Como ajud..

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Como ajud..

  1. 1. Como ajudar as crianças a lidarem com um mundo difícilO mundo é muitas vezes um lugar injusto e difícil e quando o é para nós adultos, para ascrianças certamente também o são.Lembremo-nos que é a lidar com pessoas e situações difíceis que as crianças se tornam adultosmaduros e independentes, desde que os ajudemos a perceber a razão dos seus receios.No mundo dos adultos, ninguém poderá ser continuamente feliz, pois a vida é feita deadversidades onde vemo-nos obrigados a contorná-las e vencê-las, para podermos continuar. O que na realidade queremos são miúdos que consigam lidar e viver com os muitos sentimentos que as circunstâncias da vida proporcionam, ensinando-lhes a dar a volta e continuar. Ouça-o primeiro, se lhe fizer perguntas, devolva-lhe a pergunta de forma a perceber o que se passa na sua cabecinha, ajude-o a resolver o seu problema e não seja você a resolvê-lo. Por fim não se esqueça a elogiá-lo e se o resultado não for o melhor, faça-o compreender que acreditanele, que tem a certeza que para a próxima vai conseguir melhor. Não se esqueça de fixá-lonos olhos com convicção, de sorrir ou de olhar seriamente de forma que perceba que está aouvi-lo e a tentar percebê-lo.
  2. 2. Vejamos algumas formas típicas de comunicação que exemplificam várias forma de atitudepossíveis:Tratar com condescendência: -Como correu o teu dia? -Mal!! - Pobrezinho…anda cá e conta-me! - Temos um professor que avança muito depressa! - Que aborrecido! Queres que te ajude a fazer o trabalho de casa depois do lanche? - Deixei-o na escola- Queres que eu telefone para a escola e fale com o professor?-sei lá…- Vê lá! Não quero a tua educação prejudicadaPregar sermão -Como correu o teu dia? -Mal!! - Tens mesmo de que te queixar…quem me dera passar o dia a aprender e ter um dia sem preocupações! - Tenho um chato professor… -Não quero que fales dos teus professores assim. Se tivesses com mais atenção, não tinhascom que te preocupar! Achas que as coisas tê que ser todas servidas de bandeja?-hum….
  3. 3. Desviar a atenção -Como correu o teu dia? -Mal!! - Deixa-te disso…não pode ter corrido assim tão mal! Queres uma sanduíche? - Obrigado. Estou preocupado com a aula de hoje… - Está bem, pode ser que não sejas nenhum Einstein, mas nem eu nem a tua mãe o são. Liga atelevisão e não deixes que essas coisas te aborreçam!-vá Iá…Possivelmente reparou que e qualquer uma destas conversas só o pai (ou mãe) falaram. Acriança não teve oportunidade de explicar o seu verdadeiro problema. Os sentimentos dacriança perdem-se pelo caminho e o “pai” resolve (ou pensa que resolve) o problema.Vejamos o mesmo exemplo em atitude de escuta ativa: -Como correu o teu dia? -Mal!! - vê-se mesmo que estás aborrecido - O que foi que correu mal? - Temos um professor que avança muito depressa! - E tu estás com medo de não conseguir acompanhá-lo?- Sim! Pedi-lhe que me explicasse uma parte da matéria e ele disse-me que eu devia estar commais atenção- Hum…e o que é que achaste disso?- Fiquei furioso. Os outros miúdos fartaram-se de rir- Então tu estás aborrecido por que te meteste em sarilhos por teres falado primeiro?- Estou. Não gosto nada de ser repreendido na frente dos outros!-E o que pensas fazer?
  4. 4. - Não sei, mas talvez possa perguntar-lhe novamente no fim da aula-Achas que isso poderia dar resultado?- Talvez... Pelo menos não me ia sentir envergonhado. Além disso, acho que ele também estáum bocado nervoso connosco- Achas que percebes o ponto de vista dele?-Acho que sim- Não admira: ensinar miúdos tão espertos!-Pois!Em certos casos, eles não querem a nossa ajuda, apenas o nosso apoio e nestes casos o piorque poderíamos fazer seria envolvermo-nos no assunto.A capacidade de escuta ativa tem de ser praticada. Na Austrália é ensinada em cursos o que sechama “Parent Effectiveness Training”.Segundo Bidduph (2003), esta forma de conversação tem proporcionado um grande alívio amuitos pais. Não têm que manter o filho feliz para sempre, nem de ultrapassar as suasdificuldades em vez deles. Ouvindo-o ativamente podem ajudá-lo, embora deixando-lhe aresponsabilidade e o prazer de resolver os seus próprios problemas. O seu problema é umaoportunidade de experiência de aprendizagem, se o privarmos disso, ele poderá mais tardepagar com juros muito altos ao ponto de colocar em risco o seu bem-estar e o seu sucesso.Se nos absolvermos de colocar um penso rápido cada vez que as crianças têm um “dói-doi”,poderemos ajudá-los a ser cada vez mais autónomos na resolução dos seus pequenosproblemas.Bem hajam todos os pais e educadores!! Vera Gouveia Pestana Enfermeira especialista em Saúde Infantil Pediatria

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