Dai-meumPontode Apoio
QuesoluçõesencontrouoHomemparareduziro
esforçofísico nostrabalhosdo dia-a-dia?
Agrupamento de Escolas do
Fundão
Escola Secundária do Fundão
Física e Química
Arquimedes esclareceu o princípio geral da ala-
vanca, cuja aplicação instintiva remontava aos pri-
meiros tempos da humanidade, transformando
esta velha inspiração técnica numa ideia clara e
com base científica.
A partir do século II a. C., assiste-se ao apareci-
mento de instrumentos concebidos pela razão
para um fim prático preciso, instrumentos capa-
zes de diminuir o esforço físico:
Máquinas simples!
Dai-meumpontodeapoio - 1-
A cegonha ou picota é um aparelho de elevar
água que, até muito recentemente, era comum
encontrar em Portugal.
Utilizada pela generalidade dos povos do mundo,
este engenho era composto por vara com alguns
metros de comprimento que balançava numa for-
quilha.
Numa das extremidades da vara estava pendura-
do o balde, que mergulhava na água do poço, na
outra uma pedra que ajudava na subida.
A forquilha era geralmente de madeira, mas duas
pedras juntas fazem a mesma função.
Dai-meumpontodeapoio - 3-
Embora atribuída aos egípcios a origem da picota ou
cegonha, encontram-se representações desta máquina
simplesnoutrascivilizações.
Dai-meumpontodeapoio - 2-
Obalancé,àsemelhançadapicota, baseiaoseufunciona-
mentonaalavanca.
Aalavanca éumamáquinasimples formadapor umabarra
rígida que pode girar emtorno de umponto a que se dá o
nomedepontodeapoiooufulcro.
Dependendodaposiçãoemqueactuamasforças,pode-
mosdistinguir trêstiposdealavancas:
Interpotentes
Inter-resistentes
Interfixas
Dai-meumpontodeapoio - 4-
Ocarrinhodemãoéumexemplodeumaalavanca
INTER-RESISTENTE
Acarga[forçaresistente]
encontra-se entre a força
exercidapelohomem[força
potente]earodadocarri-
nho[fulcro].
Numa alavanca em equilíbrio, o
produto da força potente pelo seu
braço é igual ao produto da força
resistente peloseubraço.
Braço: distânciadopontodeapli-
caçãodaforçaaofulcro.
Dai-meumpontodeapoio - 5-
Talcomoobalancéeapicota, opé-de-cabra éumexemplo
deumaalavancaINTERFIXA.
Esta máquina simples permite aumentar de forma signifi-
cativaaforçaexercidasobreoprego.
Neste tipo de alavanca o fulcro encontra-se entre a força
resistenteeaforça exercida.
O Homem sabe aproveitar as leis que regulam o funciona-
mento das alavancas e concebeu engenhos, bem simples,
queoajudamnassuastarefas diárias.
Dai-meumpontodeapoio - 6-
Aforquilha ea pásãodoisexemplosdealavancas
INTERPOTENTES
Embora ajudem nas tarefas,estetipodealavanca possui
uma vantagem mecânica inferior a um. Isto é, facilitam a
tarefamasnãodiminuemaforça potente.
Neste tipo de alavanca a força potente encontra-se entre o
fulcroeaforçaresistente.
De um modo geral, podemos dizer que todas as articula-
ções do nosso corpo podem ser compreendidas como um
sistemadealavancas.Porexemploo braço:
Dai-meumpontodeapoio - 7-
Mas as máquinas sim-
ples não se limitam às
alavancas.
Acunha é umoutro tipo
demáquinasimples.
A partir desta máquina simples o Homemconcebeu diver-
sasferramentasdetrabalhocomooformão,omachado, a
machada,ocinzel., a faca...
Dai-meumpontodeapoio - 8-
O sonho de ir mais além e ser cada vez mais forte, levou o
Homemacriarnovos dispositivos.
Eàmedidaquefoi criando novosobjectos encontrounovos
desafios e teve necessidade de criar novas máquinas que,
emquase todos os domínios da sua acção, lhe permitiram
fabricar objectos cada vez mais perfeitos e de melhor qua-
lidade..
A necessidade de resolver
problemas do dia-a-dia
levou à concepção de
máquinas mais complexas
que combinam vários tipos
demáquinassimples.
Aevoluçãocontinuanosnossos dias.
Dai-meumpontodeapoio - 9-
...
outrascombinações
deroldanassão
possíveisecomo
mesmoobjectivo:
Reduziroesforçofísico.
Para Herão de Alexandria (séc. II a.C.), todas as
máquinas derivavam de combinações de máqui-
nas simples. O cadernal parece ser um bom exem-
plo:
O peso do corpo a elevar
distribui-se pelos vários
segmentos da corda e, des-
te modo, a força a aplicada
terá uma intensidade tan-
tas vezes menor quantas o
número de roldanas utiliza-
das...
Dai-meumpontodeapoio - 10-
A imaginação e a capacidade de inventar nunca
faltaram ao Homem e novas combinações de
máquinas simples foram surgindo.
De entre elas elegemos as noras, um legado da
presença árabe na península ibérica. As noras são
engenhos utilizados para elevar a água de poços,
rios ou ribeiras, água que depois é conduzida para
os campos cultivados a fim de irrigá-los. Basica-
mente uma nora possui uma roda com pequenos
baldes, os alcatruzes, e uma haste horizontal aco-
plada um eixo vertical ligado a um sistema de
rodas dentadas.
Tradicionalmente as noras eram engenhos de trac-
ção animal.
Dai-meumpontodeapoio - 11-
A gadanha, gadanho ou alfange é uma ferra-
menta utilizada no campo para ceifar ou cor-
tar erva. Como máquina simples faz parte
das alavancas interpotentes.
Uma lâmina com uma forma curvilínea presa
na extremidade de um cabo de madeira com
cerca de 1,7 m, uma pega perpendicular no
extremo oposto e uma outra no meio são os
constituintes deste artefacto agrícola.
O utilizador desloca-se oscilando a gadanha,
paralelamente ao solo, ceifando cereais ou
ou cortando erva.
A sua utilização é conhecida desde o século
XII.
Dai-meumpontodeapoio - 12-
A foice, à semelhante da gadanha, é uma
ferramenta utilizada nas actividades agríco-
las e em especial na ceifa de cereais.
É constituída por uma lâmina curvilínea, com
estrias para facilitar o corte, presa a um cabo
feito de madeira.
Dai-meumpontodeapoio - 13-
Esta ferramenta era utilizada pelos sumérios,
há cerca de três mil anos, embora a lâmina
fosse uma pedra afiada.
Faz parte das alavancas interfixas, com as
suas duas peças rígidas, na forma de lâmi-
nas numa das extremidades, a poderem
oscilar em torno de um eixo fixo, esta ferra-
menta que serve para podar ou simples-
mente cortar galhos ou pequenos ramos.
Dá pelo nome de tesoura de podar e tem uti-
lização quer nos trabalhos agrícolas quer nos
de jardinagem.
Uma mola liga as duas peças metálicas faci-
litando a sua utilização.
Dai-meumpontodeapoio - 14-
Com três, cinco ou mais dentes, o ancinho é
uma alfaia agrícola utilizada normalmente
para movimentar a terra preparando-a para
as sementeiras. Em algumas regiões da Bei-
ra Alta ao ancinho dão o nome de enganço e
ao amanhar da terra chamam engançar.
Háancinhosconcebidosparaastarefasdejardina-
geneosdentes,nestecaso,sãomaislongos.
Geralmenteosdentessãofeitosemferromas pode-
mosencontrarancinhosemqueocaboeosdentes
sãoemmadeira.
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Algumas das ferramentas estão claramente
em desuso mas outras mantêm a sua funcio-
nalidade intacta. Está neste caso o pico de
pedreiro que é uma ferramenta que o
pedreiro não dispensa quando se trata de
trabalhar a pedra, por exemplo, na reconstru-
ção de muros ou paredes de casa feitas em
granito.
Junte-se-lhe o cinzel e a união é perfeita.
Dai-meumpontodeapoio - 16-
A picareta é uma ferramenta, que funciona
como uma alavanca, constituída por uma
parte metálica encurvada e pontiaguda nas
duas pontas, feita em ferro. Esta peça metá-
lica é fixada num cabo de madeira com apro-
ximadamente 90 cm de comprimento. Foi
durante muito tempo utilizada na abertura
de minas e escavação de túneis.
Com uma função diferente a picareta é uma
ferramenta de grande utilidade na actividade
arqueológica e no alpinismo.
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Não é uma alavanca mas é uma máquina
simples de grande utilidade. Falamos do para-
fuso que pode ser entendido como um plano
inclinado envolvendo um corpo cónico ou cilín-
drico.
As suas aplicações em ferramentas ou em
utensílios são enormes e diversificadas.
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Em Física, o termo máquina simples é reser-
vado aos dispositivos constituídos por um
pequeno número de peças.
São máquinas que, apesar da sua simplici-
dade, proporcionaram avanços para a huma-
nidade pois acabaram por se tornar base
para todas as máquinas que o Homem sou-
be conceber.
Mas a natureza surpreende-nos com cria-
ções que, pela sua forma, vemos nelas a
função de máquinas simples como é o caso
desta bela forquilha.
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Ponto de Apoio

  • 1.
    Dai-meumPontode Apoio QuesoluçõesencontrouoHomemparareduziro esforçofísico nostrabalhosdodia-a-dia? Agrupamento de Escolas do Fundão Escola Secundária do Fundão Física e Química
  • 2.
    Arquimedes esclareceu oprincípio geral da ala- vanca, cuja aplicação instintiva remontava aos pri- meiros tempos da humanidade, transformando esta velha inspiração técnica numa ideia clara e com base científica. A partir do século II a. C., assiste-se ao apareci- mento de instrumentos concebidos pela razão para um fim prático preciso, instrumentos capa- zes de diminuir o esforço físico: Máquinas simples! Dai-meumpontodeapoio - 1-
  • 3.
    A cegonha oupicota é um aparelho de elevar água que, até muito recentemente, era comum encontrar em Portugal. Utilizada pela generalidade dos povos do mundo, este engenho era composto por vara com alguns metros de comprimento que balançava numa for- quilha. Numa das extremidades da vara estava pendura- do o balde, que mergulhava na água do poço, na outra uma pedra que ajudava na subida. A forquilha era geralmente de madeira, mas duas pedras juntas fazem a mesma função. Dai-meumpontodeapoio - 3-
  • 4.
    Embora atribuída aosegípcios a origem da picota ou cegonha, encontram-se representações desta máquina simplesnoutrascivilizações. Dai-meumpontodeapoio - 2-
  • 5.
    Obalancé,àsemelhançadapicota, baseiaoseufunciona- mentonaalavanca. Aalavanca éumamáquinasimplesformadapor umabarra rígida que pode girar emtorno de umponto a que se dá o nomedepontodeapoiooufulcro. Dependendodaposiçãoemqueactuamasforças,pode- mosdistinguir trêstiposdealavancas: Interpotentes Inter-resistentes Interfixas Dai-meumpontodeapoio - 4-
  • 6.
    Ocarrinhodemãoéumexemplodeumaalavanca INTER-RESISTENTE Acarga[forçaresistente] encontra-se entre aforça exercidapelohomem[força potente]earodadocarri- nho[fulcro]. Numa alavanca em equilíbrio, o produto da força potente pelo seu braço é igual ao produto da força resistente peloseubraço. Braço: distânciadopontodeapli- caçãodaforçaaofulcro. Dai-meumpontodeapoio - 5-
  • 7.
    Talcomoobalancéeapicota, opé-de-cabra éumexemplo deumaalavancaINTERFIXA. Estamáquina simples permite aumentar de forma signifi- cativaaforçaexercidasobreoprego. Neste tipo de alavanca o fulcro encontra-se entre a força resistenteeaforça exercida. O Homem sabe aproveitar as leis que regulam o funciona- mento das alavancas e concebeu engenhos, bem simples, queoajudamnassuastarefas diárias. Dai-meumpontodeapoio - 6-
  • 8.
    Aforquilha ea pásãodoisexemplosdealavancas INTERPOTENTES Emboraajudem nas tarefas,estetipodealavanca possui uma vantagem mecânica inferior a um. Isto é, facilitam a tarefamasnãodiminuemaforça potente. Neste tipo de alavanca a força potente encontra-se entre o fulcroeaforçaresistente. De um modo geral, podemos dizer que todas as articula- ções do nosso corpo podem ser compreendidas como um sistemadealavancas.Porexemploo braço: Dai-meumpontodeapoio - 7-
  • 9.
    Mas as máquinassim- ples não se limitam às alavancas. Acunha é umoutro tipo demáquinasimples. A partir desta máquina simples o Homemconcebeu diver- sasferramentasdetrabalhocomooformão,omachado, a machada,ocinzel., a faca... Dai-meumpontodeapoio - 8-
  • 10.
    O sonho deir mais além e ser cada vez mais forte, levou o Homemacriarnovos dispositivos. Eàmedidaquefoi criando novosobjectos encontrounovos desafios e teve necessidade de criar novas máquinas que, emquase todos os domínios da sua acção, lhe permitiram fabricar objectos cada vez mais perfeitos e de melhor qua- lidade.. A necessidade de resolver problemas do dia-a-dia levou à concepção de máquinas mais complexas que combinam vários tipos demáquinassimples. Aevoluçãocontinuanosnossos dias. Dai-meumpontodeapoio - 9-
  • 11.
    ... outrascombinações deroldanassão possíveisecomo mesmoobjectivo: Reduziroesforçofísico. Para Herão deAlexandria (séc. II a.C.), todas as máquinas derivavam de combinações de máqui- nas simples. O cadernal parece ser um bom exem- plo: O peso do corpo a elevar distribui-se pelos vários segmentos da corda e, des- te modo, a força a aplicada terá uma intensidade tan- tas vezes menor quantas o número de roldanas utiliza- das... Dai-meumpontodeapoio - 10-
  • 12.
    A imaginação ea capacidade de inventar nunca faltaram ao Homem e novas combinações de máquinas simples foram surgindo. De entre elas elegemos as noras, um legado da presença árabe na península ibérica. As noras são engenhos utilizados para elevar a água de poços, rios ou ribeiras, água que depois é conduzida para os campos cultivados a fim de irrigá-los. Basica- mente uma nora possui uma roda com pequenos baldes, os alcatruzes, e uma haste horizontal aco- plada um eixo vertical ligado a um sistema de rodas dentadas. Tradicionalmente as noras eram engenhos de trac- ção animal. Dai-meumpontodeapoio - 11-
  • 13.
    A gadanha, gadanhoou alfange é uma ferra- menta utilizada no campo para ceifar ou cor- tar erva. Como máquina simples faz parte das alavancas interpotentes. Uma lâmina com uma forma curvilínea presa na extremidade de um cabo de madeira com cerca de 1,7 m, uma pega perpendicular no extremo oposto e uma outra no meio são os constituintes deste artefacto agrícola. O utilizador desloca-se oscilando a gadanha, paralelamente ao solo, ceifando cereais ou ou cortando erva. A sua utilização é conhecida desde o século XII. Dai-meumpontodeapoio - 12-
  • 14.
    A foice, àsemelhante da gadanha, é uma ferramenta utilizada nas actividades agríco- las e em especial na ceifa de cereais. É constituída por uma lâmina curvilínea, com estrias para facilitar o corte, presa a um cabo feito de madeira. Dai-meumpontodeapoio - 13- Esta ferramenta era utilizada pelos sumérios, há cerca de três mil anos, embora a lâmina fosse uma pedra afiada.
  • 15.
    Faz parte dasalavancas interfixas, com as suas duas peças rígidas, na forma de lâmi- nas numa das extremidades, a poderem oscilar em torno de um eixo fixo, esta ferra- menta que serve para podar ou simples- mente cortar galhos ou pequenos ramos. Dá pelo nome de tesoura de podar e tem uti- lização quer nos trabalhos agrícolas quer nos de jardinagem. Uma mola liga as duas peças metálicas faci- litando a sua utilização. Dai-meumpontodeapoio - 14-
  • 16.
    Com três, cincoou mais dentes, o ancinho é uma alfaia agrícola utilizada normalmente para movimentar a terra preparando-a para as sementeiras. Em algumas regiões da Bei- ra Alta ao ancinho dão o nome de enganço e ao amanhar da terra chamam engançar. Háancinhosconcebidosparaastarefasdejardina- geneosdentes,nestecaso,sãomaislongos. Geralmenteosdentessãofeitosemferromas pode- mosencontrarancinhosemqueocaboeosdentes sãoemmadeira. Dai-meumpontodeapoio - 15-
  • 17.
    Algumas das ferramentasestão claramente em desuso mas outras mantêm a sua funcio- nalidade intacta. Está neste caso o pico de pedreiro que é uma ferramenta que o pedreiro não dispensa quando se trata de trabalhar a pedra, por exemplo, na reconstru- ção de muros ou paredes de casa feitas em granito. Junte-se-lhe o cinzel e a união é perfeita. Dai-meumpontodeapoio - 16-
  • 18.
    A picareta éuma ferramenta, que funciona como uma alavanca, constituída por uma parte metálica encurvada e pontiaguda nas duas pontas, feita em ferro. Esta peça metá- lica é fixada num cabo de madeira com apro- ximadamente 90 cm de comprimento. Foi durante muito tempo utilizada na abertura de minas e escavação de túneis. Com uma função diferente a picareta é uma ferramenta de grande utilidade na actividade arqueológica e no alpinismo. Dai-meumpontodeapoio - 17-
  • 19.
    Não é umaalavanca mas é uma máquina simples de grande utilidade. Falamos do para- fuso que pode ser entendido como um plano inclinado envolvendo um corpo cónico ou cilín- drico. As suas aplicações em ferramentas ou em utensílios são enormes e diversificadas. Dai-meumpontodeapoio - 18-
  • 20.
    Em Física, otermo máquina simples é reser- vado aos dispositivos constituídos por um pequeno número de peças. São máquinas que, apesar da sua simplici- dade, proporcionaram avanços para a huma- nidade pois acabaram por se tornar base para todas as máquinas que o Homem sou- be conceber. Mas a natureza surpreende-nos com cria- ções que, pela sua forma, vemos nelas a função de máquinas simples como é o caso desta bela forquilha. Dai-meumpontodeapoio - 19-