25 de Abril de 1974
Democracia «Trova do Vento que Passa» Pergunto ao vento que passa notícias do meu país e o vento cala a desgraça o vento nada me diz.  Pergunto aos rios que levam tanto sonho à flor das águas e os rios não me sossegam levam sonhos deixam mágoas. Levam sonhos deixam mágoas ai rios do meu país minha pátria à flor das águas para onde vais? Ninguém diz. Se o verde trevo desfolhas pede notícias e diz ao trevo de quatro folhas que morro por meu país.  (…) Manuel Alegre.
Liberdade Era uma vez um país  onde entre o mar e a guerra  vivia o mais infeliz  dos povos à beira-terra.  Onde entre vinhas sobredos  vales socalcos searas  serras atalhos veredas  lezírias e praias claras  um povo se debruçava  como um vime de tristeza  sobre um rio onde mirava  a sua própria pobreza. Era uma vez um país  onde o pão era contado  onde quem tinha a raiz  tinha o fruto arrecadado  onde quem tinha o dinheiro  tinha o operário algemado  onde suava o ceifeiro  que dormia com o gado  onde tossia o mineiro  em Aljustrel ajustado  onde morria primeiro  quem nascia desgraçado. (…)  José Carlos Ary dos Santos     «As Portas que Abril Abriu»
Revolução A Rapariga do País de Abril Habito o sol dentro de ti descubro a terra aprendo o mar rio acima rio abaixo vou remando por esse Tejo aberto no teu corpo. E sou metade camponês metade marinheiro apascento meus sonhos iço as velas sobre o teu corpo que de certo modo é um país marítimo com árvores no meio. Tu és meu vinho. Tu és meu pão. Guitarra e fruta. Melodia. A mesma melodia destas noites enlouquecidas pela brisa no País de Abril. E eu procurava-te nas pontes da tristeza cantava adivinhando-te cantava quando o País de Abril se vestia de ti e eu perguntava atónito quem eras. Por ti cheguei ao longe aqui tão perto e vi um chão puro: algarves de ternura. Qaundo vieste tudo ficou certo e achei achando-te o País de Abril.    Manuel Alegre
 

ApresentaçãO1

  • 1.
    25 de Abrilde 1974
  • 2.
    Democracia «Trova doVento que Passa» Pergunto ao vento que passa notícias do meu país e o vento cala a desgraça o vento nada me diz. Pergunto aos rios que levam tanto sonho à flor das águas e os rios não me sossegam levam sonhos deixam mágoas. Levam sonhos deixam mágoas ai rios do meu país minha pátria à flor das águas para onde vais? Ninguém diz. Se o verde trevo desfolhas pede notícias e diz ao trevo de quatro folhas que morro por meu país. (…) Manuel Alegre.
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    Liberdade Era umavez um país onde entre o mar e a guerra vivia o mais infeliz dos povos à beira-terra. Onde entre vinhas sobredos vales socalcos searas serras atalhos veredas lezírias e praias claras um povo se debruçava como um vime de tristeza sobre um rio onde mirava a sua própria pobreza. Era uma vez um país onde o pão era contado onde quem tinha a raiz tinha o fruto arrecadado onde quem tinha o dinheiro tinha o operário algemado onde suava o ceifeiro que dormia com o gado onde tossia o mineiro em Aljustrel ajustado onde morria primeiro quem nascia desgraçado. (…) José Carlos Ary dos Santos   «As Portas que Abril Abriu»
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    Revolução A Raparigado País de Abril Habito o sol dentro de ti descubro a terra aprendo o mar rio acima rio abaixo vou remando por esse Tejo aberto no teu corpo. E sou metade camponês metade marinheiro apascento meus sonhos iço as velas sobre o teu corpo que de certo modo é um país marítimo com árvores no meio. Tu és meu vinho. Tu és meu pão. Guitarra e fruta. Melodia. A mesma melodia destas noites enlouquecidas pela brisa no País de Abril. E eu procurava-te nas pontes da tristeza cantava adivinhando-te cantava quando o País de Abril se vestia de ti e eu perguntava atónito quem eras. Por ti cheguei ao longe aqui tão perto e vi um chão puro: algarves de ternura. Qaundo vieste tudo ficou certo e achei achando-te o País de Abril. Manuel Alegre
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