HUGOR ACHUGAR
LEÕES, CAÇADORES E HISTORIADORES A PROPÓSITO DAS
POLÍTICAS DA MEMÓRIA E DO CONHECIMENTO
DISCIPLINA: NARRATIVAS, FRONTEIRAS E MIGRAÇÕES
DOCENTE: PROFA. DRA. MARA GENECY CENTENO NOGUEIRA
HENRIQUE PEREIRA GALVÃO
RENATA BATISTA DA SILVA
O LUGAR A PARTIR DE ONDE SE LÊ
A CONSTRUÇÃO DA AMÉRICA LATINA A
PARTIRDO CENTRO
GIRO TEÓRICO
ESTRUTURALISMO
PÓS-COLONIALISMO
DECOLONIALIDADE
O LUGAR A PARTIR DE ONDE SE LÊ
A CONSTRUÇÃO DAAMÉRICA LATINA A PARTIRDO CENTRO
A atual discussão sobre a
posicionalidade não é nova, embora
apresente algumas diferenças no que
diz respeito ao debate de alguma
décadas atrás. A localização e o
posicionamento da enunciação e do
conhecimento estão radicados, hoje –
ao menos por uma parte da academia
do primeiro mundo e do
Commonwealtb (...).
Commonwealt
b?
O LUGAR A PARTIR DE ONDE SE LÊ
A CONSTRUÇÃO DAAMÉRICA LATINA A PARTIRDO CENTRO
• A tentativa de liberar a historiografia da
dominação de categorias e ideias produzidas
pelo colonialismo - a saber, colonizadores
colonizados; brancos, negros e “café-com-
leite”; civilizados e barbáros; modernos e
arcaicos; identidade cultural, tribo e nação
(Prakash, 1995, p. 5).
O LUGAR A PARTIR DE ONDE SE LÊ
A CONSTRUÇÃO DAAMÉRICA LATINA A PARTIRDO CENTRO
• Onde está por realizar-se, se é verdade que ainda está por
realizar-se?
• Como ler se não o revisionismo histórico latino-americano
durante o século XX?
• Como ler o trabalho de José Martí, entre outros, se não como a
revisão histórico-cultural a partir da perspectiva do “outro” que
é o latino-americano?
O LUGAR A PARTIR DE ONDE SE LÊ
A CONSTRUÇÃO DAAMÉRICA LATINA A PARTIRDO CENTRO
• A américa Latina é um dos campos de batalha onde os
diferentes sujeitos combatem pela construção de seu projeto em
função se suas memórias particulares.
• Nesse sentido a América Latina operaria de mesmo modo que
segundo Prasentij Duara, funciona a nação, ou seja, como
espaço a partir de onde combatem pelo poder, diferentes
projetos nacionais (...)
O LUGAR A PARTIR DE ONDE SE LÊ
A CONSTRUÇÃO DAAMÉRICA LATINA A PARTIRDO CENTRO
• A construção que se propõe da Amarica Latina, dentro do marco
teórico dos chamados estudos pós-coloniais, aponta para que o lugar
a partir de onde se fala não é – ou não deveria ser – o da nação, mas
o do passado colonial.
• Essa re-localização – vale o jogo de palavras – do lugar a partir de
onde se fala pressupõe a obsolescência da categoria “nação”, no atual
fim de século, ao mesmo tempo que uma celebração da fronteira.
O LUGAR A PARTIR DE ONDE SE LÊ
A CONSTRUÇÃO DAAMÉRICA LATINA A PARTIRDO CENTRO
O lugar a partir de onde se lê. E, precisamente, o lugar a partir de
onde se lê a América Latina parece ser, no caso de grande parte
dos Estudos pós-coloniais, o da experiência histórica
Commonwetlh, por um lado, e por outro (...) o da agenda da
academia norte-americana que está localizada na história de sua
própria sociedade civil.
O LUGAR A PARTIR DE ONDE SE LÊ
A CONSTRUÇÃO DAAMÉRICA LATINA A PARTIRDO CENTRO
Os teóricos pós-coloniais, sem pensar duas vezes, entenderam que
podia ser estendida ao conjunto do planeta. Não levaram em conta
que a América Latina – ou, por exemplo, a América Ibérica –
Funciona como categoria do conhecimento, pelo menos, há mais
de um século, e tanto a revisão crítica é constante.
O LUGAR A PARTIR DE ONDE SE LÊ
A CONSTRUÇÃO DAAMÉRICA LATINA A PARTIRDO CENTRO
• Na periferia, estamos acostumados a esses tipos de relatos que,
de fora, pretendem ler e estabelecer o “dever ser”, mais ainda, a
partir de Guamán Poma de Ayala temos ideia do que é memória
oficial e do que e contra-memória.
• O problema é que na fundamentação dessa historiografia, o
lugar não parece ter importância.
O LUGAR A PARTIR DE ONDE SE LÊ
A CONSTRUÇÃO DAAMÉRICA LATINA A PARTIRDO CENTRO
• Toda memória, toda recuperação e representação da memória, implica uma valorização do
passado. O tempo da avalição nesse fim de século é, para uns, pós-nacional e, para outros,
pós colonial.
• (...) – dominantes ou silenciadas, hegemônicas ou subalternas – e as múltiplas memórias
são um elemento central da categoria “não”, inclusiva, nesses tempos globalizados e de
migração.
• O lugar a partir de onde se lê, na América Latina, está nutrido por múltiplas memórias que
se chamam Guamán Poma, Atahualpa, o Inca Garcilaso, Bolívar, Martí, Hostos,
Mariátegui, Torres García e muitos outros mais que esgotam em dois ou três
hotcommodities colocados a circular no mercado globalizado (...).
O LUGAR A PARTIR DE ONDE SE LÊ
A CONSTRUÇÃO DAAMÉRICA LATINA A PARTIRDO CENTRO
Especificidade, isso sim, que se desfaz se se “fala ou se “lê” a
partir da condição ou lugar do migrante. A partir do lugar do
migrante é compreensível afirmar, como o faz Hommi Bhabha,
que “os conceitos de culturas nacionais homogêneas, a
transmissão contígua e consensual da tradições históricas ou as
comunidades étnicas ‘orgânicas’ – como fontes do comparatismo
cultural – encontram-se em um processo de renovação profunda”
(Bhabha, 1994).
O LUGAR A PARTIR DE ONDE SE LÊ
A CONSTRUÇÃO DAAMÉRICA LATINA A PARTIRDO CENTRO
O marco teórico dos estudos pós-coloniais, que tenta construir um
suposto novo lugar a partir de onde ler e dá conta da América
Latina, não apenas desconsidera toda uma memória (ou um
conjunto polêmico de memórias) e uma (ou múltiplas) tradição de
leitura, como também, aspira a apresentar-se como algo diferente
do que foi realizado na nossa América.

trabalho professora MARA.pptx

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    HUGOR ACHUGAR LEÕES, CAÇADORESE HISTORIADORES A PROPÓSITO DAS POLÍTICAS DA MEMÓRIA E DO CONHECIMENTO DISCIPLINA: NARRATIVAS, FRONTEIRAS E MIGRAÇÕES DOCENTE: PROFA. DRA. MARA GENECY CENTENO NOGUEIRA HENRIQUE PEREIRA GALVÃO RENATA BATISTA DA SILVA
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    O LUGAR APARTIR DE ONDE SE LÊ A CONSTRUÇÃO DA AMÉRICA LATINA A PARTIRDO CENTRO
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  • 4.
    O LUGAR APARTIR DE ONDE SE LÊ A CONSTRUÇÃO DAAMÉRICA LATINA A PARTIRDO CENTRO A atual discussão sobre a posicionalidade não é nova, embora apresente algumas diferenças no que diz respeito ao debate de alguma décadas atrás. A localização e o posicionamento da enunciação e do conhecimento estão radicados, hoje – ao menos por uma parte da academia do primeiro mundo e do Commonwealtb (...). Commonwealt b?
  • 5.
    O LUGAR APARTIR DE ONDE SE LÊ A CONSTRUÇÃO DAAMÉRICA LATINA A PARTIRDO CENTRO • A tentativa de liberar a historiografia da dominação de categorias e ideias produzidas pelo colonialismo - a saber, colonizadores colonizados; brancos, negros e “café-com- leite”; civilizados e barbáros; modernos e arcaicos; identidade cultural, tribo e nação (Prakash, 1995, p. 5).
  • 6.
    O LUGAR APARTIR DE ONDE SE LÊ A CONSTRUÇÃO DAAMÉRICA LATINA A PARTIRDO CENTRO • Onde está por realizar-se, se é verdade que ainda está por realizar-se? • Como ler se não o revisionismo histórico latino-americano durante o século XX? • Como ler o trabalho de José Martí, entre outros, se não como a revisão histórico-cultural a partir da perspectiva do “outro” que é o latino-americano?
  • 7.
    O LUGAR APARTIR DE ONDE SE LÊ A CONSTRUÇÃO DAAMÉRICA LATINA A PARTIRDO CENTRO • A américa Latina é um dos campos de batalha onde os diferentes sujeitos combatem pela construção de seu projeto em função se suas memórias particulares. • Nesse sentido a América Latina operaria de mesmo modo que segundo Prasentij Duara, funciona a nação, ou seja, como espaço a partir de onde combatem pelo poder, diferentes projetos nacionais (...)
  • 8.
    O LUGAR APARTIR DE ONDE SE LÊ A CONSTRUÇÃO DAAMÉRICA LATINA A PARTIRDO CENTRO • A construção que se propõe da Amarica Latina, dentro do marco teórico dos chamados estudos pós-coloniais, aponta para que o lugar a partir de onde se fala não é – ou não deveria ser – o da nação, mas o do passado colonial. • Essa re-localização – vale o jogo de palavras – do lugar a partir de onde se fala pressupõe a obsolescência da categoria “nação”, no atual fim de século, ao mesmo tempo que uma celebração da fronteira.
  • 9.
    O LUGAR APARTIR DE ONDE SE LÊ A CONSTRUÇÃO DAAMÉRICA LATINA A PARTIRDO CENTRO O lugar a partir de onde se lê. E, precisamente, o lugar a partir de onde se lê a América Latina parece ser, no caso de grande parte dos Estudos pós-coloniais, o da experiência histórica Commonwetlh, por um lado, e por outro (...) o da agenda da academia norte-americana que está localizada na história de sua própria sociedade civil.
  • 10.
    O LUGAR APARTIR DE ONDE SE LÊ A CONSTRUÇÃO DAAMÉRICA LATINA A PARTIRDO CENTRO Os teóricos pós-coloniais, sem pensar duas vezes, entenderam que podia ser estendida ao conjunto do planeta. Não levaram em conta que a América Latina – ou, por exemplo, a América Ibérica – Funciona como categoria do conhecimento, pelo menos, há mais de um século, e tanto a revisão crítica é constante.
  • 11.
    O LUGAR APARTIR DE ONDE SE LÊ A CONSTRUÇÃO DAAMÉRICA LATINA A PARTIRDO CENTRO • Na periferia, estamos acostumados a esses tipos de relatos que, de fora, pretendem ler e estabelecer o “dever ser”, mais ainda, a partir de Guamán Poma de Ayala temos ideia do que é memória oficial e do que e contra-memória. • O problema é que na fundamentação dessa historiografia, o lugar não parece ter importância.
  • 12.
    O LUGAR APARTIR DE ONDE SE LÊ A CONSTRUÇÃO DAAMÉRICA LATINA A PARTIRDO CENTRO • Toda memória, toda recuperação e representação da memória, implica uma valorização do passado. O tempo da avalição nesse fim de século é, para uns, pós-nacional e, para outros, pós colonial. • (...) – dominantes ou silenciadas, hegemônicas ou subalternas – e as múltiplas memórias são um elemento central da categoria “não”, inclusiva, nesses tempos globalizados e de migração. • O lugar a partir de onde se lê, na América Latina, está nutrido por múltiplas memórias que se chamam Guamán Poma, Atahualpa, o Inca Garcilaso, Bolívar, Martí, Hostos, Mariátegui, Torres García e muitos outros mais que esgotam em dois ou três hotcommodities colocados a circular no mercado globalizado (...).
  • 13.
    O LUGAR APARTIR DE ONDE SE LÊ A CONSTRUÇÃO DAAMÉRICA LATINA A PARTIRDO CENTRO Especificidade, isso sim, que se desfaz se se “fala ou se “lê” a partir da condição ou lugar do migrante. A partir do lugar do migrante é compreensível afirmar, como o faz Hommi Bhabha, que “os conceitos de culturas nacionais homogêneas, a transmissão contígua e consensual da tradições históricas ou as comunidades étnicas ‘orgânicas’ – como fontes do comparatismo cultural – encontram-se em um processo de renovação profunda” (Bhabha, 1994).
  • 14.
    O LUGAR APARTIR DE ONDE SE LÊ A CONSTRUÇÃO DAAMÉRICA LATINA A PARTIRDO CENTRO O marco teórico dos estudos pós-coloniais, que tenta construir um suposto novo lugar a partir de onde ler e dá conta da América Latina, não apenas desconsidera toda uma memória (ou um conjunto polêmico de memórias) e uma (ou múltiplas) tradição de leitura, como também, aspira a apresentar-se como algo diferente do que foi realizado na nossa América.