GLOBALIZAÇÃO E IMAGINÁRIO SEXUAL, OU DENISE ESTÁ CHAMANDO APRESENTAÇÃO: Édina de Carvalho
MUNDO VIRTUAL
Globalização e imaginário sexual,  ou Denise está chamando O texto “Globalização e imaginário sexual, ou Denise está chamando” de Margareth Rago é inspirado no filme “Denise está chamando”. Neste texto, a autora aborda as mudanças que, na era da globalização, afetam o nosso imaginário sexual, e como se constrói as relações entre os gêneros.
Ainda, apresenta duas possibilidades interpretativas e contraditórias: de um lado ressalta, sobre uma tendência à atomização e à dessexualização do individuo; de outro, percebe um processo de erotização do cotidiano ou de re-significação das práticas sexuais.
Para onde caminhamos em termos de comunicação e de sociabilidade? Para um total isolamento e atomização, para o recolhimento seguro na esfera privada e da intimidade, protegidos pelas máquinas e pelo telefone? As relações pessoais, corpo a corpo, serão mediadas perversamente pelas novas tecnologias, levando-nos a uma terrível solidão e falta de contato físico e sexual? O contato entre duas pessoas será então substituído pelo sexo virtual?
A autora sugere duas problematizações: a primeira corresponde às transformações ocorridas nas relações de gêneros; a segunda, diz respeito às mudanças em nosso imaginário sexual (imagens, concepções, valores etc.). Com a globalização, os meios tecnológicos e a mídia têm afetado radicalmente não apenas as relações entre mulheres e homens, mas também o próprio imaginário sexual.
Constitui-se uma nova forma de pensar, entre outras coisas, a dimensão da subjetividade e da sexualidade.  Desta forma, um novo imaginário sexual está se formando, no qual as imagens, a cultura visual, certamente substituem a cultura das palavras e a importância da memória.
Se retornarmos aos anos 60, veremos que houve um repensar dos códigos sexuais, de conduta e dos padrões de gêneros. Marilyn Monroe, entre outros, divulgados no cinema e televisão, atualmente são vistos como objetos de risadas e brincadeiras.
Fala-se hoje no corpo performático, artificial, fala-se também na possibilidade de inventar novos territórios desejantes, novos corpos, novas subjetividades, novos modos de existência.  Mulheres e homens ensaiam outras possibilidades de ficarem amorosamente, para além das formas tradicionais de relacionamento, como o namoro, o noivado, e o casamento.
Atualmente, se constata uma profunda mudança no imaginário sexual. As roupas, objetos sexuais, vídeos pornôs, todas as parafernálias de sexshops, hoje são peças envelhecidas. O vermelho ainda é a cor erótica por excelência, ou se tornou cafona diante das novas tonalidades?
O modelo de homem dos anos 90 é de um homem auto-centrado, “na dele”, firme e decidido, não “dá baixarias”.  Da mesma forma, a mulher dos anos 90, já não é tão dócil, passiva e vitimizada. É agressiva no mercado e no sexual. Ela é anti Marilyn Monroe.
Estas mudanças apontam para a superação dos antigos códigos sexuais e dos tradicionais jogos de sedução, traduzindo um profundo mal-estar na heterossexualidade, a partir da crise das identidades sexuais e da desestabilização das antigas referências morais.
Assim, procuram, novas possibilidades de comunicação afetiva e sexual, a partir de um tipo de negociação estabelecida entre ambos.
A DESSEXUALIZAÇÃO DA VIDA COTIDIANA Em tempos de globalização, não se sabe ao certo se vivemos em um tempo de dessexualização da vida cotidiana ou na banalização do sexo. A autora coloca, que a uma diminuição no nível da sexualização dos jogos de sedução, do interesse pelo erótico e pornográfico, ou de uma re-significação das práticas sexuais.
Por outro lado, se pergunta se estaria havendo uma redefinição dos códigos de sexualidade e do próprio imaginário sexual, ou uma perda radical do erotismo, da excitação e da sensualidade, por um mundo mais radical, frio, técnico e mecanizado?
Desta forma, fica difícil responder, tais perguntas. Segundo Margareth é possível considerar uma transformação dessexualizante, pois novos padrões de beleza passam a valorizar o corpo magro, ágil, retilíneo e não mais excitantes curvas corporais femininas apreciadas no passado como; os seios grandes para os americanos e a bunda para os latinos.
Assim, a bunda, por mais que esteja no imaginário masculino, já não pertence mais à “boazuda” e sim a uma loira jovem e magra que está mais para a professora de academia do que para sedutora.  As dietas crescem ao lado das academias de ginástica. O strip-tease perde o seu mistério, o bordel deixa de ser o principal lugar dos encontros clandestinos, das perversões sexuais e orgias.
Nota-se que as referências sexuais das gerações anteriores não são mais as mesmas, pois hoje é difícil diferenciar uma “mulher casta” de uma prostituta.
Isso nos mostra que a sexualidade deixa de ser pensada em termos relacionais (penetração) passando a ser vivida enquanto problema intímo, enquanto prazer solitário, ou relação consigo mesmo.
 
A RE-SIGNIFICAÇÃO DO SEXO A autora propõe pensar em direção oposta da dessexualização do sexo, para podermos pensar em uma re-significação sexual e do social.  Digamos que não há uma perda do interesse sexual, mas uma mudança na maneira pelo qual o sexo é representado e experimentado.
Uma nova economia desejante se configura, o sexo deixa de ser representado como uma energia negativa “psicopatológica” e passa a ser pensado como uma energia positiva que deve circular e fluir para tornar o individuo saudável e equilibrado.
Aqui, então estaria ocorrendo não um movimento de dessexualização, mas ao contrário uma redefinição do campo sexual. Atualmente, homens e mulheres passam a experimentar outras zonas erógenas.  O parceiro sexual pode ser ou não do mesmo sexo. Propõe-se a substituição do conceito de homossexualidade por homoerotismo .
Com o capitalismo, o sexo passa a ser visível, na moda, na roupa, na aparência, nos gestos e comportamentos.  A inversão das posições na cama, o sexo oral, anal, a masturbação, homossexualismo, o lesbianismo e as demais práticas que constituem as “perversões sexuais” passam a ser vistas como normais.
No caso do feminismo, a libertação da mulher supôs a desconstrução de todas as antigas crenças sobre o seu corpo, sua sexualidade, a maternidade, assim como, novas descobertas de tecnologias produtivas.  Os homossexuais passam a investir radicalmente contra o modelo “machista” de homem, apostando em outras possibilidades de construção de masculinidade.
Além disso, propuseram novas formas de relacionamento amoroso, revelando o quanto as práticas heterossexuais estão envelhecidas. Portanto, a autora finaliza deixando está pergunta;
Para onde vamos em se tratando dos jogos de sedução? Diante de tantas possibilidades provenientes da diversidade cultural, diante de tanta critica e desconstrução dos significados simbólicos investidos nas construções das identidades sexuais e nas formas de relacionamento?
Difícil de responder, mas é possível pensar que a sexualidade tornou-se algo maleável, pronta para ser assumida de diversas maneiras, se desvinculado da sua essência, a reprodução para a busca de novos prazeres, sem censuras ou restrições.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Educação, Subjetividade e Poder. Porto Alegre. n.5, vol. 5, p. 40-47. Julho 1998.
FIM...

GlobalizaçãO

  • 1.
    GLOBALIZAÇÃO E IMAGINÁRIOSEXUAL, OU DENISE ESTÁ CHAMANDO APRESENTAÇÃO: Édina de Carvalho
  • 2.
  • 3.
    Globalização e imagináriosexual, ou Denise está chamando O texto “Globalização e imaginário sexual, ou Denise está chamando” de Margareth Rago é inspirado no filme “Denise está chamando”. Neste texto, a autora aborda as mudanças que, na era da globalização, afetam o nosso imaginário sexual, e como se constrói as relações entre os gêneros.
  • 4.
    Ainda, apresenta duaspossibilidades interpretativas e contraditórias: de um lado ressalta, sobre uma tendência à atomização e à dessexualização do individuo; de outro, percebe um processo de erotização do cotidiano ou de re-significação das práticas sexuais.
  • 5.
    Para onde caminhamosem termos de comunicação e de sociabilidade? Para um total isolamento e atomização, para o recolhimento seguro na esfera privada e da intimidade, protegidos pelas máquinas e pelo telefone? As relações pessoais, corpo a corpo, serão mediadas perversamente pelas novas tecnologias, levando-nos a uma terrível solidão e falta de contato físico e sexual? O contato entre duas pessoas será então substituído pelo sexo virtual?
  • 6.
    A autora sugereduas problematizações: a primeira corresponde às transformações ocorridas nas relações de gêneros; a segunda, diz respeito às mudanças em nosso imaginário sexual (imagens, concepções, valores etc.). Com a globalização, os meios tecnológicos e a mídia têm afetado radicalmente não apenas as relações entre mulheres e homens, mas também o próprio imaginário sexual.
  • 7.
    Constitui-se uma novaforma de pensar, entre outras coisas, a dimensão da subjetividade e da sexualidade. Desta forma, um novo imaginário sexual está se formando, no qual as imagens, a cultura visual, certamente substituem a cultura das palavras e a importância da memória.
  • 8.
    Se retornarmos aosanos 60, veremos que houve um repensar dos códigos sexuais, de conduta e dos padrões de gêneros. Marilyn Monroe, entre outros, divulgados no cinema e televisão, atualmente são vistos como objetos de risadas e brincadeiras.
  • 9.
    Fala-se hoje nocorpo performático, artificial, fala-se também na possibilidade de inventar novos territórios desejantes, novos corpos, novas subjetividades, novos modos de existência. Mulheres e homens ensaiam outras possibilidades de ficarem amorosamente, para além das formas tradicionais de relacionamento, como o namoro, o noivado, e o casamento.
  • 10.
    Atualmente, se constatauma profunda mudança no imaginário sexual. As roupas, objetos sexuais, vídeos pornôs, todas as parafernálias de sexshops, hoje são peças envelhecidas. O vermelho ainda é a cor erótica por excelência, ou se tornou cafona diante das novas tonalidades?
  • 11.
    O modelo dehomem dos anos 90 é de um homem auto-centrado, “na dele”, firme e decidido, não “dá baixarias”. Da mesma forma, a mulher dos anos 90, já não é tão dócil, passiva e vitimizada. É agressiva no mercado e no sexual. Ela é anti Marilyn Monroe.
  • 12.
    Estas mudanças apontampara a superação dos antigos códigos sexuais e dos tradicionais jogos de sedução, traduzindo um profundo mal-estar na heterossexualidade, a partir da crise das identidades sexuais e da desestabilização das antigas referências morais.
  • 13.
    Assim, procuram, novaspossibilidades de comunicação afetiva e sexual, a partir de um tipo de negociação estabelecida entre ambos.
  • 14.
    A DESSEXUALIZAÇÃO DAVIDA COTIDIANA Em tempos de globalização, não se sabe ao certo se vivemos em um tempo de dessexualização da vida cotidiana ou na banalização do sexo. A autora coloca, que a uma diminuição no nível da sexualização dos jogos de sedução, do interesse pelo erótico e pornográfico, ou de uma re-significação das práticas sexuais.
  • 15.
    Por outro lado,se pergunta se estaria havendo uma redefinição dos códigos de sexualidade e do próprio imaginário sexual, ou uma perda radical do erotismo, da excitação e da sensualidade, por um mundo mais radical, frio, técnico e mecanizado?
  • 16.
    Desta forma, ficadifícil responder, tais perguntas. Segundo Margareth é possível considerar uma transformação dessexualizante, pois novos padrões de beleza passam a valorizar o corpo magro, ágil, retilíneo e não mais excitantes curvas corporais femininas apreciadas no passado como; os seios grandes para os americanos e a bunda para os latinos.
  • 17.
    Assim, a bunda,por mais que esteja no imaginário masculino, já não pertence mais à “boazuda” e sim a uma loira jovem e magra que está mais para a professora de academia do que para sedutora. As dietas crescem ao lado das academias de ginástica. O strip-tease perde o seu mistério, o bordel deixa de ser o principal lugar dos encontros clandestinos, das perversões sexuais e orgias.
  • 18.
    Nota-se que asreferências sexuais das gerações anteriores não são mais as mesmas, pois hoje é difícil diferenciar uma “mulher casta” de uma prostituta.
  • 19.
    Isso nos mostraque a sexualidade deixa de ser pensada em termos relacionais (penetração) passando a ser vivida enquanto problema intímo, enquanto prazer solitário, ou relação consigo mesmo.
  • 20.
  • 21.
    A RE-SIGNIFICAÇÃO DOSEXO A autora propõe pensar em direção oposta da dessexualização do sexo, para podermos pensar em uma re-significação sexual e do social. Digamos que não há uma perda do interesse sexual, mas uma mudança na maneira pelo qual o sexo é representado e experimentado.
  • 22.
    Uma nova economiadesejante se configura, o sexo deixa de ser representado como uma energia negativa “psicopatológica” e passa a ser pensado como uma energia positiva que deve circular e fluir para tornar o individuo saudável e equilibrado.
  • 23.
    Aqui, então estariaocorrendo não um movimento de dessexualização, mas ao contrário uma redefinição do campo sexual. Atualmente, homens e mulheres passam a experimentar outras zonas erógenas. O parceiro sexual pode ser ou não do mesmo sexo. Propõe-se a substituição do conceito de homossexualidade por homoerotismo .
  • 24.
    Com o capitalismo,o sexo passa a ser visível, na moda, na roupa, na aparência, nos gestos e comportamentos. A inversão das posições na cama, o sexo oral, anal, a masturbação, homossexualismo, o lesbianismo e as demais práticas que constituem as “perversões sexuais” passam a ser vistas como normais.
  • 25.
    No caso dofeminismo, a libertação da mulher supôs a desconstrução de todas as antigas crenças sobre o seu corpo, sua sexualidade, a maternidade, assim como, novas descobertas de tecnologias produtivas. Os homossexuais passam a investir radicalmente contra o modelo “machista” de homem, apostando em outras possibilidades de construção de masculinidade.
  • 26.
    Além disso, propuseramnovas formas de relacionamento amoroso, revelando o quanto as práticas heterossexuais estão envelhecidas. Portanto, a autora finaliza deixando está pergunta;
  • 27.
    Para onde vamosem se tratando dos jogos de sedução? Diante de tantas possibilidades provenientes da diversidade cultural, diante de tanta critica e desconstrução dos significados simbólicos investidos nas construções das identidades sexuais e nas formas de relacionamento?
  • 28.
    Difícil de responder,mas é possível pensar que a sexualidade tornou-se algo maleável, pronta para ser assumida de diversas maneiras, se desvinculado da sua essência, a reprodução para a busca de novos prazeres, sem censuras ou restrições.
  • 29.
    REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Educação,Subjetividade e Poder. Porto Alegre. n.5, vol. 5, p. 40-47. Julho 1998.
  • 30.