2025_EM_V1
série
2a
2º bimestre
Aula 3
Ensino
Médio
História
A “Babel” de imigrantes
2025_EM_V1
Conteúdos Objetivos
● Imigração;
● Economia cafeeira;
● Transição do Segundo Reinado
para a Primeira República.
● Avaliar as relações da mão de obra
imigrante e a promulgação da Lei de
Terras;
● Analisar a imigração europeia no século
XIX e início do XX, comparando as políticas
de imigração (parceria e imigração
subsidiada – colonato);
● Analisar as condições de vida e trabalho
dos imigrantes no contexto da economia
cafeeira.
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Você conhece a história da
Torre de Babel?
Representação da Torre de Babel, por Pieter Bruegel
(c. 1563). Museu de História da Arte, Viena.
Reprodução – WIKIMEDIA COMMONS, 2012. Disponível em:
https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Pieter_Bruegel_the_Elder_-_The_Tower_of_
Babel_(Vienna)_-_Google_Art_Project_-_edited.jpg
. Acesso em: 22 nov. 2024.
Para começar
Segundo a passagem bíblica, no começo da história
da humanidade, todos os homens da Terra falavam a
mesma língua. Até o dia em que resolveram construir
uma enorme torre, que chegasse ao céu. Durante a
construção da torre, os homens começaram a falar
línguas diferentes e pararam de se entender. O
resultado foi que a torre ficou inacabada por causa da
dificuldade de comunicação entre eles. Mas o que
essa história tem a ver com a realidade do Brasil?
Aqui também se falam várias línguas. Hoje são mais
de 200 línguas. Lembrando que nosso país foi
formado por portugueses, espanhóis, franceses,
alemães, holandeses, italianos, árabes, japoneses e
muitos outros. Sem nos esquecermos,
principalmente, dos africanos sequestrados de seu
continente e dos indígenas, habitantes originários
desta terra.”
(PLENARINHO – EBC, 2016. Adaptado).
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Visto Italiano de 1923. Acervo Museu da Imigração.
Reprodução - SÃO PAULO, [s.d.]. Disponível em:
https://www.saopaulo.sp.gov.br/wp-content/uploads/2017/01/italianos-acervo-memori
al-imigrante.jpg
. Acesso em: 22 nov. 2024.
Para começar
3 minutos
No século XIX e início do século XX, pessoas
de mais de 70 nacionalidades e etnias
chegaram com o sonho de “fazer a América”.
• Quais seriam as expectativas, as
condições de vida e trabalho encontradas
pelos imigrantes ao virem para o Brasil?
(faça inferências a partir dos estudos da
aula anterior)
• Qual é a importância de diferentes
culturas e povos para a formação de
nosso país?
Elaborem hipóteses!
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Escravizados e colonos no terreiro de café. Álbum José
Vergueiro - Acervo Dra. Lotte Köhler. Banco Digital do
Carlota Schmidt Memorial Center. s/d, autor desconhecido.
Reprodução – MENDES, 2017. Disponível em:
https://www.scielo.br/j/anaismp/a/48J3FTDq6XyTVbBLgRrVJjr/?format=pdf&lang=pt.
Acesso em: 22 nov. 2024.
Imigração para o Brasil após a
independência
Foco no conteúdo
Desde a independência do Brasil, alguns
projetos políticos tentavam apresentar
soluções para o problema da mão de obra
nacional. Os grandes proprietários se
perguntavam:
• Como fazer frente às pressões
britânicas para o fim do tráfico de
escravizados?
• Como obrigar os povos indígenas a
trabalhar para os cidadãos brasileiros?
Como uma alternativa a essas
dificuldades, havia a proposta de imigração
ao Brasil, criando “colônias” com
estrangeiros.
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Um dos primeiros projetos de imigração foi de Nicolau
Vergueiro na província de São Paulo, na década de 1840.
Esse fazendeiro instalou colonos em Ibicaba e Rio Claro,
por meio do sistema de “parceria”, em que os
trabalhadores chegavam devendo ao fazendeiro.
A experiência levou à exploração dos colonos num regime
semelhante à escravidão, o que gerou muitas revoltas.
Com o fim do tráfico negreiro em 1850, os fazendeiros de
café do Sudeste conseguiram abastecer suas fazendas
com escravizados vindos do Nordeste do país. Depois,
passaram a pressionar o governo imperial para usar
dinheiro público para pagar a vinda de trabalhadores às
suas propriedades.
A construção de um modelo de imigração para o
Brasil
Publicação entregue aos imigrantes italianos que chegavam ao Brasil.
Manifesto da Imigração, São Paulo, Brasil. Império do Brasil (1886).
Reprodução – WIKIPÉDIA, 2009. Disponível em:
https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Manifesto_Emigrazione_San_Paolo_Brasile.jpg.
Acesso em: 22 nov. 2024.
Foco no conteúdo
2025_EM_V1
• Na década de 1880, houve resistência das demais
províncias do Império em continuar pagando com
dinheiro público as despesas com imigração para a
província de São Paulo.
• Como São Paulo tinha muito dinheiro graças à
economia cafeeira, foi criada em 1886 a Sociedade
Promotora da Imigração, que tinha a função de
recrutar trabalhadores europeus, transportá-los ao
Brasil, instalá-los e transportá-los para as fazendas
onde poderiam trabalhar, atendendo diretamente os
interesses dos cafeicultores.
Uma solução paulista para a imigração
Cartaz de propaganda de 1906 da Companhia Italiana de Navegação a
Vapor La Veloce, uma das grandes responsáveis pelo transporte de
imigrantes ao Brasil. Observe o destino ao Rio de Janeiro, Santos e
Buenos Aires, assim como “Brasile”.
REPRODUÇÃO – NOVO MILÊNIO, [s.d.]. Disponível em: https://www.novomilenio.inf.br/rossini/f134.jpg. Acesso em:
22 nov. 2024.
Foco no conteúdo
2025_EM_V1
Foto da Hospedaria de Imigrantes,
fim do século XIX, na cidade de São
Paulo (Museu da Imigração/SP).
Reprodução – MUSEU DA IMIGRAÇÃO, [s.d.].
Disponível em:
https://museudaimigracao.org.br/uploads/blog/ma
terias/espanhois-11-03-2020-18-59.png
. Acesso em: 22 nov. 2024.
Após a proclamação da República e a primeira Constituição republicana,
de 1891, o então estado de São Paulo passou a gerir diretamente a
imigração. O local onde os trabalhadores passaram a ser recebidos,
depois de desembarcarem no porto de Santos, seguia pela estrada de ferro
até a cidade de São Paulo, chegando ao bairro do Brás. Era ali que ficava a
Hospedaria de Imigrantes, que foi inaugurada, ainda inacabada, em 1887.
A Hospedaria de Imigrantes na cidade de São Paulo
Foco no conteúdo
A Hospedaria de Imigrantes
do Brás (São Paulo) foi
construída entre os anos de
1886 e 1887.
VOCÊ CONHECE O MUSEU DA
IMIGRAÇÃO?
Atualmente, a região da antiga
Hospedaria faz parte do bairro da
Mooca. As instalações da
Hospedaria foram transformadas
no Museu da Imigração. Vale a
pena visitá-lo para fazer uma
viagem no tempo, conhecer um
pouco dos nossos antepassados
migrantes e imigrantes que
chegaram em São Paulo.
Link: https://museudaimigracao.org.br/.
Acesso em: 31 out. 2024.
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Na Hospedaria, os recém-chegados ficavam sob vigilância
policial, pois deveriam ali permanecer até que assinassem
contrato para irem às fazendas de café. Nessa época
funcionava o sistema de colonato, por meio do qual se
pagava um salário anual para que o imigrante cuidasse de
uma área do cafezal.
Migrantes e imigrantes vieram a São Paulo. Foi assim que a
cidade se tornou uma “verdadeira Babel”, com idiomas e
sotaques de várias partes do país e do mundo.
Entraram cerca de 4 milhões de imigrantes no país entre 1886
e 1934, a maioria financiados com dinheiro do Estado. As
nacionalidades eram representadas na seguinte proporção:
italianos – 40%; espanhóis – 15%; portugueses – 18%;
japoneses – 8%; alemães – 3%. Em índices menores, vieram
romenos, lituanos e poloneses.
Reprodução – SP IN FOCO, [s.d.]. Disponível em:
https://www.saopauloinfoco.com.br/wp-content/uploads/2015/02/Esquema-de-servi%C3%A7os-da-Hospedar
ia-de-Imigrantes-c.1920..jpg
. Acesso em: 22 nov. 2024.
Esquema de serviços da Hospedaria de Imigrantes, c.1920.
Acervo Fundação Energia e Saneamento de São Paulo.
Foco no conteúdo
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O processo de imigração no Brasil
Foco no conteúdo
• Sistema de parceria: primeira iniciativa ocorreu em 1847 em Ibicaba, zona cafeeira de São
Paulo. O imigrante recém-chegado à fazenda já começava devendo as despesas pagas pelo
fazendeiro, tais como passagem, alimentação e ferramentas utilizadas pelo imigrante. Este
recebia uma parcela de terra para cultivar o café, sendo que a metade da produção deveria
ser entregue ao fazendeiro. A outra metade, pertencente ao trabalhador, era negociada com o
próprio fazendeiro, que deduzia as despesas com a manutenção do imigrante e sua família e
os custos da viagem para o Brasil, acrescidos de juros de 6% ao ano. A essa situação
somavam-se uma mentalidade escravista, péssimas condições de moradia para os
trabalhadores e até castigos e prisões de colonos, o que acabou gerando inúmeros conflitos e
mesmo sublevações, como a ocorrida em 1857, na mesma fazenda de Ibicaba, por sinal
pertencente a um senador do Império, Nicolau Vergueiro. Esse sistema revelou-se, portanto,
inviável.
• Imigração subsidiada (colonato): por meio da qual o governo brasileiro ou mesmo provincial
arcava com as despesas da viagem do imigrante e de sua família, passando este a receber
um salário fixo, tomando-se por base o número de pés de café cultivados, acrescido de uma
pequena porcentagem dos lucros. Com o acentuado declínio do trabalho escravo, sobretudo a
partir das décadas de 1870/1880, ficou claro que a única opção, a médio e longo prazos, era
a imigração em grande escala, inclusive com intensa propaganda na Europa divulgando as
oportunidades que o Brasil oferecia.
Documentos solicitavam a restituição das despesas de transporte dos imigrantes até a chegada ao Brasil. Na
imagem, a passagem de Antonio Bianchi e família do Porto de Gênova, na Itália, para Santos-SP. Museu da
Imigração do Estado de São Paulo.
Reprodução – MUSEU DA
IMIGRAÇÃO, [s.d.]. Disponível em:
https://acervodigital.museudaimigraca
o.org.br/upload/requerimentos/BR_SP
_APESP_SACOP_REQ_C07576_002
47.pdf
. Acesso em: 22 nov. 2024.
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2025_EM_V1
Qual é a crítica apresentada pelo historiador, em relação à imigração e às questões
associadas ao acesso à terra, com a expressão “cativeiro da terra”, tendo em vista o
contexto analisado? Explique.
• Leia a legislação, o texto historiográfico e analise:
Na prática Veja no livro!
Atividade 1
Em agrupamentos!
Registre suas considerações por escrito.
10 minutos
2025_EM_V1
FONTE I. Lei de Terras, 1850
Na prática
LEI Nº 601, DE 18 DE SETEMBRO DE 1850.
Dispõe sobre as terras devolutas no Império, e acerca das que são possuídas por titulo de
sesmaria sem preenchimento das condições legais, bem como por simples titulo de posse
mansa e pacifica; e determina que, medidas e demarcadas as primeiras, sejam elas
cedidas a titulo oneroso, assim para empresas particulares, como para o estabelecimento
de colonias de nacionaes e de extrangeiros, autorizado o Governo a promover a
colonisação extrangeira na forma que se declara.
[...]
Art. 1º – Ficam proibidas as aquisições de terras devolutas (terras do Estado) por outro
título que não seja o de compra. Excetuam-se as terras situadas nos limites do Império
com países estrangeiros em uma zona de 10 léguas, as quais poderão ser concedidas
gratuitamente.”
(BRASIL, 1850) (Grafia original).
Veja no livro!
Atividade 1
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TEXTO I. A Lei de Terras e a política imigrantista
Na prática
Em 18 de setembro de 1850, 14 dias após a votação da Lei Eusébio de Queirós, que aboliu o tráfico
negreiro, foi promulgada a Lei de Terras. A lei determinava que a ocupação de terras públicas –
devolutas*, sem cultivo, só poderia ocorrer, dali em diante, por meio da compra, em hasta pública**,
do Estado. As terras doadas em sesmarias e as posses sem títulos legais seriam legalizadas por
meio dos Registros Paroquiais de Terras, desde que se comprovasse estarem cultivadas, e não com
simples roçados. Historiadores interpretaram essa determinação do pagamento pela terra devoluta
como uma estratégia do Estado para dificultar a ocupação de terras por parte de trabalhadores livres,
principalmente imigrantes. Segundo expressão consagrada do sociólogo José de Souza Martins,
substituía-se o cativeiro do trabalhador pelo cativeiro da terra. A regulamentação da Lei de Terras
ocorreu em 30 de janeiro de 1854, com a obrigatoriedade de cadastramento de todas as terras
ocupadas por meio do Registro Paroquial de Terras, então realizado em todo o Império entre 1855 e
1860. Os conflitos, entretanto, estavam longe de cessar. As lutas pelas demarcações dos limites das
terras registradas eram frequentes, assim como têm sido nos dias de hoje.”
(VAINFAS et al., 2018).
*Terras devolutas: áreas sem proprietário particular, sem cultivos; terras públicas, do
Estado.
**Hasta pública: leilão.
GLOSSÁRIO
Veja no livro!
Atividade 1
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Qual é a crítica apresentada pelo historiador, em relação à imigração e às questões associadas ao acesso
à terra, com a expressão “cativeiro da terra”, tendo em vista o contexto analisado? Explique.
A terra, no Brasil, era ocupada pela posse (uso simples) ou pelo regime das sesmarias (doação). A
Lei de Terras transformou as terras públicas (sem dono) em capital para o Império, já que só
seriam reconhecidas como propriedade aquelas que tivessem títulos de doação do período
colonial (sesmarias) ou cujos ocupantes (posseiros) mostrassem melhoramentos na terra. Quem
não atendesse a essas condições só poderia adquirir terras por compra, portanto, além da
dificuldade dos imigrantes em adquirir suas próprias terras, outros grupos sociais, como roceiros,
pequenos lavradores que dependiam delas (negros libertos, mestiços, brancos pobres e
indígenas), também poderiam ser expulsos dessas áreas. A ironia apresentada na fonte I está na
fórmula que o país inventou para a manutenção dos latifúndios: “da coerção laboral do homem
livre: se a terra fosse livre, o trabalho tinha que ser escravo; se o trabalho fosse livre, a terra tinha
que ser escrava”, como analisou o sociólogo José de Souza Martins, citado. A partir de então,
para ter direito à terra, passou a ser necessário comprá-la, o que não acontecia antes da Lei de
Terras. Isso obviamente afastou a população pobre de ter sua própria casa e terra para plantar e
viver.
Correção
Na prática
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• Com base na fonte a seguir, redija uma matéria
jornalística, a ser publicada no jornal Gazeta de Notícias,
com as denúncias feitas por Thomas Davatz acerca da
vida dos imigrantes na Casa Vergueiro em Ibicaba, São
Paulo.
Na prática
20 minutos
Veja no livro!
Atividade 2
Para produção textual, considere: quais eram os conflitos de interesse entre os fazendeiros
e os imigrantes? Quais as condições de vida dos colonos? Qual era o sistema de trabalho para
os imigrantes europeus, no contexto em que Davatz faz as denúncias em Ibicaba, na fazenda?
Quem era o dono da fazenda?
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Em agrupamentos!
2025_EM_V1
FONTE I: Relação das queixas dos colonos
Na prática
1º – A casa Vergueiro reduz a moeda brasileira as dividas contrahidas em suas terras pelos
colonos que imigraram com adeantamentos de suas municipalidades e contractos com a
mesma companhia, baseando-se em cálculos taes que os colonos saem na maioria dos
casos prejudicados [...].
2º – Quando um colono chega aqui com uma divida e paga-a na mesma moeda em que o
empréstimo fora feito inicialmente, essa moeda é cotada a um cambio mais baixo do que o
da divida [...].
4º – A casa Vergueiro debita aos colonos que receberam de suas municipalidades
adeantamentos sem onus para a viagem, juros de 6%, desde o principio. Em conclusão:
embolsa quantias que não lhe pertencem e lesam com isso os pobres colonos.
5º – A casa Vergueiro declara na Europa, por intermédio de seus agentes ou nos ajustes
para a viagem, que chegando á America o colono não terá nenhuma taxa a pagar, e nada
diz a respeito de qualquer commissão a ser paga. Sem embargo disso, porém, onera aqui
cada pessoa de mais de 8 a 10 annos e cada duas crianças de menos do que essa idade,
até um anno, com dez mil reis. Essa taxa é chamada dinheiro de commissão.
Veja no livro!
Atividade 2
(DAVATZ, 1850 - Grafia original).
2025_EM_V1
Na prática
6º – A casa Vergueiro debita aos colonos, pela viagem de Santos á colónia, sommas
exageradas, que devem ser qualificadas de illegaes visto como, segundo nos consta, os
colonos deveriam ser transportados gratuitamente desde aquelle porto até ás fazendas.
Nada figura em nossos contractos a respeito da necessidade de tal pagamento.
7º – A casa Vergueiro cobra por uma péssima casa de residência, onde o morador é
obrigado constantemente a fazer melhoramentos e concertos, afim de que não venha
quasi abaixo e onde durante os fortes temporaes tudo fica encharcado, o aluguer annual
de doze mil reis. Esse aluguer annual é cobrado mesmo áquelles que tiveram promessa
de habitação gratuita. Os colonos recem-chegados são forçados por vezes a esperar longo
tempo por uma casa e emquanto não a obtêm são mettidos nas habitações dos mais
antigos ou de preferencia no prédio destinado á escola, onde se encurralam três, seis e
até dez famílias, expostas, assim, a toda espécie de doenças e epidemias. Nas habitações
definitivas, pelas quaes se cobra o aluguer acima referido, compete ao colono fazer tudo
pois são fornecidas apenas com quatro paredes, o telhado, duas portas e duas janellas.
Compete-lhe limpar a casa do capim e das toucieras, que crescem livremente no interior,
aplainar o chão tosco; erguer as paredes internas; fazer um fogão etc. Quasi sempre falta
o curral e o cercado, e quando existem eleva-se o aluguer.”
Veja no livro!
Atividade 2
(DAVATZ, 1850 - Grafia original).
2025_EM_V1
Considerar, na produção da matéria, os seguintes aspectos: A fonte I é um documento de um
colono suíço que trabalhou na fazenda do Senador Vergueiro em Ibicaba (onde se localiza,
atualmente, Cordeirópolis). Inicialmente, o sistema empregado era o de parceria, que cedia parte da
terra para a produção de café. Os custos da passagem de navio, hospedagem, deslocamento do
porto até a fazenda e ferramentas eram responsabilidade dos proprietários das fazendas, que
ficariam com parte dos lucros da produção de café em vez do salário.
A fonte denuncia os abusos nos contratos de trabalho e revela as reivindicações da comissão de
imigrantes no registro documental de Thomas Davatz, que liderou a abertura de uma investigação
oficial para apurar possíveis irregularidades nas contas apresentadas pela Vergueiro & Cia e para
combater a exploração dos colonos, o que provocou sua expulsão da fazenda e seu regresso à
Suíça. Ele tinha ainda a missão oficial de produzir relatórios à Suíça acerca das condições de vida
e trabalho na colônia que servissem de orientação às autoridades sobre a política de emigração.
Davatz foi um crítico contundente da mentalidade dos fazendeiros paulistas sobre o trabalho
agrícola e a opressão sobre os trabalhadores. Segundo o colono, a opressão se revestia de um
sentimento de equiparação ao escravizado, cuja condição era comparável à sua. O evento levou ao
motim na Fazenda de Ibicaba, desdobrando-se na revogação do modelo de imigração em sistema
de parceria.
Considerar na produção da matéria os seguintes aspectos:
Na prática
2025_EM_V1
Encerramento
Retrato da família Boff, em sua residência, feito por
Domingos Mancuso, 1904.
Reprodução – DOMINGOS MANCUSO/WIKIMEDIA COMMONS, 2008. Disponível em:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Colonos-caxienses.jpg. Acesso em: 22 nov. 2024.
• Quais as relações entre a Lei de Terras
de 1850 e a manutenção da estrutura
latifundiária no Brasil?
• Em que medida a lei afetou os
imigrantes e ex-escravizados em
relação à propriedade, consolidando
interesses da elite agrária e afetando o
desenvolvimento econômico e social do
país?
5 minutos
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ABRAHÃO, F. A. Padrões de riqueza e mobilidade social na economia cafeeira: Campinas, 1870-1940. p. 4-5.
Tese Tese (Doutorado em História Econômica) – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade
de São Paulo, 2015. Disponível em:
https://teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8137/tde-01062015-150909/publico/2014_FernandoAntonioAbrahao_VCorr.p
df
. Acesso em: 22 nov. 2024.
BRASIL. Lei Nº 601, de 18 de setembro de 1850. Dispõe sobre as terras devolutas do Império. Disponível em:
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L0601-1850.htm. Acesso em: 22 nov. 2024.
DAVATZ, T. Memórias de um colono no Brasil (1850). São Paulo: Livraria Martins, 1941.
DOLHNIKOFF, M. História do Brasil Império. São Paulo: Contexto, 2020.
EMPRESA BRASIL DE COMUNICAÇÃO (EBC). Brasil, um país de muitas línguas, 16 nov. 2016. Disponível em:
https://memoria.ebc.com.br/infantil/voce-sabia/2016/11/brasil-um-pais-de-muitas-linguas. Acesso em: 22 nov. 2024.
INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS ANÍSIO TEIXEIRA (INEP). Exame
Nacional do Ensino Médio (ENEM), 2013. Prova de Ciências Humanas e suas Tecnologias; Prova de Ciências da
Natureza e suas Tecnologias, 1º dia, Caderno 1 - Azul. Disponível em:
https://download.inep.gov.br/educacao_basica/enem/provas/2013/dia1_caderno1_azul.pdf. Acesso em: 22 nov. 2024.
LEMOV, D. Aula nota 10 3.0: 63 técnicas para melhorar a gestão da sala de aula. Porto Alegre: Penso, 2023.
Referências
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MARTINS, J. S. Cativeiro da Terra. São Paulo: Contexto, 2013.
MUSEU DA IMIGRAÇÃO. Documentos que solicitam restituição das despesas de transporte dos imigrantes
até a chegada ao Brasil, [s.d.]. Disponível em:
https://acervodigital.museudaimigracao.org.br/upload/requerimentos/BR_SP_APESP_SACOP_REQ_C07576_00247
.pdf
. Acesso em: 22 nov. 2024.
MUSEU DA IMIGRAÇÃO. Página inicial, [s.d.]. Disponível em: https://museudaimigracao.org.br/. Acesso em: 22
nov. 2024.
SÃO PAULO (Estado). Secretaria da Educação. Currículo Paulista: etapa Ensino Médio, 2020. Disponível em:
https://efape.educacao.sp.gov.br/curriculopaulista/wp-content/uploads/2023/02/CURR%C3%8DCULO-PAULISTA-eta
pa-Ensino-M%C3%A9dio_ISBN.pdf
. Acesso em: 22 nov. 2024.
VAINFAS, R. et al. História: Conecte live. São Paulo: Saraiva, 2018.
Identidade visual: imagens © Getty Images.
Referências
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Aprofundando
A seguir, você encontra uma seleção de exercícios extras,
que ampliam as possibilidades de prática, de retomada e
aprofundamento do conteúdo estudado.
2025_EM_V1
B
C
D
E
A fomentar ações públicas para ocupação
das terras do interior.
financiar a fixação de famílias camponesas
para estímulo da agricultura de
subsistência.
regulamentar o tráfico interprovincial de
cativos para sobrevivência das fazendas.
definir uma política de subsídio
governamental para o fomento da
imigração.
adotar o regime assalariado para proteção
da mão de obra estrangeira.
(ENEM, 2013) O fragmento do discurso dirigido ao
parlamentar do Império refere-se às mudanças então
em curso no campo brasileiro, que confrontaram o
Estado e a elite agrária em torno do objetivo de:
Ninguém desconhece a necessidade que
todos os fazendeiros têm de aumentar o
número de seus trabalhadores. E como até
há pouco supriam-se os fazendeiros dos
braços necessários? As fazendas eram
alimentadas pela aquisição de escravos,
sem o menor auxílio pecuniário do governo.
Ora, se os fazendeiros se supriam de
braços à sua custa, e se é possível obtê-los
ainda, posto que de outra qualidade, por
que motivo não hão de procurar alcançá-los
pela mesma maneira, isto é, à sua custa?”
Resposta de Manuel Felizardo de Sousa e Mello, diretor geral
das Terras Públicas, ao Senador Vergueiro.
In: ALENCASTRO, L. F. (Org.). História da vida privada no
Brasil. São Paulo: Cia. das Letras, 1998 (adaptado).
Aprofundando
2025_EM_V1
B
C
D
E
A fomentar ações públicas para ocupação
das terras do interior.
financiar a fixação de famílias
camponesas para estímulo da
agricultura de subsistência.
regulamentar o tráfico interprovincial de
cativos para sobrevivência das fazendas.
definir uma política de subsídio
governamental para o fomento da
imigração.
adotar o regime assalariado para
proteção da mão de obra estrangeira.
(ENEM, 2013) O fragmento do discurso dirigido ao
parlamentar do Império refere-se às mudanças então
em curso no campo brasileiro, que confrontaram o
Estado e a elite agrária em torno do objetivo de:
Resposta de Manuel Felizardo de Sousa e Mello, diretor geral
das Terras Públicas, ao Senador Vergueiro.
In: ALENCASTRO, L. F. (Org.). História da vida privada no
Brasil. São Paulo: Cia. das Letras, 1998 (adaptado).
Aprofundando
Ninguém desconhece a necessidade que
todos os fazendeiros têm de aumentar o
número de seus trabalhadores. E como até
há pouco supriam-se os fazendeiros dos
braços necessários? As fazendas eram
alimentadas pela aquisição de escravos,
sem o menor auxílio pecuniário do governo.
Ora, se os fazendeiros se supriam de
braços à sua custa, e se é possível obtê-los
ainda, posto que de outra qualidade, por
que motivo não hão de procurar alcançá-los
pela mesma maneira, isto é, à sua custa?”
2025_EM_V1
Alternativa C.
A resposta de Manuel Felizardo de Sousa e Mello, membro do Partido Conservador,
evidencia uma disputa e a posição do Estado diante de reivindicações dos fazendeiros para
subsidiar a substituição dos escravizados nas lavouras de café por imigrantes. No contexto,
deixa claro ao Senador Vergueiro que o governo imperial não desejava ter uma política de
subsídio para o fomento da imigração, argumentando que os fazendeiros deveriam contratar
imigrantes para trabalhar em suas fazendas com o seu próprio capital.
Aprofundando
Resolução
2025_EM_V1
Para professores
2025_EM_V1
Slide 2
Habilidade (EM13CHS606) Analisar as características socioeconômicas da sociedade brasileira
– com base na análise de documentos (dados, tabelas, mapas etc.) de diferentes fontes – e
propor medidas para enfrentar os problemas identificados e construir uma sociedade mais
próspera, justa e inclusiva, que valorize o protagonismo de seus cidadãos e promova o
autoconhecimento, a autoestima, a autoconfiança e a empatia. (SÃO PAULO, 2020).
2025_EM_V1
Slides 3 e 4
Tempo: 3 minutos
Dinâmica de condução: realize a leitura compartilhada do texto, assim como a observação da
pintura de Pieter Bruegel da Torre de Babel. Solicite aos estudantes que façam inferências sobre
as relações estabelecidas entre a Babel bíblica e o Brasil no contexto da imigração entre os
séculos XIX e início do século XX, para que, de forma dialógica, reflitam sobre o processo de
imigração, quais as condições de vida e de trabalho, principalmente nas lavouras de café, assim
como foi a concepção do Estado brasileiro para esse projeto político.
Lembrando: a seção Para começar é um momento de problematizar a temática a ser explorada
pelos estudantes, explicitando sua importância e promovendo a curiosidade. Neste passo, são
válidas as instruções de Doug Lemov, da técnica denominada “O Gancho”, que prevê um curto
momento introdutório, sensibilizando a classe – visando uma maneira de inspirar e engajar os
estudantes (2011. p. 93). Lemov explica que o gancho pode ser uma história, analogia, objeto
relacionado ao tema ou mídia – vídeo ou imagem, por exemplo.
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Slides 5 a 10
Slide 5
Tempo: 10 minutos
Dinâmica de condução: nessa seção Foco no conteúdo, é importante manter um
espaço de diálogo e reflexão coletiva, ainda que conceitos tenham que ser explorados.
Utilize as imagens como fontes de interpretação da temática, sempre relacionando-as
aos objetos estudados. O enfoque da aula é problematizar aspectos relacionados à
posição da elite política-agrária exportadora que, em 1850, aprovou a Lei de Terras,
que foi central para a manutenção da estrutura fundiária no Brasil, pois formalizou a
propriedade privada das “terras devolutas” – terras públicas sem títulos de posse –,
acessíveis apenas por meio de compra, limitando drasticamente o acesso à terra para
a população livre, especialmente imigrantes e ex-escravizados. Assim sendo, em vez
de incentivar a distribuição de terras, como em outros países que buscavam atrair
imigrantes, a lei brasileira consolidou a concentração fundiária ao beneficiar as elites
agrárias, que passaram a adquirir grandes extensões, antes de domínio público.
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Slides 11 a 14
Tempo: 10 minutos
Dinâmica de condução: sugere-se organizar os estudantes em agrupamentos ou duplas, de preferência após
diagnóstico de potencialidades e dificuldades apresentadas em suas trajetórias de aprendizagem. A leitura das
fontes pode ser realizada de forma compartilhada, a fim de esclarecer termos ou eventuais dificuldades em
suas interpretações. A proposta de análise retoma a Lei de Terras associando-a ao conceito de “cativeiro da
terra” utilizado pelo sociólogo José de Souza Martins. Ao exigir a compra das terras devolutas e o registro das
posses existentes, o acesso dos trabalhadores livres, especialmente dos imigrantes e ex-escravizados, era
limitado. A lei impôs uma barreira econômica à terra pública, criando um sistema em que a independência dos
trabalhadores não era alcançada pela posse de terras, mas pela “dependência contínua da estrutura
latifundiária”, dominada pela elite agrária. Dessa forma, embora o trabalho escravizado estivesse em processo
de abolição, o controle sobre a terra manteve os trabalhadores em um novo tipo de subordinação: se não
fossem "cativos" sob a escravidão, tornar-se-iam "cativos" de uma estrutura fundiária fechada, que os impedia
de alcançar a autonomia econômica e social. Essa "prisão" ao trabalho assalariado nas fazendas da elite
agrária consolidava uma dependência similar à servidão, pois os trabalhadores, sem possibilidade de adquirir
terras próprias, ficavam à mercê dos grandes fazendeiros, que controlavam a terra e o acesso a ela. Esse
mecanismo foi uma estratégia de controle sobre a força de trabalho livre, gerando uma dinâmica de exploração
que perpetuava a desigualdade e dificultava o desenvolvimento econômico e social do país ao longo do século
XIX.
Expectativas de respostas: ver correção.
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Slides 15 a 18
Tempo: 20 minutos
Dinâmica de condução: nessa proposta de atividade, mantenha os agrupamentos de estudantes da
proposta anterior, leia o texto com as reivindicações de Thomaz Davaz de forma compartilhada. Oriente
acerca das especificidades do gênero textual para que os estudantes tragam a temática, considerando os
tópicos elencados, como uma pauta a ser abordada na matéria; para a elaboração da notícia, oriente acerca
das etapas, articulando as informações dos documentos e da aula.
Manchete: elaborada de acordo com um grande tema e complementada pelos demais. Exemplo: conflitos
marcam a chegada dos imigrantes ao Brasil. As condições de vida e trabalho geram pressão sobre o
governo paulista.
Lide: informa ao leitor os fatos fundamentais do que será noticiado. Exemplo: há décadas, imigrantes
acusam fazendeiros de café do interior paulista de não cumprir com os acordos de imigração e denunciam a
exploração causada pelas dívidas e pelo sistema de trabalho, exigindo uma ação do governo de São Paulo.
Evento: desenvolve a manchete e o lide, oferecendo maiores informações. Seguindo o exemplo, é possível
iniciar pelas denúncias dos imigrantes à casa Vergueiro, tratar das condições de vida nas fazendas e
abordar a mudança da política de imigração.
Comentário: conclui de forma neutra, ainda que jornais sempre possuam uma linha editorial, apresentando
seus desdobramentos. Exemplo: após a mudança da política de imigração pelo governo paulista,
autoridades esperam que os conflitos sejam resolvidos e os imigrantes possam permanecer nas fazendas.
Expectativas de respostas: ver considerações sobre a matéria jornalística e sugestão de abordagem.
2025_EM_V1
Slides 15 a 18
Tempo: 5 minutos
Dinâmica de condução: nesse encerramento, propicie um espaço dialógico de reflexão
coletiva que sistematize a temática abordada na aula.
Expectativas de respostas: a Lei de Terras de 1850 consolidou a estrutura fundiária no Brasil
ao restringir o acesso às terras públicas apenas por compra, o que beneficiou a elite agrária e
limitou a possibilidade de trabalhadores livres, como imigrantes e ex-escravizados, adquirirem
propriedades. Sem acesso à terra, esses grupos se tornaram dependentes de trabalho nas
grandes fazendas, garantindo à elite agrária o controle da mão de obra. Esse modelo manteve
a concentração fundiária, dificultou o surgimento de uma classe de pequenos proprietários e
freou o desenvolvimento econômico e social mais igualitário, perpetuando desigualdades
estruturais no país.
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Slide 19
Tempo: 5 minutos
Dinâmica de condução: converse brevemente sobre alguns dos assuntos estudados e
analisados no decorrer da aula e oriente os alunos a debater as questões do box “Virem e
conversem” com os colegas do grupo da atividade prática.
Expectativas de respostas: espera-se que os alunos conversem e concluam que o processo
de imigração e os conflitos gerados a partir dele não se tratava de confusão, mas de uma
estratégia da elite agrária para manter seus lucros por meio da exploração da mão de obra de
imigrantes, inicialmente dispensando a eles um tratamento similar ao da escravidão. Apesar
disso, e em função das mudanças da política imigratória, pessoas de diversos lugares do
mundo continuaram a chegar ao Brasil, promovendo a mistura étnica que marca o perfil social
brasileiro e o diálogo entre diversas culturas que influenciou nossa língua como um todo, desde
os sotaques às novas palavras, alimentação, religião, entre outras práticas e costumes.
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A Babel de imigrantes.pptx,,,,,,,,,,,,,,,,,

  • 1.
  • 2.
    2025_EM_V1 Conteúdos Objetivos ● Imigração; ●Economia cafeeira; ● Transição do Segundo Reinado para a Primeira República. ● Avaliar as relações da mão de obra imigrante e a promulgação da Lei de Terras; ● Analisar a imigração europeia no século XIX e início do XX, comparando as políticas de imigração (parceria e imigração subsidiada – colonato); ● Analisar as condições de vida e trabalho dos imigrantes no contexto da economia cafeeira.
  • 3.
    2025_EM_V1 Você conhece ahistória da Torre de Babel? Representação da Torre de Babel, por Pieter Bruegel (c. 1563). Museu de História da Arte, Viena. Reprodução – WIKIMEDIA COMMONS, 2012. Disponível em: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Pieter_Bruegel_the_Elder_-_The_Tower_of_ Babel_(Vienna)_-_Google_Art_Project_-_edited.jpg . Acesso em: 22 nov. 2024. Para começar Segundo a passagem bíblica, no começo da história da humanidade, todos os homens da Terra falavam a mesma língua. Até o dia em que resolveram construir uma enorme torre, que chegasse ao céu. Durante a construção da torre, os homens começaram a falar línguas diferentes e pararam de se entender. O resultado foi que a torre ficou inacabada por causa da dificuldade de comunicação entre eles. Mas o que essa história tem a ver com a realidade do Brasil? Aqui também se falam várias línguas. Hoje são mais de 200 línguas. Lembrando que nosso país foi formado por portugueses, espanhóis, franceses, alemães, holandeses, italianos, árabes, japoneses e muitos outros. Sem nos esquecermos, principalmente, dos africanos sequestrados de seu continente e dos indígenas, habitantes originários desta terra.” (PLENARINHO – EBC, 2016. Adaptado).
  • 4.
    2025_EM_V1 Visto Italiano de1923. Acervo Museu da Imigração. Reprodução - SÃO PAULO, [s.d.]. Disponível em: https://www.saopaulo.sp.gov.br/wp-content/uploads/2017/01/italianos-acervo-memori al-imigrante.jpg . Acesso em: 22 nov. 2024. Para começar 3 minutos No século XIX e início do século XX, pessoas de mais de 70 nacionalidades e etnias chegaram com o sonho de “fazer a América”. • Quais seriam as expectativas, as condições de vida e trabalho encontradas pelos imigrantes ao virem para o Brasil? (faça inferências a partir dos estudos da aula anterior) • Qual é a importância de diferentes culturas e povos para a formação de nosso país? Elaborem hipóteses!
  • 5.
    2025_EM_V1 Escravizados e colonosno terreiro de café. Álbum José Vergueiro - Acervo Dra. Lotte Köhler. Banco Digital do Carlota Schmidt Memorial Center. s/d, autor desconhecido. Reprodução – MENDES, 2017. Disponível em: https://www.scielo.br/j/anaismp/a/48J3FTDq6XyTVbBLgRrVJjr/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 22 nov. 2024. Imigração para o Brasil após a independência Foco no conteúdo Desde a independência do Brasil, alguns projetos políticos tentavam apresentar soluções para o problema da mão de obra nacional. Os grandes proprietários se perguntavam: • Como fazer frente às pressões britânicas para o fim do tráfico de escravizados? • Como obrigar os povos indígenas a trabalhar para os cidadãos brasileiros? Como uma alternativa a essas dificuldades, havia a proposta de imigração ao Brasil, criando “colônias” com estrangeiros.
  • 6.
    2025_EM_V1 Um dos primeirosprojetos de imigração foi de Nicolau Vergueiro na província de São Paulo, na década de 1840. Esse fazendeiro instalou colonos em Ibicaba e Rio Claro, por meio do sistema de “parceria”, em que os trabalhadores chegavam devendo ao fazendeiro. A experiência levou à exploração dos colonos num regime semelhante à escravidão, o que gerou muitas revoltas. Com o fim do tráfico negreiro em 1850, os fazendeiros de café do Sudeste conseguiram abastecer suas fazendas com escravizados vindos do Nordeste do país. Depois, passaram a pressionar o governo imperial para usar dinheiro público para pagar a vinda de trabalhadores às suas propriedades. A construção de um modelo de imigração para o Brasil Publicação entregue aos imigrantes italianos que chegavam ao Brasil. Manifesto da Imigração, São Paulo, Brasil. Império do Brasil (1886). Reprodução – WIKIPÉDIA, 2009. Disponível em: https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Manifesto_Emigrazione_San_Paolo_Brasile.jpg. Acesso em: 22 nov. 2024. Foco no conteúdo
  • 7.
    2025_EM_V1 • Na décadade 1880, houve resistência das demais províncias do Império em continuar pagando com dinheiro público as despesas com imigração para a província de São Paulo. • Como São Paulo tinha muito dinheiro graças à economia cafeeira, foi criada em 1886 a Sociedade Promotora da Imigração, que tinha a função de recrutar trabalhadores europeus, transportá-los ao Brasil, instalá-los e transportá-los para as fazendas onde poderiam trabalhar, atendendo diretamente os interesses dos cafeicultores. Uma solução paulista para a imigração Cartaz de propaganda de 1906 da Companhia Italiana de Navegação a Vapor La Veloce, uma das grandes responsáveis pelo transporte de imigrantes ao Brasil. Observe o destino ao Rio de Janeiro, Santos e Buenos Aires, assim como “Brasile”. REPRODUÇÃO – NOVO MILÊNIO, [s.d.]. Disponível em: https://www.novomilenio.inf.br/rossini/f134.jpg. Acesso em: 22 nov. 2024. Foco no conteúdo
  • 8.
    2025_EM_V1 Foto da Hospedariade Imigrantes, fim do século XIX, na cidade de São Paulo (Museu da Imigração/SP). Reprodução – MUSEU DA IMIGRAÇÃO, [s.d.]. Disponível em: https://museudaimigracao.org.br/uploads/blog/ma terias/espanhois-11-03-2020-18-59.png . Acesso em: 22 nov. 2024. Após a proclamação da República e a primeira Constituição republicana, de 1891, o então estado de São Paulo passou a gerir diretamente a imigração. O local onde os trabalhadores passaram a ser recebidos, depois de desembarcarem no porto de Santos, seguia pela estrada de ferro até a cidade de São Paulo, chegando ao bairro do Brás. Era ali que ficava a Hospedaria de Imigrantes, que foi inaugurada, ainda inacabada, em 1887. A Hospedaria de Imigrantes na cidade de São Paulo Foco no conteúdo A Hospedaria de Imigrantes do Brás (São Paulo) foi construída entre os anos de 1886 e 1887. VOCÊ CONHECE O MUSEU DA IMIGRAÇÃO? Atualmente, a região da antiga Hospedaria faz parte do bairro da Mooca. As instalações da Hospedaria foram transformadas no Museu da Imigração. Vale a pena visitá-lo para fazer uma viagem no tempo, conhecer um pouco dos nossos antepassados migrantes e imigrantes que chegaram em São Paulo. Link: https://museudaimigracao.org.br/. Acesso em: 31 out. 2024.
  • 9.
    2025_EM_V1 Na Hospedaria, osrecém-chegados ficavam sob vigilância policial, pois deveriam ali permanecer até que assinassem contrato para irem às fazendas de café. Nessa época funcionava o sistema de colonato, por meio do qual se pagava um salário anual para que o imigrante cuidasse de uma área do cafezal. Migrantes e imigrantes vieram a São Paulo. Foi assim que a cidade se tornou uma “verdadeira Babel”, com idiomas e sotaques de várias partes do país e do mundo. Entraram cerca de 4 milhões de imigrantes no país entre 1886 e 1934, a maioria financiados com dinheiro do Estado. As nacionalidades eram representadas na seguinte proporção: italianos – 40%; espanhóis – 15%; portugueses – 18%; japoneses – 8%; alemães – 3%. Em índices menores, vieram romenos, lituanos e poloneses. Reprodução – SP IN FOCO, [s.d.]. Disponível em: https://www.saopauloinfoco.com.br/wp-content/uploads/2015/02/Esquema-de-servi%C3%A7os-da-Hospedar ia-de-Imigrantes-c.1920..jpg . Acesso em: 22 nov. 2024. Esquema de serviços da Hospedaria de Imigrantes, c.1920. Acervo Fundação Energia e Saneamento de São Paulo. Foco no conteúdo
  • 10.
    2025_EM_V1 O processo deimigração no Brasil Foco no conteúdo • Sistema de parceria: primeira iniciativa ocorreu em 1847 em Ibicaba, zona cafeeira de São Paulo. O imigrante recém-chegado à fazenda já começava devendo as despesas pagas pelo fazendeiro, tais como passagem, alimentação e ferramentas utilizadas pelo imigrante. Este recebia uma parcela de terra para cultivar o café, sendo que a metade da produção deveria ser entregue ao fazendeiro. A outra metade, pertencente ao trabalhador, era negociada com o próprio fazendeiro, que deduzia as despesas com a manutenção do imigrante e sua família e os custos da viagem para o Brasil, acrescidos de juros de 6% ao ano. A essa situação somavam-se uma mentalidade escravista, péssimas condições de moradia para os trabalhadores e até castigos e prisões de colonos, o que acabou gerando inúmeros conflitos e mesmo sublevações, como a ocorrida em 1857, na mesma fazenda de Ibicaba, por sinal pertencente a um senador do Império, Nicolau Vergueiro. Esse sistema revelou-se, portanto, inviável. • Imigração subsidiada (colonato): por meio da qual o governo brasileiro ou mesmo provincial arcava com as despesas da viagem do imigrante e de sua família, passando este a receber um salário fixo, tomando-se por base o número de pés de café cultivados, acrescido de uma pequena porcentagem dos lucros. Com o acentuado declínio do trabalho escravo, sobretudo a partir das décadas de 1870/1880, ficou claro que a única opção, a médio e longo prazos, era a imigração em grande escala, inclusive com intensa propaganda na Europa divulgando as oportunidades que o Brasil oferecia. Documentos solicitavam a restituição das despesas de transporte dos imigrantes até a chegada ao Brasil. Na imagem, a passagem de Antonio Bianchi e família do Porto de Gênova, na Itália, para Santos-SP. Museu da Imigração do Estado de São Paulo. Reprodução – MUSEU DA IMIGRAÇÃO, [s.d.]. Disponível em: https://acervodigital.museudaimigraca o.org.br/upload/requerimentos/BR_SP _APESP_SACOP_REQ_C07576_002 47.pdf . Acesso em: 22 nov. 2024. Produzido pela SEDUC-SP © Canva.
  • 11.
    2025_EM_V1 Qual é acrítica apresentada pelo historiador, em relação à imigração e às questões associadas ao acesso à terra, com a expressão “cativeiro da terra”, tendo em vista o contexto analisado? Explique. • Leia a legislação, o texto historiográfico e analise: Na prática Veja no livro! Atividade 1 Em agrupamentos! Registre suas considerações por escrito. 10 minutos
  • 12.
    2025_EM_V1 FONTE I. Leide Terras, 1850 Na prática LEI Nº 601, DE 18 DE SETEMBRO DE 1850. Dispõe sobre as terras devolutas no Império, e acerca das que são possuídas por titulo de sesmaria sem preenchimento das condições legais, bem como por simples titulo de posse mansa e pacifica; e determina que, medidas e demarcadas as primeiras, sejam elas cedidas a titulo oneroso, assim para empresas particulares, como para o estabelecimento de colonias de nacionaes e de extrangeiros, autorizado o Governo a promover a colonisação extrangeira na forma que se declara. [...] Art. 1º – Ficam proibidas as aquisições de terras devolutas (terras do Estado) por outro título que não seja o de compra. Excetuam-se as terras situadas nos limites do Império com países estrangeiros em uma zona de 10 léguas, as quais poderão ser concedidas gratuitamente.” (BRASIL, 1850) (Grafia original). Veja no livro! Atividade 1
  • 13.
    2025_EM_V1 TEXTO I. ALei de Terras e a política imigrantista Na prática Em 18 de setembro de 1850, 14 dias após a votação da Lei Eusébio de Queirós, que aboliu o tráfico negreiro, foi promulgada a Lei de Terras. A lei determinava que a ocupação de terras públicas – devolutas*, sem cultivo, só poderia ocorrer, dali em diante, por meio da compra, em hasta pública**, do Estado. As terras doadas em sesmarias e as posses sem títulos legais seriam legalizadas por meio dos Registros Paroquiais de Terras, desde que se comprovasse estarem cultivadas, e não com simples roçados. Historiadores interpretaram essa determinação do pagamento pela terra devoluta como uma estratégia do Estado para dificultar a ocupação de terras por parte de trabalhadores livres, principalmente imigrantes. Segundo expressão consagrada do sociólogo José de Souza Martins, substituía-se o cativeiro do trabalhador pelo cativeiro da terra. A regulamentação da Lei de Terras ocorreu em 30 de janeiro de 1854, com a obrigatoriedade de cadastramento de todas as terras ocupadas por meio do Registro Paroquial de Terras, então realizado em todo o Império entre 1855 e 1860. Os conflitos, entretanto, estavam longe de cessar. As lutas pelas demarcações dos limites das terras registradas eram frequentes, assim como têm sido nos dias de hoje.” (VAINFAS et al., 2018). *Terras devolutas: áreas sem proprietário particular, sem cultivos; terras públicas, do Estado. **Hasta pública: leilão. GLOSSÁRIO Veja no livro! Atividade 1
  • 14.
    2025_EM_V1 Qual é acrítica apresentada pelo historiador, em relação à imigração e às questões associadas ao acesso à terra, com a expressão “cativeiro da terra”, tendo em vista o contexto analisado? Explique. A terra, no Brasil, era ocupada pela posse (uso simples) ou pelo regime das sesmarias (doação). A Lei de Terras transformou as terras públicas (sem dono) em capital para o Império, já que só seriam reconhecidas como propriedade aquelas que tivessem títulos de doação do período colonial (sesmarias) ou cujos ocupantes (posseiros) mostrassem melhoramentos na terra. Quem não atendesse a essas condições só poderia adquirir terras por compra, portanto, além da dificuldade dos imigrantes em adquirir suas próprias terras, outros grupos sociais, como roceiros, pequenos lavradores que dependiam delas (negros libertos, mestiços, brancos pobres e indígenas), também poderiam ser expulsos dessas áreas. A ironia apresentada na fonte I está na fórmula que o país inventou para a manutenção dos latifúndios: “da coerção laboral do homem livre: se a terra fosse livre, o trabalho tinha que ser escravo; se o trabalho fosse livre, a terra tinha que ser escrava”, como analisou o sociólogo José de Souza Martins, citado. A partir de então, para ter direito à terra, passou a ser necessário comprá-la, o que não acontecia antes da Lei de Terras. Isso obviamente afastou a população pobre de ter sua própria casa e terra para plantar e viver. Correção Na prática
  • 15.
    2025_EM_V1 • Com basena fonte a seguir, redija uma matéria jornalística, a ser publicada no jornal Gazeta de Notícias, com as denúncias feitas por Thomas Davatz acerca da vida dos imigrantes na Casa Vergueiro em Ibicaba, São Paulo. Na prática 20 minutos Veja no livro! Atividade 2 Para produção textual, considere: quais eram os conflitos de interesse entre os fazendeiros e os imigrantes? Quais as condições de vida dos colonos? Qual era o sistema de trabalho para os imigrantes europeus, no contexto em que Davatz faz as denúncias em Ibicaba, na fazenda? Quem era o dono da fazenda? Produzido pela SEDUC © Getty Images. Em agrupamentos!
  • 16.
    2025_EM_V1 FONTE I: Relaçãodas queixas dos colonos Na prática 1º – A casa Vergueiro reduz a moeda brasileira as dividas contrahidas em suas terras pelos colonos que imigraram com adeantamentos de suas municipalidades e contractos com a mesma companhia, baseando-se em cálculos taes que os colonos saem na maioria dos casos prejudicados [...]. 2º – Quando um colono chega aqui com uma divida e paga-a na mesma moeda em que o empréstimo fora feito inicialmente, essa moeda é cotada a um cambio mais baixo do que o da divida [...]. 4º – A casa Vergueiro debita aos colonos que receberam de suas municipalidades adeantamentos sem onus para a viagem, juros de 6%, desde o principio. Em conclusão: embolsa quantias que não lhe pertencem e lesam com isso os pobres colonos. 5º – A casa Vergueiro declara na Europa, por intermédio de seus agentes ou nos ajustes para a viagem, que chegando á America o colono não terá nenhuma taxa a pagar, e nada diz a respeito de qualquer commissão a ser paga. Sem embargo disso, porém, onera aqui cada pessoa de mais de 8 a 10 annos e cada duas crianças de menos do que essa idade, até um anno, com dez mil reis. Essa taxa é chamada dinheiro de commissão. Veja no livro! Atividade 2 (DAVATZ, 1850 - Grafia original).
  • 17.
    2025_EM_V1 Na prática 6º –A casa Vergueiro debita aos colonos, pela viagem de Santos á colónia, sommas exageradas, que devem ser qualificadas de illegaes visto como, segundo nos consta, os colonos deveriam ser transportados gratuitamente desde aquelle porto até ás fazendas. Nada figura em nossos contractos a respeito da necessidade de tal pagamento. 7º – A casa Vergueiro cobra por uma péssima casa de residência, onde o morador é obrigado constantemente a fazer melhoramentos e concertos, afim de que não venha quasi abaixo e onde durante os fortes temporaes tudo fica encharcado, o aluguer annual de doze mil reis. Esse aluguer annual é cobrado mesmo áquelles que tiveram promessa de habitação gratuita. Os colonos recem-chegados são forçados por vezes a esperar longo tempo por uma casa e emquanto não a obtêm são mettidos nas habitações dos mais antigos ou de preferencia no prédio destinado á escola, onde se encurralam três, seis e até dez famílias, expostas, assim, a toda espécie de doenças e epidemias. Nas habitações definitivas, pelas quaes se cobra o aluguer acima referido, compete ao colono fazer tudo pois são fornecidas apenas com quatro paredes, o telhado, duas portas e duas janellas. Compete-lhe limpar a casa do capim e das toucieras, que crescem livremente no interior, aplainar o chão tosco; erguer as paredes internas; fazer um fogão etc. Quasi sempre falta o curral e o cercado, e quando existem eleva-se o aluguer.” Veja no livro! Atividade 2 (DAVATZ, 1850 - Grafia original).
  • 18.
    2025_EM_V1 Considerar, na produçãoda matéria, os seguintes aspectos: A fonte I é um documento de um colono suíço que trabalhou na fazenda do Senador Vergueiro em Ibicaba (onde se localiza, atualmente, Cordeirópolis). Inicialmente, o sistema empregado era o de parceria, que cedia parte da terra para a produção de café. Os custos da passagem de navio, hospedagem, deslocamento do porto até a fazenda e ferramentas eram responsabilidade dos proprietários das fazendas, que ficariam com parte dos lucros da produção de café em vez do salário. A fonte denuncia os abusos nos contratos de trabalho e revela as reivindicações da comissão de imigrantes no registro documental de Thomas Davatz, que liderou a abertura de uma investigação oficial para apurar possíveis irregularidades nas contas apresentadas pela Vergueiro & Cia e para combater a exploração dos colonos, o que provocou sua expulsão da fazenda e seu regresso à Suíça. Ele tinha ainda a missão oficial de produzir relatórios à Suíça acerca das condições de vida e trabalho na colônia que servissem de orientação às autoridades sobre a política de emigração. Davatz foi um crítico contundente da mentalidade dos fazendeiros paulistas sobre o trabalho agrícola e a opressão sobre os trabalhadores. Segundo o colono, a opressão se revestia de um sentimento de equiparação ao escravizado, cuja condição era comparável à sua. O evento levou ao motim na Fazenda de Ibicaba, desdobrando-se na revogação do modelo de imigração em sistema de parceria. Considerar na produção da matéria os seguintes aspectos: Na prática
  • 19.
    2025_EM_V1 Encerramento Retrato da famíliaBoff, em sua residência, feito por Domingos Mancuso, 1904. Reprodução – DOMINGOS MANCUSO/WIKIMEDIA COMMONS, 2008. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Colonos-caxienses.jpg. Acesso em: 22 nov. 2024. • Quais as relações entre a Lei de Terras de 1850 e a manutenção da estrutura latifundiária no Brasil? • Em que medida a lei afetou os imigrantes e ex-escravizados em relação à propriedade, consolidando interesses da elite agrária e afetando o desenvolvimento econômico e social do país? 5 minutos
  • 20.
    2025_EM_V1 ABRAHÃO, F. A.Padrões de riqueza e mobilidade social na economia cafeeira: Campinas, 1870-1940. p. 4-5. Tese Tese (Doutorado em História Econômica) – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, 2015. Disponível em: https://teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8137/tde-01062015-150909/publico/2014_FernandoAntonioAbrahao_VCorr.p df . Acesso em: 22 nov. 2024. BRASIL. Lei Nº 601, de 18 de setembro de 1850. Dispõe sobre as terras devolutas do Império. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L0601-1850.htm. Acesso em: 22 nov. 2024. DAVATZ, T. Memórias de um colono no Brasil (1850). São Paulo: Livraria Martins, 1941. DOLHNIKOFF, M. História do Brasil Império. São Paulo: Contexto, 2020. EMPRESA BRASIL DE COMUNICAÇÃO (EBC). Brasil, um país de muitas línguas, 16 nov. 2016. Disponível em: https://memoria.ebc.com.br/infantil/voce-sabia/2016/11/brasil-um-pais-de-muitas-linguas. Acesso em: 22 nov. 2024. INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS ANÍSIO TEIXEIRA (INEP). Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), 2013. Prova de Ciências Humanas e suas Tecnologias; Prova de Ciências da Natureza e suas Tecnologias, 1º dia, Caderno 1 - Azul. Disponível em: https://download.inep.gov.br/educacao_basica/enem/provas/2013/dia1_caderno1_azul.pdf. Acesso em: 22 nov. 2024. LEMOV, D. Aula nota 10 3.0: 63 técnicas para melhorar a gestão da sala de aula. Porto Alegre: Penso, 2023. Referências
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    2025_EM_V1 MARTINS, J. S.Cativeiro da Terra. São Paulo: Contexto, 2013. MUSEU DA IMIGRAÇÃO. Documentos que solicitam restituição das despesas de transporte dos imigrantes até a chegada ao Brasil, [s.d.]. Disponível em: https://acervodigital.museudaimigracao.org.br/upload/requerimentos/BR_SP_APESP_SACOP_REQ_C07576_00247 .pdf . Acesso em: 22 nov. 2024. MUSEU DA IMIGRAÇÃO. Página inicial, [s.d.]. Disponível em: https://museudaimigracao.org.br/. Acesso em: 22 nov. 2024. SÃO PAULO (Estado). Secretaria da Educação. Currículo Paulista: etapa Ensino Médio, 2020. Disponível em: https://efape.educacao.sp.gov.br/curriculopaulista/wp-content/uploads/2023/02/CURR%C3%8DCULO-PAULISTA-eta pa-Ensino-M%C3%A9dio_ISBN.pdf . Acesso em: 22 nov. 2024. VAINFAS, R. et al. História: Conecte live. São Paulo: Saraiva, 2018. Identidade visual: imagens © Getty Images. Referências
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    2025_EM_V1 Aprofundando A seguir, vocêencontra uma seleção de exercícios extras, que ampliam as possibilidades de prática, de retomada e aprofundamento do conteúdo estudado.
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    2025_EM_V1 B C D E A fomentar açõespúblicas para ocupação das terras do interior. financiar a fixação de famílias camponesas para estímulo da agricultura de subsistência. regulamentar o tráfico interprovincial de cativos para sobrevivência das fazendas. definir uma política de subsídio governamental para o fomento da imigração. adotar o regime assalariado para proteção da mão de obra estrangeira. (ENEM, 2013) O fragmento do discurso dirigido ao parlamentar do Império refere-se às mudanças então em curso no campo brasileiro, que confrontaram o Estado e a elite agrária em torno do objetivo de: Ninguém desconhece a necessidade que todos os fazendeiros têm de aumentar o número de seus trabalhadores. E como até há pouco supriam-se os fazendeiros dos braços necessários? As fazendas eram alimentadas pela aquisição de escravos, sem o menor auxílio pecuniário do governo. Ora, se os fazendeiros se supriam de braços à sua custa, e se é possível obtê-los ainda, posto que de outra qualidade, por que motivo não hão de procurar alcançá-los pela mesma maneira, isto é, à sua custa?” Resposta de Manuel Felizardo de Sousa e Mello, diretor geral das Terras Públicas, ao Senador Vergueiro. In: ALENCASTRO, L. F. (Org.). História da vida privada no Brasil. São Paulo: Cia. das Letras, 1998 (adaptado). Aprofundando
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    2025_EM_V1 B C D E A fomentar açõespúblicas para ocupação das terras do interior. financiar a fixação de famílias camponesas para estímulo da agricultura de subsistência. regulamentar o tráfico interprovincial de cativos para sobrevivência das fazendas. definir uma política de subsídio governamental para o fomento da imigração. adotar o regime assalariado para proteção da mão de obra estrangeira. (ENEM, 2013) O fragmento do discurso dirigido ao parlamentar do Império refere-se às mudanças então em curso no campo brasileiro, que confrontaram o Estado e a elite agrária em torno do objetivo de: Resposta de Manuel Felizardo de Sousa e Mello, diretor geral das Terras Públicas, ao Senador Vergueiro. In: ALENCASTRO, L. F. (Org.). História da vida privada no Brasil. São Paulo: Cia. das Letras, 1998 (adaptado). Aprofundando Ninguém desconhece a necessidade que todos os fazendeiros têm de aumentar o número de seus trabalhadores. E como até há pouco supriam-se os fazendeiros dos braços necessários? As fazendas eram alimentadas pela aquisição de escravos, sem o menor auxílio pecuniário do governo. Ora, se os fazendeiros se supriam de braços à sua custa, e se é possível obtê-los ainda, posto que de outra qualidade, por que motivo não hão de procurar alcançá-los pela mesma maneira, isto é, à sua custa?”
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    2025_EM_V1 Alternativa C. A respostade Manuel Felizardo de Sousa e Mello, membro do Partido Conservador, evidencia uma disputa e a posição do Estado diante de reivindicações dos fazendeiros para subsidiar a substituição dos escravizados nas lavouras de café por imigrantes. No contexto, deixa claro ao Senador Vergueiro que o governo imperial não desejava ter uma política de subsídio para o fomento da imigração, argumentando que os fazendeiros deveriam contratar imigrantes para trabalhar em suas fazendas com o seu próprio capital. Aprofundando Resolução
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    2025_EM_V1 Slide 2 Habilidade (EM13CHS606)Analisar as características socioeconômicas da sociedade brasileira – com base na análise de documentos (dados, tabelas, mapas etc.) de diferentes fontes – e propor medidas para enfrentar os problemas identificados e construir uma sociedade mais próspera, justa e inclusiva, que valorize o protagonismo de seus cidadãos e promova o autoconhecimento, a autoestima, a autoconfiança e a empatia. (SÃO PAULO, 2020).
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    2025_EM_V1 Slides 3 e4 Tempo: 3 minutos Dinâmica de condução: realize a leitura compartilhada do texto, assim como a observação da pintura de Pieter Bruegel da Torre de Babel. Solicite aos estudantes que façam inferências sobre as relações estabelecidas entre a Babel bíblica e o Brasil no contexto da imigração entre os séculos XIX e início do século XX, para que, de forma dialógica, reflitam sobre o processo de imigração, quais as condições de vida e de trabalho, principalmente nas lavouras de café, assim como foi a concepção do Estado brasileiro para esse projeto político. Lembrando: a seção Para começar é um momento de problematizar a temática a ser explorada pelos estudantes, explicitando sua importância e promovendo a curiosidade. Neste passo, são válidas as instruções de Doug Lemov, da técnica denominada “O Gancho”, que prevê um curto momento introdutório, sensibilizando a classe – visando uma maneira de inspirar e engajar os estudantes (2011. p. 93). Lemov explica que o gancho pode ser uma história, analogia, objeto relacionado ao tema ou mídia – vídeo ou imagem, por exemplo.
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    2025_EM_V1 Slides 5 a10 Slide 5 Tempo: 10 minutos Dinâmica de condução: nessa seção Foco no conteúdo, é importante manter um espaço de diálogo e reflexão coletiva, ainda que conceitos tenham que ser explorados. Utilize as imagens como fontes de interpretação da temática, sempre relacionando-as aos objetos estudados. O enfoque da aula é problematizar aspectos relacionados à posição da elite política-agrária exportadora que, em 1850, aprovou a Lei de Terras, que foi central para a manutenção da estrutura fundiária no Brasil, pois formalizou a propriedade privada das “terras devolutas” – terras públicas sem títulos de posse –, acessíveis apenas por meio de compra, limitando drasticamente o acesso à terra para a população livre, especialmente imigrantes e ex-escravizados. Assim sendo, em vez de incentivar a distribuição de terras, como em outros países que buscavam atrair imigrantes, a lei brasileira consolidou a concentração fundiária ao beneficiar as elites agrárias, que passaram a adquirir grandes extensões, antes de domínio público.
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    2025_EM_V1 Slides 11 a14 Tempo: 10 minutos Dinâmica de condução: sugere-se organizar os estudantes em agrupamentos ou duplas, de preferência após diagnóstico de potencialidades e dificuldades apresentadas em suas trajetórias de aprendizagem. A leitura das fontes pode ser realizada de forma compartilhada, a fim de esclarecer termos ou eventuais dificuldades em suas interpretações. A proposta de análise retoma a Lei de Terras associando-a ao conceito de “cativeiro da terra” utilizado pelo sociólogo José de Souza Martins. Ao exigir a compra das terras devolutas e o registro das posses existentes, o acesso dos trabalhadores livres, especialmente dos imigrantes e ex-escravizados, era limitado. A lei impôs uma barreira econômica à terra pública, criando um sistema em que a independência dos trabalhadores não era alcançada pela posse de terras, mas pela “dependência contínua da estrutura latifundiária”, dominada pela elite agrária. Dessa forma, embora o trabalho escravizado estivesse em processo de abolição, o controle sobre a terra manteve os trabalhadores em um novo tipo de subordinação: se não fossem "cativos" sob a escravidão, tornar-se-iam "cativos" de uma estrutura fundiária fechada, que os impedia de alcançar a autonomia econômica e social. Essa "prisão" ao trabalho assalariado nas fazendas da elite agrária consolidava uma dependência similar à servidão, pois os trabalhadores, sem possibilidade de adquirir terras próprias, ficavam à mercê dos grandes fazendeiros, que controlavam a terra e o acesso a ela. Esse mecanismo foi uma estratégia de controle sobre a força de trabalho livre, gerando uma dinâmica de exploração que perpetuava a desigualdade e dificultava o desenvolvimento econômico e social do país ao longo do século XIX. Expectativas de respostas: ver correção.
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    2025_EM_V1 Slides 15 a18 Tempo: 20 minutos Dinâmica de condução: nessa proposta de atividade, mantenha os agrupamentos de estudantes da proposta anterior, leia o texto com as reivindicações de Thomaz Davaz de forma compartilhada. Oriente acerca das especificidades do gênero textual para que os estudantes tragam a temática, considerando os tópicos elencados, como uma pauta a ser abordada na matéria; para a elaboração da notícia, oriente acerca das etapas, articulando as informações dos documentos e da aula. Manchete: elaborada de acordo com um grande tema e complementada pelos demais. Exemplo: conflitos marcam a chegada dos imigrantes ao Brasil. As condições de vida e trabalho geram pressão sobre o governo paulista. Lide: informa ao leitor os fatos fundamentais do que será noticiado. Exemplo: há décadas, imigrantes acusam fazendeiros de café do interior paulista de não cumprir com os acordos de imigração e denunciam a exploração causada pelas dívidas e pelo sistema de trabalho, exigindo uma ação do governo de São Paulo. Evento: desenvolve a manchete e o lide, oferecendo maiores informações. Seguindo o exemplo, é possível iniciar pelas denúncias dos imigrantes à casa Vergueiro, tratar das condições de vida nas fazendas e abordar a mudança da política de imigração. Comentário: conclui de forma neutra, ainda que jornais sempre possuam uma linha editorial, apresentando seus desdobramentos. Exemplo: após a mudança da política de imigração pelo governo paulista, autoridades esperam que os conflitos sejam resolvidos e os imigrantes possam permanecer nas fazendas. Expectativas de respostas: ver considerações sobre a matéria jornalística e sugestão de abordagem.
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    2025_EM_V1 Slides 15 a18 Tempo: 5 minutos Dinâmica de condução: nesse encerramento, propicie um espaço dialógico de reflexão coletiva que sistematize a temática abordada na aula. Expectativas de respostas: a Lei de Terras de 1850 consolidou a estrutura fundiária no Brasil ao restringir o acesso às terras públicas apenas por compra, o que beneficiou a elite agrária e limitou a possibilidade de trabalhadores livres, como imigrantes e ex-escravizados, adquirirem propriedades. Sem acesso à terra, esses grupos se tornaram dependentes de trabalho nas grandes fazendas, garantindo à elite agrária o controle da mão de obra. Esse modelo manteve a concentração fundiária, dificultou o surgimento de uma classe de pequenos proprietários e freou o desenvolvimento econômico e social mais igualitário, perpetuando desigualdades estruturais no país.
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    2025_EM_V1 Slide 19 Tempo: 5minutos Dinâmica de condução: converse brevemente sobre alguns dos assuntos estudados e analisados no decorrer da aula e oriente os alunos a debater as questões do box “Virem e conversem” com os colegas do grupo da atividade prática. Expectativas de respostas: espera-se que os alunos conversem e concluam que o processo de imigração e os conflitos gerados a partir dele não se tratava de confusão, mas de uma estratégia da elite agrária para manter seus lucros por meio da exploração da mão de obra de imigrantes, inicialmente dispensando a eles um tratamento similar ao da escravidão. Apesar disso, e em função das mudanças da política imigratória, pessoas de diversos lugares do mundo continuaram a chegar ao Brasil, promovendo a mistura étnica que marca o perfil social brasileiro e o diálogo entre diversas culturas que influenciou nossa língua como um todo, desde os sotaques às novas palavras, alimentação, religião, entre outras práticas e costumes.
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