O poema descreve o desejo do autor de doar todas as suas posses e memórias para poder renascer livre de fantasmas do passado em uma estrela distante ou mar tranquilo, onde possa recomeçar sua vida sem os destroços de seus sentimentos.
Fuga
Quem me dera já ter doado tudo
Roupas, bens, qualquer lembrança
E guardando apenas a esperança
Sair da vida silencioso e mudo
Deixar aqui fantasmas e argumentos
Renascer em alguma estrela pálida
Recomeçar alguma história cálida
Sem os destroços dos meus sentimentos
Quem me dera haver cortado o laço
Do apego, e sem deixar um traço
Ressurgir em algum mar de calmaria
Quem me dera ao menos por um dia
Em um extremo ato de ousadia
Dar a mim mesmo minha alforria