Devo estar ficando velho
Tudo a minha volta já começa
a parecer, de tão novo, tão sem nome...
E os objetos e as pessoas...
Já permanecem tão crianças...
É como se uma saudade
quisesse se impor, acertar contas
Viesse sempre fazer cócegas,
companhia em horas mais que impróprias,
Jogar areia nos meus olhos...
Se não é então velhice,
o que seria esse sintoma?
Esse corpo pesado, insuportável
peso de coisas inacabadas
amores, frases que ninguém disse
presas na garganta como brinquedos
danificados no canto
como lúdicas ilusões sem cor
folhas que o vento ao longe lançou...
Devo estar de cabelos brancos
Não reconheço essas sombras
assustadas no espelho a dizerem
que as musas ainda bailam...
embora sei que eu não mereça...
Respeitem esses versos rabiscados
no papel amarelo do pão de cada ontem....
Devo estar ficando velho...
Tudo que vejo à minha volta
já se comporta e se projeta tão sem nome...
Cláudio Bertode

Devo estar ficando velho

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    Devo estar ficandovelho Tudo a minha volta já começa a parecer, de tão novo, tão sem nome... E os objetos e as pessoas... Já permanecem tão crianças... É como se uma saudade quisesse se impor, acertar contas Viesse sempre fazer cócegas, companhia em horas mais que impróprias, Jogar areia nos meus olhos... Se não é então velhice, o que seria esse sintoma? Esse corpo pesado, insuportável peso de coisas inacabadas amores, frases que ninguém disse presas na garganta como brinquedos danificados no canto como lúdicas ilusões sem cor folhas que o vento ao longe lançou... Devo estar de cabelos brancos Não reconheço essas sombras assustadas no espelho a dizerem que as musas ainda bailam... embora sei que eu não mereça... Respeitem esses versos rabiscados no papel amarelo do pão de cada ontem.... Devo estar ficando velho... Tudo que vejo à minha volta já se comporta e se projeta tão sem nome... Cláudio Bertode