VEJA TAMBÉM
O Pai da Noiva
FATHEROFTHEBRIDE.(EUA,1991.)DIR.DE
CHARLESSHYER,COMSTEVEMARTIN,DIANE
KEATON,KIMBERLYWILLIAMS,MARTINSHORT.
Remake da comédia de Vincente Min-
nelli, de 1951. Papai entra em crise
porque sua princesinha vai se casar.
Às 23h55, o mesmo canal exibe o 2 –
sobre o netinho, claro.
TEL.FUN,12H45.REPR.,COLORIDO,105MIN.
INFANTIL
Alvin e os Esquilos – Na
Estrada
Alvin, Simon e Theodore ten-
tam impedir que Dave se case.
Para isso, unem-se ao filho da
noiva numa viagem desastra-
da.No final,tudo pelafamília.
TEL. PREMIUM, 14H45. COL., 100 MIN.
Valeria Bruni Tedeschi e Micae-
la Ramazzotti fogem do hospi-
tal psiquiátrico e caem na estra-
da para uma louca aventura. O
italiano Virzi, depois de Capital
Humano, assina outro grande
filme, agora uma espécie de
versão revista do cultuado Thel-
ma & Louise, sem aquele final.
Splash – Uma Sereia em Mi-
nha Vida
SPLASH.(EUA,1984.)DIR.DERONHOWARD,
COMDARYLHANNAH,TOMHANKS.
O jovem Tom Hanks apaixona-se
pela sereia Daryl Hannah. O filme
de cabeceira de Ísis Valverde. Óti-
ma comédia, grande diversão.
TEL.CULT,19H55.REPR.,COLORIDO,111
MIN.
X-Menunidos
enfrentamosinistro
Apocalipse
Tudo começou com os estudantes de pernas peludas
Juliana Ravelli
ESPECIAL PARA O ESTADO
Só mesmo com muita obstina-
ção, beirando pura teimosia, é
queseconstróiumacarreiraar-
tística.Manterumacompanhia
privada por 40 anos no Brasil,
então, é para fortes, como Hul-
da Bittencourt. A incansável
criadoradaCisneNegroCia.de
Dançasetransformouemmusa
do espetáculo que celebra as
quatrodécadasdogrupopaulis-
tano. H.U.L.D.A. estreia nesta
sexta, 21, no Teatro Santander.
JorgeTakla,queassinaadire-
ção,contaqueadmiraacompa-
nhiahámuitotempoe,nosúlti-
mosanos,tornou-semaispróxi-
modeHulda.Quandosoubedo
aniversário, sugeriu que fizes-
sem um espetáculo sobre a al-
madaCisneNegro.“Oqueées-
sa força que faz com que uma
companhianoBrasilresistatan-
tos anos, arriscando, trazendo
novidades? De onde vem essa
força? Vem de uma pessoa que
se chama Hulda”, diz o diretor.
Segundo Takla, mais do que
uma homenagem à fundadora
dacompanhia,aobraéuma“re-
flexão poética sobre o que é fa-
zerarte,sobrecomomanteres-
sa conquista viva”.
Cadaletrado nome de Hulda
dá origem a uma palavra dife-
rente:horizonte,união,liberda-
de, dança e amor. Elas guiam o
espetáculo e surgem no palco
como elementos cenográficos,
criadospor NicolasBoni. Takla
também gravou depoimentos
deHuldaedebailarinos.Asgra-
vações aparecem em meio à
música composta por André
Mehmari,quejáhaviatrabalha-
docomaCisneNegro.Osfiguri-
nos são de Fábio Namatame.
Rui Moreira e Dany Bitten-
court–diretoraartísticadacom-
panhia e filha de Hulda – divi-
dem a coreografia. “Quando
Taklateveoinsightdacriação,a
gentefalouqueseriaumproces-
so que pegaria muito da minha
vida, família, do meu pai (Ed-
mundo Bittencourt, morto em
2004).Pensei:‘Seráquevoucon-
seguir transportar tudo isso pa-
ra a coreografia? Acho que não
vouconseguirsozinha’.Precisa-
va ter ao meu lado alguém com
quem me desse muito bem, co-
mo o Rui, que nasceu aqui den-
tro também”, diz Dany.
Rui chegou até Hulda no iní-
cio dos anos 1980, por indica-
ção de um professor. “Naquele
momento, estava muito fresca
a fama da Cisne Negro de aco-
lher homens”, diz Rui. Fez um
testeerecebeuoavalparafazer
todas as aulas que desejasse.
Nos intervalos, aprendeu a edi-
tar filmes de rolo com Edmun-
do Bittencourt. Com ele, tam-
bémpassouadesenvolverequi-
pamentosdeluzusadosnostea-
trosemquedançavacomacom-
panhia. “A Cisne Negro é espe-
cial em minha história.”
H.U.L.D.A.éaquartacriaçãode
Rui para o grupo. Também co-
reografouTrama(2001),C/Cor-
das (2005) e Calunga (2011).
Inspiração. Ana Botafogo, que
também completa 40 anos de
carreira em 2017, é outra gran-
defiguraqueseuniuàempreita-
da.Participoudetodaacriação
do trabalho e estará no palco
na primeira semana da tempo-
rada. A primeira-bailarina e di-
retora do Balé do Theatro Mu-
nicipaldoRio(aoladodeCeci-
lia Kerche) dividirá o papel
comDanielaSeverian,quedan-
çou naCisne Negro e, pormui-
tos anos, na Alemanha. Na
obra, Ana e Daniela ora repre-
sentam uma musa, ora a pró-
pria dança; em alguns momen-
tos, personificam Hulda.
“Essa homenagem é para a
Huldaapaixonada,educadorae
visionáriaque,pormeiodadan-
ça, não só transformou vidas,
como fez parte da história da
cultura brasileira”, diz Ana.
“Em uma época em que tudo é
efêmero, a memória é curta e
não se dá valor aos que já fize-
ram, homenageá-la é celebrar
a importância de todos os que
deixaramumlegadoparaadan-
ça, que dedicaram suas vidas
para que essa arte tivesse o es-
paço que tem hoje.”
Desdeosanos1980,Ana dan-
çacomoconvidadadaCisneNe-
gro. Com o grupo, fez turnê em
Nova York, dançou ao lado do
bailarino norte-americano Fer-
nando Bujones e viajou por to-
do o interior paulista. “Sei co-
mofoidifícilchegaratéaqui,co-
mo uma companhia indepen-
denteeconseguirsemanterpor
40anosnomercado,dandotra-
balho a tantos profissionais.”
Paracomemorar as suas quatro
décadasdecarreira,Anaplaneja
lançar em breve um livro escri-
to pelo próprio pai, o cirurgião
Ernani Ernesto Fonseca.
ÉaprimeiravezqueTaklafaz
oroteiroedirigeumespetáculo
unicamente de dança. Afirma
queaprendeumuitocomtodoo
processoecomHulda.“Elatem
uma determinação, uma força,
umavontadedeviveredeconti-
nuar…Tenho40anosdecarrei-
ra, Hulda tem 60. Ela continua
com vontade de fazer mais coi-
sas. Não tem nenhum momen-
to de fraquejar, desistir ou can-
sar. Acho um exemplo de vida,
porque eu fraquejo muito. Tem
momentosem quequero desis-
tir,queestoucansado,queacho
quenão sei maiso quetenho de
expressar. Questiono quem é o
público, o que as pessoas que-
rem, o que tenho a dizer. Hulda
não.Elasempretemcoisasadi-
zer e a expressar”, diz o diretor.
Hulda está emocionada com
o trabalho e com a celebração.
Não só o grupo completa qua-
trodécadas,masaescola–admi-
nistradapelaprimogênitaGisel-
le Bittencourt – também faz 60
anos. E se fosse para começar
de novo, Hulda não pensaria
duasvezes:“Nãomearrependo
de nada. Faria tudo de novo”.
‘Bestival 2016:
Highlights’
BIS/21h
Série
‘The Tudors’
RedeTV/22h15
E com eles nasceu uma
das marcas da cia:
bailarinos preparados
para dançar obras clássicas
e contemporâneas
AVENTURA
‘Alice no País das
Maravilhas’
Adaptação da animação, Alice
conta a história de uma jovem
que segue um coelho branco e
que vai parar no País das Mara-
vilhas. Com Johnny Depp e He-
lena Bonham Carter.
MEGAPIX PLAY, 2010, 104 MIN.
AÇÃO
‘Fator de Risco’
Nicolas Cage é um político que
tenta se aproveitar de um vaza-
mento de petróleo para fazer
um plano de revitalização em
seu distrito.
NETFLIX,2015,89MIN.
ANIMAÇÃO
‘A Bailarina’
Uma garota órfã foge para Pa-
ris em busca de seu sonho: se
tornar uma bailarina. Anima-
ção boa para crianças e adul-
tos, emociona.
LOOKE,2016,89MIN.
MatheusMans
‘Emergências
Médicas’
Fox Life/18h10
Cia. Cisne Negro
celebra aniversário
com espetáculo
que homenageia
Hulda
Bittencourt
Dança
Luiz Carlos Merten
X-Men: Apocalipse
X-MEN:APOCALYPSE.(EUA,2016.)DIR.DE
BRYANSINGER,COMJAMESMcAVOY,MICHAEL
FASSBENDER,JENNIFERLAWRENCE,OSCAR
ISAAC,NICHOLASHOULT.
No retorno às origens de X-Men, com
James McAvoy e Michael Fassbender
interpretando os jovens Professor X e
Magneto, Apocalipse narra um mo-
mentocrucialdasaga,quando,doAnti-
go Egito, emerge o primeiro mutante.
EnSabarNur,oApocalipse,interpreta-
doporOscarIsaac,representa,aomes-
motempo,asforçascriativaedestruti-
va do universo. Será preciso juntar to-
das as forças dos X-Men para fazer
frente ao seu poder de dominação.
Preste atenção na Fera/Hank McCoy.
É o mutante de pele azul, com pés
preênseis e força sobre-humana. O
atorquefazopapeléobritânicoNicho-
lasHoulte,nestasexta,eletambémesta-
ráemSandCastle,CastelodeAreia,otele-
filme que o brasileiro Fernando Coim-
brafeznaNetflix,sobreaGuerranoIra-
que. Castelo é mais forte, reflexivo, mas
X-Men não nega fogo e é boa diversão.
TEL. PREMIUM, 20H20. REPR., COL., 144 MIN.
Filmes na TV Streaming
Há 40 anos, a escola de Hulda
Bittencourt ficava na Rua dos
Macunis, 520. Do outro lado do
Rio Pinheiros, a Universidade
deSãoPaulo(USP).Dali,daEs-
coladeEducaçãoFísica,umgru-
po de rapazes saiu em busca de
aulas de balé. “Chegaram de
shorts, pernas peludas e tênis.
Disseram que queriam dançar.
Falei que não sabia trabalhar
com homem, que estavam na
porta errada. Perguntei: ‘Que
dançavocêsquerem?Eusóensi-
nodançaclássica’.Eeles:‘Masé
essa mesma que a gente quer
aprender’”, conta Hulda.
“Souberam que a dança tra-
ziaoutrotipodetrabalhofísico.
Primeiro,acheiquequeriamna-
morar as bailarinas. Depois, vi
queeramsérioseprofissionais.
Coloquei todos na barra, ensi-
nei a base. Chamei coreógrafos
importantes: Victor Navarro,
NeideRossi,UmbertoSilva,Pe-
nhadeSouza,LuisArrietaeou-
tros. Eles também se apaixona-
ramporque viramqueosmeni-
nos davam conta. Aí surgiu
aquela dança bem forte, com
uma energia que contaminou
as meninas e o público.”
Assim, nasceu uma das mar-
cas da Cisne Negro: bailarinos
preparados para dançar obras
clássicas e contemporâneas. O
que o grupo faz há quatrodéca-
das,agora,éregraemtodagran-
de companhia do mundo.
Dois anos após a chegada dos
estudantesdaUSP,escolaecom-
panhiasemudaramparaoespa-
ço que ocupam hoje na Rua das
Tabocas,55.Oprédio–oprimei-
rodaVilaBeatriz,segundoDany
Bittencourt – foi erguido após o
engenheiro químico Edmundo
Bittencourt, marido de Hulda,
venderumafábricaealgunster-
renosparainvestirnoprojetode
vida da mulher. O empreendi-
mentovingou.Entreasconquis-
tas, turnês pelos EUA, pela Áfri-
ca,AméricadoSuleEuropa,sem-
precomcasascheias.
AhistóriadaCisneNegroéde
constantes recomeços. Parte do
sucesso se deve à perseverança
de Hulda e à sua habilidade de
agregar parcerias. Nesses anos
todos,acompanhiadesenvolveu
projetos sociais na capital e no
interior;levouadançaparaesco-
las e hospitais. Há 34 anos, põe
emcenaOQuebra-Nozes,espetá-
culomaistradicionaldacidade.
Aescolhapornãoterumcoreó-
graforesidentefezcomqueaCis-
neNegrofomentasseodesenvol-
vimento de jovens coreógrafos,
como o próprio Rui Moreira. “O
olhar da direção sempre foi de
descobrir novos talentos. Daí a
diversidade da companhia”, diz
Dany.Aqualidadede formadora
estánoDNAdogrupo,talvezpor
tersurgidoapartirdaescolaeser
liderado por Hulda, uma grande
mestra preocupada com o ensi-
nodadança.Ex-bailarinosdaCis-
ne Negro estão espalhados por
companhiasdomundotodo.
Hoje, Hulda lamenta a invia-
bilidade de fazer turnês inter-
nacionais e a crise, que tem
afastado o público. Mas sabe
queéumavencedora.“Mecon-
sideroumaheroína.”Estáhabi-
tuada a superar as adversida-
des.Adeagoranãoéaprimeira
nem será a última. / J.R.
Na web. Acompanhe
a cobertura cultural do
‘Caderno 2’ na internet
‘Black
Magic’
Lifetime/22h50
Nicholas Hoult. Como a Fera; ator também está em ‘Castelo de Areia’
40 anos de
bravura
DVD
Crianças
estadao.com.br/cultura
Controle
na mão
Ana
Botafogo.
No palco na
primeira
semana da
temporada
LOUCAS DE
ALEGRIA
Itália, 2016.
Dir. de
Paolo Virzi.
Imovision.
R$ 39,90
H.U.L.D.A.
TeatroSantander. Av. Pres. Jusce-
lino Kubitschek, 2.041; 4003-1022.
5ª e 6ª, 21h; sáb., 18h e 21h; dom.,
16h e 19h. R$ 50 a R$ 160. Até 30/4
FOX
NILTON FUKUDA/ESTADÃO
%HermesFileInfo:C-5:20170421:
O ESTADO DE S. PAULO SEXTA-FEIRA, 21 DE ABRIL DE 2017 Caderno 2 C5

40 anos de bravura

  • 1.
    VEJA TAMBÉM O Paida Noiva FATHEROFTHEBRIDE.(EUA,1991.)DIR.DE CHARLESSHYER,COMSTEVEMARTIN,DIANE KEATON,KIMBERLYWILLIAMS,MARTINSHORT. Remake da comédia de Vincente Min- nelli, de 1951. Papai entra em crise porque sua princesinha vai se casar. Às 23h55, o mesmo canal exibe o 2 – sobre o netinho, claro. TEL.FUN,12H45.REPR.,COLORIDO,105MIN. INFANTIL Alvin e os Esquilos – Na Estrada Alvin, Simon e Theodore ten- tam impedir que Dave se case. Para isso, unem-se ao filho da noiva numa viagem desastra- da.No final,tudo pelafamília. TEL. PREMIUM, 14H45. COL., 100 MIN. Valeria Bruni Tedeschi e Micae- la Ramazzotti fogem do hospi- tal psiquiátrico e caem na estra- da para uma louca aventura. O italiano Virzi, depois de Capital Humano, assina outro grande filme, agora uma espécie de versão revista do cultuado Thel- ma & Louise, sem aquele final. Splash – Uma Sereia em Mi- nha Vida SPLASH.(EUA,1984.)DIR.DERONHOWARD, COMDARYLHANNAH,TOMHANKS. O jovem Tom Hanks apaixona-se pela sereia Daryl Hannah. O filme de cabeceira de Ísis Valverde. Óti- ma comédia, grande diversão. TEL.CULT,19H55.REPR.,COLORIDO,111 MIN. X-Menunidos enfrentamosinistro Apocalipse Tudo começou com os estudantes de pernas peludas Juliana Ravelli ESPECIAL PARA O ESTADO Só mesmo com muita obstina- ção, beirando pura teimosia, é queseconstróiumacarreiraar- tística.Manterumacompanhia privada por 40 anos no Brasil, então, é para fortes, como Hul- da Bittencourt. A incansável criadoradaCisneNegroCia.de Dançasetransformouemmusa do espetáculo que celebra as quatrodécadasdogrupopaulis- tano. H.U.L.D.A. estreia nesta sexta, 21, no Teatro Santander. JorgeTakla,queassinaadire- ção,contaqueadmiraacompa- nhiahámuitotempoe,nosúlti- mosanos,tornou-semaispróxi- modeHulda.Quandosoubedo aniversário, sugeriu que fizes- sem um espetáculo sobre a al- madaCisneNegro.“Oqueées- sa força que faz com que uma companhianoBrasilresistatan- tos anos, arriscando, trazendo novidades? De onde vem essa força? Vem de uma pessoa que se chama Hulda”, diz o diretor. Segundo Takla, mais do que uma homenagem à fundadora dacompanhia,aobraéuma“re- flexão poética sobre o que é fa- zerarte,sobrecomomanteres- sa conquista viva”. Cadaletrado nome de Hulda dá origem a uma palavra dife- rente:horizonte,união,liberda- de, dança e amor. Elas guiam o espetáculo e surgem no palco como elementos cenográficos, criadospor NicolasBoni. Takla também gravou depoimentos deHuldaedebailarinos.Asgra- vações aparecem em meio à música composta por André Mehmari,quejáhaviatrabalha- docomaCisneNegro.Osfiguri- nos são de Fábio Namatame. Rui Moreira e Dany Bitten- court–diretoraartísticadacom- panhia e filha de Hulda – divi- dem a coreografia. “Quando Taklateveoinsightdacriação,a gentefalouqueseriaumproces- so que pegaria muito da minha vida, família, do meu pai (Ed- mundo Bittencourt, morto em 2004).Pensei:‘Seráquevoucon- seguir transportar tudo isso pa- ra a coreografia? Acho que não vouconseguirsozinha’.Precisa- va ter ao meu lado alguém com quem me desse muito bem, co- mo o Rui, que nasceu aqui den- tro também”, diz Dany. Rui chegou até Hulda no iní- cio dos anos 1980, por indica- ção de um professor. “Naquele momento, estava muito fresca a fama da Cisne Negro de aco- lher homens”, diz Rui. Fez um testeerecebeuoavalparafazer todas as aulas que desejasse. Nos intervalos, aprendeu a edi- tar filmes de rolo com Edmun- do Bittencourt. Com ele, tam- bémpassouadesenvolverequi- pamentosdeluzusadosnostea- trosemquedançavacomacom- panhia. “A Cisne Negro é espe- cial em minha história.” H.U.L.D.A.éaquartacriaçãode Rui para o grupo. Também co- reografouTrama(2001),C/Cor- das (2005) e Calunga (2011). Inspiração. Ana Botafogo, que também completa 40 anos de carreira em 2017, é outra gran- defiguraqueseuniuàempreita- da.Participoudetodaacriação do trabalho e estará no palco na primeira semana da tempo- rada. A primeira-bailarina e di- retora do Balé do Theatro Mu- nicipaldoRio(aoladodeCeci- lia Kerche) dividirá o papel comDanielaSeverian,quedan- çou naCisne Negro e, pormui- tos anos, na Alemanha. Na obra, Ana e Daniela ora repre- sentam uma musa, ora a pró- pria dança; em alguns momen- tos, personificam Hulda. “Essa homenagem é para a Huldaapaixonada,educadorae visionáriaque,pormeiodadan- ça, não só transformou vidas, como fez parte da história da cultura brasileira”, diz Ana. “Em uma época em que tudo é efêmero, a memória é curta e não se dá valor aos que já fize- ram, homenageá-la é celebrar a importância de todos os que deixaramumlegadoparaadan- ça, que dedicaram suas vidas para que essa arte tivesse o es- paço que tem hoje.” Desdeosanos1980,Ana dan- çacomoconvidadadaCisneNe- gro. Com o grupo, fez turnê em Nova York, dançou ao lado do bailarino norte-americano Fer- nando Bujones e viajou por to- do o interior paulista. “Sei co- mofoidifícilchegaratéaqui,co- mo uma companhia indepen- denteeconseguirsemanterpor 40anosnomercado,dandotra- balho a tantos profissionais.” Paracomemorar as suas quatro décadasdecarreira,Anaplaneja lançar em breve um livro escri- to pelo próprio pai, o cirurgião Ernani Ernesto Fonseca. ÉaprimeiravezqueTaklafaz oroteiroedirigeumespetáculo unicamente de dança. Afirma queaprendeumuitocomtodoo processoecomHulda.“Elatem uma determinação, uma força, umavontadedeviveredeconti- nuar…Tenho40anosdecarrei- ra, Hulda tem 60. Ela continua com vontade de fazer mais coi- sas. Não tem nenhum momen- to de fraquejar, desistir ou can- sar. Acho um exemplo de vida, porque eu fraquejo muito. Tem momentosem quequero desis- tir,queestoucansado,queacho quenão sei maiso quetenho de expressar. Questiono quem é o público, o que as pessoas que- rem, o que tenho a dizer. Hulda não.Elasempretemcoisasadi- zer e a expressar”, diz o diretor. Hulda está emocionada com o trabalho e com a celebração. Não só o grupo completa qua- trodécadas,masaescola–admi- nistradapelaprimogênitaGisel- le Bittencourt – também faz 60 anos. E se fosse para começar de novo, Hulda não pensaria duasvezes:“Nãomearrependo de nada. Faria tudo de novo”. ‘Bestival 2016: Highlights’ BIS/21h Série ‘The Tudors’ RedeTV/22h15 E com eles nasceu uma das marcas da cia: bailarinos preparados para dançar obras clássicas e contemporâneas AVENTURA ‘Alice no País das Maravilhas’ Adaptação da animação, Alice conta a história de uma jovem que segue um coelho branco e que vai parar no País das Mara- vilhas. Com Johnny Depp e He- lena Bonham Carter. MEGAPIX PLAY, 2010, 104 MIN. AÇÃO ‘Fator de Risco’ Nicolas Cage é um político que tenta se aproveitar de um vaza- mento de petróleo para fazer um plano de revitalização em seu distrito. NETFLIX,2015,89MIN. ANIMAÇÃO ‘A Bailarina’ Uma garota órfã foge para Pa- ris em busca de seu sonho: se tornar uma bailarina. Anima- ção boa para crianças e adul- tos, emociona. LOOKE,2016,89MIN. MatheusMans ‘Emergências Médicas’ Fox Life/18h10 Cia. Cisne Negro celebra aniversário com espetáculo que homenageia Hulda Bittencourt Dança Luiz Carlos Merten X-Men: Apocalipse X-MEN:APOCALYPSE.(EUA,2016.)DIR.DE BRYANSINGER,COMJAMESMcAVOY,MICHAEL FASSBENDER,JENNIFERLAWRENCE,OSCAR ISAAC,NICHOLASHOULT. No retorno às origens de X-Men, com James McAvoy e Michael Fassbender interpretando os jovens Professor X e Magneto, Apocalipse narra um mo- mentocrucialdasaga,quando,doAnti- go Egito, emerge o primeiro mutante. EnSabarNur,oApocalipse,interpreta- doporOscarIsaac,representa,aomes- motempo,asforçascriativaedestruti- va do universo. Será preciso juntar to- das as forças dos X-Men para fazer frente ao seu poder de dominação. Preste atenção na Fera/Hank McCoy. É o mutante de pele azul, com pés preênseis e força sobre-humana. O atorquefazopapeléobritânicoNicho- lasHoulte,nestasexta,eletambémesta- ráemSandCastle,CastelodeAreia,otele- filme que o brasileiro Fernando Coim- brafeznaNetflix,sobreaGuerranoIra- que. Castelo é mais forte, reflexivo, mas X-Men não nega fogo e é boa diversão. TEL. PREMIUM, 20H20. REPR., COL., 144 MIN. Filmes na TV Streaming Há 40 anos, a escola de Hulda Bittencourt ficava na Rua dos Macunis, 520. Do outro lado do Rio Pinheiros, a Universidade deSãoPaulo(USP).Dali,daEs- coladeEducaçãoFísica,umgru- po de rapazes saiu em busca de aulas de balé. “Chegaram de shorts, pernas peludas e tênis. Disseram que queriam dançar. Falei que não sabia trabalhar com homem, que estavam na porta errada. Perguntei: ‘Que dançavocêsquerem?Eusóensi- nodançaclássica’.Eeles:‘Masé essa mesma que a gente quer aprender’”, conta Hulda. “Souberam que a dança tra- ziaoutrotipodetrabalhofísico. Primeiro,acheiquequeriamna- morar as bailarinas. Depois, vi queeramsérioseprofissionais. Coloquei todos na barra, ensi- nei a base. Chamei coreógrafos importantes: Victor Navarro, NeideRossi,UmbertoSilva,Pe- nhadeSouza,LuisArrietaeou- tros. Eles também se apaixona- ramporque viramqueosmeni- nos davam conta. Aí surgiu aquela dança bem forte, com uma energia que contaminou as meninas e o público.” Assim, nasceu uma das mar- cas da Cisne Negro: bailarinos preparados para dançar obras clássicas e contemporâneas. O que o grupo faz há quatrodéca- das,agora,éregraemtodagran- de companhia do mundo. Dois anos após a chegada dos estudantesdaUSP,escolaecom- panhiasemudaramparaoespa- ço que ocupam hoje na Rua das Tabocas,55.Oprédio–oprimei- rodaVilaBeatriz,segundoDany Bittencourt – foi erguido após o engenheiro químico Edmundo Bittencourt, marido de Hulda, venderumafábricaealgunster- renosparainvestirnoprojetode vida da mulher. O empreendi- mentovingou.Entreasconquis- tas, turnês pelos EUA, pela Áfri- ca,AméricadoSuleEuropa,sem- precomcasascheias. AhistóriadaCisneNegroéde constantes recomeços. Parte do sucesso se deve à perseverança de Hulda e à sua habilidade de agregar parcerias. Nesses anos todos,acompanhiadesenvolveu projetos sociais na capital e no interior;levouadançaparaesco- las e hospitais. Há 34 anos, põe emcenaOQuebra-Nozes,espetá- culomaistradicionaldacidade. Aescolhapornãoterumcoreó- graforesidentefezcomqueaCis- neNegrofomentasseodesenvol- vimento de jovens coreógrafos, como o próprio Rui Moreira. “O olhar da direção sempre foi de descobrir novos talentos. Daí a diversidade da companhia”, diz Dany.Aqualidadede formadora estánoDNAdogrupo,talvezpor tersurgidoapartirdaescolaeser liderado por Hulda, uma grande mestra preocupada com o ensi- nodadança.Ex-bailarinosdaCis- ne Negro estão espalhados por companhiasdomundotodo. Hoje, Hulda lamenta a invia- bilidade de fazer turnês inter- nacionais e a crise, que tem afastado o público. Mas sabe queéumavencedora.“Mecon- sideroumaheroína.”Estáhabi- tuada a superar as adversida- des.Adeagoranãoéaprimeira nem será a última. / J.R. Na web. Acompanhe a cobertura cultural do ‘Caderno 2’ na internet ‘Black Magic’ Lifetime/22h50 Nicholas Hoult. Como a Fera; ator também está em ‘Castelo de Areia’ 40 anos de bravura DVD Crianças estadao.com.br/cultura Controle na mão Ana Botafogo. No palco na primeira semana da temporada LOUCAS DE ALEGRIA Itália, 2016. Dir. de Paolo Virzi. Imovision. R$ 39,90 H.U.L.D.A. TeatroSantander. Av. Pres. Jusce- lino Kubitschek, 2.041; 4003-1022. 5ª e 6ª, 21h; sáb., 18h e 21h; dom., 16h e 19h. R$ 50 a R$ 160. Até 30/4 FOX NILTON FUKUDA/ESTADÃO %HermesFileInfo:C-5:20170421: O ESTADO DE S. PAULO SEXTA-FEIRA, 21 DE ABRIL DE 2017 Caderno 2 C5