Se ela aqui estivesse
gostaria de a conhecer
de saber tudo o que lhe vai na alma
o puro, o negro, o cómico e o sem-sentido
Se ela aqui estivesse,
navegaria nos seus cabelos
emergiria nos seus olhos
e viria ao de cima
Graças ao seu coração de bondade
Não é hábito pensar em quem nunca conheci
Mas a sua existência impõe-me dúvidas
De certo ela seria o meu porto seguro
nos meus momentos de rígida introspeção
nos silêncios de pensamento contra um mundo cão
que ela nunca conheceu inteiramente
Seria de certo a luz
a guia de uma manada pacificamente enfurecida
a conciliadora de interesses
E mediadora de egos
Ou talvez não...
Talvez a vida a tratasse mal
e todos os sonhos de oceano que tinha
se tornassem em pesadelos de ódio e arrependimento.
Talvez poria o seu tão altruísta ser
à frente dos egoístas que ao conflito sucumbiram.
Não saberei nunca, verdadeiramente, que história ela contaria. Não sou oradora de fados. Mas se
essa função me coubesse, faria justiça pelos injustiçados, que nunca puderam sofrer a vida.
Que tal, desconhecida? Que achas da minha imagem de ti? Bem queria eu que fosses um ponto
branco e ofuscante numa tela negra que me ultrapassa a vista, mas o destino não o permitiu assim.

À Presença Desconhecida...

  • 1.
    Se ela aquiestivesse gostaria de a conhecer de saber tudo o que lhe vai na alma o puro, o negro, o cómico e o sem-sentido Se ela aqui estivesse, navegaria nos seus cabelos emergiria nos seus olhos e viria ao de cima Graças ao seu coração de bondade Não é hábito pensar em quem nunca conheci Mas a sua existência impõe-me dúvidas De certo ela seria o meu porto seguro nos meus momentos de rígida introspeção nos silêncios de pensamento contra um mundo cão que ela nunca conheceu inteiramente Seria de certo a luz a guia de uma manada pacificamente enfurecida a conciliadora de interesses E mediadora de egos Ou talvez não... Talvez a vida a tratasse mal e todos os sonhos de oceano que tinha se tornassem em pesadelos de ódio e arrependimento. Talvez poria o seu tão altruísta ser à frente dos egoístas que ao conflito sucumbiram. Não saberei nunca, verdadeiramente, que história ela contaria. Não sou oradora de fados. Mas se essa função me coubesse, faria justiça pelos injustiçados, que nunca puderam sofrer a vida. Que tal, desconhecida? Que achas da minha imagem de ti? Bem queria eu que fosses um ponto branco e ofuscante numa tela negra que me ultrapassa a vista, mas o destino não o permitiu assim.