A I gr e j A d e j e s u s C r I s t o d o s s A n t o s d o s Ú lt I m o s d I A s • j A n e I r o d e 2 011
Aprender com Ele e
Ouvir Suas Palavras,
pp. 12, 14, 20
Três Escrituras Que Me Trazem
Esperança, p. 44
Nós a Procuraremos, p. 52
Ser Missionário Desde Já,
pp. 58, 68
2.
RepRodução pRoibida
Eunice Ensinaao Filho, Timóteo, as Escrituras Sagradas, de Sandy Freckleton Gagon
O Apóstolo Paulo elogiou Timóteo pelas Timóteo era um “cooperador no evangelho de
seguintes qualidades: “A fé não fingida que Cristo” (I Tessalonicenses 3:2) e um fiel assistente
em ti há, a qual habitou primeiro em tua avó de Paulo, que se referiu a ele da seguinte forma:
Loide, e em tua mãe Eunice” (II Timóteo 1:5). “Meu verdadeiro filho na fé” (I Timóteo 1:2).
3.
14
A Liahona, Janeirode 2011
MenSaGenS 26 Fundamental para Nossa Fé SeçõeS
4 Mensagem da Primeira Élder Dallin H. Oaks
Pode ser que nossos vizinhos não
8 Coisas Pequenas e Simples
Presidência: O Senhor Precisa
de Missionários conheçam verdades importantes 11 Nosso Lar, Nossa Família:
Presidente Thomas S. Monson sobre nossa religião. O Poder Restaurador
da Oração
7 Mensagem das Professoras 34 O que Há de Novo no Marcos A. Walker
Progresso Pessoal?
Visitantes: A História
e Herança da Sociedade Elaine S. Dalton 12 Nossa Crença: A Escrituras
de Socorro A presidente geral das Moças Ensinam e Testificam sobre
explica algumas mudanças no Jesus Cristo
artiGoS Progresso Pessoal. 40 Vozes da Igreja
14 O Salvador — o Mestre dos 37 O Sacerdócio Aarônico — 74 Notícias da Igreja
Mestres Maior do que Você Pensa
Élder Jay E. Jensen David L. Beck 79 Ideias para a Reunião Familiar
O uso das escrituras por parte do
Senhor para ensinar e fortalecer
O novo livreto Dever para com
Deus pode ajudá-lo a aprender 80 Até Voltarmos a Nos
Encontrar: Nunca
as pessoas é um exemplo para o evangelho, a colocá-lo em Desamparados
todos nós. prática e a compartilhá-lo. Adam C. Olson
20 O Contexto Histórico NA CAPA
do Novo Testamento Jesus, Maria e Marta, de Anton Dorph,
Thomas A. Wayment cortesia da Galeria Hope.
Quem escreveu o Novo
Testamento? Como chegou
até nós?
Janeiro de 2011 1
4.
JovenS aDultoS JovenS CriançaS
48 Direto ao Ponto 68
50 Do Campo Missionário:
Na Presença de Anjos
Samuel Gould
52 Cremos
Presidência Geral das Moças
Precisamos crer nos padrões
e valores e buscar essas coisas
para termos a força e o poder do
Espírito Santo.
44 53 Tornar-se um Homem Fiel
do Sacerdócio
44 Exemplos Antigos, Promessas Presidência Geral dos Rapazes 60 O Melhor Brigham Young
Modernas Sabemos que vocês podem Karen A. Kimball
Nome omitido fazer coisas grandiosas ao A fala sobre Brigham Young
Por que essas histórias, que têm tornarem-se homens fiéis do estava errada. O que Kathy
milhares de anos, são tão signifi- sacerdócio. poderia fazer?
cativas para mim hoje.
54 Linha sobre Linha: Regras 62 Testemunha Especial:
47 O Evangelho em Minha Vida: de Fé 1:13 Como Construir um
Da Crença ao Conhecimento
Chiao-yi Lin 55 Se Eu Fosse Você, Iria ao Alicerce Espiritual?
Élder Neil L. Andersen
Seminário
Lisa Pace 63 Nossa Página
A sugestão de minha amiga
mudou minha vida. 64 Tempo de Compartilhar:
As Escrituras São a
56 Nosso Espaço Palavra de Deus
JoAnn Child e Cristina Franco
57 Pôster: É Bom Ser Importante
66 Histórias de Jesus:
Veja se conse- 58 Eu Quero Ser um Jesus Quando Criança
gue encontrar a Missionário? Diane L. Mangum
Loran Cook
liahona oculta
nesta edição. Não sabe bem como se preparar 68 Onde Está Isabelle?
para a missão? Aqui vão cinco Susan Denney
Dica: Amizade
sugestões. Isabelle desaparecera em seu
próprio batismo na hora da
fotografia!
70 Para as Criancinhas
53
M en SaG eM Da P r i M ei r a P reS i D ên C i a
Presidente
Thomas S. Monson
O SenhOr PreciSa
de MissioNários
N
a conferência geral de outubro de tempo integral. Aos que ainda foi a experiência missionária de
passado pedi mais missionários. não estão na idade de servir como Juliusz e Dorothy Fussek, que foram
Todo rapaz digno e capaz deve casal missionário, peço-lhes que se chamados para servir como missio-
preparar-se para servir em uma missão. preparem agora para o dia em que nários na Polônia. O irmão Fussek
Esse serviço é um dever do sacerdócio você e seu cônjuge poderão fazê-lo. nasceu na Polônia. Falava o idioma.
— uma obrigação que o Senhor espera Há poucas ocasiões em sua vida em Amava o povo. Já a irmã Fussek era
de nós, que tanto recebemos Dele. que desfrutarão o doce espírito e inglesa, pouco conhecia a respeito
Rapazes, eu os admoesto a prepara- a satisfação de servirem juntos em da Polônia e nada sabia sobre aquele
rem-se para servir como missionários. tempo integral na obra do Mestre. povo. Cheios de confiança no Senhor,
Mantenham-se limpos, puros e dignos Alguns de vocês talvez sejam tími- iniciaram sua designação. Era um
de representar o Senhor. Mantenham dos por natureza ou se considerem trabalho solitário, e a tarefa a cumprir
sua saúde e suas forças. Estudem as incapazes de aceitar um chamado era imensa. Naquela época, ainda não
escrituras. Onde for possível, parti- para servir. Lembrem que esta é a havia nenhuma missão na Polônia. A
cipem do seminário ou do instituto. obra do Senhor e, quando estamos designação confiada aos Fussek foi
Procurem conhecer bem o guia missio- a serviço do Senhor, temos o direito preparar o caminho para a criação de
ilustRações fotogRáficas: Hyun gyu lee, MattHew ReieR e cRaig diMond
nário Pregar Meu Evangelho. de receber a ajuda Dele. O Senhor uma missão.
Moças, embora não tenham a moldará o ombro para que suporte O élder e a irmã Fussek se deses-
mesma responsabilidade de servir o fardo nele depositado. peraram diante da importância dessa
como missionárias de tempo integral, Outras pessoas, ainda que dignas designação? Nem por um segundo.
como os rapazes do sacerdócio têm, para servir, talvez achem que há prio- Sabiam que o chamado vinha de
vocês também fazem uma valiosa ridades mais importantes. Lembro-me Deus. Oraram para receber Seu auxí-
contribuição como missionárias, bem da promessa do Senhor: “Por- lio divino e dedicaram-se de corpo e
e ficamos felizes quando decidem que aos que me honram honrarei” alma ao trabalho.
servir. (I Samuel 2:30). Nenhum de nós hon- Certa vez, eu, o Élder Russell M.
Aos irmãos e às irmãs de mais rará mais o Pai Celestial e o Salvador Nelson, do Quórum dos Doze Após-
idade, lembro que o Senhor neces- do que servindo como missionários tolos, e o Élder Hans B. Ringger, na
sita de um número muitíssimo maior dedicados e compassivos. época, dos Setenta, acompanhados
de vocês no serviço missionário Um exemplo desse tipo de serviço pelo Élder Fussek, nos reunimos com
4 A Liahona
7.
o ministro polonêsresponsável pelos
assuntos religiosos, Adam Wopatka.
Ele nos disse: “Sua Igreja é bem-vinda
aqui. Podem construir suas capelas
e mandar seus missionários. Esse
homem”, apontando para Juliusz Fus-
sek, “serviu muito bem a sua Igreja.
Vocês podem ser gratos por seu
exemplo e trabalho”.
Assim como os Fussek, façamos
o que devemos fazer no serviço do
Senhor. Então poderemos, junta-
mente com Juliusz e Dorothy Fus-
sek, repetir em uníssono o Salmo:
“O meu socorro vem do Senhor
que fez o céu e a terra.
(…) Aquele que te guarda não
tosquenejará.
Eis que não tosquenejará nem
dormirá o guarda de Israel” (Sal-
mos 121:2–4). ◼
ENSINAR USANDO ESTA
MENSAGEM
o guia Ensino, Não Há Maior
Chamado declara: “Conte uma
experiência pessoal que ilustre como
a prática de um princípio do evange-
lho abençoou sua vida. Convide os
alunos para relatarem brevemente
suas próprias experiências” (1999,
p. 159). leia esta mensagem e depois
pergunte aos membros da família
quem, segundo o Presidente mon-
son, deve servir numa missão. relate
experiências pessoais que você ou
outras pessoas tiveram no serviço
missionário de tempo integral. Se
preferir, fale de seus projetos para
sair em missão no futuro. Peça aos
membros da família que exponham
seus planos e suas experiências
positivas.
Janeiro de 2011 5
8.
MenSaGeM Da PriMeiraPreSiDênCia
JOVENS CRIANçAS
Vou-me Preparar Ainda Jovem
P ara ajudar as crianças a lembrarem-se do cha-
mado para servir do Presidente monson, faça
uma cópia deste certificado, imprima-o em
lDS.org ou confeccione seu próprio certificado a
ser assinado pelas crianças e guardado como lem-
brança, seja na parede do quarto ou no diário.
De Bicicleta Rumo ao Futuro
Peter Evans e Richard M. Romney
M uitos rapazes se preparam financeiramente para
servir como missionários. na África, parte da prepa-
ração consiste em ganhar dinheiro suficiente para tirar o
passaporte. Sedrick tshiambine foi bastante empreendedor
para conseguir a quantia necessária: vendeu bananas na
traseira de uma bicicleta.
sedrick mora em luputa, república democrática do
Congo. É um dos 45 rapazes do distrito de luputa que
estão trabalhando para economizar dinheiro para tirar o VOU-ME PREPARAR
passaporte a fim de saírem em missão. nesse país, um pas- Fui chamado pelo Presidente
saporte custa 250 dólares, dois terços do custo de constru-
thomas S. Monson para me
ção de uma casa.
preparar para a missão. Vou:
mas sedrick não se deixou intimidar. ganhou essa
quantia percorrendo de bicicleta de 15 a 30 quilômetros • manter-me limpo, puro e digno
de luputa até cidadezinhas do interior, onde comprava as de representar o Senhor;
bananas, e depois atravessando a tórrida savana africana
• Conservar a saúde e o vigor;
de volta para a cidade, com a bicicleta cheia de frutas para
vender. todas as semanas, viajava cerca de 180 quilômetros
• orar e estudar as escrituras.
em estradas de terra e só caiu uma vez, por causa da carga vou me preparar para servir
fotogRafias: HowaRd collett e david newMan
mal distribuída.
em uma missão.
Por seu trabalho, sedrick ganhava cerca de 1,25 dólares
por semana — ou 65 dólares por ano. demorou quatro
anos para economizar o bastante para tirar o passaporte,
mas agora ele sabe que a missão de tempo integral está
garantida em seu futuro, pois está financeiramente prepa- (assinatura)
rado para atender ao chamado para servir.
6 A Liahona
9.
M en SaG eM Da S P ro FeS S o r a S v i S i ta n t eS
a História e Herança da Estude este material e, conforme julgar conveniente,
discuta-o com as irmãs que você visitar. Use as
Sociedade de Socorro perguntas para ajudar a fortalecer as irmãs e para
fazer com que a Sociedade de Socorro faça parte da
vida delas.
Fé • Família • Auxílio
e liza R. Snow lembrava-se de ouvir o Profeta
Joseph Smith ensinar: “Embora o nome [Socie-
dade de Socorro] seja de uso recente, a instituição
O Que Posso
Fazer?
De Nossa História
“A Sociedade de Socorro é a organização do
Senhor para as mulheres.” 6 Em suas atribuições
é de origem antiga”. 1
1. o que posso
fazer para ajudar de profeta, Joseph Smith organizou a Socie-
O Pai Celestial e Seu Filho, Jesus Cristo, visi- as irmãs que visito dade de Socorro em 17 de março de 1842. O
taram Joseph Smith e, por seu intermédio, res- a receberem o dom pequeno grupo, tão diverso, presente àquela
tauraram a plenitude do evangelho na Terra. A da caridade? primeira reunião era formado por mulheres
Sociedade de Socorro fez parte dessa restauração. 2. o que posso dedicadas e, portanto, parecidas com as irmãs
A organização da Igreja não estava completa até as começar a fazer da Sociedade de Socorro de hoje. “As mais
mulheres se organizarem. 2 este mês para novas eram três adolescentes, e a mais velha,
Nos próximos meses, cada Mensagem das ajudar a construir uma senhora na casa dos cinquenta anos.
Professoras Visitantes nos dará a oportunidade de um futuro digno
Onze das mulheres eram casadas, duas eram
para mim mesma?
aprender mais sobre a história da Sociedade de viúvas, seis eram solteiras, e o estado civil de
e para minha
Socorro e seu papel no evangelho restaurado. Por família? e para os uma delas é desconhecido. Sua origem e seu
muitos motivos, a compreensão de nossa história é outros? grau de instrução variavam bastante, assim
não apenas importante, mas essencial. como suas condições financeiras. Sua diversi-
Primeiramente, essa compreensão de nossa dade viria a multiplicar-se exponencialmente à
Acesse www.
história nos inspira a ser as mulheres de Deus reliefsociety.LDS. medida que o número de membros da organi-
que precisamos ser. Ao seguirmos o exemplo de org para mais
informações.
zação continuasse a crescer, mas as irmãs eram
mulheres nobres da Igreja, podemos aprender com unidas e assim permaneceram.” 7
o passado como enfrentar o futuro. 3
NOTAS
Em segundo lugar, nossa história ensina que os 1. Eliza R. Snow, “Female Relief Society”, Deseret News,
mesmos princípios que existiram nos primórdios 22 de abril de 1868, p. 81.
2. Ver Ensinamentos dos Presidentes da Igreja: Joseph
da Igreja são nossos princípios fundamentais hoje. Smith, 2007, p. 474.
Esse conhecimento e nossos propósitos — aumen- Das Escrituras: 3. Ver L. Tom Perry, “O Modo Antigo de Encarar o
Futuro”, A Liahona, novembro de 2009, pp. 73–76.
tar a fé e a retidão pessoal, fortalecer a família e o Ester 9:28–29; 4. Henry B. Eyring, “O Legado Duradouro da Sociedade
lar, e ajudar os necessitados — fazem a ponte entre Romanos 16:1–2; de Socorro”, A Liahona, novembro de 2009,
nosso passado e presente. pp. 124–125.
A SociedAde de Socorro de NAuvoo, de walteR Rane, coRtesia do Museu de HistóRia da igReja
Alma 37:8; 5. Spencer W. Kimball, “Privileges and Responsibilities
Em terceiro lugar, ao valorizarmos nossa his- Morôni 7:45–47 of Sisters”, Ensign, novembro de 1978, p. 102.
tória, poderemos partilhar melhor nossa herança 6. Spencer W. Kimball, “Relief Society—Its Promise and
Potential”, Ensign, março de 1976, p. 4.
espiritual. O Presidente Henry B. Eyring, Primeiro 7. Jill Mulvay Derr, Janath Russell Cannon e Maureen
Conselheiro na Primeira Presidência, afirmou: Ursenbach Beecher, Women of Covenant, 1992, p. 28.
“Vocês passam o legado adiante ao ajudarem
outras irmãs a receber no coração o dom da cari-
dade. (…) A história da Sociedade de Socorro está
gravada em palavras e números, mas a sua herança
é passada de coração a coração”. 4
Por fim, a compreensão de nossa história nos
ajuda a tornar-nos uma parte eficaz do futuro da
Sociedade de Socorro. O Presidente Spencer W.
Kimball (1895–1985) explicou: “Sabemos que as
mulheres que têm profunda gratidão pelo passado
se preocuparão em construir um futuro digno”. 5
Julie B. Beck, presidente geral da Sociedade de Socorro.
Janeiro de 2011 7
HiSTória Da igrEJaNo MuNDo
CoMo liDar CoM a
aDvErSiDaDE
Hungria Por muitos anos, o clima político A sede do Parla-
mento húngaro,
Q uando eu e minha família
vivemos o evangelho,
e
da Hungria limitou a obra missio-
mbora o primeiro missioná- inaugurada em isso nos ajuda a vencer as
nária lá. Na década de 1980, muitos
rio da Igreja tenha chegado à húngaros pesquisaram sobre a
1904, fica às mar-
tentações. sei que, por meio
Hungria em 1885, não teve muito gens do rio Danú-
Igreja ao ouvirem falar dela e, no bio em Budapeste. do jejum, do pagamento do
sucesso lá e foi embora após cerca fim de 1986, as autoridades gover-
de três meses. O primeiro húngaro dízimo e das orações diárias —
namentais húngaras permitiram a
da Igreja, pelo que se tem notícia, em conjunto com a esperança
entrada de missionários no país.
Mischa Markow, foi batizado em Desde essa época, o trabalho na expiação de jesus Cristo —
Constantinopla em 1887. Tempos missionário tem sido coroado podemos vencer as tentações.
depois, ele serviu como missio- de grande êxito. O Livro de
nário na Europa, mas em seguida mas isso não quer dizer que
Mórmon foi publicado em
foi expulso de Belgrado e, depois, húngaro em 1991, e a primeira nossa vida estará isenta de
da Hungria, por causa de suas estaca foi criada em 2006. adversidades. também aprendi
pregações.
que, quanto mais obstáculos
enfrentarmos, mais faremos jus
a bênçãos e mais aprendere-
mos com nossas experiências.
A IGREJA NA HUNGRIA Gosto de pensar na adversi-
número de membros 4.594 dade como o vento que faz a
Missões 1 pipa alçar voo. Quanto mais
estacas 1 forte for o vento, mais alto ela
Distritos 2 voará.
alas e ramos 21 Chhoeun Ravuth, Camboja
Janeiro de 2011 9
nosso l Ar , nossA FA mílIA
o DoM
Da oração
o Poder
“A oração é um
dom celestial
concedido a cada
RestauRadoR
alma por nosso
Pai Celeste. Pense
nisto: O absoluto Ser Supremo, o
dA orAção
personagem que tudo sabe, tudo
vê, que tudo pode, incentiva você e
a mim, por mais insignificantes que
sejamos, a conversar com Ele como
Marcos A. Walker
nosso Pai. (…)
A
Não importa nossa situação,
inda me lembro do que senti entre os meninos.
quer sejamos humildes ou arro-
ao ver lágrimas de arrependi- Arián, que tremia a olhos vistos e
gantes, pobres ou ricos, livres
mento nos olhos de meu filho, chorava após a briga com o irmão,
ou escravizados, instruídos ou
Arián, na época com dez anos de deu-me uma resposta extremamente ignorantes, amados ou desampa-
idade. malcriada. Corrigi-o duas vezes rados, podemos nos dirigir a Ele.
Ele brincava com o irmão mais (o desentendimento passara a ser Não precisamos de hora marcada.
velho, Joel, de doze anos, no quarto, comigo), mas a situação só piorava. Nossa súplica pode ser breve ou
Ele estava descontrolado, pode ocupar todo o tempo que
com o rosto ruborizado e for necessário. Pode ser uma longa
trêmulo. Eu estava prestes a expressão de nosso amor e gra-
sair do sério, mas sabia que tidão, ou um pedido urgente de
tinha de haver uma solução ajuda. Ele criou universos inumerá-
sem gritos de minha parte. veis e colocou mundos neles, mas
O princípio da oração ainda assim, você e eu podemos
veio-me com rapidez à conversar com Ele pessoalmente, e
Ele sempre nos dará uma resposta.”
mente. Sim, aquela era a
Élder Richard G. Scott, do Quórum dos Doze
resposta. Assim, levei-o até Apóstolos, “O Dom Celestial da Oração”,
meu quarto, fechei a porta A Liahona, maio de 2007, p. 8.
e disse: “Arián, vamos nos
ajoelhar, e vou fazer uma
oração ao Pai Celestial”.
Ambos nos ajoelhamos,
enquanto o choro zangado
dele continuava. Orei com
o objetivo de tentar ajudar
meu filho. No meio da ora-
ção, percebi que seus solu-
ços estavam diminuindo. As
lágrimas que lhe escorriam de paz e amor. Arián não disse mais
ilustRação fotogRáfica: david stokeR
pelo rosto eram então de nada, mas eu sabia que ele sentira
arrependimento. o poder restaurador da oração e
Ao terminarmos nossa que o Espírito Santo lhe penetrara o
quando de repente se desentende- oração, Arián ergueu os olhos e coração.
ram, e tive que intervir para separar perguntou: “Pai, pode me perdoar?” Ele não só passou a conhecer o
a briga. Talvez por causa da idade, os Abraçamo-nos, e não pude conter poder da oração, mas adquirira um
atritos tinham-se tornado frequentes as lágrimas. Minha alma encheu-se testemunho desse poder. ◼
Janeiro de 2011 11
14.
N o ss a C reN ç a
EscriturAs crisTo
os membros da
As
Igreja de Jesus Cristo
dos Santos dos Últi-
Ensinam E TEsTificam sobrE JEsus
mos Dias aceitam as
seguintes escrituras:
A
s escrituras trazem conselhos Pai Celestial e o Salvador Jesus Cristo.
de profetas, relatos inspirados Podemos ler Seus mandamentos e,
da interação de Deus com a consequentemente, aprender a dis-
humanidade e revelações de Deus a tinguir o certo do errado. Ganhamos
Seus profetas. As escrituras ensinam força para resistir à tentação de pecar.
que somos filhos do Pai Celestial, que Aumentamos nosso desejo de obede-
nos ama. Como parte de Seu plano cer às leis de Deus. As escrituras nos
para nossa felicidade eterna, viemos consolam e nos ensinam enquanto
à Terra. Enquanto estamos aqui, as estamos na Terra e mostram-nos o
escrituras servem de elo entre nós e o caminho de volta a nosso lar celestial. “Toda a Escritura é
Pai Celestial e Jesus Cristo. Nota
1. Thomas S. Monson, “Dê o Melhor de Si”, divinamente inspirada,
O propósito primordial das escri- A Liahona, maio de 2009, p. 68.
turas é testificar a respeito de Cristo, e proveitosa para ensi-
ajudando-nos a achegar-nos a Ele e a Para mais informações, ver Princípios do nar, para redarguir,
receber a vida eterna (ver João 5:39). Evangelho, 2009, pp. 45–51, e Sempre Fiéis, para corrigir, para
2004, pp. 67–71.
Os profetas modernos nos aconse- instruir em justiça”
lham a estudar as escrituras diaria- (II Timóteo 3:16).
mente, tanto individualmente quanto
em família. O Presidente Thomas S.
Monson exortou-nos: “[Estudem]
diariamente as escrituras. Ler muito
de uma vez só não dá nem de longe
tão bons resultados como a leitura e
aplicação diária das escrituras a nossa O
“ propósito central de toda escritura é encher
nossa alma de fé em Deus, o Pai, e em Seu Filho
Jesus Cristo.
vida. Familiarizem-se com as lições
(…) A fé vem pelo testemunho do Santo Espírito
que as escrituras ensinam. (…) Estu-
a nossa alma, de Espírito para espírito, quando
dem-nas como se fossem dirigidas a ouvimos ou lemos a palavra de Deus. E a fé amadu-
vocês, porque, na verdade, são”. 1 rece quando nos banqueteamos continuamente na
Por meio das palavras das escritu- palavra.
ras, podemos conhecer e amar nosso (…) Estudem as escrituras cuidadosa e delibera-
damente. Ponderem-nas e orem a respeito delas.
As escrituras são revelação e proporcionam mais
revelação.”
Élder D. todd Christofferson, do Quórum dos Doze apóstolos,
“a Bênção das Escrituras”, A Liahona, maio de 2010, p. 34.
12 A L i a h o n a
o país deSodoma e Gomorra do que para escrituras, temos que procurar, em espírito
aquela cidade [aqueles que rejeitaram o evan- de oração, princípios que possamos aplicar
gelho]” (Mateus 10:15). às pessoas que ensinamos.
A palavra de Deus terá um poder prote-
tor inerente, se a seguirmos. “Todos os que Fortalecer o Próximo
dessem ouvidos à palavra de Deus e a ela se Uma mensagem particularmente signi-
apegassem, jamais pereceriam; nem as tenta- ficativa na vida do Mestre é o sermão do
ções nem os ardentes dardos do adversário “pão da vida” (ver João 6). Ele ilustra Seu
poderiam dominá-los” (1 Néfi 15:24). domínio e uso das escrituras, bem como a
Uma de minhas escrituras favoritas para relevância delas para nós.
resistir a Satanás hoje é este versículo: “Meus Um dia antes de proferir aquela mensa-
olhos estão sobre vós. Estou no meio de vós” gem, o Senhor realizara o milagre de ali-
(D&C 38:7). Ela derruba definitivamente a mentar cinco mil pessoas, o que Lhe trouxe
falsa ideia de que “ninguém vai saber”. mais seguidores (ver João 6:5–14). Ainda
que aquele e outros milagres não bastassem o MESTrE
Honrar Profetas do Passado para levar as pessoas a crerem Nele, Ele DoS MESTrES
O Salvador prestou reconhecimento aos declarou abertamente no sermão do pão da “O Salvador é o Mestre
profetas da antiguidade e citou suas palavras. vida quem era Ele. Aquele sermão serviu dos mestres. Os ensina-
Nesta dispensação, deu a Sidney Rigdon o para instruir Seus apóstolos, principalmente mentos de Jesus Cristo
mandamento de “[citar] os santos profetas Pedro, cujo testemunho foi fortalecido (ver constituem um tratado
didático jamais igua-
para comprovar as palavras [de Joseph Smith]” os versículos 63–71).
lado ou superado por
(D&C 35:23). O Mestre dos mestres citou um aconteci-
ninguém. Jesus já foi
Para reverenciar profetas do Velho Testa- mento do Velho Testamento como introdu-
descrito como filósofo,
mento e testificar a respeito deles, o Salvador ção do sermão do pão da vida:
economista, reformador
citou Noé (ver Mateus 24:37–38); Abraão (ver “Moisés não vos deu o pão do céu; mas social e muitas outras
Lucas 16:22–31; João 8:56–58); Abraão, Isaque meu Pai vos dá o verdadeiro pão do céu. coisas. Porém, mais do
e Jacó (ver Mateus 8:11); Moisés (ver João que isso, o Salvador
5:46); Davi (ver Lucas 6:3); Elias (ver Lucas foi um professor. Se
4:25–26); e Isaías (ver Lucas 4:16–21; João nos perguntassem:
1:23). Também honrou e apoiou Seu contem- ‘Qual era a profissão
porâneo, João Batista (ver Mateus 11:7–11). de Jesus?’ Só há uma
No Sermão da Montanha, o Salvador fez resposta: Ele era profes-
alusões importantes a profetas do Velho sor. É Ele que deve ser
Testamento e a ensinamentos lá contidos nosso ideal. É Ele que é
sobre Ele. Um exemplo disso são as corre- o Mestre dos mestres.”
lações existentes entre os enunciados das Presidente Boyd K. Packer,
presidente do Quórum dos
Bem-Aventuranças (ver Mateus 5:3–11) e Doze Apóstolos, Mine Errand
Isaías 61:1–3. 2 from the Lord, 2008, p. 336.
Nós também podemos honrar profetas
do passado e da atualidade ao considerar-
mos seus ensinamentos o que de fato são: A
palavra e vontade do Senhor (ver D&C 68:4).
Ao nos prepararmos para ensinar usando as
Janeiro de 2011 17
20.
água no sacramento:“Se não
comerdes a carne do Filho do
homem, e não beberdes o seu
sangue, não tereis vida em vós
mesmos” ( João 6:53).
Sabemos que aquele ser-
mão fortaleceu Pedro, pois ele
testificou: “E nós temos crido e
conhecido que tu és o Cristo,
o Filho do Deus vivente” ( João
6:69). O sermão do pão da vida
é relevante para todos nós, pois
nós também vamos acreditar
que Jesus Cristo é o Cristo e ter
certeza disso ao ler, estudar e
citar — não parafrasear — as
escrituras sagradas para nos for-
talecer e também os outros.
Cumprimento das Escrituras:
A Entrada Triunfal
A entrada triunfal do Senhor
em Jerusalém foi uma confirma-
ção tácita de Seu conhecimento
e uso das escrituras: “Bendito
aquele que vem em nome do
Senhor” (Salmos 118:26; ver
também Marcos 11:9–10). Ele
entrou em Jerusalém montado
num jumento, em cumprimento
Porque o pão de Deus é aquele que desce da profecia: “Alegra-te muito,
do céu e dá vida ao mundo” ( João 6:32–33; ver ó filha de Sião; (…) teu rei virá
também Êxodo 16). a ti, (…) montado sobre um
Ao ouvirem isso, os discípulos disseram: jumento” (Zacarias 9:9; ver tam-
“Dá-nos sempre desse pão” ( João 6:34). “Alegra-te muito, bém Mateus 21:4–5).
A resposta Dele revelou a quem tinha sensibili- ó filha de Sião; (…) teu Desde o início de Seu minis-
dade espiritual Sua identidade divina como Filho rei virá a ti, (…) montado tério mortal até o Jardim do
de Deus, o Messias prometido e Salvador: “Eu Getsêmani, a cruz e o sepulcro
sobre um jumento.”
sou o pão da vida; aquele que vem a mim não vazio, Jesus o Cristo demonstrara
terá fome, e quem crê em mim nunca terá sede” — por meio de escrituras anti-
( João 6:35). gas e de Seu ministério, de Seus
O Salvador declarou então a doutrina divina milagres e de Suas mensagens
que une a Expiação e os símbolos do pão e da — que era o Messias prometido.
18 A L i a h o n a
Jesus Cristo eSeus Apóstolos na Última Ceia.
Testamento começa com os Evange- missionários da Igreja (o livro de e o Apocalipse, que promete o retorno
lhos, termo que significa “boas novas”, Atos); cartas dos primeiros líderes, do Senhor nos últimos dias. Cada um
com referência à vida, ao ministério como Pedro e Paulo, que exortavam dos autores tinha uma perspectiva dife-
e ao papel divino de Jesus Cristo. O os cristãos da época (também chama- rente a oferecer, e cada um escreveu
Novo Testamento também contém o dos de santos) a permanecerem fir- com um público-alvo específico — não
relato histórico dos primeiros esforços mes na fé; um testemunho (Hebreus); se tratava de uma tentativa de preencher
Janeiro de 2011 21
24.
Santos da antiguidadeouvindo uma das epístolas de Paulo.
lacunas visíveis no registro histórico. experiências. Dois acontecimentos força estabilizadora na luta contra as
Em meados do Século IV d.C., os 27 podem ter despertado neles o desejo forças da apostasia.
livros que registram o novo convênio de preservar seus registros sobre a Perto do fim do Século I d.C., todos
do Senhor foram reunidos e postos na vida de Jesus: Primeiramente, a queda os escritos hoje preservados no Novo
ordem em que aparecem hoje. de Jerusalém e a destruição do templo Testamento foram concluídos e pas-
por um exército romano em 70 d.C. saram a ter ampla circulação entre
Como o Novo Testamento Chegou Em segundo lugar, o fato de as forças os ramos da Igreja. Escribas fizeram
até Nós? da apostasia já estarem em ação (ver cópias dos textos em papiro e poste-
De um grupo maior de discípulos, Atos 20:29–30). Portanto, muitos dos riormente em pergaminhos, mas havia
Jesus chamou doze homens para escritos do Novo Testamento foram
serem apóstolos. Aqueles homens O registrados para ajudar os fiéis a se
seguiram no decorrer de Seu ministé- orientarem em meio às calamidades e Muitos dos escritos do Novo
rio, sofreram com Ele e também colhe- controvérsias da época. Testamento foram registra-
ram vitórias e experiências espirituais Revendo suas experiências, pode-
dos para ajudar os fiéis a se
marcantes. Após a morte de Jesus, os mos aprender como eles enfrentaram
apóstolos, juntamente com outros fiéis momentos difíceis e como as boas orientarem em meio às cala-
seguidores, começaram a registrar suas novas do evangelho se tornaram uma midades de sua época.
22 A L i a h o n a
25.
relativamente poucos exemplares copiado e distribuído novamente, os
disponíveis. Os membros da Igreja livros que compõem nossa Bíblia atual
reuniam os livros que estavam a seu passaram a ser organizados na ordem
alcance e estudavam as palavras do que vemos hoje. Essa ordem segue o
Senhor e dos apóstolos. Um grande padrão estabelecido pelo Velho Tes-
obstáculo à propagação das escrituras tamento. O Novo Testamento contém
foi a perseguição aos cristãos por parte a Lei (os Evangelhos), a história do
Paulo escrevendo uma epístola na prisão.
do imperador romano Diocleciano em cristianismo (Atos) e os Profetas (de
303 d.C. Ele ordenou que as escrituras Romanos a Apocalipse). Tanto o Velho
cristãs fossem queimadas e forçou quanto o Novo Testamentos termi-
os cristãos a oferecerem sacrifícios nam com uma promessa do retorno dois homens foram em determinado
a deuses pagãos. Muitos fiéis escon- do Senhor (Malaquias e Apocalipse). momento companheiros de Paulo (ver
deram os textos sagrados durante A disposição dessas obras proféticas Atos 12:25; II Timóteo 4:11) e refletem
aqueles anos de perseguição. Tempos também ressalta a esperança de salva- em parte os interesses do número
depois, quando o primeiro impera- ção e de revelações futuras. crescente de santos que viviam fora da
dor cristão, Constantino, ordenou a Judeia e que não tinham conhecido
compilação de novas escrituras, seus Quem Redigiu o Novo o Senhor em vida. Na verdade, seus
eruditos conseguiram recuperar livros Testamento? relatos trazem um vívido testemunho
que tinham sido usados nos ramos Cada autor do Novo Testamento Daquele em quem eles acreditavam.
antes do edito de Diocleciano. Nossas escreveu com uma perspectiva distinta É provável que as cartas de Paulo
edições impressas modernas do Novo da missão salvadora de Jesus Cristo. sejam os escritos mais antigos do
Testamento têm como antepassados Dois dos Evangelhos foram redigidos Novo Testamento, embora nem todas
os exemplares da Bíblia copiados na pelos apóstolos: Mateus e João. Esses tenham sido escritas na mesma época.
época de Constantino e, portanto, eles depoimentos apostólicos constituem Seu testemunho originou-se de sua
se devem às pessoas que sacrificaram testemunhos oculares da vida de Jesus. experiência pessoal como missioná-
sua segurança para preservar o novo Dois seguidores do Senhor tempos rio, de várias visões marcantes (ver
convênio do Senhor. depois também escreveram Evange- Atos 9:1–6; II Coríntios 12:1–7) e do
Pouco depois de Constantino deter- lhos: Marcos e Lucas, que testificaram convívio próximo com Pedro e outros
minar que o Novo Testamento fosse sobre o que sentiram e ouviram. Esses (ver Gálatas 1:18–19). Ele escreveu
principalmente para resolver desenten-
dimentos nos ramos, mas em outras
ocasiões escreveu para amigos pessoais
(Timóteo e Tito). Numa epístola, Paulo
pede que um proprietário de escravo
aceite a volta de um escravo fugido que
Paulo conhecera enquanto estavam na
prisão (Filemom). O livro de Hebreus
é tradicionalmente atribuído a Paulo,
embora a introdução usual em que ele
se identifica como o autor não esteja
presente. Seja como for, o livro testifica
sobre como podemos achegar-nos
corajosamente ao Senhor por meio da
Janeiro de 2011 23
Pedro ensinando Cornélio e sua família.
26.
Pedro e Joãopregando e curando.
fé. O livro de Hebreus, que no Novo irmãos do Senhor (“Judas” em Marcos mal. A maioria dos capítulos trata de
Testamento aparece depois das epís- 6:3). Judas escreveu com o intuito de acontecimentos que João nem viria a
tolas de Paulo, é um tratado sobre a fé combater uma apostasia crescente presenciar, inclusive acontecimentos
diante da adversidade. nos ramos. dos últimos dias — os nossos dias.
A curta Epístola de Tiago também Por fim, o Novo Testamento ter-
foi escrita bem nos primórdios e mina com a revelação recebida pelo Para Quem Foi Escrito
contém referências a ensinamentos Apóstolo João, que registrou uma o Novo Testamento?
de Jesus no Sermão da Montanha visão da volta do Senhor em glória Como o Novo Testamento é, na
que foram transmitidos oralmente, para dar início a Seu reino milenar. verdade, um novo convênio entre
à parte do Evangelho escrito por Essa visão descreve com nítidos o Senhor e os que Nele têm fé, os
Mateus (ver Tiago 1:13; 4:12; 5:12). pormenores a luta entre o bem e o livros destinam-se a todos os que
Tiago, o irmão mais novo do Senhor, procuram conhecê-Lo, seja em dis-
é o provável autor dessa epístola. pensações passadas, seja nesta. No
rElaToS DE
Ele teve o privilégio de ver e reco- TESTEMuNHaS princípio, os autores do Novo Testa-
nhecer o Salvador ressuscitado (ver oCularES mento escreveram textos que pudes-
I Coríntios 15:7) e desempenhou um “Amo as viagens e sem ser de uso imediato nos ramos
papel importante em muitos acon- milagres apostóli- da Igreja na época, com o entendi-
tecimentos da história da Igreja (ver cos registrados no mento de que estavam registrando
Atos 15:13–29). Novo Testamento e os acontecimentos mais importantes
O Novo Testamento também as epístolas de Paulo. Mas acima de da história da humanidade. João, por
contém duas epístolas escritas pelo tudo, amo os relatos de testemunhas exemplo, considerava seus escri-
Apóstolo Pedro e três redigidas pelo oculares das palavras, do exemplo e tos um testemunho: “Estes, porém,
Apóstolo João. Ambos exortaram os da Expiação de nosso Salvador Jesus foram escritos para que creiais que
cristãos a serem fiéis; Pedro, em parti- Cristo. Amo a perspectiva e a paz que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e
cular, estava preocupado com a fideli- advêm da leitura da Bíblia.” para que, crendo, tenhais vida em
dade em momentos de provação. Élder M. Russell Ballard, do Quórum dos Doze seu nome” ( João 20:31). Outros,
Apóstolos, “O Milagre da Bíblia Sagrada”,
Judas é um dos últimos livros escri- A Liahona, maio de 2007, p. 81.
como Lucas, escreveram a fim de
tos no Novo Testamento. Assim como documentar a história:
no caso de Tiago, é provável que esse “Tendo, pois, muitos empreendido
livro tenha sido escrito por um dos pôr em ordem a narração dos fatos
24 A L i a h o n a
27.
CRIANçAS
Onde Está nas Escrituras?
a baixo estão alistadas oito histórias das escrituras. descubra
de qual livro de escrituras cada história foi tirada. se não
tiver certeza, consulte o tópico da história no índice ou no Guia
que entre nós se cumpriram, para Estudo das Escrituras.
Segundo nos transmitiram os mesmos que os • néfi quebra seu arco de caça. (1)
presenciaram desde o princípio, e foram ministros • noé constrói a arca. (2)
da palavra, • É concedida a Palavra de sabedoria. (3)
Pareceu-me também a mim conveniente des- • ester salva seu povo. (4)
crevê-los a ti (…), por sua ordem, havendo-me • o filho pródigo volta para casa. (5)
já informado minuciosamente de tudo desde o • o capitão morôni faz o estandarte da liberdade. (6)
princípio” (Lucas 1:1–3). • jesus prega o sermão da montanha. (7)
Os primeiros cristãos eram de origens diversas: • É dedicado o templo de Kirtland. (8)
alguns vinham de família judia, ao passo que outros
Agora encontre no quebra-cabeça os números correspon-
tinham sido criados num lar gentio, enquanto
dentes ao número entre parênteses. Pinte esses espaços da
outros tiveram na vida pouquíssimo contato formal
cor relacionada abaixo para o respectivo livro de escrituras.
com a religião antes de serem batizados. Na ver-
velho testamento=azul livro de Mórmon=amarelo
dade, eram de uma diversidade tão grande quanto
novo testamento=vermelho Doutrina e Convênios=marrom
a encontrada hoje no meio dos santos. Portanto,
seus labores e suas dificuldades podem ensinar-nos
lições relevantes sobre a maneira de vencermos a
iniquidade e permanecermos fiéis apesar das tribu-
lações e tentações. Mostram-nos também as dificul-
dades dos ramos enquanto eram pequenos e da
segurança que existe na observância das palavras
dos apóstolos e profetas.
Um Testemunho para Hoje
O Novo Testamento revela que, em épocas de
incerteza, mesmo que alguns não dessem ouvi-
dos à mensagem do evangelho, havia segurança
para aqueles que “perseveravam na doutrina dos
apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão,
e nas orações” (Atos 2:42). Outros exemplos
nos ensinam que até os justos são testados (ver
I Coríntios 10:13) e que, em sua essência, a men-
sagem do evangelho é tão simples hoje quanto o
era há dois mil anos: “A religião pura e imaculada
para com Deus, o Pai, é esta: Visitar os órfãos e
as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se da
à diReita: ilustRação de adaM kofoRd
corrupção do mundo” (Tiago 1:27). Assim como
Doutrina e Convênios, em que o Profeta Joseph
Smith prestou testemunho de “que ele vive!”
(D&C 76:22), o Novo Testamento presta um teste-
munho semelhante de que a tumba estava vazia
na manhã de Páscoa: “Ele não está aqui, porque
já ressuscitou” (Mateus 28:6). ◼
Como apóstolo, souchamado para Minha decepção com esses achados só se atenuou
servir de testemunha da doutrina, em parte por outros achados de Lawrence e suas obser-
vações de que, no tocante à religião, os americanos
da obra e da autoridade de Cristo
tendem a ser “profundamente religiosos”, mas “extrema-
em todo o mundo. Nessa atribuição, mente ignorantes”. No grupo de entrevistados, 68 por
presto testemunho da veracidade cento disseram, por exemplo, que oravam pelo menos
dessas premissas de nossa fé. várias vezes por semana, e 44 por cento afirmaram assis-
tir a serviços religiosos quase todas as
semanas. Entretanto, só metade conse-
guia citar pelo menos um dos quatro
evangelhos — a maioria era incapaz de
identificar o primeiro livro da Bíblia, e
dez por cento achavam que Joana d’Arc
era a esposa de Noé. 4
Muitos fatores contribuem para a
ignorância reinante em assuntos reli-
giosos, mas um deles é certamente a
hostilidade ou indiferença para com a
religião que existe no ensino universi-
tário. Com apenas algumas exceções,
as faculdades e universidades torna-
ram-se locais desprovidos de valores,
onde as atitudes para com a religião
são, na melhor das hipóteses, neutras.
Os alunos e outras pessoas religiosas
que creem na realidade viva de Deus
e em leis morais absolutas estão sendo
marginalizados.
Parece irrealista esperar que o meio
acadêmico como um todo reassuma um
papel de destaque no ensino de valores
morais. Isso vai continuar sendo um atri-
buto do lar, das igrejas e das faculdades
e universidades vinculadas a denomina-
ções religiosas. Só nos resta esperar que
tenham sucesso nessa missão vital. O
meio acadêmico pode aspirar à neutrali-
dade em questões de certo e errado, mas
a sociedade não pode sobreviver com
base em tal neutralidade.
Escolhi três grupos de verdades para
apresentar como princípios fundamentais da fé exercida
pelos santos dos últimos dias:
Janeiro de 2011 27
30.
1
1. A natureza de Deus, incluindo o papel dos membros da Afirmamos que os membros da Trindade
Trindade, e a verdade correlata de que existem valores são três seres separados e distintos, e que
morais absolutos. Deus o Pai não é um espírito, mas um
2. O propósito da vida. Ser dotado de um corpo tangível, assim como
3. A fonte tríplice da verdade sobre o homem e o uni- Seu Filho ressuscitado, Jesus Cristo. Embora
verso: a ciência, as escrituras e a revelação contínua —
tenham identidade independente, Eles são
e como podemos conhecê-las.
unos em propósito.
1. A Natureza de Deus
Minha primeira premissa fundamental
de nossa fé é a de que Deus é real, como
são reais as verdades e os valores eternos
que não podem ser provados por métodos
científicos atuais. Essas ideias estão inevita-
velmente ligadas. Assim como outras pes-
soas que têm fé, proclamamos a existência
do legislador supremo, que é Deus, nosso
Pai Eterno, e a existência de leis morais
absolutas. Rejeitamos o relativismo moral
que está tornando-se o credo implícito de
boa parte da cultura moderna.
Para nós, a verdade sobre a natureza de
Deus e nosso relacionamento com Ele é a
chave para tudo o mais. De modo signifi-
cativo, nossa crença na natureza de Deus é
o que nos distingue dos credos formais da
maioria das denominações cristãs. Nossas
Regras de Fé começam da seguinte forma:
“Cremos em Deus, o Pai Eterno, e em Seu
Filho, Jesus Cristo, e no Espírito Santo”
(versículo 1).
Temos a crença na Trindade em comum
com o restante da cristandade, mas seu sig-
A primeirA viSão, de gaRy l. kapp, RepRodução pRoibida
nificado para nós é diferente do partilhado
pela maioria. Afirmamos que esses três
membros da Trindade são três seres separa-
dos e distintos, e que Deus o Pai não é um
espírito, mas um Ser dotado de um corpo
tangível, assim como Seu Filho ressuscitado,
Jesus Cristo. Embora tenham identidade
independente, Eles são unos em propósito.
Afirmamos que Jesus fez alusão a essa relação quando orou
ao Pai rogando que Seus discípulos “[fossem] um”, assim
28 A L i a h o n a
31.
como Jesus eSeu Pai o são ( João 17:11) — unidos em afirmar? Jesus Cristo é o Filho Unigênito de Deus, o Pai
propósito, mas não em identidade. Nossa crença singular Eterno. Ele é o Criador. Por meio de Seu ministério mortal
de que “o Pai tem um corpo de carne e ossos tão tangível incomparável, Ele é nosso Mestre. Graças a Sua Ressurrei-
como o do homem; o Filho também; mas o Espírito Santo ção, todos os que já viveram ressuscitarão dos mortos. Ele
não tem um corpo de carne e ossos, mas é um personagem é o Salvador, cujo sacrifício expiatório permite que sejamos
de Espírito” (D&C 130:22) é vital para nós. Contudo, como perdoados de nossos pecados pessoais, a fim de sermos
demonstram as entrevistas de Gary Lawrence, não conse- purificados e podermos regressar à presença de Deus,
guimos até o momento explicar com eficácia essa crença a nosso Pai Eterno. Essa é a mensagem central dos profetas
todos. 5 de todas as épocas. Joseph Smith declarou esta verdade
Nossa crença na natureza de Deus provém do que cha- grandiosa em nossa terceira regra de fé: “Cremos que, por
mamos de Primeira Visão, que deu início à Restauração da meio da Expiação de Cristo, toda a humanidade pode ser
plenitude do evangelho de Jesus Cristo. Joseph Smith, um salva por obediência às leis e ordenanças do evangelho”.
menino de quatorze anos de idade, sem instrução formal, Como membros da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos
que queria saber a qual igreja filiar-se, recebeu uma visão Últimos Dias, testificamos juntamente com o rei Benjamim,
na qual viu “dois Personagens” de “esplendor e glória” profeta do Livro de Mórmon, “que nenhum outro nome se
indescritíveis. Um Deles apontou para o outro e disse: dará, nenhum outro caminho ou meio pelo qual a salvação
“Este é Meu Filho Amado. Ouve-O!” ( Joseph Smith—His- seja concedida aos filhos dos homens, a não ser em nome e
tória 1:17). Deus o Filho disse ao jovem profeta que todos pelo nome de Cristo, o Senhor Onipotente” (Mosias 3:17).
os “credos” das igrejas daquela época “eram uma abo- Por que Cristo é o único caminho? Como Ele conseguiu
minação a sua vista” ( Joseph Smith—História 1:19). Essa romper os laços da morte? Como Lhe foi possível tomar
declaração divina condenava os credos, mas não os segui- sobre Si os pecados de toda a humanidade? Como pode
dores fiéis que neles acreditavam. nosso ser impuro e pecador ser purificado e nosso corpo
A Primeira Visão de Joseph Smith mostrou que os con- ser ressuscitado por Sua Expiação? Esses são mistérios
ceitos dominantes sobre a natureza de Deus e da Trindade que não compreendo plenamente. Para mim, o milagre da
não eram verdadeiros, sendo incapazes de conduzir seus Expiação de Jesus Cristo é incompreensível, mas o Espírito
seguidores ao destino que Deus desejava para eles. Reve- Santo concedeu-me um testemunho de sua veracidade, e
lações subsequentes em escrituras modernas ressaltaram o regozijo-me por poder passar minha vida proclamando-o.
significado dessa verdade fundamental e nos concederam
o Livro de Mórmon. Esse novo livro de escrituras é uma 2. O Propósito da Vida Mortal
segunda testemunha de Jesus Cristo. Confirma as profecias Minha segunda premissa fundamental diz respeito ao
e os ensinamentos bíblicos sobre a natureza e missão de propósito da vida mortal. Resulta de nossa compreensão
Cristo. Aumenta nossa compreensão de Seu evangelho e dos desígnios de Deus, o Pai Eterno, e relaciona-se a nosso
de Seus ensinamentos durante Seu ministério terreno. Traz destino como Seus filhos. Nossa doutrina começa com a
também muitos ensinamentos e exemplos de revelações garantia de que, antes de virmos a esta Terra, vivemos como
por meio das quais podemos saber a veracidade dessas espíritos. Afirma que esta vida mortal tem um propósito. E
coisas. ensina que nossa aspiração mais elevada é a de tornar-nos
Esses ensinamentos explicam nosso testemunho de como nossos pais celestiais, o que nos permitirá perpetuar
Cristo. Não estamos alicerçados na sabedoria do mundo nosso relacionamento familiar por toda a eternidade. Fomos
ou nas filosofias dos homens —, por mais tradicionais ou enviados à Terra para adquirir um corpo físico e — por
respeitadas que sejam. Nosso testemunho de Jesus Cristo meio da Expiação de Jesus Cristo e pela obediência às leis e
baseia-se nas revelações de Deus concedidas a Seus profe- ordenanças de Seu evangelho — para qualificar-nos para a
tas e a nós, individualmente. condição glorificada e os relacionamentos celestiais que se
O que nosso testemunho de Jesus Cristo nos leva a chamam exaltação ou vida eterna.
Janeiro de 2011 29
32.
2
Somos conhecidos, com razão, como uma Igreja centra- Nossa teologia afirma que esta vida
lizada na família, mas o que nem sempre se compreende mortal tem um propósito. E ensina que
bem é que nosso enfoque na família não se limita aos rela- nossa aspiração mais elevada é a de
cionamentos mortais, mas também é uma questão teoló- tornar-nos como nossos pais celestiais, o que
gica fundamental. No grande plano do amoroso Criador, nos permitirá perpetuar nossos relaciona-
a missão de Sua Igreja é ajudar-nos a alcançar a exaltação
mentos familiares por toda a eternidade.
no reino celestial, e isso só pode acontecer por meio do
casamento eterno entre um homem e uma
mulher (ver D&C 131:1–3).
Minha fiel mãe viúva não tinha a menor
dúvida sobre a natureza eterna dos rela-
cionamentos familiares. Sempre honrava
a posição de nosso pai fiel falecido. Ela
tornou-o presente em nosso lar. Falava
da duração eterna de seu casamento no
templo e de nosso destino juntos como
família na vida vindoura. Sempre nos
ajudava a lembrar o que nosso pai gostaria
que fizéssemos a fim de estarmos à altura
da promessa do Salvador de que seríamos
uma família eterna. Ela jamais se referiu
a si mesma como viúva, e nunca me veio
à ideia que o fosse. Para mim, em minha
infância e adolescência, ela não era viúva.
Ela tinha marido, e nós tínhamos pai. Ele
apenas estava afastado temporariamente.
Afirmamos que o casamento é necessá-
rio para o cumprimento do plano de Deus
de proporcionar o ambiente aprovado
para o nascimento mortal e de preparar
os membros da família para a vida eterna.
O conhecimento do plano de Deus dá
aos membros da Igreja uma perspectiva
única sobre o casamento e os filhos. Con-
sideramos a concepção e a criação de
ilustRação fotogRáfica: lauReni focHetto
filhos parte do plano de Deus e um dever
sagrado para aqueles que receberam o
poder de participar dele. Cremos que os
maiores tesouros do céu e da Terra são
nossos filhos e nossa posteridade. E acre-
ditamos que temos de lutar para ter o tipo
de família mortal que proporcionará as melhores condi-
ções para o desenvolvimento e a felicidade das crianças
30 A L i a h o n a
33.
— de todasas crianças. com nossos progenitores e nossa posteridade.
A capacidade de criar a vida mortal é o mais sublime A teologia do evangelho restaurado de Jesus Cristo é
poder concedido por Deus a Seus filhos. O uso desse abrangente, universal, misericordiosa e verdadeira. Se segui-
poder criador foi ordenado no primeiro mandamento: rem a experiência necessária da vida mortal, todos os filhos
“Frutificai e multiplicai-vos” (Gênesis 1:28). Outro manda- de Deus ressuscitarão um dia e irão para um reino de glória
mento importante proibiu seu mau uso: “Não adulterarás” mais maravilhoso do que qualquer mortal é capaz de con-
(Êxodo 20:14) e “[abstende-vos] da prostituição” (I Tessalo- ceber. Com poucas exceções, até mesmo as pessoas muito
nicenses 4:3). A ênfase que damos a essa lei de castidade más acabarão indo para um reino de glória maravilhoso —
explica-se por nossa compreensão do propósito de nosso embora menor. Tudo isso ocorrerá em virtude do grande
poder criador no cumprimento do plano de Deus. amor de Deus por Seus filhos, e tudo foi possibilitado pela
Há muitas pressões políticas, jurídicas e sociais no Expiação e Ressurreição de Jesus Cristo, “que glorifica o Pai
sentido de efetuar mudanças que confundem a identidade e salva todas as obras de suas mãos” (D&C 76:43).
sexual, diminuem a importância do casamento ou mudam
sua definição ou nivelam as diferenças entre homens e 3. Fontes da Verdade
mulheres, que são essenciais para o cumprimento do Os santos dos últimos dias interessam-se muito pela
grande plano de felicidade de Deus. Nossa perspectiva busca de conhecimento. Brigham Young (1801–1877)
eterna faz com que nos oponhamos a tais mudanças. expressou isso como ninguém: “[Nossa] religião (…)
Por fim, nossa compreensão do propósito da vida [incentiva-nos] a procurar diligentemente adquirir conhe-
mortal inclui algumas doutrinas singulares sobre o que cimento. Não existe no mundo outro povo mais ansioso
ocorre após a mortalidade. Assim como os demais cris- para ver, ouvir, aprender e compreender a verdade”. 6
tãos, cremos que, ao deixar esta vida, vamos para um céu Em outra ocasião, explicou que exortamos nossos
(paraíso) ou para um inferno. Mas para nós essa divisão membros a “[crescerem] em conhecimento (…) em todos
binária de justos e iníquos é meramente temporária: ocor- os ramos (…), [pois toda] a sabedoria, todas as artes e
rerá apenas enquanto os espíritos dos mortos aguardam a ciências do mundo pertencem a Deus e têm como propó-
ressurreição e o Juízo Final (ver Alma 40:11–14). Os desti- sito o benefício de Seu povo”. 7
nos atribuídos por ocasião do Juízo Final serão bem mais Buscamos conhecimento, mas o fazemos de um modo
diversos, e trata-se de uma demonstração da magnitude do todo especial, pois cremos que há duas dimensões de
amor de Deus por Seus filhos — todos eles. conhecimento: a material e a espiritual. Buscamos conhe-
O amor de Deus é tão grande que Ele exige que Seus cimento na dimensão material pelo estudo científico, e na
filhos obedeçam a Suas leis porque somente por meio da dimensão espiritual pela revelação. A revelação é a comu-
obediência poderão progredir rumo ao destino final que Ele nicação de Deus com o homem — concedida a profetas e
deseja para eles. Assim, no Juízo Final seremos designados a todos nós, caso a busquemos.
ao reino de glória que corresponder a nosso grau de obe- A revelação é nitidamente uma das características dis-
diência a Sua lei. Na segunda epístola aos coríntios, o Após- tintivas de nossa fé. O Profeta Joseph Smith foi orientado e
tolo Paulo narrou a visão de um homem “arrebatado ao edificado por um fluxo contínuo de revelações no decorrer
terceiro céu” (II Coríntios 12:2). No contexto da ressurreição de sua vida. A profusão de revelações que ele recebeu e que
dos mortos, ele descreveu “corpos” com glórias diferentes, foram publicadas, inclusive o Livro de Mórmon e Doutrina
como a respectiva glória do sol, da lua e das estrelas. Refe- e Convênios, é uma demonstração de seu chamado único
riu-se aos dois primeiros como “corpos celestes e corpos como Profeta desta última dispensação dos tempos. Nessas
terrestres” (ver I Coríntios 15:40–42). Para nós, a vida eterna revelações proféticas — concedidas a Joseph Smith e seus
na glória celeste, a mais elevada, não é uma união mística sucessores que presidiram a Igreja — Deus revelou verdades
com um deus-espírito incompreensível. Na verdade, a vida e mandamentos a Seus profetas-líderes para o esclarecimento
eterna é a vida familiar com um Pai Celestial amoroso e de Seu povo e para o governo e a direção de Sua Igreja.
Janeiro de 2011 31
34.
3
Esse é o tipo de revelação descrita no ensinamento do Buscamos conhecimento na dimensão
Velho Testamento de que “o Senhor Deus não fará coisa material pelo estudo científico e na
alguma, sem ter revelado o seu segredo aos seus servos, dimensão espiritual pela revelação.
os profetas” (Amós 3:7). Joseph Smith declarou: “A Igreja A revelação é a comunicação de Deus com
de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias foi alicerçada o homem — concedida a profetas e a todos
sobre a revelação direta, como sempre aconteceu com a
nós, caso a busquemos.
verdadeira Igreja de Deus”. 8 Ele indagou: “Tirem o Livro
de Mórmon e as revelações e onde está
nossa religião?” E respondeu: “Não temos
nenhuma”. 9
Joseph Smith também ensinou que,
como a revelação não cessou com os pri-
meiros apóstolos, mas continua em nossos
dias, cada pessoa pode receber revelação
pessoal para sua conversão, compreensão e
tomada de decisões. “É privilégio dos filhos
de Deus achegar-se a Ele e receber revela-
ção”, afirmou ele. “Deus não faz acepção de
pessoas; todos temos o mesmo privilégio.” 10
O Novo Testamento descreve esse tipo
de revelação. Quando Pedro, por exem-
plo, afirmou sua convicção de que Jesus
era o Filho de Deus, o Salvador declarou:
“Porque to não revelou a carne e o sangue,
mas meu Pai, que está nos céus” (Mateus
16:17).
A revelação pessoal — às vezes cha-
mada de “inspiração” — chega de várias
formas. Na maioria das vezes, é por meio
de palavras e pensamentos que chegam à
mente por lampejos súbitos ou sentimen-
tos positivos ou negativos sobre linhas de
ação propostas. Em geral, vem em resposta
a pedidos sinceros e fervorosos. Jesus ensi-
nou: “Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e encon-
trareis; batei, e abrir-se-vos-á” (Mateus 7:7).
A revelação chega a nós quando guarda-
ilustRação fotogRáfica: RutH sipus
mos os mandamentos de Deus e assim
merecemos a companhia e a comunicação
do Espírito Santo.
Alguns não entendem como os membros
da Igreja aceitam os ensinamentos de um profeta moderno
para guiar sua vida pessoal — algo incomum na maioria das
32 A L i a h o n a
35.
tradições religiosas. Nossaresposta para a acusação de que compreendermos as escrituras, precisamos de inspiração
os membros da Igreja seguem seus líderes num ato de “obe- pessoal do Espírito do Senhor para iluminar-nos a mente.
diência cega” é justamente a revelação pessoal. Respeitamos Consequentemente, incentivamos nossos membros a estudar
nossos líderes e consideramos que são inspirados em sua as escrituras e, em espírito de oração, buscar inspiração para
administração da Igreja e em seus ensinamentos. Mas todos saber o significado delas por si mesmos. O conhecimento
temos o privilégio e o incentivo de mais sublime nos vem pela reve-
confirmar os ensinamentos deles lação pessoal por intermédio do
buscando e recebendo confirmação, DIVULGAR ESTE ARTIGO Espírito Santo.
em espírito de oração, diretamente
de Deus, por revelação pessoal.
A maioria dos cristãos crê que
a
oaks:
s ideias a seguir podem ajudá-lo
a divulgar o artigo do Élder
Jesus ensinou: “Pelos seus fru-
tos os conhecereis” (Mateus 7:20).
Para mim, para incontáveis segui-
Deus encerrou o cânone das escri- dores e para muitos observado-
turas — a coleção autorizada de • em espírito de oração, pense em res, os frutos são bons — bons
livros sagrados usados como escri- um amigo que poderia benefi- para os membros, para as famí-
turas — pouco depois da morte ciar-se da leitura do artigo. ao visi- lias, para as comunidades e para
de Cristo e que desde aquela tá-lo, reflita sobre a possibilidade as nações. Os milhões de dólares
época não houve revelações com- de testemunhar, de modo simples, em mantimentos e serviços que A
paráveis. Joseph Smith ensinou como o evangelho abençoou sua Igreja de Jesus Cristo dos Santos
e demonstrou que o cânone de vida. dos Últimos Dias e seus membros
escrituras permanece aberto. 11 De • Pense na possibilidade de partilhar despendem com serenidade e
fato, está aberto de duas formas, esse artigo eletronicamente. visite eficácia, em resposta a tragédias
e a ideia da revelação contínua é www.liahona.lds.org, localize como o terremoto do Haiti, ocor-
crucial para ambas. o artigo na edição de janeiro e rido em janeiro de 2010, são uma
Primeiramente, Joseph Smith clique em “Share”. na mensagem evidência desse fato.
ensinou que Deus guiará Seus filhos que mandar juntamente com o Como apóstolo, sou chamado
adicionando revelações ao cânone artigo, você pode comentar como para servir de testemunha da
de escrituras. O Livro de Mórmon é lhe são significativas as doutrinas doutrina, da obra e da autoridade
um desses acréscimos. O mesmo se básicas abordadas pelo Élder oaks. de Cristo em todo o mundo. Nessa
dá com as revelações contidas em atribuição, presto testemunho da
Doutrina e Convênios e na Pérola veracidade dessas premissas de
de Grande Valor. A revelação contí- nossa fé. ◼
nua é necessária para recebermos o que Senhor deseja que O texto completo em inglês encontra-se em www.LDS.org/fundamental-
compreendamos e façamos em nosso próprio tempo e em premises-of-our-faith.
nossas circunstâncias.
NOTAS
Em segundo lugar, a revelação contínua abre o cânone 1. Gary C. Lawrence, How Americans View Mormonism [Como os Ameri-
à medida que os leitores das escrituras, sob a influência do canos Enxergam o Mormonismo], 2008, p. 32.
2. How Americans View Mormonism, p. 34.
Espírito Santo, encontram novo significado e nova orien- 3. Ver How Americans View Mormonism, p. 42.
tação para suas circunstâncias pessoais. O Apóstolo Paulo 4. Ver How Americans View Mormonism, p. 40.
5. Ver How Americans View Mormonism, p. 49.
escreveu que “toda a Escritura é divinamente inspirada” 6. Ensinamentos dos Presidentes da Igreja: Brigham Young, 1997, p. 194.
(II Timóteo 3:16; ver também II Pedro 1:21) e que “nin- 7. Ensinamentos dos Presidentes da Igreja: Brigham Young, 1997, p. 193.
8. Ensinamentos dos Presidentes da Igreja: Joseph Smith, 2007, p. 203.
guém sabe as coisas de Deus, senão [aquele que tem] o 9. Ensinamentos dos Presidentes da Igreja: Joseph Smith, 2007, p. 204.
Espírito de Deus” (I Coríntios 2:11; ver a nota de rodapé 10. Ensinamentos dos Presidentes da Igreja: Joseph Smith, 2007, p. 138.
11. Ver Ensinamentos dos Presidentes da Igreja: Joseph Smith, 2007,
de Joseph Smith Translation). Isso significa que, a fim de pp. 215–224, 277–278.
Janeiro de 2011 33
Jovens
RECONHECIMENTO DAS MOçAS
Ao concluírem o Progresso Pessoal, vocês devem regis-
trar seu testemunho no diário e passar por uma entrevista
com o bispo ou presidente de ramo. Assim terão preen-
chido os requisitos para receber seu Reconhecimento
das Moças. O medalhão foi modificado para incluir os
símbolos dos grupos etários, além do templo. Contém
ainda um pequeno rubi encravado no centro da rosa das
Meninas-Moças. O rubi simboliza que vocês concluíram
seu Progresso Pessoal e o novo valor Virtude. O rubi é
para ressaltar que uma jovem virtuosa é preciosa e que
“seu valor muito excede ao de rubis” (Provérbios 31:10).
PINGENTE DE HONRA
DA ABELHINHA
Depois de conquistarem seu
medalhão, vocês podem dar o
passo seguinte e empenhar-se
para receber a Honra da Abelhi-
nha lendo o Livro de Mórmon
novamente e prestando mais
serviço, como ajudar outra
moça com o Progresso
Pessoal.
M oças l
LIVRETO DO PRO-
Pes soa
o
ress
GRESSO PESSOAL
og
Quando concluí-
Pr
rem as experiências e o
projeto relativos a deter-
minado valor, receberão um
adesivo dourado a ser colado
no final do livreto do Progresso
Pessoal. Anotem a data na qual
cumpriram os requisitos desse valor.
Seu livreto e seu diário se tornarão
seu registro pessoal de todas as coisas
boas que estão realizando.
Jovens
1. Aprender: Estaparte da ati- 2. Agir: Nesta parte da atividade, 3. Compartilhar: Depois de
vidade orienta seus esforços no intuito de vocês seguem seu plano e anotam seus seguirem seu plano, vocês terão a opor-
aprender sobre um princípio do evangelho pensamentos e sentimentos sobre suas tunidade de externar seus pensamentos e
ou um dever do sacerdócio. Inclui instru- experiências. sentimentos para familiares, membros do
ções para vocês elaborarem seu próprio quórum e outros.
“Nós, os rapazes do ramo, decidimos
plano com base no que aprenderam.
traçar a meta de correr juntos. Gostamos “Ao compartilharmos, sentimos
“Assim podemos aprender espiritual- muito de planejar isso em conjunto e vontade de continuar a conversar com
mente sobre os deveres do sacerdócio de buscar uma forma física melhor em as pessoas, pois [compartilhar] melhora
antes de cumpri-los.” grupo.” nossa compreensão.”
Portador do Sacerdócio Aarônico dos Estados Portador do Sacerdócio Aarônico da Portador do Sacerdócio Aarônico dos Estados
Unidos Guatemala Unidos
“Gostei da ideia de identificar coisas “O livreto (…) é como uma agenda ou “Foi bom poder conversar com meus
que podem realmente me ajudar como diário em que podemos (…) fazer uma pais.”
pessoa.” autorreflexão. É muito bom passar por Portador do Sacerdócio Aarônico das Filipinas
Portador do Sacerdócio Aarônico da esse processo.” “Em nossa reunião de quórum, gostá-
Guatemala
Portador do Sacerdócio Aarônico dos Estados
Unidos
vamos de conversar sobre nossas metas: o
“Gostei das seções de estudo das que estávamos fazendo individualmente e
escrituras e de oração e fiz aquelas coisas “Tenho dificuldade para achar tempo de que forma aquilo nos ajudava.”
e continuo fazendo. Estou me preparando para estudar as escrituras. (…) As metas Portador do Sacerdócio Aarônico da
para servir como missionário.” que fiz de ler as escrituras e orar me Guatemala
Portador do Sacerdócio Aarônico das Filipinas ajudaram a organizar meu tempo e a me
concentrar. Isso fez muita diferença para
mim, e senti o Espírito ao agir assim.”
Portador do Sacerdócio Aarônico das Filipinas
DDi ác on o
iá co no
agir
agir que estudarei:
estudarei:
mente or da Juvntude e e
Juve entud qu
ViVer Digna ente
nam
ra o Vig da
Seções de Parao Vigor
Seções de Pa
ViVer Dig
aprender
aprender “Arrependimen em
to” em
▪▪▪Leia a seção“Arrependimento”reva
o
▪▪▪Leia aoseçãor da Juventude,eeescreva
esc
Para Vig da Juventude,
Para o resgorstas para as perguntasaa
Vi
po rguntas
“Eis que aquele que suas tas para as pe diá
e suas resposum caderno oudiárrio: es padrõese
que aquele qu
sarrependeu de seus seguir emum caderno ou io: ses padrões e
ra viver ess
farei paraviver es
“Ei
se
eu de seu
se arrependperdoado
s
seguir em ecí as quefarei pa
pe fic que
pecados é u sobre a
e você aprende sobre a Atividades esp cíficas
Atividades es o:
e eu, o é
perdo
pecadosSenhor, dele
ado s 1. O qu você aprendeu s fazer omessm
me mo:
1. O que ção e o arrependimento tros a er o
ajudar os outro a faz
enão maisnhor, bro”
eu, o Se me lem
deles Expia ndimento ajudar os ou
lembro” ão e o arrepe
Expiaçseção?
não ma58:me .
(D&C is 42) nesta
(D&C 58:42 ). nesta seção?
r
ajudá-lo a cresce
endimento pode dá-lo a crescer
2. Como o arrep ndimento pode aju
repe
2. Como o ar ente?
espiritualm te? ea
to, a Expiação
espiritualmen entre o arrependimento, a Expiação e a
o en
3. Qual a relaçã entre o arrependim
lação
3. Qual a re e pessoal?
dignidad ssoal?
dignidade pe com os
com seus pais ou m os
suas respostas m seus pais ou co
Converse sobre suas respostas cosobre como o arrependi-
Converse do qusobre órum. Converse
bre como o arrependi-
e
membros . Converse so ra entrar no templo e
os aju órum
qu -se pa
membrvaido dá-lo a preparar -se para entrar no tem
plo
Compartilhar
e
mento eparar as. Estude e apliiqu
ude apl que
i ajudá-lo a pr
mento var de ordenanças sagrad as. Compartilh inamentos das
os ensinamentos
participa ordenanças
sagrad da r ses drões,
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ões,
participar de de Para o Vigor da r e aplica es
▪▪▪▪▪Após estudar e aplic ári e
seções “Vestuário
oe
s outras seções Para o Vigor
pelo menos trê s outras seções demente. Estude os ▪ Após estuda os
os seções “Vestu
▪▪▪Escolha seus pais ou com
pais ou com são e
iversão e
lo m enos trê -lo a viver digna ente. Estude os compartillhe com seus
comparti
he com Aparência”, “Diver
Aparência”, “D
▪▪▪Escolha pe e vão ajudá -lo a viver dignam
Juventude qu e vão ajudá á para viver o que aprendeu,,
e aprendeu gem ”
nguagem”
a o que você far para viver ros do quórum o qu
memb os do quórum Mídia”, ou “Lingua
Mídia”, ou “Li
Juventes e qu s seções e escrev o que você fará o.
ud membr o
vida e o tip o em Pa a o Vig da
em Parra o Vigor
or da
drõ dessa seções e escreva fazer o mesm nci sua vida e o tip
fluen a sua
pa
ssas ajudar os outros a como isso influe cia
como isso in Juventude.
Juventude.
padrões de er o mesmo. to nando.
á-se torrnando.
esses padrões e ajudar os outros a faz e você esttá-se
de pessoa que você es
es ses padrões
e de pessoa qu
17
17
42.
Vozes da Ig re ja
Eu PodEria dEixar Minha Bisavó?
Q uando fiz 21 anos de idade, senti
o desejo de servir como missio-
nário. Minha bisavó, Margarita Sippo
ala estavam-me treinando nas respon-
sabilidades do sacerdócio. Por conta
disso, tentei ser fiel.
verdade iria para a Colômbia! Ape-
sar de minhas preocupações inces-
santes, minha bisavó incentivou-me
de Lallana, apoiou minha decisão, Minha bisavó, porém, permaneceu a ir. Logo antes de minha partida,
embora isso significasse que ela ficaria menos ativa e ia às reuniões ape- prometeu que voltaria para a Igreja
sozinha. Ela me criara desde pequeno, nas esporadicamente. No entanto, já no domingo seguinte e que iria
e minha preocupação era quem cui- apoiou minha decisão de servir, pois ao templo antes de minha volta. Era
daria dela em minha ausência. no fundo sabia que o evangelho era difícil acreditar, mas aquela pro-
Tínhamos sido batizados em 1978, verdadeiro. messa aliviou um pouco a dor da
quando eu tinha onze anos de idade Quando enviei os papéis para a separação.
e minha bisavó, 73. Pouco tempo missão, em 1990, a maioria dos mis- Enquanto eu estava na missão,
depois, paramos de ir às reuniões, sionários chamados de Córdoba servia ela fez exatamente o que prometera.
mas irmãos atenciosos da Igreja vie- nas Missões Buenos Aires Norte ou Embora tivesse mais de 80 anos, não
ram nos visitar. Sul. Eu tinha certeza de que seria só passou a frequentar todas as reu-
Fiquei ativo de novo, e os membros chamado para uma daquelas duas niões, mas o fazia com pontualidade.
da ala estavam ansiosos por minha missões e que assim não estaria muito Preparou-se para ir ao Templo de
ordenação. “Vamos ter um diácono!” longe de minha bisavó. Buenos Aires Argentina e de fato foi.
diziam eles, animados. Naquela época, Algum tempo depois, quando Ao voltar de sua primeira cara-
nossa ala não contava com portadores meu presidente de vana ao templo, numa viagem de
do Sacerdócio Aarônico. Tornei-me estaca me telefo- ônibus noturna de doze horas de
presidente do quórum dos diáconos, nou, disse-me que duração, minha avó chegou à capela
pois não havia nenhum outro diácono. eu precisaria tirar de nossa ala, às 8h30 da manhã, num
No começo, não entendi por que passaporte, pois na domingo, pouco antes do início das
recebera um cargo assim, mas com o reuniões. Nosso presidente de
tempo compreendi que os líderes da estaca, Rúben Spitale, disse
L ogo antes de
minha partida
para a missão,
a ela: “Permita-me levar a
senhora para descansar em
casa”.
minha bisavó “Não”, respondeu ela. “Vou
menos ativa pro- para a Igreja.” E assim o fez.
meteu que volta- Depois que voltei da mis-
ria para a Igreja são, fomos ao templo juntos
já no domingo três vezes, antes de ela falecer
seguinte e que no ano 2000. Por causa de
iria ao templo minha missão, ambos fomos
antes de minha
Ilustrações: GreGG thorkelson
abençoados. Se eu tivesse
volta. ficado em casa, estou conven-
cido de que nenhuma dessas
bênçãos teria acontecido. ◼
Hugo Fabián Lallana, Córdoba,
argentina
40 A L i a h o n a
43.
dEMos ouvidos
ao EsPírito
C erta manhã, eu e meu compa-
nheiro missionário decidimos
sair para fazer contatos de porta em
porta numa pequena comunidade de
nossa área de proselitismo no sul N ão tínha-
mos a
menor inten-
das Filipinas. Enquanto estávamos
ocupados batendo em portas, ção de voltar
um homem aproximou-se de para ensinar o
nós e perguntou o que estáva- homem naquela
mos fazendo. Era fácil perceber noite, mas nos
que ele estava alcoolizado. dias seguintes,
Convencidos de que ele não sempre que
estava nem um pouco inte- passávamos
ressado em nossa mensagem, por sua casa,
demos-lhe um folheto sobre o sentia-me
propósito da vida. Em seguida, disse- inspirado a
mos-lhe que se ele lesse o folheto e parar.
não bebesse naquela noite, iríamos à
casa dele para explicar o propósito da
vida. Ele fez que “sim” com a cabeça
e disse que estaria a nossa espera.
Às pressas, seguimos para o compro- noite e, pela primeira vez em sua vida Também fiquei sabendo que a maio-
misso de ensino que tínhamos logo de casados, ficara sem beber. ria de seus parentes se filiara à Igreja.
depois. Envergonhados, pedimos mil Tempos depois, quando voltei a
Não tínhamos a menor intenção de desculpas. Marcamos para voltar na visitar minha antiga área da missão,
voltar para ensiná-lo naquela noite, mesma noite para ensinar o casal. fiquei sabendo que muitas pessoas
mas nos dias seguintes, sempre que Pouco tempo depois, o irmão Guma- tinham-se filiado à Igreja ali por causa
passávamos por sua casa, sentia-me bay (o nome foi modificado) arre- do bom exemplo do irmão Gumabay,
inspirado a parar. No entanto, igno- pendeu-se de seus vícios mundanos, que entregara sua vida nas mãos do
rava de pronto esse sentimento e foi batizado e tornou-se um membro Senhor e O pusera no comando de
justificava minha decisão dizendo respeitável da comunidade. sua família e de suas atividades diárias.
a mim mesmo que ele devia estar Alguns dias após seu batismo, fui Sou muito grato por termos ouvido
embriagado demais para ouvir. transferido para outra área e perdi os sussurros do Espírito que nos
Após alguns dias, a impressão contato com a família. Só me restava inspirou a visitar a família Gumabay.
tornou-se tão forte que não pude esperar que ele permanecesse ativo Por meio dessa experiência, passei
mais resistir. Ao batermos a sua porta, na Igreja e orar para isso. a compreender o que o Senhor quis
fomos recebidos por uma senhora Tempos depois, soube que a dizer ao declarar: “Não necessitam de
surpresa que nos perguntou por que pequena comunidade onde vivia a médico os sãos, mas, sim, os doentes”
não tínhamos voltado antes, con- família Gumabay ganhou um ramo (Mateus 9:12). ◼
forme o prometido. Contou que seu e depois uma ala. O irmão Guma- Michael angelo M. ramírez, Nova
marido esperara por nós naquela bay foi chamado para ser o bispo. zelândia
Janeiro de 2011 41
44.
Vozes da Igreja
LiguE Para os MEstrEs FaMiLiarEs
H á muitos anos, quando nossos
quatro filhos eram pequenos,
meu marido conseguiu emprego em
minha filha estavam vermelhas, e seu
cabelo encharcado de suor. Ela cho-
ramingava de dor, mas os irmãos Bird
olhávamos admirados para a menina.
Pouco depois eles foram embora, e
ainda fiquei acordada várias horas
outro estado, e fiquei sozinha com as e Halverson estavam calmos quando com um bebê que não queria dormir,
crianças, a fim de esperar as duas mais a seguraram. Em seguida, impuseram apenas brincar. Nem me importei.
velhas concluírem o ano letivo. Pouco as mãos sobre sua cabeça, deram-lhe Muitos anos já se passaram desde
tempo antes, novos mestres familiares uma bênção e ordenaram-lhe, em aquela noite em que dois anjos minis-
nos tinham sido designados, os quais nome do Salvador, que fosse curada. tradores em forma de mestres fami-
só tiveram a chance de nos visitar duas Ao abrir os olhos depois da bên- liares abençoaram minha filha. Pouco
vezes antes da partida de meu marido. ção, mal consegui crer no que vi. tempo depois, mudamo-nos para
Certa noite, ao pôr as crianças Minha filha estava dando risadinhas Idaho e perdemos contato com eles,
para dormir, ouvi nossa filhinha, e tentando soltar-se, para brincar. A mas sempre serei grata a dois mes-
ainda bebê, chorando em seu quarto. febre tinha passado! tres familiares bondosos que vieram
Quando a segurei, vi que estava “Senti a temperatura baixar na décima primeira hora à vinha do
ardendo em febre. Pensei em levá-la enquanto proferíamos a bênção”, Senhor. ◼
ao hospital, mas depois de uma disse-me o irmão Bird enquanto diana Loski, Pensilvânia, eUa
olhada rápida nas regras do novo
plano de saúde vi que ele previa
cobertura apenas para os residentes de
Idaho — o estado em que meu marido
estava trabalhando no momento. O
restante da família ainda morava no
estado de Washington.
F iquei apavo-
rada ao medir
a temperatura de
Fiquei apavorada quando medi a minha filha. Ime-
temperatura de nossa filha — 41º C. diatamente caí de
Imediatamente caí de joelhos e orei joelhos e orei
com todo fervor em busca de ajuda. com todo fer-
A resposta que recebi foi algo que vor em busca
nunca me teria vindo à mente espon- de ajuda.
taneamente: “Ligue para os mestres
familiares”.
Já estava ficando tarde, e eu sabia
que os irmãos Halverson e Bird
certamente já estavam dormindo.
Mas mesmo assim peguei o telefone,
liguei para o irmão Bird e contei-lhe
em poucas palavras o meu problema.
Em cinco minutos, às 23h, meus mes-
tres familiares estavam à porta — de
terno e gravata.
Àquela altura, as bochechas de
42 A L i a h o n a
45.
O bispo
disse que
o Senhor queria
que eu ensinasse
MEu BisPo sE na Primária. Eu
adorava crian-
Enganara? ças, mas o
que sabia
N ossa ala acabara de ser dividida,
de modo que quando o bispo
marcou uma entrevista comigo, eu
sobre como
ensiná-
las?
tinha certeza de que receberia um
cargo na nova ala. Eu trabalhava
com as moças e as amava. Elas eram
muito receptivas ao evangelho, e eu
sentia enorme alegria ao ensiná-las.
Certamente o Senhor me permitiria
continuar naquele cargo.
Para minha surpresa, o bispo disse
que o Senhor queria que eu ensinasse
na Primária. Ele com certeza se enga-
nara! Contudo, ele me garantiu que
jejuara e orara e tivera sentimentos
muito fortes acerca de meu chamado.
Eu adorava crianças, mas o que sabia
sobre como ensiná-las?
Durante meus quinze anos de
casamento, a única tristeza minha melhor cessar a autocomiseração e missão de ensino na Primária, no
e de meu marido era o fato de dar o melhor de mim. ramo de idioma laosiano, da Igreja
não termos sido abençoados pelo Foi aí que as bênçãos começaram em Fresno, Califórnia. A coragem
Senhor com filhos. Nossas tentati- a vir. Rapidamente aprendi a amar as daquelas pessoas excepcionais e de
vas de adoção também tinham sido crianças, e elas aprenderam a me amar. seus filhos deu-me forças para seguir
infrutíferas devido a nossos proble- Vi que seu amor era grande o bastante avante sem meu marido.
mas de saúde. para ajudar-me a preencher o vazio em Que alegria especial foi ver os
Confiando no bispo, aceitei o cha- minha vida. Em pouco tempo, era-me jovens que eu ensinara tornarem-se
mado de dar aulas na Primária, mas impossível andar pelos corredores adultos, servirem como missioná-
no fundo continuava reticente. Sentia da capela sem que pelo menos duas rios, casarem-se no templo e cons-
revolta contra o Senhor por não me crianças viessem segurar-me a mão ou tituírem família. Dezenas daquelas
permitir ter filhos, e aquele novo cha- parassem para me abraçar ao passar. crianças “adotivas” ainda param
mado não me agradava. Por sua vez, meu marido foi chamado para me cumprimentar e iluminar
“Por que, Senhor, me pedes isso?” como líder de escoteiros. Em pouco meu dia, e fico feliz ao vê-las no
pensei. “Em Tua sabedoria, foi-me tempo, nossa casa estava cheia de Templo de Fresno Califórnia, onde
negada a oportunidade de ter filhos. crianças e adolescentes. sirvo atualmente.
Por que me pedes para ensinar os Em 1986, meu marido morreu aos Meu serviço na Primária tem-me
filhos dos outros?” 47 anos de idade. Mais uma vez, o abençoado no decorrer de toda a
Orei, debati-me e contendi com o Senhor conhecia minhas necessidades vida. Sou grata por nossos chamados
Senhor, suplicando, em meio a lágri- melhor do que eu mesma. Poucas serem determinados pelo Senhor e
mas, compreensão. Por fim, decidi, semanas após o falecimento de meu não por nós mesmos. ◼
já que aceitara o chamado, que era marido, fui chamada para servir numa jeannie L. sorensen, Califórnia, eUa
Janeiro de 2011 43
46.
Exemplos
Antigos, Promessas
Modernas
Para mim, nunca
foi fácil namorar,
mas adquiro for-
ças ao ver exemplos
de fidelidade nas
escrituras.
nome omitido
E
mbora eu goste da maioria das situações manteve uma atitude positiva e permaneceu
de convívio social, sempre tive dificul- fiel a seus senhores e a Deus (ver Gênesis 37;
dade com relacionamentos românticos. 39–41). Mesmo assim, por treze anos passou
Nunca saí com alguém antes da missão e, por várias situações desagradáveis: uma após
ao voltar para casa depois de dois anos, sen- a outra. Sua diligência aparentemente só
tia-me particularmente inexperiente. serviu para levá-lo à prisão, onde ficou até a
Já se passou uma década e tentei “tudo idade de 30 anos.
o que [pude] fazer” (2 Néfi 25:23) para me Às vezes me pergunto se José chegou a
casar — algo que me foi prometido na bên- se perguntar se Deus por acaso o esquecera,
ção patriarcal — mas ainda não tive êxito. Às quanto tempo ficaria preso ou se viria a ser
vezes fico tentado a me desesperar e a achar solto um dia. Será que os sonhos que José
que nunca encontrarei alguém e, em momen- tivera ainda jovem (ver Gênesis 37:5–11) lhe
tos particularmente sombrios, já exclamei davam esperança de um futuro melhor?
ao orar: “Por favor, ajuda-me. Não sei o que É claro que Deus sem dúvida se lembrava
estou fazendo”. de José, assim como havia se lembrado de
Recentemente, achei bastante consolo em sua mãe, Raquel (ver Gênesis 30:22). José
exemplos das escrituras. As três histórias a foi abençoado para que prosperasse até nas
seguir foram particularmente marcantes para situações mais ingratas. Em vez de resolver
ajudar-me a confiar no Pai Celestial e em Seu rebelar-se, zangar-se ou amaldiçoar a Deus,
plano. José exerceu uma fé extraordinária. Conse-
quentemente, foi muitíssimo abençoado.
José do Egito: Conservar a Fé Podemos ficar tentados a queixar-nos por
e a Esperança em deus causa de nossas aflições, talvez fechando
Ilustração: Jeff Ward
José foi tirado de casa à força aos dezessete os olhos para as bênçãos que Deus já nos
anos de idade e levado a uma terra estrangeira concedeu. Mas se mantivermos a fé e a espe-
onde poucos tinham as mesmas crenças reli- rança podemos receber bênçãos grandiosas,
giosas que ele. Apesar dessa terrível provação, tal como aconteceu com José. E mesmo que
44 A L i a h o n a
47.
Jovens Adultos
positiva e souber tirar proveito das situações
difíceis, como fez José, no devido tempo — no
tempo do Senhor — Ele “[desnudará] o seu
santo braço” (Isaías 52:10). Meu esforço não
terá sido em vão. Ele vai sem dúvida Se lem-
brar de nós; de fato, Ele está sempre atento e
tem coisas boas reservadas para cada um de
nós, caso permaneçamos fiéis.
abraão: amar a deus sobre todas as
Coisas
Há algum tempo, meu namoro com uma
moça muito querida chegou ao fim. Como eu
já estava preocupado por não estar casado,
fiquei em dúvida se conseguiria achar outra
pessoa com quem tivesse tanta afinidade.
Pouco tempo depois, lembrei-me da oca-
sião em que Abraão recebeu o mandamento
de sacrificar Isaque (ver Gênesis 22:1–14). Per-
cebi que tanto ele quanto eu havíamos sido
obrigados a abdicar de algo que amávamos.
nossa fé não seja recompensada como gosta- Se mantivermos a É claro que minha experiência pessoal nem
ríamos, se conservarmos essa fé poderemos fé e a esperança se compara à de Abraão, mas descobri que a
ter uma vida mais feliz. podemos receber vida dele nos deixou lições que eu poderia
A experiência pessoal de José também bênçãos gran- aproveitar.
demonstra a superioridade do poder e da diosas, tal como Abraão esperou muito tempo para ter um
sabedoria de Deus. Durante muitos anos, aconteceu com filho com Sara. O nascimento de Isaque foi
os esforços de José não pareciam levá-lo a José. E mesmo um milagre, e foi dito a Abraão: “Em Isaque
que nossa fé
lugar algum, mas pela mão de Deus, José foi será chamada a tua descendência” (Hebreus
não seja recom-
solto da prisão e ocupou a segunda posição 11:18). Contudo, o Senhor deu a Abraão o
pensada como
mais importante do reino, logo abaixo do mandamento de sacrificar Isaque. Se Isaque
gostaríamos, se
Faraó (ver Gênesis 41:41–43). Será que José fosse sacrificado, de que forma a semente de
conservarmos essa
teria previsto ou esperado oportunidades tão fé poderemos ter Abraão seria “chamada” em Isaque?
grandiosas? uma vida mais Ciente de que Deus cumpriria Suas pro-
Às vezes fazemos tudo para conseguir algo, feliz. messas, embora sem saber necessariamente
mas nosso empenho, por maior que seja, como, Abraão foi obediente. Seu amor pelo
é insuficiente. Sei que o Pai Celestial pode filho era grande, mas sua reação mostrou
abençoar-nos por nossa fé e obediência com que ele amava o Senhor acima de todas as
bênçãos ainda maiores do que as esperadas ini- coisas. Nós também precisamos demonstrar o
cialmente. Confio que, se eu tiver uma atitude mesmo (ver D&C 101:4–5) e também temos
Janeiro de 2011 45
48.
Zacarias: Crer queas Promessas
de deus são reais
Às vezes não sabemos como as promessas
do Senhor poderão cumprir-se — como a
promessa de que, se desejarmos isso e per-
manecermos fiéis, seremos abençoados com
um casamento eterno. O Presidente Dieter F.
Uchtdorf, Segundo Conselheiro na Primeira
Presidência, ensinou sobre esse paradoxo:
“Pode haver ocasiões nas quais devemos
tomar uma corajosa decisão de ter esperança,
mesmo quando tudo ao nosso redor contradiz
[nossa] esperança”. 1
Zacarias e sua mulher, Isabel, oraram com
fé por um filho e esperaram a vida inteira.
Por fim, Zacarias recebeu de um anjo a pro-
messa de que sua mulher idosa conceberia
e teria um filho que iria preparar o caminho
do Salvador. A bênção era tão grande que foi
incompreensível para Zacarias. Embora um
anjo o tivesse declarado, Zacarias perguntou:
“Como saberei isto?” (Lucas 1:18).
a promessa de grandes recompensas como Ciente de que Assim como Zacarias, podemos habituar-
resultado de nossa perseverança e fidelidade Deus cumpriria nos tanto a ver nossos desejos frustrados
(ver Mateus 24:13). Quando meu relaciona- Suas promessas, — ou as bênçãos prometidas parecer tão
mento terminou, foi difícil virar a página e Abraão foi obe- inatingíveis — que esquecemos que “a Deus
seguir adiante. Por ter recebido a promessa diente. Seu amor tudo é possível” (Mateus 19:26). A história de
de que me casaria, o fato de seguir adiante pelo filho era Zacarias ajudou-me a lembrar que as promes-
parecia destoar do cumprimento daquela pro- grande, mas sua sas mais grandiosas do Pai Celestial são reais
messa. Mas a promessa me trazia esperança, reação mostrou e que Ele sempre as cumpre.
que ele amava o
o que me ajudou a fazer outras tentativas e a As histórias de José, Abraão e Zacarias não
Senhor acima de
mostrar ao Pai Celestial que O amo acima de são as únicas que reforçaram minha fé e me
todas as coisas.
todas as coisas. deram esperança. Há inúmeras histórias nas
A fidelidade de Abraão foi recompensada escrituras de pessoas cuja fé ajudou a lem-
não só com a vida de seu filho, mas também brar-me de acreditar no que o Senhor prome-
com uma posteridade incontável e com outras teu para mim. Mal posso ler um capítulo das
bênçãos (ver Gênesis 22:15–18). Também escrituras hoje sem recordar que o Senhor sem-
seremos recompensados por fazer os sacrifí- pre cumpre Suas promessas. Essa compreensão
cios que Deus nos pede que façamos e por me traz grande esperança para o futuro. ◼
nota
demonstrar amor a Ele. Essa é a essência da 1. Dieter F. Uchtdorf, “O Poder Infinito da Esperança”,
prova de nossa fé. A Liahona, novembro de 2008, p. 21.
46 A L i a h o n a
Jovens
revelação que deuinício à Res- Meu irmão está tendo dificuldade
tauração do evangelho de Jesus para saber que a
Cristo. Quando falamos com o
Pai Celestial individualmente, Igreja é verdadeira.
isso nos permite ser mais recep-
Como posso ajudá-lo?
tivos aos sussurros do Espírito
para nosso benefício.
Contudo, a oração familiar
A poie-o; ele precisa sentir
que é amado — e não
pressionado — pela família. Uma
também é extremamente valiosa, ideia seria perguntar-lhe quais são
pois nos permite aproximar-nos suas dúvidas e seus questiona-
do Pai Celestial e ter experiências mentos. Deixe-o enumerar todas
espirituais com a família. Con- as preocupações dele, sem inter-
forme ensinou o Presidente Kim- rompê-lo, e só depois manifes-
ball: “A Igreja recomenda que a te-se. Talvez as dúvidas sejam de
oração familiar seja feita todas as natureza social ou pessoal, e não
noites e todas as manhãs”. 2 ◼ ligadas à fé. Pode ser que você
Notas
não consiga responder a todas as
1. Spencer W. Kimball, “Pray Always”, dúvidas dele, mas pode tranquili-
Tambuli, março de 1982, p. 2.
2. Spencer W. Kimball, “Prayer”, New zá-lo e lembrar que há soluções.
Era, março de 1978, p. 15. Peça-lhe que ore com você que sente pelo evangelho. Ajude seus
sobre as dúvidas dele e incen- Por fim, mas igualmente entes queridos
a adquirirem
tive-o também a orar sozinho a importante: Lembre que é o Espí-
um testemunho
esse respeito. Seja sensível ao fato rito que presta testemunho da lendo as
de que algumas pessoas podem verdade. Para adquirir um teste- escrituras e
demorar mais do que outras para munho ou perceber que já o tem, ensinando-os
receber respostas, principalmente seu irmão precisa aprender a a reconhecer
o influxo do
espírito de compreensão. Espe- se precisarem passar por esse reconhecer o Espírito Santo. Isso
Espírito Santo.
ra-se que sua família vá respei- processo sozinhas. Você pode ler pode levar tempo e não pode ser
tá-lo por isso, e você conservará com ele sobre a oração e sobre algo forçado. Você pode enume-
o Espírito no coração ao manter como adquirir um testemunho rar fatos o dia inteiro, mas é só
distância de meios impróprios em Alma 32, 3 Néfi 17 ou Morôni por meio de um contato signifi-
de entretenimento. ◼ 10. Também pode incentivá-lo cativo com o Espírito que ele vai
a conversar com os pais, com adquirir um testemunho.
o bispo ou presidente de ramo Ore por ele, incentive-o,
ou com outros membros fiéis da apoie-o e ouça-o, mas lembre
Igreja que já tenham passado por que ele tem liberdade de esco-
dificuldades semelhantes. lha. Ele vai tomar decisões mais
Caso se sinta inspirado, pres- sábias se seguir a orientação do
te-lhe testemunho. Diga-lhe o Espírito. ◼
Envie suas perguntas por e-mail para liahona@LDSchurch.org, escrevendo “To the Point”
no campo Assunto.
Janeiro de 2011 49
52.
do C aMPoMIssIoNárIo
Na PreseNça de
Anjos
Quando fui designado como missionário, meu presidente de estaca prometeu-me
que às vezes eu sentiria a presença de anjos, e que eles me protegeriam.
samuel gould explosão. Terminamos, rapidamente, de três dias, cada um de nós partilhou
com uma oração, marcamos um capí- uma escritura e prestou testemunho.
E
m 2003, fui chamado para servir tulo do Livro de Mórmon para a família Li Doutrina e Convênios 84:88: “E
como missionário na Costa do ler e voltamos às pressas para casa. quem vos receber, lá estarei também,
Marfim, na África Ocidental. A outra dupla que morava em nosso pois irei adiante de vós. Estarei a vossa
Depois de algumas pesquisas, desco- apartamento chegou pouco depois direita e a vossa esquerda e meu Espí-
bri que o país parecia estar constan- de nós. Os assistentes telefonaram e rito estará em vosso coração e meus
temente em guerra civil, mas fiquei nos deram a ordem de não sair mais anjos ao vosso redor para vos suster”.
aliviado ao saber que fora decretado de casa em nenhuma circunstância Ao ler, refleti sobre a bênção que
um cessar-fogo. Senti-me ainda mais — nem para ir à Igreja ou comprar recebera de meu presidente de estaca
reconfortado quando fui designado. comida. Soubemos que alguns solda- e soube que estaria em segurança.
O presidente da estaca prometeu-me dos franceses das tropas de paz tinham Ficamos trancados em casa por
que, enquanto servisse, às vezes sen- sido mortos em ataques aéreos, por mais de uma semana. Os membros e
tiria a presença de anjos, e que eles isso a França atacou o aeroporto mili- líderes da ala nos visitaram e nos leva-
me protegeriam. Também recebi a tar, debilitando a pequena força aérea ram comida. Um membro até anotou
promessa de que, se fosse obediente, marfinense. Em represália, grandes mensagens nossas e mandou e-mails
voltaria para casa em segurança. tumultos eclodiram pela capital. para nossos familiares, informando
Em meus primeiros meses no Dezenas de milhares de mani- que estávamos em segurança até o
campo, o presidente da missão sem- festantes saíram às ruas, carregando momento. A ajuda daqueles membros
pre nos orientava quanto à prepa- facões, saqueando lojas francesas e foi espantosa! Enquanto isso, nossos
ração para emergências. Em nosso arrombando casas onde suspeitavam familiares e os membros da Igreja no
apartamento na capital, Abidjã, tínha- morar franceses. De nossa janela, vía- mundo inteiro oravam por nossa segu-
mos um estoque de três dias de água mos o desenrolar de atos de violên- rança. Ao orar, minha família sentiu
e alimentos, e nas reuniões recebía- cia. Sabíamos que corríamos perigo paz e teve a certeza de que nada de
Ilustração: rIchard hull
mos treinamentos sobre o que fazer por causa de nossa pele clara. mal me aconteceria.
em caso de conflitos. No domingo à tarde, no dia 7 Na sexta-feira, 12 de novembro,
Ainda assim, ficamos apreensivos de novembro, ao som de gritarias, começou nossa retirada. Vários mar-
quando rebeldes romperam o cessar- tiroteios e explosões, fizemos uma finenses membros da Igreja nos
fogo em 4 de novembro de 2004. Nos- reunião sacramental em nosso apar- acompanharam pelas ruas de Abidjã
sos líderes da missão estabeleceram tamento com apenas quatro parti- e, embora tivéssemos ouvido histórias
um toque de recolher às 18 horas. No cipantes. Depois de abençoarmos de agressões a outros refugiados,
dia seguinte, em nosso último compro- e distribuirmos o pão e a água, que atravessamos em segurança
misso, ouvimos repentinamente uma tiramos de nossa reserva de alimentos as barricadas até a casa do
50 A L i a h o n a
53.
Jovens
embaixador britânico. Emseguida, as
forças armadas britânicas nos leva-
ram para fora do país, e as orações
de minha família foram respondidas
quando viram no noticiário dois outros
élderes e eu sermos retirados. Na
calada da noite, os membros da Igreja
acompanharam os outros missionários
não africanos à casa da missão. De lá,
a força aérea italiana os transportou
para Gana, onde nos reunimos.
Apesar de dezenas de ataques a
estrangeiros em todo o país, nenhum
missionário foi ferido durante os
tumultos, e nenhuma moradia dos
missionários foi arrombada. Por termos
ouvido os conselhos do presidente da
missão, estávamos em segurança em
casa quando as rebeliões começaram
e tínhamos alimentos necessários para
sobreviver. E ainda mais reconfortante
que a proteção militar era saber que
contávamos com a proteção do Senhor.
Quando estávamos sendo retira-
dos, ficamos sabendo que na tarde
de domingo, logo depois de nossa
reunião sacramental, um grupo de
rebeldes estava prestes a invadir nosso
apartamento. Um de nossos vizinhos
gritou: “Eles não são franceses!” Mas
o grupo se recusava a ir embora.
Por fim, outro vizinho bradou: “São
missionários!” E, então, a multidão se
dispersou. Mais uma vez, lembrei-me
das palavras “Meu Espírito estará em
vosso coração e meus anjos ao vosso
redor” e percebi que estava vivendo a
promessa proferida na bênção de meu
presidente de estaca. Eu testemunhara
o cumprimento de uma profecia. ◼
Nota: De 2004 para cá, as condições
na Costa do Marfim melhoraram. Há
missionários estrangeiros servindo de
novo no país.
Janeiro de 2011 51
Jovens
TornAr-se uM HoMeMFIel do sACerdóCIo
Presidência Geral dos Rapazes
A ntes de se formarem na Primária,
muitos de vocês memorizaram a
décima terceira regra de fé, e espera-
agir — é quem você são. Ser honesto,
verdadeiro, casto e tudo o mais são
coisas que os tornam diferentes da
da Igreja. Nessas atividades, Kelon perce-
beu que havia algo de diferente nos
rapazes lá presentes. Sentiu o desejo de
mos que ainda consigam recitá-la de maioria dos rapazes de sua idade. ser como eles. Ele não sabia exatamente
cor. Neste ano, como presidência, desa- Quando os outros virem suas qualida- o que era, mas sabia que era aquilo que
fiamos vocês a irem além da simples des, desejarão o que vocês possuem. queria. Queria ser feliz como eles.
memorização e a aprenderem verdadei- Ao aprenderem seus deveres do sacer- Orou a Deus e soube que preci-
ramente o que o Profeta Joseph Smith dócio e agirem de acordo com eles, sava filiar-se à Igreja. Ben batizou seu
pretendia quando nos exortou a seguir vocês mudarão. Ao “fazerem o bem a melhor amigo quando eles tinham
a admoestação de Paulo. Pedimos que todos os homens”, vocês abençoarão e dezesseis anos. Kelon disse acerca de
estudem cuidadosamente cada quali- mudarão a vida das pessoas. seu batismo: “Finalmente encontrei a
dade mencionada na décima terceira paz e senti o abraço amoroso do Salva-
regra de fé, que é o tema da Mutual Bons Exemplos dor ao sair da pia batismal. Sou grato
deste ano. Convidamos vocês a agirem Ben é um grande exemplo de por ter bons amigos que vivem de
de acordo com o que aprenderem. E alguém que ajuda as pessoas e é uma acordo com suas crenças”.
convidamos vocês a compartilharem bênção na vida delas. Ele procura
com os outros a alegria que a aplicação ajudar os que têm poucos amigos e não o Poder do sacerdócio aarônico
prática desses padrões lhes traz na vida. se sentem entrosados. Pensa mais nos Doutrina e Convênios 58:27–28
Esse padrão de conduta é o mesmo outros do que em si mesmo. Quando afirma que os “homens devem
adotado no novo programa Dever Kelon se mudou para a ala de Ben, ocupar-se zelosamente numa boa
para com Deus: aprender, agir, com- Kelon descreveu a vida dele como causa” e fazer “muitas coisas de sua
partilhar. Ao seguirem esses três “nada além de diversão” voltada para livre e espontânea vontade” a fim de
passos simples, vocês vão tornar-se o rumo errado. Ele sentia um grande “realizar muita retidão. Pois neles está
homens fiéis do sacerdócio. vazio interior. Contudo, devido ao o poder”. E em vocês está o poder.
A décima terceira regra de fé afirma exemplo de seus amigos membros da Foi-lhes confiado o poder do Sacer-
entre outras coisas: “Cremos em ser Igreja e principalmente o exemplo de dócio Aarônico. Amamos vocês, e
honestos, verdadeiros, castos, bene- seu melhor amigo, Ben, ele viu que sabemos que podem fazer coisas gran-
volentes [e] virtuosos” (grifo do autor). havia um caminho melhor. Ben convi- diosas ao tornarem-se homens fiéis do
Ser é mais do que o seu modo de dou Kelon para participar das atividades sacerdócio. ◼
Ao “fazerem o bem a todos os homens”, vocês
abençoarão e mudarão a vida das pessoas.
Jovens
Se eu Fosse Você, iria ao Seminário
Uma sugestão informal de uma amiga ajudou a mudar minha vida.
Lisa Pace
“
L
isa, seu eu fosse você, iria ao
seminário”, sugeriu Ashley
informalmente. Estávamos
consultando folhetos com listas de
opções de disciplinas para o ano
letivo seguinte, quando começaría-
mos a escola secundária.
Lancei um olhar meio aturdido
para minha amiga e por fim conse-
gui esboçar um sorriso. Não queria
magoá-la, mas o seminário não
estava em meus planos. Na época,
como na maior parte de minha vida,
eu estava menos ativa na Igreja.
Ao longo dos anos, adquirira vagas
noções do evangelho, mas não rece-
bera um testemunho forte de sua
veracidade.
Ao voltar para casa depois das
aulas naquele dia, a ideia de fre-
quentar o seminário começou a
me intrigar. Ashley parecia muito
entusiasmada com o seminário, bem
como todas as outras amigas minhas.
Eu queria fazer o mesmo que minhas
amigas, mesmo sem entender o que
estavam fazendo ou por quê. Depois
de abordar a ideia com meus pais e
receber sua permissão, resolvi fre-
quentar o seminário em meu pri- ir à Igreja aos domingos, apesar de incentivou a empenhar-me para ser
meiro ano da escola secundária. minha família ser menos ativa. uma pessoa melhor.
Eu desconhecia o impacto pro- Já terminei a escola secundária, Sei que Deus se preocupa com
fundo que aquela decisão simples mas sempre serei grata pelo semi- cada um de nós. Sei que o seminá-
teria em meu futuro. Meu primeiro nário. Durante aquela hora diária, rio é uma bênção que me ajudou
Ilustração: douG fakkel
ano de seminário mudou minha vida, minhas orações eram respondidas a edificar sobre um alicerce seguro
pois comecei a ver a mim mesma e meu testemunho se fortalecia. O em Jesus Cristo. Incentivo todos os
e aos outros como filhos de Deus, seminário me ajudou a preparar-me jovens a matricularem-se no seminá-
amados e valorizados. Comecei a para o casamento no templo e me rio. Ele mudará sua vida também. ◼
Janeiro de 2011 55
58.
Nosso Espaço
Medo de Mudar Meu
Olivia Ghafoerkhan TesTeMunho
F
da oração
ui criada num lar cristão.
Embora minha família
nunca tenha sido religiosa,
meu pai sempre me ensinou a
A s orações nem sempre
são respondidas da
maneira que desejamos ou
agir de acordo com o que eu esperamos. Pensem no que
sabia ser verdade. estão pedindo e prestem
No início da adolescência atenção ao que sentem. Lem-
passei por muitas provações: brem sempre que o Senhor
uma cirurgia na coluna, o divór- Mórmon pela primeira vez. ama vocês e vai atender a
cio de meus pais, uma enfer- Em seguida, ajoelhei-me como suas orações. Pode até ser
midade sofrida por minha mãe nunca fizera antes e perguntei que Ele já tenha respondido,
e a responsabilidade de cuidar a Deus se o livro era verda- basta reconhecer a
de minha irmã mais nova. Esses deiro. Eu jamais fizera uma resposta.
desafios me deixaram amarga e pergunta a Deus antes. Tinha Mary M.,
desiludida. Então, pouco antes muito medo de mudar. Depois 17 anos,
Inglaterra
de completar quinze anos de de dizer “amém”, senti muita
idade, conheci os missionários. paz e tranquilidade. Sabia que
O Élder Johnson e o Élder tinha um Pai Celestial que me
Chadwick me ensinaram o amava, sabia que o Livro de
evangelho. Mórmon era verdadeiro e sabia
Li o Livro de Mórmon, mas que poderia mudar.
não estava disposta a fazer as Dez dias depois fui bati-
mudanças solicitadas pelos
élderes. Disse-lhes que as
transformações eram grandes
zada. Meu pai e minha mãe
assistiram ao batismo. Embora
eu ainda seja o único membro
PArA contri-
buir para
Nosso Espaço, mande por
demais e praticamente pedi que da Igreja na família, tenho fé e-mail sua história, foto
me deixassem em paz. Ergui a em que um dia eles também artística ou comentários para
cabeça ao dizer isso e dei de se ajoelharão e perguntarão liahona@LDSchurch.org,
frente com o olhar do Élder a Deus. Atualmente, estou com “Our Space” no campo
Chadwick. Uma lágrima solitária lendo o Livro de Mórmon pela Assunto. Não deixe de indi-
escorreu-lhe pelo rosto e nunca oitava vez, e é tão maravilhoso car seu nome, data de nasci-
senti tanta vergonha. Prometi quanto na primeira. Sei que o mento, ala ou ramo, estaca
telefonar-lhes no dia seguinte. Livro de Mórmon é verdadeiro. ou distrito e a permissão do
Saí da Igreja, fui para casa Ele tem o poder de transformar pai ou responsável (aceita-se
e terminei de ler o Livro de as pessoas. ◼ por e-mail). Seus comentá-
rios podem ser alterados
por motivo de espaço ou de
clareza.
56 A L i a h o n a
59.
detalhe de DeixaiVir a MiM os Meninos, de carl heInrIch Bloch, usado com permIssão do museu hIstórIco nacIonal do castelo de frederIksBorG, em hIllerød, dInamarca, reprodução proIBIda.
É Bom Ser
BOm
maS É maiS importante Ser
Janeiro de 2011
impOrtaNte
57
60.
eu Quero Ser
um missionário ?
Loran Cook • Adquira maior controle sobre seu corpo e
t
sua mente aprendendo a importância da
alvez você já tenha ouvido o hino da educação, da boa forma física e da saúde.
Primária “Eu Quero Ser um Missionário”. • Continue a arrepender-se, a guardar os
Há também outro importante hino das mandamentos, a jejuar e a orar para purifi-
crianças sobre o trabalho missionário. Ele diz: car sua vida.
“Um missionário já eu quero ser. Não vou • Para os rapazes, é importante exercer fé
esperar até crescer”. 1 O Élder M. Russell Bal- em Jesus Cristo e aprender seus deveres
lard, do Quórum dos Doze Apóstolos, con- do sacerdócio e cumpri-los.
corda. Ele disse: “Bem cedo na vida os jovens
precisam comprometer-se a servir em uma 2. Espírito
missão”. 2 O Élder Ballard também ensinou: “Os
Contudo, saber que é preciso servir como missionários precisam estar moralmente
missionário e sentir-se preparado para isso limpos e espiritualmente preparados”. 3
são duas coisas diferentes. Por onde começar? • Estude e siga as diretrizes contidas em
Duas das melhores coisas que você pode fazer Para o Vigor da Juventude.
são fortalecer seu testemunho e aumentar • Busque a orientação do Espírito Santo
seu conhecimento do evangelho. Abaixo há jejuando, estudando as escrituras e
algumas sugestões de como se preparar para orando para receber orientação.
a missão. • Leia sobre os dons do Espírito em
1. Fé Doutrina e Convênios 46:11–26. Em
espírito de oração, tente descobrir quais
Precisamos aumentar nossa fé diariamente. são seus dons espirituais. Peça conse-
Jesus Cristo ensinou: “Se tiverdes fé em mim, lhos a seus pais e líderes para ajudá-lo
tereis poder para fazer tudo quanto me pare- a desenvolver dons espirituais.
cer conveniente” (Morôni 7:33). • Pergunte a si mesmo: “Os livros que leio e
• Estude as escrituras. Elas testificam de Jesus os programas e filmes que vejo são edifi-
Cristo e ensinam sobre Ele. cantes?” Se não for o caso, pense em como
• Aplique a fé ao enfrentar problemas pes- você pode fazer melhores escolhas de
soais. A fé em Jesus Cristo lhe trará consolo entretenimento.
em momentos difíceis e o ajudará a superar • Aprenda a dar ouvidos aos sussurros
todos os obstáculos. espirituais.
58 A L i a h o n a
61.
Jovens
3. amor
Você precisa de caridade, o puro amor
de Cristo, para servir bem como missioná- 5. Convite
rio. Nem sempre é fácil amar o próximo. É Alma, um dos grandes missionários do
preciso serviço, fé, o Espírito Santo e cora- Livro de Mórmon, convidou os não membros
gem. Mórmon disse que é necessário orar da Igreja a “[virem e serem] batizados para
de todo o coração para encher-nos do puro o arrependimento” (Alma 5:62). Você pode
amor de Cristo (ver Morôni 7:48). seguir o exemplo dele.
• Ore humilde e sinceramente para ter a • Seja um bom amigo e exemplo para seus
capacidade de amar o próximo como amigos e familiares que não são membros
Cristo ama. da Igreja.
• Demonstre amor por sua família fazendo • Procure oportunidades para ensinar o
atos de bondade para todos os membros evangelho a seus amigos e vizinhos.
da família. Escolha um membro da família • Aprenda o evangelho e desde já pratique
que precise de amor ou atenção especial e ensiná-lo. Peça orientação ao líder da mis-
dedique-lhe parte de seu tempo. são da ala ou do ramo sobre como ensinar
• Mostre amor a alguém em dificuldade o evangelho. Se possível, assista a lições
fazendo algo bondoso para a pessoa. dos missionários de tempo integral dadas a
4. serviço pesquisadores.
• Estude o guia Pregar Meu Evangelho com
O rei Benjamim ensinou a seu povo a seus pais na reunião familiar. Vocês podem
importância do serviço ao próximo. Ressaltou revezar-se ao discutir as aulas, ministrar
que, quando servimos ao próximo, estamos partes delas e convidar uns aos outros a
servindo a Deus (ver Mosias 2:17). prestar testemunho do que aprenderam.
• Faça do serviço ao próximo um hábito
Servir numa missão é uma meta importante
regular. Você pode oferecer-se para lavar a
a ser feita agora, e sua preparação desde já vai
louça depois do jantar, ajudar um irmão a
beneficiar sua vida todos os dias até chegar
fazer a lição de casa, conversar com alguém
à missão. Nunca é cedo demais para iniciar
que precise de um amigo ou ajudar a man-
Ilustrações: sal Velluto e traVIs Walton
a preparação — não é preciso esperar até
ter a cidade limpa.
crescer. ◼
• Ore a fim de receber força e orientação
notas
para seguir o exemplo de serviço do 1. “Um Missionário Já Eu Quero Ser”, Músicas para
Salvador. Crianças, p. 90.
2. M. Russell Ballard, “Como Preparar-se para Ser um
• Ajude seu grupo de Rapazes ou Moças a Bom Missionário”, A Liahona, março de 2007, p. 10.
planejar uma atividade de serviço. 3. M. Russell Ballard, A Liahona, março de 2007, p. 12.
Janeiro de 2011 59
62.
Karen A. Kimball Em casa, Kathy
Inspirado numa história verídica suspirou ao ver
“Brigham Young [foi reservado] todas as perguntas
para nascer na plenitude dos que o professor tinha
tempos a fim de participar no passado.
estabelecimento dos alicerces da “Um dia puxado na
grande obra dos últimos dias” escola?” perguntou a mãe.
K
(D&C 138:53). “Lição de casa todos
athy ouviu as explica- os dias”, respondeu Kathy.
ções do professor Lembrou-se então da
Sodeberg sobre as gravura de seu livro de
migrações nos Estados Unidos. história. “Mãe, Brigham
Estava empolgada com seu novo Young aparece em
curso de história. Folheando o meu livro escolar. Por
livro novo daquela matéria, Kathy que ele foi tão impor-
deteve-se numa gravura de tante na história dos
Brigham Young. Nunca se dera Estados Unidos?”
conta antes da importância de “Ele esteve à frente
Brigham Young na história dos da migração de milhares
Estados Unidos. de membros da Igreja
O professor Sodeberg terminou para o Vale do Lago Sal-
a explanação. “Vai haver lição de casa gado. Depois, organizou-os
todos os dias”, anunciou. “Amanhã já em assentamentos”, disse a mãe. “Foi
precisam me entregar a primeira.” preciso muito planejamento. Esse foi
O
Melhor
Brigham Young
60 A L i a h o n a
63.
Crianç as
um capítulo significativo da história “Pior que isso”, respondeu ela, estavam sentados, aguardando.
da migração para o Oeste do país.” mostrando-lhe sua fala no script. O professor Sodeberg apresen-
No dia seguinte, o professor “Leia isso.” tou o programa e em seguida
anunciou: “Na próxima semana, Depois de ler, a mãe balançou a saiu do palco para os alunos
vamos fazer um encenação. Cada cabeça. “O autor não sabia muito fazerem a recitação.
um de vocês vai fazer o papel sobre Brigham Young.” Alex recitou sua fala perfeita-
de alguém que migrou para o “O que devo fazer?” indagou mente, mas Randall se confun-
Oeste. Seus pais e outros alunos Kathy. diu com as palavras. O professor
vão ser convidados para assistir à “Primeiro vamos arranjar trajes de Sodeberg mandou-o reiniciar.
apresentação”. Brigham Young”, disse a mãe. Kathy apertou sua bengala na
O professor Sodeberg começou Kathy provou o longo casaco mão. Quando chegou sua vez,
a atribuir os papéis e distribuir as negro do avô e dobrou as mangas ela declamou a verdadeira histó-
falas. Quando perguntou quem da camisa branca do irmão. O vizi- ria de Brigham Young.
queria representar Brigham Young, nho ao lado, o Sr. Grandi, ensinou “Mudou a fala?” perguntou
Kathy logo levantou a mão. Kathy a andar com sua bengala de Laura após a apresentação.
“A lição de casa de hoje é come- madeira. “Mudei. Falei a verdade”,
çar a memorizar sua fala na apre- A mãe achou um chapéu preto disse Kathy.
sentação”, disse o professor. “Vocês bem alto num armário e o pôs na “Lá vem o professor Sode-
precisam recitar tudo direitinho. Sua cabeça de Kathy. “Brigham Young berg”, indicou Laura.
nota depende disso.” teria orgulho de você”, disse a mãe. “Parabéns, senhoritas”, disse
Kathy leu sua fala ao sair da sala “Agora vai precisar de uma fala o professor Sodeberg. “Kathy”,
com sua amiga Laura. Teve uma sen- nova.” continuou ele, “você foi o melhor
sação horrível. “Está tudo errado”, Kathy procurou informações Brigham Young que já vi”. ◼
disse ela a Laura. “Isso dá a entender sobre Brigham Young em livros de
Ilustração: JulIe F. Young
que Brigham Young era desonesto.” história da Igreja e no site
“Sua opinião é diferente por causa oficial da Igreja. Em
de sua igreja”, respondeu Laura. pouco tempo, tinha
B
“Não posso dizer essas coisas”, reescrito seu texto.
afirmou Kathy. “A verdadeira “ righam Young (…) proce-
deu de acordo com princí-
“É preciso recitar a fala exata- história de Brigham pios corretos. Assim, tornou-se um
mente como está”, lembrou Laura. Young”, ressaltou ela. instrumento valioso nas mãos do
Lágrimas escorriam pelo rosto de No dia da apre- Senhor.”
Kathy ao correr para casa e entrar sentação, a classe Élder David A. Bednar, do Quórum
tempestivamente. de Kathy reuniu-se dos Doze Apóstolos, “E para Eles Não
Há Tropeço”, A Liahona, novembro de
“Mais lição de casa?” perguntou no auditório. Os 2006, p. 89.
a mãe. pais e outros alunos
Janeiro de 2011 61
64.
T es Tem u n h a es pec i a l
Como construir
um alicerce
espiritual? O Élder
Neil L. Andersen,
do Quórum dos Doze
Apóstolos, expõe
algumas ideias sobre o
assunto.
4. Precisamos estar
dispostos a seguir Jesus
Cristo, servindo uns aos
outros. precisamos ser
altruístas e incorporar em
nossa vida as qualidades
que cristo nos ensinou.
3. Precisamos adorar. há poder
2. Precisamos orar. não vá nas ordenanças do evangelho ao
se deitar à noite sem antes tomarmos o sacramento semanal-
ajoelhar-se diante do pai mente. há poder em estarmos
celestial, agradecendo pelo juntos nas reuniões da igreja e,
que tem e pedindo força mais importante, em adorarmos
espiritual. no lar.
À esquerda: Ilustração de scott Jarrard
1. Precisamos estudar as escrituras.
O senhor nos deu esses livros maravilhosos
para fortalecer nossos alicerces.
Extraído de “Storm Warning”, New Era, outubro de 2001, pp. 44–45.
62 A L i a h o n a
65.
Nossa Página
Crianç as
S ou muito grata por ter
nascido numa família que
conhece o evangelho verdadeiro
de Jesus Cristo. Meu oitavo
aniversário caiu no domingo
de Páscoa e senti muita alegria
ao ser batizada no dia em que
comemoramos a Ressurreição do Salvador. Fiquei um
pouco nervosa, mas meu pai estava lá, e eu sabia que
podia confiar nele. Durante o batismo, senti calor e felici-
dade no coração e assim soube que podia confiar no Pai
Celestial da mesma forma que confio em meu pai.
Agora tenho onze anos e estou ansiosa para ir ao
templo e ser batizada em favor dos mortos. Sei que
somente por meio do batismo podemos voltar ao Pai
Celestial.
Mirjam S., 11 anos, Suíça
Jerry L.,
9 anos,
Filipina
s
Sakura O., 8 anos,
do Japão, foi bati-
“Reunião
Familiar”, zada recentemente.
Nicolas M., Ela lê o Livro de
6 anos, Brasil Mórmon todos os
dias. Gosta de ir à
Igreja, de orar e
adora ver o templo. Quer seguir Jesus
Cristo e se esforça ao máximo para
fazer boas escolhas.
As crianças do Ramo
Primero de Mayo, Dis-
trito Bermejo Bolívia,
depois de participarem da
apresentação na reunião
sacramental.
Janeiro de 2011 63
66.
T em pO d e cO m pa r T i l h a r
As Escrituras
São a Palavra de Deus
JoAnn Child e Cristina Franco Néfi, filho de Leí, orou para saber Aprendeu também que a barra de
“Banqueteai-vos com as palavras o significado das coisas vistas por ferro representava a palavra de
de Cristo; pois eis que as palavras de seu pai. E teve o mesmo sonho Deus (ver 1 Néfi 11).
Cristo vos dirão todas as coisas que que ele. O Espírito ensinou a Néfi As escrituras são a palavra de
deveis fazer” (2 Néfi 32:3). que a árvore da vida representava Deus. Ler as escrituras é como
N
o amor de Deus. Néfi viu Jesus segurar a barra de ferro. Saberemos
o Livro de Mórmon, Leí Cristo, o Filho de Deus, ensinando o que Jesus deseja que façamos e
conta à família o sonho que e abençoando as pessoas na Terra. digamos. Teremos forças para resis-
teve com a árvore da vida. tir às tentações e para trilhar o cami-
Nesse sonho, Leí queria que sua nho até a árvore da vida e sentir o
família comesse do fruto da árvore amor de Deus. ◼
da vida, que era “mais desejá-
vel que qualquer outro fruto”
(1 Néfi 8:15). Viu muitas ATiviDADE
pessoas trilhando o caminho
que conduzia à árvore da
vida, mas que se perderam
C onsulte as referências das
escrituras da página 65 para
descobrir o significado da visão que
nas névoas de escuridão e Leí e Néfi tiveram da árvore da vida.
se afastaram do caminho. Recorte e use os desenhos para
Outras agarraram-se à barra mostrar aos outros o que aprendeu.
de ferro que havia no cami- Você pode também pedir a seus pais
nho que levava à árvore. que o deixem contar a história na
Seguiram em frente, agar- reunião familiar.
rando-se firmemente à barra
de ferro até chegarem à
árvore e comerem do fruto,
o que lhes trouxe grande
Ilustrações: dIlleen Marsh
alegria (ver 1 Néfi 8).
64 A L i a h o n a
67.
Crianç as
Saria, Same Néfi
1 néfi 8:13–14
Grande e Espaçoso
Edifício
1 néfi 11:35–36
Pessoas Zombando
1 néfi 8:26–27
Barra de Ferro
1 néfi 11:25
Caminho Estreito
e Apertado
1 néfi 8:20
Árvore da Vida
1 néfi 11:21–22
Névoas de Escuridão
1 néfi 12:17
Campo Grande e Espaçoso
1 néfi 8:20
Janeiro de 2011 65
68.
h i sTó r i a s d e J esu s
JESuS
Quando Criança
Diane L. Mangum
M
aria levava Jesus nos nascidos perto de Belém nos
braços ao entrar no dois anos anteriores!
movimentado templo Um anjo visitou José em
de Jerusalém. Ela e José tinham sonho para avisá-lo do plano
chegado de Belém para oferecer de Herodes. José e Maria fugi-
um sacrifício de dois pombos no ram no meio da noite. Levaram
templo. Jesus tinha quase seis sema- Jesus para morar no Egito,
nas de vida. onde estaria em segurança.
No templo estava um homem Depois da morte do rei
T emplo de Jerusalém — Esse
templo era diferente dos templos
de hoje. Era muito grande, com pátios e
idoso chamado Simeão. Ele tinha
recebido a promessa de que veria
o Salvador um dia. “E fora-lhe reve-
Herodes, a família de Jesus
mudou-se para a cidade de
Nazaré. José trabalhava como
varandas cheios de gente. As pessoas leva- lado, pelo Espírito Santo, que ele carpinteiro. Maria cuidava da
vam animais ao templo para os sacerdotes não morreria antes de ter visto o casa.
sacrificarem. Cristo do Senhor” (Lucas 2:26). Ao Jesus aprendeu a trabalhar
ver o menino Jesus, Simeão regozi- com José. Como todos os meninos
jou-se, pois sabia que a promessa judeus, Ele estudou as escrituras e
se cumprira. Então, uma mulher as leis judaicas. José e Maria guar-
S acrifício — Quando
os sacerdotes sacrifi-
cavam animais num altar,
chamada Ana, que servia
no templo com alegria,
testificou que Jesus era o
davam os mandamentos, e Jesus
aprendeu isso com Seus pais terre-
nos. Jesus “crescia, e se fortalecia
isso ensinava às pessoas Salvador. em espírito, cheio de sabedoria; e
que um dia o Pai Celestial Mas nem todos ficaram a graça de Deus estava sobre ele”
sacrificaria Seu Filho, Jesus felizes com o nascimento (Lucas 2:40).
Cristo, que morreria por do Salvador. O rei Hero- Quando Jesus Essa história
nossos pecados. des ouviu falar que nas- tinha doze anos, está em
cera uma criança que seria Maria e José O leva- Mateus 2;
o rei dos judeus. Herodes ram a Jerusalém para Marcos 6:3;
não queria nenhum outro comemorar a Pás-
Lucas 2:21–52.
rei em seu país. Mandou coa judaica. Viajaram
matar todos os bebês com muitas pessoas.
66 A L i a h o n a
69.
Crianç as
hoFMann, cortesIade c. harrIson conroY co.; acIMa: IIlustração:
no alto, À esquerda: detalhe de Cristo e o Jovem riCo, de heInrIch
As mulheres e os homens iam em Estava conversando com doutores
grupos diferentes, e as famílias se e respondendo às perguntas deles.
reuniam todas as noites para jantar, Os homens no templo estavam
em acampamentos pelo caminho. perplexos.
P
dan burr; outras Ilustrações: caseY nelson
Depois das festividades, José e Maria disse a Jesus que ela e José áscoa — Essa importante festa reli-
Maria começaram o trajeto de volta tinham ficado muito preocupados. giosa judaica comemorava a ocasião
para casa. À noite, perceberam que Jesus lembrou a ela que precisava em que Jeová ajudou os judeus a escapa-
Jesus não estava em nenhum dos cuidar dos negócios de Seu Pai rem da escravidão no Egito, cerca de 1.400
grupos com os quais estavam via- Celestial. Embora jovem, Jesus sabia anos antes do nascimento de Jesus.
jando. Voltaram às pressas a Jeru- que tinha um trabalho importante a
salém para procurá-Lo. Depois de realizar como parte do plano de Seu
três dias, acharam Jesus no templo. Pai Celestial. ◼
Janeiro de 2011 67
70.
Onde Está
Isabelle?
Susan Denney
Inspirado numa história verídica
“Desejavam ser batizados, como na hora de começar a reunião.” escada em frente à capela, conver-
prova e testemunho de que estavam “Podemos esperar mais um minu- sando com a professora Marta.
dispostos a servir a Deus de todo o tinho, para ver se professora Marta “Obrigada por ter vindo a meu
coração” (Mosias 21:35). chega?” batismo”, disse Isabelle.
I
Marta era a professora preferida “De nada”, respondeu Marta.
sabelle estava tão animada de Isabelle. Adorava livros, assim “Desculpe por sair tão rápido. É que
que quase seguia aos pulos ao como ela. tenho outro compromisso hoje.”
passar pelo corredor com o pai. “Foi gentil de sua parte convi- “Tudo bem. Mas quero dar-lhe
Sua mãe acabara de pentear-lhe o dá-la, Isabelle, mas talvez ela não algo.” Isabelle entregou-lhe o Livro
cabelo escuro e abotoar o longo venha”, disse o pai carinhosamente. de Mórmon que tinha apanhado
vestido branco que Isabelle usaria Isabelle suspirou e concordou. na mesinha do corredor. “Sei que
para ser batizada. Isabelle fez uma Ela e o pai entraram e sentaram-se a senhora adora ler e esse livro é
paradinha fora da sala onde todos na primeira fileira. Logo antes do excelente.”
estavam esperando. primeiro hino, Isabelle virou-se para “Obrigada”, disse a professora.
“Qualquer pessoa pode ganhar procurar sua professora pela última “Vai ler?” perguntou Isabelle.
um desses?” perguntou ela ao pai, vez. Lá estava ela, com a família de “Vou, sim”, garantiu a professora
apontando para exemplares do Lúcia! Isabelle sorriu. A professora Marta. “Prometo.”
Livro de Mórmon que estavam Marta sorriu para ela também. Isabelle ficou muito feliz. Sorriu
sobre uma mesinha. Depois do batismo, o bispo ao virar-se e ver Lúcia que pro-
“Pode. São para as pessoas que pediu a todos que se juntassem curava por ela.
desejarem conhecer mais sobre para uma fotografia. “O que está fazendo aqui fora?”
nossa Igreja”, respondeu o pai. “Onde está Isabelle?” perguntou perguntou Lúcia. “Sua mãe quer
Isabelle deu uma espiada na ele. tirar uma fotografia de todos.”
sala. Estava cheia de pessoas que Todos olharam em volta. Isabelle “Fui dar um Livro de Mórmon à
ela amava. A avó, as tias, os tios e não estava em lugar nenhum! professora Marta”, explicou Isabelle.
primos estavam sentados bem na Lúcia foi procurar a amiga. Pri- Lúcia arregalou os olhos. “Teve
frente. Sua melhor amiga, Lúcia,
Ilustrações: craIg stapleY
meiro, procurou no corredor, mas medo?”
estava sentada com a família ao Isabelle não estava lá. Depois, “Um pouquinho. Mas meu maior
fundo. Mas Isabelle não viu a pro- procurou no saguão, mas também medo era que ela deixasse o livro
fessora Marta, da escola. sem sucesso. Por fim, Lúcia foi pro- de lado em alguma estante. Por isso
“Vamos entrar”, disse o pai. “Está curar lá fora e viu Isabelle de pé na perguntei se ela ia ler.”
68 A L i a h o n a
71.
“ É
Crianç as
com ‘grande diligência’ (D&C
123:14) que devemos levar a luz do
evangelho aos que buscam as respostas que
o plano de salvação oferece.”
Élder L. Tom Perry, do Quórum dos Doze
Apóstolos, “Trazei Almas a Mim”, A Liahona,
maio de 2009, p. 109.
“O que ela respondeu?” indagou Isabelle!” disse o bispo. Então para sempre uma lembrança de seu
Lúcia. pediu novamente que todos se batismo!” disse ela.
“Prometeu ler!” juntassem para caber na fotografia. Isabelle sorriu. Ela sabia que,
“Que ótimo!” exclamou a amiga. Isabelle estava no meio da fileira com ou sem fotos, nunca esquece-
As duas meninas uniram-se ao da frente. ria o dia de seu batismo e dos bons
grupo de parentes e amigos. Depois, a mãe de Isabelle incli- sentimentos que teve ao fazer o
“Que bom que a Lúcia a achou, nou-se para abraçá-la. “Agora vai ter trabalho missionário. ◼
Janeiro de 2011 69
72.
pa r aa s c r i a n c i n h a s
Não Podemos Ser Amigas?
Patricia Graham
Inspirado numa história verídica
“Antes sede uns para com os 3. depois das aulas, ela telefonou para a
outros benignos, misericordiosos, avó e contou sobre as meninas antipáticas
perdoando-vos uns aos outros, da escola.
como também Deus vos perdoou
em Cristo” (Efésios 4:32).
1. mônica estava nervosa, pois
não conhecia ninguém em sua
nova escola.
4.
Mônica, você precisa orar e perguntar
ao Pai Celestial o que fazer. Ele vai
ajudá-la.
2. algumas meninas zombaram dela. uma menina até puxou as
fitas do cabelo de mônica. mônica achou que não seria feliz na
nova escola.
Ilustrações: MarYn roos
70 A L i a h o n a
73.
Crianç as
5. naquelenoite, mônica orou ao pai 6. no dia seguinte na escola, as
celestial. contou-lhe o problema. então, meninas a importunaram.
teve uma ideia.
Não podemos ser amigas?
7. mas as meninas continuaram a puxar os lacinhos de seu 8. uma semana depois, mônica
cabelo. contou com prazer à avó o que
acontecera.
Não podemos ser amigas?
O Pai Celestial me deu a ideia de ser simpática
para com as meninas. Elas não me incomodam
mais e agora são minhas amigas.
Janeiro de 2011 71
74.
am igos emTodo o m
er un
z do
Fa Podemos fazer amigos em
qualquer lugar onde moremos.
Tratar bem as pessoas é uma
ótima maneira de fazer amigos.
Veja os desenhos de Mônica
(à esquerda) e de Antônio (à
direita). Tente achar e circular as
cinco coisas que são parecidas
nas duas gravuras.
À esquerda: Ilustrações de MarYn roos
72 A L i a h o n a
75.
pa r aa s c r i a n c i n h a s
Crianç as
m Ótimo dia
u Lindsay Stevens
Manuel ajuda sua mãe a
preparar o desjejum.
Manuel estuda na escola.
Manuel ouve seu pai ler as
M anuel passou o escrituras para a família.
dia fazendo coisas
boas. Coloque o dia dele
em ordem escrevendo um
número nos quadrinhos
À dIreIta: Ilustrações de steve Kropp
para mostrar o que ele fez
em primeiro, segundo, ter-
ceiro e quarto lugar. Manuel ora antes de ir
deitar-se.
Que coisas boas você
pode fazer hoje?
Janeiro de 2011 73
76.
Notícias da Igreja
Os Novos Manuais de Instruções São
Apresentados no Treinamento Mundial
Adam C. Olson, Revistas da igreja
O
Presidente Thomas S. Monson e os mem- membros e que o evangelho seja estabelecido no
bros do Quórum dos Doze Apóstolos coração deles.”
apresentaram os novos manuais de instru-
ções da Igreja e algumas das importantes mudan- Mudanças importantes
ças que contêm, durante o Treinamento Mundial A maior parte do texto do Manual 1: Presiden-
de Liderança transmitido em 13 de novembro de tes de Estaca e Bispos permanece sem alteração
2010. desde a última atualização, em 2006, do Manual
O treinamento que apresentou os novos de Instruções da Igreja, Volume 1. As instru-
manuais — Manual 1: Presidentes de ções contidas nas cartas mais recentes da
Estaca e Bispos e Manual 2: Administração Primeira Presidência foram incorporadas; os
da Igreja — foi transmitido em vinte e dois A transmissão de um capítulos sobre os deveres do presidente da
idiomas à liderança do sacerdócio e das segundo Treinamento estaca e do bispo foram encurtados e escla-
Mundial de Liderança
auxiliares, para 95 países. recidos, e alguns materiais foram reorganiza-
será realizada em feve-
A transmissão está disponível no dos para uma referência mais fácil.
reiro de 2011, no qual
site LDS.org, no link www.LDS.org/ será focalizado o detalha- As mudanças no Manual 2: Administração
leadership-training. mento das responsabili- da Igreja são mais extensas. Uma abordagem
dades dos presidentes de com base em princípios tem por objetivo
A importância dos Manuais estaca e dos bispos, do reduzir a complexidade dos programas da
“Há segurança nos manuais”, disse o Pre- trabalho dos quóruns e Igreja e permitir algumas adaptações locais,
sidente Monson, alertando contra as distor- das auxiliares, e as dificul- se necessário, sem sacrificar a uniformidade
ções que podem ocorrer nos programas da dades especiais das uni- das normas, dos procedimentos e programas.
dades que têm poucos
Igreja quando os líderes não estão familia- Outras mudanças dignas de nota incluem:
membros e líderes para
rizados com nossas normas e nossos pro- a redução da carga de trabalho do bispo,
executar, na plenitude, os
cedimentos. “Serão uma bênção para vocês programas da Igreja. realçando o papel do conselho da ala e de
e para aqueles a quem vocês servem, se os seus membros; o possível aumento na fre-
lerem, compreenderem e os seguirem.” quência das reuniões de conselho da ala; um
Os manuais apresentam maior simplici- esclarecimento da missão da Igreja, incorpo-
dade e flexibilidade para evitar dois grandes rando o trabalho do comitê de bem-estar da ala
perigos, segundo o Presidente Boyd K. Packer, às discussões do comitê executivo do sacerdócio
Presidente do Quórum dos Doze Apóstolos. (ao qual a presidente da Sociedade de Socorro
O primeiro é o perigo de regulamentar a pode ser convidada, se necessário) e do conselho
influência do Espírito Santo nos programas da da ala, eliminando a permanência de um comitê
Igreja. “Estamos engajados em um trabalho espiri- de atividades da ala e lidando com as atividades
tual”, disse ele, “e como tal, ele precisa ser guiado por meio do conselho da ala, entre outras.
pelo Espírito”.
O segundo perigo é o de “estabelecer a Igreja A Missão da igreja
sem estabelecer o evangelho”, afirmou. “Preci- Os novos manuais esclarecem quaisquer
samos que a Igreja seja estabelecida na vida dos dúvidas quanto ao que a Primeira Presidência se
74 A L i a h o n a
77.
referiu em 1981como a missão tríplice da Igreja Igreja”, e também “contém princípios extrema- Os Élderes
— proclamação, aperfeiçoamento e redenção. mente importantes que determinam as condições M. Russell Ballard,
O Manual 2, seção 2.2, reafirma a intenção da que permitem essa adaptação local”, disse o Jeffrey R.
Primeira Presidência em 1981, de que essas três Élder Cook. Holland e
aplicações faziam parte de uma grande obra, ao Os exemplos das circunstâncias em que adap- David A. Bednar,
afirmar: “A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos tações podem ser feitas adequadamente incluem do Quórum dos
Últimos Dias foi organizada por Deus para auxi- reuniões e programas das auxiliares e o formato Doze Apóstolos;
liar em Sua obra de levar a efeito a salvação e e a frequência das reuniões e atividades de lide- Julie B. Beck,
exaltação de Seus filhos” (ver Moisés 1:39). rança. As circunstâncias a serem consideradas Presidente Geral
O Élder Dallin H. Oaks, do Quórum dos Doze incluem aspectos familiares, de transporte e de da Sociedade
Apóstolos, admoestou-nos contra darmos exces- comunicação, número pequeno de membros e de Socorro,
siva atenção às definições e limites dessas três segurança. e Walter F.
aplicações da obra do Senhor” ou “[excluirmos] “Ao cogitar quais adaptações seriam adequa- González, da
Presidência dos
outros elementos essenciais, como o encargo de das, os líderes sempre devem buscar a orientação
Setenta, discutem
cuidar dos pobres”. do Espírito e aconselhar-se com sua autoridade
os princípios
Ele disse: “O princípio geral explicado na Seção presidente imediata”, disse o Élder Cook.
contidos nos
2.2 é o de que ‘Os programas e as atividades da
novos Manuais
Igreja [visam apoiar e fortalecer] as pessoas indivi- Seguir Adiante
de Instruções da
dualmente e a família’”. Ao dirigir um painel de discussão, o Élder
Igreja, durante
M. Russell Ballard, do Quórum dos Doze Apóstolos,
o Treinamento
Uniformidade e Adaptação sugeriu que o estudo das instruções, um capítulo
Mundial de Lide-
Os princípios e as doutrinas encontrados nos por vez, e a discussão dos princípios nas reuniões
rança de novem-
três primeiros capítulos do Manual 2 “são o ali- de conselho podem levar a um aprendizado mais
bro de 2010.
cerce da administração da Igreja, e tudo o que significativo.
[os líderes] fizerem precisa se basear nisso”, disse Se os líderes tiverem perguntas referentes a
o Élder Quentin L. Cook, do Quórum dos Doze normas e programas, que não puderem ser res-
Apóstolos. Contudo, os capítulos seguintes, em pondidas pelos manuais, devem discuti-las com
especial um novo capítulo intitulado “Uniformi- seu líder do sacerdócio presidente, aconselhou
dade e Adaptação”, ajudam a explicar onde existe o Élder Oaks. Se houver perguntas sem solução,
flexibilidade nas normas e nos programas da Igreja. disse ele, “somente os mais altos líderes do sacer-
Esse capítulo ajuda a determinar “claramente dócio devem consultar o Escritório da Primeira
quais assuntos devem ser uniformes em toda a Presidência”. ◼
Janeiro de 2011 75
EM NOtíCIA
aulas doseminário em horário escolar ou diário, Os Santos Servem [Politécnica do Estado de Abia]
foi estabelecido o programa do seminário do disse aos voluntários: “Numa
lar. Os alunos do seminário do lar despendem
em Toda a África época em que todos perguntam
quatro dias por semana estudando independen- Os membros da Igreja de o que o governo fará por eles,
temente o material atribuído, e depois se reúnem todo o continente africano é um progresso bem-vindo
com outros alunos também do seminário do lar, passaram o sábado, dia 21 de ter uma organização que for-
uma vez por semana, a fim de debaterem o que agosto de 2010, melhorando nece continuamente serviço à
aprenderam. suas comunidades como parte humanidade”. ◼
do Dia das Mãos Que Ajudam
Uma Pedra Cortada sem Auxílio de Mãos em Toda a África, de 2010.
Atualmente, as aulas do seminário realizam-se Este ano, a Estaca Aba Nigéria
Combinação
em cada um dos Estados dos Estados Unidos convidou diversos grupos de Tríplice Disponível
e em 140 países em todo o mundo. Em 1948, jovens da comunidade a partici- em Indonésio
o Canadá tornou-se o primeiro país fora dos parem com eles, reunindo mais Uma versão indonésia da
Estados Unidos a realizar o seminário. Com a combinação tríplice encontra-se
ampliação do seminário diário, o México aderiu agora disponível, tornando possí-
ao programa em 1958, a Finlândia e a Alemanha vel aos falantes do idioma indo-
em 1962, o Japão em 1963, o Panamá em 1964, e nésio ter o Livro de Mórmon,
outros países também aderiram com o passar dos Doutrina e Convênios e A Pérola
anos. Mais recentemente, em 2008, foram esta- de Grande Valor encadernados
belecidas classes nos países de Benin, Geórgia e juntos, em seu próprio idioma.
Marrocos. Também se encontra disponível
Conforme o seminário se espalha pelo mundo, uma nova edição do Livro de
desenvolve-se uma comunidade mundial de alunos de 1.000 pessoas. No Distrito Mórmon em indonésio.
do seminário. Não importa onde morem, os alunos Umuahia Nigéria, mais que 100 A combinação tríplice em
do seminário decoram os mesmos versículos de membros de seis ramos corta- indonésio também pode ser
conhecimento das escrituras, estudam as mesmas ram grama, apararam flores e encontrada on-line. A versão
passagens e sentem o mesmo Espírito, enquanto limparam as sarjetas e terrenos on-line inclui notas de rodapé,
seu testemunho aumenta e trabalham para a edifi- da Broadcasting Corporation mapas e fotografias, permitindo
cação do mesmo reino. [Corporação de Transmissões] aos leitores marcar as escrituras
do Estado de Abia. e realizar buscas de palavras-
As Bênçãos Advindas do Sacrifício Em Acra, Gana, os ramos chave. Ela pode ser acessada em
Os alunos do seminário, quer estudem no semi- receberam a atribuição de scriptures.LDS.org/ind.
nário de tempo livre, diário ou do lar, fazem sacrifí- limpar diversos lugares, inclu- Há mais de 6.000 membros
cios que os trazem para mais perto do Pai Celestial. sive hospitais, escolas infantis da Igreja que falam indonésio
“Quando um jovem de quinze anos decide e delegacias de polícia. Alguns no mundo, a maioria deles na
‘Vou levantar-me às cinco horas para o seminá- membros foram incumbidos de Indonésia, Malásia e nos Estados
rio’, isso não é apenas um sacrifício, mas esse tapar buracos ou limpar bueiros Unidos. A Indonésia é a quarta
uso do arbítrio é uma declaração [de fé] ao Pai que estavam entupidos. nação mais populosa do mundo.
Celestial, que a retribui com uma bênção”, disse o Onde quer que os membros A Primeira Presidência tem
Irmão Haws. fossem com seus coletes do incentivado os membros a adqui-
Essas bênçãos são tão reais hoje quanto eram programa Mãos Que Ajudam, rirem suas próprias escrituras e
há 60 anos, e o seminário, em todas as suas for- comunidades agradecidas aco- a usá-las no estudo regular, nas
mas, continua a abençoar a vida dos jovens no lhiam com prazer seu auxílio. O reuniões e nas designações da
mundo todo. ◼ reitor da Abia State Polytechnic Igreja. ◼
Janeiro de 2011 77
COMENtÁrIOS IDEIAS PARA A rEuNIãO FAMIlIAr
A Bússola de Minha vida Esta edição contém atividades e artigos que podem ser usados na
Gosto muito da revista Liahona. Ela é a bússola de reunião familiar. Seguem-se alguns exemplos.
minha vida; guia-me pelo caminho certo e na direção
“Envolver-se no Trabalho de História da Família,” p. 8: Você
de coisas melhores. Ajuda-me a crescer forte e a evitar
as tentações que tenho de enfrentar com frequência. pode dar a cada membro da família uma caixa para ser decorada e
Ela nutre diariamente a minha vida. Obrigada por guardar fotografias, diários e outros registros.
elaborá-la de modo que as pessoas de todo o mundo “O que Há de Novo no Progresso Pessoal?” p. 34, e
possam ter essa bússola e esse guia, que nos põe no “O Sacerdócio Aarônico — Maior do que você Pensa ”,
caminho da fé. p. 37: Os novos programas do Progresso Pessoal e do
Anastasia N., 17 anos, Ucrânia Dever para com Deus incentivam os jovens a refletir
e a compartilhar aquilo que aprenderam. Se você
tiver adolescentes em sua família, pode pedir-lhes
A Liahona É uma Conselheira que planejem uma aula para a reunião familiar
Sempre dou assinaturas de A Liahona para meus utilizando uma atividade do Dever para com Deus ou do
amigos e empregados, como presente de Natal, como Progresso Pessoal que tenham completado recentemente.
um meio de ensinar-lhes o evangelho. Aqueles com
“Como Construir um Alicerce Espiritual?” p. 62: Coloque, em um
quem trabalho sempre me procuram para comentar a
recipiente impermeável, várias pedrinhas juntas umas das outras. Em
respeito dos artigos que leem. usam A Liahona como
outro recipiente impermeável, espalhe uma camada de areia. Encontre
uma conselheira e dizem que, quando têm problemas
em sua família, leem juntos A Liahona. Também coloco dois pequenos objetos que representem casas. Coloquem uma “casa”
uma cópia da revista na sala de espera de nosso escritó- nas pedras e outra na areia. Depois, encha cada recipiente de água. A
rio. É um instrumento missionário maravilhoso. “casa” na areia afundará, enquanto a “casa” nas pedras ficará firme.
Prycila villar, Brasil Discuta como um forte alicerce espiritual nos permite suportar as tem-
pestades da vida (ver Helamã 5:12).
Uma Fonte de Força Espiritual
Somos colombianos mas moramos em Logan,
utah, EuA, e somos gratos por receber a Liahona em As Lições Ensinadas por uma Cachorrinha
espanhol. Como pais, esforçamo-nos para fazer com quando nossos filhos eram pequenos, levei-os a uma loja de ani-
que nossas três filhas aprendam a viver o evangelho e mais de estimação, para que trocassem um cupom por um peixinho
desenvolvam amor pelo templo. Obrigado por publica- vermelho grátis. Duas horas depois, saímos com uma cachorrinha que
rem a Liahona todo mês, porque, em suas mensagens, as crianças tinham comprado com seu próprio dinheiro. Naquela noite,
a nossa família encontra uma fonte de força espiritual.
colocamos a cachorrinha para dormir na lavanderia. Pela manhã, a
Família Rincón, Utah, EUA
lavanderia estava uma bagunça. As crianças deveriam limpar tudo, mas
Envie seus comentários e suas sugestões para Liahona@ acharam que era trabalho demais. “Não conseguimos!” soluçaram.
LDSchurch.org. Seus comentários podem ser alterados Naquela noite, realizamos uma reunião familiar, e o assunto foi
por motivo de espaço ou de clareza. ◼ “consequências”. “quando vocês compraram a cachorrinha”, disse-lhes
o pai, “não pensaram nas consequências. Agora, ela é parte da nossa
família, e vocês precisam responsabilizar-se por ela.” Discutimos como
as consequências seguirão sempre qualquer escolha que fizermos, e os
incentivamos a fazer sempre escolhas dignas.
A cachorra morreu recentemente, depois de quatorze anos como
parte da família, mas as lições de vida que ela nos ajudou a aprender
ficarão para sempre.
Jill Grant, victoria, Austrália ◼
Janeiro de 2011 79
82.
aT é VOlTa r m O s a n O s en cO n T r a r
Nunca
Desamparados
profunda oportunidade de ensino. Embora
comece com uma pergunta, o Salmo 22 é uma
expressão de profunda confiança de que Deus
Adam C. Olson não nos desampara:
Revistas da Igreja “Em ti confiaram nossos pais; confiaram, e
D
tu os livraste.
urante Seu ministério, o Senhor A ti clamaram e escaparam; em ti confiaram,
citava muito as escrituras. Portanto, e não foram confundidos” (versículos 4–5).
não devemos estranhar se virmos Usando as experiências pessoais do sal-
versículos do Velho Testamento citados pelo mista como prefiguração do sofrimento do
Salvador no Novo Testamento. Mas fiquei Salvador, o salmo prevê o escárnio que Ele
surpreso certo dia ao ler o primeiro versículo sofreria (versículos 7–8), o falso julgamento e
do Salmo 22: “Deus meu, Deus meu, por que as torturas que vieram em seguida (versículos
me desamparaste?” 11–13), Suas dores e Seus sofrimentos (versí-
Nunca me ocorrera que o Salvador esti- culo 14), Sua sede (versículo 15), os golpes
vesse citando escrituras sagradas ao pronun- que dilaceraram Suas mãos e Seus pés (versí-
ciar aquelas palavras em Sua agonia na cruz O fato de o culo 16) e as sortes que foram lançadas sobre
(ver Mateus 27:46). Essa ideia resultou numa Suas vestes rasgadas (versículo 18).
profunda reflexão espiritual: Salvador citar Embora o Salvador tenha citado apenas
Quase todos nós, num momento ou outro, as escrituras o primeiro versículo, o restante do salmo
já nos perguntamos: “Ó Deus, onde estás?” sagradas serve como outro testemunho de que Ele é
(D&C 121:1). Essa pergunta me veio à mente o Messias prometido, de que Seu sofrimento
principalmente em momentos de incerteza ou
me trouxe a cumpriu profecias e de que Ele tinha total
angústia espirituais. certeza de que confiança em Seu Pai.
Por esse motivo, as palavras do Salvador eu nunca seria Esse entendimento trouxe a minha alma a
me intrigaram: Será que a súplica Dele tam- certeza inabalável de que minha fé não tinha
desamparado.
bém denotava incerteza — ou mesmo dúvida? sido em vão. Porém ainda mais marcante do
Será que aquilo indicava que havia uma per- que aprender que Jesus não duvidara e que
gunta para a qual meu Salvador onipotente e triunfara foi o testemunho prestado naquele
onisciente não tinha respostas, naquele exato salmo e que tanto me consola nos momentos
momento em que minha salvação dependia em que me pergunto se Deus me desamparou
de Seu poder para fornecer todas as respostas ou em que me preocupo se Ele deixou de
e vencer todas as coisas? ouvir meus clamores.
A leitura daquele salmo me ensinou que, “Vós, que temeis [a Deus], louvai-o; todos
embora aquelas palavras de fato expressassem vós, semente de Jacó, glorificai-o; e temei-o
As trevAs nA CruCifiCAção, de gustave doré
com angústia o paralisante desespero causado todos vós, semente de Israel.
pelo afastamento de Deus — que Ele talvez Porque não desprezou nem abominou a
tenha previsto, mas sem compreender plena- aflição do aflito, nem escondeu dele o seu
mente — elas não indicavam dúvida. 1 rosto; antes, quando ele clamou, o ouviu”
O próprio ato de invocar o Pai em Seu (versículos 23–24; grifo do autor). ◼
momento de maior necessidade usando
NOTA
palavras das santas escrituras foi não apenas 1. Ver Jeffrey R. Holland, “Não Havia Ninguém com Ele”,
uma demonstração de fé, mas também uma A Liahona, maio de 2009, p. 87.
80 A L i a h o n a
Embora não nosseja possível
sentar-nos aos pés do Mestre
como fez Maria, podemos
aprender com Ele e
ouvir Suas palavras
ao estudarmos
o Novo
Testamento
na Escola Dominical este ano. O Élder
Jay E. Jensen, da Presidência dos
Setenta, explica : “As
escrituras testificam
e ensinam sobre
Jesus Cristo. Quando
nos banqueteamos
com elas, passamos a
conhecer o Salvador e
Sua voz”. Ver “O Salvador
— o Mestre dos Mestres”,
página 14.