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IGREJA ADVENTISTA DO SÉTIMO DIA
GUIA DE ESTUDO BIBLICO DIARIO – PERGUNTAS & RESPOSTAS
PARTILHANDO A VERDADE
WILSON VALDINE RODRIGUES BARROS
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IGREJA ADVENTISTAS DO SÉTIMO DIA
GUIA DE ESTUDO BIBLICO DIARIO – PERGUNTAS & RESPOSTAS
PARTILHANDO A VERDADE
WILSON VALDINE RODRIGUES BARROS
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Índice:
1) Será que na bíblia existe essa divisão da lei?..................................................................... 4
2) Diferencia lei moral e lei Cerimonial segundo a Bíblia..................................................... 5
3) Os mandamentos fazem parte das verdades Bíblicas?....................................................... 6
4) Quais, e quantas são os mandamentos morais de Deus? ................................................... 7
5) Existia a lei antes do Sinai? ............................................................................................... 9
6) Será que a Lei não é apenas para os povos israelitas? ..................................................... 18
7) Será que a lei não foi abolida na cruz, e substituida pela graça?..................................... 19
8) Se nem no Novo e nem no Velho Testamento as pessoas eram salvas pelas obras da lei,
então qual é o propósito da lei?............................................................................................... 21
9) Paulo ensina que somos salvos pela fé sem as obras da lei, enquanto que Tiago ensina que
a fé sem obras é morta. Será o apóstolo Paulo e Tiago não estão em contradição?................ 24
10) Porque apegar tanto na lei do antigo testamento se Jesus substituiu-o por um novo
mandamento? .......................................................................................................................... 26
11) Jesus já cumpriu a lei, por isso não devemos guardar todos os 613 mandamentos da torah.
Séra que devem-se observar apenas aqueles que foram revalidados por Apóstolos?............. 28
Mateus 5:18.................................................................................................................. 31
Lucas 16:16 .................................................................................................................. 34
Efésios 2:15.................................................................................................................. 35
Colossenses 2:14 .......................................................................................................... 37
Romanos 10:4............................................................................................................... 37
Romanos 6:14............................................................................................................... 40
Romanos 7:4 e 6........................................................................................................... 41
Romanos 8:1-2 ............................................................................................................. 44
Gálatas 3:19.................................................................................................................. 45
Gálatas 3:23-25 ............................................................................................................ 46
Hebreus 7:12 e 18-19 ................................................................................................... 48
12) Se a lei não foi abolida, será que deve-se guardar todas as 613 leis? .......................... 49
13) A lei de Deus “olho por olho, dente por dente” foi substituida pela lei de amor?....... 54
14) Se nem todos os mandamentos do torah se aplicam hoje em dia, então quais são os
mandamentos que devem ser observados?.............................................................................. 59
15) Será que não faz mal guardar os mandamentos e tropeçar em um só mandamento? .. 63
16) Será que Deus aceita e ouve a oração aqueles que simplesmente ouvem a Lei?......... 63
17) Deus permite que façamos a mudança, tirar ou acrescentar alguma coisa na sua lei?. 64
3
18) O que iria acontecer futuramente com a lei de Deus, segundo a bíblia?...................... 64
19) Como a Bíblia descreve o povo de Deus?.................................................................... 70
20) Romanos 2:13 diz que somos justificados pelas obras, enquanto Efésios 2:9, diz que é
pela Graça mediante a fé. Não estaria a Bíblia a se contradizer a si próprio? ........................ 71
21) Paulo não era contra as obras da Lei? .......................................................................... 72
22) Porque Paulo chama a lei de “ministério da morte” e “ministério da condenação” e que
foi abolido?.............................................................................................................................. 73
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1) Será que na bíblia existe essa divisão da lei? Se existe, onde então é feita essa
divisão? Que tipos de leis encontraram na Escrituras Sagradas?
A palavra “lei” (no hebraico é “Torah”), de acordo com o conceito hebraico, significa
ensino, instrução e até mesmo direcionamento. Na bíblia, ela não se refere apenas aos 10
mandamentos do decálogo, mas sim a toda a instrução de Deus dada ao Moisés.
No antigo testamento, principalmente nos 5 primeiros livros de Moisés, vamos encontrar
todas essas instruções ou leis que Deus deu para o Moisés. Apesar da bíblia menciona a palavra
“lei” como um todo, ou seja, todas as instruções dadas por Deus, podemos perceber que existe
aspecto diferentes da lei. Ou seja, existe a lei de Moisés (que envolve os 5 primeiros livros da
bíblia), e dentro dessas leis, encontramos leis que possuem aspecto diferentes umas das outras.
Podemos destacar alguns desses aspectos diferentes da lei, que aparece no Torah, tais
como:
 Aspecto de ordem moral: que expressa o carácter de Deus, conhecida como a Lei dos
10 mandamentos, escrito pelo dedo de Deus (Êxodo 31:18).
 Aspecto de ordem civil/penal: que são leis de proteção, para reger a nação de Israel
(Êxodo cap. 21-22).
 Aspecto de ordem cerimonial: envolvendo sacrifícios e ofertas de animais, específicas
para o santuário (Levítico cap. 1-4).
 Aspecto de ordem higiénicas: que lhes protegeriam contra as doenças, e um melhor
saneamento nas suas comunidades (Levítico 5:2-3; cap. 15:4-27; cap. 14:8-9; Deuteronômio
23:12, 13).
 Aspecto de ordem alimentar ou leis de saúde: para felicidade e bem-estar dos seres
humanos (Levítico 11 / Deuteronômio 14).
No novo testamento, principalmente nos escritos de Paulo, muitos estudiosos têm-se
percebido de que quando o apóstolo Paulo faz a menção sobre a “lei”, ele se refere aos escritos
de Moisés na sua grande maioria das vezes.
Mas também existem ocasiões em que ele (Paulo) ao fazer a menção sobre a lei, se refere
apenas ao um dos aspectos da lei. Vejamos alguns exemplos:
 Em Efésios 2:14-16, falando sobre a inimizade que existia entre judeus e gentios, Paulo
nos diz que Deus removeu a “parede de separação que estava no meio”, removendo a “ lei dos
mandamentos, que consistia em ordenanças”. Ao ler esse texto percebemos que Paulo não
poderia estar a mencionar a lei como um todo, ou seja, a todos os aspectos da lei de Moisés.
5
Por exemplo, em Levítico 19:18 e Deuteronômio 6:4 encontramos a lei que ordena amar ao
próximo e a Deus sobre todas as coisas. Então será que ao obedecer a essas leis, estaria o seu
povo a causar uma inimizade ou o contrário? Paulo fala apenas daquelas leis que estavam a
causar essa separação entre os dois povos, como é o caso de algumas tradições judaicas.
 No texto de Hebreus 7:18-19 Paulo nos diz que o mandamento foi “ab-rogado por
causa da sua fraqueza e inutilidade” e que “a lei nenhuma coisa aperfeiçoou”. É óbvio que
Paulo não se refere a todos o aspecto da lei de Moisés, pois em Romanos 7:12 ao falar sobre o
aspecto moral da lei (conforme pode ser confirmar com o verso 7-8), ele nos diz que a “lei é
santa, e o mandamento santo, justo e bom”. Se em ambos os textos de Hebreus 7:18-19 e
Romanos 7:12 estão a se referir a todos os aspectos da lei, então como é que uma lei que é
considerado inútil, que nenhuma coisa aperfeiçoou ser “santo, justo e bom”?
 Em Salmos 19:7 nos diz que “A lei do SENHOR é perfeita, e refrigera a alma”, ao passo
que o texto de Hebreus 7:18-19 nos diz que “a lei nenhuma coisa aperfeiçoou” e que é inútil.
Ora, torna-se ilógico dizer que Davi e Paulo estão a mencionar a todos os aspectos da lei de
Moisés, pois se é assim, então esses dois autores estão em uma tremenda contradição.
2) Diferencia lei moral e lei Cerimonial segundo a Bíblia.
Existem vários aspectos de leis registados na bíblia como já foi mostrado na pergunta
nº1. Mas a lei Moral e a lei cerimonial tem estado a causar dúvidas na cabeça de muitas pessoas,
e muitos não conseguem perceber a diferença entre essas duas leis e tentam usar alguns textos
fora do seu contexto para tentar provar que a lei do antigo testamento foi abolida.
Em Êxodo 20:1-17 ali é mencionado os principais mandamentos da lei moral,
conhecidos como os 10 Mandamentos, e em Levítico do capítulo 1 a cap. 4 e no cap. 16 ali é
mencionado algumas normas da lei cerimonial que tinham a ver com os sacrifícios dos animais,
bem como as leis que regulamentavam todos os rituais que eram realizados no santuário
terrestre.
Mas no quadro abaixo serão mostradas algumas diferenças entre essas duas leis.
Lei Moral Lei Cerimonial
“Lei do Senhor” Salmos 1:2 e 19:7 “Lei de Moisés”
Neemias 8:1 / Atos
15:5
6
Escrita pelo dedo de
Deus em Tábuas de
Pedra
Êxodo 31:18
Escrita por Moisés
em um livro
Deuteronômio 31:9
e 31:24
Foi colocada dentro
da Arca de Aliança
Deuteronômio 10:5 /
Apocalipse 11:19
Foi colocada fora da
Arca da Aliança
Deuteronômio
31:25-26
É perfeita e restaura
a alma
Salmos 19:7
Nenhuma coisa
aperfeiçoou
Hebreus 7:19
Contém um
SÁDADO semanal
Êxodo 20:8-11
Continha sete
SÁBADOS anuais
Levítico 23
É de caráter
ETERNO
Salmos 19:9 /
Mateus 5:18
Durou até morte de
Jesus na cruz,
quando a sua função
foi transferida para
Cristo
Daniel 9:27 /
Hebreus 8:12 e 9:23
3) Os mandamentos fazem parte das verdades Bíblicas?
Pouco antes da morte de Jesus, Pilatos perguntou-Lhe:
“Que é a verdade?” (João 18:38)
O questionamento feito por Pilatos é o mesmo que aflige milhões e milhões de corações,
desde a antiguidade até os dias de hoje. Muitas são as 'verdades' que nos são apresentadas e,
diante de tantas informações e controvérsias, é comum indagarmos se há, de fato, a Verdade.
Sim, ela existe e está alicerçada em cinco colunas, segundo nos diz a Santa Palavra de
Deus, e são elas:
1º Deus Pai: “Mas o SENHOR Deus é a verdade; ele mesmo é o Deus vivo e o Rei eterno;
ao seu furor treme a terra, e as nações não podem suportar a sua indignação” (Jeremias 10:10);
2º Deus Filho: “Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao
Pai, senão por mim” (João 14:6)
3º Deus Espírito Santo: “... E o Espírito é o que testifica, porque o Espírito é a verdade”
(1 João 5:6);
4º Bíblia: “Santifica-os na tua verdade; a tua palavra é a verdade” (João 17:17);
7
5º Os Dez Mandamentos: “A tua justiça é uma justiça eterna, e a tua lei é a verdade. Tu
estás perto, ó SENHOR, e todos os teus mandamentos são a verdade. Acerca dos teus
testemunhos soube, desde a antiguidade, que tu os fundaste para sempre.” (Salmos 119:142 e
119:151-152);
4) Quais, e quantas são os mandamentos morais de Deus?
“3
Não terás outros deuses diante de mim. 4
Não farás para ti imagem esculpida, nem figura
alguma do que há em cima no céu, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. 5
Não te encurvarás diante delas, nem as servirás; porque eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso,
que visito a iniquidade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que me
odeiam. 6
e uso de misericórdia com milhares dos que me amam e guardam os meus
mandamentos. 7
Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão; porque o Senhor não terá por
inocente aquele que tomar o seu nome em vão. 8
Lembra-te do dia do sábado, para o santificar.
9
Seis dias trabalharás, e farás todo o teu trabalho; 10
mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu
Deus. Nesse dia não farás trabalho algum, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo,
nem a tua serva, nem o teu animal, nem o estrangeiro que está dentro das tuas portas. 11
Porque
em seis dias fez o Senhor o céu e a terra, o mar e tudo o que neles há, e ao sétimo dia descansou;
por isso o Senhor abençoou o dia do sábado, e o santificou. 12
Honra a teu pai e a tua mãe, para
que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te dá. 13
Não matarás. 14
Não
adulterarás. 15
Não furtarás. 16
Não dirás falso testemunho contra o teu próximo. 17
Não cobiçarás
a casa do teu próximo, não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva,
nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma do teu próximo.” (Êxodo 20:3-17)
Veja: Deuteronômio 5:7-22
O decálogo – as dez palavras, ou dez mandamentos (Êxo. 34:28) – composta de duas
partes, indicadas pelas duas tábuas de pedra sobre as quais Deus escreveu sua lei.
“E deu a Moisés, quando acabou de falar com ele no monte Sinai, as duas tábuas do testemunho,
tábuas de pedra, escritas pelo dedo de Deus.” (Êxodo 31:18)
“Então, vos anunciou ele a sua aliança, que vos prescreveu, os dez mandamentos, e os escreveu
em duas tábuas de pedra.” (Deuteronômio 4:13)
Os quatro primeiros mandamentos regulamentam nossos deveres para com o Criador e
Redentor, ao passo que os seis últimos orientam os deveres para com as demais pessoas. Essa
divisão em duas porções deriva dos dois grandes princípios de amor sobre os quais opera o
reino de Deus: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas
8
as tuas forças e de todo o teu entendimento; e: amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Luc.
10:27; c/ Deut. 6:4-5; Lev. 19:18).
Aqueles que vivem esses princípios se acharão em plena harmonia com os dez
mandamentos, ou com a lei de Deus, uma vez que os preceitos dessa lei expressam com mais
detalhes esses mesmos princípios.
 O primeiro mandamento orienta quanto à adoração exclusiva ao único Deus verdadeiro.
 O segundo proíbe a idolatria.
 O terceiro proíbe a irreverência e o perjúrio que envolve a invocação do nome divino.
 O quarto requer a observância do sábado e identifica o verdadeiro Deus como o criador
dos céus e da Terra.
 O quinto mandamento requer que os filhos se submetam a seus pais, sendo eles os
agentes divinamente indicados para transmitir sua vontade revelada às sucessivas gerações
(Deut. 4:6-9; 6:1-7).
 O sexto protege a vida, considerando-a sagrada.
 O sétimo estimula a pureza e protege a relação matrimonial.
 O oitavo protege a propriedade.
 O nono preserva a verdade e proscreve o perjúrio.
 O décimo atinge as raízes de todo relacionamento humano ao proibir a cobiça daquilo
que aos outros pertences.
Os dez mandamentos trazem consigo a distinção singular de ser as únicas palavras que
Deus falou audivelmente a toda uma nação (Deut. 5:22). Deus não confiou sua lei à desatenta
mente humana, que facilmente esquece as coisas, mas gravou-a com seu próprio dedo em tábuas
de pedra, de modo que elas pudessem ser preservadas no interior da arca, no tabernáculo (Êxo.
31:18; Deut. 10:2).
Obs.1: os preceitos que constituem os aspectos morais da lei, não se aplica apenas aos
preceitos do decálogo. Existe também vários outros preceitos que estão registados nas leis de
Moisés que não se encontram escritos nos 10 mandamentos. Como exemplos, em Êxodo 23:1-
9, Levítico 18 e Levítico 19:13-18 encontramos alguns preceitos morais que não estão nos 10
mandamentos.
Obs.2: Quando estamos a falar de “mandamentos”, isto não se aplica apenas aos 10
mandamentos que fazem parte da lei moral de Deus. Por exemplo, em Mateus 28:19-20 ali
também encontramos um importante mandamento que nos é deixado por Jesus antes da sua
subida ao céu: “ide pregai o evangelho a todas as nações”.
9
5) Existia a lei antes do Sinai?
Muitos acreditam que os preceitos dos Dez Mandamentos surgiram quando Moisés os
recebeu no monte Sinai, sendo até então desconhecidos. Esta é uma noção errada que contradiz
fortemente os ensinos da Bíblia.
Muitos afirmam com base em Gálatas 3:17 que a lei só passou a existir no Sinai, e que
essas leis foram destinadas somente aos judeus e não precisavam ser obedecidos pelos gentios.
Mas para resolver esta questão, vamos dividir as respostas em quatro blocos:
A lei de Deus no Céu e na nova terra:
Muitas pessoas afirmam que no céu antes da queda do homem e na nova terra não vai
existir a lei de Deus, principalmente os dez mandamentos no decálogo. Para tentar comprovar
essa afirmação, eles afirmam por exemplo: se na nova terra não existe casamento, então como
é que vai existir a lei de não adulterarás?
“A soma da tua palavra é a verdade, e cada uma das tuas justas ordenanças dura para sempre.”
(Salmos 119:160)
Segundo o Salmistas, todas as ordenanças de Deus são eternas, porque a lei é o caráter
do legislador eterno que é Deus. Então como harmonizar o fato de que no céu (mesmo antes da
existência de Adão) não existiam a lei de não adulterarás, sabendo que não existiam casamento
já que os anjos são seres assexuada? Como é que na nova terra mesmo não existindo o
casamento, e por seguinte, as traições, vai vigorar o mandamento de não adulterarás?
Mas o que essas pessoas ou grupos religiosos não saibam, é que por detrais de cada um
dos preceitos do decálogo, existem princípios que já existiram com Deus desde toda a
eternidade. Ou seja, os dez mandamentos (que inclui a lei de não adulterarás) ou a própria
torah são apenas uma transcrição desses princípios eternos de Deus para a linguagem
humana.
Obs.: a palavra “princípio” vem do latim “principìum” que significa começo, início,
causa primeira, raiz, etc. segundo o Dicionário Eletrônico Michaelis, podemos definir a palavra
“princípios” da seguinte forma:
“momento em que uma coisa tem origem; aquilo do qual alguma coisa procede na ordem do
conhecimento ou da existência; característica determinante de alguma coisa… lei, doutrina ou
acepção fundamental em que outras são baseadas ou de que outras são derivadas.” (Dicionário
Eletrônico Michaelis).
10
Princípios também pode ser chamado de lei de caráter geral, ou seja, princípios são
conjuntos de normas ou padrões de conduta a serem seguidos por uma pessoa ou instituição.
Portanto dizer que não existe princípios da lei divina no céu ou na nova terra, é mesma
coisa que dizer que Deus não possuía ou não terá qualquer forma de caráter que o defina.
Por exemplo, se os anjos mesmo antes do pecado existir, ou da criação do homem, já
sabiam que Deus era um Deus de amor, é porque eles já conheciam os princípios de Deus e
qual deveriam ser as suas atitudes, os seus deveres, e as suas limitações para com Deus, e quais
são as suas consequências casos não as cumprissem (tal como tinha acontecido com o Lúcifer
– Apoc. 12:7-9). Pois dizer que uma pessoa é amor é porque existem alguns princípios e atitude
nesta pessoa que a justificasse que essa pessoa de fato é amor.
A “lei” pode ser definido por: “regra, prescrição escrita que emana da autoridade
soberana de uma dada sociedade e impõe a todos os indivíduos a obrigação de submeter-se a
ela sob pena de sanções”. E ela é um reflexo do carácter do legislador, pois se baseia nos
princípios que compõe o seu carácter.
Os princípios que estão por detrás de cada um dos preceitos do decálogo ou das leis de
torah sempre existiram, e continuará a existir na nova terra. Vejamos o exemplo:
Mandamento do Decálogo Princípios
1º “não terás outros deuses…” Ser leal a Deus
2º “não farás para te imagem de escultura…
nem servirás e nem adorarás…”
Adoração exclusiva a Deus
3º “não tomarás o nome de Deus em vão…” Reverência para com Deus e ao seu nome
4º “lembra-te do dia do sábado para
santificar…”
Adoração e santidade a Deus
5º “honra o teu pai e a tua mãe…” Respeito às autoridades
6º “não matarás” Respeito a vida e ao modo de ser do seu
próximo
7º “não adulterarás” Pureza em todos os aspectos
8º “não furtarás” Honestidade
9º “não dirás falso testemunho…” Veracidade
10º “não cobiçar a mulher do teu próximo…
nem as coisas do teu próximo”
Contentamento com aquilo que se possui
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Vejamos ainda um exemplo prático da existência desses princípios no céu, mesmo antes
da queda do homem, com a queda de Lúcifer:
Antes da manifestação do mal, havia paz e alegria por todo o Universo. O amor a Deus
era supremo, e era imparcial o amor de uns para com os outros. Mas houve, porém, alguém que
preferiu deturpar esse gozo no céu. O seu nome era Lúcifer.
Lúcifer era o ser criado mais exaltado, mais inteligente e o mais poderoso de todos os
seres criados no Universo. Ele é querubim cobridor e perfeito, como tudo o que saiu de Suas
mãos. A respeito dele, Deus afirma:
“15
Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado, até que em ti se achou
iniquidade. 17
Elevou-se o teu coração por causa da tua formosura, corrompeste a tua sabedoria
por causa do teu resplendor; por terra te lancei; diante dos reis te pus, para que te contemplem.”
(Ezequiel 28:15 e 17)
Obs.: A palavra hebraica para “maldade” ou “iniquidade” (em outras traduções), é
“rekullah”, que significa “comércio” ou “negócio”. Como salientou Richard Davidson:
“comércio propagado” referindo-se a bens ou à maledicência. Aqui Satanás propagou a
maledicência entre os anjos a respeito de Deus. A controvérsia cósmica se propagou com a
maledicência, caluniando como injusto o caráter de Deus. E é por isso que ele é chamado de
homicida e mentiroso desde o princípio (João 8:44).
Lúcifer corrompeu-se por causa de sua formosura e sabedoria, o orgulho alimentou o
desejo de supremacia. Ele deveria sentir gratidão e saber que Aquele que o criou era o Criador
e não o ser criado. Mas as honras concedidas a Lúcifer não despertavam gratidão para com o
Criador. Ele desejava ser igual a Deus.
“12
Como caíste do céu, ó estrela da manhã, filha da alva! Como foste lançado por terra tu que
prostravas as nações! 13
E tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu; acima das estrelas de
Deus exaltarei o meu trono; e no monte da congregação me assentarei, nas extremidades do
norte; 14
subirei acima das alturas das nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo.” (Isaías 14:12-
14)
Satanás reivindicou ser a melhor opção para governar o Céu. Sua influência permeou o
paraíso como o câncer. Um terço dos anjos sucumbiram a seus enganos e lançaram sua sorte
com ele.
“7
Então houve guerra no céu: Miguel e os seus anjos batalhavam contra o dragão. E o dragão
e os seus anjos batalhavam, 8
mas não prevaleceram, nem mais o seu lugar se achou no céu. 9
E
foi precipitado o grande dragão, a antiga serpente, que se chama o Diabo e Satanás, que engana
12
todo o mundo; foi precipitado na terra, e os seus anjos foram precipitados com ele.” (Apocalipse
12:7-9)
Satanás queria assumir o lugar de Deus. Desejava ser igual a Ele na posição, não no
caráter. Seu desejo de poder era movido por motivos egoístas. Queria ser Deus. Não é de
surpreender que tenha instado a Cristo no deserto, a prostar-Se e adorá-lo! (Ver Mat. 4:8 e 9).
Através dessa atitude de Satanás para com Deus e por conseguinte, a sua expulsão do
céu, podemos constatar a existia dos princípios que se encontram implícito no Decálogo. Por
exemplo:
1º Mandamento – Ele não foi leal para com Deus pois queria ser um outro deus do céu;
2º Mandamento – Desejava ser adorado uma vez que só a Deus pode ser adorado;
3º Mandamento - Não demostrou o respeito para com Deus ao tentar tirar dele o que
não lhe pertencia, e também por fazer calunias contra Deus (Eze. 28:15; Apoc. 12:4 e 7-9);
4º Mandamento - Ele não demonstrou santidade para com Deus;
5º Mandamento - Ele não demonstrou respeito pelo seu criador, que era a autoridade
máxima do céu;
6º Mandamento - Ele odiou a Deus e também fez com que alguns outros anjos do céu
a odiaram a Deus, ao ponto de guerrear contra Deus (Apoc. 12:4 e 7-9). E segundo a bíblia ódio
contra alguém é assassinato (ver 1 João 3:15), e é por isso que Deus o chamou de assassino e
mentiroso desde o início (ver João 8:44);
7º Mandamento – Foi encontrado iniquidade em Satanás, portanto a sua pureza foi
manchada com o pecado que ele carregou no seu coração;
8º Mandamento – ele não conformou com a conduta que era moralmente aceite por
todos os habitantes do céu que era adoração exclusiva a Deus. E tentou roubar para se mesmo;
9º Mandamento – ele fez calúnias contra Deus, e conseguiu influenciar terça parte dos
anjos do céu (Apoc. 12:4);
10º Mandamento – ele desejou estabelecer o seu próprio trono e ser adorado
“semelhante ao altíssimo” (Isa. 14:12-14);
Essa atitude de Lúcifer levou-o a quebrar todos os princípios que estão por detrás do
decálogo. Isto nos leva a entender o que foi dito em livro de Tiago 2:10 – “qualquer que guardar
toda a lei, mas tropeçar em um só ponto, tem-se tornado culpado de todos”.
Talvez alguém pode questionar: como pode uma pessoa que transgrede o 5º
mandamento pode ser acusado de quebrar 7º mandamento sem cometer qualquer delito
13
praticado ou pensado (Mat. 5:28) contra este mandamento? É simples de responder: bastava
conhecer os princípios que estão por detrás de cada um desses dois mandamentos, saberemos o
porquê. A transgressão de qualquer um dos princípios que estão por detrás dos preceitos do
decálogo, implica uma transgressão de todos os demais, pois todos os princípios estão
fortemente relacionados uma as outras.
O resultado dessa artimanha de Satanás levou-o a ser expulso do céu juntamente com
todos os anjos que foram influenciados pela sua calúnia. Com a expulsão de Satanás, pode-se
constatar que existia princípios morais no céu.
Portanto dizer que a lei de não adulterarás, não cobiçar, etc, só passou a existir no Sinai,
é mesma coisa que dizer que essas coisas só passaram a ser uma violação dos princípios divinos
a partir do Sinai, e que antes disso, esses tipos de coisas não eram levados em consideração
(Romanos 5:12; 4:15; 7:7-8).
O que se pode afirmar-se é que de fato no céu não existiam uma lei que proibissem o
adultério, a cobiça, etc., tal como se encontram literalmente escrito em Êxodo 20:14 e 17. Pois
os anjos não possuem mulheres, e por conseguinte, torna-se impossível obedecer ou
desobedecer a estes preceitos. Mas os princípios que estão por detrás dessas duas leis sempre
existiram e obedecidos pelos anjos, pois caso contrário seria injustificável a atitude de Deus
para com o Satanás em expulsar o Lúcifer do céu, após cobiçar o seu trono e desejar ser adorado
como ele é, e por contaminar a pureza do seu caráter que tinha sido criado com ele.
O que encontramos em Êxodo 20:14 e 17, é uma transcrição dos princípios divinos que
já existiram no céu, para o contexto da a realidade humana.
(QUADROS, Leandro. Existiu a Lei antes do Sinai? Como era a salvação? Leandro
Quadro. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=__K8FkM7MIY reacessado
em: 27/12/20)
A lei de Deus no Éden:
Adão e Eva transgrediram no Éden os princípios da lei de Deus quando cederam aos
sofismas de Satanás. Conscientemente desprezaram a justiça que lhes foi ensinada. Nesta infeliz
atitude, eles transgrediam alguns princípios da lei que se encontram expresso nos preceitos do
decálogo:
14
 Preferiram seguir e obedecer a um outro deus (Satanás) ao invés do Deus do céu;
 Desonraram Aquele que lhes concedera a vida, que também era as suas autoridades,
transgrediram assim o princípio do 5º mandamento;
 Furtaram e cobiçaram o que não lhes pertencia;
 Sentenciaram à morte a si mesmas e todas as gerações futuras, pois ao perderem o direito
à vida eterna tal condição foi repassada aos seus descendentes;
 E se estes fatos ocorreram no sétimo dia da semana, pode-se afirmar ainda que tais
transgressões ofenderam a Deus no Seu santo sábado.
Antes da queda, Adão e Eva não conheciam os resultados do pecado (Gênesis
3:22; Romanos 7:7). Eles viviam em perfeita harmonia com Deus e dia-a-dia aprendiam sobre
o Seu amor sintetizado em Sua lei (Romanos 13:10). A respeito dessas transgressões a Bíblia
revela:
“Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte,
assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram. Porque até ao regime
da lei havia pecado no mundo, mas o pecado não é levado em conta quando não há lei.”
(Romanos 5:12-13)
“Porque a lei opera a ira. Porque onde não há lei também não há transgressão.” (Romanos
4:15)
“Adão e Eva persuadiram-se de que seria questão insignificante o comer do fruto proibido, e que
tal ato não poderia resultar em terríveis consequências como as de que Deus os avisara. Mas
essa questão insignificante constituía uma transgressão da imutável e santa lei divina, e separou
o homem de Deus, abrindo os diques da morte e trazendo sobre o mundo misérias indizíveis.
Século após século tem subido da Terra um contínuo grito de lamento, e toda criação geme aflita,
em resultado da desobediência do homem. O próprio Céu sentiu os efeitos da rebelião de Satanás
contra Deus. O Calvário aí está como um monumento do estupendo sacrifício exigido para expiar
a transgressão da lei divina. Não podemos considerar o pecado coisa trivial.” (Caminho a
Cristo, cap. 3, p. 33.)
Pelo fato de Adão e Eva comeram do fruto proibido, implica uma transgressão dos
princípios que estão por detrás dos preceitos do decálogo, e com isso podemos afirmar de uma
forma indireta, que existia a lei dos dez mandamentos no Éden.
A Lei de Deus e o Abraão:
Mas será que não havia a lei divina antes dos Patriarca como Abrão? Vejamos o que diz
o texto de Géneses 26:5:
15
“porquanto Abraão obedeceu à minha voz, e guardou o meu mandado, os meus preceitos, os
meus estatutos e as minhas leis.” (Géneses 26:5)
Com base neste texto, vários grupos religiosos elaboram desastrosas e capciosas
interpretações alegando que:
 Que Deus estava valendo-Se de linguagem figurativa quanto à sua obediência;
 Que as palavras “mandado”, “preceito”, “estatutos” e “leis” são sinônimos; e que o
sábado não estava incluído nas orientações divinas entregues a ele.
Estas investidas além de serem inúteis e ofensivas contra Deus e ao seu seguidor,
revelam completo desconhecimento linguístico pois em Gêneses 26:5 tem-se a palavra:
Mandado - traduzida do substantivo hebraico “mishmereth”, que significa: ofício;
serviço; função; obrigação.
Preceito - proveniente do substantivo hebraico “mitsvah”, que significa: mandamento
(coletivamente formam uma lei).
Estatuto - procedente do substantivo hebraico “chuqqah”, que significa: decreto,
resolução, conjunto de regulamentos; conjunto de ordenanças.
Lei - originada do substantivo hebraico "Towrah", que significa: instrução; orientação;
lei deuteronômica ou lei mosaica; leis específicas, por exemplo: lei de oferta queimada;
códigos específicos, por exemplo, o Decálogo. A “Towrah” por extensão de sentido
abrange os ensinos proféticos.
Estas informações esclarecem (para o desespero dos oponentes) que: Abraão exerceu os
mandados (ofícios, funções - mishmereth) que eram norteados pelos estatutos (regulamentos,
resoluções - chuqqah). Ele também obedeceu às leis (conjunto de regras - Towrah) formadas
pelos preceitos (mandamentos - mitsvah). Essas leis determinaram, por exemplo, as normas
cerimoniais (como a construção de altar e ofertas de sacrifício) e, conduziram-lhe aos princípios
e regras morais, como por exemplo, àqueles presentes no Decálogo.
Obs.: Alguns religiosos ainda afirmam que essas leis que Abraão obedecia são as que
estão registradas em Gêneses tais como:
a) Ofertas: Gên. 4:3-4;
b) Altares Gên. 8:20;
c) Que saísse da terra: Gên. 12:1;
d) Sacerdotes: Gên. 14.18;
e) Dízimos: Gên. 14:20;
f) Que andasse na sua presença e fosse perfeito: Gên. 17:1-2;
16
g) Circuncisão: Gên. 17-10;
h) Casamento: Gên. 2:24 e Gên. 34:9;
i) Que sacrificasse seu filho Isaque: Gên. 22:2;
j) Que permanecesse na terra que Deus lhe dissesse;
k) Contra Imoralidade sexual: Gên. 38:24-26; 34:7, etc.
Mas essas são apenas mais uma das tentativas desesperadas para negar a observância
das leis divinas pelo patriarca Abrão. Mas com a base no tópico da alinha f), consegue-se
perceber uma tremenda ironia. Ali foi dito que Abrão deveria andar na presença de Deus e para
ser perfeito.
Se Deus escolheu um homem que vivia em meio a idolatria e tirou-lhe dali para habitar
em um outro lugar, e ao pedir-lhe para andar nos seus caminhos e ser perfeito, torna-se bastante
obvio que Deus deveria oferecer algumas leis, ou normas que deveriam ser seguidos a fim de
Abrão saber qual é o caminho correto a ser seguido a fim de ser perfeito. Ele deveria receber
cercas instruções principalmente no que tange ao comer, ao vestir, e no relacionamento com o
seu próximo tais como encontramos escritos nos livros da Torah de Moisés.
No Monte Sinai Deus também tinha pedido ao povo de Israel para ser perfeito/Santo
assim como Ele Deus era perfeito (Êxo. 19:6; Lev. 19:2; Lev. 20:26; Deut. 14:2). E Deus deu-
lhes várias leis para que o povo conhecesse qual era a sua condição a seguir a fim de ser
perfeito/santo assim como Deus os tinha pedido. Essas leis incluíam principalmente leis no que
tange nos relacionamentos com os seus próximos, no comer (Lev. 11; Deut. 14), no vestir (Deut.
22:5), e em várias outras situações.
Até porque quando Deus o tinha pedido para andar nos seus caminhos e sé perfeito, as
únicas orientações que aparece na bíblia que Deus deu depois são as que estão registradas nas
marcações g), i) e j). As marcações a) até e) e h) e não foram digeridas para Abraão. Na
marcação k) trata-se de um reconhecimento por parte de José que o adultério seria um pecado
contra Deus, mas em nenhum momento o livro de Gêneses nos mostra que Deus deu essa lei
para Abraão ou a seus descendentes. O que nos ajuda a provar mais uma vez que Deus já tinha
dado algumas orientações sobre as leis de Torah que não foram registadas pela bíblia.
Seria muito estranho que Deus exigiu a mesma coisa para Abrão (andar no seu caminho
e ser perfeito), mas não lhe deu nenhuma das leis que se encontra nos registos da Torah de
Moisés.
17
(IASD On-line. O Decálogo no Éden – I. disponível em:
https://sites.google.com/site/iasdonline/home/reparador/decalogo reacessado 2m
28/12/20)
Decálogo antes do Sinai:
Quando a Bíblia fala que lei veio 430 anos depois de Abrão ela fala da lei escrita em
tábuas de pedras, e não que os preceitos do decálogo não existia antes. E em romanos 4:15,
Romanos 5:13 e romanos 7:7-8 nos diz que onde não há lei, não pode haver pecado, pois
segundo 1 João 3:4, pecado é a transgressão da lei.
“Porque a lei opera a ira; mas onde não há lei também não há transgressão” (Romanos 4:15)
“7
Que diremos pois? É a lei pecado? De modo nenhum. Contudo, eu não conheci o pecado senão
pela lei; porque eu não conheceria a concupiscência, se a lei não dissesse: Não cobiçarás. 8
Mas
o pecado, tomando ocasião, pelo mandamento operou em mim toda espécie de concupiscência;
porquanto onde não há lei está morto o pecado” (Romanos 7:7-8)
“Porque antes da lei já estava o pecado no mundo, mas onde não há lei o pecado não é levado
em conta.” (Romanos 5:13)
“Todo aquele que vive habitualmente no pecado também vive na rebeldia, pois o pecado é
rebeldia.” (1 João 3:4)
Se a lei ou os preceitos do decálogo não existisse antes do Sinai então as pessoas antes
do Sinai estavam todos livres para matar, cobiçar, roubar, desonrar os pais, tomar o nome de
Deus em vão, etc., pois onde não há lei não existe o pecado. O fato de que Lúcifer e seus anjos
pecaram revela que a lei se achava presente mesmo antes da Criação (2 Pedro 2:4). Portanto A
lei existia muito antes que Deus concedesse o Decálogo a Israel.
“14
Porque, quando os gentios, que não têm lei, fazem naturalmente as coisas que são da lei, não
tendo eles lei, para si mesmos são lei; 15
Os quais mostram a obra da lei escrita em seus corações,
testificando juntamente a sua consciência, e os seus pensamentos, quer acusando-os, quer
defendendo-os;” (Romanos 2:14-15)
Duas expressões precisam ser realçadas destes versos: Eles possuíam a Lei na
consciência; a Lei gravada no coração era a mesma escrita em tábuas de pedra. Outros exemplos
bíblicos demonstram a existência dos preceitos do Decálogo da lei de Deus antes de ser entregue
no monte Sinai, tais como:
 1º e 2º Mandamento: Jacó já sabia que não deveria servir outros deuses – Géneses 35:2;
 3º Mandamento: Jacó possuía o princípio básico do terceiro mandamento, que era
reverência a Deus – Géneses 28:16-19;
18
 4º Mandamento: Mesmo antes que o povo de Israel chegou ao monte Sinai, recebendo
as duas tábuas de pedra, Deus já exigia a sua observância do sábado – Êxodo 16:4, 23-26;
 5º Mandamento: A severa repreensão de Noé a Cão e Canaã nos mostra que eles tinham
conhecimento do mandamento quanto a honrar pai e mãe - Géneses 9:20-25;
 6º Mandamento: Deus condenou o assassinato de Abel - Géneses 4:8-12;
 7º Mandamento: José resistiu ao pecado de adultério - Géneses 39:7-23;
 8º Mandamento: Os irmãos de José já sabiam que o roubo é um pecado contra Deus –
Géneses 44:8 e cap. 44:16;
 9º Mandamento: Abimeleque fez um pacto com Abraão, dizendo que ele não deveria
mentir-lhe, portanto, eles já sabiam que mentir era errado – Géneses 21:23;
 10º Mandamento: Eva cobiçou o fruto proibido – Géneses 3:6;
Obs.: em Romanos 2:14-16 Paulo a respeito dos gentios, diz que os “gentios, que não
têm lei, fazem naturalmente as coisas que são da lei, não tendo eles lei, para si mesmos são
lei”, pois elas “mostram a obra da lei escrita em seus corações”. Portanto mesmo que Deus
não pronunciou de forma clara os seus preceitos da lei para Abrão ou outros povos antes do
Sinai, isto não significa que eles desconheciam eles tinham a lei escritas no seu coração.
Portanto é um erro supor que os preceitos da só se originaram no Sinai, pois se é assim, então
todos aqueles que viviam antes do Sinai eram justo e perfeitos aos olhos de Deus, pois “onde
não há lei o pecado não é levado em conta.” (Romanos 5:13)”.
6) Será que a Lei não é apenas para os povos israelitas? Aquém é permitido ou
obrigado guardar a Lei?
“Lembrai-vos da lei de Moisés, meu servo, a qual lhe mandei em Horebe para todo o Israel, a
saber, estatutos e ordenanças.” (Malaquias 4:4)
Muitos tentam usar o texto de Malaquias 4:4 para tentar provar que a lei só se aplicava
ao povo de Israel, mas o problema é que existe uma tremenda ignorância por parte dessas
pessoas de que o povo de Israel deveria ser uma testemunha fiel e luz para as outras nações e
que Deus queria que o seu nome seja exaltado por meio deste povo.
“Vós sois as minhas testemunhas, do Senhor, e o meu servo, a quem escolhi; para que o saibais,
e me creiais e entendais que eu sou o mesmo; antes de mim Deus nenhum se formou, e depois de
mim nenhum haverá.” (Isaías 43:10)
19
“Sim, diz ele: Pouco é que sejas o meu servo, para restaurares as tribos de Jacó, e tornares a
trazer os preservados de Israel; também te porei para luz das nações, para seres a minha
salvação até a extremidade da terra.” (Isaías 49:6)
O texto de Eclesiastes 12:13-14 nos diz:
“13
Este é o fim do discurso; tudo já foi ouvido: Teme a Deus, e guarda os seus mandamentos;
porque isto é todo o dever do homem. 14
Porque Deus há de trazer a juízo toda obra, e até tudo o
que está encoberto, quer seja bom, quer seja mau” (Eclesiastes 12:13-14)
Se a lei era apenas para os povos judeus, então quer dizer que os outros povos da
antiguidade, que não são israelitas, podiam adulterar, matar, roubar já que a lei que proíbe essas
coisas é apenas para o povo israelita. E também que o julgamento divino é apenas para o povo
israelita.
“9
reconhecendo que a lei não é feita para o justo, mas para os transgressores e insubordinados,
os irreverentes e pecadores, os ímpios e profanos, para os parricidas, matricidas e homicidas, 10
para os devassos, os sodomitas, os roubadores de homens, os mentirosos, os perjuros, e para
tudo que for contrário à sã doutrina,” (1 Timóteo 1:9-10)
O texto de 1 Timóteo 1:9-10 deixa claro que Deus não promulga lei para quem é justo,
mas sim para os injustos ou pecadores, e se a lei só foi dada para ser reverenciado apenas por
Israelitas então quer dizer que os outros povos da terra eram todos justos diante de Deus mesmo
adorando as imagens de escultura, mesmo sendo um perseguidor do povo de Deus como é no
caso dos filisteus, ou mesmo que eles blasfemaram contra Deus. (ver a história de Nínive no
livro de Jonas).
7) Aquém diz que a lei foi abolida na cruz. E que Deus substituiu a lei pela graça. Será
verdade isso?
“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus; 9
não vem
das obras, para que ninguém se glorie.” (Efésios 2:8-9)
“concluímos pois que o homem é justificado pela fé sem as obras da lei.” (Romanos 3:28)
A Graça nos foi dada antes dos tempos eternos (Tito 1:1-2 / 2 Timóteo 1:9), trazendo
salvação a todos os homens (Tito 2:11). Não existe um período chamado de o período da lei e
o período da graça. Desde que o homem pecou a Graça sempre foi o meio escolhido por Deus
para salvar o homem.
20
“1
Paulo, servo de Deus, e apóstolo de Jesus Cristo, segundo a fé dos eleitos de Deus, e o pleno
conhecimento da verdade que é segundo a piedade, 2
na esperança da vida eterna, a qual Deus,
que não pode mentir, prometeu antes dos tempos eternos,” (Tito 1:1-2)
“que nos salvou, e chamou com uma santa vocação, não segundo as nossas obras, mas segundo
o seu próprio propósito e a graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos eternos,”
(2 Timóteo 1:9)
“11
Porque a graça de Deus se manifestou, trazendo salvação a todos os homens, 12
ensinando-
nos, para que, renunciando à impiedade e às paixões mundanas, vivamos no presente mundo
sóbria, e justa, e piamente,” (Tito 2:11:12)
“Portanto, assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação,
assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação e
vida.” (Romanos 5:18)
A salvação pela graça antes da cruz pode ser confirmada nas seguintes passagens
Bíblicas:
“Noé, porém, achou graça aos olhos do Senhor.” (Géneses 6:8)
“E creu Abrão no Senhor, e o Senhor imputou-lhe isto como justiça.” (Géneses 15:6)
“Volta-te, Senhor, livra a minha alma; salva-me por tua misericórdia.” (Salmos 6:4) (cap. 13:5;
86:15; 84:11)
“2
Porque, se Abraão foi justificado pelas obras, tem de que se gloriar, mas não diante de Deus.
3
Pois, que diz a Escritura? Creu Abraão a Deus, e isso lhe foi imputado como justiça.”
(Romanos 4:2-3)
“assim também Davi declara bem-aventurado o homem a quem Deus atribui a justiça sem as
obras, dizendo:” (Romanos 4:6)
(Veja: Hebreus 11)
Se a graça não existia antes da cruz, logo os pecadores que viviam antes de Cristo não
se salvaram, pois, a bíblia nos diz que não há nenhum justo sobre a face da terra (Eclesiastes
7:20; Romanos 3:10), porque todos pecaram (Romanos 5:12). A proclamação de que alguém
é salvo pelos seus próprios méritos e esforços por ter guardado a lei, isto seria um insulto a
Jesus e uma ofensa ao Seu sacrifício.
21
8) Se nem no Novo e nem no Velho Testamento as pessoas eram salvas pelas obras da
lei, então qual é o propósito da lei?
Como já tínhamos visto na pergunta anterior, a graça sempre foi o meio pelo qual o
homem é salvo (Tito 2:11), e a graça de Deus não nos dá nenhuma liberdade para pecar (Tito
2:12).
“11
Porque a graça de Deus se manifestou, trazendo salvação a todos os homens, 12
ensinando-
nos, para que, renunciando à impiedade e às paixões mundanas, vivamos no presente mundo
sóbria, e justa, e piamente,” (Tito 2:11:12)
Então para que serve a lei? O livro de Gálatas 3:19 nos responde:
“Logo, para que é a lei? Foi acrescentada por causa das transgressões, até que viesse o
descendente a quem a promessa tinha sido feita; e foi ordenada por meio de anjos, pela mão de
um mediador.” (Gálatas 3:19)
O livro de Romanos nos esclarece sobre o assunto:
“porquanto pelas obras da lei nenhum homem será justificado diante dele; pois o que vem pela
lei é o pleno conhecimento do pecado.” (Romanos 3:20)
“7
Que diremos pois? É a lei pecado? De modo nenhum. Contudo, eu não conheci o pecado senão
pela lei; porque eu não conheceria a concupiscência, se a lei não dissesse: Não cobiçarás. 8
Mas
o pecado, tomando ocasião, pelo mandamento operou em mim toda espécie de concupiscência;
porquanto onde não há lei está morto o pecado. 9
E outrora eu vivia sem a lei; mas assim que
veio o mandamento, reviveu o pecado, e eu morri;” (Romanos 7:7-9)
“Porque a lei opera a ira; mas onde não há lei também não há transgressão.” (Romanos 4:15)
Aqui podemos notar que o objetivo da Lei, é de definir o que é o pecado – já que a
graça foi dada para nos salvar do pecado e também o renunciar. A lei veio para nos definir o
que é esse pecado. E ao definir esse pecado passamos a saber que somos culpados e condenados
perante Deus, segundo exemplo da experiência do apóstolo Paulo em Romanos 7:9 (veja o
verso acima).
Tendo em vista ajudar as pessoas a verem sua verdadeira condição, a lei funciona como
uma espécie de espelho (Tia. 1:23-25). Aqueles que “olham” a seu próprio caráter defeituoso
em contraste com a justiça do caráter de Deus, compreendem que a lei revela que todas as
pessoas são culpadas diante de Deus (Rom. 3:19), e que todas são plenamente responsáveis
perante Ele.
22
Depois de ver o nosso verdadeiro caráter, compreendemos que somos pecadores, que
estamos condenados à morte e sem esperança, sentimos a necessidade de um Salvador. Neste
ponto, as boas novas do evangelho tornam-se cheias de significado. E uma vez sentindo culpado
e condenado devido aos nossos pecados, a lei cumpre um outro propósito em nossas vidas –
nos conduzir até o cristo. Ela nos indica a Cristo como o único que nos pode ajudar a escapar
de nossa desesperada condição.
“24
De modo que a lei se tornou nosso aio, para nos conduzir a Cristo, a fim de que pela fé
fôssemos justificados.” (Gálatas 3:24)
“Pois Cristo é o fim da lei para justificar a todo aquele que crê.” (Romanos 10:4)
Ao revelar a nossa condição pecaminosa e sentido a nossa culpa e condenação perante
Deus, a mesma lei vai nos servir de aio para nos conduzir até o Cristo que é a nossa graça a fim
de podermos ser lavado e purificado dos nossos pecados (1 João 1:9).
Obs.: No texto de Romanos 10:4 a “fim” vem do termo grego “Telos” que pode
significar “objetivo”, “alvo” ou “meta”. Esta é a mesma que aparece em 1 Pedro 1:9: “Obtendo
o fim (Telos) da vossa fé: a salvação da vossa alma”. Portanto, a tradução correta de Romanos
10:4 é: “Porque o “alvo / objetivo” da Lei é Cristo, para justiça de todo aquele que crê”. Daí
podemos notar que depois de nos definir o que é pecado, a lei desempenha um outro papel que
é levar pecadores até o Cristo.
E uma vez chegando até Cristo e ao sermos perdoados e lavados de todos os nossos
pecados por meio do baptismo (Tito 3:5; João 3:5), Cristo nos convida a demostrar o nosso
amor para com ele através da guarda da sua lei, ou seja, Deus preparou as obras da lei para que
andássemos nele, já que nós não somos salvos para desobedecer, mas sim para obedecer, pois
a sua graça não nos dá liberdade para continuar vivendo no pecado, mas sim renuncia-lo (Tito
2:12).
“Se me amardes, guardareis os meus mandamentos.” (João 14:15)
“2
Nisto conhecemos que amamos os filhos de Deus, se amamos a Deus e guardamos os seus
mandamentos. 3
Porque este é o amor de Deus, que guardemos os seus mandamentos; e os seus
mandamentos não são penosos;” (1 João 5:2-3)
“Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus antes
preparou para que andássemos nelas.” (Efésios 2:10) (veja também: 1 Tessalonicenses 4:1-7)
“Entretanto aquele que atenta bem para a lei perfeita, a da liberdade, e nela persevera, não
sendo ouvinte esquecido, mas executor da obra, este será bem-aventurado no que fizer” (Tiago
1:25)
23
Obs.: os versos citados acima, são todos do novo testamento, confirmando assim que
mesmo no novo testamento podemos encontrar citações que nos manda guardar a lei, apesar de
sermos salvos pela graça.
É através da guarda da sua lei é que passamos a demostrar a nossa aceitação do sacrifício
expiatório de Cristo ao nosso favor. Se a nossa fé exclui a guarda da lei, somos considerados
mentirosos e essa fé é comparada como a fé dos demónios:
“17
Assim também a fé, se não tiver obras, é morta em si mesma. 18
Mas dirá alguém: Tu tens fé,
e eu tenho obras; mostra-me a tua fé sem as obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas
obras.” (Tiago 2:17-18)
“Vedes então que é pelas obras que o homem é justificado, e não somente pela fé.” (Tiago 2:24)
“3
E nisto sabemos que o conhecemos; se guardamos os seus mandamentos. 4
Aquele que diz: Eu
o conheço, e não guarda os seus mandamentos, é mentiroso, e nele não está a verdade;” (1 João
2:3-4)
“Crês tu que Deus é um só? Fazes bem; os demônios também o crêem, e estremecem.” (Tiago
2:19)
Para além dos objetivos da lei mencionados acima, a lei de Deus também possui outros
objetivos, tais como:
Revela a Vontade de Deus Para a Humanidade. Na qualidade de expressão do caráter
e do amor de Deus, os Dez Mandamentos revelam Sua vontade e propósito para a humanidade.
Demandam obediência perfeita.
“10
Pois qualquer que guardar toda a lei, mas tropeçar em um só ponto, tem-se tornado culpado
de todos. 11
Porque o mesmo que disse: Não matarás. Ora, se não cometes adultério, mas és
homicida, te hás tornado transgressor da lei.” (Tiago 2:10-11)
Obediência à lei, sendo esta é a regra de vida, e é vital para nossa salvação. O próprio
Cristo explicou por quê: “Se queres, porém, entrar na vida, guarda os mandamentos” (Mat.
19:17). Essa obediência somente é possível por intermédio do poder que o Espírito Santo,
habitando no íntimo do ser, torna disponível (Ezequiel 36:26-37).
É a Base do Concerto Divino. Moisés escreveu os Dez Mandamentos, junto com outras
leis explanatórias, num livro chamado “livro do concerto” – ou da “aliança” (Êxo. 20:1 a 24:8).
Mais tarde, ele identificou os Dez Mandamentos como “as tábuas do concerto”, indicando sua
importância como base do concerto eterno (Deut. 9:9; 4:13).
24
Funciona Como Padrão de Julgamento. Tal como Deus, Seus “mandamentos são
justiça” (Sal. 119:172). Portanto, a lei estabelece o padrão de justiça. Cada um de nós será
julgado por esses retos princípios, e não por nossa consciência. Dizem as Escrituras:
“Teme a Deus e guarda os Seus mandamentos... porque Deus há de trazer a juízo todas as obras,
até as que estão escondidas, quer sejam boas, quer sejam más” (Eclesiastes 12:13-14) (ver
Tiago 2:12).
Provê Genuína Liberdade. Quando transgredimos a lei de Deus, não nos achamos em
liberdade; a obediência aos Mandamentos, isto sim, nos assegura verdadeira liberdade. Cristo
disse que:
“todo o que comete pecado é escravo do pecado” (João 8:34)
Viver dentro dos limites estabelecidos pela lei de Deus significa liberdade do pecado.
Significa também liberdade diante daquilo que acompanha o pecado – contínuo aborrecimento,
consciência ferida, crescente culpa e remorso, que minam as forças vitais de nossa vida. Disse
o salmista:
“Andarei em verdadeira liberdade, pois tenho buscado os Teus preceitos” (Salmos 110:45)
Tiago referiu-se ao a lei como a “lei perfeita, lei da liberdade” (Tia. 2:8; 1:25).
9) Porque é tão confusa essa questão da justificação pela fé? Somos salvos pela fé, sem
as obras da lei. E Tiago ensina que a fé sem obras é morta. Se a fé sem obra é morta, logo
isto não quer dizer que também preciso das minhas obras para ser salvos? Será que o
apóstolo Paulo e Tiago não estão em contradição?
Não há nada de confusão em tudo isto. Salvo da condenação da lei não significa salvos
para não guardar a lei. Vamos entender isso com base em um exemplo prático do dia-a-dia. A
medida que vamos perceber o exemplo, será citada alguns textos bíblicos que nos ajudarão a
fazer uma harmonia com a doutrina da justificação pela fé e as obras da lei dentro desse contexto
doutrinário.
Veja só: imagine uma pessoa qualquer, e um dia essa pessoa cometeu um delito, só que
ele não sabia que aquele ato era uma violação dos princípios daquele país em que se encontrava,
e que aquele delito é severamente punido com a pena de morte, segundo a lei daquele país
[Romanos 5:12; Romanos 6:23]. Mas após ser preso pela polícia, ele passou a saber que a lei
daquele país considerava aquele ato como uma violação dos princípios morais e que agora, ele
estava condenado a morte [Romanos 7:9].
25
Podemos questionar: será que aquele criminoso podia ser salvo/justificado pelas suas
obras? A resposta é óbvia que NÃO, pois foi exatamente a sua obra que lhe condenou à morte,
e por isso ele não podia fazer nada que lhe pudesse salvar da condenação da morte [Romanos
7:24].
Mas só que apareceu um advogado chamado Cristo que resolveu pagar a penalidade
daquele criminoso a fim de que ele pudesse obter uma segunda chance. No tribunal o advogado
perguntou o preço a pagar pela liberdade daquele criminoso, e o juiz [Satanás] lhe diz: “quero
toda a sua lágrima, toda a sua dor e todo o seu sangue”, e o advogado aceitou e pagou o preço
com o seu próprio sangue por amor para com aquele criminoso [Atos 20:28 / Mateus 20:28 /
Gálatas 3:13].
Após ser pago o preço do delito, esse criminoso foi justificado do seu crime e foi
liberado da prisão [Romanos 8:1]. Pois o cadastro do seu advogado [Cristo] que era limpo foi
transferido para o criminoso, e o cadastro deste que era sujo foi transferido para o seu advogado
e por isso o advogado carregou a sua culpa e teve que morrer no seu lugar [1 Coríntios 15:3].
Após ser liberto essa pessoa possui duas opções:
 Voltar a sua velha vida, e cometer o mesmo delito pelo qual tinha sido preso – se
essa pessoa voltar a cometer os mesmos crimes ele irá ser preso novamente, pois o advogado
ao pagar o preço da sua liberdade, ele foi liberto da condenação e da morte imposta sobre ele
devido a violação da lei, mas isto não significa o pagamento daquele delito, inclui viver uma
vida em desarmonia com os princípios morais pelo qual tinha sido preso. O advogado pagou a
preço para a sua liberdade e não para a sua libertinagem. E se ele diz que ele aceitou o preço
pago pelo seu advogado ele será considerado de mentiroso pois ele não tem estado a demostrar
isso na prática [1 João 2:4] e nem aceitou a segunda chance concedida pelo seu advogado, pois
voltou a cometer os mesmos atos [2 Pedro 2:20-22].
 Viver uma nova vida de uma forma honesta sem ter que cometer os mesmos crimes
que levou a sua condenação, ou seja, ele vai ter que viver uma vida de conformidade com
a lei daquele país - se essa pessoa passou a viver uma vida de acordo com os princípios morais
daquele país, ele irá demostrar que aceitou a segunda chance concedida pelo seu advogado, ou
seja, através das suas obras, ele irá demostrar que aceitou o sacrifício feito pelo seu advogado
ao seu favor [2 Coríntios 5:17 / Colossenses 3:9-10 / Tiago 2:18, 24, 26].
26
10) Porque apegar tanto na lei do antigo testamento se Jesus substituiu-o por um novo
mandamento?
“37
Respondeu-lhe Jesus: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma,
e de todo o teu entendimento. 38
Este é o grande e primeiro mandamento. 39
E o segundo,
semelhante a este, é: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. 40
Destes dois mandamentos
dependem toda a lei e os profetas.” (Mateus 22:37-40)
“O meu mandamento é este: Que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei” (João
15:12)
“34
Um novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei a vós,
que também vós vos ameis uns aos outros. 35
Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se
tiverdes amor uns aos outros.” (João 13:34-35)
“Ora, o seu mandamento é este, que creiamos no nome de seu Filho Jesus Cristo, e nos amemos
uns aos outros, como ele nos ordenou.” (1 João 3:23)
“1
Irmãos, se um homem chegar a ser surpreendido em algum delito, vós que sois espirituais
corrigi o tal com espírito de mansidão; e olha por ti mesmo, para que também tu não sejas
tentado. 2
Levai as cargas uns dos outros, e assim cumprireis a lei de Cristo.” (Gálatas 6:1-2)
A lei de cristo se resume em “amar a Deus sobre todas as coisas e amarás o teu próximo
como a ti mesmo”. Muitos acreditam que esses preceitos se originaram no Novo Testamento,
mas isto ocorre pelo desconhecimento do texto de Levítico 19:18 e Deuteronômio 6:5 onde
nos mostra que essas leis também são de Deus Pai que já existia muito tempo antes da vinda de
Cristo.
“Não te vingarás nem guardarás ira contra os filhos do teu povo; mas amarás o teu próximo
como a ti mesmo. Eu sou o Senhor” (Levítico 19:18)
“Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todas as tuas
forças.” (Deuteronômio 6:5)
“5
E agora, senhora, rogo-te, não como te escrevendo um novo mandamento, mas aquele mesmo
que desde o princípio tivemos: que nos amemos uns aos outros. 6
E o amor é este: que andemos
segundo os seus mandamentos. Este é o mandamento, como já desde o princípio ouvistes, para
que nele andeis.” (2 João 1:5-6)
Jesus não afirmou que este preceito era “novo” no sentido de “inédito” ou “recém-
estabelecido”, mas que era novo por aqueles que ouviram naquela ocasião, pois eles
desconheciam o mandamento anunciado.
27
No idioma grego, a palavra "novo", pode ser escrita de duas formas: "neos" (quando
algo é novo no sentido de: tempo recente; jovem; recém originado; que surgiu a pouco tempo),
e "kainos" (quando algo é novo no sentido de: antes desconhecido; incomum; anteriormente
ignorado; recém revelado). E João 13:34 utiliza a palavra "kainos", identificando que o
mandamento já existia, porém, era desconhecido para os ouvintes de Jesus. Os dois
mandamentos que retêm os princípios bases de toda a lei: amor a Deus, e amor ao próximo.
Resumo da Lei:
“Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas.” (Mateus 22:37-40)
Em Mateus 22:40 Jesus nos diz: “Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os
profetas”. A palavra “depender” significa “estar sujeito a”, “o que precisa de”, “sustentado
por”, “o que surge/deriva/resulta de”, “o que pertence a” ou “o que faz parte de”. Em nenhum
momento Jesus nos diz que a lei do amor substituiu o decálogo ou a Torah, mas sim que o amor
depende de toda a lei. A palavra “depender” em momento nenhum nos traz a mente a ideia de
substituir ou abolir.
“Pois toda a lei se cumpre numa só palavra, a saber: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo.”
(Gálatas 5:14) (Veja também: Tiago 2:8; Mateus 19:19; Lucas 10:25-27)
“8
A ninguém devais coisa alguma, senão o amor recíproco; pois quem ama ao próximo tem
cumprido a lei. 9
Com efeito: Não adulterarás; não matarás; não furtarás; não cobiçarás; e se
há algum outro mandamento, tudo nesta palavra se resume: Amarás ao teu próximo como a ti
mesmo. 10
O amor não faz mal ao próximo. De modo que o amor é o cumprimento da lei.”
(Romanos 13:8-10)
O apóstolo Paulo também nos deixou bem claro que o amor é um RESUMO de TODA
a LEI, de acordo com Gálatas 5:14. Essa palavra “resumir” significa “sintetizar”, ou seja,
“condensar em poucas palavras”. (por exemplo: o texto de Géneses capítulo 1 possui 31
versículos. Imagine se eu te disser: resume estes 31 versos em 1 verso de 3 (três) palavras. Isto
se resumia assim: “criação do mundo”).
No livro de Romanos 13:8-10 também podemos confirmar claramente que este resumo
da lei também se aplica ao decálogo. Ali diz que “quem ama ao próximo tem cumprido a lei”,
e que “o amor é o cumprimento da lei”. E no verso 9 foi citado alguns mandamentos do
decálogo e foi dito que tudo se resume “Amarás ao teu próximo como a ti mesmo”. Dizer que
o amor exclui o decálogo ou a própria torah é o mesmo que oferecer a um irmão 2 a 10 facadas
ou tiros na cabeça e ao mesmo tempo dizer que o amamo-lo. É o mesmo que trair a esposa ou
28
esposo e ao mesmo tempo dizer que amamo-la (lo). A lei do amor sem a lei moral de Deus, torna-
se uma verdadeira piada.
Para nos mostrar, que os 10 Mandamentos não são tão pesados como muitos pensam
ser, Jesus e Paulo nos diz que tudo isso se resume em amor a Deus e pelos outros. Eles
compreendiam que havia uma relação entre a guarda dos Mandamentos e o amor. Embora não
estejamos habituados a falar de “regras” de amor, poder-se-ia dizer, num sentido real, que os
Dez Mandamentos são essas regras. Ela mostra-nos a forma como Deus deseja que expressemos
o nosso amor por Ele e pelos outros.
(ALMIR JR. As Leis Da Bíblia: 8. Quando Cristo disse: "novo mandamento vos dou",
significa que ele aboliu os mandamentos antigos? Explorando a Bíblia. Disponível em:
http://www.explorandoabiblia.com.br/as-leis-da-biblia reacessado em 29/12/20)
11) Em Mateus 5:18 foi dito que nada seria abolido enquanto tudo não foi cumprido
na lei, e Jesus já cumpriu a lei, e uma vez que a lei já foi cumprida, nós não devemos mais
guardar a lei, inclusive todos os 613 mandamentos que encontramos no torah. E que a lei
que os cristãos devem observar são apenas aqueles que foram revalidados por Apóstolo
nos seus escritos do novo testamento. Será verdade isso?
“17
Não penseis que vim destruir a lei ou os profetas; não vim destruir, mas cumprir. 18
Porque
em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, de modo nenhum passará da lei um só
i ou um só til, até que tudo seja cumprido.” (Mateus 5:17-18)
Obs.: Existem outros textos bíblicos que confirmam a abolição da lei do velho testamento, tais
como: Lucas 16:16; Efésios 2:15; Colossenses 2:14; Romanos 10:4; Romanos 6:14; Romanos
7:4 e 6; Romanos 8:1-2; Gálatas 3:19; Gálatas 3:19
Vamos responder essa pergunta com base num seguinte exemplo:
“o PREGADOR vai a IGREJA, pregar o EVANGELHO, que fala de JESUS, que morreu na
cruz e nos deu a sua GRAÇA, para nos salvar do PECADO que é a transgressão da LEI”
Muitas pessoas afirmam que a lei foi abolida, então vejamos o mesmo exemplo sem a
palavra “LEI” na frase:
“o PREGADOR vai a IGREJA, pregar o EVANGELHO, que fala de JESUS, que morreu na
cruz e nos deu a sua GRAÇA, para nos salvar do PECADO”
29
De acordo com o que foi mostrado na primeira frase, o pecado é a transgressão da lei,
portanto, se não tem a lei, não pode existir o pecado. Como também podemos confirmar
claramente em alguns textos bíblicos.
“Porque a lei opera a ira; mas onde não há lei também não há transgressão” (Romanos 4:15)
“7
Que diremos pois? É a lei pecado? De modo nenhum. Contudo, eu não conheci o pecado senão
pela lei; porque eu não conheceria a concupiscência, se a lei não dissesse: Não cobiçarás. 8
Mas
o pecado, tomando ocasião, pelo mandamento operou em mim toda espécie de concupiscência;
porquanto onde não há lei está morto o pecado” (Romanos 7:7-8)
“Porque antes da lei já estava o pecado no mundo, mas onde não há lei o pecado não é levado
em conta.” (Romanos 5:13)
“Todo aquele que vive habitualmente no pecado também vive na rebeldia, pois o pecado é
rebeldia.” (1 João 3:4)
Ora se a lei foi abolida, então isto quer dizer que já não existe mais o pecado, e se não
existe o pecado, para quê que iriamos precisar da graça? Para nos salvar do quê? A Graça nos
foi dado em Cristo Jesus para nos salvar do pecado (Efésios 2:8-9) que é a transgressão da lei
(Romanos 4:15; 7:7-8), e se a lei foi abolida, isto quer dizer que já não existe mais o pecado,
pois “onde não há lei o pecado não é levado em conta” (Romanos 5:13), e se o pecado já não
existe, a própria Graça de Cristo se torna nula, ou seja, sem qualquer valor, com isto também
anularia a própria morte de Cristo na cruz. E se Jesus morreu em vão, não haveria necessidade
do evangelho, nem da igreja e nem do seu pregador.
 Concorda-se plenamente com a explicação dada acima, mas ao dizer que a lei foi
abolida, isto não quer dizer que os cristãos já não possuem leis que regulam a sua conduta
perante Deus, mas sim que todos os 613 mandamentos que existia na torah foram abolidas
na cruz, e que são apenas os mandamentos que foram revalidadas por Deus no novo
testamento é que devem servir de guia para os cristãos.
A bíblia foi dividida em duas partes: Velho e Novo Testamento. Mas só que esta
classificação não é correta, e tem causado muita confusão no meio cristão. Muitos entendem
que quando estamos a falar do novo testamento estamos simplesmente a referir os livros escritos
depois de Cristo, e que quando estamos a falar do «velho testamento» que estamos a falar dos
livros escritos antes de cristo.
30
Muitos confundem o termo “velho testamento” e “novo testamento” com o termo
“Escrituras”, ao ler o texto de 2 Coríntios 3:14 onde fala sobre a abolição do velho concerto,
muitos acreditam que isto se refere aos livros escritos antes de Cristo. Elas questionam dizendo
que agora devemos basear a nossa fé apenas nos livros depois de Cristo (fundamentos dos
apóstolos), e tentam insinuar que nós não devemos guardar o sábado pois não existe uma ordem
direta sobre a sua guarda no novo testamento.
Mas essa alegação de que a nossa base de fé se baseia apenas nos ensinamentos dos
apóstolos contradiz completamente as palavras do apóstolo Paulo em livro de Efésios 2:20 na
qual nos diz que para além do fundamento dos apóstolos, também possuímos o fundamento dos
profetas.
“edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, sendo o próprio Cristo Jesus a
principal pedra da esquina;” (Efésios 2:20) (ver Romanos 11:16-24 / 2 Pedro 3:2)
Ao afirmar que já não precisamos observar a torah, mas sim apenas as leis que foram
mencionados por apóstolo, caímos numa contradição direta com o que foi dito pelo apóstolo
Paulo. E com isso podemos concluir também que os livros dos profetas não são “velho
testamento” pois se esses livros são velho testamento, então por que o fundamento dos profetas
se o velho testamento foi abolido de acordo com 2 Coríntios 3:14?
Em João 10:35 nos diz que as Escrituras não podem ser anuladas, logo o livro de
Êxodo, Salmos, Isaías, Ezequiel, Daniel, etc., são Escrituras e não Velho Testamento na qual
foi dito que foi abolido (2 Coríntios 3:14).
“Se a lei chamou deuses àqueles a quem a palavra de Deus foi dirigida (e a Escritura não pode
ser anulada),” (João 10:35)
Quando Jesus pronunciou essas palavras em João, o cânon dos livros escritos depois
Dele nem sequer existia, confirmando assim que quando Jesus referiu que as escrituras não
podem ser anuladas, ele estava a mencionar os livros escritos antes dele. O certo deveria ser
Escritura Antes de Cristo e Escritura Depois de Cristo. Mas, no sentido bíblico original, “velho
testamento” é o acordo foi feito entre Deus e o seu povo o Monte Sinai (Jeremias 11:2-5;
Êxodo 19) e o novo testamento foi feito com o homem desde o Éden e renovado a Abrão
(Géneses 3:15; Géneses 12:1-3).
Nos livros antes de Cristo contém várias normas de conduta essenciais à vida cristã que
não estão presentes nos livros depois de Cristo e nem por isso deixaram de ser observados, veja
agora algumas dessas regras que não encontramos nas escrituras depois de Cristo:
31
 Casar com irmã, tia, nora, sogra, madrasta, mãe - Levítico 18:6-24;
 Marcas no corpo - Levítico 19:28;
 Vestir roupas do sexo oposto - Deuteronômio 22:5;
 Consultar os mortos - Deuteronômio 18:10-12;
Mesmo não havendo essas regras nas escrituras d.C. isso jamais foi justificativa para
negligencia-las. O Novo Testamento não foi idealizado para ser uma cópia exata do Velho
Testamento, mas, uma extensão de seus ensinos. Quando Jesus declarou: "Examinais as
Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de Mim"
(João 5:39), Ele referia-se ao Velho Testamento, pois o início da redação do Novo Testamento
ocorreu 31 anos após a Sua ascensão ao Céu, sendo concluída 66 anos depois. Os primeiros
cristãos, que eram judeus, tinham como fonte de aprendizado o Antigo Testamento e os ensinos
transmitidos diretamente por Cristo.
Vamos fazer uma análise geral de todos esses versos bíblicos citados pela pergunta nº11,
como as supostas provas para tentar provar que a lei foi abolida.
 Mateus 5:18;
Vejamos o que diz o texto de Mateus 5:17-18:
“17
Não penseis que vim destruir a lei ou os profetas; não vim destruir, mas cumprir. 18
Porque
em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, de modo nenhum passará da lei um só
i ou um só til, até que tudo seja cumprido.” (Mateus 5:17-18)
Muitos por incrível que pareça usam este texto de Mateus 5:17-18 diz claramente que
Jesus não veio para abolir a lei, para tentar provar que jesus aboliu a lei. Eles se baseiam neste
verso e tentam argumentar o seguinte:
“Em Mateus 5:18 foi dito que nada seria abolido enquanto tudo não foi cumprido na lei, e Jesus
já cumpriu a lei, e uma vez que ele já cumpriu a lei, nós não devemos mais guardar a lei, porque
ele já o fez por nós. Devemos observar apenas os mandamentos que foram revalidados depois da
morte de Cristo, pelos apóstolos no novo testamento”.
Se a palavra “cumprir” nesses dois versos significa “abolir”, então seria muito estranho
ao Jesus dizer: “não vim para abolir, mas abolir” A palavra “cumprir” utilizada nos
versos, deriva do verbo grego "pleroo" e possui o sentido de: Satisfazer; completar; exercer
completamente; preencher ao máximo;
Se Jesus veio cumprir a lei (e o termo “cumprir” a lei significa completar ou encher), é
óbvio que ela não foi abolida, pois qual é o objetivo de completar ou dar um verdadeiro sentido
32
de uma coisa abolida? Se Jesus veio dar o verdadeiro sentido da lei, é óbvio que ela continua
em vigor.
E ao analisar o próprio contexto de Mateus cap. 5 podemos constatar que Cristo estava a
ampliar o verdadeiro sentido da lei. Por exemplo:
 No verso 21-22, ao falar sobre o assassinato, ele falou que este ato já é praticado na
mente, quando você alimenta o ódio no coração;
 No verso 27-28, ao falar sobre o adultério, Cristo nos diz que esse pecado já é praticado
na mente das pessoas quando se alimento dos pensamentos impuros.
 No verso 31-32, ao falar sobre o divórcio, Ele amplia a compreensão sobre este tema;
 No verso 34-44, ao falar sobre o ato de juramento, e sobre amar aos inimigos, ele
também faz a mesma coisa – ampliar a sua compreensão;
Obs.: a parte da lei que possuía um aspecto cerimonial, encontrou a sua realidade em
Cristo, ou seja, a função desta lei também foi ampliada e transferida para Cristo. Cristo era
prefigurado em todo aquele ritual de sacrifícios de animais e mediação sacerdotal que era
realizado no antigo Israel, pois todos esses rituais eram uma “parábola para o tempo presente”
(Heb. 9:9). Mas os aspectos morais da lei foram ampliados por Jesus, e não abolida.
Esse sofisma pode ser facilmente desmascarado quando compararmos o texto de Mateus
5 com um outro texto paralelo que traz a mesma ideia com este verso.
“Jesus, porém, lhe respondeu: Consente agora; porque assim nos convém cumprir toda a justiça.
Então ele consentiu” (Mateus 3:15)
Se só pelo fato de Jesus ter dito que já cumpriu a lei, que isto já é uma razão para
repudiarmos a lei, então o mesmo deve acontecer com o ritual batismal, pois Jesus também nos
diz que cumpriu essa justiça. Então será que já não devemos nos batizar uma vez que Jesus já
cumpriu essa justiça por nós? É certo que nenhum evangélico vai deixar de ser batizado ou
ensinar os outros a fazer o mesmo apesar das palavras de Cristo. Então por que aceitar um e
desprezar o outro sabendo que Jesus nos diz que já cumpriu os dois (guardar a lei e ser
batizado)?
Apesar de Jesus cumpriu o ato batismal, Ele também mandou os seus discípulos a batizar
todos os que um dia aceitavam a Jesus como seu salvador pessoal (Mat. 28:19-20; At. 2:41). A
mesma coisa também aconteceu em relação a lei. No verso 19 Jesus também mandou os seus
seguidores a guardar todos os mandamentos da lei.
33
“Qualquer, pois, que violar um destes mandamentos, por menor que seja, e assim ensinar aos
homens, será chamado o menor no reino dos céus; aquele, porém, que os cumprir e ensinar será
chamado grande no reino dos céus.” (Mateus 5:19)
Apesar de Jesus ter cumprido/obedecido toda a lei, mas em nenhum momento ele
ensinou que não devemos guardar toda a lei. E no verso 19 ele também afirma que nós enquanto
seu seguidor devemos fazer o mesmo. E será que as suas palavras no verso 19 não se aplicam
para nós de hoje?
“Devemos observar apenas os mandamentos que foram revalidados depois da morte de Cristo,
pelos apóstolos no novo testamento” (evangélicos).
Existem alguns preceitos da lei que são aceitos normalmente no mundo religioso apesar
de não encontramos nem um único texto do novo testamento que revalida esses mandamentos.
Veja alguns exemplos:
 Casar com irmã, tia, nora, sogra, madrasta, mãe - Levítico 18:6-24;
 Marcas no corpo - Levítico 19:28;
 Vestir roupas do sexo oposto - Deuteronômio 22:5;
 Consultar os mortos - Deuteronômio 18:10-12;
Se não devemos mais observar as leis do antigo testamento porque Jesus já cumpriu a
lei por nós, então porque observar esses preceitos indicados acima, mesmo sem ter um único
texto do novo testamento que revalida esses preceitos para o novo testamento? Na verdade, este
sofisma só é utilizado para se livrar de um só mandamento – o sábado do 4º mandamento.
Esse sofisma também é desmascarado com base na própria afirmação dos ant-sabatistas.
Eles dizem: “Jesus já cumpriu a lei por nós”, mas também, elas mesmas dizem: “Jesus
transgrediu o sábado”, e com isso surge uma pergunta: se Jesus cumpriu TODA a LEI (isto é,
inclui o 4º mandamento), então como pode ser transgressor do sábado? Se ele transgrediu o
sábado obviamente que ele não cumpriu o 4º mandamento, ou seja, podemos dizer que ele não
cumpriu a lei, pois quem tropeça em um só ponto se torna culpado de todos (Tiago 2:10).
Se jesus estaria a dizer aos seus seguidores que não é mais preciso guardar a lei quando
ele cumpriu tudo o que foi dito na lei em Mateus 5:18, então os seus discípulos e todos os que
o ouviram no seu sermão da montanha deveria a ser os primeiros a entender isso de que não é
mais preciso guardar a lei depois de tudo ser cumprido. E se é exatamente isto que Cristo queria
dizer, então porque os discípulos guardavam o sábado depois da sua morte segundo evangelista
Lucas? Por que Jesus alertou quanto a sua observância em meio a um acontecimento futuro,
ainda mais sobre condições extremamente severas? Por que os cristãos deveriam orar para que
34
a fuga não ocorresse no sábado? Por que o apóstolo Pedro negou comer os animais inundo na
visão a respeito dos animais imundo enrolado em um lençol?
“53
e tirando-o da cruz, envolveu-o num pano de linho, e pô-lo num sepulcro escavado em rocha,
onde ninguém ainda havia sido posto. 54
Era o dia da preparação, e ia começar o sábado. 55
E as
mulheres que tinham vindo com ele da Galiléia, seguindo a José, viram o sepulcro, e como o
corpo foi ali depositado. 56
Então voltaram e prepararam especiarias e unguentos. E no sábado
repousaram, conforme o mandamento.” (Lucas 23:53-56)
“Orai para que a vossa fuga não se dê no inverno, nem no sábado.” (Mateus 24:20)
“12
No qual havia de todos os animais quadrúpedes e répteis da terra, e aves do céu. 13
E foi-lhe
dirigida uma voz: Levanta-te, Pedro, mata e come. 14
Mas Pedro disse: De modo nenhum,
Senhor, porque nunca comi coisa alguma comum e imunda.” (Atos 13:13-14)
Se toda a lei já foi cumprida por Cristo e se isto significa que não devemos mais guardar
a lei, então Cristo antecipa que duas coisas existentes após Sua partida: a) o inverno com suas
dificuldades para fugir para os montes nessa estação por causa do frio; b) a observância do
sábado por Seus seguidores. Muitos pensam que cristo está a falar daqueles que viviam no meio
urbano, mas no verso 16-18 nos mostra que Cristo não falou para os que estavam na cidade,
mas sim dos que estavam na Judeia e no campo. E mesmo aos sábados havia portas menores
ao lado de portas maiores que ficava aberta permitindo assim apenas a circulação de pessoas
sem as mercadorias. O próprio Cristo, Seus discípulos e até mesmo os fariseus estavam no
campo num sábado (Mateus 12:1-2).
(QUADROS, Leandro. De acordo com Mateus 5:17, Jesus veio completar, ampliar o
sentido da lei de Deus? Na Mira da Verdade. Disponível em:
https://www.youtube.com/watch?v=4sXP-egnyKI reacessado em: 29/12/20)
 Lucas 16:16;
“A lei e os profetas vigoraram até João; desde então é anunciado o evangelho do reino de Deus,
e todo homem forceja por entrar nele.” (Lucas 16:16)
Em primeiro lugar para uma boa compreensão deste texto, é necessário saber que as
palavras “duraram”, “vigoraram” ou “existiram”, que aparecem em algumas versões da
Bíblia não se encontram no texto original escrita em linguagem grega. Um destes sinónimos foi
acrescentado pelo tradutor ao traduzir a Bíblia para dar sentido a frase, ou seja, foi introduzido
como um acréscimo para complementar o sentido da frase, pois a frase parecia sem sentido.
Nota-se que em algumas traduções como a tradução de Almeida Revista e Corrigida, a palavra
"duraram" aparece em itálico, como prova de que não se encontra no original grego.
35
Mas a tradução NVI (Nova Versão Internacional), não resolveu colocar essas palavras
na sua tradução, e resolveu procurar um outro texto paralelo que lhes mostra qual seria a palavra
que dão o verdadeiro sentido a frase, e a passagem paralela é de Mateus 11:13 que deve ser
colocada ao lado desta, porque diz a mesma coisa, mas com muito mais clareza:
“Pois todos os profetas e a lei profetizaram até João” (Mateus 11:13)
O livro de Mateus nos esclarece que Lucas jamais pretendeu declarar que a lei e os
profetas terminaram nos dias de João, mas simplesmente afirma que eles profetizaram até
aquele tempo a respeito de Cristo.
Mesmo depois de João continuou a existir tanto a lei e como os profetas.
 Lei – Efésios 6:1-3; 1 Coríntios 7:19; Apocalipse 14:12; Romanos 3:31;
 Profetas – Atos 2:17-18; Atos 19:6; Atos 21:7-9; 1 Coríntios 14:29;
Essa expressão "lei e os profetas", é uma referência aos escritos canónicos do Velho
testamento, como exemplo podemos ver no texto citado abaixo:
“27
E, começando por Moisés, e por todos os profetas, explicou-lhes o que dele se achava em
todas as Escrituras. 44
Depois lhe disse: São estas as palavras que vos falei, estando ainda
convosco, que importava que se cumprisse tudo o que de mim estava escrito na Lei de Moisés,
nos Profetas e nos Salmos.” (Lucas 24:27 e 44) (veja também: Mateus 5:17; 7:12; 22:40; Atos
13:15; 28:23)
A palavra “até” (grego mechri) de maneira nenhuma implica que as escrituras escritas
antes de perderam a sua validade ou força quando João começou a pregar. O que Jesus queria
dizer é que é que até o ministério de João “a lei e os profetas” eram tudo o que os homens
tinham, mas depois veio o evangelho, não para substituir ou anular o que Moisés e os profetas
tinham escrito, mas antes suplementar, reforçar, confirmar aqueles escritos (Mateus 5:17-19;
João 10:35; Efésios 2:20). O evangelho não toma o lugar do VT, mas é adicionado a ele. Este
é claramente o sentido em que mechri (também traduzido “para”) é usado em tais passagens
da Escritura como Mateus 28:15 e Romanos 5:14.
(QUADROS, Leandro. A Lei e os Profetas vigoraram até João? Na Mira da Verdade.
Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=QX9dDnTI_cY reacessado
em:29/12/20)
 Efésios 2:15;
“isto é, a lei dos mandamentos contidos em ordenanças, para criar, em si mesmo, dos dois um
novo homem, assim fazendo a paz,” (Efésios 2:15)
36
Vamos analisar o contexto de verso lendo pelo menos do verso 14-16:
“14
Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um; e, derrubando a parede de
separação que estava no meio, na sua carne desfez a inimizade, 15
isto é, a lei dos mandamentos
contidos em ordenanças, para criar, em si mesmo, dos dois um novo homem, assim fazendo a
paz, 16
e pela cruz reconciliar ambos com Deus em um só corpo, tendo por ela matado a
inimizade;” (Efésios 2:14-16)
Em uma análise textual do capitulo nos mostra que Cristo desfez a inimizade entre
judeus e gentios abolindo os mandamentos contidos em ordenanças. E se esses
mandamentos se referem ao decálogo ou a qualquer outra lei de Torah, então surge uma
pergunta: será que guardar a lei moral produz inimizade para com Deus ou para com o Próximo
ou mesmo entre judeus e gentios? A lei diz: “não matarás”, e será que se eu guardar esse
preceito, eu estaria a causar uma inimizade? A lei diz: “não adulterarás”, se eu guardar esse
preceito, eu estaria a causar inimizade? O decálogo também nos diz: “não tomar o nome de
Deus em vão” e “não terás outros deuses diante de mim”, será que se eu guardar esses preceitos,
estaria a causar uma inimizade para com Deus? Se transgredimos os seis últimos mandamentos
estaríamos a causar danos tanto físicos como psicológicos nas outras pessoas, e se
transgredimos os quatro primeiros mandamentos estaríamos sem dúvidas a demostrar a nossa
ingratidão e desrespeito para com Deus.
 Então qual era o mandamento que estava a causar inimizades entre judeus e gentios?
Paulo tinha a missão de pregar aos gentios e, sendo que muitas leis judias causavam
grande inimizade e discriminação contra eles (como é no caso da circuncisão), Paulo foi
enfático contra a validade desta prática depois da morte de Cristo. Para ele, o que tem real valor
é a circuncisão “do coração” (Romanos 2:28, 29. Ver também Jeremias 4:4). Aliás, no mesmo
capitulo livro de Efésios, faz a menção da circuncisão como uma das práticas que estava a fazer
essa separação entre judeus e gentios:
“11
Portanto, lembrai-vos que outrora vós, gentios na carne, chamam circuncisão, feita pela mão
dos homens 12
estáveis naquele tempo sem Cristo, separados da comunidade de Israel, e estranhos
aos pactos da promessa, não tendo esperança, e sem Deus no mundo.” (Efésios 2:11-12)
“Pois antes de chegarem alguns da parte de Tiago, ele comia com os gentios; mas quando eles
chegaram, se foi retirando e se apartava deles, temendo os que eram da circuncisão.” (Gálatas
2:12)
37
 Colossenses 2:14;
“e havendo riscado o escrito de dívida que havia contra nós nas suas ordenanças, o qual nos era
contrário, removeu-o do meio de nós, cravando-o na cruz;” (Colossenses 2:14)
Vamos também analisar o verso a partir do verso 13:
“13
e a vós, quando estáveis mortos nos vossos delitos e na incircuncisão da vossa carne, vos
vivificou juntamente com ele, perdoando-nos todos os delitos; 14
e havendo riscado o escrito de
dívida que havia contra nós nas suas ordenanças, o qual nos era contrário, removeu-o do meio
de nós, cravando-o na cruz;” (Colossenses 2:13-14)
Nos versos anteriores falam sobre as nossas condições pecaminosas antes de aceitarmos
a Cristo e o perdão dos nossos pecados depois disto. E no verso 14 foi dito que Deus riscou o
seu escrito de dividas que era contra nós através da cruz. Esse termo “escrito de dívidas” vem
de uma palavra grega “cheirographon” que significa uma nota manuscrita feito por uma
determinada pessoa na qual se reconhece que ele recebeu dinheiro como depositário ou por
empréstimo, que será devolvido a um tempo determinado.
Portanto, em nenhum momento o apóstolo Paulo estaria indicando o fim da lei nem do
decálogo e nem das leis cerimoniais, pois esse termo grego “cheirographon” não é sinónimos
da palavra “Lei” (Greg. nomos), e em nenhum momento ela é traduzida por “Lei”. Uma leitura
a partir do verso 13 e versos anteriores torna-se claro que essas dívidas que temos por causa
dos nossos pecados pela violação da lei de Deus, foi cravada na cruz. Jesus pagou a nossa nota
promissória de modo a não estar em dívidas para com Deus e a sua santa lei, deste modo, já não
estamos mais condenados à morte eterna (Romanos 6:23).
(QUADROS. Leandro. Qual é o “escrito de dívida” que Cristo cancelou na cruz?
Colossenses 2:14. Disponível em: https://leandroquadros.com.br/qual-e-o-escrito-de-
divida-que-cristo-cancelou-na-cruz-colossenses-214/ reacessado em: 30/12/20)
 Romanos 10:4;
“Pois Cristo é o fim da lei para justificar a todo aquele que crê.” (Romanos 10:4)
A palavra “Fim” é a tradução da palavra Grega “Telos”, que significa térmico, meta,
alvo ou objetivo. Nota-se que a palavra “Fim” (Greg. Telos) pode significar “Término” e
também pode significar “Objetivo”. Vejamos agora alguns exemplos onde essa palavra é
empregada com significados diferentes:
 Fim – no sentido de “Término”;
“E este evangelho do reino será pregado no mundo inteiro, em testemunho a todas as nações, e
então virá o fim [Telos].” (Mateus 24:14)
38
“Quando, porém, ouvirdes falar em guerras e rumores de guerras, não vos perturbeis; forçoso é
que assim aconteça: mas ainda não é o fim [Telos].” (Marcos 13:7)
“e reinará eternamente sobre a casa de Jacó, e o seu reino não terá fim [Telos]” (Lucas 1:33)
“Mas já está próximo o fim [Telos] de todas as coisas; portanto sede sóbrios e vigiai em oração”
(1 Pedro 4:7)
 Fim – no sentido de “Objetivo”;
“alcançando o fim [Telos] da vossa fé, a salvação das vossas almas” (1 Pedro 1:9)
“Mas o fim [Telos] desta admoestação é o amor que procede de um coração puro, de uma boa
consciência, e de uma fé não fingida;” (1 Timóteo 1:5)
“Este é o fim [tradução hebraica do grego Telos] do discurso; tudo já foi ouvido: Teme a Deus,
e guarda os seus mandamentos; porque isto é todo o dever do homem.” (Eclesiastes 12:13)
Em 1 Pedro 1:9 a palavra “Telos” é claramente traduzido por objetivo, caso contrário,
estaríamos a dizendo aqui que a fé teve um fim, ou que não precisamos mais ter fé para sermos
salvos. E em 1 Timóteo 1:5 o amor é o alvo almejado com a pregação. Em Eclesiastes 12:13
podemos perceber que a palavra “Fim” possui o significado de objetivo, pelo contrário,
estaríamos a dizer que já não devemos mais temer a Deus.
Muitos ao leram o texto de Romanos 10:4 afirmam que Cristo é o fim, mas no sentido
de terminar com a lei. Mas já que a palavra “Fim” (Greg. Telos), também possui o significado
de objetivo/alvo, o correto a fazer nesta situação é analisar outros versos paralelos a fim de
evitar que chegamos a uma conclusão errada e saber melhor se essa palavra (Fim) deve ser
interpretada no sentido de “término” ou “objetivo”.
Comecemos então ao analisar alguns versos paralelos:
“porquanto pelas obras da lei nenhum homem será justificado diante dele; pois o que vem pela
lei é o pleno conhecimento do pecado.” (Romanos 3:20)
“Porque a lei opera a ira; mas onde não há lei também não há transgressão” (Romanos 4:15)
“Porque antes da lei já estava o pecado no mundo, mas onde não há lei o pecado não é levado
em conta” (Romanos 5:13)
“Anulamos, pois, a lei pela fé? De modo nenhum; antes estabelecemos a lei” (Romanos 3:31)
“1
Vós, filhos, sede obedientes a vossos pais no Senhor, porque isto é justo. 2
Honra a teu pai e
a tua mãe (que é o primeiro mandamento com promessa), 3
para que te vá bem, e sejas de longa
vida sobre a terra.” (Efésios 6:1-3)
39
O livro de Romanos 5:13 nos diz que “onde não há lei o pecado não é levado em conta”,
pois é a Lei que nos fez saber o que é pecado (Romanos 3:20; Romanos 4:15) então se a
palavra “Fim” que apareça em Romanos 10:4 tem o significado de “Térmico”, então devemos
chegar à conclusão que Deus já não imputa o pecado de mais ninguém, ou seja, que Deus já
não leva mais em considerações o adultério, assassinos, os homossexuais, gays, invejosos,
estupradores de menores, etc. Se creem na existência do pecado, forçosamente devemos crer na
existência e na obrigatoriedade da lei, pois “onde não há lei também não há transgressão”
(Romanos 4:15).
Em Romanos 3:31 nos diz que a fé em Cristo não anula a lei, e em Romanos 10:4 se a
palavra “fim” significa “Término” então estes dois textos caem numa contradição. Pois em
Romanos 10:4 se a palavra fim significa “término”, então de acordo com o texto, Cristo acabou
com a lei a fim de sermos salvos pela fé, ou seja, que a nossa justificação pela fé não precisa da
guarda da lei. O que contradiz por completo as palavras do próprio Paulo no mesmo livro no
cap. 3:31 de que a nossa fé não anula a lei.
Muitos afirmam com base neste texto de Romanos 10:4 que Cristo aboliu todas as leis
do antigo testamento, mas se é assim mesmo então até mesmo a lei do amor que diz para amar
a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmo, até mesmo essa lei foi abolida
pois essa não é uma lei exclusivamente do novo testamento, mas é uma lei que já existia desde
o velho testamento (veja: Deuteronômio 6:5; Levítico 19:18).
Veja como que a tradução bíblica de “Bíblia de Jerusalém” (tradução mais próxima do
original), traduziu o texto de Romanos 10:4:
“Porque a finalidade da Lei é Cristo para a justificação de todo o que crê” (Romanos 10:4)
“Por mais que a Lei seja boa, não é boa o suficiente para salvar alguém. Na verdade, em lugar
de tornar justa uma pessoa, a lei destaca a pecaminosidade dessa pessoa. Ela aumenta a
necessidade de justiça. Por isso, Paulo descreveu Cristo como o “fim” da lei. Ele não é o “fim”
no sentido de acabar com a lei, mas no sentido de ser a “finalidade” da lei, Aquele para quem a
lei aponta. A lei conduz o pecador a Cristo quando aquele se arrepende e olha para o Salvador
em busca de salvação. A lei lembra a todos os cristãos de que Cristo é a nossa justiça (Rm 10:4)”
(Lição da Escola Sabatina (Professor), 2º Trimestre de 2014, p. 85).
(QUADROS, Leandro. Romanos 10:4 não contradiz Mateus 5:17? Biblia.com.br.
disponível em: https://biblia.com.br/perguntas-biblicas/romanos-104-nao-contradiz-
mateus-517/ acessado em:30/12/20)
40
 Romanos 6:14;
“Pois o pecado não terá domínio sobre vós, porquanto não estais debaixo da lei, mas debaixo da
graça.” (Romanos 6:14)
Muitos ao ler este texto tentam fazer a separação de que os cristãos que viviam antes de
Cristo estavam “debaixo da lei”, e os nós que vivemos depois de cristo estamos “debaixo da
graça”. Como já tínhamos visto na pergunta nº7 e nº8, a graça sempre foi o meio escolhido
por Deus para a salvação do homem, portanto, a expressão “debaixo da graça”, ou seja,
“debaixo da misericórdia divina” (Efésios 2:8; 2 Coríntios 7:10), também se aplica aos que
viviam antes de Cristo.
Pelo fato de “não estar debaixo da lei” não significa livres para desobedece-lo, segundo
nos mostra o próprio texto:
“Pois o pecado não terá domínio sobre vós, porquanto não estais debaixo da lei, mas debaixo da
graça.15
Pois quê? Havemos de pecar porque não estamos debaixo da lei, mas debaixo da graça?
De modo nenhum.” (Romanos 6:14-15)
O interessante é que no verso 14 a frase começa dizendo que “o pecado não terá
domínio sobre vós”, e o pecado significa “transgressão da lei” (1 João 3:4), portanto, os
cristãos não estão sobre o domínio do pecado, ou seja, não estão transgredindo a lei porque eles
não estão debaixo da lei e sim da graça. Para evitar esse mal-entendido, o apóstolo confirma no
verso 15 que “não estar debaixo da lei” não significa livre para pecar, ou seja, que não estamos
livres para transgredir a lei.
Podemos compreender a luz deste texto e também por meio da comparação textual do
texto de Gálatas 5:16 com o verso 18 podemos concluir que aqueles que estão debaixo da lei
são aqueles que vivem no pecado ou em paixões da carne. E quem vive no pecado é servo da
morte, ou seja, ainda, filho da morte (Romanos 6:16-18), e com isso podemos chegar à
conclusão de que “estar debaixo da Lei” significa estar debaixo do poder da morte, ou ainda,
debaixo da condenação da lei.
“16
Digo, porém: Andai pelo Espírito, e não haveis de cumprir a cobiça da carne 18
Mas, se sois
guiados pelo Espírito, não estais debaixo da lei” (Gálatas 5:16 e 18)
“16
Não sabeis que daquele a quem vos apresentais como servos para lhe obedecer, sois servos
desse mesmo a quem obedeceis, seja do pecado para a morte, ou da obediência para a justiça?
17
Mas graças a Deus que, embora tendo sido servos do pecado, obedecestes de coração à forma
de doutrina a que fostes entregues; 18
e libertos do pecado, fostes feitos servos da justiça”
(Romanos 6:16-18)
41
Este verso de Romanos 6:14 não prova nem de perto que a lei moral foi abolido, mas
pelo contrário – este verso ainda prova que a lei moral ainda está em vigor.
Obs.: essa expressão “debaixo da lei” também é ilustrada por 1 Coríntios 9:21 em cujo
caso significa estar na jurisdição da “lei de Cristo”. Com base no contexto da referência do
apóstolo Paulo de que a lei de Cristo” é como sendo o método que Cristo utilizava. E era um
método baseado no amor por todas as pessoas, sem discriminação. Tudo o que se sentia disposto
a fazer a fim de alcançar os perdidos é um exemplo perfeito do tipo de amor altruísta e abnegado
que se revela na “lei de Cristo”.
(LIÇÃO 7. Caminho Para a Fé: “Prisioneiros da lei”. Escola Sabatina 4º trimestre
ano:2011. Disponível em: https://versiculododia.wordpress.com/estudos-biblicos/escola-
sabatina/2011-2/o-evangelho-em-galatas-4%C2%AA-trim/7-caminho-para-a-fe/)
acessado em: 12/11/2020
 Romanos 7:4 e 6;
“4
Assim também vós, meus irmãos, fostes mortos quanto à lei mediante o corpo de Cristo, para
pertencerdes a outro, àquele que ressurgiu dentre os mortos a fim de que demos fruto para Deus.
6
Mas agora fomos libertos da lei, havendo morrido para aquilo em que estávamos retidos, para
servirmos em novidade de espírito, e não na velhice da letra.” (Romanos 7:4 e 6)
Vamos analisar o contexto do verso lendo a partir do verso 1 a 6:
“1
Ou ignorais, irmãos (pois falo aos que conhecem a lei), que a lei tem domínio sobre o homem
por todo o tempo que ele vive? 2
Porque a mulher casada está ligada pela lei a seu marido
enquanto ele viver; mas, se ele morrer, ela está livre da lei do marido. 3
De sorte que, enquanto
viver o marido, será chamado adúltera, se for de outro homem; mas, se ele morrer, ela está livre
da lei, e assim não será adúltera se for de outro marido. 4
Assim também vós, meus irmãos, fostes
mortos quanto à lei mediante o corpo de Cristo, para pertencerdes a outro, àquele que ressurgiu
dentre os mortos a fim de que demos fruto para Deus. 6
Mas agora fomos libertos da lei, havendo
morrido para aquilo em que estávamos retidos, para servirmos em novidade de espírito, e não
na velhice da letra.” (Romanos 7:1-6)
No verso 1 nos é dito que a lei tem domínio sobre o homem enquanto ele vive, e no
verso seguinte é feita uma comparação entre a nossa condição como cristãos mediante a lei,
com a união matrimonial.
Muitos cristãos afirmam com base neste texto que uma vez que agora somos “casados
com Cristo”, já não temos mais que guardar a lei divina. Mas veja uma ironia com base neste
mesmo exemplo: uma pessoa é casada e se cometer adultério, logo ela violou a lei, mas quando
42
morrer o seu cônjuge, ela ficará livre da lei sobre o adultério. Mas podemos questionar: ela é
livre da lei em que sentindo? Se ela estabeleceu um novo relacionamento com um novo cônjuge,
será que podemos dizer que mesmo assim ela é livre para adulterar? A resposta é óbvia: de
modo nenhum, pois ela passará a estar sujeito a lei do seu novo marido.
Então podemos chegar à seguinte conclusão: enquanto vive o marido se ela tiver
relações sexual com um outro parceiro, ela é acusada de adultério. Mas se o marido morrer, ela
ficaria livre da lei do seu marido, mas essa liberdade em relação a lei não significaria livre para
cometer adultério mesmo se ela casar com um novo marido. Se essa expressão “livre da lei”
não significa livre para cometer adultério mesmo casando com o novo marido, então como
podemos entender essa expressão? A resposta é óbvia: essa expressão “livre da lei” significa
livre da CONDENAÇÃO imposta pela lei do seu primeiro marido.
A mesma coisa acontece para os cristãos. Quando andávamos longe de cristo estávamos
casados “para aquilo em que estávamos retidos” (Romanos 7:6, e com isto surge uma
pergunta: por quem estávamos retidos? O livro de Romanos 6:11 e cap. 6:18 nos responde:
“11
Assim também vós considerai-vos como mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em
Cristo Jesus 12
Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, para obedecerdes às suas
concupiscências;” (Romanos 6:11-12)
“e libertos do pecado, fostes feitos servos da justiça” (Romanos 6:18)
Aquilo que estávamos retidos é o pecado. Portanto, quando estávamos retidos para o
pecado, estávamos sujeitos a lei do pecado e da morte, mas quando morremos para o pecado
passamos a ser livre da lei do pecado e da morte (Romanos 8:1-2). E agora somos feitos servos
da justiça (Romanos 6:18), ou seja, “casamos com Cristo”. E uma vez casado com Cristo será
que devemos transgredir a lei de Cristo? Claro que não, pois uma vez casado com o novo
cônjuge que é Cristo, passamos a estar sujeito a lei de Cristo. Caso contrário se estamos a dizer
que não é preciso obedecer a nenhuma lei estamos a violar a lei do novo relacionamento
conjugal, contrariando assim as palavras de Paulo e do próprio Cristo.
“Anulamos, pois, a lei pela fé? De modo nenhum; antes estabelecemos a lei” (Romanos 3:31)
“Se me amardes, guardareis os meus mandamentos.” (João 14:15)
“2
Nisto conhecemos que amamos os filhos de Deus, se amamos a Deus e guardamos os seus
mandamentos. 3
Porque este é o amor de Deus, que guardemos os seus mandamentos; e os seus
mandamentos não são penosos;” (1 João 5:2-3)
43
“Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor; do mesmo modo que eu
tenho guardado os mandamentos de meu Pai, e permaneço no seu amor.” (João 15:10)
É interessante notar o paralelo existente entre o texto de Romanos 6:11 com Romanos
7:4. Em Romanos 6:11 nos diz que devemos estar “mortos para o pecado” e em Romanos
7:4 nos diz que devemos estar “mortos para a lei”, mas o pecado é a transgressão da lei e se
não existisse pecado se não existiria a lei (1 João 3:4 c/ Romanos 4:15 e cap. 7:7-8). Se a
expressão “mortos para a lei” significa que não devemos mais guarda-lo, então como
entendermos isto: estamos “mortos para o pecado” ou “mortos para a lei”? Romano 6:12
nos esclarece essa questão:
“Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, para obedecerdes às suas
concupiscências” (Romanos 6:12)
O texto nos deixa bem claro o que não devemos obedecer não é a lei, mas sim as paixões
do pecado. Assim como para não cometer adultério mesmo estando casado com o novo marido,
assim também somos nós em Cristo. Quando estávamos casados com pecado, estávamos sujeito
a lei do pecado e da morte, mas quando morremos para o pecado passamos a ser livre da lei do
pecado e da morte, mas isso não quer dizer livre para não mais obedecer essa mesma lei
(Romanos 3:31; João 14:15), mas no sentido de estar livre da sua condenação (Romanos 8:1-
2; Gálatas 3:13).
Portanto a expressão “morto para a lei” ou “livres da lei” não significa livres para não
mais guardar a lei, mas sim livre da sua condenação. E mais adiante no verso 14-15 também
ele nos esclarece:
“Pois o pecado não terá domínio sobre vós, porquanto não estais debaixo da lei, mas debaixo da
graça.15
Pois quê? Havemos de pecar porque não estamos debaixo da lei, mas debaixo da graça?
De modo nenhum.” (Romanos 6:14-15)
O interessante é que no verso 14 a frase começa dizendo que “o pecado não terá
domínio sobre vós”, e o pecado significa “transgressão da lei” (1 João 3:4), portanto, os cristãos
não estão sobre o domínio do pecado, ou seja, não estão transgredindo a lei porque eles não
estão debaixo da lei e sim da graça. Para evitar esse mal-entendido, o apóstolo confirma no
verso 15 que “não estar debaixo da lei” não significa livre para pecar, ou seja, que não estamos
livres para transgredir a lei.
Portanto, estar “mortos para a lei” não significa livre para pecar, mas sim “mortos para
o pecado”.
44
Essa explicação dada pelo apóstolo, chamando a lei como a “lei do pecado e da morte”,
faz com que algumas pessoas pensam que a lei é pecado. Mas para evitar essa falsa ideia, ele
responde essa questão:
“7
Que diremos pois? É a lei pecado? De modo nenhum. Contudo, eu não conheci o pecado senão
pela lei; porque eu não conheceria a concupiscência, se a lei não dissesse: Não cobiçarás. 8
Mas
o pecado, tomando ocasião, pelo mandamento operou em mim toda espécie de concupiscência;
porquanto onde não há lei está morto o pecado” (Romanos 7-7-8)
A lei é chamado da lei do pecado e da morte não no sentido de que a lei é pecado (Rom.
8:2), mas no sentido de ser a lei que nos define o que é pecado, ou seja, é a lei que nos mostra
que estamos em uma relação com o pecado.
 Romanos 8:1-2;
“1
Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus. 2
Porque a lei do
Espírito da vida, em Cristo Jesus, te livrou da lei do pecado e da morte.” (Romanos 8:1-2)
Ao ler estes versos a partir do seu contexto imediato, poderia parecer que Paulo estivesse
se referindo a duas leis opostas: a lei da vida e a lei do pecado e da morte. No entanto, a
diferença não está com a lei, mas com o indivíduo antes e depois que ele recebe Cristo.
Esse verso de Romanos 8:2 é muito similar ao verso de Romanos 7:6. Em Romanos 7:6
foi dito que “fomos libertos da lei, havendo morrido para aquilo em que estávamos retidos...”
e aquilo que “estávamos retidos...” é o pecado (Romanos 6:12). Portanto, podemos ler o texto
de Romanos 7:6 da mesma forma que ler o Romanos 8:2: “fomos libertos da lei, havendo
morrido para o pecado”. Na marcação anterior vimos que ser liberto da lei, significa liberto da
sua condenação e não da sua guarda em si mesma. Portanto, a função da lei depende da pessoa
com a qual ela está associada.
A mesma faca, por exemplo, pode ser utilizada por um cirurgião para curar ou por um
assassino para matar. Da mesma forma, um ladrão que transgrede uma lei, por roubar a bolsa
de alguém estará em um relacionamento diferente com a lei em comparação com aquele a quem
a lei deve proteger (o dono da bolsa). Nesses dois casos, a lei que proíbe matar e roubar tem
uma conotação de uma lei do pecado e da morte, pois ela condena tanto o assaltante como o
assassino, mas para as vítimas, a mesma lei tem uma conotação de ser uma de vida e proteção,
pois ela as protege daqueles que lhes querem fazer o mal.
45
A própria lei, às vezes, pode ser descrita como santa, justa e boa (Rom. 7:12), ou como
a “lei do pecado e da morte” (Rom. 8:2). No entanto, da mesma forma que a vingança
retributiva de Deus não o impede de ser um Deus de amor, a função da lei como reveladora do
pecado e da morte não a torna pecaminosa.
De acordo com Romanos 8:5-8, a lei é um instrumento do “pecado e da morte” para
aquele que “tem a mente voltada para o que a carne deseja” (Rom. 8:5). Isso descreve a pessoa
que ainda está casada com o “velho homem” e não tem nenhum desejo aparente de romper esse
relacionamento e unir-se ao Cristo ressuscitado. Como resultado dessa união pecaminosa, a
pessoa se encontra em “inimizade contra Deus” e Sua lei, uma vez que estão em lados opostos
(Rom. 8:7). (rever o tópico anterior)
(LIÇÕES da escola sabatina. Cristo e sua lei. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, n. 476,
Abr. Maio Jun. 2013. Adulto, Professor.)
 Gálatas 3:19;
“Logo, para que é a lei? Foi acrescentada por causa das transgressões, até que viesse o
descendente a quem a promessa tinha sido feita; e foi ordenada por meio de anjos, pela mão de
um mediador.” (Gálatas 3:19)
Por causa da palavra “até” que aparece nesse verso, algumas pessoas alegam que a lei
permaneceu até que viesse o descente (isto é, o Cristo), e isto quer dizer que quando Cristo
morreu na cruz, a lei perdeu a sua validade.
De fato, a bíblia nos diz que a lei “foi acrescentada por causa das transgressões, até
que viesse o descendente”, mas com isto precisamos responder uma pergunta: este descendente
(Cristo), viria para pôr um fim na lei em si ou um fim na morte eterna que resultou na violação
dessa lei? O verso não diz qual seria aquilo que Jesus viria pôr um fim. Bastava-se comparar
com os outros textos bíblicos para sabermos a resposta. (veja o tópico nº4 dessa pergunta)
“O temor do Senhor é limpo, e permanece para sempre; os juízos do Senhor são verdadeiros e
inteiramente justos.” (Salmos 19:9)
“17
Não penseis que vim destruir a lei ou os profetas; não vim destruir, mas cumprir. 18
Porque
em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, de modo nenhum passará da lei um só
i ou um só til, até que tudo seja cumprido.” (Mateus 5:17-18)
“Ora, este é o pacto que farei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz o Senhor; porei as
minhas leis no seu entendimento, e em seu coração as escreverei; eu serei o seu Deus, e eles
serão o meu povo;” (Hebreus 8:10) (ver também Hebreus 10:16)
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Jesus não veio abolir a lei, o livro de Salmos disse que a lei permanece para sempre, e o
próprio Jesus nos diz que ele não veio para abolir a lei. E de acordo com Hebreus ali disse que
a lei também estará presente na nova aliança.
 Gálatas 3:23-25;
“23
Mas, antes que a fé viesse, estávamos guardados debaixo da lei, e encerrados para aquela fé
que se havia de manifestar. 24
De maneira que a lei nos serviu de aio, para nos conduzir a Cristo,
para que pela fé fôssemos justificados. 25
Mas, depois que veio a fé, já não estamos debaixo de
aio.” (Gálatas 3:23-25)
Esse é um dos textos que é mais incompreendido no seio religioso. Com base nisso,
alguns religiosos dão a seguinte interpretação sobre esse texto:
“... Paulo mostra que as pessoas que estavam sujeitas à lei de Moisés no passado não
permanecem subordinadas a este ‘aio’. Ele afirma que a lei cumpriu sua função temporária. Por
isso, ela não tem o mesmo domínio depois da chegada da fé em Cristo... O aio representa a lei
revelada através de Moisés (os Dez Mandamentos e diversas outras regras dadas aos judeus). A
fé representa o evangelho de Jesus Cristo. As boas novas de salvação em Cristo já foram
reveladas, e ninguém precisa guardar as leis do Velho Testamento. No primeiro século, houve
muitos problemas entre cristãos porque alguns não entenderam este fato. Continuaram
guardando a lei de Moisés, insistindo, por exemplo, que a circuncisão era necessária para ter
comunhão com Deus. Paulo procurou corrigir este erro... Vamos permanecer na liberdade que
há em Cristo (Gálatas 5:1).” (Dennis Allan)
Esta é uma conclusão que muitos chegam com a leitura do texto de Gálatas 3:23-25,
mas só que esta conclusão foi algo que o apóstolo Paulo não disse e nem pode ser
fundamentado na bíblia pelas seguintes razões:
 Esta separação do tempo entre o período da lei e o período da graça não existe. A lei
sempre existia desde o princípio do mundo (Gên. 26:5; Jo. 8:44 c/ Isa. 14:12-14), e o evangelho
da graça de Cristo também já estava sendo pregada e disponível para a salvação de todo o
mundo desde a queda do homem (Gên. 3:15; Gên. 6:8; 15:3; Rom. 6:2-4; 5:18; Gál. 3:8 e 16).
 Se existe um tempo chamado de período da lei e o período da graça/fé, então quer dizer
que aqueles que viviam no período da lei, nenhum deles se salvaram, pois a bíblia nos diz que
“não existe nenhum justo sequer” que não peque (Rom. 3:10-12);
 Porque o apóstolo Paulo nos diz bem claros que não são apenas as condutas que foram
revalidadas no novo testamento que devem servir de regras da nossa fé (Fil. 2:20; 2 Tim. 3:16-
17);
47
 Essa conclusão nos leva a uma contradição direta com as palavras de Cristo em Mateus
5:17-18, onde Jesus nos diz que não veio para “destruir [a lei], mas cumprir”. E portanto, é
óbvio que o apóstolo Paulo não iria dizer uma coisa que vai contra o que foi dito pelo Cristo a
quem ele estava a segui-lo.
 Mesmo com essa conclusão tirada nesse texto de Gálatas que já não precisamos guardar
as leis do velho testamento, esses religiosos aceitam várias leis do antigo testamento que não
estão escritas no novo testamento (Lev. 18:6-24; Lev. 19:28; Deut. 22:5; Deut. 18:10-12);
Obs.: com base no quarto tópico, podemos concluir que a conclusão tirada sobre o texto
de Gálatas 3:23-25 com a realidade vivenciada pelos vários grupos religiosos, trata-se de um
Tremendo Paradoxo.
Então o que será que Paulo queria dizer com esse texto?
Nesse texto é usado uma palavra que é de extrema importância para entendermos toda
a essa questão, que é a palavra “aio”. Essa palavra “aio” vem de um termo grego “paidagōgos”,
que é transliterada para o português como “tutor”, “pedagogo”.
Nas épocas mais antiga (nos tempos dos apóstolos), entre os gregos e romanos, o nome
paidagōgos era atribuído a um escravo/servo dignos de confiança que eram encarregados de
acompanhar, supervisionar a vida e a moralidade do (a) filho (a) do seu Senhor até atingir a idade
adulta ou uma data proposta pelo Pai. E esses escravos tinha uma autonomia para castigar a
criança caso desobedecesse. Muitas vezes para colocar a criança no caminho correto da
moralidade, esse escravo podia castigar a criança até mesmo com açoites. Mas quando o(a)
filho(a) atingir a idade adulta, ou uma idade proposta pelo Pai, esse escravo paidagōgos, perdia
essa autonomia de castiga-lo, caso a pessoa desobedecia.
Quando Paulo nos diz que já não estamos subordinados ao aio, ele tem esta imagem em
sua mente. Em Gálatas 4:1-7 o apóstolo começa a explicar o que Ele queria dizer com o texto
de Gálatas 3:23-25.
“1
Ora, digo que por todo o tempo em que o herdeiro é menino, em nada difere de um servo,
ainda que seja senhor de tudo; 2
mas está debaixo de tutores e curadores até o tempo determinado
pelo pai. 3
Assim também nós, quando éramos meninos, estávamos reduzidos à servidão debaixo
dos rudimentos do mundo; 4
mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido
de mulher, nascido debaixo de lei, 5
para resgatar os que estavam debaixo de lei, a fim de
recebermos a adoção de filhos. 6
E, porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o
Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai. 7
Portanto já não és mais servo, mas filho; e se és
filho, és também herdeiro por Deus.” (Gálatas 4:1-7)
48
Os primeiros sete versos de Gálatas 4, é uma explicação daquilo que foi dito em seu
capítulo 3:23-24. No verso 3 é dito que “quando éramos meninos, estávamos reduzidos à
servidão debaixo dos rudimentos do mundo”, ou seja, quando não tínhamos conhecimento
sobre Deus ou dos seus princípios praticamos os rudimentos do mundo, que muitas vezes é
contrária aos desígnios de Deus (Colossenses 2:8; Gálatas 5:11-21). Nestas circunstâncias é
porque o evangelho ainda não se manifestou em nós (Gál. 3:23).
Vivendo segundo os rudimentos do mundo, ao contemplar a lei de Deus, percebemos a
nossa condição pecaminosa e a nossa condenação a uma morte eterna, pois seremos redarguidos
pela lei como transgressores (Rom. 7:9; Tia. 2:10-12). Ao sentir que somos culpados e
merecedor da morte eterna, passamos a sentir a necessidade de um resgate. E nesse aspecto a
lei cumpre um outro objetivo em nós que é “nos conduzir a Cristo, a fim de que pela fé fôssemos
justificados” (Gál. 3:24). Ao chegar até Cristo, o seu evangelho começa a manifestar em nós, e
partir da manifestação do seu evangelho em nós, “já não estamos debaixo de aio” (Gál. 3:25),
ou seja, já não estamos debaixo da sua condenação à morte pois a morte de Jesus na cruz, foi
pago toda a nossa dívida para com a lei de Deus (Col. 2:13-14).
Assim como o aio / paidagōgos mantinha a criança presa debaixo da sua supervisão e
condenação, assim também é aqueles que vivem segundo os rudimentos do mundo, estando
eles debaixo da condenação eterna da lei de Deus. Ao atingir a idade adulta a pessoa seria liberto
da supervisão e condenação do seu paidagōgos, assim também acontece com aqueles que
chegam até Cristo. Eles são libertos da condenação eterna da lei de Deus (Rom. 8:1-2).
Assim como “o herdeiro é menino, em nada difere do servo, ainda que seja Senhor de
tudo” (Gálatas 4:1), assim também acontece com aqueles que chegam até a Cristo, pois antes
de conhecem a Cristo, eles eram servos do pecado, mas depois de conheceram a Cristo “já não
[são] mais servo, mas filho; e... herdeiro de Deus” (Gálatas 4:7).
(CONCEIÇÃO, Jorge A. Onde Se Encontra No Novo Testamento A Remoção Da
Responsabilidade De Obedecer Aos Dez Mandamentos. Disponível em:
https://www.jacm.net.br/2016/02#.X-3ssdgRfIU acessado em: 31/12/20) / (Stuart, D.,
Fritoli, R., & Constante, S. (2005). A lei abolida na cruz: análise de gálatas 3:24,
25. Kerygma, 1(2), 71. Disponível em:
https://revistas.unasp.edu.br/kerygma/article/view/334) acessado em: 31/12/20)
 Hebreus 7:12 e 18-19;
“Porque, mudando-se o sacerdócio, necessariamente se faz também mudança da lei.”
(Hebreus 7:12)
49
“18
Porque o precedente mandamento é ab-rogado por causa da sua fraqueza e inutilidade 19
(Pois a lei nenhuma coisa aperfeiçoou) e desta sorte é introduzida uma melhor esperança, pela
qual chegamos a Deus.” (Hebreus 7:18-19)
Esse é mais um dos textos que vários grupos religiosos têm usado de forma equivocada
para tentar provar que a lei do antigo testamento foi abolida. Mas ao ler esse texto a partir do
verso 11 à 14 perceberemos qual dos aspectos da lei, é que o texto está falando.
“11
De sorte que, se a perfeição fosse pelo sacerdócio levítico (porque sob ele o povo recebeu a
lei), que necessidade havia logo de que outro sacerdote se levantasse, segundo a ordem de
Melquisedeque, e não fosse chamado segundo a ordem de Arão? 12
Porque, mudando-se o
sacerdócio, necessariamente se faz também mudança da lei. 13
Porque aquele de quem estas
coisas se dizem pertence a outra tribo, da qual ninguém serviu ao altar, 14
Visto ser manifesto
que nosso Senhor procedeu de Judá, e concernente a essa tribo nunca Moisés falou de
sacerdócio.” (Hebreus 7:11-14)
No verso 11 percebe-se claramente que o texto está falando da lei do sacerdócio. No
verso 12 é mencionado a mudança da lei, e no verso 13 à 14 é explicado o porquê da mudança
da lei.
Em livro de Números cap. 18 é dito que apenas Aarão e os seus filhos é que deverão ser
sacerdotes. E no livro de Hebreus 7:11-14 falando sobre o sacerdócio, Paulo nos diz que essa
lei foi mudada, porque Cristo assumiu ser o nosso sumo-sacerdote de uma ordem superior,
segundo a ordem de Melquisedeque (Hebreus 7:17 c/ Hebreus 8:1). Pelo fato de Cristo ser o
nosso sumo-sacerdote, então tem que haver uma mudança na lei, pois na lei só poderia ser
sacerdote, os que são da tribo de Levi, e Cristo pertence à tribo de Judá (Hebreus 7:14).
No verso 18-19 do mesmo capítulo, diz também que a lei foi abolida “por causa da sua
fraqueza e inutilidade” e que “nenhuma coisa aperfeiçoou”. Só que ao ler bem para o contexto
do verso, percebe-se que se trata da mesma lei que foi mencionado no verso 11-14. (ver p. 50).
12) Se a lei não foi abolida, então por que razão é que não se guarda todas as 613 leis
que se encontram registadas nas leis de Moisés? Inclusive a lei de sacrifícios dos animais,
que mandava apedrejar os que transgridam o sábado do sétimo dia, o ano sabático de
descanso da terra após seis anos de trabalho, e a lei que proibia acender o fogo no dia do
sábado?
“Seis dias se trabalhará, porém o sétimo dia é o sábado do descanso, santo ao SENHOR;
qualquer que no dia do sábado fizer algum trabalho, certamente morrerá.” (Êxodo 31:15)
50
“30
Mas a pessoa que fizer alguma coisa temerariamente, quer seja dos naturais quer dos
estrangeiros, injuria ao SENHOR; tal pessoa será extirpada do meio do seu povo. 31
Pois
desprezou a palavra do SENHOR, e anulou o seu mandamento; totalmente será extirpada aquela
pessoa, a sua iniqüidade será sobre ela. 32
Estando, pois, os filhos de Israel no deserto, acharam
um homem apanhando lenha no dia de sábado. 33
E os que o acharam apanhando lenha o
trouxeram a Moisés e a Arão, e a toda a congregação. 34
E o puseram em guarda; porquanto
ainda não estava declarado o que se lhe devia fazer. 35
Disse, pois, o SENHOR a Moisés:
Certamente morrerá aquele homem; toda a congregação o apedrejará fora do arraial.”
(Números 15:30-35)
“2
Fala aos filhos de Israel, e dize-lhes: Quando tiverdes entrado na terra, que eu vos dou, então
a terra descansará um sábado ao SENHOR. 3
Seis anos semearás a tua terra, e seis anos podarás
a tua vinha, e colherás os seus frutos; 4
Porém ao sétimo ano haverá sábado de descanso para a
terra, um sábado ao SENHOR; não semearás o teu campo nem podarás a tua vinha.” (Levítico
25:2-4)
Obs.: calcula-se que em toda a torah existe cerca de 613 mandamentos dados por Deus a
Moisés. Então se a lei não foi abolida, e que são apenas os que estão registadas no novo
testamento que devem ser seguidos e obedecidos pelos cristãos, então será que devemos
obedecer a todos esses 613 mandamentos?
A lei de Torah foi dada para a nação de Israel a fim de ser obedecido todos os seus
preceitos, mas de uma forma individual é certo que nem todas as pessoas foi obrigada ou tem a
possibilidade de cumprir os 613 mandamentos. Nem mesmo os judeus na antiga aliança. Por
uma razão óbvia: a Torah se compõe de diversos mandamentos que se aplicam a grupos
distintos (ver a pergunta nº1).
A mesma coisa também existe na atualidade. Se formos contar todas as leis e estatutos
que existem em um determinado pais na atualidade iremos deparar com leis que podem
facilmente ultrapassar o números das leis que existem no antigo Israel. Existem leis que trata
de proibição, lei constituicional, lei de penalidades contra cada tipo de crime, leis que regulam
uma determinada empresa ou funções específicas. Mas é certo que ninguém se preocupou em
saber quantas leis que existem no céu pais para as cumprir. Elas preocupam em conhecer apenas
as regras da moralidade que lhes são ensinadas desde criança. Quando precisam de ajudas em
um determinada situação para com a justiça, costumam procurar um advogado para saber sobre
os seus direitos e as legislação do seu pais sobre o assunto.
A mesma coisa também acontece no antigo Israel. Dentre os muitos preceitos de torah,
existem preceitos só para sacerdotes, outros apenas para mulheres, outros somente para homens,
51
alguns exclusivos para israelitas, etc. Muitos desses mandamentos são contextuais. Os de cunho
civil/penal, por exemplo, só podem ser cumpridos na vigência do sistema teocrático israelita e
no próprio Israel. Há preceitos um tanto circunstanciais também, como os que versam sobre o
israelita na guerra. Vejamos alguns exemplos:
 No livro de Levítico 21 encontramos várias leis do torah que tinham a ver apenas com
os sacerdotes, como por exemplo: eles não devem casar com uma prostituta, divorciada ou até
mesmo uma viúva, mas apenas com uma mulher virgem. É certo que uma pessoa que é de uma
outra tribo não poderia ser um sacerdote, por conseguinte, elas não são obrigadas a guardar
essas proibições.
 No livro de Levítico 15:25-26 encontramos leis acerca da condição da mulher durante
o período menstrual. É óbvio que essas leis não se aplicam aos homens ou uma criança pois
eles não têm menstruação. Também em Levíticos 15:2-17 encontramos leis acerca das
condições normais e anormais dos homens, portanto, torna-se óbvias que essas leis não se
aplicam as mulheres pois elas não são homens.
Também existem alguns mandamentos que a sua aplicação se aplica apenas no território
Israelita, e só debaixo da vigência do sistema teocrático. Também podemos exemplificar
algumas dessas leis:
 Temos o exemplo da circuncisão que foi instituída como um sinal da aliança de Deus
com Abraão e sua descendência física (Gêneses 17:9-14), não como um mandamento de
aplicação universal.
 Algumas das festas anuais como a páscoa se aplica apenas ao povo israelita, pois essa
festa é comemorada pelos israelitas em resultado da sua libertação no Egito. Aqueles que não
são israelitas só podiam participar dessa celebração a partir do momento que eles aceitavam
fazer o rito da circuncisão, que era um símbolo da identidade israelitas (Êxodo 12:42-49).
 A lei civil/penal também só era aplicada no território israelita apenas durante a
permanência do sistema teocrático. Por exemplo: no Êxodo 22:18 e 20 é dito que os feiticeiros
e aqueles que sacrificar aos deuses e não ao Senhor serão mortos. É certo que um israelita
devoto, quando este se encontrava fora do território Israelita, em uma outra cidade ou pais pagã,
não iria matar nenhuma pessoa que eles encontravam em pleno ato de idolatria ou feitiçaria
(exemplo dos três jovens hebreus em Babilónia).
Durante o período de tempo em que o povo de Israel foi levado cativos para Babilônia
e com a sua cidade e seu primeiro templo foram destruídos, impossibilitou o cumprimento de
muitos mandamentos relativos à nação. Também durante o período em que eles se encontravam
52
sobre o domínio do império romano, o povo foi impossibilitado de praticar as leis civis,
exatamente como eram descritas na Torá. Mas mesmo assim o povo não pensou que por causa
disso, o torah foi abolido.
Em suma, como nação, Israel deveria lembrar e praticar todos os 613 mandamentos,
mas de uma forma individual, vivendo ou não em Israel, mesmo na antiga aliança, a ideia de
alguém estar sujeito aos 613 mandamentos é falsa.
Se algumas dessas leis, já não são observadas, então como entender a respeito
dessas leis com o que foi dito em Mateus 5:17-18 onde Jesus afirma que não veio abolir a
lei? Mas como é que entendemos sobre a guarda das leis que foram mencionadas pela
pergunta sabendo que nem mesmo os sabatistas guardam esses mandamentos?
Em Mateus 5:17-18 Cristo nos diz que Ele não veio abolir a lei e os profetas. Então o
que dizer das leis cerimoniais, civis, etc.? Primeiramente têm que se entender que a palavra
“lei” na grande maioria das vezes que ela aparece na bíblia, ela se refere aos escritos de Moisés.
Mas, mesmo nesses escritos de Moisés percebe-se que existe alguns aspectos diferente dentro
dessas leis mosaicas como já foi mencionada na pergunta nº1.
As leis de ordem cerimonial, eles apontavam para Cristo e o seu plano de salvação. Elas
eram o antigo recurso pedagógico para ensinar o plano da salvação. Após a morte de Cristo, o
nosso recurso pedagógico é a própria vida e ministério de Cristo no santuário celestial (Hebreus
9:9).
Ao invés de dizer que essas leis foram abolidas, é melhor dizer que a função dessas leis
foi transferida para Jesus. Apesar dessa transferência de função para Cristo, isto não quer dizer
que os princípios cerimoniais da lei foram mudados. E mesmo nas leis de aspectos cerimoniais
e dentre as outras, existem princípios que podemos extrair para a nossa vida. A forma pelo qual
uns esses princípios são aplicados é mutável de acordo com as circunstâncias. Veja alguns
exemplos:
Ex.1: no livro de Levítico 15 encontramos leis que diz que uma pessoa deve permanecer
impuro até a tarde caso ele tocasse no sémen do homem ou menstruação de uma mulher. É
óbvio que hoje temos condições de higiene que são muitos melhores do que naquele tempo.
Hoje a mulher possui absorvente que evita com que se tenham um contacto direto com o sangue
e contaminar. Com isso podemos observar que a forma de aplicar essa lei é mutável, mas o
princípio dessa lei é imutável – pureza e limpeza.
53
Ex.2: no livro de Êxodo 16 Deus prometeu cair do céu o maná para aos israelitas durante
os seis primeiros dias da semana. Só que no sexto dia, o povo deve colher o dobro do maná a
fim de guardar a metade da porção colhida para o dia do sábado, pois nesse dia o maná não iria
cair do céu. O povo foi instruído que a metade colhida para o dia do sábado deveria ser
preparada e cozinhada antes mesmo da chegada do sábado, ou seja, no sexto dia.
É claro esse maná deixou de cair do céu a milhares de anos atrás. Então a forma como
essa lei era aplicada, em nossos dias não tem como aplica-la, pois o maná deixou de cair do
céu, mas o princípio dessa lei continua válido mesmo para os nossos dias – os alimentos devem
ser preparados antes da chegada do sábado.
Ex.3: em Êxodo 35:3 ali nos mostra que era proibido acender o fogo nas horas sabáticas
no antigo Israel. Então será que esta lei pode se aplicar em nossos dias? Claro que não. Acender
um fogo naquele tempo era atividade muito complicada, não tendo a mínima comparação com
o que temos hoje. Fazia-se uma atividade muito longa e cansativa e para se conseguir acender
o fogo naqueles tempos. O costume daquele tempo era deixar antes do sábado um fogo
permanentemente aceso para que durante as horas do sábado não houvesse necessidade de toda
a grande tarefa para acender os fogos a lenha.
Em nossos dias atuais, acender o fogo é algo extremamente fácil de fazer. Hoje é
possível comprimir apenas um botão, ou se esfrega um pequeno pau de fósforo contra uma tira
de material químico e se tem a chama. Uma atividade de 2 a 5 segundo e com pouquíssimo
esforço físico.
Ex.4: no antigo Israel os israelitas trabalhavam a terra durante seis anos, e no sétimo
ano, a terra deveria descansar (Levítico 25:1-7). Durante esse ano sabático, os israelitas
deveriam viver apenas dos frutos da terra que nascia e crescia livremente sem serem cultivados
ou plantados, e também o povo possuía o maná que caía do céu. Mas em nossos dias, são poucos
os cristãos que vivem do trabalho do campo. E mesmo para aqueles que vivem apenas da
agricultura, sabe-se que hoje em dia já não é muito possível viver apenas dos frutos da terra, e
nem pelo menos durante uma semana em algumas regiões.
Ex.5: a lei civil do antigo Israel possuía o ano jubileu, que era feito a cada cinquenta
anos. Nesse ano todos aqueles que eram servos dos outros deveriam ser libertados, e todas as
posses que uma pessoa vendia para alguém, quando chegar o ano jubileu, esse vendedor tem o
direito de readquirir aquela posse vendido (Levítico 25:8-55).
54
Nos nossos dias, os sistemas políticos e mesmo nos sistemas políticos das outras nações
que viviam no tempo antigo não possuía essa lei do ano jubileu. Portanto já não é possível
readquirir os bens vendidos ou a libertação de todas as dívidas, em outras sociedades daquele
tempo e mesmo em nossos dias.
Como já nos é dito acima, existem leis que só podem ser observadas debaixo do sistema
teocrático israelita. Até porque muitas dessas leis, inclusive as leis que mandava apedrejar os
que transgrediam a lei, não encontramos citações para aos cristãos da igreja primitivas que
viviam fora de Israel.
Muitos grupos religiosos afirmam, que todas as leis do velho testamento foram abolidas,
que são apenas as que foram revalidadas no novo testamento é que devem ser observados pelos
cristãos (1 Coríntios 5:1-5, 9;13). Mas só que esta visão é completamente equivocada pelos
seguintes motivos:
1. Pelo que existem várias outras leis do antigo testamento que não foi transcrito para o
novo testamento que são aceites por todos grupos cristãos. Por exemplos, não há nenhum
mandamento claro, específico, ipsis verbis de Cristo, seja para judeus ou gentios, de que se
obedeça ao 3º mandamento (não dizer o nome de Deus em vão), não se faça imagem de
escultura, e não se consulte os mortos.
2. Porque em momento algum a bíblia nos ensina que devemos observar apenas as normas
que são ensinadas no novo testamento. O apóstolo Paulo nos diz que também temos o
fundamento dos profetas, que são do antigo testamento (Efésios 2:20), e ele mesmo afirmou
que “toda a escritura” deve servir para o nosso ensino (2 Timóteo 3:16-17).
(CALDAS, Davi. Somos obrigados a seguir os 613 mandamentos da Torá? Reação
Adventista. Disponível em: https://reacaoadventista.com/2018/11/25/somos-obrigados-
a-seguir-os-613-mandamentos-da-tora/ reacessado em: 31/12/20) / (QUADROS,
Leandro. 40 Perguntas aos Adventistas Respondidas e Retribuídas. Leandro Quadros.
Disponivel em: https://leandroquadros.com.br/40-perguntas-aos-adventistas-
respondidas-e-retribuidas/ reacessado em 31/12/20)
13) A lei do velho testamento era “olho por olho, dente por dente”, e em Mateus 5:38-
39 Jesus não nos diz claramente que substituiu essa lei pela lei de amor aos próximos e
aos inimigos?
“23
Mas, se houver danos graves, a pena será vida por vida, 24
olhos por olho, dente por dente,
mão por mão, pé por pé, 25
queimadura por queimadura, ferida por ferida, contusão por
contusão.” (Êxodo 21:23-25)
55
“19
Se alguém ferir seu próximo, deixando-o defeituoso, assim como fez lhe será feito: 20
fraturas
por fratura, olho por olho, dente por dente. Assim como feriu o outro, deixando-o defeituoso,
assim também será ferido.” (Levítico 24:19-20)
“38
"Vocês ouviram o que foi dito: 'Olho por olho e dente por dente'. 39
Mas eu digo: Não resistam
ao perverso. Se alguém o ferir na face direita, ofereça-lhe também a outra.” (Mateus 5:38-39)
Os livros do velho testamento nunca incentivaram o ódio contra os nossos inimigos, mas
muito pelo contrário, os livros do velho testamento sempre incentivaram o amor ao próximo,
inclusive aos nossos inimigos.
“Não diga: "Eu o farei pagar pelo mal que me fez! "Espere pelo Senhor, e ele dará a vitória a
você.” (Provérbios 20:22)
“Não se alegre quando o seu inimigo cair, nem exulte o seu coração quando ele tropeçar,”
(Provérbios 24:17)
“21
Se o seu inimigo tiver fome, dê-lhe de comer; se tiver sede, dê-lhe de beber. 22
Fazendo isso,
você amontoará brasas vivas sobre a cabeça dele, e o Senhor recompensará você.” (Provérbios
25:21-22)
“17
Não guardem ódio contra o seu irmão no coração; antes repreendam com franqueza o seu
próximo para que, por causa dele, não sofram as consequências de um pecado. 18
Não procurem
vingança nem guardem rancor contra alguém do seu povo, mas ame cada um o seu próximo como
a si mesmo. Eu sou o Senhor.” (Levítico 19:17-18)
 Então será que a bíblia está em contradição? Se no velho testamento ela nos diz
“olho por olho, dente por dente”, como pode dizer em outras passagens também do velho
testamento que devemos amar os nossos inimigos?
Em Mateus 5:38, Jesus começa a citar uma das leis mais antiga que tenha existido –
olho por olho e dente por dente. Esta lei é conhecida por «lei de talião» ou com o nome latino
«Lex Talionis» (ou lei de retaliação), e poderia escrever-lhe como lei da reciprocidade direta.
Aparece no Código de Hamurabi, o código de leis mais antigo que se conhece.
Mais de duzentos e trinta anos separam os códigos de Hamurabi da Lei de Moisés. Este
código de Hamurabi foi elaborado pelo rei Hamurabi (1810 -1750 a.C.), por volta de 1700 a.C.
Foi encontrado por uma expedição francesa em 1901 na região da antiga Mesopotâmia,
correspondente a cidade de Susa, atual Irã. É digno de nota que Hamurabi recebeu seu código
do deus Shamas, uma deidade mesopotâmica também chamada de “o deus da justiça”, e que o
referido código está talhado em pedra.
56
A lei de talião limita deliberadamente os alcances da vingança. Seu propósito
original foi em realidade, a limitação da vingança. A ‘vingança’ e a inimizade de sangue era
uma das características da sociedade tribal daqueles tempos. Se um membro de uma tribo
matava a um membro de outra tribo, a obrigação de todos os varões membros da segunda tribo
era vingar-se em toupeiras os membros varões da primeira, e a vingança procurada não era
senão a morte.
Esta lei estabelece que somente deverá ser castigado o responsável pela ferida e que seu
castigo não deve ser maior que a ferida que ele infligiu ao outro ofendido. Se ele furou um
olho de sua vítima, o máximo que ele deveria sofrer é ter um olho vazado, nada além disso.
Atualmente, essa lei poderia ser comparada ao Código Penal, que retribui a punição
proporcional ao crime cometido.
Além disso, esta lei era aplicada por um juiz mediante um processo legal de caráter
público (veja-se Êxodo 18:19).
A lei do talião jamais regulamentou ou justificou a vingança. Mas muitos judeus
passaram a interpretá-la de uma forma errada, utilizando-a como um princípio dado por
Deus para regulamentar o seu desejo de vingança pessoal. Jesus, em Seu sermão, colocou
essa lei de volta ao seu devido lugar. Ao Jesus dizer: “não resistais ao perverso”, Ele reforçou
o tema central do sermão da montanha (Mateus 5-7), que é o amor. O amor é o verdadeiro
cumprimento da lei (Mateus 5:17-19). Deve ser demonstrado, não somente aos amigos e
familiares, mas, sobretudo aos inimigos (Mateus 5:43-47), seguindo a atitude de amor do
próprio Pai Celeste.
(BARCLAY, William. Olho por olho e dente por dente. Equipe Bíblia.com.br. disponível
em: https://biblia.com.br/perguntas-biblicas/olho-por-olho-e-dente-por-dente-incentivo-
a-vinganca-ou-a-misericordia/ reacessado em 01/01/2021) / (Biblia.com.br. A inutilidade
da vingança. Leandro Quadros. Disponível em: https://leandroquadros.com.br/a-
inutilidade-da-vinganca/ acessado em: 01/01/2021)
VINGANÇA versus AMOR:
Para muitas pessoas a vingança e o desejo de vingança trata-se de algo incompatível
com os princípios bíblicos. Mas ao contrário de que muitos imaginam ser, a vingança e o seu
desejo não é algo condenado nas escrituras sagradas. O que o torna errado é executar vingança
com suas próprias mãos e pagar mal com o mal. Pois a bíblia diz que Deus é o agente vingador
e estabeleceu os seus representantes aqui na terra na isso.
57
“Jubilai, ó nações, o seu povo, porque ele vingará o sangue dos seus servos, e sobre os seus
adversários retribuirá a vingança, e terá misericórdia da sua terra e do seu povo.”
(Deuteronômio 32:43)
“1
TODA a alma esteja sujeita às potestades superiores; porque não há potestade que não venha
de Deus; e as potestades que há foram ordenadas por Deus. 2
Por isso quem resiste à potestade
resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos a condenação. 3
Porque
os magistrados não são terror para as boas obras, mas para as más. Queres tu, pois, não temer
a potestade? Faze o bem, e terás louvor dela. 4
Porque ela é ministro de Deus para teu bem. Mas,
se fizeres o mal, teme, pois não traz debalde a espada; porque é ministro de Deus, e vingador
para castigar o que faz o mal.” (Romanos 13:1-4)
Em Deuteronômio 32:43 falas claramente do desejo de Deus em vingar aqueles que
foram injustiçados, e um louvor da parte de Moisés pelo fato de Deus ser um vingador do seu
povo, e por ser aquele que realmente faz justiça. E em Romanos 13:1-4 nos diz que foi Deus
quem estabeleceu as autoridades para ser um “vingador para castigar o que faz o mal”. Portanto
torna-se obvio que não é errado clamar por vingança. Veja um exemplo bíblico:
“21
E eles conspiraram contra ele, e o apedrejaram por mandado do rei, no pátio da casa do
SENHOR. 22
Assim o rei Joás não se lembrou da beneficência que Joiada, pai de Zacarias, lhe
fizera; porém matou-lhe o filho, o qual, morrendo, disse: O SENHOR o verá, e o requererá.” (2
Crónicas 24:21-22)
“Desde o sangue de Abel, até ao sangue de Zacarias, que foi morto entre o altar e o templo;
assim, vos digo, será requerido desta geração.” (Lucas 1:51)
“59
E apedrejaram a Estêvão que em invocação dizia: Senhor Jesus, recebe o meu espírito. 60
E,
pondo-se de joelhos, clamou com grande voz: Senhor, não lhes imputes este pecado. E, tendo dito
isto, adormeceu.” (Atos 7:59-60)
Com base nesses textos podemos perceber que pessoas boas e temente a Deus podem
agir de forma diferente diante das situações trágicas de vida. Estevão no momento que ia ser
morto ele pediu a Deus para perdoar os seus agressores, mas ao contrário deste, o profeta
Zacarias clamou ao Senhor para executar a vingança. E em Lucas 1:51 percebe-se que Cristo
não foi contra a oração do profeta Zacarias em que ele deseja vingança.
É certo que o profeta Zacarias desejou vingança, mas ele em momento nenhum desejou
fazer a vingança com as suas próprias mãos (embora ele não poderia). O que a bíblia condena
é o querer fazer a vingança com suas próprias mãos.
58
“17
Não retribuam a ninguém mal por mal. Procurem fazer o que é correto aos olhos de todos. 18
Façam todo o possível para viver em paz com todos. 19
Amados, nunca procurem vingar-se, mas
deixem com Deus a ira, pois está escrito: "Minha é a vingança; eu retribuirei", diz o Senhor. 20
Ao contrário: "Se o seu inimigo tiver fome, dê-lhe de comer; se tiver sede, dê-lhe de beber.
Fazendo isso, você amontoará brasas vivas sobre a cabeça dele". 21
Não se deixem vencer pelo
mal, mas vençam o mal com o bem.” (Romanos 12:17-21) (rever também Romanos 13:1-6)
Deus é o agente vingador e estabeleceu as autoridades para vingar contra aqueles que
fazem o mal, e se possível (essas autoridades) tem o poder de agir de forma “olho por olho,
dente por dente” como ele mesmo o tinha autorizado a Moisés e às autoridades Israelitas de
agiram dessa forma.
“Quebradura por quebradura, olho por olho, dente por dente; como ele tiver desfigurado a algum
homem, assim se lhe fará.” (Levítico 24:20)
“O teu olho não perdoará; vida por vida, olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por
pé.” (Deuteronômio 19:21)
Foi o próprio Cristo que mandou Moisés e às autoridades israelitas a agiram desta forma
(João 5:45-47; 1 Coríntios 10:1-4). Em Mateus 5:38-39 Jesus estava a falar para pessoas
comuns, e ao contrário das autoridades, essas pessoas comuns não possuem direito nenhum de
agir de forma “olho por olho, dente por dente”. Para essas pessoas Jesus nos orienta a nunca
pagar mal com mal, e se alguém nos bater em uma face que oferecermos-lhe a segunda face.
Que se alguém possui dois túnica e alguém lhe tomar uma túnica então que lhe oferecermos a
outra.
É certo que existem pessoas que é capaz de suportar essa provação e até mesmo perdoar
o agressor assim como no caso de Estevão. Mas é certo que outras pessoas dotadas de uma
personalidade diferente querer que seja feito vingança assim como o profeta Zacarias. E neste
caso Deus lhes aconselha para irem às autoridades competentes para isso, a fim de executaram
a vingança desejado contra o agressor, pois eles são “ministro de Deus, e vingador para castigar
o que faz o mal” (Rom. 13:4).
(QUADROS, Leandro. O que a Bíblia diz sobre vingança e justiça? - Leandro Quadros -
Bíblia - IASD – Justiça. Disponível em:
https://www.youtube.com/watch?v=PHqlGeEbSZ4 acessado em: 01/01/2021)
59
14) Se nem todos os mandamentos do torah se aplicam hoje em dia, então quais são os
mandamentos que devem ser observados?
A Bíblia apresenta diversos aspectos da lei, mas há um destaque maior para a lei de
Deus que inclui todos os preceitos de ordem moral, constituída principalmente por Dez
Mandamentos escritos diretamente por Deus em duas tábuas de pedra (Êxodo 31:18). As outras
leis, foram agrupadas em um livro e disciplinam diversos assuntos.
A lei de Deus (Romanos 7:22; Romanos 8:7), também é conhecida como a “lei da
Liberdade”, “lei Perfeita”, “lei Régia” ou “lei Real” (Tiago 1:25; Salmos 19:7; Tiago 2:8). Nela
não existe orientações sobre higiene, procedimentos litúrgicos, processos jurídicos, penais e
etc. Nela, encontra-se princípios de natureza morais, espiritual, abrangente e contêm princípios
universais reunidos em dez preceitos, e os quais são usados como norma de justiça em Seu
juízo.
Reflexo do caráter do Legislador: As Escrituras veem os atributos de Deus em sua lei.
Tal como Deus, “a lei do SENHOR é perfeita” e o “testemunho do SENHOR é fiel” (Sal. 19:7).
“A lei é santa; e o mandamento, santo, e justo, e bom” (Rom. 7:12). “Todos os teus
mandamentos são verdade. Quanto às tuas prescrições, há muito sei que as estabeleceste para
sempre” (Sal. 119:151-152). Efetivamente, “todos os teus mandamentos são justiça” (Sal.
119:172).
Uma lei moral: Os dez mandamentos apresentam o padrão divino de conduta para a
humanidade. Eles definem nosso relacionamento com o Criador e Redentor, bem como nossos
deveres para com os semelhantes (Ecle. 12:13-14; Tia. 2:11-12).
A lei de Deus é descrita em toda a bíblia como sendo aquela que nos define o que é
pecado. As Escrituras identificam a transgressão da lei como pecado (1 Jo. 3:4).
Uma lei espiritual: “A lei é espiritual” (Rom. 7:14). Portanto, somente aqueles que são
espirituais e revelam os frutos do Espírito, é que podem obedecer a lei (Jo. 15:4; Gál. 5:22-23).
É o Espírito de Deus que nos fortalece para a obediência (At. 1:8; Sal. 51:10-12; Eze. 11:19-
20; Eze. 36:26-27). Ao permanecer em Cristo, recebemos o poder necessário para produzir os
frutos de sua glória (Jo. 15:5).
As leis humanas abrangem apenas atos públicos. Mas os dez mandamentos são
“ilimitados” (Sal. 119:96), alcançando os nossos mais secretos pensamentos, desejos e
emoções, tais como o ciúme, inveja, lascívia e ambição.
“A toda perfeição vi limite, mas o teu mandamento é amplíssimo. Mem.” (Salmos 119:96)
60
Durante o Sermão da Montanha, Jesus enfatizou essa dimensão espiritual da lei,
demonstrando que a transgressão começa no coração.
“21
Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; mas qualquer que matar será réu de juízo. 22
Eu, porém, vos digo que qualquer que, sem motivo, se encolerizar contra seu irmão será réu de
juízo, e qualquer que chamar a seu irmão de raca será réu do Sinédrio; e qualquer que chamar
de louco será réu do fogo do inferno. 27
Ouvistes que foi dito aos antigos: Não cometerás
adultério. 28
Eu porém, vos digo que qualquer que atentar numa mulher para a cobiçar já em seu
coração cometeu adultério com ela.” (Mateus 5:21-22, 27-28) (ver Marcos 7:21-23)
Uma lei positiva: O decálogo é mais do que simplesmente uma série de proibições; ele
contém princípios de longo alcance. Não somente se aplica a coisas que não deveríamos fazer,
mas igualmente àquilo que deveríamos praticar. Não apenas devemos nos restringir da prática
de atos maus e de maus pensamentos; devemos aprender a como utilizar para o bem os talentos
que Deus nos outorgou. Desse modo, toda injunção negativa possui uma dimensão positiva.
Por exemplo: o sexto mandamento, “Não matarás”, possui seu lado positivo,
“Promoverás a vida”. “É desejo de Deus que seus seguidores promovam o bem-estar e a
felicidade de todos aqueles que estiverem dentro de sua esfera de influência. Em um sentido
profundo, a comissão evangélica – as boas-novas da salvação e vida eterna por meio de Jesus
Cristo – repousa sobre o princípio positivo presente no sexto preceito.”
“a lei dos dez mandamentos não deve ser considerada tanto do lado proibitivo, como do lado da
misericórdia. Suas proibições são a segura garantia de felicidade na obediência. Recebida em
Cristo, ela opera em nós a purificação do caráter que nos trará alegria através dos séculos da
eternidade. Para os obedientes é ela um muro de proteção. Contemplamos nela a bondade de
Deus que, revelando aos homens os imutáveis princípios da justiça, procura resguardá-los dos
males que resultam da transgressão” (Mensagens Escolhidas, v.1 p.235).
Uma lei simples: Os dez mandamentos são amplos em sua abrangência. Tão breves que
até mesmo uma criança pode facilmente memorizá-los, mas ainda assim são tão amplos que
abrangem a qualquer pecado possível.
“Não existe mistério na lei de Deus. Todos podem compreender as grandes verdades que ela
encerra. O intelecto mais débil pode apreender essas regras; o mais ignorante pode reger a vida,
e formar o caráter, de acordo com a norma divina.” (Mensagens Escolhidas, v.1 p.218)
Uma lei de princípios. Os dez mandamentos representam um resumo de todos os
princípios corretos, aplicáveis a toda a humanidade em todos os tempos. Dizem as Escrituras:
61
“Teme a Deus e guarda os seus mandamentos; porque isto é o dever de todo homem” (Eclesiastes
12:14)
Tendo em vista ajudar os israelitas na aplicação dos mandamentos, Deus lhes outorgou
leis adicionais, as quais detalhavam o relacionamento que eles deveriam manter com Ele e uns
com os outros. Algumas dessas leis adicionais focalizavam os assuntos civis de Israel (leis
civis), outras regulamentavam as cerimônias dos serviços do santuário (leis cerimoniais).
Deus comunicou essas leis adicionais ao povo, por um intermediário, Moisés, o qual as
escreveu no livro da lei e o colocou “ao lado da arca da aliança” (Deut. 31:26) – não no interior
da arca, conforme ele fizera com a suprema revelação de Deus, o decálogo. Essas leis adicionais
se tornaram conhecidas como “o Livro da Lei de Moisés” (Jos. 8:31; Nee. 8:1; 2 Cro. 25:4), ou
simplesmente como “Lei de Moisés” (2 Rei. 23:25; 2 Cro. 23:18).
Embora Moisés tenha sido o responsável por escrevê-lo, os israelitas tinham plena
convicção de que todas as suas instruções eram provenientes de Deus, e isso os motivaram a
chamá-lo também de: “livro da lei do Senhor” e “livro da lei de Deus” (Jos. 24:26; Nee. 8:18;
9:3). Assim, por este meio literário, a nação israelita obtinha direcionamento tanto nas questões
políticas-administrativas quanto nas questões religiosas. Nota-se ainda que o seu vasto
conteúdo guiava, direta ou indiretamente, os israelitas aos princípios exigidos pela lei de Deus
(Dez Mandamentos). Deste modo, eles poderiam aprender, vivenciar e ensinar os propósitos de
Deus para a humanidade.
Obs.: vários grupos religiosos acusam-nos de dividir a lei em lei de Deus e Lei de
Moisés. Para eles não faz nenhum sentido chamar os aspectos morais da lei como sendo a lei
de Deus, enquanto os outros aspectos da lei são chamados da lei de Moisés, isto porque todas
as leis que se encontram nos livros de Moisés também são chamadas da lei de Deus. Está
acusação na verdade faz algum sentido, mas esses grupos religiosos esqueçam de aplicar os
seguintes requisitos:
1. Nós não afirmamos que as leis de Torah foi abolido, mas sim que ela foi ampliada por
Cristo (ver pergunta nº7, tópico sobre Mat. 5:17:18). Até mesmo a lei cerimonial foi atribuída
o seu verdadeiro sentido, ao ser transferido a sua função para Cristo. As leis higiênicas apenas
houve uma mudança na sua forma de aplicar os seus princípios. As leis penais também houve
uma mudança na forma de aplicar os seus princípios. Hoje a igreja pune ou remove os nomes
da lista dos membros da Igreja, todos aqueles cuja pecado exigia punição ou pena de morte na
lei de torah. As leis de saúde apesar de não é considerado leis de aspecto morais, mas são aceites
de igual modo como as de aspectos morais. E como ela faz parte das leis de Moisés, e uma vez
62
que essas leis estão nas leis de Moisés, e assim como os judeus acreditamos que essas leis vêm
do próprio Deus (João 5:46-47). E por isso os Adventistas também o chamam de Lei de Deus.
2. É certo que os israelitas chamavam todas as leis da Torah também como sendo as leis
de Deus, mas percebe-se claramente que na maioria das vezes que é mencionado “a lei de
Deus”, há um destaque maior para o aspecto moral da Lei. Por exemplo:
 Em Eclesiastes 12:13-14 é dito que devemos guardar os mandamentos de Deus, pois
Deus vai trazer juízo para todas as obras (quer boas ou más). Podemos questionar: qual é o
aspecto da lei que nos define as obras que são boas, e as que são más? É obvio que são as leis
de aspecto morais. Por exemplo, as leis penais/civil não definem o pecado (obras más), elas
apenas nos indicam as penalidades para quem pecar;
 Em Romanos encontrados sempre um contraste entre o pecado e a lei. Por exemplo: em
Romanos 8:7 é dito que “a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à
lei de Deus”, ou seja, que o pecado é contra a lei de Deus. Ora, são os aspectos morais da lei é
que nos define com maior precisão, o que é pecado. A lei civil/penal apenas nos indique a
penalidade para o pecado, os aspectos cerimoniais apenas indicam alguns rituais a fazer para
obter perdão do pecado;
 Em João 15:12 Jesus nos diz que o seu mandamento é amar uns aos outros. Esse
mandamento já existia na lei de Torah (Lev. 19:17-18; Deut. 6:5). Ora é claro que esse preceito
exclui os aspectos civis/penais, cerimoniais, higiênicas, etc. Mas não exclui os aspectos morais
da lei, pois a lei do amor é apenas um resumo do decálogo, ou dos preceitos morais (Rom. 13:8-
10).
Deve-se observar também que, apesar de Moisés ter transcrito a lei de Deus para o
mencionado livro, isso não significa que ela passou a ser considerada de mesma finalidade,
importância e validade em relação as demais. Ele tão-somente transcreveu o conteúdo desta lei
que, após a sua entrega, passou a ser guardada dentro da arca da aliança (Êxo. 25:16, 21; Heb.
9:1-4); e o acesso às duas tábuas de pedra que formavam a lei de Deus era extremamente restrito
devido a santidade delas e do local onde estavam alojadas. Então, para que a nação tivesse a
sua disposição uma leitura fiel dos Dez Mandamentos, Deus ordenara que Moisés os
transcrevesse para o livro.
Com a morte de Jesus na cruz, várias normas cerimoniais (especialmente aquelas que
simbolizavam a Cristo e Seu sacrifício) perderam a sua validade (Dan. 9:27; Mat. 27:50-51;
Mar. 15:37-38). Diferentemente, isso não ocorre com as normas morais e éticas presentes na
lei de Moisés que procedem da lei de Deus, como por exemplo, as registadas em Êxodo 23:1-
63
9; Levítico capítulo 18 e, Levítico 19:13-18. Igualmente, permanece as leis sobre saúde (ex.:
Levítico capítulo 11) e alguns princípios jurídicos (observando os procedimentos atuais e
locais) (Deut. 17:8-9; Deut. 21:18-20; Rom. 13:1-4; Tito 3:1-2).
No geral, ao analisar a lei de Moisés, deve-se observar quais orientações são aplicáveis
na nova aliança, e destas quais são de aplicabilidade universal, pois existem instruções
destinadas exclusivamente ao povo de Israel.
(Associação Ministerial da Associação Geral dos Adventistas do Sétimo Dia. Nisto
Cremos: A Lei de Deus. Casa Publicadora Brasileira. 10ª edição. 2019. Pa. 298-301)
15) O que aconteceria com aqueles que se guardaram 9 mandamentos, e apenas
tropeçaram em um só mandamento?
“10
Pois qualquer que guardar toda a lei, mas tropeçar em um só ponto, tem-se tornado culpado
de todos. 11
Porque o mesmo que disse: Não matarás. Ora, se não cometes adultério, mas és
homicida, te hás tornado transgressor da lei.” (Tiago 2:10-11)
Todos os mandamentos de Deus devem ser guardados, nenhumas delas devem ser
desperdiçados, pois qualquer que guarda a lei e tropeça em um só, para Deus ele ainda é um
transgressor.
Veja um exemplo: Se Jesus retornasse nesse exato momento para buscar os seus
escolhidos e te encontrar adulterando com a mulher do seu próximo, com certeza você perderia
a sua salvação. Então, de que adianta guardar nove dos mandamentos se você tropeçou em um,
o adultério. Na matemática de Deus 10-1 = 0.
16) Será que Deus aceita e ouve a oração aqueles que simplesmente ouvem a Lei?
A bíblia nos diz que Deus ouve todas as orações (Jer. 29-12-13; Mat. 7:7-11). No
entanto, a Bíblia nos apresenta algumas ocasiões em que Deus simplesmente ignora as nossas
orações. São situações que desagradam ao Senhor e que trazem certo impedimento dos nossos
pedidos serem considerados por Ele. Dentre algumas situações que impedem que as orações
não são atendidas são:
a) Quando pedimos mal – Tiago 4:3;
b) Quando Duvidamos da Palavra – Tiago 1:6-7;
c) Quando não somos perseverantes em oração – Colossenses 4:2; Lucas 18:1-7;
d) Quando retemos pecado no coração – Salmos 66:18;
64
É certo que Deus ouve todas as orações! Antes mesmo de orarmos ele já sabe o que
vamos falar (Sal. 139:4). Essa ideia de que “Deus não ouve a oração” não é bíblica. Mas
algumas orações não são atendidas caso não cumprimos alguns requisitos necessários. O livro
do Provérbios acrescenta dizendo:
“O que desvia os seus ouvidos de ouvir a lei, até a sua oração é abominável.” (Provérbios 28:9)
Quando um homem desvia seus olhos de ouvir a lei de Deus, Deus desvia seus ouvidos
de ouvir a sua oração! Deus recusa ouvir aquele que recusa ouvi-lo! A bíblia nos diz como
devem ser a oração daqueles que desprezam a Lei de Deus:
“Desvenda os meus olhos, para que eu veja as maravilhas da tua lei.” (Salmos 118:18)
“9
Com que purificará o jovem o seu caminho? Observando-o conforme a tua palavra. 10
Com
todo o meu coração te busquei; não me deixes desviar dos teus mandamentos. 11
Escondi a tua
palavra no meu coração, para eu não pecar contra ti. 12
Bendito és tu, ó SENHOR; ensina-me os
teus estatutos.” (Salmos 119:9-12)
17) Deus permite que façamos a mudança, tirar ou acrescentar alguma coisa na sua
lei?
A lei de Deus é o reflexo do Seu caráter. E o carácter de Deus não muda (Mal. 3:6; Tia.
1:17). Os preceitos morais assim como o próprio Deus é imutável, elas também não muda
nunca. Por isso a Bíblia se refere a esta lei como a lei perfeita (Tiago 1:25).
“Não acrescentareis à palavra que vos mando, nem diminuireis dela, para que guardeis os
mandamentos do Senhor vosso Deus, que eu vos mando.” (Deuteronômio 4:2)
“Tudo o que eu te ordeno, observarás; nada lhe acrescentarás nem diminuirás.” (Deuteronômio
12:32)
Deus não deu a ninguém o poder de acrescentar ou diminuir as suas leis. Nenhum ser
humano tem poder de anular, acrescentar ou diminuir as exigências da sua lei.
18) O que iria acontecer futuramente com a lei de Deus, segundo descreve o profeta
Daniel, e o apóstolo Paulo?
A bíblia nos orienta que a santa lei de Deus iria sofrer um ataque por parte de um reino
mundial que é representado pelo chifre pequeno no livro de Daniel. A bíblia profetizou que este
reino iria mudar os tempos e a lei.
65
“Proferirá palavras contra o Altíssimo, e consumirá os santos do Altíssimo; cuidará em mudar
os tempos e a lei; os santos lhe serão entregues na mão por um tempo, e tempos, e metade de um
tempo.” (Daniel 7:25)
Mas quem é esse chifre pequeno?
Numa certa noite, o profeta Daniel teve um sonho. Esse sonho é descrito em Daniel 7:2-
3:
“Em minha visão à noite, eu vi os quatro ventos do céu agitando o grande mar. Quatro grandes
animais, diferentes uns dos outros, subiram do mar.” (Daniel 7:2-3)
O que esses animais representam na profecia bíblica? “Os quatro grandes animais são
quatro reinos que se levantarão na terra” (verso 17). “Ele me deu a seguinte explicação: ‘O
quarto animal é um quarto reino que aparecerá na Terra’” (verso 23).
Esses quatro animais representavam quatro reinos que dominariam o mundo. Em Daniel
7, esses quatro grandes impérios governando sobre o mundo inteiro são apresentados ou
descritos como animais selvagens. Em Daniel 2, os mesmos impérios são retratados como
metais de valor e força diferentes. Em Daniel 2, Nabucodonosor, rei da Babilônia, sonhou com
uma grande estátua. Essa estátua tinha cabeça de ouro, peito e braços de prata, quadris de
bronze, pernas de ferro e pés de ferro e barro. Não precisamos adivinhar o significado dessa
estátua gigante composta por quatro metais.
 A Babilônia, o primeiro desses quatro reinos, foi mencionada por nome de forma direta
por Daniel (versos 37-40).
 Ele também nomeia o império que destronaria Babilônia: a Média-Pérsia (Daniel 5:28-
30).
 E a nação que derrubou a Média-Pérsia foi a Grécia (Daniel 8:20-21). Os quatro metais
da imagem representam quatro poderes mundiais: Babilônia, Média-Pérsia, Grécia e Roma.
 A imagem tinha pés de ferro misturado ao barro, representando a Europa dividida, e
uma pedra, sem auxílio de mãos, se soltou e despedaçou a estátua. Essa pedra simboliza Jesus,
a Rocha Eterna, que um dia destruirá os reinos deste mundo e estabelecerá um reino eterno.
Analisemos cuidadosamente o capítulo 7 de Daniel, para ver como as figuras dos
animais representam essas nações / império antigas. À medida que essas bestas proféticas
passam pela linha do tempo, podemos observar o desdobrar da história.
66
1º Leão com duas asas (Dan. 7:4): O leão com asas de águia era um símbolo comum de
Babilónia no mundo antigo. Na verdade, o profeta Jeremias (4:7), identificou a Babilónia
simbolicamente como um Leão destruidor.
2º Urso com três costelas na boca, que se ergue por um dos seus lados (Da. 7:5): O urso
da Média-Pérsia, erguendo-se por um de seus lados, representa os persas, que derrubaram
primeiro Babilônia para, em seguida, dominar os medos. O que o urso tem na boca? Três
costelas. Quando a Média-Pérsia conquistou o mundo, ela conquistou primeiro Babilônia,
depois foi em direção ao norte, onde conquistou Lídia e, em seguida, para o sul, onde dominou
o Egito.
3º Leopardo com 4 cabeças e 4 asas (Dan. 7:6): Os gregos derrotaram os medos e os
persas. Alexandre, o grande, e seu exército grego conquistou o mundo rapidamente. Alexandre,
o grande, morreu muito jovem, aos 36 anos. As quatro cabeças do leopardo representam os
quatro generais de Alexandre que dividiram o império: Cassandro, Ptolomeu, Seleuco e
Antígono. Os quatro generais de Alexandre governaram exatamente como a Bíblia predisse.
4º “Um animal terrível e espantoso” (Dan. 7:6): esse quarto animal representa o Império
Romano. Esse período nos leva ao tempo de Cristo.
A imagem de Daniel 2 possuía pés de ferro e barro, representando a Europa dividida. O
quarto animal tinha dez chifres. As tribos bárbaras varreram o império, saquearam e levaram
espólios, destruindo vilas e ocupando cidades. As tribos bárbaras o secionaram em pequenos
reinos, dividindo o império em 10 reinos principais:
 Álamos (352) – Alemanha;
 Francos (352) – França
 Suevos (406) – Portugal
 Visigodos (408) – Espanha
 Anglo-Saxões (453) – Inglaterra
 Lombardos (453) – Itália
 Vândalos (406) – Extintos
 Hérulos (476) – Extintos
 Ostrogodos (453) - Extintos
Em seguida, Deus revela como a apostasia se infiltraria na igreja no tempo em que o
Império Romano estava sendo devastado pelas tribos bárbaras do norte.
Enquanto Daniel, em visão, via esses dez chifres, algo surpreendente apareceu:
67
“Enquanto eu considerava os chifres, vi outro chifre, pequeno, que surgiu entre eles; e três dos
primeiros chifres foram arrancados para dar lugar a ele. Esse chifre possuía olhos como os olhos
de um homem e uma boca que falava com arrogância” (Daniel 7:8)
Quem é esse chifre pequeno que se levanta sobre os outros dez? Procuremos descobrir
e analisar algumas das características que a Bíblia diz sobre esse misterioso chifre pequeno.
1º Ele é um chifre pequeno – ou seja, ele é uma pequena nação.
2º Ele surge no meio dos dez primeiros - Se os dez chifres são as divisões de Roma, o
chifre pequeno necessariamente surge na Europa ocidental. Ele não surge na Ásia, África,
América do Norte ou do Sul. Suas raízes podem ser encontradas em solo europeu;
3º Surgiria depois dos dez chifres - Ele não aparece no tempo da Babilônia, Média-Pérsia,
Grécia ou Roma. Surge após a queda do Império Romano. É um poder que se levanta a partir
de Roma, nos primeiros séculos.
4º Para se estabelecer arrancou a 3 dos 10 chifres – depois da queda do império romano,
surgiriam as 10 tribos representados pelos 10 chifres. Mas quando surgiu esse chifre pequeno,
para se estabelecer, ele arrancou/combateu contra 3 das 10 tribos.
5º Parecia mais “robusto” do que os outros chifres - ele conseguiria em certo momento
dominar até mesmo o poder temporal, bem como o religioso.
6º Tem olhos como os de um homem - Nas Escrituras, os profetas são chamados de
“videntes”, porque eles veem com os olhos de Deus. Os olhos de homem não representam a
sabedoria divina, mas a humana. É um sistema religioso baseado em ensinamentos de homens
que surgiria de Roma.
7º Era diferente dos 10 Chifres - Todos os poderes antes dele – Babilônia, Média- Pérsia,
Grécia e Roma – constituíam poderes políticos. Esse é diferente. Não se trata de um poder
político em primeira instância; é um poder político-religioso.
8º Os santos lhe serão entregues por 1 tempo, 2 tempos e ½ de um tempo – o termo
“Tempo” na profecia significa “Ano” (Dan. 11:13), portanto 1 tempo, 2 tempos e ½ de um
tempo ou 3,5 tempos significa 3,5 anos. e na profecia o dia profético representa um ano literal
(Núm. 14:34; Eze. 4:6-7), e um ano profético representa 360 anos literal. Então ao falar de 3,5
tempo ou ano profético, representa 1260 ano literal. Então a bíblia quer nos dizer que este chifre
pequeno iria dominar por um período de 1260 ano literal.
9º Fazia guerra contra os santos e prevalecia contra eles - seria um perseguidor
daqueles que desejassem permanecer fiéis às leis de Deus, e rejeitarem a contrafação que o
chifre pequeno apresentaria ao mundo.
68
10º Mudaria os tempos e a lei – o sábado da lei de Deus seria alterado por um outro dia de
guarda, em obediência total ao poder do chifre pequeno.
Não há como fugir da realidade histórica de que apenas um poder encaixa-se nas
características reveladas em Daniel sobre a identidade do chifre pequeno: ROMA PAPAL.
Vejamos porque:
1º Ele é cidade que pertencia a um pequeno território – o vaticano – que até hoje, é o menor
país do mundo, com apenas 0,44 km² e 800 habitantes.
2º Essa pequena nação surgiu no meio de todas as outras dez tribos.
3º Ela só se surgiu após o surgimento das outras dez tribos;
4º Esta pequena nação combateu ferozmente contra os três das dez tribos (foram os
Vândalos (406), os Hérulos (476), e os Ostrogodos (453));
5º Esta pequena nação dominou sobre as outras tribos restantes;
6º Esta igreja seguem a tradição à Tradição, e se diz que possuem o poder de e interpretar
autenticamente a Palavra de Deus, escrita ou transmitida. Aceitam vários dogmas doutrinarias
que não possuem fundamentos bíblicos e que contradiz diretamente os ensinamentos bíblicos
(ex.: a igreja chama o seu pontífice de o santo Pai, enquanto que a bíblia nos diz que não
devemos chamar ninguém de pai senão a Deus (ver Mat. 23:9), mas a igreja não aceita isto,
pois acredita-se que possuem um poder de modificar e interpretar a palavra de Deus como bem
entender)
7º Era um poder diferente de todos os outros impérios que surgiram antes deles, pois se
trata de um poder político e religioso;
8º Essa pequena dominou exatamente por um período de 1260 anos literal. Começou em
538 d.C. quando finalmente alcançou a supremacia total ao eliminar a última tribo que não
aceitava a sua supremacia (os ostrogodos). O seu domínio só terminou no ano de 1798 d.C.,
quando o Papa Pio VI foi levado para o cativeiro em França.
9º Durante esse período de 1260 anos, a igreja perseguiu, e martirizou muitos cristãos que
permaneceram fiel aos ensinos da palavra de Deus, que não aceitavam as suas falsas crenças
baseadas nas tradições humanas;
10º A igreja acredita-se que tem autoridade para modificar as leis divinas. E existem vários
documentos católicos que confirmam a mudança da lei de Deus especialmente a guarda do
sábado para o domingo.
A obra The Convert’s Catechism of Catholic Doctrine explica esse fato da seguinte
maneira:
69
“Pergunta: Qual é o terceiro mandamento?
Resposta: O terceiro mandamento é: Lembra-te do dia de sábado para o santificar.
Pergunta: Qual dia é o sábado?
Resposta: O sábado é o sétimo dia da semana.
Pergunta: Por que observamos o domingo em vez do sábado?
Resposta: Observamos o domingo em vez do sábado porque a Igreja Católica transferiu a
solenidade do sábado para o domingo.” (Peter Geiermann, The Convert’s Catechism of Catholic
Doctrine (1957), p. 50.)
“A igreja de Deus achou por bem transferir a celebração e observância do dia de sábado para o
domingo.” (Conselho de Catecismo dos Padres de Trento, 1958)
Alguém pode estar a pergunta por que essas afirmações do catecismo da Igreja Católica
se referem ao mandamento do sábado como terceiro mandamento, em vez do quarto. Isso se
deve simplesmente ao fato de que a igreja eliminou o segundo mandamento, que diz respeito a
imagens de escultura e dividiu o décimo mandamento (“Não cobiçarás”, Êxodo 20:17) em dois:
“Não cobiçarás a mulher do teu próximo” e “Não cobiçarás os bens do teu próximo”.
A mudança do sábado ocorreu gradualmente, à medida que os cristãos se distanciaram
dos judeus e que os líderes da igreja e do estado deram as mãos para unir o império. Daniel 7:25
diz que um poder vindo de Roma tentaria mudar a lei do Senhor. Deus nos diz para ficarmos
alerta! Existem várias declarações de fontes católicas romanas que reconhecem a igreja como
responsável pela mudança do sábado.
A igreja católica valoriza a tradição mais do que a própria bíblia, mas na bíblia a tradição
só aparece nove vezes na bíblia, mas nunca ela é louvada, ou aceite de bom grado. Numa certa
ocasião, o próprio Jesus nos diz:
“6
Respondeu-lhes: Bem profetizou Isaías acerca de vós, hipócritas, como está escrito: Este povo
honra-me com os lábios; o seu coração, porém, está longe de mim; 7
mas em vão me adoram,
ensinando doutrinas que são preceitos de homens. 8
Vós deixais o mandamento de Deus, e vos
apegais à tradição dos homens. 9
Disse-lhes ainda: Bem sabeis rejeitar o mandamento de Deus,
para guardardes a vossa tradição” (Marcos 7:6-9)
No livro de Atos 5:29 nos faça uma recomendação:
“Respondendo Pedro e os apóstolos, disseram: Importa antes obedecer a Deus que aos homens”
(Atos 5:29)
70
19) Como a Bíblia descreve o povo de Deus?
Em Apocalipse 12 temos uma descrição da igreja de Deus ao longo dos séculos, de uma
forma detalhada:
“E viu-se um grande sinal no céu, a saber, uma mulher vestida do sol com a lua debaixo dos pés,
e uma coroa de doze estrelas na cabeça.” (Apocalipse 12:1)
Os símbolos proféticos que apontam às características desta mulher podem ser
compreendidos por meio da própria Escritura:
a) Numa linguagem figurada, a “mulher” representa o povo de Deus, Sua igreja. (Jeremias
6:2; 2 Coríntios 11:2; Efésios 5:22-35);
b) É símbolos de justiça, quer seja justiça própria, como é dito em Isaías 64:6: “Pois todos
nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo da imundícia; e todos nós
murchamos como a folha, e as nossas iniquidades, como o vento, nos arrebatam.” Ou justiça
de Deus imputada a nós por meio de Cristo, como Paulo explica, ao rogar aos efésios que se
“despissem do velho homem” e “a vos revestir do novo homem, que segundo Deus foi criado
em verdadeira justiça e santidade.” (Efésios 4:22-24)
c) Esta Mulher, portanto, está vestida única e exclusivamente da justiça de Cristo Jesus, o
“Sol da Justiça” (Malaquias 4:2), ou seja, ela vive e prega a justificação pela fé, a salvação pela
graça.
d) O Sol, Cristo, era apenas refletido de maneira pálida nos símbolos do AT. Como a lua
que só reflete palidamente a luz do sol astro. Portanto, a Mulher teria os ensinos do Antigo
Testamento como base de sua fé, e as promessas do Novo Testamento como foco de sua
esperança (12 estrelas na cabeça/entendimento). Ou seja, toda a Escritura lhe é valiosa.
A mulher de Apoc. 12 não é a IASD. É o povo da Aliança restaurada de Deus do Éden
aos últimos dias. A IASD deve buscar permanecer como parte desta mulher ao manter as duas
principais características de como seria a igreja de Deus nos últimos dias.
“E o dragão irou-se contra a mulher, e foi fazer guerra ao remanescente da sua semente, os que
guardam os mandamentos de Deus, e têm o testemunho de Jesus Cristo” (Apocalipse 12:17)
“Aqui está a perseverança dos santos, daqueles que guardam os mandamentos de Deus e a fé em
Jesus.” (Apocalipse 14:12)
A IASD é o remanescente do povo de Deus, não o povo de Deus em sua exclusividade.
Afinal, o “sai dela, povo Meu” (Apoc. 18:4) é um chamado global. Cristo tem Seu povo
espalhado em vários apriscos (João 10:16). Portanto, ser parte do movimento adventista é ter o
71
privilégio de se organizar num movimento profético escatológico de MISSÃO. Chamando o
remanescente a se organizar na pregação do Evangelho Eterno. Uma mensagem de salvação.
20) Segundo Romanos 2:13, diz que somos justificados pelas obras, mas segundo o
livro de Efésios 2:9, diz que é pela Graça mediante a fé. Afinal é a Lei ou é a Graça? Não
estaria a Bíblia a se contradizer a si próprio?
“Pois não são justos diante de Deus os que só ouvem a lei; mas serão justificados os que praticam
a lei” (Romanos 2:13)
Se há algo que o diabo gosta é dos extremos. Ele aprecia ver as pessoas defendendo uma
salvação pelas obras e ri daqueles que acham que a salvação pela graça “liberta” da obediência
(isso não é liberdade, mas, “libertinagem”).
Os legalistas usam Romanos 2:13 para anular o próprio pensamento de Paulo de que a
justificação (ser tornado justo) é somente pela fé: “Porque os simples ouvidores da lei não são
justos diante de Deus, mas os que praticam a lei hão de ser justificados.”
Entretanto, a justificação (o ser tornado justo, o ser perdoado) não é pela lei. Escreveu
Paulo em,
“concluímos pois que o homem é justificado pela fé sem as obras da lei.” (Romanos 3:28)
Já os permissivistas, ao deparar com Romanos 2:13, pulam fora e citam outros textos
de Romanos (3:21, 24) e a carta aos Gálatas para justificarem o seu desrespeito para com os
Dez Mandamentos, especialmente para com o quarto mandamento, que ordena a observância
do sábado como dia de guarda (Êxodo 20:8-11).
Nenhum dos dois grupos de pessoas agrada a Deus. Apenas ao diabo.
O que Romanos 2:13 ensina é que “… homens são julgados não pelo que pretendem
conhecer ou professam ser, senão pelo que realmente fazem” segundo o significado que ele
mesmo já tinha dado no cap. 2:5-6:
“5
Mas, segundo a tua dureza e teu coração impenitente, entesouras ira para ti no dia da ira e da
revelação do justo juízo de Deus, 6
que retribuirá a cada um segundo as suas obras;” (Romanos
2:5-6)
Portanto, o apóstolo está destacando que, mesmo sendo salvo pela graça, o ser humano
no dia do juízo será avaliado por suas obras, pela lei que tinha à sua disposição (O Decálogo ou
a Lei Moral escrita no seu coração):
72
“14
(porque, quando os gentios, que não têm lei, fazem por natureza as coisas da lei, eles, embora
não tendo lei, para si mesmos são lei. 15
pois mostram a obra da lei escrita em seus corações,
testificando juntamente a sua consciência e os seus pensamentos, quer acusando-os, quer
defendendo-os), 16
no dia em que Deus há de julgar os segredos dos homens, por Cristo Jesus,
segundo o meu evangelho.” (Romanos 2:14-16)
Afinal, por que juízo se não existe uma Lei para avaliar a conduta de quem realmente
aceitou o plano de salvação? (Eclesiastes 12:13-14; 2 Coríntios 5:10; Romanos 14:12)
Paulo não está defendendo a salvação pelas obras em Romanos 2:13 e muito menos a
perigosa ideia de que o salvo pela graça não precisa obedecer (João 14:15; 15:10). Em seus
escritos o apóstolo dos gentios sempre se preocupou em que colocar a lei no seu devido lugar:
não como o meio de salvação (Efésios 2:8, 9), mas como sendo o resultado de um coração
transformado (Efésios 2:10) pela graça de Jesus. É importante saber que a fé verdadeira é
caracterizada pelas boas obras (Gálatas 5:6; Tiago 2:14-18), e no dia em que Deus há de julgar
o mundo Ele irá avaliar a nossa fé mediante as obras (Mateus 16:27; Romanos 2:13).
Para os dois grupos de pessoas que pisam no terreno perigoso (ao estarem em um extremo
ou outro) o apóstolo deixa algumas informações:
“Justificados, pois, pela fé, tenhamos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo,” (Romanos
5:1) – mensagem aos legalistas
“Anulamos, pois, a lei pela fé? De modo nenhum; antes estabelecemos a lei.” (Romanos 3:31)
“18
Foi chamado alguém, estando circuncidado? permaneça assim. Foi alguém chamado na
incircuncisão? não se circuncide. 19
A circuncisão nada é, e também a incircuncisão nada é, mas
sim a observância dos mandamentos de Deus.” (1 Coríntios 7:18-19) - mensagem aos
permissivistas
(veja a pergunta nº7 e pergunta nº8)
21) Paulo não era contra as obras da Lei?
Paulo em nenhum momento era contra as obras da Lei. Ele era contra os que buscavam
a justificação perante as obras da Lei. Mesmo para aqueles que buscavam a justificação pela fé,
em nenhum momento Paulo disse que eles tenham a permissão para pecar, já que somos
pecaminosos por natureza.
“De modo que a lei é santa, e o mandamento santo, justo e bom.” (Romanos 7:12)
73
“16
sabendo, contudo, que o homem não é justificado por obras da lei, mas sim, pela fé em Cristo
Jesus, temos também crido em Cristo Jesus para sermos justificados pela fé em Cristo, e não por
obras da lei; pois por obras da lei nenhuma carne será justificada. 17
Mas se, procurando ser
justificados em Cristo, fomos nós mesmos também achados pecadores, é porventura Cristo
ministro do pecado? De modo nenhum. 18
Porque, se torno a edificar aquilo que destruí,
constituo-me a mim mesmo transgressor. 19
Pois eu pela lei morri para a lei, a fim de viver para
Deus. 20
Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida
que agora vivo na carne, vivo-a na fé no filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo
por mim.” (Gálatas 2:16-20)
“Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus antes
preparou para que andássemos nelas.” (Efésios 2:10)
“Anulamos, pois, a lei pela fé? De modo nenhum; antes estabelecemos a lei.” (Romanos 3:31)
“18
Foi chamado alguém, estando circuncidado? permaneça assim. Foi alguém chamado na
incircuncisão? não se circuncide. 19
A circuncisão nada é, e também a incircuncisão nada é, mas
sim a observância dos mandamentos de Deus.” (1 Coríntios 7:18-19)
“Pois quê? Havemos de pecar porque não estamos debaixo da lei, mas debaixo da graça? De
modo nenhum.” (Romanos 6:15)
Veja também (1tessalonicenses 1:3 / 1timóteo 5:25 / Tito 2:14)
(veja a pergunta nº7 e pergunta nº8)
22) Porque Paulo chama a lei de “ministério da morte” e “ministério da condenação” e
que foi abolido?
“7
Ora, se o ministério da morte, gravado com letras em pedras, veio em glória, de maneira que
os filhos de Israel não podiam fixar os olhos no rosto de Moisés, por causa da glória do seu rosto,
a qual se estava desvanecendo, 8
como não será de maior glória o ministério do espírito? 9
Porque, se o ministério da condenação tinha glória, muito mais excede em glória o ministério da
justiça. 10
Pois na verdade, o que foi feito glorioso, não o é em comparação com a glória
inexcedível.” (2 Coríntios 3:7-10)
O texto de 2 Coríntios 3, é uma das passagens bíblicas pouco compreendido entre os
vários grupos religiosos de hoje. Vamos agora examinar os detalhes do que Paulo escreveu
nesse capítulo.
Na introdução da passagem que está diante de nós, Paulo declara aos irmãos de corinto:
74
“Vós sois a nossa carta, escrita em nosso coração, conhecida e lida por todos os homens, estando
já manifestos como carta de Cristo, produzida pelo nosso ministério, escrita não com tinta, mas
pelo Espírito do Deus vivente, não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne, isto é, nos
corações” (2 Coríntios 3:2-3)
Aqui está a chave para interpretar as palavras que se seguem. Sua figura de linguagem
é emprestada do contraste bíblico entre a velha e a nova aliança. “Tábuas de pedra” em
oposição com “tábuas do coração”, “tinta” em contraste com “o Espírito do Deus vivente”.
O texto de 2 Coríntios 3:3, faz uma referençia indireta sobre a lei moral ao dizer que os
irmãos de Corinto era como uma carta escrita… “não em tábuas de pedra, mas em tábuas de
carne” (verso 3). Pois na antiga aliança, o que Deus escreveu com o seu próprio dedo em duas
tabuas de pedra e entregou a Moisés era a lei moral. Na nova aliança existe também uma clara
referençia de que o que Deus deseja escrever nos corações do seu povo, é a sua lei.
“31
Eis que os dias vêm, diz o Senhor, em que farei um pacto novo com a casa de Israel e com a
casa de Judá, 32
não conforme o pacto que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão,
para os tirar da terra do Egito, esse meu pacto que eles invalidaram, apesar de eu os haver
desposado, diz o Senhor. 33
Mas este é o pacto que farei com a casa de Israel depois daqueles
dias, diz o Senhor: Porei a minha lei no seu interior, e a escreverei no seu coração; e eu serei o
seu Deus e eles serão o meu povo.” (Jeremias 31:31-33)
“Ora, este é o pacto que farei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz o Senhor; porei as
minhas leis no seu entendimento, e em seu coração as escreverei; eu serei o seu Deus, e eles
serão o meu povo;” (Hebreus 8:10) (veja: cap. 10:15-16)
Deus está falando de um Novo Concerto e Se refere à mesma Lei que escreveu com o
Seu dedo no Sinai. Em nenhum momento é dito que é uma nova lei que será escrito em nossos
corações. Até porque a bíblia diz que em Deus “… não há mudança nem sombra de variação”
(Tiago 1:17; ver também: Malaquias 3:6). Portanto, nada há de indicativo do cancelamento da
Lei Moral. No Novo Concerto, a Lei de Deus seria impressa não em pedra, mas em carne (no
coração).
Isso prova que jamais seria abolida. Sem sombra de dúvida, sob o evangelho, só pode
participar do Novo Concerto que tenha conhecimento da Lei de Deus, pois ela será colocada no
coração do crente.
 “Letra que Mata” “Ministério da Morte” “Ministério da Condenação” VS
“Espírito” “Ministério do Espírito” “Ministério da Justiça” – (2 Coríntios 3:6-9)
75
No verso 6 é nos apresentados a mesma ideia dos versos 2 e 3. Neste verso 6 Paulo nos
convida a ser ministro de um novo concerto que é do “Espírito que vivifica” e não do concerto
da “letra” pois a “letra mata”.
Esse contraste entre “letra” e “espírito” não significa um contraste entre uma era de lei
e uma era de libertação de toda lei. Como já notamos, quando o Espírito de Deus está no
controle, Ele escreve essas leis nos nossos corações (Hebreus 10:15-16), e habilita-nos a
cumprir os requisitos dessas leis (Ezequiel 11:19-20; 36:26-27), a fim de ser cumpridos em
nosso coração (Romanos 8:4). Mesmo para aqueles que afirma a abolição da lei em 2 Coríntios
3 na verdade aceita tais regras como não matar, não roubar, etc., e todos os mandamentos da lei
que existe no novo testamento, mais alguns que não se encontram registadas nesses livros. E
também porque o apóstolo Paulo afirma em Romanos 3:31 que a nossa fé em Cristo não anula
a lei.
O texto de 2 Coríntios 3 faz o uso de uma linguagem figurativo, chamando a Lei de
“Letra que Mata”, “Ministério da Morte” e “Ministério da Condenação”. Com base nisso,
muitos afirmam que a lei só se traduz por morte e condenação. Se isso é verdade, então será
que Deus reuniu o Seu povo solenemente ao pé do monte Sinai para lhe dar uma lei que se
traduz unicamente por “Morte”? vejamos ainda as seguintes passagens bíblicas:
“7
A lei do Senhor é perfeita e refrigera a alma; o testemunho do Senhor é fiel e dá sabedoria aos
simples. 8
Os preceitos do Senhor são retos e alegram o coração: o mandamento do Senhor é
puro e alumia os olhos.” (Salmos 19:7-8)
Em Salmos 19:7-8 é nos apresentado alguns atributos da lei de Deus, ali se diz que a lei
do Senhor alegra o coração e acalma a alma. então se a lei se traduz unicamente por “Morte”,
então como pode alegrar e acalmar a alma?
Percebe-se aqui claramente que Paulo está a destacar apenas uma das funções da lei:
condenar os pecados do pecador. Ao comtemplar a lei de Deus percebemos que somos
pecadores e dignos de morte, assim como é relatado na experiência do apóstolo Paulo:
“9
E outrora eu vivia sem a lei; mas assim que veio o mandamento, reviveu o pecado, e eu morri;
10
e o mandamento que era para vida, esse achei que me era para morte. 11
Porque o pecado,
tomando ocasião, pelo mandamento me enganou, e por ele me matou. 12
De modo que a lei é
santa, e o mandamento santo, justo e bom.” (Romanos 7:9-12)
Neste verso percebemos que o apóstolo nos diz que o mandamento é vida, e é algo santo,
justo e bom, mas na sua experiencia pessoal, ele chamou a lei de “morte”. Concluímos, portanto,
76
que a lei pode desempenhar uma função de vida, para aquele que estão em harmonia com a sua
vontade, e para aquele que não estão com a sua harmonia a lei desempenha uma função de
“morte”.
Uma das funções da lei de definir o que é pecado, e na sua completação se percebe que
somos pecadores e destituídos da glória de Deus, e que o nosso salário por ter transgredido a
lei de Deus é a morte. Portanto nesse sentido podemos chamar a lei perfeitamente de “ministério
da morte/condenação”.
Ao morrer na cruz do calvário, Jesus pagou o preço da nossa condenação perante esta
lei que foi violada, por conseguinte, a lei já não tem poder de nos condenar a morte eterna. O
que nos resta a fazer é aceitar a graça de Cristo que nos foi garantido na cruz ao ser pago o
preço da nossa condenação eterna perante a lei.
A função (ministério) da Lei era definida. Sua “letra que mata”, resultava evidentemente
em morte para os transgressores. Hoje, porém, a função (ministério) da Lei contínua, mas
“baseada na justiça de Cristo através da ação do Espírito Santo no coração do pecador, resulta
em vida.”
Assim, o primeiro ministério foi letra mortal, por inadimplemento por parte do povo. O
último, ‘Espírito que vivifica’, por ser Cristo que habilita o homem a obedecer. Em ambos os
Concertos, nada sugere a abolição da Lei de Deus.
 O que “desvanecia” (2 Coríntios 3:19) e/ foi “permanece” (2 Coríntios 3:11)
“Ao descer do monte Sinai com as duas tábuas da aliança nas mãos, Moisés não sabia
que o seu rosto resplandecia por ter conversado com o Senhor” (Êxodo 34:29). O próprio
Moisés não percebeu a glória que irradiava de sua face, e não entendeu o porquê de os israelitas
fugirem dele quando se aproximava. Chamou-os para junto de si, mas eles não ousavam olhar
para aquela face glorificada. Quando Moisés entendeu que o povo não podia contemplar o seu
rosto, o cobriu com um véu.
“29
Quando Moisés desceu do monte Sinai, trazendo nas mãos as duas tábuas do testemunho, sim,
quando desceu do monte, Moisés não sabia que a pele do seu rosto resplandecia, por haver Deus
falado com ele.30
Quando, pois, Arão e todos os filhos de Israel olharam para Moisés, eis que a
pele do seu rosto resplandecia, pelo que tiveram medo de aproximar-se dele. 31
Então Moisés os
chamou, e Arão e todos os príncipes da congregação tornaram a ele; e Moisés lhes falou. 32
Depois chegaram também todos os filhos de Israel, e ele lhes ordenou tudo o que o Senhor lhe
77
falara no monte Sinai. 33
Assim que Moisés acabou de falar com eles, pôs um véu sobre o rosto.
34
Mas, entrando Moisés perante o Senhor, para falar com ele, tirava o véu até sair; e saindo,
dizia aos filhos de Israel o que lhe era ordenado. 35
Assim, pois, viam os filhos de Israel o rosto
de Moisés, e que a pele do seu rosto resplandecia; e tornava Moisés a pôr o véu sobre o seu rosto,
até entrar para falar com Deus.” (Êxodo 34:30-35)
Aqueles que leem superficialmente o verso de 2 Coríntios 3:7 concluem
desastrosamente que os Dez Mandamentos eram que desvaneciam (desapareciam), mas o que
claramente se diz neste verso é que a glória refletida no rosto de Moisés era que perecia. A
glória não estava nas tábuas de pedra. O reflexo da glória no rosto de Moisés se desvaneceu
(sumiu), mas os mandamentos gravados em pedras permanecem em vigência.
É justamente sobre isto que Paulo fala em relação a glória em 2 Coríntios 3:7 e 11. Paulo
se refere a isso. “A ponto de os filhos de Israel não poderem fitar a face de Moisés, por causa
da glória do seu rosto, ainda que desvanecente” (2 Cor. 3:7). Ele se refere novamente a isso no
verso 11, dizendo que ela “se desvanecia”; e então outra vez no verso 13, afirmando:
“E não somos como Moisés, que trazia um véu sobre o rosto, para que os filhos de Israel não
vissem o final da glória que se desvanecia;” (2 Coríntios 3:13)
Foi a glória do ministério anterior, agora findo, e não a lei administrada, que “se
desvanecia”, que foi mesmo “abolida”, como por analogia histórica. Paulo lembra-lhes que foi
a glória do rosto de Moisés que estava “se desvanecendo”.
 Foi abolido (2 Coríntios 3:14)
“mas o entendimento lhes ficou endurecido. Pois até o dia de hoje, à leitura do velho pacto,
permanece o mesmo véu, não lhes sendo revelado que em Cristo é ele abolido;” (2 Coríntios
3:14)
Quanto ao que foi “abolido”, é claro, foi o Velho Concerto e não a Lei de Deus. O Novo
Concerto permanece, e a Lei Moral como sua eterna base, contínua em vigor. Enquanto houver
o pecado, a Lei terá que existir. Ela é o mais perfeito instrumento que Deus possui para revelar
o pecado (Romanos 4:15; Romanos 7:7-8; 1 João 3:15).
“sim, até o dia de hoje, sempre que Moisés é lido, um véu está posto sobre o coração deles.” (2
Coríntios 3:15)
“Deles” quem? - Paulo está se referindo aos “judaizantes”.
78
Paulo escreveu esta epístola em 52-54 d.C., nesta ocasião os judeus teimavam em
praticar o ritual (lei Cerimonial) que por Jesus foi abolido ao morrer no Calvário. Somente no
ano 70 com a destruição do Templo pelos romanos é que cessou “definitivamente” o que fora
transitório. Este texto de 2 Coríntios 3, jamais financia a abolição de 39 livros da Bíblia, como
afirma em seu livro, o pastor pentecostal Antenor Santos de Oliveira. Nele Paulo realmente se
refere à Lei Moral escrita em tábuas de pedra, porque ela era, e é o instrumento que Deus tem
para revelar o pecado. Paulo diz claramente que o que foi abolido é o Velho Concerto e não o
Velho Testamento.

lei e a graça no contexto da salvação bíblica

  • 1.
    0 IGREJA ADVENTISTA DOSÉTIMO DIA GUIA DE ESTUDO BIBLICO DIARIO – PERGUNTAS & RESPOSTAS PARTILHANDO A VERDADE WILSON VALDINE RODRIGUES BARROS
  • 2.
    1 IGREJA ADVENTISTAS DOSÉTIMO DIA GUIA DE ESTUDO BIBLICO DIARIO – PERGUNTAS & RESPOSTAS PARTILHANDO A VERDADE WILSON VALDINE RODRIGUES BARROS
  • 3.
    2 Índice: 1) Será quena bíblia existe essa divisão da lei?..................................................................... 4 2) Diferencia lei moral e lei Cerimonial segundo a Bíblia..................................................... 5 3) Os mandamentos fazem parte das verdades Bíblicas?....................................................... 6 4) Quais, e quantas são os mandamentos morais de Deus? ................................................... 7 5) Existia a lei antes do Sinai? ............................................................................................... 9 6) Será que a Lei não é apenas para os povos israelitas? ..................................................... 18 7) Será que a lei não foi abolida na cruz, e substituida pela graça?..................................... 19 8) Se nem no Novo e nem no Velho Testamento as pessoas eram salvas pelas obras da lei, então qual é o propósito da lei?............................................................................................... 21 9) Paulo ensina que somos salvos pela fé sem as obras da lei, enquanto que Tiago ensina que a fé sem obras é morta. Será o apóstolo Paulo e Tiago não estão em contradição?................ 24 10) Porque apegar tanto na lei do antigo testamento se Jesus substituiu-o por um novo mandamento? .......................................................................................................................... 26 11) Jesus já cumpriu a lei, por isso não devemos guardar todos os 613 mandamentos da torah. Séra que devem-se observar apenas aqueles que foram revalidados por Apóstolos?............. 28 Mateus 5:18.................................................................................................................. 31 Lucas 16:16 .................................................................................................................. 34 Efésios 2:15.................................................................................................................. 35 Colossenses 2:14 .......................................................................................................... 37 Romanos 10:4............................................................................................................... 37 Romanos 6:14............................................................................................................... 40 Romanos 7:4 e 6........................................................................................................... 41 Romanos 8:1-2 ............................................................................................................. 44 Gálatas 3:19.................................................................................................................. 45 Gálatas 3:23-25 ............................................................................................................ 46 Hebreus 7:12 e 18-19 ................................................................................................... 48 12) Se a lei não foi abolida, será que deve-se guardar todas as 613 leis? .......................... 49 13) A lei de Deus “olho por olho, dente por dente” foi substituida pela lei de amor?....... 54 14) Se nem todos os mandamentos do torah se aplicam hoje em dia, então quais são os mandamentos que devem ser observados?.............................................................................. 59 15) Será que não faz mal guardar os mandamentos e tropeçar em um só mandamento? .. 63 16) Será que Deus aceita e ouve a oração aqueles que simplesmente ouvem a Lei?......... 63 17) Deus permite que façamos a mudança, tirar ou acrescentar alguma coisa na sua lei?. 64
  • 4.
    3 18) O queiria acontecer futuramente com a lei de Deus, segundo a bíblia?...................... 64 19) Como a Bíblia descreve o povo de Deus?.................................................................... 70 20) Romanos 2:13 diz que somos justificados pelas obras, enquanto Efésios 2:9, diz que é pela Graça mediante a fé. Não estaria a Bíblia a se contradizer a si próprio? ........................ 71 21) Paulo não era contra as obras da Lei? .......................................................................... 72 22) Porque Paulo chama a lei de “ministério da morte” e “ministério da condenação” e que foi abolido?.............................................................................................................................. 73
  • 5.
    4 1) Será quena bíblia existe essa divisão da lei? Se existe, onde então é feita essa divisão? Que tipos de leis encontraram na Escrituras Sagradas? A palavra “lei” (no hebraico é “Torah”), de acordo com o conceito hebraico, significa ensino, instrução e até mesmo direcionamento. Na bíblia, ela não se refere apenas aos 10 mandamentos do decálogo, mas sim a toda a instrução de Deus dada ao Moisés. No antigo testamento, principalmente nos 5 primeiros livros de Moisés, vamos encontrar todas essas instruções ou leis que Deus deu para o Moisés. Apesar da bíblia menciona a palavra “lei” como um todo, ou seja, todas as instruções dadas por Deus, podemos perceber que existe aspecto diferentes da lei. Ou seja, existe a lei de Moisés (que envolve os 5 primeiros livros da bíblia), e dentro dessas leis, encontramos leis que possuem aspecto diferentes umas das outras. Podemos destacar alguns desses aspectos diferentes da lei, que aparece no Torah, tais como:  Aspecto de ordem moral: que expressa o carácter de Deus, conhecida como a Lei dos 10 mandamentos, escrito pelo dedo de Deus (Êxodo 31:18).  Aspecto de ordem civil/penal: que são leis de proteção, para reger a nação de Israel (Êxodo cap. 21-22).  Aspecto de ordem cerimonial: envolvendo sacrifícios e ofertas de animais, específicas para o santuário (Levítico cap. 1-4).  Aspecto de ordem higiénicas: que lhes protegeriam contra as doenças, e um melhor saneamento nas suas comunidades (Levítico 5:2-3; cap. 15:4-27; cap. 14:8-9; Deuteronômio 23:12, 13).  Aspecto de ordem alimentar ou leis de saúde: para felicidade e bem-estar dos seres humanos (Levítico 11 / Deuteronômio 14). No novo testamento, principalmente nos escritos de Paulo, muitos estudiosos têm-se percebido de que quando o apóstolo Paulo faz a menção sobre a “lei”, ele se refere aos escritos de Moisés na sua grande maioria das vezes. Mas também existem ocasiões em que ele (Paulo) ao fazer a menção sobre a lei, se refere apenas ao um dos aspectos da lei. Vejamos alguns exemplos:  Em Efésios 2:14-16, falando sobre a inimizade que existia entre judeus e gentios, Paulo nos diz que Deus removeu a “parede de separação que estava no meio”, removendo a “ lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças”. Ao ler esse texto percebemos que Paulo não poderia estar a mencionar a lei como um todo, ou seja, a todos os aspectos da lei de Moisés.
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    5 Por exemplo, emLevítico 19:18 e Deuteronômio 6:4 encontramos a lei que ordena amar ao próximo e a Deus sobre todas as coisas. Então será que ao obedecer a essas leis, estaria o seu povo a causar uma inimizade ou o contrário? Paulo fala apenas daquelas leis que estavam a causar essa separação entre os dois povos, como é o caso de algumas tradições judaicas.  No texto de Hebreus 7:18-19 Paulo nos diz que o mandamento foi “ab-rogado por causa da sua fraqueza e inutilidade” e que “a lei nenhuma coisa aperfeiçoou”. É óbvio que Paulo não se refere a todos o aspecto da lei de Moisés, pois em Romanos 7:12 ao falar sobre o aspecto moral da lei (conforme pode ser confirmar com o verso 7-8), ele nos diz que a “lei é santa, e o mandamento santo, justo e bom”. Se em ambos os textos de Hebreus 7:18-19 e Romanos 7:12 estão a se referir a todos os aspectos da lei, então como é que uma lei que é considerado inútil, que nenhuma coisa aperfeiçoou ser “santo, justo e bom”?  Em Salmos 19:7 nos diz que “A lei do SENHOR é perfeita, e refrigera a alma”, ao passo que o texto de Hebreus 7:18-19 nos diz que “a lei nenhuma coisa aperfeiçoou” e que é inútil. Ora, torna-se ilógico dizer que Davi e Paulo estão a mencionar a todos os aspectos da lei de Moisés, pois se é assim, então esses dois autores estão em uma tremenda contradição. 2) Diferencia lei moral e lei Cerimonial segundo a Bíblia. Existem vários aspectos de leis registados na bíblia como já foi mostrado na pergunta nº1. Mas a lei Moral e a lei cerimonial tem estado a causar dúvidas na cabeça de muitas pessoas, e muitos não conseguem perceber a diferença entre essas duas leis e tentam usar alguns textos fora do seu contexto para tentar provar que a lei do antigo testamento foi abolida. Em Êxodo 20:1-17 ali é mencionado os principais mandamentos da lei moral, conhecidos como os 10 Mandamentos, e em Levítico do capítulo 1 a cap. 4 e no cap. 16 ali é mencionado algumas normas da lei cerimonial que tinham a ver com os sacrifícios dos animais, bem como as leis que regulamentavam todos os rituais que eram realizados no santuário terrestre. Mas no quadro abaixo serão mostradas algumas diferenças entre essas duas leis. Lei Moral Lei Cerimonial “Lei do Senhor” Salmos 1:2 e 19:7 “Lei de Moisés” Neemias 8:1 / Atos 15:5
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    6 Escrita pelo dedode Deus em Tábuas de Pedra Êxodo 31:18 Escrita por Moisés em um livro Deuteronômio 31:9 e 31:24 Foi colocada dentro da Arca de Aliança Deuteronômio 10:5 / Apocalipse 11:19 Foi colocada fora da Arca da Aliança Deuteronômio 31:25-26 É perfeita e restaura a alma Salmos 19:7 Nenhuma coisa aperfeiçoou Hebreus 7:19 Contém um SÁDADO semanal Êxodo 20:8-11 Continha sete SÁBADOS anuais Levítico 23 É de caráter ETERNO Salmos 19:9 / Mateus 5:18 Durou até morte de Jesus na cruz, quando a sua função foi transferida para Cristo Daniel 9:27 / Hebreus 8:12 e 9:23 3) Os mandamentos fazem parte das verdades Bíblicas? Pouco antes da morte de Jesus, Pilatos perguntou-Lhe: “Que é a verdade?” (João 18:38) O questionamento feito por Pilatos é o mesmo que aflige milhões e milhões de corações, desde a antiguidade até os dias de hoje. Muitas são as 'verdades' que nos são apresentadas e, diante de tantas informações e controvérsias, é comum indagarmos se há, de fato, a Verdade. Sim, ela existe e está alicerçada em cinco colunas, segundo nos diz a Santa Palavra de Deus, e são elas: 1º Deus Pai: “Mas o SENHOR Deus é a verdade; ele mesmo é o Deus vivo e o Rei eterno; ao seu furor treme a terra, e as nações não podem suportar a sua indignação” (Jeremias 10:10); 2º Deus Filho: “Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim” (João 14:6) 3º Deus Espírito Santo: “... E o Espírito é o que testifica, porque o Espírito é a verdade” (1 João 5:6); 4º Bíblia: “Santifica-os na tua verdade; a tua palavra é a verdade” (João 17:17);
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    7 5º Os DezMandamentos: “A tua justiça é uma justiça eterna, e a tua lei é a verdade. Tu estás perto, ó SENHOR, e todos os teus mandamentos são a verdade. Acerca dos teus testemunhos soube, desde a antiguidade, que tu os fundaste para sempre.” (Salmos 119:142 e 119:151-152); 4) Quais, e quantas são os mandamentos morais de Deus? “3 Não terás outros deuses diante de mim. 4 Não farás para ti imagem esculpida, nem figura alguma do que há em cima no céu, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. 5 Não te encurvarás diante delas, nem as servirás; porque eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que me odeiam. 6 e uso de misericórdia com milhares dos que me amam e guardam os meus mandamentos. 7 Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão; porque o Senhor não terá por inocente aquele que tomar o seu nome em vão. 8 Lembra-te do dia do sábado, para o santificar. 9 Seis dias trabalharás, e farás todo o teu trabalho; 10 mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus. Nesse dia não farás trabalho algum, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o estrangeiro que está dentro das tuas portas. 11 Porque em seis dias fez o Senhor o céu e a terra, o mar e tudo o que neles há, e ao sétimo dia descansou; por isso o Senhor abençoou o dia do sábado, e o santificou. 12 Honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te dá. 13 Não matarás. 14 Não adulterarás. 15 Não furtarás. 16 Não dirás falso testemunho contra o teu próximo. 17 Não cobiçarás a casa do teu próximo, não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma do teu próximo.” (Êxodo 20:3-17) Veja: Deuteronômio 5:7-22 O decálogo – as dez palavras, ou dez mandamentos (Êxo. 34:28) – composta de duas partes, indicadas pelas duas tábuas de pedra sobre as quais Deus escreveu sua lei. “E deu a Moisés, quando acabou de falar com ele no monte Sinai, as duas tábuas do testemunho, tábuas de pedra, escritas pelo dedo de Deus.” (Êxodo 31:18) “Então, vos anunciou ele a sua aliança, que vos prescreveu, os dez mandamentos, e os escreveu em duas tábuas de pedra.” (Deuteronômio 4:13) Os quatro primeiros mandamentos regulamentam nossos deveres para com o Criador e Redentor, ao passo que os seis últimos orientam os deveres para com as demais pessoas. Essa divisão em duas porções deriva dos dois grandes princípios de amor sobre os quais opera o reino de Deus: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas
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    8 as tuas forçase de todo o teu entendimento; e: amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Luc. 10:27; c/ Deut. 6:4-5; Lev. 19:18). Aqueles que vivem esses princípios se acharão em plena harmonia com os dez mandamentos, ou com a lei de Deus, uma vez que os preceitos dessa lei expressam com mais detalhes esses mesmos princípios.  O primeiro mandamento orienta quanto à adoração exclusiva ao único Deus verdadeiro.  O segundo proíbe a idolatria.  O terceiro proíbe a irreverência e o perjúrio que envolve a invocação do nome divino.  O quarto requer a observância do sábado e identifica o verdadeiro Deus como o criador dos céus e da Terra.  O quinto mandamento requer que os filhos se submetam a seus pais, sendo eles os agentes divinamente indicados para transmitir sua vontade revelada às sucessivas gerações (Deut. 4:6-9; 6:1-7).  O sexto protege a vida, considerando-a sagrada.  O sétimo estimula a pureza e protege a relação matrimonial.  O oitavo protege a propriedade.  O nono preserva a verdade e proscreve o perjúrio.  O décimo atinge as raízes de todo relacionamento humano ao proibir a cobiça daquilo que aos outros pertences. Os dez mandamentos trazem consigo a distinção singular de ser as únicas palavras que Deus falou audivelmente a toda uma nação (Deut. 5:22). Deus não confiou sua lei à desatenta mente humana, que facilmente esquece as coisas, mas gravou-a com seu próprio dedo em tábuas de pedra, de modo que elas pudessem ser preservadas no interior da arca, no tabernáculo (Êxo. 31:18; Deut. 10:2). Obs.1: os preceitos que constituem os aspectos morais da lei, não se aplica apenas aos preceitos do decálogo. Existe também vários outros preceitos que estão registados nas leis de Moisés que não se encontram escritos nos 10 mandamentos. Como exemplos, em Êxodo 23:1- 9, Levítico 18 e Levítico 19:13-18 encontramos alguns preceitos morais que não estão nos 10 mandamentos. Obs.2: Quando estamos a falar de “mandamentos”, isto não se aplica apenas aos 10 mandamentos que fazem parte da lei moral de Deus. Por exemplo, em Mateus 28:19-20 ali também encontramos um importante mandamento que nos é deixado por Jesus antes da sua subida ao céu: “ide pregai o evangelho a todas as nações”.
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    9 5) Existia alei antes do Sinai? Muitos acreditam que os preceitos dos Dez Mandamentos surgiram quando Moisés os recebeu no monte Sinai, sendo até então desconhecidos. Esta é uma noção errada que contradiz fortemente os ensinos da Bíblia. Muitos afirmam com base em Gálatas 3:17 que a lei só passou a existir no Sinai, e que essas leis foram destinadas somente aos judeus e não precisavam ser obedecidos pelos gentios. Mas para resolver esta questão, vamos dividir as respostas em quatro blocos: A lei de Deus no Céu e na nova terra: Muitas pessoas afirmam que no céu antes da queda do homem e na nova terra não vai existir a lei de Deus, principalmente os dez mandamentos no decálogo. Para tentar comprovar essa afirmação, eles afirmam por exemplo: se na nova terra não existe casamento, então como é que vai existir a lei de não adulterarás? “A soma da tua palavra é a verdade, e cada uma das tuas justas ordenanças dura para sempre.” (Salmos 119:160) Segundo o Salmistas, todas as ordenanças de Deus são eternas, porque a lei é o caráter do legislador eterno que é Deus. Então como harmonizar o fato de que no céu (mesmo antes da existência de Adão) não existiam a lei de não adulterarás, sabendo que não existiam casamento já que os anjos são seres assexuada? Como é que na nova terra mesmo não existindo o casamento, e por seguinte, as traições, vai vigorar o mandamento de não adulterarás? Mas o que essas pessoas ou grupos religiosos não saibam, é que por detrais de cada um dos preceitos do decálogo, existem princípios que já existiram com Deus desde toda a eternidade. Ou seja, os dez mandamentos (que inclui a lei de não adulterarás) ou a própria torah são apenas uma transcrição desses princípios eternos de Deus para a linguagem humana. Obs.: a palavra “princípio” vem do latim “principìum” que significa começo, início, causa primeira, raiz, etc. segundo o Dicionário Eletrônico Michaelis, podemos definir a palavra “princípios” da seguinte forma: “momento em que uma coisa tem origem; aquilo do qual alguma coisa procede na ordem do conhecimento ou da existência; característica determinante de alguma coisa… lei, doutrina ou acepção fundamental em que outras são baseadas ou de que outras são derivadas.” (Dicionário Eletrônico Michaelis).
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    10 Princípios também podeser chamado de lei de caráter geral, ou seja, princípios são conjuntos de normas ou padrões de conduta a serem seguidos por uma pessoa ou instituição. Portanto dizer que não existe princípios da lei divina no céu ou na nova terra, é mesma coisa que dizer que Deus não possuía ou não terá qualquer forma de caráter que o defina. Por exemplo, se os anjos mesmo antes do pecado existir, ou da criação do homem, já sabiam que Deus era um Deus de amor, é porque eles já conheciam os princípios de Deus e qual deveriam ser as suas atitudes, os seus deveres, e as suas limitações para com Deus, e quais são as suas consequências casos não as cumprissem (tal como tinha acontecido com o Lúcifer – Apoc. 12:7-9). Pois dizer que uma pessoa é amor é porque existem alguns princípios e atitude nesta pessoa que a justificasse que essa pessoa de fato é amor. A “lei” pode ser definido por: “regra, prescrição escrita que emana da autoridade soberana de uma dada sociedade e impõe a todos os indivíduos a obrigação de submeter-se a ela sob pena de sanções”. E ela é um reflexo do carácter do legislador, pois se baseia nos princípios que compõe o seu carácter. Os princípios que estão por detrás de cada um dos preceitos do decálogo ou das leis de torah sempre existiram, e continuará a existir na nova terra. Vejamos o exemplo: Mandamento do Decálogo Princípios 1º “não terás outros deuses…” Ser leal a Deus 2º “não farás para te imagem de escultura… nem servirás e nem adorarás…” Adoração exclusiva a Deus 3º “não tomarás o nome de Deus em vão…” Reverência para com Deus e ao seu nome 4º “lembra-te do dia do sábado para santificar…” Adoração e santidade a Deus 5º “honra o teu pai e a tua mãe…” Respeito às autoridades 6º “não matarás” Respeito a vida e ao modo de ser do seu próximo 7º “não adulterarás” Pureza em todos os aspectos 8º “não furtarás” Honestidade 9º “não dirás falso testemunho…” Veracidade 10º “não cobiçar a mulher do teu próximo… nem as coisas do teu próximo” Contentamento com aquilo que se possui
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    11 Vejamos ainda umexemplo prático da existência desses princípios no céu, mesmo antes da queda do homem, com a queda de Lúcifer: Antes da manifestação do mal, havia paz e alegria por todo o Universo. O amor a Deus era supremo, e era imparcial o amor de uns para com os outros. Mas houve, porém, alguém que preferiu deturpar esse gozo no céu. O seu nome era Lúcifer. Lúcifer era o ser criado mais exaltado, mais inteligente e o mais poderoso de todos os seres criados no Universo. Ele é querubim cobridor e perfeito, como tudo o que saiu de Suas mãos. A respeito dele, Deus afirma: “15 Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado, até que em ti se achou iniquidade. 17 Elevou-se o teu coração por causa da tua formosura, corrompeste a tua sabedoria por causa do teu resplendor; por terra te lancei; diante dos reis te pus, para que te contemplem.” (Ezequiel 28:15 e 17) Obs.: A palavra hebraica para “maldade” ou “iniquidade” (em outras traduções), é “rekullah”, que significa “comércio” ou “negócio”. Como salientou Richard Davidson: “comércio propagado” referindo-se a bens ou à maledicência. Aqui Satanás propagou a maledicência entre os anjos a respeito de Deus. A controvérsia cósmica se propagou com a maledicência, caluniando como injusto o caráter de Deus. E é por isso que ele é chamado de homicida e mentiroso desde o princípio (João 8:44). Lúcifer corrompeu-se por causa de sua formosura e sabedoria, o orgulho alimentou o desejo de supremacia. Ele deveria sentir gratidão e saber que Aquele que o criou era o Criador e não o ser criado. Mas as honras concedidas a Lúcifer não despertavam gratidão para com o Criador. Ele desejava ser igual a Deus. “12 Como caíste do céu, ó estrela da manhã, filha da alva! Como foste lançado por terra tu que prostravas as nações! 13 E tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu; acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono; e no monte da congregação me assentarei, nas extremidades do norte; 14 subirei acima das alturas das nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo.” (Isaías 14:12- 14) Satanás reivindicou ser a melhor opção para governar o Céu. Sua influência permeou o paraíso como o câncer. Um terço dos anjos sucumbiram a seus enganos e lançaram sua sorte com ele. “7 Então houve guerra no céu: Miguel e os seus anjos batalhavam contra o dragão. E o dragão e os seus anjos batalhavam, 8 mas não prevaleceram, nem mais o seu lugar se achou no céu. 9 E foi precipitado o grande dragão, a antiga serpente, que se chama o Diabo e Satanás, que engana
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    12 todo o mundo;foi precipitado na terra, e os seus anjos foram precipitados com ele.” (Apocalipse 12:7-9) Satanás queria assumir o lugar de Deus. Desejava ser igual a Ele na posição, não no caráter. Seu desejo de poder era movido por motivos egoístas. Queria ser Deus. Não é de surpreender que tenha instado a Cristo no deserto, a prostar-Se e adorá-lo! (Ver Mat. 4:8 e 9). Através dessa atitude de Satanás para com Deus e por conseguinte, a sua expulsão do céu, podemos constatar a existia dos princípios que se encontram implícito no Decálogo. Por exemplo: 1º Mandamento – Ele não foi leal para com Deus pois queria ser um outro deus do céu; 2º Mandamento – Desejava ser adorado uma vez que só a Deus pode ser adorado; 3º Mandamento - Não demostrou o respeito para com Deus ao tentar tirar dele o que não lhe pertencia, e também por fazer calunias contra Deus (Eze. 28:15; Apoc. 12:4 e 7-9); 4º Mandamento - Ele não demonstrou santidade para com Deus; 5º Mandamento - Ele não demonstrou respeito pelo seu criador, que era a autoridade máxima do céu; 6º Mandamento - Ele odiou a Deus e também fez com que alguns outros anjos do céu a odiaram a Deus, ao ponto de guerrear contra Deus (Apoc. 12:4 e 7-9). E segundo a bíblia ódio contra alguém é assassinato (ver 1 João 3:15), e é por isso que Deus o chamou de assassino e mentiroso desde o início (ver João 8:44); 7º Mandamento – Foi encontrado iniquidade em Satanás, portanto a sua pureza foi manchada com o pecado que ele carregou no seu coração; 8º Mandamento – ele não conformou com a conduta que era moralmente aceite por todos os habitantes do céu que era adoração exclusiva a Deus. E tentou roubar para se mesmo; 9º Mandamento – ele fez calúnias contra Deus, e conseguiu influenciar terça parte dos anjos do céu (Apoc. 12:4); 10º Mandamento – ele desejou estabelecer o seu próprio trono e ser adorado “semelhante ao altíssimo” (Isa. 14:12-14); Essa atitude de Lúcifer levou-o a quebrar todos os princípios que estão por detrás do decálogo. Isto nos leva a entender o que foi dito em livro de Tiago 2:10 – “qualquer que guardar toda a lei, mas tropeçar em um só ponto, tem-se tornado culpado de todos”. Talvez alguém pode questionar: como pode uma pessoa que transgrede o 5º mandamento pode ser acusado de quebrar 7º mandamento sem cometer qualquer delito
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    13 praticado ou pensado(Mat. 5:28) contra este mandamento? É simples de responder: bastava conhecer os princípios que estão por detrás de cada um desses dois mandamentos, saberemos o porquê. A transgressão de qualquer um dos princípios que estão por detrás dos preceitos do decálogo, implica uma transgressão de todos os demais, pois todos os princípios estão fortemente relacionados uma as outras. O resultado dessa artimanha de Satanás levou-o a ser expulso do céu juntamente com todos os anjos que foram influenciados pela sua calúnia. Com a expulsão de Satanás, pode-se constatar que existia princípios morais no céu. Portanto dizer que a lei de não adulterarás, não cobiçar, etc, só passou a existir no Sinai, é mesma coisa que dizer que essas coisas só passaram a ser uma violação dos princípios divinos a partir do Sinai, e que antes disso, esses tipos de coisas não eram levados em consideração (Romanos 5:12; 4:15; 7:7-8). O que se pode afirmar-se é que de fato no céu não existiam uma lei que proibissem o adultério, a cobiça, etc., tal como se encontram literalmente escrito em Êxodo 20:14 e 17. Pois os anjos não possuem mulheres, e por conseguinte, torna-se impossível obedecer ou desobedecer a estes preceitos. Mas os princípios que estão por detrás dessas duas leis sempre existiram e obedecidos pelos anjos, pois caso contrário seria injustificável a atitude de Deus para com o Satanás em expulsar o Lúcifer do céu, após cobiçar o seu trono e desejar ser adorado como ele é, e por contaminar a pureza do seu caráter que tinha sido criado com ele. O que encontramos em Êxodo 20:14 e 17, é uma transcrição dos princípios divinos que já existiram no céu, para o contexto da a realidade humana. (QUADROS, Leandro. Existiu a Lei antes do Sinai? Como era a salvação? Leandro Quadro. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=__K8FkM7MIY reacessado em: 27/12/20) A lei de Deus no Éden: Adão e Eva transgrediram no Éden os princípios da lei de Deus quando cederam aos sofismas de Satanás. Conscientemente desprezaram a justiça que lhes foi ensinada. Nesta infeliz atitude, eles transgrediam alguns princípios da lei que se encontram expresso nos preceitos do decálogo:
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    14  Preferiram seguire obedecer a um outro deus (Satanás) ao invés do Deus do céu;  Desonraram Aquele que lhes concedera a vida, que também era as suas autoridades, transgrediram assim o princípio do 5º mandamento;  Furtaram e cobiçaram o que não lhes pertencia;  Sentenciaram à morte a si mesmas e todas as gerações futuras, pois ao perderem o direito à vida eterna tal condição foi repassada aos seus descendentes;  E se estes fatos ocorreram no sétimo dia da semana, pode-se afirmar ainda que tais transgressões ofenderam a Deus no Seu santo sábado. Antes da queda, Adão e Eva não conheciam os resultados do pecado (Gênesis 3:22; Romanos 7:7). Eles viviam em perfeita harmonia com Deus e dia-a-dia aprendiam sobre o Seu amor sintetizado em Sua lei (Romanos 13:10). A respeito dessas transgressões a Bíblia revela: “Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram. Porque até ao regime da lei havia pecado no mundo, mas o pecado não é levado em conta quando não há lei.” (Romanos 5:12-13) “Porque a lei opera a ira. Porque onde não há lei também não há transgressão.” (Romanos 4:15) “Adão e Eva persuadiram-se de que seria questão insignificante o comer do fruto proibido, e que tal ato não poderia resultar em terríveis consequências como as de que Deus os avisara. Mas essa questão insignificante constituía uma transgressão da imutável e santa lei divina, e separou o homem de Deus, abrindo os diques da morte e trazendo sobre o mundo misérias indizíveis. Século após século tem subido da Terra um contínuo grito de lamento, e toda criação geme aflita, em resultado da desobediência do homem. O próprio Céu sentiu os efeitos da rebelião de Satanás contra Deus. O Calvário aí está como um monumento do estupendo sacrifício exigido para expiar a transgressão da lei divina. Não podemos considerar o pecado coisa trivial.” (Caminho a Cristo, cap. 3, p. 33.) Pelo fato de Adão e Eva comeram do fruto proibido, implica uma transgressão dos princípios que estão por detrás dos preceitos do decálogo, e com isso podemos afirmar de uma forma indireta, que existia a lei dos dez mandamentos no Éden. A Lei de Deus e o Abraão: Mas será que não havia a lei divina antes dos Patriarca como Abrão? Vejamos o que diz o texto de Géneses 26:5:
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    15 “porquanto Abraão obedeceuà minha voz, e guardou o meu mandado, os meus preceitos, os meus estatutos e as minhas leis.” (Géneses 26:5) Com base neste texto, vários grupos religiosos elaboram desastrosas e capciosas interpretações alegando que:  Que Deus estava valendo-Se de linguagem figurativa quanto à sua obediência;  Que as palavras “mandado”, “preceito”, “estatutos” e “leis” são sinônimos; e que o sábado não estava incluído nas orientações divinas entregues a ele. Estas investidas além de serem inúteis e ofensivas contra Deus e ao seu seguidor, revelam completo desconhecimento linguístico pois em Gêneses 26:5 tem-se a palavra: Mandado - traduzida do substantivo hebraico “mishmereth”, que significa: ofício; serviço; função; obrigação. Preceito - proveniente do substantivo hebraico “mitsvah”, que significa: mandamento (coletivamente formam uma lei). Estatuto - procedente do substantivo hebraico “chuqqah”, que significa: decreto, resolução, conjunto de regulamentos; conjunto de ordenanças. Lei - originada do substantivo hebraico "Towrah", que significa: instrução; orientação; lei deuteronômica ou lei mosaica; leis específicas, por exemplo: lei de oferta queimada; códigos específicos, por exemplo, o Decálogo. A “Towrah” por extensão de sentido abrange os ensinos proféticos. Estas informações esclarecem (para o desespero dos oponentes) que: Abraão exerceu os mandados (ofícios, funções - mishmereth) que eram norteados pelos estatutos (regulamentos, resoluções - chuqqah). Ele também obedeceu às leis (conjunto de regras - Towrah) formadas pelos preceitos (mandamentos - mitsvah). Essas leis determinaram, por exemplo, as normas cerimoniais (como a construção de altar e ofertas de sacrifício) e, conduziram-lhe aos princípios e regras morais, como por exemplo, àqueles presentes no Decálogo. Obs.: Alguns religiosos ainda afirmam que essas leis que Abraão obedecia são as que estão registradas em Gêneses tais como: a) Ofertas: Gên. 4:3-4; b) Altares Gên. 8:20; c) Que saísse da terra: Gên. 12:1; d) Sacerdotes: Gên. 14.18; e) Dízimos: Gên. 14:20; f) Que andasse na sua presença e fosse perfeito: Gên. 17:1-2;
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    16 g) Circuncisão: Gên.17-10; h) Casamento: Gên. 2:24 e Gên. 34:9; i) Que sacrificasse seu filho Isaque: Gên. 22:2; j) Que permanecesse na terra que Deus lhe dissesse; k) Contra Imoralidade sexual: Gên. 38:24-26; 34:7, etc. Mas essas são apenas mais uma das tentativas desesperadas para negar a observância das leis divinas pelo patriarca Abrão. Mas com a base no tópico da alinha f), consegue-se perceber uma tremenda ironia. Ali foi dito que Abrão deveria andar na presença de Deus e para ser perfeito. Se Deus escolheu um homem que vivia em meio a idolatria e tirou-lhe dali para habitar em um outro lugar, e ao pedir-lhe para andar nos seus caminhos e ser perfeito, torna-se bastante obvio que Deus deveria oferecer algumas leis, ou normas que deveriam ser seguidos a fim de Abrão saber qual é o caminho correto a ser seguido a fim de ser perfeito. Ele deveria receber cercas instruções principalmente no que tange ao comer, ao vestir, e no relacionamento com o seu próximo tais como encontramos escritos nos livros da Torah de Moisés. No Monte Sinai Deus também tinha pedido ao povo de Israel para ser perfeito/Santo assim como Ele Deus era perfeito (Êxo. 19:6; Lev. 19:2; Lev. 20:26; Deut. 14:2). E Deus deu- lhes várias leis para que o povo conhecesse qual era a sua condição a seguir a fim de ser perfeito/santo assim como Deus os tinha pedido. Essas leis incluíam principalmente leis no que tange nos relacionamentos com os seus próximos, no comer (Lev. 11; Deut. 14), no vestir (Deut. 22:5), e em várias outras situações. Até porque quando Deus o tinha pedido para andar nos seus caminhos e sé perfeito, as únicas orientações que aparece na bíblia que Deus deu depois são as que estão registradas nas marcações g), i) e j). As marcações a) até e) e h) e não foram digeridas para Abraão. Na marcação k) trata-se de um reconhecimento por parte de José que o adultério seria um pecado contra Deus, mas em nenhum momento o livro de Gêneses nos mostra que Deus deu essa lei para Abraão ou a seus descendentes. O que nos ajuda a provar mais uma vez que Deus já tinha dado algumas orientações sobre as leis de Torah que não foram registadas pela bíblia. Seria muito estranho que Deus exigiu a mesma coisa para Abrão (andar no seu caminho e ser perfeito), mas não lhe deu nenhuma das leis que se encontra nos registos da Torah de Moisés.
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    17 (IASD On-line. ODecálogo no Éden – I. disponível em: https://sites.google.com/site/iasdonline/home/reparador/decalogo reacessado 2m 28/12/20) Decálogo antes do Sinai: Quando a Bíblia fala que lei veio 430 anos depois de Abrão ela fala da lei escrita em tábuas de pedras, e não que os preceitos do decálogo não existia antes. E em romanos 4:15, Romanos 5:13 e romanos 7:7-8 nos diz que onde não há lei, não pode haver pecado, pois segundo 1 João 3:4, pecado é a transgressão da lei. “Porque a lei opera a ira; mas onde não há lei também não há transgressão” (Romanos 4:15) “7 Que diremos pois? É a lei pecado? De modo nenhum. Contudo, eu não conheci o pecado senão pela lei; porque eu não conheceria a concupiscência, se a lei não dissesse: Não cobiçarás. 8 Mas o pecado, tomando ocasião, pelo mandamento operou em mim toda espécie de concupiscência; porquanto onde não há lei está morto o pecado” (Romanos 7:7-8) “Porque antes da lei já estava o pecado no mundo, mas onde não há lei o pecado não é levado em conta.” (Romanos 5:13) “Todo aquele que vive habitualmente no pecado também vive na rebeldia, pois o pecado é rebeldia.” (1 João 3:4) Se a lei ou os preceitos do decálogo não existisse antes do Sinai então as pessoas antes do Sinai estavam todos livres para matar, cobiçar, roubar, desonrar os pais, tomar o nome de Deus em vão, etc., pois onde não há lei não existe o pecado. O fato de que Lúcifer e seus anjos pecaram revela que a lei se achava presente mesmo antes da Criação (2 Pedro 2:4). Portanto A lei existia muito antes que Deus concedesse o Decálogo a Israel. “14 Porque, quando os gentios, que não têm lei, fazem naturalmente as coisas que são da lei, não tendo eles lei, para si mesmos são lei; 15 Os quais mostram a obra da lei escrita em seus corações, testificando juntamente a sua consciência, e os seus pensamentos, quer acusando-os, quer defendendo-os;” (Romanos 2:14-15) Duas expressões precisam ser realçadas destes versos: Eles possuíam a Lei na consciência; a Lei gravada no coração era a mesma escrita em tábuas de pedra. Outros exemplos bíblicos demonstram a existência dos preceitos do Decálogo da lei de Deus antes de ser entregue no monte Sinai, tais como:  1º e 2º Mandamento: Jacó já sabia que não deveria servir outros deuses – Géneses 35:2;  3º Mandamento: Jacó possuía o princípio básico do terceiro mandamento, que era reverência a Deus – Géneses 28:16-19;
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    18  4º Mandamento:Mesmo antes que o povo de Israel chegou ao monte Sinai, recebendo as duas tábuas de pedra, Deus já exigia a sua observância do sábado – Êxodo 16:4, 23-26;  5º Mandamento: A severa repreensão de Noé a Cão e Canaã nos mostra que eles tinham conhecimento do mandamento quanto a honrar pai e mãe - Géneses 9:20-25;  6º Mandamento: Deus condenou o assassinato de Abel - Géneses 4:8-12;  7º Mandamento: José resistiu ao pecado de adultério - Géneses 39:7-23;  8º Mandamento: Os irmãos de José já sabiam que o roubo é um pecado contra Deus – Géneses 44:8 e cap. 44:16;  9º Mandamento: Abimeleque fez um pacto com Abraão, dizendo que ele não deveria mentir-lhe, portanto, eles já sabiam que mentir era errado – Géneses 21:23;  10º Mandamento: Eva cobiçou o fruto proibido – Géneses 3:6; Obs.: em Romanos 2:14-16 Paulo a respeito dos gentios, diz que os “gentios, que não têm lei, fazem naturalmente as coisas que são da lei, não tendo eles lei, para si mesmos são lei”, pois elas “mostram a obra da lei escrita em seus corações”. Portanto mesmo que Deus não pronunciou de forma clara os seus preceitos da lei para Abrão ou outros povos antes do Sinai, isto não significa que eles desconheciam eles tinham a lei escritas no seu coração. Portanto é um erro supor que os preceitos da só se originaram no Sinai, pois se é assim, então todos aqueles que viviam antes do Sinai eram justo e perfeitos aos olhos de Deus, pois “onde não há lei o pecado não é levado em conta.” (Romanos 5:13)”. 6) Será que a Lei não é apenas para os povos israelitas? Aquém é permitido ou obrigado guardar a Lei? “Lembrai-vos da lei de Moisés, meu servo, a qual lhe mandei em Horebe para todo o Israel, a saber, estatutos e ordenanças.” (Malaquias 4:4) Muitos tentam usar o texto de Malaquias 4:4 para tentar provar que a lei só se aplicava ao povo de Israel, mas o problema é que existe uma tremenda ignorância por parte dessas pessoas de que o povo de Israel deveria ser uma testemunha fiel e luz para as outras nações e que Deus queria que o seu nome seja exaltado por meio deste povo. “Vós sois as minhas testemunhas, do Senhor, e o meu servo, a quem escolhi; para que o saibais, e me creiais e entendais que eu sou o mesmo; antes de mim Deus nenhum se formou, e depois de mim nenhum haverá.” (Isaías 43:10)
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    19 “Sim, diz ele:Pouco é que sejas o meu servo, para restaurares as tribos de Jacó, e tornares a trazer os preservados de Israel; também te porei para luz das nações, para seres a minha salvação até a extremidade da terra.” (Isaías 49:6) O texto de Eclesiastes 12:13-14 nos diz: “13 Este é o fim do discurso; tudo já foi ouvido: Teme a Deus, e guarda os seus mandamentos; porque isto é todo o dever do homem. 14 Porque Deus há de trazer a juízo toda obra, e até tudo o que está encoberto, quer seja bom, quer seja mau” (Eclesiastes 12:13-14) Se a lei era apenas para os povos judeus, então quer dizer que os outros povos da antiguidade, que não são israelitas, podiam adulterar, matar, roubar já que a lei que proíbe essas coisas é apenas para o povo israelita. E também que o julgamento divino é apenas para o povo israelita. “9 reconhecendo que a lei não é feita para o justo, mas para os transgressores e insubordinados, os irreverentes e pecadores, os ímpios e profanos, para os parricidas, matricidas e homicidas, 10 para os devassos, os sodomitas, os roubadores de homens, os mentirosos, os perjuros, e para tudo que for contrário à sã doutrina,” (1 Timóteo 1:9-10) O texto de 1 Timóteo 1:9-10 deixa claro que Deus não promulga lei para quem é justo, mas sim para os injustos ou pecadores, e se a lei só foi dada para ser reverenciado apenas por Israelitas então quer dizer que os outros povos da terra eram todos justos diante de Deus mesmo adorando as imagens de escultura, mesmo sendo um perseguidor do povo de Deus como é no caso dos filisteus, ou mesmo que eles blasfemaram contra Deus. (ver a história de Nínive no livro de Jonas). 7) Aquém diz que a lei foi abolida na cruz. E que Deus substituiu a lei pela graça. Será verdade isso? “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus; 9 não vem das obras, para que ninguém se glorie.” (Efésios 2:8-9) “concluímos pois que o homem é justificado pela fé sem as obras da lei.” (Romanos 3:28) A Graça nos foi dada antes dos tempos eternos (Tito 1:1-2 / 2 Timóteo 1:9), trazendo salvação a todos os homens (Tito 2:11). Não existe um período chamado de o período da lei e o período da graça. Desde que o homem pecou a Graça sempre foi o meio escolhido por Deus para salvar o homem.
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    20 “1 Paulo, servo deDeus, e apóstolo de Jesus Cristo, segundo a fé dos eleitos de Deus, e o pleno conhecimento da verdade que é segundo a piedade, 2 na esperança da vida eterna, a qual Deus, que não pode mentir, prometeu antes dos tempos eternos,” (Tito 1:1-2) “que nos salvou, e chamou com uma santa vocação, não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e a graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos eternos,” (2 Timóteo 1:9) “11 Porque a graça de Deus se manifestou, trazendo salvação a todos os homens, 12 ensinando- nos, para que, renunciando à impiedade e às paixões mundanas, vivamos no presente mundo sóbria, e justa, e piamente,” (Tito 2:11:12) “Portanto, assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação e vida.” (Romanos 5:18) A salvação pela graça antes da cruz pode ser confirmada nas seguintes passagens Bíblicas: “Noé, porém, achou graça aos olhos do Senhor.” (Géneses 6:8) “E creu Abrão no Senhor, e o Senhor imputou-lhe isto como justiça.” (Géneses 15:6) “Volta-te, Senhor, livra a minha alma; salva-me por tua misericórdia.” (Salmos 6:4) (cap. 13:5; 86:15; 84:11) “2 Porque, se Abraão foi justificado pelas obras, tem de que se gloriar, mas não diante de Deus. 3 Pois, que diz a Escritura? Creu Abraão a Deus, e isso lhe foi imputado como justiça.” (Romanos 4:2-3) “assim também Davi declara bem-aventurado o homem a quem Deus atribui a justiça sem as obras, dizendo:” (Romanos 4:6) (Veja: Hebreus 11) Se a graça não existia antes da cruz, logo os pecadores que viviam antes de Cristo não se salvaram, pois, a bíblia nos diz que não há nenhum justo sobre a face da terra (Eclesiastes 7:20; Romanos 3:10), porque todos pecaram (Romanos 5:12). A proclamação de que alguém é salvo pelos seus próprios méritos e esforços por ter guardado a lei, isto seria um insulto a Jesus e uma ofensa ao Seu sacrifício.
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    21 8) Se nemno Novo e nem no Velho Testamento as pessoas eram salvas pelas obras da lei, então qual é o propósito da lei? Como já tínhamos visto na pergunta anterior, a graça sempre foi o meio pelo qual o homem é salvo (Tito 2:11), e a graça de Deus não nos dá nenhuma liberdade para pecar (Tito 2:12). “11 Porque a graça de Deus se manifestou, trazendo salvação a todos os homens, 12 ensinando- nos, para que, renunciando à impiedade e às paixões mundanas, vivamos no presente mundo sóbria, e justa, e piamente,” (Tito 2:11:12) Então para que serve a lei? O livro de Gálatas 3:19 nos responde: “Logo, para que é a lei? Foi acrescentada por causa das transgressões, até que viesse o descendente a quem a promessa tinha sido feita; e foi ordenada por meio de anjos, pela mão de um mediador.” (Gálatas 3:19) O livro de Romanos nos esclarece sobre o assunto: “porquanto pelas obras da lei nenhum homem será justificado diante dele; pois o que vem pela lei é o pleno conhecimento do pecado.” (Romanos 3:20) “7 Que diremos pois? É a lei pecado? De modo nenhum. Contudo, eu não conheci o pecado senão pela lei; porque eu não conheceria a concupiscência, se a lei não dissesse: Não cobiçarás. 8 Mas o pecado, tomando ocasião, pelo mandamento operou em mim toda espécie de concupiscência; porquanto onde não há lei está morto o pecado. 9 E outrora eu vivia sem a lei; mas assim que veio o mandamento, reviveu o pecado, e eu morri;” (Romanos 7:7-9) “Porque a lei opera a ira; mas onde não há lei também não há transgressão.” (Romanos 4:15) Aqui podemos notar que o objetivo da Lei, é de definir o que é o pecado – já que a graça foi dada para nos salvar do pecado e também o renunciar. A lei veio para nos definir o que é esse pecado. E ao definir esse pecado passamos a saber que somos culpados e condenados perante Deus, segundo exemplo da experiência do apóstolo Paulo em Romanos 7:9 (veja o verso acima). Tendo em vista ajudar as pessoas a verem sua verdadeira condição, a lei funciona como uma espécie de espelho (Tia. 1:23-25). Aqueles que “olham” a seu próprio caráter defeituoso em contraste com a justiça do caráter de Deus, compreendem que a lei revela que todas as pessoas são culpadas diante de Deus (Rom. 3:19), e que todas são plenamente responsáveis perante Ele.
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    22 Depois de vero nosso verdadeiro caráter, compreendemos que somos pecadores, que estamos condenados à morte e sem esperança, sentimos a necessidade de um Salvador. Neste ponto, as boas novas do evangelho tornam-se cheias de significado. E uma vez sentindo culpado e condenado devido aos nossos pecados, a lei cumpre um outro propósito em nossas vidas – nos conduzir até o cristo. Ela nos indica a Cristo como o único que nos pode ajudar a escapar de nossa desesperada condição. “24 De modo que a lei se tornou nosso aio, para nos conduzir a Cristo, a fim de que pela fé fôssemos justificados.” (Gálatas 3:24) “Pois Cristo é o fim da lei para justificar a todo aquele que crê.” (Romanos 10:4) Ao revelar a nossa condição pecaminosa e sentido a nossa culpa e condenação perante Deus, a mesma lei vai nos servir de aio para nos conduzir até o Cristo que é a nossa graça a fim de podermos ser lavado e purificado dos nossos pecados (1 João 1:9). Obs.: No texto de Romanos 10:4 a “fim” vem do termo grego “Telos” que pode significar “objetivo”, “alvo” ou “meta”. Esta é a mesma que aparece em 1 Pedro 1:9: “Obtendo o fim (Telos) da vossa fé: a salvação da vossa alma”. Portanto, a tradução correta de Romanos 10:4 é: “Porque o “alvo / objetivo” da Lei é Cristo, para justiça de todo aquele que crê”. Daí podemos notar que depois de nos definir o que é pecado, a lei desempenha um outro papel que é levar pecadores até o Cristo. E uma vez chegando até Cristo e ao sermos perdoados e lavados de todos os nossos pecados por meio do baptismo (Tito 3:5; João 3:5), Cristo nos convida a demostrar o nosso amor para com ele através da guarda da sua lei, ou seja, Deus preparou as obras da lei para que andássemos nele, já que nós não somos salvos para desobedecer, mas sim para obedecer, pois a sua graça não nos dá liberdade para continuar vivendo no pecado, mas sim renuncia-lo (Tito 2:12). “Se me amardes, guardareis os meus mandamentos.” (João 14:15) “2 Nisto conhecemos que amamos os filhos de Deus, se amamos a Deus e guardamos os seus mandamentos. 3 Porque este é o amor de Deus, que guardemos os seus mandamentos; e os seus mandamentos não são penosos;” (1 João 5:2-3) “Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus antes preparou para que andássemos nelas.” (Efésios 2:10) (veja também: 1 Tessalonicenses 4:1-7) “Entretanto aquele que atenta bem para a lei perfeita, a da liberdade, e nela persevera, não sendo ouvinte esquecido, mas executor da obra, este será bem-aventurado no que fizer” (Tiago 1:25)
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    23 Obs.: os versoscitados acima, são todos do novo testamento, confirmando assim que mesmo no novo testamento podemos encontrar citações que nos manda guardar a lei, apesar de sermos salvos pela graça. É através da guarda da sua lei é que passamos a demostrar a nossa aceitação do sacrifício expiatório de Cristo ao nosso favor. Se a nossa fé exclui a guarda da lei, somos considerados mentirosos e essa fé é comparada como a fé dos demónios: “17 Assim também a fé, se não tiver obras, é morta em si mesma. 18 Mas dirá alguém: Tu tens fé, e eu tenho obras; mostra-me a tua fé sem as obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras.” (Tiago 2:17-18) “Vedes então que é pelas obras que o homem é justificado, e não somente pela fé.” (Tiago 2:24) “3 E nisto sabemos que o conhecemos; se guardamos os seus mandamentos. 4 Aquele que diz: Eu o conheço, e não guarda os seus mandamentos, é mentiroso, e nele não está a verdade;” (1 João 2:3-4) “Crês tu que Deus é um só? Fazes bem; os demônios também o crêem, e estremecem.” (Tiago 2:19) Para além dos objetivos da lei mencionados acima, a lei de Deus também possui outros objetivos, tais como: Revela a Vontade de Deus Para a Humanidade. Na qualidade de expressão do caráter e do amor de Deus, os Dez Mandamentos revelam Sua vontade e propósito para a humanidade. Demandam obediência perfeita. “10 Pois qualquer que guardar toda a lei, mas tropeçar em um só ponto, tem-se tornado culpado de todos. 11 Porque o mesmo que disse: Não matarás. Ora, se não cometes adultério, mas és homicida, te hás tornado transgressor da lei.” (Tiago 2:10-11) Obediência à lei, sendo esta é a regra de vida, e é vital para nossa salvação. O próprio Cristo explicou por quê: “Se queres, porém, entrar na vida, guarda os mandamentos” (Mat. 19:17). Essa obediência somente é possível por intermédio do poder que o Espírito Santo, habitando no íntimo do ser, torna disponível (Ezequiel 36:26-37). É a Base do Concerto Divino. Moisés escreveu os Dez Mandamentos, junto com outras leis explanatórias, num livro chamado “livro do concerto” – ou da “aliança” (Êxo. 20:1 a 24:8). Mais tarde, ele identificou os Dez Mandamentos como “as tábuas do concerto”, indicando sua importância como base do concerto eterno (Deut. 9:9; 4:13).
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    24 Funciona Como Padrãode Julgamento. Tal como Deus, Seus “mandamentos são justiça” (Sal. 119:172). Portanto, a lei estabelece o padrão de justiça. Cada um de nós será julgado por esses retos princípios, e não por nossa consciência. Dizem as Escrituras: “Teme a Deus e guarda os Seus mandamentos... porque Deus há de trazer a juízo todas as obras, até as que estão escondidas, quer sejam boas, quer sejam más” (Eclesiastes 12:13-14) (ver Tiago 2:12). Provê Genuína Liberdade. Quando transgredimos a lei de Deus, não nos achamos em liberdade; a obediência aos Mandamentos, isto sim, nos assegura verdadeira liberdade. Cristo disse que: “todo o que comete pecado é escravo do pecado” (João 8:34) Viver dentro dos limites estabelecidos pela lei de Deus significa liberdade do pecado. Significa também liberdade diante daquilo que acompanha o pecado – contínuo aborrecimento, consciência ferida, crescente culpa e remorso, que minam as forças vitais de nossa vida. Disse o salmista: “Andarei em verdadeira liberdade, pois tenho buscado os Teus preceitos” (Salmos 110:45) Tiago referiu-se ao a lei como a “lei perfeita, lei da liberdade” (Tia. 2:8; 1:25). 9) Porque é tão confusa essa questão da justificação pela fé? Somos salvos pela fé, sem as obras da lei. E Tiago ensina que a fé sem obras é morta. Se a fé sem obra é morta, logo isto não quer dizer que também preciso das minhas obras para ser salvos? Será que o apóstolo Paulo e Tiago não estão em contradição? Não há nada de confusão em tudo isto. Salvo da condenação da lei não significa salvos para não guardar a lei. Vamos entender isso com base em um exemplo prático do dia-a-dia. A medida que vamos perceber o exemplo, será citada alguns textos bíblicos que nos ajudarão a fazer uma harmonia com a doutrina da justificação pela fé e as obras da lei dentro desse contexto doutrinário. Veja só: imagine uma pessoa qualquer, e um dia essa pessoa cometeu um delito, só que ele não sabia que aquele ato era uma violação dos princípios daquele país em que se encontrava, e que aquele delito é severamente punido com a pena de morte, segundo a lei daquele país [Romanos 5:12; Romanos 6:23]. Mas após ser preso pela polícia, ele passou a saber que a lei daquele país considerava aquele ato como uma violação dos princípios morais e que agora, ele estava condenado a morte [Romanos 7:9].
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    25 Podemos questionar: seráque aquele criminoso podia ser salvo/justificado pelas suas obras? A resposta é óbvia que NÃO, pois foi exatamente a sua obra que lhe condenou à morte, e por isso ele não podia fazer nada que lhe pudesse salvar da condenação da morte [Romanos 7:24]. Mas só que apareceu um advogado chamado Cristo que resolveu pagar a penalidade daquele criminoso a fim de que ele pudesse obter uma segunda chance. No tribunal o advogado perguntou o preço a pagar pela liberdade daquele criminoso, e o juiz [Satanás] lhe diz: “quero toda a sua lágrima, toda a sua dor e todo o seu sangue”, e o advogado aceitou e pagou o preço com o seu próprio sangue por amor para com aquele criminoso [Atos 20:28 / Mateus 20:28 / Gálatas 3:13]. Após ser pago o preço do delito, esse criminoso foi justificado do seu crime e foi liberado da prisão [Romanos 8:1]. Pois o cadastro do seu advogado [Cristo] que era limpo foi transferido para o criminoso, e o cadastro deste que era sujo foi transferido para o seu advogado e por isso o advogado carregou a sua culpa e teve que morrer no seu lugar [1 Coríntios 15:3]. Após ser liberto essa pessoa possui duas opções:  Voltar a sua velha vida, e cometer o mesmo delito pelo qual tinha sido preso – se essa pessoa voltar a cometer os mesmos crimes ele irá ser preso novamente, pois o advogado ao pagar o preço da sua liberdade, ele foi liberto da condenação e da morte imposta sobre ele devido a violação da lei, mas isto não significa o pagamento daquele delito, inclui viver uma vida em desarmonia com os princípios morais pelo qual tinha sido preso. O advogado pagou a preço para a sua liberdade e não para a sua libertinagem. E se ele diz que ele aceitou o preço pago pelo seu advogado ele será considerado de mentiroso pois ele não tem estado a demostrar isso na prática [1 João 2:4] e nem aceitou a segunda chance concedida pelo seu advogado, pois voltou a cometer os mesmos atos [2 Pedro 2:20-22].  Viver uma nova vida de uma forma honesta sem ter que cometer os mesmos crimes que levou a sua condenação, ou seja, ele vai ter que viver uma vida de conformidade com a lei daquele país - se essa pessoa passou a viver uma vida de acordo com os princípios morais daquele país, ele irá demostrar que aceitou a segunda chance concedida pelo seu advogado, ou seja, através das suas obras, ele irá demostrar que aceitou o sacrifício feito pelo seu advogado ao seu favor [2 Coríntios 5:17 / Colossenses 3:9-10 / Tiago 2:18, 24, 26].
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    26 10) Porque apegartanto na lei do antigo testamento se Jesus substituiu-o por um novo mandamento? “37 Respondeu-lhe Jesus: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento. 38 Este é o grande e primeiro mandamento. 39 E o segundo, semelhante a este, é: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. 40 Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas.” (Mateus 22:37-40) “O meu mandamento é este: Que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei” (João 15:12) “34 Um novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei a vós, que também vós vos ameis uns aos outros. 35 Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros.” (João 13:34-35) “Ora, o seu mandamento é este, que creiamos no nome de seu Filho Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, como ele nos ordenou.” (1 João 3:23) “1 Irmãos, se um homem chegar a ser surpreendido em algum delito, vós que sois espirituais corrigi o tal com espírito de mansidão; e olha por ti mesmo, para que também tu não sejas tentado. 2 Levai as cargas uns dos outros, e assim cumprireis a lei de Cristo.” (Gálatas 6:1-2) A lei de cristo se resume em “amar a Deus sobre todas as coisas e amarás o teu próximo como a ti mesmo”. Muitos acreditam que esses preceitos se originaram no Novo Testamento, mas isto ocorre pelo desconhecimento do texto de Levítico 19:18 e Deuteronômio 6:5 onde nos mostra que essas leis também são de Deus Pai que já existia muito tempo antes da vinda de Cristo. “Não te vingarás nem guardarás ira contra os filhos do teu povo; mas amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o Senhor” (Levítico 19:18) “Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todas as tuas forças.” (Deuteronômio 6:5) “5 E agora, senhora, rogo-te, não como te escrevendo um novo mandamento, mas aquele mesmo que desde o princípio tivemos: que nos amemos uns aos outros. 6 E o amor é este: que andemos segundo os seus mandamentos. Este é o mandamento, como já desde o princípio ouvistes, para que nele andeis.” (2 João 1:5-6) Jesus não afirmou que este preceito era “novo” no sentido de “inédito” ou “recém- estabelecido”, mas que era novo por aqueles que ouviram naquela ocasião, pois eles desconheciam o mandamento anunciado.
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    27 No idioma grego,a palavra "novo", pode ser escrita de duas formas: "neos" (quando algo é novo no sentido de: tempo recente; jovem; recém originado; que surgiu a pouco tempo), e "kainos" (quando algo é novo no sentido de: antes desconhecido; incomum; anteriormente ignorado; recém revelado). E João 13:34 utiliza a palavra "kainos", identificando que o mandamento já existia, porém, era desconhecido para os ouvintes de Jesus. Os dois mandamentos que retêm os princípios bases de toda a lei: amor a Deus, e amor ao próximo. Resumo da Lei: “Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas.” (Mateus 22:37-40) Em Mateus 22:40 Jesus nos diz: “Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas”. A palavra “depender” significa “estar sujeito a”, “o que precisa de”, “sustentado por”, “o que surge/deriva/resulta de”, “o que pertence a” ou “o que faz parte de”. Em nenhum momento Jesus nos diz que a lei do amor substituiu o decálogo ou a Torah, mas sim que o amor depende de toda a lei. A palavra “depender” em momento nenhum nos traz a mente a ideia de substituir ou abolir. “Pois toda a lei se cumpre numa só palavra, a saber: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo.” (Gálatas 5:14) (Veja também: Tiago 2:8; Mateus 19:19; Lucas 10:25-27) “8 A ninguém devais coisa alguma, senão o amor recíproco; pois quem ama ao próximo tem cumprido a lei. 9 Com efeito: Não adulterarás; não matarás; não furtarás; não cobiçarás; e se há algum outro mandamento, tudo nesta palavra se resume: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. 10 O amor não faz mal ao próximo. De modo que o amor é o cumprimento da lei.” (Romanos 13:8-10) O apóstolo Paulo também nos deixou bem claro que o amor é um RESUMO de TODA a LEI, de acordo com Gálatas 5:14. Essa palavra “resumir” significa “sintetizar”, ou seja, “condensar em poucas palavras”. (por exemplo: o texto de Géneses capítulo 1 possui 31 versículos. Imagine se eu te disser: resume estes 31 versos em 1 verso de 3 (três) palavras. Isto se resumia assim: “criação do mundo”). No livro de Romanos 13:8-10 também podemos confirmar claramente que este resumo da lei também se aplica ao decálogo. Ali diz que “quem ama ao próximo tem cumprido a lei”, e que “o amor é o cumprimento da lei”. E no verso 9 foi citado alguns mandamentos do decálogo e foi dito que tudo se resume “Amarás ao teu próximo como a ti mesmo”. Dizer que o amor exclui o decálogo ou a própria torah é o mesmo que oferecer a um irmão 2 a 10 facadas ou tiros na cabeça e ao mesmo tempo dizer que o amamo-lo. É o mesmo que trair a esposa ou
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    28 esposo e aomesmo tempo dizer que amamo-la (lo). A lei do amor sem a lei moral de Deus, torna- se uma verdadeira piada. Para nos mostrar, que os 10 Mandamentos não são tão pesados como muitos pensam ser, Jesus e Paulo nos diz que tudo isso se resume em amor a Deus e pelos outros. Eles compreendiam que havia uma relação entre a guarda dos Mandamentos e o amor. Embora não estejamos habituados a falar de “regras” de amor, poder-se-ia dizer, num sentido real, que os Dez Mandamentos são essas regras. Ela mostra-nos a forma como Deus deseja que expressemos o nosso amor por Ele e pelos outros. (ALMIR JR. As Leis Da Bíblia: 8. Quando Cristo disse: "novo mandamento vos dou", significa que ele aboliu os mandamentos antigos? Explorando a Bíblia. Disponível em: http://www.explorandoabiblia.com.br/as-leis-da-biblia reacessado em 29/12/20) 11) Em Mateus 5:18 foi dito que nada seria abolido enquanto tudo não foi cumprido na lei, e Jesus já cumpriu a lei, e uma vez que a lei já foi cumprida, nós não devemos mais guardar a lei, inclusive todos os 613 mandamentos que encontramos no torah. E que a lei que os cristãos devem observar são apenas aqueles que foram revalidados por Apóstolo nos seus escritos do novo testamento. Será verdade isso? “17 Não penseis que vim destruir a lei ou os profetas; não vim destruir, mas cumprir. 18 Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, de modo nenhum passará da lei um só i ou um só til, até que tudo seja cumprido.” (Mateus 5:17-18) Obs.: Existem outros textos bíblicos que confirmam a abolição da lei do velho testamento, tais como: Lucas 16:16; Efésios 2:15; Colossenses 2:14; Romanos 10:4; Romanos 6:14; Romanos 7:4 e 6; Romanos 8:1-2; Gálatas 3:19; Gálatas 3:19 Vamos responder essa pergunta com base num seguinte exemplo: “o PREGADOR vai a IGREJA, pregar o EVANGELHO, que fala de JESUS, que morreu na cruz e nos deu a sua GRAÇA, para nos salvar do PECADO que é a transgressão da LEI” Muitas pessoas afirmam que a lei foi abolida, então vejamos o mesmo exemplo sem a palavra “LEI” na frase: “o PREGADOR vai a IGREJA, pregar o EVANGELHO, que fala de JESUS, que morreu na cruz e nos deu a sua GRAÇA, para nos salvar do PECADO”
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    29 De acordo como que foi mostrado na primeira frase, o pecado é a transgressão da lei, portanto, se não tem a lei, não pode existir o pecado. Como também podemos confirmar claramente em alguns textos bíblicos. “Porque a lei opera a ira; mas onde não há lei também não há transgressão” (Romanos 4:15) “7 Que diremos pois? É a lei pecado? De modo nenhum. Contudo, eu não conheci o pecado senão pela lei; porque eu não conheceria a concupiscência, se a lei não dissesse: Não cobiçarás. 8 Mas o pecado, tomando ocasião, pelo mandamento operou em mim toda espécie de concupiscência; porquanto onde não há lei está morto o pecado” (Romanos 7:7-8) “Porque antes da lei já estava o pecado no mundo, mas onde não há lei o pecado não é levado em conta.” (Romanos 5:13) “Todo aquele que vive habitualmente no pecado também vive na rebeldia, pois o pecado é rebeldia.” (1 João 3:4) Ora se a lei foi abolida, então isto quer dizer que já não existe mais o pecado, e se não existe o pecado, para quê que iriamos precisar da graça? Para nos salvar do quê? A Graça nos foi dado em Cristo Jesus para nos salvar do pecado (Efésios 2:8-9) que é a transgressão da lei (Romanos 4:15; 7:7-8), e se a lei foi abolida, isto quer dizer que já não existe mais o pecado, pois “onde não há lei o pecado não é levado em conta” (Romanos 5:13), e se o pecado já não existe, a própria Graça de Cristo se torna nula, ou seja, sem qualquer valor, com isto também anularia a própria morte de Cristo na cruz. E se Jesus morreu em vão, não haveria necessidade do evangelho, nem da igreja e nem do seu pregador.  Concorda-se plenamente com a explicação dada acima, mas ao dizer que a lei foi abolida, isto não quer dizer que os cristãos já não possuem leis que regulam a sua conduta perante Deus, mas sim que todos os 613 mandamentos que existia na torah foram abolidas na cruz, e que são apenas os mandamentos que foram revalidadas por Deus no novo testamento é que devem servir de guia para os cristãos. A bíblia foi dividida em duas partes: Velho e Novo Testamento. Mas só que esta classificação não é correta, e tem causado muita confusão no meio cristão. Muitos entendem que quando estamos a falar do novo testamento estamos simplesmente a referir os livros escritos depois de Cristo, e que quando estamos a falar do «velho testamento» que estamos a falar dos livros escritos antes de cristo.
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    30 Muitos confundem otermo “velho testamento” e “novo testamento” com o termo “Escrituras”, ao ler o texto de 2 Coríntios 3:14 onde fala sobre a abolição do velho concerto, muitos acreditam que isto se refere aos livros escritos antes de Cristo. Elas questionam dizendo que agora devemos basear a nossa fé apenas nos livros depois de Cristo (fundamentos dos apóstolos), e tentam insinuar que nós não devemos guardar o sábado pois não existe uma ordem direta sobre a sua guarda no novo testamento. Mas essa alegação de que a nossa base de fé se baseia apenas nos ensinamentos dos apóstolos contradiz completamente as palavras do apóstolo Paulo em livro de Efésios 2:20 na qual nos diz que para além do fundamento dos apóstolos, também possuímos o fundamento dos profetas. “edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, sendo o próprio Cristo Jesus a principal pedra da esquina;” (Efésios 2:20) (ver Romanos 11:16-24 / 2 Pedro 3:2) Ao afirmar que já não precisamos observar a torah, mas sim apenas as leis que foram mencionados por apóstolo, caímos numa contradição direta com o que foi dito pelo apóstolo Paulo. E com isso podemos concluir também que os livros dos profetas não são “velho testamento” pois se esses livros são velho testamento, então por que o fundamento dos profetas se o velho testamento foi abolido de acordo com 2 Coríntios 3:14? Em João 10:35 nos diz que as Escrituras não podem ser anuladas, logo o livro de Êxodo, Salmos, Isaías, Ezequiel, Daniel, etc., são Escrituras e não Velho Testamento na qual foi dito que foi abolido (2 Coríntios 3:14). “Se a lei chamou deuses àqueles a quem a palavra de Deus foi dirigida (e a Escritura não pode ser anulada),” (João 10:35) Quando Jesus pronunciou essas palavras em João, o cânon dos livros escritos depois Dele nem sequer existia, confirmando assim que quando Jesus referiu que as escrituras não podem ser anuladas, ele estava a mencionar os livros escritos antes dele. O certo deveria ser Escritura Antes de Cristo e Escritura Depois de Cristo. Mas, no sentido bíblico original, “velho testamento” é o acordo foi feito entre Deus e o seu povo o Monte Sinai (Jeremias 11:2-5; Êxodo 19) e o novo testamento foi feito com o homem desde o Éden e renovado a Abrão (Géneses 3:15; Géneses 12:1-3). Nos livros antes de Cristo contém várias normas de conduta essenciais à vida cristã que não estão presentes nos livros depois de Cristo e nem por isso deixaram de ser observados, veja agora algumas dessas regras que não encontramos nas escrituras depois de Cristo:
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    31  Casar comirmã, tia, nora, sogra, madrasta, mãe - Levítico 18:6-24;  Marcas no corpo - Levítico 19:28;  Vestir roupas do sexo oposto - Deuteronômio 22:5;  Consultar os mortos - Deuteronômio 18:10-12; Mesmo não havendo essas regras nas escrituras d.C. isso jamais foi justificativa para negligencia-las. O Novo Testamento não foi idealizado para ser uma cópia exata do Velho Testamento, mas, uma extensão de seus ensinos. Quando Jesus declarou: "Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de Mim" (João 5:39), Ele referia-se ao Velho Testamento, pois o início da redação do Novo Testamento ocorreu 31 anos após a Sua ascensão ao Céu, sendo concluída 66 anos depois. Os primeiros cristãos, que eram judeus, tinham como fonte de aprendizado o Antigo Testamento e os ensinos transmitidos diretamente por Cristo. Vamos fazer uma análise geral de todos esses versos bíblicos citados pela pergunta nº11, como as supostas provas para tentar provar que a lei foi abolida.  Mateus 5:18; Vejamos o que diz o texto de Mateus 5:17-18: “17 Não penseis que vim destruir a lei ou os profetas; não vim destruir, mas cumprir. 18 Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, de modo nenhum passará da lei um só i ou um só til, até que tudo seja cumprido.” (Mateus 5:17-18) Muitos por incrível que pareça usam este texto de Mateus 5:17-18 diz claramente que Jesus não veio para abolir a lei, para tentar provar que jesus aboliu a lei. Eles se baseiam neste verso e tentam argumentar o seguinte: “Em Mateus 5:18 foi dito que nada seria abolido enquanto tudo não foi cumprido na lei, e Jesus já cumpriu a lei, e uma vez que ele já cumpriu a lei, nós não devemos mais guardar a lei, porque ele já o fez por nós. Devemos observar apenas os mandamentos que foram revalidados depois da morte de Cristo, pelos apóstolos no novo testamento”. Se a palavra “cumprir” nesses dois versos significa “abolir”, então seria muito estranho ao Jesus dizer: “não vim para abolir, mas abolir” A palavra “cumprir” utilizada nos versos, deriva do verbo grego "pleroo" e possui o sentido de: Satisfazer; completar; exercer completamente; preencher ao máximo; Se Jesus veio cumprir a lei (e o termo “cumprir” a lei significa completar ou encher), é óbvio que ela não foi abolida, pois qual é o objetivo de completar ou dar um verdadeiro sentido
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    32 de uma coisaabolida? Se Jesus veio dar o verdadeiro sentido da lei, é óbvio que ela continua em vigor. E ao analisar o próprio contexto de Mateus cap. 5 podemos constatar que Cristo estava a ampliar o verdadeiro sentido da lei. Por exemplo:  No verso 21-22, ao falar sobre o assassinato, ele falou que este ato já é praticado na mente, quando você alimenta o ódio no coração;  No verso 27-28, ao falar sobre o adultério, Cristo nos diz que esse pecado já é praticado na mente das pessoas quando se alimento dos pensamentos impuros.  No verso 31-32, ao falar sobre o divórcio, Ele amplia a compreensão sobre este tema;  No verso 34-44, ao falar sobre o ato de juramento, e sobre amar aos inimigos, ele também faz a mesma coisa – ampliar a sua compreensão; Obs.: a parte da lei que possuía um aspecto cerimonial, encontrou a sua realidade em Cristo, ou seja, a função desta lei também foi ampliada e transferida para Cristo. Cristo era prefigurado em todo aquele ritual de sacrifícios de animais e mediação sacerdotal que era realizado no antigo Israel, pois todos esses rituais eram uma “parábola para o tempo presente” (Heb. 9:9). Mas os aspectos morais da lei foram ampliados por Jesus, e não abolida. Esse sofisma pode ser facilmente desmascarado quando compararmos o texto de Mateus 5 com um outro texto paralelo que traz a mesma ideia com este verso. “Jesus, porém, lhe respondeu: Consente agora; porque assim nos convém cumprir toda a justiça. Então ele consentiu” (Mateus 3:15) Se só pelo fato de Jesus ter dito que já cumpriu a lei, que isto já é uma razão para repudiarmos a lei, então o mesmo deve acontecer com o ritual batismal, pois Jesus também nos diz que cumpriu essa justiça. Então será que já não devemos nos batizar uma vez que Jesus já cumpriu essa justiça por nós? É certo que nenhum evangélico vai deixar de ser batizado ou ensinar os outros a fazer o mesmo apesar das palavras de Cristo. Então por que aceitar um e desprezar o outro sabendo que Jesus nos diz que já cumpriu os dois (guardar a lei e ser batizado)? Apesar de Jesus cumpriu o ato batismal, Ele também mandou os seus discípulos a batizar todos os que um dia aceitavam a Jesus como seu salvador pessoal (Mat. 28:19-20; At. 2:41). A mesma coisa também aconteceu em relação a lei. No verso 19 Jesus também mandou os seus seguidores a guardar todos os mandamentos da lei.
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    33 “Qualquer, pois, queviolar um destes mandamentos, por menor que seja, e assim ensinar aos homens, será chamado o menor no reino dos céus; aquele, porém, que os cumprir e ensinar será chamado grande no reino dos céus.” (Mateus 5:19) Apesar de Jesus ter cumprido/obedecido toda a lei, mas em nenhum momento ele ensinou que não devemos guardar toda a lei. E no verso 19 ele também afirma que nós enquanto seu seguidor devemos fazer o mesmo. E será que as suas palavras no verso 19 não se aplicam para nós de hoje? “Devemos observar apenas os mandamentos que foram revalidados depois da morte de Cristo, pelos apóstolos no novo testamento” (evangélicos). Existem alguns preceitos da lei que são aceitos normalmente no mundo religioso apesar de não encontramos nem um único texto do novo testamento que revalida esses mandamentos. Veja alguns exemplos:  Casar com irmã, tia, nora, sogra, madrasta, mãe - Levítico 18:6-24;  Marcas no corpo - Levítico 19:28;  Vestir roupas do sexo oposto - Deuteronômio 22:5;  Consultar os mortos - Deuteronômio 18:10-12; Se não devemos mais observar as leis do antigo testamento porque Jesus já cumpriu a lei por nós, então porque observar esses preceitos indicados acima, mesmo sem ter um único texto do novo testamento que revalida esses preceitos para o novo testamento? Na verdade, este sofisma só é utilizado para se livrar de um só mandamento – o sábado do 4º mandamento. Esse sofisma também é desmascarado com base na própria afirmação dos ant-sabatistas. Eles dizem: “Jesus já cumpriu a lei por nós”, mas também, elas mesmas dizem: “Jesus transgrediu o sábado”, e com isso surge uma pergunta: se Jesus cumpriu TODA a LEI (isto é, inclui o 4º mandamento), então como pode ser transgressor do sábado? Se ele transgrediu o sábado obviamente que ele não cumpriu o 4º mandamento, ou seja, podemos dizer que ele não cumpriu a lei, pois quem tropeça em um só ponto se torna culpado de todos (Tiago 2:10). Se jesus estaria a dizer aos seus seguidores que não é mais preciso guardar a lei quando ele cumpriu tudo o que foi dito na lei em Mateus 5:18, então os seus discípulos e todos os que o ouviram no seu sermão da montanha deveria a ser os primeiros a entender isso de que não é mais preciso guardar a lei depois de tudo ser cumprido. E se é exatamente isto que Cristo queria dizer, então porque os discípulos guardavam o sábado depois da sua morte segundo evangelista Lucas? Por que Jesus alertou quanto a sua observância em meio a um acontecimento futuro, ainda mais sobre condições extremamente severas? Por que os cristãos deveriam orar para que
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    34 a fuga nãoocorresse no sábado? Por que o apóstolo Pedro negou comer os animais inundo na visão a respeito dos animais imundo enrolado em um lençol? “53 e tirando-o da cruz, envolveu-o num pano de linho, e pô-lo num sepulcro escavado em rocha, onde ninguém ainda havia sido posto. 54 Era o dia da preparação, e ia começar o sábado. 55 E as mulheres que tinham vindo com ele da Galiléia, seguindo a José, viram o sepulcro, e como o corpo foi ali depositado. 56 Então voltaram e prepararam especiarias e unguentos. E no sábado repousaram, conforme o mandamento.” (Lucas 23:53-56) “Orai para que a vossa fuga não se dê no inverno, nem no sábado.” (Mateus 24:20) “12 No qual havia de todos os animais quadrúpedes e répteis da terra, e aves do céu. 13 E foi-lhe dirigida uma voz: Levanta-te, Pedro, mata e come. 14 Mas Pedro disse: De modo nenhum, Senhor, porque nunca comi coisa alguma comum e imunda.” (Atos 13:13-14) Se toda a lei já foi cumprida por Cristo e se isto significa que não devemos mais guardar a lei, então Cristo antecipa que duas coisas existentes após Sua partida: a) o inverno com suas dificuldades para fugir para os montes nessa estação por causa do frio; b) a observância do sábado por Seus seguidores. Muitos pensam que cristo está a falar daqueles que viviam no meio urbano, mas no verso 16-18 nos mostra que Cristo não falou para os que estavam na cidade, mas sim dos que estavam na Judeia e no campo. E mesmo aos sábados havia portas menores ao lado de portas maiores que ficava aberta permitindo assim apenas a circulação de pessoas sem as mercadorias. O próprio Cristo, Seus discípulos e até mesmo os fariseus estavam no campo num sábado (Mateus 12:1-2). (QUADROS, Leandro. De acordo com Mateus 5:17, Jesus veio completar, ampliar o sentido da lei de Deus? Na Mira da Verdade. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=4sXP-egnyKI reacessado em: 29/12/20)  Lucas 16:16; “A lei e os profetas vigoraram até João; desde então é anunciado o evangelho do reino de Deus, e todo homem forceja por entrar nele.” (Lucas 16:16) Em primeiro lugar para uma boa compreensão deste texto, é necessário saber que as palavras “duraram”, “vigoraram” ou “existiram”, que aparecem em algumas versões da Bíblia não se encontram no texto original escrita em linguagem grega. Um destes sinónimos foi acrescentado pelo tradutor ao traduzir a Bíblia para dar sentido a frase, ou seja, foi introduzido como um acréscimo para complementar o sentido da frase, pois a frase parecia sem sentido. Nota-se que em algumas traduções como a tradução de Almeida Revista e Corrigida, a palavra "duraram" aparece em itálico, como prova de que não se encontra no original grego.
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    35 Mas a traduçãoNVI (Nova Versão Internacional), não resolveu colocar essas palavras na sua tradução, e resolveu procurar um outro texto paralelo que lhes mostra qual seria a palavra que dão o verdadeiro sentido a frase, e a passagem paralela é de Mateus 11:13 que deve ser colocada ao lado desta, porque diz a mesma coisa, mas com muito mais clareza: “Pois todos os profetas e a lei profetizaram até João” (Mateus 11:13) O livro de Mateus nos esclarece que Lucas jamais pretendeu declarar que a lei e os profetas terminaram nos dias de João, mas simplesmente afirma que eles profetizaram até aquele tempo a respeito de Cristo. Mesmo depois de João continuou a existir tanto a lei e como os profetas.  Lei – Efésios 6:1-3; 1 Coríntios 7:19; Apocalipse 14:12; Romanos 3:31;  Profetas – Atos 2:17-18; Atos 19:6; Atos 21:7-9; 1 Coríntios 14:29; Essa expressão "lei e os profetas", é uma referência aos escritos canónicos do Velho testamento, como exemplo podemos ver no texto citado abaixo: “27 E, começando por Moisés, e por todos os profetas, explicou-lhes o que dele se achava em todas as Escrituras. 44 Depois lhe disse: São estas as palavras que vos falei, estando ainda convosco, que importava que se cumprisse tudo o que de mim estava escrito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos.” (Lucas 24:27 e 44) (veja também: Mateus 5:17; 7:12; 22:40; Atos 13:15; 28:23) A palavra “até” (grego mechri) de maneira nenhuma implica que as escrituras escritas antes de perderam a sua validade ou força quando João começou a pregar. O que Jesus queria dizer é que é que até o ministério de João “a lei e os profetas” eram tudo o que os homens tinham, mas depois veio o evangelho, não para substituir ou anular o que Moisés e os profetas tinham escrito, mas antes suplementar, reforçar, confirmar aqueles escritos (Mateus 5:17-19; João 10:35; Efésios 2:20). O evangelho não toma o lugar do VT, mas é adicionado a ele. Este é claramente o sentido em que mechri (também traduzido “para”) é usado em tais passagens da Escritura como Mateus 28:15 e Romanos 5:14. (QUADROS, Leandro. A Lei e os Profetas vigoraram até João? Na Mira da Verdade. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=QX9dDnTI_cY reacessado em:29/12/20)  Efésios 2:15; “isto é, a lei dos mandamentos contidos em ordenanças, para criar, em si mesmo, dos dois um novo homem, assim fazendo a paz,” (Efésios 2:15)
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    36 Vamos analisar ocontexto de verso lendo pelo menos do verso 14-16: “14 Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um; e, derrubando a parede de separação que estava no meio, na sua carne desfez a inimizade, 15 isto é, a lei dos mandamentos contidos em ordenanças, para criar, em si mesmo, dos dois um novo homem, assim fazendo a paz, 16 e pela cruz reconciliar ambos com Deus em um só corpo, tendo por ela matado a inimizade;” (Efésios 2:14-16) Em uma análise textual do capitulo nos mostra que Cristo desfez a inimizade entre judeus e gentios abolindo os mandamentos contidos em ordenanças. E se esses mandamentos se referem ao decálogo ou a qualquer outra lei de Torah, então surge uma pergunta: será que guardar a lei moral produz inimizade para com Deus ou para com o Próximo ou mesmo entre judeus e gentios? A lei diz: “não matarás”, e será que se eu guardar esse preceito, eu estaria a causar uma inimizade? A lei diz: “não adulterarás”, se eu guardar esse preceito, eu estaria a causar inimizade? O decálogo também nos diz: “não tomar o nome de Deus em vão” e “não terás outros deuses diante de mim”, será que se eu guardar esses preceitos, estaria a causar uma inimizade para com Deus? Se transgredimos os seis últimos mandamentos estaríamos a causar danos tanto físicos como psicológicos nas outras pessoas, e se transgredimos os quatro primeiros mandamentos estaríamos sem dúvidas a demostrar a nossa ingratidão e desrespeito para com Deus.  Então qual era o mandamento que estava a causar inimizades entre judeus e gentios? Paulo tinha a missão de pregar aos gentios e, sendo que muitas leis judias causavam grande inimizade e discriminação contra eles (como é no caso da circuncisão), Paulo foi enfático contra a validade desta prática depois da morte de Cristo. Para ele, o que tem real valor é a circuncisão “do coração” (Romanos 2:28, 29. Ver também Jeremias 4:4). Aliás, no mesmo capitulo livro de Efésios, faz a menção da circuncisão como uma das práticas que estava a fazer essa separação entre judeus e gentios: “11 Portanto, lembrai-vos que outrora vós, gentios na carne, chamam circuncisão, feita pela mão dos homens 12 estáveis naquele tempo sem Cristo, separados da comunidade de Israel, e estranhos aos pactos da promessa, não tendo esperança, e sem Deus no mundo.” (Efésios 2:11-12) “Pois antes de chegarem alguns da parte de Tiago, ele comia com os gentios; mas quando eles chegaram, se foi retirando e se apartava deles, temendo os que eram da circuncisão.” (Gálatas 2:12)
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    37  Colossenses 2:14; “ehavendo riscado o escrito de dívida que havia contra nós nas suas ordenanças, o qual nos era contrário, removeu-o do meio de nós, cravando-o na cruz;” (Colossenses 2:14) Vamos também analisar o verso a partir do verso 13: “13 e a vós, quando estáveis mortos nos vossos delitos e na incircuncisão da vossa carne, vos vivificou juntamente com ele, perdoando-nos todos os delitos; 14 e havendo riscado o escrito de dívida que havia contra nós nas suas ordenanças, o qual nos era contrário, removeu-o do meio de nós, cravando-o na cruz;” (Colossenses 2:13-14) Nos versos anteriores falam sobre as nossas condições pecaminosas antes de aceitarmos a Cristo e o perdão dos nossos pecados depois disto. E no verso 14 foi dito que Deus riscou o seu escrito de dividas que era contra nós através da cruz. Esse termo “escrito de dívidas” vem de uma palavra grega “cheirographon” que significa uma nota manuscrita feito por uma determinada pessoa na qual se reconhece que ele recebeu dinheiro como depositário ou por empréstimo, que será devolvido a um tempo determinado. Portanto, em nenhum momento o apóstolo Paulo estaria indicando o fim da lei nem do decálogo e nem das leis cerimoniais, pois esse termo grego “cheirographon” não é sinónimos da palavra “Lei” (Greg. nomos), e em nenhum momento ela é traduzida por “Lei”. Uma leitura a partir do verso 13 e versos anteriores torna-se claro que essas dívidas que temos por causa dos nossos pecados pela violação da lei de Deus, foi cravada na cruz. Jesus pagou a nossa nota promissória de modo a não estar em dívidas para com Deus e a sua santa lei, deste modo, já não estamos mais condenados à morte eterna (Romanos 6:23). (QUADROS. Leandro. Qual é o “escrito de dívida” que Cristo cancelou na cruz? Colossenses 2:14. Disponível em: https://leandroquadros.com.br/qual-e-o-escrito-de- divida-que-cristo-cancelou-na-cruz-colossenses-214/ reacessado em: 30/12/20)  Romanos 10:4; “Pois Cristo é o fim da lei para justificar a todo aquele que crê.” (Romanos 10:4) A palavra “Fim” é a tradução da palavra Grega “Telos”, que significa térmico, meta, alvo ou objetivo. Nota-se que a palavra “Fim” (Greg. Telos) pode significar “Término” e também pode significar “Objetivo”. Vejamos agora alguns exemplos onde essa palavra é empregada com significados diferentes:  Fim – no sentido de “Término”; “E este evangelho do reino será pregado no mundo inteiro, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim [Telos].” (Mateus 24:14)
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    38 “Quando, porém, ouvirdesfalar em guerras e rumores de guerras, não vos perturbeis; forçoso é que assim aconteça: mas ainda não é o fim [Telos].” (Marcos 13:7) “e reinará eternamente sobre a casa de Jacó, e o seu reino não terá fim [Telos]” (Lucas 1:33) “Mas já está próximo o fim [Telos] de todas as coisas; portanto sede sóbrios e vigiai em oração” (1 Pedro 4:7)  Fim – no sentido de “Objetivo”; “alcançando o fim [Telos] da vossa fé, a salvação das vossas almas” (1 Pedro 1:9) “Mas o fim [Telos] desta admoestação é o amor que procede de um coração puro, de uma boa consciência, e de uma fé não fingida;” (1 Timóteo 1:5) “Este é o fim [tradução hebraica do grego Telos] do discurso; tudo já foi ouvido: Teme a Deus, e guarda os seus mandamentos; porque isto é todo o dever do homem.” (Eclesiastes 12:13) Em 1 Pedro 1:9 a palavra “Telos” é claramente traduzido por objetivo, caso contrário, estaríamos a dizendo aqui que a fé teve um fim, ou que não precisamos mais ter fé para sermos salvos. E em 1 Timóteo 1:5 o amor é o alvo almejado com a pregação. Em Eclesiastes 12:13 podemos perceber que a palavra “Fim” possui o significado de objetivo, pelo contrário, estaríamos a dizer que já não devemos mais temer a Deus. Muitos ao leram o texto de Romanos 10:4 afirmam que Cristo é o fim, mas no sentido de terminar com a lei. Mas já que a palavra “Fim” (Greg. Telos), também possui o significado de objetivo/alvo, o correto a fazer nesta situação é analisar outros versos paralelos a fim de evitar que chegamos a uma conclusão errada e saber melhor se essa palavra (Fim) deve ser interpretada no sentido de “término” ou “objetivo”. Comecemos então ao analisar alguns versos paralelos: “porquanto pelas obras da lei nenhum homem será justificado diante dele; pois o que vem pela lei é o pleno conhecimento do pecado.” (Romanos 3:20) “Porque a lei opera a ira; mas onde não há lei também não há transgressão” (Romanos 4:15) “Porque antes da lei já estava o pecado no mundo, mas onde não há lei o pecado não é levado em conta” (Romanos 5:13) “Anulamos, pois, a lei pela fé? De modo nenhum; antes estabelecemos a lei” (Romanos 3:31) “1 Vós, filhos, sede obedientes a vossos pais no Senhor, porque isto é justo. 2 Honra a teu pai e a tua mãe (que é o primeiro mandamento com promessa), 3 para que te vá bem, e sejas de longa vida sobre a terra.” (Efésios 6:1-3)
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    39 O livro deRomanos 5:13 nos diz que “onde não há lei o pecado não é levado em conta”, pois é a Lei que nos fez saber o que é pecado (Romanos 3:20; Romanos 4:15) então se a palavra “Fim” que apareça em Romanos 10:4 tem o significado de “Térmico”, então devemos chegar à conclusão que Deus já não imputa o pecado de mais ninguém, ou seja, que Deus já não leva mais em considerações o adultério, assassinos, os homossexuais, gays, invejosos, estupradores de menores, etc. Se creem na existência do pecado, forçosamente devemos crer na existência e na obrigatoriedade da lei, pois “onde não há lei também não há transgressão” (Romanos 4:15). Em Romanos 3:31 nos diz que a fé em Cristo não anula a lei, e em Romanos 10:4 se a palavra “fim” significa “Término” então estes dois textos caem numa contradição. Pois em Romanos 10:4 se a palavra fim significa “término”, então de acordo com o texto, Cristo acabou com a lei a fim de sermos salvos pela fé, ou seja, que a nossa justificação pela fé não precisa da guarda da lei. O que contradiz por completo as palavras do próprio Paulo no mesmo livro no cap. 3:31 de que a nossa fé não anula a lei. Muitos afirmam com base neste texto de Romanos 10:4 que Cristo aboliu todas as leis do antigo testamento, mas se é assim mesmo então até mesmo a lei do amor que diz para amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmo, até mesmo essa lei foi abolida pois essa não é uma lei exclusivamente do novo testamento, mas é uma lei que já existia desde o velho testamento (veja: Deuteronômio 6:5; Levítico 19:18). Veja como que a tradução bíblica de “Bíblia de Jerusalém” (tradução mais próxima do original), traduziu o texto de Romanos 10:4: “Porque a finalidade da Lei é Cristo para a justificação de todo o que crê” (Romanos 10:4) “Por mais que a Lei seja boa, não é boa o suficiente para salvar alguém. Na verdade, em lugar de tornar justa uma pessoa, a lei destaca a pecaminosidade dessa pessoa. Ela aumenta a necessidade de justiça. Por isso, Paulo descreveu Cristo como o “fim” da lei. Ele não é o “fim” no sentido de acabar com a lei, mas no sentido de ser a “finalidade” da lei, Aquele para quem a lei aponta. A lei conduz o pecador a Cristo quando aquele se arrepende e olha para o Salvador em busca de salvação. A lei lembra a todos os cristãos de que Cristo é a nossa justiça (Rm 10:4)” (Lição da Escola Sabatina (Professor), 2º Trimestre de 2014, p. 85). (QUADROS, Leandro. Romanos 10:4 não contradiz Mateus 5:17? Biblia.com.br. disponível em: https://biblia.com.br/perguntas-biblicas/romanos-104-nao-contradiz- mateus-517/ acessado em:30/12/20)
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    40  Romanos 6:14; “Poiso pecado não terá domínio sobre vós, porquanto não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça.” (Romanos 6:14) Muitos ao ler este texto tentam fazer a separação de que os cristãos que viviam antes de Cristo estavam “debaixo da lei”, e os nós que vivemos depois de cristo estamos “debaixo da graça”. Como já tínhamos visto na pergunta nº7 e nº8, a graça sempre foi o meio escolhido por Deus para a salvação do homem, portanto, a expressão “debaixo da graça”, ou seja, “debaixo da misericórdia divina” (Efésios 2:8; 2 Coríntios 7:10), também se aplica aos que viviam antes de Cristo. Pelo fato de “não estar debaixo da lei” não significa livres para desobedece-lo, segundo nos mostra o próprio texto: “Pois o pecado não terá domínio sobre vós, porquanto não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça.15 Pois quê? Havemos de pecar porque não estamos debaixo da lei, mas debaixo da graça? De modo nenhum.” (Romanos 6:14-15) O interessante é que no verso 14 a frase começa dizendo que “o pecado não terá domínio sobre vós”, e o pecado significa “transgressão da lei” (1 João 3:4), portanto, os cristãos não estão sobre o domínio do pecado, ou seja, não estão transgredindo a lei porque eles não estão debaixo da lei e sim da graça. Para evitar esse mal-entendido, o apóstolo confirma no verso 15 que “não estar debaixo da lei” não significa livre para pecar, ou seja, que não estamos livres para transgredir a lei. Podemos compreender a luz deste texto e também por meio da comparação textual do texto de Gálatas 5:16 com o verso 18 podemos concluir que aqueles que estão debaixo da lei são aqueles que vivem no pecado ou em paixões da carne. E quem vive no pecado é servo da morte, ou seja, ainda, filho da morte (Romanos 6:16-18), e com isso podemos chegar à conclusão de que “estar debaixo da Lei” significa estar debaixo do poder da morte, ou ainda, debaixo da condenação da lei. “16 Digo, porém: Andai pelo Espírito, e não haveis de cumprir a cobiça da carne 18 Mas, se sois guiados pelo Espírito, não estais debaixo da lei” (Gálatas 5:16 e 18) “16 Não sabeis que daquele a quem vos apresentais como servos para lhe obedecer, sois servos desse mesmo a quem obedeceis, seja do pecado para a morte, ou da obediência para a justiça? 17 Mas graças a Deus que, embora tendo sido servos do pecado, obedecestes de coração à forma de doutrina a que fostes entregues; 18 e libertos do pecado, fostes feitos servos da justiça” (Romanos 6:16-18)
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    41 Este verso deRomanos 6:14 não prova nem de perto que a lei moral foi abolido, mas pelo contrário – este verso ainda prova que a lei moral ainda está em vigor. Obs.: essa expressão “debaixo da lei” também é ilustrada por 1 Coríntios 9:21 em cujo caso significa estar na jurisdição da “lei de Cristo”. Com base no contexto da referência do apóstolo Paulo de que a lei de Cristo” é como sendo o método que Cristo utilizava. E era um método baseado no amor por todas as pessoas, sem discriminação. Tudo o que se sentia disposto a fazer a fim de alcançar os perdidos é um exemplo perfeito do tipo de amor altruísta e abnegado que se revela na “lei de Cristo”. (LIÇÃO 7. Caminho Para a Fé: “Prisioneiros da lei”. Escola Sabatina 4º trimestre ano:2011. Disponível em: https://versiculododia.wordpress.com/estudos-biblicos/escola- sabatina/2011-2/o-evangelho-em-galatas-4%C2%AA-trim/7-caminho-para-a-fe/) acessado em: 12/11/2020  Romanos 7:4 e 6; “4 Assim também vós, meus irmãos, fostes mortos quanto à lei mediante o corpo de Cristo, para pertencerdes a outro, àquele que ressurgiu dentre os mortos a fim de que demos fruto para Deus. 6 Mas agora fomos libertos da lei, havendo morrido para aquilo em que estávamos retidos, para servirmos em novidade de espírito, e não na velhice da letra.” (Romanos 7:4 e 6) Vamos analisar o contexto do verso lendo a partir do verso 1 a 6: “1 Ou ignorais, irmãos (pois falo aos que conhecem a lei), que a lei tem domínio sobre o homem por todo o tempo que ele vive? 2 Porque a mulher casada está ligada pela lei a seu marido enquanto ele viver; mas, se ele morrer, ela está livre da lei do marido. 3 De sorte que, enquanto viver o marido, será chamado adúltera, se for de outro homem; mas, se ele morrer, ela está livre da lei, e assim não será adúltera se for de outro marido. 4 Assim também vós, meus irmãos, fostes mortos quanto à lei mediante o corpo de Cristo, para pertencerdes a outro, àquele que ressurgiu dentre os mortos a fim de que demos fruto para Deus. 6 Mas agora fomos libertos da lei, havendo morrido para aquilo em que estávamos retidos, para servirmos em novidade de espírito, e não na velhice da letra.” (Romanos 7:1-6) No verso 1 nos é dito que a lei tem domínio sobre o homem enquanto ele vive, e no verso seguinte é feita uma comparação entre a nossa condição como cristãos mediante a lei, com a união matrimonial. Muitos cristãos afirmam com base neste texto que uma vez que agora somos “casados com Cristo”, já não temos mais que guardar a lei divina. Mas veja uma ironia com base neste mesmo exemplo: uma pessoa é casada e se cometer adultério, logo ela violou a lei, mas quando
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    42 morrer o seucônjuge, ela ficará livre da lei sobre o adultério. Mas podemos questionar: ela é livre da lei em que sentindo? Se ela estabeleceu um novo relacionamento com um novo cônjuge, será que podemos dizer que mesmo assim ela é livre para adulterar? A resposta é óbvia: de modo nenhum, pois ela passará a estar sujeito a lei do seu novo marido. Então podemos chegar à seguinte conclusão: enquanto vive o marido se ela tiver relações sexual com um outro parceiro, ela é acusada de adultério. Mas se o marido morrer, ela ficaria livre da lei do seu marido, mas essa liberdade em relação a lei não significaria livre para cometer adultério mesmo se ela casar com um novo marido. Se essa expressão “livre da lei” não significa livre para cometer adultério mesmo casando com o novo marido, então como podemos entender essa expressão? A resposta é óbvia: essa expressão “livre da lei” significa livre da CONDENAÇÃO imposta pela lei do seu primeiro marido. A mesma coisa acontece para os cristãos. Quando andávamos longe de cristo estávamos casados “para aquilo em que estávamos retidos” (Romanos 7:6, e com isto surge uma pergunta: por quem estávamos retidos? O livro de Romanos 6:11 e cap. 6:18 nos responde: “11 Assim também vós considerai-vos como mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus 12 Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, para obedecerdes às suas concupiscências;” (Romanos 6:11-12) “e libertos do pecado, fostes feitos servos da justiça” (Romanos 6:18) Aquilo que estávamos retidos é o pecado. Portanto, quando estávamos retidos para o pecado, estávamos sujeitos a lei do pecado e da morte, mas quando morremos para o pecado passamos a ser livre da lei do pecado e da morte (Romanos 8:1-2). E agora somos feitos servos da justiça (Romanos 6:18), ou seja, “casamos com Cristo”. E uma vez casado com Cristo será que devemos transgredir a lei de Cristo? Claro que não, pois uma vez casado com o novo cônjuge que é Cristo, passamos a estar sujeito a lei de Cristo. Caso contrário se estamos a dizer que não é preciso obedecer a nenhuma lei estamos a violar a lei do novo relacionamento conjugal, contrariando assim as palavras de Paulo e do próprio Cristo. “Anulamos, pois, a lei pela fé? De modo nenhum; antes estabelecemos a lei” (Romanos 3:31) “Se me amardes, guardareis os meus mandamentos.” (João 14:15) “2 Nisto conhecemos que amamos os filhos de Deus, se amamos a Deus e guardamos os seus mandamentos. 3 Porque este é o amor de Deus, que guardemos os seus mandamentos; e os seus mandamentos não são penosos;” (1 João 5:2-3)
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    43 “Se guardardes osmeus mandamentos, permanecereis no meu amor; do mesmo modo que eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai, e permaneço no seu amor.” (João 15:10) É interessante notar o paralelo existente entre o texto de Romanos 6:11 com Romanos 7:4. Em Romanos 6:11 nos diz que devemos estar “mortos para o pecado” e em Romanos 7:4 nos diz que devemos estar “mortos para a lei”, mas o pecado é a transgressão da lei e se não existisse pecado se não existiria a lei (1 João 3:4 c/ Romanos 4:15 e cap. 7:7-8). Se a expressão “mortos para a lei” significa que não devemos mais guarda-lo, então como entendermos isto: estamos “mortos para o pecado” ou “mortos para a lei”? Romano 6:12 nos esclarece essa questão: “Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, para obedecerdes às suas concupiscências” (Romanos 6:12) O texto nos deixa bem claro o que não devemos obedecer não é a lei, mas sim as paixões do pecado. Assim como para não cometer adultério mesmo estando casado com o novo marido, assim também somos nós em Cristo. Quando estávamos casados com pecado, estávamos sujeito a lei do pecado e da morte, mas quando morremos para o pecado passamos a ser livre da lei do pecado e da morte, mas isso não quer dizer livre para não mais obedecer essa mesma lei (Romanos 3:31; João 14:15), mas no sentido de estar livre da sua condenação (Romanos 8:1- 2; Gálatas 3:13). Portanto a expressão “morto para a lei” ou “livres da lei” não significa livres para não mais guardar a lei, mas sim livre da sua condenação. E mais adiante no verso 14-15 também ele nos esclarece: “Pois o pecado não terá domínio sobre vós, porquanto não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça.15 Pois quê? Havemos de pecar porque não estamos debaixo da lei, mas debaixo da graça? De modo nenhum.” (Romanos 6:14-15) O interessante é que no verso 14 a frase começa dizendo que “o pecado não terá domínio sobre vós”, e o pecado significa “transgressão da lei” (1 João 3:4), portanto, os cristãos não estão sobre o domínio do pecado, ou seja, não estão transgredindo a lei porque eles não estão debaixo da lei e sim da graça. Para evitar esse mal-entendido, o apóstolo confirma no verso 15 que “não estar debaixo da lei” não significa livre para pecar, ou seja, que não estamos livres para transgredir a lei. Portanto, estar “mortos para a lei” não significa livre para pecar, mas sim “mortos para o pecado”.
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    44 Essa explicação dadapelo apóstolo, chamando a lei como a “lei do pecado e da morte”, faz com que algumas pessoas pensam que a lei é pecado. Mas para evitar essa falsa ideia, ele responde essa questão: “7 Que diremos pois? É a lei pecado? De modo nenhum. Contudo, eu não conheci o pecado senão pela lei; porque eu não conheceria a concupiscência, se a lei não dissesse: Não cobiçarás. 8 Mas o pecado, tomando ocasião, pelo mandamento operou em mim toda espécie de concupiscência; porquanto onde não há lei está morto o pecado” (Romanos 7-7-8) A lei é chamado da lei do pecado e da morte não no sentido de que a lei é pecado (Rom. 8:2), mas no sentido de ser a lei que nos define o que é pecado, ou seja, é a lei que nos mostra que estamos em uma relação com o pecado.  Romanos 8:1-2; “1 Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus. 2 Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, te livrou da lei do pecado e da morte.” (Romanos 8:1-2) Ao ler estes versos a partir do seu contexto imediato, poderia parecer que Paulo estivesse se referindo a duas leis opostas: a lei da vida e a lei do pecado e da morte. No entanto, a diferença não está com a lei, mas com o indivíduo antes e depois que ele recebe Cristo. Esse verso de Romanos 8:2 é muito similar ao verso de Romanos 7:6. Em Romanos 7:6 foi dito que “fomos libertos da lei, havendo morrido para aquilo em que estávamos retidos...” e aquilo que “estávamos retidos...” é o pecado (Romanos 6:12). Portanto, podemos ler o texto de Romanos 7:6 da mesma forma que ler o Romanos 8:2: “fomos libertos da lei, havendo morrido para o pecado”. Na marcação anterior vimos que ser liberto da lei, significa liberto da sua condenação e não da sua guarda em si mesma. Portanto, a função da lei depende da pessoa com a qual ela está associada. A mesma faca, por exemplo, pode ser utilizada por um cirurgião para curar ou por um assassino para matar. Da mesma forma, um ladrão que transgrede uma lei, por roubar a bolsa de alguém estará em um relacionamento diferente com a lei em comparação com aquele a quem a lei deve proteger (o dono da bolsa). Nesses dois casos, a lei que proíbe matar e roubar tem uma conotação de uma lei do pecado e da morte, pois ela condena tanto o assaltante como o assassino, mas para as vítimas, a mesma lei tem uma conotação de ser uma de vida e proteção, pois ela as protege daqueles que lhes querem fazer o mal.
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    45 A própria lei,às vezes, pode ser descrita como santa, justa e boa (Rom. 7:12), ou como a “lei do pecado e da morte” (Rom. 8:2). No entanto, da mesma forma que a vingança retributiva de Deus não o impede de ser um Deus de amor, a função da lei como reveladora do pecado e da morte não a torna pecaminosa. De acordo com Romanos 8:5-8, a lei é um instrumento do “pecado e da morte” para aquele que “tem a mente voltada para o que a carne deseja” (Rom. 8:5). Isso descreve a pessoa que ainda está casada com o “velho homem” e não tem nenhum desejo aparente de romper esse relacionamento e unir-se ao Cristo ressuscitado. Como resultado dessa união pecaminosa, a pessoa se encontra em “inimizade contra Deus” e Sua lei, uma vez que estão em lados opostos (Rom. 8:7). (rever o tópico anterior) (LIÇÕES da escola sabatina. Cristo e sua lei. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, n. 476, Abr. Maio Jun. 2013. Adulto, Professor.)  Gálatas 3:19; “Logo, para que é a lei? Foi acrescentada por causa das transgressões, até que viesse o descendente a quem a promessa tinha sido feita; e foi ordenada por meio de anjos, pela mão de um mediador.” (Gálatas 3:19) Por causa da palavra “até” que aparece nesse verso, algumas pessoas alegam que a lei permaneceu até que viesse o descente (isto é, o Cristo), e isto quer dizer que quando Cristo morreu na cruz, a lei perdeu a sua validade. De fato, a bíblia nos diz que a lei “foi acrescentada por causa das transgressões, até que viesse o descendente”, mas com isto precisamos responder uma pergunta: este descendente (Cristo), viria para pôr um fim na lei em si ou um fim na morte eterna que resultou na violação dessa lei? O verso não diz qual seria aquilo que Jesus viria pôr um fim. Bastava-se comparar com os outros textos bíblicos para sabermos a resposta. (veja o tópico nº4 dessa pergunta) “O temor do Senhor é limpo, e permanece para sempre; os juízos do Senhor são verdadeiros e inteiramente justos.” (Salmos 19:9) “17 Não penseis que vim destruir a lei ou os profetas; não vim destruir, mas cumprir. 18 Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, de modo nenhum passará da lei um só i ou um só til, até que tudo seja cumprido.” (Mateus 5:17-18) “Ora, este é o pacto que farei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz o Senhor; porei as minhas leis no seu entendimento, e em seu coração as escreverei; eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo;” (Hebreus 8:10) (ver também Hebreus 10:16)
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    46 Jesus não veioabolir a lei, o livro de Salmos disse que a lei permanece para sempre, e o próprio Jesus nos diz que ele não veio para abolir a lei. E de acordo com Hebreus ali disse que a lei também estará presente na nova aliança.  Gálatas 3:23-25; “23 Mas, antes que a fé viesse, estávamos guardados debaixo da lei, e encerrados para aquela fé que se havia de manifestar. 24 De maneira que a lei nos serviu de aio, para nos conduzir a Cristo, para que pela fé fôssemos justificados. 25 Mas, depois que veio a fé, já não estamos debaixo de aio.” (Gálatas 3:23-25) Esse é um dos textos que é mais incompreendido no seio religioso. Com base nisso, alguns religiosos dão a seguinte interpretação sobre esse texto: “... Paulo mostra que as pessoas que estavam sujeitas à lei de Moisés no passado não permanecem subordinadas a este ‘aio’. Ele afirma que a lei cumpriu sua função temporária. Por isso, ela não tem o mesmo domínio depois da chegada da fé em Cristo... O aio representa a lei revelada através de Moisés (os Dez Mandamentos e diversas outras regras dadas aos judeus). A fé representa o evangelho de Jesus Cristo. As boas novas de salvação em Cristo já foram reveladas, e ninguém precisa guardar as leis do Velho Testamento. No primeiro século, houve muitos problemas entre cristãos porque alguns não entenderam este fato. Continuaram guardando a lei de Moisés, insistindo, por exemplo, que a circuncisão era necessária para ter comunhão com Deus. Paulo procurou corrigir este erro... Vamos permanecer na liberdade que há em Cristo (Gálatas 5:1).” (Dennis Allan) Esta é uma conclusão que muitos chegam com a leitura do texto de Gálatas 3:23-25, mas só que esta conclusão foi algo que o apóstolo Paulo não disse e nem pode ser fundamentado na bíblia pelas seguintes razões:  Esta separação do tempo entre o período da lei e o período da graça não existe. A lei sempre existia desde o princípio do mundo (Gên. 26:5; Jo. 8:44 c/ Isa. 14:12-14), e o evangelho da graça de Cristo também já estava sendo pregada e disponível para a salvação de todo o mundo desde a queda do homem (Gên. 3:15; Gên. 6:8; 15:3; Rom. 6:2-4; 5:18; Gál. 3:8 e 16).  Se existe um tempo chamado de período da lei e o período da graça/fé, então quer dizer que aqueles que viviam no período da lei, nenhum deles se salvaram, pois a bíblia nos diz que “não existe nenhum justo sequer” que não peque (Rom. 3:10-12);  Porque o apóstolo Paulo nos diz bem claros que não são apenas as condutas que foram revalidadas no novo testamento que devem servir de regras da nossa fé (Fil. 2:20; 2 Tim. 3:16- 17);
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    47  Essa conclusãonos leva a uma contradição direta com as palavras de Cristo em Mateus 5:17-18, onde Jesus nos diz que não veio para “destruir [a lei], mas cumprir”. E portanto, é óbvio que o apóstolo Paulo não iria dizer uma coisa que vai contra o que foi dito pelo Cristo a quem ele estava a segui-lo.  Mesmo com essa conclusão tirada nesse texto de Gálatas que já não precisamos guardar as leis do velho testamento, esses religiosos aceitam várias leis do antigo testamento que não estão escritas no novo testamento (Lev. 18:6-24; Lev. 19:28; Deut. 22:5; Deut. 18:10-12); Obs.: com base no quarto tópico, podemos concluir que a conclusão tirada sobre o texto de Gálatas 3:23-25 com a realidade vivenciada pelos vários grupos religiosos, trata-se de um Tremendo Paradoxo. Então o que será que Paulo queria dizer com esse texto? Nesse texto é usado uma palavra que é de extrema importância para entendermos toda a essa questão, que é a palavra “aio”. Essa palavra “aio” vem de um termo grego “paidagōgos”, que é transliterada para o português como “tutor”, “pedagogo”. Nas épocas mais antiga (nos tempos dos apóstolos), entre os gregos e romanos, o nome paidagōgos era atribuído a um escravo/servo dignos de confiança que eram encarregados de acompanhar, supervisionar a vida e a moralidade do (a) filho (a) do seu Senhor até atingir a idade adulta ou uma data proposta pelo Pai. E esses escravos tinha uma autonomia para castigar a criança caso desobedecesse. Muitas vezes para colocar a criança no caminho correto da moralidade, esse escravo podia castigar a criança até mesmo com açoites. Mas quando o(a) filho(a) atingir a idade adulta, ou uma idade proposta pelo Pai, esse escravo paidagōgos, perdia essa autonomia de castiga-lo, caso a pessoa desobedecia. Quando Paulo nos diz que já não estamos subordinados ao aio, ele tem esta imagem em sua mente. Em Gálatas 4:1-7 o apóstolo começa a explicar o que Ele queria dizer com o texto de Gálatas 3:23-25. “1 Ora, digo que por todo o tempo em que o herdeiro é menino, em nada difere de um servo, ainda que seja senhor de tudo; 2 mas está debaixo de tutores e curadores até o tempo determinado pelo pai. 3 Assim também nós, quando éramos meninos, estávamos reduzidos à servidão debaixo dos rudimentos do mundo; 4 mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido debaixo de lei, 5 para resgatar os que estavam debaixo de lei, a fim de recebermos a adoção de filhos. 6 E, porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai. 7 Portanto já não és mais servo, mas filho; e se és filho, és também herdeiro por Deus.” (Gálatas 4:1-7)
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    48 Os primeiros seteversos de Gálatas 4, é uma explicação daquilo que foi dito em seu capítulo 3:23-24. No verso 3 é dito que “quando éramos meninos, estávamos reduzidos à servidão debaixo dos rudimentos do mundo”, ou seja, quando não tínhamos conhecimento sobre Deus ou dos seus princípios praticamos os rudimentos do mundo, que muitas vezes é contrária aos desígnios de Deus (Colossenses 2:8; Gálatas 5:11-21). Nestas circunstâncias é porque o evangelho ainda não se manifestou em nós (Gál. 3:23). Vivendo segundo os rudimentos do mundo, ao contemplar a lei de Deus, percebemos a nossa condição pecaminosa e a nossa condenação a uma morte eterna, pois seremos redarguidos pela lei como transgressores (Rom. 7:9; Tia. 2:10-12). Ao sentir que somos culpados e merecedor da morte eterna, passamos a sentir a necessidade de um resgate. E nesse aspecto a lei cumpre um outro objetivo em nós que é “nos conduzir a Cristo, a fim de que pela fé fôssemos justificados” (Gál. 3:24). Ao chegar até Cristo, o seu evangelho começa a manifestar em nós, e partir da manifestação do seu evangelho em nós, “já não estamos debaixo de aio” (Gál. 3:25), ou seja, já não estamos debaixo da sua condenação à morte pois a morte de Jesus na cruz, foi pago toda a nossa dívida para com a lei de Deus (Col. 2:13-14). Assim como o aio / paidagōgos mantinha a criança presa debaixo da sua supervisão e condenação, assim também é aqueles que vivem segundo os rudimentos do mundo, estando eles debaixo da condenação eterna da lei de Deus. Ao atingir a idade adulta a pessoa seria liberto da supervisão e condenação do seu paidagōgos, assim também acontece com aqueles que chegam até Cristo. Eles são libertos da condenação eterna da lei de Deus (Rom. 8:1-2). Assim como “o herdeiro é menino, em nada difere do servo, ainda que seja Senhor de tudo” (Gálatas 4:1), assim também acontece com aqueles que chegam até a Cristo, pois antes de conhecem a Cristo, eles eram servos do pecado, mas depois de conheceram a Cristo “já não [são] mais servo, mas filho; e... herdeiro de Deus” (Gálatas 4:7). (CONCEIÇÃO, Jorge A. Onde Se Encontra No Novo Testamento A Remoção Da Responsabilidade De Obedecer Aos Dez Mandamentos. Disponível em: https://www.jacm.net.br/2016/02#.X-3ssdgRfIU acessado em: 31/12/20) / (Stuart, D., Fritoli, R., & Constante, S. (2005). A lei abolida na cruz: análise de gálatas 3:24, 25. Kerygma, 1(2), 71. Disponível em: https://revistas.unasp.edu.br/kerygma/article/view/334) acessado em: 31/12/20)  Hebreus 7:12 e 18-19; “Porque, mudando-se o sacerdócio, necessariamente se faz também mudança da lei.” (Hebreus 7:12)
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    49 “18 Porque o precedentemandamento é ab-rogado por causa da sua fraqueza e inutilidade 19 (Pois a lei nenhuma coisa aperfeiçoou) e desta sorte é introduzida uma melhor esperança, pela qual chegamos a Deus.” (Hebreus 7:18-19) Esse é mais um dos textos que vários grupos religiosos têm usado de forma equivocada para tentar provar que a lei do antigo testamento foi abolida. Mas ao ler esse texto a partir do verso 11 à 14 perceberemos qual dos aspectos da lei, é que o texto está falando. “11 De sorte que, se a perfeição fosse pelo sacerdócio levítico (porque sob ele o povo recebeu a lei), que necessidade havia logo de que outro sacerdote se levantasse, segundo a ordem de Melquisedeque, e não fosse chamado segundo a ordem de Arão? 12 Porque, mudando-se o sacerdócio, necessariamente se faz também mudança da lei. 13 Porque aquele de quem estas coisas se dizem pertence a outra tribo, da qual ninguém serviu ao altar, 14 Visto ser manifesto que nosso Senhor procedeu de Judá, e concernente a essa tribo nunca Moisés falou de sacerdócio.” (Hebreus 7:11-14) No verso 11 percebe-se claramente que o texto está falando da lei do sacerdócio. No verso 12 é mencionado a mudança da lei, e no verso 13 à 14 é explicado o porquê da mudança da lei. Em livro de Números cap. 18 é dito que apenas Aarão e os seus filhos é que deverão ser sacerdotes. E no livro de Hebreus 7:11-14 falando sobre o sacerdócio, Paulo nos diz que essa lei foi mudada, porque Cristo assumiu ser o nosso sumo-sacerdote de uma ordem superior, segundo a ordem de Melquisedeque (Hebreus 7:17 c/ Hebreus 8:1). Pelo fato de Cristo ser o nosso sumo-sacerdote, então tem que haver uma mudança na lei, pois na lei só poderia ser sacerdote, os que são da tribo de Levi, e Cristo pertence à tribo de Judá (Hebreus 7:14). No verso 18-19 do mesmo capítulo, diz também que a lei foi abolida “por causa da sua fraqueza e inutilidade” e que “nenhuma coisa aperfeiçoou”. Só que ao ler bem para o contexto do verso, percebe-se que se trata da mesma lei que foi mencionado no verso 11-14. (ver p. 50). 12) Se a lei não foi abolida, então por que razão é que não se guarda todas as 613 leis que se encontram registadas nas leis de Moisés? Inclusive a lei de sacrifícios dos animais, que mandava apedrejar os que transgridam o sábado do sétimo dia, o ano sabático de descanso da terra após seis anos de trabalho, e a lei que proibia acender o fogo no dia do sábado? “Seis dias se trabalhará, porém o sétimo dia é o sábado do descanso, santo ao SENHOR; qualquer que no dia do sábado fizer algum trabalho, certamente morrerá.” (Êxodo 31:15)
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    50 “30 Mas a pessoaque fizer alguma coisa temerariamente, quer seja dos naturais quer dos estrangeiros, injuria ao SENHOR; tal pessoa será extirpada do meio do seu povo. 31 Pois desprezou a palavra do SENHOR, e anulou o seu mandamento; totalmente será extirpada aquela pessoa, a sua iniqüidade será sobre ela. 32 Estando, pois, os filhos de Israel no deserto, acharam um homem apanhando lenha no dia de sábado. 33 E os que o acharam apanhando lenha o trouxeram a Moisés e a Arão, e a toda a congregação. 34 E o puseram em guarda; porquanto ainda não estava declarado o que se lhe devia fazer. 35 Disse, pois, o SENHOR a Moisés: Certamente morrerá aquele homem; toda a congregação o apedrejará fora do arraial.” (Números 15:30-35) “2 Fala aos filhos de Israel, e dize-lhes: Quando tiverdes entrado na terra, que eu vos dou, então a terra descansará um sábado ao SENHOR. 3 Seis anos semearás a tua terra, e seis anos podarás a tua vinha, e colherás os seus frutos; 4 Porém ao sétimo ano haverá sábado de descanso para a terra, um sábado ao SENHOR; não semearás o teu campo nem podarás a tua vinha.” (Levítico 25:2-4) Obs.: calcula-se que em toda a torah existe cerca de 613 mandamentos dados por Deus a Moisés. Então se a lei não foi abolida, e que são apenas os que estão registadas no novo testamento que devem ser seguidos e obedecidos pelos cristãos, então será que devemos obedecer a todos esses 613 mandamentos? A lei de Torah foi dada para a nação de Israel a fim de ser obedecido todos os seus preceitos, mas de uma forma individual é certo que nem todas as pessoas foi obrigada ou tem a possibilidade de cumprir os 613 mandamentos. Nem mesmo os judeus na antiga aliança. Por uma razão óbvia: a Torah se compõe de diversos mandamentos que se aplicam a grupos distintos (ver a pergunta nº1). A mesma coisa também existe na atualidade. Se formos contar todas as leis e estatutos que existem em um determinado pais na atualidade iremos deparar com leis que podem facilmente ultrapassar o números das leis que existem no antigo Israel. Existem leis que trata de proibição, lei constituicional, lei de penalidades contra cada tipo de crime, leis que regulam uma determinada empresa ou funções específicas. Mas é certo que ninguém se preocupou em saber quantas leis que existem no céu pais para as cumprir. Elas preocupam em conhecer apenas as regras da moralidade que lhes são ensinadas desde criança. Quando precisam de ajudas em um determinada situação para com a justiça, costumam procurar um advogado para saber sobre os seus direitos e as legislação do seu pais sobre o assunto. A mesma coisa também acontece no antigo Israel. Dentre os muitos preceitos de torah, existem preceitos só para sacerdotes, outros apenas para mulheres, outros somente para homens,
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    51 alguns exclusivos paraisraelitas, etc. Muitos desses mandamentos são contextuais. Os de cunho civil/penal, por exemplo, só podem ser cumpridos na vigência do sistema teocrático israelita e no próprio Israel. Há preceitos um tanto circunstanciais também, como os que versam sobre o israelita na guerra. Vejamos alguns exemplos:  No livro de Levítico 21 encontramos várias leis do torah que tinham a ver apenas com os sacerdotes, como por exemplo: eles não devem casar com uma prostituta, divorciada ou até mesmo uma viúva, mas apenas com uma mulher virgem. É certo que uma pessoa que é de uma outra tribo não poderia ser um sacerdote, por conseguinte, elas não são obrigadas a guardar essas proibições.  No livro de Levítico 15:25-26 encontramos leis acerca da condição da mulher durante o período menstrual. É óbvio que essas leis não se aplicam aos homens ou uma criança pois eles não têm menstruação. Também em Levíticos 15:2-17 encontramos leis acerca das condições normais e anormais dos homens, portanto, torna-se óbvias que essas leis não se aplicam as mulheres pois elas não são homens. Também existem alguns mandamentos que a sua aplicação se aplica apenas no território Israelita, e só debaixo da vigência do sistema teocrático. Também podemos exemplificar algumas dessas leis:  Temos o exemplo da circuncisão que foi instituída como um sinal da aliança de Deus com Abraão e sua descendência física (Gêneses 17:9-14), não como um mandamento de aplicação universal.  Algumas das festas anuais como a páscoa se aplica apenas ao povo israelita, pois essa festa é comemorada pelos israelitas em resultado da sua libertação no Egito. Aqueles que não são israelitas só podiam participar dessa celebração a partir do momento que eles aceitavam fazer o rito da circuncisão, que era um símbolo da identidade israelitas (Êxodo 12:42-49).  A lei civil/penal também só era aplicada no território israelita apenas durante a permanência do sistema teocrático. Por exemplo: no Êxodo 22:18 e 20 é dito que os feiticeiros e aqueles que sacrificar aos deuses e não ao Senhor serão mortos. É certo que um israelita devoto, quando este se encontrava fora do território Israelita, em uma outra cidade ou pais pagã, não iria matar nenhuma pessoa que eles encontravam em pleno ato de idolatria ou feitiçaria (exemplo dos três jovens hebreus em Babilónia). Durante o período de tempo em que o povo de Israel foi levado cativos para Babilônia e com a sua cidade e seu primeiro templo foram destruídos, impossibilitou o cumprimento de muitos mandamentos relativos à nação. Também durante o período em que eles se encontravam
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    52 sobre o domíniodo império romano, o povo foi impossibilitado de praticar as leis civis, exatamente como eram descritas na Torá. Mas mesmo assim o povo não pensou que por causa disso, o torah foi abolido. Em suma, como nação, Israel deveria lembrar e praticar todos os 613 mandamentos, mas de uma forma individual, vivendo ou não em Israel, mesmo na antiga aliança, a ideia de alguém estar sujeito aos 613 mandamentos é falsa. Se algumas dessas leis, já não são observadas, então como entender a respeito dessas leis com o que foi dito em Mateus 5:17-18 onde Jesus afirma que não veio abolir a lei? Mas como é que entendemos sobre a guarda das leis que foram mencionadas pela pergunta sabendo que nem mesmo os sabatistas guardam esses mandamentos? Em Mateus 5:17-18 Cristo nos diz que Ele não veio abolir a lei e os profetas. Então o que dizer das leis cerimoniais, civis, etc.? Primeiramente têm que se entender que a palavra “lei” na grande maioria das vezes que ela aparece na bíblia, ela se refere aos escritos de Moisés. Mas, mesmo nesses escritos de Moisés percebe-se que existe alguns aspectos diferente dentro dessas leis mosaicas como já foi mencionada na pergunta nº1. As leis de ordem cerimonial, eles apontavam para Cristo e o seu plano de salvação. Elas eram o antigo recurso pedagógico para ensinar o plano da salvação. Após a morte de Cristo, o nosso recurso pedagógico é a própria vida e ministério de Cristo no santuário celestial (Hebreus 9:9). Ao invés de dizer que essas leis foram abolidas, é melhor dizer que a função dessas leis foi transferida para Jesus. Apesar dessa transferência de função para Cristo, isto não quer dizer que os princípios cerimoniais da lei foram mudados. E mesmo nas leis de aspectos cerimoniais e dentre as outras, existem princípios que podemos extrair para a nossa vida. A forma pelo qual uns esses princípios são aplicados é mutável de acordo com as circunstâncias. Veja alguns exemplos: Ex.1: no livro de Levítico 15 encontramos leis que diz que uma pessoa deve permanecer impuro até a tarde caso ele tocasse no sémen do homem ou menstruação de uma mulher. É óbvio que hoje temos condições de higiene que são muitos melhores do que naquele tempo. Hoje a mulher possui absorvente que evita com que se tenham um contacto direto com o sangue e contaminar. Com isso podemos observar que a forma de aplicar essa lei é mutável, mas o princípio dessa lei é imutável – pureza e limpeza.
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    53 Ex.2: no livrode Êxodo 16 Deus prometeu cair do céu o maná para aos israelitas durante os seis primeiros dias da semana. Só que no sexto dia, o povo deve colher o dobro do maná a fim de guardar a metade da porção colhida para o dia do sábado, pois nesse dia o maná não iria cair do céu. O povo foi instruído que a metade colhida para o dia do sábado deveria ser preparada e cozinhada antes mesmo da chegada do sábado, ou seja, no sexto dia. É claro esse maná deixou de cair do céu a milhares de anos atrás. Então a forma como essa lei era aplicada, em nossos dias não tem como aplica-la, pois o maná deixou de cair do céu, mas o princípio dessa lei continua válido mesmo para os nossos dias – os alimentos devem ser preparados antes da chegada do sábado. Ex.3: em Êxodo 35:3 ali nos mostra que era proibido acender o fogo nas horas sabáticas no antigo Israel. Então será que esta lei pode se aplicar em nossos dias? Claro que não. Acender um fogo naquele tempo era atividade muito complicada, não tendo a mínima comparação com o que temos hoje. Fazia-se uma atividade muito longa e cansativa e para se conseguir acender o fogo naqueles tempos. O costume daquele tempo era deixar antes do sábado um fogo permanentemente aceso para que durante as horas do sábado não houvesse necessidade de toda a grande tarefa para acender os fogos a lenha. Em nossos dias atuais, acender o fogo é algo extremamente fácil de fazer. Hoje é possível comprimir apenas um botão, ou se esfrega um pequeno pau de fósforo contra uma tira de material químico e se tem a chama. Uma atividade de 2 a 5 segundo e com pouquíssimo esforço físico. Ex.4: no antigo Israel os israelitas trabalhavam a terra durante seis anos, e no sétimo ano, a terra deveria descansar (Levítico 25:1-7). Durante esse ano sabático, os israelitas deveriam viver apenas dos frutos da terra que nascia e crescia livremente sem serem cultivados ou plantados, e também o povo possuía o maná que caía do céu. Mas em nossos dias, são poucos os cristãos que vivem do trabalho do campo. E mesmo para aqueles que vivem apenas da agricultura, sabe-se que hoje em dia já não é muito possível viver apenas dos frutos da terra, e nem pelo menos durante uma semana em algumas regiões. Ex.5: a lei civil do antigo Israel possuía o ano jubileu, que era feito a cada cinquenta anos. Nesse ano todos aqueles que eram servos dos outros deveriam ser libertados, e todas as posses que uma pessoa vendia para alguém, quando chegar o ano jubileu, esse vendedor tem o direito de readquirir aquela posse vendido (Levítico 25:8-55).
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    54 Nos nossos dias,os sistemas políticos e mesmo nos sistemas políticos das outras nações que viviam no tempo antigo não possuía essa lei do ano jubileu. Portanto já não é possível readquirir os bens vendidos ou a libertação de todas as dívidas, em outras sociedades daquele tempo e mesmo em nossos dias. Como já nos é dito acima, existem leis que só podem ser observadas debaixo do sistema teocrático israelita. Até porque muitas dessas leis, inclusive as leis que mandava apedrejar os que transgrediam a lei, não encontramos citações para aos cristãos da igreja primitivas que viviam fora de Israel. Muitos grupos religiosos afirmam, que todas as leis do velho testamento foram abolidas, que são apenas as que foram revalidadas no novo testamento é que devem ser observados pelos cristãos (1 Coríntios 5:1-5, 9;13). Mas só que esta visão é completamente equivocada pelos seguintes motivos: 1. Pelo que existem várias outras leis do antigo testamento que não foi transcrito para o novo testamento que são aceites por todos grupos cristãos. Por exemplos, não há nenhum mandamento claro, específico, ipsis verbis de Cristo, seja para judeus ou gentios, de que se obedeça ao 3º mandamento (não dizer o nome de Deus em vão), não se faça imagem de escultura, e não se consulte os mortos. 2. Porque em momento algum a bíblia nos ensina que devemos observar apenas as normas que são ensinadas no novo testamento. O apóstolo Paulo nos diz que também temos o fundamento dos profetas, que são do antigo testamento (Efésios 2:20), e ele mesmo afirmou que “toda a escritura” deve servir para o nosso ensino (2 Timóteo 3:16-17). (CALDAS, Davi. Somos obrigados a seguir os 613 mandamentos da Torá? Reação Adventista. Disponível em: https://reacaoadventista.com/2018/11/25/somos-obrigados- a-seguir-os-613-mandamentos-da-tora/ reacessado em: 31/12/20) / (QUADROS, Leandro. 40 Perguntas aos Adventistas Respondidas e Retribuídas. Leandro Quadros. Disponivel em: https://leandroquadros.com.br/40-perguntas-aos-adventistas- respondidas-e-retribuidas/ reacessado em 31/12/20) 13) A lei do velho testamento era “olho por olho, dente por dente”, e em Mateus 5:38- 39 Jesus não nos diz claramente que substituiu essa lei pela lei de amor aos próximos e aos inimigos? “23 Mas, se houver danos graves, a pena será vida por vida, 24 olhos por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé, 25 queimadura por queimadura, ferida por ferida, contusão por contusão.” (Êxodo 21:23-25)
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    55 “19 Se alguém ferirseu próximo, deixando-o defeituoso, assim como fez lhe será feito: 20 fraturas por fratura, olho por olho, dente por dente. Assim como feriu o outro, deixando-o defeituoso, assim também será ferido.” (Levítico 24:19-20) “38 "Vocês ouviram o que foi dito: 'Olho por olho e dente por dente'. 39 Mas eu digo: Não resistam ao perverso. Se alguém o ferir na face direita, ofereça-lhe também a outra.” (Mateus 5:38-39) Os livros do velho testamento nunca incentivaram o ódio contra os nossos inimigos, mas muito pelo contrário, os livros do velho testamento sempre incentivaram o amor ao próximo, inclusive aos nossos inimigos. “Não diga: "Eu o farei pagar pelo mal que me fez! "Espere pelo Senhor, e ele dará a vitória a você.” (Provérbios 20:22) “Não se alegre quando o seu inimigo cair, nem exulte o seu coração quando ele tropeçar,” (Provérbios 24:17) “21 Se o seu inimigo tiver fome, dê-lhe de comer; se tiver sede, dê-lhe de beber. 22 Fazendo isso, você amontoará brasas vivas sobre a cabeça dele, e o Senhor recompensará você.” (Provérbios 25:21-22) “17 Não guardem ódio contra o seu irmão no coração; antes repreendam com franqueza o seu próximo para que, por causa dele, não sofram as consequências de um pecado. 18 Não procurem vingança nem guardem rancor contra alguém do seu povo, mas ame cada um o seu próximo como a si mesmo. Eu sou o Senhor.” (Levítico 19:17-18)  Então será que a bíblia está em contradição? Se no velho testamento ela nos diz “olho por olho, dente por dente”, como pode dizer em outras passagens também do velho testamento que devemos amar os nossos inimigos? Em Mateus 5:38, Jesus começa a citar uma das leis mais antiga que tenha existido – olho por olho e dente por dente. Esta lei é conhecida por «lei de talião» ou com o nome latino «Lex Talionis» (ou lei de retaliação), e poderia escrever-lhe como lei da reciprocidade direta. Aparece no Código de Hamurabi, o código de leis mais antigo que se conhece. Mais de duzentos e trinta anos separam os códigos de Hamurabi da Lei de Moisés. Este código de Hamurabi foi elaborado pelo rei Hamurabi (1810 -1750 a.C.), por volta de 1700 a.C. Foi encontrado por uma expedição francesa em 1901 na região da antiga Mesopotâmia, correspondente a cidade de Susa, atual Irã. É digno de nota que Hamurabi recebeu seu código do deus Shamas, uma deidade mesopotâmica também chamada de “o deus da justiça”, e que o referido código está talhado em pedra.
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    56 A lei detalião limita deliberadamente os alcances da vingança. Seu propósito original foi em realidade, a limitação da vingança. A ‘vingança’ e a inimizade de sangue era uma das características da sociedade tribal daqueles tempos. Se um membro de uma tribo matava a um membro de outra tribo, a obrigação de todos os varões membros da segunda tribo era vingar-se em toupeiras os membros varões da primeira, e a vingança procurada não era senão a morte. Esta lei estabelece que somente deverá ser castigado o responsável pela ferida e que seu castigo não deve ser maior que a ferida que ele infligiu ao outro ofendido. Se ele furou um olho de sua vítima, o máximo que ele deveria sofrer é ter um olho vazado, nada além disso. Atualmente, essa lei poderia ser comparada ao Código Penal, que retribui a punição proporcional ao crime cometido. Além disso, esta lei era aplicada por um juiz mediante um processo legal de caráter público (veja-se Êxodo 18:19). A lei do talião jamais regulamentou ou justificou a vingança. Mas muitos judeus passaram a interpretá-la de uma forma errada, utilizando-a como um princípio dado por Deus para regulamentar o seu desejo de vingança pessoal. Jesus, em Seu sermão, colocou essa lei de volta ao seu devido lugar. Ao Jesus dizer: “não resistais ao perverso”, Ele reforçou o tema central do sermão da montanha (Mateus 5-7), que é o amor. O amor é o verdadeiro cumprimento da lei (Mateus 5:17-19). Deve ser demonstrado, não somente aos amigos e familiares, mas, sobretudo aos inimigos (Mateus 5:43-47), seguindo a atitude de amor do próprio Pai Celeste. (BARCLAY, William. Olho por olho e dente por dente. Equipe Bíblia.com.br. disponível em: https://biblia.com.br/perguntas-biblicas/olho-por-olho-e-dente-por-dente-incentivo- a-vinganca-ou-a-misericordia/ reacessado em 01/01/2021) / (Biblia.com.br. A inutilidade da vingança. Leandro Quadros. Disponível em: https://leandroquadros.com.br/a- inutilidade-da-vinganca/ acessado em: 01/01/2021) VINGANÇA versus AMOR: Para muitas pessoas a vingança e o desejo de vingança trata-se de algo incompatível com os princípios bíblicos. Mas ao contrário de que muitos imaginam ser, a vingança e o seu desejo não é algo condenado nas escrituras sagradas. O que o torna errado é executar vingança com suas próprias mãos e pagar mal com o mal. Pois a bíblia diz que Deus é o agente vingador e estabeleceu os seus representantes aqui na terra na isso.
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    57 “Jubilai, ó nações,o seu povo, porque ele vingará o sangue dos seus servos, e sobre os seus adversários retribuirá a vingança, e terá misericórdia da sua terra e do seu povo.” (Deuteronômio 32:43) “1 TODA a alma esteja sujeita às potestades superiores; porque não há potestade que não venha de Deus; e as potestades que há foram ordenadas por Deus. 2 Por isso quem resiste à potestade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos a condenação. 3 Porque os magistrados não são terror para as boas obras, mas para as más. Queres tu, pois, não temer a potestade? Faze o bem, e terás louvor dela. 4 Porque ela é ministro de Deus para teu bem. Mas, se fizeres o mal, teme, pois não traz debalde a espada; porque é ministro de Deus, e vingador para castigar o que faz o mal.” (Romanos 13:1-4) Em Deuteronômio 32:43 falas claramente do desejo de Deus em vingar aqueles que foram injustiçados, e um louvor da parte de Moisés pelo fato de Deus ser um vingador do seu povo, e por ser aquele que realmente faz justiça. E em Romanos 13:1-4 nos diz que foi Deus quem estabeleceu as autoridades para ser um “vingador para castigar o que faz o mal”. Portanto torna-se obvio que não é errado clamar por vingança. Veja um exemplo bíblico: “21 E eles conspiraram contra ele, e o apedrejaram por mandado do rei, no pátio da casa do SENHOR. 22 Assim o rei Joás não se lembrou da beneficência que Joiada, pai de Zacarias, lhe fizera; porém matou-lhe o filho, o qual, morrendo, disse: O SENHOR o verá, e o requererá.” (2 Crónicas 24:21-22) “Desde o sangue de Abel, até ao sangue de Zacarias, que foi morto entre o altar e o templo; assim, vos digo, será requerido desta geração.” (Lucas 1:51) “59 E apedrejaram a Estêvão que em invocação dizia: Senhor Jesus, recebe o meu espírito. 60 E, pondo-se de joelhos, clamou com grande voz: Senhor, não lhes imputes este pecado. E, tendo dito isto, adormeceu.” (Atos 7:59-60) Com base nesses textos podemos perceber que pessoas boas e temente a Deus podem agir de forma diferente diante das situações trágicas de vida. Estevão no momento que ia ser morto ele pediu a Deus para perdoar os seus agressores, mas ao contrário deste, o profeta Zacarias clamou ao Senhor para executar a vingança. E em Lucas 1:51 percebe-se que Cristo não foi contra a oração do profeta Zacarias em que ele deseja vingança. É certo que o profeta Zacarias desejou vingança, mas ele em momento nenhum desejou fazer a vingança com as suas próprias mãos (embora ele não poderia). O que a bíblia condena é o querer fazer a vingança com suas próprias mãos.
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    58 “17 Não retribuam aninguém mal por mal. Procurem fazer o que é correto aos olhos de todos. 18 Façam todo o possível para viver em paz com todos. 19 Amados, nunca procurem vingar-se, mas deixem com Deus a ira, pois está escrito: "Minha é a vingança; eu retribuirei", diz o Senhor. 20 Ao contrário: "Se o seu inimigo tiver fome, dê-lhe de comer; se tiver sede, dê-lhe de beber. Fazendo isso, você amontoará brasas vivas sobre a cabeça dele". 21 Não se deixem vencer pelo mal, mas vençam o mal com o bem.” (Romanos 12:17-21) (rever também Romanos 13:1-6) Deus é o agente vingador e estabeleceu as autoridades para vingar contra aqueles que fazem o mal, e se possível (essas autoridades) tem o poder de agir de forma “olho por olho, dente por dente” como ele mesmo o tinha autorizado a Moisés e às autoridades Israelitas de agiram dessa forma. “Quebradura por quebradura, olho por olho, dente por dente; como ele tiver desfigurado a algum homem, assim se lhe fará.” (Levítico 24:20) “O teu olho não perdoará; vida por vida, olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé.” (Deuteronômio 19:21) Foi o próprio Cristo que mandou Moisés e às autoridades israelitas a agiram desta forma (João 5:45-47; 1 Coríntios 10:1-4). Em Mateus 5:38-39 Jesus estava a falar para pessoas comuns, e ao contrário das autoridades, essas pessoas comuns não possuem direito nenhum de agir de forma “olho por olho, dente por dente”. Para essas pessoas Jesus nos orienta a nunca pagar mal com mal, e se alguém nos bater em uma face que oferecermos-lhe a segunda face. Que se alguém possui dois túnica e alguém lhe tomar uma túnica então que lhe oferecermos a outra. É certo que existem pessoas que é capaz de suportar essa provação e até mesmo perdoar o agressor assim como no caso de Estevão. Mas é certo que outras pessoas dotadas de uma personalidade diferente querer que seja feito vingança assim como o profeta Zacarias. E neste caso Deus lhes aconselha para irem às autoridades competentes para isso, a fim de executaram a vingança desejado contra o agressor, pois eles são “ministro de Deus, e vingador para castigar o que faz o mal” (Rom. 13:4). (QUADROS, Leandro. O que a Bíblia diz sobre vingança e justiça? - Leandro Quadros - Bíblia - IASD – Justiça. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=PHqlGeEbSZ4 acessado em: 01/01/2021)
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    59 14) Se nemtodos os mandamentos do torah se aplicam hoje em dia, então quais são os mandamentos que devem ser observados? A Bíblia apresenta diversos aspectos da lei, mas há um destaque maior para a lei de Deus que inclui todos os preceitos de ordem moral, constituída principalmente por Dez Mandamentos escritos diretamente por Deus em duas tábuas de pedra (Êxodo 31:18). As outras leis, foram agrupadas em um livro e disciplinam diversos assuntos. A lei de Deus (Romanos 7:22; Romanos 8:7), também é conhecida como a “lei da Liberdade”, “lei Perfeita”, “lei Régia” ou “lei Real” (Tiago 1:25; Salmos 19:7; Tiago 2:8). Nela não existe orientações sobre higiene, procedimentos litúrgicos, processos jurídicos, penais e etc. Nela, encontra-se princípios de natureza morais, espiritual, abrangente e contêm princípios universais reunidos em dez preceitos, e os quais são usados como norma de justiça em Seu juízo. Reflexo do caráter do Legislador: As Escrituras veem os atributos de Deus em sua lei. Tal como Deus, “a lei do SENHOR é perfeita” e o “testemunho do SENHOR é fiel” (Sal. 19:7). “A lei é santa; e o mandamento, santo, e justo, e bom” (Rom. 7:12). “Todos os teus mandamentos são verdade. Quanto às tuas prescrições, há muito sei que as estabeleceste para sempre” (Sal. 119:151-152). Efetivamente, “todos os teus mandamentos são justiça” (Sal. 119:172). Uma lei moral: Os dez mandamentos apresentam o padrão divino de conduta para a humanidade. Eles definem nosso relacionamento com o Criador e Redentor, bem como nossos deveres para com os semelhantes (Ecle. 12:13-14; Tia. 2:11-12). A lei de Deus é descrita em toda a bíblia como sendo aquela que nos define o que é pecado. As Escrituras identificam a transgressão da lei como pecado (1 Jo. 3:4). Uma lei espiritual: “A lei é espiritual” (Rom. 7:14). Portanto, somente aqueles que são espirituais e revelam os frutos do Espírito, é que podem obedecer a lei (Jo. 15:4; Gál. 5:22-23). É o Espírito de Deus que nos fortalece para a obediência (At. 1:8; Sal. 51:10-12; Eze. 11:19- 20; Eze. 36:26-27). Ao permanecer em Cristo, recebemos o poder necessário para produzir os frutos de sua glória (Jo. 15:5). As leis humanas abrangem apenas atos públicos. Mas os dez mandamentos são “ilimitados” (Sal. 119:96), alcançando os nossos mais secretos pensamentos, desejos e emoções, tais como o ciúme, inveja, lascívia e ambição. “A toda perfeição vi limite, mas o teu mandamento é amplíssimo. Mem.” (Salmos 119:96)
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    60 Durante o Sermãoda Montanha, Jesus enfatizou essa dimensão espiritual da lei, demonstrando que a transgressão começa no coração. “21 Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; mas qualquer que matar será réu de juízo. 22 Eu, porém, vos digo que qualquer que, sem motivo, se encolerizar contra seu irmão será réu de juízo, e qualquer que chamar a seu irmão de raca será réu do Sinédrio; e qualquer que chamar de louco será réu do fogo do inferno. 27 Ouvistes que foi dito aos antigos: Não cometerás adultério. 28 Eu porém, vos digo que qualquer que atentar numa mulher para a cobiçar já em seu coração cometeu adultério com ela.” (Mateus 5:21-22, 27-28) (ver Marcos 7:21-23) Uma lei positiva: O decálogo é mais do que simplesmente uma série de proibições; ele contém princípios de longo alcance. Não somente se aplica a coisas que não deveríamos fazer, mas igualmente àquilo que deveríamos praticar. Não apenas devemos nos restringir da prática de atos maus e de maus pensamentos; devemos aprender a como utilizar para o bem os talentos que Deus nos outorgou. Desse modo, toda injunção negativa possui uma dimensão positiva. Por exemplo: o sexto mandamento, “Não matarás”, possui seu lado positivo, “Promoverás a vida”. “É desejo de Deus que seus seguidores promovam o bem-estar e a felicidade de todos aqueles que estiverem dentro de sua esfera de influência. Em um sentido profundo, a comissão evangélica – as boas-novas da salvação e vida eterna por meio de Jesus Cristo – repousa sobre o princípio positivo presente no sexto preceito.” “a lei dos dez mandamentos não deve ser considerada tanto do lado proibitivo, como do lado da misericórdia. Suas proibições são a segura garantia de felicidade na obediência. Recebida em Cristo, ela opera em nós a purificação do caráter que nos trará alegria através dos séculos da eternidade. Para os obedientes é ela um muro de proteção. Contemplamos nela a bondade de Deus que, revelando aos homens os imutáveis princípios da justiça, procura resguardá-los dos males que resultam da transgressão” (Mensagens Escolhidas, v.1 p.235). Uma lei simples: Os dez mandamentos são amplos em sua abrangência. Tão breves que até mesmo uma criança pode facilmente memorizá-los, mas ainda assim são tão amplos que abrangem a qualquer pecado possível. “Não existe mistério na lei de Deus. Todos podem compreender as grandes verdades que ela encerra. O intelecto mais débil pode apreender essas regras; o mais ignorante pode reger a vida, e formar o caráter, de acordo com a norma divina.” (Mensagens Escolhidas, v.1 p.218) Uma lei de princípios. Os dez mandamentos representam um resumo de todos os princípios corretos, aplicáveis a toda a humanidade em todos os tempos. Dizem as Escrituras:
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    61 “Teme a Deuse guarda os seus mandamentos; porque isto é o dever de todo homem” (Eclesiastes 12:14) Tendo em vista ajudar os israelitas na aplicação dos mandamentos, Deus lhes outorgou leis adicionais, as quais detalhavam o relacionamento que eles deveriam manter com Ele e uns com os outros. Algumas dessas leis adicionais focalizavam os assuntos civis de Israel (leis civis), outras regulamentavam as cerimônias dos serviços do santuário (leis cerimoniais). Deus comunicou essas leis adicionais ao povo, por um intermediário, Moisés, o qual as escreveu no livro da lei e o colocou “ao lado da arca da aliança” (Deut. 31:26) – não no interior da arca, conforme ele fizera com a suprema revelação de Deus, o decálogo. Essas leis adicionais se tornaram conhecidas como “o Livro da Lei de Moisés” (Jos. 8:31; Nee. 8:1; 2 Cro. 25:4), ou simplesmente como “Lei de Moisés” (2 Rei. 23:25; 2 Cro. 23:18). Embora Moisés tenha sido o responsável por escrevê-lo, os israelitas tinham plena convicção de que todas as suas instruções eram provenientes de Deus, e isso os motivaram a chamá-lo também de: “livro da lei do Senhor” e “livro da lei de Deus” (Jos. 24:26; Nee. 8:18; 9:3). Assim, por este meio literário, a nação israelita obtinha direcionamento tanto nas questões políticas-administrativas quanto nas questões religiosas. Nota-se ainda que o seu vasto conteúdo guiava, direta ou indiretamente, os israelitas aos princípios exigidos pela lei de Deus (Dez Mandamentos). Deste modo, eles poderiam aprender, vivenciar e ensinar os propósitos de Deus para a humanidade. Obs.: vários grupos religiosos acusam-nos de dividir a lei em lei de Deus e Lei de Moisés. Para eles não faz nenhum sentido chamar os aspectos morais da lei como sendo a lei de Deus, enquanto os outros aspectos da lei são chamados da lei de Moisés, isto porque todas as leis que se encontram nos livros de Moisés também são chamadas da lei de Deus. Está acusação na verdade faz algum sentido, mas esses grupos religiosos esqueçam de aplicar os seguintes requisitos: 1. Nós não afirmamos que as leis de Torah foi abolido, mas sim que ela foi ampliada por Cristo (ver pergunta nº7, tópico sobre Mat. 5:17:18). Até mesmo a lei cerimonial foi atribuída o seu verdadeiro sentido, ao ser transferido a sua função para Cristo. As leis higiênicas apenas houve uma mudança na sua forma de aplicar os seus princípios. As leis penais também houve uma mudança na forma de aplicar os seus princípios. Hoje a igreja pune ou remove os nomes da lista dos membros da Igreja, todos aqueles cuja pecado exigia punição ou pena de morte na lei de torah. As leis de saúde apesar de não é considerado leis de aspecto morais, mas são aceites de igual modo como as de aspectos morais. E como ela faz parte das leis de Moisés, e uma vez
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    62 que essas leisestão nas leis de Moisés, e assim como os judeus acreditamos que essas leis vêm do próprio Deus (João 5:46-47). E por isso os Adventistas também o chamam de Lei de Deus. 2. É certo que os israelitas chamavam todas as leis da Torah também como sendo as leis de Deus, mas percebe-se claramente que na maioria das vezes que é mencionado “a lei de Deus”, há um destaque maior para o aspecto moral da Lei. Por exemplo:  Em Eclesiastes 12:13-14 é dito que devemos guardar os mandamentos de Deus, pois Deus vai trazer juízo para todas as obras (quer boas ou más). Podemos questionar: qual é o aspecto da lei que nos define as obras que são boas, e as que são más? É obvio que são as leis de aspecto morais. Por exemplo, as leis penais/civil não definem o pecado (obras más), elas apenas nos indicam as penalidades para quem pecar;  Em Romanos encontrados sempre um contraste entre o pecado e a lei. Por exemplo: em Romanos 8:7 é dito que “a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus”, ou seja, que o pecado é contra a lei de Deus. Ora, são os aspectos morais da lei é que nos define com maior precisão, o que é pecado. A lei civil/penal apenas nos indique a penalidade para o pecado, os aspectos cerimoniais apenas indicam alguns rituais a fazer para obter perdão do pecado;  Em João 15:12 Jesus nos diz que o seu mandamento é amar uns aos outros. Esse mandamento já existia na lei de Torah (Lev. 19:17-18; Deut. 6:5). Ora é claro que esse preceito exclui os aspectos civis/penais, cerimoniais, higiênicas, etc. Mas não exclui os aspectos morais da lei, pois a lei do amor é apenas um resumo do decálogo, ou dos preceitos morais (Rom. 13:8- 10). Deve-se observar também que, apesar de Moisés ter transcrito a lei de Deus para o mencionado livro, isso não significa que ela passou a ser considerada de mesma finalidade, importância e validade em relação as demais. Ele tão-somente transcreveu o conteúdo desta lei que, após a sua entrega, passou a ser guardada dentro da arca da aliança (Êxo. 25:16, 21; Heb. 9:1-4); e o acesso às duas tábuas de pedra que formavam a lei de Deus era extremamente restrito devido a santidade delas e do local onde estavam alojadas. Então, para que a nação tivesse a sua disposição uma leitura fiel dos Dez Mandamentos, Deus ordenara que Moisés os transcrevesse para o livro. Com a morte de Jesus na cruz, várias normas cerimoniais (especialmente aquelas que simbolizavam a Cristo e Seu sacrifício) perderam a sua validade (Dan. 9:27; Mat. 27:50-51; Mar. 15:37-38). Diferentemente, isso não ocorre com as normas morais e éticas presentes na lei de Moisés que procedem da lei de Deus, como por exemplo, as registadas em Êxodo 23:1-
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    63 9; Levítico capítulo18 e, Levítico 19:13-18. Igualmente, permanece as leis sobre saúde (ex.: Levítico capítulo 11) e alguns princípios jurídicos (observando os procedimentos atuais e locais) (Deut. 17:8-9; Deut. 21:18-20; Rom. 13:1-4; Tito 3:1-2). No geral, ao analisar a lei de Moisés, deve-se observar quais orientações são aplicáveis na nova aliança, e destas quais são de aplicabilidade universal, pois existem instruções destinadas exclusivamente ao povo de Israel. (Associação Ministerial da Associação Geral dos Adventistas do Sétimo Dia. Nisto Cremos: A Lei de Deus. Casa Publicadora Brasileira. 10ª edição. 2019. Pa. 298-301) 15) O que aconteceria com aqueles que se guardaram 9 mandamentos, e apenas tropeçaram em um só mandamento? “10 Pois qualquer que guardar toda a lei, mas tropeçar em um só ponto, tem-se tornado culpado de todos. 11 Porque o mesmo que disse: Não matarás. Ora, se não cometes adultério, mas és homicida, te hás tornado transgressor da lei.” (Tiago 2:10-11) Todos os mandamentos de Deus devem ser guardados, nenhumas delas devem ser desperdiçados, pois qualquer que guarda a lei e tropeça em um só, para Deus ele ainda é um transgressor. Veja um exemplo: Se Jesus retornasse nesse exato momento para buscar os seus escolhidos e te encontrar adulterando com a mulher do seu próximo, com certeza você perderia a sua salvação. Então, de que adianta guardar nove dos mandamentos se você tropeçou em um, o adultério. Na matemática de Deus 10-1 = 0. 16) Será que Deus aceita e ouve a oração aqueles que simplesmente ouvem a Lei? A bíblia nos diz que Deus ouve todas as orações (Jer. 29-12-13; Mat. 7:7-11). No entanto, a Bíblia nos apresenta algumas ocasiões em que Deus simplesmente ignora as nossas orações. São situações que desagradam ao Senhor e que trazem certo impedimento dos nossos pedidos serem considerados por Ele. Dentre algumas situações que impedem que as orações não são atendidas são: a) Quando pedimos mal – Tiago 4:3; b) Quando Duvidamos da Palavra – Tiago 1:6-7; c) Quando não somos perseverantes em oração – Colossenses 4:2; Lucas 18:1-7; d) Quando retemos pecado no coração – Salmos 66:18;
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    64 É certo queDeus ouve todas as orações! Antes mesmo de orarmos ele já sabe o que vamos falar (Sal. 139:4). Essa ideia de que “Deus não ouve a oração” não é bíblica. Mas algumas orações não são atendidas caso não cumprimos alguns requisitos necessários. O livro do Provérbios acrescenta dizendo: “O que desvia os seus ouvidos de ouvir a lei, até a sua oração é abominável.” (Provérbios 28:9) Quando um homem desvia seus olhos de ouvir a lei de Deus, Deus desvia seus ouvidos de ouvir a sua oração! Deus recusa ouvir aquele que recusa ouvi-lo! A bíblia nos diz como devem ser a oração daqueles que desprezam a Lei de Deus: “Desvenda os meus olhos, para que eu veja as maravilhas da tua lei.” (Salmos 118:18) “9 Com que purificará o jovem o seu caminho? Observando-o conforme a tua palavra. 10 Com todo o meu coração te busquei; não me deixes desviar dos teus mandamentos. 11 Escondi a tua palavra no meu coração, para eu não pecar contra ti. 12 Bendito és tu, ó SENHOR; ensina-me os teus estatutos.” (Salmos 119:9-12) 17) Deus permite que façamos a mudança, tirar ou acrescentar alguma coisa na sua lei? A lei de Deus é o reflexo do Seu caráter. E o carácter de Deus não muda (Mal. 3:6; Tia. 1:17). Os preceitos morais assim como o próprio Deus é imutável, elas também não muda nunca. Por isso a Bíblia se refere a esta lei como a lei perfeita (Tiago 1:25). “Não acrescentareis à palavra que vos mando, nem diminuireis dela, para que guardeis os mandamentos do Senhor vosso Deus, que eu vos mando.” (Deuteronômio 4:2) “Tudo o que eu te ordeno, observarás; nada lhe acrescentarás nem diminuirás.” (Deuteronômio 12:32) Deus não deu a ninguém o poder de acrescentar ou diminuir as suas leis. Nenhum ser humano tem poder de anular, acrescentar ou diminuir as exigências da sua lei. 18) O que iria acontecer futuramente com a lei de Deus, segundo descreve o profeta Daniel, e o apóstolo Paulo? A bíblia nos orienta que a santa lei de Deus iria sofrer um ataque por parte de um reino mundial que é representado pelo chifre pequeno no livro de Daniel. A bíblia profetizou que este reino iria mudar os tempos e a lei.
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    65 “Proferirá palavras contrao Altíssimo, e consumirá os santos do Altíssimo; cuidará em mudar os tempos e a lei; os santos lhe serão entregues na mão por um tempo, e tempos, e metade de um tempo.” (Daniel 7:25) Mas quem é esse chifre pequeno? Numa certa noite, o profeta Daniel teve um sonho. Esse sonho é descrito em Daniel 7:2- 3: “Em minha visão à noite, eu vi os quatro ventos do céu agitando o grande mar. Quatro grandes animais, diferentes uns dos outros, subiram do mar.” (Daniel 7:2-3) O que esses animais representam na profecia bíblica? “Os quatro grandes animais são quatro reinos que se levantarão na terra” (verso 17). “Ele me deu a seguinte explicação: ‘O quarto animal é um quarto reino que aparecerá na Terra’” (verso 23). Esses quatro animais representavam quatro reinos que dominariam o mundo. Em Daniel 7, esses quatro grandes impérios governando sobre o mundo inteiro são apresentados ou descritos como animais selvagens. Em Daniel 2, os mesmos impérios são retratados como metais de valor e força diferentes. Em Daniel 2, Nabucodonosor, rei da Babilônia, sonhou com uma grande estátua. Essa estátua tinha cabeça de ouro, peito e braços de prata, quadris de bronze, pernas de ferro e pés de ferro e barro. Não precisamos adivinhar o significado dessa estátua gigante composta por quatro metais.  A Babilônia, o primeiro desses quatro reinos, foi mencionada por nome de forma direta por Daniel (versos 37-40).  Ele também nomeia o império que destronaria Babilônia: a Média-Pérsia (Daniel 5:28- 30).  E a nação que derrubou a Média-Pérsia foi a Grécia (Daniel 8:20-21). Os quatro metais da imagem representam quatro poderes mundiais: Babilônia, Média-Pérsia, Grécia e Roma.  A imagem tinha pés de ferro misturado ao barro, representando a Europa dividida, e uma pedra, sem auxílio de mãos, se soltou e despedaçou a estátua. Essa pedra simboliza Jesus, a Rocha Eterna, que um dia destruirá os reinos deste mundo e estabelecerá um reino eterno. Analisemos cuidadosamente o capítulo 7 de Daniel, para ver como as figuras dos animais representam essas nações / império antigas. À medida que essas bestas proféticas passam pela linha do tempo, podemos observar o desdobrar da história.
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    66 1º Leão comduas asas (Dan. 7:4): O leão com asas de águia era um símbolo comum de Babilónia no mundo antigo. Na verdade, o profeta Jeremias (4:7), identificou a Babilónia simbolicamente como um Leão destruidor. 2º Urso com três costelas na boca, que se ergue por um dos seus lados (Da. 7:5): O urso da Média-Pérsia, erguendo-se por um de seus lados, representa os persas, que derrubaram primeiro Babilônia para, em seguida, dominar os medos. O que o urso tem na boca? Três costelas. Quando a Média-Pérsia conquistou o mundo, ela conquistou primeiro Babilônia, depois foi em direção ao norte, onde conquistou Lídia e, em seguida, para o sul, onde dominou o Egito. 3º Leopardo com 4 cabeças e 4 asas (Dan. 7:6): Os gregos derrotaram os medos e os persas. Alexandre, o grande, e seu exército grego conquistou o mundo rapidamente. Alexandre, o grande, morreu muito jovem, aos 36 anos. As quatro cabeças do leopardo representam os quatro generais de Alexandre que dividiram o império: Cassandro, Ptolomeu, Seleuco e Antígono. Os quatro generais de Alexandre governaram exatamente como a Bíblia predisse. 4º “Um animal terrível e espantoso” (Dan. 7:6): esse quarto animal representa o Império Romano. Esse período nos leva ao tempo de Cristo. A imagem de Daniel 2 possuía pés de ferro e barro, representando a Europa dividida. O quarto animal tinha dez chifres. As tribos bárbaras varreram o império, saquearam e levaram espólios, destruindo vilas e ocupando cidades. As tribos bárbaras o secionaram em pequenos reinos, dividindo o império em 10 reinos principais:  Álamos (352) – Alemanha;  Francos (352) – França  Suevos (406) – Portugal  Visigodos (408) – Espanha  Anglo-Saxões (453) – Inglaterra  Lombardos (453) – Itália  Vândalos (406) – Extintos  Hérulos (476) – Extintos  Ostrogodos (453) - Extintos Em seguida, Deus revela como a apostasia se infiltraria na igreja no tempo em que o Império Romano estava sendo devastado pelas tribos bárbaras do norte. Enquanto Daniel, em visão, via esses dez chifres, algo surpreendente apareceu:
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    67 “Enquanto eu consideravaos chifres, vi outro chifre, pequeno, que surgiu entre eles; e três dos primeiros chifres foram arrancados para dar lugar a ele. Esse chifre possuía olhos como os olhos de um homem e uma boca que falava com arrogância” (Daniel 7:8) Quem é esse chifre pequeno que se levanta sobre os outros dez? Procuremos descobrir e analisar algumas das características que a Bíblia diz sobre esse misterioso chifre pequeno. 1º Ele é um chifre pequeno – ou seja, ele é uma pequena nação. 2º Ele surge no meio dos dez primeiros - Se os dez chifres são as divisões de Roma, o chifre pequeno necessariamente surge na Europa ocidental. Ele não surge na Ásia, África, América do Norte ou do Sul. Suas raízes podem ser encontradas em solo europeu; 3º Surgiria depois dos dez chifres - Ele não aparece no tempo da Babilônia, Média-Pérsia, Grécia ou Roma. Surge após a queda do Império Romano. É um poder que se levanta a partir de Roma, nos primeiros séculos. 4º Para se estabelecer arrancou a 3 dos 10 chifres – depois da queda do império romano, surgiriam as 10 tribos representados pelos 10 chifres. Mas quando surgiu esse chifre pequeno, para se estabelecer, ele arrancou/combateu contra 3 das 10 tribos. 5º Parecia mais “robusto” do que os outros chifres - ele conseguiria em certo momento dominar até mesmo o poder temporal, bem como o religioso. 6º Tem olhos como os de um homem - Nas Escrituras, os profetas são chamados de “videntes”, porque eles veem com os olhos de Deus. Os olhos de homem não representam a sabedoria divina, mas a humana. É um sistema religioso baseado em ensinamentos de homens que surgiria de Roma. 7º Era diferente dos 10 Chifres - Todos os poderes antes dele – Babilônia, Média- Pérsia, Grécia e Roma – constituíam poderes políticos. Esse é diferente. Não se trata de um poder político em primeira instância; é um poder político-religioso. 8º Os santos lhe serão entregues por 1 tempo, 2 tempos e ½ de um tempo – o termo “Tempo” na profecia significa “Ano” (Dan. 11:13), portanto 1 tempo, 2 tempos e ½ de um tempo ou 3,5 tempos significa 3,5 anos. e na profecia o dia profético representa um ano literal (Núm. 14:34; Eze. 4:6-7), e um ano profético representa 360 anos literal. Então ao falar de 3,5 tempo ou ano profético, representa 1260 ano literal. Então a bíblia quer nos dizer que este chifre pequeno iria dominar por um período de 1260 ano literal. 9º Fazia guerra contra os santos e prevalecia contra eles - seria um perseguidor daqueles que desejassem permanecer fiéis às leis de Deus, e rejeitarem a contrafação que o chifre pequeno apresentaria ao mundo.
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    68 10º Mudaria ostempos e a lei – o sábado da lei de Deus seria alterado por um outro dia de guarda, em obediência total ao poder do chifre pequeno. Não há como fugir da realidade histórica de que apenas um poder encaixa-se nas características reveladas em Daniel sobre a identidade do chifre pequeno: ROMA PAPAL. Vejamos porque: 1º Ele é cidade que pertencia a um pequeno território – o vaticano – que até hoje, é o menor país do mundo, com apenas 0,44 km² e 800 habitantes. 2º Essa pequena nação surgiu no meio de todas as outras dez tribos. 3º Ela só se surgiu após o surgimento das outras dez tribos; 4º Esta pequena nação combateu ferozmente contra os três das dez tribos (foram os Vândalos (406), os Hérulos (476), e os Ostrogodos (453)); 5º Esta pequena nação dominou sobre as outras tribos restantes; 6º Esta igreja seguem a tradição à Tradição, e se diz que possuem o poder de e interpretar autenticamente a Palavra de Deus, escrita ou transmitida. Aceitam vários dogmas doutrinarias que não possuem fundamentos bíblicos e que contradiz diretamente os ensinamentos bíblicos (ex.: a igreja chama o seu pontífice de o santo Pai, enquanto que a bíblia nos diz que não devemos chamar ninguém de pai senão a Deus (ver Mat. 23:9), mas a igreja não aceita isto, pois acredita-se que possuem um poder de modificar e interpretar a palavra de Deus como bem entender) 7º Era um poder diferente de todos os outros impérios que surgiram antes deles, pois se trata de um poder político e religioso; 8º Essa pequena dominou exatamente por um período de 1260 anos literal. Começou em 538 d.C. quando finalmente alcançou a supremacia total ao eliminar a última tribo que não aceitava a sua supremacia (os ostrogodos). O seu domínio só terminou no ano de 1798 d.C., quando o Papa Pio VI foi levado para o cativeiro em França. 9º Durante esse período de 1260 anos, a igreja perseguiu, e martirizou muitos cristãos que permaneceram fiel aos ensinos da palavra de Deus, que não aceitavam as suas falsas crenças baseadas nas tradições humanas; 10º A igreja acredita-se que tem autoridade para modificar as leis divinas. E existem vários documentos católicos que confirmam a mudança da lei de Deus especialmente a guarda do sábado para o domingo. A obra The Convert’s Catechism of Catholic Doctrine explica esse fato da seguinte maneira:
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    69 “Pergunta: Qual éo terceiro mandamento? Resposta: O terceiro mandamento é: Lembra-te do dia de sábado para o santificar. Pergunta: Qual dia é o sábado? Resposta: O sábado é o sétimo dia da semana. Pergunta: Por que observamos o domingo em vez do sábado? Resposta: Observamos o domingo em vez do sábado porque a Igreja Católica transferiu a solenidade do sábado para o domingo.” (Peter Geiermann, The Convert’s Catechism of Catholic Doctrine (1957), p. 50.) “A igreja de Deus achou por bem transferir a celebração e observância do dia de sábado para o domingo.” (Conselho de Catecismo dos Padres de Trento, 1958) Alguém pode estar a pergunta por que essas afirmações do catecismo da Igreja Católica se referem ao mandamento do sábado como terceiro mandamento, em vez do quarto. Isso se deve simplesmente ao fato de que a igreja eliminou o segundo mandamento, que diz respeito a imagens de escultura e dividiu o décimo mandamento (“Não cobiçarás”, Êxodo 20:17) em dois: “Não cobiçarás a mulher do teu próximo” e “Não cobiçarás os bens do teu próximo”. A mudança do sábado ocorreu gradualmente, à medida que os cristãos se distanciaram dos judeus e que os líderes da igreja e do estado deram as mãos para unir o império. Daniel 7:25 diz que um poder vindo de Roma tentaria mudar a lei do Senhor. Deus nos diz para ficarmos alerta! Existem várias declarações de fontes católicas romanas que reconhecem a igreja como responsável pela mudança do sábado. A igreja católica valoriza a tradição mais do que a própria bíblia, mas na bíblia a tradição só aparece nove vezes na bíblia, mas nunca ela é louvada, ou aceite de bom grado. Numa certa ocasião, o próprio Jesus nos diz: “6 Respondeu-lhes: Bem profetizou Isaías acerca de vós, hipócritas, como está escrito: Este povo honra-me com os lábios; o seu coração, porém, está longe de mim; 7 mas em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens. 8 Vós deixais o mandamento de Deus, e vos apegais à tradição dos homens. 9 Disse-lhes ainda: Bem sabeis rejeitar o mandamento de Deus, para guardardes a vossa tradição” (Marcos 7:6-9) No livro de Atos 5:29 nos faça uma recomendação: “Respondendo Pedro e os apóstolos, disseram: Importa antes obedecer a Deus que aos homens” (Atos 5:29)
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    70 19) Como aBíblia descreve o povo de Deus? Em Apocalipse 12 temos uma descrição da igreja de Deus ao longo dos séculos, de uma forma detalhada: “E viu-se um grande sinal no céu, a saber, uma mulher vestida do sol com a lua debaixo dos pés, e uma coroa de doze estrelas na cabeça.” (Apocalipse 12:1) Os símbolos proféticos que apontam às características desta mulher podem ser compreendidos por meio da própria Escritura: a) Numa linguagem figurada, a “mulher” representa o povo de Deus, Sua igreja. (Jeremias 6:2; 2 Coríntios 11:2; Efésios 5:22-35); b) É símbolos de justiça, quer seja justiça própria, como é dito em Isaías 64:6: “Pois todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo da imundícia; e todos nós murchamos como a folha, e as nossas iniquidades, como o vento, nos arrebatam.” Ou justiça de Deus imputada a nós por meio de Cristo, como Paulo explica, ao rogar aos efésios que se “despissem do velho homem” e “a vos revestir do novo homem, que segundo Deus foi criado em verdadeira justiça e santidade.” (Efésios 4:22-24) c) Esta Mulher, portanto, está vestida única e exclusivamente da justiça de Cristo Jesus, o “Sol da Justiça” (Malaquias 4:2), ou seja, ela vive e prega a justificação pela fé, a salvação pela graça. d) O Sol, Cristo, era apenas refletido de maneira pálida nos símbolos do AT. Como a lua que só reflete palidamente a luz do sol astro. Portanto, a Mulher teria os ensinos do Antigo Testamento como base de sua fé, e as promessas do Novo Testamento como foco de sua esperança (12 estrelas na cabeça/entendimento). Ou seja, toda a Escritura lhe é valiosa. A mulher de Apoc. 12 não é a IASD. É o povo da Aliança restaurada de Deus do Éden aos últimos dias. A IASD deve buscar permanecer como parte desta mulher ao manter as duas principais características de como seria a igreja de Deus nos últimos dias. “E o dragão irou-se contra a mulher, e foi fazer guerra ao remanescente da sua semente, os que guardam os mandamentos de Deus, e têm o testemunho de Jesus Cristo” (Apocalipse 12:17) “Aqui está a perseverança dos santos, daqueles que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus.” (Apocalipse 14:12) A IASD é o remanescente do povo de Deus, não o povo de Deus em sua exclusividade. Afinal, o “sai dela, povo Meu” (Apoc. 18:4) é um chamado global. Cristo tem Seu povo espalhado em vários apriscos (João 10:16). Portanto, ser parte do movimento adventista é ter o
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    71 privilégio de seorganizar num movimento profético escatológico de MISSÃO. Chamando o remanescente a se organizar na pregação do Evangelho Eterno. Uma mensagem de salvação. 20) Segundo Romanos 2:13, diz que somos justificados pelas obras, mas segundo o livro de Efésios 2:9, diz que é pela Graça mediante a fé. Afinal é a Lei ou é a Graça? Não estaria a Bíblia a se contradizer a si próprio? “Pois não são justos diante de Deus os que só ouvem a lei; mas serão justificados os que praticam a lei” (Romanos 2:13) Se há algo que o diabo gosta é dos extremos. Ele aprecia ver as pessoas defendendo uma salvação pelas obras e ri daqueles que acham que a salvação pela graça “liberta” da obediência (isso não é liberdade, mas, “libertinagem”). Os legalistas usam Romanos 2:13 para anular o próprio pensamento de Paulo de que a justificação (ser tornado justo) é somente pela fé: “Porque os simples ouvidores da lei não são justos diante de Deus, mas os que praticam a lei hão de ser justificados.” Entretanto, a justificação (o ser tornado justo, o ser perdoado) não é pela lei. Escreveu Paulo em, “concluímos pois que o homem é justificado pela fé sem as obras da lei.” (Romanos 3:28) Já os permissivistas, ao deparar com Romanos 2:13, pulam fora e citam outros textos de Romanos (3:21, 24) e a carta aos Gálatas para justificarem o seu desrespeito para com os Dez Mandamentos, especialmente para com o quarto mandamento, que ordena a observância do sábado como dia de guarda (Êxodo 20:8-11). Nenhum dos dois grupos de pessoas agrada a Deus. Apenas ao diabo. O que Romanos 2:13 ensina é que “… homens são julgados não pelo que pretendem conhecer ou professam ser, senão pelo que realmente fazem” segundo o significado que ele mesmo já tinha dado no cap. 2:5-6: “5 Mas, segundo a tua dureza e teu coração impenitente, entesouras ira para ti no dia da ira e da revelação do justo juízo de Deus, 6 que retribuirá a cada um segundo as suas obras;” (Romanos 2:5-6) Portanto, o apóstolo está destacando que, mesmo sendo salvo pela graça, o ser humano no dia do juízo será avaliado por suas obras, pela lei que tinha à sua disposição (O Decálogo ou a Lei Moral escrita no seu coração):
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    72 “14 (porque, quando osgentios, que não têm lei, fazem por natureza as coisas da lei, eles, embora não tendo lei, para si mesmos são lei. 15 pois mostram a obra da lei escrita em seus corações, testificando juntamente a sua consciência e os seus pensamentos, quer acusando-os, quer defendendo-os), 16 no dia em que Deus há de julgar os segredos dos homens, por Cristo Jesus, segundo o meu evangelho.” (Romanos 2:14-16) Afinal, por que juízo se não existe uma Lei para avaliar a conduta de quem realmente aceitou o plano de salvação? (Eclesiastes 12:13-14; 2 Coríntios 5:10; Romanos 14:12) Paulo não está defendendo a salvação pelas obras em Romanos 2:13 e muito menos a perigosa ideia de que o salvo pela graça não precisa obedecer (João 14:15; 15:10). Em seus escritos o apóstolo dos gentios sempre se preocupou em que colocar a lei no seu devido lugar: não como o meio de salvação (Efésios 2:8, 9), mas como sendo o resultado de um coração transformado (Efésios 2:10) pela graça de Jesus. É importante saber que a fé verdadeira é caracterizada pelas boas obras (Gálatas 5:6; Tiago 2:14-18), e no dia em que Deus há de julgar o mundo Ele irá avaliar a nossa fé mediante as obras (Mateus 16:27; Romanos 2:13). Para os dois grupos de pessoas que pisam no terreno perigoso (ao estarem em um extremo ou outro) o apóstolo deixa algumas informações: “Justificados, pois, pela fé, tenhamos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo,” (Romanos 5:1) – mensagem aos legalistas “Anulamos, pois, a lei pela fé? De modo nenhum; antes estabelecemos a lei.” (Romanos 3:31) “18 Foi chamado alguém, estando circuncidado? permaneça assim. Foi alguém chamado na incircuncisão? não se circuncide. 19 A circuncisão nada é, e também a incircuncisão nada é, mas sim a observância dos mandamentos de Deus.” (1 Coríntios 7:18-19) - mensagem aos permissivistas (veja a pergunta nº7 e pergunta nº8) 21) Paulo não era contra as obras da Lei? Paulo em nenhum momento era contra as obras da Lei. Ele era contra os que buscavam a justificação perante as obras da Lei. Mesmo para aqueles que buscavam a justificação pela fé, em nenhum momento Paulo disse que eles tenham a permissão para pecar, já que somos pecaminosos por natureza. “De modo que a lei é santa, e o mandamento santo, justo e bom.” (Romanos 7:12)
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    73 “16 sabendo, contudo, queo homem não é justificado por obras da lei, mas sim, pela fé em Cristo Jesus, temos também crido em Cristo Jesus para sermos justificados pela fé em Cristo, e não por obras da lei; pois por obras da lei nenhuma carne será justificada. 17 Mas se, procurando ser justificados em Cristo, fomos nós mesmos também achados pecadores, é porventura Cristo ministro do pecado? De modo nenhum. 18 Porque, se torno a edificar aquilo que destruí, constituo-me a mim mesmo transgressor. 19 Pois eu pela lei morri para a lei, a fim de viver para Deus. 20 Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé no filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim.” (Gálatas 2:16-20) “Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus antes preparou para que andássemos nelas.” (Efésios 2:10) “Anulamos, pois, a lei pela fé? De modo nenhum; antes estabelecemos a lei.” (Romanos 3:31) “18 Foi chamado alguém, estando circuncidado? permaneça assim. Foi alguém chamado na incircuncisão? não se circuncide. 19 A circuncisão nada é, e também a incircuncisão nada é, mas sim a observância dos mandamentos de Deus.” (1 Coríntios 7:18-19) “Pois quê? Havemos de pecar porque não estamos debaixo da lei, mas debaixo da graça? De modo nenhum.” (Romanos 6:15) Veja também (1tessalonicenses 1:3 / 1timóteo 5:25 / Tito 2:14) (veja a pergunta nº7 e pergunta nº8) 22) Porque Paulo chama a lei de “ministério da morte” e “ministério da condenação” e que foi abolido? “7 Ora, se o ministério da morte, gravado com letras em pedras, veio em glória, de maneira que os filhos de Israel não podiam fixar os olhos no rosto de Moisés, por causa da glória do seu rosto, a qual se estava desvanecendo, 8 como não será de maior glória o ministério do espírito? 9 Porque, se o ministério da condenação tinha glória, muito mais excede em glória o ministério da justiça. 10 Pois na verdade, o que foi feito glorioso, não o é em comparação com a glória inexcedível.” (2 Coríntios 3:7-10) O texto de 2 Coríntios 3, é uma das passagens bíblicas pouco compreendido entre os vários grupos religiosos de hoje. Vamos agora examinar os detalhes do que Paulo escreveu nesse capítulo. Na introdução da passagem que está diante de nós, Paulo declara aos irmãos de corinto:
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    74 “Vós sois anossa carta, escrita em nosso coração, conhecida e lida por todos os homens, estando já manifestos como carta de Cristo, produzida pelo nosso ministério, escrita não com tinta, mas pelo Espírito do Deus vivente, não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne, isto é, nos corações” (2 Coríntios 3:2-3) Aqui está a chave para interpretar as palavras que se seguem. Sua figura de linguagem é emprestada do contraste bíblico entre a velha e a nova aliança. “Tábuas de pedra” em oposição com “tábuas do coração”, “tinta” em contraste com “o Espírito do Deus vivente”. O texto de 2 Coríntios 3:3, faz uma referençia indireta sobre a lei moral ao dizer que os irmãos de Corinto era como uma carta escrita… “não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne” (verso 3). Pois na antiga aliança, o que Deus escreveu com o seu próprio dedo em duas tabuas de pedra e entregou a Moisés era a lei moral. Na nova aliança existe também uma clara referençia de que o que Deus deseja escrever nos corações do seu povo, é a sua lei. “31 Eis que os dias vêm, diz o Senhor, em que farei um pacto novo com a casa de Israel e com a casa de Judá, 32 não conforme o pacto que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito, esse meu pacto que eles invalidaram, apesar de eu os haver desposado, diz o Senhor. 33 Mas este é o pacto que farei com a casa de Israel depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei a minha lei no seu interior, e a escreverei no seu coração; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo.” (Jeremias 31:31-33) “Ora, este é o pacto que farei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz o Senhor; porei as minhas leis no seu entendimento, e em seu coração as escreverei; eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo;” (Hebreus 8:10) (veja: cap. 10:15-16) Deus está falando de um Novo Concerto e Se refere à mesma Lei que escreveu com o Seu dedo no Sinai. Em nenhum momento é dito que é uma nova lei que será escrito em nossos corações. Até porque a bíblia diz que em Deus “… não há mudança nem sombra de variação” (Tiago 1:17; ver também: Malaquias 3:6). Portanto, nada há de indicativo do cancelamento da Lei Moral. No Novo Concerto, a Lei de Deus seria impressa não em pedra, mas em carne (no coração). Isso prova que jamais seria abolida. Sem sombra de dúvida, sob o evangelho, só pode participar do Novo Concerto que tenha conhecimento da Lei de Deus, pois ela será colocada no coração do crente.  “Letra que Mata” “Ministério da Morte” “Ministério da Condenação” VS “Espírito” “Ministério do Espírito” “Ministério da Justiça” – (2 Coríntios 3:6-9)
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    75 No verso 6é nos apresentados a mesma ideia dos versos 2 e 3. Neste verso 6 Paulo nos convida a ser ministro de um novo concerto que é do “Espírito que vivifica” e não do concerto da “letra” pois a “letra mata”. Esse contraste entre “letra” e “espírito” não significa um contraste entre uma era de lei e uma era de libertação de toda lei. Como já notamos, quando o Espírito de Deus está no controle, Ele escreve essas leis nos nossos corações (Hebreus 10:15-16), e habilita-nos a cumprir os requisitos dessas leis (Ezequiel 11:19-20; 36:26-27), a fim de ser cumpridos em nosso coração (Romanos 8:4). Mesmo para aqueles que afirma a abolição da lei em 2 Coríntios 3 na verdade aceita tais regras como não matar, não roubar, etc., e todos os mandamentos da lei que existe no novo testamento, mais alguns que não se encontram registadas nesses livros. E também porque o apóstolo Paulo afirma em Romanos 3:31 que a nossa fé em Cristo não anula a lei. O texto de 2 Coríntios 3 faz o uso de uma linguagem figurativo, chamando a Lei de “Letra que Mata”, “Ministério da Morte” e “Ministério da Condenação”. Com base nisso, muitos afirmam que a lei só se traduz por morte e condenação. Se isso é verdade, então será que Deus reuniu o Seu povo solenemente ao pé do monte Sinai para lhe dar uma lei que se traduz unicamente por “Morte”? vejamos ainda as seguintes passagens bíblicas: “7 A lei do Senhor é perfeita e refrigera a alma; o testemunho do Senhor é fiel e dá sabedoria aos simples. 8 Os preceitos do Senhor são retos e alegram o coração: o mandamento do Senhor é puro e alumia os olhos.” (Salmos 19:7-8) Em Salmos 19:7-8 é nos apresentado alguns atributos da lei de Deus, ali se diz que a lei do Senhor alegra o coração e acalma a alma. então se a lei se traduz unicamente por “Morte”, então como pode alegrar e acalmar a alma? Percebe-se aqui claramente que Paulo está a destacar apenas uma das funções da lei: condenar os pecados do pecador. Ao comtemplar a lei de Deus percebemos que somos pecadores e dignos de morte, assim como é relatado na experiência do apóstolo Paulo: “9 E outrora eu vivia sem a lei; mas assim que veio o mandamento, reviveu o pecado, e eu morri; 10 e o mandamento que era para vida, esse achei que me era para morte. 11 Porque o pecado, tomando ocasião, pelo mandamento me enganou, e por ele me matou. 12 De modo que a lei é santa, e o mandamento santo, justo e bom.” (Romanos 7:9-12) Neste verso percebemos que o apóstolo nos diz que o mandamento é vida, e é algo santo, justo e bom, mas na sua experiencia pessoal, ele chamou a lei de “morte”. Concluímos, portanto,
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    76 que a leipode desempenhar uma função de vida, para aquele que estão em harmonia com a sua vontade, e para aquele que não estão com a sua harmonia a lei desempenha uma função de “morte”. Uma das funções da lei de definir o que é pecado, e na sua completação se percebe que somos pecadores e destituídos da glória de Deus, e que o nosso salário por ter transgredido a lei de Deus é a morte. Portanto nesse sentido podemos chamar a lei perfeitamente de “ministério da morte/condenação”. Ao morrer na cruz do calvário, Jesus pagou o preço da nossa condenação perante esta lei que foi violada, por conseguinte, a lei já não tem poder de nos condenar a morte eterna. O que nos resta a fazer é aceitar a graça de Cristo que nos foi garantido na cruz ao ser pago o preço da nossa condenação eterna perante a lei. A função (ministério) da Lei era definida. Sua “letra que mata”, resultava evidentemente em morte para os transgressores. Hoje, porém, a função (ministério) da Lei contínua, mas “baseada na justiça de Cristo através da ação do Espírito Santo no coração do pecador, resulta em vida.” Assim, o primeiro ministério foi letra mortal, por inadimplemento por parte do povo. O último, ‘Espírito que vivifica’, por ser Cristo que habilita o homem a obedecer. Em ambos os Concertos, nada sugere a abolição da Lei de Deus.  O que “desvanecia” (2 Coríntios 3:19) e/ foi “permanece” (2 Coríntios 3:11) “Ao descer do monte Sinai com as duas tábuas da aliança nas mãos, Moisés não sabia que o seu rosto resplandecia por ter conversado com o Senhor” (Êxodo 34:29). O próprio Moisés não percebeu a glória que irradiava de sua face, e não entendeu o porquê de os israelitas fugirem dele quando se aproximava. Chamou-os para junto de si, mas eles não ousavam olhar para aquela face glorificada. Quando Moisés entendeu que o povo não podia contemplar o seu rosto, o cobriu com um véu. “29 Quando Moisés desceu do monte Sinai, trazendo nas mãos as duas tábuas do testemunho, sim, quando desceu do monte, Moisés não sabia que a pele do seu rosto resplandecia, por haver Deus falado com ele.30 Quando, pois, Arão e todos os filhos de Israel olharam para Moisés, eis que a pele do seu rosto resplandecia, pelo que tiveram medo de aproximar-se dele. 31 Então Moisés os chamou, e Arão e todos os príncipes da congregação tornaram a ele; e Moisés lhes falou. 32 Depois chegaram também todos os filhos de Israel, e ele lhes ordenou tudo o que o Senhor lhe
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    77 falara no monteSinai. 33 Assim que Moisés acabou de falar com eles, pôs um véu sobre o rosto. 34 Mas, entrando Moisés perante o Senhor, para falar com ele, tirava o véu até sair; e saindo, dizia aos filhos de Israel o que lhe era ordenado. 35 Assim, pois, viam os filhos de Israel o rosto de Moisés, e que a pele do seu rosto resplandecia; e tornava Moisés a pôr o véu sobre o seu rosto, até entrar para falar com Deus.” (Êxodo 34:30-35) Aqueles que leem superficialmente o verso de 2 Coríntios 3:7 concluem desastrosamente que os Dez Mandamentos eram que desvaneciam (desapareciam), mas o que claramente se diz neste verso é que a glória refletida no rosto de Moisés era que perecia. A glória não estava nas tábuas de pedra. O reflexo da glória no rosto de Moisés se desvaneceu (sumiu), mas os mandamentos gravados em pedras permanecem em vigência. É justamente sobre isto que Paulo fala em relação a glória em 2 Coríntios 3:7 e 11. Paulo se refere a isso. “A ponto de os filhos de Israel não poderem fitar a face de Moisés, por causa da glória do seu rosto, ainda que desvanecente” (2 Cor. 3:7). Ele se refere novamente a isso no verso 11, dizendo que ela “se desvanecia”; e então outra vez no verso 13, afirmando: “E não somos como Moisés, que trazia um véu sobre o rosto, para que os filhos de Israel não vissem o final da glória que se desvanecia;” (2 Coríntios 3:13) Foi a glória do ministério anterior, agora findo, e não a lei administrada, que “se desvanecia”, que foi mesmo “abolida”, como por analogia histórica. Paulo lembra-lhes que foi a glória do rosto de Moisés que estava “se desvanecendo”.  Foi abolido (2 Coríntios 3:14) “mas o entendimento lhes ficou endurecido. Pois até o dia de hoje, à leitura do velho pacto, permanece o mesmo véu, não lhes sendo revelado que em Cristo é ele abolido;” (2 Coríntios 3:14) Quanto ao que foi “abolido”, é claro, foi o Velho Concerto e não a Lei de Deus. O Novo Concerto permanece, e a Lei Moral como sua eterna base, contínua em vigor. Enquanto houver o pecado, a Lei terá que existir. Ela é o mais perfeito instrumento que Deus possui para revelar o pecado (Romanos 4:15; Romanos 7:7-8; 1 João 3:15). “sim, até o dia de hoje, sempre que Moisés é lido, um véu está posto sobre o coração deles.” (2 Coríntios 3:15) “Deles” quem? - Paulo está se referindo aos “judaizantes”.
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    78 Paulo escreveu estaepístola em 52-54 d.C., nesta ocasião os judeus teimavam em praticar o ritual (lei Cerimonial) que por Jesus foi abolido ao morrer no Calvário. Somente no ano 70 com a destruição do Templo pelos romanos é que cessou “definitivamente” o que fora transitório. Este texto de 2 Coríntios 3, jamais financia a abolição de 39 livros da Bíblia, como afirma em seu livro, o pastor pentecostal Antenor Santos de Oliveira. Nele Paulo realmente se refere à Lei Moral escrita em tábuas de pedra, porque ela era, e é o instrumento que Deus tem para revelar o pecado. Paulo diz claramente que o que foi abolido é o Velho Concerto e não o Velho Testamento.