Novo registro da marreca-de-coleira
                           Callonetta leucophrys para o Vale do Paraíba Paulista
           Rodrigo Dela Rosa de Souza¹                                                                                 observadores de aves na região em anos an-
                                                                                                                       teriores, número atualmente muito superior,
      A marreca-de-coleira, Callonetta leuco-                                                                          e pela extensa área da planície aluvial do Rio
   phrys (Anseriformes: Anatidae), é uma espé-                                                                         Paraíba do Sul, que hoje se encontra total-
   cie meridional pequena. Ocorre do norte da                                                                          mente descaracterizada por ação antrópica,
   Argentina à Bolívia, Paraguai e Brasil, nos                                                                         não oferecendo mais habitats adequados para
   estados de Mato Grosso, Rio Grande do Sul,                                                                          espécies migrantes, principalmente da famí-
   São Paulo, Minas Gerais1 e Mato Grosso do                                                                           lia Anatidae.
   Sul2.
      Possui área de reprodução principalmente                                                                         Agradecimento
   no sul da Bolívia e Noroeste da Argentina3.                                                                           A Tomaz Melo pelas correções e apoio na
   No estado de São Paulo os dados de ocorrên-                                                                         elaboração desta nota e Priscila Fernandes
   cia são considerados deficientes4. Migrante                                                                         pela companhia nas saídas a campo para ob-
   austral parece visitar esporadicamente a re-                        Figura 1. Casal de marreca-de-coleira           servação de aves.
   gião do Vale do Paraíba no inverno5.                      (Callonetta leucophrys) em um banco de areia do córrego
      O primeiro registro documentado da es-                    Pararangaba (Foto: Rodrigo Dela Rosa de Souza).        Referências bibliográficas
   pécie para o estado de São Paulo ocorreu                  planície aluvial da Bacia do Rio Paraíba do               (1) Sick, H. (1997) Ornitologia Brasileira; (2) Nunes,
   no município de Pindamonhangaba locali-                   Sul, distrito de Eugênio de Melo, São José                      A.P. & W.M. Tomas (2008) Aves migratórias e
   zado na região do Vale do Paraíba, quando                 dos Campos.                                                     nômades ocorrentes no Pantanal; (3) Groms
                                                                                                                             (2008) Global Register of Migratory Species.
   na noite de 8 de Julho de 1987 o Dr. Her-                   No dia 4 de agosto de 2010 às 10:00 h
                                                                                                                             <http://www.groms.de>; (4) Silveira, L.F et al.
   culano Alvarenga, ornitólogo do Museu de                  o casal foi novamente avistado no mesmo                         (2009) In: Fauna ameaçada de extinção no es-
   História Natural de Taubaté, coletou uma de               local se alimentando nas águas do córrego,                      tado de São Paulo: Vertebrados; (5) Alvarenga,
   duas marrecas que sobrevoavam uma lagoa,                  junto a casais de Amazonetta brasiliensis.                      H.M.F. (1990) Ararajuba 1: 115-117.
   tratando-se de um macho adulto.                           No dia 9 de agosto de 2010 às 15:00 h o ca-
      O segundo registro para a região do Vale               sal foi avistado ao lado do córrego a apro-                    ¹Programa de graduação em
   do Paraíba Paulista ocorreu no dia 2 de agos-             ximadamente 100 m da estrada, sendo esta                   Ciências Biológicas pela Universidade
   to de 2010 quando foi fotografado um casal                a última vez que foi avistado.                                do Vale do Paraíba, “UNIVAP”,
   pousado em um banco de areia do córrego                     Os poucos registros da marreca-de-colei-                Av. Shishima Hifumi, 2911 – Urbanova,
   Pararangaba (Figura 1) na fazenda Táira,                  ra para a região Valeparaibana deve-se, em                CEP: 12244-000, São José dos Campos-SP.
   (23º08’13”S e 45º47’57”W), localizada na                  parte, ao reduzido número de ornitólogos e                   E-mail: rdrsouza@yahoo.com.br


                                           Primeiro registro do mocho-diabo,
                                      Asio stygius, para o estado do Espírito Santo
             Gabriel Silva dos Santos¹,                                                                                foi levado ao MBML no mesmo dia para
             Sérgio Lucena Mendes¹ &                                                                                   tratamento. A inexistência de qualquer ou-
              José Fernando Pacheco²                                                                                   tra ocorrência de recolhimento de coruja
                                                                                                                       nos meses de março e abril de 2011 pela
      A distribuição do mocho-diabo (Asio                                                                              mencionada corporação reforça a hipótese
   stygius; Strigiformes: Strigidae) se estende                                                                        de que se trate do mesmo espécime.
   do norte do México ao norte da Argenti-
   na 1,2. Ainda que constem ocorrências es-                                                                           Referências bibliográficas
   parsas em todas as regiões do Brasil 3,4 sua                                                                        (1) Holt, D.W. et al. (1999) Handbook of the Birds
                                                                                                                            of the World, vol. 5; (2) Koenig, C. & F. Weick
   ocorrência é aparentemente mais contínua                                                                                 (2008) Owls of the World; (3) Sick, H. (1997)
   e regular em certas partes da região Sul e                                                                               Ornitologia Brasileira; (4) Grantsau, R. (2010)
   Sudeste, incluindo áreas verdes inseridas                                                                                Guia Completo para Identificação das Aves do
   em metrópoles 5,6,7.                                                                                                     Brasil, vol. 1; (5) Melo-Junior, T.A. et al. (1996)
                                                                                                                            Ararajuba 4:34-38; (6) Inventário da Fauna do
      Essa espécie não foi relacionada nas lis-                                                                             Município de São Paulo (2006) Diário Oficial
   tas de aves publicadas dessa Unidade da                                                                                  51(104); (7) Straube, F.C. et al. (2009) Aves de
   Federação 8,9.                                                                                                           Curitiba; (8) Pacheco, J.F. & C. Bauer (2001) In:
                                                                      Figura 1. Indivíduo de Asio stygius nas               Ornitologia e Conservação: da Ciência às Es-
      Um indivíduo recolhido pela Polícia Mi-                    dependências do Museu de Biologia Profº Mello              tratégias. (9) Simon, J.E. (2009) In: XVII Con-
   litar Ambiental do município de Santa Te-                        Leitão, resgatado ferido provavelmente em               gresso Brasileiro de Ornitologia.
   resa e levado ao Museu de Biologia Profº                       Itaguaçu, ES (Foto: Gabriel Silva dos Santos).
   Mello Leitão (MBML) para tratamento de                    motivos para acreditar que a coruja foto-                      ¹Laboratório de Biologia da
   um ferimento na asa, onde foi fotografado                 grafada no museu se trate do Registro de                       Conservação de Vertebrados,
   (Figura 1) no dia 8 de Abril de 2011.                     Ocorrência Ambiental (ROA) Nº11220100,                    Departamento de Ciências Biológicas da
      A importância científica deste espécime                referente ao recolhimento de uma coruja                   Universidade Federal do Espírito Santo.
   só foi reconhecida algum tempo depois, no                 (espécie não identificada) com ferimento                          Correspondência para:
   entanto não foi possível rastrear o destino               na asa esquerda no centro urbano do muni-                       ssantos.gabriel@gmail.com
   do animal ou mesmo de sua pele. Consul-                   cípio de Itaguaçu (c. 19º 48’ S, 40º 51’ W)                        ²Comitê Brasileiro de
   tamos a citada corporação policial e temos                no dia 7 de Abril de 2011, quando o animal                        Registros Ornitológicos

Atualidades Ornitológicas Nº 169 - Setembro/Outubro 2012 - www.ao.com.br                                                                                                          21

Primeiro registro do Mocho-diabo, Asio stygius, para o estado do Espírito Santo

  • 1.
    Novo registro damarreca-de-coleira Callonetta leucophrys para o Vale do Paraíba Paulista Rodrigo Dela Rosa de Souza¹ observadores de aves na região em anos an- teriores, número atualmente muito superior, A marreca-de-coleira, Callonetta leuco- e pela extensa área da planície aluvial do Rio phrys (Anseriformes: Anatidae), é uma espé- Paraíba do Sul, que hoje se encontra total- cie meridional pequena. Ocorre do norte da mente descaracterizada por ação antrópica, Argentina à Bolívia, Paraguai e Brasil, nos não oferecendo mais habitats adequados para estados de Mato Grosso, Rio Grande do Sul, espécies migrantes, principalmente da famí- São Paulo, Minas Gerais1 e Mato Grosso do lia Anatidae. Sul2. Possui área de reprodução principalmente Agradecimento no sul da Bolívia e Noroeste da Argentina3. A Tomaz Melo pelas correções e apoio na No estado de São Paulo os dados de ocorrên- elaboração desta nota e Priscila Fernandes cia são considerados deficientes4. Migrante pela companhia nas saídas a campo para ob- austral parece visitar esporadicamente a re- Figura 1. Casal de marreca-de-coleira servação de aves. gião do Vale do Paraíba no inverno5. (Callonetta leucophrys) em um banco de areia do córrego O primeiro registro documentado da es- Pararangaba (Foto: Rodrigo Dela Rosa de Souza). Referências bibliográficas pécie para o estado de São Paulo ocorreu planície aluvial da Bacia do Rio Paraíba do (1) Sick, H. (1997) Ornitologia Brasileira; (2) Nunes, no município de Pindamonhangaba locali- Sul, distrito de Eugênio de Melo, São José A.P. & W.M. Tomas (2008) Aves migratórias e zado na região do Vale do Paraíba, quando dos Campos. nômades ocorrentes no Pantanal; (3) Groms (2008) Global Register of Migratory Species. na noite de 8 de Julho de 1987 o Dr. Her- No dia 4 de agosto de 2010 às 10:00 h <http://www.groms.de>; (4) Silveira, L.F et al. culano Alvarenga, ornitólogo do Museu de o casal foi novamente avistado no mesmo (2009) In: Fauna ameaçada de extinção no es- História Natural de Taubaté, coletou uma de local se alimentando nas águas do córrego, tado de São Paulo: Vertebrados; (5) Alvarenga, duas marrecas que sobrevoavam uma lagoa, junto a casais de Amazonetta brasiliensis. H.M.F. (1990) Ararajuba 1: 115-117. tratando-se de um macho adulto. No dia 9 de agosto de 2010 às 15:00 h o ca- O segundo registro para a região do Vale sal foi avistado ao lado do córrego a apro- ¹Programa de graduação em do Paraíba Paulista ocorreu no dia 2 de agos- ximadamente 100 m da estrada, sendo esta Ciências Biológicas pela Universidade to de 2010 quando foi fotografado um casal a última vez que foi avistado. do Vale do Paraíba, “UNIVAP”, pousado em um banco de areia do córrego Os poucos registros da marreca-de-colei- Av. Shishima Hifumi, 2911 – Urbanova, Pararangaba (Figura 1) na fazenda Táira, ra para a região Valeparaibana deve-se, em CEP: 12244-000, São José dos Campos-SP. (23º08’13”S e 45º47’57”W), localizada na parte, ao reduzido número de ornitólogos e E-mail: rdrsouza@yahoo.com.br Primeiro registro do mocho-diabo, Asio stygius, para o estado do Espírito Santo Gabriel Silva dos Santos¹, foi levado ao MBML no mesmo dia para Sérgio Lucena Mendes¹ & tratamento. A inexistência de qualquer ou- José Fernando Pacheco² tra ocorrência de recolhimento de coruja nos meses de março e abril de 2011 pela A distribuição do mocho-diabo (Asio mencionada corporação reforça a hipótese stygius; Strigiformes: Strigidae) se estende de que se trate do mesmo espécime. do norte do México ao norte da Argenti- na 1,2. Ainda que constem ocorrências es- Referências bibliográficas parsas em todas as regiões do Brasil 3,4 sua (1) Holt, D.W. et al. (1999) Handbook of the Birds of the World, vol. 5; (2) Koenig, C. & F. Weick ocorrência é aparentemente mais contínua (2008) Owls of the World; (3) Sick, H. (1997) e regular em certas partes da região Sul e Ornitologia Brasileira; (4) Grantsau, R. (2010) Sudeste, incluindo áreas verdes inseridas Guia Completo para Identificação das Aves do em metrópoles 5,6,7. Brasil, vol. 1; (5) Melo-Junior, T.A. et al. (1996) Ararajuba 4:34-38; (6) Inventário da Fauna do Essa espécie não foi relacionada nas lis- Município de São Paulo (2006) Diário Oficial tas de aves publicadas dessa Unidade da 51(104); (7) Straube, F.C. et al. (2009) Aves de Federação 8,9. Curitiba; (8) Pacheco, J.F. & C. Bauer (2001) In: Figura 1. Indivíduo de Asio stygius nas Ornitologia e Conservação: da Ciência às Es- Um indivíduo recolhido pela Polícia Mi- dependências do Museu de Biologia Profº Mello tratégias. (9) Simon, J.E. (2009) In: XVII Con- litar Ambiental do município de Santa Te- Leitão, resgatado ferido provavelmente em gresso Brasileiro de Ornitologia. resa e levado ao Museu de Biologia Profº Itaguaçu, ES (Foto: Gabriel Silva dos Santos). Mello Leitão (MBML) para tratamento de motivos para acreditar que a coruja foto- ¹Laboratório de Biologia da um ferimento na asa, onde foi fotografado grafada no museu se trate do Registro de Conservação de Vertebrados, (Figura 1) no dia 8 de Abril de 2011. Ocorrência Ambiental (ROA) Nº11220100, Departamento de Ciências Biológicas da A importância científica deste espécime referente ao recolhimento de uma coruja Universidade Federal do Espírito Santo. só foi reconhecida algum tempo depois, no (espécie não identificada) com ferimento Correspondência para: entanto não foi possível rastrear o destino na asa esquerda no centro urbano do muni- ssantos.gabriel@gmail.com do animal ou mesmo de sua pele. Consul- cípio de Itaguaçu (c. 19º 48’ S, 40º 51’ W) ²Comitê Brasileiro de tamos a citada corporação policial e temos no dia 7 de Abril de 2011, quando o animal Registros Ornitológicos Atualidades Ornitológicas Nº 169 - Setembro/Outubro 2012 - www.ao.com.br 21