Três Poemas de Amor
Amaru – Séc. VI
“Sob esse nome ou essa figura emblemática, trata-se de juros, dos juros
do capital em geral, de juros que, na ordem mundial hoje, a saber, do
mercado mundial, mantêm uma massa da humanidade sob seu jugo,
numa nova forma de escravidão.”
Jacques Derrida. “Espectros de Marx”. Rio de Janeiro: RelumeDumará, 1994, pg. 134

LEMBRANÇA DO MUNDO ANTIGO

Clara passeava no jardim com as crianças.
O céu era verde sobre o gramado,
a água era dourada sob as pontes,
outros elementos eram azuis, róseos, alaranjados,
o guarda-civil sorria, passavam bicicletas,
a menina pisou a relva para pegar um pássaro,
o mundo inteiro, a Alemanha, a China, tudo era tranqüilo em redor de
Clara.
As crianças olhavam para o céu: não era proibido.
A boca, o nariz, os olhos estavam abertos. Não havia perigo.
Os perigos que Clara temia eram a gripe, o calor, os insetos.
Clara tinha medo de perder o bonde das 11 horas,
esperava cartas que custavam a chegar,
nem sempre podia usar vestido novo. Mas passeava no jardim, pela
manhã!!!
Havia jardins, havia manhãs naquele tempo!!!
Carlos Drummond de Andrade

“... Bror Chail, um kibutz à entrada do deserto de Negev, em Israel, ...
fundado por egípcios em 1948 e assumido pouco depois por brasileiros
de origem judaica. Perdeu-se, quase que por completo, o modelo
socialista implantado no passado, segundo o qual todos contribuem com
o que podem e recebem o que necessitam.”
Laura Greenhalgh. Tramas do dr. Aranha” in “O Estado de S.
Paulo” , 9/12/2007, pg. J8.

Textos

  • 1.
    Três Poemas deAmor Amaru – Séc. VI
  • 2.
    “Sob esse nomeou essa figura emblemática, trata-se de juros, dos juros do capital em geral, de juros que, na ordem mundial hoje, a saber, do mercado mundial, mantêm uma massa da humanidade sob seu jugo, numa nova forma de escravidão.” Jacques Derrida. “Espectros de Marx”. Rio de Janeiro: RelumeDumará, 1994, pg. 134 LEMBRANÇA DO MUNDO ANTIGO Clara passeava no jardim com as crianças. O céu era verde sobre o gramado, a água era dourada sob as pontes, outros elementos eram azuis, róseos, alaranjados, o guarda-civil sorria, passavam bicicletas, a menina pisou a relva para pegar um pássaro, o mundo inteiro, a Alemanha, a China, tudo era tranqüilo em redor de Clara. As crianças olhavam para o céu: não era proibido. A boca, o nariz, os olhos estavam abertos. Não havia perigo. Os perigos que Clara temia eram a gripe, o calor, os insetos. Clara tinha medo de perder o bonde das 11 horas, esperava cartas que custavam a chegar, nem sempre podia usar vestido novo. Mas passeava no jardim, pela manhã!!! Havia jardins, havia manhãs naquele tempo!!! Carlos Drummond de Andrade “... Bror Chail, um kibutz à entrada do deserto de Negev, em Israel, ... fundado por egípcios em 1948 e assumido pouco depois por brasileiros de origem judaica. Perdeu-se, quase que por completo, o modelo socialista implantado no passado, segundo o qual todos contribuem com o que podem e recebem o que necessitam.”
  • 3.
    Laura Greenhalgh. Tramasdo dr. Aranha” in “O Estado de S. Paulo” , 9/12/2007, pg. J8.