“ Mozart :   Vida e Obra” Apresentação   por  Beatriz Dias Nr. 2,  Agrupamento  4 10º ano
   O BIÓGRAFO Jeremy Siepmann é internacionalmente conhecido como escritor, músico, professor e autor de programas de rádio, sendo também o director da revista  Piano .
Extras: O Século XVIII como Pano de Fundo Personalidades relacionadas com o compositor Glossário de termos musicais Dois CD’s com as músicas de Mozart, com respectivas anotações às faixas
O Pai de Mozart 1737  – com 17 anos, Leopold Mozart chega a Salzburgo vindo de Augsburgo, matriculando-se na universidade onde estuda Lógica e Jurisprudência.  Homem de grande inteligência e cultura, é um compositor conceituado e um exímio violinista, deixando para trás uma carreira eclesiástica aconselhada pelos pais. Depois da universidade é admitido como músico ao serviço do príncipe-arcebispo Sigismund von Schrattenbach.
A Família 1747  – Leopold casa-se com Maria Anna Pertl. Têm sete filhos, mas só dois sobrevivem, o que não admira, pois Leopold insistia que estes fossem criados apenas a água e papas de aveia.  Os dois sobreviventes são Maria Anna (Nannerl) e quatro anos mais novo, Wolfgang Amadeus, nascido a 27 de Janeiro de 1756. Mozart é baptizado como Joannes Chrisostomos Wolfgangus Gottlieb, mas era tratado pela família por “Wolfgangerl”.
O Ouvido Musical dos Irmãos Quando Mozart tinha três anos, Leopold começa a ensinar música a Nannerl – esta tinha um excelente ouvido e tocava melhor cravo e piano do que um executor com o triplo da sua idade. Mozart assistia às lições: aos quatro anos tocava peças de memória e aos cinco compunha música. O pai, orgulhoso, decidiu levar os prodígios em longas e esgotantes digressões por toda a Europa. Começam em 1762, em que vão a Munique tocar para o Eleitor Maximiano III, que fica maravilhado. Depois conquistam a corte imperial de Veneza, saindo de lá cobertos de prendas e títulos. As crianças estavam muitos contentes, nunca se mostrando cansadas. Mozart era muito simpático e natural com estranhos, como prova esta carta do seu pai:
“ Conseguimos passar na alfândega sem problemas, graças exclusivamente ao pequeno Wolfgang, que imediatamente fez amizade com o funcionário de serviço, exibindo o seu cravo, tocando um minuete no seu pequeno violino, e finalmente convidando o sujeito a visitar-nos. O funcionário da alfândega aceitou o amável convite e tomou nota da nossa morada para poder corresponder-lhe. E não foi preciso mais nada: Passámos!”
Personalidade Infantil de Mozart Apesar de muito bem disposto e gentil, Mozart tinha uma grande necessidade de afecto, sendo muito inseguro – receava ser amado por aquilo que fazia e não por aquilo que era. A sua ansiedade perseguiu-o e trouxe-lhe muita infelicidade, como relata a sua irmã: “ Tinha por mim uma afeição tão profunda – e eu, claro, era louca por ele – que estava sempre a perguntar-me se gostava muito dele; e quando eu às vezes, na brincadeira, respondia que não, enchiam-se-lhe os olhitos de lágrimas, tão sensível e terno era o seu coração.”
Mozart estabelece uma relação de complexa com o pai, seguindo o lema “A seguir a Deus vem o Papá”. Desenvolveu um terror por trompetes, até quase aos dez anos de idade.  Era uma criança imaginativa e sensível, com uma rica veia de fantasia. Tinha um espírito brincalhão, um dos principais traços da sua personalidade desde a infância até à morte.
1ª Grande Digressão (1763-66) Depois de regressarem a Salzburgo, a família volta a partir passados 3 meses, numa digressão que dura três anos e meio. As crianças passaram por várias doenças e saudades da mãe. Nannerl, agora adolescente, assumia um papel cada vez mais secundário. Segundo um barão alemão, Leopold  “esforçava-se por conseguir um equilíbrio entre a verdadeira arte e os valores mesquinhos de um circo de aberrações.”
 
Anúncio a um Concerto “ (...) o menino irá também tocar um concerto de violino, acompanhar sinfonias em instrumento de teclas, cobrir por completo o teclado e tocar sobre o tecido e identificar à distância e com toda a exactidão quaisquer notas que lhe toquem em qualquer instrumento, incluindo sinos, copos de vidro e relógios.  Finalmente, irá tocar de improviso, não só no pianoforte mas também no órgão”.
As Amizades mais Marcantes Mozart e Johann Christian Bach, o filho mais novo de Johann Sebastian, travam amizade em Londres. É aí que começa a compor a sério, sob a influência de J.C. Bach, escrevendo as suas primeiras sinfonias aos nove anos e ganhando gosto pela ópera italiana. Em 1770 trava amizade com o violinista prodígio inglês Thomas Liney, ambos de 14 anos. Nunca mais se voltaram a ver, e Liney morreria oito anos, depois afogado. Mais tarde torna-se amigo de Haydn, vinte e quatro anos mais velho e também um dos mais talentosos compositores de sempre.
2ª Grande Digressão (1769-71) Os Mozart são agora a família mais famosa da Europa, sendo também os músicos mais ricos. Passam um ano em Viena e começam uma nova digressão por Itália, em que Nannerl, de 18 anos, é deixada em casa. Mozart satisfaz o desejo de aprender a escrever ópera italiana. Pai e filho mudam-se para Bolonha e Florença, travando conhecimentos importantes. Em Abril de 1770 chegam a Roma, onde conhecem o Papa, que confere a um Mozart de 14 anos a Ordem da Espora de Ouro. Mozart escreve de memória “ Misere ”, que ouve na Capela Sistina (quem retirasse da capela nem que fosse uma página da obra seria excomungado).
 
Carta à Mãe Sobre a Estadia “ Eu também continuo vivo e feliz como sempre, e simplesmente adoro viajar! E pensar que já estive no Mediterrâneo! Hoje o Vesúvio está a fumegar furiosamente – trovões e relâmpagos e tudo o mais. Tive um grande desejo de montar um burro, que é um costume italiano, e por isso achei que devia experimentar. Tem sido nosso companheiro de viagem um certo dominicano, que é considerado um santo homem. Pessoalmente, não acredito nisso nem um bocadinho.”
Obra dos 5 aos 12 anos Inúmeras peças para piano solo Algumas das primeiras composições a quatro mãos 18 sonatas para piano e violino, minuetes para instrumentos mistos 2 óperas 4 missas e outras obras corais sacras Cerca de 12 sinfonias 4 concertos para piano Inúmeras canções para voz e piano
O Mito da Eterna Criança Mozart é muitas vezes apresentado como um palerma em áreas que não a música; no entanto, tinha um génio teatral ao nível do de Shakespeare. Muitos biógrafos apoiam-se nas suas cartas brincalhonas para incrementar o mito da infantilidade. A verdade é que Mozart reconhecia a sua criança interior e não a escondia, coexistindo esta com a sua maturidade. No entanto, é tragicamente inibido pelo pai.
Carta a Nannerl Milão, 18 de Dezembro de 1772 “ Espero encontrar-te florescente, minha querida irmã. Quando receberes esta carta, minha querida irmã, nessa mesma noite a minha ópera já terá sido levada à cena, minha querida irmã. Pensa muito em mim, minha querida irmã! Amanhã vamos almoçar, minha querida irmã, com Herr von Mayr, e sabes porquê? Porque ele nos convidou! Hoje, quando vínhamos do palácio do Conde Firmiano para casa, entrámos na nossa rua...abrimos a porta de entrada...e entrámos.  Adeus, meu pulmãozinho. Beijo-te, meu fígado! Ai, por favor, por favor, minha querida irmã! Tenho qualquer coisa a fazer-me comichão. Vem coçar-me!”
Os Anos em Salzburgo Leopold e Mozart partem em 1773 para Viena, em busca de reconhecimento, mas regressam de mãos vazias. Triste, Mozart compõe a sua 1ª obra-prima, a Sinfonia nº 25 em Sol Menor, K.183. A escrita funciona como uma terapia, não perdendo tempo com auto-comiserações como o seu pai.  Amadeus era por natureza um lutador, e em 1774 havia feito 3 sinfonias, 2 concertos, 2 missas, várias obras sacras, 1 serenata e 1 ópera completa, “ La finta giardiniero ”.
A Maioridade Em 1722, com 21 anos, Mozart escreve uma obra tão importante que eclipsa tudo o que havia feito anteriormente – K.271 em Mi bemol maior, dedicado a uma pianista francesa. Mozart tinha-se distinguido em todas as áreas da música, sendo considerado o maior executante de tecla vivo e um talentoso e experiente violinista e maestro, que apenas desprezava a harpa e a flauta (apesar de ter escrito concertos para ambas).
3ª Grande Digressão (1777-9) Leopoldo receava que Mozart fosse seduzido por mulheres e quisesse constituir família, abandonando a música. Assim, a mãe de Mozart, Maria Anna, tornou-se sua acompanhante. Era muito gentil, acabando por ser o filho a tomar conta dela. Em Augsburgo, reencontra a  prima Bäsle , por quem tem grande atracção: “ Devo dizer-lhe, Papá, que ela é bela, inteligente, bem disposta e encantadora até mais não. E damo-nos extraordinariamente bem porque ela, tal como eu, tem uma grande propensão para a malandrice. Rimo-nos de toda a gente e geralmente divertimo-nos enormemente.”
Ao chegar a Mannheim, apaixona-se por  Aloysia Weber , de 16 anos, óptima pianista e soprano. Mozart, desempregado, deseja fixar-se em Mannheim e não seguir para Paris como Leopold havia estipulado. O pai, zangado, obrigou-o a partir, fazendo pressão psicológica: Mozart obedece-lhe. A sua mãe acaba por morrer em Paris, doente e triste. Leopold acusa Mozart da sua morte, por negligência.
 
A Discussão entre Mozart e o Pai Depois da morte da mãe, Leopold ordena a Mozart que este volte a Salzburgo. Mozart recusa-se: “ Devo dizer-lhe que uma das principais razões pelas quais detesto Salzburgo é esse bando de toscos, desleixados, debochados músicos de corte, no meio dos quais nenhum homem honesto e de boa educação poderá viver!” Leopold envia-lhe cartas, aumentando a pressão: “ Estou metido num grande sarilho. As minhas dívidas já chegam aos 700 florins. Só espero que depois de a tua mãe ter morrido miseravelmente em Paris, não te fique também a pesar na consciência a morte prematura do teu pai.”
Mozart sente-se fraquejar: “ Desculpe, mas agora não consigo escrever mais nada, porque o meu coração transborda de lágrimas.” Leopold replica: “ Tu dizes que queres que te conforte? Vem tu confortar-me a mim!” Ainda não refeito da morte da mãe, Mozart atravessa períodos de profunda tristeza com a situação: “ Muitas vezes me pergunto se vale a pena viver. Não sinto calor nem frio – sinto-me entorpecido, e nada me dá grande prazer.” Ao que Leopold insensivelmente responde: “ Não me escrevas de mau humor. Quanto tiveres assumido a felicidade do teu pai como prioridade, continuarei a pensar no teu bem-estar e felicidade.”
De novo em Salzburgo Em Janeiro de 1779, Mozart regressa a casa acompanhado por Bäsle, descobrindo na escala em Mannheim que Aloysia está casada e que os Weber debandaram para Munique. Mozart trabalha para o  arcebispo, que dificulta as deslocações do seu “empregado” a Viena, onde Mozart recebe encomendas de óperas e se torna cada vez mais poderoso. Descobre a família Weber em Viena e vai viver com eles. Em 1781, com 25 anos, Mozart é expulso da sala do arcebispo com um pontapé, demitindo-se.  Leopold tentou que Mozart se humilhasse, mas este, impelido pela sua honra, recusou voltar a servir o arcebispo: está livre.
O Casamento Mozart vive agora de concertos, composições e lições. Compõe a ópera “ O Rapto do Serralho ”. Apaixona-se pela irmã mais nova de Aloysia, Constanze. Era uma relação feliz, calorosa e confortável:   “ Ela não é feia, mas também não pode dizer-se que seja bonita. Toda a sua beleza se resume a dois olhinhos negros e uma silhueta amorosa. Não tem sentido de humor, mas tem bom senso suficiente para cumprir os seus deveres de esposa e mãe. Longe de ser esbanjadora, anda quase sempre andrajosamente vestida, pois o pouco que a mãe fez pelas filhas, fê-lo pelas outras, mas nunca pela Constanze. Ainda por cima, trata bem da casa e tem o coração mais bondoso que pode imaginar-se. Eu amo-a e ela ama-me com toda a sua alma.”
Leopold não dá a sua bênção ao casamento, iniciando uma ruptura com o filho. Constanze e Mozart casam à mesma, a 4 de Agosto de 1782. “ O Rapto do Serralho ” é um sucesso, e o casal vive uma agitada vida social, gastando muito dinheiro. Mozart ficou para sempre conhecido pelos seus gostos requintados e roupas caras, habituado desde a meninice. A 17 de Julho de 1783 nasce Raimund Leopold.  Este é deixado com uma ama de leite enquanto o casal visita Leopold. A 19 de Julho, o “querido, gorducho, lindo menino” de Mozart morre, o que causa grande desgosto.
Uma Época de Prosperidade Como lembrava a mulher de Mozart muitos anos depois da sua morte, este tinha sido bafejado com um temperamento extraordinariamente persistente. Em 1784, o ano seguinte ao do seu regresso de Salzburgo, Mozart teve uma actividade transbordante, como compositor e como intérprete: Deu mais de 17 concertos só durante a Quaresma, muitos deles presenciados pela nata da sociedade austro-húngara e por embaixadores de toda a Europa. Os editores de Viena lutavam pela publicação das suas músicas. Os alunos acorriam em magotes. Os seus ganhos aumentavam.
Em Setembro, nasce o segundo filho, chamado Carl Thomas.  Os Mozart mudam-se para um andar caro num dos bairros mais chiques de Viena. Em Dezembro, Mozart adere à maçonaria. O seu círculo de amigos alarga-se cada vez mais. Entretanto, Nannerl casa-se e muda de cidade, ficando o pai, em Salzburgo, cada vez mais isolado. Em Fevereiro de 1785, Leopold viaja para Viena com o propósito de visitar o filho e o neto. Ficou por três meses, durante os quais teve a honra de conhecer um dos melhores e mais recentes amigos de Mozart, Joseph Haydn.  Este ia frequentemente a casa dos Mozart tocar quartetos com o seu anfitrião, que preferia ficar sempre com a parte de viola.
O Trabalho Há uma impressão generalizada de que Mozart nunca teve de se esforçar para compor. A verdade é que Mozart não tinha apenas uma memória prodigiosa mas também uma cabeça extraordinariamente bem arrumada, e que compunha praticamente tudo mentalmente. Escrever o que compunha não era mais do que imprimir um documento a partir de um computador. Constanze, muitos anos depois da morte do marido, recordava como ele costumava convidá-la a entrar e conversar com ele enquanto ele escrevia as suas composições.
O número de grandes obras que Mozart produziu nos anos que se seguiram é impressionante – e se nos lembrarmos que somava a composição às suas funções de professor, concertista, marido e pai e a uma vida social muito activa, custa a acreditar. Em meados da década de 1780, as características da sua música  mudam: grande parte dela era cada vez mais difícil de tocar, o que desencorajava os amadores. Os concertos de piano passam a confrontar os seus ouvintes, até aí fiéis e entusiásticos, com uma seriedade e uma turbulência interior que os perturbava.  Para os vienenses amantes do descanso, tratava-se decididamente de uma novidade indesejada: não iam a concertos para lhes moerem o juízo.  Estas mudanças irão reflectir-se significantemente no futuro do compositor.
“ As Bodas de Fígaro” Apesar de tudo, a ópera seguinte de Mozart foi um êxito:  As Bodas de Fígaro , estreada a 1 de Maio de 1786, teve um sucesso quase imediato. Esta baseava-se numa peça de Beaumarchais que era uma sátira política tão perigosa que tinha sido praticamente banida. Felizmente, Mozart contou com a ajuda de Lorenzo da Ponte, que adaptou a peça com uma extraordinária inteligência, ao mesmo tempo que a música de Mozart se revelava irresistível. Além disso, a nova obra levou a fama do autor muito para lá dos limites de Viena, como acontece em Praga, de onde Mozart partiu com mais uma encomenda. Esta cidade adoptou-o de uma forma que nenhuma outra havia feito, nem mesmo Viena.
Tempos Difíceis Leopold estava gravemente doente, vindo a falecer pouco tempo depois.  Mozart passa o ano de 1787 a compor a encomenda para Praga, a ópera  Don Giovanni , com o contributo de Da Ponte.  Esta era muito difícil de cantar e encenar, tendo sido um triunfo em Praga mas um êxito moderado em Viena. Hoje é considerada por muitos a melhor ópera de sempre. O número de alunos que frequentava as suas aulas diminuía drasticamente, acabando Mozart por as abandonar.  Os rendimentos caíam vertiginosamente, o que obrigou os Mozart a mudarem-se para os arredores de Viena, onde a vida era mais barata.
Mozart consegue finalmente um emprego oficial – músico de câmara da corte. Apesar do novo emprego, a família afunda-se rapidamente em dívidas. A situação política agravava-se, tendo sido a Áustria arrastada para a guerra que opunha a Rússia ao Império Otomano. Os teatros fecharam e os subsídios às artes desapareceram. A tendência de Mozart para gastar mais do que podia somada ao novo rumo dos acontecimentos leva o compositor a passar de celebridade da alta sociedade ao estatuto de pobreza envergonhada, situação agravada pela morte de uma filha e pela doença grave da mulher. Dos quatro filhos do casal, só um ainda vivia. Mozart suplica a um “irmão” maçónico rico ajuda, que lhe é concedida.
De Volta à Estrada Em 1788, Mozart escreve dois soberbos trios para piano, uma das suas mais famosas sonatas, quase todo o seu último concerto e (entre outras coisas) as suas últimas três sinfonias. Sem encomendas, Mozart retoma a carreira de virtuoso itinerante, na esperança de poder assim ganhar dinheiro e conseguir novas encomendas. A digressão foi um sucesso, mas não chegou para remediar a situação: apesar de ter ganho algum dinheiro, não se sabe o que lhe terá feito. Um dos traços mais comovedores deste período difícil é o teor das cartas de Mozart à mulher, que transmitem um misto de amor, optimismo persistente e profundo desânimo.
“ Così Fan Tutte” Depois da  tournée , Mozart regressa a Viena cheio de energia e de um impulso irreverente de explorar novos caminhos na música. Desta inspiração nasce  Così Fan Tutte , uma ópera de grande êxito, apesar do seu conteúdo “difícil”. Mesmo sem dinheiro, Mozart recusava-se a seguir a “via fácil” e a escrever peças populares para consumo das massas. Indiferente aos problemas materiais, o seu génio continuava no apogeu. Mozart sabia-o e sentia uma obrigação sagrada de ir até onde ele o levava. Mesmo reduzido à necessidade de aceitar encomendas para instrumentos estranhos como os órgãos mecânicos e harmónicas de vidro, escreveu para eles obras-primas.
O Princípio do Fim Mozart espera um cargo importante, o que não acontece. A par da má novidade, a sua saúde entra em declínio. No fim do Verão começou a sofrer dores na cabeça e em todo o corpo, o que lhe dificultava o sono. A saúde de Constanze também era precária. Por altura do Verão de 1791, Mozart ocupa-se com uma nova ópera, a simples mas genial  Flauta Mágica , e também de um concerto para clarinete. Em Outubro, começa a compor a sua última obra: o  Requiem .
O  Requiem   Tinha-lhe sido encomendado anonimamente pelo Conde Walsegg, que tinha por hábito encomendar trabalhos a compositores para depois os fazer passar por seus. Esta obra pretendia assinalar a morte recente da jovem esposa do nobre. Enquanto trabalhava no Requiem, Mozart adoeceu com gravidade e convenceu-se que o estava a escrever para si próprio. Desenvolveu também a fantasia paranóica de que estava a ser envenenado. Nas duas ou três ultimas semanas da sua vida começou a dar instruções ao seu pupilo Sussmayr quanto à forma como queria que este a terminasse. O último acto de Mozart foi uma tentativa de exprimir com a boca as passagens de tambor do Requiem.
O Fim O corpo de Mozart foi transportado, sem acompanhamento, da Catedral de Santo Estêvão, onde se realizou o funeral, para o cemitério de São Marcos. Aí foi depositado, dentro de um saco de linho, numa vala comum cuja localização exacta nunca foi descoberta. Os funerais eram feitos assim para evitar gastos desnecessários.
 
FIM

Mozart

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    “ Mozart : Vida e Obra” Apresentação por Beatriz Dias Nr. 2, Agrupamento 4 10º ano
  • 2.
    O BIÓGRAFO Jeremy Siepmann é internacionalmente conhecido como escritor, músico, professor e autor de programas de rádio, sendo também o director da revista Piano .
  • 3.
    Extras: O SéculoXVIII como Pano de Fundo Personalidades relacionadas com o compositor Glossário de termos musicais Dois CD’s com as músicas de Mozart, com respectivas anotações às faixas
  • 4.
    O Pai deMozart 1737 – com 17 anos, Leopold Mozart chega a Salzburgo vindo de Augsburgo, matriculando-se na universidade onde estuda Lógica e Jurisprudência. Homem de grande inteligência e cultura, é um compositor conceituado e um exímio violinista, deixando para trás uma carreira eclesiástica aconselhada pelos pais. Depois da universidade é admitido como músico ao serviço do príncipe-arcebispo Sigismund von Schrattenbach.
  • 5.
    A Família 1747 – Leopold casa-se com Maria Anna Pertl. Têm sete filhos, mas só dois sobrevivem, o que não admira, pois Leopold insistia que estes fossem criados apenas a água e papas de aveia. Os dois sobreviventes são Maria Anna (Nannerl) e quatro anos mais novo, Wolfgang Amadeus, nascido a 27 de Janeiro de 1756. Mozart é baptizado como Joannes Chrisostomos Wolfgangus Gottlieb, mas era tratado pela família por “Wolfgangerl”.
  • 6.
    O Ouvido Musicaldos Irmãos Quando Mozart tinha três anos, Leopold começa a ensinar música a Nannerl – esta tinha um excelente ouvido e tocava melhor cravo e piano do que um executor com o triplo da sua idade. Mozart assistia às lições: aos quatro anos tocava peças de memória e aos cinco compunha música. O pai, orgulhoso, decidiu levar os prodígios em longas e esgotantes digressões por toda a Europa. Começam em 1762, em que vão a Munique tocar para o Eleitor Maximiano III, que fica maravilhado. Depois conquistam a corte imperial de Veneza, saindo de lá cobertos de prendas e títulos. As crianças estavam muitos contentes, nunca se mostrando cansadas. Mozart era muito simpático e natural com estranhos, como prova esta carta do seu pai:
  • 7.
    “ Conseguimos passarna alfândega sem problemas, graças exclusivamente ao pequeno Wolfgang, que imediatamente fez amizade com o funcionário de serviço, exibindo o seu cravo, tocando um minuete no seu pequeno violino, e finalmente convidando o sujeito a visitar-nos. O funcionário da alfândega aceitou o amável convite e tomou nota da nossa morada para poder corresponder-lhe. E não foi preciso mais nada: Passámos!”
  • 8.
    Personalidade Infantil deMozart Apesar de muito bem disposto e gentil, Mozart tinha uma grande necessidade de afecto, sendo muito inseguro – receava ser amado por aquilo que fazia e não por aquilo que era. A sua ansiedade perseguiu-o e trouxe-lhe muita infelicidade, como relata a sua irmã: “ Tinha por mim uma afeição tão profunda – e eu, claro, era louca por ele – que estava sempre a perguntar-me se gostava muito dele; e quando eu às vezes, na brincadeira, respondia que não, enchiam-se-lhe os olhitos de lágrimas, tão sensível e terno era o seu coração.”
  • 9.
    Mozart estabelece umarelação de complexa com o pai, seguindo o lema “A seguir a Deus vem o Papá”. Desenvolveu um terror por trompetes, até quase aos dez anos de idade. Era uma criança imaginativa e sensível, com uma rica veia de fantasia. Tinha um espírito brincalhão, um dos principais traços da sua personalidade desde a infância até à morte.
  • 10.
    1ª Grande Digressão(1763-66) Depois de regressarem a Salzburgo, a família volta a partir passados 3 meses, numa digressão que dura três anos e meio. As crianças passaram por várias doenças e saudades da mãe. Nannerl, agora adolescente, assumia um papel cada vez mais secundário. Segundo um barão alemão, Leopold “esforçava-se por conseguir um equilíbrio entre a verdadeira arte e os valores mesquinhos de um circo de aberrações.”
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    Anúncio a umConcerto “ (...) o menino irá também tocar um concerto de violino, acompanhar sinfonias em instrumento de teclas, cobrir por completo o teclado e tocar sobre o tecido e identificar à distância e com toda a exactidão quaisquer notas que lhe toquem em qualquer instrumento, incluindo sinos, copos de vidro e relógios. Finalmente, irá tocar de improviso, não só no pianoforte mas também no órgão”.
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    As Amizades maisMarcantes Mozart e Johann Christian Bach, o filho mais novo de Johann Sebastian, travam amizade em Londres. É aí que começa a compor a sério, sob a influência de J.C. Bach, escrevendo as suas primeiras sinfonias aos nove anos e ganhando gosto pela ópera italiana. Em 1770 trava amizade com o violinista prodígio inglês Thomas Liney, ambos de 14 anos. Nunca mais se voltaram a ver, e Liney morreria oito anos, depois afogado. Mais tarde torna-se amigo de Haydn, vinte e quatro anos mais velho e também um dos mais talentosos compositores de sempre.
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    2ª Grande Digressão(1769-71) Os Mozart são agora a família mais famosa da Europa, sendo também os músicos mais ricos. Passam um ano em Viena e começam uma nova digressão por Itália, em que Nannerl, de 18 anos, é deixada em casa. Mozart satisfaz o desejo de aprender a escrever ópera italiana. Pai e filho mudam-se para Bolonha e Florença, travando conhecimentos importantes. Em Abril de 1770 chegam a Roma, onde conhecem o Papa, que confere a um Mozart de 14 anos a Ordem da Espora de Ouro. Mozart escreve de memória “ Misere ”, que ouve na Capela Sistina (quem retirasse da capela nem que fosse uma página da obra seria excomungado).
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    Carta à MãeSobre a Estadia “ Eu também continuo vivo e feliz como sempre, e simplesmente adoro viajar! E pensar que já estive no Mediterrâneo! Hoje o Vesúvio está a fumegar furiosamente – trovões e relâmpagos e tudo o mais. Tive um grande desejo de montar um burro, que é um costume italiano, e por isso achei que devia experimentar. Tem sido nosso companheiro de viagem um certo dominicano, que é considerado um santo homem. Pessoalmente, não acredito nisso nem um bocadinho.”
  • 17.
    Obra dos 5aos 12 anos Inúmeras peças para piano solo Algumas das primeiras composições a quatro mãos 18 sonatas para piano e violino, minuetes para instrumentos mistos 2 óperas 4 missas e outras obras corais sacras Cerca de 12 sinfonias 4 concertos para piano Inúmeras canções para voz e piano
  • 18.
    O Mito daEterna Criança Mozart é muitas vezes apresentado como um palerma em áreas que não a música; no entanto, tinha um génio teatral ao nível do de Shakespeare. Muitos biógrafos apoiam-se nas suas cartas brincalhonas para incrementar o mito da infantilidade. A verdade é que Mozart reconhecia a sua criança interior e não a escondia, coexistindo esta com a sua maturidade. No entanto, é tragicamente inibido pelo pai.
  • 19.
    Carta a NannerlMilão, 18 de Dezembro de 1772 “ Espero encontrar-te florescente, minha querida irmã. Quando receberes esta carta, minha querida irmã, nessa mesma noite a minha ópera já terá sido levada à cena, minha querida irmã. Pensa muito em mim, minha querida irmã! Amanhã vamos almoçar, minha querida irmã, com Herr von Mayr, e sabes porquê? Porque ele nos convidou! Hoje, quando vínhamos do palácio do Conde Firmiano para casa, entrámos na nossa rua...abrimos a porta de entrada...e entrámos. Adeus, meu pulmãozinho. Beijo-te, meu fígado! Ai, por favor, por favor, minha querida irmã! Tenho qualquer coisa a fazer-me comichão. Vem coçar-me!”
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    Os Anos emSalzburgo Leopold e Mozart partem em 1773 para Viena, em busca de reconhecimento, mas regressam de mãos vazias. Triste, Mozart compõe a sua 1ª obra-prima, a Sinfonia nº 25 em Sol Menor, K.183. A escrita funciona como uma terapia, não perdendo tempo com auto-comiserações como o seu pai. Amadeus era por natureza um lutador, e em 1774 havia feito 3 sinfonias, 2 concertos, 2 missas, várias obras sacras, 1 serenata e 1 ópera completa, “ La finta giardiniero ”.
  • 21.
    A Maioridade Em1722, com 21 anos, Mozart escreve uma obra tão importante que eclipsa tudo o que havia feito anteriormente – K.271 em Mi bemol maior, dedicado a uma pianista francesa. Mozart tinha-se distinguido em todas as áreas da música, sendo considerado o maior executante de tecla vivo e um talentoso e experiente violinista e maestro, que apenas desprezava a harpa e a flauta (apesar de ter escrito concertos para ambas).
  • 22.
    3ª Grande Digressão(1777-9) Leopoldo receava que Mozart fosse seduzido por mulheres e quisesse constituir família, abandonando a música. Assim, a mãe de Mozart, Maria Anna, tornou-se sua acompanhante. Era muito gentil, acabando por ser o filho a tomar conta dela. Em Augsburgo, reencontra a prima Bäsle , por quem tem grande atracção: “ Devo dizer-lhe, Papá, que ela é bela, inteligente, bem disposta e encantadora até mais não. E damo-nos extraordinariamente bem porque ela, tal como eu, tem uma grande propensão para a malandrice. Rimo-nos de toda a gente e geralmente divertimo-nos enormemente.”
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    Ao chegar aMannheim, apaixona-se por Aloysia Weber , de 16 anos, óptima pianista e soprano. Mozart, desempregado, deseja fixar-se em Mannheim e não seguir para Paris como Leopold havia estipulado. O pai, zangado, obrigou-o a partir, fazendo pressão psicológica: Mozart obedece-lhe. A sua mãe acaba por morrer em Paris, doente e triste. Leopold acusa Mozart da sua morte, por negligência.
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  • 25.
    A Discussão entreMozart e o Pai Depois da morte da mãe, Leopold ordena a Mozart que este volte a Salzburgo. Mozart recusa-se: “ Devo dizer-lhe que uma das principais razões pelas quais detesto Salzburgo é esse bando de toscos, desleixados, debochados músicos de corte, no meio dos quais nenhum homem honesto e de boa educação poderá viver!” Leopold envia-lhe cartas, aumentando a pressão: “ Estou metido num grande sarilho. As minhas dívidas já chegam aos 700 florins. Só espero que depois de a tua mãe ter morrido miseravelmente em Paris, não te fique também a pesar na consciência a morte prematura do teu pai.”
  • 26.
    Mozart sente-se fraquejar:“ Desculpe, mas agora não consigo escrever mais nada, porque o meu coração transborda de lágrimas.” Leopold replica: “ Tu dizes que queres que te conforte? Vem tu confortar-me a mim!” Ainda não refeito da morte da mãe, Mozart atravessa períodos de profunda tristeza com a situação: “ Muitas vezes me pergunto se vale a pena viver. Não sinto calor nem frio – sinto-me entorpecido, e nada me dá grande prazer.” Ao que Leopold insensivelmente responde: “ Não me escrevas de mau humor. Quanto tiveres assumido a felicidade do teu pai como prioridade, continuarei a pensar no teu bem-estar e felicidade.”
  • 27.
    De novo emSalzburgo Em Janeiro de 1779, Mozart regressa a casa acompanhado por Bäsle, descobrindo na escala em Mannheim que Aloysia está casada e que os Weber debandaram para Munique. Mozart trabalha para o arcebispo, que dificulta as deslocações do seu “empregado” a Viena, onde Mozart recebe encomendas de óperas e se torna cada vez mais poderoso. Descobre a família Weber em Viena e vai viver com eles. Em 1781, com 25 anos, Mozart é expulso da sala do arcebispo com um pontapé, demitindo-se. Leopold tentou que Mozart se humilhasse, mas este, impelido pela sua honra, recusou voltar a servir o arcebispo: está livre.
  • 28.
    O Casamento Mozartvive agora de concertos, composições e lições. Compõe a ópera “ O Rapto do Serralho ”. Apaixona-se pela irmã mais nova de Aloysia, Constanze. Era uma relação feliz, calorosa e confortável: “ Ela não é feia, mas também não pode dizer-se que seja bonita. Toda a sua beleza se resume a dois olhinhos negros e uma silhueta amorosa. Não tem sentido de humor, mas tem bom senso suficiente para cumprir os seus deveres de esposa e mãe. Longe de ser esbanjadora, anda quase sempre andrajosamente vestida, pois o pouco que a mãe fez pelas filhas, fê-lo pelas outras, mas nunca pela Constanze. Ainda por cima, trata bem da casa e tem o coração mais bondoso que pode imaginar-se. Eu amo-a e ela ama-me com toda a sua alma.”
  • 29.
    Leopold não dáa sua bênção ao casamento, iniciando uma ruptura com o filho. Constanze e Mozart casam à mesma, a 4 de Agosto de 1782. “ O Rapto do Serralho ” é um sucesso, e o casal vive uma agitada vida social, gastando muito dinheiro. Mozart ficou para sempre conhecido pelos seus gostos requintados e roupas caras, habituado desde a meninice. A 17 de Julho de 1783 nasce Raimund Leopold. Este é deixado com uma ama de leite enquanto o casal visita Leopold. A 19 de Julho, o “querido, gorducho, lindo menino” de Mozart morre, o que causa grande desgosto.
  • 30.
    Uma Época deProsperidade Como lembrava a mulher de Mozart muitos anos depois da sua morte, este tinha sido bafejado com um temperamento extraordinariamente persistente. Em 1784, o ano seguinte ao do seu regresso de Salzburgo, Mozart teve uma actividade transbordante, como compositor e como intérprete: Deu mais de 17 concertos só durante a Quaresma, muitos deles presenciados pela nata da sociedade austro-húngara e por embaixadores de toda a Europa. Os editores de Viena lutavam pela publicação das suas músicas. Os alunos acorriam em magotes. Os seus ganhos aumentavam.
  • 31.
    Em Setembro, nasceo segundo filho, chamado Carl Thomas. Os Mozart mudam-se para um andar caro num dos bairros mais chiques de Viena. Em Dezembro, Mozart adere à maçonaria. O seu círculo de amigos alarga-se cada vez mais. Entretanto, Nannerl casa-se e muda de cidade, ficando o pai, em Salzburgo, cada vez mais isolado. Em Fevereiro de 1785, Leopold viaja para Viena com o propósito de visitar o filho e o neto. Ficou por três meses, durante os quais teve a honra de conhecer um dos melhores e mais recentes amigos de Mozart, Joseph Haydn. Este ia frequentemente a casa dos Mozart tocar quartetos com o seu anfitrião, que preferia ficar sempre com a parte de viola.
  • 32.
    O Trabalho Háuma impressão generalizada de que Mozart nunca teve de se esforçar para compor. A verdade é que Mozart não tinha apenas uma memória prodigiosa mas também uma cabeça extraordinariamente bem arrumada, e que compunha praticamente tudo mentalmente. Escrever o que compunha não era mais do que imprimir um documento a partir de um computador. Constanze, muitos anos depois da morte do marido, recordava como ele costumava convidá-la a entrar e conversar com ele enquanto ele escrevia as suas composições.
  • 33.
    O número degrandes obras que Mozart produziu nos anos que se seguiram é impressionante – e se nos lembrarmos que somava a composição às suas funções de professor, concertista, marido e pai e a uma vida social muito activa, custa a acreditar. Em meados da década de 1780, as características da sua música mudam: grande parte dela era cada vez mais difícil de tocar, o que desencorajava os amadores. Os concertos de piano passam a confrontar os seus ouvintes, até aí fiéis e entusiásticos, com uma seriedade e uma turbulência interior que os perturbava. Para os vienenses amantes do descanso, tratava-se decididamente de uma novidade indesejada: não iam a concertos para lhes moerem o juízo. Estas mudanças irão reflectir-se significantemente no futuro do compositor.
  • 34.
    “ As Bodasde Fígaro” Apesar de tudo, a ópera seguinte de Mozart foi um êxito: As Bodas de Fígaro , estreada a 1 de Maio de 1786, teve um sucesso quase imediato. Esta baseava-se numa peça de Beaumarchais que era uma sátira política tão perigosa que tinha sido praticamente banida. Felizmente, Mozart contou com a ajuda de Lorenzo da Ponte, que adaptou a peça com uma extraordinária inteligência, ao mesmo tempo que a música de Mozart se revelava irresistível. Além disso, a nova obra levou a fama do autor muito para lá dos limites de Viena, como acontece em Praga, de onde Mozart partiu com mais uma encomenda. Esta cidade adoptou-o de uma forma que nenhuma outra havia feito, nem mesmo Viena.
  • 35.
    Tempos Difíceis Leopoldestava gravemente doente, vindo a falecer pouco tempo depois. Mozart passa o ano de 1787 a compor a encomenda para Praga, a ópera Don Giovanni , com o contributo de Da Ponte. Esta era muito difícil de cantar e encenar, tendo sido um triunfo em Praga mas um êxito moderado em Viena. Hoje é considerada por muitos a melhor ópera de sempre. O número de alunos que frequentava as suas aulas diminuía drasticamente, acabando Mozart por as abandonar. Os rendimentos caíam vertiginosamente, o que obrigou os Mozart a mudarem-se para os arredores de Viena, onde a vida era mais barata.
  • 36.
    Mozart consegue finalmenteum emprego oficial – músico de câmara da corte. Apesar do novo emprego, a família afunda-se rapidamente em dívidas. A situação política agravava-se, tendo sido a Áustria arrastada para a guerra que opunha a Rússia ao Império Otomano. Os teatros fecharam e os subsídios às artes desapareceram. A tendência de Mozart para gastar mais do que podia somada ao novo rumo dos acontecimentos leva o compositor a passar de celebridade da alta sociedade ao estatuto de pobreza envergonhada, situação agravada pela morte de uma filha e pela doença grave da mulher. Dos quatro filhos do casal, só um ainda vivia. Mozart suplica a um “irmão” maçónico rico ajuda, que lhe é concedida.
  • 37.
    De Volta àEstrada Em 1788, Mozart escreve dois soberbos trios para piano, uma das suas mais famosas sonatas, quase todo o seu último concerto e (entre outras coisas) as suas últimas três sinfonias. Sem encomendas, Mozart retoma a carreira de virtuoso itinerante, na esperança de poder assim ganhar dinheiro e conseguir novas encomendas. A digressão foi um sucesso, mas não chegou para remediar a situação: apesar de ter ganho algum dinheiro, não se sabe o que lhe terá feito. Um dos traços mais comovedores deste período difícil é o teor das cartas de Mozart à mulher, que transmitem um misto de amor, optimismo persistente e profundo desânimo.
  • 38.
    “ Così FanTutte” Depois da tournée , Mozart regressa a Viena cheio de energia e de um impulso irreverente de explorar novos caminhos na música. Desta inspiração nasce Così Fan Tutte , uma ópera de grande êxito, apesar do seu conteúdo “difícil”. Mesmo sem dinheiro, Mozart recusava-se a seguir a “via fácil” e a escrever peças populares para consumo das massas. Indiferente aos problemas materiais, o seu génio continuava no apogeu. Mozart sabia-o e sentia uma obrigação sagrada de ir até onde ele o levava. Mesmo reduzido à necessidade de aceitar encomendas para instrumentos estranhos como os órgãos mecânicos e harmónicas de vidro, escreveu para eles obras-primas.
  • 39.
    O Princípio doFim Mozart espera um cargo importante, o que não acontece. A par da má novidade, a sua saúde entra em declínio. No fim do Verão começou a sofrer dores na cabeça e em todo o corpo, o que lhe dificultava o sono. A saúde de Constanze também era precária. Por altura do Verão de 1791, Mozart ocupa-se com uma nova ópera, a simples mas genial Flauta Mágica , e também de um concerto para clarinete. Em Outubro, começa a compor a sua última obra: o Requiem .
  • 40.
    O Requiem Tinha-lhe sido encomendado anonimamente pelo Conde Walsegg, que tinha por hábito encomendar trabalhos a compositores para depois os fazer passar por seus. Esta obra pretendia assinalar a morte recente da jovem esposa do nobre. Enquanto trabalhava no Requiem, Mozart adoeceu com gravidade e convenceu-se que o estava a escrever para si próprio. Desenvolveu também a fantasia paranóica de que estava a ser envenenado. Nas duas ou três ultimas semanas da sua vida começou a dar instruções ao seu pupilo Sussmayr quanto à forma como queria que este a terminasse. O último acto de Mozart foi uma tentativa de exprimir com a boca as passagens de tambor do Requiem.
  • 41.
    O Fim Ocorpo de Mozart foi transportado, sem acompanhamento, da Catedral de Santo Estêvão, onde se realizou o funeral, para o cemitério de São Marcos. Aí foi depositado, dentro de um saco de linho, numa vala comum cuja localização exacta nunca foi descoberta. Os funerais eram feitos assim para evitar gastos desnecessários.
  • 42.
  • 43.