MARIOLOGIA
Mariologia - Juniorato
ANUNCIO DO ANJO A MARIA.mp4
1. Quais os sinais, gestos e
práticas devocionais que
manifestam a presença de Maria na
Religiosidade Popular em
Moçambique?
2. Quem é Maria na sua vida como
Irmã de Notre Dame?
“Quem salva é Deus e não
Maria. Maria era humana e,
consequentemente, não
pode salvar ninguém”
Maria é uma figura COMPLEXA, que precisa ser
considerada a partir das seguintes questões:
Maria enquanto modelo de fé.
Maria mãe.
Maria mulher.
Maria imagem simbólica.
Maria a mulher histórica e a mulher da fé.
A ambiguidade da religiosidade popular
em torno de Maria.
O culto a Maria na liturgia da Igreja.
Maria no Ecumenismo.
Figura
RELACIONAL IGREJA
CRISTO
ANTROPOLOGIA Criação
MARIA
Reflexão teológica sobre Maria
BÍBLIA
DOGMAS
CULTO A MARIA
Muito embora o culto (ou devoção) vá à frente
da Teologia
Maria na Bíblia
1º Testamento
Textos de caráter “pré-mariológicos”
Gn 3,14-15 – Narra a luta entre a serpente e
a mulher.
Is 7,14 – “Uma jovem concebeu e dará à
luz um filho...”
Mq 5,1-2 – “De Belém sairá... o Messias”
MARIA NO NOVO TESTAMENTO
O NT é a única fonte histórica. Paulo e
Marcos parecem ser desinteressados em
relação à Maria. Paulo não cita nenhuma vez
Maria e nem faz menção à concepção virginal
de Maria.
Lucas é o que mais fala, juntamente com
Mateus, apesar dos enfoques diferenciados.
João faz sua referência dentro de uma
compreensão teológica diferente.
EVOLUÇÃO DA MARIOLOGIA NO NT
1. Fase OCULTA: para Marcos, Maria é uma figura ainda
sem perfil definido e sem relevância. Ela é definida
apenas pelos laços de sangue. (Mc 6,3) Possível razão:
proximidade histórica
2. Fase ALUSIVA: Paulo faz apenas uma
referência indireta a Maria (Gl 4,2).
3. Fase POSITIVA: Mateus e Lucas. Para Mt Maria é toda
relativa ao Messias. Mt insere plenamente a Virgem no
Plano da Salvação.
Para Lc, Maria é já uma “personalidade” consciente e
livre, com uma consciência e um rosto próprio. O livro
de Atos dos Apóstolos também só cita a Virgem uma vez
(At 1,14).
4. Fase de APROFUNDAMENTO: João.
Para este a Mãe de Jesus é uma figura de
grande relevância teológica: a nova “mulher”, a
Mãe da fé (Caná) e dos fiéis (Cruz), a Mulher
cósmica (Ap 12) – lido desde a perspectiva
mariológica.
Em seguida, tanto na história dos dogmas
como na piedade eclesial, a mariologia ganhou
um desenvolvimento extraordinário.
I - Gl 4,4-5 – é o primeiro texto que se
refere à Maria, é o texto mais importante
“Quando, porém, chegou a plenitude do
tempo, Deus enviou o seu Filho. Ele nasceu de
uma mulher, submetido à Lei, para resgatar
aqueles que estavam submetidos à lei, a fim
de que fôssemos adotados como filhos”.
II – Maria e sua família em Marcos
Encontramos no Evangelho de Marcos duas notícias sobre Maria. São elas:
> a notícia que fala de Maria como
membro fazendo parte da parentela de
Jesus, em 3,31-35
> e de um momento da vida pública de
Jesus, quando ele pregava em Nazaré,
sua cidade natal, e aqui Maria, sua mãe,
é apenas citada para mostrar as origens
humildes de Jesus, em 6,1-6
III – MARIA EM MATEUS
> o Evangelho da Infância: capítulos 1 e 2
> o Ministério público de Jesus: Mt 12,46-50
– A família de Jesus e Mt 13,53-58 – Jesus
rejeitado na sua terra
IV - MARIA EM LUCAS
A PERFEITA DISCÍPULA, MULHER DE FÉ
ANUNCIAÇÃO – 1,26-38
A VISITAÇÃO – 1,39-45
O MAGNIFICAT – 1,46-55
O NASCIMENTO – 2,1-7
Narração simples. Nasce em Belém. Jesus vem
partilhando a condição de pobre, envolvido em
panos e colocado num estábulo.
E VISITA DOS PASTORES – 2,8-20
Texto lindo, transparece a alegria.
APRSENTAÇÃO NO TEMPLO – 2,22-35
Os judeus tinham três ritos:
+ aos 8 dias – circuncisão
+ aos 40 dias – consagração
do primogênito e purificação da mãe
+ aos 12 anos – declaração de
maior idade.
Lucas mostra que Maria e José
fazem parte do povo fiel, cumprindo
os costumes e preceitos religiosos.
Sociologicamente pertencem aos
pobres, oferecem um par de rolas ou
pombinhos (Lv 12,6-8; 5,7).
O ENCONTRO DE JESUS NO TEMPLO – 2,41-52
O menino Judeu aos 12-13 anos torna-se
maduro e responsável. Assume a obrigação
de observar a lei de Moisés
v.48 – Maria toma a palavra. José fica
calado. A resposta de Jesus é dura. Lucas
antecipa a ruptura de Jesus para com os
laços familiares, a fim de se dedicar à causa
do Reino.
MARIA NA COMUNIDADE EM ORAÇÃO – Atos 1,14
Lucas quer mostrar a continuidade entre Jesus, os
discípulos e a Igreja. Maria é parte integrante da Igreja e
está ligada à sua missão. Ela é colocada como um
membro da comunidade-mãe de Jerusalém. Maria Mãe
da Igreja.
Para Lucas, Maria é a única pessoa
presente nos três períodos da
história da salvação.
•Participa da condição dos pobres
de Javé do antigo Israel.
•Faz parte do grupo dos seguidores
de Jesus, sendo o exemplo de
discípulo que escuta, medita e põe
em prática a proposta de Jesus.
•Por fim, inaugura o tempo da Igreja
em Pentecostes.
MARIA NO QUARTO EVANGELHO -
COMPANHEIRA E MÃE DA COMUNIDADE
MARIA EM CANÁ – Jo 2,1-12
A oração da Ave-Maria no universo bíblico
Ave, cheia de graça
O Senhor está contigo!
Você é bendita entre as mulheres
E é bendito o fruto do seu ventre
Santa Maria, Mãe de Deus
Rogai por nós pecadores
Agora e na hora de nossa morte
Amém.
Lc 1,28 a
Lc 1,28 b
Lc 1,42 a
Lc 1,42 b
Concílio de Éfeso, em 431
Reflexo de João 2,3.5
1ª parte saudação do Anjo Gabriel a Maria
2ª parte Isabel exulta de alegria com a visita de Maria
3ª parte dominicano Pedro Negri (1483) assumiu os
elementos do Dogma da maternidade divina.
MARIA AO PÉ DA CRUZ – Jo 19,25-27
MARIA NO APOCALIPSE – Ap 12
MARIA NA FÉ
CRISTÃ
Itinerário dogmático da Mariologia
Os Dogmas
• O termo “dogma” provém da língua
grega, e significa “opinião” e
“decisão”.
• No Novo Testamento, é empregado
no sentido de decisão comum sobre
uma questão, tomada pelos apóstolos
(cf. At 15,28).
• Os Padres da Igreja, antigos
escritores eclesiásticos, usavam
dogma para designar o conjunto dos
ensinamentos e das normas de Jesus
e também uma decisão da Igreja.
Os Dogmas
Aos poucos a Igreja, com o auxílio dos
teólogos e pensadores cristãos,
esclareceu o sentido de dogma.
Na linguagem atual do Magistério e da
Teologia, o ‘dogma’ é uma doutrina na
qual a Igreja, quer com um juízo solene,
mediante o magistério ordinário e
universal, propor de maneira definitiva
uma verdade revelada, em uma forma
que obriga o povo cristão em sua
totalidade, de modo que sua negação é
repelida como heresia e estigmatizada
com anátema” (Marcelo Semeraro, professor de teologia).
Os Dogmas
• “Na Igreja, os dogmas são
importantes, porque ajudam os
cristãos a se manterem fiéis na fé
verdadeira do cristianismo.
• “Os dogmas são como placas que
indicam o caminho de nossa fé.
Foram criados para ajudar a gente
a se manter no rumo do Santuário
vivo, que é Jesus”.
(CNBB. Com Maria, Rumo ao Novo Milênio. pág. 81).
Os Dogmas Marianos
Referentes a Maria, a Igreja
Propõe quatro dogmas:
Maternidade Divina
Virgindade Perpétua
Imaculada Conceição
Assunção ao Céu
Constituem verdades que os cristãos
aceitam, aprofundam e vivenciam na
comunidade de fé.
THEOTOKOS
•Aos 22 de junho de 431, o
Concílio de Éfeso definiu
explicitamente a
maternidade divina de Nossa
Senhora. Assim o Concílio se
expressou: “Que seja
excomungado quem não
professar que o Emanuel é
verdadeiramente Deus e,
portanto, que a Virgem Maria
é verdadeiramente Mãe de
Deus, pois deu à luz segundo
a carne aquele que é o
Verbo de Deus”.
Dogma
explicitamente
Cristológico
THEOTOKOS
A intenção do Concílio de Éfeso era a de afirmar a
unidade da pessoa de Cristo.
Reconhecer Maria como Mãe de Deus (“Theotokos”)
significa, na verdade, professar que Jesus Cristo, Filho
da Virgem Santíssima segundo a geração humana, é
Filho de Deus.
Quanto ao nascimento de Jesus haviam três
tendências:
1. Grupos de influência judaica: aceitavam o
nascimento de Jesus como fato real, mas
tinham dificuldades de reconhecer nele o Filho
de Deus (Cristo nasceu meramente humano e
depois foi adotado como Filho de Deus).
2. Com base no dualismo da cultura grega:
acentuava o aspecto miraculoso do nascimento
de Jesus, para mostrar que ele não era
plenamente humano. Os docetas e os
gnósticos não podiam aceitar que o Cristo
divino se visse sujeito a um nascimento
humano.
Assim, “negavam que Cristo tivesse um
verdadeiro corpo humano, ou, se tivesse, que
este corpo fosse nascido de uma mulher, ou
se assim fosse, tivesse vindo verdadeiramente
da sua carne e do seu sangue.
Os gnósticos afirmavam que Jesus “passou
através de Maria como a água por um tubo”,
ou a luz atravessa uma fresta. Jesus teria
vindo ao mundo “pela virgem Maria, mas não
da virgem Maria”.
A Maternidade de Maria é compreendida,
portanto, no contexto do mistério da encarnação
do Filho de Deus, que traz consequências para
toda a humanidade.
3. A Patrística: insistia no aspecto real do
nascimento de Jesus, reconhecendo ao mesmo
tempo a sua singularidade. Afirma-se claramente
que Jesus era filho de Maria e fruto de suas
entranhas (Lc 1,42), e que Maria era sua mãe
verdadeira e natural.
O Concílio de Calcedônia (451) precisou
ainda mais o sentido de “theotókos”:
Maria é mãe de Deus, segundo a
humanidade:
“Todos, a uma voz, ensinamos que se deve confessar a um só e
mesmo Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, ele mesmo perfeito na
divindade e na humanidade, verdadeiramente Deus e
verdadeiramente homem, engendrado pelo Pai antes dos séculos
quanto à divindade, e o mesmo, nos últimos dias, por nós e por
nossa salvação, engendrado de Maria Virgem, Mãe de Deus quanto
à humanidade; que se há de reconhecer a um só e mesmo Cristo
Filho Senhor unigênito em duas naturezas, sem confusão, sem
mudança, sem divisão, sem separação, em modo algum apagada a
diferença das naturezas por causa da união”.
Mãe de Deus
• Deus, na pessoa de Jesus e por meio
de Maria, entrou em nossa história.
Assumiu tudo o que é humano, menos
o pecado. A maternidade divina
também faz de Maria a nova Eva. Em
cada mulher, Deus deixa transparecer
seu rosto. Por fim, por meio desta
maternidade divina, Jesus nos assume
como irmãos, o que faz de Maria a mãe
de todos os viventes.
Antropologicamente, o que o
dogma nos diz?
Maternidade divina, Mãe de Deus:
A expressão Mãe de Deus remete ao Verbo
de Deus que, na Encarnação, assumiu a
humildade da condição humana, para
elevar o homem à filiação divina. Proclama
também a nobreza da mulher e sua
altíssima vocação. Deus trata Maria como
pessoa livre e responsável, e não realiza a
Encarnação de seu Filho senão depois de
ter obtido o seu consentimento
O povo se alegrou tanto que levou os
bispos do Concílio para suas casas e
festejaram a proclamação do dogma
mariano. A maternidade divina de
Nossa Senhora é peça-mestra da
teologia marial
SENTIDO DO DOGMA DA MATERNIDADE DIVINA
A maternidade divina
não tirou de Maria
sua condição
humana, na condição
de perfeita discípula.
Não foi elevada a
categoria de deusa!
Maria também quer ser o lado feminino, maternal de Deus Pai.
Em relação a Jesus: Maria acolhe a Palavra
do Pai de forma tão intensa e radical que, em
virtude da graça, esta Palavra se transforma
num “outro concreto ser humano”: seu Filho
Jesus. Mas a relação ímpar com Jesus não
se esgota no fato biológico de dar à luz.
Maria é a educadora de Jesus, numa relação
de ensinar e aprender. Ela entrega a vida
pelo Filho, como mãe e discípula.
“Mais feliz foi
Maria no acolher
a fé de Cristo que
no conceber a
carne de Cristo”.
Santo Agostinho
Em relação ao Espírito Santo:
Deve-se evitar a identificação do Espírito
como a dimensão feminina
e materna de Deus.
Maria tem uma relação especial com o Espírito.
É mãe porque é transparente ao Espírito Santo,
o mesmo que age tanto na concepção virginal
de Jesus como na constituição da Igreja em
Pentecostes.
Maria nos ajuda a contemplar o mistério da
Trindade e como nos relacionar com ele.
Sentido antropológico:
O fato de Maria ser a genitora do Filho de Deus
significa que o movimento da graça divina de
nos elevar à condição de filhos de Deus passa
pelo processo dele se solidarizar com a nossa
condição humana.
“Na figura de Maria resplandece a dignidade
da criatura humana, chamada a participar da
comunicabilidade do Amor divino. Não
simplesmente a argila nas mãos do oleiro,
mas o colaborador e interlocutor” (B. Forte).
A maternidade divina não
é um privilégio de Maria,
mas diz respeito a todos
os cristãos. Todos nós
temos parte na função
materna de acolher a
Deus no coração,
encarnar e mediar sua
presença no mundo.
Todos os cristãos têm
uma participação,
pequena e na
maternidade divina de
Maria.
MARIA MÃE DE DEUS NO DIÁLOGO ECUMÊNICO
O dogma da maternidade divina é o que mais
encontra consenso entre as Igrejas Cristãs. Tem
base bíblica sólida e a sua formulação vem de um
concílio ecumênico, aceito por muitos.
O problema para o diálogo ecumênico se coloca
quando os católicos proclamam a “maternidade
espiritual” de Maria, ou a “mediação materna”
de Maria como uma constante na Igreja de hoje.
O catolicismo entende a mediação
materna de Maria como serviço
permanente à condição humana
cristã. Ela não substitui a de Cristo,
não eleva orgulhosamente o ser
humano, nem subestima a soberania
da Palavra de Deus. A maternidade
espiritual de Maria é puro serviço,
oferta, trilha que aponta e conduz
para o único caminho: Jesus (Jo
14,6). Mas, concretamente, na vida
dos fiéis e movimentos eclesiais,
apresenta o risco de perder a sua
centralidade em Cristo, se envolvida
por triunfalismos.
Dogma:
Virgindade
perpétua
Conferindo as Sagradas Escrituras e
os escritos dos Santos Padres, o
Concílio de Latrão preconizou como
verdade a Virgindade Perpétua de
Maria no ano 649. Durante o
Concílio, o Papa Martinho I assim
afirmou: “Se alguém não confessa de
acordo com os santos Padres,
propriamente e segundo a verdade,
como Mãe de Deus, a santa, sempre
virgem e imaculada Maria, por haver
concebido, nos últimos tempos, do
Espírito Santo e sem concurso viril
gerado incorruptivelmente o mesmo
Verbo de Deus, especial e
verdadeiramente, permanecendo
indestruída, ainda depois do parto,
sua virgindade, seja condenado”.
Virgindade
perpétua
Nossa Senhora foi sempre
Virgem, isto é, antes do parto, no
parto e depois do parto. Os
diversos credos e concílios
antigos retomaram e afirmaram
essa verdade. Santo Inácio de
Alexandria, São Justino, Santo
Irineu, Santo Epifrânio, Santo
Efrém, Santo Ambrósio, São
Jerônimo, Tertuliano e Santo
Agostinho foram os exímios
defensores da Virgindade de
Maria. A Virgindade Perpétua de
Maria faz parte integrante da fé
cristã.
Virgindade Perpétua
• Toda a vida de Maria foi uma total
disponibilidade aos desígnios de Deus; sua
virgindade é o resultado de sua consagração
total ao Senhor, o que faz de Maria exemplo
para os que querem ser somente do Senhor,
não sendo mais do mal.
Em Maria, começa o processo de renovação
e purificação de todo o povo, pois Ela,
imaculada, é modelo para a salvação que
teremos. Assim, Ela é toda de Deus, protótipo do
que somos chamados a ser.
Em Maria e em nós age a mesma graça de
Deus. Se nela Deus pôde realizar seu projeto,
poderá realizá-lo em nós também.
Fundamentos Bíblicos
• Cristo nasceu de uma mulher, para provar que era
homem. Nasceu de uma Virgem, para ficar claro que
Ele era Deus.
• Lucas 1,26-27
• "Estando Isabel no sexto mês, foi enviado por Deus o
anjo Gabriel a uma cidade da Galiléia, chamada
Nazaré, a uma virgem desposada com um varão,
chamado José, da casa de Davi. E o nome da
Virgem era Maria" (Lc 1,26-27).
O que dogma nos diz?
Virgindade Perpétua
Castidade de vida, castidade de propósitos,
castidade matrimonial, valor da castidade como
conduta pré-nupcial, castidade de atos e moral,
castidade na fé.
O anjo do Senhor não pede a Maria que permaneça
virgem; Ela é que livremente revela a sua intenção
de virgindade. Neste empenho se coloca a sua
opção de amor, que a leva a se dedicar totalmente
ao Senhor com uma vida virginal.
ALGUMAS CONSIDERAÇÕES:
1. A concepção virginal é um dado bíblico incontestável.
Mateus e Lucas coincidem nos seguintes aspectos:
> Não é José que engendra Jesus (Mt 1,16.18-25; Lc
1,31.34s; 3,24).
> Jesus é engendrado realmente (Mt 1,20; Lc 1,35), a forma
passiva do verbo (= “foi concebido”) esconde o sujeito da
ação, para mostrar o caráter transcendente da origem
paterna de Cristo.
> Maria é a única origem humana de Jesus, como virgem
que se faz mãe (Mt 1,16-25; Lc 1,27.35).
> A origem divina não se refere ao Pai, culturalmente
identificado como princípio masculino, mas ao Espírito
Santo. Exclui-se qualquer modelo teogâmico, de união sexual
de um ser humano com deuses, como aparece na mitologia
grega e de outros povos orientais.
QUESTÕES ATUAIS SOBRE O DOGMA DA
VIRGINDADE
> O dogma da virgindade de Maria apresenta reais
dificuldades de compreensão. Deve ser
reinterpretado, mas não negado.
> Este dogma não é o principal dogma mariano, nem
muito menos o mais importante no conjunto dos
dogmas cristãos.
Deve-se diferenciar os três níveis do dogma. A
virgindade no parto é menos importante que a
concepção virginal, e deve se livrar de mesquinhas
questões biológicas, como saber se houve ou não
rompimento do hímen no momento do nascimento
de Jesus.
No que se refere à discussão sobre esse tema na
teologia contemporânea, ela tem sido difícil. O que
se pode dizer é que:
“Escapam-nos os conhecimentos sobre
os processos concretos ocorridos por
ocasião do nascimento de Jesus. Mas foi
um nascimento verdadeiro. Não foi como
os nascimentos comuns, pois, à diferença
deles, aquele de Jesus não pressupõe
relação sexual prévia. O nascimento
corresponde à natureza de quem estava
nascendo, Jesus, que é a um tempo
homem e Deus. Houve um verdadeiro
nascimento bem como uma plena
maternidade” (L. Boff, “O rosto Materno
de Deus”, pg. 159)
SIGNIFICADO TEOLÓGICO DO DOGMA DA
VIRGINDADE
1. Cristológico
A concepção virginal sinaliza que Jesus
é um ser verdadeiramente novo, dom
gratuito e inexigível de Deus, nova
criação no Espírito. Não se trata de uma
demonstração, mas de um sinal
eloquente da graça de Deus.
2. Sentido Salvífico.
A concepção virginal revela que Deus escolhe meios
pobres para realizar a salvação (1 Cor 1,17-25). A
virgindade de Maria, considerada maldição pelos
judeus, foi abraçada por ela como forma de pobreza
(Lc 1,48). A encarnação-redenção vem a nós na
disponibilidade ao dom de Deus. A impotência do
corpo virgem de Maria é figura da pobreza da
humanidade para realizar sua própria salvação sem
a graça divina.
3. Sentido Existencial
A virgindade de Maria é expressão de sua
consagração total a Deus, “de corpo e alma”. Não é
a única forma de se entregar radicalmente a Deus,
mas apresenta sentido ímpar.
4. Sentido Antropológico
A virgindade de Maria ilumina a questão sobre quem
é o ser humano diante de Deus: um terreno virgem e
inexplorado, onde tudo pode acontecer. A pessoa
humana, em Maria, chegou ao ponto máximo de
plasmar em suas entranhas o próprio Deus.
Este dogma pode ajudar a superar preconceitos
machistas e rigoristas, que identificam o corpo da
mulher como lugar de tentação e desvio. Ele
“declara a mulher para sempre como espaço
afirmativo onde o Espírito do Altíssimo pode pousar
e fazer morada”.
Nascendo de uma virgem, Deus evidenciou o novo
começo da humanidade: “Por um lado procede da
terra, mediante Maria, por outro irrompe do céu e da
terra, o princípio de uma humanidade, enfim liberta
do pecado e da morte e introduzida na união plena
com Deus” (L Boff, “O Rosto Materno de Deus, pg.
162).
Virgindade não significa hostilidade
contra o sexo e o matrimônio. A exemplo
de Maria, é ser criativo e fértil no amor, e
deste modo a virgindade cristã apresenta
uma característica maternal, gerando
obras de serviço. A virgindade de Maria é
a realização de uma atitude fundamental
proposta a todo homem, isto é, a da total
disponibilidade e acolhida. Nessa total
doação a Deus e aos irmãos é que o
homem encontra a sua libertação.
Imaculada
Conceição
• A afirmação da Imaculada
Conceição de Maria pertence à
fé cristã. É um dogma da Igreja
que foi definido após longa
história de reflexão e de
amadurecimento.
• Imaculada Conceição de Maria
significa que ela foi preservada
do pecado original desde o
primeiro instante de sua
existência.
• Ela foi concebida sem a mancha
do pecado original.
Proclamado pelo Papa Pio IX, no século XIX, através da
Bula Ineffabilis Deus, em 8/12/1854.

Maria - estudo e reflexao aolongo da historia.

  • 1.
  • 2.
    ANUNCIO DO ANJOA MARIA.mp4
  • 3.
    1. Quais ossinais, gestos e práticas devocionais que manifestam a presença de Maria na Religiosidade Popular em Moçambique? 2. Quem é Maria na sua vida como Irmã de Notre Dame?
  • 4.
    “Quem salva éDeus e não Maria. Maria era humana e, consequentemente, não pode salvar ninguém”
  • 5.
    Maria é umafigura COMPLEXA, que precisa ser considerada a partir das seguintes questões: Maria enquanto modelo de fé. Maria mãe. Maria mulher. Maria imagem simbólica. Maria a mulher histórica e a mulher da fé. A ambiguidade da religiosidade popular em torno de Maria. O culto a Maria na liturgia da Igreja. Maria no Ecumenismo.
  • 6.
  • 7.
    Reflexão teológica sobreMaria BÍBLIA DOGMAS CULTO A MARIA Muito embora o culto (ou devoção) vá à frente da Teologia
  • 8.
  • 9.
    1º Testamento Textos decaráter “pré-mariológicos” Gn 3,14-15 – Narra a luta entre a serpente e a mulher. Is 7,14 – “Uma jovem concebeu e dará à luz um filho...” Mq 5,1-2 – “De Belém sairá... o Messias”
  • 10.
    MARIA NO NOVOTESTAMENTO O NT é a única fonte histórica. Paulo e Marcos parecem ser desinteressados em relação à Maria. Paulo não cita nenhuma vez Maria e nem faz menção à concepção virginal de Maria. Lucas é o que mais fala, juntamente com Mateus, apesar dos enfoques diferenciados. João faz sua referência dentro de uma compreensão teológica diferente.
  • 11.
    EVOLUÇÃO DA MARIOLOGIANO NT 1. Fase OCULTA: para Marcos, Maria é uma figura ainda sem perfil definido e sem relevância. Ela é definida apenas pelos laços de sangue. (Mc 6,3) Possível razão: proximidade histórica 2. Fase ALUSIVA: Paulo faz apenas uma referência indireta a Maria (Gl 4,2). 3. Fase POSITIVA: Mateus e Lucas. Para Mt Maria é toda relativa ao Messias. Mt insere plenamente a Virgem no Plano da Salvação. Para Lc, Maria é já uma “personalidade” consciente e livre, com uma consciência e um rosto próprio. O livro de Atos dos Apóstolos também só cita a Virgem uma vez (At 1,14).
  • 12.
    4. Fase deAPROFUNDAMENTO: João. Para este a Mãe de Jesus é uma figura de grande relevância teológica: a nova “mulher”, a Mãe da fé (Caná) e dos fiéis (Cruz), a Mulher cósmica (Ap 12) – lido desde a perspectiva mariológica. Em seguida, tanto na história dos dogmas como na piedade eclesial, a mariologia ganhou um desenvolvimento extraordinário.
  • 13.
    I - Gl4,4-5 – é o primeiro texto que se refere à Maria, é o texto mais importante “Quando, porém, chegou a plenitude do tempo, Deus enviou o seu Filho. Ele nasceu de uma mulher, submetido à Lei, para resgatar aqueles que estavam submetidos à lei, a fim de que fôssemos adotados como filhos”.
  • 14.
    II – Mariae sua família em Marcos Encontramos no Evangelho de Marcos duas notícias sobre Maria. São elas: > a notícia que fala de Maria como membro fazendo parte da parentela de Jesus, em 3,31-35 > e de um momento da vida pública de Jesus, quando ele pregava em Nazaré, sua cidade natal, e aqui Maria, sua mãe, é apenas citada para mostrar as origens humildes de Jesus, em 6,1-6
  • 15.
    III – MARIAEM MATEUS > o Evangelho da Infância: capítulos 1 e 2 > o Ministério público de Jesus: Mt 12,46-50 – A família de Jesus e Mt 13,53-58 – Jesus rejeitado na sua terra
  • 16.
    IV - MARIAEM LUCAS A PERFEITA DISCÍPULA, MULHER DE FÉ
  • 17.
  • 18.
  • 19.
  • 20.
    O NASCIMENTO –2,1-7 Narração simples. Nasce em Belém. Jesus vem partilhando a condição de pobre, envolvido em panos e colocado num estábulo.
  • 21.
    E VISITA DOSPASTORES – 2,8-20 Texto lindo, transparece a alegria.
  • 22.
    APRSENTAÇÃO NO TEMPLO– 2,22-35 Os judeus tinham três ritos: + aos 8 dias – circuncisão + aos 40 dias – consagração do primogênito e purificação da mãe + aos 12 anos – declaração de maior idade. Lucas mostra que Maria e José fazem parte do povo fiel, cumprindo os costumes e preceitos religiosos. Sociologicamente pertencem aos pobres, oferecem um par de rolas ou pombinhos (Lv 12,6-8; 5,7).
  • 23.
    O ENCONTRO DEJESUS NO TEMPLO – 2,41-52 O menino Judeu aos 12-13 anos torna-se maduro e responsável. Assume a obrigação de observar a lei de Moisés v.48 – Maria toma a palavra. José fica calado. A resposta de Jesus é dura. Lucas antecipa a ruptura de Jesus para com os laços familiares, a fim de se dedicar à causa do Reino.
  • 24.
    MARIA NA COMUNIDADEEM ORAÇÃO – Atos 1,14 Lucas quer mostrar a continuidade entre Jesus, os discípulos e a Igreja. Maria é parte integrante da Igreja e está ligada à sua missão. Ela é colocada como um membro da comunidade-mãe de Jerusalém. Maria Mãe da Igreja.
  • 25.
    Para Lucas, Mariaé a única pessoa presente nos três períodos da história da salvação. •Participa da condição dos pobres de Javé do antigo Israel. •Faz parte do grupo dos seguidores de Jesus, sendo o exemplo de discípulo que escuta, medita e põe em prática a proposta de Jesus. •Por fim, inaugura o tempo da Igreja em Pentecostes.
  • 26.
    MARIA NO QUARTOEVANGELHO - COMPANHEIRA E MÃE DA COMUNIDADE MARIA EM CANÁ – Jo 2,1-12
  • 27.
    A oração daAve-Maria no universo bíblico Ave, cheia de graça O Senhor está contigo! Você é bendita entre as mulheres E é bendito o fruto do seu ventre Santa Maria, Mãe de Deus Rogai por nós pecadores Agora e na hora de nossa morte Amém. Lc 1,28 a Lc 1,28 b Lc 1,42 a Lc 1,42 b Concílio de Éfeso, em 431 Reflexo de João 2,3.5 1ª parte saudação do Anjo Gabriel a Maria 2ª parte Isabel exulta de alegria com a visita de Maria 3ª parte dominicano Pedro Negri (1483) assumiu os elementos do Dogma da maternidade divina.
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    MARIA AO PÉDA CRUZ – Jo 19,25-27
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    MARIA NA FÉ CRISTÃ Itineráriodogmático da Mariologia
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    Os Dogmas • Otermo “dogma” provém da língua grega, e significa “opinião” e “decisão”. • No Novo Testamento, é empregado no sentido de decisão comum sobre uma questão, tomada pelos apóstolos (cf. At 15,28). • Os Padres da Igreja, antigos escritores eclesiásticos, usavam dogma para designar o conjunto dos ensinamentos e das normas de Jesus e também uma decisão da Igreja.
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    Os Dogmas Aos poucosa Igreja, com o auxílio dos teólogos e pensadores cristãos, esclareceu o sentido de dogma. Na linguagem atual do Magistério e da Teologia, o ‘dogma’ é uma doutrina na qual a Igreja, quer com um juízo solene, mediante o magistério ordinário e universal, propor de maneira definitiva uma verdade revelada, em uma forma que obriga o povo cristão em sua totalidade, de modo que sua negação é repelida como heresia e estigmatizada com anátema” (Marcelo Semeraro, professor de teologia).
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    Os Dogmas • “NaIgreja, os dogmas são importantes, porque ajudam os cristãos a se manterem fiéis na fé verdadeira do cristianismo. • “Os dogmas são como placas que indicam o caminho de nossa fé. Foram criados para ajudar a gente a se manter no rumo do Santuário vivo, que é Jesus”. (CNBB. Com Maria, Rumo ao Novo Milênio. pág. 81).
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    Os Dogmas Marianos Referentesa Maria, a Igreja Propõe quatro dogmas: Maternidade Divina Virgindade Perpétua Imaculada Conceição Assunção ao Céu Constituem verdades que os cristãos aceitam, aprofundam e vivenciam na comunidade de fé.
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    THEOTOKOS •Aos 22 dejunho de 431, o Concílio de Éfeso definiu explicitamente a maternidade divina de Nossa Senhora. Assim o Concílio se expressou: “Que seja excomungado quem não professar que o Emanuel é verdadeiramente Deus e, portanto, que a Virgem Maria é verdadeiramente Mãe de Deus, pois deu à luz segundo a carne aquele que é o Verbo de Deus”. Dogma explicitamente Cristológico
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    THEOTOKOS A intenção doConcílio de Éfeso era a de afirmar a unidade da pessoa de Cristo. Reconhecer Maria como Mãe de Deus (“Theotokos”) significa, na verdade, professar que Jesus Cristo, Filho da Virgem Santíssima segundo a geração humana, é Filho de Deus.
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    Quanto ao nascimentode Jesus haviam três tendências: 1. Grupos de influência judaica: aceitavam o nascimento de Jesus como fato real, mas tinham dificuldades de reconhecer nele o Filho de Deus (Cristo nasceu meramente humano e depois foi adotado como Filho de Deus). 2. Com base no dualismo da cultura grega: acentuava o aspecto miraculoso do nascimento de Jesus, para mostrar que ele não era plenamente humano. Os docetas e os gnósticos não podiam aceitar que o Cristo divino se visse sujeito a um nascimento humano.
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    Assim, “negavam queCristo tivesse um verdadeiro corpo humano, ou, se tivesse, que este corpo fosse nascido de uma mulher, ou se assim fosse, tivesse vindo verdadeiramente da sua carne e do seu sangue. Os gnósticos afirmavam que Jesus “passou através de Maria como a água por um tubo”, ou a luz atravessa uma fresta. Jesus teria vindo ao mundo “pela virgem Maria, mas não da virgem Maria”.
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    A Maternidade deMaria é compreendida, portanto, no contexto do mistério da encarnação do Filho de Deus, que traz consequências para toda a humanidade. 3. A Patrística: insistia no aspecto real do nascimento de Jesus, reconhecendo ao mesmo tempo a sua singularidade. Afirma-se claramente que Jesus era filho de Maria e fruto de suas entranhas (Lc 1,42), e que Maria era sua mãe verdadeira e natural.
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    O Concílio deCalcedônia (451) precisou ainda mais o sentido de “theotókos”: Maria é mãe de Deus, segundo a humanidade: “Todos, a uma voz, ensinamos que se deve confessar a um só e mesmo Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, ele mesmo perfeito na divindade e na humanidade, verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem, engendrado pelo Pai antes dos séculos quanto à divindade, e o mesmo, nos últimos dias, por nós e por nossa salvação, engendrado de Maria Virgem, Mãe de Deus quanto à humanidade; que se há de reconhecer a um só e mesmo Cristo Filho Senhor unigênito em duas naturezas, sem confusão, sem mudança, sem divisão, sem separação, em modo algum apagada a diferença das naturezas por causa da união”.
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    Mãe de Deus •Deus, na pessoa de Jesus e por meio de Maria, entrou em nossa história. Assumiu tudo o que é humano, menos o pecado. A maternidade divina também faz de Maria a nova Eva. Em cada mulher, Deus deixa transparecer seu rosto. Por fim, por meio desta maternidade divina, Jesus nos assume como irmãos, o que faz de Maria a mãe de todos os viventes.
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    Antropologicamente, o queo dogma nos diz? Maternidade divina, Mãe de Deus: A expressão Mãe de Deus remete ao Verbo de Deus que, na Encarnação, assumiu a humildade da condição humana, para elevar o homem à filiação divina. Proclama também a nobreza da mulher e sua altíssima vocação. Deus trata Maria como pessoa livre e responsável, e não realiza a Encarnação de seu Filho senão depois de ter obtido o seu consentimento
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    O povo sealegrou tanto que levou os bispos do Concílio para suas casas e festejaram a proclamação do dogma mariano. A maternidade divina de Nossa Senhora é peça-mestra da teologia marial
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    SENTIDO DO DOGMADA MATERNIDADE DIVINA A maternidade divina não tirou de Maria sua condição humana, na condição de perfeita discípula. Não foi elevada a categoria de deusa!
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    Maria também querser o lado feminino, maternal de Deus Pai. Em relação a Jesus: Maria acolhe a Palavra do Pai de forma tão intensa e radical que, em virtude da graça, esta Palavra se transforma num “outro concreto ser humano”: seu Filho Jesus. Mas a relação ímpar com Jesus não se esgota no fato biológico de dar à luz. Maria é a educadora de Jesus, numa relação de ensinar e aprender. Ela entrega a vida pelo Filho, como mãe e discípula.
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    “Mais feliz foi Mariano acolher a fé de Cristo que no conceber a carne de Cristo”. Santo Agostinho
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    Em relação aoEspírito Santo: Deve-se evitar a identificação do Espírito como a dimensão feminina e materna de Deus. Maria tem uma relação especial com o Espírito. É mãe porque é transparente ao Espírito Santo, o mesmo que age tanto na concepção virginal de Jesus como na constituição da Igreja em Pentecostes. Maria nos ajuda a contemplar o mistério da Trindade e como nos relacionar com ele.
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    Sentido antropológico: O fatode Maria ser a genitora do Filho de Deus significa que o movimento da graça divina de nos elevar à condição de filhos de Deus passa pelo processo dele se solidarizar com a nossa condição humana. “Na figura de Maria resplandece a dignidade da criatura humana, chamada a participar da comunicabilidade do Amor divino. Não simplesmente a argila nas mãos do oleiro, mas o colaborador e interlocutor” (B. Forte).
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    A maternidade divinanão é um privilégio de Maria, mas diz respeito a todos os cristãos. Todos nós temos parte na função materna de acolher a Deus no coração, encarnar e mediar sua presença no mundo. Todos os cristãos têm uma participação, pequena e na maternidade divina de Maria.
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    MARIA MÃE DEDEUS NO DIÁLOGO ECUMÊNICO O dogma da maternidade divina é o que mais encontra consenso entre as Igrejas Cristãs. Tem base bíblica sólida e a sua formulação vem de um concílio ecumênico, aceito por muitos. O problema para o diálogo ecumênico se coloca quando os católicos proclamam a “maternidade espiritual” de Maria, ou a “mediação materna” de Maria como uma constante na Igreja de hoje.
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    O catolicismo entendea mediação materna de Maria como serviço permanente à condição humana cristã. Ela não substitui a de Cristo, não eleva orgulhosamente o ser humano, nem subestima a soberania da Palavra de Deus. A maternidade espiritual de Maria é puro serviço, oferta, trilha que aponta e conduz para o único caminho: Jesus (Jo 14,6). Mas, concretamente, na vida dos fiéis e movimentos eclesiais, apresenta o risco de perder a sua centralidade em Cristo, se envolvida por triunfalismos.
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    Dogma: Virgindade perpétua Conferindo as SagradasEscrituras e os escritos dos Santos Padres, o Concílio de Latrão preconizou como verdade a Virgindade Perpétua de Maria no ano 649. Durante o Concílio, o Papa Martinho I assim afirmou: “Se alguém não confessa de acordo com os santos Padres, propriamente e segundo a verdade, como Mãe de Deus, a santa, sempre virgem e imaculada Maria, por haver concebido, nos últimos tempos, do Espírito Santo e sem concurso viril gerado incorruptivelmente o mesmo Verbo de Deus, especial e verdadeiramente, permanecendo indestruída, ainda depois do parto, sua virgindade, seja condenado”.
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    Virgindade perpétua Nossa Senhora foisempre Virgem, isto é, antes do parto, no parto e depois do parto. Os diversos credos e concílios antigos retomaram e afirmaram essa verdade. Santo Inácio de Alexandria, São Justino, Santo Irineu, Santo Epifrânio, Santo Efrém, Santo Ambrósio, São Jerônimo, Tertuliano e Santo Agostinho foram os exímios defensores da Virgindade de Maria. A Virgindade Perpétua de Maria faz parte integrante da fé cristã.
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    Virgindade Perpétua • Todaa vida de Maria foi uma total disponibilidade aos desígnios de Deus; sua virgindade é o resultado de sua consagração total ao Senhor, o que faz de Maria exemplo para os que querem ser somente do Senhor, não sendo mais do mal. Em Maria, começa o processo de renovação e purificação de todo o povo, pois Ela, imaculada, é modelo para a salvação que teremos. Assim, Ela é toda de Deus, protótipo do que somos chamados a ser. Em Maria e em nós age a mesma graça de Deus. Se nela Deus pôde realizar seu projeto, poderá realizá-lo em nós também.
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    Fundamentos Bíblicos • Cristonasceu de uma mulher, para provar que era homem. Nasceu de uma Virgem, para ficar claro que Ele era Deus. • Lucas 1,26-27 • "Estando Isabel no sexto mês, foi enviado por Deus o anjo Gabriel a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré, a uma virgem desposada com um varão, chamado José, da casa de Davi. E o nome da Virgem era Maria" (Lc 1,26-27).
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    O que dogmanos diz? Virgindade Perpétua Castidade de vida, castidade de propósitos, castidade matrimonial, valor da castidade como conduta pré-nupcial, castidade de atos e moral, castidade na fé. O anjo do Senhor não pede a Maria que permaneça virgem; Ela é que livremente revela a sua intenção de virgindade. Neste empenho se coloca a sua opção de amor, que a leva a se dedicar totalmente ao Senhor com uma vida virginal.
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    ALGUMAS CONSIDERAÇÕES: 1. Aconcepção virginal é um dado bíblico incontestável. Mateus e Lucas coincidem nos seguintes aspectos: > Não é José que engendra Jesus (Mt 1,16.18-25; Lc 1,31.34s; 3,24). > Jesus é engendrado realmente (Mt 1,20; Lc 1,35), a forma passiva do verbo (= “foi concebido”) esconde o sujeito da ação, para mostrar o caráter transcendente da origem paterna de Cristo. > Maria é a única origem humana de Jesus, como virgem que se faz mãe (Mt 1,16-25; Lc 1,27.35). > A origem divina não se refere ao Pai, culturalmente identificado como princípio masculino, mas ao Espírito Santo. Exclui-se qualquer modelo teogâmico, de união sexual de um ser humano com deuses, como aparece na mitologia grega e de outros povos orientais.
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    QUESTÕES ATUAIS SOBREO DOGMA DA VIRGINDADE > O dogma da virgindade de Maria apresenta reais dificuldades de compreensão. Deve ser reinterpretado, mas não negado. > Este dogma não é o principal dogma mariano, nem muito menos o mais importante no conjunto dos dogmas cristãos. Deve-se diferenciar os três níveis do dogma. A virgindade no parto é menos importante que a concepção virginal, e deve se livrar de mesquinhas questões biológicas, como saber se houve ou não rompimento do hímen no momento do nascimento de Jesus.
  • 62.
    No que serefere à discussão sobre esse tema na teologia contemporânea, ela tem sido difícil. O que se pode dizer é que: “Escapam-nos os conhecimentos sobre os processos concretos ocorridos por ocasião do nascimento de Jesus. Mas foi um nascimento verdadeiro. Não foi como os nascimentos comuns, pois, à diferença deles, aquele de Jesus não pressupõe relação sexual prévia. O nascimento corresponde à natureza de quem estava nascendo, Jesus, que é a um tempo homem e Deus. Houve um verdadeiro nascimento bem como uma plena maternidade” (L. Boff, “O rosto Materno de Deus”, pg. 159)
  • 63.
    SIGNIFICADO TEOLÓGICO DODOGMA DA VIRGINDADE 1. Cristológico A concepção virginal sinaliza que Jesus é um ser verdadeiramente novo, dom gratuito e inexigível de Deus, nova criação no Espírito. Não se trata de uma demonstração, mas de um sinal eloquente da graça de Deus.
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    2. Sentido Salvífico. Aconcepção virginal revela que Deus escolhe meios pobres para realizar a salvação (1 Cor 1,17-25). A virgindade de Maria, considerada maldição pelos judeus, foi abraçada por ela como forma de pobreza (Lc 1,48). A encarnação-redenção vem a nós na disponibilidade ao dom de Deus. A impotência do corpo virgem de Maria é figura da pobreza da humanidade para realizar sua própria salvação sem a graça divina.
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    3. Sentido Existencial Avirgindade de Maria é expressão de sua consagração total a Deus, “de corpo e alma”. Não é a única forma de se entregar radicalmente a Deus, mas apresenta sentido ímpar.
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    4. Sentido Antropológico Avirgindade de Maria ilumina a questão sobre quem é o ser humano diante de Deus: um terreno virgem e inexplorado, onde tudo pode acontecer. A pessoa humana, em Maria, chegou ao ponto máximo de plasmar em suas entranhas o próprio Deus. Este dogma pode ajudar a superar preconceitos machistas e rigoristas, que identificam o corpo da mulher como lugar de tentação e desvio. Ele “declara a mulher para sempre como espaço afirmativo onde o Espírito do Altíssimo pode pousar e fazer morada”.
  • 67.
    Nascendo de umavirgem, Deus evidenciou o novo começo da humanidade: “Por um lado procede da terra, mediante Maria, por outro irrompe do céu e da terra, o princípio de uma humanidade, enfim liberta do pecado e da morte e introduzida na união plena com Deus” (L Boff, “O Rosto Materno de Deus, pg. 162).
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    Virgindade não significahostilidade contra o sexo e o matrimônio. A exemplo de Maria, é ser criativo e fértil no amor, e deste modo a virgindade cristã apresenta uma característica maternal, gerando obras de serviço. A virgindade de Maria é a realização de uma atitude fundamental proposta a todo homem, isto é, a da total disponibilidade e acolhida. Nessa total doação a Deus e aos irmãos é que o homem encontra a sua libertação.
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    Imaculada Conceição • A afirmaçãoda Imaculada Conceição de Maria pertence à fé cristã. É um dogma da Igreja que foi definido após longa história de reflexão e de amadurecimento. • Imaculada Conceição de Maria significa que ela foi preservada do pecado original desde o primeiro instante de sua existência. • Ela foi concebida sem a mancha do pecado original. Proclamado pelo Papa Pio IX, no século XIX, através da Bula Ineffabilis Deus, em 8/12/1854.