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Abril Despedaçado:
do livro ao cinema, das montanhas
ao sertão.
• Subjetividade psicanalítica analisada é: “a existência
histórica do enunciado no interior de práticas discursivas
regradas por aparelhos ideológicos” (COURTINE, 2009, p.
106).

• “É importante ressaltar que a relação entre memória e
discurso se inscreve não sobre um espaço homogêneo (um
espaço institucional neutro e estável), mas sobre um jogo de
forças que, por um lado, visa manter uma regularização
preexistente e, por outro, uma desregulação que vem
perturbar essa estabilização (PÊCHEUX, 1999).”
Abril Despedaçado de Salles é um filme emblemático com
simbologias que remetem a discursos abrangentes, mas que
remontam a significação da memória, então ao abordar o
memorizável percebemos a necessidade de abordar duas questões
propostas por Orlandi (2005) na Análise do Discurso (AD) que
seria:
1. O acontecimento que escapa à inscrição, que não chega a se
inscrever e;

2. O acontecimento que é absorvido na memória como se não
houvesse acontecido;
“Para Pêcheux, a AD reencontra a imagem por outro viés: não
mais a imagem legível na transparência, porque um discurso a
atravessa e a constitui, mas a imagem opaca e muda, quer
dizer, aquela da qual a memória “perdeu” o trajeto de leitura (ela
perdeu assim um trajeto que jamais deteve em suas inscrições).
Sendo em um outro extremo, (...) é também algo que não se
inscreve, na medida em que está sempre “já lá”, no retorno de
um paradigma, passado que se repete no interior de sua aparição
instantânea, nas profundezas de um paradigma que estrutura o
retorno
do
acontecimento
sem
profundidade.(ORLANDI, p.4, 2005).”
Essas relações de imagens estão inseridas em práticas,
“esse reconhecimento é da ordem do formal e constitui um
outro jogo de força, este fundador”(ORLANDI, p.3, 2005).
Não há singeleza, os rostos e os elementos do quadro apresentam-se
recortados e a escala cromática vai dos ocres ao negro denso, com
alguns pontos de cor, principalmente o sangue que fotografado na
cor vermelha intensa, viva. Nas sequências realizadas no espaço
interior da casa da família Breves, como a que o pai bate em
Tonho, observamos que o diretor de fotografia utilizou apenas a luz
do candeeiro para iluminar os rostos dos personagens. A escuridão e
o tom sombrio só desaparecem da narrativa quando ocorre a ruptura
no final da trama. (MONTE, p.3, 2008).
“Para Pêcheux, um enunciado se insere nas condições de
produção determinadas pelas formações discursivas em um
dado momento histórico. É essa conjuntura que pretendemos
explorar, à guisa de introdução geral ao projeto de Michel
Pêcheux,
contornando
suas
principais
referências
teóricas.”(CARVALHO, p.17, 2008).
Libertado da sina pelo irmão Pacu, Tonho, em uma
negação ao que se espera a vingança do Menino- vai
embora traçando um novo caminho. O simbolismo da
bifurcação, onde o único percurso adotado, até então no
filme, é o da esquerda, reforça novamente a tradição, a
perpetuação, a prisão, a possibilidade negada de desvio.
Quando Tonho escolhe o caminho oposto, aponta para a
mudança, para a quebra na continuidade, para o
novo. Abril Despedaçado é um filme que nos leva aos
fatos “lá de fora” e que evoca os valores “daqui de
dentro”.
BRITO. L. A. (Re) lendo Michel Pêcheux: como a Análise do Discurso de linha francesa
aprende a materialidade discursiva. Eutomia Revista de Literatura e Linguística. v.
8, p.542-563. 2008.
CARVALHO F. Z. O sujeito no discurso: Pêcheux e Lacan. Tese de Mestrado. Belo
Horizonte. 2008.
CARVALHO, F. Z. O Fim da Cadeia de Razões: Wittgenstein, crítico de Freud. São Paulo:
Annablume: Belo Horizonte: FUMEC, 2002. 138 p.
PÊCHEUX. M. Papel da Memória. Campinas: Pontes, 1999.
KADARÉ. I. Abril Despedaçado. São Paulo: Companhia das Letras, 2001.
SCHERER. A. E.; TASCHETTO. T. R. O papel da Memória ou a Memória do Papel de
Pêcheux para os Estudos Linguisticos-Discursivos. Estudos de Língua (gem). Vitória da
Conquista. n.1, p.119-123, julho, 2005.
ORLANDI. E. P. Michel Pêcheux e a Análise do Discurso. Estudos de Língua (gem).
Vitória da Conquista. n.1, p.119-123, julho, 2005.
MONTE. R. Abril Despedaçado: das montanhas albanescas ao sertão nordestino. XI
Congresso Internacional ABRALIC. USP, 2008.

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Abril despedaçado e a Análise do Discurso

  • 1. Abril Despedaçado: do livro ao cinema, das montanhas ao sertão.
  • 2. • Subjetividade psicanalítica analisada é: “a existência histórica do enunciado no interior de práticas discursivas regradas por aparelhos ideológicos” (COURTINE, 2009, p. 106). • “É importante ressaltar que a relação entre memória e discurso se inscreve não sobre um espaço homogêneo (um espaço institucional neutro e estável), mas sobre um jogo de forças que, por um lado, visa manter uma regularização preexistente e, por outro, uma desregulação que vem perturbar essa estabilização (PÊCHEUX, 1999).”
  • 3. Abril Despedaçado de Salles é um filme emblemático com simbologias que remetem a discursos abrangentes, mas que remontam a significação da memória, então ao abordar o memorizável percebemos a necessidade de abordar duas questões propostas por Orlandi (2005) na Análise do Discurso (AD) que seria: 1. O acontecimento que escapa à inscrição, que não chega a se inscrever e; 2. O acontecimento que é absorvido na memória como se não houvesse acontecido;
  • 4. “Para Pêcheux, a AD reencontra a imagem por outro viés: não mais a imagem legível na transparência, porque um discurso a atravessa e a constitui, mas a imagem opaca e muda, quer dizer, aquela da qual a memória “perdeu” o trajeto de leitura (ela perdeu assim um trajeto que jamais deteve em suas inscrições). Sendo em um outro extremo, (...) é também algo que não se inscreve, na medida em que está sempre “já lá”, no retorno de um paradigma, passado que se repete no interior de sua aparição instantânea, nas profundezas de um paradigma que estrutura o retorno do acontecimento sem profundidade.(ORLANDI, p.4, 2005).”
  • 5. Essas relações de imagens estão inseridas em práticas, “esse reconhecimento é da ordem do formal e constitui um outro jogo de força, este fundador”(ORLANDI, p.3, 2005).
  • 6. Não há singeleza, os rostos e os elementos do quadro apresentam-se recortados e a escala cromática vai dos ocres ao negro denso, com alguns pontos de cor, principalmente o sangue que fotografado na cor vermelha intensa, viva. Nas sequências realizadas no espaço interior da casa da família Breves, como a que o pai bate em Tonho, observamos que o diretor de fotografia utilizou apenas a luz do candeeiro para iluminar os rostos dos personagens. A escuridão e o tom sombrio só desaparecem da narrativa quando ocorre a ruptura no final da trama. (MONTE, p.3, 2008).
  • 7. “Para Pêcheux, um enunciado se insere nas condições de produção determinadas pelas formações discursivas em um dado momento histórico. É essa conjuntura que pretendemos explorar, à guisa de introdução geral ao projeto de Michel Pêcheux, contornando suas principais referências teóricas.”(CARVALHO, p.17, 2008).
  • 8. Libertado da sina pelo irmão Pacu, Tonho, em uma negação ao que se espera a vingança do Menino- vai embora traçando um novo caminho. O simbolismo da bifurcação, onde o único percurso adotado, até então no filme, é o da esquerda, reforça novamente a tradição, a perpetuação, a prisão, a possibilidade negada de desvio. Quando Tonho escolhe o caminho oposto, aponta para a mudança, para a quebra na continuidade, para o novo. Abril Despedaçado é um filme que nos leva aos fatos “lá de fora” e que evoca os valores “daqui de dentro”.
  • 9. BRITO. L. A. (Re) lendo Michel Pêcheux: como a Análise do Discurso de linha francesa aprende a materialidade discursiva. Eutomia Revista de Literatura e Linguística. v. 8, p.542-563. 2008. CARVALHO F. Z. O sujeito no discurso: Pêcheux e Lacan. Tese de Mestrado. Belo Horizonte. 2008. CARVALHO, F. Z. O Fim da Cadeia de Razões: Wittgenstein, crítico de Freud. São Paulo: Annablume: Belo Horizonte: FUMEC, 2002. 138 p. PÊCHEUX. M. Papel da Memória. Campinas: Pontes, 1999. KADARÉ. I. Abril Despedaçado. São Paulo: Companhia das Letras, 2001. SCHERER. A. E.; TASCHETTO. T. R. O papel da Memória ou a Memória do Papel de Pêcheux para os Estudos Linguisticos-Discursivos. Estudos de Língua (gem). Vitória da Conquista. n.1, p.119-123, julho, 2005. ORLANDI. E. P. Michel Pêcheux e a Análise do Discurso. Estudos de Língua (gem). Vitória da Conquista. n.1, p.119-123, julho, 2005. MONTE. R. Abril Despedaçado: das montanhas albanescas ao sertão nordestino. XI Congresso Internacional ABRALIC. USP, 2008.