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ALISON GABRIEL MOREIRA GUERREIRO 
ANDERSON FABIANO PEREIRA 
AUGUSTO DE PAULA SOUZA 
DHANDARA EMMANUELY MESSIAS 
GABRIELA DE ANDRADE NUNES 
GABRIELE MELO LEONARDI DOS SANTOS 
ISABELA NIZER 
LARISSA FERREIRA DE FRANÇA 
LUCAS JOSÉ NEVES 
Circuito dos Grupos de Teatro em Curitiba 
Trabalho apresentado ao Curso de Comunicação Organizacional da Universidade                 
Tecnológica Federal do Paraná como         
requisito parcial para aprovação na         
disciplina de Projeto Integrador 2, sob a             
orientação geral da Prof.ª Dra. Valéria           
Oliveira Santos. 
Curitiba, 2018 
   
Lista de Figuras 
F​IGURA​ 1 - A N​EO​V​IDA​ ​CONTEMPORÂNEA​ ​COMO​ ​ELA​ ​É​ - F​ONTE​: A​CERVO​ P​RÓPRIO​, 2019. 25 
F​IGURA​ 2 - S.E.M M​ULHER​ M​ONSTRO​ - F​ONTE​: A​CERVO​ P​RÓPRIO​, 2019. 26 
F​IGURA​ 3 - GRUTA - F​ONTE​: A​CERVO​ P​RÓPRIO​, 2019. 27 
F​IGURA​ 4 - IBB - P​AZCOA​ - F​ONTE​: A​CERVO​ P​RÓPRIO​, 2019. 28 
F​IGURA​ 5 - T​UA​ A​ÇÃO​ - F​ONTE​: A​CERVO​ P​RÓPRIO​, 2019. 29 
F​IGURA​ 6 - L​ANTERI​ - F​ONTE​: A​CERVO​ P​RÓPRIO​, 2019. 30 
F​IGURA​ 7 - A​RTE​ ​E​ ​VIDA​ - F​ONTE​: A​CERVO​ P​RÓPRIO​, 2019. 31 
F​IGURA​ 8 - C​RÂNIO​ Y​ORICK​ - F​ONTE​: A​CERVO​ P​ESSOAL​, 2019 54 
F​IGURA​ 9 - I​NFOGRÁFICO 63 
F​IGURA​ 10 - "P​ALETAS​" 64
 
   
Lista de abreviaturas e siglas 
CCCEP   Corpo Cênico do Colégio Estadual do Paraná 
CEP  Colégio estadual do Paraná 
CEEP   Colégio Estadual de Ensino Profissional 
CIA Companhia 
DANCEP  Grupo de Dança Contemporânea do Colégio Estadual do 
Paraná 
DJ  Disc Jockey ​(em inglês) ou “​disco-jóquei” (em 
português) 
FAP  Faculdade de Artes do Paraná 
GTCC  Grupo de Teatro do Clube Curitibano 
G.A.T.A Grupo Adulto de Teatro Amador 
GRUTA   Grupo de Teatro Amador do Colégio Estadual do Paraná 
GRUTUN  Grupo de Teatro do ​UniBrasil Centro 
Universitário 
IBB  Igreja Batista do Bacacheri 
ITECNE  Instituto Tecnológico Educacional de Curitiba 
PIB  Primeira Igreja Batista de Curitiba 
S.E.M ​CIA de teatro   Sentimento, Estéticas e Movimento 
TETEF   Teatro da Escola Técnica Federal 
TECEFET   Teatro do CEFET 
TGCEP   Teatro Grego do Colégio Estadual do Paraná 
TUT  Teatro da Universidade Tecnológica Federal do Paraná 
USP  Universidade de São Paulo 
UTFPR  Universidade Tecnológica Federal do Paraná 
 
   
Sumário 
 
C​APÍTULO​ 1 – A​PRESENTAÇÃO​ ​DO​ C​IRCUITO 10 
1.1 A​PRESENTAÇÃO​ ​DA​ C​ATEGORIA​ C​IRCUITO 10 
1.2 A​PRESENTAÇÃO​ ​DAS​ C​ARACTERÍSTICAS​ G​ERAIS​ ​DO​ C​IRCUITO 11 
1.3 A​PRESENTAÇÃO​ ​DE​ D​ADOS​ S​ECUNDÁRIOS​ L​EVANTADOS 16 
C​APÍTULO​ 02 – P​ANORAMA​, ​ATORES​ ​E​ ​REGRAS 24 
2.1 PANORAMA: ​UMA​ ​ANÁLISE​ ​GERAL​ ​DOS​ G​RUPOS​ ​DE​ T​EATRO​ ​EM​ C​URITIBA 31 
2.2 ATORES 32 
2.3 REGRAS 35 
C​APÍTULO​ 03 – A​NÁLISE​ ​DA​ ​CULTURA​ ​ORGANIZACIONAL​ ​DO​ G.R.U.T.A. 44 
3.1 C​ONTEXTUALIZAÇÃO​ ​SOBRE​ C​ULTURA​ O​RGANIZACIONAL​ ​E​ M​EMÓRIA​ O​RGANIZACIONAL 44 
3.2 C​OMUNICAÇÃO​ ​NAS​ R​ELAÇÕES​ ​DE​ T​RABALHO​ ​DA​ O​RGANIZAÇÃO 54 
C​APÍTULO​ 04 – R​EPRESENTAÇÃO​ V​ISUAL 60 
4.1 A​SPECTOS​ V​ISUAIS​ ​DOS​ ​ESPAÇOS​ ​DO​ ​CIRCUITO 60 
4.2 P​RODUTOS​ V​ISUAIS 62 
C​APÍTULO​ 05 – C​ONSIDERAÇÕES​ F​INAIS 68 
R​EFERÊNCIAS​ ​BIBLIOGRÁFICAS 70 
 
   
 
Capítulo 1 – Apresentação do Circuito 
1.1 Apresentação da Categoria Circuito 
Para entender o contexto deste trabalho, é primeiramente preciso                 
compreender o significado da categoria circuito. Como explica Magnani, o conceito                     
está relacionado às pessoas: 
Trata-se de uma categoria que descreve o exercício de uma prática ou a oferta de determinado                               
serviço em estabelecimentos, equipamentos e espaços que não mantêm                 
entre si uma relação de contiguidade espacial, sendo reconhecido em seu                     
conjunto pelos usuários habituais: por exemplo, o circuito gay, o circuito                     
dos cinemas de arte, o circuito neoesotérico, dos salões de dança e shows                         
black, do povo-de-santo, dos clubbers, dos evangélicos gospel e tantos                   
outros (MAGNANI, 2012 p. 97). 
Circuito está também relacionado ao espaço – não somente como local ou                       
cenário, mas como parte de um compartilhamento de certas práticas e de                       
atribuição de sentido entre um grupo e uma localidade. Nesses espaços,                     
determinadas pessoas se permitem criar relações, permitem-se falar, agir e                   
expressar suas similaridades de maneira mais profunda, ou seja, o circuito é um                         
espaço de sociabilidade.  
No entanto, um circuito não está delimitado fisicamente por um ou mais                       
estabelecimentos ou espaços; pode mudar geograficamente, de maneira dinâmica,                 
a depender das pessoas, sazonalidade, entre outras variáveis. Mesmo não havendo                     
proximidade, as pessoas se reconhecem dentro do circuito de maneira orgânica. Ou                       
seja, o circuito acaba não sendo um território demarcado em um mapa ou a área                             
de uma construção; cada um abrange inúmeros lugares diferentes e separados                     
fisicamente. 
Sendo assim, é importante entender o circuito como algo vivo e em                       
constante mutação, por ação dos atores que o constituem. É também válido                       
ressaltar sua permeabilidade: um circuito pode englobar sub-circuitos e dividir                   
espaços e características uns com os outros – ou seja, são reconhecidos pelas                         
similaridades e fazem sentido dentro de um circuito maior, único. 
1.2 Apresentação das Características Gerais do Circuito  
O circuito que será estudado neste trabalho é o dos Grupos ou Companhias                         
de Teatro em Curitiba. A cidade abriga diversas atividades relacionadas ao                     
universo teatral, como escolas, montagens de espetáculos e ainda entre os                     
meses de março e abril é palco do tradicional Festival de Teatro de Curitiba . O                             
1
evento conta com a participação de artistas de todo o país e com espetáculos                           
dos mais variados gêneros, porém os elementos mais importantes para a sua                       
realização são justamente os grupos de teatro curitibanos. 
A edição de 2019 trouxe cerca de 400 espetáculos de treze estados                       
brasileiros e cinco países diferentes, totalizando mais de 1700 apresentações                   
que mobilizaram 2500 artistas, para um público estimado de 200 mil pessoas,                       
sendo 40 mil turistas. As apresentações ocorreram em 80 espaços diferentes,                     
como teatros, praças, parques ruas etc. Em decorrência do festival, foram                     
criados aproximadamente 1700 postos de trabalho, sendo 700 diretos e 1000                     
indiretos (ROSA, 2019a). O festival é dividido em vários segmentos, dentre eles                       
a Mostra Oficial e o Fringe. 
A ​Mostra Oficial conta com espetáculos selecionados por uma curadoria,                   
com o objetivo de trazer o que há de mais relevante e diverso no cenário                             
nacional e internacional. A edição de 2019 contou com a curadoria dos atores e                           
diretores Guilherme Weber e Marcio Abreu, que selecionaram 27 espetáculos                   
diferentes (FESTIVAL DE CURITIBA, 2019b). 
O ​Fringe ​é um festival alternativo de teatro, presente em diversos lugares                       
do mundo, que ocorre sempre de forma paralela aos festivais oficiais . O Fringe                         
2
1
Criado em 1992, o Festival de Teatro de Curitiba tem como fonte de inspiração o Festival Internacional de Edimburgo, que é considerado
o maior e mais antigo festival teatral do mundo. Em 2019, o Festival de Teatro de Curitiba completou a sua 28º edição em 2019, e de
acordo com seu diretor, Leandro Knopfholz, é o maior evento nacional dedicado às artes cênicas, levando em conta “a oferta de
espetáculos, a quantidade de público, o número de artistas que movimenta e a duração” (MOSER, 2018).
2
Surgiu de forma espontânea no ano de 1947, na cidade de Edimburgo, na Escócia, criado por companhias que não estavam na
programação do Festival Internacional de Edimburgo (CIA AMADEUS, 2010)
Curitiba nasceu no ano de 1998, na sétima edição do Festival de Teatro de                           
Curitiba, como um espaço aberto e sem curadoria. Qualquer grupo ou                     
companhia que tenha interesse pode participar, desde que 80% dos seus                     
integrantes possuam o DRT, que é o registro profissional da categoria (FESTIVAL                       
DE CURITIBA, 2019a) .  
3
Na edição de 2019, centenas de peças estiveram na programação do                     
Fringe: espetáculos de diversas linguagens e gêneros, realizados em vários                   
locais de Curitiba. Sua divulgação sempre está presente no guia oficial da                       
programação do Festival de Teatro de Curitiba e atualmente ele é considerado                       
uma de suas frentes. 
O teatro de rua também está presente no Fringe. Nessa modalidade, os                       
atores encenam o espetáculo em espaço aberto. Segundo o produtor Fábio de                       
Souza, essa prática reforça a ideia de democratização e acessibilidade da arte,                       
pois atinge um público variado, “aqueles que não tem o costume de ir ao                           
teatro, estão na correria o dia todo, passam aqui, esquecem a rotina, e se                           
divertem um pouquinho, nem que seja por 20 minutos” (ROSA, 2019b). Segundo                       
o produtor, as pessoas que estão passando e se deparam com o teatro de rua se                               
interessam e pedem informações sobre os locais de outras apresentações. 
Curitiba também é sede, desde o ano de 2016, do ​Festival de Teatro                         
Estudantil​. O evento é realizado pela Cia Teatral Jully Grisbach, com o apoio                         
do Centro Cultural Teatro Guaíra, através do Teatro Zé Maria. Em sua terceira                         
edição, contou com a participação de 14 instituições de ensino, entre públicas                       
e privadas, de Curitiba, Região Metropolitana e de fora do estado (BEM PARANÁ,                         
2018). O grande objetivo do festival é incentivar e promover as aulas de teatro                           
em instituições de ensino, além de promover o debate no âmbito educacional                       
sobre a importância das artes cênicas para a juventude (FESTIVAL DE TEATRO                       
ESTUDANTIL, 2019). 
3
A ideia desse festival é proporcionar espaço para grupos que não estão na Mostra Oficial, além de democratizar a arte, levando-a para
mais perto do público e com bilheteria acessível. São apresentadas peças gratuitas, com modelo “pague quanto vale” e com valores de no
máximo R$ 60,00.
Não foram localizados dados estatísticos que apontassem um número                 
preciso de grupos de teatro existentes em Curitiba, porém através do                     
levantamento de dados realizado na internet, verificamos que há uma grande                     
variedade de grupos, de diferentes gêneros, estéticas e propostas.  
De acordo com a doutora em Artes Cênicas pela USP, Verônica Gonçalves                       
Veloso, um grupo de teatro não é apenas um “amontoado” de gente, é um                           
coletivo com um interesse em comum. O termo “grupo” ganhou destaque em                       
meados da década de 1960, e é entendido como uma união de longo prazo, em                             
que a vivência dos seus membros não está ligada apenas à execução de um ou                             
dois projetos (VELOSO, 2008). 
O conjunto de pessoas com interesses comuns que caracteriza o grupo teatral tem como modelo                             
de estruturação grupos de longa vida, aqueles que               
permanecem juntos vinte, trinta anos. Talvez a principal               
característica desses agrupamentos seja sua relação com o               
tempo, sua formatação duradoura. Esse modelo de grupo               
estável, com atestado de qualidade garantido pelo tempo de                 
trabalho tem um papel muito importante na organização dos                 
artistas enquanto classe de trabalhadores. (VELOSO, 2008, p.2)  
Por outro lado, coletivo de teatro está mais ligado à ideia de uma união                           
menos estável, focada em projetos específicos, e por isso, não possui a vivência                         
de grupo. Segundo Veloso, “o coletivo sobrevive o tempo que dura a                       
empreitada, tem hora de começar e de acabar”. Veloso compara grupo a um                         
casamento, e coletivo a um namoro (VELOSO, 2008)  
No levantamento realizado, podemos destacar alguns grupos teatrais               
curitibanos que apostam em diferentes linguagens. Dentre esses grupos, uma                   
parcela é formada por profissionais, outra mescla atores profissionais e artistas                     
amadores, e outras são exclusivamente de grupos amadores. 
O ​Estábulo de Luxo ​é um grupo profissional, criado em 2011 pelos                       
artistas Danielle Campos e Ricardo Nolasco, filiado à Selvática Ações Artísticas                     
(MACHADO, 2014). É um dos vários grupos que ocupam o Espaço Cultural Casa                         
Selvática, localizado na rua Nunes Machado, 950, no bairro do Rebouças. O                       
grupo discute temas como gênero, identidade, desconstrução da padronização                 
dos corpos, e busca o desenvolvimento de uma linguagem particular, por meio                       
de experimentações. Tem como referências artísticas as vanguardas do início                   
do séc. XX, a antropofagia, a literatura e dramaturgia clássica, o teatro de                         
revista. O grupo tem uma pesquisa contínua sobre o formato cabaré. Os                       
espetáculos “Momo – Para Gilda com Ardor” e “Cabaret Macchina”, foram                     
destaques, e integraram a Mostra Oficial do Festival de Teatro de Curitiba, nas                         
edições de 2017 e 2018 (SELVÁTICA, 2019). 
O grupo ​Antropofocus ​existe desde o ano 2000. O grupo tem como                       
objetivo criar um humor criativo, que fuja do lugar comum, e com criações                         
coletivas, em que todos os membros possam contribuir com ideias, através de                       
coautoria. Nesses quase 20 anos de existência, o Antropofocus já realizou                     
estudos das mais diversas linguagens, como esquetes, improvisações, formatos                 
lineares, dramaturgia sem uso de som, voltado ao público cego, entre outros.                       
Possui sua sede na rua Sete de Setembro, 2620, sala 05, no centro. O local,                             
além de abrigar o espaço de criação, também é uma escola de teatro, onde são                             
oferecidos diversos cursos (ANTROPOFOCUS, 2019). 
A ​Comparsaria Cênica ​é um grupo de circo-teatro curitibano formado por                     
atores profissionais e amadores, atualmente sediado na rua Camões, no bairro                     
Alto da XV. Tem como objetivo levar bem-estar e qualidade de vida por meio                           
do teatro e pelo uso da linguagem circo-teatral. Quem dirige os comparsas                       
(como são chamados seus integrantes) é o professor e diretor Helio de Aquino.                         
O início de suas atividades foi em 2013, no bairro Bom Retiro. No ano seguinte,                             
o grupo se mudou para uma casa no bairro Vista Alegre. Na nova sede,                           
montaram espetáculos em que convidava o público a acompanhá-los pelos                   
diversos cômodos da residência, com o objetivo de aproximar o espectador da                       
narrativa da peça (COMPARSARIA CÊNICA, 2019) . 
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O grupo oferece também o Teatro-escola, que é a montagem adaptada do seu repertório em espaços escolares e peças de cunho
pedagógico, com temas relacionados à infância e adolescência. Há também o projeto “​Clownparsas​”, que são intervenções com palhaços
em eventos de empresas e confraternizações. Outra atividade é o “​Playback​”, que consiste na improvisação e criação de cenas a partir de
histórias contadas pela plateia. Esse projeto visa à reflexão de situações e problemas que podem ocorrer em uma organização, e para isso
contam com a assessoria de um profissional da psicologia. Além disso, ministram oficinas e cursos de circo-teatro, os quais disponibilizam
O ​Grupo Lanteri ​possui mais de 40 anos de existência. Foi fundado em                         
1978, na Paróquia São Paulo Apóstolo, no bairro São João em Curitiba. O grupo                           
é responsável pela montagem da já tradicional encenação “Paixão de Cristo”,                     
que ocorre todos os anos na páscoa. O grupo também encena diversas outras                         
peças com temáticas religiosas, de viés católico. As apresentações sempre são                     
abertas ao público e são realizadas, em grande parte, em locais de grande                         
circulação – como terminais, ruas da cidadania e praças. Define-se como um                       
grupo de “teatro feito pelo povo e para o povo”. Conta com atores profissionais                           
e amadores. Os seus integrantes são voluntários, e apesar das temáticas                     
católicas, aceita pessoas de todas as religiões (GRUPO LANTERI, 2019). 
Em Curitiba, existem ainda grupos teatrais que são organizados por                   
instituições de ensino. Além de envolver os estudantes das escolas,                   
universidades e faculdades responsáveis, esses grupos, em sua maioria, incluem                   
também a comunidade.  
Dentre os grupos, estão incluídos o ​TUT ​(Teatro da Universidade                   
Tecnológica Federal do Paraná), o ​GRUTA ​(Grupo de Teatro Amador do Colégio                       
Estadual do Paraná), o GRUTUN (Grupo de Teatro do ​UniBrasil Centro                     
Universitário), ​o ​Grupo de Teatro da FAE ​e a ​PalavrAção ​(Companhia de Teatro                         
da UFPR) os quais terão suas principais informações – como datas, locais de                         
funcionamento e formas de ingresso – apresentadas a seguir:  
O ​TUT foi fundado em 1972. Ao longo dos anos, o grupo teve vários nomes                             
diferentes, sempre acompanhando as alterações da própria instituição, a qual                   
faz parte. Até o ano de 1978, se chamava ​TETEF ​(Teatro da Escola Técnica                           
Federal), posteriormente passou a se chamar TECEFET ​(Teatro do CEFET), e                     
apenas em 2005, adotou o atual nome, quando se firmou como um grupo de                           
teatro universitário (UTFPR, 2018). Sediado no Campus Curitiba, na Av. Sete de                       
Setembro, 3165, Rebouças, o grupo abre seleções de elenco para toda a                       
comunidade, com prioridades para estudantes e servidores da UTFPR, em forma                     
inscrições pelo site que mantém com notícias e informações sobre o grupo. No Festival de Teatro de Curitiba de 2019, o grupo participou
do Fringe, apresentando onze espetáculos em parceria com outros grupos de circo-teatro (COMPARSARIA CÊNICA, 2019).
de extensão universitária. Realiza as suas principais atividades durante a                   
semana, nas segundas e quartas-feiras das 18h30 às 22h (EVEN3, 2019). 
Localizado na Av. João Gualberto, 250, Alto da Glória o ​GRUTA ​realiza                       
suas atividades nas sextas-feiras das 13h50 às 17h30 e nas terças e                       
quartas-feiras das 18h35 às 21h15. Não é exclusivo para estudantes: a                     
comunidade também pode fazer parte, sendo necessário realizar a inscrição,                   
ter no mínimo 15 anos e estar cursando o segundo ano do ensino médio (CEP,                             
2017).  
Criado em 2007, o grupo ​GRUTUN​, que realiza suas atividades aos sábados                       
na Rua Konrad Adenauer, 442, Tarumã das 13h30 às 16h, possui mais de 20                           
peças realizadas. O grupo é exclusivo para alunos, egressos e funcionários do                       
Centro Universitário UniBrasil (UNIBRASIL, 2018). 
Em 2009, foi criado o ​Grupo de Teatro da FAE​, ​o grupo já se apresentou                             
em eventos e festivais, e para melhorar suas técnicas utiliza adaptações de                       
textos dramatúrgicos nacionais e internacionais. Suas atividades ocorrem aos                 
sábados, das 9h ao 12h no Colégio Bom Jesus Lourdes, Rua Fioravante Dalla                         
Stella, 90, Cristo Rei. O grupo é aberto tanto para alunos da instituição quanto                           
para a comunidade, para participar é necessário passar por um processo                     
seletivo (FAE, 2019).  
A Companhia ​PalavrAção ​foi fundada no ano de 1995 e tem como                       
principal objetivo a formação e preparação do ator. Os ensaios da Companhia                       
ocorrem de segunda a quinta das 19h às 22h, na Rua XV de Novembro, 695,                             
Centro. Para integrar a equipe, é necessário passar por um processo seletivo                       
(COMPANHIA DE TEATRO DA UFPR, 2019).  
1.3 Apresentação de Dados Secundários Levantados 
Inicialmente, o grupo mobilizou-se para reunir conhecimentos a respeito do                   
grupo social “estudantes de teatro em Curitiba”, no entanto, nesse processo de                       
investigação, concluímos que o projeto seria muito mais enriquecedor, tanto do                     
ponto de vista de volume informativo disponível, quanto de interesse pelo assunto                       
por parte dos integrantes, se o tema principal fosse alterado para                     
“grupos/companhias de teatro em Curitiba”. Para que o leitor possa compreender                     
como essa alteração se mostra mais proveitosa, o grupo concordou em manter,                       
apenas neste tópico, os resultados da pesquisa inicial, sobre os estudantes. Nesse                       
levantamento, nosso grupo deparou-se com artigos de diversas perspectivas. 
O artigo “Teatro de grupo contra o deserto do mercado” de Iná Camargo                         
Costa (2007) reflete sobre os motivos pelos quais os teatros de grupo no Brasil                           
perderam força nas últimas décadas em comparação com seu início, já que, desde                         
que o país adotou a linha neoliberal, a arte passou a ser mero produto comercial.                             
Na década de 90, surgiu o movimento “Arte contra a Barbárie”, formado por grupos                           
teatrais e personagens atuantes da arte em São Paulo, a fim de contestar a                           
instauração da Lei Rouanet (estavam inconformados com os critérios de seleção                     
para a obtenção de recursos) e propor outras críticas, como ao baixo orçamento                         
destinado ao Ministério da Cultura, além de lutar por políticas públicas para a                         
cultura (COSTA, 2007). 
No artigo “Investigando a recepção em um projeto de teatro na                     
comunidade”, Beatriz Ângela Vieira Cabral e Dan Olsen analisaram o projeto de                       
pesquisa “Teatro em Trânsito – formas interativas de teatro em comunidade”. Os                       
autores avaliaram a recepção do espetáculo por três grupos distintos de                     
participantes: atores com experiência anterior (alunos e professores de teatro),                   
atores sem experiência anterior (participantes da comunidade) e espectadores.                 
(CABRAL; OLSEN, 2005). 
Com os resultados da pesquisa, notou-se que os estudantes de teatro e os                         
atores com e sem experiência concordaram com o aspecto que causou mais                       
impacto na montagem: a dramaturgia, considerando as situações inesperadas como                   
característica mais importante da narrativa. Os espectadores também acharam que                   
o maior impacto foi causado pela dramaturgia, mas apontaram como primeira                     
opção a variável “possibilidade de interpretações distintas” – contrariando a                   
expectativa inicial de que haveria uma distinção significativa entre a recepção por                       
parte dos alunos de teatro e por parte dos espectadores. (CABRAL; OLSEN, 2005). 
No artigo “Teatro, corpo, experiência e sentido: análise de protocolos                   
teatrais verbo-visuais”, Jean Carlos Gonçalves (2015) apresenta uma nova                 
abordagem educacional para teatro de maneira que desse voz para os alunos, para                         
que pudessem expressar as experiências vivenciadas nas aulas, preparar-se para a                     
experiência cênica e exercer sua criatividade. Essa nova proposta envolveu a                     
metodologia de “protocolos”, entendida como espécie de registro de                 
aula/depoimento. Gonçalves reconheceu que o trabalho com os protocolos se                   
mostrou útil para instigar o diálogo entre professor e alunos sobre as experiências                         
cênicas vivenciadas e todos os alunos-autores concordaram que a corporeidade é                     
um dos aspectos mais importantes durante a aula de teatro e durante a execução                           
da peça. O contato com o próprio corpo e com os demais corpos facilita e                             
possibilita a interação entre os atores e entre o ator e o público, sendo o teatro um                                 
ato vivo (GONÇALVES, 2015). 
Dois dos artigos estudados destacam o teatro como “ação pedagógica”, em                     
“Avaliação em Teatro: Reflexões a Partir das Vozes do Aluno”, também de Jean                         
Carlos Gonçalves, é repensado o relacionamento entre professor e aluno de teatro                       
no contexto de avaliador e avaliado. Gonçalves afirma que o professor está                       
interligado com a criação dos alunos, agindo de maneira similar a um diretor                         
cênico, que está ao mesmo tempo avaliando e ensinando os atores. Gonçalves                       
conclui que “em teatro, a melhor forma de avaliação acontece em meio ao                         
diálogo” (GONÇALVES, 2014, p.90). 
Já Vera Lúcia Bertoni Dos Santos fomenta, em seu artigo “Formação docente                       
em Teatro: pesquisa aliada à ação pedagógica”, uma reflexão sobre as questões e                         
problemas acerca dos interesses pessoais dos estudantes de graduação. Ao analisar                     
os resultados obtidos, Dos Santos pôde observar os impactos práticos na formação                       
da identidade do docente de maneira crítica: tais como a importância da                       
espontaneidade na prática e no ensino teatral, as práticas pedagógicas empregadas                     
e sua efetividade, e demais questões de ensino. Além disso, também foi observada                         
a importância da troca de conhecimentos e experiências durante o estudo                     
empírico, que mudaram a visão de mundo dos atores sociais envolvidos e                       
possibilitaram um ganho de referenciais (SANTOS, 2018). 
Ao buscar mais informações sobre a saúde dos estudantes de teatro, o grupo                         
encontrou o artigo “Atores profissionais e estudantes de teatro: aspectos vocais                     
relacionados à prática” escrito por Juliana Richinitti Vilanova, Jair Mendes                   
Marques, Vanessa Veis Ribeiro, Amanda Gabriela de Oliveira, Lídia Teles e Kelly                       
Cristina Alves Silverio, que apresenta um estudo comparativo entre a prática                     
teatral e suas implicações na voz de atores profissionais e estudantes de teatro.                         
Foram analisados os resultados de uma pesquisa quantitativa, feita através de                     
aplicações de quatro questionários onde foram divididos em quatro tópicos:                   
aspectos relacionados à prática profissional; aspectos relacionados à voz; hábitos                   
vocais, de saúde e condições ambientais; e cuidados com a voz (OLIVEIRA;                       
MARQUES; RIBEIRO; SILVÉRIO; TELES; VILANOVA; 2016). 
O estudo constatou que, entre os estudantes, houve menor incidência de                     
problemas na fala – como rouquidão, afonia e outros. Além disso, as estatísticas                         
desses dados mostraram maior incidência entre os profissionais de práticas                   
inadequadas em relação à saúde, uso da voz e condições ambientais, como o uso da                             
voz enquanto estavam gripados, com respiração inadequada e maior permanência                   
em locais fechados, com mofo, poluição ou pouca ventilação. Além disso, também                       
ensaiavam em locais com condições acústicas diferentes do local em que é                       
realizada a apresentação (OLIVEIRA; MARQUES; RIBEIRO; SILVÉRIO; TELES;               
VILANOVA; 2016). 
Já Edson Simões, no artigo “A Construção da Personagem no Teatro pelo                       
olhar da Psicologia Social”, afirma que o comportamento social é essencial para                       
que o ator execute seu trabalho, pois a partir da relação estabelecida entre o ator                             
e o outro é que o seu trabalho se concretiza. Simões conclui considerando que a                             
formação de um personagem, além da relação com o outro, dá-se também a partir                           
de relações sociais em que o ator, independentemente de seu personagem, está                       
inserido. Dessa maneira, ele reproduz a realidade em volta de si mesmo e de seu                             
personagem (SIMÕES, 2010). 
Com o objetivo de melhorar o entendimento do conteúdo explorado, a partir                       
deste parágrafo, seguiremos apresentando somente referências encontradas pelo               
grupo que abordam o objeto atual de nossa pesquisa: “grupos/companhias de                     
teatro em Curitiba”.  
O artigo “Um novo cenário: conquistas e contradições do atual teatro de                       
grupo brasileiro” de Christina Streva apresenta características do teatro de grupo                     
no Brasil nas últimas décadas, além de informações sobre como é o cenário dos                           
grupos de teatro no Brasil. A autora afirmou que os grupos de teatros vêm                           
conquistando grande crescimento e fortalecimento nacional, já que, devido à “boa                     
fase” da economia a partir de 2000, os grupos foram obtendo conquistas em                         
relação ao Estado. Pode-se citar – novamente – como um grande exemplo o                         
movimento “Arte contra a Barbárie”, que resultou na Lei de Fomento ao Teatro                         
(Lei 13.279/02) (STREVA, 2014). 
Segundo Streva, encontram-se no país diversos grupos de teatro estáveis e                     
consolidados, porém ainda é grande o número de grupos brasileiros que não                       
possuem condições de manter plenamente o grupo de teatro em atividade. Para                       
que houvesse uma continuidade dos grupos teatrais e para diminuir o número de                         
“desistentes”, foram adotadas estratégias, como: turnês, apresentações em               
festivais, vendas de produtos relacionados à peça, além de tudo o que envolvesse a                           
parte administrativa de um grupo teatral (STREVA, 2014). 
Já em “Reflexões sobre os vinte anos de experiência do grupo de teatro Tá                           
na Rua” de Amir Haddad (2001), é refletido a importância do teatro de                         
manifestação pública em oposição ao teatro formal de recinto fechado. Haddad                     
notou que, quando o grupo Tá na Rua partiu para a prática teatral pública, o teatro                               
havia conquistado uma nova linguagem, praticando uma interação mais direta com                     
a plateia – algo bastante incomum na época, quando lugar de teatro era no palco e                               
não nas ruas (HADDAD, 2001). 
Essa forma de teatro popular foi a maneira de os grupos de teatro se                           
rebelarem contra o estabelecido. Assim, eles romperam seus laços com os                     
“procedimentos éticos da burguesia capitalista protestante” (2001, p. 157),                 
focando-se em dar às pessoas comuns a chance de participar da festa, permitindo                         
que a plateia se sentisse mais à vontade e sem medo de interferir no show. Pelo                               
fato de o teatro estar na rua, os indivíduos poderiam sair da rotina de trabalho e                               
esboçar seu lado criativo e lúdico, como um ser humano pleno e livre – e isto                               
reforça a cidadania. (HADDAD, 2001). 
A respeito da participação dos grupos e companhias de teatro no cenário                       
curitibano e, pelo estudo da história, percebeu-se que o teatro se tornou uma                         
forma de resistência política, conforme aborda a dissertação “Arte e política: O                       
teatro como prática de liberdade – Curitiba (1950-1978)” de Reinaldo Cerqueira                     
Sousa. Conforme é relatado pelo autor, no período de regime militar, a arte e a                             
cultura se mantiveram firmes e constantes em volume e abundância: mesmo com a                         
proposta política de que a ordem e o progresso viriam por meio da força, da                             
violência e de variadas técnicas de torturas, o teatro era um divisor de águas para                             
a cultura, para a política e para os livres pensadores. Foi um espaço para a                             
compreensão da arte da cultura e da política, um lugar para os desabafos sociais e                             
de renovação das forças. Na década de 50, Curitiba teve seus espaços públicos e                           
teatros tomados pela população de artistas, músicos e eruditos. (SOUSA, 2010). 
Em “Visões de Curitiba em Cena”, Costa relata que, quando inaugurado o                       
Auditório Bento Munhoz Neto – o Guairão – em 12 de dezembro de 1974, estava                             
presente o então presidente da República: Ernesto Geisel. Nesse período, foram                     
criados e produzidos textos e musicais com discursos ufanistas, em tentativa de                       
silenciar as vozes das Revistas (peças teatrais que aliavam a sátira política e social                           
ao cômico e modismos em uma composição capaz de reproduzir, sob uma ótica                         
crítica, o cotidiano da realidade social) que eram levadas aos palcos, e que até                           
então, eram críticas políticas em tons humorísticos (como, por exemplo, a peça                       
“Maria Bueno”, de Oraci Gemba, que trazia a narrativa da mulher que luta contra a                             
opressão e a favor da liberdade) (DA COSTA, 1998). 
Nos textos e encenações dramatúrgicos teatrais, Curitiba não era tida só                     
como lugar de palco, mas também como cenário ou tema central. Foram criados                         
enredos de peças que tinham como intuito evidenciar a Curitiba hipócrita, sem                       
virtudes, mordaz ou a capital da perdição. Outras peças representavam uma                     
Curitiba ingênua, lírica, com belas paisagens, retratando pontos da cidade e                     
costumes tipicamente curitibanos. Essas batalhas idealistas por meio de palavras se                     
davam, na maior parte das vezes, graças a uma rivalidade que existia na época em                             
que foram escritas entre a capital e cidades interioranas (COSTA, 1998). 
Sendo assim, após o levantamento de dados, conclui-se que, a respeito do                       
nosso objetivo de pesquisa em si (grupos/companhias de teatro em Curitiba): os                       
grupos de teatro são, na verdade, mais que um “amontoado” de gente e sim                           
pessoas que se juntam para expressarem seus desejos, angústias e críticas por meio                         
da arte, trazendo diversão, lazer e reflexão a todos envolvidos no espetáculo. No                       
entanto, ainda há diversos grupos que não têm a oportunidade de se estabilizar. A                           
prática teatral tornou-se mais democrática ao começar a ser realizada também em                       
espaços públicos, nas ruas, tornando essa arte de todos, influenciando e sendo                       
influenciada por todos. 
   
   
Capítulo 02 – Panorama, atores e regras 
Este capítulo tem como objetivo destacar alguns aspectos que compõem uma                     
pequena amostra do universo dos Grupos de Teatro em Curitiba, identificados pela                       
nossa equipe. Sua realização se deu a partir dos dados coletados durante a pesquisa                           
de campo ocorrida no mês de abril de 2019, período no qual a equipe visitou 9                               
grupos de teatro vinculados a escolas, clubes, igrejas (de caráter religioso) ou                       
independentes. Destacamos o fato de que todas as análises foram realizadas a                       
partir de um brevíssimo contato com os grupos, pois eles só puderam ser visitados                           
uma única vez. 
Durante esse mês de pesquisa, totalizaram-se 7 espetáculos e 5 ensaios                     
acompanhados, e, dentre eles, estão: 
Espetáculo do​ Grupo Adulto de Teatro Amador - G.A.T.A.  
Assistimos à apresentação da peça “A Neovida contemporânea como ela é” do                       
grupo ​G.A.T.A. (que surgiu a partir do processo de criação e produção da peça) ​no                             
dia 3 de abril, às 20h, no miniauditório da Universidade Tecnológica Federal do                         
Paraná. Ao final, participamos de um bate-papo com o diretor Diego Monteiro Von                         
Ancken, com o elenco e com a equipe de apoio a respeito do processo de criação.                               
O acesso ao evento e à conversa foi fácil, pois a programação fazia parte do                             
Festival de Teatro de Curitiba 2019 e nas dependências de nossa própria                       
universidade. O elenco era pequeno. O grupo é independente 
.
Figura 1 - A NeoVida contemporânea como ela é - Fonte: Acervo Próprio, 2019. 
​Espetáculo da ​Comparsaria Cênica 
Assistimos à apresentação da peça “O Craque do Futebol” no próprio espaço                       
da ​Comparsaria Cênica no Alto da XV dia 3 de abril às 20h. Fizemos contato e                               
conversamos com o diretor Hélio de Aquino e o ator Felipe Baluta. O grupo é                             
pequeno, no dia apresentava em torno de 7 atores, além do diretor e mais 2                             
assistentes. O grupo é independente. 
Espetáculo do​ Grupo S.E.M Cia de Teatro (Sentimento, Estéticas e Movimento) 
Fomos assistir à apresentação da peça “A Mulher Monstro” do ​Grupo S.E.M                       
Cia de Teatro ​que ocorreu de modo improvisado nas ruínas do São Francisco às 20h                             
do dia 04 de abril. O grupo, formado em Recife, esteve na capital paranaense para                             
apresentar-se no Festival de Teatro de Curitiba. O contato foi feito por meio do                           
ator e fundador do grupo José Neto, tendo sido um acesso fácil; fomos bem                           
recebidos. Na apresentação, o grupo era pequeno, com apenas 4 pessoas. O grupo                         
é independente. 
Figura 2 - S.E.M Mulher Monstro - Fonte: Acervo Próprio, 2019. 
Ensaio e Espetáculo do ​Grupo de Teatro Amador do Colégio Estadual do Paraná                         
– GRUTA 
Acompanhamos o ensaio do musical “Now It Goes” do ​GRUTA no Colégio                       
Estadual do Paraná (CEP), no dia 11 de abril às 19h45, e assistimos à apresentação                             
no Teatro Guairinha, dias 21 às 16h30 e 20h00 e 22 de abril às 20h30. O espetáculo                                 
era inspirado em musicais da Broadway, com texto inédito, canto, dança e                       
atuação. Nosso principal contato foi com o diretor Lau Bark, que recepcionou-nos                       
calorosamente desde a troca de mensagens até nos dias de ensaio e apresentação.                         
Deste modo, o grupo é vinculado a uma escola, ao CEP. 
Figura 3 - GRUTA - Fonte: Acervo Próprio, 2019. 
Espetáculo do ​Grupo de Teatro do Clube Curitibano – GTCC 
Assistimos à apresentação da peça “Sherazade” do grupo de teatro amador                     
do Clube Curitibano na sede Concórdia no dia 30 de março, às 20h30. Em cartaz                             
durante o Fringe do Festival de Teatro de Curitiba, o espetáculo foi inspirado nas                           
histórias de “As Mil e Uma Noites”. O grupo de teatro ​adulto do Clube Curitibano                             
recebe os associados do clube ​na sede Concórdia para montagem, pré-produção e                       
ensaios de peças teatrais​. ​A equipe da apresentação era composta por 11 atores,                         
sendo que um deles era o diretor. Além dos atores, havia três músicos e a equipe                               
técnica. O grupo é, portanto, vinculado a um clube. Por ter sido anterior ao                           
trabalho de campo em si, a análise feita foi muito mais da perspectiva de um                             
espectador do que de um pesquisador e não foi feito contato direto com nenhum                           
dos integrantes do ​GTCC​.   
Ensaio: ​Cia de Teatro IBB (“Cena”) 
Acompanhamos o ensaio-geral do musical de Páscoa ​“Eu Encontrei” ​da Cia                     
de Teatro da Igreja Batista do Bacacheri (​Cia de Teatro IBB ou ​“Cena”​), ​que faz                             
parte do evento anual da igreja conhecido como “​Pazcoa Cidade​”. A peça era                         
ambientada na Alemanha Nazista no período da Segunda Guerra Mundial. O ensaio                       
foi no dia 16 de abril, na própria igreja e teve início às 20h. O contato foi                                 
estabelecido por meio da ex-professora de Ed. Física de uma integrante do nosso                         
grupo: Simone Daldin, que fazia parte do elenco e foi com quem mais conversamos                           
devido à correria do ensaio. O acesso foi fácil, mas não foi possível conversar com o                               
diretor ou com o elenco sem atrapalhar o andamento.  
Figura 4 - IBB - Pazcoa - Fonte: Acervo Próprio, 2019. 
Ensaio do ​Grupo A Tua Ação 
Fomos ao ensaio-geral e à apresentação do musical de Páscoa “Ressurreto”                     
com o tema “Amor Real” do ​Grupo A Tua Ação vinculado à Primeira Igreja Batista                             
de Curitiba (PIB Curitiba). Ambos aconteceram na sede da igreja, sendo que o                         
ensaio ocorreu no dia 17 de abril às 20h e a apresentação dia 20 às 19h30. O grupo                                   
é um dos grupos de teatro amador da PIB e é formado por membros da igreja,                               
sendo a maioria dos integrantes adolescentes. Conversamos com o diretor do Grupo                       
A Tua Ação, Marlon Valério, e fomos muito bem recebidos; ele respondeu a todas                           
as nossas dúvidas a respeito do grupo. O elenco para esse espetáculo reuniu 16                           
pessoas, sendo apenas 14 do grupo de teatro. 
Figura 5 - Tua Ação - Fonte: Acervo Próprio, 2019. 
Ensaio do ​Grupo Lanteri 
Visitamos um ensaio da peça “A Paixão de Cristo” do ​Grupo Lanteri no CEEP                           
– Colégio Estadual de Ensino Profissional, no bairro Boqueirão de Curitiba. Ela é                         
encenada todos os anos e conta a história da morte e ressurreição de Cristo, mas,                             
apesar disso, há novidades a cada vez em que é apresentada. Neste ano, a                           
inovação foi que a história foi contada pelo apóstolo João – considerado, nas                         
escrituras cristãs, o discípulo mais próximo de Jesus. A encenação do Grupo ​Lanteri                         
é considerada a segunda maior ao ar livre do Brasil (CULTURA 930, 2019). O ensaio                             
ocorreu dia 06 de abril e teve início às 19h45. Conversamos com Aparecido Massi, o                             
fundador do grupo, e com alguns dos integrantes, que foram todos bem receptivos.                         
O grupo apresenta caráter religioso. 
Figura 6 - Lanteri - Fonte: Acervo Próprio, 2019. 
Ensaio e Espetáculo do ​Grupo Arte e Vida 
O Grupo ​Arte e Vida tem como foco principal a realização de peças em datas                             
comemorativas cristãs. Assistimos ao ensaio e à apresentação do espetáculo                   
“Paixão de Cristo” e ambos aconteceram na Rua da Cidadania do Bairro Novo. O                           
ensaio foi dia 6 de abril às 16h e a apresentação às 20h do dia 19 de abril. No dia 6,                                         
havia algo próximo de 200 pessoas compondo toda a equipe. O contato foi fácil,                           
com a coordenadora geral Claudia Barreto, com o coordenador adjunto Gilberto                     
Silva e com o idealizador e líder vereador Marcos Vieira. O espetáculo, que teve                           
duração de aproximadamente 3 horas, foi assistido por cerca de 8 mil pessoas na                           
Rua da Cidadania, local onde a peça é encenada, tradicionalmente, há 20 anos. O                           
grupo apresenta caráter religioso. 
Figura 7 - Arte e vida - Fonte: Acervo Próprio, 2019. 
2.1 PANORAMA: uma análise geral dos Grupos de Teatro em Curitiba 
Com a finalidade de garantir uma melhor compreensão a respeito do circuito                       
pesquisado, traçaremos um panorama geral dos grupos de Teatro em Curitiba                     
visitados. 
À grosso modo, os grupos ​independentes (​G.A.T.A., Grupo S.E.M. Cia de                     
Teatro ​e Comparsaria Cênica​), com exceção da ​Comparsaria​, apresentaram-se                 
trabalhando em situações provisórias e utilizando espaços e elementos cedidos. Os                     
atos das peças teatrais dos grupos ​G.A.T.A. ​e S.E.M. Cia de Teatro ​foram                         
apresentados em um único cenário durante todo o decorrer da encenação – cenário                         
com mesas espalhadas pelo palco e cenário com uma jaula, respectivamente. No                       
caso do ​G.A.T.A.​, a apresentação aconteceu num espaço cedido pelo professor                     
Ismael Scheffler do Teatro da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (TUT), e                       
no do ​Grupo S.E.M. Cia de Teatro​, a apresentação teve de ser realocada para um                             
local público. O espaço que a Comparsaria Cênica utiliza é alugado (um local atrás                           
de um café no Alto da XV) e arrecadam dinheiro por meio de programações, como                             
oficinas, e também por meio do incentivo público.  
Os grupos ​vinculados a escolas e a clubes se resumem ao ​GRUTA e ao ​GTCC​,                             
e ambos utilizavam espaços próprios. Normalmente, o primeiro utiliza uma sala                     
própria e o auditório do Colégio Estadual do Paraná para seus ensaios e                         
apresentações, mas esses espaços estavam em reforma. Portanto, o grupo estava                     
utilizando uma sala compartilhada com outras áreas (de desenho e de pintura) e                         
que possui condições precárias, improvisadas e inadequadas à prática teatral. O                     
GRUTA é sustentado por meio do colégio, mas também através de patrocínios,                       
contando com um amplo apoio da comunidade teatral. Já o ​GTCC é um grupo que                             
utiliza as diferentes sedes do Clube Curitibano para apresentar-se e se mantém                       
pelo dinheiro do clube.  
Os grupos ​religiosos ​analisados (​Cia de Teatro IBB, Grupo A Tua Ação, Grupo                         
Lanteri ​e Arte e Vida​) mostraram receber amplo apoio da comunidade, tendo em                         
vista o número de dias de apresentação e a participação que era, geralmente,                         
aberta a quem quisesse – com um viés mais amador. A ​Cia de Teatro IBB ​e o ​Grupo                                   
A Tua Ação pertencem a igrejas e, por isso, elas são seus espaços próprios para os                               
ensaios, mas o ​Lanteri ​e ao ​Arte e Vida emprestaram locais ou utilizaram locais                           
públicos. 
2.2 ATORES 
Tendo em vista que estamos aqui tratando do circuito composto pelos grupos                       
de teatro de Curitiba e região metropolitana, chamamos de “atores” todos aqueles                       
que participam da prática em questão. Tratamos, portanto, dos atores sociais que                       
contrapõem o circuito dos grupos de teatro e contemplamos, entre eles, atrizes e                         
atores que encenam os espetáculos, interpretando determinados papéis. Seguindo                 
esse conceito, os atores que compõem o cenário teatral em Curitiba podem e, no                           
presente trabalho, serão subdivididos em: Diretores; Atores (elenco); e Equipe de                     
Apoio.  
Diretores 
De um modo geral, os diretores (e, às vezes, os produtores) dos grupos                         
independentes ​analisados participavam das peças também como atores. No caso                   
do grupo ​S.E.M. Cia de Teatro​, a peça ​“A Mulher Monstro” era um monólogo sendo                             
interpretado pelo próprio diretor José Barbosa. A respeito da ​Comparsaria Cênica​,                     
o produtor Hamilton Maia também é ator e participa de todas as peças da                           
companhia. Entre os grupos pesquisados, apenas o diretor do grupo ​G.A.T.A. (Diego                       
Monteiro Von Ancken) não fez parte do elenco da peça assistida “​A NeoVida                         
contemporânea como ela é”. 
Nos grupos ​vinculados a escolas e clubes​, observou-se que os diretores                     
também tiveram participação direta no elenco dos espetáculos. O Lau Bark, diretor                       
do grupo ​GRUTA​, foi o idealizador do musical ​“Now It Goes”​, mas também atuou. A                             
peça “Sherazade” do ​GTCC – Grupo de Teatro do Clube Curitibano contou com a                           
atuação de Enéas Lour, que também realizou a dramaturgia, cenografia, texto e                       
direção.  
A maioria dos 4 diretores dos grupos de teatro ​religiosos tiveram a grande                         
tarefa de dirigir elencos compostos por mais de cem pessoas. Nem todos os atores                           
eram personagens principais, mas todos os integrantes do elenco precisavam ser                     
instruídos pelo diretor – o que atribuiu a esse cargo muita responsabilidade. Nestes                         
casos, os diretores não participaram do elenco. A respeito dos diretores de cada                         
grupo teatral, ​o diretor da ​Cia de Teatro IBB (ou “Cena”) era Rodrigo Lara e o do                                 
musical “Ressurreto 2019” apresentado pelo grupo ​A Tua Ação era Samuel Barros.                       
Na peça “A Paixão de Cristo” do ​Grupo Lanteri​, a direção artística geral foi                           
realizada pelo fundador Aparecido Izabel Massi, que, na fundação do grupo, era                       
seminarista e gostava de trabalhar com projetos voltados para jovens adolescentes                     
de sua comunidade – e o ​Lanteri nasceu a partir desse sentimento. Massi continua                           
na liderança do grupo e na direção artística dos espetáculos até hoje. 
Atores 
A maior parte dos elencos estudados era composto por atores amadores. No                       
caso dos grupos ​independentes​, havia uma mescla entre atores profissionais e                     
amadores. Uma parte ​do elenco do grupo ​G.A.T.A. iniciou a carreira teatral no ​TUT                           
(Teatro da Universidade Tecnológica Federal do Paraná) e outra através do curso                       
técnico de teatro subsequente ofertado no Colégio Estadual do Paraná (CEP). O                       
grupo englobava também pessoas das mais variadas formações: advocacia,                 
medicina, engenharia civil, educação física, economia etc. O grupo ​Comparsaria                   
Cênica ​é formado por, aproximadamente, dez integrantes fixos, entre eles atores                     
profissionais e amadores. O conjunto das pessoas que fazem parte do grupo é                         
denominado “Os Comparsas”. O diretor Hélio de Aquino também é professor                     
graduado em Artes Cênicas pela FAP (Faculdade de Artes do Paraná) e                       
pós-graduado em Ensino da Arte pelo ITECNE (Instituto Tecnológico Educacional de                     
Curitiba). Uma das figuras mais marcantes do grupo é o palhaço “Borracha”,                       
interpretado pelo ator Felipe Baluta. O Borracha aparece em todas as peças                       
interpretando diversos personagens e é considerado a estrela do grupo.  
Os elencos dos grupos ​vinculados a escolas e clubes eram pequenos, com no                         
máximo 15 atores, sendo que, no caso do ​GTCC - Grupo de Teatro do Clube                             
Curitibano​, alguns atores interpretaram mais de um personagem. Uma das atrizes                     
do musical “Now It Goes!” do ​GRUTA interpretou, também, uma personagem                     
“ninfeta” da peça ​“A NeoVida contemporânea como ela é”, do Grupo ​G.A.T.A.​.                       
Com isso, percebemos que os grupos de teatro se relacionam e migram atores entre                           
si. 
Os grupos ​religiosos apresentaram elencos enormes, com mais de cem                   
pessoas, e das mais variadas faixas etárias (tendo como única exceção o grupo ​A                           
Tua Ação​, com um elenco de 16 pessoas): desde crianças e pré-adolescentes até                         
adultos e idosos. Em especial, no caso da ​Cia de Teatro IBB (ou “Cena”)​, o coral                               
era inteiramente completo por pessoas entre 50 e 85 anos e os personagens                         
principais foram interpretados por pré-adolescentes e por adultos.  
Equipe de Apoio 
Os grupos ​independentes apresentaram equipes de apoio compostas por                 
amigos dos integrantes e por alguns dos próprios integrantes que, além de                       
participar dos grupos na condição de atores, também realizam outras atividades. A                       
maquiagem dos atores do ​G.A.T.A. foi feita gratuitamente por uma amiga do                       
elenco e a montagem do palco pelo professor Ismael Scheffler do TUT (Teatro da                           
Universidade Tecnológica Federal do Paraná). A sonoplastia do grupo ​S.E.M. Cia de                       
Teatro foi feita por um DJ e um ator – que não atuou na peça assistida – ficou                                   
responsável pela iluminação. Na ​Comparsaria Cênica​, uma das atrizes cuida do                     
figurino e um dos atores da assessoria de imprensa. O grupo valoriza muito o                           
trabalho colaborativo entre eles e até mesmo os alunos das oficinas oferecidas                       
participam de algumas peças quando é necessário substituição.  
A equipe de apoio dos grupos ​vinculados a escolas ou clubes era diversa e                           
mais profissionalizada. A subdivisão para o espetáculo ​“Now It Goes!” do ​GRUTA                       
era: publicidade e assessoria técnica, fotografia, operação, gravação e mixagem de                     
som, adereços e figurino, iluminação e cenografia, preparação musical e vocal,                     
direção musical e coreografia. Além dos atores do ​GTCC​, havia quatro músicos e a                           
equipe técnica. Essa equipe de apoio era subvividida em: maquiagem, composições                     
musicais, iluminação, figurino etc. 
A respeito dos grupos ​religiosos​, as equipes de apoio eram mais visíveis, com                         
forte presença nos ensaios e com responsabilidades bem divididas. Na ​Cia de                       
Teatro ​IBB​, a equipe de produção envolvia ​os responsáveis pela gravação, pela                       
projeção das letras de música, pelo som, luz e pela tradução em Libras. No grupo ​A                               
Tua Ação​, havia a equipe de multimídia, de sonoplastia, de efeitos especiais,                       
tradutores de libras etc. A equipe de apoio do ​Grupo Lanteri é organizada em                           
núcleos: o de atuação, que é liderado por uma pessoa; maquiagem, que se divide                           
em subnúcleos de envelhecimento, penteados e geral; produção, que se divide em                       
subnúcleos de cenários, adereços e esculturas; figurino; sonoplastia; e                 
comunicação. No caso do grupo ​Arte e Vida​, a equipe se organizava através de                           
orientações passadas por membros mais antigos. Oficialmente, o grupo é                   
coordenado por um coordenador geral, oito coordenadores de texto, seis de                     
maquiagem e figurino, cinquenta pessoas responsáveis pela iluminação,               
manutenção de som e equipamentos, além de vinte pessoas dando apoio de palco.  
2.3 REGRAS 
Os aspectos aqui abordados e analisados serão relacionados às regras e                     
convenções observadas durante o trabalho de campo. Essas regras serão                   
organizadas nos seguintes tópicos: interação; dificuldades; e outros aspectos que                   
caracterizam o circuito de grupos de teatro em Curitiba. 
Interação 
Ao considerarmos o tema interação, foi possível caracterizá-lo em 2 tópicos,                     
sendo eles: autoridade/hierarquia e afetividade/amizade. Ambos estão presentes               
nas relações entre os integrantes dos grupos de teatro e na maneira como são                           
organizados. 
Autoridade/Hierarquia 
De modo geral todos os grupos, sendo eles os ​independentes (​G.A.T.A.,                     
Grupo S.E.M. Cia de Teatro e Comparsaria Cênica​), grupos ​vinculados a escolas e                         
a clubes (​GRUTA ​e GTCC​) ou os ​religiosos ​(​Cia de Teatro IBB, Grupo A Tua Ação,                               
Grupo Lanteri ​e Arte e Vida​) demonstraram que possuíam sim uma hierarquia, e                         
ela era caracterizada pela presença dos diretores de cada grupo. Porém, em todos                         
os grupos era perceptível que os ensaio/espetáculos eram constituídos pela união                     
das ideias e opiniões de todos que participavam do grupo.  
O diretor do grupo ​G.A.T.A (Diego Monteiro) contou, durante a roda de                       
conversa que participamos após a apresentação, que a construção da peça ​“A                       
NeoVida contemporânea como ela é” ​foi realizada em parceria com os atores                       
(principalmente atrizes, pois o tema abordava as diversas lutas que a mulher                       
enfrentou e ainda enfrenta na sociedade ao longo dos anos). Ele contou que muitas                           
cenas foram baseadas em experiências vividas pelas atrizes e que essa troca de                         
informações, assim como a criação e inserção de falas e ações, fez com que a peça                               
se tornasse mais condizente com a realidade. Isso demonstrou que, apesar de haver                         
uma “autoridade” do diretor sobre as tomadas de decisão, o processo de criação da                           
peça era bem democrático e aberto para contribuições.  
A relação marcante entre os integrantes do grupo ​S.E.M Cia de Teatro ​era de                           
trabalharem juntos para a melhoria e o aperfeiçoamento da peça, por isso, os                         
integrantes tinham liberdade para contribuir dentro de sua função – o que                       
demonstrava a confiança que o diretor José Barbosa tinha nos integrantes. Porém,                       
sempre que era necessário realizar alguma mudança, eles pediam a opinião do                       
diretor. Isso evidenciou que, mesmo com a liberdade que os integrantes do grupo                         
tinham, havia uma hierarquia, pois as decisões do diretor (e também ator) José                         
Barbosa predominavam, tornando-o essencial na produção da peça. 
Quanto ao grupo ​GRUTA​, a hierarquia estava presente em relação às                     
decisões a respeito do funcionamento da peça (como músicas selecionadas e falas)                       
e durante o ensaio, que era comandado e controlado pelo diretor, produtor e pelas                           
professoras de canto e de jazz. Tanto os atores quanto o diretor e as professoras                             
atuavam no musical, o que tornou a hierarquia praticamente não perceptível. No                       
entanto, a professora de jazz era tão próxima dos atores (em suas conversas e                           
práticas) que uma pessoa de fora não perceberia a relação professor-aluno; parecia                       
ser algo “de igual para igual”.  
Os grupos religiosos ​Cia de Teatro IBB e ​A Tua Ação ​eram integrados por                           
pessoas que frequentam, respectivamente, a Igreja Batista do Bacacheri e Primeira                     
Igreja Batista de Curitiba e isso faz com que os membros da equipe possuam uma                             
relação forte de amizade dentro e fora dos palcos. Porém, durante o ensaio do                           
grupo ​Cia de Teatro IBB, essa intimidade que existia entre os integrantes do grupo                           
destacou, em determinado momento, a hierarquia existente na equipe, pois o                     
maestro usou a ironia para chamar a atenção de algumas pessoas, mostrando sua                         
superioridade em relação às outras que estavam ali. Ele disse: “vamos fingir que eu                           
sou o maestro e vocês olham para mim?” ​e em seguida o ensaio fluiu de uma                               
melhor maneira, pois os integrantes do musical passaram a prestar mais atenção no                         
andamento do ensaio. 
Afetividade/Amizade 
A relação interpessoal dos grupos visitados se destacava pela cumplicidade                   
entre os integrantes. Dentre os grupos ​independentes​, o ​G.A.T.A destacou-se, pois                     
a relação entre os integrantes durante a roda de conversa aparentou ser de grande                           
respeito: ​todos os integrantes tiveram a oportunidade de responder às perguntas a                       
partir de seus pontos de vista, contando sempre com o respeito e apoio dos                           
companheiros de equipe. 
Nos grupos ​vinculados a escolas e a clubes​, ​podemos citar o ​GRUTA como                           
exemplo dessa cumplicidade, pois seus integrantes demonstraram possuir uma                 
grande liberdade e amizade entre si. Antes e durante o ensaio ocorreram                       
brincadeiras e piadas que evidenciaram a grande parceria que há entre os atores                         
tanto dentro quanto fora dos palcos. Todos pareciam se conhecer e estarem                       
confortáveis uns com os outros. Algo que se destacou foi que, durante o ensaio, os                             
integrantes do grupo se abraçavam muito e essa demonstração de afeto não era                         
“exclusiva” aos atores, mas houve momentos em que eles permaneciam abraçados                     
também com o produtor do musical, diretores e outros integrantes da equipe.                       
Notamos que a interação foi crescendo conforme o ensaio, pois, no início, os                         
integrantes estavam mais divididos e depois mais próximos, com muita risada e                       
carinho fora do ensaio e com muito contato visual dentro dele. No entanto, em um                             
determinado momento a professora de canto chamou a atenção: “interajam mais!”                     
e então o contato físico tornou-se mais forte nas cenas.  
Quanto aos grupos ​religiosos​, ​na ​Cia de Teatro IBB os integrantes possuíam                       
grande amizade proveniente da vivência fora dos palcos nos cultos da Igreja Batista                         
do Bacacheri. Durante o ensaio, eles chamavam uns aos outros de “irmãos”. O                         
diretor Rodrigo Lara, que também era o maestro responsável pelo comando do                       
ensaio, conhecia todas as centenas de pessoas que estavam ali presentes e as                         
chamava pelo nome. As pessoas no ensaio aparentavam estar bem confortáveis,                     
muitas vezes fazendo piadas internas e ajudando uns aos outros. No grupo ​Lanteri​,                         
muitos membros se conhecem há muitos anos e mantém, entre si, um vínculo forte                           
de amizade. Há membros que participam do grupo há mais de 30 anos, levando                           
seus filhos e até netos para participarem também. Durante o ensaio, era fácil                         
perceber o clima de cumplicidade entre os membros do grupo. A familiaridade foi                         
um aspecto positivo para que a interação teatral fosse mais profunda e real. 
Dificuldades  
Dentre os grupos de teatro analisados, as maiores dificuldades apresentadas                   
foram: a falta de verba para a montagem e apresentação dos espetáculos e peças,                           
o que limitava as ações dos grupos e fazia com que eles passassem a depender de                               
empréstimos (de roupas, cenários e lugares para ensaio e apresentações), e da                       
ajuda de amigos e dos próprios integrantes do grupo para a confecção de figurinos,                           
cenários e maquiagens dos espetáculos; falta de tempo para ensaios, pois por                       
serem, em sua maioria, compostos por voluntários, os grupos de teatro acabam                       
ficando em segundo plano na rotina dos atores, que só podem ensaiar em horários                           
limitados, além disso, ocorre que muitas vezes os horários de disponibilidade dos                       
integrantes para os ensaios não coincidem, o que dificulta a sua organização; a                         
grande rotatividade de atores, que muitas vezes desistem meses antes da estréia                       
ou apresentam-se por apenas uma temporada e depois se desligam do grupo; e                         
falta de espaço para o ensaio e para a quantidade de pessoas envolvidas na                           
produção do espetáculo (atores e equipes de produção criando cenários e                     
figurinos). Isso faz com que os grupos ensaiem em locais inadequados (pequenos)                       
para a prática teatral ou emprestem locais maiores. 
Em relação às dificuldades encontradas pelos grupos ​vinculados a escolas e a                       
clubes​, pode-se destacar o fato de o Colégio Estadual do Paraná (CEP) estar                         
passando por uma reforma e, como o GRUTA está vinculado a ele, as dependências                           
onde normalmente ocorrem os ensaios do grupo também estão sendo reformadas.                     
Dessa forma, a equipe está ensaiando em uma sala pequena que é dividida com                           
outros setores do CEP e, durante o ensaio, os atores batiam, chutavam e                         
esbarravam em coisas. O diretor sempre buscava conseguir bons locais de ensaio,                       
pois o CEP não era suficiente. Para a apresentação, o grupo conseguiu o Teatro                           
Guairinha. Lá, diferentemente do local onde estava ocorrendo o ensaio, era                     
excelente para a prática teatral. 
Alguns grupos entram como exceção às dificuldades apresentadas: os grupos                   
religiosos ​Cia de Teatro IBB e Grupo A Tua Ação ​possuíam um local grande e                             
adequado para os ensaios. Por serem provenientes de igrejas, esses grupos                     
possuíam um grande aparato de luz e som para serem utilizados durante os ensaios,                           
além de conseguirem bancar seus ensaios e apresentações com a ajuda de todos os                           
membros.  
Outros aspectos: relação entre os grupos e o público 
Em sua maioria, os grupos de teatro estudados apresentaram grande                   
interação e abertura para o público. Como destaque, pode-se citar os grupos:                       
G.A.T.A, GRUTA e Arte e Vida.  
Como já comentado, após a apresentação da peça ​“A NeoVida                   
contemporânea como ela é” ​do grupo ​G.A.T.A, ​houve uma roda de conversa em                         
que a equipe de atores e diretores responderam questionamentos feitos pelo                     
público. Eles tiraram as dúvidas das pessoas que ali estavam de maneira próxima e                           
acessível. Algumas perguntas faziam fortes críticas à peça, mas, mesmo assim, eles                       
responderam de forma educada e respeitosa. 
O grupo ​GRUTA​, durante seu ensaio, demonstrou grande interesse em                   
responder aos questionamentos que realizávamos – como pesquisadores – em                   
relação ao trabalho deles. Muitas vezes, o Lau (diretor) parava o ensaio e vinha até                             
onde estávamos e perguntava se tínhamos algum questionamento sobre o grupo, o                       
ensaio ou sobre sua história.   
O ensaio do grupo ​Arte e Vida ocorreu em uma Rua da Cidadania e, por isso,                               
era visível para as pessoas que passavam a pé, de carro e de ônibus. A interação                               
que ganhou destaque foi aquela entre os atores e os transeuntes na rua, pois a Rua                               
da Cidadania não foi interditada para a peça até o dia da apresentação e, por isso,                               
o contato com os passantes era direto e constante. Muitos paravam admirados para                         
assistir ao ensaio da peça e até mesmo dar opiniões sobre o andamento do ensaio,                             
e os atores tinham que lidar com isso em meio à prática.  
Durante o trabalho de campo, observou-se uma situação delicada em relação                     
à apresentação do espetáculo “Sherazade” encenado pelo ​Grupo de Teatro do                     
Clube Curitibano​. O grupo, de certa forma, dificultou o acesso do público à                         
apresentação de sua peça, pois o clube informou no guia do Festival de Teatro que                             
a apresentação seria gratuita naquele dia, porém, quando o público tentava fazer a                         
retirada dos ingressos gratuitamente, os balconistas do local queriam cobrar o valor                       
de R$ 15,00. Os ingressos só foram cedidos de forma gratuita após provar que                           
estava anunciada no guia do Festival a gratuidade do espetáculo. E, após o                         
ocorrido, pediram para que as pessoas que tinham percebido o equívoco não                       
divulgassem a informação (a gratuidade informada no guia) para outras pessoas.  
 
   
   
Capítulo 03 – Análise da cultura organizacional do G.R.U.T.A. 
3.1 Contextualização sobre Cultura Organizacional e Memória Organizacional  
O tópico inicial desta seção tem a intenção de apresentar uma breve                       
contextualização do que se entende, dentro dos estudos de Comunicação                   
Organizacional, por Cultura Organizacional, Memória Organizacional e por Formas                 
da Gestão do Trabalho, a fim de embasar teoricamente os demais conteúdos                       
desenvolvidos no capítulo. Após a realização da pesquisa de campo e, tendo em                         
vista a recepção e tempo de vida organizacional, o grupo decidiu focar os estudos                           
de modo mais específico no ​Grupo de Teatro Amador do Colégio Estadual do                         
Paraná (GRUTA)​. Nesse sentido, esforçamo-nos inicialmente pela construção de                 
uma explicação clara a respeito desses termos que fazem parte do universo da                         
Comunicação Organizacional.  
Antes de tudo, é preciso compreender “cultura” sob a perspectiva                   
antropológica do termo. Não levando em consideração o entendimento do senso                     
comum de que o indivíduo é passível de ser mais ou menos dotado de cultura, mas                               
sim a percepção encontrada na literatura científica, em que a cultura é                       
apresentada como sendo algo intrinsicamente humano, como tudo aquilo que o ser                       
humano consegue aprender, fazer, usar, produzir e conhecer nos grupos sociais aos                       
quais pertence (DIAS, 2013). 
Sendo assim, compreende-se que todos os indivíduos e grupos sociais                   
possuem sua própria cultura que as distinguem dos demais. Essa bagagem cultural                       
perpassa pelas gerações desses grupos através da herança social e dos processos de                         
socialização. Logo, como explicita Dias: 
(...) o ser humano é o resultado cultural do meio em que foi socializado. Ele é o herdeiro de um                                         
longo processo acumulativo que reflete todo conhecimento e experiências                 
adquiridas pelas numerosas gerações que o antecederam (DIAS, 2013,                 
p.42).  
A respeito disso, Bronislaw Malinowski (1970) foi quem introduziu a ideia de                       
existirem “subculturas” dentro de culturas, como, por exemplo: as culturas                   
regionais, em comparação com as nacionais, conferem subculturas.  
Toda cultura possui membros que compartilham significados comuns. Isso                 
facilita a convivência, a comunicação e a sobrevivência. Para conhecer uma                     
cultura, é preciso observar suas relações interpessoais, a vida material, o idioma, a                         
visão estética, a religião, a força da identidade cultural, as manifestações                     
folclóricas etc. (DIAS, 2013). 
Em suma, a área de Comunicação Organizacional adota o conceito                   
antropológico do termo: cultura é toda produção humana transmitida pela                   
socialização. Isto é, compreende a totalidade das criações humanas (tanto os                     
aspectos tangíveis/materiais como os intangíveis/imateriais), é uma característica               
exclusiva dos humanos (excluindo os animais), e é transmitida pela herança social                       
(e não pela biológica) (DIAS, 2013). 
Partindo dessas interpretações, Cultura Organizacional passa a ser               
entendida, basicamente, como a composição das culturas locais, regionais e                   
nacionais dos contextos sociais onde as organizações estão inseridas e também das                       
culturas individuais – levando em consideração que as organizações se constituem                     
por pessoas. Por esse motivo, não há apenas uma definição única disponível, mas,                         
no geral, Cultura Organizacional é entendida como um sistema de valores e crenças                         
compartilhadas que geram efeitos sobre os comportamentos em uma organização.                   
É ela quem guia as escolhas e dá significado às atividades. (DIAS, 2013) 
Dentre as funções da Cultura Organizacional, é possível identificar:                 
transmitir sentimento de identidade aos membros; facilitar com que as pessoas                     
assumam um compromisso com algo maior do que si mesmas; contribuir para                       
fortalecer a estabilidade do sistema social; e oferecer normas que facilitem a                       
tomada de decisão. (DIAS, 2013)  
Didaticamente, existem alguns elementos que dão sustentação à Cultura                 
Organizacional e que facilitam e conduzem ao enfrentamento de problemas, sendo                     
chamados de “elementos estruturantes”. Eles podem ser analisados tanto no nível                     
organizacional como em grupos ou subculturas. Edgar Schein foi um dos autores                       
que classificou esses elementos entre aqueles que fazem parte do Núcleo Central                       
(Crenças, Valores e Pressupostos Básicos) e os que conferem Formas Visíveis e                       
Expressíveis (Artefatos, Condutas, Heróis, Linguagem, Ritos e Rituais, Símbolos e                   
Slogans). As Formas Visíveis e Expressíveis determinam os elementos do Núcleo                     
Central (DIAS, 2013).  
É possível pensar uma organização como uma entidade que possui “vida”                     
própria, afinal, ela é constituída por pessoas. Através da celebração e valorização                       
de experiências passadas e marcos históricos próprios, uma organização é capaz de                       
formar uma identidade institucional, por meio da relação com seus variados                     
públicos. 
Segundo a autora Lucia Santa Cruz (2014), ao se analisar os materiais                       
disponíveis que tratam sobre a temática de memória nos estudos de Comunicação                       
Organizacional, é perceptível que existe uma tendência à instrumentalização do                   
tema, como uma estratégia de comunicação. Essa chave conceitual, de memória                     
como estratégia, é apenas uma dentre as cinco existentes, sendo elas: memória                       
como cultura organizacional, como auxiliar na formação da identidade                 
organizacional; memória como gestão do conhecimento; memória como trajetória                 
institucional; e memória como saber coletivo. É fundamental reforçar o fato de que                         
memória organizacional não se trata de um sinônimo para os instrumentos e                       
ferramentas de memória.  
A memória de uma organização, com seus elementos e significados, é um                       
importante recurso adotado pela Comunicação Organizacional como protagonista e                 
intermediadora das diversas relações das organizações, para auxiliar na tomada de                     
decisões assertivas. Além da identidade institucional, a memória perpetua valores,                   
sentidos e outros elementos intangíveis, ou seja, não se restringe a datas                       
comemorativas e a celebrações vazias. (COSTA, 2006) 
3.1.1 Dados Gerais da Organização 
  O GRUTA (Grupo de Teatro Amador) é um projeto da Escolinha de Arte no                           
CEP (Colégio Estadual do Paraná) na Avenida João Gualberto, Nº 250, Alto da Glória                           
de Curitiba. É possível entrar em contato com o grupo através do e-mail                         
escolinhadearte@cep.pr.gov.br, assim como através do telefone (41) 3234-5665.               
Também é possível conseguir mais informações através do site institucional do                     
grupo: http://www.cep.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=99.  
O GRUTA oferece aulas de teatro amador desde às crianças, aos                     
adolescentes e até aos adultos, permitindo-os que subam no palco e realizem sua                         
primeira peça. O grupo se divide em subgrupos focados em idades diferentes,                       
sendo eles:  
● Grutinha, para crianças de até 14 anos  
● Gruta Adolescente, de 15 a 17 anos 
● Gruta, de 15 a 40 anos  
5
Apesar de fazer parte do Colégio Estadual do Paraná, não há a necessidade                         
de ser estudante do CEP para se participar do GRUTA. As aulas ocorrem de segunda                             
à sexta nos horários mais variados, dependendo do grupo e da peça sendo ensaiada. 
3.1.2 Elementos da Cultura e da Memória Organizacional 
O GRUTA (Grupo de Teatro Amador do Colégio Estadual do Paraná) foi                       
fundado em 1966, porém, sua história inicia-se no ano de 1952, quando o professor                           
Norberto Teixeira criou o CCCEP (Corpo Cênico do Colégio Estadual do Paraná).                       
Sete anos depois, Silvio Jair Kormann criou o Teatro Experimental do Colégio                       
Estadual do Paraná, e em 1963 foi formado outro grupo: o TGCEP (Teatro Grego do                             
Colégio Estadual do Paraná), pela professora Maria Lambros Comninos (COLÉGIO                   
ESTADUAL DO PARANÁ, 2010). 
A pedido de alunos e de ex-alunos do TGCEP, o professor e então diretor                           
geral Ernani Straub convocou o ator Telmo Faria (primeiro ator profissional do                       
5
O gruta é o único grupo que possui atores não amadores em conjunto com os amadores. Além disso, devido
às especificidades de shows musicais, eles pretendem criar um novo grupo chamado Gruta Musical.
Paraná) para tomar a criação e direção artística do GRUTA em 1966. Logo em                           
seguida, Telmo convidou o dentista e amante da arte Aluízio Cherobim para                       
participar do grupo e essa parceria, que tinha como intuito levar à cena uma                           
dramaturgia eclética, gerou ​“O Julgamento de Joana”, de Eddy Franciosi e ​“A                       
Moratória”,​ de Jorge Andrade (COLÉGIO ESTADUAL DO PARANÁ, 2010). 
Na década de 80, Aluízio e Luciana Cherobim criaram o Curso Técnico de                         
Teatro e Ator e, a partir desse momento, o teatro no CEP passou a ser                             
profissionalizante, sendo possível habilitar-se de duas maneiras diferentes: como                 
ator ou como técnico de teatro. O curso foi coordenado pelos professores Armando                         
Maranhão, Luís Afonso Burigo e Guaraci Martins. Mas, no início dos anos 2000,                         
formou-se a última turma; nela, formaram-se a atriz Marjorie Estiano e o ator                         
Leonardo Miggiorin (COLÉGIO ESTADUAL DO PARANÁ, 2010). 
Grande parte da história do teatro paranaense passou pelas salas do Colégio                       
Estadual do Paraná, mas também outras histórias por ali passaram. Do curso de                         
formação de atores da instituição, formaram-se profissionais dos palcos (como o                     
iluminador Beto Bruel, a atriz Odelair Rodrigues, Luís Melo e Ranieri González) e                         
também aqueles que se consagraram na televisão, como Ary Fontoura (COLÉGIO                     
ESTADUAL DO PARANÁ, 2010). 
Depois de quase uma década sem os cursos técnicos, somente com as                       
produções do grupo amador, em 2009 os cursos técnicos retornaram por meio da                         
diretora Maria Madselva que, com a ajuda da professora Raquel Júlio Mastey, deu                         
início ao ingresso dos novos cursos técnicos em teatro no CEP. Desde então, o grupo                             
vem formando atores, atrizes e plateia regularmente. ​O Teatro Experimental e a                       
Pesquisa Teatral são ramificações do ensino do teatro amador presentes até hoje                       
no ensino do CEP ​(COLÉGIO ESTADUAL DO PARANÁ, 2010). 
O ano de 2018 foi marcado pelo início das obras para a ampliação e melhoria                             
da estrutura do CEP e essas obras se estendem até o ano de 2019. As aplicações das                                 
aulas estão sendo de maneira improvisada na sala emprestada pelo Dancep (Grupo                       
de Dança Contemporânea do Colégio Estadual do Paraná) e no saguão do CEP. Esse                           
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Circuito grupos de teatro de Curitiba

  • 1.  
  • 3. ALISON GABRIEL MOREIRA GUERREIRO  ANDERSON FABIANO PEREIRA  AUGUSTO DE PAULA SOUZA  DHANDARA EMMANUELY MESSIAS  GABRIELA DE ANDRADE NUNES  GABRIELE MELO LEONARDI DOS SANTOS  ISABELA NIZER  LARISSA FERREIRA DE FRANÇA  LUCAS JOSÉ NEVES  Circuito dos Grupos de Teatro em Curitiba  Trabalho apresentado ao Curso de Comunicação Organizacional da Universidade                  Tecnológica Federal do Paraná como          requisito parcial para aprovação na          disciplina de Projeto Integrador 2, sob a              orientação geral da Prof.ª Dra. Valéria            Oliveira Santos.  Curitiba, 2018 
  • 5. Lista de Figuras  F​IGURA​ 1 - A N​EO​V​IDA​ ​CONTEMPORÂNEA​ ​COMO​ ​ELA​ ​É​ - F​ONTE​: A​CERVO​ P​RÓPRIO​, 2019. 25  F​IGURA​ 2 - S.E.M M​ULHER​ M​ONSTRO​ - F​ONTE​: A​CERVO​ P​RÓPRIO​, 2019. 26  F​IGURA​ 3 - GRUTA - F​ONTE​: A​CERVO​ P​RÓPRIO​, 2019. 27  F​IGURA​ 4 - IBB - P​AZCOA​ - F​ONTE​: A​CERVO​ P​RÓPRIO​, 2019. 28  F​IGURA​ 5 - T​UA​ A​ÇÃO​ - F​ONTE​: A​CERVO​ P​RÓPRIO​, 2019. 29  F​IGURA​ 6 - L​ANTERI​ - F​ONTE​: A​CERVO​ P​RÓPRIO​, 2019. 30  F​IGURA​ 7 - A​RTE​ ​E​ ​VIDA​ - F​ONTE​: A​CERVO​ P​RÓPRIO​, 2019. 31  F​IGURA​ 8 - C​RÂNIO​ Y​ORICK​ - F​ONTE​: A​CERVO​ P​ESSOAL​, 2019 54  F​IGURA​ 9 - I​NFOGRÁFICO 63  F​IGURA​ 10 - "P​ALETAS​" 64      
  • 6. Lista de abreviaturas e siglas  CCCEP   Corpo Cênico do Colégio Estadual do Paraná  CEP  Colégio estadual do Paraná  CEEP   Colégio Estadual de Ensino Profissional  CIA Companhia  DANCEP  Grupo de Dança Contemporânea do Colégio Estadual do  Paraná  DJ  Disc Jockey ​(em inglês) ou “​disco-jóquei” (em  português)  FAP  Faculdade de Artes do Paraná  GTCC  Grupo de Teatro do Clube Curitibano  G.A.T.A Grupo Adulto de Teatro Amador  GRUTA   Grupo de Teatro Amador do Colégio Estadual do Paraná  GRUTUN  Grupo de Teatro do ​UniBrasil Centro  Universitário  IBB  Igreja Batista do Bacacheri  ITECNE  Instituto Tecnológico Educacional de Curitiba  PIB  Primeira Igreja Batista de Curitiba  S.E.M ​CIA de teatro   Sentimento, Estéticas e Movimento  TETEF   Teatro da Escola Técnica Federal  TECEFET   Teatro do CEFET  TGCEP   Teatro Grego do Colégio Estadual do Paraná  TUT  Teatro da Universidade Tecnológica Federal do Paraná  USP  Universidade de São Paulo  UTFPR  Universidade Tecnológica Federal do Paraná   
  • 8. Sumário    C​APÍTULO​ 1 – A​PRESENTAÇÃO​ ​DO​ C​IRCUITO 10  1.1 A​PRESENTAÇÃO​ ​DA​ C​ATEGORIA​ C​IRCUITO 10  1.2 A​PRESENTAÇÃO​ ​DAS​ C​ARACTERÍSTICAS​ G​ERAIS​ ​DO​ C​IRCUITO 11  1.3 A​PRESENTAÇÃO​ ​DE​ D​ADOS​ S​ECUNDÁRIOS​ L​EVANTADOS 16  C​APÍTULO​ 02 – P​ANORAMA​, ​ATORES​ ​E​ ​REGRAS 24  2.1 PANORAMA: ​UMA​ ​ANÁLISE​ ​GERAL​ ​DOS​ G​RUPOS​ ​DE​ T​EATRO​ ​EM​ C​URITIBA 31  2.2 ATORES 32  2.3 REGRAS 35  C​APÍTULO​ 03 – A​NÁLISE​ ​DA​ ​CULTURA​ ​ORGANIZACIONAL​ ​DO​ G.R.U.T.A. 44  3.1 C​ONTEXTUALIZAÇÃO​ ​SOBRE​ C​ULTURA​ O​RGANIZACIONAL​ ​E​ M​EMÓRIA​ O​RGANIZACIONAL 44  3.2 C​OMUNICAÇÃO​ ​NAS​ R​ELAÇÕES​ ​DE​ T​RABALHO​ ​DA​ O​RGANIZAÇÃO 54  C​APÍTULO​ 04 – R​EPRESENTAÇÃO​ V​ISUAL 60  4.1 A​SPECTOS​ V​ISUAIS​ ​DOS​ ​ESPAÇOS​ ​DO​ ​CIRCUITO 60  4.2 P​RODUTOS​ V​ISUAIS 62  C​APÍTULO​ 05 – C​ONSIDERAÇÕES​ F​INAIS 68  R​EFERÊNCIAS​ ​BIBLIOGRÁFICAS 70       
  • 9.
  • 10.  
  • 11. Capítulo 1 – Apresentação do Circuito  1.1 Apresentação da Categoria Circuito  Para entender o contexto deste trabalho, é primeiramente preciso                  compreender o significado da categoria circuito. Como explica Magnani, o conceito                      está relacionado às pessoas:  Trata-se de uma categoria que descreve o exercício de uma prática ou a oferta de determinado                                serviço em estabelecimentos, equipamentos e espaços que não mantêm                  entre si uma relação de contiguidade espacial, sendo reconhecido em seu                      conjunto pelos usuários habituais: por exemplo, o circuito gay, o circuito                      dos cinemas de arte, o circuito neoesotérico, dos salões de dança e shows                          black, do povo-de-santo, dos clubbers, dos evangélicos gospel e tantos                    outros (MAGNANI, 2012 p. 97).  Circuito está também relacionado ao espaço – não somente como local ou                        cenário, mas como parte de um compartilhamento de certas práticas e de                        atribuição de sentido entre um grupo e uma localidade. Nesses espaços,                      determinadas pessoas se permitem criar relações, permitem-se falar, agir e                    expressar suas similaridades de maneira mais profunda, ou seja, o circuito é um                          espaço de sociabilidade.   No entanto, um circuito não está delimitado fisicamente por um ou mais                        estabelecimentos ou espaços; pode mudar geograficamente, de maneira dinâmica,                  a depender das pessoas, sazonalidade, entre outras variáveis. Mesmo não havendo                      proximidade, as pessoas se reconhecem dentro do circuito de maneira orgânica. Ou                        seja, o circuito acaba não sendo um território demarcado em um mapa ou a área                              de uma construção; cada um abrange inúmeros lugares diferentes e separados                      fisicamente.  Sendo assim, é importante entender o circuito como algo vivo e em                        constante mutação, por ação dos atores que o constituem. É também válido                        ressaltar sua permeabilidade: um circuito pode englobar sub-circuitos e dividir                   
  • 12. espaços e características uns com os outros – ou seja, são reconhecidos pelas                          similaridades e fazem sentido dentro de um circuito maior, único.  1.2 Apresentação das Características Gerais do Circuito   O circuito que será estudado neste trabalho é o dos Grupos ou Companhias                          de Teatro em Curitiba. A cidade abriga diversas atividades relacionadas ao                      universo teatral, como escolas, montagens de espetáculos e ainda entre os                      meses de março e abril é palco do tradicional Festival de Teatro de Curitiba . O                              1 evento conta com a participação de artistas de todo o país e com espetáculos                            dos mais variados gêneros, porém os elementos mais importantes para a sua                        realização são justamente os grupos de teatro curitibanos.  A edição de 2019 trouxe cerca de 400 espetáculos de treze estados                        brasileiros e cinco países diferentes, totalizando mais de 1700 apresentações                    que mobilizaram 2500 artistas, para um público estimado de 200 mil pessoas,                        sendo 40 mil turistas. As apresentações ocorreram em 80 espaços diferentes,                      como teatros, praças, parques ruas etc. Em decorrência do festival, foram                      criados aproximadamente 1700 postos de trabalho, sendo 700 diretos e 1000                      indiretos (ROSA, 2019a). O festival é dividido em vários segmentos, dentre eles                        a Mostra Oficial e o Fringe.  A ​Mostra Oficial conta com espetáculos selecionados por uma curadoria,                    com o objetivo de trazer o que há de mais relevante e diverso no cenário                              nacional e internacional. A edição de 2019 contou com a curadoria dos atores e                            diretores Guilherme Weber e Marcio Abreu, que selecionaram 27 espetáculos                    diferentes (FESTIVAL DE CURITIBA, 2019b).  O ​Fringe ​é um festival alternativo de teatro, presente em diversos lugares                        do mundo, que ocorre sempre de forma paralela aos festivais oficiais . O Fringe                          2 1 Criado em 1992, o Festival de Teatro de Curitiba tem como fonte de inspiração o Festival Internacional de Edimburgo, que é considerado o maior e mais antigo festival teatral do mundo. Em 2019, o Festival de Teatro de Curitiba completou a sua 28º edição em 2019, e de acordo com seu diretor, Leandro Knopfholz, é o maior evento nacional dedicado às artes cênicas, levando em conta “a oferta de espetáculos, a quantidade de público, o número de artistas que movimenta e a duração” (MOSER, 2018). 2 Surgiu de forma espontânea no ano de 1947, na cidade de Edimburgo, na Escócia, criado por companhias que não estavam na programação do Festival Internacional de Edimburgo (CIA AMADEUS, 2010)
  • 13. Curitiba nasceu no ano de 1998, na sétima edição do Festival de Teatro de                            Curitiba, como um espaço aberto e sem curadoria. Qualquer grupo ou                      companhia que tenha interesse pode participar, desde que 80% dos seus                      integrantes possuam o DRT, que é o registro profissional da categoria (FESTIVAL                        DE CURITIBA, 2019a) .   3 Na edição de 2019, centenas de peças estiveram na programação do                      Fringe: espetáculos de diversas linguagens e gêneros, realizados em vários                    locais de Curitiba. Sua divulgação sempre está presente no guia oficial da                        programação do Festival de Teatro de Curitiba e atualmente ele é considerado                        uma de suas frentes.  O teatro de rua também está presente no Fringe. Nessa modalidade, os                        atores encenam o espetáculo em espaço aberto. Segundo o produtor Fábio de                        Souza, essa prática reforça a ideia de democratização e acessibilidade da arte,                        pois atinge um público variado, “aqueles que não tem o costume de ir ao                            teatro, estão na correria o dia todo, passam aqui, esquecem a rotina, e se                            divertem um pouquinho, nem que seja por 20 minutos” (ROSA, 2019b). Segundo                        o produtor, as pessoas que estão passando e se deparam com o teatro de rua se                                interessam e pedem informações sobre os locais de outras apresentações.  Curitiba também é sede, desde o ano de 2016, do ​Festival de Teatro                          Estudantil​. O evento é realizado pela Cia Teatral Jully Grisbach, com o apoio                          do Centro Cultural Teatro Guaíra, através do Teatro Zé Maria. Em sua terceira                          edição, contou com a participação de 14 instituições de ensino, entre públicas                        e privadas, de Curitiba, Região Metropolitana e de fora do estado (BEM PARANÁ,                          2018). O grande objetivo do festival é incentivar e promover as aulas de teatro                            em instituições de ensino, além de promover o debate no âmbito educacional                        sobre a importância das artes cênicas para a juventude (FESTIVAL DE TEATRO                        ESTUDANTIL, 2019).  3 A ideia desse festival é proporcionar espaço para grupos que não estão na Mostra Oficial, além de democratizar a arte, levando-a para mais perto do público e com bilheteria acessível. São apresentadas peças gratuitas, com modelo “pague quanto vale” e com valores de no máximo R$ 60,00.
  • 14. Não foram localizados dados estatísticos que apontassem um número                  preciso de grupos de teatro existentes em Curitiba, porém através do                      levantamento de dados realizado na internet, verificamos que há uma grande                      variedade de grupos, de diferentes gêneros, estéticas e propostas.   De acordo com a doutora em Artes Cênicas pela USP, Verônica Gonçalves                        Veloso, um grupo de teatro não é apenas um “amontoado” de gente, é um                            coletivo com um interesse em comum. O termo “grupo” ganhou destaque em                        meados da década de 1960, e é entendido como uma união de longo prazo, em                              que a vivência dos seus membros não está ligada apenas à execução de um ou                              dois projetos (VELOSO, 2008).  O conjunto de pessoas com interesses comuns que caracteriza o grupo teatral tem como modelo                              de estruturação grupos de longa vida, aqueles que                permanecem juntos vinte, trinta anos. Talvez a principal                característica desses agrupamentos seja sua relação com o                tempo, sua formatação duradoura. Esse modelo de grupo                estável, com atestado de qualidade garantido pelo tempo de                  trabalho tem um papel muito importante na organização dos                  artistas enquanto classe de trabalhadores. (VELOSO, 2008, p.2)   Por outro lado, coletivo de teatro está mais ligado à ideia de uma união                            menos estável, focada em projetos específicos, e por isso, não possui a vivência                          de grupo. Segundo Veloso, “o coletivo sobrevive o tempo que dura a                        empreitada, tem hora de começar e de acabar”. Veloso compara grupo a um                          casamento, e coletivo a um namoro (VELOSO, 2008)   No levantamento realizado, podemos destacar alguns grupos teatrais                curitibanos que apostam em diferentes linguagens. Dentre esses grupos, uma                    parcela é formada por profissionais, outra mescla atores profissionais e artistas                      amadores, e outras são exclusivamente de grupos amadores.  O ​Estábulo de Luxo ​é um grupo profissional, criado em 2011 pelos                        artistas Danielle Campos e Ricardo Nolasco, filiado à Selvática Ações Artísticas                      (MACHADO, 2014). É um dos vários grupos que ocupam o Espaço Cultural Casa                          Selvática, localizado na rua Nunes Machado, 950, no bairro do Rebouças. O                       
  • 15. grupo discute temas como gênero, identidade, desconstrução da padronização                  dos corpos, e busca o desenvolvimento de uma linguagem particular, por meio                        de experimentações. Tem como referências artísticas as vanguardas do início                    do séc. XX, a antropofagia, a literatura e dramaturgia clássica, o teatro de                          revista. O grupo tem uma pesquisa contínua sobre o formato cabaré. Os                        espetáculos “Momo – Para Gilda com Ardor” e “Cabaret Macchina”, foram                      destaques, e integraram a Mostra Oficial do Festival de Teatro de Curitiba, nas                          edições de 2017 e 2018 (SELVÁTICA, 2019).  O grupo ​Antropofocus ​existe desde o ano 2000. O grupo tem como                        objetivo criar um humor criativo, que fuja do lugar comum, e com criações                          coletivas, em que todos os membros possam contribuir com ideias, através de                        coautoria. Nesses quase 20 anos de existência, o Antropofocus já realizou                      estudos das mais diversas linguagens, como esquetes, improvisações, formatos                  lineares, dramaturgia sem uso de som, voltado ao público cego, entre outros.                        Possui sua sede na rua Sete de Setembro, 2620, sala 05, no centro. O local,                              além de abrigar o espaço de criação, também é uma escola de teatro, onde são                              oferecidos diversos cursos (ANTROPOFOCUS, 2019).  A ​Comparsaria Cênica ​é um grupo de circo-teatro curitibano formado por                      atores profissionais e amadores, atualmente sediado na rua Camões, no bairro                      Alto da XV. Tem como objetivo levar bem-estar e qualidade de vida por meio                            do teatro e pelo uso da linguagem circo-teatral. Quem dirige os comparsas                        (como são chamados seus integrantes) é o professor e diretor Helio de Aquino.                          O início de suas atividades foi em 2013, no bairro Bom Retiro. No ano seguinte,                              o grupo se mudou para uma casa no bairro Vista Alegre. Na nova sede,                            montaram espetáculos em que convidava o público a acompanhá-los pelos                    diversos cômodos da residência, com o objetivo de aproximar o espectador da                        narrativa da peça (COMPARSARIA CÊNICA, 2019) .  4 4 O grupo oferece também o Teatro-escola, que é a montagem adaptada do seu repertório em espaços escolares e peças de cunho pedagógico, com temas relacionados à infância e adolescência. Há também o projeto “​Clownparsas​”, que são intervenções com palhaços em eventos de empresas e confraternizações. Outra atividade é o “​Playback​”, que consiste na improvisação e criação de cenas a partir de histórias contadas pela plateia. Esse projeto visa à reflexão de situações e problemas que podem ocorrer em uma organização, e para isso contam com a assessoria de um profissional da psicologia. Além disso, ministram oficinas e cursos de circo-teatro, os quais disponibilizam
  • 16. O ​Grupo Lanteri ​possui mais de 40 anos de existência. Foi fundado em                          1978, na Paróquia São Paulo Apóstolo, no bairro São João em Curitiba. O grupo                            é responsável pela montagem da já tradicional encenação “Paixão de Cristo”,                      que ocorre todos os anos na páscoa. O grupo também encena diversas outras                          peças com temáticas religiosas, de viés católico. As apresentações sempre são                      abertas ao público e são realizadas, em grande parte, em locais de grande                          circulação – como terminais, ruas da cidadania e praças. Define-se como um                        grupo de “teatro feito pelo povo e para o povo”. Conta com atores profissionais                            e amadores. Os seus integrantes são voluntários, e apesar das temáticas                      católicas, aceita pessoas de todas as religiões (GRUPO LANTERI, 2019).  Em Curitiba, existem ainda grupos teatrais que são organizados por                    instituições de ensino. Além de envolver os estudantes das escolas,                    universidades e faculdades responsáveis, esses grupos, em sua maioria, incluem                    também a comunidade.   Dentre os grupos, estão incluídos o ​TUT ​(Teatro da Universidade                    Tecnológica Federal do Paraná), o ​GRUTA ​(Grupo de Teatro Amador do Colégio                        Estadual do Paraná), o GRUTUN (Grupo de Teatro do ​UniBrasil Centro                      Universitário), ​o ​Grupo de Teatro da FAE ​e a ​PalavrAção ​(Companhia de Teatro                          da UFPR) os quais terão suas principais informações – como datas, locais de                          funcionamento e formas de ingresso – apresentadas a seguir:   O ​TUT foi fundado em 1972. Ao longo dos anos, o grupo teve vários nomes                              diferentes, sempre acompanhando as alterações da própria instituição, a qual                    faz parte. Até o ano de 1978, se chamava ​TETEF ​(Teatro da Escola Técnica                            Federal), posteriormente passou a se chamar TECEFET ​(Teatro do CEFET), e                      apenas em 2005, adotou o atual nome, quando se firmou como um grupo de                            teatro universitário (UTFPR, 2018). Sediado no Campus Curitiba, na Av. Sete de                        Setembro, 3165, Rebouças, o grupo abre seleções de elenco para toda a                        comunidade, com prioridades para estudantes e servidores da UTFPR, em forma                      inscrições pelo site que mantém com notícias e informações sobre o grupo. No Festival de Teatro de Curitiba de 2019, o grupo participou do Fringe, apresentando onze espetáculos em parceria com outros grupos de circo-teatro (COMPARSARIA CÊNICA, 2019).
  • 17. de extensão universitária. Realiza as suas principais atividades durante a                    semana, nas segundas e quartas-feiras das 18h30 às 22h (EVEN3, 2019).  Localizado na Av. João Gualberto, 250, Alto da Glória o ​GRUTA ​realiza                        suas atividades nas sextas-feiras das 13h50 às 17h30 e nas terças e                        quartas-feiras das 18h35 às 21h15. Não é exclusivo para estudantes: a                      comunidade também pode fazer parte, sendo necessário realizar a inscrição,                    ter no mínimo 15 anos e estar cursando o segundo ano do ensino médio (CEP,                              2017).   Criado em 2007, o grupo ​GRUTUN​, que realiza suas atividades aos sábados                        na Rua Konrad Adenauer, 442, Tarumã das 13h30 às 16h, possui mais de 20                            peças realizadas. O grupo é exclusivo para alunos, egressos e funcionários do                        Centro Universitário UniBrasil (UNIBRASIL, 2018).  Em 2009, foi criado o ​Grupo de Teatro da FAE​, ​o grupo já se apresentou                              em eventos e festivais, e para melhorar suas técnicas utiliza adaptações de                        textos dramatúrgicos nacionais e internacionais. Suas atividades ocorrem aos                  sábados, das 9h ao 12h no Colégio Bom Jesus Lourdes, Rua Fioravante Dalla                          Stella, 90, Cristo Rei. O grupo é aberto tanto para alunos da instituição quanto                            para a comunidade, para participar é necessário passar por um processo                      seletivo (FAE, 2019).   A Companhia ​PalavrAção ​foi fundada no ano de 1995 e tem como                        principal objetivo a formação e preparação do ator. Os ensaios da Companhia                        ocorrem de segunda a quinta das 19h às 22h, na Rua XV de Novembro, 695,                              Centro. Para integrar a equipe, é necessário passar por um processo seletivo                        (COMPANHIA DE TEATRO DA UFPR, 2019).   1.3 Apresentação de Dados Secundários Levantados  Inicialmente, o grupo mobilizou-se para reunir conhecimentos a respeito do                    grupo social “estudantes de teatro em Curitiba”, no entanto, nesse processo de                        investigação, concluímos que o projeto seria muito mais enriquecedor, tanto do                      ponto de vista de volume informativo disponível, quanto de interesse pelo assunto                       
  • 18. por parte dos integrantes, se o tema principal fosse alterado para                      “grupos/companhias de teatro em Curitiba”. Para que o leitor possa compreender                      como essa alteração se mostra mais proveitosa, o grupo concordou em manter,                        apenas neste tópico, os resultados da pesquisa inicial, sobre os estudantes. Nesse                        levantamento, nosso grupo deparou-se com artigos de diversas perspectivas.  O artigo “Teatro de grupo contra o deserto do mercado” de Iná Camargo                          Costa (2007) reflete sobre os motivos pelos quais os teatros de grupo no Brasil                            perderam força nas últimas décadas em comparação com seu início, já que, desde                          que o país adotou a linha neoliberal, a arte passou a ser mero produto comercial.                              Na década de 90, surgiu o movimento “Arte contra a Barbárie”, formado por grupos                            teatrais e personagens atuantes da arte em São Paulo, a fim de contestar a                            instauração da Lei Rouanet (estavam inconformados com os critérios de seleção                      para a obtenção de recursos) e propor outras críticas, como ao baixo orçamento                          destinado ao Ministério da Cultura, além de lutar por políticas públicas para a                          cultura (COSTA, 2007).  No artigo “Investigando a recepção em um projeto de teatro na                      comunidade”, Beatriz Ângela Vieira Cabral e Dan Olsen analisaram o projeto de                        pesquisa “Teatro em Trânsito – formas interativas de teatro em comunidade”. Os                        autores avaliaram a recepção do espetáculo por três grupos distintos de                      participantes: atores com experiência anterior (alunos e professores de teatro),                    atores sem experiência anterior (participantes da comunidade) e espectadores.                  (CABRAL; OLSEN, 2005).  Com os resultados da pesquisa, notou-se que os estudantes de teatro e os                          atores com e sem experiência concordaram com o aspecto que causou mais                        impacto na montagem: a dramaturgia, considerando as situações inesperadas como                    característica mais importante da narrativa. Os espectadores também acharam que                    o maior impacto foi causado pela dramaturgia, mas apontaram como primeira                      opção a variável “possibilidade de interpretações distintas” – contrariando a                    expectativa inicial de que haveria uma distinção significativa entre a recepção por                        parte dos alunos de teatro e por parte dos espectadores. (CABRAL; OLSEN, 2005). 
  • 19. No artigo “Teatro, corpo, experiência e sentido: análise de protocolos                    teatrais verbo-visuais”, Jean Carlos Gonçalves (2015) apresenta uma nova                  abordagem educacional para teatro de maneira que desse voz para os alunos, para                          que pudessem expressar as experiências vivenciadas nas aulas, preparar-se para a                      experiência cênica e exercer sua criatividade. Essa nova proposta envolveu a                      metodologia de “protocolos”, entendida como espécie de registro de                  aula/depoimento. Gonçalves reconheceu que o trabalho com os protocolos se                    mostrou útil para instigar o diálogo entre professor e alunos sobre as experiências                          cênicas vivenciadas e todos os alunos-autores concordaram que a corporeidade é                      um dos aspectos mais importantes durante a aula de teatro e durante a execução                            da peça. O contato com o próprio corpo e com os demais corpos facilita e                              possibilita a interação entre os atores e entre o ator e o público, sendo o teatro um                                  ato vivo (GONÇALVES, 2015).  Dois dos artigos estudados destacam o teatro como “ação pedagógica”, em                      “Avaliação em Teatro: Reflexões a Partir das Vozes do Aluno”, também de Jean                          Carlos Gonçalves, é repensado o relacionamento entre professor e aluno de teatro                        no contexto de avaliador e avaliado. Gonçalves afirma que o professor está                        interligado com a criação dos alunos, agindo de maneira similar a um diretor                          cênico, que está ao mesmo tempo avaliando e ensinando os atores. Gonçalves                        conclui que “em teatro, a melhor forma de avaliação acontece em meio ao                          diálogo” (GONÇALVES, 2014, p.90).  Já Vera Lúcia Bertoni Dos Santos fomenta, em seu artigo “Formação docente                        em Teatro: pesquisa aliada à ação pedagógica”, uma reflexão sobre as questões e                          problemas acerca dos interesses pessoais dos estudantes de graduação. Ao analisar                      os resultados obtidos, Dos Santos pôde observar os impactos práticos na formação                        da identidade do docente de maneira crítica: tais como a importância da                        espontaneidade na prática e no ensino teatral, as práticas pedagógicas empregadas                      e sua efetividade, e demais questões de ensino. Além disso, também foi observada                          a importância da troca de conhecimentos e experiências durante o estudo                     
  • 20. empírico, que mudaram a visão de mundo dos atores sociais envolvidos e                        possibilitaram um ganho de referenciais (SANTOS, 2018).  Ao buscar mais informações sobre a saúde dos estudantes de teatro, o grupo                          encontrou o artigo “Atores profissionais e estudantes de teatro: aspectos vocais                      relacionados à prática” escrito por Juliana Richinitti Vilanova, Jair Mendes                    Marques, Vanessa Veis Ribeiro, Amanda Gabriela de Oliveira, Lídia Teles e Kelly                        Cristina Alves Silverio, que apresenta um estudo comparativo entre a prática                      teatral e suas implicações na voz de atores profissionais e estudantes de teatro.                          Foram analisados os resultados de uma pesquisa quantitativa, feita através de                      aplicações de quatro questionários onde foram divididos em quatro tópicos:                    aspectos relacionados à prática profissional; aspectos relacionados à voz; hábitos                    vocais, de saúde e condições ambientais; e cuidados com a voz (OLIVEIRA;                        MARQUES; RIBEIRO; SILVÉRIO; TELES; VILANOVA; 2016).  O estudo constatou que, entre os estudantes, houve menor incidência de                      problemas na fala – como rouquidão, afonia e outros. Além disso, as estatísticas                          desses dados mostraram maior incidência entre os profissionais de práticas                    inadequadas em relação à saúde, uso da voz e condições ambientais, como o uso da                              voz enquanto estavam gripados, com respiração inadequada e maior permanência                    em locais fechados, com mofo, poluição ou pouca ventilação. Além disso, também                        ensaiavam em locais com condições acústicas diferentes do local em que é                        realizada a apresentação (OLIVEIRA; MARQUES; RIBEIRO; SILVÉRIO; TELES;                VILANOVA; 2016).  Já Edson Simões, no artigo “A Construção da Personagem no Teatro pelo                        olhar da Psicologia Social”, afirma que o comportamento social é essencial para                        que o ator execute seu trabalho, pois a partir da relação estabelecida entre o ator                              e o outro é que o seu trabalho se concretiza. Simões conclui considerando que a                              formação de um personagem, além da relação com o outro, dá-se também a partir                            de relações sociais em que o ator, independentemente de seu personagem, está                        inserido. Dessa maneira, ele reproduz a realidade em volta de si mesmo e de seu                              personagem (SIMÕES, 2010). 
  • 21. Com o objetivo de melhorar o entendimento do conteúdo explorado, a partir                        deste parágrafo, seguiremos apresentando somente referências encontradas pelo                grupo que abordam o objeto atual de nossa pesquisa: “grupos/companhias de                      teatro em Curitiba”.   O artigo “Um novo cenário: conquistas e contradições do atual teatro de                        grupo brasileiro” de Christina Streva apresenta características do teatro de grupo                      no Brasil nas últimas décadas, além de informações sobre como é o cenário dos                            grupos de teatro no Brasil. A autora afirmou que os grupos de teatros vêm                            conquistando grande crescimento e fortalecimento nacional, já que, devido à “boa                      fase” da economia a partir de 2000, os grupos foram obtendo conquistas em                          relação ao Estado. Pode-se citar – novamente – como um grande exemplo o                          movimento “Arte contra a Barbárie”, que resultou na Lei de Fomento ao Teatro                          (Lei 13.279/02) (STREVA, 2014).  Segundo Streva, encontram-se no país diversos grupos de teatro estáveis e                      consolidados, porém ainda é grande o número de grupos brasileiros que não                        possuem condições de manter plenamente o grupo de teatro em atividade. Para                        que houvesse uma continuidade dos grupos teatrais e para diminuir o número de                          “desistentes”, foram adotadas estratégias, como: turnês, apresentações em                festivais, vendas de produtos relacionados à peça, além de tudo o que envolvesse a                            parte administrativa de um grupo teatral (STREVA, 2014).  Já em “Reflexões sobre os vinte anos de experiência do grupo de teatro Tá                            na Rua” de Amir Haddad (2001), é refletido a importância do teatro de                          manifestação pública em oposição ao teatro formal de recinto fechado. Haddad                      notou que, quando o grupo Tá na Rua partiu para a prática teatral pública, o teatro                                havia conquistado uma nova linguagem, praticando uma interação mais direta com                      a plateia – algo bastante incomum na época, quando lugar de teatro era no palco e                                não nas ruas (HADDAD, 2001).  Essa forma de teatro popular foi a maneira de os grupos de teatro se                            rebelarem contra o estabelecido. Assim, eles romperam seus laços com os                      “procedimentos éticos da burguesia capitalista protestante” (2001, p. 157),                 
  • 22. focando-se em dar às pessoas comuns a chance de participar da festa, permitindo                          que a plateia se sentisse mais à vontade e sem medo de interferir no show. Pelo                                fato de o teatro estar na rua, os indivíduos poderiam sair da rotina de trabalho e                                esboçar seu lado criativo e lúdico, como um ser humano pleno e livre – e isto                                reforça a cidadania. (HADDAD, 2001).  A respeito da participação dos grupos e companhias de teatro no cenário                        curitibano e, pelo estudo da história, percebeu-se que o teatro se tornou uma                          forma de resistência política, conforme aborda a dissertação “Arte e política: O                        teatro como prática de liberdade – Curitiba (1950-1978)” de Reinaldo Cerqueira                      Sousa. Conforme é relatado pelo autor, no período de regime militar, a arte e a                              cultura se mantiveram firmes e constantes em volume e abundância: mesmo com a                          proposta política de que a ordem e o progresso viriam por meio da força, da                              violência e de variadas técnicas de torturas, o teatro era um divisor de águas para                              a cultura, para a política e para os livres pensadores. Foi um espaço para a                              compreensão da arte da cultura e da política, um lugar para os desabafos sociais e                              de renovação das forças. Na década de 50, Curitiba teve seus espaços públicos e                            teatros tomados pela população de artistas, músicos e eruditos. (SOUSA, 2010).  Em “Visões de Curitiba em Cena”, Costa relata que, quando inaugurado o                        Auditório Bento Munhoz Neto – o Guairão – em 12 de dezembro de 1974, estava                              presente o então presidente da República: Ernesto Geisel. Nesse período, foram                      criados e produzidos textos e musicais com discursos ufanistas, em tentativa de                        silenciar as vozes das Revistas (peças teatrais que aliavam a sátira política e social                            ao cômico e modismos em uma composição capaz de reproduzir, sob uma ótica                          crítica, o cotidiano da realidade social) que eram levadas aos palcos, e que até                            então, eram críticas políticas em tons humorísticos (como, por exemplo, a peça                        “Maria Bueno”, de Oraci Gemba, que trazia a narrativa da mulher que luta contra a                              opressão e a favor da liberdade) (DA COSTA, 1998).  Nos textos e encenações dramatúrgicos teatrais, Curitiba não era tida só                      como lugar de palco, mas também como cenário ou tema central. Foram criados                          enredos de peças que tinham como intuito evidenciar a Curitiba hipócrita, sem                       
  • 23. virtudes, mordaz ou a capital da perdição. Outras peças representavam uma                      Curitiba ingênua, lírica, com belas paisagens, retratando pontos da cidade e                      costumes tipicamente curitibanos. Essas batalhas idealistas por meio de palavras se                      davam, na maior parte das vezes, graças a uma rivalidade que existia na época em                              que foram escritas entre a capital e cidades interioranas (COSTA, 1998).  Sendo assim, após o levantamento de dados, conclui-se que, a respeito do                        nosso objetivo de pesquisa em si (grupos/companhias de teatro em Curitiba): os                        grupos de teatro são, na verdade, mais que um “amontoado” de gente e sim                            pessoas que se juntam para expressarem seus desejos, angústias e críticas por meio                          da arte, trazendo diversão, lazer e reflexão a todos envolvidos no espetáculo. No                        entanto, ainda há diversos grupos que não têm a oportunidade de se estabilizar. A                            prática teatral tornou-se mais democrática ao começar a ser realizada também em                        espaços públicos, nas ruas, tornando essa arte de todos, influenciando e sendo                        influenciada por todos.     
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  • 26. Capítulo 02 – Panorama, atores e regras  Este capítulo tem como objetivo destacar alguns aspectos que compõem uma                      pequena amostra do universo dos Grupos de Teatro em Curitiba, identificados pela                        nossa equipe. Sua realização se deu a partir dos dados coletados durante a pesquisa                            de campo ocorrida no mês de abril de 2019, período no qual a equipe visitou 9                                grupos de teatro vinculados a escolas, clubes, igrejas (de caráter religioso) ou                        independentes. Destacamos o fato de que todas as análises foram realizadas a                        partir de um brevíssimo contato com os grupos, pois eles só puderam ser visitados                            uma única vez.  Durante esse mês de pesquisa, totalizaram-se 7 espetáculos e 5 ensaios                      acompanhados, e, dentre eles, estão:  Espetáculo do​ Grupo Adulto de Teatro Amador - G.A.T.A.   Assistimos à apresentação da peça “A Neovida contemporânea como ela é” do                        grupo ​G.A.T.A. (que surgiu a partir do processo de criação e produção da peça) ​no                              dia 3 de abril, às 20h, no miniauditório da Universidade Tecnológica Federal do                          Paraná. Ao final, participamos de um bate-papo com o diretor Diego Monteiro Von                          Ancken, com o elenco e com a equipe de apoio a respeito do processo de criação.                                O acesso ao evento e à conversa foi fácil, pois a programação fazia parte do                              Festival de Teatro de Curitiba 2019 e nas dependências de nossa própria                        universidade. O elenco era pequeno. O grupo é independente 
  • 27. . Figura 1 - A NeoVida contemporânea como ela é - Fonte: Acervo Próprio, 2019.  ​Espetáculo da ​Comparsaria Cênica  Assistimos à apresentação da peça “O Craque do Futebol” no próprio espaço                        da ​Comparsaria Cênica no Alto da XV dia 3 de abril às 20h. Fizemos contato e                                conversamos com o diretor Hélio de Aquino e o ator Felipe Baluta. O grupo é                              pequeno, no dia apresentava em torno de 7 atores, além do diretor e mais 2                              assistentes. O grupo é independente.  Espetáculo do​ Grupo S.E.M Cia de Teatro (Sentimento, Estéticas e Movimento)  Fomos assistir à apresentação da peça “A Mulher Monstro” do ​Grupo S.E.M                        Cia de Teatro ​que ocorreu de modo improvisado nas ruínas do São Francisco às 20h                              do dia 04 de abril. O grupo, formado em Recife, esteve na capital paranaense para                              apresentar-se no Festival de Teatro de Curitiba. O contato foi feito por meio do                            ator e fundador do grupo José Neto, tendo sido um acesso fácil; fomos bem                            recebidos. Na apresentação, o grupo era pequeno, com apenas 4 pessoas. O grupo                          é independente. 
  • 28. Figura 2 - S.E.M Mulher Monstro - Fonte: Acervo Próprio, 2019.  Ensaio e Espetáculo do ​Grupo de Teatro Amador do Colégio Estadual do Paraná                          – GRUTA  Acompanhamos o ensaio do musical “Now It Goes” do ​GRUTA no Colégio                        Estadual do Paraná (CEP), no dia 11 de abril às 19h45, e assistimos à apresentação                              no Teatro Guairinha, dias 21 às 16h30 e 20h00 e 22 de abril às 20h30. O espetáculo                                  era inspirado em musicais da Broadway, com texto inédito, canto, dança e                        atuação. Nosso principal contato foi com o diretor Lau Bark, que recepcionou-nos                        calorosamente desde a troca de mensagens até nos dias de ensaio e apresentação.                          Deste modo, o grupo é vinculado a uma escola, ao CEP. 
  • 29. Figura 3 - GRUTA - Fonte: Acervo Próprio, 2019.  Espetáculo do ​Grupo de Teatro do Clube Curitibano – GTCC  Assistimos à apresentação da peça “Sherazade” do grupo de teatro amador                      do Clube Curitibano na sede Concórdia no dia 30 de março, às 20h30. Em cartaz                              durante o Fringe do Festival de Teatro de Curitiba, o espetáculo foi inspirado nas                            histórias de “As Mil e Uma Noites”. O grupo de teatro ​adulto do Clube Curitibano                              recebe os associados do clube ​na sede Concórdia para montagem, pré-produção e                        ensaios de peças teatrais​. ​A equipe da apresentação era composta por 11 atores,                          sendo que um deles era o diretor. Além dos atores, havia três músicos e a equipe                                técnica. O grupo é, portanto, vinculado a um clube. Por ter sido anterior ao                            trabalho de campo em si, a análise feita foi muito mais da perspectiva de um                              espectador do que de um pesquisador e não foi feito contato direto com nenhum                            dos integrantes do ​GTCC​.    Ensaio: ​Cia de Teatro IBB (“Cena”)  Acompanhamos o ensaio-geral do musical de Páscoa ​“Eu Encontrei” ​da Cia                      de Teatro da Igreja Batista do Bacacheri (​Cia de Teatro IBB ou ​“Cena”​), ​que faz                              parte do evento anual da igreja conhecido como “​Pazcoa Cidade​”. A peça era                          ambientada na Alemanha Nazista no período da Segunda Guerra Mundial. O ensaio                       
  • 30. foi no dia 16 de abril, na própria igreja e teve início às 20h. O contato foi                                  estabelecido por meio da ex-professora de Ed. Física de uma integrante do nosso                          grupo: Simone Daldin, que fazia parte do elenco e foi com quem mais conversamos                            devido à correria do ensaio. O acesso foi fácil, mas não foi possível conversar com o                                diretor ou com o elenco sem atrapalhar o andamento.   Figura 4 - IBB - Pazcoa - Fonte: Acervo Próprio, 2019.  Ensaio do ​Grupo A Tua Ação  Fomos ao ensaio-geral e à apresentação do musical de Páscoa “Ressurreto”                      com o tema “Amor Real” do ​Grupo A Tua Ação vinculado à Primeira Igreja Batista                              de Curitiba (PIB Curitiba). Ambos aconteceram na sede da igreja, sendo que o                          ensaio ocorreu no dia 17 de abril às 20h e a apresentação dia 20 às 19h30. O grupo                                    é um dos grupos de teatro amador da PIB e é formado por membros da igreja,                                sendo a maioria dos integrantes adolescentes. Conversamos com o diretor do Grupo                        A Tua Ação, Marlon Valério, e fomos muito bem recebidos; ele respondeu a todas                            as nossas dúvidas a respeito do grupo. O elenco para esse espetáculo reuniu 16                            pessoas, sendo apenas 14 do grupo de teatro. 
  • 31. Figura 5 - Tua Ação - Fonte: Acervo Próprio, 2019.  Ensaio do ​Grupo Lanteri  Visitamos um ensaio da peça “A Paixão de Cristo” do ​Grupo Lanteri no CEEP                            – Colégio Estadual de Ensino Profissional, no bairro Boqueirão de Curitiba. Ela é                          encenada todos os anos e conta a história da morte e ressurreição de Cristo, mas,                              apesar disso, há novidades a cada vez em que é apresentada. Neste ano, a                            inovação foi que a história foi contada pelo apóstolo João – considerado, nas                          escrituras cristãs, o discípulo mais próximo de Jesus. A encenação do Grupo ​Lanteri                          é considerada a segunda maior ao ar livre do Brasil (CULTURA 930, 2019). O ensaio                              ocorreu dia 06 de abril e teve início às 19h45. Conversamos com Aparecido Massi, o                              fundador do grupo, e com alguns dos integrantes, que foram todos bem receptivos.                          O grupo apresenta caráter religioso. 
  • 32. Figura 6 - Lanteri - Fonte: Acervo Próprio, 2019.  Ensaio e Espetáculo do ​Grupo Arte e Vida  O Grupo ​Arte e Vida tem como foco principal a realização de peças em datas                              comemorativas cristãs. Assistimos ao ensaio e à apresentação do espetáculo                    “Paixão de Cristo” e ambos aconteceram na Rua da Cidadania do Bairro Novo. O                            ensaio foi dia 6 de abril às 16h e a apresentação às 20h do dia 19 de abril. No dia 6,                                          havia algo próximo de 200 pessoas compondo toda a equipe. O contato foi fácil,                            com a coordenadora geral Claudia Barreto, com o coordenador adjunto Gilberto                      Silva e com o idealizador e líder vereador Marcos Vieira. O espetáculo, que teve                            duração de aproximadamente 3 horas, foi assistido por cerca de 8 mil pessoas na                            Rua da Cidadania, local onde a peça é encenada, tradicionalmente, há 20 anos. O                            grupo apresenta caráter religioso. 
  • 33. Figura 7 - Arte e vida - Fonte: Acervo Próprio, 2019.  2.1 PANORAMA: uma análise geral dos Grupos de Teatro em Curitiba  Com a finalidade de garantir uma melhor compreensão a respeito do circuito                        pesquisado, traçaremos um panorama geral dos grupos de Teatro em Curitiba                      visitados.  À grosso modo, os grupos ​independentes (​G.A.T.A., Grupo S.E.M. Cia de                      Teatro ​e Comparsaria Cênica​), com exceção da ​Comparsaria​, apresentaram-se                  trabalhando em situações provisórias e utilizando espaços e elementos cedidos. Os                      atos das peças teatrais dos grupos ​G.A.T.A. ​e S.E.M. Cia de Teatro ​foram                          apresentados em um único cenário durante todo o decorrer da encenação – cenário                          com mesas espalhadas pelo palco e cenário com uma jaula, respectivamente. No                        caso do ​G.A.T.A.​, a apresentação aconteceu num espaço cedido pelo professor                      Ismael Scheffler do Teatro da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (TUT), e                        no do ​Grupo S.E.M. Cia de Teatro​, a apresentação teve de ser realocada para um                              local público. O espaço que a Comparsaria Cênica utiliza é alugado (um local atrás                            de um café no Alto da XV) e arrecadam dinheiro por meio de programações, como                              oficinas, e também por meio do incentivo público.  
  • 34. Os grupos ​vinculados a escolas e a clubes se resumem ao ​GRUTA e ao ​GTCC​,                              e ambos utilizavam espaços próprios. Normalmente, o primeiro utiliza uma sala                      própria e o auditório do Colégio Estadual do Paraná para seus ensaios e                          apresentações, mas esses espaços estavam em reforma. Portanto, o grupo estava                      utilizando uma sala compartilhada com outras áreas (de desenho e de pintura) e                          que possui condições precárias, improvisadas e inadequadas à prática teatral. O                      GRUTA é sustentado por meio do colégio, mas também através de patrocínios,                        contando com um amplo apoio da comunidade teatral. Já o ​GTCC é um grupo que                              utiliza as diferentes sedes do Clube Curitibano para apresentar-se e se mantém                        pelo dinheiro do clube.   Os grupos ​religiosos ​analisados (​Cia de Teatro IBB, Grupo A Tua Ação, Grupo                          Lanteri ​e Arte e Vida​) mostraram receber amplo apoio da comunidade, tendo em                          vista o número de dias de apresentação e a participação que era, geralmente,                          aberta a quem quisesse – com um viés mais amador. A ​Cia de Teatro IBB ​e o ​Grupo                                    A Tua Ação pertencem a igrejas e, por isso, elas são seus espaços próprios para os                                ensaios, mas o ​Lanteri ​e ao ​Arte e Vida emprestaram locais ou utilizaram locais                            públicos.  2.2 ATORES  Tendo em vista que estamos aqui tratando do circuito composto pelos grupos                        de teatro de Curitiba e região metropolitana, chamamos de “atores” todos aqueles                        que participam da prática em questão. Tratamos, portanto, dos atores sociais que                        contrapõem o circuito dos grupos de teatro e contemplamos, entre eles, atrizes e                          atores que encenam os espetáculos, interpretando determinados papéis. Seguindo                  esse conceito, os atores que compõem o cenário teatral em Curitiba podem e, no                            presente trabalho, serão subdivididos em: Diretores; Atores (elenco); e Equipe de                      Apoio.   Diretores  De um modo geral, os diretores (e, às vezes, os produtores) dos grupos                          independentes ​analisados participavam das peças também como atores. No caso                   
  • 35. do grupo ​S.E.M. Cia de Teatro​, a peça ​“A Mulher Monstro” era um monólogo sendo                              interpretado pelo próprio diretor José Barbosa. A respeito da ​Comparsaria Cênica​,                      o produtor Hamilton Maia também é ator e participa de todas as peças da                            companhia. Entre os grupos pesquisados, apenas o diretor do grupo ​G.A.T.A. (Diego                        Monteiro Von Ancken) não fez parte do elenco da peça assistida “​A NeoVida                          contemporânea como ela é”.  Nos grupos ​vinculados a escolas e clubes​, observou-se que os diretores                      também tiveram participação direta no elenco dos espetáculos. O Lau Bark, diretor                        do grupo ​GRUTA​, foi o idealizador do musical ​“Now It Goes”​, mas também atuou. A                              peça “Sherazade” do ​GTCC – Grupo de Teatro do Clube Curitibano contou com a                            atuação de Enéas Lour, que também realizou a dramaturgia, cenografia, texto e                        direção.   A maioria dos 4 diretores dos grupos de teatro ​religiosos tiveram a grande                          tarefa de dirigir elencos compostos por mais de cem pessoas. Nem todos os atores                            eram personagens principais, mas todos os integrantes do elenco precisavam ser                      instruídos pelo diretor – o que atribuiu a esse cargo muita responsabilidade. Nestes                          casos, os diretores não participaram do elenco. A respeito dos diretores de cada                          grupo teatral, ​o diretor da ​Cia de Teatro IBB (ou “Cena”) era Rodrigo Lara e o do                                  musical “Ressurreto 2019” apresentado pelo grupo ​A Tua Ação era Samuel Barros.                        Na peça “A Paixão de Cristo” do ​Grupo Lanteri​, a direção artística geral foi                            realizada pelo fundador Aparecido Izabel Massi, que, na fundação do grupo, era                        seminarista e gostava de trabalhar com projetos voltados para jovens adolescentes                      de sua comunidade – e o ​Lanteri nasceu a partir desse sentimento. Massi continua                            na liderança do grupo e na direção artística dos espetáculos até hoje.  Atores  A maior parte dos elencos estudados era composto por atores amadores. No                        caso dos grupos ​independentes​, havia uma mescla entre atores profissionais e                      amadores. Uma parte ​do elenco do grupo ​G.A.T.A. iniciou a carreira teatral no ​TUT                            (Teatro da Universidade Tecnológica Federal do Paraná) e outra através do curso                       
  • 36. técnico de teatro subsequente ofertado no Colégio Estadual do Paraná (CEP). O                        grupo englobava também pessoas das mais variadas formações: advocacia,                  medicina, engenharia civil, educação física, economia etc. O grupo ​Comparsaria                    Cênica ​é formado por, aproximadamente, dez integrantes fixos, entre eles atores                      profissionais e amadores. O conjunto das pessoas que fazem parte do grupo é                          denominado “Os Comparsas”. O diretor Hélio de Aquino também é professor                      graduado em Artes Cênicas pela FAP (Faculdade de Artes do Paraná) e                        pós-graduado em Ensino da Arte pelo ITECNE (Instituto Tecnológico Educacional de                      Curitiba). Uma das figuras mais marcantes do grupo é o palhaço “Borracha”,                        interpretado pelo ator Felipe Baluta. O Borracha aparece em todas as peças                        interpretando diversos personagens e é considerado a estrela do grupo.   Os elencos dos grupos ​vinculados a escolas e clubes eram pequenos, com no                          máximo 15 atores, sendo que, no caso do ​GTCC - Grupo de Teatro do Clube                              Curitibano​, alguns atores interpretaram mais de um personagem. Uma das atrizes                      do musical “Now It Goes!” do ​GRUTA interpretou, também, uma personagem                      “ninfeta” da peça ​“A NeoVida contemporânea como ela é”, do Grupo ​G.A.T.A.​.                        Com isso, percebemos que os grupos de teatro se relacionam e migram atores entre                            si.  Os grupos ​religiosos apresentaram elencos enormes, com mais de cem                    pessoas, e das mais variadas faixas etárias (tendo como única exceção o grupo ​A                            Tua Ação​, com um elenco de 16 pessoas): desde crianças e pré-adolescentes até                          adultos e idosos. Em especial, no caso da ​Cia de Teatro IBB (ou “Cena”)​, o coral                                era inteiramente completo por pessoas entre 50 e 85 anos e os personagens                          principais foram interpretados por pré-adolescentes e por adultos.   Equipe de Apoio  Os grupos ​independentes apresentaram equipes de apoio compostas por                  amigos dos integrantes e por alguns dos próprios integrantes que, além de                        participar dos grupos na condição de atores, também realizam outras atividades. A                        maquiagem dos atores do ​G.A.T.A. foi feita gratuitamente por uma amiga do                       
  • 37. elenco e a montagem do palco pelo professor Ismael Scheffler do TUT (Teatro da                            Universidade Tecnológica Federal do Paraná). A sonoplastia do grupo ​S.E.M. Cia de                        Teatro foi feita por um DJ e um ator – que não atuou na peça assistida – ficou                                    responsável pela iluminação. Na ​Comparsaria Cênica​, uma das atrizes cuida do                      figurino e um dos atores da assessoria de imprensa. O grupo valoriza muito o                            trabalho colaborativo entre eles e até mesmo os alunos das oficinas oferecidas                        participam de algumas peças quando é necessário substituição.   A equipe de apoio dos grupos ​vinculados a escolas ou clubes era diversa e                            mais profissionalizada. A subdivisão para o espetáculo ​“Now It Goes!” do ​GRUTA                        era: publicidade e assessoria técnica, fotografia, operação, gravação e mixagem de                      som, adereços e figurino, iluminação e cenografia, preparação musical e vocal,                      direção musical e coreografia. Além dos atores do ​GTCC​, havia quatro músicos e a                            equipe técnica. Essa equipe de apoio era subvividida em: maquiagem, composições                      musicais, iluminação, figurino etc.  A respeito dos grupos ​religiosos​, as equipes de apoio eram mais visíveis, com                          forte presença nos ensaios e com responsabilidades bem divididas. Na ​Cia de                        Teatro ​IBB​, a equipe de produção envolvia ​os responsáveis pela gravação, pela                        projeção das letras de música, pelo som, luz e pela tradução em Libras. No grupo ​A                                Tua Ação​, havia a equipe de multimídia, de sonoplastia, de efeitos especiais,                        tradutores de libras etc. A equipe de apoio do ​Grupo Lanteri é organizada em                            núcleos: o de atuação, que é liderado por uma pessoa; maquiagem, que se divide                            em subnúcleos de envelhecimento, penteados e geral; produção, que se divide em                        subnúcleos de cenários, adereços e esculturas; figurino; sonoplastia; e                  comunicação. No caso do grupo ​Arte e Vida​, a equipe se organizava através de                            orientações passadas por membros mais antigos. Oficialmente, o grupo é                    coordenado por um coordenador geral, oito coordenadores de texto, seis de                      maquiagem e figurino, cinquenta pessoas responsáveis pela iluminação,                manutenção de som e equipamentos, além de vinte pessoas dando apoio de palco.  
  • 38. 2.3 REGRAS  Os aspectos aqui abordados e analisados serão relacionados às regras e                      convenções observadas durante o trabalho de campo. Essas regras serão                    organizadas nos seguintes tópicos: interação; dificuldades; e outros aspectos que                    caracterizam o circuito de grupos de teatro em Curitiba.  Interação  Ao considerarmos o tema interação, foi possível caracterizá-lo em 2 tópicos,                      sendo eles: autoridade/hierarquia e afetividade/amizade. Ambos estão presentes                nas relações entre os integrantes dos grupos de teatro e na maneira como são                            organizados.  Autoridade/Hierarquia  De modo geral todos os grupos, sendo eles os ​independentes (​G.A.T.A.,                      Grupo S.E.M. Cia de Teatro e Comparsaria Cênica​), grupos ​vinculados a escolas e                          a clubes (​GRUTA ​e GTCC​) ou os ​religiosos ​(​Cia de Teatro IBB, Grupo A Tua Ação,                                Grupo Lanteri ​e Arte e Vida​) demonstraram que possuíam sim uma hierarquia, e                          ela era caracterizada pela presença dos diretores de cada grupo. Porém, em todos                          os grupos era perceptível que os ensaio/espetáculos eram constituídos pela união                      das ideias e opiniões de todos que participavam do grupo.   O diretor do grupo ​G.A.T.A (Diego Monteiro) contou, durante a roda de                        conversa que participamos após a apresentação, que a construção da peça ​“A                        NeoVida contemporânea como ela é” ​foi realizada em parceria com os atores                        (principalmente atrizes, pois o tema abordava as diversas lutas que a mulher                        enfrentou e ainda enfrenta na sociedade ao longo dos anos). Ele contou que muitas                            cenas foram baseadas em experiências vividas pelas atrizes e que essa troca de                          informações, assim como a criação e inserção de falas e ações, fez com que a peça                                se tornasse mais condizente com a realidade. Isso demonstrou que, apesar de haver                          uma “autoridade” do diretor sobre as tomadas de decisão, o processo de criação da                            peça era bem democrático e aberto para contribuições.  
  • 39. A relação marcante entre os integrantes do grupo ​S.E.M Cia de Teatro ​era de                            trabalharem juntos para a melhoria e o aperfeiçoamento da peça, por isso, os                          integrantes tinham liberdade para contribuir dentro de sua função – o que                        demonstrava a confiança que o diretor José Barbosa tinha nos integrantes. Porém,                        sempre que era necessário realizar alguma mudança, eles pediam a opinião do                        diretor. Isso evidenciou que, mesmo com a liberdade que os integrantes do grupo                          tinham, havia uma hierarquia, pois as decisões do diretor (e também ator) José                          Barbosa predominavam, tornando-o essencial na produção da peça.  Quanto ao grupo ​GRUTA​, a hierarquia estava presente em relação às                      decisões a respeito do funcionamento da peça (como músicas selecionadas e falas)                        e durante o ensaio, que era comandado e controlado pelo diretor, produtor e pelas                            professoras de canto e de jazz. Tanto os atores quanto o diretor e as professoras                              atuavam no musical, o que tornou a hierarquia praticamente não perceptível. No                        entanto, a professora de jazz era tão próxima dos atores (em suas conversas e                            práticas) que uma pessoa de fora não perceberia a relação professor-aluno; parecia                        ser algo “de igual para igual”.   Os grupos religiosos ​Cia de Teatro IBB e ​A Tua Ação ​eram integrados por                            pessoas que frequentam, respectivamente, a Igreja Batista do Bacacheri e Primeira                      Igreja Batista de Curitiba e isso faz com que os membros da equipe possuam uma                              relação forte de amizade dentro e fora dos palcos. Porém, durante o ensaio do                            grupo ​Cia de Teatro IBB, essa intimidade que existia entre os integrantes do grupo                            destacou, em determinado momento, a hierarquia existente na equipe, pois o                      maestro usou a ironia para chamar a atenção de algumas pessoas, mostrando sua                          superioridade em relação às outras que estavam ali. Ele disse: “vamos fingir que eu                            sou o maestro e vocês olham para mim?” ​e em seguida o ensaio fluiu de uma                                melhor maneira, pois os integrantes do musical passaram a prestar mais atenção no                          andamento do ensaio.  Afetividade/Amizade 
  • 40. A relação interpessoal dos grupos visitados se destacava pela cumplicidade                    entre os integrantes. Dentre os grupos ​independentes​, o ​G.A.T.A destacou-se, pois                      a relação entre os integrantes durante a roda de conversa aparentou ser de grande                            respeito: ​todos os integrantes tiveram a oportunidade de responder às perguntas a                        partir de seus pontos de vista, contando sempre com o respeito e apoio dos                            companheiros de equipe.  Nos grupos ​vinculados a escolas e a clubes​, ​podemos citar o ​GRUTA como                            exemplo dessa cumplicidade, pois seus integrantes demonstraram possuir uma                  grande liberdade e amizade entre si. Antes e durante o ensaio ocorreram                        brincadeiras e piadas que evidenciaram a grande parceria que há entre os atores                          tanto dentro quanto fora dos palcos. Todos pareciam se conhecer e estarem                        confortáveis uns com os outros. Algo que se destacou foi que, durante o ensaio, os                              integrantes do grupo se abraçavam muito e essa demonstração de afeto não era                          “exclusiva” aos atores, mas houve momentos em que eles permaneciam abraçados                      também com o produtor do musical, diretores e outros integrantes da equipe.                        Notamos que a interação foi crescendo conforme o ensaio, pois, no início, os                          integrantes estavam mais divididos e depois mais próximos, com muita risada e                        carinho fora do ensaio e com muito contato visual dentro dele. No entanto, em um                              determinado momento a professora de canto chamou a atenção: “interajam mais!”                      e então o contato físico tornou-se mais forte nas cenas.   Quanto aos grupos ​religiosos​, ​na ​Cia de Teatro IBB os integrantes possuíam                        grande amizade proveniente da vivência fora dos palcos nos cultos da Igreja Batista                          do Bacacheri. Durante o ensaio, eles chamavam uns aos outros de “irmãos”. O                          diretor Rodrigo Lara, que também era o maestro responsável pelo comando do                        ensaio, conhecia todas as centenas de pessoas que estavam ali presentes e as                          chamava pelo nome. As pessoas no ensaio aparentavam estar bem confortáveis,                      muitas vezes fazendo piadas internas e ajudando uns aos outros. No grupo ​Lanteri​,                          muitos membros se conhecem há muitos anos e mantém, entre si, um vínculo forte                            de amizade. Há membros que participam do grupo há mais de 30 anos, levando                            seus filhos e até netos para participarem também. Durante o ensaio, era fácil                         
  • 41. perceber o clima de cumplicidade entre os membros do grupo. A familiaridade foi                          um aspecto positivo para que a interação teatral fosse mais profunda e real.  Dificuldades   Dentre os grupos de teatro analisados, as maiores dificuldades apresentadas                    foram: a falta de verba para a montagem e apresentação dos espetáculos e peças,                            o que limitava as ações dos grupos e fazia com que eles passassem a depender de                                empréstimos (de roupas, cenários e lugares para ensaio e apresentações), e da                        ajuda de amigos e dos próprios integrantes do grupo para a confecção de figurinos,                            cenários e maquiagens dos espetáculos; falta de tempo para ensaios, pois por                        serem, em sua maioria, compostos por voluntários, os grupos de teatro acabam                        ficando em segundo plano na rotina dos atores, que só podem ensaiar em horários                            limitados, além disso, ocorre que muitas vezes os horários de disponibilidade dos                        integrantes para os ensaios não coincidem, o que dificulta a sua organização; a                          grande rotatividade de atores, que muitas vezes desistem meses antes da estréia                        ou apresentam-se por apenas uma temporada e depois se desligam do grupo; e                          falta de espaço para o ensaio e para a quantidade de pessoas envolvidas na                            produção do espetáculo (atores e equipes de produção criando cenários e                      figurinos). Isso faz com que os grupos ensaiem em locais inadequados (pequenos)                        para a prática teatral ou emprestem locais maiores.  Em relação às dificuldades encontradas pelos grupos ​vinculados a escolas e a                        clubes​, pode-se destacar o fato de o Colégio Estadual do Paraná (CEP) estar                          passando por uma reforma e, como o GRUTA está vinculado a ele, as dependências                            onde normalmente ocorrem os ensaios do grupo também estão sendo reformadas.                      Dessa forma, a equipe está ensaiando em uma sala pequena que é dividida com                            outros setores do CEP e, durante o ensaio, os atores batiam, chutavam e                          esbarravam em coisas. O diretor sempre buscava conseguir bons locais de ensaio,                        pois o CEP não era suficiente. Para a apresentação, o grupo conseguiu o Teatro                            Guairinha. Lá, diferentemente do local onde estava ocorrendo o ensaio, era                      excelente para a prática teatral. 
  • 42. Alguns grupos entram como exceção às dificuldades apresentadas: os grupos                    religiosos ​Cia de Teatro IBB e Grupo A Tua Ação ​possuíam um local grande e                              adequado para os ensaios. Por serem provenientes de igrejas, esses grupos                      possuíam um grande aparato de luz e som para serem utilizados durante os ensaios,                            além de conseguirem bancar seus ensaios e apresentações com a ajuda de todos os                            membros.   Outros aspectos: relação entre os grupos e o público  Em sua maioria, os grupos de teatro estudados apresentaram grande                    interação e abertura para o público. Como destaque, pode-se citar os grupos:                        G.A.T.A, GRUTA e Arte e Vida.   Como já comentado, após a apresentação da peça ​“A NeoVida                    contemporânea como ela é” ​do grupo ​G.A.T.A, ​houve uma roda de conversa em                          que a equipe de atores e diretores responderam questionamentos feitos pelo                      público. Eles tiraram as dúvidas das pessoas que ali estavam de maneira próxima e                            acessível. Algumas perguntas faziam fortes críticas à peça, mas, mesmo assim, eles                        responderam de forma educada e respeitosa.  O grupo ​GRUTA​, durante seu ensaio, demonstrou grande interesse em                    responder aos questionamentos que realizávamos – como pesquisadores – em                    relação ao trabalho deles. Muitas vezes, o Lau (diretor) parava o ensaio e vinha até                              onde estávamos e perguntava se tínhamos algum questionamento sobre o grupo, o                        ensaio ou sobre sua história.    O ensaio do grupo ​Arte e Vida ocorreu em uma Rua da Cidadania e, por isso,                                era visível para as pessoas que passavam a pé, de carro e de ônibus. A interação                                que ganhou destaque foi aquela entre os atores e os transeuntes na rua, pois a Rua                                da Cidadania não foi interditada para a peça até o dia da apresentação e, por isso,                                o contato com os passantes era direto e constante. Muitos paravam admirados para                          assistir ao ensaio da peça e até mesmo dar opiniões sobre o andamento do ensaio,                              e os atores tinham que lidar com isso em meio à prática.  
  • 43. Durante o trabalho de campo, observou-se uma situação delicada em relação                      à apresentação do espetáculo “Sherazade” encenado pelo ​Grupo de Teatro do                      Clube Curitibano​. O grupo, de certa forma, dificultou o acesso do público à                          apresentação de sua peça, pois o clube informou no guia do Festival de Teatro que                              a apresentação seria gratuita naquele dia, porém, quando o público tentava fazer a                          retirada dos ingressos gratuitamente, os balconistas do local queriam cobrar o valor                        de R$ 15,00. Os ingressos só foram cedidos de forma gratuita após provar que                            estava anunciada no guia do Festival a gratuidade do espetáculo. E, após o                          ocorrido, pediram para que as pessoas que tinham percebido o equívoco não                        divulgassem a informação (a gratuidade informada no guia) para outras pessoas.    
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  • 47. Capítulo 03 – Análise da cultura organizacional do G.R.U.T.A.  3.1 Contextualização sobre Cultura Organizacional e Memória Organizacional   O tópico inicial desta seção tem a intenção de apresentar uma breve                        contextualização do que se entende, dentro dos estudos de Comunicação                    Organizacional, por Cultura Organizacional, Memória Organizacional e por Formas                  da Gestão do Trabalho, a fim de embasar teoricamente os demais conteúdos                        desenvolvidos no capítulo. Após a realização da pesquisa de campo e, tendo em                          vista a recepção e tempo de vida organizacional, o grupo decidiu focar os estudos                            de modo mais específico no ​Grupo de Teatro Amador do Colégio Estadual do                          Paraná (GRUTA)​. Nesse sentido, esforçamo-nos inicialmente pela construção de                  uma explicação clara a respeito desses termos que fazem parte do universo da                          Comunicação Organizacional.   Antes de tudo, é preciso compreender “cultura” sob a perspectiva                    antropológica do termo. Não levando em consideração o entendimento do senso                      comum de que o indivíduo é passível de ser mais ou menos dotado de cultura, mas                                sim a percepção encontrada na literatura científica, em que a cultura é                        apresentada como sendo algo intrinsicamente humano, como tudo aquilo que o ser                        humano consegue aprender, fazer, usar, produzir e conhecer nos grupos sociais aos                        quais pertence (DIAS, 2013).  Sendo assim, compreende-se que todos os indivíduos e grupos sociais                    possuem sua própria cultura que as distinguem dos demais. Essa bagagem cultural                        perpassa pelas gerações desses grupos através da herança social e dos processos de                          socialização. Logo, como explicita Dias:  (...) o ser humano é o resultado cultural do meio em que foi socializado. Ele é o herdeiro de um                                          longo processo acumulativo que reflete todo conhecimento e experiências                  adquiridas pelas numerosas gerações que o antecederam (DIAS, 2013,                  p.42).  
  • 48. A respeito disso, Bronislaw Malinowski (1970) foi quem introduziu a ideia de                        existirem “subculturas” dentro de culturas, como, por exemplo: as culturas                    regionais, em comparação com as nacionais, conferem subculturas.   Toda cultura possui membros que compartilham significados comuns. Isso                  facilita a convivência, a comunicação e a sobrevivência. Para conhecer uma                      cultura, é preciso observar suas relações interpessoais, a vida material, o idioma, a                          visão estética, a religião, a força da identidade cultural, as manifestações                      folclóricas etc. (DIAS, 2013).  Em suma, a área de Comunicação Organizacional adota o conceito                    antropológico do termo: cultura é toda produção humana transmitida pela                    socialização. Isto é, compreende a totalidade das criações humanas (tanto os                      aspectos tangíveis/materiais como os intangíveis/imateriais), é uma característica                exclusiva dos humanos (excluindo os animais), e é transmitida pela herança social                        (e não pela biológica) (DIAS, 2013).  Partindo dessas interpretações, Cultura Organizacional passa a ser                entendida, basicamente, como a composição das culturas locais, regionais e                    nacionais dos contextos sociais onde as organizações estão inseridas e também das                        culturas individuais – levando em consideração que as organizações se constituem                      por pessoas. Por esse motivo, não há apenas uma definição única disponível, mas,                          no geral, Cultura Organizacional é entendida como um sistema de valores e crenças                          compartilhadas que geram efeitos sobre os comportamentos em uma organização.                    É ela quem guia as escolhas e dá significado às atividades. (DIAS, 2013)  Dentre as funções da Cultura Organizacional, é possível identificar:                  transmitir sentimento de identidade aos membros; facilitar com que as pessoas                      assumam um compromisso com algo maior do que si mesmas; contribuir para                        fortalecer a estabilidade do sistema social; e oferecer normas que facilitem a                        tomada de decisão. (DIAS, 2013)   Didaticamente, existem alguns elementos que dão sustentação à Cultura                  Organizacional e que facilitam e conduzem ao enfrentamento de problemas, sendo                     
  • 49. chamados de “elementos estruturantes”. Eles podem ser analisados tanto no nível                      organizacional como em grupos ou subculturas. Edgar Schein foi um dos autores                        que classificou esses elementos entre aqueles que fazem parte do Núcleo Central                        (Crenças, Valores e Pressupostos Básicos) e os que conferem Formas Visíveis e                        Expressíveis (Artefatos, Condutas, Heróis, Linguagem, Ritos e Rituais, Símbolos e                    Slogans). As Formas Visíveis e Expressíveis determinam os elementos do Núcleo                      Central (DIAS, 2013).   É possível pensar uma organização como uma entidade que possui “vida”                      própria, afinal, ela é constituída por pessoas. Através da celebração e valorização                        de experiências passadas e marcos históricos próprios, uma organização é capaz de                        formar uma identidade institucional, por meio da relação com seus variados                      públicos.  Segundo a autora Lucia Santa Cruz (2014), ao se analisar os materiais                        disponíveis que tratam sobre a temática de memória nos estudos de Comunicação                        Organizacional, é perceptível que existe uma tendência à instrumentalização do                    tema, como uma estratégia de comunicação. Essa chave conceitual, de memória                      como estratégia, é apenas uma dentre as cinco existentes, sendo elas: memória                        como cultura organizacional, como auxiliar na formação da identidade                  organizacional; memória como gestão do conhecimento; memória como trajetória                  institucional; e memória como saber coletivo. É fundamental reforçar o fato de que                          memória organizacional não se trata de um sinônimo para os instrumentos e                        ferramentas de memória.   A memória de uma organização, com seus elementos e significados, é um                        importante recurso adotado pela Comunicação Organizacional como protagonista e                  intermediadora das diversas relações das organizações, para auxiliar na tomada de                      decisões assertivas. Além da identidade institucional, a memória perpetua valores,                    sentidos e outros elementos intangíveis, ou seja, não se restringe a datas                        comemorativas e a celebrações vazias. (COSTA, 2006)  3.1.1 Dados Gerais da Organização 
  • 50.   O GRUTA (Grupo de Teatro Amador) é um projeto da Escolinha de Arte no                            CEP (Colégio Estadual do Paraná) na Avenida João Gualberto, Nº 250, Alto da Glória                            de Curitiba. É possível entrar em contato com o grupo através do e-mail                          escolinhadearte@cep.pr.gov.br, assim como através do telefone (41) 3234-5665.                Também é possível conseguir mais informações através do site institucional do                      grupo: http://www.cep.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=99.   O GRUTA oferece aulas de teatro amador desde às crianças, aos                      adolescentes e até aos adultos, permitindo-os que subam no palco e realizem sua                          primeira peça. O grupo se divide em subgrupos focados em idades diferentes,                        sendo eles:   ● Grutinha, para crianças de até 14 anos   ● Gruta Adolescente, de 15 a 17 anos  ● Gruta, de 15 a 40 anos   5 Apesar de fazer parte do Colégio Estadual do Paraná, não há a necessidade                          de ser estudante do CEP para se participar do GRUTA. As aulas ocorrem de segunda                              à sexta nos horários mais variados, dependendo do grupo e da peça sendo ensaiada.  3.1.2 Elementos da Cultura e da Memória Organizacional  O GRUTA (Grupo de Teatro Amador do Colégio Estadual do Paraná) foi                        fundado em 1966, porém, sua história inicia-se no ano de 1952, quando o professor                            Norberto Teixeira criou o CCCEP (Corpo Cênico do Colégio Estadual do Paraná).                        Sete anos depois, Silvio Jair Kormann criou o Teatro Experimental do Colégio                        Estadual do Paraná, e em 1963 foi formado outro grupo: o TGCEP (Teatro Grego do                              Colégio Estadual do Paraná), pela professora Maria Lambros Comninos (COLÉGIO                    ESTADUAL DO PARANÁ, 2010).  A pedido de alunos e de ex-alunos do TGCEP, o professor e então diretor                            geral Ernani Straub convocou o ator Telmo Faria (primeiro ator profissional do                        5 O gruta é o único grupo que possui atores não amadores em conjunto com os amadores. Além disso, devido às especificidades de shows musicais, eles pretendem criar um novo grupo chamado Gruta Musical.
  • 51. Paraná) para tomar a criação e direção artística do GRUTA em 1966. Logo em                            seguida, Telmo convidou o dentista e amante da arte Aluízio Cherobim para                        participar do grupo e essa parceria, que tinha como intuito levar à cena uma                            dramaturgia eclética, gerou ​“O Julgamento de Joana”, de Eddy Franciosi e ​“A                        Moratória”,​ de Jorge Andrade (COLÉGIO ESTADUAL DO PARANÁ, 2010).  Na década de 80, Aluízio e Luciana Cherobim criaram o Curso Técnico de                          Teatro e Ator e, a partir desse momento, o teatro no CEP passou a ser                              profissionalizante, sendo possível habilitar-se de duas maneiras diferentes: como                  ator ou como técnico de teatro. O curso foi coordenado pelos professores Armando                          Maranhão, Luís Afonso Burigo e Guaraci Martins. Mas, no início dos anos 2000,                          formou-se a última turma; nela, formaram-se a atriz Marjorie Estiano e o ator                          Leonardo Miggiorin (COLÉGIO ESTADUAL DO PARANÁ, 2010).  Grande parte da história do teatro paranaense passou pelas salas do Colégio                        Estadual do Paraná, mas também outras histórias por ali passaram. Do curso de                          formação de atores da instituição, formaram-se profissionais dos palcos (como o                      iluminador Beto Bruel, a atriz Odelair Rodrigues, Luís Melo e Ranieri González) e                          também aqueles que se consagraram na televisão, como Ary Fontoura (COLÉGIO                      ESTADUAL DO PARANÁ, 2010).  Depois de quase uma década sem os cursos técnicos, somente com as                        produções do grupo amador, em 2009 os cursos técnicos retornaram por meio da                          diretora Maria Madselva que, com a ajuda da professora Raquel Júlio Mastey, deu                          início ao ingresso dos novos cursos técnicos em teatro no CEP. Desde então, o grupo                              vem formando atores, atrizes e plateia regularmente. ​O Teatro Experimental e a                        Pesquisa Teatral são ramificações do ensino do teatro amador presentes até hoje                        no ensino do CEP ​(COLÉGIO ESTADUAL DO PARANÁ, 2010).  O ano de 2018 foi marcado pelo início das obras para a ampliação e melhoria                              da estrutura do CEP e essas obras se estendem até o ano de 2019. As aplicações das                                  aulas estão sendo de maneira improvisada na sala emprestada pelo Dancep (Grupo                        de Dança Contemporânea do Colégio Estadual do Paraná) e no saguão do CEP. Esse