponível. Desde você conse- guir produzir de audiovisual e de texto, o curso disponibiliza tudo, a gente tem essa possi- bilidade e também tem a con- dição de não saber em quanto tempo vai chegar a mexer com isso no mercado de trabalho. Desde o início você aprender e já sair do curso com essas ha- bilidades, faz toda a diferença.” Olhando para o futuro, a estrutura do Departamento de Comu- nicação precisa continuar sendo revisada e aprimora- da, buscando atender deman- das que se tornam pertinentes para a formação acadêmica na área atualmente. Uma das pre- tensões é a construção do labo- ratório de Jornalismo Móvel e do laboratório Convergente. A inau- guração desses dois espaços pos- sibilitaria que o curso ficasse a par de novos modelos de produção jorna- lística importantes. “Tem sempre novos elementos surgindo e o jornalismo vai acompanhando essa evolução tecnoló- gica. Faz muito parte da nossa vida lidar com tecnologia, nunca parar no tempo, e como o curso foca muito na parte práti- ca, ele não pode parar no tempo, ele tem que acompanhar essas mudanças, ele tem que entender, os professores tam- bém têm que entender”, finaliza Rodrigo. 13 REPORTAGEM Atualmente o corpo docente do curso de jor- nalismo é constituído por 20 professores efe- tivos, além de alguns professores substitutos. Na parte de apoio laboratorial, são contabili- zados 8 técnicos que atuam nos laboratórios e auxiliam os alunos e professores. Ao todo, o departamento conta também com 10 salas de aula, 12 projetores próprios para a reprodução de mídias e 45 computadores distribuídos nos espaços laboratoriais, além de dois computa- dores disponíveis para acesso na Biblioteca da CIA I, situada no 1º andar da Central de Au- las. A Biblioteca CIA I armazena também um rico acervo do curso de jornalismo, incluindo materiais bibliográficos, produções como mo- nografias e periódicos, além de publicações digitais que podem ser consultadas no acer- vo online do portal CAPES. No ano de 2016, fo- ram contabilizadas 1.501 obras existentes, so- mando um total de 4,925 volumes disponíveis. PILARES DO CURSO DE JORNALISMO ESTRUTURA DO CURSO Por Roberto de Sousa | Produção: Érica Silva Desde as salas, laboratórios e equipamentos, a estrutura do curso de Jornalismo, na UEPB, prepara os estudantes para o mercado profissional 12 Experiência prática ajuda alunos do curso a chegarem ao mercado de trabalho preparados. (Reprodução: Internet)
  8. 8. REPORTAGEM 14 15 N a universidade Estadual da Paraíba os estudantes de jornalismo contam com o auxílio técnico para ajudar sempre que precisarem de equipa- mentos ou fazerem uso das salas de labora- tório. A intenção é ajudar ainda mais os alunos a terem conhecimento a respeito dos equi- pamentos e melhorar o desempenho no mer- cado de trabalho. Esse auxílio aos estudantes vem sendo oferecido desde que houve a mi- gração do curso da sede do São José para a Central de Aulas Paulo Freire. Os técnicos do curso de jornalismo garantem o bom funcionamento dos equipamentos, os mantendo em bom estado de conservação e sempre atualizados para suprir a prática ne- cessária para a formação dos alunos, além auxiliar na administração das salas de labo- ratório. Atualmente o curso possui três técnicos especializados para auxiliar os estudantes: Giancarlo Galdino e Renato Hennys, são téc- nicos de estúdio e multimídia e Paulo Arquilino é o cinegrafista e editor de imagem do curso. Além dos técnicos que prestam serviços à experiência prática, outros auxiliares fazem parte da história do curso de jornalismo e atu- am como agentes integradores entre aluno e coordenação. Esse é o caso de Gustavo Silva que é secretário de curso e atua no período noturno, Tiago Almeida, secretário do de- partamento de jornalismo, trabalhando pela manhã, além de Ronaldo Rodrigues e Ricardo Ferreira que são assistentes administrativos e também auxiliam os alunos nas questões la- O SUPORTE PARA O O SUPORTE PARA O futuro do jornalismo boratoriais. Em entrevista com um dos técnicos que prestam auxílio aos estudantes de jor- nalismo na UEPB, Ricardo Ferreira, diz que completa 15 anos de trabalho na UEPB, des- de que prestou concurso para a instituição em 2007. Ricardo afirma que no antigo São José não havia uma estrutura com equipa- mentos laboratoriais para os estudantes, e que houveram grandes mudanças, como o acréscimo do laboratório de telejornalismo e do laboratório de radiojornalismo, que só foram implantados quando chegaram na central de aulas, além das salas de projeto gráfico e a sala de multimídia. O uso dos laboratórios é um sistema de parceria entre professor e técnico que visa o aprendizado do aluno. Ricardo afirma que seu relacionamento com alunos e professo- res é sem dúvida um dos melhores: “mui- tos professores que dão aula hoje no curso foram alunos quando eu entrei de início no curso e tenho forte admiração por todos”. Ele ainda informou que pretende também se- guir nesse meio e fazer um doutorado para aperfeiçoar ainda mais o trabalho executa- do na universidade. Embora a UEPB já disponibilize equipa- mentos para ajudar na experiência profis- sional Ricardo alega que deve haver melho- riassignificativasequedevehavercobrança para com a parte gestão, “ deve haver con- solidação para que os laboratórios passem por uma reconstrução em geral, como por exemplos os computadores da sala de jor- nalismo, ar condicionado e até mesmo as câmeras fotográficas”. Ao entrevistar a estudante de jornalis- mo Laura Almeida sobre a importância dos técnicos, a aluna destaca que toda vez que precisou de auxílio, os técnicos lhe ajuda- ram de alguma forma, destacando a sua importância para o curso. A mesma afirma que “o auxílio dos técnicos de jornalismo é o que realmente mantém o curso vivo”, acrescentando que os técnicos são os bas- tidores do curso, auxiliando na formação de jornalistas: “Os técnicos são extremamente necessários para o nosso aprendizado. Eles dão o suporte que muitas vezes o professor não pode nos dar, além de deixar as nossas produções ainda mais profissionais, fazen- do com que a gente já tenha uma experiên- cia que só conseguiríamos no mercado de trabalho.” finaliza Laura. Ronaldo Rodrigues, tem 31 anos de his- tória na UEPB como auxiliar do curso de jor- nalismo e é bastante orgulhoso de poder contribuir na área. Para ele, “O que mais me gratifica é porque vejo o pessoal que vem de longe, de cidade vizinha ou do outro lado do país, passa por sacrifícios e eu faço o que for preciso para ajudar essa galerinha a crescer e eles chegam lá no topo”, diz ele com orgulho dos estudantes que já passa- ram no curso e hoje estão no mercado “Me sinto como um tiozão deles, é prazeroso de- mais ajudar”, pontua Ronaldo. Ao longo desse meio século de jornalismo, auxiliares técninos e administrativos da UEPB mantém um papel importante na capacitação de quem cursa na instituição. Por: Felipe Cavalcanti e Laura Almeida | Edição e fotos por: Laura Almeida
  9. 9. vimento dos alunos. Todas as experiências aca- dêmicas davam cada vez mais certeza a Daniel que ele estava na carreira certa. Na época, Daniel fez um teste para TV Paraíba mas não foi selecionado, uma colega de turma acabou ficando com a vaga. Ele então decidiu ir até a TV Correio em João Pessoa para pedir uma oportunidade de estágio, pediu para falar com um dos jornalistas da TV mas ele estava de férias, Daniel ficou muito chateado porque pensou que aquela pessoa seria a única que lhe daria essa oportunidade, mas então direcionaram ele para o chefe de redação, Walter Galvão (que infelizmen- te faleceu em 2021). Da- niel então se apresentou e explicou o motivo de estar ali, Galvão disse que daria uma oportunidade para o estudante que retornou para Campina Grande. Só depois de cinco me- ses Daniel conseguiu uma vaga na TV Correio, foi quando deixou seu em- prego de professor e se mudou para Campina Grande. Foi a primeira vez que o jornalista estava morando sozinho e ali iniciou sua independên- cia. Daniel passou quatro meses trabalhando na TV e depois seguiu para o jornal impresso, car- go que antes tinha um certo receio de ocupar por achar muito difícil. O comunicador iniciou no Correio da Paraíba como estagiário, mas depois foi contratado como repórter. Nessa função ele apren- deu muito, além de ter via- jado e conhecido vários locais da Paraíba produ- zindo matérias que até re- ceberam premiações. Ele voltou para o telejornalis- mo mas ficou apenas por um ano por não aguentar conciliar os dois veículos, e então decidiu ficar apenas trabalhando no jornal impresso. Em 2013, Daniel que é negro passou por um caso lamentável de racismo partindo de outro jorna- lista. Daniel havia viajado de férias para Pipa, no Rio Grande do Norte, e postou uma foto no Fa- cebook, Arquimedes então comentou no post dizendo “Depois da Lei Áurea tudo é possível”. O fato gerou revolta na época e o próprio Sindicato dos Jornalistas da Paraíba repudiou a atitude. Em 2014, Daniel sentiu que estava muito limi- tado na Paraíba e surgiu uma oportunidade em São Paulo na TV Record, isso aconteceu devido às grandes repercussões que as matérias dele tinham na TV Correio. Uma reportagem investi- gativa sobre pistolagem, por exemplo, chegou até a trazer a equipe do Fantástico para também produzir uma matéria sobre o caso. Devido à vi- sibilidade que o trabalho dele vinha ganhando, ele manteve contato com grandes veículos de fora, como é o caso da TV Record e do SBT. Em agosto de 2014 Daniel ingressou em um nú- cleo de reportagem espe- cial da TV Record e foi de- vido a essas matérias que Daniel ganhou o Prêmio Tim Lopes (que não existe mais), foi o primeiro prê- mio dele como melhor re- portagem, com a primeira matéria produzida por ele: “O Mistério do Matador de Mulheres”, sobre um serial killer em Goiás. Essa não foi a única premiação do jornalista, em 2015 ele ganhou o Prêmio Jornalís- tico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Huma- nos com a reportagem “Estrada da Fome” que venceu na categoria televisão, além das repor- tagens também premiadas intituladas de “Iden- tidades Apagadas”, “As Casas da Escravidão”, “Piratas da Amazônia”, entre outros. Em 2020, Daniel foi convidado a ingressar na CNN Brasil, a emissora es- tava chegando no país, e ele se interessou pela pro- posta por ser um forma- to semelhante ao que ele trabalhava. Daniel passou a trabalhar na CNN mas ficou apenas por um ano, ele diz que talvez tenha criado expectativa demais e que acabou não se iden- tificando. Ele então voltou à Record em 2021, para o mesmo núcleo de reportagens especiais. Daniel nos concedeu essa entrevista por vídeo chamada enquanto estava na redação da Re- cord em São Paulo, ele segue produzindo maté- rias investigativas e também deixou registrado o fato de sempre fazer o possível para atender aos convites para falar sobre o jornalismo, justamen- te porque sabe o quanto é importante para um aluno do curso falar com alguém que conseguiu carreira na área e ter um exemplo disso para se- guir se profissionalizando. DANIEL MOTTA “O JORNALISMO DE HOJE, É A HISTÓRIA DE AMANHÔ D aniel Motta nasceu em Campina Grande, mas é natural de um distrito da cidade de Juazeirinho chamado Barra, ele é filho de agricultores e cresceu na zona rural em um sí- tio conhecido como Serrotão. Na infância Daniel conheceu a responsabilidade de trabalhar mui- to cedo, ele ajudava os pais todos os dias no ro- çado quando não estava na escola e por causa disso não sobrava tanto tempo para brincar. Quando podia, se divertia com os demais nove ir- mãos já que o vizinho mais próximo fica- va a cerca de um quilômetro de distância, o que dificulta- va o contato com crianças de fora. Embora tenha nove irmãos, Da- niel foi o único que se aprofundou nos estudos, enquanto os demais preferiram in- vestir no trabalho. O jornalista também enfren- tou o preconceito das pessoas com a escolha do curso: elas diziam que ele não teria futuro, que era um sonho muito distante e que ele deveria investir na vida de professor, o que daria oportu- nidades para ele. Daniel chegou a lecionar histó- ria, geografia e artes na Escola Municipal Severi- no Marinheiro em Juazeirinho. O jornalista sempre viu nos estudos uma forma de melhorar de vida, e por isso, sempre se dedi- cou para entrar em um curso público porque a família não tinha condições de pagar uma fa- culdade particular. Foi quando após prestar ves- tibular, conseguiu ingressar no curso de Jorna- lismo na Universidade Estadual da Paraíba, em Campina Grande. Mesmo vencendo uma etapa, os desafios só estavam começando. O trajeto até a faculdade não era fácil porque ele ainda morava em Barra. O transporte de Ju- azeirinho não levava os alunos até o distrito da cidade, então Daniel e outros estudantes preci- savam pagar o motorista da cidade do Junco do Seridó para serem levados e ele ainda tinha que andar um percurso a pé para poder chegar em casa já no início da madrugada. No dia seguinte, acordava cedo para dar aula na escola munici- pal da cidade e planejar o conteúdo das aulas, porque pela tarde precisava pegar o ônibus no- vamente para ir até a universidade. Na UEPB, Daniel estudou quando a sede do curso ainda era no bairro São José e uma das lembranças mais marcantes dele é das horas que passava na bi- blioteca quando não tinha aula, além das memórias sobre professores que se destacaram durante a graduação, como o professor Val Morais, e as pro- fessoras Verônica e Fátima Luna. Ain- da no curso, ele chegou a participar do projeto Repórter Junino e desta- ca a importância para o desenvol- PERFIL 16 17 Por Daiane Ramos Equipe CNN Brasil (Reprodução: Internet) Daniel recebe o prêmio “República do Jornalismo” por reportagem “Escuridão na Floresta/Sertão Medieval.”
  10. 10. Em breve serão cinquenta anos de his- tórias. Cinquenta anos nos quais a UEPB, antiga FURNE, através de docentes e uma equipe empenhada na comunicação do país, forma profissionais competentes e com dedicação na arte de informar. Des- ta grandew jornada, o projeto Meio Século é uma contribuição feita por universitários com trajetórias entre as escadarias, corre- dores, salas de aula, laboratórios da Central de Aulas além de computadores e salas de aula virtuais. O apoio da instituição, docentes, téc- nicos que fazem parte desta história, jun- tamente a orientação da professora Ra- ckel Cardoso na disciplina de Laboratório de Jornalismo Digital foram essenciais na criação de mais um capítulo da história dos cinquenta anos do curso de jornalismo da Universidade Estadual da Paraíba. Ainda há mais por vir. Obrigado pela leitura e até a próxima edição. Tenha acesso a mais conteúdos do Meio Século Meio Século clicando abaixo: FICHA TÉCNICA Coordenação Geral: Rackel Cardoso Editor Chefe: Louise Viana Produtores: Érica Silva, Felipe Cavalcante, Deborah Livia, Ítalo Silva, Juliana Oliveira, Louise Viana, Pedro Henrique, Raiza Mota Repórteres: Alisson Brando, Daiane Ramos, Felipe Cavalcante, Hélio Andrade, Raiza Mota, Roberto de Sousa Editores de Texto: Ana Beatriz Lopes e Laura Almeida Diagramadores/Designers: Ana Beatriz Lopes, Laura Almeida, Louise Viana e Roberto de Sousa Spotify: Escute nosso podcast Site: Encontre mais matérias do projeto YouTube: Assista nosso documentário Instagram: Acompanhe nossas publicações TikTok: Saiba mais sobre o projeto

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