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O Centro - n.º 1 – 12.04.2006
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Versão integral da edição n.º 1 do quinzenário “O Centro”, que se publica em Coimbra. Director: Jorge Castilho. 12.04.2006.

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Para saber mais sobre a arte e as técnicas de titular na imprensa, assim como sobre a “Intertextualidade”, visite http://www.mediatico.com.pt/manchete/index.htm (necessita de ter instalado o Java Runtime Environment), e www.youtube.com/discover747

Visite outros sítios de Dinis Manuel Alves em www.mediatico.com.pt , www.slideshare.net/dmpa,
www.youtube.com/mediapolisxxi, www.youtube.com/fotographarte, www.youtube.com/tiremmedestefilme, www.youtube.com/discover747 ,
http://www.youtube.com/camarafixa, , http://videos.sapo.pt/lapisazul/playview/2 e em www.mogulus.com/otalcanal
Ainda: http://www.mediatico.com.pt/diasdecoimbra/ , http://www.mediatico.com.pt/redor/ ,
http://www.mediatico.com.pt/fe/ , http://www.mediatico.com.pt/fitas/ , http://www.mediatico.com.pt/redor2/, http://www.mediatico.com.pt/foto/yr2.htm ,
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O Centro - n.º 1 – 12.04.2006

  1. 1. Assine este jornal e ganhe valiosa obra de arte PÁG. 3 DIRECTOR JORGE CASTILHO Doces conventuais ANO I N.º 1 (II série) De 12 a 25 de Abril de 2006 edição gratuita x 1 euro (IVA INCLUÍDO) JORNALISTA DE COIMBRA NA BBC De piloto da Força Aérea a arqueólogo subaquático PÁG. 4 e 5 MASSANO CARDOSO Ambiente responsável por maioria das doenças PÁG. 12 e 13
  2. 2. 2 12 A 25 DE ABRIL 2006 ESTATUTO EDITORIAL EDITORIAL órgãos de comunicação social (e também Regresso 1. De acordo com o estipulado pela na chamada “blogosfera”), encontrará Lei de Imprensa, o “CENTRO” define- no “Centro” uma resenha do que de -se como uma publicação periódica in- mais relevante foi vindo a lume – e que formativa que privilegiará a informa- poderá ir digerindo sem pressas, ao rit- ção geral, sem abdicar da informação mo que melhor lhe aprouver. especializada nas áreas em que tal se justifique – e salvaguardando sempre cidade quinzenal. Queremos, assim, dar Quando se enfatiza a crise até à de- um cariz não doutrinário. mais tempo ao espaço e menos espaço pressão, se exploram as desgraças até à 2. O “CENTRO” obedecerá a crité- ao tempo. Ou seja, ocupar as páginas do saturação e se glosam os escândalos até rios de verdadeiro pluralismo, comple- jornal não com as notícias do dia-a-dia à exaustão, queremos demonstrar que é ta insenção e total apartidarismo, man- (tarefa que cabe, sobretudo, aos diários, possível produzir conteúdos jornalísti- tendo intransigente independência re- às estações de rádio e de televisão), mas cos de outra índole. lativamente a poderes ou grupos políti- antes com reportagens e entrevistas ori- Não significa isto que pretendamos cos, económicos, religiosos ou quais- Jorge Castilho ginais e com sínteses do que de mais im- ocultar a realidade sob grossas pincela- quer outros. portante se disse e se escreveu ao longo das cor-de-rosa. Desejamos, isso sim, e 3. O “CENTRO” pugnará pela digni- O jornal “Centro” inicia hoje uma no- da quinzena. sem recorrer a diáfanos disfarces, evi- ficação da profissão, obedecendo aos va série, uma nova vida. denciar que a paleta do quo- princípios éticos e deontológicos que a Criado por mim há alguns tidiano se não restringe à regem e comprometendo-se a respeitar, anos, viveu sempre ofuscado tristeza dos cinzentos e ne- sob a responsabilidade do seu Director, pelo seu “irmão” mais velho, o gros, em monocromia an- a legislação que lhe é aplicável. semanário “Jornal de Coim- gustiante, sulcada apenas 4. O “CENTRO” tem como objectivo bra”, que fundei em 1987 e se por escorrências de sangue. fundamental satisfazer o direito dos ci- publicou, sob minha direcção, Vamos tentar ser um espe- dadãos a serem informados, procuran- até 2004. lho da vida, mas reflectindo do que o conteúdo de cada uma das Por razões que me abstenho menos infelicidades e reve- suas edições se paute pela honestidade, de comentar, o “Jornal de lando mais coisas e mais pelo equilíbrio e pela possível objectivi- Coimbra” seguiu outro rumo... gentes interessantes – sem dade. Pois chegou a altura de recu- nunca fugir à denúncia do 5. O “CENTRO” procurará também perar o testemunho que ele que está errado, outrossim não descurar a função formativa que à sempre empunhou – e que de- ao elogio do que tiver méri- Imprensa compete, propondo-se veicu- masiado tempo deixei caído to. lar a cultura nas suas diversas formas e por terra... – e de retomar a promover o debate de ideias que consi- marcha inesperadamente inter- Contamos com o apoio dera salutar para o enriquecimento da rompida. dos leitores, razão de ser de opinião pública. Esse testemunho que reergo todos os nossos esforços. agora, foi sempre um símbolo Queremos conquistar um de liberdade, de independên- número crescente, única for- cia, de isenção – qualidades ma de manter e melhorar es- unanimemente reconhecidas te projecto, que nos tempos Director: Jorge Castilho ao “JC”. que correm é empreitada de (Carteira Profissional n.º 99) São esses atributos que o risco. “Centro” herda com legítimo Para concretizar tão am- Propriedade: AUDIMPRENSA orgulho, assumindo o compro- bicioso desiderato, investi- NIF: 501 863 109 misso de fazer deles a arga- remos toda a nossa capaci- Sócios: Jorge Castilho e Irene Castilho massa que ligará as palavras e dade de trabalho, aliando a Inscrito na DGCS sob o n.º 120 930 as imagens com que se há-de experiência adquirida ao construir cada edição. Na última edição do JC, Zé Penicheiro desejava-nos boa longo de décadas com a ge- Composição e montagem: viagem e, premonitoriamente, breve regresso. A viagem foi nica de diversos jovens em AUDIMPRENSA - Rua da Sofia, 95, 3.º 3000-390 Coimbra - Telefone: 239 854 150 Numa altura em que escas- atribulada... Mas estamos felizes por, finalmente, termos início da carreira, irmana- Fax: 239 854 154 seia o tempo para ler (e em que regressado! dos todos nós na paixão pe- e-mail: centro.jornal@gmail.com a leitura vai sendo atraiçoada lo jornalismo. Impressão: CIC - CORAZE por outros prazeres, menos en- Oliveira de Azeméis riquecedores mas mais apelativos...), pa- Destarte, o leitor, que não tem tempo Não se antevê fácil o percurso. Mas Tiragem: 10.000 exemplares receu avisado encetar esta nova fase do para se inteirar de tudo o que diariamen- também por isso é mais estimulante o “Centro” imprimindo-lhe uma periodi- te vai sendo divulgado pelos diversos desafio!
  3. 3. 12 A 25 DE ABRIL 2006 OPINIÃO 3 APENAS 20 EUROS POR UMA ASSINATURA ANUAL! que vai na carta que segue dentro do jornal, e enviá-lo no sobrescrito que Assine o jornal “Centro” igualmente lhe remetemos (e que não carece de selo), acompanhado do valor de 20 euros (de preferência em cheque passado em nome de AUDIMPREN- e ganhe valiosa obra de arte SA). Para além da obra de arte que desde já lhe oferecemos, estamos a preparar muitas outras regalias para os nossos Nesta campanha de lançamento do qualidade artística a um profundo sim- trabalhadora. assinantes, pelo que os 20 euros da assi- jornal “Centro” temos uma aliciante bolismo. Não perca, pois, a oportunidade de natura serão um excelente investimen- proposta para os nossos leitores. De facto, o artista, para representar a receber, desde já, GRATUITAMENTE, to. De facto, basta subscreverem uma Região Centro, concebeu uma flor, com- esta magnífica obra de arte, que está re- O seu apoio é imprescindível para assinatura anual, por apenas 20 euros, posta pelos seis distritos que integram produzida na primeira página, mas que que o “Centro” cresça e se desenvolva, para automaticamente ganharem uma esta zona do País: Aveiro, Castelo Bran- tem dimensões bem maiores do que dando voz a esta Região. valiosa obra de arte. co, Coimbra, Guarda, Leiria e Viseu. aquelas que ali apresenta (mais exacta- Trata-se de um belíssimo trabalho da Cada um destes distritos é represen- mente 50 cm x 34 cm). (No caso de não ter recebido a carta autoria de Zé Penicheiro, expressamen- tado por um elemento (remetendo para Para além desta oferta, passará a re- com o envelope RSF, basta dirigir-nos o te concebido para o jornal “Centro”, respectivo património histórico, arqui- ceber directamente em sua casa (ou no seu pedido através do telefone 239 854 com o cunho bem característico deste tectónico ou natural). local que nos indicar), o jornal “Cen- 150, pelo fax 239 854 154, ou para a se- artista plástico – um dos mais prestigia- A flor, assim composta desta forma tro”, que o manterá sempre bem infor- guinte morada: dos pintores portugueses, com reconhe- tão original, está a desabrochar, simbo- mado sobre o que de mais importante AUDIMPRENSA cimento mesmo a nível internacional, lizando o crescente desenvolvimento vai acontecendo nesta Região, no País e Jornal “Centro” estando representado em colecções es- desta Região Centro de Portugal, tão ri- no Mundo. Rua da Sofia, 95 - 3.º palhadas por vários pontos do Mundo. ca de potencialidades, de História, de Tudo isto, voltamos a sublinhá-lo, 3000-392 COIMBRA Neste trabalho, Zé Penicheiro, com o Cultura, de património arquitectónico, por APENAS 20 EUROS! seu traço peculiar e a inconfundível uti- de deslumbrantes paisagens (desde as Não perca esta campanha promocio- Poderá ainda enviar-nos o seu pedi- lização de uma invulgar paleta de co- praias magníficas até às serras verde- nal e ASSINE JÁ o “Centro”. do de assinatura para o e-mail: res, criou uma obra que alia grande jantes) e, ainda, de gente hospitaleira e Para tanto, basta preencher o cupão centro.jornal@gmail.com PRAÇA DA REPÚBLICA Outra vez... em liberdade Há coisas que não se discutem e uma delas é a liberdade – de pensar e agir, de Carlos Carranca Mário Martins noticiar e afirmar. Queremos que este Jornalista “Centro” vingue. Foi há 19 anos e por vezes parece que foi ontem... Naquela minúscula Sem subserviên- cias, pugnando – ao lado de outros Frátria sala da Rua Corpo de Deus, horas al- jornais que con- tas da madrugada, nascia o “Jornal de tinuam a esfor- Onde o lugar Coimbra”. Nem uma dúzia de pes- çar-se por che- que ficou para lá desse tempo de estar soas para ajudar a colar 20 mil etique- gar regular- mais além? tas até o sol romper. Uma “directa”, mente aos lei- claro. Não fosse terem já partido o tores – por Onde o brilhar Fernando e o Rui, quase jurava que ti- uma Região dessa estrela que há na riqueza do mar nha sido ontem. mais desen- de ninguém? volvida sob todos os as- Soltem de novo as amarras. Hoje, o Jorge volta a apostar num pectos. Rasguem o mar que há-de vir. novo jornal. Cá estou – com menos O tempo é das cigarras tempo, mas com tanto ou maior pra- Estar- (mulheres de branco a sorrir). zer do que então – a tentar ajudar. Por mos aqui amizade ao Jorge, por amor aos jor- s e r v e Soltem o céu das gargantas. nais, por Coimbra. também Soltem a terra da voz. para di- Esse poema que cantas zer aos és tu, sou eu, somos nós. Um jornal é um património colecti- que não gostam de vo. A riqueza de uma comunidade jornais que... têm mais um para ler, a (para uma composição musical também se mede pela circulação de partir de hoje. Em nome – também – de António Toscano) ideias, pelos espaços de liberdade. E da liberdade. estas páginas – nem poderia ser de Em cima a primeira edição outra maneira – serão sempre espaços do Jornal de Coimbra, de livre escrita. Por isso, o nascimento publicada a 30 de Setembro deste novo título é também um mo- de 1987 mento de afirmação da cidadania. Há gente que, se pudesse, mandava portas. Sentem-se membros de uma acabar com os jornais. Sei de alguns. casta superior, parece chegar-lhes o COIMBRA: R. Ferreira Borges, 42 – 2.º 239 822 419 POMBAL: Av. Heróis do Ultramar, 52 236 212 809 Até já os vi sorrir quando um título “Diário da República”. Ou nem isso. Edif. Avenida (junto ao hospital) ou outro se viu obrigado a fechar as Coitados deles. LEIRIA: C. Hospitalar de S. Francisco 244 819 300
  4. 4. 4 ENTREVISTA GONÇALO CARVALHO 12 A 25 DE ABRIL 2006 JORNALISTA DE COIMBRA TRABALHA HÁ ANOS NA BBC (LONDRES) De piloto da Força Aérea a arqueólogo subaquático Tem 59 anos de vida intensa e diversificada. Foi jogador de rugby são. da Académica, piloto-aviador na Na altura em que frequenta esse guerra colonial em África, delegado curso, numa escola do centro da capi- de informação médica, tradutor, tal britânica, tem os primeiros contac- instrutor de mergulho e jornalista... tos com a Secção Portuguesa da BBC, Desde há vários anos trabalha em onde acaba por ingressar em finais de Londres, nos Serviços em língua 1979, assim iniciando a actividade portuguesa da BBC. Mas a sua grande jornalística. Para além disso, desen- paixão é a arqueologia submarina, volve trabalho, a partir de Londres, que poderá fazê-lo voltar a África... como correspondente dos jornais Aqui fica a síntese de uma informal “Comércio do Porto” e “Gazeta dos conversa com Gonçalo Carvalho. Desportos” e ainda da RTP (progra- ma Rotações). Avesso a rotinas, sempre insatisfei- Jorge Castilho to (e também por razões de ordem pessoal), decide procurar novos hori- zontes noutra capital europeia. Desta Gonçalo Carvalho nasceu em Faro, feita o destino é Bruxelas, e é na capi- mas veio para Coimbra com apenas 3 tal belga que continua a escrever para anos, uma vez que seu Pai, o Prof. jornais (incluindo algumas colabora- Herculano de Carvalho, veio leccio- ções para o Expresso), ao mesmo tem- nar na Universidade de Coimbra. po que faz trabalhos de tradução. Vol- Gonçalo é um dos 9 filhos desse pres- ta a Londres, retorna a Bruxelas, onde tigiado catedrático de Linguística da vive durante três anos, e acaba por re- Faculdade de Letras (falecido há cer- gressar a Portugal. ca de cinco anos). Aqui foi crescendo, Em Lisboa trabalha na Rádio Re- estudando, fazendo amigos, pratican- nascença durante cerca de 8 anos, a do desporto, com destaque para o fazer os noticiários da madrugada. rugby na equipa da Académica, tendo Mas volta a sentir-se inadaptado: sido também um dos fundadores do “Em Portugal sentia-me num bura- Clube de Rugby de Coimbra. Foi num co, onde me afundava de cada vez tempo em que a Académica era uma mais!”, confessa-nos. potência nacional nesta modalidade, Assim, decide partir novamente e Gonçalo de Carvalho integrou a Gonçalo Carvalho ao microfone da BBC (Londres) para Londres, voltando ao posto de equipa que participou no I Campeo- produtor-jornalista pertencente aos nato Nacional de Juniores (tendo co- quadros da BBC, fazendo programas mo treinador o professor José Brum). para os países africanos de expressão Em 1967 decidiu ingressar na Força portuguesa (função que ainda desem- Aérea, como voluntário. Estava-se em penha actualmente). plena guerra colonial e Gonçalo de Carvalho foi enviado para o Leste de MERGULHO NA HISTÓRIA Angola, onde esteve dois anos como piloto de T6 e Do27. A par com o jornalismo e com o gosto pela música, Gonçalo Carvalho INÍCIO DO JORNALISMO sente-se atraído pela História, pela EM LONDRES E BRUXELAS Arqueologia, pela investigação sub- marina. Em 1971 regressa a Coimbra e à vi- Em 1989 iniciara a descoberta do da civil, então como delegado de in- fundo dos mares, como praticante do formação médica na Zona Centro. clube de mergulho da BBC. Trata-se Mas essa actividade não o satisfaz de um clube filiado na BSAC (British e motivos de ordem pessoal levam-no Sub-Aqua Club), e um dos mais pres- a partir para Londres em 1978, onde, tigiados a nível mundial. Em Portu- depois de trabalhar num hotel em gal fez parte do grupo que deu ori- Notting Hill Gate, frequenta um cur- gem ao CNANS (Centro Nacional de so de direcção e produção de televi- Mergulho arqueológico no rio Arade Arqueologia Náutica e Subaquática), Congratulamo-nos com a abertura deste novo jornal Galerias Avenida Loja 001 R/C (C/ Gabinete de Estética) Marcações: Rua Visconde da Luz, 15 - Telef. 239 822 982 Telef. 239 833 593
  5. 5. 12 A 25 DE ABRIL 2006 ENTREVISTA GONÇALO CARVALHO 5 Base Aérea de S. Jacinto (1971) Em Angola, pilotando um “caça” Harvard T6 da Força Aérea Portuguesa tendo participado, com esse grupo, na la e empunhando metralhadoras. Em se todos nos conhecíamos. Hoje a ci- escavação arqueológica no Tejo, frente termos sociais, há hoje muitos proble- dade cresceu e grande parte da sua ao Forte de São Julião da Barra (al- mas étnicos, manifestações de racis- população é flutuante, pelo que é na- guns dos achados então feitos pude- mo que se têm vindo a acentuar. tural que a vivência seja outra”. ram ser apreciados no Pavilhão de Apesar disso, continuo a achar que Portugal na EXPO 98). Londres é o Centro do Mundo (por JÁ COM UM NETO Entrevista a Carlos Lopes Ao longo dos anos foi acumulando onde me movimento quase sempre de MAS ÁVIDO DO FUTURO experiências e qualificações. Fez in- bicicleta...). Londres tem uma enorme cursões submarinas em países tão di- riqueza histórica e cultural, espanto- Gonçalo Carvalho tem dois filhos ferentes como Malta (onde tirou um sos museus (onde permitem que se ti- (um licenciado em História, que lec- curso de instrutor de mergulho), rem fotografias, ao contrário do que ciona em Coimbra, outro que é licen- Egipto, Quénia, Tailândia, nas Caraí- sucede em Portugal...), excelentes bi- ciado em “gestão-marketing” e traba- bas – e também em Portugal, nomea- bliotecas e preciosos arquivos nacio- lha em Lisboa). damente em Quarteira e na foz do rio nais. E tem também, todos os dias, E também é já avô (do André, com Arade. Toda esta prática culminou uma infinidade de espectáculos muito cerca de três anos) – um avô babado com a obtenção dos graus de “BSAC diversos e outras manifestações cultu- (dizemos nós!), como denuncia o bri- Advanced Diver” e de “Open Water rais relevantes. A única dificuldade é lho nos olhos quando fala nesse seu De regresso à BBC Instructor”. a escolha!”. primeiro neto. Entretanto, à paixão pelo mergulho Mas estás muito longe de pensar juntou-se a da fotografia subaquática. COIMBRA MODIFICOU-SE em reforma. Bem pelo contrário, o que Paralelamente às descobertas que ia MAS ESTÁ MENOS SIMPÁTICA se lhe nota é uma intensa avidez pelo fazendo, surgiu o desejo de querer futuro, por novas paragens e novas “mergulhar” na História. Assim, ma- Quanto a Coimbra, Gonçalo Carva- actividades. triculou-se na Universidade Nova de lho também acha a cidade muito dife- Ele próprio o admite, confessando- Lisboa, onde tirou o curso de História, rente: nos: variante de Arqueologia, o que lhe deu “Já quase não reconheço a ‘minha’ “Neste momento estou a ‘tomar ba- bases para tirar melhor partido da pai- Coimbra! Acho que a cidade mudou lanço’ para me meter a fazer aqui em xão pela arqueologia subaquática. muito. Mas está menos simpática... É Londres um mestrado em Arqueolo- certo que algumas zonas estão mais gia Marítima (Maritime Archaeology) agradáveis, mas as áreas mais antigas e depois talvez gostasse de me mudar A fotografar no Mar Vermelho LONDRES MUDOU MUITO pioraram imenso, estão muito degra- para um país tropical. Por que não ir MAS É O CENTRO DO MUNDO dadas. E alguns arranjos foram infeli- viver, por exemplo, para Moçambi- zes. Dou, como exemplo, o da Igreja que?”. Gonçalo Carvalho passou em Lon- de Santa Cruz. Acho que ficou horrí- Um retorno à África que conheceu dres cerca de 16 anos da sua vida, pe- vel!”. na juventude. Agora já não para so- lo que se justifica questioná-lo sobre a Mas também reconhece que há mu- brevoar esse espantoso continente aos capital do Reino Unido. danças positivas: comandos de um avião de combate, “Está hoje muito mudada! Só para “A nova ponte – que nasceu Europa e mas antes para mergulhar, pacifica- dar um exemplo significativo: quando agora é Rainha Santa – é muito bonita, mente, nas águas do Oceano Índico, para cá vim os polícias na rua anda- embora com péssima sinalização”. nas suas pesquisas arqueológicas. vam desarmados, hoje é frequente vê- E remata: Um regresso ao futuro, em busca -los envergando coletes à prova de ba- “Quando eu vivia em Coimbra qua- do passado! Expedição no Mar Vermelho A arte e o bom gosto cruzam gerações Rua Ferreira Borges, 149 COIMBRA Escadas de São Tiago, 2
  6. 6. 6 CITAÇÕES 12 A 25 DE ABRIL 2006 s lhe bastava estar munido de um pare- cer de um qualquer perito. Ele sabe que ninguém perdoava ao Partido Socialista que um seu ministro fosse o coveiro do Serviço Nacional de Saúde. no, das primeiras iniciativas que teve, tentou obter a substituição do procura- dor-geral. Julgue-se o que se quiser do dr. Souto Moura, mas nunca se fez tan- to, nunca o País teve tanta investigação no entanto, sustenta-nos a convicção de que não podemos abandonar o comba- te sem nos aniquilarmos a nós mesmos. Viver é lutar pela justiça, sabendo que a batalha está perdida à partida e que não i Não há défice, não há crise, não há de situações que estava habituado a podemos abandonar o combate.” ainda ruptura financeira que justifi- que não fossem investigadas”. O crente que sabe o que quer dizer a quem alterar o direito ao bem-estar e à Paula Teixeira da Cruz fé participa no mesmo combate pela saúde dos cidadãos, dando como falido (Revista “Focus”) justiça. Mas ousa entregar-se confiada- c um serviço que está entranhado no mo- mente ao Mistério último. A História do do de estar e de sentir do PS e da es- mundo é um processo que ainda não querda em geral. transitou em julgado, e o crente confia, Mais facilmente se mudam governan- EMIGRANTES sem ingenuidade e convivendo com a itações tes do que se alteram fundamentos e NO CANADÁ dúvida, em que o juízo definitivo será princípios de um colectivo como é este de salvação para todos. PS”. “Todo este episódio da expulsão de Na Sexta-Feira Santa histórica de há Reis Marques emigrantes ilegais portugueses do Ca- dois mil anos, Jesus, inocente e conde- POLÍTICA DE SAÚDE Médico - Membro da Comissão nadá é um triste retrato da nossa diplo- nado como blasfemo e subversivo, mor- Nacional do PS macia, do aparelho diplomático pro- reu a rezar esta pergunta infinita: “Meu “Houve uma medida que me pare- (DN - 09/04/06) priamente dito À actuação do MNE. Deus, meu Deus, porque me abando- ceu extremamente positiva, que foi a re- Nem vale a pena perder muito tempo naste?” Mas as suas últimas palavras forma dos cuidados de saúde primá- com este caso, tão evidente é o modo foram de esperança confiada no Misté- rios, com a criação das unidades de saú- atrapalhado e negligente como foi con- rio da Bondade radical: “Pai, entrego- de familiares. Isso, claro, se forem bem FREITAS DO AMARAL duzido. O melhor é esquecê-lo rapida- -me nas tuas mãos.” fiscalizadas e acompanhadas. Acho “SUICIDA” mente”. Anselmo Borges acertado que cada médico fique respon- José Pacheco Pereira Padre e professor de Filosofia sável por determinado número de “Freitas do Amaral está no Governo (“Sábado” - 6 a 12 de Abril/2006) (DN - 09/04/06) doentes. Já quanto à medicina hospita- como um suicida na ponte 25 de Abril. lar, não tenho visto grande coisa”. Já se sabe que José Sócrates só lhe vai Manuel Antunes dar o empurrão quando ninguém esti- UM NOVO A FRANÇA DOENTE? (“Visão”, de 6 a 12 de Abril/2006) ver a olhar, por isso os jornalistas de- PARADIGMA viam aceitar a missão patriótica de ig- norar o ministro dos Negócios Estran- A criação de postos de trabalho nu- geiros. Mas ele não deixa. ma economia de serviços é menos capi- MAIS FACILMENTE Perante uma crise que só aconteceu tal intensiva, ou melhor, o esforço de in- SE MUDAM nos jornais e nas televisões, vestiu o seu vestimento situa-se sobretudo a mon- GOVERNANTES... melhor sobretudo e foi para o Canadá tante, no aparelho educacional, que tem tentar entender uma coisa que já todaa de ser muito melhorado. Mas, entretan- “Sabemos das necessidades de refor- gente tinha percebido em Lisboa - que to, a valia da criação de novos postos de “A França, acusada pela direita de mas, do ultrapassar alguns estrangula- os canadianos têm uma generosa políti- trabalho nos serviços, ainda que não ser actualmente ‘o homem doente da mentos do sistema, da eliminação dos ca de imigração e que os portugueses muito qualificados, não é despicienda. Europa’, é, pelo contrário, um país que desperdícios, da contenção nas despe- ilegais tinham invocado um patético es- Em muitos casos – o que é muito rele- resiste. Um dos únicos na Europa onde, sas, do rigor da gestão, da racionalida- tatuto de refugiados para tentar conti- vante numa economia carecida de re- com grande vitalidade, uma maioria de de dos processos, mas o modelo é viá- nuar no País. cursos – exigirá investimentos por pos- assalariados rejeita uma globalização vel, serve a população, garante a não Quando chegou a Lisboa, Freitas do to de trabalho bastante inferiores à cria- selvagem que significa a tomada do po- discriminação na doença, permite o de- Amaral disse, com voz firme: “Quem ção de oportunidades de emprego no der pela finança. E que entrega os cida- senvolvimento profissional de qualida- não tem condições para se legalizar tem sector industrial mais “clássico”. dãos às empresas, enquanto o Estado de e por isso merece todas as chances de sair”. Quando partiu, falava como Pensar nos termos de um novo para- daí lava as suas mãos. Esta modificação possíveis. ministro dos Negócios Estrangeiros digma que melhor aproveite as poten- radical da relação entre os poderes pú- Eis senão quando o senhor ministro português; quando voltou, como se vê, cialidades que já temos não é uma pa- blicos e a sociedade (o fim do ‘Estado da Saúde vem a público dizer que em falava como minitro dos Negócios Es- naceia milagrosa que tudo resolva, mas protector’) é repugnante. finais de Setembro, na solidão do seu trangeiros canadiano. Vindo de quem representa, sem dúvida, uma perspecti- A solidariedade social constitui uma gabinete, pensou em alterar o financia- vem, não se esperava outra coisa”. va que não podemos desprezar na cons- característica fundamental da identida- mento do sistema e criar formas diver- Editorial da revista “Sábado” trução de nosso futuro colectivo.” de francesa. Uma solidariedade que o sas de acesso. Mais grave, até já tinha (6 a 12 de Abril de 2006) Rui Machete CPE (Contrato de Primeiro Emprego) um parecer de um perito constituciona- (DN - 09/04/06) contribui para liquidar. Daí, mais uma lista para esfarelar o argumento da vez, a contestação. E a revolta.” constitucionalidade. O segredar das suas cogitações numa altura destas não Ignacio Ramonet pode ser só inabilidade política, teme- JUSTIÇA É A SAÚDE SEXTA-FEIRA SANTA (Le Monde Diplomatique - Abril/2006) mos que seja um pré-anúncio de uma DO ESTADO “Quem nega Deus também é con- realidade próxima. Somos justos e por frontado com a pergunta dilacerante do isso acreditamos que não tem sido fácil “Eu não vivo bem num país com mal. E é necessário tomar a sério o ateu a sua vida à frente do Ministério da agentes fracos. E compreendo que um e a sua convicção. Ignacio Sotelo, o filó- MOURINHO Saúde e louvamos mesmo alguma cora- Governo fraco tenha de tornar frágeis sofo espanhol agnóstico, escreveu nu- E A LIBERDADE gem com que tem gerido alguns dos- as suas instituições. Mas a justiça é a ma troca de cartas com o teólogo Gon- siers complicados. Não podemos é dar saúde do Estado, o último reduto da zález Faus: “A vida é uma luta que, por “Mourinho provém de uma cultura de barato que o ministro não saiba que defesa de direitos e liberdades. Não muito que nos esforcemos, está perdida onde a imprensa e os jornalistas actuam perante o quadro de alienação de um posso deixar de fazer um juízo muito à partida - desapareceremos no nada e muitas vezes como verdadeiros chefes pilar mestre do nosso Estado social não negativo quando vejo que este Gover- os verdugos continuarão a dominar - e, de claque. Ele contou ao director de co- Óptica Médica Patrão Ramos, Lda. Membro do Diadouro Joalheiros Fax: 239 827 420 – Tel. 239 825 702 RUA FERREIRA BORGE, N.º 66 – TEL. FAX 239 82 41 61 – 3000-179 COIMBRA Rua Alexandre Herculano, 4 – 3000-019 COIMBRA
  7. 7. 12 A 25 DE ABRIL 2006 CITAÇÕES 7 municação do Chelsea que uma vez, da ao ouro do Brasil. Os empresários outras situações, uma certa sensação de ainda em Portugal, conseguiu fazer são os novos bandeirantes. Uma via- ÁLCOOL E NICOTINA imunidade quanto ao perigo. Mas tinha com que um colunista fosse demitido gem mais importante para nós do que “A coisa reza assim: saem notícias de sempre presente a sombra imensa que por causa das críticas constantes que fa- para os angolanos. Antes de nós, já lá ti- que o Governo quer baixar a taxa de al- então pairava sobre o país, sobretudo zia ao FC Porto. Talvez seja isto que o ir- nham estado Lula da Silva e a nomen- coolemia permitida aos condutores e depois de voltar de Paris onde respira- rita no futebol inglês – a liberdade”. clatura chinesa. Para os angolanos, tan- proibir o fumo em restaurantes, bares e ra o ar livre dessa cidade que adoptei, e to se lhes dá, desde que os negócios se- discotecas, e começa a gritaria dos pro- que continuo a sentir como a minha se- Martin Samuel jam feitos em parceria. O dinheiro não dutores de vinho, dos distribuidores de gunda pátria. (The Times) tem pátria. bebidas e dos donos de bares e restau- Tentava não separar poesia e vida; e José Sócrates foi criticado por não ter rantes, ai jesus que nos querem arruinar, percorria os caminhos que ainda não tido uma palavra para com os direitos como é que um viciado em nicotina po- eram imaginários nem artificiais do humanos. Mas alguém tem dúvida de de, tadinho, aguentar duas horas senta- poeta que me servia de modelo – Fer- VISITA DE SÓCRATES que os interesses económicos prevale- do a comer sem puxar do cigarro e sem nando Pessoa, a cuja mesa do Martinho A ANGOLA cem sobre a liberdade e a democracia? baforar alegremente o prato do vizinho me sentava com o Rui Diniz, antes de Angola está a crescer mais de 20 por (que se não gosta fique em casa), como apanhar o barco para Cacilhas, cujos Já não existe a coutada do tempo co- cento ao ano. O desenvolvimento dos imaginar um bar sem aquele smog que cais percorríamos com o António Sena, lonial. países não é igual ao desenvolvimento se entranha na roupa e no cabelo (e olhos mais novo do que nós, com a sua má- “As bonitas palavras pronunciadas dos povos. Não haja ilusões”. e pulmões) e só sai a lavagens de 90 quina que incansavelmente fotografava durante a visita do primeiro-ministro Judite de Sousa graus, como querem que a gente ganhe o a Lisboa desse tempo com um olhar Sócrates não fazem esquecer que o po- (JN - 8 de Abril de 2006) nosso se não deixam a malta andar aí a pessoal inconfundível”. der político angolano não morre de acelerar pelas auto-estradas com três co- Nuno Júdice - Autobiografia amores por Portugal. A “visível ausên- pos de tintol no bucho mais um de aba- (Jornal de Letras - 30/03/06) cia de José Eduardo dos Santos na to- fado para digerir o cozido? mada de posse de Cavaco Silva” foi jus- PETRÓLEO PAGA Fernanda Câncio tamente lembrada por Helena Matos no O Governo português está a negociar (DN - 8 de Abril de 2006) Público há uma semana. E recorde-se com o seu homólogo angolano a possi- CENTENÁRIO ainda a maneira intolerável como Má- bilidade de os investimentos das em- DE BECKETT rio Soares foi tratado pela “nomenclatu- presas portuguesas em Angola serem ra” de Luanda. financiados, no âmbito da política de MÚSICA E ARMAS Por outro lado, antes de Portugal ter parcerias desejada pelos dois países, redescoberto Angola, outros já o fize- com petróleo angolano. “O segredo estará, talvez, em conta- ram. Os chineses estão ali em força, dis- O ministro das Obras Públicas e Tele- minar o produto, as melodias, as har- pondo de meios (financeiros, por exem- comunicações, Mário Lino, revelou ao monias, as canções, com um vírus que plo) que não estão ao nosso alcance. E CM, em Luanda, que “a ideia é permitir denuncie publicamente o ladrão inter- os brasileiros, que falam português, há que as obras efectuadas pelas empresas nauta, que o faça sofrer cólicas indizí- muito rivalizam com os empresários portuguesas sejam pagas em petróleo veis, que o deixe coberto de pústulas e portugueses em Angola. Já não existe pelo Estado angolano ao Estado portu- varizes, que o enlouqueça e desoriente para nós a coutada protegida do tempo guês, que, por sua vez, pagará aos em- impedindo-o de alcançar o prazer e a colonial”. presários envolvidos em euros”. felicidade enfim, obrigá-lo a pagar co- Francisco Sarsfield Cabral (Correio da Manhã) mo na velha prostituição desprotegida, (DN - 8 de Abril de 2006) como no tempo da sífilis e do cancro mole, enleando-o de culpa e autopuni- ção ao som das sirenes policiais. FERNANDO GIL Mas que, entretanto, esse ladrão seja “As reflexões de Fernando Gil inse- CONFIANÇA feliz. Como nós, por vezes, o somos...” rem–se, assumida ou implicitamente, Rui Reininho no grande movimento que, no interior 15 VEZES... (JN - 08/04/06) mesmo da Modernidade como «filoso- A visita de José Sócrates a Angola fia das luzes», ia desconstruindo o con- acabou com uma singela conferência de “Em tempo de celebração dos 100 ceito de evidência como efeito do puro imprensa, no Centro Cultural Portu- anos que passam sobre o nascimento de entendimento, deportando-a para as guês em Luanda. O primeiro–ministro SALAZAR ACTOR Samuel Beckett, cabe perguntar como margens de sombra que ela excluía co- não disse nada de novo mas pronun- foi possível concitar um tão amplo reco- mo condição da sua luminosidade onto- ciou a palavra confiança 15 vezes! E não “Lisboa era outro mundo, em que nhecimento do seu valor artístico (e lógica. Não por acaso, Fernando Gil, na o fez por falta de recursos linguísticos ouvia os discursos de Salazar com um uma aura pessoal de tão indiscutível sua aproximação fenomenológica da ou por estar muito cansado. Fê–lo por- misto de rejeição do personagem e de fascínio) quando o autor sempre reve- «evidência», a descreve sob a forma de que a viagem lhe correu bem, porque já fascínio pelo seu talento de actor, o que lou uma presença austera, exigente e to- «ostenção», em suma, de excesso de lu- não havia nada de novo para dizer e mais tarde pude explorar quando traba- talmente avessa à exposição mundana. minosidade. E desta «ofuscação» do evi- porque, de facto, a sua visita inpirou lhei no argumento dos Brandos costu- Talvez que uma das respostas possíveis dente, partilham – ao nível da intenção – confiança. mes, do Seixas Santos, e mais tarde ain- seja a extrema lucidez (e subtileza) com não apenas a percepção ou conceito, mas Não sei se inspirou confiança a tudo da quando escrevi Vésperas de sombra. que soube entretecer três níveis com- outro tipo de evidências, entre elas aque- e a todos, mas é certo que chegou a al- Embora o regime parecesse eterno, era plexos do entendimento da vida: uma la de que a profecia pode acolher.” guns que contam muito: ao MPLA, no possível experimentar a liberdade que cultura profunda e uma (ainda que apa- Eduardo Lourenço poder desde 1975, a José Eduardo dos nasce da afirmação da revolta, como rente) simplicidade no dizer, uma visão (Jornal de Letras - 30/03/06) Santos, aos empresários portugueses, quando estive no grupo que ocupou o trágica da vida e um sentido de humor aos jornalistas (não é exagerado nem Patriarcado, depois do fecho pela Pide sombrio (mas não agreste), a consciên- faccioso dizer que a viagem correu da cooperativa católica Pragma (o pa- cia da solidão essencial do homem e A CORRIDA AO OURO bem) e a muitos portugueses que segui- ram a visita. triarca era o Cerejeira, mas impediu que a polícia entrasse no espaço da Igreja uma imensa (mas contida) compaixão pela fragilidade do ser humano. “A viagem de Sócrates a Angola com Ricardo Costa para desalojar os católicos a que me um terço do PIB assemelhou-se à corri- (SIC Notícias) juntei) – o que me deu, aí e nalgumas CONTINUA >> Fátima * Endermologia * Maquilhagem * Unhas Gel * Manicure * Pedicure Cabeleireiros Feminino - Masculino * Depilação a Morno * Depilação eléctrica Gabinete de Estética * Limpeza de Pele * Foto Depilação * Massagens Rua Ferreira Borges 102-112 116 - 3000-179 COIMBRA R. Visconde da Luz, 50 - 2.º - 3000-414 Coimbra Telef. 239 822 946 • Fax 239 842 686 Telef. 239 835 716
  8. 8. 8 CITAÇÕES 12 A 25 DE ABRIL 2006 Nascido numa sexta-feira santa, a 13 Diário de Notícias, emprestados da nossa Ferrero–Waldner. de Abril de 1906, numa localidade – Fox- galeria, figuravam no décor da redacção “Na Europa vivem 20 milhões de rock – a sul de Dublin, Beckett foi segu- de 1870, reconstituída para as filmagens, muçulmanos”, disse, negando a inevita- ramente influenciado pela formação pro- numa moradia de época, conhecida hoje bilidade de conflitos. “O Islão é parte in- testante da sua família, em termos da exi- como Casa dos Dias d’Água. tegrante dos dias modernos na Europa, gência e austeridade que adoptou em vi- Eça de Queirós (Ivo Canelas) e Ra- como o tem sido parte da sua História”, da, bem como na interrogação que não malho Ortigão (António Pedro Cer- lembrou. O Islão é, actualmente, a se- deixa de colocar ao lugar do divino no deira) conversam no gabinete do di- gunda maior religião na maioria dos paí- mundo dos homens. Ainda que a sua sus- rector Eduardo Coelho (Nicolau ses europeus. peita seja a de que esse divino não exista, Breyner) sobre a publicação do folhe- As relações com o Islão agravaram–se de facto, a não ser no obsessivo desejo do tim que sairia durante três meses nas depois dos ataques do 11 de Setembro homem de, por ele, se julgar protegido do páginas do Diário de Notícias, naque- em Nova Iorque, dos atentados em Ma- absurdo da vida (como se verá em À Es- le Verão quente em que se avizinhava drid e do assassinato do holandês Theo pera de Godot, 1952). a guerra franco–prussiana. van Gogh. Um certo «ascetismo» que pratica O filme não é uma adaptação da (Reuter’s) na vida e na obra não corresponde, junção dos folhetins que mais tarde porém, a uma obstinação para encon- dariam o livro, para desgosto público trar soluções de fácil acalmia, ou para dos autores, mas inspira–se na trama reclamar para si a possibilidade de re- e conta, sobretudo, o que se passou BUSH ADMITE solver as muitas perplexidades que entre Eça de Queirós e Ramalho Orti- UTILIZAR ARMA atormentam o homem”. gão durante a complexa preparação Maria Helena Serôdio de O Mistério da Estrada de Sintra. ATÓMICA (JL - 30/03/06) “Já fui director de várias coisas, mas nunca tinha sido de um jornal”, A administração de George W. brinca Nicolau Breyner com o DN. Bush admite lançar bombardeamen- (DN - 08/04/06) tos maciços contra o Irão, incluindo “Os portugueses vão ao psicólogo ou CRISTÃOS DEVEM nucleares, para destruir uma instala- ao psiquiatra quando estão à rasca ou PARTICIPAR MAIS ção suspeita de fabricar armas atómi- porque se querem conhecer melhor” cas, afirma a revista New Yorker na (Joana Amaral Dias, revista “Única”) NA VIDA POLÍTICA PRECONCEITO sua edição datada de 17 de Abril. CONTRA Segundo a revista, Bush e outros “Não é preciso fundar nenhum parti- responsáveis da Casa Branca conside- “Não falo da minha sexualidade nem do cristão” porque “religião é uma coi- MUÇULMANOS ram o presidente iraniano Mahmud da minha conta bancária para não cau- sa e política é outra” mas os cristãos Ahmadinejad como um Adolf Hitler sar invejas” “devem participar mais activamente na “O nível de preconceito e discrimina- em potencial. (Herman José, “jornal “24 Horas”) política”, disse à Agência ECCLESIA ção contra as comunidades muçulmanas «É o nome que eles utilizam», es- Tomás Oliveira Dias, Presidente da Co- na Europa continua perigosamente ele- creve o jornalista Seymour Hersh, au- missão Justiça e paz da diocese de Lei- vado, o que pode levar a um ciclo vicio- tor do artigo, citando um antigo alto “Que me dá a mim que uma criança ria-Fátima, organismo que realizou na so de isolamento, hostilidade e radicali- responsável dos serviços secretos nor- nasça em território espanhol ou portu- passada semana (6 de Abril) um coló- zação de jovens imigrantes – alertou na te-americanos. guês, desde que nasça bem, sãzinha e quio sobre «Cidadania Activa». Esta passada semana, em Viena, o observató- Um conselheiro do Pentágono afir- rodeada de todos os cuidados?” iniciativa contou a Presidente da Co- rio para o racismo da União Europeia. ma por seu turno, sob anonimato, que (António Mega Ferreira, “Visão”) missão Nacional Justiça e Paz, Manuela Os países europeus têm leis suficien- “a Casa Branca considera que a única Silva, que falou “das dificuldades da tes para promover a integração mas es- maneira de resolver o problema é alte- hora actual: globalização, crise econó- tas não estão bem implementadas e as rar a estrutura do poder no Irão, e is- “A ‘Judite’ tem de ser vista como a ar- mica, desemprego e a concorrência das verdadeiras questões são evitadas, criti- so quer dizer a guerra”. ma do povo contra os polvos, senão é economias do Oriente”. cou Beate Winkler, responsável pelo supérflua” Centro europeu de monitorização do ra- (Nuno Rogeiro, “Sábado”) cismo e xenofobia, num encontro de FOGUETE imãs europeus em Viena. O MISTÉRIO DA Os líderes muçulmanos europeus pre- DE LÁGRIMAS “Até 2009, os partidos vão receber do ESTRADA DE SINTRA sentes no encontro, organizado pela “Como são bonitas as mulheres que Estado tanto quanto Bill Gates vai in- Áustria durante a sua presidência da foram bonitas e nas quais a beleza vestir em Portugal: 64 milhões de eu- “Polícias de trânsito asseguravam na União Europeia, apoiaram o objectivo reaparece de súbito, num gesto, num ros” Rua D. Estefânia, em Lisboa, que as fil- da integração das suas comunidades e olhar, num movimento de boca, em (“Visão”) magens nocturnas não captavam sons do Islão na vida europeia. No entanto qualquer coisa difícil de definir que de tubos de escape no enredo do ro- alertaram que para isso é preciso tempo me atrai e enternece e onde a morte, mance policial português. Estamos no e criatividade. de tão presente, dá ideia de se tornar “Acabo de saber que Margarida Rebelo século XIX, com cavalos, fins-de-sema- Winkler não avançou dados estatísti- a combustão de vida de um foguete Pinto pretende impedri a publicação de na em Sintra, infidelidades certas e ou- cos mas afirmou que a sua agência vai de lágrimas”. uma tese sobra a sua obra. Uma tese? tros ingredientes queirosianos. publicar em breve dois relatórios sobre a António Lobo Antunes Uma tese inteira? Sobre a sua ‘obra’? A As filmagens continuavam até às “Islamofobia” na Europa. (“Visão” - 6 a 12 de Abril/2006) angústia invade-me”. quatro da manhã, mas a equipa ainda O encontro reuniu mais de cem imãs (Pedro Norton, “Visão”) parecia fresca. Vão apenas no quarto de toda a Europa para debater formas de dia de filmagens de O Mistério da Es- integrar melhor as suas comunidades na TELEGRÁFICAS trada de Sintra, do realizador Jorge vida europeia. “O Governo está a fazer uma verdadei- Paixão da Costa, a estrear em Outu- “Este é um momento crucial nas rela- ra ´revolução de papel´. Só falta passar bro, e ainda os esperam mais trinta e ções interculturais e inter–religiosas na “Não gosto da expressão primeira–da- para a realidade as medidas e mudan- tal dias de trabalho intenso. Europa”, lembrou a comissária europeia ma” ças anunciadas...” Dois retratos de antigos directores do para os Negócios Estrangeiros, Benita (Maria Cavaco Silva, revista “Flash!”) (José Carlos de Vasconcelos, “Visão”)
  9. 9. 12 A 25 DE ABRIL 2006 MUNDO ANIMAL 9 Crónica de um país quadro com que deparámos. Alguns destes actos, pelo seu medi- atismo, foram rapidamente resolvidos pelas autoridades. Outros nem por que maltrata os animais isso. No caso de Condeixa, e porque a lei ou a burocracia vigente assim o dita, pasme-se, mas o senhor que prati- cou o acto desumano ainda detém os cachorros em parte incerta, apesar de já ter retirado os animais da sua mis- erável cela. Quem é que nos garante que não vai repetir a ignóbil façanha? No passado, ele terá sido avisado das más condições a que sujeitava os ani- Salvador mais e em pouco tempo terá retornado ao mesmo. Os vizinhos revoltam-se Mascarenhas * com a passividade do mundo perante estes factos e eles próprios sentem-se Nos últimos tempos temos assisti- ameaçados, raramente prestam algu- do, através da comunicação social, a ma declaração. uma série de denúncias de actos Estes actos deverão ser punidos de covardes e cruéis contra animais inde- forma exemplar para que não se repi- fesos. Por motivação fútil ou de alter- tam, para que se altere a ideia de que ação grave do foro patológico. Na zona se pode maltratar os animais impune- de Coimbra, todos se lembram ainda mente. do grupo de estudantes que se empen- Presos num tugúrio miserável, haram em atrair um cão que vadiava alguns cachorros experimentam, ainda pelas ruas, sem casa, para dentro de sem terem sequer mudado os dentes, a um apartamento na Av. Elísio de Mou- triste realidade deste país, onde, infe- ra, atraindo-o com comida, e levando- lizmente, se aceitam, por motivos cul- o de elevador e depois atirando-o pela turais os maus tratos aos animais. varanda, acabando por morrer em ago- Onde é normal pavonearem-se pelas nia depois de ter caído no tejadilho de auto-estradas os caçadores ufanos com um automóvel que se encontrava esta- os animais mortos dependurados nos cionado. Em Montemor-o-Velho, re- seus jipes. Onde a tourada é ainda centemente, alguns jovens dedicaram- estranhamente acarinhada e defendida -se a apanhar gatos domésticos, amis- pelas elites. E onde até, recentemente, tosos, que se deixam agarrar, atirando- se estreou um reality show, numa tele- -os depois das ameias do castelo, fil- visão nacional, um circo com animais, mando com os telemóveis o seu acto quando neste momento a tendência desumano para depois distribuírem dos países mais evoluídos é a de via sms, divulgando a sua acção. animais teriam já comido pelo menos chegou e foi identificado pela GNR de proibir circos com animais, coroando a Recebi nos últimos dias mais uma três colegas de cativeiro, o que con- Condeixa-a-Nova. Interpelei-o acerca actual posição da sociedade portugue- denúncia de maus-tratos a cães. Que segui identificar pelas ossadas que dos maus-tratos a que ele tem submeti- sa relativamente aos direitos dos ani- estariam num barracão num sítio de estavam dentro do comedouro. Estes do esses animais e a resposta dele foi mais. Eira Pedrinha, em Condeixa-a-Nova, e terão perecido devido à fome e à sede. que sabia que estavam mal mas que Os animais, silenciosos, sem a Lei a fui investigar o assunto. Quando Relatos dos vizinhos informaram-me não podia fazer mais. E quando lhe advogar de modo útil a sua causa, cheguei lá, deparei-me com o horrível que regularmente os animais morrem perguntei se sabia que se tinham ali- morrem de fome e de sede, sem nen- espectáculo de cinco cachorros encer- e o dono do barracão atira os corpos mentado dos corpos de outros cães, huma culpa do pecado dos homens. rados dentro de uma jaula cheia de para as proximidades, onde se vão porque ele não os tinha retirado quan- excrementos, sem luz, sem comida, desfazendo ao sol. Contactei a GNR, do morreram, disse que como estavam sem água, com recipientes imundos que acorreu ao local, bem como o mortos já não havia nada a fazer. E que * Médico Veterinário 1824 OMV que raramente terão visto água ou Médico Veterinário camarário, que me se soubesse que íamos lá teria posto comida. A mais terrível e macabra real- deram todo o apoio que a lei lhes per- um cadeado à entrada do barracão. As salvadorvet@sapo.pt idade foi constatar que os famintos mite. Entretanto o dono do quot;canilquot; respostas são tão chocantes como o www.vetcondeixa.pt AGIR com boa vontade mais uma vez a boa vontade da Câmara Municipal de Vila Nova de Poiares. A “AGIR pelos Animais” é uma orga- seus responsáveis e sócios. O auxílio desta Associação, é solicita- do por pessoas e entidades de vários lo- Nuno Pimenta ra Municipal de Vila Nova de Poiares, nização sem fins lucrativos existente cais do distrito de Coimbra, entre os deu, no passado mês de Dezembro, um desde 1995 e que se destaca, segundo quais, Cantanhede, Montemor–o–Velho, A Associação “AGIR pelos Animais” prazo máximo de 180 dias para que os Fernanda Maria, “pelo seu esforço e sa- Penacova, Condeixa, Miranda do Corvo, está a viver, para além dos problemas da cerca de 190 animais sejam retirados do crifício pessoal, continuando o seu traba- Cernache, Mealhada, Coimbra e Vila falta de meios materiais, uma situação local. Em resposta ao pedido da Autar- lho totalmente voluntário”. Alimentos, Nova de Poiares. muito problemática, nomeadamente no quia, a Associação AGIR pelos Animais, medicamentos, novos sócios e voluntá- Se deseja dar o seu contributo à Canil “Quinta da Moenda”, em Vila No- salienta que “está empenhada em obter rios são as grandes necessidades da “AGIR pelos Animais”, pode contactar va de Poiares. espaços alternativos a curto prazo, de AGIR pelos Animais, que vive com no- os responsáveis pela Associação, através Fernanda Maria, uma das responsá- modo a que grande parte dos animais tórias dificuldades financeiras e logísti- dos números de telefone: 239 403 057 e veis pela Associação, refere que a Câma- seja realojada.”, pelo que agora se espera cas, contando com a disponibilidade dos 96 545 0636.

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