VOZDAS
MISERICÓRDIASdirector: Paulo Moreira | ano: XXVI | outubro 2010 | publicação mensal
Iniciativa
Património
Santas Casas
nas jornadas
europeias
Protocolo
dá novo rumo
à cultura
Durante três dias, cerca de 400 en-
tidades portuguesas — públicas e
privadas — organizaram actividades
no âmbito das Jornadas Europeias
do Património. Sob o tema “Patri-
mónio — Um mapa da História”, a
iniciativa do Conselho Europeu con-
tou também com a participação de
duas Misericórdias: Ericeira e Pavia.
Em Acção, 6 e 7
As Misericórdias portuguesas têm
um novo protocolo de colaboração
assinado com o Ministério da Cultu-
ra, tendo em vista a defesa, o estudo,
a salvaguarda e a divulgação do pa-
trimónio imóvel, móvel museográfi-
co e móvel arquivístico. A assinatura
foi a 24 de Setembro, na Santa Casa
de Braga. Património, 28
Santas Casas defendem autonomia
O Conselho Nacional da União das
Misericórdias Portuguesas, reunido
extraordinariamente a 6 de Outu-
bro, considera que o Decreto Geral,
em que a Conferência Episcopal
Portuguesa (CEP) determina uni-
lateralmente que as Santas Casas
são associações públicas de fiéis,
sujeitando-se, por isso, ao parecer
dos bispos, provocará uma fractura
profunda nas relações entre milhares
de católicos portugueses e a CEP. As
Misericórdias não aceitam aquele
documento e reafirmam a sua iden-
tidade e autonomia. Destaque,4e5
Durante Outubro, as mãos pintaram-se de tons rubros para re-
colher os frutos da videira e do trabalho do homem. Numa região
produtora de vinhos, este néctar sempre garantiu a subsistência
de muitas famílias. Assim, também as Santas Casas de Macedo de
Cavaleiros e Valpaços apostaram no cultivo da vinha e na produ-
ção de vinhos que honrem a qualidade. Mais ao Sul, a congénere
de Aldeia Galega da Merceana também aposta no cultivo da uva
para reunir a comunidade. Reportagem, 16 a 18
Reportagem Vindimar para o sustento
União das Misericórdias
Portuguesas
Qualidade
Unidade
de Portimão
certificada
Saúde Pág. 22
Anexas
“Escola Superior
de Enfermagem é
das Misericórdias”
Em Foco Pág. 15
Oliveira Martins
O diálogo entre
a tradição e a
modernidade
Opinião Pág. 31
A FOTOGRAFIA
O Número
O Caso
A subir
Mais igualdade
de géneros
As mulheres no mercado
de trabalho fizeram
Portugal subir 14
posições no ranking
da igualdade de género.
O país ocupa agora o
32.º lugar num índice
da World Economic
Forum.
A Descer
Segurança Social
com mais queixas
Provedor de Justiça,
Alfredo José de Sousa,
afirmou recentemente
que em 2009 a
Segurança Social
foi a matéria mais
problemática, com 16
por cento das queixas
apresentadas na
Provedoria.
Comité Nobel
sobre o Prémio
Nobel da Paz 2010
o chinês Liu Xiaobo
“Liu Xiaobo foi
distinguido pela
sua luta longa
e não violenta
pelos direitos
fundamentais da
China”
A Frase
espaço sénior
Reencontro no
fim das férias
Acabaram as férias. O início de um ano lectivo
na Academia, tempo do reencontro, é sempre
de entusiasmo e alegria. Este ano, as aulas
começaram mais cedo para dar lugar a uma
inovação: a realização de encontros e workshops
Vila do Conde Misericórdia promoveu uma recolha de sangue
2100
Milhões em IVA e IRS
A Entidade Reguladora da Saúde
(ERS) revelou que recentemente
serviços de ortopedia de hospitais
públicos, privados e do sector so-
cial atingiram o nível de excelên-
cia máximo no âmbito do Sistema
Nacional de Avaliação dos Serviços
de Saúde (Sinas). Entre eles, dois
hospitais de Misericórdias: Vila
Verde e Riba d’Ave.
Este é mais um sinal de reconhe-
cimento público da excelência do
trabalho que vem sendo desen-
volvido pela instituição no campo
da saúde, reforçando a confiança,
a responsabilidade e o desafio de
todos os profissionais e voluntários
envolvidos esta causa de assegurar
os melhores cuidados e serviços
aos utentes”, afirmou o provedor
da Santa Casa de Vila Verde, Bento
Morais, ao Correio do Minho.
O provedor considera que os resul-
tados desta avaliação constituem
para os utentes “uma motivação
extra de confiança na qualidade
Saúde
Ortopedia
distinguida
pela ERS
dos serviços prestados”. Bento
Morais lembra que ainda recen-
temente foi enaltecido ao nível do
serviço de urgência, com a ERS
a reconhecer o cumprimento dos
critérios de funcionamento deste
tipo de serviço de acordo com o
que está estipulado para o Serviço
Nacional de Saúde.
Em Riba D’Ave, o prémio é con-
siderado pelo director clínico e
membro da administração do hos-
pital, a consequência da introdu-
ção de mecanismos de qualidade,
cujo objectivo, garantiu Salazar
Coimbra, “é dar garantias de ex-
celentes serviços a quem recorre
à Misericórdia”.
O Sinas visa «promover um sis-
tema de classificação de saúde
quanto à sua qualidade global, de
acordo com os critérios objectivos
e verificáveis, incluindo os índices
de satisfação dos utentes».
Os primeiros resultados conheci-
dos sobre os serviços de ortopedia
indicam que, dos 60 prestadores de
cuidados de saúde que voluntaria-
mente aderiram ao Sinas, pouco
mais de um terço não foram clas-
sificados
No nível máximo de excelência
(nível III) estão também os cen-
tros hospitalares do Alto Ave, do
Porto, da Póvoa de Varzim/Vila
do Conde, Entre Douro e Vouga e
de Setúbal, Hospital Santa Maria
Maior, em Barcelos, HPP Boavista
e Hospital de S. João, ambos no
Porto. Estão ainda a este nível os
hospitais S. Teotónio, em Viseu,
Hospital Professor Fernando Fon-
seca e Hospital do Espírito Santo,
em Évora e a Unidade Local de
Saúde de Castelo Branco.
A Santa Casa da Misericórdia de Vila do Conde promoveu uma recolha de sangue. A iniciativa,
que contou com a colaboração de uma brigada do Centro Regional do Porto do Instituto Português
de Sangue para fazer as colheitas, teve lugar a 30 de Setembro. Uma vez que a recolha de sangue tem uma
incidência maior em mulheres dadoras, aptas a dádivas de quatro em quatro meses, a Misericórdia
de Vila do Conde promove este tipo de iniciativas três vezes por ano. Na última recolha, em Abril,
foram registadas 110 inscrições de dadores, resultando na colheita de 80 unidades.
O Orçamento de Estado para 2011, se aprovado,
prevê arrecadar 34 mil milhões de euros, ou seja, um acréscimo
de 6,2 por cento face à receita a cobrar em 2010.
cabaram as férias. O início de
um ano lectivo na Academia,
tempo do reencontro, é sempre
de entusiasmo e alegria. Há uma
autêntica “sinfonia” de saudações,
perguntas e conversas que se cruzam, se
entrelaçam se confundem. Este clima de
alegre camaradagem é, para muitos, o
melhor remédio para diversos males que
têm de ser tratados.
Assim foi mais uma vez. Este ano,
porém, como já tinha sido determinado, a
Academia abriu mais cedo para dar lugar
a uma inovação: a realização de encontros
e workshops. Os participantes foram
muitos e pode considerar-se uma iniciativa
interessante que pode vir a ser uma mais-
valia na história da Academia. Há novas
disciplinas: Geografia e História do Traje.
Inscreveram-se 26 novos alunos e é de 461
a totalidade de associados para este ano
lectivo.
As aulas foram começando pouco a pouco,
por alguns professores se encontrarem
ainda em férias, fora de Lisboa.
Então, no dia 7 de Outubro, foi a grande
festa: um lanche - convívio para celebração
do 23º aniversário da Academia, o 10º
aniversário de ”O Mocho” e as saudações
aos novos colegas. Numa cerimónia
extremamente simples, reuniram-se o
Dr. José Nunes, representando a UMP, o
Conselho Directivo, colaboradores, alunos
e funcionárias.
O nosso Presidente, Eng. Luís Aires, em
breves palavras, assinalou estas três
intenções da festa e referiu alguns aspectos
respeitantes à Academia, principalmente
a apresentação dos novos membros da
Direcção. O Dr. José Nunes começou por
apresentar as saudações enviadas pelos
Dr. Manuel de Lemos, Dr. Carlos Andrade
e Padre Victor Melícias e, em seu nome,
desejou felicidades e progresso para o ano
2010-2011.
Saboreou-se o gostoso lanche, onde
não faltou o bolo de aniversário. Todos
cantaram os “Parabéns” e participaram
num brinde pela continuidade do sucesso
da nossa Academia.
Ao fim da tarde, na Igreja de
São João de Brito, realizou-
se uma missa lembrando
todos os nossos professores
e colegas que já não se
encontram entre nós.
A
panorama
www.ump.pt
Isabel Rodeia
Academia de Cultura
e Cooperação da UMP
academiadecultura@ump.pt
2 vm outubro 2010
O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, inaugurou, em Setembro,
a Residência Rainha D. Isabel, da Misericórdia de Alcácer do Sal. O equipamento
tem 22 quartos duplos e 16 simples. A secretária de Estado Adjunta e da
Reabilitação, Idália Moniz, também marcou presença na cerimónia de inauguração.
Mais recentemente, o chefe de Estado esteve em Arcos de Valdevez,
onde inaugurou um centro social integrado, que reúne diversos equipamentos
da Santa Casa daquela localidade.
ON-LINE
Albino Poças
Provedor da Misericórdia de Valongo
Opinião
RADAR
A Irmandade da Misericórdia e de
São Roque de Lisboa festejou o Dia de
São Roque, que este ano se comemorou
a 3 de Outubro. As celebrações em honra
do patrono da Irmandade começaram
com uma novena, a 24 de Setembro,
e terminaram com uma procissão nas
ruas de Lisboa. A 1 de Outubro de 2010,
Dia Internacional do Idoso, realizou-se
uma Missa Festiva, na qual participa-
ram cerca de 220 utentes de muitos dos
equipamentos da Santa Casa de Lisboa.
Lisboa
Irmandade de S. Roque
celebra patrono
Alcácer do Sal Cavaco Silva inaugurou residência sénior
A Santa Casa da Misericórdia de Re-
guengos de Monsaraz está a comemorar
o seu 150º aniversário. O programa que
marca a data foi inaugurado a 1 de Ou-
tubro e vai decorrer até 7 de Abril do
próximo ano, data em que a instituição
completará 150 anos de existência. Entre
outras iniciativas que marcam a efeméri-
de, a Misericórdia organizou uma confe-
rência subordinada ao tema “Reguengos
e a República — Um contributo para
a história local”, proferida por Paula
Amendoeira.
Aniversário
Reguengos de Monsaraz
celebra 150 anos
A Misericórdia do Entroncamento
abriu recentemente as portas da Unidade
de Cuidados Continuados Integrados
Manuel Fanha Vieira – Provedor. O novo
equipamento tem 70 camas: 30 de Longa
Duração e Manutenção e 40 de Média
Duração e Reabilitação. Ao fecho deste
jornal, aquela unidade já estava a rece-
ber 40 utentes, mas com previsão de em
pouco tempo atingir a capacidade máxi-
ma. Recorde-se que a Rede Nacional de
Cuidados Continuados Integrados foi
criada em 2006.
Unidade
Entroncamento com
70 camas de continuados
A Santa Casa da Misericórdia de
Oliveira do Bairro iniciou uma forma-
ção sobre “Educação Parental”, a 11 de
Outubro. O objectivo da iniciativa é dar
resposta às necessidades e dificuldades
que pais e encarregados de educação
sentem no desempenho das suas funções
parentais, com vista ao desenvolvimento
de relações familiares mais saudáveis e
ao bem-estar emocional das crianças.
Os cursos, gratuitos, serão divididos por
temáticas e decorrem até Janeiro de 2011.
Oliveira do Bairro
Formação gratuita
sobre educação parental
Alerta para o presente
sem esquecer o futuro
Rigor no controle da despesa, na qualidade
dos produtos, na escolha dos fornecedores,
no cumprimento dos compromissos
da instituição, não esquecendo, também,
um forte rigor na selecção e ponderação
das nossas ambições
m tempo de crise é difícil gerir aquilo que é nosso…mas,
é muito mais difícil gerir aquilo que é dos outros”
Permitam-me que as palavras iniciais sejam, em
primeiro lugar para agradecer, publicamente, os
conselhos recebidos através do auditor Dr. Eduardo
campos, que orientou o Diagnóstico de Gestão, integrado no
programa de formação “Gestão Sustentável” na Misericórdia de
Valongo, em 2009.
A total abertura e o interesse com que os responsáveis da Santa
Casa da Misericórdia de Valongo encararam este trabalho,
fornecendo e disponibilizando todas as informações e dados
que foram solicitados resultaram, em nossa opinião, num
estudo sério e credível, do qual hoje já estamos a colher
benefícios. É que, da troca de impressões ocorrida ao longo
dos meses, levou-nos a ser ainda mais rígidos no controle das
despesas da instituição, servindo, também, para aprofundar a
nossa meditação em relação aos tempos difíceis que já então
se viviam, com sinais fortes de um sério agravamento, o que
infelizmente, está a acontecer.
Sempre pensamos que na gestão das nossas instituições a
palavra “rigor” não pode ser banida do nosso vocabulário
diário, mesmo nos tempos em que a situação nos pareça mais
favorável.
Rigor no controle da despesa, rigor na qualidade dos produtos,
rigor na escolha dos fornecedores, rigor no cumprimento
dos compromissos da instituição etc etc etc…não esquecendo,
também, porque é muito importante, um forte rigor na selecção
e ponderação das nossas ambições.
Foi com esta forma de estar e agir que a Misericórdia de
Valongo, ao longo destes últimos oito anos, conseguiu criar
condições para obter uma razoável estabilidade financeira,
que lhe permite, hoje, prestar aos sues utentes das várias
valências, uma qualidade de serviços e assistência sem quebra
de qualidade, pese embora, os cortes “cegos” nas receitas, de que
estamos a ser vítimas.
Por isso, meus caros amigos e senhores provedores:
Avançar, neste momento, com qualquer investimento mesmo
que de resultados promissores mais que só serão palpáveis a
médio ou longo prazo é, em nossa opinião, um grande risco.
Não nos podemos esquecer dos compromissos assumidos com os
utentes de que já temos acolhidos nas nossas diversas valências.
Temos que moderar as tais ambições incontroladas de que falei
atrás, se não queremos sentir o amargo do insucesso.
Para terminar, peço a todos que não vejam nesta minha opinião,
um excesso de pessimismo. É apenas a minha modesta opinião,
porque, estou certo, que os caminhos que as Misericórdias
terão de percorrer nos próximos anos vão ser caminhos muito
tormentosos e cheios de abrolhos, muito difíceis de transpor.
Ficarei muito satisfeito se, a curto prazo, através dos factos,
todos concluirmos que estou errado, dispondo-me, com toda
a humildade mas muita alegria, a ouvir as críticas
merecidas dos senhores provedores mais optimistas.
E
SLIDESHOW
www.ump.pt outubro 2010 vm 3
PRESIDÊNCIADARepública
DESTAQUE
www.ump.pt4 vm outubro 2010
Santas Casas defendem autonomia
Misericórdias não aceitam decreto em que a Conferência Episcopal determina que as Santas
Casas são associações públicas de fiéis e vão continuar a proceder de acordo com a sua tradição
O Conselho Nacional da União das
Misericórdias Portuguesas (UMP)
considera que o Decreto Geral, em
que a Conferência Episcopal Por-
tuguesa (CEP) determina unilate-
ralmente que as Santas Casas são
associações públicas de fiéis, sujei-
tando-se, por isso, ao parecer dos
bispos em diversos aspectos, pro-
vocará uma fractura profunda nas
relações entre milhares de católicos
portugueses e a CEP. A reunião extra-
ordinária teve lugar a 6 de Outubro,
na sede da UMP em Lisboa.
Os provedores presentes foram
unânimes em afirmar que não acei-
tam aquele documento. As Santas
Casas defendem e reafirmaram a sua
identidade e autonomia.
Na sequência da reunião, foi
tornado público, em conferência de
imprensa, um comunicado que pu-
blicamos na íntegra:
“O Conselho Nacional da União
das Misericórdias Portuguesas, reu-
nido, hoje, dia 6 de Outubro de 2010,
extraordinariamente, na cidade de
Lisboa, para analisar o Decreto Geral
paraasMisericórdias,produzidopela
Conferência Episcopal Portuguesa,
entendeu tornar público o seguinte:
— A CEP publicitou, em 24 de
Setembro de 2010, um Decreto Geral
para as Misericórdias Portuguesas,
com data de 23 de Abril de 2009;
— O referido Decreto, em sínte-
se, pretende cortar, de forma abrupta,
unilateral e autoritária, com a autono-
mia de gestão de que as Misericórdias
dispõem,háváriosséculos,nomeada-
mente no que respeita, à disposição
dos seus bens, à capacidade soberana
das suas Assembleias Gerais e à livre
eleição dos seus Corpos Sociais;
— As Misericórdias Portuguesas,
hojecerca de quatrocentas,foramsen-
docriadas,desdeoséculoXV,porCida-
dãos,eporReisesãodetentorasdeum
enormepatrimóniohistóricoecultural;
— Os princípios pelos quais sem-
preseregeramcoincidemcomosprin-
cípios essenciais da Igreja Católica e
nessa medida, a sua eclesialidade;
— Ao longo dos séculos, por re-
conhecimento da sua missão, têm
visto o seu património acrescido ao
serem contempladas com doações,
heranças e legados de cidadãos
benfeitores, sem distinção de credo
ou confissão e instituições públicas
que se traduzem, especialmente, em
bens imobiliários;
— As Misericórdias Portuguesas
são constituídas por sócios, a que se
dá a designação de Irmãos e estes,
de forma soberana e de acordo com
as normas estatutárias pelas quais se
regem, decidem, nomeadamente, so-
bre a disposição de bens, e em actos
eleitorais completamente livres es-
colhem, em momento próprio, os de
entre si que entendem dever assumir
a direcção e gestão das respectivas
Instituições;
— As Misericórdias Portugueses
são detentoras na área da saúde de
inúmeroshospitais,clínicas,eem2011
representarão70%dascamasdaRede
Nacional de Cuidados Continuados
Integrados,naáreasocialprestamser-
viços a mais de 500.000 utentes em
valências como Lares de Acolhimen-
to, Lares para Idosos Dependentes,
Centros de Dia, Apoio Domiciliário,
Acolhimento de Jovens em Risco,
Infantários, etc…e garantem emprego
estávelamaisde100.000portugueses;
— Vir agora a CEP, com o Decre-
to em causa, pretender alterar, sem
qualquer fundamento histórico, nem
jurídico, o enquadramento e a forma
como as Misericórdias são geridas
há séculos, causa a mais profunda
estranheza, espanto e perplexidade
nos muitos milhares de portugueses
que generosa e desinteressadamente
se associaram às Misericórdias para
auxiliarosseusconcidadãosmaisdes-
favorecidoseconómicaesocialmente;
— O Conselho Nacional lamenta
também a deselegância da CEP, por
intermédio do seu Presidente, ao di-
rigir no passado dia 28 de Setembro,
aos Provedores das Misericórdias,
através de e-mail enviado aos servi-
ços gerais de cada uma daquelas Ins-
tituições, uma nota pretensamente
explicativa, tornando assim pública
uma matéria que pela sua importân-
cia devia ser reservada;
— O Conselho Nacional lamenta
igualmente que essa deselegância
tenha chegado ao ponto de ultrapas-
sar a União das Misericórdias Portu-
guesas que, por certo, faria chegar
a missiva a todas as Misericórdias
Portuguesas, mesmo aquelas que
não têm endereço electrónico;
— O Conselho Nacional lamen-
ta, por fim, chocado (mas não sur-
preendido) que o primeiro parágrafo
do citado e-mail tenha como preocu-
pação evidente considerar os Bens
materiais das Misericórdias como
Bens Eclesiásticos, assim tornando
claro qual o verdadeiro objectivo do
Decreto Geral sobre as Misericórdias;
— O Conselho Nacional, ponde-
radas todas as implicações entende
que o Decreto Geral da CEP não é um
assunto que diga só respeito à Igreja
ou às Misericórdias, é um assunto de
Estado e da Sociedade Portuguesa;
— Neste contexto, o Conselho
Nacional repudia o Decreto Geral
sobre as Misericórdias, quer nos seus
termos, quer nos seus efeitos, por ser
lesivo das Comunidades Portuguesas
que sofrem, da actividade pastoral
da Igreja e da tradição pentasecular
das Misericórdias Portuguesas.
AS MISERICÓRDIAS
PORTUGUESAS NÃO
ACEITAM O DECRETO GERAL
— O Conselho Nacional considera
que a manutenção do Decreto Geral
sobre as Misericórdias provocará uma
fracturaprofundanasrelaçõesentremi-
lharesdecatólicosportugueseseaCEP;
— O Conselho Nacional da UMP
insta pois a CEP a, com humildade,
retirar o Decreto Geral e a repen-
sar, com a União das Misericórdias
Portuguesas, a sua relação com as
Misericórdias;
— O Conselho Nacional mani-
festou o seu apoio à forma como
o Secretariado Nacional encarou o
Decreto Geral sobre as Misericórdias
e regozija-se com a sua prudência,
responsabilidade e determinação,
assegurando, junto das suas filiadas,
a coesão e a serenidade, tão neces-
sárias no momento de grave crise
nacional, em que todos os dias cada
vez mais portugueses recorrem às
Santas Casas;
Tudo visto, o Conselho Nacional,
no âmbito das suas competências
específicas, recomenda ao Secreta-
riado Nacional:
Que não prossiga qualquer tipo
de diálogo com a CEP, enquanto o
Decreto Geral não for retirado;
Que desenvolva, por todos os
meios ao seu alcance, as iniciativas
necessários para que, na Ordem Ju-
rídica Portuguesa, os Compromissos
das Misericórdias tenham um estatu-
to idêntico ao das suas congéneres e
irmãs do Brasil, da Itália, da Espanha
e do Luxemburgo, nomeadamente
no que respeita à propriedade e dis-
ponibilidade plena dos seus Bens, e
à autonomia total de gestão;
Que solicite ao Presidente da
Confederação Internacional das Mi-
sericórdias, Senhor Dr. Manuel de
Lemos, que coloque esta questão
a toda a Confederação e a todas as
Misericórdias do Mundo.
O Conselho Nacional da UMP re-
afirma a eclesialidade do movimen-
to das Misericórdias Portuguesas, a
sua disponibilidade para colaborar
na actividade pastoral da Igreja, em
caridade cristã e em solidariedade
comosquemaisprecisamnorespeito
pelasuatotalautonomiaenatureza.”
www.ump.pt outubro 2010 vm 5
Quero começar por dizer que sou ca-
tólico, apostólico, romano. Tive edu-
cação cristã e os meus valores são
os valores da minha cultura católica
e tenho pautado a minha vida pelo
respeito a esses valores. Também
não pertenço, nem quero pertencer
a nenhuma agremiação específica.
Dito isto e com estes pressupostos,
gostaria de dizer o seguinte a propó-
sito do recente Decreto Geral.
Quando o Dr. Vítor Melícias me
seduziu para desempenhar as fun-
ções de Presidente do Secretariado
Nacional da União das Misericórdias
Portuguesas e quando os Senhores
Provedores me elegeram para o pri-
meiro mandato, devo confessar que
estava muito longe de qualquer que-
rela entre as Misericórdias Portugue-
sas e a Conferência Episcopal. Não
é que desconhecesse o problema.
Tinha até bem clara toda a proble-
mática, uma vez que o Dr. Vítor Me-
lícias, ao longo dos anos em que tive
o privilégio de colaborar com ele, me
foi iniciando nas especificidades do
Direito Canónico. Mas tinha a con-
vicção/esperança de que não seria
nos meus mandatos que a questão
se agudizaria. Pelo contrário, acredi-
tava, e continuo a acreditar, até que,
com bom senso e boa vontade, será
possível estabelecer um compromis-
so duradouro nas relações entre a
CEP e as Misericórdias Portuguesas.
Deus e alguns Homens sabem
que me tenho empenhado profun-
damente nessa solução. Com a con-
vicção séria de que o problema não
é um problema de fé ou sequer des-
respeito pela Hierarquia da Igreja e
a sua autoridade, que são questões
que não se colocam, mas uma ques-
tão de Direito.
Por isso, quando alguns Senho-
res Provedores colocam a questão
em sede de respeito aos Senhores
Bispos e ao que eles representam en-
quanto Pastores, estão, com o devido
respeito, a colocar mal a questão.
A questão, repito, é de Direito e de
História.
E se me permitem, vamos então
à essência da questão.
A primeira Misericórdia Portu-
guesa foi fundada em 1498, por uma
Rainha e cem Homens Bons. E, ao
longo dos séculos, este modelo foi
repetido por todo o território nacio-
nal e pela diáspora. Isto é, que se
saiba não há nenhum caso de ne-
nhuma Misericórdia constituída por
iniciativa de um Bispo enquanto tal,
embora, certamente, em algumas
Misericórdias houve Bispos, que en-
quanto homens, integraram a lista
dos Homens Bons que fundaram a
Misericórdia. Quero com isto dizer
que, em caso algum, houve erecção
canónica por parte dos Bispos (Or-
dinário do Lugar).
O que houve mais recentemente,
nos últimos 30 anos, foram vários
Opinião
Aceitar o Decreto
tranquilamente
seria eventualmente
muito cómodo mas
corresponderia a
deitar pela borda
fora, sem mais, toda
a História que tão
bem está descrita no
Portugaliae Monumenta
Misericordiarum.
Misericórdias, nos
últimos 10 anos,
cresceram como nunca
o tinham feito antes,
assumindo-se como
as mais importantes
Instituições de
desenvolvimento local
As principais
consequências, se
se aceitar que são
Associações Públicas
de Fiéis, têm a ver com
a sua autonomia no
que respeita aos Bens e
Órgãos Sociais.
decretos formais dos Senhores Bis-
pos a reconhecer às Misericórdias
personalidade jurídica na Ordem
Canónica. Porque na Ordem Civil,
as Misericórdias sempre tiveram per-
sonalidade jurídica (não é possível
viver 500 anos sem personalidade
jurídica!).
Esta circunstância, aliada à revi-
são do Código de Direito Canónico,
em 1983 que, entre outras novida-
des, divide as Associações de Fiéis
em Associações Públicas e Asso-
ciações Privadas, veio criar alguma
confusão em muitos espíritos. Desde
logo, em que subdivisão incluir as
Misericórdias? E sobre essa matéria
se debruçaram muitos civilistas e
canonistas, tendo, a maioria esmaga-
dora, concluído que as Misericórdias
são Associações Privadas de Fiéis.
Não foi esse, infelizmente, o en-
tendimento de alguns sectores da
CEP, que passaram a sustentar que
as Misericórdias são Associações Pú-
blicas de Fiéis. Mas, é dever da ver-
dade dizer que, desde 1983 até aos
nossos dias, muitíssimos Ordinários
aceitaram que as Misericórdias se
definissem como Associações Priva-
das de Fiéis ou, mais simplesmente,
como Associações de Fiéis. Tenho
para mim até, e nisto divirjo da maio-
ria da doutrina, que as Misericórdias,
vista a sua História penta secular, os
usos e costumes e, sobretudo, a sua
Missão, se deveriam simplesmente
designar como Associações de Fiéis
(o que, de resto, o Código permite e
está consagrado na maioria esmaga-
dora dos Compromissos das Miseri-
córdias Portuguesas). E, mais uma
vez, esclarecer que esta qualificação
não foi obstáculo ao crescimento
das Misericórdias Portuguesas que,
seguramente nos últimos 10 anos,
cresceram como nunca o tinham
feito antes, assumindo-se como as
mais importantes Instituições de de-
senvolvimento local, em Portugal.
Ora, desde a minha Posse, em
2006, que procurei estabelecer um
compromisso com a CEP, compro-
misso sempre balizado pelas deli-
berações das Assembleias-Gerais da
UMP, pela lei do Estado Português
e pela História das Misericórdias.
Infelizmente, porém, a CEP não se
mostrou sensível às minhas pro-
postas e aprovou e fez publicar o
Decreto Geral.
Neste contexto, importa, pois,
que os Senhores Provedores tenham
bem presente o que significa para
a vida das Misericórdias ser uma
Associação Pública de Fiéis e tam-
bém se o Decreto se aplica ou não às
Misericórdias já existentes.
As principais consequências
para as Misericórdias, se se aceitar
que são Associações Públicas de Fi-
éis têm a ver com a sua autonomia,
nomeadamente no que respeita à
disponibilidade dos Bens e ao pro-
cesso de indicação e eleição dos seus
Órgãos Sociais.
No que respeita aos Bens, a sua
disponibilidade fica completamente
nas mãos do Ordinário. Isto é, por
exemplo, a Mesa pode decidir pro-
por à Assembleia-Geral a alienação
de uma propriedade, e esta aprovar
por unanimidade a proposta mas, se
o Ordinário não concordar, a aliena-
ção não se faz (é legítimo perguntar,
então para que serve a Assembleia-
Geral?). E como compatibilizar tudo
isso com o Decreto-Lei nº 119/83
que, entre os poderes que confere à
Assembleia-Geral, está precisamente
o de deliberar sobre esta matéria?
A outra questão tem a ver com
a eleição dos Órgãos Sociais. É que
se as Misericórdias forem Associa-
ções Públicas de Fiéis, as listas con-
correntes têm de ser previamente
aprovadas pelo Ordinário que assim
decide quem pode concorrer e, logo,
condiciona definitivamente o resul-
tado. Por isso, algumas declarações
recentes de que não será permitido
aos Autarcas e outros responsáveis
políticos concorrer, uma vez que não
passarão na avaliação prévia.
Devo dizer, a este respeito, que
o que me choca nesta posição é que,
para além de a considerar uma into-
lerável restrição dos direitos demo-
cráticos dos cidadãos portugueses no
pós 25 de Abril e do atestado de me-
noridade passado às Assembleias-
Gerais, esta postura revela uma
desconfiança profunda em relação
aos políticos católicos. Não consigo
perceber, porque até vai contra as
orientações que o Papa Bento XVI
nos deixou na Sua visita a Portugal.
O segundo ponto tem a ver com a
aplicabilidade do Decreto. O cânone
nº 9 do Código do Direito Canónico
é explícito em dizer que a Lei não é
retroactiva. E o e-mail da CEP, envia-
do às Misericórdias no passado 28
de Setembro, confirma isso mesmo.
Apenas refere que, já em 1989, a CEP
tinha feito uma Declaração sobre
a matéria. Ora, para além de uma
Declaração não ter qualquer valor na
Ordem Jurídica Canónica, a verdade
é que não é admissível pensar que
um decreto de 2010 se aplica retroac-
tivamente a Misericórdias fundadas
a partir de 1498. Era retroagir uma
Lei mais de 500 anos!!!
Como se vê por esta nota ne-
cessariamente breve, esta matéria é
muito complexa e não pode ser trata-
da nem leviana nem unilateralmen-
te. Reparem que ainda não abordei a
matéria da relação das Misericórdias
com o Estado que se cruza com esta
e que deixarei para um próximo nú-
mero. Foi, aliás, por tudo isso que,
em tempos, o Dr. Melícias propôs
à CEP a criação de uma Comissão
Mista. Não para regulamentar um
qualquer decreto, como vem agora
sugerir a CEP no já referido e-mail,
mas para estudar toda esta matéria
que, repito, é delicadíssima. É por
isso que, como escrevi na primeira
carta que dirigi aos Senhores Pro-
vedores, que neste momento, cada
um deles é mais do que a sua pró-
pria circunstância. Aceitar o Decreto
tranquilamente seria eventualmente
muito cómodo mas corresponderia
a deitar pela borda fora, sem mais,
toda a História que tão bem está
descrita no Portugaliae Monumenta
Misericordiarum.
Apetece-me adaptar Fernando
Pessoa: “Vós aqui ao leme, são mais
do que vós!”
A terminar por agora esta primei-
ra abordagem, gostaria de reafirmar
a total disponibilidade das Miseri-
córdias para encontrar uma solução
equilibrada, séria e justa para ambos
os lados.
Como todos os Provedores de
Portugal sabem, as Misericórdias são
hoje grandes empresas, responsá-
veis pelo emprego de milhares de
pessoas e dedicadas a ajudar quem
precisa. Isto é o que nenhuma das
partes pode pôr em causa. Isto é o
que legitima a actividade da UMP e
o mandato que os seus Órgãos So-
ciais receberam dos Provedores de
Portugal.
Por isso intitulei esta série de
artigos por “O Dever da Verdade”,
porque tenho o dever de informar
os Senhores Provedores e todos os
Órgãos Sociais da verdade.
De boa fé e com a coragem e
tranquilidade que a Razão confere.
(continua)
Manuel de Lemos
Presidente da UMP
O dever
da verdade
21,4% em privação material
Segundo Instituto Nacional de Estatística, em 2009, 21,4% dos portugueses
sentiram dificuldades em pagar as rendas, manter a casa aquecida ou fazer
uma refeição de carne ou peixe de dois em dois dias
O Prof. Medina Carreira e o Dr.
Ricardo Costa escreveram um livro
com este título, que à época foi
considerado pessimista e irrealista.
Hoje, esta verdade é o nosso
quotidiano
em acção
www.ump.pt6 vm outubro 2010
Misericórdias integraram
jornadas do património
Durante três dias, cerca de 400 entidades portuguesas — públicas e privadas — integraram
as Jornadas Europeias do Património. Entre elas, duas Santas Casas: Ericeira e Pavia
Durante três dias, cerca de 400 en-
tidades portuguesas — públicas e
privadas — organizam 620 activida-
des que se realizaram em 248 sítios
localizados em 225 concelhos, no
âmbito das Jornadas Europeias do
Património. Sob o tema “Património
— Um mapa da História”, a inicia-
tiva do Conselho Europeu contou
também com a participação de duas
Misericórdias: Ericeira e Pavia.
“Que fixe!” ou “professora, isso
está em latim, não está?” foram al-
gumas das reacções dos jovens, com
idades entre os 10 e 12 anos, que
visitaram o Museu da Misericórdia
Bethania Pagin
da Ericeira. No dia em que começa-
ram as jornadas, a atenção naquela
localidade foi toda dedicada aos mais
pequenos.
Já era a segunda visita do dia.
Durante a manhã, crianças mais
jovens — dos oito aos 10 anos —
foram brindadas com um ateliê de
pintura, orientado pelo pintor Rui
Pinheiro. Da parte da tarde, cerca de
40 meninos da Escola EB 23 António
Bento Franco aprenderam um ofício
muito típico daquela localidade li-
gada ao mar, os nós de marinheiro.
Os trabalhos foram orientados pelo
Mestre Zé, pescador da Ericeira, e
por Normando Sereno, comandante
da marinha.
A actividade decorreu numa das
salasdomuseu,ondeasreferênciasàs
tradiçõesdaEriceirasãoevidentes.Ao
centro, um barco que recorda a fonte
do sustento das gentes dali. Divididos
em dois grupos, os miúdos estavam
em alvoroço. Observados pelas pro-
fessoras, os mais pequenos viam o
universo da vida ligada ao mar con-
cretizar-se em diversos tipos de nós.
Momentos antes, o grupo foi
recebido pelo vice-provedor da Mi-
sericórdia da Ericeira. Para José Gui-
lherme Durão, preservar e divulgar
a identidade local é fundamental,
especialmente num mundo globali-
zado. Além disso, a própria identi-
dade da Santa Casa é apresentada a
Alémdeummuseu,aSantaCasadaMi-
sericórdia da Ericeira é detentora ainda
deumvastoarquivo.Odocumentomais
antigodatade1446.Emconversacom
o VM, António Silva Gama explicou que
muitos documentos vieram para pos-
se da Santa Casa durante o período da
implementação da República. “Vieram
para Misericórdia para não serem des-
truídos”,comentou.Outrodocumentoa
merecer destaque pelo nosso anfitrião
data de 1487 e está assinado por D.
João II. “Era concedida a posse de ter-
renos a um senhor da Ericeira. Curiosa-
mente,trêsouquatroséculosdepois,os
terrenos vieram à posse da Misericór-
dia”. Aquele responsável contou ainda
que o arquivo é frequentemente pro-
curado por historiadores. “Há exemplo
de pessoas que encontram aqui docu-
mentos que não encontraram na Torre
do Tombo”, concluiu.
Além da Santa Casa da Misericórdia da
Ericeira, outras congéneres também
integraram as Jornadas Europeias do
Património. Pavia e Arcos de Valdevez
juntaram-se à iniciativa com uma pro-
gramação variada que foi das romarias
aos concertos musicais. Ver página se-
guinte.
Documento mais antigo é de 1446
Museu da Ericeira
recebeu crianças
e jovens
www.ump.pt
Cortes nos subsídios
Em 2011, caso seja aprovado o Orçamento de Estado, os subsídios
de férias e de Natal também estarão sujeitos ao corte entre 3,5
e 10 por cento, desde que tenham um valor superior a 1500 euros.
outubro 2010 vm 7
todos aqueles que visitam o museu.
No que diz respeito às Jornadas,
aquele dirigente destacou ao VM
que não obstante a valorização do
património, a iniciativa aproxima as
instituições das comunidades onde
estão inseridas.
E finalmente chega a hora da
visita ao museu. Aos poucos, as
professoras, sempre acompanhadas
pela mesária Maria Teresa Carvalho,
foram reunindo os meninos todos na
sala que dá acesso ao espaço onde
a Misericórdia de Ericeira não só
divulga, mas também protege, um
espólio rico que conta a história da
localidade.
Cada sala, uma história. Acom-
panhados por um dos mesários,
António Silva Gama, as crianças
tiveram oportunidade de ouvir as
histórias que davam vida às peças
que lá estão. Entre elas, uma espada
chama a atenção. “Foi do fundador
da Misericórdia da Ericeira. Um ca-
valeiro da Ordem de Cristo chamado
Francisco Franco. Esteve enterrada
durante muitos anos, mas consegui-
mos recuperá-la”, explicou António
Silva Gama aos meninos que ali es-
tiveram durante alguns momentos a
admirar aquela peça.
Sala do despacho, biblioteca e
igreja são alguns dos espaços que se
seguem. Com o museu só para elas,
as crianças comentaram e pergun-
taram, apesar de alguma distracção
provocada pela nossa máquina fo-
tográfica.
Além dos mais jovens, a San-
ta Casa da Misericórdia da Ericeira
também promoveu actividades dedi-
cadas aos mais crescidos. Nos dias
25 e 26, uma prova de vinhos e um
concerto, acompanhados de visitas
guiadas ao museu, concretizaram as
Jornadas Europeias do Património
naquela localidade.
Durante seis anos o museu es-
teve fechado ao público, mas agora
reabriu portas à comunidade através
dos esforços da actual mesa admi-
nistrativa. Sobre a realidade daque-
le espaço, Maria Teresa Carvalho e
António Silva Gama são unânimes
em afirmar que seria necessário um
investimento avultado para propor-
cionar as melhores condições a todo
o espólio da Santa Casa. Contudo,
recordam, a instituição não pode
perder de vista a sua missão essen-
cial, que é apoiar os carenciados, e
os apoios de outras entidades não
tem sido fácil de obter.
“ “
Há coisas que não
conhecemos nos museus.
Por isso, quando vimos cá
aprendemos coisas novas
José Maria
12 anos
Deveríamos olhar mais
pelo património, mas
isto nem sempre é possível
Cristina Bernardo
Misericórdia de Paiva
Acorde perfeito entre
música e comunidade
Misericórdia de Pavia
integrou as Jornadas
Europeias do Património.
O ritmo dos bombos
não deixou indiferente
a comunidade local
O arrojo dos ritmos dos bombos e a
mestria dos grupos de música não
deixaram indiferentes os populares
de Pavia. Nos dias 24, 25 e 26 de
Setembro no âmbito das Jornadas
Europeias do Património, a iniciativa
que procura sensibilizar a população
para a importância do património,
voltou a ser comemorada na vila
alentejana, desta vez com muita mú-
sica à mistura.
O evento foi preparado pela
Santa Casa da Misericórdia de Pavia
e contou com o apoio da Câmara
Municipal de Mora, da Junta de Fre-
guesia de Pavia e do IGESPAR, que
organizou as jornadas.
A comemoração teve início na
sexta-feira, dia 24, com a inaugu-
ração da exposição “Envelhecer a
recordar”. Logo a entrada, alguns
versos do Fernando Pessoa reflec-
tiam bem o espírito do evento e con-
vidavam a reflexão: “Não importa se
estação muda, se o século vira, se o
milénio é outro, se a idade aumenta.
Conserva a vontade de viver. Não se
chega a parte alguma sem ela.”
De facto, os alentejanos não dei-
xaram nada em mãos alheias e nesta
exposição recuperaram dos baús as
memórias mais antigas, sendo visí-
veis vários objectos que nos levam a
recordar os tempos que já passaram.
Além disso, a exposição apresentou
vários trabalhos manuais realizados
pela população local como rendas e
bordados. Segundo os guias presen-
tes na exposição, Lúcia Carvalho e
João Alves, “a reacção da população
foi muito positiva” e todos os visi-
tantes encontraram sempre alguns
objectos de interesse.
Uma das organizadoras do even-
to, a assistente social da Santa Casa
da Misericórdia Estela Ramos, con-
firmou que o acolhimento da exposi-
ção, por parte da população local, foi
tão caloroso que a iniciativa poderá
mesmo a ser repetida em Outubro,
altura da comemoração do mês do
idoso.
No sábado o grupo “Toca a
Bombar”anunciou o início da festa.
Durante trinta minutos jovens e ido-
sos partilharam emoções marcadas
pelo ritmo forte do instrumento de
percussão. Logo a seguir o grupo da
Escola de Música da Câmara Mu-
nicipal de Mora subiu ao coreto e
alegrou a noite alentejana.
A directora da área social da Mi-
sericórdia de Pavia, Cristina Bernar-
do, salientou a importância deste
tipo de iniciativa: “há cerca de seis,
sete anos que fazemos actividades
nesta área porque consideramos que
é uma altura própria para divulgar o
nosso património – não só o nosso
património físico (como é o caso da
igreja da Misericórdia) mas também
é uma forma de divulgar outras for-
mas do nosso património. A música
é uma delas e aqui em Pavia nós
contamos com o grupo Cantares que
faz a recolha de temas tradicionais
e é uma forma de não deixar morrer
este património.”
Cristina Bernardo destacou ainda
que “ao longo de todo o ano nós de-
veríamosolharmaispelopatrimónio,
mas se isto nem sempre é possível,
pelo menos nesta altura podemos
aproveitar para alertar as pessoas
para a importância da salvaguarda,
preservação e valorização do patri-
mónio, pois faz parte da memória do
nosso povo. Este evento é um conju-
gar de patrimónios e a Santa Casa da
Misericórdia de Pavia valoriza muito
todasasformasdepatrimónioetenta
diversificar as suas actividades: nós
temos os nossos equipamentos, mas
nós temos que inovar”.
O concerto oferecido pelo grupo
musical Cantares da Santa Casa da
Misericórdia de Pavia encerrou, no
dia 26, as comemorações.
Adriana Mello
O ritmo dos bombos
alegrou Pavia
8 vm outubro 2010 www.ump.pt
em acção
Terceiro sector indispensável
para a coesão social
União das Misericórdias
está a mobilizar as Santas
Casas em torno da questão
da pobreza e da exclusão
social. Sector social
é decisivo
Portugal detém a condição de país
mais desigual da União Europeia e de
portador de maior índice de pobreza
relativa.Opaísdestaca-se,ainda,pela
piorposiçãoquandosefaladepobreza
persistente. Por isso, e no âmbito do
AnoEuropeudeLutaContraaPobreza
e a Exclusão Social, o Gabinete de Ac-
Bethania Pagin
ção Social da União das Misericórdias
PortuguesasestáamobilizarasSantas
Casas em torno deste tema.
Um dos objectivos desta iniciati-
va, lê-se no documento daquele ga-
binete, é sensibilizar as instituições
para o facto de que “sem terceiro
sector, ou com um terceiro sector
frágil, qualquer política de inclusão
social e de coesão social, tendo por
base as actuais lógicas e dificuldades
do nosso Estado-Providência, dificil-
mente será viável”.
“Não é por acaso que a Cons-
tituição da República Portuguesa
consagra a protecção do sector co-
operativo social (artigo 80º) como
um dos princípios fundamentais
passos, continua o documento, é dis-
tinguir os termos. “A pobreza é uma
das dimensões, talvez a mais visível,
daexclusãosocial”.Enquantopobreza
é sobretudo um processo estático, a
exclusão é um processo dinâmico, as-
sociado a uma trajectória que conduz
àmarginalização.“Aexclusãorecobre
situações de precariedade e situações
de risco e afecta cada vez mais indiví-
duos, provenientes de um leque cada
vez mais amplo de grupos sociais”.
Este documento já foi apresen-
tado publicamente em reuniões de
alguns Secretariados Regionais e, até
ao fim deste ano, o Gabinete de Ac-
ção Social estará presente em outros
encontros oficiais das Santas Casas.
da organização económico-social.
O sector precisa de ser protegido,
porque tem uma natureza específica,
porque é diferente, nos seus fins, nos
seus meios e princípios.”
A solidariedade, lê-se, “é uma
imagemdemarcadaUniãoEuropeia.
Os modelos europeus de sociedade e
de previdência tem por objectivo in-
trínseco fazerem com que as pessoas
beneficiem do progresso económi-
co e social e para ele contribuam. A
missão das Misericórdias tenderá a
manter-seatodoocustoadaptandoa
visãoemconformidadecomosnovos
fenómenos sociais e as necessidades
específicas das populações”.
Para o efeito, um dos primeiros
Emprego
Segundo o Gabinete de Acção Social da
UMP, na génese de grande parte das re-
alidadesdeexclusãosocialestãosituações
de falta ou precariedade de emprego. Daí
quedevasercadavezmaiorapreocupação
políticadepromoveracçõesdeincentivoao
empregoedecombateaodesemprego.
Habitação
A questão da habitação é igualmente
importante. Para aqueles especialistas, é
essencial garantir o acesso à habitação.
“Em vez de bairros sociais dar incentivos
para a disseminação das pessoas sem
habitação ou com habitação precária
em todo o lado, com políticas de apoio
ao arrendamento social.
Estrutura familiar
Também as estruturas familiares, os va-
lores e as estruturas sócio-demográficas
se alteraram substancialmente e devem
ser tidas em consideração quando o ob-
jectivo é tentar combater a pobreza e a
exclusão social. A queda acentuada da
família numerosa, o aumento do núme-
ro de famílias monoparentais, da taxa
de divórcios e dos nascimentos fora do
casamento, entre outros, devem ser as-
pectosateremconta.“Asacçõesdirectas
às famílias deverão ser adaptadas a esta
nova realidade já que as actuais medidas
dogovernoenquadram-senomodelode
família nuclear base, esquecendo todas
as outras tipologias”.
Envelhecimento
Porúltimo,enãomenosimportante,está
a questão do envelhecimento. “Com a
nova forma de gestão dos problemas
sociais, resultantes da velhice e do enve-
lhecimento demográfico, os conflitos de
interesses reduzem-se a confrontações
entre responsáveis político-administra-
tivos e especialistas de instituições, num
processo que se tem verificado bastante
lento”.
Recorde-seque,jáem1999,oINEaler-
tava para o facto de que a reforma dos
sistemas públicos de pensões deveria
ser equacionada à luz da estratégia de
envelhecimento activo, tendo em conta
o aumento da longevidade, o valor eco-
nómico dos recursos humanos mais ido-
sos e a necessidade de novas prestações
pecuniárias e não pecuniárias orientadas
para a dependência crónica dos mais
idosos entre os idosos. “É que todas as
gerações tem a ganhar com a adopção
de políticas que tenham o objectivo de
promover a autonomia e diminuir a de-
pendência e a incapacidade das pessoas
idosos, uma vez que tal contribuirá para
conciliarasaspiraçõesdaspessoasidosos
a uma vida longa e de qualidade, com as
legítimas preocupações da sociedade no
quedizrespeitoáminimizaçãodoscustos
doenvelhecimentodemográfico”,conclui
o documento.
Factores de exclusão social
Pobreza é a face
visível da exclusão
social
Qualidade é
indispensável
no combate
à pobreza
Para fazer face à pobreza
e à exclusão social, é
imperativo compreender
que sustentabilidade
pressupõe credibilidade
e qualidade
Para fazer face aos desafios da pobre-
za e da exclusão social, é imperativo
compreender que a sustentabilidade
pressupõe credibilidade e qualidade
das acções sociais. De acordo com o
Gabinete de Acção Social da União
das Misericórdias Portuguesas, é im-
prescindível uma estratégia.
Segundo aquele gabinete, “as
Misericórdias sentem já o desequi-
líbrio no tríptico “sustentabilidade
— qualidade — participação” e “o
futuro aponta para alguns desafios
à gestão social, desafios estes que
necessitamos ter em conta para ga-
rantir a continuidade do papel das
Misericórdias no combate á exclusão
e pobreza social”.
“É crescente a compreensão de
que o poder público não consegue
suprir, sozinho, todas as exigências
sociais e de que, embora seja insubs-
tituível em funções regulatórias, ne-
cessita actuar em parceria com as
organizações da sociedade civil no
atendimento às necessidades básicas
da população, sobretudo a camada
de mais baixo poder económico”.
Aquele gabinete recorda ainda
que “toma corpo na sociedade a
consciência de que as práticas so-
lidárias devem fortalecer a autono-
mia das comunidades e capacitá-las
para resolver os seus próprios pro-
blemas”. Nesse cenário, continuam,
emergem novas possibilidades de
acção e de sustentabilidade das or-
ganizações sociais. “Definir uma
estratégia para enfrentar desafios e
aproveitar oportunidades desse novo
cenário é, hoje, um imperativo para
as Misericórdias”.
No que se refere aos caminhos a
seguir, o GAS destaca, entre outros,
queaincorporaçãodaplanificaçãoes-
tratégicanagestãosocialéincontorná-
vel.Também“énecessárioreforçaras
práticasgestionáriasedefinirmodelos
organizacionais claros, experimentar
práticasfundadasnaparceriaecoope-
ração”, conclui o documento.
Recentemente, o combate à po-
breza e à exclusão social marcaram
a agenda nacional num evento que
reuniu centenas de organizações por
todo o país, entre elas, as Misericór-
dias da Amadora e do Porto.
Ver página seguinte
Bethania Pagin
outubro 2010 vm 9www.ump.pt
2,5 planetas para Portugal
Seriam necessários dois planetas e meio para suportar o estilo de vida
dos portugueses, se toda a população mundial vivesse da mesma forma.
Mas pegada ecológica caiu entre 2005 e 2007. Os dados são da WWF.
em acção
Amadora e Porto na
luta contra a pobreza
O evento “24 Horas pelo
Combate à Pobreza e à
Exclusão Social” reuniu
centenas de organizações,
entre elas, as Misericórdias
da Amadora e do Porto
O evento “24 Horas pelo Combate à
Pobreza e à Exclusão Social”, que de-
correu a 6 de Outubro, reuniu cente-
nas de organizações que, ao longo do
país,organizaramdiversasactividades
para sensibilizar a comunidade. As
Misericórdias da Amadora e do Porto
também se associaram à iniciativa.
Na Amadora, um ateliê de costu-
ra marcou a iniciativa com crianças
e jovens de contextos desfavoreci-
dos e quatro idosos do centro de
dia daquela Misericórdia. A tarde
iniciou-se tímida, lenta mas numa
sinestesia de emoções. Aos poucos
e poucos os jovens foram ocupan-
do as cadeiras dispostas na sala do
ateliê, em redor de um manequim
que, mais tarde, faria o seu papel
solene de preparação de fatos. Cada
um, com a sua caixa de costura, foi
arriscando, devagar, dar os primeiros
passos naquela que se tornaria uma
tarde cheia de coisas novas.
Mergulhados na pilha de roupas
e tecidos ao dispor, os jovens absor-
veram os conhecimentos ancestrais
das artes da costura e confecção.
Quatro senhoras deliciavam-se com
os sorrisos das crianças que, atenta-
mente escutavam as suas palavras
e seguiam, com olhares plenos de
curiosidade, os dedos enrugados que
descreviam as linhas para se coser.
Com mais ou menos confusão, o
grupoiaabrindoasasàsuaimaginação
e desenhava potenciais fatos, escolhia
as cores que mais se identificassem
com o logótipo da acção, pensava e
discutia palavras alusivas ao tema.
Em alguns momentos, pela rapi-
dezdeprocessamentoeesquecimento
de algumas informações, os monito-
res reforçavam as ideias relacionadas
comotemacentraldaactividade.Tom
sobre palavra. Palavra sobre acção.
Acções para combater – em paz - a
pobreza e a exclusão social.
No Porto, diversas iniciativas
marcaram o dia. Um stand da San-
ta Casa, localizado na Avenida dos
Aliados, ofereceu atendimento psi-
cossocial, despiste glicémico e da
tensão. Já nas instalações da Mise-
ricórdia, durante a tarde teve lugar
uma tertúlia sob o tema “Envelhecer
com Qualidade” sob a orientação
de Constança Paúl, professora uni-
versitária e investigadora no âmbito
do envelhecimento activo. A noite
foi dedicada aos mais jovens, com
a exibição de um filme sobre a pro-
blemática da institucionalização de
crianças e jovens.
Ver página 8
Vila Flor com 201 empregos
Misericórdia de Vila Flor, no distrito de Bragança,
é a instituição que mais gente emprega.
Instalada num concelho com cerca
de sete mil habitantes, a Misericórdia
de Vila Flor, no distrito de Bragança,
é a instituição que mais gente em-
prega. Em todos os equipamentos
trabalham 201 pessoas.
“Amaiorpartedosnossosfuncio-
nários está no quadro. Apenas uma
meia dúzia foi colocada através do
Centro de Emprego”, orgulha-se, em
declarações ao Jornal de Notícias, o
provedor da Santa Casa de Vila Flor,
Vítor Costa, realçando assim a im-
portância que a instituição assume
no concelho.  
O pessoal está distribuído por 33
respostassociais:seislares,novecen-
tros de dia, uma unidade de cuidados
continuados com 29 camas, jardim-
de-infância, empresas de inserção e
apoio domiciliário, entre outros.
Entre as empresas, destaque
para a padaria. Criada para abaste-
cer de pão e pastelaria as unidades
da instituição, serve 500 refeições
diárias, mas neste momento também
já vende ao público. “É uma forma
de gerar alguma receita”, justifica
Vítor Costa.
Ateliê de costura
marcou iniciativa
na Amadora
A UNIÃO PARA AS SANTAS CASAS
Centro de Formação
Profissional
O Centro de Formação Profissional da
UMP, constituído em 1996, veio dar
resposta a um conjunto de preocupa-
ções das Misericórdias Portuguesas,
conscientes da necessidade de recur-
soshumanosdevidamentequalificados.
Percorrido um caminho de progressi-
va evolução nas respostas formativas
que foi disponibilizando, o Ceforcórdia,
afirmou-se como uma das principais
Linhas de Serviço que a UMP oferece
às suas associadas.
Não é alheio a esta situação o facto
de as Misericórdias estarem cada vez
mais empenhadas na qualidade, pois,
para uma prestação de bons serviços,
a formação, motivação e qualificação
dos trabalhadores, são factores indis-
sociáveis. Contribuiu igualmente para
este desempenho do Ceforcórdia o ex-
pressivo apoio de fundos comunitários
e do Instituto do Emprego e Formação
Profissional. Só através de candidatu-
ras apresentadas regularmente aos
quadros comunitários de apoio e pela
contribuição anual do protocolo de co-
laboração com o IEFP, foi possível atin-
gir elevados níveis de execução da for-
mação profissional estimando-se que,
até este ano, tenhamos atingido um
volume de mais de vinte mil pessoas
envolvidas em processos de formação.
Actualmente o Ceforcórdia desenvol-
ve a sua actividade disponibilizando, a
todas as Misericórdias, varias ofertas
formativas tendo a preocupação de
abranger a diversidade de profissionais
que diariamente actuam nas institui-
ções. Temos igualmente uma preo-
cupação em disponibilizar formação e
informação a outros grupos actuantes
na instituição, como são os dirigentes,
voluntários e até utentes e seus fami-
liares.
O Centro de Formação conta actual-
mente com onze colaboradores que
asseguram a preparação e monitoriza-
ção de todos os processos formativos
que se desenvolvem nas Misericórdias.
No terreno, recorremos aos coordena-
dores locais da formação e a formado-
res seleccionados regionalmente.
Quanto a conteúdos formativos temos
desenvolvido esforços no sentido de
adequar as matérias aos seus directos
destinatários de acordo com as funções
que cada grupo exerce na instituição.
Nesta linha de actuação assume espe-
cial relevância a opção do Ceforcórdia
pelos referenciais do Catálogo Nacional
das Qualificações.
Referir ainda que o Ceforcórdia viu
recentemente renovada a acreditação
como entidade formadora, tendo a
DGERT valorizado e esse propósito, a
sua politica e planeamento estratégico,
a gestão dos seus recursos humanos,
os resultados e melhoria contínua assim
como as práticas e normas de conduta.
O Ceforcórdia para além de integrar
algumas plataformas de reflexão e
acompanhamento, como é o caso da
Comissão de Acompanhamento do
POPH, tem assegurado a represen-
tação das Misericórdias em projectos
como a Iniciativa EQUAL, Projecto
Novas Oportunidades, Programa de
Aprendizagem e, por último, a gestão
do Protocolo IEFP com especial des-
taque para as empresas de inserção e
medidas de emprego.
Neste espaço, apresentaremos, ao longo das próximas
edições, os diversos serviços prestados pela União das
Misericórdias Portuguesas às suas associadas
10 vm outubro 2010
Hoje será um concerto único,
com um momento alto na “rei-
nauguração” do órgão?
O momento alto será, sem dúvi-
da, o órgão recuperado, depois de
muitos anos em mau estado. Estou
muito feliz porque, estive cá a fa-
zer um programa televisivo sobre
o órgão no estado em que estava,
e talvez tenha contribuído para a
recuperação que aconteceu. Esta
recuperação devia ser um exemplo
para muitos órgãos que existem no
país e que estão ao abandono. Uma
coisa é não deitar dinheiro à rua,
outra é deitar dinheiro à rua deixan-
do estragar património. A política
portuguesa em matéria cultural
é uma política de desperdício, ao
contrário do que se pretende dar a
entender às pessoas.
Desperdício e limitações?
Desperdício e limitações, sim,
quando se limita que instrumentos
que estavam estragados e históricos
se recuperem. Desperdiçar talentos
não lhes dando trabalho. Enfim, a
política cultural em Portugal é mar-
cada pelo desperdício.
Desperdiçar talentos em que
sentido?
Nunca na história em Portugal hou-
ve tantos jovens e bons a seguir
música. Há músicos como nunca
houve, tantos e tão bons. Mas não
são aproveitados, pela tal política
do desperdício. As pessoas não sa-
bem que eles existem.
O que o move a continuar a
calcorrear o país?
O que me move é a profissão. É a
música. É ganhar a vida como pro-
fissional da música, esta é que é a
realidade. Não esquecendo que eu
não tenho reforma. Gostaria de não
ter de o fazer por necessidade, mas
faço-o.
www.ump.pt
em acção
Arouca encerra 400
anos com música
Santa Casa de Arouca
encerrou as comemorações
do 400.º aniversário
com um Concerto de
Órgão no Cadeiral do
Mosteiro de Arouca
A Santa Casa da Misericórdia de
Arouca está a comemorar o 400.º
aniversário. Ao longo do ano, foram
vários os eventos que se realizaram,
tendo o epílogo das comemorações
acontecido no passado dia 2 de Ou-
tubro, com um Concerto de Órgão
no Cadeiral do Mosteiro de Arouca,
o maior edifício português de gra-
nito. O evento contou com as pre-
senças do maestro António Vitorino
D’Almeida e do Prof. Dr. Antoine
Sibertin-Blanc, organista titular da Sé
Patriarcal de Lisboa, e de D. Manuel
Martins, bispo emérito de Setúbal.
Ao comemorar 400 anos da fun-
dação da Misericórdia de Arouca,
Vítor Brandão, provedor da institui-
ção, acredita que se vive um “virar
de página”. Em declarações à Voz
das Misericórdias, o provedor arou-
quense afirma que “a Santa Casa
Vera Campos
O mosteiro encheu-
se de convidados da
Misericórdia
atingiu o apogeu máximo de toda a
sua existência”
Do passado mais recente, Vítor
Brandão acaba por eleger a saúde
como a área que mereceu maior
investimento. Através da reestrutu-
ração do hospital, e do esforço con-
junto de várias instâncias, este res-
ponsável garante que “pela primeira
vez o povo Arouca tem à disposição
um conjunto de serviços e exames
complementares convencionados,
a custo zero ou com as respectivas
taxas moderadoras”, que nunca an-
tes estivera tão acessível. Mesmo
assim, e sublinhando que a força
interior de todos os que colaboram
com a Santa Casa permitiu que esta
se tornasse “num mini império em
Arouca ao serviço da população”, há
metas mais ambiciosas a alcançar.
“Só no dia em que sentirmos que
nenhuma pessoa de Arouca passa
dificuldades, estaremos em paz”,
refere o provedor, aludindo à extensa
área do concelho, um dos maiores da
Grande Área Metropolitana do Porto.
Depois da aposta forte no pa-
trimónio, com o restauro de todas
as peças de arte da Santa Casa, que
podem ser apreciadas na capela e
no museu da instituição, segue-se
um novo desafio. A construção de
uma creche, que nascerá junto ao
Hospital da Misericórdia, cujo con-
curso já foi lançado e a inauguração,
em breve, do Centro de Dia de Urrô.
Órgão restaurado
Com uma presença regular em
Arouca, o maestro António Vitorino
D’Almeida acabaria por confessar
alguma vaidade. “Sinto vaidade ao
pensar que, de certa maneira, par-
ticipei na recuperação deste órgão,
com mais de um século [207 anos],
através de um programa de TV que
fiz aqui”. Crítico quanto ao desperdí-
cio de verbas e maus investimentos,
o maestro lembrou que “numa época
como a nossa, esbanjar inutilmente
é erro. Mas mais errado é não tirar
proveito daquilo que temos: jovens
talentosos, património, cabeças”
Por sua vez, o organista titular
da Sé Patriarcal de Lisboa e consi-
derado um dos melhores organistas
da Europa, Antoine Sibertin-Blanc,
regressou a Arouca, onde estivera a
tocar precisamente na inauguração
do órgão, que agora sofreu restaura-
ção. “É um grande prazer para mim
tocar aqui, passados 25 anos”, refe-
riu o organista.
António Vitorino
Maestro
4P?
“Tudo faremos para
minimizar os momentos
difíceis que se antevêem
para Portugal
Vítor Brandão
As Santas Casas são
instituições de solidariedade
com identidade própria,
são espaço único de
voluntariado
D. Manuel Martins
outubro 2010 vm 11www.ump.pt
Missão cumprida no Chile
Em menos de 24 horas foram resgatados, através da cápsula Fénix,
os 33 mineiros - 32 chilenos e um boliviano - que estavam
há 69 dias presos na mina de San José, no Chile. Foi a 13 de Outubro.
em acção
Receitas nas misericórdias
Bucho Recheado
de Arganil
Ingredientes:
informação nutricional:
Preço:
DIFICUDADE:
MODO DE PREPARAção:
1 Bucho de porco
0,750 Kg Lombo de porco
,01 Kg Arroz
0,2 Kg Sangue de porco
1 Ramo de salsa
4 Dentes de alho
Sal e piri-piri quanto baste
Zerpão quanto baste
2 Dl Vinho Tinto
0,3 Kg Limão
2 (fl) louro
274,5 Kcal
7,7g Proteínas
40,2 g Hidratos de carbono
8,3g Gordura
€€€€€
,,,,,
Lave bem o bucho de porco em água
corrente e deixe de véspera com sal,
alho esmagado e limão. Corte o lombo
em pedaços pequenos e coloque em
vinha-d’alhos, com sal, alho picado, sal-
sa picada, pimenta ou pirir-piri, louro,
zerpão e vinho tinto (pode substituir
o zerpão por tomilho ou por uma pe-
quena quantidade de orégãos). Dê uma
pré-cozedura ao arroz; Junte o arroz à
carne, o sangue esfarelado e rectifique
o tempero. Lave bem o bucho e recheie
com o preparado anterior, cosa com
uma agulha e linha e leve a cozer em
água temperada com sal, louro e alho
esmagado, durante 2 a 3 horas. Duran-
te a cozedura vá picando o bucho com
uma agulha para que ele não rebente.
Sirva frio cortado em fatias.
Gestão e recursos
humanos com
maior impacto
O projecto Gestão
Sustentável I obteve
avaliação positiva. Formação
de recursos humanos foi
uma das áreas a iniciativa
teve maior impacto
O projecto Gestão Sustentável I, pro-
movido pela União das Misericórdias
Portuguesas (UMP) no âmbito do
Programa Operacional Potencial Hu-
mano, na medida Formação Acção,
obteve avaliação positiva por parte
dos provedores. No relatório final,
a formação de recursos humanos
surge como uma das áreas em que
a iniciativa teve maior impacto. Ao
todo participaram 75 Santas Casas e
já começou o segundo projecto, que
envolve uma centena de instituições.
De acordo com o relatório final,
promovido pela Associação Empre-
sarial de Portugal (AEP) enquanto
entidadeavaliadora,dadosrecolhidos
junto de 40 Misericórdias permitem
concluir que “o contributo do projec-
toparaodiagnósticodenecessidades
da organização e para a formação de
recursos humanos são os resultados
assinalados como mais intensos”.
“A gestão global, a utilização das
TIC e a estratégia da organização
surgem como o segundo grupo de
domínios de impacto forte do pro-
jecto, o que pode permitir assinalar a
pertinência do projecto, traduzida na
concretização de resultados relevan-
tes na melhoria da gestão das Miseri-
córdias”, lê-se naquele documento.
Outro aspecto destacado pela
equipa da AEP é o facto de que os
resultados finais coincidem com
as expectativas iniciais. “Este facto
permitirá concluir pela relevância
do projecto, que costuma ser enten-
dida como conseguida quando os
resultados obtidos por um projecto
vão de encontro às expectativas dos
respectivos stakeholders”.
Recorde-se que este projecto visa
aperfeiçoar metodologias de gestão
e princípios organizacionais nas Mi-
sericórdias, assim como abordar as
qualificações dos recursos humanos.
“A especificidade das Santas Casas
no panorama da economia social
portuguesa justifica que tenhamos
preocupações em disponibilizar a
estas instituições os melhores instru-
mentos de gestão e os mais adequa-
dos conhecimentos”, refere o centro
de formação da UMP - Ceforcórdia.
No projecto gestão Sustentável II estão
envolvidas as seguintes Santas Casas:
Espinho, Oliveira de Azeméis, Barcelos,
Vieira do Minho, Vila Nova de Famali-
cão, Vila Verde, Riba D´Ave, Vinhais,
Tabuaço, Miranda do Douro, Vimioso,
Vila Nova de Foz Côa, Lousada, Mar-
co de Canavezes, Paredes, Penafiel,
Unhão, Trofa, Paços de Ferreira, Arcos
de Valdevez, Melgaço, Ponte da Barca,
Valença, Viana do Castelo, Alijó, Arou-
ca, Peso da Régua, Vila Real, Armamar,
Moimenta da Beira, Resende, Tarouca,
Vale de Cambra, Anadia, Aveiro, Mea-
lhada, Oliveira do Bairro, Proença-a-
Nova, Castelo Branco, Fundão, Oleiros,
Sertã,Montemor-o-Velho,VilaNovade
Poiares, Pampilhosa da Serra, Tábua,
Guarda,Manteigas,Meda,Sabugal,An-
sião, Caldas da Rainha, Leiria, Óbidos,
Alenquer, Arruda dos Vinhos, Sobral
de Monte Agraço, Abrantes, Constân-
cia, Porto de Mós, Mação, Castro Daire,
S. Pedro do Sul, Confraria da Nazaré,
Aljustrel, Alvito, Beja, Moura, Odemira,
Cuba, Alcáçovas, Évora, Mora, Pavia,
Vendas Novas, Cabrela, Azambuja,
Avis, Castelo de Vide, Alegrete, Cabeço
de Vide, Monforte, Sousel, Almeirim,
Fronteira, Gavião, Rio Maior, Torres
Novas, Grândola, Torrão, Alvor, Loulé,
Olhão e Tavira.
Santas Casas no segundo projecto
Estarreja
conta 75
anos
em livro
A edição é um estudo
histórico da autoria de
Marco Pereira e conta
com diversos testemunhos,
entre eles, a provedora,
Rosa Figueiredo
A Santa Casa da Misericórdia de Es-
tarreja está a completar os 75 anos de
existência. Nos dias 22 e 23 de Ou-
tubro, história e reflexão marcaram
o tom das comemorações.
De acordo com a provedora, Rosa
Figueiredo, o dia 22 contou com uma
palestra proferida pelo Professor
Daniel Serrão subordinada ao tema
“Reflexão Médica e Ética sobre a Eu-
tanásia”. “Tema bastante pertinente e
fracturantenasociedadeportuguesae
queseráconcertezaumgrandecontri-
butoparareflexão”,afirmouarespon-
sável sobre a iniciativa que decorreu
na Biblioteca Municipal de Estarreja.
No dia seguinte, 23 de Outubro,
foi lançado o livro “História da Santa
Casa da Misericórdia de Estarreja”. A
cerimónia teve lugar na Câmara Mu-
nicipal daquela localidade. A edição
é um estudo histórico da autoria de
Marco Pereira e conta com diversos
testemunhos, entre eles, a provedo-
ra, Rosa Figueiredo.
Segundooautor,“noiníciode1923
começavamosesforçosparaacriação
de uma Misericórdia e um Hospital.
Não tardou que se juntassem as elites
doconcelhodeEstarrejanumagrande
reunião. No entanto os entusiasmos
esmoreceram pouco tempo depois e
as comissões ficaram definitivamente
inactivas”. E foi, portanto, em 1926
queoViscondeseSalreu,enriquecido
no Brasil e benemérito na terra natal,
ficousensibilizadoeprometeucustear
a construção do hospital.
“Construído entre 1926 e 1935, o
Hospital Visconde de Salreu era con-
siderado nos primeiros anos um dos
melhores do país, possuindo equipa-
mentos e características avançados
para a época. Salazar, que o visita
em 1935, mostra-se impressionado
com o que vê”, refere Marco Pereira.
A edição “História da Santa Casa da
Misericórdia de Estarreja” faz ainda
o levantamento de todos provedores
que passaram por aquela instituição.
No dia 23, as comemorações
ficaram ainda marcadas por uma
eucaristia.
Misericórdia de Estarreja
está a completar os 75 anos
de existência. História
e reflexão marcaram
o tom das comemorações
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em acção
12 vm outubro 2010
Economia familiar e bem-estar
na horta social da Trofa
Misericórdia da Trofa
inaugurou uma horta social.
Para além da importância
na economia familiar, este
espaço é uma mais-valia
para a saúde
A Santa Casa da Misericórdia da Tro-
fa inaugurou recentemente a horta
social “O Meu Cantinho de Terra”.
Para além da importância na eco-
nomia familiar, este espaço é uma
mais-valia para a saúde, uma vez
que os “agricultores” apenas podem
produzir produtos biológicos.
De acordo com o jornal Notícias
da Trofa (NT), a horta social da Mise-
ricórdia pretende ser uma ajuda para
os trofenses que mais precisam e que
podem, desta forma, economizar al-
guns euros no supermercado. Gorete
Sousa é um dos muitos exemplos de
pessoasquevãousufruirdainiciativa.
Mãe de cinco crianças, Gorete
actualmente vive em S. Martinho
de Bougado e vai contar com a
sabedoria da mãe, Adelina Alves,
para cuidar do seu cantinho de terra.
“Eu tive conhecimento deste espaço
através do meu técnico - de Acção
Social - e disse logo que estava in-
teressada, porque somos muitos em
casa. Tenho cinco crianças, portanto
gastamos muitas hortaliças e se eu
puder cultivar em vez de comprar
é muito melhor para nós: poupa-se
dinheiro, ocupa-se mais o tempo e
os produtos têm mais qualidade do
que se forem comprados na feira
ou no mercado”, explicou. Gorete
considera esta oportunidade “muito
boa”, mas “muito rara”.
Amadeu Castro Pinheiro, prove-
dor da Santa Casa da Misericórdia da
Trofa, acredita que este projecto vai
“ao encontro da pretensão de muitos
casais e de muitas famílias que gosta-
riamdeterumbocadinhodeterrapara
agricultura e que, por motivos vários,
não têm essa possibilidade”. “Vimos,
realmente,aoencontrodaquiloqueas
pessoas precisavam”, afirmou.
A horta social é um local onde
as diferenças são esquecidas: portu-
gueses, imigrantes de Leste, paquis-
taneses e pessoas de etnia cigana
partilham a mesma terra. O provedor
recordou uma conversa com uma
mulher de etnia cigana que lhe dizia
que na horta social “se sentia igual
aos outros”.
O Meu Cantinho de Terra conta
com a parceria de várias entidades,
empresaseassociaçõescomoaADAP-
TA (Associação para a Defesa do Am-
biente e do Património da Trofa).
Barcelos
inaugura
serviço de
hidroterapia
Serviço de hidroterapia
da Misericórdia de
Barcelos inclui uma
piscina terapêutica em
temperatura ambiente de
36º, única no concelho
Dentro de dois anos, a Santa Casa da
Misericórdia de Barcelos vai ter uma
nova unidade de cuidados continu-
ados integrados (UCCI). O anúncio
foi feito a 8 de Outubro, aquando
da inauguração oficial do novo ser-
viço de hidroterapia, no centro de
medicina física e de reabilitação da
instituição.
De acordo com o provedor, Antó-
nio Pedras, o serviço de hidroterapia
inclui uma piscina terapêutica em
temperatura ambiente de 36º, úni-
ca no concelho de Barcelos; banho
turco; duche escocês; pressoterapia;
duche vichy e massagem manual.
Todos estes tratamentos são acompa-
nhados gratuitamente pelos médicos
fisiatras daquele centro.
Os interessados em usufruírem
destes serviços podem deslocar-se
à Rua Dr. Santos Júnior (Quinta da
Ordem), onde passarão numa fase
inicial pelo médico que aconselhará
o tratamento mais adequado. Este
serviço tem capacidade para receber
diariamente 140 utentes.
Por sua vez, a UCCI anunciada
por António Pedras terá espaço para
22 camas de média duração e 33 de
longa duração e irá criar 52 postos
de trabalho. Ao todo, o novo equipa-
mento custará 2,5 milhões de euros,
sendo que 750 mil foram compar-
ticipados no âmbito do Programa
Modelar.
A nova unidade vai representar
também uma mais-valia para as fa-
mílias da região. O provedor relem-
brou que, actualmente, os utentes
são obrigados a deslocarem-se a ci-
dades vizinhas para receber este tipo
de assistência, o que dificulta a vida
dos familiares que querem visitar os
seus doentes.
A Mesa Administrativa optou
pela construção de um edifício de
raiz, como alternativa à espera da de-
volução das instalações do Hospital
de Barcelos, que só acontecerá quan-
do for construído o novo hospital no
concelho, sem data prevista ainda.
Nessa altura, o provedor adiantou a
possibilidade de transformar aquele
edifício em Unidade Hoteleira de Tu-
rismo Sénior.
Recorde-se que neste momento
as Misericórdias representam cerca
de 70% da Rede Nacional de Cuida-
dos Continuados Integrados.
Vila Verde prepara casais para o parto
Spa da Misericórdia de Vila Verde lançou curso de
preparação aquática para o parto e a parentalidade
A Santa Casa da Misericórdia de Vila
Verde lançou recentemente um curso
de preparação aquática para o parto
e parentalidade, através dos serviços
da unidade de Medical Spa. O objec-
tivo é promover a saúde e qualidade
de vida de muitas mulheres grávidas,
mas os pais também podem partici-
par se quiserem.
Segundo o jornal Correio do Mi-
nho, o curso será leccionado por um
profissional de saúde e constituído
por oito aulas, quatro delas em pisci-
na aquecida e as restantes centrar-se-
ão na sala de fitness e de formação.
A quem não interessar a frequência
do curso completo, poderá adquirir
a frequência individualizada das ses-
sões que pretender.
Para além disso, os cuidados
continuam após o nascimento do
bebé. Além de acompanhamento
telefónico e ao domicílio, a Miseri-
córdia de Vila Verde disponibilizará
outros serviços como, por exemplo,
o pezinho ao bebé.
O curso de preparação aquáti-
ca para o parto e parentalidade tem
como objectivos identificar necessi-
dades do casal, fornecer informação
actualizada, mostrar uma diferente
percepção do desconforto do traba-
lho de parto, elucidar o casal sobre
os métodos farmacológicos e não
farmacológicos do alívio da dor.
A Medical Spa da Misericórdia
de Vila Verde está aberta ao público
há pouco mais de um ano.
Trata-se de um espaço dedicado
ao bem-estar, exercício físico, saú-
de e prevenção, equilíbrio, beleza,
que conta com uma vasta oferta de
serviços, profissionais de excelên-
cia e, acima de tudo, preços sociais,
atentos e à semelhança dos valores
intrínsecos desta instituição.
ONOTÍCIASDATROFA
Horta social para
ajudar a poupar
www.ump.pt
Menos liberdade de imprensa
Portugal continua a cair na tabela de liberdade de imprensa, elaborada pela
Associação Repórteres Sem Fronteiras. Em 2010, o país surge no 40º lugar,
caindo dez posições face a 2009. Em 2008, Portugal estava no 16º lugar.
em acção
outubro 2010 vm 13
Alhos Vedros comemora 510 anos
A Misericórdia de Alhos Vedros comemorou recentemente os 510 anos
da instituição. Durante a cerimónia, foi prestada uma homenagem a Fre-
derico Fatia, ex-provedor falecido no último ano. A sua fotografia foi colo-
cada na galeria dos ex-provedores. “É uma homenagem singela mas sen-
tida”, disse tesoureiro da instituição. A Santa Casa prepara-se ainda para
inaugurar uma unidade de cuidados continuados. “Estava previsto estar
pronta este mês, mas está com dois meses de atraso, perspectivando-se
que esteja concluída em Dezembro, e seja inaugurada em Fevereiro de
2011”, concluiu Alberto Morgado.
630Mil portugueses. No final de Junho, havia 630 mil portugueses com
crédito vencido junto das instituições financeiras que operam em ter-
ritório nacional, revelam dados recentemente divulgados pelo Banco
de Portugal.
Universidade Sénior da
Madalena tem 20 alunos
Universidade Sénior da Santa Casa
da Misericórdia da Madalena, nos
Açores, tem 20 alunos inscritos
para o ano lectivo 2010/2011,
mas espera ter muitos mais. As
aulas começaram recentemente e
na sessão de abertura, o provedor
daquela instituição, José António
Soares,afirmouqueainiciativa,cujo
objectivo desta passa pela “apren-
dizagem e confraternização”, tem
sido “uma experiência enriquece-
dora” e tem tido “resultados po-
sitivos de ano para ano”. Ao todo,
serão leccionadas nove disciplinas
e para cada disciplina há um pro-
fessor voluntário. A Universidade
Sénior da Santa Casa da Misericór-
diadaMadalenaexistehátrêsanos.
“A Misericórdia de Castelo
Branco pretender cons-
truir uma nova creche e
jardim-de-infância, um
novo lar para idosos, uma
piscina aquecida, um gi-
násio e seis apartamentos
independentes para quem
esteja válido, mas queira
viver no campo e apoiado
pela Misericórdia.
Guardado Moreira
Provedor
VOLTAAPORTUGAL
Mealhada celebra 104 anos com reflexão
Santa Casa da Misericórdia
da Mealhada celebrou
recentemente 104 anos
de existência e assinalou
o aniversário com um
momento de reflexão
A Santa Casa da Misericórdia da Me-
alhada celebrou recentemente 104
anos. Mas apesar de a instituição
estar “viva”, o provedor, João Peres,
preferiu assinalar o aniversário com
um momento de reflexão.
Em declarações ao Diário de
Coimbra, aquele responsável afir-
mou que a função da Misericórdia
“não é fazer festas, mas sim aplicar
os poucos recursos que temos em
prol da sociedade”. Por isso, naquele
dia, celebrado a 15 de Outubro, o ob-
jectivo era “não esquecer o passado
e projectar o futuro”.
E o futuro passa, essencialmente,
por dar mais e melhores condições
ao Hospital Misericórdia da Mealha-
da(HMM),emfuncionamentodesde
2006 e que se tem afirmado como
“um marco de referência na região e
no país”, revela um comunicado da
instituição. João Peres vai mais longe
e afirma mesmo que o hospital, que
hoje dispõe de um variado conjunto
de serviços de saúde, se tem afirman-
do como alternativa “à altura” dos
hospitais centrais, concretamente
de Coimbra, poupando tempo e di-
nheiro às populações que, em muitos
casos, deixam de ser obrigadas a
deslocações a hospitais maiores.
Além da saúde, as restantes res-
postas sociais também estão a ser
alvo da atenção da Mesa Adminis-
trativa da Misericórdia da Mealha-
da. Segundo João Peres, apesar de
haver grande procura pelos serviços
da instituição, o objectivo para os
próximos tempos é dar melhores
condições de vida aos utentes. A
construção de um novo lar é uma
prioridade, mas “a médio prazo”,
conta o provedor, frisando que não
se trata de um projecto que tem em
vista o aumento da capacidade, mas
sim uma “modernização”.
O objectivo é fazer uma constru-
ção nova, em local ainda a definir,
e deixar o velho edifício do lar para
outras utilizações, de apoio ao hos-
pital, por exemplo, ou para outras
respostas sociais.
Destaque também para o apoio
que a Misericórdia da Mealhada
presta na área da infância, com as
valências de creche, pré-escolar e
ATL, onde o ensino da música e as
várias actividades na área musical
têm merecido uma especial atenção.
“A função da Misericórdia
“não é fazer festas, mas sim
aplicar os poucos recursos
que temos em prol da
sociedade”. O objectivo é
“não esquecer o passado e
projectar o futuro”.
68835utentes foram ad-
mitidos no hospital
entre Janeiro e Setembro de 2010
30 é o número de camas na uni-
dadedecuidadoscontinuados
integrados da Misericórdia da Mealhada
261crianças são apoiadas nas
respostassociaisdecreche,
pré-escolar e ATL
160idosos são diariamente
acompanhados nas respos-
tasdelar,centrodediaeapoiodomiciliário
387colaboradores é com que
conta a Santa Casa da Me-
alhada actualmente
Números
14 vm outubro 2010 www.ump.pt
em acção
PARCERIAS
Rui Filipe Leite
Responsável pelo Protocolo entre Carclasse e UMP
Uma das nossas missões é
o apoio à actividade social
Há Quanto tempo a Carclasse
trabalha com as Misericórdias?
A Carclasse – Comércio de Automó-
veis, S.A. é Concessionário Oficial
das marcas Mercedes-Benz, Smart,
Suzuki Automóveis e Land Rover.
Sendo representante oficial Merce-
des-Benz desde 1993 para todo dis-
trito de Braga e formalmente des-
de 1999 para todo o Minho e após
os primeiros anos de implantação
no mercado iniciamos em 1996 os
contactos com as Misericórdias da
nossa região apresentando solu-
ções para transporte de pessoas
(de 2 a 23 lugares), bem como para
Transporte Especial de Pessoas com
Mobilidade Reduzida, de forma a
garantir uma resposta real às ne-
cessidades de cada instituição e de
cada população.
A Carclasse, S.A. define como uma
das suas missões o apoio à activida-
de social através de donativos bem
como através do fornecimento de
produtos adequados às necessida-
des de transporte de pessoas ou
apoio domiciliário.
Que avaliação faz do protocolo
com a UMP?
A Carclasse, S.A. tem adoptado uma
política assente em condições espe-
cialmente definidas para as Miseri-
córdias, pelo que consideramos esta
parceria de elevada importância
uma vez que o protocolo permitiu
por um lado, alargar a nossa rede
de contactos a nível nacional pro-
movendo a diversidade de viaturas
disponíveis junto das Misericórdias,
cujas necessidades são específicas.
Por outro lado, com este protocolo
a Carclasse, S.A. assume-se agora
como o principal fornecedor de via-
turas neste contexto.
Quais são as principais van-
tagens – comerciais e outras
– desta parceria para as Santas
Casas?
No âmbito deste Protocolo a Car-
classe, S.A. para além do forne-
cimento de equipamentos com
custos de aquisição em condições
especiais através de preços unifor-
mizados e competitivos, apresenta
soluções de transporte de pessoas
com e sem mobilidade reduzida,
veículos de apoio domiciliário e MI-
NIBUS visando as necessidades re-
ais de cada uma das Misericórdias.
Estas viaturas são reconhecidas no
mercado como as que apresentam
níveis de segurança, conforto e fia-
bilidade mais elevados.
Há projectos para o futuro?
A Carclasse, S.A. tem conhecido
um desenvolvimento sem paralelo,
em que o crescimento do número
de vendas tem sido uma constan-
te, sendo acompanhado pelo cres-
cimento das infra-estruturas e do
volume do serviço após-venda. A
Carclasse, S.A. é, neste momento,
um dos mais importantes conces-
sionários nacionais, dispondo de
instalações nas cidades de Bra-
ga (sede), Barcelos, Vila Nova de
Famalicão, Guimarães e Viana do
Castelo. Prosseguindo no seu esfor-
ço de crescimento e incremento da
qualidade do serviço ao Cliente, a
Carclasse, S.A. tem previsto inau-
gurar, a curto prazo, as suas novas
instalações na cidade de Lisboa, na
Avenida Marechal Gomes da Costa.
Desta forma pretendemos ser líde-
res de mercado na satisfação dos
Clientes, implementando com esse
propósito acções que desenvolvam
relações duradouras e de confiança.
Reflexão nos 500
anos de Vila Viçosa
Misericórdia de Vila Viçosa
celebrou 500 anos com
uma jornada de debate
e reflexão acerca do
trabalho que tem vindo a
desenvolver na localidade
No âmbito das comemorações dos
500 anos da Santa Casa da Miseri-
córdia de Vila Viçosa a instituição
promoveu no dia 2 de Outubro, no
Cine-teatro Florbela Espanca, uma
jornada de debate e reflexão acerca
do trabalho que tem vindo a desen-
volver em prol dos mais carenciados.
Na sessão de abertura das jorna-
das todos os oradores - o provedor
Jorge Rosa, o presidente da Câmara
Municipal de Vila Viçosa, Luís Cal-
deirinha Roma, o representante da
União das Misericórdias Portuguesas
(UMP), Aurelino Ramalho e o arce-
bispo da Arquidiocese de Évora, D.
José Alves – assinalaram a impor-
tância deste género de instituição.
Ostemposdifíceisqueopaísatra-
vessa também estiveram na ordem
do dia e foram motivo de reflexão.
O representante da UMP constatou
que “as Misericórdias vivem e ac-
tuam em contra-ciclo. Quando há
uma crise no país as Misericórdias
estão na primeira linha a ajudar os
mais necessitados”. Ao sublinhar a
importância da instituição para a
população calipolense, o presidente
CâmaraMunicipallocal,afirmouque
“a Santa Casa, em tempo de crise,
conseguecriarsituaçõesdeapoioque
muitas vezes o Estado não consegue
dar resposta”. Por sua vez, o bispo
de Évora também destacou “a ajuda
indispensável” que as Misericórdias
representam para o país em áreas de
actuaçãovariadascomosaúde,tercei-
ra idade e apoio à infância.
Durante a jornada de trabalhos
foi, ainda, apresentado o livro “A
misericórdia de Vila Viçosa: de fi-
nais do Antigo Regime à República”,
da autoria de Maria Marta Lobo de
Araújo. Esta obra visa comemorar os
cinco séculos de existência da insti-
tuição. No entanto, como a autora do
livro assinalou: “Nós não sabemos
exactamente a data da fundação da
Misericórdia de Vila Viçosa. Mas
podemos afirmar que há 500 anos
houve a integração do hospital do
Espírito Santo na Misericórdia cali-
polense”. Ou seja, há mais de cinco
séculos que a instituição faz parte
da vida da vila alentejana. Com a
publicação deste livro, Maria Marta
Lobo de Araújo deu continuidade
aos estudos que já havia realizado e,
desta vez, centrou a sua investigação
entre 1800 e 1910. Segundo a investi-
gadora: “ foi um período muito difícil
para o país. A Misericórdia chegou
à República muito desfalecida, mas
soube viver, renascer e está na actu-
alidade cheia de vitalidade.”
O papel activo da instituição
também foi destacado pelo provedor
Jorge Rosa: “a Santa Casa possui lar
juvenil, casa de repouso, centros de
dia, serviço de apoio domiciliário,
equipa de intervenção precoce, ateliê
de tempos livres para jovens e crian-
ças e jardim-de-infância.” Inegável é,
ainda, que a instituição é uma das
principais empregadoras da região.
Voltada para o futuro, a Santa Casa
de Vila Viçosa promete continuar a
cumprir com a sua missão, estando
prevista a construção (ainda para
2010) de uma unidade de cuidados
continuados para acolher doentes
acamados ou na fase final da vida.
As comemorações dos 500 anos
da Misericórdia de Vila Viçosa ain-
da vão contar com outros eventos.
No dia 30 de Outubro está previsto
cortejo, sessão solene e convívio. O
benfeitor Augusto do Couto Jardim
vai ser lembrado no dia 14 de No-
vembro. Finalmente, no dia 29 de
Dezembro, encerram-se as come-
morações.
Adriana Mello
Crise do país foi
tema de debate em
Vila Viçosa
“Durante a jornada de traba-
lhos foi, ainda, apresentado
o livro “A Misericórdia de
Vila Viçosa: de finais do An-
tigo Regime à República”,
da autoria de Maria Marta
Lobo de Araújo.
EM FOCO
www.ump.pt outubro 2010 vm 15
Ensinar enfermagem
com coração e qualidade
A Escola Superior de Enfermagem São Francisco das Misericórdias aposta
no ensino de elevada qualidade, mas não descura a dimensão de apoio social
Quanto aos projectos para o futuro, o
directordaescolaafirmouqueaforma-
ção à distância é deles. Embora ainda
numa fase embrionária, o projecto pre-
tende, em outros aspectos, apoiar as
Santas Casas nos processos de forma-
çãocontínua.Comatençãoaosdesafios
que estas instituições vão enfrentar por
causadoenvelhecimentodapopulação,
a escola quer ser “o sustentáculo for-
mativo” do trabalho em áreas como a
reabilitaçãoeoscuidadospaliativos,por
exemplo.“AescolaédasMisericórdias”,
concluiu João Paulo Nunes.
A prevenção e o tratamento de feridas
tambémirãomarcaraagendadaescola
nospróximostempos. Emparceriacom
aEuropeanWoundManagementAsso-
ciation, a ESESFM espera brevemente
iniciar uma investigação sobre feridas
em Portugal.
“A escola é das
Misericórdias”Nos próximos meses, o VM vai
apresentar o panorama geral das
instituições anexas da União das
Misericórdias Portuguesas. A Escola
Superior de Enfermagem São Fran-
cisco das Misericórdias (ESESFM),
que em 2010 está a completar, 60
anos de existência, inaugura esta
nova rubrica.
Os tempos que se aproximam
não serão fáceis. Quem afirma é o
director da escola, João Paulo Nu-
nes. Com 270 alunos inscritos, neste
momento cerca de 30 por cento estão
a passar por dificuldades financei-
ras e não têm condições para pagar
as mensalidades. “O desemprego
de que ouvimos falar está a afec-
tar directamente muitos dos jovens
que aqui estão”, afirma preocupado
aquele responsável.
Apesar do regulamento daquele
estabelecimento de ensino superior
Bethania Pagin
contemplar que ao fim de dois me-
ses sem pagamento fica suspensa a
matrícula, a direcção da escola quer
apoiar os estudantes com dificulda-
des. “Várias pessoas já pensaram
em desistir, mas estamos a tentar
ajudá-las”. Para o efeito, uma das
iniciativas no âmbito do gabinete
de apoio social da ESESFM tem sido
negociar modalidades especiais de
pagamento com alguns bancos. “Te-
mos de minimizar as dificuldades
por que estão a passar as famílias e
assegurar que o futuro desses jovens
não fique comprometido por razões
financeiras e essa preocupação tem
a ver com a nossa missão enquanto
escola de enfermagem: além da for-
mação, preocupa-nos a dimensão do
apoio social”.
No que respeita à formação, a
escola aposta num ensino de elevada
qualidade que assegure, posterior-
mente, uma boa taxa de emprega-
bilidade. Daí que, na abertura do
ano lectivo 2010/2011, a oração de
sapiência vai ter como tema o em-
preendedorismo. “Queremos formar
profissionais e cidadãos capazes de
orientar o seu próprio destino”, re-
feriu João Paulo Nunes.
E formar os jovens passa tam-
bém por contar a história da própria
União. No início deste ano lectivo,
os novos alunos estiveram na sede
da UMP para uma sessão de acolhi-
mento. “Fazia todo sentido visto que
naquele espaço começou a nossa
escola e mesmo ali ao lado estão as
Irmãs Missionárias de Maria que nos
fundaram. Mostrar aquele espaço
aos jovens é mostra-lhes a história
da escola e da União e o acolhimento
também é uma obra de misericór-
dia”, afirmou.
Para o director da ESESFM, as
obras de misericórdias estão intrin-
secamente ligadas à enfermagem,
especialmente as corporais. “Dar
de comer, de beber, vestir etc são
acções que fazem parte das práticas
de trabalho dos enfermeiros”, co-
mentou o responsável, destacando
que nas obras espirituais também é
possível encontrar ligações, perdoar
as injúrias, por exemplo, já que nem
sempre os doentes percebem os cui-
dados que lhes estão a ser prestados.
Actualmente a escola está a fun-
cionar nas instalações da Universi-
dade Autónoma de Lisboa (UAL),
mesmo no coração da cidade. Sobre
a parceria, João Paulo Nunes afir-
mou que são muitas as razões para
continuar. Além do espaço, que é
bom, o trabalho com a UAL também
passa pelo desenvolvimento de pro-
jectos formativos na área da saúde.
Neste momento está a ser preparado
um mestrado na área da saúde men-
tal, contou o responsável. Em suma,
queremos o nosso trabalho assente
em três pilares fundamentais: quali-
dade, certificação e sustentabilida-
de”, concluiu o responsável.
Escola tem
270 alunos inscritos
270 alunos inscritos
No ano lectivo 2010/2011, a Escola
Superior de Enfermagem São Francis-
co das Misericórdias tem cerca de 270
alunos inscritos em licenciatura e pós-
graduações.
60 anos de história
A Escola Superior de Enfermagem São
Francisco das Misericórdias está a com-
pletar60anosem2010.Diversasinicia-
tivas estão a marcar a efeméride.
Concurso de fotografia
A escola está a promover um Concurso
de Fotografia a nível nacional. Objectivo
é promover o aparecimento de imagens
que traduzam os valores intrínsecos à
enfermagem.
Certificação de qualidade
AEscolaSuperiordeEnfermageméuma
entidade com acreditação de qualidade
segundo a norma internacional ISO
9001/2000. O certificado foi entregue
em 2009.
Formação diversificada
A Escola Superior de Enfermagem tem
diversas pós-graduações a decorrer. In-
tervençãoHumanitáriaeCatástrofeeEn-
fermagemForensesãoalgunsexemplos.
Centro de bioética
A Escola de Enfermagem das Misericór-
dias é a primeira instituição portuguesa a
dedicar-seaquestõesbioéticasnoâmbi-
to da enfermagem. O centro de bioética
foi criado em 2005.
60 anos de história
celebrados em 2010
reportagem
www.ump.pt16 vm outubro 2010
urante Outubro, as
mãos pintaram-se
de tons rubros para
recolher os frutos da
videira e do trabalho do
homem. Numa região produtora de
vinhos, este néctar sempre garantiu
a subsistência de muitas famílias.
Assim, também as Santas Casas de
Macedo de Cavaleiros e Valpaços
apostaram no cultivo da vinha e na
produção de vinhos que honrem a
qualidade.
Quando decidiu plantar vinha,
o provedor da Santa Casa de
Macedo de Cavaleiros, Castanheira
Pinto, pensou na sustentabilidade
da instituição. “Havia necessidade
de termos vinho para consumo
próprio e pensei já na sustenta-
bilidade futura com o desenvol-
vimento do casal agrícola, onde
agora produzimos de tudo, desde
a batata ao feijão, passando pelo
azeite.” A comercialização iniciou-
se em 2003. “Temos tinto e branco,
com castas nobres: as tourigas
nacional e franca, a Tinta Roriz;
nos brancos, temos cá o Alvarinho
e a Malvasia branca. Vinificamos
separadamente e fazemos o lote
das castas”, relatava o provedor.
À lista acrescenta-se ainda a
produção de espumante, que foi
distinguido, em 2004, com uma
medalha de ouro num concurso
mundial. De dois em dois anos,
são produzidas entre 1500 a 2000
garrafas, cujo preço ronda os seis
Patrícia Posse
D
Vindimar para o sustento
Em Trás-os-Montes, a colheita de uvas destina-se ao consumo doméstico das Santas Casas
e à comercialização, em pequena escala, para o mercado nacional
euros. “Têm notas de frutos secos,
bolha persistente e fina e rondam
os 11,5 a 12 graus”, desvenda o
enólogo Fernando Guerra.
Os vinhos Quinta do Lombo
têm uma produção anual média
de 20 mil litros “de qualidade”.
“O tinto topo de gama é o mais
produzido, tem os aromas típicos
dos frutos vermelhos, 13 graus de
álcool e é bastante encorpado. O
branco tem aromas frutados, com
muitas notas florais e acidez equili-
brada. Este ano, está pela primeira
vez no mercado.” As 1600 garrafas
de branco vão ter um preço médio
de quatro euros, enquanto os tintos
de colheita e reserva se vendem a
7,5 e os correntes a 4.
O mercado consumidor é prin-
cipalmente local, com vendas para
restaurantes e particulares. “Como
a produção ainda não é muito
grande, normalmente vêm-nos pro-
curar a casa”, diz Fernando Guerra,
depois de augurar um “ano dos
melhores” em termos de qualidade.
Todas as mãos são necessárias
Os cinco hectares de vinha,
distribuídos pela zona do Lombo
e Cortiços, ficam a cargo dos 15
funcionários agrícolas, que por esta
altura são ajudados por colegas de
outros serviços. Fernanda Cepeda,
56 anos, é costureira no lar, mas
nas vindimas, troca as agulhas pela
tesoura de podar. “É um trabalho
diferente. A gente alivia a cabeça e
o convívio com os colegas é bom.”
E também aqui não se pode dar
ponto sem nó: “temos que ter cui-
dado para não deixar cair as uvas
ao chão, porque se os bagos caem
não vão para o vinho”. “É tentar
aproveitar ao máximo”, frisa.
Daniel Augusto Arratel vem
vindimar todos os anos, sempre
munido com uma ferramenta
atípica: uma faca com ponta arre-
dondada. “Trouxe-a de Espanha há
uns 16 anos. Já cortou muitas uvas
e continua a cortar.” Além de evitar
cortes nos dedos, tem outra van-
tagem: “é raro avariar”. “O melaço
da uva apanha a mola da tesoura
e não a deixa abrir ou fechar ou a
mola por vezes salta, com isto é só
andar”, explica o sexagenário.
Em Lombo, a 20 km de Ma-
cedo de Cavaleiros, a jornada de
trabalho arranca às 7h, com pausa
a meio da manhã para aconche-
gar o estômago com o fumeiro
transmontano, o pão e o queijo.
Sempre aos pares, os vindimadores
dizimam as cepas e colocam as
uvas em caixas de plástico, que
serão transportadas para a adega
da Quinta do Lombo. “Vêm em cai-
xas, porque as condições higiénicas
e de saúde para as uvas são as
melhores. As uvas não fazem tanto
peso umas em cima das outras,
evitando macerações”, justifica o
enólogo. Aí são colocadas no tape-
te de escolha, onde se retiram os
bagos podres, os secos e as folhas.
“Depois de esmagadas, se for bran-
co vai directamente à prensa, se for
tinto ou vai para o lagar ou para a
cuba, depende da casta.”
Às vindimas está também
associado um ritual religioso que
precede o corte, com a “bênção
dos frutos novos”, e culmina com
uma missa na adega. “Coroamos a
vindima com a eucaristia, onde se
congregam todos os funcionários
para que, dessa forma, façamos
uma festa não só pela colheita,
mas também um agradecimento a
Deus, por tudo aquilo que temos e
fazemos”, diz o capelão da Santa
Casa, Eduardo Novo.
Em prol da autonomia
A Santa Casa de Valpaços
comercializa vinhos há uma dé-
cada pela necessidade de angariar
fundos para o financiamento das
diferentes respostas sociais. “Deve
ser política das instituições conse-
guir o maior número de receitas.
Procuramos ter autonomia para
sobreviver”, sustenta o provedor
Eugénio Morais.
Os 10 hectares de vinha ren-
dem, em média, 50 mil garrafas de
vinho por ano, sendo 2/3 de tinto.
“Actualmente comercializamos
mais os vinhos regionais do que os
correntes. Estes são praticamente
para consumo da casa, nomeada-
mente para a confecção dos enchi-
dos”, refere Luís Sousa, responsá-
vel pela produção vitícola.
Os vinhos são absorvidos,
sobretudo, pelo mercado regional,
embora haja já algumas vendas no
Porto e em Lisboa. “Neste momen-
to, há vinhos de alta qualidade
e, por conseguinte, estamos já a
pensar na exportação. Aqui ao
lado, em Espanha, já estão interes-
sados”, adianta o provedor. Este
ano, a produção de uma monocas-
ta, de Touriga Nacional, para um
lote de 10 mil garrafas, constitui a
principal novidade. “Este vinho irá
ser engarrafado e levará o primeiro
rótulo que tivemos na Santa Casa,
que se chama “O Franciscano”, em
homenagem ao padre Vítor Melí-
cias. Os nossos vinhos de reserva e
de qualidade terão sempre o rótulo
desse homem que muito fez pelas
Santas Casas, homenageando com
a figura dele as Misericórdias todas
de Portugal”, acrescenta.
Os vinhos em circulação foram
baptizados com os nomes de
Formigueira, Toca da Lebre e Sexta-
Feira 13. Este último foi lançado
recentemente em homenagem aos
consumidores fiéis de Montalegre,
cidade onde todas as sextas-feiras
13 são transformadas em eventos
de grande atractividade turística
daquela localidade.
Na Santa Casa de Macedo
de Cavaleiros, os vinhos
Quinta do Lombo têm uma
produção anual média de
20 mil litros “de qualidade”
Os 10 hectares de vinha
da Misericórdia de Valpaços
rendem, em média, 50 mil
garrafas de vinho por ano,
sendo 2/3 de tinto
Vinhas começaram
com intenção de
sustentabilidade
www.ump.pt outubro 2010 vm 17
A participação de crianças e idosos
nas vindimas cumpre o objecti-
vo primordial de promover uma
interacção salutar entre gerações.
“Torna-se um convívio engraça-
do, porque uns cortam e outros
comem ou então vão interagindo
ali com quem anda lá a cortar. Os
idosos gostam de ver o sorriso das
crianças e as crianças apreciam o
contacto com a natureza e com os
mais velhos”, afirma a directora
técnica da Misericórdia de Valpa-
ços, Marilina Lopes.
Já o provedor daquela Miseri-
córdia, Eugénio Morais, refere ainda
a aprendizagem que lhes fica para a
vida. “É preciso que ao comer uma
batata ou uma uva, a criança saiba
a maneira como essas culturas nas-
cem. Estou persuadido de que na
Grande Lisboa ou no Grande Porto
há pessoas com 20 anos que nunca
viram como é que se cultiva uma
batata ou um pimento, porque nun-
ca tiveram oportunidade de ver.”
Por turnos, viajaram até à
quinta (na zona de Valverde) 75
crianças do pré-escolar e 30 de
creche, com idades compreendi-
das entre os 2 e os 5 anos. Do lar,
foram 40 utentes.
Aos 76 anos, Augusto Cardo-
so reconhece que o trabalho foi
pouco, porque “fomos mais ver e
provar”. “As uvas estavam boas,
Convívio e contacto
com a natureza
Em Valpaços, a participação
de crianças e idosos nas
vindimas cumpre o objectivo
primordial de promover
uma interacção salutar
entre gerações
principalmente as tintas. As bran-
cas estavam mais fracas, porque,
ao princípio, o ano caminhou
mal.” Ainda hoje, Augusto Cardoso
não dispensa o “copito à refeição”
e assegura que antigamente qual-
quer uva era “boa para comer”.
“Tínhamos a Formosa, a Malvasia,
a Mourisca”, refere.
Dos tempos passados, Estefânia
Cunha Rosa, 88 anos, recorda o es-
forço inerente às vindimas. “Era mais
custoso, porque era tudo à cabeça.
Não iam lá com os tractores. Mas
vínhamos todo o caminho a dançar.”
Agora, a vindima é sinónimo de “cor-
tar para comer”. “Corremos a vinha
de uma ponta à outra, mas não levá-
mos navalha. As uvas estavam boas
e, ao menos, enchemos a barriga.”
Já Fernanda Paula, 85 anos,
ficou espantada com as videiras
“bem carregadas de uvas” e com
“a perfeição” com que tudo é
feito. “Fiquei encantada em ver
correr o vinho por aquela torneira.
Nunca vi na minha vida coisa tão
brilhante.”
Se a mecanização deixa os mais
velhos surpreendidos, os vindima-
dores de palmo e meio impressio-
nam-se com o sumo de uva “muito
doce” e com o facto de poderem
brincar, saltar e correr pelo espaço
envolvente da quinta.
A pequena Inês Morais, de
5 anos, conta que “às vezes, lá
calha”comer uvas, mas na boca
ficou-lhe outro sabor. “Gostei de
beber o sumo de uva, que vinha de
uma máquina grande onde metiam
as uvas cortadas.” Também Tiago
Mendes, que ainda conta os 4
anos, lembra esse mesmo episó-
dio: “bebemos sumo de uva e era
bom!”.
Munidos de cesta ou balde
trazidos de casa, os mais pequenos
puderam cortar uvas, com a su-
pervisão da educadora, bem como
assistir ao processo de feitura do
vinho. “Algumas mães contaram
que, no dia seguinte, queriam tra-
zer outra vez os cestos”, confiden-
cia a directora técnica.
Os idosos também cortaram
uvas com as tesouras de poda
emprestadas pelos trabalhadores
agrícolas e provaram o fruto da vi-
deira junto às cepas, como faziam
antigamente. “Isso já os fez reviver
os tempos passados e iam dizendo
“no meu tempo, fazia-se assim”,
“tinha uma vinha além”. Viram
também o processo de fabrico e
trouxeram uvas para quem não foi,
porque temos utentes que estão
mais dependentes”, acrescenta
Marilina Lopes.
O provedor da Santa Casa de
Valpaços refere ainda a importân-
cia de o trabalho agrícola da quinta
estar nas mãos de uma empresa de
inserção. “São pessoas excluídas
da nossa sociedade e nós, através
desta empresa, conseguimos pô-las
no mundo do trabalho.”
Mais ao Sul, em Aldeia Galega
da Merceana as vindimas também
marcaram a agenda da Misericór-
dia. P.P.
Ver página 18
Munidos de cesta ou balde
trazidos de casa, os mais
pequenos puderam cortar
uvas e assistir ao processo
de feitura do vinho
Utentes das Santas
Casas participam
nas vindimas
Muitos idosos
reviveram
costumes antigos
reportagem
www.ump.pt18 vm outubro 2010
Três dias de festa das
vindimas na Merceana
A Misericórdia de Aldeia
Galega da Merceana
organiza desde 2002
uma Festa das Vindimas
como forma de aproximar
a comunidade
Filipe Mendes
A Santa Casa da Misericórdia de
Aldeia Galega da Merceana, Alen-
quer, organiza desde 2002 uma
Festa das Vindimas como forma
de unir a comunidade e recuperar
uma tradição antiga.
Num concelho cada vez mais
envelhecido e disperso, a Santa
Casa da Merceana assume-se como
a guardiã de um tempo em que a
exploração da vinha constituía um
filão importante na economia fami-
liar, o que explica que “quase todas
as pessoas tivessem uma parcela
de vinhedo”, refere Carla Nunes, a
provedora da instituição.
Os pequenos terrenos vitiviní-
colas, antigamente explorados por
muitos dos utentes do Lar da Santa
Casa da Merceana, quase desapare-
ceram. Deram o seu lugar a baldios
ou então foram absorvidos pelos
grandes produtores.
Escapando a esta tendência, a
instituição adquiriu, há uns anos,
um terreno para expansão futura
onde existiam vinhas e não des-
curou este património. “Não tive
coragem para as mandar arrancar”,
diz Carla Nunes, que optou por
se associar à Cooperativa Agrícola
da Merceana e transformar aquele
espaço numa espécie de Quinta
Pedagógica, onde as crianças do
ATL e Creche “vão à vindima”.
Nos últimos dias de Setembro,
a população do Alto Concelho de
Alenquer junta-se para celebrar
aquela que continua a ser uma
actividade de charneira na região.
Durante os três dias em que
decorre esta Festa das Vindimas
nas instalações da Santa Casa da
Misericórdia de Aldeia Galega da
Merceana, há animação para todos
os gostos: provas de vinhos, jogos
tradicionais, bailes, folclore e muita
música.
Este ano, a festa teve convidados
especiais. Edmundo Vieira, ex-voca-
lista da popular banda D’ZRT, Diana
Lucas e Filipe Delgado fizeram as
delícias do público mais jovem.
E na tarde do dia 26, o Rancho
Folclórico do Fiandal animou o
público veterano. Alguns seniores
foram mesmo chamados a dançar
uma “modinha saloia”.
Nesta Festa das Vindimas,
Rosário Pascoal, de 75 anos, cuja
história de vida se cruza com a
da terra onde nasceu, foi coroada
rainha e houve ainda príncipes e
princesas escolhidos a dedo.
“Gostei muito de tudo”, disse a
‘monarca’, emocionada, ao Voz das
Misericórdias. Esta opinião, singela
e sentida, é partilhada por Maria
José Barreira, de 85 anos, outra
utente da Misericórdia da Merce-
ana, que se sentou na primeira
fila da assistência para não perder
pitada do espectáculo.
“Não estou nada arrependida
de ter cá estado”, confessa esta
idosa natural de Coimbra e que
esteve em Angola até à data da in-
dependência daquela ex-província
ultramarina antes de encontrar um
lar na Mercenana.
Elogios também à forma como a
provedora, incansável, se desdobra
para que tudo funcione na perfei-
ção: ora faz de anfitriã da festa, ora
vai buscar uma cadeira para acomo-
dar mais um convidado ou tira foto-
grafias ‘para mais tarde recordar’ e
integra o júri que vai eleger os reis e
príncipes das vindimas.
“É um trabalho esgotante”,
confessa, mas há também muito
entusiasmo à mistura. E é deste
vigor que, embora com apoios
escassos do poder autárquico local,
vai estar pronta a inaugurar ainda
este ano uma nova clínica - que
vem substituir a que funciona des-
de 1985 no centro da Vila - e uma
unidade de cuidados continuados
com 30 camas.
“A nossa preocupação não é só
prestar auxílio aos mais idosos”,
frisa Carla Nunes. “Se não criarmos
postos de trabalho e se no campo da
saúde e educação não dermos res-
posta, o que acontece é que muitos
jovens, depois de irem para a facul-
dade, já não regressam”, explica.
“O que nos move é também
fixar estas pessoas às suas raízes;
tentar que eles fiquem cá, e para
isso é necessário que haja empre-
go”, conclui a provedora, que foi
empossada no cargo há 12 anos.
E é precisamente nesse sentido
que a Misericórdia da Merceana
tem trabalhado. É actualmente
a instituição que mais postos de
trabalho cria no Alto Concelho de
Alenquer, contando com 65 funcio-
nários nos seus quadros.
A instituição gere três respostas
sociais na terceira idade: lar, centro
de dia e apoio domiciliário para um
total de 133 utentes, uma creche,
com capacidade para 66 crianças,
pré-escolar para um grupo de 21 e
um ATL.
Festa das vindimas
reuniu crianças
e idosos
Recuperar tradição
antiga é um
dos objectivos.
terceira idade
www.ump.pt20 vm outubro 2010
A Santa Casa da Misericórdia de
Amieira do Tejo, no concelho de
Nisa, viveu recentemente um dia de
grande alegria na Festa da Senhora
da Sanguinheira com a inauguração
do seu lar de idosos, o qual repre-
senta o concretizar de um sonho de
há vários anos.
Construir um lar que desse res-
posta às necessidades dos seus uten-
tes e lhes oferecesse as melhores con-
diçõesdeacolhimento,foiopropósito
quelevouaactualMesaAdministrati-
va a assumir, em 2002, a responsabi-
lidade de gerir a instituição. E depois
de oito anos de dedicação, empenho,
e de uma gestão financeira rigorosa,
o sonho de construir um lar foi final-
mente concretizado.
Com um espaço amplo e bem ilu-
minado, o novo equipamento possui
dez quartos, salas de convívio e todas
as outras infra-estruturas de apoio ne-
cessárias, como lavandaria, cozinha,
salas de banho assistido, casa de ba-
nhoemtodososquartos,estandoain-
da o edifício totalmente climatizado.
O provedor, Armando Pestana
Semedo Miguéns, não esconde que
foi «com muito sacrifício que con-
seguimos chegar aqui», sublinhan-
do que a construção do lar só foi
possível «graças aos parceiros que
tivemos e que foram fundamentais».
Para esta primeira fase da obra,
que teve um custo aproximado de
720.000 euros, contou apenas com
os recursos próprios da instituição,
com os donativos da população e da
Fundação Vodafone, um apoio de
22.500 euros da Junta de Freguesia
da Amieira e um subsídio de 250.000
euros do Município de Nisa.
De acordo com Armando Mi-
guéns, as obras tiveram início em
2008 e passados 14 meses a primeira
fase estava concluída, no entanto, e
embora o edifício tenha já todos os
Comunidade enalteceu
inauguração do lar
Amieira do Tejo concretizou
sonho antigo e inaugurou lar
Santa Casa da Misericórdia de Amieira do Tejo viveu recentemente um dia de grande alegria com a
inauguração do seu lar de idosos. Mesa Administrativa garante que projectos não faltarão no futuro
Patrícia Leitão
equipamentos indispensáveis para o
seu funcionamento, falta ainda cons-
truir a segunda fase deste projecto.
«Queremos construir mais uma ala
com oito quartos onde vamos poder
instalar 11 utentes», revelou o pro-
vedor com a convicção de que em
Janeiro do próximo ano a Misericór-
dia irá dar início às obras da segunda
fase, a qual se estima que terá um
custo entre 250 a 280.000 mil euros.
O terreno que acolhe este novo
equipamento foi adquirido pela insti-
tuição e situa-se na traseira do antigo
Hospital da Misericórdia, que servia
até agora de Centro de Dia. Segun-
do o provedor este espaço não será
desaproveitado, uma vez que «há a
possibilidade de ali ser instalada a
extensão do Centro de Saúde».
Com as respostas sociais de Cen-
tro de Dia e de Apoio Domiciliário,
e um total de 40 utentes, este foi
um passo muito importante que a
Misericórdia deu a pensar no futuro
da instituição, uma vez que não só
poderá acolher condignamente estes
utentes como irá acolher no Lar mais
16idosos,queserãoinstaladosnos10
quartos que foram construídos nesta
primeira fase. Este investimento per-
mitiu também que a Misericórdia de
Amieira do Tejo aumentasse o núme-
ro de funcionárias de oito para 16, o
querevelatambémasuaimportância
em termos de criação de emprego
numazonaespecialmentedeprimida.
A pensar nos pormenores e com
o propósito de criar uma ligação
com os utentes, cada quarto do lar
é identificado com uma imagem e
nomes associados ao património da
histórica freguesia, antiga sede de
concelho e um dos baluartes da Or-
dem do Hospital.
«Dá-nos muita satisfação ver
concluída esta fase da obra e ver
onde conseguimos chegar com a
nossa determinação. Conseguimos
que a instituição adquirisse um con-
forto financeiro e podemos levar por
diante este projecto», frisa o prove-
dor Armando Miguéns.
E foi graças ao dinamismo que a
Mesa Administrativa da Misericórdia
manteve, através da organização de
diversasactividades, asquais envolve-
ram a população, que a instituição viu
aumentaronúmerodeIrmãos.«Quan-
do começámos éramos pouco mais de
uma centena de Irmãos, mas hoje já
somos525»,revelaArmandoMiguéns.
Também os utentes se mostram
bastante felizes com este novo espa-
ço, não só porque todo o equipamen-
to é novo, mas sobretudo porque
«aqui temos melhores condições e o
lar é muito bonito», revelam.
Depois de oito anos de
dedicação, empenho e uma
gestão financeira rigorosa,
o sonho de construir um lar
foi finalmente concretizado
www.ump.pt
Promover a saúde dos idosos
O Centro da Terceira Idade da Misericórdia de Oliveira do Bairro está a
promover diversos ateliês para promover a saúde física e mental dos idosos.
Jardinagem, informática, costura e bordados são algumas das actividades.
outubro 2010 vm 21
Dois idosos vítimas
de violência por dia
A Associação Portuguesa de Apoio
à Vítima divulgou recentemente
dados relativos à violência domés-
tica contra os idosos: entre 2000
e 2009 verificou-se um aumento
de 120 por cento do número de
casos, ou seja, mais 349 casos.  As
vítimas têm, maioritariamente, en-
tre os 65 e os 75 anos e são alvo
de maus-tratos físicos e psíquicos,
praticados pelo cônjuge ou pelos
filhos.
“A violência pode
ser praticada na rua
(roubo, por exemplo),
pode ser em casa
(violência doméstica)
ou contra uma pessoa
que mora sozinha
VOLTAAPORTUGAL
Paris promove convívio para emigrantes idosos
A Santa Casa da Misericórdia de Paris promoveu uma tarde de convívio
para celebrar o Dia Internacional do Idoso. O objectivo da iniciativa era
tecer laços entre os emigrantes portugueses da terceira idade, além de
ser, para muitos, uma oportunidade única para quebrar o isolamento ou
um convite para se mobilizarem em acções de solidariedade em favor dos
seus compatriotas. Foi a 10 de Outubro, no Santuário de Nossa Senhora
de Fátima, em Paris.
122Idosos burlados
Quase16%doscrimesdeburlaforampraticadoscontraidososnopri-
meirosemestredesteano,revelamdadosrecentesda GuardaNacio-
nal Republicana, que iniciou uma operação para prevenir este crime.
Sever do
Vouga tem
novo lar
de idosos
Nova resposta social da
Santa Casa de Sever do
Vouga permite acolher mais
30 utentes e resulta de um
investimento que rondou
os 570 mil euros
Um“hoteldequatroestrelas”,foicomo
o provedor da Santa Casa da Miseri-
córdia de Sever do Vouga classificou
as instalações do novo lar de idosos da
instituição, recentemente inaugurado
na presença do secretário de Estado
da Segurança Social, Pedro Marques.
O novo edifício, que vai permitir
acolher mais 30 utentes, teve um
custo total de 570 mil euros, compar-
ticipados em 70 por cento através do
PARES — Programa de Alargamento
da Rede de Equipamentos Sociais. O
novo espaço contempla ainda uma
capela e um espaço para museu.
Manuel Santiago Costa, provedor
da instituição, frisou ao Diário de
Aveiro que a Santa Casa de Sever
do Vouga “está ao nível das melho-
res Misericórdias do distrito”, facto
que, sublinha, “é assinalável para
um concelho pequeno”.
Já há aulas na
Academia de Angra
Aulas da Academia
da Terceira Idade da
Misericórdia de Angra
do Heroísmo arrancaram
a 4 de Outubro
com 248 inscritos
As aulas da Academia da Terceira
Idade da Santa Casa da Misericórdia
de Angra do Heroísmo arrancaram
no dia 4 de Outubro, com 248 ins-
critos dos quais 45 são “caloiros”
e prepara-se para arrancar com o
maior número de inscritos nos seus
sete anos de actividade.
Segundo a responsável, Ana Ma-
cedo Pereira, em declarações ao jornal
online A União, o número de estudan-
tes tem vindo a aumentar de ano para
ano,oquejustificaaapostanumainfra-
estrutura adequada para a instalação
da Academia, por parte a Santa Casa.
A Academia conta com 248 ins-
critos dos quais 45 são “caloiros”,
que estão integrados em várias tur-
mas de 18 áreas de formação. Segun-
do aquela técnica, o número elevado
de estudantes deve-se também ao
trabalho desenvolvido ao longo do
percurso e, por isso, justifica a aposta
numa infra-estrutura adequada às
suas finalidades.
Por isso, explica, algumas das 18
áreas de formação disponíveis são
desdobradas em várias turmas, não
só pelo elevado número de interes-
sados mas também pelos níveis de
dificuldade diferentes.
As mais procuradas pelos es-
tudantes são as disciplinas de In-
formática (70 inscritos), Inglês (55
inscritos), Artes Decorativas (35
inscritos), e Motricidade (84 inscri-
tos), um conjunto de escolhas que,
à primeira vista, dá indicação de um
gosto especial pelos trabalhos ma-
nuais e pela dinâmica envolvente.
Contudo, as Letras e as Línguas
também conseguiram cativar mui-
tos interessados. Enquanto a área
de formação de História e Patrimó-
nio Regional contém 30 inscritos, a
aprendizagem em Espanhol prevê a
frequência de 21 alunos.
Já sobre as novidades na área de
formação para 2010/2011, a respon-
sável indica Psicologia do envelheci-
mento Gestão da Imagem, com 27 e
12 inscritos, respectivamente, sendo
que, por outro lado, não poderão
avançar, por indisponibilidade da
formadora, as disciplinas de Forma-
ção Musical e Prática de teclado.
De acordo com Ana Macedo Pe-
reira, as aulas da Academia daTercei-
ra Idade da SCMAH, ministradas por
professores em regime de voluntaria-
do, assumem um “duplo papel” quer
por parte do formador quer do aluno.
“Há uma interacção e dinamismo
nessavoltaaosbancosdaescola.Éum
espaçodeaprendizagemmastambém
de partilha de conhecimentos”, subli-
nhaaoindicarafinalidadedoprojecto.
“É uma oportunidade de tempo livre
deformaútilparaasuaexpectativade
velhice, que deve ser bem recebida e
activa,eumaformadeconvíviojáque
osreformadosdispõemdemaistempo
para a vida social”, remata.
Murça promove
convívio intergeracional
Misericórdia de Murça comemorou o Dia Internacional
do Idoso com um convívio intergeracional
A Santa Casa da Misericórdia de
Murça comemorou o Dia Interna-
cional do Idoso, celebrado a 1 de
Outubro, com um convívio interge-
racional. Foram momentos de muita
brincadeira e troca de saberes que
marcaram ainda o arranque do pro-
jecto “Avós e Netos”.
De acordo com a técnica de ani-
mação sociocultural responsável
pela iniciativa, o objectivo do pro-
jecto é “dinamizar as duas gerações
ao longo do ano, proporcionando
actividades, com o objectivo de va-
lorizar as capacidades e saberes de
ambos”.
“Queremos ainda reiterar o reco-
nhecimento dos idosos e a sua im-
portância nas comunidades actuais,
através da valorização do seu papel e
da sua acção”, reforçou Sónia Rocha,
lembrando a necessidade de se pro-
porcionar e aprofundar as relações
pessoais.
Para o efeito foi promovido um
convívio intergeracional, onde par-
ticiparam as crianças do ensino pré-
escolar, funcionárias da Misericórdia
e também alguns dirigentes.
A alegria e o entusiasmo eram
visíveis no rosto de todos os que
participaram.
saúde
www.ump.pt22 vm outubro 2010
Opinião
Certificação
é um passo
João Amado
Vice-provedor da Mis. de Portimão
s Misericórdias
Portuguesas enfrentam,
em tempos conturbados
de crise económica,
social e de valores, o
desafio, sempre renovado, da
conciliação da sua matriz com
a modernidade. Hoje, como ao
longo dos últimos séculos, as
Santas Casas estão presentes na
vida dos portugueses, da infância
à velhice, apoiando-os na saúde,
na educação, na dependência, na
deficiência. Hoje, como sempre,
o cumprimento das nossas Obras
e o serviço ao próximo só serão
plenos se Mesários, Irmãos e
colaboradores souberem, em cada
momento e em cada espaço, aliar
o humanismo cristão às boas
práticas. O último Congresso
da União das Misericórdias
Portuguesas foi marcado
pelas questões da Qualidade,
da Inovação, da Formação,
constituindo-se como um desafio
a todos e cada um de nós no
sentido do adopção de princípios
e normas que permitam saber
que fazemos bem, não apenas
com base em opiniões subjectivas
mas também em instrumentos
e medidas mensuráveis. Na área
dos Cuidados Continuados, como
em todas as outras, a Certificação
de Qualidade pode ser vista como
um fim. Um desfecho importante,
de recompensa ao trabalho
efectuado pelas Instituições e
colaboradores, conduzindo ao
reconhecimento externo. Porém,
o acto da Certificação é “apenas”
mais um passo de um caminho
que nos leva a olhar para nós
próprios, para os processos que
adoptamos, com uma visão
necessariamente mais crítica e
atenta e partilhada com auditores
externos. Permite-nos conhecer as
nossas falhas e sucessos, motivar
e envolver colaboradores, avaliar
e satisfazer as necessidades dos
nossos utentes.
A
“Certificação é mais um
passo de um caminho que
nos leva a olhar para nós
próprios, com uma visão
necessariamente mais crítica
Parque de Saúde da
Misericórdia tem
vários serviços
Cuidados continuados
certificados em Portimão
A unidade de cuidados continuados da Misericórdia de Portimão foi recentemente
certificada segundo a norma ISO 9001:2008. O investimento compensa
A unidade de cuidados continuados
integrados da Misericórdia de Por-
timão foi recentemente certificada
segundo a norma ISO 9001:2008. Em
declarações ao VM, o provedor, José
Manuel Correia, afirmou que se trata
de um passo importante: “ajuda-nos
a saber exactamente como estamos a
trabalhar e é também um sinal, para
a tutela – os Ministérios da Saúde e
doTrabalhoeSolidariedadeSocial–e
para os utentes de que estamos preo-
cupados em melhorar cada vez mais
a qualidade dos nossos serviços”.
O processo de certificação co-
meçou há dois anos e não vai ficar
apenas pela unidade de cuidados
continuados. “As pessoas que rece-
bem alta dos cuidados continuados
continuam a receber assistência atra-
vés do apoio domiciliário e por isso
faz todo sentido que também esse
serviço seja certificado”.
Depois, será a vez das respostas
para a terceira idade e para a infân-
cia. “A certificação da qualidade na
unidade de cuidados continuados
era a mais complexa e agora que
está concluída, temos mais condi-
ções para começar avançar com as
outras respostas e a Mesa Adminis-
trativa desta Misericórdia está deter-
minada em certificar todos os seus
equipamentos”, afirmou.
Apesar de envolver custos, o pro-
vedor da Santa Casa de Portimão
afirmou que o investimento é com-
pensado a médio e longo prazo. “É
possível, por exemplo, maximizar
a eficiência dos serviços, controlar
custos e evitar desperdícios”.
A unidade de cuidados conti-
nuados da Santa Casa de Portimão
tem 19 camas para internamentos
de convalescença e outras 26 de ti-
pologia média.
Promover a qualidade
nas Santas Casas
A União das Misericórdias Por-
tuguesas (UMP) está atenta e empe-
nhada na questão da qualidade e se-
gurança nos cuidados continuados.
Entre algumas iniciativas, o Ga-
binete de Apoio Técnico do Grupo
Misericórdias Saúde destaca três:
a constituição da Comissão Central
de Controlo da Infecção, o protocolo
estabelecido com o GAIF — Grupo
Associativo de Investigação em Fe-
ridas — no âmbito da prevenção e
tratamento de úlceras de pressão,
bem como a contratação de consul-
toria na área da qualidade.
AUMPtambémtemvindoaapre-
sentar todos os anos candidaturas ao
QREN-POPH para formação na área
da saúde, que se estende a vários do-
mínios. “Em 2010, sete Misericórdias
têm vindo a preparar-se para uma
futura acreditação. A UMP pretendia
envolver 15 instituições, mas o apoio
financeiro concedido foi para apenas
quatro, o que levou a que a UMP e as
Santas Casas desenvolvessem esfor-
ços conjuntos no sentido de integrar
mais três instituições no projecto,
perfazendo um total de sete.”
Oobjectivodosprocessosdecerti-
ficaçãoeacreditaçãoé,asseguraoGa-
binetedeApoioTécnicodoGrupoMi-
sericórdiasSaúde,“promoverelevados
níveis de qualidade dos cuidados e a
segurançadosutentes,masadinâmica
que lhes está subjacente repercute-se
tambémnamotivaçãoesatisfaçãodos
colaboradores,bemcomonoprestígio
da instituição junto da comunidade
que serve. Apesar de, numa fase ini-
cial, exigirem investimento e grande
esforço dos colaboradores, no médio
prazo estes processos tornam as insti-
tuições mais eficientes, na medida em
que reduzem os custos da não quali-
dade que são mais elevados”.
Bethania Pagin
educação
www.ump.pt24 vm outubro 2010
Portugal com menor risco
online para crianças e jovens
Crianças e jovens portugueses são os que correm menos risco de serem alvos de violência
ou de assédio sexual via Internet. Misericórdia da Maia aposta nas competências para prevenção
As crianças e os jovens portugueses
são os que correm menos risco de se-
rem alvos de violência ou de assédio
sexual via Internet apesar de cerca
de 60% já ter pelo menos um perfil
nas redes sociais. Em contrapartida
estão acima da média europeia entre
os que consideram usarem a Internet
de forma excessiva.
Os dados foram recentemente
apresentados pela “Eu Kids Onli-
ne”, que promoveu um inquérito
junto de 23 mil crianças e jovens,
com idades compreendidas entre os
9 aos 16 anos, em 25 países, que
procurou melhorar o conhecimento
sobre as experiências e práticas das
crianças e de seus pais em relação
uso da Internet.
O objectivo do estudo era traçar
um quadro do risco para as camadas
mais jovens dos europeus, especial-
mente no que se refere a pornografia,
bullying, mensagens de cariz sexual,
contactos com desconhecidos, en-
contros offline com contactos online,
conteúdos potencialmente perigosos
e abuso de dados pessoais.
O resultado do estudo é anima-
dor para Portugal já que revela que
apenas 7% das crianças e dos jovens
portugueses revelaram terem já tido
contacto com o tipo de perigos de-
nunciados no estudo, por oposição
à média de 12% europeia. Contudo,
todo o cuidado é pouco e no Centro
Comunitário Vermoim/Sobreiro, da
Santa Casa da Misericórdia da Maia,
os perigos inerentes às tecnologias
de informação fazem parte do tra-
balho realizado junto de cerca de
1200 jovens.
Segundo o coordenador daquele
equipamento social, Mário Figueire-
do, a equipa do centro comunitário
trabalho a questão do perigo entre
crianças e jovens em diversas áreas.
“Além das TIC, também estamos
atentos a áreas como a sexualidade
e consumo de álcool ou drogas, sem-
pre visando a promoção de compor-
tamentos saudáveis e a prevenção de
comportamentos de risco”.
“Os mais jovens não têm o há-
bito de ler os jornais e nem sempre
estão informados sobre alguns peri-
gos relacionados com a utilização da
internet que, apesar dos seus inúme-
ros benefícios, também representa
um perigo. Através de uma lingua-
gem que eles percebam, tentamos
informar e formar para que sejam
eles próprios a reflectir sobre esses
riscos”, afirmou aquele responsável.
“Com pistas e muita informação,
tentamos prepará-los para enfrentar
os desafios que vão encontrar ao
longo da vida e minimizar os riscos
que todos corremos”, concluiu.
Para Mário Figueiredo, este tra-
balho ganha especial importância
visto que, hoje em dia, a alta com-
petitividade da nossa sociedade difi-
culta o acompanhamento dos filhos
por parte dos pais que, “quando não
estão a trabalhar, estão nos transpor-
tes entre a casa e o trabalho”.
Este alheamento dos pais em re-
lação à actividade de seus filhos na
Internet também foi alvo de estudo
por parte da “Eu Kids Online”. Em
Portugal, 78% das crianças e jovens
acedem regularmente à Internet,
sendo que a grande maioria o faz
dos seus quartos, sem a presença de
familiares.Emmuitosdoslaresportu-
guesesexisteapenasumcomputador
e esse está colocado no quarto dos
filhos o que propicia a sua utilização
sem qualquer tipo de controlo.
O Centro Comunitário da Santa
Casa da Maia acompanha pessoas de
todas as idades (ver caixa).
Bethania Pagin
Internet tem
benefícios, mas
há riscos
OCentroComunitárioVermoim/Sobrei-
ro,daMisericórdiadaMaia,acompanha
apopulaçãodaregiãocomumtrabalho
transversal a todas as idades. Em de-
clarações ao VM, o coordenador deste
projecto, Mário Figueiredo, contou que
o trabalho é realizado junto de crianças
e jovens, mas também com os seus
pais, “que muitas vezes têm um défice
de informação sobre a parentalidade”,
idosos,sem-abrigo,toxicodependentes
e alcoólicos. Recentemente o centro
promoveu um seminário sobre o con-
sumonosjovens.Otrabalhoérealizado
em parceria com o Instituto da Droga e
Toxicodependência.
Redes sociais
Cercade60%dascriançasejovenscom
idade entre os 9 e 16 anos já possuem
umperfilnumaredesocial.Desses,25%
não tem qualquer tipo de restrição.
Encontros reais
Em Portugal 4% dos jovens revelou já ter
encontrado com pessoas que conhece-
ramatravésdaInternete15%confirmam
manter contactos com essas pessoas.
Utilização sem controlo
Estudo revela que são as crianças portu-
guesas, cerca de 67 por cento, que mais
utilizamoscomputadoresnosseusquar-
tos, longe dos familiares.
Maia atenta a
todas as gerações
Portugueses são os
menos controlados
Na Europa, 12% dos jovens
admitiram já ter sido
perturbados ou incomodados
com mensagens sexuais
e bullying
património
www.ump.pt
ARTE
Moeda comemorativa
da República
SCMAM 0657
Misericórdia de Amarante
1914
Amoedaapresentadaéde1escudo,em
prata, datada de 1910, embora apenas
cunhada em 1914. Trata-se de uma
moeda comemorativa da implantação da
repúblicaa5deOutubrode1910.Numa
das faces, encontra-se representada em
relevoafigurasimbólicadaRepública,so-
bre um fundo de sol nascente, envolvida
pelabandeiraportuguesaeempunhando
na mão uma tocha. Apresenta a inscrição
no topo “REPUBLICA PORTUGUESA”, e
nazonainferior“5deOutubrode1910”.
Na outra face, apresenta ao centro o es-
cudo nacional sobre a esfera armilar, as-
sentenum“fascio”romanodevaraseum
machado,envolvidoporumramodelouro
e por um ramo de carvalho entrelaçados
nabase.Inferiormenteencontra-seovalor
facial de “1 ESCUDO”.
Painel de azulejos
SCMTA 0027-42
Misericórdia de Tavira
Séc. XVIII
Painel de azulejos representando a pri-
meira das sete obras de misericórdia cor-
porais: dar de comer a quem tem fome.
A cena toma lugar em espaço doméstico
de arquitectura clacissizante, com chão
de mosaico axadrezado e fundo com
abertura para paisagem com edifício e
árvores, vendo-se um cortinado apanha-
do no canto superior direito. O centro da
composiçãoéocupadopormesa,coberta
comtoalha,àqualseencontramsentados
umhomem,noladodireito,eumamulher,
no topo contrário ao observador. Junto
ao lado esquerdo, de pé, encontra-se um
criado que segura um cesto com frutas.
Imediatamente atrás encontra-se um ve-
lho, de aspecto humilde, com uma mão
soerguida, como que pedindo comida.
Apontamentos do inventário
promovido pela UMP,
Ver mais em http://matriz.softlimits.
com/ump/
28 vm outubro 2010
Gabriela Canavilhas
Ministra da Cultura
3P?
Como avalia o trabalho das Mi-
sericórdias na área da cultura?
As Misericórdias foram a primeira
instituição que olhou para solida-
riedade e para a cultura de forma
conjugada. São um exemplo. Ao
longo da sua história foram conso-
lidando o lado cultural que foi sen-
do enriquecido. Iam incentivando
o cariz patrimonial e cultural com
sentido da partilha, do ensino, da
preservação.
Com tanta história, as Miseri-
córdias estão também a virar-se
para a arte contemporânea.
Como vê essa acção?
Quem resistiu 500 anos, tem outros
tantos à sua frente para se ir cons-
tantemente renovando e adaptando
aos novos tempos e ao futuro.
É sobretudo através deste
protocolo que o Ministério vai
apoiar as Misericórdias na sua
acção cultural?
O trabalho desenvolvido é extre-
mamente importante e sentimo-
nos honrados por estabelecer este
protocolo. Contamos com as Mise-
ricórdias no futuro.
É a mais pequena igreja da cidade de
Braga, mas é a segunda mais visitada e
a segunda mais antiga. A Igreja da Mi-
sericórdia da cidade dos arcebispos é
apenassuplantadanestesnúmerospela
Sé de Braga. A partir de agora, poderá
aindaaumentaronúmerodevisitantes,
na sequência do processo de restauro
daIgreja,sacristiaesalãonobredaSan-
taCasa,traduzidonuminvestimentode
1,4 milhões de euros.
O restauro foi de resto rotulado pela
ministra da Cultura como sinal do “pro-
fundo respeito pelo património históri-
co e civilizacional”, que as Misericórdias
revelam. Neste processo de restauros,
inclui-se ainda a recuperação da Igreja
do Hospital de São Marcos e da farmá-
cia da Misericórdia, onde foi investido
cerca de um milhão de euros.
Junto ao salão nobre, nasceu ainda,
neste dia, a “Sala Comendador António
Santos da Cunha”. Foi a homenagem
prestada ao antigo provedor e também
autarcadeBragaqueviveuentre1911
e 1972, tendo estado à frente da Mi-
sericórdia durante 8 anos. Nesta sala
constamagoraosobjectosqueafamília
decidiu doar à Santa Casa.
A Santa Casa, presidida pelo provedor
BernardoReis,nãopáraporaquiequer
avançar com a recuperação do Palácio
do Raio. O imóvel está enquadrado no
actual complexo hospitalar que, breve-
mente, deixará estas instalações, já que
está a ser construído o novo hospital de
Braga. Com a desocupação, Bernardo
Reis acredita que todo o complexo será
restituídoàSantaCasaecomisso,surge
o desafio de recuperação.
Santa Casa de Braga
restaura igreja
Protocolo dá novo
impulso à cultura
Ministra da Cultura assinou
protocolo de colaboração
com a UMP, acentuando
que as Misericórdias revelam
“forte empenho na
salvaguarda do património”
As Misericórdias portuguesas têm
um novo protocolo de colaboração
assinado com o Ministério da Cultu-
ra, tendo em vista a defesa, o estudo,
a salvaguarda e a divulgação do pa-
trimónio imóvel, móvel museográ-
fico e móvel arquivístico. O acto de
assinatura decorreu no passado dia
24 de Setembro, na Santa Casa de
Braga, entre a Ministra da Cultura,
Gabriela Canavilhas, e o presidente
da União das Misericórdias Portu-
guesas (UMP), Manuel de Lemos,
numa cerimónia apadrinhada pelo
responsável da cultura na UMP e
também provedor da Santa Casa bra-
carense, Bernardo Reis.
Na ocasião, Gabriela Canavilhas
enalteceu que o protocolo “revela a
postura de forte empenho na salva-
guarda do património” por parte da
Misericórdias portuguesas, acredi-
tando que esta colaboração “pro-
duzirá importantes resultados por
todo o país com benefícios culturais
e sociais para a população”.
O documento abarca parcerias e
sinergias entre as Misericórdias e o
Ministério da Cultura em tudo o que
diz respeito a “esforços conjuntos
que nos propomos criar, reforçando
uma parceria natural já existente”.
O estabelecimento de parcerias e
de trabalho em rede é uma meta do
Celso Campos
MinistériodaCultura,vincouagover-
nante, de modo a “criar condições de
acessodapopulaçãoaonossoimenso
património”. É que no entender de
Gabriela Canavilhas, o património
“tem de ser vivido, fruído. Tem de
ter gente dentro”. Só assim contribui
para o nosso enriquecimento colec-
tivo e contribui para o futuro sócio-
económico do país, apontou.
Na prática, este protocolo vai
ajudar no trabalho que a UMP está
a desenvolver neste sector em três
vertentes. Por um lado, na inventa-
riação do património imóvel, sendo
que a contabilidade feita aponta para
um total de 1080 edifícios inventa-
riados, de origem diversa. “Temos
hospitais, igrejas, mas também tea-
tros, cinemas e até praças de touros”,
realçou Manuel de Lemos.
Numa segunda área, existe o pa-
trimónio móvel, constituído pelas
imagens de arte sacra, pelos objectos
ligados ao culto, pelas bandeiras, etc.
Aqui o trabalho está apenas inicia-
do, com um total de 20 mil peças já
inventariadas, num total de 80 ins-
tituições. “Basta pensar que somos
400 para adivinhar que estamos a
falar de um património fantástico”,
sublinhou o presidente da UMP.
Numa terceira vertente encontra-se
o trabalho que se está a desenvolver
ao nível dos arquivos e do chamado
património imaterial.
Manuel de Lemos saudou esta
colaboração entre o Estado e a so-
ciedade civil e, na prática, espera
facilitar o processo de aprovação das
candidaturas apresentadas pela UMP
nesta área, no âmbito do Quadro
de Referência Estratégica Nacional
(QREN).
Protocolo reforça
parceria com Ministério
da Cultura
estante
www.ump.pt
Lista de livros
EmpregosverdesemPortugal
Vários autores
MTSS
Março 2010
O principal objectivo do estudo do Ga-
binete de Estratégia e Planeamento
do MTSS é a caracterização geral do
estado actual do emprego verde e da
correspondente oferta formativa, es-
pecialmente num sector estratégico da
economia verde: o sector das energias
renováveis. As mais recentes definições
de emprego verde apresentam-se com
a integração dos pilares do desenvolvi-
mento sustentável, incluindo aspectos
de equidade social, eficiência e eficá-
cia económica, protecção e gestão do
ambiente e boa governança e dinâmica
institucional.
Revista Códice
Vários autores
Fundação Portuguesa
das Comunicações
2009
Noanodocentenáriodaimplantaçãoda
República, a revista da Fundação Por-
tuguesa das Comunicações, aproveita
para “evocar as principais aspirações
das gerações que se empenharam em
promover e realizar as grandes causas
da participação e do desenvolvimento
do País”. “Num sector tão abrangente
como o das Comunicações, é difícil não
encontrar ligações com todos os princi-
paismomentosqueforamsendovividos
ao longo dos séculos. A I República e os
telégrafo-postais:relatosdeduasgreves
na primeira pessoa” é um dos temas.
outubro 2010 vm 29
Os anos da República
Jaime Nogueira Pinto, em
“Nobre povo: os anos da
República”, faz a crónica
de um dos tempos mais
agitados, apaixonantes
e trágicos de Portugal
Na manhã de 5 de Outubro de 1910,
em Lisboa, um movimento revolu-
cionário derrubou a Monarquia e
proclamou a República Democrática.
Jaime Nogueira Pinto, em “Nobre
povo: os anos da República”, faz
a crónica de um dos tempos mais
agitados, apaixonantes e trágicos da
História de Portugal. Um tempo do-
minado por líderes fortes, polémicos
e carismáticos, como o democrático
Afonso Costa ou o popular Sidónio
Pais, e por idealistas determinados,
como Machado Santos ou Paiva
Couceiro. Uma edição da Esfera dos
Livros.
Na Europa, acabava a belle épo-
que e chegava a Grande Guerra, o
comunismo e o fascismo. Por cá, era
um tempo de costumes pouco bran-
dos, mas muito português, animado
por uma luta política e ideológica
de razões e convicções fortes, entre
livres-pensadores e católicos, repu-
blicanos e monárquicos, moderados
e radicais, e marcado por conspira-
ções, «intentonas», pronunciamen-
tos militares, golpes de Estado, revol-
tas e revoluções — com marinheiros
nas ruas, militares na política, povo
nas trincheiras, padres combatentes
e civis armados.
Um tempo entre dois tempos,
com carros de cavalos e automó-
veis, caciques e sindicalistas, lanças
e canhões, eleições e bombas, cons-
pirações de quartel e de café, mensa-
geiros e telefones, jornalismo político
e fraudes financeiras, «acacianos» e
futuristas, «talassas» e carbonários.
Dezasseis anos, oito presidentes e
45 governos depois, numa manhã
de Maio, um outro movimento revo-
lucionário marchava sobre a capital
para lhe pôr fim.
Em entrevista à agência Lusa,
Jaime Nogueira Pinto afirmou que ao
longo das quase quinhentas páginas
que escreveu quis contar uma his-
tória da história: “Começamos a 03
de outubro de 1910, na noite em que
Machado Santos avança para ocupar
a rotunda à frente dos seus 400 ho-
mens, marinheiros, artilheiros, civis
armados e carbonários.
Nobre povo:
os anos da República
Jaime Nogueira Pinto
Esfera dos Livros
2010
e se é possível requisitar livros.
Caso esteja aberto ao “exterior”
agradecia que me indicassem, pois
neste momento estou com ideias de
iniciar um trabalho sobre institui-
ções sociais, e gostaria de destacar
as Misericórdias Portuguesas, assim
como um pouco da sua história.
José Ferreira
Guarda
Receitas das
Misericórdias
Tem sido uma presença constante
no Jornal as “receitas nas Miseri-
córdias”, mas é com imensa pena
minha que as tenho guardado em
recortes que se vão amarrotando
e não são de fácil utilização. Se
me permitem gostaria de sugerir a
a vossa notícia vejo que fiz uma
aposta errada de juízo de valores, e
que afinal as creches das Misericór-
dias também oferecem boas con-
dições ou mesmo melhores. Um
grande bem-haja pela vossa aposta
de socialização da criança.
Otília Duarte
Elvas
Centro de Documenta-
ção e Informação
Tenho o bichinho dos livros dentro
de mim, e foi com enorme satisfa-
ção que li no VM de Julho a notícia
da inauguração do Centro de Docu-
mentação e Informação. No entanto
não mencionaram quais os horários
de funcionamento, nem mesmo
se o Centro está aberto ao público
VMEditorial
Opções certas
E dificuldades
As Misericórdias portuguesas terão
de ser capazes de encontrar os caminhos
e opções certas perante tantas dificuldades
e incertezas. Todos os esforços serão
poucos para responder aos que
de nós mais necessitam
A produção da vinha e do
vinho está profundamente
enraizada na cultura
portuguesa, e é por isso
natural que chegada a altura
das vindimas, também essa actividade
tenha reflexo na vida de muitas Santas
Casas, já que elas são de alguma
forma um espelho das comunidades
de imanam. Tucídides, historiador
grego do século V a. C disse “os povos
Mediterrâneos começaram a imergir da
barbárie quando aprenderam a cultivar
a vinha e a oliveira”.
Ver hoje nalgumas Misericórdias todas
as actividades geradas à volta das
vinhas e da elaboração do vinho, com
a participação de crianças, idosos, e
funcionários num convívio participado,
franco e criativo é um exemplo de
humanidade e civilização é afinal um
hino à vida e ao prazer incentivo de
estar vivo. Acresce, que o produto
final, o vinho, é na maioria dos casos
de excelente qualidade.
Fecha-se um ciclo neste mês, com as
várias colheitas e abre-se um novo,
há que recomeçar tudo pensando e
desejando sempre melhores resultados.
Também o país prepara um novo ciclo
com a apresentação do Orçamento de
Estado, que nos promete rigor e muitas
dificuldades, que atingirão em primeira
mão os mais frágeis e desprotegidos
socialmente.
Este será mais um desafio para as
Misericórdias portuguesas, que
terão de ser capazes de encontrar os
caminhos e opções certas perante tanta
dificuldade e incerteza.
Parece-me pois, despropositada e
fora de tempo a questão levantada
pela Hierarquia da Igreja sobre as
Misericórdias. Agora que todos os
esforços são poucos para responder
aos que de nós mais necessitam,
não é seguramente o tempo para nos
perdermos em disputas que nada
acrescentam ao bem-estar de quem nos
olha como última esperança.
Paulo Moreira
paulo.moreira@ump.pt
Voz das
Misericórdias
Órgão noticioso
das Misericórdias
em Portugal
e no mundo
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Diário do Minho
– Rua de Santa
Margarida, 4 A
4710-306 Braga
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Nos dias que correm, o termo “Efi-
ciência” assume cada vez mais im-
portância na vida das Organizações.
Na verdade é em busca da eficiên-
cia que as organizações centram a
maioria dos seus esforços, numa
perspectiva do controlo dos custos,
sejam eles efectivos ou de oportu-
nidade.
O Programa Gestão Sustentável,
promovido pela União das Miseri-
córdias Portuguesas, pretende ga-
rantir a sustentabilidade das Santas
Casas a quem se destina.
Dada a natureza destas institui-
ções e o seu carácter específico, é
certo que o grau de potenciação das
receitas se encontra de certa forma
limitado, pelo que lhes resta, acima
de tudo, controlar as suas estruturas
de custo, de forma a poder desen-
volver a sua missão, mantendo um
bom equilíbrio de gestão.
Assim, é aqui que a
plataforma APTUS pode-
rá acrescentar valor ao
programa em causa.
Passando a explicar,
a APTUS, ao contrário
de outras metodologias,
permite efectuar um diagnóstico
completo e orientado, minimizando
diferenças de abordagens subjec-
tivas ao bom senso do consultor,
obrigando-o a estar atento às diver-
sas e diferentes áreas da Organiza-
ção e permitindo levantar questões
e reflectir sobre actividades que
poderiam passar despercebidas a
alguém com menos experiência ou
conhecimento.
Para além deste guião orienta-
do para o diagnóstico, completo e
transversal, a APTUS vai mais longe
e permite, através da homogeneiza-
ção das perguntas a que cada con-
sultor deve responder, uma análise
mais profunda – a Comparabilidade
de Boas Práticas (Benchmarking).
De facto este é uma das vanta-
gens competitivas desta platafor-
ma face às demais, porque permite
orientar, organizar e classifi-
car, para depois comparar.
Opinião
Uma das vantagens
competitivas desta
plataforma face
às demais, porque
permite orientar,
organizar e classificar,
para depois comparar
Correio VM
Creches com horário
alargado
Sou assinante da Voz das Mise-
ricórdias há pouco tempo, mas
desde que sou estou bastante
satisfeita, pois todos os meses
permitem ao leitor ler reportagens
sobre vários assuntos, não sendo
repetitivos. Dei especial atenção
à página da educação da edição
anterior, pois sendo mãe há pouco
tempo todos os temas de crianças
são suficientes para despertar o
interesse. Inscrevi a minha filha
numa creche privada com a ideia
de lhe tentar dar tudo de bom e
poder ter a sorte de ter horários
mais alargados para a irmos buscar
(devido ao meu horário de trabalho
e do meu marido), mas vendo
A
João Lobão
Consultor da UMP
para o projecto Gestão Sustentável
Partilhar as
boas práticas
voz activa
União das Misericórdias
Portuguesas
www.ump.pt30 vm outubro 2010
Num momento em que os cidadãos
europeus são chamados a criar elos
que garantam a existência de uma
autêntica diversidade cultural, como
factor de coesão, devemos repensar
os fundamentos da Europa plural,
como realidade aberta às diferentes
culturas, consciente da sua memória
e das suas raízes, baseada numa plu-
ralidade de pertenças e na procura de
valores comuns. Eis por que temos
de olhar o Património Cultural na
sua relação com as pessoas e as co-
munidades, de modo a considerar e a
concretizar uma prioridade efectiva
à Cultura das pessoas, da memória e
da criatividade. Karl Jaspers falava,
aliás, da Europa como sinónimo de
liberdade, história e ciência. Liberda-
de, como vitória sobre o arbitrário.
História, como encontro e diálogo.
Ciência, como exigência de verdade.
 A diversidade cultural e a plurali-
dade de pertenças obrigam a recusar
as identidades fechadas. As identida-
des só ganham pleno sentido quando
abertas e disponíveis para dar e rece-
ber, e para assegurarem um diálogo
entre tradição e modernidade. Tra-
dição significa transmissão, dádiva,
entrega, gratuitidade. Modernidade
representa o que em cada momento
acrescentamos à herança recebida.
A novidade resulta sempre desse di-
álogo entre o que recebemos e o que
criamos. E a cultura situa-se nesse
ponto de encontro e de saída – não
em confronto com a natureza, mas
complementarmente a ela. As casas,
os lugares, as regiões, os povos, as
nações têm um espírito, sempre feito
de diferenças e de interdependência.
 Temos, por isso, de entender o
“espírito dos lugares” e de transfor-
reflexão
As identidades só
ganham pleno sentido
quando abertas e
disponíveis para dar
e receber, e para
assegurarem um
diálogo entre tradição
e modernidade
mar essa compreensão num modo
de nos enriquecermos culturalmente
a partir do diálogo entre o que re-
cebemos dos nossos antepassados,
correspondente ao património ma-
terial e imaterial, e o que criamos de
novo, a contemporaneidade – que
nos insere na História, onde tudo se
transforma. No entanto, deparamo-
nos com a tentação do esquecimento
e da indiferença. E o certo é que a
falta de memória histórica leva-nos
pelos caminhos da repetição trá-
gica ou da violência cega. Que é a
decadência senão a confusão entre
memória e repetição? E a repetição
de gestos e atitudes, para além do
poder invocatório, conduz-nos, se
não houver a capacidade de renovar,
à ausência de vitalidade. E que é a
barbárie senão a falta de memória? E
a verdade é que a amnésia histórica
e cultural conduz à subalternização
e à irrelevância. Tradição e moderni-
dade são, de facto, faces da mesma
moeda. A história das sociedades é
feitadeumdiálogopermanenteentre
a força das raízes antigas e a vontade
das novas gerações. E se a criação
exige novidade e ruptura, a verdade
é que a criação cultural e artística
faz-sesempretendoemconsideração
a herança cultural e o conhecimento
do tempo que nos antecede.
  Conhecer e compreender o
Património significa aprender com
a diferença. Não basta proclamar
princípios abstractos, é indispensá-
vel lançar pontes, realizar iniciati-
vas comuns, reler a História à luz
da compreensão dos conflitos e da
sua superação pacífica e democrá-
tica, recusar que o pêndulo apenas
indique o sonho ou o pesadelo. Uma
“cultura de paz” tem de se realizar
com base no conhecimento e na
compreensão, na educação e na cul-
tura, na ciência e na comunicação,
como tem afirmado Federico Mayor.
Falar de “cultura da paz” não pode
significar a invocação de uma mera
“boa intenção”, trata-se de criar fac-
tores de prevenção contra a guerra e
a injustiça, contra a discriminação
e a violência, contra a barbárie e o
esquecimento. Estamos no cerne da
“paideia” e da “humanitas”, para as
quais educação e cultura se ligavam
para despertar consciências e para
criar e construir uma cidadania au-
tónoma, activa e responsável.
 Nada pior do que alimentar ilu-
sões sobre realidades impossíveis. E
o Património Cultural, num sentido
amplo, poderá levar-nos a compre-
ender a realidade humana, não como
imagem idílica, mas como encruzi-
lhada de vontades e de dúvidas, con-
tra o fatalismo, os determinismos, a
ignorância e o esquecimento.
ideia de formarem um livro/com-
pilação das mesmas, de forma aos
leitores interessados poderem ad-
quirir e terem sempre disponíveis
para fácil utilização as receitas que
deixam água na boca. Gostaria de
saber se vão indicar também algu-
mas receitas dos Açores e Madeira
ou apenas do Continente.
Maria Silva
Vila Real
Férias são férias…
Ao ler o artigo em questão, da
autoria do Director Geral da
Misericórdia da Amadora, (VM de
Agosto/Setembro 2010), pensei ser
útil para todas as Misericórdias a
informação que me proponho dar.
A Santa Casa da Misericórdia de
Albufeira, antes de existirem os
ATL já tinha o cuidado de encontrar
resposta para o acolhimento das
crianças em férias sem terem que
delas se ocupasse pelo facto de
ambos os pais trabalharem. E assim
organizava colónias de férias que
se dedicavam a apoiar das 08:00 às
20:00 horas todas as crianças que
necessitassem desse serviço, para o
qual convidava voluntários, jovens
estudantes, pertencentes a movi-
mentos de igreja de várias dioceses
do interior: Viseu, Lamego, Évora,
Beja, Portalegre, a quem a troco de
estadia gratuita era pedido o traba-
lho da ocupação e vigilância daque-
las crianças dando-lhes inclusive as
refeições, a um preço simbólico.
Também, sempre teve e mantém,
um espaço não muito grande, com-
porta apenas 22 pessoas, aonde
recebe, em regime de colónia de
férias, crianças, idosos, ou famílias
sem capacidade económica para
fazer férias, proporcionando-lhes
igualmente, pequeno-almoço,
almoço, lanche e ceia para além do
alojamento, pelo qual nada pagam,
cobrando apenas per- capita o
custo da alimentação.
Temos também a modalidade de
permuta e assim tem sido possível
levar as nossas crianças e jovens a
conhecer o país: Almada, Coimbra,
Campo de Besteiros, Régua, Tomar,
Aldeias S.O.S etc, etc.
É de facto quase inesgotável, se
assim o desejarmos, o papel e
acção que as Misericórdias podem
ter, dada a sua capacidade e versa-
tilidade de interferir na construção
do bem comum.
Também podemos acrescentar
ainda, algo de não menos útil e que
praticamos desde sempre: rece-
ber idosos ou incapacitados por
períodos de necessidade por férias
ou internamento hospitalar dos
familiares que os cuidam habitu-
almente e, para terminar também
fazemos, se nos for pedido, apoio
domiciliário a famílias em turismo
que necessitem dessa ajuda técnica
a ser executada pelas nossas fun-
cionárias adstritas a essas funções.
Temos ainda um outro serviço, não
menos necessário e útil: horário alar-
gado da creche e infantário, 07:30 às
20:30 incluindo sábados, domingos e
feriados, pois sobretudo na indus-
tria hoteleira todos esses dias são
de trabalho. Fechamos apenas nos
dias de Natal, Ano Novo, Domingo
de Páscoa e 1º de Maio. Mas, não
esquecendo que as crianças neces-
sitam do calor e presença dos pais,
exigimos que os que trabalhem no
fim-de-semana fiquem com os filhos
no dia da sua folga.
Também o nosso Centro de Dia
funciona sem folgas, porque na reali-
dade, todos os dias, mas todos, há in-
felizmente quem não possa prescin-
dir dos nossos serviços e apoio.
Eis-nos pois, tal como somos e
agimos, sempre de olhos postos no
bem-estar e relativa felicidade que
podemos, e por tal devemos, colocar
ao alcance de todos os que necessi-
tam e têm direito a também usufruir.
Helena Serra
Provedora da Misericórdia
de Albufeira
Guilherme d’Oliveira Martins
Presidente do Conselho Nacional de Cultura
CULTURA VIVA
– MEMÓRIA
E CRIAÇÃO
Como Contactar-nos
Correio Rua de Entre campos,
9, 1000-151 Lisboa
Fax 218 110 545
email jornal@ump.pt
As cartas devem ser identificadas com morada e número
de telefone. O Voz das Misericórdias reserva-se o direito
de seleccionar as partes que considera mais importantes.
Os originais não solicitados não serão devolvidos
www.ump.pt outubro 2010 vm 31
Abrantes Águeda Aguiar da Beira Alandroal Albergaria-a-Velha Albufeira Alcácer do Sal Alcáçovas Alcafozes Alcanede Alcantarilha Alcobaça Alcochete Alcoutim Aldeia Galega da Merceana Alegrete Alenquer Alfaiates Alfândega da Fé Alfeizerão Algoso Alhandra
Alhos Vedros Alijó Aljezur Aljubarrota Aljustrel Almada Almeida Almeirim Almodovar Alpalhão Alpedrinha Altares Alter do Chão Alvaiázere Álvaro Alverca da Beira Alverca Alvito Alvor Alvorge Amadora Amarante Amares Amieira do Tejo Anadia Angra do Heroísmo
Ansião Arcos de Valdevez Arez Arganil Armação de Pera Armamar Arouca Arraiolos Arronches Arruda dos Vinhos Atouguia da Baleia Aveiro Avis Azambuja Azaruja Azeitão Azinhaga Azinhoso Azurara Baião Barcelos Barreiro Batalha Beja Belmonte Benavente Be-
nedita Boliqueime Bombarral Borba Boticas Braga Bragança Buarcos CabeçãoCabeço de Vide Cabrela Cadaval Caldas da Rainha Calheta/Açores Calheta/Madeira Caminha Campo Maior Canas de Senhorim Canha Cano Cantanhede Cardigos Carrazeda de Ansiães
Carregal do Sal Cartaxo Cascais Castanheira de Pera Castelo Branco Castelo de Paiva Castelo de Vide Castro Daire Castro Marim Celorico da Beira Cerva Chamusca Chaves Cinfães Coimbra Condeixa-a-Nova Constância Coruche Corvo Covilhã Crato Cuba Elvas
Entradas Entroncamento Ericeira Espinho Esposende Estarreja Estombar Estremoz Évora Évoramonte Fafe Fão Faro Fátima/Ourém Felgueiras Ferreira do Alentejo Ferreira do Zêzere Figueira de Castelo Rodrigo Figueiró dos Vinhos Fornos de Algodres Freamunde
Freixo de Espada à Cinta Fronteira Funchal Fundão Gáfete Galizes Gavião Góis Golegã Gondomar Gouveia Grândola Guarda Guimarães Horta Idanha-a-Nova Ílhavo Ladoeiro Lages das Flores Lages do Pico Lagoa Lagoa/Açores Lagos Lamego LavreLeiria Linhares
da Beira Loulé Loures Louriçal Lourinhã Lousã Lousada Mação Macedo de Cavaleiros Machico Madalena Mafra Maia/Açores Maia/Porto Mangualde Manteigas Marco de Canaveses Marinha Grande Marteleira Marvão Matosinhos Mealhada Meda Medelim Melgaço
Melo Mértola Mesão Frio Messejana Mexilhoeira Grande Miranda do Corvo Miranda do Douro Mirandela Mogadouro Moimenta da Beira Monção Moncarapacho Monchique Mondim de Basto Monforte
Monsanto Monsaraz Montalegre Montalvão Montargil Montemor-o-Novo Montemor-o-Velho Montijo Mora Mortágua Moscavide Moura Mourão Murça Murtosa Nazaré Nisa Nordeste Obra da Figueira
Odemira Oeiras Oleiros Olhão Oliveira de Azeméis Oliveira de Frades Oliveira do Bairro Ourique Ovar Paços de Ferreira Palmela Pampilhosa da Serra Paredes de Coura Paredes Pavia Pedrogão Grande
Pedrogão Pequeno Penacova Penafiel Penalva do Castelo Penamacor Penela da Beira Penela Peniche Pernes Peso da Régua Pinhel Pombal Ponta Delgada Ponte da Barca Ponte de Lima Ponte de Sor
Portalegre Portel Portimão Porto de Mós Porto Santo Porto Póvoa de Lanhoso Póvoa de Santo Adrião Póvoa de Varzim Povoação Praia da Vitória Proença-a-Nova Proença-a-Velha Redinha Redondo Reguengos de Monsaraz Resende Riba de Ave Ribeira de Pena
Ribeira Grande Rio Maior Rosmaninhal S. Bento Arnóia/Celorico de Basto S. Brás de Alportel S. João da Madeira S. João da Pesqueira S. Mateus do Botão S. Miguel de Refojos/Cabeceiras de Basto S. Pedro do Sul S. Roque de Lisboa S. Roque do Pico S. Sebastião
S. Vicente da Beira Sabrosa Sabugal Salvaterra de Magos Salvaterra do Extremo SangalhosSanta Clara-a-Velha Santa Comba Dão Santa Cruz/Madeira Santa Cruz da Graciosa Santa Cruz das Flores Santa Maria da Feira Santar Santarém Santiago do Cacém Santo
Tirso Santulhão Sardoal Sarzedas Segura Seia Seixal Semide Sernancelhe Serpa Sertã Sesimbra Setúbal Sever do Vouga Silves Sines Sintra Soalheira Sobral de Monte Agraço Sobreira Formosa Soure Sousel Souto Tábua Tabuaço Tarouca Tavira Tentúgal Terena
Tomar Tondela Torrão Torre de Moncorvo Torres Novas Torres Vedras Trancoso Trofa Unhão Vagos Vale de Besteiros Vale de Cambra Valença Valongo Valpaços Veiros Venda do Pinheiro Vendas Novas Viana do Alentejo Viana do Castelo Vidigueira Vieira do Minho
Vila Alva Vila Cova de Alva Vila de Cucujães Vila de Frades Vila de Óbidos Vila de Pereira Vila de Rei Vila de Velas Vila do Bispo Vila do Conde Vila do Porto Vila Flor Vila Franca de Xira Vila Franca do Campo Vila Nova da Barquinha Vila Nova de Cerveira Vila
Nova de Famalicão Vila Nova de Foz Côa Vila Nova de Gaia Vila Nova de Poiares Vila Pouca de Aguiar Vila Praia da Graciosa Vila Real de Santo António Vila Real Vila Velha de Rodão Vila Verde Vila Viçosa Vimeiro Vimieiro Vimioso Vinhais Viseu Vizela Vouzela
Onde mora a solidariedade
Descubra a Misericórdia na sua terra
1010www.ump.pt
Amieira do Tejo
Sonho de lar
finalmente
concretizado
Terceira Idade Pág. 20
Vila Viçosa
Comemorações
dos 500 anos
de existência
Em Acção Pág. 14
Bem-estar
Barcelos
inaugura
hidroterapia
Em Acção Pág. 12
Divulgar o trabalho por trás do produto
2011 vai ser o Ano Europeu
do Voluntariado e a
União das Misericórdias
já está a preparar uma série
de iniciativas que marcarão
a efeméride
2011 vai ser o Ano Europeu do Volun-
tariado (AEV — 2011) e a União das
Misericórdias Portuguesas (UMP),
através do seu Serviço de Volunta-
riado, já está a preparar uma série de
iniciativas que marcarão a efeméride
ao longo do ano. Entre elas, está a ser
lançado,emarticulaçãocomtodasas
Misericórdias,umprojecto-pilotoque
divulgue e facilite a comercialização
do artesanato elaborado voluntaria-
mente por utentes e outros cidadãos.
De acordo com o membro res-
ponsável do Secretariado Nacional
da UMP para a área do voluntariado,
Infância Pamplona, o objectivo prin-
cipal desta iniciativa é mostrar todo o
empenhamento e trabalho por detrás
dos trabalhos realizados nas Santas
Casas. “Queremos divulgar o traba-
lhoportrásdoproduto”,referiuares-
ponsável,lembrandoqueaspeçasde
artesanatosãoapenasa“partevisível
do trabalho realizado por técnicos e
voluntários nas instituições”.
Apesar de relacionada com o
AEV 2011, a iniciativa está a ser lan-
çada neste momento por causa da
proximidade do Natal, “uma época
de partilha e dádiva, em que as pes-
soas estão mais sensíveis a determi-
nado tipo de iniciativa”.
Neste contexto, a UMP vai bre-
vemente disponibilizar no seu site,
através do endereço http://volun-
tariado.ump.pt/ump, uma página
onde será possível visualizar, esco-
lher e comprar estes produtos.
“Todas as receitas resultantes das
vendas revertem a favor da própria
Misericórdia,paradarcontinuidadeà
sua obra, uma vez que o elo é estabe-
lecido entre o comprador e a própria
Santa Casa. A UMP apenas divulga
e promove os produtos”, destaca In-
fânciaPamplona,deixandoaindaum
apelo: “A colaboração das Misericór-
diasnesteprojecto é fundamental,na
medida em que o mesmo nos ajuda a
divulgar uma actividade por muitos
completamentedesconhecidosecom
um valor humano incalculável que
merece ser apreciado”.
Ainda para marcar o AEV 2011,
o Serviço de Voluntariado da UMP
está a planear diversas actividades.
Ainda segundo Infância Pamplona,
responsável do Secretariado Nacio-
nal da UMP por este projecto, para
Março está previsto um evento de
solidariedade para angariação de
fundos que reverterão para a aqui-
sição dos equipamentos da unidade
de cuidados continuados que a UMP
planeia construir em Fátima.
Entre os meses de Maio e Junho
prepara-se uma feira de artesanato
onde serão expostos e vendidos os
trabalhosrealizadosnasMisericórdias
que integrarem este projecto-piloto.
Finalmente, em Setembro, além de
um encontro nacional entre técnicos,
dirigentes e voluntários, está também
agendado o acto público de entrega
dosfundosangariadosemMarçoatra-
vés do evento de solidariedade.
Para aquela responsável, todo
o esforço realizado no sentido de
divulgar a importância do trabalho
do voluntário será bem-vindo. “O
objectivo de todas essas iniciativas é
mostrar o valor e a importância dos
voluntários nas Santas Casas que,
em complementaridade com os téc-
nicos, apoiam milhares de pessoas
no país”, concluiu.
As Misericórdias interessadas
em participar neste projecto deve-
rão enviar um e-mail para claudia.
amanajas@ump.pt.
Bethania Pagin
O objectivo é mostrar o valor
dos voluntários nas Santas
Casas que, em complemen-
taridade com os técnicos,
apoiam milhares de utentes
2011 vai ser Ano
Europeu do
Voluntariado

Jvm10 10

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    VOZDAS MISERICÓRDIASdirector: Paulo Moreira| ano: XXVI | outubro 2010 | publicação mensal Iniciativa Património Santas Casas nas jornadas europeias Protocolo dá novo rumo à cultura Durante três dias, cerca de 400 en- tidades portuguesas — públicas e privadas — organizaram actividades no âmbito das Jornadas Europeias do Património. Sob o tema “Patri- mónio — Um mapa da História”, a iniciativa do Conselho Europeu con- tou também com a participação de duas Misericórdias: Ericeira e Pavia. Em Acção, 6 e 7 As Misericórdias portuguesas têm um novo protocolo de colaboração assinado com o Ministério da Cultu- ra, tendo em vista a defesa, o estudo, a salvaguarda e a divulgação do pa- trimónio imóvel, móvel museográfi- co e móvel arquivístico. A assinatura foi a 24 de Setembro, na Santa Casa de Braga. Património, 28 Santas Casas defendem autonomia O Conselho Nacional da União das Misericórdias Portuguesas, reunido extraordinariamente a 6 de Outu- bro, considera que o Decreto Geral, em que a Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) determina uni- lateralmente que as Santas Casas são associações públicas de fiéis, sujeitando-se, por isso, ao parecer dos bispos, provocará uma fractura profunda nas relações entre milhares de católicos portugueses e a CEP. As Misericórdias não aceitam aquele documento e reafirmam a sua iden- tidade e autonomia. Destaque,4e5 Durante Outubro, as mãos pintaram-se de tons rubros para re- colher os frutos da videira e do trabalho do homem. Numa região produtora de vinhos, este néctar sempre garantiu a subsistência de muitas famílias. Assim, também as Santas Casas de Macedo de Cavaleiros e Valpaços apostaram no cultivo da vinha e na produ- ção de vinhos que honrem a qualidade. Mais ao Sul, a congénere de Aldeia Galega da Merceana também aposta no cultivo da uva para reunir a comunidade. Reportagem, 16 a 18 Reportagem Vindimar para o sustento União das Misericórdias Portuguesas Qualidade Unidade de Portimão certificada Saúde Pág. 22 Anexas “Escola Superior de Enfermagem é das Misericórdias” Em Foco Pág. 15 Oliveira Martins O diálogo entre a tradição e a modernidade Opinião Pág. 31
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    A FOTOGRAFIA O Número OCaso A subir Mais igualdade de géneros As mulheres no mercado de trabalho fizeram Portugal subir 14 posições no ranking da igualdade de género. O país ocupa agora o 32.º lugar num índice da World Economic Forum. A Descer Segurança Social com mais queixas Provedor de Justiça, Alfredo José de Sousa, afirmou recentemente que em 2009 a Segurança Social foi a matéria mais problemática, com 16 por cento das queixas apresentadas na Provedoria. Comité Nobel sobre o Prémio Nobel da Paz 2010 o chinês Liu Xiaobo “Liu Xiaobo foi distinguido pela sua luta longa e não violenta pelos direitos fundamentais da China” A Frase espaço sénior Reencontro no fim das férias Acabaram as férias. O início de um ano lectivo na Academia, tempo do reencontro, é sempre de entusiasmo e alegria. Este ano, as aulas começaram mais cedo para dar lugar a uma inovação: a realização de encontros e workshops Vila do Conde Misericórdia promoveu uma recolha de sangue 2100 Milhões em IVA e IRS A Entidade Reguladora da Saúde (ERS) revelou que recentemente serviços de ortopedia de hospitais públicos, privados e do sector so- cial atingiram o nível de excelên- cia máximo no âmbito do Sistema Nacional de Avaliação dos Serviços de Saúde (Sinas). Entre eles, dois hospitais de Misericórdias: Vila Verde e Riba d’Ave. Este é mais um sinal de reconhe- cimento público da excelência do trabalho que vem sendo desen- volvido pela instituição no campo da saúde, reforçando a confiança, a responsabilidade e o desafio de todos os profissionais e voluntários envolvidos esta causa de assegurar os melhores cuidados e serviços aos utentes”, afirmou o provedor da Santa Casa de Vila Verde, Bento Morais, ao Correio do Minho. O provedor considera que os resul- tados desta avaliação constituem para os utentes “uma motivação extra de confiança na qualidade Saúde Ortopedia distinguida pela ERS dos serviços prestados”. Bento Morais lembra que ainda recen- temente foi enaltecido ao nível do serviço de urgência, com a ERS a reconhecer o cumprimento dos critérios de funcionamento deste tipo de serviço de acordo com o que está estipulado para o Serviço Nacional de Saúde. Em Riba D’Ave, o prémio é con- siderado pelo director clínico e membro da administração do hos- pital, a consequência da introdu- ção de mecanismos de qualidade, cujo objectivo, garantiu Salazar Coimbra, “é dar garantias de ex- celentes serviços a quem recorre à Misericórdia”. O Sinas visa «promover um sis- tema de classificação de saúde quanto à sua qualidade global, de acordo com os critérios objectivos e verificáveis, incluindo os índices de satisfação dos utentes». Os primeiros resultados conheci- dos sobre os serviços de ortopedia indicam que, dos 60 prestadores de cuidados de saúde que voluntaria- mente aderiram ao Sinas, pouco mais de um terço não foram clas- sificados No nível máximo de excelência (nível III) estão também os cen- tros hospitalares do Alto Ave, do Porto, da Póvoa de Varzim/Vila do Conde, Entre Douro e Vouga e de Setúbal, Hospital Santa Maria Maior, em Barcelos, HPP Boavista e Hospital de S. João, ambos no Porto. Estão ainda a este nível os hospitais S. Teotónio, em Viseu, Hospital Professor Fernando Fon- seca e Hospital do Espírito Santo, em Évora e a Unidade Local de Saúde de Castelo Branco. A Santa Casa da Misericórdia de Vila do Conde promoveu uma recolha de sangue. A iniciativa, que contou com a colaboração de uma brigada do Centro Regional do Porto do Instituto Português de Sangue para fazer as colheitas, teve lugar a 30 de Setembro. Uma vez que a recolha de sangue tem uma incidência maior em mulheres dadoras, aptas a dádivas de quatro em quatro meses, a Misericórdia de Vila do Conde promove este tipo de iniciativas três vezes por ano. Na última recolha, em Abril, foram registadas 110 inscrições de dadores, resultando na colheita de 80 unidades. O Orçamento de Estado para 2011, se aprovado, prevê arrecadar 34 mil milhões de euros, ou seja, um acréscimo de 6,2 por cento face à receita a cobrar em 2010. cabaram as férias. O início de um ano lectivo na Academia, tempo do reencontro, é sempre de entusiasmo e alegria. Há uma autêntica “sinfonia” de saudações, perguntas e conversas que se cruzam, se entrelaçam se confundem. Este clima de alegre camaradagem é, para muitos, o melhor remédio para diversos males que têm de ser tratados. Assim foi mais uma vez. Este ano, porém, como já tinha sido determinado, a Academia abriu mais cedo para dar lugar a uma inovação: a realização de encontros e workshops. Os participantes foram muitos e pode considerar-se uma iniciativa interessante que pode vir a ser uma mais- valia na história da Academia. Há novas disciplinas: Geografia e História do Traje. Inscreveram-se 26 novos alunos e é de 461 a totalidade de associados para este ano lectivo. As aulas foram começando pouco a pouco, por alguns professores se encontrarem ainda em férias, fora de Lisboa. Então, no dia 7 de Outubro, foi a grande festa: um lanche - convívio para celebração do 23º aniversário da Academia, o 10º aniversário de ”O Mocho” e as saudações aos novos colegas. Numa cerimónia extremamente simples, reuniram-se o Dr. José Nunes, representando a UMP, o Conselho Directivo, colaboradores, alunos e funcionárias. O nosso Presidente, Eng. Luís Aires, em breves palavras, assinalou estas três intenções da festa e referiu alguns aspectos respeitantes à Academia, principalmente a apresentação dos novos membros da Direcção. O Dr. José Nunes começou por apresentar as saudações enviadas pelos Dr. Manuel de Lemos, Dr. Carlos Andrade e Padre Victor Melícias e, em seu nome, desejou felicidades e progresso para o ano 2010-2011. Saboreou-se o gostoso lanche, onde não faltou o bolo de aniversário. Todos cantaram os “Parabéns” e participaram num brinde pela continuidade do sucesso da nossa Academia. Ao fim da tarde, na Igreja de São João de Brito, realizou- se uma missa lembrando todos os nossos professores e colegas que já não se encontram entre nós. A panorama www.ump.pt Isabel Rodeia Academia de Cultura e Cooperação da UMP academiadecultura@ump.pt 2 vm outubro 2010
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    O Presidente daRepública, Aníbal Cavaco Silva, inaugurou, em Setembro, a Residência Rainha D. Isabel, da Misericórdia de Alcácer do Sal. O equipamento tem 22 quartos duplos e 16 simples. A secretária de Estado Adjunta e da Reabilitação, Idália Moniz, também marcou presença na cerimónia de inauguração. Mais recentemente, o chefe de Estado esteve em Arcos de Valdevez, onde inaugurou um centro social integrado, que reúne diversos equipamentos da Santa Casa daquela localidade. ON-LINE Albino Poças Provedor da Misericórdia de Valongo Opinião RADAR A Irmandade da Misericórdia e de São Roque de Lisboa festejou o Dia de São Roque, que este ano se comemorou a 3 de Outubro. As celebrações em honra do patrono da Irmandade começaram com uma novena, a 24 de Setembro, e terminaram com uma procissão nas ruas de Lisboa. A 1 de Outubro de 2010, Dia Internacional do Idoso, realizou-se uma Missa Festiva, na qual participa- ram cerca de 220 utentes de muitos dos equipamentos da Santa Casa de Lisboa. Lisboa Irmandade de S. Roque celebra patrono Alcácer do Sal Cavaco Silva inaugurou residência sénior A Santa Casa da Misericórdia de Re- guengos de Monsaraz está a comemorar o seu 150º aniversário. O programa que marca a data foi inaugurado a 1 de Ou- tubro e vai decorrer até 7 de Abril do próximo ano, data em que a instituição completará 150 anos de existência. Entre outras iniciativas que marcam a efeméri- de, a Misericórdia organizou uma confe- rência subordinada ao tema “Reguengos e a República — Um contributo para a história local”, proferida por Paula Amendoeira. Aniversário Reguengos de Monsaraz celebra 150 anos A Misericórdia do Entroncamento abriu recentemente as portas da Unidade de Cuidados Continuados Integrados Manuel Fanha Vieira – Provedor. O novo equipamento tem 70 camas: 30 de Longa Duração e Manutenção e 40 de Média Duração e Reabilitação. Ao fecho deste jornal, aquela unidade já estava a rece- ber 40 utentes, mas com previsão de em pouco tempo atingir a capacidade máxi- ma. Recorde-se que a Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados foi criada em 2006. Unidade Entroncamento com 70 camas de continuados A Santa Casa da Misericórdia de Oliveira do Bairro iniciou uma forma- ção sobre “Educação Parental”, a 11 de Outubro. O objectivo da iniciativa é dar resposta às necessidades e dificuldades que pais e encarregados de educação sentem no desempenho das suas funções parentais, com vista ao desenvolvimento de relações familiares mais saudáveis e ao bem-estar emocional das crianças. Os cursos, gratuitos, serão divididos por temáticas e decorrem até Janeiro de 2011. Oliveira do Bairro Formação gratuita sobre educação parental Alerta para o presente sem esquecer o futuro Rigor no controle da despesa, na qualidade dos produtos, na escolha dos fornecedores, no cumprimento dos compromissos da instituição, não esquecendo, também, um forte rigor na selecção e ponderação das nossas ambições m tempo de crise é difícil gerir aquilo que é nosso…mas, é muito mais difícil gerir aquilo que é dos outros” Permitam-me que as palavras iniciais sejam, em primeiro lugar para agradecer, publicamente, os conselhos recebidos através do auditor Dr. Eduardo campos, que orientou o Diagnóstico de Gestão, integrado no programa de formação “Gestão Sustentável” na Misericórdia de Valongo, em 2009. A total abertura e o interesse com que os responsáveis da Santa Casa da Misericórdia de Valongo encararam este trabalho, fornecendo e disponibilizando todas as informações e dados que foram solicitados resultaram, em nossa opinião, num estudo sério e credível, do qual hoje já estamos a colher benefícios. É que, da troca de impressões ocorrida ao longo dos meses, levou-nos a ser ainda mais rígidos no controle das despesas da instituição, servindo, também, para aprofundar a nossa meditação em relação aos tempos difíceis que já então se viviam, com sinais fortes de um sério agravamento, o que infelizmente, está a acontecer. Sempre pensamos que na gestão das nossas instituições a palavra “rigor” não pode ser banida do nosso vocabulário diário, mesmo nos tempos em que a situação nos pareça mais favorável. Rigor no controle da despesa, rigor na qualidade dos produtos, rigor na escolha dos fornecedores, rigor no cumprimento dos compromissos da instituição etc etc etc…não esquecendo, também, porque é muito importante, um forte rigor na selecção e ponderação das nossas ambições. Foi com esta forma de estar e agir que a Misericórdia de Valongo, ao longo destes últimos oito anos, conseguiu criar condições para obter uma razoável estabilidade financeira, que lhe permite, hoje, prestar aos sues utentes das várias valências, uma qualidade de serviços e assistência sem quebra de qualidade, pese embora, os cortes “cegos” nas receitas, de que estamos a ser vítimas. Por isso, meus caros amigos e senhores provedores: Avançar, neste momento, com qualquer investimento mesmo que de resultados promissores mais que só serão palpáveis a médio ou longo prazo é, em nossa opinião, um grande risco. Não nos podemos esquecer dos compromissos assumidos com os utentes de que já temos acolhidos nas nossas diversas valências. Temos que moderar as tais ambições incontroladas de que falei atrás, se não queremos sentir o amargo do insucesso. Para terminar, peço a todos que não vejam nesta minha opinião, um excesso de pessimismo. É apenas a minha modesta opinião, porque, estou certo, que os caminhos que as Misericórdias terão de percorrer nos próximos anos vão ser caminhos muito tormentosos e cheios de abrolhos, muito difíceis de transpor. Ficarei muito satisfeito se, a curto prazo, através dos factos, todos concluirmos que estou errado, dispondo-me, com toda a humildade mas muita alegria, a ouvir as críticas merecidas dos senhores provedores mais optimistas. E SLIDESHOW www.ump.pt outubro 2010 vm 3 PRESIDÊNCIADARepública
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    DESTAQUE www.ump.pt4 vm outubro2010 Santas Casas defendem autonomia Misericórdias não aceitam decreto em que a Conferência Episcopal determina que as Santas Casas são associações públicas de fiéis e vão continuar a proceder de acordo com a sua tradição O Conselho Nacional da União das Misericórdias Portuguesas (UMP) considera que o Decreto Geral, em que a Conferência Episcopal Por- tuguesa (CEP) determina unilate- ralmente que as Santas Casas são associações públicas de fiéis, sujei- tando-se, por isso, ao parecer dos bispos em diversos aspectos, pro- vocará uma fractura profunda nas relações entre milhares de católicos portugueses e a CEP. A reunião extra- ordinária teve lugar a 6 de Outubro, na sede da UMP em Lisboa. Os provedores presentes foram unânimes em afirmar que não acei- tam aquele documento. As Santas Casas defendem e reafirmaram a sua identidade e autonomia. Na sequência da reunião, foi tornado público, em conferência de imprensa, um comunicado que pu- blicamos na íntegra: “O Conselho Nacional da União das Misericórdias Portuguesas, reu- nido, hoje, dia 6 de Outubro de 2010, extraordinariamente, na cidade de Lisboa, para analisar o Decreto Geral paraasMisericórdias,produzidopela Conferência Episcopal Portuguesa, entendeu tornar público o seguinte: — A CEP publicitou, em 24 de Setembro de 2010, um Decreto Geral para as Misericórdias Portuguesas, com data de 23 de Abril de 2009; — O referido Decreto, em sínte- se, pretende cortar, de forma abrupta, unilateral e autoritária, com a autono- mia de gestão de que as Misericórdias dispõem,háváriosséculos,nomeada- mente no que respeita, à disposição dos seus bens, à capacidade soberana das suas Assembleias Gerais e à livre eleição dos seus Corpos Sociais; — As Misericórdias Portuguesas, hojecerca de quatrocentas,foramsen- docriadas,desdeoséculoXV,porCida- dãos,eporReisesãodetentorasdeum enormepatrimóniohistóricoecultural; — Os princípios pelos quais sem- preseregeramcoincidemcomosprin- cípios essenciais da Igreja Católica e nessa medida, a sua eclesialidade; — Ao longo dos séculos, por re- conhecimento da sua missão, têm visto o seu património acrescido ao serem contempladas com doações, heranças e legados de cidadãos benfeitores, sem distinção de credo ou confissão e instituições públicas que se traduzem, especialmente, em bens imobiliários; — As Misericórdias Portuguesas são constituídas por sócios, a que se dá a designação de Irmãos e estes, de forma soberana e de acordo com as normas estatutárias pelas quais se regem, decidem, nomeadamente, so- bre a disposição de bens, e em actos eleitorais completamente livres es- colhem, em momento próprio, os de entre si que entendem dever assumir a direcção e gestão das respectivas Instituições; — As Misericórdias Portugueses são detentoras na área da saúde de inúmeroshospitais,clínicas,eem2011 representarão70%dascamasdaRede Nacional de Cuidados Continuados Integrados,naáreasocialprestamser- viços a mais de 500.000 utentes em valências como Lares de Acolhimen- to, Lares para Idosos Dependentes, Centros de Dia, Apoio Domiciliário, Acolhimento de Jovens em Risco, Infantários, etc…e garantem emprego estávelamaisde100.000portugueses; — Vir agora a CEP, com o Decre- to em causa, pretender alterar, sem qualquer fundamento histórico, nem jurídico, o enquadramento e a forma como as Misericórdias são geridas há séculos, causa a mais profunda estranheza, espanto e perplexidade nos muitos milhares de portugueses que generosa e desinteressadamente se associaram às Misericórdias para auxiliarosseusconcidadãosmaisdes- favorecidoseconómicaesocialmente; — O Conselho Nacional lamenta também a deselegância da CEP, por intermédio do seu Presidente, ao di- rigir no passado dia 28 de Setembro, aos Provedores das Misericórdias, através de e-mail enviado aos servi- ços gerais de cada uma daquelas Ins- tituições, uma nota pretensamente explicativa, tornando assim pública uma matéria que pela sua importân- cia devia ser reservada; — O Conselho Nacional lamenta igualmente que essa deselegância tenha chegado ao ponto de ultrapas- sar a União das Misericórdias Portu- guesas que, por certo, faria chegar a missiva a todas as Misericórdias Portuguesas, mesmo aquelas que não têm endereço electrónico; — O Conselho Nacional lamen- ta, por fim, chocado (mas não sur- preendido) que o primeiro parágrafo do citado e-mail tenha como preocu- pação evidente considerar os Bens materiais das Misericórdias como Bens Eclesiásticos, assim tornando claro qual o verdadeiro objectivo do Decreto Geral sobre as Misericórdias; — O Conselho Nacional, ponde- radas todas as implicações entende que o Decreto Geral da CEP não é um assunto que diga só respeito à Igreja ou às Misericórdias, é um assunto de Estado e da Sociedade Portuguesa; — Neste contexto, o Conselho Nacional repudia o Decreto Geral sobre as Misericórdias, quer nos seus termos, quer nos seus efeitos, por ser lesivo das Comunidades Portuguesas que sofrem, da actividade pastoral da Igreja e da tradição pentasecular das Misericórdias Portuguesas. AS MISERICÓRDIAS PORTUGUESAS NÃO ACEITAM O DECRETO GERAL — O Conselho Nacional considera que a manutenção do Decreto Geral sobre as Misericórdias provocará uma fracturaprofundanasrelaçõesentremi- lharesdecatólicosportugueseseaCEP; — O Conselho Nacional da UMP insta pois a CEP a, com humildade, retirar o Decreto Geral e a repen- sar, com a União das Misericórdias Portuguesas, a sua relação com as Misericórdias; — O Conselho Nacional mani- festou o seu apoio à forma como o Secretariado Nacional encarou o Decreto Geral sobre as Misericórdias e regozija-se com a sua prudência, responsabilidade e determinação, assegurando, junto das suas filiadas, a coesão e a serenidade, tão neces- sárias no momento de grave crise nacional, em que todos os dias cada vez mais portugueses recorrem às Santas Casas; Tudo visto, o Conselho Nacional, no âmbito das suas competências específicas, recomenda ao Secreta- riado Nacional: Que não prossiga qualquer tipo de diálogo com a CEP, enquanto o Decreto Geral não for retirado; Que desenvolva, por todos os meios ao seu alcance, as iniciativas necessários para que, na Ordem Ju- rídica Portuguesa, os Compromissos das Misericórdias tenham um estatu- to idêntico ao das suas congéneres e irmãs do Brasil, da Itália, da Espanha e do Luxemburgo, nomeadamente no que respeita à propriedade e dis- ponibilidade plena dos seus Bens, e à autonomia total de gestão; Que solicite ao Presidente da Confederação Internacional das Mi- sericórdias, Senhor Dr. Manuel de Lemos, que coloque esta questão a toda a Confederação e a todas as Misericórdias do Mundo. O Conselho Nacional da UMP re- afirma a eclesialidade do movimen- to das Misericórdias Portuguesas, a sua disponibilidade para colaborar na actividade pastoral da Igreja, em caridade cristã e em solidariedade comosquemaisprecisamnorespeito pelasuatotalautonomiaenatureza.”
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    www.ump.pt outubro 2010vm 5 Quero começar por dizer que sou ca- tólico, apostólico, romano. Tive edu- cação cristã e os meus valores são os valores da minha cultura católica e tenho pautado a minha vida pelo respeito a esses valores. Também não pertenço, nem quero pertencer a nenhuma agremiação específica. Dito isto e com estes pressupostos, gostaria de dizer o seguinte a propó- sito do recente Decreto Geral. Quando o Dr. Vítor Melícias me seduziu para desempenhar as fun- ções de Presidente do Secretariado Nacional da União das Misericórdias Portuguesas e quando os Senhores Provedores me elegeram para o pri- meiro mandato, devo confessar que estava muito longe de qualquer que- rela entre as Misericórdias Portugue- sas e a Conferência Episcopal. Não é que desconhecesse o problema. Tinha até bem clara toda a proble- mática, uma vez que o Dr. Vítor Me- lícias, ao longo dos anos em que tive o privilégio de colaborar com ele, me foi iniciando nas especificidades do Direito Canónico. Mas tinha a con- vicção/esperança de que não seria nos meus mandatos que a questão se agudizaria. Pelo contrário, acredi- tava, e continuo a acreditar, até que, com bom senso e boa vontade, será possível estabelecer um compromis- so duradouro nas relações entre a CEP e as Misericórdias Portuguesas. Deus e alguns Homens sabem que me tenho empenhado profun- damente nessa solução. Com a con- vicção séria de que o problema não é um problema de fé ou sequer des- respeito pela Hierarquia da Igreja e a sua autoridade, que são questões que não se colocam, mas uma ques- tão de Direito. Por isso, quando alguns Senho- res Provedores colocam a questão em sede de respeito aos Senhores Bispos e ao que eles representam en- quanto Pastores, estão, com o devido respeito, a colocar mal a questão. A questão, repito, é de Direito e de História. E se me permitem, vamos então à essência da questão. A primeira Misericórdia Portu- guesa foi fundada em 1498, por uma Rainha e cem Homens Bons. E, ao longo dos séculos, este modelo foi repetido por todo o território nacio- nal e pela diáspora. Isto é, que se saiba não há nenhum caso de ne- nhuma Misericórdia constituída por iniciativa de um Bispo enquanto tal, embora, certamente, em algumas Misericórdias houve Bispos, que en- quanto homens, integraram a lista dos Homens Bons que fundaram a Misericórdia. Quero com isto dizer que, em caso algum, houve erecção canónica por parte dos Bispos (Or- dinário do Lugar). O que houve mais recentemente, nos últimos 30 anos, foram vários Opinião Aceitar o Decreto tranquilamente seria eventualmente muito cómodo mas corresponderia a deitar pela borda fora, sem mais, toda a História que tão bem está descrita no Portugaliae Monumenta Misericordiarum. Misericórdias, nos últimos 10 anos, cresceram como nunca o tinham feito antes, assumindo-se como as mais importantes Instituições de desenvolvimento local As principais consequências, se se aceitar que são Associações Públicas de Fiéis, têm a ver com a sua autonomia no que respeita aos Bens e Órgãos Sociais. decretos formais dos Senhores Bis- pos a reconhecer às Misericórdias personalidade jurídica na Ordem Canónica. Porque na Ordem Civil, as Misericórdias sempre tiveram per- sonalidade jurídica (não é possível viver 500 anos sem personalidade jurídica!). Esta circunstância, aliada à revi- são do Código de Direito Canónico, em 1983 que, entre outras novida- des, divide as Associações de Fiéis em Associações Públicas e Asso- ciações Privadas, veio criar alguma confusão em muitos espíritos. Desde logo, em que subdivisão incluir as Misericórdias? E sobre essa matéria se debruçaram muitos civilistas e canonistas, tendo, a maioria esmaga- dora, concluído que as Misericórdias são Associações Privadas de Fiéis. Não foi esse, infelizmente, o en- tendimento de alguns sectores da CEP, que passaram a sustentar que as Misericórdias são Associações Pú- blicas de Fiéis. Mas, é dever da ver- dade dizer que, desde 1983 até aos nossos dias, muitíssimos Ordinários aceitaram que as Misericórdias se definissem como Associações Priva- das de Fiéis ou, mais simplesmente, como Associações de Fiéis. Tenho para mim até, e nisto divirjo da maio- ria da doutrina, que as Misericórdias, vista a sua História penta secular, os usos e costumes e, sobretudo, a sua Missão, se deveriam simplesmente designar como Associações de Fiéis (o que, de resto, o Código permite e está consagrado na maioria esmaga- dora dos Compromissos das Miseri- córdias Portuguesas). E, mais uma vez, esclarecer que esta qualificação não foi obstáculo ao crescimento das Misericórdias Portuguesas que, seguramente nos últimos 10 anos, cresceram como nunca o tinham feito antes, assumindo-se como as mais importantes Instituições de de- senvolvimento local, em Portugal. Ora, desde a minha Posse, em 2006, que procurei estabelecer um compromisso com a CEP, compro- misso sempre balizado pelas deli- berações das Assembleias-Gerais da UMP, pela lei do Estado Português e pela História das Misericórdias. Infelizmente, porém, a CEP não se mostrou sensível às minhas pro- postas e aprovou e fez publicar o Decreto Geral. Neste contexto, importa, pois, que os Senhores Provedores tenham bem presente o que significa para a vida das Misericórdias ser uma Associação Pública de Fiéis e tam- bém se o Decreto se aplica ou não às Misericórdias já existentes. As principais consequências para as Misericórdias, se se aceitar que são Associações Públicas de Fi- éis têm a ver com a sua autonomia, nomeadamente no que respeita à disponibilidade dos Bens e ao pro- cesso de indicação e eleição dos seus Órgãos Sociais. No que respeita aos Bens, a sua disponibilidade fica completamente nas mãos do Ordinário. Isto é, por exemplo, a Mesa pode decidir pro- por à Assembleia-Geral a alienação de uma propriedade, e esta aprovar por unanimidade a proposta mas, se o Ordinário não concordar, a aliena- ção não se faz (é legítimo perguntar, então para que serve a Assembleia- Geral?). E como compatibilizar tudo isso com o Decreto-Lei nº 119/83 que, entre os poderes que confere à Assembleia-Geral, está precisamente o de deliberar sobre esta matéria? A outra questão tem a ver com a eleição dos Órgãos Sociais. É que se as Misericórdias forem Associa- ções Públicas de Fiéis, as listas con- correntes têm de ser previamente aprovadas pelo Ordinário que assim decide quem pode concorrer e, logo, condiciona definitivamente o resul- tado. Por isso, algumas declarações recentes de que não será permitido aos Autarcas e outros responsáveis políticos concorrer, uma vez que não passarão na avaliação prévia. Devo dizer, a este respeito, que o que me choca nesta posição é que, para além de a considerar uma into- lerável restrição dos direitos demo- cráticos dos cidadãos portugueses no pós 25 de Abril e do atestado de me- noridade passado às Assembleias- Gerais, esta postura revela uma desconfiança profunda em relação aos políticos católicos. Não consigo perceber, porque até vai contra as orientações que o Papa Bento XVI nos deixou na Sua visita a Portugal. O segundo ponto tem a ver com a aplicabilidade do Decreto. O cânone nº 9 do Código do Direito Canónico é explícito em dizer que a Lei não é retroactiva. E o e-mail da CEP, envia- do às Misericórdias no passado 28 de Setembro, confirma isso mesmo. Apenas refere que, já em 1989, a CEP tinha feito uma Declaração sobre a matéria. Ora, para além de uma Declaração não ter qualquer valor na Ordem Jurídica Canónica, a verdade é que não é admissível pensar que um decreto de 2010 se aplica retroac- tivamente a Misericórdias fundadas a partir de 1498. Era retroagir uma Lei mais de 500 anos!!! Como se vê por esta nota ne- cessariamente breve, esta matéria é muito complexa e não pode ser trata- da nem leviana nem unilateralmen- te. Reparem que ainda não abordei a matéria da relação das Misericórdias com o Estado que se cruza com esta e que deixarei para um próximo nú- mero. Foi, aliás, por tudo isso que, em tempos, o Dr. Melícias propôs à CEP a criação de uma Comissão Mista. Não para regulamentar um qualquer decreto, como vem agora sugerir a CEP no já referido e-mail, mas para estudar toda esta matéria que, repito, é delicadíssima. É por isso que, como escrevi na primeira carta que dirigi aos Senhores Pro- vedores, que neste momento, cada um deles é mais do que a sua pró- pria circunstância. Aceitar o Decreto tranquilamente seria eventualmente muito cómodo mas corresponderia a deitar pela borda fora, sem mais, toda a História que tão bem está descrita no Portugaliae Monumenta Misericordiarum. Apetece-me adaptar Fernando Pessoa: “Vós aqui ao leme, são mais do que vós!” A terminar por agora esta primei- ra abordagem, gostaria de reafirmar a total disponibilidade das Miseri- córdias para encontrar uma solução equilibrada, séria e justa para ambos os lados. Como todos os Provedores de Portugal sabem, as Misericórdias são hoje grandes empresas, responsá- veis pelo emprego de milhares de pessoas e dedicadas a ajudar quem precisa. Isto é o que nenhuma das partes pode pôr em causa. Isto é o que legitima a actividade da UMP e o mandato que os seus Órgãos So- ciais receberam dos Provedores de Portugal. Por isso intitulei esta série de artigos por “O Dever da Verdade”, porque tenho o dever de informar os Senhores Provedores e todos os Órgãos Sociais da verdade. De boa fé e com a coragem e tranquilidade que a Razão confere. (continua) Manuel de Lemos Presidente da UMP O dever da verdade 21,4% em privação material Segundo Instituto Nacional de Estatística, em 2009, 21,4% dos portugueses sentiram dificuldades em pagar as rendas, manter a casa aquecida ou fazer uma refeição de carne ou peixe de dois em dois dias O Prof. Medina Carreira e o Dr. Ricardo Costa escreveram um livro com este título, que à época foi considerado pessimista e irrealista. Hoje, esta verdade é o nosso quotidiano
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    em acção www.ump.pt6 vmoutubro 2010 Misericórdias integraram jornadas do património Durante três dias, cerca de 400 entidades portuguesas — públicas e privadas — integraram as Jornadas Europeias do Património. Entre elas, duas Santas Casas: Ericeira e Pavia Durante três dias, cerca de 400 en- tidades portuguesas — públicas e privadas — organizam 620 activida- des que se realizaram em 248 sítios localizados em 225 concelhos, no âmbito das Jornadas Europeias do Património. Sob o tema “Património — Um mapa da História”, a inicia- tiva do Conselho Europeu contou também com a participação de duas Misericórdias: Ericeira e Pavia. “Que fixe!” ou “professora, isso está em latim, não está?” foram al- gumas das reacções dos jovens, com idades entre os 10 e 12 anos, que visitaram o Museu da Misericórdia Bethania Pagin da Ericeira. No dia em que começa- ram as jornadas, a atenção naquela localidade foi toda dedicada aos mais pequenos. Já era a segunda visita do dia. Durante a manhã, crianças mais jovens — dos oito aos 10 anos — foram brindadas com um ateliê de pintura, orientado pelo pintor Rui Pinheiro. Da parte da tarde, cerca de 40 meninos da Escola EB 23 António Bento Franco aprenderam um ofício muito típico daquela localidade li- gada ao mar, os nós de marinheiro. Os trabalhos foram orientados pelo Mestre Zé, pescador da Ericeira, e por Normando Sereno, comandante da marinha. A actividade decorreu numa das salasdomuseu,ondeasreferênciasàs tradiçõesdaEriceirasãoevidentes.Ao centro, um barco que recorda a fonte do sustento das gentes dali. Divididos em dois grupos, os miúdos estavam em alvoroço. Observados pelas pro- fessoras, os mais pequenos viam o universo da vida ligada ao mar con- cretizar-se em diversos tipos de nós. Momentos antes, o grupo foi recebido pelo vice-provedor da Mi- sericórdia da Ericeira. Para José Gui- lherme Durão, preservar e divulgar a identidade local é fundamental, especialmente num mundo globali- zado. Além disso, a própria identi- dade da Santa Casa é apresentada a Alémdeummuseu,aSantaCasadaMi- sericórdia da Ericeira é detentora ainda deumvastoarquivo.Odocumentomais antigodatade1446.Emconversacom o VM, António Silva Gama explicou que muitos documentos vieram para pos- se da Santa Casa durante o período da implementação da República. “Vieram para Misericórdia para não serem des- truídos”,comentou.Outrodocumentoa merecer destaque pelo nosso anfitrião data de 1487 e está assinado por D. João II. “Era concedida a posse de ter- renos a um senhor da Ericeira. Curiosa- mente,trêsouquatroséculosdepois,os terrenos vieram à posse da Misericór- dia”. Aquele responsável contou ainda que o arquivo é frequentemente pro- curado por historiadores. “Há exemplo de pessoas que encontram aqui docu- mentos que não encontraram na Torre do Tombo”, concluiu. Além da Santa Casa da Misericórdia da Ericeira, outras congéneres também integraram as Jornadas Europeias do Património. Pavia e Arcos de Valdevez juntaram-se à iniciativa com uma pro- gramação variada que foi das romarias aos concertos musicais. Ver página se- guinte. Documento mais antigo é de 1446 Museu da Ericeira recebeu crianças e jovens
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    www.ump.pt Cortes nos subsídios Em2011, caso seja aprovado o Orçamento de Estado, os subsídios de férias e de Natal também estarão sujeitos ao corte entre 3,5 e 10 por cento, desde que tenham um valor superior a 1500 euros. outubro 2010 vm 7 todos aqueles que visitam o museu. No que diz respeito às Jornadas, aquele dirigente destacou ao VM que não obstante a valorização do património, a iniciativa aproxima as instituições das comunidades onde estão inseridas. E finalmente chega a hora da visita ao museu. Aos poucos, as professoras, sempre acompanhadas pela mesária Maria Teresa Carvalho, foram reunindo os meninos todos na sala que dá acesso ao espaço onde a Misericórdia de Ericeira não só divulga, mas também protege, um espólio rico que conta a história da localidade. Cada sala, uma história. Acom- panhados por um dos mesários, António Silva Gama, as crianças tiveram oportunidade de ouvir as histórias que davam vida às peças que lá estão. Entre elas, uma espada chama a atenção. “Foi do fundador da Misericórdia da Ericeira. Um ca- valeiro da Ordem de Cristo chamado Francisco Franco. Esteve enterrada durante muitos anos, mas consegui- mos recuperá-la”, explicou António Silva Gama aos meninos que ali es- tiveram durante alguns momentos a admirar aquela peça. Sala do despacho, biblioteca e igreja são alguns dos espaços que se seguem. Com o museu só para elas, as crianças comentaram e pergun- taram, apesar de alguma distracção provocada pela nossa máquina fo- tográfica. Além dos mais jovens, a San- ta Casa da Misericórdia da Ericeira também promoveu actividades dedi- cadas aos mais crescidos. Nos dias 25 e 26, uma prova de vinhos e um concerto, acompanhados de visitas guiadas ao museu, concretizaram as Jornadas Europeias do Património naquela localidade. Durante seis anos o museu es- teve fechado ao público, mas agora reabriu portas à comunidade através dos esforços da actual mesa admi- nistrativa. Sobre a realidade daque- le espaço, Maria Teresa Carvalho e António Silva Gama são unânimes em afirmar que seria necessário um investimento avultado para propor- cionar as melhores condições a todo o espólio da Santa Casa. Contudo, recordam, a instituição não pode perder de vista a sua missão essen- cial, que é apoiar os carenciados, e os apoios de outras entidades não tem sido fácil de obter. “ “ Há coisas que não conhecemos nos museus. Por isso, quando vimos cá aprendemos coisas novas José Maria 12 anos Deveríamos olhar mais pelo património, mas isto nem sempre é possível Cristina Bernardo Misericórdia de Paiva Acorde perfeito entre música e comunidade Misericórdia de Pavia integrou as Jornadas Europeias do Património. O ritmo dos bombos não deixou indiferente a comunidade local O arrojo dos ritmos dos bombos e a mestria dos grupos de música não deixaram indiferentes os populares de Pavia. Nos dias 24, 25 e 26 de Setembro no âmbito das Jornadas Europeias do Património, a iniciativa que procura sensibilizar a população para a importância do património, voltou a ser comemorada na vila alentejana, desta vez com muita mú- sica à mistura. O evento foi preparado pela Santa Casa da Misericórdia de Pavia e contou com o apoio da Câmara Municipal de Mora, da Junta de Fre- guesia de Pavia e do IGESPAR, que organizou as jornadas. A comemoração teve início na sexta-feira, dia 24, com a inaugu- ração da exposição “Envelhecer a recordar”. Logo a entrada, alguns versos do Fernando Pessoa reflec- tiam bem o espírito do evento e con- vidavam a reflexão: “Não importa se estação muda, se o século vira, se o milénio é outro, se a idade aumenta. Conserva a vontade de viver. Não se chega a parte alguma sem ela.” De facto, os alentejanos não dei- xaram nada em mãos alheias e nesta exposição recuperaram dos baús as memórias mais antigas, sendo visí- veis vários objectos que nos levam a recordar os tempos que já passaram. Além disso, a exposição apresentou vários trabalhos manuais realizados pela população local como rendas e bordados. Segundo os guias presen- tes na exposição, Lúcia Carvalho e João Alves, “a reacção da população foi muito positiva” e todos os visi- tantes encontraram sempre alguns objectos de interesse. Uma das organizadoras do even- to, a assistente social da Santa Casa da Misericórdia Estela Ramos, con- firmou que o acolhimento da exposi- ção, por parte da população local, foi tão caloroso que a iniciativa poderá mesmo a ser repetida em Outubro, altura da comemoração do mês do idoso. No sábado o grupo “Toca a Bombar”anunciou o início da festa. Durante trinta minutos jovens e ido- sos partilharam emoções marcadas pelo ritmo forte do instrumento de percussão. Logo a seguir o grupo da Escola de Música da Câmara Mu- nicipal de Mora subiu ao coreto e alegrou a noite alentejana. A directora da área social da Mi- sericórdia de Pavia, Cristina Bernar- do, salientou a importância deste tipo de iniciativa: “há cerca de seis, sete anos que fazemos actividades nesta área porque consideramos que é uma altura própria para divulgar o nosso património – não só o nosso património físico (como é o caso da igreja da Misericórdia) mas também é uma forma de divulgar outras for- mas do nosso património. A música é uma delas e aqui em Pavia nós contamos com o grupo Cantares que faz a recolha de temas tradicionais e é uma forma de não deixar morrer este património.” Cristina Bernardo destacou ainda que “ao longo de todo o ano nós de- veríamosolharmaispelopatrimónio, mas se isto nem sempre é possível, pelo menos nesta altura podemos aproveitar para alertar as pessoas para a importância da salvaguarda, preservação e valorização do patri- mónio, pois faz parte da memória do nosso povo. Este evento é um conju- gar de patrimónios e a Santa Casa da Misericórdia de Pavia valoriza muito todasasformasdepatrimónioetenta diversificar as suas actividades: nós temos os nossos equipamentos, mas nós temos que inovar”. O concerto oferecido pelo grupo musical Cantares da Santa Casa da Misericórdia de Pavia encerrou, no dia 26, as comemorações. Adriana Mello O ritmo dos bombos alegrou Pavia
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    8 vm outubro2010 www.ump.pt em acção Terceiro sector indispensável para a coesão social União das Misericórdias está a mobilizar as Santas Casas em torno da questão da pobreza e da exclusão social. Sector social é decisivo Portugal detém a condição de país mais desigual da União Europeia e de portador de maior índice de pobreza relativa.Opaísdestaca-se,ainda,pela piorposiçãoquandosefaladepobreza persistente. Por isso, e no âmbito do AnoEuropeudeLutaContraaPobreza e a Exclusão Social, o Gabinete de Ac- Bethania Pagin ção Social da União das Misericórdias PortuguesasestáamobilizarasSantas Casas em torno deste tema. Um dos objectivos desta iniciati- va, lê-se no documento daquele ga- binete, é sensibilizar as instituições para o facto de que “sem terceiro sector, ou com um terceiro sector frágil, qualquer política de inclusão social e de coesão social, tendo por base as actuais lógicas e dificuldades do nosso Estado-Providência, dificil- mente será viável”. “Não é por acaso que a Cons- tituição da República Portuguesa consagra a protecção do sector co- operativo social (artigo 80º) como um dos princípios fundamentais passos, continua o documento, é dis- tinguir os termos. “A pobreza é uma das dimensões, talvez a mais visível, daexclusãosocial”.Enquantopobreza é sobretudo um processo estático, a exclusão é um processo dinâmico, as- sociado a uma trajectória que conduz àmarginalização.“Aexclusãorecobre situações de precariedade e situações de risco e afecta cada vez mais indiví- duos, provenientes de um leque cada vez mais amplo de grupos sociais”. Este documento já foi apresen- tado publicamente em reuniões de alguns Secretariados Regionais e, até ao fim deste ano, o Gabinete de Ac- ção Social estará presente em outros encontros oficiais das Santas Casas. da organização económico-social. O sector precisa de ser protegido, porque tem uma natureza específica, porque é diferente, nos seus fins, nos seus meios e princípios.” A solidariedade, lê-se, “é uma imagemdemarcadaUniãoEuropeia. Os modelos europeus de sociedade e de previdência tem por objectivo in- trínseco fazerem com que as pessoas beneficiem do progresso económi- co e social e para ele contribuam. A missão das Misericórdias tenderá a manter-seatodoocustoadaptandoa visãoemconformidadecomosnovos fenómenos sociais e as necessidades específicas das populações”. Para o efeito, um dos primeiros Emprego Segundo o Gabinete de Acção Social da UMP, na génese de grande parte das re- alidadesdeexclusãosocialestãosituações de falta ou precariedade de emprego. Daí quedevasercadavezmaiorapreocupação políticadepromoveracçõesdeincentivoao empregoedecombateaodesemprego. Habitação A questão da habitação é igualmente importante. Para aqueles especialistas, é essencial garantir o acesso à habitação. “Em vez de bairros sociais dar incentivos para a disseminação das pessoas sem habitação ou com habitação precária em todo o lado, com políticas de apoio ao arrendamento social. Estrutura familiar Também as estruturas familiares, os va- lores e as estruturas sócio-demográficas se alteraram substancialmente e devem ser tidas em consideração quando o ob- jectivo é tentar combater a pobreza e a exclusão social. A queda acentuada da família numerosa, o aumento do núme- ro de famílias monoparentais, da taxa de divórcios e dos nascimentos fora do casamento, entre outros, devem ser as- pectosateremconta.“Asacçõesdirectas às famílias deverão ser adaptadas a esta nova realidade já que as actuais medidas dogovernoenquadram-senomodelode família nuclear base, esquecendo todas as outras tipologias”. Envelhecimento Porúltimo,enãomenosimportante,está a questão do envelhecimento. “Com a nova forma de gestão dos problemas sociais, resultantes da velhice e do enve- lhecimento demográfico, os conflitos de interesses reduzem-se a confrontações entre responsáveis político-administra- tivos e especialistas de instituições, num processo que se tem verificado bastante lento”. Recorde-seque,jáem1999,oINEaler- tava para o facto de que a reforma dos sistemas públicos de pensões deveria ser equacionada à luz da estratégia de envelhecimento activo, tendo em conta o aumento da longevidade, o valor eco- nómico dos recursos humanos mais ido- sos e a necessidade de novas prestações pecuniárias e não pecuniárias orientadas para a dependência crónica dos mais idosos entre os idosos. “É que todas as gerações tem a ganhar com a adopção de políticas que tenham o objectivo de promover a autonomia e diminuir a de- pendência e a incapacidade das pessoas idosos, uma vez que tal contribuirá para conciliarasaspiraçõesdaspessoasidosos a uma vida longa e de qualidade, com as legítimas preocupações da sociedade no quedizrespeitoáminimizaçãodoscustos doenvelhecimentodemográfico”,conclui o documento. Factores de exclusão social Pobreza é a face visível da exclusão social Qualidade é indispensável no combate à pobreza Para fazer face à pobreza e à exclusão social, é imperativo compreender que sustentabilidade pressupõe credibilidade e qualidade Para fazer face aos desafios da pobre- za e da exclusão social, é imperativo compreender que a sustentabilidade pressupõe credibilidade e qualidade das acções sociais. De acordo com o Gabinete de Acção Social da União das Misericórdias Portuguesas, é im- prescindível uma estratégia. Segundo aquele gabinete, “as Misericórdias sentem já o desequi- líbrio no tríptico “sustentabilidade — qualidade — participação” e “o futuro aponta para alguns desafios à gestão social, desafios estes que necessitamos ter em conta para ga- rantir a continuidade do papel das Misericórdias no combate á exclusão e pobreza social”. “É crescente a compreensão de que o poder público não consegue suprir, sozinho, todas as exigências sociais e de que, embora seja insubs- tituível em funções regulatórias, ne- cessita actuar em parceria com as organizações da sociedade civil no atendimento às necessidades básicas da população, sobretudo a camada de mais baixo poder económico”. Aquele gabinete recorda ainda que “toma corpo na sociedade a consciência de que as práticas so- lidárias devem fortalecer a autono- mia das comunidades e capacitá-las para resolver os seus próprios pro- blemas”. Nesse cenário, continuam, emergem novas possibilidades de acção e de sustentabilidade das or- ganizações sociais. “Definir uma estratégia para enfrentar desafios e aproveitar oportunidades desse novo cenário é, hoje, um imperativo para as Misericórdias”. No que se refere aos caminhos a seguir, o GAS destaca, entre outros, queaincorporaçãodaplanificaçãoes- tratégicanagestãosocialéincontorná- vel.Também“énecessárioreforçaras práticasgestionáriasedefinirmodelos organizacionais claros, experimentar práticasfundadasnaparceriaecoope- ração”, conclui o documento. Recentemente, o combate à po- breza e à exclusão social marcaram a agenda nacional num evento que reuniu centenas de organizações por todo o país, entre elas, as Misericór- dias da Amadora e do Porto. Ver página seguinte Bethania Pagin
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    outubro 2010 vm9www.ump.pt 2,5 planetas para Portugal Seriam necessários dois planetas e meio para suportar o estilo de vida dos portugueses, se toda a população mundial vivesse da mesma forma. Mas pegada ecológica caiu entre 2005 e 2007. Os dados são da WWF. em acção Amadora e Porto na luta contra a pobreza O evento “24 Horas pelo Combate à Pobreza e à Exclusão Social” reuniu centenas de organizações, entre elas, as Misericórdias da Amadora e do Porto O evento “24 Horas pelo Combate à Pobreza e à Exclusão Social”, que de- correu a 6 de Outubro, reuniu cente- nas de organizações que, ao longo do país,organizaramdiversasactividades para sensibilizar a comunidade. As Misericórdias da Amadora e do Porto também se associaram à iniciativa. Na Amadora, um ateliê de costu- ra marcou a iniciativa com crianças e jovens de contextos desfavoreci- dos e quatro idosos do centro de dia daquela Misericórdia. A tarde iniciou-se tímida, lenta mas numa sinestesia de emoções. Aos poucos e poucos os jovens foram ocupan- do as cadeiras dispostas na sala do ateliê, em redor de um manequim que, mais tarde, faria o seu papel solene de preparação de fatos. Cada um, com a sua caixa de costura, foi arriscando, devagar, dar os primeiros passos naquela que se tornaria uma tarde cheia de coisas novas. Mergulhados na pilha de roupas e tecidos ao dispor, os jovens absor- veram os conhecimentos ancestrais das artes da costura e confecção. Quatro senhoras deliciavam-se com os sorrisos das crianças que, atenta- mente escutavam as suas palavras e seguiam, com olhares plenos de curiosidade, os dedos enrugados que descreviam as linhas para se coser. Com mais ou menos confusão, o grupoiaabrindoasasàsuaimaginação e desenhava potenciais fatos, escolhia as cores que mais se identificassem com o logótipo da acção, pensava e discutia palavras alusivas ao tema. Em alguns momentos, pela rapi- dezdeprocessamentoeesquecimento de algumas informações, os monito- res reforçavam as ideias relacionadas comotemacentraldaactividade.Tom sobre palavra. Palavra sobre acção. Acções para combater – em paz - a pobreza e a exclusão social. No Porto, diversas iniciativas marcaram o dia. Um stand da San- ta Casa, localizado na Avenida dos Aliados, ofereceu atendimento psi- cossocial, despiste glicémico e da tensão. Já nas instalações da Mise- ricórdia, durante a tarde teve lugar uma tertúlia sob o tema “Envelhecer com Qualidade” sob a orientação de Constança Paúl, professora uni- versitária e investigadora no âmbito do envelhecimento activo. A noite foi dedicada aos mais jovens, com a exibição de um filme sobre a pro- blemática da institucionalização de crianças e jovens. Ver página 8 Vila Flor com 201 empregos Misericórdia de Vila Flor, no distrito de Bragança, é a instituição que mais gente emprega. Instalada num concelho com cerca de sete mil habitantes, a Misericórdia de Vila Flor, no distrito de Bragança, é a instituição que mais gente em- prega. Em todos os equipamentos trabalham 201 pessoas. “Amaiorpartedosnossosfuncio- nários está no quadro. Apenas uma meia dúzia foi colocada através do Centro de Emprego”, orgulha-se, em declarações ao Jornal de Notícias, o provedor da Santa Casa de Vila Flor, Vítor Costa, realçando assim a im- portância que a instituição assume no concelho.   O pessoal está distribuído por 33 respostassociais:seislares,novecen- tros de dia, uma unidade de cuidados continuados com 29 camas, jardim- de-infância, empresas de inserção e apoio domiciliário, entre outros. Entre as empresas, destaque para a padaria. Criada para abaste- cer de pão e pastelaria as unidades da instituição, serve 500 refeições diárias, mas neste momento também já vende ao público. “É uma forma de gerar alguma receita”, justifica Vítor Costa. Ateliê de costura marcou iniciativa na Amadora A UNIÃO PARA AS SANTAS CASAS Centro de Formação Profissional O Centro de Formação Profissional da UMP, constituído em 1996, veio dar resposta a um conjunto de preocupa- ções das Misericórdias Portuguesas, conscientes da necessidade de recur- soshumanosdevidamentequalificados. Percorrido um caminho de progressi- va evolução nas respostas formativas que foi disponibilizando, o Ceforcórdia, afirmou-se como uma das principais Linhas de Serviço que a UMP oferece às suas associadas. Não é alheio a esta situação o facto de as Misericórdias estarem cada vez mais empenhadas na qualidade, pois, para uma prestação de bons serviços, a formação, motivação e qualificação dos trabalhadores, são factores indis- sociáveis. Contribuiu igualmente para este desempenho do Ceforcórdia o ex- pressivo apoio de fundos comunitários e do Instituto do Emprego e Formação Profissional. Só através de candidatu- ras apresentadas regularmente aos quadros comunitários de apoio e pela contribuição anual do protocolo de co- laboração com o IEFP, foi possível atin- gir elevados níveis de execução da for- mação profissional estimando-se que, até este ano, tenhamos atingido um volume de mais de vinte mil pessoas envolvidas em processos de formação. Actualmente o Ceforcórdia desenvol- ve a sua actividade disponibilizando, a todas as Misericórdias, varias ofertas formativas tendo a preocupação de abranger a diversidade de profissionais que diariamente actuam nas institui- ções. Temos igualmente uma preo- cupação em disponibilizar formação e informação a outros grupos actuantes na instituição, como são os dirigentes, voluntários e até utentes e seus fami- liares. O Centro de Formação conta actual- mente com onze colaboradores que asseguram a preparação e monitoriza- ção de todos os processos formativos que se desenvolvem nas Misericórdias. No terreno, recorremos aos coordena- dores locais da formação e a formado- res seleccionados regionalmente. Quanto a conteúdos formativos temos desenvolvido esforços no sentido de adequar as matérias aos seus directos destinatários de acordo com as funções que cada grupo exerce na instituição. Nesta linha de actuação assume espe- cial relevância a opção do Ceforcórdia pelos referenciais do Catálogo Nacional das Qualificações. Referir ainda que o Ceforcórdia viu recentemente renovada a acreditação como entidade formadora, tendo a DGERT valorizado e esse propósito, a sua politica e planeamento estratégico, a gestão dos seus recursos humanos, os resultados e melhoria contínua assim como as práticas e normas de conduta. O Ceforcórdia para além de integrar algumas plataformas de reflexão e acompanhamento, como é o caso da Comissão de Acompanhamento do POPH, tem assegurado a represen- tação das Misericórdias em projectos como a Iniciativa EQUAL, Projecto Novas Oportunidades, Programa de Aprendizagem e, por último, a gestão do Protocolo IEFP com especial des- taque para as empresas de inserção e medidas de emprego. Neste espaço, apresentaremos, ao longo das próximas edições, os diversos serviços prestados pela União das Misericórdias Portuguesas às suas associadas
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    10 vm outubro2010 Hoje será um concerto único, com um momento alto na “rei- nauguração” do órgão? O momento alto será, sem dúvi- da, o órgão recuperado, depois de muitos anos em mau estado. Estou muito feliz porque, estive cá a fa- zer um programa televisivo sobre o órgão no estado em que estava, e talvez tenha contribuído para a recuperação que aconteceu. Esta recuperação devia ser um exemplo para muitos órgãos que existem no país e que estão ao abandono. Uma coisa é não deitar dinheiro à rua, outra é deitar dinheiro à rua deixan- do estragar património. A política portuguesa em matéria cultural é uma política de desperdício, ao contrário do que se pretende dar a entender às pessoas. Desperdício e limitações? Desperdício e limitações, sim, quando se limita que instrumentos que estavam estragados e históricos se recuperem. Desperdiçar talentos não lhes dando trabalho. Enfim, a política cultural em Portugal é mar- cada pelo desperdício. Desperdiçar talentos em que sentido? Nunca na história em Portugal hou- ve tantos jovens e bons a seguir música. Há músicos como nunca houve, tantos e tão bons. Mas não são aproveitados, pela tal política do desperdício. As pessoas não sa- bem que eles existem. O que o move a continuar a calcorrear o país? O que me move é a profissão. É a música. É ganhar a vida como pro- fissional da música, esta é que é a realidade. Não esquecendo que eu não tenho reforma. Gostaria de não ter de o fazer por necessidade, mas faço-o. www.ump.pt em acção Arouca encerra 400 anos com música Santa Casa de Arouca encerrou as comemorações do 400.º aniversário com um Concerto de Órgão no Cadeiral do Mosteiro de Arouca A Santa Casa da Misericórdia de Arouca está a comemorar o 400.º aniversário. Ao longo do ano, foram vários os eventos que se realizaram, tendo o epílogo das comemorações acontecido no passado dia 2 de Ou- tubro, com um Concerto de Órgão no Cadeiral do Mosteiro de Arouca, o maior edifício português de gra- nito. O evento contou com as pre- senças do maestro António Vitorino D’Almeida e do Prof. Dr. Antoine Sibertin-Blanc, organista titular da Sé Patriarcal de Lisboa, e de D. Manuel Martins, bispo emérito de Setúbal. Ao comemorar 400 anos da fun- dação da Misericórdia de Arouca, Vítor Brandão, provedor da institui- ção, acredita que se vive um “virar de página”. Em declarações à Voz das Misericórdias, o provedor arou- quense afirma que “a Santa Casa Vera Campos O mosteiro encheu- se de convidados da Misericórdia atingiu o apogeu máximo de toda a sua existência” Do passado mais recente, Vítor Brandão acaba por eleger a saúde como a área que mereceu maior investimento. Através da reestrutu- ração do hospital, e do esforço con- junto de várias instâncias, este res- ponsável garante que “pela primeira vez o povo Arouca tem à disposição um conjunto de serviços e exames complementares convencionados, a custo zero ou com as respectivas taxas moderadoras”, que nunca an- tes estivera tão acessível. Mesmo assim, e sublinhando que a força interior de todos os que colaboram com a Santa Casa permitiu que esta se tornasse “num mini império em Arouca ao serviço da população”, há metas mais ambiciosas a alcançar. “Só no dia em que sentirmos que nenhuma pessoa de Arouca passa dificuldades, estaremos em paz”, refere o provedor, aludindo à extensa área do concelho, um dos maiores da Grande Área Metropolitana do Porto. Depois da aposta forte no pa- trimónio, com o restauro de todas as peças de arte da Santa Casa, que podem ser apreciadas na capela e no museu da instituição, segue-se um novo desafio. A construção de uma creche, que nascerá junto ao Hospital da Misericórdia, cujo con- curso já foi lançado e a inauguração, em breve, do Centro de Dia de Urrô. Órgão restaurado Com uma presença regular em Arouca, o maestro António Vitorino D’Almeida acabaria por confessar alguma vaidade. “Sinto vaidade ao pensar que, de certa maneira, par- ticipei na recuperação deste órgão, com mais de um século [207 anos], através de um programa de TV que fiz aqui”. Crítico quanto ao desperdí- cio de verbas e maus investimentos, o maestro lembrou que “numa época como a nossa, esbanjar inutilmente é erro. Mas mais errado é não tirar proveito daquilo que temos: jovens talentosos, património, cabeças” Por sua vez, o organista titular da Sé Patriarcal de Lisboa e consi- derado um dos melhores organistas da Europa, Antoine Sibertin-Blanc, regressou a Arouca, onde estivera a tocar precisamente na inauguração do órgão, que agora sofreu restaura- ção. “É um grande prazer para mim tocar aqui, passados 25 anos”, refe- riu o organista. António Vitorino Maestro 4P? “Tudo faremos para minimizar os momentos difíceis que se antevêem para Portugal Vítor Brandão As Santas Casas são instituições de solidariedade com identidade própria, são espaço único de voluntariado D. Manuel Martins
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    outubro 2010 vm11www.ump.pt Missão cumprida no Chile Em menos de 24 horas foram resgatados, através da cápsula Fénix, os 33 mineiros - 32 chilenos e um boliviano - que estavam há 69 dias presos na mina de San José, no Chile. Foi a 13 de Outubro. em acção Receitas nas misericórdias Bucho Recheado de Arganil Ingredientes: informação nutricional: Preço: DIFICUDADE: MODO DE PREPARAção: 1 Bucho de porco 0,750 Kg Lombo de porco ,01 Kg Arroz 0,2 Kg Sangue de porco 1 Ramo de salsa 4 Dentes de alho Sal e piri-piri quanto baste Zerpão quanto baste 2 Dl Vinho Tinto 0,3 Kg Limão 2 (fl) louro 274,5 Kcal 7,7g Proteínas 40,2 g Hidratos de carbono 8,3g Gordura €€€€€ ,,,,, Lave bem o bucho de porco em água corrente e deixe de véspera com sal, alho esmagado e limão. Corte o lombo em pedaços pequenos e coloque em vinha-d’alhos, com sal, alho picado, sal- sa picada, pimenta ou pirir-piri, louro, zerpão e vinho tinto (pode substituir o zerpão por tomilho ou por uma pe- quena quantidade de orégãos). Dê uma pré-cozedura ao arroz; Junte o arroz à carne, o sangue esfarelado e rectifique o tempero. Lave bem o bucho e recheie com o preparado anterior, cosa com uma agulha e linha e leve a cozer em água temperada com sal, louro e alho esmagado, durante 2 a 3 horas. Duran- te a cozedura vá picando o bucho com uma agulha para que ele não rebente. Sirva frio cortado em fatias. Gestão e recursos humanos com maior impacto O projecto Gestão Sustentável I obteve avaliação positiva. Formação de recursos humanos foi uma das áreas a iniciativa teve maior impacto O projecto Gestão Sustentável I, pro- movido pela União das Misericórdias Portuguesas (UMP) no âmbito do Programa Operacional Potencial Hu- mano, na medida Formação Acção, obteve avaliação positiva por parte dos provedores. No relatório final, a formação de recursos humanos surge como uma das áreas em que a iniciativa teve maior impacto. Ao todo participaram 75 Santas Casas e já começou o segundo projecto, que envolve uma centena de instituições. De acordo com o relatório final, promovido pela Associação Empre- sarial de Portugal (AEP) enquanto entidadeavaliadora,dadosrecolhidos junto de 40 Misericórdias permitem concluir que “o contributo do projec- toparaodiagnósticodenecessidades da organização e para a formação de recursos humanos são os resultados assinalados como mais intensos”. “A gestão global, a utilização das TIC e a estratégia da organização surgem como o segundo grupo de domínios de impacto forte do pro- jecto, o que pode permitir assinalar a pertinência do projecto, traduzida na concretização de resultados relevan- tes na melhoria da gestão das Miseri- córdias”, lê-se naquele documento. Outro aspecto destacado pela equipa da AEP é o facto de que os resultados finais coincidem com as expectativas iniciais. “Este facto permitirá concluir pela relevância do projecto, que costuma ser enten- dida como conseguida quando os resultados obtidos por um projecto vão de encontro às expectativas dos respectivos stakeholders”. Recorde-se que este projecto visa aperfeiçoar metodologias de gestão e princípios organizacionais nas Mi- sericórdias, assim como abordar as qualificações dos recursos humanos. “A especificidade das Santas Casas no panorama da economia social portuguesa justifica que tenhamos preocupações em disponibilizar a estas instituições os melhores instru- mentos de gestão e os mais adequa- dos conhecimentos”, refere o centro de formação da UMP - Ceforcórdia. No projecto gestão Sustentável II estão envolvidas as seguintes Santas Casas: Espinho, Oliveira de Azeméis, Barcelos, Vieira do Minho, Vila Nova de Famali- cão, Vila Verde, Riba D´Ave, Vinhais, Tabuaço, Miranda do Douro, Vimioso, Vila Nova de Foz Côa, Lousada, Mar- co de Canavezes, Paredes, Penafiel, Unhão, Trofa, Paços de Ferreira, Arcos de Valdevez, Melgaço, Ponte da Barca, Valença, Viana do Castelo, Alijó, Arou- ca, Peso da Régua, Vila Real, Armamar, Moimenta da Beira, Resende, Tarouca, Vale de Cambra, Anadia, Aveiro, Mea- lhada, Oliveira do Bairro, Proença-a- Nova, Castelo Branco, Fundão, Oleiros, Sertã,Montemor-o-Velho,VilaNovade Poiares, Pampilhosa da Serra, Tábua, Guarda,Manteigas,Meda,Sabugal,An- sião, Caldas da Rainha, Leiria, Óbidos, Alenquer, Arruda dos Vinhos, Sobral de Monte Agraço, Abrantes, Constân- cia, Porto de Mós, Mação, Castro Daire, S. Pedro do Sul, Confraria da Nazaré, Aljustrel, Alvito, Beja, Moura, Odemira, Cuba, Alcáçovas, Évora, Mora, Pavia, Vendas Novas, Cabrela, Azambuja, Avis, Castelo de Vide, Alegrete, Cabeço de Vide, Monforte, Sousel, Almeirim, Fronteira, Gavião, Rio Maior, Torres Novas, Grândola, Torrão, Alvor, Loulé, Olhão e Tavira. Santas Casas no segundo projecto Estarreja conta 75 anos em livro A edição é um estudo histórico da autoria de Marco Pereira e conta com diversos testemunhos, entre eles, a provedora, Rosa Figueiredo A Santa Casa da Misericórdia de Es- tarreja está a completar os 75 anos de existência. Nos dias 22 e 23 de Ou- tubro, história e reflexão marcaram o tom das comemorações. De acordo com a provedora, Rosa Figueiredo, o dia 22 contou com uma palestra proferida pelo Professor Daniel Serrão subordinada ao tema “Reflexão Médica e Ética sobre a Eu- tanásia”. “Tema bastante pertinente e fracturantenasociedadeportuguesae queseráconcertezaumgrandecontri- butoparareflexão”,afirmouarespon- sável sobre a iniciativa que decorreu na Biblioteca Municipal de Estarreja. No dia seguinte, 23 de Outubro, foi lançado o livro “História da Santa Casa da Misericórdia de Estarreja”. A cerimónia teve lugar na Câmara Mu- nicipal daquela localidade. A edição é um estudo histórico da autoria de Marco Pereira e conta com diversos testemunhos, entre eles, a provedo- ra, Rosa Figueiredo. Segundooautor,“noiníciode1923 começavamosesforçosparaacriação de uma Misericórdia e um Hospital. Não tardou que se juntassem as elites doconcelhodeEstarrejanumagrande reunião. No entanto os entusiasmos esmoreceram pouco tempo depois e as comissões ficaram definitivamente inactivas”. E foi, portanto, em 1926 queoViscondeseSalreu,enriquecido no Brasil e benemérito na terra natal, ficousensibilizadoeprometeucustear a construção do hospital. “Construído entre 1926 e 1935, o Hospital Visconde de Salreu era con- siderado nos primeiros anos um dos melhores do país, possuindo equipa- mentos e características avançados para a época. Salazar, que o visita em 1935, mostra-se impressionado com o que vê”, refere Marco Pereira. A edição “História da Santa Casa da Misericórdia de Estarreja” faz ainda o levantamento de todos provedores que passaram por aquela instituição. No dia 23, as comemorações ficaram ainda marcadas por uma eucaristia. Misericórdia de Estarreja está a completar os 75 anos de existência. História e reflexão marcaram o tom das comemorações
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    www.ump.pt em acção 12 vmoutubro 2010 Economia familiar e bem-estar na horta social da Trofa Misericórdia da Trofa inaugurou uma horta social. Para além da importância na economia familiar, este espaço é uma mais-valia para a saúde A Santa Casa da Misericórdia da Tro- fa inaugurou recentemente a horta social “O Meu Cantinho de Terra”. Para além da importância na eco- nomia familiar, este espaço é uma mais-valia para a saúde, uma vez que os “agricultores” apenas podem produzir produtos biológicos. De acordo com o jornal Notícias da Trofa (NT), a horta social da Mise- ricórdia pretende ser uma ajuda para os trofenses que mais precisam e que podem, desta forma, economizar al- guns euros no supermercado. Gorete Sousa é um dos muitos exemplos de pessoasquevãousufruirdainiciativa. Mãe de cinco crianças, Gorete actualmente vive em S. Martinho de Bougado e vai contar com a sabedoria da mãe, Adelina Alves, para cuidar do seu cantinho de terra. “Eu tive conhecimento deste espaço através do meu técnico - de Acção Social - e disse logo que estava in- teressada, porque somos muitos em casa. Tenho cinco crianças, portanto gastamos muitas hortaliças e se eu puder cultivar em vez de comprar é muito melhor para nós: poupa-se dinheiro, ocupa-se mais o tempo e os produtos têm mais qualidade do que se forem comprados na feira ou no mercado”, explicou. Gorete considera esta oportunidade “muito boa”, mas “muito rara”. Amadeu Castro Pinheiro, prove- dor da Santa Casa da Misericórdia da Trofa, acredita que este projecto vai “ao encontro da pretensão de muitos casais e de muitas famílias que gosta- riamdeterumbocadinhodeterrapara agricultura e que, por motivos vários, não têm essa possibilidade”. “Vimos, realmente,aoencontrodaquiloqueas pessoas precisavam”, afirmou. A horta social é um local onde as diferenças são esquecidas: portu- gueses, imigrantes de Leste, paquis- taneses e pessoas de etnia cigana partilham a mesma terra. O provedor recordou uma conversa com uma mulher de etnia cigana que lhe dizia que na horta social “se sentia igual aos outros”. O Meu Cantinho de Terra conta com a parceria de várias entidades, empresaseassociaçõescomoaADAP- TA (Associação para a Defesa do Am- biente e do Património da Trofa). Barcelos inaugura serviço de hidroterapia Serviço de hidroterapia da Misericórdia de Barcelos inclui uma piscina terapêutica em temperatura ambiente de 36º, única no concelho Dentro de dois anos, a Santa Casa da Misericórdia de Barcelos vai ter uma nova unidade de cuidados continu- ados integrados (UCCI). O anúncio foi feito a 8 de Outubro, aquando da inauguração oficial do novo ser- viço de hidroterapia, no centro de medicina física e de reabilitação da instituição. De acordo com o provedor, Antó- nio Pedras, o serviço de hidroterapia inclui uma piscina terapêutica em temperatura ambiente de 36º, úni- ca no concelho de Barcelos; banho turco; duche escocês; pressoterapia; duche vichy e massagem manual. Todos estes tratamentos são acompa- nhados gratuitamente pelos médicos fisiatras daquele centro. Os interessados em usufruírem destes serviços podem deslocar-se à Rua Dr. Santos Júnior (Quinta da Ordem), onde passarão numa fase inicial pelo médico que aconselhará o tratamento mais adequado. Este serviço tem capacidade para receber diariamente 140 utentes. Por sua vez, a UCCI anunciada por António Pedras terá espaço para 22 camas de média duração e 33 de longa duração e irá criar 52 postos de trabalho. Ao todo, o novo equipa- mento custará 2,5 milhões de euros, sendo que 750 mil foram compar- ticipados no âmbito do Programa Modelar. A nova unidade vai representar também uma mais-valia para as fa- mílias da região. O provedor relem- brou que, actualmente, os utentes são obrigados a deslocarem-se a ci- dades vizinhas para receber este tipo de assistência, o que dificulta a vida dos familiares que querem visitar os seus doentes. A Mesa Administrativa optou pela construção de um edifício de raiz, como alternativa à espera da de- volução das instalações do Hospital de Barcelos, que só acontecerá quan- do for construído o novo hospital no concelho, sem data prevista ainda. Nessa altura, o provedor adiantou a possibilidade de transformar aquele edifício em Unidade Hoteleira de Tu- rismo Sénior. Recorde-se que neste momento as Misericórdias representam cerca de 70% da Rede Nacional de Cuida- dos Continuados Integrados. Vila Verde prepara casais para o parto Spa da Misericórdia de Vila Verde lançou curso de preparação aquática para o parto e a parentalidade A Santa Casa da Misericórdia de Vila Verde lançou recentemente um curso de preparação aquática para o parto e parentalidade, através dos serviços da unidade de Medical Spa. O objec- tivo é promover a saúde e qualidade de vida de muitas mulheres grávidas, mas os pais também podem partici- par se quiserem. Segundo o jornal Correio do Mi- nho, o curso será leccionado por um profissional de saúde e constituído por oito aulas, quatro delas em pisci- na aquecida e as restantes centrar-se- ão na sala de fitness e de formação. A quem não interessar a frequência do curso completo, poderá adquirir a frequência individualizada das ses- sões que pretender. Para além disso, os cuidados continuam após o nascimento do bebé. Além de acompanhamento telefónico e ao domicílio, a Miseri- córdia de Vila Verde disponibilizará outros serviços como, por exemplo, o pezinho ao bebé. O curso de preparação aquáti- ca para o parto e parentalidade tem como objectivos identificar necessi- dades do casal, fornecer informação actualizada, mostrar uma diferente percepção do desconforto do traba- lho de parto, elucidar o casal sobre os métodos farmacológicos e não farmacológicos do alívio da dor. A Medical Spa da Misericórdia de Vila Verde está aberta ao público há pouco mais de um ano. Trata-se de um espaço dedicado ao bem-estar, exercício físico, saú- de e prevenção, equilíbrio, beleza, que conta com uma vasta oferta de serviços, profissionais de excelên- cia e, acima de tudo, preços sociais, atentos e à semelhança dos valores intrínsecos desta instituição. ONOTÍCIASDATROFA Horta social para ajudar a poupar
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    www.ump.pt Menos liberdade deimprensa Portugal continua a cair na tabela de liberdade de imprensa, elaborada pela Associação Repórteres Sem Fronteiras. Em 2010, o país surge no 40º lugar, caindo dez posições face a 2009. Em 2008, Portugal estava no 16º lugar. em acção outubro 2010 vm 13 Alhos Vedros comemora 510 anos A Misericórdia de Alhos Vedros comemorou recentemente os 510 anos da instituição. Durante a cerimónia, foi prestada uma homenagem a Fre- derico Fatia, ex-provedor falecido no último ano. A sua fotografia foi colo- cada na galeria dos ex-provedores. “É uma homenagem singela mas sen- tida”, disse tesoureiro da instituição. A Santa Casa prepara-se ainda para inaugurar uma unidade de cuidados continuados. “Estava previsto estar pronta este mês, mas está com dois meses de atraso, perspectivando-se que esteja concluída em Dezembro, e seja inaugurada em Fevereiro de 2011”, concluiu Alberto Morgado. 630Mil portugueses. No final de Junho, havia 630 mil portugueses com crédito vencido junto das instituições financeiras que operam em ter- ritório nacional, revelam dados recentemente divulgados pelo Banco de Portugal. Universidade Sénior da Madalena tem 20 alunos Universidade Sénior da Santa Casa da Misericórdia da Madalena, nos Açores, tem 20 alunos inscritos para o ano lectivo 2010/2011, mas espera ter muitos mais. As aulas começaram recentemente e na sessão de abertura, o provedor daquela instituição, José António Soares,afirmouqueainiciativa,cujo objectivo desta passa pela “apren- dizagem e confraternização”, tem sido “uma experiência enriquece- dora” e tem tido “resultados po- sitivos de ano para ano”. Ao todo, serão leccionadas nove disciplinas e para cada disciplina há um pro- fessor voluntário. A Universidade Sénior da Santa Casa da Misericór- diadaMadalenaexistehátrêsanos. “A Misericórdia de Castelo Branco pretender cons- truir uma nova creche e jardim-de-infância, um novo lar para idosos, uma piscina aquecida, um gi- násio e seis apartamentos independentes para quem esteja válido, mas queira viver no campo e apoiado pela Misericórdia. Guardado Moreira Provedor VOLTAAPORTUGAL Mealhada celebra 104 anos com reflexão Santa Casa da Misericórdia da Mealhada celebrou recentemente 104 anos de existência e assinalou o aniversário com um momento de reflexão A Santa Casa da Misericórdia da Me- alhada celebrou recentemente 104 anos. Mas apesar de a instituição estar “viva”, o provedor, João Peres, preferiu assinalar o aniversário com um momento de reflexão. Em declarações ao Diário de Coimbra, aquele responsável afir- mou que a função da Misericórdia “não é fazer festas, mas sim aplicar os poucos recursos que temos em prol da sociedade”. Por isso, naquele dia, celebrado a 15 de Outubro, o ob- jectivo era “não esquecer o passado e projectar o futuro”. E o futuro passa, essencialmente, por dar mais e melhores condições ao Hospital Misericórdia da Mealha- da(HMM),emfuncionamentodesde 2006 e que se tem afirmado como “um marco de referência na região e no país”, revela um comunicado da instituição. João Peres vai mais longe e afirma mesmo que o hospital, que hoje dispõe de um variado conjunto de serviços de saúde, se tem afirman- do como alternativa “à altura” dos hospitais centrais, concretamente de Coimbra, poupando tempo e di- nheiro às populações que, em muitos casos, deixam de ser obrigadas a deslocações a hospitais maiores. Além da saúde, as restantes res- postas sociais também estão a ser alvo da atenção da Mesa Adminis- trativa da Misericórdia da Mealha- da. Segundo João Peres, apesar de haver grande procura pelos serviços da instituição, o objectivo para os próximos tempos é dar melhores condições de vida aos utentes. A construção de um novo lar é uma prioridade, mas “a médio prazo”, conta o provedor, frisando que não se trata de um projecto que tem em vista o aumento da capacidade, mas sim uma “modernização”. O objectivo é fazer uma constru- ção nova, em local ainda a definir, e deixar o velho edifício do lar para outras utilizações, de apoio ao hos- pital, por exemplo, ou para outras respostas sociais. Destaque também para o apoio que a Misericórdia da Mealhada presta na área da infância, com as valências de creche, pré-escolar e ATL, onde o ensino da música e as várias actividades na área musical têm merecido uma especial atenção. “A função da Misericórdia “não é fazer festas, mas sim aplicar os poucos recursos que temos em prol da sociedade”. O objectivo é “não esquecer o passado e projectar o futuro”. 68835utentes foram ad- mitidos no hospital entre Janeiro e Setembro de 2010 30 é o número de camas na uni- dadedecuidadoscontinuados integrados da Misericórdia da Mealhada 261crianças são apoiadas nas respostassociaisdecreche, pré-escolar e ATL 160idosos são diariamente acompanhados nas respos- tasdelar,centrodediaeapoiodomiciliário 387colaboradores é com que conta a Santa Casa da Me- alhada actualmente Números
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    14 vm outubro2010 www.ump.pt em acção PARCERIAS Rui Filipe Leite Responsável pelo Protocolo entre Carclasse e UMP Uma das nossas missões é o apoio à actividade social Há Quanto tempo a Carclasse trabalha com as Misericórdias? A Carclasse – Comércio de Automó- veis, S.A. é Concessionário Oficial das marcas Mercedes-Benz, Smart, Suzuki Automóveis e Land Rover. Sendo representante oficial Merce- des-Benz desde 1993 para todo dis- trito de Braga e formalmente des- de 1999 para todo o Minho e após os primeiros anos de implantação no mercado iniciamos em 1996 os contactos com as Misericórdias da nossa região apresentando solu- ções para transporte de pessoas (de 2 a 23 lugares), bem como para Transporte Especial de Pessoas com Mobilidade Reduzida, de forma a garantir uma resposta real às ne- cessidades de cada instituição e de cada população. A Carclasse, S.A. define como uma das suas missões o apoio à activida- de social através de donativos bem como através do fornecimento de produtos adequados às necessida- des de transporte de pessoas ou apoio domiciliário. Que avaliação faz do protocolo com a UMP? A Carclasse, S.A. tem adoptado uma política assente em condições espe- cialmente definidas para as Miseri- córdias, pelo que consideramos esta parceria de elevada importância uma vez que o protocolo permitiu por um lado, alargar a nossa rede de contactos a nível nacional pro- movendo a diversidade de viaturas disponíveis junto das Misericórdias, cujas necessidades são específicas. Por outro lado, com este protocolo a Carclasse, S.A. assume-se agora como o principal fornecedor de via- turas neste contexto. Quais são as principais van- tagens – comerciais e outras – desta parceria para as Santas Casas? No âmbito deste Protocolo a Car- classe, S.A. para além do forne- cimento de equipamentos com custos de aquisição em condições especiais através de preços unifor- mizados e competitivos, apresenta soluções de transporte de pessoas com e sem mobilidade reduzida, veículos de apoio domiciliário e MI- NIBUS visando as necessidades re- ais de cada uma das Misericórdias. Estas viaturas são reconhecidas no mercado como as que apresentam níveis de segurança, conforto e fia- bilidade mais elevados. Há projectos para o futuro? A Carclasse, S.A. tem conhecido um desenvolvimento sem paralelo, em que o crescimento do número de vendas tem sido uma constan- te, sendo acompanhado pelo cres- cimento das infra-estruturas e do volume do serviço após-venda. A Carclasse, S.A. é, neste momento, um dos mais importantes conces- sionários nacionais, dispondo de instalações nas cidades de Bra- ga (sede), Barcelos, Vila Nova de Famalicão, Guimarães e Viana do Castelo. Prosseguindo no seu esfor- ço de crescimento e incremento da qualidade do serviço ao Cliente, a Carclasse, S.A. tem previsto inau- gurar, a curto prazo, as suas novas instalações na cidade de Lisboa, na Avenida Marechal Gomes da Costa. Desta forma pretendemos ser líde- res de mercado na satisfação dos Clientes, implementando com esse propósito acções que desenvolvam relações duradouras e de confiança. Reflexão nos 500 anos de Vila Viçosa Misericórdia de Vila Viçosa celebrou 500 anos com uma jornada de debate e reflexão acerca do trabalho que tem vindo a desenvolver na localidade No âmbito das comemorações dos 500 anos da Santa Casa da Miseri- córdia de Vila Viçosa a instituição promoveu no dia 2 de Outubro, no Cine-teatro Florbela Espanca, uma jornada de debate e reflexão acerca do trabalho que tem vindo a desen- volver em prol dos mais carenciados. Na sessão de abertura das jorna- das todos os oradores - o provedor Jorge Rosa, o presidente da Câmara Municipal de Vila Viçosa, Luís Cal- deirinha Roma, o representante da União das Misericórdias Portuguesas (UMP), Aurelino Ramalho e o arce- bispo da Arquidiocese de Évora, D. José Alves – assinalaram a impor- tância deste género de instituição. Ostemposdifíceisqueopaísatra- vessa também estiveram na ordem do dia e foram motivo de reflexão. O representante da UMP constatou que “as Misericórdias vivem e ac- tuam em contra-ciclo. Quando há uma crise no país as Misericórdias estão na primeira linha a ajudar os mais necessitados”. Ao sublinhar a importância da instituição para a população calipolense, o presidente CâmaraMunicipallocal,afirmouque “a Santa Casa, em tempo de crise, conseguecriarsituaçõesdeapoioque muitas vezes o Estado não consegue dar resposta”. Por sua vez, o bispo de Évora também destacou “a ajuda indispensável” que as Misericórdias representam para o país em áreas de actuaçãovariadascomosaúde,tercei- ra idade e apoio à infância. Durante a jornada de trabalhos foi, ainda, apresentado o livro “A misericórdia de Vila Viçosa: de fi- nais do Antigo Regime à República”, da autoria de Maria Marta Lobo de Araújo. Esta obra visa comemorar os cinco séculos de existência da insti- tuição. No entanto, como a autora do livro assinalou: “Nós não sabemos exactamente a data da fundação da Misericórdia de Vila Viçosa. Mas podemos afirmar que há 500 anos houve a integração do hospital do Espírito Santo na Misericórdia cali- polense”. Ou seja, há mais de cinco séculos que a instituição faz parte da vida da vila alentejana. Com a publicação deste livro, Maria Marta Lobo de Araújo deu continuidade aos estudos que já havia realizado e, desta vez, centrou a sua investigação entre 1800 e 1910. Segundo a investi- gadora: “ foi um período muito difícil para o país. A Misericórdia chegou à República muito desfalecida, mas soube viver, renascer e está na actu- alidade cheia de vitalidade.” O papel activo da instituição também foi destacado pelo provedor Jorge Rosa: “a Santa Casa possui lar juvenil, casa de repouso, centros de dia, serviço de apoio domiciliário, equipa de intervenção precoce, ateliê de tempos livres para jovens e crian- ças e jardim-de-infância.” Inegável é, ainda, que a instituição é uma das principais empregadoras da região. Voltada para o futuro, a Santa Casa de Vila Viçosa promete continuar a cumprir com a sua missão, estando prevista a construção (ainda para 2010) de uma unidade de cuidados continuados para acolher doentes acamados ou na fase final da vida. As comemorações dos 500 anos da Misericórdia de Vila Viçosa ain- da vão contar com outros eventos. No dia 30 de Outubro está previsto cortejo, sessão solene e convívio. O benfeitor Augusto do Couto Jardim vai ser lembrado no dia 14 de No- vembro. Finalmente, no dia 29 de Dezembro, encerram-se as come- morações. Adriana Mello Crise do país foi tema de debate em Vila Viçosa “Durante a jornada de traba- lhos foi, ainda, apresentado o livro “A Misericórdia de Vila Viçosa: de finais do An- tigo Regime à República”, da autoria de Maria Marta Lobo de Araújo.
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    EM FOCO www.ump.pt outubro2010 vm 15 Ensinar enfermagem com coração e qualidade A Escola Superior de Enfermagem São Francisco das Misericórdias aposta no ensino de elevada qualidade, mas não descura a dimensão de apoio social Quanto aos projectos para o futuro, o directordaescolaafirmouqueaforma- ção à distância é deles. Embora ainda numa fase embrionária, o projecto pre- tende, em outros aspectos, apoiar as Santas Casas nos processos de forma- çãocontínua.Comatençãoaosdesafios que estas instituições vão enfrentar por causadoenvelhecimentodapopulação, a escola quer ser “o sustentáculo for- mativo” do trabalho em áreas como a reabilitaçãoeoscuidadospaliativos,por exemplo.“AescolaédasMisericórdias”, concluiu João Paulo Nunes. A prevenção e o tratamento de feridas tambémirãomarcaraagendadaescola nospróximostempos. Emparceriacom aEuropeanWoundManagementAsso- ciation, a ESESFM espera brevemente iniciar uma investigação sobre feridas em Portugal. “A escola é das Misericórdias”Nos próximos meses, o VM vai apresentar o panorama geral das instituições anexas da União das Misericórdias Portuguesas. A Escola Superior de Enfermagem São Fran- cisco das Misericórdias (ESESFM), que em 2010 está a completar, 60 anos de existência, inaugura esta nova rubrica. Os tempos que se aproximam não serão fáceis. Quem afirma é o director da escola, João Paulo Nu- nes. Com 270 alunos inscritos, neste momento cerca de 30 por cento estão a passar por dificuldades financei- ras e não têm condições para pagar as mensalidades. “O desemprego de que ouvimos falar está a afec- tar directamente muitos dos jovens que aqui estão”, afirma preocupado aquele responsável. Apesar do regulamento daquele estabelecimento de ensino superior Bethania Pagin contemplar que ao fim de dois me- ses sem pagamento fica suspensa a matrícula, a direcção da escola quer apoiar os estudantes com dificulda- des. “Várias pessoas já pensaram em desistir, mas estamos a tentar ajudá-las”. Para o efeito, uma das iniciativas no âmbito do gabinete de apoio social da ESESFM tem sido negociar modalidades especiais de pagamento com alguns bancos. “Te- mos de minimizar as dificuldades por que estão a passar as famílias e assegurar que o futuro desses jovens não fique comprometido por razões financeiras e essa preocupação tem a ver com a nossa missão enquanto escola de enfermagem: além da for- mação, preocupa-nos a dimensão do apoio social”. No que respeita à formação, a escola aposta num ensino de elevada qualidade que assegure, posterior- mente, uma boa taxa de emprega- bilidade. Daí que, na abertura do ano lectivo 2010/2011, a oração de sapiência vai ter como tema o em- preendedorismo. “Queremos formar profissionais e cidadãos capazes de orientar o seu próprio destino”, re- feriu João Paulo Nunes. E formar os jovens passa tam- bém por contar a história da própria União. No início deste ano lectivo, os novos alunos estiveram na sede da UMP para uma sessão de acolhi- mento. “Fazia todo sentido visto que naquele espaço começou a nossa escola e mesmo ali ao lado estão as Irmãs Missionárias de Maria que nos fundaram. Mostrar aquele espaço aos jovens é mostra-lhes a história da escola e da União e o acolhimento também é uma obra de misericór- dia”, afirmou. Para o director da ESESFM, as obras de misericórdias estão intrin- secamente ligadas à enfermagem, especialmente as corporais. “Dar de comer, de beber, vestir etc são acções que fazem parte das práticas de trabalho dos enfermeiros”, co- mentou o responsável, destacando que nas obras espirituais também é possível encontrar ligações, perdoar as injúrias, por exemplo, já que nem sempre os doentes percebem os cui- dados que lhes estão a ser prestados. Actualmente a escola está a fun- cionar nas instalações da Universi- dade Autónoma de Lisboa (UAL), mesmo no coração da cidade. Sobre a parceria, João Paulo Nunes afir- mou que são muitas as razões para continuar. Além do espaço, que é bom, o trabalho com a UAL também passa pelo desenvolvimento de pro- jectos formativos na área da saúde. Neste momento está a ser preparado um mestrado na área da saúde men- tal, contou o responsável. Em suma, queremos o nosso trabalho assente em três pilares fundamentais: quali- dade, certificação e sustentabilida- de”, concluiu o responsável. Escola tem 270 alunos inscritos 270 alunos inscritos No ano lectivo 2010/2011, a Escola Superior de Enfermagem São Francis- co das Misericórdias tem cerca de 270 alunos inscritos em licenciatura e pós- graduações. 60 anos de história A Escola Superior de Enfermagem São Francisco das Misericórdias está a com- pletar60anosem2010.Diversasinicia- tivas estão a marcar a efeméride. Concurso de fotografia A escola está a promover um Concurso de Fotografia a nível nacional. Objectivo é promover o aparecimento de imagens que traduzam os valores intrínsecos à enfermagem. Certificação de qualidade AEscolaSuperiordeEnfermageméuma entidade com acreditação de qualidade segundo a norma internacional ISO 9001/2000. O certificado foi entregue em 2009. Formação diversificada A Escola Superior de Enfermagem tem diversas pós-graduações a decorrer. In- tervençãoHumanitáriaeCatástrofeeEn- fermagemForensesãoalgunsexemplos. Centro de bioética A Escola de Enfermagem das Misericór- dias é a primeira instituição portuguesa a dedicar-seaquestõesbioéticasnoâmbi- to da enfermagem. O centro de bioética foi criado em 2005. 60 anos de história celebrados em 2010
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    reportagem www.ump.pt16 vm outubro2010 urante Outubro, as mãos pintaram-se de tons rubros para recolher os frutos da videira e do trabalho do homem. Numa região produtora de vinhos, este néctar sempre garantiu a subsistência de muitas famílias. Assim, também as Santas Casas de Macedo de Cavaleiros e Valpaços apostaram no cultivo da vinha e na produção de vinhos que honrem a qualidade. Quando decidiu plantar vinha, o provedor da Santa Casa de Macedo de Cavaleiros, Castanheira Pinto, pensou na sustentabilidade da instituição. “Havia necessidade de termos vinho para consumo próprio e pensei já na sustenta- bilidade futura com o desenvol- vimento do casal agrícola, onde agora produzimos de tudo, desde a batata ao feijão, passando pelo azeite.” A comercialização iniciou- se em 2003. “Temos tinto e branco, com castas nobres: as tourigas nacional e franca, a Tinta Roriz; nos brancos, temos cá o Alvarinho e a Malvasia branca. Vinificamos separadamente e fazemos o lote das castas”, relatava o provedor. À lista acrescenta-se ainda a produção de espumante, que foi distinguido, em 2004, com uma medalha de ouro num concurso mundial. De dois em dois anos, são produzidas entre 1500 a 2000 garrafas, cujo preço ronda os seis Patrícia Posse D Vindimar para o sustento Em Trás-os-Montes, a colheita de uvas destina-se ao consumo doméstico das Santas Casas e à comercialização, em pequena escala, para o mercado nacional euros. “Têm notas de frutos secos, bolha persistente e fina e rondam os 11,5 a 12 graus”, desvenda o enólogo Fernando Guerra. Os vinhos Quinta do Lombo têm uma produção anual média de 20 mil litros “de qualidade”. “O tinto topo de gama é o mais produzido, tem os aromas típicos dos frutos vermelhos, 13 graus de álcool e é bastante encorpado. O branco tem aromas frutados, com muitas notas florais e acidez equili- brada. Este ano, está pela primeira vez no mercado.” As 1600 garrafas de branco vão ter um preço médio de quatro euros, enquanto os tintos de colheita e reserva se vendem a 7,5 e os correntes a 4. O mercado consumidor é prin- cipalmente local, com vendas para restaurantes e particulares. “Como a produção ainda não é muito grande, normalmente vêm-nos pro- curar a casa”, diz Fernando Guerra, depois de augurar um “ano dos melhores” em termos de qualidade. Todas as mãos são necessárias Os cinco hectares de vinha, distribuídos pela zona do Lombo e Cortiços, ficam a cargo dos 15 funcionários agrícolas, que por esta altura são ajudados por colegas de outros serviços. Fernanda Cepeda, 56 anos, é costureira no lar, mas nas vindimas, troca as agulhas pela tesoura de podar. “É um trabalho diferente. A gente alivia a cabeça e o convívio com os colegas é bom.” E também aqui não se pode dar ponto sem nó: “temos que ter cui- dado para não deixar cair as uvas ao chão, porque se os bagos caem não vão para o vinho”. “É tentar aproveitar ao máximo”, frisa. Daniel Augusto Arratel vem vindimar todos os anos, sempre munido com uma ferramenta atípica: uma faca com ponta arre- dondada. “Trouxe-a de Espanha há uns 16 anos. Já cortou muitas uvas e continua a cortar.” Além de evitar cortes nos dedos, tem outra van- tagem: “é raro avariar”. “O melaço da uva apanha a mola da tesoura e não a deixa abrir ou fechar ou a mola por vezes salta, com isto é só andar”, explica o sexagenário. Em Lombo, a 20 km de Ma- cedo de Cavaleiros, a jornada de trabalho arranca às 7h, com pausa a meio da manhã para aconche- gar o estômago com o fumeiro transmontano, o pão e o queijo. Sempre aos pares, os vindimadores dizimam as cepas e colocam as uvas em caixas de plástico, que serão transportadas para a adega da Quinta do Lombo. “Vêm em cai- xas, porque as condições higiénicas e de saúde para as uvas são as melhores. As uvas não fazem tanto peso umas em cima das outras, evitando macerações”, justifica o enólogo. Aí são colocadas no tape- te de escolha, onde se retiram os bagos podres, os secos e as folhas. “Depois de esmagadas, se for bran- co vai directamente à prensa, se for tinto ou vai para o lagar ou para a cuba, depende da casta.” Às vindimas está também associado um ritual religioso que precede o corte, com a “bênção dos frutos novos”, e culmina com uma missa na adega. “Coroamos a vindima com a eucaristia, onde se congregam todos os funcionários para que, dessa forma, façamos uma festa não só pela colheita, mas também um agradecimento a Deus, por tudo aquilo que temos e fazemos”, diz o capelão da Santa Casa, Eduardo Novo. Em prol da autonomia A Santa Casa de Valpaços comercializa vinhos há uma dé- cada pela necessidade de angariar fundos para o financiamento das diferentes respostas sociais. “Deve ser política das instituições conse- guir o maior número de receitas. Procuramos ter autonomia para sobreviver”, sustenta o provedor Eugénio Morais. Os 10 hectares de vinha ren- dem, em média, 50 mil garrafas de vinho por ano, sendo 2/3 de tinto. “Actualmente comercializamos mais os vinhos regionais do que os correntes. Estes são praticamente para consumo da casa, nomeada- mente para a confecção dos enchi- dos”, refere Luís Sousa, responsá- vel pela produção vitícola. Os vinhos são absorvidos, sobretudo, pelo mercado regional, embora haja já algumas vendas no Porto e em Lisboa. “Neste momen- to, há vinhos de alta qualidade e, por conseguinte, estamos já a pensar na exportação. Aqui ao lado, em Espanha, já estão interes- sados”, adianta o provedor. Este ano, a produção de uma monocas- ta, de Touriga Nacional, para um lote de 10 mil garrafas, constitui a principal novidade. “Este vinho irá ser engarrafado e levará o primeiro rótulo que tivemos na Santa Casa, que se chama “O Franciscano”, em homenagem ao padre Vítor Melí- cias. Os nossos vinhos de reserva e de qualidade terão sempre o rótulo desse homem que muito fez pelas Santas Casas, homenageando com a figura dele as Misericórdias todas de Portugal”, acrescenta. Os vinhos em circulação foram baptizados com os nomes de Formigueira, Toca da Lebre e Sexta- Feira 13. Este último foi lançado recentemente em homenagem aos consumidores fiéis de Montalegre, cidade onde todas as sextas-feiras 13 são transformadas em eventos de grande atractividade turística daquela localidade. Na Santa Casa de Macedo de Cavaleiros, os vinhos Quinta do Lombo têm uma produção anual média de 20 mil litros “de qualidade” Os 10 hectares de vinha da Misericórdia de Valpaços rendem, em média, 50 mil garrafas de vinho por ano, sendo 2/3 de tinto Vinhas começaram com intenção de sustentabilidade
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    www.ump.pt outubro 2010vm 17 A participação de crianças e idosos nas vindimas cumpre o objecti- vo primordial de promover uma interacção salutar entre gerações. “Torna-se um convívio engraça- do, porque uns cortam e outros comem ou então vão interagindo ali com quem anda lá a cortar. Os idosos gostam de ver o sorriso das crianças e as crianças apreciam o contacto com a natureza e com os mais velhos”, afirma a directora técnica da Misericórdia de Valpa- ços, Marilina Lopes. Já o provedor daquela Miseri- córdia, Eugénio Morais, refere ainda a aprendizagem que lhes fica para a vida. “É preciso que ao comer uma batata ou uma uva, a criança saiba a maneira como essas culturas nas- cem. Estou persuadido de que na Grande Lisboa ou no Grande Porto há pessoas com 20 anos que nunca viram como é que se cultiva uma batata ou um pimento, porque nun- ca tiveram oportunidade de ver.” Por turnos, viajaram até à quinta (na zona de Valverde) 75 crianças do pré-escolar e 30 de creche, com idades compreendi- das entre os 2 e os 5 anos. Do lar, foram 40 utentes. Aos 76 anos, Augusto Cardo- so reconhece que o trabalho foi pouco, porque “fomos mais ver e provar”. “As uvas estavam boas, Convívio e contacto com a natureza Em Valpaços, a participação de crianças e idosos nas vindimas cumpre o objectivo primordial de promover uma interacção salutar entre gerações principalmente as tintas. As bran- cas estavam mais fracas, porque, ao princípio, o ano caminhou mal.” Ainda hoje, Augusto Cardoso não dispensa o “copito à refeição” e assegura que antigamente qual- quer uva era “boa para comer”. “Tínhamos a Formosa, a Malvasia, a Mourisca”, refere. Dos tempos passados, Estefânia Cunha Rosa, 88 anos, recorda o es- forço inerente às vindimas. “Era mais custoso, porque era tudo à cabeça. Não iam lá com os tractores. Mas vínhamos todo o caminho a dançar.” Agora, a vindima é sinónimo de “cor- tar para comer”. “Corremos a vinha de uma ponta à outra, mas não levá- mos navalha. As uvas estavam boas e, ao menos, enchemos a barriga.” Já Fernanda Paula, 85 anos, ficou espantada com as videiras “bem carregadas de uvas” e com “a perfeição” com que tudo é feito. “Fiquei encantada em ver correr o vinho por aquela torneira. Nunca vi na minha vida coisa tão brilhante.” Se a mecanização deixa os mais velhos surpreendidos, os vindima- dores de palmo e meio impressio- nam-se com o sumo de uva “muito doce” e com o facto de poderem brincar, saltar e correr pelo espaço envolvente da quinta. A pequena Inês Morais, de 5 anos, conta que “às vezes, lá calha”comer uvas, mas na boca ficou-lhe outro sabor. “Gostei de beber o sumo de uva, que vinha de uma máquina grande onde metiam as uvas cortadas.” Também Tiago Mendes, que ainda conta os 4 anos, lembra esse mesmo episó- dio: “bebemos sumo de uva e era bom!”. Munidos de cesta ou balde trazidos de casa, os mais pequenos puderam cortar uvas, com a su- pervisão da educadora, bem como assistir ao processo de feitura do vinho. “Algumas mães contaram que, no dia seguinte, queriam tra- zer outra vez os cestos”, confiden- cia a directora técnica. Os idosos também cortaram uvas com as tesouras de poda emprestadas pelos trabalhadores agrícolas e provaram o fruto da vi- deira junto às cepas, como faziam antigamente. “Isso já os fez reviver os tempos passados e iam dizendo “no meu tempo, fazia-se assim”, “tinha uma vinha além”. Viram também o processo de fabrico e trouxeram uvas para quem não foi, porque temos utentes que estão mais dependentes”, acrescenta Marilina Lopes. O provedor da Santa Casa de Valpaços refere ainda a importân- cia de o trabalho agrícola da quinta estar nas mãos de uma empresa de inserção. “São pessoas excluídas da nossa sociedade e nós, através desta empresa, conseguimos pô-las no mundo do trabalho.” Mais ao Sul, em Aldeia Galega da Merceana as vindimas também marcaram a agenda da Misericór- dia. P.P. Ver página 18 Munidos de cesta ou balde trazidos de casa, os mais pequenos puderam cortar uvas e assistir ao processo de feitura do vinho Utentes das Santas Casas participam nas vindimas Muitos idosos reviveram costumes antigos
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    reportagem www.ump.pt18 vm outubro2010 Três dias de festa das vindimas na Merceana A Misericórdia de Aldeia Galega da Merceana organiza desde 2002 uma Festa das Vindimas como forma de aproximar a comunidade Filipe Mendes A Santa Casa da Misericórdia de Aldeia Galega da Merceana, Alen- quer, organiza desde 2002 uma Festa das Vindimas como forma de unir a comunidade e recuperar uma tradição antiga. Num concelho cada vez mais envelhecido e disperso, a Santa Casa da Merceana assume-se como a guardiã de um tempo em que a exploração da vinha constituía um filão importante na economia fami- liar, o que explica que “quase todas as pessoas tivessem uma parcela de vinhedo”, refere Carla Nunes, a provedora da instituição. Os pequenos terrenos vitiviní- colas, antigamente explorados por muitos dos utentes do Lar da Santa Casa da Merceana, quase desapare- ceram. Deram o seu lugar a baldios ou então foram absorvidos pelos grandes produtores. Escapando a esta tendência, a instituição adquiriu, há uns anos, um terreno para expansão futura onde existiam vinhas e não des- curou este património. “Não tive coragem para as mandar arrancar”, diz Carla Nunes, que optou por se associar à Cooperativa Agrícola da Merceana e transformar aquele espaço numa espécie de Quinta Pedagógica, onde as crianças do ATL e Creche “vão à vindima”. Nos últimos dias de Setembro, a população do Alto Concelho de Alenquer junta-se para celebrar aquela que continua a ser uma actividade de charneira na região. Durante os três dias em que decorre esta Festa das Vindimas nas instalações da Santa Casa da Misericórdia de Aldeia Galega da Merceana, há animação para todos os gostos: provas de vinhos, jogos tradicionais, bailes, folclore e muita música. Este ano, a festa teve convidados especiais. Edmundo Vieira, ex-voca- lista da popular banda D’ZRT, Diana Lucas e Filipe Delgado fizeram as delícias do público mais jovem. E na tarde do dia 26, o Rancho Folclórico do Fiandal animou o público veterano. Alguns seniores foram mesmo chamados a dançar uma “modinha saloia”. Nesta Festa das Vindimas, Rosário Pascoal, de 75 anos, cuja história de vida se cruza com a da terra onde nasceu, foi coroada rainha e houve ainda príncipes e princesas escolhidos a dedo. “Gostei muito de tudo”, disse a ‘monarca’, emocionada, ao Voz das Misericórdias. Esta opinião, singela e sentida, é partilhada por Maria José Barreira, de 85 anos, outra utente da Misericórdia da Merce- ana, que se sentou na primeira fila da assistência para não perder pitada do espectáculo. “Não estou nada arrependida de ter cá estado”, confessa esta idosa natural de Coimbra e que esteve em Angola até à data da in- dependência daquela ex-província ultramarina antes de encontrar um lar na Mercenana. Elogios também à forma como a provedora, incansável, se desdobra para que tudo funcione na perfei- ção: ora faz de anfitriã da festa, ora vai buscar uma cadeira para acomo- dar mais um convidado ou tira foto- grafias ‘para mais tarde recordar’ e integra o júri que vai eleger os reis e príncipes das vindimas. “É um trabalho esgotante”, confessa, mas há também muito entusiasmo à mistura. E é deste vigor que, embora com apoios escassos do poder autárquico local, vai estar pronta a inaugurar ainda este ano uma nova clínica - que vem substituir a que funciona des- de 1985 no centro da Vila - e uma unidade de cuidados continuados com 30 camas. “A nossa preocupação não é só prestar auxílio aos mais idosos”, frisa Carla Nunes. “Se não criarmos postos de trabalho e se no campo da saúde e educação não dermos res- posta, o que acontece é que muitos jovens, depois de irem para a facul- dade, já não regressam”, explica. “O que nos move é também fixar estas pessoas às suas raízes; tentar que eles fiquem cá, e para isso é necessário que haja empre- go”, conclui a provedora, que foi empossada no cargo há 12 anos. E é precisamente nesse sentido que a Misericórdia da Merceana tem trabalhado. É actualmente a instituição que mais postos de trabalho cria no Alto Concelho de Alenquer, contando com 65 funcio- nários nos seus quadros. A instituição gere três respostas sociais na terceira idade: lar, centro de dia e apoio domiciliário para um total de 133 utentes, uma creche, com capacidade para 66 crianças, pré-escolar para um grupo de 21 e um ATL. Festa das vindimas reuniu crianças e idosos Recuperar tradição antiga é um dos objectivos.
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    terceira idade www.ump.pt20 vmoutubro 2010 A Santa Casa da Misericórdia de Amieira do Tejo, no concelho de Nisa, viveu recentemente um dia de grande alegria na Festa da Senhora da Sanguinheira com a inauguração do seu lar de idosos, o qual repre- senta o concretizar de um sonho de há vários anos. Construir um lar que desse res- posta às necessidades dos seus uten- tes e lhes oferecesse as melhores con- diçõesdeacolhimento,foiopropósito quelevouaactualMesaAdministrati- va a assumir, em 2002, a responsabi- lidade de gerir a instituição. E depois de oito anos de dedicação, empenho, e de uma gestão financeira rigorosa, o sonho de construir um lar foi final- mente concretizado. Com um espaço amplo e bem ilu- minado, o novo equipamento possui dez quartos, salas de convívio e todas as outras infra-estruturas de apoio ne- cessárias, como lavandaria, cozinha, salas de banho assistido, casa de ba- nhoemtodososquartos,estandoain- da o edifício totalmente climatizado. O provedor, Armando Pestana Semedo Miguéns, não esconde que foi «com muito sacrifício que con- seguimos chegar aqui», sublinhan- do que a construção do lar só foi possível «graças aos parceiros que tivemos e que foram fundamentais». Para esta primeira fase da obra, que teve um custo aproximado de 720.000 euros, contou apenas com os recursos próprios da instituição, com os donativos da população e da Fundação Vodafone, um apoio de 22.500 euros da Junta de Freguesia da Amieira e um subsídio de 250.000 euros do Município de Nisa. De acordo com Armando Mi- guéns, as obras tiveram início em 2008 e passados 14 meses a primeira fase estava concluída, no entanto, e embora o edifício tenha já todos os Comunidade enalteceu inauguração do lar Amieira do Tejo concretizou sonho antigo e inaugurou lar Santa Casa da Misericórdia de Amieira do Tejo viveu recentemente um dia de grande alegria com a inauguração do seu lar de idosos. Mesa Administrativa garante que projectos não faltarão no futuro Patrícia Leitão equipamentos indispensáveis para o seu funcionamento, falta ainda cons- truir a segunda fase deste projecto. «Queremos construir mais uma ala com oito quartos onde vamos poder instalar 11 utentes», revelou o pro- vedor com a convicção de que em Janeiro do próximo ano a Misericór- dia irá dar início às obras da segunda fase, a qual se estima que terá um custo entre 250 a 280.000 mil euros. O terreno que acolhe este novo equipamento foi adquirido pela insti- tuição e situa-se na traseira do antigo Hospital da Misericórdia, que servia até agora de Centro de Dia. Segun- do o provedor este espaço não será desaproveitado, uma vez que «há a possibilidade de ali ser instalada a extensão do Centro de Saúde». Com as respostas sociais de Cen- tro de Dia e de Apoio Domiciliário, e um total de 40 utentes, este foi um passo muito importante que a Misericórdia deu a pensar no futuro da instituição, uma vez que não só poderá acolher condignamente estes utentes como irá acolher no Lar mais 16idosos,queserãoinstaladosnos10 quartos que foram construídos nesta primeira fase. Este investimento per- mitiu também que a Misericórdia de Amieira do Tejo aumentasse o núme- ro de funcionárias de oito para 16, o querevelatambémasuaimportância em termos de criação de emprego numazonaespecialmentedeprimida. A pensar nos pormenores e com o propósito de criar uma ligação com os utentes, cada quarto do lar é identificado com uma imagem e nomes associados ao património da histórica freguesia, antiga sede de concelho e um dos baluartes da Or- dem do Hospital. «Dá-nos muita satisfação ver concluída esta fase da obra e ver onde conseguimos chegar com a nossa determinação. Conseguimos que a instituição adquirisse um con- forto financeiro e podemos levar por diante este projecto», frisa o prove- dor Armando Miguéns. E foi graças ao dinamismo que a Mesa Administrativa da Misericórdia manteve, através da organização de diversasactividades, asquais envolve- ram a população, que a instituição viu aumentaronúmerodeIrmãos.«Quan- do começámos éramos pouco mais de uma centena de Irmãos, mas hoje já somos525»,revelaArmandoMiguéns. Também os utentes se mostram bastante felizes com este novo espa- ço, não só porque todo o equipamen- to é novo, mas sobretudo porque «aqui temos melhores condições e o lar é muito bonito», revelam. Depois de oito anos de dedicação, empenho e uma gestão financeira rigorosa, o sonho de construir um lar foi finalmente concretizado
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    www.ump.pt Promover a saúdedos idosos O Centro da Terceira Idade da Misericórdia de Oliveira do Bairro está a promover diversos ateliês para promover a saúde física e mental dos idosos. Jardinagem, informática, costura e bordados são algumas das actividades. outubro 2010 vm 21 Dois idosos vítimas de violência por dia A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima divulgou recentemente dados relativos à violência domés- tica contra os idosos: entre 2000 e 2009 verificou-se um aumento de 120 por cento do número de casos, ou seja, mais 349 casos.  As vítimas têm, maioritariamente, en- tre os 65 e os 75 anos e são alvo de maus-tratos físicos e psíquicos, praticados pelo cônjuge ou pelos filhos. “A violência pode ser praticada na rua (roubo, por exemplo), pode ser em casa (violência doméstica) ou contra uma pessoa que mora sozinha VOLTAAPORTUGAL Paris promove convívio para emigrantes idosos A Santa Casa da Misericórdia de Paris promoveu uma tarde de convívio para celebrar o Dia Internacional do Idoso. O objectivo da iniciativa era tecer laços entre os emigrantes portugueses da terceira idade, além de ser, para muitos, uma oportunidade única para quebrar o isolamento ou um convite para se mobilizarem em acções de solidariedade em favor dos seus compatriotas. Foi a 10 de Outubro, no Santuário de Nossa Senhora de Fátima, em Paris. 122Idosos burlados Quase16%doscrimesdeburlaforampraticadoscontraidososnopri- meirosemestredesteano,revelamdadosrecentesda GuardaNacio- nal Republicana, que iniciou uma operação para prevenir este crime. Sever do Vouga tem novo lar de idosos Nova resposta social da Santa Casa de Sever do Vouga permite acolher mais 30 utentes e resulta de um investimento que rondou os 570 mil euros Um“hoteldequatroestrelas”,foicomo o provedor da Santa Casa da Miseri- córdia de Sever do Vouga classificou as instalações do novo lar de idosos da instituição, recentemente inaugurado na presença do secretário de Estado da Segurança Social, Pedro Marques. O novo edifício, que vai permitir acolher mais 30 utentes, teve um custo total de 570 mil euros, compar- ticipados em 70 por cento através do PARES — Programa de Alargamento da Rede de Equipamentos Sociais. O novo espaço contempla ainda uma capela e um espaço para museu. Manuel Santiago Costa, provedor da instituição, frisou ao Diário de Aveiro que a Santa Casa de Sever do Vouga “está ao nível das melho- res Misericórdias do distrito”, facto que, sublinha, “é assinalável para um concelho pequeno”. Já há aulas na Academia de Angra Aulas da Academia da Terceira Idade da Misericórdia de Angra do Heroísmo arrancaram a 4 de Outubro com 248 inscritos As aulas da Academia da Terceira Idade da Santa Casa da Misericórdia de Angra do Heroísmo arrancaram no dia 4 de Outubro, com 248 ins- critos dos quais 45 são “caloiros” e prepara-se para arrancar com o maior número de inscritos nos seus sete anos de actividade. Segundo a responsável, Ana Ma- cedo Pereira, em declarações ao jornal online A União, o número de estudan- tes tem vindo a aumentar de ano para ano,oquejustificaaapostanumainfra- estrutura adequada para a instalação da Academia, por parte a Santa Casa. A Academia conta com 248 ins- critos dos quais 45 são “caloiros”, que estão integrados em várias tur- mas de 18 áreas de formação. Segun- do aquela técnica, o número elevado de estudantes deve-se também ao trabalho desenvolvido ao longo do percurso e, por isso, justifica a aposta numa infra-estrutura adequada às suas finalidades. Por isso, explica, algumas das 18 áreas de formação disponíveis são desdobradas em várias turmas, não só pelo elevado número de interes- sados mas também pelos níveis de dificuldade diferentes. As mais procuradas pelos es- tudantes são as disciplinas de In- formática (70 inscritos), Inglês (55 inscritos), Artes Decorativas (35 inscritos), e Motricidade (84 inscri- tos), um conjunto de escolhas que, à primeira vista, dá indicação de um gosto especial pelos trabalhos ma- nuais e pela dinâmica envolvente. Contudo, as Letras e as Línguas também conseguiram cativar mui- tos interessados. Enquanto a área de formação de História e Patrimó- nio Regional contém 30 inscritos, a aprendizagem em Espanhol prevê a frequência de 21 alunos. Já sobre as novidades na área de formação para 2010/2011, a respon- sável indica Psicologia do envelheci- mento Gestão da Imagem, com 27 e 12 inscritos, respectivamente, sendo que, por outro lado, não poderão avançar, por indisponibilidade da formadora, as disciplinas de Forma- ção Musical e Prática de teclado. De acordo com Ana Macedo Pe- reira, as aulas da Academia daTercei- ra Idade da SCMAH, ministradas por professores em regime de voluntaria- do, assumem um “duplo papel” quer por parte do formador quer do aluno. “Há uma interacção e dinamismo nessavoltaaosbancosdaescola.Éum espaçodeaprendizagemmastambém de partilha de conhecimentos”, subli- nhaaoindicarafinalidadedoprojecto. “É uma oportunidade de tempo livre deformaútilparaasuaexpectativade velhice, que deve ser bem recebida e activa,eumaformadeconvíviojáque osreformadosdispõemdemaistempo para a vida social”, remata. Murça promove convívio intergeracional Misericórdia de Murça comemorou o Dia Internacional do Idoso com um convívio intergeracional A Santa Casa da Misericórdia de Murça comemorou o Dia Interna- cional do Idoso, celebrado a 1 de Outubro, com um convívio interge- racional. Foram momentos de muita brincadeira e troca de saberes que marcaram ainda o arranque do pro- jecto “Avós e Netos”. De acordo com a técnica de ani- mação sociocultural responsável pela iniciativa, o objectivo do pro- jecto é “dinamizar as duas gerações ao longo do ano, proporcionando actividades, com o objectivo de va- lorizar as capacidades e saberes de ambos”. “Queremos ainda reiterar o reco- nhecimento dos idosos e a sua im- portância nas comunidades actuais, através da valorização do seu papel e da sua acção”, reforçou Sónia Rocha, lembrando a necessidade de se pro- porcionar e aprofundar as relações pessoais. Para o efeito foi promovido um convívio intergeracional, onde par- ticiparam as crianças do ensino pré- escolar, funcionárias da Misericórdia e também alguns dirigentes. A alegria e o entusiasmo eram visíveis no rosto de todos os que participaram.
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    saúde www.ump.pt22 vm outubro2010 Opinião Certificação é um passo João Amado Vice-provedor da Mis. de Portimão s Misericórdias Portuguesas enfrentam, em tempos conturbados de crise económica, social e de valores, o desafio, sempre renovado, da conciliação da sua matriz com a modernidade. Hoje, como ao longo dos últimos séculos, as Santas Casas estão presentes na vida dos portugueses, da infância à velhice, apoiando-os na saúde, na educação, na dependência, na deficiência. Hoje, como sempre, o cumprimento das nossas Obras e o serviço ao próximo só serão plenos se Mesários, Irmãos e colaboradores souberem, em cada momento e em cada espaço, aliar o humanismo cristão às boas práticas. O último Congresso da União das Misericórdias Portuguesas foi marcado pelas questões da Qualidade, da Inovação, da Formação, constituindo-se como um desafio a todos e cada um de nós no sentido do adopção de princípios e normas que permitam saber que fazemos bem, não apenas com base em opiniões subjectivas mas também em instrumentos e medidas mensuráveis. Na área dos Cuidados Continuados, como em todas as outras, a Certificação de Qualidade pode ser vista como um fim. Um desfecho importante, de recompensa ao trabalho efectuado pelas Instituições e colaboradores, conduzindo ao reconhecimento externo. Porém, o acto da Certificação é “apenas” mais um passo de um caminho que nos leva a olhar para nós próprios, para os processos que adoptamos, com uma visão necessariamente mais crítica e atenta e partilhada com auditores externos. Permite-nos conhecer as nossas falhas e sucessos, motivar e envolver colaboradores, avaliar e satisfazer as necessidades dos nossos utentes. A “Certificação é mais um passo de um caminho que nos leva a olhar para nós próprios, com uma visão necessariamente mais crítica Parque de Saúde da Misericórdia tem vários serviços Cuidados continuados certificados em Portimão A unidade de cuidados continuados da Misericórdia de Portimão foi recentemente certificada segundo a norma ISO 9001:2008. O investimento compensa A unidade de cuidados continuados integrados da Misericórdia de Por- timão foi recentemente certificada segundo a norma ISO 9001:2008. Em declarações ao VM, o provedor, José Manuel Correia, afirmou que se trata de um passo importante: “ajuda-nos a saber exactamente como estamos a trabalhar e é também um sinal, para a tutela – os Ministérios da Saúde e doTrabalhoeSolidariedadeSocial–e para os utentes de que estamos preo- cupados em melhorar cada vez mais a qualidade dos nossos serviços”. O processo de certificação co- meçou há dois anos e não vai ficar apenas pela unidade de cuidados continuados. “As pessoas que rece- bem alta dos cuidados continuados continuam a receber assistência atra- vés do apoio domiciliário e por isso faz todo sentido que também esse serviço seja certificado”. Depois, será a vez das respostas para a terceira idade e para a infân- cia. “A certificação da qualidade na unidade de cuidados continuados era a mais complexa e agora que está concluída, temos mais condi- ções para começar avançar com as outras respostas e a Mesa Adminis- trativa desta Misericórdia está deter- minada em certificar todos os seus equipamentos”, afirmou. Apesar de envolver custos, o pro- vedor da Santa Casa de Portimão afirmou que o investimento é com- pensado a médio e longo prazo. “É possível, por exemplo, maximizar a eficiência dos serviços, controlar custos e evitar desperdícios”. A unidade de cuidados conti- nuados da Santa Casa de Portimão tem 19 camas para internamentos de convalescença e outras 26 de ti- pologia média. Promover a qualidade nas Santas Casas A União das Misericórdias Por- tuguesas (UMP) está atenta e empe- nhada na questão da qualidade e se- gurança nos cuidados continuados. Entre algumas iniciativas, o Ga- binete de Apoio Técnico do Grupo Misericórdias Saúde destaca três: a constituição da Comissão Central de Controlo da Infecção, o protocolo estabelecido com o GAIF — Grupo Associativo de Investigação em Fe- ridas — no âmbito da prevenção e tratamento de úlceras de pressão, bem como a contratação de consul- toria na área da qualidade. AUMPtambémtemvindoaapre- sentar todos os anos candidaturas ao QREN-POPH para formação na área da saúde, que se estende a vários do- mínios. “Em 2010, sete Misericórdias têm vindo a preparar-se para uma futura acreditação. A UMP pretendia envolver 15 instituições, mas o apoio financeiro concedido foi para apenas quatro, o que levou a que a UMP e as Santas Casas desenvolvessem esfor- ços conjuntos no sentido de integrar mais três instituições no projecto, perfazendo um total de sete.” Oobjectivodosprocessosdecerti- ficaçãoeacreditaçãoé,asseguraoGa- binetedeApoioTécnicodoGrupoMi- sericórdiasSaúde,“promoverelevados níveis de qualidade dos cuidados e a segurançadosutentes,masadinâmica que lhes está subjacente repercute-se tambémnamotivaçãoesatisfaçãodos colaboradores,bemcomonoprestígio da instituição junto da comunidade que serve. Apesar de, numa fase ini- cial, exigirem investimento e grande esforço dos colaboradores, no médio prazo estes processos tornam as insti- tuições mais eficientes, na medida em que reduzem os custos da não quali- dade que são mais elevados”. Bethania Pagin
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    educação www.ump.pt24 vm outubro2010 Portugal com menor risco online para crianças e jovens Crianças e jovens portugueses são os que correm menos risco de serem alvos de violência ou de assédio sexual via Internet. Misericórdia da Maia aposta nas competências para prevenção As crianças e os jovens portugueses são os que correm menos risco de se- rem alvos de violência ou de assédio sexual via Internet apesar de cerca de 60% já ter pelo menos um perfil nas redes sociais. Em contrapartida estão acima da média europeia entre os que consideram usarem a Internet de forma excessiva. Os dados foram recentemente apresentados pela “Eu Kids Onli- ne”, que promoveu um inquérito junto de 23 mil crianças e jovens, com idades compreendidas entre os 9 aos 16 anos, em 25 países, que procurou melhorar o conhecimento sobre as experiências e práticas das crianças e de seus pais em relação uso da Internet. O objectivo do estudo era traçar um quadro do risco para as camadas mais jovens dos europeus, especial- mente no que se refere a pornografia, bullying, mensagens de cariz sexual, contactos com desconhecidos, en- contros offline com contactos online, conteúdos potencialmente perigosos e abuso de dados pessoais. O resultado do estudo é anima- dor para Portugal já que revela que apenas 7% das crianças e dos jovens portugueses revelaram terem já tido contacto com o tipo de perigos de- nunciados no estudo, por oposição à média de 12% europeia. Contudo, todo o cuidado é pouco e no Centro Comunitário Vermoim/Sobreiro, da Santa Casa da Misericórdia da Maia, os perigos inerentes às tecnologias de informação fazem parte do tra- balho realizado junto de cerca de 1200 jovens. Segundo o coordenador daquele equipamento social, Mário Figueire- do, a equipa do centro comunitário trabalho a questão do perigo entre crianças e jovens em diversas áreas. “Além das TIC, também estamos atentos a áreas como a sexualidade e consumo de álcool ou drogas, sem- pre visando a promoção de compor- tamentos saudáveis e a prevenção de comportamentos de risco”. “Os mais jovens não têm o há- bito de ler os jornais e nem sempre estão informados sobre alguns peri- gos relacionados com a utilização da internet que, apesar dos seus inúme- ros benefícios, também representa um perigo. Através de uma lingua- gem que eles percebam, tentamos informar e formar para que sejam eles próprios a reflectir sobre esses riscos”, afirmou aquele responsável. “Com pistas e muita informação, tentamos prepará-los para enfrentar os desafios que vão encontrar ao longo da vida e minimizar os riscos que todos corremos”, concluiu. Para Mário Figueiredo, este tra- balho ganha especial importância visto que, hoje em dia, a alta com- petitividade da nossa sociedade difi- culta o acompanhamento dos filhos por parte dos pais que, “quando não estão a trabalhar, estão nos transpor- tes entre a casa e o trabalho”. Este alheamento dos pais em re- lação à actividade de seus filhos na Internet também foi alvo de estudo por parte da “Eu Kids Online”. Em Portugal, 78% das crianças e jovens acedem regularmente à Internet, sendo que a grande maioria o faz dos seus quartos, sem a presença de familiares.Emmuitosdoslaresportu- guesesexisteapenasumcomputador e esse está colocado no quarto dos filhos o que propicia a sua utilização sem qualquer tipo de controlo. O Centro Comunitário da Santa Casa da Maia acompanha pessoas de todas as idades (ver caixa). Bethania Pagin Internet tem benefícios, mas há riscos OCentroComunitárioVermoim/Sobrei- ro,daMisericórdiadaMaia,acompanha apopulaçãodaregiãocomumtrabalho transversal a todas as idades. Em de- clarações ao VM, o coordenador deste projecto, Mário Figueiredo, contou que o trabalho é realizado junto de crianças e jovens, mas também com os seus pais, “que muitas vezes têm um défice de informação sobre a parentalidade”, idosos,sem-abrigo,toxicodependentes e alcoólicos. Recentemente o centro promoveu um seminário sobre o con- sumonosjovens.Otrabalhoérealizado em parceria com o Instituto da Droga e Toxicodependência. Redes sociais Cercade60%dascriançasejovenscom idade entre os 9 e 16 anos já possuem umperfilnumaredesocial.Desses,25% não tem qualquer tipo de restrição. Encontros reais Em Portugal 4% dos jovens revelou já ter encontrado com pessoas que conhece- ramatravésdaInternete15%confirmam manter contactos com essas pessoas. Utilização sem controlo Estudo revela que são as crianças portu- guesas, cerca de 67 por cento, que mais utilizamoscomputadoresnosseusquar- tos, longe dos familiares. Maia atenta a todas as gerações Portugueses são os menos controlados Na Europa, 12% dos jovens admitiram já ter sido perturbados ou incomodados com mensagens sexuais e bullying
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    património www.ump.pt ARTE Moeda comemorativa da República SCMAM0657 Misericórdia de Amarante 1914 Amoedaapresentadaéde1escudo,em prata, datada de 1910, embora apenas cunhada em 1914. Trata-se de uma moeda comemorativa da implantação da repúblicaa5deOutubrode1910.Numa das faces, encontra-se representada em relevoafigurasimbólicadaRepública,so- bre um fundo de sol nascente, envolvida pelabandeiraportuguesaeempunhando na mão uma tocha. Apresenta a inscrição no topo “REPUBLICA PORTUGUESA”, e nazonainferior“5deOutubrode1910”. Na outra face, apresenta ao centro o es- cudo nacional sobre a esfera armilar, as- sentenum“fascio”romanodevaraseum machado,envolvidoporumramodelouro e por um ramo de carvalho entrelaçados nabase.Inferiormenteencontra-seovalor facial de “1 ESCUDO”. Painel de azulejos SCMTA 0027-42 Misericórdia de Tavira Séc. XVIII Painel de azulejos representando a pri- meira das sete obras de misericórdia cor- porais: dar de comer a quem tem fome. A cena toma lugar em espaço doméstico de arquitectura clacissizante, com chão de mosaico axadrezado e fundo com abertura para paisagem com edifício e árvores, vendo-se um cortinado apanha- do no canto superior direito. O centro da composiçãoéocupadopormesa,coberta comtoalha,àqualseencontramsentados umhomem,noladodireito,eumamulher, no topo contrário ao observador. Junto ao lado esquerdo, de pé, encontra-se um criado que segura um cesto com frutas. Imediatamente atrás encontra-se um ve- lho, de aspecto humilde, com uma mão soerguida, como que pedindo comida. Apontamentos do inventário promovido pela UMP, Ver mais em http://matriz.softlimits. com/ump/ 28 vm outubro 2010 Gabriela Canavilhas Ministra da Cultura 3P? Como avalia o trabalho das Mi- sericórdias na área da cultura? As Misericórdias foram a primeira instituição que olhou para solida- riedade e para a cultura de forma conjugada. São um exemplo. Ao longo da sua história foram conso- lidando o lado cultural que foi sen- do enriquecido. Iam incentivando o cariz patrimonial e cultural com sentido da partilha, do ensino, da preservação. Com tanta história, as Miseri- córdias estão também a virar-se para a arte contemporânea. Como vê essa acção? Quem resistiu 500 anos, tem outros tantos à sua frente para se ir cons- tantemente renovando e adaptando aos novos tempos e ao futuro. É sobretudo através deste protocolo que o Ministério vai apoiar as Misericórdias na sua acção cultural? O trabalho desenvolvido é extre- mamente importante e sentimo- nos honrados por estabelecer este protocolo. Contamos com as Mise- ricórdias no futuro. É a mais pequena igreja da cidade de Braga, mas é a segunda mais visitada e a segunda mais antiga. A Igreja da Mi- sericórdia da cidade dos arcebispos é apenassuplantadanestesnúmerospela Sé de Braga. A partir de agora, poderá aindaaumentaronúmerodevisitantes, na sequência do processo de restauro daIgreja,sacristiaesalãonobredaSan- taCasa,traduzidonuminvestimentode 1,4 milhões de euros. O restauro foi de resto rotulado pela ministra da Cultura como sinal do “pro- fundo respeito pelo património históri- co e civilizacional”, que as Misericórdias revelam. Neste processo de restauros, inclui-se ainda a recuperação da Igreja do Hospital de São Marcos e da farmá- cia da Misericórdia, onde foi investido cerca de um milhão de euros. Junto ao salão nobre, nasceu ainda, neste dia, a “Sala Comendador António Santos da Cunha”. Foi a homenagem prestada ao antigo provedor e também autarcadeBragaqueviveuentre1911 e 1972, tendo estado à frente da Mi- sericórdia durante 8 anos. Nesta sala constamagoraosobjectosqueafamília decidiu doar à Santa Casa. A Santa Casa, presidida pelo provedor BernardoReis,nãopáraporaquiequer avançar com a recuperação do Palácio do Raio. O imóvel está enquadrado no actual complexo hospitalar que, breve- mente, deixará estas instalações, já que está a ser construído o novo hospital de Braga. Com a desocupação, Bernardo Reis acredita que todo o complexo será restituídoàSantaCasaecomisso,surge o desafio de recuperação. Santa Casa de Braga restaura igreja Protocolo dá novo impulso à cultura Ministra da Cultura assinou protocolo de colaboração com a UMP, acentuando que as Misericórdias revelam “forte empenho na salvaguarda do património” As Misericórdias portuguesas têm um novo protocolo de colaboração assinado com o Ministério da Cultu- ra, tendo em vista a defesa, o estudo, a salvaguarda e a divulgação do pa- trimónio imóvel, móvel museográ- fico e móvel arquivístico. O acto de assinatura decorreu no passado dia 24 de Setembro, na Santa Casa de Braga, entre a Ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, e o presidente da União das Misericórdias Portu- guesas (UMP), Manuel de Lemos, numa cerimónia apadrinhada pelo responsável da cultura na UMP e também provedor da Santa Casa bra- carense, Bernardo Reis. Na ocasião, Gabriela Canavilhas enalteceu que o protocolo “revela a postura de forte empenho na salva- guarda do património” por parte da Misericórdias portuguesas, acredi- tando que esta colaboração “pro- duzirá importantes resultados por todo o país com benefícios culturais e sociais para a população”. O documento abarca parcerias e sinergias entre as Misericórdias e o Ministério da Cultura em tudo o que diz respeito a “esforços conjuntos que nos propomos criar, reforçando uma parceria natural já existente”. O estabelecimento de parcerias e de trabalho em rede é uma meta do Celso Campos MinistériodaCultura,vincouagover- nante, de modo a “criar condições de acessodapopulaçãoaonossoimenso património”. É que no entender de Gabriela Canavilhas, o património “tem de ser vivido, fruído. Tem de ter gente dentro”. Só assim contribui para o nosso enriquecimento colec- tivo e contribui para o futuro sócio- económico do país, apontou. Na prática, este protocolo vai ajudar no trabalho que a UMP está a desenvolver neste sector em três vertentes. Por um lado, na inventa- riação do património imóvel, sendo que a contabilidade feita aponta para um total de 1080 edifícios inventa- riados, de origem diversa. “Temos hospitais, igrejas, mas também tea- tros, cinemas e até praças de touros”, realçou Manuel de Lemos. Numa segunda área, existe o pa- trimónio móvel, constituído pelas imagens de arte sacra, pelos objectos ligados ao culto, pelas bandeiras, etc. Aqui o trabalho está apenas inicia- do, com um total de 20 mil peças já inventariadas, num total de 80 ins- tituições. “Basta pensar que somos 400 para adivinhar que estamos a falar de um património fantástico”, sublinhou o presidente da UMP. Numa terceira vertente encontra-se o trabalho que se está a desenvolver ao nível dos arquivos e do chamado património imaterial. Manuel de Lemos saudou esta colaboração entre o Estado e a so- ciedade civil e, na prática, espera facilitar o processo de aprovação das candidaturas apresentadas pela UMP nesta área, no âmbito do Quadro de Referência Estratégica Nacional (QREN). Protocolo reforça parceria com Ministério da Cultura
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    estante www.ump.pt Lista de livros EmpregosverdesemPortugal Váriosautores MTSS Março 2010 O principal objectivo do estudo do Ga- binete de Estratégia e Planeamento do MTSS é a caracterização geral do estado actual do emprego verde e da correspondente oferta formativa, es- pecialmente num sector estratégico da economia verde: o sector das energias renováveis. As mais recentes definições de emprego verde apresentam-se com a integração dos pilares do desenvolvi- mento sustentável, incluindo aspectos de equidade social, eficiência e eficá- cia económica, protecção e gestão do ambiente e boa governança e dinâmica institucional. Revista Códice Vários autores Fundação Portuguesa das Comunicações 2009 Noanodocentenáriodaimplantaçãoda República, a revista da Fundação Por- tuguesa das Comunicações, aproveita para “evocar as principais aspirações das gerações que se empenharam em promover e realizar as grandes causas da participação e do desenvolvimento do País”. “Num sector tão abrangente como o das Comunicações, é difícil não encontrar ligações com todos os princi- paismomentosqueforamsendovividos ao longo dos séculos. A I República e os telégrafo-postais:relatosdeduasgreves na primeira pessoa” é um dos temas. outubro 2010 vm 29 Os anos da República Jaime Nogueira Pinto, em “Nobre povo: os anos da República”, faz a crónica de um dos tempos mais agitados, apaixonantes e trágicos de Portugal Na manhã de 5 de Outubro de 1910, em Lisboa, um movimento revolu- cionário derrubou a Monarquia e proclamou a República Democrática. Jaime Nogueira Pinto, em “Nobre povo: os anos da República”, faz a crónica de um dos tempos mais agitados, apaixonantes e trágicos da História de Portugal. Um tempo do- minado por líderes fortes, polémicos e carismáticos, como o democrático Afonso Costa ou o popular Sidónio Pais, e por idealistas determinados, como Machado Santos ou Paiva Couceiro. Uma edição da Esfera dos Livros. Na Europa, acabava a belle épo- que e chegava a Grande Guerra, o comunismo e o fascismo. Por cá, era um tempo de costumes pouco bran- dos, mas muito português, animado por uma luta política e ideológica de razões e convicções fortes, entre livres-pensadores e católicos, repu- blicanos e monárquicos, moderados e radicais, e marcado por conspira- ções, «intentonas», pronunciamen- tos militares, golpes de Estado, revol- tas e revoluções — com marinheiros nas ruas, militares na política, povo nas trincheiras, padres combatentes e civis armados. Um tempo entre dois tempos, com carros de cavalos e automó- veis, caciques e sindicalistas, lanças e canhões, eleições e bombas, cons- pirações de quartel e de café, mensa- geiros e telefones, jornalismo político e fraudes financeiras, «acacianos» e futuristas, «talassas» e carbonários. Dezasseis anos, oito presidentes e 45 governos depois, numa manhã de Maio, um outro movimento revo- lucionário marchava sobre a capital para lhe pôr fim. Em entrevista à agência Lusa, Jaime Nogueira Pinto afirmou que ao longo das quase quinhentas páginas que escreveu quis contar uma his- tória da história: “Começamos a 03 de outubro de 1910, na noite em que Machado Santos avança para ocupar a rotunda à frente dos seus 400 ho- mens, marinheiros, artilheiros, civis armados e carbonários. Nobre povo: os anos da República Jaime Nogueira Pinto Esfera dos Livros 2010
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    e se épossível requisitar livros. Caso esteja aberto ao “exterior” agradecia que me indicassem, pois neste momento estou com ideias de iniciar um trabalho sobre institui- ções sociais, e gostaria de destacar as Misericórdias Portuguesas, assim como um pouco da sua história. José Ferreira Guarda Receitas das Misericórdias Tem sido uma presença constante no Jornal as “receitas nas Miseri- córdias”, mas é com imensa pena minha que as tenho guardado em recortes que se vão amarrotando e não são de fácil utilização. Se me permitem gostaria de sugerir a a vossa notícia vejo que fiz uma aposta errada de juízo de valores, e que afinal as creches das Misericór- dias também oferecem boas con- dições ou mesmo melhores. Um grande bem-haja pela vossa aposta de socialização da criança. Otília Duarte Elvas Centro de Documenta- ção e Informação Tenho o bichinho dos livros dentro de mim, e foi com enorme satisfa- ção que li no VM de Julho a notícia da inauguração do Centro de Docu- mentação e Informação. No entanto não mencionaram quais os horários de funcionamento, nem mesmo se o Centro está aberto ao público VMEditorial Opções certas E dificuldades As Misericórdias portuguesas terão de ser capazes de encontrar os caminhos e opções certas perante tantas dificuldades e incertezas. Todos os esforços serão poucos para responder aos que de nós mais necessitam A produção da vinha e do vinho está profundamente enraizada na cultura portuguesa, e é por isso natural que chegada a altura das vindimas, também essa actividade tenha reflexo na vida de muitas Santas Casas, já que elas são de alguma forma um espelho das comunidades de imanam. Tucídides, historiador grego do século V a. C disse “os povos Mediterrâneos começaram a imergir da barbárie quando aprenderam a cultivar a vinha e a oliveira”. Ver hoje nalgumas Misericórdias todas as actividades geradas à volta das vinhas e da elaboração do vinho, com a participação de crianças, idosos, e funcionários num convívio participado, franco e criativo é um exemplo de humanidade e civilização é afinal um hino à vida e ao prazer incentivo de estar vivo. Acresce, que o produto final, o vinho, é na maioria dos casos de excelente qualidade. Fecha-se um ciclo neste mês, com as várias colheitas e abre-se um novo, há que recomeçar tudo pensando e desejando sempre melhores resultados. Também o país prepara um novo ciclo com a apresentação do Orçamento de Estado, que nos promete rigor e muitas dificuldades, que atingirão em primeira mão os mais frágeis e desprotegidos socialmente. Este será mais um desafio para as Misericórdias portuguesas, que terão de ser capazes de encontrar os caminhos e opções certas perante tanta dificuldade e incerteza. Parece-me pois, despropositada e fora de tempo a questão levantada pela Hierarquia da Igreja sobre as Misericórdias. Agora que todos os esforços são poucos para responder aos que de nós mais necessitam, não é seguramente o tempo para nos perdermos em disputas que nada acrescentam ao bem-estar de quem nos olha como última esperança. Paulo Moreira paulo.moreira@ump.pt Voz das Misericórdias Órgão noticioso das Misericórdias em Portugal e no mundo Propriedade: União das Misericórdias Portuguesas Contribuinte: 501 295 097 Redacção e Administração: Rua de Entrecampos, 9, 1000-151 Lisboa Tels: 218 110 540 218 103 016 Fax: 218 110 545 e-mail: jornal@ump.pt Tiragem do n.º anterior: 13.550 ex. Registo: 110636 Depósito legal n.º: 55200/92 Assinatura Anual: Normal - €10 Benemérita – €20 Fundador: Dr. Manuel Ferreira da Silva Director: Paulo Moreira Editor: Bethania Pagin Design e Composição: Mário Henriques Publicidade: Paulo Lemos Colaboradores: Adriana Melo Celso Campos Filipe Mendes Patrícia Leitão Patrícia Posse Susana Martins Vera Campos Assinantes: Sofia Oliveira Impressão: Diário do Minho – Rua de Santa Margarida, 4 A 4710-306 Braga Tel.: 253 609 460 Nos dias que correm, o termo “Efi- ciência” assume cada vez mais im- portância na vida das Organizações. Na verdade é em busca da eficiên- cia que as organizações centram a maioria dos seus esforços, numa perspectiva do controlo dos custos, sejam eles efectivos ou de oportu- nidade. O Programa Gestão Sustentável, promovido pela União das Miseri- córdias Portuguesas, pretende ga- rantir a sustentabilidade das Santas Casas a quem se destina. Dada a natureza destas institui- ções e o seu carácter específico, é certo que o grau de potenciação das receitas se encontra de certa forma limitado, pelo que lhes resta, acima de tudo, controlar as suas estruturas de custo, de forma a poder desen- volver a sua missão, mantendo um bom equilíbrio de gestão. Assim, é aqui que a plataforma APTUS pode- rá acrescentar valor ao programa em causa. Passando a explicar, a APTUS, ao contrário de outras metodologias, permite efectuar um diagnóstico completo e orientado, minimizando diferenças de abordagens subjec- tivas ao bom senso do consultor, obrigando-o a estar atento às diver- sas e diferentes áreas da Organiza- ção e permitindo levantar questões e reflectir sobre actividades que poderiam passar despercebidas a alguém com menos experiência ou conhecimento. Para além deste guião orienta- do para o diagnóstico, completo e transversal, a APTUS vai mais longe e permite, através da homogeneiza- ção das perguntas a que cada con- sultor deve responder, uma análise mais profunda – a Comparabilidade de Boas Práticas (Benchmarking). De facto este é uma das vanta- gens competitivas desta platafor- ma face às demais, porque permite orientar, organizar e classifi- car, para depois comparar. Opinião Uma das vantagens competitivas desta plataforma face às demais, porque permite orientar, organizar e classificar, para depois comparar Correio VM Creches com horário alargado Sou assinante da Voz das Mise- ricórdias há pouco tempo, mas desde que sou estou bastante satisfeita, pois todos os meses permitem ao leitor ler reportagens sobre vários assuntos, não sendo repetitivos. Dei especial atenção à página da educação da edição anterior, pois sendo mãe há pouco tempo todos os temas de crianças são suficientes para despertar o interesse. Inscrevi a minha filha numa creche privada com a ideia de lhe tentar dar tudo de bom e poder ter a sorte de ter horários mais alargados para a irmos buscar (devido ao meu horário de trabalho e do meu marido), mas vendo A João Lobão Consultor da UMP para o projecto Gestão Sustentável Partilhar as boas práticas voz activa União das Misericórdias Portuguesas www.ump.pt30 vm outubro 2010
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    Num momento emque os cidadãos europeus são chamados a criar elos que garantam a existência de uma autêntica diversidade cultural, como factor de coesão, devemos repensar os fundamentos da Europa plural, como realidade aberta às diferentes culturas, consciente da sua memória e das suas raízes, baseada numa plu- ralidade de pertenças e na procura de valores comuns. Eis por que temos de olhar o Património Cultural na sua relação com as pessoas e as co- munidades, de modo a considerar e a concretizar uma prioridade efectiva à Cultura das pessoas, da memória e da criatividade. Karl Jaspers falava, aliás, da Europa como sinónimo de liberdade, história e ciência. Liberda- de, como vitória sobre o arbitrário. História, como encontro e diálogo. Ciência, como exigência de verdade.  A diversidade cultural e a plurali- dade de pertenças obrigam a recusar as identidades fechadas. As identida- des só ganham pleno sentido quando abertas e disponíveis para dar e rece- ber, e para assegurarem um diálogo entre tradição e modernidade. Tra- dição significa transmissão, dádiva, entrega, gratuitidade. Modernidade representa o que em cada momento acrescentamos à herança recebida. A novidade resulta sempre desse di- álogo entre o que recebemos e o que criamos. E a cultura situa-se nesse ponto de encontro e de saída – não em confronto com a natureza, mas complementarmente a ela. As casas, os lugares, as regiões, os povos, as nações têm um espírito, sempre feito de diferenças e de interdependência.  Temos, por isso, de entender o “espírito dos lugares” e de transfor- reflexão As identidades só ganham pleno sentido quando abertas e disponíveis para dar e receber, e para assegurarem um diálogo entre tradição e modernidade mar essa compreensão num modo de nos enriquecermos culturalmente a partir do diálogo entre o que re- cebemos dos nossos antepassados, correspondente ao património ma- terial e imaterial, e o que criamos de novo, a contemporaneidade – que nos insere na História, onde tudo se transforma. No entanto, deparamo- nos com a tentação do esquecimento e da indiferença. E o certo é que a falta de memória histórica leva-nos pelos caminhos da repetição trá- gica ou da violência cega. Que é a decadência senão a confusão entre memória e repetição? E a repetição de gestos e atitudes, para além do poder invocatório, conduz-nos, se não houver a capacidade de renovar, à ausência de vitalidade. E que é a barbárie senão a falta de memória? E a verdade é que a amnésia histórica e cultural conduz à subalternização e à irrelevância. Tradição e moderni- dade são, de facto, faces da mesma moeda. A história das sociedades é feitadeumdiálogopermanenteentre a força das raízes antigas e a vontade das novas gerações. E se a criação exige novidade e ruptura, a verdade é que a criação cultural e artística faz-sesempretendoemconsideração a herança cultural e o conhecimento do tempo que nos antecede.   Conhecer e compreender o Património significa aprender com a diferença. Não basta proclamar princípios abstractos, é indispensá- vel lançar pontes, realizar iniciati- vas comuns, reler a História à luz da compreensão dos conflitos e da sua superação pacífica e democrá- tica, recusar que o pêndulo apenas indique o sonho ou o pesadelo. Uma “cultura de paz” tem de se realizar com base no conhecimento e na compreensão, na educação e na cul- tura, na ciência e na comunicação, como tem afirmado Federico Mayor. Falar de “cultura da paz” não pode significar a invocação de uma mera “boa intenção”, trata-se de criar fac- tores de prevenção contra a guerra e a injustiça, contra a discriminação e a violência, contra a barbárie e o esquecimento. Estamos no cerne da “paideia” e da “humanitas”, para as quais educação e cultura se ligavam para despertar consciências e para criar e construir uma cidadania au- tónoma, activa e responsável.  Nada pior do que alimentar ilu- sões sobre realidades impossíveis. E o Património Cultural, num sentido amplo, poderá levar-nos a compre- ender a realidade humana, não como imagem idílica, mas como encruzi- lhada de vontades e de dúvidas, con- tra o fatalismo, os determinismos, a ignorância e o esquecimento. ideia de formarem um livro/com- pilação das mesmas, de forma aos leitores interessados poderem ad- quirir e terem sempre disponíveis para fácil utilização as receitas que deixam água na boca. Gostaria de saber se vão indicar também algu- mas receitas dos Açores e Madeira ou apenas do Continente. Maria Silva Vila Real Férias são férias… Ao ler o artigo em questão, da autoria do Director Geral da Misericórdia da Amadora, (VM de Agosto/Setembro 2010), pensei ser útil para todas as Misericórdias a informação que me proponho dar. A Santa Casa da Misericórdia de Albufeira, antes de existirem os ATL já tinha o cuidado de encontrar resposta para o acolhimento das crianças em férias sem terem que delas se ocupasse pelo facto de ambos os pais trabalharem. E assim organizava colónias de férias que se dedicavam a apoiar das 08:00 às 20:00 horas todas as crianças que necessitassem desse serviço, para o qual convidava voluntários, jovens estudantes, pertencentes a movi- mentos de igreja de várias dioceses do interior: Viseu, Lamego, Évora, Beja, Portalegre, a quem a troco de estadia gratuita era pedido o traba- lho da ocupação e vigilância daque- las crianças dando-lhes inclusive as refeições, a um preço simbólico. Também, sempre teve e mantém, um espaço não muito grande, com- porta apenas 22 pessoas, aonde recebe, em regime de colónia de férias, crianças, idosos, ou famílias sem capacidade económica para fazer férias, proporcionando-lhes igualmente, pequeno-almoço, almoço, lanche e ceia para além do alojamento, pelo qual nada pagam, cobrando apenas per- capita o custo da alimentação. Temos também a modalidade de permuta e assim tem sido possível levar as nossas crianças e jovens a conhecer o país: Almada, Coimbra, Campo de Besteiros, Régua, Tomar, Aldeias S.O.S etc, etc. É de facto quase inesgotável, se assim o desejarmos, o papel e acção que as Misericórdias podem ter, dada a sua capacidade e versa- tilidade de interferir na construção do bem comum. Também podemos acrescentar ainda, algo de não menos útil e que praticamos desde sempre: rece- ber idosos ou incapacitados por períodos de necessidade por férias ou internamento hospitalar dos familiares que os cuidam habitu- almente e, para terminar também fazemos, se nos for pedido, apoio domiciliário a famílias em turismo que necessitem dessa ajuda técnica a ser executada pelas nossas fun- cionárias adstritas a essas funções. Temos ainda um outro serviço, não menos necessário e útil: horário alar- gado da creche e infantário, 07:30 às 20:30 incluindo sábados, domingos e feriados, pois sobretudo na indus- tria hoteleira todos esses dias são de trabalho. Fechamos apenas nos dias de Natal, Ano Novo, Domingo de Páscoa e 1º de Maio. Mas, não esquecendo que as crianças neces- sitam do calor e presença dos pais, exigimos que os que trabalhem no fim-de-semana fiquem com os filhos no dia da sua folga. Também o nosso Centro de Dia funciona sem folgas, porque na reali- dade, todos os dias, mas todos, há in- felizmente quem não possa prescin- dir dos nossos serviços e apoio. Eis-nos pois, tal como somos e agimos, sempre de olhos postos no bem-estar e relativa felicidade que podemos, e por tal devemos, colocar ao alcance de todos os que necessi- tam e têm direito a também usufruir. Helena Serra Provedora da Misericórdia de Albufeira Guilherme d’Oliveira Martins Presidente do Conselho Nacional de Cultura CULTURA VIVA – MEMÓRIA E CRIAÇÃO Como Contactar-nos Correio Rua de Entre campos, 9, 1000-151 Lisboa Fax 218 110 545 email jornal@ump.pt As cartas devem ser identificadas com morada e número de telefone. O Voz das Misericórdias reserva-se o direito de seleccionar as partes que considera mais importantes. Os originais não solicitados não serão devolvidos www.ump.pt outubro 2010 vm 31
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    Abrantes Águeda Aguiarda Beira Alandroal Albergaria-a-Velha Albufeira Alcácer do Sal Alcáçovas Alcafozes Alcanede Alcantarilha Alcobaça Alcochete Alcoutim Aldeia Galega da Merceana Alegrete Alenquer Alfaiates Alfândega da Fé Alfeizerão Algoso Alhandra Alhos Vedros Alijó Aljezur Aljubarrota Aljustrel Almada Almeida Almeirim Almodovar Alpalhão Alpedrinha Altares Alter do Chão Alvaiázere Álvaro Alverca da Beira Alverca Alvito Alvor Alvorge Amadora Amarante Amares Amieira do Tejo Anadia Angra do Heroísmo Ansião Arcos de Valdevez Arez Arganil Armação de Pera Armamar Arouca Arraiolos Arronches Arruda dos Vinhos Atouguia da Baleia Aveiro Avis Azambuja Azaruja Azeitão Azinhaga Azinhoso Azurara Baião Barcelos Barreiro Batalha Beja Belmonte Benavente Be- nedita Boliqueime Bombarral Borba Boticas Braga Bragança Buarcos CabeçãoCabeço de Vide Cabrela Cadaval Caldas da Rainha Calheta/Açores Calheta/Madeira Caminha Campo Maior Canas de Senhorim Canha Cano Cantanhede Cardigos Carrazeda de Ansiães Carregal do Sal Cartaxo Cascais Castanheira de Pera Castelo Branco Castelo de Paiva Castelo de Vide Castro Daire Castro Marim Celorico da Beira Cerva Chamusca Chaves Cinfães Coimbra Condeixa-a-Nova Constância Coruche Corvo Covilhã Crato Cuba Elvas Entradas Entroncamento Ericeira Espinho Esposende Estarreja Estombar Estremoz Évora Évoramonte Fafe Fão Faro Fátima/Ourém Felgueiras Ferreira do Alentejo Ferreira do Zêzere Figueira de Castelo Rodrigo Figueiró dos Vinhos Fornos de Algodres Freamunde Freixo de Espada à Cinta Fronteira Funchal Fundão Gáfete Galizes Gavião Góis Golegã Gondomar Gouveia Grândola Guarda Guimarães Horta Idanha-a-Nova Ílhavo Ladoeiro Lages das Flores Lages do Pico Lagoa Lagoa/Açores Lagos Lamego LavreLeiria Linhares da Beira Loulé Loures Louriçal Lourinhã Lousã Lousada Mação Macedo de Cavaleiros Machico Madalena Mafra Maia/Açores Maia/Porto Mangualde Manteigas Marco de Canaveses Marinha Grande Marteleira Marvão Matosinhos Mealhada Meda Medelim Melgaço Melo Mértola Mesão Frio Messejana Mexilhoeira Grande Miranda do Corvo Miranda do Douro Mirandela Mogadouro Moimenta da Beira Monção Moncarapacho Monchique Mondim de Basto Monforte Monsanto Monsaraz Montalegre Montalvão Montargil Montemor-o-Novo Montemor-o-Velho Montijo Mora Mortágua Moscavide Moura Mourão Murça Murtosa Nazaré Nisa Nordeste Obra da Figueira Odemira Oeiras Oleiros Olhão Oliveira de Azeméis Oliveira de Frades Oliveira do Bairro Ourique Ovar Paços de Ferreira Palmela Pampilhosa da Serra Paredes de Coura Paredes Pavia Pedrogão Grande Pedrogão Pequeno Penacova Penafiel Penalva do Castelo Penamacor Penela da Beira Penela Peniche Pernes Peso da Régua Pinhel Pombal Ponta Delgada Ponte da Barca Ponte de Lima Ponte de Sor Portalegre Portel Portimão Porto de Mós Porto Santo Porto Póvoa de Lanhoso Póvoa de Santo Adrião Póvoa de Varzim Povoação Praia da Vitória Proença-a-Nova Proença-a-Velha Redinha Redondo Reguengos de Monsaraz Resende Riba de Ave Ribeira de Pena Ribeira Grande Rio Maior Rosmaninhal S. 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Entre elas, está a ser lançado,emarticulaçãocomtodasas Misericórdias,umprojecto-pilotoque divulgue e facilite a comercialização do artesanato elaborado voluntaria- mente por utentes e outros cidadãos. De acordo com o membro res- ponsável do Secretariado Nacional da UMP para a área do voluntariado, Infância Pamplona, o objectivo prin- cipal desta iniciativa é mostrar todo o empenhamento e trabalho por detrás dos trabalhos realizados nas Santas Casas. “Queremos divulgar o traba- lhoportrásdoproduto”,referiuares- ponsável,lembrandoqueaspeçasde artesanatosãoapenasa“partevisível do trabalho realizado por técnicos e voluntários nas instituições”. Apesar de relacionada com o AEV 2011, a iniciativa está a ser lan- çada neste momento por causa da proximidade do Natal, “uma época de partilha e dádiva, em que as pes- soas estão mais sensíveis a determi- nado tipo de iniciativa”. Neste contexto, a UMP vai bre- vemente disponibilizar no seu site, através do endereço http://volun- tariado.ump.pt/ump, uma página onde será possível visualizar, esco- lher e comprar estes produtos. “Todas as receitas resultantes das vendas revertem a favor da própria Misericórdia,paradarcontinuidadeà sua obra, uma vez que o elo é estabe- lecido entre o comprador e a própria Santa Casa. A UMP apenas divulga e promove os produtos”, destaca In- fânciaPamplona,deixandoaindaum apelo: “A colaboração das Misericór- diasnesteprojecto é fundamental,na medida em que o mesmo nos ajuda a divulgar uma actividade por muitos completamentedesconhecidosecom um valor humano incalculável que merece ser apreciado”. Ainda para marcar o AEV 2011, o Serviço de Voluntariado da UMP está a planear diversas actividades. Ainda segundo Infância Pamplona, responsável do Secretariado Nacio- nal da UMP por este projecto, para Março está previsto um evento de solidariedade para angariação de fundos que reverterão para a aqui- sição dos equipamentos da unidade de cuidados continuados que a UMP planeia construir em Fátima. Entre os meses de Maio e Junho prepara-se uma feira de artesanato onde serão expostos e vendidos os trabalhosrealizadosnasMisericórdias que integrarem este projecto-piloto. Finalmente, em Setembro, além de um encontro nacional entre técnicos, dirigentes e voluntários, está também agendado o acto público de entrega dosfundosangariadosemMarçoatra- vés do evento de solidariedade. Para aquela responsável, todo o esforço realizado no sentido de divulgar a importância do trabalho do voluntário será bem-vindo. “O objectivo de todas essas iniciativas é mostrar o valor e a importância dos voluntários nas Santas Casas que, em complementaridade com os téc- nicos, apoiam milhares de pessoas no país”, concluiu. As Misericórdias interessadas em participar neste projecto deve- rão enviar um e-mail para claudia. amanajas@ump.pt. Bethania Pagin O objectivo é mostrar o valor dos voluntários nas Santas Casas que, em complemen- taridade com os técnicos, apoiam milhares de utentes 2011 vai ser Ano Europeu do Voluntariado