A Alegoria daCaverna de Platão
O Papel do Filósofo e A Influência de Sócrates.
Professor João Henrique Breda Dias
11.2020
Campus Recife
2.
Introdução
O que éa Alegoria da Caverna?
A Alegoria da Caverna é uma história encontrada no Livro VII da obra A República, de
Platão.
Esta história é também muito conhecida pelo nome “mito da caverna”, mas usar a
expressão “mito” para falar desta história poderia levar a uma confusão, poderia fazer
alguém acreditar que Platão estaria relatando mitos como Homero o Hesíodo faziam,
enquanto que, na verdade, a narrativa platônica possui uma função completamente
diferente.
A história de Platão, apesar de ser fictícia, está mais para uma metáfora com fins
educativos do que uma história imaginada para oferecer uma compreensão primitiva do
mundo, como era os casos dos mitos.
Por isto, a história de Platão deveria ser chamada de Alegoria, e não “Mito”, da Caverna.
3.
Alegoria da Caverna– Primeira Parte
Os prisioneiros na caverna
A história de Platão se inicia com prisioneiros peculiares que se encontram
acorrentados no interior de uma caverna, presos de maneira que conseguem olhar
apenas para o fundo da caverna.
Atrás destes prisioneiros situa-se uma fogueira e, entre esta fogueira e os
prisioneiros, um caminho por onde passam várias pessoas segurando objetos. Os
objetos são iluminados pela fogueira e projetam suas sombras para o interior da
Caverna.
Os prisioneiros ali situados passaram suas vidas olhando apenas para estas
sombras e ignoram completamente o que existe fora da caverna. Para eles, as
sombras são a realidade.
4.
Alegoria da Caverna– Segunda Parte
Um prisioneiro é libertado
Certo dia, um prisioneiro desta caverna é libertado das suas correntes e consegue
sair da caverna.
Ao emergir de seu cativeiro, primeiro ele sente sua vista ofuscada pela luz do dia,
pois está entrando em um ambiente iluminado pela luz do sol pela primeira vez.
Ao acostumar-se com luminosidade do ambiente, consegue pela primeira vez
enxergar o mundo do lado de fora da caverna e, pouco a pouco, vai levantando os
olhos, observando os objetos reais que ali se encontram, até conseguir contemplar
o sol, a origem de toda aquela luz no exterior.
O que o prisioneiro que se libertou deveria fazer a seguir?
5.
Alegoria da Caverna– Terceira Parte
Regresso à caverna
Platão coloca a seguinte questão: o que aconteceria ao prisioneiro liberto se ele decidir
retornar para a caverna?
Talvez com a intenção de ajudar seus companheiros de longa data a escapar daquela
prisão ele retorne às trevas e tente comunicar aos prisioneiros da caverna toda a
realidade que testemunhou do lado externo.
Se o prisioneiro livre avisar aos seus colegas que as sombras que enxergaram toda sua
vida são, na verdade, mera ilusão – a aparência da realidade - e que a verdade se
encontra no exterior, como eles reagiriam?
Platão considera que, ao retornar à caverna, o prisioneiro liberto provavelmente seria
mal recebido por seus colegas e, ao tentar ajudá-los, seria vítima de piadas e poderia até
mesmo ser morto.
6.
Análise da Alegoria– Primeira Parte
Quem são os prisioneiros na caverna?
Sabendo que a Alegoria da Caverna é uma metáfora – ou seja, uma história que
quer representar alguma verdade simbolicamente – deveríamos nos indagar:
a) Na vida real, quem são os prisioneiros na caverna?
b) O que representam as sombras que os prisioneiros são forçados a contemplar?
c) O que são as correntes que mantém os prisioneiros naquela situação?
Com a Alegoria da Caverna, Platão quer nos ensinar que todos nós nos
encontramos como os prisioneiros da caverna. As sombras são as ilusões que
tomamos como realidade – crenças falsas que confiamos ser verdadeiras e as
correntes são as forças que tentam nos impedir de nos livrarmos destas ilusões: o
conforto de não questionar o que acreditamos e a pressão social em manter as
mesmas crenças grupo que fazemos parte.
7.
Análise da Alegoria– Segunda Parte
A subida ao mundo externo
Na segunda parte da história, um prisioneiro sai da caverna e contempla o mundo
real. O que será que o prisioneiro libertado representa para Platão?
Quando este personagem sai da caverna e tem contato com o mundo externo, o
mundo real, o que isto quer nos ensinar? Por fim, o prisioneiro acaba olhando para
o próprio sol – qual deve ser o significado desta contemplação?
Platão provavelmente quer nos dizer o seguinte: O prisioneiro libertado representa
o filósofo, o encontro com o mundo externo significa a descoberta da verdade e a
contemplação do sol – a fonte da luz no mundo exterior – simbolizava a descoberta
do filósofo da Ideia do Bem, que seria a Ideia mais elevada na filosofia platônica
Por isto, a contemplação do sol simbolicamente significa o desenvolvimento
máximo do pensamento de alguém.
8.
Análise da Alegoria– Terceira Parte
O que significa a volta à caverna?
Na terceira parte da história, Platão pergunta ao leitor o que aconteceria se o prisioneiro
libertado retornasse para a caverna. Ele próprio conclui que ao realizar o regresso, o ex-
prisioneiro seria recebido com hostilidade pelos que permaneceram na caverna.
Por que este personagem decidiria voltar para a caverna?
Por que os presos na caverna receberiam o seu colega mal?
Para Platão, o filósofo – representado na história pelo prisioneiro que sai da caverna –
volta a Caverna por causa de duas responsabilidades: i) Pedagógico: transmitir o que
aprendeu e ii) Político: Platão acreditava que os filósofos deveriam exercer a liderança
política na Polis.
Porém, apesar dos esforços do filósofo da história, a Alegoria da Caverna nos ensina que
as pessoas, muitas vezes por conformismo, não gostam de ter sua visão de mundo
questionada e podem reagir com hostilidade contra quem provocar estas indagações.
9.
A Influência deSócrates - 1
Platão indica, na Alegoria da Caverna, que o filósofo que incomoda os outros com
seus questionamentos está colocando sua vida em risco. Por que ele considerava
que a responsabilidade do filósofo seria tão perigosa?
O motivo disto se deve à influência que seu professor exerceu em sua filosofia.
Sócrates foi um filósofo que passava seus dias nas praças públicas conversando
com todos e propondo questionamentos que, na maioria das vezes, seus
interlocutores não sabiam responder. As perguntas de Sócrates eram tão difíceis
porque eram perguntas sobre conceitos humanos – como “o que é a beleza?”, “o
que é a justiça?” ou “o que é a sabedoria?”. Estas perguntas eram novidades
filosóficas – antes de Sócrates, os filósofos se dedicavam exclusivamente a refletir
sobre a natureza.
10.
A Influência deSócrates - 2
Qual seria o problema destes questionamentos socráticos? Considere que Sócrates não
escolhia seu interlocutor – abordava quem estivesse passando pela praça e propunha
questões que, a primeira vista, o interlocutor deveria saber a resposta, mas que, quando
examinadas em detalhe, ele descobria-se com dificuldade para responder.
Admitir que não sabia a resposta das perguntas de Sócrates poderia causar um grande
embaraço aos seus interlocutores – principalmente se fossem pessoas socialmente
importantes em Atenas que tivessem o azar de estar passando pela praça exatamente na
hora em que Sócrates se encontrava ali.
Para piorar ainda mais o embaraço, a habilidade que Sócrates demonstrava em propor
perguntas que ninguém conseguia responder foi percebida pelos jovens das famílias
importantes de Atenas, que começaram a seguir Sócrates e criar uma espécie de plateia
todas a vezes que Sócrates iria iniciar seus debates.
11.
A Influência deSócrates - 3
Eventualmente, as pessoas ilustres de Atenas se cansaram de ser incomodadas por este
filósofo que trazia uma pequena plateia por onde ia e sempre acabava envergonhando a
pessoa com quem conversasse por colocar insistentemente perguntas que ninguém
respondia.
O resultado deste incômodo foi que Sócrates acabou sendo acusado de um crime –
corromper a juventude – e, infelizmente, acabou sendo condenado no julgamento à pena
de morte.
A morte de Sócrates influenciou profundamente Platão – que era um dos jovens ricos que
seguia Sócrates em suas empreitadas filosóficas. Platão passou, por isto, a acreditar que o
trabalho do filósofo poderia incomodar tanto as pessoas que chegaria a representar um
risco para a vida do próprio filósofo – o que explica o final da Alegoria da Caverna.