O amor de Deus
Élder D. Todd Christofferson
Do Quórum dos Doze Apóstolos
Nosso Pai e nosso Redentor nos abençoaram com mandamentos e, ao
obedecermos a Seus mandamentos, sentimos Seu perfeito amor mais plena e
profundamente.
Nosso Pai Celestial nos ama profunda e perfeitamente.1 Em Seu amor, Ele criou um plano; um
plano de redenção e felicidade para colocar ao nosso alcance todas as oportunidades e alegrias
que desejamos receber, inclusive tudo o que Ele tem e tudo o que Ele é.2 Para esse intento, Ele
estava disposto a até mesmo oferecer Seu Amado Filho, Jesus Cristo, como nosso Redentor.
“Porque Deus amou o mundo de tal maneira, que deu o seu Filho Unigênito, para que todo aquele
que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.”3 Seu amor é o amor puro de um Pai — universal
a todos, contudo pessoal para cada um.
Jesus Cristo compartilha do mesmo amor perfeito do Pai. Quando o Pai elaborou Seu grande plano
de felicidade, pediu a alguém que agisse como um Salvador a fim de nos redimir, que é parte
essencial desse plano. Jesus disse: “Eis-me aqui, envia-me”.4 O Salvador “nada faz que não seja
em benefício do mundo; porque ama o mundo a ponto de entregar sua própria vida para atrair a si
todos os homens. Portanto, a ninguém ordena que não participe de sua salvação”.5
Esse amor divino nos concede consolo e confiança abundantes ao orarmos ao Pai em nome de
Cristo. Nenhum de nós é um estranho para Eles. Não devemos hesitar em buscar a Deus, mesmo
quando nos sentimos indignos. Podemos confiar na misericórdia e nos méritos de Jesus Cristo para
sermos ouvidos.6 Ao permanecermos no amor de Deus, dependeremos cada vez menos da
aprovação de outros para nos guiar.
O amor de Deus não justifica o pecado, mas oferece redenção
O amor de Deus envolve todas as pessoas e, por esse motivo, algumas delas dizem que ele é “incondicional” e,
em sua mente, podem dar a esse pensamento o significado de que as bênçãos de Deus são “incondicionais” e de
que a salvação é “incondicional”. Não são. Algumas pessoas costumam dizer: “O Salvador me ama do jeito que
sou”, e isso certamente é verdade. Contudo, Ele não pode levar nenhum de nós para Seu reino do jeito que
somos, “porque nenhuma coisa impura pode ali habitar ou habitar em sua presença”.7 Nossos pecados
precisam primeiro ser abandonados.
O professor Hugh Nibley observou certa vez que o reino de Deus não resistiria se aceitasse mesmo o menor
dos pecados: “A menor das manchas de pecado faria com que o outro mundo não fosse nem incorruptível nem
eterno. Por menor que seja a falha numa edificação, instituição, num código ou caráter, ela inevitavelmente se
mostrará letal ao longo da eternidade”.8 Os mandamentos de Deus são “estritos”9 porque Seu reino e seus
cidadãos podem perdurar apenas se rejeitarem consistentemente o mal e escolherem o bem, sem exceção.10
O élder Jeffrey R. Holland comentou: “Jesus claramente compreendia o que muitos de nossa cultura moderna
parecem esquecer: há uma diferença crucial entre o mandamento de perdoar pecados (algo que Ele tem a
capacidade infinita de fazer) e a advertência de não os tolerar (algo que Ele jamais fez, nem sequer uma vez)”.11
A despeito de nossas imperfeições atuais, ainda podemos ter a esperança de obter “um nome e uma
posição”,12 um lugar, em Sua Igreja e no mundo celestial. Após deixar claro que Ele não pode tolerar nem
ignorar o pecado, o Senhor nos assegura:
“Entretanto, aquele que se arrepender e cumprir os mandamentos do Senhor será perdoado”.13
“Sim, e tantas vezes quantas o meu povo se arrepender, perdoá-lo-ei de suas ofensas contra mim.”14
O arrependimento e a graça divina solucionam o dilema:
“E lembrai-vos também das palavras que Amuleque disse a Zeezrom, na cidade de Amonia; pois ele
disse-lhe que o Senhor certamente viria para redimir seu povo; que não viria, porém, redimi-
los em seus pecados, mas redimi-los de seus pecados.
E ele tem poder, recebido do Pai, para redimi-los de seus pecados por causa do arrependimento;
portanto, enviou seus anjos para anunciarem as condições do arrependimento, que conduz ao poder
do Redentor para a salvação de suas almas”.15
Com nosso arrependimento como condição, o Senhor pode oferecer a misericórdia sem roubar a
justiça, e “Deus não [deixa] de ser Deus”.16
A maneira do mundo, como sabem, é anticristo, ou “qualquer coisa menos Cristo”. Nossos dias são
uma reprise da história do Livro de Mórmon em que figuras carismáticas buscam domínio injusto
sobre os outros, celebram a libertinagem sexual e promovem o acúmulo de riquezas como o objetivo
de nossa existência. As filosofias dessas pessoas justificam “a prática de pequenos pecados”,17 ou
até mesmo muitos pecados, mas nenhuma dessas filosofias pode oferecer a redenção, que vem
apenas por meio do sangue do Cordeiro. O melhor que a multidão que prega “qualquer coisas menos
Cristo” ou “qualquer coisa menos o arrependimento” pode oferecer é o argumento infundado de que
o pecado não existe ou, se existe, que ele na verdade não traz consequências. Não consigo ver esse
argumento ter muito efeito no Juízo Final.18
Não temos de tentar o impossível buscando racionalizar nossos pecados. E,
por outro lado, não temos de tentar o impossível ao apagarmos sozinhos os
efeitos do pecado por nossos próprios méritos. Nossa religião não busca a
racionalização nem busca o perfeccionismo, mas, sim, a redenção — a
redenção por meio de Jesus Cristo. Se estamos entre os penitentes, por meio
de Sua Expiação, nossos pecados são pregados em Sua cruz, e “pelas suas
pisaduras [somos] sarados”.19
O grande amor dos profetas é um reflexo do amor de Deus
Sempre me impressionei com o grande amor dos profetas de Deus — assim como também o senti —
em suas advertências contra o pecado. Eles não são motivados pelo desejo de condenar. Seu
verdadeiro desejo reflete o amor de Deus; na verdade, seu desejo é o amor de Deus. Eles amam
aqueles a quem são enviados sem importar quem ou como sejam. Da mesma maneira que o Senhor,
Seus servos não desejam que ninguém sofra as dores do pecado e das más escolhas.20
Alma foi enviado para declarar a mensagem de arrependimento e redenção a um povo repleto de ódio,
cujo desejo era perseguir, torturar e até mesmo matar os cristãos, inclusive o próprio Alma. Contudo
ele os amou e ansiou por sua salvação. Após declarar a Expiação de Cristo ao povo de Amonia, Alma
suplicou: “E agora, meus irmãos, desejo, do mais íntimo de meu coração, sim, com grande ansiedade e até dor,
que deis ouvidos às minhas palavras, e abandoneis os vossos pecados, (…) para que sejais elevados
no último dia e entreis [no] descanso [de Deus]”.21
Nas palavras do presidente Russell M. Nelson, “é exatamente por nos importarmos profundamente
com todos os filhos de Deus que proclamamos Sua verdade”.22
Deus ama você; você O ama?
O amor do Pai e do Filho é dado livremente, mas também inclui expectativas. Como o presidente Nelson
ensinou: “As leis de Deus são totalmente motivadas por Seu amor infinito por nós e por Seu desejo de que nos
tornemos tudo o que podemos nos tornar”.23
Por nos amarem, Eles não querem que continuemos exatamente como somos. Por nos amarem, Eles desejam
que tenhamos alegria e sucesso. Por nos amarem, Eles desejam que nos arrependamos, pois esse é o
caminho para a felicidade. Mas a escolha é individual; Eles honram nosso arbítrio. É preciso que escolhamos
amá-Los, servir a Eles e guardar Seus mandamentos. Assim, Eles podem mais abundantemente
nos abençoar bem como nos amar.
A principal expectativa que Eles têm de nós é que nós também Os amemos. “Aquele que não ama não
conhece a Deus, porque Deus é amor.”24 Conforme João escreveu, “amados, se Deus assim nos amou,
também nos devemos amar uns aos outros”.25
A antiga presidente geral da Primária, Joy D. Jones, contou que, quando eram um jovem casal, ela e seu
marido foram chamados para visitar uma família e ministrar a eles, pois a família não estava frequentando a
igreja por muitos anos. Ficou imediatamente claro em sua primeira visita que eles não eram bem-vindos.
Frustrados depois de várias outras tentativas em vão e, depois de muita oração e ponderação sinceras, o
irmão e a irmã Jones receberam em Doutrina e Convênios uma resposta sobre o porquê de seu serviço:
“Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de todo o teu poder, mente e força; e em nome de Jesus
Cristo servi-lo-ás”.26 A irmã Jones disse:

O amor de DEUS Élder D. Todd Christofferson

  • 1.
    O amor deDeus Élder D. Todd Christofferson Do Quórum dos Doze Apóstolos Nosso Pai e nosso Redentor nos abençoaram com mandamentos e, ao obedecermos a Seus mandamentos, sentimos Seu perfeito amor mais plena e profundamente.
  • 2.
    Nosso Pai Celestialnos ama profunda e perfeitamente.1 Em Seu amor, Ele criou um plano; um plano de redenção e felicidade para colocar ao nosso alcance todas as oportunidades e alegrias que desejamos receber, inclusive tudo o que Ele tem e tudo o que Ele é.2 Para esse intento, Ele estava disposto a até mesmo oferecer Seu Amado Filho, Jesus Cristo, como nosso Redentor. “Porque Deus amou o mundo de tal maneira, que deu o seu Filho Unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.”3 Seu amor é o amor puro de um Pai — universal a todos, contudo pessoal para cada um. Jesus Cristo compartilha do mesmo amor perfeito do Pai. Quando o Pai elaborou Seu grande plano de felicidade, pediu a alguém que agisse como um Salvador a fim de nos redimir, que é parte essencial desse plano. Jesus disse: “Eis-me aqui, envia-me”.4 O Salvador “nada faz que não seja em benefício do mundo; porque ama o mundo a ponto de entregar sua própria vida para atrair a si todos os homens. Portanto, a ninguém ordena que não participe de sua salvação”.5 Esse amor divino nos concede consolo e confiança abundantes ao orarmos ao Pai em nome de Cristo. Nenhum de nós é um estranho para Eles. Não devemos hesitar em buscar a Deus, mesmo quando nos sentimos indignos. Podemos confiar na misericórdia e nos méritos de Jesus Cristo para sermos ouvidos.6 Ao permanecermos no amor de Deus, dependeremos cada vez menos da aprovação de outros para nos guiar.
  • 3.
    O amor deDeus não justifica o pecado, mas oferece redenção O amor de Deus envolve todas as pessoas e, por esse motivo, algumas delas dizem que ele é “incondicional” e, em sua mente, podem dar a esse pensamento o significado de que as bênçãos de Deus são “incondicionais” e de que a salvação é “incondicional”. Não são. Algumas pessoas costumam dizer: “O Salvador me ama do jeito que sou”, e isso certamente é verdade. Contudo, Ele não pode levar nenhum de nós para Seu reino do jeito que somos, “porque nenhuma coisa impura pode ali habitar ou habitar em sua presença”.7 Nossos pecados precisam primeiro ser abandonados. O professor Hugh Nibley observou certa vez que o reino de Deus não resistiria se aceitasse mesmo o menor dos pecados: “A menor das manchas de pecado faria com que o outro mundo não fosse nem incorruptível nem eterno. Por menor que seja a falha numa edificação, instituição, num código ou caráter, ela inevitavelmente se mostrará letal ao longo da eternidade”.8 Os mandamentos de Deus são “estritos”9 porque Seu reino e seus cidadãos podem perdurar apenas se rejeitarem consistentemente o mal e escolherem o bem, sem exceção.10 O élder Jeffrey R. Holland comentou: “Jesus claramente compreendia o que muitos de nossa cultura moderna parecem esquecer: há uma diferença crucial entre o mandamento de perdoar pecados (algo que Ele tem a capacidade infinita de fazer) e a advertência de não os tolerar (algo que Ele jamais fez, nem sequer uma vez)”.11 A despeito de nossas imperfeições atuais, ainda podemos ter a esperança de obter “um nome e uma posição”,12 um lugar, em Sua Igreja e no mundo celestial. Após deixar claro que Ele não pode tolerar nem ignorar o pecado, o Senhor nos assegura: “Entretanto, aquele que se arrepender e cumprir os mandamentos do Senhor será perdoado”.13 “Sim, e tantas vezes quantas o meu povo se arrepender, perdoá-lo-ei de suas ofensas contra mim.”14
  • 4.
    O arrependimento ea graça divina solucionam o dilema: “E lembrai-vos também das palavras que Amuleque disse a Zeezrom, na cidade de Amonia; pois ele disse-lhe que o Senhor certamente viria para redimir seu povo; que não viria, porém, redimi- los em seus pecados, mas redimi-los de seus pecados. E ele tem poder, recebido do Pai, para redimi-los de seus pecados por causa do arrependimento; portanto, enviou seus anjos para anunciarem as condições do arrependimento, que conduz ao poder do Redentor para a salvação de suas almas”.15 Com nosso arrependimento como condição, o Senhor pode oferecer a misericórdia sem roubar a justiça, e “Deus não [deixa] de ser Deus”.16 A maneira do mundo, como sabem, é anticristo, ou “qualquer coisa menos Cristo”. Nossos dias são uma reprise da história do Livro de Mórmon em que figuras carismáticas buscam domínio injusto sobre os outros, celebram a libertinagem sexual e promovem o acúmulo de riquezas como o objetivo de nossa existência. As filosofias dessas pessoas justificam “a prática de pequenos pecados”,17 ou até mesmo muitos pecados, mas nenhuma dessas filosofias pode oferecer a redenção, que vem apenas por meio do sangue do Cordeiro. O melhor que a multidão que prega “qualquer coisas menos Cristo” ou “qualquer coisa menos o arrependimento” pode oferecer é o argumento infundado de que o pecado não existe ou, se existe, que ele na verdade não traz consequências. Não consigo ver esse argumento ter muito efeito no Juízo Final.18
  • 5.
    Não temos detentar o impossível buscando racionalizar nossos pecados. E, por outro lado, não temos de tentar o impossível ao apagarmos sozinhos os efeitos do pecado por nossos próprios méritos. Nossa religião não busca a racionalização nem busca o perfeccionismo, mas, sim, a redenção — a redenção por meio de Jesus Cristo. Se estamos entre os penitentes, por meio de Sua Expiação, nossos pecados são pregados em Sua cruz, e “pelas suas pisaduras [somos] sarados”.19
  • 6.
    O grande amordos profetas é um reflexo do amor de Deus Sempre me impressionei com o grande amor dos profetas de Deus — assim como também o senti — em suas advertências contra o pecado. Eles não são motivados pelo desejo de condenar. Seu verdadeiro desejo reflete o amor de Deus; na verdade, seu desejo é o amor de Deus. Eles amam aqueles a quem são enviados sem importar quem ou como sejam. Da mesma maneira que o Senhor, Seus servos não desejam que ninguém sofra as dores do pecado e das más escolhas.20 Alma foi enviado para declarar a mensagem de arrependimento e redenção a um povo repleto de ódio, cujo desejo era perseguir, torturar e até mesmo matar os cristãos, inclusive o próprio Alma. Contudo ele os amou e ansiou por sua salvação. Após declarar a Expiação de Cristo ao povo de Amonia, Alma suplicou: “E agora, meus irmãos, desejo, do mais íntimo de meu coração, sim, com grande ansiedade e até dor, que deis ouvidos às minhas palavras, e abandoneis os vossos pecados, (…) para que sejais elevados no último dia e entreis [no] descanso [de Deus]”.21 Nas palavras do presidente Russell M. Nelson, “é exatamente por nos importarmos profundamente com todos os filhos de Deus que proclamamos Sua verdade”.22
  • 7.
    Deus ama você;você O ama? O amor do Pai e do Filho é dado livremente, mas também inclui expectativas. Como o presidente Nelson ensinou: “As leis de Deus são totalmente motivadas por Seu amor infinito por nós e por Seu desejo de que nos tornemos tudo o que podemos nos tornar”.23 Por nos amarem, Eles não querem que continuemos exatamente como somos. Por nos amarem, Eles desejam que tenhamos alegria e sucesso. Por nos amarem, Eles desejam que nos arrependamos, pois esse é o caminho para a felicidade. Mas a escolha é individual; Eles honram nosso arbítrio. É preciso que escolhamos amá-Los, servir a Eles e guardar Seus mandamentos. Assim, Eles podem mais abundantemente nos abençoar bem como nos amar. A principal expectativa que Eles têm de nós é que nós também Os amemos. “Aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor.”24 Conforme João escreveu, “amados, se Deus assim nos amou, também nos devemos amar uns aos outros”.25 A antiga presidente geral da Primária, Joy D. Jones, contou que, quando eram um jovem casal, ela e seu marido foram chamados para visitar uma família e ministrar a eles, pois a família não estava frequentando a igreja por muitos anos. Ficou imediatamente claro em sua primeira visita que eles não eram bem-vindos. Frustrados depois de várias outras tentativas em vão e, depois de muita oração e ponderação sinceras, o irmão e a irmã Jones receberam em Doutrina e Convênios uma resposta sobre o porquê de seu serviço: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de todo o teu poder, mente e força; e em nome de Jesus Cristo servi-lo-ás”.26 A irmã Jones disse: