Interculturalidade e Decolonialidade do Poder.pptx
1.
REVISTA ELETRÔNICA DAFACULDADE DE DIREITO (UFPEL)
ISSN 2448-3303
INTERCULTURALIDADE E
DECOLONIALIDADE DO
PODER
Um pensamento e posicionamento “outro" a partir da
diferença colonial
CATHERINE WALSH
Universidad Andina Simón Bolívar, Ecuador
Reflexões sobre o giro decolonial e a diversidade epistêmica.
2024
APRESENTAÇÃO ACADÊMICA
2.
Introdução ao Conceitode Interculturalidade
Mais que uma simples inter-relação, a interculturalidade na América Latina representa um projeto social, político, ético e
epistêmico orientado à descolonização.
PERSPECTIVA GLOBAL NORTE
Comunicação e Inter-relação
PERSPECTIVA DECOLONIAL (WALSH)
Transformação e Descolonização
Conhecimento Outro
Produção de saberes fora dos
legados eurocêntricos.
Prática Política Outra
Ação baseada na práxis dos
movimentos sociais.
Poder Social Outro
Reconfiguração das estruturas de
poder vigentes.
Sociedade Outra
Construção de um novo modelo
civilizatório.
"Um paradigma outro, que é pensado por meio da práxis política... relacionado com e contra a modernidade/colonialidade." — Catherine Walsh
3.
MOVIMENTOS INDÍGENAS EAGÊNCIA POLÍTICA
CONSTRUÇÃO DA INTERCULTURALIDADE
A CONAIE e o Princípio Ideológico de Transformação
"O princípio da interculturalidade
respeita a diversidade... mas
demanda unidade nos níveis
econômico, social, cultural e político."
PROJETO POLÍTICO CONAIE, 1997
EIXOS DE UNIDADE
Econômico Social
Político Cultural
RUMO A UMA "NOVA DEMOCRACIA"
A interculturalidade é um dos nove princípios que dirigem o projeto político, visando a
construção de uma estrutura estatal garantidora da participação permanente.
01
Anticolonialista
02
Anticapitalista
03
Anti-imperialista
04
ANTISSEGREGACIONISTA
Foco: Mudança estrutural do Estado Uninacional para o Plurinacional.
4.
PROPOSTA DO MOVIMENTOINDÍGENA
Estado Plurinacional:
Proposta Transformadora
ESTADO UNINACIONAL
Capitalista, burguês e excludente
Poder elitista dominante e classista
Homogeneidade cultural imposta
ESTADO PLURINACIONAL
Inclusivo e integrador de todos os setores
União do poder político, econômico e social
Garante direitos individuais e coletivos
Superação das Heranças Sociais
Analfabetismo Pobreza Desemprego Racismo
"Promover a unidade, equidade e solidariedade entre todos os povos, reconhecendo suas diferenças históricas, políticas e culturais."
5.
Universidade Intercultural eEpistemologia
Fronteiriça
Amawtay Wasi: A "Casa do Conhecimento" como Prática de Descolonização
Conhecimentos Indígenas
Cosmovisões, racionalidade de Abya Yala
e saberes milenares.
PENSAMENTO FRONTEIRIÇOINTER-
EPISTEMOLOGIA
Diálogo teórico baseado na alteridade
Ciência Ocidental
Paradigmas teóricos e bases
experimentais acadêmicas.
PLURIVERSIDADE
Oposição ao modelo de Universidade
"monotópica". Propõe múltiplos centros de saber.
CO-CONSTRUÇÃO
Não busca a hibridização, mas a articulação de
diversas racionalidades para impacto social real.
DESMONTE
Confronto intelectual com o neocolonialismo e a
suposta universalidade do saber eurocêntrico.
"A criação da UINPI não significa a divisão da ciência entre a que é e a que não é indígena... significa a criação de um novo campo conceitual, analítico e teórico." (ICCI, 2000)
6.
CON F LI TOS DE S E N T I D O
INTERCULTURALIDADE VS
MULTICULTURALISMO
MULTICULTURALISMO NEOLIBERAL
Lógica do Estado e do MercadoFoco na inclusão funcional
para manter a ideologia neoliberal.
Unidade na DiversidadeReconhecimento formal que deixa
a base ideológica intacta.
Simulacro de InclusãoIncorporação de demandas
subalternas para debilitar a oposição.
vs
INTERCULTURALIDADE CRÍTICA
Projeto de TransformaçãoReclama a necessidade de o
Estado reconhecer a diferença colonial.
Ruptura EpistêmicaConstrução de uma lógica "outra" a
partir do lugar de enunciação dos subalternos.
Descolonização EstruturalVisa mudar as estruturas do
poder colonial, não apenas "incluir" no sistema atual.
"Enquanto o Estado quer ser inclusivo para manter a ideologia neoliberal, o projeto intercultural dos movimentos indígenas
está propondo uma transformação radial."— CATHERINE WALSH / WALTER MIGNOLO
7.
DIFERENÇA COLONIAL EGEOPOLÍTICA DO
CONHECIMENTO
Visibilizando as estruturas de poder e o racismo epistêmico.
A MATRIZ COLONIAL
01. Racismo Epistêmico: Marginalização de conhecimentos
não-ocidentais como "folclore", em oposição à "ciência
real".
02. Diferença Colonial: Consequência da subordinação
histórica de povos e saberes sob o jugo eurocêntrico.
03. Monotopismo: A imposição de um pensamento
"universal" que ignora seu lugar geopolítico.
RESPOSTA INTERCULTURAL
Posicionamento Crítico Fronteiriço
Pensar a partir da alteridade para mudar os termos da conversa.
Inter-epistemologia
Construção de novos espaços que negociam conhecimentos indígenas
e ocidentais.
Transgressão das Fronteiras
Desafiar a hegemonia do "Norte Global" como centro legítimo
acadêmico.
"A interculturalidade introduz o jogo da diferença colonial que o conceito de
multiculturalidade esconde."
WALSH, 2019
Página 7 de 8
8.
CONCLUSÃO: RUMO ÀTRANSFORMAÇÃO
DESCOLONIZAÇÃO E
TRANSFORMAÇÃO SOCIOPOLÍTICA
FERRAMENTA DE VISIBILIZAÇÃO
A interculturalidade organiza a
diferença colonial, tornando visíveis
as condições coloniais actuais.
POSICIONAMENTO CRÍTICO
O pensamento fronteiriço permite
mover-se através de uma "outra
lógica", mudando os termos do poder.
CONSTRUÇÃO ALTERNATIVA
Criação de uma civilização
alternativa onde a diferença é
constitutiva da estrutura social.
A interculturalidade busca uma construção alternativa que responda à
recolonialização do poder.
CATHERINE WALSH • O GIRO DECOLONIAL PRÁXIS POLÍTICA • INTERCULTURALIDADE EPISTÊMICA