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INTRODUÇÃO




          O presente trabalho de conclusão de curso tem por objetivo analisar a indumentária
como forma de comunicação não verbal, a fim de responder questões de âmbito social, como
o julgamento feito através da roupa, e como extensão do próprio ser.


          O foco do estudo está no comportamento e na indumentária de alguns grupos urbanos,
como punks e patricinhas, a fim de apresentar os seus modos de vestir e suas idéias. O estudo
também propõe uma análise sobre a interpretação social, as convenções e interpretações das
roupas.


          O trabalho é apresentado em três capítulos, divididos em assuntos como: moda e
comunicação, semiótica, psicologia, antimoda, convenções sociais, tribos urbanas entre
outros. A pesquisa conta com a fundamentação teórica de autores como: Patrice Bollon, Lúcia
Santaella, John Carl Flügel, Renata Pitombo, Káthia Castilho, Erika Palomino, entre outros.


          Com o objetivo de responder à problemática: “É possível fazer um julgamento correto
do indivíduo através da indumentária?” O trabalho apresenta estudos sobre moda e
indumentária, origem histórica, e suas transformações no decorrer dos séculos.


          No capítulo foi apresentado o contexto moda e comunicação. A indumentária é
estudada como meio de comunicação social, vista também como um instrumento de
transmissão de mensagens que integra e interage entre os seres humanos. Desta forma, além
de ornamentação, pudor e proteção, a roupa é vista também como um transporte de
informações, que faz do corpo humano um veículo de transmissão de idéias, valores entre
outros.


          Quando falamos de moda e sociedade, alguns temas como: atitude, comportamento e
estilo; tornam-se complementares e importantes para compreensão, pois quando um grupo ou
indivíduo veste sua indumentária diferente das demais, ele esta adaptando sua personalidade a
sua roupa fazendo com que ela seja capaz de mostrar um pouco de sua ideologia e gostos.
Porém não basta apenas usar peças que caracterizam uma idéia ou conduta, é necessário ter a
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atitude que seja condizente com o que se veste, para que a construção de um estilo próprio
seja possível.


       Desta forma pode- se perceber as diferenças entre os indivíduos num determinado
ambiente pelo modo que se vestem e se comportam. Assim, a indumentária pode refletir uma
imagem, porém a postura e a atitude dos indivíduos são primordiais para a interpretação e o
julgamento social.


       A maioria destes grupos é contra as certas convenções sociais, e criam seu próprio
modo de se vestir, desta forma surge o termo “antimoda” usado para divergir, afrontar e
também para revolucionar o que é imposto pela sociedade, mercado e mídias.


       Os grupos urbanos foram um dos fatores de criação de signos referentes à sua
indumentária. Pois, em muitos casos as cores, formas e acessórios; são capazes de distinguir
certos grupos urbanos como é o caso dos Punks, que em sua maioria utiliza jaqueta de couro
preta, camiseta preta geralmente com dizeres críticos e libertários, calça jeans rasgada,
coturnos, entre outros.


       De acordo com a pesquisa, a indumentária apresenta um estado emocional do
indivíduo, uma ideologia, ou questionamento. A roupa torna-se capaz de mostrar um pouco da
personalidade do ser humano e seus pensamentos.


       Porém, o questionamento deste trabalho é analisar a possibilidade de se fazer uma
leitura correta das pessoas através da indumentária, e se somos o que vestimos. A resposta
desta questão foi respondida após a pesquisa de campo com questionários direcionados para
o público em geral, e em específico os punks e patricinhas.
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Tema
Moda e Comunicação: estudo de caso da interpretação da indumentária dos grupos urbanos
“punks” e “patricinhas”


Delimitação do tema
A interpretação e distinção dos grupos urbanos através da indumentária.


Problemática
É possível fazer um julgamento correto do indivíduo através da indumentária?
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Justificativa


       Os aspectos relacionados a moda como comunicação, apresenta a roupa como uma
extensão do próprio ser. Segundo o autor John Carl Flügel (1966, pag.11): “o que nós
realmente vemos e ao que reagimos, não são os corpos, mas as roupas dos que nos cercam. É
através das roupas que formamos a primeira impressão de nossos semelhantes.”


       A pesquisa apresenta a roupa além de suas finalidades de enfeite, pudor e proteção,
pois a indumentária é uma forma de comunicação, que nos da á possibilidade de interpretar as
imagens e as mensagens, que será analisada e julgada pelas convenções sociais e contexto
cultural que o indivíduo está inserido.


       Este estudo torna-se relevante para questionar o comportamento da sociedade, perante
certas peças de roupa, verificar quais mensagens são repassadas para quem as vê, e
principalmente entender se nos dias atuais, a roupa é o fator que determina a pessoa no meio
social, avaliar quem realmente somos ao que vestimos, ou se a indumentária pode ser vista
também como uma forma de se mascarar e mostrar ser o que não se é.


       Para ilustrar este questionamento o objetivo de estudo será os grupos urbanos, também
denominados como comunidades ou tribos, onde pessoas se agrupam e compartilham dos
mesmos gostos, atitudes e ideologias, usando as roupas com a finalidade de se comunicar e
pertencer a algum grupo, que é o caso dos punks e das patricinhas, que fazem destes
indivíduos diferentes dos demais membros da sociedade. Porém mesmo com o esteriótipo do
modo de vestir parecido, estes grupos contam com seres únicos, que possuem pensamentos
individuais e que não são interpretados através da roupa.
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Objetivo geral


        Analisar os signos na indumentária dos principais grupos urbanos; apresentar as
escolhas coletivas e individuais que tendem a passar uma imagem para sociedade, que
interpreta e julga os códigos do vestir.




Objetivos específicos


       -Apresentar o estudo de Semiótica, (signo, significado e significante).
       -Analisar a psicologia das roupas e do vestir;
       -Verificar principalmente temas como: moda e comunicação;
       -Investigar as convenções sociais e estudos sobre os grupos urbanos.
       -Questionar o comportamento da sociedade perante as roupas, para entender quais
       mensagens são repassadas para quem as vê;
       -Avaliar se o indivíduo é o que realmente veste ou se a indumentária pode ser vista
       como uma forma de mascarar e mostrar ser o que não se é.
       -Pesquisa em campo dos grupos sociais “Punks” e “Patricinhas”
       -Criar e desenvolver uma coleção a partir desta pesquisa.
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Referencial Teórico


       O estudo com o seguinte tema “Moda e Comunicação: estudo de caso da interpretação
da indumentária dos grupos urbanos “punks” e “patricinhas”,” pretende investigar em livros
de moda, semiótica e psicologia do vestir, os pareceres dos autores que já estudaram sobre
este assunto, e verificar através desta análise a existência do códigos do vestir na sociedade
contemporânea. Para a autora Patrice Bollon:


                       Sempre existiram indivíduos - nem sempre jovens e ainda menos
                       necessariamente “marginais” – que se expressassem e se afirmassem através
                       de um estilo, simples pose de traje ou então um modo de vida global em
                       ruptura com as normas, aceitas por sua época, da “elegância”, do “bom
                       gosto” e da “respeitabilidade”. Homens – e certamente mulheres também –
                       que pretendem com sua aparência contestar um estado de coisas, uma escala
                       de valores, uma hierarquia de gostos, uma moral, hábitos, comportamentos,
                       uma visão de mundo ou um projeto, tais como são refletidos pelo traje
                       dominante, pelo estilo obrigatório ou pela referência estética comum da
                       sociedade em que vivem. Enfim, homens que são, querem ser ou imaginam
                       “outros”, diferentes, estranhos singulares e pretendem mostrá-los com o que
                       se vê em primeiro lugar, a aparência. (BOLLON, 1993, p.11).


       Através desta afirmação constatamos que a roupa usada por estes grupos urbanos é
uma forma de expressão. Estes indivíduos em sua maioria usam o seu modo de vestir como
artifício de contestação; apresentamos a indumentária como uma máscara com o poder de
tornar um ser em outra pessoa, com a intenção de se tornar claro para sociedade os poderes
que a roupa possui através de seus códigos. Na visão de John Carl Flügel:


                       A delicada descriminação dos traços faciais necessita de uma certa
                       aproximação íntima. Mas as roupas, apresentando como o fazem, uma
                       superfície muito maior para inspeção, podem ser mais claramente
                       distinguidas de uma distância mais conveniente. É a expressão indireta de
                       um individuo, através de suas vestes, que nos diz, por exemplo, que a pessoa
                       a quem “vemos” se aproximar é alguém que conhecemos; e é o movimento
                       conferido ás roupas pelos membros dentro delas, e não o movimento dos
                       membros propriamente ditos, que nos capacita a julgar de um só golpe se
                       nosso conhecido está zangado, assustado, curioso, apressado ou calmo.
                       (FLÜGEL, 1966, p.11).


       Porém ao colocarmos as roupas como uma forma de veiculação de signos, devemos
entender exatamente, o sistema integrante desta forma de comunicação, do ponto de vista de
Lúcia Santaella:
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                       Diante de qualquer fenômeno, isto é, para conhecer e compreender qualquer
                       coisa, a consciência produz um signo, ou seja, um pensamento como
                       mediação irrecusável entre nós e os fenômenos. E isto, já ao nível do que
                       chamamos de percepção. Perceber não é se não traduzir um objeto de
                       percepção em um julgamento de percepção, ou melhor, é interpor uma
                       camada interpretativa entre a consciência e o que é percebido.
                       (SANTAELLA, 1983, p.51).


       Em resumo, a indumentária é apresentada como a própria extensão do ser, porém para
alguns autores está afirmação não está totalmente correta, pois também é atribuído a roupa o
poder de se mascarar, de se tornar outro, para colocar em prática o presente questionamento:
É possível fazer um julgamento correto do indivíduo através da indumentária? Segundo
Patrice Bollon:


                       Até as aparências, portanto mais fortemente codificadas, muitas vezes não
                       bastam para “fazer a triagem”. Pois não basta endossar uma panóplia
                       objetiva para participar de uma moda e ser aceito por ela. É preciso também
                       adotar um espírito e que isto seja visível. (BOLLON, 1993, p.70).


       Desta maneira os integrantes de algumas tribos como os Punk e Patricinhas, se vestem
de forma a integrar seus grupos, em sua maioria compartilham das mesmas ideologias, gostos,
e abrem mão de um estilo próprio por um comportamento coletivo.


       Para melhor entendimento o tema sugere uma pesquisa de campo realizada na cidade
de Divinópolis e na capital Belo Horizonte, os meios para realização da pesquisa é através de
questionários impressos, internet (e-mail e blog), com alguns integrantes de tribos urbanos
como punks e patricinhas, estudos em livros e documentários.
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   1. Moda


         A palavra moda vem do latim que significa “modus”, maneira, modo individual de
fazer, ou uso passageiro que regula a forma dos objetos materiais, e as vestimentas. Para
compreender este termo, primeiro é preciso saber sua definição exata, segundo o Dicionário
da Língua Portuguesa: “Moda s.f.1. Uso geral. 2 Maneira de vestir. 3. Costume. 4. Usos e
costumes passageiros, comuns em certa época e em certos lugares. 5 Maneira modo. Já a
palavra modo significa: Modo S. m. 1. maneira de ser. 2. Meio, maneira”. (RIOS,1999,p.385).


         Desta forma podemos dizer que estes dois termos são um só, e que a moda está
diretamente ligada ao modo, segundo Renata Pitombo:


                       Observa-se, assim a proximidade entre os termos moda e modo. Ao
                       recuperarmos os sentidos atribuídos a ambos, tendo como referência o Novo
                       Dicionário da língua portuguesa (1986), vamos perceber o quanto um reforça
                       o outro, muitas vezes sendo incorporado como um só. Se, por um lado, a
                       moda é vista como uso, habito ou estilo geralmente aceito variável no tempo
                       e resultante de determinado gosto, idéia ou capricho, ou das influências do
                       meio; bem como fenômeno social ou cultural, mas ou manos coercitivo, que
                       consiste na mudança periódica de estilo e cuja vitalidade provem da
                       necessidade de conquistar ou manter, por algum tempo, determinada posição
                       social; modo significa maneira, feição, forma particular, jeito, sistema,
                       prática, via, habilidade e em alguns casos, processo de aculturação.
                       (PITOMBO, 2005, p. 30)


         A história da moda tem início com o homem primitivo (FIGURA 1), onde eram
usadas as peles e fibras vegetais como matéria prima para produção de suas roupas, neste
momento a indumentária era usada com o simples objetivo de proteção das intempéries do
tempo.




                            Figura 1: Indumentária do homem primitivo
20



       As vestimentas tiveram sua evolução junto com o homem, foram os egípcios, os sírios,
gregos (FIGURA 2) e romanos (FIGURA 3) que começaram a dar formas para as peças, com
drapeados feitos através de retângulos de tecidos que eram amarrados ao corpo, ou preso com
broches.




                                  Figura 2: Indumentária grega




                             Figura 3: Indumentária romana feminina
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        O homem continua a evoluir em seu pensamento, vestes e tecnologia, no século VI
a.C. cria-se a calça devido às temperaturas altas encontradas na Babilônia1, este traje passa a
ser típico dos persas.


        Já as roupas dos egípcios eram mais leves e serviam como forma de distinção de
classes, sendo atribuído ao faraó o direito de vesti-se enquanto seu povo e principalmente os
escravos, andavam quase nus.


        Sabe-se que durante muitos séculos a indumentária não teve grandes alterações, como
explica James Laver:


                           Felizmente sabemos muito sobre a vestimenta do Egito antigo através de
                           estatuetas e pinturas em paredes que, graças ao clima extremamente seco,
                           foram preservadas em grande quantidade. A documentação disponível é
                           maior do que a de qualquer outra civilização antiga, sendo o traço mais
                           marcante sua qualidade estática. Em um período de aproximadamente 3 mil
                           anos, as mudanças foram mínimas. (LAVER, 1989, p.16).


        Estes trajes usados pelos povos antigos já indicavam a importância que as roupas
teriam para a sociedade, porém para alguns autores os primeiros registros de moda foram no
século XIV (FIGURA 4). No dizer de James Laver “Foi na segunda metade do século XIV
que as roupas, tanto masculinas quanto femininas, adquiriram novas formas e surgiu algo que
já podemos chamar de “moda”. (LAVER, 1989, p. 62).




         Figura 4: Vestido justo sob vestido amplo, aberturas nas mangas e decote valorizando o colo compõem
                                     o look das mulheres do século XIV.

1
 Babilônia: foi o berço de uma das primeiras grandes civilizações da história. Desenvolveu-se na região banhada
pelos rios Tigre e Eufrates, que faz parte do chamado Crescente Fértil. Fonte:
<http://www.historiadomundo.com.br/babilonia/mapa-babilonia.htm> Acesso em: 09 de setembro de 2011.
22



        A afirmação deste conceito ocorreu no final da Idade Média século XV e princípio da
Renascença, foi através do vestuário que ocorreu o desencadeamento de todo o processo. Os
burgueses que viviam próximos dos palácios tinham o desejo de imitar as vestimentas dos
nobres, que por sua vez, variavam constantemente suas roupas para se diferenciar dos demais.
Neste período deu-se início a moda como sistema, pois criaram vários conceitos que
permaneceram inseridos, como a efemeridade, a cópia, e principalmente o status transmitido
pela indumentária, que se tornaram sinônimo de poder e dinheiro.


        Depois da criação deste sistema as roupas passam a se modificar cada vez mais rápido,
as revoluções, as guerras e principalmente os processos tecnológicos, faz surgir novos
sistemas: o prêt-à-porter2 que estimula o comércio e torna a moda cada vez mais efêmera,
substitui assim a alta costura, e alavanca a produção de peças, junto com estas inovações
criam-se novos profissionais como o estilista criador, que mais tarde denomina-se Designers3.


        Após o surgimento do prêt-à-porter no final de 1949, a moda passa a ser contada por
décadas tornando-se cada vez mais passageira, na visão de Lipovestsky: “A moda é também
um fenômeno temporal, caracterizado pela constante mudança, quando um lançamento faz
com que o estilo anterior seja descartado”. (LIPOVESTSKY, 1987, p. 159)


        A moda transita na sociedade como artigo de luxo, e como um fenômeno de massa,
sendo atribuído á ela várias finalidades como: hierarquia, distinção, reivindicação, e
afirmação social. Segundo Érika Palomino: “A moda passou também a atender às
necessidades de afirmação pessoal do indivíduo como membro de um grupo, e também a
expressar idéias e sentimentos”. (PALOMINO, 2002, p. 16).


        Na contemporaneidade pode-se dizer que a palavra moda vai além das peças e
acessórios caros vistos em desfiles, ela se tornou uma expressão do ser, e pode ser encontrada
em qualquer lugar como nos guetos. As roupas se transformam em fantasias e desejos, e


2
 Prêt-à-porter é o nome francês para “pronto para usar” que em inglês é o ready-to-wear. Em linhas gerais pode-
se dizer que o ready-to-wear significa a produção em série e em tamanhos predefinidos – o nosso velho e bom P-
M-G. (PALOMINO,2002, p.26).
3
  Designer é o profissional que está diretamente ligado a atividades relacionadas ao design. Atualmente o termo é
referido ao desenhista industrial, indivíduos habilitados em programação visual, e projeto de produto, e variadas
formas de designers e projetistas. Fonte: <http://www.dicionarioinformal.com.br/designer/>. Acesso em: 04 de
agosto de 2011.
23



principalmente, uma forma de identidade que faz do corpo um veículo de comunicação de
idéias alternativas através da indumentária para integrar e indicar pensamentos e protestos.




1.1.   Moda e Comunicação


       A moda afirma sua importância após ser vista como meio de comunicação, que integra
e interage na sociedade, e passa ser considerado um instrumento de transmissão de
mensagens. De acordo com o Dicionário de Língua Portuguesa, comunicação é: “S.f. 1. Ato
ou efeito de se comunicar ou transmitir alguma coisa. 2. Aviso, mensagem, informação . 3.
Participação, transmissão. 4. Meio de ligação, passagem ou ligação entre dois lugares. 5. trato,
conveniência.” (RIOS, 1999, p. 184).


       Desta forma, a roupa é vista como um transporte de informações, que podem ser
verdadeiras ou não, sabe-se que é através das vestes que os indivíduos fazem as primeiras
leituras sobre as pessoas que estão em sua volta. Como caracteriza John Carl Flügel:


                        A delicada descriminação dos traços faciais necessita de uma certa
                        aproximação íntima. Mas as roupas, apresentando como o fazem, uma
                        superfície muito maior para inspeção, podem ser mais claramente
                        distinguidas de uma distância mais conveniente. É a expressão indireta de
                        um individuo, através de suas vestes, que nos diz, por exemplo, que a pessoa
                        a quem “vemos” se aproximar é alguém que conhecemos; e é o movimento
                        conferido ás roupas pelos membros dentro delas, e não o movimento dos
                        membros propriamente ditos, que nos capacita a julgar de um só golpe se
                        nosso conhecido está zangado, assustado, curioso, apressado ou calmo.
                        (FLÜGEL, 1966, p.11).


       Assim o corpo é visto como um veículo de comunicação, sendo possível através da
indumentária algumas informações sobre o indivíduo, como suas idéias, grupo, posição social
e outras mensagens. Um exemplo vem de certas situações como: encontrar uma pessoa
vestida toda de branco (FIGURA 5), na cultura ocidental, logo nossa interpretação é que este
profissional trabalha na área da saúde, neste caso a roupa atuou como um veículo de
comunicação direta, sendo possível o mesmo tipo de interpretação em seres diferentes.
24




                            Figura 5: Médico Cirurgião Antônio Alves Jr.


       Outro exemplo é o uso de ternos (FIGURA 6), que indica um ofício em um ambiente
formal, geralmente advogados ou executivos.




                                    Figura 6: Advogado Christian Mânic




       Estes dois exemplos citados além da transmissão de idéias existem também as
convenções sociais, que impõe ao indivíduo o uso de determinadas roupas, apesar da
comunicação, esta mensagem não representa exatamente a expressão de um ser, porém
quando falamos de transmissão de conteúdos, surgem outras situações como: o uso da cor
preta por jovens (indica oposição e revolta), desta forma alguns grupos contestadores utilizam
da cor preta, como predominante, para indicar sua ideologia e insatisfação, como é o caso dos
punks, já as patricinhas fazem o uso de etiquetas consideradas “roupas caras” para que desta
forma possam representar seu status social. Para Káthia Castilho:
25



                         A imagem que um sujeito cria de si mesmo exprime-se, então, em
                         codificações, em seu modo de parecer, de mostrar-se para ser visto. Esse seu
                         fazer, uma montagem discursiva, resulta na (re) arquitetura anatômica de seu
                         corpo e de todas as suas modalidades expressivas e narrativas. Considerando
                         que “o homem é um animal que se baseia principalmente no seu sentido da
                         visão”, é inicialmente por esse órgão dos sentidos que ocorre a apreensão de
                         significações nas linguagens não-verbais trabalhadas (...) (CASTILHO,
                         2009, p. 81).


       Sendo assim, a moda está diretamente ligada à comunicação entre os seres, e ajuda o
indivíduo a se expressar verdadeiramente ou demonstrar uma mensagem de apresentação ou
reivindicação pessoal.


       As pessoas ao usar as roupas e acessórios para construir uma imagem visual, estão de
maneira indireta à representar uma atitude pessoal, que expressa e interage com a sociedade, e
faz de seu corpo uma forma de mídia.


       O corpo humano é a forma pessoal que cada indivíduo representa sua veste, logo a
roupa passa a ter um significado, transmitido através de um código. Na visão de Káthia
Castilho:


                         Cabe, então, reafirmar que um determinado texto do corpo vestido por uma
                         segunda pele pode conter vários códigos que colaboram entre si para a
                         construção do seu discurso. Assim, a moda é, neste estudo, entendida como
                         uma relação complexa entre distintos códigos. Encadeando em uma
                         manifestação discursiva ou numa textualização, cada arranjo vestimentário é
                         fruto desse sincretismo e produz múltiplos efeitos de significações.
                         (CASTILHO, 2009, p. 83).


       É possível afirmar que uma das melhores formas de se comunicar é através da roupa, e
que ao vestirmos, estamos mesmo que inconscientemente buscando repassar a sociedade uma
mensagem que se encontra dentro de cada ser. Desta forma, a indumentária cria uma
transação de idéias mútua e singular, pois se torna meio de expressão e atitude.




1.2.   Atitude, Comportamento e Estilo
26



          A atitude e o comportamento estão ligados a construção de um próprio estilo, onde a
moda só tem sentido à medida que permite a expressão da individualidade, que se torna capaz
de representar si mesmo através da roupagem.


          A atitude é uma maneira de reagir, pensar e sentir em relação ao que está a nossa volta.
A intenção de manifestar um comportamento é a forma em que reage à determinada situação;
é ação e/ou reação. Como escrito no dicionário de Língua Portuguesa: “Atitude: s.f. 1.Postura
do corpo. 2. Norma de procedimento; ação, comportamento. 3. Propósito, disposição. 4.
Reação ou atitude em relação a pessoa(s), objeto(s), circunstância(s). (RIOS,1999, p.114), já
o comportamento: s.m. 1. Modo de comportar-se. 2. Maneira de ser, de agir, de reagir. 3.
Procedimento, conduta. (RIOS, 1999, p.183).


          O estilo é o que varia de pessoa para pessoa, que faz do indivíduo ser único, onde cada
pessoa assume seu estilo, é também um modo de ser, de viver e de agir, independente de
qualquer grupo que o sujeito pertence ou pretende seguir. Com a sua aparência, o ser humano
demonstra seus hábitos, atitudes e comportamentos que podem ser refletidos de várias
maneiras, como explica Patrice Bollon:


                            Sempre existiram indivíduos – nem sempre jovens e ainda menos
                            necessariamente “marginais” – que se expressassem e se afirmassem através
                            de um estilo, simples pose de traje ou então um modo de vida global em
                            ruptura com as normas, aceitas por sua época, da “elegância”, do “bom
                            gosto” e da “respeitabilidade”. Homens – e certamente mulheres também –
                            que pretendem com sua aparência contestar um estado de coisas, uma escala
                            de valores, uma hierarquia de gostos, uma moral, hábitos, comportamentos,
                            uma visão de mundo ou um projeto, tais como são refletidos pelo traje
                            dominante, pelo estilo obrigatório ou pela referência estética comum da
                            sociedade em que vivem. Enfim, homens que são, querem ser ou se
                            imaginam “outros”, diferentes, estranhos, singulares e pretendem mostrá-lo
                            com o que se vê em primeiro lugar, a aparência. (BOLLON, 1993, p.11).


          Segundo o site “Conexão Jovem TV”4, A moda pode ser considerada o reflexo da
evolução do comportamento. Uma espécie de retrato da comunidade. É uma linguagem não-
verbal com significado de diferenciação que instiga novas formas de pensar e agir. A
importância do vestir na estruturação do comportamento procede pelo fato de que a
informação que é transmitida de pessoa por pessoa pela roupa, não é claramente traduzida em
palavras. Através da nossa vestimenta juntamente com nossa atitude e comportamento

4
    Fonte: <http://espacojovem.net/conexao-jovem-tv-160411/> Acesso em: 02 de maio de 2011.
27



podemos ou não, passar uma imagem para o próximo de nossa personalidade, pois ela às
vezes transmite nossas crenças, nosso estilo, opção sexual, retrata o tempo e a cultura local, e
se somos pessoas de pensamentos e comportamentos tradicionais ou de vanguarda. Segundo
Renata Pitombo:


                        O perigo deste tipo de procedimento é o fato de que possa levar ao extremo a
                        idéia de que a “vestimenta faz a personalidade”, levando a dois tipos de
                        abordagens distintas, mas oriundas de um mesmo ponto de partida: de que
                        assim como a linguagem (pelo menos para alguns pesquisadores), a roupa
                        possa ser lida, decodificada, chegando mesmo a funcionar como uma
                        carteira de identidade do indivíduo. Embora se reconheça a seriedade e os
                        muitos momentos de brilhantismo da obra de Barthes e de uma perspectiva
                        semiológica ou semiótica da indumentária, é preciso reconhecer também que
                        o argumento de que a roupa é linguagem e de que ela transmite mensagens
                        sobre aquele que a veste abre brechas para desdobramento às vezes
                        simplistas. A abordagem mais comum e muito recorrente atualmente, parte
                        do princípio de que se você conhecer os significados de tais e tais cores,
                        formas, combinações, você terá a capacidade de “construir” voluntariamente
                        e conscientemente um look específico e adequado para cada situação.
                        Funciona quase como um receituário em que todas as medidas e ingredientes
                        seriam controlados para a aquisição de um resultado impecável. (PITOMBO,
                        2005, p.99).


       É possível perceber as diferenças entre os indivíduos num determinado ambiente pelo
modo que se vestem e se comportam, notam assim que lêem e são lidos através de sua postura
e atitude. Como a imagem não é somente composta pela roupa, mas também por nossos
gestos e atitudes, espera-se que as pessoas conheçam a linguagem do comportamento
humano, da boa educação, das boas maneiras e a interpretação de olhares e gestos. Um
exemplo disso é aquele que trabalha em uma determinada empresa, e é extremamente
competente, mas não se apresenta adequadamente, sendo seus trajes e comportamentos de
maneira inadequada para o cargo que ocupa. Para Heloisa Marra e Julio Rego:


                        Num mundo de comunicação rápida, as aparências não enganam mais e só se
                        sustentam se houver conteúdo e resultado. Não adianta vestir o “casual” e ter
                        uma sala fechada, abolir o paletó e estacionar o carro numa vaga privativa,
                        tirar a gravata e, ao viajar com seu pessoal, ficar num hotel “x” enquanto
                        seus colegas ficam no “y”. (MARRA; REGO, 2002, p.17).


       Os Punks, Skinheads, Rappers, Patricinhas, Clubbers, Grunges, Góticos, Drag Queens,
são alguns grupos chamados de “tribos urbanas” com seus estilos próprios e diferenciados.
Eles mudam de hábitos e costumes, que apesar de serem rodeados de códigos e normas mal
entendido por muitos, algumas pessoas são capaz de distinguir cada um pela forma de se
28



vestirem e se comportarem. Pois, a escolha do vestir vão de encontro com seus gostos e
preferências e fazem com que os indivíduos se sintam partes do conjunto através dos
elementos identificáveis concretizados em acessórios e músicas.


       Ao fazer parte de uma tribo específica, o indivíduo passa a se apropriar de
determinados comportamentos e vestuários que o identificam como um membro de um grupo
(FIGURA 7). Se observarmos a nossa volta, veremos a imensa variedade de pessoas com
estilos, vestimentas, comportamentos e posturas passíveis de associação com grupamentos
urbanos. Como descrito por Patrice Bollon sobre os Punks:


                       Vendo-os perambular, de longe, em bandos pelas ruas de Londres, com os
                       cabelos curtos penteados em porco-espinho com antenas pontudas arrepiadas
                       em buquê sobre a cabeça e tingidas alternativamente em verde, amarelo e
                       vermelho fluorescentes, e as dezenas, às vezes centenas de distintivos,
                       medalhas, insígnias, adornos, broches, amuletos, anéis, imagens, nomes de
                       grupos e slogans escritos com moldes ou pichados apressadamente e que
                       constelavam e pendiam de seus blusões, transformando-os em verdadeiros
                       totens vivos, tinha-se a impressão de ver alguma tribo de índios surgidos não
                       se sabe de onde, num campo de uma guerra da qual somente eles saberiam a
                       existência e a razão. Extraordinárias aparições, quase mutantes, meio reais,
                       meio imaginários, para os quais convergia, feito gigantescos ímãs, tudo
                       aquilo que a sociedade habitualmente recalca, os fantasmas mais perturbados
                       e as referências mais pueris. (BOLLON, 1993, p.126).




                          Figura 7: Filipe Prado com o seu grupo de punks.



       Ao contrário dos Punks, existe outro grupo conhecido, que gosta de se vestir sempre
na moda, pois se preocupa com a aparência que vai passar para as pessoas. Exemplo disso é a
29



tribo das Patricinhas (FIGURA 8), que assim como os Punks, também tem suas determinadas
normas e comportamentos, como por exemplo, não usam roupas que não sejam de marcas,
andam sempre maquiadas, e diferentes dos rebeldes, possuem um comportamento diferente,
sem gírias e bastantes delicadas.




                          Figura 8: Luciana Silva com o grupo de patricinhas.




       De acordo com esses dois exemplos de tribos, pode-se dizer que, nossas roupas,
comportamento e atitudes estão ligados a nossa personalidade.




1.3.   Convenções Sociais


       Convenções sociais são todas as normas determinadas pela sociedade, para que seja
possível uma melhor convivência entre os seres humanos, para o dicionário de Língua
Portuguesa: “Convenção S.f. 1. Ajuste, combinação. 2. Pacto, convênio. 3. Tratado, acordo
(entre partidos políticos adversários). 4. Aquilo que se acha taticamente admitido nas relações
sociais”. (RIOS, 1999, p.192).


       Estas normas surgem naturalmente e são integradas a sociedades, e se tornam comuns
entre as pessoas de tal forma que em muitos casos devido à naturalidade e costume, tornam-se
regras imperceptíveis, onde o ser humano faz o uso sem perceber que tal roupa foi
30



determinada socialmente. Para uma melhor convivência social é inegável a importância de
tais convenções, é ela que garante a harmonia das comunidades e também a identidade das
culturas de certos grupos urbanos.


        A existência das convenções não garante a ela que seu uso seja geral, pois cabe ao
indivíduo decidir se coopera ou não com determinadas regras, como é o caso do uso de roupas
na cor preta em momentos de dor e luto (FIGURA 9), pois cabe a pessoa o bom senso de
optar ou não por cores mais fechadas em um funeral.




                             Figura 9: Filme Francês: Enfim Viúva, de Isabelle Mergault


        Mesmo que seja “de livre arbítrio” do cidadão participar ou não das convenções
impostas pela sociedade, o simples fato de não se integrar às regras pode acarretar certos
julgamentos indesejáveis, como no ambiente de trabalho. De acordo com Heloisa Marra e
Julio Rego:


                           Uma diretora da Saad-Fellipelli5, empresa especializada em recolocação
                           profissional desde a década de 1980, conta que no treinamento de out
                           placement6 a imagem é importante: Abordamos tudo: a roupa, aparência,
                           colocação, postura. Num segundo momento, o da entrevista simulada, damos
                           ao profissional um retorno, caso achemos que seu comportamento não esta
                           adequado. Não só em matéria de roupa, mas em termos de atitude. Não
                           adianta estar bem vestido e com uma postura relaxada. (...) Tivemos também
                           o caso de uma gerente de marketing que era muito exuberante, bonita, mas

5
    Saad-Fellipelli: Empresa de Recursos Humanos com a matriz em São Paulo. Fonte:
http://www.infoguiasaopaulo.com.br/pinheiros-sao-paulo/administracao/saad-e-fellipelli-recursos-humanos-ltda-
matriz-1.html.Acesso em 12 de maio de 2011.


6
 Definição do termo, “outplacement” (apoio à colocação e a acompanhamentos-colocação). Fonte:
<http://www.eu-eof.net/26/?L=4>. Acesso em: 12 de maio de 2011.
31



                           exagerava na pintura. Sabe aquele perfume que fica na sua mão quando
                           alguém o cumprimenta? Usava decote e minissaia com salto alto.
                           Combinava com ela, mas não com ambiente de trabalho. (MARRA; REGO,
                           2002, p. 71).


        Assim descrito acima, é possível dizer que em muitos casos não se integrar às regras
sociais pode acarretar problemas indesejáveis, como a demissão de um emprego, mesmo que
a pessoa tenha as qualificações curriculares adequadas para o trabalho, o simples fato de suas
roupas não estarem compatíveis com as convenções, pode ser um motivo para o desligamento
da empresa.


        Como no exemplo citado pela Diretora da empresa Saad-Fellipelli, as roupas devem
seguir uma norma de bom senso principalmente em ambientes formais e públicos. Algumas
peças são taxadas como irregulares para certas situações, como o uso de mini-saias, decotes,
tênis, roupa justa, shorts, bermudas, e outros. Porém, em muitos casos certos trajes são
imprescindíveis para o sucesso profissional, e permanência no cargo. Segundo os autores,
Heloisa Marra e Julio Rego:


                           Na legião do direito, terno, gravata e, em algumas situações, a toga7, fazem
                           jus a história da advocacia, um oficio, em que ate hoje discrição é o pré-
                           requisito: solenidade, o máximo; e credibilidade, a conseqüência. Frase de
                           um militante radical da tradição: “Nunca andei com o paletó pendurado nas
                           costas. Não é preciso luxo. Pode-se estar simples, sem grife. A nobreza da
                           profissão determina essa postura. Só afrouxo o colarinho quando chego em
                           casa”. (MARRA; REGO, 2002, p. 83).


        A citação no parágrafo anterior, “A nobreza da profissão determina essa postura”,
indica a existência de uma convenção no ambiente de trabalho, desta forma torna-se
inadmissível, um profissional como juiz, promotor, e advogados vestir roupas que não sejam
adequadas às normas, como trajar uma calça jeans e camiseta.


        Porém, este tratado informal pode ser aplicado de maneira geral, (todos os médicos se
vestem de branco em todo o país), ou alterar de acordo com cada região e cultura local, onde



7
 Significado de Toga: s.f. (...). Vestimenta ampla usada pelos juízes, advogados ou promotores no tribunal ou
por formandos durante a cerimônia de formatura; beca. Fonte: < http://www.dicio.com.br/toga/> Acesso em: 22
de agosto de 2011.
32



o uso de certas roupas é mais flexível do que em outras, como o uso de peças mais decotadas
e curtas nas regiões mais quentes como: Bahia e Nordeste.


        Existem também grupos sociais com a intenção de questionar estas convenções,
geralmente estes indivíduos buscam se vestir de maneira oposta ao que é determinado
socialmente, e principalmente as peças consideradas “da moda”, estas pessoas geralmente
jovens buscam se diferenciar entre os demais e são totalmente contrários a qualquer tipo de
imposição social.




1.4.    Antimoda


        Após a afirmação da moda como sistema no período da Idade Média século XV.
Desenvolve-se em Londres no século XIX através de Oscar Wilde o movimento Dândi8, onde
a intenção era divergir e afrontar, ser contra a moda proposta na época. Como caracteriza
Lipovestsky:


                           Com as modas jovens, a aparência registra um forte ímpeto individualista,
                           uma espécie de onda neodândi consagrando à importância extrema do
                           parecer, exibindo o afastamento radical com a média, arriscando à
                           provocação, o excesso, a excentricidade, para desagradar, surpreender ou
                           chocar. A exemplo do dandismo clássico trata-se sempre de aumentar a
                           distância, de se separar da massa, de provocar o espanto, de cultivar a
                           originalidade pessoais com a diferença de que agora já não se trata de
                           desagradar para agradar, de se fazer reconhecer nos círculos mundanos pelo
                           escândalo e pelo inesperado, mas de ir até o fim da ruptura com os códigos
                           dominantes do gosto e da conveniência. (LIPOVESTSKY, 1989, p. 126)


        Depois deste período a moda foi vista também como símbolo de revolta, pois no final
dos anos 1950 e início dos anos 1960 os jovens se rebelaram, tornara-se um elemento forte de
consumo. Após a segunda guerra a juventude começou a trabalhar, e com o seu próprio
dinheiro, compravam coisas que agradavam ao seu gosto, assim começaram a ditar uma nova
moda, tornaram-se mais contestadores e começaram a questionar as opções sexuais, a
liberdade de expressão, e os discursos políticos da época.
8
 Dândi: Foi no século XIX, que o vestuário passou a significar dissidência. A figura crucial nesta transformação
foi o dândi. O dandismo estabeleceu padrões mais rígidos de masculinidade ao introduzir um traje novo,
moderno e urbano. Também, apontava para o vestuário como forma de revolta.
Fonte: <http://www.fashionbubbles.com/historia-da-moda/sobre-dandis-e-antimoda-masculina/>. Acesso: 21 de
abril de 2011.
33



       Porém, foi na década de 1970 que surge o termo “Antimoda”, os jovens na busca por
uma imagem individual, começam a se diferenciar do coletivo usando as roupas que gostam
estando na moda ou não.


       Na década de 1980 surge a expressão “tribos urbanas”, que está diretamente ligado ao
termo antimoda. Entre estes grupos encontramos os clabber, punks, entre outros, como
explica Erika Palomino:


                          Mods, roqueiros, punks, rockabillies, skinheads, soul boys, rastas, neo-
                          romanticos, new wavers, rappers e clabber deram origem ás chamadas
                          “tribos urbanas”, como as subculturas foram batizadas na década de 80. Eles
                          passaram a usar literalmente o que bem entendiam - á sua moda, sem se
                          importar se estavam ou não “na moda”. Aliás, se não estivessem, melhor
                          ainda. (PALOMINO, 2002, p. 44).

       Atualmente o termo “tribo” foi substituído por grupos ou subgrupos, (FIGURA 10)
mas a sua ideologia continua a mesma, seu foco é não usar nada que seja considerada moda, é
usar as roupas como forma de protesto, é ser original, é ter opinião, e principalmente se
diferenciar dos demais.




                                  Figura 10: Filipe Prado (grupo punk)

       O historiador inglês Ted Polhemus denominou estas misturas de grupos em,
“Supermercados de Estilo” onde é possível encontrar opções diferentes, variedade de opções
de looks, e idéias divergentes. Alguns grupos são totalmente “antimoda”, enquanto outros são
34



“modistas” 9 e fazem questão de usar todas as tendências propostas para cada estação. Como
descrito por Erika Palomino:


                             Atualmente é preferível usar “grupos”, ou mesmo “subgrupos” em lugar de
                             tribo. Isso porque o próprio conceito de tribo caducou. O que derrubou a
                             tribalizaçao foi a consolidação do conceito de “supermercado de estilo”.
                             Esse nome foi criado na década de 90 pelo historiador inglês Ted Polhemus
                             e sua idéia central é muito importante para a compreensão da moda das ruas.
                             Segundo Polhemus “supermercado de estilo” é como se todo o universo,
                             todos os períodos que você jamais imaginou, aparecesse como latas de sopa
                             numa prateleira de supermercado: “Você pode pegar os anos 70 numa noite,
                             os hippies em outra [...], um moicano punk e um rímel dos anos 60[...] e,
                             pronto, você tem a própria e sincrônica amostragem de 50 anos de cultura
                             pop”. (PALOMINO, 2002, p.45).


          Estes grupos surgem com a idéia de misturar estilos, materiais, e principalmente criar
um look próprio, cria-se então a moda de rua, onde as tendências já não saem mais das
passarelas para o meio urbano, mas ao contrario, as ruas começaram a influenciar diretamente
a indústria confeccionista.


          A indústria da moda passa a usar as roupas destes grupos, como inspiração de suas
coleções como explica Erika Palomino:


                             O clubwear é, portanto um dos pilares do lado fashion da moda de rua, que
                             também pode ser chamada de streetwear. As raízes da moda de rua, como a
                             entendemos hoje, estão nos anos 80, justamente quando as roupas usadas
                             pelos garotos do Hip-Hop americano se tornam febre e estilistas do prét-á-
                             porter começaram a inspirar-se nas roupas dos Clubbers ingleses. Na década
                             de 90, o streetwear cresce e aparece, delineando algumas linguagens e
                             ramificações. (PALOMINO, 2002, p. 46-47).


          O termo antimoda surgiu como instrumento social de reivindicação e comportamento,
e mesmo sendo usado como fonte de inspiração para moda, sua origem permanece como um
ato de revolta ou manifestação de individualidade. Neste contexto, as pessoas que
compartilham das idéias propostas por cada grupo, pode-se vestir e demonstrar através da
roupa, o que realmente pensam sobre a sociedade contemporânea.




9
    Modismo: S.m. 2. O que está na moda em caráter passageiro. (RIOS, 1999, p.385)
35



2. Semiótica


          Segundo o site “Jornalismo e Linguagem”10, semiótica é a ciência dos signos e dos
processos significativos de qualquer linguagem, seu nome tem origem na Grécia Antiga e
deriva do termo “semeion” traduzindo “signo”, neste período existia uma tradição médica de
interpretar os sintomas do corpo facilitando os diagnosticos médicos.


          O termo semiótica começa a ser aplicada na medicina através do médico grego Baleno
de Pérgamo, que referia-se seus diagnósticos como uma forma de semiótica.


                         Semiótica é a ciência que estuda os signos. Suas origens, enquanto área de
                         pesquisa, remontam à Grécia Antiga, onde havia toda uma tradição médica
                         de interpretar o que o corpo "queria dizer" com os sintomas que apresentava.
                         Baleno de Pérgamo (139-199) referiu-se à diagnóstica como "a parte
                         semiótica" (semeiotikón méros) da medicina. E, assim, de acordo com a
                         moderna semiótica (definida oficialmente como o estudo geral dos signos
                         por Roman Jakobson em 1969), os sintomas representam, realmente, algo
                         (no caso médico, um desequilíbrio da saúde de um indivíduo) para alguém
                         (neste caso, o ser humano que realiza o diagnóstico).11


          Após o termo ser empregado na medicina, os filósofos e lingüistas adotaram também
para designar uma teoria geral dos signos. O site “CENEP – Centro de Estudos Peirceanos”12,
explica que a Semiótica teve seu início com filósofos como John Locke (1632-1704), em
1969, Roman Jakobson, definiu oficialmente a semiotica como o estudo geral dos signos, mas
antes disso, Pierce (nos EUA) e Saussure (na Europa) já estruturaram toda uma teoria sobre
representação e ação dos signos.


          Desta forma surgem várias investigações diferentes. Estas divergências sobre a
semiótica aconteceram devido á diferenciação na concepção e a delimitação do campo de
estudo.


          De acordo com o site “CENEP – Centro de Estudos Peirceanos”, existe três tipos de
estudos distintos sobre semiótica, os estudos de Peirce, de Saussure e a Semiótica russa ou
semiótica da cultura.

10
   Fonte: http://www.jorwiki.usp.br/gdmat06/index.php/A_Semi%C3%B3tica_de_Peirce. Acesso em : 04 de
outubro de 2011.
11
   Fonte: http://www.jorwiki.usp.br/gdmat06/index.php/A_Semi%C3%B3tica_de_Peirce. Acesso em 04 de
outubro de 2011.
12
   Fonte: http://www.pucsp.br/pos/cos/cepe/semiotica/semiotica.htm#4. Acesso em 04 de outubro de 2011.
36



        - A Semiótica peirceana (Peirce)

        O site “Jornalismo e Linguagem”13 explica que:

                           Para Peirce, cognições, idéias e homens são, todos, entidades semióticas. É o
                           que chamamos de Pansemiótica do Universo. “o mundo inteiro está
                           permeado de signos, se é que ele não se componha exclusivamente de
                           signos” (CP, 5448). Peirce considera que todo fenômeno de que tomamos
                           consciência é um signo, ou seja, é absorvido por nós através de signos. Esses
                           se constituem no objeto de estudo da semiótica. No entanto, a semiótica
                           parece penetrar em territórios alheios: o do biólogo, o do geólogo, do
                           antropólogo, etc. Porém, seu objeto de estudo não é o mesmo que o deles, já
                           que é o ponto de vista que cria o objeto.




        Uma distinção fundamental na obra de Peirce é a que se faz entre Semiótica Geral e
Semiótica Especial. Semiótica Geral é a área da filosofia que abrange Lógica, Filosofia da
Ciência e Epistemologia. O objetivo de Peirce era dar uma unidade a estas disciplinas, através
de uma abordagem da concepção do pensamento como um processo de interpretação do signo
com base em sua relação triádica (primeiridade, secundidade e terceiridade). A semiótica
Especial é a ciência preocupada com os fenômenos mentais, ou com as leis, manifestações e
produtos da mente. Segundo Santaela:

                           A primeiridade aparece em tudo que estiver relacionado com acaso,
                           possibilidade, qualidade, sentimento, originalidade, liberdade, mônada.
                           Asecundidade está ligada às idéias de dependência, determinação, dualidade,
                           ação e reação, aqui e agora, conflito, surpresa, dúvida. A terceiridade diz
                           respeito à generalidade, continuidade, crescimento, inteligência.
                           (SANTAELA, 1992, p.7).




        - Semiótica (Saussure)

        No site “Técnicas Psicoterapêuticas”14, no Curso de Lingüística Geral, falava de uma
semiologia, que pode ser comparada ou diferenciada da semiótica propriamente dita. Saussure
estabeleceu a distinção entre “língua” e “fala” para que o paciente possa reconhecer um signo
como tal e atribuir-lhe seu designado correspondente. É necessário que previamente possa
apoiar-se, por um lado, nas representações psíquicas (ou significantes) dos “sons” concretos e,

13
   Fonte: http://www.jorwiki.usp.br/gdmat06/index.php/A_Semi%C3%B3tica_de_Peirce. Acesso em : 04 de
outubro de 2011.
14
   Fonte: http://tecnicaspsicoterapeuticas.vilabol.uol.com.br/semiologia.html Saussure. Acesso em 04 de outubro
de 2011.
37



por outro, nas representações psíquicas (ou significados) dos referentes também concretos
com os quais se relacionam esses sons.

       - Semiótica russa ou semiótica da cultura

                                                                15
       Conforme explica o site “Semiótica da Cultura”                : “A disciplina homônima,
ministrada no Programa de Estudos Pós-Graduados da PUC-SP, procura conservar o caráter
geral dos estudos russos, examinando, problematizando e reposicionando seus conceitos
centrais, tornados aqui instrumentos críticos para a compreensão dos diversos sistemas da
cultura, bem como dos problemas colocados para a cultura contemporânea. Com isso,
valoriza-se o trabalho de seus principais teóricos, recuperando a vasta bibliografia já traduzida
em línguas ocidentais”.


       Para o site “O Signo Semiótico na Concepção de Charles Sanders Peirce” 16, as duas
concepções mais estudadas são a de Ferdinand de Saussure (1969), e do e a do filósofo norte-
americano Charles Sanders Peirce (1993). Nos estudos de Saussure a semiótica tem o foco na
lingüística, na palavra no signo verbal. Saussure era lingüista, e propôs uma teoria do signo
com base na lingüística, mas reconhecia que a lingüística seria um ramo da semótica. Já nos
estudos de Peirce a semiótica abrange outras representações, são as coisas em geral, ou seja,
tudo que está em nosso universo.


       A semiótica saussureana correlaciona apenas dois outros elementos, chamados de
significante e significado, na concepção peirceana o signo é um elemento em que se
correlacionam três outros elementos, chamados de representamem, objeto e interpretante.


       Mesmo com todas as variações podemos dizer que a semiótica tem o objetivo de
investigar todas as formas de linguagens e modos, de maneira a analisar a produção de
diversos significados e a variedade dos sentidos.


       Desta forma usaremos os estudos da semiótica de Peirce para justificar a roupa como
signo, assim como as palavras a indumentária possui muitas variações de significado, uma vez
que se torna capaz de fazer dialogo e se comunicar com o mundo em geral.

15
 Fonte: http://www.pucsp.br/pos/cos/cultura/semicult.htm. Acesso em: 01 de maio de 2011.
16
 Fonte: http://pt.scribd.com/doc/11451925/O-SIGNO-SEMIOTICO-NA-PERSPECTIVA-DE-CHARLES-
SANDERS-PEIRCE. Acesso em: 07 de maio de 2011.
38



2.1.   Os Signos na Moda


       De acordo com a definição simplificadora de Peirce, “o signo é alguma coisa que
representa algo para alguém”. Assim a roupa é vista como um signo, e as pessoas que fazem à
leitura são os interpretantes.


       Ao analisar os estudos sobre a semiótica, é possível entender como os termos signo,
interpretante fazem sentido no contexto da moda. Um exemplo é encontrar uma mulher
trajando um vestido vermelho, no período noturno (FIGURA 11).




                            Figura 11: Um vestido justo, vermelho e decotado
                                que passa uma imagem de sensualidade.




       Neste contexto o signo (objeto) é o vestido vermelho, o significado é como este
vestido é visto pelas pessoas na sociedade, levando em conta sua forma, modelagem, tecido,
acabamento e cor. Já o significante é a interpretação da roupa, exemplo: sensualidade, auto-
estima, traje de festa (FIGURA 12). Neste caso o Interpretante é a sociedade ou o indivíduo
que faz esta leitura.
39




Figura 12: Vestido longo de festa passa uma imagem de beleza, que mesmo tendo um detalhe aberto nas pernas é
                               visto como um vestido que lembra o romantismo.



        Para Miriam Goldfeder:


                          Indicando o caráter inessencial da palavra “alguém”, apontam para o caráter
                          mais essencial de um engendramento lógico que se instaura entre três termos
                          (signo-objeto-interpretante) e que põe em destaque as relações de
                          determinação (do signo pelo objeto e do interpretante pelo signo). Apontam
                          também para a função mediadora do signo entre objeto e interpretante, assim
                          como para a distinção inegável entre as palavras “mente”, “intérprete”,
                          “mente interpretadora”, de um lado, e o termo “interpretante”, de outro.
                          Além disso, fica a evidência de que o interpretante é algo criado pelo próprio
                          signo, ou seja, “a relação deve consistir de um poder do signo para
                          determinar algum interpretante, como sendo signo do mesmo objeto”.
                          (GOLDFEDER, 1995, p.23).


        Outro exemplo, são as roupas de pele que na era primitiva era usada como fator de
proteção do corpo das intempéries do tempo (FIGURA 13), atualmente ela é vista além de sua
proteção, sendo interpretada como status social e até mesmo como uma forma de ostentação.




              Figura 13: Homem primitivo com uso de pele de animal para proteger dos agentes naturais
40



       Para a autora Kathia Castilho:


                       O vestuário deve ser observado quando inserido em um determinado meio
                       social, no qual se manifesta como uma das mais espetaculares e
                       significativas formas de expressão presentes no processo cultural,
                       configurando-se plenamente como meio de manipulação, persuasão, sansão,
                       ação ou performance e, por conseguinte, articulador de diferentes tipos de
                       discursos: políticos, poético, amoroso, agregador, hierárquico, etc. Tais
                       discursos são construídos à medida que a sociedade vai se estruturando, se
                       desenvolve e exerce a função de confirmadora externa ao sistema de
                       organização que o ser social privilegia e traduz por intermédio da linguagem
                       visual. (CASTILHO, 2009, p. 90).


       A interpretação da roupa pode variar de acordo com a época e o contexto de cada
localidade, onde existe uma relação entre a linguagem verbal e a linguagem simbólica do
vestuário, assim o indivíduo pode utilizar do vestuário como idioma, exprimindo suas idéias,
e sua individualidade. Na visão de Kathia Castilho:


                       A moda comunica, muda, reconstitui de maneira surpreendentemente
                       sensível a tensão da evolução sociocultural, por meio dos sentidos que se
                       constroem em uma organização discursiva e que se definem pela
                       singularidade das circunstâncias do sujeito em relação ao grupo em que se
                       insere, organizando estímulos, explorando o lúdico, o mágico, o imaginário,
                       o onírico, etc., construindo desse modo, sobre o corpo, enunciados
                       imagnéticos, que, na interação corpo e traje, passam a ser geradores de
                       significação. (CASTILHO, 2009, p. 138).


       Assim, a moda é repleta de signos e significados, tanto a roupa propriamente dita,
como todos os detalhes, formas, cores, tecidos e aviamentos, que fazem parte da produção e
desenvolvimento de qualquer produto.


       Os signos são capazes de passar mensagens, que podem ser verdadeiras ou falsas, é
atribuído á ele um poder social de comunicar, de fazer-se ver, ou até mesmo como uma forma
de pertencer a um grupo, e por ele ser reconhecido. Como explica Kathia Castilho


                        “Ao assumir que o captar o olhar do “outro” é uma estratégia de visibilidade
                       essencial para o estabelecimento de uma relação interativa, a fim de se
                       atingir um reconhecimento do sujeito como integrante de um sistema de
                       relações e práticas sociais, buscamos referências no estudo das modalidades
                       que estruturam o complexo regime de visibilidade. (...) ” (CASTILHO,
                       2009, p. 54).
41



       Desta forma o mesmo signo (objeto) pode ter várias interpretações diferentes, de
acordo com a história de vida de cada interpretante, e a cultura no qual o objeto é exposto,
exemplo: O uso de mini-saias na cultura ocidental é visto como um traja normal, para
ocasiões informais, porém na cultura mulçumana o uso de tal traje pode levar a morte da
pessoa que á usa.


       Os interpretantes é quem determinam o significado do objeto, porém em alguns casos
a interpretação é a mesma, exemplo disso é o símbolo de uma caveira em uma camisa que
pode indicar para a maioria dos interpretantes: rebeldia ou identificação do usuário com um
grupo social distinto (FIGURA 14).




                              Figura 14: Camisa com estampa de caveira.


       Desta forma a moda possui inúmeros signos, e interpretações diferentes, onde o corpo
é o veículo principal que propaga estas mensagens, e a sociedade são os interpretantes. Os
signos da moda encontram-se presentes nas cores, formas, aviamentos e matéria prima, e sua
existência só é possível mediante um ser que vê e interpretam estes signos, esta interpretação
está ligada diretamente a psicologia do vestir, onde se conclui que a moda das tribos se
diferencia pela atitude de cada um se expor perante a sociedade que distinguirá seu grupo.




2.2.   Psicologia do vestir
42



       Ao observar o mundo da moda, vemos que o ser humano se expressa através do vestir.
A roupa chega a transmitir essências mais íntimas do indivíduo, que procura se identificar
com o que usa e muitas vezes a vestimenta fala mais de nós do que as próprias palavras.


       A psicologia é o estudo da vida humana, que analisa a mente e o comportamento dos
indivíduos. Segundo Linda L. Davidoff: “A psicologia (deriva de palavras gregas que
significam “estudo da mente ou da alma”) é hoje em dia comumente definida como a ciência
que estuda o comportamento e os processos mentais.” (DAVIDOFF, 1983, p.2).


       Para Umberto Eco a roupa serve, sobretudo para cobrir a nudez, mas não somente isso,
precisa também saber o motivo de cada coisa que usamos.


                       É claro que a roupa serve principalmente para nos cobrir com ela, mas basta
                       fazer uma auto-análise, honesta, mesmo breve, para verificarmos que, no
                       nosso vestuário, o que serve realmente para cobrir (para proteger do calor ou
                       do frio e para ocultar a nudez que a opinião pública considera vergonhosa)
                       não supera os cinqüenta por cento do conjunto. Os restantes cinqüenta por
                       cento vão da gravata à bainha das calças, passando pelas bandas do casaco e
                       chegando até as solas dos sapatos – e isso se nos detivermos ao nível
                       puramente quantitativo, sem estender a investigação aos porquês de uma cor,
                       de um tecido, de uma felpa ou de umas riscas em vez de um tecido ou de
                       uma cor uniformes. (ECO, 1989, p.7)


       E para entender melhor o significado do vestir, existem afirmativas e estudos que
falam que a roupa tem três papéis importantes, sendo eles: enfeite, pudor e proteção. Como
explica John Carl Flügel:


                       O psicólogo que se chegar ao problema das roupas, gozará de uma grande
                       vantagem, que poderá poupar-lhe um longo e tedioso capítulo preliminar. Há
                       praticamente uma concordância geral entre todos os que escrevem sobre o
                       assunto no sentido de que as roupas servem a três finalidades principais:
                       enfeite, pudor e proteção. (FLÜGEL, 1966, p.12)


       Cada uma dessas finalidades tem o seu papel importante na definição roupa. A
proteção tem o objetivo de nos proteger de alguns agentes naturais que nos causam algum
desconforto, tais como o frio ou o calor e o vento (FIGURA 15).
43




                            Figura 15: A roupa contra o frio tem o fim de proteção




        O enfeite é usado para realçar e destacar o aspecto físico e atrair para si, olhares que
despertam curiosidade e admirações, onde o indivíduo fica ainda mais confiante, pois realça
certas partes do corpo e tem a capacidade de chamar a atenção do sexo oposto. Já o pudor tem
a função oposta do enfeite, ele tenta esconder a excelência física e iludir a atenção dos olhares
alheios. Segundo o site “Aspecto Exterior Cristiano”:


                           O pudor está relacionado a questão moral, os homens devem se vestir não
                           somente para se proteger, mas também para cobrira nnudez. Pois
                           originalmente Deus criou o homem coberto, mas desde que pecou, perdeu
                           esta cobertura (Gênesis 3.7). Daí em diante existe a necessidade que as
                           pessoas quando nascem devem ser cobertas. A nudez é símbolo de pecado e
                           condenação, e quando a pessoa está vestida ela está representando a obra
                           redentora de deus que em todas as escrituras é simbolizada como sendo
                           vestes. O pudor constitui o fundamento deste conceito sobre as roupas, a
                           razão número um pela qual as pessoas devem se vestir.17


John Carl Flügel afirma:


                           A finalidade essencial do enfeite é embelezar a aparência física, de modo a
                           atrair olhares admiradores de outros e fortalecer a auto-estima. A finalidade
                           essencial do pudor é, se não exatamente o contrário, pelo menos diferente. O
                           pudor tende a nos fazer ocultar as excelências físicas que possamos ter e
                           geralmente nos impede de chamar a atenção de outros para nós mesmos.
                           (FLÜGEL, 1966, p.15).




17
  Fonte: http://aspectoexteriorcristiano.blogspot.com/2008/10/leis-da-indumentaria.html. Acesso em 21 de
agosto de 2011.
44



       Assim a roupa é harmonizada e suas três definições se juntam para dar ao mesmo
tempo conforto, beleza, ousadia, sedução, segurança, sobriedade e proteção, e se separá-las
pode interferir na harmonia existente entre elas.


       Ao analisar determinados grupos, observa-se que mesmo sendo grupos diferentes tais
como os punks e patricinhas, ambos tentam mostrar à sociedade em uma forma mais ousada
nos seus visuais, que hora tentam ocultar a própria personalidade ou se imporem a aceitar
diversas mudanças, as vezes até radicais para se manterem como membros de determinado
comportamento.
45



3. As tribos urbanas e as variações de grupos sociais


       O desenvolvimento do termo tribos urbana tem origem direta em 1980 com o
movimento juvenil. Após a segunda guerra mundial os jovens começam a questionar vários
comportamentos ditados pela sociedade, assim além da atitude e o pensamento, a forma de
vestir destes adolescentes também se modifica.


       Desta forma surgem vários estilos diferentes de grupos sociais que procuram
demonstrar através de suas roupas sua forma de pensar. Devido ao surgimento de vários
grupos distintos a moda de rua se diversifica surgindo novas opções do modo de vestir. A
liberdade torna-se cada vez mais essencial para os jovens.


       Através destas opções cabe a individualidade de cada um, distinguir e optar pelo estilo
que melhor lhe representa. Segundo o historiador inglês Ted Polhemus, citado por Erika
Palomino: “estamos diante de um “Supermercados de Estilo”, como se pudéssemos ter na
prateleira diversas opções diferentes, onde caberia somente a nós fazermos as escolhas.”
(PALOMINO, 2002, p. 45).


       Com o surgimento de alguns grupos como: Punks, Skinheads, Rappers, Patricinhas,
Clubber, Roqueiros, e Hip-Hop, as ideologias, costumes, e gostos são separados por grupos,
que em muitos casos não se misturam.


       Para estes grupos não bastava pensar diferente da sociedade, eles precisavam
demonstrar seus pensamentos através do seu visual diferente e questionador, utilizando de
suas roupas e de seu corpo como: tatuagem, cabelo entre outros. Outra característica destes
grupos é a associação, e criação de ritmos musicais direcionados para eles servindo assim de
fonte de inspiração.


       A roupa neste contexto ganha o papel de comunicação visual entre os grupos e a
sociedade, podendo variar de país para país. Assim, a indumentária representa uma aliança
entre os indivíduos e seu conceito ideológico, que está subtendido em cada detalhe escolhido.
Desta maneira estes indivíduos começam a criar sua própria moda, ou modo de vestir.
46



        Em muitos casos é possível distinguirmos esses grupos através de suas roupas e
principalmente pelo seu comportamento social. Assim seria raro encontrar um jovem Punk
vestido com cores vibrantes e alegres, pois em seu grupo a característica principal é o uso da
cor preta.


        Para falarmos desses grupos ou subgrupos é necessário entender um pouco de suas
ideologias, onde retrata melhor o surgimento e o comportamento perante a sociedade.


Movimento Punk


        O movimento punk surgiu em meados de 1970 durante a guerra fria na Europa, o
movimento foi mais forte em Londres na Inglaterra, onde os jovens devido ao desemprego e a
violência se rebelaram, segundo o site “Tribo Punk” 18:


                          Surgiu em meados de 1970, quando a Europa se encontrava na Guerra Fria.
                          Jovens que eram marginalizados pela socedade, começaram a apresentar
                          comportamentos agressivos e chocar pelo modo como agiam e se vestiam.
                          Foi mais forte na Inglaterra, onde os jovens defendiam a anarquia, a
                          liberdade individual e a rebeldia contra o sistema. Nos Estados Unidos, teve
                          um contexto mais relacionado à diversão. Como começou em uma época em
                          que havia muita desordem social, (especialmente na Inglaterra) com altas
                          taxas de desemprego e de violência, os que buscavam uma forma de
                          expressão social, aderiram à moda punk (principalmente os jovens).


        Além da ideologia questionadora, o rock dos anos de 1960 foi uma das grandes
inspirações para o surgimento do movimento Punk, denominado como punk rock o
movimento surge inicialmente nos Estados Unidos, com músicas de temas simples e letras
críticas e toscas, assim ganharam as ruas e o respeito dos Jovens.




                Figura 16: Entrevistado: Filipe Prado e seus companheiros pertencentes ao grupo punk

18
   Fonte:http://tribopunk-cotil-unicamp.blogspot.com/2009/11/punks-surgimento.html. Acesso em: 21 de agosto
de 2011.
47



           Algumas bandas serviram de inspiração para o movimento como: MC5, Ramones que
com a proposta de uma música simples, aproximaram o rock dos jovens, assim ganharam o
respeito e reforçaram o movimento.

          Outra referência importante para o movimento punk é a estilista Vivienne Westwood
titulada a mãe do punk a designer nasceu em Derbyshire na Inglaterra. Na sua adolescência
mudou-se para Londres onde se casou com Derek Westwood, pouco tempo após o casamento
Vivienne separo-se do marido e começou uma vida totalmente nova.

          Cercada pelo clima rebelde, polêmico e ousado do final dos anos 60, Vivienne casou-
se novamente com Malcolm McLaren, além de marido Malcolm tornou-se seu sócio, em 1970
abriram sua primeira loja chamada "Let It Rock" onde vendiam roupas e acessórios com
inspiração rock and roll. Em 1972 sua loja passa a se chamar "Too Fast to Live, Too Young to
Die", e mais tarde em 1974 sua marca denomina-se “Sex”.

            Com uma vida sempre cercada de questionamentos, suas roupas possuíam um visual
ousado e agressivo. Suas coleções eram marcadas por motivos eróticos, fetichista, e com
referências voltadas para o punk. Seu marido Malcolm torna-se produtor da banda Sex
Pistols, uma das maiores influencias do movimento punk, fazendo com que a marca ficasse
ainda mais conhecida pelo movimento, segundo a estilista seu estilo surgiu de maneira natural
pois buscava se rebelar e provocar, assim criou-se a estética punk.

            Na década de 1980 a estilista se divorcia de Malcolm, vindo a morar na Itália onde
casou-se novamente com Marc Andréas. Suas coleções são sempre inusitadas e críticas, e
estão sempre ligadas aos acontecimentos do mundo, com uma identidade muito forte
Vivienne tornou-se referência da moda inglesa.

            Desta forma a estilista contribuiu para o movimento punk e também para a moda em
geral, pois alguns elementos usados por ela como inspiração tornaram-se características do
visual punk como: t-shirts com frases questionadoras, couro, jeans rasgados entre outros,
segundo o site “Brasil Escola”19:


                              Os punks geralmente usam calças jeans justas, rasgadas, jaquetas de couro,
                              coturnos, tênis converse, correntes, corte de cabelo moicano ou cabelo um
                              pouco comprido. A moda Punk contrasta com a moda vigente e sempre

19
     Fonte: http://www.brasilescola.com/sociologia/estilo-punk.htm. Acesso em: 21 de agosto de 2011.
48



                            apresenta elementos contestadores aos valores aceitos pela sociedade. Entre
                            as características ideológicas podemos citar o anti-nazismo, o amor livre, a
                            liberdade individual, o autodidatismo e o cosmopolismo.



          Outra forma de comunicação punk além da indumentária são as publicações feitas
para manter o movimento atualizado, este meio de transmissão de idéias é considerado
informal e são denominados fanzines, segundo o site “Revoltas e Rebeliões” 20:


                            Os fanzines são bastante característicos desse movimento, que procura
                            através do mesmo mostrar a visão politizada dos punks e a solidariedade
                            com as camadas discriminadas perante a sociedade, um dos fanzines mais
                            populares do movimento era o “Libertare”, um fanzine liderado por uma
                            mulher anarco-feminista na cidade de João Pessoa - PB, que seguia
                            adequadamente a ideologia, não tinha fins lucrativos, buscava levar
                            informações do ponto de vista externo a mídia oficial, bem como denúncias
                            e críticas ao sistema.


          No Brasil o movimento punk surge em São Paulo no final da década de 1970, e torna-
se mais conhecido na década de 1980, o objetivo do grupo era questionar o regime militar
(1964 a 1985). O movimento tornou-se defensor da idéia do liberalismo, entre outros
conceitos.


       O grupo punk atualmente encontra-se dividido em vários subgrupos como: anarco-
punk, kaos, independente, libertário entre outros. A maioria destes grupos são passivos, e
com ideais de não violência. Porém, existe alguns rivalidades entre eles como o pós-punk que
são agressivos, compartilham ideais racistas e são contra o comportamento homossexual.



Patricinhas


          O termo denominado de Patricinhas teve sua origem nos Estados Unidos na década de
1990, este grupo social encontra-se em muitos casos nos grandes centros urbanos e convivem
nas grandes sociedades (FIGURA 17).




20
     Fonte: < http://revoltas-rebelioes.blogspot.com/2011/06/movimento-punk.html> Acesso em: 25 de outubro de
2011.
49




                   Figura 17: Luciana Silva de Belo Horizonte com o grupo de garotas “patricinhas”


        Denomina-se Patricinha garotas de classe média alta que visam a sua vaidade e o uso
de roupas de marca, seu foco é geralmente o consumo, são meninas que tem seus luxos
sustentados pelos pais e não se preocupam muito com gastos . Segundo o site “Sempre
Tops”21 :

                          As patricinhas já são mais antigas e surgiram nos Estados Unidos. Ficaram
                          ainda mais conhecidas com o lançamento do filme “As patricinhas de
                          Beverly Hills na década de 1990”. São garotas de classe média alta ou ainda
                          classe alta que usam do poder em pró da futilidade e vaidade. A cor preferida
                          dessa tribo é o rosa.


        Foi com a divulgação em massa do filme: “As patricinhas de Beverly Hills” na década
de 1990, que o termo ficou conhecido de maneira popular. A película em 1995 e o seriado
criado em 1996, serviram de inspiração para a criação dos looks usados por este grupo, como:
o uso de conjuntos, acessórios, e principalmente o foco na cor rosa.


        O filme também influenciou no vocabulário das jovens da época, e estão presentes até
os dias atuais como a expressão americana “as-if” em português “até parece”.


        O filme foi inspirado no livro Emma de Jane Austen, escrito e publicado em 1815,
onde relata uma história semelhante ao roteiro da película, com a direção de Amy Heckerling.



21
   Fonte: http://www.sempretops.com/informacao/tribos-urbanas-patricinhas-emos-e-goticos/. Acesso em: 03 de
setembro de 2011.
50



       Visto por muitos com certo preconceito e hostilidade, o grupo tem tido uma queda em
sua popularidade, pois até as pessoas que se dizem patricinhas tem um certo receio em
assumir sua condição.


       No Brasil, as patricinhas possuem basicamente as mesmas ideologias das americanas,
porém devido à situação econômica do país elas são a minoria na sociedade.


       Assim, como muitos autores afirmam, estamos em uma sociedade efêmera e repleta de
opções e ideologias diferentes, cada grupo social compartilha com os seus integrantes de uma
maneira uniforme de vestir. Porém, mesmo dentro desses grupos, ou fora deles encontra-se
uma variedade de estilos, que alimentam a moda e interage com o mundo.




3.1 A roupa como objeto de apresentação, mensagem e julgamento


       A roupa nos transmite inúmeras mensagens, ela nos trás alguns objetivos como vestir
o corpo nu, que segundo Kathia Castilho, “(...) vestir-se, pois trata-se de uma das armas
primárias da civilização: ninguém anda nu.” (CASTILHO, 2009, p.84). Além disso, a
vestimenta é usada para decorar, enfeitar, seduzir e ocultar nossa verdadeira personalidade.
Cada indivíduo usa a roupa por um motivo diferente do outro de acordo com cada grupo que
se pertence, embora todos tem um único objetivo em comum: vestir o corpo nú.


       O indivíduo ao se vestir tem como objetivo ser identificado, compreendido e criar
mensagens visuais da sua aparência que podem ser verdadeiras ou falsas.


                        Nesta perspectiva, o conceito de aparência está nitidamente ligado a duas
                        situações distintas: uma delas vincula-se à necessidade de o sujeito edificar
                        uma imagem que corresponda a seus anseios, e a outra, por sua vez, à forma
                        por intermédio da qual esse indivíduo é percebido. Considerando esses
                        pressupostos teóricos- metodológicos, a aparência é um efeito de sentido
                        que requer o exercício da percepção para apreender pelas ordens sensoriais o
                        que se desnuda, o que pode ser desnudado e o que se mostra, ainda que
                        escondido, camuflado – de acordo com a cultura. (CASTILHO, 2009,
                        p.56,57)


       Alguns indivíduos se vestem de acordo com seu próprio estilo, e outros usam o que
determinado grupo determina, isto, para mostrar quem realmente são ou até mesmo para
51



ocultar sua verdadeira personalidade, pois através da roupa se transmite imagens de códigos
distintos.


                        (...) há códigos coercitivos que instaram essa leitura. (...) Ao eleger esta ou
                        aquela forma de se vestir. O ser humano entra num sistema de moda. Se ele
                        segue padrões “modais” da época, ele afirma o “outro”, a alternativa, ao
                        mesmo tempo que se põe como partícipe desse “outro”, desse grupo, que
                        passa a ser o mesmo de sua própria identidade. Se ele, por outro lado, não
                        segue padrões “modais” da época, ele nega o “outro”, a alteridade, ao
                        mesmo tempo em que se afirma como o “diferente”, mas é justamente aí que
                        se aprende a sua identidade. Em ambos os casos, ao se identificar ou não
                        com o “outro”, esse sujeito é julgado: está e parece estar de acordo com o
                        sistema imposto (verdade); parece estar, mas não está de acordo com o
                        sistema imposto (mentira); está, mas não parece pertencer ao segmento de
                        moda estipulado (segredo); não parece e não está de acordo com o sistema
                        proposto (falsidade). (CASTILHO, 2009, p.88)

          O sujeito que observa pode ficar confuso ou ser enganado pelo indivíduo que é
observado, ele rapidamente faz uma leitura visual da primeira aparência que o ser humano
transmite com a vestimenta, mas essa leitura pode não ser exatamente real, somente quando se
conhece melhor a pessoa, se percebe que o julgamento feito pela primeira impressão era falso
ou não.


                        (...) A imagem que um sujeito cria de se mesmo exprime-se, então, em
                        codificações, em seu modo de parecer, de mostrar-se para ser visto (...)
                        Considerando que “o homem é um animal que se baseia principalmente no
                        seu sentido da visão”, é inicialmente por esse órgão dos sentidos que ocorre
                        a apreensão de significações nas linguagens não-verbais (...) (CASTILHO,
                        2009, p. 81)


          Assim, é possível perceber que através da roupa, comportamento e atitude, cada
indivíduo passa uma imagem diferente para o sujeito que observa, estes signos são
interpretados de acordo com o contexto cultural e as convenções de cada comunidade.




3.2 Estudo de campo


          A pesquisa de campo realizada no período de 22/08/2011 à 02/09/2011 foi
desenvolvida com o intuito de compreender e responder à seguinte problemática: “É possível
fazer um julgamento correto do indivíduo através da indumentária?”
52



       A investigação foi realizada com aproximadamente 50 pessoas residentes na cidade de
Divinópolis (MG), e na capital Belo Horizonte. O método usado para pesquisa foi o
questionário, feitos através de amostras aleatórias contendo respostas abertas e fechadas.


       Assim foi possível através das análises das respostas compreender e responder a
problemática em questão. As pessoas que foram consultadas durante a pesquisa contribuíram
para que fossem encontradas as seguintes análises:


Perfil dos entrevistados:


Sexo: 80% mulheres, 20% homens.
Idade entre: 15 á 35.


Grau de escolaridade: 60% superior incompleto, 16% superior completo, 16% ensino médio,
8% Fundamental.
Renda pessoal: 40% de 500 á 1.000
                40%de 1.000 á 3.000
                05%de 3.000 á 5.000
                15% Não possuem renda própria


Localidade: 80% Divinópolis 20% Belo Horizonte


Perfil de comportamento: Ao ser perguntado para as pessoas o que mais atraia sua atenção em
outra pessoa, 70% responderam ser a roupa utilizada pela outra pessoa. 15% responderam ser
o cabelo, e 15% disseram que observam o corpo.



                               Característica de vestir
                                                                   Popular
                                      40%    30%                   Básico
                                                                   Diferente
                                             20%
                                                                   Fashion
                                 5%     5%                         Outros
53



Pergunta: Você acredita que sua roupa é capaz de mostrar quem você realmente é?


60% Sim. Para a maior parte dos entrevistados a roupa mostra um pouco de sua
personalidade.


40% Não. As pessoas que optaram por esta resposta, justificaram que a roupa não é capaz de
mostrar a pessoa verdadeiramente.




                               Seu modo de vestir é 
                          influenciado pelo seu humor?
                                Não
                                30%

                                                         Sim
                                                         70%


Pergunta: Você considera que a roupa pode informar coisas sobre quem as veste?


90% sim 10% não


Pergunta: Você já foi julgado ou mal interpretado pela roupa que estava vestido?


70% sim 30% não


Pergunta: Você entregaria um caso judicial importante para um advogado vestido com trajes
casuais? (calça jeans e camisa com estampa localizada)


Sim 75% sim 25% não


Pergunta: Você acredita que fatores apresentados pela roupa como: marca estilo e cores,
podem influenciar no julgamento de cada pessoa.


85% Sim 15% não
54



       Ao ver uma garota vestida com roupas de marca, carregando várias sacolas no período
da tarde em um dia de semana, qual leitura você faria desta garota?




                                                        Acreditam ser uma 
                                        5%              garota que estava 
                                                        trabalhando, e na sua 
                                                        folga resolveu fazer 
                                                        compras.


                                  95%                   Acreditam ser uma 
                                                        garota com uma 
                                                        situação financeira 
                                                        mais favorecida, que 
                                                        está fazendo 
                                                        compras.




Pergunta: Você acredita que a roupa tem o poder de representar algo que não somos?


95% sim 05% não


Observação: Em muitos questionários foram encontradas respostas similares que
justificassem a opção pela resposta SIM, pois para muitos a interpretação feita através da
roupa não foi condizente com a realidade. Foram citados casos pessoais como o uso de roupas
curtas, ou a vontade de representar ser alguém que não se é através da roupa.




Pergunta: Você já interpretou alguém pela roupa e depois descobriu que a pessoa não era
compatível com seu primeiro julgamento?


95% sim 5% não


Observação: Nesta questão houve muitos comentários que ressaltaram o julgamento feito
pelas aparências, e não pela índole da pessoa, para muitos entrevistados já houve alguém que
fez um julgamento errado sobre eles, como também já fizeram um julgamento errado sobre
alguém.
55



       Através da coleta dos dados referente à pesquisa e a análise da mesma, foi possível
chegar à conclusão de que alguns conceitos da indumentária não mudaram. Para a sociedade
contemporânea a roupa continua vista como um objeto de comunicação. É através dela que
fazemos os primeiros julgamentos sobre nossos semelhantes.


       Como foi possível ser observado as pessoas são influenciadas não somente pela visão,
mas também pelas convenções sociais que ditam as regras para que seja comprida assim
qualquer pessoa que se vista diferente de uma convenção, ou imagem previamente
estabelecida pela sociedade, estará sujeito a julgamentos incorretos sobre sua personalidade.


       De acordo com os entrevistados, existem alguns códigos do vestir que ditam certas
interpretações como no caso das patricinhas. Na pesquisa feita, 95% das pessoas associaram
que as roupas de marca e o excesso das compras, estão direcionados ao comportamento
somente neste grupo, por serem tão impulsivos nos investimentos físicos, que delimitam onde
comprar, pois vivem em um mundo de “fantasias” onde se importam somente com a
aparência.


       Desta forma podemos afirmar que a roupa é capaz de apresentar de maneira clara para
as outras pessoas uma imagem, interpretada rapidamente. Porém, em muitos casos, estas
imagens não são compatíveis com a realidade, um grande exemplo estão em casos onde as
pessoas são enganadas por bandidos que se veste com ternos para praticar diversos crimes,
outra situação é julgar que o simples fato de se vestir diferente, ou tentar questionar a
sociedade através da roupa, à pessoa possa ser de índole duvidosa. Assim, além de
comunicação, a indumentária também pode ser uma máscara social, onde os seres humanos
podem representar ser o que eles não são.
56



CONCLUSÃO


      O presente trabalho: “Moda e Comunicação: estudo de caso da interpretação              da
indumentária dos grupos urbanos “punks” e “patricinhas””, apresentou temas como: moda e
comunicação, semiótica, psicologia, antimoda, convenções sociais, tribos urbanas entre
outros, visando responder a seguinte problemática: É possível fazer um julgamento correto do
indivíduo através da indumentária?


          Através da pesquisa de alguns autores, e também pala análise de campo realizada em
Divinópolis e Belo Horizonte no ano de 2011, foi possível entender o tema proposto e
responder a problemática em questão.


          Quando tentamos definir o significado de moda existem várias definições possíveis.
Para muitos moda é o que está nas ruas, ou nas peças ditadas por certos desfiles ou meios de
comunicação, porém, esta seria apenas uma maneira superficial de entender o assunto, as
roupas produzidas pela indústria da moda não são apenas uma maneira de cobrir o corpo nu,
existem vários significados que integram a roupa e faz dela um veículo de comunicação
social.


          Vários fatores interferem para a leitura de cada peça de roupa, e consequentemente das
pessoas que as veste. A cor, tecido, modelagem, estrutura, tamanho, e o contexto social,
podem ajudar a fazermos algumas leituras sobre as pessoas em nossa volta.


          Assim quais são os fatores determinantes para que as pessoas escolham certas peças de
roupa e optem por algumas cores em especial? Esta resposta está diretamente ligada a cada
estilo, e sobre a individualidade de cada pessoa, e principalmente a sua adesão a um grupo
social.


          Essa escolha peculiar na qual denominamos de estilo, também nos ajuda a fazer as
leituras de cada pessoa. Os grupos urbanos em questão escolhem uma maneira singular de
vestimenta, que os caracterizam e tornam-se distintos. Cada grupo possui algo em particular
que os diferencia do modo social convencional. No caso dos Punks, o “fazer você mesmo” é
uma das doutrinas do grupo. Assim em muitos casos são feitas alterações nas roupas, ou a
criação da mesma, para que cada peça fique customizada. Além de não seguir as imposições
57



da moda, eles preferem criar seu próprio estilo. Desta forma é possível distingui-los de outros
grupos como das Patricinhas, onde na maioria dos casos o consumo de roupas do Prêt- à-
Porter de marca é uma das características deste grupo.


       Através desta pesquisa realizada ficou comprovado que 90% dos entrevistados
acreditam que as roupas podem informar coisas sobre quem as veste. Assim, a indumentária
faz do corpo humano um veículo de informação.


       Ao fazer uma leitura rápida de nossos semelhantes através da roupa basta alguns
segundos para sabermos se nosso companheiro está indo a alguma festa de gala, ou trabalhar.
É possível também saber o estado emocional, um pouco de sua personalidade e
principalmente identificar o grupo social que o individuo pertence.


       Estas leituras estão relacionadas às convenções sociais, e o contexto cultural de cada
localidade.   Pois, o que para alguns povos pode significar algo, para outros pode ser
interpretado de maneira diferente.


       Ao perguntar se é possível fazer uma leitura correta do indivíduo através da
indumentária, pode-se concluir que não. Esta resposta torna-se complexa, pois a indumentária
pode ser considerada a extensão do próprio ser. Porém, devido às convenções sociais as
leituras feitas pelos interpretantes nem sempre condizem com a realidade, desta forma a
indumentária é capaz de transmitir várias mensagens, que podem ser verdadeiras ou falsas.


       Além de vestir, a roupa também pode ser um meio de mascarar, pois através da
pesquisa, 95% dos entrevistados acreditam que a roupa tem o poder de representar algo que
não somos.


       Devido a estes enganos proporcionados pela roupa, em muitos casos os indivíduos são
julgados pelo que vestem. Assim em muitos casos ocorre enganos e preconceitos, pelo
simples modo de como estão vestidos.


       Como o olhar capta a informação e transforma em interpretação, as pessoas são
analisadas pelo que estão vestindo. Na pesquisa de campo, 95% dos entrevistados disseram
58



que já interpretaram alguém pela roupa e depois descobriu que a pessoa não era compatível
com seu primeiro julgamento.


       Porém, isto não quer dizer que todas as pessoas utilizam a roupa como representação,
apenas afirma que as escolhas são baseadas nas convenções sociais, ou imposições de certos
grupos, e que nem sempre a utilização de roupas de couro preta e coturno quer dizer que a
pessoa pertence ao grupo punk, ou que a utilização do rosa e roupas de marca seja uma
indicação de uma patricinha. Pois, existe uma grande variedades de estilo oferecida no
mercado de moda, desta forma uma mesma pessoa pode se vestir de maneira diferente a cada
dia.
59



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


Livros:


BANARD, Malcolm, 1958. Moda e Comunicação. Rio de Janeiro: Rocco, 2003.
BOLLON, Patrice. A Moral da Máscara: Merveilleux, Zazous, Dândis, Punks, etc. 1.ed.
Rio de Janeiro: Rocco, 1993.
CASTILHO, Kathia. Moda e Linguagem. 2.ed. São Paulo: Anhembi Morumbi, 2009.
CIDREIRA, Renata Pitombo. Os Sentidos da Moda: Vestuário, Comuncação e Cultura).
2.ed. São Paulo: Annablume, 2005.
DAVIDOFF, Linda L. Introdução à Psicologia. São Paulo: MC Graw – Hill do Brasil, 1983.
ECO, Humberto; SIGURTÁ, Renato; LIVOLSI, Marino; ALBERONE, Francesco;
DPRFLES, Gillo; LOMAZZI, Giorgio. Psicologia do Vestir. 3.ed. Lisboa: Assirio e Alvim,
1989.
FLÜGEL, John Carl. A Psicologia das Roupas. 1.ed. São Paulo: Mestre Jou, 1966
GOLDFEDER, Miriam. A Teoria dos Signos: semiose e autogeração. 1.ed. São Paulo:
Ática, 1995.
LAVER, James. A Roupa e a Moda: uma história concisa. 1.ed. São Paulo: Companhia
das Letras, 1989.
LIPOVETSKY, Gilles. O Império do Efêmero: a moda e seu destino nas sociedades
modernas. São Paulo: Companhia das Letras, 1989.
PALOMINO, Erika. A Moda. 1.ed. São Paulo:Publifolha, 2002.
RIOS, Dermival Ribeiro. Mini dicionário Escolar da Língua Portuguesa. São Paulo: DCL,
1999.
SANTAELLA, Lúcia. O que é Semiótica. 1.ed. São Paulo:Brasiliense, 2005.


Sites:


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punk.htm> Acesso em 26 de agosto de 2011.
CENEP:         Centro          de   Estudos        Psicológicos.      Disponível       em:
<http://www.pucsp.br/pos/cos/cepe/semiotica/semiotica.htm#4>. Acesso em: 01 de maio de
2011.
60



Conexão Jovem TV. 2011. Disponível em: < http://espacojovem.net/conexao-jovem-tv-
160411/> Acesso em 02 de maio de 2011.
FERRAZ, Queila. Sobre Dândis e Antimoda Masculina. 2002. Disponível em:
<http://www.fashionbubbles.com/historia-da-moda/sobre-dandis-e-antimoda-masculina/>
Acesso em: 21 de abril de 2011.
JORNALISMO          E   LINGUAGEM.              A    Semiótica     de     Peirce.     Disponível     em:
<http://www.jorwiki.usp.br/gdmat06/index.php/A_Semi%C3%B3tica_de_Peirce>.                          Acesso
em: 01 de maio de 2011.
NAVES,       Mariana.       A       anti-moda       que   faz      a     moda.        Disponível     em:
<http://www.netcult.com.br/netcult.qps/Ref/QUIS-867CJA>. Acesso em 22 de abril de 2011.
O Signo Semiótico – Na Perspectiva de Charles Sanders Peirce. Disponível em:
<http://pt.scribd.com/doc/11451925/O-SIGNO-SEMIOTICO-NA-PERSPECTIVA-DE-
CHARLES-SANDERS-PEIRCE> Acesso em 07 de maio de 2011.

Revoltas     e    Rebeliões     –    Movimento        punk.      Disponível     em:     <http://revoltas-
rebelioes.blogspot.com/2011/06/movimento-punk.html> Acesso em: 26 de agosto de 2011.

Semiótica da Cultura. Disponível em: <http://www.pucsp.br/pos/cos/cultura/semicult.htm>
Acesso em: 01 de maio de 2011.
Sempre tops – Tribos urbanas patricinhas, emos e góticos. Disponível em:
<http://www.sempretops.com/informacao/tribos-urbanas-patricinhas-emos-e-goticos/>
Acesso em 26 de agosto de 2011.
Spiner portal para jovens – Evolução ou moda na vestimenta da cultura Hip-Hop.
Disponível                                                                                           em:
<http://www.spiner.com.br/modules.php?name=News&file=article&sid=1044> Acesso em:
26 de agosto de 2011.
Técnicas                      Psicoterapêuticas.                       Disponível                    em:
<http://tecnicaspsicoterapeuticas.vilabol.uol.com.br/semiologia.html> Acesso em : 01 de
maio de 2011.

Vivienne         Westwood        e     a    cultura        punk         rock.       Disponível       em:
http://www.flue.com.br/blog/?p=6000. Acesso em: 19 de outubro de 2011.
61



Vivienne     Westwood        –     A      mãe      do      punk.      Disponível       em:
<http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/mulher-historia-vivienne-westwood/mulher-
vivienne-westwood.php>. Acesso em: 19 de setembro de 2011.
62




Anexos
63




VIVIENNE WESTWOOD - A MÃE DO PUNK
 Firme em suas convicções, a criadora britânica não abre mão de ser arrojada e de pincelar as suas coleções com deliciosas referências punk.




"Hoje as pessoas querem ser rebeldes, mas eu não acho que haja espaço para elas, porque a única e verdadeira rebeldia está relacionada a ideias, e não
   houve nenhuma ideia no século XX. Hoje em dia, tudo é ditado pela indústria de massa e pela propaganda. Minha moda não é para todos - você
                               precisa ter algo de muito forte em sua personalidade para querer vestir minhas roupas.”


Vivienne Isabel Swire, nascida em Derbyshire, Inglaterra, aos 17 anos, mudou-se para Londres e algum tempo depois passou a dar aulas de inglês e
casou-se com Derek Westwood, um diretor de uma escola de dança, com quem teve seu primeiro filho.




Influenciada pelo clima rebelde e liberal do final dos anos 60, a até então pacata mãe de família terminou seu casamento e iniciou uma viagem por
uma vida completamente nova, pautada por muita polêmica e ousadia.
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Vivienne conheceu Malcolm McLaren, que tornou-se rapidamente seu segundo marido. McLaren era um crítico do movimento flower power, pois o
considerava sem sentido e comercial.


Juntos, em 1970, buscaram nos anos 50 a inspiração para a criação de sua primeira loja, chamada "Let It Rock" e localizada no número 430 da Kings
Road. Lá, eles vendiam objetos e roupas que lembravam Elvis Presley e o rock and roll original da época.


Com McLaren, a designer teve seu segundo filho, Joseph Corre, que atualmente é dono de uma das lojas de lingerie mais famosas de Londres, a Agent
Provocateur.Westwood é sem dúvida alguma, uma das figuras mais importantes e reconhecidas do design britânico. Começou então a criar suas
próprias roupas, pensando nos que vivem à margem da sociedade, negros e rockers. Em 1972, a loja passou a chamar-se "Too Fast to Live, Too Young
to Die".


Em suas coleções destacavam-se as peças em couro, t-shirts com estampas eróticas, motivos africanos, entre outros. Somente em 1974, sua loja já com
o novo nome "SEX" trazia inspirações fetichistas, t-shirts rasgadas e aviamentos representativos do movimento punk. Nessa época, Malcolm havia se
tornado produtor da banda punk mais influente da época, os Sex Pistols, também vestidos pela estilista.


"...na época, não me via como estilista. Procurávamos motivos de rebelião para provocar o stablishment. O resultado dessa procura foi a estética
punk". Em meados da década de 80 ela se divorcia e muda-se para a Itália, passando a dar aulas na Academia de Artes Aplicadas de Viena, onde
conhece seu atual marido Marc Andréas.


Em 1981, Vivienne cria então sua primeira coleção, Pirates, apresentando looks com cortes inspirados nos séculos XVII e XVIII, romantismo
vitoriano muito explorado pela estilista anos depois.




Em 1987 fez sua primeira coleção para o público masculino mostrando muito erotismo. O estilo escocês virou um padrão em suas coleções,
normalmente ironizado, com a criação de roupas femininas sensuais e coquetes.


Nunca perdeu sua identidade e sempre se mostrou atenta aos acontecimentos do mundo lançando roupas inusitadas, como uma camiseta com a frase
“Não sou terrorista, por favor, não me prenda”, feita em edição limitada protestando contra as duvidosas leis anti-terroristas adotadas pelo governo
inglês depois dos ataques em Londres no ano de 2005.
Vivienne é o centro da moda inglesa há 34 anos, influencia gostos, pessoas e atitudes. Seu sucesso proporcionou uma retrospectiva no Museu Victoria
& Albert de Londres com exibição com 150 peças e passagens significativas de sua vida e carreira. Foi apontada no livro Chic Savage como uma das
seis melhores estilistas do mundo, e como estilista do ano duas vezes. Aos 64 anos ganhou o titulo de Lady da Rainha Elizabeth II.
65




                                                                   Clique para Ampliar


Contra o consumismo


A roupa da marca Westwood é cara, mas segundo ela significa um investimento. "Compre uma coisa muito boa e não continue sempre a comprar." Ela
recomenda: "Se tem dinheiro suficiente, faça-o durar. Aconselho as pessoas a procurarem arte e com isso vão deixar de consumir todo esse lixo; penso
que se pode fazer o mesmo com as roupas."


Quer fazendo campanha contra o consumismo, a favor dos direitos humanos ou ainda exibindo as partes íntimas (ficou famosa por revelar tudo
quando recebeu a Ordem do Império Britânico em 1992 e em 2006, depois de ser feita dama, ao dizer de novo que não levava calcinhas), Westwood
tem o dom de provocar controvérsia.


Elaborou um manifesto sobre a natureza da cultura e das artes, que apresentou no Hay Festival, e fez uma campanha incansável pela libertação do
activista Leonard Peltie, do American Indian Movement (AIM). Na verdade, as suas convicções são tão sérias que a tornam vulnerável a críticas,
sendo por vezes rotulada com a etiqueta de "excêntrica e louca".


http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/mulher-historia-vivienne-westwood/mulher-vivienne-westwood.php




Vivienne Westwood e a cultura Punk Rock
Enviado na categoria Linguagem. em quinta-feira, 6 outubro, 2011 por Jú Brasil

OUT   06

Muita gente conhece o visual agressivo e fora dos padrões de Vivienne Westwood, uma das mais renomadas estilistas da
atualidade.
66




O que nem todos sabem é que Vivienne e seu sócio na década de 70, Malcom Mc Laren, foram peças fundamentais para a
disseminação ou popularização da cultura punk ao criarem o “uniforme” dos Sex Pistols, banda a qual Mc Laren era
empresário e que foi uma das principais representantes do Punk Rock.
67



Vivienne Westwood e Mc Laren, conseguiram traduzir para o mundo da moda a DIY esthetic, ou a ideologia do “do it
yourself”, prerrogativa máxima do comportamento punk que tinha como base o anticonsumismo e um visual sexualmente
explícito com roupas rasgadas e maltratadas.




Neste cenário, bandas punks surgiram criando suas músicas sozinhas, produzindo e distribuindo seus próprios álbuns e se
apresentando em porões ou em seus próprios apartamentos. Tudo isso para evitar patrocinadores e para garantir a liberdade
de expressão. Mas a escola do “faça você mesmo” não parava por aí. Ela se aplicava também a fatos rotineiros como
aprender a consertar a própria moto ou plantar uma horta dentro de casa. No vestuário, os punks remodelavam, costuravam e
modificavam suas velhas roupas ao invés de comprar novas.


Vivienne Westwood sempre interessada em atitudes de rebelião iniciou seu trabalho como estilista fazendo Teddy Boy
Colthes para Mc Laren, estilo da subcultura britânica da década de 50 e 70 representado tipicamente por homens briguentos
que usavam roupas inspiradas na era eduardiana (início do século 20).
68




Em 1971, Westwood e Mc Laren abriram sua primeira loja “ Let it Rock” na Kings Road em Londres. Em 1972 Vivienne
desenvolveu interesse por roupas para motoqueiros com zíperes e muito couro. A loja foi renomeada como “Too fast to live,
to young to die”. Westwood e Mc Laren também começaram a desenhar camisas com mensagens provocativas. Malvistos por
suas produções ousadas eles mudaram o nome da loja novamente e começaram a criar peças ainda mais subversivas como
vestuários sexuais e feitichistas. A loja foi intitulada “Sex” com o debochado slogan “ Rubberwear for the Office”.




E em 1976, ano em que os Sex Pistols estouraram no cenário musical punk, a loja foi mais uma vez reformulada,
transformando tiras de couro e zíperes feitichistas na moda com inspiração na estética “Do it yourself”. O que a mídia
difundiu na época como cultura Punk Rock. A então renomeada “Seditionaires” foi o epicentro da moda punk no final da
década de 70, ajudando a difundir a ideologia e o comportamento de quem participava do movimento.
69




Westwood mudou o nome de sua loja mais uma vez com o fim do movimento punk. Antes de entrar de vez para o mundo da
alta costura, em 1980, a loja foi renomeada World´s End, nome que permanece até os dias de hoje no endereço 430, Kings
Road, em Londres. A loja, ainda sob o comando de Vivienne é hoje a única loja de Westwood que exibe uma coleção com
peças de seus acervos selecionadas pessoalmente por Vivienne Westwood com o intuito de oferecer sempre, artigos
diferentes e exclusivos, que fogem das tendências vistas de forma incansável nas passarelas de todo o mundo. Tudo isso em
um ambiente com todas as raizes da estilista londrina mais subversiva de todos os tempos.
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Alfinetes, patches, lenços no pescoço, calças jeans rasgadas, calças justas, bottons de bandas punk e de protesto, jaquetas de
couro com rebites e mensagens nas costas, coturnos, correntes e cabelo moicano são os principais elementos que
passaram, com a ajuda do trabalho de Vivienne e Mc Laren, a definir o estilo punk.




Foi assim que ironicamente, mesmo na cultura punk anticonsumista, o visual “ Do it yourself” se consagrou como um dos
grandes movimentos de moda do século 20.


http://www.flue.com.br/blog/?p=6000
71



Punks - Surgimento
       Surgiu em meados de 1970, quando a Europa se encontrava na Guerra-Fria. Jovens que eram
 marginalizados pela sociedade, começaram a apresentar comportamentos agressivos e chocar pelo modo
 como agiam e se vestiam. Foi mais forte na Inglaterra, onde os jovens defendiam a anarquia, a liberdade
    individual e a rebeldia contra o sistema. Nos Estados Unidos, teve um contexto mais relacionado à
     diversão. Como começou em uma época em que havia muita desordem social, (especialmente na
   Inglaterra) com altas taxas de desemprego e de violência, os que buscavam uma forma de expressão
social,aderiram à moda punk (principalmente os jovens.) Tem uma ideologia que abomina qualquer poder
autoritário e defende a liberdade de expressão. Sua utopia é de que não haveria autoridades para governar,
nenhum homem governaria o outro. O Punk foi também baseado em estilos musicais e moda. Em relação à
 música, as bandas, realizavam shows vestidos como travestis e com canções de até três minutos (em uma
   época onde os solos duravam pelo menos dez minutos). Os Ramones introduziram músicas de até um
 minuto e fizeram surgir o estilo bubblegum, com músicas rápidas, de acordes simples e letras cotidianas.




                                                 Vestuário


Têm uma aparência desleixada e na maioria das vezes, eles próprios customizam suas roupas. São rasgadas,
desfiadas, com bolsos à mostra, remendadas por alfinetes e normalmente são pretas. Usam também casacos
             de couro, correntes, cortes de cabelos diferentes e coloridos e maquiagem preta.
   Nos shows que frequentam, normalmente ocorrem brigas, perfomances exageradas das bandas (como
  crítica social) e suas músicas sempre foram repudiadas pela sociedade, por serem sarcásticas e críticas.
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POSTADO POR JULIANNA ÀS 13:20

http://tribopunk-cotil-unicamp.blogspot.com/2009/11/punks-surgimento.html


sexta-feira, 24 de junho de 2011


Movimento Punk
73



1-AS ORIGENS
      Punk era uma gíria estadunidense, que designava sujo, sem valor, desmoralizada e coisas do tipo.
      O movimento punk no Brasil surgiu no início da década de 80, na cidade de São Paulo, mais precisamente nas áreas suburbanas e do
grande ABC, motivos não faltaram para o surgimento desse movimento, que repudia fascismo, racismo, sexismo e autoritarismo, pois nessa
época o país vivia uma ditadura sufocante, forte onda de desemprego e o inconformismo social eram mostrados através da música e da
rebeldia.
      Na época fanzines que expressavam o anti-capitalismo eram bastante comuns, o que chocava demais a sociedade conservadora e
burguesa. O corpo e os trajes também eram bastante usados contra essa sociedade conservadora, como por exemplo, as roupas rasgadas
pichadas com símbolos anarquistas ou socialistas, buttons, alfinetes, correntes, os cabelos coloridos com moicanos enormes e espetados, tudo
isso era uma forma de expressão que fugia totalmente dos padrões da moda e consumo.
O movimento vindo da Inglaterra foi adaptado à realidade do nosso país, onde a juventude se via sem futuro e oprimida pelo estado.
2-QUEM PRÁTICA E SEGUE O MOVIMENTO?
      Como já dito no início o movimento punk surgido nos anos 80, tinha uma forte ideologia, na época haviam punks bastante politizados,
bandas como Inocentes, Garotos Podres, Ratos de Porão, Cólera, Olho Seco, Restos do Nada, atraiam milhares de pessoas que viam na
música e no visual uma forma de contestar.
      Nos dias atuais a ideologia está um pouco escassa, o punk está virando modismo. Dificilmente nos deparamos com punks que seguem a
verdadeira ideologia do movimento, sem contar que atualmente o movimento se dividiu em facções: anarco, sub, kaos, independente,
libertário, entre tantas outras, criando determinada rivalidade dentro do próprio movimento, criando assim uma onda de violência entre os
próprios.
      O movimento ainda não está morto, apenas decadente.
      A rebeldia politizada de um punk dos anos 80 foi substituída pelo modismo alienado do “punk” do século XXI.
3-PARTICULARIDADES DO MOVIMENTO
      O movimento punk tem suas particularidades, como por exemplo, o Do it yourself (faça você mesmo) e o No proft(sem lucros), onde
exigem muito rigor no cumprimento das devidas “regras” que são a base do movimento. Essas expressões mostram a postura anticapitalista,
antimidiática e anticomercial, características essas singulares do movimento punk.
      Os fanzines são bastante característicos desse movimento, que procura através do mesmo mostrar a visão politizada dos punks e a
solidariedade com as camadas discriminadas perante a sociedade, um dos fanzines mais populares do movimento era o “Libertare”, um
fanzine liderado por uma mulher anarco-feminista na cidade de João Pessoa - PB, que seguia adequadamente a ideologia, não tinha fins
lucrativos, buscava levar informações do ponto de vista externo a mídia oficial, bem como denúncias e críticas ao sistema.
      O visual com certeza é o que mais chama a atenção no movimento, esse visual além de ser um dos primeiros elementos da cultura
punk, permanece desde o seu nascimento.
      Cada cor e cada peça, ao contrário de que muitos pensam, têm um significado dentro da ideologia, analisaremos cada uma delas:
      -uso da cor preta: representa a existencialismo e o anarquismo.
      -jaquetas de couro, braceletes, pulseiras, calças rasgadas (adornadas com alfinetes, correntes, pregos, etc.): tem uma forte influência
sadomasoquista e vem justamente com o intuito de chocar a sociedade com muita agressividade.
      -cabelos moicanos: era um corte de cabelo usado pelos índios siuoxs, extinto povo estadunidense.
      -cabelos coloridos e espetados, bem como o próprio moicano: vem bater de frente com a estética imposta pela sociedade de consumo.
      -buttons: é um meio de comunicação punk posta na própria roupa, já que geralmente trazem uma mensagem, seja ela o símbolo do
anarquismo, do comunismo e muitas vezes até do nazismo, rostos de ídolos revolucionários (Che Guevara, Marx, etc.) também fazem parte
desse meio de propagar a ideologia.
     BIBLIOGRAFIA:
     CALAFA, Janice. O movimento punk na cidade: a invasão dos bandos sub. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1985.
     ABRAMO, Helena. Cenas juvenis: punks e darks no espetáculo urbano. São Paulo: Página Aberta, ANPOCS, 1994.

http://revoltas-rebelioes.blogspot.com/2011/06/movimento-punk.html




                                                                                                    Felpe Prado
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Felipa Prado e Andreize Amaral




Felipe Prado e Graziele Mileib

Montagem trabalho banca

  • 1.
    12 INTRODUÇÃO O presente trabalho de conclusão de curso tem por objetivo analisar a indumentária como forma de comunicação não verbal, a fim de responder questões de âmbito social, como o julgamento feito através da roupa, e como extensão do próprio ser. O foco do estudo está no comportamento e na indumentária de alguns grupos urbanos, como punks e patricinhas, a fim de apresentar os seus modos de vestir e suas idéias. O estudo também propõe uma análise sobre a interpretação social, as convenções e interpretações das roupas. O trabalho é apresentado em três capítulos, divididos em assuntos como: moda e comunicação, semiótica, psicologia, antimoda, convenções sociais, tribos urbanas entre outros. A pesquisa conta com a fundamentação teórica de autores como: Patrice Bollon, Lúcia Santaella, John Carl Flügel, Renata Pitombo, Káthia Castilho, Erika Palomino, entre outros. Com o objetivo de responder à problemática: “É possível fazer um julgamento correto do indivíduo através da indumentária?” O trabalho apresenta estudos sobre moda e indumentária, origem histórica, e suas transformações no decorrer dos séculos. No capítulo foi apresentado o contexto moda e comunicação. A indumentária é estudada como meio de comunicação social, vista também como um instrumento de transmissão de mensagens que integra e interage entre os seres humanos. Desta forma, além de ornamentação, pudor e proteção, a roupa é vista também como um transporte de informações, que faz do corpo humano um veículo de transmissão de idéias, valores entre outros. Quando falamos de moda e sociedade, alguns temas como: atitude, comportamento e estilo; tornam-se complementares e importantes para compreensão, pois quando um grupo ou indivíduo veste sua indumentária diferente das demais, ele esta adaptando sua personalidade a sua roupa fazendo com que ela seja capaz de mostrar um pouco de sua ideologia e gostos. Porém não basta apenas usar peças que caracterizam uma idéia ou conduta, é necessário ter a
  • 2.
    13 atitude que sejacondizente com o que se veste, para que a construção de um estilo próprio seja possível. Desta forma pode- se perceber as diferenças entre os indivíduos num determinado ambiente pelo modo que se vestem e se comportam. Assim, a indumentária pode refletir uma imagem, porém a postura e a atitude dos indivíduos são primordiais para a interpretação e o julgamento social. A maioria destes grupos é contra as certas convenções sociais, e criam seu próprio modo de se vestir, desta forma surge o termo “antimoda” usado para divergir, afrontar e também para revolucionar o que é imposto pela sociedade, mercado e mídias. Os grupos urbanos foram um dos fatores de criação de signos referentes à sua indumentária. Pois, em muitos casos as cores, formas e acessórios; são capazes de distinguir certos grupos urbanos como é o caso dos Punks, que em sua maioria utiliza jaqueta de couro preta, camiseta preta geralmente com dizeres críticos e libertários, calça jeans rasgada, coturnos, entre outros. De acordo com a pesquisa, a indumentária apresenta um estado emocional do indivíduo, uma ideologia, ou questionamento. A roupa torna-se capaz de mostrar um pouco da personalidade do ser humano e seus pensamentos. Porém, o questionamento deste trabalho é analisar a possibilidade de se fazer uma leitura correta das pessoas através da indumentária, e se somos o que vestimos. A resposta desta questão foi respondida após a pesquisa de campo com questionários direcionados para o público em geral, e em específico os punks e patricinhas.
  • 3.
    14 Tema Moda e Comunicação:estudo de caso da interpretação da indumentária dos grupos urbanos “punks” e “patricinhas” Delimitação do tema A interpretação e distinção dos grupos urbanos através da indumentária. Problemática É possível fazer um julgamento correto do indivíduo através da indumentária?
  • 4.
    15 Justificativa Os aspectos relacionados a moda como comunicação, apresenta a roupa como uma extensão do próprio ser. Segundo o autor John Carl Flügel (1966, pag.11): “o que nós realmente vemos e ao que reagimos, não são os corpos, mas as roupas dos que nos cercam. É através das roupas que formamos a primeira impressão de nossos semelhantes.” A pesquisa apresenta a roupa além de suas finalidades de enfeite, pudor e proteção, pois a indumentária é uma forma de comunicação, que nos da á possibilidade de interpretar as imagens e as mensagens, que será analisada e julgada pelas convenções sociais e contexto cultural que o indivíduo está inserido. Este estudo torna-se relevante para questionar o comportamento da sociedade, perante certas peças de roupa, verificar quais mensagens são repassadas para quem as vê, e principalmente entender se nos dias atuais, a roupa é o fator que determina a pessoa no meio social, avaliar quem realmente somos ao que vestimos, ou se a indumentária pode ser vista também como uma forma de se mascarar e mostrar ser o que não se é. Para ilustrar este questionamento o objetivo de estudo será os grupos urbanos, também denominados como comunidades ou tribos, onde pessoas se agrupam e compartilham dos mesmos gostos, atitudes e ideologias, usando as roupas com a finalidade de se comunicar e pertencer a algum grupo, que é o caso dos punks e das patricinhas, que fazem destes indivíduos diferentes dos demais membros da sociedade. Porém mesmo com o esteriótipo do modo de vestir parecido, estes grupos contam com seres únicos, que possuem pensamentos individuais e que não são interpretados através da roupa.
  • 5.
    16 Objetivo geral Analisar os signos na indumentária dos principais grupos urbanos; apresentar as escolhas coletivas e individuais que tendem a passar uma imagem para sociedade, que interpreta e julga os códigos do vestir. Objetivos específicos -Apresentar o estudo de Semiótica, (signo, significado e significante). -Analisar a psicologia das roupas e do vestir; -Verificar principalmente temas como: moda e comunicação; -Investigar as convenções sociais e estudos sobre os grupos urbanos. -Questionar o comportamento da sociedade perante as roupas, para entender quais mensagens são repassadas para quem as vê; -Avaliar se o indivíduo é o que realmente veste ou se a indumentária pode ser vista como uma forma de mascarar e mostrar ser o que não se é. -Pesquisa em campo dos grupos sociais “Punks” e “Patricinhas” -Criar e desenvolver uma coleção a partir desta pesquisa.
  • 6.
    17 Referencial Teórico O estudo com o seguinte tema “Moda e Comunicação: estudo de caso da interpretação da indumentária dos grupos urbanos “punks” e “patricinhas”,” pretende investigar em livros de moda, semiótica e psicologia do vestir, os pareceres dos autores que já estudaram sobre este assunto, e verificar através desta análise a existência do códigos do vestir na sociedade contemporânea. Para a autora Patrice Bollon: Sempre existiram indivíduos - nem sempre jovens e ainda menos necessariamente “marginais” – que se expressassem e se afirmassem através de um estilo, simples pose de traje ou então um modo de vida global em ruptura com as normas, aceitas por sua época, da “elegância”, do “bom gosto” e da “respeitabilidade”. Homens – e certamente mulheres também – que pretendem com sua aparência contestar um estado de coisas, uma escala de valores, uma hierarquia de gostos, uma moral, hábitos, comportamentos, uma visão de mundo ou um projeto, tais como são refletidos pelo traje dominante, pelo estilo obrigatório ou pela referência estética comum da sociedade em que vivem. Enfim, homens que são, querem ser ou imaginam “outros”, diferentes, estranhos singulares e pretendem mostrá-los com o que se vê em primeiro lugar, a aparência. (BOLLON, 1993, p.11). Através desta afirmação constatamos que a roupa usada por estes grupos urbanos é uma forma de expressão. Estes indivíduos em sua maioria usam o seu modo de vestir como artifício de contestação; apresentamos a indumentária como uma máscara com o poder de tornar um ser em outra pessoa, com a intenção de se tornar claro para sociedade os poderes que a roupa possui através de seus códigos. Na visão de John Carl Flügel: A delicada descriminação dos traços faciais necessita de uma certa aproximação íntima. Mas as roupas, apresentando como o fazem, uma superfície muito maior para inspeção, podem ser mais claramente distinguidas de uma distância mais conveniente. É a expressão indireta de um individuo, através de suas vestes, que nos diz, por exemplo, que a pessoa a quem “vemos” se aproximar é alguém que conhecemos; e é o movimento conferido ás roupas pelos membros dentro delas, e não o movimento dos membros propriamente ditos, que nos capacita a julgar de um só golpe se nosso conhecido está zangado, assustado, curioso, apressado ou calmo. (FLÜGEL, 1966, p.11). Porém ao colocarmos as roupas como uma forma de veiculação de signos, devemos entender exatamente, o sistema integrante desta forma de comunicação, do ponto de vista de Lúcia Santaella:
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    18 Diante de qualquer fenômeno, isto é, para conhecer e compreender qualquer coisa, a consciência produz um signo, ou seja, um pensamento como mediação irrecusável entre nós e os fenômenos. E isto, já ao nível do que chamamos de percepção. Perceber não é se não traduzir um objeto de percepção em um julgamento de percepção, ou melhor, é interpor uma camada interpretativa entre a consciência e o que é percebido. (SANTAELLA, 1983, p.51). Em resumo, a indumentária é apresentada como a própria extensão do ser, porém para alguns autores está afirmação não está totalmente correta, pois também é atribuído a roupa o poder de se mascarar, de se tornar outro, para colocar em prática o presente questionamento: É possível fazer um julgamento correto do indivíduo através da indumentária? Segundo Patrice Bollon: Até as aparências, portanto mais fortemente codificadas, muitas vezes não bastam para “fazer a triagem”. Pois não basta endossar uma panóplia objetiva para participar de uma moda e ser aceito por ela. É preciso também adotar um espírito e que isto seja visível. (BOLLON, 1993, p.70). Desta maneira os integrantes de algumas tribos como os Punk e Patricinhas, se vestem de forma a integrar seus grupos, em sua maioria compartilham das mesmas ideologias, gostos, e abrem mão de um estilo próprio por um comportamento coletivo. Para melhor entendimento o tema sugere uma pesquisa de campo realizada na cidade de Divinópolis e na capital Belo Horizonte, os meios para realização da pesquisa é através de questionários impressos, internet (e-mail e blog), com alguns integrantes de tribos urbanos como punks e patricinhas, estudos em livros e documentários.
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    19 1. Moda A palavra moda vem do latim que significa “modus”, maneira, modo individual de fazer, ou uso passageiro que regula a forma dos objetos materiais, e as vestimentas. Para compreender este termo, primeiro é preciso saber sua definição exata, segundo o Dicionário da Língua Portuguesa: “Moda s.f.1. Uso geral. 2 Maneira de vestir. 3. Costume. 4. Usos e costumes passageiros, comuns em certa época e em certos lugares. 5 Maneira modo. Já a palavra modo significa: Modo S. m. 1. maneira de ser. 2. Meio, maneira”. (RIOS,1999,p.385). Desta forma podemos dizer que estes dois termos são um só, e que a moda está diretamente ligada ao modo, segundo Renata Pitombo: Observa-se, assim a proximidade entre os termos moda e modo. Ao recuperarmos os sentidos atribuídos a ambos, tendo como referência o Novo Dicionário da língua portuguesa (1986), vamos perceber o quanto um reforça o outro, muitas vezes sendo incorporado como um só. Se, por um lado, a moda é vista como uso, habito ou estilo geralmente aceito variável no tempo e resultante de determinado gosto, idéia ou capricho, ou das influências do meio; bem como fenômeno social ou cultural, mas ou manos coercitivo, que consiste na mudança periódica de estilo e cuja vitalidade provem da necessidade de conquistar ou manter, por algum tempo, determinada posição social; modo significa maneira, feição, forma particular, jeito, sistema, prática, via, habilidade e em alguns casos, processo de aculturação. (PITOMBO, 2005, p. 30) A história da moda tem início com o homem primitivo (FIGURA 1), onde eram usadas as peles e fibras vegetais como matéria prima para produção de suas roupas, neste momento a indumentária era usada com o simples objetivo de proteção das intempéries do tempo. Figura 1: Indumentária do homem primitivo
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    20 As vestimentas tiveram sua evolução junto com o homem, foram os egípcios, os sírios, gregos (FIGURA 2) e romanos (FIGURA 3) que começaram a dar formas para as peças, com drapeados feitos através de retângulos de tecidos que eram amarrados ao corpo, ou preso com broches. Figura 2: Indumentária grega Figura 3: Indumentária romana feminina
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    21 O homem continua a evoluir em seu pensamento, vestes e tecnologia, no século VI a.C. cria-se a calça devido às temperaturas altas encontradas na Babilônia1, este traje passa a ser típico dos persas. Já as roupas dos egípcios eram mais leves e serviam como forma de distinção de classes, sendo atribuído ao faraó o direito de vesti-se enquanto seu povo e principalmente os escravos, andavam quase nus. Sabe-se que durante muitos séculos a indumentária não teve grandes alterações, como explica James Laver: Felizmente sabemos muito sobre a vestimenta do Egito antigo através de estatuetas e pinturas em paredes que, graças ao clima extremamente seco, foram preservadas em grande quantidade. A documentação disponível é maior do que a de qualquer outra civilização antiga, sendo o traço mais marcante sua qualidade estática. Em um período de aproximadamente 3 mil anos, as mudanças foram mínimas. (LAVER, 1989, p.16). Estes trajes usados pelos povos antigos já indicavam a importância que as roupas teriam para a sociedade, porém para alguns autores os primeiros registros de moda foram no século XIV (FIGURA 4). No dizer de James Laver “Foi na segunda metade do século XIV que as roupas, tanto masculinas quanto femininas, adquiriram novas formas e surgiu algo que já podemos chamar de “moda”. (LAVER, 1989, p. 62). Figura 4: Vestido justo sob vestido amplo, aberturas nas mangas e decote valorizando o colo compõem o look das mulheres do século XIV. 1 Babilônia: foi o berço de uma das primeiras grandes civilizações da história. Desenvolveu-se na região banhada pelos rios Tigre e Eufrates, que faz parte do chamado Crescente Fértil. Fonte: <http://www.historiadomundo.com.br/babilonia/mapa-babilonia.htm> Acesso em: 09 de setembro de 2011.
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    22 A afirmação deste conceito ocorreu no final da Idade Média século XV e princípio da Renascença, foi através do vestuário que ocorreu o desencadeamento de todo o processo. Os burgueses que viviam próximos dos palácios tinham o desejo de imitar as vestimentas dos nobres, que por sua vez, variavam constantemente suas roupas para se diferenciar dos demais. Neste período deu-se início a moda como sistema, pois criaram vários conceitos que permaneceram inseridos, como a efemeridade, a cópia, e principalmente o status transmitido pela indumentária, que se tornaram sinônimo de poder e dinheiro. Depois da criação deste sistema as roupas passam a se modificar cada vez mais rápido, as revoluções, as guerras e principalmente os processos tecnológicos, faz surgir novos sistemas: o prêt-à-porter2 que estimula o comércio e torna a moda cada vez mais efêmera, substitui assim a alta costura, e alavanca a produção de peças, junto com estas inovações criam-se novos profissionais como o estilista criador, que mais tarde denomina-se Designers3. Após o surgimento do prêt-à-porter no final de 1949, a moda passa a ser contada por décadas tornando-se cada vez mais passageira, na visão de Lipovestsky: “A moda é também um fenômeno temporal, caracterizado pela constante mudança, quando um lançamento faz com que o estilo anterior seja descartado”. (LIPOVESTSKY, 1987, p. 159) A moda transita na sociedade como artigo de luxo, e como um fenômeno de massa, sendo atribuído á ela várias finalidades como: hierarquia, distinção, reivindicação, e afirmação social. Segundo Érika Palomino: “A moda passou também a atender às necessidades de afirmação pessoal do indivíduo como membro de um grupo, e também a expressar idéias e sentimentos”. (PALOMINO, 2002, p. 16). Na contemporaneidade pode-se dizer que a palavra moda vai além das peças e acessórios caros vistos em desfiles, ela se tornou uma expressão do ser, e pode ser encontrada em qualquer lugar como nos guetos. As roupas se transformam em fantasias e desejos, e 2 Prêt-à-porter é o nome francês para “pronto para usar” que em inglês é o ready-to-wear. Em linhas gerais pode- se dizer que o ready-to-wear significa a produção em série e em tamanhos predefinidos – o nosso velho e bom P- M-G. (PALOMINO,2002, p.26). 3 Designer é o profissional que está diretamente ligado a atividades relacionadas ao design. Atualmente o termo é referido ao desenhista industrial, indivíduos habilitados em programação visual, e projeto de produto, e variadas formas de designers e projetistas. Fonte: <http://www.dicionarioinformal.com.br/designer/>. Acesso em: 04 de agosto de 2011.
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    23 principalmente, uma formade identidade que faz do corpo um veículo de comunicação de idéias alternativas através da indumentária para integrar e indicar pensamentos e protestos. 1.1. Moda e Comunicação A moda afirma sua importância após ser vista como meio de comunicação, que integra e interage na sociedade, e passa ser considerado um instrumento de transmissão de mensagens. De acordo com o Dicionário de Língua Portuguesa, comunicação é: “S.f. 1. Ato ou efeito de se comunicar ou transmitir alguma coisa. 2. Aviso, mensagem, informação . 3. Participação, transmissão. 4. Meio de ligação, passagem ou ligação entre dois lugares. 5. trato, conveniência.” (RIOS, 1999, p. 184). Desta forma, a roupa é vista como um transporte de informações, que podem ser verdadeiras ou não, sabe-se que é através das vestes que os indivíduos fazem as primeiras leituras sobre as pessoas que estão em sua volta. Como caracteriza John Carl Flügel: A delicada descriminação dos traços faciais necessita de uma certa aproximação íntima. Mas as roupas, apresentando como o fazem, uma superfície muito maior para inspeção, podem ser mais claramente distinguidas de uma distância mais conveniente. É a expressão indireta de um individuo, através de suas vestes, que nos diz, por exemplo, que a pessoa a quem “vemos” se aproximar é alguém que conhecemos; e é o movimento conferido ás roupas pelos membros dentro delas, e não o movimento dos membros propriamente ditos, que nos capacita a julgar de um só golpe se nosso conhecido está zangado, assustado, curioso, apressado ou calmo. (FLÜGEL, 1966, p.11). Assim o corpo é visto como um veículo de comunicação, sendo possível através da indumentária algumas informações sobre o indivíduo, como suas idéias, grupo, posição social e outras mensagens. Um exemplo vem de certas situações como: encontrar uma pessoa vestida toda de branco (FIGURA 5), na cultura ocidental, logo nossa interpretação é que este profissional trabalha na área da saúde, neste caso a roupa atuou como um veículo de comunicação direta, sendo possível o mesmo tipo de interpretação em seres diferentes.
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    24 Figura 5: Médico Cirurgião Antônio Alves Jr. Outro exemplo é o uso de ternos (FIGURA 6), que indica um ofício em um ambiente formal, geralmente advogados ou executivos. Figura 6: Advogado Christian Mânic Estes dois exemplos citados além da transmissão de idéias existem também as convenções sociais, que impõe ao indivíduo o uso de determinadas roupas, apesar da comunicação, esta mensagem não representa exatamente a expressão de um ser, porém quando falamos de transmissão de conteúdos, surgem outras situações como: o uso da cor preta por jovens (indica oposição e revolta), desta forma alguns grupos contestadores utilizam da cor preta, como predominante, para indicar sua ideologia e insatisfação, como é o caso dos punks, já as patricinhas fazem o uso de etiquetas consideradas “roupas caras” para que desta forma possam representar seu status social. Para Káthia Castilho:
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    25 A imagem que um sujeito cria de si mesmo exprime-se, então, em codificações, em seu modo de parecer, de mostrar-se para ser visto. Esse seu fazer, uma montagem discursiva, resulta na (re) arquitetura anatômica de seu corpo e de todas as suas modalidades expressivas e narrativas. Considerando que “o homem é um animal que se baseia principalmente no seu sentido da visão”, é inicialmente por esse órgão dos sentidos que ocorre a apreensão de significações nas linguagens não-verbais trabalhadas (...) (CASTILHO, 2009, p. 81). Sendo assim, a moda está diretamente ligada à comunicação entre os seres, e ajuda o indivíduo a se expressar verdadeiramente ou demonstrar uma mensagem de apresentação ou reivindicação pessoal. As pessoas ao usar as roupas e acessórios para construir uma imagem visual, estão de maneira indireta à representar uma atitude pessoal, que expressa e interage com a sociedade, e faz de seu corpo uma forma de mídia. O corpo humano é a forma pessoal que cada indivíduo representa sua veste, logo a roupa passa a ter um significado, transmitido através de um código. Na visão de Káthia Castilho: Cabe, então, reafirmar que um determinado texto do corpo vestido por uma segunda pele pode conter vários códigos que colaboram entre si para a construção do seu discurso. Assim, a moda é, neste estudo, entendida como uma relação complexa entre distintos códigos. Encadeando em uma manifestação discursiva ou numa textualização, cada arranjo vestimentário é fruto desse sincretismo e produz múltiplos efeitos de significações. (CASTILHO, 2009, p. 83). É possível afirmar que uma das melhores formas de se comunicar é através da roupa, e que ao vestirmos, estamos mesmo que inconscientemente buscando repassar a sociedade uma mensagem que se encontra dentro de cada ser. Desta forma, a indumentária cria uma transação de idéias mútua e singular, pois se torna meio de expressão e atitude. 1.2. Atitude, Comportamento e Estilo
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    26 A atitude e o comportamento estão ligados a construção de um próprio estilo, onde a moda só tem sentido à medida que permite a expressão da individualidade, que se torna capaz de representar si mesmo através da roupagem. A atitude é uma maneira de reagir, pensar e sentir em relação ao que está a nossa volta. A intenção de manifestar um comportamento é a forma em que reage à determinada situação; é ação e/ou reação. Como escrito no dicionário de Língua Portuguesa: “Atitude: s.f. 1.Postura do corpo. 2. Norma de procedimento; ação, comportamento. 3. Propósito, disposição. 4. Reação ou atitude em relação a pessoa(s), objeto(s), circunstância(s). (RIOS,1999, p.114), já o comportamento: s.m. 1. Modo de comportar-se. 2. Maneira de ser, de agir, de reagir. 3. Procedimento, conduta. (RIOS, 1999, p.183). O estilo é o que varia de pessoa para pessoa, que faz do indivíduo ser único, onde cada pessoa assume seu estilo, é também um modo de ser, de viver e de agir, independente de qualquer grupo que o sujeito pertence ou pretende seguir. Com a sua aparência, o ser humano demonstra seus hábitos, atitudes e comportamentos que podem ser refletidos de várias maneiras, como explica Patrice Bollon: Sempre existiram indivíduos – nem sempre jovens e ainda menos necessariamente “marginais” – que se expressassem e se afirmassem através de um estilo, simples pose de traje ou então um modo de vida global em ruptura com as normas, aceitas por sua época, da “elegância”, do “bom gosto” e da “respeitabilidade”. Homens – e certamente mulheres também – que pretendem com sua aparência contestar um estado de coisas, uma escala de valores, uma hierarquia de gostos, uma moral, hábitos, comportamentos, uma visão de mundo ou um projeto, tais como são refletidos pelo traje dominante, pelo estilo obrigatório ou pela referência estética comum da sociedade em que vivem. Enfim, homens que são, querem ser ou se imaginam “outros”, diferentes, estranhos, singulares e pretendem mostrá-lo com o que se vê em primeiro lugar, a aparência. (BOLLON, 1993, p.11). Segundo o site “Conexão Jovem TV”4, A moda pode ser considerada o reflexo da evolução do comportamento. Uma espécie de retrato da comunidade. É uma linguagem não- verbal com significado de diferenciação que instiga novas formas de pensar e agir. A importância do vestir na estruturação do comportamento procede pelo fato de que a informação que é transmitida de pessoa por pessoa pela roupa, não é claramente traduzida em palavras. Através da nossa vestimenta juntamente com nossa atitude e comportamento 4 Fonte: <http://espacojovem.net/conexao-jovem-tv-160411/> Acesso em: 02 de maio de 2011.
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    27 podemos ou não,passar uma imagem para o próximo de nossa personalidade, pois ela às vezes transmite nossas crenças, nosso estilo, opção sexual, retrata o tempo e a cultura local, e se somos pessoas de pensamentos e comportamentos tradicionais ou de vanguarda. Segundo Renata Pitombo: O perigo deste tipo de procedimento é o fato de que possa levar ao extremo a idéia de que a “vestimenta faz a personalidade”, levando a dois tipos de abordagens distintas, mas oriundas de um mesmo ponto de partida: de que assim como a linguagem (pelo menos para alguns pesquisadores), a roupa possa ser lida, decodificada, chegando mesmo a funcionar como uma carteira de identidade do indivíduo. Embora se reconheça a seriedade e os muitos momentos de brilhantismo da obra de Barthes e de uma perspectiva semiológica ou semiótica da indumentária, é preciso reconhecer também que o argumento de que a roupa é linguagem e de que ela transmite mensagens sobre aquele que a veste abre brechas para desdobramento às vezes simplistas. A abordagem mais comum e muito recorrente atualmente, parte do princípio de que se você conhecer os significados de tais e tais cores, formas, combinações, você terá a capacidade de “construir” voluntariamente e conscientemente um look específico e adequado para cada situação. Funciona quase como um receituário em que todas as medidas e ingredientes seriam controlados para a aquisição de um resultado impecável. (PITOMBO, 2005, p.99). É possível perceber as diferenças entre os indivíduos num determinado ambiente pelo modo que se vestem e se comportam, notam assim que lêem e são lidos através de sua postura e atitude. Como a imagem não é somente composta pela roupa, mas também por nossos gestos e atitudes, espera-se que as pessoas conheçam a linguagem do comportamento humano, da boa educação, das boas maneiras e a interpretação de olhares e gestos. Um exemplo disso é aquele que trabalha em uma determinada empresa, e é extremamente competente, mas não se apresenta adequadamente, sendo seus trajes e comportamentos de maneira inadequada para o cargo que ocupa. Para Heloisa Marra e Julio Rego: Num mundo de comunicação rápida, as aparências não enganam mais e só se sustentam se houver conteúdo e resultado. Não adianta vestir o “casual” e ter uma sala fechada, abolir o paletó e estacionar o carro numa vaga privativa, tirar a gravata e, ao viajar com seu pessoal, ficar num hotel “x” enquanto seus colegas ficam no “y”. (MARRA; REGO, 2002, p.17). Os Punks, Skinheads, Rappers, Patricinhas, Clubbers, Grunges, Góticos, Drag Queens, são alguns grupos chamados de “tribos urbanas” com seus estilos próprios e diferenciados. Eles mudam de hábitos e costumes, que apesar de serem rodeados de códigos e normas mal entendido por muitos, algumas pessoas são capaz de distinguir cada um pela forma de se
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    28 vestirem e secomportarem. Pois, a escolha do vestir vão de encontro com seus gostos e preferências e fazem com que os indivíduos se sintam partes do conjunto através dos elementos identificáveis concretizados em acessórios e músicas. Ao fazer parte de uma tribo específica, o indivíduo passa a se apropriar de determinados comportamentos e vestuários que o identificam como um membro de um grupo (FIGURA 7). Se observarmos a nossa volta, veremos a imensa variedade de pessoas com estilos, vestimentas, comportamentos e posturas passíveis de associação com grupamentos urbanos. Como descrito por Patrice Bollon sobre os Punks: Vendo-os perambular, de longe, em bandos pelas ruas de Londres, com os cabelos curtos penteados em porco-espinho com antenas pontudas arrepiadas em buquê sobre a cabeça e tingidas alternativamente em verde, amarelo e vermelho fluorescentes, e as dezenas, às vezes centenas de distintivos, medalhas, insígnias, adornos, broches, amuletos, anéis, imagens, nomes de grupos e slogans escritos com moldes ou pichados apressadamente e que constelavam e pendiam de seus blusões, transformando-os em verdadeiros totens vivos, tinha-se a impressão de ver alguma tribo de índios surgidos não se sabe de onde, num campo de uma guerra da qual somente eles saberiam a existência e a razão. Extraordinárias aparições, quase mutantes, meio reais, meio imaginários, para os quais convergia, feito gigantescos ímãs, tudo aquilo que a sociedade habitualmente recalca, os fantasmas mais perturbados e as referências mais pueris. (BOLLON, 1993, p.126). Figura 7: Filipe Prado com o seu grupo de punks. Ao contrário dos Punks, existe outro grupo conhecido, que gosta de se vestir sempre na moda, pois se preocupa com a aparência que vai passar para as pessoas. Exemplo disso é a
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    29 tribo das Patricinhas(FIGURA 8), que assim como os Punks, também tem suas determinadas normas e comportamentos, como por exemplo, não usam roupas que não sejam de marcas, andam sempre maquiadas, e diferentes dos rebeldes, possuem um comportamento diferente, sem gírias e bastantes delicadas. Figura 8: Luciana Silva com o grupo de patricinhas. De acordo com esses dois exemplos de tribos, pode-se dizer que, nossas roupas, comportamento e atitudes estão ligados a nossa personalidade. 1.3. Convenções Sociais Convenções sociais são todas as normas determinadas pela sociedade, para que seja possível uma melhor convivência entre os seres humanos, para o dicionário de Língua Portuguesa: “Convenção S.f. 1. Ajuste, combinação. 2. Pacto, convênio. 3. Tratado, acordo (entre partidos políticos adversários). 4. Aquilo que se acha taticamente admitido nas relações sociais”. (RIOS, 1999, p.192). Estas normas surgem naturalmente e são integradas a sociedades, e se tornam comuns entre as pessoas de tal forma que em muitos casos devido à naturalidade e costume, tornam-se regras imperceptíveis, onde o ser humano faz o uso sem perceber que tal roupa foi
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    30 determinada socialmente. Parauma melhor convivência social é inegável a importância de tais convenções, é ela que garante a harmonia das comunidades e também a identidade das culturas de certos grupos urbanos. A existência das convenções não garante a ela que seu uso seja geral, pois cabe ao indivíduo decidir se coopera ou não com determinadas regras, como é o caso do uso de roupas na cor preta em momentos de dor e luto (FIGURA 9), pois cabe a pessoa o bom senso de optar ou não por cores mais fechadas em um funeral. Figura 9: Filme Francês: Enfim Viúva, de Isabelle Mergault Mesmo que seja “de livre arbítrio” do cidadão participar ou não das convenções impostas pela sociedade, o simples fato de não se integrar às regras pode acarretar certos julgamentos indesejáveis, como no ambiente de trabalho. De acordo com Heloisa Marra e Julio Rego: Uma diretora da Saad-Fellipelli5, empresa especializada em recolocação profissional desde a década de 1980, conta que no treinamento de out placement6 a imagem é importante: Abordamos tudo: a roupa, aparência, colocação, postura. Num segundo momento, o da entrevista simulada, damos ao profissional um retorno, caso achemos que seu comportamento não esta adequado. Não só em matéria de roupa, mas em termos de atitude. Não adianta estar bem vestido e com uma postura relaxada. (...) Tivemos também o caso de uma gerente de marketing que era muito exuberante, bonita, mas 5 Saad-Fellipelli: Empresa de Recursos Humanos com a matriz em São Paulo. Fonte: http://www.infoguiasaopaulo.com.br/pinheiros-sao-paulo/administracao/saad-e-fellipelli-recursos-humanos-ltda- matriz-1.html.Acesso em 12 de maio de 2011. 6 Definição do termo, “outplacement” (apoio à colocação e a acompanhamentos-colocação). Fonte: <http://www.eu-eof.net/26/?L=4>. Acesso em: 12 de maio de 2011.
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    31 exagerava na pintura. Sabe aquele perfume que fica na sua mão quando alguém o cumprimenta? Usava decote e minissaia com salto alto. Combinava com ela, mas não com ambiente de trabalho. (MARRA; REGO, 2002, p. 71). Assim descrito acima, é possível dizer que em muitos casos não se integrar às regras sociais pode acarretar problemas indesejáveis, como a demissão de um emprego, mesmo que a pessoa tenha as qualificações curriculares adequadas para o trabalho, o simples fato de suas roupas não estarem compatíveis com as convenções, pode ser um motivo para o desligamento da empresa. Como no exemplo citado pela Diretora da empresa Saad-Fellipelli, as roupas devem seguir uma norma de bom senso principalmente em ambientes formais e públicos. Algumas peças são taxadas como irregulares para certas situações, como o uso de mini-saias, decotes, tênis, roupa justa, shorts, bermudas, e outros. Porém, em muitos casos certos trajes são imprescindíveis para o sucesso profissional, e permanência no cargo. Segundo os autores, Heloisa Marra e Julio Rego: Na legião do direito, terno, gravata e, em algumas situações, a toga7, fazem jus a história da advocacia, um oficio, em que ate hoje discrição é o pré- requisito: solenidade, o máximo; e credibilidade, a conseqüência. Frase de um militante radical da tradição: “Nunca andei com o paletó pendurado nas costas. Não é preciso luxo. Pode-se estar simples, sem grife. A nobreza da profissão determina essa postura. Só afrouxo o colarinho quando chego em casa”. (MARRA; REGO, 2002, p. 83). A citação no parágrafo anterior, “A nobreza da profissão determina essa postura”, indica a existência de uma convenção no ambiente de trabalho, desta forma torna-se inadmissível, um profissional como juiz, promotor, e advogados vestir roupas que não sejam adequadas às normas, como trajar uma calça jeans e camiseta. Porém, este tratado informal pode ser aplicado de maneira geral, (todos os médicos se vestem de branco em todo o país), ou alterar de acordo com cada região e cultura local, onde 7 Significado de Toga: s.f. (...). Vestimenta ampla usada pelos juízes, advogados ou promotores no tribunal ou por formandos durante a cerimônia de formatura; beca. Fonte: < http://www.dicio.com.br/toga/> Acesso em: 22 de agosto de 2011.
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    32 o uso decertas roupas é mais flexível do que em outras, como o uso de peças mais decotadas e curtas nas regiões mais quentes como: Bahia e Nordeste. Existem também grupos sociais com a intenção de questionar estas convenções, geralmente estes indivíduos buscam se vestir de maneira oposta ao que é determinado socialmente, e principalmente as peças consideradas “da moda”, estas pessoas geralmente jovens buscam se diferenciar entre os demais e são totalmente contrários a qualquer tipo de imposição social. 1.4. Antimoda Após a afirmação da moda como sistema no período da Idade Média século XV. Desenvolve-se em Londres no século XIX através de Oscar Wilde o movimento Dândi8, onde a intenção era divergir e afrontar, ser contra a moda proposta na época. Como caracteriza Lipovestsky: Com as modas jovens, a aparência registra um forte ímpeto individualista, uma espécie de onda neodândi consagrando à importância extrema do parecer, exibindo o afastamento radical com a média, arriscando à provocação, o excesso, a excentricidade, para desagradar, surpreender ou chocar. A exemplo do dandismo clássico trata-se sempre de aumentar a distância, de se separar da massa, de provocar o espanto, de cultivar a originalidade pessoais com a diferença de que agora já não se trata de desagradar para agradar, de se fazer reconhecer nos círculos mundanos pelo escândalo e pelo inesperado, mas de ir até o fim da ruptura com os códigos dominantes do gosto e da conveniência. (LIPOVESTSKY, 1989, p. 126) Depois deste período a moda foi vista também como símbolo de revolta, pois no final dos anos 1950 e início dos anos 1960 os jovens se rebelaram, tornara-se um elemento forte de consumo. Após a segunda guerra a juventude começou a trabalhar, e com o seu próprio dinheiro, compravam coisas que agradavam ao seu gosto, assim começaram a ditar uma nova moda, tornaram-se mais contestadores e começaram a questionar as opções sexuais, a liberdade de expressão, e os discursos políticos da época. 8 Dândi: Foi no século XIX, que o vestuário passou a significar dissidência. A figura crucial nesta transformação foi o dândi. O dandismo estabeleceu padrões mais rígidos de masculinidade ao introduzir um traje novo, moderno e urbano. Também, apontava para o vestuário como forma de revolta. Fonte: <http://www.fashionbubbles.com/historia-da-moda/sobre-dandis-e-antimoda-masculina/>. Acesso: 21 de abril de 2011.
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    33 Porém, foi na década de 1970 que surge o termo “Antimoda”, os jovens na busca por uma imagem individual, começam a se diferenciar do coletivo usando as roupas que gostam estando na moda ou não. Na década de 1980 surge a expressão “tribos urbanas”, que está diretamente ligado ao termo antimoda. Entre estes grupos encontramos os clabber, punks, entre outros, como explica Erika Palomino: Mods, roqueiros, punks, rockabillies, skinheads, soul boys, rastas, neo- romanticos, new wavers, rappers e clabber deram origem ás chamadas “tribos urbanas”, como as subculturas foram batizadas na década de 80. Eles passaram a usar literalmente o que bem entendiam - á sua moda, sem se importar se estavam ou não “na moda”. Aliás, se não estivessem, melhor ainda. (PALOMINO, 2002, p. 44). Atualmente o termo “tribo” foi substituído por grupos ou subgrupos, (FIGURA 10) mas a sua ideologia continua a mesma, seu foco é não usar nada que seja considerada moda, é usar as roupas como forma de protesto, é ser original, é ter opinião, e principalmente se diferenciar dos demais. Figura 10: Filipe Prado (grupo punk) O historiador inglês Ted Polhemus denominou estas misturas de grupos em, “Supermercados de Estilo” onde é possível encontrar opções diferentes, variedade de opções de looks, e idéias divergentes. Alguns grupos são totalmente “antimoda”, enquanto outros são
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    34 “modistas” 9 efazem questão de usar todas as tendências propostas para cada estação. Como descrito por Erika Palomino: Atualmente é preferível usar “grupos”, ou mesmo “subgrupos” em lugar de tribo. Isso porque o próprio conceito de tribo caducou. O que derrubou a tribalizaçao foi a consolidação do conceito de “supermercado de estilo”. Esse nome foi criado na década de 90 pelo historiador inglês Ted Polhemus e sua idéia central é muito importante para a compreensão da moda das ruas. Segundo Polhemus “supermercado de estilo” é como se todo o universo, todos os períodos que você jamais imaginou, aparecesse como latas de sopa numa prateleira de supermercado: “Você pode pegar os anos 70 numa noite, os hippies em outra [...], um moicano punk e um rímel dos anos 60[...] e, pronto, você tem a própria e sincrônica amostragem de 50 anos de cultura pop”. (PALOMINO, 2002, p.45). Estes grupos surgem com a idéia de misturar estilos, materiais, e principalmente criar um look próprio, cria-se então a moda de rua, onde as tendências já não saem mais das passarelas para o meio urbano, mas ao contrario, as ruas começaram a influenciar diretamente a indústria confeccionista. A indústria da moda passa a usar as roupas destes grupos, como inspiração de suas coleções como explica Erika Palomino: O clubwear é, portanto um dos pilares do lado fashion da moda de rua, que também pode ser chamada de streetwear. As raízes da moda de rua, como a entendemos hoje, estão nos anos 80, justamente quando as roupas usadas pelos garotos do Hip-Hop americano se tornam febre e estilistas do prét-á- porter começaram a inspirar-se nas roupas dos Clubbers ingleses. Na década de 90, o streetwear cresce e aparece, delineando algumas linguagens e ramificações. (PALOMINO, 2002, p. 46-47). O termo antimoda surgiu como instrumento social de reivindicação e comportamento, e mesmo sendo usado como fonte de inspiração para moda, sua origem permanece como um ato de revolta ou manifestação de individualidade. Neste contexto, as pessoas que compartilham das idéias propostas por cada grupo, pode-se vestir e demonstrar através da roupa, o que realmente pensam sobre a sociedade contemporânea. 9 Modismo: S.m. 2. O que está na moda em caráter passageiro. (RIOS, 1999, p.385)
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    35 2. Semiótica Segundo o site “Jornalismo e Linguagem”10, semiótica é a ciência dos signos e dos processos significativos de qualquer linguagem, seu nome tem origem na Grécia Antiga e deriva do termo “semeion” traduzindo “signo”, neste período existia uma tradição médica de interpretar os sintomas do corpo facilitando os diagnosticos médicos. O termo semiótica começa a ser aplicada na medicina através do médico grego Baleno de Pérgamo, que referia-se seus diagnósticos como uma forma de semiótica. Semiótica é a ciência que estuda os signos. Suas origens, enquanto área de pesquisa, remontam à Grécia Antiga, onde havia toda uma tradição médica de interpretar o que o corpo "queria dizer" com os sintomas que apresentava. Baleno de Pérgamo (139-199) referiu-se à diagnóstica como "a parte semiótica" (semeiotikón méros) da medicina. E, assim, de acordo com a moderna semiótica (definida oficialmente como o estudo geral dos signos por Roman Jakobson em 1969), os sintomas representam, realmente, algo (no caso médico, um desequilíbrio da saúde de um indivíduo) para alguém (neste caso, o ser humano que realiza o diagnóstico).11 Após o termo ser empregado na medicina, os filósofos e lingüistas adotaram também para designar uma teoria geral dos signos. O site “CENEP – Centro de Estudos Peirceanos”12, explica que a Semiótica teve seu início com filósofos como John Locke (1632-1704), em 1969, Roman Jakobson, definiu oficialmente a semiotica como o estudo geral dos signos, mas antes disso, Pierce (nos EUA) e Saussure (na Europa) já estruturaram toda uma teoria sobre representação e ação dos signos. Desta forma surgem várias investigações diferentes. Estas divergências sobre a semiótica aconteceram devido á diferenciação na concepção e a delimitação do campo de estudo. De acordo com o site “CENEP – Centro de Estudos Peirceanos”, existe três tipos de estudos distintos sobre semiótica, os estudos de Peirce, de Saussure e a Semiótica russa ou semiótica da cultura. 10 Fonte: http://www.jorwiki.usp.br/gdmat06/index.php/A_Semi%C3%B3tica_de_Peirce. Acesso em : 04 de outubro de 2011. 11 Fonte: http://www.jorwiki.usp.br/gdmat06/index.php/A_Semi%C3%B3tica_de_Peirce. Acesso em 04 de outubro de 2011. 12 Fonte: http://www.pucsp.br/pos/cos/cepe/semiotica/semiotica.htm#4. Acesso em 04 de outubro de 2011.
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    36 - A Semiótica peirceana (Peirce) O site “Jornalismo e Linguagem”13 explica que: Para Peirce, cognições, idéias e homens são, todos, entidades semióticas. É o que chamamos de Pansemiótica do Universo. “o mundo inteiro está permeado de signos, se é que ele não se componha exclusivamente de signos” (CP, 5448). Peirce considera que todo fenômeno de que tomamos consciência é um signo, ou seja, é absorvido por nós através de signos. Esses se constituem no objeto de estudo da semiótica. No entanto, a semiótica parece penetrar em territórios alheios: o do biólogo, o do geólogo, do antropólogo, etc. Porém, seu objeto de estudo não é o mesmo que o deles, já que é o ponto de vista que cria o objeto. Uma distinção fundamental na obra de Peirce é a que se faz entre Semiótica Geral e Semiótica Especial. Semiótica Geral é a área da filosofia que abrange Lógica, Filosofia da Ciência e Epistemologia. O objetivo de Peirce era dar uma unidade a estas disciplinas, através de uma abordagem da concepção do pensamento como um processo de interpretação do signo com base em sua relação triádica (primeiridade, secundidade e terceiridade). A semiótica Especial é a ciência preocupada com os fenômenos mentais, ou com as leis, manifestações e produtos da mente. Segundo Santaela: A primeiridade aparece em tudo que estiver relacionado com acaso, possibilidade, qualidade, sentimento, originalidade, liberdade, mônada. Asecundidade está ligada às idéias de dependência, determinação, dualidade, ação e reação, aqui e agora, conflito, surpresa, dúvida. A terceiridade diz respeito à generalidade, continuidade, crescimento, inteligência. (SANTAELA, 1992, p.7). - Semiótica (Saussure) No site “Técnicas Psicoterapêuticas”14, no Curso de Lingüística Geral, falava de uma semiologia, que pode ser comparada ou diferenciada da semiótica propriamente dita. Saussure estabeleceu a distinção entre “língua” e “fala” para que o paciente possa reconhecer um signo como tal e atribuir-lhe seu designado correspondente. É necessário que previamente possa apoiar-se, por um lado, nas representações psíquicas (ou significantes) dos “sons” concretos e, 13 Fonte: http://www.jorwiki.usp.br/gdmat06/index.php/A_Semi%C3%B3tica_de_Peirce. Acesso em : 04 de outubro de 2011. 14 Fonte: http://tecnicaspsicoterapeuticas.vilabol.uol.com.br/semiologia.html Saussure. Acesso em 04 de outubro de 2011.
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    37 por outro, nasrepresentações psíquicas (ou significados) dos referentes também concretos com os quais se relacionam esses sons. - Semiótica russa ou semiótica da cultura 15 Conforme explica o site “Semiótica da Cultura” : “A disciplina homônima, ministrada no Programa de Estudos Pós-Graduados da PUC-SP, procura conservar o caráter geral dos estudos russos, examinando, problematizando e reposicionando seus conceitos centrais, tornados aqui instrumentos críticos para a compreensão dos diversos sistemas da cultura, bem como dos problemas colocados para a cultura contemporânea. Com isso, valoriza-se o trabalho de seus principais teóricos, recuperando a vasta bibliografia já traduzida em línguas ocidentais”. Para o site “O Signo Semiótico na Concepção de Charles Sanders Peirce” 16, as duas concepções mais estudadas são a de Ferdinand de Saussure (1969), e do e a do filósofo norte- americano Charles Sanders Peirce (1993). Nos estudos de Saussure a semiótica tem o foco na lingüística, na palavra no signo verbal. Saussure era lingüista, e propôs uma teoria do signo com base na lingüística, mas reconhecia que a lingüística seria um ramo da semótica. Já nos estudos de Peirce a semiótica abrange outras representações, são as coisas em geral, ou seja, tudo que está em nosso universo. A semiótica saussureana correlaciona apenas dois outros elementos, chamados de significante e significado, na concepção peirceana o signo é um elemento em que se correlacionam três outros elementos, chamados de representamem, objeto e interpretante. Mesmo com todas as variações podemos dizer que a semiótica tem o objetivo de investigar todas as formas de linguagens e modos, de maneira a analisar a produção de diversos significados e a variedade dos sentidos. Desta forma usaremos os estudos da semiótica de Peirce para justificar a roupa como signo, assim como as palavras a indumentária possui muitas variações de significado, uma vez que se torna capaz de fazer dialogo e se comunicar com o mundo em geral. 15 Fonte: http://www.pucsp.br/pos/cos/cultura/semicult.htm. Acesso em: 01 de maio de 2011. 16 Fonte: http://pt.scribd.com/doc/11451925/O-SIGNO-SEMIOTICO-NA-PERSPECTIVA-DE-CHARLES- SANDERS-PEIRCE. Acesso em: 07 de maio de 2011.
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    38 2.1. Os Signos na Moda De acordo com a definição simplificadora de Peirce, “o signo é alguma coisa que representa algo para alguém”. Assim a roupa é vista como um signo, e as pessoas que fazem à leitura são os interpretantes. Ao analisar os estudos sobre a semiótica, é possível entender como os termos signo, interpretante fazem sentido no contexto da moda. Um exemplo é encontrar uma mulher trajando um vestido vermelho, no período noturno (FIGURA 11). Figura 11: Um vestido justo, vermelho e decotado que passa uma imagem de sensualidade. Neste contexto o signo (objeto) é o vestido vermelho, o significado é como este vestido é visto pelas pessoas na sociedade, levando em conta sua forma, modelagem, tecido, acabamento e cor. Já o significante é a interpretação da roupa, exemplo: sensualidade, auto- estima, traje de festa (FIGURA 12). Neste caso o Interpretante é a sociedade ou o indivíduo que faz esta leitura.
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    39 Figura 12: Vestidolongo de festa passa uma imagem de beleza, que mesmo tendo um detalhe aberto nas pernas é visto como um vestido que lembra o romantismo. Para Miriam Goldfeder: Indicando o caráter inessencial da palavra “alguém”, apontam para o caráter mais essencial de um engendramento lógico que se instaura entre três termos (signo-objeto-interpretante) e que põe em destaque as relações de determinação (do signo pelo objeto e do interpretante pelo signo). Apontam também para a função mediadora do signo entre objeto e interpretante, assim como para a distinção inegável entre as palavras “mente”, “intérprete”, “mente interpretadora”, de um lado, e o termo “interpretante”, de outro. Além disso, fica a evidência de que o interpretante é algo criado pelo próprio signo, ou seja, “a relação deve consistir de um poder do signo para determinar algum interpretante, como sendo signo do mesmo objeto”. (GOLDFEDER, 1995, p.23). Outro exemplo, são as roupas de pele que na era primitiva era usada como fator de proteção do corpo das intempéries do tempo (FIGURA 13), atualmente ela é vista além de sua proteção, sendo interpretada como status social e até mesmo como uma forma de ostentação. Figura 13: Homem primitivo com uso de pele de animal para proteger dos agentes naturais
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    40 Para a autora Kathia Castilho: O vestuário deve ser observado quando inserido em um determinado meio social, no qual se manifesta como uma das mais espetaculares e significativas formas de expressão presentes no processo cultural, configurando-se plenamente como meio de manipulação, persuasão, sansão, ação ou performance e, por conseguinte, articulador de diferentes tipos de discursos: políticos, poético, amoroso, agregador, hierárquico, etc. Tais discursos são construídos à medida que a sociedade vai se estruturando, se desenvolve e exerce a função de confirmadora externa ao sistema de organização que o ser social privilegia e traduz por intermédio da linguagem visual. (CASTILHO, 2009, p. 90). A interpretação da roupa pode variar de acordo com a época e o contexto de cada localidade, onde existe uma relação entre a linguagem verbal e a linguagem simbólica do vestuário, assim o indivíduo pode utilizar do vestuário como idioma, exprimindo suas idéias, e sua individualidade. Na visão de Kathia Castilho: A moda comunica, muda, reconstitui de maneira surpreendentemente sensível a tensão da evolução sociocultural, por meio dos sentidos que se constroem em uma organização discursiva e que se definem pela singularidade das circunstâncias do sujeito em relação ao grupo em que se insere, organizando estímulos, explorando o lúdico, o mágico, o imaginário, o onírico, etc., construindo desse modo, sobre o corpo, enunciados imagnéticos, que, na interação corpo e traje, passam a ser geradores de significação. (CASTILHO, 2009, p. 138). Assim, a moda é repleta de signos e significados, tanto a roupa propriamente dita, como todos os detalhes, formas, cores, tecidos e aviamentos, que fazem parte da produção e desenvolvimento de qualquer produto. Os signos são capazes de passar mensagens, que podem ser verdadeiras ou falsas, é atribuído á ele um poder social de comunicar, de fazer-se ver, ou até mesmo como uma forma de pertencer a um grupo, e por ele ser reconhecido. Como explica Kathia Castilho “Ao assumir que o captar o olhar do “outro” é uma estratégia de visibilidade essencial para o estabelecimento de uma relação interativa, a fim de se atingir um reconhecimento do sujeito como integrante de um sistema de relações e práticas sociais, buscamos referências no estudo das modalidades que estruturam o complexo regime de visibilidade. (...) ” (CASTILHO, 2009, p. 54).
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    41 Desta forma o mesmo signo (objeto) pode ter várias interpretações diferentes, de acordo com a história de vida de cada interpretante, e a cultura no qual o objeto é exposto, exemplo: O uso de mini-saias na cultura ocidental é visto como um traja normal, para ocasiões informais, porém na cultura mulçumana o uso de tal traje pode levar a morte da pessoa que á usa. Os interpretantes é quem determinam o significado do objeto, porém em alguns casos a interpretação é a mesma, exemplo disso é o símbolo de uma caveira em uma camisa que pode indicar para a maioria dos interpretantes: rebeldia ou identificação do usuário com um grupo social distinto (FIGURA 14). Figura 14: Camisa com estampa de caveira. Desta forma a moda possui inúmeros signos, e interpretações diferentes, onde o corpo é o veículo principal que propaga estas mensagens, e a sociedade são os interpretantes. Os signos da moda encontram-se presentes nas cores, formas, aviamentos e matéria prima, e sua existência só é possível mediante um ser que vê e interpretam estes signos, esta interpretação está ligada diretamente a psicologia do vestir, onde se conclui que a moda das tribos se diferencia pela atitude de cada um se expor perante a sociedade que distinguirá seu grupo. 2.2. Psicologia do vestir
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    42 Ao observar o mundo da moda, vemos que o ser humano se expressa através do vestir. A roupa chega a transmitir essências mais íntimas do indivíduo, que procura se identificar com o que usa e muitas vezes a vestimenta fala mais de nós do que as próprias palavras. A psicologia é o estudo da vida humana, que analisa a mente e o comportamento dos indivíduos. Segundo Linda L. Davidoff: “A psicologia (deriva de palavras gregas que significam “estudo da mente ou da alma”) é hoje em dia comumente definida como a ciência que estuda o comportamento e os processos mentais.” (DAVIDOFF, 1983, p.2). Para Umberto Eco a roupa serve, sobretudo para cobrir a nudez, mas não somente isso, precisa também saber o motivo de cada coisa que usamos. É claro que a roupa serve principalmente para nos cobrir com ela, mas basta fazer uma auto-análise, honesta, mesmo breve, para verificarmos que, no nosso vestuário, o que serve realmente para cobrir (para proteger do calor ou do frio e para ocultar a nudez que a opinião pública considera vergonhosa) não supera os cinqüenta por cento do conjunto. Os restantes cinqüenta por cento vão da gravata à bainha das calças, passando pelas bandas do casaco e chegando até as solas dos sapatos – e isso se nos detivermos ao nível puramente quantitativo, sem estender a investigação aos porquês de uma cor, de um tecido, de uma felpa ou de umas riscas em vez de um tecido ou de uma cor uniformes. (ECO, 1989, p.7) E para entender melhor o significado do vestir, existem afirmativas e estudos que falam que a roupa tem três papéis importantes, sendo eles: enfeite, pudor e proteção. Como explica John Carl Flügel: O psicólogo que se chegar ao problema das roupas, gozará de uma grande vantagem, que poderá poupar-lhe um longo e tedioso capítulo preliminar. Há praticamente uma concordância geral entre todos os que escrevem sobre o assunto no sentido de que as roupas servem a três finalidades principais: enfeite, pudor e proteção. (FLÜGEL, 1966, p.12) Cada uma dessas finalidades tem o seu papel importante na definição roupa. A proteção tem o objetivo de nos proteger de alguns agentes naturais que nos causam algum desconforto, tais como o frio ou o calor e o vento (FIGURA 15).
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    43 Figura 15: A roupa contra o frio tem o fim de proteção O enfeite é usado para realçar e destacar o aspecto físico e atrair para si, olhares que despertam curiosidade e admirações, onde o indivíduo fica ainda mais confiante, pois realça certas partes do corpo e tem a capacidade de chamar a atenção do sexo oposto. Já o pudor tem a função oposta do enfeite, ele tenta esconder a excelência física e iludir a atenção dos olhares alheios. Segundo o site “Aspecto Exterior Cristiano”: O pudor está relacionado a questão moral, os homens devem se vestir não somente para se proteger, mas também para cobrira nnudez. Pois originalmente Deus criou o homem coberto, mas desde que pecou, perdeu esta cobertura (Gênesis 3.7). Daí em diante existe a necessidade que as pessoas quando nascem devem ser cobertas. A nudez é símbolo de pecado e condenação, e quando a pessoa está vestida ela está representando a obra redentora de deus que em todas as escrituras é simbolizada como sendo vestes. O pudor constitui o fundamento deste conceito sobre as roupas, a razão número um pela qual as pessoas devem se vestir.17 John Carl Flügel afirma: A finalidade essencial do enfeite é embelezar a aparência física, de modo a atrair olhares admiradores de outros e fortalecer a auto-estima. A finalidade essencial do pudor é, se não exatamente o contrário, pelo menos diferente. O pudor tende a nos fazer ocultar as excelências físicas que possamos ter e geralmente nos impede de chamar a atenção de outros para nós mesmos. (FLÜGEL, 1966, p.15). 17 Fonte: http://aspectoexteriorcristiano.blogspot.com/2008/10/leis-da-indumentaria.html. Acesso em 21 de agosto de 2011.
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    44 Assim a roupa é harmonizada e suas três definições se juntam para dar ao mesmo tempo conforto, beleza, ousadia, sedução, segurança, sobriedade e proteção, e se separá-las pode interferir na harmonia existente entre elas. Ao analisar determinados grupos, observa-se que mesmo sendo grupos diferentes tais como os punks e patricinhas, ambos tentam mostrar à sociedade em uma forma mais ousada nos seus visuais, que hora tentam ocultar a própria personalidade ou se imporem a aceitar diversas mudanças, as vezes até radicais para se manterem como membros de determinado comportamento.
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    45 3. As tribosurbanas e as variações de grupos sociais O desenvolvimento do termo tribos urbana tem origem direta em 1980 com o movimento juvenil. Após a segunda guerra mundial os jovens começam a questionar vários comportamentos ditados pela sociedade, assim além da atitude e o pensamento, a forma de vestir destes adolescentes também se modifica. Desta forma surgem vários estilos diferentes de grupos sociais que procuram demonstrar através de suas roupas sua forma de pensar. Devido ao surgimento de vários grupos distintos a moda de rua se diversifica surgindo novas opções do modo de vestir. A liberdade torna-se cada vez mais essencial para os jovens. Através destas opções cabe a individualidade de cada um, distinguir e optar pelo estilo que melhor lhe representa. Segundo o historiador inglês Ted Polhemus, citado por Erika Palomino: “estamos diante de um “Supermercados de Estilo”, como se pudéssemos ter na prateleira diversas opções diferentes, onde caberia somente a nós fazermos as escolhas.” (PALOMINO, 2002, p. 45). Com o surgimento de alguns grupos como: Punks, Skinheads, Rappers, Patricinhas, Clubber, Roqueiros, e Hip-Hop, as ideologias, costumes, e gostos são separados por grupos, que em muitos casos não se misturam. Para estes grupos não bastava pensar diferente da sociedade, eles precisavam demonstrar seus pensamentos através do seu visual diferente e questionador, utilizando de suas roupas e de seu corpo como: tatuagem, cabelo entre outros. Outra característica destes grupos é a associação, e criação de ritmos musicais direcionados para eles servindo assim de fonte de inspiração. A roupa neste contexto ganha o papel de comunicação visual entre os grupos e a sociedade, podendo variar de país para país. Assim, a indumentária representa uma aliança entre os indivíduos e seu conceito ideológico, que está subtendido em cada detalhe escolhido. Desta maneira estes indivíduos começam a criar sua própria moda, ou modo de vestir.
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    46 Em muitos casos é possível distinguirmos esses grupos através de suas roupas e principalmente pelo seu comportamento social. Assim seria raro encontrar um jovem Punk vestido com cores vibrantes e alegres, pois em seu grupo a característica principal é o uso da cor preta. Para falarmos desses grupos ou subgrupos é necessário entender um pouco de suas ideologias, onde retrata melhor o surgimento e o comportamento perante a sociedade. Movimento Punk O movimento punk surgiu em meados de 1970 durante a guerra fria na Europa, o movimento foi mais forte em Londres na Inglaterra, onde os jovens devido ao desemprego e a violência se rebelaram, segundo o site “Tribo Punk” 18: Surgiu em meados de 1970, quando a Europa se encontrava na Guerra Fria. Jovens que eram marginalizados pela socedade, começaram a apresentar comportamentos agressivos e chocar pelo modo como agiam e se vestiam. Foi mais forte na Inglaterra, onde os jovens defendiam a anarquia, a liberdade individual e a rebeldia contra o sistema. Nos Estados Unidos, teve um contexto mais relacionado à diversão. Como começou em uma época em que havia muita desordem social, (especialmente na Inglaterra) com altas taxas de desemprego e de violência, os que buscavam uma forma de expressão social, aderiram à moda punk (principalmente os jovens). Além da ideologia questionadora, o rock dos anos de 1960 foi uma das grandes inspirações para o surgimento do movimento Punk, denominado como punk rock o movimento surge inicialmente nos Estados Unidos, com músicas de temas simples e letras críticas e toscas, assim ganharam as ruas e o respeito dos Jovens. Figura 16: Entrevistado: Filipe Prado e seus companheiros pertencentes ao grupo punk 18 Fonte:http://tribopunk-cotil-unicamp.blogspot.com/2009/11/punks-surgimento.html. Acesso em: 21 de agosto de 2011.
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    47 Algumas bandas serviram de inspiração para o movimento como: MC5, Ramones que com a proposta de uma música simples, aproximaram o rock dos jovens, assim ganharam o respeito e reforçaram o movimento. Outra referência importante para o movimento punk é a estilista Vivienne Westwood titulada a mãe do punk a designer nasceu em Derbyshire na Inglaterra. Na sua adolescência mudou-se para Londres onde se casou com Derek Westwood, pouco tempo após o casamento Vivienne separo-se do marido e começou uma vida totalmente nova. Cercada pelo clima rebelde, polêmico e ousado do final dos anos 60, Vivienne casou- se novamente com Malcolm McLaren, além de marido Malcolm tornou-se seu sócio, em 1970 abriram sua primeira loja chamada "Let It Rock" onde vendiam roupas e acessórios com inspiração rock and roll. Em 1972 sua loja passa a se chamar "Too Fast to Live, Too Young to Die", e mais tarde em 1974 sua marca denomina-se “Sex”. Com uma vida sempre cercada de questionamentos, suas roupas possuíam um visual ousado e agressivo. Suas coleções eram marcadas por motivos eróticos, fetichista, e com referências voltadas para o punk. Seu marido Malcolm torna-se produtor da banda Sex Pistols, uma das maiores influencias do movimento punk, fazendo com que a marca ficasse ainda mais conhecida pelo movimento, segundo a estilista seu estilo surgiu de maneira natural pois buscava se rebelar e provocar, assim criou-se a estética punk. Na década de 1980 a estilista se divorcia de Malcolm, vindo a morar na Itália onde casou-se novamente com Marc Andréas. Suas coleções são sempre inusitadas e críticas, e estão sempre ligadas aos acontecimentos do mundo, com uma identidade muito forte Vivienne tornou-se referência da moda inglesa. Desta forma a estilista contribuiu para o movimento punk e também para a moda em geral, pois alguns elementos usados por ela como inspiração tornaram-se características do visual punk como: t-shirts com frases questionadoras, couro, jeans rasgados entre outros, segundo o site “Brasil Escola”19: Os punks geralmente usam calças jeans justas, rasgadas, jaquetas de couro, coturnos, tênis converse, correntes, corte de cabelo moicano ou cabelo um pouco comprido. A moda Punk contrasta com a moda vigente e sempre 19 Fonte: http://www.brasilescola.com/sociologia/estilo-punk.htm. Acesso em: 21 de agosto de 2011.
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    48 apresenta elementos contestadores aos valores aceitos pela sociedade. Entre as características ideológicas podemos citar o anti-nazismo, o amor livre, a liberdade individual, o autodidatismo e o cosmopolismo. Outra forma de comunicação punk além da indumentária são as publicações feitas para manter o movimento atualizado, este meio de transmissão de idéias é considerado informal e são denominados fanzines, segundo o site “Revoltas e Rebeliões” 20: Os fanzines são bastante característicos desse movimento, que procura através do mesmo mostrar a visão politizada dos punks e a solidariedade com as camadas discriminadas perante a sociedade, um dos fanzines mais populares do movimento era o “Libertare”, um fanzine liderado por uma mulher anarco-feminista na cidade de João Pessoa - PB, que seguia adequadamente a ideologia, não tinha fins lucrativos, buscava levar informações do ponto de vista externo a mídia oficial, bem como denúncias e críticas ao sistema. No Brasil o movimento punk surge em São Paulo no final da década de 1970, e torna- se mais conhecido na década de 1980, o objetivo do grupo era questionar o regime militar (1964 a 1985). O movimento tornou-se defensor da idéia do liberalismo, entre outros conceitos. O grupo punk atualmente encontra-se dividido em vários subgrupos como: anarco- punk, kaos, independente, libertário entre outros. A maioria destes grupos são passivos, e com ideais de não violência. Porém, existe alguns rivalidades entre eles como o pós-punk que são agressivos, compartilham ideais racistas e são contra o comportamento homossexual. Patricinhas O termo denominado de Patricinhas teve sua origem nos Estados Unidos na década de 1990, este grupo social encontra-se em muitos casos nos grandes centros urbanos e convivem nas grandes sociedades (FIGURA 17). 20 Fonte: < http://revoltas-rebelioes.blogspot.com/2011/06/movimento-punk.html> Acesso em: 25 de outubro de 2011.
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    49 Figura 17: Luciana Silva de Belo Horizonte com o grupo de garotas “patricinhas” Denomina-se Patricinha garotas de classe média alta que visam a sua vaidade e o uso de roupas de marca, seu foco é geralmente o consumo, são meninas que tem seus luxos sustentados pelos pais e não se preocupam muito com gastos . Segundo o site “Sempre Tops”21 : As patricinhas já são mais antigas e surgiram nos Estados Unidos. Ficaram ainda mais conhecidas com o lançamento do filme “As patricinhas de Beverly Hills na década de 1990”. São garotas de classe média alta ou ainda classe alta que usam do poder em pró da futilidade e vaidade. A cor preferida dessa tribo é o rosa. Foi com a divulgação em massa do filme: “As patricinhas de Beverly Hills” na década de 1990, que o termo ficou conhecido de maneira popular. A película em 1995 e o seriado criado em 1996, serviram de inspiração para a criação dos looks usados por este grupo, como: o uso de conjuntos, acessórios, e principalmente o foco na cor rosa. O filme também influenciou no vocabulário das jovens da época, e estão presentes até os dias atuais como a expressão americana “as-if” em português “até parece”. O filme foi inspirado no livro Emma de Jane Austen, escrito e publicado em 1815, onde relata uma história semelhante ao roteiro da película, com a direção de Amy Heckerling. 21 Fonte: http://www.sempretops.com/informacao/tribos-urbanas-patricinhas-emos-e-goticos/. Acesso em: 03 de setembro de 2011.
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    50 Visto por muitos com certo preconceito e hostilidade, o grupo tem tido uma queda em sua popularidade, pois até as pessoas que se dizem patricinhas tem um certo receio em assumir sua condição. No Brasil, as patricinhas possuem basicamente as mesmas ideologias das americanas, porém devido à situação econômica do país elas são a minoria na sociedade. Assim, como muitos autores afirmam, estamos em uma sociedade efêmera e repleta de opções e ideologias diferentes, cada grupo social compartilha com os seus integrantes de uma maneira uniforme de vestir. Porém, mesmo dentro desses grupos, ou fora deles encontra-se uma variedade de estilos, que alimentam a moda e interage com o mundo. 3.1 A roupa como objeto de apresentação, mensagem e julgamento A roupa nos transmite inúmeras mensagens, ela nos trás alguns objetivos como vestir o corpo nu, que segundo Kathia Castilho, “(...) vestir-se, pois trata-se de uma das armas primárias da civilização: ninguém anda nu.” (CASTILHO, 2009, p.84). Além disso, a vestimenta é usada para decorar, enfeitar, seduzir e ocultar nossa verdadeira personalidade. Cada indivíduo usa a roupa por um motivo diferente do outro de acordo com cada grupo que se pertence, embora todos tem um único objetivo em comum: vestir o corpo nú. O indivíduo ao se vestir tem como objetivo ser identificado, compreendido e criar mensagens visuais da sua aparência que podem ser verdadeiras ou falsas. Nesta perspectiva, o conceito de aparência está nitidamente ligado a duas situações distintas: uma delas vincula-se à necessidade de o sujeito edificar uma imagem que corresponda a seus anseios, e a outra, por sua vez, à forma por intermédio da qual esse indivíduo é percebido. Considerando esses pressupostos teóricos- metodológicos, a aparência é um efeito de sentido que requer o exercício da percepção para apreender pelas ordens sensoriais o que se desnuda, o que pode ser desnudado e o que se mostra, ainda que escondido, camuflado – de acordo com a cultura. (CASTILHO, 2009, p.56,57) Alguns indivíduos se vestem de acordo com seu próprio estilo, e outros usam o que determinado grupo determina, isto, para mostrar quem realmente são ou até mesmo para
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    51 ocultar sua verdadeirapersonalidade, pois através da roupa se transmite imagens de códigos distintos. (...) há códigos coercitivos que instaram essa leitura. (...) Ao eleger esta ou aquela forma de se vestir. O ser humano entra num sistema de moda. Se ele segue padrões “modais” da época, ele afirma o “outro”, a alternativa, ao mesmo tempo que se põe como partícipe desse “outro”, desse grupo, que passa a ser o mesmo de sua própria identidade. Se ele, por outro lado, não segue padrões “modais” da época, ele nega o “outro”, a alteridade, ao mesmo tempo em que se afirma como o “diferente”, mas é justamente aí que se aprende a sua identidade. Em ambos os casos, ao se identificar ou não com o “outro”, esse sujeito é julgado: está e parece estar de acordo com o sistema imposto (verdade); parece estar, mas não está de acordo com o sistema imposto (mentira); está, mas não parece pertencer ao segmento de moda estipulado (segredo); não parece e não está de acordo com o sistema proposto (falsidade). (CASTILHO, 2009, p.88) O sujeito que observa pode ficar confuso ou ser enganado pelo indivíduo que é observado, ele rapidamente faz uma leitura visual da primeira aparência que o ser humano transmite com a vestimenta, mas essa leitura pode não ser exatamente real, somente quando se conhece melhor a pessoa, se percebe que o julgamento feito pela primeira impressão era falso ou não. (...) A imagem que um sujeito cria de se mesmo exprime-se, então, em codificações, em seu modo de parecer, de mostrar-se para ser visto (...) Considerando que “o homem é um animal que se baseia principalmente no seu sentido da visão”, é inicialmente por esse órgão dos sentidos que ocorre a apreensão de significações nas linguagens não-verbais (...) (CASTILHO, 2009, p. 81) Assim, é possível perceber que através da roupa, comportamento e atitude, cada indivíduo passa uma imagem diferente para o sujeito que observa, estes signos são interpretados de acordo com o contexto cultural e as convenções de cada comunidade. 3.2 Estudo de campo A pesquisa de campo realizada no período de 22/08/2011 à 02/09/2011 foi desenvolvida com o intuito de compreender e responder à seguinte problemática: “É possível fazer um julgamento correto do indivíduo através da indumentária?”
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    52 A investigação foi realizada com aproximadamente 50 pessoas residentes na cidade de Divinópolis (MG), e na capital Belo Horizonte. O método usado para pesquisa foi o questionário, feitos através de amostras aleatórias contendo respostas abertas e fechadas. Assim foi possível através das análises das respostas compreender e responder a problemática em questão. As pessoas que foram consultadas durante a pesquisa contribuíram para que fossem encontradas as seguintes análises: Perfil dos entrevistados: Sexo: 80% mulheres, 20% homens. Idade entre: 15 á 35. Grau de escolaridade: 60% superior incompleto, 16% superior completo, 16% ensino médio, 8% Fundamental. Renda pessoal: 40% de 500 á 1.000 40%de 1.000 á 3.000 05%de 3.000 á 5.000 15% Não possuem renda própria Localidade: 80% Divinópolis 20% Belo Horizonte Perfil de comportamento: Ao ser perguntado para as pessoas o que mais atraia sua atenção em outra pessoa, 70% responderam ser a roupa utilizada pela outra pessoa. 15% responderam ser o cabelo, e 15% disseram que observam o corpo. Característica de vestir Popular 40% 30% Básico Diferente 20% Fashion 5% 5% Outros
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    53 Pergunta: Você acreditaque sua roupa é capaz de mostrar quem você realmente é? 60% Sim. Para a maior parte dos entrevistados a roupa mostra um pouco de sua personalidade. 40% Não. As pessoas que optaram por esta resposta, justificaram que a roupa não é capaz de mostrar a pessoa verdadeiramente. Seu modo de vestir é  influenciado pelo seu humor? Não 30% Sim 70% Pergunta: Você considera que a roupa pode informar coisas sobre quem as veste? 90% sim 10% não Pergunta: Você já foi julgado ou mal interpretado pela roupa que estava vestido? 70% sim 30% não Pergunta: Você entregaria um caso judicial importante para um advogado vestido com trajes casuais? (calça jeans e camisa com estampa localizada) Sim 75% sim 25% não Pergunta: Você acredita que fatores apresentados pela roupa como: marca estilo e cores, podem influenciar no julgamento de cada pessoa. 85% Sim 15% não
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    54 Ao ver uma garota vestida com roupas de marca, carregando várias sacolas no período da tarde em um dia de semana, qual leitura você faria desta garota? Acreditam ser uma  5% garota que estava  trabalhando, e na sua  folga resolveu fazer  compras. 95% Acreditam ser uma  garota com uma  situação financeira  mais favorecida, que  está fazendo  compras. Pergunta: Você acredita que a roupa tem o poder de representar algo que não somos? 95% sim 05% não Observação: Em muitos questionários foram encontradas respostas similares que justificassem a opção pela resposta SIM, pois para muitos a interpretação feita através da roupa não foi condizente com a realidade. Foram citados casos pessoais como o uso de roupas curtas, ou a vontade de representar ser alguém que não se é através da roupa. Pergunta: Você já interpretou alguém pela roupa e depois descobriu que a pessoa não era compatível com seu primeiro julgamento? 95% sim 5% não Observação: Nesta questão houve muitos comentários que ressaltaram o julgamento feito pelas aparências, e não pela índole da pessoa, para muitos entrevistados já houve alguém que fez um julgamento errado sobre eles, como também já fizeram um julgamento errado sobre alguém.
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    55 Através da coleta dos dados referente à pesquisa e a análise da mesma, foi possível chegar à conclusão de que alguns conceitos da indumentária não mudaram. Para a sociedade contemporânea a roupa continua vista como um objeto de comunicação. É através dela que fazemos os primeiros julgamentos sobre nossos semelhantes. Como foi possível ser observado as pessoas são influenciadas não somente pela visão, mas também pelas convenções sociais que ditam as regras para que seja comprida assim qualquer pessoa que se vista diferente de uma convenção, ou imagem previamente estabelecida pela sociedade, estará sujeito a julgamentos incorretos sobre sua personalidade. De acordo com os entrevistados, existem alguns códigos do vestir que ditam certas interpretações como no caso das patricinhas. Na pesquisa feita, 95% das pessoas associaram que as roupas de marca e o excesso das compras, estão direcionados ao comportamento somente neste grupo, por serem tão impulsivos nos investimentos físicos, que delimitam onde comprar, pois vivem em um mundo de “fantasias” onde se importam somente com a aparência. Desta forma podemos afirmar que a roupa é capaz de apresentar de maneira clara para as outras pessoas uma imagem, interpretada rapidamente. Porém, em muitos casos, estas imagens não são compatíveis com a realidade, um grande exemplo estão em casos onde as pessoas são enganadas por bandidos que se veste com ternos para praticar diversos crimes, outra situação é julgar que o simples fato de se vestir diferente, ou tentar questionar a sociedade através da roupa, à pessoa possa ser de índole duvidosa. Assim, além de comunicação, a indumentária também pode ser uma máscara social, onde os seres humanos podem representar ser o que eles não são.
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    56 CONCLUSÃO O presente trabalho: “Moda e Comunicação: estudo de caso da interpretação da indumentária dos grupos urbanos “punks” e “patricinhas””, apresentou temas como: moda e comunicação, semiótica, psicologia, antimoda, convenções sociais, tribos urbanas entre outros, visando responder a seguinte problemática: É possível fazer um julgamento correto do indivíduo através da indumentária? Através da pesquisa de alguns autores, e também pala análise de campo realizada em Divinópolis e Belo Horizonte no ano de 2011, foi possível entender o tema proposto e responder a problemática em questão. Quando tentamos definir o significado de moda existem várias definições possíveis. Para muitos moda é o que está nas ruas, ou nas peças ditadas por certos desfiles ou meios de comunicação, porém, esta seria apenas uma maneira superficial de entender o assunto, as roupas produzidas pela indústria da moda não são apenas uma maneira de cobrir o corpo nu, existem vários significados que integram a roupa e faz dela um veículo de comunicação social. Vários fatores interferem para a leitura de cada peça de roupa, e consequentemente das pessoas que as veste. A cor, tecido, modelagem, estrutura, tamanho, e o contexto social, podem ajudar a fazermos algumas leituras sobre as pessoas em nossa volta. Assim quais são os fatores determinantes para que as pessoas escolham certas peças de roupa e optem por algumas cores em especial? Esta resposta está diretamente ligada a cada estilo, e sobre a individualidade de cada pessoa, e principalmente a sua adesão a um grupo social. Essa escolha peculiar na qual denominamos de estilo, também nos ajuda a fazer as leituras de cada pessoa. Os grupos urbanos em questão escolhem uma maneira singular de vestimenta, que os caracterizam e tornam-se distintos. Cada grupo possui algo em particular que os diferencia do modo social convencional. No caso dos Punks, o “fazer você mesmo” é uma das doutrinas do grupo. Assim em muitos casos são feitas alterações nas roupas, ou a criação da mesma, para que cada peça fique customizada. Além de não seguir as imposições
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    57 da moda, elespreferem criar seu próprio estilo. Desta forma é possível distingui-los de outros grupos como das Patricinhas, onde na maioria dos casos o consumo de roupas do Prêt- à- Porter de marca é uma das características deste grupo. Através desta pesquisa realizada ficou comprovado que 90% dos entrevistados acreditam que as roupas podem informar coisas sobre quem as veste. Assim, a indumentária faz do corpo humano um veículo de informação. Ao fazer uma leitura rápida de nossos semelhantes através da roupa basta alguns segundos para sabermos se nosso companheiro está indo a alguma festa de gala, ou trabalhar. É possível também saber o estado emocional, um pouco de sua personalidade e principalmente identificar o grupo social que o individuo pertence. Estas leituras estão relacionadas às convenções sociais, e o contexto cultural de cada localidade. Pois, o que para alguns povos pode significar algo, para outros pode ser interpretado de maneira diferente. Ao perguntar se é possível fazer uma leitura correta do indivíduo através da indumentária, pode-se concluir que não. Esta resposta torna-se complexa, pois a indumentária pode ser considerada a extensão do próprio ser. Porém, devido às convenções sociais as leituras feitas pelos interpretantes nem sempre condizem com a realidade, desta forma a indumentária é capaz de transmitir várias mensagens, que podem ser verdadeiras ou falsas. Além de vestir, a roupa também pode ser um meio de mascarar, pois através da pesquisa, 95% dos entrevistados acreditam que a roupa tem o poder de representar algo que não somos. Devido a estes enganos proporcionados pela roupa, em muitos casos os indivíduos são julgados pelo que vestem. Assim em muitos casos ocorre enganos e preconceitos, pelo simples modo de como estão vestidos. Como o olhar capta a informação e transforma em interpretação, as pessoas são analisadas pelo que estão vestindo. Na pesquisa de campo, 95% dos entrevistados disseram
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    58 que já interpretaramalguém pela roupa e depois descobriu que a pessoa não era compatível com seu primeiro julgamento. Porém, isto não quer dizer que todas as pessoas utilizam a roupa como representação, apenas afirma que as escolhas são baseadas nas convenções sociais, ou imposições de certos grupos, e que nem sempre a utilização de roupas de couro preta e coturno quer dizer que a pessoa pertence ao grupo punk, ou que a utilização do rosa e roupas de marca seja uma indicação de uma patricinha. Pois, existe uma grande variedades de estilo oferecida no mercado de moda, desta forma uma mesma pessoa pode se vestir de maneira diferente a cada dia.
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    59 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Livros: BANARD, Malcolm,1958. Moda e Comunicação. Rio de Janeiro: Rocco, 2003. BOLLON, Patrice. A Moral da Máscara: Merveilleux, Zazous, Dândis, Punks, etc. 1.ed. Rio de Janeiro: Rocco, 1993. CASTILHO, Kathia. Moda e Linguagem. 2.ed. São Paulo: Anhembi Morumbi, 2009. CIDREIRA, Renata Pitombo. Os Sentidos da Moda: Vestuário, Comuncação e Cultura). 2.ed. São Paulo: Annablume, 2005. DAVIDOFF, Linda L. Introdução à Psicologia. São Paulo: MC Graw – Hill do Brasil, 1983. ECO, Humberto; SIGURTÁ, Renato; LIVOLSI, Marino; ALBERONE, Francesco; DPRFLES, Gillo; LOMAZZI, Giorgio. Psicologia do Vestir. 3.ed. Lisboa: Assirio e Alvim, 1989. FLÜGEL, John Carl. A Psicologia das Roupas. 1.ed. São Paulo: Mestre Jou, 1966 GOLDFEDER, Miriam. A Teoria dos Signos: semiose e autogeração. 1.ed. São Paulo: Ática, 1995. LAVER, James. A Roupa e a Moda: uma história concisa. 1.ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1989. LIPOVETSKY, Gilles. O Império do Efêmero: a moda e seu destino nas sociedades modernas. São Paulo: Companhia das Letras, 1989. PALOMINO, Erika. A Moda. 1.ed. São Paulo:Publifolha, 2002. RIOS, Dermival Ribeiro. Mini dicionário Escolar da Língua Portuguesa. São Paulo: DCL, 1999. SANTAELLA, Lúcia. O que é Semiótica. 1.ed. São Paulo:Brasiliense, 2005. Sites: Brasil Escola – Estilo punk. Disponível em: <http://www.brasilescola.com/sociologia/estilo- punk.htm> Acesso em 26 de agosto de 2011. CENEP: Centro de Estudos Psicológicos. Disponível em: <http://www.pucsp.br/pos/cos/cepe/semiotica/semiotica.htm#4>. Acesso em: 01 de maio de 2011.
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    60 Conexão Jovem TV.2011. Disponível em: < http://espacojovem.net/conexao-jovem-tv- 160411/> Acesso em 02 de maio de 2011. FERRAZ, Queila. Sobre Dândis e Antimoda Masculina. 2002. Disponível em: <http://www.fashionbubbles.com/historia-da-moda/sobre-dandis-e-antimoda-masculina/> Acesso em: 21 de abril de 2011. JORNALISMO E LINGUAGEM. A Semiótica de Peirce. Disponível em: <http://www.jorwiki.usp.br/gdmat06/index.php/A_Semi%C3%B3tica_de_Peirce>. Acesso em: 01 de maio de 2011. NAVES, Mariana. A anti-moda que faz a moda. Disponível em: <http://www.netcult.com.br/netcult.qps/Ref/QUIS-867CJA>. Acesso em 22 de abril de 2011. O Signo Semiótico – Na Perspectiva de Charles Sanders Peirce. Disponível em: <http://pt.scribd.com/doc/11451925/O-SIGNO-SEMIOTICO-NA-PERSPECTIVA-DE- CHARLES-SANDERS-PEIRCE> Acesso em 07 de maio de 2011. Revoltas e Rebeliões – Movimento punk. Disponível em: <http://revoltas- rebelioes.blogspot.com/2011/06/movimento-punk.html> Acesso em: 26 de agosto de 2011. Semiótica da Cultura. Disponível em: <http://www.pucsp.br/pos/cos/cultura/semicult.htm> Acesso em: 01 de maio de 2011. Sempre tops – Tribos urbanas patricinhas, emos e góticos. Disponível em: <http://www.sempretops.com/informacao/tribos-urbanas-patricinhas-emos-e-goticos/> Acesso em 26 de agosto de 2011. Spiner portal para jovens – Evolução ou moda na vestimenta da cultura Hip-Hop. Disponível em: <http://www.spiner.com.br/modules.php?name=News&file=article&sid=1044> Acesso em: 26 de agosto de 2011. Técnicas Psicoterapêuticas. Disponível em: <http://tecnicaspsicoterapeuticas.vilabol.uol.com.br/semiologia.html> Acesso em : 01 de maio de 2011. Vivienne Westwood e a cultura punk rock. Disponível em: http://www.flue.com.br/blog/?p=6000. Acesso em: 19 de outubro de 2011.
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    61 Vivienne Westwood – A mãe do punk. Disponível em: <http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/mulher-historia-vivienne-westwood/mulher- vivienne-westwood.php>. Acesso em: 19 de setembro de 2011.
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    63 VIVIENNE WESTWOOD -A MÃE DO PUNK Firme em suas convicções, a criadora britânica não abre mão de ser arrojada e de pincelar as suas coleções com deliciosas referências punk. "Hoje as pessoas querem ser rebeldes, mas eu não acho que haja espaço para elas, porque a única e verdadeira rebeldia está relacionada a ideias, e não houve nenhuma ideia no século XX. Hoje em dia, tudo é ditado pela indústria de massa e pela propaganda. Minha moda não é para todos - você precisa ter algo de muito forte em sua personalidade para querer vestir minhas roupas.” Vivienne Isabel Swire, nascida em Derbyshire, Inglaterra, aos 17 anos, mudou-se para Londres e algum tempo depois passou a dar aulas de inglês e casou-se com Derek Westwood, um diretor de uma escola de dança, com quem teve seu primeiro filho. Influenciada pelo clima rebelde e liberal do final dos anos 60, a até então pacata mãe de família terminou seu casamento e iniciou uma viagem por uma vida completamente nova, pautada por muita polêmica e ousadia.
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    64 Vivienne conheceu MalcolmMcLaren, que tornou-se rapidamente seu segundo marido. McLaren era um crítico do movimento flower power, pois o considerava sem sentido e comercial. Juntos, em 1970, buscaram nos anos 50 a inspiração para a criação de sua primeira loja, chamada "Let It Rock" e localizada no número 430 da Kings Road. Lá, eles vendiam objetos e roupas que lembravam Elvis Presley e o rock and roll original da época. Com McLaren, a designer teve seu segundo filho, Joseph Corre, que atualmente é dono de uma das lojas de lingerie mais famosas de Londres, a Agent Provocateur.Westwood é sem dúvida alguma, uma das figuras mais importantes e reconhecidas do design britânico. Começou então a criar suas próprias roupas, pensando nos que vivem à margem da sociedade, negros e rockers. Em 1972, a loja passou a chamar-se "Too Fast to Live, Too Young to Die". Em suas coleções destacavam-se as peças em couro, t-shirts com estampas eróticas, motivos africanos, entre outros. Somente em 1974, sua loja já com o novo nome "SEX" trazia inspirações fetichistas, t-shirts rasgadas e aviamentos representativos do movimento punk. Nessa época, Malcolm havia se tornado produtor da banda punk mais influente da época, os Sex Pistols, também vestidos pela estilista. "...na época, não me via como estilista. Procurávamos motivos de rebelião para provocar o stablishment. O resultado dessa procura foi a estética punk". Em meados da década de 80 ela se divorcia e muda-se para a Itália, passando a dar aulas na Academia de Artes Aplicadas de Viena, onde conhece seu atual marido Marc Andréas. Em 1981, Vivienne cria então sua primeira coleção, Pirates, apresentando looks com cortes inspirados nos séculos XVII e XVIII, romantismo vitoriano muito explorado pela estilista anos depois. Em 1987 fez sua primeira coleção para o público masculino mostrando muito erotismo. O estilo escocês virou um padrão em suas coleções, normalmente ironizado, com a criação de roupas femininas sensuais e coquetes. Nunca perdeu sua identidade e sempre se mostrou atenta aos acontecimentos do mundo lançando roupas inusitadas, como uma camiseta com a frase “Não sou terrorista, por favor, não me prenda”, feita em edição limitada protestando contra as duvidosas leis anti-terroristas adotadas pelo governo inglês depois dos ataques em Londres no ano de 2005. Vivienne é o centro da moda inglesa há 34 anos, influencia gostos, pessoas e atitudes. Seu sucesso proporcionou uma retrospectiva no Museu Victoria & Albert de Londres com exibição com 150 peças e passagens significativas de sua vida e carreira. Foi apontada no livro Chic Savage como uma das seis melhores estilistas do mundo, e como estilista do ano duas vezes. Aos 64 anos ganhou o titulo de Lady da Rainha Elizabeth II.
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    65 Clique para Ampliar Contra o consumismo A roupa da marca Westwood é cara, mas segundo ela significa um investimento. "Compre uma coisa muito boa e não continue sempre a comprar." Ela recomenda: "Se tem dinheiro suficiente, faça-o durar. Aconselho as pessoas a procurarem arte e com isso vão deixar de consumir todo esse lixo; penso que se pode fazer o mesmo com as roupas." Quer fazendo campanha contra o consumismo, a favor dos direitos humanos ou ainda exibindo as partes íntimas (ficou famosa por revelar tudo quando recebeu a Ordem do Império Britânico em 1992 e em 2006, depois de ser feita dama, ao dizer de novo que não levava calcinhas), Westwood tem o dom de provocar controvérsia. Elaborou um manifesto sobre a natureza da cultura e das artes, que apresentou no Hay Festival, e fez uma campanha incansável pela libertação do activista Leonard Peltie, do American Indian Movement (AIM). Na verdade, as suas convicções são tão sérias que a tornam vulnerável a críticas, sendo por vezes rotulada com a etiqueta de "excêntrica e louca". http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/mulher-historia-vivienne-westwood/mulher-vivienne-westwood.php Vivienne Westwood e a cultura Punk Rock Enviado na categoria Linguagem. em quinta-feira, 6 outubro, 2011 por Jú Brasil OUT 06 Muita gente conhece o visual agressivo e fora dos padrões de Vivienne Westwood, uma das mais renomadas estilistas da atualidade.
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    66 O que nemtodos sabem é que Vivienne e seu sócio na década de 70, Malcom Mc Laren, foram peças fundamentais para a disseminação ou popularização da cultura punk ao criarem o “uniforme” dos Sex Pistols, banda a qual Mc Laren era empresário e que foi uma das principais representantes do Punk Rock.
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    67 Vivienne Westwood eMc Laren, conseguiram traduzir para o mundo da moda a DIY esthetic, ou a ideologia do “do it yourself”, prerrogativa máxima do comportamento punk que tinha como base o anticonsumismo e um visual sexualmente explícito com roupas rasgadas e maltratadas. Neste cenário, bandas punks surgiram criando suas músicas sozinhas, produzindo e distribuindo seus próprios álbuns e se apresentando em porões ou em seus próprios apartamentos. Tudo isso para evitar patrocinadores e para garantir a liberdade de expressão. Mas a escola do “faça você mesmo” não parava por aí. Ela se aplicava também a fatos rotineiros como aprender a consertar a própria moto ou plantar uma horta dentro de casa. No vestuário, os punks remodelavam, costuravam e modificavam suas velhas roupas ao invés de comprar novas. Vivienne Westwood sempre interessada em atitudes de rebelião iniciou seu trabalho como estilista fazendo Teddy Boy Colthes para Mc Laren, estilo da subcultura britânica da década de 50 e 70 representado tipicamente por homens briguentos que usavam roupas inspiradas na era eduardiana (início do século 20).
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    68 Em 1971, Westwoode Mc Laren abriram sua primeira loja “ Let it Rock” na Kings Road em Londres. Em 1972 Vivienne desenvolveu interesse por roupas para motoqueiros com zíperes e muito couro. A loja foi renomeada como “Too fast to live, to young to die”. Westwood e Mc Laren também começaram a desenhar camisas com mensagens provocativas. Malvistos por suas produções ousadas eles mudaram o nome da loja novamente e começaram a criar peças ainda mais subversivas como vestuários sexuais e feitichistas. A loja foi intitulada “Sex” com o debochado slogan “ Rubberwear for the Office”. E em 1976, ano em que os Sex Pistols estouraram no cenário musical punk, a loja foi mais uma vez reformulada, transformando tiras de couro e zíperes feitichistas na moda com inspiração na estética “Do it yourself”. O que a mídia difundiu na época como cultura Punk Rock. A então renomeada “Seditionaires” foi o epicentro da moda punk no final da década de 70, ajudando a difundir a ideologia e o comportamento de quem participava do movimento.
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    69 Westwood mudou onome de sua loja mais uma vez com o fim do movimento punk. Antes de entrar de vez para o mundo da alta costura, em 1980, a loja foi renomeada World´s End, nome que permanece até os dias de hoje no endereço 430, Kings Road, em Londres. A loja, ainda sob o comando de Vivienne é hoje a única loja de Westwood que exibe uma coleção com peças de seus acervos selecionadas pessoalmente por Vivienne Westwood com o intuito de oferecer sempre, artigos diferentes e exclusivos, que fogem das tendências vistas de forma incansável nas passarelas de todo o mundo. Tudo isso em um ambiente com todas as raizes da estilista londrina mais subversiva de todos os tempos.
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    70 Alfinetes, patches, lençosno pescoço, calças jeans rasgadas, calças justas, bottons de bandas punk e de protesto, jaquetas de couro com rebites e mensagens nas costas, coturnos, correntes e cabelo moicano são os principais elementos que passaram, com a ajuda do trabalho de Vivienne e Mc Laren, a definir o estilo punk. Foi assim que ironicamente, mesmo na cultura punk anticonsumista, o visual “ Do it yourself” se consagrou como um dos grandes movimentos de moda do século 20. http://www.flue.com.br/blog/?p=6000
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    71 Punks - Surgimento Surgiu em meados de 1970, quando a Europa se encontrava na Guerra-Fria. Jovens que eram marginalizados pela sociedade, começaram a apresentar comportamentos agressivos e chocar pelo modo como agiam e se vestiam. Foi mais forte na Inglaterra, onde os jovens defendiam a anarquia, a liberdade individual e a rebeldia contra o sistema. Nos Estados Unidos, teve um contexto mais relacionado à diversão. Como começou em uma época em que havia muita desordem social, (especialmente na Inglaterra) com altas taxas de desemprego e de violência, os que buscavam uma forma de expressão social,aderiram à moda punk (principalmente os jovens.) Tem uma ideologia que abomina qualquer poder autoritário e defende a liberdade de expressão. Sua utopia é de que não haveria autoridades para governar, nenhum homem governaria o outro. O Punk foi também baseado em estilos musicais e moda. Em relação à música, as bandas, realizavam shows vestidos como travestis e com canções de até três minutos (em uma época onde os solos duravam pelo menos dez minutos). Os Ramones introduziram músicas de até um minuto e fizeram surgir o estilo bubblegum, com músicas rápidas, de acordes simples e letras cotidianas. Vestuário Têm uma aparência desleixada e na maioria das vezes, eles próprios customizam suas roupas. São rasgadas, desfiadas, com bolsos à mostra, remendadas por alfinetes e normalmente são pretas. Usam também casacos de couro, correntes, cortes de cabelos diferentes e coloridos e maquiagem preta. Nos shows que frequentam, normalmente ocorrem brigas, perfomances exageradas das bandas (como crítica social) e suas músicas sempre foram repudiadas pela sociedade, por serem sarcásticas e críticas.
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    72 POSTADO POR JULIANNAÀS 13:20 http://tribopunk-cotil-unicamp.blogspot.com/2009/11/punks-surgimento.html sexta-feira, 24 de junho de 2011 Movimento Punk
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    73 1-AS ORIGENS Punk era uma gíria estadunidense, que designava sujo, sem valor, desmoralizada e coisas do tipo. O movimento punk no Brasil surgiu no início da década de 80, na cidade de São Paulo, mais precisamente nas áreas suburbanas e do grande ABC, motivos não faltaram para o surgimento desse movimento, que repudia fascismo, racismo, sexismo e autoritarismo, pois nessa época o país vivia uma ditadura sufocante, forte onda de desemprego e o inconformismo social eram mostrados através da música e da rebeldia. Na época fanzines que expressavam o anti-capitalismo eram bastante comuns, o que chocava demais a sociedade conservadora e burguesa. O corpo e os trajes também eram bastante usados contra essa sociedade conservadora, como por exemplo, as roupas rasgadas pichadas com símbolos anarquistas ou socialistas, buttons, alfinetes, correntes, os cabelos coloridos com moicanos enormes e espetados, tudo isso era uma forma de expressão que fugia totalmente dos padrões da moda e consumo. O movimento vindo da Inglaterra foi adaptado à realidade do nosso país, onde a juventude se via sem futuro e oprimida pelo estado. 2-QUEM PRÁTICA E SEGUE O MOVIMENTO? Como já dito no início o movimento punk surgido nos anos 80, tinha uma forte ideologia, na época haviam punks bastante politizados, bandas como Inocentes, Garotos Podres, Ratos de Porão, Cólera, Olho Seco, Restos do Nada, atraiam milhares de pessoas que viam na música e no visual uma forma de contestar. Nos dias atuais a ideologia está um pouco escassa, o punk está virando modismo. Dificilmente nos deparamos com punks que seguem a verdadeira ideologia do movimento, sem contar que atualmente o movimento se dividiu em facções: anarco, sub, kaos, independente, libertário, entre tantas outras, criando determinada rivalidade dentro do próprio movimento, criando assim uma onda de violência entre os próprios. O movimento ainda não está morto, apenas decadente. A rebeldia politizada de um punk dos anos 80 foi substituída pelo modismo alienado do “punk” do século XXI. 3-PARTICULARIDADES DO MOVIMENTO O movimento punk tem suas particularidades, como por exemplo, o Do it yourself (faça você mesmo) e o No proft(sem lucros), onde exigem muito rigor no cumprimento das devidas “regras” que são a base do movimento. Essas expressões mostram a postura anticapitalista, antimidiática e anticomercial, características essas singulares do movimento punk. Os fanzines são bastante característicos desse movimento, que procura através do mesmo mostrar a visão politizada dos punks e a solidariedade com as camadas discriminadas perante a sociedade, um dos fanzines mais populares do movimento era o “Libertare”, um fanzine liderado por uma mulher anarco-feminista na cidade de João Pessoa - PB, que seguia adequadamente a ideologia, não tinha fins lucrativos, buscava levar informações do ponto de vista externo a mídia oficial, bem como denúncias e críticas ao sistema. O visual com certeza é o que mais chama a atenção no movimento, esse visual além de ser um dos primeiros elementos da cultura punk, permanece desde o seu nascimento. Cada cor e cada peça, ao contrário de que muitos pensam, têm um significado dentro da ideologia, analisaremos cada uma delas: -uso da cor preta: representa a existencialismo e o anarquismo. -jaquetas de couro, braceletes, pulseiras, calças rasgadas (adornadas com alfinetes, correntes, pregos, etc.): tem uma forte influência sadomasoquista e vem justamente com o intuito de chocar a sociedade com muita agressividade. -cabelos moicanos: era um corte de cabelo usado pelos índios siuoxs, extinto povo estadunidense. -cabelos coloridos e espetados, bem como o próprio moicano: vem bater de frente com a estética imposta pela sociedade de consumo. -buttons: é um meio de comunicação punk posta na própria roupa, já que geralmente trazem uma mensagem, seja ela o símbolo do anarquismo, do comunismo e muitas vezes até do nazismo, rostos de ídolos revolucionários (Che Guevara, Marx, etc.) também fazem parte desse meio de propagar a ideologia. BIBLIOGRAFIA: CALAFA, Janice. O movimento punk na cidade: a invasão dos bandos sub. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1985. ABRAMO, Helena. Cenas juvenis: punks e darks no espetáculo urbano. São Paulo: Página Aberta, ANPOCS, 1994. http://revoltas-rebelioes.blogspot.com/2011/06/movimento-punk.html Felpe Prado
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    74 Felipa Prado eAndreize Amaral Felipe Prado e Graziele Mileib